Depois de muito enrolar, aqui vai meu relato para o mochileiros.com, site que tanto me ajudou em praticamente todas minhas viagens. Espero que possa ajudar a quem se interessar, é meu único propósito, retribuir de alguma forma. Essa viagem foi longa (83 dias), passando por Marrocos (um dia), Portugal (19 dias), Suíça (8 dias), Itália (19 dias), Londres (seis dias), Paris (cinco dias), Espanha (cinco dias), Marrocos novamente (15 dias) e cidade de São Paulo no restante dos dias. Faz parte de um projeto bacana que transformou 2017 em um ano semi-sabático. Sou professor de geografia, moro em Nhandeara (interior de São Paulo), tenho 45 anos e sou mochileiro nato. A maior parte do trajeto foi feito com hospedagens em hostels, que geralmente adoro. Adquiri as passagens pela “Decolar.com”, a 2.600 reais (São Paulo-Casablanca, Casablanca-Lisboa e Casablanca-São Paulo), em março de 2017, ou seja, com 5 meses e alguns dias de antecedência, além de 3 trechos aéreos “internos” (Porto-Genebra, Nápoles-Londres e Paris-Madrid) e várias passagens de trem.Optei por fazer relatos separados por país. Assim, vou pular o primeiro dia no Marrocos e ir direto pros 19 dias portugueses. Já fiz várias viagens interessantes na vida, mas todas pela América Latina, de onde nunca tinha saído. Então, reuni os destinos europeus que povoavam meus sonhos, nessa viagem de arromba. São destinos em que depositava muitas expectativas (Suíça, Cinque Terre, Roma) ou outros obrigatórios, como Veneza, Londres e Paris (não tinha tanta expectativa, mas queria ver qual é a delas e o que poderiam me ensinar e me proporcionar. Além do que, será preciso ter grandes expectativas pra gostar delas? É provável que não). Portugal eu tinha certeza que seria muito agradável, por conta da língua e do povo, e Marrocos é o destino exótico que tá logo ali, então precisei aproveitar a oportunidade. A Espanha, nas minhas pesquisas, foi dos que mais me surpreenderam, então resolvi passar ali apenas como trampolim pro Marrocos e voltar exclusivamente pra ela numa outra oportunidade (além do que, tenho passaporte espanhol, meu avô veio de lá, o que pode facilitar as coisas – como um possível “não-retorno”). Pra você que se interessar, um bom proveito! Vou tentando postar algumas fotos também, mas quem quiser poderá encontra-las no meu facebook, por país em “álbuns”.
27-09: voltinha por Lucerna (Suíça) antes de pegar o trem Para Milão, às 16:18 (passagem comprada com três meses de antecedência, por 9 euros – mega pechincha – but, but, but... não sei por quais cargas d’água o site da Trenitália estava meio confuso e não me dava a passagem com tal antecedência. Daí, tive que recorrer ao site da RailEurope, que tinha a passagem baratinha mas cobrava uma taxa de 10 euros de comissão – não tive escolha e acabou saindo por 9 + 10, mesmo assim, um bom negócio). Com o trem passando em Lugano, já no sul da Suíça, quase todo mundo que entra fala italiano e é bem menos comedido que os suíços, muito louca esta gradual imersão no universo italiano. A paisagem é fantástica, com a cidade distribuída entre os paredões naturais e o lago local. E o sol se pondo. Cenário de filme mesmo. Cheguei às 19:45 na Estação Central de trens e metrô de Milão. Dali, fui até a estação de metrô QT8, com um passe para 24 horas que se compra em bancas de jornal por 4,50 euros (tem uma no subsolo da estação). Bem legal, pois pretendia usar várias vezes. Assim como em Portugal, é preciso validar o bilhete na entrada e na saída. Cheguei ao Hi hostel de Milão (Ostello Della Gioventu, a 300m da estação de metrô QT8), e eles confusos pra encontrar minha reserva. Acho que acabaram fazendo outra. Ainda bem que não era alta temporada e havia muitas vagas. Bom, às 21:30 já estava na praça do Duomo conforme combinado com minha querida ex-aluna Ester, o que me valeu uma senhora de uma surpresa, já que há toda uma iluminação especial pro Duomo. Lindo e impactante. E com a também impactante Gallerie Vittorio Emanuele II ao lado.
OBS: A Itália foi o único país até agora (e já estou na fase final da viagem) em que, com uma certa frequência, na verdade por três vezes, reservas foram literalmente ignoradas. Isso em Milão (final feliz), Nápoles (final nada feliz) e Atrani (final feliz). Minha ex-aluna, Ester, que me encontrou em Milão, disse que é bom tomar cuidado com os hostels italianos, são cheios de rolo. Só bota fé naqueles da rede Hi Hostel. Foi o único país também em que percebi certa constância na falta de boa vontade do povo local para com quem quer que seja, até mesmo para com eles mesmos. Ou seja, é cultural o lance, só pode ser! Vi coisas como motoristas esculhambando velhinhos confusos! Comigo, rolou um dono de restaurante, ou gerente, me enrolando na conta, cobrando mais e inventando motivos pra isso. Um horror! Repito, em nenhum outro país sequer vi algo parecido. E comparando com o povo suíço e marroquino então, sem comentários o tanto que esses daí são gente boa!
28-09: acordei às 8:30 e fui correndo pro centro comprar um tênis e voltei pro hostel, peguei minhas coisas e lá fui eu tomar o trem das 12:05 pra Veneza, também com passagem comprada três meses antes e trem da Trenitália, a 9 euros, mais comissão de 10 euros da RailEurope, numa viagem de duas horas. Chegando na estação Santa Lúcia, fui comprar meu passe pra dois dias (30 euros) que dá direito ao transporte público (os famosos “vaporetos”, uma embarcação que cruza os canais), inclusive ilhas de Burano e Murano, já meio distantes. E fui pro Generator hostel (F.ta dela Croce 84-86), ligado à Associazione Italiana Alberghi per La Gioventú e ao Hi Hostel, 269,78 reais por duas noites (caro, mas com estrutura bem legal, mas sem café da manhã incluso). Fica no bairro da Giudecca, e praticamente de frente para a Praça São Marcos, só que do outro lado do canal, sendo só acessível por “vaporetos”, no caso, o número 2 que sai do cais A, logo atrás da estação de trem, não tem erro, mas não é o único. Dali, é só descer na “parada” Zitelle. O Albergue é quase em frente (uns 80 metros à direita de quem desce). Despesas: Dois lanchinhos básicos porém gostosos e um suco de abacaxi na estação Santa Lúcia (Relax Café): 11,80 euros. Sorvetinho: 3,50 euros. Comprinha básica no mercado (tem um cerca de uns trezentos metros do Hostel – 1,5 litro de água, uma coca lata, um pacote de biscoitos, um pacote de pão de mel, um lanchinho básico de atum com passas em pão integral, três maçãs red e um pacotinho de mix de frutas secas e castanhas): 10 euros.
29-09: Como tinha dois dias em Veneza mas receava que chovesse, acordei às 8:30 com o propósito de conhecer primeiro o que fosse mais distante, deixando o que fosse possível de Veneza pro dia seguinte antes de embarcar pra Florença, além do que a Praça São Marcos, meu principal objetivo, estava praticamente em frente ao Hostel. Então, fui pra Murano (famosa pelos trabalhos em vidro, bem interessantes, e é possível conhecer as fábricas, algumas mantém até um espaço próprio pra quem chega, mas não fui com receio do tempo) e Burano (casinhas mega coloridas pitorescas), lá chegando por conta do passe pra dois dias de transporte público, ou seja, vaporetos (demorei cerca de uma hora e 15 minutos pra chegar no primeiro destino, que é Murano, é bom ir com tempo). Depois, outro vaporeto pra Burano (esse é rapidinho); vi um restaurante que disponibilizava um menu do dia com entrada com Bruscheta, primeiro e segundo pratos, fechando com sobremesa, por 20 euros (algo “econômico” por essas bandas). Por tudo que oferecia, topei. Caí no conto. No cardápio constava suco de frutas por 4,50 euros e pedi suco de laranja. A bruscheta era microscópica. Ao pagar a conta, o suco ficou por 7 euros (o gerente justificou que o “suco de frutas” do cardápio era uma variante em lata) e a taxa de serviço, incluída compulsoriamente, de 20%. Portanto, fiquem espertíssimos com coisas do gênero. Acho que vale a pena perguntar TUDO antes. De novo, Itália cheia de rolo. Daí, voltei pra Veneza, parando com o vaporeto na Praça São Marcos. Linda de viver, mas que estouro da boiada é aquele? Fiquei imaginando o que seria em plenas férias, já que mesmo em setembro estava praticamente lotada, sendo difícil até de conseguir bons ângulos pras fotos. Conseguir se compenetrar, concentrar, nem pensar. A não ser que fosse um horário e circunstância muito particulares (provavelmente à noite e de manhãzinha), é provável que você tenha pouco sossego por aqui. Estava meio chateado com Veneza, pelos preços astronômicos, pela escassez de latas de lixo e por certa “pompa” presente no comportamento da gente fina que circulava por ali. Daí, fui ora caminhando ao léu e encontrando espaços que valem a pena, ora meio que seguindo o Grande Canal, chegando até a ponte do Rialto. Foi nesse passeio que percebi o encanto da cidade. Principalmente ao me afastar das multidões (não é tão simples). Os pequenos canais, as gôndolas, os noivos apaixonados, os becos alagados, tudo muito inédito, só ali mesmo. Faz valer a visita. E até achei uns mercadinhos mais baratinhos, tipo dois mix de frutas secas e castanhas por 1,98 euros. E dois lanches pequenos de atum e uma lata de fanta (500 ml) por 2,50. Praticamente um milagre. Uma dica importante de economia possível é ficar hospedado no “continente”, em Veneza Mestre, e atravessar a ponte pra conhecer a Veneza tradicional nas ilhas. Mas vai explicar isso pro meu subconsciente, que queria por que queria essa imersão total.
Burano:
Veneza
30-09: Acordei cedinho, fui pra Praça São Marcos pra aproveitar e conferir novamente as paisagens fantásticas de Veneza. Resolvi ver Veneza do alto do Campanário de São Marcos, ao lado da Catedral, com certeza uma vista excepcional (não me lembro exatamente mas acho que paguei 10 euros pra subir, com elevador). Desci, tomei sorvete, tirei umas fotos e fui pra ponte de Rialto. Daí, fotos e lanche depois, resolvi voltar antes que o tempo apertasse, pois às 13 meu trem saía pra Florença. Assim foi. Mais um lanche na estação Santa Lúcia, trem no jeito e simbora. Trem da Italo, € 23,90 e duração de 2:05, comprada a passagemem 25 deagosto. Caminho chato, nada atraente, bem diferente dos caminhos suíços, em que mesmo um caminho menos legal é bem legal, comparando. Fiquei mal acostumado. Chegando, fui direto pro Hostel Arco Rossi, bem legal, próximo à rodoviária, na rua Faenza número 94R (R$87,00 a diária e € 4,50 de taxa de visitação por 3 dias). Um pouco chatinho de achar, pois a numeração da rua muda num certo ponto. Mas é mais ou menos na altura da estação de trem e a cerca de 6 minutos a pé dela. Dali, fui pro centro (pertinho), já encontrando a praça do Duomo, fotografei (impossível resistir, é incrível), me assustei com a multidão que ali estava e fiquei pensando o que deve ser então os meses de férias de verão (julho e agosto). Mas um ritmo bem gostoso, todo mundo meio que hipnotizado curtindo o visual e a energia boa da multidão. Diferentemente de Veneza que é muita pompa e circunstância e não tem muito pra onde escapar (devido aos canais), em Florença foi uma multidão em clima constante de confraternização. Gostei. Dali, fui andando até o rio Arno passando ao lado da Galeria Uffizi (já impressiona só com as esculturas do lado de fora), atravessei a ponte e continuei até o jardim das Rosas, seguindo depois até a provável melhor vista panorâmica de Florença, o jardim de Michelangelo. E assim foi o dia: Você está feliz porque a cidade promete. E tem uma atmosfera permanente de confraternização. Mas tem também um lugar privilegiado com vista panorâmica, em que o povo se encontra, se paquera, se conhece. Mas, coincidentemente, é hora do pôr-do-sol. Aí, meu amigo, você junta tudo isso e agradece a vida!
01-10: Tinha sido alertado por uma ex-aluna em Milão que os museus são grátis no primeiro domingo do mês na Itália. E não é um golpe de sorte estar em Florença nesse dia? Acordei cedinho e já fui pro meu sonho de consumo cultural do dia, a Galleria degli Uffizi. Uma hora e quinze minutos de fila (quem tinha algum passe passava na frente) e até que nem foi tanto, por ser gratuito e comparado a um dia normal, segundo disseram. Normalmente, mesmo pagando, é daí pra mais. E lá fui eu: Da Vinci, Boticelli, Giotto, é coisa de louco. Grande parte daqueles quadros que ilustram livros didáticos estão lá. É um acervo de cair o queixo. Amei achar ali o “Nascimento de Vênus”, de Boticelli, entre tantos outros. Tentei ver tudo o mais rapidamente possível pois queria estar às 11:00 na igreja de Santi Michele e Gaetano, onde ocorreria uma missa em latim e acompanhada por cânticos gregorianos, estava muito curioso. Cheguei uns minutinhos atrasado, mas tudo bem. Pouca gente (umas 70 pessoas no máximo) e pouquíssima comunicação (você fica ali, vendo aquilo acontecer, mas não entende nada, então vale como curiosidade, mas não como sintonia entre fiéis e igreja, acho que tem tudo pra ter menos gente ainda futuramente, muitos matam a curiosidade e saem durante a missa. Aliás, isso foi uma constante em toda Europa, ou seja, pouca gente prestigiando as missas). Dali, fui pro Duomo ver se também era grátis, apesar de não ser um museu, mas estava com fome e a fila era muito grande. Fui comer ali ao lado. Achei um menu interessante (lasanha, saladinha farta, batata cozida/frita) por 10 euros (mais taxa de serviço de um euro). Valeu. Os preços de Florença são bem mais camaradas do que em Veneza. Tomei sorvete (dois sabores, 3 euros) e fui conhecer os jardins de Giordano. Não me pareceram tão interessante quanto esperava, mas no caminho passei pela Galleria Dell’Accademia, onde está a escultura David, de Michelangelo. Como a fila estava pequena, entrei (apenas uns dez minutos de espera). Incrível, com destaque para esculturas, mas também tem muitas pinturas, como na seção de arte bizantina. Depois, voltei pro centro da cidade, passei no Duomo novamente (visitas encerradas pra quem não tinha alguma passe) e fui zanzar por ali pra ver se algum outro museu estava recebendo “na faixa”. Encontrei o museu del Bergello, com pinturas e esculturas, sem dever nadinha pros outros dois.
Florença:
02-10: Tinha duas opções. Ou ir a Siena e São Gimignano apenas pra conferir a arquitetura e traçado urbano tão caros a um geógrafo como eu, ou apenas a uma das duas com visitas mais detalhadas às igrejas e museus. Fiz a primeira opção, pois a composição da paisagem e o uso e distribuição dos equipamentos urbanos não só são a minha prioridade em termos geográficos como é o que me atrai mais esteticamente. Além disso, confesso que tinha grandes expectativas em relação ao sorvete da Gelateria Dondoli, em São Gimignano, e à Plaza del Campo, em Siena. Siena: de fato, um lugar que te joga na Idade Média. Juntamente com Évora (em Portugal, inigualável, a mais interessante de todas as cidades medievais que conheci) e a própria São Gimignano, foi a cidade em que mais precisamente senti isso. Muito bacana se perder por suas ruas e captar o clima local. Dois locais de destaque: a Plaza del Campo e a Igreja de Santa Clara, belíssima. Aproveitei pra comer uns doces (“bar” Nannini, Via Banchi di Sopra, 24). Pedi um “paste Nannini” (€ 1,00) delicioso, e um “bigne Chantilly Nannini” (€ 1,80), nem tanto. Fui de ônibus pra Siena (€ 7,80 - em Florença, a rodoviária – Via S. Caterina, 17 - fica a uns 100m da estação de trem, e o ônibus te deixa em Siena ao lado do centro histórico, em uma praça, muito prático). Depois, de ônibus pra São Gimignano (há praticamente de hora em hora, saindo do mesmo lugar em que se chega a Siena, a € 6,00 – a passagem é comprada no subsolo da praça anteriormente citada). É a chamada “Manhatan” da Idade Média, pois suas 14 torres (mas eram mais de 70 no passado) eram símbolo de poder. Mesma imersão no clima medieval, é bem menor, rapidamente se anda por tudo e com muito prazer, vale a visita. Mas é na praça principal que se encontrava minha meta: o tal sorvete Dondoli. Na verdade, ali temos duas “gelaterias”. Ambas trazem na fachada os anos em que foram laureadas “the best of the world”. A outra (não me lembro o nome), tinha uma fila menor. E lá fui eu conferir. Pedi três sabores: frutas do bosque, creme e amarena. É um bom sorvete, mas não tão impactante. Depois, saí pelas ruas a espiar a cidade, voltando a seguir pra experimentar o sorvete da Dondoli. Pedi pistache, oliva (diferentíssimo) e coco. E foi aí que, depois de muuuito sorvete bom mundo afora, me dei conta do que é ser “o melhor”. Cremoso, leitoso, suave, doce sob medida, nada em excesso. Tudo o que um sorvete tem que ser pra se tornar inesquecível. Esse sim merece todas as láureas. Passeio encerrado, lá fui eu pra Poggibonsi de ônibus (€ 2,50), de onde sairia o outro ônibus para Florença. Mas encontrei uma família brasileira que voltaria de trem e resolvi segui-los (€ 7,60 – Trenitália). Daí, atenção! Ao comprar o ticket na máquina (a bilheteria estava fechada), botei uma nota de 10 euros esperando o troco. Como a passagem custava € 7,60, caíram moedinhas totalizando 0,40 e uma mensagem, dizendo que faltavam moedas de um euro e que poderia ser reembolsado no guichê quando estivesse aberto, provavelmente no dia seguinte, apresentando o comprovante. Daí, ao chegar em Florença e ir no escritório da Trenitália (responsável pelo trem), eles apenas confirmaram que só no guichê da estação do ocorrido é que poderiam ressarcir o prejuízo. Ou seja, já era. Mais um “migué” italiano. Triste. Depois, em novas utilizações, só paguei com cartão pra evitar o lance. Voltando a Florença, e sendo meu último dia ali, lá fui eu pros arredores do Duomo pra mais um lanchinho de tomate com muzzarela de búfala, o melhor da Itália. A tristeza foi que já não havia mais, tive que me contentar com um pedaço de pizza do mesmo sabor (€ 4,00). Uma pena. Curiosidade: no estabelecimento, estavam eu, uma garota (chama-se Amanda e tem um blog, o “Girando Mais Que o Mundo”, não vejo a hora de conferir), duas mulheres e a atendente, todos brasileiros. E, dado estatístico, ao contrário de perfazer 90% do total de turistas como em Interlaken-Suíça, em Florença os orientais são algo em torno de 30%, me intriga o porquê dessa prevalência na Suíça e não na Itália.
São Gimignano (Toscana) e o sorvete da Dondoli:
03-10: saída de Florença, trem pra Pisa (€ 8,40 – Trenitália, com passagem comprada ali mesmo um pouco antes do embarque) e depois Manarola (Cinque Terre), onde fiquei dois dias.Bagageiro da estação de trem pra visitar a Torre e arredores em Pisa: € 5,00; Vi a Torre e descobri que pra visitar a Catedral era apenas necessário um ingresso que se retira num local da própria praça, mas são limitados e o horário da visita depende da demanda. Assim, consegui um ingresso para 12:45. Já as visitas à Torre, ao Museu e ao Batistério são pagas. Pra quem quer subir a Torre, aconselha-se a reservar com grande antecedência, tal é a demanda. Com pouco tempo e muita expectativa para chegar a Manarola, dispensei. Trem de Pisa para La Spezia: € 7,60. La Spezia-Manarola: € 4,00. Cinque Terre Card, para ter acesso ao trem e às trilhas do Parque por um dia: € 16,00 (carinho, já que as melhores trilhas estão fechadas por conta de riscos, e as vilas são bem próximas entre si. Perguntei-me se haveria um controle rigoroso desse ticket em plena trilha, e a resposta é “médio”. Houve um posto de controle “consistente”, e em outro a funcionária discutia animadamente ao telefone, dispensando todo mundo de apresenta-lo). Hostel “Ostello Cinque Terre”, Via B. Riccobaldi, 21, atrás da igreja (a vila de Manarola é bem pequena): € 66,00. À noite, comi um nhoque ao molho pesto bem gostosinho, na “pizzeria Il Discovolo”, e uma fanta, por € 12,00. Assim, descobri o que seria uma constante nessa passagem por Cinque Terre. Ou seja, comida caríssima; não raramente, horrível. Qualquer salgadinho, mas qualquer mesmo, é o olho da cara e feito meio que às pressas. E é bom não ter expectativa nenhuma com o atendimento. Vi coisas assustadoras, como velhinhos escorraçados, inclusive.E não há muitas opções. Todos aqueles lanches-sonho com pães da nona, muito tomate (lindos, suculentos) e bastante muzzarela de búfala, torradinhos na hora, ficaram em Florença, onde se come muito bem a um preço camarada. Pra complicar, até tem uns mercadinhos, mas novamente os preços são totalmente fora da realidade. Cheguei a imaginar se não seria o caso do típico local distante de tudo e que necessita de numerosos esforços pra que as coisas cheguem ali, o que as encareceriam. Mas vale lembrar que as “Terres” são sim ligadas por rodovias. Ou seja, é exploração pura e simples mesmo. Se você é mochileiro, vale a pena levar um bom estoque de bebidas, biscoitos, doces, frutas etc., se possível.Acho que a região vive da fama conquistada quando as trilhas todas eram acessíveis e de seu mar realmente incrível, com águas azuis-esverdeadas transparentes que justificam qualquer visita. Quanto à beleza das “Terres” e suas vistas cênicas, encontrei isso na que fiquei, ou seja, Manarola. Afastando-se um pouco do centro, se veem passarelas costeando os paredões e, ali, vistas perfeitas da mais bela das “Terres”, na minha modesta opinião. Compensou todos os perrengues alimentícios. Mas me fez criar uma falsa expectativa de que as demais seriam tanto quanto.
Manarola (Cinque Terre):
04-10: trilha de Manarola a Corniglia e, depois, de Corniglia a Vernazza. Bacanas, aparecem uns penhascos de vez em quando, mas não é nenhuma Suíça nem uma Costa Amalfitana (estas sim paisagens vertiginosas). O primeiro trecho até tinha algum tempo atrás uma outra opção mais cênica, mas fecharam por questão de segurança, assim como várias outros mais próximos ao mar entre as demais “Terres”, pelo mesmo motivo, depois que chuvas intensas de anos atrás comprometeram a estrutura das passarelas que compunham grande parte do circuito. Em Vernazza, resolvi ir de trem às demais “Terres”. Fui a Monterosso (me pareceu tudo menos uma aldeia, com numerosos hotéis, clima de badalação, gente chic e sofisticada, preços altos e nenhum mercadinho pra quebrarum galho).À noite, de volta pra Manarola, parada na Pastakeaway, Via Discovolo (a rua principal), 136, pertinho do hostel. Comi um nhoque ao molho de nozes e tomei uma coquinha por € 8,00, bem básico o lance. Nada de mais. É bem provável que haja opções incríveis de bons restaurantes nessa região, mas para o mochileiro que procura opções mais baratas é um perrengue-mega essa falta de comida pronta ou de mercados a preços justos.
Vernazza (Cinque Terre):
05-10: Acordei às 8:40, tomei o café da manhã, me despedi de todo mundo e lá fui eu pra estação ferroviária. Por € 4,00 comprei uma passagem até Spezia. Lá, confiante na informação de que trens dessa região até Roma eram regionais e não necessitavam de compra antecipada de passagem e cujo preço não variava, fui lindão na máquina que emite passagens. E, realmente, lá estava minha vaguinha, mas ao preço de € 39,75. Como é um trecho semelhante em distância ao de Milão-Veneza e Veneza-Florença, achei demais. Segundo informaram ali, é possível sim comprar com antecedência a preços melhores. Deveria ter tentado ônibus, mas até encontrar a estação, comprar, esperar etc., achei melhor encarar preço alto. Tristeza de quem quer economizar. Mas, vida que segue. Bora pra Roma. Foram dois trens, na verdade. Um até Follonica, uma cidade-balneário interessante à beira mar, organizadinha, me pareceu moderna, ao menos não vi nenhum prédio histórico; tem uma estação ferroviária e um centrinho lindinhos, bastante verde, provavelmente voltada para um turismo regional, pouquíssimo movimento e... com uma pizza frita (novidade pra mim), recheada com farta ricota e coberta com toda muzzarela de búfala e molho de tomate que fazem aqueles salgadinhos malditos de Cinque Terre morrerem de vergonha, acompanhada por uma lata de fanta, tudo a € 4,60, que ficou na história. A Itália perfeita seria aquela em que se come isso todo dia (e por esse preço, né?). Vejamos Roma, no que dá nestes termos. Chegadaao hostel Roma, na Via Cavour, 44, por 4 diárias:€ 73,60 (hostel bem legal, com quarto para 6 pessoas espaçoso e banheiro dentro, além de estar bem perto – 5 minutos - da estação de trem e metrô Termini, e relativamente próximo de ótimas atrações, mas não tem café da manhã).Comida pelas redondezas a preços bem acessíveis (numerosos Kebabs) e mercadinhos na estação Termini e nos arredores. Melhor, impossível. Aliás, na gigantesca estação tem uns bares bem sofisticados, points de happy hour, com bons preços. Xô fase de preços salgados e falta de opções lá de Cinque Terre. O único “se não”, que inclusive já havia lido em alguns relatos, é de que os arredores da estação Termini é meio parecido com uma Praça da República melhorada lá de São Paulo. Eu digo que andei à vontade e não me senti ameaçado nem incomodado. Mas é visível que tanto funciona uma mini cracolândia (encontrei-a aocontornar a estação umas 23:00 ao tentar erroneamente um acesso para um trem, onde me deparei com dezenas de sem-teto, uns chapados outros dormindo). Senti uma certa tensão no MacDonald’s local, onde muitos imigrantes (é o que me pareceram) talvez recém-chegados, provavelmente famintos e sem o domínio do idioma, tinham problemas pra dizer exatamente o que queriam, se esmolas, restos ou lanches, e os atendentes, dificuldade em entendê-los, gerando cenas preocupantes com gente sendo empurrada e um clima tenso e de indefinição no ar. Assim, é claro que se deve tomar todos os cuidados, aliás, estamos em um metrópole, mas realmente acho que é infinitamente mais seguro do que o centro das metrópoles brasileiras. Apesar do hostel ser pertinho, nele já melhora imensamente o aspecto urbano. Fiz o check in, digitei uns textos, já era noite e lá fui eu ao mercado (água, biscoito, uma coca de 600 ml e um pacote de castanhas e frutas secas, tudo por nem 7 euros) e depois atrás de refeição (como eu escrevi antes, muitas opções e preços acessíveis, tipo meio franguinho assado com saladinha, batata frita e pão, por 5 euros). A uma quadra do hostel subindo a rua Cavour em direção à estação Terminio, um hotel lindão chamado Massimo D’Azeglio oferecia um inacreditável buffet a 19 euros tudo incluído, até o serviço do garçom e sobremesa. Sei que é meio carinho pros padrões da proposta econômica, mas a comidaiada toda estava à mostra e parecia ser o paraíso em forma de alimento. Uns filés de frango suculentos, ricota, legumes cozidos, tomate seco, sopinhas em tigelas, uvas despencando aos cachos, meio decorando, meio provocando um coração glutão. Não resisti. Confirmei com o garçom se o serviço realmente estava incluído, se o alcance geográfico da mesa era aquele mesmo que eu presumia, se coisas terríveis não aconteceriam comigo ao final pedir a conta (trauma de Burano), se era possível que o refrigerante estivesse incluso (pra minha surpresa, eu poderia até optar por uma taça de vinho) e se realmente tudo não passava de um sonho bom. Confirmadíssimo, ponto pra Roma e simbora comer muuuito.Noite chegando, e eu excitadíssimo por estar num lugar-monumento. Não deu pra dormir. Como ainda eram 21:30 e o tempo estava agradabilíssimo (uns 20 graus de temperatura, semvento), resolvi jáconhecero que desse pra alcançar a pé. Mapa na mão, lá fui eu. Daí, foi coisa de louco. Cheguei ao Coliseu, dois passos adiante já tropeçava no Foro Romano, com o belíssimo monumento a Vitorio Emanuele ao lado. Sem falar que tá cheio de parques urbanos (coisa que valorizo) e igrejas monumentais no caminho. Uns passinhos adiante, e lá estava pra mim a cereja do bolo, a Fontana de Trevi. Estava tão extasiado que, não fosse um apito do guardinha censurando um doido que já tava querendo fazer a “Anita Eckberg em La Dolce Vita”, eu mesmo faria a “sereia barbuda” e me apinchava na água. Com todo respeito aos demais monumentos, o que é essa fonte iluminada em uma noite de início de outono? Pena que foi de todos o quemais gente tinha, umas cento e cinquenta pessoas extasiadas num só suspiro, o que me desconcentrava (falta de consideração desse povo não deixar a fonte só pra mim). Mal sabia eu que, dois dias depois, ao voltar durante o dia, não restaria nem um metro quadrado de área livre ao redor, com centenas de pessoas se acotovelando por um foto impossível. Na real, Roma pede que se calibre novamente o que a gente chama de monumental, estando pro patrimônio histórico no mesmo patamar que Lauterbrunen (Suíça) está pras vistas panorâmicas. Humilhação total com os parâmetros. E, ainda por cima, em uma noite inspiradíssima.Já eram quase duas da madrugada. Fechei com chave de ouro o “dia”. Pra melhorar, a cama do hostel era divina.
Fontana Di Trevi (Roma):
06-10: cama gostosa + corpo cansando + dormir tarde pra caramba + êxtase da cidade eterna com muita serotonina na cabeça = acordei às 13:00. Mas mega-feliz. E, sabendo que durante o dia deve ser o “estouro da boiada” pra visitar esses monumentos, fica aqui meu testemunho de que provavelmente poucas coisas valem tanto a pena quanto o tal do passeio à noite, tranquilo, por Roma cidade-eterna. Vai te dar inspiração pra uns bons anos de vida. Recomendo, mesmo não podendo visitar certos locais “por dentro”. Não havendo muito tempo disponível, resolvi dar uma voltinha pelo que houvesse nos arredores do hostel, e, sendo Roma, sempre há. No caso, bem próximo mesmo, as lindas Piazza Della Repubblica com a Fontana Esedra, e a igreja Santa Maria Degli Angeli. Ao lado da igreja, o Museu Romano junto às Termas de Diocleziano. Mas, ali, verifiquei que a visita ao museu necessitaria de bastante tempo e resolvi deixar pro outro dia. Então, visitei ao lado a gratuita e incrível Basílica Santa Maria Degli Angeli e Dei Martiri, lindona. Escaldadíssimo com informações duvidosas e preços altos, fui depois correndo pra estação Termini adquirir o mais rápido possível minha passagem de trem para Nápoles, dia 9 (€ 12,90). Feito isso, resolvi comer em um Kebab entre tantos que há até chegar ao hostel. Por meio frango (mas não tão grande), batatas em pedaçosfartas, um pãozão gostoso (ok, assassinei a língua portuguesa mas dá bem a dimensão da coisa) e um pouco de salada, tudo gostoso: € 5,00. Sonho!
07-10: Nesse dia, praticamente refiz meu trajeto noturno do dia da chegada a Roma. E visitei o que foi possível e gratuito no caminho. Assim, conheci “por dentro” o monumento a Vittorio Emanuelle II, praticamente um museu, com vistas bacanas e panorâmicas de Roma. Dali, contornando o monumento por trás, dá pra chegar a uma vista panorâmica do Forum Romano e o conjunto de construções ao seu redor. Apesar de ser possível pagar pra ter acesso a ele, dá pra não só vê-lo detalhadamente como dele fazer uma boa análise, principalmente se tiver uma publicação qualquer que o acompanhe (no meu caso, o Lonely Planet). Contornando o Coliseu, foi tão possível espiá-lo por dentro, pelas aberturas, que até resolvi não entrar, apesar da ausência de filas. Além do quê, acredito que seu exterior seja seu melhor ângulo. No caminho parao Pantheon (interessante), a belíssima Igreja de San Ignázio Loyola (na ida) e o Templo de Adriano (na volta). E, ao retornar ao hostel, a uma quadra e meia dele, na própria via Cavour, encontrei aberta a belíssima igreja de Santa Maria Maggiore. Tudo grátis.
08-10: Visita ao Vaticano. A meta era tentar ver o Papa e visitar a Capela Sistina e o Museu do Vaticano. Resolvi ir a pé (uns vinte ecinco minutos ou menos, segundo meus cálculos) e aproveitar a paisagem urbana, abrindo mão de um trajeto mais linear mas optando por praças, largos, igrejas e monumentos, e quem sabe também surgisse alguma boa surpresa pelo caminho (lugares lindos, acolhedores ou de confraternização). Já sabia que teria que passar pela Piazza Spagna, que queria conhecer, e a Piazza Dei Popolo, e no rio Tibre e seus arredores.Parte do trajeto fiz acompanhando suas margens. Ou seja, nada de chegar em 25 minutos. Parei em um simpático café, ondetomei um suco de laranja, um lanche (com tomate e muzzarela de búfala), um cappuccino e uma torta doce, tudo por € 12,50 (carinho, mas o lugar é muito lindo e tudo gostoso), pra se ter uma noção de preços. Seguindo em frente, avista-se o Castel Sant’Angelo, redondinho, que resolvi que visitaria depois (mas mudei de ideia). Chegando ao Vaticano, passando por uma revista meia-boca e um detector de metais, estamos na Praça São Pedro. E uma surpresa desagradável: a Capela Sistina e o Museu fecham aos domingos. E outra agradável: o Papa em pessoa dá a benção às 12:00, de uma das janelas ao redor da praça (não era uma missa, apenas uns 15 minutos de celebração). Já eram 11:00. Era possível visitar a basílica (grátis) e a sua cúpula (€ 6,00 pelas escadas e € 8,00 pelo elevador – mas que não dispensa a última escadaria, claustrofóbica, mas tolerável). Ali você tem a oportunidade de ver a basílica por dentro, do alto dacúpula (vertiginosa imagem de uns cem metros de altura, mas bem seguro – tenho vertigem), e também visitar a parte externa, com vista privilegiada da Praça São Pedro. Não é uma visita que eu faria normalmente, mas pra compensar a impossibilidade de se ver a Capela Sistina e o Museu, tá valendo. Ao final, já quase 12:00, se desce as escadas, porém... como é estreitinho em um trecho significativo, e na sua frente tem velinhas simpáticas porém lentas, não deu tempo de ver a comoção popular na praça quando o Papa acena pela primeira vez. Peninha. Mas deu pra ouvir. Como a Basílica, nesse momento, estava praticamente vazia, desencanei do Papa e fiquei por ali, visitando-a, também porque transitar na praça nesse momento pra pegar ângulo bom pra ver Francisco é literalmente impossível.Aliás, já seria difícil conseguir ângulo para vê-lo. Fica pra próxima. Quanto à catedral, incrível, tem obra de Michelângelo (escultura de Moisés) entre outros figurões do mundo das artes. Saldo final: valeu bastante a visita, fiz média com minha mãe e sobrinha catolicíssimas, além de que já tinha visto muito museu (fator “a raposa e as uvas” – provavelmente nada se compara à Capela Sistina)!
Membro da guarda suíça do Papa:
Vista do alto da Basílica de São Pedro, Vaticano:
09-10: ida pra Nápoles, com trem regional da Trenitália, a € 12,30 em três horas (há outras opções mais rápidas, que fazem o trajeto em uma hora apenas, mas bem mais caros). Perceptível o empobrecimento do país conforme se avança para o sul. Daí, cheguei à Estação Central de trem e Piazza Garibaldi, e lá fui eu para o hostel de metrô, por € 1,10 – compram-se tickets nas tabacarias e bancas de revista (havia a opção de ir de ônibus, mas é difícil falar com os motoristas, explicar onde descer, daí a opção pelo metrô). Fui até a estação “Univesitá” e, com o mapa impresso do hostel, lá fui eu empurrando mala rua abaixo. Descobri depois que, ao contrário do informado pelo próprio hostel no site do Hostelworld, a estação Município é a mais próxima de lá. Chegando no hostel “Ostello Bella Napoli”, reservado meses antes pelo site do Hostelworld, qual não foi minha surpresa ao receber a notícia de que estava lotado. Nem adiantou dizer que o site já cobrara antecipadamente um determinado valor, passar o número da reserva, mostrar minha própria reserva impressa (sempre levo para evitar sobressaltos). E ficou por isso mesmo. A garota que me recepcionou me encaminhou para um outro hostel no andar de baixo do mesmo prédio (Via Guglielmo Melisburo, 4), por sinal, de nome parecido, “Hotel Bella Capri”, porém de valor maior: € 20,00. Mas tem vantagens: se trata de um quarto para duas pessoas, com ar condicionado, televisão e banheiro dentro. Mandei um email para o Hostelworld e estou aguardando resposta sobre o que fazer para reaver o dinheiro do adiantamento da reserva, provavelmente a taxa que o hosteleworld cobra pelo serviço prestado. Vejamos no que dá, mas já passou pela minha cabeça fazer um boletim de ocorrência na polícia depois de pedir para o próprio hostel devolver a grana (o que provavelmente não ocorreria). Um prejuízo de uns 10 reais. Vejamos o que vão dizer. Um bom teste pra saber como funciona esse serviço no caso de falha do hostel. Saí pra levar minha roupa pra lavar e secar (Via Sedile di Porto, 54). Uns sete quilos de roupa por € 8,00. Enquanto a roupa não ficava pronta (uma hora), fui comer alguma coisa. Achei uma pizza frita e imediatamente me veio à cabeça aquela inigualável que eu comi em Follonica. Pedi de ricota com molho de tomate e queijo. Apesar do pessoal ser uma simpatia, a tal pizza é uma droga, indigesta, massa meio crua por dentro, gigantona, enfim, um martírio na forma de comida, por € 5,50 já com o refrigerante. Fechei o dia indo a um mercado comprar coisas até para levar pra costa Amalfitana, escaldado com os preços e a falta de opção de Cinque Terre (são lugares de perfil semelhante). Em um mercadão próximo do hotel, pra se ter uma base dos preços napolitanos, comprei ricota, 0,75 kg de maçã Golden, uma porção de nhoque (muito bom), um punhadinho de salada de cenoura, dois yogurts, mozarela e umas seis torradas de pão italiano, tudo por € 7,95 (é um pouco mais barato que os preços de mercados em Roma).
Obs: o pessoal do Hostelworld, dias depois, mandou mensagem dizendo que, após contactar o hostel problemático e averiguar o erro na reserva, estaria devolvendo o valor já pago. Preciso depois verificar se foi realmente creditado na minha fatura, já que havia sido pago via cartão de crédito na internet. Mas, de qualquer forma, tive resposta para minha solicitação.
10-10: Como é um dia perfeito pra você? Já tive vários nessa viagem, mas hoje foi um deles. Acordei meio tarde, meu colega de quarto assistiu ao jogo de futebol “Itália versus Albânia”, na noite anterior, pelas eliminatórias da copa (por sinal, nesse jogo a Itália venceu mas depois não se classificou). Depois, ele dormiu, mas roncava horrores. Daí, eu fiquei digitando esse relato, checando o facebook etc., esperando o sono vir com força total. E veio. Mas um sono tão gostoso que nem percebimais o barulho do ronco.Dormi umas duas da madrugada, então me dei ao direito de ficar um pouco mais na cama, até lá pelas nove da manhã. Fiz minha mala, deixei-a no hostel e lá fui eu para uma visita ao Castelo Nuovvo, a mais ou menos uns duzentos metros do hostel (castelo “clássico” por fora, mas deixa a desejar no acervo. Há algo de errado com o castelo quando o fosso ao seu redor estiver cheio de entulho). Daí, a um mecadão próximo do hostel e lá comprei por doze euros: 2 litros de água, uma porção generosa de lasanha à bolonhesa, salada de cenoura já pronta, torradas com pão italiano, uma coca lata, quatro maçãs golden,um suco de maçã e um mix de frutas secas com castanhas. Voltei pro hostel, peguei minhas coisas e pedi pra me deixaremalmoçar ali mesmo. E que almoço! Lasanha e salada ótimas, aliás, pra evitar comida ruim por aí, o melhor é isso mesmo, comprar comida pronta que eles vendem na maioria dos supermercados. Só a lasanha e a salada ficaram em sete euros, pra se ter uma base. Depois, de mala e cuia, lá fui eu em direção a Sorrento, com pausa em Pompeia Scava Vila Mistery, com o trem da Circunvesuviana, que sai da estação Garibaldi, por € 2,80 o bilhete. Cuidado! Não só fique atento à plataforma (3) quanto também ao trem, pois dali saem trens com vários destinos. Neste caso, é o trem que vai pra Sorrento que interessa. Há outro trajeto que também passa por Pompeia mas é outra estação. Chegando em Pompeia, tem bagageiro na estação de trem, onde deixei minha mala por € 3,00 podendo retirá-la até às dez da noite. Mas há também bagageiro gratuito ao lado da bilheteria para o Parque Arqueológico de Pompeia. Ali deixei minha mochila, a mala não caberia. Mas tem bagageiro maior pra malas pequenas. Comecei lá pelas 15:30, sendo possível a visita até às 19:30, se não me engano, por € 13,00 a inteira. É grande pra chuchu e estas poucas horas não foram suficientes, pois lá dentro tem a cidade em si mas também um museu, um antiquário, loja de souvenir e livraria. E é muito interessante. Pensar que tudo aquilo foi preservado por séculos vindo a ser o melhor testemunho da era Romana graças a uma tragédia sem tamanho, o sacrifício de tanta gente cozida, intoxicada e soterrada. Daí, vão aparecendo os detalhes que encantam, uma estátua aqui, uma arena de gladiadores ali, um anfiteatro, um prostíbulo, mosaicos, o luxo que não salvou ninguém... e você vai percebendo que tudo era muito parecido com o que é uma cidade hoje. Visita incrível completada, lá fui eu pra Sorrento (€ 2,40). Em Sorrento, tinha reservado um lugar meio diferenciado. Encontrei pelo hostelworld o “CampogaioSantafortunata”, um camping com cabanas, mas tinha uns comentários meio estranhos dizendo que o lugar era escuro, que era como cabanas na selva, tinha cobra... mas o lance “natural” me pegou, pois vi pelo google maps que eles tinham uma praia particular e ficavam no acesso para um dos lugares mais bacanas ao redor de Sorrento, o Bagni de Regina Giovanna (um “poço natural” cercado por ruínas romanas e com uma pequena comunicação com o mar). O ponto do ônibus em Sorrento que dá acesso ao camping está à esquerda de quem chega da rodoviária e vai pra cidade em direção ao mar, tem uma placa informando “Sita”. Mas tem que perguntar pro motorista se passa na frente do camping. E pedir pra ele avisar quando chegar lá. Isso na Itália é furada, nenhum motorista me avisou coisa alguma mas sempre deu certo no final, pois você mesmo detecta o local de dentro do ônibus. É sempre bom ter alguma referência visual de antemão, mesmo que uma informação prévia por email com o estabelecimento. Chegando, fui pagar as duas diárias, mas não foi possível pois queria pagar com cartão e, como já eram nove horas da noite, só dava pra pagar em “cash”. Sem nenhum estresse, o recepcionista disse que eu poderia pagar com cartão no dia seguinte. E lá foi o funcionário me acompanhar até meu “quarto”. Fomos descendo uma estradinha, com muuuuito verde e tudo muito bem cuidadinho, uma coisa meio Suíça, tudo de cerquinha de madeira com umas casas/chalés ao redor em meio às árvores. Adorei. Chegamos a nove cabaninhas enfileiradas, cada uma com uma oliveira e um deque na frente e escadinha de acesso num terreno íngreme, além de mesinha e cadeiras. Lindo. Abri a porta, já sem o funcionário. Uma cama de casal e outra de solteiro, banheiro, frigobar e ar-condicionado. Daí veio um medão de ter coisa errada na jogada, tipo, acorda Carolayn, que pelo valor da diária só poderia esperar um hostel, por mais que goste muito deles. Tipo um espaço compartilhado. E lá estava eu, com tudo só pra mim. Deu medo de que tivesse faltando um zero nos valores da internet. É por aqui que eu termino hoje. Com medo mas feliz. Vejamos amanhã se coisas “terríveis” vão acontecer na hora de acertar a conta e se “penas voarão” na confusão.
Pompeia, com o Vesúvio ao fundo:
11-10: Acordei meio tarde lá pelas 9:30, pois o sono foi ótimo e quis aproveitar o quarto exclusivo. Fui até a portaria, paguei tudo (junto com o adiantamento da época da reserva e taxa municipal de visitação, dá € 58,00 por duas diárias). Tomei banho e fui dar uma conferida no acesso ao mar do camping. Lindão, com paisagens bem legais, mas tinha placa dizendo que não podia nadar caso não houvesse salva-vidas. Não que duas gringas não estivessem saindo da água fazendo “as egípcias” (como quem diz: não é comigo). Fui pro restaurante (vista panorâmica lindíssima ali) lá pelas 12:00 e pedi um filé de frango com um molho local, mais uma salada completa e suco de laranja, tudo por € 15,00. Depois, paguei internet por 24 horas (€ 4,00) e dei uma checada na vida virtual. Paguei um passeio pro dia seguinte de barco pra Capri, por € 45,00. Daí, fui conhecer algo que já tinha visto no google maps e estava muito curioso para conferir. É que o camping está próximo de umas ruínas romanas que rodeavam um “poço” chamado Bagni dela Regina Giovanna, de águas transparentes boas pra banho. Na verdade, é como se fosse uma micro-baía rodeada por um paredão e pelas ruínas e mato que cresceu ao redor. Fica no sentido oposto de Sorrento, em direção ao Cabo. Você sai do camping Santafortunata pela rodovia, anda por ela (um perigo, micro acostamento, cuidado) uns 300 metros até chegar a um bar do lado oposto chamado “Bar Del Capo”, e entrar em um caminho em direção ao mar ali em frente. Singelo, mas bem legal. Ao lado, locais ótimos para banho de mar (e a temperatura da água excelente para um início de outono europeu), já de frente para o mar aberto mas protegido por rochedos. E aquela água verdinha e transparente. Nadei e tomei um solzão de fim de tarde. Tempo ótimo. Voltei pro camping. Fiquei sabendo pelo funcionário brasileiro do restaurante do camping, o Rafael, que mais adiante tem uma praia de nudismo. Não a vi, mas tinha uns agitos nas moitinhas ao redor. Jantei no restaurante do camping uma lasanha com uma salada por € 15,50. Uma delícia. Apesar da minha gigantesca satisfação com o camping e sua localização, eu já tinha me tocado ao planejar a viagem que ele ficava meio longe de Sorrento, o que significa longe de mercados com artigos abundantes e variados. Até tem mercadinho próximo, mas pouca variedade de gêneros e preços nada camaradas. Aliás, tem mercadinho no camping. Pra se ter uma base, a água mineral sem gás de 1,5 litro custa € 1,5. Sabendo disso, eu trouxe aquele estoque de água e comida lá de Nápoles. Fica a dica.
12-10: Acordei, tomei o café da manhã do camping por € 7,00 (um bufê interessante e abundante), e fui esperar o pessoal do passeio (eles te pegam ali às 9:00, te levam pra marina Massalubrense, de onde sai o barco – 10:00 - dão a volta completa na Ilha de Capri, te deixam no porto principal – Marina Grande - às 12:00, e combinam de buscar todo mundo às 17:30). Lindão o passeio, passam próximo das entradas das grutas Branca, Azul e Verde (mas não podem se aproximar muito, pois o tamanho da embarcação, grandinha, não permite – é o que alegaram) e pelo meio dos Falagliones, rochedos peculiares que se sobressaem na paisagem, inclusive um deles possui um arco, como um túnel, e claro que o barco passa por ele, com o guia dizendo “l'arco dell'amore”, mas com uma tal malícia na voz que não dá pra levar a sério, é como se dissesse “o buraco da putariiiiiiiia”, muito engraçado. Ele deve estar de saco cheio de tanto falar isso o tempo todo e daí extravasa um pouco. Com o tempo restante (12:00 às 17:30), dá pra fazer uma programação meio que rápida pela ilha, inclusive ir até a famosa Gruta Azul. Tem saída pra lá do vilarejo de Anacapri, são ônibus específicos. Não me interessei, pois é muito trampo pra tão pouco tempo (dizem que nem cinco minutos de observação dentro da Gruta), mas falam que é uma experiência marcante. Preferi ir até o ponto culminante da Ilha, o Monte Solaro, a 589 metros de altitude. Pra se chegar lá, também tem que ir de ônibus do porto até Anacapri (€ 2,00 pra ir e mais € 2,00 pra voltar) e de lá pegar o teleférico (€ 11,00 ida e volta) que te leva até o topo (13minutos cada “perna”). Lá tem um restaurante, banheiros e as vistas são incríveis mesmo e o tempo estava super ensolarado. Antes disso, almocei por Anacapri e até que os preços foram muito menores que os de Cinque Terre (ponto pra ilha, mais bonita e mais barata). Aliás, comi uma pizza de queijo, ricota e molho de tomate com massa de biscoito que estava uma delícia (€ 14,00 pela pizza mais uma coca, na Sciuè Sciuè, Via Giuseppe Orlandi, 73, Anacapri) - outro ponto pra Ilha de Capri, e olha que foi praticamente o primeiro lugar que apareceu – humilhou Cinque Terre, onde até escolhendo me ferrei. Fãs de Cinque Terre, perdoem-me, mas foi um fato. Com o fim do passeio e a volta pro “continente”, aproveitei uma carona do camping até o ponto de ônibus “Sita” próximo à estação de trem no centro de Sorrento, e lá fui eu de mala e cuia pra Atrani, na Costa Amalfitana, ao lado da própria Amalfi (€ 2,90). Isso no início da noite. E foi aí que a coisa pegou. Não se enxergava quase nada, apenas luzes, e o ônibus só que subia, subia, subia... naquela rodovia estreitinha que deixava o corpo de quem tivesse sentado do lado direito frequentemente a menos de 0,5 metros do precipício, conforme todos relatam e agora eu também. E dá-lhe curva, montanha russa, buzinaço e palavrão, a gente se acostuma. Fiquei imaginando aquilo durante o dia. Aliás, acredito que seja uma paisagem tão única e incrível demais da conta, que eu acho que teria que ter lei que proibisse essa viagem à noite. Depois de amanhã, voltando pra Nápoles eu vou me esforçar pra ir durante o dia e ver isso aí em melhores condições. Aliás, essa experiência da viagem e as características das cidades atravessadas já me permitem dizer o seguinte: pela segunda vez na viagem, sendo a primeira Lauterbrunen e arredores (Suíça) posso dizer que meu queixo caiu e não levantou mais. O que é essa Costa Amalfitana? Tudo aquilo e mais um pouco que eu esperava da Itália é aqui no sul que estou encontrando. E vejamos se amanhã tudo isso se confirma. Ou se me arrependerei horrores de pensar assim. Mas o meu impulso agora, que só tenho mais dois dias e meio na Itália, é remarcar minha passagem pra daqui uns seis dias ou até quem sabe eliminar Londres e ficar aqui, desmarcando o hostel de lá (possível até dois dias antes) e perdendo a passagem de trem Londres-Paris. A coisa pegou fortemente nesse tal de sul da Itália, a começar pelo caos adorável de Nápoles. E olha que vi coisa nesse país, hein? Apaixonado, mais nada! Que que eu faço, minha gente? Uma linda noite pra pensar... Se eu disser que cheguei em Atrani em êxtase, fui pro hostel e estava tudo fechado, mas eu já em estado de graça nem me incomodei. Daí um fulano (o primeiro que eu vi na frente, não tem muitos por aqui, é uma vila, adorável vila) já conhecia o dono, já foi chamar, já resolveu tudo. É o hostel A’Scalinatella, Piazza Umberto I, 5-6, duas noites por € 66,00 (já incluindo “taxas de visitação”), reservado meses antes pelo Booking. Estou aqui num quarto de hostel pra duas pessoas, com banheiro dentro, sacada com varanda, somente eu no quarto, felizão da vida, querendo que isso aqui não acabe nunca, com o sino da igreja tocando, quando abro a porta pra sacada é aquela paisagem urbana tipicamente sul-italiana, até pra mim tem varalzinho que dá pra rua e em cima do andar de baixo e eu já pendurei sunga molhada e toalha lá, meu Deus, Buda, Alá, energias, universo, como estou feliz!
OBS: quando escrevi isso tudo, como puderam observar, a viagem estava acontecendo. E eu, empolgadíssimo com o sul da Itála. Mas mantive os planos iniciais e fui no dia marcado pra Londres. E ali foi tudo incrível, também me apaixonei por Londres, ainda bem que não mudei a programação original. Espero voltar tanto pro sul da Itália quanto pra Londres, entre outros destinos dessa grande viagem. Também tinha me esquecido de dizer que, chegando em Amalfi, pega-se outro ônibus no mesmo local em que o ônibus anterior te deixa, com destino a Atrani... que está a cinco minutos andando de Amalfi, é só seguir pela direção oeste. Tem também um túnel que liga as duas. Só vale a pena pegar o ônibus se as malas forem muito incômodas. Claro que o motorista não me avisou que andando era muito mais prático, apesar de termos esperado por uns quarenta minutos pelo horário da saída do ônibus. Alguns são realmente muuuito chatos.
Entrada da Gruta Verde, Ilha de Capri:
I Faraglioni, Ilha de Capri:
13-10: Acordei com o firme propósito de ir até Ravello e a Trilha Sentiero Degli Dei, entre Bomerano e Positano, passando por Nocelle. Mas, pensei, vou dividir as coisas. Como iria embora de Atrani no dia seguinte, resolvi deixar a ida a Ravello pro dia 14, pois é rápida (50 minutos até lá, subindo de Atrani, menos ainda pra voltar, pois é descida) e, quem sabe, faria até mesmo pela manhã antes do check-in. E lá fui eu pra trilha. Pega-se o ônibus pra Agerola em Amalfi, na praça que serve de ponto de chegada e partida pros ônibus (5 minutos andando de Atrani, sim, é pertinho demais) descendo em Bomerano - € 2,00 -paisagens incríveis nessa viagem). Como o ônibus só sairia 12:30, aproveitei o tempo pra passear em Amalfi, indo conhecer um complexo que reúno Claustro do Paraíso, Basílica do Crucifixo, Museu, Cripta e a Catedral (forte influência bizantina – visita simpática – mas o melhor de longe é a fachada da Catedral, impressiona). Dali, segui os passos de um rapaz que esqueci de pegar o nome, daqui do mochileiros, mas segui meeeesmo, é o mesmo que indicou o hostel de Atrani. Segundo ele, seria legal ao passar pelo centro de Bomerano (incontornável, pra quem vai pra trilha, mega bem sinalizada), na “salumeria”, comprar queijo “fior de Latte”, presunto “parma” e pão de focaccia. Deu tudo quase certo, mas não tinha o pão de focaccia, aí, cruzei a rua até a padaria e comprei pão ciabata (meio diferente dos nossos, mas muuuuito bom), além de umas peras e uma coca (€ 12,00 por tudo – o presunto foi meio carinho). E, claro, já levava água abundante, pois a trilha é longa (umas 4 horas ao todo, mas acabei fazendo ¾ dela). Paisagens lindas, penhascos super altos, bateu uma vertigenzinha num certo momento (tenho vertigem, mas acho que grande parte dela foi curada na Suíça, na base do vai ou racha), mas nada que atrapalhasse os planos. Vale a pena. E, nesse sentido, é quase somente descida. Daí, acho que vale a pena evitar o sentido contrário (Positano-Bomerano), a não ser que a tara por exercícios for incontrolável. Mas vai penar. Vi muita gente meio que arrependida dessa opção. A cara, a respiração e a cor deles diziam tudo. Voltando pra Atrani de ônibus por Positano (€ 2,00 - meio que envergonhado, pois estava pura poeira e provavelmente vermelho que nem peru, além do cheiro/suor) e, chegando no hostel, qual não foi minha surpresa ao saber que o check-in no dia seguinte seria às 10:00. Ok, alguns hostels são assim, mas quando você faz planos pra sua manhã você imagina que seria ao menos 11:00. E, detalhe sórdido, não permitem depósito de bagagem pra pegar quando voltasse de Ravello. Chorei as pitangas, mas toda a simpatia inicial virou um “isso aqui é um negócio, não posso agir assim!”, meio que ignorando como a coisa funciona no resto do mundo. Conclusão, ou acordaria muito cedo pra ir, curtir e voltar antes das 10:00 (mais banho e café da manhã) ou já era. Dormi mal pra caramba e não rolou Ravello, pois acordei mega cansado. Triste.
Amalfi:
14-10: Ida pra Nápoles (€ 2,00 de ônibus até Sorrento mais € 3,90 de trem até Nápoles, além de € 1,10 de metrô até o hotel/hostel Bella Capri, diária por € 16,00 – quatro euros a menos do que da primeira vez, mas o quarto já não era o mesmo, agora era um quarto para quatro pessoas). Saí as 9:30 de Amalfi e cheguei às 14:00 no hostel, sempre com algum tempinho nas esperas/transições. Aproveitando o dia, fui conhecer a Praça do Plebiscito (interessante) e a Galeria Humberto I (linda, vale a pena), além de um passeio descomprometido pela orla até o Castelo do Ovo (sem entrar, já era tarde). Jantar que também valeu por almoço por € 23,00 - nhoque com molho pesto, salada do chef, coca e 4 bruschettas (aqueles pães com tomates picadinhos). Á noite, encontrei uma sorveteria mega boa na beira mar e dei conta de tomar € 8,00, tava inspirado. Muito linda Nápoles. Esse foi o último dia integral pela Itália. Amanhã, avião às 11:00 até Londres.
15-10: ônibus “Alibus” (€ 4,00), que sai da avenida Beira Mar em direção ao aeroporto (tem um ponto específico para ele a 2 minutos do hostel), por € 4,00 – o ticket pode ser adquirido em tabacarias ou em bancas. Voo Nápoles-Londres, saindo às 11:00, por € 143,69, chegando no aeroporto de Gatwick às 12:50 (caríssimo, mas quando fui comprar com cinco meses de antecedência, fiz toda a transação achando que fosse em reais e era em euros. Até hoje acho que em algum momento fui ludibriado pelo site. Mas deve ter sido mancada mesmo. Então, cuidado ao fazer as reservas). O relato agora segue em um tópico chamado “Londres-Paris-Madrid”, já que foram as únicas cidades pelas quais passei no Reino Unido, França e Espanha. Depois, tem o relato “Marrocos – 16 dias”.
Depois de muito enrolar, aqui vai meu relato para o mochileiros.com, site que tanto me ajudou em praticamente todas minhas viagens. Espero que possa ajudar a quem se interessar, é meu único propósito, retribuir de alguma forma. Essa viagem foi longa (83 dias), passando por Marrocos (um dia), Portugal (19 dias), Suíça (8 dias), Itália (19 dias), Londres (seis dias), Paris (cinco dias), Espanha (cinco dias), Marrocos novamente (15 dias) e cidade de São Paulo no restante dos dias. Faz parte de um projeto bacana que transformou 2017 em um ano semi-sabático. Sou professor de geografia, moro em Nhandeara (interior de São Paulo), tenho 45 anos e sou mochileiro nato. A maior parte do trajeto foi feito com hospedagens em hostels, que geralmente adoro. Adquiri as passagens pela “Decolar.com”, a 2.600 reais (São Paulo-Casablanca, Casablanca-Lisboa e Casablanca-São Paulo), em março de 2017, ou seja, com 5 meses e alguns dias de antecedência, além de 3 trechos aéreos “internos” (Porto-Genebra, Nápoles-Londres e Paris-Madrid) e várias passagens de trem. Optei por fazer relatos separados por país. Assim, vou pular o primeiro dia no Marrocos e ir direto pros 19 dias portugueses. Já fiz várias viagens interessantes na vida, mas todas pela América Latina, de onde nunca tinha saído. Então, reuni os destinos europeus que povoavam meus sonhos, nessa viagem de arromba. São destinos em que depositava muitas expectativas (Suíça, Cinque Terre, Roma) ou outros obrigatórios, como Veneza, Londres e Paris (não tinha tanta expectativa, mas queria ver qual é a delas e o que poderiam me ensinar e me proporcionar. Além do que, será preciso ter grandes expectativas pra gostar delas? É provável que não). Portugal eu tinha certeza que seria muito agradável, por conta da língua e do povo, e Marrocos é o destino exótico que tá logo ali, então precisei aproveitar a oportunidade. A Espanha, nas minhas pesquisas, foi dos que mais me surpreenderam, então resolvi passar ali apenas como trampolim pro Marrocos e voltar exclusivamente pra ela numa outra oportunidade (além do que, tenho passaporte espanhol, meu avô veio de lá, o que pode facilitar as coisas – como um possível “não-retorno”). Pra você que se interessar, um bom proveito! Vou tentando postar algumas fotos também, mas quem quiser poderá encontra-las no meu facebook, por país em “álbuns”.
27-09: voltinha por Lucerna (Suíça) antes de pegar o trem Para Milão, às 16:18 (passagem comprada com três meses de antecedência, por 9 euros – mega pechincha – but, but, but... não sei por quais cargas d’água o site da Trenitália estava meio confuso e não me dava a passagem com tal antecedência. Daí, tive que recorrer ao site da RailEurope, que tinha a passagem baratinha mas cobrava uma taxa de 10 euros de comissão – não tive escolha e acabou saindo por 9 + 10, mesmo assim, um bom negócio). Com o trem passando em Lugano, já no sul da Suíça, quase todo mundo que entra fala italiano e é bem menos comedido que os suíços, muito louca esta gradual imersão no universo italiano. A paisagem é fantástica, com a cidade distribuída entre os paredões naturais e o lago local. E o sol se pondo. Cenário de filme mesmo. Cheguei às 19:45 na Estação Central de trens e metrô de Milão. Dali, fui até a estação de metrô QT8, com um passe para 24 horas que se compra em bancas de jornal por 4,50 euros (tem uma no subsolo da estação). Bem legal, pois pretendia usar várias vezes. Assim como em Portugal, é preciso validar o bilhete na entrada e na saída. Cheguei ao Hi hostel de Milão (Ostello Della Gioventu, a 300m da estação de metrô QT8), e eles confusos pra encontrar minha reserva. Acho que acabaram fazendo outra. Ainda bem que não era alta temporada e havia muitas vagas. Bom, às 21:30 já estava na praça do Duomo conforme combinado com minha querida ex-aluna Ester, o que me valeu uma senhora de uma surpresa, já que há toda uma iluminação especial pro Duomo. Lindo e impactante. E com a também impactante Gallerie Vittorio Emanuele II ao lado.
OBS: A Itália foi o único país até agora (e já estou na fase final da viagem) em que, com uma certa frequência, na verdade por três vezes, reservas foram literalmente ignoradas. Isso em Milão (final feliz), Nápoles (final nada feliz) e Atrani (final feliz). Minha ex-aluna, Ester, que me encontrou em Milão, disse que é bom tomar cuidado com os hostels italianos, são cheios de rolo. Só bota fé naqueles da rede Hi Hostel. Foi o único país também em que percebi certa constância na falta de boa vontade do povo local para com quem quer que seja, até mesmo para com eles mesmos. Ou seja, é cultural o lance, só pode ser! Vi coisas como motoristas esculhambando velhinhos confusos! Comigo, rolou um dono de restaurante, ou gerente, me enrolando na conta, cobrando mais e inventando motivos pra isso. Um horror! Repito, em nenhum outro país sequer vi algo parecido. E comparando com o povo suíço e marroquino então, sem comentários o tanto que esses daí são gente boa!
28-09: acordei às 8:30 e fui correndo pro centro comprar um tênis e voltei pro hostel, peguei minhas coisas e lá fui eu tomar o trem das 12:05 pra Veneza, também com passagem comprada três meses antes e trem da Trenitália, a 9 euros, mais comissão de 10 euros da RailEurope, numa viagem de duas horas. Chegando na estação Santa Lúcia, fui comprar meu passe pra dois dias (30 euros) que dá direito ao transporte público (os famosos “vaporetos”, uma embarcação que cruza os canais), inclusive ilhas de Burano e Murano, já meio distantes. E fui pro Generator hostel (F.ta dela Croce 84-86), ligado à Associazione Italiana Alberghi per La Gioventú e ao Hi Hostel, 269,78 reais por duas noites (caro, mas com estrutura bem legal, mas sem café da manhã incluso). Fica no bairro da Giudecca, e praticamente de frente para a Praça São Marcos, só que do outro lado do canal, sendo só acessível por “vaporetos”, no caso, o número 2 que sai do cais A, logo atrás da estação de trem, não tem erro, mas não é o único. Dali, é só descer na “parada” Zitelle. O Albergue é quase em frente (uns 80 metros à direita de quem desce). Despesas: Dois lanchinhos básicos porém gostosos e um suco de abacaxi na estação Santa Lúcia (Relax Café): 11,80 euros. Sorvetinho: 3,50 euros. Comprinha básica no mercado (tem um cerca de uns trezentos metros do Hostel – 1,5 litro de água, uma coca lata, um pacote de biscoitos, um pacote de pão de mel, um lanchinho básico de atum com passas em pão integral, três maçãs red e um pacotinho de mix de frutas secas e castanhas): 10 euros.
29-09: Como tinha dois dias em Veneza mas receava que chovesse, acordei às 8:30 com o propósito de conhecer primeiro o que fosse mais distante, deixando o que fosse possível de Veneza pro dia seguinte antes de embarcar pra Florença, além do que a Praça São Marcos, meu principal objetivo, estava praticamente em frente ao Hostel. Então, fui pra Murano (famosa pelos trabalhos em vidro, bem interessantes, e é possível conhecer as fábricas, algumas mantém até um espaço próprio pra quem chega, mas não fui com receio do tempo) e Burano (casinhas mega coloridas pitorescas), lá chegando por conta do passe pra dois dias de transporte público, ou seja, vaporetos (demorei cerca de uma hora e 15 minutos pra chegar no primeiro destino, que é Murano, é bom ir com tempo). Depois, outro vaporeto pra Burano (esse é rapidinho); vi um restaurante que disponibilizava um menu do dia com entrada com Bruscheta, primeiro e segundo pratos, fechando com sobremesa, por 20 euros (algo “econômico” por essas bandas). Por tudo que oferecia, topei. Caí no conto. No cardápio constava suco de frutas por 4,50 euros e pedi suco de laranja. A bruscheta era microscópica. Ao pagar a conta, o suco ficou por 7 euros (o gerente justificou que o “suco de frutas” do cardápio era uma variante em lata) e a taxa de serviço, incluída compulsoriamente, de 20%. Portanto, fiquem espertíssimos com coisas do gênero. Acho que vale a pena perguntar TUDO antes. De novo, Itália cheia de rolo. Daí, voltei pra Veneza, parando com o vaporeto na Praça São Marcos. Linda de viver, mas que estouro da boiada é aquele? Fiquei imaginando o que seria em plenas férias, já que mesmo em setembro estava praticamente lotada, sendo difícil até de conseguir bons ângulos pras fotos. Conseguir se compenetrar, concentrar, nem pensar. A não ser que fosse um horário e circunstância muito particulares (provavelmente à noite e de manhãzinha), é provável que você tenha pouco sossego por aqui. Estava meio chateado com Veneza, pelos preços astronômicos, pela escassez de latas de lixo e por certa “pompa” presente no comportamento da gente fina que circulava por ali. Daí, fui ora caminhando ao léu e encontrando espaços que valem a pena, ora meio que seguindo o Grande Canal, chegando até a ponte do Rialto. Foi nesse passeio que percebi o encanto da cidade. Principalmente ao me afastar das multidões (não é tão simples). Os pequenos canais, as gôndolas, os noivos apaixonados, os becos alagados, tudo muito inédito, só ali mesmo. Faz valer a visita. E até achei uns mercadinhos mais baratinhos, tipo dois mix de frutas secas e castanhas por 1,98 euros. E dois lanches pequenos de atum e uma lata de fanta (500 ml) por 2,50. Praticamente um milagre. Uma dica importante de economia possível é ficar hospedado no “continente”, em Veneza Mestre, e atravessar a ponte pra conhecer a Veneza tradicional nas ilhas. Mas vai explicar isso pro meu subconsciente, que queria por que queria essa imersão total.
Burano:
Veneza
30-09: Acordei cedinho, fui pra Praça São Marcos pra aproveitar e conferir novamente as paisagens fantásticas de Veneza. Resolvi ver Veneza do alto do Campanário de São Marcos, ao lado da Catedral, com certeza uma vista excepcional (não me lembro exatamente mas acho que paguei 10 euros pra subir, com elevador). Desci, tomei sorvete, tirei umas fotos e fui pra ponte de Rialto. Daí, fotos e lanche depois, resolvi voltar antes que o tempo apertasse, pois às 13 meu trem saía pra Florença. Assim foi. Mais um lanche na estação Santa Lúcia, trem no jeito e simbora. Trem da Italo, € 23,90 e duração de 2:05, comprada a passagem em 25 de agosto. Caminho chato, nada atraente, bem diferente dos caminhos suíços, em que mesmo um caminho menos legal é bem legal, comparando. Fiquei mal acostumado. Chegando, fui direto pro Hostel Arco Rossi, bem legal, próximo à rodoviária, na rua Faenza número 94R (R$87,00 a diária e € 4,50 de taxa de visitação por 3 dias). Um pouco chatinho de achar, pois a numeração da rua muda num certo ponto. Mas é mais ou menos na altura da estação de trem e a cerca de 6 minutos a pé dela. Dali, fui pro centro (pertinho), já encontrando a praça do Duomo, fotografei (impossível resistir, é incrível), me assustei com a multidão que ali estava e fiquei pensando o que deve ser então os meses de férias de verão (julho e agosto). Mas um ritmo bem gostoso, todo mundo meio que hipnotizado curtindo o visual e a energia boa da multidão. Diferentemente de Veneza que é muita pompa e circunstância e não tem muito pra onde escapar (devido aos canais), em Florença foi uma multidão em clima constante de confraternização. Gostei. Dali, fui andando até o rio Arno passando ao lado da Galeria Uffizi (já impressiona só com as esculturas do lado de fora), atravessei a ponte e continuei até o jardim das Rosas, seguindo depois até a provável melhor vista panorâmica de Florença, o jardim de Michelangelo. E assim foi o dia: Você está feliz porque a cidade promete. E tem uma atmosfera permanente de confraternização. Mas tem também um lugar privilegiado com vista panorâmica, em que o povo se encontra, se paquera, se conhece. Mas, coincidentemente, é hora do pôr-do-sol. Aí, meu amigo, você junta tudo isso e agradece a vida!
01-10: Tinha sido alertado por uma ex-aluna em Milão que os museus são grátis no primeiro domingo do mês na Itália. E não é um golpe de sorte estar em Florença nesse dia? Acordei cedinho e já fui pro meu sonho de consumo cultural do dia, a Galleria degli Uffizi. Uma hora e quinze minutos de fila (quem tinha algum passe passava na frente) e até que nem foi tanto, por ser gratuito e comparado a um dia normal, segundo disseram. Normalmente, mesmo pagando, é daí pra mais. E lá fui eu: Da Vinci, Boticelli, Giotto, é coisa de louco. Grande parte daqueles quadros que ilustram livros didáticos estão lá. É um acervo de cair o queixo. Amei achar ali o “Nascimento de Vênus”, de Boticelli, entre tantos outros. Tentei ver tudo o mais rapidamente possível pois queria estar às 11:00 na igreja de Santi Michele e Gaetano, onde ocorreria uma missa em latim e acompanhada por cânticos gregorianos, estava muito curioso. Cheguei uns minutinhos atrasado, mas tudo bem. Pouca gente (umas 70 pessoas no máximo) e pouquíssima comunicação (você fica ali, vendo aquilo acontecer, mas não entende nada, então vale como curiosidade, mas não como sintonia entre fiéis e igreja, acho que tem tudo pra ter menos gente ainda futuramente, muitos matam a curiosidade e saem durante a missa. Aliás, isso foi uma constante em toda Europa, ou seja, pouca gente prestigiando as missas). Dali, fui pro Duomo ver se também era grátis, apesar de não ser um museu, mas estava com fome e a fila era muito grande. Fui comer ali ao lado. Achei um menu interessante (lasanha, saladinha farta, batata cozida/frita) por 10 euros (mais taxa de serviço de um euro). Valeu. Os preços de Florença são bem mais camaradas do que em Veneza. Tomei sorvete (dois sabores, 3 euros) e fui conhecer os jardins de Giordano. Não me pareceram tão interessante quanto esperava, mas no caminho passei pela Galleria Dell’Accademia, onde está a escultura David, de Michelangelo. Como a fila estava pequena, entrei (apenas uns dez minutos de espera). Incrível, com destaque para esculturas, mas também tem muitas pinturas, como na seção de arte bizantina. Depois, voltei pro centro da cidade, passei no Duomo novamente (visitas encerradas pra quem não tinha alguma passe) e fui zanzar por ali pra ver se algum outro museu estava recebendo “na faixa”. Encontrei o museu del Bergello, com pinturas e esculturas, sem dever nadinha pros outros dois.
Florença:
02-10: Tinha duas opções. Ou ir a Siena e São Gimignano apenas pra conferir a arquitetura e traçado urbano tão caros a um geógrafo como eu, ou apenas a uma das duas com visitas mais detalhadas às igrejas e museus. Fiz a primeira opção, pois a composição da paisagem e o uso e distribuição dos equipamentos urbanos não só são a minha prioridade em termos geográficos como é o que me atrai mais esteticamente. Além disso, confesso que tinha grandes expectativas em relação ao sorvete da Gelateria Dondoli, em São Gimignano, e à Plaza del Campo, em Siena. Siena: de fato, um lugar que te joga na Idade Média. Juntamente com Évora (em Portugal, inigualável, a mais interessante de todas as cidades medievais que conheci) e a própria São Gimignano, foi a cidade em que mais precisamente senti isso. Muito bacana se perder por suas ruas e captar o clima local. Dois locais de destaque: a Plaza del Campo e a Igreja de Santa Clara, belíssima. Aproveitei pra comer uns doces (“bar” Nannini, Via Banchi di Sopra, 24). Pedi um “paste Nannini” (€ 1,00) delicioso, e um “bigne Chantilly Nannini” (€ 1,80), nem tanto. Fui de ônibus pra Siena (€ 7,80 - em Florença, a rodoviária – Via S. Caterina, 17 - fica a uns 100m da estação de trem, e o ônibus te deixa em Siena ao lado do centro histórico, em uma praça, muito prático). Depois, de ônibus pra São Gimignano (há praticamente de hora em hora, saindo do mesmo lugar em que se chega a Siena, a € 6,00 – a passagem é comprada no subsolo da praça anteriormente citada). É a chamada “Manhatan” da Idade Média, pois suas 14 torres (mas eram mais de 70 no passado) eram símbolo de poder. Mesma imersão no clima medieval, é bem menor, rapidamente se anda por tudo e com muito prazer, vale a visita. Mas é na praça principal que se encontrava minha meta: o tal sorvete Dondoli. Na verdade, ali temos duas “gelaterias”. Ambas trazem na fachada os anos em que foram laureadas “the best of the world”. A outra (não me lembro o nome), tinha uma fila menor. E lá fui eu conferir. Pedi três sabores: frutas do bosque, creme e amarena. É um bom sorvete, mas não tão impactante. Depois, saí pelas ruas a espiar a cidade, voltando a seguir pra experimentar o sorvete da Dondoli. Pedi pistache, oliva (diferentíssimo) e coco. E foi aí que, depois de muuuito sorvete bom mundo afora, me dei conta do que é ser “o melhor”. Cremoso, leitoso, suave, doce sob medida, nada em excesso. Tudo o que um sorvete tem que ser pra se tornar inesquecível. Esse sim merece todas as láureas. Passeio encerrado, lá fui eu pra Poggibonsi de ônibus (€ 2,50), de onde sairia o outro ônibus para Florença. Mas encontrei uma família brasileira que voltaria de trem e resolvi segui-los (€ 7,60 – Trenitália). Daí, atenção! Ao comprar o ticket na máquina (a bilheteria estava fechada), botei uma nota de 10 euros esperando o troco. Como a passagem custava € 7,60, caíram moedinhas totalizando 0,40 e uma mensagem, dizendo que faltavam moedas de um euro e que poderia ser reembolsado no guichê quando estivesse aberto, provavelmente no dia seguinte, apresentando o comprovante. Daí, ao chegar em Florença e ir no escritório da Trenitália (responsável pelo trem), eles apenas confirmaram que só no guichê da estação do ocorrido é que poderiam ressarcir o prejuízo. Ou seja, já era. Mais um “migué” italiano. Triste. Depois, em novas utilizações, só paguei com cartão pra evitar o lance. Voltando a Florença, e sendo meu último dia ali, lá fui eu pros arredores do Duomo pra mais um lanchinho de tomate com muzzarela de búfala, o melhor da Itália. A tristeza foi que já não havia mais, tive que me contentar com um pedaço de pizza do mesmo sabor (€ 4,00). Uma pena. Curiosidade: no estabelecimento, estavam eu, uma garota (chama-se Amanda e tem um blog, o “Girando Mais Que o Mundo”, não vejo a hora de conferir), duas mulheres e a atendente, todos brasileiros. E, dado estatístico, ao contrário de perfazer 90% do total de turistas como em Interlaken-Suíça, em Florença os orientais são algo em torno de 30%, me intriga o porquê dessa prevalência na Suíça e não na Itália.
São Gimignano (Toscana) e o sorvete da Dondoli:
03-10: saída de Florença, trem pra Pisa (€ 8,40 – Trenitália, com passagem comprada ali mesmo um pouco antes do embarque) e depois Manarola (Cinque Terre), onde fiquei dois dias. Bagageiro da estação de trem pra visitar a Torre e arredores em Pisa: € 5,00; Vi a Torre e descobri que pra visitar a Catedral era apenas necessário um ingresso que se retira num local da própria praça, mas são limitados e o horário da visita depende da demanda. Assim, consegui um ingresso para 12:45. Já as visitas à Torre, ao Museu e ao Batistério são pagas. Pra quem quer subir a Torre, aconselha-se a reservar com grande antecedência, tal é a demanda. Com pouco tempo e muita expectativa para chegar a Manarola, dispensei. Trem de Pisa para La Spezia: € 7,60. La Spezia-Manarola: € 4,00. Cinque Terre Card, para ter acesso ao trem e às trilhas do Parque por um dia: € 16,00 (carinho, já que as melhores trilhas estão fechadas por conta de riscos, e as vilas são bem próximas entre si. Perguntei-me se haveria um controle rigoroso desse ticket em plena trilha, e a resposta é “médio”. Houve um posto de controle “consistente”, e em outro a funcionária discutia animadamente ao telefone, dispensando todo mundo de apresenta-lo). Hostel “Ostello Cinque Terre”, Via B. Riccobaldi, 21, atrás da igreja (a vila de Manarola é bem pequena): € 66,00. À noite, comi um nhoque ao molho pesto bem gostosinho, na “pizzeria Il Discovolo”, e uma fanta, por € 12,00. Assim, descobri o que seria uma constante nessa passagem por Cinque Terre. Ou seja, comida caríssima; não raramente, horrível. Qualquer salgadinho, mas qualquer mesmo, é o olho da cara e feito meio que às pressas. E é bom não ter expectativa nenhuma com o atendimento. Vi coisas assustadoras, como velhinhos escorraçados, inclusive. E não há muitas opções. Todos aqueles lanches-sonho com pães da nona, muito tomate (lindos, suculentos) e bastante muzzarela de búfala, torradinhos na hora, ficaram em Florença, onde se come muito bem a um preço camarada. Pra complicar, até tem uns mercadinhos, mas novamente os preços são totalmente fora da realidade. Cheguei a imaginar se não seria o caso do típico local distante de tudo e que necessita de numerosos esforços pra que as coisas cheguem ali, o que as encareceriam. Mas vale lembrar que as “Terres” são sim ligadas por rodovias. Ou seja, é exploração pura e simples mesmo. Se você é mochileiro, vale a pena levar um bom estoque de bebidas, biscoitos, doces, frutas etc., se possível. Acho que a região vive da fama conquistada quando as trilhas todas eram acessíveis e de seu mar realmente incrível, com águas azuis-esverdeadas transparentes que justificam qualquer visita. Quanto à beleza das “Terres” e suas vistas cênicas, encontrei isso na que fiquei, ou seja, Manarola. Afastando-se um pouco do centro, se veem passarelas costeando os paredões e, ali, vistas perfeitas da mais bela das “Terres”, na minha modesta opinião. Compensou todos os perrengues alimentícios. Mas me fez criar uma falsa expectativa de que as demais seriam tanto quanto.
Manarola (Cinque Terre):
04-10: trilha de Manarola a Corniglia e, depois, de Corniglia a Vernazza. Bacanas, aparecem uns penhascos de vez em quando, mas não é nenhuma Suíça nem uma Costa Amalfitana (estas sim paisagens vertiginosas). O primeiro trecho até tinha algum tempo atrás uma outra opção mais cênica, mas fecharam por questão de segurança, assim como várias outros mais próximos ao mar entre as demais “Terres”, pelo mesmo motivo, depois que chuvas intensas de anos atrás comprometeram a estrutura das passarelas que compunham grande parte do circuito. Em Vernazza, resolvi ir de trem às demais “Terres”. Fui a Monterosso (me pareceu tudo menos uma aldeia, com numerosos hotéis, clima de badalação, gente chic e sofisticada, preços altos e nenhum mercadinho pra quebrar um galho). À noite, de volta pra Manarola, parada na Pastakeaway, Via Discovolo (a rua principal), 136, pertinho do hostel. Comi um nhoque ao molho de nozes e tomei uma coquinha por € 8,00, bem básico o lance. Nada de mais. É bem provável que haja opções incríveis de bons restaurantes nessa região, mas para o mochileiro que procura opções mais baratas é um perrengue-mega essa falta de comida pronta ou de mercados a preços justos.
Vernazza (Cinque Terre):
05-10: Acordei às 8:40, tomei o café da manhã, me despedi de todo mundo e lá fui eu pra estação ferroviária. Por € 4,00 comprei uma passagem até Spezia. Lá, confiante na informação de que trens dessa região até Roma eram regionais e não necessitavam de compra antecipada de passagem e cujo preço não variava, fui lindão na máquina que emite passagens. E, realmente, lá estava minha vaguinha, mas ao preço de € 39,75. Como é um trecho semelhante em distância ao de Milão-Veneza e Veneza-Florença, achei demais. Segundo informaram ali, é possível sim comprar com antecedência a preços melhores. Deveria ter tentado ônibus, mas até encontrar a estação, comprar, esperar etc., achei melhor encarar preço alto. Tristeza de quem quer economizar. Mas, vida que segue. Bora pra Roma. Foram dois trens, na verdade. Um até Follonica, uma cidade-balneário interessante à beira mar, organizadinha, me pareceu moderna, ao menos não vi nenhum prédio histórico; tem uma estação ferroviária e um centrinho lindinhos, bastante verde, provavelmente voltada para um turismo regional, pouquíssimo movimento e... com uma pizza frita (novidade pra mim), recheada com farta ricota e coberta com toda muzzarela de búfala e molho de tomate que fazem aqueles salgadinhos malditos de Cinque Terre morrerem de vergonha, acompanhada por uma lata de fanta, tudo a € 4,60, que ficou na história. A Itália perfeita seria aquela em que se come isso todo dia (e por esse preço, né?). Vejamos Roma, no que dá nestes termos. Chegada ao hostel Roma, na Via Cavour, 44, por 4 diárias: € 73,60 (hostel bem legal, com quarto para 6 pessoas espaçoso e banheiro dentro, além de estar bem perto – 5 minutos - da estação de trem e metrô Termini, e relativamente próximo de ótimas atrações, mas não tem café da manhã). Comida pelas redondezas a preços bem acessíveis (numerosos Kebabs) e mercadinhos na estação Termini e nos arredores. Melhor, impossível. Aliás, na gigantesca estação tem uns bares bem sofisticados, points de happy hour, com bons preços. Xô fase de preços salgados e falta de opções lá de Cinque Terre. O único “se não”, que inclusive já havia lido em alguns relatos, é de que os arredores da estação Termini é meio parecido com uma Praça da República melhorada lá de São Paulo. Eu digo que andei à vontade e não me senti ameaçado nem incomodado. Mas é visível que tanto funciona uma mini cracolândia (encontrei-a ao contornar a estação umas 23:00 ao tentar erroneamente um acesso para um trem, onde me deparei com dezenas de sem-teto, uns chapados outros dormindo). Senti uma certa tensão no MacDonald’s local, onde muitos imigrantes (é o que me pareceram) talvez recém-chegados, provavelmente famintos e sem o domínio do idioma, tinham problemas pra dizer exatamente o que queriam, se esmolas, restos ou lanches, e os atendentes, dificuldade em entendê-los, gerando cenas preocupantes com gente sendo empurrada e um clima tenso e de indefinição no ar. Assim, é claro que se deve tomar todos os cuidados, aliás, estamos em um metrópole, mas realmente acho que é infinitamente mais seguro do que o centro das metrópoles brasileiras. Apesar do hostel ser pertinho, nele já melhora imensamente o aspecto urbano. Fiz o check in, digitei uns textos, já era noite e lá fui eu ao mercado (água, biscoito, uma coca de 600 ml e um pacote de castanhas e frutas secas, tudo por nem 7 euros) e depois atrás de refeição (como eu escrevi antes, muitas opções e preços acessíveis, tipo meio franguinho assado com saladinha, batata frita e pão, por 5 euros). A uma quadra do hostel subindo a rua Cavour em direção à estação Terminio, um hotel lindão chamado Massimo D’Azeglio oferecia um inacreditável buffet a 19 euros tudo incluído, até o serviço do garçom e sobremesa. Sei que é meio carinho pros padrões da proposta econômica, mas a comidaiada toda estava à mostra e parecia ser o paraíso em forma de alimento. Uns filés de frango suculentos, ricota, legumes cozidos, tomate seco, sopinhas em tigelas, uvas despencando aos cachos, meio decorando, meio provocando um coração glutão. Não resisti. Confirmei com o garçom se o serviço realmente estava incluído, se o alcance geográfico da mesa era aquele mesmo que eu presumia, se coisas terríveis não aconteceriam comigo ao final pedir a conta (trauma de Burano), se era possível que o refrigerante estivesse incluso (pra minha surpresa, eu poderia até optar por uma taça de vinho) e se realmente tudo não passava de um sonho bom. Confirmadíssimo, ponto pra Roma e simbora comer muuuito. Noite chegando, e eu excitadíssimo por estar num lugar-monumento. Não deu pra dormir. Como ainda eram 21:30 e o tempo estava agradabilíssimo (uns 20 graus de temperatura, sem vento), resolvi já conhecer o que desse pra alcançar a pé. Mapa na mão, lá fui eu. Daí, foi coisa de louco. Cheguei ao Coliseu, dois passos adiante já tropeçava no Foro Romano, com o belíssimo monumento a Vitorio Emanuele ao lado. Sem falar que tá cheio de parques urbanos (coisa que valorizo) e igrejas monumentais no caminho. Uns passinhos adiante, e lá estava pra mim a cereja do bolo, a Fontana de Trevi. Estava tão extasiado que, não fosse um apito do guardinha censurando um doido que já tava querendo fazer a “Anita Eckberg em La Dolce Vita”, eu mesmo faria a “sereia barbuda” e me apinchava na água. Com todo respeito aos demais monumentos, o que é essa fonte iluminada em uma noite de início de outono? Pena que foi de todos o que mais gente tinha, umas cento e cinquenta pessoas extasiadas num só suspiro, o que me desconcentrava (falta de consideração desse povo não deixar a fonte só pra mim). Mal sabia eu que, dois dias depois, ao voltar durante o dia, não restaria nem um metro quadrado de área livre ao redor, com centenas de pessoas se acotovelando por um foto impossível. Na real, Roma pede que se calibre novamente o que a gente chama de monumental, estando pro patrimônio histórico no mesmo patamar que Lauterbrunen (Suíça) está pras vistas panorâmicas. Humilhação total com os parâmetros. E, ainda por cima, em uma noite inspiradíssima. Já eram quase duas da madrugada. Fechei com chave de ouro o “dia”. Pra melhorar, a cama do hostel era divina.
Fontana Di Trevi (Roma):
06-10: cama gostosa + corpo cansando + dormir tarde pra caramba + êxtase da cidade eterna com muita serotonina na cabeça = acordei às 13:00. Mas mega-feliz. E, sabendo que durante o dia deve ser o “estouro da boiada” pra visitar esses monumentos, fica aqui meu testemunho de que provavelmente poucas coisas valem tanto a pena quanto o tal do passeio à noite, tranquilo, por Roma cidade-eterna. Vai te dar inspiração pra uns bons anos de vida. Recomendo, mesmo não podendo visitar certos locais “por dentro”. Não havendo muito tempo disponível, resolvi dar uma voltinha pelo que houvesse nos arredores do hostel, e, sendo Roma, sempre há. No caso, bem próximo mesmo, as lindas Piazza Della Repubblica com a Fontana Esedra, e a igreja Santa Maria Degli Angeli. Ao lado da igreja, o Museu Romano junto às Termas de Diocleziano. Mas, ali, verifiquei que a visita ao museu necessitaria de bastante tempo e resolvi deixar pro outro dia. Então, visitei ao lado a gratuita e incrível Basílica Santa Maria Degli Angeli e Dei Martiri, lindona. Escaldadíssimo com informações duvidosas e preços altos, fui depois correndo pra estação Termini adquirir o mais rápido possível minha passagem de trem para Nápoles, dia 9 (€ 12,90). Feito isso, resolvi comer em um Kebab entre tantos que há até chegar ao hostel. Por meio frango (mas não tão grande), batatas em pedaços fartas, um pãozão gostoso (ok, assassinei a língua portuguesa mas dá bem a dimensão da coisa) e um pouco de salada, tudo gostoso: € 5,00. Sonho!
07-10: Nesse dia, praticamente refiz meu trajeto noturno do dia da chegada a Roma. E visitei o que foi possível e gratuito no caminho. Assim, conheci “por dentro” o monumento a Vittorio Emanuelle II, praticamente um museu, com vistas bacanas e panorâmicas de Roma. Dali, contornando o monumento por trás, dá pra chegar a uma vista panorâmica do Forum Romano e o conjunto de construções ao seu redor. Apesar de ser possível pagar pra ter acesso a ele, dá pra não só vê-lo detalhadamente como dele fazer uma boa análise, principalmente se tiver uma publicação qualquer que o acompanhe (no meu caso, o Lonely Planet). Contornando o Coliseu, foi tão possível espiá-lo por dentro, pelas aberturas, que até resolvi não entrar, apesar da ausência de filas. Além do quê, acredito que seu exterior seja seu melhor ângulo. No caminho para o Pantheon (interessante), a belíssima Igreja de San Ignázio Loyola (na ida) e o Templo de Adriano (na volta). E, ao retornar ao hostel, a uma quadra e meia dele, na própria via Cavour, encontrei aberta a belíssima igreja de Santa Maria Maggiore. Tudo grátis.
08-10: Visita ao Vaticano. A meta era tentar ver o Papa e visitar a Capela Sistina e o Museu do Vaticano. Resolvi ir a pé (uns vinte e cinco minutos ou menos, segundo meus cálculos) e aproveitar a paisagem urbana, abrindo mão de um trajeto mais linear mas optando por praças, largos, igrejas e monumentos, e quem sabe também surgisse alguma boa surpresa pelo caminho (lugares lindos, acolhedores ou de confraternização). Já sabia que teria que passar pela Piazza Spagna, que queria conhecer, e a Piazza Dei Popolo, e no rio Tibre e seus arredores. Parte do trajeto fiz acompanhando suas margens. Ou seja, nada de chegar em 25 minutos. Parei em um simpático café, onde tomei um suco de laranja, um lanche (com tomate e muzzarela de búfala), um cappuccino e uma torta doce, tudo por € 12,50 (carinho, mas o lugar é muito lindo e tudo gostoso), pra se ter uma noção de preços. Seguindo em frente, avista-se o Castel Sant’Angelo, redondinho, que resolvi que visitaria depois (mas mudei de ideia). Chegando ao Vaticano, passando por uma revista meia-boca e um detector de metais, estamos na Praça São Pedro. E uma surpresa desagradável: a Capela Sistina e o Museu fecham aos domingos. E outra agradável: o Papa em pessoa dá a benção às 12:00, de uma das janelas ao redor da praça (não era uma missa, apenas uns 15 minutos de celebração). Já eram 11:00. Era possível visitar a basílica (grátis) e a sua cúpula (€ 6,00 pelas escadas e € 8,00 pelo elevador – mas que não dispensa a última escadaria, claustrofóbica, mas tolerável). Ali você tem a oportunidade de ver a basílica por dentro, do alto da cúpula (vertiginosa imagem de uns cem metros de altura, mas bem seguro – tenho vertigem), e também visitar a parte externa, com vista privilegiada da Praça São Pedro. Não é uma visita que eu faria normalmente, mas pra compensar a impossibilidade de se ver a Capela Sistina e o Museu, tá valendo. Ao final, já quase 12:00, se desce as escadas, porém... como é estreitinho em um trecho significativo, e na sua frente tem velinhas simpáticas porém lentas, não deu tempo de ver a comoção popular na praça quando o Papa acena pela primeira vez. Peninha. Mas deu pra ouvir. Como a Basílica, nesse momento, estava praticamente vazia, desencanei do Papa e fiquei por ali, visitando-a, também porque transitar na praça nesse momento pra pegar ângulo bom pra ver Francisco é literalmente impossível. Aliás, já seria difícil conseguir ângulo para vê-lo. Fica pra próxima. Quanto à catedral, incrível, tem obra de Michelângelo (escultura de Moisés) entre outros figurões do mundo das artes. Saldo final: valeu bastante a visita, fiz média com minha mãe e sobrinha catolicíssimas, além de que já tinha visto muito museu (fator “a raposa e as uvas” – provavelmente nada se compara à Capela Sistina)!
Membro da guarda suíça do Papa:
Vista do alto da Basílica de São Pedro, Vaticano:
09-10: ida pra Nápoles, com trem regional da Trenitália, a € 12,30 em três horas (há outras opções mais rápidas, que fazem o trajeto em uma hora apenas, mas bem mais caros). Perceptível o empobrecimento do país conforme se avança para o sul. Daí, cheguei à Estação Central de trem e Piazza Garibaldi, e lá fui eu para o hostel de metrô, por € 1,10 – compram-se tickets nas tabacarias e bancas de revista (havia a opção de ir de ônibus, mas é difícil falar com os motoristas, explicar onde descer, daí a opção pelo metrô). Fui até a estação “Univesitá” e, com o mapa impresso do hostel, lá fui eu empurrando mala rua abaixo. Descobri depois que, ao contrário do informado pelo próprio hostel no site do Hostelworld, a estação Município é a mais próxima de lá. Chegando no hostel “Ostello Bella Napoli”, reservado meses antes pelo site do Hostelworld, qual não foi minha surpresa ao receber a notícia de que estava lotado. Nem adiantou dizer que o site já cobrara antecipadamente um determinado valor, passar o número da reserva, mostrar minha própria reserva impressa (sempre levo para evitar sobressaltos). E ficou por isso mesmo. A garota que me recepcionou me encaminhou para um outro hostel no andar de baixo do mesmo prédio (Via Guglielmo Melisburo, 4), por sinal, de nome parecido, “Hotel Bella Capri”, porém de valor maior: € 20,00. Mas tem vantagens: se trata de um quarto para duas pessoas, com ar condicionado, televisão e banheiro dentro. Mandei um email para o Hostelworld e estou aguardando resposta sobre o que fazer para reaver o dinheiro do adiantamento da reserva, provavelmente a taxa que o hosteleworld cobra pelo serviço prestado. Vejamos no que dá, mas já passou pela minha cabeça fazer um boletim de ocorrência na polícia depois de pedir para o próprio hostel devolver a grana (o que provavelmente não ocorreria). Um prejuízo de uns 10 reais. Vejamos o que vão dizer. Um bom teste pra saber como funciona esse serviço no caso de falha do hostel. Saí pra levar minha roupa pra lavar e secar (Via Sedile di Porto, 54). Uns sete quilos de roupa por € 8,00. Enquanto a roupa não ficava pronta (uma hora), fui comer alguma coisa. Achei uma pizza frita e imediatamente me veio à cabeça aquela inigualável que eu comi em Follonica. Pedi de ricota com molho de tomate e queijo. Apesar do pessoal ser uma simpatia, a tal pizza é uma droga, indigesta, massa meio crua por dentro, gigantona, enfim, um martírio na forma de comida, por € 5,50 já com o refrigerante. Fechei o dia indo a um mercado comprar coisas até para levar pra costa Amalfitana, escaldado com os preços e a falta de opção de Cinque Terre (são lugares de perfil semelhante). Em um mercadão próximo do hotel, pra se ter uma base dos preços napolitanos, comprei ricota, 0,75 kg de maçã Golden, uma porção de nhoque (muito bom), um punhadinho de salada de cenoura, dois yogurts, mozarela e umas seis torradas de pão italiano, tudo por € 7,95 (é um pouco mais barato que os preços de mercados em Roma).
Obs: o pessoal do Hostelworld, dias depois, mandou mensagem dizendo que, após contactar o hostel problemático e averiguar o erro na reserva, estaria devolvendo o valor já pago. Preciso depois verificar se foi realmente creditado na minha fatura, já que havia sido pago via cartão de crédito na internet. Mas, de qualquer forma, tive resposta para minha solicitação.
10-10: Como é um dia perfeito pra você? Já tive vários nessa viagem, mas hoje foi um deles. Acordei meio tarde, meu colega de quarto assistiu ao jogo de futebol “Itália versus Albânia”, na noite anterior, pelas eliminatórias da copa (por sinal, nesse jogo a Itália venceu mas depois não se classificou). Depois, ele dormiu, mas roncava horrores. Daí, eu fiquei digitando esse relato, checando o facebook etc., esperando o sono vir com força total. E veio. Mas um sono tão gostoso que nem percebi mais o barulho do ronco. Dormi umas duas da madrugada, então me dei ao direito de ficar um pouco mais na cama, até lá pelas nove da manhã. Fiz minha mala, deixei-a no hostel e lá fui eu para uma visita ao Castelo Nuovvo, a mais ou menos uns duzentos metros do hostel (castelo “clássico” por fora, mas deixa a desejar no acervo. Há algo de errado com o castelo quando o fosso ao seu redor estiver cheio de entulho). Daí, a um mecadão próximo do hostel e lá comprei por doze euros: 2 litros de água, uma porção generosa de lasanha à bolonhesa, salada de cenoura já pronta, torradas com pão italiano, uma coca lata, quatro maçãs golden, um suco de maçã e um mix de frutas secas com castanhas. Voltei pro hostel, peguei minhas coisas e pedi pra me deixarem almoçar ali mesmo. E que almoço! Lasanha e salada ótimas, aliás, pra evitar comida ruim por aí, o melhor é isso mesmo, comprar comida pronta que eles vendem na maioria dos supermercados. Só a lasanha e a salada ficaram em sete euros, pra se ter uma base. Depois, de mala e cuia, lá fui eu em direção a Sorrento, com pausa em Pompeia Scava Vila Mistery, com o trem da Circunvesuviana, que sai da estação Garibaldi, por € 2,80 o bilhete. Cuidado! Não só fique atento à plataforma (3) quanto também ao trem, pois dali saem trens com vários destinos. Neste caso, é o trem que vai pra Sorrento que interessa. Há outro trajeto que também passa por Pompeia mas é outra estação. Chegando em Pompeia, tem bagageiro na estação de trem, onde deixei minha mala por € 3,00 podendo retirá-la até às dez da noite. Mas há também bagageiro gratuito ao lado da bilheteria para o Parque Arqueológico de Pompeia. Ali deixei minha mochila, a mala não caberia. Mas tem bagageiro maior pra malas pequenas. Comecei lá pelas 15:30, sendo possível a visita até às 19:30, se não me engano, por € 13,00 a inteira. É grande pra chuchu e estas poucas horas não foram suficientes, pois lá dentro tem a cidade em si mas também um museu, um antiquário, loja de souvenir e livraria. E é muito interessante. Pensar que tudo aquilo foi preservado por séculos vindo a ser o melhor testemunho da era Romana graças a uma tragédia sem tamanho, o sacrifício de tanta gente cozida, intoxicada e soterrada. Daí, vão aparecendo os detalhes que encantam, uma estátua aqui, uma arena de gladiadores ali, um anfiteatro, um prostíbulo, mosaicos, o luxo que não salvou ninguém... e você vai percebendo que tudo era muito parecido com o que é uma cidade hoje. Visita incrível completada, lá fui eu pra Sorrento (€ 2,40). Em Sorrento, tinha reservado um lugar meio diferenciado. Encontrei pelo hostelworld o “Campogaio Santafortunata”, um camping com cabanas, mas tinha uns comentários meio estranhos dizendo que o lugar era escuro, que era como cabanas na selva, tinha cobra... mas o lance “natural” me pegou, pois vi pelo google maps que eles tinham uma praia particular e ficavam no acesso para um dos lugares mais bacanas ao redor de Sorrento, o Bagni de Regina Giovanna (um “poço natural” cercado por ruínas romanas e com uma pequena comunicação com o mar). O ponto do ônibus em Sorrento que dá acesso ao camping está à esquerda de quem chega da rodoviária e vai pra cidade em direção ao mar, tem uma placa informando “Sita”. Mas tem que perguntar pro motorista se passa na frente do camping. E pedir pra ele avisar quando chegar lá. Isso na Itália é furada, nenhum motorista me avisou coisa alguma mas sempre deu certo no final, pois você mesmo detecta o local de dentro do ônibus. É sempre bom ter alguma referência visual de antemão, mesmo que uma informação prévia por email com o estabelecimento. Chegando, fui pagar as duas diárias, mas não foi possível pois queria pagar com cartão e, como já eram nove horas da noite, só dava pra pagar em “cash”. Sem nenhum estresse, o recepcionista disse que eu poderia pagar com cartão no dia seguinte. E lá foi o funcionário me acompanhar até meu “quarto”. Fomos descendo uma estradinha, com muuuuito verde e tudo muito bem cuidadinho, uma coisa meio Suíça, tudo de cerquinha de madeira com umas casas/chalés ao redor em meio às árvores. Adorei. Chegamos a nove cabaninhas enfileiradas, cada uma com uma oliveira e um deque na frente e escadinha de acesso num terreno íngreme, além de mesinha e cadeiras. Lindo. Abri a porta, já sem o funcionário. Uma cama de casal e outra de solteiro, banheiro, frigobar e ar-condicionado. Daí veio um medão de ter coisa errada na jogada, tipo, acorda Carolayn, que pelo valor da diária só poderia esperar um hostel, por mais que goste muito deles. Tipo um espaço compartilhado. E lá estava eu, com tudo só pra mim. Deu medo de que tivesse faltando um zero nos valores da internet. É por aqui que eu termino hoje. Com medo mas feliz. Vejamos amanhã se coisas “terríveis” vão acontecer na hora de acertar a conta e se “penas voarão” na confusão.
Pompeia, com o Vesúvio ao fundo:
11-10: Acordei meio tarde lá pelas 9:30, pois o sono foi ótimo e quis aproveitar o quarto exclusivo. Fui até a portaria, paguei tudo (junto com o adiantamento da época da reserva e taxa municipal de visitação, dá € 58,00 por duas diárias). Tomei banho e fui dar uma conferida no acesso ao mar do camping. Lindão, com paisagens bem legais, mas tinha placa dizendo que não podia nadar caso não houvesse salva-vidas. Não que duas gringas não estivessem saindo da água fazendo “as egípcias” (como quem diz: não é comigo). Fui pro restaurante (vista panorâmica lindíssima ali) lá pelas 12:00 e pedi um filé de frango com um molho local, mais uma salada completa e suco de laranja, tudo por € 15,00. Depois, paguei internet por 24 horas (€ 4,00) e dei uma checada na vida virtual. Paguei um passeio pro dia seguinte de barco pra Capri, por € 45,00. Daí, fui conhecer algo que já tinha visto no google maps e estava muito curioso para conferir. É que o camping está próximo de umas ruínas romanas que rodeavam um “poço” chamado Bagni dela Regina Giovanna, de águas transparentes boas pra banho. Na verdade, é como se fosse uma micro-baía rodeada por um paredão e pelas ruínas e mato que cresceu ao redor. Fica no sentido oposto de Sorrento, em direção ao Cabo. Você sai do camping Santafortunata pela rodovia, anda por ela (um perigo, micro acostamento, cuidado) uns 300 metros até chegar a um bar do lado oposto chamado “Bar Del Capo”, e entrar em um caminho em direção ao mar ali em frente. Singelo, mas bem legal. Ao lado, locais ótimos para banho de mar (e a temperatura da água excelente para um início de outono europeu), já de frente para o mar aberto mas protegido por rochedos. E aquela água verdinha e transparente. Nadei e tomei um solzão de fim de tarde. Tempo ótimo. Voltei pro camping. Fiquei sabendo pelo funcionário brasileiro do restaurante do camping, o Rafael, que mais adiante tem uma praia de nudismo. Não a vi, mas tinha uns agitos nas moitinhas ao redor. Jantei no restaurante do camping uma lasanha com uma salada por € 15,50. Uma delícia. Apesar da minha gigantesca satisfação com o camping e sua localização, eu já tinha me tocado ao planejar a viagem que ele ficava meio longe de Sorrento, o que significa longe de mercados com artigos abundantes e variados. Até tem mercadinho próximo, mas pouca variedade de gêneros e preços nada camaradas. Aliás, tem mercadinho no camping. Pra se ter uma base, a água mineral sem gás de 1,5 litro custa € 1,5. Sabendo disso, eu trouxe aquele estoque de água e comida lá de Nápoles. Fica a dica.
12-10: Acordei, tomei o café da manhã do camping por € 7,00 (um bufê interessante e abundante), e fui esperar o pessoal do passeio (eles te pegam ali às 9:00, te levam pra marina Massalubrense, de onde sai o barco – 10:00 - dão a volta completa na Ilha de Capri, te deixam no porto principal – Marina Grande - às 12:00, e combinam de buscar todo mundo às 17:30). Lindão o passeio, passam próximo das entradas das grutas Branca, Azul e Verde (mas não podem se aproximar muito, pois o tamanho da embarcação, grandinha, não permite – é o que alegaram) e pelo meio dos Falagliones, rochedos peculiares que se sobressaem na paisagem, inclusive um deles possui um arco, como um túnel, e claro que o barco passa por ele, com o guia dizendo “l'arco dell'amore”, mas com uma tal malícia na voz que não dá pra levar a sério, é como se dissesse “o buraco da putariiiiiiiia”, muito engraçado. Ele deve estar de saco cheio de tanto falar isso o tempo todo e daí extravasa um pouco. Com o tempo restante (12:00 às 17:30), dá pra fazer uma programação meio que rápida pela ilha, inclusive ir até a famosa Gruta Azul. Tem saída pra lá do vilarejo de Anacapri, são ônibus específicos. Não me interessei, pois é muito trampo pra tão pouco tempo (dizem que nem cinco minutos de observação dentro da Gruta), mas falam que é uma experiência marcante. Preferi ir até o ponto culminante da Ilha, o Monte Solaro, a 589 metros de altitude. Pra se chegar lá, também tem que ir de ônibus do porto até Anacapri (€ 2,00 pra ir e mais € 2,00 pra voltar) e de lá pegar o teleférico (€ 11,00 ida e volta) que te leva até o topo (13 minutos cada “perna”). Lá tem um restaurante, banheiros e as vistas são incríveis mesmo e o tempo estava super ensolarado. Antes disso, almocei por Anacapri e até que os preços foram muito menores que os de Cinque Terre (ponto pra ilha, mais bonita e mais barata). Aliás, comi uma pizza de queijo, ricota e molho de tomate com massa de biscoito que estava uma delícia (€ 14,00 pela pizza mais uma coca, na Sciuè Sciuè, Via Giuseppe Orlandi, 73, Anacapri) - outro ponto pra Ilha de Capri, e olha que foi praticamente o primeiro lugar que apareceu – humilhou Cinque Terre, onde até escolhendo me ferrei. Fãs de Cinque Terre, perdoem-me, mas foi um fato. Com o fim do passeio e a volta pro “continente”, aproveitei uma carona do camping até o ponto de ônibus “Sita” próximo à estação de trem no centro de Sorrento, e lá fui eu de mala e cuia pra Atrani, na Costa Amalfitana, ao lado da própria Amalfi (€ 2,90). Isso no início da noite. E foi aí que a coisa pegou. Não se enxergava quase nada, apenas luzes, e o ônibus só que subia, subia, subia... naquela rodovia estreitinha que deixava o corpo de quem tivesse sentado do lado direito frequentemente a menos de 0,5 metros do precipício, conforme todos relatam e agora eu também. E dá-lhe curva, montanha russa, buzinaço e palavrão, a gente se acostuma. Fiquei imaginando aquilo durante o dia. Aliás, acredito que seja uma paisagem tão única e incrível demais da conta, que eu acho que teria que ter lei que proibisse essa viagem à noite. Depois de amanhã, voltando pra Nápoles eu vou me esforçar pra ir durante o dia e ver isso aí em melhores condições. Aliás, essa experiência da viagem e as características das cidades atravessadas já me permitem dizer o seguinte: pela segunda vez na viagem, sendo a primeira Lauterbrunen e arredores (Suíça) posso dizer que meu queixo caiu e não levantou mais. O que é essa Costa Amalfitana? Tudo aquilo e mais um pouco que eu esperava da Itália é aqui no sul que estou encontrando. E vejamos se amanhã tudo isso se confirma. Ou se me arrependerei horrores de pensar assim. Mas o meu impulso agora, que só tenho mais dois dias e meio na Itália, é remarcar minha passagem pra daqui uns seis dias ou até quem sabe eliminar Londres e ficar aqui, desmarcando o hostel de lá (possível até dois dias antes) e perdendo a passagem de trem Londres-Paris. A coisa pegou fortemente nesse tal de sul da Itália, a começar pelo caos adorável de Nápoles. E olha que vi coisa nesse país, hein? Apaixonado, mais nada! Que que eu faço, minha gente? Uma linda noite pra pensar... Se eu disser que cheguei em Atrani em êxtase, fui pro hostel e estava tudo fechado, mas eu já em estado de graça nem me incomodei. Daí um fulano (o primeiro que eu vi na frente, não tem muitos por aqui, é uma vila, adorável vila) já conhecia o dono, já foi chamar, já resolveu tudo. É o hostel A’Scalinatella, Piazza Umberto I, 5-6, duas noites por € 66,00 (já incluindo “taxas de visitação”), reservado meses antes pelo Booking. Estou aqui num quarto de hostel pra duas pessoas, com banheiro dentro, sacada com varanda, somente eu no quarto, felizão da vida, querendo que isso aqui não acabe nunca, com o sino da igreja tocando, quando abro a porta pra sacada é aquela paisagem urbana tipicamente sul-italiana, até pra mim tem varalzinho que dá pra rua e em cima do andar de baixo e eu já pendurei sunga molhada e toalha lá, meu Deus, Buda, Alá, energias, universo, como estou feliz!
OBS: quando escrevi isso tudo, como puderam observar, a viagem estava acontecendo. E eu, empolgadíssimo com o sul da Itála. Mas mantive os planos iniciais e fui no dia marcado pra Londres. E ali foi tudo incrível, também me apaixonei por Londres, ainda bem que não mudei a programação original. Espero voltar tanto pro sul da Itália quanto pra Londres, entre outros destinos dessa grande viagem. Também tinha me esquecido de dizer que, chegando em Amalfi, pega-se outro ônibus no mesmo local em que o ônibus anterior te deixa, com destino a Atrani... que está a cinco minutos andando de Amalfi, é só seguir pela direção oeste. Tem também um túnel que liga as duas. Só vale a pena pegar o ônibus se as malas forem muito incômodas. Claro que o motorista não me avisou que andando era muito mais prático, apesar de termos esperado por uns quarenta minutos pelo horário da saída do ônibus. Alguns são realmente muuuito chatos.
Entrada da Gruta Verde, Ilha de Capri:
I Faraglioni, Ilha de Capri:
13-10: Acordei com o firme propósito de ir até Ravello e a Trilha Sentiero Degli Dei, entre Bomerano e Positano, passando por Nocelle. Mas, pensei, vou dividir as coisas. Como iria embora de Atrani no dia seguinte, resolvi deixar a ida a Ravello pro dia 14, pois é rápida (50 minutos até lá, subindo de Atrani, menos ainda pra voltar, pois é descida) e, quem sabe, faria até mesmo pela manhã antes do check-in. E lá fui eu pra trilha. Pega-se o ônibus pra Agerola em Amalfi, na praça que serve de ponto de chegada e partida pros ônibus (5 minutos andando de Atrani, sim, é pertinho demais) descendo em Bomerano - € 2,00 -paisagens incríveis nessa viagem). Como o ônibus só sairia 12:30, aproveitei o tempo pra passear em Amalfi, indo conhecer um complexo que reúno Claustro do Paraíso, Basílica do Crucifixo, Museu, Cripta e a Catedral (forte influência bizantina – visita simpática – mas o melhor de longe é a fachada da Catedral, impressiona). Dali, segui os passos de um rapaz que esqueci de pegar o nome, daqui do mochileiros, mas segui meeeesmo, é o mesmo que indicou o hostel de Atrani. Segundo ele, seria legal ao passar pelo centro de Bomerano (incontornável, pra quem vai pra trilha, mega bem sinalizada), na “salumeria”, comprar queijo “fior de Latte”, presunto “parma” e pão de focaccia. Deu tudo quase certo, mas não tinha o pão de focaccia, aí, cruzei a rua até a padaria e comprei pão ciabata (meio diferente dos nossos, mas muuuuito bom), além de umas peras e uma coca (€ 12,00 por tudo – o presunto foi meio carinho). E, claro, já levava água abundante, pois a trilha é longa (umas 4 horas ao todo, mas acabei fazendo ¾ dela). Paisagens lindas, penhascos super altos, bateu uma vertigenzinha num certo momento (tenho vertigem, mas acho que grande parte dela foi curada na Suíça, na base do vai ou racha), mas nada que atrapalhasse os planos. Vale a pena. E, nesse sentido, é quase somente descida. Daí, acho que vale a pena evitar o sentido contrário (Positano-Bomerano), a não ser que a tara por exercícios for incontrolável. Mas vai penar. Vi muita gente meio que arrependida dessa opção. A cara, a respiração e a cor deles diziam tudo. Voltando pra Atrani de ônibus por Positano (€ 2,00 - meio que envergonhado, pois estava pura poeira e provavelmente vermelho que nem peru, além do cheiro/suor) e, chegando no hostel, qual não foi minha surpresa ao saber que o check-in no dia seguinte seria às 10:00. Ok, alguns hostels são assim, mas quando você faz planos pra sua manhã você imagina que seria ao menos 11:00. E, detalhe sórdido, não permitem depósito de bagagem pra pegar quando voltasse de Ravello. Chorei as pitangas, mas toda a simpatia inicial virou um “isso aqui é um negócio, não posso agir assim!”, meio que ignorando como a coisa funciona no resto do mundo. Conclusão, ou acordaria muito cedo pra ir, curtir e voltar antes das 10:00 (mais banho e café da manhã) ou já era. Dormi mal pra caramba e não rolou Ravello, pois acordei mega cansado. Triste.
Amalfi:
14-10: Ida pra Nápoles (€ 2,00 de ônibus até Sorrento mais € 3,90 de trem até Nápoles, além de € 1,10 de metrô até o hotel/hostel Bella Capri, diária por € 16,00 – quatro euros a menos do que da primeira vez, mas o quarto já não era o mesmo, agora era um quarto para quatro pessoas). Saí as 9:30 de Amalfi e cheguei às 14:00 no hostel, sempre com algum tempinho nas esperas/transições. Aproveitando o dia, fui conhecer a Praça do Plebiscito (interessante) e a Galeria Humberto I (linda, vale a pena), além de um passeio descomprometido pela orla até o Castelo do Ovo (sem entrar, já era tarde). Jantar que também valeu por almoço por € 23,00 - nhoque com molho pesto, salada do chef, coca e 4 bruschettas (aqueles pães com tomates picadinhos). Á noite, encontrei uma sorveteria mega boa na beira mar e dei conta de tomar € 8,00, tava inspirado. Muito linda Nápoles. Esse foi o último dia integral pela Itália. Amanhã, avião às 11:00 até Londres.
15-10: ônibus “Alibus” (€ 4,00), que sai da avenida Beira Mar em direção ao aeroporto (tem um ponto específico para ele a 2 minutos do hostel), por € 4,00 – o ticket pode ser adquirido em tabacarias ou em bancas. Voo Nápoles-Londres, saindo às 11:00, por € 143,69, chegando no aeroporto de Gatwick às 12:50 (caríssimo, mas quando fui comprar com cinco meses de antecedência, fiz toda a transação achando que fosse em reais e era em euros. Até hoje acho que em algum momento fui ludibriado pelo site. Mas deve ter sido mancada mesmo. Então, cuidado ao fazer as reservas). O relato agora segue em um tópico chamado “Londres-Paris-Madrid”, já que foram as únicas cidades pelas quais passei no Reino Unido, França e Espanha. Depois, tem o relato “Marrocos – 16 dias”.