Durante 39 dias caminhei cerca de 900 km, iniciando na cidade de Saint Jean Pied de Port na França, passando por Santiago de Compostela e terminando o caminho em Finisterra, o ponto mais à oeste da Espanha.
Preparação
Não fiz um treinamento pesado para me preparar fisicamente. Já praticava Pilates a cerca de 2 anos e o fortalecimento da musculatura das pernas foi essencial para poupar os joelhos. Mas é inevitável sentir dores nos primeiros dias. Só o caminho te prepara para ele mesmo.
Pesquisei muito sobre os equipamentos necessários para esta jornada. É essencial levar o mínimo possível. Assim como na vida cotidiana, quanto mais conforto e opções carregamos conosco, maior o preço pago. Neste caso o preço vem em forma de dores e lesões causadas pelo excesso de carga.
Não defini um roteiro rígido. Tinha cerca de 50 dias disponíveis para fazer o percurso, então seguiria de acordo com minhas capacidades. Cheguei a caminhar 36 km em um dia, porém em outra oportunidade caminhei apenas 11 km.
Custos
As despesas se classificam em 3 categorias básicas:
Transporte:
Compreende todo tipo de deslocamento. No meu caso foram:
- Vôo de Belo Horizonte para Madrid (na minha opinião, melhor ponto de acesso, pois fica em um ponto médio entre o início e o final do caminho)
- Trem de Madrid para Pamplona. Passagens podem ser consultadas e compradas antecipadamente pelo site http://www.renfe.com/
- Ônibus de Pamplona para Saint Jean: Passagens podem ser consultadas e compradas antecipadamente pelo site https://www.alsa.es/
- Trem de Santiago de Compostela para Madrid: Também pela Renfe
- Sugere-se entre 30 e 50 euros/dia dependendo do comportamento. Pode-se ficar em albergues mais econômicos e fazer compras de alimentos e prepará-los ou ficar em albergues mais caros e confortáveis e comer em restaurantes.
- Albergues custam entre 5 e 18 euros. Não necessariamente os mais baratos são piores. Existem 3 tipos: Paroquiais, mantidos pela igreja e com voluntários trabalhando (o custo é por doações, mas não deixem menos que 5 euros), os Municipais, mantidos pela prefeitura (custam entre 5 e 6 euros) e os particulares, que variam muito em conforto e comodidade (entre 8 e 18 euros). Muitos possuem máquinas de lavar e secar roupas, que custam 3 euros por serviços (mas podem suportar roupas de 3 ou 4 peregrinos, então é legal procurar dividir).
- Alimentação. Os restaurantes ao longo do caminho servem o menu do peregrino, que consiste em entrada, prato principal, sobremesa e bebida. Custam entre 8 e 15 euros. O café da manhã pode variar entre 2,5 a 6 euros. Como alternativa, pode—se fazer compras em mercados e prepará-los para economizar. Ah, e a cerveja custa entre 1 e 2 euros o copo ou garrafa. Mais detalhes em: http://iwazawa.com.br/blog/index.php/2016/11/24/caminho-de-santiago-guia-gastronomico/'>http://iwazawa.com.br/blog/index.php/2016/11/24/caminho-de-santiago-guia-gastronomico/
- Farmácia. Gasta-se bastante com curativos, cremes, anti-inflamatórios.
Dicas:
- Deixe para comprar um chip de celular espanhol fora do aeroporto. Lá, um chip com 1,5 gb de dados custa cerca de 40 euros, mas comprei o mesmo na estação de Atocha por 15 euros.
- Os correios espanhóis possuem um serviço especial para peregrinos. Caso seja necessário levar uma bagagem extra para o pós caminho, é possível despachar o excesso para Santiago e o pacote fica sob custódia até o fim da peregrinação.
- Não é imprescindível falar espanhol ou inglês, pois todos tem boa vontade por lá. Mas perde-se muito na experiência de comunicação com as pessoas.
- Levar dinheiro em espécie (pelo menos 1/3 do previsto), pois grande parte do caminho se dá pelo interior da Espanha e nem sempre aceita-se cartões. O restante pode ser sacado em qualquer caixa eletrônico pela função saque do cartão de crédito internacional. Ah, e leve cartões de reserva, pois uma máquina engoliu o meu.
- Nos albergues há sempre uma área onde peregrinos deixam objetos e roupas que desapegaram. Então caso haja necessidade, é só solicitar e verificar se há alguma coisa que precisem. Ou podem deixar também, para aliviar o peso.
- Há bares e vilarejos a cada 3 ou 4 km ao longo do caminho, não sendo necessário carregar comida.
- Há fontes de água com bastante frequência também. 1 ou 1,5 litros é o suficiente para levar na mochila.
- No início do caminho, o peregrino adquire uma credencial onde vai carimbando sua passagem pelos locais do caminho. Ela serve para comprovar a peregrinação e retirar a Compostelana, certificado dado pela catedral de Santiago. E os albergues paroquiais e municipais só aceitam hospedar com a posse da credencial.
Conclusões:
- Planejei a viagem esperando completar uma caminhada dura e reflexiva. Porém, para minha surpresa, a caminhada foi extremamente divertida, empática e social. O melhor do caminho são as pessoas que conhecemos por lá.
- Se conseguirmos relacionar as experiências vividas no caminho com o macro de nossa vida cotidiana, a experiência se torna extremamente enriquecedora.
Videoclipe com a caminhada:
A seguir, o relato detalhado de cada dia.
Narro esta e outras aventuras no meu blog pessoal:
Durante 39 dias caminhei cerca de 900 km, iniciando na cidade de Saint Jean Pied de Port na França, passando por Santiago de Compostela e terminando o caminho em Finisterra, o ponto mais à oeste da Espanha.
Preparação
Não fiz um treinamento pesado para me preparar fisicamente. Já praticava Pilates a cerca de 2 anos e o fortalecimento da musculatura das pernas foi essencial para poupar os joelhos. Mas é inevitável sentir dores nos primeiros dias. Só o caminho te prepara para ele mesmo.
Pesquisei muito sobre os equipamentos necessários para esta jornada. É essencial levar o mínimo possível. Assim como na vida cotidiana, quanto mais conforto e opções carregamos conosco, maior o preço pago. Neste caso o preço vem em forma de dores e lesões causadas pelo excesso de carga.
Não defini um roteiro rígido. Tinha cerca de 50 dias disponíveis para fazer o percurso, então seguiria de acordo com minhas capacidades. Cheguei a caminhar 36 km em um dia, porém em outra oportunidade caminhei apenas 11 km.
Custos
As despesas se classificam em 3 categorias básicas:
Transporte:
Compreende todo tipo de deslocamento. No meu caso foram:
- Vôo de Belo Horizonte para Madrid (na minha opinião, melhor ponto de acesso, pois fica em um ponto médio entre o início e o final do caminho)
- Trem de Madrid para Pamplona. Passagens podem ser consultadas e compradas antecipadamente pelo site http://www.renfe.com/
- Ônibus de Pamplona para Saint Jean: Passagens podem ser consultadas e compradas antecipadamente pelo site https://www.alsa.es/
- Trem de Santiago de Compostela para Madrid: Também pela Renfe
- Trem de Madrid para Toledo: Também pela Renfe
Equipamentos:
A minha lista está no meu blog:
http://iwazawa.com.br/blog/index.php/2016/10/22/caminho-de-santiago-equipamentos/'>http://iwazawa.com.br/blog/index.php/2016/10/22/caminho-de-santiago-equipamentos/
Gastos gerais:
- Sugere-se entre 30 e 50 euros/dia dependendo do comportamento. Pode-se ficar em albergues mais econômicos e fazer compras de alimentos e prepará-los ou ficar em albergues mais caros e confortáveis e comer em restaurantes.
- Albergues custam entre 5 e 18 euros. Não necessariamente os mais baratos são piores. Existem 3 tipos: Paroquiais, mantidos pela igreja e com voluntários trabalhando (o custo é por doações, mas não deixem menos que 5 euros), os Municipais, mantidos pela prefeitura (custam entre 5 e 6 euros) e os particulares, que variam muito em conforto e comodidade (entre 8 e 18 euros). Muitos possuem máquinas de lavar e secar roupas, que custam 3 euros por serviços (mas podem suportar roupas de 3 ou 4 peregrinos, então é legal procurar dividir).
- Alimentação. Os restaurantes ao longo do caminho servem o menu do peregrino, que consiste em entrada, prato principal, sobremesa e bebida. Custam entre 8 e 15 euros. O café da manhã pode variar entre 2,5 a 6 euros. Como alternativa, pode—se fazer compras em mercados e prepará-los para economizar. Ah, e a cerveja custa entre 1 e 2 euros o copo ou garrafa. Mais detalhes em: http://iwazawa.com.br/blog/index.php/2016/11/24/caminho-de-santiago-guia-gastronomico/'>http://iwazawa.com.br/blog/index.php/2016/11/24/caminho-de-santiago-guia-gastronomico/
- Farmácia. Gasta-se bastante com curativos, cremes, anti-inflamatórios.
Dicas:
- Deixe para comprar um chip de celular espanhol fora do aeroporto. Lá, um chip com 1,5 gb de dados custa cerca de 40 euros, mas comprei o mesmo na estação de Atocha por 15 euros.
- Os correios espanhóis possuem um serviço especial para peregrinos. Caso seja necessário levar uma bagagem extra para o pós caminho, é possível despachar o excesso para Santiago e o pacote fica sob custódia até o fim da peregrinação.
- Não é imprescindível falar espanhol ou inglês, pois todos tem boa vontade por lá. Mas perde-se muito na experiência de comunicação com as pessoas.
- Levar dinheiro em espécie (pelo menos 1/3 do previsto), pois grande parte do caminho se dá pelo interior da Espanha e nem sempre aceita-se cartões. O restante pode ser sacado em qualquer caixa eletrônico pela função saque do cartão de crédito internacional. Ah, e leve cartões de reserva, pois uma máquina engoliu o meu.
- Nos albergues há sempre uma área onde peregrinos deixam objetos e roupas que desapegaram. Então caso haja necessidade, é só solicitar e verificar se há alguma coisa que precisem. Ou podem deixar também, para aliviar o peso.
- Há bares e vilarejos a cada 3 ou 4 km ao longo do caminho, não sendo necessário carregar comida.
- Há fontes de água com bastante frequência também. 1 ou 1,5 litros é o suficiente para levar na mochila.
- No início do caminho, o peregrino adquire uma credencial onde vai carimbando sua passagem pelos locais do caminho. Ela serve para comprovar a peregrinação e retirar a Compostelana, certificado dado pela catedral de Santiago. E os albergues paroquiais e municipais só aceitam hospedar com a posse da credencial.
Conclusões:
- Planejei a viagem esperando completar uma caminhada dura e reflexiva. Porém, para minha surpresa, a caminhada foi extremamente divertida, empática e social. O melhor do caminho são as pessoas que conhecemos por lá.
- Se conseguirmos relacionar as experiências vividas no caminho com o macro de nossa vida cotidiana, a experiência se torna extremamente enriquecedora.
Videoclipe com a caminhada:
A seguir, o relato detalhado de cada dia.
Narro esta e outras aventuras no meu blog pessoal:
http://iwazawa.com.br/blog/
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