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Olá Carlois, legal mesmo falar sobre caminhos....

Quem quiser perguntar alguma coisa estou aqui.

Fiz, Santiago, Caminho das Missões no RS, e Caminho do Sol, em SP.

 

Abço

Jurema

 

 

 

Originally posted by Carlois

 

id="green"> Ai pessoal acho que podiamos começar uns relatos de peregrinações. Afinal muita gente fala do Caminho de São Tiago, bem como, os daque no Brasil, o Caminho da Fé até Aparecida com uns 15 dias e os Passos de Anchieta nas praias do Espirito Santo, entre outros.

Não sei se o lugar para criar o topico é aqui ou em treking. Achei melhor aqui para poder se levantar mais o lado espiritual

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Fiz o Caminho de Santiago, sozinha, em 30 etapas, partindo de Saint Jean Pied-Du-Port, no dia 11 de maio e chegando à Santiago em 09 de junho de 2004. Foi "Ano Santo"

 

CUSTOS: média 25,00 Eruos/dia -

Total de 30 dias: 750,00 Euros

Passagens: por volta de 850,00 Dólares

Esta experiência foi um divisor de águas na minha vida !!

 

 

09 / 05 / 04 - Domingo -

- Saída de Cumbica- às 15:45 hs.

Além de ser o "Dia das Mães", é um dia muito especial, e de muita emoção para mim. É o dia da minha viagem ao misterioso "Caminho de Santiago". Um sonho acalentado há muitos anos. Estou muito feliz !!

Embarco em Cumbica, às 15:45 hs. Chegando ao aeroporto, identifico mais 4 peregrinos, porque estão com mochila e cajado. A viagem segue tranquila.

 

10 / 05 / 04 -

Chegada à Madri, às 06:00 hs, (horário local),

Duração do vôo - 09:15 hs.

Conexão Pamplona - às 10:10 hs

Chegada à Pamplona - às 11:00 hs.

Chegada à Saint Jean Pied du Port- França - 13:00 hs

Preço do táxi (Van)- até S.J.P.Port - 75,00 Euros - (Divididos por 5 pessoas)

Chegada à S.J.P.Port- às 13:30 hs.

 

Estamos em 5 brasileiros. Chove muito, e faz frio. Embarco numa conexão no aeroporto em Madri, e chego ao aeroporto de Pamplona às 11:00 hs. Alugamos um táxi, que era uma Van, que nos leva até SJPP. Dividimos as despesas, 15,00 Euros, para cada um. Chove e faz muito, mas muito frio. Tinha até gelo na estrada. Hoje foi um dia difícil para encontrar o que comer. Não entendíamos nada do cardápio, entrávamos e saíamos, daquilo que nem sabíamos se era um restaurante. Uma hora, entramos num lugar que parecia ser um restaurante, e quando adentramos, todos os homens que estavam lá, nos olharam espantados. Saímos rapidamente, fechando a porta atrás de nós. Depois de muito entra e sai, de abre e fecha porta, com muita dificuldade, conseguimos almoçar uma comida que não foi a mesma que pedimos. Aqui, em S. Jean, também comprei meu cajado. Foi meu companheiro mais fiel, e presenciou todas as minhas emoções, sem reclamar !!

Fui dormir cedo, assim como as outras pessoas. Mas quando foi por volta das 21:30 hs, saímos do albergue, e fomos andar pela linda cidadezinha de Saint Jean. Vi o Arco, nas muralhas medievais, por onde ia passar no dia seguinte. Era lindo demais. Cheio de luizinhas encrustradas nas pedras, que brilhavam feito vaga-lume. Se não tivesse ido aquela hora na rua, não teria visto aquela beleza.

 

1° dia - 11 / 05 / 04 -

SAINT-JEAN-PIED-DE -PORT / RONCESVALLES - 25 km

- Saida de S. Jean Pied-Du Port, às 07:45 hs

- Chegada à Roncesvalles às 17:15 hs

 

Foram 09:30 hs de uma caminhada cansativa. Fazia muito frio, chovia muito. Havia muito barro, subida, muita neblina, e muita dor nos pés. Tive que seguir a rota por Valcarlos, pois a rota napoleônica estava impedida, pois havia dias, que a neve não baixava. O caminho por Valcarlos, também é muito bonito. Caminha-se uma parte na perigosa "carreteira", cheia de curvas fechadas, mas entra-se nos bosques muitas vezes. A subida do Pirineus é belíssima, com um vale à esquerda e o rio que nos segue por todo o caminho. A floresta é densa, e a mata de um verde sem igual !! A chegada em Roncesvalles, foi difícil por causa da chuva, e frio. Havia muita neblina, e muitas vezes fiquei sozinha no bosque. Senti muito medo, e não enxergava nada à minha frente por causa da intensa neblina, mas não podia parar.

 

2° dia - 12 / 05 / 04 -

RONCESVALLES / LARRASOAÑA - 27 km. -

- Saida de Roncesvalles às 07:30 hs

- Chegada à Larrasoaña ás 16:30 hs

Foram 9 hs de caminhada com muita chuva. Éramos 6 pessoas. Mas logo depois de Espinal, não vejo mais ninguém. Subo o Monte do Erro, que é muito difícil, muito irregular e pedregoso. Chovia muito forte, muito barro, e muito frio. Meus pés doíam muito, tinha muitas bolhas. Fiquei só, e não vi os brasileiros. Caminhei sozinha, tive muito medo num trecho com muita neblina, no meio do mato e não se enxergava nada. Livrei-me de vários escorregões, graças ao meu cajado. Neste dia, não deu pra descansar nada, pois nem tinha lugar para parar, nem para sentar, pois era só lama, e água. Meus pés estavam que era um trapo. Atolo num barreiro, que quase perco meu tênis lá dentro !!! Pensei que não fosse chegar nunca. Chego em Larrasoaña, o albergue está cheio, e alguns peregrinos me disseram: Não tem vaga ! Mas conversei daqui e dali, e consegui dormir no chão. Hoje foi um dia triste, bateu insegurança, solidão, frio. O que será que estou fazendo aqui? Dormi na recepção do albergue, junto com as duas italianas e mais 3 peregrinos.

 

3° dia - 13 / 05 / 04 -

LARRASOAÑA / PAMPLONA - 15.9 km -

- Saída de Larrasoaña às 07:00 hs

- Chegada à Pamplona, às 11:00 hs

O trecho é bom, fácil, e muito bonito. Estou bem, sem dor. Não dormi direito, mas me recuperei bem. Foram somente 4 horas de caminhada, passando por uns pueblos bem bonitos. Depois de 2 dias puxados, hoje foi um presente. O albergue é ótimo, mas quando chego ele ainda está fechado, mas encontro com alguns brasileiros, também esperando pela abertura do albergue. Foi uma alegria enorme encontrá-los.

 

4° dia - 14 / 05 / 04 -

PAMPLONA / PUENTE LA REINA -23.5 km.

- Saída de Pamplona às 6:00 hs.

- Chegada à Puente La Reina às 14:30 hs.

Saimos em 4 brasileiros, mas acabo ficando para trás. Fico sozinha. Acho maravilhoso. Vou observando tudo. Os sons, os cheiros.... cheiro todas as flores que vejo pelo caminho...., ouço o barulho dos meus passos no chão de pedregulho, e o ritmo do meu cajado, batendo firme no solo. Às vezes converso com outros peregrinos de outras nacionalidades. Isso enriquece minha alma ! Subi a Serra do Perdon, é lindíssima, e muito alta. É uma trilha no meio de uma mata baixa, tipo arbustos. O trecho é difícil, mas vale à pena. Venta muito !! E a trilha vai até os cata-ventos, lá no alto. A descida, é dolorosa e cruel. Muita pedra, e desço bem devagar para não escorregar. Trecho de Muruzabal são campos floridos e multicoloridos. Faço um desvio para chegar à Eunate, que fica no caminho Aragonês. Caminho por uns 3 quilometros sem ver ninguém. Às vezes penso que me perdi, mas tenho que manter a calma. A igreja de Eunate, é octogonal, construida pelos Cavaleiros Templários no século 12. Não estou sozinha. Dentro da igreja há alguns peregrinos. A paz é imensa.... o estado é de graça, o fundo musical é belo, e acalma a minha alma. Senti naqueles instantes, que não deveria ter medo de mais nada. Senti que nunca estive e nunca estarei sozinha. Alguém olha por mim .... e está aqui comigo !!! Sinto uma energia muito forte a me dominar, que me impulsiona mais e mais a caminhar !! Saio da igreja e vejo muitos ciclistas chegando. Pego meu caminho, segura, e confiante. Depois de ter caminhado por 8:30 hs, estou em Puente La Reina. Penso foi o meu melhor dia !!

 

 

5° dia - 15 / 05 /04 -

PUENTE LA REINA / ESTELLA - 22 km -

- Saída de Puente às 7:00 hs.

- Chegada à Estela às 13:30 hs.

Neste trecho fizeram um desvio, e tive que subir um morro, muito íngrime, no meio do mato. É pesado demais, mas vou devagar. O albergue é bom. O trecho todo é de média dificuldade, e passa-se por um pueblo chamado de Cirauqui, que é muito lindo, com calçadas romanas. Hoje foram 6:30 hs de caminhada.

 

6°dia - 16 / 05 / 04 -

ESTELLA / LOS ARCOS - 21.8 km

- Saída de Estella às 7:00 horas.

- Chegada à Los Arcos às 12:30 hs.

Estamos em 5 brasileiros, novamente. Mas me distancio de todos e chego à Los Arcos sozinha, depois de 05:30 hs de caminhada. O trajeto é relativamente fácil. O albergue é bom e alegre. Fizemos o nosso almoço. Assisto uma missa de corpo presente, e fico admirada.

 

7°dia - 17 / 05 / 04 -

LOS ARCOS / LOGROÑO - 28 km.

- Saída de Los Arcos, às 05:50 hs.

- Chegada à Logroño às 14:30 hs.

Paramos numa praça em Vianna, para fazer um lanche. Sentados no chão da praça, despojamento total..... Este trecho é de dificuldade média, mas está muito quente. O albergue é excelente, tem internet, e uma fonte para fazer escaldapé. A torneira do tanque é temporizada e logo fecha!!! Não dá pra lavar a roupa !!! Pode isso?? Hoje foram 8:40 hs, de caminhada.

 

8° dia - 18 / 05 / 04 -

LOGROÑO / NÁJERA - 29 km.

- Saída de Logroño às 5:50 hs

- Chegada à Nájera às 14:00 hs.

Caminhada de 8:10 hs. O trecho é fácil, mas é feio, muito sol, setas mal colocadas na saída de Logroño, e na entrada de Nájera, as setas não são visíveis. Não gostei do albergue. Banho frio. Neste dia passamos por um lugar chamado Navarrete, e vimos uma enorme cerca que nos acompanhava pela estrada afora. Havia muitos, mas muitos pauzinhos ou gravetos, entrelaçadas nesta cerca, que iam decorando-na, em forma de cruzes. Nós também deixamos a nossa por lá. Hoje, também li, num muro, o poema mais lindo sobre o caminho. Isso compensou o feio trajeto.

 

 

 

9°dia - 19 / 05 / 04 -

NÁJERA / SANTO DOMINGO DE LA CALZADA - 21 km

- Saída de Nájera às 5:45 hs.

- Chegada à Santo Domingo, às 11:15 hs.

Foram 5:30 hs de caminhada. Hoje o trecho foi fácil, quase plano, muita plantação de trigo e ervilha. O albergue é ótimo, mas fiquei indignada, pois cobra-se ? 1,50, para visitar a igreja. Mas na hora da missa do peregrino, às 20:00 hs, entrei e visitei tudo sem pagar nada !!! Na hora da eucaristia o galo cantou 3 vezes, e fiquei admirada. Dentro da igreja conserva-se um galinheiro com um casal de galos. Existem várias lendas sobre o Caminho de Santiago, e esta do "GALO" é uma delas.

 

10° dia - 20 / 05 / 04 -

SANTO DOMINGO DE LA CALZADA / BELORADO - 22.9 km.

- Saída de Santo Domingo, às 5:45 hs.

- Chegada à Belorado às 11:30 hs.

Caminhada de 5:45 hs. Sem problemas. O trajeto é fácil, paisagem muito verde, plantações. Albergue médio. Fica ao lado da Igreja.

 

11°dia - 21 / 05 / 04

- BELORADO / SAN JUAN ORTEGA - 24 km -

- Saída de Belorado, às 5:45 h.

- Chegada à San Juan Ortega, às 12:00 hs.

Foram 6:15 hs, de caminhada. Neste dia estávamos em 3 brasileiros. Depois fico só. O trecho é médio, porém depois de Villafranca Monte de Ocas, subi por um caminho muito íngrime, no meio de um bosque de pinheiros, muito bonito, mas de um grau de dificuldade acentuado. Caminho por este bosque umas 4 horas, o que dá mais ou menos uns 12 quilometros, sozinha e sem ver ninguém. Apenas passaram por mim dois ciclistas. É um monte de pinheiros secos, e por várias horas fico só. Bateu aquele ..... mas não posso ter medo, eu dizia, não estou só !!!! Cantava, falava, dançava, e olhava pra trás...... e nada !! Cantava, falava novamente, e nada !!! De vez em quando via uma setinha amarela, que indicava o caminho certo. Quando menos espero, caio dentro de San Juan Ortega. O albregue é gratuito, e por isso é bem fraquinho. A água é fria. Mas isso não é tão importante nestas alturas!! O mais interessante foi que lavei a roupa na fonte lá na rua, e estendia-se a roupa no varal, no meio da rua mesmo. O pueblo é bem pequeno, só tem um bar, a igreja e anexo a esta, o albergue. Mas eu gostei. O túmulo do Santo está dentro da Igreja. E lá também tem o episódio do equinócio. Mas eu não vi, porque não era o dia.

 

12° dia - 22 / 05 / 04 -

SAN JUAN ORTEGA / BURGOS- 28 km

- Saída de S.Juan Ortega, às 5:45 h.

- Chegada em Burgos - às 13:30 hs.

Estávamos em 4 pessoas. O dia não tinha clareado, ainda permanecia muito escuro, e tinha neblina. Em Atapuerca, o trecho é descampado, e surge muitas dúvidas, qual caminho seguir. Há algumas dúvidas nesta local, pois os descampados tem várias trilhas. Estava dificil. Em um determinado trecho, havia uma cruz, e os dizeres; "FINAL DO CAMINHO DE SANTIAGO". Era assustador !!!! Que final era este??? Por fim aquilo não era nada !!! Ainda bem !! Mas, chegamos às 13:30 em Burgos, depois de andar por 7:45 hs. Passando por Villafria, Gramonal, numa área industrial muito grande, e feia, com lixões, para atravessar. Foi muito estressante a chegada à Burgos. Parecia que não ia acabar mais. Meus pés doiam !!! O albergue ficava na saída da cidade, mas é bonito e bom.

 

13°dia - 23 / 05 / 04 -

BURGOS / HONTANAS - 30.5 km.

- Saída de Burgos às 6:45 h.

- Chegada à Hontanas às 13:30 hs.

Foram 6:45 hs de caminhada. Trecho fácil, plantação de trigo, muitas flores, muito verde. Bonito mesmo. O pueblo fica num vale. Quando menos esperamos, vê-se o pueblo lá embaixo. O albergue é bom, mas está cheio. Então, fui levada a um alojamento fora do próprio albergue, mas o banho.... estava ótimo !!! Depois de caminhar por tantas horas, um banho quentinho e comida é tudo que precisamos. Mas não tinha comida. O único comércio que havia, era um bar muito sujo... deplorável. Comi algumas coisas que tinha na sacola, e esperei pelo jantar do albergue.

 

14° Dia - 24 / 05 / 04 -

HONTANAS / BOADILLA DEL CAMINO - 28.6 Km.

- Saída de Hontanas às 05:35 hs.

- Chegada à Boadilla às 13:15 hs

Foram 07:45 hs de caminhada.

Este trecho é um caminho fácil, e muito bonito, porém um morro muito íngrime, alto e muito seco, na saída de Castrojeriz, me deixou sem fôlego. O albergue é ótimo. O Dudu, e sua família, atende os brasileiros com muito carinho e atenção. Ao som de música de Toquinho, entre outras, foi o que nos fez sentir em casa.

 

 

15° Dia - 25 / 05 / 04 -

BOADILLA DEL CAMINO / CARRIÓN DE LOS CONDES - 25.3 km

- Saída de Boadilla às 05:45 hs.

- Chegada à Carrión, às 12:30 hs.

São 19 quilometros caminhando numa grande planície, sem, absolutamente nada !!! É tudo reto, o cansaço é grande, os movimentos repetitivos, e o tédio toma conta de mim. Em Carrion, uma parte do Monastério de Santa Clara, que funciona como albergue, é ótimo. Tudo silencioso, pois os Monges, moram lá, na clausura. Aqui o pueblo é grande. Chovia um pouco mas mesmo assim, fui ao supermecado, comprar minha comida, e suprimentos para o dia seguinte. Fiz o almoço na cozinha do albergue.

 

 

 

16° Dia - 26 / 05 /04 -

CARRIÓN DE LOS CONDES / TERRADILLOS DOS TEMPLARIOS - 26.2 km.

Novamente, aquela planície era a minha companheira. Caminhei por 17 quilometros sem nada. Muitissimo cansativo. Tive muitas bolhas, que doíam, e uma dor na perna esquerda me preocupava muito. Por final, chego ao albergue, que não era nada ruim. Bem razoável. Mas quase não consigo subir as escadas, por conta da dor na coxa. Foi aquela planície toda !!!! Não tinha nem uma subidinha, nenhuma curvinha, tudo reto !!! Este pueblo era bem pequenino, e não tinha nada pra ver. Fiquei no albergue a tarde toda.

 

17° Dia- 27 / 05 / 04 -

TERRADILLOS DOS TEMPLARIOS / EL BURGO RANERO - 31.3 km

- Saída de Terradillos às 05:45 hs;

- Chegada à El Burgo, às 14:15 hs.

Saio com mais alguns peregrinos, mas logo nos separamos, e acabo caminhando somente com a Terezinha. Foi a minha sorte. Por hoje, ela foi o meu anjo da guarda. Logo pela manhã, antes de chegar à Sahagun, minha perna doía muito... estava insuportável. Parava para aplicar spray analgésico... e a Terezinha lá comigo. Pensei em ficar em Sahagun, mas era por volta das 09 horas da manhã. Então paramos e tomei um remédio, apliquei mais spray.... a dor acalmou, e eu decidi seguir. Decisões são tomadas a toda hora. Em Bercianos Del Camino, paramos novamente, e dessa vez, sentadas num café, foi um momento crucial. Minha perna estava muito mal, sentia muita dor..... não sabia se ia ou ficava. Chorei de agonia e dor. Passei mais uma vez o spray, tomei outro remédio, e ela, a Terezinha, estava ali, me segurando a barra... decidi proseguir. Nesta hora ela foi essencial. Foi o meu porto seguro. E isso porque nunca combinamos de caminhar juntas !!! Um dia eu sou a seta, outros dias sou guiada. E assim se faz o caminho !!! Depois de 8:30 hs caminhando com muita dificuldade , cheguei em El Burgo Ranero. Foram 31,3 quilometros de muita dor, mas muita consciência dos meus limites. Puro desafio !!!!!!!

Eu estava com o joelho inchado, e Ana, a espanhola fisioterapeuta, fez-me uma massagem de dar inveja !! Sarei da perna. Ficou tudo resolvido. Estes são os verdadeiros anjos do caminho! Estava pronta para caminhar os quase 40 quilometros até León, no dia seguinte.

 

18°Dia - 28 / 05 / 04 -

EL BURGO RANERO / LEÓN - 39 km

- Saída de El Burgo Ranero, às 05:45 hs.

- Chegada à León, às 15:30 hs.

Foram 09:45 hs de caminhada e estresse. Cidade grande é assim. Muito estressante. Caminha-se por rodovias, às vezes sem acostamento, trânsito intenso, em auto pistas. Trecho muito plano, passando por Mansilla de Las Mulas, que é um lugar muito bonito. A entrada de León é muito ruim, mas o albergue é ótimo. Um banheiro enorme, com máquinas de lavar e secar.... um banho à altura. Estou cansada, mas mesmo assim caminhamos até a Catedral de Leon, e demos umas voltas pela cidade. Minha perna continua inchada, mas não dói quase nada !!

 

19° Dia - 29 / 05 / 04 -

LEÓN / SAN MATIM DEL CAMINO - 30 km

- Saída de Léon, às 07:00 hs.

- Chegada à San Matim, às 15:30 hs.

A saida de León é ruim, mal sinalizada, atravessando muitas estrada. Nosso plano, hoje era chegar à Hospital de Órbigo, e então saimos, eu, Terezinha, e Fernando. Mas um certo trecho, estávamos muito cansados, e decidimos fazer um desvio perpendicular ao caminho que estávamos, e parar em San Martim del Camino. Com isso tivemos que caminhar por mais uns 3 ou 4 quilometros. O que faz muita diferença pra quem não consegue mais andar de tanto cansaço. Foram 8:30 hs de caminhada. Mas ao final chegamos !!! Albergue bom, tem cozinha !! Deu pra fazer um belo macarrão com atum !!

 

20° Dia - 30 / 05 / 04 -

SAN MATIM DEL CAMINO / ASTORGA- 25 km

- Saída de San Martim el Camino - às 06:00 hs.

- Chegada à Astorga às 12:30 hs.

Logo pela manhã, passamos em Hospital de Órbigo. Um lugar muito lindo, com uma ponte medieval belissima. O trecho até Astorga, é calmo, bonito e tranquilo. Depois de 6:00 hs caminhando, chegamos em Astorga. O hospitaleiro nos avisa que o comércio está pra fechar, já que era domingo. Então, foi só largar tudo na cama, e sair correndo pra comprar alguma coisa pro almoço, janta e café da manhã.

 

21° Dia - 31 / 05 / 04 -

ASTORGA / FONCEBADÓN - 26.3 km

- Saída de Astorga - às 06:10 hs.

- Chegada à Foncebadón - às 13:20 hs.

Foram 7:10 hs de caminhada, com muitas subidas. Saindo de Astorga, já começa uma lenta subida, que quase não se percebe. Trecho muito bonito, e depois de Rabanal del Camino, que por sinal é belíssima, sobe-se por uma serra pessadíssima, muito íngrime, pelo asfalto, sem acostamento, por mais ou menos 1:20 hs. Todo o trecho é belíssimo. Os pueblos são todos em pedra. Foncebadón é um pueblo isolado, inóspito, e destruído. Queria mesmo ficar lá. E adorei !! O albergue é razoável. O alojamento não é muito bom, e as duchas não tem portas, somente cortinas, e são fora dos banheiros. Faz muito frio e venta muito.

 

22° Dia - 01 / 06 / 04 -

FONCEBADÓN / PONFERRADA - 27.4 km

- Saída de Foncebadón - às 06:30 hs.

- Chegada à Ponferrada - às 14:35hs.

Saindo de Foncebadón, sobe-se por uma serra, em asfalto, atravessando uma cadeia de montanhas... lindíssimas. Faz muito, mas muito frio, e o vento corta nossa face. Tem muita neblina, a estrada é estreita e não tem acostamento. Não consigo ver a peregrina Terezinha, que fica perdida na névoa atrás de mim.... é tudo muito emocionante. Parece um filme !!!! Chega a Cruz de Ferro que é o ponto mais alto do caminho. Não podemos desfrutar muito da cruz, pois faz muita neblina, e não se enxerga quase nada. Decepcionei-me um pouco com o local da Cruz. Achei que fosse um lugar diferente, mas fica num monte de pedras, à beira de uma estrada. Já tinha visto em fotos, mas pensei que fosse diferente. Logo passo pelo refúgio de Manjarin. É um lugar místico do Caminho, no meio da estrada. Lá o hospitaleiro Tomás, costuma fazer o Ritual da Espada, mas eu não vi, pois passei muito cedo. Depois de muito subir esta montanha, começo a descer, agora, pela mata. Os pueblos deste trecho, são todos belíssimos. El Acebo, fica num vale, e é lindissimo, todo em pedra. As descidas são bruscas, com trechos todos pedregosos, no meio de muito verde. Mais algumas descidas, chegamos à Molinaseca. Um belo pueblo. Chegamos à Ponferrada muito cansados, com muito calor. Foram 8:05 hs de caminhada. Fomos acolhidos, com suco e bolachas. Os hospitaleiros foram muito atenciosos conosco. O albergue é excelente. Parece uma grande pousada. Mas na hora do almoço, levo uma chamada de 4 hospitaleiros, porque eu estava fritando bifes, e não podia fazer fumaça na cozinha. Os sensores de fumaça podiam disparar e criar tumulto. Eles ficaram todos em volta de mim, até que eu apagasse o fogo. Paguei o maior mico !!! Comemos os bifes mau passados, e sem cebolas. Hummmm que ruim !!!

Hoje foi um dia de muitas emoções, um dia de grau de dificuldade muito grande, mas belíssimo.

 

23° Dia - 02 /06 / 04 -

PONFERRADA / TRABADELO- 35.3 km

- Saída de Ponferrada às 05:50 hs.

- Chegada à Trabadelo às 15:45 hs.

Trecho relativamente fácil até Villafranca del Bierzo. Depois disso foi muito pesado. Hoje, havia muitas cerejas no caminho. Comi muitas delas. Caminhei um pouco angustiada, acho que é saudade. O sol estava forte. Chegando à Villafranca, visito o albergue Fenix, e lá encontro com um hospitaleiro brasileiro, que nos recebe com muita atenção. Depois seguimos pela estrada em direção à Trabadelo. Optamos pela estrada e não pela mata. A mata parecia ser mais difícil, com muito mais subidas, e o calor era intenso, estávamos cansados. Porém a estrada, também não era nada fácil, pois o solo era quente, e o sol na cabeça, não trazia nada de bom. À nossa esquerda, encontrava-se uma densa floresta muito verde, num vale, margeada pelo barulho do rio. À direita seguia-se um morro pedregoso muito alto, margeando ao longo da interminável estrada. Cheguei à Trabadelo muito cansada, com muitas bolhas, o albergue privado era pequenino, mas bom. Havia poucos peregrinos por lá !! Hoje caminhamos por quase 10 hs !! Esta foi a melhor noite de sono !!!

Amanhã subiremos o tenebroso Cebreiro.

 

24° Dia - 03 / 06 / 04 -

TRABADELO / ALTO DO POIO - 28 km

- Saída de Trabadelo, às 05:55 hs.

- Chegada ao Alto do Poio às 14:20 hs.

A saida de Trabadelo, continua pela estrada, como no dia anterior. Mas é compensador, porque a paisagem é bonita, e o barulhinho o rio é música para nossos ouvidos. Depois de Herrerias, começa a subida. Os pueblos são bonitos, Vega de Valcarce, Ruitelán... Até o Cebreiro, são mais ou menos uns 7 quilometros, de subida... subida.... e mais subida. Mas é belíssimo, olhar todo aquele maravilhoso vale, todo cheio de montanhas. Parece que estamos chegando no céu de tão alto !!! Sinto uma forte tranqüilidade, e a paz reina nas alturas deste lugar !! A subida exige silêncio e assim o fizemos. Cebreiro é maravilhoso, místico, com suas palhoças de origem célticas, porém não passa de um lugar comercial. Chego muito cedo, por volta das 11:30 hs, o albergue ainda está fechado. Eu sigo adiante. Posso caminhar por mais algumas horas, e ainda é muito cedo pra parar. Vou juntamente com o Fernando. Já, saindo do Cebreiro, caímos numa estrada, e por ela caminhamos por cerca de quase três horas, chegando assim, no Alto do Poio, depois de subir, no finalzinho, uma trilha muito curta, mas parecida com um paredão de tão alta, caindo, diretamente, na porta do albergue, que era um restaurante à beira da estrada. Caminhamos hoje, por cerca de 8:20 hs. Não havia mais nada, neste local. Ventava muito.

 

25° Dia - 04 / 06 / 04 -

ALTO DO POIO / SARRIA - 35 km.

- Saída do Alto do Poio - às 05:45 hs.

- Chegada à Sarria às 17:20 hs.

Foram 10:30 hs de cansativa caminhada e muito sol. Muitas subidas e descidas, muitos bosques, pois já estamos na Galicia. Samos é belissima. Paramos em Samos, para descansar. Eu decidi ir pelo bosque, até Sarria, e faltavam mais ou menos uns 15 km. Estava muito quente. Foram horas duríssimas de muito calor. Pensei que não agüentaria tanto cansaço. Acho que foi o dia mais cansativo. Na chegada de Sárria, atravessa-se a cidade, e ainda por cima, sobe-se uma enorme escadaria antes de chegar no albergue !! Ninguém merece isso !!! Eu estava exausta, os pés latejavam de tão doloridos. Mas cheguei !!! Venci mais um dia. Não posso desanimar !!

 

26° Dia - 05 / 06 / 04 -

SARRIA / PORTOMARIM - 24 km

- Saída de Sarria, às 07:00 hs.

- Chegada à Portomarim às 12:30 hs.

Caminhei por 5:30 hs, por entre lindos bosques, que formavam um túnel, de tão fechados que eram. Lindos.... fresquinhos.... verdinhos... Quando se chega à Portomarim, também sobe-se uma grande escadaria, para chegar ao albergue. Este encontrava-se fechado, mas a fila era muito grande de mochilas no chão, na espera da abertura do albergue. Este havia inaugurado no dia anterior. Era tudo novinho. Hoje deu pra fotografar o pôr-do-sol, porque o albergue fechava às 23:00 hs, e lá demora muito pra escurecer. Às vezes temos que ir dormir com a claridade do dia !!!

 

27° Dia - 06 / 06 / 04 -

PORTOMARIM / PALAS DE REI - 25 km

- Saída de Portomarim às 05:40 hs.

- Chegada à Palas, às 11:30 hs.

O trecho é médio, com poucas subidas, mas eram bem ingrimes. Poucos bosques. Em Ligonde encontro uma mesa de café, montada na rua, gratuitamente, para os peregrinos, Este é o verdadeiro espírito da peregrinação !!! Entro no albergue de Ligonde, para selar minha credencial, mas vejo, sentados à mesa do café, um grupo de pessoas, que entoavam uma belíssima canção, que parecia ser um cântico religioso, ou um mantra, todos muito concentrados e afinadíssimos. Emociono-me muito e choro, sem selar a credencial, saio do albergue. É tudo muito lindo, e aquele som era tudo que precisava ouvir, hoje. Caminho um pouco distante das outras duas pessoas. Fico pensando.... refletindo sobre este caminho que decidi fazer. Porque será que estou aqui? A cada placa que vejo, marcando a distância à Santiago, sinto vontade de chorar. É um misto de alegria e tristeza. Uma confusão de sentimentos !! O albergue de Palas está fechado. Fico na fila, esperando abrir. Estou em contagem regressiva. Tenho muitas bolhas, mas tenho vontade de caminhar sempre mais e mais. Sinto que a partir de hoje preciso ficar espiritualmente sozinha. Telefono pra casa !! Tenho saudade da familia... A emoção é grande. Não sei se quero terminar o caminho, não sei se quero parar o tempo !!! Está duro de segurar.

 

 

 

28° Dia- 07 / 06 / 04 -

PALAS DE REI / ARZÚA - 28 KM.

- Saída de Palas, às 05:10 hs.

- Chegada em Arzúa às 11:45 hs.

Hoje saio muito cedo. Por entre os imensos bosques, está muito escuro, nem vejo por onde piso. Logo clareia, preciso caminhar só. A dor começa a me incomodar. Tenho dor no quadril, e caminho lentamente. Passa algumas pessoas por mim, e perguntam se estou bem. Digo que sim. Mas não consigo caminhar rápido. Fico ansiosa, mas tenho que prosseguir. Chego ao albergue, e tenho que esperar abrir.

 

29° Dia- 08 / 06 / 04 -

ARZÚA / MONTE DO GOZO - 34.5 km

- Saída de Arzúa às 06:10 hs.

- Chegada ao Monte do Gozo às 16:30 hs.

O trecho foi médio, sem muitas dificuldades, mas muito longo. Tem muito bosque. Eu e Terezinha fomos bravas e fortes para chegarmos até aqui. Caminhamos por mais de 10 horas !!!! Chegamos ao albergue muito cansadas. Este lugar é maior do que eu pensava, mas não é bonito. Imaginava outra coisa. Só faltam 5 quilometros para Santiago. Nem acredito !!!!! Daqui dá pra ver as torres, da Catedral de Santiago. Formando agulhas, apontando para o céu !! Estou calma, e disse que amanhã não choraria. Só estou aguardando a hora. Ainda não posso dizer que venci. Não atravessei ainda, na Porta Santa.

 

30° Dia - 09 / 06 / 04 -

MONTE DO GOZO / SANTIAGO - 5 km

- Saída do Monte do Gozo às 06:40 hs.

- Chegada à Santiago - às 07:40 hs

E por uma hora, caminhei muito à frente da outra brasileira, e ela respeitou minha decisão. Era um momento muito especial, e cada uma precisava deste momento. Foi somente por uma hora, mas, foram momentos intensos. Pois havia chegada a hora final. Depois de tantos sonhos, tanta preparação, muitas dificuldades, entre choros e alegrias, decepções, e dores, e muita determinação, estava alcançando meu objetivo. Mas agora eu entendi porque estava na frente. Ela era minha guardiã, pois eu ia chorando muito, e nem via as setas, quando lá de trás ela me chamava e dizia: é pra cá ! A passagem pela parte urbana da cidade é ruim. Eu atravessava as ruas, sem perceber, é tudo muito urbano e comercial. Mas quando avistei à Catedral, esperei por ela, demos as mãos e chegamos juntas à Porta Santa. Não havia ninguém, eram 07:40 hs, estava tudo tranqüilo, e pudemos passar pela porta, Santa, e praticar todo o ritual da peregrinação, sem que nada nos atrapalhasse, naquela hora. Era pura emoção. Poucas palavras foram ditas.. A emoção era muito forte !!! Depois de procurar uma hospedagem, voltamos para assistir a missa, e claro, com as mochilas nas costas, e cajado em punho !! Ele me serviu de apoio até na hora da missa, quando segurou as minhas lágrimas!!

 

Sinto-me uma peregrina completa.... mas meu "Caminho", não termina aqui.... ele está, simplesmente começando !!!!

 

Boa Viagem [Dance][Dance]

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Gostaria de saber se vcs podem me informar onde posso conseguir documentarios (em dvd) sobre o caminho de Santiago.

Outra coisa qual a bota que vcs (os que fizeram o caminho) usaram ??

 

Paolo Stuppello

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Olá Paolo, quanto ao DVD sobre o Caminho, o único que eu tenho conhecimento, é um que o PAULO COELHO lançou. Mas se vc pesquisar bem em alguns sites que eu disponibilizei aqui, vc aprenderá mto.

Qto ao calçado, há bastante divergencia. Uns preferem botas, outros preferem tenis. A bota proteje o tornozelo das torções, mas em compensação são pessadissimas, e duras. Já os tenis não dão proteção adequada aos tornozelos, mas são bem mais leves e macios.Eu particularmente, fiz de tenis da marca SALOMON. Mesmo estando amaciado uns 300 quilometros, me fez bolhas. Mas nada que impedisse de caminhar !! Há várias marcas e modelos. Escolha aquele que se adapte aos seus pés, e que sejam próprios para trekking.

 

QQuer coisa pode perguntar !!

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Paolo, qto ao DVD, vc tbm pode entrar em contato com o seguinte endereço:

 

Escritorio de Turismo da Espanha

Rua Zequinha de Abreu, 78

Fone: (005511) 3675-2000

 

Eles poderão te informar melhor !!

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Maus parabens, teu relato é realmente um relato, tem conteúdo, eu nem necessito fazer mais uma caminhada destas. Absorvi o que vc passou, o máximo que posso fazer é ir ver a Catedral de perto. Tem um site o www.nomad.com.br em que vc pode arquivar tuas viagens, sinceramnete acho que vc deveria copiar este relato e jogar por lá, muita gente vai ler e aproveitar a tua experiência.

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Viajar é descobrir um mundo novo, uma nova cultura, e nos ajuda entender como temos tanta riqueza cultural a nossa volta e as vezes não paramos p/ valorizá-la!!!

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Olá Fabinho, a base dos custos de uma viagem dessa, está lá em cima no meu relatório. Dê uma olhadinha lá.

Vc vai ter uma idéia. Pois só dormi em albergues, e comi o menu do peregrino !!

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Bem vou escrever um pouquinho da minha peregrinação a Compostela.

Eu estava em Lourds com meu melhor amigo. Esse lugar com certeza é santo onde se ve muita fé e a Ordem dos Hospitaleiros, com suas capas pretas e cruz vazada branca, vive até hoje. A Basilica do Rozario lhe leva naturalmente a oração, a procição das velas é maravilhosa e beber um pouco da agua de Lourds faz bem. Lá conhecemos 2 peregrinos que estavam indo para Compostela e já tinha ido para lá inumeras vezes. Pegamos umas informaçoes e fomos.

Nos começamos pelo caminho da plata saindo da França em SanJeam. Lá peguei a credencial do peregrino e tambem me deram uma concha. Dormimos no camping da cidade pois o Albergue já estava lotado.

Já o primeiro dia impressiona. É uma travessia pelos pyrineus chegando em uma hospedaria centenaria. Na missa a noite tem a benção dos peregrinos. Muitos sairam da celebração emocionados.

Fomos até Estela, conhecendo muita gente, rezamos e pensamos na vida. Nesse trecho se passa pela fonte de vinho, por contruções templarias, romanas, plantações de girassol e ja se vive um pouco das providencias divinas.Tivemos a alegria de encontrar Pablito um senhor que vive de ajudar os peregrinos e ele me deu um cajado.

O caminho estava muito traquilo. Tem albergue no maximo a cada 25Km foi quando resolvi ir para o cominho do norte que tem menos estrutura e migramos para Bilbal. Tivemos a sorte grande de encontrar Angel, um senhor que ajuda na estruturação do caminho do norte até Compostela. Ele nos guiou até a saida da cidade que é gigante e com um campo industrial que não para de crescer e destruir as marcas que conduzem os peregrinos(setas e conchas amarela pintadas por ai, e uns azulejoss tambem)

O caminho agora fica mais autentico em todo o percurso só encontramos 6 peregrinos os albergues que muitas vezes não existiam estavam em consideravel distancia e pedir refugio começa a ser normal.

O unico lugar onde realmente nos perdemos foi em uma floresta onde os caminhos se bifurcavam muito mas saimos de lá depois de umas 3h.

Chegamos a Santilhana Del Mar onde um abade nos acolheu e alem de nos mostrar diversos livros antigos e boas historias nos confessou e me deu uma cabaça para o cajado e uma pena de pavao para enfeita-lo. Falou da autenticidade da nossa peregrinação e inspirado nos seus livros fizemos uma modificação no roteiro onde andando por 3 dias passando pelos Picos de Europa de onde se chega a Lebano onde passando pela porta santa que se abre a cada 4 anos se venera a cruz de liebano. Com certesa valeu a pena. Tambem se ganha uma credencial para o caminho de liebano e um papel ao final.

Segimos ate Leons e passamos pela junção dos 3 caminhos ate Compostela. Começa a ter mais vegetação arboria, se encontra os amigos que permaneceram no caminho da plata. E se chega a basilica do Apostolo depois de poucos dias recepcionado pela missa aos peregrinos e o turibalo gigante.

Que viagem linda... foi muito gostoso de ler

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    • Por rafael_santiago
      Pico Hårteigen
      Início: Odda
      Final: Finse
      Duração: 7 dias
      Maior altitude: 1508m
      Menor altitude: 0m em Odda
      Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. Alguns dias apresentam subidas e descidas mais longas. O único grande desnível é o do 1º dia (1445m).
      Hardangervidda é o maior platô de montanha do norte da Europa (vidde = platô). Nesse lugar tão singular foi criado em 1981 o Parque Nacional Hardangervidda, que é o maior da Noruega e refúgio de um dos maiores rebanhos de rena selvagem do mundo. O parque se situa ao sul da famosa estrada de ferro Oslo-Bergen, numa distância aproximada (em linha reta) de 180km de Oslo e 120km de Bergen. 
      Essa caminhada foi planejada para durar 10 dias, cobrindo, além do Hardangervidda, também o Parque Nacional Hallingsskarvet e o Cânion Aurlandsdalen, porém a chegada da chuva me fez interromper o percurso no 7º dia. A previsão do yr.no acertou e choveu ainda mais dois dias. Retomei a caminhada no dia 01/08 (relato em elaboração).
      O problema do trekking na Noruega (e na Suécia) é justamente o alto índice de chuva. Pelo menos para nós brasileiros, que não estamos acostumados a caminhar vários dias embaixo de chuva, porém para os noruegueses isso não tem a menor importância. Eles vão para a trilha com chuva ou sem chuva. Eu tive cinco dias seguidos de sol nesse trekking e isso foi uma tremenda sorte.
      A melhor época para o trekking nos parques da Noruega é o verão, com temperaturas mais agradáveis (não tão frio) e menos neve pelo caminho. Justamente nessa época os refúgios do tipo staffed permanecem abertos. No início de junho deve ainda haver neve do último inverno dificultando a caminhada. O guia Walking in Norway, de Connie Roos, sugere fazer a travessia do Parque Nacional Hardangervidda depois de 10 de julho.
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      Lago a 1194m de altitude no 6º dia de caminhada
      Em toda a Noruega, a DNT (Den Norske Turistforening = Associação Norueguesa de Trekking) (english.dnt.no) é a associação responsável pela manutenção das trilhas, pontes e refúgios de montanha. Os refúgios da DNT são de três tipos: self service, staffed ou no-service. Além dos refúgios da DNT há refúgios particulares.
      1. Nos refúgios self service você pode utilizar a cozinha para preparar as refeições, comprar a comida disponível se não tiver a sua própria e dormir nos beliches em espaços compartilhados. Antes de sair deve deixar tudo em ordem (lavar, secar, arrumar tudo, varrer o chão) e preencher o formulário de despesas. A conta será enviado para o seu e-mail tempos depois. Visitas diurnas (day visit) para descansar, comer ou apenas se aquecer devem ser pagas.
      A hospedagem para não-membros neste tipo de refúgio custa NOK 390 (US$ 47,14) e o day visit até 18h custa NOK 90 (US$ 10,88). Após 18h a visita deve ser paga como uma hospedagem. Sim, tudo na Noruega é muito caro!
      Os refúgios self service podem ter guarda ou não na alta temporada. Eu conheci nove refúgios nesse trekking, apenas dois deles eram não-guardados. Nesses vale ainda mais a confiança de que o hóspede está pagando por tudo o que utilizou.
      A DNT tem uma chave (fornecida somente aos membros) que abre a porta dos refúgios não-guardados, mas nesse trekking eu não encontrei nenhum refúgio trancado.
      2. Os refúgios staffed (com funcionários) são hotéis de montanha. Neles você tem café da manhã e jantar disponíveis e não é permitido usar a cozinha. De comida para vender costumam ter apenas lanches de trilha básicos, como chocolates.
      A hospedagem para não-membros neste tipo de refúgio custa NOK 286 (US$ 34,57) em dormitório. Consulte english.dnt.no/routes-and-cabins para outros preços.
      3. Os refúgios no-service são do mesmo estilo dos self service porém não têm comida. Não cheguei a conhecer nenhum refúgio desse tipo nos trekkings que fiz na Noruega.
      Os refúgios particulares são também hotéis de montanha e têm tabelas próprias de preços.
      Para quem está com barraca, nos parques da Noruega vale mais ou menos a regra do "allemannsretten" ou direito de andar (ou direito de acesso), que diz que é permitido acampar em qualquer lugar a mais de 150m de uma casa, desde que não seja uma área cultivada ou haja uma placa de proibição. Digo 'mais ou menos' porque vi isso valer apenas nos refúgios self service; nos refúgios da DNT do tipo staffed eles pediam para acampar (gratuitamente) bem longe, fora da visão do refúgio. Acampar perto do refúgio DNT staffed custa NOK 100 (US$ 12,09) e dá direito de usar o banheiro e a sala de estar. Para mais informações sobre o "allemannsretten": www.visitnorway.com/plan-your-trip/travel-tips-a-z/right-of-access
      O uso do banheiro para quem está acampando (ou apenas de passagem) é livre nos refúgios self service e costuma ser cobrado nos refúgios DNT staffed e particulares (ou gratuito se consumir alguma coisa). Nos self service o banheiro é do tipo seco, uma casinha separada, com uma bancada e o assento sobre ela. Muitas vezes o assento e a tampa são de isopor e há uma outra tampa de madeira para colocar por cima. Costumam ter papel higiênico. Nos staffed é um banheiro normal e interno.
      Não há problema de escassez de água nesse percurso e nem todos os riachos e fontes estão descritos no texto pois são muitos.
    • Por casal100
      Resolvemos, dessa vez, fazer alguns roteiros distintos: beira-Mar, trilhas em montanhas e travessia.
      Começamos por Ubatuba, foram 10 dias de caminhada, por algumas das principais praias; depois pegamos nosso veículo e fomos fazer alguns roteiros em Extrema-MG e, por último,  a grata surpresa: TRAVESSIA DA SERRA DA CANASTRA-MG, que lugar maravilhoso: belas cachoeiras, trilhas fortes, flora e fauna exuberante, povo amigável, queijos deliciosos(alguns entre os melhores do mundo na sua categoria) sem contar a culinária mineira. Tudo de bom.
    • Por casal100
      Fizemos a maioria dos caminhos que passam pela Serra da Mantiqueira(Estrada Real, Caminho da Fé, Crer....), alguns mais de 1 vez.
      É quase unanimidade entre os caminhantes que, indiscutivelmente, a Serra da Mantiqueira têm as mais bonitas paisagens e, nós concordamos integralmente. São caminhos que proporcionam lindas fotos,  clima agradabilíssimo, povo acolhedor e simpático, ingredientes que definiram esse roteiro.
      Foram quase 50 dias e mais de 1.100 quilômetros de muitas alegrias, felicidade e paz,  poucas tristezas e decepções.
      Começamos e terminamos na MAGNÍFICA cidade de Campos do Jordão-SP, depois de rever vários lugares (passei alguns invernos nesta bela cidade, quando eu era "bacana"). A cidade se transformou,  criaram vários roteiros turísticos, belas e caras casas dos novos e velhos "bacanas", ótimos restaurantes, atrações mil,  pousadas e hotéis de todo tipo e preço, tem até o refúgio do peregrino, comércio bom, povo hospitaleiro, clima perfeito e, ainda por cima fomos no verão,  baixa temporada,  onde com facilidade encontramos boa hospedagem com preços menores que muitas hospedagem em cidades pequenas.

      Outra coisa que pesou em escolher fazer essa travessia é que a região se assemelha muito com um projeto que temos em mente, que é a travessia entre Punta Arenas x Arica no Chile,  então serviu como treinamento.
    • Por casal100
      ROTEIRO À PÉ:
       
      RIO GRANDE DO SUL:
      Portão
      Bom Princípio
      Carlos Barbosa
      Garibaldi
      Bento Gonçalves - Vale dos vinhedos
      Bento Gonçalves - Pinto Bandeira
      Bento Gonçalves - pela cidade
      Bento Gonçalves - caminho de Pedras
      Caxias do Sul - flores da Cunha
      Caxias do Sul - estrada dos imigrantes
      Nova Petropolis
      Gramado - Natal de Luz
      Canela - Cachoeira do Caracol
      Gramado - pela cidade (parques, centro)
      Santa Maria Herval
      Picada Café
      Ivoti
      Sapiranga
      Três Coroas
      São Francisco de Paula
      São Francisco de Paula  (parques, lagos e pela cidade)
      Tainhas
      Cambará do Sul
      Cambará do Sul - Canyon Itambezinho
      Cambará do sul - canyon Fortaleza
      Torres - praia
       
      SANTA CATARINA:
      Praia Grande - descida Serra do faxinal
      Balneário Gaivota - Praia
      Balneário arroio do Silva - Praia
      Balneário Rincão - Praia
      Balneário corrente - Praia
      Farol de Santa Marta - Praia
      Laguna - cidade histórica + Praia
      Orleans
      Guatá  (distrito de Lauro Muller) pé da serra do Rio do Rastro
      Bom Jardim da Serra
      ROTEIRO DE ÔNIBUS :
      São Joaquim
      Urubici
      Bom Retiro
      Lages
      Fraiburgo
      CONTINUAÇÃO À PÉ SANTA CATARINA:
      Videira
      Treze Tílias
      Água Doce
      Jaborá
      Concórdia
      Seara
      Chapecó
       
      PARANÁ (ÔNIBUS):
      Curitiba
      Paranagua
      Morretes
       
      QUILÔMETROS /DIAS: +- 1.300 kms em 53 dias
       
      PESSOAS:
      No planejamento da viagem nossa preocupação era de como seríamos recebidos nas pequenas cidades, visto que algumas delas não tinham vocação turística, e "mochileiros"poderiam ser "novidade". Mas, essa preocupação foi rapidamente deixada de lado.
      Fomos recebidos muito bem em todos os lugares (exceto dois episódios, que não afetou em nada nossa caminhada).
      Ficamos impressionados com a educação e o acolhimento da população do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, sempre solícitos às nossas demandas.
      Poxa, que saudade de tudo aquilo, em breve voltaremos.
       
      CIDADES:
      Praticamente todas as cidades desse roteiro tinham pousada ou hotel, somente o distrito de tainhas-SC não tem, somente restaurante (mas esse trecho tem serviço de ônibus intermunicipal).
       
      ESTRADAS:
      Optamos em fazer pelas estradas asfaltadas(alguns trechos fizemos em estrada de terra), pois não conseguimos informações sobre estradas secundárias nesta região.
       
      COBRAS:
      Nunca vimos tantas cobras como na serra Gaúcha, teve dia que vimos umas 5, quase minha esposa pisou numa em uma rodovia asfaltada.
      Elas ficam enroladas na pista de rolamento, é normal vê-las todas esmagadas por veículos, ficam parecendo um desenho no chão (pois vários veículos passam por cima).
       
      ANIMAIS SELVAGENS:
      Outra coisa que nos chamou atenção, vimos muitas espécies(raposa, cobras, tatu, macacos, roedores, porco espinho etc) passando lentamente perto de nós.
       
      PRECONCEITO:
      Tivemos um fato lamentável num hotel fazenda.
      O gerente nos recebeu num descaso tremendo, nem respondia nossas perguntas, foi preciso a intervenção de uma funcionária para resolver a situação (quase mandei o cara a pqp), o infeliz está no lugar errado.
      O outro caso foi mais leve, mas fiquei puto.
      Tirando isso, foi muito tranquilo ser mochileiro naquela região, muito tranquilo mesmo.
       
      PREÇOS HOTÉIS:
      Variou de $25 a 95 por pessoa (mas a crise pegou todo mundo ), em alguns lugares priorizamos ficar em lugares melhores,
      Sempre pechinchamos os preços, na maioria dos casos conseguimos descontos, principalmente à vista.
      Não fizemos nenhuma reserva, foi muito tranquilo.
       
      PREÇOS REFEIÇÕES:
      variou de $10 a $35 por pessoa à vontade.
      Peso : de $20 a $44 o quilo.
      Obs.: em média coloque $22 por refeição sem bebidas.
       
      ABUSO CONTRA TURISTA:
      Só tivemos alguns casos de abuso, mas nada gritante:
      Você chega em duas pessoas e pede somente um cafezinho pequeno, o cara trás dois grandes (claro, mais caro) e na maior cara de pau diz que pedimos dois.
      Isso aconteceu nuns 5 lugares na serra gaúcha, lamentável!
      Obs.: para nos proteger disso, fazíamos assim: chegávamos nos caixas do estabelecimento e pagava antecipadamente, acabou o problema.
       
      CARONA: precisamos pegar carona em algumas oportunidades, e foi até tranquilo conseguir.
      .fomos ao canyon Itambezinho e no Fortaleza à pé, e voltamos de carona, foi tranquilo.
      .quando visitamos uma cachoeira em Cambará do sul, fomos à pé e voltamos de carona ( neste dia pegamos três, cada um nos levou num pequeno trecho).
      .dividimos o trecho entre Seara e Chapecó-SC em dois, como o ônibus demoraria muito, resolvemos ir de carona, demorou uns 40 minutos para aparecer.
       
      SEGURANÇA:
      Em momento algum tivemos problema, somente em Porto Alegre (visita ao mercado central que nos orientaram a ter cuidado), mas os moradores de PA estão preocupados.
      .na saída de Caxias do Sul, saída para estrada dos imigrantes tem um lugar que me pareceu inseguro, mas nada complicado.
       
      NEGOCIAÇÃO HOSPEDAGEM:
      Sempre negocie, em alguns casos conseguimos descontos de 10% abaixo dos sites de hospedagem. Principmente nesta crise, em alguns casos somente nós dois estavam hospedados no hotel.
    • Por casal100
      Realizamos no período de 19 a 28 de julho de 2015, o circuito completo do Vale europeu em Santa Catarina. Foram 10 dias contemplando e vivienciando lugares, pessoas maravilhosas.
      Destaco alguns locais incriveis: Pomerode, blumemau, fazenda campo do zinco e sua maravilhosa cachoeira, lindos mirantes, estradas encantadoras, pessoas hospitaleiras e cordiais. Nāo tivemos nenhum incidente.
       
      Começamos antes do circuito, fazendo o caminho entre blumenau e pomerode a pé, e no final fizemos do mesmo modo a rota enxaimel em Pomerode, por isso o roteiro foi concluido em 10 dias.
       
      Brevemente relato completo.


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