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Olá viajante!

Bora viajar?

Peru, Bolívia e Chile - 28 Dias, 15 Cidades, 7.600 kms percorridos e muitas histórias para contar

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Fala galera mochileira!

 

Cheguei recentemente do meu primeiro (de muitos, eu espero...) mochilão e hoje estou aqui para começar a escrever o meu relato. Eu me sinto na obrigação de dar minha contribuição nesse fórum pois foi daqui que tirei 90% das informações que eu precisei, principalmente lendo o relato de tantos outros mochileiros que já fizeram o mesmo roteiro que o meu. Um salve especial para o rodrigovix e para a polybhh que foram os relatos de onde eu tirei muitas informações úteis para montar o meu roteiro. Quero agradecer também a todos os outros relatos que eu li, mas que dificilmente eu vou lembrar de cabeça agora (malz aê galera ::putz:: )

 

Eu não tenho palavras (mas vou tentar ter) para descrever 100% como essa viagem foi magnífica pra mim. Fazia muito tempo que sonhava em fazer um mochilão pela América do Sul, mesmo sem ter informações da maioria dos destinos que eu fui. E essa ideia começou a tomar mais forma na metade do ano passado mais ou menos. Minha namorada, que apesar de não curtir muito a ideia de fazer um mochilão, topou fácil a ideia (com algumas condições ::lol4:: ) e embarcou comigo nessa.

 

Foi aí que comecei a buscar mais informações e comecei a me encantar pouco a pouco com todos os lugares maravilhosos que visitei. E posso dizer, com certeza, que nenhum deles me decepcionou. Mesmo as cidades onde eu passei um perrengue ou outro (afinal sempre passamos), me encantaram de alguma forma. E eu quero compartilhar tudo isso aqui com vocês, caros colegas de mochila.

 

Uma das coisas que mais me preocupava era o fato da época. Fevereiro, geralmente é um mês de muita chuva em todo o Peru. E esse ano por causa do fenômeno El Niño as coisas tenderiam a se agravar. Mas, milagrosamente, o El Niño inverteu os efeitos esse ano e o Sol reinou durante praticamente toda a nossa viagem. Foi uma sorte danada. Nós arriscamos e não sofremos nem perdemos nada por causa das chuvas. Vivas à Pachamama!

 

Vou tentar colocar no relato o máximo de informações possíveis, todos os gastos, os lugares que visitei, dicas valiosas e muitas, mas MUITAS fotos. É isso que vocês podem esperar do meu relato. Mas enfim, chega de blá, blá, blá e vamos às informações que interessam.

 

ÍNDICE DOS POSTS

 

Capítulo 1 - Lima e o primeiro contato com a imensidão do Oceano Pacífico - 07/02/16

Capítulo 2 - Um mergulho no Centro Histórico de Lima - 08/02/2016

Capítulo 3 - Os encantos do Oásis de Huacachina - 09/02/2016

Capítulo 4 - Pinguins! Pinguins! Islas Ballestas, Paracas e um banho gelado no Pacífico! - 10/02/2016

Capítulo 5 - Arequipa, a apaixonante Ciudad Blanca - 11/02/2016

Capítulo 6 - Uma aula de sociologia, tradição e história. Imersos no fantástico Valle del Colca - 12/02/2016

Capítulo 7 - Yanahuara: uma charmosa face de Arequipa no dia da despedida - 13/02/2016

Capítulo 8 - Cruzando a fronteira da Bolívia: do caos de Copacabana à paz da Isla del Sol - 14/02/2016

Capítulo 9 - De Copacabana a La Paz: Se eu não morri aqui, não morro nunca mais! - 15/02/2016

Capítulo 10 - La Paz: a grande favela do mundo - 16/02/2016

Capítulo 11 - O eletrizante downhill na (literalmente) tenebrosa Carretera de La Muerte - 17/02/2016

Capítulo 12 - Deadpool à la Bolívia! - 18/02/2016

Capítulo 13 - Is this the real life? Is this just fantasy? - A magia do Salar alagado - 19/02/2016

Capítulo 14 - Vulcões, lagunas, flamingos e... neve! O espetacular Deserto de Siloli - 20/02/2016

Capítulo 15 - Chi, chi, chi! Le, le le! San Pedro de Atacama e nosso primeiro passo nas terras chilenas - 21/02/2016

Capítulo 16 - Fugidinha pra Santiago! - 22/02/2016

Capítulo 17- Pernas pra que te quero na belíssima capital Chilena - 23/02/2016

Capítulo 18 - Salúd! Brindando à vida na vinícola da Concha y Toro - 24/02/2016

Capítulo 19 - Valparaíso e Vinã del Mar: de Neruda à Cidade-Jardim - 25/02/2016

Capítulo 20 - 48h de viagem rumo à Cusco - Parte I ::ahhhh:: - 26/02/2016

Capítulo 21- 48h de viagem rumo à Cusco - Parte II :roll: - 27/02/2016

Capítulo 22 - Finalmente... CUSCO!!! - 28/02/2016

Capítulo 23 - O Vale Sagrado dos Incas - Pisac, Ollantaytambo e Chinchero - 29/02/2016

 

 

ROTEIRO

 

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O roteiro que eu fiz é o clássico de Peru, Bolívia e Chile, com algumas pequenas modificações. A chegada foi por Lima (por causa da passagem mais barata) e depois começa a fazer o círculo no sentido horário. Esse sentido é melhor porque você vai se aclimatando aos poucos: Lima no nível do mar, depois Arequipa (ou Cusco), que já é um pouco mais alta, depois La Paz, Uyuni, que é onde você pega as maiores altitudes. Dessa forma é melhor pra evitar o sorochi.

 

06/02 - Recife / São Paulo / Lima

07/02 - Lima

08/02 - Lima

09/02 - Huacachina

10/02 - Islas Ballestas / Paracas

11/02 - Arequipa

12/02 - Colca Canyon

13/02 - Arequipa / Puno

14/02 - Puno / Copacabana / Isla del Sol

15/02 - Isla del Sol / Copacabana / La Paz

16/02 - La Paz

17/02 - La Paz

18/02 - La Paz / Uyuni

19/02 - Salar de Uyuni

20/02 - Salar de Uyuni

21/02 - Salar de Uyuni / San Pedro de Atacama

22/02 - San Pedro de Atacama / Calama / Santiago

23/02 - Santiago

24/02 - Santiago

25/02 - Valparaíso / Viña del Mar

26/02 - Santiago / Calama / Arica

27/02 - Arica / Tacna / Arequipa / Cusco

28/02 - Cusco

29/02 - Cusco

01/03 - Cusco

02/03 - Cusco / Águas Calientes

03/03 - Machu Picchu / Águas Calientes / Cusco

04/03 - Cusco / Lima / São Paulo / Recife

 

"Mas Rodrigo, que danado é esse 8 aí no meio do seu roteiro? Explica pra gente!"

 

Então, normalmente o roteiro clássico, ao sair de Huacachina, passa por Cusco, Puno e vai pra Copacabana, deixando Arequipa pra ir depois de San Pedro do Atacama. Ocorre que em Machu Picchu eu queria muito fazer a Trilha Inca, que no mês de fevereiro está fechada para manutenções. Portanto eu fiz esse malabarismo todo no meu roteiro para poder começar a Trilha Inca no dia 01/03.

 

Meu roteiro ainda incluía 10 dias em Huaraz, pra fazer o Trekking de Santa Cruz. Minha namorada voltaria ao Brasil e eu continuaria por lá mais um pouco ainda. Mas no fim da viagem várias coisas foram acontecendo e eu fui ficando cansado, também, por isso eu decidi antecipar minha volta ao Brasil e deixar Huaraz para uma outra oportunidade.

 

 

PASSAGENS AÉREAS

 

Bom, pra nós que somos de Recife foi muito difícil encontrarmos uma promoção que realmente valesse a pena, como ocorre pra quem é de São Paulo. Passamos um bom tempo de olho no preço das passagens, e realmente estavam um pouco salgadas. Até que surgiu uma promoção da TAM por 28.000 milhas saindo de Recife. Foi o melhor que conseguimos. Como não tínhamos milhas suficientes, compramos as passagens através do site MaxMilhas e acabou saindo, com todas as taxas, por R$ 1.400, o que foi um preço até que razoável.

 

 

CUSTO DA VIAGEM

 

Essa questão de custos é algo muito particular, depende muito da sua disposição em abrir mão de algumas coisas. Como estava viajando com minha namorada, nós sempre nos hospedamos em hostel mas em quarto de casal, com banheiro privativo, o que acaba saindo um pouco mais caro do que pra quem fica em quarto compartilhado. Nós namoramos à distância (6h de viagem) e nos vemos somente a cada 15 dias (sim, é muito amor ::love:: ). E essa viagem foi uma oportunidade única para ficarmos mais perto um do outro. Por isso, optamos por um pouco mais de privacidade.

 

Além do mais, tiveram outras duas coisas que encareceram um pouco a viagem. Uma foi a Trilha Inca para Machu Picchu que custou U$ 325, ou, pra quem se lascou com o dólar nas alturas... R$ 1.300!!! Isso já é um custo significativo. Outra coisa, mas aí eu não tenho nenhum arrependimento, foram os gastos em restaurantes. Nós gostamos muito de comer bem, então em alguns lugares da nossa viagem (Lima e Santiago, principalmente) nós não tivemos pena e reservamos um dinheiro para conhecer alguns restaurantes badalados da cidade.

 

Mas tirando esses pontos, a nossa viagem foi no estilo mochileiro mesmo, sempre buscando gastar o mínimo possível. Então, antes de você fechar a página do navegador, continue comigo que aqui tem muita informação pra você que está indo no low-cost TOTAL, também! ::bruuu::

 

Estou anexando duas planilhas. Uma que eu fiz ANTES de viajar, com uma estimativa dos custos (que foi uma mão na roda, porque bateu certinho). E outra DURANTE a viagem com todos os custos da viagem. Foi uma planilha que eu baixei no site Viaje Sim! e que me foi muito útil durante a viagem, por isso deixo aqui os créditos ao pessoal do site. Lá inclusive tem um post que explica como usar a planilha. Pra quem é metódico igual a mim, essa planilha é o paraíso!

 

Controle de Gastos.xlsx

Roteiro.xlsx

 

Observação: Alguns custos durante a viagem, foram divididos por 2, como hospedagem, táxi, mercado, snacks, etc.

 

 

EQUIPAMENTOS E OUTROS

 

Mochila: Comprei foi uma Quechua Easy-Fit de 60L. Custou R$ 599 na Decathlon. Como eu quero fazer muitos mochilões ainda, eu preferi investir um pouco mais num equipamento um pouco melhor, que dure bastante. Não queria uma mochila que na primeira viagem já estivesse descosturando. E, pelo menos até agora, valeu muito a pena o investimento. A mochila aguentou bastante o tranco dessa viagem. Pena que em uma das esteiras de bagagem em Lima, uma das fitas de regulagem enganchou e acabou cortando uma parte :( . Mas tem conserto numa costureira. Eu não levei muita coisa e achei que o tamanho foi suficiente para essa viagem.

 

Bota: Foi outro investimento pesado que eu decidi fazer. Antes da viagem minha namorada foi pra Curitiba e achou uma bota que eu estava querendo por lá a um preço bem mais barato. A bota foi a The North Face Ultra Extreme GTX. Saiu por R$ 630 na loja física da Canyon Adventure em Curitiba. A bota é FODA! Não descosturou, é extremamente confortável, mantém seus pés secos mesmo na chuva, pois tem membrana Gore-Tex. Enfim, me apaixonei pela bota e foi o único calçado que eu usei na viagem inteira (tirando uma havaiana que usava pra ficar nos hostels). Valeu muito a pena o investimento.

 

Roupas de Frio: Tudo comprado na Decathlon. Deixei várias dilmas nessa loja pra comprar roupa segunda pele, casaco corta-vento, etc. Esperei pra comprar as coisas na Black Friday mas as promoções do site foram muito ruins e acabou saindo praticamente pelo mesmo preço que estava anteriormente.

 

Seguro de viagem: Fiz pela Mondial Seguros. Paguei cerca de R$ 200 e graças a Deus não precisei usar. Mas é recomendável ter. Nunca se sabe quando você pode precisar.

 

Certificado Internacional de Vacina: É necessário para entrar na Bolívia mas não me pediram. De qualquer forma não custa nada fazer. Basta você ir em algum posto médico da sua cidade, tomar a vacina e fazer seu cartão de viajante internacional. Aqui nessa página do Ministério da Saúde tem uma lista com todos os postos do Brasil que emitem o certificado.

 

 

O QUE EU LEVEI NA VIAGEM?

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MOCHILÃO

7 camisetas

1 camisa segunda pele (1ª camada)

1 calça segunda pele (1ª camada)

1 casaco fleece (2ª camada)

1 casaco impermeável (3ª camada)

1 calça esportiva

1 calça jeans

3 bermudas

7 cuecas

1 sunga

6 pares de meias

1 touca

1 par de luvas

1 toalha microfibra

1 bota impermeável

1 par de sandálias

1 relógio

2 cadeados TSA

Canivete suíço

Lanterna

Óculos de sol

Celular

Carregador

Adaptador universal

T (Benjamim)

Fones de ouvido

Máquina fotográfica

Lente

Disparador remoto

Cartão de memória

Tripé grande

Mini-tripé

Selfie Stick

Kit limpeza para câmera

Caneta

Caderno de anotações

Livro de palavras cruzadas

Capa de chuva para a mochila

Bastões de trekking

 

Uma dica que eu vou dar aqui e que me foi muito útil: levem aqueles saquinhos à vácuo de viagem. Coloquei cada tipo de roupa em um saco daquele: um para bermudas, outro para cuecas, meias, camisas e roupas de frio. Você bota as roupas dentro, fecha e usa um aspirador para tirar o ar. Fica bem compacto e organizado. Durante a viagem, que, óbvio, eu não tinha aspirador, o que eu fazia era sentar em cima da sacola pra tirar o máximo de ar possível e depois fechava. Dava quase a mesma coisa. Fica a dica!

 

PASTA PLÁSTICA DE DOCUMENTOS (dentro da mochila de ataque)

Cartões de embarque de voos

Pasta plástica para documentos

Cartão de Crédito Internacional (na doleira, sempre!)

Passaporte

Certificado Internacional de Vacina (ANVISA)

Seguro Saúde

Todo e qualquer comprovante/documento que eu recebesse durante a viagem

 

Peguei essa dica no relato do rodrigovix e foi de muita utilidade. Valeu, xará!

 

ITENS DE HIGIENE

2 Sabonetes

Shampoo

Protetor solar (facial e corporal)

Hidratante

Protetor labial

Repelente

Escova de dente

Creme dental

Barbeador

Espuma de barbear

Desodorante roll-on

Perfume

Lenços umedecidos

Papel higiênico

Álcool gel

Escova de cabelo

Talco para os pés

 

Usei tudo! Mas a principal dica que eu dou é: use protetor solar. Não se esqueça disso. O sol nos Andes não é brinquedo, apesar do frio enganar um pouco. Se proteja se não quiser ficar todo assado.

 

REMÉDIOS

Hidratante: Bepantol/Derma

Analgésicos e anti-térmicos: Dorflex, Tylenol, Atroveran;

Anti-alérgicos: Polaramine

Anti-inflamatórios: Nimesulida

Garganta: Benalet;

Antiácido: Luftal, Eno, Engov;

Para gripe: Trimedal e Sorine.

Para enjoos: Dramin

Kit curativo: Bandaid, Merthiolate, Gase, esparadrapo

Intestino: Floratil

Relaxante Muscular: Cataflam spray

Complexo Vitamínico: Centrum

 

Há quem ache frescura levar tantos remédios, mas eu não queria correr o risco de perder 1 dia sequer de viagem por estar mal de saúde, portanto resolvi levar um batalhão de remédios. Graças a Deus não precisei tomar nada disso, mas minha namorada (que tem a saúde mais frágil que a minha) esgotou o estoque de alguns remédios, principalmente de Floratil ::mmm: . Mas fica a dica. Levem remédios.

 

Enfim. Por enquanto é isso. Espero que vocês gostem do relato e acompanhem.

 

PRÓXIMO CAPÍTULO: Lima e o primeiro contato com a imensidão do Oceano Pacífico.

(mais uma ideia roubada do relato do rodrigovix) ::lol4::

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Capítulo 6 - Uma aula de sociologia, tradição e história. Imersos no fantástico Valle del Colca - 12/02/2016

 

Depois de chegarmos no Hotel na noite anterior, só tivemos tempo de organizarmos as coisas rapidamente e tirar um breve chochilo. Às 2h30 estávamos de pé para esperar a van que passaria para nos pegar rumo ao Vale de Colca, onde fica o tão famoso Cañon del Colca. Às 3h a van passou no hotel e em seguida saiu percorrendo as ruas de Arequipa para pegar os outros passageiros. Só sei que eu não vi nada, apensa entrei na van e apaguei durante a viagem. São longas 3h de estrada por curvas muito sinuosas. Digo isso porque sempre que eu acordava durante o trajeto, estávamos fazendo alguma curva ::lol4:: Acho que foi até melhor ter ido dormindo mesmo. Tá tranquilo, tá favorável.

 

Cerca de 6h estávamos chegando em Chivay e tivemos um pequeno estresse porque você precisava pagar o boleto turístico, que para nós, brasileiros, custa S./ 35. Porém, tínhamos alguns europeus no grupo e para eles, o valor era o dobro. Alguns deles ficaram reclamando porque na agência não haviam dito que tinham que pagar esse valor. Mimimi vai, mimimi vem, tiveram que pagar, ou então não iriam entrar no Vale de Colca.

 

Em seguida, entrou em cena o guia da nossa viagem. Já na primeira explicação que ele nos deu, eu senti que o cara era diferenciado e que aquela tour teria tudo para ser ótimo. Ele começou a nos contar um pouco da história daquela região. Que naquele povoado de Chivay, no tempo dos espanhóis, os padres da Igreja Católica costumavam catequizar o povo da região através da adicção. Davam álcool aos locais para que estes continuassem a ir às igrejas para serem ensinados sobre a doutrina católica. Com o passar do tempo, nessa região surgiu uma imensa quantidade de alcóolatras. E ele contou que alguns daqueles cidadãos daquela região quando trabalham e ganham algum dinheiro, não costumam voltar pra casa, mas sim gastar tudo com bebida, deixando muitas famílias desamparadas. Por isso, na região de Chivay há um grande número de crianças abandonadas e órfãs. Ele contou tudo isso enquanto estávamos parados na frente do orfanato da cidade para explicar que daquele valor do boleto que pagamos na entrada do Vale del Colca, uma boa parte é para cuidar dessas crianças da região :cry:

 

Depois dessa introdução, eu fiquei fascinado pelo guia, principalmente pela paixão com que ele contava tudo. Você conseguia ver que ele era apaixonado pelo que fazia e estava interessado em repassar o conhecimento daquela região para todos que estavam naquela van. De antemão eu já posso dizer a vocês que esse guia foi o melhor que já vi em todas as viagens que já fiz. Ele tornou esse passeio algo único.

 

Em seguida, paramos em uma pequena propriedade local para tomarmos café-da-manhã. Fazia um frio danado. Cerca de 5º C, numa altitude de 3.600m. O café da manhã era pão, geleia, manteiga, café, chá de colca e quinua. A quinua (ou quinoa) é um cereal muito consumido nos Andes e é um dos principais produtos da agricultura andina, junto com a maca, o maize (milho) e a papa (batata). Devo confessar a vocês que a gororoba de quinua não tava muito legal não, era uma espécie de suco. Eu não curti ::mmm:

 

26971395851_11dba94905_o.jpgValle del Colca by rodrigopaulo, no Flickr

 

26434267454_fda94407f0_o.jpgValle del Colca by rodrigopaulo, no Flickr

 

Devidamente alimentados, fomos ao povoado de Maca, onde pudemos encontrar vários artesanatos para comprar (apesar de eu não ter comprado nenhum), frutas e, como sempre... bichos para fotos!!! Tinha várias senhorinhas com suas lhamas e alpacas lá todas enfeitadas pronta para fotos (pagas, obviamente) e tinha uma com um belo falcão. Eu (burro), não quis tirar foto, achando que a gente iria para em Cabanaconde, onde eu achava que tinha um falcão mais bonito, pois pensei que tivesse lido em algum relato sobre essa cidade. Resultado: não fomos em Cabanaconde, no relato o falcão que falaram era exatamente esse do povoado de Maca e eu fiquei sem minha foto com o falcão ::putz::::putz::::putz::::putz::

 

26971504781_3c88613047_o.jpgMaca by rodrigopaulo, no Flickr

 

Ao sairmos da cidade, mais uma parada para uma explicação bem pontual. Ao lado dessa igreja acima, existe a praça da foto abaixo, onde já havíamos tirado algumas fotos, mas não observamos um detalhe que o nosso guia nos mostrou e explicou. Na outra esquina da praça existe um monumento de uma mulher andina, carregando um homem encapuzado nas suas costas (se você baixar a foto e der um zoom bem grande ao lado da fonte central da foto você consegue ver a parte de trás da estátua). Então ele nos explicou que durante as batalhas que se sucederam nos Andes, durante a conquista espanhola, os soldados atacavam vestidos daquela maneira, com um capuz no rosto (ele explicou o porquê mas eu não lembro). E que, sempre que eles eram feridos, as mulheres da região os amarravam nas costas e levavam-no até um local para ele receber os devidos cuidados e que elas chegavam até mesmo a LUTAR carregando os soldados nas costas. O papel da mulher na cultura dos Andes sempre foi muito forte, que elas sempre foram guerreiras e não apenas "belas, recatadas e do lar". E que aquele monumento foi erguido justamente para lembrar da importância delas para a história Andina.

 

26765618630_eef565d2bf_o.jpgMaca by rodrigopaulo, no Flickr

 

27040085455_9d68c4761b_o.jpgMaca by rodrigopaulo, no Flickr

 

Ao longo do caminho nosso guia foi nos contando mais um pouco da cultura daquele povo, das histórias. E no meio das histórias ele contou um pouco sobre ele. O nome? Miguel Fernández Cayetano (fiz questão de anotar pra colocar nesse relato). Peruano, sociologista e pesquisador da cultura Peruana e Andina, se formou em uma universidade na Holanda, tendo nascido numa região pobre e de família também pobre. Ele mostrava conhecer a cultura daquele local como mais ninguém conhecia e nos deu verdadeiras aulas de história, sociologia e cultura em seu tour. A agência com a qual eu contratei esse tour fica na Calle Álvarez Thomas, Nº 107 (Google Maps AQUI). Mas procurando um pouco na internet vi, que na verdade ela apenas terceirizava o serviço, o Miguel mesmo pertence à empresa A.I. Travel.

 

Ele nos contou, por exemplo, que na cultura Andina as pessoas que queriam se casar, elas tinham antes que viverem juntas durante 1 ano. Pois era nesse tempo que elas se conheciam de verdade e poderiam ver se poderiam se casar de verdade e viverem juntas. Caso não dessem certo, eles se separavam e iam buscar outra pessoa. Porque para eles a família era a base de toda a estrutura social e pra isso elas tinham que ser sólidas.

 

As relações homoafetivas eram tidas como normais dentro daquela cultura e que muitos desses casais criavam seus filhos normalmente e que as pessoas olhavam essa atitude como um ato honrável, pois geralmente eles adotavam as crianças que eram abandonadas por outras famílias (alcoolismo, lembram? ;) )

 

26436113933_3763b73292_o.jpgValle del Colca by rodrigopaulo, no Flickr

 

26971286961_c08ce1665b_o.jpgCañon del Colca by rodrigopaulo, no Flickr

 

Nos explicou a origem do nome Valle del Colca. Os povos dos Andes tiveram que se adaptar ao relevo da região e, para isso, eles construíram as famosas andenerias, que são os terraços agrícolas que vemos por todo o vale. Eles planificam as encostas dos morros e plantam suas culturas ali. As andenerias são como pequenos muros feitos de pedras e com terreno cultivável na parte de dentro. Ele nos explicou que o povo andino dominava a cultura como poucos, que, a depender da altitude em que estavam os terraços, eles variavam o produto a ser plantado, já que a diferença de altitude acarretava em microclimas diferentes. Que as pedras utilizadas na construção serviam para absorver o calor durante o dia e manter a plantação aquecida durante a noite fria na região. E é por isso que não existem andenerias muito largas, senão as pedras não conseguiriam aquecê-las por inteiro.

 

E então, como não existia geladeira para armazenar os produtos cultivados, o que os locais faziam era cavar buracos na encosta das montanhas e enchê-las com pedras de sal, vindas da costa e que eram trocadas nos mercados da região. Então, a combinação de altitude, frio e baixa umidade faziam com que esses "buracos" conservassem os alimentos durante muito tempo. E a esses buracos eles deram o nome de "Colca". Então as colcas eram as geladeiras dos Andes.

 

Em outro momento ele nos falou sobre o porquê da lhama e da alpaca serem animais tão comuns naquela cultura. E foi nos explicando a evolução do uso dos animais naquela sociedade. A vaca não era tão comum porque os andinos não tomam leite, porque, na altitude ele não é muito bem digerido, nem a carne, pelo mesmo motivo. Que quando eles começaram a consumir esses tipos de produtos, eles acordavam cansados, porque a digestão era muito difícil e exigia muito do organismo deles.

 

Então eles começaram a usar as lhamas e alpacas porque elas eras possuíam 3 utilidades: transporte, alimentação, já que a carne da lhama é mais leve e mais facilmente digerida naquela altitude, e têxtil, devido a qualidade da sua lã, utilizada para a fabricação artesanal de vestimentas contra o frio.

 

Entre várias e várias histórias que ele nos contou, essas foram as que mais ficaram marcadas na minha memória. Mas ele contou muito mais que isso. Ele não parava de falar por um minuto sequer. Eu é que não lembro de tudo! ::lol3::

 

26436148363_3d0244d733_o.jpgValle del Colca by rodrigopaulo, no Flickr

 

Depois de algum tempo, chegamos, finalmente, ao Mirante Cruz del Condor onde poderíamos ver o famoso voo dos condores. A vista aqui é fenomenal e podemos ter uma ideia da dimensão do Cañon del Colca, que é o mais profundo do mundo (chupa Grand Canyon!). O negócio é tão, mas tão profundo, que você não consegue captar ele inteiro na foto. Não dá pra ter noção só vendo as fotografias. Ah, vale lembrar que aqui o mal de altitude pode te pegar pesado, então ande devagar por aqui, nada de extravagâncias!

 

26434096374_29d4618810_o.jpgCañon del Colca by rodrigopaulo, no Flickr

 

26765319790_751e65ef78_o.jpgCañon del Colca by rodrigopaulo, no Flickr

 

O local estava lotado de turistas apinhados nos mirantes para tentar ver o voo dos condores. Ficamos cerca de 30 minutos por lá e só vimos 1 único Condor voando (pelo menos não perdemos a viagem, né?). Mas mesmo assim era um Condor pequeno.

 

26945412662_91861b8cce_o.jpgMirante Cruz del Condor by rodrigopaulo, no Flickr

 

27039768775_ea8a7992cf_o.jpgMirante Cruz del Condor by rodrigopaulo, no Flickr

 

26971132561_a2de7f79bc_o.jpgMirante Cruz del Condor by rodrigopaulo, no Flickr

 

Ao voltarmos para a van ele nos explicou (tá vendo como ele tinha explicação pra tudo?) o porquê de haver tão poucos Condores ali naquela época.

 

Se lembram quando eu falei, no capítulo de Paracas, que estava na época de reprodução dos leões-marinho e que por isso as Islas Ballestas estavam cheias de leões-marinho bebês? Pois bem. Os Condores são aves abutres, assim como os Urubus que, além de se alimentar da carniça de outros animais, se alimentam também de animais de pequeno porte. Então na época de reprodução dos leões-marinho, os Condores descem dos Andes rumo à Costa peruana para se alimentar dos leões-marinho bebês e das focas que costumam habitar as águas frias do Oceano Pacífico. Além disso, duas semanas após dar à luz aos filhotes, as fêmeas leão-marinho dão início a um novo ciclo reprodutivo, onde os machos travam verdadeiros duelos para ter o direito de acasalar a fêmea, onde muitas vezes o leão-marinho derrotado acaba morrendo. E então os Condores também se alimentam das carcaças desses animais. É por isso que na época de fevereiro não é muito comum ver os Condores na região do Valle del Colca. É, amigo... é uma aula atrás das outras...

 

Ficamos por ali durante um tempo, olhando a feirinha de artesanato, tomando um chazinho de colca e experimentando um sorvete pelo qual eu "lambi os beiços" que foi o sorvete de uma frutinha chamada "sanky" que cresce na região. Tem um gostinho azedo e estava extremamente refrescante, pois estava fazendo um baita calor ali. Tomei uns 2 potinhos ali!

 

Em seguida, retornamos à Chivay onde o guia nos dá um tempo para nos banharmos nas termas. Acho que a entrada custa uns S./ 15, se não me falhe a memória. Aqui a farofada estava muito grande, decidimos não tomar banho. Ficamos sentado ao lado do rio que tem no local, descansando, olhando as fotos que tínhamos tirado e tal...

 

26433969544_fe831d151f_o.jpgValle del Colca by rodrigopaulo, no Flickr

 

Ao voltarmos para a van no horário combinado... faltando 2 pessoas. O coitado do guia ficou super preocupado, andando pra lá e pra cá, procurando pelos dois. Depois de uns 30 minutos perguntou o que a gente deveria fazer, se preferíamos esperar pelas duas pessoas ou seguirmos nossa viagem e deixar um aviso na boleteria das Termas para caso os dois aparecessem. Decidimos esperar e depois de mias uns 15 minutos eles apareceram. Quando os dois chegaram na van eles levaram um maior esculacho que já vi, vindo de um guia de turismo. O cara disse que o que eles fizeram tinha sido inaceitável, que foi uma falta de respeito com o restante do grupo, que eles haviam combinando um horário e todas as pessoas da van obedeceram ao estabelecido e eles não, e que a menina (era peruana) estava dando um péssimo exemplo e que ela, como anfitriã do país, deveria ser a primeira a dar exemplo. Peeeeense no esculacho! O que dizer desse guia que conheço tão pouco e já considero pakas? ::lol4::::lol4::::lol4::

 

A essa hora já estava todo mundo morrendo de fome e fomos direto para o buffet que já estava incluso no pacote. Teve uma galera que não comprou antecipado e acabou pagando mais caro na hora. O almoço incluía buffet livre (primeira vez na viagem que comi até explodir) de comida tipicamente peruana. Tava, ó, o dez!!!

 

Depois do almoço, começamos nossa viagem de volta para Arequipa. Não sem antes passar pelas estradas mais sinuosas que já vi em toda a minha vida ::ahhhh::::ahhhh:: Foi aqui que eu desenvolvi um mantra que eu levei comigo durante toda a viagem "Eu não vou morrer! Eles fazem isso todo dia, não tem perigo. Eles sabem o que estão fazendo. Tá tranquilo. Tá favorável! :roll::roll::roll:

 

No caminho paramos no Mirador Los Volcanos, a 4.900m de altitude, de onde se consegue ver os principais vulcões da região. Mas, infelizmente, tava chovendo e não dava pra ver nenhum vulcão, além de estar fazendo um frio dos diabos ::Cold:: Quase ninguém desceu da van. Descemos rapidinho, experimentamos a falta de ar e o frio e voltamos ahahahaha.

 

Ainda havia mais uma parada que é na Reserva Nacional del Valle, onde existe um campo aberto enorme, lotado de Vicuñas, Alpacas e Lhamas. Tinha visto algumas fotos na internet, mas infelizmente não paramos aqui. Primeiro porque estava chovendo e porque 90% das pessoas do ônibus já estavam dormindo. Mas dava pra ver da janela da van e era lindo ver todas elas no campo. Lindo de se ver ::love::

 

Eu falei tão bem do guia durante o relato que eu vou só dar uma breve sugestão aqui ao fim. Se forem fazer o tour de carro de 1 dia no Cañon del Colca, procure a agência do Miguel. Vai ser uma experiência extraordinária, acreditem. Vocês não vão se arrepender com ele ::otemo:: (e não, não estou ganhando nada para recomendá-lo ::lol4:: )

 

Chegamos em Arequipa por volta das 18h, já um pouco cansados. Mas mesmo assim ainda demos uma saída, tomamos alguns Pisco Sour na happy hour (2 pelo preço de 1) num bar na Passaje La Catedral (a ruazinha que eu falei no capítulo anterior) e depois caímos mortos na cama.

 

Gastos do Dia:

Boleto do Valle del Colca - S./ 35

Chá de Colca - S./ 4

Sorvete de sanky: S./ 4

Água: S./ 2

Jantar: S./ 12

Barzinho: S./ 17

Total: S./ 74

 

PRÓXIMO CAPÍTULO: Yanahuara: uma charmosa face de Arequipa no dia da despedida.

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De olho no lance!

Muito legal o seu relato, Rodrigo! Realmente uma verdadeira aula. Também estou acompanhando por aqui. ::otemo::

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Gente é relato com aula de história grátis, né? Sensacional!

 

Manda mais, manda mais!

 

Desanima não Rodrigo!!!

To acompanhando... Rsrs

 

De olho no lance!

Muito legal o seu relato, Rodrigo! Realmente uma verdadeira aula. Também estou acompanhando por aqui. ::otemo::

 

Valeu pelo apoio, galera ::otemo::

É que desanima um pouco escrever, escrever, escrever e ninguém comentar nada :?

 

Abraços!

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Obrigada pela informação, Rodrigo!

Tenho uma outra dúvida! Sobre o seguro, li muitos relatos de pessoas dizendo que fizeram com a mondial travel e pagaram por volta de 200 reais, assim como você. Só que eu fiz a cotação pelo site deles e ta dando mais de 600 reais 28 dias, mesmo colocando a opção de mochilão. Qual foi o procedimento que você fez pra contratar o seguro? Porque ja tentei colocar um país só, três países (peru, chile e argentina), revirei o site procurando alguma opção que faça cair esse valor, mas nada, continua dando 600 e poucos reais.

 

Oi, Jéssica.

 

Não sei se você já conseguiu o seguro, mas tive o mesmo problema que você e no final contratei o seguro da GTA que foi 250 e tem bastante cobertura. Talvez você goste , e PolyBH que tem um relato aqui também fez ele e usou bastante sem nenhum problema .

 

Você vai quando ?

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Obrigada pela informação, Rodrigo!

Tenho uma outra dúvida! Sobre o seguro, li muitos relatos de pessoas dizendo que fizeram com a mondial travel e pagaram por volta de 200 reais, assim como você. Só que eu fiz a cotação pelo site deles e ta dando mais de 600 reais 28 dias, mesmo colocando a opção de mochilão. Qual foi o procedimento que você fez pra contratar o seguro? Porque ja tentei colocar um país só, três países (peru, chile e argentina), revirei o site procurando alguma opção que faça cair esse valor, mas nada, continua dando 600 e poucos reais.

 

Oi, Jéssica.

 

Não sei se você já conseguiu o seguro, mas tive o mesmo problema que você e no final contratei o seguro da GTA que foi 250 e tem bastante cobertura. Talvez você goste , e PolyBH que tem um relato aqui também fez ele e usou bastante sem nenhum problema .

 

Você vai quando ?

 

Eii,

eu pretendo ir em outubro, consegui ver esse negocio do seguro colocando "turismo e lazer", com os 15% de desconto do cupom ta saindo a 220/30dias.

Acho que ta um preço bom, me falaram da GTA também, mas ainda não cotei por lá!

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Rodrigo! Continua, estou gostando do seu relato e viajando pelas fotos hahaha. Adorei as dicas de Lima, vou passar 2 dias lá também.

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