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Olá viajante!

Bora viajar?

A farsa de Fernando de Noronha

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  • Este é um post popular.

Galera,

 

Antes de mais nada quero deixar claro que essa foi minha impressão da Ilha e eu sei que muitos vão discordar. Mas como já conversei com outras pessoas que tiveram a mesma impressão que eu, gostaria de colocar uma outra visão sobre a famosa ilha de Fernando de Noronha. Que o lugar é lindo (deslumbrante mesmo) e está na lista dos principais roteiros de viagens do país todo mundo sabe. Justamente por isso, resolvi provocar a discussão um pouco sobre os pontos negativos, que só fui descobrir quando cheguei lá.

 

Toda essa introdução para dizer uma coisa simples: Fernando de Noronha deixou de ser um lugar voltado para o Ecoturismo para se tornar um point de Turismo de Luxo. Não é novidade para ninguém que a Ilha é o ponto turístico mais caro do Brasil e sempre teve preços exorbitantes. Mas o caso é que isso está afastando os ecoturistas e mochileiros para atrair um tipo de turista que eu particularmente não gosto de encontrar em minhas viagens, o turista predatório.

 

Eu estive lá na primeira semana de setembro e fiquei 9 dias. O que pude perceber é que Fernando de Noronha está completamente dominada por turistas que compram seus pacotes em agências de farofeiros e que estão muito focadas com sua diversão e pouco se lixando para a conservação e preservação da Ilha.

 

O fato é que Noronha virou o lugar da moda. E as pessoas não estão indo para lá porque adoram o contato com a natureza, porque gostam de mergulhar (a maioria que vai pra mergulhar nunca fez isso antes!), porque o lugar é incrível, etc. Estão indo para lá porque dá STATUS dizer que conhece Fernando de Noronha. Estão indo porque conseguem impressionar mais facilmente a namorada/noiva/esposa levando-a para Fernando de Noronha do que para a Costa do Sauípe.

 

Isso, como vcs bem podem imaginar, muda completamente o perfil do turista e os serviços necessários para atendê-lo. A preservação do meio ambiente é levado a sério por Ibama, Tamar e outras Ongs de lá. Os turistas fazem de conta que contribuem, mas só fazem de conta.

 

Todo mundo é a favor da preservação dos Golfinhos. Mas se o barco não fica fazendo meia volta para acompanhar o bando de golfinhos, os turistas reclamam. E não é novidade pra ninguém que os golfinhos só acompanham o barco pq estão se sentindo incomodados. Todo mundo é a favor da limitação de 100 pessoas por dia na praia do Atalaia, desde que esteja entre essas 100 pessoas. Se for barrado pelo Ibama, reclama e ameaça fazer escândalo.

 

O ônibus coletivo de lá tb só é usado por nativos. Todo mundo prefere alugar uma land roover com o ar condicionado ligado no máximo e o diesel comendo solto. Acho que os buggys estão com os dias contados por lá. Inclusive qdo fui alugar um, o dono ficou falando uns 5 minutos sobre o “desconforto” do buggy, o que me fez imaginar o tanto de reclamação que ele não recebe sobre o vento batendo na cara, o sol, a areia, etc.

 

No item desconforto, chega a ser hilário as tais “trilhas” de Noronha. Tirando a do Atalaia e do Capim Açú, o que eles chamam de trilha por lá é uma caminhada na praia. Pra atravessar 50m de uma praia pra outra no meio do mato lá é “trilha”, Pior que acaba sendo mesmo. Já que grande parte dos turistas lá já passou dos 60 anos e nunca fez uma trilha de verdade na vida. Fui a uma palestra do Ibama na qual eles fizeram uma apresentação da ilha. Todos os locais sobre qual eles falavam alguém levantava a mão e perguntava: “dá pra ir de carro”?

 

Economia de energia e água? Esqueçam! Todo mundo é favor da preservação desde que não atrapalhe seu conforto pessoal. Apesar dos vários apelos do Ibama e nativos em geral.

 

Aliás, é até engraçado falar em Nativos pq isso é um conceito ultrapassado por lá. Como o turista que está indo a Noronha é o popular “chato” (pra não dizer fresco), as operadoras, pousadas e restaurantes estão contratando gente de fora da ilha pra poder atender esse mala do jeito que ele acha que deve ser tratado. Com isso, em 9 dias de Noronha, não consegui conhecer uma única pessoa que estivesse mais de 4 anos na Ilha. Só trabalha com turismo lá quem é de fora.

 

As tão famosas pousadas “domiciliares”? Pois bem, fiquei em uma delas. E descobri o que viraram: há alguns anos o governo de Pernambuco construiu e distribuiu algumas casas para os nativos que serviriam também como pousadas. Eles receberam as casas com o compromisso de não poderem vendê-las. O objetivo era desenvolver uma fonte de renda para essas famílias. Há um bairro novo lá, a Floresta Nova, que parece uma Cohab ou CDHU de pousadas: casinhas de madeira (bonitinhas) com quatro quartos para hóspedes.

 

Fiquei numa dessas. Mas o caso, é que a família que é dona da pousada não mora na Ilha há tempos. Assim que receberam a casa arrendaram para uma empresa que detêm outras 10 pousadas (!!!!) do mesmo tipo. Essa empresa arrendou essas casas e centralizou a administração. Colocou um funcionário vindo do Continente em cada uma pra tomar conta, mas tudo tem uma gerência central, que inclusive tem um preço único e mesmo padrão de serviços para todas. Essa não é a única empresa que faz isso. Os moradores antigos? Todos vivendo em Natal ou Recife com o dinheiro do arrendamento.

 

Isso parece besteira, mas na verdade é um dos motivos do preço alto. Já que o lugar virou um grande cartel. Outro problema: a ilha perdeu a identidade. Não há mais moradores que nasceram lá. Isso faz com que também não tenham nenhum compromisso com o local, pois sabem que amanhã poderão ir embora trabalhar em outro lugar.

 

Enfim, como acho que já escrevi demais, só pra finalizar gostaria de dizer que todos esses problemas estão transformando Noronha em um lugar amorfo, totalmente sem identidade, sem uma cara. O lugar está ficando chato! Qdo voltei de Noronha todo mundo me perguntava como era lá e a resposta padrão que eu criei era: é lindo, mas é chato.

 

Abs

Marcelo

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Concordo com a Carol em tudo.

Não falei dos problemas populacionais no meu post porque não era sobre isso que o Lojudice falava e eu tratei apenas de responder algumas bobagens que achei que ele falou.

É FATO que Noronha é um lugar abandonado pelo governo de Pernambuco.

Quando estive lá, também ouvi reclamações de moradores nesse sentido.

A taxa de preservação que todos nós e os moradores tbm pagam passa mesmo longe da Ilha.

 

Quanto a preservação da natureza, sinto que o problema é a falta de fiscalização.

Noronha é um pólo turísitico. Quase toda a população vive do turismo.

Como eu sugeri, o IBAMA tinha de colocar um fiscal dentro de cada grupo de passeio...

 

E outra: se vc tem conciência ecológica e andou com um guia que não tem, denuncie!

 

Tentar arrumar as coisas, às vezes, pode ser mais fácil do que a gente imagina...

 

PS: assustadora essa questão do lixo

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Cara !!!! seu relato é verdadeiro....e a tentencia hoje em dia é piorar

  • 1 mês depois...
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hola,

 

Recièn vuelvo de Noronha y adorè el lugar, sin embargo fiquè choqueada por el nùmero de vehìculos que circulan por la isla: màs de 700.

Los turistas suben hasta la Iglesia de San Pedro en buggie.

Yo creìa que Noronha daba mucho màs oportunidades a los nativos que en la isla grande (isla que adoro), PERO lAMENTABLEMENTE no es asì. Conversè mucho con los taxistas, y ellos me contaron que muchas cosas estàn prohibidas, pero si se tiene dinero la prohibiciòn no existe.

En cuanto a los precios, quienes viven allá deben pagar 1real por kilo que traen desde el continente, el botellòn de gas cuesta casi el doble. No parecen estar conformes con su situaciòn, ya que ven pasar mucho dinero al que nunca tendràn acceso.

Yo preferì caminar y nadar, creo que ilha tour no vale la pena y el paseo de barco hace el mismo recorrido que uno puede hacer caminando por el mar de dentro.

 

Perla

Postado
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Pues si, Perla, es verdad. De preservación y turismo sostenible he visto muy poco. Una lástima, pues el sitio es precioso.

:ó(

Postado
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Fui para Noronha em agosto de 2009, e no meu voo de retorno sentou-se ao meu lado um senhor que foi um antigo "governador" (indicado pelos militares) da ilha. Ele também era engenheiro, se não me engano especializado em saneamento básico, e ex-professor da universidade federal de Recife.

 

Conversamos sobre a realidade da ilha e seus problemas ecológicos.

 

Ele me contou que a maior parte da verba paga ao IBAMA pelos turistas é utilizada apenas para retirar o lixo da Ilha e levá-lo até Recife (a quantidade diária de lixo era enorme, sendo necessário um barco a cada 2 ou 3 dias para levá-lo). Além disso, apesar do "controle", o número de turistas que frequenta a ilha é extremamente elevado, principalmente durante o verão quando cruzeiros desembarcam por lá, o que traz um grande impacto negativo. Há excesso de carros, que também cria alguns problemas, e energia gerada por combustíveis fósseis. Em alguns locais, como a trilha do atalaia, eles já tiveram problemas como a destruição de corais, o que resultou em uma mudança na rota para permitir a recuperação dos mesmos. E também há problemas com esgoto. Estes problemas não são muito nítidos hoje (apenas para quem observa bem), mas caso não seja feito nada ele me adiantou que em 5 anos eles trarão consequências para os habitantes e turistas da ilha.

 

Pessoalmente achei a ilha um lugar lindíssimo! Pontos como a Baia dos Porcos são imperdíveis, e pode-se ficar por horas mergulhando com snorkel vendo a grande quantidade de vida que tem por lá. Os turistas que frequentam por lá são bem desinteressantes ... pessoas que aparentemente estão por lá mais pelo "status" (para falar para os amigos, etc) que a viagem trás, do que propriamente pelo contato com a natureza. Achei um povinho bem esnobe e fresco, e boa parte dos problemas da ilha devem-se a eles, já que exigem muita qualidade e diversidade nos serviços.

 

A regra do "quem tem dinheiro pode mais" também vale por lá. Em alguns casos, investidores de outros estados usam um nativo como "laranja" para fazer um empreendimento. O exemplo típico disso é a "Pousada Maravilha", que tem dentre outros sócios o Luciano Hulk (acho muito bom dar o nome aos bois) . Esta possui preços exorbitantes para os hospedes e foi construída em uma área de proteção permanente, onde obviamente não seriam permitidas pousadas, mas que com $$ e "jeitinho" a obra foi finalizada.

 

Conheci alguns habitantes da ilha ... todos trabalhavam com turismo (guia e instrutores de mergulho). Eram bem simpáticos, mas em geral favoráveis a este turismo especulativo, pois o mesmo trás um bom retorno para eles. Percebi que eles (principalmente os mais jovens) perderam a simplicidade que encontramos no povo do NE, e tornaram-se também um pouco "esnobes".

 

Com relação ao preço ... concordo que são elevados devido à distância da ilha para o continente. Entretanto, percebo também que não existe uma "livre concorrência" por lá, e que a dinâmica de mercado se assemelha mais com carteis. Provavelmente os comerciantes devem combinar "precos mínimos" ou até mesmo de cobrarem os mesmos preços, tudo para manter a sua rentabilidade elevada. Um exemplo disso são as operadoras de mergulho ... quando fui a saída custava R$ 230 reais (com mais o aluguel dos equipamentos sairia tudo por 290 ou 300) e não havia diferença de preço entre as duas principais operadoras (Águas Claras e Atlantis). Uma outra mais simples (Noronha Divers) possuia preços apenas R$ 10 mais barato. Adorei mergulhar por lá! Mas com "profissionalismo" exagerado, que tornou a experiência um pouco insípida.

 

Trata-se de um lugar onde hoje em dia todos querem aproveitar e faturar ... começando por companhias aéreas, que tem passagens mais caras para Noronha do que para NY ou California ... companhias de turismo com seu modelo de negócio predatório, como a CVC que já invadiu a ilha ... donos de estabelecimentos como pousadas e restaurantes ... e tudo mais por lá.

 

Desculpe o jeito confuso de escrever ... iria fazer um pequeno relato que se extendeu sem muito planejamento. Se quiserem paisagens (e principalmente) um mar bonito eu recomendo a viagem! E visitem logo, pois a depredação tem aumentado nos últimos anos. Agora não procure interação humana por lá, pois as pessoas tem muito pouco a oferecer, principalmente os turistas.

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fabiohgb,

 

Legal seu relato porque mostra que em três anos (eu fui em 2006) não mudou praticamente nada... esse problema do status ainda vai afundar a Ilha.

 

Abs

Lojudice

Postado
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Nossa Fabio, seus comentários complementam os meus. E é triste o que este ex-professor te contou, e temo que é verdade. Muitos dos corais que eu vi quando fui no atalaia estavam com doenças. O técnico comentou que a maioria das doenças é causada por protetor solar (!). Seria tão fácil impedir isso... Mas claro, o turismo se ressentiria, etc., etc.

Eu só discordo de vc com relação ao tipo de turistas. Disse isso também ao criador do tópico, que teve a mesma impressão que vc: não se pode esperar que o turista "crie" o espacio. Se houvesse efetivamente um turismo sustentável, se a quantidade de pessoas que entram fosse realmente restrita, se houvesse uma cultura de sustentabilidade, as pessoas que fossem pra lá se acomodariam. O ser humano tem uma capacidade incrível de se adaptar, e acredito que mesmo sendo moda, poderia ser uma escola de ecologia para todos. As palestras no TAMAR são cheias de gente, muitos decidem adotar uma tartaruga, um tubarão, etc. É pra mostrar pros outros? Tô nem aí, a proposta é legal, é sustentável.

Mas simplesmente não há interesse (nem público, nem privado), e isso tem a ver com todas as políticas atuais no Brasil com relação a crescimento, aceleração da economia, etc., etc., etc.

Quando o Brasil acordar do sonho do crescimento, vai estar que nem os EEUU... :ó(

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Carol,

 

Concordo com vc que não se pode deixar na mão do turista a opção de respeitar ou não o ambiente local. O Ibama tem que atuar forte sim. E pelo que eu já andei aqui pelo país dá pra dizer que em Noronha é de longe o lugar no Brasil onde eles estão mais atentos, o que não significa que seja suficiente. Em todo caso, o que eu disse quando comecei essa discussão é que o tipo de turista que frequenta Noronha vc não encontra em nenhum outro lugar "ecológico" como Chapada Diamantina, Bonito, Serra da Capivara, etc... Parece que despacham o que tem de pior no turismo brasileiro lá pra Noronha, rsrs... Ninguém vai pra Chapada Diamantina ou pra Bonito só pra dizer que ficou na pousada tal ou comeu no restaurante x. Nenhuma subcelebridade aparece em revista de fofoca contando que foi pro Jalapão. Mas com Noronha isso acontece. Tomaram a ilha de assalto e tão cedo não vão sair de lá. E só reforçando: isso foi o que eu vi durante os oito dias que passei por lá. Outras pessoas podem ter tido uma experiência diferente. Talvez eu tenha dado um azar danado de ter ido justamente numa semana ruim, mas desconfio que não foi o caso.

 

Abs

Lojudice

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É... pior é que vc tem razão no que se refere às subcelebridades. Também me encheu o saco uma pessoa na pousada que só reclamava e dizia que não via a hora de voltar pro conforto da sua casa. Por que foi então, zé mané?

A Pousada maravilha é uma das mais caras do Brasil... não precisava, né.

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Quando eu fui pra Noronha, tinha uma criatura na minha pousada comentando durante o café da manhã que o mais interessante da Ilha era visitar a pousada do Luciano Hulk e tirar fotos dos "artistas" que estavam hospedados ali... Ai eu falei exatamente o que o fabiohgb disse ai em cima, que a pousada estava numa área de proteção e conseguiu autorização para construir ali por meios não muito claros, pra dizer o mínimo. Mas a moça insistiu "ah, mas o fulano da novela tá lá". Depois disso não tive mais argumentos, só jogando pros tubarões da região, rsrsrs.

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