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USHUAIA - trekkings e perengues no fim do mundo


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Em fevereiro/março fui para Ushuaia (USH) fazer umas trilhas sugeridas pelo Lonely Planet – LP (Trekking in the Patagonian Andes). A intenção original era ir com o Edver para a Isla Navarino, sul de Ushuaia, fazer os Dientes de Navarino. Infelizmente o Edver não pode ir por questões de trabalho e deixamos para fazer Dientes no próximo ano. Optei então pelas trilhas de Ushuaia.

 

Aproveitei e fiz 3 trilhas: Laguna Esmeralda (1 dia), Circuito Sierra de Valdivieso (4 dias) e Paso de las Ovejas (3 dias). Muito bonitos. No caso da Sierra Valdivieso, terreno variável e pesado, com boa parte do tempo sem uma trilha definida, exigindo paciência e vara mata, além de alguma navegação.

 

Tive alguns contratempos, mas são os perrengues que fazem a trilha inesquecível!

 

Faço um relato por trilha.

 

DESCENDO EM USHUAIA – 20/03/2011

 

Tive muita sorte, pois cheguei em USH num dia de sol lindo, sem nuvens. Assim, da janela do avião, lado direito, pode observar parte do roteiro que iria seguir no Circuito Sierra de Valdivieso. Tenho o hábito de sempre estudar no mapa e no Google Earth o trajeto, antes da viagem. Foi fácil identificar da janela as referências geográficas. O avião passou praticamente por cima do Passo Bebán.

 

Vi o Lago Fagnano com as baias Torito e de los Renos em sua margem sul. Eu caminharia pelos vales acima destas baías. O lago Fagnano é uma alternativa de rota em caso de emergência ou mau tempo (plano B).

 

Depois avistei a laguna Azul e a menor, um pouco mais em cima, a laguna Superior. O Passo Mariposa fica acima (passaria por lá). No vale seguinte fica o Passo Valdivieso ou Passo das Cinco Lagunas.

 

Antes de passar sobre Ushuaia a vista do Valle Carbajal. Em vermelho os campos de turfa. Teria que percorrer este vale no último dia de trekking, após descer do Passo Valdivieso.

 

O avião sobrevoa USH e vai perdendo altura sobre o canal de Beagle, antes de dar meia-volta para o pouso. Assim pude ver a Isla Navarino, uma parte de Port Williams e os afiados Dientes de Navarino.

 

1º DIA - LAGUNA ESMERALDA – 21/02/2011

 

Parti apenas 16 horas na van (eles chamam de kombis), do ponto perto da praça de artesanato de Ushuaia. Era tarde, mas só recebi minha mochila meia hora antes (todos os passageiros do meu vôo chegaram em USH, vindo de BsAs, sem as malas. As malas só chegaram no dia seguinte). Porém o sol só se põe às 21 horas e o trajeto para a laguna, por trilha bem marcada, leva apenas 1,5 para 2 horas. A van custou 30 pesos, bem mais barato que táxi (ida e volta, na tabela das vans, são 50 pesos). Taxi 70 a 90 pesos só ida, segundo um taxista.

 

O motorista, cara legal, deixou a gente num começo de trilha alternativo, onde não se precisa pagar 10 pesos de entrada. Na mesma van iam Pablo e Diogo, uruguaios.

 

Senti uma pequena dor no joelho direito no início da caminhada. Enferrujado!

 

A senda é bem marcada, com spray vermelho em troncos de árvores e, numa bifurcação, pegando a trilha oficial, passa a ter placas de metal nas árvores. No caminho vi as primeiras represas de castores. Ao Norte se avistava o circo da laguna Esmeralda rodeado de montanhas, com o Dente de Cavalo bem visível, sobressaindo do cordão de montanhas.

 

Depois de uma bonita mata de lengas se chega num platô onde tive o primeiro contato com a turfa (que eles chama de turbal). Creio que é um campo de musgo com pelo menos 30 a 50 cm de espessura. O musgo é coberto pela neve no inverno, mas não morre. Quando chega a primavera renasce e cresce mais um pouco formando aqueles colchões de cor avermelhada. Bonito de se ver e cansativo de andar. Parece que pisamos numa esponja. Pisa, afunda. Quando tira o pé ela volta para o lugar. Normalmente de cor vermelha, formando um campo avermelhado possível de se ver do avião ou mesmo nas fotos do Google Earth.

 

Mais uma pequena subida, sempre tendo a esquerda o desaguadouro da laguna Esmeralda (rio de mesmo nome) chegamos na bela laguna.

 

Conversei mais um pouco com Diogo e Pablo e depois me despedi, pois era cerca de 18 horas e tinha de ir para a margem NE da laguna, ponto indicado para acampar. Ainda teria de montar a barraca e fazer a janta. Segui a margem da laguna pelo lado direito e cheguei no local onde armei minha tenda, no meio de uma mata de lengas.

 

Comi a beira da laguna e apareceu um castor, possivelmente jovem. Nadava de um lado para a outro, paralelo à praia, me observando. Ou são animais curiosos ou os turistas atiram comida para eles (péssima prática), daí eles ficarem próximos. Saquei fotos. Mais tarde peguei um belo por do sol. A laguna Esmeralda nesta ocasião deveria se chamar laguna Rubi.

 

Tomei um Ibuprofeno para aliviar a leve dor que sentia no joelho.

 

Noite tranqüila, não senti frio dentro da barraca (10° C não é frio para o verão de lá). Por volta de 4:30 da madrugada ouvi um tooííííímm e a barraca tremeu. Acordei sabendo exatamente o que ocorreu. Algo tropeçou num dos cordoletes da barraca. A Ligthwave t0 trek tem 4 cordoletes para ancorá-la melhor em ventos fortes. Sempre os uso aqui na Patagônia. Gritei “Que pasa!” (se fosse bicho homem) e “xôoo” (se bicho de 4 patas). Coloquei a lanterna de cabeça e abri a tenda. Olhei em volta, mas não vi mais o que teria batido no cordolete tensionado.

 

Fiquei imaginando o que seria: um castor curioso? Um guanaco? Uma raposa? Puma não era (não existem mais, ao menos nas proximidades de USH). Mais provável ser uma raposa já que castores e guanacos não têm, que eu saiba, hábitos noturnos. Dias depois, no último acampamento da viagem, eu descobriria.

 

2º DIA– 22/02/2011- CIRCUITO SIERRA DE VALDIVIESO – REFÚGIO BONETE

 

O dia amanheceu nublado. Não pude ver o topo das montanhas que formavam o circo da laguna. Parti apenas 10 horas para voltar a Ruta Nacional 3 e dali para o ponto onde deveria sair da estrada e pegar a trilha para o refúgio Bonete, primeiro pernoite sugerido pelo LP. Sabia que deveria haver uma trilha ligando diretamente os dois pontos para encurtar a distância (imagine um quadrado: indo pela Ruta Nacional 3 teria de percorrer 3 lados do quadrado ao invés de apenas 1. Mas não descobri a trilha. A dor no joelho direito que senti no início da caminhada do dia anterior desapareceu.

 

Encontrei um grande grupo subindo para a laguna, com dois guias. Parecia um grupo japonês tal a quantidade de nipônicos. Só percebi que eram nisseis e sanseis brasileiros quando vi alguns com a mochila da Venturas e Aventuras. Os japoneses e seus descendentes têm uma atração especial por montanhas.

 

Perguntei ao guia se tinha um caminho direto e onde começava. Ele disse-me que ficava perto da laguna, que já estava meia hora para trás, morro acima. Desisti de voltar para pegar uma trilha ruim. O guia disse que era “demasiado camiño” pela Ruta 3. Porém minha intuição dizia que com o joelho sob suspeita não era uma boa. Fora isto, como bom baiano, não queria voltar de novo subindo ladeira.

 

Cheguei na Ruta 3 sem dificuldade e percorri aproximadamente 3-4 Km pelo acostamento. Vi uma raposa adiante fazendo zig-zag na rodovia, procurando por algo no asfalto, enquanto não passavam carros. Viu algo, abocanhou e subiu correndo o barranco ao lado da carretera antes que um carro surgisse na curva. As raposas são espertas: sabem que sempre tem um animal atropelado e morto de noite nas estradas. Café da manhã garantido.

 

Pouco mais de meia hora cheguei no ponto que estava no GPS (km 3.041). Desci por uma estrada 4X4 e depois de 10 minutos cheguei no Rio Esmeralda (o mesmo da Laguna) e cruzei-o nos troncos. Havia uma ponte agora destruída. Do outro lado a estrada (mais parecia uma trilha) seguia. Após meia hora uma bifurcação. O guia do LP não dizia nada sobre esta bifurcação. Para a direita subia e parecia mais batido. Se fosse direto, ela descia. Achei que era à direita (ambas seguiam mais ou menos na mesma direção) e após 15 minutos sem encontrar um mallín (brejo - segundo o LP eu encontraria um brejo) com turfa, caiu a ficha: brejo fica morro abaixo e não morro acima. Voltei e peguei agora o caminho direto e após alguns minutos a mata dava lugar ao mallín.

 

E que brejo. A trilha foi embora. Cruzeio-o no sentido indicado no guia, mas aonde recomeçava a trilha, na floresta de lenga do outro lado? O mallín era extenso. O circuito Valdivieso tem esta característica: em muitos momentos o terreno é difícil e sem trilha. Um aviso no LP alerta que os trekkers tentando este circuito devem ter bons conhecimentos de navegação.

 

Uma alma caridosa amarrou um saco plástico branco num galho de árvore e marcou o ponto onde a trilha recomeçava.

 

Uma senda lamacenta seguia morro acima. Havia marca de pneus de um veículo, um pequeno trator agrícola. Nem mesmo um Land Rover subia ali, nem a pau.

 

A trilha fazia curvas a medida que subia, entre floresta e pequenas clareiras. À aproximadamente 1 km (em linha reta, segundo o GPS) estava o refúgio Bonete. Neste momento enfiei o pé na lama até a metade da canela. E adivinhem: sabem aquele efeito de sucção (desentupidor de pia) que a bota faz quando a tiramos do buraco na lama? A parte da sola traseira da minha bota Salomon esquerda se desprendeu do cabedal, parecendo uma língua solta. Soltei um sonoro MERDA! Justo no 1º dia da minha trilha mais difícil em USH!

 

A culpa na verdade era minha. Comprei a bota em 2005, creio, e fazia parte de um lote defeituoso (ver tópico botas Salomon) e já tinha soltado a sola uma vez. Mas a Sapataria do Futuro em Salvador/BA tinha feito um bom trabalho de vulcanização e acreditei que agüentava. Só que tudo tem um prazo de validade, não é mesmo? O problema que sempre achei a bota muito confortável e relutei em aposentá-la. Mas uma bota sem sola é problema grave num trekking em área desabitada e montanhosa.

 

Desenrolei um pouco de silver tape que sempre levo enrolado no bastão e tentei prender a sola de improviso para ver se chegava até o refúgio e lá pensava melhor no que fazer. Mas a bota molhada e enlameada não deixou a fita colar. Tive que ir até o refúgio com a sola solta, torcendo para que a parte da frente agüentasse, caso contrário a sola se desprenderia totalmente do calçado. Saí duma floresta e caí na bacia de um riacho com uma represa de castores a direita. Segui e me perdi por instantes. Onde recomeçava a trilha? Descobri após alguns minutos. Depois de alguma subida atravessei um pequeno córrego e mais 2 minutos lá estava o refúgio, uma pequena casinha de madeira.

 

O refúgio era legal. Decidi ficar nele e não montar a barraca, apesar de não gostar muito de refúgios, pelo risco de hantavirus (pretensão achar que só teria eu lá. E os ratos e camundongos?). Estava cansado e não queria ter o trabalho de montar a barraca.

 

Tinha mais ou menos 4 X 5 metros, uma cozinha, uma salamandra (como eles chamam um aquecedor cilíndrico de ambiente a lenha, ligada a uma chaminé) e um pequeno mezanino onde as pessoas subiam por uma escada rústica numa coluna, para dormir.

 

Parei para pensar no que faria. Não dava para continuar com aquela bota. Mas regressar era penoso. Poderia até fazê-lo. Em USH compraria rapidamente outro calçado e ainda voltaria no mesmo dia ao refúgio, perto do anoitecer. Mas teria de comprar uma bota as pressas, e usá-la sem amaciar. Poderia me arrepender da compra e seria um transtorno cansativo esta ida-e-volta, fora os calos. Não estava a fim de perder um dia. Lembrei-me que tinha um cordolete extra de nylon nas minhas coisas e resolvi tentar improvisar um “conserto” da bota. Peguei meu lanche e as coisas necessárias para o conserto e fui para o córrego antes do refúgio. Tirei as botas, lanchei (passava das 12 horas) e pensei em como consertar.

 

A parte traseira do solado estava solta. A da frente, que tinha se soltado 3-4 anos antes, estava vulcanizada e fizeram uma costura no bico para fixar bem. Achei que a frente agüentaria. Atrás resolvi fazer dois furos paralelos cortando a sola em diagonal, de baixo para cima, saído na traseira da bota. Passei um cordolete, com ajuda do canivete e prendi-o no loop que existe na parte traseira das botas (usamos quando penduramos o calçado). Passei outra cordinha por baixo do calçado no meio da sola prendendo em cima, de cada lado, num dos ilhoses do cardaço. Usei o silver tape para enrolar no cordolete que ficava embaixo do solado, para aumentar a resistência à abrasão. Parecia que funcionaria. Mas a trilha é dura, conhecida por sua variedade de terrenos (rocha na montanha, alagadiços e troncos caídos). Será que agüentaria? Beleza se arrebentasse de vez bem no topo de um passo nas montanhas.

 

Para completar o azar: usei um mini-canivete para furar o solado e cortar a cordinha. Como a lamina não tinha trava de segurança, na tentativa de furar a sola, ela voltou de vez e cortou a ponta de meu dedo indicador direito, abaixo da unha, num movimento forte de guilhotina. O sangue arterial vermelho jorrou forte, para meu espanto. Comecei a chupar o dedo achando que ajudaria a coagular e fecharia a bebida, digo, a ferida. Não adiantou. Ia chupar todo meu sangue num auto-vampirismo sem resolver. Voltei rápido para o refúgio e peguei meus primeiros socorros, um spray de anti-séptico e gaze. Pressionei o corte com a gaze. Como demorou parar de sangrar! Tive de manter minha mão suspensa no ar por bom tempo para diminuir o fluxo sanguíneo para as mãos. Macgyver de meia tigela!

 

Após, peguei panela e o cantil para encher de água no riacho e aproveitei o sol para tomar um banho de panela. Um choque no início, uma delícia no final. Ficamos mais frios que o ar a nossa volta e dá uma sensação de calor quando acabamos o banho.

 

O refúgio ficou só para mim. Não vi ninguém depois que saí da Ruta 3. Fiz a refeição na cozinha do abrigo e comi fora, com a belíssima vista de uma tarde ensolarada para o início do vale Bebán e para o cerro Bonete, bela montanha que dava nome ao refúgio. O lugar todo que escolheram para o refúgio era belíssimo, e grátis! Hostal 5 estrelas.

 

Numa árvore próxima vi o pão de índio, cogumelos redondos de cor amarela, pálida, que nascem nos galhos das árvores, provocando uma intumescência no galho. São parasitas. Os índios os usavam como alimento.

 

Perto do anoitecer catei alguma lenha seca, musgo seco e gravetos. Com ajuda de uma vela consegui acender o fogo na salamandra e fervi água para um chá verde. Fiquei orgulhoso por ter acertado de primeira acender o fogo naquele troço que nunca tinha usado antes. Pouco antes de dormir apaguei o fogo para não ser asfixiado de noite. Em TDP mãe e filha morreram assim, num refúgio, anos atrás.

 

Subi para o mezanino e fui dormir torcendo que os ratos não soubessem subir (por isso acho que o dormitório fica no mezanino). Cortei no meio o resto de uma garrafa de PET para ser meu urinol durante a noite. Descer lá de cima, no meio da noite, naquela escada não seria fácil. Noite muito tranqüila.

 

3º DIA – 23/03/2011 – PASSOS BEBÁN, VALE DO RIO TORITO

 

O dia amanheceu lindo. Depois do ovomaltine e do mingau arrumei a mochila. Como não precisava desarmar a barraca foi rápido recolocar as coisas na mochila. Saí 09:45 horas.

 

Parti direção NO para a boca do vale do rio Bebán, seguindo uma trilha muito tênue, com o maior cuidado com a bota esquerda, olhando onde pisava. A bota estava ainda em fase de test drive. Vería se o armengue funcionaria.

 

A trilha logo desapareceu. Mas o caminho é intuitivo. Teria de contornar para a esquerda um contraforte rochoso e escarpado do Bonete e subir contornando, ladeando o contraforte. O rio Bebán passava no fundo do vale bem mais abaixo. Volta e meia as marcas de desgaste numa pedra indicavam que pessoas passaram por lá.

 

Quando estava ao lado do cerro Bonete, comecei a descer rumo ao fundo do vale. Do alto avistei um tronco de árvore atravessado no rio, que poderia servir para a travessia do Bebán sem tirar as botas. O rio é raso.

 

Passei para a margem direita (verdadeira) e rumei para uma floresta de lengas. Ao atravessá-la procure ficar mais próximo ao rio e não da encosta do vale a esquerda. Não há trilha, mas sabemos qual a direção geral a seguir. Rumar para o fundo do vale, dobrando a esquerda para um vale lateral, onde o Bebán encontra-se com outro rio.

 

Observei no alto, a direita, a montanha que chamam de Ojos del Albino. No topo, coberta de neve, tem um pedaço que parecem dois olhos.

 

Não pude ver o Cerro Bebán, pois o topo das montanhas estava encoberto pelas nuvens. Subi para o vale lateral. Enfiei a bota direita num buraco escondido cheio de lama até quase o joelho. Sorte que foi a bota direita. A lama não fez sujeira maior porque a polaina ajudou muito. Estas polainas são altamente recomendáveis aqui.

 

Depois de 30-40 minutos cheguei num bosque de lengas isolado no meio do vale. Várias clareiras eram utilizadas para acampar. O LP sugere que este seja o primeiro pernoite para quem não deseja ficar no refúgio Bonete, a apenas 1,5 – 2 horas do início do trekking. Bonito lugar. Não fosse o problema ontem com as botas teria tentado chegar aqui para pernoitar.

 

Segui em frente para o fundo do vale rumo ao passo Bebán. Dia nublado e frio. Não sei se isto ou a visão do Passo Bebán Leste, à frente, me deram um arrepio na coluna. Passo íngreme, mais parecia coisa de escalador. Me sentia cansado só de pensar em subir aquilo com uma mochila de 18 kgs!

 

No fundo do vale, antes do passo, o riozinho se espraia numa praia ampla, segui pela esquerda, rumo ao passo. Lá chegando parei para avaliar a subida. Logo abaixo do passo parecia ser mais íngreme e terra solta, ou seja, um suplício. Resolvi consultar minha fotocópia do guia LP e li que o caminho era um corredor de pedras descendo a montanha, mais a esquerda do passe. De fato havia uma pirca naquela direção.

 

Bebi água no córrego, comi algo (energia para subir) e botei meu agasalho de Goretex para a subida, devido ao vento. A depender do lugar prefiro usá-lo apenas na descida porque o Goretex não dá conta de todo o suor que evapora numa subida. Mas o dia estava frio. A idéia de usar um agasalho vermelho também me agradava, pois em caso de acidente seria mais fácil me achar.

 

A cascata de pedras não era assim inclinada, diria 40 a 45º. É interessante como de longe as coisas parecem mais feias do que realmente são. Subida tranqüila. Pouco antes de chegar ao topo virei a direita me encaminhando para o verdadeiro passo, de acesso fácil.

 

A vista para o vale que deixava era muito bonita. Um cordão de montanhas de picos pontiagudos ladeava o vale. Entrei em seguida no circo da Lagunita Bebán, que se estendia a partir dali para o Sul, em direção ao Valle Carbajal. Não precisei baixar para atingir o Passe Bebán Oeste porque uma trilha fraldeava a montanha à direita. Estava acima da linha das árvores.

 

Antes de atingir o topo do Bebán Oeste tive de atravessar com cuidado um manchão de neve. Aproveitei para tirar foto com a neve (afinal não vejo isto na Bahia!). No passo uma pedra com spray grafite, um deles dizia “Inglês Puto”. Um argentino muito puto, com o resultado da guerra das Malvinas, escreveu aquilo. Escolheu muito mal o lugar para um protesto.

 

Desci para o vale do rio Torito. Descida pedregosa. Acompanhei dois riachos que se encontram mais abaixo onde a vegetação recomeça. Caminho chato na margem direita (verdadeira) do córrego, algumas vezes pulando para a outra margem. O pessoal da região cortou alguns galhos de arbustos para facilitar a passagem.

 

Em um ponto surge uma represa de castores num lugar improvável, bem num trecho enladeirado. Achei incrível eles construírem aquilo, parecia uma piscina suspensa na encosta. Continua-se a descer até chegar num platô gramado, entre dois riachos. Parei para descansar e almoçar sanduíches. A direita um pequeno dique de castores com dois grandes castores nadando. À esquerda, outra represa deles lá embaixo, represando água cristal. Dava para ver o fundo. De frente tinha uma ampla vista do vale do Rio Torito, mais abaixo.

 

Barriga cheia, segui em frente, uma descida íngreme e uma travessia do rio que estava à esquerda, justo por cima da represa de castores, que fazia o papel de ponte. No barranco do outro lado uma trilha subia e passei a ir pelas encostas ondulantes a margem esquerda do rio Torito, baixando mais devagar. Neste trecho havia uma trilha razoável, pelos padrões da Sierra Valldevieso!

 

Quando atingi um ponto onde o vale nivelava, surgiu uma grande área de destruição, onde previamente havia um grande dique de castores. Parecia uma área bombardeada: lama e árvores mortas e derrubadas. Os castores além de roerem troncos e derrubarem árvores alagam extensas áreas com seus diques e as árvores morrem afogadas (não foram feitas para viver dentro d’água).

 

Os castores são animais introduzidos pelo homem na Terra do fogo, para comercializar suas peles. Ocorre que descobriram tarde demais que, como lá o inverno não é muito rigoroso, seus pelos não cresciam muito, não tendo valor comercial. Pior, deixaram-nos soltos e sem inimigos naturais. Aumentaram sua população exponencialmente devastando áreas de lindas florestas de lengas. Tornaram-se uma praga. Agora autorizaram a caça destes animais antes que a situação fique pior.

 

O mesmo tipo de erro que os australianos cometeram ao introduzir o coelho na Austrália e nós, o teiú em Fernando de Noronha e as cabras na ilha de Trindade.

 

Segui por uma crista de uns morretes pelo meio do vale, contornado pela esquerda os diques de pastores, onde fosse necessário, até chegar as 06:35 horas na cascata do Arroyo Azul, lindo local de acampamento para o 2º dia.

 

Armei a barraca atrás de umas árvores. Sempre deixo o fundo da tenda tipo túnel para oeste, a jusante de pedras ou árvores, pois dali vem os ventos mais fortes.

Tomei um banho de panela com a água do Arroyo Azul, sem sabonete. Sempre que possível procuro dormir limpo (ou melhor, um pouco menos sujo). Tive um dia bom. Começou nublado e ventoso, porém pela tarde o sol deu as caras. Sem chuvas.

 

A bota deu conta do recado. Jantei e dormi cedo. Desde que saí da Ruta Nacional 3, ontem, não avistei ninguém.

 

4º DIA – 24/02/2011 - PASSO MARIPOSA – PASSO VALDIVIESO

 

Outra noite bem dormida, tranquila, sem vento ou chuva. Muita sorte.

 

Depois de desfeito o acampamento segui meia hora pela mergem esquerda do Torito. Num ponto a trilha começa a se afastar do rio. Uma trilha tenue indicava o caminho. Liguei o GPS para checar o ponto onde começaria a subida para o passo Mariposa. Relatos de outras pessoas diziam que era o trecho de navegação mais difícil.

 

Logo antes do rio Torito fazer uma curva virando para o Norte, rumo ao lago Fagnano, ficava o ponto do GPS. Mas cadê a trilha? Um pequeno paredão de pedra dificultava a subida. Como a trilha ia em frente supus que a subida deveria ser mais adiante. Entrei numa floresta de lenga onde vi que costumavam acampar. Atrilha desaparecia, mas dentro da floresta era mais descampado e dobrei a esquerda começando a subir por entre as árvores espaçadas. Logo começou a dificuldade com subida íngremes, apenas indícios indicavam que gente passou ali.

 

Num ponto surgiu um paredão de pedra. Contorneio-o pela esquerda saindo da mata e entrando nos arbustos. Subi um pouco mais, porém onde eles fechavam entrei novamente na mata e subi por ela até que outra vez fui obrigado a passar para os arbustos e encontrei um córrego descendo. Subi pela sua margem. Em trechos havia um gramado muito rente, tão rente que parecia de um campo de golfe bonito, composto por azorelas (algo que não havia visto antes).

 

Cheguei cansado num platô gramado de azorelas. Para trás uma bonita vista do lago Fagnano. Descansei e procurei ao longo do platô indício de trilha. Olhando para baixo reparei que havia um boulder com uma pedra em cima, exatamente a indicação que o guia LP dava para o começo da trilha lá embaixo. Ao lado, de fato, tinha uma trilha subindo. Se ao invés de ter seguido para a mata houvesse lido o roteiro e procurado o boulder, possivelmente gastava metade do tempo que gastei. Dali subi, subi e subi até atingir a laguna Azul, já acima da linha das árvores.

 

Não achei o lago bonito. E o lugar era bem exposto aos ventos fortes. Não me sentiria nada tranquilo em montar uma tenda ali. Segui para a margem SO onde um riacho indicava por onde deveria começar a subir para o passo Mariposa. Vi um passo com um manchão de neve e rumei para lá. Pegadas confirmavam o rumo. Beleza, não era tão alto assim.

 

Quando cheguei no “passo”descobri que ele não era o Mariposa. Apenas dava acesso a um circo alto, todo empedrado, por onde deveria caminhar para atingir o verdadeiro passo 1,5 km adiante, segundo o GPS! Andei com cautela para não torcer o pé nas pedras nem acabar com o solado “especial” da minha bota.

 

Logo antes de chegar ao passe verdadeiro contornei um esporão de pedra. Numa parede pintaram um círculo com spray amarelo indicando que era por ali. No passe, uma pirca grande resistia aos ventos fortes que sopravam. Para trás deixava o vale do rio Torito, as lagunas Azul e Superior. À frente o vale com as lagunas Mariposa e Capulo. Tirei fotos mas não me demorei apesar da vista bonita. O vento era cortante e o tempo parecia que iria mudar.

 

Uma descida íngreme que depois atenuava, quebrando para a esquerda rumo a extremidade sudeste da laguna Capulo.

 

Parei para comer uns sanduíches num gramado a beira da laguna. Acabei com o jamón crudo que estava na minha mochila fazia 4 dias (antes que ele acabasse comigo!). Num clima frio o jamón conserva bem. No Brasil possivelmente durava só dois dias.

 

A laguna Capulo tem lugares abrigados para acampar, podendo servir de pernoite para quem não quer seguir no mesmo dia para o vale Carbajal.

 

Descansei um pouco olhando para as montanhas que acabara de descer. Após, segui pelo riacho que alimentava a laguna, subi um trecho sem arbustos. Havia uma faixa de cima a baixo de gramado (azorelas) que faziam a subida perfeita. Melhor só escada rolante. Desde o alto, no passe Mariposa, havia observado qual deveria ser a continuação da laguna Capulo para subir ao passe Valdivieso (também é conhecido por passe Cinco Lagunas, pois o vale tem 5 grandes lagunas e várias menores).

 

Chegando no topo vi o vale do outro lado, abaixo, a direita. Não precisava mais descer. Segui por um platô ondulado do lado esquerdo do vale. Duas pequenas lagunas profundas ficam encostadas na encosta da montanha. Na segunda basta seguir o seu desaguadouro para descer para outro plato onde há mais 3 ou 4 lagunas e o passe Valdivieso, marcado por uma pirca. Olhando para o sul, a grande laguna Valdivieso e, além dela, o vale Carbajal e o cordón Vicinguera.

 

A trilha aparece seguindo pelo lado esquerdo da laguna. Parei para tirar uma fotos na sua margem e, de repente, um tchibum. Um castor, que não havia notado, estava tomando sol em cima de uma pedra ali pertinho. Ficou incomodado com a minha proximidade.

 

A descida para o vale Carbajal é muito chata. O 1º trecho ainda vai. Sem trilha segui por tentativa e erro. O erro é chegar num penhasco e ter de dar meia volta para contorná-lo descendo.

 

O segundo, mais abaixo do vale, é um entra e sai cansativo da mata e dos arbustos pela margem esquerda (verdadeira) do riacho que sai da laguna. Sempre fiquei na margem esquerda, mas acho que ali é melhor passar para a outra margem. Parecia ter mais clareiras e gramados. O autor do guia LP sugere isto.

 

Cheguei bem cansado no fundo do vale. Para variar, sem trilha em vários trechos. Passei por um lugar bonito no meio da mata de lengas, com um abrigo de pescadores/caçadores, feito por troncos de árvores encostados numa árvore formando uma oca em formato de cone. Os índios Onas utilizavam este estilo de habitação. Enrolavam peles para vedar os espaços entre os troncos. Pensei em parar ali mas ainda era cedo. Dava para continuar mais um pouco.

 

A boa trilha no meio da floresta acabava num alagado de uma represa de castores. É engraçado observar as outras pegadas também dando meia volta, o mesmo engano. O negócio é sempre que avistar ao longe, em frente, árvores mortas, correr para a encosta, subindo-a para ver se acha uma trilha. Perder não se perde, porque a direção é uma só, para a boca do vale, na margem esquerda do rio. Os alagadiços são rasos mas intransponíveis tal a quantidade delama e troncos caídos, cruzados.

 

Neste 1º desvio tive que passar equilibrando sobre vários troncos caídos num pequeno trecho alagadiço, para não ter de voltar muito. Os bastões de trekking são de grande valia nesta hora. Depois subi um barranco chato. Acabei tendo que fazer um vara mato para voltar para a margem do rio. Desci outro um barranco para voltar ao terreno plano as margens do rio Olivia.

 

Na descida do barranco avistei várias pegadas e uma pazinha caída (para cavar buracos de gato) que um trekker perdeu. Era uma pá de jardinagem de plástico da Tramontina. Será que eram brasileiros que passaram por ali? Provavelmente argentinos, porque a Tramontina brasileira vende muita coisa na Argentina (os talheres dos restaurantes muitas vezes eram desta marca). Ganhei uma pazinha.

 

Cheguei exausto a margem do rio. Embora não fosse um local bonito decidi ficar ali mesmo. Armei a barraca atentando para ver se não tinha uma árvore podre ou galho morto em cima da barraca. Fiz minha sopa e chá, tomei um banho no rio Olivia e voltei para fazer a janta. Muito práticas as comidas liofilizadas da Liofoods. Rapidamente, sem muito trabalho, temos uma refeição. Algumas são saborosas.

 

Antes de escurecer estava dormindo. Possivelmente este é o dia mais longo e puxado do trekking (7 a 8 horas caminhando).

 

5º DIA – 25/03/2011 – VALLE CARBAJAL – RUTA NACIONAL 3

 

Outra noite tranquila sem chuva ou vento. Coisa rara na Patagônia, ainda mais no paralelo 54º S. Vários dias seguidos de sol.

 

Levantei 07 horas e 08:30 parti. Passei por um local lindo para acampar, apenas 5 minutos de onde estava. Logo depois um córrego, o primeiro dos quatro que despencam dos vales a esquerda do Carbajal, alimentando o rio Olivia.

 

Quatro vales laterais caem no lado esquerdo do vale Carbajal. Chamam de vales prateleira ou suspensos pois ficam bem acima do nível do vale principal. Os riachos que saem destes vales caem em cachoeira ou cascata. Belo espetáculo.

 

Na medida do possível segui pela encosta acima, afastado do rio, para evitar as áreas inundadas pelos castores. Haviam trilhas bem apagadas. Parece que há várias trilhas paralelas (cada um por si). Dificil seguí-las. Desaparecem. Uma vez descobri que a trilha continuava por cima de um tronco caído encoberto por arbustos. Vai adivinhar!

 

Começa uma área de turbal (turfa). Campos extensos. Em várias ocasiões o melhor caminho é pelo turbal. Entretanto o turbal do vale Carbajal parece um pouco mais cansativo porque ele afunda mais exigindo mais esforço a cada pisada. Alguns trechos são tão batidos que formam uma trilha: uma canaleta mais baixa em relação ao turbal em volta. Por vezes espantava alguns gansos de cor branca e negra (queuquenes?).

 

Em alguns lugares há uma pequena crista com árvores, vestígios de uma morena lateral no meio do vale, entre os campos de turfa. As vezes a trilha seguia por ali. Perto do final do vale a laguna Arco Iris. Nada de excepcional. Alguns patos e gansos pousados na água. Este último trecho é cheio de alagadiços e cansativo.

 

Pouco depois o ponto que o Lonely Planet indicava para a travessia do rio. Entretanto arbustos extremamente espinhosos dificultavam chegar na margem do rio Olívia. Eram calafates com suas frutinhas de cor idêntica a da uva.

 

Na margem tirei as botas e as calças e fiquei só de calção de banho. A travessia foi fácil, a água chegou apenas no meio da canela. O rio Olívia entretanto enche muito nas chuvas podendo ilhar trekkers por dois ou mais dias. Daí o guia recomendar levar ao menos mais 2 dias de comida.

 

Falando em comida, almoçei na outra margem do rio, comendo um excelente salame argentino. Ao vestir a calça descobri que os dois botões dela foram arrancados pelos espinhos do calafate. Além do ziper e do cinto usei um pedaço de cordolete para segurar a calça. Chegar em Ushuaia de cueca não chego não! Nunca mais deixo de colocar um cordolete na minha mochila. Salvou o trekking e minhas calças.

 

Pouco distante da margem direita do rio há uma trilha excelente,a melhor de todo o circuito. Segue ondulando pelas encostas. Possivelmente esta trilha segue mais para dentro do vale. Provável que fosse melhor atravessar o rio Olívia bem antes, alcançando esta trilha ótima e poupando o desgaste nos alagadiços do último trecho antes da laguna Arco Iris. Acho que o Lonely Planet apenas não sugeriu a travessia antes do rio para que os trekkers pudessem ver a laguna Arco Iris que, na minha opinião, não vale o esforço.

 

Com mais uma hora cheguei a um curral e a turbalera, local onde retiram turba (não sei para que serviria). Cachorros brabos neste local, mas presos. O último portão antes da Ruta Nacional 3 estava trancado e tivede pular a cerca. Na estrada a sede do Círculo de Oficiais da Polícia Provincial de Ushuaia (era anteriormente a Posada del Peregriono). Havia vários carros estacionados no acostamento. Era uma galera treinando bouldering num boulder bem em frente ao círculo, do outro lado da pista. Parei, larguei a mochila, vesti um abrigo e acenei para os ônibus/vans que seguiam sentido Ushuaia. Nenhum parou. Embora fossem apenas cerca de 2 a 3 horas (13 km) andando até a cidade não tava com saco de ir caminhando. Perguntei ao pessoal se as vans não paravam, eles disseram não ter certeza.

 

Pouco depois terminaram o treino de bouldering e dois deles, acompanhados de um bonito cão labrador, me ofereceram carona para a cidade. Economizei 30 pesos!

 

Cheguei 16 horas em Ushuaia. Entrei na primeira fiambreria que encontrei, comprei um baita sanduíche e água mineral e fui para o meu cafofo, hotel de 150 pesos a diária, no centro da cidade. Quem dorme em barraca não é muito exigente com hotel. De noite iria dar um prejuízo num tenedor libre (churrascaria rodízio).

 

Assim terminei dois trekkings seguidos em cinco dias. O primeiro, fácil, laguna Esmeralda, emendado com o segundo, Circuito Valdivieso, difícil. Não diria que a navegação é difícil, mas o terreno e a falta de trilha cria a dificuldade e torna-o cansativo.

 

Apesar dos perengues fui presenteado com tempo bom todos os cinco dias! Como isto é raro na Patagônia!

 

Depois posto o trekking do Paso de las Ovejas, que fiz após um dia de descanso em Ushuaia. E posto todas as fotos.

 

Abs, peter

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  • Membros de Honra

Peter,

 

Estou adorando o relato e aguardando a continuação e as fotos.

 

Quando e como será o trekking no Illampu - Bolívia. Estou treinando ? ? ? pois quero fazer o Apolobamba (com guias locais, não com agências de La Paz) ou Takesi.

 

Esses caminhos, pelas fotos dá para ver que é um espetaculo.

 

Maria Emília

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  • Membros de Honra

Peter,

 

Muito bom o relato! Parabéns pelo trekking! Poste as fotos.

Fico triste por não ter conseguido a liberação do chefe para Dientes, mas ao mesmo tempo feliz, por ver que você aproveitou bem a região, salvo os perrengues! ::mmm:

 

A frase é sua: "Não há trekking sem perrengue" mas, atraso e dúvidas no recebimento da bagagem, sintomas de dor no joelho, problemas com o solado da bota, corte no dedo e a possibilidade de chegar em Ushuaia de cueca, não são coisas que deveriam acontecer numa região tão remota!

 

E a bota, qual o destino dela após estar em Ushuaia? Comprou outra? Fico meio preocupado, pois adquiri uma das minhas em 2005 também, mas até agora nada de anormal.

 

Por volta de 4:30 da madrugada ouvi um tooííííímm e a barraca tremeu. Acordei sabendo exatamente o que ocorreu. Algo tropeçou num dos cordoletes da barraca.

Lembro do mesmo ocorrido na Serra do Cipó, quando estávamos no acampamento da 2ª noite. Quase dormia, quando um cachorro esbarrou no cordelete da minha barraca que sacudiu muito. Pensei até que ele tivesse arrebentado o mesmo. Depois esbarrou num da sua barraca também.

 

Antecipa o fato e mata minha curiosidade, contando o que foi que esbarrou no cordelete da tenda.

 

Abraço

Edver

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  • Membros de Honra

Maria Emília:

 

Valeu! O Illampu deve ficar apenas para 2013. Vou ler antes o seu relato sobre o Apolobamba ou Takesi aqui no Mochileiros! Bolívia tem lugares lindíssimos nas montanhas. Desde 1999 não vou lá mas tive uma pequena amostra num passeio até um vilarejo acima de Sorata.

 

Edver:

 

A bota Salomon anterior ficou em Ushuaia. Creio que não valia mais a pena vulcanizar. Poderia até funcionar mas ficaria com um pé atrás na hora de utilizar esta bota num trekking pesado.

 

Serviu bem enquanto usei-a, inclusive resistiu bem após o remendo. Acho que dava até para também fazer o Paso de las Ovejas com ela, mas aí seria abusar da sorte. Poderia ter um problema de torção se sofresse um escorregão lateral, pois a sola estava apenas presa pelos cordoletes, podendo se deslocar num movimento mais forte.

 

Devo postar fotos antes e depois do "conserto" no tópico sobre as botas Salomon, aqui no Mochileiros.

 

Vou manter um pouco o suspense sobre a visita noturna!

 

Abs, peter

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  • Membros de Honra

Algumas fotos.

 

Do avião, vista do lago Fagnano com a baía Torito e a baía de los Renos. Eu avistaria ambas da trilha, vale acima.

 

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Vista para o Passe Mariposa. Perto da turbina, um pouco acima, a Laguna Azul, por onde passaria no 4º dia.

 

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Valle Carbajal e seu tapete de tundra (turbal) vermelha. Última etapa do trekking, 5º dia.

 

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Foto tomada pelos uruguaios. Ao fundo o circo da Laguna Esmeralda. Em cima, destacado, o Dente de Cavalo. A minha barriga é uma "reserva técnica" de energia. Praticamente desapareceu ao fim do 5º dia!

 

20110314175141.JPG

 

Castor curioso na Laguna Esmeralda.

 

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Salamandra a pleno vapor, dentro do refúgio.

 

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O cogumelo Pan de índio numa árvore perto do refúgio.

 

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2º dia pela manhã: o simpático refúgio Bonete com o Cerro que lhe dá o nome por trás.

 

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O vale Bebán, avistando-se o rio Bebán.

 

20110314180017.JPG

 

O Paso Bebán que provocou calafrio, de início.

 

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Vista para Leste, de cima do Passo Bebán I.

 

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Laguna no circo entre os dois Passos Bebán.

 

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Baiano no gelo (chegando ao passo Bebán II).

 

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Fora da sequência: Por do sol do 1º dia. A Laguna Esmeralda nesta ocasião deveria ser chamada de Laguna Rubi!

 

20110314180852.JPG

 

Depois posto mais. Peter

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Mais algumas fotos.

 

Resolvi postar aqui as fotos da bota.

 

Antes:

 

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Depois do "conserto":

 

20110315085441.JPG

 

Descendo do Passo Bebán II para o vale do Rio Torito.

 

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Incrível represa de castores na parte alta do vale do rio Torito (construída em terreno inclinado)

 

20110315085740.JPG

 

Cascata do Arroyo Azul

 

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Rumo a Laguna Azul, saindo do vale do rio Torito. Lago Fagnano ao fundo.

 

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Laguna Azul.

 

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Vista do Passo Mariposa para a Laguna Azul e Laguna Superior (mais a direita).

 

20110315090404.JPG

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Mais fotos:

 

Fora da sequência: destruição causada pelos castores no vale do Torito. A cascata do Arroyo Azul encontra-se pouco depois da área devastada (3º pernoite).

 

20110315091645.JPG

 

Vista do Passo Mariposa para a Laguna Mariposa (maior) e Laguna Capulo (menor, mais embaixo)

 

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Vista para o passo Mariposa (assinalado) desde a Laguna Capulo.

 

20110315091933.JPG

 

Passo Valdivieso assinalado. Platô cheio de lagunitas. Bonito local.

 

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Laguna Valdivieso.

 

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Abrigo rústico as margens do rio Olívia, no vale Carbajal.

 

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Trilha no turbal (um sulco na turfa).

 

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Frutinhas do Calafate. Diz a lenda que quem come da fruta volta ao mesmo lugar.

 

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Laguna Arco Íris. Ao fundo, na montanha, a boca do vale que fica entre os Passos Bebán (vide foto mais acima).

 

20110315092915.JPG

 

Ponto onde atravessei o rio Olívia.

 

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Trabalho dos castores. O tronco ainda está de pé, mas a árvore já está morta.

 

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Belo trecho, perto do final da trilha. No fundo, a esquerda, o vale do rio Bebán, onde passei no 3º dia.

 

20110315093438.JPG

 

Percorridos cerca de 60 km. Depois que saí da Ruta Nacional 3, no 2º dia, só avistei gente (um vaqueiro em cima do cavalo) pouco antes de chegar de volta a Ruta Nacional 3, no 5º dia.

 

Com o relato do Paso de Las Ovejas, postarei mais fotos.

 

Abs, peter

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  • Membros de Honra

Peter,

 

Fantásticas fotos!

Impressionante a visão inicial que se tem do Paso Bebán e a destruição dos castores!

Gostei do Paso Valdivieso e de sua laguna e da região do Arroyo Azul, lugares lindos!

 

O conserto na bota foi quase profissional hein? Vou lembrar de incluir sempre um cordelete reserva na mochila, além da silver tape.

Você usou a Bora 80 neste trekking? E o saco foi duvet ou sintético? E o isolante foi o inflável da Therm-a-Rest ou o da Big Agnes?

 

Ontem a noite estava organizando meus equipamentos e resolvi testar o NeoAir. Fiquei assustado ao enchê-lo pois percebi um furo bem rente a válvula de enchimento. Não sei como vou consertar, acho que o kit de reparo não terá eficiência nesta áerea. Fiquei com raiva, pois utilizei somente uma vez!

 

Abraço

Edver

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  • Membros de Honra

Edver:

 

Valeu!

 

A mochila foi a Bora 80. O saco de dormir foi de duvet. Colchão inflável da Big Agnes que acompanha o modelo do saco de dormir. Não usei o NeoAir porque estava com o saco da Big Agnes que exige o isolante que se adapta no formato e na bolsa dele.

 

Que azar o seu com o NeoAir. Talvez tenha reparo sim, mas o furo foi num lugar difícil. Será que não foi defeito de fábrica? Talvez seja o caso de vc pedir a troca.

 

Normalmente tomo muito cuidado com estes infláveis. Leves, pouco volumosos e extremamente confortáveis, mas quando furam, a depender do local, não é fácil consertar. Antes de montar a barraca verifico muito bem o chão e ao montá-la entro na barraca e esfrego a mão no assoalho para ver se há algo pontiagudo. Além disto levo um pequeno isolante, pouco espesso, para garantir.Num lugar frio o furo pode representar uma noite muito mal dormida.

 

Vou postar Paso de Las Ovejas em novo tópico para que este não fique muito extenso, pois afinal foram trekkings distintos.

 

Abs, peter

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  • 6 meses depois...
  • Membros

Olá Peter,

 

Parabéns pelos relatos, são importantes contribuições para toda a comunidade mochileira.

 

Estarei em Ushuaia entre os dias 25 e 28 de outubro, e pretendo conhecer a Laguna Esmeralda. Gostaria de poder bater um papo com vc, preciso de algumas dicas para montar o meu roteiro. Já conheço os principias pontos turísticos da Tierra Del Fuego, para pretendo acampar pelo menos uma noite na Laguna Esmeralda e uma no Parque Nacional. Meu e-mail é [email protected] .

 

De qualquer forma, já agradeço pelas informações aqui ralatadas.

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    • Por fernandobalm
      Resumo:
      Itinerário: Buenos Aires (Argentina) → Puerto Madryn (Argentina)→ Rio Gallegos (Argentina) → Punta Arenas (Chile) → Ushuaia (Argentina) → Puerto Natales (Chile) → El Calafate (Argentina) → Comodoro Rivadavia (Argentina) → San Carlos de Bariloche (Argentina).
      Período: 10/03/2001 a 01/04/2001
      10-12: Buenos Aires
      13-15: Puerto Madryn
      16: Rio Gallegos
      16-18: Punta Arenas
      18-21: Ushuaia
      21-23: Puerto Natales
      23-25: El Calafate
      26: Comodoro Rivadavia
      27-29: Bariloche
      30: Buenos Aires
      01/04: SP-Rodoviária do Tietê
      Ida: Voo de São Paulo a Buenos Aires pela KLM, previsto para sair às 9h15 do Aeroporto de Guarulhos, pago com pontos do programa de fidelidade da KLM.
      Volta: Ônibus de Bariloche a Buenos Aires e depois a São Paulo (Rodoviária do Tietê), previsto para sair perto de 16h ou 17h da Rodoviária de Bariloche. Paguei cerca de 105 pesos (equivalente a 105 dólares na época) pelo trecho de Buenos Aires a São Paulo,
      Considerações Gerais:
      Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes.
      Nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, então albergues, pousadas, pensões, hotéis e meios de transporte poderão não ter informações detalhadas, mas procurarei citar as informações de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia possível a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes. Depois de tanto tempo os preços que eu citar serão somente para referência e análise da relação entre eles, pois já devem ter mudado muito.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informações Gerais:
      Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva e neve foram raras, ocorrendo geralmente de maneira breve e na região mais ao sul. As temperaturas na região de Buenos Aires, Bariloche e Puerto Madryn estiveram bem razoáveis, chegando até perto dos 30 C em alguns dias. Mais ao sul, em Comodoro Rivadavia, Rio Gallegos, Puerto Natales e principalmente Punta Arenas e Ushuaia estiveram bem mais baixas, chegando a ficar abaixo de zero à noite. O vento foi muito forte em toda a Patagônia, o que tornava a sensação térmica ainda menor. Na região perto de Punta Arenas o tempo mudava muito rapidamente, havendo várias situações diferentes durante o dia.
      A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil 👍. Disseram-me que poderia não ser muito bem tratado em Buenos Aires, mas se enganaram. Fui muito bem tratado em toda a viagem, com uma única exceção numa visita a uma loberia em Puerto Madryn e, assim mesmo, porque creio que houve um mal entendido.
      Tive alguma dificuldade em entender a língua no Chile, principalmente quando conversando com pessoas com forte sotaque regional.
      As paisagens ao longo da viagem agradaram-me muito, passando por monumentos, parques e construções interessantes nas cidades e por áreas costeiras, praias, montanhas, lagos, cavernas, geleiras, glaciais, florestas, rios e outros   .
      Pude ver também vários animais durante a viagem, a maioria em seu habitar natural. Isso incluiu lobos e leões marinhos, focas, elefantes marinhos, pinguins, delfins, guanacos. flamingos, tatus etc.
      Pensei em fazer a travessia de Bariloche a Puerto Montt, passando pelo Vulcão Osorno, mas desisti, pois naquela época demorava 4 dias, por não haver estradas em boa parte do trajeto, e eu não dispunha deste tempo.
      Surpreendeu-me que nas viagens de ônibus na Argentina estavam incluídas no preço pago as refeições (almoço e jantar) 👍.
      A viagem no geral foi tranquila. Não tive nenhum problema de segurança.
      Eu era (e ainda sou) vegetariano. Como a base da alimentação nesta região é a carne, foi um pouco difícil conseguir comida vegetariana, mas nada que supermercados não solucionassem. Gostei muito dos sanduíches de miga na Argentina, do doce de leite e dos vinhos, que tomei pouco .
      Os preços na Argentina estavam muito altos, pois havia a paridade do peso para o dólar e o real tinha sofrido a desvalorização alguns anos antes.
      A Viagem:
      Fui de SP a Buenos Aires no sábado 10/03/2001. A saída do voo estava prevista para as 9h15. Durante o voo uma senhora argentina de cerca de 60 a 70 anos falou-me de como eu iria gostar de Buenos Aires (ela disse: “há muito o que ver, Buenos Aires não é feia como São Paulo” ). Falou-me que seu filho ou sobrinho estava procurando por emprego há tempos, após se formar e não conseguia (o que me parecia um sintoma do agravamento da crise). Achei a travessia da foz do Rio da Prata espetacular . Cheguei perto da hora do almoço e me receberam muito bem no aeroporto 👍. Deram-me gratuitamente bastante material sobre a Argentina e me indicaram um ônibus que me deixaria na Praça San Martín. Peguei e de lá, após obter informações sobre onde me hospedar, fui andando até a região da Recoleta.
      Para as atrações de Buenos Aires veja https://turismo.buenosaires.gob.ar/br. Os pontos de que mais gostei foram os monumentos, os equipamentos e eventos culturais, os parques e a cidade como um todo.
      Fiquei hospedado na Recoleta por 22 pesos a diária (na época equivalente a 22 dólares). Acho que era o Hotel Lion d’Or (https://www.tripadvisor.com.br/Hotel_Review-g312741-d317288-Reviews-Hotel_Lion_d_Or-Buenos_Aires_Capital_Federal_District.html).
      Depois de me hospedar fui dar uma volta nas redondezas. Gostei bastante do local, bem cuidado. Passei por um cemitério que me chamou a atenção pelas estátuas. Resolvi entrar e lá fiquei por mais de 1 hora, apreciando as obras de arte que existiam nos túmulos, alguns dos quais de pessoas famosas, até internacionalmente. Nunca tinha feito uma visita destas a um cemitério, mas gostei bastante. Depois passeei pelo bairro apreciando suas ruas e lojas. Parecia um local elitizado. Se bem me lembro ainda fui a Puerto Madero à noite.
      No domingo 11/03 fui conhecer os outros pontos da cidade, incluindo o centro com seus monumentos e órgãos do Estado, e pontos específicos com seus equipamentos culturais e esportivos. Saí perto de 9h da manhã e voltei por volta de 23h. Andei muito. Pude visitar a Casa Rosada, a Praça de Maio, os órgão legislativos e judiciários, a catedral, o obelisco, centros culturais, confeitarias históricas, vários monumentos, o Rio da Prata, áreas arborizadas, a Boca, o Caminito (com suas casas coloridas), ver o estádio de La Bombonera por fora, ver casais fazendo apresentação de Tango na rua etc  .
      Num dos dias jantei algo como nhoque num restaurante de rua e no outro jantei no shopping. Interessante como no shopping os atendentes perceberam que eu era brasileiro e até falaram palavras em português comigo 👍.
      Na 2.a feira 12/03, fui para o outro lado, conhecer o Jardim Japonês e os parques da região do bairro de Palermo. Gostei muito . Eram parques enormes, sendo que o jardim japonês fazia jus ao nome, com várias estruturas nipônicas, que se encaixavam muito bem na paisagem. Voltei para o hotel perto da hora do almoço e no início da tarde peguei um ônibus para Puerto Madryn, já na Patagônia.
      A viagem durou perto de 18h. Passamos por Bahia Blanca no início da madrugada. A paisagem ao longo da viagem agradou-me bastante 👍. Recebemos jantar incluído no valor da passagem. Cheguei bem cedo na 3.a feira 13/03, hospedei-me num hotel simples (acho que o nome era parecido com Vaskonia). Como era bem cedo, fui ver se era possível fazer excursão à Península Valdez ainda naquele dia. Achei uma agência de turismo que dava desconto para hóspedes do hotel em que estava e, pesquisando algumas outras, vi que era a melhor opção. Acabei comprando com eles o passeio pela Península. O dono brincou comigo perguntando se eu lembrava do jogo entre Argentina e Brasil na Copa de 1990, quando Maradona atraiu a marcação de 3 e lançou Caniggia sozinho para driblar Taffarel e fazer o gol.
      Para as atrações de Puerto Madryn e da Península Valdez veja https://www.patagonia-argentina.com/puerto-madryn/ e https://www.patagonia-argentina.com/peninsula-valdes/. Os pontos de que mais gostei foram os animais, as formações rochosas e a natureza como um todo.
      Saímos pouco depois da 9h, se bem me lembro. No nosso grupo havia um espanhol da região basca, uma inglesa, um suíço, um casal de argentinos e acho que alguns outros. O espanhol mencionou que desejava conhecer outros locais, mas que a Argentina era muito grande e tudo muito distante. Perguntou-me se o Brasil era tão extenso quanto a Argentina . Passamos por locais de avistagem de pinguins, lobos marinhos e elefantes marinhos. Não vi orcas. Numa das paradas, perguntei se poderia nadar e o guia disse que sim. Enquanto nadava, disseram-me que um pinguim nadou atrás de mim. Numa outra ocasião vi um pinguim perseguindo um peixe. Nunca imaginei que um pinguim fosse tão rápido nadando. Parecia um torpedo. No caminho apreciamos também a paisagem patagônica, desértica, com vários guanacos (ou seus parentes). Conversando com o argentino, que se me lembro era advogado, ele me falou da patagônia, dos possíveis aproveitamentos econômicos, da população, de Buenos Aires e da situação da Argentina como um todo. No fim, quando estávamos nos despedindo, encontramos um tatu, que parecia já acostumado a humanos. Regressamos no meio da tarde.
      Aproveitei e ainda fui dar um passeio na praia. Reencontrei o suíço, mas acho que ele não me reconheceu.
      Na 4.a feira 14/03 fui conhecer a Loberia de Punta Luma, onde havia lobos marinhos e montanhas. Fui caminhando pelas estradas de terra ou similar. Num dado momento fui para a costa, pois achei que seria mais belo o passeio. Passei por uma linda jovem argentina que me orientou sorridente sobre o caminho. Encontrei pequenos grupos de lobos marinhos e cheguei bem perto, o que me permitiu observá-los bem. Acho que foi um erro, pois devo tê-los deixado nervosos. Na hora não avaliei isso bem. Mas não houve nenhuma reação de ataque ou surto visível, embora tenha percebido que eles pareciam ter ficado tensos. Devido a isso, resolvi afastar-me e não mais me aproximar tanto. Encontrei uma monitora que me explicou sobre lobos e leões marinhos. Por ter ido pela costa e praias, acabei não vendo a placa que dizia que alguns locais não eram permitidos e que tinha que pagar uma taxa. Quando cheguei à entrada principal, o responsável disse que eu não poderia ter passado por uma área de que vim, perguntando-me se não tinha visto a placa na estrada ou não tinha querido ver. Ele parecia irritado. Pediu-me o ingresso. Como a monitora não havia me cobrado, achei que poderia ser indevido e lhe disse que ela não me havia cobrado. Ele se irritou bastante e disse que ele estava cobrando, já em tom bem mais alto 😠. Eu paguei, ele acalmou-se, deu-me algumas informações sobre as montanhas e o local. Fui dar um passeio e conhecer as montanhas, que tinham aparência interessante, diferente, parecendo até de outro planeta. Realmente grandiosas . Depois, já perto do pôr do sol, voltei a pé. No caminho, acho que ele passou por mim com sua caminhonete.
      Na 5.a feira 15/03 peguei um ônibus para Rio Gallegos. Novamente belas paisagens, mas desta vez bem mais desérticas. Neste ou em outros trajetos pude ver guanacos, criações de ovelhas e fazendas com fileiras de álamos próximos às casas, que segundo me explicaram eram plantados para cortar o vento, muito forte na Patagônia. Cheguei lá na 6.a feira 16/03 pela manhã. Estava bem mais frio 🥶, obrigando o uso da roupa mais pesada (fleece) e da jaqueta (anoraque). Conversei com uma atendente pública local, que me explicou sobre a região, os pontos a conhecer e me falou sobre as precauções a tomar com o frio. Dei um passeio pelo centro da cidade e fui a uma agência de turismo perguntar sobre os possíveis passeios. Embora tenha achado interessante o lago na cratera de um vulcão, achei muito caro e distante. Resolvi então contemplar a orla e o centro. Achei a paisagem do mar muito bela 👍.
      Para as atrações de Rio Gallegos veja https://www.patagonia-argentina.com/rio-gallegos-ciudad/. Os pontos de que mais gostei foram os monumentos, a cidade, a orla e o mar.
      Parti no próprio dia para Punta Arenas. A ida para Ushuaia via terrestre era inviável, porque passava pelo Chile e as companhias argentinas não faziam diretamente. Saí no início da tarde e cheguei na parte final da tarde. No ônibus um judeu me perguntou de que cidade eu era, e quando disse que era de São Paulo, ele fez um ar de admiração e falou “uma cidade muito perigosa”. Falou de um jeito que imaginei que conhecesse São Paulo . No caminho paramos para fazer a saída da Argentina e entrada no Chile. No escritório havia um mapa bem amplo da região e descobri que existia uma reserva florestal em Punta Arenas, pela qual me interessei. Em Punta Arenas fiquei hospedado numa casa que funcionava como hotel, aparentemente de uma mulher judia. Ainda saí para dar uma volta nos arredores e conhecer um pouco da cidade. Encontrei uma pequena empresa de informática e lhes perguntei sobre como eram as condições de trabalho ali. Quando voltei, Eli (acho que este era o nome da dona) me disse “Metió sus patitas en el barro.” ou algo parecido, quando eu pedi desculpas e fui lhe pedir um pano ou vassoura para limpar a sujeira que tinha deixado. À noite deste ou do dia seguinte (ou em ambas), fui jantar num restaurante, pedindo espaguete e tomando vinho 👍. O vento era muito forte e frio, o que fazia a sensação térmica diminuir muito. A temperatura estava perto de zero graus 🥶.
      Para as atrações de Punta Arenas veja https://chile.travel/pt-br/onde-ir/patagonia-e-antarctica/punta-arenas. Os pontos de que mais gostei foram a reserva florestal e a paisagem do mar.
      No sábado 17/03 dei um passeio por Punta Arenas e depois fui conhecer a Reserva Florestal de Magalhães, que havia descoberto na estrada. Antes passei pela Ordem Salesiana para conhecer suas obras e pelos edifícios mais famosos da cidade. Depois, de acordo com o mapa, rumei para a reserva. Havia uma ladeira, que fazia um corredor de vento para o mar. Quando estava chegando lá em cima, o vento era tão forte, que eu andava para frente sem sair do lugar. Aí andei os metros finais agachado, diminuindo minha superfície e, portanto, a força que o vento exercia sobre mim . Caminhei até a reserva passando por paisagens naturais de que gostei. Gostei muito da reserva também , com seus bosques preservados, sua vista de montanhas e paisagens naturais, os sinais da presença de castores, embora não tenha visto nenhum, suas árvores típicas da região e a vista ampla da região, a partir de alguns pontos mais elevados. Depois retornei no fim da tarde. Neste dia o tempo amanheceu nublado, depois garoou, depois abriu o sol, depois choveu com média intensidade, voltou a abrir o sol, nevou fraco e parou . Uma amostra de como o tempo muda rápido nesta região. A noite voltou a fazer muito frio novamente 🥶, que era mais sentido devido ao vento muito forte.  Se bem me lembro, foi aqui que minhas mãos começaram a perder o movimento, depois que o sol se foi. Era difícil até esfregá-las. Eu não levei luvas. Tentei colocá-las dentro da roupa, mas adiantou pouco. O sangue parecia estar parando de fluir. Quando cheguei ao hotel, reaqueci-as e senti a vida voltar. Como deve ser difícil ficar numa situação destas como ocorre com os montanhistas em situações inesperadas.
      No domingo 18/03 resolvi ir para Ushuaia, mesmo sabendo que aos domingos não havia transporte direto. Peguei um ônibus até Puerto Porvenir, já na Terra do Fogo. Para chegar lá precisamos pegar uma balsa para atravessar o Estreito de Magalhães. Acho que foi aqui que pensei em nadar enquanto esperava, mas a água estava muito fria e não me arrisquei. Achei a travessia muito bela, com vistas espetaculares . Vários delfins (eu acho) 🐬 acompanharam o barco. Quando chegamos lá acho que houve algum problema de um dos veículos que vieram no barco com um policial, o que fez a viagem atrasar e ficarmos parados um tempo. Na viagem havia vários americanos, alguns de Wyoming, que sabiam falar um pouco de espanhol. Havia também uma queniana (ou descendente de quenianos) radicada na Bolívia. Conversei com os americanos sobre a viagem, suas expectativas e como o ambiente se parecia com o local onde moravam. Conversei com a queniana-boliviana sobre a Reserva do Masai Mara. Combinei com ela de irmos juntos ao Parque Nacional da Terra do Fogo no dia seguinte, se bem me lembro, encontrando-nos na porta por volta de 8h. As paisagens naturais do resto da viagem também me pareceram belas. Chegamos à noite. Depois de pesquisar um pouco, resolvi experimentar um hostel (pela primeira vez na vida), visto que com a dolarização, os hotéis regulares pareciam-me caros. Foi o primeiro de muitos .
      Para as atrações de Ushuaia veja https://turismoushuaia.com/?lang=pt_BR. Os pontos de que mais gostei foram o parque, o glacial, as paisagens naturais e a vista da cidade e do mar.
      Na segunda-feira 19/03 fui até o Parque Nacional da Terra do Fogo. Perdi a hora de manhã e cheguei 1h atrasado ao encontro marcado . A moça não me estava esperando (imagino que desistiu). Fui caminhando e adorei o parque. Assim como a Reserva Florestal de Magalhães, havia muitas paisagens naturais a observar, cursos de água, montanhas, árvores e vegetação típicas etc . Fiquei lá o dia inteiro. Encontrei um japonês no meio do caminho que me disse que achava frio para acampar ali. Saí no pôr do sol. Desta vez fui tirar o barro dos meus tênis num local que parecia um tanque no banheiro. Voltei à noite ao hostel.
      Lá conheci um casal de europeus, americanos ou canadenses (não me lembro bem). Não percebi no hostel que na cama de baixo havia uma moça e troquei de roupa no próprio quarto num dos dias . Ela, que era eslovena e estava quase dormindo, virou para o outro lado. Depois, quando percebi que era uma moça, fui pedir desculpas.
      Na 3.a feira 20/03 fui explorar a cidade e seus arredores. A vista do oceano em direção à Antártica parecia linda. Tentei verificar a possibilidade de ir até lá, nem que só um pouquinho, mas achei inviável o tempo necessário. Não tinha me preparado para tal. Após andar pela cidade e reencontrar o casal do hostel, fui em direção ao Glacial Martial (https://www.tripadvisor.com.br/Attraction_Review-g312855-d313939-Reviews-Glacier_Martial-Ushuaia_Province_of_Tierra_del_Fuego_Patagonia.html). Nunca tinha ido a um Glacial. Não sabia o que esperar. Não estava preparado em termos de equipamentos. Fui de tênis de pano (ou couro). Mas adorei . Era uma geleira pequena, mas subi nela até onde achei seguro, para não escorregar. Sentei até um pouco, para apreciar a maravilhosa vista, tanto das montanhas acima e do glacial, como da paisagem abaixo, com a cidade e o oceano. Achei ambas espetaculares. Mas era frio. Depois de apreciar bastante e quase ficar meditando um tempo lá, voltei para a cidade e fui apreciar novamente a orla.
      Na 4.a feira 21/03 peguei um ônibus para Puerto Natales, no Chile novamente, para ir conhecer Torres del Paine. Tivemos que fazer entroncamento, posto que a rota regular, se bem me recordo, era direto para Punta Arenas. Não me recordo bem se cheguei a ir até Punta Arenas (acho que não) ou se parei num ponto intermediário (acho que é mais provável). Cheguei em Puerto Natales no meio da tarde e me hospedei num pequeno hotel. Saí para dar uma volta na cidade, antes do pôr do sol.
      Para as atrações de Puerto Natales veja https://chile.travel/pt-br/onde-ir/patagonia-e-antarctica/puerto-natales. Os pontos de que mais gostei foram Torres del Paine, a caverna com o animal extinto e as paisagens naturais.
      Na 5.a feira 22/03 fui até o Parque de Torres del Paine (https://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Nacional_Torres_del_Paine). Se bem me lembro, havia um ônibus de turismo que ia até a porta do parque e depois pegava as pessoas no fim do dia para retornar (acho que eram vários horários de retorno). Na ida passamos por paisagens que achei espetaculares, das montanhas nevadas e da vegetação nativa. Paramos num espelho d’água formado por um lago com montanhas ao redor, como eu só tinha visto em filmes e quadros. A partir da porta do parque fui caminhando em direção às torres. Achei toda a paisagem espetacular . Até bebi água em um riacho, mas a temperatura da água era muito baixa. Tive algum tipo de torção ou mau jeito no joelho, pois devido ao horário de volta do último ônibus resolvi acelerar. Achei espetaculares as torres e toda a paisagem no seu entorno . No retorno, pouco depois do meio do caminho, encontrei dois geólogos brasileiros, que trabalhavam para companhias de petróleo. Eles me deram carona até a entrada e afastaram qualquer risco de perder o último ônibus. Inclusive, se bem me lembro, acho que devido a isso peguei o penúltimo. Estavam fazendo pesquisas devido à similaridade daquela região com o fundo do mar, onde se explora petróleo. Falaram que era o primeiro local turístico em que foram trabalhar.
      Na 6.a feira 23/03 fui até uma caverna com registros pré-históricos que era próxima da cidade. Talvez fosse a Cueva del Milodon (https://chile.travel/pt-br/onde-ir/patagonia-e-antarctica/torres-del-paine/monumento-natural-cueva-del-milodon). Achei interessante a caverna com seus registros humanos pré-históricos e o Milodon, um animal extinto há muito tempo 👍. Se bem me lembro fui e voltei de ônibus. No meio da tarde peguei um ônibus para El Calafate. Cheguei no início da noite e fiquei hospedado numa casa. A dona avisou-me para tomar cuidado quando fosse ao Lago Argentino, porque havia muito barro no entorno.
      Para as atrações de El Calafate veja https://www.patagonia-argentina.com/el-calafate/. Os pontos de que mais gostei foram o Glacial Perito Moreno, o Lago Argentino, com seus flamingos e as paisagens naturais.
      No sábado 24/3 peguei uma excursão para conhecer o Glacial Perito Moreno (https://pt.wikipedia.org/wiki/Geleira_Perito_Moreno). Logo de manhã combinei a excursão com uma agência e fomos num micro-ônibus. A guia sugeriu que tapássemos os olhos no caminho e só abríssemos quando ela avisasse, para termos a surpresa de ver o glacial. Gostei bastante da paisagem, com geleiras e depois gostei do Glacial, com o lago em que estava inserido . Pegamos um barco e fomos até certo ponto, para vê-lo de mais perto. Disseram-me alguns anos depois, que não se ia mais de barco até perto do glacial, devido ao aquecimento global e aos deslizamentos. Não sei como está atualmente. Havia uma escada com muitos degraus, que a guia disse para aqueles que poderiam ter alguma dificuldade de mobilidade (idosos por exemplo), avaliarem se compensava descer. Eu fui até o último degrau e apreciei a paisagem de cima e de baixo. Gostei bastante da paisagem. Vimos algumas quedas de blocos de gelo, imagem famosa em vídeos. Na época não tão comum quanto atualmente. Na volta ganhamos um chocolate quente ☕.
      Depois, mais tarde, eu fui dar um passeio numa parte do Lago Argentino que era próximo. Achei o lago espetacular . Os flamingos no meio, em grande quantidade, embora já estivesse perto do entardecer, davam um colorido que tornava a paisagem ainda mais bela. Sujei bastante meu tênis com a lama do entorno. Quando voltei, perguntei para a filha da dona se ela poderia limpar meu tênis, comigo pagando, e a mãe, ouvindo, disse “Eu não te avisei” . Achei que a moça não gostou muito da ideia, pois daria um trabalhão e resolvi eu mesmo lavar no dia seguinte.
      No domingo 25/3 fui dar uma volta nos arredores, andando por boa parte da margem do Lago Argentino e apreciando a paisagem. Gostei muito de tudo 👍. Durante o passeio, quando estava bem longe da cidade, 2 cachorros 🐕 começaram a me acompanhar. Como gosto de cachorros, fiz agrado para eles e fizemos parte do passeio juntos. Mas eu pensei que depois eles ficariam por ali. Quando comecei a voltar, eles começaram a me acompanhar. No começo não me importei e pensei que iriam desistir. Depois fiquei preocupado, pois claramente não sabiam andar nas ruas e já estávamos chegando perto da estrada e da cidade. Tentei espantá-los, mas não havia meio de voltarem. Achei que poderiam morrer atropelados, pela total falta de traquejo que demonstravam com as ruas. Falei com um homem que estava na rua, perguntando sobre como resolver aquela questão. Ele riu da minha dúvida e disse que não sabia de quem eram os cachorros e me disse para atirar uma pedra neles. Eu não podia fazer isso. Eu gosto muito de cachorros. Mas andei mais um pouco e eles quase foram atropelados. Aí, com enorme dor no coração, atirei uma pedra do lado deles. Mas eles não entenderam e continuaram atrás, novamente, indo pela rua e quase sendo atingidos por carros. Aí resolvi atraí-los para fora da rua, peguei uma pedra não muito grande e acabei atirando no dorso, de modo a causar o mínimo impacto possível. Nunca vou esquecer a fisionomia de decepção dos cachorros, que me seguiram com amor e me viram atirar pedras neles. Foi uma facada na minha alma 😢. Mas eles pararam de me seguir e acho que voltaram para os campos. Talvez tenha funcionado, mas acho que o preço foi alto.
      À noite peguei um ônibus para Comodoro Rivadavia. Cheguei no dia seguinte, 2.a feira 26/3, entre o princípio e o meio da manhã. Considerando o tempo que eu tinha disponível e as atrações a conhecer, resolvi ficar somente um dia e pegar um ônibus para Bariloche no fim do dia.
      Para as atrações de Comodoro Rivadavia veja https://www.comodoroturismo.gob.ar e https://manualdoturista.com.br/comodoro-rivadavia. Os pontos de que mais gostei foram o Museu do Petróleo, as informações sobre as Malvinas e a guerra, as construções na cidade, a praia e a vista do oceano.
      Fui a um escritório de turismo municipal perguntar por sugestões de pontos a visitar. Além da cidade e do museu, foi sugerido conhecer a Praia de Rada Tilly. Perguntei se não seria mais interessante conhecer um campo com alguns aerogeradores de energia eólica (naquela época nunca tinha visto nenhum). O atendente disse-me que era muito longe, num caminho que não tinha outras atrações e era deserto, o que poderia me deixar à mercê de algum acidente ou problema nas pernas ou pés. Resolvi então seguir a sugestão e ir a Rada Tilly, que achei uma praia muito bonita, porém cuja aproveitabilidade ficava comprometida pelo clima frio. Mas a paisagem agradou-me, incluindo o caminho 👍. Antes tinha ido ao Museu do Petróleo, que achei bastante interessante 👍. Nele ou em algum local anexo, havia uma exposição sobre as Malvinas, com informações sobre a guerra, que achei bastante interessantes também, apenas pontuando que era a visão argentina do conflito, que apesar disso me pareceu razoavelmente isenta, mas ainda assim sob a ótica argentina. Dei também um passeio pela cidade, sua catedral, seus edifícios históricos etc.
      Depois de voltar de Rada Tilly, peguei o ônibus para Bariloche. A viagem durou quase 1 dia, se bem me lembro. Conversei com algumas pessoas durante a viagem, sendo que me falaram de cidades na região de Bariloche que tinham pouca população, mas concentravam muitos artistas e amantes de filosofia e artes. Durante a viagem, após saber que eu era brasileiro, o jovem comissário do ônibus perguntou-me “Pelé ou Maradona?” ⚽. Respondi que Pelé tinha feito mais de 1.200 gols e Maradona menos de 200, Pelé tinha sido 5 vezes campeão do mundo e Maradona só 1 etc. Ele retrucou para mim que Pelé jogava com os mestres. Continuamos um pouco na conversa, mas olhei para os outros passageiros e percebi que muitos estavam me olhando. Para não causar confusões, falei então “Cada um no seu tempo”, que é algo em que creio e que acho que apaziguou os ânimos .
      Cheguei no início da tarde da 3.a feira 27/3. Achei a paisagem da viagem magnífica , principalmente na região de Bariloche. Havia muitos lagos e montanhas entremeados, além das paisagens com vegetação natural aparentemente preservada. Hospedei-me numa casa, que funcionava como hotel. Consegui gratuitamente mapas com informações e sugestões de passeios 👍.
      Para as atrações de Bariloche veja https://barilocheturismo.gob.ar/br/home. Foi um dos pontos de que mais gostei . O que mais me agradou foram as paisagens naturais, os lagos, a vista do Monte Campanário e os locais naturais e típicos do Circuito Pequeno (Chico).
      Inicialmente, como ainda havia luz do sol, fui dar uma caminhada acompanhando o curso do lago que ficava perto da área central. Durou umas 2 horas. Achei magnífica a paisagem.
      Nos 2 dias seguintes fui realizar o Circuito Pequeno (Chico) e subi no Monte Campanário. Decidi subir pela trilha, que estava com a infraestrutura bastante comprometida, mas nada que me parecesse ameaçar a segurança, apenas causando maior necessidade de esforço físico e fazendo sujar os calçados e as roupas. A vista lá de cima foi uma das mais belas que já vi  , englobando a paisagem natural, com lagos, montanhas, picos nevados, florestas, vilas etc. Andando pelo circuito, pude ver muitos atrativos naturais, paisagens de que muito gostei. Houve também a Colônia Suíça, que achei interessante.
      Na 5.a feira 29/3 à tarde fui pegar um ônibus para Buenos Aires e posteriormente a São Paulo. Optei pelo ônibus porque o preço da passagem aérea só de volta era mais alto do que o de ida e volta . A porta da casa estava trancada, eu tocava a campainha, batia palmas e ninguém aparecia para abrir. Comecei a ficar preocupado em perder a hora. Aí comecei a gritar e a atendente veio abrir a porta. Acho que ela ficou com medo, talvez não sabendo quem estava na porta. Imagino que quando reconheceu minha voz veio abrir. Talvez por ser chilena e não conhecer bem a cidade ou por estar em alguma situação irregular, tenha ficado com medo se fosse um desconhecido.
      Peguei o ônibus por volta de 17h. A viagem até Buenos Aires novamente teve belas paisagens 👍, mas não tão espetaculares quanto a anterior. Durou 1 dia. Chegando lá na 6.a feira 30/3, comprei uma passagem para São Paulo pela Viação Pluma (https://www.pluma.com.br). Fizemos a entrada por Paso de los Libres e Uruguaiana no fim da madrugada. O atendente da Polícia Federal olhou-me com cara feia, após carimbar meu passaporte e eu avisar que era brasileiro e que não precisava ter carimbado como entrada de viajante. Acho que pensou que eu era estrangeiro . Depois de entrar no Brasil, já não havia mais refeições incluídas no preço da passagem. A viagem pelo Brasil, pelo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e sul de São Paulo apresentou paisagens que achei magníficas . Fomos pelo interior e passamos por cânions, campos, amplas áreas com vegetação nativa, montanhas etc. No sábado 31/3 almoçamos numa churrascaria em Passo Fundo. Eu sou vegetariano e não peguei carne. Num dado momento, o moço que servia o rodízio veio oferecer-me gentilmente linguiça calabresa. Eu disse que não tinha comprado o rodízio, mas ele disse que era cortesia. Falei então que não comia carne e vi sua cara de decepção. Fiquei um pouco tocado por ter rejeitado a sua gentil oferta. No Rio Grande do Sul, ainda mais naquela época, imagino que vegetarianos deveriam ser raríssimos. A viagem foi cansativa 😫, as pernas, os glúteos e as costas ficaram doendo um pouco, mas as paisagens foram muito belas. Cheguei em São Paulo perto de 5h da manhã do dia 01 de abril, data em que fazia 32 anos.
    • Por RafaelOS
      Olá pessoal!! 
       
      Tenho um grande sonho pela Patagônia tanto chilena quanto Argentina e sonho em conhecer Ushuaia, porém não tenho noção de valores, não me importo com hotéis  chiques, gostaria de saber se com 3mil reais é possível conhecer esse lugar por pelo menos 1 semana? 
    • Por rafael_santiago
      Porteira da Estância Túnel
      Início: aterro sanitário de Ushuaia (desagradável, mas dá para evitar)
      Final: Playa Larga
      Distância: 21,9km
      Maior altitude: 327m
      Menor altitude: 0m na foz do Rio Encajonado
      Dificuldade: fácil por ser por trilha bem marcada (ou estradinha fechada a carros) e desnível positivo de apenas 308m.
      A leste da cidade de Ushuaia, às margens do Canal de Beagle, está o balneário de mar dos fueguinos, a Playa Larga, uma praia de pedrinhas de cerca de 1km de extensão. Continuando pela costa se encontram algumas estâncias (fazendas), sendo a mais próxima a Estância Túnel. Depois dela chama a atenção um rio que corre por dentro de um profundo cânion antes de desaguar no Beagle, o Rio Encajonado (encaixotado). Para não ir e voltar pelo mesmo caminho até o Rio Encajonado desenhei um percurso que chega à Estância Túnel pela serra e retorna pela costa. Essa foi a diversão desse dia, que começou ensolarado e terminou com muita chuva e vento frio, típico de Ushuaia.
      Esse percurso de ida pela serra tem o inconveniente de passar ao lado do basural, o aterro sanitário de Ushuaia. Não é tão horrível, mas para quem preferir evitar basta fazer o mesmo trajeto pela costa na ida e na volta.
      17/02/2020 - Saí do hostel um pouco tarde, às 9h35. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Os argentinos por exemplo muitas vezes iniciam as caminhadas no meio da tarde. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (fevereiro). 
      Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci às 10h10 no ponto da Rua Pioneros Fueguinos quase esquina com a Perito Moreno, que ali é uma rodovia. Cruzei a Moreno e procurei o melhor lugar à direita para descer ao Rio Olívia. Cruzei-o por uma ponte estranha (altitude de 19m) e tomei a estrada de terra poeirenta para a esquerda, subindo. Para mim, pior que o basural é esse trecho de 530m em que os carros e caminhões de lixo passam e cobrem a gente de poeira. Mas passado o portão do basural não circulam mais carros. Cerca de 920m após a ponte chego às 10h25 a uma porteira azul de ferro com cadeado mas com um portão ao lado. Ali a estradinha faz uma curva para a direita (leste) e sobe mais forte. Para trás a visão de Ushuaia e do Canal de Beagle vai se ampliando. 

      Foz do Rio Encajonado
      Quase no topo da estrada há uma bifurcação em que se deve seguir à esquerda fazendo uma curva em S ou tomar uma trilha-atalho no meio das duas ramificações (não seguir na estrada à direita). A estrada toma o rumo leste e vai percorrer a distância a face sul do Cerro Le Cloche. Foi aí, após uma porteira, que eu procurei uma trilha (relato aqui) para subir esse cerro e não encontrei. Seria preciso subir pelo bosque sem trilha e depois pela encosta de pedras/lajes soltas sem caminho definido também, creio eu, o que chega a ser um pouco arriscado. Continuando pela estradinha, às 11h33 cheguei a um largo com uma casa de madeira que parecia em construção. Não havia ninguém. Cruzei o riacho pelas pedras e subi à esquerda. Cerca de 520m depois da casa surge uma trilha bem marcada entrando no bosque à direita. Esse é um outro caminho que desce à costa mas eu queria tomar a descida que dá diretamente na Estância Túnel, portanto tinha de continuar até o final da estradinha. Logo atingi o ponto mais alto da caminhada, 327m.
      Às 12h07 passei por um curral vazio à direita e com mais 7min a estrada vira uma trilha entrando no bosque. Na bifurcação 90m depois uma seta aponta para a direita mas vou para a esquerda. Mais 70m e continuo em frente num cruzamento de trilhas. Parei para almoçar junto a alguns troncos caídos. Apesar de não ter visto sinal de vida comecei a ouvir barulho de motosserra. Retomei a caminhada às 12h45 e a trilha toma o rumo sul, descendo. Apareceram algumas vacas e logo cruzei com um homem a cavalo e seu fiel cachorro. Às 12h57 apareceu uma bifurcação, fui para a direita, mas tanto faz pois se encontram mais abaixo. 
      Às 13h19 entroncou uma trilha à direita que é uma das ramificações daquela primeira trilha de descida. Com mais 210m cheguei à Estância Túnel, às 13h25. Ali há uma casa e currais com vacas e cavalos, mas não vi ninguém. 
      Meu próximo objetivo era o Rio Encajonado, a 2,8km dali caminhando pela costa no rumo leste. Fui então para a esquerda. A trilha corre um pouco alta, não pela margem do canal. Cruzei com três pessoas voltando e depois com mais três ou quatro. Interessante notar ali as árvores que cresceram completamente inclinadas pela ação do vento! Ao chegar ao Rio Encajonado às 14h20 encontrei um argentino que tinha chegado de bicicleta até ali. Ele disse que cruzou o rio junto ao canal e não viu continuação da trilha. Disse que a água estava gelada. Nesse local de chegada se vê o rio correndo lá embaixo no fundo do cânion. Há até uma "ponte" sobre ele mas exige muito equilíbrio e sangue frio pois é um tronco fino com duas cordinhas finas como corrimão. Nem pensar que eu passaria ali, aliás não conseguia chegar nem perto dessa "ponte" pela altura das paredes do cânion. 
      Com informações contraditórias restou a dúvida se a trilha continua ou não. Provavelmente sim mas eu não quis entrar naquela água gelada para explorar do outro lado. Seria só uma exploração para voltar em outra ocasião já que não havia tempo para seguir mais à frente e voltar no mesmo dia à cidade. A nota ruim ali naquele local bonito era um touro que despencou e jazia bem na embocadura do rio...

      Será que venta muito?
      Depois chegaram mais três garotas mas logo foram embora. Iniciei o retorno às 16h06, passei pelas casas da Estância Túnel às 17h e continuei pela costa. Cruzei a porteira de entrada da fazenda e uma placa ali aponta o Rio Encajonado à direita, subindo. Não devem querer que fique gente passando bem na porta da casa deles. Às 17h17 cheguei a uma bifurcação onde o melhor caminho é pela direita, o da esquerda é ruim, desce e sobe muito. Entrei num bosque e na saída dele vem da direita outra ramificação daquela primeira trilha de descida. Cruzei um riacho (com origem naquela casa de madeira lá em cima) por dois troncos e saí do bosque. Ali à esquerda num morrote está o Mirador San Sebastian. Algumas vacas na trilha, um extenso bosque e cheguei às 18h13 a uma porteira. Uma placa ali alerta para o futuro desaparecimento dessa trilha por causa da construção de uma estrada! Com mais 4min cheguei a um final de estrada de rípio com um estacionamento e cinco carros. Há ali uma torre de ferro chamada Baliza Escarpados pertencente à Marinha Argentina.
      Comecei a andar pela estrada e veio a chuva. Parei para vestir a roupa impermeável, comer alguma coisa e ver se a chuva parava - que nada... Continuei pela estrada com chuva mesmo e às 19h avistei a Playa Larga (Praia Comprida) bem abaixo a esquerda. Ao fundo Ushuaia, mas a paisagem estava toda cinzenta pela chuva. Apareceram alguns acessos secundários à praia mas o principal veio às 19h18. A areia está além de um gramado que tem churrasqueiras de alvenaria. Algumas pessoas pararam o carro ali no estacionamento e foram visitar a praia com aquele tempo horrível. Uma placa mais adiante dá as boas-vindas à "Reserva Provincial, Cultural y Natural Playa Larga". A estrada faz uma curva para a direita, se afasta da praia e depois cruza o Rio Olívia, o mesmo que cruzei de manhã antes do aterro sanitário. Cheguei à Avenida Perito Moreno às 19h45 e dobrei à direita para tomar o ônibus da linha B no mesmo local onde saltei de manhã, Rua Pioneros Fueguinos.
      Informações adicionais:
      . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto da Rua Pioneros Fueguinos quase esquina com Perito Moreno
      . o valor da passagem em fev/20 era AR$24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche)
      Rafael Santiago
      fevereiro/2020
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
       

    • Por rafael_santiago
      Laguna Esmeralda
      Início: estacionamento da Laguna Submarino na RN3
      Final: estacionamento da Laguna Esmeralda na RN3
      Distância: 28,5km
      Duração: 3 dias
      Maior altitude: 823m na neve do Glaciar Ojos del Albino
      Menor altitude: 220m no Rio Lasifashaj
      Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. Os desníveis não são grandes, a maior subida tem desnível de 433m.
      Nessa caminhada emendei duas trilhas: a da desconhecida Laguna Submarino com a da popularíssima Laguna Esmeralda. A princípio pensei que teria que caminhar pela RN3 entre a trilha de uma e de outra já que estão um pouco distantes e cada uma de um lado da rodovia, mas para minha felicidade descobri um caminho bem mais agradável por trilha e bosques. Por que o nome Submarino? Dê uma espiada na imagem de satélite do Google.
      1º DIA - 31/01/20 - do estacionamento na RN3 à Laguna Submarino 
      Distância: 6km
      Maior altitude: 642m na Laguna Submarino
      Menor altitude: 220m no Rio Lasifashaj
      Resumo: nesse primeiro dia de caminhada subi da rodovia RN3 à Laguna Submarino num desnível de 422m. Acampei um pouco abaixo dela.
      Saí do hostel um pouco tarde, às 9h35. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (fim de janeiro/início de fevereiro). 
      Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci no ponto final junto ao portal da cidade (saída para Rio Grande). Em frente ao ponto final fica o posto policial e ao passar por ele somos sempre "convidados" a entrar e registrar nome, documento e destino. 
      Logo depois do portal as pessoas ficam pedindo carona. Já havia gente ali e me posicionei depois delas para respeitar a ordem de chegada. Logo parou um caminhão para mim, o motorista ia para Rio Grande. Saltei no estacionamento da trilha para a Laguna Submarino às 11h, bem em frente ao Centro Invernal Tierra Mayor. Havia dois carros apenas no estacionamento, provando que a laguna era pouco conhecida mesmo. Ali há um grande painel do "Sendero del Fin del Mundo" mostrando as trilhas da etapa 6 desse projeto e ainda uma continuação até o Rio Olívia. A etapa 6 vai da Cascada Rio Beban até Tierra Mayor, onde eu estava. Dessa maneira, descobri que conseguiria emendar as trilhas Submarino e Esmeralda por uma terceira trilha pelo Vale de Tierra Mayor. Restava saber se essa trilha estava transitável.
      Curioso que esse painel não mostrava a trilha da Laguna Submarino (etapa 7 do projeto), aliás não havia nenhuma placa informando que ali era o início da trilha para ela. Apenas uma placa indicando área de acampe a 1,2km. 
      Segundo o painel, a sinalização de trilha a seguir seriam duas faixas horizontais nas cores azul e branca, tal como a da Huella Andina do norte da Patagônia, mas nesse trecho até a Laguna Submarino ela não apareceu . Mais informações em lahuellaandina.com.ar, link "Guía original de Senderos de Patagonia".

      Cachoeira no caminho à Laguna Submarino
      Comecei a caminhar às 11h10. Altitude de 259m. Segui a estradinha de terra que cortava na direção leste o denso bosque de lengas e com 900m cheguei a uma grande clareira com cruzamento de trilhas. Ali percebi que essa estrada era de manutenção do gasoduto. A única sinalização era uma discreta seta amarela para a direita sem nada escrito. Mas o gps me apontava a direita mesmo (sudoeste). Na descida que se seguiu havia outros caminhos para a direita e esquerda que ignorei. Antes de chegar ao Rio Lasifashaj encontrei a tal área de acampe à direita com mesas de piquenique e churrasqueiras, mas com o terreno um pouco inclinado. Não havia nenhuma barraca nesse momento. 
      Cruzei o Rio Lasifashaj por tubos de ferro e um tronco improvisado (menor altitude do dia, 220m). A estradinha continuou no sentido sudoeste e bastante enlameada. Caminhei por ela 250m e a abandonei às 11h40 para entrar numa trilha à esquerda com placa. Finalmente informações sobre a trilha da Laguna Submarino! Segundo a placa ela está a 646m de altitude e a trilha tem 12km ida e volta. A altitude ali é de 234m. A placa só não diz que a trilha é um verdadeiro festival de lamaçais. O avanço é lento por conta deles. Ultrapassei um grupo que havia visto lá no estacionamento da RN3: um homem, duas mulheres e cinco crianças, uma delas bem pequena! Agora o sentido é sul. 
      Às 12h38 subi um trecho um pouco mais inclinado por uma corda e me aproximei do rio que desce da laguna. Logo começaram a aparecer as castoreiras, represas construídas por castores e que matam todo o bosque ao redor. Um cenário desolador de árvores mortas, umas roídas por eles e outras afogadas na represa. Numa grande clareira às 13h42 havia terreno plano para acampar e restos de fogueira bem ao lado de uma grande castoreira. Ao reentrar no bosque cheguei a uma bela cachoeira às 13h55. Parei para comer um lanche apesar do vento frio que vinha dela. Retomei a caminhada às 14h18 e imediatamente surge uma subida bastante inclinada com duas cordas fixas como apoio. Fiquei pensando nas quatro crianças que vinham atrás...
      Ao final da parte mais íngreme uma bonita visão do vale percorrido. Os lamaçais continuavam ali no alto. No meio de um deles havia uma bifurcação e fui para a esquerda, mas a trilha terminou numa cachoeira inacessível e muito bonita. Voltei à bifurcação para continuar pela trilha principal (não quis cortar caminho subindo uma encosta íngreme à direita da cachoeira). Mais subida e às 14h55 saí do bosque, passando a caminhar por uma trilha estreita numa encosta de pedras um pouco instável. A visão se abre para o vale à esquerda e fiquei de olho num gramadinho plano que poderia ser meu local de acampamento. 
      Subi um pouco mais mas logo desci na direção desse pequeno vale e atravessei dois riachos em sequência. Ali cruzei com um grupo de sete pessoas voltando da laguna. Continuei subindo agora num terreno mais pedregoso e numa curva suave para a esquerda atravessei o riacho que vem da Laguna Submarino, chegando a ela às 15h30. Altitude de 642m. Não havia mais ninguém, por algum tempo a laguna foi só minha. Apesar do vento frio dei uma volta completa ao redor dela. Pena que o dia estava cinzento e a cor verde da água não ressaltou nas fotos. Quando voltei ao ponto inicial aquela família com as crianças havia chegado. Fiquei surpreso... achei que iriam parar na cachoeira por causa das cordas em subidas quase verticais. Eram argentinos. Todos muito simpáticos, conversamos por algum tempo mas logo tomaram o caminho de volta porque estavam bem lentos. 
      Eu fiquei mais algum tempo e depois desci para procurar um lugar para acampar. Aquele gramado à margem do rio não estava muito seguro pois tinha uma encosta quase vertical ao lado e podia rolar alguma pedra lá de cima. Acabei encontrando um gramadinho mais ou menos plano dentro de uma vala, meio estranho o lugar mas bastante abrigado do vento. 
      Altitude de 580m no acampamento.
      Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 5,9ºC

      Laguna Submarino
      2º DIA - 01/02/20 - da Laguna Submarino à Laguna Esmeralda
      Distância: 11,6km
      Maior altitude: 642m na Laguna Submarino
      Menor altitude: 220m no Rio Lasifashaj
      Resumo: nesse dia desci de volta à RN3 (desnível negativo de 422m) e tomei a trilha do Vale de Tierra Mayor até o cruzamento com a trilha principal da Laguna Esmeralda, onde acampei (desnível positivo de 154m da RN3 à Laguna Esmeralda)
      10h30 da manhã: 10,7ºC
      Choveu durante a noite e de manhã. Ventou à noite mas eu estava protegido naquela vala. Não voltei à laguna para fotos pois o dia estava cinzento como na tarde anterior. Levantei acampamento às 15h10 (por causa da chuva da manhã) e desci pelo mesmo caminho. Cruzei com bastante gente subindo. Às 15h49 parei na cachoeira para mais algumas fotos. Mais abaixo, quando estava no bosque, começou a chover de novo e tive de parar para vestir a roupa impermeável. Logo após cruzar o Rio Lasifashaj parei às 17h51 na área de acampamento para um lanche nas mesas de piquenique, embora estivesse tudo molhado. Havia uma barraca montada. Às 18h30 cheguei ao estacionamento na RN3 e dessa vez havia oito carros. 
      Cruzei a rodovia e entrei no terreno do Centro Invernal Tierra Mayor passando bem ao lado da casa principal pois era esse o caminho. Cruzei uma ponte de tábuas e tomei a trilha que vai até o Rio Olívia, segundo o painel com mapa, mas eu iria só até o cruzamento com a trilha da Laguna Esmeralda. A trilha está bem sinalizada com estacas amarelas e tem pontes. Segue o curso do Rio Lasifashaj. Cerca de 800m após a casa não notei uma trilha saindo para a esquerda e continuei na principal, bem larga. Depois olhei para a esquerda e vi as estacas indo em outra direção. Esse caminho largo leva a outros trekkings, como Cerro Alvear e Laguna Domo Blanco. Voltei à discreta bifurcação e segui pela trilha correta, que continua na margem direita do Rio Lasifashaj e logo entra no bosque. Nas árvores do bosque encontrei a sinalização do projeto "Sendero del Fin del Mundo", duas faixas horizontais nas cores azul e branca, além de círculos vermelhos. Ao sair do bosque cruzei às 19h19 uma ponte de tábuas sobre o Rio Lasifashaj e fui para a direita seguindo a placa Cascada Beban. Entrei em outro bosque. Ali me afastei do Rio Lasifashaj pois ele toma o rumo norte e eu seguia para oeste. 

      Outra cachoeira no caminho à Laguna Submarino
      Às 20h03 cheguei a uma bifurcação e fui para a direita, mas desaconselho esse caminho pois há um lamaçal-brejo enorme e dessa vez não escapei de enfiar o pé inteiro na água preta. Melhor ir para a esquerda na bifurcação e tomar a trilha principal da Laguna Esmeralda 140m abaixo. Esse caminho do lamaçal-brejo é um atalho do qual a gente se arrepende. Às 20h14 cheguei à trilha principal da Laguna Esmeralda e fui para a direita. Ali a grande diferença: dezenas de pessoas na trilha! A Laguna Esmeralda é o trekking mais falado e mais procurado de Ushuaia. Todo mundo que chega na cidade parece predestinado a fazer essa caminhada. Todos os dias a trilha está cheia! 
      Segui pela trilha superbatida na direção norte e noroeste e ao sair do bosque às 20h38 o último obstáculo do dia, uma grande área de turfa (turbal) completamente molhada, um verdadeiro pântano. Algumas pessoas vinham da laguna por um caminho que estava mais à minha esquerda, mas ali parecia quase impossível não afundar na água suja. Notei que à minha direita o turbal tinha mais vegetação do que água e tentei ir por ali. No meio da turfa uma raposa cinza (zorro gris) cruzou comigo tranquilamente como se eu nem estivesse ali. Tirei várias fotos dela bem perto. 
      Esse caminho acredito que estava melhor que o outro pois vi gente afundando até o joelho lá no brejo. Ele termina numa trilha secundária que leva à laguna mas isso foi ótimo pois encontrei um lugar muito bom para acampar: plano, seco, abrigado do vento, longe de árvore que poderia cair e sem multidão passando na porta (porém 900m antes da laguna). Marquei esse local no gps e continuei até a laguna para conhecê-la e ver se havia algum lugar melhor para acampar. Cheguei a ela às 21h17. O camping "oficial" fica às suas margens, à direita de quem chega e na beira do bosque, mas isso eu só descobriria no dia seguinte. Não encontrei lugar melhor no trajeto que fiz e acampei naquele ponto marcado mesmo, coletando água no caminho.
      Altitude de 390m na Laguna Esmeralda e de 353m no local onde acampei
      Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 2,8ºC

      Laguna Esmeralda vista da subida ao Glaciar Ojos del Albino
      3º DIA - 02/02/20 - Glaciar Ojos del Albino
      Distância da Laguna Esmeralda ao Glaciar Ojos del Albino: 3,3km
      Distância do Glaciar Ojos del Albino à RN3: 7,6km
      Maior altitude: 823m na neve do Glaciar Ojos del Albino
      Menor altitude: 248m
      Resumo: nesse último dia subi da Laguna Esmeralda até a neve abaixo do Glaciar Ojos del Albino (desnível de 433m), voltei à laguna e terminei a caminhada na RN3 (desnível negativo de 142m da laguna à RN3), onde consegui uma carona para Ushuaia
      8h28 da manhã: 7,5ºC
      Desmontei a barraca e escondi a mochila para subir de novo à Laguna Esmeralda e continuar até o Glaciar Ojos del Albino. Às 10h50 estava de volta à laguna e já havia bastante gente visitando. Deveria contorná-la para encontrar a trilha do glaciar e optei por fazer isso pelo lado direito para não ter de cruzar dois rios, um que a alimenta e outro que brota dela. Foi seguindo para a direita que descobri o camping "oficial", que está no limite do bosque no qual eu deveria entrar para contorná-la. Apenas um casal dormiu ali naquela noite. O espaço é ruim, grande parte inclinado. 
      Contornei toda a face leste da laguna e continuei, agora tendo o rio que a abastece à minha esquerda. Passei por uma área mais aberta dentro do bosque que dá um bom acampamento também. Logo depois inicia a subida. Passei por uma grande rocha que serve como abrigo/bivaque e venci a linha das árvores às 12h02. Dali em diante só pedras e montanhas rochosas. Uma enorme cachoeira escorre da montanha à esquerda. Subi mais e o caminho em meio às pedras começou a ficar menos marcado, causando alguma dúvida. A subida começou a ficar íngreme demais. Cheguei a um ponto mais alto em que pude observar melhor os arredores e já estava pensando se tinha tomado o caminho certo... não visualizava um caminho definido naquele mar de pedras de todos os tamanhos e não havia sinalização nenhuma. Parei um pouco. 
      Vi gente subindo por um outro caminho mais abaixo e fiz um atalho como pude para chegar onde eles estavam pois deveria haver um caminho marcado. E havia. Quando subi deveria ter tomado um caminho muito discreto para a esquerda (depois de um bloco gigante de pedra à esquerda) e evitado aquele trecho muito íngreme. O caminho "marcado" às vezes se perdia um pouco também, mas consegui subir por ele até um platô acima e dali até a neve. 
      Parei no limite da neve às 13h40 para ver que caminho os outros iriam tomar. Alguns subiram pela neve bastante inclinada mesmo sem crampons. Foram com bastante dificuldade mas conseguiram vencer aquela neve. Mas não se podia ver o que havia mais acima, talvez outro campo de neve inclinado. Outros não quiseram se arriscar na neve e escalaminharam a encosta mais à esquerda, sem trilha, muito íngreme e difícil, e sem saber onde iria dar lá no alto. Eu resolvi não arriscar nem um nem outro, portanto não cheguei ao glaciar propriamente dito. Mas o visual dali já estava espetacular para todo o vale com o Cerro 5 Hermanos ao fundo. Várias pessoas pararam ali também. Altitude de 823m. Dias depois soube da queda de um rapaz inglês nesse local em 2018. Ele não resistiu aos ferimentos.

      Cordon Toribio visto das proximidades do Glaciar Ojos del Albino
      Iniciei a volta às 14h51 e dessa vez fiz o caminho "certo" pelo mar de pedras pois segui um casal com guia. Às 15h53 reentrei no bosque. Passei pela Laguna Esmeralda às 16h45 e parecia uma praia urbana em um domingo de sol de tanta gente. Resgatei a mochila, venci a turfa encharcada (sem raposinha dessa vez) às 17h46, voltei ao bosque e segui a procissão. 
      Saí do bosque e às 18h13 entroncou à esquerda a trilha que vem de Tierra Mayor. Esse seria o caminho que, apesar de alguns metros mais longo, evitaria aquele lamaçal-brejo enorme em que enfiei o pé. Apenas 170m adiante uma outra bifurcação com placa apontando a Cascada Beban à direita é a continuação da trilha que iniciei lá em Tierra Mayor. Marquei o local para depois explorar (relato aqui). Outra placa com foto identifica os picos dessa bela cadeia de montanhas, com destaque para o Cerro Bonete e o Cerro Alvear.
      Cruzei um bosque, um rio por uma ponte de troncos e ao reentrar no bosque às 18h23 surgiram algumas bifurcações. Se me mantivesse na trilha principal chegaria ao estacionamento na RN3 mas resolvi seguir quatro amigos com quem fiz amizade na trilha do glaciar. Eles conheciam bem as trilhas e tomaram vários atalhos. Ao chegarmos ao estacionamento às 18h38 perguntei se tinha lugar no carro e lá fomos para Ushuaia papeando sobre trilhas e montanhas.
      Informações adicionais:
      . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto final no portal da cidade, em seguida pedir carona (hacer dedo, em espanhol)
      . o valor da passagem em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche)
      . uma opção mais confortável é o transporte privado (van) chamado Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul de hora em hora das 9h às 14h. 
      . mais informações sobre o projeto "Sendero del Fin del Mundo" em lahuellaandina.com.ar, link "Guía original de Senderos de Patagonia".
      Rafael Santiago
      fevereiro/2020
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
       

    • Por rafael_santiago
      Laguna Turquesa
      A caminhada da Laguna Turquesa costuma ser feita num bate-volta de um dia apenas. Apesar do desnível de 363m a subida pode ser feita em 1h, com a descida ainda mais rápida. Eu tinha bastante tempo e queria acampar na laguna para assistir ao pôr-do-sol se o tempo permitisse. Porém os dias estavam muito chuvosos. Acompanhei a previsão pelo Yr e ele indicava pouca chuva e algum sol para os dias seguintes. Porém na manhã em que sairia (27) a previsão para o dia seguinte (28) mudou e era de mais chuva que antes (2,2mm). Já estava com a mochila pronta e resolvi ir assim mesmo. Mal sabia eu o que me esperava...
      1º DIA - 27/01/20 - subida à Laguna Turquesa
      Início: RN3
      Final: Laguna Turquesa
      Distância: 1,7km
      Maior altitude: 658m na Laguna Turquesa
      Menor altitude: 295m na rodovia RN3
      Resumo: nesse dia subi da rodovia RN3 à Laguna Turquesa em cerca de 1h (desnível de 363m)
      Saí do hostel bem tarde, às 12h36. Os dias longos do verão no extremo sul do continente deixam a gente bem relaxado com relação ao horário das caminhadas. Há luz do dia até depois das 21h30 nessa época (janeiro). 
      Na Rua Gobernador Deloqui, no centro de Ushuaia, peguei o ônibus da linha B (poderia ser o da linha A também, porém na Avenida Maipu) e desci no ponto final junto ao portal da cidade (saída para Rio Grande). Em frente ao ponto final fica o posto policial e ao passar por ele somos sempre "convidados" a entrar e registrar nome, documento e destino. 
      Logo depois do portal as pessoas ficam pedindo carona. Quando cheguei um rapaz argentino me disse que estava ali fazia 1h... mas tive mais sorte que ele. Num momento em que ele saiu para fumar um caminhão parou para mim sem eu levantar o dedo! O motorista ia para Tolhuin. Saltei na entrada da trilha para a Laguna Turquesa às 14h14. Há uma plaquinha improvisada de madeira na rodovia RN3 apontando a trilha.
      Nos primeiros 70m é uma rua de terra que liga a RN3 à estradinha do gasoduto. Cruzando essa estradinha é que se entra na trilha no bosque. Parei para comer alguma coisa e entrei nela às 14h36. Altitude de 310m. 

      Valle Olum
      Subi até os 535m e saí do bosque (15h12) cruzando um lamaçal terrível. Passei a caminhar por um campo encharcado já com visão do circo glacial que abriga a laguna. O rio que brota dela corre num valezinho à esquerda.
      Ao subir um pouco mais olho para trás e avisto a famosa e popular Laguna Esmeralda entre montanhas do outro lado da RN3. Cheguei à Laguna Turquesa, que na verdade tem cor verde-esmeralda, às 15h32. Altitude de 658m. Decidi ir direto para a Laguna Turquesa Superior e subi a encosta do lado esquerdo. Ao chegar à crista a visão se abriu para o lado leste com o enorme Valle Olum e um lago bem abaixo. Continuei pela crista contornando a Laguna Turquesa pelo alto, porém parei num local mais estreito e exposto. À esquerda há uma parede e à direita uma queda enorme. Se eu pisasse num local não muito firme podia rolar muitos metros quase verticais. Dali em diante parecia bem exposto também. Não senti segurança e desci de volta à Laguna Turquesa. 
      Arranjar um lugar seco e abrigado do vento para acampar foi uma tarefa complicada. Perto da laguna eram só pedras e muito vento, abaixo dela era só terreno encharcado. Além disso, tinha muita gente subindo e descendo pela trilha e eu preferi ficar afastado para ter um pouco de privacidade. Acabei montando a barraca num lugar protegido por lengas baixas mas num solo bem úmido, abaixo da laguna e do outro lado do rio que nasce dela. Choveu forte a partir das 19h com vento forte também, mas a barraca aguentou bem. Não entrou água apesar de estar tudo encharcado em volta dela.
      Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 1,2ºC
      2º DIA - 28/01/20 - muita chuva e neve
      De manhã tirei a cara para fora da barraca e vi um grupo de seis pessoas subindo em direção à Laguna Turquesa Superior. Passaram pela parte exposta, para minha frustração... Não estava chovendo e resolvi voltar à laguna. Foi só cruzar o rio e começou a nevar bastante! Bonito de ver mas muito frio. Voltei à barraca e passou a chover fraco. Mesmo assim bastante gente na trilha, com frio, vento, chuva e neve. À tarde fiz uma segunda tentativa e consegui tirar mais fotos da laguna, mas na descida à barraca fui pego pela neve de novo. Com tudo isso não desmontei acampamento. Mais tarde vi que a neve já estava acumulando em volta da barraca. Meu termômetro marcava 1,4ºC às 19h35. Nesse dia nevou mais do que choveu. E a previsão do Yr era de apenas 2,2mm de chuva...
      Temperatura mínima durante a noite fora da barraca: 0,5ºC

      Depois da tempestade...
      3º DIA - 29/01/20 - retorno a Ushuaia
      As montanhas ao redor da laguna amanheceram brancas pela neve que caiu durante a noite. Mas felizmente saiu um pouco de sol para eu secar a barraca antes de guardar. O nylon do piso já estava saturando e umedecendo o isolante por baixo. Justo nesse dia que eu precisava de carona para voltar a Ushuaia quase ninguém subiu à laguna. Desci em 52min até a estradinha do gasoduto. Uns 50m à direita há água corrente (vem da Laguna Turquesa) e aproveitei para limpar as botas e a calça impermeável para pedir carona limpo. Fiz sinal na RN3 durante 20min, um Audi parou mais à frente e deu ré para me apanhar. Mas eram três caras bem estranhos e colocavam o som do carro no último volume. Torcia para chegar vivo na cidade. Ao chegar na periferia de Ushuaia entraram por ruas estreitas de terra, o que me deixou apreensivo. Me deixaram no shopping Paseo del Fuego e caminhei mais 2,5km até o hostel. Quanta aventura numa caminhada só!
      Informações adicionais:
      . para chegar ao início da trilha deve-se tomar o ônibus das linhas A ou B no centro de Ushuaia e saltar no ponto final no portal da cidade, em seguida pedir carona (hacer dedo, em espanhol)
      . o valor da passagem em fev/20 era ARS24 (R$1,50) que deve ser pago obrigatoriamente com o cartão de transporte SUBE (o mesmo de Buenos Aires e Bariloche)
      . uma opção mais confortável é o transporte privado (van) chamado Linea Regular que sai diariamente da esquina das ruas Maipu e Juana Fadul de hora em hora das 9h às 14h. 
      Rafael Santiago
      janeiro/2020
      https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
       

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