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Nosso tour pelo Salar de Uyuni - com valores e dicas

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:shock: Se tivéssemos que listar os lugares mais impressionantes que já vimos até agora (não apenas nesta viagem, mas em toda a nossa vida), com certeza o Salar do Uyuni estaria entre os top 5. Só de observar um imenso deserto que possui chão de sal em vez de areia já vale todo o investimento para chegar até lá, mas lagoas coloridas cheias de flamingos, incríveis formações de pedras e gêiseres impressionantes são o complemento para que o passeio seja inesquecível.

 

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O Salar do Uyuni é um ótimo lugar para brincar com a perspectiva nas fotos.

 

Outra coisa muito legal é que, apesar de centenas de turistas cruzarem o salar todos os dias, tudo é mantido pela comunidade local. O governo pouco interviu na região, e grandes empresas de turismo, redes hoteleiras ou restaurantes famosos ainda estão de fora da jogada. Desta forma, além da beleza natural da região, você ainda entra em contato com a cultura milenar andina, que vem resistindo bravamente aos avanços ocidentais.

Está mochilando pela Bolívia ou de férias no Atacama? Não importa, este é um dos passeios obrigatórios para você fazer.

 

Como chegar

O acesso à região é difícil: não é por acaso que pela região se realiza o Dakar, um dos rallies mais famosos do mundo. Só é recomendável ir por conta própria quem tiver um 4×4 bom e bastante experiência em trilhas.

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A melhor maneira de desfrutar da região é contratando uma excursão, que pode sair tanto de Uyuni (Bolívia) quanto de San Pedro de Atacama (Chile). Os preços saindo da Bolívia são um pouco mais baratos, mas nada que compense, para quem está em San Pedro, ir até a Bolívia de ônibus para contratar o tour por lá.

 

Tours

Quase todos os tours são feitos em caminhonetes Toyota Landcruiser, e levam até 6 pessoas por carro. A estrada é bem complicada, e acidentes, tanto por inexperiência quanto por imprudência dos guias podem acontecer. Por isso, é bom contratar uma boa agência para fazer o passeio.

 

Os passeios, tanto saindo de Uyuni quanto saindo de San Pedro, podem durar 3 ou 4 dias. Os de 3 dias cruzam de um país a outro, e os de 4 dias voltam ao ponto de partida (considere o 4° dia somente para voltar tudo até a origem). Para quem vem por Uyuni, ainda há a opção de contratar um passeio de 1 dia que leva somente ao Salar.

 

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Escolher uma boa agência é muito importante para a sua segurança

 

Nós fizemos o passeio de 3 dias, cruzando de San Pedro de Atacama até Uyuni. Ignoramos todos os alertas para não tentar economizar (nao recomendamos isso, fizemos para economizar) e fomos com a Travel Lithium, agência mais barata que encontramos. ::otemo:: E não poderia ter sido melhor: os guias simpáticos e experientes, as excelentes refeições e os bons hotéis (dentro do possível) onde ficamos fizeram o tour ser nota 10. O fato dos guias serem donos dos carros nos passou muita segurança, pois desta forma nenhum abusou da sorte nas estradas.

 

Quem vier do Uyuni pode contratar a Expediciones Sajama, que é a parceira da Lithium lá.

Link do site da Lithium - http://www.travel-lithium.com/

Link do site da Sajama - https://www.facebook.com/Expediciones-Sajama-453100721520420/info?fref=ps_result

 

(P.s.: não fomos patrocinados nem nada para fazer este tour. Simplesmente vivemos a dificuldade que foi para escolher entre mais de 80 agências um tour decente, e decidimos facilitar a vida para quem for para lá. Empresas com nomes já consolidados vendem este mesmo tour por preços mais elevados, e às vezes com qualidade inferior).

 

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Preços

 

Saindo de San Pedro: os preços variam de 105 a 125 mil pesos chilenos para o tour de 3 dias, e ficam em torno de 130 a 150 mil para o de 4 dias, com todas as refeições incluídas. Se chegar no fim do dia e der sorte de pegar as últimas vagas do carro, é possível barganhar e conseguir por uns 100 mil, mas corre o risco de ficar sem o passeio.

 

Saindo de Uyuni: os preços ficam em torno de 800 bolivianos para o de 3 dias e 1000 bolivianos para o de 4 dias. Assim como em San Pedro, na Bolívia também tudo é negociável.

 

Além do passeio do tour, tem que pagar:

 

*150 bolivianos para entrar na reserva (guarde o ticket, pois vão te pedir novamente ao longo do caminho)

*30 bolivianos para ingressar na Isla del Pescado (opcional, mas vale a pena)

*6 bolivianos para se banhar na piscina termal (opcional)

*10 bolivianos para tomar banho de água quente no hotel do segundo dia (no primeiro dia, o banho é na piscina termal)

*Se quiser tomar uma cerveja no caminho, espere pagar uns 15 a 20 bolivianos na garrafa. Banheiros custam em torno de 5 bolivianos, mas você pode ir na natureza mesmo que é grátis.

 

Levar uns 250 bolivianos que já é suficiente, inclusive para comprar algumas lembrancinhas.

 

Outra dica importante: a cotação do peso boliviano em San Pedro é péssima (tanto para compra quanto para venda). Mesmo que vá com a intenção de ficar na Bolívia, troque somente o mínimo necessário em San Pedro, e deixe para sacar/trocar o restante em Uyuni.

 

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O que levar

Muita roupa de frio, água (uns 2 litros por pessoa/dia), protetor solar e labial, toalha e traje de banho (para a piscina termal).

Levamos algumas bolachas para beliscar no caminho, mas as refeições eram tão bem servidas que acabamos nem precisando.

Vimos muitos blogs colocarem óculos de sol como item obrigatório no Salar, mas nem nós nem o pessoal que viajou conosco sentiu falta disso (e olha que pegamos dias bem ensolarados).

 

Como eh o tour:

 

Primieiro dia:

A van da Lithium passou buscando o pessoal nos hotéis a partir das 7h20min da manhã. Nós fomos os primeiros, e por volta das 8h já estávamos todos na van. Nosso grupo de turistas era composto por 13 pessoas, dentre elas gente dos Estados Unidos, Holanda, Áustria, Alemanha, Espanha e mais um casal de brasileiros.

 

Nossa primeira parada foi na fronteira chilena, onde fizemos a saída do país e aproveitamos para tomar um bom café-da-manhã. De lá, seguimos por cerca de 1h até a imigração boliviana, onde fizemos a entrada no país de forma bem tranquila.

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Nosso café-da-manhã antes de seguir para o tour de 3 dias

 

Aqui, trocamos a van por Toyotas Landcruiser, e a diversão começaria de verdade!

O casal de brasileiros seguiu em um tour privado, e o restante de nós seguiu em dois carros, sendo o nosso com 6 e o outro com 5 pessoas. Nossos guias foram Roger e Peter, dois bolivianos que foram essenciais para o tour ser ainda mais legal.

 

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Do outro lado da fronteira com a Bolívia, diversos veículos esperam os turistas que chegam para o tour.

 

Organizamos as mochilas, fizemos as apresentações e era hora de cair na estrada!

 

Laguna Blanca e Laguna Verde

As duas primeiras paradas são nessas belíssimas lagoas, a poucos quilômetros da fronteira. Ambas oferecem belas vistas do deserto e das montanhas ao redor.

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A Laguna Blanca, primeira atração neste tour impressionante.

 

A laguna blanca é bem transparente e as algas no fundo dão uma beleza especial ao lugar.

A laguna verde, como o nome já diz, apresenta uma coloração verde impressionante. Esta cor se vê por conta dos minerais existentes na água, e se vê mais colorida em dias com vento.

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A belíssima Laguna Verde

 

Deserto de Salvador Dali

Lembra das pinturas de Salvador Dali? Talvez aquele deserto com relógios derretidos? Pois então, andando por este deserto, você vai se sentir dentro de um quadro do pintor catalão.

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Deserto de Dali. Consegue imaginar os relógios derretidos por aí?

 

A cor avermelhada da areia, das pedras (que se formaram em consequência de erupções vulcânicas há milhões de anos atrás) e das montanhas lembram uma obra de arte. Ótima parada para tirar umas fotos e apreciar a beleza da Pachamama!

 

Águas Termales

Ótima parada para relaxar um pouco (e aproveitar para tomar um banho). Apesar de fazer frio do lado de fora, esta piscina com águas termais tem uma temperatura que chega a 40°.

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Nada como uma piscina termal para relaxar um pouco!

 

Para se banhar aqui, precisa pagar 6 bolivianos (pouco mais que 3 reais). Ficamos parados aqui por meia-hora, antes de voltar para o rally.

 

Gêisers Sol de Mañana

Sim, aqui também tem gêisers! Embora não sejam tantos nem tão impressionantes quanto os Geisers el Tatio (Chile), estes também merecem a visita. Já passávamos do meio-dia, e eles seguiam soltando bastante fumaça.

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O cheiro de ovo podre é consequência do enxofre expelido com a fumaça. Caminhe com cuidado, pois a temperatura dentro dos orifícios pode chegar a 100°!

 

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A fumaça é incrível, mas fede um monte!

 

Laguna Colorada ::ahhhh::

Última parada do dia. Esta lagoa impressionante tem cor vermelha, consequência de micro-organismos e algas avermelhadas da lagoa.

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Aqui, se faz uma pequena caminhada para avistar uma infinidade de flamingos rosados.

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Nosso hotel ficava ao lado desta lagoa, onde jantamos e dormimos em um quarto compartilhado entre as pessoas do nosso carro. A altitude aqui chega perto de 4200m, e algumas pessoas podem ter dificuldades para dormir (a Michele, por exemplo, passou quase toda a noite acordada).

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O quarto eh super quentinho e ninguem passou frio... Nem foi preciso o uso de sacos de dormir

 

Segundo dia

Começamos o dia às 7h da manhã, tomamos um bom café-da-manhã e seguimos nosso caminho pelo deserto.

 

Árvore de Pedra e Deserto de Siloli

Esta foi, talvez, uma das paradas mais interessantes antes de chegar ao Salar do Uyuni. A famosa Árvore de Pedra é uma rocha vulcânica que possui a base fina e o topo mais largo (muito similar a uma árvore). Ela foi esculpida ao longo dos anos pelos fortes ventos que cortam o deserto.

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Árvore de Pedra no Deserto de Siloli

 

Além da Árvore de Pedra, várias rochas por ali parecem uma cidade dos Flintstones. Você vai se divertir bastante caminhando e escalando cada uma destas pedras.

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Vulcão Ollague e muitas lagoas

A partir do Deserto de Siloli, seguimos por belas paisagens, lagoas com vários flamingos e passamos ao lado do vulcão Ollague, um vulcão ativo de onde é possível ver a fumaça saindo do topo.

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Vulcão Ollague cuspindo fumaça

 

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Mucuvinha com os flamingos

 

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Hotel de Sal

Terminamos o dia em um hotel feito, em grande parte, de pedras de sal provenientes do salar. Neste hotel, já ficamos em um quarto privado (os quartos são para 2 ou 3 pessoas), e dormimos em camas também feitas de sal. Aqui a altitude já é bem mais baixa, e vai ser mais fácil de dormir.

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Hotel com paredes e tijolos feitos de sal!

 

Aqui, por 10 bolivianos, é possível tomar um banho com água quente e os quartos podem ser compartilhados ou para o casal :D . Depois do banho, jantamos (com direito a vinho) e fomos dormir cedo, pois no dia seguinte acordaríamos para ver o sol nascer no salar!

 

Terceiro dia

Enfim, chegou o tão esperado dia: veríamos o impressionante Salar do Uyuni! ::hahaha::

Acordamos às 5h da manhã, arrumamos nossas coisas e, às 5h30min, já estávamos nos carros seguindo para o Salar.

 

Nascer do sol no Salar

Não demorou muito e o horizonte começou a mudar de cor. Neste ponto, paramos para observar o sol nascer. A sensação de descer do carro e pisar em puro sal é algo inesquecível. Para qualquer lado que olhávamos, víamos apenas branco.

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Aqui, passamos quase 1h admirando o céu mudar de cor até ficar claro, e aproveitamos para tirar nossas primeiras fotos brincando com a perspectiva.

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A lua ainda está no céu, enquanto o sol nasce no Uyuni. O Mucuvinha foi bem abrigado, pois faz muito frio!

 

Ilha do Pescado

Alguns poucos quilômetros adiante, chegamos à Isla del Pescado, uma impressionante ilha em meio ao mar de sal, cheia de cactus gigantes. A entrada é opcional e custa 30 bolivianos, mas vale muito a pena. A trilha pela ilha é de uns 40 minutos (com tempo de sobra para tirar fotos) e oferece vistas impressionantes do salar.

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Depois da trilha, tomamos um café-da-manhã à base da ilha.

 

Mais Sal!

Depois da ilha, seguimos para o meio do salar. Já era perto do meio dia, e o sol já projetava sombras menores, o que era ideal para brincar com as fotos de perspectiva. Aqui o tempo voou, e passamos mais de 1h nos divertindo!

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Museu de Sal

Um pouco mais adiante, o primeiro hotel de sal da região se converteu em museu. Em frente a ele, bandeiras de diversos países sacudiam ao vento.

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Pequena ilha com bandeiras de diversos países em meio ao Salar do Uyuni

 

A entrada ao museu é gratuita, e lá se pode ver algumas esculturas feitas de sal e ter uma ideia de como era o hotel.

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Perto do hotel há uma escultura em referência ao Dakar, rally muito famoso que agora se realiza nesta região.

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Povoado de Colchani

Pequeno povoado onde é possível comprar artesanatos, roupas e comidas típicas. Apesar da grande quantidade de turistas, este povoado segue resistindo e mantém suas tradições até hoje.

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Aqui almoçamos antes de seguir para Uyuni.

 

Cemitério de Trens

À cerca de 2km da cidade de Uyuni está um cemitério de trens. Estes trens são do começo do século XX, e o que resta agora são as carcaças das antigas locomotivas a vapor.

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Cidade de Uyuni

E, aqui, por volta das 15h, terminamos nosso maravilhoso passeio. Quem contratasse o tour de 4 dias, seguiria de volta a San Pedro. Nós, como seguiríamos Bolívia a dentro, ficamos por aqui.

Uyuni não chega a ser uma cidade bonita, mas tem seu encanto. Decidimos passar uma noite por aqui mesmo, antes de seguirmos para Potosi.

 

  • Dicas

  • Leve bastante água, pois ajuda a amenizar os efeitos da altitude

.

  • Se sentir falta de ar pela noite, procure dormir com a cabeça levantada (coloque 2 ou 3 travesseiros se for preciso). Isso ajuda bastante.

  • Se sair de San Pedro, leve o mínimo de dinheiro boliviano necessário, pois o câmbio em San Pedro é péssimo.

  • Procure uma agência com boas referências, pois o caminho é complicado. Nós fomos com a Travel Lithium e recomendamos, tanto pelo preço quanto pelo serviço.

  • Leve brinquedos, garrafas, lata de pringles… enfim, use a criatividade para tirar belas fotos no salar!

  • Leve muita roupa de frio!

  • Guarde seu recibo depois de pagar a entrada no parque, pois vão te pedir novamente.

  • Para tirar boas fotos de perspectiva, é importante que a lente esteja o mais perto possível do chão.

  • Tente levar um celular desses com a lente bem no canto, ou tirar fotos com sua câmera de cabeça-pra-baixo

 

E uma útima dica, um pessoal que procurou por essa agencia e disse que foi nossa indicacao ainda ganhou um desconto de 10 dolares ::otemo:: (pagaram mais baratos que nós hehehe)

Esperamos que todos tenham a mesma sorte ::cool:::'>

 

Para mais relatos de lugares bacanas e acompanhar nosso mochilao de volta ao mundo, curtam nossa página no face:

::otemo:: http://www.facebook.com/mundosemfimoficial

Estamos tentando passar pra cá os relatos e contribuir mais com vcs, mas as vezes falta tempo :|

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Parabéns pelo relato... me senti viajando e parando nesses pontos novamente. O meu tour foi bem parecido com o de vocês, porém com pequenas diferenças que vou incluir pra quem estiver buscando mais detalhes. São eles:

 

- Fiz o passeio de 4 dias e 3 noites com a WorldWhiteTravel (WWT). Pesquisei muito e li muitos relatos de outras agências mais baratas porém com perrengues que não gostaria de passar. O preço deles estava em 130mil pesos chilenos, similar a maioria das agencias que visitei, e ainda tinha recomendação de varias pessoas sobre a qualidade dos serviços. A WorldWhiteTravel tem uma agência em San Pedro de Atacama (na Caracoles) e uma na cidade de Uyuni, o que da um pouco de tranquilidade caso ocorra algum problema durante o tour. A maioria das agencias utiliza outras parceiras bolivianas em Uyuni e a qualidade pode não ser a mesma.

 

- em relação aos alojamentos e hotéis que dormimos a unica diferença foi que próximo a Laguna Colorada, o alojamento era exclusivo para os tours da WWT e os quartos eram duplos ou triplos, logo não tinhamos que dividir com os 6 do jipe. Os jantares sempre muito bons e bem caprichados. Ah, não tivemos que pagar pelo banho no hotel de sal, estava incluido no valor do tour.

 

- No terceiro dia quando o tour se encerra para aqueles que vão ficar em Uyuni e partir para outras cidades bolivianas, os que retornam a San Pedro de Atacama são divididos em grupos de até 6 pessoas e os 4x4 levam até a cidade de Villa Mar pra passar a noite e retornar ao Chile no dia seguinte. No nosso caso, fomos surpreendidos com a noticia de que havia nevado nos Andes naquele dia e que a fronteira entre Chile e Bolivia esteve fechada durante todo o dia, então o plano B era que dormissemos na cidade de Villa Alota, pois caso a fronteira não abrisse no dia seguinte, os veiculos poderiam pegar outra estrada rumo à outra fronteira com o Chile. Com isso todas as agências foram para o mesmo lugar e alguns problemas ocorreram, como atraso no jantar de quase 2 horas, fila quilometrica pra tomar banho visto que só havia um chuveiro, etc... Houve muita reclamação, mas também não havia muita coisa que eles pudessem fazer pra remediar isso, visto que foi um plano de ultima hora. No dia seguinte partimos pra fronteira, saindo as 4h30 da manhã de Villa Alota. Por volta das 8h30 chegamos na fronteira boliviana, fizemos os tramites e ficamos aguardando as vans/minibus que nos buscariam do Chile, porém nada de eles chegarem. Haviam dezenas de 4x4 de todas as agencias aguardando e nos informaram que a fronteira boliviana não estava liberando a saida de lá. Foi preocupante não saber se conseguiriamos entrar no Chile, mas depois de + ou - 3 horas os minibus começaram a chegar e finalmente conseguimos entrar no Chile, ufa!

 

- No geral, a Bolivia não tem muita infraestrututa, então é importante que chegue lá de cabeça aberta, sem comparações e deixar se levar pela beleza da natureza e das paisagens que só existe lá.

 

Grande abraço

Newton

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Parabéns pelo relato... me senti viajando e parando nesses pontos novamente. O meu tour foi bem parecido com o de vocês, porém com pequenas diferenças que vou incluir pra quem estiver buscando mais detalhes. São eles:

 

- Fiz o passeio de 4 dias e 3 noites com a WorldWhiteTravel (WWT). Pesquisei muito e li muitos relatos de outras agências mais baratas porém com perrengues que não gostaria de passar. O preço deles estava em 130mil pesos chilenos, similar a maioria das agencias que visitei, e ainda tinha recomendação de varias pessoas sobre a qualidade dos serviços. A WorldWhiteTravel tem uma agência em San Pedro de Atacama (na Caracoles) e uma na cidade de Uyuni, o que da um pouco de tranquilidade caso ocorra algum problema durante o tour. A maioria das agencias utiliza outras parceiras bolivianas em Uyuni e a qualidade pode não ser a mesma.

 

- em relação aos alojamentos e hotéis que dormimos a unica diferença foi que próximo a Laguna Colorada, o alojamento era exclusivo para os tours da WWT e os quartos eram duplos ou triplos, logo não tinhamos que dividir com os 6 do jipe. Os jantares sempre muito bons e bem caprichados. Ah, não tivemos que pagar pelo banho no hotel de sal, estava incluido no valor do tour.

 

- No terceiro dia quando o tour se encerra para aqueles que vão ficar em Uyuni e partir para outras cidades bolivianas, os que retornam a San Pedro de Atacama são divididos em grupos de até 6 pessoas e os 4x4 levam até a cidade de Villa Mar pra passar a noite e retornar ao Chile no dia seguinte. No nosso caso, fomos surpreendidos com a noticia de que havia nevado nos Andes naquele dia e que a fronteira entre Chile e Bolivia esteve fechada durante todo o dia, então o plano B era que dormissemos na cidade de Villa Alota, pois caso a fronteira não abrisse no dia seguinte, os veiculos poderiam pegar outra estrada rumo à outra fronteira com o Chile. Com isso todas as agências foram para o mesmo lugar e alguns problemas ocorreram, como atraso no jantar de quase 2 horas, fila quilometrica pra tomar banho visto que só havia um chuveiro, etc... Houve muita reclamação, mas também não havia muita coisa que eles pudessem fazer pra remediar isso, visto que foi um plano de ultima hora. No dia seguinte partimos pra fronteira, saindo as 4h30 da manhã de Villa Alota. Por volta das 8h30 chegamos na fronteira boliviana, fizemos os tramites e ficamos aguardando as vans/minibus que nos buscariam do Chile, porém nada de eles chegarem. Haviam dezenas de 4x4 de todas as agencias aguardando e nos informaram que a fronteira boliviana não estava liberando a saida de lá. Foi preocupante não saber se conseguiriamos entrar no Chile, mas depois de + ou - 3 horas os minibus começaram a chegar e finalmente conseguimos entrar no Chile, ufa!

 

- No geral, a Bolivia não tem muita infraestrututa, então é importante que chegue lá de cabeça aberta, sem comparações e deixar se levar pela beleza da natureza e das paisagens que só existe lá.

 

Grande abraço

Newton

 

 

Olá Newton, gostaria de saber mais sobre a sua hospedagem na Laguna Colorada, onde disse que o hotel era exclusivo da WWT. No site deles não achei essa informação, visto que nos tours oferecidos já informavam que eram hospedagens com 6 pessoas.

A minha maior preocupação é nesse segundo dia de hospedagem (sairei de Uyuni), pois pelos relatos é a mais simples de estrutura.

Obrigada!

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Muffie, na Laguna Colorada que geralmente é a noite mais dificil por se tratar de altitude de 4200mts, existem diversos alojamentos ou refugios (como alguns chamam) e cada agência tem o seu lugar de pernoite. No caso da WWT percebemos que somente as pessoas dos 3 jipes deles (18 no total) estavam na hospedagem que ficamos, com isso facilitou bastante a questão da alimentação (jantar) e cada guia dividiu seu grupo de 6 pessoas em grupos menores nos quartos. No nosso caso, fomos divididos em 2 quartos, um pra mim e outro brasileiro, e no outro quarto as 4 meninas.

A hospedagem é bem fria e seria bom levar um saco de dormir pra ter um pouco mais de conforto.

Como você vem de Uyuni, não deverá sofrer tanto por que já vem de lugar alto, mas pra quem sai de San Pedro e passa a primeira noite logo nessa altitude é bem dificil com dores de cabeça, respiração ofegante, etc...

Espero que tenha ajudado.

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Muffie, na Laguna Colorada que geralmente é a noite mais dificil por se tratar de altitude de 4200mts, existem diversos alojamentos ou refugios (como alguns chamam) e cada agência tem o seu lugar de pernoite. No caso da WWT percebemos que somente as pessoas dos 3 jipes deles (18 no total) estavam na hospedagem que ficamos, com isso facilitou bastante a questão da alimentação (jantar) e cada guia dividiu seu grupo de 6 pessoas em grupos menores nos quartos. No nosso caso, fomos divididos em 2 quartos, um pra mim e outro brasileiro, e no outro quarto as 4 meninas.

A hospedagem é bem fria e seria bom levar um saco de dormir pra ter um pouco mais de conforto.

Como você vem de Uyuni, não deverá sofrer tanto por que já vem de lugar alto, mas pra quem sai de San Pedro e passa a primeira noite logo nessa altitude é bem dificil com dores de cabeça, respiração ofegante, etc...

Espero que tenha ajudado.

 

Muito obrigada Newalves!

Me ajudou bastante!

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Nossa adorei o relato... muitas dicas boas ... pretendo fazer o Salar em 2018. São Pedro do Atacama eu já conheço então começaria pela Bolívia pelo Salar e retornarei por lá mesmo pq pretendo fazer outros passeios e depois ir pro Peru pra Huaraz que faltou fazer tbm em 2015. Vou dar uma pesquisada na agência que vc citou... valew

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    • Por Hélio José
      Essa viagem começou em setembro do ano passado, quando estava pesquisando destinos para viajar assim que eu terminasse a minha formatura. Bem, ate então não havia o voo direto de Recife a Bogotá, que foi inaugurado no mês de novembro, dois meses depois, seja como for, acredito que peguei uma boa promoção, afinal paguei 1200 reais saindo de recife, com conexão em são paulo para ir a Bogotá, e na volta, sai de Bogotá para o Rio onde tive conexão  para voltar ao Recife, tudo pela Avianca.
      As passagens a Medellín, também comprei pelo site da Avianca internacional, no mês de novembro e custou 400 reais a ida e volta, tratei de comprar um voo as 8 da manha, já que eu chegava em Bogotá as 5 e meia da manhã e tem todo aquele processo de achar o terminal nacional, retirar as bagagens, imigração e tal. Então vamos ao que interessa.
      Para começo de conversa a Avianca Brasil me trolou duas vezes, a primeira foi um mês antes da viagem, quando recebi um e-mail de alteração no trecho REC-GRU, antes eu sairia daqui as 20 hs e com três horas de voo, significava ficar pouto tempo lá em São Paulo, uma vez que meu voo saia as 1 da madrugada. A Avianca Brasil pôs meu voo REC-GRU para as 8 da manha do dia 28, ou seja, logo após o trecho São Paulo - Bogotá , eu teria um voo as 8 da manha Recife - São Paulo (What?) Bem, Uma coisa tem de ser dita, os atendentes da Avianca internacional são muito simpáticos no seu português cheio de sotaque espanhol (Valeu Davi). A segunda trolagem, vou deixar para falar sobre ela no trecho da volta.
      Despache de mala ok aqui em Recife, só iria pegar a mala la em Bogotá. Segue o Fluxo. Deixei meus fones de ouvido em casa, e já sabia que os fones que a Avianca Brasil dão, são meio capenga e só funciona bem nas mídias deles, e que eles recolhem no final do voo. Porem tudo mudou no voo da Avianca internacional , que mesmo indo em assento da classe econômica, valeu Avianca, me deram fones que me salvou ate Medellín. Uma coisa deve ser dita, entrar no voo em São paulo, significa, já era português, e eu tinha experiência sim com espanhol na Argentina e Uruguai, porem dessa vez era Eu e Deus, então todo o atendimento das aeromoças, foram em espanhol, um sofrimento para entender, embora que la pelas tantas da manha quando elas passaram dando agua, e acho que a cara feia que ela me fez significa que eu errei, em esperar ela me dar o copo, em vez de pegar o copo para ela por a agua (perdão, na volta eu aprendi). La pelas 4 e pouca da manha, depois de descobrir a técnica infalível de deitar numa cadeira de dois assentos, estavam servindo o café da manhã. Café da manhã bom, mas se me perguntar so me lembro dos "huevos" e gasosa de manzana ( Ta na hora de o Brasil exportar aquilo, porem acho que o guaraná Jesus é parente daquele refri, tenho certeza disso). Junto me deram um papel para preencher, era familiar aquilo, já peguei o mesmo quando a TAM me deu na entrada ao Uruguai, mas  e cade a caneta para preencher? Fato que teria bronca com isso mais na frente.
       
      Segue o fluxo para a imigração, a Imigração da Colômbia é bem de boa, mas uma dica, quase não entro na Colômbia, Culpa do Andrés, meu super amigo colombiano que sabe muito português, acho que sabe até demais. O Andrés não me disse sua Calle, nem o numero da sua casa onde eu iria ficar. E a moça da imigração foi bem clara, você não entra na Colombia se não disser onde vai ficar. Bem, ainda liguei pro danado, mas eram 6 da manha, e ate eu estaria dormindo ( exceto se fosse receber um amigo hahahahha) Mas... Deu tudo certo, ela pegou o numero dele, e carimbado, vamos a segunda bronca da manhã. A falta de Caneta. Bem, não existe nenhuma instrução de como preencher o papel de declaração que vc recebe la no avião, esta em inglês e espanhol, então se vire, o pessoal não empresta caneta ( obrigado ao americano que me emprestou e fiquei com ela), Entregue ao moço la, mais um raio X e sai do aeroporto internacional.
       
      Bogota é muito fria de Manhã, muito mesmo, e eu precisava agora achar o balcão da Avianca para despachar minha mala para MED, o aero não é tao gigante quanto o de São Paulo, pelo menos não achei. Mas eu tinha um amigo la me esperando (Henrique) que me ajudou no café da manha, porque estava sem nenhum peso colombiano. Comi huevos de novo. Despachei a mala e foi tudo muito tranquilo. Em setembro eu não sabia que iria viajar na semana santa, então estava tendo uma amostra das igrejas da cidade no aeroporto, deu tempo de treinar o espanhol. Muito lindo. Você tem duas horas de Wi-fi la, então da para se cadastrar e aproveitar.
       
      Medellin
       
      O voo pra Medellin é rapido, só da tempo de tomar um suco, literalmente. E quando voce chega la, o aeroporto é lindao. Vamos as dicas, tem casas de cambio boas no aeroporto ( na parte do embarque), entao chegou, sobe as escadas, e tem uma casa em especifica que fica por tras de uma escadas, é com a melhor cotação, percebi tanto na chegada quanto na volta. Troquei 20 dólares la, 53 mil pesos colombianos, o suficiente para pegar o busao que sai do aeroporto para o centro da cidade. O onibus fica na saída do desembarque nacional, saiu, segue em frente tem dois onibus, vc pega o primeiro que segue para o centro comercial San Diego, há dois onibus la, se ligue (Centro comecial San diego). 9500 pesos colombianos.
      Aproveita a viagem, e se quer curtir, senta no lado do motorista, que quando voce passar o pedagio, vai ter uma visão da chegada a  cidade que PQP, que cidade... Medellin me deixou enamorado desde a chegada. São 40 - 1 hora, não lembro quanto tempo durou, mas o suficiente pra curtir bem a paisagem. Muita gente desce no centro comercial, e o ponto é embaixo de um viaduto ( A Daniela estava la me esperando, a irmã do Andres). E quando voce chega, tem muuuuito taxis. Minha dica, se acalma e vai trocar tua grana. Precisa entender que o centro comercial é dividido em duas partes e separado por uma avenida, as casas de cambio ficam na segunda parte, entao voce vai atravessar a avenida, cruzar o centro por dentro e chegar na outra avenida, subir uma passarela e acho que no 2 andar tem duas casas de cambio, perto de uma lanchonete. Troquei la, 100 dolares, o que deu para os 4 dias em MED. Comi uma empanada com suco de maracuja e vamos pra casa, pra casa do Andres.

      Saindo de la pegamos um taxi,e os taxis são amarelinhos e pequenininhos, achei fofo, um monte de irmão do UP amarelinhos.
      Fiquei no Bairro de Buenos aires, não me pergunte melhor local de estadia, era a casa do meu amigo e foi maravilhoso.
      Almocei, e quando foi umas 16hs o Andres Chegou, fomos conhecer o centro.
      Basicamente MED faz voce ter certeza que a educação é a chave para fazer o sistema funcionar, eles tem um sistema de transporte de dar inveja a qualquer cidade, duas linhas de metro, o Transvia ( primo do VLT do Rio) e o metrocable ( a melhor aventura), alem dos onibus, e BRT que la tambem tem. MED tem muito a ensinar a Bogota.
      Fui conhecer o centro naquela tarde, pegamos o metrocable, por cima das comunas, e retornamos, e fomos andar de transvia ate certo ponto, descemos e fomos caminhando.

      Para construir o Transvia foram desocupados algumas casas pelo que entendi, e onde foi desocupado, puseram grafites, quadras poliesportivas, e foi toda repaginada a via, claro que com aquele VLT passando pra cima e pra baixo e vc não se pergunta como não mata um, porque ele passa pertinho de voce. E a galera tipo, nem ai...

      Tomei um sorvete muito gostoso, com raspa de gelo, leite condensado, não lembro o nome, e foi quando descobri que eles comem Manga verde com tudo cara, Muito foda o sabor. Delicioso. Mas isso é historia pra a pedra do Peñol.
      No centro perto das esculturas de Botero, tem umas loginhas pra comprar lembrancinhas barato, e aceita cartao de credito.
       Fomos ao pueblito paisa, pegamos metro e uber, subimos ao pueblito, com uma visão linda de Medellin a noite, lá tem uma maquete da cidade que voce entende bem como funciona a cidade, assim como entende como era o povo que fundou a cidade. Depois seguimos para encontrar umas amigas ( Ana e Carolina). Incrível como tem pessoas que estudam tao bem o português. Fomos comer num local (mercados del Rio), meio carinho la, aceita cartao de crédito, e tem culinária, penso eu, do mundo inteiro. Ficamos ao som do Regeanton, curtindo e tomando sangria, uma especie de esquenta para irmos ao parque Lleras (Cara, se voce curte balada, vai gostar desse parque). São muitas casas de shows e baladas, como eu estava sendo levado, não lembro a que fiquei e como fiquei sobre efeito de tequila, tambem muitas informações ficaram perdidas, tudo esta sendo dito olhando o historico do maps ( ). Mas em resumo, algumas informações importantes : 1 - Eles tomam cerveja com sal e limao ( não me pergunte porque), 2 - Tequila me fez falar muito bem espanhol, vale a pena voce tentar mesmo que não se lembre muita coisa no dia seguinte. E 3 - Eles escutam funk brasileiro mas como não sabe o que significam , dançam meio estranho, hahahahha. Eu acho que ensinei algo. Não lembro.

       
      Quinta feira 29/03 - Dia de ir a Guatapé. Para ir voce precisa ir ao terminal norte, existe muitas dicas de como chegar la aqui no site, procure e saberá. Mas fui de uber, de onde estava e pareceu barato ( na verdade achei o uber tanto em MED como em Bogota, muito barato). Chegando la me deparei com uma rodoviaria super abarrotada, era vespera de feriado da sexta santa, entao me ferrei. Só que o super Andres achou uma alternativa, que não me lembro bem... Mas que chegamos de 11 e pouco na pedra do peñol. Se estivessemos esperando o busão la , só iria ter horário depois de meio dia, e chegamos la as 9 da manha. Não sei como se comporta em dias normais, porém o que precisa saber é que vai se deparar com maior filão.
      Em resumo, pegamos um onibus ate Marinilla, de la um taxi  ate El peñol, e depois  ( olhe não sei como se chama aquilo la, mas fomos numa especie de toyota ate a base da pedra) e chegamos umas 11 e meia na pedra. Dicas mestre: independente de sua capacidade física e sabendo que vai enfrentar 700 degraus assim que chegar na base da pedra. VA ANDANDO. Vai ter uma porrada de gente oferecendo serviços pagos de uma espécie de moto estranha que tem la, cavalo, seja o que for, va andando, porque o transito que se forma subindo de onibus e carros é enorme e voce perde um tempo enorme. Ir andando alem de te preparar para a morte da subida, te dar uma visao linda da represa.

      Ok, ai voce não morreu, e chegou la em cima, depois de comprar o ingresso para subir e sofrer. Vai com Deus,. Os degraus vem numerados de 25 em 25, e acho que la pelos 400, tem um anexo onde vc vai ate uma imagem de nossa senhora, e aqueles degraus la não entrou na contagem, mas vale dar uma pausa pra respirar. Tirou a foto e sobe novamente. Quando chega la em cima, não se assuste com a fila pra descer e por favor, respeite-a. O mirante estava em reforma ( ou seja, la em cima vc sobe mais alguns degraus). Tem lojinha e picolé de manga verde la em cima. Com sal. Esse gelado que eles vendem ajuda bastante a refrescar, mas pra quem curte coisas exóticas, tem la em cima a cerveja com sal e limão e manga verde também pra quem curte.

      Acho que a pedra é um paradoxo, porque ela não respeita a lei universal do "pra descer todo santo ajuda", porque descer é pior, e mais estreito do que subir.
      Feito todo o percurso, e chegando la na base da ladeira. Pra comer, va a guatapé, que alem de ter um povoado lindo para otimas fotos. La a comida é barata. Mas pegue o onibus que passa na ladeira para a cidade, porque é barata a passagem, que voce acaba pagando caro se for por outro transporte, e tenha saco para aguentar o transito tambem.
      Chegando em guatape, pode ir explorar a vila, e almoçar nos milhares de restaurantes que tem por la, com almoços completos por cerca de 14500 pesos. Lembre tambem de ir comprar a passagem de volta a Medellin, no terminal e se ligar de estar la ate 10  minutos antes. O onibus é anunciado aos gritos, entao voce só perde se for surdo. Aproveita pra descansar nas 3 horas de volta.

      Na sexta do feriado, fomos ao parque Arvi. O parque Arvi é enorme, e não pense que tirar um dia voce vai conhecer ele todo, pelo que entendi, são varios parques e chegar ate ele em si já é uma aventura. Voce pega metro ate a estação Acevedo, e la faz transferencia pra o Metrocable e depois faz trasferencia para outro metrocable ( esse não é integrado, voce vai ter de pagar de novo), que tem estação terminal la no parque Arvi. Pra quem tem problema com altura , segura o coração, porque cara, voce sobe muito, e passa sobre os topos das arvores. E a cidade vai ficando para tras.
       No Arvi fomos fazer arborismo, Bem, o Andres sabe explicar melhor porque naquele dia tinha muita gente e ele é muito bom de conversa, é engenheiro quimico como eu, mas eu tenho a impressão de que ele é capaz de vender qualquer coisa com a conversa dele, em resumo, a gente não ia conseguir fazer o arborismo porque tinha chovido muito no dia anterior e la cai muito raios, mas ele conseguiu que a gente fizesse, sendo a ultima equipe do dia. Quando eles começam a falar rapido, a minha dica é entregar a Deus porque voce não entende nada, não importa o quanto peça para falar despacio (devagar). pressuponho que se voces quiserem procurar ele, ele ate faz esse trabalho de guia, agende e pergunte quando ele cobra. Alem de oferecer serviços fotograficos. Certamente ele ira comentar esse texto.
      No arvi há varias opções de lazer, assim que voce desse do metrocable tem uma feirinha la, e da pra comer muita coisa tipica, alem das frutas, sou apaixonado por frutas, mas as moras, fresas e a frutinha amarelinha que não sei o nome mas que com leite condensado fica muito bom, é inesquecível. De la voce pega um onibus que levam aos outros parques mas sem pagar nada mais. Só encarar a fila e aproveitar pra comer um doce feito da pata da vaca. É , eu tenho a impressão que eles se superam nas comidas exóticas. Mas a justificativa de que a jujuba seja feita da mesma patinha da vaca, não me fez achar uma coisa maravilhosa comer o doce, porem o se voce andar com o Andres esteja apto a comer todas as paradas.
       
      As atividades feitas no arborismo é incrivel e tem pra todo gosto, fiz uma com 18 atividades e consegui concluir antes de encerrar as atividades, porque tem de voltar para o metrocable antes das 17 que é quando eles fecham. Entao as 15-16 as atividades já estao sendo encerradas. Uma outra dica é comprar as passagens da volta já na ida, porque voces vao achar incrivel a fila de volta. Nós por exemplo, pegamos o metrocable mas em vez de seguir para o outro, pegamos um taxi e descemos na maior radicalidade da vida ... Medellim é uma cidade que cresceu num vale, entao imagina como é descer as ladeiras quando voce esta la nas montanhas. O taxista era um doido, mas sobrevivi.
       
      No sabado foi a despedida da familia que me acolheu, deixo um grande beijo em todos, em especial a tia do Andres que estava voltando a Bogota de busao ( e pra quem vai fazer esse percurso, segundo ela é muito confortavel), assim como a toda familia que me recebeu tao bem. O Andres me levou de uber de volta ao centro comercial San Diego, e dessa vez voce pega o busao pro aeroporto do outro lado da avenida. Não demorou e logo chegou, deixando para trás, um amor que levei da cidade. Cheguei no aeroporto, cheking, e voo para Bogota, para onde eu seguiria para a minha segunda cidade. Villavicencio.
       
      Villavicencio
       
      Quando eu estava no Brasil descobri que villavicencio tem aeroporto, mas ai já tinha comprado as passagens de MED para bogota, e iria fazer o trecho Bogota-Villavicencio de ônibus. Eu descobri que eles tem um voo a tarde, e talvez se eu estivesse descoberto antes teria optado para fazer esse trecho de voo. Era apenas 200 reais a mais e economia de horas. No fim, comprei as passagens de ônibus em Medellín mesmo, pela empresa Expresso bolivariano. Era semana santa e vai que não tivesse mais passagens, comprei para as 15 hs, porem cheguei em em bogota de meio dia. Peguei um taxi amarelinho na saida do aeroporto e fui para o terminal Salitre, a rodoviária deles. Talvez o preço mais caro que paguei, para algo tão próximo, 25 mil pesos. Pelo que andei lendo, taxi é a melhor forma de sair do aeroporto para ir a rodoviária.
      Chegando la, depois de comer um Subway e exercitar meu espanhol ótimo de viagem (rs), resolvi adiantar as passagens, e a menina queria apenas minhas passagens e uma fotocopia, que significa xerox, mas que para meu espanhol de viagem era apenas uma foto minha (rs). Bem, troquei e adiantei a passagem, para as 14 hs. E cai na estrada.
      O caminho ate Villavicencio faz voce repensar em sua vida, não me refiro as paisagens lindas, e aos rios que parecem sair de filmes com aquelas paisagens de montanhas. Mas por ter uma serie de viadutos que voce não enxerga o que esta embaixo de tao alto que são. Fui ate la me perguntando quantas pessoas já morreram fazendo aquele caminho. E quando não é viaduto, são tuneis, milhares de tuneis.
      A estrada esta sendo duplicada, entao há varios desvios e transito na ida, e meu ônibus sofreu um desvio pelo caminho antigo para chegar a cidade, o que me rendeu excelentes paisagens e quase enfartes.
      O povo de Medellin é chamado Paisa, o povo de Villavicencio Llanero, e se pronuncia em bom portugues (janero), tipo o primeiro mês do ano sem o i.
      Achei incrível a cidade, com sua simplicidade e com um povo tão receptivo e festeiro. Com uma rica historia e as comidas ( essa parte vai para toda a Colômbia e sua imensa variedade gastronômica).
      Quem me recebeu la foi o Alexander, debaixo de muita chuva e no português com sotaque de Carioca, ao som de Alcione.  Quero ressaltar que no quesito sonoridade o cara tem bom gosto. Depois de um pequeno city tour. E depois uma balada, a melhor e mais inesquecível que fui, "Los capachos" com tres ambientes enormes, e muito regeaton, funk também, quero ressaltar.
      Um resumo.
      A cidade esta crescendo muito, e tem um enorme parque, o parque malocas, que conta a historia da cidade e dos mitos que rondam por la. Foi inclusive onde o Papa Francisco foi recebido ao visitar a cidade. Eles tem uma especie de vaquejada nesse parque. E vale muito a visita, inclusive la voce pode ate ver apresentações da dança e musica tipica do povo, que é um som muito massa feitos por uma viola de 4 cordas, maracas e arpa. De la fomos a um parque que lembra muito o jardim botânico do Rio, que inclusive quero ressaltar a quantidade de verde que tem na cidade. Inclusive fomos a um shopping, centro comercial na língua deles, que tem cachoeira dentro. Pra mim aquilo foi impressionante.

      A noite seguimos a um mirante onde podemos tomar agua panela ( cara a primeira vez que escutei isso na casa do Andres achei que era agua de panela, ai já era demais, mas resumindo, agua de rapadura) com queijo para apreciar a vista. Um mirante que Só a misericórdia e uma tração muito boa pra subir, estava chovendo mas tiramos ótimas fotos da cidade; Aqui fica os meus agradecimentos ao Alexander assim como a seu irmão e cunhada que conheci nessa viagem. Adorei Villavicencio, e de boa, não conseguia pensar em mais nada na segunda feira a não ser sobreviver a volta. E não morrer.
       
      Na segunda, munido de uma fotocopia, adiantei novamente a passagem, e peguei meu ônibus de volta, pelo caminho original da coisa. E que aterrorizou tanto quanto o outro. Deu tempo de dormir e chegar a Bogota. Chegar a Bogotá era sinal que a viagem estava acabando () .
       
      Bogotá
       
      Cheguei em Bogotá, e com perdão dos Hermanos, tinha ido para escutar sim regeaton, mas não aguentava mais, e o taxista que me levou ate meu hostel, escutava nada mais nada menos que heavy metal. Pense! Hahahahhahaha
      Fiquei hospedado no Republica Hostel, no chapinero. De taxi da rodoviaria deu em torno de 12500. Não entendi mesmo como funcionava aquele taxímetro. Eles funcionam na base de números, por haver tantos zeros no dinheiro dos Hermanos, so que na tabelinha que fica atras do banco, só expressa valores ate o numero 185. E eu estava curioso e ao mesmo tempo com medo do que aconteceria depois do numero 185; bem, Graças a Deus que os números eram sempre ab aixo do 185.
      O hostel foi incrivel, no meu quarto alemao, ingles e belgos, ninguem sabia espanhol, estava ali pra aprender. Entao em terra de gente que não sabe espanhol. Yo fue Rei. Hahahahaaha
      De fato acabei ensinando portugues mesmo. Eles estavam seguindo para Medellin, dei dicas e sai pra explorar o bairro naquela segunda mesmo.
      Basicamente o que deve saber, o bairro é muito bom, farmacia, centro comercial e padaria perto do hostel, e o famoso transmilenio. Tinha tudo o que precisava e uma boa dose de frio. Bogota sofre de TPM, entao após meio dia ela mudava toda, e chovia muito, nem parecia que acordava com um sol lindo.
      Na terça, eu e meu colega de quarto, Sebastiam, saímos para o museu del oro. Lindo. Incrível a historia e a sacanagem do povo que levou a maior parte do ouro da Colombia.
      Abre as 9. Fecha na segunda. 4 mil pesos a entrada e mais 8 mil se quiser o sistema de audio.

       Mas como sou vida loca, vou tentando sem audio mesmo. O museu é basicamente, siga as setas e conheça a história. As 10 tem o free walking que sai da porta do museu, entao s evc chega as 9, da pra conhecer e ainda juntar ao free walking. De manha tem espanhol e ingles, e a tarde saindo do mesmo lugar, tem apenas em ingles. Fui para o de Espanhol, e o sebastiam que estava ali para aprender espanhol, foi para o de ingles. Vai saber né.
      Voce conhece muita coisa com o free walking e num determinado momento toma agua panela num bar que ela leva vc pra experimentar ( hahaha mas eu já sabia o que era a panela, não mais tenho susto raraaaa), e bem, como Bogota estava inconstante de meio dia caio um baita toró. Resultado, passamos pela plaza da independência no maior chuvão. E encerrou o free walking de 3 horas por ali mesmo. Foi onde conheci os uruguaios Guillerme e Julieta e a Mexicana Arantza. Inesqueciveis e muito simpaticos, e conhecem a musica  do Gustavo lima. Hahahahahah.

      Saimos para almoçar por ali mesmo, e por sinal , muito barato comer pelo centro. E aceita tarjeta ( hahahahah bato nessa tecla porque não são todos locais que aceitam cartoes de credito ta?)
      Depois de almoçar fomos caminhando ate o museu nacional, poe no google maps e ele te da a rota, a rota que te dar vai fazer vc passar pelo letreiro de Bogotá, assim como depois por um local que vende artesanato muito barato.
      O museu nacional também é barato a entrada, e conta a historia da colômbia. Depois vale tomar um café na cafeteria que eles tem internamente. Foi onde me despedi dos meus amigos de viagem e voltei de transmilenio no horario de pique para o hostel.
      A minha outra dica é voce baixar o app movit que te ajuda nas estacoes do transmilenio, e depois vai na fé, lendo, voce não entende e nem eles entendem tambem o sistema. Mas sei que peguei busao lotado, me lembrei do Recife. Juro.
      No final voce aprende a andar de boa, por mais que sejam lotados, vale a dica de segurança de manter a mochila e os pertences na frente, em qualquer grande cidade ne.
      A noite fui a uma balada no centro com o Henrique que me recebeu la no primeiro dia, e tive porre de Rum com coca, e prometi nunca mais na minha vida beber essa mistura. Por Deus, acho que não consegui dormir.
      Acordei, ou nem dormi na quarta feira, meu ultimo dia la. E seguindo as dicas dos amigos do dia anterior fui ao Cerro monserrat pela manha por causa do tempo de Bogota. Foi a melhor coisa, porque depois das 11 o tempo fechou.
      Chegar ao cerro do hostel é facinho, mas fomos encontrar mais dois colegas do Sebastian la no museu del oro e de la fomos andando. 20 minutos e voce chega ao local onde compra os tickets.
      20 mil pesos a subida e a descida. Mas os meninos preferiram descer a pé, tem essa opção, mas eu dispenso depois do peñol sabe.
      Subi de funicular e desci de teleferico.
      La em cima a visao é incrivel, mas não tente correr, devido a altura me senti com falta de ar e dar um mal estar enorme.
                                                                   
       
      Depois fomos almoçar perto da universidade de los andes, fica ali perto. Almoço baratinho nos restaurantes proximos.
      Nos despedimos e fomos a estacão universidades, que é a estação pra quem vem do chapinero e vai pra Monserrat. Pegamos o busao e segui de volta ao hostel, onde tomei banho, me arrumei e fui num supermercado comprar Suco de lulo, café e colombiana ( o refri de folha de coca deles). Aqui agradeço ao Esneider que me ajudou ainda com as compras.
      Voltei ao Hostel, me arrumei, chamei o uber e segui pro aeroporto.
      Procedimento de saida engraçado, quando a policia te aborda perguntando de onde veio, o que fez, e pra onde vai.
      Voo pro rio saiu as 22:30, cheguei as 6. e a Avianca Brasil trolou novamente, meu voo que estava la no app saia as 10, foi alterado para as 14 hs por altração de malha e ninguem me avisou ta? Mas já estava no Brasil, e indo pra casa. Enamorado pela colombia e com vontade de voltar.
       
      Uma dica - Compre um chip claro, e tenha internet muito boa, eles oferecem um pacote massa de 1 giga pra um mês que eu acabei em 4 dias por 21 mil pesos. Ai vc recarrega e vai comprando os pacotes la.
    • Por peter tofte
      Passo para vcs o relato de uma travessia Peterê, esperando que possa ser útil.
       
      Foi minha 2ª tentativa. Na minha primeira vez, junho passado, uma espessa neblina impediu de continuar a travessia a partir dos castelos do Açu. A névoa estava tão forte que várias pessoas, que já conheciam a trilha, desistiram de seguir em frente depois de se perder, sendo obrigados a retornar ao Açu.
       
      No final de semana de 13 e 14/09 tentei novamente. Sai da rodoviária Novo Rio 05:30 (1º ônibus para Petrópolis) e cheguei na rodoviária Bingen as 06:30. Depois o ônibus para o Terminal Correias seguido de outro para o Bonfim. Cheguei à portaria do IBAMA pouco antes das 09 hrs (impossível chegar antes se usar só ônibus).
       
      Desta vez deixei o GPS em casa. Só levei a xerox do livro “Trilhas de Petrópolis” do Waldyr Neto, na parte que trata do trecho Açu-Portaria Teresópolis. Tem uma boa descrição do caminho e esboços da trilha.
       
      Iniciei a subida pouco depois de 9 horas. Caminho fácil, que já havia trilhado. Mas estava quente e eu, ainda me recuperando de uma gripe, não estava em boa forma. Parava para recuperar o fôlego várias vezes, apesar de estar com uma mochila de apenas 13 kgs. O problema do primeiro dia da travessia não é se perder (a trilha é tranqüila e bem batida). O que pega é o grande desnível, creio que 1.200 metros. Logo antes da pedra do Queijo observei a derivação para a esquerda que desce e depois sobe para o morro do Alicate. A subida para o morro pela mata é bem íngreme. Imaginei o perêngue que o Ogum deve ter passado para subir para o cume do Alicate com uma mochila pesada. Cheguei na Pedra do Queijo e deitei um pouco para me recuperar. Acho que fiquei com hipertermia, pois demorei a recuperar o fôlego e diminuir os batimentos cardíacos com o descanso. Só depois de algum tempo segui para o Ájax. Lá enchi minhas garrafinhas de 500 ml. Só corria um filete de água. Sinal que esta é uma época seca.
       
      Cheguei 13:45 nos Castelos do Açu (~2.218 mts). Ou seja, 04:45da portaria até lá. Com bom preparo e pouco peso na mochila dá para fazer em 4 a 4,5 horas, possivelmente até menos. Os Castelos já fazem valer o passeio. Tem muita gente que só faz este trecho. A vista de noite do norte do Rio, iluminado, é muito bonita. Dá para ver também as luzes de Magé.
       
      Apesar de cedo já me preparava para armar acampamento, pois a previsão para o dia seguinte era de chuva. Preferia acampar ali para avaliar na manhã seguinte se haveria condição de atravessar. Não queria avançar sozinho e depois não ter visibilidade para voltar se a névoa fosse pesada amanhã. Porém surgiu um casal que ia fazer a travessia e pude acompanhá-los. Fiquei mais tranqüilo quando disseram que tinham previsão atualizada, mostrando que só haveria chuva no dia seguinte, pela tarde.
       
      Eram o Tacio e a Gerusa, escaladores experientes e muito safos em matéria de trilha. Estavam bem equipados.
       
      Retomamos a caminhada após encher os cantis na bica do Açu. O primeiro trecho é fácil de seguir, até a subida no cume do morro do Marco. Aí começa um trecho que muita gente se perde. Ao chegar no topo devemos virar a direita seguindo pela crista até achar uma mancha esbranquiçada na laje, onde ficava o marco. Descemos dali para o outro lado virando um pouco para a esquerda, descobrindo a trilha que se alterna entre lajes e terra. O caminho desce em direção ao Vale do Paraíso. Quase sempre descende em diagonal para a esquerda, como que mirando para o cume do Morro da Luva, a sua frente. Lá embaixo passa por uma pequena grota e sobe um morrete. Ao descer de novo vc já está na área de acampamento do Paraíso. Área bonita para acampar. Alguns conhecem o local por Geladeira. Embora Tacio quisesse seguir nem eu nem Gerusa estávamos com muita disposição. Ainda era cedo, 15:30, mas a subida para o Açu, desde o Bonfim, me deixou cansado. Além disso, o próximo lugar para acampar era depois do morro da Luva, ao lado de um pequeno riacho, onde não tinha certeza se haveria água.
       
      Ficamos por lá. O Tacio mostrou a barraca Quéchua da Decathlon. Fiquei bem impressionado com a qualidade dela. Era uma geodésica, baixa, não muito pesada e tinha pontos de fixação nas laterais. Parecia ser uma 4 estações.
       
      Preparamos a janta e jogamos conversa fiada. Falamos bastante de equipamentos e viagens. A lua estava quase cheia. O Paraíso é um lugar bonito. Pena que havia muito papel higiênico ao lado do caminho, obra de meninas sem a menor educação de trilha.
       
      Logo cedo choveu um pouco. Minha barraca amanheceu cheia de condensação no teto. Nada anormal para uma barraca de um só tecido. A Quéchua do Tacio estava com o sobreteto tb molhado por dentro. Estas montanhas são muito úmidas.
       
      Meus vizinhos fizeram um café da manhã numa sanduicheira em cima do fogareiro de benzina. Isto é que é gostar de sanduíche de queijo quente!
       
      Despertamos 5:30 e saímos 7 horas. Logo após o córrego a subida começa por uma belíssima mata nebular: árvores cheias de musgo e epífitas. Bromélias e orquídeas em profusão. Pequenas orquídeas com uma bonita flor vermelha enfeitavam a mata. Estas florestas são especiais. A alta umidade, deixada pelas nuvens de passagem, cria um belo ecossistema.
       
      Ao sair da mata uma bonita vista para trás do Açu. Na crista da Luva deixamos as mochilas e caminhamos para a esquerda para atingir o cume da Luva, envoltos pela névoa. Foi uma andada de cinco minutos. Tivemos sorte e as nuvens abriram um pouco permitindo uma vista do Sino. Descemos e continuamos a caminhada. Trilha fácil, bem marcada. Achamos o local de acampamento logo após a Luva. Ótimo local, com um riachinho correndo. Tem ótima vista em direção ao Sino. Mas é menos abrigado dos ventos.
       
      Enchi minhas garrafinhas e continuamos descendo. No lajeado, lindas Amarilis com sua grande flor vermelha. Não conhecia esta flor. Foi a Gerusa que me disse o nome. Nunca as vi na Chapada Diamantina. Parece que só brotam a alta altitude aqui no Sudeste (posteriormente, em trekking ao Pico das Almas, na Bahia, vi-as lá também).
       
      Seguimos pelas lajes até chegarmos ao fundo do vale onde se avista um corrimão de cabo de aço e dois pontilhões. Do outro lado o elevador. O elevador já é bem visível durante a descida rumo ao Morro do Dinossauro (como uma risca branca no morro). A subida do elevador não é assim puxada ou arriscada, pois a encosta não é vertical. Em vários pontos deixei de usar os degraus de ferro fincados na rocha porque achava que mais atrapalhavam do que ajudavam. O problema é que os degraus são muito projetados para fora.
       
      No topo novamente a névoa. Sorte que o Tacio estava com um ótimo GPS seguindo um track log. Quando desviávamos um metro da trilha o bicho avisava. Covardia! Perde um tanto o espírito esportivo, mas é muito confortável! Dá para confiar somente no GPS? Não. Ele pode quebrar. E outra coisa: aqui ele é útil seguindo um track log e não através de way points, pois entre dois way points pode haver um abismo...
       
      Seguimos até avistarmos o Vale das Antas. Belíssimo vale, mas quem chama a atenção mesmo é o Garrafão. Lá embaixo ótimo ponto para acampar, cercado por bambuzinhos. Lanchamos neste lugar.
       
      Lá soube que o Tacio ganhou de aniversário (que foi na véspera, comemorado acampados diante da Portaria do IBAMA), presente da Gerusa, a bonita mochila Deuter 70+15 Pro que usava (êta presentinho bom para ganhar da namorada!). Ela também estreava sua Deuter. Por isso estavam, ao meu ver, com uma mochila grande e pesada para a travessia (mais espaço que o necessário - elas são mochilas para travessias de uma semana): eles as estavam testando pela 1ª vez. Eu também faria a mesma coisa. Sempre somos fominhas para testar equipamentos novos.
       
      Atravessado um riacho (o maior da travessia) através de uma pequena ponte, começamos a subir por uma pequena mata. Quase no topo avistamos e passamos por cima da pedra da Baleia, que realmente lembra bem o dorso de uma Baleia.
       
      A vista do Garrafão a direita é espetacular. Um mar de nuvens cobria toda a vista abaixo de nós. Não avistávamos o Dedo de Deus. Apenas o gargalo e o tampo do Garrafão. Uma das coisas bonitas do montanhismo é a possibilidade de passear acima das nuvens.
       
      Depois começamos a descer para o último vale antes do Sino. Logo ali descolou o solado de minha bota Salomon. Sorte que estava com Silver Tape enrolado no bastão de caminhada. O remendo foi rápido.
       
      Começamos a subida íngreme.Em meio a névoa reconheci rapidamente o temido “cavalinho”, que havia visto em fotos. De longe assusta um pouco. Porém ao chegar perto percebemos que a inclinação não é tão acentuada e que possui agarras fáceis. É só não olhar para o abismo a esquerda. Para quem tem pernas compridas, como eu, é fácil fazer o movimento de montar um cavalo, para transpor a pedra (daí o nome cavalinho).
       
      Passado este ponto, continuamos a subir.Há uma escada de ferro adiante.Logo acima, quando descortinamos uma boa vista para um vale cheio de mata à esquerda, achamos a bifurcação que sobe para o cume do Sino.
       
      Lanchamos e subimos deixando as mochilas. Levamos os impermeáveis (utilíssimos nesta travessia). Os dois levaram máquina fotográfica. Após10 a 15 min o cume com um belo visual. Praticamente um tapete de nuvens encobria tudo que estivesse abaixo dos 1.800 –2.000 mts. Tiraram fotos. Lamentei não ter levado minha máquina. Não quis trazer pela previsão ruim do tempo e pelo peso. Um vento frio cortante chacoalhava meu poncho. Deve ser uma experiência e tanto acampar no topo do Sino (2.275 mts).
       
      Chegar no Abrigo 4 é fácil, visível do Sino. Ali reabasteci de água e descemos. Haja zig–zag até chegar à portaria em Teresópolis. É proposital para evitar a erosão. Porém apressadinhos fazem atalhos, cortando uma vertical. A erosão é evidente nestes locais. Pegamos bastante chuva na descida. Creio que não pegamos chuva até o abrigo 4 apenas porque ficamos acima das nuvens. A trilha é muito bonita e tranqüila.
       
      Ainda tive a mordomia de ter uma carona até a casa de minha tia no Rio, onde eu estava hospedado, gentilezas do Tacio e da Gerusa. Senão ia ficar num ponto de ônibus ainda esperando para ir para a rodoviária de Teresópolis e depois finalmente descer para o Rio. E estava num estado lamentável. Acho que nenhum ônibus iria parar pensando que se tratava de um vagabundo de beira de estrada...
       
      A travessia é belíssima. Comparável as mais bonitas que fiz na Chapada Diamantina. Sugiro evitar feriadões, pois fica muito muvucado, segundo relatos. E, também, ter uma boa experiência, mapa e prática de navegação (caso contrário, contrate um guia). Olhar a previsão do tempo, não só porque a trilha fica bem mais difícil com chuva e nuvens como também vc perde o espetáculo de ver o visual do Garrafão e o Dedo-de-Deus.
       
      Para evitar um impacto desnecessário aconselho deixar o banho para a volta, ou para o Abrigo 4, pois os córregos são pequenos e o sabão sempre polui a água. Além disso, a água normalmente é tão fria que vc não vai ter vontade de tomar banho mesmo. Evite lavar as panelas/pratos nos riachos. Lave-os a uma distância segura deles.
       
      Dá para fazer em dois dias. O pessoal de corrida de aventura faz até em um dia. O ideal é 3 dias, mais relaxado e com mais tempo para paradas e curtir as vistas.
       
      Tomo a liberdade de passar o link do site do Tacio e do blog da Gerusa, onde estão as fotos da travessia. Ele e Gerusa também tem relatos da caminhada nos seus blogs.
       
      www.tacio.com.br
       
      gerusapalhares.multiply.com
       
      Abraços, Peter
    • Por peter tofte
      Cachoeira do Rio das Lajes e do Mixila - Chapada Diamantina
       
      Um guia, amigo meu, o Miguel, mudou-se de Mucugê para Lençóis (Chapada Diamantina) e pediu-me para mostrar-lhe as trilhas para as cachoeiras do Mixila e do Rio das Lajes, que ele ainda não conhecia.
       
      Sábado, 21/03, saímos de Lençóis praticamente ao meio dia, atrasados por fortes chuvas que caíram desde a noite anterior. Para adiantar o lado, pegamos duas moto-táxi para foz do rio Piçarra, na estrada velha do garimpo, entre Lençóis e Andaraí. De lá subiríamos a Serra do Bode, começando a trilha. Devido à cheia, elas não conseguiram atravessar o rio Capivara. Os 20 minutos restantes do trajeto fizemos a pé. Mas valeu o adianto. Por 20 reais cada foi um passeio com emoção! Economizamos 2 horas de caminhada (8-10 km).
       
      Subimos a empinada serra do Bode em cerca de uma hora. No topo percorremos uma canaleta de garimpeiros, numa curva de nível ao longo da encosta do vale do Piçarra. Deixamos a canaleta no seu término (onde ela capta as águas do Piçarra) e com mais 10-15 minutos de trilha chegamos à tubulação abandonada. Andamos por cima desta e quase no final pegamos uma trilha a esquerda, seguindo o Piçarra, que também dobra a esquerda, rumo Sul.
       
      Com mais 25 minutos cruzamos o Piçarra e chegamos numa toca de garimpeiro bem estruturada, um bom lugar para acampar, onde dá para montar umas 5-6 barracas. Continuamos a seguir rumo Sul. A trilha recomeça atrás da toca. Com pouco tempo subimos para um lajeado extenso. A trilha não é difícil de seguir. Não há bifurcações que possam confundir. A única, meio apagada, vem bem depois do lajeado, à direita, e segue para o Morro Branco do Capão, normalmente só usada por garimpeiros. Foi uma das trilhas mais difíceis que fiz na Chapada, só que no sentido contrário, vindo do Capão. Mas, voltando a nossa caminhada, devemos pegar a trilha da esquerda, bem mais batida.
       
      Já pouco antes da toca do rio das Lajes, caminhávamos rapidamente, pelo adiantado da hora, com capinzal em ambos os lados da trilha. Quase piso numa cobra Coral. Ela cruzava o caminho e já estava com metade do corpo dentro do capinzal. Provavelmente como vínhamos rápido ela não teve tempo de se esconder totalmente. Os ofídios sentem a aproximação de pessoas pela vibração no solo. Minha pisada ficou a 10 cm da cobra. Parei em cima da bicha porque vinha rápido e o caminho em curva, com capim, não permitia ver muito adiante. A Coral não é uma cobra agressiva, mas se pisasse nela ela se defenderia me picando. O pior que estava estreando minha sandália e bermuda.Não teria nenhuma proteção contra a mordida! A maioria das picadas de cobra fica na altura do tornozelo ou abaixo, ponto para as botas de trekking. A sandália é muito mais leve e confortável (deliciosa se comparada a botas), porém tem esta desvantagem.
       
      Se, ao invés de uma Coral, fosse uma cascavel enrodilhada, tava ferrado. A 10 cm ela teria me dado um bote.
       
      Lição: sandália tem muitas vantagens sobre as botas, mas em terrenos de mato fechado e capinzal alto é preferível à bota, especialmente se vamos andar rápidos na trilha. Com sandália devemos ser mais cuidadosos e vagarosos na trilha.
       
      Cruzando um riachinho, escorreguei e na queda quebrei a seção inferior da minha Leki Makalu. Uma pena. Este excelente bastão já me prestou bons serviços em 2-3 anos de uso. O outro continuei usando como bastão de apoio.
       
      Perto da toca a vegetação cresce. Fiquei olhando para o chão preocupado com cobras e acabei metendo a cara numa grande teia de aranha que cruzava o caminho. Com a teia no rosto me virei para trás e perguntei ao Miguel se ele enxergava a aranha. Ele fez uma cara de espanto e rapidamente tirou o chapéu australiano dele e deu uma bofetada na minha cabeça, atirando longe a grande aranha que estava em cima do meu boné! Ainda bem que ela não parou no meu rosto.
       
      Antes de chegar na toca ainda atropelei com o rosto mais duas teias. Decidi usar o bastão na frente, erguido em riste, para evitar novas surpresas.
       
      A toca estava vazia. É uma das mais belas tocas da Chapada. Muito bonito o local e pertinho da cachoeira do rio das Lajes. Levamos 3 horas e pouco desde a estrada. Um bom pique!!
       
      Largamos as mochilas e descemos para o rio, subindo-o por 5 minutos até a cachoeira, para um banho e pegamos água para o jantar. A cachu tinha muita água devido às chuvas.
       
      A janta foi uma receita do Sergio Beck, de batatas e cebola com lingüiça calabresa (só precisa de uma panela). Fácil de fazer e gostoso. O saco é descascar batatas. O tempo de cozimento também é mais longo do que o tradicional macarrão.
       
      Montei a minha barraca em cima de um lajeado, debaixo do avarandado de pedras enquanto esperava cozinhar. O Miguel iria montar a dele na área que hora cozinhávamos. Nesta toca é possível dispensar as barracas
       
      Fizemos uma pequena fogueira para espantar os mosquitos (este é o lugar da Chapada que conheço que mais tem mosquitos). A fumaça e a noite espantaram os insetos. Infelizmente nem o paraíso é perfeito!
       
      Após a janta, já escuro, subimos para uma pedra e admiramos as redondezas sob céu noturno. Ao longe, direção leste, relâmpagos, para além dos Marimbus. Nosso céu, porém, estava estrelado sem nuvens.
       
      Durante a noite choveu um pouco, mas não percebemos debaixo do lajeado. O barulho da cachoeira não permitiu ouvir a chuva.
       
      Manhã de domingo nublada, mas no meio da manhã o tempo abriu. Mostrei ao Miguel onde continuava a trilha rumo ao rio Caldeirão (mais ao sul ainda). Após lavar os pratos e talheres com areia, subi o rio para tirar fotos e tomar um banho de cachoeira. O sol surgiu a tempo de me secar.
       
      Saímos tarde do acampamento, por volta de 11 horas, retornando pela mesma trilha. Rumamos para o cânion do Capivari, onde fica a cachoeira do Mixila. No dia anterior, quando deixamos a tubulação e viramos a esquerda, se tivéssemos ido em frente rumaríamos para o Mixila. Alguns mais velhos conhecem esta queda d’água como a cachoeira do Canto Escuro.
       
      Ao chegarmos na entrada do cânion, procuramos o bicano e nele seguimos pela margem direita (verdadeira) do Capivari. Ao final dele continuamos, a maior parte do tempo no leito do rio, num pula-pedra. Algumas vezes, em trechos curtos, íamos pelas margens. Observarmos marcas que mostravam que no dia anterior o rio estava bem mais alto devido às chuvas. Provavelmente teria sido impossível subir para a Mixila ontem.
       
      O Miguel foi à frente, pois ele é muito habilidoso em subir leito de rio (e não conheço a Mixila, apenas sei onde começa o cânion). Ele é um guia muito requisitado, um dos melhores da Chapada, aparecendo como guia em reportagens na revista Terra e Viagem.
       
      No caminho avistou uma cobra espada (não venenosa). Tentei fotografá-la, mas ela é muito rápida.
       
      O cânion fica estreito após 40 minutos de pula-pedra. Um paredão vertical não deixa espaço para as matas nas margens.Alias, não há margens!
       
      Avistamos uma grande queda d’água na parede lateral a nossa direita do cânion. Porém parecia algo criado pelas recentes chuvas, não uma queda perene.
       
      A partir de determinado ponto uma lagoa de águas cor de Coca-Cola. Só nadando dava para prosseguir. Largamos a mochila, coloquei o calção e segui nadando por 100 metros. Este poção termina numa pequena cachoeira com 6 a 8 metros de queda. Seria ela a Mixila? Fiquei decepcionado. Tentei subir pela pequena parede ao lado, mas estava molhada e escorregadia, cheia de limo e musgo. Não havia marcas de escalada (os pontos de apoio, as pegas na rocha, não têm musgo). Assumi que dali ninguém passava. Mas pude ver que o cânion continuava com mais duas cascatas acima.
       
      Voltamos e ainda demos uma parada num poção que fica logo antes da entrada do cânion. Descemos a serra do Bode, percorrendo agora a pé a estrada velha do garimpo. Alcançamos o rio Ribeirão já no escuro. Usamos as headlamps e chegamos em Lençóis quase 8 da noite, bem cansados.
       
      Passei numa agência e vi a foto da Mixila. Lembra um pouco a Cachoeira do Buracão em Ibicoara. Não chegamos nela. A cachoeira tem uma queda muito grande. Estava ainda a 30-40 minutos de onde chegamos. Não daria para ir e voltarmos antes do anoitecer.
       
      A Mixila ficará para outra vez, saindo mais cedo e com menos água no rio. É um trekking para 2 dias.
       
      Cachoeira do Rio das Lajes:
       

       
      Cachoeira lateral do canion, formada devido as chuvas (a caminho da Mixila)
       

    • Por peter tofte
      Relato do trekking na Quebrada Santa Cruz. Trekking fácil e tranquilo, mas que deve ser feito com alguns cuidados . Quem sabe incentive outros a fazer o mesmo roteiro conhecendo este país tão bonito que é o Peru.
       
      Antes de fazer o escrito, um relato fotográfico, para quem quer só imagens e não blá-blá-blá....
       
      Início da Quebrada Santa Cruz, em Cachapampa.
       

       
      Bonitas bromélias as margens do Rio Santa Cruz
       

       
      1º acampamento: Llama Corral.
       

       
      A bonita Laguna Jatuncocha, de água azul turquesa.
       

       
      Lupínios azuis. Exalam um perfume forte e agradável no meio do dia.
       

       
      Vou postando aos poucos, as fotos!
       
      Peter
    • Por peter tofte
      Pessoal:
       
      Segue um relato da caminhada à cachoeira Sertão Zen, em Alto Paraíso-GO. Para quem está em Brasília e tem o final de semana livre, é um bom programa. Foi sugestão do nosso trilheiro-mor, Jorge Soto.
       
      Peguei o busão da empresa Santo Antônio das 15:30 na rodoviária do Plano Piloto, sexta 16/07. Ônibus ruim, que lotou no trajeto, com muita gente no corredor. Pessoal quer ganhar dinheiro servindo mal a população (poucos horários, assim vai lotado). Num determinado momento alguns passageiros em pé gritaram “pneu, pneu motorista!”. Ferrou, pensei, furou o pneu. Na verdade era um ponto de ônibus que se chamava “pneu”, que o motorista já ia passar sem parar. Três pneus velhos presos numa estaca marcam o ponto na beira da estrada. Ri sozinho quando percebi minha conclusão apressada.
       
      Viagem chata, muita parada, só distraída pelo som do iPOD e pelo excelente “Matadouro 5”, livro de Kurt Vonnegut.
       
      Cheguei as 19 e pouco em Alto Paraíso, com frio e uma fina garoa. O recepcionista do Hotel Átrios – muito simples, perto da rodoviária, R$30 - disse que a garoa é típica desta época do ano, não era sinal de que iria chover.
       
      Comi uma pizza e fui dormir cedo.
       
      Levantei sábado às 05:30, pois o café começava às seis. Saí e só no meio da principal avenida da cidade, a Ary Valadão, descendo ladeira, percebi que havia esquecido a chave do quarto no bolso. E tome voltar ladeira acima para deixá-la na pousada.
       
      É fácil seguir para a trilha. Basta rumar em direção a Serra Paranã ao fundo, procurando por placas indicando “Loquinhas”.
       
      Planejei o caminho olhando no Google Earth. Acabei por pegar um atalho que subia direto, exatamente a Este da cidade (90º) meio que formando uma linha reta continuação da Avenida Ary Valadão, visível do alto do morro. A rota que a maioria do pessoal usa vai para a esquerda, seguindo a estrada (não ruma em direção as Loquinhas), e é bem mais longa, porém menos acidentada e com trilha bem mais fácil, visível.
       
      Chegando no topo da serra, avista-se um geralzão à frente, inclinado, descendo para o Norte, com uma cerca cruzando no meio do pasto (a cerca segue no sentido N-S). Não havia mais trilha. Andei até esta cerca, cruzei-a por baixo e segui para um morro solitário, um pouco à esquerda. Sabia que a cachoeira estaria mais adiante, a esquerda, atrás deste morro. Ao atingir o sopé do morro o terreno ficava pedregoso com mato baixo. Larguei a mochila e subi um pouco o morrete até umas pedras donde tirei o monóculo do bolso. Dava para avistar ao longe, Norte, um geralzão com mata ciliar e uma trilha clara. Era o caminho normal para a cachoeira. A mata ciliar que avistei protege um dos rios que vai cair na cachoeira. Tinha memorizado isto quando consultei o Google Earth.
       
      Eu estava entrando no vale de um riozinho seco (nesta época) que se juntaria ao outro avistado, formando um Y logo antes da cachoeira. Terreno chato, empedrado, com muita canela de ema e árvores retorcidas e espinhosas, típicas do cerrado. Como o terreno estava difícil e sem trilha resolvi sair deste valezinho, sair do leito do rio que agora tinha alguma água empoçada, e subi uma pequena crista para alcançar do outro lado o geralzão (ô coisa deliciosa de andar, um geralzão!). O que parecia perto foi um demorado e cansativo vara-mato, na verdade um campo pedregoso bem sujo.
       
      Quando cheguei na mata ciliar bebi avidamente água do córrego. Cruzei-o e subi o campo geral procurando a trilha, que achei 1 ou 2 minutos após. A trilha descia rumo Leste e cruzava mais abaixo o riozinho. Segui e mais adiante perdi a trilha. Tomei a direção que o relevo indicava ser a da cachoeira e fazendo zig-zag acabei achando novamente a trilha. Ela segue sem problemas até descer para o leito de um rio (o mesmo, seco, que havia encontrado antes, mas agora já com água corrente). Se eu tivesse continuado a descer naquele valezinho seco iria parar ali.
       
      Leito fácil de seguir com pouca água. Visual bonito. Em 20 minutos ou menos aparece uma “muralha” de pedra à direita do rio e observa-se uma trilha saindo do leito e passando a direita desta muralha. Sobe e, no que desce, cai já em cima do poção superior da Sertão Zen, de onde ela inicia sua queda. Poção bonito, ótimo para banho (sem tromba-dágua!). O visual é de uma piscina infinita, aquela que tem em alguns hotéis 5 estrelas e $$$$$. A diferença é que aqui é natural, mais bonita e não custa nada! Lindo local.
       
      Tirei a roupa e, como estava sozinho, mergulhei nu. Fotos e mais fotos. Um vento forte, vindo do vale dos Macacos, fazia gotas da cachoeira subirem. Algumas vezes olhei para o céu pensando que iria chover até descobrir que era apenas a força do vento fazendo a água vencer a gravidade.
       
      A arquitetura das rochas de ambos os lados e acima da cachoeira é muito interessante. Procurei a “sentinela” uma formação rochosa conhecida, mas não achei. Tome-lhe tirar fotos (depois em casa, olhando uma delas, acho que descobri a “sentinela”!).
       
      Procurei a descida para o vale dos macacos, mas não avistei (Jorge Soto tb não achou).
       
      Fiquei uma hora para duas horas curtindo aquele cenário e almocei. Lá havia apenas um pequeno espaço onde dava para montar a barraca, perto do poção. Mas como no dia seguinte teria que pegar o busão de volta para BSB às 15 horas, eu achei melhor voltar um pouco, pela rota normal, porque ainda era cedo e queria chegar rápido, domingo, em Alto Paraíso.
       
      Também um monte de gravetos perto do único lugar bom indicava que a água subia quase até lá (tromba d’água?). Não chove nesta época, mas quem garante! Quando era um trekker novato já acampei em bancos de rio. Mas já gastei toda a sorte dos tolos e não arrisco mais.
       
      Voltei e ao tomar o geralzão, após cruzar novamente o riacho, uma trilha fácil segue NO mantendo a mata ciliar a bombordo. Depois de 1 hora aproximadamente a trilha vira abruptamente à esquerda e segue Oeste. O caminho continua mantendo a mata ciliar à esquerda, se afastando a medida que avança pois o sendero sobe levemente enquanto a mata fica no vale pouco abaixo.
       
      Mais uma hora e cheguei num ponto mais alto, com árvores retorcidas onde avistei Alto Paraíso. Pronto, agora conhecia a rota normal e sabia quanto tempo necessitaria no dia seguinte para chegar a “Paradise”.
       
      Não é a toa que o pessoal prefere esta trilha para a Sertão Zen. Muito fácil e muito aprazível.
       
      Voltei e desci para a mata procurando água. Não gosto de acampar longe da água, por motivos óbvios. Além disso, meu estoque tava baixo. No ponto mais próximo de mata ciliar, tudo seco. Continuei descendo, desta vez seguindo por uma trilha do outro lado da mata, paralela a esta. Por mais duas vezes entrei na mata atrás de água. Nada. Fiquei chateado, pois estava voltando em direção a Zen. Mas sabia que cedo ou tarde apareceria água.
       
      Vi um ponto para onde a trilha seguia, sem mata, onde deveria estar o curso normal do córrego. Quando me aproximava um tucano levantou vôo de uma árvore próxima. Primeira vez que avisto este pássaro fora de um zôo! E logo abaixo o córrego, agora com água corrente.
       
      Tratei de tirar a mochila e escolher um local para acampar mais afastado do riacho. Capinzão bom para armar a barraca. Tirei os artigos de cozinha e fui fazer a minha comida liofilizada junto ao córrego. Primeiro uma sopa, depois o prato principal.
       
      Enquanto a água esquentava fui até o local da barraca, pisoteei o capim para procurar pedras e tocos e, satisfeito, armei a tenda.
       
      Após a janta um banho de panela. Pego a água, me afasto das margens e jogo em cima do corpo. Tem que repetir esta operação várias vezes. Depois ensaboar e fazer a mesma coisa. Mais importante ainda se afastar para não poluir o rio com sabão.
       
      Alimentado, limpo, assisti a um belo por do sol. Li e ouvi música um bocado antes de dormir. Noite com uma temperatura super agradável. Apenas um pouco de chuvisco. Estou gostando muito do colchão NeoAir da Therm-a-rest. Levíssimo e confortável.
       
      Domingo acordei bem cedo, por volta de 4:30 para 5 horas. Queria sair logo. Mas como tardou para clarear o dia! Esqueci que estava bem mais a Oeste que Salvador/Bahia.
       
      Após o café desarmei a barraca e tratei de recompor o capim amassado pela tenda. Este foi um dos lugares mais tranqüilos e bonitos que acampei aqui no Brasil.
       
      Voltei pelo caminho normal do dia anterior e depois de boa descida cheguei ao início da estrada de terra. Caminhando, um fusca 72 parou ao meu lado e um goiano muito gentil ofereceu carona. Agradecido subi no carro e o motorista além de me levar para a cidade saiu do caminho dele e me deixou em frente à pousada. Gentileza assim só no interior do Brasil!
       
      Cheguei bem cedo. Tive tempo de tomar um banho, almoçar e passear pela cidade. Visitei o Centro de Informações Turísticas. Descobri que a Sertão Zen praticamente é a única aberta a visitação sem exigir pagamento. As demais estão dentro de áreas particulares e cobram taxas. Parece um “pay-per-view”.
       
      Pior ainda é o P.N. da Chapada dos Veadeiros, proibindo acampar dentro do Parque. No P.N. da Chapada Diamantina isto não ocorre, por isso tem tanto fluxo turístico para lá!
       
      Parques muito melhores e muito mais conservados da Argentina e Chile não proíbem camping. Eles apenas indicam a área onde podemos acampar. Mesma coisa nos Estados Unidos. Na Europa quando limita é porque tem abrigos nas montanhas (refúgios) dentro do parque.
       
      Recomendo este passeio, muito fácil e tranqüilo, para um final de semana, se estiverem em Brasília. Dá para fazer bate e volta (Alto Paraíso-Sertão Zen) no mesmo dia, se não quiserem acampar.
       
      As fotos, postarei em seguida.
       
      Boa viagem e pé na estrada!
       
      Peter
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