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Paty Senatore Grillo

Na ilha sul da Nova Zelândia: a região de Dunedin.

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Oi pessoal! :D

O relato de hoje é pra contar um pouco sobre a região de Dunedin, na costa leste da ilha sul, aqui na Nova Zelândia. 

Dunedin é a segunda maior cidade da ilha sul, atrás de Christchurch, e a maior da NZ em extensão territorial. É uma cidade universitária (a University of Otago é a mais antiga da NZ e a terceira mais antiga da Oceania!) e com uma forte herança escocesa que se faz presente especialmente na arquitetura. Além da pegada urbana, Dunedin tem áreas incríveis em sua costa!

Meu marido e eu estivemos lá 5 vezes, sendo 4 bate-e-volta de Invercargill, onde moramos, e outra quando esticamos a viagem de Catlins para conhecer a Otago Peninsula – que você pode encontrar informações nesse relato aqui!).

Para facilitar, em vez de descrever nossos dias por lá vou organizar o relato de acordo com as opções do que fazer em Dunedin e região, ok?

 

NA CIDADE:

* The Octagon: é o ponto central e o coração de Dunedin. Nele ficam diversos bares, a St. Pauls Cathedral, o Town Hall e o i-Site (centro de informações ao visitantes). Tirando a nossa ida para Otago Peninsula, todas as outras vezes que estivemos em Dunedin partimos dele, que era o ponto final do nosso ônibus Invercargill-Dunedin. Em nossa primeira vez, o Octagon também estava sendo o local de diversos grupos tocando música escocesa. :)

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* Dunedin Railway Station: a famosa estação de trem de Dunedin é considerada o prédio mais fotografado do país e é um must-do:x Fica a uns três quarteirões do Octagon e é linda (e cheia de turista, obviamente). Aos sábados pela manhã (até por volta das 13h) rola uma feirinha dos produtores locais (Otago Farmers Market) no estacionamento da estação e lá você encontra docinhos, queijos, frutas, comidas. Havíamos lido sobre a possibilidade de encontrar o Hangi Maori lá (um prato típico maori com carne e vegetais cozidos no vapor, em um buraco), mas no dia que fomos não encontramos (e não sei dizer o motivo). :|

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* Toitū Otago Settlers Museum: fica próximo à estação de trem e tem entrada gratuita. Conta a história da região de Dunedin, desde os Maoris, a chegada dos europeus e o desenvolvimento urbano da cidade. É o museu mais antigo da NZ (sim, Dunedin é cheia dos títulos de “primeira” em alguma coisa ^_^) e dá pra passar bem umas horinhas por lá. Como todo museu aqui, é extremamente acessível, bem organizado e informativo.

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* Otago Museum: próximo à universidade, com entrada gratuita para as principais coleções. Lá tem um planetário também, mas pago. Há exposições permanentes sobre a fauna local, cultura dos povos do Pacífico, Maoris e sobre a história naval de Otago e a relação da região com o mar.

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* University of Otago: se você está em Dunedin, você precisa passear pelo campus da universidade, que é uma das mais bem conceituadas do país (ao lado da University of Auckland). De arquitetura escocesa, o lugar é imenso e lindo! ::love:: Não é difícil perceber a importância da universidade para a cidade, tem prédios e institutos espalhados por toda Dunedin (além das repúblicas estudantis, claro).

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* Igrejas: a arquitetura da cidade é muito legal e vale a pena conhecer a St. Josephs Cathedral, a First Church e a Knox Church, por exemplo. Todas elas ficam na região central, nos arredores do Octagon.

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* Dunedin Botanic Garden: um pouco mais afastado da região do Octagon, foi o mais longe que fomos a pé em Dunedin. Adivinha? Sim, foi o primeiro jardim botânico da NZ B|. Nâo tínhamos muitas informações sobre ele e seguimos pelo Google Maps, que nos levou para uma entrada bem discreta e que, em um primeiro momento, não nos chamou a atenção em nada. Nessa parte em que entramos não havia placa informativa e acabamos achando a parte principal do jardim botânico meio sem querer e aí sim vimos que ele é imenso. Existem várias trilhas para percorrer por lá, passando por diferentes coleções de flora. Fizemos apenas parte de uma, devido ao tempo. Minha única ressalva é que as placas com as indicações dos lugares por vezes são meio confusas. 

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* Reserve um tempo para caminhar pela cidade. As ruas são bem aconchegantes, cheias de lojas e volta e meia você encontra alguma construção legal (como o fórum da cidade, por exemplo) ou algum grafite bacana pelos muros (existe um mapa que você pode pegar no i-Site e que sinaliza todos eles!). Também prepare as pernas: saindo das 3 avenidas paralelas à estação de trem, a cidade é cheia dos morros (curiosidade: o porto de Dunedin e os morros são parte de um vulcão extinto). 

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* Pontos que não visitamos, mas que sabemos da existência e pode ser que sejam interessantes para vocês: Dunedin tem a Baldwin Street, que é reconhecida como a rua mais íngreme do mundo (fica mais afastada do centro, não rola de ir a pé) e o único castelo da NZ, o Lanarch Castle, que fica na Otago Peninsula (construído por Willliam Lanarch, um ricaço, para a esposa); se quiser visitá-lo morrem NZD 31 por cabeça. Outra opção, na região central, é o Chinese Garden (também pago). 

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COMER E BEBER:

* The Speight’s Ale House: em anexo à Speight’s Brewery, você pode optar pelo tour na cervejaria ou simplesmente ir pro bar. O destaque é a régua de degustação (embora nenhuma seja lá tão inesquecível assim e as de cidra sejam bem ruins! ::mmm:). Para comer, tem opção de prato principal ou lanche. Diego comeu uma carne que não lhe agradou muito, eu pedi um hamburguer que estava suficientemente bom.

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* Emmerson’s Brewery: minha favorita em Dunedin. Também tem a opção do tour ou somente o bar. A régua de degustação vem com 6 tipos de cerveja, mas é você quem escolhe os tipos (ponto positivo, pois você pode experimentar os estilos que mais te agradam!). A cerveja é mais gostosa que a Speight’s e o preço no bar é similar. O hamburguer é mais bonito que gostoso, rs.

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* A fábrica de chocolate da Cadbury era um ponto famoso em Dunedin, mas ela fechou as portas na cidade há uns 2 meses atrás (continuam só na Austrália).

 

NATUREZA:

* Tunnel Beach e St. Clair Beach (no sul de Dunedin), assim como Sandyfly Bay, Sandymount (Lovers Leap) e Taiaroa Head (em Otago Peninsula) são lugares imperdíveis e que eu já falei nesse outro relato.

* Moeraki Boulders: as famosas pedras esféricas no meio de uma praia ficam em Koekohe Beach, ao lado de Moeraki Village, distante cerca de 50 minutos de Dunedin. Alugamos um carro no centro e fomos lá em nosso mais recente bate-e-volta na cidade, neste final de semana. Para os Maoris, as pedras são cestas de mantimentos petrificadas que sobraram do naufrágio de uma grande canoa, chamada Arai Te Uru. Para os cientistas, são um complexo processo geológico similar à produção de uma pérola e que teve início há aproximadamente 60 milhões de anos. :x Explicações à parte, elas são inacreditavelmente redondas - dá uma impressãozinha de que se empurrar, rola. :D E sim, elas parecem ovos de dinossauros! :D

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Huriawa Pā Walk: a Huriawa Peninsula foi um verdadeiro achado, já que não é um lugar tão conhecido assim. Fica em Karitane, a meio caminho entre Dunedin e Moeraki. É uma trilha circular e que tem previsão de 40 minutos - como nosso tempo estava apertado, pois teríamos que voltar a tempo de pegar nosso ônibus de volta a Invercargill, fizemos em uns 30 minutos (mas daria para ficar um tanto a mais!). 

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Ah,

* Para quem tem interesse em comprar coisas durante as viagens, dizem que o shopping de Dunedin é uma boa opção. Como não é a nossa praia, não sei dizer a respeito! 

* Quem quiser acompanhar as fotos e as descobertas aqui da NZ, me sigam no Instagram @paty.grillo 

Até a próxima! ;)

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Olá, pessoal. :)  

Vim fazer um update por aqui já que conseguimos ir mais uma vez para a região de Dunedin antes do nosso retorno ao Brasil. Fomos novamente naquele esquema bate-e-volta, indo até Dunedin com o ônibus da faculdade e lá pegando um carro alugado, o que nos deixou com uma janela de aproximadamente 4 horas para desbravar algum novo lugar pela costa de Otago.

Os lugares escolhidos foram dicas do site See the South Island e são poucos conhecidos – consequentemente você acha poucas informações sobre eles. Foram 4 pontos a partir de um único lugar: Purakaunui Beach, Mapoutahi Pa, Canoe Beach e The Arches, em Doctors Point. Todas essas belezinhas ficam há aproximadamente uns 30 minutos ao norte do centro de Dunedin.

A primeira coisa que tivemos que levar em consideração na hora de planejar o roteiro (e o melhor proveito possível de nosso tempo) foi a característica do The Arches. Explico: são basicamente dois túneis naturais nas pedras que permitem a passagem entre Doctors Point e Canoe Beach e que só podem ser acessados durante a maré baixa. Sabendo disso e vendo a tábua das marés, o prognóstico não era tão animador - não estaríamos lá no horário da maré baixa (embora o contrário também fosse verdade, não seria maré alta). o.O

Nossa (acertada) decisão foi ir direto à Purakaunui Beach/Mapoutahi Pa e de lá ver o que dava para fazer e se seria possível o acesso. Algo importante para quem deseja fazer o mesmo que nós é prestar atenção no Google Maps: se você procura por Doctors Point ele te leva a um lugar, por Purakaunui Beach ele te leva a outro e por Mapoutahi Pa ele sinaliza um lugar um tanto longe – e eu havia lido tanto no See the South Island quanto no site do Departamento de Conservação Ambiental daqui da NZ que a trilha para Mapoutahi começava no car park da Osborne Road. ::essa:: Coloquei o endereço manualmente (pela primeira vez na NZ!) e fomos. A estrada não é das piores, mesmo tendo um trecho não asfaltado, mas é estreita e precisa de atenção. O car park é relativamente pequeno, mas sinalizado (a estrada continua, mas dali pra frente só a pé ou com 4x4!). Dali a caminhada até Purakaunui Beach é de uns 25-30 minutos.

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Mapoutahi Pa é a pequena península à sua esquerda e você leva uns 15 minutos para subi-la e chegar até a ponta. A trilha é sinalizada por um pedaço de madeira laranja, com uma subidinha curta e resto do caminho praticamente plano, mas havia chovido um pouco antes (e mais um pouco quando chegamos) e o caminho na subida era só lama. Confesso ter dado uma boa escorregada no meio do caminho e ter voltado pro começo da subida. :$ Da península você vê Purakaunui à sua direita e Canoe Beach à sua esquerda.

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De volta à Purakaunui e próximo à trilha para Mapoutahi, você facilmente identifica o caminho pra Canoe Beach. Em 5 minutos você acessa a praia e, caso a maré esteja alta, em 5 minutos você atravessa toda a extensão possível, hehehe. ^_^ Demos sorte e, embora a maré ainda não estivesse totalmente baixa, já permitia acessarmos os The Arches e Doctors Point.

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Os lugares são incríveis e desenvolvi um caso de amor por Canoe Beach. :x As praias são praticamente desertas, a água em tons esmeralda e turquesa é um espetáculo e os arcos entre Canoe e Doctors Point dão um efeito lindo na paisagem. Ainda não estivemos em Cathedral Cove, na ilha norte, mas The Arches me lembrou bastante as tão famosas fotos que vemos de lá, embora suspeito que seja bem menor que o famoso lugar da ilha norte.

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A volta para Dunedin foi via Port Chalmers, com o visual da Otago Peninsula no caminho. Não tivemos tempo de parar em Port Chalmers, mas nos pareceu um lugarzinho bem gostosinho também.

De volta à Dunedin e com uns 15 minutos sobrando antes de nos dirigirmos de volta ao ônibus, ainda esticamos o trajeto para a famosa Baldwin Street, a rua residencial mais íngreme do mundo e registrada no Guinness World Records. Você não pode subi-la de carro (só quem mora ali, visto que não é permitido parar na ladeira) e subi-la a pé é, digamos, um cansaço que você pode dispensar - mas subimos, já estávamos ali. Hahahaha. ::mmm: Bem turistão. :P

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Essa foi nossa despedida da região de Dunedin. Ainda teremos algumas outras descobertas por aqui antes de retornarmos ao Brasil e em breve novos relatos virão. Aguardem cenas dos próximos capítulos. ;)

 

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    • Por Paty Senatore Grillo
      Olá mochileiros e mochileiras!  
      Voltamos e dessa vez com uma viagem bem caprichada! Se você têm acompanhado nossos relatos por aqui, sabe que já tivemos alguns finais de semana e alguns bate-e-volta a partir de Invercargill (Catlins e Peninsula Otago; Te Anau e Milford Sound; Queenstown). Pois bem… dessa vez partimos para uma semana inteira de descobertas em terras maoris.
      O fato é que Diego soube que teria duas semanas de férias da pós (break de meio de semestre) e decidimos antecipar alguns de nossos planos para o último mês de Nova Zelândia. Como voltaremos para o Brasil em agosto, a idéia inicial era aproveitar julho – após as aulas – para conhecer os lugares mais distantes de IVC. Porém, julho significa inverno que por sua vez significa restrição em alguns dos nossos pontos de interesse devido neve, condições climáticas e riscos de avalanche. Assim sendo, lá fomos nós planejar uma semana viajando pela Ilha Sul. O roteiro original tinha 8 dias/7 noites, mas em nome da economia consegui apertar e fazer nosso roteiro caber em 7 dias/6 noites. Partimos para a viagem com o seguinte cronograma:
      1º dia: Twizel e Pukaki (noite em Twizel) 2º dia: Mount Cook: Hooker Valley e Kea Point Track (noite em Mount Cook Village) 3º dia: Mount Cook: Blue Lakes; Tasman Glacier e Red Tarns Track (noite em Twizel) 4º dia: Tekapo (noite em Twizel) 5º dia: Mount Aspiring National Park: Rob Roy Track (noite em Wanaka) 6º dia: Roys Peak Track (noite em Wanaka) 7º dia: Blue Pools; Arrowtown e volta para casa. No meio da viagem mudamos os planos (conto por quê ao longo do relato!) e o roteiro feito foi:
      1º dia: Twizel, Pukaki e Tekapo (noite em Twizel) 2º dia: Mount Cook: Hooker Valley; Kea Point e Red Tarns Track (noite em Mount Cook Village) 3º dia: Mount Cook: Blue Lakes; Tasman Glacier View e Twizel: Twizel Walkway (noite em Twizel) 4º dia: Mount Aspiring National Park: Matukituki Valley; Diamond Lake e Lake Wanaka (noite em Wanaka) 5º dia: Roys Peak Track (noite em Wanaka) 6º dia: Blue Pools; Arrowtown e Lake Hayes (noite em Shotover River) 7º dia: Glenorchy e volta para casa.  
      1º dia: TWIZEL, PUKAKI e TEKAPO
      Saímos pouco depois das 7h embaixo de uma friaca e tendo que tirar o gelo do parabrisa do carro.  O fato é que nos dias que antecederam a viagem tivemos uma frente fria que derrubou a temperatura em diversos pontos do país e, inclusive, causou estragos com os temporais em Auckland. Mas como não tem tempo ruim que tire a vontade de viajar, lá fomos nós! 
      O destino era Twizel e isso nos daria cerca de 4 horas e meia de estrada pela frente. O frio havia coberto de gelo os gramados e pastos pelos caminho, mas a estrada felizmente estava de boa. Bem, já devo ter falado isso nos outros relatos: se tem uma verdade sobre viajar na Nova Zelândia é que as estradas são lindas – sempre.  Por esse motivo acredito que a melhor opção de transporte seja alugar um carro para poder parar em todos os lookouts pelo caminho e que as viagens devam ser feitas sempre durante o dia (além de ser uma precaução para evitar possível gelo no asfalto e de ser mais seguro, visto que todas as estradas que pegamos até agora são mão dupla e com alguns pontos mais estreitos).
      No caminho, destaque para o Lake Dustan, The Bruce Jackson Lookout (em Cromwell) e Lindis Pass Viewpoint (o lookout mais anunciado de todos: 15km de distância já tinha placa! Mas o lookout em si não é tããão lookout assim... ). Lindis Pass liga as regiões de Mackenzie Basin com Central Otago, em uma altitude de 971m acima do nível do mar.


      Chegando em Twizel fomos recepcionados pelo Lake Ruataniwha e provalvemente não encontrarei palavras para descrever o quão azul é esse lago. Eu havia visto algumas fotos na internet, mas tinha certeza que o Photoshop rolava solto… até vê-lo pessoalmente. 

      Algumas fotos depois seguimos viagem em direção à Pukaki. Havia lido sobre uma trilhazinha de 10 minutos chamada Pukaki Boulders e fomos direto para lá. Essa trilha começa na estrada que vai para o Mount Cook e achá-la não foi tãããão simples: o Google Maps não a localiza e a placa não está na beira da rodovia, portanto passa facilmente despercebida. Pukaki Boulders foi o primeiro “ponto de interesse” da NZ que não tinha estacionamento – e como as estradas daqui não têm acostamento, precisamos parar o carro meio de banda no gramado. 5 minutinhos de caminhada e chegamos em umas pedras – fim de linha. As pedras eram as “boulders”, que foram parar ali na era glacial. Nada de mais. Nadica mesmo. Economizem esses 10 minutos e façam qualquer outra coisa mais legal! 

      De lá voltamos para a SH8 (a rodovia de Twizel) e seguimos em frente rumo ao Lake Pukaki, também de um incrível azul. O I-Site (centro de informações ao turista) fica na beira do lago e obviamente estava cheeeeeio de turistas. Uma dica é seguir para qualquer outro estacionamento (existem vários ao longo do lago!) e fugir da galera.

      Ainda eram umas 14h e como o dia estava ensolarado (contrariando as previsões), decidimos esticar até Tekapo, 30 minutos de distância. Bem no começo da cidade você já encontra o lugar mais famoso por ali, a Church of the Good Shepherd. A igrejinha de pedra fica na beira do lago, com as montanhas nevadas ao fundo e é a coisa mais linda e pitoresca  – e cheia de turista. Muuuuuitos. Saímos para desbravar a orla do lago e na volta consegui uns 5 segundos sem ninguém na frente da igreja. Hahahaha! 


      Seguindo com o carro, contornando o lago, paramos na Old Homestead Picnic Area e o lugar era tão gostoso (e ver o lago era tão lindo) que ficamos algum tempo por ali. Estávamos esperando o sol baixar um pouco para seguir para o topo do Mt. John Observatory. Wanaka faz parte da Aoraki Mackenzie International Dark Sky Reserve e seu céu é considerado um dos melhores do mundo para ver as estrelas. O observatório oferece tours (o mais barato sai $140), mas nossa viagem era low budget e o tour não cabia no nosso bolso, hehehe.  A idéia era apenas subir até o observatório para ver Tekapo lá de cima, mas chegando lá a estrada estava fechada (tem uma cancela no início da subida) e não entendemos se isso é recorrente ou se demos azar. Enfim, não subimos.
      Voltamos para Pukaki e paramos novamente no lago para ver o pôr-do-sol. As nuvens que estavam no topo das montanhas durante à tarde haviam diminuído e conseguíamos ver o Mount Cook. O sol foi embora, o frio tomou conta e fomos pro hostel.


      O High Country Lodge, em Twizel, é um hostel bem simples e o maior ponto a seu favor é a localização (tudo bem que Twizel deva ter umas 6 ruas… ). Ao lado dele tem uma Liquor Store (loja que vende bebidas – aqui na NZ não são todos os mercados que podem vender bebida alcoólica), um mercado e um mall que na verdade é todo o centrinho da cidade. Tem uns barzinhos boitinhos também, mas como nossa viagem foi na base do economizar o que for possível, comemos no hostel mesmo! A cozinha do hostel tinha tudo que precisávamos, mas dava uma deslizada na limpeza (aliás, esse é um ponto interessante: grande parte das pessoas por aqui não têm toda aquela dedicação para lavar louça e muitas vezes nem bucha você encontra – saudades, detergente Ypê e Scotch-Brite! ). Ficamos em um quarto compartilhado com 2 beliches bem barulhentas, mas na primeira noite não tinha mais ninguém no quarto conosco. $35/noite por cabeça.
       
      2º dia: MOUNT COOK NATIONAL PARK
      Partimos cedo sentido Mount Cook National Park, cerca de 40min de distância – e sim, a estrada mais uma vez é linda e sim, você consegue ver o Mount Cook lindão à sua frente. Contrariando a previsão do tempo, não choveu o dia toooooodo e conseguimos fazer a primeira trilha no seco. A primeira escolha foi a mais famosa por ali, a Hooker Valley Track. É uma trilha de 10km bastante tranquila, com 3 pontes suspensas pelo caminho. Você começa apreciando o Mueller Lake e termina com a visão incrível do Hooker Lake/Glacier e Mount Cook – que nesse momento estava praticamente todo descoberto . As placas sinalizam 3h return para essa trilha, mas levamos 1h10 cada trecho, apenas. O caminho todo é bem bonito e com certeza é um must-do. No início do caminho você encontra uma indicação para a Freda’s Rock: Freda du Faur, australiana, foi a primeira mulher a escalar o Mount Cook/Aoraki e essa pedra é onde ela tirou a foto para registrar o feito – isso foi em 1910 e a foto está reproduzida no local. Palmas para Freda!  Também tem um memorial construído em 1922 em homenagem a alpinistas que foram atingidos por uma avalanche em 1914 e somadas à homenagem inicial você encontra diversas outras plaquinhas de outros montanhistas vítimas de quedas ou avalanches por ali .



      Ao voltarmos para o estacionamento o tempo já estava nublado e havia começado uma chuva fina (se você está na NZ, principalmente em áreas montanhosas – ou em Invercargill, hahaha  – nuuuuunca esqueça sua jaqueta e calça impermeáveis). Seguimos para Kea Point Track, apenas 2.8 km. Essa trilha, também tranquila, termina em um mirante para o Mueller Lake e, se o tempo colaborar, parece que você vê o Mt. Cook dali também – não sabemos.

      A chuva apertou e fomos para o hostel fazer o check-in. Como ainda eram umas 15h30, decidimos encarar o clima inóspito e fazer a Red Tarns Track, uma trilha que começa no meio da vilazinha, com previsão de 2h return. Prestem atenção na descrição: você caminha uns 100m, atravessa uma pontezinha e encontra uma escada – e a escada nunca mais vai acabar.  É 1h subindo degrau, 300m de ganho de altitude. Lembra que tava chovendo? Pois é. No meio do caminho era só neblina e não vimos nadica de nada ao redor. No final da trilha tem um laguinho com umas plantinhas que deixam ele meio avermelhado e, por conta do tempo, tinha um pouco de neve também. Voltamos encharcados e sem joelhos.  Talvez em climas mais amigáveis a vista lá de cima impressione!

      O hostel em Mount Cook Village foi o primeiro a ser reservado da viagem. A vila é minúscula e só encontrei 2 opções de hostel fora as opções de chalés e hotéis mais caros, o que faz a disponibilidade ficar bastante restrita. Ficamos no YHA, uma rede presente em toda a NZ e filiada ao Hostelling International. Nosso dormitório tinha 4 beliches, mas era todo bem estruturadinho e bastante confortável e o hostel tinha diversas facilidades e uma cozinha bem bacana. $39/noite por cabeça. Ah, importante: não tem mercado por lá, organize-se!
      Foi à noite, olhando o mapa na parede do hostel, que veio a idéia de mudar os planos da viagem. Como já havíamos antecipado à ida a Tekapo (que no roteiro original seria no 4º dia, mas que fizemos no 1º), por quê não tentar antecipar nossas diárias em Wanaka e seguir para Glenorchy no último dia? A idéia original foi do Diego e eu achei uma boa. Perderíamos umas das diárias de Twizel, mas por outro lado conheceríamos um lugar a mais, já que não sabemos quando teremos oportunidade de alugar o carro de novo. Fizemos contato com nossos anfitriões do AirBnb em Wanaka, que foram super disponíveis e disseram que não haveria problema algum e procuramos um lugar para passar a última noite perto de Queenstown. Como já falei no outro relato, Queenstown é extremamente turística e as coisas por lá podem ter um preço maior do que em outras cidades da NZ. A melhor opção custo-benefício que encontramos foi um quarto, também pelo AirBnb, em Shotover River – 10 minutinhos de Queenstown.
      (P.S.: fui descobrir só depois que o Diego trapaceou e olhou a previsão do tempo em Wanaka e por isso veio com a idéia de adaptar o roteiro! Que espertinho!!! ).
       
      3º dia: MOUNT COOK NATIONAL PARK e TWIZEL
      O terceiro dia amanheceu chovendo e enevoado. Mesmo assim saímos em direção a Blue Lakes e Tasman Glacier, ainda em Mount Cook National Park. Fizemos uma horinha dentro do carro esperando a chuva dar uma maneirada e lá fomos nós.
      Do estacionamento e ponto de início das trilhas você encontra duas opções: uma das trilhas leva ao Blue Lakes e Tasman Glacier View e a outra ao Tasman Lake, beirando as Blue Lakes (spoiler: na verdade elas são verdes ). Como a chuva parou por uns instantes, fizemos o viewpoint primeiro. É uma trilha curta (de uns 15-20 minutos), mas com uma subidinha.
      O Tasman Glacier é o maior da NZ, com 27km de extensão. Nossa visão não foi a melhor possível devido ao tempo, mas algo que percebi é que ele é coberto por uma espécie de resíduo, que não vou saber dizer o que é (rocha?). Ou seja, não espere aquele glaciar branquinho, por vezes até azulado, como é o Perito Moreno na Patagônia argentina, por exemplo. É diferente – e ainda assim bonito. Enquanto estávamos lá um arco-íris bonitão estava dando o toque especial no vale (outra característica da NZ: devido às mudanças rotineiras no clima, os arco-íris são bem normais por aqui… Em 3 meses de NZ com certeza vi mais deles do que havia visto nos meus 31 anos de Brasil!).

      Do viewpoint partimos para a outra trilha, que chegaria pertinho do Tasman Lake. Chegaria – o tempo verbal é esse mesmo . Essa trilha é estimada em 1h e o terreno é mais acidentado e com mais pedras. Neste ponto a chuva já havia recomeçado. Demos a volta nos Blue (”Green”) Lakes (bonitões, mesmo com o céu cinza!) até chegar em um ponto onde a trilha “acabava”: na realidade, a trilha neste pedaço era bem estreita e pedregosa entre a vegetação e estava completamente alagada. É bastante comum nas regiões montanhosas da NZ uma planta espinhuda e tentar abrir um caminho alternativo, além de não ser ambientalmente correto, ainda nos deixaria algumas marquinhas pelo corpo. A única opção seria tirar a bota e meter o pézão ali, com a água entre canela e joelho. Não estávamos nesse pique todo e o frio também não estava convidativo para isso – demos meia volta e paciência . Ainda deu tempo da chuva apertar mais no caminho de volta pro carro!


      Tínhamos cogitado fazer a Sealy Tarns antes de sair de Mount Cook, uma trilha de aproximadamente 4h return e, dizem, um pouco mais íngreme. Com o andar da carruagem e o tanto de chuva na cabeça desde o final da tarde do dia anterior, abortamos a missão e pegamos estrada sentido Twizel.
      Se nas montanhas o tempo estava horrível, na planície do lago estava a coisa mais linda! Tínhamos o resto do dia tranquilo, pois seguiríamos para Wanaka somente na manhã seguinte. Tocamos direto para o Lake Ohau, um lago distante uns 20 minutos de Twizel. De lá, voltamos para o Lake Ruataniwha (aquele primeiro, da chegada!) e fizemos parte da Twizel Walkway ao redor do lago. Ficamos por ali o resto do dia, bem delicinha.


      A noite foi no High Country Lodge outra vez.
       
      4º dia: MOUNT ASPIRING NATIONAL PARK e WANAKA
      Logo cedo deixamos Twizel e no caminho fizemos um desvio de 30 minutos para ver as Clay Cliffs, uma formação rochosa na região de Omarama. Seguimos então sentido Wanaka, mais precisamente sentido Rob Roy Glacier, a quase 3h de distância.

      Basicamente, as informações que eu tinha sobre o Rob Roy Track é que era uma trilha de 10km no Mount Aspiring National Park, estimada em 4h return, com acesso restrito de Maio a Novembro devido risco de avalanche e que era uma trilha fácil, inclusive possível para crianças um pouco mais velhas. Ok. 
      Cruzamos a cidade de Wanaka e seguimos na estrada em direção ao parque. O dia estava ensolarado desde nossa partida de Twizel, mas claro que quanto mais perto das montanhas do Mt. Aspiring National Park maiores eram as nuvens e a chuvinha começava. Bem, a primeira descoberta foi que para chegar até o estacionamento e ponto de partida da trilha seriam 30km de estrada de terra – beleza, a gente encara. A segunda descoberta foi um pouco mais, digamos, desafiadora: chega um momento em que a estrada começa a ser cortada por “fords”: riachos.  Ficamos receosos com o primeiro, mas cruzamos e a partir dali a estrada tinha uns trechos bem estreitos. O grande problema é que eles eram muitos e, além de serem muitos, a profundidade aumentava: chegamos em um bem grandinho e ficamos com cagaço de continuar – além do nosso carro ser alugado, ele era um modelo de Hyundai bem pequenininho e baixinho e a chance de “dar ruim” era alta. O da foto foi um dos primeiros, quando ainda eram rasinhos.  

      Decidimos voltar um pedaço e parar em uma outra trilha que vimos pelo caminho, a East Matukituki Valley. O problema era que ela é apenas um trecho de uma travessia maior e demoraria cerca de 3h para te levar para um abrigo, mas ainda assim decidimos fazer parte dela só para não perder o dia e o investimento psíquico de chegar até ali, hahaha.  Andamos por cerca de 2h no vale e embora o lugar fosse bonito também, a verdade é que estávamos bem frustrados.

      Voltamos pro carro e Diego decidiu que iria tentar continuar para Rob Roy mais uma vez. Cruzamos mais uma vez alguns fords até chegar no mesmo lugar que havíamos retornado. Desci para tentar analisar o melhor caminho, mas não dava pra ter idéia de quão profundo era. Alguns minutos de análise e indecisão e Diego mais uma vez chegou à conclusão de que seria muito arriscado. Enquanto manobrávamos para retornar, chegaram outros dois carros e os motoristas também desceram para avaliar. Decidimos esperar e ver como eles fariam – depois de um tempo de indecisão eles cruzaram, mas de fato era bem fundo e a água atingia a parte de cima do parachoque. Em menos de 50 metros eles pararam e desceram novamente, provalvemente porque deveria ter outro ford maior. Realmente arregamos e lamentamos não ter um Jeep. Foi o fim da linha. 
      No caminho de volta para Wanaka, sem nada planejado, paramos no Diamond Lake Conservation Area. Dali você pode seguir 10 minutinhos até o lago, 40 minutos até o Lake Wanaka viewpoint ou 1h30 até o topo da Rocky Mountain. Fomos até o viewpoint.

      A parada seguinte foi em Glendhu Bay Lookout, de onde teoricamente você enxerga o Mt. Aspiring e de lá, fomos para o centro de Wanaka ver a famosa Wanaka Tree, a árvore que nasceu no meio do lago. A paisagem é curiosa e bonita, mas o mais bizarro é quando você chega: você dá de cara com um amontoado de pessoas, eu diria que 99% asiáticos, com tripés e câmeras fotográficas gigantes pra fotografar a árvore.  Engraçado e estranho.


      A cidade de Wanaka é bem gostosa e para nós lembrou muuuuito Queenstown. Tem uns bares e restaurantes que parecem ser legais e todo um movimento turístico.

      Ficamos em um AirBnb, hospedados pela Erica e pelo Pete. A casa deles fica a 20 minutos de Wanaka, no caminho para o Lake Hawea. O preço era similar aos quartos compartilhados de hostel na cidade, mas como não tínhamos planos de gastar com restaurante ou bares à noite, optamos pelo conforto de um quarto e banheiro só pra gente. A casa é linda, espaçosa e aconchegante!
       
      5º dia: WANAKA: O ROYS PEAK
      Esse foi um dos dias mais esperados da viagem e, sem dúvidas, um dos meus favoritos! O projeto era ousado: fazer o Roys Peak Track. O tempo estava lindo (ou seja, foi ótimo mudarmos os dias da viagem!) e antes de seguir para a trilha, ainda aproveitamos o céu azul para passar rapidamente (de novo) na Wanaka Tree.

      Sobre o Roys Peak: a trilha de 16km de extensão te leva primeiro até o viewpoint (a foto que provavelmente vai aparecer se você fizer uma busca por Roys Peak) e de lá até o topo, a 1578m de altura. A previsão é de 6h return e para o nosso ritmo deu exatamente isso. A trilha é inteeeeeira de subida, na qual você ganha uma elevação de 1.228m e, embora não exija nenhuma habilidade técnica, exige muito pulmão. 
      Quando começar a trilha procure por uma antena beeeeeem no alto: é lá que você vai chegar.  Levamos 2h20 até o viewpoint e até chegar nesse ponto você não vê grandes mudanças de paisagem, exceto que as ovelhas e os arbustos ficam pelo caminho conforme você sobe – é apenas um grande zigue-zague montanha acima. A característica do Roys Peak viewpoint é que você está na crista da montanha e tem uma visão incrível da crista das montanhas menores, à frente. São montanhas nevadas, lagos menores e o grande Lake Wanaka, lindão. Mesmo com céu aberto, como toda montanha, o vento é congelante. Do viewpoint até o topo foi umas das coisas mais incríveis que já vi na vida e, para aumentar a beleza, próximo do topo a trilha estava com neve.  Claro que isso aumentava a beleza, mas aumentava o desafio também, hahaha.  A neve deixava o caminho extremamente escorregadio e principalmente no finalzinho, o negócio ficava tenso. Para subir, ok. Para descer, era uma pista de patinação! Vimos um capote e vários escorregões e boa parte descia meio que sentado, hehehehehe. 
      A trilha pro Roys Peak fecha somente de outubro a novembro por conta da época de reprodução das ovelhas (lambing season), mas no inverno você precisa portar (e estar hábil a usar) equipamento de gelo (crampons e aqueles machadinhos de gelo), além de atentar para o risco de avalanche. Ah, nós levamos nossos bastões de trekking e, embora eles não sejam indispensáveis, acho que eles foram bastante úteis (principalmente na parte final).
      Se na subida você precisa de fôlego, na descida você precisa de joelho. Parece que quanto mais você desce, mais longe está o estacionamento. O que eu gosto de descidas é que geralmente é o momento que você mais se dá conta do quanto subiu.





      Terminamos a trilha destruídos e fomos recuperar a vida fazendo hora embaixo de uma árvore no Lake Wanaka e depois fomos para Bremner Bay ver o sol se por atrás das montanhas.
      (Ah, lembra dos fords do dia anterior? Conversando com a Erica, nossa anfitriã, ela contou que eles estão lá independente da época do ano e que é muito comum os carros de passeio terem problemas ao atravessá-los. Inclusive, disse que não é raro que os fords carreguem troncos pelo caminho e, por não vê-los, os carros se arrebentarem.  Isso diminuiu um pouco a nossa frustração do Rob Roy!)
       
      6º dia: LAKE HAWEA; BLUE POOLS; ARROWTOWN e LAKE HAYES
      Ainda sob o efeito do Roys Peak e relembrando cada músculo que existe em nossas pernas , deixamos Wanaka sentido Makarora com destino definido: as Blue Pools. Pelo caminho, destaque para o Lake Hawea lookout.

      As Blue Pools fazem parte do Mount Aspiring National Park, mas o acesso (dessa vez asfaltado!) é de um lado diferente do Rob Roy, fica mais ao leste, mais ou menos 1 hora de distância de Wanaka. Do estacionamento até as pontes suspensas são 10-15 minutos. Como o dia estava nublado, estavámos na expectativa se elas seriam tão azuis assim. Bem, vejam vocês mesmos na foto. 

      De lá pegamos estrada sentido Arrowtown, mais quase 2h de viagem. A estrada de Wanaka para Arrowtown passa por Cardrona, uma cidade que foi fundada na época da corrida ao ouro, e pouco depois atinge o Crown Range Summit, no topo da serra – com um visual beeeeeeem bonito. Outro destaque no caminho, mas aí já descendo, é o Arrow Junction Lookout Point. Dependendo do clima redobre o cuidado nessas estradas: a serra tem umas curvas bem caprichadas e, na época do inverno, pode ser necessário botar corrente no pneu.


      Deste último lookout até Arrowtown é um pulinho. A cidade é bem pequenininha, mas a fama de seu outono é grande e chegando lá não foi difícil saber o porquê. Acho que o melhor jeito de descrever Arrowtown é dizer que ela é uma cidade dourada, do tanto que o amarelo das árvores prevalescem na paisagem. A colina na entrada cidade é uma escala de cores entre amarelo e vermelho e a cidade tem um quê altamente aconchegante.  Fora os restaurantes e as lojas que vendem jóias feitas de jade, não tem tanta coisa assim pra se fazer por lá, mas vale a pena a visita. Fizemos duas trilhas de 1h cada, mais ou menos, a Arrow River Trail e a Arrowtown Millennium Walk. A primeira é mais legal porque você vê a paisagem mais aberta, mas o que eu não gostei foi o fato de que ela acompanha um grande cano de água da cidade. Desnecessário.


      Saindo de Arrowtown fizemos uma parada rápida no Lake Hayes e demos uma esticada até a Old Lower Shotover River. Uma curiosidade é que o Shotover River foi um dos rios mais ricos em ouro do mundo.


      A nossa hospedagem foi na casa da AJ. Dependendo do que você procura, a localização pode não ser tão boa por ser um bairro que não tem nenhum comércio perto, mas a casa era confortável e para nós foi uma ótima opção.
       
      7º dia: GLENORCHY
      Saímos de Shotover River direto para Glenorchy e decidimos que faríamos as paradas na estrada durante a volta. Glenorchy fica no final do Lake Wakatipu e a estrada de Queenstown até lá margeia o lago o tempo todo e é considerada também uma das estradas mais bonitas da NZ.
      Glenorchy é um pequeno vilarejo próximo a dois grandes parques, o Mt. Aspiring National Park (que se estende de Wanaka até lá) e o Fiordland National Park (o de Milford Sound) e é ponto de partida de uma das grande travessias da NZ, a Routeburn Track – chegamos a cogitar fazer o bate e volta da primeira perninha da Routeburn, mas seria uma caminhada longa para quem iria precisar pegar a estrada de volta para Invercargill.  Glenorchy também é conhecida por ter sido cenário de filmes como Senhor dos Anéis, Nárnia e X-Men e várias empresas vendem passeios guiados para esses lugares, além da famosa estrada para Paradise. Na realidade nossa ida para lá foi mais despretensiosa e demos uma circulada pelo píer, vimos as famosas Willow Trees e seguimos somente até o Isengard Lookout. O tempo não estava lá aquela coisa e logo pegamos o caminho de casa.



      Nossa primeira parada na volta para Queenstown foi em Bennetts Bluff Lookout, um mirante na parte alta da estrada. Não tem placa indicando o local, embora tenha um painel informativo depois que você desce do carro – você pode achar a localização certinha no Google Maps. Paramos ali e ao descer quase perdemos a porta do carro, literalmente. O vento estava muito muito muito muito forte e segurar a porta, na hora de entrar de volta no carro, foi uma missão e tanto. 

      Seguimos mais uns 5 minutos de estrada até Bob’s Cove Track, uma trilhazinha de meia hora que passa por um píer e sobe para o um lookout do Wakatipu. De lá você também tem a opção de seguir para a Twelve Mile Delta ou para a Bridle Track, ambas com estimativa de 2h. A última parada foi em Wilson Bay, já bem perto de Queenstown. Depois, 2h30 de estrada até chegar em casa.


      A viagem foi linda e mesmo com o tempo oscilando, tivemos dias muito bem aproveitados! Não consigo escolher uma parte favorita, mas os lagos todos (Pukaki, Tekapo e Ruataniwha), Mt. Cook, Roys Peak e Blue Pools são imperdíveis, em minha opinião. 
      Para esse trajeto todo gastamos cerca de $275 de gasolina, mas rodamos mais de 1500km.
      Ah, e pra quem queira acompanhar as fotos no Instagram: @paty.grillo 
       
       
       
       
       
    • Por bra_carioca
      Fui em 2017
      RELOCATION CAR
      Em comum, está o serviço de Relocation Car, em que vc aluga o carro, van ou ônibus numa locadora e devolve em outra cidade a preço simbólico. Eu usei o site COSEATS: https://www.coseats.com/ .
      A Trifty oferta no https://www.thrifty.co.nz/relocations e a TRANSFERCAR (nunca aceitaram minha proposta, não sei por qual motivo) pelo https://www.transfercar.com.au/  (AUSTRÁLIA) e  https://www.transfercar.co.nz/search (NOVA ZELÂNDIA).
      Como funciona? As locadoras precisam manter o estoque de carros nas cidades e usam os turistas para fazer esse serviço de devolução. Em troca, dão desconto no valor do aluguel, pagam a balsa, combustível etc conforme o contrato. Eu aluguei duas vezes uma Campervan, Toyota HiAce, 2 passageiros, de Melbourne a Adelaide e de Alice Springs a Darwin. Na 1a fiz um seguro caríssimo pq nào conhecia a Austrália. Na 2a vez, deixei o seguro gratuito da locadora e paguei apenas AU$5 por dia referente ao aluguel. O combustível restituem como crédito no cartão de crédito, desde que apresentemos a nota fiscal. No interior do deserto da Austrália, um posto me deu papel de pão carimbado e aceitaram.
      A estrada é ótima. No contrato, há limite para estrada vicinal, ou seja, vc não pode fazer rally e percorrer mais do que x km em estrada de terra. Não pode dirigir em rodovia à noite, até porque os cangurus e demais animais são suicidas. Velocidade máxima 120 km/h. Recarregar a bateria externa, a cada 48h ou 72h, depende do uso do micro-ondas etc.
      Há áreas de pernoite públicas nas rodovias e áreas de descanso. Banheiros públicos em todas e água não potável, em algumas paradas. Nas de pernoite, há local para fogueira. Banho, os postos de gasolina possuem chuveiro gratuito. Você dá a abastecida e aproveita a parada para uma chuveirada. Comida, comprei enlatados, frutas e galeto nos mercados da trip. Meu carro tinha frigobar e microondas. Foi tranquilo. Até GPS integrado, o último tinha, porque era 0 km. Dei sorte.
      ÔNIBUS INTERESTADUAL e INTERMUNICIPAIS
      AAT Kings para percurso dentro de Uluru
      Greyhound, Graylines, Intercity... não há muito para onde fugir. São poucas as viações e dependendo do destino, requer antecedência de uns 3 dias para reservar, senão vc fica a pé. Acaba rápido as opções mais econômicas.
      Na Nova Zelândia, o motorista de ônibus Queenstown x Christchurch é um guia turístico. Fala a viagem toda dos pontos no microfone e a parada do percurso é no Lago Tekapo. Parou na estrada para fotografarmos o Mount Cook. Mas há um bus via Mount Cook, que eu deixei para comprar 2 dias antes e me lasquei. 
      ONDE SE HOSPEDAR:
      Augusta: HOSTEL BAYWATCH MANOR AUGUSTA ----- Fantástico
      Adelaide:
      Bunbury: DOLPHIN RETREAT BUNBURY YHA ---- Bom
      Cairns: REEF BACKPACKERS --- Regular
      Melbourne: em Saint Kilda no BASE BACKPACKER HOSTEL. - Fantástico
      Fuja do ST KILDA EAST LOGE ------  PÉSSIMO!!!!! Longe de tudo, péssimo atendimento e infraestrutura.
      Alice Springs: ALICE SPRINGS YHA  --- Muito Bom
      Darwin: YOUTH SHACK BACKPACKERS e CHILLIS BACKPACKERS - Muito Bom
      Sidney: THE VILLAGE GLEBE ---- Muito Bom.
      -------------
      Christchurch: YHA ROLLESTON HOUSE -- Muito Bom
      Rorotua: ROCK SOLID BACKPACKERS ROTORUA --- Muito Bom
      Queenstown: NOMADS BACKPACKERS --- Fantástico (embora com wifi grátis limitado)
       
      COMER:
      Bom  e velho supermercado kkk
       
      IMPERDÍVEIS:
      Austrália:
      - Cairns é de uma atmosfera incrível. Gostei do Jardim Botânico, Waterfront, ver os cangurus de graça em Kewarra e a praia de Palm Cove a noite. Barreira de corais, é bonita. Mas quem já visitou outras barreiras, melhor não criar muita expectativa nem comparar.
      - Bunbury, Busselton, Geograph Bay, Augusta, Margareth River ... toda essa região amei demais. Quem nunca viu golfinhos, vale curtir o passeio em Bunbury. Eu me contentei por andar pelas baías, praias e trilhas. Aliás, os golfinhos se exibiram de graça para mim em Augusta dando um show de frescor. A avifauna australiana também é incrível com cacatuas, araras, pelicanos. Busselton tem os spots de surf mais famosos do mundo e uma miniferrovia sobre o mar, hoje apenas turística. Geograph bay é linda. Cape Leewin e trilhas da redondeza em Augusta nos conduz a praias selvagens belas. Depois de aposentada, eu quero morar em Augusta, a cidade não tem nada, a não ser uma baía cheia de pelicanos e pássaros australianos, golfinhos, praia selvagem e uma torre e um catatau de idosos simpáticos. Amei muito a cidade.
      - Perth possui um excelente Jardim Botânico com várias espécies de banksias e uma vista panorâmica da cidade. Elizabeth Quay é um espaço urbano de lazer ao redor da baía.
      - Fremmantle é pitoresco. Vale a pena visitar se estiver por Perth.
      - De Alice Springs até Darwin: amei este percurso pela Stuart Highway. Passa por vários parques naturais. Devil Marbles, a cidade de Katherine com suas gargantas, rios, Adelaide river e parques com crocodilo de água salgada se tiver na temporada, ou então, vá ao aquário mesmo. Gosto de ver o animal em seu habitát natural, mas como cheguei em baixa temporada e desconhecia um parque, acabei me rendendo ao muser. Os pontos turísticos desta região precisam ser pesquisados antes de tomar estrada pq as cidades não investem em divulgação. Deixei de ver o crocodilo de água salgada no Kakadu National Park pq só fui saber do atrativo depois de ter chegado em Darwin. Até vi a placa de rua do parque, mas nenhum outdoor explicativo ou panfleto nos Centros de Informação ao Turista. 
      - Coober Pedy: fui e voltei de busão desde Alice Spring. Breakaways, museu da opala e os imóveis subterrâneos são incríveis. Valeu muito a pena aquelas horas de viagem pq é longe muita coisa.
      - Uluru: como não havia mais vaga no único hostel. Fiz um tour de 3D2N acampando sob as estrelas em saco de dormir que levei e swags que eles providenciam no pacote. Fui pela The Rock Tours. A Emu Run faz o mesmo serviço. Não vi diferença na qualidade. Para os que não querem acampar, a AAT Kings faz os traslados bate-e-volta aos pontos turísticos. Eu aconselho esse tour de 3D2N porque economiza tempo. Kings Canyons, Valley of the Winds (o mais bonito do circuito) e Uluru gostei demais pela beleza cênica atípica. E há uma mini wave rock em Uluru Base Walk.
      - Darwin: bom para andar a pé. A cidade não tem nada e faz um calor com sensação térmica pior do que Manaus no verão. Mas foi bacana parar lá para compreender como funciona a questão de emprego para estrangeiros. Várias agências de emprego dentro dos hostels, povo vinha oferecer vaga no café-da-manhã. Pelo que entendi a demanda é sazonal e favorável a países com elos diplomáticos. Não é o caso do brasileiro que precisa se vincular a um visto de estudante e carga horária limitada de trabalho. A cidade é bonita e boa para relaxar, pescar... Quem gosta de badalação, há vida noturna ativa em Darwin (Melbourne também).
      - Wilsons Promontory: que lugar incrível! Vale muito a pena curtir as trilhas e beleza cênica local. A área do Tydal River é muito bem estruturada. Ah! Para os mochileiros ambulantes, nômades, notícia boa. Tem chuveiro público no Tydal. U-huuuuuu! 
      - Melbourne: Gostei muito de Saint Kilda, melhor lugar para se hospedar. O centro de Melbourne, gostei de visitar a noite, pois é bem agitado. De dia, curti os outlets. kkkk. Não é tão barato quanto a Indonésia, mas sabe o que é um outlet verdadeiro da Asics, Puma, Adidas, Katmandu, etc. Pois bem, acabei tendo que comprar uma mochila de 70L com zíper e minimochila acoplada para carregar minhas muambas. Eu não esperava encontrar produtos a bons preços num país caro. Subestimei e me surpreendi. A roda gigante de Melbourne, tramzone... vibe lá no alto. A biblioteca! Gostei muito. Ah! Aeroporto de Tullmarine tem banheiro público grátis.
      - Adelaide, dei uma circulada a pé pelo Centro. Cidade rica em cultura com muitos museus. Valorizam os grafites nas paredes. Há um contraste entre arquitetura antiga e arte urbana contemporânea. Gosto dessa mistura artística. Há espaço para todos sem perder o charme local.
      - Limestone e Gramphians, passei de campervan, parei em alguns pontos. Vi museus a céu aberto, esculturas de anônimos e uma pintura num silo fantástica. Se eu pudesse, ficaria mais dias na região explorando os acervos paleontológicos. Muitas vinícolas para quem curte vinho.
      - Great Ocean Road - imperdível. Percorri em 2 dias parando nas praias e parques. Lado bom de alugar a campervan. Para-se onde e quando quiser. Tudo lindo conforme vemos nas fotos. Eu sou fã de rocha calcária, então voltei fascinada.
      Ah! Fiquei tão encantada com a Austrália que fiz uma revista https://joom.ag/YkFW. É gratuita, terapia minha e não ganho nada com isso. Na verdade, criei pq um amigo disse que queria só os destinos tops e que não tem paciência para ler relato. Daí, criei essa revista atendendo ao amigo impaciente kkk.
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      Nova Zelândia:
      - Rotorua e Waitomo são os imperdíveis. O parque geotérmico Kuirau é rico em beleza e informação geológica. Waitomo, idem. Aluguei um carro no aeroporto de Auckland na SNAP RENTAL e dirigi até o parque de Waitomo. Fiz o  Waitomo Glowworm Caves e Ruakuri Cave.  Aconselho fazer os dois tours. Porque em um vc vê as larvas iluminando o teto da gruta. Parecem estrelas no céu. No outro, vc vê as larvas de perto. Aquelas larvas bioluminescentes são idênticas ao catálogo. Criei expectativa e saí muito satisfeita. Decepção zero. Que lugar lindo! A natureza é perfeita! 
      Rotorua, eu sou tarada por gêiser. Então o fedor do enxofre pela cidade não me incomodou. Fui dirigindo de Waitoka até Rotorua. Passei a manhã todo no Kuirau. Não visitei os demais parques termais da região por pura falta de tempo. Deve ser ótimo também.
      - Queenstown, lago Tekapo - lindos! Entre Queenstown e Te Anau, quem quer civilização Queenstown. Quem quer viver no meio do mato e tranquilidade, Te Anau, lua-de-mel lá não é de todo ruim. Os dois são bons, porém públicos e momentos diferentes.
      - Milford Sound, é bonito o fiorde. Mas não considerei imperdível. Pessoal aumenta no marketing, assim como a barreira de corais de Cairns. Mas gosto é gosto! Cada um tem seu padrão. Fui por agência de turismos, contratei o serviço assim que cheguei a cidade de Queenstown. Busca no hotel, para em Te Anau, Mirror Lake e leva ao cruzeiro dos fiordes. É muito longe e cansativa a viagem, aconselho ir de pacote. Porque dirigir na volta é puxado.
      - Christchurch está se recompondo pós-terremoto. A cidade é pitoresca com muitas obras de arte urbana espalhada pela cidade. É uma cidade simpática. Tive apenas 2 dias para explorá-la. Mas do pouco que sassariquei, gostei.

      -Auckland e Devenport: um trânsito do além. Acabei dando meia-volta e regressando ao aeroporto. Melhor coisa que fiz. Se eu fosse a Devenport perderia o vôo. Não havia acidente e nada de extraordinário, mesmo assim um trânsito lento. Tem que ir com calma e desprovido de cuidados com o relógio.
      Se eu tivesse que escolher uma ilha, para variar contrariando a maioria, digo que mil vezes ilha norte. Rotorua e Waitomo são fantásticos! Imperdíveis! Voltei muito contente pela oportunidade de conhecer esses dois lugares. Um privilégio!
    • Por Paty Senatore Grillo
      Olá mochileiros(as)! Tem relato fresquinho saindo do forno e o destino da vez foi um dos lugares mais famosos (e impressionantes) da Nova Zelândia: Milford Sound. 
      PRÉ-VIAGEM
      Essa viagem foi planejada com umas 3 semanas de antecedência, principalmente para conseguir preços mais baratos para a atração principal: o passeio de barco pelo fiorde. Existem diferentes empresas que vendem o passeio, com diversos horários disponíveis ao dia. Geralmente os preços variam de acordo com o horário, demanda e diferenciais disponíveis: você pode fazer desde o passeio tradicional até pernoitar em um barco e jantar lagosta com o capitão – depende do seu bolso. Em média, os tickets são vendidos na faixa de $80-$90 por cabeça. A boa notícia é que com um bom planejamento (e dicas na internet!) você consegue facilmente economizar 50% desse valor (com um pouco de sorte, até mais!) . A principal dica é acessar o site do BookMe: nele você consegue comprar tickets promocionais para diversos destinos e passeios em toda a NZ. Para isso, você precisa pesquisar com uma certa antecedência (mas não adianta olhar muuuuito antes, porque aí as ofertas não estão lançadas!) e ter uma certa maleabilidade nos horários, visto que são disponibilizados um número restrito destes tickets por horário e dia. As ofertas para o passeio tradicional são bastante parecidas entre si, mas a duração do passeio pode variar entre 1h30 e 2h15 e algumas empresas oferecem algum snack como cortesia. Nós compramos o passeio pela GoOrange, com saída às 9am, 2h de duração e cortesia de um copo de suco de laranja e um lanche - $40. 
      Inicialmente iríamos apenas Diego e eu, mas na primeira semana de planejamento um casal de amigos juntou-se a nós – Olesia (from Rússia), seu filho Makar  e Ricardo, também brasuca.

      PÉ NA ESTRADA: INVERCARGILL – TE ANAU – MILFORD SOUND.
      A viagem teve início na sexta-feira à noite quando saímos de Invercargill com destino a Te Anau, a cidade mais próxima de Milford. Levamos 2h para chegar até lá e como já era noite (e com chuva!), não tivemos nenhuma vista inicial da região – a noite foi de bate papo no hostel. Fizemos a reserva de 2 diárias no Te Anau Lakeview Kiwi Holiday Park: $59 por dia em quarto privativo com banheiro compartilhado (farei alguns apontamentos sobre o hostel no final do relato).
      De Te Anau para Milford levamos 2h, embora o Google Maps apontasse 1h45. Como precisávamos chegar no Centro de Visitantes 30 minutos antes da partida, pegamos a famosa Milford Road às 6h30. Enquanto beirávamos o Lake Te Anau (que é imenso!) pegamos alguns trechos com neblina, mas a estrada já chamou a atenção desde o início e foi se tornando cada vez mais incrível a cada km rodado! Montanhas enormes, vales, rios translúcidos e cachoeiras formam o impressionante cenário que dá a Milford Road o título de umas das estradas mais bonitas do país. Além das belezas naturais, algo bastante humano chama a atenção no caminho: o Homer Tunnel, com seus 1.2km de extenção (e em declive!). Por questões de segurança, há faróis controlando o tráfico de carros por ali e você pode levar mais tempo que do que imaginava para concluir a viagem (por isso a diferença entre a previsão do Google Maps!).


      Do estacionamento até o centro de visitantes foi possível ter um aperitivo do que encontraríamos pela frente: o caminho é curto, não mais que 10 minutos, e nele você tem as primeiras visões dos fiordes. Dali pra frente tudo foi se tornando cada vez mais incrível: acredite, você provavelmente não viu nada parecido com isso antes. 

      O MILFORD SOUND
      Milford é na realidade um fiorde, ou seja, um enorme vale rochoso inundado pelo mar e originado pela erosão provocada por glaciares milhões de anos atrás.
      Explicação geológica a parte, para os Maoris essa região foi criada por Tü Te Rakiwhänoa, que esculpiu os vales íngremes com suas ferramentas afiadas. Piopiotahi (o nome Maori do Milford Sound) teria sido o último a ser esculpído, após o domínio da técnica, e por isso tal perfeição.  A história continua e dizem os Maoris que para proteger esse canto da terra da ação dos homens, a deusa Hine-nui-te-pö criou as temidas sandflies. Sandflies (dizem) são insetos sedentos por sangue e que te farão coçar por muito tempo  - não tivemos o (des)prazer de conhecê-las, mas li em vários outros lugares que no verão o negócio é bruto - não esqueça o repelente! 
      Embora a região de Milford seja conhecida pelo alto índice de precipitação (dizem que chove em pelo menos 200 dias no ano!), tivemos muita sorte e encontramos um dia lindo pela frente. Não sei dizer se pelo horário, mas nosso barco não estava cheio e pudemos circular livremente pelo convés pra tirar as fotos. Sobre o passeio, só estando lá e vendo o que vimos, para entender.  Apesar do dia lindo, havia chovido no dia anterior e as cachoeiras estavam com uma boa quantidade de água. Como quase não estava ventando, o barco pôde se aproximar delas e foi incrivelmente lindo.
      Bem, se você pretende vir para a Nova Zelândia, esse é um must-do.




      Como Olesia e Ricardo se juntaram um pouco depois no planejamento da viagem, o passeio deles foi em horário diferente do nosso e durante a 1 hora que tivemos que esperá-los decidimos ir ao Milford Viewpoint. O caminho tem início próximo ao I-Site e não leva nem 10 minutos. Você vê parte do Milford do alto, mas a vista não é tão diferente de lá debaixo. Não é imperdível, mas já que você está lá… 
      MILFORD ROAD: A VOLTA
      Quando pensamos na viagem, a ideia original era fazer a Key Summit Trail no período da tarde. Essa trilha começa em Milford Road (mais precisamente em The Divide) e segue parte da Routeburn Track (uma das Great Walks) por cerca de 1h, antes de seguir seu próprio caminho até o Key Summit propriamente dito. Ida e volta são estimados em 3 horas. Porém, como estavámos com o Makar, mudamos os planos e decidimos parar em todos os pontos da estrada, com curtas caminhadas, em vez de encarar as 3h de trilha cume acima. Se tivéssemos mantido o plano de Key Summit muito provavelmente não teríamos tempo para fazer as coisas que fizemos.
      A primeira parada foi em The Chasm: dez (ou cinco?) minutos de caminhada para ver a queda d’água do Cleddau River. Simples, rápido, bonito.

      Dali, seguimos em direção ao Homer Tunnel e enquanto aguardávamos o farol liberar nossa passagem, conhecemos o Kea. O Kea é uma espécie de papagaio dos alpes, endêmico da Nova Zelândia e considerado uma espécie ameaçada de extinção. É um pássaro gordo e que corre engraçado – e parece que é considerado um dos pássaros mais inteligentes do mundo. O site oficial da Nova Zelândia lista algumas histórias engraçadas sobre ele, como ter trancado um montanhista em um banheiro de um alojamento. 

      Desviamos de Milford Road quando alcançamos a Hollyford Road, com o objetivo de fazer a Lake Marian Falls Track, que é só a primeira parte do Lake Marian Track (uma trilha de 3h return e nível avançado até o lago). A trilha começa com uma ponte suspensa sobre o Hollyford River, um rio incrivelmente lindo e limpo, e leva até umas quedas d’água. Para essa primeira parte são apenas 20 minutos return e vale muito a pena conhecer! 



      Voltamos para a Milford Road e fomos parando em alguns lookouts no caminho: Falls Creek Waterfall; Hollyford Valley Lookout; Lake Fergus (que estava lindamente espelhado!); Mirror Lakes. Particularmente, achei o Lake Fergus mais bonito que Mirror Lakes, mas Mirror Lakes tem uma placa bem legal de ponta cabeça e que reflete no sentido certo na água. 




      Chegamos em Te Anau por volta de 18h e ainda demos uma volta pelo lago, na frente do hostel. Pensa em um frio?! Noite de comida boa, bebida boa e papo bom!

      TE ANAU – INVERCARGILL, VIA SOUTHERN SCENIC ROUTE
      O domingo amanheceu chovendo – e frio, muito frio (o vento por aqui não é muito amigável) . Após o café da manhã a chuva deu uma trégua e conseguimos gastar uma horinha caminhando pelo Lake Te Anau. Não consigo deixar de me impressionar com o quanto as águas são translúcidas por aqui.



      Há várias opções de passeio em Te Anau, mas todos pagos (por exemplo, você pode ir a uma caverna com gloworms, as famosas larvas que brilham, pagando $90 por cabeça). Como não queríamos gastar, decidimos voltar para Invercargill pela Southern Scenic Route, embora não tivéssemos encontrado muitas informações de pontos de interesse no caminho.
      A Southern Scenic Route segue sentido Manapouri, a cidade (vila?) vizinha de Te Anau e com o lago de mesmo nome. Paramos no lago, demos uma circulada por ali e seguimos viagem. Manapouri é o ponto de partida para Doubtful Sound, o outro fiorde que você consegue visitar na Nova Zelândia. Não sei dizer o quanto custa o passeio, mas imagino que seja mais caro que Milford visto que você não consegue chegar até ele de carro (precisa cruzar o lago de barco e pegar o transporte da empresa até o segundo barco, nos fiordes).

      Seguimos a estrada e seguiu-se a chuva.  Pouco pouco depois de Manapouri pegamos um trecho bem bonito da estrada, mas foi só ali – depois ela virou uma estrada normal e sem atrações.


      Chegando em Tuatapere vimos uma placa indicando Blue Cliff Beach. Decidimos tentar a sorte, mas não encontramos nada.  Até vimos a praia, mas não conseguimos chegar nela, a não ser em uma única parte que não tinha nada de interessante. Insistimos no caminho por mais uns 6km em ground road até chegar no começo de uma trilha de 3 dias e aproximadamente 20km por dia – e então voltamos pra trás! 
      Seguindo caminho fizemos rápidas paradas no McCracken’s lookout e em Monkey Island, em Tewaewae Bay. O primeiro era bem bonito, apesar do tempo hostil e céu cinza. O segundo, nada imperdível. Monkey Island parece um punhado de terra e só é uma ilha quando a maré está alta; os Maoris costumavam usá-la para observar baleias.


      Antes de ir embora de vez ainda tentamos ter uma vista bacana de Tihaka Beach, em Colac Bay, mas a estrada não era tão alta e o tempo estava tão hostil que não tivemos coragem de sair do carro. 
      Enfim… o oeste da Southern Scenic Route não é nada demais e não acho que vale a pena, diferente do leste, que vai pra Catlins e é liiiiindamente linda (relato aqui).
       
      Sobre o hostel:
      * O Te Anau Lakeview Kiwi Holiday é um “complexo” com diferentes tipos de acomodações, áreas para camping, para motorhome e espaços coletivos. O espaço em si é bem legal e a equipe, solícita. PORÉM, os quartos são “cabines” individuais distribuídas pelo terreno e portanto, para usar o banheiro (que é compartilhado), você precisa atravessar o gramado (que à noite não é iluminado) e torcer pra não estar chovendo.  A cama é confortável e achei o quarto bastante suficiente, mas o aquecimento não é lá aqueeeeeeeeelas coisas (embora não tenhamos passado frio). Agora o que realmente me desapontou (muito) foi que a cozinha compartilhada não tinha absolutamente NENHUM utensílio (e isto não estava claro na página da acomodação).  Havíamos levado comida e, se não fosse pelo tipo de acomodação da Olesia e do Ricardo, que foi diferente da nossa, não teríamos feito nada. No quarto deles tinha uma mini-cozinha com duas panelas e uma frigideira, o que nos salvou. Limpeza dos quartos ok, mas devido a quantidade de hóspedes lá, a limpeza do banheiro deixava a desejar.
       
      Outras considerações:
      * Milford Road é linda, mas também é considerada uma das estradas mais perigosas da Nova Zelândia, com maior incidência de acidentes. Portanto, be careful! 
      * Embora não exista uma restrição na visitação ao Milford, entre Maio e Novembro é obrigatório portar correntes de neve para os pneus. Fique atento!
      * Existe a opção de fazer o passeio a partir de Queenstown com qualquer das agências que vendem o passeio de barco. Nesse caso, você faz um bate-volta de ônibus e a viagem leva cerca de 5 horas ida + 5 horas volta.
      * Se quiser acompanhar nossas descobertas pela NZ, segue lá no Instagram: @paty.grillo 
       
    • Por Paty Senatore Grillo
      Olá, pessoal! 
      Como compartilhei neste outro relato, meu marido e eu estamos vivendo em Invercargill (uma cidade bem ao sul da ilha sul da NZ!). Como não temos carro por aqui, procuramos sempre aproveitar a viagem de ônibus que nossa faculdade disponibiliza: a cada 15 dias há um ônibus saindo daqui por $2/return, alternando os destinos entre Queenstown e Dunedin. No relato de hoje, vamos começar a contar sobre nossas voltas por Queenstown.
      A verdade é que, a cada vez que vamos, não temos tanto tempo assim disponível: o ônibus sai de Invercargill 8h (pontualmente - sim, os kiwis são muito muito muito pontuais! ), mas a viagem é um tanto longa e geralmente chegamos em Queenstown perto das 11h – a volta é sempre 15h45.
      Sendo assim dessa maneira, a cada viagem elegemos um roteiro – e até agora todos foram completados com sucesso. 
      Queenstown é a cidade mais turística da ilha sul e é conhecida mundialmente como capital dos esportes radicais. Lá você pode se aventurar em bungee jumping, mountain bike trails, tirolesas, passeios de barco e muitas outras coisas. Porém, como no momento estamos apenas estudando (e não trabalhando), tudo isso está muito distante para nós (sim, essas coisas são MUITO caras. Eu acho, pelo menos. ). O que compartilharei, portanto, é nossa experiência em duas diferentes idas para Queenstown até o momento, fazendo coisas gratuitas-free-no charge.  Conforme tenhamos outras oportunidades por lá, irei acrescentando as coisas aqui no tópico.
      Nossa primeira ida a Queenstown foi no início deste mês de março. Havíamos pesquisado sobre uma trilha que leva à gôndola/Skyline, mas como saímos de Invercargill embaixo de chuva e neblina, achamos que provavelmente iríamos dar só uma volta pela cidade. Chegando em Queenstown, porém, boa surpresa: o tempo abriu – e decidimos encarar a trilha. 

      O Skyline é uma gondola (tipo bondinho!) bastante característica de Queenstown e que te leva ao topo de uma das inúmeras montanhas por ali. De lá, você pode voltar pela própria gondola, experimentar o Luge (que é descer a montanha em um carrinho, em um circuito próprio) ou descer pela trilha de mountain bike. Ah, também tem algumas opções de tirolesas. Além disso, há uma trilha, a Tiki Trail, que te leva da base da gondola até seu topo. Claro que optamos pela única opção free! 
      A Tiki Trail é uma trilha bem demarcada (como tudo na NZ) em meio a uma floresta de pinheiros e que só sobe (mais íngreme no começo – depois melhora! ). No dia em que a fizemos a temperatura estava quente e um tanto abafada, o que cansou mais do que deveria, mas chegamos no topo do Skyline após 1h de caminhada.  Lá você tem uma lanchonete, uma lojinha, todas as outras opções de lazer (Luge, Mountain Bike Trail…) e um lookout. Chegando lá você também pode seguir para a Ben Lomond Walkway (não foi dessa vez!). Lá de cima a vista do Lake Wakatipu é privilegiada, mas também disputada – um moooonte de turista! 


      Mais 1h de descida e estávamos famintos. Queenstown é cheia de gente, mas também é cheia de opção de restaurantes – para os mais diversos bolsos. Lá tem o famoso Ferg Burger, que diz ser o melhor hambúrguer do mundo. Não opinaremos por enquanto, porque ainda não comemos lá, mas a fila é sempre gigantesca e não importa o horário! Acabamos parando no Pog Mahones e pedindo um hambúrguer (com a cervejinha, que ninguém é de ferro ); $25 o combo, por pessoa. O hambúrguer em si era bem ruim, mas o pão era incrível e os acompanhamentos do lanche + batata frita também! Para a sobremesa, a dica é o sorvete na Mrs. Ferg Gelateria (sim, é o mesmo nome do hambúrguer famoso, mas a loja é diferente. Tem uns 3, 4 Fergs diferentes por lá): $6,90 duas bolas. O de pistache é muito bom (nunca achei que chegaria o dia em que eu falaria isso!) e o de cheesecake com frutas vermelhas também!


      Em nossa segunda ida para Queenstown novamente saímos embaixo de chuva e encontramos sol por lá. Dessa vez a trilha escolhida foi a Queenstown Hill/Te Tapunui Time Walk, uma trilha que ganha 500m de altitude até o topo de Te Tapunui. Para chegar no começo da trilha você precisa se dirigir até a Belfast Street: se você não tiver um bom preparo físico (e nem carro), sugiro pegar um taxi, porque é uma subiiiiiiiiiida das boas pra chegar lá (embora seja só uns 20 minutinhos de caminhada do centro). Fomos a pé mesmo. 
      A trilha em si é relativamente tranquila e em meio a um bosque de pinheiros. Subida, claro, mas sem pedras (o que deixa tudo muito mais fácil. ). Destaque para os cogumelos mais lindos que você provavelmente já viu na vida. No meio do caminho, surge uma bifurcação: à esquerda o caminho é mais curto, mas bem mais íngreme; à direita, um pouco mais longo. A dica é subir pela direita e voltar pela outra trilha (vai por mim!). Mais um pouco de caminhada e você chega no primeiro lookout, onde você encontra o famoso Dream Basket (uma escultura em ferro). De lá até o topo, Queenstown Hill Summit, a subida é bem caprichada. Força nas pernas, ar no pulmão e finalmente você encontra uma vista 360º. Como na subida da Tiki Trail o Lake Wakatipu havia sido o queridinho, dessa vez a atração principal foi a cadeia de montanhas conhecida como The Remarkables.  Levamos 1h para chegar ao topo e passamos quase que 1h lá em cima, de tão lindo que era. A descida levou pouco menos de 1h (nesse momento nos demos conta do quanto havíamos subido!).






      14h30 estávamos novamente no centro de Queenstown e isso nos dava aproximadamente 1h de folga até a partida do ônibus. Decidimos comer nosso lanche (que dessa vez levamos, para baratear as coisas) no Queenstown Gardens que, para variar um pouco , era mais um parque lindo na Nova Zelândia (não sei o que acontece por aqui… todos eles são tão incríveis!). O Queenstown Gardens fica na beira do Lake Wakatipu e lá existem algumas trilhazinhas, quadras esportivas e outras opções de lazer. Pelo tempo, fizemos apenas a short walk - 20 minutinhos. Embora a Mrs. Ferg Gelateria tivesse sido ótima, foi a vez de tentar o sorvete da Chocolates Patagonia NZ (e também vale muito a pena. Dica: doce de leite e mascarpone cheese com frutas vermelhas. Sucesso!). $7,90 - $1 a mais, mas por outro lado a quantidade é maior.



      Por enquanto é isso, pessoal. Havendo novidades sobre Queenstown volto aqui para compartilhar.
      Em resumo:
      * A cidade é mega turística e, portanto, há coisas para todos os bolsos.
      * Os valores citados aqui estão em dólar neozelandês.
      * Se você por acaso tiver que escolher apenas uma das trilhas, definitivamente deveria ser a Queenstown Hill. Confia!
      * Queenstown é linda e vale a pena a visita mesmo que você não goste de esportes radicais ou não tenha grana para isso.
       
       
       
       
       
    • Por Paty Senatore Grillo
      Olá, pessoal!
      Estou aqui para compartilhar mais um relato com vocês.  Bem, meu marido e eu nos mudamos para a Nova Zelândia no começo de fevereiro. Viemos para estudar (ele, pós e eu, inglês) e ficaremos em terras maoris até o começo de agosto. A verdade é que, antes de vir, tivemos muita dificuldade para encontrar relatos nas comunidades brasileiras. Encontramos o do Brunner e alguns sites (Vida Cigana; Viajoteca), nada muito além disso.
      Estamos morando em Invercargill, a principal cidade de Southland (mas que na verdade é um ovinho! ). Invercargill é uma cidade com cerca de 50 mil habitantes, espalhada, plana e sem grandes movimentações. As coisas por aqui (e ouvi dizer que em outras cidades da NZ também) são tranquilas e depois do horário comercial (que aqui é das 9am-17pm) você praticamente só encontra supermercado aberto. Embora pequena, Invercargill tem vários parques e o principal deles, o Queens Park é impressionantemente bonito. Tem alguns (2? Hahaha! ) pubs na cidade, mas por enquanto fomos em um só: cerveja boa, preço justo (quando chegamos parecia que estávamos em um encontro da terceira idade: várias senhorinhas e senhorzinhos sentados em uma enorme mesa comprida. Taí, quero ser desses! ). Ah, e meia noite já estava todo mundo se preparando para ir embora e o pub, para fechar.
      Bom, o fato é que aos finais de semana não temos muito além disso para fazer por aqui. Quinzenalmente, aos sábados, a universidade disponibiliza um ônibus para alguma cidade vizinha por $2 ida e volta, o que é ridiculamente barato e, embora seja concorrido, conseguimos nos inscrever em todos até o momento. Os destinos alternam entre Queenstown e Dunedin. Como levamos em torno de 2h30 a 3h de estrada e o ônibus volta no mesmo dia, não temos mais que 4-5h pra explorar as cidades, então a cada vez elegemos um foco. Mais pra frente farei um relato sobre elas!
      Esse relato é de nossa primeira road trip por aqui, em um final de semana. Pesquisamos sobre a região de Catlins (as primeiras atrações estão a pouco mais de 1h de distância de Invercargill) e alugamos um carro por $69 a diária. Como a agência não funciona aos domingos e abre tarde no sábado, negociamos de pegar o carro na sexta à tarde e devolver na segunda de manhã pagando apenas 2 diárias. Catlins tem diversos pontos de interesse e a idéia inicial era ficar o final de semana todo por lá. Tínhamos um folheto sobre a região (que você pode pegar em qualquer I-Site por aqui. O I-Site é um local de informação para turista e praticamente toda cidade tem um. Nele você encontra folhetos de toda a NZ, mapa gratuito da região, recebe todas as informações que precisar e ainda tem banheiro público. Geralmente eles têm site também.) e uma reserva no Thoma’s Catlins Lodge, em Owaka ($ 69 no quarto privativo, banheiro compartilhado).
      Saímos no sábado pouco antes das 8am. O primeiro grande desafio (pro Diego, no caso!) começou na tarde anterior, quando pegamos o carro: aqui é mão inglesa, ou seja, o motorista fica do lado direito e você precisa reprogramar seu cérebro (inclusive para atravessar a rua, o que era extremamente arriscado nos primeiros dias! Rsrs ). Mas ele se saiu muitíssimo bem e na manhã de sábado eu já nem precisava mais lembrar de que lado ele tinha que ficar! Como iríamos descobrir depois, as estradas, embora estreitas, são conservadas e tranquilas – mesmo as estradas de terra (“de chão”, de acordo com os mineiros ou “ground road”, por aqui).
      Com o sol nascendo, fomos para nosso primeiro ponto de interesse: Slope Point. Chegamos antes das 9am. Lá, você estaciona o carro e atravessa um campo cheio (cheio mesmo) de ovelhas (e cocô de ovelhas ). Aliás, aquele lance que você escuta antes de vir pra NZ de que aqui tem mais ovelhas do que pessoas é ABSOLUTAMENTE verdade. Tem ovelhas em todos os lugares. Muitas. Mesmo. Após passar por elas havia uma opção para a esquerda (para um farol), mas a paisagem da direita era lindíssima e foi pra lá que escolhemos ir (também havia trilha). Foi nosso primeiro “uau!” da viagem (spoiler: vieram muitos outros depois).


      Várias fotos depois, pegamos novamente a estrada com destino a Curio Bay. Pelo que ouvi, Curio Bay é o principal point do pessoal de Southland e junto à praia tem toda uma estrutura para camping. O lugar é conhecido pela facilidade de se encontrar golfinhos (a menor espécie deles, Hector’s dolphins, endêmica da NZ), porém não vimos nenhum. Outra famosa atração por lá é a Fossil Forest, uma floresta petrificada da era Jurássica. Lá também foi nosso primeiro encontro com um leão marinho (que mais parecia uma foca!).



      Seguindo viagem, deixamos a costa e fomos para McLeans Falls, uma cachoeira com queda de 22m e que você acessa por um caminho bem bonito em meio a um bosque. O acesso até a base é tranquilo, com uma subidinha de leve no final. Se você quiser, dá pra subir depois pelas pedras até a quedra principal, o que fizemos.

      Pelo mapa, nossa próxima parada seria Cathedral Caves, uma caverna na beira da praia que só pode ser acessada na maré baixa (os portões abrem 2h antes e fecham 1h após; você pode consultar o horário nesse site aqui). Como ainda teríamos que esperar cerca de 1 hora para visitá-la, seguimos direto para o Florence Hill Lookout, um mirante na beira da estrada com vista para Tautuku Bay e Tautuku Peninsula. Aproveitamos para comer nosso lanche por lá, mas o tempo tinha mudado desde o começo da manhã (o que é bem comum por aqui) e o vento fez com que fosse desconfortável fazer hora por lá. Demos meia-volta sentido Cathedral Cave e, como ainda tínhamos uns 20 minutos, paramos no Lake Wilkie. O mapa dizia ser um bonito lago espelhado, mas na verdade… era só um lago . Nada imperdível, mas como você não leva nem 20 minutos para ir e voltar, ok.


      Cathedral Caves foi o único lugar em Catlins que tivemos que pagar para visitar ($5/pessoa). Como tem a restrição de horário, foi o lugar mais cheio também. Você faz uma trilhazinha em meio a um bosque para chegar em Waipati Beach (na ida sóóóó descida, portanto já sabe como será a volta! Heheh ) e depois caminha pela areia até a ponta esquerda da praia. É uma experiência e tanto caminhar dentro da caverna, virar para trás e dar de cara com o mar. Como a caverna é inundada na maré alta, dentro você encontra várias algas e conchas pelas paredes de pedras. Vale a visita!


      De lá seguimos para Purakaunui Falls. A distância entre esses dois lugares é mais longa que entre os lugares anteriores, já a trilha para acessar a cachoeira é curtíssima. Purakaunui é conhecida como sendo a cachoeira mais fotografada da Nova Zelândia. A McLeans era muito bonita e se essa era ainda mais famosa, estávamos esperando algo incrível. Ouso dizer que foi a única decepção da viagem . Ela é baixinha e não tinha tanta água assim… Não sei dizer se costuma ser diferente disso.

      Pé (ou melhor, carro) na estrada outra vez, o destino seguinte foi Surat Bay. O destaque do lugar é você andar pela areia da praia e procurar por leões marinhos (NZ Sea Lions/whakahao). Chegando lá, a primeira coisa que vimos na areia, na realidade, foi uma mulher vestida de noiva, o noivo e meia dúzia de pessoas tirando fotos . Em seguida, vimos duas pedras… que não eram pedras!  Embora sejam selvagens e em todos os lugares você encontre orientações para não se aproximar deles, nossa impressão foi a de que os leões marinhos são grandes corpos roliços esparramados na areia e imóveis, enquanto voce fica lá esperando por algum sinal de que eles estão vivos (sim, eles se mexem um pouco e confirmam isso). Andamos quase toda a praia, vimos uns 5 leões marinhos-pedras pelo caminho e, na volta, finalmente vimos dois deles se levantarem. Êêê! 


      Eram quase 17h30 e o dia tinha rendido muito mais do que havíamos imaginado. Dos pontos que gostaríamos de visitar faltava apenas o Nugget Point, a uns 30 minutos de distância de Surat Bay. Como por aqui, neste período, o sol se põe entre 20h e 20h30, decidimos esticar até lá, matar Catlins em um dia e repensar nosso roteiro à noite no hostel.
      Nugget Point é simplesmente o lugar mais bonito de Catlins.  O farol é famoso e aparece em diversas fotos de viajantes na NZ e não é para menos! Do estacionamento até o farol você caminha uns 10 minutos e conforme vai chegando perto, tudo vai ficando cada vez mais incrível. Os primeiros nuggets, o efeito do caminho levando até o farol e o que você encontra quando chega na ponta… tudo é absolutamente lindo. Vale cada km rodado.



      Na volta, ainda claro, paramos no Roaring Bay, uma reserva que é habitat do pinguim da espécie yellow-eyed/hoiho, também endêmico da NZ. O lugar é do ladinho do Nugget Point e você caminha até uma espécie de abrigo de onde você pode tentar a sorte de ver algum deles. Se não vimos nem os golfinhos que são comuns em Curio Bay, que dirá os pinguins. Hahaha. Parece que a probabilidade de vê-los é maior a noite, horário em que geralmente eles voltam do mar.
      Finalizando nosso primeiro dia de viagem, voltamos para Owaka. O hostel que reservamos era bem legal: o quarto era pequeno, mas confortável e limpo. O banheiro compartilhado foi o mais bem estruturado que vi até hoje e a cozinha ampla, equipadíssima e com todos os utensílios possíveis e imagináveis. Depois de um macarrão esperto e de um vinho, decidimos que no dia seguinte esticaríamos até a Otago Peninsula, perto de Dunedin.
      Saímos no domingo pouco antes das 8h e seguimos direto para Tunnel Beach, em Dunedin. É um lugar fácil de chegar, sem Ground Road, e depois de estacionar você deeeeeeeesce por um caminhozinho por uns 15 minutos (mais uma vez você já sabe como vai ser a volta… considere o dobro do tempo para voltar ). Lá de cima a vista já é incrível, mas quando você chega é indescritível. Sem dúvidas é um dos meus lugares favoritos da NZ até o momento. Não importa o lado que você olhe, é bonito. Muito. Você pode ver os penhascos, as pedras, o mar turquesa, subir na pedra maior, ver o túnel de perto, ver as ondas quebrando dentro dele… e você não vai saber o que dá mais vontade de ficar olhando. E quando você achar que você já viu tudo por ali, procure bem direitinho que você vai achar um túnel em uma das pedras, que te leva até uma praiazinha. É muito, muito legal! 





      De lá seguimos para a praia ao lado, St. Clair, que é um point para surf. O bairro por ali é um charme e tem um calçadão beirando a praia (que por ali, não tem areia. Você desce do calçadão, pelas escadas, direto nas pedras e no mar). A água, como em todos os outros lugares, cristalina.

      A península de Otago tem dois caminhos possíveis: pela costa externa, você faz o caminho por cima pela Highcliff Road; pela costa interna, você tem a Low Road margeando a baía. Fomos pela primeira, até pegar a saída para Sandfly Bay (que já é uma atração a parte). Chegando lá, você caminha até o lookout e tem a opção de continuar descendo para a praia. Como a viagem de volta (Dunedin-Invercargill) seria mais longa, decidimos fazer as coisas de modo mais tranquilo e não descemos até a orla.



      A próxima parada foi Sandymount (que você consegue avistar do lookout de Sandfly Bay). Acho que a estradinha até lá foi a mais chatinha da viagem toda, mas nada que atrapalhe. Do estacionamento você tem indicação de duas trilhas: para o Lovers Leap (principal atração) e para um Viewpoint, mais perto. Resolvemos fazer esse primeiro e, definitivamente, não façam o mesmo que nós! Você tem uma vista incrível da Península de Otago de qualquer parte da trilha, menos do mirante.   Para chegar lá são mais ou menos 500m, mas bem íngreme, e você encontra plantas maiores que você que não te deixam ver nada.  De lá, pegamos um caminho alternativo para o Lovers Leap, um pouco mais distante que a trilha principal, mas pelo menos foi só descida (e na areia, para alegria do joelho e diversão dos pés). Mais uma vez o lugar é beeeem bonito. E não só a atração principal, em si: voltamos pela trilha principal e o caminho em meio às montanhas e com vista para a península também é incrível!



      De volta à estrada, tocamos em frente até a pontinha da península: Taiaroa Head. Esse era o lugar que sabíamos menos a respeito, mas eu tinha visto uma foto e coloquei ele no roteiro. Lá fica o Royal Albatross Centre (o Centro de Visitantes para quem quiser fazer o passeio de barco que te leva a uma colônia de albratrozes. Como é caro, nem cogitamos fazer). Mas além disso, tem um farol e uma vista líndissima do Pacífico. Dali, no lado oposto, também é possível descer até o nível do mar e ver uma colônia de leões marinhos. Renderam belas fotos!



      Península completa, era hora de encarar as 3h30 de volta para casa.
       
      Lembrando:
      *Todos os lugares são sinalizados e estão no Google Maps. A previsão de chegada do Maps em todos eles foi impecável!
      *Todos os valores aqui estão em NZD. Desde que chegamos a média de câmbio tem variado em torno de 1 NZD = 2,45 BRL (via Transferwise! Por casa de câmbio a cotação é pior!).
      *Para a viagem toda, gastamos $90 de combustível.
      *Ah, além de só poder ser acessada no horário da maré baixa, Cathedral Caves pode ter acesso limitado entre Maio e Outubro.
      *Larnach Castle é outra atração bastante famosa de Otago Peninsula, por ser considerado o único castelo da NZ. Mas como você não consegue ver absolutamente nadinha dele sem pagar, ele ficou de fora de nossa lista.
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