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jubapaes

Soroche, Mal de Altura ou Mal da Altitude

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Companheiros mochileiros,

 

Notei que existem por aqui inúmeras dicas a respeito de viagens pela Bolívia, hospedagem, passeios... enfim, tudo que precisamos saber para uma boa e tranquila viagem pelo país...ou melhor, quase tudo...Não vi por aqui nenhum tópico com dicas mais aprofundadas e realmente úteis para um problema que afeta, segundo as estatísticas médicas, 92% dos turistas que chegam a altitudes superiores a 2800, vindos do nível do mar e de uma hora para outra...é o tal do "mal da altitude", termo "popular" para o Mal Agudo das Montanhas (Acute Mountain Sickness, AMS). Eu, como médico, mochileiro e participante do fórum, resolvi postar aqui algumas dicas de como, se não evitar, minimizar os efeitos desse problema.

Na grande maioria dos casos os sintomas são leves e duram de 4 a 24 horas, dependendo de cada pessoa. São eles:

 

- dor de cabeça (95%)

- náuseas e vômitos (70%)

- tontura (58%)

- perda de apetite

- insônia

- falta de ar aos médios esforços

 

Normalmente no segundo ou terceiro dia da viagem você já estará aclimatado e esses sintomas diminuirão bastante, desaparecendo por volta de 5 dias. É muito importante, portanto, nesse período de aclimatação tomar algumas medidas para amenizar esses sintomas e evitar complicações, como o edema agudo pulmonar e cerebral. São algumas dessas medidas:

 

- Na altitude, principalmente com o clima seco da Bolívia, perdemos muito líquido. A hidratação deve ser reforçadíssima. Recomenda-se a ingestão de 3 a 4 litros de água diariamente nessas condições; portanto, garrafinha de água na mochila! Restrição na ingestão de sal e ingestão de uma carga maior de carboidratos é uma boa idéia.

 

- Nada de atividades físicas extenuantes nos dois primeiros dias...caminhadas leves. Se ficar muito cansado e ofegante, pare e descanse, se não melhorar, volte para o hostel. Se te convidarem para jogar bola, resista, não dá nem para jogar no gol!!

 

- Nada de subir ainda mais enquanto não estiver aclimatado. Acima dos 3800 metros recomenda-se no máximo mais 300 por dia, seja escalando ou de busão...ou seja, se vc chegou a La Paz em um certo dia e for ao Chacaltaya (a mais de 5000 metros) no dia seguinte, a chance de vc ter um edema pulmonar ou cerebral é gigantesca!!

 

- Nada de álcool ou cigarro!! Álcool desidrata e provoca mais tonturas e náuseas. O cigarro vai te atrapalhar ainda mais para respirar!!

 

Além dessas medidas comportamentais, há também a prevenção e tratamento medicamentoso:

 

- Se você vai sair do nível do mar e seu destino é uma cidade acima dos 3500m, como Cusco ou La Paz, há alguns medicamentos que podem ser administrados previamente e que, se não evitam os sintomas, pelo menos minimizam seus efeitos e, principalmente, evitam as complicações e aceleram a aclimatação:

 

* Acetazolamida (Diamox): recomenda-se a ingestão de 125mg 2 vezes ao dia (a cada 12 horas) um dia antes da saída para a altitude e segue até o segundo ou terceiro dia, na altitude. Essa substância é um diurético, que acidifica o sangue, fazendo com que respiremos mais rápido, facilitando na adaptação. A acetazolamida não mascara os sintomas, apenas minimiza, principalmente a falta de ar noturna (quando dormimos a frequência respiratória cai, e isso na altitude causa muitos problemas...). Por ser diurético, você vai ir ao banheiro por diversas vezes (mais um motivo para tomar bastante água, não vá ficar desidratado!) e pode ter um formigamento na ponta dos dedos e na face. Os refrigerantes e outras bebidas gaseificadas podem ficar com sabor estranho. Alérgicos a sulfa não podem tomá-la!!

 

* Dexametasona (Decadron): se você for médico ou for viajar acompanhado de um ou passar em consulta antes da viagem; alguns pesquisadores recomendam o uso de 4mg de decadron, de 12/12h no dia da viagem e no primeiro dia na altitude...eu não recomendo o seu uso sem supervisão especializada...a dexametasona, ao contrário da acetazolamida, mascara os sintomas, ou seja, você vai sentir-se bem, mas não ajuda na adaptação à altitude.

 

Para os sintomas do "Mal da altitude" recomenda-se:

 

- dor de cabeça : o Ibuprofeno (Alivium, Dalsy...), 600mg de 8/8h é normalmente a primeira escolha. Paracetamol (tylenol) e AAS também podem ser usados.

 

- Náuseas ou vômitos: O Plasil ou o Motilium podem ser usados. Evite o Dramin, como ele causa sono, a frequência respiratória diminui e pode piorar a falta de ar.

 

***Cuidado: Não use medicação para dormir!!! (Diazepam ou equivalentes). Esses remédios causam diminuição da frequência respiratória, e na altitude isso pode até mesmo ocasionar uma parada respiratória!!! Se estiver com dificuldades para dormir, tome um diamox (125 ou 250mg) pela noite, ele vai aumentar a frequência respiratória, propiciando uma melhor oxigenação noturna (apesar de acordar várias vezes para ir ao banheiro...)

 

Sinais de alerta:

 

- Tosse, com expectoração espumosa ou com sangue

- Falta de ar mesmo em repouso

- Perda de coordenação na fala ou motora

- Alterações visuais

- Excesso de fadiga, sonolência

- Alucinações

 

Se você começar a apresentar alguns desses sintomas, pode estar com Edema Pulmonar ou Edema Cerebral, nesse caso procure ajuda médica o mais rápido possível e DESÇA da altitude que estiver o mais rápido possível, de preferência abaixo dos 2500 metros.

 

Bom pessoal, espero ter ajudado a amenizar o "sofrimento" de quem vai fazer uma viagem para elevadas altitudes e que com essas dicas possam aproveitar mais a viagem.

 

Qualquer dúvida ou se quiserem perguntar alguma coisa a mais, estou a disposição, é só mandar um e-mail. Isso não é propaganda, não vou cobrar consulta, hehehe!!!( mesmo por que nem tenho consultório, trabalho em PS...).

 

Abraço a todos!

 

Juliano Paes

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Caro Juba

Boas dicas, é importante estar bem informado, pois o mal agudo da montanha pode atacar qualquer um.

Estive no Aconcagua na temporada passada(05/06), e ocorreram 3 mortes, nenhuma por queda, uma por ataque cardíaco, e duas por edema, inclusive de um suiço que era guia de escalada nos Alpes. Os médicos e guarda-parques recomendam seguir a seguinte tabelinha:

Dor de cabeça 1 ponto

Náuseas ou perda de apetite 1 ponto

Insonia 1 ponto

Vertigem 1 ponto

Cefaléia resistente a aspirina 2 pontos

Vômitos 2 pontos

Falta de ar em repouso 3 pontos

Fadiga anormal 3 pontos

Oligúria (falta de urina) 3 pontos

1-3 pontos MAM LEVE aspirina ou paracetamol

4-6 pontos MAM MODERADO aspirina, repouso e suspender subida

+ de 6 pontos MAM SEVERO abaixar rapidamente

Eles não aconselham a tomar diamox, pois há vários casos de desidratação aguda.

E o principal, tomar muita, mas muita água, pois só na respiração, pela diferença de umidade do ar na atmosfera e no pulmão, perde-se cerca de 3 litros por dia, sem falar da diarréia que também é comum.

Valeu

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Obrigado pelo complemento!!! Essa tabela é muito útil para se ter uma idéia de que se o que você está sentindo é "normal", ou seja, o mal agudo na sua forma mais leve, ou algo mais grave, como edema pulmonar e cerebral.

 

Com relação ao diamox, realmente, para quem vai fazer uma escalada e não tem tanta oportunidade para parar e descansar ou beber 3 a 4 litros de água na hora que quiser, com acesso fácil, eu também não recomendo o diamox...aliás, a única situação que recomendo o diamox é na prevenção, já constatada cientificamente, com 125 mg duas vezes ao dia, um dia antes do embarque para a altitude e nos 3 dias seguintes, já na altitude (por exemplo, se você vai sair de São Paulo para La Paz logo de cara...). O diamox também é usado no tratamento, não só na prevenção, desse mal (250mg de 2 a 3 vezes ao dia)... mas não recomendo ninguém a tomar essa dosagem por conta própria, sem supervisão médica; o risco de desidratação grave é grande...se você estiver muito mal, não se auto medique, procure ajuda especializada!!

 

Para os que vão fazer uma escalada, a melhor prevenção ainda é a subida gradual, com bastante hidratação e uso de sintomáticos (aspirina, ibuprofeno...) caso necessário.

 

Só para lembrar, se você é alérgico a sulfa, não tome Diamox!!!

 

A minha idéia aqui não estimular auto-medicação de ninguém, seria contraditório para um médico, o que quero é esclarecer e informar, fornecendo alternativas para aliviar o sofrimento e, principalmente, evitar o pior para quem vai, como eu agora em maio, viajar para elevadas altitudes.

 

Mais uma vez, obrigado pelo complemento, "tontonmacoutes" (desculpe, não sei seu nome...), quanto mais informações pudermos disponibilizar, principalmente de quem já passou pela situação e já tem experiência como você, melhor!! Espero outras contribuições!

 

Abraços

 

Juliano Paes

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Fala Pessoal! Especialmente Juba, Hendrik e ABJ.

 

Estava lendo o tópico desde o início e acho que, com todas as informações postadas aqui, qualquer viajante que vá se aventurar por grandes altitudes conseguirá boas informações para um planejamento legal.

 

Como o Juba falou, acho que, no meu caso, o ideal é esperar esses 2 dias, ver como o grupo estará (vamos em 4 pessoas) e, estando tudo bem, subir numa boa.

 

No mais, seguir as recomendações das medicações, de beber muita água e, principalmente, ter bom senso.

 

Estava lendo uma revista agora e tinha uma matéria legal sobre "medicina do viajante". Existem 2 centros especialistas nesse assunto (RJ e SP). Os caras são especialistas e conhecem todo tipo de doença em vários roteiros. Antes de viajar, pretendo me consultar com o que tem aqui no RJ. Seguem os contatos:

 

SP: (11) 3896-1400

RJ: www.cives.ufrj.br

 

Espero que ajude.

 

Grande abraço a todos e obrigado pela ajuda.

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No Nepal, antes do trek, fomos a algumas farmacias em Thamel, bairro turistico de Kathmandu, capital do Nepal, de onde saem praticamente todas expediçoes e trekkers. Bastavamos abrir o capitulo do Lonely Planet com a lista de remedios para as diversas situaçoes que o guia listavam como possiveis e o "farmaceutico" nos vendia tudo. Ate mesmo as drogas mais potentes.

 

Mas estavamos decidido em aclimatizar com o minimo de remedio. Por isso saimos de Jiri, que nos deu 7 dias de caminhadas subindo e descendo dos 1800 aos 3400 metros. Fora isso, cada dia de aclimatizaçao do guia era dobrado ou redobrado. Ao inves de 2 noites em Namche, ficamos 4. E sempre realizando curtas caminhadas durante o dia. E sempre comendo e bebendo muita agua.

 

Pode ser que tivemos sorte, mas eu acho que nossa rotina de aclimataçao foi boa.

 

Agora planejo ir ao Aconcagua, sem mulas, claro. Ao contrario do trek ao EBC, o cume do Aconcagua vai exigir mais esforço porque nao teremos os lodges que as trilhas ao EBC tem. Os desniveis sao, pelo pouco que li, mais acentuados. Isso me parece significar a possibilidade de subir muito em "pouco" tempo. Mais cuidados com aclimatizaçao, entao.

 

Lendo diversos relatos notei que muita gente passa mal nas etapas finais e me pergunto se boa parte nao sera por causa de uma aclimataçao pobre.

 

Outra coisa que li e me assustou muito foi uma "jornalista" de uma revista feminina que resolveu ir ao Aconcagua, a convite de um amigo. Novatos na atividade, como eu, fizeram aquilo que praticamente todo novato numa atividade faz: se informar. Nao foram independentes e pagaram uma pequena fortuna a uma agencia, mas o susto veio de um dos seus "preparativos":

 

Juntaram aos sadios preparatvos fisicos a rotina de tomarem aspirinas todos os dias durante 1 mes. Disseram que isso "afinava" o sangue, facilitando aclimataçao. Ainda nao sei se isso eh fato e eh bem capaz que seja, mas serve para exemplificar o quanto podemos cair no erro de encarar a aclimataçao e seus sintomas como fenomenos naturais. Remedios nao deveriam ser usados para enganar nossa mente sobre como nossa aclimataçao vai mal, mas apenas como ajudantes no processo. Se entupir de remedios para "aclimatar" melhor me parece ser pessima atitude.

 

Se nao nascemos sherpas e nao vivemos desde a geraçoes em alta altitude, entao a regra de ouro continua sendo a mesma que sempre foi:

 

- Caminhar alto, dormir baixo

- Comer bem, beber muito

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existe um outro fator que deve pegar no aconcágua: o psicológico. não que soroche seja psicológico, não é nada disso.

mas na ansiedade, sobe-se demais em pouco tempo. até pq não é qualquer um que pode ficar um mês por lá só pra ir se aclimatando. as janelas de subida são menos de 30 dias depois do natal... o povo passa o natal em casa e vai pra lá. perde-se tempo em viagens até o local, permissos e etc. e 20 de janeiro neguim quer (e tem que) estar no topo da sentinela de pedra.... nem sempre a aclimatação é tão bem feita assim....

 

hendrik, pretende subir quando?

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Oi, ogum, ao lado do trek ao EBC tem outro trek com situaçao semelhante a que voce descreveu, so que mai curto: o trek ao vale do Gokyo. Inclusive quem tem mais tempo usa um passe montanhoso, o Cho la, e faz os dois. Mas se voce sai de Namche para o Gokyo, sobe-se mais rapido que se for ao EBC. Todos os guias e livros que li advertiam sempre para os perigos de, animados e fresquinhos, os trekkers subirem demais num dia. Eh possivel subir duas e ate mais vezes o adequado.

 

O fator psicologico na verdade eh uma das poucas vertentes que estou menos preocupado. Sou um chato de galocha na trilha e tento fazer tudo de acordo com o manual. No trek na Chapada meus aigos ficaram putos comigo porque eu os acordava cedo, antes mesmo do Sol ter nascido. E olha que, por mim, acordava mais cedo ainda. Acho que a manha eh a parte mais produtiva do trek. A partir do meio-dia vem o Sol forte e so conseguimos nos arrastar pelas trilhas...

 

Ce ja esteve no Aconcagua, ogum? se sim e se puder, da um pulo no topico da seçao sobre a Argentina onde eu coloquei algumas perguntas.

 

P.S.: a caça a barraca ainda continua...

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ih, hendrik, aconcágua é plano pra 2011. ou pra mais, depois que minha trip agora em julho pro peru rodou... então, depois vou ver tuas perguntas, mas não sei se vou poder responder a nenhuma não... hahahaha

 

ah, cara, com grana sobrando, eu ia de lightwave. gostei dos modelos. por falar em barraca, ontem fiquei tacando silicone nas costumas da minha manaslu, só por precaução. mas gostei muito da lightwave t0 xt. seja ultra ou trek, a diferença de peso é mínima. mas pra um brinquedo desses, eu preciso viver na gringolândia e ganhar $$$ como gringo.

 

inté!

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Olá Dani,

 

Normalmente os atópicos (alérgicos), ou seja, aqueles que tem asma, rinite, sinusite, entre outras; normalmente sofrem mais na altitude...não só pela diminuição na oferta de oxigênio disponível mas também porque, geralmente, são lugares secos e frios, com uma maior concentração de partículas na atmosfera...tudo aquilo que as vias respiratórias de asmáticos precisam para ficarem bem fechadinhas e desencadear uma crise...Sendo assim, leve sua "bombinha" e alguns comprimidos de prednisona ou decadron...poderia até te sugerir um esquema preventivo, mas como não sei qual o seu tipo de asma, prefiro que consulte o seu pneumologista para te orientar quanto à melhor maneira de se precaver!

Qualquer coisa é só escrever!!

 

Abraços

 

Juliano Paes

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Meu, e tudo depende mto da pessoa...eu e minha namorada temos rinite, mas lá só ela teve crises de rinite...

 

eu tive mais tontura e - pasmén!!! - desarranjo intestinal (não foi da comida não...a altitude que causou...), qdo eu andava na cidade, blz...mas era só fazer um esforço maior para subir alguma rua mais íngreme, já dava vontade de ir ao banheiro...huáhuáhuá...mó sarro!!!

 

Aí, comia e nada, blz...

 

caminhava pelas ladeiras e pronto: banheiro...mas nada que me atrapalhasse...hehehehe

 

mas como tem asma, o Juliano deu um conselho prudente: procure um profissional para se precaver e levar medicamentos e o mais importante: tente se ambientalizar antes de fazer esforços!

 

abraços

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O mundo alto é diferente do mundo baixo. Mesmo não sendo inviável para nós, é diferentes. E nosso organismo pode ou não pode ser muito flexível para com essas mudanças. Ainda mais quando não lhe damos muito tempo para se acostumar. Esse tempo necessário varia de pessoa para pessoa e até de ocasião para ocasião (e altitude para altitude). Em resumo, você nunca pode saber se, como e quando será afetado(a) pela altitude.

 

O Sherpas nepaleses estão mais ou menos adaptados à altitude, mas não somos sherpas, então é bom levar o ambiente à sério. Principalmente se já possuímos problemas em nosso ambiente de vivência. Certas dificuldades de funcionar no ambiente "normal" poderão ou não ser piores em outro ambiente.

 

Quando eu viajo, a primeira coisa que sente a diferença é minha digestão e... bom... defecção. Mas a última vez foi MUITO melhor que a primeira, então pode ser que o fator psicológico tenha seu papel em problemas do corpo em viagens.

 

Remédios ajudam, mas não adaptam o organismo. Eles apenas tiram o desconforto, justamente o "relatório" do corpo nos dizendo como ele está respondendo ao novo ambiente. Em crises sérias, remédios podem ser verdadeiros salvadores, mas NÃO para continuar subindo. Salvadores porque assim você pode descer para altitudes mais confortáveis.

 

Existem três regras para AMS, que, sugere-se, sejam seguidas por todos:

 

1) Se se sente mal e não tem médico perto, assuma que é AMS.

 

2) Nunca suba se sentindo mal.

 

3) Se está se sentindo cada vez pior, desca imediatamente.

 

Não há provas de que asmáticos sejam especialmente afetados pela altitude. Pelo menos não nos sites sobre AMS que visito. Alguns até observam que o ar mais limpo e leve da altitude é benéfico para asmáticos. Mas, idem, sem provas. Algumas vezes a asma pode ser confundida com um sintoma de AMS. E vice-versa.

 

Nesse caso sugiro a regra 1: se não sabemos o que é, é AMS. Não seria muito aconselhável sentir um sintoma de asma parecido com um sintoma de asma, continuar subindo porque está se medicando contra asma e no fim AMS continua acumulando.

 

Para quem sofre de obstrução das vias respiratórias de maneira crônica pode experimentar uma piora em altitude. Levar medicamentos apropriados e consultar seu médico antes de viajar.

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O ogum está certo. Em time que está ganhando, não se mexe.

 

Além disso, vejo muito problema logístico com essa de tirar e pôr sangue. Cê vai levar o sangue consigo e mete-lo pouco antes de subir aos 3000m? ou vai ficar ali, abaixo dos 3000m, por vários dias, com sangue extra?

 

A adaptação biológica dos povos andinos, se for como os Sherpas, não é apenas na produção dessas substâncias, eles possuem mais mecanismos operando, tipo maior capacidade pulmonar, coração, etc... e eles SOFREM com altitude. É apenas recente e graças ao turismo que Lobuche tem sido habitado durante todo ano. Antes era só base provisória, para pastar as manadas.

 

Lá tinha essa também: neguinho sem preparo e/ou sem tempo e/ou com grana pegam avião em Kathmandu, voam prá Lukla, 2800m, andam no dia seguinte até Namche, 3400m, passam a noite lá e, muitas vezes, vão logo prá Tengboche, 4000m. Como AMS é cumulativa e não instantânea, de Tengboche em diante é só alegria de AMS. Cansei de ver gente com sinais primários de AMS nas pensões por lá... se sentiam bem e acham que pode ir pro EBC na garra. Uma roleta russa.

 

Eu quase que desço com meu irmão de Dingboche, 4400m, porque ele tinha UM POUCO de dor-de-cabeça e ALGUMA insônia. Era tipo meia-noite quando ele me acordou. Assumi imediatamente ser AMS e conversamos sobre o assunto. Peguei o guia do LP que tinha muito sobre o assunto, fizemos um check-list dos sintomas. Insônia e dor-de-cabeça estavam fracas, mas eram parte de AMS nos estágios iniciais. Ou podiam ser parte. Dei Diamox e Paracetanol e ficamos observando. Ele se acalmou, se sentia melhor. Decidimos dormir e ver como ele acordava de manhã.

 

Acordou normal, sem nada. Disse que dormiu bem o resto da noite e que a dor-de-cabeça tinha sumido.

 

Eu que dormi pouco, com receio e fazendo preparativos mentais para uma descida no meio da noite... Levar água, comida e casacos. O resto ficaria na pensão.

 

No fim deu tudo certo. Não sabemos se era AMS ou não, mas a dor-de-cabeça sumiu, fizemos uma grande caminhada de aclimatação no dia seguinte à essa noite (que já tinha sido planejada ANTES dos sintomas surgirem). 10 horas de caminhadas, Chokung adentro, com dois picos inclusos, de 5300 e 5900 metros. Voltamos só o bagaço prá Dingboche, mas a janta foi homérica e em NENHUM momento deixamos de beber água e tirar pausas curtas. Era nosso SEGUNDA noite em Dingboche e ela seria crucial para determinar se no dia seguinte subiríamos para Duglha, 4900m. Passamos o dia andando alto, comendo e bebendo, principalmente bebendo, muito. Dormimos feito anjos e acordamos novos em folha e fomos prá Duglha.

 

Durante todo resto da parte alta do trek, uns 10 dias, estivemos SEMPRE acima dos 4000m e nada parecendo AMS apareceu. Falta de ar e coração batendo forte sim, mas era só parar por uns segundos e tudo normalizava. Se tivéssemos uns 15kg nas costas ao invés de 25kg, acho que teria sido mais fácil de respirar...

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Outra coisa que o ogum está certo é que sim, AMS nos dá MUITOS sinais antes de atingir o estado sério e mortal, de edemas pulmonares e cerebrais.

 

Ao invés de considerar tirar e pôr sangue, é mais fácil, seguro, correto e, para mim, agradável (já que posso então explorar o local) subir devagar, comer e beber bem.

 

Caminhe alto e durma baixo.

 

Beba muitos líguidos.

 

Se alimente bem.

 

Se fizer isso, acho que estará criando ALTAS possibilidades de aclimatar satisfatoriamente.

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huahuahuauha.....separe ao menos 1 dia de sua viagem pra passar mal.....essa foi otima!!!!!! ( e é verdade...siga esse conselho...rsss).

 

Soroche Phills é MUITO bom...minha viagem se dividiu em antes e depois das pilulas. Foi como tirar a dor de cabeça e a aritmia com a mão.

 

Masquei folha de coca e não achei grande coisa, não notei diferneça nos sintomas....mas o chá de folhas verdes feito na hora fazia uma diferneça enorme.

 

Na dúvida...soroche phills no bolso...eu tomava de 5 em 5 horas ( em média)...passei MUITO MAL NO 1º dia mas no 2º já deu pra começar a viagem de fato.

 

p.s: VAREJA...saudades sua!!! Boas trips pra 2008.

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Ola turma, estou chegando agora.

O Hendrik e Juliano colocaram muito bem, com detalhes, sobre aclimatação. Acrescento que para segurança de aclimatação, é importante ficar dois dias (dormir duas noites), , nas ALTITUDES de 3000 e 4000 metros. No trek do Acampamento Base Everest, seria em Namche Bazar, e depois Dingboche. A maioria das excursões respeitam esse roteiro, mas já vi algumas que saltam a etapa de 4000m, o que seria pior. O Hendrik ficou até mais dias, o que é bom, mas alguns não terão o tempo.

 

O Diamox na dose de 125mg de 12 em 12 horas pode ser util na aclimatação sim, sem mascarar. Porque ele acidifica o sangue, reduzindo a alcalose (oposto de ácido). É útil de dia e mais ainda à noite.

Esta alcalose acontece com todos que estão respirando mais frequente e com mais volume (hiperventilação). Essa hiperventilação provocando a alcalose, à noite, durante o sono, poderá provocar a respiração de Cheyne-Stokes: A pessoa hiperventila pela necessidade de oxigênio, fica com sangue alcalino (com pouco CO2-hipocarbia) que INIBIRÁ a respiração, e após alguns segundo com pausa, sem respirar, o cérebro sentirá o sangue mais ácido, e voltará a respirar de novo, fazendo o ciclo (respira rápido, redução da respiração, para------ pausa respiratória -----, respira novamente, aumentando a frequência, recomeçando o Ciclo)

 

Essa pausa às vezes é meio longa, assusta muita gente, mas não tem risco!!

 

Lógico que o Diamox MEIO comprimido de 250mg, acidificando, fará que a pessoa durma melhor, reduzindo ou eliminando as pausas respiratórias, e consequentemente oxigenando bem todo o corpo, para restaurar durante a noite o que gastou durante o dia (musculos, etc), e produzir mais hemacias... E um SONO melhor!

 

Lembrar que remédios para dormir, CALMANTES são PROIBIDOS. (Aí sim, reduzem a respiração mais ainda, com risco de morte). Os especialistas dizem que "calmante para as montanhas" é o DIAMOX !!

 

Penso em ir pro EBC, e JÁ havia pesquisado a auto-hemotransfusão que o Ricardo falou: Faz sentido teórico, não vi relatos, e acho que não devemos inventar a roda. Se fosse excelente, já era rotina fazer. Em 21 dias você já teria resposto seu sangue, e se receber a transfusão neste momento, na sua cidade, ficaria com EXCESSO de glóbulos vermelhos (poliglobulia), que faz o sangue ficar mais viscoso, e teria um risco maior de trombose venosa durante um voo longo, inativo numa poltrona. Poderiamos fazer a reposição de uma quantidade menor (meia bolsa de hemacias?), mas creio que o ritmo natural deve ser melhor...

 

A aspirina não ajuda na aclimatação, e ela não "afina" o sangue, apenas reduz a capacidade de surgir coágulos (trombos), que poderia ser útil em sangue viscoso arterial, mas não em sangue venoso.

PORTANTO o MELHOR de tudo é HIDRATAR ( 4 litros ou mais): assim você DIMINUI a VISCOSIDADE do sangue ARTERIAL e Venoso, facilitando a circulação pelas extremidades, por todo o corpo, REDUZINDO inclusive o ESFORÇO do coração. Sangue mais viscoso = mais cansaço. Sangue mais hidratado = Menos cansaço, melhor perfomance.

 

Aliás, falando em perfomance, o mal das altitude costuma ser mais frequente em que está melhor preparado porque ele sobe mais depressa, exagera nos esforços, faz mais estrepolias. O mais fraquinho, vai passo a passo, descansando... Nos primeiros dois a treis dias de aclimatação é recomendado não fazer muito exercício ( Himalyan Rescue Center).

 

E a máxima: Andar ALTO (força o organismo, que estabelerá um novo nível, nova "meta bioquímica"), e Dormir BAIXO ( permite que o organismo responda melhor às novas exigências, tendo mais oxigenação em altitude menor).

Espero ter contribuido.

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E lembrar que aclimatar não é passar o dia parado. Caminhar, mesmo que por poucas horas, devagar, sem pressa, mochila mais leve, é garantir mais ainda aclimatizar.

 

A trilha Lukla-Namche é UMA trilha. A província nepalesa habitada pelos sherpas onde essa trilha se encontra na verdade é formada por VÁRIAS trilhas. A região toda é uma rede de trilhas que levam de vilarejo prá vilarejo. Enquanto aclimatisando em Namche, vale a pena caminhar em volta. Se quiser, pode até tentar um 4000 metros indo prá vila de Thami, dormir lá e descer no dia seguinte prá dormir em Namche de novo. O mosteiro budista que eles tem encravado numa encosta é massa!

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Eu havia pensado na auto hemotransfusão, antes de ler o tópico de Ricardo. Aprofundei mais na pesquisa, inclusive sobre o hormonio Eritropoetina, que irá estimular a produção de hemácias. A eritropoetina já começa a ter seu valor mais elevado logo no início.

Mas para surpresa minha, na altitude, o sangue só começará a ter suas hemácias aumentadas, à partir de semanas (do 10º ao 15º dia, lentamente), e só após meses chegará ao máximo.

 

As adaptações iniciais mais conhecidas são principalmente da:

1) hiperventilação, com aumento da frequencia, e da amplitude respiratória, podendo aumentar de 2 a 5 vezes a capacidade respiratória, comparando com a do nível do mar.

2) do uso mais efetivo de áreas de pulmão (que não usamos 100% na baixa altitude, seria uma reserva natural nossa),

3) uma adaptação das enzimas no sistema celular(mitocondrias, etc), promovendo um melhor aproveitamento do oxigénio e glicose.

4) outras, como maior trabalho cardíaco, diurese aumentada de elementos alcalino, para normalização do PH, etc, etc.

 

É importante antes de viajar, verificar se não está com tendência à anemia, e talvez a prescrição de sulfato ferroso, e ou Ac. Fólico, por médico Hematologista, possa contribuir.

 

LEMBRAR também o óbvio: Calor ou frio extremo, febre ou ansiedade elevam a demanda de oxigênio pelo organismo. Aí vai precisar respirar mais, vai cansar mais depressa... Evitando essas situações, irá melhorar o folego...

 

E para os asmáticos, ou mesmo quem não é, o uso de máscara ou lenço no nariz , de lã ou seda, protege, quando o caminho é cheio de poeira! Depois tentarei abordar sobre a tosse da montanha...

 

Como controle da Hidratação, a MELHOR maneira de controlar a quantidade de líquido que está tomando, é pela cor da urina: ela deve ficar clarinha, quase branca. E a pré hidratação (beber 1 a 2 litros antes de sair andando), já contribui com os 4 a 5 litros ou mais que terá que carregar, e à noite beber mais... Varios sites são bons, mas esse em ingles está muito bom: (http://www.mounteverest.net/expguide/cure.htm)

 

Café, chocolate, e alguns chás são diuréticos, e não pode-se contar o quanto bebeu, do mesmo modo que fosse água.

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Não... Altitude depende de pessoa pra pessoa.

 

E mesmo assim, uma pessoa pode viajar pra 4000 metros e não passar nenhum mal, mas quando volta aos 4000, um ano depois, não quer dizer que não vá passar mal.

 

Isso é uma coisa que nunca vai saber.

 

Medicamentos:

 

Citoneurin 5000 o principal, que nada mais é que uma dose gigante de vitamina B1+ B6 + B12. Essa vitamina, é muito melhor que qualquer Diamox (remédio controverso para Glaucoma) e acelera muito mais o sistema cardíaco e respiratório. Eu disseminei essa vitamina e já tinha grande número de escaladores que estávam tomando, pois é um forte doping natural, além de fazer bem e o excesso de vitamina ser liberado tranquilamente do corpo via urina.

 

A vitamina B12 aumenta muito a produção de Glóbulos Vermelhos.

 

OBS: Já usei Diamox e o Citoneurin é muito melhor.

 

Soroche pills ou Sorojchi Pills, cada cápsula contém Acido Acetilsalicílico 325 mg + Salofeno 160 mg + Cafeína 15 mg. Esse serve pra mascarar dores de cabeça, enjôos e tudo mais.

 

Chá ou mate de coca. Muito bom, mas nada de saquinho e chá amarelo. Compre um saco de folhas, um mergulhão (foto abaixo) e uma boa e grande caneca de louça ou vidro. Mergulhe o aparelho, ligue na tomada e deixe uns 3 minutos pra água ferver. Desligue da tomada, tire o aparelho e jogue umas 30 folhas pra 500ml. Deixe até que as folhas estejam no fundo do recipiente. Ai é só beber.

 

Desse jeito, vai ver o que é um chá de coca de verdade e conhecer seus efeitos, como acabar com todo mal de altitude e dar muita, mais muita energia.

 

Nome em Espanhol: Calentador Eléctrico Espiral. Vende muito ao lado do mercado das bruxas.

 

Dexametasona, não vou entrar no mérito, pois é um medicamento muito emergencial pra montanha. Já tomei quando tive edema, mas depois vieram os famosos problemas na imunidade do organismo.

 

Mergulhão:

 

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Não vejo muito problema não...

 

Nunca se sabe se vai sofrer quase nada ou muito o mal de altitude.

 

No post acima, eu escrevi algumas coisas que vc pode usar.

 

O Citoneurin 5000 é vitamina. Não há mal em tomar. Diamox sim !!!

 

Aspirinas é obrigatório levar. E além do mais, mal de montanha se resolve descendo. Não há grandes problemas.

 

Pode chegar tranquilo, ver como vai se sentir e se não estiver ok... Passa pro chá de coca. Não resolvendo passa pra Aspirina. Não resolvendo... Espera mais um pouco e tenta ficar em repouso. Não dando certo, pode procurar um hospital e pedir pra usar uma câmara hiperbárica.

 

É bem engraçado. Te botam num saco de dormir de borracha e uma pessoa fica do lado de fora bobeando ar pra dentro até virar um balão e criar um clima atmosférico parecido com o nível do mar. Melhora muito, mas por pouco tem.

 

Se depois disso tudo não melhorarem os sintomas de dor de cabeça forte que não passa com nenhum medicamento, tosse seca e com espuma avermelhada de sangue, dor na nuca muito forte e coisas assim...

 

Ai é melhor pegar um bus e descer pra uma cidade mais baixa. Esse é o melhor remédio.

 

Agora... Mal de altitude, em geral é bem tranquilo. Poucas pessoas tem problemas realmente graves. Dor de cabeça, falta de apetite, insonia e enjôo nos primeiros dias é muito comum e não é nada sério.

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Quando está tossindo e saindo espuma avermelhada já está provavelmente com edema pulmonar.

 

O tratamento pode ser feito pelo Gamow Bag (câmara Hiperbárica), pois vai melhorar muito, mas se os sintomas voltarem... A única solução é descer !!!

 

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Texto da Internet:

 

É raro experimentar mal de altitude abaixo dos 2.400m. As elevações capazes de causar problemas se dividem em três categorias: moderadas, entre 2.400 e 3.600 metros; altas, entre 3.600 e 5.400 metros; e extremas, acima do 5.400 metros. O Mal de Altitude é resultado direto da pressão atmosférica reduzida que se verifica nessas elevações. Embora a percentagem de oxigênio no ar permaneça praticamente constante, a 21 por cento, a quantidade real de oxigênio que inalado diminui com o declínio da pressão atmosférica. Pressões menores deixam o ar menos denso, e o corpo obtém menos moléculas de oxigênio a cada inspiração. Tempestades causam quedas adicionais na pressão atmosférica, aumentando o desconforto dos escaladores em altas elevações.

 

A primeira parte do corpo a reclamar da quantidade reduzida de oxigênio no ar é o cérebro, que utiliza 20 por cento de todo o oxigênio consumido. Para compensar a redução no oxigênio, os vasos sangüíneos que suprem o cérebro se dilatam para permitir que mais sangue - e, conseqüentemente, mais oxigênio - chegue à cabeça. O cérebro superalimentado começa a inchar, resultando no primeiro e mais comum dos sintomas do mal de altitude: a dor de cabeça. O inchaço progressivo do cérebro pode levar finalmente ao Edema Cerebral (HACE), caracterizado por dores de cabeça severas, vomito, confusão, perda de coordenação, tontura e, se não for tratado à tempo, inconsciência, coma e morte.

 

Os pulmões, que oxigenam todo o sangue do corpo, também requerem maior fluxo sangüíneo quando o oxigênio do ar está menos disponível. O aumento do fluxo sangüíneo nos pulmões pode causar o vazamento de fluidos dos vasos sangüíneos para os espaços de ar, produzindo Edema Pulmonar de Altitude (HAPE - High Altitude Pulmonary Edema). Os fluidos obstruem e dificultam a difusão do oxigênio para o sistema sangüíneo, piorando o débito de oxigênio presente no organismo.

 

Inicialmente a vítima do Edema Pulmonar perceberá marcante falta de ar ao menor esforço e desenvolverá uma tosse seca e cortante. Com o acumulo de quantidades maiores de fluido nos pulmões, a vítima apresenta respiração ofegante mesmo em períodos de descanso, e uma tosse que produz escarro espumoso, geralmente avermelhado. A vitima torna-se ansiosa, não consegue descansar, e tem um pulso rápido e martelado. Pode ocorrer cianose (coloração azulada dos lábios e sob as unhas, indicando oxigenação pobre do sangue). O Edema Pulmonar, HAPE, geralmente aparece dentro de um ou dois dias após a ascensão, mais comumente na segunda noite. Se o paciente não descer para elevação mais baixa, distúrbios severos da respiração, confusão e morte podem ocorrer rapidamente. Embora o Hape seja a causa mais comum de mortes relacionadas com altitude, quando reconhecido à tempo e tratado adequadamente, sua cura é fácil e completa.

 

Nem todo mal de altitude é severo. O mal de altitude moderado, conhecido como Mal de Montanha Agudo (AMS - Acute Mountain Sickness), é comum em viajantes que ascendem rapidamente à elevações acima dos 2.400 metros. O paciente típico sofre de dor de cabeça, dificuldade para dormir, perda de apetite e náusea. Enxaquecas são causadas por problemas vasculares e podem ser distinguidas das dores provocadas por AMS por tenderem a ser localizadas - atrás de um olho, por exemplo - Dores de cabeça por AMS são mais globais. A enxaqueca não evolui para HAPE ou HACE, e não determina a descida imediata, embora a descida cause alívio da dor. Havendo dor de cabeça severa de qualquer tipo, não continue a subir. Se os sintomas não melhorarem dentro de dois dias à mesma elevação, ou piorarem, desça imediatamente.

 

Os pacientes de AMS comumente manifestam uma alteração em seu padrão de sono, conhecida como respiração periódica (Cheyne-Stokes breathing). O sono torna-se espasmódico, associado a um padrão respiratório irregular, caracterizado por períodos de ritmo mais rápido alternados com períodos sem respiração - muito desconcertante para seu colega de barraca.

 

O sintoma que mostra mais seguramente, por si só, a progressão do mal de altitude, de moderado para severo, é a perda de coordenação. O indivíduo tende a cambalear, tem problemas de equilíbrio e é incapaz de andar em linha reta. Não é surpresa que muitas tragédias em expedições de alta montanha se devam em parte a mau julgamento e perda de coordenação, resultado da falta de oxigênio e mal de altitude.

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