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Ever

Mendoza

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Mendoza - Tópico de Perguntas e Respostas

 

Relatos sobre Mendoza:

Relato sobre viagem de quinze dias à Argentina, incluindo Mendoza pelo mochileiro Leo Caetano

Relato sobre viagem de ônibus à Argentina, incluindo Mendoza pelo mochileiro Robson Cesar

Relato sobre viagem de dezesseis dias à Argentina, incluindo Mendoza pelo mochileiro Furuta

Relato sobre viagem de vinte e dois dias à Argentina, incluindo Mendoza pelo mochileiro Rafael Xavier

Relato sobre viagem de carro à Argentina, incluindo Mendoza pelo mochileiro Serneiva

Relato sobre viagem à Argentina, incluindo Mendoza pelo mochileiro Alex Melo

Relato sobre viagem de vinte e quatro dias à Argentina, incluindo Mendoza pelo mochileiro Duke[/linkbox]

 

 

Em Mendoza tem uma estação de esqui chamada Los Penitentes - http://www.penitentes.com - mas não abriu este ano por falta de neve. Estive lá em Agosto e fiz uma subida até o topo com teleférico. Tinha neve mas não o bastante para cobrir as pistas e poder esquiar. Mesmo assim o passeio valeu a pena, fiz a tour que eles chamam de Alta Montaña ($50 Pesos) - você passa pela cidade de Uspallata, e visita Los Penitentes, Puente del Inca e Las Cuevas que já fica na boca do tunel para o Chile. De Mendoza até Santiago são apenas 5 horas de ônibus. De Mendoza você pode ir a Las Leñas e a Portillo (Chile), mas mesmo lá não sei se tem esqui em fevereiro... pouco provável.

 

Mendoza é uma cidade legal e bem tranquila. Muito bem arborizada com casas bonitas e um parque muito legal - San Martin. Tem uma universidade e por conta disso alguns barzinhos interessantes na Avenida Collon proximo ao parque. Os preços no geral são mais baratos que Buenos Aires. As agências tem um leque de passeios tradicionais e radicais.

 

Os vinhos de lá são os melhores da Argentina e bem baratos ... aproveite ! :-D

 

Tem várias empresas que fazem o trajeto Mendoza-Chile, uma delas é a Andesmar - http://www.andesmar.com.ar. Veja outras nesta mensagem copiada de outro forum:

. . . .

--

Departure From Santiago: Terminal Sur AKA Terminal Santiago (Terminal South ) Updated November 6, 2003................Exchange rate is 620 pesos= 1 dollar US

 

Company,..Destination,..Approximate Prices,..Departure Time,..Duration

 

Tur Bus, Mendoza,7000 pesos = $10 US, Every Day 9:00 and 22.30, 6-7 hrs

Tur Bus, Cordoba,18000 pesos=$24 US, Only Friday 12:30, 16 hrs

Fenix, Mendoza,7000 pesos = $10 US, Every Day 9:00,11:30,22:00,-- 6-7 hrs

Fenix, Buenos Aires,30000pesos=$40.5 US, Wed,Thurs,Sat,Sun 10:30, 22 hrs

Andesmar, Mendoza,8000 pesos = $11 US, Every Day 9:30, 6-7 hrs

Andesmar, Buenos Aires,28000 pesos=$37 US, Every Day 9:30, 22 hrs

Andesmar, From Osorno to Bariloche,8000 pesos, Every Day 10:20, 6-7 hrs

El Rapido, Mendoza,7000 pesos = $10 US, Every Day 8:00,9:30,13:30,23:30,-- 6-7 hrs

El Rapido, Buenos Aires,25000 pesos=$36 US, Same Bus To Mendoza at 9:30, 24 hrs

Tas Choapa, Mendoza,7000 pesos = $10 US, Every Day 8:30, 23:30, -- 6-7 hrs

Tas Choapa, San Louis,8000 pesos=$11 US, Tues. and Sat. 9:00, 11 hrs

Tas Choapa, Cordoba,15000pesos=$20 US, Tues. and Sat. 14:30, 18 hrs

Ahumada, Mendoza,7000 pesos =$10 US, Every Day 9:00,11:30,22:00, -- 6-7hrs

Ahumada, Buenos Aires,30000pesos=$40 US, Wed.,Thurs.,Sat.,Sun., 10:30, 20 hrs

Pullman Del Sur, Buenoa Aires,25000pesos=$36 US, Mon. And Fri. 13:00, 19 hrs

TAC, Mendoza,7000 pesos =$10 US, Every Day 8:30,12:00,21:30, -- 6-7hrs

TAC, Buenos Aires,25000pesos=$33.5 US, Every Day 10:00, 20 hrs

CATA, Mendoza,7000 pesos= $10 US, Every Day 7:30,10:15,23:00, -- 6-7 hrs

CATA, Buenos Aires,23000pesos=$31 US, Same 10:15, 20 hrs

CATA, Cordoba,20000pesos=$27 US, Same 10:15, 18 hrs

O´Higgins, Mendoza,7000 pesos=$10 US ,--Every Day8:15,10:30,14:45,22:00,-- 6-7 hrs

Chi-Ar Mendoza,12000pesos=$16 US, 6-7 hrs

Nevada, Mendoza,8000 pesos=$11 US,-- Every Day 8:30,10:30,12:30,14:30-- 6-7 hrs

Nevada has three different size mini buses-10,14 and 16 passenger

Coitram, Mendoza,7000 pesos=$10 US, Every Day 8:30,12:30,14:30, --- 6-7 hrs

Coitram has 12 passenger mini buses

Alsa also has a new service and they are running a special for 6000 pesos to Mendoza, I seen it today when I was at the bus terminal!!

---

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fala galera! realmente mendoza é espetacular!

Thiago, já passei por mendoza dezenas de vezes, mas infelizmente nunca pude aproveitar realmente a provincia(sempre estou de passagem para san juan), pois bem...falando de neve, em fevereiro faz um calor dos diabos e realmente somente neva nas altas cumbres andinas, nas pistas de sky nem pensar.

Ever, grande pesquisa! os onibus que aconselho desses dai são os seguintes: ANDESMAR (EXCELENTE EMPRESA AERGENTINA) E TURBUS (A GIGANTE DO CHILE), as outras são meia boca, como os preços são bem parecido opte por uma das duas.

 

AGORA OS TAIS TOURS DE ALTA MONTANHA, ETC...

 

vc vai ficar quanto tempo pela provincia?

BAsicamente eu aconselharia as montanhas cercanas a mendoza capital, que inclui o tal circuito de alta montanha.

veja bem, esse circuito é uma volta d emicro onibus, por certo que por paisagens espetaculares, mas por que não ir a esses lugares e realmente os conhecer? fazer trekking na parque provincial aconcagua, acampear em uspallata e recorrer seu vale, ir a vallecitos, potrerillos...

Thiago, se tu gosta de montanha não pode perder essa oportunidade!

ADEGAS E VINHEDOS DE MAIPU!

essa é outra pedida, existem tours que levam a conhecer várias da mais famosas bodegas mendizinas(e argentinas...)como a LA RURAL e a TRAPICHE( um dos meus vinhos preferidos, o malbec 97), em MAIPU também esta o MUSEO NACIONAL DEL VINO Y LA VENDIMIA.

valeu! qq coisa é só perguntar!

  • Gostei! 2

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Fala totra o expert em argentina e patagonia.

 

To com uma duvida como eu faço para ver o aconcagua ( não quero escalar) apenas quero ver, existe excursao ou onibus ate la

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Beto, o Aconcágua vc pode ver de muitos lugares, esse tour Alta Montaña vai até a entrada do Parque Provincial Aconcágua, onde tem uma placa enorme dando boas-vindas. De lá tem uma foto clássica com os cumes do Aconcágua ao fundo. Inclusive essa visão é da parede sul, me parece que é a mais dificil de escalar.

Por falar em escalada, essa semana a ESPN Brasil está passando, no programa Super Ação, a escalada do Aconcágua. Sensacional, vale a pena conferir.

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Oi Trota!

 

Valeu pelas dicas cara, acho que eu não curtiria tanto um passeio dentro de um micro onibus, a ideia do Trekking me agrada muito! Sabe se os albergues locais ou alguma agencia realiza esse tipo de caminhada?!

 

Quanto aos vinhos, ótimas sugestões, ja estão anotadas!

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Cara, os dois albergues de Mendoza tem agências que organizam esse tipo de passeio. Fiquei no Hostel Internacional (www.hostelmendoza.net) e eles tinham uma agência, fiz um passeio que começava com um trekking na base dos Andes, que terminava com um rappel de 40 metros, e na parte da tarde tinha um rafting de duas horas pelo Rio Mendoza, com lanches, transporte, equipamento, tudo incluso, por 110 pesos. Tinham outros passeios lá também, para-quedas, asa-delta, alguns trekings mais distantes, acho que no site deve ter. O outro albergue, o Campo-Base (www.hostelcampobase.com.ar), me falaram muito bem dele, que tem alguns tours, inclusive pra mais profissionais, escalada ao Aconcágua e tal. Pode ir tranquilo, Mendoza é show, lá tem muita coisa pra se fazer...

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Concordo que fazer passeios de van ou micro ônibus pode parecer um tanto chato para quem prefere fazer tudo de maneira extremamente independente, mas mesmo assim vale a pena quando você não conhece a região a explorar e não dispõe de pernas fortes o bastante para andar os 150 kilometros que é mais ou menos a distância entre Mendoza e Las Cuevas / Puente del Inca / Penitentes - Dá mais de 300 km considerando ida e volta.

Além do mais, da estrada você tem um visual muito legal e você pode fazer algumas paradas e conhecer lugares que talvez o passeio de trekking apenas não te permita.

Eu visitei o Hostel Internacional e achei muito bom.

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Bom, acho que cada passeio depende da agência, dos guias, da turma que está na mesma tour e das condições do tempo (neve, chuva ...). Existem algumas paradas já programadas com um tempo pra você ver os points. Não são paradas demoradas mas o bastante para você dar uma circulada pela área, fazer algumas fotos interessantes, esticar as pernas, tomar um trago ...

No passeio que fiz paramos em Uspallata, uma pequena cidade, onde tomamos um café e algumas pessoas do grupo alugaram roupas e sapatos para neve e também trenós. Seguimos pela estrada até um local onde há uma antiga ponte de pedras e que foi um acampamento do General San Martin e sua tropa durante as batalhas da independência - parada rápida, tipo só pra fotos mesmo. Seguimos novamente até Penitentes onde subimos até o 1º nível do teleférico - o vento estava muito forte e a temperatura deve ter baixado pra uns -15ºC no alto. Próxima parada foi Punte del Inca que é um lugar muito interessante com fontes de águas termais e as ruinas de um antigo spa. Ficamos um tempo visitando as ruinas, andando pela neve ao redor das ruinas do hotel, visitei a igreja de pedra que resistiu ao terremoto e à avalanche de neve, depois almoçamos num restaurante neste local. Seguimos então a Las Cuevas que fica a dois kilometros da fronteira com o Chile. Neste local deu pra andar um pouco pela área e brincar na neve escorregando com os trenós e bóias de caminhão numa pequena pista coberta de neve.

Desse ponto retornamos com paradas breves para algumas fotos e para um café em Uspallata novamente. Esse passeio cobre quase 400 km de ida e volta. Foram umas 12 horas de passeio. Se estivesse com meu próprio carro eu faria em mais tempo e talvez fizesse o passeio em dois ou três dias pra curtir mais. O ruim de estar com o próprio carro é que você tem de ter certa prática para dirigir na neve e com correntes nas rodas (se necessário); e também se manter bem informado com a polícia rodoviária sobre as condições da estrada em cada trecho por onde vai se passar. Pode acontecer de você ficar parado na estrada por uma nevasca e se for uma nevasca muito forte você pode ter problemas mais sérios com o carro e o excesso de neve.

O visual desses lugares é muito interessante com muitas cores diferentes nas montanhas constratando com o céu bem azul e os picos nevados.

O passeio foi muito legal e acho que não custou muito - 50 Pesos. Se tivesse mais tempo por lá também faria alguma trilha ou o rafting mas estava muito frio em Agosto para estas atividades.

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... nesta tour não está incluido as refeições. Eu levei um lanche (a tour sai bem cedo) e também almocei no restaurante em Puente del Inca a um preço honesto por uma deliciosa milanesa con papas. Em outra mensagem falei de refeições incluidas mas era no ônibus Mendoza-BsAs.

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Olá Júnia,

Malargüe é uma cidade pequena do interior de Mendoza, e não tem tantos atrativos assim, na verdade a maioria do pessoal que vai pra lá, usa a cidade como uma base pra esquiar em Las Leñas, porque fica BEEEEEEEM mais barato tanto a hospedagem como os passes e o aleguel do equipamento. O site do HI Hostel é www.hostelmalargue.net, e lá tem um link para a agencia de viagens deles. Tem outros atrativos como a Caverna de Las Brujas, La Payunia. Tem uma agência de viagens de Buenos Aires, Aires de Libertad (www.airesdelibertad.com.ar) que trabalha com Malargue, ai tem uma lista dos passeios, dos albergues (mesmo os que não sao afiliados a HI), a dona da Agência chama Silvina, e é super de confiança, comprou as passagens pra mi, reservou o albergue, tudo, confiei e não me decepcionei. Bem, no mais, o HI Hostel de Malargue fica tipo num sítio, longe da cidade, só tem como ir de carona com o dono ou de taxi. Então acaba que o pessoal do albergue fique super unido. Como fica numa casa pequena, entao tem cara de fazenda mesmo, todo mundo se conhece, come na mesma mesa todas as refeiçoes, parece uma grande familia. Já o albergue que não é afiliando a HI, fica na praça central, super bem localizado, e das pessoas que conheci lá, ninguém reclamou!

Bem, qualquer duvida dá um toque

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    • Por Danilo Gabriel
      Uma viagem de 5.470 km de carro para conhecer a Cordilheira dos Andes.
      Mendoza, Ruta 52, Cristo Redentor de Los Andes.
      PARTIDA PARA A GRANDE AVENTURA
       https://www.youtube.com/watch?v=uVHc7Qqjovw&t=24s
       
      “Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir. (Amyr Klink)”
      Dia 23 de dezembro de 2018, um domingo, foi o dia escolhido para o inicio da grande aventura, malas prontas, mapas impressos, veículo revisado, bike fixa no transbike e a ansiedade toma conta de nós. Primeiro dia percorremos quase 900 km, a parte mais longa de toda viagem, com estradas sinuosas, subidas e muito calor.
                  Minha esposa Elizete, preparou os lanches e bebidas para passarmos o dia na estrada, e logo ao clarear do dia partimos de Blumenau rumo a São Borja no Rio Grande do Sul.
                  Optamos em fazer pequenas paradas aproximadamente entre 200 e 250 quilômetros percorridos, para ir ao banheiro, abastecer e fazer nossos lanches.
                  Cada quilômetro percorrido é possível ver a mudança de hábitos e costumes nos locais que vamos passando. Primeiro vem a subida para a região serrana com suas Araucárias exuberantes por toda parte. Quando paramos em Lagoa Vermelha já no Rio Grande do Sul, o sotaque gaúcho fica evidente, e apesar do muito calor, é comum ver os gaúchos com o tradicional chimarrão.
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                  Conforme vamos avançando em território gaúcho, muitas fazendas com plantações de um verde marcante vão surgindo, o vento faz um balançar nessas plantações parecendo pequenas ondas no mar. Muitas borboletas voam tranquilamente desafiando o trânsito, e infelizmente muitas acabam se chocando contra os veículos.
                  A viagem segue tranqüila pela RS 285, pois muitos já estão no litoral nesse dia e o transito é abaixo do esperado. Chegamos fim da tarde em São Borja, local escolhido para nossa parada de pernoite. Hospedamos-nos na Pousada Hotel Imigrantes, bem na entrada da cidade, local singelo, mas tranqüilo e aconchegante.
      São Borja é uma das cidades mais importantes da histórica política brasileira. É onde nasceram os ex-presidentes da República, Getúlio Vargas e João Goulart. Fundado em 1682 pelos padres jesuítas, o município faz fronteira com a cidade de Santo Tomé, na província de Corrientes, Argentina. 
                  Ao cair da tarde o som das cigarras é estridente e o pôr do sol mais parece uma pintura, e majestoso o sol vai saindo dando lugar a uma noite estrelada.
                  Para tirar o cansaço da viagem e esticar um pouco as pernas, pego minha mountain bike e dou uma pequena volta pela simpática cidade. A noite vamos de carro a procura de uma lanchonete, e logo em seguida voltamos ao hotel para descansar, pois o próximo dia promete, vamos entrar na Argentina.
                  Partimos antes das oito horas, mas o céu azul e o sol raiando indica que teremos mais um dia de muito calor. Eu e minha esposa já saímos de casa com resfriado, causando um pouco de mal estar, mas não impedindo de desfrutar o lindo trajeto e descobrir nomes não comuns de algumas cidades que vamos passando, como a cidade de Não-Me-Toque no RS.
                  Saindo de São Borja ficamos na dúvida se atravessamos pela ponte internacional e já adentramos em Santo Tomé na Argentina ou se continuamos em terras brasileiras até Uruguaiana, a distância é a mesma, mas com algumas informações colhidas na internet, decidimos ir por Uruguaiana.
      Os motivos que nos fez decidir por este caminho de 180 km foi os seguintes:
      * Por Uruguaiana não tem pedágio (na ponte Internacional em São Borja ouvimos dizer que o pedágio é de R$50,00)
      *Dizem que a policia no lado Argentino nessa região é tendenciosa a cobrar propina.
      Infelizmente a estrada de São Borja até Uruguaiana está em péssimas condições, muitos buracos e mal conservada, e se não bastasse isso, sobre o rio Ibicuí na divisa da cidade de Itaqui com Uruguaiana existe uma ponte que antigamente era ferroviária (imagina a idade dela) e foi transformada em mão única sua travessia, com controle de sinaleira nas cabeceiras para não dar problema de encontros inesperados. A espera para passar por ela foi pouca, o que nos deixou com medo foi verificar a deterioração desta ponte. Inclusive somente após passar por ela e que fomos pesquisar sobre a mesma, pois ficamos indignados com seu mau estado. Olha que encontrei em nota oficial no site da AMFRO.
      Ponte Ferroviária adaptada à rodovia BR 472, existente sobre o Rio Ibicuí, na divisa dos Municípios de ITAQUI e URUGUAIANA”, por unanimidade, decidiram encaminhar a V. Ex.ª o presente ofício, expondo e vindicando o que segue:
      1 – Dado ao entendimento que é elevado o grau de degradação em que se encontram as partes de alvenaria e algumas peças metálicas que compõem a antiga Ponte, em especial, quanto a resistência dos materiais frente à demanda pelo tráfego de cargas pesadas.
      2 – Temerosas com a deterioração, desgastes e ondulações (hoje observados a olho nu, inclusive por leigos), muitas pessoas entendem que é forte a possibilidade d’a Ponte repentinamente ruir, pela falência estrutural e de materiais.
      Olhando por este lado o pedágio de R$50,00 seria mais indicado...mas é um tanto duvidoso este valor, será que não estão explorando sabendo que por segurança a maioria dos veículos acabam passando pela ponte internacional de São Borja???
      Já sobre a policia corrupta não temos mais informações, fomos parados muitas vezes até chegar em Mendoza, mas próximo a fronteira somente uma vez, e sem exceção sempre fomos abordados com educação pela policia. Na maioria das paradas era solicitado somente documento de identidade e documento do veículo. Em uma parada tive que fazer bafômetro, em outras pediam um dos itens de segurança, alguns ficavam curiosos com a bike em cima do teto, queriam saber por onde andaria, quantas marchas tem a bike, etc...Realmente não tivemos nenhum incomodo com a tal policia corrupta, que por sinal também tem no Brasil.
       
      ENTRANDO EM TERRITÓRIO ARGENTINO
       
                  Após percorrer os caóticos quilômetros até Uruguaiana, finalmente chegamos a Aduana, iríamos cruzar a fronteira, para nós era tudo novidade.
                  Uma fiscal da Receita Federal da Argentina que veio conferir os documentos do veículo me mandou encostar ao lado e solicitou uma declaração da bike que estava levando, lá fui eu atrás da sala da Receita Federal do Brasil, que ficava bem próxima solicitar a tal declaração. Chegando lá expliquei o que me pediram, levei a nota fiscal da minha bike, e a chefe do setor brasileiro disse que não faria, pois a nota não ultrapassava dois mil dólares na conversão da moeda, e abaixo deste valor não é necessário a tal declaração. Entendi como uma picuinha entre eles, mas não queria ser alvo desse desafeto. Pedi educadamente que ela explicasse isso para a fiscal argentina, e ela se levantou e foi mesmo lá explicar, e ficou entendido entre elas que poderia passar sem fazer a declaração, se por acaso a policia me questionasse era para mostrar a nota fiscal, mas em nenhuma situação precisei mostrar a nota fiscal.
      Fizemos a migração, guardamos os comprovantes para mostrar na saída do país, e finalmente percorremos os primeiros quilômetros em terras argentinas.
      A qualidade das estradas mudou rapidamente, melhorando consideravelmente na Argentina. Muitas vias de concreto, autopistas bem sinalizadas, com limites de velocidade bem diferente do Brasil, algumas com limite de 140 km. Começava as infinitas retas, muitos quilômetros de retas, planícies intermináveis, nem de binóculo você conseguiria enxergar algum morro mais distante. Trechos de até 100 km sem ter posto de combustível, por isso é muito importante não deixar baixar de meio tanque.
      O que nos deixou impressionado foi o pouquíssimo movimento de veículos, em certa parte da viagem, em uma pista simples que o acostamento era de gramado, paramos e fizemos algumas fotos e uma rápida filmagem bem no meio da pista, e durante estes minutos nenhum carro passou por nós.
      Muito interessante você num instante está falando com pessoas em português, passa uma fronteira, e muda a língua e costumes em questão de metros percorridos.
      Nosso objetivo nesse segundo dia de viagem era chegar até a pequena cidade de Saturnino M Laspiur, município de Córdoba. Mas antes de chegar lá passamos por alguns lugares interessantes. O Túnel Subfluvial Raúl Uranga, anteriormente conhecido como Túnel Subfluvial Hernandarias, é um túnel rodoviário submerso que liga as províncias de Entre Ríos e Santa Fé na Argentina, cruzando o rio Paraná entre a capital de Entre Ríos, Paraná, foi inaugurado em 1969.
      Em Santa Fé o GPS nos orientou pelo caminho mais curto, e nos levou a cruzar o centro da cidade até chegar na Ruta 158. Observamos muitos pedintes nas sinaleiras, inclusive muitos jovens, alguns mal encarados e duvidosos nas suas atitudes. Sem chances de parar, pelo menos na região que passamos.
      Diferente da região gaucha onde tinha muitas borboletas, começamos a encontrar muitas libélulas, a frente do carro e a bike ficaram com muito desses insetos grudados no fim do dia. Mais próximo do fim da tarde, começamos a observar muitos pássaros em revoada, saindo do meio das infinitas plantações ao lado da rodovia. Também é comum ver uma espécie grande de gavião que fica na beira das estradas.
      No fim da tarde chegamos na cidade de Saturnino, um pequena cidade agrícola, muito simpática e com uma bonita praça central. Ficamos na hospedaje Quique, que encontrei por acaso no Google maps. Eles não possuem site, consegui contato através do Facebook e tem uma boa recomendação, e realmente surpreendeu o aconchego desse lugar, com camas confortáveis e um bom ar condicionado, e claro um bom preço. O Sr. Quique é uma pessoa simples, querido e receptivo, e o mascote dele foi um show a parte, um cachorro que foi nos recepciona no carro com uma pinha na boca, é lógico que queria brincar, a Nadine jogou a pinha mais adiante e o cachorro foi buscar de imediato e voltou e largou a pinha nos pés dela pedindo mais....ele não cansava da brincadeira, mas nós estávamos exaustos.
      Para relaxar as pernas fui dar uma pequena volta de bike pelas ruas da cidade, que em poucos minutos foi possível percorrer toda cidade. Claro que não poderia deixar da fazer uma foto bacana na praça da cidade, ao lado de um antigo canhão de guerra com a bandeira da Argentina ao lado, meus primeiros quilômetros de bike pela Argentina. A Elizete e a Nadine também aproveitaram para caminhar na praça e fazer algumas fotos.
      O Natal mais diferente de nossas vidas, dia 25 de dezembro acordamos revigorados e prontos para pegar a estrada por mais 720 km até Mendoza, mas um pequeno imprevisto logo cedo. Ficamos esperando o Sr. Quique abrir a sala de refeição para o desayuno (café da manhã) e ele preocupado veio nos informar que somente durante dois dias do ano não é servido o café da manhã, sendo dia 25 de dezembro e 01 de janeiro, justo os dias que pernoitamos ali....que coisa!!! Mas isso não nos desanimou, apesar de não termos nada para comer seguimos viagem até encontrar um posto com conveniência. Algo que chamou nossa atenção é os lanches nas conveniências, que tem de vários formatos (quadrados, retangulares, duplos, triplos) mas sempre os mesmos sabores, queso y ramon crudo ou cozido (queijo e presunto cru ou cozido) Simplesmente não encontramos outros tipos de lanches. Outra coisa que presenciamos muito é cachorro por toda parte, comum ter dentro dos postos, da conveniência, no banheiro, nas praças.
      Seguindo nosso caminho, neste dia já na ruta 7 passamos pelo Arco del Desaguadero (Entrada San Luis - Mendoza) também conhecida como Tierra del Sol y del Buen Vino, e nos dias que estivemos em Mendoza pudemos presenciar o sol com todo seu esplendor, e claro que fomos conhecer uma Bodega (vinícola) e tomar o bom vinho.
                    Após tantos quilometros de reta, a emoção foi tomando conta quando começamos a avistar uma silhueta de montanha, a Cordilheira dos Andes. Muitas vinículas foram surgindo pelo caminho, Mendoza estava próximo!   Foi emocionante entrar na cidade, passando pela avenida San Martin, toda arborizada num contraste de construções antigas com outras mais novas, belas e bem cuidadas praças. Chegamos com facilidade no hostel e tratamos de descarregar o carro e fomos as compras no mercado bem em frente ao hostel. Optei por um quarto que tinha sua própria cozinha e banheiro, o hostel Departamentos Avenida San Martim nos agradou bastante.                      Ja a noite quando estávamos nos preparando para dormir, próximo das 22:00 horas começamos a ouvir galhos batendo contra o telhado e barulho de vento, e quando saio do quarto para verificar o que esta acontecendo, levo um susto com o tanto de vento e logo em seguida uma forte chuva desaba, e para deixar mais dramático, muito granizo acompanha a chuva. Nosso carro está estacionado na rua, e fico muito preocupado com o tanto de granizo que cai incessante. Saio catando os tapetes da entrada do hostel para por em cima carro, mas claro que não resolve muita coisa. Em uma cidade em que a quantidade de chuvas de um ano é pouco mais do que a de um mês no Rio Grande do Sul, Mendoza vive praticamente da água que vem do degelo da Cordilheira dos Andes. Por toda cidade se veem canais na calçada por onde circula água para hidratar as árvores e jardins, e a chuvarada que presenciamos acaba inundando alguns canais, e tenho que sair debaixo do granizo para muda o carro de lugar. Interessante que apesar do caos causado por tanta chuva, os mendocinos continuam circulando de carro e ônibus normalmente, como se nada estivesse acontecendo.           Ao amanhecer levanto e curioso saio para dar uma volta de bike ao redor, e o  que vejo é as estradas cobertas de folhas, que de certa forma protegeram um pouco o carro. O céu se pronuncia num azul de brigadeiro. Em toda a zona central da cidade existem árvores gigantes fechando as ruas por cima e criando um ambiente muito agradável de sombra, numa terra em que o calor é considerável. Refrescam o verão e, ao perderem suas folhas no inverno, deixam o fraco sol de inverno entrar pelas ruas largas, aquecendo os ânimos. Os mendocinos curtem a vida, um bom lugar para comprovar isso é a rua Sarmiento tomada por um mar de guarda-sóis coloridos e mesinhas nas calçadas, onde eles gostam de se reunir, seja para saborear uma empanada assada em forno a lenha com uma taça de vinho, ou para um almoço completo, ou ainda para tomar algo, como dizem por lá.                       No dia 26 decidimos não andar de carro, ficamos o dia todo caminhando pela cidade, assim conhecendo com mais detalhes esta linda cidade. Deliciamos-nos com muitos sorvetes, que são excelentes!!! Depois de experimentar muitos sabores, elegemos o de limon granizado como o mais interessante. Almoçamos na rua Peatonal Sarmiento, que tem muitas opções de restaurante. No transito de Mendoza encontramos alguns veículos bem antigos, alguns citroen 3CV, o pequeno motor bicilíndrico refrigerado a ar de 602 cm3 e pouco mais de 30 cv, também encontramos alguns Fiat 600 (igual o carro usado nos filmes do Mr.Bean)  inclusive fiz uma foto ao lado de um, me senti um gigante perto do carro. Mendoza tem regras próprias, como a siesta e o horário do jantar, bem tarde, Em Mendoza existe a tradicional "siesta” que é das 13h00 às 17h00 onde todo o comércio da cidade se encontra fechando, retornando às suas atividades após as 17h00. Nesse horário a cidade parece abandonada, pode-se atravessar as ruas de olho fechado, ninguém circula durante a siesta. Achei bem tranqüilo pedalar por Mendoza, mesmo com trânsito, se mostrou mais seguro que na minha cidade de Blumenau.                Também fizemos boa parte do cambio do Real para o Peso Argentino em Mendoza, bem próximo a Peatonal Sarmiento.             O trecho de três quadras que liga a Plaza Independência à Avenida San Martín é um dos mais belos passeios de Mendoza. Ao longo de três quadras, com circulação apenas para pedestres, você poderá caminhar em meio ao verde das grandes árvores, sentar-se em gazebos aconchegantes ou simplesmente ver a vida mendocina passar. A rua é repleta de bares e restaurantes, com mesas ao ar livre, para todos os gostos. Lá o movimento vai do início da manhã ao final da noite. É difícil escolher onde sentar-se. Com sorte, você poderá ver um bom show de rua, sempre com boa música, que acontecem por lá, e nós paramos para apreciar uma linda apresentação de um violinista, que encantou nossa filha Nadine, que estuda música e toca violino.
                  Voltamos ao hostel para fazer nossa janta, tomar a popular cerveja Quilmes e o delicioso refrigerante Pritty limón. Hora de dormir e aguardar o próximo dia, dia de explorar a cordilheira dos Andes.
       
      RUTA 52 – CORDILHEIRA DOS ANDES
      A Ruta Provincial 52 é uma continuação da Av. General San Martín, uma longa avenida que atravessa a cidade de Mendoza. Ao sair da área urbana a paisagem se torna desértica, com vegetação típica de climas áridos, e a estrada possui uma reta imensa, com cerca de 15 km de extensão. As únicas construções existentes neste longo trecho sem curvas são uma fábrica de cimento e a unidade engarrafadora da água mineral Villavicencio, uma das águas mais conhecidas na Argentina, cuja fonte se encontra na Reserva Natural que originou o seu nome.
      No meio do caminho há uma espécie de portal com pedras pintadas de branco, que são ruínas do Monumento Histórico de Canota, construído em 1935 em homenagem ao General San Martín, pois foi neste local que ele, em 1817, tomou a decisão de separar em duas partes seu exército de 5 mil homens para cruzar os Andes rumo ao território chileno. Pouco depois deste monumento termina a grande reta e a estrada, que se torna mais estreita e com um pavimento um pouco mais precário, começa seu caminho sinuoso rumo às montanhas da pré-Cordilheira. Este caminho, que antigamente era a única ligação entre Mendoza e Santiago, é popularmente conhecido como estrada das 365 curvas ou Camino de Las 365 Curvas.
       A Cordilheira dos Andes é uma vasta cadeia montanhosa, formada por um sistema contínuo de montanhas ao longo da costa ocidental da América do Sul. A Cordilheira dos Andes protege o continente Sul americano de todas as correntes marítimas, por isso influencia tanto em nosso clima. Seu relevo é abrupto, planalto e, na maior parte coberto de gelo. Há vulcões em atividades, é a maior cadeia de montanhas do mundo (em comprimento), e em seus trechos mais largos chega a 160 km do extremo leste ao oeste. Sua altitude média gira em torno de 4000 m e seu https://www.youtube.com/watch?v=uVHc7Qqjovw&t=24s ponto culminante é o monte Aconcágua, com 6 962 m de altitude. A cordilheira dos Andes se estende desde a Venezuela até a Patagônia, atravessando todo o continente sul-americano.                A expectativa era grande por esse dia, um dos principais pontos turísticos que estava em nosso roteiro. Saímos cedo para percorrer aproximadamente 40 km de carro até reserva natural Villavicencio, ponto onde eu continuei de bike até Uspallata, pedalando mais 57 km com 1.880 metros de elevação, e alcançando a altitude máxima de 3.000 metros, subindo ininterruptamente 25 km, a subida mais longa que já fiz na minha vida. Só para ter uma idéia, a serra do Rio do Rastro tem aproximados 16 km de subida.           A medida que ganhava altitude, a vegetação ia diminuindo, a cada curva um suspiro de admiração, uma paisagem ímpar e maravilhosa, aos poucos a imponente Cordilheira dos Andes se mostrava mais.                Elizete e a Nadine estavam encantadas com a beleza do lugar, e assim fomos avançando montanha acima, elas indo de carro e acompanhado minha saga de subir essa longa montanha de bike. Boa parte do trajeto é seguro e fácil de passar de carro, somente tem que ficar atento a alguma pedra que pode rolar montanha abaixo. Paramos várias vezes para contemplar a paisagem, muitas fotos para ficar registrado. Como diz o popular ditado, uma fotografia pode valer por mil palavras, assim pode-se definir as fotos desse lugar mágico.         Mais ou menos na metade da subida surge um imprevisto, avisto de longe o carro parado e elas olhando para o pneu, uma pedra causa um rasgo no pneu traseiro. Mas isso não é motivo para reclamar ou desanimar, tivemos que tirar toda bagagem do porta molas para poder trocar com o pneu de reserva, mas fizemos a tarefa nos divertindo e rindo da situação, sabendo que seria um causo para contar posteriormente. Feito a troca seguimos viagem, e logo a frente avistamos os primeiro Guanacos. “O guanaco, assim como a lhama, é um mamífero ruminante da América do Sul. Ao contrário das outras espécies de camelídeos, este animal tem pelagem mais curta, podendo passar quatro dias sem água. Vive em grandes alturas, próximas aos 4 000 metros.”                A medida que nos aproximamos dos 3.000 de altitude, á paisagem muda rapidamente, parecendo mais uma região de deserto, praticamente nenhuma espécie de vegetais. Paramos mais uma vez num local com uma vista espetacular da cadeia de montanhas, e ali fizemos um agradecimento a Deus por poder estar nesse lugar, ficamos escutando o som da montanha com o vento batendo, e a impressão que temos é que estamos mais próximos de Deus. A Nadine aproveita o momento para tocar seu ukulele e juntos cantamos a música Ousado Amor.   “ ...Traz luz para as sombras, escala montanhas pra me encontrar, derruba muralhas destrói as mentiras pra me encontrar...”
                 
                  O cume da ruta 52 está a 3.000 de altitude, e nesse ponto apesar de estarmos em pleno verão a temperatura já é bem baixa e com a presença de um vento muito gelado. Ao redor a magnífica imagem de montanhas congeladas. Bem no topo tem um monumento denominado Cruz Del Paramillos, onde fizemos algumas fotos e iniciamos a longa decida até Uspallata. As meninas sentem com a altitude, a Nadine chega a pegar no sono sem perceber, e a Elizete também tem momentos de sonolência e um pouco de dor de cabeça.
      Nesse ponto a bike atinge facilmente 60 km e avança muito mais rápido que os carros, e diferente da subida que tinha 365 curvas a descida tem longas retas e curvas leves, o freio é usado somente para aliviar a velocidade e esperar que as meninas não fiquem muito distante, pois fico preocupado com o sintoma delas.
      Chegando na pitoresca e simpática cidade de Uspallata, vamos almoçar no restaurante El Rancho, comida deliciosa mas bem mais caro do que vínhamos pagando. A preocupação era arrumar o pneu do carro que furou no caminho, e por coincidência tinha uma borracharia bem ao lado do restaurante. Desse ponto em diante a bike volta para o transbike (mas deu uma vontade enorme de continuar de bike, quem sabe numa próxima...) e seguimos rumo a Las Cuevas, última cidade antes da fronteira com Chile.
      O caminho até Las Cuevas segue pela ruta 7 e com 84 km a serem percorridos, saindo de 1800 metros até alcançar 3200 de altitude. A paisagem é de tirar o fôlego, é impossível não nos sentirmos pequenos frente a tamanha magnitude da Cordilheira dos Andes. Impressionante a mudança de cores que se seguem em cada montanha, tons de verde, outros cinza, marrom claro e muitas outras tonalidades. O trajeto em si não é de extremo perigo, o trânsito é tranqüilo nessa época, mas exige muita atenção. Há alguns trechos em que um deslizamento de terra ou pedra perece iminente. No inverno por causa das nevascas é obrigatório ter correntes para passar nessa região. Atravessamos alguns túneis estreitos, e enfrentamos bastante vento, teve momentos que fiquei preocupado se o rack do teto iria suportar, ficava dando uns estalos fortes. Passamos por alguns cicloturistas com seus alforjes carregados, numa velocidade baixíssima, lutando contra o vento e as longas subidas. Para alguns isso pode parecer loucura, mas a sensação de liberdade e de conquista parece como estampado em suas faces, uma odisséia de respeito.
      Chegamos quase fim da tarde em Las Cuevas, o céu com um intenso azul, sombra em quase toda cidade que é encravada entre os Cerros Tolosa (5.432 m) e Navarro (4.547 m), o sol batendo nos picos das montanhas, muito gelo por toda parte, uma paisagem surreal.
       
      CRISTO REDENTOR DE LOS ANDES
       
                  A poucos quilômetros da fronteira com a República do Chile, Las Cuevas é uma alternativa diferente, em uma paisagem imponente. Lugar ideal para ambientação de quem vai escalar o Aconcagua. Las Cuevas é um pitoresco povoado de alta montanha. Entre seus atrativos se destacam suas casas de estilo nórdico e escandinavo, feitas com troncos e pedras. Uma de suas construções mais características é um edifício com um grande portal que era caminho obrigatório para o Chile.
      Nós escolhemos ficar no hostel Portezuelo Del Viento, onde o Juan Pablo nos atendeu muitíssimo bem. Foi o local que mais gostamos de ter ficado hospedado, o atendimento nota dez, ambiente rústico mas acolhedor, fica de frente para a entrada do caminho ao Cristo Redentor de Los Andes. Assim que chegamos e descarregamos as malas, Pablo nos alertou que a temperatura cairia rapidamente ao anoitecer, e após tudo arrumado no quarto resolvemos ir para fora tirar umas fotos, e realmente já estava muito frio, um vento cortante que gelou o corpo rapidamente. O hostel é muito bem equipado com aquecedores, deixando super agradável o ambiente, sem falar as histórias que Pablo contava com muita empolgação, relatando algumas aventuras de escalada ao Aconcágua, no qual ficamos sabendo que ele é um conhecido e renomado guia de escalada.
      Arrependi-me de não ter ficado mais um dia nesse local e explorar um pouco as trilhas ao redor, mas mesmo assim conseguimos visitar o que tinha planejado. De manhã após o café subimos de carro ao Cristo Redentor de Los Andes. Este trajeto é fechado durante o inverno, pois acumula muito gelo, e tivemos sorte que a estrada estava transitável a veículos pequenos. È uma subida de 9 km bem íngreme, que precisa bastante atenção na direção. Nosso carro 1.0 sofreu um pouco, nessa altura é comum a perca de potência, mas isso não impediu que nosso valente chegasse aos 4.000 de altitude. Chegar ao topo dessa montanha foi surreal, foi o ponto mais alto que atingimos. Inacreditável poder chegar até a placa que limita a Argentina com o Chile. Durante a subida passamos por vários pontos com gelo, e quase chegando ao topo passamos por um corredor de quase 2 metros de gelo.
                  “O Cristo Redentor dos Andes é um monumento na Cordilheira Principal dos Andes, a 3.832 metros acima do nível médio do mar, na fronteira entre a Argentina e o Chile. Foi revelado em 13 de março de 1904 como uma celebração da resolução pacífica da disputa de fronteira entre os dois países.”
                  Junto ao monumento tem um alojamento militar de adestramento operacional brigada de montanha. Mesmo sendo pleno verão o frio é intenso nesse lugar, o vento chega a ser perturbador. Eu vi que era possível subir um pouco mais a pé, uma pequena trilha leva a um ponto mais alto, eu não resisti e encarei essa trilha pedregosa, e nesse momento foi possível sentir um pouco o ar mais rarefeito. O visual é estonteante, é possível visualizar uma parte do antigo caminho que levava ao Chile.
      Voltamos boquiabertos com tanta beleza natural, as montanhas me fascina. Chegando ao hostel a Elizete e a Nadine já sentiam os efeitos da montanha, com enjôo, tonturas e dor de cabeça. Eu então comecei a me arrumar para subir a segunda vez ao Cristo, desta vez de bike. Minha esposa me questionou se tinha certeza que faria isso, e sem hesitar um segundo respondi que não perderia esse momento por nada. Um motociclista que tinha pernoitado no hostel veio verificar minha bike, me questionou sobre minha relação de 36 dentes, duvidando que conseguisse subir a montanha sem parar. Isso de certa forma me instigou a tentar subir os 9 km sem parada, e claro que consegui, pena que ao voltar ele já tinha partido kkkk. Foi difícil no começo, pois não consegui me aquecer, e minha ansiedade era grande, mas assim que subi o primeiro quilometro fui ajustando o ritmo e curtindo o visual, passando a centímetros do peral e superando a difícil subida. Foi uma sensação indescritível chegar ao topo pedalando, uma turista americana veio me parabenizar e quis saber o tempo que levei para subir, mostrei no celular a marca de 1:16 hora. Claro que subindo esquentou bastante o corpo, mas em poucos minutos o corpo esfriou, bateu uma rajada de vento que tive que me segurar para não cair. Resolvi descer logo para não travar a musculatura, e pelo incrível que pareça a descida foi um pouco tensa, em certo momento precisei parar devido a força do vento, mas cheguei em segurança ao hostel, com a felicidade estampada na face. Lembrei de um dizer que li em uma garrafa térmica logo cedo...” Hoy vas a conquistar el cielo sin mirar lo alto que queda del suelo. (De la canción "Ella", de la cantante española Bebe)
                  Terminamos de arrumar a bagagem e começamos a volta para Mendoza, agora eu também me sentia um pouco tonto, parecia que não tinha controle da altura da minha própria voz. Nossa intenção era parar em alguns pontos turísticos entre Las Cuevas e Uspallata, mas as meninas estavam bem enjoadas e sem ânimo para mais paradas. Fizemos somente uma parada, na entrada do parque provincial Aconcágua, a imponente montanha com 6.961 metros de altitude, o ponto mais alto da América. Por ser a montanha mais alta da América desafia todos os anos montanhistas de todo mundo a escalá-la
                  Mais uma vez ficamos admirados com a beleza das cores da montanha, e a medida que vamos descendo o calor vai aumentando e o enjôo vai diminuindo. Fizemos uma parada no dique Potrerillos, que é uma barragem localizada no Rio Mendoza, com um grande lago verde-turquesa. A barragem foi construída entre 1999 e 2003 por um consórcio formado pelas Industrias Metalúrgicas Pescarmona e Cartellone para fornecer controle de inundações, hidroeletricidade e água de irrigação.
       
      ULTIMAS VISITAS E VOLTA PARA CASA
       
                  De volta a Mendoza ficamos hospedados no hostel Restó del Teatro, um antigo casarão muito bem localizado para quem quer ficar próximo ao centro, e ao lado da Plaza Indepencia. O quarto deixou a desejar, já sabíamos que não teria ar condicionado (eu pensava que não faria falta) mas devido ao grande calor que fez nesses dias o ar condicionado fez muita falta, e o ventilador de teto funcionava precariamente, parecia que a qualquer momento cairia. Mas isso não nos desanimou, até porque o café da manhã servido foi o melhor de toda viagem. Aproveitamos para conhecer um pouco mais a cidade, e claro experimentar mais sorvetes. Uma sorveteria muito boa que conhecemos foi a da Famiglia Perin, com grande variedade e sabores deliciosos.
      Como é conhecido Mendoza, a terra do sol e do bom vinho, não poderíamos deixar de conhecer uma Bodega (vinícola), e a escolhida está localizada em Luján de Cuyo, a bodega Renacer. A visitação é possível somente com hora marcada, isso fizemos ainda no Brasil. Optamos por uma visita acompanhado de almoço, algo comum na maioria das bodegas. Uma refeição diferenciada com o chef Sebastián, com pratos deliciosos, montados de uma forma criativa, e claro servido com um bom vinho. Escolhemos no menu o prato de 03 passos com destaque para tiradito de novillo a la piedra e ao ojo de bife, foi de lamber os beiços. Muitos vinhos malbec argentinos são premiados internacionalmente, e realmente fica difícil escolher o melhor.
      Tivemos mais um dia livre em Mendoza, e nesse dia aproveitei para fazer mais um pedal. Pesquisando descobri um local muito freqüentado por esportistas, o Cerro Arco. Para chegar nesse local passei pela charmosa Avenida Del Libertador, adentrando por portões enormes ao parque General San Martin.
      “O Parque General San Martín é o mais antigo parque de Mendoza, fica próximo à Cordilheira dos Andes e é um dos maiores parques da Argentina. Foram plantadas árvores e plantas numa área de aproximadamente 307 hectares e o que era um deserto se tornou um enorme oásis, um verdadeiro jardim botânico. Feitos com ferro fundido, os portões do parque foram comprados em Paris em 1908. Um condor e um escudo de Mendoza tornam a estrutura ainda mais imponente. É um ótimo passeio para caminhadas e para apreciar o jardim que, por sinal, é muito bem cuidado. Os destaques do espaço são as praças, os lugares para piqueniques e churrascos, a bela Fonte dos Continentes, um Monumento ao Exército dos Andes em homenagem ao General San Martin, bem no topo do Cerro da Glória. Pela pista que circunda o grande lago artificial do lugar transitam ciclistas, corredores, patinadores e skatistas. Vários eventos gratuitos são realizados no parque, incluindo concertos públicos de orquestra, apresentações de bandas e grupos de danças folclóricas.Dentro do parque estão localizados, além do zoológico, o Museu de Ciências Naturais e Antropológicas, o anfiteatro do Teatro Grego Frank Romero Day, onde acontece a Festa da Vendímia, o Estádio Provincial Malvinas Argentina, a Universidade Nacional de Cuyo e até um clube de golfe!”
                  Na parte alta da cidade tem vários condomínios luxuosos e logo a frente já era possível avistar o imponente Cerro Arco. Foi uma subida muito sinuosa e com muitas pedras soltas em 4,5 km. Fiquei espantado com a quantidade de pessoas treinando ou simplesmente praticando uma caminhada. Algo que nunca vi no Brasil, e olha que já tive o privilégio de subir várias serras e morros conhecidos em Santa Catarina. Pelo incrível que pareça, esse dia amanheceu gelado, isso que no dia anterior fez 38 graus. Acredito que a mudança de direção do vento trouxe o ar gelado da cordilheira dos Andes, mudando radicalmente a temperatura, mas o céu continuava azul sem nuvens.
                  Voltando ao hostel com aquela sensação de ter conhecido mais um lugar espetacular, fui logo convocando as meninas para irmos ao parque General San Martin de carro. O parque é muito grande, e passamos um bom tempo nele. O Cerro da la Glória é visita indispensável, com um incrível monumento, uma merecida homenagem ao exército. A história de Mendoza vibra e se faz presente neste morro e em seu monumento.
                  Ficamos muito satisfeito com o que conhecemos em Mendoza, procuramos sempre que possível conversar com as pessoas e aprender mais sobre a cultura deles. A conversa se deu desde com atendentes das lojas, dos hostels, outros turistas e até morador de rua. Claro que é visível a insatisfação da população com a política argentina, uma nação em crise econômica e política. Espero um dia voltar a Argentina e conhecer mais lugares, pois a Argentina tem um potencial turístico enorme, principalmente para quem gosta de aventura e paisagens singulares.
                  Dia 31 de dezembro iniciamos a volta para casa, 03 dias de viagem. Optamos em voltar pelo mesmo caminho, inclusive paramos na mesma hospedagem do Sr.Quique em Saturnino Laspiur para passar a virada do ano. Algo muito diferente, uma cidade com aproximadamente 2496 habitantes a festa é bem singela comparando com nossas festas de virada. Ao anoitecer os moradores foram montando suas mesas e cadeiras na frente de suas casas em plena ruta 158 esperando para festejar o novo ano. Tentamos ficar acordados para participar com eles da virada, mas o cansaço nos dominou e cabamos dormindo. Graças a Deus todo nosso retorno foi sem percalços, mesmo pegando uma tempestade no segundo dia de viagem, causando um pouco de tensão.
                  Ao passarmos na alfândega para fazer a migração, encontramos o pátio alagado de tanta chuva que caiu minutos antes. Assim que passamos para o lado brasileiro bateu uma certa nostalgia por tudo que vivemos na Argentina, um sentimento de satisfação por ter decidido realizar essa viagem. Tudo começou com um sonho, parecia distante, difícil de conquistar, mas com perseverança, economia, e muita vontade de experimentar algo novo, conquistamos nosso sonho.
       
       
      Lindolf Bell: Menor que meu sonho não posso ser
      LIVRO PRONTO mochileiros.docx





    • Por Wes Bonfante
      Olá, pessoal, saio neste sábado, 13 de julho de Niterói, Rio de Janeiro, em direção a Santiago no Chile de mochilão. Quero descer até Montevideo, visitar Buenos Aires novamente, Mendoza, e seguir até Santiago. Queria chegar em Santiago até dia 22 de julho. Gostaria de dicas diversas, sobre o caminho a percorrer, segurança, banhos, tempo, também aceito ofertas para couchsurfing... Ah, preciso de seguro viagem pra cada lugar? 
    • Por Debora PedidosYa
      Boa tarde, mochileiros!
      Pretendo fazer uma viagem em agosto de 4 dias a mendoza e não acho informação recente em lugar nenhum... 
      Sabem dizem como faço pra ir de mendoza a las lenas? Se os pacotes disponiveis no site de las lenas inclui ja os equipamentos ou é so o valor de entrada? Como encontro guias para ir ao concaragua? Quais vinhedos tem melhor custo beneficio? Melhor forma de me locomover na viagem?
      Heeeelp!!
    • Por Alex Diluglio
      Segue o curto roteiro saindo de Porto Alegre e passando por pontos no Uruguai e Argentina. No final tem o valor gasto com cada passagem.

      Vamos lá... chegou o grande dia, na verdade nem acredito ser tão grande assim, mas mudanças, troca de hábitos ou qualquer atividade que permita sairmos da rotina é sempre bom, pois é mais uma oportunidade de aprendermos com nossos semelhantes. 
      A possibilidade de desfrutar um período mais longo fora do dia a dia de trabalho surgiu no início de Dezembro, mas como um bom procrastinador que sou comecei a arrumar as malas somente no final da tarde, algumas horas antes de pegar o primeiro de muitos ônibus que iriam definir essa aventura.    Então, 8 horas da noite eu estava entretido com opções de malas e acessórios para registrar cada momento da viagem, mas é claro, bem devagar, pois afinal de contas eu estava oficialmente de férias.    Tudo que tínhamos até o momento era uma passagem de Porto Alegre até o lado brasileiro do Chui saindo as 23:30 do dia 1 de março, e já no início surge a primeira confusão, antes mesmo de iniciarmos, pois nos mandaram imprimir as passagens de um lado da rodoviária, quando na verdade era em outro e ai já começa a correria (Bem vindo às férias). Tudo certo, fomos os últimos a embarcar no ônibus, mas ainda tínhamos 3 minutos sobrando.    Chegando pela manhã no lado oposto do Oiapoque (Chui - lado brasileiro), aproveitamos que era cedo e fomos em busca de um local para tomar um café. Eu lembrava que havia uma padaria muito boa na frente do centro de informações, local que eu estava acostumado a pedir tudo que é dica antes das minhas aventuras no Uruguai. A padaria devia estar sob nova direção, pois a preço subiu e a qualidade e limpeza estavam no chão. Quanto ao centro de informações estava em reforma, curioso que sou perguntei qual era a previsão para para concluírem, e a resposta não podia ser mais simples: "Quando acabarem as obras", parece que as coisas mudaram, mas como disse antes, mudança sempre é sempre para o bem, pois encontramos um hotel servindo um excelente café da manhã ao público.   De barriga cheia, fomos trocar nossos reais por pesos uruguaios e fazer algumas compras para a viagem.    Chegando na parada já no lado Uruguaio agora Chuy, já havia um ônibus saindo para nosso próximo destino: "Punta del Diablo". Para nossa surpresa. não fomos chamados para descer na Imigração, que por algum motivo não nos demos conta, mas em algum momento isso iria acontecer... (De acordo com a máxima: a cada ação ou nesse caso a falta dela uma reação).    Na rodoviária de Punta del Diablo, pegamos uma lotação até a praia, onde descemos no final da linha e de mochila fomos buscar onde dormir. Conhecemos o Pablo, que não era um Peruano que vivia na Bolívia e sim um Uruguaio que vivia ali mesmo. Ele tinha uns quartos arrumadinhos, bem simples, bem simples mesmo.    Agora, providos de um teto, saímos para aproveitar tudo de bom que a natureza de Punta tem para oferecer com sua costa litorânea, dunas, noite, comidas e tudo mais que se pode fazer quando estamos despreocupados com o tempo. Foram quase 4 dias neste ritmo, claro que nem tudo são flores, pois me deu uma dor de barriga no primeiro dia e o resultado foi literalmente catastrófico, se é que vocês me entendem. Na terça-feira dia 5, no início da manhã, pegamos a lotação de volta a rodoviária de Punta de Diablo e a partir dai partimos para Montevidéu no terminal Tres Cruzes, onde compramos uma outra passagem até Colônia del Sacramento.    Às 20 horas chegamos na nossa próxima estádia através do AirBnB em um hostel coordenado por Sebastian e sua mãe Roxana. Mal largamos as coisas e saímos para comer uma pizza Uruguaia em um restaurante local, o qual fomos surpreendidos pelo tamanho dos pratos.   Na manhã seguinte, após um café delicioso saímos para desbravar todos o cantos da cidade com uma bike alugada na própria casa. Essa cidade pitoresca fundada por Portugal e disputada por quase 100 anos entre espanhóis e lusitanos, provavelmente devido sua privilegiada localização geográfica no "Rio de la Plata" e suas ilhas. Outros pontos em destaque é a famosa "Calle de los Suspiros" construída em cunha de pedra, "Ruinas del Convento de San Francisco" destruído em 1704. "El Faro" de Colônia que começou a construção em 1845 e levou 12 anos para concluir, "Basílica del Santísimo Sacramento", construída em 1699. "Muelle de Colonia" construído em 1866, que foi o antigo porto da cidade e aeroporto, já que chegavam hidroaviões para conectar com outros destinos. Um pouco mais distante também conhecemos a "Plaza de Toros", hoje desmoronado, podia receber até 10.000 espectadores e também a "Capilla de San Benito", e por fim a costa, com destaque a qualidade das areias brancas, água morna e rasas.    A tarde já com as passagens à mão caminhamos até a estação de Ferry para imprimir os tickets, aguardamos em uma fila muito grande até a hora de mostrar os passaportes quando veio a pergunta da oficial da imigração que nos remeteu ao passado, lembram, quando disse que iriamos descobrir, pois aqui vai: "Por onde vocês entraram no Uruguai, pois aqui não encontro nada em seus passaportes?". Boa pergunta, pois como podemos sair de um lugar de não entramos, pelo menos é difícil de explicar nos tempos de hoje.  Como foi uma longa história de argumentações na sala da imigração, vou encurtar dizendo que o conserto para prosseguir ao próximo passo nos custou 2.778 pesos.   Concluído os tramites legais, embarcamos e percorremos o "Rio de la Plata" até "Puerto Madero" em Buenos Aires, caminhamos o suficiente para se arrepender, trocamos o dinheiro que não tínhamos e pagamos a taxa que não precisava para assim pegar um Uber até o "Terminal de Omnibus de Retiro", onde compramos as passagens até Córdoba.   Chegamos de manhã muito cedo, e ali mesmo na rodoviária foi feito a reserva pelo Booking para um hostel a 200 metros do terminal "Hostel Mediterranea". Nos acomodamos em um quarto compartilhado para 8 pessoas, que no dia haviam um americano, alguns argentinos e uma russa, o que mostra que esse tipo de acomodação é excelente para quem está em busca de socialização e esse também tinha um chuveiro muito bom, limpo, cozinha completa, bar no local e um amplo espaço com pessoas muito receptivas. No dia seguinte mudamos para um apartamento, um pouco mais afastado, mas com maior comodidade, conforto, privacidade e pelo mesmo preço.    É interessante perceber o resultado das nossas escolhas quando estamos abertos ao novo, pois neste caso, Córdoba não estava nos planos e talvez não tivéssemos uma outra oportunidade de conhecer esse local incrível o qual passaríamos os próximos 4 dias. Caminhamos muito por toda a cidade que possui uma lista cultural muito grande, sendo algum dos destaques a "Plaza San Martín", onde tudo começou, la "Iglesia de los Capuchinos" que é simplesmente incrível admirar o estilo Neogótico, o centro cultural "Paseo del Buen Pastor" que funcionou por quase 100 anos como asilo e presídio de mulheres, este lugar tem uma história triste, porém cheia de superações e inspiração, inciada em 1886 por monjas que perceberam a necessidade de recuperar mulheres, após diversos conflitos sociais, hoje neste mesmo espaço se encontra mostras de pintura, escultura,  fotografia, espetáculos de danças, shows de artistas, apresentações de teatros e por ai vai. O templo com planta em formato de cruz grega é o único em Córdoba. Dentro da capela havia um senhor com um conhecimento histórico incrível o qual poderíamos passar tranquilamente mais de um dia conversando. O local também possui uma diversidade muito grande de Igrejas, museus, todos como muitas história como o caso do antigo "Palacio Ferreyra" que é um símbolo da "Nueva Córdoba". Importante lembrar também do "Parque Sarmiento", que de tão grande que é, possui inclusive um Zoológico.   A noite desta cidade universitária chega a ser uma história a parte, saímos para conhecer o "Ganesha", que funciona como um bar para "happy hours" e jantares até a 1 da manhã e depois as mesas são recolhidas e o mesmo lugar é transformado em uma balada, o lugar fica lotado logo, se não for cedo melhor fazer reserva. Como havia dito esse é apenas uma das diversas opções, pois ao redor do "Paseo de las Artes" na rua Belgrano existe uma infinidade de opções. Veja o mapa com toda a lista.   Antes de se despedir para o próximo ponto, alguns fatos curiosos desta cidade é a quantidade de sorveterias "Grido", que não seria exagero dizer que tem uma a cada esquina, e tem um sorvete bom e barato, por exemplo a casquinha com três bolas sai 65 pesos. Outro fato interessante é saber que o mesmo local onde tem gente vivendo limpando para-brisas de carros na sinaleiras também tem restaurantes com mesas na rua onde as pessoas pagam as contas deixando o dinheiro na mesa o qual é recolhido pelo garçon somente quando for atender o próximo cliente nesta mesa para fazer o pedido.    Saímos de Córdoba pela empresa Chevalli por volta das 19:30 e chegamos em Mendoza às 6 da manhã seguinte o qual aguardamos a única cafeteria da rodoviária abrir, aproveitamos o tempo para uma leitura até as 9 e fomos para nossa próxima hospedagem. Pegamos uns folhetos e partimos para nossas próximas visitas turísticas: "Acuario Municipal", "Plaza Pedro de Castillos" e o "Museo del Área Fundacional" sendo esse último local, o que contém uma explicação cronológica de Mendoza desde a fundação em 1561 por Pedro Castillo, sua destruição em 1861 por um terremoto até os dias de hoje. Ao fim da tarde fomos comprar os ingredientes para o primeiro assado em parilla na Argentina. Nosso anfitrião Max, fez questão de nos acompanhar e sugerir 1kg de "Tapa de asado" e mais cebola e batatas para acompanhamento, além de uma boa cerveja. É impressionante que apesar da terrível situação econômica com a inflação nas alturas, é possível fazer um churrasco de boa qualidade para duas pessoas por R$ 60,00.    No dia seguintes saímos para um "City Tour" com conexão a vinícolas. A escolhida foi "Hacienda del Plata" uma vinícola familiar onde cada garrafa recebe o nome de um dos responsáveis do resultado da vinícola. Por 250 pesos conhecemos um pouco da história de 4 gerações através de muita hospitalidade, onde ainda conservavam a casa de um pouco mais de 100 anos, conhecemos vinhedo de uva Malbec 15 hectares, provamos a uva, visitamos a área de processamento do vinho, com generosas doses de degustação.      Continuamos nosso trajeto pelos 21 pontos, com uma parada na rua "Aristides Villanueva" para almoçar, foi difícil escolher uma diante tantas opções em uma única rua. Continuando o City Tour, é claro que as paradas dependem de gosto e tempo, mas eu diria que o "Cerro Gloria" vale a experiência. Terminamos o tour no final da tarde o qual o cansaço era tão grande que nossa única preocupação era comprar algo para o café, pois amanhã nosso próximo destino nos espera.    Saímos cedo para pegar o primeiro ônibus para "San Rafael", para aproximadamente 3.5 horas de viagem. Como estávamos sem internet na noite anterior, não conseguimos avisar nosso anfitrião, logo chegamos e batemos com a cara na porta. Nossas opções eram falar com os vizinhos e tentar contactar o anfitrião, primeira casa nada, a segunda não conseguimos muito além de assustar o bebê e uma ligação que não completava. Como ainda não estávamos desesperados de fome e o local parecia seguro, resolvemos aguardar, mas menos de cinco minutos depois, a vizinha do bebê vem nos dizer que conseguiu o contato e ele estava chegando.    Nosso anfitrião Gonzalo, chegou e já ofereceu uma carona até o mercado para nos prepararmos para o próximo assado. Comemos na companhia dos cachorros da casa, um coelho e o irmão mais novo, lavamos roupa, tomamos banho e saímos para conhecer a famosa avenida "Hipólito Yrigoyen". A rua possui alguns bares e sorveterias pelo lado Oeste da "Av. San Martin", ou lado direito caso sua referência de meridianos seja tão boa quanto a minha, ao lado esquerdo (Leste) já é avenida Mitre, onde ficam os estabelecimentos comerciais. Veja no mapa:   Além de um parque gostoso de ficar, o recém construído "Parque Hipólito Yrigoyen", também tem umas lojas de vinho, bares um centro de informações bem estruturado o qual recebemos diversas informações, incluído sobre nosso passeio no dia seguinte.    No dia seguinte antes da 7 da manhã já estávamos esperando o primeiro ônibus para "Valle Grande" que custou 436 pesos para duas pessoas, que era o lugar mais apropriado para visitar devido a infra-estrutura. Exploramos do Dique ao deserto, que aliás, diria para repensar sobre o conceito deserto, pois o mesmo pode oferecer experiências incríveis, foram muitas trocas de cenários (incluindo um submarino) e cada passo uma nova foto, lembrando que foram mais de 20.000 passos ~14km percorridos. Um aviso é para quem for em baixa temporada, levar o que comer, pois quase todos o local comerciais da suposta infraestrutura estavam fechados e os abertos não aceitavam cartão. Chegamos aproximadamente às 16 horas onde fomos almoçar e comprar os ingredientes para uma massa especial. E aqui uma outra dica para quem não costuma ler todas a regras da casa pelo aplicativo, é de perguntar para o anfitrião o que pode ou não pode fazer, pois descobrimos da pior forma que não podíamos utilizar a cozinha, logo guardamos os ingredientes e fomos comer fora. No final, tudo dá certo, pois encontramos o mesmo restaurante que comemos na capital Mendoza, o "Zitto", a franquia mantém o mesmo padrão de atendimento que preza a excelência e qualidade comprovados através do "Lomo" e uma "Salada de camarão".   No dia seguinte estávamos pronto para pegar o primeiro ônibus, mas não havia mais vaga, logo aproveitamos o tempo para atualizar a leitura e pegar o próximo às 9 horas. Para experienciar todo o tipo de hospedagem, passamos a noite em um hotel com café da manhã e na manhã seguinte deixamos as coisa no hotel a aproveitamos a manhã de domingo para conhecer um pouco mais da maravilhosa Mendoza, desde um trecho da missa, apresentação de Jazz na rua enquanto acontecia a meia maratona, Memorial da Bandeira e por ai vai.    Pronto para embarcar de volta para casa, serão dois dias de viagem pela frente, parece muito? Nahh, estou pronto para a próxima viagem. 🌎   E aqui segue os valores das passagens para duas pessoas para cada um dos destino que totalizaram R$ 2837
      1 Saída Porto Alegre para o Chui (R$ 344,20) 2 ~ 4 Chuí Uruguai para Punta del Diablo (R$ 26,00) 5 ~ 6 De Punta del Diablo para Montevideo (R$ 167,00) Montevideo para Colônia del Sacramento (R$ 98,00) 7 ~ 10 Colônia del Sacramento para Buenos Aires (R$ 373,00) Buenos Aires para Córdova (R$ 216,00) 11 ~13 Córdova para Mendoza (R$ 228,00) 14 ~15 Mendoza para San Rafael (R$ 49,00) 16 San Rafael para Mendoza (R$ 49,00) Mendoza para Buenos Aires (R$ 332) 17 ~18  Retorno Buenos Aires  para Porto Alegre (R$ 955,00) Na cotação do dia 2 de Abril de 2019 sendo: 1 Peso Uruguaio vale 0,12 Real Brasileiro 1 Peso Argentino vale 0,090 Real brasileiro
    • Por mcm
      Há tempos que eu maturava a ideia de conhecer Mendoza. Já estivemos em alguns cantos argentinos, Mendoza ainda não. Sabia que era terra do vinho e da alta montanha. E sabia também do espetáculo que é a estrada para Santiago do Chile. Daí comecei a bolar uma viagem que começasse por Mendoza e terminasse em Santiago, para justamente aproveitar o trajeto pela janela do ônibus. Tal roteiro cabia, portanto, no feriadão de 5 dias de Carnaval. Tentei isso no ano passado, mas não consegui promoção. Para este ano rolou. Viva!
      A Gol anda fazendo voos direto de São Paulo em alguns dias da semana, e, salvo engano, em temporadas específicas. Mas os horários não são muito convenientes, com voos no meio do dia. Pegamos uma ida de madrugada para Santiago, conectando para Mendoza pela manhã de sábado. E o voo de volta de Santiago de noite. Ideal para aproveitar ao máximo os dias. 
      Fechada a logística, reservei a 3ª-feira para a viagem de busum para Santiago. Comprei antecipadamente as passagens, fomos na frente. Mas... tinha um raio de uma propaganda bem no vidro da frente, o que atrapalhava a visão frontal. De todo modo, a visão lateral, de onde quer que seja, é espetacular.
      Com a 3ª-feira bloqueada para a viagem, restaram dois dias cheios para Mendoza, mais duas partes – na chegada e na partida. Até considerei de fazer o tradicional passeio à Alta Montanha, mas logo desisti: era muito tempo de estrada, e na mesma estrada que percorreríamos na ida a Santiago. E tenho pra mim que o Parque do Aconcágua merece maior dedicação. Um dia espero voltar.
      Decidi então que os dois dias cheios seriam dedicados aos vinhos. Estamos muito bem habituados a incursões pelo Vale dos Vinhedos (e arredores), onde já degustamos alguns dos melhores vinhos do Brasil. É um ritual que muito nos agrada, de modo que a ideia era repetir em Mendoza. Um tanto perto da viagem (faltava pouco mais de um mês), fui buscar esquemas de transporte e descobri que tinha de reservar os locais, e com horários. Meio chato isso, mas imaginei que a demanda fosse grande. Em termos de logística, havia a opção de bicicleta (tour ou por conta própria), que a galera que foi comigo não iria topar. Havia o esquema guerreiro total, de busum. E havia o esquema patrão, com motorista dedicado e disponível para o dia inteiro. O esquema patrão ainda incluía a reserva nas vinícolas. 
      Rapidamente achei o contato do Fernando Verá (+54 9 261 545 1540), recomendado por diversos outros brasileiros. Mandei msg para ele por whatsapp, e ele logo retornou me ligando, para saber melhor o que me interessava. Disse que preferia vinícolas menores, mais familiares, não famosas. Ele avisou que era alta temporada (juntava Carnaval, com brasileiros invadindo geral, com vindima). Pra dificultar ainda mais, nossos dias eram num domingo e numa 2ª-feira, dias em que algumas bodegas fechavam. Mas ele arrumou lugares ótimos para nós – nunca tinha ouvido falar de nenhum deles. E todos foram ótimos. Esquema-patrão é outra coisa!
      Em geral, os preços para esse esquema patrão são cerca de 130 USD por carro para as duas regiões mais próximas a Mendoza (Maipu, Lujan de Cuyo), e 160 USD se for para esticar para Valle de Uco, que fica mais afastada. São 3 degustações por dia, sendo a terceira já com almoço. Além do motorista, vc tem de pagar pelas degustações, diretamente às bodegas. Salvo engano, são ao menos 4 degustações. Dependendo do lugar, vc pode repetir, eventualmente recebe mais degustações do que o programa, etc. Escolados por diversas visitas ao Vale dos Vinhedos, eu bem que gostaria de redesenhar o formato, sobretudo cortando almoço e incluindo mais vinícolas. Mas aí eu teria que organizar logística e reservar bodegas, coisa que não fiz. Topei o esquema patrão completo. Depois de ajustar aceitar o roteiro proposto (pedi ao Fernando para retirar duas bodegas cujos vinhos eu já conhecia), recebi por whapp o roteiro com horários e preços. Muito bom!
      Nossa chegada a Mendoza já me proporcionou algo novo: viajar de dia. Estamos tão acostumados aos voos noturnos que até me esqueci de reservar assento na janela para observar os Andes no rápido trajeto aéreo entre Santiago e Mendoza. Mas pude ver o espetáculo ao longe, ao menos. O comandante sequer desliga o sinal de apertar os cintos, em função da permanente possibilidade de turbulência ao cruzar os Andes.
      Chegamos a Mendoza e logo pegamos um taxi (270 ARS, lembrando que esse valor rapidamente estará defasado em função da alta inflação argentina) para nosso albergue. Apenas deixamos as mochilas por lá e partimos para passear pela cidade. Ideia era andar um pouco e pegar o ônibus Vitivinícola, que percorre algumas vinícolas pela tarde. O céu estalava de azul. Fomos numa agência e não tinha mais ingresso para o Vitivinícola. Mas eles nos ofereceram um outro tour, de van, que tbm passaria por algumas vinícolas. Mais barato que o busão e já com o ingresso das degustações incluso. Pareceu ótimo negócio, e topamos. Sairia no começo da tarde. Fomos então fazer câmbio e forrar um pouco o estômago.
      Nosso tour começou pela vinícola Dante Robino. Lugar muito bonito. Mas achei os vinhos meio marromeno... Em seguida fomos na Don Arturo. Tbm achei tudo marromeno... Além de considerar que era pouco vinho para degustar. Fiquei com medo de aquele ser o padrão dos dias seguintes (mas na verdade era correspondente ao preço que estávamos pagando). Os vinhos tinham preços muito bons para quem quisesse comprar – não era nosso caso, queríamos apenas degustar mesmo.
      Dante Robino
      Um lugar muito bacana desse primeiro passeio foi a parada numa Olivícola, ou coisa parecida. Pasrai é o nome do lugar. Lugar de azeites. Uma bela e farta prova de sabores diversos. Galera saiu comprando azeites, que me pareceram muito bons (com a ressalva de que, se já mal conheço vinhos, imagine azeites). No fim ainda paramos numa vinícola especializada em vinhos doces, Florio. 
      Azeites na Pasrai
       
      Vinhos doces na Florio
       
      Encerrado o tour, voltamos para nossa base. Ficamos bem perto da Avenida bacana da cidade, a Arístides. Com acento no primeiro i. É onde estão os bares e restaurantes, é onde rola o agito noturno da turistada. Muitas cervejarias artesanais, talvez para compensar os dias de vinho. Rodamos pela área e ainda demos a sorte de ter um evento naqueles dias, a Megadegustación. Várias bodegas traziam seus vinhos para que a galera experimentasse. Evento de rua mesmo. Não era grátis, claro, vc comprava uma cartela que dava direito a meia dúzia de provas. E ganhava uma taça. Tinha a degustação normal e a premium. Compramos a normal. Vinhos em geral marromeno, valia pela diversão e pelo evento, que era bem bacana. Tinha uma bodega que servia de graça, não marcava na cartela, então bati ponto por lá, ahahahah. O preço era de 350 ARS por 6 provas de 50ml cada. Ou 500 ARS por 4 provas premium, que, salvo engano, eram mais do que os 50 ml cada.
      Tinha algumas áreas para a galera sentar e relaxar, e recostamos numa delas. Um casal local puxou conversa e ficamos de papo por um tempo. Bacana ver que o evento não era para turistas somente. Jantamos muito bem (carne!) e depois voltamos. Era meia noite e o evento estava cheio. A Av. Arístides também cheia. Era sábado à noite! Mas fomos dormir. Dia seguinte encararíamos nossa empreitada vinícola.
       
      Domingo. Nosso motorista foi nos buscar no horário previsto. Primeira bodega a visitar foi a Benegas. Em todas elas tem a parte de contar a história do local, e na Benegas foi bacana. Provamos um suco do vinho ainda em fermentação, o que foi interessante. No fim do tour vem o que (nos) interessa, que é provar os vinhos. Tudo é feito com cerimônia e parcimônia, mesmo que vc não entenda muito de vinhos – como nós, que geralmente avaliamos de forma simplória: gostei, não gostei. E então eu finalmente tive aquela sensação de conforto: os vinhos eram muito bons! Estava com receio de que fossem meio nhé, tal qual os do dia anterior. Não eram, eram muito melhores. Chamada gama alta. Amem.
      A primeira visita atrasou um pouco, então chegamos atrasados na seguinte, que era longe. Levamos uma horinha até lá. A bodega agora era a Solocontigo, que ficava no meio de uma região bem árida, repleta de parreiras. Era uma construção moderna meio que isolada naquela área. Havia outras bodegas por lá tbm. Eu sei o seguinte: o lugar é muito bonito. Um jardim daqueles que vc quer passar uma tarde (um dia? uma temporada?) inteira, ainda mais depois de bebericar umas taças, e ainda mais com o céu azul que estalava novamente naquele dia. Nessa bodega já fomos direto para degustação. Um vinho melhor que o outro, um sommelier (ou guia?) que engrena uma conversa muito bacana (e que ainda nos trouxe extras!), aquele cenário, enfim, um momento de felicidade. Não tenho dúvidas de que o (bom) vinho, o álcool, influencia nessa avaliação. Dividimos a mesa com uma família brasileira de São Paulo que também conhecia os vinhos do Vale dos Vinhedos, o que permitiu uma rápida conversa entre supostos conhecedores de vinhos. Uma coisa que me angustiava era o sommelier jogando fora (restos de) vinho. Um pecador.
       
      Felizes da vida pelos bons momentos, e pelo vinho na veia e na cabeça, partimos para a terceira e última do dia. Com almoço. Outro lugar de visual estonteante, na Monteviejo. Primeiro curtimos o visual, depois fomos almoçar. No processo do almoço somos apresentados aos vinhos para degustar. A experiência é toda muito boa, mas eu preferiria experimentar os vinhos sem almoço. Minhas papilas (de?)gustativas são limitadas e têm as atenções divididas. Enfim, comemos bem, bebemos bem (e muito), e voltamos. Chapei na viagem de volta.
      Nesse dia demos um relax no albergue e depois fomos passear pela Arístides. Era domingo, último dia da Megadegustación, e lá fomos nós encarar mais provas de vinho, usando o restante da nossa cartela do dia anterior. Fomos dormir tarde novamente.
       
       
      2af. Mesmo esquema do dia anterior, mas hoje em bodegas mais próximas. Primeira parada foi na RJ Viñedos. Desde que recebi o programa que fiquei na cabeça com essa coisa de RJ, que me remete imediatamente ao Rio de Janeiro. Mas no caso são as iniciais do patriarca da bodega, Raul Joffre. A bodega é pequena, familiar, bem do jeito que eu tinha pedido. Mesmo scrpit de outras, vc conhece a história e depois faz degustação. Nesse caso havia algumas opções de degustação, e todos escolhemos provar os malbecs. Foi ótimo.
      Nossa segunda bodega foi na Alandes, outra pequena e com um jardim muito aconchegante. Lá juntamos com um casal chileno com quem papeamos (eles passavam férias no Rio, mas desistiram nos últimos vários anos em função da perspectiva de guerra civil permanente que exportamos ao mundo). Novamente o script, agora com direito a prova do vinho ainda em ‘desenvolvimento’ no barril. E depois as provas, generosas eu diria. Um dos grandes baratos dessa coisa é deixar ser guiado pelo sommelier (guia?), em meio a conversas eventualmente de outros temas. Ótimo novamente, curtimos muito.
      A terceira do dia era a do almoço. Finca Agostino era o nome. Outro lugar belíssimo (um padrão da região). Salão de almoço estava mais cheio, e de alguma forma achei a experiência aqui melhor. O chef foi até nós se apresentar, comida muito saborosa, momento feliz (e consegui ao menos saborear os vinhos antes de comer!). A receita das degustações sucessivas e mais o almoço tem resultado direto: chapei na viagem de volta. Era coisa de meia hora, mas pareceu uma longa sesta para mim.
      Depois de um descanso no albergue, saímos novamente para passear pela Arístides. Fomos comer uma carne (sempre!) antes de dormir. Nesse dia não tinha mais a Megadegustación, fomos dormir mais cedo. Atividade na Arístides caiu bastante naquela 2ª-feira.
       
      3af. Choveu bastante de noite, o que nos disseram ser incomum. Mendoza é tipicamente um lugar seco, inclusive com antigo e ainda utilizado sistema de irrigação que aproveita água das montanhas. Sem isso seria complicado para as bodegas.
      Amanheceu nublado e nossa programação para a manhã era passear pelo Parque San Martin. E assim fomos. O parque é bonito e grande, tem inclusive um mirante. Rodamos por lá, chuvinha chegou a cair fininha novamente. Depois de uma pausa para um café bem transado, partimos para a Rodoviária.
       
      Como falei, comprei com antecedência os tíquetes desse ônibus. Queria que fosse de dia, e queria ir na frente. Ideia era mesmo curtir o visual. Na rodoviária foi necessário fazer meio que um check in, afinal cruzaríamos fronteira.
      A viagem é mesmo um espetáculo. Logo em Potrerillos já tem um lago que é de cair o queixo. Melhor ainda foi ver o sol abrindo conforme avançávamos para o Chile. Vimos raros lugares com neve pelo caminho, por conta da temporada. Ao longo de boa parte do trajeto, trilhos de trem vão acompanhando (e eventualmente cruzando) a estrada. Estão abandonados, tal qual diversas (ou todas) as estações que vimos pelo caminho. Passamos por diversos túneis também. Vimos estações de esqui sem uso, teleféricos esperando pela nova temporada de inverno. A famosa Puente Inca, que faz parte do passeio da Alta Montanha, fica do lado esquerdo, mas não dá pra ver. Vimos cicloturistas fazendo o percurso – isso deve ser sensacional.
      Sobre lados, eu diria que no começo o lado direito é mais privilegiado. Depois muda para o esquerdo, se não me engano após Uspallata. De maneira que qq lado é bom. Num determinado momento, logo após a entrada no Chile, há uma longa sequencia de curvas que proporciona democraticamente um visual sensacional para ambos os lados. Lembrou muito a descida da Serra do Rio do Rastro (SC), outra estrada de beleza ímpar. Trata-se da famosa estrada de Los Caracoles.
      O ônibus era confortável, semi-leito (mas eu mal reclinei a cadeira). Servem um sanduba, café, suco e biscoitos. Infelizmente tem TV com filme e som. Coloquei um headphone como antídoto e melhorou. Carregadores USB não funcionavam.
      A aduana chilena é um ponto sacal da viagem. Não tivemos registro de saída da Argentina (ao menos não tive carimbo de saída), e a parte de imigração no Chile é tranquila. Mas a parte de aduana, PQP, segue a mesma de sempre. Já cruzei fronteira para o Chile em outras ocasiões (Torres del Paine, e voltando de Uyuni), e foi sempre um processo demorado e chato. Continua assim. Levou cerca de uma hora para vencer essa etapa.
       
       
      Chegamos a Santiago de noite, quase 21hs. Tínhamos partido de Mendoza às 13hs. Pegamos o metrô para nosso albergue na Bellavista, largamos as mochilas e fomos curtir a noite na região.
      4af. Ficamos flanando pela cidade, revendo lugares onde já estivemos outras vezes, e conhecendo outros tantos. De tarde batemos ponto no sempre excelente Boulevard Lavaud antes de seguir para o aeroporto e encerrar a viagem.
      Mais um feriadão explorando algum canto do planeta!
       
      Dicas gerais de Mendoza:
      - Como em qq outro canto que conheço da Argentina, aproveite as happy hours! Os preços das cervejas caem bem, geralmente pela metade ou uns 40%.
      - Se eu voltar, ficarei novamente nos arredores da Av. Arístides, que é onde rola o agito noturno. Além de ser uma parte muito charmosa da cidade.
      - Em geral achei os preços mais baratos em Mendoza do que eu outros cantos argentinos, sobretudo Buenos Aires.  Mas pode ser a corrosão da inflação também.
      - Não se engane: vinhos de alta qualidade (alta gama) terão preços correspondentes. O tour baratinho que percorre x vinícolas e que tem preço das entradas incluso vai ter vinhos mais guerreiros.
      - As degustações de vinhos, acho que em qq canto do mundo, partem geralmente do mais leve para o mais forte.
      - Preços variam conforme bodega e conforme programa. Eventualmente vc tem degustação simples, degustação somente de malbecs, degustação premium, etc. E cada uma tem um valor; você escolhe. A do almoço é preço fixo, e nos dois casos foi meio que bebida liberada (mas vc não dá conta, vai por mim).
      - Li isso em vários lugares e duvidei, mas agora atesto: depois do almoço vc não quer mais saber de vinho.
      - Faça o que eu digo, não faça o que eu faço: vc não precisa beber tudo nas degustações. Mas eu bebia. Era bom demais.
      - Para todas as dicas ref vnhos acima, levem em consideração o seguinte: não somos enochatos, queremos apenas diversão e bons momentos, somos fáceis de se conquistar (mas se o padrão de Mendoza fosse as bodegas do primeiro dia, seria decepcionante pra mim).
       


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