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Eduardo Brancalion

Aventuras no Charyn Cânion, no Cazaquistão.

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O Charyn Cânion se estende por 90 km ao longo do rio de mesmo nome, a 200 km de Almaty no sul do Cazaquistão e quase na fronteira com a China. Há 12 milhões de anos que o vento, a areia e as águas do rio vêm esculpindo as mais diferentes e intrigantes formas nas pedras avermelhadas do Cânion, formando um dos locais de natureza mais exuberante que visitamos no Cazaquistão. Chegamos tarde e tivemos que acampar no topo do Cânion, tendo sido surpreendidos no meio da noite por uma ventania das mais severas que já enfrentamos, que nos obrigou a fechar a barraca que ameaçava voar pelos céus e nos deixar desabrigados em pleno deserto, tendo ido dormir dentro do carro. Nos próximos 2 dias acampamos na beira do rio, dentro do Cânion, num local que mais parecia um oásis em meio àquela aridez toda, com muita vegetação e pássaros coloridos. Subíamos e descíamos os paredões e ficávamos horas admirando as formações rochosas e tentando adivinhar com o que se pareciam. Os cânions são mesmo surpreendentes, tendo ganhado o apelidado de “little brothers” do pop star Grand Canyon, no Arizona. Um lugar imperdível na sua visita ao Cazaquistão. 

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    • Por Tadeu Pereira
      Salve Salve Mochileiros! 
      Segue o relato do nosso mochilão batizado de Trinca de Áries pelo litoral do Uruguai.
       
      1º Dia: Partida - 26/12/17 - 19h30min - São Paulo x Porto Alegre - Empresa de Ônibus Penha - R$226,65
          Partimos de São Paulo Capital do Terminal Rodoviário do Tietê às 19h30min do dia 26 de Dezembro de 2017 em direção ao sul do país para cruzarmos a fronteira do Brasil com Uruguay. Depois de uma chegada conturbada ao terminal do Tietê conseguimos embarcar sendo os últimos a entrar no ônibus com um pequeno atraso rs. A viagem seguiu tranquila com paradas de 3 em 3 horas de 25 a 30 minutos. Chegamos em Porto Alegre às 16h00. 
       
      2º Dia: 27/12/2017 - 23h00 - Porto Alegre x Chui - Empresa de Ônibus Planalto - R$145,45 - Guarda volumes R$8,00 - Banho R$15,00 
          Chegando na capital gaúcha na Estação Rodoviária Central fomos logo comprar as passagens com a empresa Planalto para o Chui. Passagens compradas encontramos um guarda volumes no terminal para guardar nossas mochilas por R$8,00 pois iriamos embarcar somente às 23h00 para o Chui. Decidimos andar um pouco pelos arredores da rodoviária, andamos por algumas praças visitamos o Mercado Público e logo fomos procurar as margens daquele imenso rio que cortava a cidade toda. E encontramos!                                                                                                                                                   

       
        
           Depois de andar um bocado pela cidade, comer e tomar a cerveja Polar famosa no sul, fomos para as margens das águas do rio Guaíba e encontramos um dos mais belos por do sol do mochilão, ficamos algumas horas contemplando aquele momento.
       

       
           Após esse espetáculo da natureza gaúcha retornamos para o terminal rodoviário para pegar as mochilas no guarda volumes e tomar um belo e merecido banho que encontramos no terminal rodoviário custando R$15,00 Reais por 8 minutos de banho quente. E acreditem, o tempo dá e ainda sobra rs! Banho tomado, celulares recarregados, barriga cheia é pé na areia, fomos para a plataforma de embarque aguardar o ônibus do nosso próximo destino, o Chui. 
       
      3º Dia: 28/12/2017 - 9h30min - Chui x Punta Del Diablo - Empresa de Ônibus Rutas Del Sol - $97,00 Pesos - Câmbio 8.30 - Taxi $150 Pesos - Camping $140 Pesos - Glamping $160 Pesos 
          Desembarcamos no Chui por volta das 7h00 da manhã, a cidade ainda estava acordando e não havia muitas pessoas pelas ruas. Fomos a procura das passagens para Punta del Diablo com a empresa Rutas del Sol, mas antes teríamos que atravessar a fronteira rs. Andamos algumas quadras e chegamos nas avenidas Uruguay e Brasil sendo ali a fronteira Brasil e Uruguai onde atravessamos caminhando. Pronto agora estamos no Chuy com Y mesmo ahuahuah.  Encontramos o guichê da Rutas del Sol e compramos nossas passagens por $97,00 Pesos para às 9h30min horário do Uruguai, pois não existe horário de verão como no Brasil, basta atravessar a fronteira que o horário altera, então lembre-se disso. Tomamos um ótimo café da manhã em um hotel restaurante chamado Nuevo Hotel Plaza localizado na Rua Arachanes, na mesma praça que se embarca pra Punta del Diablo. Pagamos R$20,00 Reais e comemos e bebemos à vontade depois fumamos nosso primeiro baseado em terras legalizadas ahahaha e o próximo passo seria fazer o cambio da moeda local, encontramos varias casas de cambio por ali mesmo nos arredores. Conseguimos uma cotação de 8.30 e trocamos R$250,00 Reais pois os próximos destinos não teriam casas de cambio. Embarcamos atrasados novamente, mas dessa vez pela confusão de horário que fizemos devido o horário de verão no Brasil e no Uruguay não ter. 
           Saindo do Chuy após uns 20 minutos o ônibus irá fazer uma parada na ADUANA (Administración de Aduanas de Chuy) que é responsável pela fiscalização e imigração de fronteira. Como a empresa de ônibus é uruguaia o motorista irá gritar "imigracion" mas se não houver ninguém para firmar a entrada no pais ou seja os turistas, o ônibus seguira em frente. Foi exatamente o que aconteceu com o nosso ônibus, como ninguém quis firmar a entrada no país o motorista seguiu viagem sem ninguém ao menos precisar descer do ônibus. A dica é: exija sempre sua entrada no país que estiver indo na América do sul, nós não fizemos isso como todos no ônibus e pagamos por isso na volta, mas contarei essa situação mais a frente. 
       
                                   
       
           Chegamos por volta das 11h00 em Punta del Diablo, o dia estava nublado um pouco fechado porém ainda assim não tirou a magia do lugar. Logo que desembarcamos fomos em uma barraquinha que tinha uma simpática senhora que vendia tortas de algas, compramos algumas pegamos um táxi pagamos $150 Pesos e fomos direto para o camping FLOR DE PEZ. Um pouco afastado do centrinho e do mar de Punta del Diablo o camping fica na Rua Nº1 e é muito aconchegante, limpo, com wifi, com opção de glamping $160 Pesos o dia e camping $140 Pesos o dia, com ótimos banheiros e chuveiro quente. 
             
                                   
       
           Acampamento montado fomos conhecer as praias de Punta del Diablo. Descendo a rua do camping com uma caminhada de 10 minutinhos e chegamos a Playa del Rivero. De fácil acesso, praia movimentada, embora estivesse um pouco vazia este dia devido ao tempo nublado, mas logo surgiu um sol lindo e a praia lotou de turistas. Compramos os famosos bolinhos de algas que são vendidos nas praias mesmo. Eles lembram um bolinho de arroz ou um tempurá rs, mas são muito bons, recomendo que comprem os da praia e não direto dos quiosques, pois os da praia são mais baratos, pagamos $100 Pesos por umas 15 unidades e são muito bons. Ficamos perambulando pelos arredores e fomos conhecer o mercado das Pulgas no centrinho da cidade, mais a noite a vida noturna da cidade é bem movimentada. Existem diversos bares, barracas de artesanato, comidas, lojinhas e diversos artistas. Comemos o famoso Chivito com fritas por $300 Pesos e brindamos nosso primeira praia em terras uruguaias com a deliciosa cerveja Patricia pagando em torno de $100 Pesos. Voltamos para o camping para um bom e merecido descanso. ZZZzzzzZzzZzzz...
       
                                          
       
         
       
       
       
       
       
       
       
       
       
           
           Energias recarregadas bora conhecer outros lugares, fomos para Playa de los Pescadores e logo a frente o Monumento do General Artigas e vimos de longe a Playa de la Viuda que fica um pouco afastada. No Monumento do General Artigas conhecemos um casal de Blumenau que estavam indo para o nosso próximo destino, Valizas. Eles gentilmente ofereceram uma carona para nós, o que poupou o valor do transporte, combinamos de encontrar umas 16h30min. Fizemos nossas mochilas, erguemos acampamento, despedimos da galera do camping e fomos nos encontrar com casal de Blumenau para seguirmos para Valizas.  
       
        
       
      5º Dia: 29/12/2017 - 17h10min - Punta Del Diablo x Valizas - Carona R$0,00 - Camping $350 Pesos - Cuia, bombicha e garrafa térmica $118 Pesos 
           Chegamos em menos de 1h em Valizas e fomos direto ao camping LUCKY VALIZAS para tentar encontrar vagas. Encontramos um Eco camping todo estruturado, com muitos animais, ótimos banheiros com água quente, boa cozinha, ótima área de camping, quartos compartilhados, suítes e localizado a algumas quadras da praia. Fechamos 3 dias por $1050 Pesos pois iriamos precisar de três dias para conhecer Valizas e fazer a travessia para Cabo Polônio para passarmos a virada de ano. 
       
                                         
       
         
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
       
           Montamos nossas barracas novamente e saímos para conhecer as praias de Valizas. Caminhas uns 10 minutos com o sol ainda alto no céu e encontramos uma praia com uma faixa de areia extensa, com as dunas em direção a Cabo Polônio separadas por um estreito rio que quando a maré esta baixa pode se atravessar com a água nos joelhos. Decidimos ficar o resto da tarde na praia e fomos presenteados com um belo por do sol.    
       
                      
       
            Ficamos muito felizes com o camping que escolhemos, parecia q estávamos em uma fazendinha com vários animais ao nosso arredor rs, a energia do lugar era muito boa, fomos muito bem recepcionados neste belíssimo Eco camping. Quando a noite caiu fomos ao centrinho de Valizas, com algumas opções de restaurantes, bares, diversos tipos de artesanato e muitos artistas pelas ruas. Em uma rua encontramos varias apresentações feitas na rua livre pra todo mundo ver. Uma pena que chegamos bem no finalzinho das apresentações mas já dava pra notar que ali seria o nosso lugar! Entramos em uma loja das famosas cuias para se tomar chá que os Uruguaios tanto gostam. Compramos a cuia com a bomba mais a garrafa térmica por $118 Pesos, só faltava o chá que nos mercados locais achamos facilmente. 
       

       
           Acordamos no sétimo dia um pouco mais cedo pois iríamos fazer o ponto mais alto do nosso mochilão, a travessia pelas dunas e pelo mar de Valizas até Cabo Polônio. Levamos 2 mochilas com algumas cobertas, blusas de frio, lanternas, água e algo para comer. Optamos dessa forma para poupar peso durante o trekking de 4 horas. 
       
      7º Dia: 31/12/2017 - 16h00min - Valizas x Cabo Polônio - Trekking 4hs - Travessia barco $50 Pesos - Chivito $200 Pesos - Cerveja Patricia $140 Pesos - Farol $25 Pesos 
            Saímos do camping por volta das 15h00, fizemos uma boa alimentação antes, passamos bastante protetor e nos dirigimos a travessia de barco pois o mar este dia estava muito alto para atravessar a pé com as mochilas, pagamos o valor de $50 Pesos por pessoa e em 5 minutos estávamos do outro lado. A caminhada começa pelo lado direito seguindo o rio e alguns metros a  frente começamos a andar nas dunas a esquerda, um nativo nos indicou desta forma pois o caminho seria menor.
       
                                                    
       
       
       
       
       
       
       
       
           Andamos umas 2 horas e chegamos a um mirante que tem uma vista fantástica de Valizas e de todo caminho q iriamos percorrer até Cabo Polônio. Decidimos sair das dunas e caminhar pelo mar pois a terra era mais firme e não cansava tanto. O caminho pelo mar era incrível, caminhamos vendo um por do sol sensacional e já enxergando o farol de Cabo Polônio em nossa frente. Encontramos também alguns animais mortos pelo caminho, na maioria filhotes de lobos marinhos que provavelmente se separaram de seus pais e não conseguiram encontra los mais, triste porém é a natureza! Chegamos no farol por volta das 19h00 e fomos direto para colônia de lobos marinhos que existe atrás do farol. Foi lindo ver tantos lobos marinhos juntos, gritando, brigando e procurando um espaço nas pedras, ficamos emocionados e realizados por tudo aquilo que estávamos vendo. Assim que a noite veio fomos para o centrinho de Cabo Polônio, afinal de contas era o último dia do ano e tínhamos que encontrar algum local pra comer, passar a virada e dormir.  
           


                                                                                                                                   
       
           Encontramos um ótimo local que servia chivito por R$200 Pesos e cerveja Patrícia por R$140 Pesos. Energias recarregadas ficamos perambulando pelas ruazinhas de Polônio onde se encontra diversos bares, restaurantes e lojinhas com maravilhosos artesanatos. Passamos a virada por ali mesmo com aquele céu lindo cheio de estrelas, assistimos diversas queima de fogos iluminando aquela pequena vila e nos mostrando um pouquinho do que iríamos ver quando o sol nascer, pois Cabo Polônio não existe energia elétrica. Após toda festividade de ano novo nos dirigimos para praia e encontramos uma cabana de salva vidas onde nos abrigamos da fina chuva que se iniciou na madrugada. Acabamos dormindo por ali mesmo. 
           O sol nasceu  pela primeira vez em 2018 nos mostrando a verdadeira magia daquele lugar, nos deparamos com uma bela praia com um céu muito azul e um belo farol que estava fechado pelo feriado mas tinha um valor de $25 Pesos. Andamos por toda a vila e fomos novamente para a colônia de lobos marinhos atrás do farol. Uma imagem quase que de Discovery Channel hahaha. Ficamos horas contemplando aquela fantástica paisagem.
       

          
          
       
           A volta para valizas foi um pouco cansativa, saimos por volta das 14h00 e fomos somente pelo mar fazendo o percurso mais longo mas muito bonito também. Paramos poucas vezes para tomarmos água e fotografar pois teríamos que chegar a tempo de conseguir transporte para o nosso próximo destino, Montevidéu. 
       
         
       
       
           Chegamos no camping e tivemos a infelicidade de encontrar nossas roupas ensopadas dentro da barraca pois na noite da virada ocorreu um temporal no camping molhando quase todas as barracas que estavam por la. Tivemos que retirar toda roupa e colocar para secar no camping antes de partirmos. Roupas secas, mochilas prontas, levantamos acampamento e nos despedimos mais uma vez e lá fomos nós para o nosso próximo e ultimo destino, a capital do Uruguai Montevidéu.  
       
      8º Dia: 01/01/2018 - 18h00min - Valizas x Montevidéu - Empresa de Ônibus Rutas Del Sol $601,00 Pesos - Hostel $600 Pesos - Taxi $180 Pesos - Cerveja Patricia $104 Pesos - MSC - Museu da Maconha $200 Pesos - Ceda $100 Pesos - Maconha $200 Pesos a grama - Hamburguesas $200 Pesos - Câmbio 8.10
           Conseguimos um ônibus em Valizas por $601 Pesos e somente lembro de sentar na minha poltrona fechar os olhos e abrir em Montevidéu pois o cansaço da travessia de 22km de ida e volta entre Valizas a Cabo Polônio naquela hora deu sinais de que iria nos derrubar. Já no Terminal Rodoviário Tres Cruces por volta das 23h00 decidimos pegar um táxi por $180 Pesos para irmos direto para o Hostel que um amigo tinha indicado, seguimos direto para o Bo! Hostel que fica na rua Canelones, 784 atrás do Teatro Solís. Fizemos o check-in pagamos $600 Pesos na diária com café da manhã incluso. A galera do hostel nos recebeu muito bem, o lugar é limpo, com quartos para casais e compartilhados, banheiros limpos, com ótimo wifi, salão de jogos, um lindo terraço, ótima cozinha e uma galera muito legal que nos deixou bem à vontade. 
       
           
        
                 
       
                Andamos quase toda capital a pé e com transporte público que é bem barato, conhecemos o Teatro Solís, a Plaza Independencia, o Mercado del Puerto, caminhamos alguns quilômetros pelas maravilhosas Ramblas onde fomos presenteados por paisagens que são de encher os olhos de lágrimas. O por do sol visto da Rambla é sensacional e emocionante. Foram momentos únicos de contemplação que fazem você refletir sobre diversas coisas na sua vida. Chegando nos dias finais do nosso mochilão, um de nós como previsto iria partir para São Paulo no dia seguinte. Saímos do hostel a tarde e fomos acompanhar nossa amiga e parceira de mochilão até o terminal Tres Cruces para retornar a São Paulo. Aproveitando que estávamos no terminal novamente fizemos o cambio por ali mesmo, vale a pena dar uma pesquisada em algumas casas de câmbio que tem do lado de fora do terminal também pois você pode encontrar melhores taxas de câmbios. Tarefas cumpridas, fomos atrás da famosa maconha do Uruguay e encontramos pelo valor de $200 Pesos a grama valendo muito a pena pois é de alta qualidade e pura, já a ceda achamos um pouco cara, um pacote de ceda compramos por de $100 pesos, em torno de R$15,00 Reais.     
       
          
          

          
        

       
            No dia seguinte fomos ao Museu da Maconha de Montevidéu - MCM que fica na rua Durazno, 1784. O museu conta toda história da maconha no mundo desde o começo até os dias de hoje e conta também o processo de legalização no Uruguay. Pagamos $200 Pesos para entrar e ficamos um bom tempo la com os funcionários já que fomos os últimos a entrar no museu.
            A vida noturna em Montevidéu rola diversos bares e pubs, encontramos um que se chama Rock es la Cultura localizado na rua Sorlano, 952. O Pub é totalmente voltado para o rock com fotos de bandas por toda parte, televisões passando clipes e shows e um palco para bandas se apresentarem, o que não aconteceu aquele dia. Tomamos um ótimo vinho, ouvimos uma boa música e comemos uma pizza bastante saborosa e retornamos ao hostel.
          Compramos diversas tipo de alimentos em free shops que ficam espalhados pela cidade, um deles chamado Devotos Express encontramos ótimos preços para alimentos, bebidas, alfajores, doces de leite entre outras coisas, vale muito a pena comprar nestes lugares. Comemos também as famosas Hamburguesas por $200 Pesos pedindo pelo telefone no próprio hostel e ainda vem com várias batatas fritas e bem rápido a entrega, uma ótima e barata opção pra matar a fome. 
       
          
        
       
           No penúltimo dia em Montevidéu fui até ao terminal garantir as passagens para São Paulo. La no guichê descobri que quando entramos no país deveríamos ter firmado a entrada na ADUANA (Administración de Aduanas de Chuy), sendo assim não conseguiríamos pegar um ônibus direto para São Paulo pois na ADUANA na volta iriam solicitar a entrada e como não tínhamos firmado seria cobrado uma multa de $2.800 Pesos. Por causa desta falta de informação decidi pegar um ônibus de Montevidéu para o Chuy e fazer a rota que eu fiz para entrar no país sendo aconselhado pela atendente da empresa de ônibus pois seria a melhor forma de voltar ao Brasil sem ter que pagar a multa. Então quando passarem pela Aduana lembrem se de solicitar a entrada no país pois na voltar se não estiver com a entrada será cobrado multa. 
           Acordamos arrumamos nossas mochilas, fizemos o check-out no Bo! Hostel e fomos para o terminal de táxi para nos despedirmos, pois iríamos para lugares diferentes. Eu tinha que seguir para o Chuy e minha companheira de mochilão junto com seu novo companheiro alemão iriam para Santa Tereza. Nos despedimos e eles embarcaram primeiro, uma hora depois foi a minha vez de embarcar. Hasta luego Uruguay! 
       
        
           
      13º Dia: 06/01/2018 - 14h30min - Montevidéu x Chuy - Empresa de Ônibus Rutas Del Sol $701,00 Pesos - Hostel R$50 Reais - Churri R$8,00 - Cerveja Glacial R$5,00 
           Chegando no Chuy por volta das 19h30min recebi a informação que não havia mais passagens para São Paulo e nem para Porto Alegre para aquele dia, então comprei uma passagem para Pelotas-RS para o outro dia de manhã para não ter que ficar muito tempo no Chuy. Conheci um colombiano na mesma situação que a minha mas que iria ficar em Florianópolis, nos unimos para procurar um hostel barato para passar a noite até o embarque de manhã. Conseguimos depois de algumas tentativas encontrar um hostel barato, fomos orientados a procurar pelo Poseidon Hostel que fica na rua Chile, 1131 no lado do Brasil. Fomos recepcionados pela dona do local com muita simpatia e cordialidade. Fizemos o check-in por R$50,00 Reais para passarmos a noite em um quarto compartilhado. Tomamos um bom banho e fomos ao lado Uruguaio comer alguma coisa pois estávamos mortos de fome. Encontramos um Senhor que vendia churri, um tipo de sanduiche rercheado com linguiça, vinagrete e com um pouco de pimenta tostado em um tipo de churrasqueira, pedi um churri por R$8,00 Reais e uma cerveja Glacial latão por R$5,00 Reais.
       
        
        
       
           Acordamos por volta de 7h00 e fomos para o terminal de ônibus para embarcar para Pelotas, no caminho vimos que duas argentinas que estavam no mesmo hostel que nós iriam para Pelotas e depois para Florianópolis também como o colombiano. Bastou um pouco de conversa e estávamos todos unidos para o mesmo destino, Pelotas. 
       
      14º Dia: 07/01/2018 - 9h00 - Chuy x Pelotas - Empresa de Ônibus Expresso Embaixador R$61,00 Reais
           Desembarcamos em Pelotas por volta das 13h00, como meu próximo destino era Curitiba e o horário que consegui passagem era para 18h30min ficamos aguardando debaixo de uma bela árvore na rodoviária jogando conversa fora até dar nosso horário. 
       
      14º Dia: 07/01/2018 - 18h30min - Pelotas x Curitiba - Empresa de Ônibus Penha R$226,46 Reais
           Saímos de Pelotas as 18h30min e no meio do trajeto por volta das 05h00 de uma manhã com muita chuva em Florianópolis me despedi dos três amigos que desembarcariam na ilha da magia. Até Curitiba ainda restavam algumas longas horas.
       
      15º Dia: 09/01/2018 - 14h00 - Curitiba x São Paulo - Empresa de Ônibus Cometa R$118,00 Reais
           Por volta de 13h00 desembarquei em Curitiba e fui direto ao guichê da Viação Cometa garantir minha passagem o mais rápido possível para São Paulo. Consegui para às 14h00 do mesmo dia. Comi alguma coisa no terminal rodoviário e embarquei para o destino final do mochilão chegando por volta das 21h30min do dia 9 de Janeiro de 2018 onde se encerra meu primeiro mochilão pelo Uruguay. 
       
      Gastos totais: R$1.662,56
       
       
      Muchas Gracias!

       
       
    • Por Schumacher
      Salve, colegas mochileiros! Esse relato é o resumo de uma viagem econômica bem recente ao Oriente Médio. Quem quiser mais informações, poderá conferir em meu blog Rediscovering the World 
       
      Dia 1
       
      Em 6 de novembro de 2018 parti à tarde de Floripa ao Rio-Galeão pela Gol. Lá encontrei meu colega Mailton, que havia conhecido pelo fórum Mochileiros, e com quem viajaria junto.
       
      Usando meu cartão de crédito Smiles Platinum, pudemos aguardar o voo na sala VIP da Gol, comendo e bebendo à vontade.
       

       
      À noite, embarcamos com a TAP até Porto, onde faríamos uma conexão gratuita de quase 2 dias. Cada trecho do voo custou uns 850 reais, comprando com meses de antecedência.
       
      À bordo, o avião meio velho não reclinava quase nada, então foi difícil conseguir umas horas de sono.
       
      Dia 2
       
      A janta foi boa, o café da manhã nem tanto. Descemos em Portugal de manhã cedo, passando tranquilamente pela imigração.
       
      Deixando o terminal, pegamos o metrô até a nossa hospedagem. O valor varia com a distância, mas fica em torno de 2 euros + 60 centavos pelo cartão recarregável que pode ser usado ainda nos bondes e ônibus.
       
      Ao chegarmos no estiloso albergue Rivoli Cinema Hostel, deixamos as mochilas e ainda pudemos aproveitar o café da manhã de graça, antes de sairmos para conhecer a cidade histórica que é patrimônio da UNESCO.
       
      A pé, vagamos pelos caminhos de pedra, adentrando construções antigas e importantes, como a Câmara Municipal do Porto. Passamos por diversas edificações, incluindo igrejas e a estação de trem de Bragança, que apresentam os famosos azulejos azuis portugueses em suas paredes.
       
      Em seguida, contornamos a Sé do Porto, onde a vista ao interior da cidade é bonita, para então chegar à fascinante Ponte Luís I. Do alto dela se pode admirar o que se eleva às margens do Rio Douro, sendo construções clássicas (ainda que parte delas lembre um pouco uma favela).
       

       
      Mais alto ainda, do outro lado da ponte, fica o Mosteiro da Serra do Pilar, com a vista sobre toda a região. Para isso não se paga, somente se quiser vê-lo de dentro (2 euros).
       
      Descemos tudo até a beira do rio. Diversos barcos ficam por lá, alguns para passeios turísticos e outros carregando barris de vinho.
       
      Tentamos achar um lugar para almoçar, mas estava meio caro nos restaurantes e até no Mercado Municipal da Beira-Rio, com diversas opções. Ficamos com o rodízio de pizza da Pizza Hut, por 11 euros. Só que saímos de lá meio arrependidos, pois ainda que tenhamos enchido nossas panças, a qualidade da comida deixou a desejar.
       
      Atravessamos à outra margem, mais interessante do ponto de vista arquitetônico. Nesse lado, andamos um tanto seguindo o rio, passando em frente a alguns museus.
       
      A certo ponto, pegamos um ônibus até a foz do rio, onde fica uma praia e um forte. Descemos lá a fim de ver o espetáculo das ondas atingindo com força total o molhe e o Farol de Felgueiras que lá se encontra. Ficamos até o sol se pôr e levamos um banho das ondas grandes.
       

       
      Caminhamos em direção norte por um calçadão com vários corredores e ciclistas, até um supermercado, onde jantamos uns salgados baratos. Para não dizer que não comi nada local, um deles era de bacalhau.
       
      Logo mais, voltamos de metrô até a hospedagem. Pagamos os 15 euros e nos retiramos, bastante cansados pela falta de sono da noite anterior.
       
      Dia 3
       
      Tomamos um belo dum café da manhã no albergue. Depois disso, caminhamos sob chuva pela Rua Santa Catarina, onde fica o comércio.
       
      Pegamos algo para comer no caminho, indo de metrô até a última estação no norte, Póvoa de Varzim. Ao passar por um aqueduto, cerca de uma hora depois chegamos.
       

       
      A primeira parada na cidadezinha foi a Praça de Almada, que é a central. Depois de umas fotos, vimos a Igreja Matriz, também bonita.
       
      Em sequência, entramos no Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim. A entrada normal é de apenas 1 euro, mas naquele dia não pagamos nada. Há uma dezena de salas retratando a arqueologia e a história da região, bem como os costumes mais recentes dos povoanos (gentílico de Póvoa de Varzim)..
       
      Por fim, adentramos na Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, que mantém apenas a estrutura externa, do alto da qual se pode ver a bela orla da cidade.
       
      Compramos uns doces numa pastelaria (pastelarias não vendem pastéis em Portugal) e aguardamos o metrô para regressar e chegar no aeroporto.
       
      Com um pouco de atraso, decolamos na TAP ao aeroporto de Malpensa em Milão, um voo de 2 horas sem nem telas de vídeo.
       
      Na chegada, esperamos o transfer incluído da hospedagem em que ficamos (Bosco Gadda Bed & Breakfast - 49 euros o quarto duplo), bem próxima desse aeroporto. O quarto e o banheiro são impecáveis, e o local, no meio do mato, silencioso.
       
      Dia 4
       
      Tomamos um café razoável e voltamos ao terminal aéreo, dessa vez para voar a Atenas com a Aegean (57 euros até a Turquia). Ganhamos um lanche a bordo.
       
      Ficamos esperando por 4 horas no aeroporto até o voo seguinte à Turquia. Há um pequeno museu gratuito com as descobertas arqueológicas na área do aeroporto. Comprei uma pasta de húmus e pão num mercado grego para almoçar.
       
      Fui espremido por um turco obeso no turboélice até Istambul, já à noite. No aeroporto Atatürk, compramos o cartão de transporte Istanbulkart (6 liras turcas ~ 4 reais), que serve pros dois, carregamos ele (só dinheiro é aceito) e o usamos no metrô (2,6 liras independentemente da distância + 1,85 a cada mudança de linha).
       
      Assim, chegarmos um tempo depois na Koçak Pansiyon. Foi lá onde dormimos, a 18 euros por um quarto razoável pra dois sem café.
       

       
      Dia 5
       
      Pegamos o metrô até a estação Yenisahra. Na saída, fizemos um lanche na confeitaria Nuga. Comi um salgado com queijo e um smoothie por 16 liras, que puderam ser pagos com cartão de crédito.
       
      Em frente, tomamos o ônibus Havabus (14 liras), que parte a cada meia hora até o outro aeroporto (Sabiha Gökçen). Nada mal esse caminho. De lá, voamos a Diyarbakir com a cia de baixo custo turca Pegasus Airlines.
       
      O aeroporto de Diyarbakir é novinho, assim como uma parte da cidade por onde passamos no táxi superfaturado de 40 liras até a cidade velha. Descemos no portão Urfa e atravessamos as muralhas parcialmente erodidas da parte histórica.
       
      Caminhamos pela rua principal, cheia de comércios, aos olhos de todos que passavam pelos únicos turistas.
       
      Almoçamos no Mesopotamya, um café com música ao vivo. Um pratão de frango com molho apimentado, acompanhado de vegetais verdes e pães, custou 25 liras pra cada + 5 de couvert.
       

       
      Depois da substancial refeição, desviamos por uma das vielas, mas não achamos uma ideia muito boa, pois os becos são um pouco sinistros.
       
      Ao pôr do sol, entramos na mesquita Ulu Cami, a principal. É bonita por dentro e não se paga para conhecer.
       
      A presença da polícia nas ruas é marcante. De vez em quando se vê algum portando uma arma de guerra ou um veículo blindado.
       
      Por fim, subimos as muralhas da Fortaleza de Diyarbakir. Patrimônio da UNESCO, está preservada, ao contrário da zona a sua volta, que mais parece que foi atingida por um míssil.
       
      À noite, as muralhas, o jardim interno e a mesquita ficam iluminados, incrementando o visual.
       

       
      O museu já estava fechado, mas descobri que o complexo começou a ser erguido pelos romanos, passando a outras civilizações até os otomanos.
       
      Pegamos um táxi até a rodoviária (Otogar) por 28 liras. Organizada, bastou recolher nossos bilhetes comprados na internet, e aguardar até às 20h para a saída a Erbil, no Iraque. O custo foi de 150 liras num ônibus VIP, com tela de vídeo, tomada e líquidos. Só que faltou banheiro, espaço e inclinação maior nos assentos - não que esses últimos itens façam diferença, já que é impossível dormir.
       
      Dia 6
       
      As paradas, inclusive policiais, foram várias. À 1 da manhã, jantamos uma refeição de 25 liras num restaurante bem na fronteira com a Síria, um lugar bom pra relaxar, só que não.
       
      Se não bastasse isso, o motorista guiou o ônibus dali até chegar no Iraque pela contramão, visto a fila quilométrica de caminhões que bloqueava a via correta.
       
      Deixamos a Turquia pela fronteira de Ibrahim Khalil. Nessa hora, entramos na sala onde conseguiríamos o visto para o Curdistão (que é diferente do iraquiano) ou não. Os oficiais nos fizeram algumas perguntas, olharam algumas listas atrás de informações, e a tensão ficou no ar… Mas felizmente nos deram um visto para 30 dias!
       
      Felizes com o sucesso, seguimos o resto do caminho, conseguindo dormir praticamente nada até a chegada a Erbil, com o sol já de pé. Isso foi às 7 da matina, ou seja, a viagem durou nada menos que 11 horas!
       
      Compramos a passagem de retorno (25 dólares) no terminal e vagamos que nem uns zumbis por quase 6 km até o hotel de Erbil. Nesse caminho não vimos absolutamente nada de interessante. Mas nos chamou a atenção a quantidade de câmeras de segurança e guardas armados com fuzil, o lixo jogado em qualquer lugar, bem como a alta proporção de fumantes, que praticam o ato até mesmo em lugares fechados.
       
      Conseguimos aproveitar ainda o exótico café da manhã do hotel Altin Saray, onde fizemos check-in. Teoricamente é 4 estrelas, mas de forma alguma eu o consideraria com mais de 3, visto seu estado de conservação e amenidades. Ao menos possui wi-fi. A diária custou 50 dólares, dividido em 2.
       
      Com o sol já quente, deixamos o quarto para nos aventuramos nos arredores. Trocamos dólares na cotação padrão (1200 dinares iraquianos por dólar) em uma das bancas na rua - Erbil é segura o suficiente para isso e os curdos são honestos.
       

       
      Depois, prosseguimos à cidadela, patrimônio da UNESCO que fica em um monte no meio da cidade. Apesar de ter uma história antiquíssima, com habitação contínua por cerca de 6 mil anos, as muralhas e demais construções em barro estão decadentes, e a restauração está deixando tudo muito artificial com itens modernos.
       

       
      Não se paga nada a entrar, somente os museus internos. Fomos nos 2 que estavam abertos: o têxtil (mil dinares) e o de geologia (1500 dinares).
       
      Fora isso, há uma mesquita e a vista dos 2 lados dos portões, mas a maior parte da estrutura interna está inacessível.
       
      Descemos do outro lado e um pouco depois achamos um lugar pro almoço. Com 8000 dinares cada, recebemos uma infinidade de comida no restaurante Ranya. O principal era o kebab, mas os acompanhamentos foram excessivos.
       
      Que nem bolas, rolamos até a parada seguinte, a majestosa mesquita de Jalil Khayat.
       

       
      Pegamos umas paradas no Carrefour do shopping ao lado, e em meio ao trânsito caótico, voltamos.
       
      Enquanto o Mailton foi pro hotel descansar, eu fui na cidadela assistir o sol se pôr e o chafariz da praça se elevar. Acabei fazendo amizade lá com um curdo e um árabe, que me pagaram um chá enquanto conversávamos.
       
      Depois disso me retirei ao hotel e desmaiei.
       
      Dia 7
       
      O conforto do quarto estava bom, pois dormimos em torno de 12 horas!
       
      Depois do café, saímos a caminhar. Primeira parada: Erbil Civilization Museum. É um museu gratuito, com 3 salas, onde ficam diversos artefatos das civilizações que viveram no Curdistão no passado, principalmente os povos da Mesopotâmia.
       
      Enquanto vagávamos em direção aos parques, fomos repreendidos por tirar fotos que não deveríamos, uma paranóia só.
       
      Entramos em 4 parques, todos eles quase vazios, com a maioria das lanchonetes fechadas e dos chafarizes desligados. Aqui é tão seco que a água evapora dos lagos artificiais de uma hora pra outra.
       
      O primeiro parque foi o Gilkand, cujo destaque é uma cascata artificial. Depois, o Shanadar, que tem um mirante. Também é cruzado por um teleférico (que não estava ligado) até o seguinte, Minare Park. Seu nome é devido a um minarete antigo que se encontra dentro dele.
       

       
      Almoçamos em seguida no Supass, lanchonete onde comi um prato de saladas e tal por 3 mil dinares. Me deu uma zica no estômago, mas não tive onde me aliviar, pois nem ali e nem os parques eu poderia usar o banheiro, a não ser que fizesse de cócoras e limpasse o traseiro só com água - costume local que eu fiz questão em não aderir.
       
      O último parque (Sami Abdulrahman) é o maior deles, mas igualmente vazio e desprovido de grandes atrações. Nem os jardins são muito bonitos.
       
      De lá, tomamos um táxi ao Syriac Heritage Museum por 5 mil contos. Só que ao chegarmos lá, tivemos o desapontamento dele estar fechado.
       
      Não obstante, fomos ao sítio arqueológico vizinho de Qasra Knoll, onde foram achadas evidências de uma ocupação fortificada desde o tempo dos assírios. Apesar disso, não há controle e proteção alguma; os buracos das escavações estão cheios de lixo, como a maior parte de Erbil. Com uma procura básica, conseguimos até mesmo encontrar uns pedaços de cerâmica encravados na terra.
       
      Com o sol descendo, voltamos ao centro, mais precisamente no Bazar, o mercadão coberto. Provamos uns doces gostosos enquanto atravessamos os becos que vendem vários artigos, mas quase nada de souvenires. Ainda assim, levamos pedaços de tapetes curdos por 5 mil.
       

       
      Tiramos umas fotos da iluminação noturna ao redor e voltamos ao hotel.
       
      Dia 8
       
      Tentamos alugar um carro, mas de última hora estava caro demais, então fomos até o terminal de ônibus. Lá, logo conseguimos um táxi compartilhado até Shaqlawa, ao preço de 20 mil dinares pelo carro ou 5 mil por passageiro.
       
      O veículo seguiu para as montanhas, passando pela pequena fortificação Khanzad, alguns vilarejos e checkpoints, até chegar em nosso destino uma hora depois.
       
      Descemos do veículo ao pés do santuário cristão e muçulmano Raban Boya, que fica quase no alto de um morro. No começo há um cemitério, depois alguns mirantes. Mas nada além, só pedra e lixo.
       
      Cruzamos por uma única pessoa até chegarmos na escadaria final, que atravessa um portal no paredão rochoso. Só que dentro dele, onde deveria haver o tal santuário, não há absolutamente nada.
       
      Para não perdermos a viagem, decidimos escalar ao topo do morro, só que nessa parte não há trilha, é realmente necessário escalar entre as rochas e árvores do vale. Foi duro e perigoso, mas poucas horas depois chegamos a um ponto 400 metros acima, onde encontramos vestígios de armas de guerra. Nessa hora, apreciamos um pouco a vista e decidimos descer, já que não queríamos virar alvo do Estado Islâmico.
       

       
      Continuamos descendo entre as ruas da cidade, com algumas belas moradias, por sinal, até acharmos um restaurante. Pedimos arroz e frango, mas como quase ninguém fala inglês nesse país, recebemos tudo quanto é vegetal menos arroz, além do frango. A refeição custou apenas 5 mil dinares para cada um.
       

       
      Por fim, chegamos ao movimentado centro. Entre as diversas lojas de guloseimas disponíveis, provamos crepes, milkshakes e sorvetes, incluindo o sabor romã, que é a fruta mais típica da região. Preços entre 1000 e 2500 dinares.
       
      No centro mesmo dividimos um táxi para voltar a Erbil, mas dessa vez tivemos que esperar um pouco.
       
      Na chegada, perambulei pela rua para, entre uma dezena de carrinhos de comida de rua, encontrar uns sanduíches de mil dinares para guardar para a janta.
       
      Dia 9
       
      Partimos às 9 e meia na mesma companhia, mas num ônibus pior dessa vez, e vazio. Minha poltrona não reclinava, o ar não funcionava, nem o wi-fi e a tela de vídeo idem. E dá pra acreditar que o motorista foi fumando dentro do ônibus enquanto dirigia?
       
      No trajeto todo, da janela só se viu paisagens semi-desérticas monótonas. O que não foi monótono foi o interrogatório pesado que nos fizeram na entrada da Turquia, achando que éramos terroristas. Por muito pouco não nos negaram a entrada…
       
      Novamente a jornada durou 11 horas. Pegamos um táxi na chegada até o portão norte da cidade velha, onde ficamos no hotel Kaya. Um quarto decente pra 2 com café custou 15 euros no total.
       

       
      Ficamos vendo um pouco de TV na Al Jazeera e dormimos em seguida.
       
      Dia 10
       
      O café do hotel foi um pouco fraco, mas pelo preço não deu pra reclamar.
       
      Caminhamos ao redor de toda a muralha da cidade antiga de Diyarbakir. Ao sul ficam os jardins de Hevsel, também incluídos no Patrimônio da Humanidade.
       

       
      Com a volta completa, paramos no museu da fortaleza. A entrada é de 6 liras, mas nos deixaram entrar de graça.
       
      Há algumas construções modernas que abrigam em seu interior peças e informações históricas e arqueológicas de períodos antigos desde os povos da Idade da Pedra da região da Anatólia. Há também um castelo e uma mesquita em ruínas. Bacana.
       

       
      Almoçamos numa das muitas lanchonetes de kebab, pagando 5 liras num sanduba desses.
       
      Depois negociamos a ida ao aeroporto por 30 liras no total. Lá aguardamos o voo de retorno a Istambul pela Pegasus.
       
      Com um bocado de horas até o embarque do voo seguinte a Teerã, passamos o tempo no shopping Viaport Outlet que fica próximo do aeroporto Sabiha Gökçen (20 liras de táxi).
       
      Quase virando o dia, embarcamos mais uma vez com a Pegasus, até a capital do Irã.
       
      Dia 11
       
      O voo foi uma droga. Além das poltronas não reclinarem absolutamente nada (como em todos os voos da Pegasus), a descida foi de uma turbulência tremenda. Ao desembarcar, precisamos comprar o seguro de saúde (14 euros ou 16 dólares) e pagar pela emissão do visto (80 euros ou 92 dólares), cujo formulário havia sido preenchido e pré-aprovado no sistema de eVisa. Enfim, consegui entrar no meu país/território de número 100! Comemoração sem álcool, já que no Irã é totalmente proibido.
       
      A troca de dinheiro foi outra saga. No guichê de câmbio na área de retirada de bagagem a cotação era baixa, então fomos recomendados a trocar no câmbio da área externa no andar acima. No caminho, fomos interceptados por cambistas que tentaram nos enganar, dizendo que a cotação da tal casa de câmbio era pior, o que não era verdade, pois conseguimos 110 mil rials (ou 11 mil tomans, mais usado no comércio) por cada dólar, muito melhor que a cotação oficial de 42 mil! Essa cotação atualizada diariamente pode ser conferida no site Bonbast. Certifique-se de estar levando dinheiro suficiente, pois no momento não são aceitos cartões de crédito internacionais nem pra pagamento e nem pra saque.
       
      Como o metrô só abriria às 6 e 50, e a distância até a cidade é longa, negociamos com um táxi para nos levar por 10 dólares até o terminal doméstico de Mehrabad, já dentro de Teerã, onde voamos com a Mahan Air até Shiraz, no Sul do Irã. Pagamos 260 reais cada para comprar a passagem pela internet.
       
      O voo foi num BAE-146, mesma aeronave que vitimou o time da Chapecoense. Há um baita espaço interno nesse avião antigo. Também serviram um lanche e uma revista.
       

       
      Ao pousar com sucesso, não foi dessa vez que usamos metrô, pois ele fecha no dia sagrado do islã (sexta-feira). Um táxi (200 mil rials) nos deixou no hotel Niayesh, onde nos hospedamos por míseros 5 dólares a cama com café. É bem organizado e limpo.
       
      Almoçamos no próprio restaurante do albergue, num tapete no chão. Escolhi o prato típico “kalam polo” com arroz, repolho e temperos e um suco. A comida deu 220 mil, ou seja, apenas 2 dólares.
       
      Caminhamos em seguida pelas atrações ao redor, sob chuva moderada. Primeira visita foi guiada gratuitamente no santuário Islâmico Shah Cheragh. É um espaço grande preenchido por pátios, mesquita e uma sala que contém o túmulo do homenageado pelo conjunto. A decoração de todo conjunto é bela e interessante como as demais iranianas, mas a sala do túmulo é especial, pois é toda preenchida por micro espelhos.
       

       
      Visitamos depois o Naranjestan, que contém um jardim de laranjeiras, o casario antigo de Zinat Al-Moluk e um museu de antiguidades arqueológicas persas. Vale o investimento de 200 mil.
       

       
      Algumas das atrações estavam fechadas, então seguimos pra última do dia, a Cidadela de Karim Khan. As muralhas restauradas e iluminadas à noite em uma área agradável de Shiraz são impressionantes. O seu interior, ao custo de 200 mil rials, nem tanto.
       
      Jantamos frango com arroz numa lanchonete por somente 160 mil e voltamos para o hotel.
       
      No primeiro dia já me senti bem seguro, ainda que a presença policial e militar fosse menor que no Iraque. As pessoas olham bastante pro alemão aqui e até cumprimentam, pedem foto e fazem perguntas, mas é mais por curiosidade mesmo, e não interesse.
       
      Dia 12
       
      Às 7 tomamos o café, que nos surpreendeu pela qualidade, pois meia hora depois começamos um tour pelas cidades antigas do Império Persa. Reservando com a própria hospedagem e executado pela agência Key2Persia, custou 30 euros com transporte, um bom guia, entradas, lanche e refeição.
       
      Sessenta quilômetros separam Shiraz de Persépolis, a principal capital dos persas durante o período Aquemênida. Ela está em ruínas principalmente devido à invasão de Alexandre. São 200 mil rials de entrada para se ver portais, colunas, pavilhões e murais adornados dos palácios que compunham a cidade da auge do Império Persa, quando era formado por 28 povos da Líbia à Índia.
       

       
      Além disso há um museu e as tumbas dos imperadores Artaxerxes II e III, que ficam num morro de onde se vê toda a capital.
       
      Em seguida, visitamos a necrópole próxima, chamada Naqsh-e Rostam. Por mais 200 mil se vê o exterior das impressionantes tumbas dos demais imperadores persas, entalhadas na montanha.
       
      Abaixo delas ficam murais em alto-relevo do período Sassânida e o “cubo” do zoroastrismo, religião oficial que foi a primeira monoteísta no mundo.
       
      Almoçamos no restaurante e hospedagem tradicional Ojag Seyyed. A decoração é autêntica e os diversos pratos típicos deliciosos.
       

       
      À tarde, paramos em Pasárgada, a capital anterior. Aqui já não há tanto para se ver como em Persépolis, e as ruínas estão mais espalhadas. A principal é o mausoléu de Ciro, o Grande, mas também há palácios menores.
       

       
      Na entrada ficam lojas com souvenires. Comprei uma estátua do homem alado representante do zoroastrismo por 200 mil rials.
       
      Tomamos um chá ali perto e voltamos com o sol se pondo atrás das montanhas áridas da região de Fars.
       
      Descemos direto no Vakil Bazar, mercadão coberto. A exemplo do Irã em geral, os preços aqui são bem baratos. Compramos alguns tapetes pequenos estilosos em torno de 150 mil cada. Se tivéssemos espaço suficiente eu levaria pra casa toda.
       

       
      Tomei um gostoso suco natural de romã (100 mil), antes de voltarmos pro hotel para jantar. Comi um tal de “tahchin” de frango por 220 mil.
       
      Dia 13
       
      A noite foi bem dormida nesse quarto bacana. O café bem aproveitado sem pressa.
       
      Em sequência, fomos à mesquita rosada (Nasir Al-Mulk), assim nomeada devido à refração da luz solar sobre vitrais coloridos num salão interior. Esse efeito só ocorre pela manhã, e quanto mais cedo melhor - tanto pela intensidade quanto pela lotação.
       

       
      Tiramos uma fotos e seguimos de táxi (150 mil) ao portal Qoran Gate, na saída de Shiraz. Ele estava em reforma, mas ainda deu pra ver algo. Além disso, subimos as escadarias do morro ao lado para termos a vista da cidade inteira.
       
      Ao descer, passamos pelo Jahan Nama Garden, que não vale nem o tempo e nem o dinheiro.
       
      Caminhamos em frente ao mausoléu de Hafez, também nada de mais pra turistas. Poderíamos voltar de metrô, mas o táxi é tão barato que quase não compensa.
       
      Almoço típico no hostel e check-out, visitamos o Eram Garden antes da partida. É um jardim botânico que faz parte de um patrimônio da UNESCO. Não obstante, é pouco interessante. Vi alguns passarinhos no jardim; praticamente a única fauna nativa até então.
       

       
      Passando mais tempo no trânsito, percebemos como ele é frenético e, ao contrário do Curdistão Iraquiano, os carros aqui são bem velhos.
       
      Na rodoviária pegamos um ônibus espaçoso até Yazd. Compramos antecipadamente pela internet por quase 10 euros, mas poderíamos ter deixado para comprar na hora por menos da metade do preço.
       
      Seis horas depois, descemos na rodoviária da outra cidade, onde seguimos pela noite num táxi possivelmente clandestino (200 mil) até o Dalan-e Behesht (4 euros a diária com café).
       

       
      No check-in já aproveitei para usar a máquina de lavar roupa de graça, enquanto jantei uma baita refeição de apenas 155 mil.
       
      O quarto ficou só pra gente novamente. Por 6 euros por pessoa, não é tão bonito quanto o outro.
       
      Dia 14
       
      O café da manhã foi fraco. De barriga não totalmente cheia, caminhamos pela cidade de adobe (barro+palha). Todo a parte antiga, com alguns milhares de anos, é feita desse material, o que lhe rendeu o título de Patrimônio da Humanidade.
       
      Descobrimos o que parece ser um cemitério abandonado ou bombardeado. Chamado Imam Zadeh Jafar Fateh, num pavilhão no meio da cidade velha estavam mausoléus caindo aos pedaços, com lápides espalhadas a esmo.
       
      De volta à rua, comprovamos a hospitalidade iraniana ao ganharmos laranjas ao passarmos em frente a uma fruteira.
       
      Um pouco além, conhecemos uma construção típica de Yazd, o reservatório de água Rostam-e Giv, que é uma semiesfera com quatro torres exteriores com aberturas que servem para refrigerar o ambiente, e realmente funcionam.
       
      Logo depois fica o templo de fogo da religião Zoroastrismo (Zoroastrian Fire Temple), cuja entrada custa 150 mil rials. Há uma estrutura que mostra um pouco sobre essa religião e que contém o fogo sagrado, que segundo contam, é mantido aceso há milhares de anos.
       

       
      Pegamos um táxi até uma das bordas da cidade, onde ficam dois dos montes funerários chamados de Tower of Silence (150 mil). Os seguidores da tal religião sepultavam os defuntos de uma forma diferente, levando-os ao topo de um morro e colocando eles numa vala aberta para, com o uso de ácidos e aves saprófagas, decompor os corpos.
       

       
      Com o comércio quase todo fechado no começo da tarde, tivemos que caminhar um tanto para acharmos um que servia kebab azerbaijani por 250 mil. Descobrimos que a cidade praticamente para das 13 às 17 horas.
       
      Visitamos brevemente a praça do Amir Chakhmag Complex, antes de vagarmos por quase meia hora até outro do conjunto de jardins tombados pela UNESCO. Esse se chama Dowlat Abad Garden, sendo que paga-se 150 mil pra entrar, mas também não nos convenceu. Tirando uma pequena mata seca, há um canal de água com fontes em frente à maior torre de vento de Yazd.
       

       
      Uma coisa boa desse município é que há bebedouros espalhados pela cidade, imprescindível com a baixa umidade do ar que faz.
       
      Com o sol sumindo e o comércio reabrindo, tomamos na praça anterior sorvetes deliciosos. Estava tão barato (40 mil) que peguei 5 bolas.
       

       
      As mesquitas são iluminadas à noite. Passamos por algumas delas até que eu entrei na Jameh Mosque (80 mil), enquanto Mailton voltou ao hotel.
       
      Na saída, fui abordado por um grupo de estudantes iranianos que queriam praticar o inglês. Foi bacana o papo.
       
      Terminei o city tour pelos becos sem problema algum de segurança, até achar novamente o Dalan-e Behesht. Por fim, jantamos o mesmo da noite passada.
       
      Dia 15
       
      No check-out paguei em euros, pois a cotação estava ainda melhor que antes (1450 rials). Em seguida, negociamos no hotel um tour privado pras cidades vizinhas por 15 euros no total.
       
      Só foi deixarmos Yazd que o deserto árido e montanhoso tomou conta da paisagem o dia todo. A primeira parada foi em Kharanagh. Aqui ficava um vilarejo de adobe até uns 50 anos atrás, quando todos deixaram o local devido à falta de recursos. Hoje em dia pode ser visitado de forma completa, inclusive escalando pulando sobre os telhados que estão se desmanchando. A vista das construções arruinadas é de outro mundo. Não se paga nada aqui.
       

       
      Já no caravansarai em frente, 50 mil. É uma das mil unidades desse tipo espalhadas pelo país que foram construídas há centenas de anos para abrigar os viajantes e seus animais.
       

       
      Nas retas intermináveis ao ponto seguinte, o motorista chegou a insanos 170 km/h. Chak Chak (100 mil) é outro local sagrado do zoroastrismo, onde os seguidores se refugiavam dos árabes. Fica escondido entre montanhas ferrosas, e seu nome é devido ao gotejamento de água que há nesse local e que propicia a vida. Há vários mirantes, mas o melhor é um monte que fica de frente ao complexo, mas fora da rota.
       

       
      O final foi em Meybod, uma cidade antiga. Entrei no Narein Castle (150 mil), fortificação de adobe, e vi de fora a torre onde se coletava fezes de pombo e o salão onde se mantinha o gelo sem eletricidade.
       

       
      Finalmente, entramos no caravansarai, que não se paga, onde ficam lojas e museus. Almoçamos bem ali por 180 mil, incluindo um buffet de saladas. Experimentei uma cerveja local (somente sem álcool); entre os ingredientes inusitados, ácido ascórbico, ácido lático e água carbonatada.
       
      Ao invés de voltarmos a Yazd para pegar o ônibus a Isfahan, nosso motorista achou melhor tentarmos dali mesmo. Acontece que ônibus após ônibus estavam todos cheios, e a noite foi chegando. Até que por 250 mil conseguimos um lugar nada usual. Não havia mais assentos disponíveis, então ficamos na escada. Até que não foi tão ruim, considerando que outros dois coitados tiveram que ficar no bagageiro!
       
      Viemos conversando com um grupo de estudantes iranianas no trajeto de 2 horas. Ao descer no terminal de Soffeh, pegamos um táxi ao Annie Hostel, um albergue de verdade. Ficamos num dormitório coletivo por 5 euros, sendo que a limpeza dos ambientes não é o ponto forte.
       
      Pedimos um rango vegetariano de tele-entrega para comer antes de dormir.
       
      Dia 16
       
      O café de 1 euro foi pão chato em metro com um molho branco que o Mailton comeu e um marrom de lentilha que eu escolhi. Decidimos não repetir no dia seguinte.
       
      A longa caminhada pela metrópole de Isfahan começou por palácios e praças bonitas. Pagamos 150 mil no Hasht Behesht, um palácio pequeno com teto de ouro, mas com as pinturas das paredes necessitando seriamente de restauração.
       
      Atravessando o agradável Rajayi Park, entramos no museu do palácio Chehelsotoon (200 mil). A construção aqui é alta, com piscinas de água, e com quadros bonitos no interior, mas os andaimes do exterior estragam a paisagem.
       
      Bagh Homayoun foi o restaurante típico onde almoçamos. Por 300 mangos pedi o prato iraniano chamado “dizi”, que é uma mistura doida de carne, batata e vários vegetais num molho. Gostei.
       

       
      A grande praça de Naqsh-e Jahan é frequentada pela população local, mas também é turística, então fomos abordados continuamente. Entramos em uma de suas alas laterais e só saímos quilômetros depois. Os corredores são um bazar infinito!
       
      Vimos a luz do dia novamente na grande mesquita de Isfahan (Jameh Mosque). Por 200 mil, visitamos seu interior, de arquitetura interessante.
       

       
      Em seguida, estreamos o metrô. Assim como as demais cidades grandes do Irã, Isfahan possui um moderno sistema de trem subterrâneo. Nos deixaram usar de graça.
       
      Descemos numa estação ao sul da cidade, uma área bacana. Resolvemos entrar na confeitaria Amooghannad, que descobrimos ter doces bonitos, bons e muito baratos. Por menos de 1 dólar comi 8 deles - fora as amostras grátis que nos ofereceram.
       

       
      Perdemos a visita às igrejas próximas por já estar no pôr do sol, mas nem nos importamos. Seguimos ao ponto turístico seguinte, melhor visto à noite. É a ponte Si-O-Se-Pol, com diversos arcos, que atravessa um leito de rio largo absolutamente seco!
       

       
      Passamos mais um tempo à toa no movimentado centro, comendo, até voltar ao albergue, onde conhecemos uma chinesa.
       
      Dia 17
       
      Esse dia foi intenso. Eu, Mailton e a chinesa pegamos um ônibus de manhã até o terminal de Soffeh (10 mil rials, ou 5 mil se comprar um cartão de 50 mil), de onde caminhamos até a entrada do Soffeh Park. Aos pés da montanha de mesmo nome, pegamos o teleférico até o alto, ao custo de 300 mil pela ida e volta. É possível subir a pé também, por um caminho que passa por um zoológico mixuruca.
       

       
      A estação de teleférico fica a 2040 metros de altitude, enquanto que o topo da montanha está 200 metros acima. A partir dali não há um caminho fácil para seguir ao cume, pois é preciso escalar rochas sem proteção alguma. Por isso, os dois decidiram ficar por lá, enquanto eu fui sozinho.
       
      O trajeto é apenas de pedras e solo, nenhum animal ou árvore. Só que a vista lá de cima compensa, pois é possível ver de longe em 360 graus. Além de toda cidade de Isfahan, vislumbra-se montanhas e desertos.
       

       
      Fiquei um pouco no topo, onde tomei um chá com iranianos. Um caminho lateral leva até as ruínas de uma fortificação antiga e algumas cavernas.
       
      Como eu precisaria pegar um ônibus para Teerã às 16 horas, comecei a descida às 13:45h. Cheguei à estação 5 minutos depois que ela havia fechado (14h), mas ainda me deixaram descer. Lá em baixo, corri até a estação de ônibus de Soffeh, onde penei pra achar o ônibus certo até retornar ao albergue e pegar minha mochila.
       
      Cheguei no Annie Hostel esbaforido, onde reencontrei Mailton. Por sugestão dos anfitriões, pegamos um táxi de aplicativo tipo Uber que saiu por 50 mil, dividido entre nós dois. Enfim, paramos no terminal de Kaveh, trocamos os bilhetes e subimos no ônibus quase no minuto em que ele estava partindo!
       
      A viagem, que incluiu um lanche, durou 6 horas com a parada, até a chegada ao terminal sul de ônibus. Só que nós perdemos o ponto e só conseguimos descer no terminal norte. Quando entramos na estação de metrô, o último vagão do dia estava chegando. Pura emoção!
       
      Nao precisamos pagar de novo. Descemos algumas estações depois e dormimos no Seven Hostel. Há um banheiro com chuveiro em cada quarto compartilhado de 2 beliches.
       
      Dia 18
       
      O café da manhã vem num pacote fechado e é suficiente. Do terraço dá para se ver a montanha nevada ao fundo.
       

       
      Mailton foi pra montanha, então sozinho eu peguei o metrô, que custa 10 mil, independente da distância ou troca de linha, até um dos parques que visitaria no dia. As estações de metrô são decoradas e limpas, ao contrário de certos países desenvolvidos.
       
      Desci no ponto do parque Chitgar. Tinha escolhido atravessá-lo em direção ao jardim botânico, uma longa caminhada, pois pensei que escaparia da muvuca da cidade grande, mas acontece que nos finais de semana e feriados os parques lotam, e aqui não foi diferente. Carros com som alto, piqueniques com fogueiras e muitos olhares tiraram minha paz. Só vale a pena passar por aqui se você alugar uma bike pra usar os caminhos designados a elas.
       
      Uma dezena de quilômetros depois, almocei uma vitamina doida (180 mil) e prossegui ao National Botanical Garden of Iran. A entrada custa 120 mil, e aqui também estava bem movimentado. Em cerca de 150 hectares (metade das quais com acesso restrito), há uma dezena de jardins de diferentes temáticas, com elementos paisagísticos e espécies das regiões. Só que no outono poucas flores estão coloridas, então não foi tão interessante assim.
       

       
      Voltei de metrô até a estação do albergue, para procurar um lugar para comer de verdade. O melhor que achei foi um self-service de falafel (bolinho frito de grão-de-bico e especiarias), onde comi uma baguete com isso e cheia de salada e mais uma samosa por apenas 85 mil rials!
       
      O resto da noite passei no Seven Hostel. Mailton voltou da montanha com uma clavícula quebrada, devido a uma queda no snowboard. Por isso teve que ficar usando um imobilizador e restringir o movimento pelo resto da viagem, que azar!
       
      Dia 19
       
      Acordei empolgado pra esquiar na montanha. Tomei o café, peguei uma hora de metrô até a estação final Tajrish e arranjei um táxi compartilhado (20 mil) até a entrada do parque.
       
      Subi os 1,5 km finais até o teleférico, só pra descobrir que hoje o parque estava excepcionalmente fechado devido a um feriado! Que balde de água fria na minha animação..
       
      Pra não perder a viagem, desci até o complexo de palácios e museus Saad Abad. Num baita terreno florestado ficam antigas residências importantes, transformadas agora em museus de diversos tipos. A entrada em cada um deles é 80 mil, e nos jardins e porção exterior do complexo é 150 mil.
       

       
      Na praça Tajrish fica também um pequeno bazar e uma mesquita que eu visitei.
       
      Voltei de metrô até Park-e Shahr, onde ficam 2 dos principais pontos turísticos: Palácio de Golestão e Museu Nacional do Irã. O museu custa 300 mil e conta através de vestígios a história do Irã durante a antiguidade, dos povos pre-históricos ao fim do Império Persa com a conquista dos árabes. Há um material interessante, mas pra quem viu na prática, parte disso perde a importância.
       
      O palácio já estava fechado quando passei na frente, mas acabei reencontrando um chileno que eu havia conhecido em Yazd e que, como descobri ali, é um famoso cinegrafista (Jorge Said).
       
      À noite, repeti o rango e fiquei de boa.
       
      Dia 20
       
      Mais uma frustração quando fiquei sabendo que a estação de esqui estava fechada devido ao mau tempo. Aqui se foram minhas chances de esquiar num dos lugares mais baratos do mundo (1,5 milhões de rials).
       
      Com isso, só me restou dar um giro aleatório pela cidade sob chuva e frio. Acabei descobrindo junto ao parque Taleghani, que tem uma ponte bacana sobre a floresta e a rodovia, que há um museu militar (Holy Defence Museum - 250 mil). Não cheguei a entrar nele, mas na área aberta ao público há a maior coleção que já vi de veículos militares, como tanques, aeronaves e mísseis.
       
      Depois disso, passei debaixo da enorme Torre Azadi. Assim como nos demais dias em Teerã, não consegui achar comida decente para almoçar.
       

       
      Retornei ao albergue e esperei o tempo passar até pegarmos o confuso metrô no começo da noite para o aeroporto distante, por 75 mil rials. Ali acabou nosso dinheiro.
       
      Dia 21
       
      Tivemos que virar a noite para aguardar o voo seguinte a Istambul pela Pegasus às 4 da madrugada.
       
      Ainda bem que o fundo estava meio vazio, pois assim consegui uma fileira pra deitar no avião. Ao desembarcar, pegamos o ônibus Havabus (14 liras) e o metrô para chegarmos ao centro em Sultanahmet, onde nos reencontramos com Jorge Said. Ele nos pagou um café da manhã em agradecimento a uma tarefa que fiz pra ele.
       

       
      Nesse dia caminhamos um bocado por essa região. Vimos algumas mesquitas esplêndidas no exterior, como a Mesquita Azul, Hagia Sophia e Suleymaniye. Os interiores não foram legais, pois o dessa última não era tão bonito, da anterior teria que pagar absurdas 90 liras pra ver e da primeira estava em reforma.
       

       
      A praça onde ficam as duas mesquitas principais é bem turística. Possui ainda alguns monumentos da época do Império Bizantino, e a muralha que cercava a cidade.
       
      O Grande Bazar também é outro atrativo. Cheio de opções para todos os gostos, só é preciso negociar bem para conseguir um souvenir bacana. Ainda mais pra quem acabou de voltar do baratíssimo Irã.
       
      Depois de uma espreitada no movimentado Estreito de Bósforo, comemos e retornamos ao aeroporto.
       
      O último voo da Pegasus foi para o Líbano. Sem problemas, entramos no novo país, pegamos libras libanesas (400 por real), retiramos o carro alugado na Budget (59 dólares com desconto, para 4 diárias) e seguimos a Beirute, que estava com o trânsito tranquilo àquela hora da noite.
       
      Ficamos hospedados num apartamento simples pelo Airbnb, fora do centro, mas na zona portuária, portanto meio barulhento.
       
      Dia 22
       
      Recuperamos o sono perdido. Ainda pela manhã, fizemos um rancho no supermercado Co-op logo após deixar Beirute. A comida aqui não é nada barata.
       
      Seguimos pelo litoral rumo ao sul num dia ensolarado e quente, passando por muitas plantações. A primeira parada foi na cidade de Sidão. Foi fundada pela civilização marítima Fenícia, mas sobraram poucas ruínas para contar a história. A cidade velha agora é um pequeno labirinto usado no comércio e moradias. Uma das ruínas que possui um pavilhão interno estava sendo palco de um evento político em defesa da Palestina. Com minha cara de gringo, achei melhor não permanecer. Já o pequeno castelo marítimo vale a foto gratuita de longe, mas não chegamos a pagar as 4 mil libras libanesas para vê-lo de perto.
       

       
      Mais ao sul, passado um posto de controle militar, estacionamos em Tiro, outra cidade bíblica. Aqui ficam ruínas consideradas como Patrimônio da Humanidade. Uma parte dela fica à beira-mar e pode ser vista de fora ou pagando entrada. Outra fica cercada a um quilômetro dali, mas no lado oposto da bilheteria há um buraco na cerca por onde entramos. Há colunas, arcos e arquibancadas de um antigo hipódromo romano.
       

       
      Fomos em seguida pelo interior, subindo as colinas libanesas. Em Qana fica uma gruta sagrada para os cristãos. Há uma estrutura para o turismo, mas quando chegamos à portaria não havia ninguém. Novamente, passamos por um buraco na grade. Na borda de um vale cheio de rochas, há uma pedra com corpos esculpidos e uma pequena gruta com uma cruz e uma imagem santa. Nada além disso.
       
      Tentamos continuar pelo interior, mas a poucos quilômetros da fronteira com Israel fomos barrados e tivemos que retornar. Como o sol já estava se pondo, voltamos a Beirute e ao hotel.
       
      Percepções do dia: depois do árabe, o inglês e o francês são igualmente compreensíveis; há muitos guardas armados e cartazes com incentivo à luta armada; o trânsito é meio caótico e os motoristas impacientes.
       
      Dia 23
       
      Através de incontáveis postos de checagem militar, subimos a serra até o Vale de Beqaa, onde predominam plantações e ruínas. Fomos atrás da segunda opção.
       
      Para entrar no patrimônio da cidadela de Anjar, fundada por árabes no século 8, pagamos 6 mil libras, ainda que poderíamos ter entrado de graça pelo lado oposto do portão. As ruínas daqui se resumem a paredes, colunas, arcos, mosaicos e outros elementos rasteiros. De mais legal, vi uma aranha buraqueira e um camaleão.
       

       
      Na entrada de Balbeque, algumas dezenas de km adiante, paramos para almoçar. Pedimos esfirras, mas para nossa desilusão, vieram apenas trouxinhas minúsculas de carne, ao custo de 1 real e pouco por cada.
       
      O sítio arqueológico de Balbeque tem uma entrada nada barata (15 mil), mas que vale a pena. É um dos mais completos que já vi. Foram erguidos templos para os deuses romanos Júpiter, Baco e Vênus, sendo que o de Baco está bastante preservado. Também há outras estruturas religiosas e defensivas que foram sendo construídas conforme a cidade passava de mãos entre cristãos e muçulmanos. Um pequeno museu completa o todo.
       

       
      Ao sair, tomamos um sorvete bom e barato (500 libras por bola) na frente, e seguimos estrada ao escurecer do céu. Quando já estava preto, atravessamos a nebulosa montanha coberta de neve.
       
      Dormimos no Vale de Qadisha, no vilarejo de Bcharré, na hospedagem Tiger House. Pagamos 15 dólares cada por um quarto compartilhado sem café. Foi legal que conhecemos outros viajantes, mas o lugar não disponibiliza cozinha e fede, pois a dona fuma na sala de estar dos hóspedes.
       
      Dia 24
       
      Acordamos cedo, pegamos o carro e entramos num dos vilarejos nos penhascos, onde subimos numa laje para admirar o visual do vale. Essa região é dominada por cristãos, então há igrejas e cruzes por todos os lados.
       
      Em seguida, conhecemos a floresta protegida de cedros-do-Líbano (Cedrus libani), espécie de pinheiro ameaçada que é bem bonita. A entrada é mediante doação.
       

       
      Ao redor, há um bocado de quiosques vendendo souvenires de cedro.
       
      Atravessando estradas pelo meio das montanhas, nós dois e mais o indiano Rishal chegamos numa maravilha da natureza. Por 4 mil cada, acessamos um lugar onde fica uma comprida cachoeira que atravessa um sumidouro em uma rocha parcialmente perfurada, como nunca vi antes.
       

       
      Lá encontramos outros colegas da hospedagem, com quem fomos juntos ao mirante da cruz de Jesus. Subimos e apreciamos a paisagem.
       
      Depois nos separamos e paramos pra comer num restaurante no caminho ao litoral. Gastamos 6 mil cada por um tipo de sanduíche típico.
       
      Enquanto o sol se punha, bem cedo como de praxe, descemos a serra até Biblos. Apesar de já estar escuro, vimos de fora a iluminada cidade velha (patrimônio da UNESCO e uma das mais antigas do mundo). A região portuária pareceu ser bem agradável.
       

       
      Enchemos o tanque (1240 libras por litro) do carrinho e pegamos a rodovia movimentada em ambos sentidos próxima da capital, onde ficamos novamente no apê do Airbnb.
       
      Dia 25
       
      Reservamos o dia para conhecer Amã. Há barricadas militares por todos os lados, o que dificulta o acesso. Para estacionar, em alguns momentos conseguimos nas ruas de graça, enquanto em outros precisamos pagar no parquímetro (250 libras por 15 minutos).
       
      Existem prédios religiosos por todos os lados, mas por incrível que pareça, as igrejas estão em maior número. Há um bocado de prédios bem modernos também, principalmente ao redor da marina de Zaitunay Bay. Ainda, ruínas romanas estão concentradas numa área, mas não bem cuidadas.
       
      No litoral, há uma praia e uma dupla de rochas que se elevam no mar e são chamadas de Raouche.
       

       
      Conhecemos também o museu nacional (5 mil). Em três andares, é uma rica coleção de peças arqueológicas dos períodos de ocupação do Líbano desde a pré-história, passando pelos fenícios, gregos, romanos e otomanos. É interessante.
       

       
      Almocei em dois lugares diferentes, pois no primeiro deles (Zaatar W Zeit) a comida estava meio cara e insuficiente. Já no segundo (The Hunger Game, o ponto baixo foi a demora no atendimento.
       
      Sem muito mais o que fazer, demos uma volta pelos vilarejos no interior, até chegar no decorado castelo de Moussa. De lá, com o sol se esvaindo, retornamos à rodovia do litoral, onde paramos em uma das diversas casas especializadas em doçuras. Comi sorvetes deliciosos (1000 por bola) e tomei um suco natural (3000 por meio litro).
       

       
      Nosso voo demoraria a sair, mas como já era noite, retornamos o carro e esperamos no aeroporto.
       
      O voo curtíssimo nos levou de Cyprus Airways até Lárnaca, no Chipre, por 48 euros.
       
      Retiramos o carro alugado (56 dólares pra 3 diárias) e seguimos pro hotel Mariandy, onde dormimos num quarto para 2 por 30 euros. Como eu descobriria no dia seguinte, meu leito provavelmente estava infestado de percevejos de cama.
       
      Dia 26
       
      Como perdemos um dia no Chipre devido à falência da Cia aérea Cobalt, tivemos que correr para conhecer o país em apenas 2 dias. Tomamos o bom café da manhã do hotel e partimos.
       
      A ilha de Chipre tem influência e é dividida entre 3 grupos. Os britânicos ocupam algumas bases militares e os territórios de Acrotiri e Deceleia, além de repassarem um dos idiomas, o padrão de tomada e o sentido de condução veicular. Os turcos invadiram quase metade da porção superior da ilha e lá usam sua moeda e idioma. Já os gregos, esses colonizaram no passado e deixaram sua marca na maior parte cultural, como no idioma principal do Chipre.
       
      Depois de atravessar as bases militares, entramos na praia mais badalada da ilha, a Nissi. Só que nessa época de quase inverno o litoral do Chipre fica abandonado, com pouca gente e a maioria dos estabelecimentos fechados, então a praia estava meio morta. Mesmo assim, é bem bonita.
       

       
      Mais adiante, paramos em um arco de calcário sobre o mar. Junto dali, havia uma exposição ao ar livre de estátuas de vários tipos e artistas de diversos países.
       
      A praia seguinte conhecida foi Fig Tree Bay. Dizem que ela é uma das mais bonitas do mundo, mas, além de ter a Bandeira Azul, não achamos nada de especial nela.
       
      Perdemos tempo no trânsito bloqueado por uma maratona e pela impossibilidade de cruzar a fronteira para o Chipre do Norte (turco) de carro, já que teríamos que pagar um seguro extra de 20 euros. A linha de fronteira ao longo da rodovia foi toda desocupada à força, então mais parecem vilarejos fantasmas.
       
      Meu almoço foi num restaurante típico (Avra) na turística Agia Napa. Paguei 8 euros por um frango com batata, salada grega e pita com tzatziki, saindo de lá estufado.
       

       
      Vimos um baita pôr do sol nas 4 e meia da tarde sobre o promontório do Parque Nacional Cabo Grego, que protege uma área de restinga endêmica.
       

       
      Peguei a rodovia pela noite até a capital Nicósia, dividida ao meio entre o Chipre e o Chipre do Norte. Estacionamos o carro antes da fronteira e a atravessamos a pé. Ao contrário da parte do sul, aqui as ruas são meio escuras e abandonadas. Há alguns prédios antigos a serem visitados, como mesquitas, museus, moradias e ruínas venezianas. Por 5 liras eu comprei uma cerveja turca num mercadinho, que surpreendentemente aceitou cartão de crédito, e vaguei com o Mailton pelas ruas. Cerca de uma hora depois, jantamos e retornamos.
       

       
      Passamos a noite na Lima Sol House, um projeto de albergue que precisa de umas melhorias. Pagamos 27 euros por um quarto duplo.
       
      Dia 27
       
      Pela manhã, caminhamos através da cidade velha até a orla. Lá fica um calçadão e uma marina, num ambiente atrativo. Atravessamos um mercado de rua, mas que não vendia souvenires. Havia apenas uma loja aberta aquela hora para tanto.
       
      Com o carro, passamos pelo castelo Kolossi e depois por Acrotiri, outra área britânica com um conjunto sinistro de antenas ligadas por redes. Dentro dessa área fica uma laguna salina, com seu ecossistema típico que inclui flamingos.
       

       
      Em seguida, entramos no sítio arqueológico de Kourion (4,5 euros). Com vista privilegiada pro Mar Mediterrâneo, ficam ruínas greco-romanas que incluem casas, santuário, praça, teatro e banhos. É interessante e bastante visitada.
       

       
      Dali, subimos para as montanhas Troodos. No pé delas, almoçamos na Kouris Tavern. Queria experimentar o típico “meze”, que consiste em duas dezenas de pequenos pratos diferentes, mas como precisa de pelo menos 2 pessoas e o meu colega não gosta de comer nada diferente, fiquei só na vontade.
       
      Num ziguezague interminável, chegamos ao topo da floresta de pinheiros e visitamos algumas das igrejas antigas que são patrimônios da UNESCO: Archangelos Michail, Panagia tou Moutoulla, Agios Ioannis Lambadistis. De pedra e madeira no exterior, possuem belas pinturas em seu interior, num estilo diferente do que se vê em igrejas modernas. Na última delas, que é um mosteiro, compramos uma garrafinha de vinho licoroso (3 euros) produzido localmente.
       

       
      Quando retornamos já era noite completa, e o GPS nos mandou por umas estradas bem sinistras. Com a cia de um nevoeiro, o caminho foi emocionante.
       
      Passamos o dia tentando achar um lugar para imprimir os cartões de embarque da Ryanair, pois senão teríamos que pagar uma taxa bem desagradável no aeroporto. O problema é que não havia lugar nenhum aberto no domingo pra isso. Foi só ao chegar em Pafos, que conseguimos num mercadinho por 50 centavos a folha.
       
      Ficamos no Panklitos Apartments, num apê completo de 22 euros por 2. Pena que não pudemos aproveitar muito, já que teríamos um voo cedíssimo.
       

       
      Dia 28
       
      Morrendo de sono e com o tanque completamente vazio, fomos ao aeroporto da cidade, embarcando no voo até a Jordânia por apenas 18 euros!
       
      Na imigração nem precisamos abrir a boca, só mostramos o Jordan Pass (70 dinares jordanianos = 370 reais) que o visto foi concedido.
       
      Alugamos um carro na Green Motion, com um preço exclusivo pela Easyrentcars que custou 17 euros pra 2 dias! O Kia Picanto parece ser o carro mais popular do Oriente Médio, pois foi a terceira vez que ficamos com um.
       
      Primeiro visitamos o sítio arqueológico de Madaba (3 dinares pra quem não tem o Jordan Pass). Aqui foi descoberta uma antiga cidade bizantina, rica em mosaicos. Mas além disso, não há muito o que ver.
       

       
      Seguimos pela infinita rodovia do deserto. São 300 km até Wadi Rum, com nada mais que areia e pedra em praticamente todo trecho. Até que isso não seria um problema, só que a estrada está toda em obras, com limite de 60 km/h nessas partes, e com vários radares fixos e da polícia!
       
      Resumindo, levei um tempão pra guiar o carro até o patrimônio da Humanidade de Wadi Rum (5 dinares sem o Jordan Pass), onde chegamos no vilarejo ao pôr do sol.
       
      Um tempo depois, a empresa Bedouin Traditions, com quem havíamos reservado, nos levou de caminhonete sobre as areias até o acampamento isolado.
       

       
      À noite nos serviram em uma tenda um buffet livre de comidas típicas que estava muito bom! Fazia tempo que não comia algo decente assim.
       

       
      Depois da janta, houve cantoria, instrumentação e dança com o pessoal.
       
      A maioria se retirou em seguida para suas cabanas individuais, mas eu fui explorar o deserto. Não achei escorpiões, apenas insetos, mas aproveitei bem o céu estrelado. Vi um meteorito cair bem próximo dali. Também consegui fotografar a galáxia de Andrômeda.
       
      Enfim, dei uma averiguada no banheiro e fui repousar solo. A limpeza não é o forte do estabelecimento, mas pelo menos há cama coberta, luz e banheiro ocidental.
       
      Dia 29
       
      O café da manhã também estava incluso no pacote, mas não cheguei a provar tudo. Depois dele, esperamos pelo passeio de veículo na cia de mais gente pelas belas formações geológicas do vale desértico elevado de Wadi Rum. Foram quase 2 horas entre um cânion, uma duna e uma nascente. Todas as atividades e comidas nos custaram 35 dinares cada.
       

       
      Ao deixarmos o vilarejo, pegamos um almoço bom num posto Total (3 dinares cada quentinha) para devorarmos na estrada. Enquanto um dirigia, o outro comia. A rota até Petra é bem mais interessante que a outra, pois aqui a paisagem é variada e a estrada em melhor condição.
       
      Com o Jordan Pass, não precisamos pagar a tarifa absurda de 50 dinares para entrar numa das maravilhas do mundo moderno. Tivemos 4 horas para explorar a área das ruínas. Foi o suficiente, mas se quiséssemos ver tudo, um dia inteiro seria necessário.
       

       
      Petra é a capital do povo árabe nabateano, fundada no século II a.C, escavada no arenito de um vale. Apesar de ter sofrido terremotos, a fachada dos templos e tumbas é estonteante. Há uma certa variedade nas obras, o que vai se notando conforme se desce os 4 km até o final da parte principal. Há uma porção de vistas interessantes das montanhas rosadas. Fomos e voltamos a pé, mas quem quiser pode pagar por veículos a tração animal.
       

       
      Com o sol se pondo, dirigi até a reserva de Dana, onde ficamos à noite. Por 8 dinares cada, ficamos com quartos individuais no hotel de pedra e exageradamente decorado que se chama Dana Tower. Ponto negativo pro chuveiro, wi-fi e barulho.
       
      Dia 30
       
      Levantamos cedo para chegarmos ao Mar Morto antes de devolvermos o carro. A estrada por esse lado é mais cênica e verde. Chegamos a uns 400 metros abaixo do nível do mar lá!
       

       
      De volta ao aeroporto, pegamos o ônibus de 3,5 dinares que nos largou na estação norte de ônibus de Amã, Tababour. Lá dividimos um táxi até o hotel no centro, que saiu por 11 dinares no taxímetro.
       
      Almocei no Sara Seafood Restaurant. Pedi um risoto de frutos do mar que saiu por 8,8 dinares. Mas o almoço estava delicioso e foi tão volumoso que saí de lá passando mal de tanto comer.
       

       
      Segui pra cidadela, que custa 3 dinares pra quem não porta o passe. Fica num monte de onde se vê todo o centro. Há um pequeno museu com artefatos e bastante história. Fora isso, as ruínas romanas e árabes das ocupações anteriores.
       

       
      Saí de lá quando fechou no pôr do sol. Depois só dei uma volta pelo centro, usei meu último dinar pra comprar comida pra noite e fiquei no hotel, que foi o Nobel (7 dinares). Até o momento não tinha do que reclamar.
       
      Dia 31
       
      Fomos de táxi até a fronteira de King Hussein Bridge (25 dinares por 2). Chegando lá, tivemos que pagar uma taxa de saída de 20 dinares. Depois disso, tivemos que dar mais 7 pro ônibus Jett que atravessa os 5 km até a entrada de Israel. O responsável pela hospedagem anterior nos assegurou que o táxi nos levaria, o que não foi verdade. E não é permitido ir a pé. Teria saído mais barato se fôssemos de ônibus ou Uber.
       
      Depois de um interrogatório leve na imigração, pagamos 42 shekels + 5 por bagagem para ir de “sherut” (van) até Jerusalém, tendo que esperar o veículo encher para sair. Eles aceitam moedas estrangeiras no pagamento, mas a cotação não é das melhores, assim como a casa de câmbio na saída da imigração. O shekel vale o mesmo que o real.
       
      A van atravessa a Palestina até a entrada em Jerusalém, controlada por Israel. O ponto final, onde descemos, é o Damascus Gate.
       
      Almoçamos ali um prato de comida por 25 shekels no restaurante Amir, mas como não tínhamos o dinheiro, o vendedor nos passou a perna na conversão. Fizemos o câmbio ao lado, mas ainda assim a cotação não foi como a oficial que, como descobrimos depois, é oferecida dentro da velha cidade murada.
       

       
      Lá dentro é como um labirinto. Há comércio de alimentos, souvenires e outros bens por todos os lados. Em toda parte há algum tipo de edificação, templo ou monumento religioso, tanto cristão, quanto judaico e Islâmico. Entramos na prisão de Jesus, no jardim Getsêmani onde foi capturado, no Monte das Oliveiras onde ficam infinitos túmulos, no Muro das Lamentações e no Santo Sepulcro. Na parte muçulmana onde fica a Cúpula da Rocha, não nos deixaram entrar.
       

       
      Estava uma chuva danada que alagou tudo. Retornamos ao albergue Hebron Youth Hostel para o jantar grátis. Já a diária, essa foi de 41 shekels por cama. Lá conversei com o pessoal, que incluiu o manauara judeu Alan.
       

       
      Dia 32
       
      Arranjamos alguma comida perto pro café da manhã e seguimos de ônibus (6 shekel) para Ramallah, capital cultural da Palestina. Como era sexta-feira, o dia sagrado dos muçulmanos, só conseguimos o ônibus n° 274 que para no check-point de Qadisha. Ficamos surpresos com o muro de concreto que impede os palestinos de se locomoverem como querem em sua própria terra.
       

       
      De lá, tomamos uma van até o centro da cidade (3,5 shekels). Estava um tempo horroroso e todo o comércio fechado quando chegamos.
       
      Felizmente, o Museu do Arafat (5 shekels) não. Moderno, conta a história trágica da Palestina desde a instituição de Israel e relaciona os fatos  com o principal, Yasser Arafat, envenenado pelos judeus em 2004. A construção fica bem onde jaz a morada e local de trabalho final de Arafat, bem como seu mausoléu.
       

       
      Ao sair, seguimos pela avenida principal, organizada como o resto da cidade em geral, muito diferente de Gaza. Num mercadinho dessa via, comprei barras grandes de Milka, meu chocolate preferido, por 9 shekels cada, preço melhor que do país de origem.
       
      Como aceitava cartão de crédito, almoçamos alguns salgados no descolado Zeit ou Zaatar, que tocou umas músicas brazucas pra gente.
       
      De sobremesa, fomos às sorveterias. Mailton foi na primeira que apareceu e pagou caro, enquanto eu tomei um cremoso na Baladna ao custo de 4 bolinhas por 8 shekels.
       

       
      Depois, adentramos a casa histórica de Dar Zahran. De graça, ali fica uma galeria de arte e o dono gosta de conversar.
       
      Com o sol se pondo, voltamos ao muro e ao check-point. Acabamos nos perdendo a princípio, devido a informações desencontradas, mas passamos de volta a Israel. Enquanto meu amigo foi quase xingado ao retornar, na minha vez a agente de imigração até flertou comigo!
       
      Voltamos no mesmo ônibus, ingerimos o jantar grátis do albergue e ficamos conversando com Alan até a hora de tentar dormir, ao som de altos roncos.
       
      Dia 33
       
      Ainda chovendo, nós 3 subimos o Monte das Oliveiras, passando os simplórios cemitérios judeus. Lá de cima, tivemos a melhor vista da cidade velha de Jerusalém, com seus múltiplos templos religiosos, claramente destacando-se a dourada Cúpula da Rocha. Perto do mirante, também visitamos a Tumba dos Profetas (5 shekels).
       

       
      Descemos e atravessamos até o quarteirão judeu, limpo e pouco movimentado, já que era dia de descanso para eles. Vimos lá a Sinagoga de Hurva.
       

       
      Em seguida, almoçamos. Os árabes nos meteram a faca na refeição de carne e salada.
       
      Nos despedimos de Alan e pegamos uma van árabe até Tel Aviv, por 35 shekels. Queria ter pego o ônibus que custa metade, mas como era sábado, nada que seja judeu funciona de dia.
       
      Uma hora depois chegamos na cidade moderna. Caminhamos 2 km, nos quais praticamente só vimos pedestres e comerciantes africanos, até que chegamos no Florentine Backpackers Hostel. Foi nesse agitado albergue que dormimos, por 76 pilas a cama com café.
       
      Saí pra jantar nas redondezas, usando meus últimos 27 shekels numa satisfatória refeição de pão, batata, salada e húmus.
       

       
      Dia 34
       
      Pela manhã, tomamos um trem (13,5 shekels) até o aeroporto, onde voaríamos de easyJet para Milão-Malpensa. No entanto, a informação da estação de trem estava incorreta e o processo de emigração ridiculamente longo, então acabamos perdendo o voo! Tivemos que comprar um voo da Turkish com conexão em Istambul por absurdos 280 dólares, para que pudéssemos pegar a conexão seguinte.
       
      Só que esse voo atrasou, e na hora de transferir para o voo a Milão, tivemos que correr para não perdê-lo. Ao menos os voos da Turkish foram de qualidade.
       

       
      Ao desembarcar, fomos levados ao Aer Malpensa Hotel, onde mal pudemos passar a noite. Se desse pra cancelar o pagamento de 41 euros por 2, eu dormiria no aeroporto mesmo.
       
      Dia 35
       
      Acordamos às 5 para pegar o voo da TAP a Porto, com conexão em Lisboa.
       
      Passei o dia no Mar Shopping, fazendo compras - principalmente na enorme loja Decathlon que fica ali. Por um acaso, o metrô estava em greve nesse dia, mas só me afetou pelo trânsito que o ônibus (n° 601) pegou em direção ao centro na hora do rush.
       

       
      Pernoitamos novamente no Rivoli Cinema Hostel.
       
      Dia 36
       
      De metrô, segui ao aeroporto. Tive um voo com a TAP para Rio-Galeão, que lá chegou no final da tarde.
       
      Fui de frescão até Botafogo (17 reais), onde me encontrei com meus ex-colegas de trabalho num bar. Depois, dormi na casa de um deles.
       

       
      Finalmente, na manhã seguinte voei de Azul até Floripa e cheguei em casa!
    • Por deiselourenco
      Apresentando...
      Quando a gente começa a viajar, seu corpo e sua mente vão querendo cada vez mais, é como uma droga viciante mesmo. No começo, a maioria das pessoas, eu acho, vai realizando aquele sonho que geralmente tem a ver com lugares do nosso cotidiano, que a gente vê muito na TV, nos filmes, nas músicas etc. tipo Estados Unidos e Europa. Comigo não foi diferente. Conheci esses lugares, mas aí eu fiquei com vontade de mais e mais, eaí a África começou a invadir meus pensamentos e eu só conseguia pensar em ir pra lá.
      Entretanto, por vários motivos, entre eles (principalmente) o acovardamento em ir sozinha, eu fui adiando. Já viajei sozinha várias vezes, mas na África eu não queria ir somente no roteiro tradicional: Cape Town, Joanesburgo, Safari… queria mais, e quantos países vizinhos por ali eu conseguisse ir. Por isso, viajar sozinha estava sendo um grande entrave, pois teria que alugar carro e fazer muitos trajetos sozinha, fiquei com medo do perrengue.
      Então… como a vida dá voltas, apareceu uma amiga que também queria pra ir África. Mas pro roteiro tradicional. Aos poucos fui introduzindo a beleza da Namíbia e logo ela já estava convencida a conhecer o deserto. E pra fechar o grupo (ou não), meu primo também resolveu ir. Todo mundo conseguiu conciliar as férias, a vontade de ir pra África por um ou outro motivo e resolvemos. Compramos as passagens pela Latam, ida e volta por Joanesburgo por R$ 2.027,47 com taxas, saindo de Brasília. Pausa para dizer o básico, assim que você comprar a sua passagem desligue todos os alertas de decolar.com, googleflights, viajanet ou outro que você tiver feito. Eu esqueci, e uma semana depois a mesma passagem, na mesma data, no mesmo trajeto estava R$ 300 mais barata. Enfim, bateu aquele remorso básico que poderia ter sido evitado pela simples ignorância de não ter nem ficado sabendo que a passagem estava R$ 1.700. Como dizia o sábio: santa ignorância!
      Mas beleza, passagem comprada, todo mundo me olhando um pouco torto, porque eu queria coisa demais na viagem, começaram os planejamentos e as conversas. Geralmente a gente deixa pra falar como as pessoas eram maravilhosas ou não no final, mas já vou falar logo aqui que o grupo foi sensacional, muita cumplicidade, foi muito fácil resolver tudo já que todo mundo abria mão de alguma coisa pela vontade do outro, abrir mão de algo que eu queria ver não foi tão difícil, na verdade nem me lembro mais do que abri mão, pq a viagem e a cias foram maravilhosas. Então resumindo, quem somos nós: Deise (essa que humildemente vos relata essa viagem), Gabi (minha amiga), FH (meu primo), LC (namorado da Gabi, mas só resolveu ir depois).
      Fiquei meio que encarregada de fazer o roteiro, acho que me beneficiei nessa parte, pois ia colocando o que eu queria, mas ao mesmo tempo, ia tentando encaixar o que os outros queria também, sendo bem democrática. Tipo, não faço questão de vinícola, mas um deles queria abrir mão do tubarão pela vinícola, como não colocar. Então ficamos sem tubarão, mas com vinícola e foi ótimo, todo mundo satisfeito (eu acho rsrs).
      Quanto mais eu pesquisava e procurava roteiros, via que a maioria (90%) só fazia o chamado roteiro tradicional, que é aquele do começo do texto: Cape Town, Joanesburgo, Safari. Estava difícil achar informações sobre a Namíbia, Zimbábue, Zâmbia, Botsuana, não que a gente fosse nesses países, mas eu queria ver os relatos pra ver as possibilidades. Principalmente o deslocamento entre esses países, parecia ser bem complicado fazer por terra se você não fosse fazer algum safari de no mínimo 7 dias. E não tínhamos tempo pra fazer safári de 7 dias. Daí também que surgiu a ideia de fazer esse relato, a princípio eu não faria o relato, mas acho que pode ser útil pra quem busca informações e principalmente opiniões sobre lugares fora do roteiro tradicional.
      Então continuei a busca por relatos e catando algumas informações picadas aqui e ali, montei um roteiro, que pelo visto não foi o melhor, pois toda vez que conversávamos com alguém na viagem sobre o nosso trajeto a pessoa ria. Várias vezes eles comentavam tipo: - nossa, não faz muito sentido, ou: - uau vocês fizeram um belo zigue-zague aí ein. Bom, eu prefiro culpar a falta de informações do que a minha falta de habilidade em fazer planejamento, mesmo que muito provavelmente tenha sido o segundo motivo.
      Antes de finalizar o roteiro, ainda incluímos Victoria Falls pelo lado do Zimbábue.
      Pra vocês terem uma idéia, o roteiro final foi esse, quase não tem vai e volta, SQN.
       
      roteiro.mp4
      Como chegamos nesse primor de deslocamento: simplesmente não tem como ou eu não achei outra maneira de chegar no deserto da Namíbia saindo da África do Sul que não seja de Safári, é claro que você pode alugar carro e rodar até lá, mas pensa na perda de tempo. E os tours são todos bem caros e de 6 dias no mínimo. Então, achamos (eu) melhor ir de avião até a capital da Namíbia: Windhoek, já que de lá saem vários tours para o deserto. E o deserto era a nossa principal razão de ter escolhido a Namíbia. Existem outros passeios bem famosos por lá, como o Parque Etosha, Walvis Bay etc. Mas o nosso foco era o deserto. Então fomos pra Windhoek e já saímos do Brasil com o passeio comprado pela agência Detour Africa, mas quem realmente fez o passeio foi a Wild Dogs (ótima por sinal), a Detour parece ser apenas uma intermediadora, tipo uma agência de turismo. Ops, peraí, já estou entrando realmente no relato, deixa essa parte pra depois.
      Então beleza, chegaríamos pela África do Sul, porque não teve jeito, a passagem do Brasil chegava e saía por ela, mas já teríamos o primeiro trecho de avião por fora, para a Namíbia. Aí depois, numa reunião com o grupo da viagem, já que o Zimbábue foi escolhido de última hora, deixamos ele para os últimos dias, então a África do Sul ficou no meio da viagem. Ou seja:
      07/03 Brasília -- São Paulo -- Joanesburgo
      08/03 São Paulo -- Joanesburgo
      09/03 Joanesburgo
      10/03 Joanesburgo
      11/03 Joanesburgo -- Windhoek
      12/03 Windhoek - Sossusvlei
      13/03 Sossusvlei
      14/03 Sossusvlei -- Windhoek
      15/03 Windhoek -- Cape Town
      16/03 Cape Town
      17/03 Cape Town
      18/03 Cape Town
      19/03 Cape Town
      20/03 Cape Town
      21/03 Cape Town -- Joanesburgo -- Victoria Falls
      22/03 Victoria Falls
      23/03 Victoria Falls -- Joanesburgo
      24/03 Joanesburgo -- São Paulo -- Brasília
      Aí sim, roteiro fechado, vamos para o relato. Durante o relato não vou me ater aos valores mas vou colocar um orçamento detalhado ao final, com valor das passagens, hospedagem, passeios etc. Foram 17 dias no total. Nota dramática: 17 dias inesquecíveis.
      Relato dia-a-dia
      Já faz alguns dias que voltei, e quase um mês do começo da viagem. Foram dias bem intensos e corridos então não vou lembrar com muitos detalhes de tudo que fizemos, mas vou fazer o melhor possível aqui.
      A seguir...
       
    • Por Gabriel Santus
      "Vou mostrando como sou e vou sendo como posso. Jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos. E pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto. E passo aos olhos nus ou vestidos de lunetas." - (Novos Baianos)
       
      Um novo olhar sobre o Mundo.
       
      Olá viajantes,
       
      Compartilharei com vocês meu mochilão que deu início em Dez/18. Irei compartilhar um pouco de como me organizei nos aproximadamente 45 dias antes do início da Trip, bem como, eu defini "roteiros", datas e claro, financeiramente a jornada. Já li diversos relatos, muitos serviram de inspiração, e um 'algo' que sempre tive em mente é fazer um mochilão roots - até também porque, no meu caso, a grana é curta.
       
      Pois bem, no final de Outubro de 2018 eu estava completamente saturado  (como a maioria dos Brasileiros, penso.) Sempre busquei acampar e estar em contato com a natureza, afinal, faz longos 13 anos que sou escoteiro. E sempre a mesma coisa: "Eu saía total do clima tenso da cidade e do trabalho, passava dias perfeitos acampando e quando voltava, em menos de 1 dia na cidade já me saturava novamente." Após ler diversos relatos e de me senti, de certa forma, "preso" neste ciclo, decidi que realizaria um mochilão, sem data de retorno, sem destino final, somente uma bela ida e vivida pelo o tempo que for. Um dia, um semana, um mês, quiçá, em ano? Estava ansioso para descobrir.
       
      Por onde começar? - Questionei nas primeiras horas. - Até que comecei a levantar uma lista de possíveis lugares da América do sul e passei a linkar rotas, ver preços de deslocamentos, me joguei de cabeça na cultura Latino-americana. Foi aí que reparei como tudo hoje em dia é demasiadamente comercial, principalmente os valores. - Não posso procurar como se fosse um turista querendo férias, afinal, não sou um turista querendo férias. - Então a partir deste instante passei de fato a me portar e pensar como um Mochileiro. Passei a pesquisar as rotas de carona, pensar em acampar em qualquer lugar, maneiras de "salvar' dinheiro e como viajar sem grana. Resultado, Primeira semana de Novembro e eu já tinha todo um pré-roteiro definido: Sair do Brasil por foz, adentrar a Ruta 12 no início, caronar até chegar na Ruta 14, a rota que leva até Buenos Aires, tentaria levantar uma grana em Buenos Aires e continuar seguindo para o Sul sentido Patagonia, pois afinal, para voltar é só ir sentido Norte, subir pelo o Chile, cortando todo o País e continuar, Peru, Bolívia, Colômbia e por onde mais tiver de ser. Exatamente esse era meu ‘Pré-roteiro’ e confesso que não teve grandes alterações, pois ir caronando proporciona viver o local e a cultura, conhecer entre uma cidade e outra as histórias que há, bem como as belezas além - escondida do turismo comercial - e claro, salvar o máximo de dinheiro.
       
      Irei detalhar mais para vocês meu roteiro e planejamentos, principalmente a parte financeira, antes gostaria de deixar aqui um lembrete: 'Essa tem sido minha experiência na Trip e há diversas maneiras de mochilar, isso não diminui ou engrandece nenhum mochileiro. Somos da mesma família, portanto, iguais. Acredito que cada um viaja como pode e como o satisfaz, afinal, viajar é se conectar com pessoas e lugares, é viver experiências únicas e incríveis, além de fazer do viajante cada vez mais, um cidadão do Mundo, rompendo fronteiras, preconceitos e expandindo nossos ser.
      Respeito e Gratidão para todos Vocês!
       
      Dito isso. Valores! No pouco tempo que me restava até Dezembro, capitalizei para levar cerca de 1,2k. Sim, isso mesmo, Somente R$1.200,00. Não incluso nesse valor, eu gastei cerca de R$260,00 com uma passagem de ônibus da linha 'São Paulo - Foz do Iguaçu' e cerca de R$150,00 em Equipamentos que vou listar para vocês. Ou seja, sai do país com apenas R$1.200,00 e tive um custo total de R$1.610,00.
       
      Segunda semana de Novembro e eu ainda estava trabalhando, não havia comentado nada com ninguém, ninguém mesmo. Planejava e organizava que acabei não comentando com familiares e amigos com exceção do meu Brother de mesmo Nome, Gabriel, pois morávamos na mesma casa. Foi na última semana de novembro que sai do trabalho feliz da vida, afinal, estava agora indo terminar de arrumar a mochila e começar a viagem para me encontrar, pois é desse modo que visualizei tudo, preciso me encontrar e aqui vou, seja lá onde isso for. Após comunicar familiares e os amigos mais próximos sentia que de fato minha bagagem estava completa, com todas boas energias e incentivos, embora um ou outro tentou se opor à minha decisão, no final, nada puderam fazer e hoje gozo com felicidade.
       
      Mochila e Meus itens  
      1 Isolante Térmico
      2 Calça corta vento
      1 Calça Jeans
      1 Blusa de lã top (homemade)
      1 Blusa qualquer
      5 Camisetas
      1 Camisa
      2 Regatas
      3 Shorts
      1 Touca
      4 Meias (descobrir que pode ser pouca)
      1 Par de Luvas
      1 Par de Chinelo
      1 Par de Tênis (Um para usar fora da estrada ou trekking, tênis comum)
      1 Bota Caterpillar Preta (propaganda gratuita, mas é a bota de minha preferência e dinheiro.)
      1 Toalha
      1 Kit de higiene pessoal
      1 Kit primeiro socorros ( faixa, antialérgico, anti-inflamatório, dor de cabeça, dor muscular, gripe, anticéptico e itens para curativo)
      1 Canivete 12cm de Lamina
      1 Prato e kit de talheres para acampamento
      1 Garrafa de 1Lt para Aguá
      1 Fogareiro boca unica
      2 Lanterna
      15M de corda para camping
      2 Livros pequenos
      Meus materiais de trabalhos* ( Faço artesanato e algumas artes, vou descrever melhor no decorrer)
      Meus Trabalhos**
      1 Pen-drive com documentos, arquivos pessoais, etc.
      2 cadeados (2 mochilas)
      Tudo está dividido em 2 mochilas, sendo uma de 60 Lts + 5 e outra mochila de 15 Lts, as duas totalizavam 14 kg (atualmente até menos). Confesso que eu estava sempre com a sensação de estar esquecendo algo, mas no meu caso foi só a sensação mesmo, descobri que carreguei bagagem demais, e aos poucos me desfaço de algumas coisas deixando a mochila cada vez mais leve e apenas com o essencial. Aos poucos vou desapegando das coisas, tudo vem e tudo vai, e na maioria das vezes foi preciso algo ir para que pudesse vir um novo em seu lugar. Como um dos livros, que virou presente para uma simpática mulher enquanto conversávamos sobre literatura. Senti que ela precisava de ler, mas não tinha tempo de emprestar e pegar de volta, então eu simplesmente deixei o livro seguir seu caminho e fazer parte, agora, da história dela também. Ela nem ao menos falava português (nem eu o Espanhol) e foi numa conversa em Portunhol que tudo aconteceu, ela ficou muito feliz com o presente inesperado. Maravilhosa mulher, maravilhoso ser.
       
      Sai de São Paulo e depois de 17 horas estava em Foz do Iguaçu, a cidade é realmente linda, o Sul do Brasil é lindo, repleto de campos e montes. Fiquei por Foz mesmo pois já era quase 18:00 horas.
       
      No primeiro dia, acordei e fui para o Paraguai, lá terminei de adquirir alguns equipamentos que faltavam bem como:
      1 Cobertor Camping (nunca fui chegado à saco de dormir, choices)
      1 Tenda
      1 Isolante Térmico
      1 Cobertor Térmico  (passar frio nunca, Paulista passa é calor)
       
      DICA: Tem muita coisa que é realmente muito barato no paraguai - a grande maioria de equipamentos, eletrônicos, bebidas e roupas - Se por acaso forem mochilar e porventura o Paraguai tiver em sua rota, vale a pena comprar alguns equipamentos lá, visto que o custo é menor dá pra economizar bem. Mas claro, só digo isso se o Paraguai estiver em seu roteiro, pois a grana que poderá economizar é incrível, como no meu caso. Pois comprei todos os itens acima, uma garrafa de vodka boa e uma bag 15Lts Waterproof, com apenas R$100,00.  
       
      Aproveitei e deu uma bela andada pela cidade, no entanto Punta Del Este é uma cidade comercial e tem todo tipo de lojas e comerciantes possíveis, a mesma pessoa que te oferece 10 par de meias por R$10 também irá te oferecer drogas e armas. Pior que a 25 de Março em SP, cidade donde veio. Loucura aquele lugar.
       
      De volta a Foz ainda no primeiro dia, estive em um Hostel onde conheci uma Sul Coreana que marcou o início da viagem demonstrando ser uma pessoa incrível, com um Carioca doideira e, junto Tiago, um Brother BR (Ele merece um artigo só pra ele para contar brevemente algumas de nossas histórias roots). Passamos a noite tomando Caipirinha após um jantar Inteiramente BR, com feijão, arroz e farofa (primeira vez que a Sky Lee comia e bebia como brasileira) foi maravilhoso e ao mesmo tempo um tanto emocionante, pois aquela foi de fato minha última noite no Brasil.
       
      Segundo dia em Foz, Me levantei cedo e realizei o Check-out antes mesmo da hora. Precisava pegar a estrada o quanto antes. Peguei um ônibus para Puerto Iguazú (Na Argentina, cidade fronteira com Foz) por R$4,80 no lado de fora do terminal urbano de ônibus, esse ônibus para na imigração e aguarda enquanto você dá a entrada no país. Uma vez dentro da fronteira ele te leva até a rodoviária de Puerto Iguazu que fica logo no centro da cidade. Dei uma andada na cidade, mas já sabia que por ela eu só passaria, então fui para o outro lado da cidade onde se inicia a Ruta 12, rota onde começou as caronas. Foram 2h parado esperando carona com a plaquinha e o dedão um pouco adiante da saída de um posto da YPF, nada aconteceu, então fui andando no acostamento até que entrei na Reserva Nacional Argentina - era disso que eu estava falando - Oláaa natureza sua linda! Não foi muito tempo andando até que parei novamente e tentei a carona, cidade Wanda. Dessa vez em poucos minutos funcionou, primeira carona uhuuul. No entanto ele não iria para a cidade e me deixou mais a frente próximo à um posto policial onde disse ser mais fácil e melhor para caronar. Foi tão rápido que mal conversamos, mas agradeço novamente ao Senhor Érico! E não é que ele estava certo, menos de 10 minutos parou um caro com 2 garotos, homens jovens, e ofereceu a carona até Wanda. Foi maravilhoso a carona, e ainda iam contando histórias de como é acampar na reserva, inclusive pararam o carro na barragem da reserva para tirar foto, um deles disse: " faz 10 anos que passo por aqui sempre e nunca parei 2 minutos se quer para admirar a beleza, agora com você, é um prazer enorme fazer isso e contemplar essa beleza". Isso foi maravilhoso. Chegamos em Wanda, Gratidão total Hernan e Rafael. Wow, o dia está para acabar e não dá mais para pedir carona (por política pessoal, não pego carona de noite pois de longe é o melhor momento para isso) vou acampar na beira da estrada! Sim meu amigos, caros Viajantes. Acampei na beira da estrada, vendo a lua brilhar e ouvindo um silêncio maravilhoso que era quebrado apenas pelo som dos poucos carros que às vezes passavam, estava amando a experiência, de repente um cara, do nada, no escuro apareceu. Me deu um baita susto, mas era apenas um comerciante que viu minha chegada do outro lado da Ruta e queria saber se eu queria algo, um Mate, Chipas ou até mesmo Marijuana, pois ele teria ali. Sim, fiquei pasmo com o que ele falou e claro que ajudei o pobre comerciante, que por educação me convidou para desayunar com ele na manhã seguinte. . . Passei a noite feliz, dormir bem e acordei Pleno!
       
      Tudo isso apenas no primeiro Dia de Estrada. Nem imaginava as aventuras adiante, estava me sentindo livre, totalmente liberto das correntes do consumismo e da sociedade, estava livre dos estigmas alheios e finalmente me sentia no caminho para me encontrar, porque 1 dia na estrada nos ensina muita coisa, os dias são de fato aulas intensivas de viver.
       
      Dia seguinte, acordo na estrada, com o sol torrando a barraca logo cedo - Hora de começar o dia! - Cafe da manha com um panetone de chocolate que comprei com 15 pesos no dia anterior e não havia comido tudo. Bastante água, pois o nordeste argentino é bastante quente e úmido. Bora para estrada pois a próxima cidade é Eldorado. Foram longas horas debaixo do sol quente até conseguir. Mas valeu a pena, pois era 13h da tarde e já estava em Eldorado, foram mais de 100 Km tranquilos.
      Em Eldorado fiquei por 3 dias, fiquei na casa de um Senhorzinho que acolheu com muito carinho e foi muito hospitaleiro. Dale Sr. José, dono do cachorro Chiquitin muito fofo.
       
      A Cidade de Eldorado é maravilhosa! Uma cidade pequena, totalmente em meio à natureza (posteriormente fui saber que ela fica ainda na Reserva Nacional, e que essa se estende por muitos KM). Por volta das 18h as pessoas vão para a praça central da cidade tomar Mate e ficar de bobeira até umas 20h, ver aquela cena foi incrível, pois a cidade que até então era vazia e pacata se tornara por 2 horas uma cidade extremamente viva e movimentada. Como não tem muito o que fazer lá, os habitantes vão descontrair na praça, formando rodas de mate e deixando as crianças se divertirem. Conheci 2 Skatistas e destes não me recordo os nomes, pois foi uma conversa rápida mas muito rica, eles mostraram lugares para acampar e para ficar tranquilos na cidade, que o ponto forte deles é a natureza e calmaria. De fato, me rendeu 3 dias de pura paz. E assim passei o Natal, a data mais família do ano, Sozinho numa cidade pequena, sem a extravagância de fogos de artifícios ou um jantar farto e rico, e não senti falta disso. Foi maravilhoso sentir que eu estava finalmente entrando em sincronismo com o universo, sentindo a paz e vivendo o presente sem pensar no futuro ou passado.
       
      Estar na estrada mexeu comigo, pois até então eu sempre estive em um turbilhão de coisas e supostos deveres, no entanto, meu único dever passou a ser viver o momento. E a cada segundo uma nova descoberta, a prática da paciência e o autoconhecimento, guia a energia vital por todo o corpo, como resultado, um vigor infinito. Tudo passa a ser possível!  
       
      Okay, depois de muito meditar e renovar as forças, hora de pegar a estrada, Gratidão Eldorado por ter me tocado a alma e por me fazer amar ainda mais a vida! Passei no mercado, comprei pão, doce de leite e uma proteína, e umas coisinhas pensando em 2 dias, não gastei quase nada, foi barato. 60 pesos tudo. (irei compilar algumas dicas úteis para alimentação na estrada)
       
      Agora na estrada sentido Oberá, porém, são 300 km de Eldorado até Oberá, então decidi fazer em 2 partes, Carona até Jardim America, trocar de rota e ir para a Ruta 7 (pois um moço disse ser mais viável para carona até Oberá). Foram umas 2 horas até pegar a primeira carona, José. Novamente um moço gentil ele falava muito rápido, não pude compreender muito do que falava, mas ele tbm não me entendia, então estava tudo bem, em meio as palavras tinha sempre nossos risos e sorrisos felizes de estar sob a companhia um do outro. Em questão de uns 50 minutos estávamos em Jardim America, pequena cidade. Caminhei até a Ruta 7, fica apenas uns 100m, e novamente na frente de um posto policial em poucos minutos a segunda carona, infelizmente não foi até oberá pois o Sr. Maurício não iria até lá. No entanto fiquei em apenas 1 cidade antes de oberá e faltava apenas 40 KM, insistir em caronar ainda pela Ruta 7 e logo veio a terceira carona do dia, desta vez, até oberá. Foi com o Daniel, um brother muito doido, fumava um cigarro atrás do outro, mas era incrível conversar com ele, durante 5 anos ele mochilou pela argentina e sempre dá carona para mochileiros. contou um pouco da história dele e quando chegamos no destino ele simplesmente me deu o maço de cigarro dele. Sem mais nem menos, tentei negar, mas foi um insulto, logo aceitei e partiu acampar, passar mais uma bela noite sob as luzes das estrelas e o lindo olhar do, quase vazio, Luar. Dessa vez, na cidade de Oberá!
       
       
      Até então tudo vem sendo muito simples, aprendendo um bocado sobre as coisas, e ainda mais sobre mim. Aprendendo a lidar com a saudade e aprendendo a se reinventar, pois somos cada dia versões melhores de nós mesmo, basta acreditar e querer evoluir.


       
      Antes de continuar a compartilhar, quero falar sobre meu sentimento em meio à tantas transformações, minhas influências e contar um pouco de como foi o processo de mudança e adaptação, afinal, eu estava em meio á outra(s) cultura(s) e vale lembrar que eu adentrei sem saber o Idioma.
       
      Começarei pelo idioma, eu pensava - Português e Espanhol são línguas parecidas - e por isso basta falar devagar que vamos nos entender e assim pouco a pouco vou aprendendo o idioma e sua variações. Certo? - Completamente errado! Eles simplesmente não me entendiam! Não importa o quão devagar eu falasse e quão parecido fosse algumas palavras, eles não entendiam! Foi necessário criar ‘regras’ de lógica linguística baseada nas que eu sei de Português, para começar a pensar mais claro em Espanhol, como por exemplo prático: Palavras no Português com ‘São’  como, Comissão; Televisão; Versão; Expressão, entre outras, eu substitui por ‘Sion’, como Comisión; Television; Version; Expression. Vou ser franco, para pegar a base e começar a se virar no idioma é muito útil fazer isso, costuma funcionar, como isso não é nenhuma regra de gramática não é aplicável em 100% dos casos, mas é aplicável suficiente para poder desenvolver o idioma e expandir o vocabulário. Logo pessoas começam a corrigir e com isso, tendo humildade para receber a informação, muito aprendizado se adquire, mas é fato que sempre faço comparação com o português para fixar as diferenças, criando diversas regras doidas que acaba sendo incrivelmente funcional pela sua simplicidade. Um outro exemplo são os ditongos, a grande maioria dos ditongos em Português que tem ‘o’ em Espanhol é ‘ue’ Como: Novo - Nuevo; Porto - Puerto; Conto - Cuento, e por aí vai. Isso tem dado muito certo, pois para uma pessoa que não tinha base nenhuma em Espanhol entender completamente diálogos e poder criar conversas com nativos, é maravilhoso!
       
      A estrada é divertido! Se no dia-a-dia são haver risos e sorrisos, a vida é difícil para qualquer um. Então estar em harmonia com o espírito ajuda a mente a manter-se alegre, a melhor maneira de isso acontecer é se divertindo. Deste modo, o dia-a-dia fica ainda mais leve ainda que seja passando algum perrengue. E por falar em perrengue, todo problema tem ao menos duas boas soluções, então manter-se leve e positivo é necessário, para que tudo flua da melhor maneira possível. “Nunca entre em pânico”
       
      Vamos falar de Saudade? - Neste caso, vou dizer como aprendi a lidar com meus sentimentos - Não foi fácil, e desde quando decidir sair de mochilão evitei pensar nisso, porque sabia que uma hora eu sentiria saudade de algumas pessoas, e teria que lidar com isso. Além disso, eu deveria aprender a me conectar mais com meus sentimentos, me ouvir, me conhecer e entender o que eu sinto, ao menos, um de meus objetivos é encontrar meu lugar em mim mesmo. Então antes de começar a entender onde fica esse lugar, tive que aprender a organizar onde fica o lugar de cada saudade, Mãe, Irmã, Irmão, Amigo que é mais que Irmão e as poucas pessoas que tenho conexão. Entender que por mais que seja grande a saudade é natural e deve ser sentida, não devemos sentir saudade como se fosse algo dolorido, temos sentir com orgulho de ter essas pessoas e poder contar com o amor delas, pois a maior virtude da vida é amar e ser amado. Aprendi isso na estrada somente, pois até então eu sentia um vazio quando sentia saudade, pois era a falta de algo que eu sentia, hoje, sinto saudade e sinto um preenchimento completo, pois vejo todos os motivos maravilhosos que tenho para sentir esse sentimento tão especial.

       
      Estrada vai, estrada vou.
       
      Oberá é uma das grandes cidades do nordeste Argentino. Conta com a presença do parque nacional Oberá, tornando-a ainda mais bela. No entanto não passei muito tempo pela cidade, estava já com a plaqueta feita e novamente seria L. N. Além, uns 120 Km de Oberá.
       
      Foram longas horas debaixo de um sol escaldante, quase não havia movimento na estrada sentido a próxima cidade, pois os poucos carros que passavam e fazia algum sinal de resposta diziam que entrar-ir-iam antes. Fazia muito calor, e como a cidade é bem arborizada e úmida, a sensação térmica estava a mil. Decidi que comeria algo e ficaria um pouco na sombra.

      Após comer e beber bastante água, voltei onde estava e o cenário não havia mudado, estava ainda com pouca movimentação de carros. Enquanto comia próximo ao terminal, não distante da Ruta 14, ouvi uma mulher falando que tem um ônibus para a cidade de São José muito barato, é basicamente um coletivo. Sendo ainda mais preciso, como um desses ônibus que vai de São Paulo até Diadema. Dei uma olhada no mapa para ver onde ficava essa cidade e achei interessante, pois seria mais de 40 km de coletivo, tranquilo. 60 Pesos e ainda tinha água quente no ônibus, pude encher a termo e toma mate.
       
      Agora começa ficar doida a coisa. Cheguei na cidade de São José. Chorei. A cidade é distante demais da Ruta 14, porém, não havia movimentação nenhuma. Só tinha um estabelecimento aberto além da rodoviária e da Polícia, uma Sorveteria. O restante fechado, pessoas em suas casas, ninguém na rua, um ou outro cachorro que passava, mas só. Não achei posto de Serviço próximo, afinal, era uma cidade de campos, aquele era apenas o centro minúsculo e que tudo se resumia em campos. O posto mais perto fica certa de 7 - 8 Km da cidade, ao menos é na intersecção de 2 Rutas, uma Ruta X que mal posso me lembrar e a Ruta 14, minha Ruta.
       
      Andar por uma estrada reta e no calor é péssimo, pior ainda é ficar sem água. Isso estava quase se tornando realidade, entre o posto e o ponto onde eu estava na estrada era mais ou menos uns 6 Km e havia apenas mais uma rua cruzando a rota até que seja apenas campos e estrada e por sua vez o posto, ou seja, eu precisava conseguir água naquela rua! Para minha sorte, em uma das casa no início da rua havia uma família tomando Tererê em frente ao portão. Fui com minha garrafa D'água vazia até eles. - boa tarde, tudo bem? Sou mochileiro e estou passando pela sua cidade, não achei nenhum estabelecimento ou posto de serviço próximo e estou sem água, vocês podem me ajudar com um pouco de água por favor? - Fui o mais educado, embora havia progredido bastante no Idioma, era claro meu acento e as diversas vezes que falava em Português pensando estar falando Espanhol, então eu entenderia se eles pedissem para repetir ou não tivessem entendido. Ao princípio ninguém falou nada, depois de ver que eu estava esperando alguma resposta, ou qualquer coisa, uma senhora simplesmente falou - Não. - eu olhei para os outros como quem diz “ Não, o que?”. Eles entenderam, afirmaram, não temos água. O garoto que melhor fez e colocou cerca de 200 ML da termo dele na garrafa. No entanto, nada disse, nada disseram, só existiram. Eu não entendi foi é nada. Preferir não pensar sobre e agradeci com um belo sorriso, embora pouco, eu tinha um pouco mais do que momentos antes, já é algo.
       
      Caminhei o restante da estrada focado, refletindo em todo momento. A paisagem se tornou uma parceria incrível, pois sempre se transforma em quadros belos de arte natural. Desta vez não foi diferente, não era nenhuma plantação ou campos agrícolas, era somente mato em um espaço loteado vazio, um não, dezenas. Depois de 4 km andando, a água definitivamente acabou. Até que durou - Pensei e gargalhei - Continuei cerca de 500m e pude ver ao meio dos campos próximo à estrada,uma casa pequena, na medida que aproximava passei a ver que tinha uma pessoa sentada, também tomando Tererê. Quando Cheguei na frente da casa, disse o mesmo que disse para a última família, nem foi preciso dizer mais nada, a senhora rapidamente entrou em casa e em alguns minutos voltou com 2 Jarras de água gelada perguntando se eu só tinha aquela garrafa ou tinha mais para encher. Ela encheu a termo e outra garrafa de um litro e ainda tomei uns ‘goles’ lá mesmo. Ela não falou muito, e claramente não era normal aparecer alguém por aquela parte da cidade andando na estrada. Agradeci a gentil senhora, que salvou lindamente minha vida, continuei o restante até o posto de serviço feliz da vida, como sempre.
       
      Devido à circunstância isolada da cidade, o pessoal do posto de serviço aconselhou a esperar um coletivo e ir para alguma outra cidade além, pois ali nada teria e que as pessoas trabalham em campos portanto, pouco circulam pela cidade, conversei também com alguns caminhoneiros que estavam lá, e todos estavam vindo de Buenos Aires indo para O extremo Nordeste quase Brasil, fazendo todo o caminho que até então eu havia feito.
       
      Segui o conselho do funcionário do posto e aguardei um coletivo. Foram 65 Pesos até a cidade de Santo Tomé, Fronteira com o Brasil.
       
      Nessa cidade tudo aconteceu!
       
      Info: Irei postar a continuação e compartilhar todo o relato com vocês, incluindo Fotos, apenas não tenho datas e prazos, pois já estamos em Maio e Muuuuita coisa aconteceu. Escrever é algo que sempre que dá eu faço, tenho muito material desta jornada, afinal, já passei até por Buenos Aires e além. Mas dependo das condições favoráveis e tempo livre na Internet - O que confesso não ter muita prioridade e disponibilidade, visto que tenho um mundo a descobrir - Darei meu melhor, cedo ou tarde postarei mais, espero que em breve. Gratidão por ler e de algum modo fazer parte da minha história.   
    • Por Nathan Messias
      Boa noite galera, tudo bem? 
      Dia 18 de Maio estarei indo para Pedra da Mina, pela fazenda serra fina!
      Li alguns relatos por aqui mas alguém te mais alguma dica algo pra agregar? 
      Alguém estará indo pra lá também nessa mesma data?
       
      Abraços!! 


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