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raquelmorgado

Torres del Paine em campings grátis

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Foram três noites sem banho, sem colchão e sem cozinhar. Foram horas e horas de caminhada para percorrer o famoso circuito em W, e não acabámos.

E então, como foi? Escolhemos Puerto Natales como cidade de base, ou seja, de onde partimos e para onde regressámos. A chegada, como já vos dissemos no Facebook, correu melhor que o suposto, porque conseguimos em Punta Arenas antecipar o autocarro. Assim, chegados a Puerto Natales, foi correr contra o tempo para alugar a tenda, os sacos de cama e fazer as compras de última hora. Ah, e levantar dinheiro, porque a malta adora receber em “efectivo”, dinheiro vivo, e ainda não tínhamos pesos chilenos. Às 23 horas, hora e meia depois de termos chegado, já tínhamos a tenda alugada, os sacos de cama e comida, e estávamos a caminho de jantar. Se tivéssemos ido no outro autocarro só tínhamos chegado depois da meia-noite, não íamos conseguir alugar nada e seria impossível seguir para Torres del Paine no autocarro da manhã do dia seguinte, às 7:30h. Nesse caso, também não faria sentido ir no autocarro da tarde, ás 14:30h, pois o nosso primeiro acampamento era o de Torres, bem lá junto ao miradouro, depois de uma bela caminhada. Não faria sentido porque os “senderos” (trilhos) fecham e só se pode acampar em zonas estabelecidas para o efeito e com reserva.

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Comprámos os bilhetes de autocarro para Torres del Paine no hostel, ida e volta custou 14.000 pesos chilenos por pessoa, cerca de 20€. O autocarro sai do terminal às 7:30h e chega a Laguna Amarga, a entrada do parque, às 9:30h. Lá fizemos todo o procedimento necessário – preencher uma ficha, pagar a entrada, receber o mapa e assistir a um vídeo que nos explica o que é proibido e o valor das multas. Uma carrinha, também paga, levou-nos até mais próximo dos trilhos e lá começámos a subida para Torres.

O primeiro dia de caminhada foi duro, sempre a subir até aos 880 metros, feitos em cerca de 4 horas. Os trilhos, ao contrário de Ushuaia, estão bem marcados e há uma preocupação em os ir alterando para que o terreno recupere. Há imensa gente, de todo o mundo, a fazer o mesmo percurso, a subir ou já a descer. Vimos pessoas da Alemanha, França, EUA, Coreia do Sul, Brasil, África do Sul, Holanda, Japão, etc., mas mais uma vez não vimos portugueses. Chegando ao ponto intermédio de acampamento grátis da CONAF fizemos check-in e fomos montar a tenda, porque o tempo ameaçava chuva, e seguimos para o miradouro de Torres, já sem as mochilas, com a maior expetativa, porque íamos desde logo ver a imagem ícone do parque. E ir sem as mochilas fez toda a diferença. É um percurso a subir, de elevada inclinação, mas o esforço vale mesmo a pena. Não é um local onde se possa chegar, picar o ponto e ir embora. O clima é imprevisível, portanto deve-se esperar, aproveitar o momento, almoçar, ver como o céu muda, ora limpo ora cheio de nuvens a cobrir o topo da montanha. No nosso caso, apanhámos um céu carregado à chegada, com nuvens a obstruir as torres, que se transformaram em céu limpo, com o bónus de um arco íris. Ainda vimos as típicas personagens que tudo fazem para a foto perfeita. Aquecidos pela paisagem, a descida fez-se bem, jantámos e fomos dormir cedo. Como não somos propriamente especialistas em campismo, abdicamos de demasiadas coisas para poupar no peso que nos fizeram falta. Não tínhamos talheres, camping gás, tacho nem canecas, tudo coisas essenciais para cozinhar e que não existem nos parques de campismo gratuitos, também não alugámos colchões, o que endureceu o nosso sono.

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O segundo dia foi o mais intenso. Saímos do parque de campismo Torres em direção ao Italiano, um percurso de cerca de 10 horas, felizmente maioritariamente a descer. Seguimos pelo atalho, que dá uma vista fantástica sobre os lagos na base das montanhas. Passámos por praias fluviais e, apesar da temperatura, tanto do ar como da água, quase que nasce uma vontade de arriscar um mergulho, tão límpidas são as águas. Pelo caminho parámos no parque pago de Cuernos e conseguimos água quente, grátis, para “cozinhar” o almoço. Os noodles instantâneos que saboreámos como uma refeição estrela Michelin foi o nosso único “prato” quente durante os 4 dias. Oito horas depois de termos saído de Torres finalmente chegámos ao seguinte parque de campismo gratuito, o Italiano, e conhecemos um brasileiro que nos disse logo que este era o pior acampamento. Os “quartos de banho” são retretes, um buraco, e sujas, mas tinha filtro de água, um luxo desnecessário que abdicávamos em troca de um duche. Também descobrimos que a tenda tinha dois buracos, mas o nosso novo conhecido de pronto nos ofereceu uns remendos.

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No dia seguinte, o terceiro, subimos a partir do Italiano até aos miradouros Francês e Britânico. Este último dá uma visão panorâmica arrebatadora, mesmo no interior do parque, entre montanhas muito próximas, permitindo identificá-las através do mapa que nos dão à entrada, conseguindo ainda ver os lagos ao fundo, na base, encaixilhado num arco-íris.
Já não se consegue ir até ao miradouro inicial, tendo sido fechado por excesso de vento, ficando-nos cerca de 100 metros abaixo. É agradável ficar ali algum tempo a gozar a vista, a almoçar, a respirar o ar puro e cortante. No miradouro Francês também se pode esperar ter a sorte de ver uma pequena queda de gelo da montanha, sendo muito mais fácil ouvir do que ver, soando como um trovão. Apanhámos alguma chuva, frio e vento característico da Patagónia, o que até pode ser perigoso em algumas zonas mais íngremes. Os bastões aqui são mesmo quase essenciais. O circuito W não é de todo um percurso onde estarão sozinhos. Vão sempre encontrar pessoas nos miradouros à espera de ver o mesmo, mas terão alguns momentos durante as caminhadas de exclusividade e silêncio.

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No quarto e último dia tínhamos planeado terminar o W mas acabamos por desistir. Do Italiano até ao Paine Grande o percurso não é difícil e conseguimos ver muitos animais (raposas, lebres e diversas aves, como papagaios), mas a subida até ao Grey já é dura e longa, tendo optado por não continuar. O plano inicial era seguir até ao miradouro para ver o glaciar, mas o guarda do parque disse que a visão era de muito longe e como teríamos a oportunidade de ver o Perito Moreno, optámos por não seguir caminho e apanhar desde logo o catamarã, voltando a Puerto Natales para reservar o autocarro do dia seguinte para El Calafate e descansar.

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O catamarã é o maior roubo do parque. As dormidas em refúgios decentes são caras, a comida também, mas há sempre uma alternativa. Quanto ao percurso do lago de Paine Grande até Pudeto, onde se apanha o autocarro para Puerto Natales, é um roubo. São 30 USD ou 18.000 Pesos Chilenos, um câmbio completamente adulterado, para uma viagem de 30 minutos. A alternativa, fechada na época baixa, é uma caminhada de 18km. Fomos apanhados desprevenidos e não tínhamos dinheiro suficiente, acabando por forçar um desconto de 1.500 Pesos, cerca de 2,25€. Em Pudeto os autocarros já estavam à nossa espera e nós já tínhamos o bilhete comprado. É uma viagem mais longa no regresso porque pára na Laguna Amarga mais de uma hora à espera das pessoas que terminam o circuito desse lado. Chegámos a Puerto Natales a tempo de lanchar um belo hambúrguer, já sonhado há dias, e de devolver tudo o que tínhamos alugado.

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Despesas (Pesos Chilenos)
Aluguer tenda – 4.500/dia (15.000 com desconto)
Saco-cama – 3.000/dia/pessoa (18.000 com desconto)
Comida – 24.500
Entrada Parque – 21.000/pessoa (42.000)
Autocarro Puerto Natales a Laguna Amarga (i/v) – 14.000/pessoa (28.000)
Autocarro Laguna Amarga a Central – 3.000/pessoa (6.000)
Ferry Paine Grande a Pudeto – 18.000/pessoa (34.500 com desconto forçado)
TOTAL – 168.000 Pesos Chilenos (cerca de 250€ para duas pessoas para 3 noites e 4 dias, em alojamentos gratuitos)

Conversámos com pessoas que dormiram em refúgios e acabaram por gastar cerca de 60€/dia/pessoa, cozinhando. Quem não quer cozinhar acaba por gastar, em média, cerca de 110€/dia. Dados os preços, as pessoas acabam por preferir ir a El Chaltén fazer os trilhos da montanha Fitz Roy, onde não se pagam entradas nem campismo, sendo também menos frequentado. A logística que envolve a marcação dos refúgios em Torres del Paine acaba com a vontade de muitos mochileiros que não planeiam com antecipação.
Para quem não gosta de trekking, mas não quer perder a oportunidade, ou gosta de trekkings, mas não gosta de acampar, Torres del Paine está definitivamente organizado para lhes agradar, existindo carteira para isso.

 

365 dias no mundo estiveram 4 dias em Torres del Paine, de 19 a 22 de Março de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ 
Preços: caro
Categorias: trekking, caminhada, patagónia, natureza, vida selvagem, paisagem, glaciares, lagos, cascatas, reserva da biosfera
Essencial: Torres del Paine, Cuernos del Paine, Miradouro Britânico, Glaciar Grey
Estadia Recomendada: 5 dias

www.365diasnomundo.com

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Olá Karen

Os únicos locais que consegue ver sem acampar são os que ficam junto à entrada, como as Torres (última foto por exemplo) ou o Glaciar Grey que pode visitar de barco.

Se vir o mapa (http://www.parquetorresdelpaine.cl/es/mapa-oficial-1) vai encontrar os senderos bem identificados e o tempo previsto de percurso também. O nosso tempo a percorrer cada caminho bateu quase certo com o previsto.Veja no mapa os símbolos dos autocarros e dos barcos, todo o resto é feito a pé, à velocidade de cada um. A vantagem dos refúgios pagos é que tornam a distância entre pontos mais curta e permitem caminhar com menos bagagem porque não vai acampar. Entre os parques CONAF Torres e o Italiano foram mais de 8 horas a caminhar. 

A melhor forma de fazer o plano é abrir o mapa, abrir o site de cada uma das empresas que gere os refúgios e ir estipulando uma meta diária e marcando a dormida no refugio que quiser. A minha dica é que se tiver um plafond aceitável fique pelo menos uma das noites num quarto, para ter algum conforto.  

  • Gostei! 1

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19 horas atrás, Rafakohari disse:

@raquelmorgado qual câmera você utilizou para a captura das imagens? Estou pensando em comprar uma mais ainda não sei qual. ::mmm:

Nós temos uma nikon D5500. Nós gostamos desta mas já tem algum tempo. Existem modelos mais recentes. 

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    • Por fore
      Introdução
      Planejei uma viagem de carro saindo de São Paulo, capital, com destino ao Ushuaia, saindo do Brasil por Foz do Iguaçu, porém, para evitar a Ruta 14 com medo dos policiais corruptos, entraria no Brasil novamente em São Borja/RS para chegar em Uruguaiana/RS e assim descer até Gualeguaychu pelo Uruguai. Em seguida seguir para o lado oeste e descer a Ruta 40, entrar em Torres del Paine no Chile e continuar descendo até o Ushuaia.

      Na bagagem: barraca Quechua Arpenaz 4.1 Fresh & Black, duas cadeiras de praia, um fogareiro Nautika ceramik, uma mesa portátil, colchão inflável de casal, um saco de dormir, um cobertor, tapete em EVA (aqueles de montar) e manta térmica para forrar o chão da barraca. Além de utensílios de cozinha, um cooler, grelha para churrasco e uma caixa de mantimentos básicos como macarrão, miojo e alguns temperos.
      A barraca é grande, espaçosa e bem simples de montar (são apenas 3 varetas assim como qualquer outra). No quarto cabe o colchão de casal e sobra espaço para mais um de solteiro, como não era o caso, era usado para guardar as mochilas.
      O fogareiro acho que foi a melhor aquisição que fiz. Achei muito bom e a lata de gás durou por uns 3 dias com a gente. Fomos com 12 latas pra lá, porque eu não sabia o quanto rendia. Sobrou bastante e de qualquer forma, a gente encontrava facilmente em supermercados por lá.
      Fomos em 2 pessoas, com um Peugeot 208 1.5, suspensão esportiva (mais baixa que a original), rodas aro 17 com pneus 215/45 e insulfilm g20 em todo o carro, inclusive parabrisa. (Só mencionei isso pelo fato de ainda haver dúvidas quanto ao tipo de carro que consegue fazer esse tipo de viagem).
      Comprei o chip da EasySIM4U para conseguir sinal de internet no celular (somente dentro das cidades tinha sinal).
      O caminho todo me guiei pelo Google Maps, meu carro tem a central multimídia com Android, então bastava eu compartilhar a internet do celular e tudo certo (pelo menos quando tinha sinal).
      Para procurar hotéis usei o Booking.com (consegui pegar bons descontos com o Genius) e para campings usei o iOverlander. Apesar de ajudar muito, o iOverlander é um pouco desatualizado, infelizmente a colaboração não é tanta no aplicativo. Existem muitas outras opções de campings no caminho que a gente acaba encontrando só depois de ter dado entrada em algum.
      No total foram 14.730km em 28 dias de estrada, sem nenhum perrengue ou problemas maiores.
      Obs:
      - O tempo de viagem relatado é o total do tempo do momento em que saímos de um hotel/camping até chegarmos no próximo destino. Contando as paradas na estrada.
      - Os gastos coloquei na moeda local, pois fica mais fácil caso alguém precise consultar em outro momento para ter uma noção melhor de custos.
      - A viagem inteira abasteci com gasolina/nafta super.
      Se quiserem me acompanhar no instagram: @fore.jpg
    • Por Jasmine Rosa
      TORRES DEL PAINE 
      15 A 24 DE NOVEMBRO 2018

      Vou fazer meu relato sobre o Circuito O de Torres Del Paine, na Patagônia Chilena. Foram 9 dias de trilha, sendo 8 de caminhada. Um total de 97 km, porque não fiz algumas partes, como o Mirador Britânico ou a ascensão a Base das Torres em si, por dois motivos, que vou explicar mais pra frente no relato. 
      Eu não tinha nenhuma experiência com trilha, ou acampamento, ou viajar sozinha. Sempre fui sedentária, não sou de praticar esportes ou exercícios físicos.
      Então esse é um relato de uma pessoa que foi fazer o Circuito O, sem nenhuma experiência, com praticamente nenhum treino, só com a força de vontade. Se você sonha em fazer, mas tem medo ou não tem preparação, esse relato é pra você mesmo.
      DIA 1 
      HOSTEL – TORRES DEL PAINE
      GUARDERIA/CAMPAMENTO CENTRAL – CAMPAMENTO SERÓN
      Dificuldade: Média (considerada fácil para a maioria das pessoas) 
      Distância: 13 km
      Saí do Hostel em que eu estava às 6h40 da manhã, com muita pressa e quase correndo, porque teria que andar 500m de pura subida (até com escadas na calçada), com minha mochila de 12.720kg e o ônibus saía da Rodoviária às 7h! Cheguei até com tempo de sobra, acho que acabei me desesperando tanto que fui mais rápido do que precisava, peguei o ônibus. Paguei 15.000 pesos chilenos, passagem de ida e volta, eu comprei as passagem dois dias antes, assim que cheguei em Puerto Natales, justamente porque sabia que o tempo seria curto, porém comprei pela Bus Sur que tem horário fixo de volta, ou seja, se eu comprei para o ônibus das 13h, não posso embarcar no ônibus das 19h e mais tarde acabei descobrindo que outras companhias dão a possibilidade de embarcar em qualquer ônibus desde que seja no mesmo dia da passagem compra, o que é uma idéia melhor, visto que imprevistos podem (E VÃO) acontecer. 
      Embarcada no ônibus, a caminho de Torres Del Paine, a ansiedade estava a mil, no pensamento só o medo de não conseguir completar o circuito. A paisagem é maravilhosa, muito linda, com montanhas e pastos verdes, com ovelhas e guanacos que são tão fofos quanto parecem ser pelas fotos. 
      Chegando ao Parque desci na portaria que ia começar a trilha, a Laguna Amarga. Eu já tinha compro o ingresso do Parque online, então fiquei em uma fila para fazer meu registro, apresentar o ingresso e meu documento, e pegar minha autorização e mapa para entrar. 
      Com essa autorização, pude pegar um transfer que paguei 3.000 pesos até a entrada da trilha (é possível já ir andando desde a portaria laguna amarga, muita gente faz isso, mas eu queria evitar a fadiga) onde tem uma recepção. Tive que mostrar as reservas de acampamentos, e preencher uma ficha com alguns dados, incluindo numero de contato de emergência, só assim pude começar na trilha. Uma informação útil: é possível se conectar ao wifi nessa recepção, desde que você tenha uma conta PayPal ou cartão de crédito, você paga por hora ou minuto. 
      Depois de todo esse processo, as 10h30min comecei oficialmente a trilha. 
      Nos primeiros 15 minutos caminhando, já tinha uma subida (que eu considerei terrível), não deu tempo nem de esquentar o corpo e essa subida logo de cara. Comecei a subir pensando “o que eu to fazendo? Eu deveria voltar antes que seja tarde demais! Eu não vou conseguir, isso é loucura” com esses pensamentos negativos já vem as lagrimas, dois anos de planejamento, 2 anos sonhando com isso e eu já pensando em desistir antes do primeiro quilometro. Mas continuei andando, um passo na frente do outro, sempre pensando “mais um passo, só mais um passo” e parando a cada 10 minutos. Chegou a um ponto, que a subida não acabava eu parei e pensei “chega, vou voltar”, mas então olhei para trás, e p*ta merda, já tinha andando demais. Então eu continuei, o caminho é bonito, não é lindo de tirar seu fôlego, mas é bonito, tem muitas arvores, tem SIM um sobe e desce sem fim, e o dia estava meio chuvoso como era de se esperar para essa época do ano.
      Andei pra caramba, e quando eu pensava “to chegando” via uma placa de localização, falando que estava na metade, eu queria morrer quando isso acontecia. Então andei e andei, passei por uns vales, por subidas e descidas, todo mundo da trilha passou por mim, passei por algumas pessoas também, que passaram por mim novamente. Tem muitos rios pelo caminho, então não precisa se preocupar com carregar peso de água. Por fim, fica plaino e você começa a caminhar em um bosque, cheio de arvores e um caminho que parece acessível de carro. AH! Também vi cavalos selvagens nesse dia, eles ficam andando no caminho, tranquilamente, como se as pessoas sequer estivessem ali, simplesmente maravilhoso. 
      Depois de andar muito, com nada maravilhosamente especial no dia (a não ser os cavalos, e o vento patagônico que te desafia), cheguei ao acampamento, as 16h30m. Gastei  6 horas para caminhar o que no mapa e na maioria dos relatos que li, são 4 horas. Mas cheguei, que alivio. O psicológico pesa muito, depois de montar minha barraca, entrei e chorei. Me senti isolada, sem saída, pensava “para eu ir embora e desistir, tenho que andar isso tudo de novo, o que eu vou fazer?” seguindo em frente, no segundo dia seriam 18km, se eu sofri pra 13, imagina pra 18! 
      No Serón, tem banho quente, o que pulei porque estava exausta até pra isso (risos), tem um lugar para cozinhar, e não é permitido cozinhar fora dos lugares indicados. A salvação pro psicológico é encontrar pessoas para conversar quando se está no acampamento. E nesse quesito tive sorte, encontrei um grupo de brasileiros maravilhosos, que me incentivaram, e me deram uma força gigantesca psicologicamente, falando “relaxa, você vai conseguir, é só ir com calma”. Aquilo foi ouro de se ouvir, fiquei mais tranqüila e fui dormir, porque estava extremamente cansada e o dia seguinte seria longo, literalmente, já que na patagônia nessa época amanhece as 05h30min e escurece depois das 22h!
      Informação útil: no acampamento Serón também tem internet wifi, mesmo esquema do da recepção, pago por hora ou minutos; você faz check in, e eles meio que sabem que você vai passar lá, isso da uma sensação de segurança maravilhosa e segue por todo o percurso; eu montei minha barraca perto de uma lixeira, no outro dia vi que tinha um ratinho lá, por sorte ele não tentou invadir minha casa rsrs mas vale a atenção; a vista do Séron já é maravilhosa e SÓ FICA MELHOR A CADA DIA, SÉRIO! 
      Vou continuar os relatos dos outros dias nos comentários. Pode demorar um tempo. Esse é meu primeiro relato, então não deve ser muito maravilhoso, mas eu quero mesmo é ajudar com informações que eu não encontrei quando estava me planejando. Qualquer dúvida que tiverem, informações que precisarem, sintam-se a vontade para me perguntar, será um prazer ajudar com o que eu puder. 



    • Por matheusinacioca
      E aí, tudo bem
      Estou terminando de organizar minha viagem e preciso de algumas dicas...
      Meu voo de ida chega em Buenos Aires dia 19.01.19 (onde já tenho reservado no HOSTAL MILLHOUSE AVENUE até dia 22.01.19) e meu voo de volta sai de Ushuaia dia 23.02.19; concluindo assim 36 dias de roteiro.
      Meu segundo destino depois de BNA é Bariloche (vou de ônibus, empresa: VIA BARILOCHE). A partir de Bariloche a ideia é ir para el Bolsón, el Calafate-el Chaltén, Puerto Natales (parque Torres del Paine), e por fim, Ushuaia. Pretendo fazer todos esses trajetos de bus... 
       
      Minhas duvidas são em relação da quantidade de dias que reservo para cada cidade... Pensei da seguinte maneira:
       
      BUENOS AIRES: 3-5 dias
      BARILOCHE: 4 dias (até pensei em ficar mais, mas devido ao preço da cidade não sei se convêm)
      EL BOLSON: 4 dias
      EL CALAFATE: 3 dias
      EL CHALTEN: 5 dias
      PUERTO NATALES (P.TOR.PAINE): 6 dias
      USHUAIA: 5-7 dias.
       
      *Outras duvidas:
      1.devo agregar no trajeto: Villa la Angostura??... vi que tem bastante coisa legal por lá.
      2. de el Calafate vou para Puerto Natales, onde o objetivo é fazer o Parque Torres del Paine, acho que vou acabar optando pelo W, alguém tem alguma dica sobre??
      3. posterior ao Parque Torres del Paine, tenho que voltar para el Calafate pra descer até Ushuaia, trajeto que pretendo fazer de ônibus, vi que tenho que ir primeiro para Rio Gallegos... seria interessante reservar 1-2 dias para conhecer está cidade? ou melhor sigo direto para Ushuaia?
      4. en el Calafate, no glaciar Perito Moreno... minitrekking vs. big ice... já li tanto sobre isso que ainda não consegui decidir... alguém que fez, tendo em conta os valores, vale a pena o Big Ice?
      5. el Chaltén, pode fazer camping no Fitz Roy??
      6. Estendo para 5 dias em Buenos Aires antes de descer para Bariloche, ou 3 já está de bom tamanho?? quero conhecer Tigre tb...
       
      Desde já muito obrigado galera
    • Por matheusinacioca
      E aí, tudo bem
      Estou terminando de organizar minha viagem e preciso de algumas dicas...
      Meu voo de ida chega em Buenos Aires dia 19.01.19 (onde já tenho reservado no HOSTAL MILLHOUSE AVENUE até dia 22.01.19) e meu voo de volta sai de Ushuaia dia 23.02.19; concluindo assim 36 dias de roteiro.
      Meu segundo destino depois de BNA é Bariloche (vou de ônibus, empresa: VIA BARILOCHE). A partir de Bariloche a ideia é ir para el Bolsón, el Calafate-el Chaltén, Puerto Natales (parque Torres del Paine), e por fim, Ushuaia. Pretendo fazer todos esses trajetos de bus... 
       
      Minhas duvidas são em relação da quantidade de dias que reservo para cada cidade... Pensei da seguinte maneira:
       
      BUENOS AIRES: 3-5 dias
      BARILOCHE: 4 dias (até pensei em ficar mais, mas devido ao preço da cidade não sei se convêm)
      EL BOLSON: 4 dias
      EL CALAFATE: 3 dias
      EL CHALTEN: 5 dias
      PUERTO NATALES (P.TOR.PAINE): 6 dias
      USHUAIA: 5-7 dias.
       
      *Outras duvidas:
      1.devo agregar no trajeto: Villa la Angostura??... vi que tem bastante coisa legal por lá.
      2. de el Calafate vou para Puerto Natales, onde o objetivo é fazer o Parque Torres del Paine, acho que vou acabar optando pelo W, alguém tem alguma dica sobre??
      3. posterior ao Parque Torres del Paine, tenho que voltar para el Calafate pra descer até Ushuaia, trajeto que pretendo fazer de ônibus, vi que tenho que ir primeiro para Rio Gallegos... seria interessante reservar 1-2 dias para conhecer está cidade? ou melhor sigo direto para Ushuaia?
      4. en el Calafate, no glaciar Perito Moreno... minitrekking vs. big ice... já li tanto sobre isso que ainda não consegui decidir... alguém que fez, tendo em conta os valores, vale a pena o Big Ice?
      5. el Chaltén, pode fazer camping no Fitz Roy??
      6. Estendo para 5 dias em Buenos Aires antes de descer para Bariloche, ou 3 já está de bom tamanho?? quero conhecer Tigre tb...
       
      Desde já muito obrigado galera
    • Por Ana Carla de Sousa
      Amigos mochileiros, olá!
      Viajo neste fim de semana e aceito todas as sugestões de bons HOSTELS e AGÊNCIAS DE TURISMO em El Calafate, Ushuaia e El Chalten.
       
      Queria saber se alguém já partiu de algum desses três locais para PUERTO MADRYN e como foi o trajeto, eu gostaria muito de tentar, mas não faço ideia de por onde começar...
      Se alguém tiver feito o passeio "bate volta" para TORRES DEL PAINE, que sai de El Calafate, por favor, compartilhe a experiência!!!
      Valeu.. 😊


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