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MATO GROSSO: A Conquista do Oeste
VIAGEM BATIDA NO LIQUIDIFICADOR. 😁😁😁
Índio, cachoeira , barraca, rio , tatu , estrada e jacu. Avião, Chapada, água azul , mirante , Ponte de Pedra e conversa sobre pacu. Aldeia , estrada de areia , cachoeiras gigantes e rios de águas brilhantes.
Cânions, ocas, malocas , hatys, paredes, pináculos e Parecis , pedágio indígena e quatis. Rio Verde , vacas, 36 graus, árvores na estrada , cobras, rios fundos, conversas com todo mundo.
Parentes , amigos , desconhecidos , mas nem tanto , antas , mergulhos , saltos , mais rios , mais vales , macacos, florestas e um mundo alagado no oeste do Estado. No vale do Guaporé, jacarés e poraquês, pescadores que remam com vontade, na divisa com a Bolivia e a Santisma Trindade.
Encanto , beleza , sofrimento e espanto , mais rios e cachoeiras pra todo canto . Raposa , areia e milharal, salto da cachoeira e algodoal. Vida que passa , paisagem que surge , trilha que segue e tempo que urge. Jatobá, araras , ruínas, pedras, serras e tuiuius , fazendas , caciques e jaburus .
Correntezas que levam , Mulheres que saltam, sapezais que se espalham, Pubs que encantam. Os Campos são novos, os rios dos Papagaios azuis , índios assando caça, comendo com cuscuz . A vila é bela , a viagem alucinante , e nós boiando no Rio Sacre, que coisa impressionante.
Milhares de quilômetros, piraputangas que passam, Uirapuru que despenca, Utiariti e Salto Belo, quilombolas que vagueiam , cidades perdidas e mais rios que as rodeiam.
Linguiça de jacaré, caminhos que se perdem, histórias que nos contam , cidades de pedras , grutas escondidas , Cerrado, Amazônia e pantanal , tudo se encontra , tudo se junta , é o caminho para o Oeste, é mais montanha, é mais trilha, somos nós, eu , a mulher e a filha.
O Mato Grosso, o pássaro de perna fina e as emas de pernas grossas , o camping a 10 reais, do jeito que a gente gosta . Os olhos que tudo vê, a alma que quer ficar, mas não é possível ser feliz pra sempre e a gente tem que voltar.
Divanei Goes de Paula
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CLÁSSICA: TRAVESSIA DAS SETE PRAIAS DE UBATUBA-SP
O dia já vai pela metade quando alcanço a Praia de MARANDUBA e adentro sua areia e apesar de um sol vibrante, não encontro uma só alma devido ao vento que varre o litoral Paulista nesse inverno. Minha jornada descompromissada tem como objetivo chegar até o final desse pedaço do litoral e investigar onde exatamente parte a CLASSICA TRAVESSIA DAS 7 PRAIAS DE UBATUBA. Claro que como um bom trilheiro, amante dos esportes de aventura, eu já havia realizado essa travessia, mas passados 25 anos, nem me lembrava mais onde ela começava e só sabia que era na Praia da LAGOINHA e como estava de bobeira, fui esticar minhas pernas na areia da praia.
O vento se foi e o sol resolveu queimar tudo, mas o mar se mostra um pouco revolto e não demora para que uma onda me esprema junto a muralha de proteção de algumas casas. É uma caminhada solitária e prazerosa e apesar de já ter visitado essas praias em alguns pontos, essa é a primeira vez que efetivamente me dou ao desfrute de pisar cada metro dessa areia.
Logo termino Maranduba, chego a Praia do SAPÊ e me deparo com o Camping Club do Brasil, bem em frente da Ilha do Pontal, onde parece já estar nos domínios da grande praia da Lagoinha. Passo por uma placa característica que aponta a direção de várias praias famosas do nosso litoral e até de fora do país e finalmente, depois de quase 6 km de pernadas, chego ao final da areia, junto ao estacionamento de algumas embarcações e alguns metros mais, tropeço no próprio Rio da Lagoinha, onde uma garça solitária pesca, nesse meio de tarde.
Minha missão era encontrar a trilha para a Travessia das Sete Praias e achar um lugar onde eu pudesse deixar o carro no dia seguinte. Atravesso o Rio da Lagoinha, que não tem mais que 30 cm de profundidade e do outro lado, à direita, já vejo a placa que indica o caminho e então adentro na trilha que, passados 25 anos, mais parece uma pequena estradinha. Ando uns 100 metros e retorno, mas ao invés de voltar a atravessar o rio, continuo subindo ele, junto a uma trilha que vai beirando uma cerca, até que chego numa guarita e peço licença para sair e ganhar o próprio condomínio da Lagoinha e ali consigo descobrir que, apesar de ser um condomínio particular, o acesso é livre, onde poderei estacionar meu carro bem na entrada da trilha e dou por encerrada a minha missão. ( MENTIRA) rsrsrsrsrsrsrsrrs
Subo em direção à Rio-Santos, por dentro do condomínio e logo saí na rodovia e pego para a esquerda e me ponha a marchar vagarosamente, uma perna à frente da outra. Eu poderia simplesmente esperar um ônibus e voltar para casa em Maranduba, onde estavam minha filha e o namorado, mas prefiro continuar minha jornada a pé mesmo, mas como ser estúpido ainda não paga imposto, me lembro que logo à frente tem a entrada à direita da rodovia que leva até as RUÍNAS DA LAGOINHA, que, apesar de frequentar esse litoral há muito tempo, nunca havia me animado a desviar da minha rota para ir lá conhecer, então pensei: É HOJE!
Localizei as ruínas no mapa do celular, adentrei o bairro e fui ganhando terreno até na direção que achei que deveria seguir e lá chegando, me deparei com uma grande construção, datada do século XIX.
Bati umas fotos e quando pensei em retornar, encontrei uma trilha que se enfiava mato à dentro e aí não tem como, imediatamente já fui cooptado, sequestrado pelos meus pensamentos macabros que me impulsionou para dentro dela, só para ver onde ela levaria, ainda mais depois de escutar o marulhar de um rio, onde me pareceu haver alguma cachoeirinha. A trilha foi ganhando altura aos poucos, passei por uma pequena construção , que me pareceu ser da companhia de água e logo cheguei numa barragem de captação.
Antes de voltar, olhei no mapa e localizei uma cachoeira perdida com o sugestivo nome de Véu de Noivas. Claro, me lembrei que havia mesmo uma cachoeira naquela região, mas pensei que fosse algo bem turístico, onde o carro chegava. No relógio, a tarde já estava por um fio, mas mesmo assim, continuei subindo a trilha e ao chegar numa bifurcação, peguei para direita e quanto mais eu andava, mais a trilha se fechava. Pensei em voltar, mas o demônio do “ vai só mais um pouco, trouxa” me convenceu a continuar seguindo, até que eu me vi meio sem saber para onde ir, mas continuei em um arremedo de caminho, já usando as técnicas de dobrar galhos para me localizar na volta, porque meu gps simplesmente travou e não poderia contar com ele, caso me perdesse. Claro que eu poderia varar mato às cegas e voltar para a civilização, mas nem lanterna eu tinha e só fiquei mais tranquilo quando reencontrei a trilha principal, que fui subindo, tentando achar alguma bifurcação que pudesse me levar até a cachoeira, mas não encontrando nada, resolvi dar um fim naquela procura e retornei.
Na volta, encontro uma bifurcação à esquerda, que havia me passado batido e resolvo conferir. Ela vai descendo sem dó e é preciso se segurar nas árvores para perder altitude, até que avisto o branco da queda d’água e desço em definitivo até o pé da CACHOEIRA VÉU DE NOIVAS DA RUÍNA DA LAGOINHA.
Não deixa de ser uma bela cachoeira, mesmo estando com pouca água por estarmos no inverno. Bati uma foto e retornei a passos largos, antes que a escuridão da noite me atingisse e ao retornar à trilha principal, foi que notei que eu havia realmente me perdido na ida, porque a volta é feita numa trilha larga e desimpedida, uma moleza que se eu tivesse pego para o lugar certo, não tinha passado de um caminho turístico, mas também não há placas e mesmo que seja um caminho fácil, há de se tomar cuidado porque sem experiência, é fácil de se perder. O Certo é que rapidinho eu estava de volta ao asfalto, onde a trilha termina, uns 50 metros depois das ruínas. Já no escuro, me pus novamente a caminhar até ganhar a rodovia e me arrastar novamente até onde estávamos hospedados, quase 20 km de andanças, bem mais do que eu pensava caminhar, quando saí de casa naquela tarde de sexta feira, a fim de investigar uma trilha.
A CLÁSSICA DAS CLÁSSICAS .
No dia seguinte, apanhei uma mochilinha, joguei uns lanches, umas garrafas d’água, meia dúzia de equipamentos de emergência, peguei minha filha e o Murillo e seguimos de carro para o Condomínio da Lagoinha, mas na guarita, que fica bem em frente ao Supermercado Garotão, porque me parece haver 2 guaritas de entrada. Na referida guarita, fizemos o cadastro do carro e entramos sem dar maiores explicações, só dissemos que iríamos fazer a travessia. Assim que cruzamos a portaria, nos mantivemos colado à cerca e vamos andar por uns 500 metros até uma nova guarita, onde estacionamos o carro uns 50 metros à frente.
Nessa nova guarita, que fica junto ao Rio da Lagoinha, também entramos sem dar maiores explicações, só perguntamos onde era a trilha, não que eu não soubesse, já que havia estado lá investigando no dia anterior. Menos de 5 minutos de caminhada, a trilha nos leva bem ao final da Praia da Lagoinha, bem na foz de rio de mesmo nome, onde já avistamos a continuação da trilha, agora um caminho bem largo e desimpedido, justamente o início de uma das travessias mais clássicas do nosso litoral.
Nesses últimos 25 anos, acampei dezenas de vezes na praia do Cedro, uma das praias selvagem dessa travessia, inclusive, minha filha Julia, cresceu acampando comigo desde bebê, mas sempre partíamos da Praia da Fortaleza, onde deixávamos o carro, porque em apenas 1 hora de caminhada, é possível atingir a referida praia. E eu mesmo, nesses 25 anos, havia feito essa travessia completa apenas uma vez, então não me lembrava de muita coisa. Já o Murilo, namorado da Julia, era um debutante em travessias, essa seria sua primeira.
Então, pouco depois das nove, botamos os pés na trilha e iniciamos nossa travessia. Como eu havia dito, no início é uma trilha tão larga que poderíamos confundi-la com uma estradinha, que em algumas partes chega a ser concretada. Não dá nem 20 minutos de caminhada, cruzamos por algumas casas penduradas no barranco e já estamos descendo na minúscula PRAIA DO OESTE, vazia e silenciosa, onde apenas uma velha barraca de praia destoa da paisagem. Há algumas casas na praia, mas todas vazias e sem nenhum vestígio de gente, talvez usadas só no alto verão.
No final da praia do Oeste, encontramos a trilha que já vai nos conectar com a próxima praia, onde vamos cruzar por algumas línguas de areia e em poucos minutos somos apresentados a PRAIA DO PERES, igualmente vazia.
Sem perder tempo, atravessamos essa prainha, interceptamos a trilha, passamos por uma árvore gigante, onde uma escadaria em círculo leva a uma linda construção que mais parece anteceder a entrada de um castelo.
À Frente, passamos por um PIER que nos apresenta uma paisagem incrível, com todas as praias que margeiam a Rio-Santos, desde Maranduba até a Lagoinha e em menos de uma hora de caminhada desde a Lagoinha, descemos até a PRAIA DO BONETE.
A praia do Bonete é outra prainha encantadora. Cruzamos um riozinho no meio da praia e acessamos a trilha que sobe o costão e agora iremos cruzar um pontão selvagem por não mais que uns 500 metros de trilha e saltar na GRANDE PRAIA DO BONETE. Uma praia linda que no início é totalmente selvagem, com a floresta lambendo o mar, onde as ondas são um pouco violentas. É uma praia com quase 1 km de extensão e no seu canto esquerdo fica a vilinha de pescadores, onde o mar é mais abrigado.
A sequência do caminho também é no final da praia, junto a um riacho, que deve ser cruzado e a trilha encontrada andando-se alguns metros para a esquerda, mas uma placa se encarrega de nos mostrar a direção. Até a próxima praia levaremos cerca de meia hora e no início, a trilha é bem fechada e vai subir ao alto, onde teremos uma vista deslumbrante da ilha do Mar virado e outras ilhotas ao redor. A trilha vai cruzar por mato ralo e começar a descer para valer, se enfiando em canaletas até que nos determos por um instante para admirar as praias que almejamos, bem no mirante improvisado, um cenário de tirar o folego.
Despencamos uns 100 metros, nos valendo de uma corda que nos dá sustentação e agora descemos até a PRAIA DESERTA ou do DESERTO. Uma das mais Belas de Ubatuba, selvagem, silenciosa, sem nenhuma casa, com uma vegetação nativa preservada.
Que prazer rever essas praias e não foram poucas as vezes que aqui acampei nesses 25 anos. Aqui trouxe quase toda minha família, aqui vi minha filha crescer, acampando comigo em dias memoráveis. Infelizmente, já fazia quase 10 anos que não pisava aqui, depois que acampar ficou meio inviável por causa das proibições .
Dez minutos de caminhada e já estamos pisando na famosa PRAIA DO CEDRO, que é separada da praia do Deserto por apenas uma língua de pedra. Essa é outra prainha encantadora, onde um pequeno riacho nos abastece de água. Hoje por estarmos no inverno, a água não está transparente, mas no verão isso vira um paraíso de aguas claras, onde tartarugas e toninhas passeiam constantemente.
Escondida quase no final da praia, um pequeno casebre ainda resiste, mas por hora só serve de abrigo para uma pequena vendinha que só deve abrir no verão e hoje está completamente fechada.
Gastamos até o Cedro, não mais que 2 horas de caminhada desde a Lagoinha, viemos um pouco rápido porque não paramos para mergulhar no mar devido a temperatura da água. Mas agora resolvemos descansar por uns 15 ou 20 minutos para fazer um lanche e apreciar o visual.
Agora nos falta apenas a travessia entre o Cedro e a Fortaleza e essa é sem dúvida a trilha com maior desnível nessa clássica travessia, além de ser a mais longa. Pegando por tanto, o caminho do casebre, passamos do seu lado esquerdo e já interceptamos a trilha que vai ganhando altitude aos poucos, adentrando uma floresta mais selvagem, passando por um lugar um pouco mais exposto, onde uma corda instalada em forma de teia de aranha nos serve de referência. A trilha vai curvando para a esquerda até que, em menos de meia hora chega ao alto, num terreno plano onde encontramos um rancho abandonado, que serviria muito bem para um abrigo de emergência.
A subida se foi e agora descemos beirando um córrego pontilhado por bananeiras, até que a trilha envereda para a esquerda até sairmos em campo aberto e sermos presenteados com as largas vistas da Ponta da Fortaleza, onde um amontoado de rochas faz a alegria de quem escala, mas não iremos até lá, vamos cruzar a ponta pela floresta até que a trilha se estabiliza de vez, passa por outro casebre abandonado e desce de vez à PRAIA DA FORTALEZA, oficialmente o fim dessa travessia.
No verão, as piscinas da Fortaleza é um espetáculo à parte, onde se forma um aquário natural, mas dessa vez vamos passar batidos e nos apressamos em cruzar essa bela praia, de ondas calmas. A Fortaleza é o final dessa travessia, pouco antes do seu final, poderíamos apenas nos enfiar num beco e ganharmos a estrada asfaltada e ali pegar um ônibus até a Rio-Santos ou simplesmente caminhar por mais uma hora e meia até a rodovia, mas eu queria muito mais.
O BÔNUS:
Gastamos exatamente 3 horas de caminhada para fazer toda essa TRAVESSIA, com certeza a mais clássica caminhada no litoral Paulista, talvez pela sua facilidade, sem problemas de navegação e pela sua beleza cênica, uma bela trilha para os que estão começando e no verão, pode se estender por um dia inteiro, com paradas demoradas pelas praias para mergulhos memoráveis. Chegando à Praia da Fortaleza, é possível achar algum lugar para ficar e aproveitar as várias praias ao longo da estradinha.
Bom, havíamos cumprido com o cronograma inicial, mas ainda estávamos no meio do dia e eu resolvi que poderíamos, ao invés de ficarmos só com essas 7 praias, colocar mais umas 10 praias no bolso, coisa que eu já havia feito em outra oportunidade, mas partindo lá da Rio-Santo, exatamente na Praia Dura e findando aqui mesmo na Fortaleza e agora eu pensava em fazer ao contrário, então intimei a Julia e o Murilo para o desafio, mas sem trilha, apenas caminhando e escalando O COSTÃO ROCHOSO , afinal de contas, eles são jovens e tem energias de sobra e mesmo eu já tendo comido quase 20 km de caminhada no dia anterior, me sentia muito bem fisicamente.
Tomamos, portanto, o rumo do final da praia da Fortaleza e subimos o costão, primeiro caminhando, depois fazendo pequenas escaladas em grandes pedras, passando por baixo de outras. A julia me segue de perto e logo atrás vai o Murilo. Até então, achei tudo tranquilo, nenhum dos dois me disse nada, muito porque, minha filha já está mais que acostumada com esses lances de escalada, então apenas deixei as ações fluírem, orientando qual o melhor caminho a tomar, onde seria melhor botar as mãos, qual pé usar, ou seja, orientações comuns.
Dá outra vez que aqui passei, o mar estava calmo como um grande lago, mas agora as ondas explodem no costão e é preciso tomar cuidado para não ser apanhado de surpresa. Chegamos à parte alta do costão, me lembrei que havia descido ele da outra vez, mas agora, por causa do mar bravo, teremos que escalar, mas há um porem: teremos que encontrar um intervalo entre uma onda e outra para fazer a passagem. Quando a última onda se vai, me atiro rapidamente e me jogo na parede, agarro uma grande ranhura mais acima e me elevo rapidamente até me ver no alto de uns 3 ou 4 metros, a salvo das bravuras do oceano.
Saquei a cordinha da mochila e joguei a ponta dela para o Murilo e pedi para que ele amarrasse na cintura, afim de que eu lhe desse uma maior segurança, muito mais psicológica, porque não vi nenhuma dificuldade na escalada. Assim que ele subiu, o processo se repetiu com a Julia. A invés de continuarmos pelo costão, adentrei na mata e contornei uns 20 metros de pedras e desci escorregando o barranco, me agarrando à vegetação rasteira e auxiliando a descida dos 2 que vieram atrás e mim e juntos ganhamos a descida final e ganhamos a areia da bela PRAIA BRAVA DA FORTALEZA, uma praia quase particular, já que só é possível acessar pelo mar ou por uma trilha que parte da estradinha asfaltada, onde é complicado para estacionar.
Eram pouco mais de uma da tarde, o sol reinava absoluto e até fazia muito calor. Paramos na praia para um gole de água, aliás, na praia somente meia dúzia de gatos pingados se organizando para um casamento. Aproveitando a parada, resolvi trocar minha papete por uma sapatilha aquática, não que fosse necessário, mas como seria eu o responsável por escalar primeiros o costão e se fosse necessário, instalar a cordinha para ajudar na ascensão dos meninos, achei que seria melhor para ajudar na aderência .
Me dirigi para o final da praia e mesmo antes de subir a rampa que leva ao costão, percebi que a Julia e o Gustavo confabulavam entre si. Voltei para ver o que estava acontecendo e fui logo interpelado:
- Pai, tem algum caminho para voltar para a estrada?
Recebi aquela pergunta com espanto, já que ela partiu da Julia, acostumada a estar comigo em roubadas memoráveis.
- Sim filha, todas essas praias que iremos passar, sempre haverá uma trilha que poderá nos devolver rapidamente à estrada.
- Vamos voltar pai, o Murilo tá cansado.
Pensei: como assim tá cansado, o menino tem menos da metade da minha idade, cheio de energias, rato de academia, andamos não mais que 4 horas, não é possível que já tenha pregado? A fim de respeitar o limite de cada um, mas um pouco frustrado, ainda tentei persuadir ele a ir só até mais uma praia, só até a praia do Costa, mas recebi um GRANDE NÃO como resposta e sem ter outra alternativa, nos dirigimos até o lado direito da praia, interceptamos a trilha e ao sair de novo no asfalto, conseguimos pegar o ônibus até a Rio- Santos, onde conseguimos outro ônibus que nos levou de volta à Maranduba e assim encerramos nossa travessia.
Foi um grande prazer ter refeito essa travessia com minha filha depois de 25 anos e apesar da trilha estar com algumas construções que não haviam na época, ainda continua uma bela caminhada, com praias incríveis e algumas selvagens como sempre foram. Depois a Julia me disse que o Murilo, ao me ver calçando a sapatilha aquática, se espantou, pensando que os próximos trechos de costão, teríamos que fazer escaladas complicadas, mas isso pouco importa, o que valeu mesmo, foi podermos juntos, reviver lugares que sempre fizeram parte das nossas vidas e exatamente no dia dos pais, podermos cruzar o que é considerada por muitos, A MAIS CLÁSSICA TRAVESSIA DO LITORAL PAULISTA.
Divanei Goes de Paula
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Equador - 18 dias 19/03/2022 a 05/04/2022
Vou contar um pouco da viagem que fiz sozinha no Equador. Meu roteiro foi baseado no post do Gabriel Damasio: https://www.mochileiros.com/topic/92762-equador-11-dias-sozinho-pela-avenida-dos-vulcões-quito-latacunga-baños-riobamba-e-cuenca-janeiro2020/ (obrigada Gabriel :))
Não anotei valores, então a maioria das coisas não lembro quanto custaram (vou colocar os valores que eu lembro), mas de uma forma geral achei os passeios mais baratos que os passeios no Brasil (opinião minha).
Dia 01- 19/03/2022
Cheguei em Quito por volta de 15 horas e resolvi ir para o teleférico, fui de Uber até lá e para entrar na época estavam solicitando a carteira de vacinação.
Chegando lá em cima, descobri que tinha uma trilha para fazer que chegava mais em cima ainda, mas como estava cansada, resolvi não fazer (fiz outro dia).
Achei um passeio bem legal que valeu a pena.
Hospedagem: Terra Premium Hostal
Dia 02 – 20/03/2022
Fui andando até o centro histórico de Quito, que é considerado um dos centros históricos mais bem conservado da américa latina. Como era domingo, estava bem movimentado. Subi a catedral, fui na calle la Ronda e fiquei andando pelo centro.
Dia 03 – 21/-3/2022
Fui de ônibus circular até a Mitad del Mundo,é só avisar ao cobrador que você quer descer lá que não tem erro. Achei bem tranquilo andar de ônibus em Quito. Tive a sorte de estar ali no solstício, então estava tendo um evento em comemoração (apesar de eu achar que todo dia na linha do equador o dia e a noite tivessem a mesma duração..rsrs).
Mital del Mundo é um complexo bem grande, mas quando inventaram o GPS viram que a linha do Equador não era bem ali, então fui andando até o Museu Intinan, onde está a linha de verdade. Logo que cheguei já me colocaram em um grupo para uma visita guiada que foi bem bacana. É bem mais simples que o Mitad del Mundo, mas particularmente gostei mais desse.
Dia 04 – 22/-3/2022
Acordei e tava um dia bonito, então resolvi voltar no teleférico para tentar fazer a trilha.
Não sei onde essa trilha ia levar, mas começou a ameaçar chover, então resolvi voltar, mas tinha subido 300m de desnível considerando o teleférico.
Cheguei no hostel, peguei minhas coisas e fui para o terminal terrestre de Quitumbe para pegar o ônibus para Latacunga.
Chegando em Latacunga fui para o Hostel La posada Del Viajero, nessa pousada o dono, Victor Hugo, junta todo mundo na entrada do hostel, por volta de 20 horas e explica a melhor forma de fazer os passeios pela região, e é onde você pode conhecer pessoas que vão fazer o mesmo passeio que vc e ir junto, no meu caso ninguém ia. Eu tinha ido com a intenção de subir o Cotopaxi, mas depois da explicação dele desisti, vi que tinha outros locais legais e bem mais baratos para ir, então mudei meus planos.
Para subir o Cotopaxi, vc precisa de dois dias e custa em torno de 250 dólares. O Victor disse que poderia indicar uma agência que eu pudesse ir, e ainda a época que eu estava lá não era das melhores, ou eu poderia usar esses dois dias para fazer o que ele chamou de loop de Quilotoa que é o seguinte: sai de Sigchos à Isinllivi à Chugchilan à Quilotoa, como eu só tinha dois dias fiz Sigchos à Chugchilan à Quilotoa que vou contar a seguir.
Dia 05 – 23/-3/2022
Já que não ia fazer o cume do Cotopaxi, queria chegar pelo menos até o Refúgio. Então fui até a rodoviária de Latacunga, peguei um ônibus em direção a Quito e pedi para o cobrador me avisar quando chegasse no Parque Nacional. O Victor disse que fica bem mais em conta se você vai até a portaria do parque e encontra um pessoal subindo e você se junta, e foi o que eu fiz, chegando lá tinha 4 equatorianos e eu me enfiei no grupo e foi super divertido e custou 10 dólares para cada um. Subimos um pouco além do refúgio.
O motorista nos deixou na entrada do parque, voltei pra estrada e peguei o ônibus em direção a Latacunga.
Dia 06 – 24/-3/2022
Deixei a mochila no hostel do Victor, peguei o ônibus na rodoviária de Latacunga para Sigchos, e de lá peguei a trilha para Chugchilan. Uso o Wikiloc para seguir as trilhas. Esse dia foi um pouco desconfortável, pq sempre acho que vai ter mais pessoas fazendo a trilha e essa tinha super pouco no começo e do meio para frente menos ainda e estava chovendo muito, várias partes da trilha desbarrancada, o que me fazia perguntar o que eu estava fazendo ali sozinha, mas fui mesmo assim. Chegando em Chugchilan fui para o hostel Cloud Forest. Achei muito legal, que a maioria da sinalização existente na trilha é feita pelo José, o dono do hostel. O tempo não ajudou muito esse dia, mas o visual da trilha é lindo. Foram 19 km, com um desnível de 746 metros. Nesse hostel acho que tinha umas 20 pessoas de várias nacionalidades, e a maioria ia para Quilotoa no dia seguinte, então foi mais tranquilo arrumar companhia para a trilha do dia seguinte. O valor desse hostel foi 20 dólares com jantar e café da manhã em quarto individual.
Dia 07 – 24/03/2022
Acordamos com o tempo um pouco melhor que o dia anterior e fomos para a trilha rumo a lagoa Quilotoa- esse dia foram 13 km com um desnível de 1000 metros, mas foi menos difícil que o dia anterior que estava chovendo. O visual desse dia é lindo demais também. Fiquei muito feliz com minha escolha de fazer esse roteiro e não o de subir o Cotopaxi.
Chegando em Quilotoa fui para o Hostel Runa Wasi, também 20 dólares, quarto individual com jantar e café da manhã.
Dia 08 – 26/03/2022
Com o mesmo pessoal da trilha do dia anterior, fomos para a parte baixa da cratera, dá pra fazer a volta completa, mas acho que fizemos metade nesse dia. Fomos até o mirador Shalala e de lá descemos até a lagoa e depois subimos pelo caminho convencional que todo mundo faz.
Depois que subimos o ônibus para Latacunga já tinha saído então eu e uma das meninas que estava comigo pegamos um transfer por 3 dólares que nos deixou na cidade de Zumbahua e de lá pegamos o ônibus para Latacunga. Fui ao hostel pegar a mochila e de lá ia para Baños, mas não tem ônibus direto, então fui para Ambato, chegando no terminal terrestre descobri que não saia dali o ônibus, então peguei um taxi que me deixou em um posto de gasolina e de lá peguei o ônibus para Baños.
Em Baños fiquei no Hostel La casa Amarilla.
Dia 09 – 27/03/2022
Esse dia fiquei tranquila na cidade pq acordei um pouco mal, comi algo que não caiu bem e tava estragada, então fiquei de boas na cidade de Baños, até tinhas as termas para ir, mas não animei.
Dia 10 – 28/03/2022
O próprio hostel alugava bicicleta ($7) para o passeio das Ruta de las Cascadas. É bem tranquilo de fazer, pq é praticamente só descida. Ai cada cascata tem um teleférico, uma tirolesa, alguma coisa artificial pra fazer ali (eu não curto mto e ainda acho que interfere na paisagem, mas é questão de gosto).
O auge do passeio é a cascata Pailon del Diablo, que é no final da rota. Para voltar sempre tem umas caminhonetes que trazem você e as bicicletas de volta.
Chegando fui na tal da casa de arbol que é onde tem uns balanços e tals, também não é do tipo de passeio que eu curto e depois fui num outro balanço que é enorme e já que tava lá resolvi ir tb, mas enfim, fui pq tava lá...rsrs acho que o balanço foi $25
Dia 11 – 29/03/2022
Peguei o ônibus de Baños para Riobamba – chegando em Riobamba dei uma volta da cidade e fiquei procurando agência que fizesse o vulcão Cotopaxi. Vi que daria para fazer por conta, mas esse resolvi fazer com guia, pq o tempo não estava dos melhores. Achei a agência Chimborazo Tours que me passou para a Ecuador Adventures Trip (tem instagram) e o passeio custou $70, com transporte, ingresso, almoço e guia. Perguntei se não tinha um grupo fazendo o passeio, mas não tinha, então fiz esse sozinha.
Dia 12 – 30/03/2022
O guia, Paul, passou no hostel bem cedinho e fomos rumo ao Chimborazo. O dia estava nublado o que dificultava a vista do Vulcão, na subida peguei chuva, um tiquinho de neve e quando cheguei no lago que fica a 5000m até abriu um solzinho.
Na volta o guia passou num lugar onde a galera faz bungee jump, mas nesse dia não tinha. Um visual bem bonito.
Na volta o guia já me deixou na rodoviária e peguei um ônibus para Cuenca, esse foi o ônibus mais caro e a viagem mais longa, se não me engano foi $9, 6 horas de viagem, mas a maioria dos ônibus que tinha pego até então era em torno de $2 a $3.
Dia 13 – 31/03/2022
Em Cuenca fiquei no Wild Incas Hostel. Nesse dia fiquei passeando no centro, aproveitei para lavar umas roupas, e conhecer a cidade e tava chovendo bastante, então foi um dia mais de descanso.
Dia 14 – 01/04/2022
Fui a Cuenca pensando em ir no Parque Nacional de Cajas, tudo inspirada no post do Guilherme. Acordei bem cedo e fui para a rodoviária, chegando lá descobri que a estrada para chegar no parque estava fechada, pois devido as chuvas teve um deslizamento de terra que fechou a passagem. Fiquei bem triste pq queria muito ir no parque. Então tentai ir no mirador de Turi. Fui andando, subi uma escadaria e chegando lá ele estava em obras e não dava passagem.
Tinham me falado tão bem de Cuenca que tinha reservado 4 dias, mas como o parque estava fechado não tinha muito o que fazer, já tinha passeado na cidade no primeiro dia, então comprei uma passagem com milhas (6000 milhas pela LATAM) para o dia seguinte para Quito com a intenção de ir a Otavalo, outra escolha maravilhosa que fiz no caminho.
Dia 15 – 02/04/2022
Meu voo era só a tarde, então peguei aqueles ônibus de tour e me surpreendi, foi bem legal.
A tarde peguei o voo para Quito e do aeroporto sai ônibus para os principais terminais terrestres de Quito: Quitumbe e Carcelén, custam acho que uns 4 dólares, compensa muito, pq ele faz poucas paradas.
Dessa vez fui ao terminar Carcelén que fica mais ao norte e chegando lá peguei um ônibus para Otavalo – sempre pergunte se o ônibus vai até o terminal da cidade, não fiz isso e o ônibus me largou na estrada, mas ficava a 1 km do hostel que eu ia ficar em Otavalo. El Andariejo, muito bem localizado. Cheguei na cidade era umas 22h, mas em nenhum momento me senti insegura.
Dia 16 – 03/04/2022
Logo na frente tinha um lugar para tomar café da manhã maravilhoso, pão, suco, ovos, manteiga e geleia, café por $3. Semillas Coffee o nome do local.
Tomei café e fui andando para o a Cascada Peguche e depois para a Laguna San Pablo e El Lechero (mirante), fiz esse roteiro com auxílio do Wikiloc, foi um trajeto de 18 km, passando por lindas paisagens e pela cidade como ela é também, saindo um pouco dos centros.
Dia 17 – 04/04/2022
No terminal de Otavalo peguei um ônibus em direção a Quiroga e logo quando desci um taxista me ofereceu para levar até a Laguna Cuicocha, ele cobrou $5 e eu fui pq senão seria uns 7 km andando.
Cheguei lá, não lembro se paga para entrar, mas acredito que não.
Fiz a volta na lagoa, são quase 13 km, com um visual incrível, vale muito a pena.
Combinei a volta com o taxista e ele foi me buscar e me deixou na Cotacaxi, um pouco para frente de Quiroga, onde almocei e fiquei ali pelo centrinho da cidade. Para voltar só procurar um ponto de ônibus e ir de volta a Otavalo.
Dia 18 – 05/04/2022
Reservei esse dia para ir na feira de Otavalo e aproveitei e fui no Pueblo São Paulo que fica na beira da Lagoa de San Pablo que fui no primeiro dia. Desci errado do ônibus e parei no Pueblo San Rafael, mas peguei o próximo ônibus e fui para o San Pablo.
Dia 19 – 06/04/2022
Logo cedo peguei um ônibus para o Terminal Cárcelen e de lá para ao Aeroporto e fui de Quito a Panamá City onde fiquei uma noite e depois fui para San Blás, mas ai é assunto para outro post.
Observações:
- Pesquise a melhor época para ir, eu não pesquisei e peguei muita chuva na viagem. Os visuais são lindos demais, mas imagino que com dia de sol fiquem ainda mais bonitos.
- Só reservei as primeiras 3 noites em quito e o restante fui reservando ao longo da viagem e foi muito bom fazer isso, pq se não curtia muito, ia para outro lugar, tanto que Otavalo não estava nos meus planos, mas me surpreendeu, gostei bem mais que Cuenca, por exemplo, mas pq não consegui fazer o planejado em Cuenca.
- Fui sozinha e alguns passeios conheci mais gente, mas fiz bastante coisa sozinha e não me senti insegura em nenhum momento.
- Ter as trilhas salvas no Wikiloc me ajudou muito a ir aos lugares.
- Me arrependi de não ter ficado um dia a mais na Lagoa Quilotoa.
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VOLTA COMPLETA EM ILHA GRANDE – FEVEREIRO/2022!
INTRODUÇÃO
Olá pessoal, eu sou o Alan, e como havia comentado em outras postagens, tinha planejado uma viagem até o Rio de Janeiro para fazer o trekking ao redor da Ilha Grande, qual pertence ao município de Angra dos Reis.
Comigo nesta viagem, tive a companhia do meu irmão e de mais quatro amigos.
A ideia de fazer esse trekking surgiu devido a pandemia, que nos impediu de direcionar os esforços para efetuar o Circuito O de Torres del Paine, no Chile, e para não ficarmos parados por mais um ano, buscamos uma alternativa nacional que não exigisse um investimento tão significativo.
Como estávamos em um grupo relativamente grande, tivemos algumas reuniões antes da viagem para decidirmos diversos pormenores, e tentar encontrar um acordo em relação ao o que esperávamos disso tudo.
A primeira decisão foi, naturalmente, escolher o período para viajarmos, qual ficou, após vasta pesquisa de preços de passagens aéreas, definido para os dias 03 de fevereiro até 12 de fevereiro de 2022.
Eu havia pesquisado sobre a melhor época de visitar a ilha com o intuito de fazer trekking, e estava consciente que apesar de fevereiro ser um mês quente, haveriam grandes chances de chuvas de verão, mesmo assim, foi a época que nos apresentou o melhor período considerando as limitações individuais de cada integrante do grupo.
Feito isso, começamos a nos organizar para a viagem!
PLANEJAMENTO
Como falei anteriormente, o objetivo dessa viagem era efetuar a ‘volta a ilha’, um percurso de aproximadamente 130km com uma altimetria razoável – queríamos inclusive visitar eventuais pontos de interesse que houvessem no caminho, e em especial, além da volta, entrar na Gruta do Acaiá, subir o Pico do Papagaio e conhecer Lopes Mendes (ambos não fazem parte da volta a ilha).
Acho importante frisar que existem diversas regras em Ilha Grande por se tratar de um parque nacional e também estadual, como por exemplo, de não poder acampar em qualquer lugar, restringindo assim as possibilidades de roteiro.
Para isso, reservamos um total de 10 (dez) dias de viagem, sendo que o primeiro e o último serviriam quase que exclusivamente para fazermos o translado de ida e volta até nosso destino.
Do saldo de 08 (oito) dias, decidimos distribui-los da seguinte forma: 05 (cinco) dias para a volta na ilha, 01 (um) dia de folga em Aventureiro, e 02 (dois) dias em Abraão para, de lá, subir o Pico do Papagaio e conhecer Lopes Mendes.
Estaríamos levando toda a comida e equipamento necessário para toda a volta e os demais dias.
Durante minhas pesquisas, soube que haviam campings que ofereciam barracas e refeições, mas no intuito de reduzir ao máximo a despesa (e também ter a experiência de uma travessia autônoma), insistimos no plano inicial de levar tudo que usaríamos (só utilizaríamos esse serviço caso algum imprevisto ocorresse – como salvaguarda).
Havíamos decidido que faríamos tudo da forma mais independente possível, dessa forma, estaríamos usando nossos próprios fogareiros durante a viagem – porém tivemos que mudar nossos planos quanto a isso pois não poderíamos estar despachando cartuchos de gás nos voos, e não tive qualquer sucesso em encontrar alguma loja em Ilha Grande (antes de irmos) que estivesse comercializando esse item (liguei para vários estabelecimentos, conversei com guias e proprietários de campings). Na dúvida, para não arriscar, decidi entrar em contato com cada camping que havia reservado espaço questionando-os se eles possuíam cozinha compartilhada, e como todos confirmaram, decidimos levar os fogareiros e tentar achar cartuchos de gás no nosso primeiro dia em Abraão, e se não achássemos, usaríamos as cozinhas compartilhadas.
Antecipo que, como havíamos planejado, fomos atrás de cartuchos de gás em Abraão no primeiro dia e, depois de procurar em todos os cantos possíveis, não achamos qualquer loja que vendesse esse produto (a maioria das pessoas nem sequer sabia o que era um cartucho de gás).
RESERVAS E AUTORIZAÇÃO
Alguns dias após a compra de nossas passagens, qual fora em novembro de 2021, tivemos a surpresa que a Gol havia cancelados algumas rotas e isso havia trazido alguns prejuízos para nosso planejamento inicial.
Precisei entrar em contato com a Gol, e após algumas tentativas, tive sucesso em reagendar os nossos voos nas mesmas datas, porém em horários diferentes.
Com medo que isso poderia acontecer novamente, decidimos deixar todas as confirmações das demais reservas para as vésperas da viagem (pois em alguns casos precisávamos pagar um sinal de garantia).
Assim que tivemos a certeza, primeiramente fui atrás de uma empresa que pudesse efetuar o translado do aeroporto (GIG) até a Ilha Grande.
Encontramos a empresa Easy Transfer, qual nos buscava em um horário predefinido no aeroporto e nos levava até Conceição do Jacareí, onde de lá pegaríamos um barco até Abraão – o deslocamento todo estava anunciado em 02:30 horas, e havia desconto comprando a ida e volta simultaneamente.
Por garantia, entrei em contato com os campings antecipadamente buscando meios de reservar nossa estadia nos dias específicos.
DIA
LOCAL
CAMPING
VALOR
1 – 2
ABRAÃO
ALFA CAMPING
50,00
2 – 3
BANANAL
CAMPING DA CRISTINA
40,00
3 – 4
ARAÇATIBA
CAMPING DO BENÉ
35,00
4 – 5
AVENTUREIRO
CAMPING DO LUIZ
40,00
5 – 6
AVENTUREIRO
CAMPING DO LUIZ
40,00
6 – 7
PARNAIOCA
CAMPING DA JANETE
40,00
7 – 8
ABRAÃO
ALFA CAMPING
50,00
8 – 9
ABRAÃO
ALFA CAMPING
50,00
9 – 10
ABRAÃO
ALFA CAMPING
50,00
Estarei falando melhor do serviço da Easy Transfer e de cada camping mais abaixo durante o relato de viagem.
Além das reservas, precisei ir atrás de uma autorização para poder passar pelas faixas de areia da Praia Sul e Praia Leste, entre Aventureiro e Parnaioca, pois elas estão dentro de uma área protegida e legalmente proibida de ser acessada.
Enviei um e-mail formal para secretaria.peig@gmail.com identificando o grupo e apresentando o nosso interesse, fiz isso mais de um mês antes da viagem. Precisei reenviar este mesmo e-mail outras três vezes (semanalmente), pois nunca obtinha retorno.
Com medo de não conseguir a autorização, acessei o site oficial do órgão responsável http://www.inea.rj.gov.br/ e tentei contato (por muuuitas vezes, em dias e horários diferentes) através do número anunciado na página (sempre chamava até cair, nunca tive sucesso nesse canal).
Já estávamos convictos que não teríamos autorização, e teríamos que ‘dar um jeito’ para atravessar aquela parte da ilha – porém uma semana antes da viagem recebi retorno dos e-mails que enviei, nele vinham instruções e a solicitação de uma série de documentos do grupo. Providenciei tudo no mesmo dia e enviei de volta, solicitando ainda que a autorização, caso concedida, nos fosse enviada por meio digital, visto que estávamos nas vésperas da viagem e não seria prático termos que busca-la em qualquer lugar.
Um dia antes de embarcar recebi um e-mail com a autorização anexada em PDF, apresentando os nomes e os respectivos CPFs de cada membro do grupo que fora autorizado. Das condições impostas, teríamos que recolher lixo na Praia Sul enquanto passássemos por ela.
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This is the way…
This is the way…
Qualquer pessoa que encontra você no percurso do Caminho de Santiago de Compostela, abre um sorriso e te deseja um “buem camino”, é como se essa espécie de bom dia ou olá, seja um desejo de boa aventurança pra sua vida.
E ao receber meu primeiro, confesso que meus olhos marejaram, é um gesto simples mas emocionante.
Meu caminho começou em 2019 quando, depois de uma apresentação de uma peregrina em uma imersão corporativa na empresa, eu senti o chamado e decidi que precisava fazer e conhecer o Caminho de Santiago de Compostela. Joguei a idéia pra minha noiva, ela gostou e como uma amiga havia feito em 2018, foi só carimbar o primeiro selo, e comprar as passagens para abril de 2020.
Mas quem iria imaginar, que algo ruim fosse acontecer com o mundo inteiro, a ponto de manter todo mundo em casa, fechar fronteiras e pôr em risco nossos entes queridos?
E esse foi o primeiro sinal, de que o caminho já estava sendo percorrido junto a primeira dificuldade. Toda a preparação e a expectativa deram lugar a uma frustração e uma tristezinha, porque seria a primeira viagem internacional que eu e minha noiva, faríamos juntos.
- Mas ok, tudo certo, esperamos mais um ano, juntamos mais um dinheirinho e bola pra frente!
2020, e 2021 foram anos difíceis apertando o cinto, enxugando gastos, enxugando lágrimas e tomando decisões de cortar os corações.
“O caminho começa quando você decide percorrer o caminho”
No finalzinho de 2021, com a notícia de uma possível 4º onda de COVID-19, nossas expectativas não eram tão animadoras, e as notícias que chegavam eram que as coisas não estavam tão boas pela Europa. Enfim, expectativa quase zero, mas apesar do atraso, vacinas começam a ser aplicadas e uma pontinha de esperança começa a brilhar
“- Vamos dar uma pesquisada nas passagens, pra tentar usar nosso voucher?”
O DOBRO!
Com a vacina rolando, e os doentes diminuindo em 2022 o turismo volta a ficar aquecido, e com isso aquecem os preços também e a gente paga o dobro do preço da passagem comprada em 2019 (tínhamos um voucher da passagem não utilizada em 2020, e pagamos mais o mesmo valor).
-Bóra! vamo lá então! Academia 2x por semana, caminhadas de 5–7km…se alimentando bem.
Nos 45min do segundo tempo, agregamos mais um ao nosso time de caminhantes e partimos para nossa aventura, Eu, minha noiva e minha cunhada.
Eu, Geisi minha noiva e minha cunhada Nani.
Navegantes-Guarulhos-Lisboa-Madri e quase 12 horas de viagem, chegamos na Espanha, e saíndo pelo desembarque do aeroporto com fome, de cara não encontramos onde comer decentemente, olhamos à direita e havia um guichê de informações onde paramos e munidos de um google translator, perguntamos onde pegamos um certo ônibus pra chegar ao nosso Airbnb, a moça do guichê muito solicita indica o outro lado da rua, um ônibus que passa de 20 em 20 min. Agradecemos, e ao final minha noiva volta e pergunta pra moça:
- Donde hay un RRRRISTORÁÁNTEEE, ..só faltou juntar os dedinhos de uma mão e tocar a tarantela…(tán-ta-ran, táran-tará…)
De Madri pegaríamos um trem para Pamplona, e um ônibus para Saint Jean Pied de Port, na França onde começa o Caminho Francês, a Rota de Napoleão.
No trem, quase chegando à estação final perguntamos a moça que atendia nos vagões como chegamos à Estación de Autobuses de Pamplona, onde pegaríamos o ônibus até Saint-Jean, Ela nos explicou e seria um trecho um pouco demorado a pé até a estação, nesse momento, tendo ouvido nossa conversa, levanta um senhor corpulento e pergunta:
"- ¿Son peregrinos?
"- sí — respondí
No momento ele sorri, dizendo que a estação de autobuses era no caminho que ele passaria de táxi, e poderia nos dar uma carona. Um tanto desconfiados, aceitamos a carona e ao chegar perto da estação, pergunto ao Miguel (nosso “anjo” que nos deu a carona):
"- Miguel, Cuanto Debo?
"- Nada, yo también soy peregrino, pero si puedes, reza por mí en la catedral de Santiago.
"- Díos te bendiga, Miguel! — Disse.
Pegamos nosso ônibus na estação e três horas depois, chegamos em Saint Jean.
Instalados no Albergue La Vita è Bella, e depois de conversas e historias engraçadas com Bernadèt, proprietária, saímos para nosso primeiro Menú Peregrino.
Por cerca de 10 ou 12 euros (dependendo da etapa do caminho) você come: entrada, prato principal e sobremesa, e de quebra um vinho.
Sentamos na calçada da pequena taberna HURRUP ETA KLIK e aguardamos a nossa reserva.
Uma simpática americana se aproxima e puxa um papo, minha cunhada já engata botando o espanglês pra funcionar.
Minutos depois entramos e sentamos nós três mais o Marlon, um brasileiro que conhecemos, e que faria o caminho completo de Bike, (e isso dá quase 800km, saíndo de Saint Jean) e Kathy, a americana que conhecemos na calçada e que havia feito o caminho 4 vezes e estava fazendo novamente em algumas partes.
Papos emocionantes, lágrimas e uma conexão instantânea com todos na mesa fizeram-nos trocar telefones e manter contato durante as nossas etapas do caminho, dando dicas e informações sobre tudo, de tratamento de bolhas nos pés, à etapas mais bonitas; e num dos assuntos, analisamos o clima dos próximos dias, fomos informados (inclusive anteriormente na secretaria da Peregrino) de que talvez fosse um pouco perigoso subir os Pirineus na manhã da nossa primeiro dia por causa do mal tempo; nos aconselhando contornar a maravilhosa cordilheira de montanhas, e isso nos fez ficar um pouco tristes no momento, mas como aconteceu durante as semanas anteriores, o clima costuma virar bastante na Espanha, e torcemos pra isso. Terminamos nosso jantar, e "- Buen Camino!" Fomos ao albergue preparar tudo e dormir. No dia seguinte abri a janela e o céu dava sinais de que iria aparecer e isso nos empolgou, chegando na encruzilhada escolhemos subir os Pirineus e contar com a sorte de não pegar mal tempo. Cheios de energia e um passo firme e confiante iniciamos a nossa caminhada, mas, como saber se estaríamos no caminho certo?
as setas indicando o caminho
- Sigam as Setas Amarelas, que não tem erro, elas estarão por todo o seu caminho.
É muito louco, pensar que se pode atravessar um país inteiro, somente seguindo as setas te indicando a direção correta e com essa idéia na mente você cai na real e se sente capaz de fazer qualquer coisa da sua vida.
Na altura dos primeiros 15km da subida, começou baixar um nevoeiro na montanha, e um frio cortante começou a dar sinais de que é a natureza que manda. Retiramos nossas capas de chuva, e continuamos nosso trajeto.
"- Amor, você sabe porque Napoleão perdeu a guerra? — perguntei pra minha noiva.
"- PORQUE ELE TEVE QUE PASSAR FRIO AQUI NESSA MONTANHA DO CASSETE!!! — respondeu ela.
Nós três, em uma parte dos Pirineus.
Chuva, Vento e Frio de 4ºC em plena primavera e demos graças que nossas botas impermeáveis funcionaram com a chuva que vinha de cima, da esquerda da direita e de baixo, quando começou a descida meus joelhos e tornozelos começaram a cantar e vieram os primeiros sinais de que um peregrino nunca está preparado para o caminho, e dizem que você se transforma somente na segunda semana.
Desce, desce, deeeeeessce mais um pouco e de longe avistamos o Albergue de Roncesvalles já na divisa da França com a Espanha, um grande albergue com cerca de 130 camas mas muito bem estruturado.
"- Ai meu Deus, Quanto falta ainda pra chegar? — pergunta minha noiva.
"- ainda uns 1.5km (dos primeiros 24km da primeira etapa do Caminho Francês) — respondi conferindo no meu relógio a distância percorrida.
"- NÃO! TUDO ISSO AINDA??NÃO PODE SER, ISSO TA ERRADO! A GENTE DEVE ESTAR NO CAMINHO ERRADO,… — disseram elas, cansadas, molhadas e mal humoradas.
Chegando no Albergue, fizemos nosso check-in e parti para A MELHOR DUCHA DA VIDA. Depois daquele frio, e num albergue onde passam centenas de pessoas por dia, descobri que uma estrutura dessas precisa ter economia, principalmente de água. A válvula temporizadora do chuveiro deveria ter uns 10 segundos de fluxo, (iguais as torneiras de shopping center) e não havia interruptor de luz, só sensor de movimento da lâmpada, então a dança era em uma mão o shampoo sólido esfregava a cabeça, o cotovelo esquerdo apertava o botão do chuveiro e de vez em quando tinha que levantar o braço direito pra acionar o sensor de movimento, me senti a Isadora Ribeiro na abertura do fantástico dos anos 80.
Depois da ducha, roupas secas, arrumar a cama, lavar a roupa e aí saír pra conhecer o vilarejo e comer algo. No restaurante pedimos só algo para dar uma beliscada e tomamos umas 3 taças de vinho pra esquecer do frio. Na manhã seguinte ao calçar minha bota, senti um incômodo na sola do meu pé e descobri que aquela bota, me causou uma pequena lesão nos músculos por não ter sido feita para longas distâncias e o melhor pra mim, seria ter feito aquele trajeto com um tênis de caminhada. Com o pé dolorido, e quase sem joelhos fiz mais 8 etapas e tive que parar na cidade de Estella para comprar um tênis, temendo não conseguir completar o caminho.
Navarra.
Navarra
O clima da Espanha na primavera/verão é maravilhoso, na parte mais ao leste do país o clima é quente e seco e mais a oeste, quente e úmido. Então resumindo, nas primeiras etapas eu tava mancando, com os lábios rachados e nariz sangrando e no final eu tava mancando e com bolhas nos pés por causa do atrito causado pelas meias molhadas.
Eu batizei os minhas bolhas de Ernie e Bernie e à altura do batismo já estavam adultos do tamanho de azeitonas nos meus calcanhares. O ritual de 10 em 10km era parar tirar as meias e usar uma seringa para retirar o líquido das bolhas, calçar os tênis e continuar. Assim foi até o fim do caminho.
A PEDRA NO CAMINHO.
o caminho de Astorga
O caminho tem trechos míticos com histórias e significados maravilhosos, um deles é o trecho saíndo de Foncebadón, onde chegamos à Cruz de Ferro. Os peregrinos que chegam à cruz de ferro, depositam ao pé da cruz, uma pedra que representa algo que você gostaria de não ter mais na sua vida, sendo assim a base da cruz de ferro é uma montanha de pedras que os peregrinos trazem de todas as partes do mundo, é sem dúvida uma das etapas mais emocionantes do caminho. Nós trouxemos do Brasil, algumas pedras entregues por nossos entes queridos para deixar na base da cruz, e a minha pedra especialmente tem uma historia curiosa. Uma etapa antes de chegar em Foncebadón e posteriormente na cruz de ferro, pegamos um trecho bastante fácil e plano, onde simplesmente andaríamos entre moitas de camomila, erva doces e tomilhos à beira do caminho, tornando o trecho bastante aromático e agradável em termos, se não fossem pelos meus joelhos, os gêmeos Ernie e Bernie e tornozelos que me incomodavam bastante. Dado momento me peguei pensando na minha pedra e no significado que ela tem. Trouxe ela de casa para representar a dor crônica que eu tenho desde os 17 anos de idade, causado por duas hérnias de discos, localizadas nas vértebras S2 e L4 da coluna, e não queria mais essa dor comigo, imaginando algum milagre do caminho se materializando e retirando isso da minha vida. Ao contrário do que pensei, naquele momento percebi que não tinha só a dor da hérnia me acompanhando, mas adquiri mais um joelho doendo, meu tornozelo direito e as bolhas nos meus pés; e faltando uns 4 km para chegar em Foncebadón, minha cunhada pergunta:
- como tá teu joelho, Jorge?
Eu estava com a frase pré formada na cabeça: — tá doendo e não vejo a hora de parar… mas antes de ela saír de meus lábios, num súbito momento de iluminação, percebi o real significado daquela pedra no meu caminho. Ao longo de todo o percurso, encontramos diferentes tipos de pessoas, diferentes condições físicas, diferentes idades mas todos com um mesmo objetivo principal que era chegar a Santiago de Compostela.
Um senhor Inglês de 70 anos com mal de alzheimer que na juventude adorava viajar, e que acompanhado do filho estava percorrendo o caminho completo a pé, uma senhorinha oriental miudinha, beirando os 80 anos com sua mochila percorrendo cerca de 5–10km por dia descansava sorridente à sombra em um dia de sol escaldante, uma jovem colombiana com tendinite no tendão de aquiles e mancando, se recusava a despachar a pesada mochila para percorrer o caminho, uma atlética e jovem alemã (eu acho), tentando todos os tipos de calçado no trajeto e somente aliviou a dor calçando sandalinhas rasteirinhas e meias; pessoas com traumas e vícios, pessoas com quem conversei que perderam dinheiro, emprego a casa e o casamento (ou tudo de uma vez) e no Caminho de Santiago, buscavam encontrar novamente o seu lugar…entre várias outras, mas com o mesmo objetivo.
Respondi:
- tá doendo um pouquinho mas tá tudo certo, vamo lá!
A dor sempre vai existir, sempre estará presente fazendo parte de algum momento da vida, e em momentos vai incomodar mais ou menos, mas a vida continua e é preciso viver e percorrer o seu caminho, a diferença está em como você lida com a dor e suas diferentes manifestações, você pode se entregar e parar no meio do caminho ou lutar para não deixar a dor tomar conta de você.
E esse é o caminho.
Nesse momento de súbito meus olhos se enchem d’água, e veio um nó na garganta e não pensei mais na minha dor, e nesse momento tentei encontrar um novo significado para minha pedra, e não reclamei mais até Santiago de Compostela.
Minha noiva/namorada Geisi no trecho de Astorga
Nosso objetivo foi percorrer uma boa parte do caminho em 21 dias, e para tanto, dividimos o caminho francês em três partes, percorrendo o início e o fim, deixando o meio para outro momento. Caminhamos 420km e destes, seis foram dias de chuva, 15 dias ensolarados, e destes, dois dias de 40º C. Diversos trechos entre vilarejos com distâncias entre18 km, 20 km e 32 km diferenças de altitudes de 100m à 1500m, passamos por pequenas vilas de 400 habitantes e cidades com 200 mil habitantes. Trajetos lisos de chão batido, picadas entre bosques, e descidas íngremes de pedra. Perdemos 2 ou 3 kg de peso mas o sentimento é de "cheios de vida", algumas boas amizades feitas no caminho, inúmeras experiências e ótimas histórias.
Nani, Geisi e Jorge na chegada à Catedral de Santiago de Compostela
A ciência fala que são necessários 21 dias para mudar algum hábito na vida, e nestes, tivemos os melhores momentos e a mudança ainda é constante dentro de nós até o fim do “Nosso Caminho”.
Não é você que faz o caminho, ele faz você.
¡Buen Camino!
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Jujuy - Tilcara e Salta
Bom dia! Ontem acabei de chegar em S S Jujuy pelo aeroporto de Jujuy. Tinha combinado com um Remis que me cobrou 1.600 pesos até meu hostel de em Jujuy, no aeroporto os taxistas ou remis estavam cobrando 2.000 pesos. Para a viagem fiz o seguro mais barato por 280,00 reais. Só me pediram o seguro no embarque no Brasil, já na imigração no aeroporto Jorge Newbery por onde cheguei só me pediram a declaração juramentada e o comprovante da vacinação! Hoje dia 20/03/2022, o tempo está nublado em Jujuy. Conheci um casal no hostel que irei com eles de carona para Tilcara, sorte, economia do remis até a rodoviária e da passagem até Tilcara! Trouxe duas blusas de frio, acredito que uma bastava, aqui em Jujuy são 08:30 e o tempo está agradável, diferente do calor infernal que está na minha cidade.
OBS: no aeroporto no banco de lá nacion está 20 pesos por 01 real! Troquei 500,00 reais por 10 mil pesos!
Caminos hostel onde pernoitei!!
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Relato Viagem Chile 2022 (Atacama, Santiago, Valparaíso - 18 dias) COM PREÇOS (abr/2022)
Oi, pessoal! Vim aqui deixar um relato da minha viagem pro Chile. Estou escrevendo porque tenho algumas dicas que não vi em nenhum outro lugar por aí! Talvez ajude alguém que esteja planejando a sua viagem.
Fui com uma amiga pro Chile para passar 18 dias entre fins de março e abril de 2022. A ideia original era fazer Santiago, Atacama e Uyuni, mas as fronteiras ainda estavam fechadas por conta da pandemia, então não conseguimos cruzar para a Bolívia. Acabamos estendendo os dias em Santiago pra conhecer mais as regiões vizinhas.
Nosso cronograma final ficou:
25/03 - Vôo de ida para Santiago (chegamos 22h)
26/03 e 27/03 - Santiago
28/03 - Ida para o Atacama (vôo no meio do dia, mas era o que tinha barato)
29/03 a 04/04 - Atacama
05/04 - Santiago
06/04 - Bate e volta em Isla Negra
07/04 - Passeio de vinícola e ida pra Valparaíso
08/04 a 11/04 - Valparaíso (estendemos 1 dia, porque ficamos apaixonadas)
12/04 - Volta pro RJ (saída 16h)
No total, incluindo passagens de avião, gastamos em torno de 10 mil reais cada uma. Aí incluem estadias em albergue em quarto privado (dividido por 2 pessoas), quase todas as refeições feitas na rua (incluindo algumas em restaurantes mais caros), todos os passeios que quisemos fazer no Atacama e vinhos pra presentear a família toda. Não foi uma viagem exatamente barata, mas ao final eu fiquei surpresa de ter dado só isso. PORQUE O CHILE É MUITO CARO! E não, não é história de viajante que não sabe fazer boas escolhas, gente que só come em restaurante em ponto turístico com menu em inglês e anda de táxi pra todo lado. O Chile é caro mesmo. Qualquer pão com manteiga e café com leite não sai por menos do que 20/30 reais.
Falando em dinheiro, aqui vai a primeira dica: Leve tudo que você for gastar daqui do Brasil em espécie (ou dólar ou real)! As taxas pra saque eletrônico no Chile são astronômicas! Ficam entre 4,5 e 7 mil pesos (30 a 45 reais). E você não consegue sacar um limite muito alto e ainda paga o IOF. Nunca vi taxas tão altas e eu normalmente sempre prefiro sacar uma parte do dinheiro de uma viagem longa (pra não ter que ficar noiada com dinheiro na doleira ou no quarto do albergue). Além disso, várias maquininhas de cartão de crédito no Chile incluem uma taxa entre 300 e 1000 pesos para passar cartão internacional. E é o dono do cartão que paga! Ou seja, às vezes você tá pagando 1000 pesos de taxa pra pagar uma refeição 5000 pesos no cartão. Cartão de crédito, no final, só é uma boa opção para pagamentos maiores.
Resumo Estadias
Ficamos em muitos albergues diferentes no Chile, então aqui vai um resumo de todos eles:
Hostal Forestal - Santiago: Hostel é ótimo, muito bem localizado, com um clima bom, espaços coletivos e cozinha/banheiros limpos. A única coisa que nos decepcionou um pouco foi o atendimento. Pessoal do albergue não tinha muitas dicas e não sabia recomendar nada de Santiago. Não sei se foi má vontade ou era um pessoal meio sem jeito. Na volta pra Santiago, optamos por testar outros lugares.
Hostal Rural - San Pedro do Atacama: Maravilhoso!!! O albergue é lindo, o atendimento foi ótimo, os banheiros são excelentes e está tudo sempre muito limpo. Muitas áreas de convivência, rede, mesa de ping-pong e, na era pré-covid, um bar e fogueira algumas noites. Do lado de todo o movimento de San Pedro (incluindo o único bar da cidade), mas em uma rua menos movimentada. Recomendo muito.
Hostal Atacama Backpackers - Santiago: Pior albergue que ficamos na viagem. O quarto era bastante bom, mas o albergue era velho, com tudo meio gasto, incluindo os banheiros e os armários da cozinha (a geladeira estava um nojo). Não tinha área de convivência (tudo muito apertado). Era mais barato do que as outras opções em Santiago, mas não sei se vale a economia.
Hostal Casa Volante - Valparaíso: Ótimo albergue. É uma casa antiga, linda, no pé do Cerro Constitución. Super bem localizado, com um bar e um restaurante embaixo, onde você pode comer e beber por preços justos (pros padrões chilenos). Um ponto negativo, pelo menos no nosso andar, foram os banheiros. Eles eram poucos pra quantidade de quartos atendidos e minha amiga teve problemas com o chuveiro (tomou banho frio 2 dias).
Hostal Merced 88 - Santiago: Só ficamos 1 noite bem curta por lá. Nos pareceu um albergue ótimo, com cozinha, área de coworking e um terraço lindo. Estavam mais chatinhos com as restrições de Covid, mas o clima era bom. Não deu pra avaliar direito, porque mal ficamos no albergue.
Resumo dia a dia
Dia 1: Santiago - Centro (La Moneda, Plaza de Armas), Museu dos Direitos Humanos e Bairro Yungay
No nosso primeiro dia em Santiago saímos pra bater perna. Nos hospedamos no Hostal Forestal, em Lastarria, e resolvemos ir caminhando até o Museu dos Direitos Humanos, passando pelo centro pra trocar dinheiro, pelo Palácio de La Moneda e pelo Barrio Brasil. Depois, voltamos de metrô (o metrô em Santiago é excelente) e de noite fomos beber no Bairro Bellavista (rua de bares, tipo Lapa, mas que tem que pagar pra entrar em todo lugar com música).
Desse primeiro dia, as principais dicas são: i) o Museu de Direitos Humanos é excelente, tem que ir; ii) Bairro Yungay é um bairro maravilhoso pra visitar durante o dia (de noite nos pareceu meio vazio pra andar), tem grafites por todos os lados, cultura de rua no fim de semana e é onde o novo presidente tá morando (cartazes de “bienvenido, vecino” por todos os lados); iii) Espaço Gárgula é um restaurante tradicional, com cara de antiquário, de comida ótima e clima melhor ainda (uma vibe meio Nova Capela, no RJ).
Dia 2: Santiago - Mercado Central, Parque Forestal, Cerro San Cristobál, Feira de rua de Lastarria
Acordamos e fomos tentar tomar café no Mercado Central de Santiago. Tentar é a palavra, porque chegamos lá e não tinha quase nenhum restaurante aberto. O mercado em si é bem pequeno, nada impressionante. Só vale a visita se você receber alguma indicação de restaurante de frutos do mar pra comer. Decepcionadas e com fome, fomos até o Cerro San Cristobál andando pelo Parque Forestal. Como era domingo, o parque tava cheio de gente andando de bike e passeando com os cachorros. A vista do Cerro era bem bonita, dá pra ver os Andes e a nuvem de fumaça que fica acima de Santiago (pq a poluição não consegue fugir da cadeia de montanhas). De lá, voltamos pra perto do albergue e ficamos andando na feirinha de rua de Lastarria. Tomamos um vinho e comemos um ceviche ótimo no Café Restaurant Utopia.
DICA: Também queriamos ter ido na Chascona, casa de Neruda em Santiago, mas estava fechada, mesmo que no google dissesse que era pra abrir domingo. As restrições de Covid no Chile ainda estavam muito fortes em abril/2022, então confira certinho se os lugares que você quer ir estão abertos.
La Moneda
Yungay
Museu dos Direitos Humanos
La Gargula
Vista do Cerro San Cristóbal
- 15 respostas
Em memória: Jesse Koz & Shurastey
No dia 23/05/2022 o “influencer” Jesse Koz e seu cão Shurastey faleceram em um acidente de trânsito nos EUA.
Faltavam 2 dias para concluir a missão de chegar ao Alasca com o fusca 1978 chamado Dodongo.
Os stories do Jesse / Shurastey me alegraram em muitos momentos difíceis que passei em minha vida principalmente em 2017/2018.. No momento que soube da tragédia era como se uma pessoa da minha família tivesse partido. 💔
Em seu canal no youtube, Jesse deixou alguns vídeos programados e o de hoje 27/05/22 é justamente sobre um perrengue que passou para trocar o rolamento de uma das rodas.
Link vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=jgVQLgJsLq0&ab_channel=ShurasteyorShuraigow%3F
Quem acompanhou sabe o tanto de perrengue que ele passou.. superando um a um e mostrando muitas vezes o lado bom do ser humano. Como exemplo o final desse vídeo que mencionei acima.
Antes do acidente Jesse e Shurastey estavam chegando aos 500 mil seguidores no Instagram.. e com a notícia do acidente neste momento está em 1.4 milhões de seguidores.
Jesse se inspirou nos relatos do grupo do Mochileiros no Facebook.. não tinha muita grana, quando voltou da Patagônia (primeira viagem) tinha cerca de 300 reais no bolso, não sabia troca o óleo do fusca, não tinha uma barraca, não sabia falar espanhol ou inglês, maaaaaas teve vontade em fazer acontecer!
Hoje muitos se inspiram e muitos outros vão se inspirar neles. Provável que pessoas caiam de paraquedas aqui no fórum.. com suas dúvidas, "necessidades/vontade/desespero" de sair da rotina e ter histórias para contar.
Que a gente possa compartilhar as nossas experiências e mostrar que sim, existem perrengues e perigos. Mas também mostrar que não precisamos esperar a condição perfeita para viajar. Tudo é possível!
Em sua BIO no instagram Jesse deixou sua mensagem para o mundo: “Ou se morre como herói ou vive-se o bastante para se tornar vilão”.
Meus sentimentos a toda família e amigos.
Descansem em paz. ❤️
Deixo aqui uma foto "rootz" dele e amigos; que creio que representa essa comunidade que curte viajar. ✈️
@jessekoz e @shurastey_ viajantes em um fusca.
@viainfinda mochilou por um bom tempo na europa e montou uma “van home”, foi até os EUA e continua sua viagem.
@matias_tartiere dando a volta ao mundo A PÉ.
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- 22 respostas
Travessia Petrópolis - Teresópolis em 2 dias. Quem é de ir vai.
Como vão mochileiros? Espero que todos estejam bem.
Depois de dois anos sem nos reunirmos, finalmente chegou o dia da nossa tão esperada travessia Petrô x Terê. Havíamos comprado os ingressos em Janeiro de 2020 para irmos em Maio, porém, com a Pandemia, não conseguimos ir e a travessia foi adiada até que o parque voltasse a abrir. Pois bem, conseguimos reagendar para os dias 21 e 22 de Maio de 2022.
Como de costume, saímos de Santa Rita do Sapucaí com nosso motorista oficial, Edson, e seu irmão Edilson (mais conhecido como Claudinei) em 12 pessoas rumo à Petrópolis RJ.
Começo meu relato com uma frase magnífica que fará todo o sentido nesse relato:
"A caminhada até aqui pode não ter sido fácil, mas a contemplação dessa paisagem vale qualquer esforço."
Da esquerda para direita: Henry, André, Bruno, Samuel, Éder, Isaac, Breno, Luiz Miranda, Saulo, Nandão, Luiz e Zé Renato.
Chegamos em Petrópolis por volta das 07:30, fomos na entrada do parque assinar os papéis e começarmos a trilha rumo ao primeiro camping do Açu - começamos a trila 08h15. Passamos por vários lugares bonitos, cachoeiras, grutas, picos...seguem fotos:
A subida até o Açu é pesada, como todas as pessoas já haviam informado. Por volta de 12h20min chegamos no abrigo.
O dia estava ótimo, porém, começou uma neblina forte e não conseguimos registrar fotos do caminho até o Açu, mas temos algumas de lá:
Montamos acampamento e fomos explorar mais o local. À noite prometia fazer muito frio, pois estava ventando muito.
Levantamos cedo, depois de uma noite fria e fomos ver o nascer do sol - um espetáculo à parte da natureza.
Tomamos café e fomos conhecer o famoso Portais de Hércules, não irei comentar sobre o mesmo, as fotos mostram por si só.
Saímos de la e fomos rumo à Pedra do Sino, uma subida forte até chegarmos no Morro da Luva.
Depois de um tempo caminhando, chegamos no Elevador, o primeiro dos dois pontos de atenção da travessia.
Após passar o Elevador e subir um pouco mais, chegamos na Pedra da Baleia e de lá tivemos uma visão melhor da Pedra do Sino:
Passamos pelo mergulho e logo enfrentamos outro ponto de atenção na trilha, o Cavalinho:
Passando por ele e contornando o Sino, chegamos na base da pedra onde da acesso a ela
Chegamos no abrigo 4, descansamos um pouco e descemos para finalizar a trilha, coisa de 10km até onde nossa van nos esperava. A descida é sem fim e muito cansativa.
Considerações finais:
Considerada uma das travessias mais bonitas do Brasil, senão a mais bonita, é uma travessia clássica que possui belezas particulares, recomenda-se fazê-la em 3 dias e confesso que é uma ótima recomendação.
Gostaria de agradecer a todos que foram com a gente nessa aventura, as risadas, o companheirismo e os momentos felizes que tivemos. Fazia tempo que não nos reuníamos para acampar então foi muito bom. Com essa pandemia aprendemos a valorizar os momentos com os amigos e falo por todos aqui que esse momento foi aproveitado da melhor maneira. Fazer em dois dias e uma noite foi muito desgastante, mas como diz nosso companheiro Luiz Miranda: "Você afunda o pé no brejo, queima no sol durante a trilha, passa frio cedo e à noite e dorme sem tomar banho, para no final falar: 'Quando é a próxima'?"
Galera, sem falsa modéstia, deixo aqui um show de fotos compartilhadas por todos que foram, mas, em especial, as fotos do Zé Renato ficaram show, sem palavras.
Até a próxima...
- 7 respostas
Relato detalhado: Monte Roraima 2022, 7 dias
Fronteira com a Venezuela está aberta, as primeiras expedições recomeçaram em abril/2022. Para passar por países com fronteira com o Brasil, brasileiro precisa apenas do RG. Porém, em maio/2022, estavam pedindo passaporte na Venezuela (a última cidade brasileira é Pacaraima-RR, a fronteira fica a 30min da primeira cidade venezuelana, Sta Elena, onde se usa dinheiro em reais e PIX), coisa nova e deixaram um colega passar só com RG. Exame PCR (aquele mais caro, de laboratório, que demora cerca de 24h e custa mais de R$200), feito até 72h antes, foi necessário.
Se pesquisar "Monte Roraima agencia/tour", dentre os resultados, com certeza vão aparecer: Roraima Adventure, Pisa Trekking, Nattrip. São brasileiras e cobram caro (mais de R$6.800 até R$10.000) e todas SUBLOCAM agências venezuelanas, os guias sempre são venezuelanos indígenas assim como os porteadores (carregadores). Fiz (e recomendo) com a @ecoaventuratours por R$2.700, em maio/2022. Não se gasta nada durante a expedição, mas gorjeta ou "regalos" para os porteadores são incentivados ao final.
*o valor caro das agências brasileiras inclui os superfaturados translado de Boa Vista para Sta Elena, pernoites em Boa Vista e Sta Elena; mas isso é facilmente contornável, faça a sua própria reserva em Boa Vista (se chegar até 13h, nem precisa de pernoite), pegue um táxi com o Cleiton (3h30min, R$600 o carro, 95 91191378) ou um bus da rodoviária até Sta Elena; de qualquer maneira, tem que pernoitar, na ida, em Sta Elena (Venezuela), converse com a agência, mas tem opções baratas de menos de R$70.
Porteadores são "guerreiros" indígenas que carregam até 40kg nas costas! Levam toda a comida, banheiro e barracas. O turista só precisa levar suas coisas (roupas, higiene pessoal, saco de dormir, isolante). Se pagar um porteador (cerca de R$50 por dia), ele pode levar sua mochila. Eles também cozinham (café da manhã, almoço, lanche da tarde, jantar; não achei necessário levar snacks como castanhas e amendoim), se for vegetariano, avise antes. Água não falta, é só beber do rio. Ninguém levou clorin e todo mundo se saiu bem.
"Banheiro" é um caso à parte. É uma barraquinha com um banquinho e acento. Sacolinhas com cal ficam no chão para a pessoa acoplar no banquinho e fazer a necessidade sólida (urina pode ser em qualquer lugar). Há papel higiênico e álcool em gel disponíveis, mas recomendo levar lenço umedecido para contribuir... Após o uso, desacopla a sacolinha, amarra e deixa no outro canto.
Maio, junho e julho são os meses de mais chuva, principalmente junho e julho, evite-os. Embora sempre chova e o tempo seja muito instável por lá, o melhor mês é outubro. Fomos em maio e foi tranquilo, chuviscou um pouco mais na subida, porém, nos momentos certos fez bastante sol. Por ser alto (2700m de altitude), inevitavelmente, é frio em alguns momentos, como durante a noite (chegou a 5ºC, em maio), mas suportável.
Parece que o básico são 7 dias, a contar de Sta Elena (Venezuela), com 2 dias no topo (que são os mais importantes). Algumas agências escrevem 8 dias, mas está incluído um dia da viagem entre Boa Vista - Sta Elena (que demora aproximadamente 3:30h, incluído passar pela fronteira/imigração, mesmo brasileiro tem que dar saída do Brasil).
Há também tours de 9 ou mais dias, com mais dias no topo (vai até "La Proa", lago Gladys, cueva de los Guácharos). Como dito, o básico são 7 dias divididos assim:
Dia 1 - sai de Sta Elena umas 9h até a comunidade Paraitepuy, onde se inicia a caminhada por volta das 12h (lanche é dado). Caminha-se 12km (com alguma subida e descida) até o Rio Tek, onde tem muitos mosquitos e onde ocorre o primeiro pernoite.
Dia 2 - atravessa o Rio Tek, caminha-se um pouco mais e atravessa o Rio Kukenan, dependendo do nível do rio, pode exigir certo esforço, mas qualquer um consegue e a equipe dá total apoio. É um dia tranquilo de caminhada (6km, pouca subida) até o acampamento base, local do segundo pernoite.
Dia 3 - é o dia da subida de fato do monte, a distância não importa (4km?), o que importa é a ascensão de 930m, previsão de 4h, não é tão íngreme, mas achei o dia mais cansativo. Já dorme-se no topo (3 noites no total), no que eles chamam de "hotel", que são amplos lugares embaixo de pedras ou até dentro de pequenas grutas.
Dias 4 e 5 - são os dois dias no topo, não precisa levar a mochila, pois volta para dormir no mesmo local, as atrações principais são:
jacuzzis - pequenos poços com água gelada e ambiente instagramável;
ventanas - mirante do Kukenan (segunda maior cachoeira do mundo, porém, é de estação) e outros;
Maverick - o ponto mais alto do monte, sobe por uns 15 minutos e torça para o tempo estar aberto.
Neste dia, anda-se pouco, acho que não chega a 10km;
ponto triplo (tríplice fronteira) - tem um totem que marca a Venezuela, Guiana e Brasil para dizermos que já fomos à Guiana;
Vale dos Cristais - belo lugar, não pode coletar os cristais;
El Fosso - lugar magnífico (o meu preferido da excursão), é um simples poço, mas com uma quedinha d'água, arredores que lembram ruínas, uma trilha interesse para descer (partes estreitas, fendas), o banho é gostoso, mas geladíssimo.
Estas 3 atrações ficam próximas uma da outra; neste dia, anda-se cerca de 14km total.
Dia 6 - é um longo dia de descida do que subiu nos dias 2 e 3, ou seja, vai do topo até o Rio Tek, onde pernoita.
Dia 7 - do Rio Tek até o Paraitepuy são os mesmos 12km (4h) do dia 1, então esses dois últimos dias são o mesmo caminho, mas no sentido inverso e não traz novidades. Termina-se antes das 12h. De Parateipuy até Sta Elena são 2h, a cargo da agência, mas costumam incluir almoço, aumenta a duração. Se precisar pegar vôo em Boa Vista ainda neste dia, considere que para sair de Sta Elena para Boa Vista, é questão de combinar com o táxi, a fronteira só se atravessa até às 17h (e fecha para almoço às 12h; pelo menos fechou no domingo que passei), então tem que sair até +-16h de Sta Elena, pois são 30min até a fronteira/imigração.
Obs.: de Sta Elena tem como fazer o tour Gran Sabanna, 6 cachoeiras em um dia, R$160, dia inteiro, com almoço, com a @vagotours
O que levar (devido ao peso, quanto menos levar, melhor, então considere usar algumas roupas mais de uma vez, usar jaqueta como travesseiro, etc):
mochila de, pelo menos, 40l (capa de chuva é aconselhável) - colocando o saco de dormir comprimido, fica apertado, mas coube; não achei necessário mochila de ataque
saco de dormir (saco para 10°C é o suficiente) - existem compressores, vendidos separadamente (uns R$70), que diminuem o volume do saco para carregar; alguns sacos já vem com esse compressor, geralmente são mais caros;
isolante térmico colchonete inflável - eu não gosto de isolante de EVA, ocupa muito espaço e é horrível para dormir de lado, prefiro um colchonete inflável (uns R$370 na Decathlon), que também é isolante e confortável; a agência aluga saco de dormir e isolante, mas não colchonete inflável;
garrafa para água - ninguém levou clorin, acho dispensável;
roupa de frio (para dormir) e uma jaqueta impermeável (ou capa de chuva) - vai precisar algum dia...;
eu não gosto de caminhar de manga comprida nem calça, mas tive que fazê-lo, com jaqueta corta vento, por causa da chuva na subida (mas estava de bermuda) e no Maverick. Levar calça de caminhada não é má ideia.
roupas leves para caminhar
é possível que algumas roupas sequem ao sol, mas não é bom contar com isso, o clima é muito instável; dependendo do tempo e do material, se molhou uma vez, vai ficar úmido até o final da expedição.
bota/tênis e chinelo (alguns porteadores caminham de crocs);
lanterna de cabeça e power bank (para o celular) - não tem eletricidade em nenhum ponto;
higiene pessoal - sabonete, escova, pasta, protetor solar, repelente, toalha (de secagem rápida), lenços umedecidos;
bastão de caminhada - para quem gosta, sempre ajuda, mas é um item que deve ser despachado no vôo, então é preferível locá-lo por R$25 (saco e outros itens também são locaveis);
seguro viagem não é cobrado e não acho necessário;
dorflex é uma boa pedida, imosec também.
Cansa? Sim, todo mundo se cansa, mas achei que fisicamente não exige tanto, consideram-na como de dificuldade média, é só não estar totalmente sedentário. O desafio, para quem não está acostumado, pode ser os perrengues de acampamento: dormir em saco por 6 noites, tomar banho de rio, "banheiro" diferente, etc... que também não é nada de outro mundo. O grupo caminhava muito bem, mesmo se não caminhasse, não são muitos km por dia, o guia vai dosando a velocidade isso. Se precisar fazer em menos dias ou mais rápido, é só conversar previamente com a empresa/guia para adaptarem-se. Tem gente que chama uma moto, no Rio Tek, para voltar, por exemplo, custa R$200. Ou tem excursão que sobe mais cedo para aproveitar a tarde no topo, entre outras adaptações.
A verdade é que sobra tempo no topo e nem sempre eles são organizados. Para o guia, é só mais uma excursão, para ele, tanto faz ir ou não ir a certos lugares... Momentos antes do Maverick, nós ficamos por horas no "hotel" esperando o tempo abrir ("tempo" significa "clima"), mas claramente já estava aberto (ou abria e fechava) e mesmo assim ficamos lá sem fazer nada, sem instruções da programação! Só fomos porque dissemos que queríamos ir de qualquer maneira, mesmo com chuva ou tudo nublado. Fomos e tudo certo. No dia seguinte, pela manhã, foi quase a mesma coisa, o tempo estava fechado, chuviscando, porém, dissemos que queríamos seguir a programação da tríplice fronteira, vale dos cristais e fosso (próximos um do outro), ao invés de irmos para não sei onde. E assim fizemos. O tempo abriu muito bem, fez um calorzão, andamos rápido e o dia terminou cedo (até dava tempo de irmos para outro lugar). Ou seja, o tempo lá é bem instável, o guia sabe de tudo, tem conhecimento, mas o turista também tem que expor suas vontades e conversar, pois é uma experiência única. Isto foi um pormenor, tudo correu bem, valeu muito a pena e recomendo a empresa e o tour.
- 20 respostas
4069KM PELO CHILE - ENTRE VINHOS E VULCÕES (17 dias)
Hey turma, tudo bem com vcs?
Esta trip nasceu em janeiro de 2022, 3 meses antes de acontecer, pra substituir a originalmente marcada pro mês de abril – roadtrip pelo UK, adiada (pela 6ª vez) pra setembro de 2022. O mês de abril não é o melhor pra algumas atividades de natureza no Chile, mas é legal pra algumas de vinho! Então fomos!
Esta trip nasceu em janeiro de 2022, 3 meses antes de acontecer, pra substituir a originalmente marcada pro mês de abril – roadtrip pelo UK, adiada (pela 6ª vez) pra setembro de 2022. O mês de abril não é o melhor pra algumas atividades de natureza no Chile, mas é legal pra algumas de vinho! Então fomos!
- 55 respostas
Escolhido por Silnei
4069KM PELO CHILE - ENTRE VINHOS E VULCÕES (17 dias)
Hey turma, tudo bem com vcs?
Esta trip nasceu em janeiro de 2022, 3 meses antes de acontecer, pra substituir a originalmente marcada pro mês de abril – roadtrip pelo UK, adiada (pela 6ª vez) pra setembro de 2022. O mês de abril não é o melhor pra algumas atividades de natureza no Chile, mas é legal pra algumas de vinho! Então fomos!
ROTEIRO: Londrina > São Paulo > Santiago > Pucon > Puerto Varas (Puerto Montt, Hornopirén) > Santa Cruz > Algarrobo/Casablanca > Santiago > São Paulo > Londrina
QUEM: eu e Gui (marido). Filho de 14 anos, JG, acabou ficando por uma série de motivos, sendo o mais importante a quantidade de dias letivos perdidos no ano, já que em setembro ele já vai perder uns 15 dias. Filho peludo de idade desconhecida, Minduco, tb não foi, pq ele não ia mesmo. Ficaram os dois com a vovó, rs!
AÉREO: pela Sky Chile, passagens compradas 3 meses antes (com mala despachada, mala de mão, bolsa e marcação de assento) direto no site da cia por cerca R$ 1550,00 por adulto. Observação: dava pra comprar sem bagagem? Dava, mas eu queria trazer vinho, pronto falei! Enfim! Eu cotei passagem pra tudo quanto era canto do mundo, os preços estavam surreais! ALIÁS, TÁ TUDO CARO PRA PORRA. Originalmente as passagens foram compradas pra 16 de abril (ida) e 02 de maio (volta), mas dias depois da compra, voltando no site pra verificar alguma coisa, vi que meus voos estavam cancelados e alterados pra 17 de abril e 4 de maio, o que era incompatível com nossos dias de férias.
Não tinha telefone pra ligar, se eu tentasse arrumar as reservas pelo site era cobrada diferença tarifária... então mandei email. Recebi a confirmação de recebimento e a informação de que o retorno se daria em 15 dias úteis. Achei meio demorado demais e precisava começar a resolver coisas como aluguel do carro, então dias depois e ainda sem resposta chamei eles no insta, e em 24h arrumaram minhas passagens para ida 15 de abril (sexta, feriado) e volta 1 de maio (domingo, feriado). Eu queria mesmo esse voo, só não tinha comprado ele pq tava caro, kkk
DESLOCAMENTOS NO CHILE: carro alugado pela rentalcars/booking por 15 dias (viagem inteira) por 500 dólares (cerca de RS3.000,00 já com IOF). Passou uns dias o dólar caiu um monte e eu fiquei com aquela cara de palhaça. Fazer o que!
MOEDA: levamos real in cash mesmo (era a melhor opção), tínhamos 350 dólares (comprados a 5,20 reais) e cartão de crédito. USAMOS TUDO.
HOSPEDAGENS: booking e airbnb! Gastamos bem acima do que costumamos gastar, primeiro pelo custo elevado mesmo, e segundo pq escolhemos uns lugares mais isolados, tipo cabanas. Nada de luxo, mas lugares acolhedores. De vez enquando a gente se permite!
Santiago: (2 diárias – RS446,00, pago antecipado):
https://www.airbnb.com.br/rooms/53472467?source_impression_id=p3_1648597462_SCKNlla3JfkSSbAG
Pucon: (5 diárias – 165.700 pesos, equivalentes a RS1.100,00, pago na hospedagem): Hostal el Nogal Pucón (booking)
Puerto Varas: (4 diárias – RS1.291,00, pago antecipado):
https://www.airbnb.com.br/rooms/10644022?source_impression_id=p3_1648597474_H7Zpt53LJUjg9f5b
Santa Cruz: (3 diárias - RS1.153,00, pago antecipado):
https://www.airbnb.com.br/rooms/52922444?source_impression_id=p3_1648597504_HyIyKbn6aNCcy2rE
Algarrobo: (1 diária – 85 dólares, equivalentes a RS442,00 pago na hospedagem em dólar mesmo): Hostal Boutique 180 Grados (booking)
TOTAL: cerca de RS4.4400,00 pra 15 noites, 160 reais por noite por pessoa (dá pra gastar bem menos).
VIAJANDO EM TEMPOS DE COVID (pegue a pipoca pra ver essa novela): desde que emiti as passagens frequentava diariamente sites que atualizavam a situação das fronteiras terrestres entre Chile e Argentina, pois a ideia original era zanzar de um lado pro outro num roteiro incluindo Bariloche e Mendoza. Como as regras sanitárias para entrada e saída destes países (Argentina e Chile) incluíam várias fronteiras terrestres fechadas, necessidade de testar de um lado e de outro e etc, desistimos de cruzar fronteiras. Iríamos focar no Chile, pra onde estavam emitidas nossas passagens.
Na data de compra das passagens, as regras de entrada no Chile eram: ciclo completo de vacina + reforço caso a segunda dose tivesse sido há mais de 6 meses, PCR antes e PCR na chegada, seguro saúde com cobertura 30 mil dólares e cobertura covid, permissão de mobilidade (por meio de formulário preenchido antes, o me vacuno) e o formulário C-19 (preencher 2 dias antes de viajar - precisa anexar o PCR e o seguro).
Entrei no ConectSUS pra emitir meus comprovantes de vacina e é claro que minhas 3 doses não estavam lá né. Tive que entrar com solicitação junto à OUVIDORIA. Depois de resolvida a minha situação junto ao ConecteSUS e a consequente “aparição” de todas as minhas 3 doses lá, pedimos, em 22 de janeiro, o passe de mobilidade, por meio do site chileno “Me Vacuno”. Pessoal tava dizendo que podia demorar até 30 dias pra sair a permissão, mas a nossa saiu em 3 dias. Fiquei preocupada com a validade desse passe, rs! Mas ele deixou de ter validade.
Duas semanas antes de viajar, o Brasil retirou a necessidade de teste PCR pra entrada e tb dispensou a necessidade de preencher formulários, o que foi ótimo!
DOIS FUCKING DIAS antes de viajar, o Chile retirou a necessidade de PCR, o que me deixou apreensiva, já que eu ia viajar NO PRIMEIRO DIA da regra nova. Resultado: fiz o PCR e viajei tranquila, mas não pediram!
DOCUMENTOS E SEGUROS
Levamos passaporte (achamos mais fácil), PID (não é obrigatória, MAS PEDIRAM), carteira de motorista, seguro saúde com cobertura pra covid (obrigatório, emitimos o do cartão de crédito), comprovante de vacinação e passe de mobilidade.
ORÇAMENTO
Essa viagem não ficou barata por vários motivos. 1 – tá tudo caro; 2 – pegamos hospedagens mais caras; 3 – alugamos carro pra muitos dias; 4 – exames; 5 – a nossa moeda está muito desvalorizada, mesmo em relação ao peso chileno; 6 - já falei que tá tudo caro pacarai?
Gastos antes da viagem:
Aluguel do carro: R$3.000,00
Aéreo: R$3.100,00
Deslocamento no Brasil (Londrina <> São Paulo): R$ 880,00
PID (a nossa anterior tinha vencido e vamos precisar pro UK em setembro): R$100,00
Hospedagens: R$4.400,00
PCR: R$440,00
Hotel do Minduco (nosso dog, por 4 dias): R$300,00
Seguro: gratuito, do cartão de crédito VISA Platinum
TOTAL: R$12.220,00
Gastos durante a viagem: vou colocar por dia durante o relato, em 4 categorias!
Alimentação (que tb inclui bebidas, mercado e etc)
Entradas (de atrações)
Deslocamentos (gasolina e eventuais balsas, barcos)
Compras
O total coloco no fim do relato!
BORA pro que interessa agora?
CONTINUA...
- 55 respostas
PICO DO ITAMBÉ: O Gigante do Cerrado Mineiro.
´ PICO DO ITAMBÉ
A poeira comeu naquele final de tarde. O velho gol bola, branco, vinha resistindo bravamente, carregando cinco adultos e um bebê de 2 anos, indo muito além da sua capacidade de carregar coisas e gente, num tempo onde lei de trânsito quase inexistia. Nosso trajeto entre o vilarejo de Milho Verde e Diamantina-MG, teve que ser interrompido assim que avistei uma pequena e sensacional cachoeira à beira do caminho e decidi que ali seria o lugar do nosso acampamento, já que outra coisa que inexistia, era dinheiro para podermos nos hospedar em qualquer lugar e nossa Expedição Brasil Adentro estava sendo no modo “mendigo plus”, acampando em qualquer lugar e fazendo a nossa própria comida.
(Viagem de 2003 - 8.000 km rodados pelo Brasil. )
Abrimos uma pequena porteira e estacionamos o carro sobre um gramado verdinho e enquanto as meninas correram para tirar a poeira do corpo, se jogando para debaixo da cachoeirinha, os homens trataram logo de montar nossas barracas. Estava finalizando a montagem da última barraca, quando ao longe avistei um sertanejo. Chapéu de vaqueiro, roupas surradas, um facão que arrastava no chão. Com passos largos e apressados, vinha em nossa direção, cara de poucos amigos, daqueles que atiram primeiro e perguntam depois. Avisei meu primo de que teríamos problemas e nos pomos a ficar em alerta, somente acompanhando com os olhos e com o coração apreensivo, porque estava bem claro que aquele era o dono da terra e possivelmente viria babando para cima da gente e como estávamos dentro da cerca, nos vimos acuados, sem reação, apenas torcendo para que a contenda se resolvesse o mais rápido possível, mesmo porque, estávamos com as meninas.
- Boa Tarde senhores!
- Boa Tarde! Respondemos em coro.
- O que os senhores estão fazendo aqui?
Olhei para o meu primo e para o Rogério, que se mantiveram calados, esperando que eu mesmo respondesse, já que eu estava mais próximo.
- Olha, o senhor me desculpe, estamos viajando com minha família e estávamos muito cansados para prosseguir viagem, mas já estamos desmontando tudo e iremos sair das suas terras imediatamente.
O homem nos fitou de cima embaixo, olhou para as meninas, que já haviam se ligado que a coisa não andava bem e já subiram o barranco da cachoeira e vieram em nossa direção. Botou a mão no facão, depois olhou ao nosso redor e vendo as barracas já montadas e os utensílios de cozinha espalhados pelo gramando, nos disse com voz firme:
- Podem desmontar as barracas, vocês não vão dormir aqui não.
- Mais uma vez, peço desculpas pelo incomodo, em no máximo uns 15 minutos estamos indo embora.
- Quem disse que vocês vão embora, vocês são meus convidados, vou levar vocês para um lugar mais descente, onde poderão se instalar sem o risco de pegarem chuvas.
Ficamos surpresos, até um pouco desconsertados, mas a gente estava com os pés na estrada, abertos para todas as experiências, era assim que estava sendo aquela viagem, estávamos viajando ao sabor do vento e resolvemos pagar para ver, onde aquele convite iria nos levar, feito por um estranho, no meio do sertão do Cerrado Mineiro, numa área pontuada por garimpo ilegal.
Fomos levados para um rancho humilde, tão humilde como a própria casa do nosso anfitrião e lá nos instalamos em tarimbas, uma espécie de camas de madeira grudadas às paredes, forradas com palha. Um fogão a lenha nos servia de apoio para nossa cozinha e a noite, passamos contando causos junto com o nosso novo amigo, que se juntou a nós, numa janta comunitária.
Seu Jesus, era uma figura fascinante, homem simples, herdeiro de um mundaréu de terras ali no sertão, tentava organizar as coisas e evitar que sua propriedade caísse nas mãos de garimpeiros ilegais. Sua vida era um livro de aventuras, pontuada por trabalhos em construtoras no Iraque a serviço do então ditador Sadan Hussen, até pescador e garimpeiro na Amazônia e passagem pela capital Paulista, onde trabalhou de motorista de ônibus.
Aquele sertanejo nos conquistou de tal maneira, que foi impossível não aceitar o convite para irmos conhecer suas terras e termos contatos com uns garimpeiros amigos seu, vivendo como homens das cavernas, que nos levou a uma das maiores experiências das nossas vidas.
O ano era 2003 e foi justamente nessa caminhada de um dia inteiro que tive a felicidade de botar os olhos nele. Eu já havia ouvido falar naquele PICO, que na época, era considerado o CUME DO CERRADO MINEIRO. Da posição de onde estávamos, ele dominava toda a paisagem e em meio a vegetação pontilhada por cristais e pequenas árvores tortas, embelezada por sempre-vivas, de posse de uma câmera yashica de 36 poses, saquei uma foto da minha filha JULIA, na época com 2 anos de idade e prometi para mim mesmo, que um dia eu botaria meus pés naquela montanha icônica.
( Julia em 2003 e atrás a direita a ponta do Itambé)
Quase 20 anos se passaram e a nossa chegada ao Cerrado Mineiro começa por uma breve passagem no Parque Nacional da Serra o Cipó, onde fomos conhecer algumas cachoeiras, que haviam nos passado batido na viagem de 2003. Viajar pelo Cerrado é antes de tudo se jogar numa paisagem onde cachoeiras deslumbrantes já poderia fazer valer qualquer passeio, sem contar as inúmeras cidades e vilarejos históricos que nos vão sequestrando a alma e que nos faz nunca mais querer ir embora.
Mas num primeiro momento, temos que nos focar no que nos propusemos a fazer, o objetivo principal, ao menos daquela região, que é o de subir a montanha que no passado nos encantou, pelo menos a mim, já que nessa viagem, além da minha filha Julia, hoje uma mulher, ainda contávamos com a companhia do Dema, amigo de infância e companheiro de tantas outras roubadas.
Depois de partirmos de Serro, adentramos no meio da tarde, no pequeno vilarejo de Santo Antônio do Itambé. Atravessamos todo o povoado e fomos seguindo a placa que nos levou direto para estradinha de terra que em 2 ou 3 km, fez com que interceptássemos a entrada do Parque Estadual do Itambé, onde colhemos informações preciosas para que pudéssemos realizar a subida ao famoso pico, no outro dia. Na volta, paramos para um mergulho na Ponte de Pedra, uma atração da cidade, onde os locais vão se refrescar nos dias mais quentes.
Ficamos sabendo que o único CAMPING da cidade, ficava junto à sensacional CACHOEIRA DA FUMAÇA, um monstro despencando em um lago enorme. E foi justamente lá que nos instalamos, um ambiente agradabilíssimo, mesmo porque, éramos os únicos turistas que por lá estava, em plena antevéspera de ano novo, um achado para cultivar a paz e o sossego, ter uma noite tranquila, para no dia seguinte, partirmos bem cedo para tentar subir o Pico.
O dia mal acabará de nascer e já deixamos o camping em direção ao Parque Estadual, que abre as 6 da manhã, mas tivemos um entrevero para conseguir subir a estradinha íngreme perto do nosso acampamento, culpa das chuvas de verão. Chegamos à portaria somente depois das 7 da manhã, um pouco tarde para as nossas pretensões.
No parque nos liberaram rapidamente, mas fomos obrigados a assinar um termo de responsabilidade por sermos liberados com tempo ruim. É possível seguir de carro por mais uns 3 km, mas depois de andarmos pouco mais de 1200 metros, o veículo empacou, simplesmente não conseguiu vencer o terreno extremamente liso e fomos obrigados a abandoná-lo a meio caminho de lugar nenhum, deixar jogado num recuo da estrada e nos pormos a caminhar mais cedo do que imaginávamos.
É uma estradinha muito gostosa para caminhar e mesmo com um chuvisco insistente, andamos a passos largos, com uma temperatura muito agradável. Passamos por cima de uma ponte, onde uma placa indica um desvio para uma cachoeirinha e 1500 metros depois , chegamos a entrada da cachoeira do Neném, mas passamos batidos, porque pretendíamos conhecer as quedas d’água na volta e uns 4,5 km desde a portaria, tropeçamos na placa que marca a saída para Cachoeira do Rio Vermelho, que em mais uns 40 minutos de caminhada poderá nos levar até ela, mas ignoramos e continuamos seguindo, passamos por uma porteira de arame e 500 metros à frente, uma trilha a esquerda corta caminho , passa por campos abertos e nos devolve novamente para a estrada, que é o último lugar onde se pode chegar com um 4 x 4 .
A estradinha ainda continua por mais uns 10 minutos, até que tropeçamos num casebre abandonado, que não tarda em desabar. É a última construção antes do cume, que pela placa de identificação, ainda está a quase 6 km de distância e ainda teremos que subir um desnível absurdo de mais de 800 metros. Ao lado do casebre há uma bica d’água, onde abastecemos nossos cantis, mas não é a última água disponível.
Agora o terreno vai empinar de vez, a vegetação de altitude vai surgindo lentamente, o Cerrado vai se mostrando, se transformando num jardim florido, cheio de cores e plantas deslumbrantes, num cenário incomparável. A paisagem vai se transformando, grandes formações rochosas começam a despontar para todos os lugares, o cenário e as vistas vão se alargando e cerca de uns 2 km após o casebre abandonado, demos de cara com a LAPA DO MORCEGO, uma espécie de gruta, onde uma mesinha e um banquinho nos convidam para sentar e descansar as pernas.
A nossa intenção, a priori, era fazer a travessia completa, ligando o Parque do Itambé até o Parque do Rio Preto, mas segundo o pessoas do Itambé, além de não estarem autorizando a passagem por causa do nível alto de alguns rios, que tem que ser cruzados, o acampamento no próprio Pico do Itambé está proibido até que se refaça o telhado do abrigo de montanha , já que não se pode mais acampar com barracas no topo.
A trilha abandona a gruta e segue pela direita, entra num corredor de pedras, onde o chão forrado de pedrinhas brancas dão um charme todo especial. São paredes dos dois lados e vamos passando meio que exprimidos até que a paisagem se abre como se tivéssemos adentrado em outro mundo, com formações rochosas de todos os formatos e e uma em especial nos chama atenção por parecer um grande caranguejo e é para lá que corremos, para exercitar a nossa capacidade em escalar grandes rochas e nos deleitarmos com o topo da formação inusitada.
No horizonte, do nosso lado esquerdo, uma ilha de pedra nos guia o caminho, enquanto do lado direito, um vale gigante nos faz tomarmos cuidado para não acabar escorregando para dentro dele, já que o terreno está muito encharcado.
As 10 horas da manhã, uma placa nos indica uma fonte de água. Eu havia lido que essa seria a última água disponível antes do cume, que ainda não está perto, mas só se for em tempos de muita seca, porque hoje, água não falta em nenhum lugar. Mas não se engane, não é só agua que vamos encontrar nesse córrego e sim um excelente lugar para molhar o corpo, em marmitas charmosas, com um terreno colorido, verdadeiras jacuzzis naturais, dignas de hotéis cinco estrelas. Prometemos nos enfiar nas piscinas naturais na volta do cume e partimos, voltando para a trilha principal.
Aos poucos, vamos deixando a ilha de pedra para trás e ao avançarmos, as vegetações de altitude vão se modificando e a temperatura também já começa a cair um pouco. Uma linha de postes ao longe nos indica que a direção seguida é boa, enquanto no chão, plantas carnívoras, as famosas droseras, vão se espalhando para todos os cantos. À nossa frente já é possível ver o espigão mestre que vai nos levar ao cume, mas quando encostamos nele é que nos damos conta de que um abismo gigante o separa do resto do mundo e uma ponte pênsil nos serve de passagem para cruzarmos para a outra dimensão.
Antes de cruzarmos a ponte, ficamos ali, parados, admirando os cânions e toda a paisagem ao redor, dando um tempo para um gole de água e imaginando como se cruzava aquela fenda sem essa passagem artificial.
Depois que a atravessamos, corremos para escalar uma formação que nos levavam direto para a beira do desfiladeiro e eu fiquei pensando como seria legal descer ao fundo dele e percorrê-lo por um tempo, mas não tínhamos corda para isso e muito menos tempo. Falando em tempo, a Julia quis ganhar um pouco e tomou à frente, mas como o nevoeiro baixou de vez, não conseguimos mais vê-la e comecei a me preocupar muito com ela. Ainda mais porque além do nevoeiro, a temperatura despencou radicalmente e as plaquinhas que marcavam o caminho, mal poderiam ser vistas.
Agora é rampa de pedra, que as vezes precisava ser escalaminhada quando definitivamente encostamos no paredão e tocamos para a esquerda, até que ele abrisse para nossa passagem e ganhássemos a GRANDE RAMPA FINAL. Alcançamos a Julia e juntos fomos ganhando terreno, nos valendo das inúmeras plaquinhas, aliás, essas marcações são uma grande tábua de salvação em dias nevoentos e esse é um trabalho do Parque Estadual que tem que ser aplaudido de pé e eu ainda não consigo entender como tem gente que tem raiva de marcação de trilha, sendo que elas podem salvar muita gente em dias de tempo ruim.
Há alguns minutos do cume, o tempo fechou completamente e a temperatura despencou de vez e quase não se enxergava um palmo à frente do nariz. Apressamos o passo, aumentamos o ritmo, cada qual tentando conquistar sua própria montanha, vivendo sua própria expectativa de cume, até que meio de supetão, batemos de frente com uma Pequena CRUZ sobre uma rocha mais elevada, marcando talvez o local exato, o ponto mais alto do grande PICO DO ITAMBÉ, 2052 metros no meio do Cerrado Mineiro, um gigante se levarmos em conta as baixas altitudes das terras ao redor.
É um cume irregular, com vegetações de altitudes bem características e bem perto do topo, um pequeno lago, que nesses tempos de chuvas intensas, está transbordando. Eu ouvi falar que não haveria água no cume ou que ela é difícil de ser encontrada, mas sinceramente não sei se é porque não se trata de uma água boa para o consumo ou se realmente na estação mais seca ela some de vez, o certo é que nessa data, água tinha em abundância.
Se naquela pequena cruz seria geograficamente o cume do Itambé, uns 30 metros à frente é que está instalado o ABRIGO DE MONTANHA e as grandes ANTENAS DE COMUNICAÇÃO. Se ao mesmo tempo é um charme ter um grande abrigo para poder se instalar, por outro lado, não me agrada nem um pouco aqueles trambolhos de antenas, mesmo que isso seja necessário e sirva a toda comunidade local. Aliás, acho que já deu há muito tempo esse negócio de se instalar coisas nos cumes das montanhas, sejam lá antenas ou qualquer símbolo religioso.
O Abrigo é extremamente grande e caberia realmente vários grupos nele, mas hoje está em reforma, já que um raio andou destruindo as telhas e contém infiltração por todos os lados, mas para a gente, pouco importa, não iremos ficar mesmo. O dia já ia pela metade, então nos apressamos em almoçar rapidamente e como por incrível que pareça, no cume há sinal de wi-fi potente, talvez o único pico no pais a contar com essa tecnologia, aproveitamos para fazer um live e juntar parte dos amigos, já que era também o último dia do ano de 2021.
Alimentados, nos despedimos do cume e partimos com tudo, descendo a rampa de pedra quase correndo. A visão lá do cume deve ser soberba, mas não fomos agraciados com tempo bom, coisa que só aconteceu uns 200 metros abaixo dele, quando paramos para apreciar as largas vistas, mas está aí algo que pouco importa nessa montanha, porque certamente essa é daqueles em que o caminho é tão gratificante quanto ao cume. Antes de voltarmos para a ponte pênsil, encontramos um funcionário do parque que estava indo fazer algum reparo no cume. Trocamos meia dúzia de palavras e seguimos.
Antes da subida, questionei a Julia sobre ela subir com uma bota novinha e ela desconversou, disse que estava de boa, mas ao passarmos novamente perto do córrego, onde tecnicamente seria a última água disponível, começou a mancar e a reclamar de bolhas. Ali já vi que teríamos problemas e quando retornamos a gruta, a lapa dos Morcegos, paramos para fazer um curativo e aproveitamos para roubar um gole de café que o guarda parque havia deixado sobre a mesinha.
A Julia se arrastou até o casebre em ruínas e quando caímos novamente na estrada, já vi que a nossa intenção de visitar a Cachoeira do Rio Vermelho, havia ido por água abaixo. O carro do Parque passou por nós, a fim de ir buscar o funcionário que já voltava do Itambé e quando passou de volta, não nos furtamos em pedir uma carona, já que a Julia simplesmente sucumbiu às bolhas nos pés.
Os caras do parque foram muito gente fina com a gente e ao saberem que pretendíamos visitar algumas cachoeiras, mas que havíamos desistido, ao chegarem na bifurcação da Cachoeira do Neném, rumaram para lá para que a gente pudesse vê-la, porque a estrada se estendia até ela. Pouco depois das 4 da tarde, demos saída do Parque Estadual do Itambé, nossa missão havia sido cumprida.
Voltamos para o camping na Cachoeira da Fumaça e quando lá chegamos, o dia já se preparava para dar cabo de 2021 e para comemorar nossa ascensão, jantamos uma comida mineira ali mesmo no restaurante caseiro e fomos dormir e levantamos lá pela meia noite, bem a tempo de ....... voltar a dormir novamente, porque não estávamos a fim de outras comemorações, já nos bastavam as glórias daquele dia.
Vinte longos anos se passaram até que eu pudesse riscar essa montanha da minha lista. Aquele bebê de outrora, não mais existe e hoje, eu mesmo, antes um jovem na casa dos 30 anos, não passo de um senhor de meia idade, mas que ainda continua teimando em subir montanhas, talvez na intenção de passar a perna no tempo e pior ainda, é quando olhamos para o horizonte e fazemos novas promessas, de novas travessias, de novas caminhadas, porque enquanto ainda tivermos a capacidade de sonhar, ainda vamos tentando enganar, se não ao tempo, ao menos a nós mesmos.
Publicado em 24/03/202
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CIRCUITO W Sozinha – Torres Del Paine – Patagônia Chilena - Março 2022
Voltei para a Patagônia, mais uma vez solo, para completar o Circuito W, um sonho antigo que eu tinha e desejei muito ao longo dos últimos anos. É a minha segunda vez em Torres del Paine mas agora o objetivo era muito claro: completar o circuito W. Eu terminei ontem e ainda estou absorvendo toda a experiência. Vou começar a postar tudo no https://www.instagram.com/anavoando/
Eu fiz em 4 noites e 5 dias e o itinerário foi o seguinte:
Dia 01: ônibus de Puerto Natales até Pudeto, entrada do Parque Torres Del Paine através do Catamarã. Chega coladinho no camping Paine Grande por volta das 11h, mas eu andei até o Camping Grey, onde passei a primeira noite. 11km
Dia 02: De manhã deixei a mochila no camping e fui com uma mochila menor até dois mirantes, um do lado do Camping Grey e outro cerca de 2km afastados, mas com uma vista incrível. Vale muito a pena. Voltei até o Grey e por volta do meio dia saí com a mochila até Paine Grande, camping que dormi a segunda noite. 21km
Dia 03: O dia que eu mais temia! Saí as 08:30h e fui até o camping Italiano, que está fechado no momento, mas tem um guarda-parques lá e você pode deixar a mochila. Fiz a trilha de ataque até os miradores Francês e Britânico! WOW! Voltei pro Italiano 16:30h. Comecei a trilha Italiano – Cuernos as 16:55h (o limite de entrada era 17h!!!). Minha terceira noite foi no camping Cuernos! E que caaaaamping! Juro, vale a pena andar os 2km a mais e hospedar nele. Várias pessoas no caminho ficaram no Francês e reclamaram. Eu cheguei as 18:30h no Cuernos, depois de um dia caminhando por praticamente 10h, parei pouco durante todo o trajeto, só para comer e apreciar a vista nos miradores (mirantes). 26km
Dia 04: Tirei a manhã off depois dos 26km do dia anterior. Saí por volta do meio dia do Camping Cuernos em direção ao Chileno! Eu não esperava a subida que teve nesse trecho hahaha o cansaço acumulado no quarto dia com certeza ficou evidente. Cheguei as 17h no camping Chileno, que fica já na metade do caminho para a Base das Torres. 12km
Dia 05: As 05:30h eu saí em direção ao famoso mirante das Torres que dão nome ao parque. A grande surpresa com certeza ficou para o último dia: começou a nevar muuuuuito na subida. Muito mesmo! O objetivo era o nascer do sol, mas cheguei por volta as 08h na base das torres com a maior nevasca. As Torres estavam sumidas. Fiquei até umas 09:45h e nesse meio tempo elas apareceram e desapareceram! Lindonas! Gigantescas! Foi minha segunda vez nessa paisagem e com certeza fui surpreendida. Voltei super rápido para o Chileno e cheguei por volta as 11h no camping. Comi, descansei, me organizei e as 12h comecei o caminho em direção a saída do parque, pela Laguna Amarga. Peguei o ônibus as 14:30h, concluindo 90km caminhados em 5 dias! 17km
Foi uma conquista giganteeeeeee! Ainda mais sozinha! A trilha está muito movimentada, é bem demarcada, então é tranquilo. Eu nem acredito ainda e estou absorvendo tudo que vivi nesses dias de tantas paisagens incríveis. Por estar sozinha optei por comprar todo o camping montado + todas as refeições inclusas e gastei os seguintes valores:
INFORMAÇÕES GERAIS:
- Voo SP – Punta Arenas - SP R$ 1.775,00
- Voo NVT – SP – NVT R$ 265
- Camping Grey e Paine Grande (Vertice) – USD 198 – R$ 1.206,08
Estavam inclusos nesse valor: barraca montada, isolante térmico, jantar e café da manhã no Grey. No Paine Grande tive incluso também um box de almoço com sanduiches, barrinha de cereal e suco de caixinha.
O saco de dormir eu levei o meu de 0ºC.
- Camping Cuernos e Chileno (Fantastico Sur/Las Torres) – USD 300 – R$ 1.827,40
Estavam inclusos: barraca, isolante térmico, todas as refeições (café da manhã, box de almoço e jantar).
Eu decidi ir e comprei todas as coisas acima em 17 e 18/01/2022.
- Entrada Parque Nacional Torres del Paine (comprei on-line) – USD 49 – R$ 290,08
- Ônibus Punta Arenas – Puerto Natales CLP 8000 (só ida) – R$ 50
- Ônibus Puerto Natales – Torres del Paine – CLP 12000 – R$ 75
- Catamarã Pudeto – Paine Grande – CLP 23000 - R$ 143,75
- Shuttle do Centro de Boas Vindas até onde os ônibus para Puerto Natales saem: CLP 3000 - R$ 18,75
Total dos gastos considerando só o Circuito W cerca de R$ 5.700,00.
Tem outras coisas que não considerei ainda, porque eu literalmente voltei ontem do Parque. Vou compartilhar TODOS os detalhes no meu Instagram: https://www.instagram.com/anavoando/
Qualquer coisa que precisem, estou a disposição para mais detalhes
* Voltei ontem e esse post futuramente será completado com mais informações.
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12 DIAS INTEIROS NA CHAPADA DOS VEADEIROS (2021) - RELATO RESUMIDO
Oi turma, tudo bem com vcs? Eu fiz algumas viagens durante a pandemia e acabei não fazendo o relato por aqui, tava meio desanimada! Mas como muita gente procura infos sobre a Chapada dos Veadeiros, vou deixar um resumo aqui de como foi a minha trip pra lá. Tb pq ela é disparada a minha viagem favorita no Brasil, rs!
Não vou colocar muitas fotos aqui, mas se quiser ver mais tenho destaques salvos no insta: @familia.mochileira
QUANDO? Viajamos pra Chapada em ABRIL de 2021, fim da baixa temporada. Pq baixa temporada? Pq no verão chove, e cachoeira com chuva não combina, sabemos. Lá eles levam bem a sério esse lance das chuvas e ao menor sinal de pingos várias atrações nem abrem. Algumas ficam permanentemente fechadas até o início da estação seca, que começa em maio.
Não pegamos nenhum dia de chuva forte, e pegamos as cachus com volumes absurdos de legais, deve ser uma visão bem diferente visitar tb na estação seca, um dia volto. A trilha da cachoeira do Dragão e a trilha longa dentro do Parque (travessia de dois dias), por exemplo, não estavam “funcionando” em abril, só a partir de maio.
COMO? Moro no interior do PR, os planos iniciais eram ir de avião até BSB, alugar carro lá e seguir. Mas com medo da pandemia, cancelamos as passagens e fomos de carro desde o PR mesmo. Ficamos 12 dias na Chapada, entre São Jorge e Alto Paraíso. Os planos originais incluíam Cavalcante, que cancelamos pq lá estava tudo fechado.
HOSPEDAGENS! Acabamos fazendo duas passagens em Alto Paraíso, pq nossa primeira hospedagem, em Cavalcante, acabamos cancelando conforme contei acima. A gente queria ficar em um lugar bem privativo (sem contato com pessoas) e que tivesse cozinha, pq não faríamos refeições fora (por causa da pandemia). Nossas escolhas foram todas do AIRBNB, vou deixa-las abaixo.
De 5 a 8 de abril ficamos na casa da Sandra. Adoramos. Ela é muito gente fina! Durante a noite a gente ficava na varanda da casa conversando e bebendo a distância. Tem várias casas no quintal.
https://www.airbnb.com.br/rooms/24808714
De 8 a 13 de abril ficamos na Vila de São Jorge, na casa do Emir. A casa era o piso superior da casa dele, com entrada separada. Bem funcional, e o Emir foi super atencioso.
https://www.airbnb.com.br/rooms/16404869?guests=1&adults=1
De 13 a 17 de abril ficamos na casa do Nadav, adoramos! A casa é perto da Loquinhas, mas fica na zona rural, então só recomendo pra quem está de carro. O Nadav é israelense mas foi daqueles que veio visitar, se apaixonou e ficou. Ele acabou passando pela propriedade algumas vezes pq o quintal estava parcialmente em obras. Ele sempre avisava quando ia (pedia permissão) e em algumas destas ocasiões trocamos ideia! A casa é um arraso.
https://www.airbnb.com.br/rooms/24957551?guests=1&adults=1
ROTEIRO COMENTADO: Fizemos 8 dias de rolês sozinhos com nosso carro e 4 dias com guia e carro 4x4. Vou falar sobre cada um deles a seguir e depois sobre o guia. As trilhas que fizemos guiadas vou indicar, a que não tiver essa informação é pq fizemos sozinhos.
CONTINUA.
- 16 respostas
Norte da Argentina - De carro - 10 dias (Dez/2021)
Olá mochileiros!
Apesar de frequentar o fórum a bastante tempo, esse será o meu primeiro relato. Essa viagem foi sensacional e como tem quase dois anos dos últimos relatos relacionados a esse destino, achei que seria legal compartilhar algumas coisas. Sou pisciana, nem tudo estará muito detalhado, pois muitas coisas esqueci de anotar, mas esse destino não tem erro, há muitos relatos e informações disponíveis aqui no fórum mesmo.
Apesar de frequentar o fórum a bastante tempo, esse será o meu primeiro relato. Essa viagem foi sensacional e como tem quase dois anos dos últimos relatos relacionados a esse destino, achei que seria legal compartilhar algumas coisas. Sou pisciana, nem tudo estará muito detalhado, pois muitas coisas esqueci de anotar, mas esse destino não tem erro, há muitos relatos e informações disponíveis aqui no fórum mesmo.
- 40 respostas
Escolhido por Silnei
Norte da Argentina - De carro - 10 dias (Dez/2021)
Olá mochileiros!
Apesar de frequentar o fórum a bastante tempo, esse será o meu primeiro relato. Essa viagem foi sensacional e como tem quase dois anos dos últimos relatos relacionados a esse destino, achei que seria legal compartilhar algumas coisas. Sou pisciana, nem tudo estará muito detalhado, pois muitas coisas esqueci de anotar, mas esse destino não tem erro, há muitos relatos e informações disponíveis aqui no fórum mesmo.
Espero contribuir e inspirar outros viajantes, assim como muitos relatos daqui me inspiram (a lista de lugares para viajar nunca termina 😍).
Para quem se interessar e quiser um roteiro parecido, esse tópico é super útil https://www.mochileiros.com/topic/86693-bora-pro-atacama-de-carro-compila%C3%A7%C3%A3o-de-leitura/ e vai fazer você querer ir amanhã mesmo.
Bom, a viagem teve início no dia 23/12/2021 e terminou dia 1º/01/2022. Foram 9 dias na estrada. Eu, meu marido e uma Pajero TR4. Até o momento de fazer o PCR, estava na dúvida, se seria certo fazer essa viagem (por conta da pandemia), me questionei até o último minuto, mas no fim deu tudo certo e agora estou em paz com essa decisão, pois a viagem foi incrível.
Quanto aos gastos, ao final do relato vou deixar um panorama geral dos valores em hospedagens, gasolina, pedágios, alimentação e ingressos. Não anotei tudo detalhadamente, mas acredito que é possível ter uma noção.
Resumidamente, o roteiro foi o seguinte:
DIA 1 - Joinville/SC > Dionísio Cerqueira
DIA 2 - Resistencia
DIA 3 - Salta
DIA 4 - Tilcara e Humahuaca
DIA 5 - Tilcara
DIA 6 - Cafayate
DIA 7 - Cachi e Salta
DIA 8 - Resistencia
DIA 9 - Dionísio Cerqueira > Joinville/SC
O roteiro foi um pouco apertado e faltou ver muita coisa, porém foi o que deu para fazer com o tempo e recursos que tínhamos disponível.
Documentos gerais para ingresso na Argentina:
Passaporte ou Carteira de Identidade (em bom estado de conservação e expedido < 10 anos - não é aceito CNH) - se tiver passaporte acho mais prático, não precisa preencher nada na hora;
Seguro Carta Verde para o veículo;
CNH
Na dúvida, consulte os documentos necessários aqui https://www.argentina.gob.ar/interior/migraciones/entrada-y-salida-del-pais ou no site do consulado.
Equipamentos obrigatórios para o veículo:
2 triângulos
Extintor
Levamos também um cambão, apesar de não ser um item “obrigatório”, é um item mencionado em diversos relatos e como um amigo nos emprestou, decidimos levar para garantir (porém, em nenhum momento nos foi solicitado ou foi necessário utilizar)
O seguro carta verde foi exigido apenas na aduana. Ao longo do caminho fomos parados umas 5 vezes pela polícia e em todas, os policiais foram cordiais, perguntavam de onde éramos, para onde iríamos e só. Na saída de Tilcara, no dia 28/12, o policial pediu nossos passaportes e em uma outra parada pediram verificar o porta-malas (mas não revistaram nada).
IMPORTANTE: Documentos necessários ingressar na Argentina (em Dezembro/2021 - COVID)
Comprovante de vacinação (com a 2ª dose em até 14 dias antes do ingresso) - Eu tinha salvo o comprovante do Conecte SUS (antes do sistema ficar fora do ar), porém meu marido levou o comprovante normal que ele recebeu no dia da aplicação da vacina e foi aceito sem problemas.
RT-PCR Negativo (72 horas antes do ingresso) - Fiquei com bastante dúvida se o exame poderia ser aquele rápido de sangue feito na farmácia ou SWAB, no site do governo Argentino não está claro, porém na dúvida, acabei optando pelo SWAB Nasal feito em laboratório, para não ter problemas.
Seguro Saúde com cobertura para COVID - Fiz o seguro saúde com cobertura para COVID, porém em nenhum momento foi solicitada apresentação, porém, no preenchimento da DDJJ, é necessário inserir o arquivo com o seguro e o resultado do teste.
Declaração jurada preenchida online até 48h antes do ingresso (disponível em https://ddjj.migraciones.gob.ar/app/home.php) - É uma declaração básica, você preenche seus dados, informações da vacina, etc. É importante preencher com calma e bastante atenção, pois são duas etapas. Na primeira etapa você preenche seu nome, passaporte, endereço e conclui. Depois é encaminhado para o e-mail um link para a segunda etapa, onde são preenchidas informações sobre a vacina e COVID (sintomas, etc) e depois de salvar, é encaminhado para o e-mail um PDF com a declaração preenchida. Quando fui preencher a declaração do meu marido, na hora de salvar a 2ª etapa, as informações da vacina não foram gravadas e foi emitida a declaração com restrição, informando que seria necessário realizar a quarentena de 14 dias, entrei em pânico kkk mas tentei emitir uma outra declaração e foi possível anular a que saiu com a restrição.
Para informações atualizadas sobre o COVID, consulte o site https://www.argentina.gob.ar/interior/migraciones/ddjj-migraciones
IMIGRAÇÃO
Ao lado da aduana (Bernardo Irigoyen/AR) existe um espaço onde você apresenta o comprovante de vacinação e o resultado PCR. A atendente conferiu as informações do passaporte, PCR e vacina e entregou um papel preenchido informando o resultado do PCR e a vacina.
No mais, procedimento normal da imigração, apresentamos nossos passaportes e o seguro carta verde. O agente conferiu nossos documentos, e perguntou para onde iríamos, quantos dias.
A declaração jurada apareceu no sistema da imigração automaticamente.
Importante, é necessário preencher a declaração na saída também.
DINHEIRO
Trocamos uma parte com os cambistas, na fronteira de Dionísio Cerqueira com Bernardo Irigoyen. No hotel em Dionísio, nos informaram que as casas de câmbio da cidade fecharam por conta da pandemia e a única maneira de realizaro câmbio era com os cambistas. Sempre tento ser o mais correta possível, ainda mais viajando, então confesso que me senti um pouco mafiosa trocando dinheiro na rua com os cambistas, mas deu tudo certo. A cotação foi R$1 = AR$ 31,50.
Na volta, trocamos dinheiro em Salta, pois a maioria dos pesos que tínhamos foram gastos com vinhos em Cafayate. No hotel em que estávamos nos indicaram a Plaza 9 de Julio, como era de manhã cedo, as casas de câmbio ainda estavam fechadas, então decidimos perguntar em uma agência de turismo e o atendente informou que o câmbio oficial estava horrível e o melhor mesmo era trocar os cambistas. Assim, lá foi a mafiosa novamente trocar dinheiro na rua A cotação em Salta foi R$1 = AR$ 30 (o oficial era AR$21).
HOSPEDAGENS
Todas as reservas foram feitas com antecedência pelo Booking. Como a cotação está favorável para nós, compensa pagar em pesos.
Dionísio Cerqueira/SC - Hotel Iguaçu - R$210
Hotel simples, com garagem e café da manhã, a poucos metros da aduana (se chegar no final do dia, é possível atravessar a fronteira a pé, adiantar o câmbio, comprar uns alfajores e desodorante nívea baratinho). Nos hospedamos no retorno também.
Resistencia - Gala Hotel y Convenciones - AR$ 5500 ~ R$ 175
Hotel de rico, tinha até cassino, mas dentre as opções para o período, foi um ótimo custo-benefício, pois o hotel está localizado no acesso a cidade e para a pernoite foi ótimo. O café da manhã era muito bom (para os padrões argentinos). Nos hospedamos no retorno também.
Salta - Plaza Hostel - R$90 (quarto privativo)
No Booking e no Google o local está bem avaliado, porém não tive uma boa experiência e não recomendo.
Tilcara - Capec Alojamiento - 2 diárias - AR$7800 ~ R$ 250 (quarto privativo)
Hostel excelente, ganhou meu coração. Se um dia retornar a Tilcara, certamente me hospedarei lá. Ambiente super tranquilo, localizado na rua principal, com estacionamento amplo e seguro, café da manhã simples, porém super gostoso, roupas de cama bem cuidadas e limpas. Queria morar ali. O local também funciona como um espaço cultural e possui diversas atividades, como cinema, palestras, etc
Cafayate - Hostel Cielito Lindo - AR$3200 ~ R$ 102 (quarto privativo)
Hostel limpinho e organizado, como chegamos já no final do dia e saímos cedo no dia seguinte, foi só pernoite mesmo, o pessoal do staff era bem atencioso. Fica a poucos metros da praça principal e é possível estacionar na rua em frente ao hostel. Café da manhã ok.
Salta - Ref - Aparts & Habs - R$218
É um apart-hotel simples, mas bem organizado, limpo, com estacionamento coberto e seguro. Café da manhã ok, servido no quarto. Quando chegamos em Salta, percebemos que nossos pesos estavam acabando, como não tínhamos certeza se conseguiríamos fazer o câmbio no dia seguinte, acabei pagando com cartão de crédito, mas em pesos o valor da diária seria menor.
Bom, feito alguns esclarecimentos vamos ao relato.
- 40 respostas
Conhecendo o México (8 cidades em 29 dias) - Relatos diários com GASTOS, DICAS, ALIMENTAÇÃO etc
Eaí, pessoal! Meu melhor amigo e eu concluímos o trecho colombiano da viagem semana passada e agora estamos no México.
Estamos postando tudo em nosso blog (www.brotherspelomundo.wordpress.com) e em nosso Canal no YouTube.
Iniciamos nossa viagem pelo México por Cancun e iremos finalizar na Cidade do México.
Irei compartilhar aqui nossos posts diários com todas nossas dicas, impressões e valores.
Dessa forma, vocês conseguirão nos acompanhar em tempo real e poderão fazer perguntas que poderemos responder estando ainda no México.
Bora lá:
21/12, vigésimo-terceiro dia de viagem. Primeiro dia em Cancun.
Post extraído de: https://brotherspelomundo.wordpress.com/2021/12/22/chegamos-no-mexico/
Ficamos no aeroporto de Bogotá das 21h até o horário do nosso voo, às 6 da manhã.
2 horas mais tarde, chegamos ao Panamá para uma escala de 2 horas.
Aeroporto organizado e chamado de “hub das Americas”. E, de fato, há voos partindo de lá para todos os cantos das Americas.
Embarcamos para Cancun às 10h.
Voo tranquilo! No primeiro voo não foi servido nada – nem água – por se tratar de um voo de menos de 2h de duração.
Já nesse, a Copa Airlines ofereceu agua/suco/refrigerante junto a snacks (doce e salgado).
A aeromoça distribuiu formulários de imigração e de aduana a todos abordo. Necessário preenche-los antes do pouso (o formulário de imigração é o mesmo que já havíamos preenchido e impresso, então não precisamos preencher novamente).
Minutos antes do avião aterrissar, conseguimos ter uma incrível visão da praia de Cancun!
Aterrissamos em Cancun 20 minutos antes do previsto (às 12:30), o que fez com que o aeroporto não tivesse funcionários disponíveis para atender ao voo.
Resultado: ficamos 40 minutos aguardando!
Quando o avião pôde finalmente taxiar já eram 13:15.
Ok. Fomos para a fila de imigração.
Muitos relatos na internet alertam para o quanto a imigração mexicana é exigente. Exatamente por isso levamos absolutamente TUDO que tinhamos impresso! Tudo! Passagens de saída do Mexico, comprovantes se hospedagem de todos os dias no país, comprovante de dinheiro para gastar etc.
Quando chegou nossa vez, a oficial nos pediu os comprovantes de hospedagem para todos nossos dias. Mostramos todos! Dissemos que vamos ficar 29 dias aqui e ela olhou um por um. Ela pediu o passaporte com o visto americano (!!!) e, ao ver o visto, liberou! Isso demonstrou para nós que, de fato, há uma pressão grande por parte dos Estados Unidos para o Mexico barrar qualquer suspeita de imigração ilegal ao seu país vizinho.
Beleza, liberados!
Fomos pegar nossas malas e, após, comprar passagem de ônibus do aeroporto ao centro de Cancun.
Pagamos 98 pesos para o centro! (Já tinhamos a moeda local, pois o Helder trocou em Bogotá alguns pesos).
O ônibus partiria dali 25 minutos.
Foi o tempo de chegarmos à plataforma (do lado de fora do aeroporto) e aguardamos.
Em menos de meia hora chegamos ao centro de Cancun.
Fomos procurar nosso hotel!
Foi difícil encontrar, pois as ruas foram recentemente renumeradas, então muita coisa estava sem número ou com número errado.
Encontramos um austríaco sem conseguir encontrar seu hotel também.
Então Luan tirou sua mochila das costas e foi procurar nas ruas paralelas. Helder ficou aguardando.
5 minutos depois, Luan voltou dizendo “achei! É ali!”.
E fomos!
Excelente recepção no hotel.
Hotel muito bom mesmo.
Tomamos um banho e, então, fomos procurar algum lugar para almoçar.
Helder comeu uma omelete e Luan um prato que continha frango assado.
Na frente do restaurante estava escrito que o prato do Luan seria 50 pesos. O garçom cobrou 60. Mas não pagamos. Deixamos na mesa o valor de 50 mesmo. E fim de papo hehe
Demos uma volta ao redor do hotel, mas não encontramos nada de muito interessante.
Helder não está se sentindo muito bem (sinusite atacou), então umas 19:30 foi dormir.
Luan dormiu às 21h.
Gasto: 158 pesos + hospedagem (200 pesos) = 358 pesos mexicanos (aprox. 18 dólares // 105 reais).
- 44 respostas
15 dias por Quintana Roo e Yucatán com fotos e gastos (Cancun, Holbox, Valladolid, Tulum, Playa)
Mais de 2 anos sem férias internacionais graças ao Coronga, cá estou para contar como foi nossa viagem!
Passagens aéreas: voamos pela Avianca, com o crédito de uma passagem de 2020 que tínhamos para o Peru. Com a Avianca Peru deixou de existir durante a pandemia, escolhemos o México como destino das férias e pagamos a diferença de valor. O serviço de bordo foi péssimo nos 4 vôos que pegamos com eles e, pelo preço pago ao todo, achamos muito inferior ao que deveria ser.
MOEDA: trocamos pesos mexicanos aqui no Brasil mesmo, para evitar a perda de trocar real -> dólar -> peso mexicano. A cotação do dia que trocamos foi 1 real = 32 pesos mexicanos, levando um total de MXN 25500 + 500 dólares de segurança (já tínhamos dólares de viagem anterior).
Essa não foi uma viagem luxuosa, foi com mochilão nas costas, sem resorts e hotéis de luxo, mas com lugares incríveis que eu voltaria mil vezes! O roteiro foi todo montado por mim, só pesquisando e lendo muitos relatos e blogs de viagem. As reservas de acomodações foram feitas pelo site Booking.com
Considerações:
1. Não jantamos todos os dias. Muitas vezes comemos um salgadinho ou beliscamos alguma besteira, principalmente nos dias em que almoçamos mais tarde. Achamos a alimentação no México, de maneira geral e comparando com o nosso padrão em São Paulo, cara. Reservamos aproximadamente 500 pesos por dia (~R$160, ou seja, 40 reais por refeição por pessoa) para o almoço e jantar, para duas pessoas e muitas vezes ultrapassamos esse valor.
2. Não alugamos carro, parte pelo receio da polícia mexicana corrupta, parte porque, pelas minhas pesquisas, mesmo com tantos deslocamentos de ônibus para duas pessoas, ainda assim sairia mais barato que alugar um carro + combustível + pedágios. Tive a impressão de que as estradas são boas, mas vimos muitos pedágios, então é um ponto a ser considerado para quem pensa em alugar carro.
3. Lojas de conveniência: Oxxo, 7eleven, Circle K, e outras estão espalhadas por todos os cantos do país! É extremamente fácil encontrar essas conveniências, o que é excelente para os turistas.
08/12 Partida de São Paulo:
Já no check-in da Avianca pediram o QR code do Vuela e no momento do embarque também em São Paulo também. Fizemos uma escala rápida em Bogotá, e nesse vôo preenchemos o formulário da aduana no avião e quando desembarcamos, descobrimos uma fila enorme para preencher o formulário de imigração (nem sabia que tinham dois). A agente federal nos perguntou quantos dias ficaríamos, motivo da viagem, reserva dos hotéis impressas, cidades em que íamos passar, profissão de cada um, valor em dinheiro que trouxemos e se tínhamos cartão de crédito (pediu para vê-los também). A passagem de volta estava impressa e em cima da minha pasta no balcão. Quando a oficial viu o que era, pegou para conferir os dados. Depois de tudo isso e com o coração quase saindo pela boca, fomos liberados! 🎉
Saímos do aeroporto em Cancun quase meio-dia e lá dentro mesmo compramos passagens da empresa de ônibus ADO para o centro da cidade. O ônibus demorou menos de 20min para chegar e mais uns 20min até o terminal no centro da cidade, que era bem próximo ao nosso hotel, fomos andando.
Deixamos as mochilas no hotel, passeamos pelo turístico Mercado 28, fomos até um mercado Chedraui e no Walmart (comprar o café da manhã e água). Voltamos e descansamos.
Hospedagem: Hotel Suites Gaby: bem localizado no centro, praticamente em frente ao mercado 28. Ar condicionado excelente, várias redes de wifi. Ponto negativo é não ter café da manhã incluído. MXN1114 por duas diárias.
Gastos do dia: ADO aeroporto-centro: 2x de MXN98
Almoço em restaurante buffet local com suco: 2x de MXN90
Hotel - duas diárias: MXN1114
Walmart: MXN155
09/12: Isla Mujeres
Bem em frente o nosso hotel, pegamos um ônibus municipal para Puerto Juarez, um dos locais de onde saem o ferry para Isla Mujeres. Lá, ficamos basicamente na Playa Norte, andando para a direita até o final, onde se encontra o resort Mia Reef. É uma praia linda, sem ondas e não muito cheia como a Playa do Centro.
Nossa ideia era alugar uma moto depois do almoço para conhecer as praias do sul, mas gostamos tanto dessa praia que acabamos voltando para ela.
O almoço foi em um restaurante chamado Fredos, que fica na rua principal, onde se localiza a maior parte do comércio. Gostoso e preço ok!
Pegamos o ferry de volta para Cancun por volta das 16h. Depois de passar no hotel, fomos andar no Mercado 28 e foi lá que encontramos a refeição mais gostosa de toda a viagem e provavelmente mais barata também. Se estiver no seu roteiro passar pelo Mercado, fica a dica: almoce ou jante na praça de alimentação de lá.
Gastos do dia: Ônibus do hotel para Puerto Juarez: R6 2x MXN9.5
Ferry (pegamos uma promoção para usar também para Cozumel): MXN1951
Ônibus do porto para o hotel: 2x MXN9.50
Almoço Fredo: MXN220 c/gorjeta
Duas bolas sorvete em Isla Mujeres: 2x MXN40
Souvenir Mercado 28: 5 chaveiros + imã MXN130
Jantar no Mercado 28: (2 pratos, um copo de suco e entrada de Nachos) MXN215
Ferry da Ultramar
Playa norte (foto tirada com Gopro Hero 9 e Dome - Sem filtro)
Leve seu snorkel! Perto da ponte de madeira do Mia tem muitos peixinhos!
Nosso almoço
10/12: Cancun - Isla Holbox
Sabe aquele lugar que você vê as fotos e pensa que é sonho? Pois assim eu me sentia mesmo sem conhecer Holbox. É uma ilha pequena, roots e com europeus aos montes (principalmente franceses), mas com muitas opções gastronômicas de hospedagem.
Comprei a passagem de ônibus (ADO) de Cancun até Chiquilla (de onde parte o ferry para a ilha) pelo site Busbud mais de 1 mês antes da viagem, visto que são só dois horários por dia e dezembro é alta temporada.
O terminal onde param os ônibus é bem perto do porto onde saem os ferrys e dentro do próprio ônibus da ADO, vai um funcionário vendendo o ticket do ferry, assim você evita pegar fila quando chega lá.
A travessia dura uns 20min e na hora do almoço chegamos no paraíso! Nosso hostel ficava a menos de 5min andando do ferry, e como a ilha não tem carros, a opção lá é andar ou chamar um táxi que são como carrinhos de golfe.
Durante a tarde conhecemos a praia do centro, que é bem extensa e muito bonita! O mar é calmo, tem bancos de área para todo lado, então é raso e ficamos por lá até não querer mais.
Site com informações da ilha, horários de ferry, dos ônibus, passeios e tudo mais: https://the.holboxeno.com/
Hospedagem: Mapache Hostel & Camping: ficamos no que eles chamam de Tipi: como uma cabana de madeira com teto de palha. Quente, porém com um espaço bom e ventilar no teto, além de mosquiteiro em volta da cama, com banheiro compartilhado. Café da manhã simples incluso. MXN1900 por duas diárias.
Gastos do dia: Ônibus Cancun-Chiquilla: R$199,46 (cobrado no cartão de crédito, para duas pessoas)
Ferry Chiquilla-Holbox-Chiquilla: 2x MXN440
Almoço: 2 pratos+ 1suco MXN305
Mercadinho (água, salgadinho e biscoito): MXN77
Coca e Água na praia: MXN70
Porto de Chiquillá
Nossa tipi do Mapache Hostel
Estrela-do-mar (não parece, mas ela estava dentro da água super cristalina)
Ruas de Holbox à noite ❤️
Tentativa de foto de céu noturno com o celular (muita iluminação próxima)
11/12: Isla Holbox
Acordamos cedo e partimos para Punta Mosquitos, extremo norte da ilha, onde você caminha por quase 2horas em um banco de areia no meio do mar, até chegar em uma reserva natural com muitas aves e flamingos. Nos mapas offline que eu tinha, Punta Mosquitos aparece como além dessa reserva mais uns 4km, mas após muito andar e passar da reserva (apesar das placas avisando que não poderia), fomos chamados com apitos pelo segurança da área. Veja bem, estávamos andando pelo banco de areia, no meio do mar, há uns 200 metros da costa/praia, então achamos que não teria problema, afinal, as aves estavam longe de nós, mas levamos uma bronca (e ainda bem que foi só isso) e fomos informados de que é proibida a passagem além daquela área.
Li muitos relatos na internet de pessoas que foram até Punta Mosquitos, mas nenhum dizia sobre abordagem de seguranças, então... Engoli minha frustração e voltamos os 3km percorridos. É uma caminhada linda, porém cansativa! Entramos no banco de areia bem próximo ao último beach club que tem na praia do centro e em alguns lugares a água chegava praticamente na cintura, então o esforço de caminhar com as pernas dentro da água é grande, mas valeu a pena. Vimos estrelas-do-mar pequenininhas dentro da água e até arraias (medo!) além das aves da reserva de Punta Mosquito.
Quando chegamos no centro de novo, já era praticamente hora do almoço. Comemos e partimos para o outro extremo da ilha: Punta Cocos. Fomos caminhando pela praia, demoramos mais de 1h para chegar lá (aproximadamente 3,5km). A praia é bem bonita, mas como fica mais perto de uma área de mangue, a água é menos cristalina. Muitas pessoas vão até lá para apreciar o pôr-do-sol e durante a madrugada para ver o fenômeno de bioluminescência (não fizemos nenhum dos dois).
Leve repelente, porque a mata bem próxima à praia traz muitos mosquitos para a areia.
Gostaria de ter feito o passeio de caiaque até Punta Cocos para ver a bioluminescência mas, além de ser caro (~1000 pesos por pessoa), a lua influencia na claridade e torna mais difícil de ver o efeito. Na época em que estávamos lá, se não me engano, era lua nova e as agências esperavam até praticamente a lua sumir e o sol começar a nascer para sair, por volta das 4h da madrugada, então deixamos para lá...
Gastos do dia: Almoço: 2 pratos+ 1coca MXN267
Mercadinho: Água, salgadinho e coca MXN68
Mercadinho de novo: Água e coca $40
Caminhando em direção ao norte
Enorme banco de areia a caminho de Punta Mosquitos e a distância da praia
Aviso bem próximo à reserva de Punta Mosquitos. Dessa área em diante a passagem é proibida, mesmo contornando as bóias à esquerda
Praia de Punta Cocos
12/12: Isla Holbox - Valladolid
Nosso último dia na ilha, fizemos o checkout do hostel cedo, deixamos nossas bagagens lá e fomos curtir a praia do centro, indo no sentido norte, para Punta Mosquitos.
Como chegamos cedo, conseguimos tirar fotos lindas, sem ninguém na praia, em um banco de areia só para nós.
Almoçamos, andamos pelo centrinho e fomos para o hostel pegar nossas bagagens e ir para o ferry. Pegamos o ônibus ADO em Chiquilla às 16:45, destino Valladolid, onde chegamos às 18h (-1h de fuso horário).
Nosso hostel estava há 10min andando do terminal fica bem próximo da praça principal da cidade e chegamos no dia de Santa Guadalupe, então toda a cidade estava em festa e uma procissão estava acontecendo. Como fomos informados depois, a cidade é bem religiosa e essas comemorações são muito importante para eles.
Deixamos a bagagem no hostel e fomos até o Scooterent Valladolid (https://scootervalladolid.com/), bem próximo do hostel, alugar nossa moto para o dia seguinte. O funcionário Jesus foi muito simpático e me mandou no whatsapp muitos links, informações e mapas da cidade, além de se colocar à diposição para tirar nossas dúvidas mesmo em relação à turismo.
Quanto à moto: recomendo alugar se você já tiver alguma experiência com isso. Acontecem muitos acidentes no México com turistas que resolvem pegar uma scooter pela primeira vez e acabam se dando mal... Pagamos 600 pesos pelo aluguel de 24h com 2 capacetes, além de um depósito de segurança de 1000 pesos + retenção do meu passaporte. A scooter é de uma marca bem conhecida lá, chamada Italika. É uma 49cc, ou seja, não anda nada, mas com paciência e perseverança se chega ao longe! kkkk
Ele nos instruiu a andar sempre em menos de 50km/h para não ter problema de aquecimento ou na corrente da moto que costuma escapar, andar sempre pelo lado direito da estrada, dando passagem aos motoristas (que achei mais doidos que os paulistas no volante) de carros e ônibus.
Jantamos no Domino's próximo à praça principal e nos encantamos com a cidade de Valladolid à noite, toda enfeitada com luzes de Natal!
Hospedagem: Hostal Gayser: MXN500 por duas diárias em quarto duplo com banheiro compartilhado, sem café da manhã.
Gastos do dia: Almoço: 2 pratos + 1suco MXN305
Mercado: chocolate + Água MXN61
Ônibus Chiquilla-Valladolid: R$151 (debitado do cartão de crédito, comprado pelo site Busbud antes do início da viagem)
Jantar: Pizza grande Domino's+ 1coca MXN189
Aluguel scooter para 24h: MXN600
Água bem verdinha, mas não tão transparente como Isla Mujeres
Fotos num pequeno banco de areia na praia central, mais ao norte. Estava bem cedo e o sol ainda não batia na água.
Arte na praça prinicipal da ilha
Letreiro de Holbox bem na praia central
Moto que apelidos de La Tortuguita
Igreja bem na praça principal de Valladolid
13/12: Chichen Itzá
Possivelmente o dia em que mais gastamos na viagem, porém possivelmente o mais incrível.
Chichen Itzá é uma das ruínas maias mais conhecidas e visitadas do México e recebe milhares de turistas, principalmente em excursões, saindo de Tulum, por isso, a nossa ideia era chegar bem cedo e assim fizemos. Depois de 1h15min para percorrer o trajeto de quase 40km entre Valladolid e Chichen Itzá, às 9h já estávamos na entrada, onde compramos os tickets e fomos abordados por um guia em espanhol que ofereceu seus serviços por 100 pesos por pessoa, com duração aproximada de 20min de explicações. Aceitamos e nos encontramos com outras pessoas que ele juntou. Os 20min de guia se tornaram 1h (e que bom, porque tem história demais naquele lugar) e ainda bem que fechamos com o guia, porque não é o mesmo ver tudo ali sem entender como foi feito, como vivia o povo dali e qual era o objetivo de cada construção ou detalhe.
Depois desse período, ficamos andando livremente por lá. Passamos pelo cenote sagrado e fomos na direção oposta para ver o observatório/planetário.
Havia lido relatos e mais relatos dizendo que as lembrancinhas lá eram mais baratas que no Walmart, porém não achamos barato assim. São muitos vendedores lá dentro com suas bancas, eles abordam mesmo e fazem de tudo para que você gaste e conosco deu certo! kkk A maioria já aceita cartão de crédito ou débito com uma pequena taxa para a administradora da máquina.
Saímos de Chichen Itzá por volta das 11h e o parque já era uma multidão de gente sem fim! A fila da bilheteria estava enorme e as fotos lindas e vazias que tiramos cedo, nesse horário seriam impossíveis. Mantra para a vida: acordar cedo é fugir de multidões!
Menos de 15min depois, fomos ao mais conhecido cenote da região: Ik Kil, super perto de Chichen Itzá e parada de muitas excursões de ônibus. Como a maioria ainda estava chegando em Chichen Itzá nesse horário, ainda conseguimos pegar o cenote relativamente vazio. A entrada custa 150 pesos por pessoa e inclui vestiário, jaleco salva-vidas obrigatório e locker. Existe um outro tipo de ingresso que contempla tudo isso + o almoço e, se não engano, custa uns 300-350 pesos por pessoa.
Esse foi nosso primeiro cenote da vida e que experiência incrível! Entendi logo de cara porque os cenotes eram considerados sagrados pelos maias e ficamos ali contemplando e de molho na água por aproximadamente 1h, quando começou a chegar muito mais gente e decidimos voltar.
Foram mais 1h15min mais ou menos até chegar na cidade, por volta das 14:30-15h, então devolvemos a moto (que tínhamos pago até às 19h) e fomos tomar banho, almoçar e andar no centro da cidade. Jesus nos devolveu os 1000 pesos de caução e meu passaporte.
Gastos do dia:
Estacionamento Chichen Itzá (mesmo preço para moto ou carro): $80
Baguete de pão: $55
Entrada em Chichen Itzá: 2x $533
Guia: 2x $100
Água+ refri dentro das ruínas: $100
Souvenir: Pulseira obsidiana + imã $380
Souvenir: Pratinho + pulseira $500
Souvenir: Pingente de aventurina $180
Souvenir: Dominó de pedra $600
Cenote Ik Kil: 2x $150
Almoço no mercado municipal: 2pratos+ 1suco $205
Mercado: água, chocolates, ovos, pão $135 + café $18.50
Observatório
Cenote sagrado de Chichen Itzá, onde as oferendas eram jogadas
Cenote Ik Kil
14/12: Valladolid - Tulum
No roteiro original, nesse dia nós iríamos alugar uma bicicleta e visitar mais cenotes da região, sendo eles o Zaci, que fica bem no centro da cidade e o X'keken e Samula. Descobrimos no dia anterior que o cenote Zaci estava fechado para manutenção e revitalização.
Acordei com um pouco de dor de cabeça e a ideia de andar uns 20km ao todo, de bicicleta, num sul de 30ºC não pareceu muito atrativa.
Ficamos andando um pouco no centro, conhecemos o letreiro da cidade, junto com o convento de San Bernardino.
Na praça principal fomos abordados por um funcionário da ADO, oferecendo um city tour de ônibus com duração de 1h por 80 pesos por pessoa e acabamos indo. Vimos uma parte da cidade que não tínhamos passado, mais outras 2 ou 3 igrejas que não tínhamos conhecido e um pouco da história da cidade através da gravação que fica tocando nos alto falantes do ônibus.
Almoçamos no mercado municipal da cidade e fomos para o hostel, porque nesse momento minha enxaqueca já tinha chego e eu precisava tomar remédio e descansar.
Às 15h partimos da rodoviária de Valladolid, mais uma vez com a empresa ADO para o nosso próximo destino: Tulum. Chegamos por volta das 17:30 e fomos caminhando 15min até nosso hotel da vez.
Hospedagem: Mimosa Tulum: R$500 por duas diárias em quarto duplo compartilhado, cobrados antecipadamente no meu cartão de crédito. Uma ressalva é que reservamos com café da manhã e chegando lá, descobrimos que desde 01/12 eles estavam cobrando o desjejum, mas com 50% de desconto para os hóspedes (palhaçada reservar um negócio e não encontrar aquilo que eu paguei né?). Tirando isso, infraestrutura maravilhosa, tem bar, tem piscina, tem aluguel de bike, muitos banheiros e peca um pouco no wifi que é bem instável. Não é na zona hoteleira de Tulum, mas é super perto de várias opções gastronômicas, agências de turismo e da avenida que te leva para a praia.
Gastos do dia:
Ônibus Valladolid-Tulum: R$83,60 (comprado no site BusBud, no dia anterior, pago no cartão de crédito)
Mercado: Água, gilette, chocolate $70
City tour by bus: 2x $80
Almoço comida chinesa: 2 pratos+ 1 Coca: $200
Letreiro da cidade em frente o convento de San Bernardino
Convento de San Bernardino
Ruas da cidade e fonte na praça principal
Mimosa Tulum
15/12: Tulum
Acordamos cedo, tomamos café da manhã no hotel mesmo (50% de desconto para hóspedes) e partimos para alugar uma bike. Ola Bike Tulum foi o local escolhido (já tinha pesquisado na internet antes) e nos cobrou 150 pesos por dia, por bicicleta + depósito de segurança de 1000 pesos por bicicleta (seria menos se deixássemos os passaportes, mas não estávamos com eles).
Sobre as bicicletas: infelizmente alugamos por 2 dias cada bike e nos arrependemos (o roteiro no dia seguinte era pedalar 50km). As bicicletas tinham cestinho, não tinham freio nas mãos (o freio delas é pedalando para trás) e eram bem velhas. Os bancos eram bem desconfortáveis e no mesmo dia, tanto eu como meu marido, já estávamos com todos os ossinhos da bunda doloridos.
Pedalamos uns 4km até as ruínas de Tulum, onde já tínhamos ideia do que encontraríamos pois pagamos o guia em Chichen Itzá. Essas são menos "vistosas" aos olhos depois de conhecer Chichen, mas não deixam de serem lindas e estarem na beira da praia, que por sinal estava com acesso fechado, em época de desova de tartarugas.
As ruínas de Tulum também contam com guia, disponíveis na entrada, mas não sei quanto eles cobram.
Após 1h-1h30 mais ou menos, saímos das ruínas e paramos em um dos acessos públicos à playa Paraiso. Que sonho de lugar! O dia estava um pouco nublado, ameaçando chover, mas a cor da água impressiona! O mar não é tão calmo como de outros lugares que passamos antes, mas o visual é surreal e estava bem vazia quando fomos.
Voltamos para o centro, almoçamos num restaurante chamado "El Mariachi Loco" (bom custo-benefício), tomamos um banho no hotel e partimos para a zona hoteleira, ver o famoso Azulik e o museu Sfer Ik, porém chegamos lá depois de ter fechado (18h). Tiramos foto com a escultura mais famosa de Tulum no Instagram, a "Ven a La Luz" e o que eu não sabia é que você paga para acessar e tirar foto com ela. Como já estávamos lá, acabamos pagando e entrando, mas fica a dica que ninguém deu no Instagram.
Voltamos para o centro e próximo do nosso hotel achamos uma feirinha de rua com algumas barraquinhas de comida que estava bem cheia de turistas (bom sinal né?). Comida barata e muitíssimo boa, foi super aprovada!
Gastos do dia:
Café da manhã: 2x $60
Ruínas tulum: 2x $80
Bike: 2dias 2x $300
Almoço: 2 pratos+ 1 suco $275
Sorvete Aldo's: 3bolas $169
Mercado: $132
Escultura Ven a La Luz: 2x $60
Mercado: Água+cornitos $37
Jantar na feirinha de rua: 3 quesadillas $90 e 3 gringas + 1 coca $60+20
Acesso à praia estava fechado para desova das tartarugas
Playa Paraiso
Nossos almoços no "El Mariachi Loco"
Esse não precisa pagar para tirar foto. Fica em um shoppingzinho bem na rua principal
Achei esse hotel bonito, mas não sei o nome
Feirinha de rua onde jantamos
16/12: Tulum - Playa del Carmen
Meu roteiro original para esse dia era conhecer o Cenote Sac Actum, um dos maiores, do mesmo complexo Dos Ojos (e bem caro também), mas que fica há 24km de Tulum. Como já tínhamos alugado as bicicletas achando que conseguiríamos chegar lá pedalando, não quis alugar uma scooter e gastar mais dinheiro com isso.
Acabamos no plano B: Cenote Calavera, há menos de 4km do nosso hotel. Chegamos às 9h, no horário em que abre e fomos os primeiros! Conseguimos tirar as fotos sem ninguém de depois de uns 10min chegou um casal. Depois das 10h chegou uma galera, mas não chegou a ficar super lotado. É lindo, é surreal, é paz na terra... Só é bem superfaturado pelo que oferece. Não tem locker e o colete salva-vidas é alugado à parte. Se você disser que está levando Gopro ou drone, paga mais tanto para usá-los. O ponto legal é que tem cadeiras ao redor da cratera, onde você pode tomar sol e apoiar sua bolsa/mochila.
Como estávamos com colete salva-vidas, conseguimos ficar ali por um bom tempo, saindo por volta das 11h. Almoçamos no mesmo lugar do dia anterior (restaurante El Mariachi Loco), devolvemos as bicicletas (antes do prazo estipulado mesmo) e partimos para Playa del Carmen.
Compramos as passagens na rodoviária para o próximo horário disponível e, pela primeira vez, não viajamos de ADO, mas com a empresa Mayab e não gostamos do serviço deles.
Caminhamos uns 15min da rodoviária até o nosso hotel, por toda a quinta avenida. Deixamos nossas coisas lá e saímos para ver o que Playa tinha a oferecer. É um lugar bem movimentado durante o dia e cheio de opções para curtir à noite também, além de muitos shoppings e lojas de marca, que não favorecem quem ganha seu suado dinheiro em real.
Escolhemos o restaurante "La Famiglia" na 10ª avenida para jantar e foi uma decisão acertada! Wifi excelente, atendimento maravilhoso e pizza super saborosa! Recomendo!
Hospedagem: Hotel Bosque Caribe 5th Avenida. US$25, uma diária em quarto duplo com banheiro compartilhado sem café da manhã. Sabíamos que era próximo de um restaurante com música à noite, mas era bem localizado e odiamos! kkkk O barulho foi absurdo até quase 2h da manhã, o colchão era super desconfortável e o wifi instável demais. Resumo: não valeu a pena.
Gastos do dia:
Cenote Calavera: 2x $250
Aluguel de Colete salva vidas: 2x $50
Almoço: 2 pratos+ 1suco $275
Sorvete Aldo's: 3 bolas $168
Ônibus: Tulum - PDC 2x $47
Jantar: Pizza La Famiglia $236
Possivelmente o sorvete mais caro da minha vida. Valeu a pena!
17/12 - Cozumel
Fizemos checkout do hotel e como já tínhamos os tickets do ferry para Cozumel (compramos o combo quando fomos para Isla Mujeres), saímos cedo achando que pegaríamos a travessia das 9h (indicada no site da Ultramar e também no papel impresso que nos deram), porém descobrimos que ele saía às 8h e o próximo seria Às 10h. O das 9h estava sendo operado por uma outra empresa (Winjet) que não aceitava nossos tickets. Paciência...
Quase 40min no ferry, deixamos nossa bagagem no hostel e saímos para almoçar e decidir o que fazer no restante do dia.
Almoçamos na praça principal, descobrimos onde alugar scooter para o dia seguinte e passamos no porto para ver os horários de retorno do ferry e ali, tem muitas agências tentando vender passeios. Acabamos conversando com um vendedor, que viu que éramos brasileiros e deixou um super desconto o passeio El Cielo, que normalmente custa 70 dólares por pessoa, por 35 dólares cada um (meu marido e eu) e acho que daria para conseguir mais desconto se tivéssemos jeito para negociação. São aproximadamente 4 horas de duração, com parada em 2 recifes de corais + parada em El Cielo + parada no Cielito, com duas bebidas e frutas inclusas, além de colete salva-vidas e snorkel. Claro que um fotógrafo profissional vai a bordo vendendo seus serviços para quem quiser comprar. Não perguntei o valor, mas teve uma família do nosso barco que acabou fechando com ele.
MELHOR PASSEIO DA VIDA! Saímos às 13h, navegamos uns 25min até o primeiro recife (não lembro se Colômbia ou Palancar), onde fomos nadando até o segundo recife, uns 30min dentro da água. A profundidade varia de 6 a 8 metros, se não me engano e o uso de colete não é obrigatório, mas é recomendado. Me perguntaram duas vezes se eu tinha certeza que estava bem de saúde para ir sem! kkkk (e sim, para mim foi tranquilo). Subimos a bordo e menos de 10min chegamos na cereja do bolo: El Cielo, com profundidade de 2-3metros, local onde vivem estrelas-do-mar (as maiores que já vi), mas tirando elas e a cor surreal da água, não tem muita vida marinha ali. Ficamos ali por uns 30min e um dos integrantes do meu barco, tocou em uma das estrelas e a virou. O guia que vai junto conosco viu, deu bronca e voltou a estrela para o lugar, mas foi só isso... Dizem que seria até delito federal, mas para esse indivíduo, nada aconteceu.
A última parada foi em El Cielito, um banco de areia no meio do mar, com aproximadamente 1m de profundidade, onde paramos por 40min, nos ofereceram as bebidas inclusas e as frutas. Um lugar para descansar um pouco, encher a barriga e contemplar a cor incrível do mar.
45min depois, com uma navegação modo super fast e muita emoção, retornamos ao porto no centrinho de Cozumel.
Resumo: valeu mil vezes esse passeio. Contemplar a vida marinha, ver um mar tão incrível, poder nadar junto com a natureza livremente, não tem preço! Se tiver câmera como GoPro, leve, é liberado! Eu usei caixa estanque para e bastão flutuante para não correr risco de perdê-la no mar.
Importante: para preservação da vida marinha, não é recomendado uso de protetor solar durante o passeio.
Voltamos ao hostel, tomamos banho e saímos para comer. Estava doida para provar Marquesitas, uma comida típica de lá, vendida comumente na rua. É como um crepe francês, enrolado como um charuto, com queijo ou outros "toppings".
Hospedagem: Hostel Auikyani, há uns 200m do ferry, MXN584 uma diária, em quarto duplo com banheiro compartilhado, sem café da manhã. É um local simples, com localização excelente e o proprietário é muito solícito e super gentil! Gostamos muito de lá!
Gastos do dia:
Almoço: 2 pratos + 1 limonada + 1 Coca $330
Passeio El cielo: US$70 para 2 pessoas
Jantar: Marquesitas e churros na rua $120
Mercado: iogurte, salgadinho, água $133
Algum lugar entre recifes Colombia e Palancar
Em El Cielo
Em El Cielo - estrela-do-mar maior do que aparenta na foto
Foto no Cielito, banco de areia acessível só através de barco
Pôr-do-sol no porto
Luzes de natal no terminal marítimo de Cozumel
18/12 - Cozumel
Começamos a saga de alugar uma scooter às 9h, quando a maioria das locadoras abre. No dia anterior, falamos com um vendedor no calçadão e decidimos ir até a loja dele. Ele tinha dito que o aluguel custaria 400 pesos para o dia. Chegando lá, o menino que nos atendeu disse que seria mais 100 pesos obrigatórios de seguro básico, além do caução de 1000 pesos. As motos eram super velhas e, quando fomos sair com a scooter, percebi que o velocímetro não funcionava. Voltamos na loja... Ele nos deu uma segunda moto e olha só! Velocímetro também não funcionava. Ouvimos ele falando no telefone com o responsável pelo estabelecimento e dizendo que nenhuma das motos funcionava o velocímetro, mas que não tinha problema, podíamos ir assim mesmo. Recusamos, claro. Atendimento ruim, motos velhas e não funcionam como deveriam. Não vou nem deixar o nome aqui para não induzir alguém ao erro.
A moça da locadora bem ao lado deve ter se compadecido de nós e disse que tinha uma scooter novinha que nos alugaria pelo mesmo valor e na loja dela, o seguro obrigatório de 100 pesos já estava incluído nos 400 pesos do aluguel, ou seja, ainda voltamos para cobrar nossos 100 pesos de volta na loja podre ao lado.
Realmente: moto novinha (rolou um psicológico da vendedora que se caíssemos, derrubássemos a moto e tal, teríamos que pagar, pois a moto era nova e não tinha um arranhão), não tivemos nenhum problema.
A ilha tem 15km de largura. Decidimos ver primeiro o lado voltado para o oceano, onde tem menos pessoas e praias mais "selvagens" e menos "mar do Caribe". Fomos fazendo paradas para fotos e vídeos conforme nos impressionávamos com a paisagem, mas não paramos para banho em nenhuma delas.
Passamos pelo Punta Sur Eco Beach Park, mas a entrada era 18 dólares por pessoa e já estava perto das 11h, então achamos que não valia a pena pagar 100 reais por pessoa e não passar o dia todo por lá. Tinha também uma entrada que custava um pouco mais e dava acesso a outras coisas, mas não lembro dos detalhes agora...
Continuamos nossa volta à ilha e acabamos entrando no Beach Club Palancar (já no lado da ilha voltado ao continente) onde não é cobrado estacionamento e pedem consumo mínimo de MXN270 por pessoa. Tem umas lojinhas ao lado do beach club e oferecem snorkel e outros passeios por lá.
A praia em frente ao restaurante era o que procurávamos: calma, linda, clara. Ainda tinha uma pequena plataforma flutuante onde os clientes subiam para pular, tirar fotos e tomar sol. A comida mesmo não era grande coisa e deixou a desejar. Pedi um filé de peixe e veio só gordura, sem sabor... Meu marido pediu tacos e também não curtiu muito. Ao final, gastamos MXN550 (nós dois) e ficamos por lá até umas 14h30.
Esse lado da ilha não é legal nem bonito de passar, pois a estrada fica um pouco distante das praias, sendo a orla tomada por beach clubs e propriedades particulares e quase nenhuma vista para quem está do lado de fora, ou seja, para aproveitar, você precisa desembolsar um dinheiro em restaurante.
Chegando no centro, abastecemos a moto, devolvemos ela, saímos correndo para o hostel pegar nossas bagagens numa maratona de última hora para pegar o ferry que saía às 16h do porto.
Pela primeira vez, a travessia não foi tranquila como as anteriores. Pegamos muitas ondas maiores e o ferry balançou bastante. 40 minutos depois, chegamos em Playa del Carmen e fomos para o nosso hostel, na 10ª avenida, bem próximo ao ferry.
Tomamos banho e voltamos ao restaurante La Famiglia, onde pedimos repeteco da pizza. Provavelmente um dos melhores lugares em que comemos durante a viagem!
Hospedagem: Wabi Hostel MXN1810, 3 diárias em quarto duplo com banheiro compartilhado. Bem localizado, na 10ª avenida, perto do ferry e do terminal rodoviário. Várias redes de wifi não muito estáveis. Nosso quarto teve um problema com o ar condicionado, então ganhamos um "upgrade" de duas noites em quarto triplo com banheiro privativo. Camas super confortáveis, ar condicionado maravilhoso e café da manhã incluso.
Gastos do dia: Aluguel scooter: $400
Gasolina: $35
Almoço beach club Palancar: $550
Mercado: Água, café, salgadinho $150
Jantar: pizza na La Famiglia $240
Foto da moto nova que depois de muita luta conseguimos alugar
Praia praticamente deserta do lado voltado ao oceano
Praia do Palancar beach club
Nossos almoços (não gostamos da comida)
Pizza maravilhosa no La Famiglia
19/12 - Playa del Carmen
O roteiro desse dia era alugar uma scooter e conhecer o Cenote Chaak Tun (distante 8km de Playa) e o Cenote Azul, há 24km de Playa (é diferente da Laguna Azul), mas confesso que nesse dia o cansaço da viagem bateu muito forte e decidimos só curtir a praia, postergando esses planos para o dia seguinte.
Fomos à praia central mesmo e passamos o dia todo lá. Almoçamos tarde em um restaurante na 10ª avenida que não impressionou...
Voltamos ao hostel, tomamos banho e saímos para passear. Fomos ao shopping Paseo del Carmen, bem perto do ferry, e não está fácil para os brasileiros ganhando em real. Convertendo, tudo saía bem caro. Gastamos apenas com uns donuts bem gostosos numa loja do térreo que lá são chamados de donnas.
O destaque da 5ª avenida, para nós, foi a Miniso! Já conhecíamos algumas lojas aqui de São Paulo, mas a de Playa del Carmen tem uma infinidade de produtos que não temos aqui e nosso dinheirinho foi embora que nem água! kkkk (não coloquei nos gastos do dia porque compras é um negócio bem particular e poderíamos ter voltado sem gastar nada por lá, porque o foco da viagem nunca foi compras)
Gastos do dia: Almoço: $400
Donuts: $66
Água: $40
Praia no centrinho de Playa del Carmen
Donuts natalinos
Shopping Paseo del Carmen enfeitado para o Natal
20/12 - Playa del Carmen
Esse era o dia de finalmente, fazer o rolê que não fizemos no dia anterior, mas a previsão do tempo era ruim, estava bem nublado e com cara de que ia chover em breve. Além disso, eu não estava bem, acordei com um mal-estar que depois virou uma enxaqueca, então perdemos nossa manhã no Walmart (meu marido ama! Só a título de curiosidade de quem lê, gastamos MXN2400 lá). Voltamos ao hostel, tomei remédios e dormi bastante.
Fomos "almojantar" no Hard Rock Cafe da 5ª avenida e é a qualidade que já conhecemos... Hambúrguer gostoso, porém não é o melhor da vida.
Voltamos ao shopping Paseo Del Carmen, onde compramos algumas coisas na loja Old Navy e acabou o dia.
Gastos do dia:
Almoço no Hard rock: $670
Almoço no Hard Rock
21/12 - Playa del Carmen - Cancun
Tomamos café da manhã, fizemos checkout e partimos para a rodoviária, onde pegamos um ônibus ADO com destino a Cancun. A viagem durou mais ou menos uma hora e quando descemos, pegamos um ônibus da linha R1 para a zona hoteleira, onde fizemos o checkin e deixamos as nossas malas guardadas no Selina Cancun Laguna Zone (deixei minha opinião sobre o hotel abaixo).
Almoçamos em um restaurante chinês numa plaza chamada Cancun Center e foi um erro! kkk Comida barata, porém bem ruim. Depois passamos uma parte da tarde na praia Caracol, uma praia pequenininha de onde saem ferrys das Ultramar com destino à Isla Mujeres. A cor do mar é bem bonita, mas para os padrões México, tinha bastante onda.
Voltamos ao hotel, tomamos banho e pegamos o ônibus R1 para ir até o Walmart do centro de Cancun. Fizemos mais compras por lá, jantamos no Mc Donald's que fica lá dentro e pegamos o ônibus de volta.
Hospedagem: Selina Cancun Laguna Zone US$153 ou MXN 3000 pesos por 2 diárias com quarto duplo privativo e banheiro compartilhado, sem café da manhã. Achamos extremamente caro pelo que é oferecido. O hotel tem uma localização excelente, estrutura muito boa, porém super mal cuidado. O banheiro compartilhado ao lado do nosso quarto, por exemplo, passou mais de 16h sem papel higiênico (e tinha quarto compartilhado com mais de 10 camas ali naquele mesmo andar...). A piscina estava nojenta de suja, água super turva e ninguém dentro da água. A yoga prometida diariamente, quando eu quis fazer, não teve. O funcionário da recepção foi super rude conosco e no Booking, onde fiz a reserva, mostrava o valor em dólares. Para a minha surpresa, eles não aceitavam dólares como pagamento no checkin! Ou eu pagava em pesos (que no final da viagem provavelmente me faria falta), ou pagava no cartão de crédito, onde ainda cobraria o IOF da transação. Fiquei bem decepcionada com o Hotel, porque já cansei de ver influencer fazendo propaganda deles e achei que valeria a pena.
Gastos do dia: PDC-Cancun Ado: $188
Almoço em restaurante chinês: 2 pratos + 2 refris $242
Ônibus: 2x $12
Jantar no Mc donalds: 2 combos $182
Ônibus R1 (ida e volta para 2 pessoas): 2x $24
Playa Caracol
Hotel Selina
22/12 - Cancun
Acordamos cedo, passamos numa 7eleven e compramos nosso café da manhã e fomos conhecer outra praia bem próxima ao hotel: Gaviota Azul e que lugar sensacional! A entrada dela é meio escondida, ao lado do Coco Bongo, e a praia é bem grande, com poucas ondas, uma cor surreal, parecia uma piscina gigante de borda infinita. Ficamos encantados com essa praia e o plano de conhecer outra praia à tarde foi pelo ralo, pois decidimos gastar nossa última tarde no México na Gaviota Azul que tanto gostamos.
Almoçamos em um restaurante bem próximo dali chamado Mextreme. Atendimento muito bom, comida típica saborosa e preço ok. Em determinado momento durante nossa permanência por lá, colocaram sombrero mexicano em todos os clientes e as atendentes foram tirando fotos nas mesas. Achei bacana!
Voltamos à praia e, como o almoço foi bom, passamos no Super Chedraui que tinha do outro lado da rua e compramos uns pães diferentes na padaria para ser nosso jantar (spoiler: nada como a padaria brasileira. Sem comparações!)
Gastos do dia:
Mercadinho: Água, café, iogurte: $82
Almoço: $500
Jantar padaria do Chedraui: $90
23/12 - Partida para São Paulo
Dia de ir embora!
Nosso vôo saia de Cancun às 12:45. Saímos do hotel antes das 7:30, pegamos a linha R1 para o Centro e no terminal rodoviário, pegamos um ADO que nos deixou no aeroporto. Tomamos café da manhã no Starbucks, fizemos nosso teste de antígeno Covid em um laboratório chamado LabCare Diagnóstika, que cobrou MXN290 por pessoa, com resultado em 20minutos por email ou impresso (era só voltar lá para buscar).
Melhor coisa que fizemos foi chegar com antecedência, pois além de precisar do resultado do teste no guichê da cia aérea, o aeroporto estava lotado! Além disso, para o retorno também foi solicitado o Formulário de Declarações de Saúde do Viajante da ANVISA preenchido (print no celular mesmo) e o Vuela (novamente!).
Embarcamos para Bogotá-Colômbia onde ficamos por horas aguardando nosso vôo para São Paulo. Chegando em SP, dia 24/12 6h da manhã, solicitaram o formulário da Anvisa preenchido e o resultado do teste de covid (já fazia quase 20 horas desde que tínhamos feito, e a fiscal nos perguntou o horário em que realizamos o teste - tudo ok, <24h). A imigração estava simplesmente bombando! Ficamos bem uns 30min na fila até conseguir usar o passaporte no leitor digital e sair para pegar as bagagens.
Gastos do dia:
Ônibus R1: 2x $12
Ado aeroporto: 2x $98
Café da manhã no Starbucks: $280
Antígeno Covid: 2x $290
Hasta luego México
Almoço no aeroporto de Bogotá (facilmente gastamos US$40 nisso aí)
Sala VIP dos fortes! kkk
Assim termina a nossa viagem! ❤️
Gasto total por pessoa (com hospedagem, excluindo passagem aérea): estimo que ~R$5000 por pessoa, sem comprinhas de roupas e outras coisas em Walmart e Miniso.
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05 dias em Bonito-MS (fotos e valores atuais)
Depois de um longo inverno sem postar nenhum relato por aqui, voltei para compartilhar como foi minha viagem para Bonito-MS, junto ao Wellington.
Foram 5 dias cheios de descobertas, aventuras e experiências incríveis - Bonito é maravilhoso e (apesar de caro) vale muito a pena.
ROTEIRO
Dia 1: voo a Campo Grande e ida a Bonito; Estância Mimosa
Dia 2: Mergulho na Lagoa Misteriosa; Flutuação no Rio da Prata
Dia 3: Abismo de Anhumas; Gruta São Mateus
Dia 4: Flutuação Rio Sucuri; Praia da Figueira
Dia 5: Buraco das Araras; retorno a Campo Grande e voo a São Paulo
Os valores de cada passeio estão dispostos ao longo do relato - vale lembrar que algumas atividades variam de valor dependendo da temporada (alta/baixa) e se você escolhe ter almoço incluso ou não.
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Certificado de Vacinação
Galera mochileira,
Criando este tópico para tirar dúvidas sobre certificado de vacinação ( coronavírus) e dúvidas sobre exigência para entrar em outros países.
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PICO MAIOR-RJ: Escalada ao topo da Serra do Mar no Brasil.
A luz já havia partido e a nossa esperança de escapar daquela parede já havia sido exterminada faz tempo. Na escuridão daquela fria noite de inverno, somos 3 escaladores iludidos, lutando bravamente para não termos que dormir pendurados na corda. A princípio, subir uma parede de 700 metros com uma cargueira nas costas, poderia ser uma ideia estúpida, mas era uma estupidez programada, só não imaginávamos que teríamos que enfrentar uma escalada noturna, onde os pés vinham fritando há muito tempo e eu mesmo, era um cego tentando subir aquele gigante, apenas no tato e na força do ódio. As coisas vão acontecendo numa velocidade impressionante e o frio cortante, faz com que a gente mal consiga raciocinar e então, sem ter tempo de achar a lanterna no fundo da cargueira, me atraco à rocha e grudo meu corpo, com as pernas tremulas, prestes a despencar num vazio invisível.
Nossa missão estava longe, muito longe do cume e o único objetivo era poder chegar numa fenda e lá poder dormir, nem que fosse sentado, mas nem isso tínhamos certeza de que conseguiríamos, verdade mesmo, que eu já não tinha certeza nem se eu conseguiria subir aquele lance. Me elevei centímetro a centímetro, procurando com os pés um lugar para me apoiar, enquanto vou tateando as mãos, me agarrando a qualquer ranhura que me mantenha colado à parede. Os pés doem desgraçadamente, as costas já estão destruídas, mas mesmo assim, vou tentando manter a minha parte psicológica, tento me manter calmo, concentrado, sereno, resiliente feito um monge Budista, mesmo a corda, que me dá segurança, fazendo uma parábola monstro. No escuro, pego o caminho errado e acabo saindo mais à direta do que deveria, agora é que me fodo todo nessa merda e se eu cair, vou fazer um pêndulo e virar carne moída. E fico ali, caio, mas não caio e conforme o tempo vai passando, já não tenho mais dúvidas que meu destino é despencar da parede. - SEGUUUUUURA ALEXANDRE, QUE LÁ VOU EU...................................
Nos últimos anos, tínhamos nos dedicados à escalada com objetivos já pré-determinados. Tínhamos, é modo de dizer, porque eu mesmo não me dediquei ao esporte como deveria e como ele merece e essa dedicação toda sempre ficou a cargo do Alexandre e do Vinícius, esses sim, os caras que sempre mereceram todos os elogios, quando se tratava de montarmos os projetos que nos levariam a escalar montanhas memoráveis e lendárias, como foi o caso do DEDO DE DEUS e da AGULHA DO DIABO e tantas outras montanhas, onde só se consegue ir ao cume com técnicas avançadas e equipamentos caros.
Mas logo nos primórdios do aprendizado, já falávamos sobre o LENDÁRIO PICO MAIOR, mas era algo tão distante e inatingível para gente, que eram mais conversas fiadas do que qualquer projeto futuro, afinal de contas, não passávamos de trepadores de parede e a gente sonhava mesmo era com o Dedo e a Agulha, na Serra dos Órgãos, mesmo assim, algo que a gente nem sabia se um dia teríamos a honra de colocarmos os pés no cume, mesmo que fosse um sonho meu, que perdurou por quase 25 anos. Mas o tempo passou, os meninos se especializaram e juntos, escalamos esses dois ícones do montanhismo nacional e fizemos história, a nossa história.
Do Pico Maior, ficou só uma lembrança, que vez ou outra conversávamos sobre ele, mas era algo que não andava e conforme o tempo ia passando, pareceria mesmo que esse projeto nunca pularia para fora do papel e até um dos amigos, que prometeu subi-lo com a gente, vendo que não saíamos da moita, pulou fora do barco e foi realizar seu sonho com outro grupo, paciência, a culpa era nossa, que não conseguia quebrar essa inércia. Eu e o Alexandre até tocamos algumas escaladas clássicas, em boas paredes, mas escalar uma montanha com a envergadura do Pico Maior, era algo pouco provável. Já o Vinicius, esse virou um rato de escalada, andou pelo Brasil destruindo tudo que era parede esportiva e chegou a um nível altíssimo, escalando acima do grau oito, o que é algo espetacular em se tratando do esporte.
Com a pandemia, eu e o Alexandre andávamos meio afastados do Vinícius e consequentemente, da escalada esportiva, mas num reencontro novamente na Pedreira do Garcia, em Campinas, onde tudo começou, voltamos a tocar no assunto Pico Maior e dessa vez os caras botaram até data, mas eu ainda tinha uma desconfiança, mais sobre a minha capacidade de escalar aquele monstro do que com a capacidade técnica dos dois. Mas eu ainda tinha o direito de sonhar e se esses meninos estavam me dando essa oportunidade, iria agarrar como pudesse e acabei me esforçando para pelo menos, voltar mais algumas vezes na pedreira para treinar procedimentos de segurança, já técnica, eu iria com a minha mesmo, ou seja, a força de vontade de sempre.
Passei a estudar o Pico Maior de Friburgo, a ler muito sobre ele e a conversar com o Alexandre, qual seria a melhor logística, a melhor estratégia para se chegar ao cume, haja visto que a imensa maioria que tentava escalá-lo pela primeira vez, voltavam de lá com um fracasso do tamanho do mundo nas costas. Uma parede complexa, com fendas, chaminés, artificiais, aderências e com impressionantes 700 metros de extensão, fazia desse pico, uma epopeia para se chegar ao cume e boa parte dos escaladores de primeira viagem, experientes ou não, acabavam virando notícias, de gente abortando a escalada, perdida na parede, no rapel, tendo que ter uma experiência de quase morte ao acampar no cume sem equipamentos de proteção, com temperaturas baixíssimas, sem água, sem comida, alguns tendo que serem resgatados.
Diante dos problemas descritos acima, chegamos à conclusão de que o mais sensato seria subirmos com uma mochila repleta de equipamentos de segurança, contendo um saquinho de dormir, comida, agua, isolante térmico, blusas grossas, manta de emergência e tudo mais que pudéssemos usar, caso não conseguíssemos atingir o cume no mesmo dia ou tivéssemos que acampar no topo. Apresentamos o projeto ao Vinícius, mas ele foi taxativo : Achou uma grande porcaria e disse que só iria se subíssemos bem leves, apenas com uma minúscula mochilinha de ataque e deixou bem claro, que o tempo limite seria às 15 horas e se não chegássemos ao cume nos horários estipulado, desceríamos de onde estivéssemos, como é o procedimento de segurança usado e consensual entre os escaladores, mas deixou a gente despreocupados, dizendo que chegaríamos ao cume, porque ele estava bem confiante na sua capacidade técnica.
Por um lado , o Vinícius estava certo, tinha que pensar na segurança do grupo, já que ele seria o guia principal, mas por outro lado, eu fiquei meio desolado, porque sabia que o tempo e a dificuldade de leitura da via, eram os principais vilões, que acabavam decidindo quem faz cume e quem fracassa e cheguei até comentar isso em off com outros amigos, mas como as regras são ditadas por quem se dispõe a disponibilizar equipamentos caros, além do seu veículo e outros custos , aceitamos o desafio e as regras impostas, mas também não era só isso, tinha o fator amizade, companheirismo e confiança e isso com certeza vale mais do que qualquer confronto de logística, então, abrimos mão de tudo e fomos nos divertir.
Quase 10 horas de viagem. Esse foi o tempo que gastamos de Campinas até Nova Friburgo-RJ, na verdade, até o PARQUE ESTADUAL DOS 3 PICOS e como já estava tudo programado, tudo separado, tudo organizado, fomos dormir cedo no Abrigo Republica Três Picos, do velho escalador Paulo Mascarin. Às Cinco da manhã já estávamos com os pés na trilha que nos levaria ao pé da parede de escalada e mesmo no escuro, conseguimos andar por ela em não mais que uma hora de caminhada e quando o sol nasceu, lá estávamos nós, amarrados à corda e com as sapatilhas nos pés, pronto para iniciarmos um sonho de anos.
O Vinícius tomou a frente e começou a guiada, mas a parede estava ainda molhada, então não conseguiu nem sair do lugar, toca a gente esperar uns 40 minutos até que o sol da manhã secasse a pedra, já que no dia anterior havia chovido.
Com a parede seca, se grudou à pedra e partiu e foi pondo em prática toda sua experiência adquirida nesses últimos anos. Ficamos bem animados com a agilidade dele e deslumbrados com o gigantismo daquela pedra. A nossa intenção, era fazer as primeiras enfiadas (lances de uma parada a outra) em simultâneo, mas o que nas fotos parece moleza, na realidade a coisa é bem outra e como a parede ainda se mantinha muito úmida, resolvemos escalar no modo tradicional mesmo. Então o Vinícius foi até a primeira parada e puxou eu e o Alexandre, que subimos praticamente juntos, com uma distância de uns 8 metros entre um e outro.
E essa seria a tônica da escalada, com o Vinícius dando um show de técnica e eu e o Alexandre subindo feito um raio, agilizando muito o processo, até que nos vimos na TERCEIRA parada, dando segue para que o Vinícius pudesse chegar na QUARTA. Saindo da Terceira, quando ele chegou mais ou menos na metade, virou à esquerda e subiu intuitivamente, ganhando um lugar onde recentemente ou não tão recente assim, uma pedra havia se descolado, deixando um rastro de material solto, como se fosse uns pedriscos, até achar mais acima, junto a uns arbustos, UMA PARADA de um “P” E UMA CHAPA, onde tecnicamente seria a QUARTA PARADA.
Não havíamos chegado nem às 10 da manhã, estávamos com o horário bem controlado, mas ao olharmos o CROQUI DA VIA (uma espécie de mapa de onde estaria as chapeletas, ou seja, a linha que devemos seguir) não batia com o que tínhamos, mas o Vinícius conseguiu enxergar uma chapa mais à esquerda, bem lá no alto, então resolveu escalar até ela e quando lá chegou, não encontrou , não enxergou a próxima, mas mesmo assim, protegeu um pedaço com um móvel e tocou, até se ver perdido numa parede perigosa e quase inescalável, estava perdido na via, se lascou bonito. Mais uma vez, ficamos ali, a estudar o croqui, sem perceber o óbvio, vendidos naquela escalada. Não havia muito o que fazer, nosso guia estava num mato sem cachorro, não conseguia seguir à frente e não tinha como descer, ficou numa sinuca de bico e resolveu fazer uma manobra desesperada, antes que a força da gravidade resolvesse o seu problema.
Sem ter outra opção e mesmo sabendo que esse era um procedimento arriscadíssimo, o Vinícius conseguiu colocar um móvel numa fenda vagabunda e resolveu rapelar de volta, desceu até onde estávamos, com uma cara de assustado, mas ainda com sangue no olho e pronto para achar outro caminho. Mais uma vez, ficamos ali tentando saber para que diabos de direção seguiria a linha de escalada, mas o Vinícius disse que lá de onde ele estava, havia avistado uma chapeleta ou um “P” mais à nossa direita e que era para que ia seguir.
O Vinícius retomou a escalada, passou por uma fendinha junto a uma rocha, onde ele protegeu com um equipamento móvel e mais acima localizou o “P” que ele havia visto. E por lá ficou, olhar vazio rumo a sequência da rocha, sem visualizar mais nenhuma proteção, mais nenhuma chapeleta. Mais uma vez, ficamos perdendo tempo, discutindo o croqui, mas sem chegar a lugar nenhum, só palpites hipotéticos, então ele, mesmo sem saber se era uma linha de escalada possível, se desgrudou de onde estava e partiu para o seu maior pesadelo.
No croqui dizia que essa passagem, entre a terceira e a quarta parada, não passava de um quarto grau, mas não era o que o Vinícius havia se deparado, mas como ele já havia se desgrudado do seu porto seguro, agora era se apegar a sua técnica e tentar chegar, encontrar a próxima proteção ou mesmo a parada e puxar a gente. Mas as coisas foram se complicando e quanto mais ele subia, mais a parede ficava vertical e o que era uma escalada técnica, acabou se tornando quase que suicida. Não havia mais como voltar, pelo menos não em condições normais e de segurança, e cada vez mais, nosso guia se enfiava num buraco sem volta.
Não consigo aqui, narrar todo o veneno que ele passou naquela parede, até então, ouvíamos pouco coisa do que ele falava, porque estava distante da gente, muito alto já e o vento atrapalhava nossa comunicação, mas conseguimos ouvir quando ele deu o sinal que iria desescalar, iria tentar voltar, ainda não sabia como, muito porque, como havia feito na primeira tentativa, não havia nenhum jeito de encaixar algum móvel para rapelar de volta. E ele DESESCALOU, centímetro a centímetro, enfrentando talvez o maior pesadelo da sua existência de escalador, vendo a sua vida correr perigo minuto a minuto até voltar onde estávamos, abalado psicologicamente, destruído e nem mesmo a sua frieza oriental deu conta de conter suas emoções e se derramou em lágrimas, como jamais havíamos visto na vida.
O Vinícius estava acabado para a escalada e mesmo que conseguíssemos achar a sequência da via, era nítido que ele não tinha mais condição de guiar nada. O Alexandre até subiu novamente, tentou ver se tinha mais sorte, mas igualmente ao Vinícius, deu com os burros n’água, mas já se valendo da experiência do nosso amigo, nem tentou mandar a sequência e desceu me oferecendo, uma vaga no inferno. Mas eu é que não ia botar meu rabo onde esses caras já haviam tido uma experiência desagradável e diante de tudo aqui narrado, não havia mais o que fazer, ainda mais porque o tempo já havia estourado e nunca que iríamos chegar ao cume até as 15 horas, como o Vinícius havia preconizado, então não tinha mesmo como não tomar a decisão de abandonar aquela escalada e ENGOLIR MAIS AQUELE FRACASSO.
Rapelamos rapidamente e voltamos para o abrigo. E do abrigo, Paulo Mascarin já nos observava com seu potente binóculo e assim que retornamos, ele já sabia que havíamos perdido a via. Falou que entramos para o lado errado e acabamos encontrando uma linha de rapel e outra via de escalada, nada a ver com a FACE LESTE e que esse erro é muito comum, muitos outros já haviam se perdido ali e que não éramos os primeiros e não seriamos os últimos. Pois é, demos azar e em nenhum momento desconfiamos que aquela não era a quarta parada e iríamos morrer pensando que estávamos nela, quando estávamos completamente errados.
Claro que havia uma certa frustação, mas sabíamos que tínhamos feito o máximo para dar certo, mesmo que eu já desconfiasse desde o começo que havia uma possibilidade de não conseguirmos realisar o roteiro por causa do tempo e da leitura da via, mas mesmo fracassando, ainda estávamos bem conformados e usamos o tempo vago naquele dia para saborear a galinhada que o Alexandre tinha trazido congelada pra gente comer depois da escalada.
Sabendo onde havíamos errado e foi realmente um erro bem tosco, eu e o Alexandre tentamos convencer o Vinícius a retomar a escalada no outro dia, já que tínhamos tempo e a previsão estava perfeita, com sol e sem possibilidade nenhuma de chuva. Mas ele relutou, não queria mais saber, para ele uma vez já era o bastante, não tinha a menor chance de subir aquelas paredes novamente, pelo menos não daquele momento e só queria mesmo era voltar para casa, esquecer que um dia estivera ali. E foi assim que encerramos essa primeira tentativa, ficou a experiência vivida, mas eu e o Alexandre ainda não havíamos sido derrotados e voltamos para casa com o nosso amigo, mas por dentro, éramos dois homens atormentados pelo fracasso, mas o dia da revanche já estava no nosso radar, agora era curar as feridas.
Não bastou termos que engolir o fracasso, tivemos que aguentar insultos de todos os lados. Ao saberem que não havíamos concluído a escalada, apareceram vários escaladores de pedreiras para tentar tirar uma casquinha, gente acostumada a subir meio metro de parede, mas que se acham os maiores escaladores do mundo, só que não aguentam 2 horas de trilhas para fazer uma escalada clássica e pior ainda, sem nunca terem pisado no Parque Estadual dos 3 Picos ou terem feito qualquer outra coisa com a envergadura de um Pico Maior. Mas pior mesmo, foi sermos insultados por tabela, por amigos que, tendo uma rusga com o Vinícius, que pouco me importo o porquê, ficaram fazendo gracinha, piadinhas infames, o que acabou deixando eu e o Alexandre bem chateados com a situação.
Senti que o Alexandre estava muito amoado com a situação, mas como eu estava de malas prontas para a Travessia dos Lençóis Maranhenses com a minha filha, pedi para que ele adiasse um pouco a segunda tentativa, mas ele ficou me fritando, botando pressão para que retornássemos lá logo, mas eu já deixei bem claro e botei logo tudo em pratos limpos: Só voltaria lá, se fizéssemos a logística que havíamos traçado da primeira vez, ou seja, com mochila cargueira para acampar na montanha e pouco interessava se esse não era o procedimento padrão , que aliás, foi por seguir regras de gente desacostumada com a aventura, que acabamos fracassando.
Quando retornei dos Lençóis, ainda tinha um compromisso com uma expedição à uma montanha selvagem na Serra do Mar Paulista, mesmo assim, combinei com o Alexandre de fazermos um treino de aderência antes do retorna à Friburgo, mas nem isso foi possível e uma semana antes do dia marcado, ele me disse que o Vinícius realmente não iria , mas que se juntaria a gente, um escalador bem experiente, apesar de também jamais ter subido uma parede tão grande e tão complexa como a Face Leste do Pico Maior e se eu não me importava . Claro que eu não me importava, desde que ele aceitasse a logística que havíamos proposto.
Dez horas de viagens, em um ônibus partindo de São Paulo, nos fez cair logo de manhã na rodoviária de Nova Friburgo e depois de um café reforçado, chamamos um Uber para nos levar para o Parque Estadual dos 3 Picos. O motorista do aplicativo aceitou a corrida, mas quando chegou onde estávamos, já foi dizendo que não sabia onde era esse lugar, apesar de já morar há 4 anos na cidade. Como ele ficou fazendo beicinho, fui ver se um taxista não nos levava lá, mas eles tão pouco faziam ideia de onde era e com muito custo o cara do Uber resolveu ir. Não demorou muito para ele perder o caminho e quando se encontrou, ao chegar na estrada de terra que dá acesso ao Pico Maior, falou que não podia mais seguir e nos desovou no meio do caminho, há umas 2 horas do Abrigo Republica 3 Picos. O MACHINI, nosso novo companheiro de escalada, ainda fez questão de pagar muito mais do que o combinado, mas por mim, teria era mandado esse fdp à merda por ter nos deixado com 100 kg de equipamentos de escalada para carregar.
(foto: MZK)
Saímos arrastando uma tonelada de coisas, até que o Alexandre calçou a cara e pediu para deixar o excesso de materiais num sítio. Ali, resolvemos mudar de estratégia porque o Machini disse que não daria para guiar de jeito nenhum com uma cargueira nas costas, então teríamos que transformar três cargueiras em duas e para isso, resolvemos nos livrarmos de muita coisa, mas ainda assim, manteríamos todos os equipos necessários para acampar na montanha, seja lá em que parte fosse.
Mais 15 minutos de caminhada e passou por nós uma caminhonete e nos ofereceu carona até o estacionamento do Parque Estadual, o que nos fez comemorarmos muito, porque vimos que estávamos de volta ao roteiro planejado e mais meia hora de pernadas, desembocamos no Abrigo do Mascarin, bem na entrada principal dos 3 Picos. Coube ao Alexandre a tarefa de ir lá contar os planos para o dono do abrigo, não que fosse necessário dar satisfação para ninguém, mas como nossa intenção era dormir na montanha, ficamos com medo de, ao notarem nossas luzes lá encima, pensarem que estávamos com problemas e acabarem acionando algum resgate desnecessário.
O dia já passava da metade, então nos adiantamos, subimos a estradinha por 5 minutos, até interceptarmos a trilha a esquerda, junto a uma grande araucária, que nos levaria para a base da Via Leste do Pico Maior. A trilha entra no matinho, contorna uma casa pela sua esquerda, atravessa um riacho até dar numa porteira. Passamos a porteira e ao chegarmos no último ponto de água, abastecemos os cantis com 2 litros por pessoa e ali traçamos uma estratégia de hidratação, que consistia em tomar a maior quantidade de água que a gente aguentasse.
Mais 20 minutos, sempre subindo, nos leva até a clareira, onde pegamos para a direita, porque para a esquerda é o caminho do Pico Médio e Menor. A continuação da trilha não parece ter erro, mas por vezes a gente acaba por dar uma errada e passando direto em alguma curva, mas logo consegue-se notar que não é por ali e outros 20 minutos depois da clareira, desembocamos definitivamente na parede de escalada e aí não há mais como fugir, não há como escapar, a AVENTURA se apresenta à nossa frente como um monstro a ser desafiado, é chegado a hora de separar os homens dos meninos.
De nós três, o mais experiente era o Machini, então achamos que ele poderia iniciar guiando, muito porque, a grande maioria dos escaladores faz questão mesmo de guiar, é um ego pessoal que a maioria carrega, mas é algo normal, igual quando a gente mais tarimbada, toma sempre à frente nas trilhas e travessias, nos vara- mato e nas expedições. Mas o que pode parecer mais confortável para quem sobe de “segundo”, com segurança de uma corda que vem de cima, como seria o caso meu e do Alexandre, acabaria por se tornar um verdadeiro pesadelo.
Às 13:30 o Machini se desgrudou do chão e partiu, dando início a nossa aventura atrás de conquistar o Cume da Serra do Mar no Brasil e antes dele partir, conversávamos animados sobre quem sabe, a possibilidade até de batermos no cume ainda hoje, nem que fosse para escalar as últimas 2 ou 3 enfiadas a noite ou no mínimo, tentarmos dormir na segunda fenda, que na linguagem da escaldada chamamos também de chaminé, se for algo que tenha que se subir escalando com o corpo dentro dela. Nosso “guia” ganhou a ranhura para a esquerda e foi se elevando até se manter firme na parede e ganhar uma diagonal leve para a direita, se alinhar numa reta e se posicionar na parada 01 (P1). É uma escalada fácil, toda em aderência, mas não é de graça não e, o que nas fotos parece que você está quase andando, é pura ilusão de ótica, porque na verdade, é uma parede em pé, onde se escala quase no limite da aderência da sapatilha. Como dissemos, tivemos que mudar nossa logística porque o Machini, que seria o guia principal, se recusou (e com razão) guiar com uma cargueira nas costas, então sobrou para mim e o Alexandre a incumbência de fazer o papel de burros de carga.
Quando o Machine montou os freios e nos chamou, minha boca já ficou seca, sabia eu que agora seria caminho sem volta, uma vez que eu tirasse os pés do chão, estava assinando um documento em branco ou um contrato sem poder ler as letras miúdas e dali para frente, não saberia mais que rumo poderia tomar aquela aventura, seria passageiro do destino, mas havia aceito o desafio e voltar atrás, não era mais possível. Sapatilha apertada nos pés, capacete afivelado, nós na corda conferidos, mochila nas costas e fui fazer história. Ganhei também a ranhura que nos levava um pouco para a esquerda, assim me desgrudando do chão, mas imediatamente já senti que a coisa não seria nada bonita. A força para se elevar na aderência, era algo que eu jamais havia experimentado em todos esses anos de escalada, tudo por conta do peso da mochila, além de que, a própria mochila ia empurrando o capacete e consequentemente, nossas cabeças em direção a rocha e não conseguíamos escalar olhando para frente, tentando analisar o terreno para saber melhor para onde poderíamos seguir. Quando cheguei à parada, ouvi as mesmas reclamações do Alexandre que veio logo atrás de mim e aí tomamos ciência de que aquela escalada estava fadada a nos levar em direção a uma das maiores aventuras das nossas vidas e que a palavra paciência teria que ser levada a sério.
Enquanto o Alexandre fazia a “segue” para o Machini, que já partiu para segunda enfiada, tratei logo de baixar o centro de gravidade da mochila, para que ela parasse de empurrar o capacete. A escalada melhorou, não muito, mas do jeito que estava, era impossível seguir. Subimos então até a P2 e sem perder tempo, partimos rapidamente para a P3 e quando lá chegamos, fizemos uma pausa estratégica, porque ali é possível ficar mais confortável por causa de um pequeno platô, onde se consegue dar uma aliviada nos pés e também para discutirmos a sequência da escalada, porque foi ali que da primeira vez, a gente perdeu a via e ficamos vendidos na parede.
Agora estava claro para gente. Da terceira para quarta parada, é preciso pegar uma diagonal reta, como se fôssemos subir bem no cantinho da grande rocha que chamamos de GELADEIRA, atravessando uns arbustos, numa escalada que no croqui, diz ser um terceiro grau, mas que na verdade é uma passagem bem exposta e se você cair, fazer um pendulo e se fuder todo. Eu passei ali, com a cargueira na costa e com o cu na mão e quando cheguei a parte da pedra, cheio de vegetação rasteira, me agarrei como se fosse um prato de comida. Mas pior ainda, é que do outro lado do mato, você tem que passar trepado também na horizontal e cair é coisa que é totalmente não recomendável. Ainda digo uma coisa, não é mesmo fácil fazer esse lance guiando não e nisso o Machini estava indo muito bem, tendo uma BOA LEITURA DAS VIAS. Terminado as partes horizontais, um pedaço de rocha é subido na vertical, mas desta vez, bem protegida, com bastante agarras, até que finalmente nos vimos de P4, a famigerada QUARTA PARADA, que tanto procuramos da outra vez, mas nada encontramos.
O próximo lance em direção a (P5) é justamente subindo toda a geladeira, escalando encima desse imenso bloco, até ganharmos outro platô, junto a uma matinha de pequenos arbustos e quando lá chegamos, começamos a notar que a vaca estava indo para o brejo. Já passava das 17 horas e nem percebemos que o tempo correu tão rápido. O vento soprava forte e gelado. O sol já fazia planos para picar a mula e para falar a verdade, como essa é a FACE LESTE da montanha, fazia tempo que não víamos a cara dele e já estávamos quase numa penumbra. A coisa não andava boa para a gente e agora seria uma corrida contra o tempo para que conseguíssemos chegar o mais cedo possível na primeira fenda, na primeira chaminé. E aí eu fico pensando o quão inocente nós fomos de pensar que poderíamos acampar na segunda chaminé, com possibilidade, quem sabe de tocar até o topo, nem que fosse a noite, ledo engano.
Quando partimos para a (P6), apesar de podermos descansar um pouco ali na P5, por ser confortável, nossos pés estavam fritando. A gente vinha sofrendo com o peso das cargueiras, os pés sendo esfolados e a coluna cada vez mais destruída. O esforço para se agarrar nas aderências e se elevar com as pernas, ia cada vez mais minando as nossas energias. O Machini subia mais para a direita e enfiou um equipamento móvel numa fenda para se proteger e continuou tocando para a esquerda até chegar à parada. Quando eu subi, tentei retirar o móvel, mas não consegui e deixei essa tarefa a cargo do Alexandre, que tentou de tudo, mas fracassou e infelizmente, tivemos que abandonar mais esse equipamento na parede, paciência, faz parte do pacote e quando nos juntamos na SEXTA PARADA, praticamente já não havia mais sol, só um arremedo de luz e uma parede monstruoso para nos assombrar a alma. Essa P6 tem uma história curiosa porque acaba confundindo os escaladores, onde em alguns croquis, pode se pensar que é a sétima parada e acho que foi por isso que um tempo atrás, esse ano mesmo, uns escaladores riscaram com uma pedra bem embaixo da chapeleta e do “p” , um grande asterisco com o número 6 e isso rodou a comunidade escaladora e rendeu muito “inquérito” , muito burburinho, gente querendo matar, quebrar os caras na pancada, mas que na realidade( não que a gente concorde com algum tipo de pichação) não era para tanto não e a única intenção , era mesmo deixar claro que aquela era sim a p6, mas isso também nem interessava muito pra gente, nosso foco era poder chegarmos na primeira chaminé , porque se isso não acontecesse, a gente ia se lascar bonito , já pensando que poderíamos dormir até pendurados na corda.
O Machini partiu e sobre as costas deles caiu toda a responsabilidade de conseguirmos arrumar algum lugar para passarmos a noite e na escuridão, com uma lanterna na cabeça e outra na canela, lá foi ele para a cartada final. A gente estava muito apreensivos com o rumo que aquela escalada havia tomado, mas como já estávamos na completa escuridão, já não nos importava mais que horas iríamos chegar, o importante era que chegássemos e se o Machini perdesse a via, a gente estaria lascado. Mas por sorte e competência, ele encontrou todas as chapeletas e gritou para que eu subisse.
Não sei o que me deu, estava meio fora do prumo, havia ficado alienado ao que vinha acontecendo, talvez por causa do frio e do vento cortante, estava meio estático, pensamentos aéreos e me esqueci completamente de procurar minha lanterna dentro da mochila e quando ele esticou a corda, saltei do meu porto seguro para a parede, na completa escuridão, apenas me valendo do pouco reflexo da lua que ameaçava nascer. Meus pés ainda estavam me matando, a mochila cortando minha cintura e meus ombros e nessa hora, a perna fica pesada e parece que as sapatilhas não vão dar conta de se grudar à parede.
Eu era um cego tentando escalar, as mãos procurando alguma ranhura para que eu pudesse continuar grudado à rocha, enquanto os pés roçavam a pedra na tentativa desesperada de achar um apoio. Fui me elevando, lentamente, praticamente escalando com todo o corpo, na esperança que algum atrito, por menor que fosse, me recolocasse cada vez mais para cima. Aquela situação não era boa, mas foi piorando cada vez mais, quando eu vi que por algum motivo, a corda não esticava e eu ia ficando vendido, sem proteção é aí que o psicológico começa a ir para o espaço, sabendo que não terei chances de errar. Por mais que eu tentasse gritar, o Machini não conseguia me ouvir, muito porque, a corda havia enroscado em algum lugar, dando algum arrasto e isso poderia levar o guia a pensar que eu estava parado. Mas parado era coisa que eu não poderia ficar, porque quando se está escalando em aderência, não há como ficar confortável na parede e quando se está escalando em aderência, a noite e como uma cargueira pesada nas costas, você está em completo desespero e só a força do ódio é que o mantem pendurado.
De cima da minha agonia, vi quando o Alexandre começou a subir, porque a lanterna dele ofuscava meus olhos. No desespero, acabei escolhendo uma rota que me pareceu mais fácil de subir e acabei me deslocando muito mais para a direita do que deveria e quando tentei voltar, fazendo uma travessia para a esquerda, já não era mais possível. Mão já não mais havia, então fiquei quase que encostando a cara na rocha para manter o equilíbrio, enquanto corria os olhos no escuro, tentando achar uma solução, mas o tempo foi passando e despencar da parede era algo que eu já tinha como certo e por causa da barriga na corda, já me via caindo encima do Alexandre. Como eu sempre digo: o desespero é que move o homem antes da derrota final e numa ação desesperada e atabalhoada, pulei para cima e me agarrei num patacão de pedra e ali fiquei, num misto de agradecimento e “amaldiçoamento”, com as pernas tremendo e o coração chacoalhando. “ Puta que o pariu, se eu não caí agora, não caio nunca mais. ”
O Machini puxou a corda, o Alexandre se aproximou e o orientei a não ir intuitivamente para a direita, porque eu já havia me fodido todo e, praticamente juntos, batemos na SETIMA PARADA.
Mais uma vez, com a segurança dada pelo Alexandre, o Machini partiu, mas agora no breu e na total ausência de luz, apenas sua lanterna o iluminava. Aproveitei a deixa para pegar a lanterna de cabeça. O nosso guia sumiu na escuridão e demorou uma eternidade para nos chamar. Ele acabou não achando a (P8) e caso eu não esteja enganada nas lembranças passadas nesse lance, ele descobriu um arbusto em um platô e fez dele uma parada e nos puxou, para que juntos, resolvêssemos que rumo aquela escalada tomaria. Eu e o Alexandre estudamos o croqui e chegamos à conclusão de que a linha de escalada, primeiro passava à esquerda dos matinhos e pequenos arbusto que estavam acima da gente, mas não deixamos de observar, que onde estávamos, poderia servir pelo menos para passamos a noite sentados, mesmo que fosse um lugar medíocre, mas no desespero, era melhor que ficar pendurado na corda.
Subimos mais um pouco, até que um rastro de trilha surge e aí tivemos certeza de que nosso caminho teria mesmo que entrar na vegetação e sem saber onde, em qual lugar era a ancoragem, nos ancoramos em um arbusto resistente e fizemos dele a OITAVA PARADA, e tecnicamente, esse parece ser o tal do PLATÔ DO L , mas nós não nos demos conta de que "L" estão falando, porque no escuro, pouco conseguimos ver. Já passava das oito da noite, estávamos extremamente cansados, o “guia” por ter que tomar a frente e nós por termos que nos prestarmos ao papel de burros de carga, tendo que escalar com 2 cargueiras gigantes nas costas. Tecnicamente, faltava só mais uma enfiada, um lance, para gente chegar até a primeira chaminé e então o Machini me ofereceu para guiar, mas eu já não enxergo lá grande coisa, então achei melhor que ele fechasse logo a escalada do dia, já estava mais que na hora de pararmos e eu poderia levar uma eternidade tentando localizar a parada da entrada dessa bendita fenda.
Esse último e derradeiro lance, é de se pensar que seria fácil, tanto que o Machini nem sapatilhas calçou, foi de tênis mesmo, porque no croqui, diz que é um trepa mato, mas na verdade, a enfiada atravessa do outro lado dos arbustos e ganha uma rampa inclinada demais e aí é preciso voltar a usar as sapatilhas, até que finalmente se chega na grande boca da chaminé, uma fenda gigantesca, escura, sombria e assustadora. Sem perder tempo, ele instalou os freios e puxou eu e o Alexandre e quando lá chegamos, nessa que seria a NONA PARADA, os relógios já marcavam surpreendentes nove horas da noite, fim da nossa jornada naquele dia, um dia duro de escalada, mas como nem tudo é tão ruim que não possa piorar, não havia lugar para acampar. E agora José ?
Tomei a frente e fui me enfiando para cima, avançando para dentro dessa PRIMEIRA CHAMINÉ, até poder ficar mais confortável junto a um bloco gigantesco de pedra, dentro de uma fendinha de uns 50 cm de largura, por menos de 2 metros de comprimento, onde num patamar acima dela, se segurava, sabe-se lá como, uma pequena árvore, onde havia um espaço minúsculo de uns 2 palmos por mais uns 2 palmos de largura e isso era tudo que tínhamos para passar a noite. Aquilo foi um balde de água fria que nos foi jogado aos 45 minutos do segundo tempo. Não havia mais o que fazer, pensamos até em descer, voltar para a parada anterior e ver se tínhamos mais sorte dentro dos arbustos, mas isso já estava fora da nossa capacidade e vontade, então, resolvemos que o nosso pesadelo ia ser ali mesmo.
Lá fora da fenda o vento urrava e ali, éramos apenas um nada, perdido há mais de 2.000 metros de altitude, presos numa parede de 700 metros, apenas 3 pontos de luz, isolados na imensidão da pedra fria. Eu e o Alexandre nos sentamos na fenda de meio metro de largura e o Machini se sentou junto à árvore e a abraçou, como se fosse sua garota. Nos enfiamos dentro dos sacos de dormir logo depois de comer comida fria, que havíamos levado em pequenas marmitas, já que também tínhamos desistido de levarmos os fogareiros. Eu, por ser menor e mais magro, fiquei com a parte mais estreita da fenda e virei praticamente uma cunha, sem poder mexer os braços, já o Alexandre teve que dormir com as pernas penduradas no vazio, numa situação extremamente terrível e desconfortável. Às vezes, para me livrar das câimbras, eu esticava as pernas encima dos ombros do Alexandre num constrangimento avassalador. Dormir era só modo de falar, eram cochilos de alguns minutos, numa noite que levou três dias para passar e quando o sol apontou no horizonte, fomos obrigados a nos levantar, ficar de pé e aplaudir, numa das visões mais belas e incríveis desses meus mais de 25 anos de montanhismo.
A nossa situação ali dentro da primeira chaminé, até então parecia muito boa, apesar da noite mal dormida, contávamos cada um com pouco mais de meio litro de água e como imaginávamos chegar antes do almoço no cume, achamos que seria suficiente, mas nosso achismo cairia logo por terra. Acima das nossa cabeças, uma fenda que se entendia por uma centena de metros, mas teríamos que escalar apenas 20 e sair da fenda pela esquerda, mas aqui no Pico maior, sempre se está escalando com o cu na mão por causa da exposição e a subida desses poucos mais de 20 metros é em livre, sem uma chapeleta se quer para poder proteger, cair é uma palavra que não existe, porque uma queda dessa altura é quebrar 3 pernas, 2 agora e mais uma para quando você reencarnar, é um bônus.
Já passava da oito da manhã e o Alexandre deu segurança para o Machini de dentro da chaminé e ele já grudou logo suas costas na face direita, a fim de facilitar a saída. Essa chaminé até tem um ponto de descanso por ter paredes irregulares. O Machini conseguiu localizar a chapeleta que fica fora da fenda e apesar de ter levado um tempinho, ficamos felizes por esse achado, já que não ver essa proteção é sinal de passar muito veneno, caso precise desescalar. E veneno mesmo, ele deve ter passado para sair de dentro da fenda e pular para fora, mas isso eu iria descobrir por mim mesmo.
Como seguia sempre o script, eu era sempre o segundo a subir e fui aconselhado pelo Alexandre a escalar a chaminé com a cargueira na frente. A ideia foi estúpida, não a de subir com ela na frente, mas a de subir aquela parede com um monstro de mochila. Uma vez preso à corda e se elevado uns 3 metros, não foi mais possível descer e muito menos me livrar da mochila. Mesmo com a corda vindo de cima, todo mundo sabe que cair numa chaminé é se lascar todo, então abri minhas asas feito um mandi e grudei minhas pernas, uma em cada lado da parede, mas o peso foi cada vez mais minando minhas energias e para piorar, a mochila à frente não me deixava fazer os movimentos corretos e eu pouco avançava e quanto mais demorava, maior eram as chances de eu cair, até que enxerguei a proteção, me agarrei nela e fiquei lá, parado, tentando me recuperar. Me pus de pé, agora fora da chaminé, beirando um abismo de centenas de metros.
Quando estudava o croqui, sempre achava que a saída da primeira chaminé seria um tanto problemática, mas me enganei, é simplesmente uma saída suicida. Você tem que desescalar para poder se posicionar numa linha onde vai conseguir uma sequência de pés e mãos, mas aí que está o problema. A passagem é totalmente horizontal, não há como receber nenhuma segurança e uma queda vai te lançar num vazio, fazer você pendular e se arrebentar todo. Fiquei lá, estático, completamente sem ação, sem coragem para me desgrudar da rocha, entregue a minha própria incompetência para sair da inércia em que me encontrava. O Machine me orientou a tentar avançar um pouco e me agarrar na fita mais longa que ele havia deixado numa proteção intermediária antes da parada, mas eu não tive coragem, fiz cara de paisagem, fingi que nem ouvi e não teve instrução que me fez desgrudar de onde estava, até que ele pediu para o Alexandre travar a corda dele para que eu pudesse usar de corrimão. Isso não serviu para nada, mas foi o suficiente para me dar uma proteção psicológica e devagarinho, fui me grudando, achando a posição das mãos e dos pés até que consegui me agarrar à fita e me lançar definitivamente longe daquela passagem do satanás, me juntando a ele na DÉCIMA PARADA.
O dia começou a passar numa velocidade nunca antes vistas e quando nos posicionamos na (P11), já estávamos nos aproximando da sua metade. Aqui é preciso abrir um parêntese, que passa longe de ser uma crítica, mas parece ser muito o estilo de escalada de nós Paulistas, desacostumados ao gigantismo dessas pareces fluminenses. O Machini é um excelente escalador e tivemos mesmo muita sorte de tê-lo agregado ao nosso grupo, mas não poderíamos deixar de notar que ele tem um certo ritual, que as vezes nos deixava um pouco nervoso, não nervoso de raiva, mas nervosos porque víamos o tempo correr rapidamente e preocupados se atingiríamos o cume com umas 2 horas de sol para podermos descer ainda de dia. A questão era o seguinte: Ele escalava rápido e com muita competência, mas tinha uns rituais extremamente lentos, que consistia em chegar, organizar equipamentos, tirar uma sapatilha, guardar, tirar a outra, guardar, pegar um tênis, colocar no pé, pegar o outro, colocar no pé, verificar trocentas outras coisas para depois montar o freio e nos puxar e depois que estávamos na parada, antes de começar a escalar novamente, os mesmos rituais se repetiam e lá iam 10, 15, 20 minutos perdidos. Parece pouco ou quase nada, mas se somarmos isso a 17 paradas, lá se foram horas perdidas em rituais. O Alexandre chegou até a comentar com ele, se ele não poderia diminuir um pouco esses rituais, mas ele disse que esse é o seu jeito de escalar, então deixamos que o destino nos guiasse até o cume. Aliás, não poderia deixar de narrar aqui alguns entreveros, nada que comprometesse a escalada, mas as vezes, em momentos tensos, o Machini mordia a chumbada quando o Alexandre tentava dar algum palpite sobre algum lance mais específico. – Oh Alexandre, para de botar duvidas na minha cabeça. (rsrsrsrssr) Mas isso eram coisas pequenas e irrelevantes, grande mesmo , era a questão da água que já havia acabado há muito tempo. Os caras beberam a água deles e também a minha, já que eu costumo beber bem pouca água e também achei que eles, por estarem fazendo as piores partes, também mereciam estar mais bem hidratados, mas a partir de agora, não havia mais água para ninguém.
No mesmo ritmo, chegamos finalmente na (P12), que é justamente a parada junto a entrada da SEGUNDA CHAMINÉ, ou um pouco abaixo dela, já que ainda há um lance de subida numa grande rocha, onde a gente vai se enfiando por uma fenda lateral até estar dentro da grande fenda. E foi uma grande surpresa chegar nessa chaminé e descobrir que não havia um lugar confortável nem para ficar em pé, quanto mais para acampar, como eram nossos planos iniciais e foi mesmo uma sorte temos nos detido na primeira fenda. Essa chaminé é gigante, muito maior que a primeira e também muito mais exposta e tínhamos informação que o melhor jeito de subi-la, seria não entrar muito para dentro dela, nos mantendo na borda, cada qual usando a distância da parede que lhe fosse mais confortável.
Claro que não iríamos repetir a burrice de subir com nossas cargueiras, como fizemos na primeira chaminé, muito porque, essa outra fenda é muito mais técnica que a primeira. Então o Machini subiu em livre porque não existe nenhuma proteção, nenhuma chapeleta em toda a extensão da parede da chaminé e é uma escalada com sangue no olho, sem a mínima chance de errar, um erro, um escorregão vai fazer o escalador ser jogado de uma altura de uns 30 metros direto para o chão. Nossas mochilas foram puxadas pelo Machini, mas esse processo levou uma eternidade e comeu muito tendo, do pouco que a gente tinha.
Encostei as costas na parede da direta e procurei achar a abertura da chaminé que mais me agradava, mas sinceramente, nenhuma abertura te deixa confortável, verdade mesmo, que para a gente que não escala muito chaminés, é uma tortura meio que angustiante, porque você perde um pouco a noção se está mesmo indo para o lugar correto ou se está abrindo muito, de uma tal maneira que parece que suas pernas irão perder sustentação e você vai cair. Claro que vão dizer que não há com o que se preocupar, afinal de contas, tem uma corda vindo de cima para te dar proteção, mas não é bem assim não. Cair significa ficar quicando de uma parede a outra até a corda parar de esticar e mesmo para quem está acostumado às grandes alturas, a visão lá de dentro, quando se está no meio da chaminé com aquela amplitude toda, não deixa de ser assustadora porque você está com o vazio da montanha há centenas de metros do chão e a todo momento eu pedia para que o Alexandre me dissesse se eu estava indo para o lado certo, em direção a DECIMA TERCEIRA PARADA.
Quando o Alexandre se juntou a gente na (P13), já passava das 3 horas da tarde e aí já comecei a desconfiar que o caldo iria desandar, que seria muito provável que não atingíssemos o cume com luz do sol. Pior ainda, pela minha cabeça, passam pensamentos de que teríamos muitos problemas para achar a continuação da via, caso ficássemos sem luz e eu nem disse nada, mas até me passou que poderíamos ter que voltar, mas eu não queria nem discutir o assunto.
Enfim chegamos na sequência de “ artificiais”, que nada mais é, que uma sequência de chapeletas há uma distância de pouco mais de 2 metros uma das outras, numa parede mais difícil de se escalar , onde em uma certa parte, o Machine pendurou um estribo, uma espécie de escadinha feitas de fitas, onde se pode subir enfiando os pés. Alguns escaladores também costumam “livrar” essa parte, ou seja, escalam sem esses artifícios, mas nessa hora, com o tempo escapando pelos dedos, tocar para cima era o que mais urgentes nós tínhamos. E realmente, não achei tão difícil esse trecho, achei até que tinha muito recurso para se fazer uma escalada normal, mas sem querer perder tempo, fui me segurando em todas as costuras que consegui alcançar, trepei na escadinha como deu e rapidamente chegamos a DÉCIMA QUARTA PARADA.
A próxima enfiada vai ganhar uma pedra abaulada, mas ao invés de subirmos diretamente por ela, em aderência, o melhor caminho é subir pela fenda da esquerda e assim que ganhar uma certa altitude dentro da fenda, ganha-se também o topo da rocha e daí para a frente, boas agarras nos conduzem a uma enorme curva para a esquerda, novamente teremos uma sequência em artificial, praticamente numa horizontal, uma espécie de travessia. Eu sem saber desse caminho, inventei de tentar subir sem usar a fenda, mas nessa hora, já não tinha mais dedos e nem pernas para tamanho esforço e quando tente voltar para a esquerda, tentando sair para a fenda, vi que o melhor seria mesmo desescalar e começar tudo de novo.
Quando batemos na DÉCIMA QUINTA PARADA, o dia já estava de aviso prévio. O Machine ofereceu para que o Alexandre puxasse a guiada, mas o Alexandre achou que já não era mais hora de ariscar e pediu para que ele continuasse guiando, afinal de contas, ele estava indo muito bem em relação a sequência da via e como em pouco tempo não mais existiria dia, melhor mesmo seria não ariscar e tentar acelerar o máximo que desse.
Eu estava mais apreensivo ainda, porque o Machine esticou a corda e parecia não estar mais achando o caminho, parecia totalmente perdido, sem saber para que lado ir. Eu tentava conversar com ele, tentando opinar sobre o que lia no croqui, enquanto o Alexandre se atentava à segurança, mas procurava falar pouco, já que ele era meio avesso a palpites. E ele estava realmente confuso e eu mais nervoso ainda, vendo o dia despencando no horizonte, até que ele disse que iria ariscar subir uma parede para ver se encontrava alguma proteção, nem que fosse uma chapeleta perdida para poder juntar a gente e vermos como faríamos para dar sequência àquela escalada.
O Machine me puxou. Fui escalando como dava, meio que pelo rumo, até que vi uma paredinha de uns 3 metros que dava acesso a um platô, onde encontre o estribo montado e ao subir, ganhei a DÉCIMA SEXTA PARADA.
Nesse momento, somos apenas um arremedo de gente. É notório que todos nós estamos destruídos. Minhas mãos e meus dedos estão em carne viva. Já faz quase 10 horas que não botamos uma gota de água na boca e estamos urrando de sede, mas nessa hora eu nem tinha tempo para lamúrias, estava totalmente passado, sentimentos e coração acelerado pelo momento que antecede a gloria. Eu era um homem totalmente fora de mim e já raciocinando apenas pela emoção, perguntei para o Machine se ele se importava que eu fosse à frente, enquanto ele trazia o Alexandre. Claro que não sabíamos se era possível subir o resto sem corda, mas como ele deu o aval e ainda pediu para eu ir me adiantando para ver se achava a linha de rapel, desclipei-me dá corda e parti para o cume.
Quando dei o último passo, o último impulso, o último sopro de energia daquela escalada insana, numa parede de 700 m, numa altitude de 2.366 m, estava fora de mim. Estava simplesmente absorvido por um sentimento que nem eu mesmo poderia explicar. Era um zumbi que vagava entorpecido pelo momento. O vento cortando a minha pele, minhas pernas trêmulas do esforço que eu vinha fazendo, muito além da minha capacidade física. Água, já não bebia desde a parte da manhã. Comida, já não sabia o que era há muito tempo. A certeza era uma só: EU ESTAVA NO CUME ou há alguns metros dele. Havia chegado ali com um pressentimento de que desistiríamos a qualquer momento. Não queria nem saber se o último lance daquela escalada, seria necessário subir grudado à corda. Já eram quase 18 horas, o sol já dando seu último suspiro. Escalaminhei cambaleando e pelo chão, fui derramando um oceano de lágrimas, de tal forma que, não enxergando o caminho até a pedra que marcava o cume, cai num buraco no meio do mato e tive que me agarrar numa pedra para de lá sair. Atabalhoado, desconcertado, inebriado pelo momento, alcancei o TOPO DO PICO MAIOR, a maior montanha de toda a Serra do Mar no Brasil e lá, naquele lugar mágico, liguei meu celular e comecei a falar nada com nada, palavras desconexas, desabafos sem sentidos, falando diretamente para o vento, que não fez questão de me ouvir.
Aquele momento era só meu, havia esperado muito por isso, havia engolido alguns sapos pelo fracasso dois meses antes, mas agora nada importava e só quem se dedica ao MONTANHISMO, aos esportes de Aventura, poderá compreender tudo isso, que vai muito mais além de ser só um esporte, porque existem muitas outras coisas envolvidas.
Na grande pedra, que assinala o Cume da Serra do Mar, vejo apenas um filete de raio de sol, que em mais 5 minutos decreta a morte daquele intenso dia de escalada e agora nos deixa, a noite como companhia. Desço da pedra e encontro, junto a uma clareira, a caixa onde foi instalada o livro de cume, mas passo batido e volto pouco mais de 50 metros abaixo do cume, onde encontro o Machine e o Alexandre enrolando a corda. Eles me parecem tão cansados, que não houve reações nem para comemorações exacerbadas, mas eu aproveitei a deixa, para agradecer aos dois, por terem feito parte daquele sonho. O Alexandre me pareceu bem emocionado e igual a mim, pareceu estar aliviado por ter cumprido um objetivo, por finalmente poder também escrever seu nome na história da escalada no Brasil, um verdadeiro marco nas nossas vidas de caçadores de aventuras.
Estávamos finalmente no cume, havíamos levado muito mais tempo do que imaginávamos, mas estávamos felizes porque sabíamos que estávamos preparados, caso precisássemos passar a noite no topo. Nossa estratégia de subir com equipamentos de camping havia sido acertada, mas infelizmente havia um fator que ia nos fazer penar, que era o fator sede. Poderíamos passar a noite ali com toda segurança, com certo conforto até, mesmo que a temperatura caísse muito abaixo de zero grau, mas ainda estávamos urrando de sede, nossa água havia secado desde a parte da manhã.
Eu não poderia resolver a questão da água, mas poderia pelo menos diminuir o sofrimento momentâneo. Foi aí que puxei do fundo da mochila, que guardei apenas para comemorar nossa ascensão, uma latinha de energético, uma pequena latinha de menos de 300 ml, mas foi o suficiente para fazer com que um sorrido escapasse do rosto dos meninos, já que estavam carrancudos. E depois de molhar a goela, consegui convencê-los a irem ao cume para assinar o livro e marcarmos definitivamente nossa passagem por uma das montanhas mais icônicas do país.
O CUME é bem grande, com vários lugares abrigados para se montar uma barraquinha, mas os meninos definitivamente não queriam sofrer de sede até o dia seguinte e resolveram que faríamos o rapel e desceríamos ainda naquela noite. Mas tinha um, porém: Como iríamos descobri a saída, o início da descida do rapel, no escuro? E esse é sim um grande problema, tanto que escaladores experientes acabam tendo que pernoitar no cume, sem equipamentos de camping e tendo experiências terríveis por não conseguir localizar o rapel a noite, o que pode botar a segurança em risco, caso a temperatura despenque muito ou mesmo uma chuva repentina pode ser um fator de vida ou morte e isso é muito sério.
Pois bem, até agora naquela escalada, eu havia tido um papel importante, mas nada comparado ao do Alexandre e do Machine e havia chegado a hora de dar minha contribuição. Eu havia marcado o ponto exato de onde partiria o rapel mais tradicional, que é o da a VIA SYLVIO MENDES, mas encontra-lo a noite, com o gps do celular atualizando a localização toda hora, não iria ser fácil. Tinha a informação de que, assim que a escalada atingi seu fim, era preciso pegar uma diagonal para direita, mas no escuro tudo complica. Procurei descendo para as bordas da montanha, mas não encontrei e quando voltei para falar para os meninos, fui obrigado a me clipar à corda, porque o Machini ficou desconfiado da minha capacidade de descer me pendurando nos arbustos e vegetação rasteira, sem saber que essa arte de desescalar sem corda na Serra do Mar, eu dominava como ninguém. Localizei para que lado realmente poderia estar e fui acompanhando pelo aplicativo do celular, que vez ou outra, enroscava e me levava para o lado errado, até atualizar e me devolver na direção certa. Por sorte, encontrei umas fitas reflexivas ao apontar minha lanterna e fui escorregando intuitivamente pelo capim, desescalando patamares, mas sempre com o protesto que vinha lá de cima, pedindo para eu não me ariscar tanto, porque a corda servia mais como um guia, do que como uma tabua de salvação, mas às 7 horas da noite, finalmente localizei as duas proteções da saída do rapel, me ancorei nelas e fiz segurança para que os meninos descessem até mim.
Nossa expectativa era que conseguíssemos descer até o chão em umas 3 horas, já que o rapel era longo, mas quando fomos ver, acabamos não encontrando o CROQUI DO RAPEL, então a descida seria literalmente no escuro. É possível fazer o rapel com uma corda de 60 metros, mas como estávamos com duas de 60, usaríamos as duas. E foi assim que o Alexandre nos abandonou e partiu para os abismos profundos, agora ele seria o guia encarregado de nos levar para o chão em segurança, mas nem imaginávamos que aquela descida, se tornaria mais uma aventura, porque nada é tão ruim, que não possa piorar.
O Alexandre desceu e vasculhou no escuro, se valendo da luz da lanterna e demorou um tempão até gritar que havia achada a outra parada. Descemos pela corda, que passa por uma espécie de gruta, nos fazendo pegar uma paredinha negativa. Tecnicamente ali seria a P11 da Sylvio Mendes, mas até então, sem o croqui, não tínhamos a menor ideia disso e quando o Alexandre partiu para mais uma tentativa de achar a próxima parada e não deu mais respostas, ficamos agoniados.
Estávamos ali, pendurados há centenas e metros do chão, no escuro, barriga roncando, boca seca de tanta sede, expostos ao frio e ao vento inclemente. Perguntei para o Maquine, o que poderíamos fazer se o Alexandre não conseguisse localizar a sequência do rapel e não conseguíssemos seguir em frente e sinceramente, esperava uma resposta mais técnica, já que ele era o mais experiente e ele jogou um balde de água fria no meu psicológico, já combalido pela situação em que havíamos nos colocado: - Haaaaaa, Divanei, não sei cara, estamos é fudido mesmo! Eu não disse nada, apenas fiquei ali, parado, inerte, pensamentos longes, olhando para o vazio, anestesiado. Na minha cabeça, dormir ali, pendurado na corda não seria problema nenhum, mas como desceríamos ao chão no outro dia era que me fazia um homem meio angustiado, já que nem sinal de celular conseguíamos ter e só vez ou outra entrava uma mensagem de WhatsApp e foi numa dessas vezes, que consegui enviar uma mensagem para o Vinícius, pedindo que ele me enviasse uma foto do croqui do rapel, já que eu não conseguia acessar a internet para procurar. O Alexandre demorou uma eternidade, mas quando ele gritou que havia localizado mais uma parada, meu coração se aliviou e descemos rapidamente até nos juntarmos novamente a ele.
A noite é outra que vai passando numa velocidade impressionante. Toda ação é morosa e parece ir emperrando a cada rapel, mas mesmo assim, vamos comemorando cada conquista, por menor que seja. Mas a coisa só melhorou mesmo depois que o Vinicius conseguiu nos enviar a foto do croqui do rapel. Até então, não sabíamos nem onde estávamos e pior ainda, quando chegávamos em alguma fenda gigante, não sabíamos se a parada estava fora ou dentro da fenda, era um tiro no escuro e felizmente a competência do Alexandre em localizar “P” e Chapeletas no escuro, era algo para aplaudir de pé, tanto que o Alexandre ofereceu para que o Machine conduzisse um pouco a descida, mas ele se recusou e eu, cego, não tinha a menor condição.
Quando a gente conseguiu se achar, depois de lermos o croqui, já estávamos na P6, bem na boca de uma fenda, onde se faz um rapel cretino, que te joga para dentro de um buraco em pendulo e faz você explodir os pés numa parede oposta até finalmente descer dentro de uma FENDA GIGANTE e estacionar na P5, conhecido por parada da árvore, por conter uma grande árvore que nasceu dentro da fenda, que é larga e poderia servir para um abrigo.
Na parada da árvore, que você não para na a árvore, mas até poderia, junto a parede da esquerda há uma ou duas proteções, acho que dois “P” e dali para frente, vamos nos enfiar definitivamente dentro de uma rachadura na montanha e ir descendo de degrau em degrau, passaremos por uma grande rocha, onde nos enfiamos por dentro dela. É um rapel chato, demorado, onde a corda vai enroscando em tudo quanto é lugar até nos vermos num platô, que antecede o último rapel antes de uma trilha, mas ainda não é a trilha do chão.
Ao chegarmos nesse platô (P2), a corda enroscou nessa pedra que havíamos passar por baixo e aí eu comecei a ouvir vozes. Quando cheguei embaixo, eu já estava parecendo um zumbi, mal ouvia o que os meus companheiros de escalada diziam e encostei-me num monte de galho e apaguei, mas antes de sucumbir, ouvi o Alexandre dizendo para o Machini que era para cortar a corda e ouvi o Machini responder que ia tentar fazer uma ascensão para tentar desenroscar. Uma meia hora depois, calculo eu, acordei quando ele voltou, tentei levantar-me, mas minhas duas pernas haviam travado de tanta câimbra. Rapidamente montaram o próximo rapel e descemos até o início da trilhinha, mas eu desci quase que raspando a cara na pedra, tentando suportar as dores intensas, até que ouvi alguém gritando que havia encontrado um buraco na rocha cheio de água.
Quando o Alexandre me perguntou as horas , quase caímos para trás. No meu celular marcavam três horas da manhã. A gente não tinha nem se dado conta de que havíamos passado quase a noite inteira lutando para escapar daquela parede e agora estávamos mais ainda desesperados por um gole de água. Água, agora havia e estava lá, abundante dentro de um buraco, mas era uma água imprestável, cheia de matérias orgânicas, fedendo a ovo podre e com cor de bosta de vaca diluída e para piorar, eu havia esquecido o maldito clorin, que sempre me acompanha no meu estojo de primeiros socorros. Estávamos a ponto de enlouquecer de sede, mas poderíamos esperar mais um pouquinho, até descermos ao chão e podermos beber, mas a nossa sorte virou novamente e sair de dentro daquela “Caverna do Dragão” não estava sendo fácil.
Estávamos na (P2) e tecnicamente só teríamos mais um rapel para chegarmos ao chão, mas antes de chegar até a (P1), tínhamos que fazer uma trilhinha de uns 10 ou 15 minutos. Essa trilha segue para a direita, paralela à própria parede, mas ao percorre-la, acabamos por nos perder na beira de um abismo que não nos levava há lugar nenhum. É uma trilha extremamente cretina, fechada e que pensamos nem ser ela, então retornamos para junto do poço de água, para ver se não tínhamos que descer reto, talvez a trilha estivesse mais abaixo, talvez tivéssemos que fazer algum pequeno lance de rapel para encontrá-la, mas não encontramos nada e ficamos ali vendidos, sem saber o que fazer, simplesmente desolados.
Não havia mais o que fazer, estávamos num mato sem cachorro, presos a meio caminho de lugar nenhum, sem saber como descer ao chão e sem forças para mais nada e com uma sede do cão, estacionados num lugar medíocre, que mal dava para morrer sentado. Mas eu me senti muito pressionado. Eu já não era lá um grande escalador que prestasse, mas era minha obrigação, pelo menos, mostrar minha competência em achar aquela maldita trilha dos infernos. Então deixei os meninos lá, apanhei minha lanterna e saí, meio que cambaleando no meio do mato, abrindo caminho no peito, raspando a barriga na pedra. A trilha realmente é muito confusa, pelo menos para quem está tentando encontrá-la à noite, mas ao ver uma fita refletiva, consegui encontrar o ramal que começa a descer à esquerda em direção ao vale, onde desescalei uma língua de pedra, até ser barrado por uma rampa mais perigoso. Era perfeitamente possível descer essa rampa, mas não quis ariscar durante a noite e vendo outra fita refletiva abaixo dela, concluí que era provável que aquele seria nosso caminho, mas não hoje, porque hoje não havia mais energia para mais nada, então voltei para onde estava os meninos e anunciei que no dia seguinte tentaríamos aquele caminho e mesmo que não fosse, desceríamos como desse até o chão.
Ao chegar lá, já encontrei os dois quase que desfalecidos, encostado numas pedras. Eu não estava melhor do que eles, só me mantinha em pé por ainda não ter encontrado um lugar para morrer, mas a minha sede era tanta que, sabia eu, jamais dormiria até que resolvesse esse problema. Passava das 4 da manhã e combinamos de dormir umas três horas, porque do jeito que estávamos, sofrer um acidente não era nada improvável.
Fiquei parado, até para respirar tinha dificuldade, a língua inchada de desidratação, garganta raspando. Olhei para o poço de águas gosmentas, senti ódio daquele desgraçado, senti ódio de mim mesmo, pelo que estava pensando em fazer. Apanhei uma velha garrafa pet na minha mochila, movi meus pés em direção a ele, enquanto o Alexandre me fitava de longe, como a tentar imaginar qual seria meu próximo passo. Caminhei devagar, caminhei tão devagar como se não quisesse chegar, mas cheguei. Me abaixei, enfie a garrafa no buraco e deixei que aquele liquido nojento corresse para dentro dela. Olhos arregalados, narinas fechadas e boca aberta. Estomago embrulhando, mas deixei o liquido escorrer pela minha goela, 300ml de pura gosma, 300 ml do mais puro desgosto. Aquela essência de ovo podre adentrou o meu ser e me fez virar um gremlin possuído. Devo ter sido infectado por um número sem igual de bactérias, vermes e protozoários, mas em um minuto, eu era um homem renovado pelo poderoso liquido, minha sede havia sido aplacada, agora posso morrer em paz.
Três horas depois o dia nasceu. Juntamos o equipamento de escalada e nos pomos a caminhar pelo arremedo de trilha até reencontrarmos o caminho que eu havia feito horas antes. Descemos um lance de pedra com um rapel de uns 10 metros e localizamos dois grampos de rapel em um grande bloco (P 01) e por ele fomos descendo por uma trilha até que o terreno desaba num vertical, um lance negativo que nos leva definitivamente para o chão, onde uma árvore gigante nos dá as boas-vindas. Finalmente alcançamos a trilha que irá nos levar de volta para o Abrigo, passando primeiro pela sede do parque.
A trilha é meio confusa, vai se enfiando no meio do capim alto, hora subindo, hora descendo, mas sempre se mantendo no alto do vale. Mas chegou uma hora que nos perdemos e pra nossa infelicidade, tivemos que varar mato no peito. Um mato cretino, onde acabei cortando minha mão e a vi jorrar sangue sem parar e isso me deixou bem puto, porque esperava encontrar um caminho bem consolido e acabamos caindo numa capoeira dos infernos. Nossa labuta para voltar a civilização só começou a melhorar quando nos encostamos o quanto podemos na parede do Pico do Capacete e ali conseguimos encontrar a larga trilha que nos levou lentamente ao vale, desembocando bem na estradinha, a menos de 10 minutos da sede do PARQUE ESTADUAL 3 PICOS.
O Alexandre estava tão destruído por falta de água, que se sentou na estradinha e deixou que eu e o Machine voltássemos um pouco pela estradinha para encontrarmos água no parque. Pegamos, portanto, para a esquerda e logo adentramos a porteira que dá acesso à área administrativa. Por causa da pandemia, o parques se mantem fechado juntamente com seu camping e lá não encontramos ninguém, mas encontramos uma torneira à beira de um barranco, pegamos água e fomos tomar deitados no gramando, saboreando cada molécula do precioso líquido, bebendo até passar mal.
Apanhamos água para o Alexandre e retomamos nossa caminhada. A estradinha vai descendo, passa pela Pedra do Sofá e adentra o gramado de onde partem as trilhas para o complexo dos 3 Picos, justamente no lugar onde tínhamos entrado 2 dias atrás e em mais 5 minutos, caímos em definitivo no Abrigo República 3 Picos, onde fomos recebidos pelo Paulo Mascarin, que nos ofereceu um café com pão de queijo, salvando nossas vidas. Oficialmente nossa missão estava cumprida, hora de comemorarmos o êxito daquela empreitada, onde escrevemos nossos nomes definitivamente na história, não só do Pico Maior, mas na história da Serra do Mar no Brasil.
Na década de 80, o grande navegador Amir Klink , ao começar seu projeto para cruzar o Atlântico num barco a remo, descobriu que todos fracassavam ao tentar lutar contra o capotamento dos barquinhos, então ele teve a brilhante ideia de parar de lutar contra as forças da natureza, então simplesmente, construiu um barco que poderia capotar, voltando a navegar normalmente e assim cruzou da África até o Brasil em 100 dias. E essa foi nossa inspiração: Se mais de 80% dos escaladores, principalmente paulistas, fracassavam por causa do tempo ou tinha uma experiência de quase morte, tendo que dormir no cume sem equipamento, então a gente iria subir preparados para dormir na montanha e poderíamos ter o tempo que precisássemos. E como relatei aqui, foi uma estratégia mais do que vencedora e mesmo que tenhamos passado uns perrengues por causa da falta de água, mesmo assim, em nenhum momento corremos riscos de vida. Claro que agora aprendemos como se escala uma montanha com essa envergadura e hoje poderíamos subi-la em um só dia, mas isso não mais importa. O sonho de alcançar o Cume da Serra do Mar no Brasil foi realizado e isso ninguém mais tira da gente.
NOTA IMPORTANTE: Esse relato foi escrito para as pessoas em geral, que na sua grande maioria, não escalam e não compreendem os termos técnicos da escalada, portanto, na medida do possível, tentei fazer um texto simples, focando mais nas experiências humanas do que na técnica da escalada. E esse texto passa longe de querer ensinar como se escala uma montanha dessa envergadura, mesmo porque, eu não me considero escalador e sim, um bom carregador de cordas. Mesmo assim, acredito que para quem vai escalar o Pico Maior pela primeira vez, esse texto contém algumas dicas bem interessantes, porque a escalada Clássica não se resume apenas no ato de trepar em pedras e paredes, vai muito mais além disso.
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Equador: 11 dias sozinho pela avenida dos vulcões! Quito, Latacunga, Baños, Riobamba e Cuenca - Janeiro/2020
Olá a todos!
Vim aqui relatar a viagem que fiz sozinho neste incrível país que é o Equador. Ao total foram 11 dias, entre 19 e 30/01/2020. Eu foquei em conhecer a região do país conhecida como Avenida dos Vulcões, indo de Quito até Cuenca.
Gostei muito dos lugares que fui, e recomendo para todo mundo!
ROTEIRO
Dia 0: (19/01/20) – Voo noturno SP – Quito
Dia 1: (20/01/20) – Quito – Mitad del Mundo e centro histórico
Dia 2: (21/01/20) – Quito – Centro histórico
Dia 3: (22/01/20) – Quilotoa (desde Quito)
Dia 4: (23/01/20) – Cotopaxi – noite em Latacunga
Dia 5: (24/01/20) – Baños – Casa del Árbol
Dia 6: (25/01/20) – Baños – Bike pela Ruta de las cascadas até o Pailón del Diablo
Dia 7: (26/01/20) – Riobamba
Dia 8: (27/01/20) – Riobamba: Chimborazo
Dia 9: (28/01/20) – Riobamba – Cuenca
Dia 10: (29/01/20) – Cuenca – Parque Nacional Cajas
Dia 11: (30/01/20) – Cuenca de dia, voo a noite
DICAS GERAIS
Dinheiro: O Equador usa o dólar como moeda oficial, o que facilita bastante a viagem pois não é necessário realizar mais um câmbio do dólar para a moeda local. Apesar da conversão desfavorável do dólar para o real, o Equador é sim um país muito barato!
Para estes 11 dias, eu gastei um total de 420 USD lá no Equador.
Passagens aéreas: Eu peguei o voo direto de São Paulo para Quito, que é operado pela Gol. Para esta passagem, paguei R$ 1800,00. O voo sai de São Paulo às 19h e chega em Quito às 23h. Para a volta, ele partiu de Quito 00h30 e chegou em São Paulo 08h20.
Para voltar de Cuenca para Quito, optei por voar para não perder um dia de viagem. Este voo foi da Latam, e custou R$ 123,00. Foram incríveis 35 min de voo.
Ônibus: Fiz todas as viagens pelo país de ônibus (com exceção do trecho Cuenca – Quito, para voltar). De maneira geral, os ônibus no Equador são muito bons e baratos. Quase que a totalidade das viagens custaram entre US$ 2 e 2,50. A passagem mais cara foi entre Riobamba e Cuenca, US$ 8,00 para 6h de viagem.
Não é preciso comprar as passagens de ônibus com antecedência, geralmente ou se compra na rodoviária na hora, ou até se paga dentro do ônibus. Não tive nenhum problema com falta de assentos.
Nos ônibus sempre há música tocando, ou algum filme de ação passando, e com vários vendedores de comida em cada parada, o que torna as viagens interessantes.
Hospedagens: Em geral, os hostels no Equador custam de 6 a 10 USD, podendo ter ou não café da manhã incluso. Estes foram os lugares que me hospedei:
Quito: El Patio Hostel
Latacunga: Hotel Rosita
Baños: Papachos Hostel
Riobamba: Hostel Villa Bonita
Cuenca: Selina Hostel
Comida: Refeições no Equador também são baratas. Pode-se solicitar nos restaurantes o menu “almuerzo”, que contém uma sopa de entrada, um prato principal e um suco por um valor entre US$ 2,5 – 5, que irá satisfazer bastante a fome após as trilhas e caminhadas pelas cidades.
Clima: Na época de janeiro fez frio, calor, tempo seco e chuva, então é preciso estar preparado para tudo hahaha. Mas de maneira geral, com a altitude o clima é mais frio, então um casaco e uma jaqueta corta-vento/chuva são muito bem vindos. Em Baños estava bastante calor, então a bermuda foi bem-vinda por lá. Acredito que as temperaturas tenham variado entre 5 e 26°.
RESUMO GERAL DOS ATRATIVOS:
QUITO: Centro histórico, Mitad del Mundo, Teleférico e vulcão Pichincha (não fui nesses por causa do mal tempo).
LATACUNGA: Quilotoa, uma lagoa na cratara de um vulcão, e o Cotopaxi, o vulcão mais icônico do Equador.
BAÑOS: É a cidade dos esportes de aventura do Equador (rafting, bungee jumping, etc). Fui para a Casa del Árbol (balanço do fim do mundo), a Rota das Cascadas até o Pailón del Diablo de bicicleta, e os banhos termais “Termas de la virgen”.
RIOBAMBA: A cidade fica ao lado do vulcão Chimborazo, o mais alto do Equador. Não fui, mas também me recomendaram muito a trilha de 2 dias para a Laguna Amarilla, no vulcão El Altar.
CUENCA: A cidade mais linda do Equador, com um centro histórico incrível. Também fica ao lado do Parque Nacional Cajas, que merece a visita.
DIA A DIA:
Dia 0: (19/01/20) – Voo SP – Quito
O voo da GOL de São Paulo para Quito leva em torno de 6h. Cheguei lá as 23h, e peguei um taxi para o meu hostel. O valor da corrida era tabelado em US$ 25,00, com certeza o preço mais abusivo de toda a viagem. Por causa do horário, acho que compensou, porém acredito que exista também ônibus para o centro.
Me hospedei no bairro La Mariscal, o bairro bohêmio de Quito. Ele é bom para caminhar, com diversas opções de bares e restaurantes a noite. Porém, acredito que teria sido bem mais prático estar em um hostel já no centro histórico de Quito. Falam que lá, porém, é mais perigoso para se caminhar a noite.
Dia 1: (20/01/20) – Mitad de Mundo e Centro Histórico
Quito tem algumas linhas de ônibus, no estilo BRT, que funcionam muito bem. Paga-se US$ 0,25 pela passagem na estação, e a linha é quase como um “metrô” de ônibus. Todas elas só têm 2 sentidos: Sul ou Norte (Quito é estreita e comprida).
Caminhei até a linha que possui como final à norte a estação Ofelia. Chegando lá, é só tomar o ônibus “Mitad del mundo” e descer na frente do museu. Este custou US$ 0,15 (atenção, este não é o ponto final! Peça para o cobrador avisar quando descer).
O parque do monumento “Mitad del Mundo” é famoso por ser considerado o local em que a Linha do Equador passa. Ele custa entre 5 e 10 dólares, se me lembro bem. Lá estão diversos museus, experimentos de ciências, e o famoso monumento com a linha do Equador. Também existem diversos restaurantes com bons preços por lá. É um passeio de umas 3h para visitar tudo.
De lá, tomei os ônibus de volta, e desci na estação que fica no centro de Quito. O centro histórico é bem bonito, e caminhando pode-se conhecer muita coisa interessante!
Ao final da tarde uma tempestade chegou. Fiquei ilhado no mercado municipal, que já estava fechando. Voltei ao hostel e jantei pelo bairro La Mariscal.
Monumento Mitad del Mundo e a linha do Equador. Sentado entre o norte e o sul!
Vista desde o topo do monumento.
Centro histórico de Quito.
Plaza de la Independencia (Plaza Grande) no centro histórico de Quito.
Dia 2: (21/01/20): Centro Histórico de Quito
O meu plano neste dia era subir o teleférico de Quito, e lá de cima fazer a trilha até o cume do vulcão Rucu Pichincha. O dia, porém, amanheceu bastante nublado.
Não me dando por vencido, peguei um ônibus até a base do teleférico (~0,20 dólares), e de lá um táxi subindo a montanha até sua entrada (1,00 USD). Chegando na entrada, a neblina estava muito intensa, e não era possível ver nada, o que dirá 1000 m acima, numa altitude de 4000 m, onde o teleférico sobe. A moça dos ingressos me informou que era até perigoso subir o Rucu Pichincha. Eu então desisti de subir o teleférico. Porém, fica a recomendação, caso o dia esteja limpo. Os ingressos custam 8,00 USD. Além da neblina, o resto do dia ficou inteiro chovendo, então foi bom eu ter desistido hahah.
Peguei um taxi até o centro da cidade, pois havia um Free Walking Tour que iria começar 10h30, que ainda havia tempo para eu participar. O tour durou por volta de 3h, e achei bastante razoável. Acho que, porém, aproveitaria mais caminhando sozinho. O tour que realizei foi o do Community Hostel.
Após o tour, fui até a Basílica de Quito, onde é possível subir até o topo das torres por 2,00 USD. Achei muito legal, as escadas são muito íngremes e a vista é incrível de toda a cidade. A torre fecha as 16h30, então é preciso chegar lá antes disso. Essa basílica é conhecida por ser a “Notre Dame” de Quito.
Um dia para visitar o centro de Quito é suficiente. Seria possível ir também até o Panecillo, outro mirante na cidade, mas achei que não seria necessário após subir a catedral.
Calle La Ronda, uma das ruas mais famosas do centro de Quito.
Ao fundo, a Basílica do Voto Nacional.
Quito ou Paris?
Rumo às torres da igreja.
Vista de todo o centro histórico de Quito, e do mirante do Panecillo.
Escadas nada íngremes.
Dia 3: (22/01/20) – Quilotoa
Minha recomendação é dormir uma noite antes em Latacunga para visitar o Quilotoa. Eu fiz um bate-volta desde Quito, e achei que seria muito melhor ter ido a partir de Latacunga. Porém, não me planejei muito bem e já tinha reservado mais uma noite no hostel em Quito.
Bom, saí do hostel as 06:00 e tomei o ônibus até a estação final à Sul, Quitumbre. Este percurso levou cerca de 1h, desde La Mariscal, já é longe então.
A estação Quitumbre é a rodoviária de Quito (Terminal Terrestre, em espanhol). De lá, peguei um ônibus até Latacunga, que levou cerca de 1h30.
De Latacunga, é preciso pegar mais um ônibus até Quilotoa. Ele irá parar bem próximo à lagoa, e demora pouco mais de 1h para chegar. No ônibus conheci 2 colombianos e 1 espanhola. Nós fizemos o passeio juntos.
Chegando em Quilotoa, uma desagradável surpresa: muita neblina e garoa, com direito à fotos expectativa x realidade hahaha. Nada como um bom perrengue. Almoçamos por lá para esperar o tempo melhorar: não melhorou.
Nos falaram que a dica para não pegar neblina alguma é ir super cedo, o que não fizemos. Mas, descendo a trilha até o lago, a neblina melhoraria, pois as nuvens não baixam na cratera. E foi o que fizemos! Descer levou cerca de meia hora, e foi possível avistar a linda lagoa! Descemos até a água, tiramos várias fotos, e depois subimos. A subida é íngreme, mas não achei tão terrível quanto li por aí. Certamente vale a pena descer até a água. Levamos cerca de 45 min para subir.
Pegamos o ônibus de volta para Latacunga, e depois voltei para Quito. Os outros, espertos, ficaram em Latacunga!
Combinei de ir com eles ao Cotopaxi no dia seguinte, e nos encontrar as 08:30! Ou seja, tive que madrugar dia seguinte também...
Cheguei no hostel as 22h este dia, após jantar um KFC ao lado do ponto de ônibus.
Expectativa...
Realidade kkkk
Descendo ainda estava com cara de Silent Hill.
Eis que deu para ver a lagoa!
Companheiros de perrengue.
É possível andar de caiaque nas águas do Quilotoa.
Exercício para subir.
Na subida teve até um arco-íris!
Dia 4: (23/01/20) – Cotopaxi
Saí do hostel às 4h45 da manhã com novamente com destino a Latacunga. Desta vez, já levei minha mochila.
Como era muito cedo, os ônibus ainda não estavam passando, então tomei um Uber até Quitumbre por 5,00 dólares (durante o dia seria 10,00).
Consegui chegar às 07:30 em Latacunga, e andei até o Hotel Rosita, onde os colombianos estavam. O café da manhã lá custou 2,00 é era muuito bem servido, recomendo. Ao final, acabei me hospedando lá no fim do dia. Saiu mais caro que um hostel, 12 USD, porém pude ter uma boa noite de sono em um quarto privativo após tanto madrugar.
Após o café da manhã, nos destinamos ao parque do Cotopaxi. Nós fechamos um jipe desde Latacunga por 30,00 USD cada. O motorista era o próprio dono do hotel. Acredito que se tivéssemos ido até a portaria do parque de ônibus e de lá tomado um jipe, teria sido bem mais barato (e é totalmente possível), mas também estava ok o preço, considerando a comodidade. Em revanche ao dia anterior, desta vez o tempo estava perfeito, e o Cotopaxi estava sem nuvem alguma!
Após algumas paradas para fotografias, chegamos de carro até o estacionamento, e então subimos andando até o Refúgio (4864 m). De lá, continuamos subindo até o glaciar do vulcão (5100 m). Nesta altitude já era bem mais difícil caminhar. Na altura do primeiro refúgio já havia neve, porém ela só é completa aos 5100 m, onde é necessário estar com grampos nos pés para subir.
Eu até considerei realizar o passeio de 2 dias para subir até o cume do Cotopaxi, mas como estava com poucos dias para me aclimatar na altitude, e o passeio é um tanto caro, decidi deixar para uma próxima viagem.
Após descermos até o carro, fomos até um lago com diversos pássaros, e até o museu do parque. Por fim, nosso guia nos levou para almoçar em um restaurante na estrada em que o almuerzo era 5,00 USD. A vista do restaurante para o Cotopaxi era incrível! Valeu muito a pena.
Descansamos o resto do dia, e a noite jantamos por Latacunga.
Cotopaxi com o clima perfeito!
Gigantesco!
Vulcão com lhama? Por isso que o Equador não desaponta!
A partir do estacionamento, começa a caminhada.
Chegando no Refúgio José Rivas, 4864 m de altitude.
Rumo ao glaciar, até os 5100 m de altitude!
O glaciar! A partir daqui, só com equipamentos especiais para caminhar.
Almoçar com essa vista é chato.
Simpática lhama equatoriana.
Dia 5: (24/01/20) – Baños – Casa del Árbol
Pela manhã tomei novamente o café da manhã reforçado do Hotel Rosita, e então tomei o ônibus para a cidade de Baños. Desde Latacunga não há ônibus direto, então foi preciso trocar de ônibus na cidade de Ambato, uma baldeação super tranquila. A viagem foi super rápida (o Equador é muito pequeno hahah). Do ônibus já foi possível observar as montanhas arborizadas que cercam Baños, rios de corredeiras rápidas, e o vulcão Tungurahua, todas as paisagens de Baños.
Assim que cheguei, fui andando até o hostel Papachos, que fica bem localizado ao final da cidade. Deixei minha mochila e troquei de roupa: em Baños estava bem quente!
A cidade é bem pequena e movimentada com turistas, por todos os lados há agências de turismo e aluguéis de bicicletas. Dei uma volta a pé e comi um clássico almuerzo.
As 16h peguei o último ônibus até a Casa del Árbol, o ponto turístico mais conhecido de Baños. O ponto de ônibus era bem próximo ao meu hostel, e os horários dos ônibus são bem definidos, vale a pena prestar atenção, pois o último era as 16h. Cada trecho da viagem custou 1 USD. Chegar até lá levou mais ou menos 40 min, e na viagem o ônibus vai subindo o tempo todo a montanha, muito alto! Eu sei que é possível subir e descer até lá andando, porém preferi o ônibus mesmo.
Chegando ao topo, é preciso pagar uma entrada para a área da Casa del Árbol (1 USD). A casa na árvore é famosa pelos seus 2 balanços, o balanço do fim do mundo! Achei muito divertido, porque lá tem um pessoal que fica empurrando os balanços muito forte, é bastante intenso kkk. Recomendo ir para a fila dos balanços assim que chegar, porque depois a fila só cresceu e era impossível ir de novo. Mas também é muito engraçado ver os caras empurrando as outras pessoas.
Lá é possível subir na casa da arvore também, apreciar o precipício de 2700 m de altitude, e, se der sorte com as nuvens, ver o vulcão Tungurahua ao fundo. Tive alguns momentos de sorte!
Também tem uma lanchonete e uma tirolesa lá em cima, no geral é um bom lugar para passar o tempo.
O ônibus desceu às 18h, e foi tempo suficiente para ficar lá em cima e aproveitar todo o passeio. Recomendo levar um casaco lá para cima, porque no fim do dia o tempo muda bastante, e faz frio.
A famosa casa na árvore.
Um pouco de diversão no passeio!
Eles levam a sério a questão de empurrar o balanço hahaha!
O vulcão Tungurahua deu as caras!
Dia 6: (25/01/20) – Baños – Ruta de las cascadas
Este foi o dia de realizar o segundo passeio mais famoso de Baños: alugar uma bicicleta pedalar os 20 kms da Ruta de las Cascadas (rota das cachoeiras) até a cachoeira mais famosa do Equador: o Pailón del Diablo.
Peguei uma recomendação de agência de aluguel de bicicletas no hostel, mas chegando lá, todas as bicicletas estavam todas esgotadas (boatos que aquelas são as melhores bicicletas, se não me engano a agência se chama Wonderful). As bicicletas em todos os lugares que vi custam 5,00 USD o aluguel. Me levaram para outra agência, e lá conheci uma chinesa, com quem fiz todo o passeio. Junto com a bicicleta, as agências também dão capacete, material para trocar a câmara de pneu, corrente para amarrar a bicicleta e uma mochilinha com tudo isso.
Recomendo testar fortemente a bicicleta antes para ver se as marchas e freios estão todos ok. Eu testei bastante a minha, mas tive um grande perrengue. Após a primeira grande decida (uns 3 kms), a corrente da minha bike arrebentou. Tive que voltar até a agência para trocar a bicicleta. Por sorte consegui carona em uma caminhonete para subir até a cidade, se não o perrengue teria sido muito maior!
O caminho é basicamente só decida, então é muito fácil. Ele segue pela pista da rodovia, mas não há nenhum problema nisso, é bastante tranquilo. Em vários momentos, quando há algum túnel, há um desvio para bicicletas pela direita, contornando a montanha por fora do túnel, o que faz o passeio ser bastante seguro. Pela rota é possível ir apreciando várias cachoeiras e o rio lá abaixo. Há várias opções de tirolesas no caminho, mas não fomos em nenhuma.
Ao final do passeio, chegamos ao Pailón del Diablo. Ele possui duas entradas. A primeira entrada leva ao topo da cachoeira, e a segunda é uma trilha que desce até sua base. Escolhemos ir na segunda.
Amarramos as bicicletas na entrada e descemos a trilha pela floresta. É uma descida razoável, deve ter 1 km. Lá embaixo é preciso pagar a entrada para a cachoeira (2 USD). Dica: vá com roupa que possa molhar! A água da cachoeira é tão forte que encharca qualquer um! É muito divertido. É possível seguir o caminho e se rastejar por uma caverna para chegar atrás da queda d’água, é uma aventura! Também há uma famosa escada de pedra lá, que não faço ideia de como que foi construída. De baixo é possível ver toda a queda d’água.
Saindo do parque, é possível desviar para uma ponte suspensa, e ter uma visão de longe do lugar.
Após subir a trilha, almoçamos em um dos diversos restaurantes que tem na estrada, na entrada do parque. Os preços são sempre os mesmos, e a comida era bem boa.
Ouvi falar que se continuar pedalando pela estrada principal, após o Pailón, há mais uma cascata em que é possível nadar. Porém, como já estávamos muito molhados, decidimos voltar. Para voltar ao centro de Baños, não é preciso ir pedalando. Diversos caminhões levam todo mundo e as bicicletas por apenas 2 USD, e vale super a pena (a volta seria uma grande subida).
Uma das várias cachoeiras do caminho.
Um dos desvios para as bicicletas, pela direita do túnel.
A trilha para o Pailón del Diablo é pela floresta.
Esse chuveiro tem pouca água.
As escadas do Pailón del Diablo.
Para chegar atrás da queda d'água é preciso se aventurar.
Será que molha para chegar atrás da cachoeira?
De banho tomado.
Pailón del Diablo e a ponte suspensa.
A volta de quem não encara pedalar na subida.
De volta à cidade, aproveitei para descansar o resto da tarde. A noite decidi ir a uma das grandes atrações da cidade, os banhos termais! A final, o nome da cidade não é Baños por acaso (o nome correto é Baños de Água Santa, melhor ainda!).
A terma da cidade (Termas de la Virgen) fecha pela tarde, e reabre as 18h. Ela fica localizada próxima à entrada da cidade, ao lado de uma cachoeira que é visível de toda a cidade. Essa cachoeira se chama Cabellera de la Virgen.
A entrada para as termas custou 4,00 USD. É preciso ter uma touca de banho, e os hostels geralmente têm para emprestar, mas se você não levar, é possível comprar lá nas termas também. Lá há cabines para se trocar, e há um guarda volumes, então não há preocupações em onde você vai deixar sua mochila.
São dois andares de piscinas termais. No superior, que é onde está o guarda-volumes, há uma piscina quente (38°C) e uma de água fria. A de água quente fica muito lotada, mas é bem divertido, porque é ocupada por vários equatorianos locais e suas famílias.
No andar de baixo há toda uma atração especial. Lá está a piscina de água mais quente (44°C)! Parece que você está dentro do vulcão, porque cada movimento dói hahah o ideal é ficar parado na água, que assim fica suportável. Para revezar, há uma piscininha ao lado com a água super gelada, direto da cachoeira (~17°C). É muito divertido trocar entre piscinas, o choque térmico é incrível!
Apesar de lotado, achei muito legal a experiência das termas, é um passeio bastante tradicional de Baños, e pessoas de todo o Equador vão para lá desfrutar das águas aquecidas pelo Tungurahua.
As famosas termas de Baños, ao lado da cachoeira.
Apesar da muvuca, é bem relaxante kkkk essa é a piscina de 38°.
A piscina de água quase fervendo, e a banheirinha de águas congelantes para o choque térmico.
Dia 7: (26/01/20) – Riobamba
Após uma manhã preguiçosa, tomei um ônibus de Baños rumo à Riobamba. A viagem novamente foi bem rápida. A cidade de Riobamba é famosa por estar aos pés do vulcão Chimborazo, o mais alto do Equador (6267 m).
Fiquei no hostel Villabonita e recomendo fortemente esse hostel, ele tem as MELHORES camas de todo o Equador, uma delícia. Além disso, todos os viajantes que conheci depois ficaram nesse hostel e falaram a mesma coisa hahah então o negócio é sério. O hostel fica em um casarão antigo, bem tradicional. Ele tem poucos quartos, e tem café da manhã incluso.
Como era domingo, quase tudo na cidade estava fechado, mas depois de um pouco de caminhada consegui achar um lugar para almoçar. Achei a arquitetura da cidade bem bonita, ela é mais antiga e bem preservada.
Conheci no hostel uma tailandesa que também queria ir ao Chimborazo no dia seguinte, e combinamos de irmos juntos.
Pela noite reencontrei por acaso uma romena que havia conhecido em Quito e que estava ficando no mesmo hostel, e também conheci no hostel um brasileiro, um americano e um polonês. Eles haviam ido até o Chimborazo esse dia, e disseram que o tempo estava perfeito, e que no dia seguinte estaria ainda melhor. Fiquei muito animado com o meu passeio do dia seguinte! Fomos andar pela cidade juntos. O céu abriu e foi possível ver o Chimborazo na distância, enorme!
Jantamos pizzas e foi uma noite bem divertida.
Arquitetura bem preservada.
Ao fundo o Chimborazo e seus 6267 metros.
Dia 8: (27/01/20) – Riobamba - Chimborazo
Após um reforçado café da manhã no hostel, eu e a tailandesa tomamos um taxi até a rodoviária. De lá nós tomamos um ônibus com destino à Guaranda, e pedimos ao motorista para nos avisar onde era a portaria do parque do Chimborazo. Esse é o jeito mais fácil e barato de chegar ao parque. No ônibus nós conhecemos um casal alemão, o que foi muito legal. Na portaria do parque estão vários jipes que podem levar até o primeiro refúgio (Hermanos Carrel – 4800 m de altitude). É possível subir a pé, mas recomendo pegar um jipe, pois a trilha é bastante longa. Não lembro exatamente o custo, mas creio que tenha sido 10 USD para cada, pois dividimos em 4 pessoas.
Deste refúgio seguimos caminhando por uma hora até o próximo refúgio, Whymper (5000 m de altitude). Nesse ponto já havia esfriado, e havia muita neve na trilha. Continuamos subindo 10 min até a última parada, a lagoa Condor Cocha, a 5100 m. A lagoa é feia e marrom, mas a vista do cume do Chimborazo é impressionante, e o tempo estava perfeito.
Resolvemos subir mais um pouco, e a vista de cima é ainda melhor! O Chimborazo é realmente impressionante.
Descemos até o jipe e voltamos para a portaria. Lá esperamos o próximo ônibus passar na estrada (o pessoal do parque sabe exatamente os horários, então vale a pena perguntar para eles quando o próximo passará). Chegamos em Riobamba esfomeados, deveria ser por volta de 16h. Da estrada era possível ver tanto o Chimborazo quanto o El Altar, um outro vulcão da região que me recomendaram muito ir. Almoçamos ao lado da rodoviária em um restaurante muito bom e barato!
De noite, jantei pizza novamente com o pessoal do hostel. Novamente uma noite divertida.
Até o primeiro refúgio é possível chegar de jipe.
Refúgio Hermanos Carrel.
A partir daqui, só caminhando.
O próximo refúgio lá em cima.
Refúgio Whymper.
A subida final até a laguna Condor Cocha.
A laguna Condor Cocha e sua água barrenta hahaha. A montanha é que vale a visita.
Tem gente que desce do refúgio Hermanos Carrel até a portaria de Bike.
A paisagem do parque é bem desértica.
O Chimborazo visto da portaria do parque.
Dia 9: (28/01/20) – Cuenca
Pela manhã peguei um ônibus para Cuenca. Essa foi a viagem mais longa de ônibus que tive (6 horas). Fui junto com um alemão que estava no mesmo hostel que eu, fomos conversando então a viagem passou mais rápido.
Chegando em Cuenca, combinamos de ir no dia seguinte até o Parque Nacional Cajas.
Fui até meu hostel (Selina Cuenca). Ele era gigante, e com uma decoração toda diferentona, parecia um hotel. Achei muito bom.
Cuenca é uma cidade linda, a mais bonita de todas as que fui. Ela é toda arrumada, lembra um pouco a organização de cidades europeias, com um espírito latino americano. Vale a pena ter um dia só para ficar passeando.
Pela noite reencontrei a espanhola do Cotopaxi, e junto com dois franceses nós fomos jantar Cuy, o tradicional porquinho da índia andino. A experiência foi peculiar kkkk ele não é muito bom, mas também não é ruim.
Construções de Cuenca.
Dia 10: (29/01/20) – Cuenca – Parque Nacional Cajas
De manhã fui com o alemão, a espanhola e os franceses para o Parque Nacional Cajas, um parque a 4000 m de altitude, com montanhas e lagos, uma paisagem linda! Nós pegamos um táxi até a rodoviária, e de lá um ônibus com direção a Guayaquil. É só pedir para o motorista avisar quando descer, que o ônibus para na portaria do parque. Na recepção, nos registramos (é gratuito), e pegamos algumas informações. Eu e o alemão decidimos fazer a trilha n° 2 e depois a 1, enquanto os outros apenas a trilha n°1. A trilha 2 sobe uma montanha até 4267 m, e é possível ver todo o parque do alto. Já a trilha 1 contorna os lagos pela parte baixa, e é mais tranquila.
Achei a trilha 2 um pouquinho puxada para subir, mas recomendo demais essa opção, porque a vista do topo é incrível.
Quando chegamos na conexão com a trilha 1, começamos a caminhá-la, porém começou a chover muito, e tivemos que desistir e voltar para o centro de visitantes, que era mais perto do que acabar a trilha. Chegamos encharcados, mas felizes que o passeio tinha sido incrível.
Pegamos o ônibus na estrada de volta para Cuenca, e durante a viagem fomos parados pelo exército. Todo mundo do ônibus foi revistado, eles estavam em busca de armas e drogas... uma situação um tanto inusitada e não muito agradável.
É preciso dirigir com cuidado para não atropelar as lhamas.
Rumo à trilha n° 2 no Cajas!
No encontro da trilha 1 com a 2, é preciso atravessar esta floresta muito doida.
A trilha n° 2 sobe esta montanha ao fundo.
A revista nada agradável do exército.
Dia 11: (30/01/20) – Cuenca – Quito – São Paulo
Meu último dia no Equador...
Encontrei a espanhola pela manhã e aproveitamos para andar um pouco, e subir a torre da catedral principal de Cuenca. A entrada custou 2 USD. De lá é possível ter uma vista de toda a cidade. Achei bacana, mas não totalmente essencial o passeio.
Fui também no museu dos chapéus do Panamá. Cuenca é conhecida por ser a cidade desses chapéus, que são equatorianos, e não panamenhos, ao contrário do nome... O museu é basicamente uma loja de chapéus diversos, interessante pelo contexto da cidade.
Aproveitei para caminhar pelo resto da cidade, e fui até o mercadão tomar pela última vez um suco de tomate de árbol, o meu favorito da viagem (no Equador dá pra encontrar por todo lugar esse suco. O de amora também é muito comum).
Vi que dentro da cidade de Cuenca é possível visitar um sítio arqueológico inca, as ruínas de Pumapungo. Elas ficam dentro de um museu arqueológico, que achei bem simples. As ruínas também não são grande coisa, mas se estiver com tempo sobrando, o passeio é ok.
De tarde tomei um uber até o aeroporto, onde peguei um voo de volta à Quito (35 min de voo!). Fiquei no aeroporto mesmo até meu voo noturno para São Paulo. E esse foi o fim da viagem!
Os chapéus do Panamá são equatorianos!
Vista desde o topo da catedral.
O museu dos sombreros, eles levam a sério os tipos de chapéu!
A cidade é cortada por um rio muito agradável.
As ruínas de Pumapungo.
Até nas ruínas incas temos lhamas.
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