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Primeiro dia - 26 de dezembro de 2008
No alvorecer do dia 26 de dezembro de 2008 cheguei na cidade de Lençóis após uma noite viajando em um ônibus vindo de Salvador. O céu estava nublado, a cidade úmida e o Rio Lençóis volumoso indicando que havia chovido no dia anterior.
Acompanhavam-me nesta viajem os amigos Rafael, Sandra e Téo.
Ao chegarmos na cidade seguimos para a pousada Pouso da Trilha onde havíamos feito reservas para quatro dias em um quarto coletivo com banheiro para quatro pessoas.
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Chegada em Lençóis
Chegada em Lençóis[/align][/mostrar-esconder]Nosso quarto, porém só estaria livre ao meio dia, como combinado deixamos nossas bagagens em uma sala e fizemos um ótimo café da manhã, eram 7:20h.
Após o café seguimos para a locadora de automóveis Lukdan na Praça Horácio Matos onde também havíamos feito reserva para dois dias de um veículo Gol 1.0 4 portas bi combustível. (Uso diário por 12 horas = R$ 100,00).
Compramos alguns salgadinhos, biscoitos, sucos e cervejas, colocamos R$ 40,00 de álcool no carro e partimos de Lençóis para Iraquara.
Nossa primeira parada foi a Gruta da Lapa Doce - (taxa de visitação R$ 10,00). O passeio pela Lapa Doce começa por cima passando por sua “Dolina” (depressão causada pelo desmoronamento do teto de uma caverna) com 72 metros de altura.
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Acesso à Gruta da Lapa Doce e Pratinha na BA-122
Dolina acima da Gruta da Lapa Doce[/align][/mostrar-esconder]Descendo por uma trilha chegamos fácil ao fundo da Dolina onde está a enorme entrada da caverna.
Considerada a terceira maior caverna do Brasil a Lapa Doce se destaca não só por sua extensão (já são mais de 22 km mapeados), mas também pela grandiosidade de suas formações geológicas. Em seus 850 metros abertos a visitação percorremos salões imensos com até 60 metros de largura e de relevo bastante plano.
Durante o passeio é feita uma parada de um minuto para o que eu chamo de “escutar o silêncio” e “enxergar o que não se vê”, prática adotada em todas as cavernas guiadas da região, nesse momento todas as fontes de luzes artificiais são apagadas e somos tomados pela mais completa escuridão. Uma experiência sensorial profunda e muito pessoal naquele ambiente intimidador.
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Entrada da Gruta da Lapa Doce
Gruta da Lapa Doce
Estalactites na Gruta da Lapa Doce
Formações do tipo escorrimento com infiltração de argila na Gruta da Lapa Doce
Formação "Medusa"
Saída da Gruta da Lapa Doce[/align][/mostrar-esconder]A saída é por outra abertura de onde voltamos para a sede através de uma estrada de terra por aproximadamente 1 km.
Saindo da Lapa Doce voltamos para a rodovia BA-122 e seguimos sentido Iraquara por 1 km para conhecermos outra gruta, agora a da Fumaça. O acesso à Gruta da Fumaça também é muito fácil, fica apenas a 100 metros da rodovia e há placas indicando.
Menor que a Lapa Doce em suas dimensões a caverna da Fumaça só não é menor em exuberância. Com taxa de visitação de R$ 8,00 a Caverna da Fumaça concentra em seus salões uma quantidade impressionante de estalactites. Um detalhe que me chamou atenção são as formações geológicas de colunas rompidas no sentido horizontal com separações de alguns centímetros, fraturas causadas pela acomodação do chão da caverna que desceu. Estudos geológicos indicam que o rio subterrâneo que outrora passava onde hoje é a caverna se encontra agora alguns metros abaixo dela. Alguns geólogos relatam a possibilidade do tráfego intenso de caminhões pela BA-122 sobre a caverna causarem pequenos abalos que contribuem para essa movimentação no subsolo.
O percurso dentro desta caverna ao contrário da Lapa Doce é bastante irregular alternando subidas e descidas por entre seus salões, não existem espaços planos.
A saída é pela mesma abertura de entrada.
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Estalactites e coluna na Gruta da Fumaça
Estalactites na Gruta da Fumaça
Estalactites na Gruta da Fumaça
Estalactites, colunas e tubos de calcita na Gruta da Fumaça[/align][/mostrar-esconder]Em nosso cronograma seguiríamos para a Caverna da Torrinha após a Gruta da Fumaça, mas depois de ficarmos horas explorando os subsolos da Chapada em um belo dia ensolarado resolvemos tomar um banho de cachoeira. Então seguimos de volta para Lençóis para conhecermos o Poço do Diabo, o acesso se deu através do Restaurante Mucugê na BR-242 e descendo o Rio Mucugezinho.
Ninguém sabe ao certo a origem para o nome Poço do Diabo, admirando sua beleza fiquei imaginando seu significado... Talvez por ele ser muito tentador, difícil resistir a um mergulho em suas águas e eu cedi aquela maravilhosa tentação.
Ao chegarmos não haviam pessoas no poço e pudemos aproveitar toda aquela beleza tranquilamente durante um bom tempo.
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Rio Mucugezinho
Poço do Diabo
Poço do Diabo
Poço do Diabo[/align][/mostrar-esconder]Quando o Sol já quase alcançava o horizonte a fome veio nos dizer que era hora de partirmos. Então seguimos de volta para a cidade e devolvemos o carro. Na pousada nossas mochilas já se encontravam no quarto e após um banho quente fomos comer no restaurante da Zilda, comemos bem e muito! Muito além do que programamos gastar em alimentação por dia, os pratos foram a “La carte” e serviam bem duas pessoas, só não voltamos a comer no restaurante nos dias seguintes porque só serviriam comida a quilo e gastaríamos muito mais.
Encerramos nosso primeiro dia brindando com muita cerveja e cachaça na Cachaçaria e restaurante Fazendinha e Tal, algo que se tornou hábito nas noites seguintes.
Segundo dia - 27 de dezembro de 2008
Levantamos as 7:30h, tomamos nosso café da manhã e pegamos o carro na locadora.
Deixamos Lençóis as 9:45h e seguimos novamente para Iraquara. Nosso destino desta vez era a Gruta da Torrinha.
Entre as cavernas da Chapada Diamantina a Torrinha é a que detém a maior área de percurso aberta a visitação pública, sendo dividida em três roteiros distintos e com preços diferenciados.
Já fui decidido em fazer o roteiro mais extenso, o “Roteiro 3” com uma variedade maior em formações geológicas. Este roteiro demanda aproximadamente três horas e é também o mais caro, porém estando em grupo o custo se torna mais barato.
Os valores para este roteiro estavam assim:
Individual: R$ 35,00 / 2 pessoas: R$ 25,00 cada / 3 ou mais pessoas: R$ 13,00 cada.
Todos os três roteiros começam e terminam na mesma abertura que dá acesso ao interior da caverna onde após alguns metros caminhando pela galeria principal o "Roteiro 1” segue por outra galeria e assim também acontece com o “Roteiro 2” que segue por outras galerias quando chegamos aproximadamente no meio da galeria principal.
As características principais da Torrinha são de possuir o maior trajeto para visitação pública entre as cavernas da Chapada Diamantina, possuir a maior variedade de formações geológicas – “espeleotemas” e dentre estes alguns raros em todo o mundo.
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Entrada da Gruta da Torrinha
Formações na Gruta da Torrinha
Estalactites na Gruta da Torrinha
Cortinas e estalactites na Gruta da Torrinha[/align][/mostrar-esconder]Ao ser descoberta em 1850 pelo bisavô do atual proprietário e zelador da caverna a Torrinha teve 600 metros desbravados, distância que corresponde ao primeiro dos três roteiros.
Após cento e quarenta anos, em julho de 1992, uma espeleóloga francesa explorando a caverna parou para descansar e percebeu que a chama do seu carbureto oscilava. A corrente de ar responsável pelo movimento vinha de uma estreita passagem entre blocos desmoronados. Esta descoberta levou a espeleóloga a uma galeria desconhecida que deu acesso a mais de 8000 metros de galerias e salões com as mais belas formações geológicas do Brasil e originando outros dois roteiros de visitação.
Entramos na caverna as 10:30h e saímos as 13:45h, um fascinante e tranqüilo passeio por um mundo esculpido e moldado por forças de magnitudes incalculáveis através de eras.
Ao sairmos da caverna ainda pudemos ver algumas pinturas rupestres localizadas em um dos paredões próximos a entrada da Torrinha.
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Helictites e estalactites na Gruta da Torrinha
Estalactites e estalagmites na Gruta da Torrinha
Helictites e estalactites na Gruta da Torrinha
Pinturas rupestres na Gruta da Torrinha[/align][/mostrar-esconder]Em seguida fomos conhecer a Pratinha. A taxa de visitação estava R$ 10,00 e ficamos nos refrescando nas águas claras do Rio Santo Antônio, característica que diferencia este rio dos demais da região e que é a razão do encanto da Pratinha; mas esperávamos mais. Não fizemos a flutuação na gruta que tem taxa de R$ 15,00, nem a tiroleza de R$ 5,00.
A gruta onde fazem a flutuação é pequena, escura, rasa e devido a massiva presença humana as únicas coisas a serem vistas hoje são areia, pedras, lodo e algumas pequenas plantas aquáticas.
Como já passava das 15:30h não fomos conhecer a Gruta Azul devido aos raios solares não mais incidirem em seu interior após este horário, que são responsáveis pelo espetáculo do local.
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Rio Santo Antônio – Pratinha
Rio Santo Antônio – Pratinha
Rio Santo Antônio – Pratinha
Rio Santo Antônio – Pratinha[/align][/mostrar-esconder]Saindo da Pratinha retornamos à Lençóis para vermos o por do Sol de cima do Pai Inácio.
Após estacionarmos o carro a subida de 400 metros de trilha ao topo foi fácil e rápida.
Após as 17:00h a temperatura em cima do Pai Inácio começou a cair e o vento frio nos fez desistir de ver o pôr-do-Sol.
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Vista do Morro do Pai Inácio para o Morro do Camelo
BR
Vista do Morro do Pai Inácio para o Morro Tabor (Morrão)
Vista do Morro do Pai Inácio[/align][/mostrar-esconder]Voltamos para a cidade, devolvemos o carro e tomamos banho. Antes de jantarmos passamos na agência Volta ao Parque para acertarmos um passeio para o dia seguinte. Nosso objetivo era conhecer os Sítios Arqueológicos da Serra das Paridas e a Cachoeira dos Mosquitos. Este roteiro custa R$ 100,00 por pessoa com alimentação, guias e transporte inclusos num percurso que leva o dia todo.
Mais um dia bem aproveitado brindado com cervejas e cachaças na Fazendinha e Tal.
Terceiro dia – 28 de dezembro de 2008
Levantamos ás 7:30h. Tomamos um ótimo café da manhã e seguimos para a agência Volta ao Parque.
Saímos de Lençóis as 8:45h e seguimos para a fazenda “Os Impossíveis” na região de Iraquara por 60 km através da BR-242 (sentido Salvador) e pela estrada chamada de “Rodovia do Café”.
Ao chegarmos foi servido um lanche com sucos, frutas, geléias, bolo de banana, bijus de tapioca, leite e café. Após o lanche seguimos caminhando para a Cachoeira dos Mosquitos por uma trilha leve de aproximadamente 3 km.
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A caminho da Cachoeira dos Mosquitos
Chegando na cachoeira dos Mosquitos
Cachoeira dos Mosquitos[/align][/mostrar-esconder]A Cachoeira dos Mosquitos foi uma das mais belas e gostosas cachoeiras que conhecemos na Chapada, com grande volume d’água e queda de 60 metros ela impressiona com sua beleza, emoldurada por paredões de rochas que a ocultam em meio a uma vegetação típica de Cerrado suas águas caem sobre plataformas de pedras por onde podemos caminhar antes de formarem um poço onde nadamos.
Ao contrário do que somos levados a imaginar ao sabermos o nome da cachoeira não somos incomodados pelos insetos, o nome “Mosquitos” se deve a forma como são chamados os pequenos diamantes encontrados na Chapada Diamantina.
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Voltando da Cachoeira dos Mosquitos
Amarillis na Cachoeira dos Mosquitos[/align][/mostrar-esconder]Depois de nos deliciarmos na cachoeira voltamos à Fazenda as 14:00h para nos banquetearmos com um delicioso almoço preparado em fogão a lenha. Enquanto as mesas eram arrumadas ainda pudemos dar um mergulho em uma piscina natural escavada em solo de argila branca.
Após o almoço alguns fizeram a digestão papeando recostados sobre os sofás ou cadeiras enquanto outros aproveitaram para tirar um cochilo nas redes penduradas por ali.
Às 15:00h deixamos a fazenda e voltamos com os carros para a estrada rumo a Serra das Paridas para conhecer as “pedras escrevidas”.
Em 2005 um incêndio de grandes proporções devastou a região da Serra das Paridas. Entre as plantas que sobreviveram a queimada esta a mangabeira e foi em sua procura que coletores de mangaba se depararam com imensas formações rochosas repletas de pinturas rupestres, as “pedras escrevidas” (termo utilizado por eles para descrever o achado).
Até então as pinturas ficavam ocultas pela densa vegetação e os coletores das frutas não precisavam caminhar até esta remota região para colhê-las.
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Serra das Paridas
Pinturas Rupestres na Serra das Paridas
Pinturas Rupestres na Serra das Paridas
Pinturas Rupestres na Serra das Paridas[/align][/mostrar-esconder]Por se encontrarem em uma propriedade particular o acesso ao local é restrito. Com a descoberta das pinturas o dono das terras onde elas se encontram criou em sociedade com um guia de turismo a agência Volta ao Parque para explorar mais este tesouro da Chapada Diamantina.
Ainda muito pouco se sabe sobre o povo que efetuou as pinturas, além das três áreas abertas a visitação pública estudos científicos estão em andamento em mais de dez outros sítios arqueológicos no local.
São milhares de pinturas que se espalham pelos gigantescos blocos de pedra em que podemos facilmente identificar animais, plantas, homens caçando, mulheres parindo (daí o nome dado a serra) onde somos levados a interpretar o cotidiano dos mais antigos habitantes que viveram na região entre 18 e 30 mil anos... Mais uma experiência fantástica!
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Pinturas Rupestres na Serra das Paridas
Pinturas Rupestres na Serra das Paridas
Pinturas Rupestres na Serra das Paridas
Pinturas Rupestres na Serra das Paridas
Pinturas Rupestres na Serra das Paridas[/align][/mostrar-esconder]As 18:30h estávamos de volta em Lençóis e mais tarde por volta das 21:00h aconteceu uma confraternização entre alguns viajantes que fariam a trilha para o Vale do Pati no dia seguinte, “entre eles nós”.
Ao negociarmos as diárias do quarto na pousada negociamos também uma trilha de 5 dias para o Vale do Pati e fechamos um pacote, pois uma das donas da pousada é também guia e possui uma agência de passeios e escalada, a Fora da Trilha.
Com pizza, cachaça e cerveja celebramos e nos despedimos de mais um dia maravilhoso.
Quarto dia – 29 de dezembro de 2008
Após o café da manhã seguimos para a Fora da Trilha onde dividimos os mantimentos e os utensílios de cozinha entre os integrantes do grupo deixando Lençóis numa Van as 9:30h.
Nosso grupo era formado por quinze integrantes: Sandro (SP), Rafael (SP), Sandra (SP), Téo (SP), Kariny e Alain (EUA), Fernando (SP), Cristiane (ES), Alexandre e Fernanda (RJ), Eduardo e Cristiane (PR), os guias Henrique (BA), Silica (BA) e a cadela Musa (BA).
Com nossos guias iam a maior parte dos mantimentos e também dois utensílios muito importantes para nossas necessidades fisiológicas, dois Shit Tubes.
Paramos em Palmeiras para comprar pãezinhos e Carne Seca para algumas refeições, mas a carne estava em falta.
Desembarcamos em Guiné aos pés da Serra do Esbarrancado as 11:00h para começarmos a trilha subindo pelo Morro do Beco.
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Estrada Palmeiras para Guiné
Serra do Esbarrancado – Guiné
Serra do Esbarrancado – Guiné[/align][/mostrar-esconder]Trilha íngreme que debaixo do Sol forte nos obrigou a fazer várias paradas para descansarmos e nos reidratarmos, mesmo assim nosso desempenho foi bom, ao meio dia concluímos este trecho alcançando os Gerais do Rio Preto.
As trilhas que seguem pelo extenso platô dos Gerais do Rio Preto são praticamente planas com pequenos desníveis em alguns trechos, muito tranqüilas de serem percorridas.
A imensidão do Gerais e a beleza dos picos rochosos a nossa volta nos fascinava cada vez mais a medida que seguíamos.
As 13:30h fizemos uma parada para lanche e um banho refrescante nas águas do Rio Preto mas não podíamos nos demorar, pois ainda tínhamos muita trilha pela frente nesse dia.
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Gerais do Rio Preto
Rio Preto[/align][/mostrar-esconder]As 15:00h chegamos no Mirante do Vale do Pati e durante 20 minutos ficamos contemplando um dos lugares mais belos e fotografados da Chapada Diamantina.
Mochilas nas costas e de volta a trilha seguimos pelo Gerais do Rio Preto rumo ao Cachoeirão por cima.
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Vale do Pati
Mirante do Vale do Pati
Vale do Pati
Gerais do Rio Preto[/align][/mostrar-esconder]As 17:00h paramos para levantar acampamento ao lado de um local conhecido como Toca do Gavião.
A toca é uma pequena gruta que serve de abrigo e onde também montamos nossa cozinha.
Silica tratou logo de providenciar alguns galhos secos enquanto Henrique preparava um fogareiro com pedras, o restante da galera montava as barracas e a Kariny estreava o Shit Tube.
Logo alguns se juntaram nos preparativos dos alimentos e de uma pinga com mel e limão enquanto outros se lavavam em um pequeno córrego que passa no local.
Enquanto os alimentos cozinhavam íamos bebendo, comendo uns salgadinhos e ouvindo música do iPod que o Rafael levou com caixinhas de som.
Nosso jantar nessa primeira noite de acampamento foi strogonoff de frango com arroz e batata palha, acompanhado de vinho tinto, o Henrique gosta de cozinhar e o faz muito bem. Ainda tivemos Pão de Mel como sobremesa.
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Gerais do Rio Preto
Toca do Gavião - Gerais do Rio Preto
Toca do Gavião - Gerais do Rio Preto
Toca do Gavião - Gerais do Rio Preto[/align][/mostrar-esconder]Após o jantar uns foram dormir, outros namorar e os demais seguiram jogando baralho, ouvindo musica, tomando tequila e pinga com mel e limão... Para ficar melhor só faltava gelo.
Pouco antes da meia-noite já estávamos todos roncando.
Quinto dia – 30 de dezembro de 2008
Levantamos por volta das 7:00h de mais um belo dia ensolarado.
Tomamos um café da manhã com pão, queijo, manteiga, mingau de aveia com maçã, café, leite, biscoitos e cuzcuz de milho preparado na hora pelo Henrique.
Após lavarmos os utensílios levantamos acampamento e deixamos a Toca do Gavião as 8:30h.
As 9:10h. chegamos no alto do Cachoeirão.
Com altura aproximada de 270 metros o Cachoeirão não é como sugere o nome uma cachoeira mas um local situado ao final de um vale composto por várias quedas d’águas provenientes de lençóis freáticos que jorram através de pequenas aberturas nos paredões.
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Vale do Cachoeirão
Cachoeirão - Gerais do Rio Preto
Cachoeirão - Gerais do Rio Preto[/align][/mostrar-esconder]Uma característica do Cachoeirão é o bailar de suas quedas movidas pelo vento que percorre o vale e que ao chegar em seu final só pode escapar para cima levando consigo gotículas d’água criando sempre uma leve garoa e formando arco-íris sobre o Cachoeirão. Sem duvida um dos mais belos espetáculos da Chapada Diamantina.
Em um determinado ponto existe um mirante natural, uma rocha estreita que se projeta mais a frente que as outras sobre o Cachoeirão onde podemos nos sentar e admirar com mais emoção aquela deslumbrante paisagem.
No extremo oposto do vale pudemos avistar a Ladeira do Império que dá acesso a Andaraí.
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Cachoeirão - Gerais do Rio Preto
Cachoeirão - Gerais do Rio Preto
Christina sobre o Vale do Cachoeirão[/align][/mostrar-esconder]Havíamos deixado nossas mochilas algumas dezenas de metros atrás ao lado de uma piscina natural no Rio Preto e antes de seguirmos na trilha todos deram um bom mergulho para refrescar. Foi aqui também que nossa tequila acabou.
As 10:00h pegamos novamente a trilha rumo agora à Prefeitura percorrendo sobre a Serra do Sobradinho e as 13:30h alcançamos nosso ponto de descida para o Vale do Pati, uma passagem no rochedo conhecida como “A fenda”. Uma parada para descanso e para admirar a paisagem; Abaixo de nós o Rio Pati vindo do norte percorrendo todo o vale, do outro lado e a nossa frente o Morro do Castelo se destacando imponente.
O início da descida é feito na encosta rochosa da serra, um caminho bastante estreito, íngreme e escorregadio; muitos sofreram nesse trecho, o restante percorremos em meio a mata fechada com vegetação típica de Mata Atlântica até o fundo do vale alcançando o Rio Pati.
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Galera no Rio Preto
Serra do Sobradinho
Serra do Sobradinho com Morro do Castelo ao fundo
Rio Pati no fundo do vale[/align][/mostrar-esconder]Depois foi só seguir margeando o rio até chegarmos na Prefeitura as 16:20h. Dois integrantes do grupo estavam com dificuldades para chegar e eu e o Rafael voltamos para ajudá-los carregando suas mochilas.
Ao chegarmos na Prefeitura havia umas três barracas armadas e outras seis pessoas alojadas nos quartos.
Exaustos e famintos fizemos um lanche e ficamos largados pelo chão com vontade de fazer absolutamente nada.
Logo chegaram pela trilha clássica do Pati o senhor Luís (guia) com um casal de suecos ou dinamarqueses (não me lembro) que vieram se juntar ao nosso grupo.
Em seguida chegou a Luan, filha do Luís, dona da pousada e sócia da agência com a qual fechamos a trilha pro Pati. E a Luan não veio só, trouxe com ela a Goara, mãe da Musa.
Com tanta felicidade reunida precisávamos bebemorar! Então: Pinga com mel e limão. Rsrsrs...
Armamos as barracas e ficamos admirando o lindo por do Sol do Vale do Pati.
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Descendo a Serra do Sobradinho para o Vale do Pati
Vale do Pati
Prefeitura com Serra do Sobradinho ao fundo - Vale do Pati[/align][/mostrar-esconder]Foi-se o Sol, vieram a Lua e as estrelas e seguimos batendo papo até a hora do jantar que foi preparado pelos moradores locais que cuidam da Prefeitura e servido em sua residência, a família do senhor Edílson. Foi um banquete, todos se fartaram e após um cafézinho nos aconchegamos ao redor de uma fogueira em frente a Prefeitura preparada pelo senhor Edílson onde ficamos ouvindo música, cantando, jogando e bebendo até todos adormecerem.
Sexto dia – 31 de dezembro de 2008
Acordamos por volta de 8:00h. Henrique, Luan e Silica já estavam na cozinha preparando o café da manhã pra galera. Acho que jamais esquecerei aquele cuzcuz com queijo e banana preparado no fogão a lenha.
Lavei algumas peças de roupa e as 10:00h descemos o Rio Pati por aproximadamente dez minutos até chegarmos no nosso objetivo: uma grande piscina natural formada em seu leito depois de pequenas quedas, motivo para ficarmos ali nadando e relaxando com a massagem proporcionada pelas quedas d’águas durante duas horas.
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Morro do Castelo - Vale do Pati
Prefeitura - Vale do Pati
Poço da Árvore - Rio Pati
Poço da Árvore - Rio Pati[/align][/mostrar-esconder]Voltamos para a Prefeitura com uma preguiiiiiça, uma moleeeza... Almoçamos e começamos a nos preparar para seguirmos viagem após as 16:00h quando a temperatura já não estaria tão intensa.
A galera foi calmamente desmontando as barracas e refazendo as mochilas para partirmos.
As 16:00h nos despedimos daqueles que ficavam, atravessamos o rio e botamos os pés na trilha novamente, nosso próximo destino era a Igrejinha no Pati de Cima.
Seguindo pela trilha clássica que acompanha o Rio Pati o desgaste físico daqueles que não estavam acostumados com trilhas longas ficou bastante evidente, pois essa parte do caminho é composta por muitas subidas.
Bolhas nos pés, dores musculares ou ferimentos nas pernas ocasionados por quedas eram as causas do andar manco de alguns e para as distâncias entre os membros do grupo se tornarem cada vez maiores.
Fizemos uma breve parada para descanso na casa do senhor Wilson. A meio caminho entre a Prefeitura e a Igrejinha é uma parada obrigatória aos viajantes que trilham esse caminho. No quintal do senhor Wilson haviam outros viajantes acampando e outros que estavam descendo para passarem o Reveillon na Prefeitura.
Voltamos a trilha e a medida que subíamos nossa visão do vale ia se tornando mais ampla a cada passo, o Sol poente pintava em tons de laranja os morros e projetava suas sombras por todo o vale.
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Atravessando o Rio Pati
Casa do Sr. Wilson - Vale do Pati
Deixando casa do Sr. Wilson - Vale do Pati
Ruinha - Vale do Pati[/align][/mostrar-esconder]Alcançamos o ponto mais alto da trilha pouco antes do Sol se pôr por detrás dos Gerais do Rio Preto, o cansaço estava estampado no rosto de todos, mas a alegria sobressaia. Desse ponto avistamos a Igrejinha e para lá faltava apenas uma suave descida.
Chegamos na Igrejinha exatamente as 18:00h, e assim como na Prefeitura haviam poucos viajantes já instalados, alguns encontravam-se alojados em dois quartos coletivos, outros em três barracas.
“A Igrejinha” realmente é uma igrejinha preservada desde os tempos do garimpo e bem decorada com imagens de santos, flores e velas sempre acesas, diante dela um grande terreiro ladeado por duas construções, de um lado uma serve de abrigo aos viajantes com um grande quarto vazio e uma cozinha com dois fogões de lenha e uma mesa. Do outro lado a outra construção é dividida em casa dos moradores do local, um quarto coletivo para viajantes e um pequeno cômodo transformado em venda.
Há também dois banheiros externos, uma pia para se lavar louças e um tanque para roupas.
Montamos nossas barracas e o Henrique, Luan e Silica foram pra cozinha preparar nosso jantar de ano novo.
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Lá em cima fica o Mirante do Vale do Pati
Ruinha - Seguindo para a Igrejinha - Vale do Pati
Ruinha - Seguindo para a Igrejinha - Vale do Pati
Ruinha - Seguindo para a Igrejinha - Vale do Pati[/align][/mostrar-esconder]Após tomar um banho me juntei a galera que estava na cozinha. Lá fora acenderam uma fogueira sob um céu tomado por estrelas.
Preparamos umas bebidas e o Rafael também chegou na cozinha com o iPod e as caixinhas de som, logo todos que estavam na Igrejinha se espremiam lá dentro porque misturar música com cachaça, mel e limão só poderia acabar em festa.
O jantar ficou pronto e fomos nos sentar em volta da fogueira, não faltou nem a tradicional lentilha, pra acompanhar a refeição algumas garrafas de vinho tinto.
A festa prosseguiu embalada pela galera bêbada dançando qualquer música que tocava... Confesso que também fiquei não valendo um real e se sóbrio já sou péssimo dançando...
Mas limitei minha performance a apenas um forrózinho desengonçado, pois uma doida me arrastou pro bate-coxa.
MEIA NOITE! Abraços, beijos, champanhe estourando e FELIZ ANO NOVO!
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Cozinha da Igrejinha
Cozinha da Igrejinha
Festa de Réveillon na Igrejinha - Vale do Pati
Festa de Réveillon na Igrejinha - Vale do Pati[/align][/mostrar-esconder]Sétimo dia – 1 de janeiro de 2009
Levantamos por volta de 8:00h, tomamos nosso café e as 10:00h saimos para conhecer o Morro do Castelo (também conhecido como Morro da Lapinha), as barracas continuaram montadas pois ficaríamos mais uma noite na Igrejinha.
O caminho para o Morro do Castelo a partir da Igrejinha é voltando a trilha que havíamos percorrido no dia anterior vindo da Prefeitura e pegando outra logo depois de passarmos pela residência do senhor Wilson.
Mas nem todos estavam dispostos a encarar a subida íngreme do Castelo e o grupo se dividiu em dois onde o maior grupo resolveu ir para a Cachoeira dos Funis bem próxima.
Eu integrei o grupo que estava determinado a subir o Castelo. A metade mais baixa do morro é tomada por uma densa floresta proporcionando sempre sombra à trilha, quando chegamos no ponto em que a trilha se torna bem íngreme há uma fonte d’água que cai sobre um paredão rochoso. A partir daí a vegetação em torno da trilha passa a ser arbustiva.
Após “escalaminharmos” o trecho mais íngreme a trilha segue por um platô de aproximadamente 300 metros terminando na última porção do morro, os paredões rochosos que formam as “torres do castelo” e é aí que existe uma caverna que atravessa uma parte dessas torres.
Ao chegarmos na grande boca da caverna as 11:30h encontramos dois casais que passaram a noite ali apenas com seus sacos de dormir e mantimentos para o pernoite. Eles vieram de Salvador pedalando e as bicicletas estavam escondidas na mata lá embaixo ao lado do Rio Pati, dali eles seguiriam pedalando para o Vale do Capão.
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Rumo ao Morro do Castelo - Vale do Pati
Subindo o Morro do Castelo
Vista do alto do Morro do Castelo
Morro do Castelo - Entrada da caverna[/align][/mostrar-esconder]Despedimo-nos dos ciclo-viajantes e adentramos a caverna, sua grande entrada nos leva para um interior espaçoso que vai se estreitando até a outra extremidade. Em uma das paredes no meio do caminho existe uma fonte d’água bem gelada. Após percorrermos uns 100 metros chegamos na entrada oposta que fica em um ponto alto e que alcançamos subindo por enormes blocos desmoronados e passando por espaços apertados entre eles.
Saímos da caverna e chegamos a um mirante entre o Vale do Pati e o Vale do Rio da Lapinha, mais um ponto de observação fantástico da região.
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Caverna do Morro do Castelo
Caverna do Morro do Castelo
Vista do Morro do Castelo para o vale do Rio Pati
Vista do Morro do Castelo para o vale do Rio Lapinha e Cachoeira do Calixto
Vista do Morro do Castelo para o vale do Rio Lapinha
Caverna do Morro do Castelo[/align][/mostrar-esconder]Meia hora e muitas fotografias depois voltamos pela caverna, os dois casais já haviam descido e descemos também pela mesma trilha que subimos.
Chegamos ao Rio Pati e reencontramos os casais que tomavam banho, seguimos subindo pelo seu leito pedregoso até alcançarmos a Cachoeira dos Funis onde encontramos o restante dos nossos amigos por volta de 13:30h.
A Cachoeira dos Funis possui este nome por cair entre paredes de forma afunilada, mais uma bela cachoeira com um grande poço para mergulhos.
Ficamos curtindo a cachoeira por aproximadamente uma hora e depois voltamos para a Igrejinha.
Alguns foram tirar um cochilo, eu fiquei no terreiro com outros batendo papo e apreciando a paisagem do final de tarde, mas antes que o Sol se posse também cai no sono e só acordei por volta das 21:00h quando a Cristiane me chamou para jantar. Após jantar tirei algumas fotografias do interior da igrejinha e voltei a dormir.
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Subindo o Rio Pati
Subindo o Rio Pati
Cachoeira dos Funis - Rio Pati
Igrejinha[/align][/mostrar-esconder]Oitavo dia - 2 de janeiro de 2009
Acordamos por volta de 7:00h, tomamos nosso café e levantamos acampamento.
Partimos da Igrejinha as 8:20h subindo pela trilha que leva ao Mirante do Vale do Pati nos Gerais do Rio Preto onde havíamos passado anteriormente (no quarto dia - 29 de dezembro).
Alcançamos o Mirante as 9:00h e seguimos para o Vale do Capão. Poderíamos ter seguido por baixo saindo da Igrejinha direto pros Gerais do Vieira, mas o Henrique optou por esse caminho mais longo e cansativo apenas pelo visual que desfrutaríamos seguindo pelo Gerais do Rio Preto e descendo para os Gerais do Vieira pela Ladeira do Quebra Bunda.
E que visual!
Chegamos na Quebra Bunda por volta de 10:30h, descida de inclinação leve, mas seu chão de pedras soltas justifica seu nome. Do alto da ladeira pudemos avistar onde seria nossa parada pra descanso antes de seguirmos pro Capão, o Rancho do Tropeiro.
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Igrejinha
Subindo para o Mirante do Pati no Gerais do Rio Preto
Gerais do Rio Preto
Descendo para a Ladeira do Quebra Bunda do Gerais do Rio Preto para o Gerais do Vieira[/align][/mostrar-esconder]O Rancho do Tropeiro é uma construção de único cômodo feito com três simples paredes de barro e coberto por telhas, cercado por árvores e dois córregos, um dos córregos forma um grande poço que propicia deliciosos mergulhos.
Construído por alguns moradores do Vale do Pati o rancho tem a finalidade de servir de abrigo e local de descanso na longa caminhada para o Vale do Capão e do seu retorno.
Após um banho refrescante e acabarmos com os últimos pacotes de biscoitos reabastecemos as garrafas d’água e voltamos pra trilha.
Seguimos pelos Gerais do Vieira e as 14:15h entramos no Vale do Capão.
Concluímos nossa caminhada na pequena venda de caldo de cana e pastéis de jaca assim que se sai da trilha.
Acabamos com os pastéis e o vendedor teve que suar muito para moer no braço cana para atender todo mundo.
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Rancho do Tropeiro no Gerais do Vieira
Rancho do Tropeiro no Gerais do Vieira
Gerais do Vieira a caminho do Vale do Capão
Bairro do Bomba - Vale do Capão[/align][/mostrar-esconder]Logo nosso transporte para Lençóis chegou, amarramos as mochilas no teto e embarcamos, mas antes de sairmos do Capão ainda fizemos uma rápida parada no centro da vila para tomarmos um refrigerante.
Chegamos em Lençóis ao pôr-do-sol, voltamos para a pousada e após o banho fomos jantar e “bebemorar” na Fazendinha e Tal.
Com o copo de caipinha de 500ml saindo por R$ 3,50 vocês podem imaginar como fomos dormir aquela noite.
Nono dia - 3 de janeiro de 2009
Matamos saudade do colchão e acordamos tarde nesse dia.
Tomamos um belo café da manhã, pegamos nossas barracas e mochilas, nos despedimos do pessoal da pousada e fomos novamente pegar o carro na Lukdan.
Alugamos o carro por mais 4 dias e como já éramos bons clientes ganhamos também um bom desconto pagando R$ 540,00.
Deixamos Lençóis as 11:30h com destino a Andaraí.
Seguimos por 12 km até a BR-242, uma rodovia bem conservada e com tráfego intenso nessa época do ano por ligar Brasília a Salvador e as praias do sul da Bahia, depois de percorrermos 36 km por ela entramos na BA-142.
A BA-142 apesar de ter pouco tráfego de veículos é caminho de muitos animais silvestres, de gado e burros soltos que são criados nas propriedades ao longo da rodovia, além disso, buracos na pista requerem ainda mais atenção dos motoristas.
Após 50 km chegamos em Andaraí as 13:20h.
Andaraí era um local do qual só tínhamos como interesse a Cachoeira do Ramalho, mas como não possuíamos um mapa detalhado da cidade nos dirigimos ao Posto de Informações Turísticas localizado em uma praça na principal rua de entrada da cidade. Porém a menina que atendia mal sabia informar seu próprio nome e não havia material impresso relevante.
Três perguntas que eu fiz à menina tiveram basicamente a mesma resposta: Que eu procurasse a Associação de Guias, mas ela não conseguiu explicar direito como chegarmos lá.
Fomos andando, apreciando a arquitetura, apreciando a paisagem natural e perguntando até que encontramos a associação... Que estava fechada. E não havia nenhuma notificação se voltaria abrir naquele dia.
O dia estava muito quente, era tarde e já não tínhamos perspectiva de aproveitá-lo em Andaraí.
Fizemos então um lanche e rumamos para o Poço Azul em Nova Redenção seguindo 22 km pela BA-142, depois 10 km pela estrada para Itaetê e mais 18 km por uma estrada de terra até a Fazenda Moreno onde se localiza o Poço Azul.
No caminho nuvens escuras e uma imensa coluna de chuva quase nos encontrou, vinda do sul passou a nossa frente e seguiu pro norte.
O Rio Paraguaçu corta a propriedade e estacionamos o carro em uma das margens atravessando-o de bote (R$ 3,00).
O acesso a Gruta do Poço Azul tem taxa de R$ 10,00, o local é bem organizado com vestiários, restaurante e antes de entramos na gruta precisamos tomar uma ducha.
Recebemos coletes salva vidas, máscaras e snorkels, como o Sol não incide diretamente no interior da gruta na maior parte do ano e o céu estava nublado a iluminação no poço não estava das melhores, mesmo assim curtimos muito flutuar nas águas extremamente transparentes.
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Casas em Andarai
Rio Paraguaçu
Descendo ao Poço Azul
Poço Azul[/align][/mostrar-esconder]Saímos do Poço Azul e voltamos para Andaraí subindo para Igatu onde pernoitaríamos.
Achamos que o Gol não fosse chegar inteiro de tanto que batia o motor e o assoalho nas pedras que calçam a estradinha pra vila, mas estávamos encantados demais com a paisagem para nos preocuparmos com isso. Caminho feito para animais e carroças, não para carros.
Chegamos em Igatu com o Sol se pondo e com o motor apresentando um som diferente, como se algo estivesse batendo. Dei uma olhada por baixo para ver se havia algum vazamento e se o protetor do carter ou o escapamento tinham quebrado, mas apesar dos amassados tudo parecia estar inteiro e firme no lugar.
Fomos então procurar por uma pessoa que a Luan nos indicou para nos hospedar e não demorou para encontrarmos o Rafael “Macaco”.
O Rafael possui uma pousada com uma área para acampamento e também é guia e escalador.
Nos instalamos em um dos quartos com banheiro (R$ 15,00 sem café da manhã) e após o banho saímos por Igatu a procura de um local para jantarmos. Encontramos um lugarzinho escondido, bastante aconchegante, com uma ótima comida e bom preço, o restaurante Água Boa. Enquanto a comida era preparada íamos degustando as pingas de R$ 0,50 a dose.
Depois do jantar nos reunimos com o Rafael Macaco em sua agência e combinamos de no dia seguinte irmos até a Cachoeira das Três Barras.
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Chegando em Igatu
Igatu
Casas de Igatu
Casas de Igatu[/align][/mostrar-esconder]Décimo dia - 4 de janeiro de 2009
Acordamos e fomos procurar um lugar para tomarmos café. Encontramos apenas em duas outras pousadas, porém achamos os valores caros e resolvemos comprar alguns mantimentos e prepará-los em nossa pousada.
Compramos alguns ovos, leite, biscoito, refrigerante, mas não encontramos pão. Na pousada o Rafael Macaco já tinha preparado uma garrafa de café.
Após o café deixamos a vila em dois carros e seguimos para a Cachoeira das Três Barras as 9:20h.
Pegamos a BA-142 sentido Mucugê e seguimos por aproximadamente 3km onde deixamos a rodovia e adentramos pela vegetação na margem oposta da pista. Neste ponto não existe qualquer tipo de sinalização quanto a este acesso e esta entrada pela vegetação é quase imperceptível à quem trafega pela rodovia, somente quem já fez esta trilha pra perceber onde é sua localização e pra onde ela leva.
Seguimos por 300 metros em meio a uma vegetação típica de Cerrado até chegarmos a uma clareira natural onde deixamos os carros estacionados e continuamos a pé por aproximadamente 50 minutos até atingirmos a borda do Vale do Rio Piaba.
Depois de uma parada para descanso e contemplação do vale continuamos a trilha, agora descendo até alcançarmos o Rio Piaba onde em mais uma parada nadamos em uma grande piscina natural formada em seu leito.
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Vale do Rio Piaba
Vale do Rio Piaba
Rio Piaba
Vale do Rio Piaba[/align][/mostrar-esconder]Depois seguimos margeando o rio acima por mais 40 minutos até chegarmos no enorme poço formado pela belíssima queda de 60 metros da Cachoeira das Três Barras. Mais uma linda e tranqüila cachoeira preservada assim devido a sua localização e pouca divulgação.
Após alguns mergulhos e fotografias resolvi acompanhar o guia Rafael passando por detrás da queda, entre a água e o paredão... É demais, uma sensação incrível!
Como este seria nosso único passeio do dia devido a longa caminhada aproveitamos bem, ficando umas duas horas e meia na Três Barras.
Depois de nos despedirmos dela retornamos para Igatú, chegando na vila as 17:20h.
A noite não há muito o que fazer em Igatú, do pouco comércio existente quase todos fecham por volta de 20:00h ficando apenas o Restaurante Água Boa e a pizzaria em frente a praça abertos até 22:00h ou mais enquanto tiverem clientes.
Jantamos no Água Boa e tomamos umas duas ou três saideiras na pizzaria antes de irmos dormir.
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Vale do Rio Piaba
Chegando na Cachoeira Três Barras
Cachoeira Três Barras
Debaixo da Cachoeira Três Barras[/align][/mostrar-esconder]Décimo primeiro dia - 5 de janeiro de 2009
Depois do café da manhã o Rafael Macaco nos levou para conhecer um garimpo subterrâneo reativado, o Brejo/Verruga, localizado próximo ao campo de futebol.
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Chegando ao Garimpo Brejo-Verruga
Entrada do Garimpo Brejo-Verruga[/align][/mostrar-esconder]A história deste garimpo remonta a primeira metade do século passado onde garimpeiros exploravam uma mina chamada Brejo aos pés de um morro e do outro lado garimpeiros escavavam outra mina chamada Verruga sem imaginarem que um dia elas pudessem se encontrar, o que realmente acabou acontecendo após algumas décadas de extensos tuneis. Depois de muita briga os donos das duas minas fizeram um acordo e as unificaram.
Com a intensa extração das camadas de rocha onde se encontram os diamantes estes acabaram ficando cada vez mais raros de serem encontrados fazendo com que cada vez mais os garimpeiros partissem para outros garimpos até abandonarem por completo a Brejo/Verruga.
Sem manutenção dos escoramentos grande parte das galerias ruiu e desabou. Durante décadas ela ficou esquecida.
Recentemente alguns nativos resolveram limpar as galerias e voltarem a garimpar. Além disso obtiveram patrocínio do diretor da galeria de arte de Igatu para fazerem da mina um templo em memória dos garimpeiros mortos que trabalharam no local para explorarem também o turismo.
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Entrada do Garimpo Brejo-Verruga
Antigos utensílios da mina
Galeria da mina
Galerias da mina[/align][/mostrar-esconder]Para cada ex-garimpeiro do qual se lembram eles fazem na própria mina um boneco de argila deitado em uma pequena mesa com seu nome, já são mais de quarenta bonecos, a maioria destes bonecos ficam concentrados em um grande salão no centro da mina, iluminados cada qual por uma vela que torna a atmosfera deste ambiente ainda mais impressionante.
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Garimpo Brejo-Verruga
Garimpo Brejo-Verruga[/align][/mostrar-esconder]A mina tem mais de trezentos metros de galerias acessíveis, mas por enquanto só é permitido ao visitante conhecer aproximadamente cinquenta metros devido a segurança.
Eles estimam que dentro de dois anos já tenham desobstruído e reforçado galerias que permitam o acesso do turista de um lado ao outro do morro.
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Garimpo Brejo-Verruga
Garimpo Brejo-Verruga
Garimpo Brejo-Verruga[/align][/mostrar-esconder]Saímos da Brejo/Verruga e fomos conhecer as ruínas da antiga vila de pedra dos garimpeiros. No caminho passamos pela igreja e o cemitério que possui alguns túmulos construídos em estilo bizantino assim como o famoso cemitério de Mucugê.
Depois de conhecermos as ruínas fomos conhecer o museu e a galeria de arte, o museu aliás aproveita-se de algumas ruínas de casas da vila de pedra como espaços de exposição de utensílios pessoais e ferramentas dos garimpeiros, todos encontrados entre as ruínas. Na galeria de arte além de apreciarmos belas pinturas, esculturas e instalações de artistas da região pudemos saborear um delicioso sorvete de tapioca.
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Igreja de Igatu
Cemitério de Igatu
Ruínas de Igatu
Museu de Igatu[/align][/mostrar-esconder]Igatu nos revelou bem mais que apenas ruínas, um local de encantos naturais surpreendentes e obras humanas fascinantes. Dois dias é pouco para se conhecer Igatu, mas o suficiente para ficarmos encantados por este lugar mágico. E com este pensamento retornamos para a pousada, pois precisávamos partir.
Já passava das 13:00h quando nos despedimos do Rafael e de Igatu com promessas de um dia voltar e seguimos para Mucugê.
Chegando em Mucugê fomos procurar uma boa pousada que servisse café da manhã e com um bom preço, nos hospedamos na charmosa Pousada Pé da Serra (75 - 3338 2066).
Deixamos nossas bagagens nos quartos e fomos conhecer o Projeto Sempre Viva. (http://www.projetosempreviva.com.br) - Taxa de visitação R$ 5,00.
Conhecemos o laboratório botânico, mais um museu sobre o garimpo e fomos para a Cachoeira do Piabinha... Devido ao grande volume de água causado pela chuva do dia anterior na região não pudemos ir até a Cachoeira do Tiburtino então ficamos no Rio Piabinha curtindo mais um belíssimo Pôr-do-Sol sobre a Serra do Sincorá.
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A caminho de Mucugê
Projeto Sempre Viva
Cachoeira do Piabinha
Rio Piabinha e Por do Sol[/align][/mostrar-esconder]Voltamos para a pousada, lavamos algumas peças de roupa e calçados, tomamos banho e saímos por Mucugê procurando um local para jantarmos, encontramos uma bela pizzaria chamada Point da Chapada, comemos bem com direito a um bom vinho tinto acompanhando deliciosas pizzas.
Após comermos passamos no cemitério bizantino, uma pena que ele fique fechado a noite, a pouca iluminação e a neblina que envolve o local lhe dão um aspecto ainda mais sinistro. Mas o que nos botou pra correr foram os pernilongos, o local fica infestado a noite e como não havíamos passado repelente eles estavam acabando com a gente.
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Rua de Mucugê
Rua de Mucugê
Rua de Mucugê
Cemitério Santa Isabel (Cemitério Bizantino)[/align][/mostrar-esconder]Décimo segundo dia - 6 de janeiro de 2009
Depois de outra ótima noite de sono uma bela mesa de café da manhã com pães, frios, leite, ovos mexidos, bolos, biscoitos, cuscuz, sucos, doces e outras delícias nos preparou para mais um grande dia.
Após o banquete arrumamos as mochilas e deixamos a pousada, paramos mais uma vez em frente o cemitério Santa Isabel (Cemitério Bizantino) para fotografá-lo de dia e reabastecemos o carro.
De volta à rodovia BA-142 nosso destino agora era Ibicoara distante 64 Km.
Ao chegarmos em Ibicoara procuramos a Associação de Guias Bicho do Mato por indicação do Rafael Macaco, a associação fica logo na entrada da cidade e tem algumas placas sinalizando sua localização.
Chegamos, nos apresentamos e negociamos um valor para irmos até a Cachoeira do Buracão (R$ 50,00 para um guia nos levar até lá), rapidinho agilizamos para seguir, pois já passava das 13:00h. Antes o Raffa deixou seu par de botas num sapateiro ao lado da associação para colar o solado que estava soltando e pegaria na volta.
Seguimos então por estradas de terra rumo ao Buracão passando pelo grande Vale do Campo Redondo. Um trajeto longo de aproximadamente uma hora até o local onde se estacionam os veículos, de onde prosseguiríamos a pé até o Buracão.
Pouco antes de chegarmos na portaria do parque municipal onde se encontra a Cachoeira do Buracão pudemos ver extensas áreas completamente queimadas pelos recentes incêndios que haviam devastado boa parte da região dias antes.
Após entrarmos na área do parque ainda seguimos por mais uns quinze minutos de carro, incluindo uma travessia por um trecho raso de um dos três rios que se unem mais a frente formando o Rio Espalhado que tem em seu curso a Cachoeira do Buracão como a maior de suas quedas.
Estacionamos e seguimos por uma trilha que vai margeando o Rio Espalhado, trilha fácil, plana, sem grandes obstáculos.
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Cemitério Santa Isabel (Cemitério Bizantino)
A caminho da Cachoeira do Buracão
Atravessando riacho
Rio Espalhado[/align][/mostrar-esconder]Logo chegamos numa primeira cachoeira, a Cachoeira do Buraquinho, o nome é um pouco óbvio pela pequena semelhança com sua irmã maior - Bem maior! – e com a Cachoeira do Buraquinho começa o cânion por onde o rio prossegue, rio que antes corria tranquilo entre margens distantes nos convidando a relaxar em suas águas agora segue agitado por entre um cânion perigoso nos fascinando a cada nova queda. E a próxima foi a Cachoeira das Orquídeas, outra que não há a possibilidade de se entrar pelo perigo eminente de sermos levados pela correnteza.
Após a queda da Cachoeira das Orquídeas parte da água segue infiltrando por entre as rochas da margem direita formando um outro rio subterrâneo que vai dar origem a um outro espetáculo surpreendente mais a frente.
Prosseguimos na trilha, agora não mais plana e fácil como no início, pelo contrário, passou a ser uma sucessão de subir e descer pedras entre Xique-xiques e Mandacarus.
Já estávamos muito próximos a Cachoeira do Buracão, na verdade estávamos ao lado, mas o guia não queria que a víssemos de cima antes de conhecê-la por baixo para não estragar a surpresa. E para se chegar ao fundo do cânion descemos por uma longa escada de madeira estrategicamente colocada ali pela associação de guias.
A trilha seguia agora contornando um enorme paredão à direita nos deixando praticamente embaixo de uma cachoeira fantástica, a Cachoeira do Recanto Verde, uma grande cachoeira formada por um rio subterrâneo, braço do Espalhado que vem lá da Cachoeira das Orquídeas.
A Cachoeira do Recanto Verde surge no meio de um enorme paredão rochoso e tão surpreendente como aparece, some por entre as rochas, dando prosseguimento ao rio subterrâneo que mais abaixo volta à superfície e reencontra o Rio Espalhado, coisas da Chapada Diamantina.
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Cachoeira do Buraquinho
Cachoeira das Orquídeas
Cachoeira do Recanto Verde
Cachoeira do Recanto Verde[/align][/mostrar-esconder]A partir daqui a trilha se torna úmida e entre pedras e raízes de árvores retorna ao Rio Espalhado terminando na enorme garganta que nos leva ao poço do Buracão.
Neste ponto os guias disponibilizam coletes salva vidas para ajudar na travessia, pois para se passar pela garganta somente nadando contra a forte correnteza.
E mesmo utilizando colete a subida é cansativa, o que nos faz parar algumas vezes para descansar seguros nas saliências das margens.
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Rio Espalhado
Garganta para a Cachoeira do Buracão[/align][/mostrar-esconder]Se chegar até aqui já foi fascinante, ficamos extasiados ao chegarmos ao grande poço da Cachoeira do Buracão onde somos arrebatados pela pressão do vento e o som criado pela volumosa queda d’água.
Ao longo do dia bate pouco Sol dentro do Buracão e naquele horário a temperatura cai bastante devido ao forte vento que espalha água pelo ar, o que me fez ficar com hipotermia.
Após alguns minutos de contemplação, tremedeira e bater de dentes nadamos de volta para a entrada da garganta e subimos a trilha para a vermos o Buracão por cima, mais uma visão inesquecível.
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Cachoeira do Buracão
Cachoeira do Buracão
Cachoeira do Buracão
Cachoeira do Buracão[/align][/mostrar-esconder]De volta ao carro retornamos para a cidade fazendo antes uma breve parada no alto do Vale do Campo Redondo para algumas fotografias.
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Canelas de Ema após queimada
Vale do Campo Redondo[/align][/mostrar-esconder]A tarde já findava e de volta ao asfalto retornamos para a BA-142 voltando a Mucugê para seguirmos para o Vale do Capão.
O caminho era longo, não tínhamos noção do quanto. Esse trecho do roteiro eu não havia calculado. Mas nem estava preocupado, deixei intencionalmente ao acaso... Algumas coisas precisam acontecer sem previsão, é o tempero da aventura.
Assim que chegamos na divisa com Mucugê deixamos a rodovia por uma estrada de terra que segue paralela a Serra de São Pedro e que nos levaria até Guiné, no meio do caminho a estrada estava interditada pela queda de uma ponte sobre um riacho.
Retornamos um pouco e seguimos por outra estrada passando por um vilarejo... Já eram 22:00horas.
Encontramos dois moradores e confirmamos se seguindo por ali conseguiríamos retornar a estrada para Guiné após a ponte, os moradores disseram que sim e prosseguimos já bastante cansados depois de horas dentro de um carro por estradas de terra.
Enfim chegamos em Guiné, mas para nos receber veio a chuva e veio com força, despejando muita água e espalhando raios por toda a Chapada.
Estávamos preocupados, pois não havíamos feito reserva em nenhuma pousada no Vale do Capão e devido ao horário e aquelas condições ia ser difícil encontrarmos alguma aberta para nos receber.
Já havia passado da meia-noite quando chegamos ao Capão e a chuva não dava trégua. Como era de se esperar, tudo fechado... Coloquei uma capa de chuva e saí gritando e batendo nas portas de algumas pousadas sem que alguém aparecesse para nos atender. Voltei pro carro até que vimos uma galera bebendo em um bar numa praça. Fomos até lá e pedimos também uma cerveja, bebemos rápido, pois até o bar estava fechando.
Perguntamos se sabiam de alguma pousada aberta onde poderíamos passar a noite, mas pouco puderam nos dizer, as sugeridas já havíamos passado em frente e estavam fechadas.
Retornamos pro carro com três alternativas: dormir no carro, continuar batendo de porta em porta ou seguirmos para Lençóis (o que seria mais algumas horas de estrada). E a chuva... Não parava.
Foi a vez do Téo colocar a capa de chuva e arriscar, até que conseguiu acordar alguém que nos atendeu na Pousada Verde.
Eram 2 horas quando conseguimos um confortável quarto com quatro camas. O preço ficou razoável, R$ 30,00 pra cada com café da manhã (http://www.superpousadas.com/pousadaverde.shtml).
Após um bom banho quente dormimos como bebês.
Décimo terceiro dia - 7 de janeiro de 2009
Acordamos por volta das 9:30h e a chuva continuava na forma de uma fina garoa. Reavaliamos a idéia de irmos para a Cachoeira da Fumaça naquele dia e fomos tomar nosso café da manhã.
Enquanto tomávamos nosso café um pequeno grupo de hóspedes se preparava com suas capas de chuva para subirem a trilha para a Cachoeira da Fumaça.
Após o café a garoa cessou e decidimos seguir também para a Fumaça, mesmo sem Sol e com a possibilidade de voltar a chover.
A trilha começa na Associação de Condutores e Guias do Vale do Capão, onde passamos para deixar nossos nomes e uma pequena contribuição para o trabalho de manutenção da trilha e preservação do ambiente.
Não é necessário contratar um guia para se chegar na Fumaça, a trilha é bem demarcada e fácil de percorrer, o primeiro trecho exige um pouco das pernas devido a subida da encosta da Serra da Larguinha, mas ao chegar em seu alto a trilha segue pela planície do platô sempre margeando córregos e riachos.
Devido a chuva alguns trechos da trilha estavam debaixo d’água que chegada na altura dos nossos joelhos. Mas para nós isso não era nenhum sacrifício e sim mais aventura e diversão.
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Início da trilha para a Cachoeira da Fumaça
Vale do Capão
Vale do Capão com Morrão ao fundo
Trecho da trilha alagada[/align][/mostrar-esconder]Chegamos ao alto da Fumaça, antes, porém atravessamos com o auxílio de uma corda o ribeirão que forma a segunda mais alta cachoeira do Brasil.
Pouco se há que dizer para expressar a visão da queda da Cachoeira da Fumaça do alto dos seus 380 metros... Simplesmente sensacional... Maravilhoso!
Em decorrência de uma noite inteira de chuva o volume de água estava grande tornando o espetáculo ainda melhor.
Após nos debruçarmos sobre uma plataforma de pedra que se projeta sobre a queda para apreciarmos toda sua extensão e o imenso vale que se descortina a sua frente fizemos um lanche e fomos para outro ponto mais baixo atravessando o ribeirão novamente.
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Vale diante da Cachoeira da Fumaça
Cachoeira da Fumaça
Cachoeira da Fumaça
Cachoeira da Fumaça
Cachoeira da Fumaça[/align][/mostrar-esconder]Desse ponto víamos a cachoeira pelo seu lado direito avançados a frente.
Mesmo em um dia “molhado” como aquele o fluxo de turistas no alto da Fumaça estava intenso, a todo instante chegavam mais.
Depois de consumirmos nossa cota de deslumbramento pegamos a trilha de volta.
Retornando à pousada ao final da tarde, tomamos banho, arrumamos as mochilas e seguimos para Lençóis.
Ao retornarmos à Lençóis devolvemos o carro com meio dia a mais de uso contratado, mas conseguimos um desconto de 10% no uso excedente.
Voltamos para o nosso quarto na pousada Pouso da Trilha e fomos jantar na Fazendinha e Tal degustando as tradicionais cachacinhas e licores servidos no local.
Décimo quarto dia - 8 de janeiro de 2009
Acordei me sentido muito mal... Febre, dor de cabeça, vômito e diarréia.
Enquanto os demais desceram pro café fiquei tentando descobrir o que estava acontecendo. Os sintomas eram de intoxicação alimentar ou dengue, mas naquela situação fica difícil raciocinar direito e confiar em um auto-diagnóstico.
Para esse dia tínhamos programado acordar tarde e fazer algumas trilhas leves por Lençóis mesmo. Pedi ao pessoal que fossem tranquilamente que eu ficaria repousando, tomei um analgésico e iria aguardar pra ver o que iria acontecer até a tarde.
O Raffa e o Téo foram então até o Ribeirão do Meio, mas a Sandra não quis me deixar sozinho, passou na farmácia comprou soro e ficou cuidando de mim.
Algumas horas se passaram e a febre não baixava, nem o soro eu estava conseguindo mais tomar, o estomago rejeitava. Então a Sandra me levou para o hospital onde a médica confirmou nossas suspeitas de intoxicação alimentar ou dengue. Fez um exame para dengue hemorrágica que deu negativo (menos mal), então me deu um antitérmico para baixar a febre e me colocou no soro intravenoso.
No final da tarde o Raffa e o Téo retornaram e foram ver como eu estava. Deixaram-me um celular e foram jantar com a Sandra, quando voltaram eu já estava bem melhor, a febre e a dor de cabeça haviam passado e a médica me liberou, mas que ficasse em observação, caso a febre voltasse eu deveria retornar imediatamente ao hospital.
Voltei para a pousada, tomei banho e fui dormir.
Os amigos foram curtir a noite e por consideração beberam a minha parte. Rsrsrs...
Décimo quinto dia - 9 de janeiro de 2009
No café da manhã não consegui comer, tomei um suco, mas também não consegui segurar no estomago por muito tempo.
Minhas caminhadas nesse dia se resumiram em ir da cama pro banheiro, do banheiro pra cama, da cama pro banheiro, do banheiro pra cama... E prossegui com a “soroterapia”.
Raffa e Téo foram até o Serrano e Poço Halley. A noite pra não perderem o costume foram “butecar” com a Sandra e eu consegui jantar uma maçã.
Décimo sexto dia - 10 de janeiro de 2009
Não desci para tomar o café, pois sabia que não iria conseguir comer e também não aguentava mais tomar soro.
Pedi a Sandra que me comprasse algumas barrinhas de cereais, chocolate, biscoito, banana e água de coco.
Assim que voltaram do mercado Raffa e Téo levaram a Sandra para conhecer o Serrano e o Poço Halley. Tentaram achar também a Cachoeira da Primavera e o Salão de Areias Coloridas, mas desistiram.
Eu permaneci no quarto me recuperando, pois estava bastante debilitado.
A noite Raffa, Téo e Sandra tomaram muita caipirinha num bar da Praça Horácio de Matos onde tocava uma banda psicodélica chamada Africânia.
Décimo sétimo dia - 11 de janeiro de 2009
Levantei bem disposto, com fome, sede e uma vontade imensa de tomar um banho de cachoeira. É... Eu estava de volta!
Como este seria nosso último dia na Chapada e eu não estava plenamente recuperado resolvemos passar o dia no Ribeirão do Meio.
Após o café partimos pra lá, por ser um local próximo e de fácil acesso o Ribeirão do Meio é a “praia” de Lençóis, com direito a vendedores ambulantes de churrasquinho, refrigerante e cerveja. O local é bastante visitado em dias quentes como aquele. Mas deu pra relaxar e nos divertimos muito descendo o escorregador natural e caindo no grande poço formado no ribeirão.
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Ribeirão do Meio – Lençóis
Ribeirão do Meio – Lençóis
Ribeirão do Meio – Lençóis[/align][/mostrar-esconder]Ao final da tarde retornamos pra pousada, deixamos nossas mochilas preparadas e fomos “bebemorar” pela cidade nossa passagem pela Chapada Diamantina.
Ás 23:00h fomos para a rodoviária e nos despedimos de Lençóis e da Chapada partindo no ônibus das 23:30h. para Salvador.
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Praça Horácio Matos – Lençóis
Butecando em Lençóis
Butecando em Lençóis[/align][/mostrar-esconder]
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