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Transiberiana – Russia, Mongólia e China – 24 dias – Roteiro, preços, fotos e dicas

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Olá a todxs! Como vão? Acabei de voltar de minha viagem pela Transiberiana – ou Transmongoliana para ser mais preciso – e gostaria de relatá-la por aqui. Usei muita informação nesse fórum e sei o quão importante é ter informações atualizadas sobre a viagem.

 

Eu tenho um blog sobre a viagem e em cada cidade que eu passei eu fiz um relato maior. Então quem quiser se aprofundar em cada cidade pode visitar o link (http://ontheroadwithmike.wordpress.com/). É também uma oportunidade de ver mais fotos, de forma a não deixar esse post tão pesado. Espero que vocês aproveitem e será um prazer enorme tirar qualquer tipo de dúvida. Essa viagem é certamente uma oportunidade para a vida toda. Então vamos lá:

 

Organizarei de forma a colocar as informações principais da viagem primeiro e depois vou detalhando.

 

Roteiro:

São Paulo – Moscou – São Petersburgo - Yekaterinburg – Novosibirsk – Irkutsk – Ulan Bator – Beijing

 

Datas:

03 de Agosto à 27 de Agosto, sendo 04 – 08 em Moscou; 08 – 11 – São Petersburgo; 13 – 14 – Yekaterinburg; 15 – 16 – Novosibirsk; 17 – 19 – Irkutsk; 21 – 23 – Ulan Bator; 23 – 27 – Beijing

Os buracos nas datas são as transferências entre as cidades

 

Principais custos:

 

Transporte:

Voo São Paulo – Moscou e Pequim – São Paulo com escalas em Londres – US$ 1990 pela British Airways

Voo Moscow – Sao Petersburgo – RUB 2000 (U$ 50) pela Transaero

Trechos de trem – US$ 670 pela RealRussia

Voo Ulan Bator – Beijing – US$ 198

 

Hospedagem / Alimentação

Levei 550 euros em espécie para a Russia - Os hostels em média custaram 550 RUB/noite (12 Euros) e calculei 1000 RUB (20 euros) por dia para gastos gerais. A cotação que consegui pegar era 47 RUB para 1 euro.

 

50 dólares para a Mongólia - O país é realmente barato. O hostel custou 6 dólares/noite (Em dólar mesmo) e é possível comer bem por 5 dólares.

 

1100 Yuan para China - O hostel custou 60 Yuan por noite e dá para viver com 300 Yuan/dia (Incluindo passeios, transportes)

 

Vistos:

 

Rússia – Não há necessidade. Eles nem checam a documentação. Perguntam o motivo da viagem e é isso.

 

Mongólia – Não há necessidade. Há um novo acordo e brasileiros podem ficar no país até 30 dias sem necessidade de visto.

 

China – É necessário. Eles são bastante rígidos, mas levando todos os documentos indicados não há maiores problemas. Custa R$ 100

 

Antes de viajar:

 

É muito aconselhável que se aprenda pelo menos o alfabeto cirílico antes de ir para a Rússia, além dele te ajudar também na Mongólia. Um guia de viagem da Folha de Russo me ajudou bastante.

 

Relato:

 

Fazer a Transiberiana foi sempre um sonho de criança. Ganhei um atlas quando tinha sete anos e sempre me perguntava porque havia uma ferrovia tão grande na Rússia. Desde então aquela curiosidade só cresceu em mim e esse ano tive a oportunidade de realizá-lo. Estou fazendo um intercâmbio pela faculdade em Londres e no planejamento das viagens que gostaria de fazer por aqui – já que essa é a minha primeira vez fora do país – a Transiberiana surgiu quase que naturalmente. No entanto tudo contava contra: Meu plano inicial era fazer uma viagem de 35 dias e ficar mais dias nas cidades e estender até Xi'an e Shangai, mas precisei fazer um curso na faculdade e meu tempo foi reduzido para 24 dias, já que precisava estar em Londres no dia 27 de Agosto. Isso frustou meus planos, já que estava planejando ir via Ethiopian Airlines e salvar alguns dólares fazendo altos voos com escalas – se você tem bastante tempo é uma forma boa de fazer a Transiberiana, se você não ligar para escalas longas e empresas não tão conhecidas pode ser uma boa maneira de salvar dinheiro. Nesse esquema eu pagaria por volta de US$ 1700 pelos voos para Moscou, de volta de Pequim para Londres – onde estou estudando – e meu voo de volta para o Brasil em janeiro. Com a mudança nas datas, isso não seria mais possível. Até um dia que entro no site da British Airways como quem não quer nada e uso o recurso deles de multi-city adicionando todos os voos que precisava. Descubro que pagaria US$ 1990 e teria todos os voos diretos. Não pensei duas vezes e fechei. Agora era correr atrás do planejamento, vistos e outras passagem necessárias.

 

Pré-viagem:

Sou uma pessoa que gosta de planejar bastante. Acho que faz parte da viagem ver o que fazer, os costumes, o que comer, sobretudo numa viagem em que meu tempo era limitado e com muita coisa para ver, não queria perder muito tempo pensando no que fazer no próximo dia. É importante destacar que isso não significa que você estará fechado a outros planos, mas pelo menos você tem ideia do que irá perder. Mas cada pessoa tem seu jeito de viajar, o importante é estar na estrada.

Sendo assim, com as datas decididas comecei a adaptar meu roteiro para caber nos 24 dias. Cortei Xi'an e Xangai e fiquei só com Pequim. Dediquei 4 dias para Moscou, São Petersburgo e Pequim, 3 dias para Ulan Bator e Irkutsk e 1 dia em Yekaterinburg e Novosibirsk. Já adianto que para as três primeiras um dia a mais seria excelente e as outras foram suficientes.

 

Tickets

Com as datas decidas agora era só comprar as passagens, no entanto os tickets de trem só são vendidos com 45 dias de antecedência. É perfeitamente possível comprar online e o site inclusive tem tradução para o inglês (http://eng.rzd.ru/). No entanto, estava receoso por ser minha primeira vez fora do país e achei melhor ter tudo seguro nessa parte da viagem, então contactei uma empresa para que eles comprassem os tickets. A RealRussia foi indicada por diversos blogs e realmente é uma excelente empresa, não tive maiores problemas e ter os tickets em inglês é uma boa comodidade. No entanto, peguei bem a mais por isso. Quando viajei o rublo estava desvalorizado e eles não passaram o valor para os tickets. Se eu tivesse comprado eu mesmo, teria pagado por volta de US$ 400. Depois de viajar, eu realmente recomendo que vocês comprem no site, a não ser que você goste mesmo de comodidade. É possível também comprar nas estações, mas isso exige mais russo e também disponibilidade. Os trens são sempre lotados – pelo menos na época em que viajei - final do verão.

O transporte entre Moscou e São Petersburgo foi também outra grande decisão. O caminho mais fácil e óbvio é ir de trem. Há diversas opções de horário e conforto, no entanto os mais baratos eram em horários não tão interessantes e eu realmente gosto de viajar de avião e queria conhecer uma empresa russa. Acabei achando uma super promoção pela Transaero entre as duas cidades por 2000 rublos – mais barato que o trem – e acabei fazendo o trecho por avião.

Também fiz o trecho Ulan-Bator – Pequim de avião, faz essa foi por uma decisão de tempo. Só há trens na quinta feira e no domingo entre as duas cidades. Pelo calendário que eu montei, eu chegaria na cidade na quinta de manhã e se eu saísse a quinta à noite não aproveitaria nada em Ulan Bator. Se eu fosse no domingo eu não ficaria quase nada em Beijing. Preferi pegar um voo pela Air China no sábado e aproveitar suficientemente os dois lugares. No final saiu mais barato que o trem.

É importante relatar que comprar com antecedência faz toda a diferença. Cometi o erro de checar o preço das passagens depois que tinha comprado e eu realmente fiz bom negócio. Então fiquem de olho.

 

Visto chinês

O visto chinês é o único pedido para a viagem. Para tirá-lo você precisa ir no Consulado com passaporte, fotos, comprovante de passagem, hotel e de dinheiro para viajar. Tive que voltar duas vezes porque eles não aceitaram o meu primeiro comprovante do hostel, mas na segunda deu tudo certo. É necessário tomar vacina da Febre Amarela para entrar no país, mas não fui cobrado na imigração. De toda forma é sempre bom ter carteira de vacinação internacional

 

Bagagem

Comprei um mochila da Quechua de 50l e foi mais que suficiente para toda a viagem. Levei dois jeans, 12 camisetas, 12 cuecas, 6 meias e 3 tênis (já conto com a roupa que estava vestido) . Levei também um casaco – que foi bastante útil e uma segunda pele. No entanto, não levei shorts e frente ao calor infernal da Rússia e da China sofri bastante. Precisei levar também meu computador, o que pesou bastante. Mas lembrem que mais é menos. Em muitas cidades você precisa ir andando da estação para o hostel e ficar com muito peso não vale nada à pena.

 

Viagem:

Tudo organizado, tudo pronto, agora é se jogar na estrada!

 

Moscou

Link para o relato no blog: http://ontheroadwithmike.wordpress.com/2014/08/05/moscou-primeiras-impressoes/ e http://ontheroadwithmike.wordpress.com/2014/08/08/moscou-mais-impressoes/

 

Minha jornada começa no nosso querido Aeroporto de Guarulhos. Não tive a sorte de inagurar o Terminal 3, mas tive a feliz surpresa de ganhar um upgrade da British. A empresa já é ótima, estando na executiva então, foi um deleite. As doze horas que separam São Paulo de Londres passaram muito rápido.

Chegando em Heathrow eu tinha 1 hora e 30 min para a conexão para Moscou - que ocorreu sem maiores problemas. Os dois voos foram no 747 e todos muito confortáveis.

Ao chegar em Moscou a diferença é clara. Tudo é muito diferente! As informações em inglês são bem parcas e se nota que há menos organização do que em Heathrow. De toda forma é simples chegar no centro. O problema é lá depois. As placas são todas em cirílico e é muito difícil achar alguém que fale inglês. De toda maneira os russos são muito prestativos e só encontrei muita gente bacana, que apesar da barreira idiomática me ajudou bastante.

O hostel que eu fiquei se chama Oh So Indie House Hostel e recomendo bastante. Dá para ir andando para a Praça Vermelha, para a Christ The Saviour Cathedral e você está a minutos da estação Arbatstkaya.

O metrô da cidade é maravilhoso e merece ser visitado independente de você precisar pegá-lo ou não. De toda forma ele te leva para todos os lugares e é muito eficiente. Dos sistemas que conheci até agora é o melhor.

Na Rússia somente o rublo é aceito. Há ATMs em todos os lugares e casas de câmbio são abundantes. Dê uma andada, porque geralmente há diferença entre elas. Quando eu fui 1 euro estava 47 RUB. No meu planejamento eu calculei 1 euro para 40 RUB, então ganhei uma graninha extra!

Moscou é uma cidade mais cara, mas ainda assim mais barata que São Paulo. Claro que se você entrar no primeiro restaurante que você vir, você provavelmente vai pagar bem caro, mas os hostels dão dicas excelentes e é possível comer muito bem gastando 300/400 rublos - o que é considerado caro nas outras cidades, mas ainda assim aceitável para padrões europeus.

Para quem é estudante vale muito a pena fazer uma carteirinha internacional. Dá para economizar bastante!

Viajei em um esquema bastante econômico, então ia bastante em supermercados e fazia minha própria comida. Essa é uma ótima pedida, uma vez que os supermercados são ótimos e a comida russa é bem saborosa. Você precisar seguir o seu tato e traduzir os rótulos russos, mas nada de outro mundo. Meu único grande problema foi com água com gás. Mesmo depois de 16 dias no país, continuei comprando água errada.

 

Locais visitados:

 

Tsartsino Park - Lindo, no sul da cidade, fui para lá para não dormir depois do voo e valeu muito a pena. Ter o por do sol às 22:00 é realmente maravilhoso. Dá para turistar MUITO!

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All Russian Exhibition Centre: Centro de exibições para exaltação do regime Soviético. É algo realmente maravilhoso e fora do comum, ao norte da cidade e não tão óbvio para os turistas. Talvez tenha sido meu local favorito.

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Cathedral of Christ the Saviour: Um clássico da cidade. Não pode faltar.

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Novodevitchy Convent e o Cemitério: Outro clássico. Não deixe de ir no cemitério que fica atrás e fazer um caça ao tesouro dos túmulos famosos. Tchekov, Einseinstein entre outros

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O Kremlin e a Praça Vermelha - Musts da cidade. Vale a pena ir em todas as atrações do Kremlin e entrar na Catedral de São Basílio. Foi uma das imagens mais emocionantes da minha vida sair do Kremlin e avistar a catedral. Não deixe de tomar o sorvete do GUM - o shopping que fica em frente a praça e que antes era um centro de distribuição soviético.

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Park Pobedy e Memorial da Segunda Guerra - O parque é muito bonito e o museu é maravilhoso. Bem interessante para se entender a imagem que os russos criaram da guerra e outros símbolos do período soviéticos. Belíssimas visões para o Business District.

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Metrô

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Museus: Acabei indo somente a Tretyakov Gallery, mas valeu muito a pena, uma vez que foi possível conhecer diversos artistas russos. Vale a pena reservar umas 3 horas para cada (Há um museu em frente ao Gorky Park mais contemporâneo e outro em Krymysk Val - ambos valem a pena)

 

Não deixe de provar os nuggets de Brie do Mc'Donalds. São deliciosos.

Eu ainda fiz um Communist Tour, que foi bem interessante, mas eu já tinha passado por vários lugares.

 

São Petersburgo

Link para o relato no blog: http://ontheroadwithmike.wordpress.com/2014/08/13/sao-petersburgo-um-museu-a-ceu-aberto/

 

O voo entre Moscou e Peter foi excelente. Apesar de precisar pagar 2000 rublos em um taxi para chegar no aeroporto - já que tinha perdido o trem - tudo foi bastante confortável.

O hostel dessa vez foi o Apple Hostel Italy. Novamente muito bem localizado e com o melhor staff que já vi. Várias dicas e realmente bastante confortável. A cidade se organiza a partir da Nevisky Prospekt e é a partir dela que você faz praticamente tudo. Moscou e Peter são completamente diferentes, by the way. São Petersburgo parece um museu. A cidade mantém toda sua arquitetura clássica e é belíssima em todos os pontos. O ritmo da cidade é outro e ela é muito mais preparada para o turismo que Moscou. Eu particularmente prefiro cidades como Moscou, mas passar uns dias em Peter é indispensável. Não sei se é porque eu tinha mais dicas, mas achei a cidade mais barata e comi bastante bem gastando no máximo 300 RUB por refeições. Algumas atrações foram de graça também, o que contribuiu bastante.

 

Lugares visitados:

 

Hermitage: O segundo maior acervo do mundo. Uma coleção de arte impecável e maravilhosa. Reserve o dia. Há muitas obras interessantíssimas para se ver!

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Peterhof: Palácio localizado nos arredores da cidade. Belíssimo.

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Kazan e St Isaac Cathedral: Duas catedrais centrais que valem muito a visita. São belíssimas e acompanhar uma cerimônia nelas vale muito a pena para conhecer um pouco mais dos ortodoxos. Na St Isaac vale muito a pena subir os 270 degraus e admirar a vista

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Russian Museum: Vale muito a pena para conhecer mais da arte russa também - e era do lado meu hostel

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Catherine Palace: Também distante, assim como o Peterhof, mas eu diria mais impressionante até. O palácio é maravilhoso, vale muito a pena.

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Tour no Rio Neva: É super fofo ver as pontes abrindo, mas eu peguei um tour que durou 3 horas e fiquei super entediado, uma vez que estava mega cansado depois de ter andado o dia todo. Não pague mais que 500 RUB por ele.

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Christ on The Spilled Blood: Parada obrigatória, a igreja já é linda por fora, por dentro é mais impressionante, uma vez que todos os murais são grandes mosaicos. Emocionante.

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Fiz também em Peter um Communist Tour, esse foi bem mais interessante e mostrou diferenntes lugares.

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Trens

Depois de sair de São Petersburgo, começou oficialmente a Transiberiana. Todos os meus tickets eram de terceira classe, uma vez que eles eram mais baratos, mas também porque queria ter contato com os russos. E nesse sentido isso foi bem legal. Os russos realmente usam os trens para se locomoverem entre as cidades e não conheci nenhum turista nos trens. De toda forma, fui bem sortudo, uma vez que no primeiro trem achei uma professora de inglês de uma cidade chamada Kongor e que me ajudou muito nas 40 horas que separavam Peter de Yekaterinburg. Para passar as 40 horas, é preciso levar bastante comida e é comum que se divida com a pessoa que está dividindo o espaço com você. Levar um livro pode ajudar bastante também. No mais, o trem é bem confortável e divertido.

 

Embarcando

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Percebam que na terceira classe não há cabines. No entanto, se você pega os bancos de baixo, há um espaço para colocar a mala e você dorme em cima deles. De toda maneira, me senti bastante seguro em todos os momentos. Eles também disponibilzam roupa de cama.

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As paradas são ótimas para esticar as pernas. Eu esperava mais gente vendendo coisas, mas isso se torna mais comum conforme você vai adentrando o país.

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Eu e minhas amigas russas do trem. O povo russo realmente me conquistou nessa viagem

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Alimentação no trem - Os supermercados são ótimos e sempre tem opções bem gostosas

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Yekaterinburg

Link para o relato no blog: http://ontheroadwithmike.wordpress.com/2014/08/15/transiberiana-trem-e-yekaterinburg/

 

Cheguei na cidade depois de 40 horas de trem e às 4 da manhã. Diferentemente dos outros dias estava gelado e chovendo. Essa foi talvez a unica cidade que tive problemas, uma vez que o hostel não foi me buscar - tinha combinado porque ia chegar tarde - e o endereço do hostel estava errado, acabei me perdendo e só conseguindo achar um novo hostel às 9 da manhã. Foi algo realmente complicado, mas que superei.

A cidade é bem interessante e é uma das mais desenvolvidas da Rússia. Os elementos soviéticos não são tão presentes e a cidade é bem organizada. Ela é famosa por ter sido onde a família real foi assassinada depois da revolução e por um ter um monumento que separa a Ásia da Europa. Como tive o problema com o hostel, acabou não dando tempo de visitar. De toda forma, passeei pelo centro e aproveitei a culinária russa na cidade. Não é necessário mais que um dia na cidade, mas certamentamente vale a parada.

 

Fotos:

 

Chegando na cidade

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O centro tem uma linha vermelha que te leva aos principais monumentos. Demora umas 4 horas e é SUPER interessante, uma das ideias mais geniais de turismo que já vi

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Apesar de todos os perrengues eu realmente amei a cidade

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Novosibirsk

Link para o relato no blog: http://ontheroadwithmike.wordpress.com/2014/08/17/trem-e-novosibirsk-no-coracao-da-siberia/

 

Depois de mais 30 horas de trens e novos contatos com os russos, cheguei a capital da Sibéria - que estava com um clima delicioso. Muita gente não recomenda parar da cidade, alegando que não tem muita coisa para fazer. De toda forma, eu amei a cidade. Claro que um dia é mais do que o suficiente, mas realmente gosto de explorar as cidades e viver um pouco elas e nesse sentido a cidade ficou como uma das favoritas da viagem. Fiquei no Zokol Hostel e mais uma vez tive excelentes dicas. A cidade é bem influenciada pela arquitetura soviética - para o bem e para o mal. De toda forma, é uma parada que vale a pena

 

Fotos:

 

A cidade é bem no estilo soviético. Grande avenidas e prédios semelhantes criando mini-bairros. Lembra Brasília em vários sentidos

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O zoológico deles é excelente! Me diverti bastante e me emocionei vendo o urso polar

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O Rio Ob que corta a cidade é uma delícia e caminhar pelas margens dele é bem gostoso!

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Irkutsk

Link para o relato no blog: http://ontheroadwithmike.wordpress.com/2014/08/21/transiberiana-trem-irkutsk-e-lago-baikal/

 

Irkutsk é parada obrigatória por causa do Lago Baikal, mas a cidade também tem bastante a oferecer. O ideal é ficar um dia na cidade e fazer algum tour no lago. Como eu estava sozinho, ficava muito caro fechar algum pacote e acabei indo somente para Listvyanka passar o dia. Acho que aqui vale realmente a pena ficar uns 4 dias e aproveitar e ir para Olkhom Island, mas isso fica para outra oportunidade. De toda forma, a cidade é muito diferente de todas as outras. E isso foi legal, pois minhas paradas foram bem diversas. A cidade passa a impressão de ser menos desenvolvida e ainda guarda grande parte das construções de madeira típicas da Sibéria. A cidade é muito bonita também, mas não tão limpa como estava acostumado na Rússia. Dessa vez fiquei no Irkutsk City Lodge, ele é um pouco distante, mas bem confortável.

 

Fotos:

 

Listvyanka é uma delícia. Uma vila bem pequena e super turística, mas a maioria das pessoas afirmam que não o Baikal de verdade. Alugue uma bike e explore toda a vila. Não deixe de provar o Omul, um peixe maravilhoso. Os restaurantes são ótimos e baratos.

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A culinária russa é uma delícia e em Irkutsk o preço e a qualidade são lindas

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Não deixe de explorar a cidade antes de ir para o Baikal, é bem gostoso

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Mongólia - Ulan Bator

Link para o relato no blog: http://ontheroadwithmike.wordpress.com/2014/09/01/mongolia-ulan-bator-e-terelj-national-park/

 

Parti de Irkutsk a noite em direção a Mongólia, o que é uma pena porque você não vê o Lago Baikal - mas não tinha muita escolha, são só dois trens por semana. O trem é uma delícia. Em todos os trechos é muito bonito observar a janela e ver o país passando, mas esse trecho é especial. Há muitas paisagens bonitas.

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O trem é de segunda classe, não há opção, e apesar de haver cabines, o conforto é semelhante aos de terceira classe.

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A imigração da Rússia com a Mongólia é certamente uma das mais chatas que já vi. Você fica parado por 7 horas literalmente, esperando eles conferirem passaporte, checarem suas malas, declaração de bens. Claro que o trem precisa trocar a bitola, mas o tempo que você espera é bem longo. Depois da imigração, você chega na Mongólia e é impressionante como tudo muda. Até chegar na capital são mais umas 15 horas de trem. O país é realmente pouco habitado e as cidades parecem mais pobres. O mesmo não pode ser dito da capital, que é bastante grande e é repleta de arranha-céus. Há bastante grifes e se percebe que a cidade enriqueceu bastante nos últimos tempos. No entanto, isso também pode ser visto de uma forma ruim, uma vez que não há critério nas construções e a cidade acaba negligenciando sua história. É bastante comum arranha-céus que fazem sombras em monastérios, ou que invadam o espaço de alguma atração. Fora da capital há o Terelj Park, que é um parque nacional muito bonito e que te dá a possibilidade de dormir em um ger - uma experiência bem diferente,mas que é um must estando na Mongólia. Dá ainda para seguir no Gobi, mas precisaria de mais tempo. Na cidade fiquei no Sunpath Mongolia Hostel, que é localizado em um antigo prédio soviético. Bem barato, mas não tinha água quente quando eu estava lá. Achar hostel em Ulan Bator é realmente fácil, eles oferecem na chegada do trem e geralmente não são caros. Muita gente indica para não trocar dinheiro com as pessoas que entrar no trem após a entrada na Mongólia, mas eu recomendo pelo ter um pouco de tugrik. Não troquei dinheiro e demorei quase uma hora para achar um local para ter dinheiro local. A cidade não me passou a ideia de ser tão segura, tive que dar umas corridinhas em alguns lugares e entrar em umas lojas - mas às vezes é somente paranoia. Apesar dessa imagem negativa, não deixe de passar pelo menos um dia na cidade. É uma experiência muito válida.

 

Fotos:

 

Gandan Khiid. Maior monastério do país

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Praça Chingis Khaan e seu skyline. A cidade toda se organiza a partir dela

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Zaizan Memorial. Excelente vista panorâmica da cidade

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Terelj Park

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Família do ger

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China - Pequim

Link para o relato no blog: http://ontheroadwithmike.wordpress.com/2014/09/11/china-pequim-e-suas-aventuras/

 

Tive alguns problemas para conseguir sair do Parque Terelj. Fechei meu pacote com a Kongor Tour e o combinado era que eles me buscariam ao meio dia me levar numa estátua famosa do Chingis Khan e de lá pro aeroporto. Apesar de ter que arranjar um taxi improvisado, conseguir chegar no aeroporto e partir para Pequim. A cidade é impressionante em todos os sentidos. Já ao chegar no aeroporto você se surpreende. É uma grandiosidade inexplicável. A imigração foi bastante rápida e sem maiores problemas. Para chegar no centro da cidade é oferecido um expresso que te conecta com as duas linhas circulares do metrô - te levando a literalmente qualquer lugar da cidade. Me hospedei no Dragon King Hostel, que fica em uma espécie de hutong e é muito bem localizado. O hostel é enorme e não tem o esquema meio familiar e aconchegante que estava acostumado, mas eles são extremamente profissionais. É muito fácil se locomover pela cidade, tudo é traduzido para o inglês e no comércio todos entendem pelo menos o básico. Espere por multidões. Nunca vi tanta gente junta na minha vida. Me surpreendeu bastante que não há tantos estrangeiros. O grosso dos turistas eram chineses mesmo. Tome cuidado com a comida, eu sempre achei meio fresco essas dicas, mas comi uma salsicha na rua e tive problemas. O metrô e o Mc'Donalds são absurdamente baratos, mas é muito fácil cair nas armadilhas de turistas. Não fiz nenhuma compra em supermercado e sempre comi fora e os 1000 yuan que levei deram para tudo. Para ir para a muralha fui com o tour do hostel - é possível e é mais barato ir por você, mas acho que o custo beneficio valia a pena. A dica é ir para Mutianyu, uma vez que é uma parte com mais infra estrutura e menos turistas. A cidade é completamente monumental e há muitas coisas para fazer. No entanto, acredito que cinco dias são suficientes. Não cometam o mesmo erro que eu - depois da Grande Muralha descansem! Fui inventar de turistas mais e fiquei estafado enquanto visitava a Cidade Proibida e não tive forças para explorá-la de maneira adequada. Se você for estudante não esqueça de pedir o desconto - em alguns lugares eles tem descontos, mas não está traduzido, então você acaba não pegando. Para quem estava acostumado com a hospitalidade dos russos, os chineses foram uma decepção. Bastante frios, mal-educados e porquinhos. Meu contato foi bem pequeno com os locais, mas espere por empurrões no metrô sem motivo aparente e muitas cuspidas no chão - não levem isso como algo negativo, só é uma característica distinta e interessante de se observar. Eles também são bem obcecados com segurança. Toda vez que você entra no metrô e em museus você precisa passar por um raio-x. É bem chato, mas uma hora você entra no modo automático.

 

O pequeno aeroporto da cidade

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Locais visitados:

 

Summer Palace: Localizado no noroeste da cidade, demora um pouco para chegar, mas vale muito à pena. O palácio é enorme e é muito bonito. Vale à pena comprar o ticket que te dá acesso a tudo.

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Lama Temple: Simplesmente maravilhoso e localizado no centro da cidade e ainda assim é um espaço de paz e contemplação. É muito bonito ver os chineses demonstrando sua fé.

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Temple of Heaven: Um dos meus favoritos. O espaço que ele tem no nosso imaginário é enorme e é muito legal ver os chineses fazendo danças, aulas de yoga e correndo no parque.

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Parque Olímpico: O meu local favorito. Sou um entusiasta de Olimpíadas e esse foi o lugar que mais me emocionei. Fiquei horas só admirando. Não deixe de entrar no estádio. É incrível!

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Muralha da China: Imperdível. Cansa MUITO. A muralha é enorme e quão mais longe você vai mais impressionante ela fica. Estava com um grupo de mochileiros e decidimos subir pela escada - por 100 Yuan dá para subir e descer de cable car. Há uma opção de descer por tobogã - mas custa 80 yuan. Acabamos escolhendo ir até o fim daquele trecho - o que valeu muito a pena. NÃO esqueça de levar água - é essencial. Cuidado ao fechar com tours - algumas param em lojinhas no meio do caminho. O que fiz não tinha isso e tinha almoço incluso, mas o tempo na muralha era muito rápido.

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Snack Street: Fui depois da Muralha e me perdi para chegar lá porque decidir ir andando do hostel. Um erro, fiquei extremamente cansado e atrapalhou o dia seguinte. De toda forma é bem interessante. E não precisa comer - NENHUM local faz isso.

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Região da Praça da Paz Celestial: Faça um combo de Praça da Paz Celestial, Memorial do Mao, Great Hall of People, Museu Nacional, Forbidden City e Jingshan Park. Pode ser meio corrido, mas se você acordar cedo dá certinho. Fique atento aos horários. Por 5 minutos não consegui entrar no Great Hall Of People. É necessário levar o passaporte para entrar no Museu Nacional. A Forbidden City é enorme. Se prepare para andar bastante. Vale a pena subir todos os degraus do Jingshan Park - melhor visão da cidade.

 

Percebam como há MUITA gente. Preparem-se para esperar na fila. O Lênin parece bem mais real que o Mao by the way.

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Do outro lado da praça há o National Centre for Performing Arts. Maravilhoso.

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Vista do parque

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Nanluoguxiang: Vá para essa estação e se perca. Essa região é muita delícia. Cheia de hutongs clássicos e várias baladas e bares. Andar pelo lago e ver a vida social dos chineses é bem interessante. Fui bem sem direção para lá e acabei vendo a Bell and Drum Towers além de passar em alguns hutongs

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CCTV Headquarters: Dei a volta no quarteirão todo e não descobri onde que entrava. Desisti, mas é legal para ver o skyline da cidade

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Voltando pra Londres para novas aventuras

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Acho que basicamente é isso. Apesar de ter ficado grande, tentei resumir ao máximo que podia. Fiquem a vontade para perguntar e espero que o post anime mais pessoas a fazer essa viagem, é realmente algo inacreditável! Até a próxima!

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Excelente! Parabéns mesmo. Pela viagem, pelo relato, fotos e pelas informações.

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Michael excelente relato, acredito que futuramente eu irie lhe fazer algumas perguntas ;) ... Bah espero que você em uma próxima oportunidade volte para China e visite Xian e Shanghai e claro outras províncias tb ... Pois estiver por lá e amei a China ;)

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Sensacional o seu relato Michael, fui para a Russia a três anos atras e adorei, o povo russo é muito receptivo e simpático mesmo, o povo chines com certeza é o oposto, mas tenho certeza que valeu a pena você ter visitado a China também.

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Muito bem explicado mike . Quero muito fazer essa viagem mas isso é a viagem de uma vida. TAmbem penso que era ótimo fazer com alguém conhecido ou que falasse a mesma língua, porque 2 cabeças pensantes é melhor que uma só . Deve passar por sítios incríveis. 

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Excelente relato, Michael. Sou um entusiasta da cultura russa, inclusive já até tomei aulas de russo no passado, e vou incluir, sem dúvidas, a transiberiana no meu planejamento de viagens. Valeu mesmo.

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Mike, obrigado por compartilhar o relato. Tenho duas dúvidas:

1. Como você fazia para tomar banho no trem?

2. Eles aceitam euros ou dólares na Rússia? Na China aceitam Dólares?

obrigado mais uma vez!

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  • Conteúdo Similar

    • Por Vinícius Zanata
       
      Informações preliminares
       
      Fiz essa viagem entre 05/12/17 e 30/12/17. E visitei Punta Arenas, Puerto Natales (com Rota W no Torres del Paine), El calafate (com big ice), El Chalten, Ushuaia (+pinguinera) .Não postarei mtas fotos pq a idéia é ser um relato, para aguçar a imaginação. Sempre que leio relatos aqui configuro o navegador para não abrir imagens. Acho que às vezes vemos tantas fotos dos lugares que vamos visitar que quando chegamos lá parece que já estivemos lá. Então a idéia é só postar fotos do que for necessário para ajuda nas andanças. As paisagens vocês podem ver com uma googlada. Escrevi isso quase como diário, durante a viagem, mas pensando nas dificuldades que as pessoas aqui poderiam ter ao fazer esse roteiro. Respostas paras dúvidas que eu não encontrei por aqui de forma tão fácil.
       
      Um dólar nesse momento que viajo vale aproximadamente r$ 3,30. Cem reais equivalem a 500 pesos argentinos (ar$) ou 20.000 pesos chilenos (CHL). Vou colocar os preços em moeda local e dólar quando infornarem.
       
      Sobre mim, tenho 32 anos, 1,75m e 75kg. Sou praticamente sedentário, não faço exercícios nem acadêmia, apenas vou para o trabalho de bicicleta, 2 km da minha casa. Ou seja, sou um pessoa comum em termos atléticos. Nada demais.
       
      Levei para essa viagem um fleece, um corta vento, um casaco 3x1 impermeável, uma calça impermeável, duas calças segunda pele, 3 blusas segunda pele, três calças bermudas, um par de luvas, 4 pares de meias para trekking, um gorro peruano, uma bota cano alto impermeável. É importante ter roupas impermeáveis para essa viagem. Praticamente tudo o que levei usei, então não recomendo improvisar nas vestimentas e acessórios. Senti falta também de um poncho. Por mais que as roupas sejam impermeáveis, a capacidade de reter água não é ilimitada e a umidade passa um pouco. Só um poncho te deixa completamente seco. A região patagônica em geral é muito úmida e pode chover a qualquer momento. Sobre o calçado, importante ser impermeável tb, há lugares como Parque Torres del Paine e Ushuaia que há trilhas onde é preciso cruzar rios a toda hora, passar por lama, brejo, tudo. Ir de calça jeans ou outro tipo de roupa permeável pode te deixar numa pior, molhar meia é melhor caminho para formar bolhas.
       
      05/12 - Chegada em Punta Arenas e pernoite em Puerto Natales
       
      Cheguei na Patagônia por Punta Arenas, com escala em Santiago. Muita gente compra a passagem pela via argentina (aeroporto de El Calafate) mas achei a alternativa pela via chilena interessante por dois motivos. Primeiro pelo tempo de viagem, 12h ao todo o trecho mais longo, que é um duração muito boa. Via El Calafate dificilmente vc consegue vôo sem pernoite em Buenos Aires. Pela via chilena temos a LATAM opera mto vôos para a região sem necessidade de pernoite. Depois porque você pode começar a viagem por Punta Arenas ou Puerto Natales que, se vc planejar direitinho, pode ser o começo do seu roteiro. O preço é igual ou mais barato do que ida e volta por El Calafate. Então pode ser uma boa escolha começar pelo Chile, seja via Punta Arenas, seja via Puerto Natales com escala em Santiago.
       
      Deixei para conhecer Punta Arenas na volta, e cheguei indo direto para Puerto Natales para então chegar em El Calafate onde começa de fato meu roteiro. Um ônibus da BusSur passa pelo Aeroporto, na saída próxima do guichê de despacho de bagagem das cias aéreas. Os horários são programados, se informe pelo site da BusSur. Eu comprei pela Internet por 8 mil pesos chilenos (13 dólares) mas vendem na hora também. Passa por ali também  ônibus que leva até o centro de Punta Arenas, já que fica um pouco distante do Aeroporto. Há um caixa eletrônico lá caso precise tirar moeda local, mas há aquelas muitas taxas a pagar. A viagem até Puerto Natales dura 3 horas, num cenário repleto de estepe e estancias de ovelhas e cordeiros. A estrada é muito boa e o ônibus da Bus Sur é bem confortável.
       
      Puerto Natales é uma cidade bonita, limpa e cheia de pessoas se protegendo do vento gélido que faz nessa época. Ninguém tá na rua de bobeira. Os ventos patagônicos são tudo isso que dizem e mais um pouco. Aqui tudo começa com uma lapada fria e dolorosa na cara de quem chega. É o cartão de boas vindas da região. É bom já chegar preparado pros ventos, vá se vestindo em Santiago se tiver tempo
       
      Assim que desembarquei no terminal fui ver passagens para El Calafate. Tentei comprar pela Internet mas não consegui pela BusSur e não consegui contato com as demais que operam o trecho. Cheguei a ficar preocupado de não conseguir para o dia seguinte, pois dizem que em alta temporada é bom ter tudo reservado. Mas foi bem tranquilo. Assim como há mta gente nessa época, há maior oferta de transporte também. A principal empresa que faz o trecho é a Turismo Zaahj. Cada época do ano há mais ou menos saídas por semana e por dia. A empresa possui um site que parece velho e desatualizado, mas as informações estão corretas. A passagem custou 17 mil pesos chilenos.
       
      Cheguei em Puerto Natales e fiz um pernoite num hostel bem ao lado do Terminal chamado El Fiodor.  (Ao final do relato vou deixar minha avaliação das hospedagens que fiquei pra ficar mais organizado)
       
      Deixei as coisas o hostel e fui comer. Isso era próximo às 21h e ainda havia sol. Fui ao Picada del Carlitos. Um pouco longe do hostel, mas a comida é boa. Fazia um frio do diabo. Comi,  voltei pro hostel e dormi.
       
      Dia 06/12 - De Puerto Natales a El Calafate
       
      Como minha viagem foi programada muito em cima da hora não consegui reservas para a Circuito W no mesmo período em que desembarquei no Chile. Isso aumentou meu número de deslocamentos e custo da viagem. É importante sempre começar o planejamento desta viagem por Torres del Paine!! Tudo com boa antecedência, principalmente se estará por lá em alta temporada (Novembro a Março). Nesse período os passeios tb são mais caro. De tudo li, a conclusão é que Março é uma boa época para fazer esse roteiro. É final de alta temporada e o ventos reduzem bastante. Por outro lado, o frio aumenta um pouco e o dia encurta. O problema maior são chuvas, que aumentam um pouco pelo gráfico que vi. Meu primeiro dia em Torres del Paine estava programado pra 17/12, mas aproveitei minha passagem por Puerto Natales para acertar as estadias e atividades que pretendia fazer no parque TdP. A programação de estadia no parque TdP é complicada pq vc tem que agendar as reservas contínuas de 3 a 4 noites com refúgios ou campings de duas empresas diferentes que operam dentro do parque (no meu caso o circuito W e não fiquei nos campings gratuitos). E se vc não fizer todas essas reservas, vai fazer a rota pela metade, pois não pode permanecer no parque sem reservas. A primeira empresa chamada Fantástico Sur é até mto tranquila pois tem um booking online no site , então na mesma hora vc sabe o que tem disponibilidade e quando. A segunda empresa, Vértice Patagônia estava sem booking online e foi um martírio fazer as reservas. Tirei uma manhã deste dia para ir pessoalmente confirmar essas reservas nas lojas das duas empresas e para fechar passeio de Kayak pelo Lago Grey, dentro do parque, com uma empresa chamada BigFoot. Fiz tudo isso e fui conhecer a Avenida Costanera e o centro da cidade. Nada demais mas vale a pena conhecer. Acabou ficando em cima da hora pra pegar o ônibus e não consegui fazer câmbio. Deixei para fazer na volta, já que só ia precisar de pesos chilenos pra pagar a entrada no TdP. Malas prontas, fui para a Terminal Rodoviário pegar um ônibus que saía às 14h. O ônibus da Turismo Zaahj é muito bom e moderno. Até El calafate são 5h com parada nas aduanas de Chile e Argentina para registro de saída e entrada. A rodoviária de El Calafate não fica mais no Centro da cidade, e é preciso andar de 10-20 minutos se for a pé. Não tem caixas automáticos no terminal lá. Meu hostal é o America del Sur, que fica bem perto da rodoviária então fui a pé mesmo. Após check in e mensagens a família já era tarde mas fui dar uma volta pra conhecer o centro. Voltei ao hostel e dormi.
       
      07/12 - El calafate (1) - Museus e parques
       
      Reservei 4 dias em El Calafate. A cidade tem um ótima estrutura de restaurantes, lojas e hospedagens de todos os gostos, um bom supermercado (La Anonima, vc vai precisar dele). Não há casa de câmbio oficial, mas você pode cambiar em alguns estabelecimentos bancários. A melhor dele sem dúvidas é o Banco de La Nación, que faz a cotação oficial. Todos os outros locais vão fazer com algum desconto mas é bom saber deles pois o banco funciona em horário bem restrito (de 8h a13h) e principalmente porque há filas desalentadoras. O segundo lugar seguro para câmbio é a loja da western, na principal tb. A cotação é menor mas funciona até domingo. Há também um restaurante chamado Parrila e Assado (todo mundo chama de Casemiro) que faz câmbio, mas só qdo interessa a eles fazer. Fui lá duas vezes e não fizeram. Eu tinha dois planos para a manhã deste dia, a primeira era chegar bem cedo no Banco para fazer câmbio e fugir das filas e a segunda era ir na loja da Movistar conseguir um chip pré pago. Só não contava com uma surpresa: era feriado! Aniversário da cidade de El Calafate. Era uma quinta e como bons sul-americanos emedaram a sexta e só voltaria a funcionar na segunda feira, quando eu já não estaria por lá. Isso melou meus planos, pois em El Chalten - meu destino após El Calafate - não tem banco nem loja de celular. Enfim, acontece. Fui começar o roteiro programado pela Intendencia do Parque Nacional Los Glaciares. O espaço fica bem na rua principal e é dividido em dois espaços, o bosque com informações sobre plantas e árvores nativas e exóticas e o centro de exposição, com filme, totens digitais sobre a fauna e flora da região patagônica, sobre Francisco Moreno, os glaciares e uma exposição permanente sobre a história das estacias, do parque, etc. É interessante e de graça! Passei parte da manhã lá lendo sobre tudo. Depois fui na loja da Hielo e Aventura acertar minha reserva para fazer o Big Ice, o passeio que tinha maior expectativa lá.Dps almoçar fui ao Centro de Interpetación Museo. Recomendo muito! É um pequeno grande museu mantido por um professor de História. Além da exposição de réplicas idênticas de fósseis completos de espécies encontradas na região patagônica, é um museu crítico, questionador, que expõe com coragem o processo de genocídio de povos tradicionais da região, cometido pelo governo argentino e estancieiros para expansão da criação de gado e ovelhas (carne, couro e lã). O museu custa muito barato e tem desconto para estudantes. Vi todas as exposição e depois aproveitei a proximidade e passei na laguna Nimez. A laguna é um local de observação da fauna da região, especialmente de aves. Não é o melhor horário pra fazer o passeio, pois as aves estão mais à vontade pela manhã, mas aproveitei pra dar uma olhada já que havia uma promoção pelo aniversário da cidade. A entrada custa Ar$ 150 e o passeio é autoguiado. Vc recebe um guia em papel que explica os pontos numerados da caminhada em torno do lago. Vi bastante aves mesmo à tarde. Há, perto do mirante, uma passagem para o lindo  lago Argentino que vale a pena conhecer! Fiz o circuito mais curto por causa da hora. Voltei para a avenida principal e passei na Ovejitas de la Patagônia, loja de sorvetes e chocolates. É indispensável provar o sorvete de calafate, fruta típica do local e que dá nome à cidade. Finalizei o dia (a noite por lá só cai umas 23h) comendo as recomendadas empanadas da Dona Mecha. Acho que é a mais barata que vi por lá, custava apenas ar$20. A de cordeiro era mto boa. Fui dormir cedo e me preparar pro Big Ice.
       
      08/12 - El Calafate (2) - Big Ice
       
      Tudo preparado para fazer o Big Ice. Pra quem não sabe, esse é um dos passeios de trekking no glaciar Perito Moreno. Há apenas uma empresa autorizada a explorar esse tipo de passeio, chamada Hielo y Aventura, e ela vende bem caro os dois passeios: o Big Ice e o Mini Trekking. Basicamente a diferença entre os dois é o preço, o tempo do passeio e o esforço exigido. O Big Ice é uma experiência de trekking aprofundada no Glaciar, caminhando na parte mais interna do Glaciar. O Mini Trekking por sua vez é mais leve, apenas pra ter a experiência. O local é o mesmo, o glaciar perito moreno. Oque muda são os cenário, como vou descrever. O procedimento da empresa é: te buscar no hostel, levar todos para um ponto de encontro onde sai um ônibus até o parque, que fica a mais ou menos uma hora e meia de distância de El Calafate. Há um guia que explica várias coisas sobre o parque e os glaciares durante a ida. Chegando no parque temos a primeira visão do Glaciar ainda de dentro do ônibus. É incrível, das coisas mais lindas que já vi ! Depois descemos e temos 40 minutos pra observar o Glaciar das passarelas, de frente pro glaciar.. Voltamos e pegamos novamente o ônibus para descer para um porto, onde está nos esperando um catamarã que atravessa até o refúgio da Hielo.. De lá começamos uma trilha. Até aqui todos estão juntos. Só mais à frente há uma divisão de grupos em língua (inglês e espanhol). Aí sim começamos a trilha de 50 minutos beirando o glaciar pelo continente. Quem vai pro mini trekking não faz essa trilha, fica logo no começo. Passamos por paisagens lindas na trilha, no entorno do glaciar. É uma subida, mas achei tranquila. Até que em um momento paramos para medir os grampos (estruturas de ferro dentada que colocamos embaixo do calçado para andar no gelo sem escorregar) e logo mais a frente entramos no glaciar. Em cima do gelo mesmo paramos para colocar definitivamente os grampos e seguimos com eles o tempo todo. É uma experiência estranha. O meu estava amarrado com mta força na bota, mas achei que era assim mesmo. Nesse momento também eles pedem que coloquemos as luvas, pois cair e arrastar a mão no gelo é perigoso. Passadas as instruções começamos o trekking. Logo de início encontramos um túnel de gelo!! É inacreditável! Tiramos fotos cada uma uma vez em fila. Não pode atravessar pois é perigoso, podendo-se ceder a qualquer momento. Bom, todo o cenário a partir daqui é impressionante! Pequenos rios, lagoas azuis, sumidouros, fendas, são coisas que só no Big Ice você consegue ver. O túnel não é sempre, pois são formações temporárias e imprevisíveis. Depois de algumas horas de trekking, paramos para almoçar. Ali mesmo no glaciar. O trekking é cansativo principalmente porque não é fácil andar nos grampos. Preste bastante atenção nas instruções sobre subida, são muito importantes para evitar esforço desnecessário e lesões. Eu consegui uma bolha no calcanhar. No final estava incomodando bastante. Acho que tinha a ver com a amarração exageramente apertada fazendo meu calcanhar friccionar com a bota com mta força. Não sei. Mas dá uma canseira. No final tiramos os grampos (alívio!) retornamos pela trilha. Nessa hora, o dia que estava bem aberto e azul fechou bem e começou a chover pela região do parque. Voltamos ao refúgio já sob chuva. Aguardamos o barco para cruzar novamente o lago e pegar o ônibus. No barco eles dão umas lembranças e uma bebida para esquentar. Voltamos já no final do dia. Todos são unânimes em dizer que é um passeio muito caro. De fato, não é barato não. Além de pagar o tour, você paga a entrada do parque que é ar$ 500!!! Não tem refeição nenhuma. Eles são super profissionais, tem mta gente envolvida no passeio, mas ainda assim é bem caro. Daquele tipo de passeio que você paga pq sabe só vai fazer uma vez na vida. Se você não tem condições de fazer, vale muito a pena ir ao parque, explorar as passarelas e trilhas com calma . É um lugar incrível, mesmo sem fazer o trekking no gelo. Eu gostaria se ter tido mais tempo nas passarelas para poder ficar ali apenas escutando os estrondosos rompimentos do glaciar. Esse passeio sairá mais barato e será muito bom tb. Na volta nos deixam no hostel. Desci para comer um Chorizo Argentino e voltei já cansado.


       
      09/12 - El Calafate (3) - Glaciarium de bicicleta e Yeti Bar
       
      El calafate não tem mtas opções interessante de passeios além do Parque e trekking no glaciar.. Pelo menos não me interessaram tanto. Há opções de full day em Torres del Paine que podem ser interessantes para quem não pretende fazer a rota W no TdP. Há cavalgadas, passeios em 4x4. Apenas dois passeios me chamaram atenção : estancia Cristina e Rios de hielo. Mas o preço pesou na decisão de não fazer. Sem ter muito o que fazer decidi alugar um bike no hostel e ir até o museu glaciarium de bike. Fui margendo o lago Argentino pela Avenida Kichner até quando pude. É lindo! O museu fica num desnível alto da RP 11, então se for de bike se prepara pra ladeira. A visita ao museu valeria apenas pela vista incrível do Lago Argentino. Mas além da vista, é um museu super interessante. Ele trata mais especificamente da glaciologia, a ciência que estuda os glaciares. Pra mim não rolou, mas achei que seria uma boa visitá-lo antes de ir ao parque ou fazer o trekking no glaciar. Muita coisa explicada lá você vai entender na prática durante o passeio. O museu custa 360 pesos (sim, bem caro) mas tem desconto pra estudante brasileiro (ar$ 280). Além do museu, há o Glaciarium bar, que nada mais é do que um bar de gelo. Você paga 240 e fica alguns minutos lá bebendo e tirando fotos num ambiente a -20 graus. Achei caro e fui fazer essa experiência no Yeti Bar qdo voltei pro Centro. No Yeti é ar$190 pesos. Mas voltando ao Glaciarium Museo, não precisa ir de bike como eu fiz. O Museu tem um serviço de transporte gratuito que sai de hora em hora de frente à Secretaria de turismo, na principal. Eu gostei bastante do museu. De bicicleta ainda mais. Na volta parei para comprar alfajores pra família. Tem mtas lojas de doce em El Calafate, mas segui a recomendação de comprar na Koonek. Provei um antes e realmente era mto bom. Por fim comprei uns souveneris pois seria o último dia. Acabei indo, como disse, conecher o tal bar de gelo da Yeti bar.. Eu fui mais pela bebida mesmo rs Queria provar o tal fernet com coca cola, bebida típica de Córdoba mas que foi adotada em toda Argentina. Provei, achei uma porcaria. Dps pedi um outro drink, e tirei umas fotos. Deu pra ficar alegrinho, e é isso. O bar de gelo não tem nada demais, é apenas uma brincadeira mesmo. Penso que as crianças devem se divertir um monte. Custa ar$ 190. Por fim fui pro hostel devolver a bicicleta. Arrumar as coisas e dormir.
       
      Avaliação de El calafate:
       
      El Calafate é uma cidade com bastante passeios a fazer, mas tudo pago (e caro). Certamente o parque nacional Los Glaciares (onde fica o Glaciar Perito Moreno) e o trekking no glaciar são os grandes passeios da cidade. Os museus e restaurantes são bons complementos na sua estadia lá. De 3 a 4  dias é o suficiente para conhecer bem a cidade. O melhor mercado é o La Anonima, logo na entrada da cidade. A alimentação simples como um cordeiro patagônico pra uma pessoa por lá fica por volta de ar$230-300. Não é mto barato e não tem muito pra onde fugir, a não ser fazer sua própria comida no hostel. No geral eu curti a cidade e curti muito o Big Ice, certamente melhor recordação do lugar.
       
      10/12 - El Chaltén (1) - ida pra El Chaltén e trilha de los Miradores
       
      Há diversos formas de transporte e horários para chegar a El Chalten. O hostel fazia a reserva de vagas direto na recepção, como queria dar uma descansada dormi até mais tarde e fui no ônibus das 13h. Dei uma última volta pela cidade pela manhã e aguardei a hora de ir. Na ida, que dura 3h, há uma parada em um restaurante/hotel chamado La Leona. É um restaurante cheio de História pra contar, vale a pena descer e visitar. Na chegada à cidade o imponente Fitz Roy já dava as caras. O tempo estava mto bom aquele dia e fiquei um pouco frustrado de não ter ido cedo para já fazer uma trilha das de longa duração. Na entrada do parque todos somos obrigados a descer para escutar algumas recomendações e explicações sobre o parque. Qdo passar lá não esqueça de pedir um mapa. Cheguei em El Chaltén e fui direto pro hostel. Fiz check in e não sabia se fazia uma trilha curta ou ia almoçar. Um brasileiro que estava o meu quarto me convenceu a fazer as trilhas dos Miradores. São rápidas, mas com uma subida boa. Qdo subi, o Fitz Roy já tinha se encoberto e as nuvens já anunciavam o que ia ser o outro dia. Tirei umas fotos, desci e passei no mercado. As coisas em Chaltén são mais caras que em El calafate, desde o supermercado até restaurantes. Se você estiver economizando o máximo, cogite comprar sua alimentação em El calafate. Da mesma forma, vá de câmbio trocado. Comprei algumas coisas no mercado para não precisa comer na rua e dei uma volta na Av.San Martin para mapear o lugar. No hostel conversei com alguns brasileiros que conheci e fui dormir.
       
      11/12 - El Chaltén (2) - Laguna Torre com tempo nublado
       
      Bom, como estava anunciando o dia anterior, este dia o tempo não estava nem um pouco favorável.  E qdo o tempo não tá favorável em El Chatén é um saco. Passei no centro de informações para perguntar o que fazer tendo em vista o clima, ela sugeriu a Chorrillo del Salto, uma cachoeira bem pequena que fica perto da cidade. Não fiquei muito satisfeito com a sugestão e ao sair encontrei um brasileiro e fechamos de fazer a Laguna Torre mesmo com o tempo ruim. Não tinha idéia de como estaria, mas não queria fazer o mais simples. Pretendia guardar a cacocheira pro último dia pra descansar. Fomo nós então : 18km ida e volta, 6 horas ao total. A trilha começa no meio da Av San Martin. Tem uma grande placa indicando. A trilha é longa, mas tranquila. Sem muito desnível. Mas o tempo ruim desanimou bastante. E as moscas dessa região são um pé no saco tb. No primeiro mirador não dava pra ver nem o Cerro Torre, de onde há o degelo que forma a laguna. Frustração, mas segui mais algumas horas. No final da trilha, onde fica a laguna, dava pra ver só a laguna com sua cor meio acinzentada mesmo e um pouco do Glaciar Grande, que fica próximo. Parei para bater um marmitex na chegada e tirei algumas fotos só da laguna mesmo. Tudo bem a natureza quem manda por aqui. Encontrei alguns brasileiros por lá, conversamos um pouco e dps voltei pq o começou ventar e chover fininho. Na volta comecei a sentir meu calcanhar dolorido, já logo pensei que teria relação com a bolha que fiz no Big Ice. No final já nem tava aguentando mais, fui dando passadas mais curta, meio mancando, até chegar no hostal. No hostal vi que a coisa era tensa no meu calcanhar. A caminhada tinha piorado um tanto a ferida. Fui à farmácia comprar algo para passar e a  farmacêutica me indicou um cicatrizante + bandaid. Comprei. Aproveitei para passar no mercado e complementar as compras. Fiz um jantar, cuidei do pé e fui dormir. O próximo dia prometia ser o melhor possível pela previsão do tempo. Já estava ansioso.
       
      12/12 - El Chalten (3) - Laguna de los três com subida pela hosteria El Pillar
       
      A previsão do tempo se cumpriu, dia lindo e aberto, sem ventos, sem nuvens, Fitz Roy rindo pra gente. Nem tomei café da manhã direito, fui logo pro terminal de ônibus pegar o transfer para a Hosteria El Pilar para fazer a Laguna de los Tres. Explico: tem duas formas principais de chegar a essa laguna. A primeira delas é o pelo Sendero Fitz Roy, ao final da Av. San Martin, dentro da cidade. A segunda é pela famosa Hosteria El Pilar, um estabelecimento que fica no meio da estrada. Essa trilha começa a 6km do povoado de El Chalten. Qual a diferença? Pela Hosteria você tem acesso ao mirador Piedras Blancas, que tem vista pro glaciar de mesmo nome e dps vc volta pelo Sendero Fitz Roy. O contrário não é possível, ou seja, ir pelo Sendero Fitz Roy e voltar pela hosteria é desvantagem pq vc terminará trilha no meio da estrada e precisará andar mais 6km pra voltar a El Chalten. Então pela Hosteria vc consegue fazer o mesmo passeio com mais atrativos. Pra chegar na hosteria todos pegam um transfer com a  empresa Las Lengas, que tem um guichê na rodoviária. Ela sai em 3 horários programados. Peguei o primeiro, que sai 8h. Como meu calcanhar ainda estava ruim arrisquei fazer todo  percurso de havaianas! E coloquei a bota na mochila para urgências. Fui direto na rodoviária pegar a van da Las Lengas, pq era do lado do meu hostel. Mas se vc reservar com antecedência eles te buscam na porta do seu hostel. A trilha é super tranquila e relativamente bem marcada. No começo da trilha dá pra se confundir um pouco pq vai paralelo ao córrego do rio, mas cruzando-o de vez em quando. Dps que começa a subir fica bem fácil e bem traçado. A trilha é muito tranquila em 90% do trecho. O que pega nessa trilha é o último quilômetro. É meia hora de subida sem parar. Um pouco puxado, mas vi de tudo que era gente subindo: idoso, criança, cada um no seu tempo e todo mundo chega. E aí tem a recompensa. Se o dia está claro e aberto é um dos cenários mais lindo que você vai ver na vida. A imponência da cadeia do Fitz Roy é absurda. A água do lago é linda, extremamente convidativa. Pela margem direita do lago vc pode ter contato direto com neve acumulada, mesmo no verão. Dá até pra descer de skibunda!. Quando voltei  não resisti e mergulhei na laguna. O tempo estava bom, sem vento e mto sol, então fui. Não recomendo fazer isso, a água é congelante mas queria ter essa experiência. Sequei um pouco no sol  e fui pra na margem esquerda da laguna, onde há uma subida pro mirador Laguna Sucia, que é um super cenário tb. Enfim fiquei lá umas 3 ou 4 horas. O lugar tem uma paz incrível. Vale a pena se isolar em um canto e ficar ali só curtindo. Na volta passei um pouco de perrengue por causa das havaianas. É bastante escorregadio e só não cai algumas vezes por conta do bastão de trekking. A propósito minha melhor compra nessa viagem foi um par de bastão de trekking. É incrível a diferença em termos de equilíbrio e economia de joelho. Vi mta gente subindo a parte final da laguna quase engatinhando, sem qq postura de apoio. Com os bastões isso não era necessário. Eu subi o trecho final todo de uma vez só, e como disse no início não sou nenhum trilheiro habitual. Acredito que tenha a ver com a ajuda dos bastões pois ele ajuda mto na distribuição da força de subida. Na descida também. O caminho de volta te permite conhecer a Laguna Capri, ela fica no caminho de volta até El Chalten, via Sendero Fitz Roy. Não é tão bela, mas vale a pena conhecer. Também há alguns outros miradores no caminho do Sendero Fitz Roy. Desci feliz da vida, e aliviado de ter conseguido fazer a trilha de havaianas. Dia mais que especial. Passei no mercado mais uma vez, fiz janta e dormi cedo. Já apresentava bons sinais de cansaço no joelho e pernas. Foram quase 40km em dois dias.
       
      13/12 - El Chalten (3) - Pliege Tombado com tempo nublado
       
      A segunda trilha mais interessante por aqui é o Lomo del Pliege Tumbado. Basicamente se consegue uma vista panorâmica das cadeias de montanhas Fitz Roy, Torre e demais por um ângulo bem atípico. Claro, desde que o tempo esteja limpo. Não era o caso. Não tava totalmente coberto, mas havia muita nuvem por detrás do Fitz Roy, onde fica o Cerro Torre. Ali que mora o problema. Essa é a trilha mais puxada para quem não vai acampar. São 10km e 1.000 metros de desnível. Estimam 4h horas de caminhada de ida. Tinha olhado no WindGuru (app que a maioria dos trilheiros usam para prever o tempo de El Chalten) que o tempo ficaria pior mais à tarde. De manhã estaria relativamente ok. Para ter certeza que valia a pena passei no centro de informações e a atendente disse que sim, poderia se ver algo. Sai de lá olhando pro céu e achei que ela estava equivocada, mas paguei pra ver. Diferentemente da laguna de los três, essa tem uma subida constante, alternada por estepes plana e depois mais subida. É uma subida lenta e gradual, mas que exige bastante esforço. Ela tb não é muito procurada, talvez pela dificuldade ou desconhecimento, não sei, mas cruzei com poucas pessoas esse dia. É uma trilha bem traçada. Ela começa atrás da Intendência do Parque Nacional, assim como a trilha dos miradores. As paisagens alternam entre florestas de lengas e campos de estepe. Senti um pouco de cansaço na trilha, acumulado dos dias anteriores, mas segui em frente até o primeiro mirador. De lá já deu pra ter idéia de que a subida foi em vão. Não se podia ver nada no horizonte. E essa trilha é essencialmente de vista, não há lagunas. Depois deste mirador ela segue, porém já cansado e sem possibilidade de melhora do tempo voltei dali mesmo. Foi o suficiente. Na volta parei na Intendência do Parque Nacional pra ver uma pequena exposição que fica lá. Tem uma parte interessante sobre a história das expedições de escalada dos cerros Torre e Fitz Roy. Dali voltei pro hostel. O tempo então piorou bastante. Os ventos começaram a soprar muito forte e uma chuva fininha desceu e não parou mais. Fiz um almoço por lá e esperei até à noite pra ver o jogo da final da copa sul americana. Fui num bar bem legal chamado Caytaneo, na Av San Martin. Pedi uma pinta (copo de cerveja) e me diverti vendo o flamengo perder o título no junto dos hermanos. Voltei pro hostel, jantei e fui dormir.
       
      14/12 - El Chaltén (4) - Encontro com amigos do RJ e Chorillo del Salto
       
      O dia amanheceu tão ruim quanto terminou o anterior. Sem Fitz Roy, mto frio e chuva. Fiquei boa parte do dia no hostel lendo. Algumas pessoas do hostel impacientes com o tempo foram pra trilha assim e mesmo e voltaram com cara de arrependidos. Um coreano do meu quarto disse que foi apenas até a Laguna Capri e voltou. Para minha sorte um casal de amigos que moram no RJ e estão viajando pela América Latina chegaram  em Chatén na noite anterior. Sem clima para trilhas, fomos comer algo no Restaurante Ahonikenk, na Av. Miguel Martin. Todos falaram mto bem desse restaurante. Pedimos uma pizza e estava mto bom. Parece que o carro chefe é o Ravioli de Cordeiro. Bebemos um pouco animamos de fazer a trilha mais tranquila, a Chorrillo del Salto. É uma pequena cachoeira que fica na estrada ao final da Av. San Martin. Fica pouco mais de 3km do centro e é mto bem sinalizado. Apesar de fácil, o vento, a chuva e o frio tornaram essa trilha uma grande aventura. Confesso que esperava pouco da cachoeira, já que no Brasil temos cachoeiras incríveis, mas ela é linda e super valeu a pena enfrentar as intempéries. E salvamos um dia que tinha como perdido. Passamos um tempo lá admirando a bela queda d’água, passamos no mercado e me despedi deles,. Fui para o hostel fazer check out e me preparar para seguir caminhada no outro dia.
       
      Resumo de El Chaltén
       
      Em 5 dias que fiquei lá, apenas um dia perfeito. El Chaltén não é para amadores! Sem céu limpo e bom tempo para ver o Fitz Roy e Cerro Torre a cidade perde completamente o sentido. Vi gente indo embora sem nem conseguir ver por um momento sequer o Fitz Roy, ainda que de longe. Dias perdidos mesmo, mta frustração no hostel. Então vá se preparando para contar com a sorte. Para não precisar contar tanto com a sorte, você pode deixar a programação de ida para El Chaltén em aberto e acompanhar a previsão do tempo. Claro, para isso vc terá que arrumar o que fazer por El Calafate ou Puerto Natales para passar os dias. Acompanhar o windguru seria uma forma de evitar a frustração de ir para Chaltén e não ver nada. Olhou a previsão, viu que tem bom tempo para os próximos dias, faça check out de onde estiver e vá pra El Chaltén! Do contrário, vá fazendo hora nas demais cidades até que o tempo se abra. Se eu soubesse disso antes teria aproveitado um dia a mais de sol em Chaltén que perdi pq resolvi pegar o ônibus mais tarde. Isso é minha primeira conclusão. Depois, se vc tem dúvida sobre que trilha fazer, vou repetir a sugestão que ouvi de todas as pessoas que conheci. Na verdade tudo depende de qts dias vc tem. Se tiver um dia, faça laguna de los três, seja começando pela hosteria el pilar, seja pelo sendero Fitz Roy. Não só pq é incrível, mas pq é o cartão postal do lugar. Se tem dois dias, faça laguna do los três e Pliege tombado. Se tem três dias faça laguna torre. É o top 3 do lugar. O resto são complementares, nada supera a imponência do Fitz Roy. O ideal seria alternar trilhas difíceis com fáceis, mas como o tempo é imprevisível é difícil seguir isso. Para quem não tem tempo contado e dinheiro sobrando, há algumas trilhas fora de El Chalten, como Estancia Huemules e Laguna del Desierto, Piedra de Frade, etc, todas precisam de um transfer ( a Las Lengas faz quase todas). Acho que pode valer a pena se você fez as principais trilhas da cidade e não tem mais atividades.
       
      15/12 - Despedida de El Chaltén, volta para Puerto Natales e preparação para o Circuito W
       
      No meu roteiro original dia esse dia estava aberto para imprevistos climáticos. Como o clima estava ruim por todo canto, decidi voltar antes para Puerto Natales para me programar melhor para os 4 dias no Parque TdP. Confesso que essa é  parte do roteiro que mais me preocupa, seja porque é o momento que estarei mais exposto já que serão dois dias de camping, seja porque é a parte mais exigente fisicamente. Pra piorar a previsão do tempo também não era das melhores por lá. O dia em El Chaltén continuou péssimo com muita chuva, havia pessoas entediadas por todo canto no hostel. No dia anterior tinha ido comprar minha volta na rodoviária.Não há ônibus direto para Puerto Natales de El Chalten. É preciso ir para El Calafate. Fui para El Calafate com a van das La Lengas por Ar$ 450 + 20(taxa rodoviária), pegando no hostel e deixando onde você quiser em El Calafate. É provável que em El Calafate ou no seu hostel digam que não há diferença de preço para El Chaltén, mas não é verdade. Além da Las Lengas, a Taqsa tem um preço melhor. Acho que quando vendem por ar$600 alguém está ganhando uma comissão aí. Se informe qdo estiver na rodoviária. Chegando em El Calafate teria duas horas livres até embarcar no ônibus para Puerto Natales. Reservei esse tempo para ir até o centro comprar pesos argentinos (já pensando em Ushuaia, para onde iria dps de Torres Del Paine) e alguns souvenirs. Procurei algum lugar para deixar meu mochilão na rodoviária e fui informado que no guichê da empresa Taqsa era possível deixar, mediante pagamento de ar$ 30 pesos. Ok, não tinha muita opção. Deixei lá e segui. Acontece que nesse dia decidi botar a bota pela primeira vez desde a trilha para a Laguna Torre, quando a ferida no calcanhar incomodou muito. Durante todos os dias até então fiz tudo de chinelo para deixar cicatrizar mais rápido possível. Parece que não adiantou muito.  Andei alguns metros da Rodoviária em direção ao centro de El Calafate e a dor incômoda parecia que era a mesma. Achei melhor não insistir e fui pegar um táxi. Pegar táxi é sempre um problema em qualquer lugar do mundo, parece que todos eles querem te enganar de algum jeito. Eu precisei e não tinha pra onde fugir. Perguntei qto ficaria, ele disse que é taxímetro. Ok. Indiquei a parada no casemiro para fazer câmbio (aquele que não tinha conseguido duas vezes) pois o trajeto era o mais curto e dessa vez consegui rápido cambiar. Aproveitei e comprei um souvenir na loja em frente e pronto. Final da corrida: ar$180!! Detesto táxi, mas tudo bem esse pareceu honesto apesar de caro. Enfim tudo certo, a passagem para Puerto Natales foi mais uma vez pela Turismo Zaahj e custou ar$600. A volta foi bem chuvosa, Puerto Natales estava bem chuvosa e fria. A previsão do tempo para os próximos dias não era boa, mas não tinha muito o que fazer. Quando cheguei voltei para o El Fiodor hostel, que era muito próximo à rodoviária e barato. Depois vi que havia outras hospedagen boas por ali, mas na chuva foi o primeiro que recorri. Já eram quase 22h, fiz algo para comer e fui dormir  
       
      16/12 - Puerto Natales - Resolvendo pendências
       
      O dia estava livre para resolver tudo relativo ao Parque TdP.. Precisava de cambiar dólares para pagar o parque, de alguns itens de farmácia e informações sobre o parque em geral (como chegar e voltar, que horas ir, etc.). Sobre lugar para câmbio, segui conselhos de outros sites e fóruns e fui à Câmbio Sur. Enquanto a maioria dos lugares estava fazendo a CLP 600 por dólar, lá estava CLP 620. A Câmbio Sur, fica bem no centro, na rua Hermman Eberhard, rua da igreja principal. Os itens de farmácia comprei em um lugar farmácia do centro. As informações do parque e das hospedagens obtive na empresa Fantástico Sur, na Vértice Patagônia e na secretaria de turismo. Na secretaria te dão mapas e informações completas do parque, vale muito a pena pegá-los. Aproveitei e passei no mercado Unimarc, o maior da região e parei pra almoçar na rua. Por acaso vi restaurante dizendo que fazia comida caseira. Não resisti e fui conferir. Não me arrependi. Por 4 mil pesos comi entrada + prato principal, que é um ótimo preço. O Restaurante chama La Picada del Mercadito. Resolvido essas questões fui até à Rodoviária fechar as passagens para o Parque TdP. Observei que a rodoviária de Puerto Natales é muito bem estruturado. Tem local para câmbio (o câmbio tava $1/600CHP). Não é tão ruim numa situação de emergência. Lá também tem um local para guardar mala e mochilas por 1.500 ou 2.000 CHP por dia, dependendo do tamanho. Este serviço era algo que estava precisando pois não queria ir com mochilão inteiro para fazer o Circuito W. Comprei a passagem ida e volta por 13.000 CLP com uma empresa chamada Juan Ojeda. Na verdade errei o box, pois pretendia comprar da Buses Fernandez, uma empresa mais conhecida. Depois que comprei que vi o nome da empresa e o box errado. Em geral o preço de ida e volta é 15.000 CLP. Essa empresa fazia por 13.000 CLP. Desconfiei de princípio, mas desencanei e fui para o hostel. Conversei com o dono do hostel e ele liberou deixar meu mochilão lá até minha volta sem custo. Passei o resto do dia preparando o que ia ficar e o que ia levar, pois levaria uma mochila Deuter GoGo para passar os quatro dias. Tinha que caber tudo nela. No final das contas deu tudo certo, mas apertado. Tudo pronto, só esperar o grande dia.
       
      17/12 - Torres del Paine (1) - mirador de las Torres e camping Chileno
       
      Como já devo ter dito, mas vale repetir. Nada foi mais trabalhoso no pré viagem do que preparar os dias que ficaria em TdP para fazendo o Circuito W . É preciso um estudo dedicado para escolher o que fazer, como fazer, onde pernoitar (se for dormir no parque) ,como chegar, como sair, fazer o Circuito ou não, reservar com quem, qto tempo tem cada trilha, calcular distância,etc. Tudo isso faz parte do planejamento. Eu vou escrever essa parte pensando que quem está lendo tem um mínimo de leitura e estudo do mapa e dos lugares para ficar, pois não tenho como partir do zero aqui. Ficaria muito grande. Para tanto recomendo ler o site oficial do parque, da Fantástico sur e da Vértice patagônia. É preciso dizer desde logo que não existe apenas uma forma de explorar o parque TdP. Por ser imenso, vc pode fazer de várias formas. Muita gente faz o Circuito W, o que fui fazer. Mas é possível fazer apenas o mirador de las Torres, o grande pico do lugar, e voltar no mesmo dia para Puerto Natales.  Há opção também de alugar um carro e percorrer diversos caminhos diferentes e igualmente belos. Tem passeios a cavalo tb. Enfim, uma infinidade de lugares e formas de explorar. Tudo depende do quanto você tá disposto a pagar em dinheiro e gastar fisicamente. A entrada no parque custa CLP 21.000 para estrangeiros na alta temporada e te dá direito de entrar no parque por três dias contínuos além do dia da entrada. O que vc vai fazer com esses três dias é com você. Por isso recomendo passar na secretaria de turismo de Puerto Natales. Se vc está na cidade e não sabe como explorar o parque, e não tem reservas para dormir no parque, vá lá que eles vão fazer um roteiro legal pra você. Para quem quer fazer qualquer dos circuitos, se prepare antes para fazer as reservas, principalmente se for alta temporada. Apenas para ter uma idéia, resolvi que faria esta viagem com apenas dois meses de antecedência. Qdo fui pesquisar as hospedagens na Fantástico Sur, empresa que administra duas das hospedagens que precisaria ficar para fazer o Circuito W, praticamente estava tudo esgotado para Dezembro. Consegui apenas camping e era o último. Quem vai fazer o Circuito W precisa de pelo menos 3-4 noites no parque. Em geral as pessoas ficam uma noite no Chileno ou Las Torres( pertencentes à Fantástico Sur), uma noite no Los Cuernos ou Francês (Fantástico Sur), uma noite em Paine Grande e um noite no Grey (pertencentes à Vértice Patagônia) e no quarto dia pega um catamarã de Paine Grande para Zona Pudeto, onde passa o ônibus de volta pra Puerto Natales. Estou falando aqui de mochileiro gourmet, ok? Mochileiro raiz, aquele que sobe morro durante 4 horas com barraca, isolante, saco de dormir, comida, fogareiro, panela, etc. tem outras opções de camping, inclusive gratuitos da Conaf (órgão que cuida do parque). Se vc se enquadra no raiz, esse relato não vai te ajudar muito. Pois bem, dizia que você precisaria de 3-4 noites pagas. E ]bem caras. Devo dizer. Você pode economizar levando sua barraca e comida, tudo depende do seu planejamento. Eu fui no esquema preciso de tudo, então paga-se pela barraca, pelo saco de dormir, pelo isolante, pela pensão completa (jantar, café da manhã e lunch box pra levar pra trilha no outro dia). Cada dia na barraca com tudo alugado + pensão completa foi 500 reais (+- 150 dólares). Camping mais caro da vida. Esse é o preço que paguei pra Fantástico Sur. Dps falo da Vértice Patagônia, a outra empresa. Comecei o dia bem cedo. Os ônibus para o Parque partem essencialmente em dois horários 7h30 e 14h30. Comi dois pães que tinha preparado no dia anterior e fui pra rodoviária. Há uma quantidade imensa de pessoas indo para o Parque no mesmo horário essa època. Acho que não é impossível conseguir passagem na hora pois há muitos ônibus, mas não precisa arriscar. Logo que vi meu ônibus entendi porque era mais barato : era um cacareco velhinho. Mas foi cheio e deu conta do recado. São aproximadamente duas horas até a entrada Laguna Amarga (uma das entradas do Parque TdP). Como disse o parque tem várias entradas e o ônibus passa em todas, mas essa é a principal. Quem está indo pela primeira vez para o parque desce nesta entrada, preenche um formulário de registro, paga a entrada e entrega o formulário. Se estiver fazendo algum circuito é pedido comprovante de reservas, porque não pode ficar no parque sem reserva. Eu levei as minhas impressas, mas vi que serve o comprovante digital to. Depois todos são reunidos numa sala para ver um vídeo de orientações do parque. Liberados, há duas possibilidades. A primeira é voltar para o seu ônibus e ir para alguma outra entrada (caso de quem está voltando ao parque pela segunda vez ou de quem vai começar o Circuito W por Paine Grande). A segunda, que foi meu caso, é pegar um ônibus ou van para começar o Circuito W pelas base Torres. Há uma empresa que faz esse transfer, chamada Las Torres. Eles ficam logo depois da entrada onde você se registra. Custa CLP 3.000.Não é obrigado pegar esse transfer, você pode ir andando da entrada até a base Torres, onde começa a trilha de fato para o mirador de las Torres e o camping e refúgio Chileno. O caminho porém é longo. São quase 8 km. Eu peguei e em 15 min estava num posto do Hotel Las Torres onde há banheiros, café, centro de informações. Descubro até que é possível ter Internet dentro do parque. Há um rede paga nos refúgios e por 10 dólares vc tem 8 horas de Internet, ou 5 dólares por uma hora. Muito gourmet! A trilha começa atrás deste posto do Hotel. São 400m de subida de dificuldade média até o camping e refúgio Chileno, da Fantástico Sur, passando pelo lindo valle ascencio. No caminho dava pra ver a cadeia de montanhas Torres, um pouco nublado Esse dia foi de muito vento e em alguns lugares ele é tão forte que você não consegue andar pra frente e trava pra não ser levado pro precípuo, pra onde ele sopra! É meio tenso, mas ninguém é levado rs. Depois de algumas horas e uma oa subida, cheguei no camping. Era muito cedo e ainda não dava pra fazer check in. O check in do camping é a partir das 14h, do refúgio é um pouco mais cedo, tipo 12h30. O Chileno é bem pequeno, fica num canto da mata à beira do rio ascencio. Contei no máximo uns 20 espaços para camping. Como não podia fazer o check in, pedi para deixar minha mochila na guardador do refúgio e fui subir para as Torres. Ver as Torres era meu principal plano esse dia. A minha idéia inicial era chegar cedo para subir para as Torres, e se o tempo não estivesse bom teria a manhã do outro dia para fazer de novo. Seriam duas chances. Só não contava com uma coisa : a subida para o mirador das Torres tem mais um desnível de 400m, dessa vez difícil. Muito parecida inclusive com a subida da Laguna de los tres, em El Chaltén. Só que a primeira parte até o Chileno já foi cansativa. Subir mais 400m seria cruel. Fui assim mesmo. O tempo estava piorando e apesar do cansaço segui até o final para ver apenas a laguna. Os Torres estavam encobertas, infelizmente. Mais uma frustração nessa terra. Fiquei por lá pouco tempo porque além do vento, o frio também pegando e já começava a chover. Tirei algumas fotos e voltei. Agora chovia em toda parte. Essa parte foi bem difícil porque fica tudo bem escorregadio na chuva. E o cansaço te ajuda a ficar vulnerável quedas e escorregões. Mais uma vez os bastões foram essenciais. Voltei pro Chileno morto de cansaço. Fiz check in e ocupei minha barraca que estava já montada me esperando. O local para barracas é em uma estrutura de madeira no alto como se fosse um deck e cada espaço tem um número de identificação. Isso me tirou um grande medo que era alagamento por causa de chuva. O frio estava forte e a umidade parecia que molhava tudo. Fui tomar um banho antes de jantar. Antes tomei uns goles de vinho que eu trouxe de Puerto Natales para esquentar, e foi uma excelente idéia. O banheiro do camping Chileno é fora do refúgio, mas é muito bom. A água não era tão quente quanto aquele frio merecia, mas o box tinha sabão e shampoo e suficiente suporte para as roupas. Esse dia esqueci que a primeira refeição do dia seria a janta, então estava faminto. Lembre de levar algo para comer se fizer o mesmo que eu fiz. Algumas pessoas só chegam no Chileno na parte da tarde jantam, dormem e fazem o mirador Torres no outro dia de manhã. Isso será uma escolha que você deverá fazer. O que posso concluir até agora do que vi é que se o dia tá ruim pela manhã dificilmente ele melhora a tarde. Pelo contrário, piora. Então fazer os passeios pela manhã é sempre uma boa idéia. Não é nada científico, apenas constatação que tive. Eu mesmo não segui isso, mas me arrependi um pouco. Enfim, o jantar no Chileno é por ordem de chegada à mesa e ocorre em dois intervalos de uma hora cada. Isso é informado na hora. Se tens muita fome chegue 10 ou 15 antes para garantir o seu. Comem todos juntos no refúgio, mesmo os acampados. A comida é sensacional, entrada prato principal e sobremesa. Muito bem servido e preparado. Há opções vegetarianas também, basta avisar. Aproveitei que cheguei cedo e coloquei algumas roupas para secar na calefação, pois peguei muita chuva e com a umidade que fazia não havia outro jeito de secar. Muita gente fica em pé perto do calor para secar roupa. Comprei um hora de Internet para conversar com minha namorada e abri alguns textos para ler, pois não tinha levado livros para não pesar mais na mochila. A Internet do camping é melhor que tive em toda patagônia rs deve ser via satélite. Foi 5 dólares. Voltei pra barraca já escuro, ainda chovendo e fazendo muito frio. Arrumei as coisas, tomei mais um gole de vinho e fui dormir.
       
      18/12 - Torres del Paine (2) - Das Torres a Los Cuernos
       
      Tenho impressão que no parque a manhã é a hora mais fria. No camping dentro da mata então… Parecia que tudo estava molhado, mas era apenas a umidade. Acordei cedo e já olhando pras Torres. Parecia menos nublado, mas ainda não justificativa uma subida pesada de duas horas. Fui pro refúgio onde é mais quentinho. Nesse dia o vento está bem forte mesmo. Aguardei o café da manhã bem quietinho lá. No Chileno não há qualquer tomada para você carregar celular. Na sala de refeições tem várias tomadas, todas desligada. Parte da energia elétrica vem de placas de energia solar e são acumuladas em baterias, portanto não podem oferecer energia aos clientes, nem do camping nem o refúgio. Vá provido de um bom carregador externo. Assim como o jantar, o café da manhã é muito bom. Você come à vontade dentro do turno, que também é por chegada. Comi e voltei ao camping pra arrumar as coisas. É recomendado começar as trilhas antes das 9 da manhã. Apesar do dia durar até muito tarde, a melhor parte do dia é o começo da manhã e tarde. Como eu dormia cedo todos os dias, antes das 6 da manhã já tava rolando no saco de dormir. Ajeitei as coisas e fui pegar o lunch box. Você pode pegar pra levar ou comer na volta da trilha ( para quem escolheu subir as Torres pela manhã). O lunch box é um pacote que eles entregam. Olhei para ver e tem um super sanduíche, uma maçã e cereais. Achei realmente incrível a qualidade da comida e do atendimento do Chileno. Tudo vem de longe e para chegar lá no meio do vale é preciso usar cavalos para transporte. A maçã que vai no lunch box vem de Santiago, percorre 8 mil quilômetros. É por isso que custa tão caro. Guardei o lanche e fiz o caminho de volta pelo vale Ascencio. A volta é tranquilo, descida firme. Eu fiquei atento para achar um tal atalho que existe entre o setor Chileno, onde estava, e o setor Cuernos, para onde ia. Os mapas mostram esse atalho, mas na descida não vi nenhuma sinalização. Acabei descendo até próximo da ponte sobre o Rio Ascencio quase no início da trilha e fazendo o caminho como quem chega pelo Hotel Las Torres. O dia esse estava bem aberto nessa parte. Após andar um pouco logo se alcança o imenso Lago Nordenskjold.A maior parte da trilha pelos Los Cuernos é beirando o lago, ainda que subindo e descendo o tempo todo. Los Cuernos em espanhol quer dizer “os chifres”. Assim são chamadas as cadeias montanhosas que nos acompanham nessa parte da trilha. Eles são imensos e incríveis no topo do maciço. A trilha até o camping e refúgio Los Cuernos, da Fantástico Sur, é longa e cansativa. São quase 5 horas de caminhada em 11km de trilha. Não é pesada mas cansa pela extensão. A principal barreira é o vento forte e constante que sopra do lago contra a trilha. Chega em certo momento que numa descida você solta o corpo que o vento te equilibra. Em determinado trecho da trilha vi uma placa de informações do tal atalho, mas era para quem vinha do setor Cuernos para o setor Chileno. O camping e refúgio Los Cuernos fica bem perto do lago e é bem maior do que o Chileno. Tem um bar além do salão de refeições e muito espaço para camping. Há outros tipos de hospedagens também, além do refúgio e do camping. Cheguei lá faminto e logo comi o lunch box. O sanduíche era se carne assada com tomate, alface e queijo. Tava bem seco, mas pelo tamanho foi um bom substituto pro almoço. Fiz check in, me levaram para minha barraca e dormi solenemente até que pudesse tomar banho. Segundo foi informado, só haveria água quente de 17h às 21h. Quando deu umas 17h acordei para tomar banho. O banheiro do camping também era fora do refúgio, e diferentemente do Chileno era uma porcaria. Sem ganchos para pendurar a roupa, não tinha dispenser de shampoo, e a água quente nunca senti. Fiquei puto com aquela merda. Queria ir pro banheiro do refúgio só pra ver se era ruim assim, mas já tava lá sem mil peças de roupas então tomei um banho de gato mesmo. Fiz hora para o jantar que começa às sete. O jantar estava ótimo mais uma vez. Terminei e fui dormir cedo. Dessa vez sem chuva.
       
      19/12 - Torres del Paine (3) - De Los Cuernos para Paine Grande com parada no Valle Del Francês
       
      Dormi melhor nessa noite, acordei bem cedo e fui ver o dia amanhecendo do lago. O dia tava começando bem bonito. Fui pro refúgio esperar o café e depois partir pra trilha. O café era bom mas no Chileno era melhor. Terminei o café, ajeitei as coisas pra fazer check out e fui pegar meu lunch box. Antes de partir fiz questão de reclamar do banheiro no formulário de opinião da empresa. A vantagem de sair é ter a trilha mais “só sua”. Detesto trilha cheia, grupos imensos, é um saco. Qdo vc deixa tudo arrumado e toma café na primeira hora tem grande chance de sair sozinho. A trilha por Los Cuernos até o camping italiano é bem fechada, dentro de floresta mesmo. Há uma passagem por uma praia linda formada pelo Lago Nordensjork. Ninguém se atreve a entrar. Logo depois passamos pelo camping francês, da Fantástico Sur. Eu tentei vaga nesse camping, mas tava esgotado. Eles também têm domos. Fica mais próximo do Valle del Francês. Mais pra frente chegamos no camping italiano. Esse é administrado pela Conaf, e é gratuito mas bem disputado. Tem que reservar com muito tempo de antecedência. Lá é a base para visitar o Valle del Francês e o Mirador Britânico. O britânico fica quase tão alto quanto as Torres. Ou seja, subida pesada. Não sei se estava preparado pra isso. São 400 m de desnível até o Valle del Francês e mais 400m de desnível até o mirador britânico. Quase 4h até o topo. O tempo nesse momento já não estava muito bom. Deixei minha mochila na camping italiano (todos fazem isso) e comecei a subir até o Valle del Francês. Lá pensaria se subiria até o Mirador Britânico. Foi bem cansativo até o Valle del Francês. O mirador dá vista para o Glaciar del Francês que fica como que colado nas montanhas.. Não é grande coisa para quem veio do Perito Moreno mas tem seu valor. Dentro do vale, para onde continuava a trilha, estava muito nublado. Ouvi um guia dizer que com este tempo não haveria muito o que ver no mirador britânico e decidi ficar por lá mesmo. Nesse momento também começou uma chuva fina. Vi poucas pessoas seguindo para o Mirador Britânico. Depois de um tempo desci para seguir a trilha até Paine Grande. Peguei minha mochila de volta e segui. Não sei se perdi algo, mas não estava triste pelos joelho poupado sem saber se haveria alguma recompensa da natureza. No caminho que segue há uma paisagem muito linda à beira do lago Skottsberg com o Cuerno Central ao fundo. Deslumbrante! Depois de muitas horas andando eis que aparece no horizonte, lá no final da trilha, à beira do lago Pehoé, o Refugio e camping Paine Grande. É imenso! A partir daqui entramos na área da empresa Vértice Patagônia. Abro um parênteses pra falar deles. Depois que reservei com certa antecedência as hospedagens na Fantástico Sur, ficou faltando as reservas com a Vértice. Não dá pra fazer o Circuito W sem ter reservas em datas consecutivas nas duas empresas. A Vértice foi um problema. Como eles estavam sem reserva online pelo site, era necessário mandar email para algo como [email protected] Mas nunca que respondiam as mensagens. Fui procurando no Google e várias pessoas estavam na mesma situação, quase desesperados sem saber o que fazer, achando que não iam ter reservas para o Circuito W por causa deles. Eu vi no fórum do Trip Advisor que era preciso mandar vários e-mails para [email protected], [email protected], [email protected] e por aí vai. Mandei todas e até que um belo dia resolveram responder. Disse as datas para ficar em refúgio e paguei. Mas depois percebi que ficou faltando incluir a pensão completa. Mandei email pra incluir e nada de resposta de novo. Bom, pelo menos uma cama eu teria. Fiquei um dia em Puerto Natales para resolver isso (vide dia 06/12). Lá inclui as refeições e o atendente me pediu para confirmar se ia ficar com cama simples. Nem tinha visto a diferença, mas ele disse que cama simples é para quem tem saco de dormir. Como não tinha, inclui tb. Só aí fiquei tranquilo em relação às reservas com a Vértice.  Ok, voltando para o dia do check-in então. Fiz check in no refúgio e apesar de cheio o refúgio tinha muitos quartos e camas vagas. Então logo percebi que dá pra chegar aqui e fechar uma cama na hora. Reservar é besteira para eles no Paine Grande, por isso não faziam questão de dar atenção aos e-mails. Bom, eu teria duas noites neste refúgio. Mas devo dizer que não é comum reservar dois dias aqui. Eu particularmente só o fiz pq a minha programação, além de ir até o Glaciar Grey (última perna do W)  era fazer o Kayak no lago Grey com a Bigfoot patagônia. Esse passeio não daria tempo pra pegar o catamarã que leva para Pudeto, onde passa o ônibus para Puerto Natales. Na verdade é aqui que vc decide se vai fazer o circuito W em 3 noites ou 4 noites. A última perna do W para quem iniciou pelas Torres (como eu) é terminar no Mirador Grey , perto do camping e refúgio Grey (administrado pela Vértice). Quem faz em 4 dias vai do refúgio Paine Grande para o Grey, dorme por lá e volta no outro dia para pegar o catamarã para Pudeto e o ônibus para Puerto Natales. No entanto há uma opção econômica, poupando uma noite, mas gastando bastante energia, que é ir de Paine Grande ao Mirador Grey e voltar no mesmo dia a tempo de pegar o catamarã das 18h35. São 22km, quase 9h de caminhada. Fica a critério de cada um. O refúgio é bem agradável. Havia água quente e forneciam toalha. Curti! Descansei um pouco para fazer hora para o jantar. O jantar foi bem diferente da Fantástico Sur. Funciona como se fosse um bandejão mas também tem uma entrada + prato principal + sobremesa e um copo de refresco por pessoa. A comida era razoável. Tomei um vinho para esquentar, conversei um pouco com a namorada (Internet paga) e fui dormir logo depois. Qdo fui dormir percebi que não tinha roupa de cama e logo lembrei dos 30 dólares a mais que tinha pago para ter a tal cama armada. Fui na recepção reclamar e eles voltaram com lençóis e edredon fofinhos e limpos. Aí sim descobri a diferença entre a tal cama armada e a cama simples. Essa é só um colchão e uma manta por cima.
       
      Dia 20/12 - Torres del Paine (4) - fechando o Circuito W no Mirador Grey
       
      Acordei pelas 5 da manhã com uns estrondos fortes, como se alguém arrastasse um armário super pesado. Achei super estranho. Quando vi era o vento batendo no refúgio com mta força e chovia muito também. Foi assustador! Só tinha agradecer por não estar em camping esse dia. O tempo tava bem fechado e o lago Pehoé de águas mansas de ontem, tava numa revolta só. Achei que não ia nem conseguir sair do refúgio. Mas como tudo na patagônia é temporário e imprevisível, o tempo melhorou um pouco até a hora do café. Arrumei as coisas para partir e fazer a última perna do W. Fazia muito vento ainda, mas dava para seguir. O caminho até o mirador Grey é bem tortuoso, num sobe e desce sem fim. É cansativo porque ainda tem a volta, já que não havia vagas no refúgio Grey, eu ia precisar voltar tudo no mesmo dia.. É também o caminho mais enlameado. Difícil sair limpo desta trilha, principalmente se choveu algumas horas ou dias antes. Passam dois lagos, um pequeno e depois o lago Grey, bem maior. O lago Grey tem alguns icebergs nas margens e é muito bonito. Caminha-se uma hora e meia até o mirador lago Grey de onde é possível ver o glaciar ao fundo. Para chegar perto do Glaciar mesmo é preciso mais duas horas e meia. Quando chegamos damos de cara com o Refúgio e Camping Grey, da Vértice patagônia. Ele parece com o Chileno, bem pequeno. Por isso acabam rápido as reservas. Entrei para consultar sobre o passeio de Kayak que tinha reservado e me informaram que a BigFoot tinha uma base logo depois do refúgio. Caminhei até lá mas primeiro fui ver o mirador do Glaciar Grey. O tempo estava péssimo, pouco se podia ver e a chuva apertava. Tirei umas fotos e voltei para ir à base da BigFoot. Um atendente me informou que o Kayak das 11h tinha sido cancelado por causa do vento e que deveríamos esperar até 15 min antes para ver se o das 14h iria rolar. Como eram 12h, fui fazer hora. Parei na praia que fica perto da guarderia Grey e fiz um lanche. O tempo abriu lindamente nessa hora e subi para ver o mirador Grey novamente, agora com o tempo melhor. No que subi para voltar ao mirador vi um pica-pau negro, típico da região de Magalhães, lindo!. Consegui tirar umas fotos e depois vi um filhotinho dentro do tronco da árvore. Muito fofo! Quando voltei ao mirador estava céu aberto. O glaciar tava lindão lá atrás e deu pra tirar umas fotos melhores. Tive esperança de que ia rolar o kayak. Estava sem vento e sem chuva. Voltei para a base do BigFoot e parecia que estava tudo confirmado, assinei os papéis de responsabilidade e já ia pagar. Em poucos minutos, quando olho o tempo pelo janela começa a fechar, está tudo nublado de novo. Mais um minutos mais e faz chuva e vento. Um minuto mais e muitas ondas começam a se formar. Pronto, acabou minha esperança. Logo chegam dois rapazes responsáveis por verificar as condições climáticas e dizem que não será possível realizar o passeio. Oferecem como alternativa um passeio em barco fechado. Não me interessou e fui embora frustrado. Así es la Patagônia. O pior é que à noite que fechei em Paine Grande só fazia sentido por causa do Kayak. Fiz o caminho de volta a tempo de tentar cancelar a noite a mais,ver se rolava o reembolso e ir embora no mesmo dia. Bem difícil mas queria tentar pois seria uma boa economia. A minha conclusão é que as atividades com a BigFoot fazem mais sentido para quem está no refúgio e camping Grey, pq não precisa fazer hora para aguardar sua reserva e pode tentar fazer o passeio em vários horários já que a base é bem póximo do refúgio . Não lembro se comentei, mas eles fazem um passeio de trekking sobre o Glaciar Grey também. É uma alternativa interessante e mais barata do que o Big Ice no Perito Moreno. Quando voltei pro hostel ainda dava pra pegar o catamarã das 18h30. Conversei com alguém da recepção e me disseram que teria que ver isso na loja em Puerto Natales, mas que havia grande chance de não ser reembolsado. Preferi gastar a noite a correr o risco de não ser reembolsado. Fui tomar banho e depois vi que a lareira estava acesa. Aproveitei pra lavar umas meias e coloquei pra secar perto pra secar. Jantei, encontrei uns brasileiros aqui e ficamos de papo até tarde. Os brasileiros começaram o Circuito W um dia depois de mim e conseguiram ver as Torres em tempo aberto. Talvez se tivesse subido no outro dia pela manhã pegaria tempo bom.Foda! =\ Isso só confirma minha tese do melhor tempo é pela manhã sempre. Depois uma guia brasileira que trabalha no parque juntou com a gente e contou várias estórias. Disse que naquele dia duas pessoas do grupo dela que estavam fazendo o circuito W desistiram por dor ou cansaço e quando isso acontece é preciso chamar o táxi, que é um cavalo, para te levar até o ponto de saída do parque mais rápido. E se tens uma mochila pesada precisa de dois cavalos. Não preciso nem dizer que isso custa uma pequena fortuna, né? Terminamos um vinho e fomos dormir.
       
      21/12 - Volta a Puerto Natales e ida a Punta Arenas
       
      Dessa vez dormi até mais tarde já que não tinha trilha a fazer e o horário do café ia até às 9 da manhã. O dia começou bem feio novamente. Parece que o vento que sobra do glaciar para refúgio leva sempre nuvens bem carregadas e o tempo é quase sempre chuvoso por ali. Arrumei as coisas primeiro e desci para tomar café da manhã. Para pegar o ônibus de volta a Puerto Natales há duas formas. Uma é econômica mas cansativa que é fazendo  trilha do Refúgio Paine Grande até a entrada Sede Administrativa. São 14km, entre 4 a 5 horas de caminhada e você precisa chegar lá às 13h para pegar o ônibus. A trilha começa do lado do píer. A segunda opção é fácil porém cara. É pelo catamarã que sai no píer ao lado do refúgio Paine Grande. O catamarã é operado pela empresa Hielos Patagônicos e custa absurdos CLP18.000 por uma travessia de 30 minutos!! A frequência de saída e chegada é diferente em cada época do ano. Na alta temporada são 4 horários de chegada e saída de Paine Grande, porém só há conexão com ônibus para Puerto Natales em dois horários (já explico). O catamarã nos leva até um local chamado Pudeto. Por lá  passa o ônibus de volta a Puerto Natales. Lembra que em Puerto Natales comprei ida e volta? Sim, a volta está paga! Porém, os ônibus só tem dois horários de saída do parque. Esses horários se integram com dois dos horários do catamarã. Meu horário era o primeiro com integração, às 11h30. Fiz hora até dar 11h20 e fui para o píer aguardar o catamarã. Ele é bem rápido e tem uma bela vista externa para os Los Cuernos. Você paga a passagem dentro  catamarã mesmo, não precisa reservar. Em 30 minutos estamos lá do outro lado do Lago Pehoé e alguns ônibus já estão aguardando. O meu cacareco não tava lá ainda rs. Fiz um tempo na cafeteria próxima até ele chegar. Demorou uns dez minutos mais. Embarquei e ele foi em direção à entrada da Laguna Amarga. Lá ficou aguardando mais meia hora por pessoas até sair umas 14h20. Chegamos na rodoviária de Puerto Natales umas 16h00. Havia um ônibus pra Punta Arenas às 17h15. Fui ao hostel El Fiodor buscar o resto da minha bagagem, organizei umas coisas na mala, voltei pra rodoviária e comprei minha passagem de ida para Punta Arenas pela Bus Sur. Enquanto estava esperando por lá reparei algumas coisas. Primeiro que havia ônibus direto para Ushuaia de Puerto Natales. Não lembro de ver isso na Internet quando consultei. Estava indo para Punta Arenas apenas para pegar ônibus pra Ushuaia que, pensava eu, só tinha por de lá. Pensei em conversar com a atendente para ver se tinha como fazer a troca, mas até explicar tudo ia ser cansativo e provavelmente não ia certo por questões de sistema deles. Outra coisa que observei é que a Bus Sur é a única empresa com ônibus pro Parque Torres del Paine às 7h da manhã. Isso é muito bom porque todas as outras saem às 7h30 e gera uma fila imensa na entrada. Além de poder começar a trilha cedo com pouca gente. FIcam as dicas! Peguei o ônibus e segui pra Punta Arenas. Tinha reservado uma noite em um hostel lá. Quando chegamos já era 20h20 por aí. Fui pro hostel chamado Sol de Invierno, mensagens a todos da família e depois fui no mercado. Comprei uma pizza para levar e foi tudo. Arrumei as coisas para acordar semi pronto no outro dia e pegar ônibus pra Ushuaia.
       
      22/12 - Ida para Ushuaia de ônibus (12h)
       
      O ônibus da Bus Sur sai da garagem da própria empresa, bem no centro de Punta Arenas. Acordei cedo já com tudo arrumado, tomei um café da manhã (pedi no hostel para adiantar o café naquele dia por conta do horário do meu ônibus) e parti umas 8h para pegar o ônibus para Ushuaia às 8h30. O ônibus da Bus Sur não era tão bom, parecia que estava desregulado, tremia muito. Bom, daí até chegada não tem muito o que falar. O ônibus vai direto, há uma travessia de balsa do Estreito de Magalhães já que a Tierra del Fuego é um ilha, metade pertencente ao Chile e outra metade à Argentina. Todos precisam descer do ônibus, há um lugar para os passageiros na balsa e o ônibus segue sozinho na mesma balsa junto com vários outros veículos. Paramos nas fronteiras depois e seguimos. Até chegar próximo a cidade de Ushuaia, a paisagem é a mesma, sempre estepe. Quando chegamos em Ushuaia começam a surgir vales, lagos,, florestas de lengas e ñires, etc. Há uma única parada para lanche em Tolhuin e nada mais. Prepare lanche ou algo pra comer porque é muito tempo de estrada. A chegada é pelo alto da cidade de Ushuaia e vamos descendo até o porto, onde é o ponto final, bem próximo ao centro de informações turísticas. Fazia um friozinho mas nada demais. Fui andando até o hostel, que não era muito longe do ponto final. No hostel fui recebido por um mineiro, o Marcelo. Ali comecei a ver  quantidade absurda de brasileiros em Ushuaia. Fiz o check in com ele, paguei e deixei as coisas no quarto. Mandei os salves pra família e fui no mercado comprar algo para fazer. Assim como em El calafate, o La Anonima é o principal mercado da região. Há um Carrefour também, mas é distante. Fiz uma massa, comi e fui dormir cedo.
       
      23/12 - Ushuaia (1) - Reconhecimento de território e museus
       
      O plano esse dia era fazer um reconhecimento do local que sempre faço, dar uma volta pelo entorno e ruas principais, passar nas agências de viagens para conferir os passeios reservados e ver outras opções. Acordei cedo, tomei café da manhã no hostel e fui bater perna. Tinha reservado um único passeio em Ushuaia até esse momento. Foi a navegação no Canal Beagle e caminhada com pinguins da Isla Martillo(tb conhecido como pinguinera) para o dia 24/12. Depois vou falar mais desse passeio. Comecei dando uma volta pela Av. Maipu, que é a rua do orla. Apesar de estar na orla, a Maipu não é a rua principal da cidade, mas ali ficam algumas coisas importantes como o centro de informações turísticas, os principais quiosques de venda de passeios de barco, o controle de passageiros, onde todos pagam uma taxa pra embarcar e as vans para diversos pontos como o parque nacional Tierra Del Fuego. Há alguns restaurantes e dois museus tb. Passei primeiro no centro de informações turísticas para pegar mapas e outras informações. Se estiver no seu roteiro ir ao parque, aproveite para pegar mapas e outras informações. Lá também carimbam seu passaporte com símbolos de Ushuaia. Peguei os mapas e informações e parti para a Av. San Martin. Essa é a principal rua do comércio da cidade. Praticamente em toda sua extensão você vai encontrar lojas e restaurantes. Fui até ao longe, na volta passei na agência Brasileiros em Ushuaia onde tinha reservado a pinguinera. Lá me apresentaram mil outros passeios, mas só olhei e deixei para decidir depois. Deixei as visitas dos museus para à tarde. Fui pro hostel, almocei a sobra da janta que tinha guardado e fiquei um tempo conversando com uma brasileira que tinha acabado de chegar no hostel. Em Usuhuia tem muito  brasileiro. Não sei explicar porque, mas foi o destino que mais vi brasileiros. Inclusive o turismo local entende isso e quase tudo lá com tradução para português. Comecei os museus pelo Museu do Fim do Mundo, que é grátis e fica na Av Maipu. É um museu bem pequeno mas interessante, principalmente os vídeos. O museu tem duas seções principais, uma que trata da história dos povos originários das Tierra del Fuego e outra da fauna com diversos animais empalhados. O item mais interessante do museu, no entanto, é a imensa imagem de uma rainha da Inglaterra talhada madeira e que foi retirada de uma embarcação que naufragou no século XIX na Península Mitre, lugar de difícil acesso na Terra do Fogo. O Museu do Fim do Mundo tem um anexo duas quadras depois da sede principal, mas que não é tão interessante. De lá parti pro Museu do Presídio. A cidade de Ushuaia surgiu a partir da necessidade de viabilizar o presídio para reincidentes criado no início do século XX. O antigo presídio foi fechado em meados do século passado e alguns anos mais tarde virou o museu. Na verdade, por ser imenso, baseado no modelo panóptico, com cinco pavilhões unidos por um pátio central de onde se pode ver todos os cinco pavilhões, existem lá diversos museus. Cada um em um pavilhão. Há alas temáticas de naufrágios, sobre embarcações da marinha, Argentina, missões na Antártida, além de uma galeria de arte, uma réplica do farol de San Juan do Salvamento (o verdadeiro farol do fim do mundo) e uma ala de exposição temporária. Além, claro, do museu do presídio que é o maior e tem uma visita guiada de hora em hora. Um dos pavilhão está completamente preservado tal era na época do presídio. É bem sombrio! O museu tem um custo de AR$ 300 por aí, dá pra conseguir desconto pra estudante. Não é tão barato, mas pra quem gosta de história é bem legal. Depois passei no mercado e comprei algumas coisas pra fazer lanche do passeio aos pinguins do outro dia. Preparei tudo e fui dormir.
       
      24/12 - Ushuaia (2) - Pinguinera e natal no Hard Rock Café
       
      A hora marcada no cais para pegar o catamarã era 9h. O passeio apesar de ser vendido na agência Brasileiros em Ushuaia, é operacionalizado pela Piratour. A agência apenas facilita a venda. Eles têm tem um bom site, parcela a compra e cobra em reais. Não cheguei a comparar a diferença de valores da compra direto pela Piratour e na Brasileiros, acho que eles colocam um lucro deles em cima mas não é muito. Como tem IOF na compra com a Piratour acaba ficando muito próximo. Esse passeio com a Brasileiros custou R$ 759,00. É importante dizer também que existem várias empresas fazendo diversos passeios pelo canal do Beagle. A maioria vai até as ilhas com comodores e leões marinhos, o farol de Ushuaia, fazem uma parada na estância Harberston (a primeira da região, de propriedade de um missionário inglês que veio converter nativos no final do século XIX) e isla martillo. É nesta ilha que ficam os pinguins. Apenas a Piratour tem autorização pra descer na ilha, que pertence aos herdeiros do missionário inglês. Fique atento a isso! O passeio deles é muito disputado e é preciso reservar com antecedência na alta temporada. Nos quiosques do porto há venda de passeios à ilha H, passagem a Puerto Williams (último povoado do continente, antes de Antártida, e que pertence ao Chile), passeios noturnos, e até ida pra Antártida! Vale a pena se informar. Bom, voltando então. Com o voucher em mãos, é preciso passar no quiosque da Piratour pra apresentá-lo e pegar um crachá de identificação da empresa. As crachás tem duas cores diferentes e cada cor forma grupos distintos por cor que fará sentido depois, já que há uma divisão do grupo. Antes de embarcar é necessário pagar a taxa portuária de AR$20. O passeio começa e deixamos para trás a Baía de Ushuaia. A saída rende fotos da cidade a partir do barco. A primeira parada é numa ilha cheia de comorones (espécie de ave que se parece muito com pinguins), depois vamos a uma ilha de leões marinhos próxima ao farol de Ushuaia. Nesses momentos há orientações e informações do guia que nos acompanha. Após isso há uma navegação de mais ou menos uma hora pelo canal do Beagle. Passamos pela Isla Navarino e Puerto Williams à nossa direita. Depois mais ao final passamos próximos à isla martillo, onde há a colônia de pinguins de magallanes, mas ainda não paramos nela. Antes aportarmos na estância Harberston. O guia estabelece um horário para ida à ilha de cada grupo.  Na estância há uma casa de chá, um restaurante e um museu de aves e mamíferos. Temos uma hora para percorrer a estância e almoçar ou lanchar, quem quiser. Como levei lanche, não almocei no restaurante da estância mas comi um doce de Ruibarbo com sorvete de creme que tava muito bom! Com os grupos divididos pela cor do crachá, é hora de visitar a Isla Martillo. Não podem ir mais do que 20 pessoas por vez na ilha, por isso a divisão. Um grupo vai à ilha e o outro aguarda na estância fazendo uma visita guiada ao museu de aves e mamíferos. Depois os grupos se revezam. O tempo na ilha é de no máximo uma hora. Embarcamos em um bote mais rápido que o catamarã e em dez minutos estamos na ilha e já somos recebidos por vários pinguins. Essa época de dezembro é o mês de procriação, então vários pinguins bebês estavam lá sendo protegidos e alimentados pelas mães. O guia vai nos conduzindo pelos lugares, e em vários momentos eles estão muito perto pois seus ninhos são bem próximos ao caminho traçado. É bem legal! Na ilha vivem dois tipos de pinguins: o pinguim de magalhães (a grande maioria) e o pinguins papua (há uma pequena colônia desses). Havia também um  belo pinguim-rei perdido entre os de magalhães. Finalizado o tempo, voltamos à estância para terminar o passeio. Agora de ônibus da Piratour que está aguardando na estancia. No caminho há uma breve parada para ver árvores bandeiras, que são esculpidas pelos fortes ventos da região. O dia foi muito bonito, demos muita sorte. É importante dizer que esse é um passeio de verão. Os pinguins não estão na ilha o ano todo. Eles são animais aquáticos, e apenas vêm ao continente para se reproduzir e se proteger de predadores. Então se quiser fazer, veja se é ainda é época. Quando cheguei no hostel não sabia se ia rolar algum tipo de ceia de natal coletiva. Era dia 24 de dezembro. O brasileiros que trabalham lá não falaram nada, então presumi que não teria. Resolvi me dar de presente uma centolla de ceia natalina.A centolla é o prato do mar mais típico da região da patagônia e Terra do Fogo. É uma espécie de caranguejo gigante. Ouvi dizer que num lugar chamado Cantina do Freddy, na Av. San Martin, tinha uma muito boa. Fui até lá e peguei uma mesa. Ao meu lado tinha duas mesas de brasileiros. Pedi a centolla a la cantina, que é a centolla com camarão e mariscos, especialidade da casa. É muito bom, mas um pouco caro AR$ 500. A centolla lembra muito a lagosta. Interagi um pouco com brasileiros do restaurante antes de ir pro hostel. Na volta encontrei a brasileira que tinha conhecido e ela junto com outros muitos brasileiros estavam planejando passar a virada do Natal no Hard Rock Café Ushuaia. O plano acabou vingando e fomos todos juntos para lá e foi bem legal.
       
      25/12 - Ushuaia (3) - Laguna Esmeralda
       
      No dia anterior o grupo que passou a virada de Natal no Hard Rock havia combinado de fazer o trekking para a laguna esmeralda. Há diversas opções de trekking em Ushuaia, a maioria deles sai de algum ponto da estrada (RN 3). Por isso é quase sempre necessário fechar um transfer ida e volta. O nosso hostel tinha um contato de uma van que nos cobrou 250 pesos por pessoa. Acho que é o preço que cobram. Acordamos todos pelas 9 e saímos umas 11h20 por aí. Na van juntaram outros brasileiros e fomos. A laguna esmeralda é o trekking mais tranquilo de Ushuaia. Estimam a ida e volta em 3h. Trilha majoritariamente plana. O grande inconveniente dessa trilha são os lamaçais, que ficam piores quando chove no dia anterior. Essencial ter uma bota fechada e preferencialmente impermeável. Quando chegamos no início da trilha estava nevando um pouco. No verão é bastante comum nevar na parte dos vales e montanhas, onde ficam as trilhas, e chover de leve na cidade. Pagamos, combinamos a volta com o motorista e fomos pra trilha. A trilha é muito bem sinalizada durante a maior parte do tempo, com sinalização de cor azul colada nas árvores. Fizemos a trilha em uma hora e vinte por aí. O lago é deslumbrante com sua cor esmeralda incrível. Fizemos um lanche na chegada e descansamos . Um dos brasileiros que foi conosco havia lido que haveria um glaciar no alto das montanhas atrás da lagoa. Ninguém tinha a trilha certa para lá, mas como tínhamos mto tempo até o transfer voltar  fomos ver o outro lado do lago. Chegamos em uma parte de floresta morta e seguimos um pequeno rio até uma uma parte meio alagadiça que molha bastante para quem tá de tênis simples. Passamos a uma floresta fechada e depois seguimos uns 30 minutos até começar a parte de subida, sempre seguindo o rio. Lá encontramos uma pessoa que estava descendo e ela nos confirmou que havia um pequeno lago e um pequeno glaciar, mas era subida forte. Alguns de nós desistimos ali, pq era mto íngreme a subida. Fui até um pouco mais acima e a vista da laguna com todo o vale estava incrível. Parei pra comer algo e resolvi ficar por ali mesmo. Um dos meninos seguiu em frente e disse que havia um lago congelado lá no topo. Enfim, depois descobri que esse lugar chama Glaciar Ojo del Albino. Voltamos para a lagoa pelo mesmo caminho e já estava ficando bem frio. Essa ida além da laguna tornou a caminhada um pouco cansativa. Voltamos e esperamos pelo carro até 19h, horário que marcamos. Fomos para o hostel e combinamos de jantar juntos naquele dia. Após um banho e descanso, fomos pra Cantina del Freddy novamente, algumas pessoas do grupo queriam provar a Centolla a la cantina. Aproveitei pra provar o outro prato típico, a merluza negra. Esse não me surpreendeu tanto. O peixe é bom, mas nada que justifique o preço. Depois fomos pro hostel, ficamos conversando lá e fomos dormir.
       
      26/12 - Ushuaia (4) - Parque Nacional Tierra Del Fuego e check in no airbnb
       
      O parque nacional Tierra Del Fuego era o passeio que menos me interessou em Ushuaiai. Era bonito, mas nada demais. Como o tempo amanheceu muito feio e tinha um brasileiro no hostel interessado em fazer também, acabei indo pra lá. Preparei toda minha mala antes de ir pois ia fazer check out do hostel. Quando planejei a viagem fiz uma reserva de dois dias numa casa de uma moradora de Ushuaia. Tava um preço quase igual ao cobrado pelo hostel e teria um quarto só para mim. Para chegar ao parque fui informado de que teríamos que tomar uma van próximo às informações turísticas, na Av Maipu. Elas saem de hora em hora e cobram um valor absurdo de AR$ 500 ida e volta. Muito caro por um trajeto de 12km, mas não tinha opção. Talvez táxi com muitas pessoas compense. Não tive mto tempo para pesquisar melhor então foi isso mesmo. Além do transporte, o parque cobra algo entorno de AR$ 340 para entrada. No centro de informações turísticas você pode pegar um mapa e planejar seu tour. Do mesmo lugar tb sai uma van que te leva até o trem do fim do mundo, parte do antigo trem usado pelos presos para levar a lenha que abastecia a calefação do presídio. O trem faz um pequeno percurso da entrada do parque até um ponto dentro do parque. Não achei nada demais não, parece mais interessante para crianças. Pegamos van das 12h e em 20 min chegamos no portão principal do parque e pagamos a entrada. Um pouco depois o motorista nos deixou no início da trilha que escolhemos. Há diversas trilhas dentro do parque, a maioria bem simples. Há apenas trilha puxada que vai ao Cerro Guanaco, estimam em 4 horas apenas ida, por isso pedem que não comecem a trilha depois das 12h. Como chegamos tarde, fizemos a Trilha Costeira, que se inicia no famoso correio do fim mundo. Sim, há há um correio postal lá, mas não consegui mandar um postal pra minha namorada pq não tinha o endereço de cabeça rs. Mas é possível, inclusive dá pra carimbar seu passaporte lá tb, pagando alguns pesos. A trilha tem 8km e uma duração de 3 horas em média. A maior parte do tempo ela vai beirando a orla e é bem bonita. Passa por várias praias. Ao final da trilha nos afastamos da orla e após alguns quilômetros chegamos na estrada principal do parque, onde placas nos indicam que a poucos metros há um centro de conveniência. Nessa hora começou a chover bastante e fomos ao centro para comer algo e nos abrigar. Lá há um restaurante e pequeno museu interpretativo. Aguardamos um pouco e seguimos a caminhada para o lago Roca, um dos lugares mais bonitos do parque . Não estava tão bonito por causa do tempo nublado, mas foi legal. Por último, voltamos e fizemos o caminho até baía Lapataia. Nesse caminho há diversas trilhas numeradas no mapa. Acabou que estávamos sem tempo e fizemos apenas a última, que passa pelo mirador Lapataia e termina próximo à baía. De lá sairia a última van (às 19h). Achei o mirador da baia Lapataia o lugar mais bonito do parque. A van parte pontualmente às 19h e passa em outros dois pontos para pegar mais pessoas. Voltei pro hostel pra pegar meu mochilão, e segui pra casa de meus anfitriões no airbnb. Ficava uns 15 minutos do hostel, um pouco mais afastado do centro. A casa deles (era um jovem casal) era bem aconchegante e o quarto também. Deixei as coisas lá e fui jantar. Escolhi um restaurante chamado bodegon fueguino. Recomendo! Pedi um cordeiro e uma cerveja, tava mto bom e foi barato. Voltei pra casa e fui dormir.
       
      27/12 - Ushuaia (5) - Dia de compras
       
      Nesse dia tinha deixado para fazer umas das trilha mais pesada de Ushuaia, que é a Laguna de los Tempanos e Glaciar Vinciguerra. Mas acordei com aquela preguiça de fazer qualquer coisa e já um pouco cansado de fazer trilhas. Afinal, estava há 22 dias só fazendo isso praticamente. Resolvi me dar um day off. O dia tava bem quente pra Ushuaia. Dormi até um pouco mais tarde e fiz tudo bem tranquilo. Andei um pouco pela orla, almocei e depois fui no Museu Temático, que havia esquecido de ir. É um museu bem legal, moderno. A história da região é contada por meio de cenários modelados com bonecos e objetos. Ao entrar recebemos um mp3player em que cada faixa explica a cena que estamos vendo. Custa algo como AR$ 280 com desconto de estudante sai a AR$ 220. Depois passei no Freddo, a famosa sorveteria de Buenos Aires. Comprei lembranças para família. Tem muitas lojas na Av. San Martin. Comprei doce de leite artesanal, cerveja regional, um pinguin de pelúcia e alfajor no mercado. Por fim comi numa pizzaria próxima à casa dos meus anfitriões. Deixei tudo pronto mais uma vez para voltar a Punta Arenas no outro dia.
       
      Resumo de Ushuaia :
      A  cidade não é lá algo que se chame de bonita, é um grande porto com uma cidade que se vai ladeira acima. A primeira impressão não é boa. Mas há muita coisa legal para se fazer lá, no verão e no inverno (pelo que li). É uma cidade grande, muito turística principalmente para brasileiros, então você não terá problemas com câmbio, transporte, mercado, língua, etc. O tempo por lá é muito parecido com o resto da patagônia: muda rapidamente e está sempre instável. Nessa época a temperatura média é de 10 graus, mas com chuva e vento pode ficar abaixo disso. O preço das coisas em geral é próximo ao dos outros países da região. É possível um almoço completo com entrada + prato principal + sobremesa por uns AR$ 190. Como há mto o que fazer, é importante fazer um roteiro. As agências oferecem muitos passeios, vários deles podem ser feitos sem agências. Os principais são Glaciar Martial, Laguna Esmeralda, laguna de Los tempanos e glaciar vinciguerra, os passeios no canal do Beagle e os museus. A Brasileiros em Ushuaia tem um caderninho de passeios interessante. Nem tudo que tem lá você precisa da agência pra fazer, por isso vale a pena pegar esse caderninho. Pelo site tb é possível ver alguns deles. Acho que 4-5 dias é suficiente para Ushuaia.
       
      28/12 - Volta a Punta Arenas
       
      A volta para Punta Arenas, assim como a ida, foi cansativa. O ônibus sai igualmente do porto, próximo ao controle de passageiros do cais. A volta foi bem mais cheia do que a ida. Acho que por isso colocaram um ônibus extra, com saída alguns minutos depois. Depois de mais 12 horas , estou de volta a Punta Arenas para fazer meus dois últimos dias antes de voltar ao Brasil. Antes de ir para minha estadia, procurei saber sobre ônibus para o aeroporto e descobri que não existe. Há uma linha da BusSur que vai do aeroporto para o centro de Punta Arenas, mas não há o contrário.Para passar esses dois dias, reservei um Airbnb bem barato e me lasquei. Barato demais pra ser verdade. O problema já começou pra achar o lugar. O endereço no Google Maps era um e na prática era outro. Como reservei no dia anterior, não deu tempo de ver a mensagem que o anfitrião me mandou indicando o endereço correto. Por sorte, no mesmo ônibus que o meu havia um casal que tinha locado um outro quarto com o mesmo anfitrião que eu. Reparei que eles estavam indo pro mesmo lugar que eu e questionei se era um quarto no Airbnb. Acabou que encontrei o local graças a eles, pois não tinha internet para ver a localização exata. Bom, de todo modo, o local era muito ruim, muito mesmo. O anfitrião se chamava Peter (guarde esse nome se for fechar algum airbnb em Punta Arenas) e era um bom guia da região. Mas o local era ruim, cama ruim, cozinha péssima, tudo muito improvisado. Realmente não vale a pena, apesar de ser muito barato. Fui o roteiro do próximo dia e fui dormir.
       
      29/12 - Cemitério Municipal, Museus e city tour
       
      Como só teria esse dia para conhecer a cidade, fui fazer o passeio geral pelo centro da cidade. Comecei pelo Museu Salesiano Marggiorino Borgatello e devo dizer: de longe o melhor museu que conheci em toda região. Muito recomendável! É um museu muito rico, com muitas peças e exposições. Realmente incrível. Custa um valor simbólico. Sai de lá e fui até o maior atrativo da cidade: o cemitério municipal ! Pode parecer curioso, mas o cemitério de lá é um charme. Centenas de ciprestes podados dão um tão bem diferente ao cemitério e fez com que o local virasse atração turística. Fui até o mausoléu da família Braun (importante na cidade) e depois fui almoçar. Escolhi almoçar no restaurante famosinho chamado La Marmita. O local é mto bonito, decoração de ótimo bom gosto. Queria comer o guanaco, mas não tinha então fui de cordeiro novamente. A comida não é farta, mas é boa. Custo benefício é mediano. De lá fui até a Av Costanera ver os monumentos e sentir a brisa que vem do Estreito de Magalhães. Na verdade não fiquei muito pq o vento frio não permite ficar de bobeira. Na volta passei na praça Municipal e no palacio Sara Braun. Antes de voltar de vez, verifiquei a possibilidade de um transfer para o aeroporto. Encontrei a agência Fin del Mundo, no centro, e fechei com eles. Algo como CLP 5.000. Voltei para a estadia e arrumei as coisas. Tentei fazer o check in antecipado e tive problemas. Depois de muito tempo, resolvi que teria que cancelar o transfer e pegar um táxi para o aeroporto, pois achei que sem o check in pronto seria arriscado ir no transfer, já que o horário deles estava mto em cima do limite do voo. O anfitrião me indicou um taxista que cobrava CPL 7.000 para me levar até o aeroporto. Fechei com ele. Logo depois consegui fazer o check in pelo aplicativo, mas já havia cancelado o transfer então manti o combinado com o taxista. Dormi cedo já ansioso para voltar ao Brasil.
       
      30/12 - Volta pra casa
       
      Vinte e cinco dias depois de pisar na patagônia, voltei para o aeroporto que havia chegado à Patagônia. O voo de volta foi tudo bem, sem maiores problemas, e assim me despedi da Patagônia, lugar incrível.
       
      Resumo de Punta Arenas:
      parece um pouco de cidade grande, muito táxi, pessoas estranhas, pichações. Punta Arenas é uma cidade passagem a meu ver. Há passeios por lá, como a ida à ilha Monumento Natural dos Pinguins, ir ao antigo Puerto del hambre ou cruzar o canal e ir até à histórica cidade Porvernir. Além disso, não vi nada muito interessante. Se meu voo não fosse por Punta Arenas, talvez não tivesse passado por lá. Mas se vc passar, vale o que fiz no roteiro.

       
      FIM!
    • Por Carol Ninow
      Fiz essa viagem no feriadão do dia 01 de maio de 2017, com duas amigas, uma de São Paulo e a outra Americana. Como moro em Goiânia, peguei as meninas no aeroporto em Brasília, e seguimos rumo a São Jorge, isso na quinta-feira.
      Chegamos lá por volta das 18h, e fomos direto para nossa linda Pousada Raízes, que fica na rua principal. A noite fomos na Santo Cerrado Risoteria, comemos muito bem e tomamos alguns drinks.
       
      Para a sexta-feira tínhamos programado ir até a cidade de Cavalcante, para visitar a Cachoeira Santa Bárbara. Então saímos por voltas das 6:30 e a viagem levou 1h, a estrada está muito boa. Fomos direto ao CAT ( Centro de Atendimento ao Turista ) e pedimos por uma guia mulher. Já com a guia, paramos numa padaria e também num posto de gasolina, e seguimos rumo a Comunidade Kalunga, que é onde se paga entrar na cachoeira, R$20,00. A estrada de chão está muito ruim com muitos buracos e erosões, meu carro é baixo e batia toda hora. Como chegamos na Santa Barbara por volta de 11h, já tinham muitas pessoas, mas nada que atrapalhasse a contemplar aquela água maravilhosa. Detalhe: há uns 5km antes da entrada da cachoeira, tem um estacionamento para quem não quer arriscar a ir de carro, devido a estrada estar muito ruim, então tinha uma camionete fazendo o transfer por R$5,00 o trecho.
       
      De lá seguimos para o Restaurante Rancho Kalunga, onde comemos uma deliciosa comida caseira, e tomamos suco de mangaba. Por R$35,00 o almoço + R$12,00 do suco.
      Descemos para a Cachoeira da Capivara, que não paga para entrar. Como o sol já estava baixando, ficamos somente no primeiro poço, e amamos! A melhor parte do dia foi tomar banho na jacuzzi natural e tirar muitas fotos da borda infinita. Voltamos para a cidade, deixamos a guia e fomos para São Jorge, chegamos lá às 20h. Tomamos banho e fomos comer no Papalua, onde tinha um casal bem simpático tocando ao vivo.
       
      No sábado tomamos café da manhã cedo e já seguimos para o Parque Nacional, para fazer a Trilha dos Cânions. Cheguem cedo, pois tem um número de visitantes por dia. Não paga para entrar no parque, porém o estacionamento custa R$15,00, por ser área particular. Saímos do parque e fomos para o Vale da Lua, não entramos na água, apenas tiramos fotos, R$20,00. De lá fomos “almoçar” no Rancho do Waldomiro, comida sertaneja deliciosa! O PF gigante por R$35,00. Vale muito a pena. A noite comemos tapioca no Tapioca do Cerrado, R$10,00. Tomamos umas cervejas no Bar do Pelé e seguimos para o forró, R$20,00.
       
      Domingo tomamos café da manhã e fomos conhecer o Mirante da Janela, no caminho vimos muitos carros voltando do parque, pois já estava cheio e não estavam permitindo mais a entrada. Pagamos R$15,00 para entrar na propriedade onde fica a Cachoeira do Abismo, que estava vazia e sem queda d’água e o Mirante da Janela. A trilha é meio puxada, estava muito quente e não tem rio ou água para se refrescar, então levem muita água de beber, e lanches de trilha. Muita descida no começo e muita subida no final, para ver o que em minha opinião, é a paisagem mais espetacular da Chapada. Que lugar lindo!!!! Fiquei tão encantada com a beleza, que nem me importei de ficar na “fila” para tirar foto na janela.
      Passamos em São Jorge para um almoço rápido e seguimos para a Fazenda São Bento, já era umas 15:30. Fomos direto para a Cachoeira Almécegas 2, onde a trilha é menor e o poço é maravilhoso! Pagamos R$30,00. A noite fomos comer pizza na Pizzaria Lua Nova, onde aquele mesmo casal de sexta, estava tocando ao vivo. Bebemos um vinho e fomos dormir.
       
      Na segunda cedo tomamos café da manhã e nos despedimos desse lugar incrível e inesquecível.
    • Por Diego.Fernandes
      Cordisburgo é um município mineiro localizado a 86 km de Belo Horizonte (aproximadamente), com uma população com cerca de 8.981habitantes (2014), a pequena cidade é palco de importantes fatos científicos e literários do país. A importância científica da cidade é devido ao fato de Cordisburgo fazer da “Rota das Grutas Peter Lund”, a qual começa em Belo Horizonte no Museu da PUC e se estende por várias cidades de Minas. A rota recebe esse nome em homenagem ao importante naturalista dinamarquês, Peter Lund, que fez grandes descobertas em Minas no século XIX.
       
      “Desde ali, o ocre da estrada, como de costume, é um S, que começa grande frase. E iam, serra-acima, cinco homens, pelo espigão divisor. Dia a muito menos de meio dia, solene sol, as sombras deles davam para o lado esquerdo.” (O recado do morro, Guimarães Rosa)
       

       

       

       

       

       
      Em Cordisburgo a maioria das descobertas foi feita na Gruta do Maquiné, onde Lund encontrou muitos fósseis de animais do período Quaternário.
       
      “E nas grutas se achavam ossadas, passadas de velhice, de bichos sem estatura de regra, assombração deles – o megatério, o tigre-dente-de-sabre, a protopantera, a monstra hiena espélea, o páleo-cão, o lobo espéleo, o urso-das-cavernas-, e homenzarros, duns que não há mais. Era só cavacar o duro chão, de laje branca e terra vermelha e sal. Monte de ossos, de bichos [...]” (O recado do morro, Guimarães Rosa)
       
      A Gruta do Maquiné muito me impressionou pelo tamanho e pela beleza, mas antes de entrar vale muito a pena ir ao museu que tem onde se compra o ingresso para a gruta, é um museu interativo e tem exemplares de animais que vivem e viveram naquela região.
       
      “Pelas abas das serras, quantidade de cavernas – do teto de umas poreja, solta do tempo, a aguinha estilando salobra, minando sem-fim num gotejo, que vira pedra no ar, se endurece e dependura, por toda a vida, que nem renda de torrõezinhos de amêndoa [...]; enquanto do chão sobem outras, como crescidos dentes, como que aquelas sejam goelas da terra, com boca para morder. Criptas onde o ar tem corpo de idade e a água forma pele muito fria, e a escuridão se pega como uma coisa.” (O recado do morro, Guimarães Rosa)
       

       

       

       
      A cidade é berço de João Guimarães Rosa, escritor consagrado da literatura nacional, e esse feito faz da cidade um verdadeiro atrativo literário regional e nacional. Por quase toda a cidade é possível encontrar algo fazendo referência ao escritor. Aqui irei colocar os lugares que estive:
       
      Capela Patriarca São José
      Como chegar: Seguir até o final da Rua São José, saída para a rodovia LMG 754, o destino fica na Praça Miguilim.
       

       
      Portal Grande Sertão
      Como chegar: Seguir até o final da Rua São José, saída para a rodovia LMG 754. Fica na Praça Miguilim.
       

       
      Zoológico de Pedra “Peter Lund”
      Como chegar: Siga na Rua São José, vire a direita na rua Governador Valadares, o destino se encontra na Praça Octacílio Negrão de Lima.
       
      Associação dos Amigos do Museu Casa Guimarães Rosa e Grupo Estrelas do Sertão
      Como chegar: Siga em frente na Rua São José, vire a direita na Rua Governador Valadares, vire a esquerda na Avenida Padre João.
       
      Museu Guimarães Rosa
      Como Chegar: Avenida Padre João, 744 (Centro)
       
      Casa Elefante
      Como Chegar: Avenida São José, 1552
       

       
      Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus
      Como chegar: Rua Frei Estevam
       

       
      Ps.: Vale a pena visitar a estação ferroviária e também na rua do Museu Casa Guimarães Rosa tem uma "lojinha" que na verdade não é uma loja, mas uma coleção de diversos tipos de objetos e cada tem uma história é outro lugar com uma delicadeza incrível.
       

       

       
      Lugares para comer (super recomendo):
       
      Restaurante Sarapalha: comida maravilhosa, ambiente limpo e agradável. (cheio de ações poéticas)
       
      Restaurante um conto e cem: Pizza muito boa, bom atendimento e local agradável.
       
      Enfim, Cordisburgo me encantou, espero que desperte um pouco do interesse em vocês também, pois a cidade merece ser visitada.
       
      “Ele sabia – para isso qualquer um tinha alcance – que Cordisburgo era o lugar mais formoso, devido ao ar e ao céu, e pelo arranjo que Deus caprichara em seus morros e suas vargens; por isso mesmo, lá, de primeiro, se chamara Vista-Alegre. E, mais do que tudo, a Gruta do Maquiné – tão inesperada de grande, com seus sete salões encobertos, diversos, seus enfeites de tantas cores e tantos formatos de sonho, rebrilhando risos na luz – ali dentro a gente se esquecia numa admiração esquisita, mais forte que o juízo de cada um, com mais gloria resplandecente do que uma festa, do que uma igreja.
      Não, bronco ele não era, como o Ivo, que nem tinha querido entrar, esperara cá fora: disse que já estava cansado de conhecer a Lapa. Mas, aquilo, daquela, ninguém não podia se cansar. Ah, e as estrelas de Cordisburgo, também – o seo Olquiste falou – eram as que brilhavam, talvez no mundo todo, com mais agarre de alegria.” (O recado do morro, Guimarães Rosa)
    • Por Fernanda Marcelino
      - 1º dia:
      Cheguei no aeroporto de Curitiba numa 3ªf, por volta das 9:30h. De lá, eu e meu marido pegamos um ônibus próprio do aeroporto, para seguir até o Centro Cívico de Curitiba, a passagem foi 3,80 por pessoa. Levamos em torno de 50 min para chegar até lá;
      Ao chegar no Centro, paramos para tomar um café e logo seguimos para o hotel Rochelle. Fizemos o check-in, deixamos as malas lá e partimos para os passeios do dia.
      De primeira, fomos ao Jardim Botânico, pensamos que ele fosse perto e por isso fomos a pé, levamos quase 1 hora para chegar até lá, mas até que valeu, pois conhecemos os bairros e percebemos o quando a cidade é bem cuidada, limpa, com belíssimas residências e muitas lindas flores por todos os lados.
      Bem, após o passeio no jardim, fomos almoçar ali por perto mesmo, no restaurante Mãos Mineira, com comida caseira e preço acessível. Depois do almoço, solicitamos um transporte do uber e voltamos para o hotel.
      Como a caminhada até o jardim foi um pouco cansativa, ficamos bem exaustos na parte da tarde, e acabamos dormindo à tarde para recarregar as energias. Para aproveitar a noite, fomos até o Shopping Estação, onde tem o Museu Ferroviário, porém estava fechado. Vimos somente algumas coisas pelo lado de fora e paramos para jantar no “Das Arábias”, super recomendo as esfirras e o Beirute. Para fechar a noite, passamos na Lojas Americanas, dentro do shopping mesmo, para comprar algumas garrafas de água e deixar no frigobar do quarto, no hotel. Voltamos mais uma vez de uber, pois apesar do shopping estar próximo do hotel, estava um pouco tarde para andar a noite em uma cidade desconhecida.
       
      - 2º dia:
      Seguimos para a Praça Tiradentes e de lá fechamos o passeio do dia seguinte para Morretes, com um guia de uma agência que estava na praça, e compramos no transporte de turismo da cidade, uma passagem de ônibus que passa por 25 pontos turísticos, o valor foi de 40,00 por pessoa, e dava direito a um embarque e mais 4 reembarques. Olhamos o roteiro e escolhemos as descidas que faríamos neste passeio.
      Subimos no primeiro ponto, Pça Tiradentes e as descidas foram as seguintes: Museu Oscar Niemeyer (não sabíamos, mas neste dia da semana a entrada é gratuita – toda 4ªf); Bosque do Alemão (onde tem a trilha do conto de João e Maria); Parque Tanguá (sendo que antes de entrar, paramos para almoçar no bar Viva Curitiba, em frente ao parque, (comida caseira e preço acessível); depois do parque voltamos o caminho a pé até a Ópera do Arame (fizemos o caminho inverso, porque da ópera até o parque é uma subida, fazendo desta forma, apenas descemos invés de subir); e por último, Santa Felicidade, lá tomamos um sorvete, passamos numa loja para comprar lembrancinhas e fomos na vinícola Vinhos Durigan (lá, experimentamos vinhos, queijos, suco de uva e salames).
      Após o último reembarque, descemos na Pça Tiradentes e voltamos para o hotel. Por volta das 19hs fomos até Shopping Itália, próximo ao hotel, parece uma galeria, e neste horário muitas das lojas estavam fechadas já. Compramos um lanche e voltamos para o hotel para se preparar para o próximo dia.
       
      - 3º dia:
      No dia anterior, tínhamos fechado com o Henrique da Gálatas Tour (que estava na Pça Tiradentes), o passeio para a cidade de Morretes, ida e volta + translado 160,00 por pessoa (ida de trem e volta de van). A ida dura 4hs, a partir da saída da ferrovia (30km/h). Neste valor, já estão inclusos: a passagem do trem, a busca e o retorno do hotel, o lanche dentro do trem e o guia com ótimas histórias ao longo do roteiro feito pelo trem. Este passeio é incrível, e com o tempo bom, é possível admirar toda a paisagem, não da para perceber a hora passando.
      Morretes é uma cidade pequena e bonita, lá vende lembrancinhas da cidade, tem feira e muitos restaurantes que oferecem o prato típico da região para o almoço, o famoso Barreado (carne picada feita na panela de barro, com pirão de farinha e banana flamada). Nós escolhemos almoçar no Estação Barreado (em frente a estação ferroviária de Morretes), mesmo conceito de todos os dias, comida caseira e preço acessível. Experimentamos o barreado e também tinha a opção de peixe. Após, fomos na sorveteria Bola de Neve, compramos umas lembrancinhas, andamos um pouco pela cidade e fizemos o regresso de van. Ao longo do caminho de volta, o motorista passa em mais alguns pontos turísticos e por isso o retorno pode levar de duas à três horas.
      Como eu gostei muito do Jardim Botânico, aproveitamos a volta de van, e pedimos ao motorista para nos deixar lá, já que passaríamos ali por perto, invés de ir para o hotel. Assim, mais uma vez passeamos no jardim, aquele lugar é belíssimo. E depois de aproveitar mais um pouquinho, voltamos de uber para o hotel.
      A noite, solicitamos um serviço turístico e gratuito da cidade de Curitiba, que busca a pessoa no hotel, leva para jantar e regressa com a pessoa (descobrimos isso no último dia). Site http://www.levaetrazgratis.com.br/, basta verificar os restaurantes e hotéis conveniados para este serviço. Fomos para o restaurante Madalosso, em Santa Felicidade, lá você entra e come a vontade, em torno de 50,00 por pessoa.
       
      - 4º dia:
      Saímos bem cedo do hotel, pois o vôo era logo pela manhã. Combinamos com o rapaz do uber que conhecemos no primeiro dia, e ele nos buscou no hotel e levou para o aeroporto, cobrou apenas 30,00 pelo serviço e favor, já que ele morava próximo ao hotel.
      O custo total desta viagem foi em torno de R$ 2.100,00, incluindo passagem e hotel.
    • Por lukasmauro
      10 Porquês de Pernambuco Ser Tão Foda – Recife, Olinda, Nazaré da Mata, Itamaracá
       

       
      Introdução
       
      Olá, Meu nome é Lucas, meu parça é Marcelo.
      A última vez que escrevi um relato nesse site foi do mochilão em Cuba:
      http://www.mochileiros.com/cuba-mochilao-mulambo-ponta-ponta-havana-cienfuegos-trinidad-baracoa-santiago-cayo-guilhermo-vinales-t117960.html
      Naquele contexto éramos dois mulambos.
      As condições financeiras, tanto minha, quanto de Marcelo, melhoram muito desde então.
      Daí que essa trip pra Pernambuco não foi tãao rootzera quanto aquela pra Cuba.
      Pudemos viajar com mais conforto, se alimentar melhor e etc.
      Ainda assim, esse relato traz algumas dicas daquele que foi, disparado, O MELHOR CARNAVAL DE NOSSAS VIDAS.
       

       
      10 Constatações:
       
      1- É O MELHOR CARNAVAL DO MUNDO
      Simplesmente.
      Frevo, maracatu, afoxé, samba, marchas líricas, caboclinhos....
      A lista de tradições carnavalescas de pernambuco parece não ter fim.
      Não tem nenhuma região no mundo que viva tão intensamente o carnaval.
      É uma energia incrível!
      É de arrepiar e faz a terra tremer.
       

       
      2- ELES “BRINCAM” O CARNAVAL
      Brincar é comumente uma coisa associada a crianças, mas não para os pernambucanos.
      Crianças, adolescentes, adultos e senhores brincam o carnaval.
      Essa palavra maravilhosa: BRINCAR!
      Quem dera brincássemos mais, lamentaríamos menos.
      Vestiríamos mais cores e menos cinza.
      Mais urucum e menos gravata.
       
      3- MEO DEOS DO CÉU OQ É O CARNAVAL DE NAZARÉ DA MATA?
      Essa talvez tenha sido o momento mais incrível da viagem.
       

       
      Pegamos um Uber e fomos pra essa cidade que fica a 1h30 de recife.
      Lá tem o maior encontro de maracatu de baque solto (maracatu rural) de Pernambuco.
      É muito difícil tentar usar palavras para descrever momentos que nos enchem os olhos só de lembrar.
      Meu amigo, minha amiga: NÃO DEIXE DE IR PARA NAZARÉ DA MATA!
      Os brincantes de todas cidades próximas vem para Nazaré pra esse grande encontro de maracatu.
      São senhores e senhoras que em grande parte trabalham no corte de cana-de-açúcar e que ralam o ano inteiro para que “um dia, afinal, tenham direito a uma alegria fugaz, uma ofegante epidemia, que se chama carnaval”.
      Enquanto os mestres fazem seus repentes, a cidade inteira escuta, compenetrada.
       

       
      Quando o mestre pausa, a banda retoma o baque e os caboclos de lança dão seu show.
      Incrivel. Fabuloso. Inesquecivel. Indescritivel.
       
      4- DESFILAR POR UMA NAÇÃO DE MARACATU É MUITO MASSA
      Somos dois aficionados pelo maracatu de baque virado.
      Em São Paulo participamos das oficinas do Bloco de Pedra aos sábados (todas/os convidadas/os).
      Por aqui cantamos e tocamos as loas das nações do maracatu de Recife.
      Pois que se não admirá-las ao vivo foi muito emocionante.
      Como se não bastasse fomos convidados para desfilar pelas nações do maracatu Encanto do Pina e Porto Rico.
       

       
      Para coroar, Porto Rico se sagrou campeã do carnaval 2017.
      Demais!
       
      5- FOI ÓTIMO FICAR NO BAIRRO DO PINA
      As duas nações de maracatu pelas quais desfilamos ficam no bairro do Pina.
      Mais precisamente na favela do Bode.
      Ficar nesse bairro nos facilitou para estarmos próximos das nações.
      Foi muito bacana conhecer a história e a reverência que os batuqueiros de recife têm pelos orixás, pelos ancestrais, pela história do maracatu, pelos reis, rainhas e mestres de suas nações.
      O Pina também é um bairro que tem acesso fácil para o recife antigo, em que tem os festejos tudo.
      Além disso é perto do shopping Riomar que dá bastante opção pra comer.
      E, por não ser uma região muito valorizada, o aluguel da casa ficou relativamente barato.
      É uma boa pedida.
       
      6- HÁ GRANDE RIVALIDADE ENTRE AS NAÇÕES DE MARACATU
      Esteja atento para não cantarolar, inadvertidamente, uma toada do Estrela Brilhante quando você estiver em um ônibus do Porto Rico.
      Sim, eu fiz isso.
      Bem, me perdoaram, mas não curtiram não.
      O baguio é Corinthians x Palmeiras.
      Não brinque com isso.
       
      7- O IDIOMA SERÁ NORDESTINENSE
      To até agora procurando no google:
      “como me livrar do sotaque recifense”
      É um jeito muito gostoso de falar
      Um diálogo convencional faz parecer um eterno recital de poesia.
       

       
      Caso um dia o nordeste se torne independente, realizando o sonho de Bráulio Tavares, o idioma será nordestinense, a bandeira de renda cearense e “Asa Branca" será o hino nacional.

       
      8- BEBA AXÉ
      É uma cachacinha com canela, mel e mais umas ervas misteriosas que os rastafári vendem no carnaval.
      Não tenha medo de beber.
      É gostoso e dá um barato
       
      9- NOITE DOS TAMBORES SILECIOSOS É MUITO EMOCIONANTE
      pqp chorei demais vei
      Não vou estragar a surpresa do que rola, mas pelamor não deixe de ir.
       

       
      É na segunda feira de carnaval
      #descubra
       
      10- NÃO PERCA O GRUPO BONGAR NA COMUNIDADE XAMBÁ
      O grupo Bongar é o mais famoso grupo de coco do Brasil
      Se vc nunca sentiu a energia dos cara dá uma chegada nesse vídeo:

      Eles são provenientes da favela Xambá em Olinda e todo carnaval se apresentam num palco instalado lá.
      O trabalho que eles desenvolvem lá vai muito além da música e da dança.
      É todo um trabalho de desenvolvimento social, aliado a preservação do patrimônio cultural.
      Trabalho com crianças e tudo mais.
      Bem bacana.
      Vale demais conferir.
      Ocorre na quarta feira de cinzas.

       
      Day by Day
       
      *Os gastos mencionados são relativos a uma pessoa.
      *Os uber dividíamos em dois, salvo nas viagens para Nazaré da Mata e pras praias, que dividimos em quatro. Então qd vc ler “uber.. R$ 12” é pq o preço total da viagem é R$24.
      *Ida e volta de avião: R$ 900, de Avianca.
      *Alugamos uma casa com amigos, deu R$ 270 por dez dias.
      *R$ 250 com alimentação e outros R$ 300 entre cervejas, uber e passeios.
      *custo total: R$ 1820/pessoa – 11 dias
       
      Dia 1: CHEGADA – 22.02
      “volteeeei recifee”
      Mentira.
      Não voltei pq nunca tinha ido.
      Mas já vai se acostumando com essa música pq ela vai tocar móinto em seu carnaval

      Ao chegar no aeroporto já fomos recebidos com caipirinha de Pitú e frevo. (emoji)
      Deixamos as malas na casa e saímos para um rolê no Recife Antigo chamado “Tambores de Ogum”
      Já deu pra sentir o gostinho
      Teve Afoxé, teve maracatu de baque virado e muita cerveja.
       
      uber do aeroporto até o bairro do pina: R$13
      uber do pina ao recife antigo e volta: R$12
      “três latão é dez”: R$20
       
      Dia 2: TURISTAS + CABOCLINHOS + BAQUE MULHER – 23.02
      Dia de caminhada para conhecer a cidade.
      O Paço do Frevo - Durante muitas décadas, o carnaval de recife e Olinda eram o frevo e o frevo era o carnaval.
      O “fervo”...
      A sombrinha que hoje usamos para dançar o frevo é apenas uma metáfora dos verdadeiros guarda-chuvas com os quais se dançava em outros tempos.
      O frevo nasceu da capoeira, até então proibida, e o guarda-chuva era uma verdadeira ferramenta de luta disfarçada.
      No Paço do Frevo você vê as fotografias, estandartes e relatos que trazem toda essa história.
      Além disso dê um bizoi na programação de lá porque sempre tem umas apresentações de frevo e musica erudita.
      Casa de Cultura – é um presídio abandonado que se tornou pólo de artesanato. É interessante brisar na arquitetura do local, as lojinhas são mais ou meno.
      Casa dos bonecos gigantes – a gente se divertiu pacas com os bonecos.
      Mas é um pico estilo “madame trousseau”, saca? Um role meio pra gringo ver. Se vc tiver com pouca grana dexa no gelo.
      É um espaço pequeno, com cerca de 100 bonecos gigantes das mais diferentes áreas – política, artes, folclore e etc..
       

       
      Teatro Mamulengos – esse é mais interessante, mas é o mesmo estilo do anterior. É legal, mas só se vc tiver tranquilo de tempo e grana.
      É pequeno, mas tem representações de figuras clássicas do carnaval de Pernambuco – como a dama de passo, o caboclo de lança e etc.
      De noite fomos pra recife antigo porque tava tendo encontro de caboclinhos
      Caboclinhos é uma dança folclórica em que índios e grupos fantasiados de índios, com cocares, adornos de pena, colares, representam cenas de caça e combate.
      Foi muito massa.
      Durante o carnaval vêm grupos do estado inteiro para recife apresentar suas danças.
       

       
      Depois disso acompanhamos o “Baque Mulher”, um grupo de maracatu formado apenas por mulheres e que mandam benzão.
      Começou a chover forte e enquanto todos se abrigavam, eu e Marcelo jogávamos capoeira na chuva.
       
      uber do pina ao recife antigo: R$6
      Paço do Frevo – R$ 4 (a meia)
      Casa de Cultura – regata R$ 10
      Casa dos bonecos gigantes - R$ 10
      Teatro Mamulengos - R$ 10
      “três latão é dez”: R$20
       
      Dia 3: COMEÇOU – 24.02
       
      Nesse dia conhecemos as duas nações de maracatu do bairro do Pina e providenciamos todos os preparativos para o desfile de domingo.
      De noite no marco zero teve a abertura oficial do carnaval 2017, com mais de 600 batuqueiros de 13 nações de maracatu de baque virado.
      O homenageado foi Naná Vasconcelos que faleceu em 2016.
      Eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana Down Beat e ganhador de oito prêmios Grammy (brasileiro com mais prêmio Grammy).
      Só.
      Olha o que esse homem e vê se ele não merece 600 batuqueiros:

      Lenine e Virgínia Rodrigues, acompanhados do Coral Voz Nagô, deram um show e a abertura do carnaval ficou tão grandiosa que mais parecia a noite da virada de ano.
       
      uber do pina ao recife antigo e volta: R$12
      “três latão é dez”: R$30
      Axé: R$ 10
       
      Dia 4: OLINDA– 25.02
      Enfim, o carnaval de Olinda.
      Muito frevo, muita ladeira, muita cerveja.
      Chegamos as 15h e saímos de madrugada.
      Muitos nos deram a dica de fugir pra Olinda durante o Galo da Madrugada em Recife.
      Isso porque Olinda fica intimista enquanto recife fica tumultuado demais.
      Seguimos a recomendação e não nos arrependemos.
      Vimos o Homem da Meia Noite, que é bastante tradicional e dançamos um forrózim de uma banda familiar.
      uber do pina e a Olinda e volta: R$24
      “três latão é dez”: R$30
      Caipirinha de pitu: R$ 8
       
      Dia 5: DESFILE– 26.02
      Passamos o dia ajudando às nações de maracatu do Pina a se preparar para o desfile da noite.
      Pela noite vestimos as fantasia e saímos pela passarela.
      Foi mágico.
       

       
      Nesse dia também foi muito emocionante assistir, dançar e cantar enquanto desfilavam outras nações como Estrela Brilhante de Recife, Leão da Cambinda e Aurora Africana.
      Ainda deu tempo pra dançar um forrózinho com a dupla Caju e Castanha.
      uber do pina ao recife antigo e volta: R$12
      “três latão é dez”: R$30
       
      Dia 6: NAZARÉ DA MATA + TAMBORES SILENCIOSOS – 27.02
      Esse dia foi louco.
      Já contei como foi nos itens 3 e 10 das constatações.
      uber do pina a Nazaré da Mata: R$40 (total R$ 160)
      ônibus de Nazaré da Mata a recife antigo: R$ 11
      “três latão é dez”: R$30
       

       
      Dia 7: SHOWS – 28.02
      Dormimos a tarde toda pq a viagem até aqui foi realmente muito intensa
      No fim da tarde fomos pro marco zero.
      Desfile das campeãs do carnaval de 2016: Sóbrios
      Show do Geraldo Azevedo: Altos
      Show do Lenine: Beubos
      Show da Elba Ramalho: Dormindo de boca aberta na cabine de uma pick-up estacionada na rua.
       
      uber do pina ao recife antigo e volta: R$12
      “três latão é dez”: R$30
      Axé: R$ 20
      Ganjah: R$ 10
       
      Dia 8: XAMBÁ – 01.03
      Esse dia eu também já contei no item 10.
      uber do pina ao xambá: R$24
      “três latão é dez”: R$30
      Axé: R$ 15
       
      Dia 9: COROA DO AVIÃO + PRAIA DO SOSSEGO + FESTA NA NAÇÃO – 02.03
       
      Visitamos pouquíssimas praias nessa viagem.
      Mas, também, com o carnaval batendo forte em Recife, quem quer saber de praia?
      Quero voltar pra Pernambuco pra conhecer Porto de Galinhas, Carneiros e Cabo de Santo Agostinho.
      Conversamos com um motorista de Uber que fechou o dia pra nos levar a conhecer dois tesourosna ilha de Itamaracá.
      A praia do forte Orange é uma praia belíssima com uma relativa estrutura pra receber turistas.
      O destaque dessa praia é mesmo as ruínas de um forte construído pelos holandeses na época da colonização.
      Depois disso nosso motorista nos levou a Praia do Sossego que é uma praia quase deserta.
      Lindissima.
       

       
      Conhecemos o “mozão” e a “mozona” que mantém um barzinho lá e choramos de rir com as histórias deles.
      Voltando de lá recebemos a notícia de que Porto Rico tinha sido campeã.
      Fomos pra sede da nação, tava tendo open de cerveja.
      Bebemos, dançamos e bebemos mais ainda. Selok
      Pina às praias e volta – R$ 40 (R$ 160 no total)
       
      Dia 10: CINEMA SÃO LUIZ + BARES DA AURORA – 03.03
      O cinema de Recife é muito foda.
      Pra quem ainda não manja, aí vai algumas recomendações:
      - Boi Neon, Amarelo Manga, A Febre do Rato, o Som ao Redor e Tatuagem.
      O cinema São Luiz é tradicionalzão em Recife, tombado como monumento histórico e tudo mais.
      Assistir um filme pernambucano (Redemoinho) naquele lugar foi muito massa.
      Depois fomos beber nos famosos bares da Aurora onde os “alternativos” da cidade se reúnem (Rua Mamede Simões).
       

       
      uber do bairro do pina até o são luiz: R$8
      Heinekens: R$ 40
       
      Dia 11: ATÉ BREVE – 04.03
      uber do bairro do pina até o aeroporto: R$13
       
      CONCLUSÃO
      Marcelo: Às vezes nós que moramos em outros Estados e regiões temos um contato muito distante com a cultura popular e o que esta representa.
      Quando a nós chega algo que faça referencia a ela logo caricaturamos e pensamos aquilo como algo pitoresco e folclórico, algo que ficou no passado e nada tem a ver com nossa vida.
      Porém quando pisar em Pernambuco propomos que você esteja disposto a romper com essa visão e mergulhar em toda a beleza e cor, infância e calor, todo sabor e grandiosidade desta cultura.
      Lá você irá se compreender e enxergar suas raízes e perceber que toda essa herança permanece até os dias de hoje!
      Vai se apaixonar pelo movimento sincero da dança dos caboclinhos, pelo baque forte dos batuqueiros de Maracatu, pela leveza e frenesi dos passos do frevo, pela expressão sincera e majestosamente colorida e bela dos Maracatu Rural, do sorriso negro estampado nas faces de cada pessoa do afoxé, pela alma sertaneja em cada nota tocada em uma rabeca, sanfona, triangulo e zabumba, pela alegria sincera dos blocos líricos.
       

       
      Com certeza depois desta experiência temos o desejo sincero de gritar para o mundo inteiro ouvir o quanto nos orgulhamos do nosso povo e o quanto hoje fazemos de nossas vidas também uma busca por conservar e espalhar as belezas que tanto são marginalizadas!
       
      O nome dos poetas populares.
      (Antônio Vieira)
       
      A nossa poesia é uma só
      Eu não vejo razão pra separar
      Todo o conhecimento que está cá
      Foi trazido dentro de um só mocó
      E ao chegar aqui abriram o nó
      E foi como se ela saísse do ovo
      A poesia recebeu sangue novo
      Elementos deveras salutares
      Os nomes dos poetas populares
      Deveriam estar na boca do povo
       
      Os livros que vieram para cá
      O Lunário e a Missão Abreviada
      A donzela Teodora e a fábula
      Obrigaram o sertão a estudar
      De repente começaram a rimar
      A criar um sistema todo novo
      O diabo deixou de ser um estorvo
      E o boi ocupou outros lugares
      Os nomes dos poetas populares
      Deveriam estar na boca do povo
       
      No contexto de uma sala de aula
      Não estarem esses nomes me dá pena
      A escola devia ensinar
      Pro aluno não me achar um bobo
      Sem saber que os nomes que eu louvo
      São vates de muitas qualidades
      O aluno devia bater palma
      Saber de cada um o nome todo
      Se sentir satisfeito e orgulhoso
      E falar deles para os de menor idade
      O nomes dos poetas populares.
       

       
      Lucas e Marcelo
       
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