"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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[t1]VIAGEM A EUROPA – PORTUGAL (LISBOA-SINTRA-OBIDOS-FÁTIMA-COIMBRA-PORTO) – ITÁLIA (ROMA-FLORENÇA-VENEZA) – FRANÇA (PARIS)- HOLANDA (AMSTERDAM);[/t1]
Começamos a planejar esta viagem em dezembro de 2010. Queríamos fazer algo diferente nas férias. Comecei a olhar alguns intercâmbios, pacotes turísticos em agências. Depois minha esposa descobriu o site dos mochileiros. Lemos vários relatos e resolvemos que iríamos por conta própria. Aproveito para agradecer a Lilizinha, pois seu relato foi muito importante para o nosso planejamento e também decisão de viajarmos por conta própria. Pacotes turísticos são mais cômodos, porém muito cansativos e pouco nos oferecem e ainda saem bem mais caro.
ORGANIZE-SE:
Tudo relacionado a viagem fui colocando em duas pastas. Numa reuni as passagens aéreas, bilhetes de trens, reservas dos hotéis, ingressos que compramos antecipadamente. Na outra colocamos os roteiros impressos que íamos fazer. Criei também em meu e-mail, uma pasta onde arquivava tudo aquilo que já era relacionado a viagem, mesmo que já impresso, tal como bilhetes, passagens, confirmação de reservas e bilhetes aéreos. Assim fica fácil localizar as informações, se necessário.
SITES:
http://www.urbanrail.net/index.html (linhas de metrô no mundo)
http://www.thalys.com/fr/en/?time=1304551392 (trem rápido Paris-Bruxelas-Amsterdam)
http://www.ibishotel.com/pt/home/index.shtml (Hoteis Ibis)
http://www.raileurope.com.br/spip.php?page=rubrique&id_rubrique=18 (Trens europeus);
http://www.trenitalia.com (Trens Italianos);
http://parisbytrain.com (Transporte público em Paris e arredores);
http://www.interpartner.com.br (site para obter o certificado do seguro europeu – “schengen”)
http://sna.saude.gov.br/cdam (obter certificado do Ministério da Saúde)
http://www.tripadvisor.com.br (reservas de hotéis e dicas com avaliação dos mesmos)
http://www.easyjet.com (Cia aérea Low-cost que voa na Europa)
http://www.askmelisboa.com (site sobre o LisboaCard);
http://www.visitlisboa.com (site sobre o LisboaCard);
http://www.hotelstellaroma.it (hotel em Roma)
http://www.hoteldellenazioniflorence.com (hotel em Florença)
http://www.hotelalleguglie.com/it ( hotel e Veneza)
http://www.hotel-paris-tourism.com (hotel e Paris)
http://www.seatguru.com (configuração dos aviões)
BAGAGENS:
Não leve mais do que 1 mala e 1 mochila por pessoa. É o suficiente. Lembre-se que você terá que arrastá-la. Se puder deixe espaço nesta mala para trazer algo, você vai querer ! Leve mala com rodinhas e de preferência boas rodinhas para que elas não se quebrem pelo caminho. A mochila é importante pois sempre que saíamos ela ia conosco. Nela levamos lanches (frutas e sanduiches), além da roupa de frio (luvas, gorros, etc) pois ao anoitecer o frio chegava. Compramos cadeados para nossas malas. Isto mesmo, cadeado. Sempre que saíamos do hotel trancávamos as malas com o cadeado. Achamos seguro pois tinha notebook dentro e também Euros.
SEGURO VIAGEM:
Compramos nossa passagem aérea com o cartão VISA, na função crédito. Alguns cartões VISA (não são todos), lhe oferecem de graça o Seguro de 30 mil Euros, desde que a compra da passagem aérea seja feita na função CRÉDITO. Depois de feita a compra você pode obter o certificado “schengen” no site já informado em “sites”. Veja com o seu Banco ou diretamente com o atendimento de seu cartão de crédito VISA, se o cartão que você possui lhe oferece este seguro. Volto a repetir, é um seguro médico de emergência, no valor de 30 mil Euros oferecido por alguns cartões VISA; Para que se entre na Europa pode ser exigido (pela imigração) o seguro no valor de 30 mil euros. Várias seguradoras fazem este tipo de seguro viagem. Nós fizemos a precificação com uma e ficava em torno de R$200,00 por pessoas. Como adquirimos a passagem com o VISA e ganhamos este seguro, economizamos nesta despesa. Apesar de termos levado o certificado do seguro não nos foi exigido a sua apresentação na hora da Imigração.
CDMA – Certificado de Direito a Assistência Médica
Documento obtido junto ao Ministério da Saúde, que lhe garante o atendimento médico nos países que firmaram acordo bilateral com o Brasil. Nós pegamos 2 certificados: um para Portugal e outro para Itália. Como estamos em MG, ligamos para BH onde obtivemos informações. Tel (31-)32482814. Os funcionários são muito prestativos e fizemos tudo por e-mail e telefone. Depois pegamos o certificado em BH (pois embarcaríamos lá). Segundo informação dos funcionários eles enviam pelo correio este certificado. Este certificado é mais uma garantia de atendimento médico, caso necessitássemos.
MEDICAMENTOS:
Nós levamos alguns medicamentos conosco, pois sabíamos que em alguns países não vendem sem a receita médica. Levamos Dorflex, Paracetamol, alguns para gripe ou resfriados, sal de fruta, remédio para enjoo.
PERMISSÃO PARA DIRIGIR:
Como íamos alugar carro em Portugal, tirei minha Permissão internacional para dirigir. PID. No site do detram (no meu caso foi o MG), preenchi a guia para recolhimento da taxa (aproximadamente R$106,00). Paguei a taxa e a PID chegou em menos de 1 semana. Ela funciona para quase todos os países europeus. Foi fácil e rápido.
DINHEIRO E GASTOS
Levamos Euros em espécie 2.000 Euros e também adquirimos o cartão VISA TRAVEL MONEY (VTM), coloquei 1.500 Euros. O VTM é um Cartão pré-pago que substitui o cartão de crédito. A vantagem que você não precisa ficar carregando muito dinheiro. Em quase todos os lugares aceitaram este cartão. Gastamos R$15.583,00, para nós dois, já está incluído aí todos os gastos, incluído a compra dos euros. Pasmem, ainda sobraram pouco mais de 600,00 euros, entre dinheiro em espécie e no cartão VTM.
SEGURANÇA
Para evitar transtornos com pequenos furtos, minha esposa fez para nós usarmos uma bolsinha que se coloca na barriga, dentro da calça (conhecida como doleira). Acha-se para comprar também.Nela colocava o dinheiro e nossos passaportes. Existe uma preocupação com os pick-pocket (batedor de carteira no Brasil). Nos lugares com muita gente, tais como museus, ônibus, metrôs, etc, eles costumam agir e levar seu dinheiro. Portanto não ande com bolsas e mochilas a tiracolo. Segundo nos foi informado não há registro de assaltos, onde o bandido anuncia o fato, normalmente armado com revólver, faca, canivete. Porém o tipo de crime mais comum é o de “batedor de carteira”. Fique atento !!
HOTÉIS
Pesquisamos os hotéis antes de reservar, claro. No site tripadvisor (ver em Sites) você encontra informação hotéis, como preço e avaliação por quem já se hospedou. Através deste site escolhemos 4 dos 9 hotéis que ficamos. Outros 4 foram hotéis da rede Ibis (cujo padrão é o mesmo em todos os lugares) e o último não escolhemos pois foi pago pela TAP (companhia aérea). Os hoteis IBIS em Portugal são muito baratos. Vale a pena ficar neles. Você tem a certeza do serviço prestado. Assim optamos por eles. Na Itália o Ibis Roma é muito distante, fica mais perto do aeroporto. Ficamos em um hotel perto da estação Termini. O mesmo foi em Florença. Ficamos em um hotel ao lado da estação de Santa Maria Novella (trem). Já em Veneza ficamos em um hotel a uns 10 minutos a pé da estação de trem. Em Paris, há muitos hotéis IBIS, mas com preços salgados. Ficamos em um hotel perto da Torre Eiffel (campo de Marte) e perto da estação de metrô. Só voltamos a ficar em um hotel IBIS em Amsterdam. Além de ficar ao lado da estação de trem, nem pensamos duas vezes, pois era mais fácil, apesar do preço ser muito salgado. Vale a pena ficar próximo dos centros (ou das atrações turísticas principais) e também das estações de metrô ou de trem dependendo da cidade, para que não fique carregando muita mala. Fizemos todas as reservas diretamente nos sites dos hotéis, apesar de pesquisarmos sobre os mesmos no site do tripadvisor. Os 4 hotéis Ibis pagamos já antecipadamente. Nos hotéis de Roma e Paris, foi cobrado antecipadamente apenas parte do valor. Nos hotéis em Florença e Veneza pagamos somente no check-out. Uma semana antes de viajarmos enviamos e-mails para estes hotéis e ratificamos nossas reservas, apesar de termos recebido quando fizemos a reserva a nossa confirmação. Vou fazer o relato sobre a minha impressão em relação aos hotéis:
LISBOA – Hotel IBIS Liberdade: Hotel com padrão IBIS, quartos bons, com janelas duplas. Banheiro bom. Tem serviço de internet gratuito no hall do hotel, nos quartos é paga. Café da manhã muito bom, com variedades de pães, frutas e iogurte. Preço ótimo: 67,00 euros/dia. Sua localização também é boa. Perto do centro (a pé uns 10 minutos) e perto de estações de metrô (que ficam na Av. Liberdade).
COIMBRA – Hotel IBIS Coimbra. Da mesma forma mantém o padrão IBIS. Não tinha janelas duplas porém o barulho da avenida não atrapalhava. É perto da Universidade (10 minutos a pé), em frente ao rio. Café da manhã muito bom. Preço ótimo 47,00 euros/dia. Foi o mais barato dos hotéis que ficamos. A internet também é free na recepção (wireless).
PORTO - Hotel IBIS Porto (Rua da Alegria): Muito bom. O recepção do hotel fica no 3º andar no prédio. Da mesma forma que os demais mantém o padrão IBIS. Café da manhã muito bom, com variedades. Internet free (wireless) na recepção. Preço muito bom também: 57,00 euros/dia. É perto do centro e da estação do metrô Bolhão (5 minutos a pé).
ROMA – Hotel Stella: Perto da estação Termini (10 minutos a pé). Em Roma é dificil achar hotéis baratos com 100% de satisfação. Este hotel é bom, apesar de ser um dos mais caros que ficamos. 111,50 euros/dia Fica em um prédio de 5 andares. Nem todo o prédio é do hotel. Também funciona escritórios lá (acho que é comum isto). Tem uma vantagem em relação aos demais que olhamos, tinha elevador. Ainda bem pois ficamos no 5º andar. Os quartos são bons, com espaço, porém o box do banheiro é muito pequeno (70x70). Uma pessoa gorda não cabe. O café da manhã é simples. Não tem frutas nem iogurte. Sobre a internet, tinham apenas 1 computador na recepção (muito antigo por sinal). Difícil !! Mas mesmo assim deu pra usar uma vez. Tem uma pequena escada até a recepção.
FLORENÇA– Hotel Della Nazzione: Ao lado da estação SMN (Santa Maria Novella). Ótima localização, 5 minutos a pé da estação. Hotel bom, com excelente café da manhã. Preço bom: 88,40 euros/dia. Quarto espaçoso, com internet wireless (free) no quarto. O box do banheiro também é pequeno (70x70). Mesmo assim valeu pela localização. Da mesma forma tem uma pequena escada na recepção.
VENEZA – Hotel Alle Guglie: Hotel bem localizado (na ilha de Veneza), perto da estação de Trem (10 minutos a pé). É em um prédio antigo (como a maioria), porém por dentro está todo reformado. O quarto não é muito espaçoso, porém aconchegante. Tinha internet wireless (free) no quarto. O banheiro é de tamanho normal, porém o box da mesma forma que os demais era pequeno (70x70). Volto a repetir que alguém gordinho passa aperto (literalmente). O café da manhã também é bom, tem variedades. Preços razoáveis: 100,00 euros/dia. Um problema: escadas para se chegar nos quartos. Como ficamos no último andar, tivemos que subir mais de 60 degraus, ainda bem que o recepcionista ajudou com malas. Em Veneza (ilha) os hotéis também são caros. Em Veneza Mestre (continente) os hotéis são mais baratos, porém você tem que fazer a travessia ilha-continente de ônibus, trem. Acho que fica cansantivo.
PARIS – Hotel Tourisme: Hotel bem localizado, ao lada do estação La Motte Piquet-Grenelle do metrô de Paris. É perto do Campo de Marte. A pé até a torre Eiffel gasta-se uns 15 minutos. Preço bom: 113,40 euros/dia (é média pois há diferença para final de semana). O hotel está em reforma. Ficamos em um quarto já reformado. Quarto amplo, com móveis todos novos, banheiro espaçoso. O box não era apertado. Quarto com internet wireless (free). Café da manhã bom, com variedades. Achamos bom porque estava ao lado do metrô.
AMSTERDAM – Hotel IBIS Centro: Ao lado da estação de trem de Amsterdam (5 minutos a pé). Padrão IBIS. Café da manhã muito bom, internet na recepção wireless (free). O preço foi o mais caro dos hotéis que ficamos: 135,45 euros/dia. Porém escolhemos este hotel pela sua localização. Na verdade nem olhamos outros hotéis em Amsterdam. Tivemos receio de embarcar numa roubada.
LISBOA (hotel pago pela TAP): No último dia, ficamos no hotel Roma, em Lisboa. Por conta da alteração no voo de volta para BH. Hotel muito bom. Fica na Av. de Roma. Café da manhã excelente. Mas acho que os preços deste hotel são acima dos preços do IBIS (170 euros/dia). Portanto recomendo o IBIS.
ROUPAS E CALÇADOS.
Fomos na primavera e mesmo assim usamos roupas de frio. Durante o dia o sol estava quente, porém ao anoitecer esfriava. Mesmo de dia em determinadas cidades, à sombra ficava frio. Portanto leve roupas de frio. Levamos também capa de chuva (apesar de não utilizarmos pois só choveu mesmo no último dia em Portugal. Não se importe em repetir as roupas. É melhor repetir os casacos, calças do que carregar malas pesadas. Lembre-se disto. Quanto aos calçados, eu levei um par de tênis e fui com um sapatênis. Minha esposa levou tênis (mas não usou), uma botinha confortável e “papete” que mais usou. Ela achou mais confortável do que tênis.
TOMADAS ELÉTRICAS:
Se você tem tomadas com pino chato (comum em carregadores de máquinas e celulares), compre um adaptador. As tomas por lá são todas com pinos redondos, e apenas 2. Apenas em um hotel foi que vi tomada para pino chato. As tomas de 3 pinos (comum em computaodores) também não servem lá. Eu levei um adaptador com saída para 3 pinos, porém nem usei. Comprei um adaptador lá mesmo, nas lojas de chineses (0,99 de Euros).
COMUNICAÇÃO NO EXTERIOR:
Acho que a grande maioria tem o receio de não entender e de não se fazer entender em um país estrangeiro. Acho que saber o básico do Inglês ajuda um pouco, mas não vejo como pré-requisito. Na Itália você até encontra quem entenda o português ou até mesmo o “portunhol”. Na França é que tivemos mais dificuldades, pois nem todos querem falar em Inglês e tínhamos que ir nos entendendo com a comunicação via gestos. Mas foi legal, pois não deixamos de fazer nada por isto. Por último leve consigo sempre papel e caneta. Beinque de imagem e ação. Se puder leve um mini-dicionário de cada língua. Pode precisar para entender algo.
ROTEIRO DA VIAGEM:
Partida 30/03 – BH
31/03 - Lisboa
01/04 - Lisboa
02/04 - Sintra - Lisboa
03/04 – Lisboa – Óbidos – Coimbra
04/04 – Coimbra – Porto
05/04 - Porto
06/04 – Porto – Roma
07/04 - Roma
08/04 - Roma
09/04 - Roma
10/04 – Roma-Florença
11/04 - Florença
12/04 – Florença – Veneza
13/04 - Veneza
14/04 - Veneza – Paris
15/04 - Paris
16/04 - Paris
17/04 - Paris
18/04 – Paris – Amsterdam
19/04 - Amsterdam (Keukenrof)
20/04 – Amsterdam-Lisboa
21/04 – Lisboa-BH*
*Nosso roteiro original terminava dia 20/04, quando pegaríamos o voo em Amsterdam, faríamos uma escala em Lisboa (aproximadamente de 1 hora) e pegaríamos o outro voo para BH. Porém, a TAP alterou o horário do voo para BH, adiantando o mesmo. Assim nosso voo para BH foi remarcado para o dia 21/04. Ganhamos mais um dia Lisboa, e o melhor, com as despesas pagas pela TAP. Esta mudança foi feita dois dias antes de sairmos do Brasil. Recebi uma ligação da TAP, nos informando da alteração. Depois da nossa confirmação recebemos e-mails com os novos horários de volta bem como a confirmação da reserva do hotel em Lisboa, no dia 20/04. Tudo com antecedência e sem estresse. Assim já sabíamos com antecedência que ficaríamos mais um dia na Europa.
PROGRAMAÇÃO DA VIAGEM:
Nós viajamos em 4 pessoas. Foi eu, minha esposa, a irmã dela e o marido da irmã. Decidimos qual seria nosso roteiro. Portugal-Itália-França e Holanda. A partir daí decidimos a data de ida e de volta e quantos dias íamos ficar em cada lugar (cidade). Nós compramos primeiro a passagem de avião Ida e volta, R$ 4.061,98, para mim e minha esposa. Como íamos sair por BH, resolvemos que seria melhor voar pela TAP que tem voo direto entre BH-Lisboa. Até achamos voo mais barato pela IBÉRIA, mas tínhamos que fazer tantas escalas que desistimos. Achamos também melhor entrar na Europa por Portugal pois assim faríamos a Imigração em Lisboa, o que já sabíamos seria mais fácil. Outra vantagem que vimos (e esta foi só depois de estarmos já no final da viagem), os preços em Portugal são mais baratos do que no restante dos lugares que passamos. Assim a gente não se assusta tanto com as compras em Euro. Muitas companhias aéreas oferem a disponibilidade de comprar passagem com IDA e VOLTA por cidades diferentes. Foi o que fizemos. Compramos a volta de Amsterdam-BH. É claro que o voo ia passar em Lisboa, mas acreditem o preço da passagem desta forma ficou mais barato do que Lisboa-BH. Tivemos sorte também e no mesmo dia que compramos a passagem de ida e volta, já compramos a passagem de Porto-Roma (também pela TAP). Estava em promoção e saiu muito barata, 97,36 euros para o casal (a la GOL/WEBJET no Brasil). Nós compramos as passagens em 18/01, ou seja com mais do que 2 meses de antecedência. A partir daí fomos escolhendo os hotéis e também compramos as demais passagens de trem e avião. Deixamos para alugar o carro lá mesmo em Portugal. Assim podíamos ver in-loco o veículo,pois tinhamos dúvida em relação ao tamanho dos bagageiros. Depois compramos as passagens de trem. O trem Thalis, que liga Paris-Bruxelas-Amsterdam tem preços mais baratos quanto mais cedo se comprar a passagem. Compramos com mais de 2 meses, e conseguimos por 35,00 Euros (por pessoa) até Amsterdam. Já no trem da Trenitália, não percebi esta diferença, porém compramos também com antecedência. De Roma a Florença, pagamos 44,00 euros por pessoa pelapassagem de trem. De Florença a Veneza pagamos 42,00 euros pela passagem por pessoa. De Veneza a Paris existe um trem noturno italiano. Vimos muitos relatos de pessoas que preferem viajar nele, pois assim economizam uma diária de hotel. O trem sai de Veneza por volta de 19:30 h. A viagem dura em torno de 14 horas. Nós desistimos de fazer esta viagem quando vimos na internet o tamanho das camas. Achamos pequenas. Além do mais os “cholches” (quartos??) são de 4 ou 6 pessoas. Demos sorte e compramos passagem aérea pela companhia Easyjet (low-cost). Estava em promoção. Ficou em 106,48 euros para o casal. É claro que por ser uma cia low-cost tem regras a serem seguidas. A principal é que as bagagens não podem exceder a 20 quilos por pessoa. Como compramos ainda no Brasil, já fomos preparados. Acredito que saiu bem mais barato pagar o voo e a diária do hotel em Veneza do que viajar a noite neste trem. Compramos também ingresso antecipado para o Museu do Vaticano. Pela internet paga-se 4,00 euros a mais do que se comprasse na hora. Vale a pena, pois a fila que se passa a frente por se ter este ingresso é enorme. O outro ingresso que compramos foi do parque da Holanda, o Keukenhof, 21,00 euros por pessoa.
DIA DA VIAGEM – 30/03 – BELO HORIZONTE
Fizemos o check-in pela internet, de manhã no site da TAP. Assim escolhemos os lugares juntos. Nosso voo estava marcado para as 22:45 h. Saímos cedo pois o aeroporto de Confins fica bem longe. Ao passar no raio-x lembre-se: Nada de objetos cortantes (cortadores de unhas, tesourinhas, canivetes, líquidos nas bolsas). Tudo isto fica retido. Vimos um recipiente cheio destes objetos. É incrível como ainda tem gente que carrega isto nas bolsas e bolsos e acha que passará nos detectores de metais. Passamos pelo raio-x e depois no guichê da PF. Tranquilho! Vale lembrar que é bom chegar cedo. Embarcamos.
O voo foi perfeito, sem turbulências. Serviram o jantar. Normalmente se tem duas opções de pratos para o jantar. No entanto, aqueles que ficam mais ao fundo da classe econômica acabam por ter que ficar com o prato que literalmente “sobra”. Foi o nosso caso. o avião tinha duas classes, executiva e econôminca. Veja a configuração do avião no endereço disponível em "sites". Neste voo a refeição podia ser peixe ou frango. Como estávamos bem perto do final (já na fila 32) tivemos que comer peixe, pois o frango já havia acabado. Na verdade eu queria era mesmo o peixe, mas para quem não gosta, ficaria sem. Após o sono (cochilo) amanheceu e umas 3 horas antes de chegarmos a Lisboa serviram o lanche. Muito bom também. Nosso voo chegou na hora marcada. Ao meio dia estávamos desembarcando em Lisboa. Vai uma dica. Antes de pousarmos os monitores de vídeos do avião já avisavam o número da esteira que seria entregue as bagagens. Preste atenção!
31/03 – LISBOA:
Fomos para a fila da Imigração. Apesar de grande, andava com agilidade. Quando chegamos ao guichê apresentei nossos passaportes (meu de minha esposa). O agente perguntou quantos dias íamos ficar na Europa. Respondi e pronto, carimbou nossos passaportes. Para minha cunhada o outro agente ainda quis saber o nome do hotel que eles ficariam em Lisboa. Mais nada e já estávamos liberados. Fomos pegar nossas bagagens. Tudo certo. Saímos pela saída “nada a declarar”. Fomos direto ao balcão de informações turísticas.
Compramos o Lisboa-Card para 48 horas. Pagamos 28,50 Euros por pessoa. Este cartão direito ao transporte no metrô, ônibus (autocarro), electro, elevadores da carris. Ainda permite também em linhas de trem (comboio) para Sintra, Cascais e entrada em 27 museus, monumentos e outros locais. Mais dicas sobre ele veja em “Sites”. Deixamos para ativar o cartão no dia 01/04. O cartão vem com um guia sobre lisboa, mapa da cidade com linhas de metrô. Saímos e fomos para a fila do taxi. Estava grande mas logo conseguimos o nosso. Do aeroporto ao nosso hotel (IBIS Lisboa – Liberdade) pagamos 10,00 euros (barato para o padrão europeu). Fizemos o check-in, deixamos as bagagens no quarto e fomos para a rua. Fomos almoçar. Logo perto do hotel achamos o restaurante "Bela Ipanema". Fica na av. Liberdade 169. Comemos bem e pagamos 33,50 euros para 4 pessoas. Já estava incluido os sucos, e os pães e patês que eles servem como entrada. É comum isto. Se você não quiser pode pedir para retirar (com educação claro). Demos uma volta perto de onde estávamos e voltamos para o hotel. Minha cunhada tinha um contato já em Lisboa. O rapaz ia nos apanhar no hotel para fazermos um “tour”por Lisboa. Logo após chegarmos ao hotel ele apareceu. Fomos nós 4 com ele para conhecer a cidade de carro. Fomos na Catedral da Sé. Muito bonita. Vale a pena. Já na rua em que se encontra a Catedral você se depara com bondes (eléctricos).
Depois subimos e fomos ao mirante de Santa Luzia, perto da igreja com o mesmo nome. De lá se tem uma vista linda do Rio Tejo.
Fomos até a porta do castelo Sào Jorge (é perto), porém não entramos, pois deixamos para visitá-lo no dia seguinte. Depois fomos ao largo da Graça de onde se vê um outro lado da cidade também. Depois de muitas fotos, descemos até o bairro de Alfama, famoso pelos bares e restaurantes que apresentam o Fado à noite. Andamos pelo bairro, conhecemos suas ruelas. Vale a pena, pois é um bairro encantador. Já estava no final de dia e fomos para o distrito de Almada, que fica do outro lado do Tejo (ao sul do Tejo). Atravessamos a bela ponte 25 de abril. Interessante nesta ponte é que a mesma tem duas pistas. Na parte inferior passam os comboios (trens). Na parte superior são os carros, em dois sentidos. Almada é um "concelho"(é assim mesmo que se escreve lá). Fomos ver o pôr do sol em uma praia do outro lado de Almada, chama-se Costa da Caparica.
Porém chegamos lá o sol já tinha se posto, mas deu pra apreciar o finalzinho. Estava um vento frio na praia. Lá mesmo fomos a um restaurante “O Barbas”. Lá ainda encontramos outro amigo (de internet) da minha cunhada. Pedimos refeições para 6 pessoas. Bacalhau assado, sangria branca, um prato de bacalhau com camarão (parecido com muqueca), pães, queijos frescos. Ao todo pagamos 87,50 Euros para 6 pessoas. Saímos de lá e fomos conhecer o Miradouro e elevador panorâmico de Almada. De lá se tem uma bela vista de Lisboa. Como era noite a vista ficou mais bonita ainda, com as luzes refletindo no Tejo. Já passava das 22:00 horas e voltamos para o hotel. Agradecemos o passeio com nosso anfitrião e fomos descansar.
01/04 – LISBOA
Tomamos o nosso café no hotel. Saímos e fomos a pé até a praça da figueira, no centro de Lisboa (15 minutos a pé). Lá pegamos o eléctrico nº 15, para o Mosteiros do Jerônimos (patrimônio cultural da humanidade). Na verdade fomos de Tram (VLT), mas a linha 15 tem também os eléctricos (bondes). Foi o nosso primeiro contato com o transporte público. Já percebemos que não há cobradores como no Brasil. Passamos nosso cartão Lisboa-Card na máquina validadora que fica dentro do Tram. Isto deve ser feito em todo transporte, seja Tram, eléctrico, ônibus. Se você não validar e o fiscal lhe pegar, a multa é violenta. Descemos na parada do Mosteiro dos Jerônimos.
Construção do século XVI, possui uma Igreja, museu além do mosteiro. Fomos em tudo, pois a entrada com o Lisboa-Card foi gratuita. De lá saímos e apreciamos as belas praças em frente ao mosteiro. Depois fomos a pé até o Padrão dos Descobrimentos, monumento que evoca todos os grandes navegadores e responsáveis pelos descobrimentos portugueses. De lá fomos a Torre de Belém (uns 600m a frente).
Entrada gratuita com o Lisboa-Card. Umas belas fotos se tira deste local. Saímos de lá e achamos umas lanchonetes. Comemos os famosos “sandes” acompanhado de batatas e refrigerantes, 6,00 euros por pessoa. Passamos no famoso local onde são fabricados os autênticos pasteis de Belém. Fica bem perto do Mosteiro dos Jerônimos. Pagamos 0,80 euros por cada “pastel”. Não podíamos deixar de experimentar estes. 1 xícara de café (bica) custou 0,70 euros.
O local é bastante interessante, você vai entrando e parece que o restaurante não tem fim. Quase que se perde lá dentro. Ainda bem que tem placas indicando o caminho da saída. Pegamos o eléctrico de volta, porém descemos perto da ponte 25 de abril para conhecermos o museu da Carris. Pagamos 1,75 euros por pessoas (desconto de 30% com o Lisboa-Card). Legal ! Fizemos até um passeio de eléctrico com toda decoração antiga pelo museu. De lá fomos de eléctrico até a praça da Figueira. Lá mesmo pegamos o eléctrico 12 para irmos ao Castelo de São Jorge. Este castelo está na colina mais alta de Lisboa. Tivemos desconto de 30% com o Lisboa-Card. Vale a pena ir. É uma construção antiga, mas imponente ainda. Depois da visita voltamos no mesmo eléctricos para a praça da Figueira. Já estava anoitecendo e fomos para nossa janta. Voltamos ao mesmo restaurante onde almoçamos no dia anterior, Bela Ipanema na Av. Liberdade, perto da estação do metrô Avenida. Lá comemos omelete (4,90 euros cada), bolinhos de bacalhau (1,20 euro cada) e tomamos sopa (1,30 euro cada). O vinho foi 3,10 euros. Voltamos para o hotel para descansarmos. Detalhe: nesta época estava escurecendo em Portugal por volta de 20:20 horas.
02/04 – SINTRA-LISBOA
Acordamos cedo, tomamos nosso café reforçado e saímos para estação de comboios (trens) Rossio que fica bem no centro, no final da Av. Liberdade. Lá pegamos o comboio para Sintra. Com o cartão Lisboa-Card passamos sem problemas pela catraca da estação. Eles tem quadros de horários afixados e os trens são rigorosos no cumprimento do horário. O trem saiu às 10:01 e chegamos em Sintra às 10:36.
Nada de correria, afinal é férias.
Descemos e fomos andando pela cidade em direção a subida para o Palácio Pena. O tempo estava fechado, diferente de Lisboa. Tiramos umas fotos na cidade. Depois tomamos o ônibus para o Palácio Pena. O bilheto custa 4,80 euros por pessoa (ida e volta). Este ônibus paga-se diretamente com o motorista. Não aceita Lisboa-Card. Descemos na portaria do Palácio. O ingresso custa 12,00 euros, porém tivemos desconto como Lisboa-Card e pagamos 9,00 euros por pessoa. Detalhe: leve consigo o guia Lisboa-Card pois eles destacam o ticket para desconto que vem junto ao guia. Dentro da propriedade ainda se paga mais 2,00 euros para ir de trenzinho até a porta do Palácio (a subida é muito ingreme). Nós pagamos, já que a volta também está incluso. Dentro do Palácio é incrível. Todo decorado com móveis da época. É um museu. Muito interessante. O tempo virou de vez, veio uma névoa que encobriu parte das torres deixando a paisagem muito bela. Porém o frio veio junto e como estávamos com poucas roupas, sentimos frio.
Lá dentro fizemos um lanche numa lanchonete. Quando saímos já era quase 14:00 h. Descemos de trenzinho pois estava chovendo fraco. Pegamos o ônibus para a cidade e não fomos no Castelo dos Mouros. Fomos direto para a estação e lá encontramos uma loja da Pizza Hut. Comemos pizzas, 9,75 euros para o casal com o refrigerante. Pegamos o comboio para Lisboa. Diferente da estação em Lisboa, esta em Sintra não tem catracas. Porém não deixe de validar seu cartão nas máquinas que ficam na plataforma da estação. Descemos na estação Rossio em Lisboa. Ela tem acesso direto a estação do metrô Restauradores. Andamos apenas i estação de metrô, mas como estávamos cansados e não íamos pagar por isto preferimos. Voltamos para o hotel, tomamos banho e descansamos um pouco. Saímos e pegamos o metrô na estação Avenida. Fomos até a estação parque, conhecer o parque Henrique VII. Muito bonito. De lá tem-se uma belas vista da cidade.
Andamos até a Av. Antônio Augusto de Aguiar, onde tomamos um café e comemos algo. Continuamos pela avenida até a estação São Sebastião (linha vermelha do metrô). Tomamos o metrô e descemos na última estação, Gare do Oriente. Estávamos no Parque das Nações. Este distrito foi todo reformado 1998. É a parte mais nova de Lisboa. Muito moderno, com Shopping, Centro de eventos. De lá se vê a ponte Vasco da Gama, uma ponte enorme, que deve ter uns 13 km. Vale a pena ir até lá. Saímos de lá já noite. Porém antes demos umas voltinhas no shopping. Pegamos o metrô, trocamos de linha da estação São Sebastião e descemos na estação Avenida. Voltamos ao restaurante Bela Ipanema para comermos. Voltamos para o hotel, já era mais de 22:00 h.
03/04 – ÓBIDOS – ALCOBAÇA – FÁTIMA – COIMBRA
Acordamos cedo, arrumamos as malas, tomamos café. Descemos com as malas fizemos nosso check-out. Deixei as malas na recepção do hotel e fomos na loja da Hertz para alugar um veículo. Alugamos um Ford Foccus SW (não tem no Brasil).
Por dois dias de aluguel pagamos 270,00 euros, pois o carro era grande, e íamos devolver em outra cidade. Eu ia dirigir. Paramos no hotel, colocamos nossas malas e fomos em direção a autoestrada A8. Não foi dificil achar a saída para a autoestrada. Lisboa é bem sinalizada. Na estrada não há indicação para Óbidos. Como é uma cidade turística achamos estranho. 1º pedágio (Portagem em Portugal): nos deparamos com uma máquina que emite um bilhete.
Você deve pegar o bilhete e guardá-lo. Você vai pagar quando sair da estrada, ou antes, se encontrar uma nova praça de pedágio. Aí passamos nosso primeiro apuro, pois retirei o bilhete e comecei a procurar onde ia pagar. Como não avistei nada, arranquei o carro e sai. Para minha surpresa começou a fazer um sinal sonoro. Foi aquela gritaria dentro do carro: corre gente deve ser a polícia. Que nada. Era o sinal do próprio carro me avisando que eu estava sem o cinto de segurança. Pode? A autoestrada é coisa de 1º mundo. Depois de muito andar passamos por uma praça de pedágio, onde tinha guichê com pessoas para receber. Você deve entregar o bilhete que tirou lá atrás. Neste pedágio pagamos 4,55 euros. Andamos mais um pouco e chegamos a Óbidos.
A cidade está quase toda dentro das muralhas (enormes por sinal). Lembra Tiradentes (aqui em MG). Muito linda. Estava acontecendo um festival de chocolates na cidade (era o último dia). Coisa de doido. Estava muito cheia com gente para todos os lados. Andamos por lá tiramos muitas fotos. Ficamos lá umas 2 horas. Saímos em direção a Alcobaça. É perto de Óbidos. Para sairmos de Alcobaça pagamos mais 2,00 euros de pedágio. Em Alcobaça comemos bacalhau com natas no Esplanada do Arthur, numa praça Central da cidade.
A refeição dava para duas pessoas, era o prato do dia 6,50 euros para 2 pessoas. Além desta refeição comemos de entrada bolinhos de bacalhau e bebemos refrigerantes, sucos e cerveja. O total da conta para 4 pessoas ficou em 21,85 euros. Depois do almoço saímos e fomos visitar a Abadia de Alcobaça. É a maior Igreja de Portugal.
Acho que a população de alcobaça inteira não enche aquela igreja. Junto está o mosteiro. Como fomos no domingo não se paga para entrar. Mas com o Lisboa-Card era gratuito também. O local é muito frio, pois é tudo de pedra. Não sei como os abades conseguiam viver naquele lugar gelado. De lá fomos para Fátima. No caminho avistamos o Mosteiro de Batalha, bem no trevo da cidade (Batalha). Não paramos, pois ainda tínhamos muito que andar. Chegamos em Fátima e fomos direto ao santuário.
A área em frente ao santuário é imensa. Chegamos lá bem as 18:00 h. Os sinos tocaram. Foi legal. Não estava tão cheio. Do lado de fora existe uma capela, no local onde houve as aparições. Mais a frente está o Santuário. Fomos lá dentro e estava começando uma missa. Andamos um pouco por lá, compramos algumas lembranças e saímos em direção a Coimbra. Já era mais de 19:00 h. Chegamos em Coimbra e fomos direto ao Hotel Ibis. Achamos meio que no rumo o hotel. Fica na avenida bem em frente ao Rio Mondego. Fizemos o check-in, Subimos, tomamos um bom banho e saímos para comer algo. Em frente ao hotel tem um parque entre a avenida eu rio (parque Dr. Manoel Braga). Logo a frente entramos em um restaurante (restaurante Itália). Comemos pizza margueritta, salmão alla griglia, tomamos sopa (creme minestrone) e para beber vinho branco Suco (sumo) e pasmem guaraná antártica . Para nós quatro ficou em 37,35 euros. Demos uma volta por lá mesmo e fomos dormir. O dia foi cansativo.
04/04 – COIMBRA – PORTO
Acordamos cedo, tomamos nosso café. Saímos e fomos conhecer a universidade de Coimbra (criada no século XI). Fomos a pé, pois bastava ir subindo a ladeira por trás do hotel. Passamos pelo comércio também.
Conhecemos algumas faculdades e também a biblioteca. A vista do alto da cidade é muito bonita. Descemos e paramos em uma loja de chineses. Foi a festa. Produtos baratos. Minha esposa comprou uma jaqueta forrada e com capuz por 17,00 euros (aqui no Brasil sairia por no mínimo 150,00 reais. Voltamos para o hotel pois já estava quase na hora de sairmos. Pegamos as malas e fizemos o check-out e saímos com o carro em direção a cidade do Porto. Não foi difícil achar a A1. Na verdade entramos na antiga A1. Paramos para abastecer e o “frentista”muito gentil nos explicou como acessar a verdadeira A1. É uma maravilha esta autoestrada! Passamos pelo pedágio (Paragem) e pegamos nosso bilhete. Já chegando em Porto avistamos a praça de pedágio onde deveríamos pagar pelo tanto que andamos. Aí veio mais uma. Havia muitas cabines para acessar. Escolhi uma e fui. Para minha surpresa não tinha atendente para receber o dinheiro e sim uma máquina. Imediatamente, para não encarar a máquina, tentei dar ré e ir para a cabine ao lado onde tinha um atendente. Infelizmente um carro parou logo atrás de mim. Devia ser outro turista tentando seguir alguém pois havia muitas cabines vazias. Conclusão: tive que enfrentar a máquina para pagar.
Mas até que não foi difícil. Você insere o bilhete (de forma correta – eu coloquei 2 vezes errado), ela faz a leitura e logo diz em português quanto euros vocês deve pagar. Coloca a nota no local indicado e logo em seguida sai seu recibo e caem as moedas de troco. Logicamente a cancela se abre e você está livre. Em porto você chega por uma via que circula a cidade. Sendo assim tem muitos carros. A via é bem sinalizada, porém ficamos perdidos. Quando paramos para obter informação já estávamos saindo da cidade (do outro lado). Retornamos andamos mais por esta via e depois paramos novamente em um posto de gasolina onde um sr. muito gentil me explicou umas 4 vezes como achar a rua da alegria. Já estávamos perto e não foi difícil achar. Parei o carro no estacionamento ao lado do Ibis e subimos. Fizemos o check-in e logo saímos para almoçar. Bem em frente ao Ibis encontramos o restaurante Murça no Porto.
Pagamos 5,00 euros por pessoa pela sopa com pão de entrada, prato principal (bacalhau, sardinha) acompanhado com arroz, fritas e salada, uma jarra de vinho tinto e o café. Uma pechincha !! Saímos e voltamos ao hotel (em frente) e compramos o cartão para andarmos no ônibus de turismo da cidade (cartão CitySigntseeing). Custou 19,00 euros e funciona no sistema hop on hop off (você pode descer e subir em qualquer das paradas do ônibus), válido por 48 horas. O intervalo entre um ônibus e outro é de 30 minutos. Também com este cartão teríamos direito ao passeio de barco pelo Rio D'ouro. Saímos do hotel e fomos em direção a praça D. João I, onde pegamos este ônibus. Ao embarcar você recebe um fone de ouvido que pode ser conectado para se ouvir a explicação dos pontos turísticos (áudio guide). O passeio dura em média 1 h e 30 min. O ônibus é de dois andares e vale a pena ir no segundo.
Tivemos uma bela visão da cidade do Porto, da praia e do Rio d'Ouro. Descemos no antigo cais (perto da ponte D. Luis I, de onde ficamos observando o pôr do sol.
Andamos pela região, conhecendo a cidade. Lanchamos em uma lanchonete onde por coincidência um das atendentes era brasileira, e de Minas Gerais. Imagina só o auê que foi. Em frente a esta ponte tem um “funiculare”, espécie de bondinho que faz a conexão da cidade baixa com a cidade alta. Paga-se 1,50 euros para subir. Não pensamos duas vezes. Lá em cima resolvemos voltar para o hotel. Já estava anoitecendo e estávamos cansados.
05/04 – PORTO
Acordamos não tão cedo. Tomamos o café e fomos entregar o carro na locadora de veículos. Para nossa sorte tinha uma loja pertinho do hotel. Depois fomos conhecer o mercado do Bolhão.Interessante este lugar para aeum gosta de mercados de frutas e verduras. Depois passamos no café Majestic para conhecer o famoso local.
Saimos de lá e fomos pegar o ônibus turístico novamente. Desta fez descemos na praia da cidade. Tiramos belas fotos. Depois pegamos o ônibus novamente e descemos na parada onde se faz o passeio de barco. O preço do passeio já estava incluído no cartão. Avulso custa 10,00 euros. O passeio pelo Rio d'Ouro é lido.
O barco é grande e vai uma pessoas falando sobre as pontes que cortam o rio. Algumas construções também são citadas. Dura aproximadamente 1 hora.
Saímos e fomos procurar algo para comer, já passava da 1 hora. Entramos em um restaurante pequeno, porém muito aconchegante. Subimos ao segundo piso, e comemos a refeição. Para cada um saía a 6,00 euros. Boa comida e barata. Neste restaurante tinha também um grupo de 6 francesas. Estavam num auê só. Saímos e fomos visitar o prédio do palácio da Bolsa. Funciona hoje um Museu. Interessante. Eu e minha esposa resolvemos voltar para o hotel, pois ela não se sentia bem. Minha cunhada foi passear no ônibus turístico, só que no outro trajeto. Também estava incluído. Mais tarde saímos do hotel e fomos a estação do metrô ver como funcionava o sistema, já que no outro dia íamos pegá-lo para irmos para o aeroporto. Um funcionário do metrô nos explicou simulando na máquina como se comprava o cartão “andante”., já que só tinha máquina para vender, nada de guichê como se vê por aqui. Outro detalhe interessante: não existe catracas/roletas neste metrô. Há apenas as máquinas validadoras do passe e a passagem é livre. Observei que as pessoas validavam o cartão. É claro que se o fiscal pegar alguém sem validar é multa na certa, e alta. Aqui no Brasil este sistema ia a falência!!! De lá passamos em um supermercado que fica atrás do hotel e compramos algo para comer e beber. Ficou em 4,77 euros. Barato !! voltamos para o hotel pois já era noite. Antes de dormir.
DEPOIS CONTINUO O RELATO
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