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Vilson Almeida

CUBA - VÁ LOGO!

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Este relato é para ajudar a todos aqueles que pretendem viajar para este país incrível.

Há muitas dúvidas, muitas curiosidades e muita de vontade de brasileiros irem para Cuba.

Único país das Américas a ter feito uma revolução socialista, o embargo econômico sofrido, a restauração capitalista, o sistema de saúde, as praias, o povo e sua cultura... tudo nos faz querer conhecer Cuba.

Realizei esta viagem em maio de 2017. Agradeço a todos que escreveram o seu relato aqui.

Pesquisei bastante na internet, li a biografia do Che e arrumei as malas.

Foi mais fácil, mais prazeroso e mais barato que imaginei.

 

DICAS BÁSICAS

Clima - é um eterno verão. Maio é um mês chuvoso, mas para nossa sorte pegamos pouca chuva e muito calor. Você deve saber que a temporada de furacões começa em junho e vai até novembro - o que não quer dizer que vai ter sempre furacão, mas é um risco. Que faz menos no calor no inverno. Cuba tá no hemisfério norte, portanto no final de ano lá é menos quente, mas cheio de turistas.

 

Moeda - você já ter ouvido falar que deve levar Euro pra Cuba. Isto porque o dólar tem uma sobretaxa de 10%. Levando seus Euros, e a dureza é a conversão aqui no Brasil, você vai trocar lá pelo CUC (é assim que você vai chamar lá). É a moeda do turista que equivale a 01 dólar. Em maio de 2017, um euro no aeroporto tava valendo 1,06 CUC e nas CADECAs (casa de câmbio) ou Banco Metropolitano, no Centro de Havana, 1,08 CUC.

Obs.: os cubanos usam a Moeda Nacional (assim eles chamam lá) ou CUP. 01 CUC vale 24/25 CUPs. Ou seja, a moeda nacional é bem desvalorizada e receber o CUC é quase uma fortuna para o cubano.

 

Hospedagem - há hotéis, resorts, mas a experiência de ficar em casas de cubano é insuperável. Em Havana fiquei na casa da Dona Candida - Calle San Rafael, 403, entre Manrique e Campanario. A diária custou 30 CUCs para duas pessoas mais 5 CUCs por pessoa para um excelente café da manhã. Total 40 CUCs por diária. Os quartos costumam ter ar condicionado e banheiro privativo. Bem parecido com hostels e pousadas familiares no Brasil.

 

Visto - além de estar com o seu passaporte em dia, tem a tal tarjeta turística que você deve comprar no guichê da Cia Aérea. Na Copa custou 65 reais para duas pessoas. E não se esqueça do Certificado de Vacinação Internacional que é obrigatório depois da volta da febre amarela no Brasil. Foi uma das primeiras exigências ao desembarcar. Não me exigiram seguro saúde.

 

Viagem - com 12 dias, descontando a ida e volta teria 10 dias para conhecer Cuba. Sou avesso a viagens fast-food e foquei em Havana, Trinidad e Santa Clara, com um bate volta a Varadero e passagem por Cienfuegos. Se tivesse mais tempo e dinheiro teria ido a Santiago de Cuba, no extremo oriente da ilha. Tirando as passagens aéreas, foram gastos 1500 euros para duas pessoas, o que considerei razoável pelos outros relatos que li aqui.

 

O RELATO

 

1º dia

Comprei a passagem aérea pela Copa Airlines (2250 ida e volta) com 03 meses de antecedência. Procurei e consegui um voo que não fosse noturno. Saí às 11h e cheguei às 22h. São 07 horas até o Panamá e depois mais 02 hora e meia até Havana.

O aeroporto é todo vermelho, rs. Leva-se um tempão para entregarem as malas. A dica neste caso é se estiver com mais alguém ir logo pra fila da casa de câmbio no aeroporto, enquanto o outro espera a mala. Não fiz isso e perdi um tempão.

Os táxis cobram 30 CUCs até Havana. Cheguei na casa da Dona Candida depois da 01 hora da madrugada. Ela nos esperava e nos acomodou num quarto no segundo andar. Só deu tempo de pedir o desayuno para o dia seguinte e cama

 

2º dia

O café da manhã foi fantástico: frutas, sucos, sanduíches de queijo e presunto, café, leite, etc. Toda vez que me perguntavam se eu queria ovo frito, mexido ou omelete eu respondia: huevos revueltos e viva la revolucion!

Neste primeiro dia resolvi passear pelo Centro de Havana. Escolhi a casa pela localização, no meio entre Havana Velha e o Vedado. Dava para conhecer tudo a pé em Havana. Antes de começar a entrar nos pontos de maior interesse paramos no Banco Metropolitano para trocar todo o dinheiro. Aqui uma observação: li num relato que a moeda nacional de 3 pesos tinha o rosto do Che Guevara. Então no banco pedi a funcionária para me dar 10 CUCs em moeda nacional. Seriam 240 CUPs. Isso também serviu para alguns gastos e gorjetas.

No Brasil imprimi vários mapas de Havana e das cidades por onde passaria. Me ajudou bastante.

Começamos pela Real Fábrica de Tabacos Patargas, na realidade uma loja,. No caminho vários cubanos te oferecem tabacos de cooperativa. Recusei educadamente. Na loja fumamos um bom charuto e tomamos nossos primeiros mojitos em Cuba. Os charutos são bem caros.

Devidamente batizados fomos andar pelas ruas do Centro. Passamos pelo Capitólio, que tá na fase final de obras, Gran Teatro Habana, Museo de Bellas Artes, Parque Central, Bar El Floridita (famoso pelos daiquiris) e seguimos pela turística Calle Obispo. Numa rua perpendicular fizemos nosso primeiro almoço: lagosta por 12 Cucs por pessoa, mais os 10%, mais a gorjeta da banda que tocava no restaurante, total 30 Cucs. Dali seguimos para o Paseo el Prado, uma bonita calçada onde artistas expõem seus trabalhos, indo em direção ao Malecon. O por do sol não era dos melhores, pois havia muita nuvem, mas estar naquele lugar mítico era inacreditável.

Fechamos o dia comendo uma pizza próximo a casa da Dona Cândida, por 5 CUCs. Lá eles colocam açafrão na pizza, o que para mim não fica muito gostoso

 

3º dia

Este seria o dia reservado para ir ao Museu da Revolução e conhecer as praças históricas de Havana, mas ficamos sabendo que teria show de rumba no Callejon de Hamel e rumamos para lá. Tava lotado de turistas. Como o Callejon de Hamel fica no caminho para o Vedado, então o roteiro ficou para curtir as coisas desse lado da cidade. Passamos pela Universidade de Havana, Hotel Havana Libre (que antes da revolução era Hilton), Avenida 23 (onde almoçamos um prato delicioso de cerdo - porco - por 15 CUCs).

Como não poderia deixar de ser tomamos sorvete na Copélia. Se você assistiu o filme Morango e Chocolate (Fresa y Chocolate) vai entender a emoção de estar ali. A fila para pagar em moeda nacional, baratíssimo, tava durando 3 horas, pois era um domingo de sol. Para os turistas que podem pagar em CUC, bem mais caro para o cubano, sem fila.

Descemos a Avenida 23 em direção ao Malecon, mas para ir ao Hotel Nacional, um equivalente do nosso Copacabana Palace que nunca entrei. Lá eu sabia que poderia ficar nos seus jardins apreciando a vista e tomando uns mojitos. Foi bacana descansar na sombra, pois o calor tava forte. Ao sair dali fiz um clássico programa de turista: andar naqueles carrões conversíveis. Combinei com o motorista para dar uma passadinha na Plaza da Revolução para tirar umas fotos dos murais do Che Guevara e do Camilo Cienfuegos antes dele retornar para o Centro de Havana pelo Malecon.

A noite mais uma pizza e cama. O dia seguinte era de ir a uma praia no Caribe.

 

4º dia

Bate e volta a Varadero

Estava fora de cogitação ficar hospedado em resort em Varadero, mas tinha muita vontade de conhecer essa praia. Li muito sobre o transporte para ir e voltar. Sabia os horários da Via Azul, empresa de ônibus cubana, mas também sabia que teria que ir a rodoviária, que é um pouco longe do Centro, para fazer reserva da passagem e ainda teria que chegar com certa antecedência para garantir meu lugar, mais duas horas e meia de estrada. Resolvi ir de taxi compartilhado que nos pega na porta da casa onde estamos hospedados e voltar pela Via Azul. Foi a melhor escolha, visto que os ônibus na volta param tanto no Centro como no Vedado, o que te economiza tempo e dinheiro com taxi. O taxi compartilhado da ida era uma camionete estilo rural, e um pouco apertada para quem tem pernas longas. O motorista nos deixou no terminal da Via Azul. Fizemos as reservas da volta e fomos caminhando até a praia. E que praia! Um tom de verde e azul se mesclavam sobre nossos olhos. O mar piscininha, areia branca, etc. Valeu muito a pena. Almoçamos no La Viccaria, na Calle 38, e resolvemos andar no Varadero Bus Tour. Como as distâncias eram muito longas e o ônibus servia de transporte para os turistas dos resorts não descemos em nenhum ponto. Retornamos para próximo do terminal e ainda deu tempo para um último mergulho na naquela praia maravilhosa.

 

5º dia

Finalmente íamos conhecer o Museu da Revolução. Foi indispensável e ficamos bastante tempo lá. Saindo de lá só passamos pelo Bodeguita del Médio e rumamos para as praças históricas de Havana: Catedral, Plaza de Armas, Basílica de San Francisco e Plaza Vieja. Passamos pelo Museu do Rum, mas não entramos porque tínhamos encomendado uma almoço de comida criolla na casa da Dona Cândida. Mas deu tempo para saber que a barca para o outro lado da baía de Havana funcionava até a meia noite dando tempo de ir e voltar para a Cerimônia do Canhonaço sem precisar pegar táxi. Almoçamos aquela comida maravilhosa: lagosta de novo e dormimos. Acordamos já com o sol se pondo, o que em Havana acontece às 20 horas. Pegamos um táxi até o terminal de ferry. Não tem um ticket que você possa comprar. Você coloca uma moedinha na mão do funcionário e vai entrando. Fui perguntar e ele disse que era um CUC. Sabia que erma 10 centavos e para não perder viagem acabei dando um pouco a mais. Ali no terminal tem duas barcas para Regla e Casablanca. Para ir ao forte La Cabana, onde tem a cerimônia é a barca pra Casablanca. Pergunte antes de entrar. Passamos direto pelo Cristo de Havana (sim, tem lá) e pela cabana do Che. A Fortaleza de La Cabana, onde acontece a cerimônia, tem o por do sol mais bonito de Cuba. Dali você observa toda a Havana, o Malecon, etc. O segredo é você chegar antes da cerimônia que acontece todos os dias 21 horas. A cerimônia do canhoazzo é um espetáculo a parte. Na volta fomos pelo mesmo caminho, mas tava uma escuridão só. Apesar de Cuba ser muito segura, aconselho a voltar de táxi, mas a ida de barca é muito boa e para um final de tarde será umas caminhada incrível.

Continua

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Pretendo ir em janeiro para Cuba. Você já trocou todos os euros no aeroporto quando chegou? Continue o seu relato que ajuda bastante ::otemo::

Oi Julia,

Vou continuar o relato sim.

Olha, troquei um pouco no aeroporto. Ia até trocar mais. A própria atendente falou pra não fazer isso.

Então troquei todo o restante no dia seguinte no Banco Metropolitano. Rola uma fila. E preferi ficar uma só uma vez.

Como Cuba é muito segura não tem problema você fazer toda a viagem com o dinheiro.

Não usei o cartão nenhuma vez, porque as taxas de 6,38% são um roubo e porque é pouco aceito lá.

No aeroporto 1 Euro = 1,06 CUC. Em Havana 1 Euro = 1,08 CUC. As casa de câmbio são estatais. Não haverá diferença

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6º dia

 

Ida para Trinidad

Levei do Brasil todos os horários da Via Azul, bem como os preços. Para Trinidad partindo de Havana eram 25 CUCs.

A questão era ir até a rodoviária reserva a passagem e no dia da ida pegar outro táxi até lá e chegar com uma hora de antecedência.

A dona Cândida tinha me oferecido um carro por 35 CUCs. Seria mais rápido e nos pegaria em casa, mas teríamos que dividir com outras duas pessoas. E a depender do carro e das pessoas poderíamos ficar esprimidos por 5 horas. Foi aí que mencionei este meu dilema com uma das funcionárias da casa e ela me disse para ir ao Hotel Inglaterra que lá teriam ônibus turísticos. Chegando no Hotel Inglaterra (passamos a ir lá várias noites tomar mojitos e ouvir salsa cubana) nos disseram que era em outro hotel, o Plaza, que ficavba do outro lado do Parque Central. Lá tinha um ônibus para Trinidad por 27 CUCs saindo do Centro e sem ficar no aperto ::otemo:: Acordamos cedo neste dia e fomos carregando nossas malas até o hotel. Ônibus confortável. Fez uma parada na estrada igualzinho as que têm aqui no Brasil (isso tirou minha preocupação de uma possível viagem de carro alugado). E passou por Cienfuegos parando em todos os pontos que pretendia conhecer: Paseo El Prado, Casarões do Centro Histórico, Malecon de Cienfuegos, Punta Gorda.. com isso deixe de voltar a Cienfuegos pra uma noite nesta cidade e resolvi ficar mais uma dia em Trinidad. Chegamos em Trinidad às 15 horas. Não tínhamos feito reservas como indicam aqui nos outros relatos, mas acabou sendo melhor, pois na hora nos foi oferecido um quarto por 20 CUCs para duas pessoas e desayuno por 4 CUCs, por pessoa. Casa do Sr. Luis Media, Calle Jose Marti, 170, próximo ao Parque Céspedes. Seu Luis é professor aposentado e membro do Partido Comunista Cubano. Quando percebeu nosso interesse por política queria ficar conversando por horas. Nós gostávamos muito de trocar ideias com ele, mas ele não nos deixava sair ::lol4:: Queríamos também conhecer a cidade e tomar mojitos. Estávamos varados de fome e seu Luís nos indicou um restaurante que achei caro e não voltamos mais lá, próximo à escadaria. Tava uma calor enorme. Descamos e à noite voltamos à escadaria da Casas da Música, cobram 1 CUC. Conhecemos outros brasileiros, dois paulistas descendentes de coreanos, um de Salvador que mora na França que estava com sua amiga espanhola, descendente de africano. Foi uma confraternização só. Muitos mojitos e quando o show na Casa da Música acabou rumamos para uma balada dentro de uma caverna, o Disco Ayala. Ficamos mais um puco bebendo e conversando e voltamos já meio altinho com cuidado para não tropeçar nas ruas de pedra de Trinidad, a la Paraty. Uma americana trêbada tentou puxar conversa. Não dava pra entender nada. Fomos embora felizes por ter encontrado aqueles brasileiros e terminado a noite cubana com muita música e mojitos. Sem contar a canchanchara, um drink mais forte, tipo caipirinha, que bebemos também. ::lol4::

Continuarei com o relato e com fotos na próxima

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7º dia

 

Acordei com uma baita ressaca e dispensei todo o maravilhoso café da manhã que o seu Luís havia preparado pra gente. Depois de chamar o Raul, não o Castro, me senti um pouco melhor fomos andar pelas ruas de Trinidad. Meu interesse nessa cidade é pela história da luta dos revolucionários na Serra de Escambray. Existe até um museu lá que conta essa história , o Museo de La Lucha contra los Bandidos. A cidade também é próxima de Santa Clara, outro ponto do meu interesse. O calçamento das ruas de Trinidad lembram muito Paraty. A cidade é super turística e tem muita coisa para conhecer. Antes de sair, como de costume, conversamos bastante com o Sr. Luís. Quando saímos fomos almoçar próximo à Plaza Mayor e visitamos o bonito Museu de Arquitetura Colonial, um casarão do século XVIII. Dali fomos para o Museu de La Lucha contra Los Bandidos, subimos sua torre para fotos que tem uma vista que alcança o mar. À noite fomos à Casa de La Trova e, por incrível que pareça, fomos barrados porque homens não entram de camisa sem manga lá ::grr:: . Como estava muito calor e não queríamos voltar em casa por isso, nos contentamos com a Casa da Música e sua escadaria.

A música mais ouvida em Cuba - Chan Chan - foi um clássico cantado por Compay Segundo, do Buena Vista Social Club: De Alto Cedro voy para Marcané / Llego a Cueto y voy para MayaríChan...

 

8º dia

Neste dia agendamos um passeio para cachoeira. Sim , além de praias bonitas, tem cachoeiras bonitas em Cuba. Poderíamos ir a cavalo ou de charrete, mas na hora do passeio a charrete era na realidade uma carroça. Apesar da surpresa, entramos no clima e fomos. O passeio que custou 15 CUCs tinha um almoço rústico pago a parte. Depois que descemos da carroça para uma pequena caminhada em direção à cachoeira, o rio estava seco, o que nos causou uma apreensão, mas chegando na cachoeira era um poço para banho delicioso. Os gringos estavam adorando e nós também. Um oásis naquele calor com sombra e água fresca. Tinha uma barraquinha do lado da cachoeira vendendo mojitos ::otemo:: Melhor impossível. Voltamos, almoçamos e descansamos para à noite irmos a Casa de La Trova devidamente vestidos. Foi mais uma noite incrível de música cubana: De Alto Cedro voy para Marcané / Llego a Cueto y voy para Mayarí...

 

9º dia

 

No roteiro original teria ido a Cienfuegos no dia anterior para uma noite naquela cidade, mas a passagem por lá acabou mudando nossos planos. Tinha pedido ao Sr Luís para reservar um carro pra Santa Clara. Sabia que o horário do ônibus e o preço: 8 CUCs por pessoa. Então pagaria até 30 CUCs se ele arranjasse com isso poderia fazer um passeio de trem até o Vale dos Engenhos. Seu Luís conseguiu o carro por 60 CUCs ::ahhhh:: Então o passeio pensado e o carro ficaram de lado. Aproveitamos a manhã para ir à Playa Ancon, muito falada aqui no Fórum. Arruamos um carro por 16 CUCs, ida e volta antes de embarcarmos para Santa Clara. A Playa Ancon é mais simpática que Varadero, tem mais cubanos, vendedores ambulantes e muitas algas. Entretanto Varadero é MUITO MAIS BONITA. Então valeu a pena pelo tempo livre que tínhamos, mas depois de uma praia bela o nível de exigência vai aumentando. Experiência feita em outra praia do Caribe. Almoçamos na casa do Sr. Luís: lagosta de novo por 12 CUCs por pessoa e rumamos para Santa Clara pela Via Azul. A casa nos foi arrumada pelo Sr. Luís pelo mesmo preço que ele nos cobrou (20 + 4). Casa de Rabelo e Onélia, Calle Abel Santamaria. Foi a casa com mais jeito de casa que ficamos. A família super simpática. Havia dois poloneses e uma portuguesa também lá. Chegamos num enorme calor e o senhor Rabelo nos esperava na rodoviária nos arrumando um táxi por 2 CUCs, Ali mesmo fizemos a reserva para o dia seguinte, pois retornaríamos no dia seguinte para Havana. à noite fomos ao Centro a pé, uma pequena caminhada. Ainda deu tempo de visitar uma casarão histórico, passear pelo Boulevard Independência e pela Parque Leôncio Vidal, uma bonita praça, cheia de gente acessando a internet, uma constante em Cuba. Jantamos num bonito restaurante estatal e fomos dormir cedo para aproveitar o dia seguinte.

 

10º dia

 

Santa Clara tem uma importância fortíssima para a revolução cubana. Foi lá que Che Guevara comandou o ataque ao trem blindado que possibilitou a vitória daquele movimento insurrecional. A cidade é toda em homenagem ao Che. Iniciamos a visita ao Museu e Mausoléu do Che que ficava mais perto da casa. Dali pegamos um táxi-charrete para ir ao outro lado da cidade onde ficava a Loma del Capiro, o monumento Che e lo Nino e o memorial do Trem Blindado. Para nossa decepção estava fechado naquele dia, um domingo, só podendo visitá-lo pelo lado de fora. Almoçamos e rumamos para o Rodoviária. Santa Clara é também passagem para as Cayeras del Norte - Cayo Santa Maria e Cayo de las Brujas, também bonitas praias cubanas, mas não era nosso interesse. O esquema na Via Azul de deixar o nome no dia anterior e pagar a passagem na hora funcionou direitinho em Trinidad e Santa Clara. Creio que na alta temporada seja um pouco mais concorrido, mas você terá sempre táxis compartilhados pra te levar a qualquer lugar nas rodoviárias cubanas. Chegamos em Havana depois de 04 horas para mais duas noites na casa da Dona Cândida.

 

11º dia

 

Era nosso último em Havana, com o que tínhamos economizado iríamos comprar umas lembrancinhas e visitar o que ainda faltava. Pegamos o Habana Bus Tour, 10 CUCs cada e fomos direto para a Plaza da Revolucion. Queríamos tirar mais fotos lá. Não subimos o Memorial José Marti. Pegamos o ônibus de novo ele dá uma volta grande e descemos no Hotel Habana Libre, no Vedado. Nosso interesse era almoçar no mesmo restaurante que estava fechado e fomos a outro também na Avenida 23. Também queríamos voltar na Copélia para mais um delicioso sorvete. Não tinha fila alguma, mas era porque estava fechada naquele dia, uma segunda-feira. Para a venda por CUCs estava aberta e aí só turistas conseguem comprar. Pegamos o ônibus turístico de novo e descemos no Centro. Fomos a Calle Obispo compramos uma lembrancinha, andamos pelas praças, já com gostinho de despedida. Com a economia que fizemos ainda queríamos jantar no Paladar San Cristobal, sim o mesmo restaurante que o Obama jantou que era do lado da casa da Dona Candida, mas para nossa decepção estava fechado pro falta d'água. Fomos ao Hotel Inglaterra que acabou se transformando em nosso point em Cuba.

 

12º dia

 

O voo era às 08:45. Então já tínhamos reservado com o mesmo taxista que nos pegou na rodoviária de Havana para nos levar ao aeroporto por 25 CUCs. A Dona Cândida acordou cedo para se despedir da gente. Um amor de pessoa. Ainda tivemos um longo tempo de espera no Panamá. Chegando a meia noite no Brasil.

 

Foi uma viagem fantástica que superou minhas expectativas. Tinha um interesse histórico, político e cultural para conhecer Cuba. O contato com o povo cubano foi fantástico. A presença forte de um capitalismo novo em Cuba com o seu passado socialista ainda pode trazer mais mudanças, nem todas boas. O povo cubano tem uma cultura formidável. Esperamos que eles não percam a salsa e a rumba, os mojitos e os daiquiris, nem a vontade de superar os males do capitalismo.

Se queres conhecer um pouco do passado glorioso do povo cubano, VAI PRA CUBA, MAS VÁ LOGO!

 

Prometo que ainda vou colocar fotos da viagem.

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Olá Julia.

 

Sim, reservei antes. Através de email

Foi tranquilo

A Dona Candida é um amor de pessoa.

Professora aposentada. Já esteve no Brasil e tem filhos que moram na Europa

A casa dela fica entre o Vedado e Havana Velha.

Dá uma boa caminhada para qualquer dos lados, mas achei legal

 

[email protected]

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Acompanhando :D

Publica umas fotinhos pra gente também Vilson ;)

Colocarei fotos sim. Por uma inabilidade minha ainda estou separando-as.

 

O sistema do fórum foi atualizado e acredito que agora esteja mais fácil publicá-las :)

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  • Conteúdo Similar

    • Por beatrizz
      Saudações! 
      Esse relato é sobre a subida ao Monte Crista em Garuva, que fica perto de Joinville. 
      A chegada em Garuva foi na sexta dia 07 de Setembro, no fim da tarde. Optamos por passar a noite no Espaço de Vivência Monte Crista. Que não faz parte da trilha oficial pra montanha, mas fica a 2 km da recepção. 
      Sobre esse espaço tem muito a compartilhar, é um lugar místico, onde acontecem diversas vivências, como meditação, temascal, e outros. Há chalés do ladinho do Rio que você pode passar a noite ouvindo o barulho da água. A comida (3 refeições) está inclusa na diária e é vegetariana, deliciosa. Fica em torno de R$ 350 pra 2 pessoas. O espaço compartilhado tem muitos pássaros comuns da região e um local de oração e Cerimônia construído por índios nativos, ali há uma energia muito clara. 
      No sábado acordamos cedinho e tomamos um café reforçado, depois partimos até a recepção do Monte Crista. A entrada sem estacionamento é de 4 pilas. 
      Logo no início você passa por uma ponte pênsil legal. 
      A subida é pesada, porque o terreno é muito parecido em todo o percurso, subida íngreme e ganho de elevação rápido. Vários pontos com escadas de pedras construídas pelos jesuítas. É muito bonito. Diferente do Pico Paraná por exemplo, não há um grau de dificuldade tão grande com raízes e pedras, mas prepara o corpo pra resistência. 
      Enfim chegamos ao cume após 4:30, é importante seguir a trilha principal porque não há placas, e é fácil se perder. 
      No cume do monte encontramos vestígios de acampamento, porém não havia ninguém lá. Achamos estranho porque na recepção nos falaram que muitas pessoas haviam subido... 
      Arrumamos nosso acampamento e o tempo estava fechado, não dava pra ver um palmo na frente, isso também dificultou pra tentar ver onde as outras pessoas estavam. Em função do horário decidimos ficar por ali mesmo. 
      Não estava frio, nem tinha vento. Mais a noite o céu abriu e ficou maravilhoso, aí conseguimos ver as lanternas em um ponto um pouco abaixo de onde estávamos, depois descubrimos que lá encontra-se um marco do Monte Crista, que é onde deve acampar kkkk. Também é um lugar mais protegido do vento. Por sorte o tempo nos ajudou e não fomos lançados montanha a baixo. 
      A noite o bixo pegou, a temperatura caiu muuuito de uns 15 graus para cerca de 4. E não estávamos preparados, ou seja, a noite foi tensa quase não dormimos de frio..... 
      De manhã estava nublado, o sol não mostrou as caras, mas mais tarde alguns raios nos presentearam e deu pra fazer algumas pics. 
      Arrumamos as coisas e descemos a montanha, com quase metade do tempo, em menos de 3 horas chegamos a base. 
      Ps. Esqueci de levar panela, a caneca de metal de café, virou panela e chaleira, improvisos hehehe. 
      Enfim, voltamos ao Espaço de Vivência e conseguimos ainda descolar um almoço antes de pegar a estrada. 
      Ps2. Não é legal subir a montanha pelo espaço de vivência, primeiro pq há uma trilha por ali, mas pouco demarcada, a probabilidade de se perder é bem maior, segundo porque o espaço não tem controle e formulário de subida, e se algo acontecer será um transtorno para eles e para quem está na trilha. O objetivo do espaço é relaxar mesmo. Por isso sempre comece a trilha pela base. 
      No final da experiência há sempre saldo positivo, qualquer montanha 🗻 tem algo a ensinar, cada uma é diferente, especial, única. Aprendemos o que fazer e o que não fazer. Vamos captando os sinais do universo, sobre nossa missão. Aprendemos a ouvir o coração, e não a personalidade. 
      Quero voltar ao Monte Crista com objetivo de fazer a travessia do Quiriri. Mas esse é outro relato. 
      Avante, viver o que precisa ser vivido. 














    • Por danicsml
      Depois de algumas torrões de sol e algumas bolhas nos pés, sobrevivi para compartilhar (e tentar atualizar) informações sobre a nossa trip (marido e eu) nas férias.
      Bora lá: foram 14 dias de viagem pelas seguintes cidades:
      Los Angeles: 3 dias
      Las vegas:  2 dias
      Willian - Grand canyon: 02 dias 
      Page: 1 1/2 dia
      Monument Valley: 1 dia
      Moab : 1 dia
      Salina: só pernoite
      Las vegas: 1/2 periodo compras + 1 noite
      Los angeles: 1/2 periodo compras + 1 noite.
      Total gasto: 22 mil para o casal (é minha gente o dolar tá qse um rim). Segue a planilhinha em anexo. Pessoal eu vou consertar uns valores aq e já posto de novo!!!
       
       
    • Por PEDROMG
      Oi galera!
      Estou aqui (depois de alguns poucos meses) pra compartilhar com vocês sobre a minha primeira (de muitas kkk) solo trip.
      Se me perguntassem há uns 2 anos atrás se eu teria coragem de viajar sozinho, eu certamente responderia que não faria isso (por medo+tensão+acho que não consigo).
      Até que a vontade de romper essa barreira passou a me consumir e comecei então a trabalhar a mente e me preparar aos poucos pra que eu realizasse isso que se tornou um sonho, uma necessidade.
      Minhas férias do trabalho venceram mas decidi que só as tiraria quando definisse um destino bacana, que tivesse praias lindas (e que eu acreditasse ser capaz de me virar sem companhia rs).
      Foi aí que decidi ir em abril para #Cartagena e #SanAndrés (aquele paraíso onde fica o famoso mar de 7 cores).
      Comecei então a olhar as passagens, lugares para me hospedar, definir rotas, pesquisar sobre a moeda e preços locais e assim fui me familiarizando com cada detalhe e adquirindo a segurança necessária pra embarcar na minha #primeiraviagemsozinho.
      Comprei minhas passagens de Brasília > Panamá > Cartagena / Cartagena > San Andrés / San Andrés > Cartagena / Cartagena > Panamá > Brasília...
      E FUUUI!!!
      Ao chegar no aeroporto de Brasília, bateu aquele leve medo de: é agora!
      Embarquei e durante o voo, devido a tensão, me lembro que tive até um pesadelo.
      Cheguei ao Panamá, celular sem bateria, sem adaptador de tomada mas feliz e empolgado, confiante e pronto pra continuar.
      Lá estava eu desembarcando no aeroporto de Cartagena arrepiado e sorrindo ao mesmo tempo.
      Sem celular e sem voucher de onde eu me hospedaria, fui até o balcão de informações e pedi pra que olhassem pra mim o endereço do hostel... deu certo.
      Que cidade linda, que energia boa, cheia de pessoas felizes, contagiante!!!
      Conheci lugares incríveis, conheci pessoas legais (sou tímido pra isso, mas estar sozinho e naquele lugar maravilhoso acabou mudando isso até sem eu percebesse).
      Dica: se hospedem no Bourbon St Hostel Boutique.
      Depois de 3 dias muito bem vividos, bora pra San Andrés conhecer o Caribe...
      Chegando no aeroporto (que tumulto!!!), eu só queria ver aquele mar das fotos que me fizeram chegar até lá...
      E WOOOOOOOOOW!!! Inacreditável! "P**rra, eu realmente tô no Caribe!"
      Dica: se hospedem no El Viajero.
      Depois de uma semana, de conhecer a beleza surreal da ilha e nadar bastante, partiu voltar pra Cartagena (com todo prazer!) por mais 3 dias.
      Em San Andrés, assim como em Cartagena, conheci outros viajantes que estavam viajando sozinho pela primeira vez também e compartilhar as experiências e momentos foi fundamental.
      Talvez se eu estivesse esperado alguém pra me acompanhar, eu não teria tido essa experiência sensacional, nem conhecido tais lugares e ainda estaria me questionando: será que eu consigo viajar sozinho?
      Sobre os lugares que visitei, recomendo e recomendo de novo.
      *A única coisa que me contrariou durante a viagem foi que comprei um sombreiro (esse das fotos) de um vendedor ambulante por 20.000COP e pouco depois achei numa loja
      por 7.000COP... aff, kkk...
      Se tiverem curiosidades ou quiserem dicas, é só me contactar :)
      Estou pronto pra próxima... a dificuldade agora é escolher algum destino dentre tantos maravilhosos pelo mundo... porque meu medo, eu já venci \o/








    • Por tabatajac
      Conhecida como uma das travessias mais bonitas do país, a travessia Petrópolis x Teresópolis é feita dentro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos e conta com aproximadamente 30 quilômetros de trilha, que podem ser feitos em um, dois ou três dias, além de diversos desvios.
      Antes de mais nada, é preciso comprar os ingressos no site do Parnaso e, se for fazer a trilha em mais de um dia, pagar pela sua estadia, que pode ser em camas beliche ou bivaque dentro do abrigo, ou no camping. Vale lembrar que em feriados, principalmente no inverno, a travessia fica bem cheia e os abrigos esgotam rápido. Nós demos sorte e pegamos uma desistência, conseguindo fazer no feriado de 7 de Setembro.
      Para quem fica no abrigo, é disponibilizado panelas, utensílios de cozinha, fogão e banheiro com (pasmem!) água quentinha. Já para quem fica no camping, você também vai poder usar o banheiro para tomar banho, além de outro banheiro do lado de fora do abrigo e um ponto de água, onde dá para encher as garrafas e lavar as panelinhas e utensílios que você levar.
      No total, pagamos R$ 102,00 cada um, incluindo o valor da travessia (R$ 26 da trilha e R$ 26 de adicional de fim de semana), duas noites de camping (R$ 10 cada uma) e dois banhos (R$ 15 cada um).
      O próprio site do parque oferece informações oficiais sobre a travessia, sempre vale dar uma olhada.
      DIA 1 – Petrópolis x Castelos do Açu
      Distância: 8 km
      Tempo: 7 horas
      Ganho de altitude: 1.145 metros
      Saímos do Centro de Petrópolis um pouco antes das 8:00 e chamamos um Uber para adiantar um pouco as coisas. Para quem quiser ir de ônibus, primeiro você vai ter que pegar um para o Terminal de Correias e depois outro para um pouco antes da portaria do parque. Pagamos R$ 36,00 até lá. Chegamos na portaria, assinamos o termo de responsabilidade, enchemos as garrafas de água e começamos a subir às 9:20.
      O primeiro ponto depois da portaria é o Poço do Presidente e a Cachoeira Véu da Noiva. Como saímos um pouco tarde da portaria, fomos só até o primeiro ponto, enchemos as garrafas, comemos uma barrinha de cereal e seguimos. A subida até aqui ainda não é tão íngreme, mas depois do poço comecei a sentir as pernas avisarem que a declividade tinha aumentado (e eu achando que estava bem preparada). Chegamos na Pedra do Queijo às 11:30 e paramos para beber água, comer e subir na pedra para ver o visual.

      Pedra do Queijo

       
      Pedra do Queijo 

      Visual de cima da Pedra do Queijo
      De lá, partimos para o Ajax, onde chegamos às 13:15. Essa, para mim, foi a subida mais puxada, até mais que a Isabeloca que vem depois e dizem ser a parte mais difícil do primeiro dia. Acho que o bastão de caminhada fez a diferença, já que subi essa parte sem ele, mas usei na Isabeloca. O Ajax é o próximo ponto de água depois do poço e o último antes do abrigo, além de ser também onde o pessoal costuma parar um pouco mais para almoçar (ou comer alguma coisa com mais sustância). Atenção para os períodos de seca, já que é comum o Ajax secar. Nós pegamos o ponto com pouca água, mas ainda deu para encher as garrafas. Até esse ponto, já havíamos caminhado por volta de 5 quilômetros, com mais 3 pela frente até o abrigo dos Castelos do Açu.

      Parada no Ajax
      De cara para aquele paredão que era a Isabeloca, saímos do Ajax às 13:55 e começamos a última subida do dia. Conseguíamos ver as pessoas lá em cima, com suas mochilas coloridas, já quase chegando ao topo. Depois de muito anda e para, chegamos lá em cima às 15:15 e paramos na próxima plaquinha para tirar um pouco as cargueiras, beber água, comer e tirar umas fotos. De lá, conseguíamos ver uma formação rochosa bem ao longe que parecia ser os Castelos do Açu, e que ainda estava distante para caramba.

      Subindo a Isabeloca

      Topo da Isabeloca
      Colocamos as cargueiras de volta e voltamos a seguir a trilha quando, de repente, os Castelos do Açu (agora de verdade) surgiram à nossa frente, imponentes e tão mais perto do que a gente imaginava. Ali a emoção bate de leve e você começa a fazer o balanço do que foi o primeiro dia. E se a emoção dali não bastasse, andando mais um pouquinho surgem o abrigo e a Serra dos Órgãos, que se faz ver pela primeira vez, com o Dedo de Deus em riste. Chegamos ao abrigo às 16:30, depois de aproximadamente 7 horas de caminhada. Depois de dar nossos nomes, o cara do abrigo informou que o camping poderia estar lotado e, se esse fosse o caso, poderíamos armar a barraca no próprio castelo (o que eu acho que já foi permitido um dia, mas hoje é proibido em dias normais). Subindo de volta para os castelos, encontramos um ponto perfeito, logo abaixo de outro casal que havia armado a barraca um pouco acima.

      Chegando nos Castelos do Açu

      Abrigo do Açu e a pontinha do Dedo de Deus

      Pôr do sol dos Castelos do Açu
      Barraca armada, seguimos de volta para o abrigo para um banho mais que merecido. Os banhos são de 5 minutos contados no relógio pelo responsável do abrigo, que fica do lado de fora do banheiro controlando o pessoal e batendo na porta quando o tempo acaba. Com um pouco de desorganização, conseguimos tomar banho (que no fim deu um tilt na água quente e o pobre do Marcello terminou na água congelante) e voltamos para a barraca para fazer o jantar, que seria um arroz Tio João com calabresa para ele e com tofu para mim. Alimentados, fomos aproveitar um pouco da vista dos castelos, de onde dá para ver toda a cidade do Rio de Janeiro e suas luzes cintilantes, e depois fomos dormir.
      DIA 2 – Castelos do Açu x Sino
      Distância: 7,5 km
      Tempo: 8 horas
      Tendo acordado um pouco de noite, uma das vezes com frio, acordei de vez por volta das 5:30 e comecei a ouvir as vozes murmuradas do pessoal que acordou para ver o sol nascer. Juntei todas as forças que eu tinha para encarar aquela friaca e saí da barraca. Mas caraca, como valeu a pena. O céu laranja começava a iluminar a Serra dos Órgãos à esquerda e a Baía de Guanabara à direita. Subi na pedra com a câmera preparada e os primeiros raios de sol começaram a sair de trás das nuvens. Acho que foi o momento mais mágico de toda a travessia (com direito à musiquinha do Rei Leão, cantada pelo casal da outra barraca).

      Os primeiros raios de sol iluminam a Serra dos Órgãos

      Nascer do sol dos Castelos do Açu

      A Serra dos Órgãos e a nossa barraca

      Abrigo visto de cima dos Castelos
      Com o sol já mais alto, tomamos café, desmontamos a barraca e seguimos para o abrigo, onde terminamos de nos preparar para o segundo dia. Saímos de lá às 9:00 (bem tarde!) e logo de cara vimos a primeira descida e subida do dia, que seria o Morro do Marco. Com pedras que formam uma escadinha, às vezes com degraus altos que vão precisar da ajuda das mãos, chegamos ao primeiro ponto às 9:30 depois de um quilômetro, onde só tiramos algumas fotos e seguimos em frente. De lá, já conseguíamos ver o próximo vale, bem mais profundo que o anterior, onde encontraríamos o primeiro ponto de água do dia.

      Saindo do Abrigo do Açu

      Visão do Morro do Marco com os totens que guiam o caminho
      Chegamos no ponto de água às 10:10, onde encontramos um grupo sentado descansando e comendo alguma coisa. Enchemos nossas garrafas, comemos umas castanhas e seguimos com a subida em mata fechada e bem íngreme, com raízes servindo de degraus. Nossa próxima parada era o Morro da Luva, onde chegamos às 11:25. Lá, avistamos o Garrafão pela primeira vez, que serviria de guia pelo resto do dia, virando sua cara carrancuda aos poucos até se revelar completamente na Pedra da Baleia. Mas calma que ainda faltava muito para isso (e bote muito nisso). No Morro da Luva, tiramos as cargueiras um pouco para aliviar o peso, bebemos água e tiramos fotos. Depois, seguimos atrás de um grupo com guia que disse que aquele ponto era muito fácil de se perder, já que a rocha abre muitos caminhos e não é tão bem sinalizado quanto o primeiro dia.

      Subindo o Morro da Luva

      Topo do Morro da Luva com os Castelos do Açu ao fundo

      Garrafão e o Dedo de Deus começando a ficar encoberto
      Depois de descer mais um vale, chegamos ao próximo ponto de água logo antes do Elevador, que estava seco. Descansamos um pouquinho e chegamos ao temido Elevador às 12:30. Com 67 degraus, ele é bem mais longo do que eu imaginava, e também mais cansativo. Subi usando a mochila de lastro, que nem o Corcunda de Notre Dame, para ver se ela me jogava para frente e não para trás. Contei três vergalhões faltando, mas a rocha dá um bom apoio nessas horas, e a tração da bota é essencial. Com 3,5 quilômetros caminhados (e escalaminhados) desde o Açu, chegamos ao topo do Elevador, onde tínhamos mais 4 quilômetros pela frente.
       
      Totens e Elevador visto de longe

      Elevador
      Depois do Elevador, a coisa começou a esquentar e nem tirei mais a câmera da mochila, tirando fotos só com o celular. Logo após o topo do Elevador, surge uma rocha com uma subida bastante íngreme, onde é preciso usar as mãos e confiar na bota, acompanhada como sempre de outra descida, também bem íngreme e onde me pareceu melhor descer meio de lado (as bolhas que eu ganhei depois não concordam muito com a minha teoria). Subindo mais um pouco, chegamos ao Morro do Dinossauro, onde paramos para beber água e descansar. O rosto carrancudo do Garrafão já nos observava, assim como a cabeça do elefante (indiano, e não africano, como disse um outro trilheiro também descansando por ali).

      Morro do Dinossauro

      Cara mal humorada do Garrafão
      De lá, tocamos para o Vale das Antas, onde chegamos às 14:30. Último ponto de água do dia, aproveitamos para comer e encher as garrafas. Um dos guias que encontramos lá ressaltou que essa água não é muito legal, já que muitas pessoas usam os arredores da nascente como banheiro, então não se esqueça de levar Clorin e talvez evitar esse ponto de água se sua garrafa ainda estiver cheia. Depois de dois belos pães com atum e castanhas, começamos a subida do Vale das Bromélias até a Pedra da Baleia, chegando lá às 15:10. O topo da Pedra da Baleia fica a 6 quilômetros do Açu, faltando ainda 1,5 quilômetro até o abrigo do Sino.

      Pedra da Baleia
      Quando começamos a descida em direção ao Mergulho, vimos no paredão do outro lado várias mochilas coloridas subindo a escadaria de pedra que daria no Cavalinho. Logo depois, vimos o Cavalinho. Uma rocha triangular um pouco mais clara que as demais que chegava a brilhar com o sol da tarde que começava a se pôr. Naquela hora, bateu um frio na barriga. Mas ali não tem o que fazer se não seguir em frente, e foi o que fizemos.

      Pessoal subindo em direção ao Cavalinho
      No Mergulho, tivemos a sorte de encontrar um grupo com guia que estava usando cordas para descer, que ele caridosamente nos deixou usar. Já vi vários vídeos de pessoas que fazem esse pedaço sem corda, mas com certeza seria mais difícil, sem contar que provavelmente nós teríamos que tirar a cargueira das costas. Logo antes da próxima subida, uma setinha de ferro fincada no chão (como muitas outras antes) indicava o caminho e fiz ali meu check point, no estilo Super Mario. Se caísse do Cavalinho, pelo menos eu não ia precisar voltar tudo! 😂
      Chegamos no Cavalinho às 16:05 com uma pequena fila de pessoas para subir. O espírito de camaradagem que rola lá em cima foi o que nos fez conseguir subir aquele negócio. O grupo da frente nos ajudou a içar as mochilas e um dos caras ajudou a puxar o Marcello depois dele ter montado no Cavalinho, que então me ajudou a subir. Mas o Cavalinho era brincadeira de criança perto da próxima rocha, apelidada carinhosamente de “coice”. Nela, de novo ajudaram o Marcello a subir com a cargueira nas costas, oferecendo a mão de cima dela, mas quando chegou na minha vez, tive que tirar a cargueira e a menina atrás de mim ainda teve que empurrar meu pé para que minhas pernas dessem altura para subir (malditas pernas curtas!).

      Cavalinho
      Passado o desafio, ainda foi preciso subir uma escada de ferro (obrigada pessoa que teve que carregar esse troço nas costas para colocar ela ali) e caminhar mais um pouquinho até a bifurcação do abrigo e da Pedra do Sino. Chegamos lá às 16:40 e no abrigo às 17:10. Alguns grupos seguiram direto para a Pedra do Sino para ver o pôr do sol, mas nós optamos por descer para pegar um bom lugar no camping e deixar para ver o nascer do sol do cume.

      Bifurcação Pedra do Sino, Abrigo 4 e Travessia
      Montamos nossa barraca e fomos logo para a fila do banho, muito mais organizada que no dia anterior. E que banho! A água quente não desligou dessa vez e conseguimos tomar banho em até menos que os 10 minutos totais que nós dois tínhamos. Banhados, fizemos nosso sopão de macarrão e capotamos.
      DIA 3 – Sino x Teresópolis
      Distância: 11 km até a barragem, 14 km até a portaria
      Tempo: 4 horas até a barragem
      Acordei por volta das 4:30 com o burburinho do pessoal se movimentando para ir ver o nascer do sol na Pedra do Sino. Ponderei todas as minhas escolhas de vida até aquele momento e decidi que continuaria deitada ali, no quentinho, e que veria o nascer do sol da Pedra da Baleia que tem atrás do abrigo (que não é a mesma Baleia do dia anterior). Abri a barraca por volta das 5:40 e segui a trilha que sai de trás do abrigo. Consegui pegar os primeiros raios de sol da Pedra da Baleia, de onde se vê o pessoal no topo da Pedra do Sino.

      Nascer do sol da Pedra da Baleia, atrás do Abrigo 4

      Pessoal vendo o nascer do sol da Pedra do Sino
      De lá, voltei para a barraca, sacudi o Marcello, tomamos café e seguimos para a Pedra do Sino enquanto muitos grupos já começavam sua descida. Saímos do abrigo às 8:40 e chegamos no topo da Pedra do Sino às 9:10. A subida não é muito íngreme e a rocha é bem sinalizada, com totens de pedra que indicam o caminho. E o que se pode dizer da diferença que é andar sem a cargueira? Ali eu consegui entender como um ser humano faz essa travessia em um dia só.

      Pedra do Sino com os Castelos do Açu ao fundo

      Visão da Pedra do Sino com Teresópolis ao fundo
      A Pedra do Sino é o ponto culminante da Serra dos Órgãos, com 2.263 metros de altitude e de onde se pode ver os três picos de Friburgo, a ponta do Garrafão, os Castelos do Açu e a Baía de Guanabara. Depois de muitas fotos, descemos para o abrigo, onde desmontamos a barraca e seguimos para Teresópolis.

      Começando a descida para Teresópolis
      O terceiro dia é praticamente só descida, quase toda ela em zigue zague e com a trilha muito bem marcada. Tendo saído do abrigo às 10:45, chegamos às ruínas do Abrigo 3 e ao Mirante de Teresópolis às 11:50 e na Cachoeira Véu da Noiva, já na parte baixa do parque, às 13:45. Lá, era como se a gente já tivesse chegado, mesmo faltando ainda 2 quilômetros até a Barragem e mais 3 até a portaria do Parque.

      Mirante de Teresópolis ao lado do antigo Abrigo 3
      Quando vimos a porteira que dá para a Barragem, bateu a emoção de novo. Concluímos nossa primeira travessia. Quase 30 quilômetros de muita subida, descida, rochas e pirambeiras. O casal que desceu com a gente do Véu da Noiva até ofereceu carona, mas agradecemos e dissemos que queríamos fazer portaria a portaria. Orgulho besta. 😄

      Chegamos!
      DICAS
      Se você pretende fazer a travessia durante um feriado, compre os ingressos com bastante antecedência. Os abrigos lotam rápido e não ter que carregar a barraca com certeza ajuda bastante.
      Uma boa bota (já amaciada!) ou tênis de trekking são essenciais, já que em muitos momentos você vai depender da tração dela para subir ou descer as rochas com segurança. Não aconselho fazer com tênis de academia ou de corrida, já que eles tendem a escorregar.
      Lembre-se que você vai ter que carregar sua mochila durante três dias, e que o peso dela vai se multiplicar com as subidas e o seu cansaço. Leve apenas o essencial.
      Com isso em mente, não subestime o frio. No inverno, as temperaturas podem ser negativas lá em cima e ninguém merece dormir com frio. Leve isolante, um bom saco de dormir, e roupas térmicas (tipo ceroula) se for acampar.
      Há diversos pontos de água no caminho, mas alguns deles podem secar no inverno. Nós levamos duas garrafas de Gatorade (totalizando um litro) e mais uma de 750 ml e foi suficiente, mas pegamos apenas o ponto do Elevador seco. O Ajax também pode secar, então leve isso em consideração.
      Mesmo com previsão do tempo boa, leve capa de chuva. O clima na serra pode ser imprevisível e bem diferente da situação na portaria.
      Leve um GPS ou celular com aplicativo de trilhas já instalado e o mapa e tracklog já baixados. Nós usamos o Wikiloc e seguimos esta trilha.
      Sobre a sinalização, ela é muito boa no primeiro e terceiro dia, e razoável no segundo, com pontos onde é possível se perder, principalmente se o tempo estiver fechado e com serração. Os totens de pedra ajudam bastante, já que são visíveis de longe, e há também setas pregadas na rocha e pegadas pintadas no chão. Mas mesmo assim, não deixe de levar algum tipo de GPS, já que no segundo dia há trechos em que essa sinalização fica devendo.
      Lembre-se que todo o lixo deve voltar com você e não pode ser deixado nos abrigos (e muito menos durante a trilha!), inclusive restos de comida. Então, não esqueça de levar saquinhos para o lixo.
      Já sobre as cordas, nós não levamos nenhuma, mas tivemos a sorte de sempre estar perto de grupos com guia que levaram e usamos as deles. Eu não diria que são totalmente indispensáveis, já o Marcello acha que seria quase impossível fazer sem elas, principalmente na hora de descer o Mergulho e içar as mochilas no Cavalinho.
      EQUIPAMENTO
      Mochilas: Quechua de 40l e Trilhas e Rumos de 48l
      Barraca: Quechua Arpenaz 2XL
      Sacos de dormir: Trilhas e Rumos Super Pluma (conforto +6°C e extremo 0°C)
      Isolante: Conquista 9mm
      Travesseiro: Quechua Air Basic
      Fogareiro: Guepardo Mini Fogareiro Compact
      Panelinha e utensílios: Quechua
      Cartucho de gás: Nautika 230g (de acordo com o que pesquisamos, dura por volta de 120 minutos)
      Lanterna de cabeça: Forclaz ONNIGHT 50 (30 lúmens)
      Bastão de trilha: Quechua Arpenaz 200
      ALIMENTAÇÃO
      Para a principal refeição, que seria o jantar, levamos um arroz Tio João da linha Cozinha Fácil, Sopão Maggi de macarrão com legumes, uma calabresa e uma lata de atum (para o Marcello) e tofu defumado (para mim).
      Para o café da manhã, levamos pão integral, Polenguinho, Toddynho e o tofu.
      Durante o dia, comemos amendoim, castanhas, avelã, Club Social, torradinhas Equilibri, barras de cereal, salaminho, chocolate e pão com Polenguinho e atum. Levei também um pacote de cookies Jasmine que voltou fechado.
      DESVIOS
      Há diversas outras trilhas para se fazer dentro do Parque, mas eu diria que o principal desvio dentro da travessia é para os Portais do Hércules. Nós chegamos a ponderar se faríamos ou não, mas os relatos variavam de 40 minutos a 1h30 de trilha para ir e depois o mesmo para voltar, tempo esse que nós não tínhamos. Sem contar que disseram que é uma trilha de difícil navegação, muito fácil de se perder. Mas se você realmente quiser encarar, o que o pessoal normalmente faz é sair muito, muito cedo do abrigo (às vezes antes do nascer do sol) e esconder as cargueiras na mata perto da bifurcação para fazer a trilha sem elas. Só não vale esquecer onde escondeu a mochila. Ouvimos a história de um cara que não conseguia encontrar sua cargueira de jeito nenhum e, depois de uma hora procurando achando que havia sido roubado, desistiu e seguiu a trilha. Ele só conseguiu reavê-la esse ano, dois anos depois de ter feito a travessia, quando alguém fazendo a trilha a encontrou junto com sua carteira e documentos.
       
    • Por kely.alves
      Muitos me questionaram porque ir para Florianópolis que é a Ilha da Magia em pleno outono e a resposta foi bem simples: MEGA PROMO!!
      Tava um valor bom, então bora fazer desse limão uma limonada delícia. 😀
      Floripa é muito conhecida por suas praias exuberantes e gente bonita passando para cima e para baixo. Mas por conta do período do ano (Outono) eu sabia que não daria praia, mas que poderia fazer muitas outras atividades como trilhas e bater perna por outras áreas.
      Época fria, mas tive a sorte de não pegar chuva nenhum dia, então, foram dias e noites bem aproveitados.
      Eu dispunha somente de um final de semana prolongado, então fiz muitas coisas nesses meus 3 dias e meio. Mais uma vez com a ajuda de alguns amigos desse site, consegui fazer a seguinte programação:
      13.06.2018: Chegada em Floripa (à noite)
      14.06.2018: Trilha Lagoinha do Leste
      15.06.2018: Tour Área Norte: Santo Antonio de Lisboa, Jurerê Internacional, Fortaleza de São José da Ponta Grossa, Barra da Lagoa
      16.06.2018: Trilha da Galheta
      17.06.2018: Jogo do Brasil e retorno para SP
      Dia 1: Chegada em Floripa
       

      Dentre as muitas opções que me foram dadas, optei em me hospedar na Lagoa da Conceição por ser o centro efervecente de Floripa, uma boa quantidade de hostels, restaurantes, bares, mercados, fácil acesso ao Sul e ao Norte. Enfim, localização perfeita!
      Me hospedei no Gecko´s hostel http://www.geckoshostel.com/ (RECOMENDO!!) e com um valor ótimo de diária R$ 30,00 sem café da manhã. Caso opte pelo café, paga-se R$ 10,00 a mais.
       

      📌Sugestão:
      Faça suas compras nos mercados próximos. Há opções de orgânicos, sacolões, mercados grandes, mercados menores, padarias com pãoes quentinhos. É possível usar todos os utensílios da cozinha do hostel. Sai mais barato e você pode fazer um café mais reforçado, pois achei bem fraquinho o deles. Para o jantar, sugiro o mesmo, pois só tinha lanches disponíveis nos arredores e precisava de comida por conta da energia gasta nas atividades. Sendo baixissima temporada, muitos locais estavam fechados. Na ponta do lápis, foi uma ótima economia também!💲
      Do aeroporto até o hostel o percurso foi de meia hora e custou R$ 26,00 com uber. Chegando lá, a recepcionista me perguntou se eu estava afim de ir numa festa numa balada onde a entrada era VIP até 23h30 e tinha um free shot de Catuaba pelo simples fato de estar hospedada com eles (ganharam pontinho positivo). Com meu colega de quarto (que tinha acabado de conhecer e topou meu convite) partimos para essa vibe underground chamada Santa https://pt-br.facebook.com/santalagoa/. O lugar toca um pouco de tudo desde funk a clássicos indie anos 2000. Tava meio vazio, mas o pouco pessoal que lá estava tocaram o terror e foi bem animado.
      Voltamos cedo porque no dia seguinte seria o único dia de sol daquele final de semana e queria fazer a melhor trilha de todas.
      Dia 2: Trilha Lagoinha do Leste
      De todas as dicas que recebi a mais indicada foi essa trilha. Ela possui dois caminhos: um fácil e rápido (sem vista) ou um mais longo e com vista espetacular. Optei pelo segundo.
      Usando ponto de partida como a Praia do Matadeiro:

       
      📌Depois de passar pela praia e entrar na trilha depois das placas indicativas, mantenha sempre o lado direito. Pq uma hora as placas desaparecem e sobram trilhas no chão. Não tem erro. É tranquilo.
       

       
      Essa foi a única placa que encontrei no caminho, depois foi seguir esse esquema de manter a direita e deu tudo certo. Pelo caminho sempre se encontram pessoas que estão fazendo o mesmo trajeto e passada a parte de mata fechada, se abre um costão lindo, rende fotos espetaculares:

      E o lance de manter a direita faz todo sentido se chega nessa parte: se for para a esquerda você desce o costão que cai direto no mar, e não queremos isso, certo?
      Fiz uma parada para contemplação e lanchinho antes de continuar a caminhada e depois que retomei o caminho, vê-se do alto de um morro o destino: Praia da Lagoinha do Leste:

      Como se pode ver no canto direito da foto é realmente uma lagoinha que fica de frente para uma praia. Sendo baixíssima temporada, estava sem ninguém, por exceção de dois pescadores que parei para conversar e saber como ir embora (já que não seria o mesmo caminho da ida) e como faz para chegar no ponto alto do passeio: Morro da Coroa.
      Andando pela praia vê-se uma montanha e dizem que no alto dela a vista é sensacional, mas tem que ter disposição e pernas fortes para subir. Como não estava lá à toa, fui, é claro.
       

      É uma subida realmente bem íngrime e há pontos em que para ter mais segurança, você sobe literalmente de quatro, mas vale a pena e a vista. Os pescadores tinham dado uma dica boa por qual caminho seguir onde não há desprendimento de pedras no caminho e subi bem e em segurança.

      À medida em que se vai ganhando altura, consegue ver perfeitamente a Lagoa e a praia.
      Chegando no topo, estava receosa de estar sozinha no meio do nada e no alto de um morro, mas tinha um grupo de amigos lá e me juntei a eles. Foi ótimo pela cia, pela conversa, pelas trocas de fotos e principalmente pela cia no retorno, pois apesar de gostar de entrar no meio do mato, não gostaria de estar nele sozinha com pouca luz, afinal, segurança em primeiro lugar.
       
      Existe um ponto de foto clássica nesse morro, tipo Pedra do Telégrafo no Rio de Janeiro. Fiquei meio desengonçada, mas eu fiz a tal foto depois de milhares de tentativas. Ficou mais ou menos boa. Preciso de braços mais fortes para erguer as pernas, mas o que vale é a intenção.

      Esse foi o único dia de sol que realmente peguei nessa viagem então, a cor da água fica incrivel e rende ótimos flashs. Super recomendo. (Mesmo em dias nublados, porque a vista vale muito a pena, além do desafio de fazer uma trilha de tempo razoavelmente longo)
       

      Como tudo o que sobe, desce, fizemos com tranquilidade o caminho de volta e com atenção para não nos machucarmos ou sofrer qualquer torção. Porque sendo íngrime, certas partes na volta, também faz-se sentado.
       

      O retorno foi feito pela trilha do Pântano Sul que é bem demarcada, com pontos onde é possível encher as garrafas de água e não tem erro porque ela é fechada por mata e não tem bifurcações, mas diferente do caminho da Praia do Matadeiro, ela não tem vista, e consequentemente ela é mais rápida (45 mins mais ou menos)

       

      A saída por essa placa leva a uma rua que não sei o nome, mas que tem ponto de ônibus que roda por vários lugares, inclusive para a Lagoa da Conceição. Mas não pode ter pressa, porque o sistema de transporte de Florianópolis não me pareceu muito eficente: ele te deixa num terminal e depois desse terminal tem que pegar outro ônibus. É bem demorado, mas é o modo mais econômico.
      Chegando no hostel, fui fazer meu jantar e descansar, afinal a caminhada foi boa: 3h na ida e 1h20 na volta + o trajeto de buso que desisti de contar o tempo.
      Portanto, se forem à Floripa coloquem esse destino na lista, não vão se arrepender!
      📌O que levar para esse passeio:
      Água: não há quiosques ou ambulantes pelo caminho (na alta temporada, talvez); Lanche; Protetor solar; Agasalho; Ao fazer a trilha pelo Matadeiro, sugiro estar com calça comprida para proteger as canelas da vegetação rústica que tem pelo caminho e não se machucar; Repelente; Câmera para fotos espetaculares; Disposição, muita disposição. Dia 3: Tour Área Norte: Santo Antonio de Lisboa, Jurerê Internacional, Fortaleza de São José da Ponta Grossa, Barra da Lagoa
      Por meio do app Couchsurfing troquei contato com uma pessoa que mora em Floripa e estava disponível para me levar para passear. Esse novo amigo me perguntou o que eu gostaria de conhecer e respondi que parte histórica das cidades é algo me encanta. Então, fomos eu e uma colega do hostel que estava sem programação. Colocamos gasosa no carro do amigo e fomos rodar por aí para conhecer um pouco do passado para entendermos o tempo presente. Esse foi o nosso roteiro:

      Foi muito produtivo!
      Breve resumo histórico:
      "Os primeiros habitantes da região de Florianópolis foram os índios tupis-guaranis. Praticavam a agricultura, mas tinham na pesca e coleta de moluscos as atividades básicas para sua subsistência. Os indícios de sua presença encontram-se nos sambaquis e sítios arqueológicos cujos registros mais antigos datam de 4.800 A.C. Já no início do século XVI, embarcações que demandavam à Bacia do Prata aportavam na Ilha de Santa Catarina para abastecerem-se de água e víveres. Entretanto, somente por volta de 1675 é que Francisco Dias Velho, junto com sua família e agregados, dá início a povoação da ilha com a fundação de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis) - segundo núcleo de povoamento mais antigo do Estado, ainda fazendo parte da vila de Laguna - desempenhando importante papel político na colonização da região.                                                                                                                                          Em 1726, Nossa Senhora do Desterro é elevada a categoria de vila, a partir de seu desmembramento de Laguna. A ilha de Santa Catarina, por sua invejável posição estratégica como vanguarda dos domínios portugueses no Brasil meridional, passa a ser ocupada militarmente a partir de 1737, quando começam a ser erguidas as fortalezas necessárias à defesa do seu território. Esse fato resultou num importante passo na ocupação da ilha.
      Nesta época, meados do século XVIII, verifica-se a implantação das "armações" para pesca da baleia, em Armação da Piedade (Governador Celso Ramos) e Armação do Pântano do Sul (Florianópolis), cujo óleo era comercializado pela Coroa fora de Santa Catarina, não trazendo benefício econômico à região.
      No século XIX, Desterro foi elevada à categoria de cidade; tornou-se Capital da Província de Santa Catarina em 1823 e inaugurou um período de prosperidade, com o investimento de recursos federais. A modernização política e a organização de atividades culturais também se destacaram, marcando inclusive os preparativos para a recepção ao Imperador D. Pedro II (1845).
      Dentre os atrativos turísticos da capital salientam-se, além das magníficas praias, as localidades onde se instalaram as primeiras comunidades de imigrantes açorianos, como o Ribeirão da Ilha, a Lagoa da Conceição, Santo Antônio de Lisboa e o próprio centro histórico da cidade de Florianópolis."
      Fonte completa: http://www.pmf.sc.gov.br/entidades/turismo/index.php?cms=historia&menu=5&submenuid=571
      Santo Antonio de Lisboa: grande ocupação açoriana e portuguesa. Região que tem grande concentração de sambaquis que são vestígios indígenas.


      Igreja de Nossa Senhora das Necessidades: construção proximada em 1750.

      Considerada uma das mais belas expressões do barroco no sul do Brasil.
      Jurerê Internacional: a cara da riqueza com suas mansões estilo americanas. Casas sem muros e ruas largas. Muito chique.  

       
      Fortaleza de São José de Ponta Grossa (1740): Ao Norte da Ilha de Santa Catarina, entre as praias do Forte e Jurerê, ergue-se um dos mais belos monumentos catarinenses do século XVIII: a Fortaleza de São José da Ponta Grossa. Em conjunto com as Fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim e Santo Antônio de Ratones, formava o sistema triangular de defesa que deveria proteger a Barra Norte da Ilha contra investidas estrangeiras e consolidar a ocupação portuguesa no Sul do Brasil. (Fonte: http://www.fortalezas.ufsc.br/fortaleza-ponta-grossa/guia-fortaleza-de-sao-jose-da-ponta-grossa/)

       
      Fui muito bem recebida por um ser gracinha que estava no caminho😍

      Barra da Lagoa: O bairro da Barra da Lagoa está localizado na costa leste da Ilha de Santa Catarina, entre o Rio Vermelho e a Lagoa da Conceição. Distante cerca 19,8 km do centro de Florianópolis, a Barra da Lagoa é uma comunidade tradicional, que ainda mantém viva a raiz cultural açoriana e madeirense, como a pesca e a produção de trançados, a confecção da renda de bilro e de redes para a pesca artesanal. (Fonte: http://www.guiafloripa.com.br/cidade/bairros/barra-da-lagoa)
      Ruelas estreitas, vida simples e com um paz que muita gente procura. Ótimo lugar para caminhadas.

       

       
      Dia 4: Trilha da Galheta
      Florianópolis tem muitas trilhas para serem apreciadas. Escolhi essa porque me falaram que era muito bonita a vista e daria tranquilamente para eu fazer sozinha. Sai na caminhada da Lagoa da Conceição e fui até a Praia Mole. Chegando lá tem uma entradinha de terra sentido praia que disseram que era caminho para chegar na Galheta.

      No final dessa estradinha realmente vira praia e como era um dia de semana, no outono e tempo nublado não tinha quase ninguém só raros gatos pingados.

      Não deu praia, mas deu para fazer a caminhada com muita tranquilidade e relaxamento:

      Da praia mole até a Galheta há um paredão de pedras que a gente segue uma trilhazinha e é bem demarcada e esse lado é realmente muito bonito. No meio do caminho encontrei um rapaz que fazia sua caminhada de boas como eu e conversamos. Como ele  tb estava sozinho, eu disse que estava fazendo essa trilha da Galheta e queria sair na Barra da Lagoa, perguntei se ele tava afim de acompanhar e ele topou. Perguntamos a um local como fazíamos para subir a trilha pela mata e ele indicou uma faixinha de areia que passou desapercebida da gente e seguindo os conselhos do local deu tudo certo e tivemos essa vista:

      Tenho certeza que num dia ensolarado a cor da água deve ser sensacional.
      Infelizmente não há placas indicativas, mas depois que se entra na trilha é só seguir a demarcação no chão e seguir sempre em frente. No final saimos num bairro residencial e encontramos outro morador ilustre pelo caminho e não resisti, tirei uma fotinho:

      O final do nosso caminho nos levou até a Trilha Arqueológica também chamada de Trilha da Oração, é um santuário Arqueoastronômico. Nela encontra-se um conjunto de Monumentos Megalíticos, que são pedras que estão posicionadas de forma estratégica, que mostram exatamente quando ocorrem os fenômenos de solstício e equinócio, e também determinam a direção norte-sul.
      (Fontes: https://inspiralma.com/2017/10/11/trilha-arqueologica-fortaleza-da-barra/  https://arqueoastronomia.com.br/atividades)

      Infelizmente não pude conhecer esse lugar e estava rolando umas atividades muito boas e algumas gratuitas, mas como eu tinha caminhado uns 9km estava bem cansada e precisava almoçar em algum lugar. Deixo os links acima para quem tiver interesse nesse lado místico que eu achei sensacional e gostaria de me aprofundar, mas a natureza da fome foi mais forte.

      Tudo bem, mais um motivo para voltar para esse lugar incrível e como vocês podem ver, há muitas trilhas e caminhos para desbravar.
      Depois de comer algo, mais uns 3km desse local chegamos na Barra da Lagoa e é uma graça de simplicidade e beleza:

      Meu parceirinho de trilha precisava ir embora e eu estava cansada, mas aproveitando que eu já estava na Barra da Lagoa, fui conhecer uma trilha que leva para umas piscinas naturais Ela é bem curtinha e leva uns 30 minutos e é bem sinalizada. Reuni força, animo e vontade e fui.

      Valeu a pena!


      Depois de ver tudo o que gostaria, peguei um ônibus de volta para a Lagoa da Conceição. Jantei, estiquei as pernocas e vocês acham que fui dormir? Bem, era esse o plano original, mas quando você se hospeda em hostel, ainda mais naqueles que parece que você está em casa com seus melhores amigos, recebi o convite para um aniversário de uma moça que estava no mesmo quarto que eu numa balada mara em Floripa. Fizemos nosso esquenta no hostel e depois tocamos pra vibe! Já que temos espírito teen, ele baixou em mim e assim ficou...hehehe

      Pessoas sensacionais. E que noite!!!
      O dia seguinte era meu retorno a SP e pela primeira vez na trip me permiti dormir até a hora em que meu corpo quisesse. (Respeitando o horário do check out, é claro).
      Esses poucos dias foram lindos e intensos e conheci muita gente boa e especial pelo caminho. Muitas mulheres ficam com receio de sairem sozinhas por ai afora e posso dar a dica de ouro: SE JOGA!! Quando emanamos boas energias, boas pessoas e bons momentos serão atraídos até a gente. Não se limite a esperar cia, às vezes a sua agenda e de seus amigos podem não bater e você perde a oportunidade de fazer bons novos amigos pelo caminho.
      Ir para novos lugares é um prazer imenso e uma perfeita válvula de escape para mim, mas voltar para casa tb me alegra, e muito.

      Espero ter colaborado um pouco para o planejamento de algumas pessoas e mostrar que a Ilha da magia, mesmo em céu cinzento é linda e acolhedora.
      Qualquer dúvida que tiverem podem me perguntar que será um prazer ajudar. Tenho comigo a planilha de gastos dessa viagem, caso necessitem.

       
       
       
       
       
       
       
       
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