Clique nas imagens para visualizar em tamanho real. Clique novamente para minimizar.
1o dia - Saímos de São Paulo – SP às 5h00 da matina em rumo ao litoral norte. Como bons paulistanos, a gente faz qualquer negócio para não pegar trânsito (rs), e no caso, o ockilupo varou 2 dias acordado e foi direto do plantão no hospital para a viagem.
A gente foi de carro e a viagem foi bem tranqüila e sem trânsito . Estacionamos o carro em frente a um prédio do governo ao lado da balsa, e já com as mochilas, começamos a caminhada.
Logo atravessamos pela balsa e andamos até o ponto de ônibus
A balsa é gratuita apenas para pessoas a pé ou de bicicleta, e o ônibus na ilha é R$ 2,00.
São 6km distantes a balsa do começo da estrada de terra que vai para a Praia de Castelhanos, então recomendamos pegar um ônibus para não andar à toa com peso nas costas.
Para chegar na estrada de ônibus, deve-se pegar qualquer um que vá por “VIA REINO”, ou se não tiver com paciência, como foi o nosso caso, um “VIA ÁGUA BRANCA”, que para aproximadamente 1km de distância do começo da estrada (e que subida).
Quando descemos do ônibus, eram 9h15, e após 1km de subida asfaltada, entramos na estrada de terra.
Depois de uma caminhada, chegamos à guarita do Parque Estadual, onde aproveitamos para nos refrescar na bica que puxa água da nascente, e encher os cantis de água. Na rápida pausa, ainda conversamos com o pessoal do parque, que indicou como pegar as 3 trilhas que cortam a estrada, e de quebra, cortam caminho, além de ser MUITO mais interessante do que andar na estrada de terra.
A 1ª trilha chama-se Águas Brancas, que inclusive está no programa TRILHAS DE SÃO PAULO, tem 2.2km de extensão e corta aproximadamente 1km do que se fossemos pela estrada. Ela começa atrás da casa na guarita do parque.
Ela é bem demarcada e totalmente facilitada por pontes e escadas, não tem como se perder. Durante a trilha, é possível avistar as nascentes e quedas, que formam poços de água transparente !
Em um dos poços, achamos uma pedra grande que usamos para fazer a nossa 1ª e merecida pausa para descanso ! Apesar do visual, a comida foi biscoito mesmo (rs).
Depois da pausa, continuamos a trilha até voltarmos à estrada de terra, onde caminhamos mais alguns minutos de subida muito íngreme até o cume do morro, onde há uma bica extremamente bem posicionada para a nossa 2ª pausa . Aproveitem essa bica porque é a última!!!!!
Depois disso é só descida e a coisa fica mais fácil. E no meio do caminho encontramos com essa cobra d´água. O ockilupo estava na frente e tinha passado varado por ela hehehe. Eu que vi e chamei a atenção. No começo ficávamos um pouco assustados porque nunca tínhamos vista uma cobra selvagem de perto! Mas logo percebemos que era inofensiva.
Na entrada para a 2ª trilha, que começa à esquerda da estrada (sentido descida), tiramos uma foto com o aventureiro Guilherme e sua companheira, “Dri”. Infelizmente fomos cabaços o suficiente para não perguntar o sobrenome dele, mas ele nos falou que escreveu vários livros de aventura, e na ocasião da Ilhabela, estava fazendo a meia-volta da ilha, de Castelhanos indo pela ponta Sul passando por Bonete, e marcando waypoints no GPS.
Depois disso, entramos na mata literalmente na 2ª trilha que corta a estrada de terra para Castelhanos. Essa, diferente da 1ª, não tinha as mesmas facilidades para se andar, era muito mais fechada e em alguns momentos, tivemos que nos abaixar ou pular com as mochilas por árvores caídas e outras vegetações.
Essa trilha é essencial para quem atravessar para o lado leste da ilha a pé, pois corta bastante caminho. Dizem os caiçaras que corta até 2 horas de viagem ! E não duvido, pois o começo dela é um abismo que vai direto para o mar hehehe, até complicado de andar com cargueira nas costas.
Depois de andar e andar, saímos na estrada novamente, e fizemos uma pausa já bem cansados e com quase 5h de caminhada e com a previsão de mais 1h para chegar à praia. Para a nossa felicidade, enquanto descansávamos, passou um jipe vazio, apenas com motorista e uma criança de uns 8 anos. Fizemos o gesto de carona e ele cedeu. Foram 15 minutos de puro sacolejo (rs).
Chegamos à Praia de Castelhanos às 14h00, onde logo montamos acampamento para uma noite de céu aberto e seguimos para a ponta norte da praia, onde fica a Cachoeira do Gato com seus 40m de altura.
A trilha para a cachoeira dura cerca de 40 minutos e é bem fácil. No caminho, passa-se por uma vila caiçara e alguns trechos de água corrente.
A cachoeira vale cada segundo da trilha! O visual é de arrepiar.
Na volta para o camping, passamos no Bar do Gato, do Fernandinho, e combinamos uma carona no dia seguinte para o Saco do Estáquio, já que a trilha a pé estava muito ruim e nem os nativos estavam usando. Depois de tanto andar, nossa energia só deu para preparar o jantar (o único da trip que a gente fez) e dormir.
2o dia - Levantamos antes das 6h da manhã com um tremendo de um frio e um belo nascer do Sol, e então seguimos novamente para a ponta norte da praia para pegar a carona de bote.
Ao chegarmos ao bar, recebemos a notícia que o Fernandinho tinha se atrasado (ele levou um grupo para o lado oeste e na mesma viagem iria voltar com mantimentos). Enquanto a gente esperava, mergulhamos próximo à Ilhota de Castelhanos, localizada na ponta sul da praia, e depois no costão junto ao bar, mas não foi um mergulho satisfatório. O Fernandinho chegou somente 12h com muitas lanchas (seus clientes) ancoradas em frente ao bar.
O movimento foi tão grande, que ele nos avisou que só poderia dar a carona mais tarde. Concordamos e logo depois, perguntou se a gente não queria dar uma força, porque ele a mulher eram poucos para tanta gente.
Aceitamos! E foi uma das coisas mais divertidas que a gente fez na viagem. O ockilupo foi o garçom oficial, e ganhou até camiseta do bar para desempenhar a função. Eu cuidava do backstage limpando cadeiras, mesas e dando uma ajuda na cozinha.
A correria era tanta que tiramos apenas 1 foto do nosso trabalho, infelizmente.
A visão do bar:
Antes de anoitecer, um dos barcos de pescadores que voltavam trouxe um peixe muito esquisito que causou estranhamento geral entre os garçons e clientes do bar .
Depois da correria, ganhamos um merecido prato de comida! Era lula à dorê, arroz, feijão, salada e até uma coca gelada, que era um incrível, pois não tem luz no bar (rs). Comemos igual dois peões de obra.
Quando anoiteceu e todos os barcos já haviam ido embora, montamos camping dentro do bar, com a proteção de uma lona. Antes de dormir, conversamos com o Fernandinho e sua mulher, Cris. Combinamos dele nos levar no dia seguinte de manhã até Guanxuma, uma praia ao norte depois do Saco do Estáquio.
Em meio a tanta prosa, a gente contou da vontade de ir até a Praia das Caveiras, onde pretendíamos passar o ultimo pernoite da viagem, e então ele nos contou uma versão da razão do nome da praia. Segundo a versão, um dos maiores acidentes navais da história, que foi o Príncipe das Astúrias, que bateu no costão na ponta sul da Ilhabela, matou 477 pessoas oficialmente, embora muitos acreditem que havia mais de 1.000 pessoas a bordo, todos clandestinos e, portanto não contavam nos números oficiais.
Dos corpos mortos, a corrente do mar teve o capricho de levar a maioria (dos que não sumiram em alto mar) para a Praia das Caveiras. Sem saber direito o que fazer, os nativos enterraram na mesma praia os corpos.
Por esse motivo, quem mora lá tem medo de dormir lá. Dizem que o clima é pesado e dá para sentir uma energia muito negativa. Razão de não haver ninguém morando por perto?
3o dia - Acordamos 5h20 em pleno ritmo militar (rs) e logo arrumamos a mochila para, enfim, pegar carona no bote em direção à Guanxuma.
Depois de um café da manhã patrocinado pelo bar, seguimos pelo mar. A gente gostaria de ter tirado mais fotos do caminho, mas o bote sacudiu tanto, que só conseguimos tirar no começo e no final, quando o bote não estava totalmente acelerado hehehe.
Guanxuma é uma praia minúscula de no máximo 50m de extensão, porém muito charmosa. Seu traço mais característico é uma pedra em formato ovulado que fica quase ao centro da praia, mergulhado ao mar, mas sempre com a ponta para fora, mesmo em marés altas.
A pouca faixa de areia estava tomada por redes de pesca, que fediam peixaria, mas era o lugar que a gente inicialmente iria acampar em nossa última noite hehehee.
Quem nos recebeu foi o Silvio, pescador que gentilmente nos cedeu espaço para o camping e direções. Armamos uma mochila de ataque com material de mergulho e mais algumas coisas e seguimos para o Saco do Eustáquio, onde finalmente iríamos mergulhar em alto estilo .
A comunidade de Guanxuma é bem pequena e por incrível que pareça, não tem cachorros (ou pelo menos a gente não viu nenhum), somente galinhas. Acredito que não deve morar mais que 30 pessoas lá, e basicamente, as casas ficam no morro, e a subida é ignorante, só ajudada por uma escada de cimento.
Depois de uma caminhada cansativa, avistamos o Saco do Eustáquio. Chegando na praia, a primeira providência foi conversar com alguém, pois todos estavam olhando estranho pra gente hehehe. Para a nossa sorte, a primeira casa que passamos foi do pescador Júlio, uma das pessoas mais gente fina que a gente conheceu na viagem.
Pedimos dicas de pontos onde o pessoal costumava mergulhar, como pegar carona para voltar para o lado oeste, etc.
Andamos mais um pouco e conhecemos um mergulhador que fazia caça sub de Santos chamado Lopes. Ele nos mostrou a entrada para o costão oposto ao saco, que era bom para caçar, mas pela nossa inexperiência com mergulho, resolvemos mergulhar no recife dentro da proteção do saco mesmo.
A visibilidade estava prejudicada pela ressaca que deu na Páscoa. Apesar disso, a visibilidade era de 4 a 5 metros. Os locais juravam que a água estava “péssima” o que nos levou a sonhar que a praia deve ser um paraíso para mergulhar em condições boas.
Depois do mergulho, sentamos na casa do Júlio para tomar o nosso 2º café da manhã, pois tínhamos acordado às 5h da manhã (rs). Coisa de mochileiro: pão de forma com salame e biscoito. Oferecemos para o pescador e sua mulher, que retribuíram com algumas bananas gigantes hehehehehehe. Cada uma valia por uma refeição! Incrível !
Pegamos a trilha para Guanxuma e voltamos para falar com o Silvio para pedir direção para a Praia das Caveiras. Ele disse que a trilha não era usada faz tempo e achava que iria estar fechada em alguns trechos, o que preocupou a Dona Isa, a cozinheira do local.
A trilha de Guanxuma até Caveiras é mais longa, mas é plana e bem divertida, com trechos de mata totalmente fechada, travessias em nascentes de água e mata aberta, com a privilegiada visão de um mar azul. No caminho encontramos com outra cobra que foi prontamente enxotada para o abismo de 100m de altura com o pé de pato ehehhe.
Quando saímos da mata fechada, avistamos muitos pássaros pescando no costão próximo. Registramos o momento e ainda tiramos algumas fotos nossas .
No entra e sai da mata fechada, tivemos que encher o cantil em uma poça de água parada, fazendo valer a pena o filtro fino de café que carregamos desde a nossa primeira aventura. Quando finalmente saímos para o costão, avistamos uma das praias mais iradas que a gente já viu: Caveiras.
A Praia das Caveiras é única, pois tem um banco de areia alto com vegetação. Esse banco de um lado é confrontado pelo mar, e pelo outro, pelo rio que deságua ali. O cenário é show !
Andamos um pouco na praia e mergulhamos um pouco. Infelizmente não foi dessa vez que pegamos uma água cristalina como prometiam os mergulhadores que já haviam se aventurado na praia antes.
Voltamos à Guanxuma, onde prontamente montamos mochilas, pois embora não tivéssemos combinado com ninguém, a gente iria tentar uma carona no Saco do Eustáquio, que é mais movimentado, e numa hipótese ruim, pernoitar por lá também.
Conversamos com o Silvio, a Dona Isa (cozinheira) e a Sueli (professora da escola), enquanto comíamos isca de peixe com arroz e feijão! E que feijão .
O Silvio passou um rádio perguntando se havia algum pescador voltando para o saco e encaixou uma carona com um pai e filho voltando da ponta norte.
Como a praia tem muitas pedras, o Silvio ainda teve que nos dar carona em seu bote e remo até a canoa de motor. Então seguimos para o Saco do Eustáquio, que a essa altura, já estava lotado de lanchas.
Ao chegarmos, procuramos o João, dono do bar flutuante, que arranjou uma carona em uma das lanchas. Ainda passamos uns rádios para Castelhanos avisando que tudo tinha dado certo e seguimos em direção à São Sebastião, distante apenas 20 minutos de ônibus de onde deixamos o carro. A lancha fez todo o trajeto em 30 minutos e quando estávamos quase na marina, começou a chover.
Voltamos na mesma noite de segunda-feira, um dia antes do feriado de Tiradentes, terça-feira. Resolvemos aproveitar a sorte da carona e queimar 1 dia de trip.
O pessoal da lancha era muito gente boa e até ofereceram cerveja para a gente! Voltamos conversando e contando um pouco da nossa aventura, e eles um pouco de sua viagem. Chegamos à marina em torno de 19h, agradecemos a carona e seguimos para o ponto de ônibus mais próximo para ir até o carro, de onde voltamos direto para São Paulo, sem trânsito e com sensação de dever cumprido .
Espero que tenham gostado do relato da nossa trip ! Não deixem de comentar ! e estamos abertos para quaisquer tipos de dúvidas ! []´s
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1o dia - Saímos de São Paulo – SP às 5h00 da matina em rumo ao litoral norte. Como bons paulistanos, a gente faz qualquer negócio para não pegar trânsito (rs), e no caso, o ockilupo varou 2 dias acordado e foi direto do plantão no hospital para a viagem.
A gente foi de carro e a viagem foi bem tranqüila e sem trânsito
. Estacionamos o carro em frente a um prédio do governo ao lado da balsa, e já com as mochilas, começamos a caminhada.
Logo atravessamos pela balsa e andamos até o ponto de ônibus
A balsa é gratuita apenas para pessoas a pé ou de bicicleta, e o ônibus na ilha é R$ 2,00.
São 6km distantes a balsa do começo da estrada de terra que vai para a Praia de Castelhanos, então recomendamos pegar um ônibus para não andar à toa com peso nas costas.
Para chegar na estrada de ônibus, deve-se pegar qualquer um que vá por “VIA REINO”, ou se não tiver com paciência, como foi o nosso caso, um “VIA ÁGUA BRANCA”, que para aproximadamente 1km de distância do começo da estrada (e que subida).
Quando descemos do ônibus, eram 9h15, e após 1km de subida asfaltada, entramos na estrada de terra.
Depois de uma caminhada, chegamos à guarita do Parque Estadual, onde aproveitamos para nos refrescar na bica que puxa água da nascente, e encher os cantis de água. Na rápida pausa, ainda conversamos com o pessoal do parque, que indicou como pegar as 3 trilhas que cortam a estrada, e de quebra, cortam caminho, além de ser MUITO mais interessante do que andar na estrada de terra.
A 1ª trilha chama-se Águas Brancas, que inclusive está no programa TRILHAS DE SÃO PAULO, tem 2.2km de extensão e corta aproximadamente 1km do que se fossemos pela estrada. Ela começa atrás da casa na guarita do parque.
Ela é bem demarcada e totalmente facilitada por pontes e escadas, não tem como se perder. Durante a trilha, é possível avistar as nascentes e quedas, que formam poços de água transparente !
Em um dos poços, achamos uma pedra grande que usamos para fazer a nossa 1ª e merecida pausa para descanso ! Apesar do visual, a comida foi biscoito mesmo (rs).
Depois da pausa, continuamos a trilha até voltarmos à estrada de terra, onde caminhamos mais alguns minutos de subida muito íngreme até o cume do morro, onde há uma bica extremamente bem posicionada para a nossa 2ª pausa
. Aproveitem essa bica porque é a última!!!!!
Depois disso é só descida e a coisa fica mais fácil. E no meio do caminho encontramos com essa cobra d´água. O ockilupo estava na frente e tinha passado varado por ela hehehe. Eu que vi e chamei a atenção. No começo ficávamos um pouco assustados porque nunca tínhamos vista uma cobra selvagem de perto! Mas logo percebemos que era inofensiva.
Na entrada para a 2ª trilha, que começa à esquerda da estrada (sentido descida), tiramos uma foto com o aventureiro Guilherme e sua companheira, “Dri”. Infelizmente fomos cabaços o suficiente para não perguntar o sobrenome dele, mas ele nos falou que escreveu vários livros de aventura, e na ocasião da Ilhabela, estava fazendo a meia-volta da ilha, de Castelhanos indo pela ponta Sul passando por Bonete, e marcando waypoints no GPS.
Depois disso, entramos na mata literalmente na 2ª trilha que corta a estrada de terra para Castelhanos. Essa, diferente da 1ª, não tinha as mesmas facilidades para se andar, era muito mais fechada e em alguns momentos, tivemos que nos abaixar ou pular com as mochilas por árvores caídas e outras vegetações.
Essa trilha é essencial para quem atravessar para o lado leste da ilha a pé, pois corta bastante caminho. Dizem os caiçaras que corta até 2 horas de viagem ! E não duvido, pois o começo dela é um abismo que vai direto para o mar hehehe, até complicado de andar com cargueira nas costas.
Depois de andar e andar, saímos na estrada novamente, e fizemos uma pausa já bem cansados e com quase 5h de caminhada e com a previsão de mais 1h para chegar à praia. Para a nossa felicidade, enquanto descansávamos, passou um jipe vazio, apenas com motorista e uma criança de uns 8 anos. Fizemos o gesto de carona e ele cedeu. Foram 15 minutos de puro sacolejo (rs).
Chegamos à Praia de Castelhanos às 14h00, onde logo montamos acampamento para uma noite de céu aberto e seguimos para a ponta norte da praia, onde fica a Cachoeira do Gato com seus 40m de altura.
A trilha para a cachoeira dura cerca de 40 minutos e é bem fácil. No caminho, passa-se por uma vila caiçara e alguns trechos de água corrente.
A cachoeira vale cada segundo da trilha! O visual é de arrepiar.
Na volta para o camping, passamos no Bar do Gato, do Fernandinho, e combinamos uma carona no dia seguinte para o Saco do Estáquio, já que a trilha a pé estava muito ruim e nem os nativos estavam usando. Depois de tanto andar, nossa energia só deu para preparar o jantar (o único da trip que a gente fez) e dormir.
2o dia - Levantamos antes das 6h da manhã com um tremendo de um frio e um belo nascer do Sol, e então seguimos novamente para a ponta norte da praia para pegar a carona de bote.
Ao chegarmos ao bar, recebemos a notícia que o Fernandinho tinha se atrasado (ele levou um grupo para o lado oeste e na mesma viagem iria voltar com mantimentos). Enquanto a gente esperava, mergulhamos próximo à Ilhota de Castelhanos, localizada na ponta sul da praia, e depois no costão junto ao bar, mas não foi um mergulho satisfatório. O Fernandinho chegou somente 12h com muitas lanchas (seus clientes) ancoradas em frente ao bar.
O movimento foi tão grande, que ele nos avisou que só poderia dar a carona mais tarde. Concordamos e logo depois, perguntou se a gente não queria dar uma força, porque ele a mulher eram poucos para tanta gente.
Aceitamos! E foi uma das coisas mais divertidas que a gente fez na viagem. O ockilupo foi o garçom oficial, e ganhou até camiseta do bar para desempenhar a função. Eu cuidava do backstage limpando cadeiras, mesas e dando uma ajuda na cozinha.
A correria era tanta que tiramos apenas 1 foto do nosso trabalho, infelizmente.
A visão do bar:
Antes de anoitecer, um dos barcos de pescadores que voltavam trouxe um peixe muito esquisito que causou estranhamento geral entre os garçons e clientes do bar
.
Depois da correria, ganhamos um merecido prato de comida! Era lula à dorê, arroz, feijão, salada e até uma coca gelada, que era um incrível, pois não tem luz no bar (rs). Comemos igual dois peões de obra.
Quando anoiteceu e todos os barcos já haviam ido embora, montamos camping dentro do bar, com a proteção de uma lona. Antes de dormir, conversamos com o Fernandinho e sua mulher, Cris. Combinamos dele nos levar no dia seguinte de manhã até Guanxuma, uma praia ao norte depois do Saco do Estáquio.
Em meio a tanta prosa, a gente contou da vontade de ir até a Praia das Caveiras, onde pretendíamos passar o ultimo pernoite da viagem, e então ele nos contou uma versão da razão do nome da praia. Segundo a versão, um dos maiores acidentes navais da história, que foi o Príncipe das Astúrias, que bateu no costão na ponta sul da Ilhabela, matou 477 pessoas oficialmente, embora muitos acreditem que havia mais de 1.000 pessoas a bordo, todos clandestinos e, portanto não contavam nos números oficiais.
Dos corpos mortos, a corrente do mar teve o capricho de levar a maioria (dos que não sumiram em alto mar) para a Praia das Caveiras. Sem saber direito o que fazer, os nativos enterraram na mesma praia os corpos.
Por esse motivo, quem mora lá tem medo de dormir lá. Dizem que o clima é pesado e dá para sentir uma energia muito negativa. Razão de não haver ninguém morando por perto?
3o dia - Acordamos 5h20 em pleno ritmo militar (rs) e logo arrumamos a mochila para, enfim, pegar carona no bote em direção à Guanxuma.
Depois de um café da manhã patrocinado pelo bar, seguimos pelo mar. A gente gostaria de ter tirado mais fotos do caminho, mas o bote sacudiu tanto, que só conseguimos tirar no começo e no final, quando o bote não estava totalmente acelerado hehehe.
Guanxuma é uma praia minúscula de no máximo 50m de extensão, porém muito charmosa. Seu traço mais característico é uma pedra em formato ovulado que fica quase ao centro da praia, mergulhado ao mar, mas sempre com a ponta para fora, mesmo em marés altas.
A pouca faixa de areia estava tomada por redes de pesca, que fediam peixaria, mas era o lugar que a gente inicialmente iria acampar em nossa última noite hehehee.
Quem nos recebeu foi o Silvio, pescador que gentilmente nos cedeu espaço para o camping e direções. Armamos uma mochila de ataque com material de mergulho e mais algumas coisas e seguimos para o Saco do Eustáquio, onde finalmente iríamos mergulhar em alto estilo
.
A comunidade de Guanxuma é bem pequena e por incrível que pareça, não tem cachorros (ou pelo menos a gente não viu nenhum), somente galinhas. Acredito que não deve morar mais que 30 pessoas lá, e basicamente, as casas ficam no morro, e a subida é ignorante, só ajudada por uma escada de cimento.
Depois de uma caminhada cansativa, avistamos o Saco do Eustáquio. Chegando na praia, a primeira providência foi conversar com alguém, pois todos estavam olhando estranho pra gente hehehe. Para a nossa sorte, a primeira casa que passamos foi do pescador Júlio, uma das pessoas mais gente fina que a gente conheceu na viagem.
Pedimos dicas de pontos onde o pessoal costumava mergulhar, como pegar carona para voltar para o lado oeste, etc.
Andamos mais um pouco e conhecemos um mergulhador que fazia caça sub de Santos chamado Lopes. Ele nos mostrou a entrada para o costão oposto ao saco, que era bom para caçar, mas pela nossa inexperiência com mergulho, resolvemos mergulhar no recife dentro da proteção do saco mesmo.
A visibilidade estava prejudicada pela ressaca que deu na Páscoa. Apesar disso, a visibilidade era de 4 a 5 metros. Os locais juravam que a água estava “péssima” o que nos levou a sonhar que a praia deve ser um paraíso para mergulhar em condições boas.
Depois do mergulho, sentamos na casa do Júlio para tomar o nosso 2º café da manhã, pois tínhamos acordado às 5h da manhã (rs). Coisa de mochileiro: pão de forma com salame e biscoito. Oferecemos para o pescador e sua mulher, que retribuíram com algumas bananas gigantes hehehehehehe. Cada uma valia por uma refeição! Incrível !
Pegamos a trilha para Guanxuma e voltamos para falar com o Silvio para pedir direção para a Praia das Caveiras. Ele disse que a trilha não era usada faz tempo e achava que iria estar fechada em alguns trechos, o que preocupou a Dona Isa, a cozinheira do local.
A trilha de Guanxuma até Caveiras é mais longa, mas é plana e bem divertida, com trechos de mata totalmente fechada, travessias em nascentes de água e mata aberta, com a privilegiada visão de um mar azul. No caminho encontramos com outra cobra que foi prontamente enxotada para o abismo de 100m de altura com o pé de pato ehehhe.
Quando saímos da mata fechada, avistamos muitos pássaros pescando no costão próximo. Registramos o momento e ainda tiramos algumas fotos nossas
.
No entra e sai da mata fechada, tivemos que encher o cantil em uma poça de água parada, fazendo valer a pena o filtro fino de café que carregamos desde a nossa primeira aventura. Quando finalmente saímos para o costão, avistamos uma das praias mais iradas que a gente já viu: Caveiras.
A Praia das Caveiras é única, pois tem um banco de areia alto com vegetação. Esse banco de um lado é confrontado pelo mar, e pelo outro, pelo rio que deságua ali. O cenário é show !
Andamos um pouco na praia e mergulhamos um pouco. Infelizmente não foi dessa vez que pegamos uma água cristalina como prometiam os mergulhadores que já haviam se aventurado na praia antes.
Voltamos à Guanxuma, onde prontamente montamos mochilas, pois embora não tivéssemos combinado com ninguém, a gente iria tentar uma carona no Saco do Eustáquio, que é mais movimentado, e numa hipótese ruim, pernoitar por lá também.
Conversamos com o Silvio, a Dona Isa (cozinheira) e a Sueli (professora da escola), enquanto comíamos isca de peixe com arroz e feijão! E que feijão
.
O Silvio passou um rádio perguntando se havia algum pescador voltando para o saco e encaixou uma carona com um pai e filho voltando da ponta norte.
Como a praia tem muitas pedras, o Silvio ainda teve que nos dar carona em seu bote e remo até a canoa de motor. Então seguimos para o Saco do Eustáquio, que a essa altura, já estava lotado de lanchas.
Ao chegarmos, procuramos o João, dono do bar flutuante, que arranjou uma carona em uma das lanchas. Ainda passamos uns rádios para Castelhanos avisando que tudo tinha dado certo e seguimos em direção à São Sebastião, distante apenas 20 minutos de ônibus de onde deixamos o carro. A lancha fez todo o trajeto em 30 minutos e quando estávamos quase na marina, começou a chover.
Voltamos na mesma noite de segunda-feira, um dia antes do feriado de Tiradentes, terça-feira. Resolvemos aproveitar a sorte da carona e queimar 1 dia de trip.
O pessoal da lancha era muito gente boa e até ofereceram cerveja para a gente! Voltamos conversando e contando um pouco da nossa aventura, e eles um pouco de sua viagem. Chegamos à marina em torno de 19h, agradecemos a carona e seguimos para o ponto de ônibus mais próximo para ir até o carro, de onde voltamos direto para São Paulo, sem trânsito e com sensação de dever cumprido
.
Espero que tenham gostado do relato da nossa trip ! Não deixem de comentar ! e estamos abertos para quaisquer tipos de dúvidas ! []´s
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