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Pat Alves

Cuba, na prática: Havana, Cienfuegos, Trinidad, Viñales e Varadero - sozinha - 10 dias (março/16)

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INTRODUÇÃO

 

Há alguns meses, a Copa Airlines estava com uma promoção de passagens a Cuba. Como eu não tinha ainda um destino escolhido de férias, eu não pensei duas vezes e comprei por R$ 1.800 saindo do Rio. Resolvi ficar por duas semanas viajando pela ilha.

 

Cuba nunca esteve nas minhas prioridades mas com o estreitamento das relações com os EUA, eu senti uma urgência em conhecer um pouco do país antes que abrisse um Mac Donald's ou um Starbucks em Havana (depois de ter lido o livro "A ilha", achei tolice minha ter pensado deste modo).

 

Acho que o que eu sei de Cuba é o que a maioria das pessoas sabem um pouco: Revolução, Fidel Castro, Che Guevara, bloqueio econômico, carros antigos, La Bodeguita, etc. Eu precisava saber mais sobre a história do país. Um amigo emprestou-me dois livros:

 

(1)Moraes, Fernando; A Ilha, Companhia das Letras.

(2) Furiati, Claudia; Fidel Castro, uma biografia consentida. Editora Revan.

 

O usuário Pedrada sugeriu-me algumas leituras. De tudo o que me foi recomendado, confesso apenas ter lido (e adorado) o livro "A Ilha". Agradeço a todos a ajuda.

 

Eu posso dizer que já tenho uma certa experiência em planejamento de viagens por conta própria. Algumas vezes, eu já arrisquei ir a um país só sabendo do basicão. Por conta de emendar uma viagem após outra, acabei deixando para planejar minha viagem para Cuba em cima da hora, algo como "viajar-e-ver-no-que-dá". Agora que eu já voltei de viagem, se tivesse que dar uma única dica seria: planeje bem sua viagem a Cuba, informe-se bastante. Por quê? Não é fácil obter informações sobre o país pela internet estando lá, já que a internet em Cuba é lenta e cara. Além disso, não viajei nem com um bom guia de viagem. Apenas li relatos de viagem, procurei alguns blogs e sites interessantes sobre viagem a Cuba e salvei-os no celular (Aplicativo Evernote).

 

Não dá para visitar Cuba como se fosse um simples destino turístico. Mesmo que queira se afastar do assunto política, está lá nas ruas, no dia-a-dia dos cubanos e no modo como viajamos no país. É uma verdadeira incursão social, para quem quiser.

 

Deixa eu explicar como foi a minha viagem: eu viajei sozinha e tive poucos dias no país (10 dias. Deveriam ser quinze mas tive que antecipar a minha volta). Não viajei no estilo mochileiro mas foi o mais econômico possível. Durante o período em que estive em Havana, houve dois eventos importantes: a visita do presidente dos EUA, Barack Obama e o show dos Rolling Stones.

 

Mesmo com tudo isso, acho que o fato mais curioso que aconteceu durante a viagem e eu até esperava mas aconteceu de forma muito mais frequente foi que por eu ser negra, todos, turistas e cubanos, ao me ver achavam que eu era uma cubana legítima e isso me rendeu vários causos.

 

Então, escreverei o relato e sobre o que eu aprendi do modus operandi de viajar em Cuba.

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CUBA, NA PRÁTICA

 

DOCUMENTOS OBRIGATÓRIOS

Passaporte, visto e seguro-saúde.

 

O visto é conhecido como tarjeta de turismo e em março de 2016 custa 20 dólares. Quem mora em Brasília, pode solicitar o visto à Embaixada. O visto também pode ser solicitado nos Consulados em São Paulo e Salvador. O valor da taxa é de R$ 65. Para aqueles que não moram nas proximidades destas cidades, o mais prático é comprar a tarjeta de turismo no balcão da companhia aérea. Eu viajei de Copa Airlines e comprei o visto na Cidade do Panamá, no balcão ao lado do portão de embarque do voo para Havana. Processo rápido e tranquilo. A tarjeta de turismo pode estar disponível no balcão da Copa nos aeroportos brasileiros. O custo é de 80 reais. Só não comprei no aeroporto do Galeão porque já havia acabado. Então, se você for viajar com a Copa e não conseguir comprar o visto no Brasil, não se preocupe pois no aeroporto do Panamá você conseguirá fazê-lo. Reserve dólares trocados, evitando o transtorno da perda de tempo caso eles não tenham o troco na hora.

 

Para saber mais informações de como tirar o visto na embaixada ou consulados aqui no Brasil, visite a página da Embaixada cubana. Clique em Missión e escolha qual a representação diplomática (Embaixada, Consulado em São Paulo, Consulado em Salvador, etc.)

 

EMBAIXADA BRASILEIRA EM HAVANA

Como estamos falando de embaixadas, anote aí o endereço da embaixada brasileira em Havana:

Centro de Negócios Miramar

Avenida 3ª entre 76 e 78. Edifício Beijing, Sala 206. Bairro Miramar. Havana, Cuba

Tel: (537) 214 4713 ao 4716. Fax: (537) 214 4719

 

MOEDA

Em Cuba, há duas moedas: o peso (CUP), conhecido também como moneda nacional e o peso convertible (CUC), usado pelos turistas. 1 CUC equivale a 1 dólar, aproximadamente.

 

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QUAL MOEDA LEVAR?

Por enquanto, o euro. Na prática, o dólar é sobretaxado em 10% e por isso, vale menos de 1 CUC. Pesquise o câmbio de hoje no site do Banco Central de Cuba.

 

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A tabela de câmbio é sempre em relação ao CUC.

 

Entendendo a tabela:

 

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Então, olhando a imagem acima:

 

Para eu comprar 1 CUC, você precisará ter:

1,36982 dólares canadenses ou 1,00638 francos suíços ou 18,22518 pesos mexicanos.

 

Atenção: Se eu estiver com euros ou com libras esterlinas e quiser comprar CUC, o raciocínio será, de acordo com a tabela:

1 euro compra 1,08002 CUC

1 libra compra 1,36727 CUC

 

Se você tem pesos convertibles para vender, a CADECA te pagará por 1 CUC:

1,28329 dólares canadenses ou 0,94292 francos suíços ou 17,07221 pesos mexicanos.

 

Atenção: Se eu quiser vender CUCs por euros ou libras, o raciocínio será:

A CADECA te pagará 1 euro para cada 1,15279 CUC

A CADECA te pagará 1 libra para cada 1,45924 CUC

 

Observação: Eu fiz uma confusão danada com esta tabela de câmbio. Coisa complicada! Para tirar qualquer dúvida, tenha em mente isso: "a relação casa de câmbio-cliente sempre será desvantajosa para o cliente. Então, se você olhar para tabela e achar que está lucrando, com certeza você está entendendo errado a tabela!" ::putz:: (frase sábia de um amigo).

 

COMPRANDO PESOS CONVERTIBLES (CUC): ONDE TROCAR MEU DINHEIRO EM CUBA?

Na área externa ao aeroporto de Havana, há uma CADECA (casa de câmbio). Troque uma quantia pra lá. Algumas pessoas recomendam só trocar o suficiente pois com o cansaço da viagem não se confere corretamente a quantia recebida em CUC (há relatos em que pessoas reclamam de terem recebido propositalmente dinheiro a menos). Eu troquei 200 euros (o suficiente para pagar a diária em Havana e o táxi do aeroporto) e o restante troquei em Havana Vieja, nas CADECAS na calle Obispo e na Plaza de San Francisco. Não foi necessário trocar dinheiro nas cidades do interior do país.

 

EU POSSO COMPRAR PESOS - CUP (MONEDA NACIONAL)?

Sim, pode. Eu troquei 5 CUC por pesos em uma CADECA em Habana Vieja tranquilamente. Usei os pesos para comprar comida e comprar a tarjeta propria (cartão telefônico para chamadas em Cuba). Há lugares que aceitam CUP e CUC. Falo mais sobre isso depois.

 

Atenção: para trocar dinheiro é necessário ter o passaporte em mãos!

 

NO AEROPORTO DE HAVANA

Observe que as filas para verificação de passaporte à direita são exclusivas para passageiros de cruzeiros. Você será fotografado e seu passaporte será carimbado (antes só carimbavam a tarjeta de turismo). Sua tarjeta de turismo também será carimbada e nem é preciso dizer que para sair do país você tem que devolvê-la, né? Então, tenha cuidado.

 

Após a verificação do passaporte, sua bagagem de mão passa por um raio X e o formulário que você recebeu no avião, deve ser entregue ao próximo funcionário que te perguntará se está hospedado em casa particular ou em hotel. Depois, a espera de sua bagagem na esteira. Algumas pessoas esperam por 3 horas. Eu tive sorte e todo o processo - desde a Imigração até pegar a bagagem - durou menos de 1 hora.

 

DO AEROPORTO A CENTRO HABANA OU HABANA VIEJA

O táxi oficial (táxis amarelos, carros bem mais novos) estava cobrando 30 CUC na semana em que o presidente Obama e os Rolling Stones estavam em Havana. O preço normal é 25 CUC. Já na volta para o aeroporto, ainda se consegue pagar 20 CUC mas o preço normal é 25 CUC.

 

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SEGURANÇA

A sensação de segurança é impressionante. É um país muito seguro. Turistas andando com suas câmeras fotográficas caríssimas pelas ruas sem preocupação. Andar em ruas mal iluminadas e se sentir seguro. Consegue imaginar isso em uma grande cidade brasileira? Os cubanos são privilegiados.

 

 

USANDO A INTERNET EM CUBA

A internet em Cuba não é "aberta" de imediato. Para acessá-la, é necessário um número de usuário e senha já cadastrados. Na prática, basta comprar um cartão de acesso temporário da ETECSA, a estatal cubana de telecomunicações. Ao custo de 2 CUC ou 10 CUC, você pode usar a internet por, respectivamente, 1 hora ou 5 horas. O cartão é válido por 30 dias contados a partir do primeira conexão. Para saber qual é o seu número de usuário e a senha, basta raspar no local indicado no verso do cartão.

 

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Onde acessar?

Nos hotéis, usando os computadores disponíveis (exatamente como em um cyber café) ou usando o wi-fi em seu celular mas tenham em mente que o wi-fi só funcionará nas zonas liberadas pelo Governo. Exemplo: nas proximidades de hotéis (exemplo: Hotel Inglaterra, em Centro Habana; Hotel Flórida e Hotel Ambos Mundos; em Habana Vieja) e outros lugares bem conhecidos como La Rampa, em Vedado. Lembrando que estrangeiros podem entrar nos hotéis e ficar no saguão utilizam o wi-fi em seus celulares/laptops mas nem todos os hotéis permitem que não-hóspedes usem os computadores.

 

A velocidade não é das mais rápidas e como vocês já perceberam é a peso de ouro. O meu conselho é: desapegue!

 

ONDE COMPRAR O CARTÃO DA ETECSA

A dona da casa particular em Havana havia me dito que eu conseguiria comprar no hotel Inglaterra. Na prática, como eu estive em Havana em um período onde muita coisa estava fechada ou não era permitida por questões de segurança, o único lugar onde tenho certeza que se pode comprar o cartão é na ETECSA da calle Obispo.

 

Atenção: para comprar a tarjeta de internet é necessário ter o passaporte em mãos!

 

AS FILAS EM HAVANA: UMA PECULIARIDADE

Se tiver que ir à ETECSA da calle Obispo para comprar a tarjeta de internet, você provavelmente verá uma duas pequenas muvucas em cada porta. Uma porta é para aqueles que querem acessar a internet e a outra é para todas as demais coisas, inclusive comprar a tarjeta. A aparentemente muvuca na verdade é uma "fila". Certifique-se que está na correta e pergunte quem é o último (¿Lo último?). Só isso basta. A pessoa que chegará depois, fará o mesmo e você se manifestará, dizendo que é o último. Assim por diante. Eu fiquei maravilhada com isto. Que coisa tão altamente civilizada! Funciona muito bem! Não precisa ninguém ficar um atrás do outro. Basta saber quem está na sua frente e pronto. Depois, aprendi que é conveniente também saber quem é o penúltimo, para aqueles casos da pessoa que está na sua frente desistir e você ficar perdido.

 

CHAMADAS TELEFÔNICAS EM CUBA

Para fazer ligações telefônicas somente em Cuba (exemplo: telefonar para casas particulares em outras cidades), compre na ETECSA um cartão telefônico chamado de tarjeta propria (custo: 7,5 CUP ou 10 CUP). Para usar, o esquema é um pouco parecido com a tarjeta de internet: (a) procure um telefone público; (b) Raspe o local indicado para saber seu número de usuário; © Ligue 166 para ouvir as instruções. Depois, digite o número de telefone desejado (Atenção: não use o código 53. Digite 0 + número de telefone desejado).

 

Atenção: para comprar a tarjeta propria é necessário ter o passaporte em mãos!

 

HOSPEDAGEM EM CUBA

Há duas opções: hotéis e casas particulares. Falarei sobre o que usei - as casas particulares.

 

Casas particulares

As casas particulares são as casas dos moradores que foram autorizados pelo Governo a disponibilizar seus quartos para os turistas. É o modo mais popular de hospedagem em Cuba e uma oportunidade do visitante estar mais em contato com o estilo de vida dos cubanos. Obviamente, são mais baratos que hotéis mas não se engane: é tudo bem organizado. Em média, um quarto para duas pessoas em uma casa particular custa em média 25 CUC mas a diária depende da cidade e se o período é baixa ou alta temporada (referência: março/2016).

 

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Como pesquisar qual a melhor casa particular para mim?

Você pode ler as resenhas no Trip Advisor e agendar a casa em sites agregadores como por exemplo, o Cuba Junky e My Casa Particular ou entrar em contato por e-mail diretamente com os donos. Se você pretende se hospedar em mais cidades, não é necessário reservar todas as casas. Basta reservar a primeira e o dono desta casa te ajudará a reservar a próxima e assim por diante. Sempre um conhece alguém que aluga quartos em outra cidade. Isso é prático! Aconteceu comigo. Entretanto, tenho que dizer que você corre o risco de ficar longe de onde você quer. Então, se pretendo ficar melhor localizado, reserve com antecedência.

 

O que eu acho importante confirmar antes para não ter surpresas:

(a) Se tem ar condicionado - isso é muito importante. O calor é forte;

(b) Se o banheiro é privado ou compartilhado;

© Se será necessário subir escadas - importante para quem tem dificuldades de locomoção.

(d) Água quente no chuveiro (com o calor, isto fica desnecessário mas se pra você é importante, pergunte. Eu peguei um friozinho em Havana inesperado e agradeci ter a água quente no chuveiro).

 

O café da manhã em geral não está incluso na diária (eu conheci um casal de Gran Cayman que estava pagando 30 CUC em uma casa particular em Vedado e eles disseram que estava incluso o café e pagariam isto tomando ou não o café). Em média, o café da manhã custa 5 CUC. Algumas casas cobram 3 CUC.

 

A dona da casa particular de Cienfuegos reservou para mim a casa em Trinidad, por indicação da senhora de Havana. Como não tinha vaga, fiquei na vizinha. Só que a vizinha estava me cobrando 30 CUC por um quarto com banheiro privado e com ventilador. Sendo que Trinidad estava um caldeirão de tanto calor que fazia na cidade! A desculpa é que em Trinidad as diárias são mais altas. Não é verdade, havia casas cobrando o valor padrão de 25 CUC, com ar condicionado e banheiro privado. Portanto, cheque estas informações antes.

 

Sempre é bom levar seus produtos de higiene (sabonete, xampu e condicionador) pois não é garantido que tenha nas casas, já que estes produtos não são abundantes no país. Em alguns relatos também falavam para levar na mala papel higiênico. Porém em todas as casas em que eu estive, havia papel higiênico mas não custa nada seguir a recomendação.

 

O QUE TEM NO CAFÉ-DA-MANHÃ (DESAYUNO)?

Muita coisa! Em todas as casas que eu estive, o café-da-manhã sempre foi muito bem servido. Eu tinha disponível frutas (goiaba, banana, mamão, abacaxi - não todas estas mas ao menos 3 destas), pão, manteiga, café (adorei o café cubano!), uma jarra de suco, leite e omelete. Quando o proprietário perguntar como você quer os ovos, ele perguntará ¿tortilla ou huevos revueltos? Tortilla é o ovo mexido em forma do que conhecemos como omelete - mas isso não significa que terá recheio. Huevos revueltos significam ovos mexidos. Em algumas casas me ofereceram chá e tomates.

 

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JANTAR NAS CASAS PARTICULARES

Em algumas casas também servem jantar. A média do custo do jantar é 8 CUC. Se quiser jantar na casa, pergunte se é necessário reservar um dia antes. Eu, por exemplo, jantei na casa na minha primeira noite em Havana e nas duas noites em que eu estive em Cienfuegos.

 

NOVELAS BRASILEIRAS

Você já sabe, os cubanos assistem as novelas brasileiras. A novela que está passando no momento é Império, cujo personagem principal é o Comendador (ator: Alexandre Nero).

 

Algumas senhoras podem falar sobre a novela Esclava Blanca mas esta aí não é brasileira, tá? (Sim, eu assisti a novela junta com a dona da casa particular em Trinidad :) )

 

ENDEREÇOS EM CUBA

Não basta apenas o nome e o número da rua, é preciso dizer também a esquina ou as ruas que compõem quarteirão/quadra. Exemplos:

Hotel Inglaterra - Avenida Paseo del Prado, 416 entre San Rafael y San Miguel

Casa Particular Agustina Pérez - Calle Industria, 305 apt 402 entre Neptuno y San Miguel

 

Na prática:

Ave Paseo del del Prado #416 e/ San Rafael y San Miguel

C/ Industria #305 apt 402 e/ Neptuno y San Miguel

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DICA DE LEMBRANÇA: NOTA DE 3 PESOS - CHE GUEVARA

Eu não fui no Mercado São José para comprar lembrancinhas. A única "lembrancinha" que eu trouxe para o Brasil foram as notas de 3 pesos, aquela com a imagem de Che Guevara estampada, que presentearei aos meus amigos esquerdistas e eu sei que para eles isso significa muito.

 

Um amigo deles já havia me pedido. Não consegui na CADECA. Em Trinidad, um cara me cobrou 3 CUC. Na Plaza de Armas, na feira de livros, também vendem esta nota. Não sei por quanto. O que eu fiz? Fui a um banco na Calle O'Reilly trocar uma nota de 20 pesos por notas de 3 pesos. Pensei que fosse demorar mas ao pedir informação, uma bancária me atendeu e fez o que eu tinha solicitado. Agradeço-a muitíssimo!

 

Então, se você não conseguir a nota de 3 pesos no dia-a-dia, existe a alternativa de trocar no banco. Não esqueça de levar o passaporte.

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QUANTOS DIAS FICAR EM CADA CIDADE

MELHOR LOCALIZAÇÃO

INDICAÇÃO DE CASAS PARTICULARES

 

Eu me hospedei em Havana, Cienfuegos e Trinidad.

 

HAVANA

Acho que todo mundo já sabe onde é melhor ficar hospedado: Habana Vieja, Centro Habana ou Vedado.

Eu fiquei em Centro Habana, a duas quadras do Hotel Inglaterra. Achei a localização ótima (veja a imagem na parte do relato que eu falo dos endereços em Cuba, no post anterior).

 

Indicação de casa particular

Agustina Pérez

Calle Indústria, 305 apt 402 entre Neptuno y San Miguel.

E-mail: [email protected]

Telefones: (53) 7864-6580 (fixo) e (53) 5281-4326 (celular).

Preços: café da manhã 5 CUC, diária 25 CUC

 

Sra. Agustina é um amor! Eu fiquei em um quarto com cama de casal. O quarto tem ar condicionado e ventilador. A casa é silenciosa (isso é importante para mim). O café da manhã para mim também foi ótimo. Hospedei-me lá por indicação de um colega de trabalho. Quando voltar em Cuba, ficarei por lá. Reserve com antecedência e confirme se você ficará hospedado lá ou na casa da vizinha (os cubanos tem essa prática).

 

Indicação de casa particular

Marilín González

Calle Industria, 308 entre Neptuno y San Miguel

E-mail: [email protected] ou [email protected]

Telefones: (53) 7860-0591 (fixo) e (53) 5283-0902 (celular)

 

Na chegada a Havana, acabei ficando na casa particular da amiga da dona Agustina, na casa da Marilín. Também muito amável. Igualmente fiquei em um quarto com cama de casal e banheiro privado. Ela e a Deisli, que ajuda na arrumação dos quartos, são boas de papo e eu aproveitei e aprendi muita coisa sobre o dia-a-dia dos cubanos. Só tem um problema: se você gosta de dormir até tarde e tem sono leve, você pode ser acordado por um despertador que não pára de tocar ou ser acordado pela dona Marilín chamando a filha para ir para escola. Eu tenho sono leve mas acordo cedo e isso não me incomodou.

 

CIENFUEGOS

 

O que ver em Cienfuegos

O destaque de Cienfuegos é o seu Centro Histórico que é considerado patrimônio mundial pela UNESCO. No final da tarde, pode caminhar pelo Malecón e ir até Punta Gorda. Atenção: a distância é grande, para quem não está acostumado a caminhar ou tem dificuldade, talvez seja interessante pensar em ir de bicitáxi.

 

Quanto tempo ficar em Cienfuegos

Para conhecer o Centro Histórico e Punta Gorda além de passear no Malecón, um dia é o suficiente.

 

Os arredores

Se estiver em grupo ou se tiver mais pessoas para compartilhar um táxi considere mais 1 dia para ir a Playa Girón. Algumas pessoas também conhecem Santa Clara a partir de Cienfuegos (daytrip ou bate-volta). Caso faça isso, coloque mais 1 dia em seu roteiro. Ainda pode conhecer Rancho Luna e o Delfinário.

 

Onde se hospedar

Particularmente, acho que quanto mais próximo do Centro Histórico, melhor. Onde está o Centro Histórico? Basicamente é a região Parque Martí - Calle 37 (Paseo del Prado) - Avenida 54 (Boulevard).

 

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Eu fiquei a 15 minutos do Boulevard. É uma casa particular da Ana, médica e professora da universidade de Cienfuegos. A casa é um hostal. A melhor da viagem. Ótimo café-da-manhã e o jantar melhor ainda. Eu fiquei em um quarto com uma cama de casal e uma de solteiro, ar condicionado split. O banheiro é grande, oferecem sabonete. Tem uma geladeira com cerveja, refrigerante, água e sucos (néctar) além de TV. Recomendo mas fica a ressalva da localização, para chegar ao terminal da Via Azul vai ter que caminhar um pouco.

 

Indicação de casa particular

Hostal El Sureno (casa da Ana)

Avenida 36, 3509 entre 45 y 47

Telefones: (53) 43519913 (fixo) e (53)01 5289-5243 (celular)

Diária: 25 CUC. Café-da-manhã: 5 CUC

E-mail: [email protected]

Site: http://www.hostaldelsur.cf

 

Chegando/saindo de Cienfuegos

O terminal da Via Azul fica na Avenida 56 com Calle 49.

 

TRINIDAD

 

Quanto tempo ficar em Trinidad

Trinidad tem comemorou 500 anos de fundação em 2014. Seu Centro Histórico que é considerado patrimônio mundial pela UNESCO. Para conhecê-lo, um dia é o suficiente. Sugiro ficar ao menos mais um dia em Trinidad para conhecer os arredores.

 

Os arredores

- Playa Ancón: Uma praia caribenha pertinho de Trinidad (15min de carro) e a baixo custo, já que você não precisa ficar em resort.

 

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- Valle de los Ingenios: Considerado patrimônio da humanidade pela UNESCO. Conhece o vale por excursão. Não fiz este passeio. Só tinha mais um dia em Trinidad e dei preferência a Playa Ancón.

 

Dicas | Playa Ancón

Para chegar até a praia, há 3 modos: de ônibus, de táxi ou de bicicleta. Se for de ônibus como a maioria, os horários são às 09:00/11:00/14:00/17:00. A volta tem os horários de 10:00/12:30/15:30/18:00. Preço: 2 CUC (ida e volta).

 

Onde pegar o ônibus? Na calle Gutierrez (Maceó) esquina comFco Javier Zerquera (Rosário), no ponto da Casa del Tabacos e em frente a Cubatur.

 

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Atenção: se estiver em período de alta temporada, você corre o risco de o ônibus passar lotado no ponto. O que fazer? Vá para o ponto inicial, que é a praça onde está a Assembléia.

O táxi compartilhado custa 2 CUC por pessoa o trecho. Levam no mínimo 4 pessoas na ida.

 

Onde se hospedar

A cidade é pequena mas assim como Cienfuegos, acho interessante ficar no Centro Histórico.

 

Chegando/saindo de Trinidad

O terminal da Via Azul fica na calle Piro Guinart (Boca).

 

Indicação de casas particulares

Não há. A sensação que eu tive em Trinidad é que as pessoas estão muito acostumadas com o turismo e já tem a malícia de tentar passar a perna no turista. Fiquei em uma casa particular que me cobrou 25 CUC por um quarto com ventilador e banheiro compartilhado. Depois, reclamei e fiquei em uma casa boa, com ar condicionado mas me cobrou 30 CUC. Bastou dar uma volta nas redondezas e descobrir que havia casas nas mesmas condições por 25 CUC. Diante disso, apesar da simpatia das donas das casas particulares, não recomendo as casas.

 

INDICAÇÃO DE CASAS PARTICULARES POR OUTROS TURISTAS

Não querendo dar uma de Silvio Santos em décadas passadas, eu deixarei duas indicações de casas particulares por pessoas que conheci ao longo da cidade e teceram vários elogios sobre as casas. Quero deixar bem claro que não fiquei em nenhuma delas. Então, uma sugestão é verificar as opiniões de outros hóspedes pela internet afora (por exemplo, Trip Advisor).

 

Explicando sobre o Silvio Santos: Havia uma sessão de filmes logo após seu programa e ele pedia que seu público assistisse ao filme porque este era muito bom. Ele ressaltava que ele mesmo não tinha visto mas a filha viu e disse que era ótimo! ::hahaha:: )

 

Casa Particular em Havana

Eu não fiquei hospedada nesta casa, mas um casal de argentinos que conheci em Trinidad, elogiou muito e disse que as três vezes que ficaram em Havana, ficaram nesta casa e falaram que ela é descolada, que ajuda aos turistas a conseguirem fechar passeios e táxi compartilhados (o chamado jogo de cintura). Fica perto do hotel Habana Libre.

 

Maritza y Manolo

Calle San Miguel, 959 entre Espada y San Francisco - Centro Habana

 

Casa particular em Cienfuegos

Duas holandesas que conheci na casa particular em Havana me deram o cartão de onde elas ficaram hospedadas em Cienfuegos. Disseram que a localização é excelente (de fato é, eu confirmei: em frente ao hotel União ) e que o café da manhã era ótimo. Eis o contato:

 

Marisela e Pedro

Calle 31, 5416 entre 54 y 56

Telefone: (53) 4351-0511 (fixo) e 5366-8056/5395-2495 (celular)

E-mail: [email protected]

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INTERNET

 

CIENFUEGOS

Zona de wifi: Plaza de Armas (Parque José Martí)

Computador disponível: Hotel Unión

 

TRINIDAD

Zona de wifi: Plaza Carrillo

Cyber café: Dulcinea - calle Antonio Maceó (Gutierrez) esquina con Simón Bolívar (Desengaño). Custo: 3 CUC por 20 min ::ahhhh::

 

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VIA AZUL

Usei os ônibus da Via Azul em Trinidad. Não tenho nada a reclamar da companhia. Porém, atenha-se a estes detalhes para não ter surpresas desagradáveis.

- Compre a passagem com antecedência;

- Chegue com uma 1 hora de antecedência no dia da viagem. Achei um pouco desorganizado. Você chega com o papel impresso que foi entregue a ti no dia da reserva. Depois, você tem que pegar uma fila para trocar o papel pela passagem.

- Fica de olho pois em breve será chamado o seu destino e aí se você tiver bagagem para colocar no porta-malas, é mais uma fila para pegar.

- Não há lugar marcado. É só subir, entregar a passagem ao motorista e escolher um lugar para sentar.

 

Chegando no terminal da Via Azul em Havana

Se estiver sozinho, fique observando também quem está sozinho no ônibus. Quando chegar no ponto final, já pergunta para esta pessoa onde ela ficará hospedada, para dividir a corrida de táxi. Uma francesa fez isso comigo (agradeço imensamente a iniciativa dela). ::otemo::

Preço da corrida do terminal da Via Azul até Habana Vieja/Centro Habana: 10 CUC

 

ONDE COMER: DICAS PARA OS CHATOS PRA COMER

Eu sou chatinha pra comer. Não como peixes nem frutos do mar. Não gosto de carne de porco e frango só gosto de comer em filés. Já viu, né? Estava morrendo de medo de passar fome em Cuba ou gastar uma fortuna com isso. Mas ó, não aconteceu!. Eu vou recomendar alguns lugares que eu gostei de jantar.

 

HAVANA

Esto no es un café

Eu havia lido sobre o restaurante nos comentários de um blog de viagens. Passei lá às 16:00 e pedi um prato tradicional: o Ropa Vieja (9,5 CUC). Sucos muito bem feitos, não são aquela coisa rala (1,5 CUC). Voltei ao restaurante no dia seguinte às 18:00 e comi novamente (brusquetas de queijo e uma crepe de chocolate). Fui a primeira a chegar mas rapidamente lotou. O atendimento já não foi o mesmo. O restaurante não aguenta muito movimento. Então, para você não se aborrecer, indico o restaurante sim mas fora dos horários de pico.

Endereço: Callejón del Choro, 58A entre O'Reilly y Empedrado (próximo a Plaza da Catedral)

 

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Restaurante Europa

Comi file de frango grelhado (pechuga de pollo) a 3,65 CUC. Na segunda vez, à noite. o atendimento demorou bastante. Então, já comecei a entender que é meio que uma constante em Havana - ao menos. Então, tenham paciência.

Endereço: Calle del Obispo, 303

 

TRINIDAD

Paladar Doña Clara

Sem sombra de dúvidas, a melhor relação custo/benefício da viagem. Agradeço de coração ao usuário do fórum que indicou este restaurante. . Comi meu filé de frango com saladinha e ainda com sobremesa por 5 CUC. Se eu me dei por satisfeita, imagino para o pessoal que adora frutos do mar. Adorei!

Endereço: Calle Ruben Martínez Villena, 93 (a rua do La Bodeguita del Medio)

 

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O ROTEIRO REALIZADO

 

Dia 01 (21/03) - Aéreo Rio de Janeiro/Cidade do Panamá. Aéreo Cidade do Panamá/Havana

Dia 02 (22/03) - Havana: Habana Vieja e Centro Habana

Dia 03 (23/03) - Havana: Museo de La Revolución. Malecón. Plaza de La Revolución. Habana Vieja

Dia 04 (24/03) - Táxi compartilhado Havana/Cienfuegos [12:30-18:00]

Dia 05 (25/03) - Cienfuegos: Centro Histórico e Punta Gorda

Dia 06 (26/03) - Táxi Cienfuegos/Trinidad [09:00-10:00]. Centro Histórico de Trinidad

Dia 07 (27/03) - Trinidad: Bate-e-volta a Playa Ancón

Dia 08 (28/03) - Ônibus da Via Azul Trinidad/Havana [08:15-13:50]

Dia 09 (29/03) - Havana: Bate-e-volta para Viñales [07:30-20:30] pela Cubatur

Dia 10 (30/03) - Havana: Bate-e-volta para Varadero [06:00-20:00] pela Cubatur

Dia 11 (31/03) - Aéreo Havana/Cidade do Panamá. Aéreo Cidade do Panamá/Rio de Janeiro

 

COMENTÁRIOS SOBRE O ROTEIRO

Dentro do que foi possível, acho que deu para conhecer bastante coisa. O que eu faria diferente:

 

Passaria apenas um dia em Cienfuegos

Como estava viajando sozinha e não bancaria um táxi para ir a Playa Girón, o interesse na cidade seria o Centro Histórico que se conhece em um dia. Como eu disse, perdi um dia da viagem por causa do táxi compartilhado que saiu de Havana. Tive o azar de ir junto com dois cubanos que tinham caixas a entregar em algum lugar fora da rota Havana - Cienfuegos, com isso perdi um dia. Como eu já disse, deveria ter ido de Via Azul, chegaria por volta de 12:30 em Cienfuegos, já conheceria o Centro Histórico neste dia - já que está anoitecendo por volta das 19:40 e no dia seguinte partiria para Trinidad.

 

Não faria a excursão para Viñales e ficaria mais tempo em Havana

Eu adorei Viñales e só tenho elogios a este passeio da Cubatur mas eu acho que Havana merece uns 4 dias e por eu ter estado em um período atípico, onde muitas atrações estiveram fechadas, um dia de "normalidade" deveria ter sido dedicado a Havana. Tenho um arrependimento de não ter feito o tour guiado a pé por Habana Vieja, organizado pelas agências do Governo: Cubatur e Cubanacan. O preço, eu perguntei: 19 CUC. Horários: às 09:00 e às 14:00 por 19 CUC. Da próxima vez que eu estiver no país, será a primeira coisa que eu farei.

 

A bela Viñales merece mais que uma breve visita. Gostei muito do clima da cidade, das paisagens e além disso tem dois cayos na região: Cayo Levisa e Cayo Jutías.

 

Ficaria mais tempo em Varadero

Gostei de Varadero e se eu tivesse mais tempo, ficaria ao menos uma noite por lá. O trecho de praia que eu fiquei, na altura do hotel Arenas Doradas, para mim foi ótimo. O mar não estava violento e o dia agradabilíssimo. Fiz a excursão pela Cubatur.

 

O ROTEIRO QUE EU GOSTARIA DE TER FEITO

 

Dia 01 (21/03) - Aéreo Rio de Janeiro/Cidade do Panamá. Aéreo Cidade do Panamá/Havana

Dia 02 (22/03) - Havana

Dia 03 (23/03) - Havana

Dia 04 (24/03) - Havana

Dia 05 (25/03) - Ônibus Via Azul Havana/Cienfuegos [07:00-12:10]. Centro Histórico. Malecón.

Dia 06 (26/03) - Táxi compartilhado Cienfuegos/Trinidad [09:00-10:00]. Centro Histórico.

Dia 07 (27/03) - Trinidad: Bate-e-volta a Playa Ancón

Dia 08 (28/03) - Ônibus Trinidad/Varadero [07:30-13:55]

Dia 09 (29/03) - Varadero

Dia 10 (30/03) - Ônibus Varadero/Havana [08:00-11:20]

Dia 11 (31/03) - Aéreo Havana/Cidade do Panamá. Aéreo Cidade do Panamá/Rio de Janeiro

 

COMENTÁRIOS SOBRE O ROTEIRO

Gostaria muito de conhecer Santa Clara mas não teria como encaixá-la no roteiro sem tirar dias de Havana e eu não abriria mão de estar em uma praia no final da viagem.

Se eu tivesse os 15 dias de viagem iniciais, seria mais fácil ter encaixado Santa Clara e Remédios ou Santa Clara e Cayo Guillermo que era a ideia inicial. Bom, motivos não faltam para voltar.

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RELATO DE VIAGEM

 

Dia 01 (21/03) - Aéreo Rio de Janeiro/Cidade do Panamá. Aéreo Cidade do Panamá/Havana

De todas as viagens que já fiz, esta foi a que eu fiquei mais atrapalhada. Deixei para resolver tudo em cima da hora, foi um "Deus nos acuda!" mas deu tudo certo no final. O cansaço foi tanto que dormi praticamente a viagem toda do Rio até a Cidade do Panamá (quase 7h de voo).

 

O tempo da conexão era pouco mais de uma hora e eu corri para chegar ao portão de embarque do voo para Havana e ainda comprar a tarjeta de turismo. Como eu já havia lido, eu tinha deixado reservado exatamente os 20 dólares para não ter a desculpa de não ter troco. Pedi a tarjeta à atendente, paguei e pronto já estava preenchendo. Só entra no voo quem estiver em mãos o passaporte, a passagem e a tarjeta de turismo.

 

O voo dura um pouco mais de 2h e chegou no horário esperado. Na Imigração há várias filas. À direita, as filas são reservadas à tripulação, diplomáticas e aos passageiros de cruzeiro.

 

Ao chegar a minha vez, a atendente me pergunta se eu havia visitado algum país da África. Começa aí a minha saga para entender o sotaque cubano. Eles falam rápido demais. Todos os visitantes são fotografados. A agente carimba a tarjeta e o seu passaporte. Após a Imigração, a bagagem de mão passa pelo raio X e depois tem uma fila onde um funcionário me perguntou se eu ficaria hospedada em hotel ou em casa particular. Como respondi "Casa particular", ele anotou o endereço. Finalmente, chega-se às esteiras. Eu estava preparada para ficar umas 3h conforme eu já havia lido em relatos de viagem mas tudo foi rápido. Às 11:00 eu estava na fila da Imigração e 12:30 estava em Centro Habana. Estava preocupada em trocar dinheiro. A CADECA do aeroporto fica no lado de fora. O ponto dos táxis oficiais fica praticamente em frente a CADECA. Troquei 200 euros a pouco mais de 1,08. Recebi 216,30 CUC. Peguei o táxi que me cobrou 30 CUC pela corrida ::ahhhh::

 

O motorista demorou a achar a quadra exata. Alguns trechos de Centro Habana estavam fechados por conta da presença do presidente dos EUA. Aí que começa o meu choque: vejo prédios mal preservados, ruas sujas, parecia praça de guerra. O motorista me deixou uma quadra ao lado de onde deveria ter me deixado e eu quando saí do carro e vi a rua cheia de lama, pensei: "Meu Deus, onde que eu fui me meter!". Eu estava chocada com a aparência dos prédios. O choque que eu senti em Havana foi maior do que o choque que eu senti da primeira vez que estive em La Paz. Caminhei até a casa - na verdade, é um prédio - e o portão estava fechado. Interfone? Não existe. Eu estava meio sem ação. Aí, os vizinhos, tal qual como funcionava nos subúrbios no Rio há tempos atrás, viram que eu estava perdida e que eu era turista e me perguntaram por quem estava procurando. Gritaram pela senhora Agustina, que desceu do prédio e veio falar comigo.

 

Simpática, disse que não me esperava para agora mas sim pela noite. Mas eu lembrei-a que eu disse o número do voo e o horário, 11:15. Ela achou que eram onze da noite. E aí eu expliquei para ela que houve um equívoco. Se fosse onze da noite, eu escreveria 23:15. Bom, o que importa é que não tinha vaga para mim na casa porque uma das hóspedes teve seu voo cancelado. Com isso, eu fiquei na vizinha, a Dona Marilín.

 

Fiquei em um quarto com cama de casal, banheiro e um armário. Marilín disse que a diária era 30 CUC e o café por 3 CUC. Como falei que com a Agustina, tudo seria 30 CUC, a diária e o café, ela confirmou com a Sra Agustina e ficamos por este valor. Jantar: 8 CUC avisando com um dia de antecedência.

 

Fiquei conversando por um tempo com Dona Marilín e Deisly, a mulher que ajuda a limpar os quartos. Deisly é muito bem informada, sabe o que está acontecendo no Brasil. Então, ficamos falando sobre política, novelas (aí que descobri que está passando Império). Como eu precisava avisar que eu havia chegado em Havana, perguntei por onde eu conseguiria acesso a internet e elas me disseram que seria no Hotel Inglaterra.

 

Elas me deram a direção do hotel e eis que caio numa rua com prédios lindos: a Paseo del Prado. Fui até o hotel Inglaterra e os hotéis próximos e nenhum deles tinha o tal cartão de internet. Mais tarde, vim a descobrir que o Governo cortou o wifi nos hotéis das redondezas por questão de segurança. Um segurança de um dos hotéis me orientou a ir à ETECSA para comprar o cartão.

 

Saí do hotel e segui o fluxo. Dou de cara com o "La Floridita", um dos bares frequentados por Hemingway. Eis que cai a ficha que eu estou na Calle Obispo que pela quantidade de turistas (um formigueiro!), é a rua mais famosa do Centro Histórico. Cheguei ao prédio da ETECSA, comprei a tarjeta e depois fui a outra fila mandar e-mail para a família. Foi mais de uma hora na fila.

 

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Voltei ao Prado e vi uma multidão. A rua estava fechada e as pessoas estavam aguardando algo. Eu perguntei a uma mulher quem estão esperando passar. "_Obama, ela respondeu." Então, eu também me juntei à multidão e fiquei esperando o Obama passar em frente ao Gran Teatro Alicia Alonso.

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Lógico que o presidente Obama não passou. Hoje ele está na Plaza de la Revolución. Mas foi legal ver o povo fazer a festa. Passava alguém com bicitáxi com a bandeira dos EUA e o pessoal gritava! Aqui começa o ínicio de uma constante na minha viagem: acharem que sou cubana.

 

Uma jornalista de uma rádio em Barcelona quis me entrevistar. Diante da minha resposta dizendo que eu não sou cubana, ele pede desculpas e procura uma cubana legítima. Uma turista me parou para perguntar onde ficava o Hotel Ambos Mundos. Eu mal havia acabado de pisar na Obispo!

 

Fiquei até umas 19:00 no Paseo del Prado e depois voltei para a Casa Particular para jantar e dormir.

 

 

Dia 02 (22/03) - Havana: Habana Vieja e Centro Habana

Hoje o presidente Obama fará um discurso para o povo cubano no Gran Teatro Alicia Alonso. Algumas poucas pessoas tiveram o privilégio de serem convidadas para ouvir o discurso no teatro. O discurso de Obama foi transmitido na TV. Várias ruas de Centro Habana e Habana Vieja estavam fechadas, inclusive a calle Industria. Com isso, a minha programação da manhã. Não só minha como a dos outros hóspedes, foi reunirmos na sala junto com a família e ouvir o discurso às 10:00.

 

Obama fez um discurso falando de paz, esperança e democracia. Começou o discurso falando um verso de um poema de José Martí, o herói cubano e todos os cubanos presentes na sala ficaram muito emocionados. Ainda mais quando em um determinado momento Obama falou das famílias cubanas que estão separadas há anos. Deisly lembrou isso, o quanto tempo não vê um parente seu e o quanto é cara uma ligação para os EUA. O discurso terminou com um "Sí, se puede!" e todos nós saímos da sala emocionados e certos que estávamos testemunhando algo importante para a História de Cuba. Particularmente, senti-me feliz por eles, estavam esperançosos, na expectativa de um futuro melhor e uma vida menos dura. Assim que terminou o discurso, peguei minha bolsa e fui às ruas.

 

Conhecendo Habana Vieja

Segui a calle Industria até chegar a Plaza de la Fraternidad, praça onde há bustos dos libertadores da América: Bolívar, General San Martín, Tiradentes e José Bonifácio (!!!). Aliás, esta praça virou centro de apoio para várias redes de TV. Muitas pessoas estavam próximas ao Capitólio (na parte que não estava bloqueada). Uma multidão seguia rumo a Calle Obispo.

 

Na calle Obispo há uma CADECA, restaurantes, livrarias que vendem livros em CUC e em CUP (Fayad Jamis), a ETECSA, hotéis e outros edifícios com belas fachadas. Também tem uma Infotur, onde comprei um mapa de Havana (e outras cidades) por 2 CUC.

 

Ainda conheci a Plaza de Armas, a Plaza Vieja (linda!), a Plaza San Francisco, a Bodeguita del Medio e a Plaza de la Catedral. Já estava na hora de jantar e fui perguntar para uma mulher onde ficava a Callejon del Choro - eu estava procurando pelo restaurante Esto no es un café. Ela fica muda por alguns segundos e diz: "Eu jurava que você é cubana!". "De onde você é?" - pergunta. Eis que respondo que sou do Brasil. Ela fica surpresa mas dentro de poucos minutos de simpatia, ela já tenta vender seu peixe: um restaurante com menu completo a 15 CUC. Depois do merchan ela me diz onde fica a Callejón del Choro mas não sem antes dizer que todos os restaurantes lá só entram com reserva antecipada. Eu agradeci e fui ao restaurante. Ótima dica. Boa comida e a um preço justo. Na volta, reservei o táxi para Cienfuegos.

 

Dia 03 (23/03) - Havana: Museo de La Revolución. Malecón. Plaza de La Revolución. Habana Vieja

 

Reservei este dia para conhecer o Museu de la Revolución. Segui a Paseo del Prado até o Malecón, na altura do Castillo de San Salvador de la Punta. Ao chegar o Malecón, reconheci a paisagem vista em algumas imagens na internet. Lugar agradável.

 

Os cubanos me veem tirando fotos, ficam olhando desconfiados mas não se aproximam. Quando descobrem que sou estrangeira, aí que começa a abordagem que chega a ser bem insistente.

 

Museu de la Revolución: foi o único museu que visitei em Havana. Adorei, aprendi bastante coisa. Um chileno me disse que não achou o museu imperdível visto que toda a informação que estava ali, tem na internet. Eu não concordei com ele. Realmente leva-se um tempo em ler tudo por ali. No final, o Rincón de los Cretinos. Atravesse a rua para ver o iate Granma, a embarcação que levou Fidel e seus aliados do México a Cuba para iniciar a Revolução. O palácio é tão bonito, pena que também seja mais um que precisa de uma restauração. Destaque para as marcas de bala nas paredes do palácio.

Entrada: 8 CUC

Passeio guiado em determinados horários: 2 CUC

É permitido fotografar.

 

Na saída do museu, segui até a Plaza José Martí e peguei o Havana Bus Tour (10 CUC) para ir a Plaza de la Revolución.

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O intervalo entre um ônibus e outro foi o suficiente para tirar as fotos desejadas. Peço para uma senhora tirar a minha foto e não é que ela quis tirar uma foto comigo? E não desistiu mesmo eu falando que era brasileira :-)

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Fiz todo o percurso do ônibus (1h 40 min) e depois fui passear. Adivinha onde? Paseo del Prado! Pedi para um asiático me fotografar com o Capitólio ao fundo e a senohra que o acompanhava quis tirar uma foto comigo. Como é que eu digo que eu não sou cubana se não trocamos nem uma palavra? Só sei que me agradeceram muito.

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Dia 04 (24/03) - Táxi compartilhado Havana/Cienfuegos [12:30-18:00]

Este dia foi um dia praticamente perdido, pois como eu falei anteriormente, peguei um táxi compartilhado com mais dois cubanos e eles tinham que entregar várias encomendas e não sabiam chegar ao lugar. Então, o taxista rodou muito para achar o tal vilarejo. Chegamos em Cienfuegos bem depois do previsto. O que eu podia fazer? Eu estava no modo "Don't worry, be happy" e passei a viagem observando o caminho.

 

Eu vi vários cubanos com dinheiro na mão acenando para o taxista. Aí lembrei de um relato que disse que eles fazem isso para mostrar aos taxistas que tem o dinheiro para pagar a viagem. Vi muitos também nos pontos de ônibus (ou guagua) ao longo da estrada a esperar pela condução.

 

Observei a cara de pau do motorista de táxi ao buzinar sempre que passava por uma mulher na estrada. Achava aquilo ridículo! Aliás, os cubanos são uns paqueradores! Passou mulher que acham interessante, na lata começam a fazer o som de beijinho estalado.

 

Aconteceu algo engraçado na parada pra lanche. Paramos numa lanchonetezinha e a mesma vendia suco de abacaxi a 8 pesos (8 CUP). Para facilitar o troco e matar a minha sede, tomei mais um copo e paguei com a nota de 20 pesos. O que se espera de troco? 4 pesos. A menina me deu duas moedas de 10 centavos. Eu não conseguia entender o porquê. Perguntei ao taxista e ele disse que cada moeda valia 2 pesos. Tico-e-teco nada. Foi aí que me dei conta que a atendente me deu duas moedas de 10 CUC! Os cubanos riram com a confusão que fiz. Na conversão deles, 10 centavos de CUC valem 2 CUP (cotação menor do que a da CADECA). Fiquem de olho pois as moedas de CUC tem ressaltos que as fazem parecer que são sextavadas.

 

Em Cienfuegos, Sra Agustina me recomendou a casa de Soledad mas a casa dela estava cheia e esta me passou para a vizinha, a Ana do Hostal Sirenus. Eu havia falado com elas que gostaria de conhecer Santa Clara no dia seguinte. Ela tentou mas disse que estava muito difícil conseguir táxi compartilhado para lá porque como a cidade estava cheia, os taxistas estavam preferindo fazer corridas mais caras. Soledad até me recomendou a pagar 40 CUC para ir e voltar a Santa Clara, com o motorista disponível para mim mas eu disse que era muito caro. Argumentos, ela tinha: eu teria que pegar um táxi até o ponto onde se pegam os táxis coletivos em Cienfuegos, depois quando chegasse em Santa Clara mais táxi para ir ao Mausoléu e ao trem. Mas eu achei caro e estava na minha mente que a passagem de ônibus da Via Azul Cienfuegos/Santa Clara custa 6 CUC e lembro que o bici-táxi em Santa Clara não seria tão caro para justificar em pagar os 40 CUC. Então, Santa Clara foi eliminada do roteiro.

 

Se eu soubesse disso, nem teria me hospedado em Cienfuegos. Eu pegaria o ônibus da Via Azul em Havana. Chegaria por volta de meio dia e meia. Conheceria o Centro Histórico e já no finalzinho da tarde, pegaria o ônibus para Santa Clara.

 

A filha da Ana falou sobre vários lugares para conhecer como Playa Girón. Fiquei interessada mas os hóspedes já haviam feito este passeio no dia anterior e sem contar que o táxi era mais caro para lá (ela disse que estavam cobrando 70 CUC).

 

Papo vai e vem, já estava próximo da hora do sol se por e eu fui caminhando até a Avenida 54 (Boulevard). Deu uns 15 minutos de caminhada. Depois voltei, andei um pouco pelo malecón e jantei na casa. Por 8 CUC, eu tive uma boa e farta refeição: sopa de milho, moros y cristianos (arroz com feijão misturados, prato típico), dois pedaços enormes de frango assado, salada e de sobremesa, sorvete de chocolate.

 

 

Depois, eu aproveitei que tinha TV no quarto e assisti a um interessante documentário sobre Fidel Castro na TV Cubana, com depoimentos de Gabriel García Marquez, dentre outros.

 

 

Dia 05 (25/03) - Cienfuegos: Centro Histórico e Punta Gorda

Sexta-feira Santa. Ana me perguntou se eu queria conhecer Rancho Luna, eu disse que não. Preferi ficar pela cidade. Eu passei na ETECSA para conseguir algum computador para checar meu e-mail. Os cubanos me recomendaram ir a um cyber na outra rua, a Avenida 56 mas estava fechado! A Infotur estava aberta e eu fui lá pegar um mapa e perguntar para o rapaz se ele sabia se havia outros lugares para eu pode acessar a internet por um computador.

 

Ele não me disse mas eu dei uma passadinha no Hotel Unión e vi que lá tem um computador disponível. Rapidamente acessei e pronto! Missão: conhecer Centro Histórico de Cienfuegos. Caminhei pelo Boulevard, observei as construções, a praça principal, a feirinha de artesanatos... Depois, segui rumo ao Malecón e Punta Gorda. Foi um longo caminho. Indico ir de bici-táxi para quem não está acostumado a andar tanto.

 

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Comentário sobre a Semana Santa em Cuba: eu não esperava que sexta-feira fosse feriado. Aliás, eu perguntei várias vezes em Havana se era feriado no país e as pessoas falavam que não, tudo funciona. Outras diziam que o que pertencem ao Governo manteriam-se abertas e lojas de cuentapropistas estariam fechadas. Em Cienfuegos, o calçadão chamado de Boulevard quase tudo estava funcionando. A primeira coisa que eu fiz no dia foi ir a Via Azul comprar minha passagem para Trinidad. Acredita que não estava funcionando e com o aviso que era por causa do feriado? Fiquei surpresa. Na minha ignorância nem as igrejas nem estariam abertas em Cuba, quanto mais mais existir um feriado cristão. Ah, eu não fui a única a pensar assim. Outros turistas também ficaram surpresos. Mas as igrejas funcionam sim. Em Havana eu vi até uma igreja batista e uma sinagoga. Eu acho que eu estava com a cabeça na Guerra Fria e no Comunismo. Depois, soube que em Trinidad teve até procissão.

 

Voltei ao hostal e falei com Ana que a Via Azul estava fechada. Eu tinha duas escolhas: ir mais cedo no dia seguinte e tentar comprar a passagem ou tentar um táxi. Ela conseguiu um por 40 CUC e depois achou outro por 30 CUC. Disse que o lucro do motorista seria bem pouco por conta do preço da gasolina. Eu fiquei de pensar e à noite, resolvi fechar o táxi privado.

 

 

Dia 06 (26/03) - Táxi Cienfuegos/Trinidad [09:00-10:00]. Centro Histórico de Trinidad

Sra Agustina havia me recomendado a Casa de Elvira. Sra Soledad havia telefonado para Elvira reservando o quarto. O taxista é uma figuraça. O retrovisor do carro tinha um MP5 da vida com vídeos de artistas cubanos. Ele até falou comigo. Olha, se você quer assistir, tem vários vídeos. Eu queria mesmo era contemplar a paisagem. Ao longo do caminho, vimos vários ciclistas. Eu fiquei apavorada, eles não pedalam um atrás do outro, eles tomam contam da pista e uma pista onde a velocidade é de 80 Km/h. O taxista disse que às vezes acontece acidentes. Também pudera! Então, se você alugar carro em Cuba, fique ligado nesta estrada de Cienfuegos para Trinidad. Ao chegar na cidade, o taxista perguntou várias vezes a localização para várias pessoas. O que me fez pensar em sempre fazer isso.

 

Ao chegar, fui apresentada a Elvira. Mais uma vez, não havia vaga na casa e então fui encaminhada à vizinha, Etcheverria (acho que o nome é esse). O quarto que eu fiquei era o menor de todos, não tinha ventilador e o banheiro era compartilhado. Fazia muito calor em Trinidad e eu já previa que não conseguiria dormir direito. Imaginava ao menos um desconto. Eis que perguntei a Elvira, que perguntou para a vizinha. A diária era 25 CUC. Aí, eu começo a ficar indignada. Bom, como era cedo e eu queria conhecer o Centro Histórico, aproveitei o caminho e fui pesquisar sobre outras casas com ar condicionado e banheiro privativo. Achei uma por 25 CUC e estava decidida a mudar no dia seguinte.

 

Eu não havia lido nada sobre o Centro Histórico de Trinidad, então resolvi caminhar a esmo. Eu estava hospedada próximo a Plaza Carrillo. Achei o Centro Histórico da cidade bonito, edificações bem preservadas. O sol estava de rachar e como eu vi várias pessoas no alto de uma igreja, resolvi caminhar até lá, para ter uma vista da cidade. Era o museu da luta contra os bandidos (entrada = 1 CUC).

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Segui o fluxo. Quando entrei no salão de informativos, eu fui perguntar a vigia se precisava mostrar o tíquete. Eis que ela olha pra mim assustada e fica alguns segundos sem falar nada. Até que sai: "Eu jurava que você era cubana!". Eu disse uqe não e que era brasileira. Ela, incrédula, disse que eu me vestia como uma cubana (há controvérsias!). Ela explicou que não acreditava que eu era brasileira porque nas novelas brasileiras praticamente não há negros, então ela achava que o número de negros no Brasil era ínfimo. Como explicar o porquê de as novelas não ter uma representatividade real de atores negros? E lá fui eu explicar o que eu pensava e foi aí que iniciou-se uma boa conversa. Ela, a vigia, mostrou-se muito informada sobre a história dos países como a Argentina. Eu fiquei ali admirada com o grau de cultura dos cubanos que conheci ao longo da viagem.

 

Caminhei e fui reconhecendo os lugares: descobri onde era a Via Azul, a Bodeguita del Medio, a Cubatur (pois no dia seguinte, eu iria a Playa Ancón e quis confirmar onde ficava o ponto de ônibus), a Casa de la Música e o Paladar Doña Clara. Jantei por lá. Ao entrar, acharam que eu era cubana mas quando eu comecei a falar, uma das meninas me identificou como brasileira e disse que muitos brasileiros vem ao restaurante.

 

Voltei à Casa particular, assisti Esclava Blanca e confirmei com Etcheverria que a novela não é brasileira e fui dormir. Tentei, né? porque não consegui. Ao menos, me restava o consolo de ir a uma praia caribenha no dia seguinte.

 

Dia 07 (27/03) - Trinidad: Bate-e-volta a Playa Ancón

No dia anterior, eu tinha perguntado a Elvira se a Etcheverria ficaria chateada se eu saísse de sua casa e expliquei que eu não consigo dormir no calor. Ela disse que não e combinamos de eu deixar minhas coisas na casa dela e seguir para praia. Eu já havia achado uma casa mas ela disse que ia procurar uma pra mim e como ela estava sempre prestativa ao tentar me ajudar, eu deixei.

 

Fui ao ponto informado pela atendente da Cubatur - em frente ao ponto de táxi e perguntei novamente. Aí, disseram que o ponto era em frente a Cubatur da calle Maceó esquina com Rosario. Confirmei com uma senhora que estava no ponto. Ela perguntou de qual país eu era. Respondi. Imediatamente veio com a história de que não tinha dinheiro para comprar roupas e pediu dinheiro. Eu disse não. Eu havia aprendido na casa particular de Havana que não é permitido fazer isso em Cuba e que se a polícia pegasse a pessoa fazendo isso, essa pessoa certamente se meteria em encrenca sendo que a menor delas era perder a libreta.

 

As pessoas começaram a chegar e aconteceu exatamente o que eu li num relato de viagem aqui. O cara disse que o ônibus não ia passar hoje. Vários turistas foram pegar o táxi compartilhado. Eu e poucos ficaram. Uma argentina foi na Cubatur perguntar sobre o horário do ônibus. O ônibus ia passar e sairia no horário. Realmente. Só que ele veio lotado e não parou no ponto. Eis o problema da alta temporada! Acabamos dividindo um táxi até a praia (2 CUC por pessoa, só a ida). Uns europeus estavam conosco mas não aceitaram pagar 2 CUC. O taxista só queria sair do ponto com 4 ou 5 pessoas e éramos 3 (eu e o casal de argentinos). A argentina perguntou para ele quanto seria por pessoa se fôssemos 5. O senhor disse: 2 CUC. E se fossem 4? - ela insistiu. Ele respondeu: 2 CUC. Eu achei graça. Nós não conseguimos raciocinar assim mas para eles, todos tem que pagar igual e não tem essa de desconto. Quando decidimos ir para a Plaza Carrillo pegar o ônibus no ponto final, o taxista decidiu nos levar e mas avisou a um dos homens que não pagaria comissão.

 

Durante a rápida viagem, ele ficou surpreso de eu não ser uma cubana! E disse que sabia falar português (não sabia), que o filho dele é arquiteto e trabalha em Salvador e ele me perguntou: " A senhora realmente acredita que o Lula não sabia de nada?" Eu disse que sim e depois eu sorri. Combinamos de eles nos pegar às 16:30 e de conseguirmos arranjar mais pessoas.

 

O mar de Playa Ancón é uma piscina. Fui para água e não quis atrapalhar o casal mas eles acabaram me chamando e tivemos um dia muito agradável de boa conversa. Há algumas barraquinhas na praia. Vendem refrigerantes (chamados de refrescos), água, cerveja e uma bebida chamada malta que a mim me pareceu com suco de tamarindo e para os argentinos, um café gelado. Só sei que a bebida é boa mas tem que estar gelada.

 

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Mais um causo: estou eu na fila para ser atendida. Eis que chega um europeu e o caixa resolve atendê-lo primeiro. Aí eu reclamei. O caixa sorriu e pediu desculpas. Perguntou de que país eu era. Eu disse que era brasileira e perguntei o por quê dos cubanos não gostarem dos cubanos a ponto de não quererem atendê-los. Isso foi uma constante: eles pensavam que eu era cubana, que ia pagar em pesos e por isso fingiam que eu não estava lá. Eu contei a história para os argentinos e eles falaram para eu só ir pagando as coisas com moneda nacional e não abrir a boca :-)

 

Almoçamos um sanduíche. Estava escrito pão com carne e salada. Gente, a salada era só dois tomatinhos. A argentina ficou indignada e nós rimos. Na volta para Trinidad, o taxista não estava por lá e pegamos o primeiro táxi disponível. O cara correu como um piloto de fórmula 1! O argentino sempre ia na frente conversando com o taxista. Eis que ele fala sou da Argentina, ela é brasileira. O taxista achou que era a argentina era a brasileira. E mais uma vez, foi mais um cubano que se assustou ao saber que eu era uma estrangeira. "No es posible, yo pensaba que tu eras una cubana. 100% cubana!"

 

Eu desci na Plaza Carrillo. Despedi-me dos argentinos. Fui comprar uma água na lojinha em frente a praça. Na hora que chega a minha vez, o homem olha pra mim com um olhar de que não está entendendo nada. Aí, eu já falei: "Hola, no soy cubana. Puede traher una botella de agua, por favor? Aí, sim ele sacou que eu não era de lá e perguntou de que país eu era. Mas ele me perguntou: "ué, mas nas novelas brasileiras quase não há negros..." Mais uma vez, eu fiquei conversando com o senhor e tentando fazê-lo entender que as novelas não mostram a realidade.

 

Eu voltei a casa de Elvira e ela me levou a casa de sua amiga. Preço: 30 CUC. Que raiva ! Que burrice a minha! ::toma:: Aí, Elvira fala que o marido de sua amiga é de Barcelona e cozinha como ninguém (é a deixa para eu solicitar o jantar na casa). A esta altura do campeonato, eu já havia tomado as rédeas do controle da minha viagem e disse que não ia jantar na casa. Inclusive, no dia anterior eu já havia comprado as passagens na Via Azul para Havana e com a tarjeta própria também já tinha reservado a casa da Dona Agustina. Imagine a decepção da Elvira quando ela soube que eu já tinha comprado a passagem. Ela disse que era uma pena pois tinha indicação de táxi. Eu disse que não queria mais saber de táxis compartilhados e expliquei o por quê.

 

A notícia boa é que a casa particular ficava na rua do Rosario, mais próxima que a anterior. Eu reservei o café da manhã. Eu era a única hóspede da casa. A única coisa a reclamar do hostal é do preço. O restante, não tenho nada a reclamar. O quarto é grande, água quente, ar condicionado, banheiro espaçoso. A dona da casa é muito simpática ficamos conversando por um bom tempo. O marido é totalmente politizado, falou da situação política da Argentina, de Cuba e do Brasil e disse que Obama só resolveu estar na Argentina agora que o governo era de Direita e está fazendo o caos por lá. Bom, eu não quis me alongar no assunto. Despedi-me e fui ao Centro Histórico tirar as últimas fotos.

 

E não é que ao fotografar as casas, escuto alguém me chamar?! Eram os argentinos! Eles iam tomar uma cerveja na Casa de La Música e me chamaram para acompanhá-los. O clima da Casa de La Música é muito bom. Tomei a piña colada (3 CUC) e ficamos por lá observando o pessoal dançar à beça a salsa. De quebra, ainda assistimos um belo pôr-do-sol. Ficamos por um tempo e depois nos despedimos. Eu fui para o Doña Clara e eles foram procurar algum lugar para jantar. No dia seguinte, eles iriam para Varadero e eu voltaria para Havana.

 

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Dia 08 (28/03) - Ônibus da Via Azul Trinidad/Havana [08:15-13:50]

O ônibus saía às 08:15 e eu quis chegar lá por volta de uma hora antes pois já havia lido que a Via Azul é um pouco desorganizada. Mais uma vez, uma constante em Cuba, o café foi caprichado. Nesta casa, o diferencial foram os bolos e o suco de tamarindo geladíssimo. ::otemo::

 

Realmente, a Via Azul é um pouco confusa. Chega-se lá, entra numa fila para trocar o primeiro papel. Depois, esperar chamar por Havana para poder identificar as malas. Lá no terminal, vi a diferença entre alguns ônibus. Alguns eram capengas, geralmente estes estão a serviço dos cubanos.

 

O ônibus saiu um pouco depois do horário. Não tem lugar marcado, você escolhe um lugar e senta. Ao meu lado, uma alemã que também está viajando sozinha. Ela ia ficar em Cienfuegos. Falava um pouco espanhol. Aliás, eu fiquei admirada da quantidade de turistas europeus que falavam (ou tentavam falar) em espanhol. É uma grande lição a ser aprendida. Nós brasileiros somos orgulhosos demais, por ser tão similar deveríamos saber falar melhor o idioma dos vizinhos. Agora, veja a diferença do alemão para o o espanhol; do holandês para o espanhol! E eles conseguem se virar bem. Boa parte das pessoas desceu em Cienfuegos. O ônibus ainda fez uma parada de 20 minutos e chegou no horário em Havana.

 

Na hora de pegar as bagagens, uma francesa rapidamente perguntou onde eu ia ficar, como eu disse próxima ao Capitólio, ela me chamou para dividirmos um táxi. A corrida do terminal da Via Azul em Havana até o Paseo del Prado custou 10 CUC. Sra Agustina estava me esperando na rua para abrir o portão. C omo eu disse, só tenho elogios à casa particular da dona Agustina e o melhor de tudo: o silêncio. Mal cheguei e fui às ruas. Eu precisava confirmar a antecipação do meu voo (por isso, a frequente procura por computadores), fechar o tour para Viñales, e enfim conhecer Havana sem a superpopulação de turistas e assim o fiz. Revisitei os lugares com mais calma, apreciei cada detalhe. Eu adorei Havana e a cada dia que passava, estava gostando mais. ::love::

 

Eu fechei com a Cubatur localizada no Hotel Inglaterra, o tour para Viñales (59 CUC) e o tour para Varadero (74 CUC), pagos na hora.

 

Dia 09 (29/03) - Havana: Bate-e-volta para Viñales [07:30-20:30] pela Cubatur

O horário combinado para saída do ônibus era 07:30 no hotel Inglaterra. O ônibus demorou mais de meia hora para chegar. Somos um grupo de 31 pessoas: americanos, alemães, chilenos, argentinos, japoneses e eu, a brasileira. Houve interação entre os chilenos, eu e o alemão que morava no Chile e tem uma namorada brasileira. Olha só, que legal! Leva-se pouco mais de 2 horas e meia para chegar a Viñales. As paisagens vistas ao longo do percurso são lindas: o verde, as montanhas, as plantações... tudo muito bucólico. Fizemos uma parada no caminho para conhecer como é produzido uma bebida feita a partir da guayabita e depois, preferimos almoçar antes de ir a Cueva del Indio. Já que a guia disse que haveria uma espera na cueva porque a quantidade de grupos de excursão era grande.

 

Ah, sobre a parada da fábrica da guayabita, a costarriquenha que conheci no dia seguinte no tour para Varadero me disse que ali não é uma fábrica mas apenas um local onde há a demonstração de como é o processo. É um expositor.

 

Eu não li por aqui mas para chegar ao local do almoço - em frente ao Mural de La Pre Historia - o ônibus passa por uma estrada cheia de curvas fechadas, o que me fez ficar enjoada boa parte do tempo e acabei não almoçando direito. Então, se você tem facilidade de enjoar, recomendo tomar um anti-enjoo.

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Depois do almoço, seguimos para Cueva del Indio. Começou a chover. Entramos na caverna e a fila para pegar o barco demorou mais de 40 minutos. Algumas pessoas desistiram por causa do ambiente claustrofóbico. Eu gostei do passeio mas achei o passeio de barco muito rápido e acaba sendo frustante quando comparado o tempo em que ficamos na fila. Durante o passeio do barco, o piloto focaliza com a lanterna algumas particularidades e diz que parece com determinada coisas. Como a guia disse, tem que ter imaginação.

 

A chuva começou a apertar e quando paramos no local para observar como é feito o charuto, chovia forte. Achei bem interessante todo o processo. No final, muitos experimentaram fumar o charuto.

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A última parada foi em um mirante.

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Eu acho que o passeio valeu a pena. É corrido? É mas dentro do possível, deu para aproveitar. Eu gostei de Viñales e acho que o lugar merece ao menos dormir por uma noite. Só tenho elogios para a guia. Chegamos em Havana às 20:30. Despedi-me do grupo e fui procurar algum lugar para jantar. Escolhi um lugar perto do Café Paris, com mesinhas na rua. Estou eu praticamente terminando o jantar, quando me vem um cubano e fala rapidamente: Donde está tu novio?". Eu fiz uma cara de "Hã?!" Foi aí que ele se deu conta de que eu era estrangeira e me pediu desculpas. Particularmente, achei um absurdo um cara me perguntar onde está o meu namorado em tom agressivo, só porque eu estou jantando sozinha. Achei puro machismo. Mas o tom agressivo mudou e ele me fez várias perguntas. Estava acompanhado de um amigo. Pediram para sentar-se a mesa e eu, com o sensor de carioca ativado, disse não. O cubano disse para mim que charuto no Brasil é caro e falou que ele podia me indicar onde comprar charutos baratos. Ainda falou que eu podia ensinar samba para ele e ele me ensinaria a dançar salsa. Eu já estava me sentindo acuada e disse não. Então, eles se despediram. Eu paguei a conta e fui para a casa descansar pois no dia seguinte, eu deveria estar no Hotel Inglaterra às seis da manhã. E o tempo pelo menos em Havana, não estava com uma cara boa.

 

Dia 10 (30/03) - Havana: Bate-e-volta para Varadero [06:00-20:00] pela Cubatur

Pouco antes das 06:00 estava em frente ao hotel Inglaterra, esperando pelo ônibus. Poucos minutos depois, veio uma mulher me falar de Jesus. Agradeci as palavras. O porteiro do hotel me reconheceu (também pudera! Todos os dias eu estava lá para usar o computador.). Falou para eu entrar no hotel. Eu reparei que um senhor perguntou para ele sobre mim e eu vi que ele estava explicando que eu era uma turista. Aí, que caiu a ficha: Será que a senhora que falou de Jesus para mim achou que eu era uma dessas cubanas que estava atrás de turistas? ::ahhhh::

 

O ônibus chegou e eu entrei e todos olharam para mim. Eu já estava escolada. Disse "Buenos días!" e me apresentei. Chegamos em Varadero, mais precisamente no hotel Arenas Doradas, às 09:00.

 

Deixa eu explicar como é o passeio: a gente passa o dia na praia, aproveitando as instalação de um hotel all inclusive. Para fazer este tour é necessário o passaporte. Preço: 74 CUC.

 

Ao chegar no hotel, deixamos o passaporte com a recepção e ganhamos as famosas pulseiras de resort. Ao grupo é oferecido um quarto para que as pessoas possam trocar de roupa e tomar banho. Às vezes, é oferecido dois e aí os quartos são divididos em um quarto para os homens e outro para as mulheres.

 

Um casal de Gran Cayman me adotou e fui com eles tomar café. Eu exagerei, fiquei doida com tanta opção (#coisadegorda). Depois, eu e Elena tivemos a ideia de trocar de roupa no vestiário e não ir para o quarto. Aí, fomos para área da piscina. O marido de Elena me perguntou se eu ia ficar na piscina ou se ia pra a praia. O que eu prontamente respondi que piscina eu podia ir até em uma perto de casa mas a praia igual aquela, só mesmo no Caribe. Eles preferiam ficar na piscina mas me acompanharam e ao ver o mar, que eu achei lindão, eles disseram que em Gran Cayman é bem mais cristalino. Pronto! Já fiquei curiosa em conhecer Gran Cayman.

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O dia foi agradabilíssimo. Fiquei feliz pois eu tive a certeza que fechei a viagem com chave de ouro. A água do mar estava uma delícia! Menos fria que a da piscina. Sobre as instalações do resort, eu não tenho o que reclamar. Ah, tenho sim. O pessoal quis toalha para ir à praia e não havia. Eu tinha levado a minha mas falta de toalhas não deveria acontecer em um hotel deste tipo. Mais tarde, as toalhas chegaram.

 

Ao final, paramos no Mirador de Bacunayagua, onde se tem uma bela vista.

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Eu achei que a excursão valeu a pena. Cara? sim mas achei o custo/benefício bom. No final da viagem, eu fico com a mão mais aberta. Em uma próxima vez, ficaria uma noite por Varadero.

 

Dia 11 (31/03) - Aéreo Havana/Cidade do Panamá. Aéreo Cidade do Panamá/Rio de Janeiro

 

O último dia só tive o tempo de tomar o café e pegar o táxi às 08:30 para o aeroporto. Meu voo sairia às 12:30. Nos últimos dias, eu estava preocupada com o dinheiro, mas acabou sobrando 5,80 CUC e alguns pesos. Não consegui trocar na CADECA do aeroporto porque eles não tem notas menores para trocar, por isso sugiro que troque seu dinheiro em Havana. Reserve o dinheiro do táxi.

 

O check-in no aeroporto de Havana abre 3h antes do voo. Na prática, o pessoal da Copa se enrolou e o negócio só começou a funcionar bem 2h30min antes do voo. Eu comprei o rum da Havana Club no free-shop. Detalhe que no Dutty Free você paga 1 CUC para embalar líquidos. Um absurdo! As moedinhas que sobraram eu dei como gorjeta para a moça que limpa o banheiro e ela ficou bem agradecida.

 

O voo saiu no horário rumo a Cidade do Panamá e eu aqui encerro mais um relato de viagem (o mais extenso que já escrevi).

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AVALIAÇÃO DA VIAGEM

 

Quatro é o número ideal de pessoas em um grupo para viajar para Cuba. Melhor para dividir táxi, fazer um roteiro enxuto e economizar com hospedagem.

 

Cuba pra mim foi uma mistura de sentimentos. Não foi amor à primeira vista. Assim que pus os pés em Havana, eu fiquei chocada com o estado de conservação de muito prédios. Eu precisei de mais tempo para gostar. Assim o foi. Quanto mais dias em Havana, mais eu gostava da cidade. Não foi à toa que dentro do táxi no caminho para o aeroporto eu quis chorar, porque estava indo embora.

 

Foi a viagem que eu mais fiquei doente. Eu viajei com uma gripe mal curada que no fim já em Cuba estava ficando com a garganta inflamada. Como eu fiz a loucura de emendar uma viagem como essa a uma outra em um lugar com costumes tão diferente dos nossos, eu tive que diminuir meus dias em Cuba e por isso acabei antecipando o voo (explico aqui a razão por estar tão fissurada em internet em Cuba, eu precisava pedir para alguém comprar a minha passagem). Foi a viagem em que eu mais me senti sozinha, pois por causa do machismo de alguns em sempre dizer que eu estava sozinha e por isso tudo ficava mais caro para mim. Foi a viagem onde posso afirmar que mais aprendi sobre sentimento pátrio e sobre como é bom saber mais sobre os outros países. Foi o lugar onde mais me senti em casa.

 

Posso dizer que o que mais ficará na lembrança não serão as visitas aos prédios históricos nem às praias paradisíacas mas sim as conversas regadas à café, as risadas, a expressão de surpresa de muitos ao saberem que eu era brasileira, aquele momento de assistir a uma novela brasileira e tecer comentários! Como não lembrar da boa vontade da bancária cubana ao conseguir para mim as notas de 3 pesos (aquela com a imagem do Che Guevara)? Como esquecer dos casais dançando salsa? E dos músicos tocando as canções Guantanamera e Quizás? E da sensação familiar ao ouvir "Garota de Ipanema"? E da emoção da última noite em Havana, ao passar por uma das ruas de Habana Vieja e escutar um grupo cantando "Yolanda"?

 

Amigos, já estou com saudades. Volto em breve!

 

"Sem cultura, não há liberdade"

Frase escrita em um muro em Havana.

 

FIM

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Uau, que post completo!! Vou ler cada detalhe depois com tempo e com calma... Fim do ano pretendo ficar 10 dias em Cuba, assim como voce ficou... Gostaria de saber qt vc gastou, em media, por dia lá!

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    • Por maria.alves
      Mas como assim, Cuba com menos de 10 dólares por dia? 🤨 
      É isso mesmo pessoal, e para sermos mais exatos, gastamos exatamente $8,70 dólares cada um por dia, mas como o nome do post diz, foi um mochilão raiz e por isso eu advirto vocês que NÃO FOI FÁCIL, mas é possível.😎 Então, antes de começarmos, preciso dizer duas coisas:
       - PRIMEIRO: Eu e meu namorado estamos fazendo um ano sabático e tivemos a oportunidade de encontrar bons preços nas passagens a cuba, saindo de Bogotá- Colômbia e depois seguindo a Miami/NY-Estados Unidos. Então lá vamos nós com pouca grana e sem ter pesquisado muito.🤦‍♀️🙆‍♀️🤷‍♀️
      -SEGUNDO: Falaremos a verdade, é bem difícil ser mochileiro em Cuba! Mas, porquê Maria? Porque é um país pobre, em que a maioria das pessoas pensam que “turistas tem dinheiro, cubanos que não tem dinheiro”, segundo que por ter duas moedas os preços são absurdamente diferentes para cubanos e estrangeiros e terceiro que sempre vão tentar tirar um pouco do seu suado dinheirinho. Além  disso, seu mochilão pode se complicar pelo fato de ser ILEGAL fazer Couchsurfing, trabalhos voluntários, acampar selvagem, difícil pegar carona e até mesmo comprar comida em um supermercado para cozinhar, pode ser muito mais caro que comer na rua. 🤑😮
      Mas se você é brasileiro e não desiste nunca, assim como nós, vamos te dar dicas e esmiuçar como fazer um mochilão raiz em Cuba.
      Mas antes de começar, queria falar rapidinho sobre o DICIONÁRIO CUBANO, ou seja, palavras próprias que vão te ajudar e muito a se "disfarçar" de Cubano:
      CORRER LAGUAGUA = pegar um ônibus 🚍 CORRER CAMIONES = pegar um caminhão que é adaptado como se fosse uma lotação 🚚 CORRER BOTELLA = pegar carona PUNTO AMARILLO = lugar aonde fica uma pessoa vestida de amarelo, que para transportes do governo para você, mediante a uma proprina.  MONEDA NACIONAL = peso cubano/ CUP * DÓLAR = peso convertível / CUC  (se fala CU ou Ce-u-ce)
      Lembrando que Cuba tem duas moedas, o peso cubano (CUP) e o peso cubano convercível (CUC), ISSO É DE EXTREMA IMPORTÂNCIA, porque?
                  1 DÓLAR = 0.96 CUC (-10% ... não compensa levar dólar)
                  1 EURO = 1,08 CUC
                  1 CUC = 25 CUP
      OU SEJA, 
                  1 CUC = 4,07 reais
                  1 CUP = 0,15 centavos.
      obs: é fácil diferenciar as moedas, porque o CUP sempre ter os ROSTOS DOS PERSONAGENS FAMOSOS e o CUC vai ter sempre a imagem dos monumentos nacionais aos mesmos personagens.

      Lembrem sempre disso quando comentarmos os valores nos posts. E não esqueça, é balela o assunto que não é possível trocar CUP, acontece que na casa de cambio primeiro vão trocar TODO seu dinheiro por CUC e se você quer uma parte em CUP só pedir que a pessoa troca tranquilamente.
      *Lembrando que essa viagem aconteceu em maio de 2019, então eu estou usando a cotação dos valores comerciais, para ficar mais fácil.
      _________________________________________________________________________________________________________
      OUTRAS DICAS  RÁPIDAS PARA ECONOMIZAR
      ÁGUA – O gasto com água pode se tornar absurdo se você comprar todos os dias, mesmo se comprar aqueles galões de 6l. Normalmente uma água de 500ml e 1,5l em qualquer lugar custa entre 1 CUC e 1,5CUC respetivamente, em alguns mercados você até encontra por menos, mas se você fizer essa conta pela quantia de dias que você vai ficar, vai ser um gasto bem grande só com água. Nós tomamos água da torneira e não morremos por causa disso. Quando possíve, fervíamos e depois descobrimos um truque de comprar uma solução de hipoclorito por 1 CUP e colocar 3 gotas por litro de água. Pronto problema resolvido. 🥳 CASAS DE FAMÍLIA – A opção mais econômica de hospedagem são as casas de particulares. Minha dica é reservar por AIRBNB porque normalmente sai mais em conta ou também você pode chorar as pitangas. Assim você pode conseguir casas entre 10 e 12 CUC, na temporada baixa. Hoje em dia, Cuba tem pontos de Wi-Fi (ETECSA), no qual você compra um cartão, que varia de 1h e 5hs (Preço: 1 e 5 CUC respectivamente) e procurar hospedagens com reserva instantânea (sem a necessidade de confirmação com o anfitrião). Pronto, não precisa engessar o roteiro reservando tudo de casa e pode procurar o preço mais acessível na hora. COMIDA – Sempre vai ter algum lugar que vende comida por CUP ou estatais. Geralmente são estabelecimentos simples, e as vezes (poucas vezes) você até vai ter que comer em pé, mas a diferença é absurda de preço e a comida em si, é a mesma.  
       

       
    • Por Michelle Galvão
      Olá, pessoal! Meu primeiro post aqui!
      Vou pra Cuba em junho de 08 a 20, montei meu roteiro, mas queria saber se ficou bom. Já li que se locomover entre as cidades não é tão simples...
      Alguém que já foi ou está se programando pra ir? Bora trocar ideias!
      Meu roteiro está assim:
      08/06 - Chegada em Havana
      09/06 - Havana
      10/06 - 1 dia em Viñales (bate e volta)
      11/06 - Havana
      12/06 - 1 dia em Cayo Largo (bate e volta)
      13/06 - Havana
      14/06 - Havana 
      15/06 - Trinidad
      16/06 -  Trinidad
      17/06 - Varadero 
      18/06 - Varadero 
      19/06 - Varadero
      20/06 - Varadero - Aeroporto 
       
      Ainda não reservei hospedagem, aceito sugestões! 
      Alguém indo nessa época?!
       
       
    • Por Carlos Arthur Newlands Junior
      1º e 2º dias – chegada 31/12 e 01/01
      Após uma conexão no Panamá – o aeroporto de lá é uma balbúrdia, a Copa Airlines faz praticamente todas as conexões e escalas dos voos entre as Américas e o Caribe lá (mas pra quem curte umas “comprinhas”, tem um baita free shop) – chegamos ao Aeroporto de Havana: Aeroporto Internacional José Marti, cujo nome homenageia o grande patrono da Independência cubana. Arme-se de paciência ao desembarcar: o despacho de malas é lento, e se você trouxe alimentos na bagagem de mão provavelmente vão te mandar pra inspeção sanitária (a inspeção é rápida - eu custei mais a descobrir onde é a inspeção do que o exame em si).
      Pra quem acha que Cuba é um país atrasado, a primeira surpresa é a possibilidade de fazer câmbio de moedas no ATM. Sim, é isso mesmo: no aeroporto há vários “cajeros automáticos” nos quais você coloca até E400 e o terminal te informa a cotação de conversão em CUCs, conta as suas notas e te disponibiliza o valor equivalente em CUCs – tudo isso após escanear seu passaporte. O sistema dos ATMs só permite no máximo duas trocas de E400, E800 no total (só fui descobrir isso após tentar inutilmente por várias vezes em vários terminais trocar E2000 e ler a mensagem “não foi possível efetuar sua transação”); além desse limite o câmbio é feito numa pequena casa de câmbio logo na saída do aeroporto. 1 CUC é em média um pouco mais do que um dólar estadunidense e um pouco menos que 1 euro. Por 30 CUCs o táxi do aeroporto te leva até Habana Vieja.
      A melhor coisa que fizemos foi optarmos por ficar em casa de cubanos. Fomos calorosamente recebidos por um simpaticíssimo casal de aposentados; os cubanos são muito acolhedores, falantes e bem humorados (e gozadores também). Já há algum tempo o governo cubano abriu essa possibilidade de renda extra aos locais, mas é tudo superregulado: o preço da hospedagem é fixado em 30 CUCs por dia e o café da manhã (ou desayuno em espanhol) é de 5 CUCs por pessoa. Vale a pena: o desayuno é farto e saudável, dá perfeitamente pra adiar o almoço pro fim da tarde.
      Como chegamos na virada do ano, sabíamos que estaria tudo fechado. Passamos o réveillon na casa de outro casal de cubanos que chamou vários brasileiros turistas para rompermos o ano juntos – também em Habana Vieja. Aí tomamos conhecimento de uma “divertida” tradição cubana (que explica porque não há festas na rua na virada do ano): o costume de jogar água pela janela das casas à meia noite de 1º de janeiro (para descarregar a “sujeira” do ano que finda). Da varanda da casa onde passamos o réveillon assistimos vários transeuntes ficarem encharcados com essa brincadeira (me lembrou as histórias que escutei e li sobre o antigo entrudo).
      Como 1º de janeiro também estaria tudo fechado, resolvemos passar o dia na praia. Pegamos o ônibus de turismo na Praça Central (ônibus supermoderno e confortável) até a Praia de Santa Maria – belíssima: água cristalina, morna e sem onda. Por 6 CUCs aluga-se duas espreguiçadeiras e um guarda-sol muito bons.
      Na volta da praia, paramos para uma “almojanta” às 5 da tarde; depois de andar pela Calle Obispo (um dos pontos mais badalados de Habana Vieja, com muitos bares e lojas) encontramos o restaurante La Caribenha com preços ótimos: lá se pode almoçar um prato bem servido de espaguete por 2 CUCs e saborear um enorme copo de suco de manga natural por 1,5 CUC. Ah, detalhe importante: o padrão em Cuba é que a gorjeta (“propina”, em castelhano) não é cobrada na conta; o cliente dá (se quiser) diretamente ao garçom ou garçonete.
      3º dia – 02/01
      Na quarta-feira 03/01, já com tudo aberto, iniciamos nosso circuito cultural. Começamos pelo icônico Museu da Revolução (situado no antigo palácio presidencial). Há uma quantidade não muito grande de objetos históricos, mas extremamente significativos (como a boina de Che Guevara e o chapéu de Camilo Cienfuegos em Sierra Maestra, o cachimbo de Che, alguns equipamentos de radiocomunicação da guerrilha e a maca na qual foram transladados os restos mortais de Che da Bolívia para Cuba) e muitas fotos e reproduções de jornais da época. O Museu faz uma cuidadosa reconstituição histórica desde as guerras de independência até a Cuba de hoje; com grande destaque (um andar inteiro) para a Revolução de 1959, mas abordando também as agressões imperialistas (é especialmente tocante o mural sobre o criminoso atentado perpetrado pro agentes a serviço da CIA contra o avião civil da Cubana de Aviacion que resultou na morte de todos os passageiros e tripulantes) e as realizações e conquistas da Revolução: o fim do analfabetismo, a reforma agrária, o fim da privatização das praias e a sua liberação para o lazer do povo, a nacionalização das empresas de energia e telecomunicações, a universalização da saúde e educação públicas, entre tantas outras.
      Do Museu da Revolução se passa por dentro para o Memorial Granma – com um impressionante material bélico preservado da época. Dois itens em especial me chamaram a atenção: o PRÓPRIO IATE GRANMA acondicionado num esquife climatizado de metal e vidro (não se pode tocá-lo, mas se pode ver) e um destroço do avião espião estadunidense U2 derrubado por um míssil terra-ar (com um exemplar idêntico do míssil ao lado). Pra quem não conhece a História, o Granma foi o iate que os revolucionários do Movimento 26 de Julho liderados por Fidel Castro compraram no México para retornar a Cuba – 80 guerrilheiros num iate projetado para 20 pessoas; hoje, Granma é o nome do jornal diário editado pelo Comitê Central do Partido Comunista Cubano.
      Do Museu da Revolução e Memorial Granma, saímos e fomos ao Museu de Arte Cubana ao lado (aliás, é absolutamente impressionante a quantidade de museus que existe neste país: se bobear, há mais museus em Havana do que no Brasil inteiro - são 63 apenas em Ciudad de La Habana). Quando estivemos lá, estava montada uma exposição temática da arte moderna cubana e sua evolução, desde o período anterior às guerras de independência até os dias de hoje. O ingresso ao Museu de Arte Cubana dá direito de entrada também no Museu de Arte Internacional – este fica ao lado do Parque Central. No Museu Internacional estavam montadas exposições de vários artistas, inclusive um pop art kosovar.
      Saindo do Museu Internacional demos mais uma caminhada pela Calle Obispo – o point mais agitado de Habana Vieja, lotado de turistas e também de cubanos – e encontramos mais um museu: o Museu dos CDR (Comitês de Defesa da Revolução), organismos do poder popular de bairro. Os CDR foram criados apenas 3 anos após a derrubada de Fulgêncio Batista (são muito anteriores à Assembleia Nacional); quando criados, incorporavam cerca de 50 mil membros: hoje são mais de 8 milhões.
                      4º dia – 03/01
                      Hoje nossos dois principais objetivos eram: comprar a passagem para Trinidad e ir à Praça da Revolução. A melhor opção para adquirir passagens de Havana para Trinidad e Cienfuegos é na Interhotéis: uma parceria entre a viação estatal e os hotéis privados, assim se pode comprar o bilhete em qualquer hotel. O problema é que tem que ser com uma certa antecedência: hoje já não tinha passagem para dia 07 pela manhã, segundo a atendente do Hotel Plaza, que conseguiu um táxi coletivo privado – privado, mas regulado pelo Estado e pago antecipadamente no hotel – pelo mesmo preço da viação: 35 CUCs por pessoa (depois soubemos que em outros hotéis havia passagem disponível).
                      Pegamos então o ônibus de tour turístico – uma “jardineira” igualzinha a que circula no Rio, em Madrid ou em Paris: dois andares com superior coberto ou aberto, que se paga 10 CUCs por pessoa e se pode saltar em qualquer das paradas e subir novamente em outro da mesma linha com o mesmo ticket. Descemos na Praça da Revolução – enorme, com os dois painéis em homenagem a Che Guevara e Camilo Cienfuegos nos prédios como que delimitando os limites da praça. Além do visual esplendoroso, o grande “tchan” é o Memorial José Marti, o “Pai da Pátria Cubana”. Marti aqui é tão ou mais reverenciado do que Fidel e Che, até pelo fato de que Marti foi um herói mártir na luta pela independência de Cuba. O Memorial é belíssimo, com dezenas de documentos originais da produção política de Marti (incluindo muitos manuscritos) e num esquife de vidro expostos um revólver e o fuzil utilizados por Marti na guerra. Por 4,50 CUCs se visita o Memorial com direito à subida no Mirante (“mirador” em castelhano) com uma vista ABSOLUTAMENTE ESPETACULAR não só da Praça da Revolução mas de praticamente toda a Havana, e com direito a urubus voando ao seu lado na janela.
                      Dali voltamos ao tour bus e continuamos até a parada do Cemitério , o maior da América Latina e 3º maior do mundo. Parece estranho colocar um cemitério como ponto turístico, mas nos sete quarteirões de área do cemitério há muitas sepulturas que são verdadeiras obras de arte, além de um lindo monumento aos bombeiros.
      Do Cemitério, pegamos um coletivo cubano - baratíssimo (0,50 cents de peso cubano CUP - que vale 1/25 de CUC), velho e lotadérrimo igualzinho aos ônibus de subúrbio carioca – e fomos à Copélia. A Copélia é uma sorveteria afamada e uma “instituição habanera”: filas enormes para os cubanos que pagam em CUPs e sem fila para os turistas que pagam em CUCs – mas o turista não pode subir ao charmoso salão.
      Ao lado da Copélia fica o famoso edifício Habana Livre, hoje um hotel da rede Meliá, e no 22º andar (pedindo com jeitinho à recepção eles liberam a subida) há um lounge no meio do andar com janelas panorâmicas para os dois lados. Como Havana tem pouquíssimos prédios altos e o Habana Livre fica no alto de La Rampa, a mais famosa ladeira de Havana, das duas janelas deste lounge se vê praticamente toda a cidade. Em La Rampa, pertinho do Habana Libre está o famoso jazz club cubano La Zorra e El Cuervo. Descendo até o Malecón fica o Hotel Nacional – antigo, histórico e cheio de significados.
      Um aspecto muito interessante deste bustour é que não se limita às “áreas turísticas” da cidade: como percorre vários bairros, passa por muitas áreas residenciais. Assim, pudemos ver o tipo de moradia predominante no bairro de Vedado: nada muito diferente do subúrbio carioca.
      5º dia – 04/01
      Hoje foi um dia muito especial: saímos com um grupo de brasileiros ciceroneado pelo camarada Luís Caballero, velho militante revolucionário e uma enciclopédia ambulante de história cubana. Já de cara passamos na Casa del Habano, uma espécie de museu (mais um!) do tabaco no edifício onde funcionou anteriormente a Fábrica de Tabacos Partagás. Fundada em 1845, a Partagás é uma instituição nacional cubana; estatizada desde a Revolução, continua fabricando os melhores charutos do mundo das afamadas marcas Cohiba (a preferida de Fidel Castro), Montecristo, Romeu e Julieta, Robaina e da própria Partagás.
      Dali passamos pela Praça da Amizade Latino Americana, uma praça cercada por uma grade de metal circular com uma frase de José Marti sobre a amizade dos povos gravada na borda superior. Nesta praça, cada representante de um país da América trouxe uma semente e um pouco de terra para simbolizar a “terra de Latino América” e também foi erguido um bronze de um herói da independência nacional. No caso do Brasil, uma polêmica: o primeiro busto colocado foi o de Tiradentes, mas posteriormente nos anos 1990 o então Prefeito de Santos, o saudoso companheiro Davi Capistrano Filho, trouxe o busto de José Bonifácio: para Davizinho (como era carinhosamente chamado) Tiradentes havia sido um “herói fabricado pelos militares que deram um golpe militar ao proclamarem a República”, e o Patriarca da Independência seria mais efetivamente importante para a Independência do Brasil.
      Seguindo rumo ao Museu da Revolução, passamos na frente da Associação Cultural Yorubá de Cuba. Cuba, como o Brasil, tem uma enorme população de origem africana em função da escravidão; das religiões de matriz africana, a mais influente em Cuba é a yorubá. Em seguida, circundamos o Teatro Marti, local onde foi escrita a primeira constituição republicana de Cuba. Como já disse, Marti é quase onipresente em Cuba: Luís Caballero nos para na Praça Central em frente à estátua de Marti e nos conta a história do massacre dos estudantes em Cuba pela Coroa Espanhola, os eventos no Hotel com as perseguições lá ocorridas que ficaram conhecidas como as “batalhas café com leite” e o significado de haver 8 jardineiras e 28 palmeiras na Praça Central: as jardineiras homenageiam os 8 estudantes assassinados pela Coroa Espanhola e as 28 palmeiras referem-se ao dia 28, dia de nascimento de José Marti. Circundamos ainda a Escola Nacional de Balé de Cuba antes de retornarmos ao Museu da Revolução e ao Memorial Granma; já havíamos estado lá anteriormente, mas com este guia a visita cresce enormemente de qualidade e de conteúdo.
      À noite, fomos visitar a Sinagoga de Cuba, a Beit Shalom no bairro de Vedado em Havana. A comunidade judaica em La Isla é bem pequena (cerca de 1.000 pessoas) mas mantém suas tradições culturais e religiosas; a Beit Shalom é da linha não ortodoxa. Além da bela instalação da sinagoga, um mural de fotos me chamou a atenção: nele estavam Fidel e Raul participando de atividades no local. Por este mural de fotos, ficamos sabendo que em 1990 houve o primeiro encontro de Fidel com líderes religiosos (lembremos que, até o início dos anos 80, a Revolução tinha a política de definir o Estado cubano como ateu). Ao lado da sinagoga funciona o Centro Cultural Bertold Bretch. Terminamos a noite tomando mojitos em La Bodeguita Del Medio, um pequeno charmoso e afamado bar em Habana Vieja frequentado por Hemingway (que dizia ser o mojito de La Bodeguita o seu favorito, bem como o dayquiri da Floridita).
      6º dia – 05/01
      Hoje pela manhã fizemos duas visitas guiadas: O Capitólio e ao Gran Teatro Nacional Alicia Alonso. Os dois prédios são antigos, suntuosos e belíssimos: valem o preço do ingresso (10 CUCs para o Capitólio e 5 CUCs para o Teatro). O Capitólio foi construído no final dos anos 20 do século passado e inspira-se no Capitólio estadunidense, mas a torre é mais alta e é o único Capitólio do mundo que tem jardins internos (um deles com uma estátua instigante representando Lúcifer não como um demônio, mas como um anjo negro rebelde de asas caídas).

      O Teatro Alicia Alonso é uma das três exceções em Cuba, que tem como política não homenagear pessoas vivas; como Alicia foi a grande responsável pelo enorme desenvolvimento do balé cubano e por anos dirigiu tanto o Balé Nacional de Cuba quanto a Escola de Balé, a Assembleia Nacional de Cuba lhe prestou essa homenagem, não apenas dando-lhe o nome do Teatro mas também colocando em seu interior uma estátua de Alicia dançando.
      Terminamos o dia assistindo um espetacular show de jazz cubano no La Zorra e El Cuervo (imperdível), com direito a um endiabrado baixista que tocava ao mesmo tempo um baixo de 6 cordas (nunca tinha visto antes), bongô e tumbadora. A entrada custa 10 CUCs de couvert artístico, mas que dá direito a 2 drinques. Uma única observação: vá de calça comprida e casaco, pois o ar condicionado da casa é congelante.
      7º dia – 06/01
      Nosso grande programa de domingo foi assistir O Lago dos Cisnes no Gran Teatro Nacional Alicia Alonso com o Ballet Nacional de Cuba! Foi uma tremenda sorte nossa: ao irmos ao Teatro na visita guiada percebemos que O Lago dos Cisnes estava em temporada. Perguntamos na bilheteria e havia ingressos para a sessão de domingo!
      Quem vier a Havana não pode perder esse espetáculo se estiver em cartaz. É “apenas” um dos melhores grupos de balé do mundo dançando a PRIMEIRA COREOGRAFIA ESTRELADA POR ALICIA ALONSO – um primor de técnica e interpretação num teatro belíssimo.
      Na saída do Teatro, resolvemos jantar num bom restaurante para comemorar o feito. Nossa feliz escolha foi o La Viña de Plata, ao lado da badalada Floridita: ótimo camarão grelhado (o melhor que comemos até agora em Havana) e uma taça de um ótimo vinho Carmenere chileno por um preço absolutamente justo.
      8º dia – 07/01
      Despedimo-nos de Havana e iniciamos nosso tour pelo interior. Primeira cidade: Cienfuegos.
      Depois de 3 horas no táxi coletivo – um Peugeot com mais de 15 anos de fabricação em que o velocímetro e o medidor de combustível não funcionavam e não tinha manivela nos vidros traseiros - nós dois e um casal de vietnamitas chegamos a Cienfuegos. O lado positivo é que o Peugeot velho, além de encarar valentemente as 3 horas de estrada, ainda nos deixou na porta de nosso destino: o Hostel De Las Marias. Nos hospedamos num ótimo quarto na casa de Rosa Maria, que mora com sua família, incluindo os pais idosos e uma gracinha de filha pequena. O desayuno segue o padrão de fartura que se anuncia nas casas de cubanos.
      Saímos para conhecer a pé a cidade – uma graça, com uma arquitetura muito diferente, com um certo estilo de colunas gregas em vários prédios. Procurando um local para almoçar, encontramos um à beira mar tão bonito e charmoso quanto caro e vazio; na segunda paralela já encontramos uma ótima opção por um preço justo no Punta Gorda Grill.
      Terminamos a tarde com um programa imperdível: música cubana ao vivo no por do sol no castelinho na ponta final de Punta Gorda. Os músicos, além de muito talentosos, são extremamente simpáticos e adoram música brasileira – e se você é músico eles sempre dão a chance de uma canja.
      Um parênteses: além de conhecerem música brasileira, eles também demonstraram acompanhar a política do Brasil e sabem o que significa a vitória eleitoral de Bolsonaro. O registro que faço agora entre parênteses é que caminhando pela cidade fomos abordados no meio da rua por um rapaz de bicicleta que, muito educadamente, nos perguntou se éramos brasileiros. Ao confirmarmos, ele desatou a falar sobre a eleição do capitão fascista e da retirada dos médicos cubanos do Brasil, mostrando-se indignado com o fim da assistência médica aos brasileiros mais pobres; nos despedimos com ele desejando “que Deus se apiede dos brasileiros”.  Nossa percepção é que este entendimento de que Bolsonaro é um fascista aliado de Trump e inimigo de Cuba e dos trabalhadores brasileiros está generalizada em La Isla.
      9º dia – 08/01
                      Nosso segundo e último dia em Cienfuegos serviu para confirmar que 2 dias aqui é suficiente: a cidade é muito bonitinha, mas não tem uma grande quantidade de locais importantes para visitar. Logo pela manhã, andando pelo Centro Histórico deparamo-nos com a sede local do ICAP – Instituto Cubano de Amizade com os Povos. Fui recebido pelo camarada Reinaldo Suárez responsável pelo espaço, que nos indicou conhecer um trabalho comunitário artístico ali perto de arte e tradições africanas, com uma exposição de belíssimos trabalhos de artistas locais.
                      Dali fomos ao cais e tomamos a barca – uma versão anos 60 e menor da Barca Rio-Niterói (até os salva-vidas de cor laranja dispostos em estrados de madeira presos ao teto são iguais) por 40 minutos até chegar ao Castillo de Aguas, onde fica a Fortaleza, que hoje é um museu da época da dominação espanhola. Além da construção em si e das peças em exibição serem muito interessantes, a vista de cima da fortaleza é um espetáculo à parte. Almoçamos por aqui mesmo no restaurante El Pescado: ambiente rústico com uma linda vista para o mar (lembra os restaurantes à beira dágua de Pedra de Guaratiba) e ótima comida por um preço justo. Ainda pudemos pagar neste restaurante o “táxi barco” deles para voltar direto ao cais de Cienfuegos – 25 CUCs o casal: um pouco salgado mas muito mais agradável.
                      Voltando ao centro histórico de Cienfuegos, ainda encontramos uma simpática feirinha de artesanato com lindas peças. Além de saborear o sorvete da Copélia local, ainda adquirimos um belo retrato de Che Guevara pintado a nanquim pelo talentoso jovem artista Luis Alvarez. Luis viu nosso interesse por um retrato de Fidel do mesmo tipo e nos disse: “termino em uma hora”. Como estávamos já indo pra “casa”, combinamos que ele nos levaria no dia seguinte de manhã para o hostel antes de nossa partida para Trinidad e pagaríamos lá.
                      Acabamos jantando no mesmo Punta Gorda Grill de ontem – nossa intenção inicial era apenas lanchar sanduíches, mas não encontramos nada que nos agradasse por ali. Os pratos são bem servidos e os preços são bons: jantamos uma bela peça de carneiro e uma enorme salada por 20 CUCs, incluindo os sucos de abacaxi (aliás, o abacaxi em Cuba é pequeno e deliciosamente doce).
      10º dia – 09/01
                      Enquanto esperávamos o táxi coletivo que nos levaria a Trinidad, chega o emissário do Luis Alvarez com o retrato de Fidel pronto. Chega o táxi: um Ford Studebaker 1956! O jovem que o dirige faz este percurso todos os dias de segunda a sexta, é o seu trabalho. Pergunto se o carro é original e ele responde sorrindo “não, é um Frankenstein”. Eu já tinha percebido que não era original por que o carro tem banco único na frente mas a alavanca do câmbio não é na direção como nos carros da época. Aí ele me conta que o motor é da Mitsubish e que os freios não são os velhos de lona, e sim modernos de pastilha; o companheiro Luis Caballero já havia nos contado que a maioria dos carrões americanos antigos de Cuba foi sendo mexido e trocado, porque com o bloqueio não havia como conseguir peças de reposição. Também já tínhamos notado que há uma certa quantidade de carros mais novos em Cuba, NENHUM AMERICANO: são basicamente Mitsubish, Huyndai e Peugeot – além de uma boa quantidade de velhos Lada.
                      Fomos no táxi coletivo com mais um casal de italianos e um rapaz espanhol, todos de esquerda: o único que não era um defensor do socialismo era o motorista cubano (o primeiro crítico do regime que encontramos). Mesmo assim, ele reconhece que Cuba é um país muito seguro (ao contrário do restante da América Latina) e que não há uma gritante desigualdade porque “em Cuba não se permite ricos”; mas reclama da moeda nacional (“dinheiro cubano, isso não vale nada”), do alto preço das peças de reposição de automóvel, diz que os habitantes de Havana são mal vistos pelo resto do país e que “os funcionários do Estado em Cuba trabalham mal porque os salários são baixos” (palavras dele – para registrar, até agora não fomos mal atendidos em nenhum serviço estatal).
                      Chegando em Trinidad, tivemos a surpresa de descobrir que pela primeira vez não ficaríamos em uma casa de cubanos, e sim em um hostel propriamente dito, charmosíssimo por sinal. Sobre o centro histórico de Trinidad, só uma frase a dizer: QUE CIDADE LINDA! Tanto pela arquitetura quanto pelo tipo de calçamento, Trinidad lembra demais Paraty do RJ – ganhou com muita justiça o título de Patrimônio da Humanidade.
                      Passamos o dia flanando em Trinidad e terminamos a tarde na Casa de Música, que na verdade é um grupo de bares instalado em uma escadaria. O detalhe charmoso é que o sol se põe exatamente de frente para essa escadaria, que também está num point badalado de outros bares (além de ter o hot spot da internet pública), então no fim da tarde fica cheio. Tomar um mojito assistindo a um bel por do sol e ouvindo música cubana é muito bom.
                      Em nossa caminhada pelo centro histórico de Trinidad, nos deparamos com um cartaz na porta da Igreja Batista contra a constitucionalização do casamento igualitário. É um pouco chocante constatar na prática que numa democracia popular o atraso fundamentalista tenha ainda forte presença política.
                      À noite, fomos à Canchamcharra, um bar com música cubana ao vivo. O bar tem um ambiente supercharmoso, você pode sentar em poltronas ou sofás e o grupo é muito bom. O único alerta é: coma alguma coisa antes de ir, porque lá não tem petiscos, só bebida.
                      O que não foi legal foi o fim da história: como não tinha opção de comida na Canchamcharra procuramos um local para lanchar e optamos por um bar de tapas e lanches. O aspecto do bar é charmoso, mas o serviço foi ruim: o hambúrguer veio em pão de forma; o suco de manga não era natural e o gosto mais parecia de pêssego; pra “fechar com chave de framboesa”, a conta veio com um “opcional” de 2 CUCs (mais de 10%) que nos recusamos a pagar e o troco ainda veio errado. Mas... “faz parte”: até agora, o único pequeno senão da viagem.
                      Uma dica: na mesma rua ficam a Canchamcharra, a filial da Bodeguita Del Medio em Trinidad e a Zelatto – esta é uma sorveteria artesanal com o melhor sorvete que tomei em Cuba (aqui entre nós e assumindo o risco de “cometer uma heresia”, muito melhor do que o da Copelia).
      11º dia – 10/01
                      De manhã o tempo em Trinidad estava nublado, mas acabamos decidindo ir à praia assim mesmo pegando o bustour das 11:00h. O ônibus turístico de dois andares custa 5 CUCs por pessoa ida e volta. Foi ótimo: chegando na belíssima Praia Ancón, o tempo estava aberto. Lá também se aluga boas espreguiçadeiras por 2 CUCs cada.
                      Nosso plano inicial era ficar até o último horário de volta do bustour, 18:00h. Assim, por volta de 13:30h pedimos ao bar da praia 2 sanduíches e dois sucos de manga. O custo acabou ficando salgado: 3 CUCs por um sanduíche misto quente com pepino e tomate até vai, mas 3 CUCs por um copinho de suco de manga (gostoso) mas que tem mais gelo do que suco já é abusivo. Como o sol estava bem forte, decidimos retornar no bustour das 15:30h (depois desse, só às 18:00).
      12º dia – 11/01
                      Na volta de Praia Ancón no dia de ontem já adquirimos na Cubatur o passeio para Cayo Blanco. Os cayos são ilhas pequenas nas proximidades da grande ilha de Cuba.
                      Para chegar à marina de onde sai a escuna é necessário pegar um táxi. Tratamos um taxista para a ida e volta por 16 CUCs (os táxis em Cuba não têm taxímetro, o valor da corrida é negociado antes com o motorista). O carro era outra relíquia: um Citröen 1956 “Chocolate and Pepper” (vermelho e preto)! Obviamente, também era um “Frankenstein”: o motor é de Lada (mas pelo menos nesse o velocímetro funcionava).
                      O passeio custa 50 CUCs por pessoa, incluídos: bebida a bordo da escuna – mais moderna do que as que usamos na Bahia – almoço na ilha (“paella cubana”: arroz misturado com camarão, pedaços de lagosta e de frango, muito saboroso) e snorkel para mergulhar e ver o recife de coral próximo a Cayo Blanco (muito bonito). Um detalhe interessante é que a energia elétrica do restaurante de Cayo Blanco é fornecida por baterias solares.
      A ilha é bem pequena, dá pra circulá-la toda a pé em menos de meia hora; do lado oposto ao cais e restaurante na ilha está um belo cemitério de corais.
      Uma nota peculiar: decidimos por Cayo Blanco ao invés de Cayo Iguana porque o tempo de deslocamento é bem menor: são menos de 2 horas de barco para Cayo Blanco e quase 3 horas para Cayo Iguana – mas Cayo Iguana tem o charme especial de ser uma reserva ecológica com muitas iguanas, enquanto a presença deste réptil em Cayo Blanco é mais rara. Já estava sentindo uma pontinha de frustração por não termos encontrado nenhuma iguana... e eis que aparece tranquila e majestosa: foi a festa da criançada e dos turistas.
                      Terminamos a noite em Trinidad num local inusitado para a imagem tradicional de Cuba: um bar temático de Beatles chamado Yesterday, com um show ao vivo de Beatles e rock . A banda é muito boa, toca Beatles com uma pegada mais roqueira, além de várias músicas de outros grupos de rock como Led Zeppelin, Pink Floyd, Roxette e Deep Purple. O guitarrista mais jovem – com uma vestimenta tipicamente grunge – deu um show especial à parte: antes da apresentação começar (com o grupo já no palco) o som ambiente tocava Led Zeppelin e o garoto reproduziu o solo de Jimmy Page em Starway to Heaven nota por nota!
      13º dia – 12/01
                      Decidimos ficar apenas em Trinidad, dando a última volta a pé pelo Centro Histórico. Após andar bastante, paramos para almoçar e decidimos pelo restaurante Plaza Mayor, próximo à praça de mesmo nome: por 10,5 CUCs come-se quanto quiser de um ótimo e sortido bufê, com sobremesa incluída.
                      À noite foi a festa de aniversário da cidade, com um show de apresentações em frente à escadaria. No dia seguinte pela manhã, realizou-se uma cerimônia na praça. Como estávamos já bastante cansados e o show ia começar às 22:00h, nos recolhemos cedo, pois no dia seguinte já iríamos para Santa Clara.
      14º dia – 13/01
                      De manhã pegamos o táxi coletivo para Santa Clara – mais uma “relíquia Frankstein”: um Bel Air 1956 com motor Huynday. O carro pagou para pegar mais um casal de holandeses, sendo que ele falava português e ela inglês. Como o taxista também falava inglês, a viagem foi uma verdadeira babel de conversas em inglês, castelhano, português e holandês. No meio do trajeto demos uma parada num “tienda” de beira de estrada em frente a um belíssimo painel de Che Guevara.
                      Chegamos em Santa Clara e nos instalamos em mais uma acolhedora casa de cubanos. Dali fomos a pé até o Monumento Trem Blindado: o trem que transportava uma guarnição do exército de Fulgêncio Batista e que a coluna de Che descarrilhou e forçou a rendição da tropa batistiana. O detalhe épico é que a coluna de Che contava com apenas 18 homens e guarnição batistiana com mais de 300, mas no fim de dezembro de 58 a moral das tropas do exército de Batista era tão baixa que eles se renderam a Che. Por 1 CUC pode-se visitar a instalação e entrar nos vagões – essa que é a parte legal, pois dentro de cada vagão há uma exposição contando parte da história.
                      Perto dali fica a sede provincial do Partido Comunista Cubano; em frente à sede está a icônica e belíssima estátua de Che Guevara caminhando com um menino no colo. A sede é bem ampla, mas só o saguão é aberto à visitação.
                      Caminhamos para o Parque Vidal, onde está o Hotel Santa Clara Libre, outro ponto cuja tomada foi crucial para a vitória da coluna do Exército Rebelde liderada por Che. No caminho, encontramos uma farmácia como aquela dos velhos tempos, com enormes estantes e balcão de madeira: só faltava estar escrito “Pharmacia” no letreiro. Almoçamos no restaurante Casa do Governador, que apesar do nome pomposo e do aspecto chique tem preços bem razoáveis e ótima comida.
      No Parque Vidal, pegamos um táxi para visitar a Loma Del Capiro: o ponto mais alto da cidade e cuja tomada representou uma vitória militar muito significativa para o Exército Rebelde. A vista daqui de cima é linda, vê-se toda a Santa Clara. Há um monumento em homenagem ao Comandante Guevara e duas bandeiras, a de Cuba e do M 26/07 – mas na hora que chegamos (fim da tarde) as bandeiras já haviam sido recolhidas.
      Terminamos a noite assistindo ao Encontro de Trovadores no espaço cultural El Mejunje, idealizado por Miguel Diaz-Canel quando era Secretário do Partido na região de Santa Clara e que é um ponto de encontro da comunidade LGBT.
      15º dia – 14/01
      Hoje passamos o dia em Cayo Santa Maria; para lá se vai de carro. Não é um programa barato: o táxi cobra 60 CUCs pra levar e trazer; e, como a praia é de um resort, tem que pagar 5 CUCs por pessoa para entrar – o que dá direito a um drink no bar da praia. Apesar de caro, é imperdível: a praia é lindíssima, um típico mar do Caribe de água absolutamente cristalina e calma, e com uma grande quantidade de gaivotas que não se importam em nada com a presença de humanos. Pra variar, o táxi era mais um carrão antigo modificado: um Pontiac 1956 com motor Nissan.
      Um espetáculo à parte é a explicação de porque se chega lá de carro. É uma impressionante obra da engenharia civil cubana: aqui e em vários cayos da região de Varadero eles construíram estradas por cima do mar, ASSENTADAS EM PEDRAS JOGADAS AO MAR! Para Cayo Santa Maria, são 37 km de estrada COM MAR DOS DOIS LADOS!
      A história dessas estradas chega a ser lendária. Fidel era apaixonado por caça submarina, e por questões de segurança pessoal ele a praticava quase que clandestinamente nos cayos. Quando Cuba começou a investir no turismo, Fidel teve a ideia visionária de ligar os cayos por estrada sobre o mar. Na época, os ecologistas e ambientalistas criticaram o projeto original, argumentando – e com toda a razão – que um “paredão” de pedra cortando o mar iria interferir no regime das correntes marinhas e prejudicar a circulação dos peixes. O que fizeram então? Fotografaram a região do alto, estudaram as rotas dos cardumes e das correntes marinhas e o “paredão” de pedras tem 37 pontos de interrupção, sobre os quais foram construídas pontes – a maior delas inclusive permite a passagem por baixo de barcos pesqueiros.
      Almoçamos no restaurante do resort, que também não pratica preços extorsivos. À noite jantamos no restaurante Sabor e Arte em Santa Clara, um ótimo e simpático local frequentado por cubanos com preços no cardápio expressos em CUPs – mas a conversão é muito fácil: é só dividir por 25. Por 10 CUCs se come uma ótima lagosta.
      16º dia – 15/01
      Nossa despedida de Santa Clara foi uma bela caminhada do Parque Vidal até o Memorial de Che Guevara – são mais de 20 quarteirões. O monumento é encimado por uma enorme e belíssima estátua do Comandante, e tem as partes externa e interna. Do lado de fora, frases de Che e mapas de suas expedições guerrilheiras da coluna que liderou no Movimento 26 de Julho. A parte interna não pode ser fotografada: numa sala tem o Memorial propriamente dito, com uma excelente exposição de fotos, documentos e objetos de Che; na outra sala estão guardados os restos mortais do Comandante – repatriados da Bolívia após décadas – e de seus companheiros mortos das guerrilhas da Bolívia . Além disso, atrás há um outro pequeno cemitério dos guerrilheiros de Sierra Maestra da coluna liderada por Che, ainda com várias lápides sem nome (aguardando pelos companheiros ainda vivos).
      17º dia – 16/01
      Saímos cedo para pegar o ônibus da Via Azul no terminal de Santa Clara rumo ao nosso penúltimo destino: Varadero. Confesso que o aspecto externo do busão era bem cacarecado e dava uma certa preocupação, mas internamente o ônibus era bem razoável e chegamos em Varadero com tranquilidade, após 2 horas e meia de estrada. Também em Varadero optamos por ficar em casa de cubanos, e novamente fomos super bem atendidos e alojados por uma família simpaticíssima.
      Se Havana Velha parece a Lapa/Santa Teresa, Trinidad lembra demais Paraty e Cuba em geral parece o subúrbio carioca, Varadero é o Recreio dos Bandeirantes do Rio: um balneário supermoderno com praias lindíssimas, mas extremamente americanizado e formatado para turistas. Varadero na verdade é uma compridíssima e estreita restinga: uma faixa de terra que avança pelo mar por mais de 30 km, mas que só tem 300m de largura – então tem “mar dos dois lados”. Do lado “direito” de quem entra em Varadero por Matanzas é litoral de pedras; as praias – e os resorts – estão todas do lado “esquerdo”.
      Em Varadero praticamente a única (e ótima) coisa a fazer é curtir praia: linda, com água azulada e cristalina – só que nestes dias não está a “piscina” tradicional, em função dos ventos mais fortes e do tempo mais instável (chegou a ter bandeira vermelha antes de nós chegarmos). Uma observação: neste período de janeiro (que é inverno no Hemisfério Norte) se o sol se esconde atrás das nuvens sente-se frio na praia, porque o vento é constante.
      Outra coisa: nos restaurantes, nem sempre boa apresentação visual significa boa comida. Almoçamos num restaurante simpático da 1ª Avenida, mas o camarão estava “burocrático”.
      À noite, entretanto, a coisa foi diferente – para melhor. Marcamos de jantar com um grupo de amigos brasileiros no restaurante Casa de Al, que é a antiga casa de Al Capone em Cuba (na qual ele guardava a bebida que comercializava ilegalmente durante a Lei Seca). O restaurante é um charme, a comida é muito boa, tem uma ótima carta de vinhos e os preços não são extorsivos. No verão, o charme adicional é almoçar no terraço de vista para a praia, mas no inverno à noite fica impossível: aí é no ambiente interno mesmo.
      18º dia – 17/01
      Por volta das 07:00h da manhã fomos acordados pelo barulho da chuva. Pensamos de cara: “e agora? Balneário com chuva é um baita tédio”... voltamos a dormir e, grata surpresa: às 10:00h já estava um lindo dia de sol. A dona da casa nos explicou que por aqui é assim mesmo: quando chove é chuva rápida e logo o tempo abre.
      Após o ótimo desayuno padrão casa de cubanos, fomos novamente à praia, mas desta vez mais longe de “casa”: no resort Be Live Experience. Em Varadero os resorts estão à beira das praias mas o acesso à areia é livre e franqueado: a única diferença é que, se você não está hospedado no hotel, paga pelo uso das espreguiçadeiras e pela bebida que consumir. Como havia chovido pela manhã o mar estava mais mexido e com muitas algas, mas a praia continua sendo belíssima.
      Desta vez demos sorte no almoço: um pequeno e charmoso restaurante na Calle 47  com um ótimo camarão empanado e um serviço muito atencioso. Detalhe curioso é que, pela primeira vez em Cuba, encontramos um local que vendesse Coca Cola (ainda que embalada no México).
      18º dia – 19/01
      Varadero é realmente o “Recreio dos Bandeirantes” de Cuba: sofisticado e americanizado, mas também tem seu lado bucólico – várias casas por aqui criam galinhas, e de madrugada escutamos o galo cantar (nem me lembro mais quando foi a última vez que escutei galo cantar no Rio).
      Após o desayuno, saímos para ir à Cueva del Saturno, uma gruta com água doce e formações rochosas submersas. Combinamos com o taxista de pagar 40 CUCs e ele nos aguardar lá para a volta, pois a gruta fica praticamente fora de Varadero, na divisa com Matanzas a cerca de 20 km do centro de Varadero.
      O lugar é lindíssimo: a gruta fica 20m abaixo do nível do mar e tem profundidade embaixo da água doce (absolutamente cristalina) que varia de 1m a 22m. A entrada para a Cueva del Saturno custa 5 CUCs, e por mais 1 CUC aluga colete salva-vidas opcional – pra quem não é exímio nadador (como nós) é absolutamente recomendável. O local não tem snorkel para alugar; quem curte mergulhar vale a pena levar pelo menos os óculos de mergulho. Eu não senti falta: a água é tão cristalina e transparente que flutuando no meio da gruta dá perfeitamente pra ver o fundo 22m abaixo – a sensação é que está voando por sobre um abismo rochoso.
      Dali voltamos à praia e decidimos fazer o passeio de catamaran pelas águas de Varadero: 30 CUCs por 1 hora para duas pessoas. Hoje o sol estava totalmente aberto e o mar bastante calmo, então pudemos aproveitar ao máximo o passeio. Mergulhar nas águas azuis do Caribe a alguns quilômetros da praia foi especial, e o passeio todo é muito bonito.
      Na hora que bateu a fome, fomos ao restaurante mais próximo de onde estávamos: La Bodeguita Del Medio de Varadero. Um camarão ao ajillo muito bom, ótimos sucos naturais de abacaxi e melancia e, pra fechar, um delicioso mojito. Agora que já tomei mojito por todos os lugares onde estive em Cuba, posso garantir que Hemingway tinha toda a razão: o melhor mojito de Cuba é em La Bodeguita Del Medio.
      Mais praia até quase o fim da tarde, um descanso e o lanche da noite: ótimos e enormes hambuguers (“hamburguesas” em espanhol) no simpático snack bar Vernissage, ao lado de “casa”. Aqui também encontramos Coca Cola mexicana; cubanos mais ortodoxos costumam dizer que “Varadero no es Cuba” – pelo jeito não deve ser mesmo, pois “l’áqua nera del imperialismo ianque” não se acha em nenhum outro lugar de La Isla.
      19º dia – 20/01
      Nosso dia de despedida de Varadero: desayuno cubano, deixar as malas arrumadas na casa, liberar o quarto para os próximos hóspedes – e passear até o horário do ônibus de volta para Havana.
      Resolvemos pegar o bustour e fazer o passeio turístico por Varadero. Definitivamente, “Varadero nos es Cuba”: a parte em que nos hospedamos (os primeiros quilômetros mais ao sul da restinga) são o Recreio dos Bandeirantes carioca; já a parte dos maiores resorts, mais ao norte até a ponta, é uma Cancun. As praias são belíssimas e os resorts superluxuosos, nada a ver com a Isla que conhecemos e passamos a amar tanto.
      Fizemos algumas compras no centro comercial mais badalado da área dos resorts e, na volta, decidimos almoçar no Casa de Al: estava um belo dia de sol, daria para almoçar na varanda com vista para o mar. O único pequeno contratempo foi que saltamos do bustour e, pela indicação que nos deram, seriam 5 quadras mais à frente – mas eram mais de 10 quadras, foi uma caminhada grande. Mas compensadora: o camarão continuava delicioso, agora curtimos a vista para o mar deslumbrante e ainda tivemos música ao vivo com um ótimo grupo musical que ainda atendeu a nossos pedidos de tocar “Hasta Siempre, Comandante”, “Guantanamera” e “Iolanda”.
      Dali foi pegar um táxi, descansar um pouco e pegar o ônibus da Via Azul pra Havana – desta ver um carro bem melhor, mais moderno e confortável. Em 3 horas estávamos em La Habana, de volta à casa da mesma maravilhosa família que nos acolheu no início da viagem.
      20º dia – 21/01
      No primeiro dia de manhã de volta à Havana, fomos visitar nossos novos amigos cubanos Luis Caballero e Isabel Suarez e encontramos com a companheira Maria Leite, brasileira velha amiga do casal e grande amiga de Cuba. Queríamos ir ao Museu da Alfabetização mas descobrimos que estava fechado porque funciona dentro de uma instituição escolar. Por uma daquelas ótimas coincidências do destino, Maria já tinha agendado de ir ao Museu da Alfabetização no dia seguinte – combinamos de ir juntos.
      Dali fomos a pé até o Mercado San José, grande concentração de lojas de artesanato e lembranças – mais uma dica errada de distância: nos disseram que ficava na Avenida do Porto 5 quarteirões depois da esquina com Obispo, mas na verdade são mais de 10 quadras de distância. Fizemos algumas compras e voltamos para almoçar.
      À noite combinamos com os amigos Maria, Isabel e Luís de jantar no restaurante Deliriu’s: MARAVILHOSO! Lindíssimo, ambiente chique, ótima comida e preços não extorsivos – e ainda fomos brindados com uma espetacular apresentação de jovens cantores líricos. Esse restaurante eu recomendo MUITO.
      21º dia – 22/01
      Encontramos com a companheira Maria Isabel e fomos visitar o Museu da Alfabetização. Nos recebe na porta do museu uma senhorinha meio aborrecida porque estava faltando luz, vestida de jeito super simples: camiseta, calça tipo leggin e sandália de dedo – era a Diretora do Museu, Doutora em Educação. Conseguimos convencê-la a nos mostrar o Museu mesmo sem luz, só com a iluminação natural das janelas, pois íamos viajar no dia seguinte – e foi a visita mais emocionante que fizemos. O relato de um país pobre que mobilizou dezenas de milhares de voluntários e em um ano de campanha erradicou o analfabetismo é uma coisa impressionante - especialmente quando ficamos sabendo que 40 voluntários de alfabetização morreram durante a campanha, 11 ASSASSINADOS PELOS CONTRARREVOLUCIONÁRIOS ORGANIZADOS E FINANCIADOS PELA CIA (o primeiro “mártir” da alfabetização deu nome às Brigadas do Exército de Alfabetizadores: Brigadas Conrado Benitez). Não dá pra reproduzir aqui mais de 1 hora de palestra da Dra Luisa, mas dá pra comentar um pouco sobre três coisas:
      1)      no ato de comemoração do fim da campanha e da declaração da erradicação do analfabetismo em Cuba, os destacamentos dos “exércitos de alfabetizadores” (todos voluntários) exibiam faixas dizendo : Fidel, diga-nos agora o que fazer” (pois AQUELA “missão dada” já era “missão cumprida”). Fidel respondeu no ato: ESTUDEM! O programa de alfabetização passou a charmar-se “Sim, nós podemos” e foi “exportado” para vários países e regiões ( Dra Luísa nos relatou a experiência dela como monitora do repasse do programa em um Estado do México); a continuação dos estudos passou a ser chamada “Sim, nós podemos prosseguir”;
      2)      a “exportação” do programa “Sim, Nós Podemos” sempre respeitou as peculiaridades locais de cada país; por exemplo, no Haiti a alfabetização foi em criollo e não em francês; na Bolívia, além do espanhol, também em quíchua e almanara (as duas maiores línguas indígenas de lá);
      3)      o Museu da Alfabetização é situado em uma enorme área que na ditadura de Batista era o maior quartel militar, o Quartel Colônia – e tinha inclusive uma residência oficial do tirano. Na revolução o quartel foi transformado em escola: as residências dos soldados e oficiais foram transformadas em escolas, e hoje lá existe desde escola primária até a Faculdade de Pedagogia.
      À tarde demos mais uma descansada e arrumamos as malas, porque na manhã do dia seguinte já era hora de embarcar de volta ao Brasil. Mas não pudemos deixar de retribuir toda a hospitalidade e carinho da maravilhosa família que nos acolheu em Havana: convidamo-nos para jantar conosco novamente no Deliriu’s – e novamente a qualidade da comida, o requinte e beleza do local e o preço justo tornaram a noite muito agradável.
      O dia seguinte foi de dizer “Até breve, Cuba”: amamos esta Ilha e voltaremos muitas vezes, com toda a certeza!






































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