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Olá viajante!

Bora viajar?

Mil Perrengues: Bolívia, Chile e Peru

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Fala galera da mochila!

 

Estou aqui mais uma vez, como forma de retribuição, para registrar nossa aventura. O roteiro é clássico e já conhecido de quase todos por aqui, mas nunca imaginaria que uma viagem dessas fosse tão marcante e tão imprevisível.

 

Iniciamos – eu e a Miriam (minha esposa) – no dia 12.03.2014 por Santa Cruz, depois Sucre, Potosi, Uyuni (Salar), San Pedro do Atacama, Arequipa, Cusco (Macchu Picchu), Copacabana e, por fim, La Paz.

 

Antes de mais nada, gostaria de agradecer imensamente a TODOS do Mochileiros.com que me ajudaram a construir e realizar esta viagem, direta ou indiretamente, especialmente Sorrent, Mauro Brandão, Maria Emília, guto_okamoto (e os mendigos machos), Aletucs, camilalisboa e todos os demais que a minha memória traiu agora...Muito Obrigado!

 

Gastos

 

A primeira preocupação de qualquer mochileiro, além do roteiro, claro, é com a grana que irá investir. Posso dizer que conseguimos ser bem econômicos, principalmente com comida e hospedagem, fato que foi bem proveitoso ao final, restando uns dólares para o Free Shop e presentes aos amigos.

 

No total, gastamos cerca de R$ 4.500,00 (reais) para o casal, com tudo, hostel, comida, passeios, etc. Só não entrou nessa conta as passagens aéreas de ida e volta e um “plus” devido aos perrengues que explicarei mais tarde...

 

Levamos TUDO em dólares e foi a melhor coisa que fizemos. Não tivemos problema algum, sem preocupação com caixas eletrônicos, taxas de cartão de crédito e demais preocupações. O único risco – e bota risco nisso – era perder o dinheiro, mas levamos duas Money Belt que deram conta do recado, só tirávamos para tomar banho e olha lá!

 

A estratégia foi trocar reais por dólares aos poucos, aqui no Brasil. Íamos acompanhando a cotação e quando estava boa, ligávamos para três casas de câmbio e brigávamos pela melhor cotação, sempre dava certo e uma cobria o preço da outra.

 

Passagens: R$ 1.380,00 para os dois já com todas as taxas, voando Gol. O melhor preço foi no decolar.com, inclusive com mais opções de horário.

 

Reservas/Hospedagem

 

A única reserva que fizemos com antecedência foi para o Jodanga, hostel excelente de Santa Cruz, pois queríamos conhecê-lo e sabíamos que não voltaríamos tão cedo a Santa Cruz, quer dizer, pelo menos não imaginávamos o final SURPREENDENTE dessa viagem...Mas enfim, quem quiser dar uma olhada no Jodanga e já aproveitar para fazer aquela reserva esperta, entra lá no site deles: http://www.jodanga.com/

 

No mais, fomos desbravando as “ótimas” ::mmm: opções de hospedagem que a nossa querida América do Sul nos oferece, com exceção do Wild Rover, que realmente é muito bom, mas só tem em Arequipa, Cusco e La Paz, recomendadíssimo! Pela festa, pela bagunça, pelo conforto, pela higiene, pela comida, pela galera, etc., etc., etc., quem já ficou lá sabe do que estou falando...E mesmo para você, rapaz casado e sério e você, donzela comprometida, vale a pena. Como disse, fui com minha esposa e curtimos muito o lugar, não é só para pegação e bebedeira que o Wild Rover se presta, confiem em nós: http://www.wildroverhostels.com/

 

Obs. Se você for solteiro (a), então amigo (a), o Wild Rover é parada obrigatória. ::hahaha::

 

Perrengues

 

Meu Deus do céu! Só nesta trip aprendemos a lidar com quase todos os tipos de perrengues que uma viagem pode proporcionar. Terminamos com a sensação de missão cumprida, mesmo não conseguindo seguir boa parte do nosso roteiro, infelizmente, mas serviu como um grande aprendizado e um motivo para voltarmos, sem sombra de dúvida. Então, como todo bom mochileiro, prepara-se e curta o momento...

 

Certificado Internacional de Vacinação

 

Como a maioria que já postou relato por aqui, não nos foi solicitado este certificado em nenhum momento da viagem. No entanto, se você quiser garantir, o posto da ANVISA, no aeroporto de Guarulhos, fica no Terminal 2, ASA "C" - Desembarque, e você poderá retirá-lo na hora.

 

IMPORTANTE: Para a retirada do Certificado Internacional, primeiro deverá tomar a vacina em qualquer posto de saúde, é de graça e garantirá sua proteção contra a FEBRE AMARELA. Para agilizar as coisas caso queira retirar o certificado no mesmo dia do seu voo, como nós fizemos, antes de sair de casa, faça seu cadastro no site da ANVISA, pois sem ele não será possível a retirada no posto do aeroporto. Você até consegue fazer o cadastro na hora, eles têm um computador ligado à internet lá mesmo, mas a conexão é lenta e tem fila, o que poderá atrapalhar seus planos ou fazer com que se atrase para pegar o avião.

 

Então vamos lá!

 

12.03.2014 – São Paulo / Santa Cruz de La Sierra (Bolívia)

 

Voamos pela Gol, com saída do aeroporto de Guarulhos às 11h05 e chegada prevista em Santa Cruz às 13h10, tudo no horário e sem transtornos, aliás, essa primeira parte da trip foi bem tranquila, mal sabíamos o que vinha pela frente...

 

Chegando em Santa Cruz, logo trocamos 100 dólares no aeroporto mesmo, pois não tínhamos um boliviano sequer e sabíamos que iríamos precisar para o táxi até o Jodanga, pagamento da diária, lanche e uns itens de última hora.

 

Logo no avião já conhecemos o primeiro brasileiro! Um baiano gente fina que faz medicina em Santa Cruz, aliás, estudante brasileiro de medicina em Santa Cruz é como formiga, tem em todo canto!

 

As perguntas básicas aos brasileiros que chegam nessa cidade são: “Faz medicina?” e “Veio colocar silicone?” Hahahahaha.

 

Pois bem, já com todas as dicas do nosso amigo baiano que não é muito chegado em carnaval, chegamos à cidade mais brasileira da Bolívia. É incrível como Santa Cruz se parece com o Brasil, desde a fisionomia do povo, até o clima e a comida.

 

CURIOSIDADE: Ao sair do aeroporto, existe um sistema alfandegário e de segurança curioso. Ninguém, ninguém mesmo entende e eles não explicam. O lance é o seguinte, existe uma porta grande, tipo aquelas com detector de metais, com um botão. Você chega, aperta o botão e, se ficar verde: Liberado! Se ficar vermelho: Revistado! Hahahaha, mas isso é antes de passar pelo suposto detector de metais! WTF?! Como assim? É tipo um roda a roda do Silvio Santos! Pura sorte, nada mais que isso! E detalhe, NINGUÉM RECEBEU LUZ VERMELHA! Passaram umas trinta pessoas na nossa frente e não acendeu a luz vermelha nenhuma vez!

 

O trajeto até o Jodanga é bem tranquilo, um pouco distante, mas tranquilo. Este foi o único táxi que pegamos em Santa Cruz, carro velho, sem cinto, que engasgava e morria a cada 5 km. O taxista era bem fechado, só se soltou quando começamos a falar em português (eita povo simpático de meu Deus), perguntando sobre a Copa, economia, política...Puxar papo com o taxista sempre ajuda.

 

 

Chegando ao Jodanga, surpresa agradável. Hostel com clima caribenho, pessoal simpático, com piscina, bar, wi-fi, enfim, ótimo lugar. Ficamos num quarto para 10 pessoas (beliches), misto, com banheiro e chuveiro quente próprios. O locker fica fora do quarto, no corredor, mas é bem tranquilo, nos sentimos bem seguros lá.

 

Pedimos informações na recepção e já saímos para desbravar a Bolívia brasileira! De lá, caminhamos até um parque que fica bem perto do Hostel, lugar agradável e bem arborizado. Andamos mais um pouco até uma avenida, contornando esse parque e chegamos a um ponto de ônibus. Aí já sacamos como funciona o transporte público na Bolívia.

 

O lance é o seguinte: Não existe ponto de ônibus! Você fica parado numa esquina, numa rua qualquer onde costumam passar os “buses” e, ao avistá-lo, sai correndo atrás! Faz sinal! Mostra a camisa a Brasil! Vira estrelinha, dá um duplo twist carpado, Isso deve funcionar...Para vocês terem uma ideia, de táxi, do Jodanga até o centro, ficaria em torno de 80 BOB´s (bolivianos) ida e volta - pelo menos foi isso que uma brasileira gastou. Nós gastamos míseros 4 BOB´s, cerca de R$ 1,28 (cada passagem). Então, ao contrário da Angélica, Vá de ônibus!

 

Além da economia, é muito divertido. São micro-ônibus bem velhos, importados do Japão da década de 70 e sem segurança alguma. Eles andam com as portas abertas para facilitar a entrada e saída da galera, é sério, às vezes nem param, passam perto da calçada e o povo vai subindo, pagando o motorista, e se agarrando nas ferrugens para ficar em pé. Pra ajudar, como bom brasileiro, estava de chinelo e levei um mil, duzentos e dezessete pisões no dedão do pé direito, resultando, ao final, um saldo de -1 unha.

 

Enfim, chegamos ao centro de Santa Cruz, lugar agradável e meio caótico. A praça XXIV de Setembro é bonita e bem cuidada, com muitas crianças e pombas, as “palomitas”, terror da Miriam :cry: . Resolvemos comer no Burger King, que fica bem em frente a essa praça, num lugar bem legal, enorme e com cara de museu antropológico da minha cidade, hehe. Andamos bastante por todo o centro, já se adaptando novamente ao espanhol e ao povo boliviano. Entramos no mercado municipal, passeamos pela praça, tiramos algumas fotos e conhecemos a catedral, linda.

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De volta ao Hostel, compramos umas bobeiras numa mercearia próxima e aproveitamos para curtir o lugar. O pessoal é bem gente fina, mas tinham muitos, muitos israelenses que, apesar de simpáticos, se fechavam entre eles, numa espécie de panelinha israelita. Uma pena.

 

No mais, entramos no quarto e a Miriam foi perguntar em espanhol não sei o que a um cara com pinta de indiano, que respondeu em inglês e era brasileiro! Hahahaha. Logo uma outra veio berrando: Brasileiros! Aí sentamos na entrada do banheiro, uma espécie de vestiário e ficamos lá batendo papo. O “indiano” (Lucas, se não me engano) contou que estava viajando há três anos, já tinha rodado o mundo e estava voltando pra casa. A outra brasileira, uma figura, estava no fim da trip com um roteiro bem parecido ao nosso, o que foi bom para perguntarmos sobre o Salar e as condições climáticas em Uyuni, pois era Março e a chuva pega naquelas bandas...

 

Terminei a noite tomando coca-cola com Eno e Dramin, resultado do lanche que não caiu bem, droga. Falarei sobre a comida mais pra frente, mas já adianto que, mesmo para estômagos mais fortes, a culinária boliviana reserva algumas surpresas.

 

CURIOSIDADE: Se alguém te convidar para “ficar de bola” em sua casa, recuse! [ou não, vai saber]. Ficar de bola significa TODOS PELADOS pela casa, assistindo um filminho, comendo pipoca, dançando Macarena, de boa, sem roupa, só “de bola”...HAHAHHAhahahaha...História bizarra do indiano brasileiro com uns chilenos aí...

 

Por enquanto é isso [...]

 

NOTAS

 

Cotação do dólar no aeroporto de Santa Cruz: US 1,00 a BOB 6,96.

Táxi aeroporto/Jodanga: BOB 70

Hostel Jodanga: BOB 80 (por noite, por pessoa).

Burguer King: BOB 40 (combo).

Água: BOB 12 (1 litro)

Coca-cola: BOB 7

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  • [...]   O FIM.   Entramos no carro, olhamos um para a cara do outro e demos um sorriso sem dizer nada, mas pensamos a mesma coisa: “Olha só como essa viagem vai terminar...”   Eu, a Miriam e a “

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Essas bandeiras já estiveram bem melhores. alguém que for pra lá poderia levar uma nova do Brasil né?

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Meu, seu relato está demais, estou planejando fazer um roteiro bem parecido com o seu em Janeiro/2015, e assim como outros relatos que venho acompanhando está sendo ótimo, muito bom os detalhes e as dicas que só quem passou pelos "perrengues" sabe contar, estou ansioso para o restante da viagem, parabéns!

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Adorando o relato e as fotos.

 

Quanto as "comiditas" bolivianas, posso considerar que tenho um estomago de avestruz, pois além de achar o sabor delicioso, como de tudo, até o tal suco de tamarindo, que apelidei de "suco de mão" e pelo experiência, vc deve saber o porque desse nome ::lol4::::mmm:::essa::

 

::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::

 

Alexandre, tb estou com uma saudades imensa de terras bolivianas.

 

MAria Emília

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Bom, é provável que alguém vá antes de mim, mas estou indo em agosto de já tinha me programado pra levar uma bandeira do Brasil pro Salar. Alguém tirou uma foto com ela toda desbotada (em outro relato), tá precisando de uma nova mesmo!

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Seu relato foi muito divertido, me lembrou a trip que eu e minha esposa fizemos em 2011, rimos muito com isso tudo..., abraço

espero a continuação...

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Obrigado pelos elogios galera, isso anima a continuar o relato, rs.

 

Ô Maria Emília, suco de mão não rola! HAHAHhahahaha...Mas é bem isso mesmo!

 

Quanto à bandeira do Brasil, como disse o Aletucs, está num estado deplorável...snif...Quem for, por favor, aproveite essas promoções da Copa do Mundo e leve uma bem bonita e GRANDE!

 

Valeu galera.

Abraços.

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15.03.2014 – Salar: 1º dia (segunda parte)

 

Antes de começar o relato do segundo dia de Salar, vale uma menção honrosa ao maldito Hostel de Sal Los Lipez.

 

Um certo escritor disse que o inferno seria mais inferno se fosse gelado, pois bem, pra mim, o inferno seria MUITO mais INFERNO, se fosse de SAL...

 

Quando fechamos o tour do salar lá em Uyuni, a dona Andrea encheu a boca pra dizer que ficaríamos num hostel de sal, que é muito bom, lindo, que seria uma experiência única (e foi mesmo) e blá, blá, blá...Aí nos assustou falando que no segundo dia ficaríamos num REFÚGIO no meio do deserto, que é bem simples, rústico, com animais por perto, enfim, tocou maior terror. Só que não foi bem isso que aconteceu...

 

Imagine que você teve uma noite de cão sem dono em Uyuni, acordou cedo pra se preparar para o grande dia, rodou horas dentro de um 4 x 4 desconfortável, se matou de “brincar no deserto de sal”, tirar fotos, dar gargalhadas, zuar os gringos, subir aquela p* de morro dos cactos gigantes sob um sol que queimava suas pestanas, pediu 13 vezes pro guia parar o jipe pra você tirar aquela foto esperta de uma bicunha/alpaca/lhama que você nunca sabe o que é e sempre pergunta ao seu guia, que te xinga baixinho de boludo, enfim...VOCÊ ESTARÁ MORTO! De cansaço, de fome, de sede. Aí você pensa: “Ah, ainda bem que o dia do refúgio é amanhã, hoje desfrutarei de um hostel de sal lindo e confortável”. MENTIRA!

 

Chegamos – nesse estado descrito acima – ao “maravilhoso” Hostel de Sal Los Lipez, que em espanhol deve significar “Los Sádicos”.

 

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Ah, detalhe importante, a dona Andrea nos disse que poderíamos escolher nosso quarto – nunca acredite nisso, em Aguás Calientes, no Peru, foi a mesma coisa – e, então, decidimos que queríamos um quarto de casal.

 

Ainda dentro do 4 x 4, nosso guia Edwin parou em frente à masmorra e trancou o carro! Ficamos uns 15 minutos dentro do jipe, trancados, com um frio dos esquimós, sem entender nada, ele simplesmente saiu, trancou o carro e sumiu! Pensei: “F**u!” Vamos dormir aqui galera.

 

Aí ele volta, diz que está lotado mas dá um jeito...Dividiu a tchurminha da seguinte forma: As suíças e a alemã num quarto e, nosso quarto de casal privado, eu, a Miriam e o australiano! HAHAHhahahaha.

 

Após Edwin descer nossas mochilas com a delicadeza de um rinoceronte, ainda carregamos galões de água, botijão de gás e mais um monte de tralhas – eu disse que estávamos cansados? – e ainda nos deixou na “recepção” do hostel olhando pras paredes até ajeitar as coisas, como disse.

 

Resolvido o problema dos quartos, fomos com o Nick (australiano) ao nosso ninho de amor, hahahahaha. Abri a porta da pocilga e a cena era a seguinte: Uma cama de casal e duas de solteiro, uma janela minúscula sem cortina, decoração ao estilo família Adams e aroma de caixa de papelão.

 

Olhei pro lençol, que era vermelho, e disse pra Miriam: “Nossa, está sujo, olha essas pintas pretas”. A Miriam: “Ah, dá uma sacudida aí que sai”. Quando toquei naquele trapo, VOARAM UMAS CEM MIL MOSCAS! Os pontos pretos eram MOSCAS! O Nick dava risada, a Miriam chorava e eu tentava mata-las – inutilmente – com um “travesseiro” que estava por lá.

Eu disse ao Nick: “Cara, isso aqui é mosca!” (num inglês de primário) e ele, com aquele inglês de australiano que ninguém entende: “Hu, hu, flys...hu, hu”.

 

Depois de nos acostumarmos com nossos pets, as moquinhas, fomos dar um rolê pra conhecer o maravilhoso hostel de sal (maldita Andrea!).

 

O hostel é circular, uma meia lua, então, literalmente demos uma volta e vimos tudo. O que nos chamou a atenção foram os banheiros, porque tinha muita gente naquele lugar e só três banheiros (casinhas) e UM CHUVEIRO! Aí a Miriam pensou: “Putz, imagina esse banheiro depois que todo mundo tomou banho...”. Aí já fomos ver como era o lance pra tomar banho, já que a janta seria mais tarde. Descobrimos que o esquema é o seguinte, você paga 10 BOB pra tia que toma conta da chave, ela abre a casinha do chuveiro, você toma aquele banho “delícia”, devolve a chave e ela passa pro próxima da fila, sim, tinha fila pra tomar banho.

 

Pois bem, pagamos e fomos lá. Como a casinha fica no canto e tem uma cortina safada pra tapar sua nudez, resolvemos ir em dupla, enquanto um toma banho, o outro entrega a toalha, o sabonete e depois segura a cortina pra ninguém invadir. Interessante que um monte de gente fez o mesmo, homem com homem, mulher com mulher, homem com mulher e todas as combinações matemáticas possíveis.

 

DICA: Lembra da porcaria do disjuntor? Então, ele fica escondido perto do chuveiro, canto superior esquerdo.

 

Após encontrar o disjuntor, a Miriam foi a primeira a se aventurar. Ligou a chave, começou a amornar (porque, como já disse, caliente é algo subjetivo). Como mulher é mulher em qualquer canto do mundo, resolveu lavar as madeixas, passar creme e tals...Logo após encher o cabelo de shampoo, adivinha? ACABOU A ÁGUA!

 

Ela gritou alguma coisa de lá de dentro, eu não entendi, aí ela disse que o coração estava congelando! Poxa vida, agora saquei! Só que pensei: estamos no deserto, nem água tem aqui minha gente, como vou conseguir? Ela gritou - batendo os dentes - pra eu procurar a tia das chaves, e lá fui eu!

 

Cheguei no balcão e cadê a tia? Me apontaram a cozinha e fui lá verificar, enquanto a Miriam estava com o cabelo cheio de sabão, no deserto, a - 5 graus. Botei a cabeça pra dentro da cozinha e parecia uma reunião de alguma espécie de seita macabra, estavam todos lá, os guias, os cozinheiros, parentes, crianças, cachorro (verdade, cachorro lambendo o chão da cozinha), as moscas (nossas colegas de quarto) e mais um mundo de gente estranha, MENOS A TIA DA CHAVE!

 

Como não falo espanhol muito bem, disse calmamente: “Ei, se acabo la agua”. Um cara olhou com olhos de fúria pra mim e gritou: “QUE PASSA?”. Eu humilde: “se acabo la agua, senhor”. “QUE?! SE ACABO LA AGUA?!”. “Sim, se acabo...”. “PUTA MADRE!”. E saiu correndo, pegou sua bike (?) e foi pedalando pro meio do deserto!!!! Não entendi nada, só sei que todo mundo se mexeu, tocaram o cachorro, fizeram carinho nas moscas, beberam pisco, meu, foi uma zona.

 

Voltei correndo pra avisar a Miriam que ela morreria de hipotermia e topei com o Nick na fila do banho, ele perguntou alguma coisa em inglês que não entendi, só sei que eu disse: “Finishing water!” HAHAHhahaha. Ele soltou um WTF? Dei com a mão e fui correndo ver a Miriam, que a essa altura já deveria estar brincando fazer anjinho no chão do banheiro...

 

Nessa, a tia da chave apareceu! AMOEBA! Ela disse que o senhor da bike havia saído pra bombear a água e que já voltava...Ufa!

 

Em alguns minutos a água realmente voltou, SÓ QUE GELADA! Coitada da Miriam, tremia de frio, mas pelo menos enxaguou o cabelo. Eu iria dizer a ela que pelo menos o cabelo estava bem hidratado, mas fiquei com receio de ela pedir o divórcio...

 

Depois que eu fui congelar as pálpebras naquela água, fomos tomar um chá quente com bolachas, que, surpreendentemente, estava uma delícia. Esse momento foi bem legal, sentados todos à mesa, tomamos um chá quente, conversamos com a nossa tchurminha do 4x4, ficamos brincando de “como se diz em alemão, espanhol, português e australiano (porque aquilo que eles falam não é inglês)”. Foi bem divertido, demos muitas risadas.

 

Após esse momento aprazível, chegou a hora da janta...

 

Ah, esqueci de dizer que esse lugar FEDIA, mas fedia MUITO. Era um cheiro estranho, de gordura com moscas e notas de enxofre. Não sei por que fedia tanto aquele lugar, só sei que fedia. E eles fechavam todas as minúsculas janelas e as portas, porque o frio pegava naquela noite (boa sorte a quem for em junho/julho, porque em março já congela), o que aumentava a fedentina.

 

Com o estômago embrulhado, chegou a janta, êba.

 

O menu era: sopa de alguma coisa com coentro de entrada, que até que estava boa. O prato principal era um mix de coisas suspeitas, das quais só identifiquei salsicha, cebola, tomate e frango, o restante não conhecia e estava desfigurado. Essa quizomba tinha um cheiro forte e textura gosmenta. A Miriam já largou o garfo e bateu três vezes na mesa, como os lutadores de jiu-jitsu. As suíças usaram a desculpa de serem alérgicas e tem um lance com glúten e que a religião delas não permite...tisc, sei...O nick, sem noção, bateu 4 PRATOS dessa gororoba! Aí, eu, para ser educado, comi meia salsicha com uma rodela de cebola e disse que estava estufado, risos. Ainda assim, havia sobrado um fundinho, aí o Nick olha pra galera e diz: “Sorry guys” e raspa a tigela! Esse cara é de outro planeta!

 

A sobremesa era: não tinha sobremesa.

 

Depois de nos arrependermos de não ter comido mais bolachas com chá, fomos ao nosso ninho de amor.

 

Apesar de não termos nosso quarto privado, foi melhor assim. Isso porque o lugar era horrível e o Nick era muito engraçado, o que ajudou a passar o tempo. Ficamos tentando bater um papo em inglês com ela. Perguntamos se ele não falava nada de espanhol mesmo, aí ele tirou um dicionário da mochila: Inglês x Portugues! HAHSHSHHAHAHa. Explicamos que, na América do Sul, só no Brasil se fala português, ele não acreditou! Risos, depois disse que havia passado pelo Brasil e notou que eles falavam diferente mesmo, HAHAHAHA. Perguntei se ele aprendeu alguma coisa de português (que ele achava que era espanhol). “Yes”: “Uma cerveja, por favor” (com voz do exterminador do futuro)...Depois entendi porque ele não queria tomar cerveja na janta, estava de ressaca desde Uyuni.

 

A noite de “sono” foi aquela coisa de sempre, com as dicas anteriores.

 

Ao amanhecer, a Miriam acordou e tomei um susto! A boca dela parecia que havia sido picada por mil abelhas africanas! Estava ENORME! Muito inchada! Fofão teria inveja...Fiquei com medo de ser alergia e ela tomou um antialérgico de cara. Nessas horas você fica preocupado, porque está no meio do deserto, a quilômetros de distância de qualquer posto de saúde ou médico, sem conhecer ninguém, além do seu guia e o pessoal do 4x4, então mantivemos a calma, ela tomou o remédio e fomos acompanhando, pra ver se desinchava.

 

Fui o primeiro a ter coragem de ir escovar os dentes. Me encaminhei à pia coletiva e, logo de cara, topei com um israelense PELADO FAZENDO FLEXÃO! Jesus Cristo, minha retina queimou! Foi a pior cena que já vi na vida! Pesadelos! Pesadelos!

 

Fui lá escovar os dentes com água de garrafinha e tals, uma galera na fila do banheiro (muitos reis e rainhas naquele dia...) e uns malucos que queriam tomar banho.

Aprontamos as coisas, arrumamos as mochilas, tomamos café (comemos 1 kg de bolacha com 5 litros de chá, pra garantir) e fomos pra fora respirar o ar puro do deserto, que alivio.

 

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DICA: Arrume sua mochila na noite anterior, isso durante toda a viagem, porque dá muita preguiça e é muita correria pra você arrumar a tralha toda logo de manhã. É bom também para pensar em como será o dia seguinte e já deixar à mão alguns itens, como toalha, luvas e gorro, protetor solar, etc.

 

Fazia muito frio nessa manhã, mas qualquer coisa era melhor que o cheiro do hostel. Ficamos lá esperando um pouco - após carregar todo o 4x4 - e apreciando a bela paisagem ao redor.

 

Próxima parada: O lago dos flamingos.

 

Notas:

Banho do terror: 5 BOB

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Adorando o relato e as fotos.

 

Quanto as "comiditas" bolivianas, posso considerar que tenho um estomago de avestruz, pois além de achar o sabor delicioso, como de tudo, até o tal suco de tamarindo, que apelidei de "suco de mão" e pelo experiência, vc deve saber o porque desse nome ::lol4::::mmm:::essa::

 

::otemo::::otemo::::otemo::::otemo::

 

MAria Emília

 

Maria Emília, eu tbm acho a comida bolivia ótima, morro de saudade o ano inteiro. esse começo de ano em La Paz eu descobri na rua um lugar que vende um salgado, tipo um pão recheado de queijo, ou coisa assim. não sei bem o que era pq era parecido com queijo de qualho mas uma parte derretida como catupiri e com um gosto suave, cara, muito bom. custava 4 bol se nao me engano e era mó grande. sem falar nas salteñas, ah que saudade de tudo.

 

 

Nogy, seu relato do hotel de sal me lembrou aquela frase da foto do cachorro que tem no face: "eu vi coisas que não podem ser desvistas!", huehuehueheu

 

Eu tive muito, mas muita sorte no salar quanto a hospedagem. o 4x4 quebrou, a comida era meio ruim, mas o hotel de sal foi fodástico! hehehe, literalmente. tudo limpinho, tomei banho de graça, cama de casal, comida foi ótima na janta, com uma sopa incrível, bom papo com os colegas de tour, banheiro no privativo no quarto, cama delícia. nossa, um dos pontos altos do salar. na segunda noite, a janta foi ok, nada esplendido mas nao tava ruim. as camas eram em quarto compartilhado e tal, mas como levei meus lençóis tudo tranquilo. o banho foi pago mas estava quentíssimo e ninguém controlou o tempo, então fiquei quase meia hora e outra, tomei banho com a esposa, pagando por uma pessoa só.

 

Fico triste por vc ter tido uma experiencia negativa com o hotel de sal pq é o único lugar que tem isso no mundo né, e eu sei que tem uns bem bons, mas lá as coisas são meio loterias mesmo e a gente tem que levar na esportiva.

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