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30 dias de muita caminhada e paisagens pela Bolívia e Peru 2017 - Com gastos e infos


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  • Colaboradores

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Com o atraso de quase um ano, estou deixando aqui meu relato dessa viagem que fiz em Julho de 2017 para Bolívia e Peru. Na época Lula tava solto e tinha acabado de ser condenado, brasileiros ainda não tinham feito Piedras Rojas ser fechado pra visitação, Game of Thrones S07 tava estreando na HBO (assisti na viagem inclusive) e Despacito tava bombando no mundo todo. Desculpe quaisquer erros gramaticais ou de concordância desde já, e se esquecer algo que você quer saber, pode perguntar aí embaixo.^_^

 

PREPARATIVOS PRÉ-VIAGEM

Os integrantes da viagem são eu e minha namorada. Planejamos a algum tempo nos mudar pra Irlanda, economizando nosso dinheiro para ir, portanto nas alturas de Fevereiro/17,  ela vivia triste por que não íamos ver Machu Picchu antes de ir, que era um sonho antigo de nós dois, e provavelmente se desse certo na Irlanda, só conseguiríamos visitar essa maravilha do mundo moderno depois de uns 4 ou 5 anos, de acordo com nossos planos.

Então em um final de semana desse fevereiro, a família dela ligou dizendo pra eu verificar uma passagem pra Cuiabá, onde parentes dela moram, para eles irem visitar. Ligaram pra mim porque sou uma espécie de agente de viagens independente e comunitário, sempre verificando pra parentada passagens. Não sei se outros mochileiros também tem essa funções voluntárias, podia tirar uma grana boa com isso. Ao verificar vi que realmente estava com uma promoção boa, a passagem estava muito barata. Achar algo de Macapá pra qualquer parte do Brasil com bom preço é muito difícil, muitas vezes tem que ter sorte, como foi esse caso. Então enquanto pesquisava pra eles as datas, me bateu um estalo de um relato antigo que tinha lido aqui uma vez, que falava de ir pra Bolívia por Cáceres, cidade próxima a Cuiabá. Na mesma hora a cabeça de viajante começa a ficar a mil, comecei a maquinar o percurso na cabeça, pensar se valia a pena, fazer cálculos, etc. Fiquei como a Nazaré. 

nazare meme

Bolando roteiro e calculando gastos de um mochilão ainda imaginário

 

Após verificar tudo mentalmente, fui ver a volta. Tinha na conta Multiplus uns 15 mil pontos, que sobraram de outra viagem, e 15 mil na conta de minha mãe, que tinha transferido do cartão de crédito, que é de meu uso. Então como quem não quer nada, fui pesquisar quanto estava custando passagens de Lima para Macapá, somente a volta. Pan, 14.000 pontos cada! Com essa nova informação a cabeça ficou a mil, compartilhei com a namorada a descoberta. A gente tinha que decidir rápido, por que a qualquer momento podia mudar a pontuação ou o preço da passagem.

Por fim, por causa da passagem muito em conta, e o sonho de ver Machu Picchu, resolvemos "embarcar" nessa!! :-D  Uhul, em um espaço de tempo de 2 horas, fomos de conformados a não visitar Machu Picchu, a ter Julho praticamente todo e alguns dias de agosto lá pras bandas dele. Euforia da viagem tomou conta, e passei a planejar furiosamente o roteiro e preparativos. Como tiramos a passagem com muita antecedência, tempo para se programar não faltou. Juntamos uma graninha, compramos algumas coisas que precisavam, outras já tínhamos do Mochilão feito para o Chile em 2016 (que também ainda não fiz relato, futuramente quem sabe). Abaixo terá a relação do que levamos em detalhes.

Tudo pronto, fizemos o seguro viagem com a Real Seguros, que era a mais em conta, e já adianto que não precisamos utilizar os seus serviços, mas isso é uma coisa boa, melhor passar a viagem sem perrengues de saúde, pois como bem já dizia Paulo Cintura “Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa”. Agora vou falar de outra parada importante pra você se organizar pré-viagem. Como garantir que você não vai perder suas fotos tão queridas que você vai usar pra ter uma ideia do visual que viu ao vivo futuramente. Parece clichê falar mas as fotos não passam nem 50% da sensação que você tem ao presenciar tudo pessoalmente, todo o seu campo de visão preenchido por aquelas paisagens, a proximidade que você sente de montanhas e quedas d’água que nas fotos parecem estar muito distantes. Por isso, você tem que garantir que você terá as fotos para avivar sua memória, e também, para os que curtem as redes sociais de fotografia, compartilhar com quem quiser suas aventuras e conseguir aqueles likes. Para lhes safar dessa, o que eu  digo é o seguinte: Tenha mais de um Backup. O sistema que eu uso até agora nunca perdi uma foto de viagens, dá um trabalho mas vale a pena.:)

Ele consiste no seguinte: Ao final do dia, quando você voltar para o hostel faça o Ritual do Backup. Minha câmera tem Wifi, então eu passava as fotos que bati no dia pro Smartphone, e nele eu tinha o App Google Fotos instalado (tem pra iOS e Android). Com ele você consegue fazer o backup de fotos e vídeos ilimitadamente (mantendo a qualidade original das fotos) para a Nuvem. Então eu botava o celular pra fazer o backup no wifi durante toda a noite, enquanto recarregava-o. Além disso, sempre que o Hostel tinha Computadores para uso dos hóspedes, ou tava com um tempo livre e via uma lan house, eu pegava os cartões de memória e passava todas as fotos batidas pro HD externo, que ficava sempre comigo na mochila de ataque. Pode fazer isso que é garantido não perder nada! Durante nossa viagem achamos no chão uma bolsa contendo vários cartões de memória e acessórios de um casal alemão, que entregamos após gritar perguntando de quem era. Eles nos agradeceram bastante, porque disseram que não tinham backup e se perdessem teriam perdido as fotos de toda a viagem praticamente, que já estava no final. Não corra esse risco, sempre tenha o backup seguro.

Desde já também já me desculpo por não ser mestre em fotografia como alguns que já vi por aqui, caras muito bons mesmo que manjam demais e nos entregam muitas pinturas para nosso deleite. Eu não tenho tanta noção assim de coisas básicas, mas tento fazer o máximo com o que sei, acho que deu pra fazer umas boas fotos na viagem. Julguem.

 

INFORMAÇÕES IMPORTANTES

LEVAMOS:

R$3.500 cada, mais 150 dólares por via das dúvidas, com cartões de crédito para emergências (que não foram muito utilizados, só para pagar um ou outro hostel que não cobrava a mais ou até dava desconto).

Deu de boa, usando o TrabeePocket pra calcular os gastos é difícil ficar apertado. Você vai saber quando o dinheiro tiver acabando, aí só pensar no que ainda vai querer fazer, calcular a comida, etc, que você não vai passar fome nem ficar sem camisinha pra uma eventualidade (mas se for fazer trilha, favor levar a uma boa quantidade, pra não ter que ficar pedindo nas outras barracas no meio da noite) e acabar gerando um mochileirinho não-planejado.

 

CÂMERAS UTILIZADAS:

- Semi-profissional Canon Powershot SX530HS. É boa por que a lente é angular, e tem um zoom bomzinho. Pelo preço, foi um bom negócio.

- Gopro 3

- Motorola G4

- OnePlus 3T

Para edição das fotos, não manjo muito desses aplicativos complicados, então somente fiz ajustes no Snapseed mesmo, nada mais.

 

O QUE LEVEI:

  • Em mim:

Doleira durante toda a viagem, que não tirava pra nada (até tomava banho com ela.. brinks) contendo:

- Dinheiro

- Cartões

- Passaporte

Uma doleira é INDISPENSÁVEL no Mochilão. Todo mundo fala isso mas não custa repetir.

 

  • Na Mochila de Ataque (uma caselogic de notebook veinha que tinha aqui):

- Câmeras mencionadas acima, menos o Moto G4

- Acessórios diversos para as câmeras, como Tripé, bastão, etc

1 - HD externo para Backup das fotos sempre que possível

2 - Cartões de Memória

1 - Lanterna led (recomendo as pra cabeça, lhe deixa com as mãos livres) e baterias

1 - Fone de ouvidos

1 – Tapa-olhos (Para dormir sem incômodos)

1 - Tapa ouvidos (Mesmo motivo acima, pode ser usado fones de ouvidos intra auriculares também)

2 – Óculos de sol (favor levar um com uma lente de qualidade, especialmente pro Salar, pois seu uso é praticamente obrigatórios pois as corneas queimam por algum fator que eu esqueci agora, reflexo da luz solar no chão se não me engano)

1 – Par de Luvas

1 – Toalha Quechua Ultra Absorvente

1 - Kit Viagem com Shampoo e Condicionador 250ml

1 - Bepantol

1 – Desodorante Rolon

1 - Escova de dentes e pasta

1 – perfume em uma embalagem de viagem 50ml

1 – Protetor Solar (No mínimo uns 30fps, na altitude o sol dói mais na pele, pondo da maneira mais simples possível)

1 – Repelente loção (Spray talvez barrem)

1 – Rolo de papel filme

1 – Pacote de lenços umedecidos

1 – Pente

1 – Pasta com papéis como: mapas Salkantay, Passagens compradas antecipadamente de volta e Santa Cruz-Sucre e Seguro Saúde

1 – Powerbank 10000mHa (muito importante, principalmente nos dias sem energia que passei no Salar de Uyuni e na Trilha Salkantay)

2 – Cadeados (Para deixar suas coisas seguras nos lockers de Hostels)

1 – Carteira com pouca coisa, pra enganar besta em caso de um roubo, ou furto etc.

1 – Carregadores de todos os eletrônicos

1 – Extensão/filtro de linha e adaptadores de tomadas (As vezes você terá somente ou duas tomadas para utilizar e vários apetrechos para carregar, então leve no mínimo um Benjamin)

3 – Cartelas de Clorin para usar nas trilhas, porém já adianto que não foi preciso, sempre havia água disponível, mas nunca é demais previnir

1 – Bolsa com uma grande variedades de remédios: Estomazil, Ibuprofeno, Imosec, Multigrip, Aspirina, Buscopan Composto, Clarimir, Diamox, Tylenol, Esparadrapo, Gaze, Algodão, Oftalbiotica, Plasil, Tesourinha, Serra de unha.

Foi bastante pesada, depois de um tempo deixei o shampoo e condicionador no mochilão, além de alguns acessórios de câmera que sabia que não ia precisar e a extensão e adaptadores de tomadas. Mas não tava nada absurdo, deu pra levar ou eu me acostumei depois de um tempo.

 

  • No Mochilão (Uma Quechua de 40L que comprei na Decathlon):

8 - Camisas/Camisetas

1 – Calça Jeans (fui vestido)

1 – Calça Moleton

1 – Calça de trilha Forclaz Quechua modulável

2 – Bermudas

1 – Blusa Fleece

1 – Calça Fleece

1 – Blusa Moleton

1 – Corta vento

1 – Blusa Segunda Pele

1 – Calça Segunda Pele

1 – Tênis

1 – Sandália

1 – Bota Impermeável Timberland Flume Mid

As roupas em camada são essenciais para o frio que faz, comprem tudo na decathlon que sim, é a mais em conta que tem em 95% das vezes. Eu não recomendo a bota da Timberland, apesar de se dizer impermeável, ela molhou na viagem, meus pés ficarem ensopados. Quando voltei entrei em contato com a Garantia (mesmo fora do período) e pedi meu dinheiro de volta. Depois de uma ameaça de Procon eles devolveram meu dinheiro. Não acho que esqueci algo muito importante, tudo me serviu muito bem na viagem. Planejamento é tudo, pensem bem no que vocês podem precisar, se informem nos diversos relatos que tem aqui para basear o seu.

Abaixo uma foto da arrumação (ainda não saiu tudo aí, faltou coisa):

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Era véspera de viagem, não reparem a bagunça!

 

Tudo pronto, planejado e organizado (viagem sem planejamento é privilégio de quem tem dinheiro, se você é liso como eu e quer aproveitar, faça-o), embarcamos para Cuiabá, onde não começa o relato (já que vou focar só na Bolívia e Peru) e termina o pré-viagem que falei até agora. Segue o roteiro padrão que seguimos, bem simples, lembrando que ele foi bastante personalizado, devido as situações pouco comuns de entrada e saída que tínhamos e também as prioridades de visitações. Foi tudo escolhido a dedo, então não sei se ele como um todo pode servir para pessoas que não moram no Mato Grosso, mas partes com certeza podem se encaixar com o seu. O importante é não engessar o seu ao que outras pessoas fizeram, e procurar fazer o que você acha que vai dar mais certo.

 

ROTEIRO

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05/07/2017    Macapá > Cuiabá
06/07/2017    Cuiabá
07/07/2017    Cuiabá
08/07/2017    Cuiabá
09/07/2017    Cuiabá > Cáceres
10/07/2017    Cáceres > San Matías > Santa Cruz
11/07/2017    Santa Cruz > Sucre > Uyuni
12/07/2017    Uyuni
13/07/2017    Uyuni
14/07/2017    Uyuni > La Paz
15/07/2017    La Paz
16/07/2017    La Paz
17/07/2017    La Paz
18/07/2017    La Paz
19/07/2017    La Paz > Copacabana
20/07/2017    Copacabana >Puno > Cusco
21/07/2017    Cusco
22/07/2017    Cusco
23/07/2017    Cusco
24/07/2017    Cusco
25/07/2017    Cusco
26/07/2017    Cusco
27/07/2017    Cusco
28/07/2017    Cusco > Machu Picchu Pueblo
29/07/2017    Machu Picchu
30/07/2017    Machu Picchu > Cusco
31/07/2017    Cusco > Huacachina
01/08/2017    Huacachina
02/08/2017    Huacachina
03/08/2017    Huacachina > Lima > Huaraz
04/08/2017    Huaraz
05/08/2017    Huaraz
06/08/2017    Huaraz
07/08/2017    Huaraz > Lima
08/08/2017    Lima
09/08/2017    Lima > Macapá

 

 

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Partiu terra dos Jajajas que tanto me fazem estresse nos jogos online!

 

RELATO

 

05/07/2017–08/07/2017 Cuiabá

Nesses dias ficamos mais com a família e fizemos passeios pela cidade. Então, para manter o foco do relato a Bolívia e ao Peru, vou passar pra quando fomos pra Bolívia. Fiquem abaixo somente com uma foto que tiramos na Chapada dos Guimarães:

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Meme look at all the fucks I give.jpg

 

09/07/2017-11/07/2017 – Ida para Uyuni

Começamos nossa peregrinação onibulesca para Uyuni indo para Cáceres, de onde dia 10 pegaríamos um ônibus que nos levaria até San Matías, para que pudéssemos comprar nossa passagem para Santa Cruz de la Sierra. Já tínhamos a passagem de Santa Cruz para Sucre, e de Sucre iríamos pegar um ônibus para Uyuni. Pra quem quiser pegar esse caminho para entrar no Bolívia, você deve chegar em Cáceres (Vans da Meira Tur lhe pegam onde você estiver em Cuiabá, e lhe deixam em Cáceres), se dirigir a PF que tem lá, para informar sua saída do Brasil, eles lhe darão um carimbo e um papel para você entregar no retorno, então se dirija a Rodoviária e compre sua passagem para Corixá, onde fica a divisa com a Bolívia, fizemos como nos foi recomendado, chegando lá você verá vários taxistas só esperando sua ilustre presença, para lhe levar por uma estradinha de terra até San Matías, onde você deverá ir até a imigração e também fazer câmbio para pagar a passagem de ônibus.

Troque somente o essencial, pois a cotação não vai estar muito boa. Não esqueça do principal na viagem: a arte de pechinchar. É assim que você se identifica como brasileiro nas viagens, porque os gringão dasoropa só perguntam o preço e pagam. Não faça isso, sempre há margem para um desconto sulamericano. Nós fazíamos uma estratégia good cop / bad cop, onde minha namorada ia na frente, perguntar o preço, e depois me dizia, e eu fazia aquela cara de quem diz que tá caro, e perguntava se não dava pra dar uma baixada. Quase sempre dava certo, então tenha isso em mente em todas as transações comerciais que fizer.

Não vou me prender tanto na questão do câmbio, até por que as cotações já não estão as mesmas de quando fui. Para efeitos de conhecimento, levei 150 dólares e o resto todo em reais, pois na minha opinião perder 2 vezes ao trocar para dólar e depois a moeda local não valia tanto a pena na Bolívia. Já no Peru sim, então recomendo levar dólares para lá (se bem quem tá em crise lá agora, se pá deve tá bom reais também). Há várias postagens com dicas para câmbio, então não posso lhes ensinar mais que eles. No final da postagem vou deixar o que gastei nos dias que estou relatando, e desde já deixo a recomendação de um excelente aplicativo para você calcular seus gastos na viagem sem ter que ficar contando os borós onde chegar. É o TrabeePocket, nele você cria uma viagem com um período de tempo, e vai inserindo quanto tem, quanto trocar e tudo que gastar. Pra lançar na moeda local os gastos, você tem que comprar o premium do App, se não me engano são uns 8 reais somente. Vale muito a pena, pois inclusive é de onde agora, quase um ano depois, estou tirando os valores de tudo que gastei. Após você pode exportar seus gastos em forma de planilha, para consultar. Foi uma mão na roda. Com o andar da carruagem também vou falando outros apps que auxiliaram bastante na viagem. Infelizmente eu esqueci de botar no TrabeePocket os câmbios que fiz, então esse é outro motivo pelo qual não vou detalhá-los aqui.:|

Retornando ao relato, chegamos na rodoviária, com pesos bolivianos trocados e o passaporte de entrada na Bolívia carimbado, eles também lhe dão documentos para guardar e devolver na saída do país, então baste cuidado com tudo isso, deixe sempre na doleira, ou em um compartimento seguro da mochila de ataque. San Matías é uma cidadezinha com estrada de chão, então tem muita poeira por lá, e o SOL também não dava muito sossego. Não é interessante, é bastante feinha, porém sem ela não chegaríamos a nossos objetivos de viagem, então não vou difamar a coitada. Compramos duas passagens para Santa Cruz, dois Salgadinhos, e ficamos lá, esperando nosso ônibus.

Estava pensando aqui, e é engraçado que nos grandes centros turísticos de nossas viagens, é comum encontrar outras pessoas como nós, com mochila nas costas, talvez um bronzeado, aquela pinta mochileira. Já no começo da viagem, somos só nós, nos dirigindo aos lugares onde nos reunimos com os demais de nossa tribo. Isso é algo que sempre percebi e achei legal. Em San Matías nossa companhia nos ônibus eram trabalhadores rurais, vendedores de coca, e família Bolivianas, só nós dois e talvez mais um casal de turistas. Não é uma rota muito comum para entrar na Bolívia, nem muito confortável ou agradável, mas era o que tinha pra gente, então foi o jeito. Os perrengues fazem parte da rotina mochileira, e eu principalmente estava utilizando essa viagem também como uma espécie de prova de fogo que vamos conseguir nos manter na Irlanda. Eu pensava que se conseguíssemos passar aquele mês em 2 países novos, com todos os perrengues e cuidados inerentes ao mochilão, a Irlanda ia ser fichinha. Daqui pro final do relato vocês vão saber se a missão foi cumprida ou não.

Bom acho, que por agora é só, no próximo capítulo vou narrar nossa chegada em Santa Cruz até Uyuni, e talvez o começo do Salar. Até lá!

 

GASTOS DO DIA (lembrando que somos 2, então vou dividir o que gastamos e colocar o valor individual):

09/07

Suco E Laka Oreo – R$5

Passagens Cuiabá-Cáceres – R$66

Hotel Cáceres – R$35

10/07

Táxi para PF ida e volta – R$15

Passagem Van Corixá – R$25

Taxi para a imigração, câmbio e rodoviária de Santa Matías – R$20

 

 

 

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    • Por Paulonishi
      Episódio 1: A Preparação
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      Quer saber como foi essa jornada inesquecível e acompanhar todos os detalhes?
      Eu sou @Paulonishi e esta é a história de uma aventura inesquecível: a primeira viagem ao Peru! 
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      E se puder ajudar, deixe o seu comentário ou perguntas sobre o assunto....
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      Fiquei por dias fazendo a simulação de passagens saindo de Florianópolis com destino ao Peru, mas a quantidade de milha era muito alta. Até dava pra trocar, mas resolvi esperar um pouco mais... Aí, numa das noites seguintes, consegui encaixar um intervalo de 18 dias, entre a saída do Brasil e o retorno. Chegaria em Lima no mesmo dia da partida, no dia 7 de outubro e estaria de volta em Florianópolis no dia 24 de outubro. Dias para aproveitar mesmo seriam 14. O resto perderia nos voos e conexões. 
      Agora sim, consegui as passagens aéreas eliminando o maior custo da viagem, praticamente de graça, e mesmo assim sobraram muitas milhas, que usaria pra viajar no ano seguinte.
      Com as datas já definidas, era só trabalhar no roteiro e no planejamento completo da viagem!
      A maior motivação em ir pro Peru sempre foi a de conhecer Machu Picchu... mas como sempre costumo fazer, não iria só pra conhecer esse lugar.  Procurei aproveitar a oportunidade pra otimizar a viagem e conhecer a melhores atrações no caminho entre Lima e Cusco, que percorrendo o caminho de ônibus. 
      A base de todo o roteiro foi o Google Maps. Consultava o mapa, via as atrações em potencial e ia marcando como favoritas… aí, partia pra pesquisar na internet, principalmente no site Mochileiros.com e no youtube, pegando as dicas do lugar: tipo se era realmente bom, o que tinha pra se ver e fazer, como chegar, os custos de ingressos e transportes… 
      E os valores que eu ia levantando já anotava na minha planilha de gastos.
      Assim, fui completando o roteiro e buscando agora os horários dos ônibus pra ver se dava pra conciliar o deslocamento e também as possíveis hospedagens. Resolvi escolher a empresa Cruz del Sur, pelas recomendações de outros viajantes no Mochileiros e também por ter linhas para todos os destinos do meu roteiro. 
      Apesar de ser mais cara, resolvi optar pela segurança. O site dela é bem completo e consegui excelentes descontos em promoções com compra antecipada. Assim, já comprei as passagens de ônibus no cartão ainda no Brasil e mesmo que pagando o IOF de 6,28% e a conversão do dólar, a economia foi de mais de 50% no valor normal… Porém, não permitia a troca e nem o reembolso da passagem em caso de necessidade… Mas é o custo da oportunidade!
       
      Depois disso, com os lugares mapeados e as passagens de ônibus compradas, me concentrei nas hospedagens, fazendo buscas entre o booking e o airbnb. Novamente, a busca foi baseada no Google Maps, levando em conta a localização do hostel, a distância da rodoviária pra evitar pagar táxi, se tinha café da manhã, avaliações positivas e é claro, o preço.  Outra coisa bem legal pra se olhar é se tem cozinha compartilhada, pra poder fazer uma comida à noite e economizar um pouco mais. Visto tudo isso, já fui fazendo as reservas, mas sem ter que pagar nada antecipadamente… Só quando chegasse pagaria em dinheiro… Lá não aceitavam cartões ou cobravam uma taxa muito alta e não compensava.
      Tirando as passagens de ônibus, a única coisa que comprei antecipado foi o acesso à Machu Picchu, porque tem um limite diário de visitantes. Esse detalhe é essencial e deve ser muito bem observado! Por isso ter certinho a data de ir é tão importante, principalmente agora que também ter que escolher se vai ser no período da manhã ou da tarde! 
      Para não correr nenhum risco, fiz a compra para garantir que no dia 21 de outubro pudesse conhecer o local… Melhor do que contar com a sorte! Imagina só chegar lá em Machu Picchu e não poder entrar por estar lotado… Parece incrível, mas eu vi acontecer lá… O custo do ingresso foi de 133 nuevos soles, aproximadamente 39 dólares.
      Como viajar MAIS gastando POUCO!
      O roteiro ficou o seguinte:
      07/10 - Florianópolis x Guarulhos x Lima .
      08 a 10 - Lima
      11/10 - Lima x Ica
      12/10 - passeios em Paracas
      13/10 - Viagem a Nasca e sobrevoo
      14/10 - Arequipa
      15/10 - Vale do Colca
      16/10 - Arequipa x Cusco
      17/10 - Cusco
      18/10 - Trilha Salkantay
      21/10 - Machu Picchu
      22/10 - Cusco x Lima
      23/10 -Lima x Guarulhos
      24/10 - Guarulhos x Florianópolis
      O maior desafio da viagem seria a trilha Salkantay, uma trilha inca em grande altitude, chegando a mais de 4200 metros, percorrida por entre as montanhas mais sagradas da região de Cusco e com o final em Machu Picchu, com o diferencial que não precisa de guia e nenhuma taxa pra pagar. A previsão mais otimista de terminar a trilha era de 3 dias, segundo os relatos que encontrei.


      Assim, durante essa viagem, enfrentaria vários climas e uma grande variação de altitude, aumentando de intensidade bem na parte final da viagem.
      Para tudo isso, resolvi comprar uma boa mochila de 60 litros da Trilhas e Rumos… Achei um bom tamanho pra levar tudo e também era bem resistente e com várias regulagens nas alças pra deixar bem confortável mesmo quando cheia.
      Tive que comprar também roupas adequadas ao calor e ao frio. Pra isso, passei na Decathlon e comprei 3 camisas de manga comprida com proteção solar, uma calça e jaqueta impermeáveis e também calça e blusas térmicas, além de uma toalha de microfibra que seca bem rapidinho… E isso fez diferença, porque na maioria dos hostels não forneceram toalha de banho. 
      Na internet, comprei ainda um par de bastões de caminhada e 2 power banks. Separei para levar um par de tênis, chinelos, botas de cano médio impermeável, luvas, cachecol, gorro, boné e chapéu, além de uma série de câmeras fotográficas, gopro, celular e um tripé… 
      Pra a viagem, comprei dólares no câmbio de R$3,42… ô saudade desse valor! 
      Levei um total de $400 dólares só pra garantir, além do cartão de crédito internacional por segurança.
      Agora, com tudo reunido, roteiro pronto e planejamento completo, estava tudo pronto para iniciar a épica aventura… 
      Mas isso é assunto para o próximo capítulo!
      Espero você na continuação dessa viagem, acompanhando a partida do Brasil e a chegada na capital peruana!
      Deixarei 2 vídeos aqui do meu canal no youtube para inspirar outros viajantes...

      É isso aí... Até o próximo capítulo!  ✌️🤠
      Partindo de Florianópolis em direção à Lima!
       
    • Por divanei
      HUACACHINA - PERU
       
                Pela janela do ônibus vão nos saltando aos olhos uma paisagem desoladora, como se uma guerra nuclear tivesse destruído e acabado com tudo. Minha esposa já havia me interpelado uma dezena de vezes o porquê de estarmos nos dirigindo para o sul do Peru, numa paisagem feia de dar dó , ainda mais depois de termos passado uma dezena de dias espetaculares, com paisagens de sonhos, junto à Cordilheira Branca , na região de Huaraz.

               
                Me mantive firme no meu propósito e ao invés de deixar que o desânimo tomasse conta de mim, me concentrei no outro lado do ônibus , onde o Oceano Pacífico insistia em nos dizer que o deserto não era tão feio quanto parecia. Mas não era a paisagem natural que nos assolava a alma e sim as construções e habitações dos povoados e pequenas cidades, casas cobertas de palha ou sem uma cobertura de telhado, apenas uma laje apinhada de tranqueiras e ferros espostos, coisa feia de se ver, toda empoeirada, numa sujeira desgostosa, praticamente sem nenhuma árvore.

       
                A falta de telhado era mais do que justificável, muito porque estávamos em meio ao deserto, onde praticamente não chove e mesmo na capital do país não há telhados, não como temos no Brasil. O ônibus que pegamos custou uma ninharia, não mais que 25 reais para 6 horas de viagem, mas foi pegando gente a laço pelo caminho, num sobe e desce interminável e mesmo no outono, fazia um calor dos infernos, sem ar condicionado ou qualquer outra mordomia, mas era o preço pela economia. Vendedores entravam a todo momento, vendendo de tudo que se possa imaginar, principalmente comida e petiscos, alguns com uma cara muito boa, outros nem tanto.

                Já era começo de tarde quando desembarcamos em ICA, uma cidade até grande se comparada ao porte dos vilarejos que passamos, mas o trânsito caótico, com carros barulheiros e tuk-tuk espalhados para todos os lados. Com as cargueiras gigantes nas costas, fruto das bugigangas compradas na Cordilheira, saímos à procura de um restaurante para almoçar, mas se tem uma coisa que peruano gosta, é comer, e achar algo vazio que conseguisse nos atender foi quase impossível. Minha mulher já estava emputecida pela situação, pela viagem extremamente cansativa, mas muito mais pela paisagem, do qual ainda não compreendia porque havíamos andado tanto para ver coisa alguma que prestasse.
                Por fim, resolvi logo abandonar Ica e me dirigir para o nosso destino, o objetivo daquela viagem, e embarcamos no primeiro taxi que nos abordou, uma lata velha caindo aos pedaços, que por uns 8 reais, chacoalhou por 5 km até nos desovar no meio do Deserto, num vilarejo cercado de Dunas Gigantes e com uma lagoa no meio e as caras carrancudas, deram lugar a um sorriso de orelha a orelha em meio à uma das mais belas paisagens do mundo, HUACACHINA era nossa.

       
                 O Oásis é um lugar turístico e como tal, também pratica preços muito acima de outros lugares no Peru, ainda mais por ser fim de semana, mas foi só dar uma volta no minúsculo lugar para conseguir algo que coubesse no nosso bolso. O problema é que as coisas são tão baratas no Peru, que já havíamos nos acostumados com um padrão de preço e os 80 reais pagos na hospedagem nos pareceu uma fortuna, mas quando entramos no hotel e nos deparamos com uma acomodação chic , com banheira e até uma cozinha, minha esposa se alegrou de uma tal maneira que acabei achando que foi barato e comparado as hospedagem no Brasil, foi mesmo uma pechincha.

       
       
       
       
                Tomamos banho e fomos conhecer o vilarejo. As dunas são as mais altas do nosso continente e é quase impossível tirar os olhos delas, numa paisagem surpreendentemente diferente de tudo que vimos na vida. O lago e suas palmeiras dão um charme especial, ainda que hoje digam que ele é abastecido artificialmente. Como é um lugar turístico, é todo cercado de lojas, bares, hotéis, agências de turismo e todo tipo de comércio. Como é final de tarde, todo mundo se dirige para o alto de alguma duna para apreciar o pôr do sol, mas nós estávamos bem cansados e deixamos isso para o dia seguinte. Outra coisa que é um sucesso por ali é o passeio de bug, mas não são esses bugs mequetrefes que temos no litoral do Brasil não, são monstros construídos para destruir as dunas, mas nós mesmo não estávamos a fim de chacoalhar pelo deserto, já estávamos acostumados com nosso modesto 4 x 4 e em se tratando de emoção, nosso NIVA não ficava devendo nada para aqueles transformes peruanos.
                Depois que jantamos eu já deslumbrei dar a volta nas dunas no dia seguinte, coisa que minha mulher caiu fora, não passava pela cabeça dela levantar às 6 da manhã para escalar dunas de areia. Então no outro dia bem cedinho, apanhei minha mochilinha, coloquei uma garrafa d’água, uma máquina fotográfica, um lanche e assim que ganhei a rua, já enfiei os pés na areia e fui ganhando altitude. Mas era um passo para cima e dois passos para trás e mesmo ainda sendo nas primeiras horas da manhã, a areia fervia de tão quente e me senti um beduíno no meio do deserto.
                Aquela era a primeira experiência minha escalando uma duna e não demorou nadica para perceber que acabei subestimando aquele monumento natural. A areia quente começou a fritar meus pés e como estava apenas de sandálias, comecei a ficar desesperado. Parava às vezes e cavava um buraco na areia, tentando buscar um terreno menos quente, mas isso pouco resolvia, então a única coisa que consegui pensar foi a de colocar nos pés numa capa de saco de dormir que acabou ficando dentro da mochilinha e um saco de batatas fritas aluminado, aí eu já estava no desespero, meus miolos já haviam fritado também ou eu chegava logo no topo da duna ou tava morto.
       
       
                Do alto da grande muralha de areia o mundo se modificou. Lá embaixo o Oásis de Huacachina parecia uma pintura de um quadro e ao meu redor, o deserto parecia ter me introduzido dentro de um romance passado no Saara. O vento levantava uma areia fina e mesmo o sol queimando meus pés, ainda assim o encanto era maior que aquele sofrimento momentâneo. Cavei um buraco ainda maior e nele me enfiei, dando alívio aos meus pés e assim tive um maior conforto para apreciar aquela paisagem que talvez eu jamais veja novamente, talvez não com aquela proporção. Mas a minha intenção era a de dar a volta no oásis, então peguei minha mochilinha, tomei um gole d’água e parti, agora caminhando em nível, galgando as lombadas do terreno até que ser obrigado a abandonar a duna e quebrar à direita em direção aos bugs estacionados perto de um outro pequeno oásis.

                Perco altura lentamente, mas logo sou obrigado a despencar barranco à baixo porque a areia quente volta a fritar meus pés. O sofrimento recomeça e me vejo em desespero novamente, mas dessa vez o negócio ficou sério, então corro feito um calango do deserto até que chego à sobra de um dos bugs gigantes. Poderia muito bem abandonar aquela caminhada e a partir dali, voltar novamente para o hotel seguindo a trilha de areia que desce ao vilarejo, mas não vou arregar tão cedo.
                Continuo subindo até que passo pela caixa d’água instalada nesse selado de dunas, tomo um fôlego, ajeito a proteção tosca que havia colocado nos pés e sigo subindo até que alcanço de vez o cume mais alto daquele mostro de areia. São impressionantes o tamanho e a altura dessas dunas, de onde posso avistar povoados distantes, perdido num mundo árido e seco, sem árvores e totalmente desolados. Mas é justamente isso que torna esse oásis tão espetacularmente belo, é um sopro de vida no meio do caus. 

                Minha água acabou, o sol já destrói minha pele, mas mesmo assim continuo caminhando, agora em nível sobre o cume da duna, quase completando os 360 graus ao redor de Huacachina, mas antes que esse ciclo se feche, resolvo fazer algo inusitado: despencar da duna mais alta do nosso continente, ao invés de ir perdendo altura lentamente em direção ao vilarejo. Aos saltos e aos pulos, vou escorregando rapidamente, quase sem controle e quando a força da gravidade resolve fazer troça da minha pessoa, perco o controle totalmente e saio rolando desgovernadamente. Uma hora vejo o céu, outra hora vejo areia, outra hora o topo da duna, outra hora já não vejo mais nada. Meus olhos, meu nariz, minha boca foi tomada pela areia fina. Minha mochila e minhas sandálias se perderam nas dunas e eu virei passageiro do além e do acaso. Miséria dos infernos!!!! Sou um homem humilhado. Me levanto da surra e procuro saber onde estou e quem sou eu e logo  um monte de turistas, que estão passando nos pés das dunas me fazem recobrar a memória. Os japoneses ficam rindo e apontando para mim e eu apenas faço cara de paisagem, viro as costas e volto a subir a duna atrás dos meus pertences, só não encontrei minha dignidade. Recolho tudo e volto a descer até chegar a um chafariz no vilarejo, onde aproveito para lavar meus olhos, enquanto eu próprio não me contenho e caio na gargalhada com o ocorrido.
                Quando chego de volta ao hotel, sou obrigado a me jogar dentro de uma banheira de águas frias e por lá ficar até que meus pés se acalmem das queimaduras e eu consiga me livrar de toda areia que foi entrando em cada orifício. Resolvido o problema, saímos para um passeio mais demorado. É possível nadar no lago ou mesmo andar com umas canoas ou pedalinhos, mas eu queria mesmo era experimentar uma descida de sandboard, uma espécie de surf na areia, onde você pode alugar uma prancha pagando míseros 5 reais por 1 hora. Eu já havia feito isso uns 20 anos atrás nas praias da Joaquina em Florianópolis, mas havia me esquecido que não era tão fácil parar em pé como eu pensava e só fiz cair naquela desgraça, rolar sem rumo e encher meus olhos e meu nariz novamente de areia. Mas já que havia fracassado no surf de areia, ficamos por lá para assistir ao pôr do sol, isso sim era sucesso garantido.
                Huacachina é mesmo especial, um lugarzinho legal para descansar , experimentar umas comidinhas diferente ou simplesmente não fazer nada e como não fazer nada já começa a me irritar, tratamos logo de pegar nossas tralhar e picar a mula para outras paragens, fomos rumo ao Oceanos Pacífico, lá para as bandas de Paracás, outro lugarzinho lindo, com caminhadas e pedaladas para belas praias de águas geladas, onde pelicanos fazem sua morada, mas essa é outra história, o certo é que uma viagem ao Peru tem a capacidade de mudar sua visão de mundo para sempre, ninguém vai ao Peru e volta a mesma pessoa.

       
       



               
               
       
    • Por ArthurFortees
      Estou querendo fazer a travessia de salkantay em outubro de 2021.
       
      Se aguem quiser, chama no WhatsApp 24 998703490
    • Por Juliana Dassoler
      Pessoal, alguem ficou hospedado dentro do parque nacional huascaran no Peru ao inves de ficar em Huaraz? 
      Vale a pena? 
      Abs, 
    • Por ms.priscila
      ROTEIRO BOLIVIA (05 DIAS)
      INFORMAÇÕES GERAIS 
      Visto: dispensa de visto por até 30 dias
      Passaporte:  deve ser válido no momento de entrada; permitida entrada com RG
      Vacinas: não há exigências
      Quando ir: de abr-set, por conta das chuvas
      Capital: Sucre
      Moeda: BOLIVIANO ou BOB ($b)
      Idioma oficial: espanhol, quechua, aimará, guarani e uma variedade de língua indígenas
      Cod. telefone: +591
      Padrão bivolt: 230V
      Tomadas: A, C

      Após passarmos 11 dias no Peru, atravessamos a fronteira, por via terrestre, e continuamos nossa viagem à Bolívia. 

      Dia 01
      07:30 – saída de Puno para La Paz de ônibus, com parada em Copacabana (S/40 comprados diretamente no Hostel Pirwa). O ônibus para na fronteira para imigração nos dois países e aqui podemos trocar dinheiro. O Bs vale a metade do real
      12:00 – chegada à Copacabana para almoço no restaurante El fogon de La Cabana – péssimo atendimento, uma só pessoa para atender; há indicação de Wi-Fi, mas o sinal estava cortado, tivemos que pegar os cardápios e ir diretamente no balcão fazer o pedido
      13:30 – saída de Copacabana com destino à La Paz
      17:00 – chegada à La Paz
      20:30 – saída de La Paz a Potosi (80Bs cama) pela empresa Trans Copacabana. Não recomendo de forma alguma. O banheiro ficou fechado boa parte da viagem, tendo o motorista parado para que os passageiros fossem ao banheiro na beira da pista. Não houve uma parada em uma viagem de 10h. Após 6h de viagem, o banheiro foi aberto. O ônibus chegou com 1h de antecedência.
      05:00 – chegada a Potosi, ouvindo Victor & Leo e Leonardo em espanhol.
      07:00 – café da manhã no Café Restaurante Santa Fé: excelente atendimento e café da manhã muito bom.
      Aqui percebemos que estávamos perdidos. Lemos em algum site no Brasil que o Salar de Uyuni estava localizado na região de Potosi, por isso erroneamente pensamos que o passeio sairia dali e que não havia uma cidadezinha chamada Uyuni. Conclusão: perdemos o passeio. Andando pela cidade, fomos salvos pela Hellen, dona da agência de viagens Amigos da Bolívia. Recomendo muitíssimo. Extremamente atenciosa. Salvou-nos a vida. A Hellen nos comprou a passagem de Potosi-Uyuni (que sai de hora em hora e custa 40Bs), reservou o hotel La Cabana (quarto duplo com banheiro compartilhado a 60Bs) e o passeio de 3 dias pelo Salar a 850Bs. Em Uyuni estava 100Bs mais barato, mas naquela altura do campeonato foi nossa melhor opção
      11:30 – almoço
      13:00 – saída de Potosi-Uyuni
      17:00 – chegada a Uyuni. A moça da agência contratada nos buscou e nos levou até o Hostel. Já hospedados, saímos pra comer e conhecer o pouco que há para conhecer da cidade. Curiosidades: há caixas eletrônicos, câmbio de moedas, venda de óculos escuros e roupas de frio.

      Dia 02
      10:30 – saída para o Salar de Uyuni
      12:00 – almoço num hotel de sal
      14:00 – ida para o Salar
      17:00 – chegada à Ilha de Cactus
      18:00 – por do sol no Salar
      20:00 – chegada ao hotel de sal Los Piez para pernoite. Hotel adorável. Não há ducha quente e se paga pela toalha (Bs3) e pela ducha sem água quente (Bs10)
       
      Saída para o Salar
       
      Almoço num restaurante de Sal
        Salar de Uyuni

      Dia 03
      08:00 – visita às lagoas coloridas durante todo o dia! Almoço no caminho. Aqui, por volta das 11:00, nosso carro quebrou. Caminhamos cerca de 40 minutos até a próxima laguna e lá esperamos o carro ate por volta das 15:00
      18:00 – chegada ao acampamento para o pernoite do segundo dia. Os seis integrantes do grupo ficaram hospedados no mesmo quarto. Aconselha-se alugar, ainda em Uyuni, o saco de dormir (Bs50), já que nesse acampamento, no meio do deserto, faz muito frio. Esquecemos uma garrafa de água dentro do carro e ela amanheceu congelada
      21:00 – as luzes, ligadas por gerador, se apagam as 21h da noite
      Na segunda noite, as agências entregam um vinho para o grupo, como cortesia pelo passeio. Mas as vezes, se os turistas não pedem, os motoristas não entregam (ouvimos histórias de motoristas que beberam o vinho)
       
      Laguna Hedionda
        Laguna Colorada
        Jantar no alojamento

      Dia 04
      05:30 – café da manhã no acampamento (e aqui começaram os problemas)
      Deveríamos ter saído às 6h para ver os gêiseres. Entretanto, simplesmente fomos impedidos de deixar o acampamento porque nosso guia não havia pago o alojamento. Enquanto estávamos no carro, com muito frio, a dona do acampamento e o motorista discutiam lá fora. As 07:30 conseguimos partir
      08:00 – visita aos gêiseres. No caminho para a Laguna Verde, o pneu furou
      09:30 – chegada à Laguna Verde. Novamente, o carro apresentou problemas. Conclusão: fim do passeio. As três mulheres voltaram em outra van, que parou para nos ajudar e os três rapazes ficaram com o motorista e chegaram cerca de uma hora depois em Uyuni
      17:00 – depois de muito estresse, chegada à Uyuni. O proprietário da empresa já nos esperava. Expusemos todos os problemas. As inglesas, nervosas, não conseguiam mais falar espanhol. Depois de muita discussão, o Natalio, dono da Atacama Mística nos propôs a devolução de Bs150 por pessoa, pelos transtornos do passeio. Não pudemos visitar os banhos termais
      No ultimo dia, encontramos com outros dois grupos que tiveram diferentes problemas durante o tour (Esmeralda, Full Adventure e a nossa, Atacama Mística). Detalhe que todas foram recomendadas. O que nos parece é que o serviço mal prestado é lei na Bolívia. Não foi diferente em absolutamente nenhum lugar desde que cruzamos a fronteira
      20:00 – saída de Uyuni para La Paz (Bs100 pela empresa Omar: ônibus com calefação, cobertor e banheiro)
       
      Geiseres
        Laguna Verde
        Carro quebrado no meio do deserto
          Fim do passeio

      Dia 05
      09:00 – chegada à La Paz. O ônibus deveria chegar por volta das 7h, mas incrivelmente atrasou duas horas. Nosso voo para Cobija saía às 09:50. Fizemos o check-in exatamente 05 minutos antes de encerrar o check in. Isso porque, por sorte, o aeroporto ficava ao lado de onde o ônibus nos deixou
      10:50 – chegada à Cobija. Logo na saída do aeroporto encontramos o Valdir (68 99787511), que nos ofereceu a corrida até Rio Branco, sem troca de táxis por R$ 210 para 2 pessoas. Paramos na fronteira, carimbamos os passaportes, trocamos dinheiro e entramos no Brasil
      14:30 – chegada ao aeroporto de Rio Branco
      15:40 – saída para Manaus
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