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MOCHILÃO 15 DIAS: PERU - BOLÍVIA - CHILE (JULHO 2025)

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Uma boa! Após muito utilizar esse site para me ajudar a montar meu roteiro, deixo aqui o relato do meu mochilão de 15 dias pelo Peru, Bolívia e Chile em Julho/2025.

DIA 1 (11 JUL) - Rio de Janeiro x Cusco

DIA 2 (12 JUL) - Cusco x Águas Calientes

DIA 3 (13 JUL) - Machu Picchu x Cusco

DIA 4 (14 JUL) - Cusco ( Lagunas de Ausangate )

DIA  5 (15 DE JUL)  - Cusco (Vale Sagrado) x La Paz

DIA 6 (16 DE JUL) -  La Paz

DIA 7 (17 DE JUL) - La Paz (Huyana Potosi)

DIA 8 (18 DE JUL) - La paz (Huyana Potosi) x Uyuni

DIA 9 (19 DE JUL) - Salar de Uyuni

DIA 10 (20 DE JUL) - Salar de Uyuni

DIA 11 (21 DE JUL) - Salar de Uyuni - Chile (Deserto do Atacama)

DIA 12 (22 DE JUL) - Deserto do Atacama

DIA 13 (23 DE JUL) - Deserto do Atacama

DIA 14 (24 DE JUL) - Deserto do Atacama

DIA 15 (25 DE JUL) - Deserto do Atacama

 

1º Dia - 11/07/2025 - Rio de Janeiro x Cusco

Saí do Rio de Janeiro na madrugada de quinta para sexta-feira. Fiz escala na Colômbia, troquei de avião e segui viagem até Cusco, chegando por volta do horário do almoço.

No aeroporto, troquei alguns reais para pagar o táxi até o meu hostel, o LOKI. Ele fica a cerca de 10 minutos da Praça Central, mas localizado no topo de uma ladeira — o que torna a subida um pouco cansativa nos primeiros dias, por conta da altitude. O hostel é aconchegante, animado, cheio de viajantes jovens e com uma programação noturna bem divertida.

No primeiro dia aproveitei para dar uma volta e conhecer a cidade. Fui até o Mercado de San Pedro, onde experimentei um prato típico de frijoles com costela de alpaca, servido no estilo mais local possível: sentado na cozinha, junto das cozinheiras. Tudo isso acompanhado de um refrescante suco de manzana, oferecido de cortesia.

Caminhando pelas ruas, conheci a região onde construções coloniais foram erguidas sobre as antigas estruturas incas. Foi lá que encontrei a melhor loja para comprar roupas típicas — ponchos, luvas e cachecóis — chamada Artesanias Asunta. Também aproveitei para fechar os passeios para os próximos dias.

À noite saí para jantar e provei dois pratos típicos: o cuy (porquinho-da-índia assado) e o ceviche. Depois voltei ao hostel para descansar e organizar tudo para a viagem do dia seguinte rumo a Águas Calientes, cidade de entrada para a visita a Machu Picchu.

 

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Editado por PedroDolfini

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  • 3º Dia - 13/07/2025 - Machu Picchu x Cusco Acordei por volta das 6h, tomei café da manhã no hostel e parti com tudo nas costas rumo a Machu Picchu. O ingresso que eu havia comprado era para as 9h

  • Uma boa! Após muito utilizar esse site para me ajudar a montar meu roteiro, deixo aqui o relato do meu mochilão de 15 dias pelo Peru, Bolívia e Chile em Julho/2025. DIA 1 (11 JUL) - Rio de Janeir

  • 6º Dia - 16/07/2025 - La Paz  Cheguei em La Paz, Bolívia, por volta das 13h. Logo ao desembarcar, comprei um chip de celular e já entrei em contato com a agência Tour Illimani, a qual tinha contr

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2º Dia - 12/07/2025 - Cusco x Águas Calientes

Acordei cedo, deixei a cargueira no guarda-volumes do hostel e parti apenas com a mochila de ataque para a van rumo à Hidrelétrica. A van me buscou às 6h da manhã para uma viagem de aproximadamente 7 horas. A estrada era perigosíssima: estreita, sinuosa, sem asfalto e quase sempre beirando penhascos com risco de deslizamentos. Ainda assim, as paisagens deslumbrantes faziam qualquer preocupação sumir.

Chegamos à Hidrelétrica por volta das 13h. Parei para um lanche em um restaurante local na companhia de um indiano que me surpreendeu ao dizer que faria a trilha de chinelo. Perguntei o motivo e ele respondeu, com naturalidade, que o tênis machucava seus pés — afinal, havia acabado de correr uma ultramaratona de 70 km de chinelo e já estava acostumado.

Depois do descanso, iniciei a caminhada. O trajeto tem cerca de 10 km, praticamente todo plano, margeando o rio e acompanhando os trilhos do trem. À medida que me aproximava do destino final, a paisagem se transformava em imensas montanhas e vales de energia indescritível. Pelo caminho, muitos viajantes do mundo todo compartilhavam experiências, sorrisos e boas vibrações com calorosas saudações.

Cheguei a Águas Calientes por volta das 17h e encontrei um hostel próximo ao trilho do trem. No quarto conheci Joan, de Menorca, que havia acabado de concluir a Salkantay. Conversamos um pouco; ele saiu para comprar seu ingresso para Machu Picchu, enquanto eu fui tomar um banho antes de explorar a cidade.

Águas Calientes me encantou de imediato: à noite tem uma atmosfera vibrante, que me lembrou a energia de Pipa e Búzios, cheia de restaurantes, bares e lojas. A feira de artesanatos sobre o rio dá um charme especial ao lugar. Caminhei por cada rua da pequena cidade e jantei de forma simples: uma porção de salchipapas, seguida de um Pisco Sour em um restaurante local. Já cansado, voltei para o hostel, troquei mais algumas palavras com Joan e fui dormir, ansioso para o dia seguinte: Machu Picchu.

 

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Editado por PedroDolfini

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3º Dia - 13/07/2025 - Machu Picchu x Cusco

Acordei por volta das 6h, tomei café da manhã no hostel e parti com tudo nas costas rumo a Machu Picchu. O ingresso que eu havia comprado era para as 9h (Circuito Realeza), então eu tinha cerca de 2h para subir a trilha — um caminho inteiro de escadarias. Consegui completar em 1h20. Durante a subida fui diversas vezes surpreendido por paisagens surreais, um mar de montanhas que já transmitiam a energia daquele lugar sagrado.

Não contratei guia, mas recomendo fortemente, pois cada templo, cada canto e cada cômodo de Machu Picchu carrega uma história. Para não perder nada, acompanhava discretamente alguns grupos para ouvir as explicações de seus guias. Estar ali fazia eu me sentir abençoado o tempo todo — pelas montanhas, pela atmosfera mística, pelo simples fato de viver aquele momento. Sem dúvidas, um dos melhores dias da minha vida.

Meu ingresso também incluía a subida a Huchuy Picchu. Como precisava estar de volta à Hidrelétrica às 14h para pegar a van de retorno a Cusco, fiz a trilha em ritmo acelerado. Foram cerca de 20 minutos de subida recompensada por uma vista incrível de Machu Picchu sob outro ângulo. No topo, encontrei um guia acompanhado de duas viajantes que me ensinaram alguns gestos para absorver a energia da montanha. Os gestos pareciam estranhos no início, mas no instante em que os repeti, senti meu corpo inteiro arrepiar, tomado por um sentimento inexplicável. Gratidão era a palavra que resumia aquele instante. O poder da montanha, o respeito, a energia... Gracias Pacha Mama.

Na descida precisei optar pelo ônibus, pois não teria tempo de fazer todo o trajeto a pé e ainda chegar às 14h na Hidrelétrica. A partir dali segui pela trilha do trem em passo apressado para conseguir chegar a tempo de embarcar na van. A viagem de volta a Cusco foi marcada por bons sentimentos e uma sensação de plenitude difícil de descrever.

Chegamos à noite. Tomei um banho e fui direto para a cama, pois o dia seguinte prometia outra grande aventura: uma caminhada de 13 km pelas Lagunas de Ausangate.

 

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4º Dia - 14/07/2025 - Cusco ( 7 Lagunas de Ausangate )

Acordei cedo, por volta das 5h30, quando recebi a ligação da empresa do tour pedindo para que eu descesse a ladeira e encontrasse a van na parte de baixo da rua. Fui o terceiro a embarcar e logo me juntei à Ro, uma professora de inglês que vive na Argentina, muito simpática e engraçada. Ao longo do percurso, o grupo foi crescendo: pessoas dos Estados Unidos, um casal argentino e uma senhora de Israel. O contraste cultural e social entre todos era bem marcante.

Um momento que me marcou muito foi quando a senhora israelense comentou que, em seu país, todos servem no exército por dois anos e que geralmente acabam indo para a guerra. Naquela semana, Israel estava em conflito, e o filho dela havia acabado de se alistar. Com os olhos marejados, ela me disse: “Eu evito o tempo todo pensar sobre isso.”

O passeio em si foi belíssimo, aproximadamente 13 km de caminhada passando por paisagens surreais, montanhas nevadas, alpacas, lhamas e lagunas de diferentes tamanhos e cores. Ao final, tivemos um almoço em buffet liberado e, depois, um merecido relaxamento nas águas termais. 

De volta a Cusco, fui direto encontrar o Reny, que considero o melhor vendedor de tours do Peru. Para o último dia, escolhi o passeio do Vale Sagrado e aproveitei para comprar a passagem de ônibus para La Paz, que sairia na noite do dia seguinte.

Ainda caminhei um pouco pela cidade, apreciei a Plaza de Armas e descobri uma rua escondida cheia de bares e festas, que até me lembrou a Lapa do Rio de Janeiro. No fim do dia, voltei para o hostel e descansei.IMG_6100.thumb.JPG.a0abed552e63b469ad54eefe5e730133.JPG

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5º Dia - 15/07/2025 - Cusco ( Vale Sagrado ) x La Paz 

Após uma sequência de dias acordando muito cedo, optei por um passeio que começasse um pouco mais tarde e, por volta das 7h, a van passou para me buscar rumo ao Vale Sagrado.

A primeira parada foi em Chinchero (conhecido como “onde nasce o arco-íris”), onde conhecemos um pouco de sua história e arquitetura. Logo depois, tivemos contato com a cultura local no Centro Têxtil Kuska Llankasun, onde as cholitas nos ensinaram como os tecidos são tingidos naturalmente. A experiência terminou de forma calorosa, com canções e danças típicas que elas compartilharam conosco.

Seguimos até as Salinas de Maras, impressionantes com seus mais de 3 mil poços de sal. Na sequência, visitamos as ruínas de Moray, um antigo centro de pesquisa agrícola dos incas, onde eram feitos experimentos com microclimas para o cultivo. Seu formato em terraços concêntricos lembra um grande ventre, e sua história é fascinante.

Depois de mais um trecho de estrada, chegamos a Ollantaytambo, um charmoso vilarejo que guarda uma importante ruína inca e o inacabado Templo do Sol. Fizemos uma pausa para o almoço em um buffet liberado, repleto de pratos típicos, com direito a sobremesa. Na saída do restaurante, conheci uma mãe e sua criança, que vivem da venda de artesanato na porta do local.

Encerramos o passeio em Pisac, onde se encontra o maior cemitério do Império Inca, escavado na montanha. Ele foi saqueado pelos colonizadores, já que os incas eram enterrados em posição fetal, junto de seus bens e até de seus animais de estimação. Por fim, tivemos uma última parada para aprender sobre a produção da prata peruana e como identificar a verdadeira, antes de regressarmos a Cusco.

De volta à cidade, tomei um banho rápido no hostel e segui para a rodoviária. O ônibus partiu às 22h rumo a La Paz, onde cheguei por volta das 13h do dia seguinte.

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6º Dia - 16/07/2025 - La Paz 

Cheguei em La Paz, Bolívia, por volta das 13h. Logo ao desembarcar, comprei um chip de celular e já entrei em contato com a agência Tour Illimani, a qual tinha contratado para escalar a Huyana Potosi. Era feriado nacional, mas a funcionária gentilmente me esperou para que eu pudesse testar os equipamentos da expedição que começaria no dia seguinte. Com tudo ajustado, segui para o hostel (Lobo Hostel) — localizado a apenas cinco minutos da agência — onde deixei as mochilas no quarto antes de sair para explorar a cidade.

Comecei pelo típico Mercado de las Brujas, repleto de lojas curiosas, com estátuas, velas, chás e muitos elementos ligados à magia negra. Depois, caminhei pela avenida principal até chegar a uma estação de teleférico, o principal meio de transporte da cidade. Fiz um verdadeiro tour pelas linhas, ainda um pouco perdido no início sobre como funcionavam as baldeações, mas no fim deu tudo certo.

Almocei em uma famosa rede de fast-food boliviana, em um local que oferecia uma bela vista panorâmica da cidade. Após rodar praticamente todas as linhas de teleférico, voltei caminhando para o hostel, aproveitando para conhecer mais um pouco da cidade. Tomei um banho e saí novamente, dessa vez para jantar em um pub inglês, onde comi um hambúrguer acompanhado de uma generosa caneca de cerveja.

Hora de descansar: no dia seguinte começaria a maior e mais desafiadora aventura na alta montanha.

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7º Dia - 17/07/2025 - Huyana Potosi

Acordo, tomo café da manhã no hostel e saio em busca dos dois itens que faltavam para a escalada ao Huayna Potosí (6.088m): uma meia e um óculos de sol. Com as compras feitas, sigo para a agência, onde conheço meus dois companheiros de expedição: Luz, de Santa Cruz (Bolívia), e Victor, também boliviano, que tentava alcançar o cume novamente após um insucesso nove anos atrás. Nosso guia seria Eddy, um escalador experiente e respeitado, que praticamente vive nas montanhas da Bolívia.

A primeira luta foi conseguir enfiar todo o equipamento dentro da mochila de 60 litros. Depois de muito esforço, fechamos as mochilas e partimos rumo à montanha. Foram cerca de 2 horas de estrada até chegarmos ao campo base, por volta do meio-dia. Almoçamos ali, fizemos os últimos ajustes e iniciamos a caminhada em direção ao Campo Alto.

O caminho revelava paisagens belíssimas. Após cerca de 3 horas de subida, alcançamos o refúgio, localizado a aproximadamente 5.100m de altitude. Lá já havia outro grupo: um brasileiro, Victor, que se tornou um grande amigo e seguiu comigo pelo resto da viagem, além de dois ingleses. Entre chás, piadas, fotos e boas resenhas, passamos a tarde até a hora do jantar. Em seguida, tivemos uma reunião com os guias — motivadora, engraçada e, ao mesmo tempo, séria, afinal estávamos prestes a enfrentar uma alta montanha.

Nos recolhemos cedo, por volta das 17h, já que o despertador estava marcado para a meia-noite, hora de iniciar o ataque ao cume. Eu me sentia bem até me deitar… mas assim que deitei, o mal-estar começou. Um enjoo insistente, acompanhado de dor de cabeça, que a cada minuto piorava. Não consegui dormir nada. Por volta das 20h, minha cabeça latejava de forma absurda — doía até para virar na cama. O frio aumentava, e precisei levantar pelo menos duas vezes para ir ao banheiro. Cada minuto parecia me deixar mais fraco, e só conseguia pensar que seria impossível subir uma montanha de 6 mil metros. O medo começou a tomar conta.

Depois de horas de agonia, finalmente chegou a hora de despertar. Para meu alívio, percebi que outros também haviam passado mal durante a noite, o que me tranquilizou um pouco. Tomei um chá, arrisquei um pedaço de pão com doce de leite, ainda muito enjoado, e começamos a nos equipar. Pelo menos em pé eu me sentia melhor do que deitado.

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8º Dia - 18/07/2025 - Huyana Potosi

À meia-noite começamos a nos equipar: calça, capacete, crampons na mochila, piolet, botas duplas. Tudo pronto, partimos em direção à montanha. Para quem havia passado uma noite terrível, surpreendentemente eu me sentia bem, e a esperança do cume renascia.

Foram apenas 15 minutos caminhando sobre pedras até chegar ao gelo, onde colocamos os crampons e seguimos subindo a incrível Huayna Potosí. O plano era: alcançar o cume às 6h, em uma jornada de cerca de 5 horas, percorrendo  em torno de 5 km e ascendendo aproximadamente 1.000 metros.

O ritmo era bom. Avançávamos por subidas inclinadas que beiravam penhascos, atravessando gretas e contornando enormes paredes de gelo. À luz da lanterna, eu observava aquelas muralhas brancas e íngremes e me perguntava: “Por onde vamos passar?”. Logo vinha a resposta: era por ali mesmo.

A subida parecia interminável. Descansos curtos para beber água, retomar o fôlego e seguir. Sempre buscava o cume com os olhos, mas o que aparecia eram mais e mais encostas. Por volta dos 5.700m, a realidade mudou. A altitude cobrou seu preço. Cada passo era uma batalha. Cambaleava, às vezes caía, e seguíamos sempre à beira de precipícios gigantescos. O pensamento era constante: “Isso é coisa de doido”.

A estratégia virou dar 5 passos e parar. Nos “breaks”, eu literalmente me jogava no chão, respirando como se tivesse corrido infinitas maratonas. Foi, sem dúvida, o maior desafio físico da minha vida. A mente travava uma guerra para que eu não desistisse.

Seguimos, devagar, com os dedos dos pés congelados, motivando uns aos outros. O trecho final é o mais cruel: quando você acredita que não pode piorar, piora. Uma escalaminhada por gelo e rochas, colado a um abismo, sem ar, zonzo e cansado. Mesmo assim, entre a dor e a exaustão, eu me sentia vivo e grato, impressionado e com máximo respeito à montanha - como meu guia me ensinou.

Atravessamos a última crista e, finalmente, o cume: 6.088m, -15 °C, vento e neve. Gratidão infinita. Nos abraçamos, comemoramos e uivamos feito lobos para o vazio abaixo de nós. O sol nascia timidamente entre nuvens, pintando o horizonte. Tentamos registrar o momento, mas o frio não permitia: celular, câmera e até minhas mãos pararam de funcionar. Poucos registros ficaram, mas a memória guardou tudo.

Fomos o segundo grupo a alcançar o topo e, de lá, observávamos as lanternas dos que ainda subiam as paredes de gelo. Ficamos apenas 15 minutos no cume e iniciamos a descida. Em 1h30 estávamos de volta ao Campo Alto, já iluminados pelo sol que revelava todo o caminho percorrido horas antes no escuro da madrugada.

No refúgio, tempo curto para arrumar as coisas, almoçar e descer ao Campo Base. Dos seis que haviam dormido conosco, apenas dois não conseguiram chegar ao cume. Vitória compartilhada, cerveja e whisky celebraram o feito.

Ainda restavam 2 horas de descida até a van. Silêncio total — todos processando a experiência, esmagados pelo cansaço. No Campo Base, pegamos a van de volta. Eu havia combinado de seguir com Victor (do Brasil) para Uyuni na mesma noite, mas acabei esquecendo de pegar o contato dele e nos desencontramos.

De volta a La Paz, devolvi o material, me despedi da galera e segui para o hostel: banho, almoço reforçado com um lanche e duas porções de batata frita, roupa lavada, cabelo cortado. À noite, rodoviária: ônibus às 21h30 para Uyuni, chegada prevista às 5h30.

O plano: encontrar uma agência para a travessia do Salar e chegar até o Atacama.
História para o próximo dia.

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Editado por PedroDolfini

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Estive em Maio em La Paz e fiquei no mesmo hostel, o interessante é que ali é quase um hostel israelita, de tanto que eles vão para lá, tem até escrito em hebraico as informações. Conversando com um deles, me disseram que depois dos 2 anos no exército, é comum eles fazerem um ano sabático antes de ir a universidade, e a América do Sul espanhola é um dos destinos mais comuns.

Eu nem consigo imaginar o esforço de subir ao pico monte, eu estava quase morrendo em La Paz só caminhando pela cidade.

 

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