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Paulo Moreira Jr.

Patagônia Argentina - 8 dias entre El Chalten e El calafate

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Muito bom! Vejo poucos relatos sobre esta época do ano e é bom ver corajosos por aqui hehe. Pretendo ir em 2018 em set/out. Parabéns!

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Em 22/10/2017 em 00:26, Paulo Moreira Jr. disse:

Boa noite, colegas

Após muitas viagens, esse é meu primeiro relato.  Estou praticamente sendo obrigado a relatar, impelido por gratidão a todos e por achar que as informações pra esse destino estão um pouco confusas.  Minha tentativa é ajudar um pouco mais aqueles que buscam informações sobre essa área, El Chalten e El Calafate, e quem sabe encorajar outros viajantes!  Segue abaixo o relato da viagem realizada entre 10/10 e 19/10/2017.

Somos um casal de mochileiros e viajamos com a economia sempre sendo uma premissa de viagem. Não temos metas restritas de gastar 1 dólar por dia nem nada muito radical, mas evitamos gastar dinheiro desnecessariamente. O orçamento é curto e exige sacrifícios, o nosso dinheiro não dá pra viajar SEM se preocupar com despesas. Portanto, sacrificamos alguns dedos para salvar a mão. Não fazemos questão de luxo em hospedagens nem em restaurantes e sempre que possível fazemos tudo por nossa conta.

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As passagens Rio – El calafate foram compradas através de uma promoção divulgada no Melhores Destinos, pagamos 1130 por pessoa. Vôo com escala – longa e fora de mão – em Buenos Aires. Levamos cartões de crédito Mastercard para uso excepcional e para pagar os hotéis, uma vez que cartões internacionais são isentos de um imposto de 21% cobrados pelos hermanos, e dólares. Compramos os dólares na DG Câmbio, em Niterói – RJ.

Como preparativo, compramos calçados para frio no Amazon.com, que uma amiga trouxe para a gente dos EUA. Roupas específicas para frio compramos na Decathlon e na 91 Meias e Acessórios, ambas no RJ, e algumas acabamos nem usando pois demos sorte com o clima.

Programamos a viagem com alguns dias a mais que o mínimo necessário para termos algum espaço de manobra caso o clima não cooperasse.

Todos os preços listados são POR PESSOA ou POR UNIDADE, ao menos que explicitado em contrário.


VOU TENTAR ADICIONAR MAIS FOTOS POSTERIORMENTE!

Dia 1 - Embarque

Embarque no Rio às 22:00 com destino a Buenos Aires, pela Aerolíneas Argentinas. Os quatro vôos foram tranquilos e sem intercorrências ou atrasos, lanches simples e nada a destacar nem positivamente nem negativamente. Nesse primeiro deslocamento o destino final era El Chalten.

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Dia 2 – Ida até El Chalten

Chegamos em Buenos Aires às 02:00, no Aeroparque, que é próximo ao centro de Buenos Aires. Algo como o Santos Dumont no RJ. Nosso vôo para El Calafate era às 06:15 e gastamos o tempo assistindo a filmes no computador dentro do aeroporto. Wifi disponível e tudo ridiculamente caro, apenas uma prévia do que seria ainda pior na patagônia. Compramos uma garrafinha de água que custou 45 pesos (100 pesos estavam valendo 18 reais), cerca de R$ 8,20!

Nosso primeiro problema de logística ocorreu por causa desse vôo. Originalmente o vôo para El Calafate seria às 08:20, mas foi adiantado para as 06:20 pela Aerolíneas. Reduziu o tempo de conexão, mas me atrapalhou por que o Banco de La Nacion do Aeroparque fecha entre 00:00 e 06:00, o que significa que não consegui fazer o câmbio dos dólares antes de chegar em El Calafate, por que no minúsculo aeroporto de lá não há casas de câmbio. Durante as pesquisas eu descobri que havia uma agencia do La Nacion em El Calafate e com uma ligação para lá confirmamos que eles também faziam câmbio. Como o câmbio no Galeão era ridículo, chegamos em El Calafate ainda sem pesos na carteira.

Chegamos em El Calafate por volta de 09:30 e já estávamos com transfer ida e volta para a cidade marcado com a VES PATAGONICA. O valor foi 240 pesos por pessoa, cerca de 45, e tudo foi arranjado por e-mail. Como eu ainda estava sem pesos, paguei esse transfer em dólar e levei uma pernadinha na cotação e no troco, mas era algo que eu já sabia que aconteceria.

 

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Inicialmente, nós iríamos alugar um carro, mas como demorei a fazer a reserva não conseguimos boas tarifas e o conforto de ter um carro acabaria saindo muito caro, cerca de 3500 a 4000 pesos além do que gastaríamos com os transportes pela região. Deixamos o conforto e as vantagens do carro de lado pela economia e tranquilidade também, pois os policiais argentinos são conhecidos por acharcar motoristas estrangeiros. Não sei se é o caso na região da Patagônia, mas esse fator entrou na balança também quando desistimos do carro. Existem um transfer direto do aeroporto de El Calafate para El Chalten, nosso destino, mas tivemos que passar no centro de El Calafate primeiro para ir ao Banco de La Nacion trocar os dólares e marcar o Mini Trekking na Hielo y Aventura. A van foi pontual e prática e o motorista muito cordial e seguro dirigindo, sempre em baixa velocidade. Essa também foi a tônica nos transportes que pegamos, uma condução extremamente cuidadosa.

A van nos deixou no hotel em que nos hospedaríamos em El Calafate quando retornássemos de El Chalten, Kalken Hotel by HS. Volto a falar dele depois. Fomos ao hotel contando com a boa vontade deles em manter nossa bagagem guardada enquanto resolvíamos as pendências e eles foram extremamente receptivos. Guardaram nossas malas, nos permitiram acesso à internet e nos ajudaram com o transfer para El Chalten.

Fomos ao Banco de La Nacion e trocamos dólares em uma excelente cotação e sem taxas. O único inconveniente é que é um banco, então você entra na fila como um cliente qualquer. Nesse primeiro dia levou cerca de meia hora, mas na segunda vez que precisei aguardei quase uma hora na fila.

De lá seguimos para a Hielo y Aventura, que é a única empresa autorizada a realizar passeios pelo Glacier de Perito Moreno. Os dois passeios principais são o Big Ice e o Mini Trekking, optamos pelo mini trekking por ser bem menos caro e por receio com o mal tempo. A idéia de gastar quase 2 mil reais no passeio e ficar à merce do instável clima patagônico foi o que nos fez optar pelo mini trekking. Minha esposa sente muito o frio e eu receei que o passeio mais longo poderia se tornar um martírio em caso de darmos azar com o tempo. Falarei em mais detalhes do passeio depois, mas já adianto que não demos azar com o tempo mas também não ficamos com a sensação de que mais teria sido melhor, o Mini Trekking saciou plenamente nossa vontade de passear pela geleira.

Passeamos um pouco pela cidade para matar o tempo e com a ajuda da recepcionista do hotel, conseguimos marcar o transfer para El Chalten, ida e volta, 1150 pesos por pessoa, com a empresa LAS LENGAS. Precisamos da ajuda do hotel por que o terminal rodoviário de El Calafate, que era próximo ao hotel, foi desativado. Meu plano era ir direto lá e comprar as passagens, mas como ele foi movido para fora do centro da cidade, criou a dificuldade de ter que arrumar um táxi para ir até lá. A empresa Las Lengas busca e leva no hotel, o que poupou esse deslocamento até a rodoviária. Chegaram pontualmente e a viagem também foi muito tranquila. Fiz o pagamento diretamente ao motorista e ele mesmo me entregou o voucher para a volta, já com dia e hora marcados para nos buscar no hotel para o retorno ao aeroporto. O veículo tem um tacógrafo que apita se atingir 90km/h, o motorista fez todo o deslocamento sem qualquer sobressalto e nos deixou no nosso hotel em El Chalten por volta de 18:30 - a viagem levou cerca de 3 horas. O hotel foi o Cabanas Cerro Torre, logo na entrada da cidade a poucos metros do Centro de Informações Turísticas.

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Nossa estadia no Cabanas Cerro Torres foi bem mais ou menos. As cabanas são pequenos chalés, com uma pequena cozinha. Local espaçoso e acolhedor e com cama confortável, mas já muito velho e precisando urgentemente de melhorias. O vento forte provocava muito barulho nas instalações, além de se infiltrar pelas frestas. Tivemos alguns problemas com a calefação e a água quente, mas o frio não tava tão intenso a ponto de isso nos causar um grande transtorno. A calefação deu conta de deixar o quarto apenas um pouco frio, o que é até confortável para dormir. A limpeza também é precária, embora alguém limpe o quarto todo dia, a limpeza é muito superficial. Embaixo das camas, atras da geladeira, móveis, etc, estava tudo imundo. A diária custou 42,5U$, pagamos no cartão de crédito antecipadamente para evitar os 21% do IVA. Eles só aceitam VISA.

 


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Apesar do cansaço, ainda demos uma caminhada sem destino pela cidade. O sol só se pôs por volta de 20:00, com o céu ainda claro até quase 21:00. Temperatura na média dos 5 graus e o dia todo foi ensolarado.

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Transfer de ida e volta do aeroporto até El Calafate – 240 pesos

Transfer de ida e volta entre EL Calafate e El Chalten – 1150 pesos

Minitrekking – 2400 pesos

 

Dia 3 – El Chalten

Acordamos por volta de 8 horas e o dia estava ensolarado e com pouco vento. Nos arrumamos e seguimos direto para o Centro de Informações Turísticas para buscar recomendações de trilhas. Por conta do corre-corre do dia a dia, dessa vez chegamos ao destino menos preparados do que eu gostaria, e embora eu tivesse lido algumas coisas, não havia programado o que fazer. Teríamos 3 dias inteiros em El Chalten e queríamos fazer pelo menos as duas trilhas mais importantes, a da Laguna de Los Três e da Laguna Torre. Em conversa com a atendente, ela nos orientou a começar pela mais difícil, a da Laguna de Los Três, por que a tendência para o vento era piorar nos próximos dias e essa trilha era a que tinha o trecho mais desabrigado. Ela recomendou também o uso de bastões de caminhada, que eu planejava ter comprado antes da viagem mas acabei não conseguindo.

Adotamos as recomendações da guia e seguimos em direção a trilha da Laguna de Los Três. A entrada do Parque Nacional é na outra ponta da cidade, mas não dá nem 1km de distância. Alugamos os bastões de caminhada retráteis por de 100 pesos cada par e eles valeram cada centavo.

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Iniciamos a trilha às 10:30. Não vou ser muito detalhista sobre as trilhas pois já existem postagens muito boas aqui mesmo sobre elas, portanto vou ser sucinto. Existem duas formas de fazer essa trilha, a melhor é pegando um transfer até a Hosteria Pilar, pois partindo de lá evita uma primeira subida cansativa e faz-se um caminho em uma única direção, em vez de ida e volta como foi o nosso caso. Mas já estava tarde para ainda procuramos alguma condução até essa hosteria e portanto seguimos pelo caminho comum. De cara já tem uma subidinha um pouco puxada até um pouco depois do primeiro mirante, cerca de 1 km. Daí até o km 9, já ao pe do Fitz Roy, é bem tranquilo, relativamente plano com uma ou outra subidinha sem qualquer dificuldade, com belas paisagens e vegetações diferentes do que costumamos ver. Vimos apenas pássaros pelo local, inclusive o famoso pica-pau presente em todos os relatos que li. No final que vem a pior parte. A placa diz que a última subida leva cerca de 1 hora, mas levamos mais de 2:00h! Não somos sedentários mas estamos os dois acima do peso e a subida cansa muito, principalmente quando você pensa que depois ainda tem que voltar todo o caminho. Os bastões de caminhada ajudaram muito! Começamos às 10:30, chegamos ao pé da montanha às 14:30 e no topo dela depois de 16:30. Ficamos lá em cima por cerca de 1 hora. Embora não tenhamos passado por neve no caminho, la no alto estava nevado e a Laguna de Los Três estava congelada e coberta de neve. Iniciamos o retorno já sabendo que só chegaríamos a cidade à noite, mas já estávamos preparado pra isso com uma lanterna na mochila. Foi cansativo pra caramba, mas muito gratificante. Chegamos à cidade quase 22:00 e fomos direto pro hotel. A janta foi miojo que levamos na mochila, cozinhado no pequeno fogão da cabana, e pão. Durante toda a caminhada a trilha estava muito bem sinalizada, com placas a cada quilômetro, em um ou dois lugares tivemos alguma confusão mas rapidamente achamos o caminho. Não vimos sequer um pedaço de papel ou plástico em todos os 25km ida e volta. Lindo lugar, muito bem conservado e sinalizado e respeitado pelos mochileiros. Existem inúmeros córregos de água potável pelo local, basta levar uma garrafa vazia que sede não será um problema.

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Bastões de caminhada retráteis – 100 pesos o par. O rígido custava 60.

Pacote com 5 pães francês (equivalente hermano) – 25 pesos

Garrafa de água 1,5l – 25 pesos


 

Dia 4 – El Chalten

O tempo fechou e entrou uma forte ventania com pancadas de chuvas o dia todo. Veio a calhar pois estávamos moídos da trilha do dia anterior, então tiramos o dia para descansar e assistir uns filmes curtindo a friaca. Descansamos até mais tarde e no almoço comemos as coisas que havíamos trazido para lanche. No fim da tarde andamos pela cidade, devolvemos os bastões de caminhada, compramos algumas coisas e jantamos no Rancho Grande Hostel. Comemos um bife a milanesa com papas e ovos, que deu pra dividir pra 2 e deixar dois glutões satisfeitos. Antes da comida eles servem uma cesta com pães e um molhozinho. Bom custo benefício. Estávamos com uma garrafa de água na mão e o garçom ofereceu copos para que bebêssemos nossa própria água, sem demonstrar qualquer desconforto, além de trazer outro cesto com pães quando o primeiro acabou. O atendimento foi muito legal e acolhedor. Antes de voltar pra casa compramos algumas coisas no mercado.


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Milanesa com papas – 200 pesos

Pote de iogurte de 1l – 60 pesos

Coca cola 1,5l – 65 pesos

 

Dia 5 – El Chalten

Acordamos mais cedo dessa vez e o tempo já havia limpado novamente, embora ventasse um pouco. Não podemos reclamar do clima nessa viagem! As calças impermeáveis que comprei foram comigo na mochila pra cima e pra baixo sem serem usadas. Alugamos novamente o bastão de caminhada e fizemos a trilha para a Laguna Torre. Embora sejam quase 20km ida e volta, não cansou nem metade do que a trilha da Laguna de Los Três, pois as subidas foram bem mais suaves e menores. A Laguna de Los Tres em si própria é bem feinha, mas as montanhas ao redor são muito bonitas. O caminho também é muito bonito, belas paisagens, córregos e rios, a caminhada sem dúvida vale muito a pena. Principalmente por que você se sente seguro, sem aquele medo e preocupação com que o carioca já se habituou, lá você se sente em paz e isso te permite curtir de verdade as paisagens e a caminhada. Vale muito a pena ir até lá pra fazer as trilha. Começamos essa trilha às 09:30 e às 17:00 estávamos de volta a cidade, sem pressa e separando bastante tempo para ficar apreciando a paisagem ao fim da trilha.

Estava havendo uma vaquejada na cidade, demos uma passada pela festa comemos dois hamburgueres que estavam sendo vendidos lá, assistimos por alguns minutos mas depois fomos embora. Embora seja uma tradição, vaquejadas e eventos do gênero são muito covardes com os animais, não temos nenhum prazer em ficar assistindo. Os hamburgueres eram só o pão e uma carne normal como qualquer outra que compramos nos mercados por aqui, só que assada na brasa. Só o pão e a carne e custou 50 pesos cada. E esse era um evento local, não para turistas, e mesmo assim custou o equivalente a 9 reais.

De la fomos no Chê Empanadas e comemos algumas empanadas antes de voltar para o hotel.

Hamburguesia – 50 pesos

Empanada – 25 pesos

Bastão de caminhada – 100 pesos o par

Considerações sobre El Chalten. Cidade pequena e cara. No mercado, uma garrafa de 2l de Coca-cola sai pelo equivalente a uns 12 reais, empanadas custam entre 25 e 35 pesos, garrafas de água de 1,5l cerca de 25/30 pesos, refeições para uma pessoa na casa dos 200 pesos em diante.

Paraíso de trilhas e com opções de caminhadas para todos os gostos e condicionamentos, áreas para campings sinalizadas e organizadas, tudo limpo e impecável. Não é uma das mecas dos trilheiros à toa.


 

Dia 6 – El Chalten/El Calafate

Retorno para El Calafate. A van da Las Lengas nos buscou pontualmente conforme combinado e a viagem foi novamente tranquila até El calafate. Chegamos no Kalken Hotel por volta de 14:00, fizemos o check-in, guardamos as coisas no quarto e saímos para almoçar. Fomos ao restaurante Dona Mecha seguindo resenhas do Tripadvisor e pedimos o sanduíche de carne a milanesa (50cm) e duas “empanadas”. Foi o suficiente para nós dois. De lá fomos ao mercado e compramos pães e algumas outras coisas para fazermos sanduíches para levarmos no passeio de amanhã.

Sanduichão de ½ m - 165

Empanadas – 20 cada, 185 se comprar 10.

Não consegui encontrar a nota fiscal do mercado, se eu encontrar detalho os preços aqui. Compramos presunto, pães, tomates, alface americano, maionese e algo parecido com um requeijão.

 

Dia 7 - Minitrekking

Tomamos um café da manhã reforçado e aguardamos a chegada da van da Hielo y Aventura.

A Hielo y Aventura também faz muito bem seu trabalho, nada mais justo levando-se em consideração o preço do passeio. Não fugiu muito do explicado no site, uma van nos buscou no horário combinado, nos levou até um ônibus. O ônibus levou cerca de uma hora até o Parque Nacional em Perito Moreno. Saímos de El calafate com céu aberto, mas próximo ao glaciar estava nublado. Um funcionário entrou no ônibus e cobrou pelos ingressos de todos, é necessário estar com pesos para o pagamento pois não aceitam cartão. Uma dúvida que eu tinha era se ainda havia desconto para moradores do Mercosul, conforme vi em alguns relatos, mas não há mais. Brasileiro paga 500 pesos pelo ingresso. Depois seguimos para um pequeno porto onde um barco fez nossa travessia até o outro lado do estreito, de onde o grupo parte para a caminhada no glaciar. Entre explicações e caminhadas, levamos cerca de 1h até o pé da geleira, onde colocamos os grampões e iniciamos a caminhada. Levou cerca de 1:30 a 2:00h, conforme prometido, e visitamos 4 vales diferentes além de outras coisas pelo caminho como fendas, buracos poças e etc. O glaciar Perito Moreno é uma das coisas mais incríveis que já vi, e falo com a autoridade de quem já rodou um bocado. Assim como as pirâmides ou o grand canion, as fotos não fazem jus ao local, não conseguem transmitir a imensidão que é o lugar. Em sua maior altura, o paredão de gelo chega a medir 70 metros, o que equivale a um prédio de uns 30 andares. A caminhada foi tranquila e sem muitas exigências físicas. Leve um cartão de memória grande, vai tirar centenas de fotos.

Depois da caminhada, outro passeio de barco e o ônibus nos leva às passarelas. Num primeiro momento, eu achei que não teria muito mais o que ver de lá, mas estava redondamente enganado. Tanto na aproximação quando na caminhada em si, só visualizamos a frente da geleira e um pequeno pedaço, como as passarelas são no alto, da pra ver a vastidão da geleira, que literalmente vai até além do horizonte. É também espetacular. O céu limpou e o sol deixou tudo ainda mais bonito.

Ficamos nas passarelas por cerca de 1 hora, mas não vimos nenhum grande desprendimento de gelo, o que é uma das atrações de lá. Durante a caminhada ouvimos alguns, que soaram como trovões tamanho o volume dos pedaços que caíram.

Retornamos ao ônibus e em uma hora e pouco estávamos de volta à cidade. Tudo muito profissional e organizado, prestadores de serviço muito atenciosos e cordiais. Foi caro mas o serviço prestado foi à altura. Não há comidas nem restaurantes no local, o visitante deve levar seu lanche.

Pra janta comemos os pães e complementos que compramos no dia anterior.

 

Mini trekking – 3200 (quase 600 reais)

Entrada – 500 pesos (90 reais)


 

Dia 8 – El Calafate

Dia livre. Tomamos café da manhã no final do horário e depois saímos para andar à toa pela cidade. Caminhamos por fora da avenida principal e turística observando as casas dos reais moradores da cidade, os jardins e árvores, os muitos cachorros, enfim, a real vida no local. Caminhamos algumas horas sem destino pela cidade e já no fim da tarde paramos no restaurante San Pedro para jantar. Pedimos o prato que estava em promoção anunciado na vitrine, cordeiro com batatas rústicas. O cordeiro patagônico é um prato muito característico da região, mas infelizmente eu não reparei nas letrinhas menores. O cordeiro anunciado era cozido de outra forma, com molho chimichurri. Estava bom, mas como minha intenção era provar o cordeiro patagônico, que é assado na brasa, saí um pouco frustrado. Cada prato custou 195 pesos.

Rodamos um pouco para comprar minha lembrança de viagem. Desde minha primeira viagem que coleciono lembranças: um coliseuzinho de gesso, um gondolazinha, uma piramidezinha, essas bugigangas. Nunca foi tão difícil achar algo pra comprar, pois tudo custa um absurdo. Simples imãs de geladeira estavam custando 100 pesos (18 reais), qualquer besteirinha mais elaborada era 200, 300 pesos. Enfim, depois de muito procurar, achei um glaciarzinho sem vergonha por 60 pesos e me contentei com ele mesmo. Dessa vez improvisei nas bugigangas de viagem: trouxe uma pedrinha de El Chalten, uma pedrinha que peguei em Perito Moreno e um pequeno pinhão que retirei de uma árvore em El Calafate. Já trouxe pequenas pedras de outros lugares importantes, como Cairo, Petra e Jerusalem, gosto de verdade das pedrinhas, mas obviamente que o fato de elas serem 0800 ajudaram!

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Codeiro com papas – 195 pesos

Lembrancinha chinfrim – 60 pesos


Considerações sobre o Kalken Hotel. Hotel simples mas muito bom. Não é hostel nem guest house, é hotel com suas formalidades e características. O quarto é bem arrumado e espaçoso, com cama confortável carpete pelo chão, café da manhã buffet muito bom e pessoas muito prestativas na recepção. Eu diria que de 10 a nota deles seria 8. Recomendo. Tivemos problema com uma falta de internet que durou mais de 24 horas, o que nos dias de hoje é algo complicadíssimo, uma vez que era nossa única fonte de comunicação com o Brasil e também indispensável para as pesquisas de viagem. O café da manhã tem algumas opções de sucos, iogurtes, cereais e sementes, pães e croissant (chamam medialunas por lá), frios e a fruta da vez era abacaxi. Eu, como mochileiro, encaro um café da manhã já incluso no preço como uma oportunidade! Costumo dizer que a refeição mais importante do dia é essa, por que já está paga! Como feito um ogro e pulo o almoço tranquilamente. Recomendo este hotel. Diárias por U$47.

Considerações sobre El Calafate. Cidade caríssima e base para passeios ainda mais caros. Muito bonita e arborizada, clima frio e agradável. A cidade por si só não vale a viagem, o que justifica tudo por lá é Perito Moreno. Talvez seja um destino bom pra quem não precisa economizar, deve ter bons restaurantes e bares, mas esse não é nosso foco em viagens.


 

Dia 9 – Buenos Aires


 

Retorno ao Brasil. Por volta de 10:30 a van da VES PATAGONIA que estava agendada desde a chegada no buscou no hotel e nos levou ao aeroporto. Duas horas e meia de vôo e chegamos às 16:00 em Buenos Aires, com o próximo vôo para o Rio apenas às 06:25 da manhã do dia seguinte. Nunca havíamos visitado a capital argentina e também não tive tempo de fazer qualquer preparação para visitar a cidade. Pegamos um Uber até o Hostel Reina Madre, fizemos o check in e pegamos um mapinha e algumas informações com a recepcionista e saímos para caminhar pela cidade, que era o que dava pra fazer. O hostel é na Recoleta. Em nossa caminhada passamos pelo Cemitério da Recoleta e seguimos até a Flor Metálica, que efetivamente foi a única atração que visitamos. Almoçamos no MacDonalds. Seguimos caminhando e passamos pelo prédio da faculdade de direito e fomos até quase o obelisco da Avenida 9 de Julho. Relâmpagos e um tempo se revirando fizeram com que encerrássemos a caminhada e voltássemos para o Hostel. Compramos sanduíches no Subway, um pote de sorvete de doce de leite num mercado e já debaixo de muita chuva chegamos ao Hostel.

Uber - 108 pesos

Trio Big Mac - 140 pesos

Sanduíche do dia do Subway 15cm - 60 pesos

Pote de 1 l de sorvete – 99 pesos

Chuva e trovoadas com as capas de chuva esquecidas no hostel – não tem preço!

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Hostel Reina Madre. Barato. Pegamos um quarto com banheiro compartilhado, aproveitamos que ficaríamos apenas algumas poucas horas para economizar. O quarto tem ar condicionado, mas a recepcionista ligou em 24 graus e disse que não abaixava mais. Com o quarto sem janelas, o resultado é que fora do quarto estava mais fresco que dentro. Cama com colchão muito vagabundo, toalhas e roupas de cama encardidas. É só mesmo um lugar pra dar uma cochilada e só. Recepcionistas bem prestativas. 41U$ o quarto duplo com banheiro compartilhado.


 

Dia 10 – Rio de Janeiro

Acordamos às 4:00, nos arrumamos rápido e chamamos o Uber para retornarmos ao aeroporto. O motorista fez uma volta inexplicável para chegar e não só rodou muito mais como demorou o dobro do tempo. A corrida que tava orçada em 108 ficou em quase 180 pesos. Fuçando no aplicativo do Uber durante a fila pra checagem de segurança do embarque, vi que há uma aba específica para esse tipo de queixa e com dois cliques eu reclamei e automaticamente o aplicativo estornou o valor a mais se baseando no caminho que o motorista deveria ter feito. Ou seja, o hermano tentou me dar uma vuelta mas o sistema me protegeu e resolveu meu problema em alguns poucos instantes. E tem gente que ainda quer lutar contra... Fizemos o embarque e tivemos um vôo tranquilo de retorno ao Rio, mais 3 horas e aquele lanchinho sem vergonha de sempre e chegamos em paz e realizados com o final de mais uma viagem, o melhor investimento que o dinheiro pode fazer.

 

Espero ter ajudado aos colegas! Quem quiser alguma ajuda, me contate no e-mail [email protected], terei prazer em ajudar se puder.  Quanto tiver mais tempo dou uma melhorada no relato e anexo mais fotos.


 

 

 

 

 

 

 

 

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Oi Paulo,

Tudo bom?

Gostaria da sua ajuda....Vc teria como me chamar inbox do face? Preciso da sua ajudinha.....sera importante pra mim...Poderia ser? Obg

 

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    • Por Caio Vinicius Aleixo
      Galera, 
      pela primeira vez vou acamapar e fazer trilhas sozinho, vou para a patagonia em Out/2018 e queria um help de vocês quanto ao meu equipamento, vou listar o que pretendo comprar abaixo e gostaria de sugestões/feedbacks
      1 - Saco de dormir, limite de -5 graus, quechua ( Esse saco de dormir é suficiente para o frio da patagonia em outubro)
      https://www.decathlon.com.br/trilha-e-trekking/equipamento-de-trekking-varios-dias-/sacos-de-dormir-de-trekking/saco-de-dormir-de-trekking-trek500-0-forclaz?skuId=2188620
      2 - Bota, Quechua (A impermeabilidade é boa? a bota cobre a necessidade da trilha?)
      https://www.decathlon.com.br/trilha-e-trekking/homem-em-trilha-leve-de-1-dia/calcados/bota-de-trilha-intensiva-impermeavel-mh500-mid-masculina-quechua?skuId=2567125
      3 - Meias, Quechua ARPENAZ WARM (Essas meias são suficientes para não passar frio nos pés?)
      https://www.decathlon.com.br/trilha-e-trekking/acessorios-de-vestuario-trilha-e-trekking/meias-adulto/meias-quentes-de-trilhas-arpenaz-warm-2-pares?skuId=241285
      4 - Conjunto de blusas (Vou passar frio com esse conjunto?)
      Segunda pele https://www.decathlon.com.br/ski-e-snowboard/masculino/segunda-pele/blusa-segunda-pele-simple-warm-masculina-wedze?skuId=2302370
      Segunda camada de fleece (não achei o link)
      Corta vento https://www.decathlon.com.br/trilha-e-trekking/homem-em-trekking-de-varios-dias/jaquetas-de-pluma-soft-shell/jaqueta-masculina-de-penas-para-trekking-x-light?skuId=392841
      Qualquer ajuda é bem vinda. Valeuu!
    • Por robertodebona
      Saudações mochileiros,
      Voltamos recentemente de um trekking de dezoito dias pela Patagônia (El Calafate, El Chaltén e Circuito W em Torres del Paine) e deixarei aqui um breve relato sobre a viagem.
      Falarei um pouco sobre o que levar, quais os lugares que visitamos e outras dicas sobre o nosso planejamento. Espero que, de alguma forma, a leitura possa ajudar / inspirar vocês no planejamento de um mochilão pelo Chile e pela Argentina.
      Boa leitura!
       
      Itinerário:
      07/01 – El Calafate
      08/01 - Deslocamento até El Chaltén.
      09/01 - El Chaltén
      10/01 - El Chaltén
      11/01 - El Chaltén
      12/01 - El Chaltén
      13/01 - El Chaltén
      14/01 - El Chaltén
      15/01 – El Chaltén
      16/01 - Deslocamento El Chaltén – El Calafate - Puerto Natales
      17/01 – Puerto Natales
      18/01 – Torres del Paine
      19/01 - Torres del Paine
      20/01 - Torres del Paine
      21/01 - Torres del Paine
      22/01 - Saída do Parque. Volta a Puerto Natales
      23/01 – Deslocamento Puerto Natales – El Calafate
      24/01 - El Calafate (minitrekking)
       
      Sobre a viagem:
      Embora muitos preferem conhecer a Patagônia de carro, moto, bicicleta, trailer…, esse tipo de viagem infelizmente demanda tempo de deslocamento e geralmente é feita por quem tem mais tempo para viajar. No nosso caso, tínhamos vinte dias e optamos por viajar de avião até El Calafate, fazendo conexão em Buenos Aires.
      Alguns preferem visitar a Patagônia vindo de avião pelo Chile, a partir de Santiago e depois Punta Arenas, mas, pelas pesquisas que fizemos, o preço da passagem aérea pela Argentina estava mais em conta. Como o valor das passagens costuma mudar, sugiro pesquisar as passagens pelos dois países.
      Planejando a nossa viagem, optamos por priorizar as cidades de El Chaltén e o Circuito W de Torres del Paine, principalmente porque são os lugares onde estão as trilhas mais conhecidas da Patagônia (apesar de haver vários outros lugares não tão famosos entre os mochileiros e que são tão bonitos quanto). Também reservamos dois dias em El Calafate e decidimos deixar Ushuaia para um outro momento.
      Como a nossa programação era acampar durante parte do roteiro, compramos os itens essenciais para a viagem ainda no Brasil, merecendo destaque para:
      - Barraca resistente ao vento: compramos uma Quickhiker 3 da Quechua, a qual suportou o vento da Patagônia, apesar de termos sentido frio em dois dias acampados. Não é a barraca mais indicada para esse tipo de lugar, mas ela tem uma boa relação custo-benefício;
      - Bastões de caminhada: fundamentais para quem vai caminhar por terrenos íngremes com aproximadamente quinze quilos nas costas;
      - Saco estanque: usamos ele para enchê-lo de água quando estávamos acampados, não precisando se deslocar toda hora até o rio para buscar água potável;
      - Roupas de frio e resistente ao vento.
      Sobre dinheiro, trocamos reais por pesos argentinos ainda no Brasil e levamos todo o nosso dinheiro em espécie (usamos o cartão apenas para reservar os hosteis). A maior parte da quantia que levamos já era em pesos argentinos, sendo que deixamos para comprar pesos chilenos apenas quando chegamos em Puerto Natales.
      A conversão foi de aproximadamente:
      AR$ 1 = R$ 0,15
      R$ 1 = CLP 180
      Dia 07 de Janeiro – El Calafate:
      Pousamos em El Calafate às 12:30 e pagamos AR$ 180 cada um no transfer do aeroporto até o nosso hostel.
      A cidade conta com diversos hostels e nos hospedamos no Nakel Yenu.
      Logo que chegamos na recepção e fizemos o check-in, o recepcionista quando soube que iríamos acampar nos ofereceu três cartuchos de gás para acampar que outros viajantes tinham deixado no hostel. Ele nos disse que é normal que os viajantes quando terminam seus acampamentos decidem não levar parte dos equipamentos que sobraram da viagem e acabam deixando na recepção. Como ainda não tínhamos comprado cartucho de gás para o nosso acampamento, acabamos aceitando dois dos três cartuchos que o recepcionista nos ofereceu e já economizamos alguns pesos argentinos logo no começo da viagem (fica a dica para aqueles que forem acampar: pesquisem na recepção do hostel se tem algum cartucho de gás sobrando).
      Feito o check-in, compramos nossa passagem de ônibus para El Chaltén para o dia seguinte (AR$ 600 por pessoa), fomos caminhar pelo centro da cidade e aproveitamos para passar no mercado comprar o que faltava para viagem.

       
      Dia 08 de Janeiro – Deslocamento para El Chaltén e caminhada até o mirador do Fitz Roy e Laguna Capri
      Saímos às 08:40 de El Calafate rumo a El Chaltén. O bom da viagem é que ao longo do trajeto de ônibus você já tem um pouco da noção das paisagens que vai encontrar quando chegar.
      Antes de desembarcar na rodoviária, o ônibus fez uma parada no centro administrativo do Parque, onde recebemos algumas recomendações sobre as trilhas.
      Ônibus chegou na rodoviária às 11:50, saímos procurar hostel e acabamos ficando no hostel Lago del Desierto por AR$ 320 por pessoa.
      Como tínhamos a tarde inteira livre, decidimos fazer uma caminhada por um trajeto que não estava incluído no nosso roteiro de acampamento e fomos até o Mirador Fitz Roy. Esse é um dos trajetos para quem vai até a Laguna de los Tres (base do Fitz Roy) e a trilha tem início onde termina a área urbana de El Chaltén.
      Nesse trajeto, os dois primeiros kms são de uma subida bastante íngreme, o que, em compensação, fornece um bom visual da cidade e das montanhas ao redor dela. Passados esses kms iniciais, a trilha se mostra menos inclinada e a caminhada começa a render mais. O mirador possui uma vista muito boa e já dá uma noção para o mochileiro da paisagem que ele vai encontrar pela frente. Continuamos nossa caminhada até a bifurcação que vai para a Laguna de los Tres e pegamos a esquerda indo em direção à Laguna Capri (a ida até a base do Fitz Roy estava programada para outro dia). O visual da Laguna Capri também é muito bom, mas se tivesse que escolher entre ir ao Fitz Roy passando pelo Mirador ou pela Laguna, eu escolheria o primeiro por fornecer uma vista panorâmica bem maior que a da Laguna Capri.
      Após quatro horas e meia de caminhada e 10 kms percorridos, estávamos de volta à cidade com uma boa noção do que nos esperava (em questão de trilha e vento) para os próximos dias.
      Tempo de caminhada: 4:30.
      Distância: 10 km com a mochila pequena.
      Desnível: 350 metros.


       
      Dia 09 de Janeiro – Laguna Torre e Camping Agostini
      Apesar de termos acordado cedo, o tempo em El Chaltén geralmente amanhece nublado e não costuma melhorar antes das dez horas da manhã. Com isso, tomamos nosso café com calma, fizemos o check-out do hostel (como tínhamos alguns itens que não usaríamos nos acampamentos, o hostel permitiu que deixássemos parte de nossa bagagem no depósito deles) e iniciamos a trilha às 11:00.
      O destino do dia era a Laguna Torre e dormir no Camping Agostini, trajeto esse que se inicia em El Chaltén, tem 10,5 kms de distância e que fizemos em quatro horas e meia de caminhada. O trecho inicial da caminhada é inclinado até o Mirador Cerro Torre, sendo que volta a ficar mais plano da metade do trajeto em diante. Em compensação, apesar de ser uma caminhada que demanda certo esforço físico, o visual compensa: ao longo da caminhada você terá uma boa visão das montanhas e do rio Fitz Roy que corre lá embaixo e também, nos últimos kms de caminhada, atravessará um bosque com uma típica paisagem patagônica.
      Chegamos no camping às 15:30 e, depois de montada a barraca, caminhamos mais dez minutos até chegarmos à Laguna Torre. Apesar de um vento bastante forte, o visual que se tem vale a pena.
      Após um tempo contemplando a paisagem do lugar, decidi caminhar mais 5 kms (ida e volta) por uma trilha inclinada e não muito bem demarcada e ir até o Mirador Maestri, onde se tem uma visão panorâmica das montanhas e principalmente do Glaciar Grande. A paisagem, sem dúvida, não é melhor do que aquela que encontramos ao longo do dia, mas, caso você não esteja cansado da trilha até a Laguna Torre e tenha tempo de sobra, é uma caminhada de uma hora e quarenta minutos que recomendo.
      Tempo de caminhada: 04:30 até o Camping Agostini + 01:40 até o Mirador Maestri.
      Distância: 10,5 kms até o Camping Agostini com a mochila grande + 5 kms até o Mirador com a mochila de ataque.
      Desnível até a Laguna Torre: 250 metros.




       
      Dia 10 de Janeiro – Camping Agostini – Laguna Madre e Hija – Camping Poincenot:
      Comentando um pouco sobre os campings de El Chaltén: os três campings (Agostini, Poincenot e Capri) são gratuitos e você não precisa pedir permissão / preencher algum documento para acampar nesses lugares, basta chegar, escolher o melhor lugar e montar sua barraca. A estrutura é bem simples: os campings são localizados dentro de bosques para proteger melhor do vento, possuem um banheiro químico e rios com água potável a poucos metros de distância, nada muito além disso.
      Nossa primeira noite acampando foi de muito frio. Apesar de ser verão, a temperatura a noite atingiu aproximadamente zero graus e não foram poucas as vezes que tivemos que acordar para colocar uma peça de roupa a mais (nada que não estava dentro do esperado para uma viagem à Patagônia). Com relação à barraca, ela aguentou bem o vento que fez de noite e, apesar de não ser tão resistente ao frio e à chuva, mostrou ter uma boa relação custo/benefício.
      Nesse dia, acordamos às 07:30 e mais uma vez o tempo não se mostrava propício para iniciarmos nossa caminhada tão cedo. Assim, fizemos nosso café e desarmamos o acampamento sem pressa e só iniciamos nossa caminhada às 10:00.
      A caminhada se iniciou percorrendo o trajeto que fizemos no dia anterior, até a bifurcação entre a trilha que vai em direção às Lagunas Hija e Madre e o trecho que passamos no dia anterior, que leva de volta à El Chaltén. Pegamos o primeiro trajeto e logo de cara uma subida razoavelmente íngreme e de aproximadamente uma hora de caminhada. Para quem está caminhando apenas com uma mochila de ataque talvez não é um grande desafio, mas o discurso muda quando você está levando quinze quilos de equipamento nas costas. Nessa hora, posso dizer que senti bastante a diferença de caminhar com bastões de caminhada. Em trechos inclinados eles se mostram uma boa ferramenta para os mochileiros e recomendo ele para quem for fazer esses trajetos, principalmente se for carregar todo o equipamento nas costas.
      Após esse primeiro trecho, deixamos a inclinação e a trilha em meio aos bosques para iniciarmos uma caminhada num trajeto mais plano e bastante aberto, trecho esse que margeia as Lagunas Madre e Hija e termina no Camping Poincenot. Posso dizer que a paisagem com as lagoas, o Fitz Roy ao fundo, somados com o dia de sol, nos proporcionou um dos melhores visuais de toda a nossa viagem.
      Depois que passamos pelo trecho que costeia as lagoas, o Arroyo del Salto continua acompanhando o mochileiro pela trilha até alcançar a bifurcação de quem vem da Laguna Capri e quem vai em direção a Laguna de los Tres. Pegamos o segundo trecho e depois de poucos minutos estávamos, às 15:20, no Poincenot.
      Barraca devidamente montada e saco estanque cheio de água mais uma vez, fizemos um carreteiro de charque e seleta de legumes para recompor as energias. O camping Poincenot fica próximo à subida que leva à Laguna de los Três, o que nos proporcionou um bom visual no final do dia.
      Tempo de caminhada: 05:20.
      Distância: 10,5 kms com a mochila grande.
      Desnível: 100 metros.

      Dia 11 de Janeiro – Poincenot – Laguna de los Tres:
      Como optamos por ficar mais tempo em El Chaltén e por termos sentido um pouco o cansaço dos três dias de caminhada, decidimos que dormiríamos mais um dia no Poincenot e que nesse dia faríamos apenas a subida até a Laguna de los Tres.
      Acordei um pouco depois das quatro da manhã e às quatro e meia iniciei minha subida à base do Fitz Roy para ver o nascer do sol, já que alguns mochileiros tinham comentado que o visual valia a pena. Coloquei minha headlamp e já no início da caminhada avistei ao longo da subida as luzes das headlamps de outros mochileiros, alguns quase no final do trajeto, o que indicava que eu provavelmente estava começando a caminhada com um pouco de atraso.
      Após caminhar quase quinhentos metros do camping, você chega numa cabana que os “guardaparques” costumam utilizar e ali se inicia a caminhada de um quilômetro até a base do Fitz Roy. Talvez essa tenha sido a caminhada mais exigente de todas, afinal é um quilômetro de trilha que é feito em aproximadamente uma hora e quinze minutos de caminhada num desnível de quatrocentos metros, ou seja, um trecho bastante inclinado num terreno com bastante pedra. Mesmo assim, fiz a caminhada no meu tempo, sem me apressar para chegar ao topo, caminhando no meu ritmo e sempre cuidando onde pisava. Com o passar o do tempo, a alvorada aparecia no horizonte e a claridade mostrou que já não era mais necessário o uso da lanterna para caminhar.
      Por volta das cinco e meia da manhã, com bastante vento e um clima que não parecia ser dos mais amigáveis, cheguei à Laguna de los Tres, procurei uma pedra para me abrigar do vento e aguardei o nascer do sol. Infelizmente o clima estava um pouco nublado e não pude ver o Fitz Roy naquele momento.
      Após vinte ou trinta minutos apreciando a paisagem, percebi que o clima realmente não estava disposto a colaborar naquela manhã (como falei, o tempo em El Chaltén costuma melhorar depois das dez da manhã, isso não é uma regra, mas na maior parte das vezes foi o que aconteceu) e com isso fiquei num dilema: esperar até o tempo melhorar ou então voltar para o camping e fazer uma segunda tentativa mais tarde. Percebi que o vento passou a soprar mais forte, o que no começo era uma garoa de leve começava a piorar e as nuvens negras davam a entender que vinha chuva pela frente, sem contar que, após o corpo esfriar da caminhada, a temperatura se mostrou outro inconveniente. Não tive escolha senão retornar ao camping.
      Depois de descansar mais um pouco na barraca e de um reforçado café da manhã, iniciamos nossa subida às onze horas da manhã. Fizemos o trajeto com várias paradas para descansar e depois de uma hora e quinze de caminhada estava novamente na Laguna de los Tres. A diferença do clima era gritante, o céu com algumas nuvens, mas sem nenhuma indicação de tempo ruim (na verdade, quase não dava para se dizer que aquele clima de chuva foi apenas a algumas horas atrás). Apenas o vento que tinha ficado ainda mais forte, o que fez com que muitos (inclusive nós) buscassem abrigo ao lado das pedras ou então ajoelhassem para não correr o risco de ser derrubado pelo vento (mais uma situação na qual os bastões de caminhada se mostraram indispensáveis).
      Ficamos mais de uma hora observando a paisagem. Além da Laguna de los Tres, o mochileiro pode caminhar aproximadamente cinco minutos a esquerda da lagoa onde encontrará outro ponto de observação o qual permite que se observe também a Laguna Sucia. Apesar do vento, o cenário vale a pena.
      Quando voltamos ao acampamento e estávamos quase dando os exercícios do dia por encerrados, eis que surge uma situação pela qual não esperávamos: todo o vento que pegamos lá em cima na base do Fitz Roy também passou pelo acampamento Poincenot e a nossa barraca, apesar de estar fechada, não conseguiu evitar que toda a poeira ao redor do camping entrasse dentro dela. O resultado: todos os equipamentos e roupas empoeirados, o que resultou em mais uma hora e meia limpando a barraca e lavando algumas roupas. Por sorte, muita coisa, inclusive a comida, estava bem fechada, o que nos rendeu um bom prato de macarrão com atum como janta antes que fossemos dormir.
      Tempo de caminhada: aprox. 01:15 até a Laguna de los Tres.
      Distância: 5,5 kms (duas subidas até a base do Fitz Roy) com a mochila pequena.
      Desnível: 400 metros.

       
       
      Dia 12 de janeiro – Poincenot – Hosteria Pilar – El Chaltén:
      Essa noite sim eu posso dizer que foi a noite mais fria de todo o mochilão. A temperatura facilmente alcançou zero graus, além do vento e de um pouco de chuva. Diferentemente da noite no camping Agostini em que, apesar do frio, o fato de termos colocado várias mudas de roupa ter sido o suficiente para dormirmos razoavelmente bem, nessa segunda noite no camping Poincenot não teve o que nos salvasse de uma noite de muito frio.
      Quando acordamos a chuva tinha dado uma trégua, o que nos permitiu “levantar” o acampamento e tomarmos um bom café da manhã. Contudo, foi só iniciarmos nossa caminhada rumo à Hosteria El Pilar que voltou a chover, não uma chuva forte, mas sim com muito vento e frio, a ponto de chover gelo fino durante parte do trajeto e até mesmo nevar, mesmo que por pouco tempo. Nessa hora uma boa jaqueta corta-vento, touca, capa de chuva e luvas impermeáveis fazem toda a diferença. Durante a caminhada, o tempo nublado não permitiu que avistássemos o Glaciar Piedras Blancas.
      Nosso objetivo nesse dia era caminhar até a Hosteria Pilar e, de lá, fazer a trilha que margeia o Rio Electrico e vai até o Camping Piedra del Fraile. Porém, após três dias acampando, uma noite mal dormida e com o tempo dando a entender que choveria por boa parte do dia, chegamos na Hosteria Pilar e optamos por chamar um transfer que nos levasse de volta até El Chaltén. Esperamos meia hora, dividimos (eu, meu pai e mais um casal de brasileiros) os AR$ 600 e depois de mais meia hora, estávamos em Chaltén. A trilha até Piedras del Fraile ficaria para outro dia.
      Aqui vai outra sugestão para quem vai para El Chaltén na alta temporada: se possível, reserve os hostels com antecedência. Sentimos isso na pele quando chegamos na cidade, fomos até o hostel no qual deixamos parte de nossa bagagem e fomos informados que não tinha vaga disponível. Nós não tínhamos feito reserva nesse dia porque nosso objetivo era ter ido até o Camping Piedras del Fraile mas, como imprevistos acontecem, tivemos que dar uma boa caminhada por El Chaltén até conseguirmos vaga no hostel La Comarca, próximo à rodoviária. Na verdade, o hostel tinha apenas uma vaga disponível, mas o recepcionista abriu uma exceção e disse que um de nós poderia dormir na sala de TV que tinha no hostel. A janta ficou por conta do restaurante Pancho Grande, que é um lugar com preço acessível e com uma janta considerável para quem caminhou bastante nos últimos dias.
      Outra informação: existem duas trilhas que levam ao Fitz Roy. Uma delas é a que começa pela cidade, passando pela Laguna Capri ou pelo Mirador Fitz Roy, chegando no camping Poincenot, enquanto que, para fazer a outra trilha, que sai da Hosteria Pilar, é necessário pagar por um transfer e se deslocar por pouco mais de meia hora. Ambas tem seus prós e contras: na primeira trilha a distância é um pouco maior e ela é mais íngreme, principalmente no início, em compensação, não é necessário pagar pelo deslocamento. Já a segunda trilha, o mochileiro vai gastar em deslocamento, mas, por outro lado, o nível de exigência é menor. Vai da escolha de cada um.
      Tempo de caminhada: não marquei o tempo, mas estimo que fizemos a caminhada do camping Poincenot até a Hosteria Pilar em pouco mais de duas horas.
      Distância: 7 kms com a mochila grande.

      Dia 13 de janeiro – Loma del Pliegue Tumbado:
      O objetivo desse dia foi fazer a trilha da Loma del Pliegue Tumbado, percurso que exige um pouco mais de preparo físico, uma vez que são dez quilômetros de ida e mais dez de volta, num trecho inclinado, com desnível de mil metros, ou seja, vá sem pressa e com bastante comida porque o dia será bastante longo.
      Saímos da cidade às 10:00 da manhã e retornamos às 17:30, ou seja, sete horas e meia de caminhada. O trajeto dessa trilha varia, inicia com um trecho de subida mais íngreme, depois mescla um pouco de caminhada dentro de bosques com terrenos de campos e com poucas árvores, mas sempre subindo, variando apenas a intensidade da inclinação. Por fim, o final da trilha passa a ser em terreno com pedras e chão batido. Depois de oito quilômetros de caminhada você chegará ao mirador Loma del Pliegue Tumbado, que tem uma vista panorâmica muito boa.
      Contudo, a melhor paisagem estará reservada àqueles que estiverem dispostos a caminhar os dois quilômetros finas da trilha. Esse último trecho de caminhada é feito por uma subida muito íngreme e com pouca sinalização. Minha sugestão é dar uma boa descansada no mirador antes de iniciar essa última parte. Depois, é só pegar a trilha, baixar a cabeça para não ver o quanto de caminhada terá pela frente e seguir no seu ritmo. O trecho é realmente cansativo de se fazer, mas o visual lá de cima vale a pena. Você estará a mil metros acima da cidade de El Chaltén e terá uma vista panorâmica de todo a região, avistando desde o Lago Viedma, até a cidade de El Chaltén ao fundo, Laguna Torre, Laguna Capri e as montanhas ao redor.
      Tempo de caminhada: 07:30 horas.
      Distância: 20 kms com a mochila de ataque.
      Desnível: 1000 metros.

      Dia 14 de Janeiro – Camping Piedra del Fraile e Lago Electrico:
      Agora sim, depois de sermos impedidos pelo tempo de continuarmos nossa trilha do camping Poincenot até o camping Piedra del Fraile no dia 12, saímos às 09:00 da manhã de El Chaltén, fomos até a estrada que dá acesso à trilha que vai até o Lago Electrico e, às 10:00, iniciamos nossa caminhada.
      Como sugestão, eu diria que essa trilha só deve ser feita depois que você já foi até a Laguna Torre, Laguna de los Tres e Loma del Pliegue Tumbado, ou seja, já tenha feito as três principais caminhadas de El Chaltén. Não que o visual dessa trilha não valha a pena, mas é aquele tipo de caminhada que a paisagem ao longo do percurso é que faz o passeio se tornar interessante e não o destino final. Ao longo do trajeto você caminhará num bosque que margeia o rio Electrico e que também permite que você veja as montanhas ao fundo. O terreno e a inclinação também são bem tranquilos, o que faz dessa trilha um passeio mais leve se comparado com as três principais trilhas de El Chaltén.
      São seis quilômetros e meio até o camping Piedra del Fraile. Esse camping está numa área particular, fora do parque, é pago e possui uma infraestrutura melhor que os demais campings de El Chaltén. Infelizmente não dormiríamos ali naquele dia, então continuamos a caminhada por mais dois quilômetros em direção ao Lago Electrico. Nesse trajeto, você terá uma vista para o Fitz Roy por outro ângulo, que sem dúvida alguma não se compara àquela da Laguna de los Tres, mas que mesmo assim não deixa de valer a pena.
      Chegamos no trecho final da caminhada e nos deparamos com uma bifurcação que não está sinalizada na trilha. Enquanto o Maps Me e um relato que eu li me diziam para a pegar a esquerda e iniciar uma subida pelo morro, o trajeto dava a entender que o correto seria pegar pela direita e contornar o morro. Fomos pela primeira opção, iniciamos uma subida e logo encontramos uma marcação do trajeto a percorrer. Mesmo estando mal sinalizado, com a ajuda do aplicativo é possível chegar até um lugar onde você terá uma boa visão do Lago Electrico.
      Após sete horas de caminhada, estávamos de volta à entrada da trilha, aguardamos nosso transfer por vinte minutos e depois de mais quarenta minutos estávamos de volta em El Chaltén.
      Conforme eu falei, essa trilha vale a pena caso você já tenha feito os principais trajetos de El Chaltén, ela é menos exigente e o principal atrativo dela é a paisagem ao longo da trilha entre a entrada e o camping Piedra del Fraile. Pode-se dizer que a ida até o Lago Electrico é apenas um complemento da viagem, de modo que caso o mochileiro opte por não fazê-la não perderá nada de formidável.
      Tempo de caminhada: 07:00.
      Distância: 13 kms até o camping + 4 kms até o Lago Electrico, ambos com a mochila de ataque.

      Dia 15 de Janeiro – Lago del Desierto:
      Por fim, após alguns quilômetros percorridos ao longo dos dias em El Chaltén, nos rendemos a um dia sem caminhadas e optamos por fazer o passeio de barco pelo Lago del Desierto. Não lembro do valor do passeio, mas sei que não foi um preço muito amigável, então deixo como sugestão mais para que já fez os outros passeios e queira um dia de descanso.
      Nosso transfer nos buscou às 07:30 no hostel para percorrer um trecho de aproximadamente uma hora de carro até a Punta Sur, lugar onde saem os barcos que fazem o passeio. De lá, nosso barco percorreu o lago por aproximadamente quarenta minutos até chegarmos a outra extremidade, lugar que tem uma aduana argentina, uma vez que a Punta Norte é local de entrada na Argentina de mochileiros que vieram do Chile, mais precisamente do parque O´Higgins. Depois de um tempo na Punta Norte, nosso barco se deslocou até a metade do lago e parou num refúgio, onde descemos e pudemos fazer uma caminhada de trinta minutos até um mirador para observar o Glaciar Vespignani.
      Às 14:30, já de volta à Punta Sur, pegamos nosso transfer de volta à cidade e assim demos por encerrado nossa estadia em El Chaltén. Partiríamos para Puerto Natales no dia seguinte.

       
      Resumo e dicas de El Chaltén:
      El Chaltén sem dúvida alguma é ponto de parada obrigatório para quem visita a Patagônia. A menos que você tenha um roteiro com poucos dias, que prioriza apenas uma cidade (fazer apenas algum dos circuitos em Torres del Paine, por exemplo), essa cidade deve estar no seu roteiro.
      Primeiramente, ela é uma cidade que se deve reservar pelo menos quatro dias nela para poder fazer as três principais caminhadas (Laguna Torre, Laguna de los Tres e Loma del Pliegue Tumbado), além de um dia de sobra por garantia em caso de mau tempo. Digo isso porque o clima em El Chaltén é muito imprevisível, o viajante pode ter a sorte de pegar uma semana inteira só de sol, assim como o contrário e passar todos os dias na cidade abaixo de chuva. Infelizmente é uma loteria. Com isso, ter um dia de sobra pode ser uma boa solução caso aquele dia que você se programou para ir para a base do Fitz Roy amanhecer chuvoso, uma vez que o passeio poderá ser remarcado para o dia seguinte.
      Além disso, lendo alguns relatos e também ouvindo alguns viajantes, a impressão que tive é que Ushuaia é uma cidade que conta com um perfil de turismo menos voltado para trilhas. Com isso, caso o seu roteiro não tenha tantos dias, deixo como sugestão deixar Ushuaia de lado (até mesmo por ser mais longe e envolver um tempo maior de deslocamento de ônibus ou então comprar uma passagem aérea) e passar alguns dias a mais em Chaltén.
      As trilhas de Chaltén (com exceção da Loma del Pliegue Tumbado) possuem a opção de você fazer bate e volta, dormindo todos os dias na cidade, ou então ficar nos acampamentos, o que envolve se programar mais e levar mais peso nas costas, mas que, em compensação, não obrigará o viajante a fazer os trajetos de ida e volta no mesmo dia.
      Outra dica com relação ao clima: as trilhas são afastadas umas das outras e a região é cercada por montanhas, ou seja, o tempo e as condições climáticas podem mudar conforme o local onde você estiver. O tempo costuma melhorar depois das dez horas da manhã, então, se possível, programe-se para começar os percursos depois desse horário. Além disso, consulte sempre a previsão do tempo, principalmente se você ficará alguns dias sem internet.
      Com relação à subida até a Laguna de los Tres, que é o atrativo principal da cidade, se você não estiver com tanta sorte e o tempo não estiver bom no dia que você fizer essa trilha, deixo como sugestão aguardar o tempo melhorar na cabana onde é ocupada pelos guardaparques no nono quilômetro de caminhada (comentei sobre ela no relato do dia 11 de janeiro), antes de começar o último quilômetro de subida. Pode ser que o tempo esteja ruim no momento que você esteja terminando o trajeto de ida para a base do Fitz Roy, o que não significa que ele não pode mudar dali uma ou duas horas. Então, caso você chegue quase ao final da trilha, quer subir até a Laguna de los Tres, mas não quer se frustrar, encontrar um tempo fechado e ter que voltar logo depois de chegar ao fim da trilha, sugiro esperar o tempo melhorar ali nessa área onde fica a cabana dos guardaparques, pois é um local que, apesar de ser bem simples, pega menos vento e que você poderá esperar o tempo melhorar.
      O camping Bonanza (entre a El Chaltén e a Hosteria Pilar) nos chamou a atenção por possuir uma infraestrutura melhor para receber casais com crianças. Caso seja esse o seu caso, talvez esse camping seja uma boa opção.
      Optamos por não fazer as caminhadas para o Chorrillo del Salto, Mirador de los Condores e Mirador de las Aguilas. Caso você tenha tempo sobrando, talvez elas sejam uma boa opção.
      Por fim, não só os destinos das trilhas de El Chaltén são bonitos de se ver, mas as próprias trilhas em si possuem uma paisagem que vale a pena apreciar. Com isso, programe-se para caminhar com calma, com várias paradas para descansar e sem pressa de chegar ao final do percurso.

       
      Dia 16 de Janeiro – Deslocamento El Chaltén – El Calafate – Puerto Natales:
      No dia anterior, pagamos AR$ 1100 por duas passagens de El Chaltén para El Calafate, saindo às 07:30 e chegando às 10:30. O problema foi que não conseguimos comprar em El Chaltén uma passagem de ônibus de El Calafate até Puerto Natales.
      O jeito foi chegar de viagem em El Calafate e sair pela rodoviária a procura de passagens para Puerto Natales. Apesar da preocupação de não encontrarmos mais passagens para aquele dia, não foi difícil encontrar empresas com horários disponíveis e compramos, por AR$ 1180, duas passagens de El Calafate para Puerto Natales saindo às 16:30.
      Após esperar seis horas na rodoviária e mais seis horas de viagem, nosso ônibus chegou em Puerto Natales às 22:30. Depois dez minutos de caminhada, estávamos no hostel que reservamos na noite anterior.
      Dia 17 de Janeiro – Puerto Natales:
      Quando ainda estávamos em El Chaltén, nós tentamos sem sucesso reservar por celular uma noite no camping do Lago Pehoe para o dia 17. Tentamos então encaminhar um e-mail para a empresa, e até hoje estamos esperando a resposta. Como não conseguimos reservar o camping para esse dia, estávamos programados para entrar no parque de Torres del Paine apenas no dia 18 e o tempo estava entre nublado e chuvoso, optamos por tirarmos mais um dia de descanso e fomos caminhar um pouco pelas ruas de Puerto Natales.
      A cidade é bastante simples e sem muitos atrativos. A região do porto é um lugar que valha a pena dar uma caminhada, mas com nada muito significativo. O dia se resumiu em caminhar pela cidade, comprar pesos chilenos, escolher um restaurante com uma boa refeição, descansar e brincar com o perro do hostel. Iniciaríamos o Circuito W no dia seguinte.

      Dia 18 de Janeiro – Torres del Paine – Paine Grande – Mirador Grey:
      Tomamos café bem cedo no hostel e às 07:20 nosso ônibus saiu da rodoviária em direção ao parque Torres del Paine. Pagamos CLP 13000 por pessoa para fazer o trajeto de ida e volta de Puerto Natales até o Parque, mais CLP 21000 por pessoa para a entrada. Após descermos na administração para pagar a entrada e assistirmos um vídeo com algumas recomendações, nosso ônibus se dirigiu até a Guarderia Pudeto, onde pagamos mais CLP 18000 por pessoa no catamarã que nos levaria até o camping Paine Grande. Nosso barco saiu às onze da manhã, mas ele tem outros horários, alguns mais cedo e outros ao longo da tarde.
      Às 13:00 já estávamos de barraca montada no camping e saímos em direção ao mirador do Lago Grey. Esse percurso começa com uma caminhada entre dois morros próximos um do outro, o que faz com que tenha uma corrente de vento nos quilômetros iniciais da trilha. Após um trecho caminhando em terreno plano, inicia-se uma subida, passando pela Lagoa Los Patos, terminando, após aproximadamente cinco quilômetros e meio num mirador voltado para o Glaciar e Lago Grey. Ali foi o lugar onde encontramos o vento mais forte em toda a viagem, o qual ultrapassou os 100 km/h, segundo informações do Parque.
      Como não tínhamos conseguido reserva para o camping Grey, fizemos mais cinco quilômetros e meio de volta em direção ao camping Paine Grande, chegando um pouco antes das 18:00.
      Sobre o camping, podemos dizer que ele tem uma boa estrutura, bons banheiros, chuveiros com água quente e uma área comum para cozinhar. Costuma ventar bastante no Paine Grande, então escolha um bom lugar para armar sua barraca.
      Tempo de caminhada: aproximadamente 05:00.
      Distância: 11 kms com a mochila de ataque.

       
      Dia 19 de Janeiro – Paine Grande – Camping Italiano – Mirador Britânico – Camping Francês:
      Tomamos o café da manhã e levantamos acampamento para, às 10:50, iniciarmos nossa caminhada rumo ao camping Francês. Logo no começo da caminhada, nos demos conta que esquecemos nosso fogareiro com o cartucho de gás na área comum do camping, onde as pessoas usam para cozinhar. Após alguns minutos de espera e já cogitando a possibilidade de ter que se virar sem fogareiro no resto do circuito, para a nossa sorte, o fogareiro estava lá, intocável, mesmo passadas duas horas que tínhamos esquecido ele.
      Retomada a caminhada, nosso trajeto se mostrou bastante tranquilo nos quilômetros iniciais, que margeiam o Lago Skottsberg, apenas com leves inclinações no terreno. Por volta da metade do trajeto entre o camping Paine Grande e o Italiano, decido por acelerar meu ritmo de caminhada e deixar meu pai para trás, uma vez que do camping Italiano eu subiria até o Mirador Britânico, enquanto que ele iria do Italiano direto para o camping Francês.
      Cheguei no camping Italiano por volta das 13:00, deixei minha mochila ao lado da cabana dos guardaparques (eles permitem que quem for fazer a subida até o Mirador Britânico deixe sua mochila cargueira no camping) e subi apenas com a mochila de ataque em direção ao mirador.
      Talvez esse tenha sido o dia mais cansativo de todo o trekking e isso se deve bastante aos 12 kms de trecho íngreme de ida e volta do camping Italiano ao mirador Britânico. Desnecessário dizer que é uma paisagem que compensa o esforço. Conforme você vai ganhando altura, surgem mais montanhas ao seu redor e a vista para o Lago Nordenskjöld fica cada vez melhor.
      Após aproximadamente um quilômetro e meio de caminhada a partir do camping Italiano, você chegará num mirador para o Glaciar Francês cuja vista é impressionante. Por isso, sugiro que, caso você não queira ir até o Mirador Britânico, pelo menos vá até o mirador para o Glaciar Francês para apreciar o visual.
      Continuando a caminhada, a paisagem vai ficando cada vez melhor até que, após algumas horas de subida, você chegará ao Mirador Britânico. Mais uma vez digo que o visual é indescritível e que você poderá desfrutar de uma bela paisagem enquanto descansa para a caminhada de volta.
      Às 18:00 estava novamente no camping Italiano, peguei minha mochila cargueira e fiz mais 2 kms até o Camping Francês. Nesse dia não conseguimos reservar apenas o espaço para acampar, então tivemos que pagar mais para reservar o camping com barraca da própria empresa, o que nos rendeu um gasto elevado, mas que, em contrapartida, nos proporcionou uma noite num colchão maior e numa barraca e saco de dormir mais resistentes ao vento e ao frio.
      Sobre o camping, ele também tem uma estrutura boa. A área para cozinhar é bem pequena, mas é coberta então você não correrá o risco de pegar chuva enquanto cozinha. Os banheiros e chuveiros também são bons. Acredito que as vagas para conseguir acampar nesse camping sem precisar reservar uma barraca são poucas, pois não observamos muitos lugares para armar uma barraca, de modo que a maior parte dos lugares disponíveis são em barracas da própria empresa, o que torna a estadia nesse camping uma opção cara e recomendável apenas caso você não tenha conseguido vaga no Camping Los Cuernos ou no Italianos.
      Tempo de caminhada: 08:00.
      Distância: 7,6 kms de mochila cargueira até o camping Italiano + 12 kms ida e volta do camping Italiano ao Mirador Britânico com a mochila pequena + 2 kms do Italiano ao Camping Francês com a mochila cargueira. Total: 21,6 kms.
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      Dia 20 de Janeiro – Camping Francês – Camping Central:
      Iniciamos a caminhada às 09:50 margeando o Lago Nordenskjöld rumo ao camping Central. Após 2 kms com descidas bastante inclinadas, chegamos ao camping Los Cuernos, o que nos rendeu apenas uma rápida parada para descansar e tirar fotos antes de retomar a caminhada. Percorremos mais 11 kms até chegarmos numa bifurcação que serve de atalho para quem vai ao Camping Chileno ou então para aqueles que irão ao Camping Central. Escolhemos a segunda opção e, após mais um quilômetro e meio estávamos no Camping.
      A paisagem desse dia é muito boa pois de um lado você margeia o Lago Nordenskjöld enquanto que do outro observa as montanhas Cuernos del Paine. Da metade em diante do trecho do Camping Los Cuernos a trilha começa a ficar menos íngreme e mais aberta. Mesmo assim, foi mais um dia puxado carregando a mochila cargueira nas costas durante todo o tempo. Após sete horas e quarenta minutos de caminhada, chegamos ao Camping Central.
      Esse camping se mostrou com uma estrutura mais simples que os outros, apesar de possuir um espaço bastante grande para escolher onde armar sua barraca. Tem bons banheiros e chuveiros, mas não dispõe de uma área comum para cozinhar, de modo que os mochileiros cozinham suas refeições nas mesas espalhadas ao longo do camping.
      Tempo de caminhada: 07:30.
      Distância: 14,5 kms com mochila cargueira.

       
      Dia 21 de Janeiro – Subida ao Mirador de Las Torres:
      Enfim, chegou o dia de subirmos o trecho até a base das Torres. Iniciamos o trajeto às 09:30 e durante quase todo o percurso caminhamos por um terreno acidentado. As subidas são constantes e apenas antes de chegar ao Camping Chileno é que tem um trecho de descida.
      Passando o Camping Chileno, o trajeto volta a ficar inclinado e, no momento que o mochileiro chega num trecho que dá acesso ao Camping Torres, inicia-se uma verdadeira subida com bastantes pedras ao longo do caminho até a base das Torres, ou seja, é subida atrás de subida. Por outro lado, o tempo estava bom e não havia previsão de chuva ou vento muito forte para aquele dia (sempre bom consultar com os guardaparques qual a previsão do tempo para o dia), o que nos permitiu que fizéssemos o percurso no nosso ritmo, sem pressa para chegar ao destino.
      Passadas mais de quatro horas e meia de trilha, chegamos à base das Torres. A partir daí foi só descansar e, mais uma vez, apreciar a paisagem. Como era nosso último dia em Torres del Paine, não tínhamos nenhuma pressa de ir embora. Até que o tempo começou a ventar mais forte e a nublar o topo das Torres. Com isso, decidimos que era hora de iniciar o percurso de volta até o Camping Central. Voltamos às 18:30.
      Tempo de caminhada: 09:00.
      Distância: 16 kms com a mochila de ataque.

      Dia 22 de Janeiro – Saída do Parque – Puerto Natales:
      Apenas no nosso quarto e último dia acampando em Torres del Paine é que tivemos uma noite com bastante frio e chuva. Acordamos com uma chuva leve tomando conta de boa parte do Parque e decidimos esperar o tempo melhorar para desmontarmos a barraca. Com isso, nosso café da manhã dessa vez foi dentro da barraca.
      Às onze horas, quando vimos que o tempo realmente não pretendia mudar pelas próximas horas, colocamos nossas capas de chuva e tivemos que desmontar a barraca embaixo de chuva. Acampamento devidamente levantado, fomos até o local de saída dos ônibus. Pagamos CLP 3000 para ir até o local de entrada e saída do Parque, onde aguardamos até as 14:30 para pegar nosso ônibus de volta a Puerto Natales.
      De volta à cidade, a dona do nosso hostel deixou que abríssemos a barraca no quintal do hostel e usássemos o varal para pôr algumas roupas para secar. Mais tarde saberíamos que nesse dia nevou na base das Torres e que a temperatura ficou abaixo de zero em alguns lugares, fato que, somado ao vento patagônico, não deve ser das melhores sensações. Tiramos o resto do dia para descansar. Partiríamos cedo para El Calafate na manhã seguinte.
      Distância total (El Chaltén + Circuito W em Torres del Paine): 148,6 kms.
      Resumo e Dicas Torres del Paine:
      Para fazer algum dos circuitos em Torres del Paine é preciso ter bastante planejamento com relação à reserva dos campings. Infelizmente, o turismo no Parque é grande e as vagas nos campings são limitadas. Com isso, as reservas nos campings devem ser feitas com bastante antecedência para que você não precise ficar tendo que adaptar o roteiro.
      No nosso caso, não tivemos escolha com relação aos dias que iríamos ficar em Torres del Paine. Os únicos dias que encontramos vagas nos acampamentos que nos permitiria fazer o Circuito W foi entre os dias 18 e 21 de janeiro. Os demais dias ou já estavam reservados ou então tinham vagas disponíveis em algum camping de forma isolada (que nos permitiria ficar num camping específico num dia, mas que não encontraríamos vagas no próximo camping do circuito no dia seguinte).
      Para reservar os campings, o mochileiro deve acessar os sites das empresas responsáveis pelos campings do parque (valendo lembrar que cada camping é gerido por apenas uma empresa):
      http://www.verticepatagonia.cl
      http://www.fantasticosur.com
      http://www.parquetorresdelpaine.cl
      Com relação aos valores dos campings, pagamos:
      - Paine Grande: US$ 20, para duas pessoas;
      - Francês: US$ 80, para duas pessoas (camping + barraca);
      - Central: US$ 42, para duas pessoas e por duas noites.
      Sobre as possibilidades de se fazer o Circuito O ou W, o mochileiro poderá optar por:
      - Levar uma mochila menor, sem barraca e/ou comida, carregando basicamente apenas roupas, sendo que a comida e a hospedagem em barracas ou cabanas ficarão por conta das empresas que gerenciam os campings. Essa hipótese é para aqueles que preferem carregar menos peso. Por outro lado, pela pesquisa que fiz nos sites das empresas, os valores que elas cobram para lhe fornecer comida e hospedagem são elevados e em dólares, o que faz dessa primeira opção viável apenas àqueles que estão dispostos a desembolsar uma razoável quantia em dinheiro.
      - Carregar a mochila com comida e equipamento para acampar, além da roupa para passar os dias no circuito. O ruim dessa opção é que o mochileiro carregará mais peso ao longo do circuito, terá que armar sua própria barraca e fazer sua comida. Por outro lado, o valor gasto no circuito será apenas aquele gasto para reservar um espaço no camping para acampar, fazendo dessa opção uma escolha viável em termos econômicos.
      Além disso, caso você escolha levar sua própria comida para as refeições ao longo do circuito, não deixe para comprar nada dentro do Parque. Isso porque, apesar de cada camping dispor de um minimercado, os valores que cobrados são muito altos (CLP 5000 por um pão caseiro e CLP 15000 por uma garrafa de vinho, por exemplo).
      Infelizmente o clima em Torres del Paine também costuma variar bastante. Talvez ele seja menos imprevisível que o de El Chaltén mas, mesmo assim, encontrar tempo bom ou ruim no Parque é uma questão de sorte e que não depende do mochileiro.
      Comparado à Argentina, o Chile é um país mais caro, então procure comprar sua comida para fazer os circuitos em Torres del Paine ainda na Argentina (não tivemos problemas para atravessar a aduana com produtos industrializados) e deixar para comprar no Chile apenas o necessário.
       
      Dia 23 de Janeiro – Deslocamento Puerto Natales – El Calafate:
      Nos despedimos cedo de Puerto Natales e do Chile e no começo da tarde estávamos fazendo o check-in no Hostel Inn Calafate, o qual recomendo para os futuros mochileiros. Fomos para o centro reservar o passeio do Minitrekking no Glaciar Perito Moreno para o dia seguinte e fechamos na Hielo y Aventura pelo valor de AR$ 3300 por pessoa.
      Tínhamos o resto do dia livre, então aproveitamos para caminhar um pouco pela cidade e nesse dia nos recolhemos cedo no hostel.
       
      Dia 24 de Janeiro – Minitrekking Perito Moreno:
      Por volta das nove horas da manhã a van da empresa veio ao nosso hostel para nos levar até o centro. De lá, com um ônibus, percorremos os oitenta quilômetros até o Parque Nacional Los Glaciares.
      Chegando ao Parque, pagamos uma taxa no valor de AR$ 500 para ingressar e, após alguns minutos, estávamos no mirador do Glaciar Perito Morento. Tivemos duas horas de tempo livre para caminhar pelas passarelas que ligam os diversos miradores do Glaciar. Depois, pegamos um barco que nos levou ao local onde faríamos o minitrekking. O trajeto de barco não chega a ser igual àquele do passeio que leva as pessoas bem próximas do Glaciar, mas durante o deslocamento no barco se pode ter uma noção do tamanho dos blocos de gelo a sua frente.
      Mais uma vez em terra firme, agora já próximo ao Glaciar, colocamos os grampones no calçado, recebemos algumas instruções dos guias da empresa e iniciamos nossa caminhada pelo gelo.
      Apesar de o preço ser elevado, posso dizer que fazer o minitrekking foi uma experiência bastante interessante. O guia nos levou glaciar adentro e quando você vê, está praticamente cercado de gelo. Alguns optam por fazer o Big Ice, que é um passeio em que as pessoas ficam mais tempo caminhando pelo Glaciar, mas o minitrekking para mim já foi o suficiente.
      Após uma hora e meia de subidas e descidas pelo gelo, nos despedimos do Perito Moreno, retiraram nossos grampones do calçado e tomamos o barco rumo ao ônibus que nos levaria de volta a El Calafate.

       
      Resumo e Dicas de El Calafate:
      De modo geral, El Calafate é a cidade que tem um pouco mais de infraestrutura com relação a lojas e restaurantes. Ela também é um pouco mais barata que El Chaltén, então talvez seja melhor comprar boa parte da comida e equipamento nessa cidade.
      Por outro lado nos limitamos a fazer apenas o passeio pelo Glaciar do Perito Moreno, de modo que não saberia dizer se a cidade possui alguma outra atração que valeria a pena de se conhecer.
       
      Dia 25 de Janeiro – El Calafate – Buenos Aires – Brasil:
      No dia anterior reservamos por AR$ 150 um transfer que nos levaria do hostel até o aeroporto de El Calafate. Meu voo de volta ainda fez escala em Ushuaia apenas como forma de me fazer passar vontade por não ter conhecido o lugar. De qualquer forma, não nos arrependemos do roteiro que fizemos. Pelo tempo que tínhamos, optamos por ficar mais tempo em menos lugares e Ushuaia infelizmente foi a cidade que decidimos deixar para, quem sabe, uma futura viagem.
      Deixo aqui os relatos que serviram de base para elaborar o meu roteiro:
      https://mydestinationanywhere.com/2014/11/09/torres-del-paine-como-chegar-visitar-trekking-hospedagem/
      https://www.mochileiros.com/topic/55423-patag%C3%B4nia-em-26-dias-dez2015jan2016-circuito-o-em-7-planilha-de-custos/
      https://www.mochileiros.com/blog/torres-del-paine-tudo-que-voce-precisa-saber-antes-de-iniciar-o-trekking
      http://paraondefomos.com.br/torres-del-paine-o-que-levar-para-o-trekking/
      http://paraondefomos.com.br/torres-del-paine-quanto-custa/
      http://paraondefomos.com.br/torres-del-paine-nosso-roteiro-circuito-o/
      http://anaturezahumana.com/el-chalten/
       
      Espero que tenham gostado da leitura e, qualquer dúvida que tiverem, não deixem de perguntar.
      Grande abraço.
       
       
       
       


    • Por carolina L. cadaval
      Bom pessoal , demorei um tempão para fazer esse relato, antes de mais nada quero deixar claro que uma das experiencias mais incríveis da minha vida, nunca tinha feito mochilão e graças a ajuda aqui do site pudemos organizar nossa viajem na medida do possível , descobrir o que fazer lá na patagônia argentina , ver algumas fotos... em fim muitas informações.
      Eu e meu marido resolvemos fazer essa vigem em um dia de que voltamos de uma cidade vizinha, eu estava desempregada e as ferias do meu marido estavam chegando... eu sempre via fotos de Ushuaia no google e achava lindo então resolvemos ver aqui no mochileiro o que fazer na patagônia...lemos alguns relatos por aqui no site e descobrimos a existência de El Chalten e El Calafate! não sei como não sabíamos que existia esse paraíso tão perto! Então montamos um roteiro baseado no que lemos e nas passagens que conseguimos comprar , pois essa nossa decisão de viajar foi 2 semanas antes das férias do meu marido, por tanto, duas semanas antes da viagem. Pois é correria total... comprar roupas, conseguir mochilas emprestadas, botinas, reservar os locais que íamos ficar, mil coisas... mas deu tudo certo e fomos!!!! Fizemos um blog para contar tudo e mostrar muitas fotos!! entra lá e confere, e se tiver alguma duvida nós pergunta por aqui!
          -------->       https://casalnatrilha.wixsite.com/casalnatrilha    <---------
      Mas já adianto que a experiencia de caminhar naqueles bosques lindos, de se superar fisicamente e de ver lugares tão lindos nos viciou , por isso criamos o blog, estamos indo para o peru em setembro!! 
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