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Salve galerinha do bem ! 

Satisfação em compartilhar com vcs minha viagem de final de ano no Chile. Eu como uma boa geógrafa e louca por viagens tinha obrigação de ir conhecer o deserto, que afinal tá do lado da nossa casa por assim dizer 🤓.

Eu passei Natal e Réveillon por lá, vou fazer um resumo dos assuntos relevantes mas se alguém quiser alguma informação só me contatar.

Bom, eu planejei tudo em 4 meses, comecei com as passagens, hospedagens e pacotes dos passeios. Fechei tudo no Brasil. Embarquei 23/12/19 e fui direto pro Atacama ''c/ escala em Santiago pq n tem vôo direto p lá." Vc tem que chegar a Calama e de lá pegar um transporte para San Pedro " cidade base para quem vai ao deserto". 

Eu fechei o transfer pelo decolar e deu tudo certo, a propósito fechei os passeios de Atacama com eles tbm. 

A cidade de San Pedro é bem movimentada e fornece o básico para os viajantes, eu notei muita coisa de indústria brasileira lá nos mercadinhos, os preços em Atacama é BEM salgadinho, principalmente alimentação, as coisas ficam um pouco mais amenas fora de alta temporada, mas segundo o pessoal de lá não é muito diferente. Mas vale estar por lá... IMG_20191227_190943201.thumb.jpg.5f19a2dad36510178d479ac9ecb21e04.jpgIMG_20191226_155253072_MP.thumb.jpg.02fc9982d2da3048d3382a63d4318a1e.jpg

Existem restaurantes para todos os gostos!! Confesso que não sou apaixonada pela culinária chilena, mas uma coisa que eu ameiss foi o pão de lá... E o chopp, p/ os apreciadores não deixem de experimentar 😋

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Agora falemos então do magnífico deserto 😍

São diversos passeios que vc pode fazer por lá, o bom do deserto é que a beleza de lá se encontra com todas as estações e tem atrações diversificadas. Eu vou citar os passeios mais marcantes p mim, mas se pretende ir, pesquise os que vc deseja conhecer de acordo com tempo e dinheiro que vc terá. 

Sem dúvida o que eu mais gostei foi... 

Ternas de Puritama 

Olha a vista desse lugar e lá embaixo tem as piscinas termais. É muito interessante porque o sol tá rachando, aí vc pensa que vai tá muito quente p entrar em água com temperatura de 28-30 ° e aí que se encanta... Porque lá embaixo a temperatura cai e fica perfeito.

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O segundo eu destaco...

Laguna Cejar

Esse passeio é ideal para ser feito no verão porque a água é bem gelada. Com 40% a mais de sal do que a água do mar, seu corpo não afunda, porém não se recomenda molhar o rosto e tão pouco mergulhar e vc sai coberta de sal.

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E por fim vou destacar...

Lagunas Altiplânicas e Piedras Rojas

O lugar e lindo, lindo, o vento, o ar pela altitude, tive que mascar folha de coca p não sentir o ar  rarefeito. Vimos muitas Lhamas por lá foi bem legal, e apropósito a noite acabei indo comer carne de Lhama super tradicional por lá.IMG_20191227_113607053.thumb.jpg.9856bb25156ec2a0bba800cceb84254e.jpgIMG_20191225_192900600.thumb.jpg.dd5254c8e8f641fc4bc54b4137d7d172.jpgIMG_20191227_085038770.thumb.jpg.39184a468c12a50ff8323e04538dc74b.jpg

Enfim o deserto é um lugar surpreendente de muitas aventuras e diferentes paisagens, se viagens pra curtir a natureza é teu forte então vc tem que fazer Atacama um dia!

Agora vamos para  o posto de tudo isso hahaha... Santiago 

Minha viagem aconteceu quando os protestos no Chile em 2019 já estavam controlados então foi sussa viajar por lá.

É sabido que estamos falando sobre a capital neoliberal da América do Sul então... Empreendedorismo e modernismo e o foco de lá. IMG_20191230_121336483_PORTRAIT.thumb.jpg.ad0a0d865655bcc09c1dda23362b3417.jpg

Cidade agitada com muita comida e balada pra quem gosta. No verão Santiago perde sua maior atração que é o Valle Nevado, porém ele ainda oferece passeios. 

Tire um dia pra dar um rolê no centro "tipo 25 de Março aqui em Sampa". Vale a pena pra fazer comprar e trazer presentes inclusive o Pisco "bebida típica" de lá rsrs. Vá ao Cerro de Santa Lucía e Mercado Municipal, eu fiz isso tudo no msm dia e o bom que dá pra ir a pé, e confesso que foi o dia mais agradável que eu tive, no final da tarde tomamos chopp e comemos no Mercado ao som de música típica e do zunzunzun de muitas conversas! 

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Depois de ficar ligeramente alegre e rindo a toa 🙈 pegamos Uber que por sinal até o momento não é legalizado mas funciona muito bem por lá, e fomos pro hotel. Falando nisso, o setor hoteleiro de Santiago é muito bom e o melhor é que, se vc procurar bem pode achar preços incríveis. Eu fiquei nesse hotel Maravilhento rs, por um preço ótimo.IMG_20191231_070501395.thumb.jpg.251b5110cdffa49010e2ac85c52972cc.jpgIMG_20191231_065702305.thumb.jpg.d2b49562819c5bac4e6003aac86cffca.jpg

Para finalizar vou resumir os passeios clássico de

Valparaíso e Viña del Mar

Cidades costaneiras, na minha modesta opinião... Pura propaganda, não há nada a se perder em visitar, Valparaíso é uma favela antiga, que as imagens falem por si.IMG_20191231_111218826.thumb.jpg.6c84f654a21c9b4022f9405e8ca78dcf.jpgIMG_20191231_105919963.thumb.jpg.7e1446d84f0a6c59e8014ac2161af422.jpgIMG_20191231_102344342.thumb.jpg.6d242e8da1c5b0cc5aeec47416783de9.jpg

Em Viña del Mar, tem o famoso relógio de flores, restaurantes de frutos do mar em abundância, mas para mim o que valeu foi passear pela orla e por o pé nas águas do pacífico Sul que é gelada demais, isso me fez valorizar nosso litoral top ❤️ e tivemos a sorte de ver leões marinhos  a 1mt. de distância.IMG_20191231_114303048.thumb.jpg.9d1cff6ce9cf3f1acd243f2732d5b50a.jpgIMG_20191231_121312689.thumb.jpg.2a41bcd6a4bbe7f48cc95b6f7119ea58.jpg

Bom enfim termino por aqui, esse foi meu primeiro relato, e peguei a  minha viagem mais recente, da um trabalho danado escrever sobre isso, então aproveitei o tempo de quarentena pra fazer isso. Esperamos o fim da pandemia para voltarmos a fazer nossas viagens com segurança pelo mundo! 

Abraços e boa sorte 🙏 

 

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@Flavio Guerra Lima Também não gosto,sou 100% Viña,Valparaiso é pobre demais

.@Adriana Araújo1502435418 Você disse que Santiago é a capital do neolibelele,eu como morador da cidade há anos tenho que discordar.Não é porque há um individuo bilionário e odiado no poder que a cidade perdeu seu gosto pelo socialismo que elegeu a concertación(agrupamento de partidos de esquerda por 16 anos) e caiu na lábia desse sujeito por ir na onda dos outros países.Quero ver se a direita ganhará as próximas eleições em 2 anos.

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não gostei nem de viña, nem de valparaíso. 

minha impressão que essas cidades só se fizeram "famosa" por ficar muito próximo a santiago, senão passariam batido se fossem em outro local

achei o passeio por elas totalmente descartável numa viagem para o chile

olha que adoro o chile, já fui para lá 6 vezes!

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Lendo seu relato deu uma saudade do Chile...Parabéns pela viagem.

Também não curti Viña e Valparaiso, se eu fosse fazer a viagem hoje, cortaria este passeio. Mas há quem curta, acho que é questão de gosto mesmo.

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1 hora atrás, D FABIANO disse:

@Flavio Guerra Lima Também não gosto,sou 100% Viña,Valparaiso é pobre demais

.@Adriana Araújo1502435418 Você disse que Santiago é a capital do neolibelele,eu como morador da cidade há anos tenho que discordar.Não é porque há um individuo bilionário e odiado no poder que a cidade perdeu seu gosto pelo socialismo que elegeu a concertación(agrupamento de partidos de esquerda por 16 anos) e caiu na lábia desse sujeito por ir na onda dos outros países.Quero ver se a direita ganhará as próximas eleições em 2 anos.

 

1 hora atrás, D FABIANO disse:

@Flavio Guerra Lima Também não gosto,sou 100% Viña,Valparaiso é pobre demais

.@Adriana Araújo1502435418 Você disse que Santiago é a capital do neolibelele,eu como morador da cidade há anos tenho que discordar.Não é porque há um individuo bilionário e odiado no poder que a cidade perdeu seu gosto pelo socialismo que elegeu a concertación(agrupamento de partidos de esquerda por 16 anos) e caiu na lábia desse sujeito por ir na onda dos outros países.Quero ver se a direita ganhará as próximas eleições em 2 anos.

Bom eu vou tentar responde a questão de eu não gostar de Valparaíso. 

De fato não me agradou, pelo motivo de pesquisas na internet passarem a ideia de ser uma cidade bem com muito "momosinha e charmosinha" e não é isso de fato, até pela segurança, o guia nos fez sentir como se estivéssemos fazendo um tour pela rocinha, então eu não me senti a vontade, a minha expectativa não foi alcançar, como eu disse essa é minha opinião. Mas de toda forma só tenho boas lembranças de lá. 

Agora quanto a Santiago ser a capital Neo sul americana, isso é um fato, até msm fazendo parte do currículo escolar brasileiro sobre a América do Sul, agora  discutir a política do Chile, não é do meu interesse nem poderia pois não estou a par disso, ainda mais das grandes mudanças política e sociais recentemente ocorridas. Mas vlw a sua expressão ! Abraços

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4 minutos atrás, luizh91 disse:

Lendo seu relato deu uma saudade do Chile...Parabéns pela viagem.

Também não curti Viña e Valparaiso, se eu fosse fazer a viagem hoje, cortaria este passeio. Mas há quem curta, acho que é questão de gosto mesmo.

Sim, tbm acho, por isso é interessante as diversas histórias que a gente pode encontrar por aqui. 

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@Flavio Guerra Lima @FCRO Como morador de Santiago só tenho que lamentar que não conhecem o país que me recebeu tao bem.

Valpo e Viña não é destino para 1 nem 2 dias,mas sim é a praia do chileno da capital e turistas ficam muitos dias.Fim do ano ali é lindo,dá de 1000 a 0 em Copacabana, pois há festa de fogos e acabou,não tem bêbados, ladrões, nada disso.

Mas para quem pensa que Valpo é calmo se engana,talvez seja o lugar mais violento de Chile,os ladrões vivem nos morros e vem roubar no centro. Vi 2 vezes batedor de carteira em ação ali,por isso é pela pobreza desses mesmos morros não gosto de lá. 

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@Adriana Araújo1502435418 Esse Curriculum foi feito pelo desgoverno da direita e entrou em vigor em 2019 no Brasil quando d Piñera já governava Chile.Eles tentam até mudar a verdade para implementar o regime deles nas cabeças de quem não sabe e destruir tudo de bom que a concertacion fez,pois foi nesses  5 mandatos,sendo 4 consecutivos, que construíram Chile como era até o começo de 2018,mas como era de esquerda e desde o golpe de 2016 viramos o demônio,o negócio é criticar.Contra números não há argumentos e encerro por aqui a minha participação neste tópico. 

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    • Por Trip-se!
      Em setembro de 2018, fizemos uma viagem ao Chile e Peru.
      Roteiro - 24 dias
      São Paulo > Santiago > Valparaíso > San Pedro do Atacama > Tacna > Arequipa > Cusco > Ollantaytambo > Aguas Calientes > Machu Picchu > Cusco > Lima.
       
      Começamos nossa jornada no Chile, em Santiago, Valparaíso e San Pedro do Atacama, cujos relatos seguem abaixo:
       
       
      No ônibus das 20:30, deixamos San Pedro do Atacama em direção a Arica, cidade chilena fronteira com o Peru. Seriam 8 horas de viagem, que à noite tínhamos esperança de sequer vermos passar. Com o coração apertado de deixar aquele lugar que tinha acordado tanto dentro de nós, nos despedimos do céu mais estrelado do mundo prometendo, para o Universo e uma para a outra, que voltaríamos logo, em breve, a tempo de não esquecermos toda a emoção que sentimos, nem de deixarmos a brutal rotina do acordar-trabalhar-dormir nos transformar em marionetes que fazem o uso da palavra "sabático" para justificar o tempo em que resolveram ser felizes. Logo nós, que tínhamos acabado de enxergar o não tamanho do mundo.
      Chegamos em Arica ainda escuro. Claudio (amigo que fizemos no Atacama, junto com seu fiel cão Lucky, artista plástico de Valparaíso que, cansado do mesmo todo-dia da vida e do consumo sentimental das relações obrigatórias, encontrou em San Pedro um porto. Breve e temporário.) tinha nos dito que, ao chegarmos, deveríamos atravessar a rua para a outra rodoviária, a internacional, onde poderíamos pegar um ônibus para o Peru. Foi uma ótima dica, ou teríamos ficado perdidas na escuridão da falta de informação e sinalização.
      Ao chegarmos na rodoviária internacional, que mais parecia o ponto final de uma linha de ônibus bem acabada em uma cidade quase fora do mapa, uma mulher sentada numa mesa nos informou que o ônibus para Tacna só sairia a partir das 8:30 da manhã. Eram 4:30 da madrugada. A outra opção, como ela sugeriu, era atravessar a fronteira com um dos muitos motoristas de carro que faziam ofertas de assentos pelo mesmo valor dos ônibus. Não, só se fôssemos loucas de aceitar. Assistimos demais "Presos no Estrangeiro" para arriscarmos uma prisão por tráfico de drogas com um estranho que diria que era tudo nosso, das gringas. Nunca. Resolvemos dar uma volta na rodoviária para despistar a mulher que nos alucinava com essa ideia, quando ouvimos sem muita certeza, o motorista de um ônibus gritar "Tacnabus, Tacnabus" e corremos para confirmar a informação. O ônibus ia para a Bolívia, mas primeiro pararia no Peru, em Tacna, para onde estávamos indo. Com o dinheiro guardado na calcinha, entramos no ônibus e seguimos para o nosso próximo destino.
      Na fronteira: sai do ônibus, carimba passaporte de entrada no Peru, passa as mochilas no raio X, tira o vinho da mochila, mostra que é vinho, guarda a garrafa, volta as mochilas para o bagageiro, sobe no ônibus. E em 40 minutos, chegávamos em Tacna.
      *ATENÇÃO! Ao desembarcar no aeroporto em Santiago do Chile, na entrada no país, além do passaporte carimbado, também entregam um papelzinho, aparentemente sem nenhum valor e sem nenhuma explicação. GUARDE-O DENTRO DO PASSAPORTE! Na travessia da fronteira, esse papel é exigido.
       
      TACNA
      Não esperávamos encontrar em Tacna a cidade charmosa e acolhedora que descobrimos. De habitantes tacanhamente tímidos, que nos olhavam surpresos e alegres ao perguntarmos seus nomes, essa cidadela conquistou nossos corações, receosos de não conseguirem mais se apaixonar depois de conhecer o Atacama. Mas Tacna é leve, florida, descompromissada, como que se viesse só para provar que é possível amar depois de amar. 
      O sotaque, de tanta timidez, torna o espanhol mais difícil aos ouvidos. Os bancos das praças possuem tetos de flores para fazer sombra. Na Plaza de Armas - nome de todas as praças principais de todas as cidades do Peru - há fotógrafos velhinhos andando sob o sol, sorrindo e sugerindo um retrato para a posteridade, como um pedaço de tempo congelado entre as flores coloridas, as palmeiras altíssimas, a fonte imponente, o arco marcante da cidade e, sempre, a igreja. 
      As lojas são todas setorizadas, de forma que os supostos concorrentes são colegas vizinhos, e você jamais vai conseguir tirar uma xerox se estiver próximo dos açougues ou dos consultórios ortodônticos, uma pequena obsessão tacniana. Por toda a rua principal, há galerias como camelódromos, com cabines de câmbio, tabacaria, lojas de joça e manicures enfileiradas em carteiras escolares oferecendo seus serviços. 
      Em Tacna você vira a esquina e se depara com uma padaria a céu aberto no meio da rua! Carrinhos de pães perfumam o entardecer e nos transportam para uma imaginada infância peruana. Foi ali que também comemos o melhor hambúrguer de cordeiro da nossa vida. No "Cara Negra", uma sanduicheria especializada em cordeiro, que eles criam lá mesmo no sítio atrás do bar. É descolado e tem drinks deliciosos. Faz valer a visita na cidade.
      Por todos os lugares que passamos, sempre procuramos pelo Mercado Central, que é onde encontra-se a essência do local. O Mercado Central de Tacna é imperdível. Tem de tudo. Especiarias, ervas, carnes, queijos, farinhas, biscoitos, frutas, verduras, doces, produtos de limpeza e muitas, muitas casas de sucos. Na "Juguería Sra Rosita", uma simpática senhora de sorriso frouxo e vontade de conversar, tomamos maravilhosos sucos de melão e de morango, muitíssimo bem servidos, de ficar na memória. Conhecemos também Miguel, dono de uma barraca de remédios de plantas medicinais, que sabia a erva ideal para absolutamente todo tipo de enfermidade.
      Ao caminharmos de volta para o hotel, bem encantadas com a surpresa de Tacna, uma vendedora nos parou para oferecer azeite. Ao agradecermos e sorrirmos, ela trocou a oferta para um branqueador dental. Talvez por marketing, ou pela já citada fixação por dentes perfeitos dos habitantes da li. Tomara. 
      Por fim, antes de partirmos, passamos por uma casa roxa, um centro de, como dizia a placa, "Magia y Diversión". Sem isso, qual seria mesmo o sentido de tudo? Com a delicadeza dessa mensagem tão sutil e necessária, seguimos nossa viagem em direção a Arequipa.
       







       
       
      - Onde ficamos:
      Ficamos no Nice Inn Tacna, no centro da cidade, com atendimento muito cordial. As pessoas são super simpáticas, o quarto era confortável, chuveiro quente e café da manhã bem simples. 
      Nice Inn Tacna - Av Hipólito Unanue 147, Tacna 23001, Peru / Telefone: +51 52 280152 / booking.com/hotel/pe/nice-inn-tacna.es.html - Onde comemos:
      Cara Negra - Cnel. Bustios 298 / Telefone: +51 952 657 540 / @caranegraoficialtacna / facebook.com/caranegraranchosanantonio/ - Onde fomos:
      Mercado Central de Tacna - Calle Francisco Cornejo Cuadra 809, Tacna 23003, Peru Plaza de Armas - Paseo Cívico de Tacna, Tacna 23001, Peru  
       Seguimos para Arequipa, Cuzco, Ollantaytambo, Aguas Calientes, Machu Picchu e Lima, que detalharemos em post separados. 
      https://www.instagram.com/trip_se_/
    • Por Jackie Erat
      Fala galera!
      Estamos em lockdown no Peru por mais de 2 meses e as coisas por aqui não estão melhorando. O isolamento obrigatório e total fica sendo extendido indeterminadamente a cada duas semanas.
      Assim, organizamos nossas fotos e vídeos de viagem, como um lazer terapêutico. Uma viagem pelas telas, uma fuga temporária da realidade.
      Meu marido e eu estamos viajando as Américas por mais de dois anos, quando a pandemia chegou sorrateiramente e suspendeu nossos planos.
      Mas foram dois anos muito bem vividos e eu gostaria de trazer nossos locais favoritos pra vocês. Temos o sonho e poder retomar a viagem no futuro e assim sabemos que tem muitos mochileiros por aí desenhando seus sonhos também, até como forma de manter a sanidade nesse momento tão difícil. Espero que esse relato lhe ajude a continuar sonhando!
       
      Imagens inspiram mais do que palavras, então para mostrar a vibe dos melhores locais, compilamos um vídeo
       
       
       
      E por escrito aqui vamos mandar os detalhes necessários para você poder fazer acontecer  
       
      Brasil, destinos mais irados:
      Lençois Maranhenses (ir no período em que as lagoas estão cheias). Valeu muito a pena cruzar o parque a pé e fazer o passeio aéreo também https://vidaitinerante.wordpress.com/2018/08/06/logistica-para-a-travessia-dos-lencois-maranhenses-a-pe/
      Chapada Diamantina - Outro parque nacional que vale a pena cruzar a pé. Indicamos o Guia Cid +55 (75) 99229-0256
      Costa dos Corais (Pernambuco à Alagoas), gostamos bastante de São Miguel dos Milagres. É menor, menos turistas, melhor qualidade da água do mar. Para quem estiver de passagem, gostamos de visitar o Canyon do Xingó. Não recomendo dirigir até lá só para isso, mas quem estiver dirigindo pelo litoral Brasileiro, vale muito a pena a parada.
      Canoa Quebrada, CE
      Jalapão: fervedouros (nosso favorito foi o fervedouro encontro das águas pois é o mais forte), cachoeira da formiga, lagoa do japonês, nascer do sol Serra do Espírito Santos
      Fernando de Noronha (caro, porém vale muito a pena)
      Cânions na divisa de SC e RS. Recomendo a trilha do Rio do Boi
      *Não conseguimos ir para a Amazônia ainda
      Vídeo para ajudar no planejamento de quem quer conhecer todo o litoral Brasileiro de carro: 
      Uruguai:
      Ver o carnaval deles, principalmente os encenarios populares no Teatro de Verano
      Colonia del Sacramento
      Cabo Polônio
       
      Argentina:
      Buenos Aires: Palermo Soho, Recoleta, Caminito
      Bariloche: é possível subir o bondinho até o topo da montanha de ski (Cerro Catedral) sem saber esquiar, caminhando. Melhor mês para curtir a neve é Agosto. Visitar a Colonia Suiza também, um charme
      Circuito Cafayate, Salta, Purmamarca, Salinas Grandes https://vidaitinerante.wordpress.com/2020/03/05/salta-preciosidade-ainda-nao-descoberta/
      *Não adentramos no coração da Patagonia pois não havía boas condições de internet e trabalhamos remoto (somos nômades digitais). Então nossas dicas não estão levando em consideração locais que não fomos
       
      Chile:
      Circuito São Pedro de Atacama à Uyuni (tentar ir em Fev ou Mar para pegar o efeito espelhado)
      Deserto do Atacama: conhecer as várias lagunas (ex: Baltinache), Valle de la Luna, Valle de Marte/Muerte, Geiser (se não foi no trajeto para Uyuni, se foi, dá para pular)
      Iquique: duna gigante junto à cidade, sandboarding
       
      Paraguai - não achamos nada de especial que valha a pena os problemas estruturais (ex: corrupção policial)
       
      Peru (não conseguimos visitar todo o país, fomos interrompidos pelo coronga)
      Arequipa (com certeza a cidade mais bonita do Peru). Sillar, Misty, centro histórico
      Puno: fiesta de la candelaria e Ilhas de Uros
      Colca Canyon
      Macchu Pichu (ir na período de seca)
       
      Quem quiser saber todas as paradas que fizemos nesses dois anos, mapeamos no tripline:
      https://www.tripline.net/trip/Trecho_j%C3%A1_percorrido-7160000020541014A251C736C09EF5CD
       
      Cada estrelinha nesse mapa foram locais que conhecemos. Não apenas de passagem, locais que ficamos um tempo, visitamos.

      O sonho continua vivo e é isso que nos mantém fortes para superar momentos difíceis. Sigam firme galera! Se cuidem e cuide do próximo, vamos sair dessa juntos!
      Abraços
    • Por Trip-se!
      Chegamos em San Pedro pelo aeroporto de Calama. Lá pegamos uma van que cruza parte do deserto e nos leva até o povoado. Nos hospedamos por 5 noites no Ckoi Atacama Lodge http://www.ckoiatacama.cl, uma ótima dica de hospedagem. Boa estrutura, atendimento super simpático, perto de tudo, mas longe o suficiente do barulho e com bom preço. 
      O Atacama é uma viagem cara. Todos os passeios são feitos com agências e embora isso interfira na liberdade de quem é bicho solto, é de fato a única forma de preservar aquela natureza absoluta.
      Uma rua de terra principal com duas paralelas e quatro transversais formam o casco histórico de San Pedro de Atacama. E ali naquele pequeno povoado, naquele oásis perdido em meio a uma paisagem que muda de cor com o passar das horas, há uma efervescência, com mercadinhos, restaurantes e lojas que vão de um artesanato simples a joias de pedras preciosas.
      Não se pode dançar em San Pedro de Atacama. Sob os nossos pés, um imenso cemitério indígena, restos de um povo que acreditava que tudo aquilo o que víamos era o bem mais precioso que tínhamos. Um povo que sabia honrar cada pedaço daquela terra e extrair dela tudo o que precisávamos para existir. Um povo que tinha um enorme respeito pela nossa grande e única fonte de tudo, e entendia sobre o que realmente importava. Ouvir música é permitido, contanto que ela não desperte, no corpo e nos pés, a vontade de manifestar euforia e, por consequência, desrespeito sobre aqueles que nos ensinaram tudo o que jamais poderíamos ter esquecido. 
      E mesmo com todas as fotos e vídeos e relatos que havíamos visto e ouvido, não fazíamos ideia da imensidão que nos aguardava e nem do tamanho que isso seria aqui dentro. 
       
      Deserto do Atacama
      O deserto do Atacama não é real. É um outro planeta inventado num filme. É um sonho confuso que se divide ao acordar. É uma mentira contada sobre um paraíso. É uma miragem que nos faz duvidar, o tempo todo, se estamos acordados. Uma memória que temos certeza que está a nos enganar. Um medo constante dos olhos esquecerem a beleza, a imensidão e a intensidade do que veem. Uma emoção que faz chorar todos os dias diante da magnitude do que nos rodeia. O lugar mais especial que já pisamos. 
      No deserto do Atacama há muitas possibilidades de passeios e dificilmente, por tempo e dinheiro, você fará todos. Pesquise bastante e escolha passeios diferentes e que se encaixem no seu gosto e no seu bolso. Optamos por fechar todos os passeios com a mesma empresa, Araya https://www.arayaatacama.com/, e adoramos. Pode não ser a agência mais barata, mas os guias são excelentes e pontuais, as vans são ótimas e nos pegam e nos deixam de volta no hotel e os lanches oferecidos em cada passeio, eram visivelmente melhores que o de outras empresas.
       

       

       

       
      Escolhemos os seguintes passeios:
       
      Lagunas Escondidas
      Três litros de água por dia é o que se recomenda beber no deserto. O corpo rapidamente sente a secura na boca, nas mãos, nos poros, na língua, na pele. A desidratação chega sutil, a saliva falta e a dor de cabeça se aponta lá no fundo dos olhos. Um mínimo gole de água resolve instantaneamente. Sentimos cada parte do nosso corpo reagir ao ambiente em que recebemos muito mais do que damos, como deveria ser sempre na natureza. 
      Saímos às 8h da manhã para as Lagunas Escondidas, um conjunto de 7 lagoas formadas no meio da Cordilheira do Sal. Uma viagem de uns 20min de carro e uma caminhada de uns 15min nos levam à primeira delas, uma piscina natural com a água tão salgada que, se secarmos as mãos na roupa, uma capa branca se forma no mesmo instante. Dá pra ver pequenas bolhas brotarem do solo, indicando a nascente de água subterrânea, um fenômeno banal explicado pelos geólogos, mas impressionante para nós. Água verde clara, transparente e salgada. 
      Seguimos a trilha adiante e, entre uma e outra lagoa verde, nos deparamos com a penúltima do conjunto. Falta ar e palavras para descrever o que os olhos não acreditavam ver. No meio de um concentrado de sal na superfície, rodeado de rochas de sal que vão escurecendo pelo horizonte até ficarem marrom, um pedaço do céu se abre no chão, de uma cor tão azul esverdeada, tão verde azulada, tão aturquezada, tão ainda sem nome, que os olhos se enchem de lágrimas e a boca saliva a vontade das mãos de toca-la. E o corpo desaba na pedra mais próxima e se rende, sem qualquer outra chance de alternativa, enquanto o silêncio e a suspensão são a única manifestação comum e possível dos sentidos. E ali, naquele instante mágico, naquele intervalo que a noção de tempo não consegue explicar, entendemos o nada que somos. 

       

       

       

       

       
      Vale de La Luna e Vale de la Muerte
      É curioso e surpreendente perceber-se no lugar considerado o mais inóspito da Terra, o ambiente que temos de mais próximo à superfície da Lua. Por isso o nome, Vale de la Luna. 
      23 milhões de anos soam como um número perdido e vago, já que é humanamente incalculável para aqueles que vivem, quando muito, um mísero século por aqui. São 23 mil gerações da nossa família vivendo por um período acima da média. Um número impossível para nós. 
      Mas não para a Terra. Não para a natureza. Não para aquele lugar onde tempo e espaço são conceitos que temos que ressignificar para tentar, com muitos esforços, começar a entender o início de nós. 
      Cavernas no meio de cânions de um tamanho muito além do alcance dos olhos; gesso, argila, cristais de sal, granito, quartzo, infinitos minérios cuja explicação para aparecerem ali não existe; cinzas e pedaços de rochas espalhados por todo o vale; e o vento, que faz tudo aparecer e sumir conforme a sua vontade, moldando esculturas que os humanos, tão perdidos diante daquela fonte gigante de tudo, chamam de “Marias”; e a chuva que, raríssima, quando aparece vem imensa, abrindo caminhos em espaços invisíveis. 
      Da mesma forma é o Vale de la Muerte, que era para ser Marte, pelo óbvio, mas a dramaticidade ocidental não permitiu. Do topo do vale vemos o horizonte rosa, as cordilheiras desenhadas, a terra vermelha, as fontes intermináveis de minérios, o sal, os vulcões, o tamanho daquilo tudo. 
      Ali somos nós os estrangeiros, os extras do território, aqueles que não pertencem, achando que sabem alguma coisa, mas que não conseguem explicar quase nada do que se passa nesse outro planeta, que só parece nosso, mas que é ele muito mais o dono da gente. 

       

       

       

       
      Laguna Céjar
      O céu do deserto do Atacama é de um azul firme, fixo, que de tão certo e forte faz os olhos duvidarem. E o horizonte de montanhas e cordilheiras de um colorido que vai do branco da neve nos cumes dos Andes, passa pelo avermelhado rosa da cordilheira do sal, depois pelas formações rochosas amarronzadas de sal seco, pelo bege do solo de pedras menores, até voltar ao branco do sal puro e, por fim, ao azulverde da água das lagoas. É como uma paleta cíclica de cores que só existem ali. 
      A Laguna Céjar é um imenso de água no meio dessa esfera impossível. Começa rasa e transparente, tentadora aos pés, e aos poucos, ao passo lento e natural que a natureza impõe, vai passando pro verde, todos os tons, até chegar ao azul, confundindo o nosso olhar entre céu e água, entre cima e baixo, entre nós e a imensidão. 
      Ali não se pode tocar. É preciso aprender a apalpar com os olhos. 

       

       

       
      Ojos del Salar
      Acredita-se que há milhões de anos, não se sabe dizer quantos, contra toda e qualquer teoria geológica de probabilidade, dois meteoritos caíram na Terra, um ao lado do outro, bem ali no meio do deserto. E com menos explicação ainda, esses buracos formados se encheram de água, doce, limpa, onde se pode mergulhar. E mesmo com toda a seca que se vive lá, ano após ano, a água não diminui. Se evapora, é novamente alimentada por alguma nascente que não se sabe sequer de onde poderia vir. Os buracos possuem uma profundidade que máquina nenhuma inventada pelo homem consegue calcular. 
      Eles te encaram, imensos, como que rindo da tentativa vã e sem propósito de entender o que não se pode explicar. Nos emocionamos entre os Ojos del Salar.

       

       

       
      Laguna Tebinquiche
      A Laguna Tebinquiche é a origem de tudo. No momento em que o mundo acabar e a Terra sucumbir às torturas que praticamos a cada segundo, é ali que tudo recomeça. As bactérias presentes nas pedras que rodeiam toda a lagoa são capazes de dar início ao ciclo da vida. A potência daquele lugar é assustadora. 
      Há um caminho delimitado para caminhar, para que se tente não acabar com o nosso único possível recomeço. E após uma trilha no meio dessa fonte de vida tão invisível aos nossos olhos, tão possivelmente desacreditável a olho nu, chega-se a um ponto onde a luz do pôr do sol a oeste reflete nas montanhas a leste, mudando-as de cor. A beleza é tão arrebatadora que, ao não sabermos para onde olhar, se para o sol que se põe por trás das montanhas e vem até nós pelo reflexo na água ou para o horizonte que vai seguindo o movimento do olhar em amarelo claro, amarelo escuro, laranja claro, laranja escuro, rosa claro, rosa escuro, até atingir a cor púrpura do outro lado, a luz do dia acaba, deixando somente o silêncio daquela visão impossível. E pedimos, com lágrimas que escorrem em meio ao sorriso incessante, que os olhos não esqueçam o milagre que acabaram de ver.
       
      Termas de Puritama
      Há 3 mil metros de altitude cresce uma espécie de cacto que só existe em bando. Chegando aos 6 metros de altura e vivendo por cerca de 200 anos, esse tipo que sequer vinga diante da solidão, possui uma madeira porosa dentro de sua casca de espinhos perfeita para o artesanato. De tão esbelto e firme, é difícil crer que, assim como as rolinhas, não sabe e não suporta ser só. Mas gosta de topos, talvez para ter a certeza de avistar os seus a todo instante, como uma galinha que não perde seus pequenos de vista, mas todos sendo mãe e filho ao mesmo tempo. 
      Num dos cânions em que vive essa espécie há um rasgo feito por um raio, há milhões de anos, que foi se abrindo com o movimento da Terra e formando um caminho. Por ali corre um rio, que não se sabe como, nasce dentro de um vulcão e vem correndo toda uma montanha até desaguar entre cactos carentes e rabos de raposa, planta que só cresce perto d’água e mais parece um capim dourado brilhando no meio da rocha seca e do céu azul.
      Pequenas cachoeiras de uma água inacreditavelmente morna, que quanto mais se sobe o caminho no cânion, mais quente fica.
      Ora na sombra, ora sob o sol fervente do deserto, quando as mãos encostam nessa água, o corpo inteiro arrepia a sensação inesperada daquela temperatura improvável. 
      Caminhamos por 2 horas na abertura do cânion, às vezes ao lado das águas, às vezes na rocha laranja, avistando somente a vegetação que garantia que o rio estava ali. Com a boca seca e os olhos em choque, atingimos o cume e as famosas Termas de Puritama. 7 piscinas naturais desenhadas como que em andares, cada uma delas com formatos e temperaturas diferentes, que vão dos 23 aos 30 graus.
      A água é quente feito abraço, potável e de uma transparência que se confunde com as lágrimas, dando a impressão de que choramos cada gota daquele elixir que, se não cura doença, acalenta a alma.
      Quando o corpo emerge aquelas águas, o coração palpita; a boca não consegue não beber; as mãos correm os braços na tentativa de sentir ainda mais o abraço que envolve por inteiro; os olhos não conseguem se fechar para não perderem um segundo daquela sensação indescritível e choram ao mesmo tempo em que querem ver; e o sorriso vem, completamente involuntário, mais do que convidado e sem nenhum necessidade de ser chamado, aguçando cada poro e cada mínimo sentido e despertando a absoluta certeza de que a plenitude do amor está dentro e só pode ser isso.
      Esse passeio é o Termas da Puritama + trekking. Não deixe de ir caminhando. A sensação de chegar ao topo vivendo o caminho é incomparável do que alcançar as termas numa van.

       

       
      Tour Astronômico
      A altitude alta e as nuvens raríssimas fazem do céu do Atacama o ponto de observação mais limpo da Terra. É ali que estão os maiores e mais modernos telescópios da Nasa* e os mais competentes astrônomos. 
      A realidade é que, para além das pesquisas, olha-se para cima após as 23h e tudo parece um filme. As estrelas são holofotes, dispensando qualquer luz artificial, e o céu parece tão baixo e tão perto que é possível ver o movimento da Terra em tempo real, com os planetas visíveis a olho nu mudando de lugar a cada segundo. A Via Láctea é um borrão branco nítido, grande, que prende os olhos ao tentarmos entender o inexplicável. Mas o que o telescópio mostra ao parar em Saturno beira o indescritível. O coração palpita quando os olhos se deparam com os anéis perfeitos e a nitidez do imaginário de toda uma vida. É preciso coragem para descer as escadas do imenso observador do céu e aceitar registrar aquele instante somente na memória, rezando pra que ele permaneça, forte, vivo e intenso, exatamente como o segundo em que os olhos perceberam o que viam. E num misto de felicidade e medo do que o tempo muitas vezes prega em nossa lembrança volátil, três estrelas cadentes rasgam o céu, roubando a respiração e deixando ainda mais claro que a gente é um pingo de absolutamente nada.
      Fizemos o tour astronômico com a Space Obs, porque lemos muitos relatos de que eles teriam os melhores telescópios. Não gostamos. Extremamente técnico. Grupos grandes, muita espera e filas para cada telescópio. Um casal de simpáticos astrônomos estrangeiros nos recebe e nos guia pelo tour. Observamos o céu a olho nu, com ela apontando estrelas, planetas e constelações. Seguimos para a observação nos telescópios e finalizamos com uma roda de chocolate quente e uma palestra bem entediante sobre física quântica, cálculos astronômicos e informações numéricas pouco interessantes e nada relevantes para quem, como nós, busca um pouco mais de magia. Nos arrependemos de não termos feito também esse passeio com a Araya. Algumas pessoas que fizeram com eles, amaram a experiência. O guia era um senhor nascido no Atacama e entendedor do céu, que em meio aos telescópios, contava sobre as crenças ancestrais do surgimento das constelações. Tudo acompanhado de chocolate quente ou de whisky.
      Preparem-se para o frio da noite do Atacama. Especialmente nesse passeio, que é feito na madrugada por razões óbvias, o frio é congelante. Gorros, cachecol, luvas e meias. Tudo é necessário. 
      *O D FABIANO nos atualizou com a informação correta. Telescópios do ALMA Observatory.
       
      Passeios que não fizemos
      Salar de Tara - queríamos muito, mas estava fechado, com muita neve no acesso.
      Geyser el Tatio - era muito cedo, muito frio e estávamos mais interessadas nas belezas das lagoas.
      Vale do Arco-Íris - faltou tempo.
      Lagunas Antiplânicas - na seleção de cada passeio, optamos pelas outras lagunas.
       
      Onde comer?
      Não achamos tão tranquilo comer em San Pedro. Tentamos tudo. De restaurantes típicos locais a pizzarias. Destacamos somente a Pizzería El Charrúa, com pizzas crocantes e saborosas, e o Empório Andino, com empanadas de diferentes sabores.

       

       
      Também lemos muito sobre Las Delicias de Carmen. Comemos lá 2 vezes e não gostamos nenhuma. 
       
      Dicas
      Na rodoviária há o precioso e pouco divulgado Mercado dos Produtores. Não deixe de caminhar até lá. É onde os artesão locais tem suas oficinas e lojas. Nos apaixonamos pela Dona Carmem, uma das mais antigas artesãs do Atacama e dona de mãos que tecem belíssimas peças, de uma lã natural que ela mesma prepara, monta em novelos e encaixa em seu tear. E também o Manolo, exímio ourives e conhecedor de cobre, mineral abundante na região. Suas joias são obras de arte.

       

       

       

       
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    • Por Trip-se!
      Estivemos em Valparaíso em setembro de 2018, em uma viagem pelo Chile, que também contemplava as cidades de Santiago e San Pedro do Atacama, com seu espetacular deserto. Tudo isso relatado em posts descritivos de cada cidade.
      Nos hospedamos na parte baixa da cidade. Ficamos 2 noites no hostel Casa Plan, um charmosíssimo prédio que funciona como hostel, café, galeria de arte e espaço cultural. Excelentes quartos, banheiros e áreas comuns. Tudo bonito, espaçoso e muito confortável. E ainda tem a simpatia e atenção do Gabriel, idealizador desse lugar múltiplo. Teríamos ficado uma noite a mais. Saímos com a sensação de não termos conhecido tudo.
      Valparaíso é uma cidade que requer tempo. É pequenina, mas tão adorável e que desperta tantos sorrisos, que te deixa pensando por que os amigos recomendam ir, mas ninguém fala que você vai embora com muita vontade de ficar.
      Nas ruas da parte baixa vende-se de tudo: fruta, comida pronta, papel higiênico, cigarro, remédio fora da caixa, desinfetante, roupa, tudo. Pessoas dançando no meio da calçada, de alegria ou embriaguez, também chamaram nossos olhares, em meio àquela oferta de tudo e qualquer coisa, que não tem como não nos vidrar.
      E antes de conhecermos a cidade, conhecemos os cachorros. Já tínhamos reparado que os cães de rua em Santiago eram bem cuidados, mas em Valpo, como eles a chamam, os cachorros são parte não só da cidade, como da vida das pessoas, que espalham potes de água e até casinhas por todos os cantos. Eles caminham pela cidade como pessoas e dormem no sol da praça como idosos aposentados.
      A cidade baixa é conectada à cidade alta por funiculares, que levam a diferentes paisagens dos inúmeros miradouros que nos permitem não só admirar a vista, mas também entender a construção da primeira cidade portuária do Chile e fuga de muitos presos políticos durante a ditadura de Pinochet.
      A parte alta é dividida em cerros, que são como bairros. Cerro Alegre e Cerro Concepcion são os mais charmosos. São repletos de casas coloridas de zinco e de casarões transformados em hotéis, lojinhas e restaurantes, grafite e arte por todo lado. Lemos em algum lugar que Valparaíso é uma mistura de Santa Teresa, Bairro Alto, Olinda e Caminito. É mesmo. Mas é muito além.
       

       

       

       

       

       
       
      Cerro Cárcel
      Um pouco fora do circuito turístico de Valparaíso fica o Cerro Cárcel, local onde funcionava uma prisão de tortura para presos políticos e que, mantendo-se toda a estrutura para que detalhes da história do país jamais fossem esquecidos, ignorados e tampouco modificados, foi transformado em parque e centro cultural. As salas são exatamente do tamanho das celas, com suas micro janelas no alto com barras de ferro, lembrando a todo tempo onde estamos. Fotografias de mulheres presas se espalham pelas paredes, com seus nomes e um sensível relato das roupas que vestiam e do local em que estavam no exato instante em que foram capturadas.
      Uma homenagem forte a um jovem militante assassinado ali, com um testemunho duro e detalhado de um amigo que assistiu à crueldade sem nada poder fazer. Gonzalo Muñoz Aravena.
      O coração doeu ao lermos e, de certa forma, revivermos toda aquela história entre aquelas mesmas paredes, onde quanto à energia que ali paira não há arte que acalente.

       

       

       

       
      O edifício faz parte do Parque Cultural de Val Paraíso, que é ao mesmo tempo centro cultural e parque aberto para a  comunidade.
      O parque abre de quarta a domingo, das 10h às 18h no inverno e das 10h às 21h, no verão.
      Endereço: Calle Cárcel, 471
       

       
       

       

       

       
      Saímos do Parque Cultural de Valparaíso e, enquanto olhávamos o mapa e pensávamos no que faríamos no pouco tempo que ainda nos restava ali, um senhor se aproximou perguntando se estávamos perdidas e queríamos ajuda. Iniciamos uma conversa longa com aquela figura que tanto tinha para contar.
      Aquele senhor, hoje reciclador de lixo, era apaixonado pela sua cidade. Tinha sido preso naquela prisão, junto com militantes de esquerda. Não que fosse um, ele disse, pois não tinha estudos e nem coligações com partidos, mas gostava de fumar maconha, e um dia foi pego e jogado naquele pequeno inferno, em celas de 8 m2 com 12 pessoas, que não tinham sequer como ir ao banheiro. Faziam cocô num saco e quando juntavam uma quantidade cujo cheiro não dava mais para suportar, subiam na janela da cela e lançavam-no do lado de fora, ato que gerava consequências desumanas de tortura.
      Ele fugiu. Numa fuga em que escaparam muitas pessoas, já exaustas e inconformadas com tanta maldade naquele lugar onde a extrema tortura era revoltantemente comum, ele foi junto, por um pequeno túnel que levava à uma possível liberdade. Não para todos, pois muitos foram capturados na tentativa de deixar o Chile, denunciados por argentinos nas fronteiras ou pelos próprios traços cansados, machucados e desnutridos. Mas para ele, sim. Finalmente. E ali na sua cidade ele permaneceu, e fez questão de ficar para ver os anos passarem, o governo mudar, e a vida poder ser de outra forma.
      Casou-se com uma mulher que tinha 4 filhos de outro homem, e ele quis criar todos, ser pai. Não está mais casado com ela. Tem netos já grandes. Ouviu uma filha dizer que tem 2 pais e ficou muito magoado, afinal o pai foi ele a vida inteira. Mas hoje entende, acha que no fundo ela tem razão. E os dois são amigos, o que fez e o que criou.
      Fala dos filhos, dos netos e da vida com brilho nos olhos e sorriso no rosto. Além de reciclar lixo numa tentativa de ajudar a manter a cidade, é também guia no centro cultural, contando aos jovens a história da cidade, da prisão e a sua própria, para que saibam onde estão.
       
      Frequenta o centro sempre que pode, gosta muito das peças de teatro e lamenta não ter assistido à sessão de cinema em que passou Carandiru, pois todos os seus amigos disseram que ele tinha que ver esse filme, que ia adorar.
      Apertou as nossas mãos, despediu-se de nós, nos desejou um bom passeio e desapareceu antes que pudéssemos saber seu nome ou eternizar seu rosto em algum lugar além da memória, que tem por costume se esvair com o tempo.
      E assim, como que com o coração em suspensão, à espera de um final, do laço de fita no presente, deixamos aquela cidade portuária, colorida, prisioneira, alta e baixa, simples e nobre, cultural e carente, olhando para trás e querendo voltar.
       
      O que faltou fazer?
      - Não visitamos a La Sebastiana, casa museu do Neruda em Valpo. Ela fica mais distante, em um cerro mais alto. Nos arrependemos imenso, mas não tivemos tempo.
      - Walking Tour para saber mais da história da cidade. 
       
      Dicas
      - Tours 4 Tips - caminhadas guiadas de cerca de 3 horas em que você paga o quanto quiser para o guia. 
      - Pan de Magia - uma pequena casinha roxa e amarela na cidade alta que serve empanadas deliciosas e baratas. Fica na Calle Almirante Montt, 738. 
       
      https://www.instagram.com/trip_se_/
       
       


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