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Paulo Moreira Jr.

Patagônia Argentina - 8 dias entre El Chalten e El calafate

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Boa noite, colegas

Após muitas viagens, esse é meu primeiro relato.  Estou praticamente sendo obrigado a relatar, impelido por gratidão a todos e por achar que as informações pra esse destino estão um pouco confusas.  Minha tentativa é ajudar um pouco mais aqueles que buscam informações sobre essa área, El Chalten e El Calafate, e quem sabe encorajar outros viajantes!  Segue abaixo o relato da viagem realizada entre 10/10 e 19/10/2017.

Somos um casal de mochileiros e viajamos com a economia sempre sendo uma premissa de viagem. Não temos metas restritas de gastar 1 dólar por dia nem nada muito radical, mas evitamos gastar dinheiro desnecessariamente. O orçamento é curto e exige sacrifícios, o nosso dinheiro não dá pra viajar SEM se preocupar com despesas. Portanto, sacrificamos alguns dedos para salvar a mão. Não fazemos questão de luxo em hospedagens nem em restaurantes e sempre que possível fazemos tudo por nossa conta.

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As passagens Rio – El calafate foram compradas através de uma promoção divulgada no Melhores Destinos, pagamos 1130 por pessoa. Vôo com escala – longa e fora de mão – em Buenos Aires. Levamos cartões de crédito Mastercard para uso excepcional e para pagar os hotéis, uma vez que cartões internacionais são isentos de um imposto de 21% cobrados pelos hermanos, e dólares. Compramos os dólares na DG Câmbio, em Niterói – RJ.

Como preparativo, compramos calçados para frio no Amazon.com, que uma amiga trouxe para a gente dos EUA. Roupas específicas para frio compramos na Decathlon e na 91 Meias e Acessórios, ambas no RJ, e algumas acabamos nem usando pois demos sorte com o clima.

Programamos a viagem com alguns dias a mais que o mínimo necessário para termos algum espaço de manobra caso o clima não cooperasse.

Todos os preços listados são POR PESSOA ou POR UNIDADE, ao menos que explicitado em contrário.


VOU TENTAR ADICIONAR MAIS FOTOS POSTERIORMENTE!

Dia 1 - Embarque

Embarque no Rio às 22:00 com destino a Buenos Aires, pela Aerolíneas Argentinas. Os quatro vôos foram tranquilos e sem intercorrências ou atrasos, lanches simples e nada a destacar nem positivamente nem negativamente. Nesse primeiro deslocamento o destino final era El Chalten.

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Dia 2 – Ida até El Chalten

Chegamos em Buenos Aires às 02:00, no Aeroparque, que é próximo ao centro de Buenos Aires. Algo como o Santos Dumont no RJ. Nosso vôo para El Calafate era às 06:15 e gastamos o tempo assistindo a filmes no computador dentro do aeroporto. Wifi disponível e tudo ridiculamente caro, apenas uma prévia do que seria ainda pior na patagônia. Compramos uma garrafinha de água que custou 45 pesos (100 pesos estavam valendo 18 reais), cerca de R$ 8,20!

Nosso primeiro problema de logística ocorreu por causa desse vôo. Originalmente o vôo para El Calafate seria às 08:20, mas foi adiantado para as 06:20 pela Aerolíneas. Reduziu o tempo de conexão, mas me atrapalhou por que o Banco de La Nacion do Aeroparque fecha entre 00:00 e 06:00, o que significa que não consegui fazer o câmbio dos dólares antes de chegar em El Calafate, por que no minúsculo aeroporto de lá não há casas de câmbio. Durante as pesquisas eu descobri que havia uma agencia do La Nacion em El Calafate e com uma ligação para lá confirmamos que eles também faziam câmbio. Como o câmbio no Galeão era ridículo, chegamos em El Calafate ainda sem pesos na carteira.

Chegamos em El Calafate por volta de 09:30 e já estávamos com transfer ida e volta para a cidade marcado com a VES PATAGONICA. O valor foi 240 pesos por pessoa, cerca de 45, e tudo foi arranjado por e-mail. Como eu ainda estava sem pesos, paguei esse transfer em dólar e levei uma pernadinha na cotação e no troco, mas era algo que eu já sabia que aconteceria.

 

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Inicialmente, nós iríamos alugar um carro, mas como demorei a fazer a reserva não conseguimos boas tarifas e o conforto de ter um carro acabaria saindo muito caro, cerca de 3500 a 4000 pesos além do que gastaríamos com os transportes pela região. Deixamos o conforto e as vantagens do carro de lado pela economia e tranquilidade também, pois os policiais argentinos são conhecidos por acharcar motoristas estrangeiros. Não sei se é o caso na região da Patagônia, mas esse fator entrou na balança também quando desistimos do carro. Existem um transfer direto do aeroporto de El Calafate para El Chalten, nosso destino, mas tivemos que passar no centro de El Calafate primeiro para ir ao Banco de La Nacion trocar os dólares e marcar o Mini Trekking na Hielo y Aventura. A van foi pontual e prática e o motorista muito cordial e seguro dirigindo, sempre em baixa velocidade. Essa também foi a tônica nos transportes que pegamos, uma condução extremamente cuidadosa.

A van nos deixou no hotel em que nos hospedaríamos em El Calafate quando retornássemos de El Chalten, Kalken Hotel by HS. Volto a falar dele depois. Fomos ao hotel contando com a boa vontade deles em manter nossa bagagem guardada enquanto resolvíamos as pendências e eles foram extremamente receptivos. Guardaram nossas malas, nos permitiram acesso à internet e nos ajudaram com o transfer para El Chalten.

Fomos ao Banco de La Nacion e trocamos dólares em uma excelente cotação e sem taxas. O único inconveniente é que é um banco, então você entra na fila como um cliente qualquer. Nesse primeiro dia levou cerca de meia hora, mas na segunda vez que precisei aguardei quase uma hora na fila.

De lá seguimos para a Hielo y Aventura, que é a única empresa autorizada a realizar passeios pelo Glacier de Perito Moreno. Os dois passeios principais são o Big Ice e o Mini Trekking, optamos pelo mini trekking por ser bem menos caro e por receio com o mal tempo. A idéia de gastar quase 2 mil reais no passeio e ficar à merce do instável clima patagônico foi o que nos fez optar pelo mini trekking. Minha esposa sente muito o frio e eu receei que o passeio mais longo poderia se tornar um martírio em caso de darmos azar com o tempo. Falarei em mais detalhes do passeio depois, mas já adianto que não demos azar com o tempo mas também não ficamos com a sensação de que mais teria sido melhor, o Mini Trekking saciou plenamente nossa vontade de passear pela geleira.

Passeamos um pouco pela cidade para matar o tempo e com a ajuda da recepcionista do hotel, conseguimos marcar o transfer para El Chalten, ida e volta, 1150 pesos por pessoa, com a empresa LAS LENGAS. Precisamos da ajuda do hotel por que o terminal rodoviário de El Calafate, que era próximo ao hotel, foi desativado. Meu plano era ir direto lá e comprar as passagens, mas como ele foi movido para fora do centro da cidade, criou a dificuldade de ter que arrumar um táxi para ir até lá. A empresa Las Lengas busca e leva no hotel, o que poupou esse deslocamento até a rodoviária. Chegaram pontualmente e a viagem também foi muito tranquila. Fiz o pagamento diretamente ao motorista e ele mesmo me entregou o voucher para a volta, já com dia e hora marcados para nos buscar no hotel para o retorno ao aeroporto. O veículo tem um tacógrafo que apita se atingir 90km/h, o motorista fez todo o deslocamento sem qualquer sobressalto e nos deixou no nosso hotel em El Chalten por volta de 18:30 - a viagem levou cerca de 3 horas. O hotel foi o Cabanas Cerro Torre, logo na entrada da cidade a poucos metros do Centro de Informações Turísticas.

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Nossa estadia no Cabanas Cerro Torres foi bem mais ou menos. As cabanas são pequenos chalés, com uma pequena cozinha. Local espaçoso e acolhedor e com cama confortável, mas já muito velho e precisando urgentemente de melhorias. O vento forte provocava muito barulho nas instalações, além de se infiltrar pelas frestas. Tivemos alguns problemas com a calefação e a água quente, mas o frio não tava tão intenso a ponto de isso nos causar um grande transtorno. A calefação deu conta de deixar o quarto apenas um pouco frio, o que é até confortável para dormir. A limpeza também é precária, embora alguém limpe o quarto todo dia, a limpeza é muito superficial. Embaixo das camas, atras da geladeira, móveis, etc, estava tudo imundo. A diária custou 42,5U$, pagamos no cartão de crédito antecipadamente para evitar os 21% do IVA. Eles só aceitam VISA.

 


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Apesar do cansaço, ainda demos uma caminhada sem destino pela cidade. O sol só se pôs por volta de 20:00, com o céu ainda claro até quase 21:00. Temperatura na média dos 5 graus e o dia todo foi ensolarado.

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Transfer de ida e volta do aeroporto até El Calafate – 240 pesos

Transfer de ida e volta entre EL Calafate e El Chalten – 1150 pesos

Minitrekking – 2400 pesos

 

Dia 3 – El Chalten

Acordamos por volta de 8 horas e o dia estava ensolarado e com pouco vento. Nos arrumamos e seguimos direto para o Centro de Informações Turísticas para buscar recomendações de trilhas. Por conta do corre-corre do dia a dia, dessa vez chegamos ao destino menos preparados do que eu gostaria, e embora eu tivesse lido algumas coisas, não havia programado o que fazer. Teríamos 3 dias inteiros em El Chalten e queríamos fazer pelo menos as duas trilhas mais importantes, a da Laguna de Los Três e da Laguna Torre. Em conversa com a atendente, ela nos orientou a começar pela mais difícil, a da Laguna de Los Três, por que a tendência para o vento era piorar nos próximos dias e essa trilha era a que tinha o trecho mais desabrigado. Ela recomendou também o uso de bastões de caminhada, que eu planejava ter comprado antes da viagem mas acabei não conseguindo.

Adotamos as recomendações da guia e seguimos em direção a trilha da Laguna de Los Três. A entrada do Parque Nacional é na outra ponta da cidade, mas não dá nem 1km de distância. Alugamos os bastões de caminhada retráteis por de 100 pesos cada par e eles valeram cada centavo.

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Iniciamos a trilha às 10:30. Não vou ser muito detalhista sobre as trilhas pois já existem postagens muito boas aqui mesmo sobre elas, portanto vou ser sucinto. Existem duas formas de fazer essa trilha, a melhor é pegando um transfer até a Hosteria Pilar, pois partindo de lá evita uma primeira subida cansativa e faz-se um caminho em uma única direção, em vez de ida e volta como foi o nosso caso. Mas já estava tarde para ainda procuramos alguma condução até essa hosteria e portanto seguimos pelo caminho comum. De cara já tem uma subidinha um pouco puxada até um pouco depois do primeiro mirante, cerca de 1 km. Daí até o km 9, já ao pe do Fitz Roy, é bem tranquilo, relativamente plano com uma ou outra subidinha sem qualquer dificuldade, com belas paisagens e vegetações diferentes do que costumamos ver. Vimos apenas pássaros pelo local, inclusive o famoso pica-pau presente em todos os relatos que li. No final que vem a pior parte. A placa diz que a última subida leva cerca de 1 hora, mas levamos mais de 2:00h! Não somos sedentários mas estamos os dois acima do peso e a subida cansa muito, principalmente quando você pensa que depois ainda tem que voltar todo o caminho. Os bastões de caminhada ajudaram muito! Começamos às 10:30, chegamos ao pé da montanha às 14:30 e no topo dela depois de 16:30. Ficamos lá em cima por cerca de 1 hora. Embora não tenhamos passado por neve no caminho, la no alto estava nevado e a Laguna de Los Três estava congelada e coberta de neve. Iniciamos o retorno já sabendo que só chegaríamos a cidade à noite, mas já estávamos preparado pra isso com uma lanterna na mochila. Foi cansativo pra caramba, mas muito gratificante. Chegamos à cidade quase 22:00 e fomos direto pro hotel. A janta foi miojo que levamos na mochila, cozinhado no pequeno fogão da cabana, e pão. Durante toda a caminhada a trilha estava muito bem sinalizada, com placas a cada quilômetro, em um ou dois lugares tivemos alguma confusão mas rapidamente achamos o caminho. Não vimos sequer um pedaço de papel ou plástico em todos os 25km ida e volta. Lindo lugar, muito bem conservado e sinalizado e respeitado pelos mochileiros. Existem inúmeros córregos de água potável pelo local, basta levar uma garrafa vazia que sede não será um problema.

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Bastões de caminhada retráteis – 100 pesos o par. O rígido custava 60.

Pacote com 5 pães francês (equivalente hermano) – 25 pesos

Garrafa de água 1,5l – 25 pesos


 

Dia 4 – El Chalten

O tempo fechou e entrou uma forte ventania com pancadas de chuvas o dia todo. Veio a calhar pois estávamos moídos da trilha do dia anterior, então tiramos o dia para descansar e assistir uns filmes curtindo a friaca. Descansamos até mais tarde e no almoço comemos as coisas que havíamos trazido para lanche. No fim da tarde andamos pela cidade, devolvemos os bastões de caminhada, compramos algumas coisas e jantamos no Rancho Grande Hostel. Comemos um bife a milanesa com papas e ovos, que deu pra dividir pra 2 e deixar dois glutões satisfeitos. Antes da comida eles servem uma cesta com pães e um molhozinho. Bom custo benefício. Estávamos com uma garrafa de água na mão e o garçom ofereceu copos para que bebêssemos nossa própria água, sem demonstrar qualquer desconforto, além de trazer outro cesto com pães quando o primeiro acabou. O atendimento foi muito legal e acolhedor. Antes de voltar pra casa compramos algumas coisas no mercado.


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Milanesa com papas – 200 pesos

Pote de iogurte de 1l – 60 pesos

Coca cola 1,5l – 65 pesos

 

Dia 5 – El Chalten

Acordamos mais cedo dessa vez e o tempo já havia limpado novamente, embora ventasse um pouco. Não podemos reclamar do clima nessa viagem! As calças impermeáveis que comprei foram comigo na mochila pra cima e pra baixo sem serem usadas. Alugamos novamente o bastão de caminhada e fizemos a trilha para a Laguna Torre. Embora sejam quase 20km ida e volta, não cansou nem metade do que a trilha da Laguna de Los Três, pois as subidas foram bem mais suaves e menores. A Laguna de Los Tres em si própria é bem feinha, mas as montanhas ao redor são muito bonitas. O caminho também é muito bonito, belas paisagens, córregos e rios, a caminhada sem dúvida vale muito a pena. Principalmente por que você se sente seguro, sem aquele medo e preocupação com que o carioca já se habituou, lá você se sente em paz e isso te permite curtir de verdade as paisagens e a caminhada. Vale muito a pena ir até lá pra fazer as trilha. Começamos essa trilha às 09:30 e às 17:00 estávamos de volta a cidade, sem pressa e separando bastante tempo para ficar apreciando a paisagem ao fim da trilha.

Estava havendo uma vaquejada na cidade, demos uma passada pela festa comemos dois hamburgueres que estavam sendo vendidos lá, assistimos por alguns minutos mas depois fomos embora. Embora seja uma tradição, vaquejadas e eventos do gênero são muito covardes com os animais, não temos nenhum prazer em ficar assistindo. Os hamburgueres eram só o pão e uma carne normal como qualquer outra que compramos nos mercados por aqui, só que assada na brasa. Só o pão e a carne e custou 50 pesos cada. E esse era um evento local, não para turistas, e mesmo assim custou o equivalente a 9 reais.

De la fomos no Chê Empanadas e comemos algumas empanadas antes de voltar para o hotel.

Hamburguesia – 50 pesos

Empanada – 25 pesos

Bastão de caminhada – 100 pesos o par

Considerações sobre El Chalten. Cidade pequena e cara. No mercado, uma garrafa de 2l de Coca-cola sai pelo equivalente a uns 12 reais, empanadas custam entre 25 e 35 pesos, garrafas de água de 1,5l cerca de 25/30 pesos, refeições para uma pessoa na casa dos 200 pesos em diante.

Paraíso de trilhas e com opções de caminhadas para todos os gostos e condicionamentos, áreas para campings sinalizadas e organizadas, tudo limpo e impecável. Não é uma das mecas dos trilheiros à toa.


 

Dia 6 – El Chalten/El Calafate

Retorno para El Calafate. A van da Las Lengas nos buscou pontualmente conforme combinado e a viagem foi novamente tranquila até El calafate. Chegamos no Kalken Hotel por volta de 14:00, fizemos o check-in, guardamos as coisas no quarto e saímos para almoçar. Fomos ao restaurante Dona Mecha seguindo resenhas do Tripadvisor e pedimos o sanduíche de carne a milanesa (50cm) e duas “empanadas”. Foi o suficiente para nós dois. De lá fomos ao mercado e compramos pães e algumas outras coisas para fazermos sanduíches para levarmos no passeio de amanhã.

Sanduichão de ½ m - 165

Empanadas – 20 cada, 185 se comprar 10.

Não consegui encontrar a nota fiscal do mercado, se eu encontrar detalho os preços aqui. Compramos presunto, pães, tomates, alface americano, maionese e algo parecido com um requeijão.

 

Dia 7 - Minitrekking

Tomamos um café da manhã reforçado e aguardamos a chegada da van da Hielo y Aventura.

A Hielo y Aventura também faz muito bem seu trabalho, nada mais justo levando-se em consideração o preço do passeio. Não fugiu muito do explicado no site, uma van nos buscou no horário combinado, nos levou até um ônibus. O ônibus levou cerca de uma hora até o Parque Nacional em Perito Moreno. Saímos de El calafate com céu aberto, mas próximo ao glaciar estava nublado. Um funcionário entrou no ônibus e cobrou pelos ingressos de todos, é necessário estar com pesos para o pagamento pois não aceitam cartão. Uma dúvida que eu tinha era se ainda havia desconto para moradores do Mercosul, conforme vi em alguns relatos, mas não há mais. Brasileiro paga 500 pesos pelo ingresso. Depois seguimos para um pequeno porto onde um barco fez nossa travessia até o outro lado do estreito, de onde o grupo parte para a caminhada no glaciar. Entre explicações e caminhadas, levamos cerca de 1h até o pé da geleira, onde colocamos os grampões e iniciamos a caminhada. Levou cerca de 1:30 a 2:00h, conforme prometido, e visitamos 4 vales diferentes além de outras coisas pelo caminho como fendas, buracos poças e etc. O glaciar Perito Moreno é uma das coisas mais incríveis que já vi, e falo com a autoridade de quem já rodou um bocado. Assim como as pirâmides ou o grand canion, as fotos não fazem jus ao local, não conseguem transmitir a imensidão que é o lugar. Em sua maior altura, o paredão de gelo chega a medir 70 metros, o que equivale a um prédio de uns 30 andares. A caminhada foi tranquila e sem muitas exigências físicas. Leve um cartão de memória grande, vai tirar centenas de fotos.

Depois da caminhada, outro passeio de barco e o ônibus nos leva às passarelas. Num primeiro momento, eu achei que não teria muito mais o que ver de lá, mas estava redondamente enganado. Tanto na aproximação quando na caminhada em si, só visualizamos a frente da geleira e um pequeno pedaço, como as passarelas são no alto, da pra ver a vastidão da geleira, que literalmente vai até além do horizonte. É também espetacular. O céu limpou e o sol deixou tudo ainda mais bonito.

Ficamos nas passarelas por cerca de 1 hora, mas não vimos nenhum grande desprendimento de gelo, o que é uma das atrações de lá. Durante a caminhada ouvimos alguns, que soaram como trovões tamanho o volume dos pedaços que caíram.

Retornamos ao ônibus e em uma hora e pouco estávamos de volta à cidade. Tudo muito profissional e organizado, prestadores de serviço muito atenciosos e cordiais. Foi caro mas o serviço prestado foi à altura. Não há comidas nem restaurantes no local, o visitante deve levar seu lanche.

Pra janta comemos os pães e complementos que compramos no dia anterior.

 

Mini trekking – 3200 (quase 600 reais)

Entrada – 500 pesos (90 reais)


 

Dia 8 – El Calafate

Dia livre. Tomamos café da manhã no final do horário e depois saímos para andar à toa pela cidade. Caminhamos por fora da avenida principal e turística observando as casas dos reais moradores da cidade, os jardins e árvores, os muitos cachorros, enfim, a real vida no local. Caminhamos algumas horas sem destino pela cidade e já no fim da tarde paramos no restaurante San Pedro para jantar. Pedimos o prato que estava em promoção anunciado na vitrine, cordeiro com batatas rústicas. O cordeiro patagônico é um prato muito característico da região, mas infelizmente eu não reparei nas letrinhas menores. O cordeiro anunciado era cozido de outra forma, com molho chimichurri. Estava bom, mas como minha intenção era provar o cordeiro patagônico, que é assado na brasa, saí um pouco frustrado. Cada prato custou 195 pesos.

Rodamos um pouco para comprar minha lembrança de viagem. Desde minha primeira viagem que coleciono lembranças: um coliseuzinho de gesso, um gondolazinha, uma piramidezinha, essas bugigangas. Nunca foi tão difícil achar algo pra comprar, pois tudo custa um absurdo. Simples imãs de geladeira estavam custando 100 pesos (18 reais), qualquer besteirinha mais elaborada era 200, 300 pesos. Enfim, depois de muito procurar, achei um glaciarzinho sem vergonha por 60 pesos e me contentei com ele mesmo. Dessa vez improvisei nas bugigangas de viagem: trouxe uma pedrinha de El Chalten, uma pedrinha que peguei em Perito Moreno e um pequeno pinhão que retirei de uma árvore em El Calafate. Já trouxe pequenas pedras de outros lugares importantes, como Cairo, Petra e Jerusalem, gosto de verdade das pedrinhas, mas obviamente que o fato de elas serem 0800 ajudaram!

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Codeiro com papas – 195 pesos

Lembrancinha chinfrim – 60 pesos


Considerações sobre o Kalken Hotel. Hotel simples mas muito bom. Não é hostel nem guest house, é hotel com suas formalidades e características. O quarto é bem arrumado e espaçoso, com cama confortável carpete pelo chão, café da manhã buffet muito bom e pessoas muito prestativas na recepção. Eu diria que de 10 a nota deles seria 8. Recomendo. Tivemos problema com uma falta de internet que durou mais de 24 horas, o que nos dias de hoje é algo complicadíssimo, uma vez que era nossa única fonte de comunicação com o Brasil e também indispensável para as pesquisas de viagem. O café da manhã tem algumas opções de sucos, iogurtes, cereais e sementes, pães e croissant (chamam medialunas por lá), frios e a fruta da vez era abacaxi. Eu, como mochileiro, encaro um café da manhã já incluso no preço como uma oportunidade! Costumo dizer que a refeição mais importante do dia é essa, por que já está paga! Como feito um ogro e pulo o almoço tranquilamente. Recomendo este hotel. Diárias por U$47.

Considerações sobre El Calafate. Cidade caríssima e base para passeios ainda mais caros. Muito bonita e arborizada, clima frio e agradável. A cidade por si só não vale a viagem, o que justifica tudo por lá é Perito Moreno. Talvez seja um destino bom pra quem não precisa economizar, deve ter bons restaurantes e bares, mas esse não é nosso foco em viagens.


 

Dia 9 – Buenos Aires


 

Retorno ao Brasil. Por volta de 10:30 a van da VES PATAGONIA que estava agendada desde a chegada no buscou no hotel e nos levou ao aeroporto. Duas horas e meia de vôo e chegamos às 16:00 em Buenos Aires, com o próximo vôo para o Rio apenas às 06:25 da manhã do dia seguinte. Nunca havíamos visitado a capital argentina e também não tive tempo de fazer qualquer preparação para visitar a cidade. Pegamos um Uber até o Hostel Reina Madre, fizemos o check in e pegamos um mapinha e algumas informações com a recepcionista e saímos para caminhar pela cidade, que era o que dava pra fazer. O hostel é na Recoleta. Em nossa caminhada passamos pelo Cemitério da Recoleta e seguimos até a Flor Metálica, que efetivamente foi a única atração que visitamos. Almoçamos no MacDonalds. Seguimos caminhando e passamos pelo prédio da faculdade de direito e fomos até quase o obelisco da Avenida 9 de Julho. Relâmpagos e um tempo se revirando fizeram com que encerrássemos a caminhada e voltássemos para o Hostel. Compramos sanduíches no Subway, um pote de sorvete de doce de leite num mercado e já debaixo de muita chuva chegamos ao Hostel.

Uber - 108 pesos

Trio Big Mac - 140 pesos

Sanduíche do dia do Subway 15cm - 60 pesos

Pote de 1 l de sorvete – 99 pesos

Chuva e trovoadas com as capas de chuva esquecidas no hostel – não tem preço!

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Hostel Reina Madre. Barato. Pegamos um quarto com banheiro compartilhado, aproveitamos que ficaríamos apenas algumas poucas horas para economizar. O quarto tem ar condicionado, mas a recepcionista ligou em 24 graus e disse que não abaixava mais. Com o quarto sem janelas, o resultado é que fora do quarto estava mais fresco que dentro. Cama com colchão muito vagabundo, toalhas e roupas de cama encardidas. É só mesmo um lugar pra dar uma cochilada e só. Recepcionistas bem prestativas. 41U$ o quarto duplo com banheiro compartilhado.


 

Dia 10 – Rio de Janeiro

Acordamos às 4:00, nos arrumamos rápido e chamamos o Uber para retornarmos ao aeroporto. O motorista fez uma volta inexplicável para chegar e não só rodou muito mais como demorou o dobro do tempo. A corrida que tava orçada em 108 ficou em quase 180 pesos. Fuçando no aplicativo do Uber durante a fila pra checagem de segurança do embarque, vi que há uma aba específica para esse tipo de queixa e com dois cliques eu reclamei e automaticamente o aplicativo estornou o valor a mais se baseando no caminho que o motorista deveria ter feito. Ou seja, o hermano tentou me dar uma vuelta mas o sistema me protegeu e resolveu meu problema em alguns poucos instantes. E tem gente que ainda quer lutar contra... Fizemos o embarque e tivemos um vôo tranquilo de retorno ao Rio, mais 3 horas e aquele lanchinho sem vergonha de sempre e chegamos em paz e realizados com o final de mais uma viagem, o melhor investimento que o dinheiro pode fazer.

 

Espero ter ajudado aos colegas! Quem quiser alguma ajuda, me contate no e-mail [email protected], terei prazer em ajudar se puder.  Quanto tiver mais tempo dou uma melhorada no relato e anexo mais fotos.


 

 

 

 

 

 

 

 

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Muito bom! Vejo poucos relatos sobre esta época do ano e é bom ver corajosos por aqui hehe. Pretendo ir em 2018 em set/out. Parabéns!

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    • Por Hélio José
      Essa viagem começou em setembro do ano passado, quando estava pesquisando destinos para viajar assim que eu terminasse a minha formatura. Bem, ate então não havia o voo direto de Recife a Bogotá, que foi inaugurado no mês de novembro, dois meses depois, seja como for, acredito que peguei uma boa promoção, afinal paguei 1200 reais saindo de recife, com conexão em são paulo para ir a Bogotá, e na volta, sai de Bogotá para o Rio onde tive conexão  para voltar ao Recife, tudo pela Avianca.
      As passagens a Medellín, também comprei pelo site da Avianca internacional, no mês de novembro e custou 400 reais a ida e volta, tratei de comprar um voo as 8 da manha, já que eu chegava em Bogotá as 5 e meia da manhã e tem todo aquele processo de achar o terminal nacional, retirar as bagagens, imigração e tal. Então vamos ao que interessa.
      Para começo de conversa a Avianca Brasil me trolou duas vezes, a primeira foi um mês antes da viagem, quando recebi um e-mail de alteração no trecho REC-GRU, antes eu sairia daqui as 20 hs e com três horas de voo, significava ficar pouto tempo lá em São Paulo, uma vez que meu voo saia as 1 da madrugada. A Avianca Brasil pôs meu voo REC-GRU para as 8 da manha do dia 28, ou seja, logo após o trecho São Paulo - Bogotá , eu teria um voo as 8 da manha Recife - São Paulo (What?) Bem, Uma coisa tem de ser dita, os atendentes da Avianca internacional são muito simpáticos no seu português cheio de sotaque espanhol (Valeu Davi). A segunda trolagem, vou deixar para falar sobre ela no trecho da volta.
      Despache de mala ok aqui em Recife, só iria pegar a mala la em Bogotá. Segue o Fluxo. Deixei meus fones de ouvido em casa, e já sabia que os fones que a Avianca Brasil dão, são meio capenga e só funciona bem nas mídias deles, e que eles recolhem no final do voo. Porem tudo mudou no voo da Avianca internacional , que mesmo indo em assento da classe econômica, valeu Avianca, me deram fones que me salvou ate Medellín. Uma coisa deve ser dita, entrar no voo em São paulo, significa, já era português, e eu tinha experiência sim com espanhol na Argentina e Uruguai, porem dessa vez era Eu e Deus, então todo o atendimento das aeromoças, foram em espanhol, um sofrimento para entender, embora que la pelas tantas da manha quando elas passaram dando agua, e acho que a cara feia que ela me fez significa que eu errei, em esperar ela me dar o copo, em vez de pegar o copo para ela por a agua (perdão, na volta eu aprendi). La pelas 4 e pouca da manha, depois de descobrir a técnica infalível de deitar numa cadeira de dois assentos, estavam servindo o café da manhã. Café da manhã bom, mas se me perguntar so me lembro dos "huevos" e gasosa de manzana ( Ta na hora de o Brasil exportar aquilo, porem acho que o guaraná Jesus é parente daquele refri, tenho certeza disso). Junto me deram um papel para preencher, era familiar aquilo, já peguei o mesmo quando a TAM me deu na entrada ao Uruguai, mas  e cade a caneta para preencher? Fato que teria bronca com isso mais na frente.
       
      Segue o fluxo para a imigração, a Imigração da Colômbia é bem de boa, mas uma dica, quase não entro na Colômbia, Culpa do Andrés, meu super amigo colombiano que sabe muito português, acho que sabe até demais. O Andrés não me disse sua Calle, nem o numero da sua casa onde eu iria ficar. E a moça da imigração foi bem clara, você não entra na Colombia se não disser onde vai ficar. Bem, ainda liguei pro danado, mas eram 6 da manha, e ate eu estaria dormindo ( exceto se fosse receber um amigo hahahahha) Mas... Deu tudo certo, ela pegou o numero dele, e carimbado, vamos a segunda bronca da manhã. A falta de Caneta. Bem, não existe nenhuma instrução de como preencher o papel de declaração que vc recebe la no avião, esta em inglês e espanhol, então se vire, o pessoal não empresta caneta ( obrigado ao americano que me emprestou e fiquei com ela), Entregue ao moço la, mais um raio X e sai do aeroporto internacional.
       
      Bogota é muito fria de Manhã, muito mesmo, e eu precisava agora achar o balcão da Avianca para despachar minha mala para MED, o aero não é tao gigante quanto o de São Paulo, pelo menos não achei. Mas eu tinha um amigo la me esperando (Henrique) que me ajudou no café da manha, porque estava sem nenhum peso colombiano. Comi huevos de novo. Despachei a mala e foi tudo muito tranquilo. Em setembro eu não sabia que iria viajar na semana santa, então estava tendo uma amostra das igrejas da cidade no aeroporto, deu tempo de treinar o espanhol. Muito lindo. Você tem duas horas de Wi-fi la, então da para se cadastrar e aproveitar.
       
      Medellin
       
      O voo pra Medellin é rapido, só da tempo de tomar um suco, literalmente. E quando voce chega la, o aeroporto é lindao. Vamos as dicas, tem casas de cambio boas no aeroporto ( na parte do embarque), entao chegou, sobe as escadas, e tem uma casa em especifica que fica por tras de uma escadas, é com a melhor cotação, percebi tanto na chegada quanto na volta. Troquei 20 dólares la, 53 mil pesos colombianos, o suficiente para pegar o busao que sai do aeroporto para o centro da cidade. O onibus fica na saída do desembarque nacional, saiu, segue em frente tem dois onibus, vc pega o primeiro que segue para o centro comercial San Diego, há dois onibus la, se ligue (Centro comecial San diego). 9500 pesos colombianos.
      Aproveita a viagem, e se quer curtir, senta no lado do motorista, que quando voce passar o pedagio, vai ter uma visão da chegada a  cidade que PQP, que cidade... Medellin me deixou enamorado desde a chegada. São 40 - 1 hora, não lembro quanto tempo durou, mas o suficiente pra curtir bem a paisagem. Muita gente desce no centro comercial, e o ponto é embaixo de um viaduto ( A Daniela estava la me esperando, a irmã do Andres). E quando voce chega, tem muuuuito taxis. Minha dica, se acalma e vai trocar tua grana. Precisa entender que o centro comercial é dividido em duas partes e separado por uma avenida, as casas de cambio ficam na segunda parte, entao voce vai atravessar a avenida, cruzar o centro por dentro e chegar na outra avenida, subir uma passarela e acho que no 2 andar tem duas casas de cambio, perto de uma lanchonete. Troquei la, 100 dolares, o que deu para os 4 dias em MED. Comi uma empanada com suco de maracuja e vamos pra casa, pra casa do Andres.

      Saindo de la pegamos um taxi,e os taxis são amarelinhos e pequenininhos, achei fofo, um monte de irmão do UP amarelinhos.
      Fiquei no Bairro de Buenos aires, não me pergunte melhor local de estadia, era a casa do meu amigo e foi maravilhoso.
      Almocei, e quando foi umas 16hs o Andres Chegou, fomos conhecer o centro.
      Basicamente MED faz voce ter certeza que a educação é a chave para fazer o sistema funcionar, eles tem um sistema de transporte de dar inveja a qualquer cidade, duas linhas de metro, o Transvia ( primo do VLT do Rio) e o metrocable ( a melhor aventura), alem dos onibus, e BRT que la tambem tem. MED tem muito a ensinar a Bogota.
      Fui conhecer o centro naquela tarde, pegamos o metrocable, por cima das comunas, e retornamos, e fomos andar de transvia ate certo ponto, descemos e fomos caminhando.

      Para construir o Transvia foram desocupados algumas casas pelo que entendi, e onde foi desocupado, puseram grafites, quadras poliesportivas, e foi toda repaginada a via, claro que com aquele VLT passando pra cima e pra baixo e vc não se pergunta como não mata um, porque ele passa pertinho de voce. E a galera tipo, nem ai...

      Tomei um sorvete muito gostoso, com raspa de gelo, leite condensado, não lembro o nome, e foi quando descobri que eles comem Manga verde com tudo cara, Muito foda o sabor. Delicioso. Mas isso é historia pra a pedra do Peñol.
      No centro perto das esculturas de Botero, tem umas loginhas pra comprar lembrancinhas barato, e aceita cartao de credito.
       Fomos ao pueblito paisa, pegamos metro e uber, subimos ao pueblito, com uma visão linda de Medellin a noite, lá tem uma maquete da cidade que voce entende bem como funciona a cidade, assim como entende como era o povo que fundou a cidade. Depois seguimos para encontrar umas amigas ( Ana e Carolina). Incrível como tem pessoas que estudam tao bem o português. Fomos comer num local (mercados del Rio), meio carinho la, aceita cartao de crédito, e tem culinária, penso eu, do mundo inteiro. Ficamos ao som do Regeanton, curtindo e tomando sangria, uma especie de esquenta para irmos ao parque Lleras (Cara, se voce curte balada, vai gostar desse parque). São muitas casas de shows e baladas, como eu estava sendo levado, não lembro a que fiquei e como fiquei sobre efeito de tequila, tambem muitas informações ficaram perdidas, tudo esta sendo dito olhando o historico do maps ( ). Mas em resumo, algumas informações importantes : 1 - Eles tomam cerveja com sal e limao ( não me pergunte porque), 2 - Tequila me fez falar muito bem espanhol, vale a pena voce tentar mesmo que não se lembre muita coisa no dia seguinte. E 3 - Eles escutam funk brasileiro mas como não sabe o que significam , dançam meio estranho, hahahahha. Eu acho que ensinei algo. Não lembro.

       
      Quinta feira 29/03 - Dia de ir a Guatapé. Para ir voce precisa ir ao terminal norte, existe muitas dicas de como chegar la aqui no site, procure e saberá. Mas fui de uber, de onde estava e pareceu barato ( na verdade achei o uber tanto em MED como em Bogota, muito barato). Chegando la me deparei com uma rodoviaria super abarrotada, era vespera de feriado da sexta santa, entao me ferrei. Só que o super Andres achou uma alternativa, que não me lembro bem... Mas que chegamos de 11 e pouco na pedra do peñol. Se estivessemos esperando o busão la , só iria ter horário depois de meio dia, e chegamos la as 9 da manha. Não sei como se comporta em dias normais, porém o que precisa saber é que vai se deparar com maior filão.
      Em resumo, pegamos um onibus ate Marinilla, de la um taxi  ate El peñol, e depois  ( olhe não sei como se chama aquilo la, mas fomos numa especie de toyota ate a base da pedra) e chegamos umas 11 e meia na pedra. Dicas mestre: independente de sua capacidade física e sabendo que vai enfrentar 700 degraus assim que chegar na base da pedra. VA ANDANDO. Vai ter uma porrada de gente oferecendo serviços pagos de uma espécie de moto estranha que tem la, cavalo, seja o que for, va andando, porque o transito que se forma subindo de onibus e carros é enorme e voce perde um tempo enorme. Ir andando alem de te preparar para a morte da subida, te dar uma visao linda da represa.

      Ok, ai voce não morreu, e chegou la em cima, depois de comprar o ingresso para subir e sofrer. Vai com Deus,. Os degraus vem numerados de 25 em 25, e acho que la pelos 400, tem um anexo onde vc vai ate uma imagem de nossa senhora, e aqueles degraus la não entrou na contagem, mas vale dar uma pausa pra respirar. Tirou a foto e sobe novamente. Quando chega la em cima, não se assuste com a fila pra descer e por favor, respeite-a. O mirante estava em reforma ( ou seja, la em cima vc sobe mais alguns degraus). Tem lojinha e picolé de manga verde la em cima. Com sal. Esse gelado que eles vendem ajuda bastante a refrescar, mas pra quem curte coisas exóticas, tem la em cima a cerveja com sal e limão e manga verde também pra quem curte.

      Acho que a pedra é um paradoxo, porque ela não respeita a lei universal do "pra descer todo santo ajuda", porque descer é pior, e mais estreito do que subir.
      Feito todo o percurso, e chegando la na base da ladeira. Pra comer, va a guatapé, que alem de ter um povoado lindo para otimas fotos. La a comida é barata. Mas pegue o onibus que passa na ladeira para a cidade, porque é barata a passagem, que voce acaba pagando caro se for por outro transporte, e tenha saco para aguentar o transito tambem.
      Chegando em guatape, pode ir explorar a vila, e almoçar nos milhares de restaurantes que tem por la, com almoços completos por cerca de 14500 pesos. Lembre tambem de ir comprar a passagem de volta a Medellin, no terminal e se ligar de estar la ate 10  minutos antes. O onibus é anunciado aos gritos, entao voce só perde se for surdo. Aproveita pra descansar nas 3 horas de volta.

      Na sexta do feriado, fomos ao parque Arvi. O parque Arvi é enorme, e não pense que tirar um dia voce vai conhecer ele todo, pelo que entendi, são varios parques e chegar ate ele em si já é uma aventura. Voce pega metro ate a estação Acevedo, e la faz transferencia pra o Metrocable e depois faz trasferencia para outro metrocable ( esse não é integrado, voce vai ter de pagar de novo), que tem estação terminal la no parque Arvi. Pra quem tem problema com altura , segura o coração, porque cara, voce sobe muito, e passa sobre os topos das arvores. E a cidade vai ficando para tras.
       No Arvi fomos fazer arborismo, Bem, o Andres sabe explicar melhor porque naquele dia tinha muita gente e ele é muito bom de conversa, é engenheiro quimico como eu, mas eu tenho a impressão de que ele é capaz de vender qualquer coisa com a conversa dele, em resumo, a gente não ia conseguir fazer o arborismo porque tinha chovido muito no dia anterior e la cai muito raios, mas ele conseguiu que a gente fizesse, sendo a ultima equipe do dia. Quando eles começam a falar rapido, a minha dica é entregar a Deus porque voce não entende nada, não importa o quanto peça para falar despacio (devagar). pressuponho que se voces quiserem procurar ele, ele ate faz esse trabalho de guia, agende e pergunte quando ele cobra. Alem de oferecer serviços fotograficos. Certamente ele ira comentar esse texto.
      No arvi há varias opções de lazer, assim que voce desse do metrocable tem uma feirinha la, e da pra comer muita coisa tipica, alem das frutas, sou apaixonado por frutas, mas as moras, fresas e a frutinha amarelinha que não sei o nome mas que com leite condensado fica muito bom, é inesquecível. De la voce pega um onibus que levam aos outros parques mas sem pagar nada mais. Só encarar a fila e aproveitar pra comer um doce feito da pata da vaca. É , eu tenho a impressão que eles se superam nas comidas exóticas. Mas a justificativa de que a jujuba seja feita da mesma patinha da vaca, não me fez achar uma coisa maravilhosa comer o doce, porem o se voce andar com o Andres esteja apto a comer todas as paradas.
       
      As atividades feitas no arborismo é incrivel e tem pra todo gosto, fiz uma com 18 atividades e consegui concluir antes de encerrar as atividades, porque tem de voltar para o metrocable antes das 17 que é quando eles fecham. Entao as 15-16 as atividades já estao sendo encerradas. Uma outra dica é comprar as passagens da volta já na ida, porque voces vao achar incrivel a fila de volta. Nós por exemplo, pegamos o metrocable mas em vez de seguir para o outro, pegamos um taxi e descemos na maior radicalidade da vida ... Medellim é uma cidade que cresceu num vale, entao imagina como é descer as ladeiras quando voce esta la nas montanhas. O taxista era um doido, mas sobrevivi.
       
      No sabado foi a despedida da familia que me acolheu, deixo um grande beijo em todos, em especial a tia do Andres que estava voltando a Bogota de busao ( e pra quem vai fazer esse percurso, segundo ela é muito confortavel), assim como a toda familia que me recebeu tao bem. O Andres me levou de uber de volta ao centro comercial San Diego, e dessa vez voce pega o busao pro aeroporto do outro lado da avenida. Não demorou e logo chegou, deixando para trás, um amor que levei da cidade. Cheguei no aeroporto, cheking, e voo para Bogota, para onde eu seguiria para a minha segunda cidade. Villavicencio.
       
      Villavicencio
       
      Quando eu estava no Brasil descobri que villavicencio tem aeroporto, mas ai já tinha comprado as passagens de MED para bogota, e iria fazer o trecho Bogota-Villavicencio de ônibus. Eu descobri que eles tem um voo a tarde, e talvez se eu estivesse descoberto antes teria optado para fazer esse trecho de voo. Era apenas 200 reais a mais e economia de horas. No fim, comprei as passagens de ônibus em Medellín mesmo, pela empresa Expresso bolivariano. Era semana santa e vai que não tivesse mais passagens, comprei para as 15 hs, porem cheguei em em bogota de meio dia. Peguei um taxi amarelinho na saida do aeroporto e fui para o terminal Salitre, a rodoviária deles. Talvez o preço mais caro que paguei, para algo tão próximo, 25 mil pesos. Pelo que andei lendo, taxi é a melhor forma de sair do aeroporto para ir a rodoviária.
      Chegando la, depois de comer um Subway e exercitar meu espanhol ótimo de viagem (rs), resolvi adiantar as passagens, e a menina queria apenas minhas passagens e uma fotocopia, que significa xerox, mas que para meu espanhol de viagem era apenas uma foto minha (rs). Bem, troquei e adiantei a passagem, para as 14 hs. E cai na estrada.
      O caminho ate Villavicencio faz voce repensar em sua vida, não me refiro as paisagens lindas, e aos rios que parecem sair de filmes com aquelas paisagens de montanhas. Mas por ter uma serie de viadutos que voce não enxerga o que esta embaixo de tao alto que são. Fui ate la me perguntando quantas pessoas já morreram fazendo aquele caminho. E quando não é viaduto, são tuneis, milhares de tuneis.
      A estrada esta sendo duplicada, entao há varios desvios e transito na ida, e meu ônibus sofreu um desvio pelo caminho antigo para chegar a cidade, o que me rendeu excelentes paisagens e quase enfartes.
      O povo de Medellin é chamado Paisa, o povo de Villavicencio Llanero, e se pronuncia em bom portugues (janero), tipo o primeiro mês do ano sem o i.
      Achei incrível a cidade, com sua simplicidade e com um povo tão receptivo e festeiro. Com uma rica historia e as comidas ( essa parte vai para toda a Colômbia e sua imensa variedade gastronômica).
      Quem me recebeu la foi o Alexander, debaixo de muita chuva e no português com sotaque de Carioca, ao som de Alcione.  Quero ressaltar que no quesito sonoridade o cara tem bom gosto. Depois de um pequeno city tour. E depois uma balada, a melhor e mais inesquecível que fui, "Los capachos" com tres ambientes enormes, e muito regeaton, funk também, quero ressaltar.
      Um resumo.
      A cidade esta crescendo muito, e tem um enorme parque, o parque malocas, que conta a historia da cidade e dos mitos que rondam por la. Foi inclusive onde o Papa Francisco foi recebido ao visitar a cidade. Eles tem uma especie de vaquejada nesse parque. E vale muito a visita, inclusive la voce pode ate ver apresentações da dança e musica tipica do povo, que é um som muito massa feitos por uma viola de 4 cordas, maracas e arpa. De la fomos a um parque que lembra muito o jardim botânico do Rio, que inclusive quero ressaltar a quantidade de verde que tem na cidade. Inclusive fomos a um shopping, centro comercial na língua deles, que tem cachoeira dentro. Pra mim aquilo foi impressionante.

      A noite seguimos a um mirante onde podemos tomar agua panela ( cara a primeira vez que escutei isso na casa do Andres achei que era agua de panela, ai já era demais, mas resumindo, agua de rapadura) com queijo para apreciar a vista. Um mirante que Só a misericórdia e uma tração muito boa pra subir, estava chovendo mas tiramos ótimas fotos da cidade; Aqui fica os meus agradecimentos ao Alexander assim como a seu irmão e cunhada que conheci nessa viagem. Adorei Villavicencio, e de boa, não conseguia pensar em mais nada na segunda feira a não ser sobreviver a volta. E não morrer.
       
      Na segunda, munido de uma fotocopia, adiantei novamente a passagem, e peguei meu ônibus de volta, pelo caminho original da coisa. E que aterrorizou tanto quanto o outro. Deu tempo de dormir e chegar a Bogota. Chegar a Bogotá era sinal que a viagem estava acabando () .
       
      Bogotá
       
      Cheguei em Bogotá, e com perdão dos Hermanos, tinha ido para escutar sim regeaton, mas não aguentava mais, e o taxista que me levou ate meu hostel, escutava nada mais nada menos que heavy metal. Pense! Hahahahhahaha
      Fiquei hospedado no Republica Hostel, no chapinero. De taxi da rodoviaria deu em torno de 12500. Não entendi mesmo como funcionava aquele taxímetro. Eles funcionam na base de números, por haver tantos zeros no dinheiro dos Hermanos, so que na tabelinha que fica atras do banco, só expressa valores ate o numero 185. E eu estava curioso e ao mesmo tempo com medo do que aconteceria depois do numero 185; bem, Graças a Deus que os números eram sempre ab aixo do 185.
      O hostel foi incrivel, no meu quarto alemao, ingles e belgos, ninguem sabia espanhol, estava ali pra aprender. Entao em terra de gente que não sabe espanhol. Yo fue Rei. Hahahahaaha
      De fato acabei ensinando portugues mesmo. Eles estavam seguindo para Medellin, dei dicas e sai pra explorar o bairro naquela segunda mesmo.
      Basicamente o que deve saber, o bairro é muito bom, farmacia, centro comercial e padaria perto do hostel, e o famoso transmilenio. Tinha tudo o que precisava e uma boa dose de frio. Bogota sofre de TPM, entao após meio dia ela mudava toda, e chovia muito, nem parecia que acordava com um sol lindo.
      Na terça, eu e meu colega de quarto, Sebastiam, saímos para o museu del oro. Lindo. Incrível a historia e a sacanagem do povo que levou a maior parte do ouro da Colombia.
      Abre as 9. Fecha na segunda. 4 mil pesos a entrada e mais 8 mil se quiser o sistema de audio.

       Mas como sou vida loca, vou tentando sem audio mesmo. O museu é basicamente, siga as setas e conheça a história. As 10 tem o free walking que sai da porta do museu, entao s evc chega as 9, da pra conhecer e ainda juntar ao free walking. De manha tem espanhol e ingles, e a tarde saindo do mesmo lugar, tem apenas em ingles. Fui para o de Espanhol, e o sebastiam que estava ali para aprender espanhol, foi para o de ingles. Vai saber né.
      Voce conhece muita coisa com o free walking e num determinado momento toma agua panela num bar que ela leva vc pra experimentar ( hahaha mas eu já sabia o que era a panela, não mais tenho susto raraaaa), e bem, como Bogota estava inconstante de meio dia caio um baita toró. Resultado, passamos pela plaza da independência no maior chuvão. E encerrou o free walking de 3 horas por ali mesmo. Foi onde conheci os uruguaios Guillerme e Julieta e a Mexicana Arantza. Inesqueciveis e muito simpaticos, e conhecem a musica  do Gustavo lima. Hahahahahah.

      Saimos para almoçar por ali mesmo, e por sinal , muito barato comer pelo centro. E aceita tarjeta ( hahahahah bato nessa tecla porque não são todos locais que aceitam cartoes de credito ta?)
      Depois de almoçar fomos caminhando ate o museu nacional, poe no google maps e ele te da a rota, a rota que te dar vai fazer vc passar pelo letreiro de Bogotá, assim como depois por um local que vende artesanato muito barato.
      O museu nacional também é barato a entrada, e conta a historia da colômbia. Depois vale tomar um café na cafeteria que eles tem internamente. Foi onde me despedi dos meus amigos de viagem e voltei de transmilenio no horario de pique para o hostel.
      A minha outra dica é voce baixar o app movit que te ajuda nas estacoes do transmilenio, e depois vai na fé, lendo, voce não entende e nem eles entendem tambem o sistema. Mas sei que peguei busao lotado, me lembrei do Recife. Juro.
      No final voce aprende a andar de boa, por mais que sejam lotados, vale a dica de segurança de manter a mochila e os pertences na frente, em qualquer grande cidade ne.
      A noite fui a uma balada no centro com o Henrique que me recebeu la no primeiro dia, e tive porre de Rum com coca, e prometi nunca mais na minha vida beber essa mistura. Por Deus, acho que não consegui dormir.
      Acordei, ou nem dormi na quarta feira, meu ultimo dia la. E seguindo as dicas dos amigos do dia anterior fui ao Cerro monserrat pela manha por causa do tempo de Bogota. Foi a melhor coisa, porque depois das 11 o tempo fechou.
      Chegar ao cerro do hostel é facinho, mas fomos encontrar mais dois colegas do Sebastian la no museu del oro e de la fomos andando. 20 minutos e voce chega ao local onde compra os tickets.
      20 mil pesos a subida e a descida. Mas os meninos preferiram descer a pé, tem essa opção, mas eu dispenso depois do peñol sabe.
      Subi de funicular e desci de teleferico.
      La em cima a visao é incrivel, mas não tente correr, devido a altura me senti com falta de ar e dar um mal estar enorme.
                                                                   
       
      Depois fomos almoçar perto da universidade de los andes, fica ali perto. Almoço baratinho nos restaurantes proximos.
      Nos despedimos e fomos a estacão universidades, que é a estação pra quem vem do chapinero e vai pra Monserrat. Pegamos o busao e segui de volta ao hostel, onde tomei banho, me arrumei e fui num supermercado comprar Suco de lulo, café e colombiana ( o refri de folha de coca deles). Aqui agradeço ao Esneider que me ajudou ainda com as compras.
      Voltei ao Hostel, me arrumei, chamei o uber e segui pro aeroporto.
      Procedimento de saida engraçado, quando a policia te aborda perguntando de onde veio, o que fez, e pra onde vai.
      Voo pro rio saiu as 22:30, cheguei as 6. e a Avianca Brasil trolou novamente, meu voo que estava la no app saia as 10, foi alterado para as 14 hs por altração de malha e ninguem me avisou ta? Mas já estava no Brasil, e indo pra casa. Enamorado pela colombia e com vontade de voltar.
       
      Uma dica - Compre um chip claro, e tenha internet muito boa, eles oferecem um pacote massa de 1 giga pra um mês que eu acabei em 4 dias por 21 mil pesos. Ai vc recarrega e vai comprando os pacotes la.
    • Por peter tofte
      Passo para vcs o relato de uma travessia Peterê, esperando que possa ser útil.
       
      Foi minha 2ª tentativa. Na minha primeira vez, junho passado, uma espessa neblina impediu de continuar a travessia a partir dos castelos do Açu. A névoa estava tão forte que várias pessoas, que já conheciam a trilha, desistiram de seguir em frente depois de se perder, sendo obrigados a retornar ao Açu.
       
      No final de semana de 13 e 14/09 tentei novamente. Sai da rodoviária Novo Rio 05:30 (1º ônibus para Petrópolis) e cheguei na rodoviária Bingen as 06:30. Depois o ônibus para o Terminal Correias seguido de outro para o Bonfim. Cheguei à portaria do IBAMA pouco antes das 09 hrs (impossível chegar antes se usar só ônibus).
       
      Desta vez deixei o GPS em casa. Só levei a xerox do livro “Trilhas de Petrópolis” do Waldyr Neto, na parte que trata do trecho Açu-Portaria Teresópolis. Tem uma boa descrição do caminho e esboços da trilha.
       
      Iniciei a subida pouco depois de 9 horas. Caminho fácil, que já havia trilhado. Mas estava quente e eu, ainda me recuperando de uma gripe, não estava em boa forma. Parava para recuperar o fôlego várias vezes, apesar de estar com uma mochila de apenas 13 kgs. O problema do primeiro dia da travessia não é se perder (a trilha é tranqüila e bem batida). O que pega é o grande desnível, creio que 1.200 metros. Logo antes da pedra do Queijo observei a derivação para a esquerda que desce e depois sobe para o morro do Alicate. A subida para o morro pela mata é bem íngreme. Imaginei o perêngue que o Ogum deve ter passado para subir para o cume do Alicate com uma mochila pesada. Cheguei na Pedra do Queijo e deitei um pouco para me recuperar. Acho que fiquei com hipertermia, pois demorei a recuperar o fôlego e diminuir os batimentos cardíacos com o descanso. Só depois de algum tempo segui para o Ájax. Lá enchi minhas garrafinhas de 500 ml. Só corria um filete de água. Sinal que esta é uma época seca.
       
      Cheguei 13:45 nos Castelos do Açu (~2.218 mts). Ou seja, 04:45da portaria até lá. Com bom preparo e pouco peso na mochila dá para fazer em 4 a 4,5 horas, possivelmente até menos. Os Castelos já fazem valer o passeio. Tem muita gente que só faz este trecho. A vista de noite do norte do Rio, iluminado, é muito bonita. Dá para ver também as luzes de Magé.
       
      Apesar de cedo já me preparava para armar acampamento, pois a previsão para o dia seguinte era de chuva. Preferia acampar ali para avaliar na manhã seguinte se haveria condição de atravessar. Não queria avançar sozinho e depois não ter visibilidade para voltar se a névoa fosse pesada amanhã. Porém surgiu um casal que ia fazer a travessia e pude acompanhá-los. Fiquei mais tranqüilo quando disseram que tinham previsão atualizada, mostrando que só haveria chuva no dia seguinte, pela tarde.
       
      Eram o Tacio e a Gerusa, escaladores experientes e muito safos em matéria de trilha. Estavam bem equipados.
       
      Retomamos a caminhada após encher os cantis na bica do Açu. O primeiro trecho é fácil de seguir, até a subida no cume do morro do Marco. Aí começa um trecho que muita gente se perde. Ao chegar no topo devemos virar a direita seguindo pela crista até achar uma mancha esbranquiçada na laje, onde ficava o marco. Descemos dali para o outro lado virando um pouco para a esquerda, descobrindo a trilha que se alterna entre lajes e terra. O caminho desce em direção ao Vale do Paraíso. Quase sempre descende em diagonal para a esquerda, como que mirando para o cume do Morro da Luva, a sua frente. Lá embaixo passa por uma pequena grota e sobe um morrete. Ao descer de novo vc já está na área de acampamento do Paraíso. Área bonita para acampar. Alguns conhecem o local por Geladeira. Embora Tacio quisesse seguir nem eu nem Gerusa estávamos com muita disposição. Ainda era cedo, 15:30, mas a subida para o Açu, desde o Bonfim, me deixou cansado. Além disso, o próximo lugar para acampar era depois do morro da Luva, ao lado de um pequeno riacho, onde não tinha certeza se haveria água.
       
      Ficamos por lá. O Tacio mostrou a barraca Quéchua da Decathlon. Fiquei bem impressionado com a qualidade dela. Era uma geodésica, baixa, não muito pesada e tinha pontos de fixação nas laterais. Parecia ser uma 4 estações.
       
      Preparamos a janta e jogamos conversa fiada. Falamos bastante de equipamentos e viagens. A lua estava quase cheia. O Paraíso é um lugar bonito. Pena que havia muito papel higiênico ao lado do caminho, obra de meninas sem a menor educação de trilha.
       
      Logo cedo choveu um pouco. Minha barraca amanheceu cheia de condensação no teto. Nada anormal para uma barraca de um só tecido. A Quéchua do Tacio estava com o sobreteto tb molhado por dentro. Estas montanhas são muito úmidas.
       
      Meus vizinhos fizeram um café da manhã numa sanduicheira em cima do fogareiro de benzina. Isto é que é gostar de sanduíche de queijo quente!
       
      Despertamos 5:30 e saímos 7 horas. Logo após o córrego a subida começa por uma belíssima mata nebular: árvores cheias de musgo e epífitas. Bromélias e orquídeas em profusão. Pequenas orquídeas com uma bonita flor vermelha enfeitavam a mata. Estas florestas são especiais. A alta umidade, deixada pelas nuvens de passagem, cria um belo ecossistema.
       
      Ao sair da mata uma bonita vista para trás do Açu. Na crista da Luva deixamos as mochilas e caminhamos para a esquerda para atingir o cume da Luva, envoltos pela névoa. Foi uma andada de cinco minutos. Tivemos sorte e as nuvens abriram um pouco permitindo uma vista do Sino. Descemos e continuamos a caminhada. Trilha fácil, bem marcada. Achamos o local de acampamento logo após a Luva. Ótimo local, com um riachinho correndo. Tem ótima vista em direção ao Sino. Mas é menos abrigado dos ventos.
       
      Enchi minhas garrafinhas e continuamos descendo. No lajeado, lindas Amarilis com sua grande flor vermelha. Não conhecia esta flor. Foi a Gerusa que me disse o nome. Nunca as vi na Chapada Diamantina. Parece que só brotam a alta altitude aqui no Sudeste (posteriormente, em trekking ao Pico das Almas, na Bahia, vi-as lá também).
       
      Seguimos pelas lajes até chegarmos ao fundo do vale onde se avista um corrimão de cabo de aço e dois pontilhões. Do outro lado o elevador. O elevador já é bem visível durante a descida rumo ao Morro do Dinossauro (como uma risca branca no morro). A subida do elevador não é assim puxada ou arriscada, pois a encosta não é vertical. Em vários pontos deixei de usar os degraus de ferro fincados na rocha porque achava que mais atrapalhavam do que ajudavam. O problema é que os degraus são muito projetados para fora.
       
      No topo novamente a névoa. Sorte que o Tacio estava com um ótimo GPS seguindo um track log. Quando desviávamos um metro da trilha o bicho avisava. Covardia! Perde um tanto o espírito esportivo, mas é muito confortável! Dá para confiar somente no GPS? Não. Ele pode quebrar. E outra coisa: aqui ele é útil seguindo um track log e não através de way points, pois entre dois way points pode haver um abismo...
       
      Seguimos até avistarmos o Vale das Antas. Belíssimo vale, mas quem chama a atenção mesmo é o Garrafão. Lá embaixo ótimo ponto para acampar, cercado por bambuzinhos. Lanchamos neste lugar.
       
      Lá soube que o Tacio ganhou de aniversário (que foi na véspera, comemorado acampados diante da Portaria do IBAMA), presente da Gerusa, a bonita mochila Deuter 70+15 Pro que usava (êta presentinho bom para ganhar da namorada!). Ela também estreava sua Deuter. Por isso estavam, ao meu ver, com uma mochila grande e pesada para a travessia (mais espaço que o necessário - elas são mochilas para travessias de uma semana): eles as estavam testando pela 1ª vez. Eu também faria a mesma coisa. Sempre somos fominhas para testar equipamentos novos.
       
      Atravessado um riacho (o maior da travessia) através de uma pequena ponte, começamos a subir por uma pequena mata. Quase no topo avistamos e passamos por cima da pedra da Baleia, que realmente lembra bem o dorso de uma Baleia.
       
      A vista do Garrafão a direita é espetacular. Um mar de nuvens cobria toda a vista abaixo de nós. Não avistávamos o Dedo de Deus. Apenas o gargalo e o tampo do Garrafão. Uma das coisas bonitas do montanhismo é a possibilidade de passear acima das nuvens.
       
      Depois começamos a descer para o último vale antes do Sino. Logo ali descolou o solado de minha bota Salomon. Sorte que estava com Silver Tape enrolado no bastão de caminhada. O remendo foi rápido.
       
      Começamos a subida íngreme.Em meio a névoa reconheci rapidamente o temido “cavalinho”, que havia visto em fotos. De longe assusta um pouco. Porém ao chegar perto percebemos que a inclinação não é tão acentuada e que possui agarras fáceis. É só não olhar para o abismo a esquerda. Para quem tem pernas compridas, como eu, é fácil fazer o movimento de montar um cavalo, para transpor a pedra (daí o nome cavalinho).
       
      Passado este ponto, continuamos a subir.Há uma escada de ferro adiante.Logo acima, quando descortinamos uma boa vista para um vale cheio de mata à esquerda, achamos a bifurcação que sobe para o cume do Sino.
       
      Lanchamos e subimos deixando as mochilas. Levamos os impermeáveis (utilíssimos nesta travessia). Os dois levaram máquina fotográfica. Após10 a 15 min o cume com um belo visual. Praticamente um tapete de nuvens encobria tudo que estivesse abaixo dos 1.800 –2.000 mts. Tiraram fotos. Lamentei não ter levado minha máquina. Não quis trazer pela previsão ruim do tempo e pelo peso. Um vento frio cortante chacoalhava meu poncho. Deve ser uma experiência e tanto acampar no topo do Sino (2.275 mts).
       
      Chegar no Abrigo 4 é fácil, visível do Sino. Ali reabasteci de água e descemos. Haja zig–zag até chegar à portaria em Teresópolis. É proposital para evitar a erosão. Porém apressadinhos fazem atalhos, cortando uma vertical. A erosão é evidente nestes locais. Pegamos bastante chuva na descida. Creio que não pegamos chuva até o abrigo 4 apenas porque ficamos acima das nuvens. A trilha é muito bonita e tranqüila.
       
      Ainda tive a mordomia de ter uma carona até a casa de minha tia no Rio, onde eu estava hospedado, gentilezas do Tacio e da Gerusa. Senão ia ficar num ponto de ônibus ainda esperando para ir para a rodoviária de Teresópolis e depois finalmente descer para o Rio. E estava num estado lamentável. Acho que nenhum ônibus iria parar pensando que se tratava de um vagabundo de beira de estrada...
       
      A travessia é belíssima. Comparável as mais bonitas que fiz na Chapada Diamantina. Sugiro evitar feriadões, pois fica muito muvucado, segundo relatos. E, também, ter uma boa experiência, mapa e prática de navegação (caso contrário, contrate um guia). Olhar a previsão do tempo, não só porque a trilha fica bem mais difícil com chuva e nuvens como também vc perde o espetáculo de ver o visual do Garrafão e o Dedo-de-Deus.
       
      Para evitar um impacto desnecessário aconselho deixar o banho para a volta, ou para o Abrigo 4, pois os córregos são pequenos e o sabão sempre polui a água. Além disso, a água normalmente é tão fria que vc não vai ter vontade de tomar banho mesmo. Evite lavar as panelas/pratos nos riachos. Lave-os a uma distância segura deles.
       
      Dá para fazer em dois dias. O pessoal de corrida de aventura faz até em um dia. O ideal é 3 dias, mais relaxado e com mais tempo para paradas e curtir as vistas.
       
      Tomo a liberdade de passar o link do site do Tacio e do blog da Gerusa, onde estão as fotos da travessia. Ele e Gerusa também tem relatos da caminhada nos seus blogs.
       
      www.tacio.com.br
       
      gerusapalhares.multiply.com
       
      Abraços, Peter
    • Por peter tofte
      Cachoeira do Rio das Lajes e do Mixila - Chapada Diamantina
       
      Um guia, amigo meu, o Miguel, mudou-se de Mucugê para Lençóis (Chapada Diamantina) e pediu-me para mostrar-lhe as trilhas para as cachoeiras do Mixila e do Rio das Lajes, que ele ainda não conhecia.
       
      Sábado, 21/03, saímos de Lençóis praticamente ao meio dia, atrasados por fortes chuvas que caíram desde a noite anterior. Para adiantar o lado, pegamos duas moto-táxi para foz do rio Piçarra, na estrada velha do garimpo, entre Lençóis e Andaraí. De lá subiríamos a Serra do Bode, começando a trilha. Devido à cheia, elas não conseguiram atravessar o rio Capivara. Os 20 minutos restantes do trajeto fizemos a pé. Mas valeu o adianto. Por 20 reais cada foi um passeio com emoção! Economizamos 2 horas de caminhada (8-10 km).
       
      Subimos a empinada serra do Bode em cerca de uma hora. No topo percorremos uma canaleta de garimpeiros, numa curva de nível ao longo da encosta do vale do Piçarra. Deixamos a canaleta no seu término (onde ela capta as águas do Piçarra) e com mais 10-15 minutos de trilha chegamos à tubulação abandonada. Andamos por cima desta e quase no final pegamos uma trilha a esquerda, seguindo o Piçarra, que também dobra a esquerda, rumo Sul.
       
      Com mais 25 minutos cruzamos o Piçarra e chegamos numa toca de garimpeiro bem estruturada, um bom lugar para acampar, onde dá para montar umas 5-6 barracas. Continuamos a seguir rumo Sul. A trilha recomeça atrás da toca. Com pouco tempo subimos para um lajeado extenso. A trilha não é difícil de seguir. Não há bifurcações que possam confundir. A única, meio apagada, vem bem depois do lajeado, à direita, e segue para o Morro Branco do Capão, normalmente só usada por garimpeiros. Foi uma das trilhas mais difíceis que fiz na Chapada, só que no sentido contrário, vindo do Capão. Mas, voltando a nossa caminhada, devemos pegar a trilha da esquerda, bem mais batida.
       
      Já pouco antes da toca do rio das Lajes, caminhávamos rapidamente, pelo adiantado da hora, com capinzal em ambos os lados da trilha. Quase piso numa cobra Coral. Ela cruzava o caminho e já estava com metade do corpo dentro do capinzal. Provavelmente como vínhamos rápido ela não teve tempo de se esconder totalmente. Os ofídios sentem a aproximação de pessoas pela vibração no solo. Minha pisada ficou a 10 cm da cobra. Parei em cima da bicha porque vinha rápido e o caminho em curva, com capim, não permitia ver muito adiante. A Coral não é uma cobra agressiva, mas se pisasse nela ela se defenderia me picando. O pior que estava estreando minha sandália e bermuda.Não teria nenhuma proteção contra a mordida! A maioria das picadas de cobra fica na altura do tornozelo ou abaixo, ponto para as botas de trekking. A sandália é muito mais leve e confortável (deliciosa se comparada a botas), porém tem esta desvantagem.
       
      Se, ao invés de uma Coral, fosse uma cascavel enrodilhada, tava ferrado. A 10 cm ela teria me dado um bote.
       
      Lição: sandália tem muitas vantagens sobre as botas, mas em terrenos de mato fechado e capinzal alto é preferível à bota, especialmente se vamos andar rápidos na trilha. Com sandália devemos ser mais cuidadosos e vagarosos na trilha.
       
      Cruzando um riachinho, escorreguei e na queda quebrei a seção inferior da minha Leki Makalu. Uma pena. Este excelente bastão já me prestou bons serviços em 2-3 anos de uso. O outro continuei usando como bastão de apoio.
       
      Perto da toca a vegetação cresce. Fiquei olhando para o chão preocupado com cobras e acabei metendo a cara numa grande teia de aranha que cruzava o caminho. Com a teia no rosto me virei para trás e perguntei ao Miguel se ele enxergava a aranha. Ele fez uma cara de espanto e rapidamente tirou o chapéu australiano dele e deu uma bofetada na minha cabeça, atirando longe a grande aranha que estava em cima do meu boné! Ainda bem que ela não parou no meu rosto.
       
      Antes de chegar na toca ainda atropelei com o rosto mais duas teias. Decidi usar o bastão na frente, erguido em riste, para evitar novas surpresas.
       
      A toca estava vazia. É uma das mais belas tocas da Chapada. Muito bonito o local e pertinho da cachoeira do rio das Lajes. Levamos 3 horas e pouco desde a estrada. Um bom pique!!
       
      Largamos as mochilas e descemos para o rio, subindo-o por 5 minutos até a cachoeira, para um banho e pegamos água para o jantar. A cachu tinha muita água devido às chuvas.
       
      A janta foi uma receita do Sergio Beck, de batatas e cebola com lingüiça calabresa (só precisa de uma panela). Fácil de fazer e gostoso. O saco é descascar batatas. O tempo de cozimento também é mais longo do que o tradicional macarrão.
       
      Montei a minha barraca em cima de um lajeado, debaixo do avarandado de pedras enquanto esperava cozinhar. O Miguel iria montar a dele na área que hora cozinhávamos. Nesta toca é possível dispensar as barracas
       
      Fizemos uma pequena fogueira para espantar os mosquitos (este é o lugar da Chapada que conheço que mais tem mosquitos). A fumaça e a noite espantaram os insetos. Infelizmente nem o paraíso é perfeito!
       
      Após a janta, já escuro, subimos para uma pedra e admiramos as redondezas sob céu noturno. Ao longe, direção leste, relâmpagos, para além dos Marimbus. Nosso céu, porém, estava estrelado sem nuvens.
       
      Durante a noite choveu um pouco, mas não percebemos debaixo do lajeado. O barulho da cachoeira não permitiu ouvir a chuva.
       
      Manhã de domingo nublada, mas no meio da manhã o tempo abriu. Mostrei ao Miguel onde continuava a trilha rumo ao rio Caldeirão (mais ao sul ainda). Após lavar os pratos e talheres com areia, subi o rio para tirar fotos e tomar um banho de cachoeira. O sol surgiu a tempo de me secar.
       
      Saímos tarde do acampamento, por volta de 11 horas, retornando pela mesma trilha. Rumamos para o cânion do Capivari, onde fica a cachoeira do Mixila. No dia anterior, quando deixamos a tubulação e viramos a esquerda, se tivéssemos ido em frente rumaríamos para o Mixila. Alguns mais velhos conhecem esta queda d’água como a cachoeira do Canto Escuro.
       
      Ao chegarmos na entrada do cânion, procuramos o bicano e nele seguimos pela margem direita (verdadeira) do Capivari. Ao final dele continuamos, a maior parte do tempo no leito do rio, num pula-pedra. Algumas vezes, em trechos curtos, íamos pelas margens. Observarmos marcas que mostravam que no dia anterior o rio estava bem mais alto devido às chuvas. Provavelmente teria sido impossível subir para a Mixila ontem.
       
      O Miguel foi à frente, pois ele é muito habilidoso em subir leito de rio (e não conheço a Mixila, apenas sei onde começa o cânion). Ele é um guia muito requisitado, um dos melhores da Chapada, aparecendo como guia em reportagens na revista Terra e Viagem.
       
      No caminho avistou uma cobra espada (não venenosa). Tentei fotografá-la, mas ela é muito rápida.
       
      O cânion fica estreito após 40 minutos de pula-pedra. Um paredão vertical não deixa espaço para as matas nas margens.Alias, não há margens!
       
      Avistamos uma grande queda d’água na parede lateral a nossa direita do cânion. Porém parecia algo criado pelas recentes chuvas, não uma queda perene.
       
      A partir de determinado ponto uma lagoa de águas cor de Coca-Cola. Só nadando dava para prosseguir. Largamos a mochila, coloquei o calção e segui nadando por 100 metros. Este poção termina numa pequena cachoeira com 6 a 8 metros de queda. Seria ela a Mixila? Fiquei decepcionado. Tentei subir pela pequena parede ao lado, mas estava molhada e escorregadia, cheia de limo e musgo. Não havia marcas de escalada (os pontos de apoio, as pegas na rocha, não têm musgo). Assumi que dali ninguém passava. Mas pude ver que o cânion continuava com mais duas cascatas acima.
       
      Voltamos e ainda demos uma parada num poção que fica logo antes da entrada do cânion. Descemos a serra do Bode, percorrendo agora a pé a estrada velha do garimpo. Alcançamos o rio Ribeirão já no escuro. Usamos as headlamps e chegamos em Lençóis quase 8 da noite, bem cansados.
       
      Passei numa agência e vi a foto da Mixila. Lembra um pouco a Cachoeira do Buracão em Ibicoara. Não chegamos nela. A cachoeira tem uma queda muito grande. Estava ainda a 30-40 minutos de onde chegamos. Não daria para ir e voltarmos antes do anoitecer.
       
      A Mixila ficará para outra vez, saindo mais cedo e com menos água no rio. É um trekking para 2 dias.
       
      Cachoeira do Rio das Lajes:
       

       
      Cachoeira lateral do canion, formada devido as chuvas (a caminho da Mixila)
       

    • Por peter tofte
      Relato do trekking na Quebrada Santa Cruz. Trekking fácil e tranquilo, mas que deve ser feito com alguns cuidados . Quem sabe incentive outros a fazer o mesmo roteiro conhecendo este país tão bonito que é o Peru.
       
      Antes de fazer o escrito, um relato fotográfico, para quem quer só imagens e não blá-blá-blá....
       
      Início da Quebrada Santa Cruz, em Cachapampa.
       

       
      Bonitas bromélias as margens do Rio Santa Cruz
       

       
      1º acampamento: Llama Corral.
       

       
      A bonita Laguna Jatuncocha, de água azul turquesa.
       

       
      Lupínios azuis. Exalam um perfume forte e agradável no meio do dia.
       

       
      Vou postando aos poucos, as fotos!
       
      Peter
    • Por peter tofte
      Pessoal:
       
      Segue um relato da caminhada à cachoeira Sertão Zen, em Alto Paraíso-GO. Para quem está em Brasília e tem o final de semana livre, é um bom programa. Foi sugestão do nosso trilheiro-mor, Jorge Soto.
       
      Peguei o busão da empresa Santo Antônio das 15:30 na rodoviária do Plano Piloto, sexta 16/07. Ônibus ruim, que lotou no trajeto, com muita gente no corredor. Pessoal quer ganhar dinheiro servindo mal a população (poucos horários, assim vai lotado). Num determinado momento alguns passageiros em pé gritaram “pneu, pneu motorista!”. Ferrou, pensei, furou o pneu. Na verdade era um ponto de ônibus que se chamava “pneu”, que o motorista já ia passar sem parar. Três pneus velhos presos numa estaca marcam o ponto na beira da estrada. Ri sozinho quando percebi minha conclusão apressada.
       
      Viagem chata, muita parada, só distraída pelo som do iPOD e pelo excelente “Matadouro 5”, livro de Kurt Vonnegut.
       
      Cheguei as 19 e pouco em Alto Paraíso, com frio e uma fina garoa. O recepcionista do Hotel Átrios – muito simples, perto da rodoviária, R$30 - disse que a garoa é típica desta época do ano, não era sinal de que iria chover.
       
      Comi uma pizza e fui dormir cedo.
       
      Levantei sábado às 05:30, pois o café começava às seis. Saí e só no meio da principal avenida da cidade, a Ary Valadão, descendo ladeira, percebi que havia esquecido a chave do quarto no bolso. E tome voltar ladeira acima para deixá-la na pousada.
       
      É fácil seguir para a trilha. Basta rumar em direção a Serra Paranã ao fundo, procurando por placas indicando “Loquinhas”.
       
      Planejei o caminho olhando no Google Earth. Acabei por pegar um atalho que subia direto, exatamente a Este da cidade (90º) meio que formando uma linha reta continuação da Avenida Ary Valadão, visível do alto do morro. A rota que a maioria do pessoal usa vai para a esquerda, seguindo a estrada (não ruma em direção as Loquinhas), e é bem mais longa, porém menos acidentada e com trilha bem mais fácil, visível.
       
      Chegando no topo da serra, avista-se um geralzão à frente, inclinado, descendo para o Norte, com uma cerca cruzando no meio do pasto (a cerca segue no sentido N-S). Não havia mais trilha. Andei até esta cerca, cruzei-a por baixo e segui para um morro solitário, um pouco à esquerda. Sabia que a cachoeira estaria mais adiante, a esquerda, atrás deste morro. Ao atingir o sopé do morro o terreno ficava pedregoso com mato baixo. Larguei a mochila e subi um pouco o morrete até umas pedras donde tirei o monóculo do bolso. Dava para avistar ao longe, Norte, um geralzão com mata ciliar e uma trilha clara. Era o caminho normal para a cachoeira. A mata ciliar que avistei protege um dos rios que vai cair na cachoeira. Tinha memorizado isto quando consultei o Google Earth.
       
      Eu estava entrando no vale de um riozinho seco (nesta época) que se juntaria ao outro avistado, formando um Y logo antes da cachoeira. Terreno chato, empedrado, com muita canela de ema e árvores retorcidas e espinhosas, típicas do cerrado. Como o terreno estava difícil e sem trilha resolvi sair deste valezinho, sair do leito do rio que agora tinha alguma água empoçada, e subi uma pequena crista para alcançar do outro lado o geralzão (ô coisa deliciosa de andar, um geralzão!). O que parecia perto foi um demorado e cansativo vara-mato, na verdade um campo pedregoso bem sujo.
       
      Quando cheguei na mata ciliar bebi avidamente água do córrego. Cruzei-o e subi o campo geral procurando a trilha, que achei 1 ou 2 minutos após. A trilha descia rumo Leste e cruzava mais abaixo o riozinho. Segui e mais adiante perdi a trilha. Tomei a direção que o relevo indicava ser a da cachoeira e fazendo zig-zag acabei achando novamente a trilha. Ela segue sem problemas até descer para o leito de um rio (o mesmo, seco, que havia encontrado antes, mas agora já com água corrente). Se eu tivesse continuado a descer naquele valezinho seco iria parar ali.
       
      Leito fácil de seguir com pouca água. Visual bonito. Em 20 minutos ou menos aparece uma “muralha” de pedra à direita do rio e observa-se uma trilha saindo do leito e passando a direita desta muralha. Sobe e, no que desce, cai já em cima do poção superior da Sertão Zen, de onde ela inicia sua queda. Poção bonito, ótimo para banho (sem tromba-dágua!). O visual é de uma piscina infinita, aquela que tem em alguns hotéis 5 estrelas e $$$$$. A diferença é que aqui é natural, mais bonita e não custa nada! Lindo local.
       
      Tirei a roupa e, como estava sozinho, mergulhei nu. Fotos e mais fotos. Um vento forte, vindo do vale dos Macacos, fazia gotas da cachoeira subirem. Algumas vezes olhei para o céu pensando que iria chover até descobrir que era apenas a força do vento fazendo a água vencer a gravidade.
       
      A arquitetura das rochas de ambos os lados e acima da cachoeira é muito interessante. Procurei a “sentinela” uma formação rochosa conhecida, mas não achei. Tome-lhe tirar fotos (depois em casa, olhando uma delas, acho que descobri a “sentinela”!).
       
      Procurei a descida para o vale dos macacos, mas não avistei (Jorge Soto tb não achou).
       
      Fiquei uma hora para duas horas curtindo aquele cenário e almocei. Lá havia apenas um pequeno espaço onde dava para montar a barraca, perto do poção. Mas como no dia seguinte teria que pegar o busão de volta para BSB às 15 horas, eu achei melhor voltar um pouco, pela rota normal, porque ainda era cedo e queria chegar rápido, domingo, em Alto Paraíso.
       
      Também um monte de gravetos perto do único lugar bom indicava que a água subia quase até lá (tromba d’água?). Não chove nesta época, mas quem garante! Quando era um trekker novato já acampei em bancos de rio. Mas já gastei toda a sorte dos tolos e não arrisco mais.
       
      Voltei e ao tomar o geralzão, após cruzar novamente o riacho, uma trilha fácil segue NO mantendo a mata ciliar a bombordo. Depois de 1 hora aproximadamente a trilha vira abruptamente à esquerda e segue Oeste. O caminho continua mantendo a mata ciliar à esquerda, se afastando a medida que avança pois o sendero sobe levemente enquanto a mata fica no vale pouco abaixo.
       
      Mais uma hora e cheguei num ponto mais alto, com árvores retorcidas onde avistei Alto Paraíso. Pronto, agora conhecia a rota normal e sabia quanto tempo necessitaria no dia seguinte para chegar a “Paradise”.
       
      Não é a toa que o pessoal prefere esta trilha para a Sertão Zen. Muito fácil e muito aprazível.
       
      Voltei e desci para a mata procurando água. Não gosto de acampar longe da água, por motivos óbvios. Além disso, meu estoque tava baixo. No ponto mais próximo de mata ciliar, tudo seco. Continuei descendo, desta vez seguindo por uma trilha do outro lado da mata, paralela a esta. Por mais duas vezes entrei na mata atrás de água. Nada. Fiquei chateado, pois estava voltando em direção a Zen. Mas sabia que cedo ou tarde apareceria água.
       
      Vi um ponto para onde a trilha seguia, sem mata, onde deveria estar o curso normal do córrego. Quando me aproximava um tucano levantou vôo de uma árvore próxima. Primeira vez que avisto este pássaro fora de um zôo! E logo abaixo o córrego, agora com água corrente.
       
      Tratei de tirar a mochila e escolher um local para acampar mais afastado do riacho. Capinzão bom para armar a barraca. Tirei os artigos de cozinha e fui fazer a minha comida liofilizada junto ao córrego. Primeiro uma sopa, depois o prato principal.
       
      Enquanto a água esquentava fui até o local da barraca, pisoteei o capim para procurar pedras e tocos e, satisfeito, armei a tenda.
       
      Após a janta um banho de panela. Pego a água, me afasto das margens e jogo em cima do corpo. Tem que repetir esta operação várias vezes. Depois ensaboar e fazer a mesma coisa. Mais importante ainda se afastar para não poluir o rio com sabão.
       
      Alimentado, limpo, assisti a um belo por do sol. Li e ouvi música um bocado antes de dormir. Noite com uma temperatura super agradável. Apenas um pouco de chuvisco. Estou gostando muito do colchão NeoAir da Therm-a-rest. Levíssimo e confortável.
       
      Domingo acordei bem cedo, por volta de 4:30 para 5 horas. Queria sair logo. Mas como tardou para clarear o dia! Esqueci que estava bem mais a Oeste que Salvador/Bahia.
       
      Após o café desarmei a barraca e tratei de recompor o capim amassado pela tenda. Este foi um dos lugares mais tranqüilos e bonitos que acampei aqui no Brasil.
       
      Voltei pelo caminho normal do dia anterior e depois de boa descida cheguei ao início da estrada de terra. Caminhando, um fusca 72 parou ao meu lado e um goiano muito gentil ofereceu carona. Agradecido subi no carro e o motorista além de me levar para a cidade saiu do caminho dele e me deixou em frente à pousada. Gentileza assim só no interior do Brasil!
       
      Cheguei bem cedo. Tive tempo de tomar um banho, almoçar e passear pela cidade. Visitei o Centro de Informações Turísticas. Descobri que a Sertão Zen praticamente é a única aberta a visitação sem exigir pagamento. As demais estão dentro de áreas particulares e cobram taxas. Parece um “pay-per-view”.
       
      Pior ainda é o P.N. da Chapada dos Veadeiros, proibindo acampar dentro do Parque. No P.N. da Chapada Diamantina isto não ocorre, por isso tem tanto fluxo turístico para lá!
       
      Parques muito melhores e muito mais conservados da Argentina e Chile não proíbem camping. Eles apenas indicam a área onde podemos acampar. Mesma coisa nos Estados Unidos. Na Europa quando limita é porque tem abrigos nas montanhas (refúgios) dentro do parque.
       
      Recomendo este passeio, muito fácil e tranqüilo, para um final de semana, se estiverem em Brasília. Dá para fazer bate e volta (Alto Paraíso-Sertão Zen) no mesmo dia, se não quiserem acampar.
       
      As fotos, postarei em seguida.
       
      Boa viagem e pé na estrada!
       
      Peter
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