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Deserto de Wadi Rum - Jordânia

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Passei pela Jordânia em maio de 2011. Eu preferi conhecer o deserto a pé, e não através de passeios de jeep como 99% dos turistas fazem. Estudei o mapa do deserto e peguei umas dicas de um americano que conheci pelo caminho.

Chegando na vila de Wadi Rum, fiquei na Rest House, um acampamento que oferece barracas bem baratas(3JD). De lá comecei a jornada...bastante água e comida na mochila pois iria passar o dia inteiro no deserto. Este é um trecho do meu blog que conto a saga:

“A missão era atravessar uma cadeia de montanhas até chegar no outro lado, depois chegando na areia, teria que circular a montanha andando pelas dunas de areia fofa do deserto voltando à vila, o que daria umas 7-8 horas de percurso. O que eu sabia era o somente o ponto de entrada: - Tem um cânion bem largo ao lado da vila, não é esse, é um mais estreito do lado direito, depois segue pelo lado direito. Essas foram as únicas instruções que ele me deu, me reforçando que era uma trilha bem difícil. Beleza, adoro essas missões. Estudei o mapa do deserto, deixei minhas tralhas numa barraca na vila, enchi a mochila de garrafas de água e comida para aguentar o dia todo, e sabia que iria encontrar literalmente pedreira pela frente.

A missão já começou tendo que entrar no cânion(vale entre montanhas) subindo por uma parte que precisava realmente escalar. Deixa eu lembrar a diferença entre caminhar e escalar: na escalada temos que usar as mãos nas fendas das rochas para subir paredões verticais ou bem íngremes. Tive que colocar em prática alguns fundamentos que aprendi quando fiz escalada lá no Laos, só que lá foi com cordas de segurança, aqui foi livre sem ninguém para orientar ou ajudar. E fui seguindo. Logo ao entrar no meio de todas aquelas montanhas e ver a areia do deserto de onde parti ficar distante, já comecei a sentir adrenalina e a ficar maravilhado com tudo aquilo que me rodeava. Estava no meio de um cânion com montanhas de uma escultura tão interessante que sei lá, parecia um outro planeta.

Depois de mais de uma hora passando por trechos muito difíceis, seguindo o caminho indicado por alguns montinhos de pedras, cheguei em uma parte que não consegui imaginar como eu passaria por ali. Até então a maioria do trajeto exigia escalada mesmo, não foi nada fácil, eu estava adorando, pra mim quanto mais difícil melhor. E cheguei num ponto bem alto que não vi como passar, faltava uns dois metros para alcançar um outro platô onde tinha um montinho de pedras indicando o caminho. Nesse momento foi o ponto máximo de adrenalina. Eu estava bem perto, mas para chegar lá em cima tinha que fazer um movimento por uma parte de inclinação negativa, e as bordas não eram fáceis de segurar, olhava pra baixo e um paredão de uns 30 metros me fizeram tremer as pernas e dar fraqueza nas mãos. Sim, me deu cagaço! Engolia seco a saliva, estava de pé num batente de uns 5 centímetros seguro numa fenda, tentando ver por onde seguiria, e não achava ponto de apoio nenhum. ... Parei, respirei fundo, uma queda ali não seria nada legal...voltei bem devagar uns dois metros abaixo onde tinha um espaço maior para descansar e pensar alguma coisa. Foi um momento de muita tensão, medo, adrenalina, tudo junto, na beira de um penhasco. Senti um pequeno alívio ao voltar para essa parte mais segura. Não queria desistir depois de ter ralado duas horas para chegar ali. Apertei mais o cadarço dos sapatos, joguei fora dois litros de água da mochila para ficar mais leve e ajustei bem ela nas minhas costas. ...Subi de novo os dois metros, até o ponto onde tinha parado, para tentar novamente, e não vi de novo nenhum lugar seguro em que eu pudesse segurar, o corpo começou a tremer, quando eu olhava a altura que eu estava. Não tenho medo de altura quando estou num lugar seguro, mas no alto de um penhasco onde se escapolir minha mão eu poderia morrer...sim, me deu muito medo. Desisti de uma vez por todas, queria sair vivo dali. Desistir de uma missão quando está em jogo a nossa vida, é uma vitória. Não fiquei nem um pouco me sentindo fraco por não ter conseguido. Era uma passagem muito alta e perigosa, não quis me arriscar. Se tivesse uma corda de segurança, como nas escaladas normais, e não tivesse de mochila nas costas, eu encararia. Porque se não conseguisse era só soltar que a corda me segurava, depois voltava e pronto. Agora se arriscar numa coisa onde se eu não conseguir eu caio e morro, já seria doidice. Sei muito bem o limite entre aventura e insanidade(tá vendo mãe!). Voltei e senti uma alegria enorme em pisar em solo firme outra vez, quase que me ajoelho e beijo o chão igual o papa...rsrsrsr . Estava convencido que tinha feito a coisa certa, convencido que aquelas duas horas até ali e mais duas horas que levariam para voltar eu já me daria por satisfeito, por ter sentido tanta adrenalina e ter curtido todo aquele mundo no meio das montanhas.

Sentei pra descansar e esperar normalizar o nervosismo que passei. Antes de pegar o caminho de volta, passando por uma outra montanha, vi um montinho de pedras indicando um outro caminho, e resolvi seguir... ôpa era uma outra trilha! E fui seguindo...beleza! achei um outro caminho que dava pra passar. Toda essa travessia pelos cânions, eu fiz maravilhado com a arquitetura dessas montanhas. Até que avistei, depois de 3:30h da partida, a areia do deserto do outro lado. Fiquei muito realizado nessa hora. Atravessei então o deserto, contornei as dunas e antes de voltar pra vila, subi em outras montanhas ‘água com açucar’ no caminho. No alto de uma delas armei minha mesa do almoço e comi olhando todo aquele cenário fantástico lá de cima.

Percorrer esse trajeto por dentro da cadeia de montanhas, setindo as montanhas nos pés e na ponta dos dedos, suando e procurando trilhas no meio desse imenso labirinto de cânions foi, sem dúvida nenhuma, bem melhor do que vê-las de fora passando num jeep. Essa foi, de longe, a melhor coisa que fiz na Jordânia. De tanto prazer que sinto em fazer esse tipo de aventura, colocaria o dia que fiz a trilha nos cânions próximo ao Mar Morto em segundo lugar e Petra em terceiro(apesar de ser uma Maravilha do Mundo!!). “

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    • Por gabrielzucchi
      Fala galera!
      Então, em novembro irei para a Europa e a Jordânia, em uma viagem só. Comprei o visto da Jordânia utilizando o número de passaporte brasileiro, mas estava planejando entrar na europa com o passaporte italiano que eu tenho (e consequentemente sair da europa também com ele). Será que haveria problema sair da europa com o italiano e entrar na Jordânia com o brasileiro? Porque não haveria nenhum carimbo de entrada na europa no meu passaporte brasileiro, essa é minha dúvida.
       
      Valeu!
    • Por Fora da Zona de Conforto
      Tudo o que você precisa saber para visitar Wadi Rum saindo de Aqaba – incluindo o que fazer, um dia de cruzeiro em Aqaba, transporte de Aqaba para Wadi Rum e muito mais.
      Além de Petra, o deserto de Wadi Rum é a atração mais visitada da Jordânia.
      E por um bom motivo!
      Entre as dramáticas montanhas de arenito, as areias vermelhas rochosas e a paisagem geralmente de outro mundo (afinal, é por isso que o filme “Perdido em Marte” foi filmado aqui – assista ao vídeo abaixo para ver o que quero dizer!), É certamente um lugar que você quer passar um tempo para se estiver visitando a Jordânia.
      E a cidade portuária de Aqaba, no Mar Vermelho, há apenas 1 hora de carro do deserto, é um excelente local para começar suas aventuras no deserto (em comparação: Amã, a capital da Jordânia, fica há mais de 4 horas de carro) – não importa se você está visitando Aqaba por um longo período de tempo, em uma curta viagem, ou apenas por um único dia em uma parada de cruzeiro.
      Continue lendo: Como visitar o deserto de Wadi Rum vindo de Aqaba na Jordânia – 2019
    • Por Henrique_BR
      Então, depois de tirar muitas informações do Mochileiros, achei que era hora de contribuir um pouco. Percebi que há poucas informações sobre Israel/Jordânia aqui e muitas encontram-se desatualizadas. O objetivo do post é passar informações que eu não achei na internet (e descobri lá) e dar um ideia dos valores gastos e mostrar que, apesar de muitas pessoas acharem esta uma viagem complicada de ser feita, na verdade foi tudo bem tranquilo.
      Câmbio para outubro/2017 US$1 = NIS 3,50 (shekel) e US$ 1 = 0,70 JOD (dinar jordaniano), sim, a Jordânia usa uma moeda louca que vale mais que libra (não me pergunte como )
      Passagem aérea: conseguimos emitir o trecho BR-Frankfurt com milhas pela Latam, que eu achei boa para vôos internacionais. O aperto na classe econômica é o de sempre, mas o serviço de um modo geral é bom. Só tem um porém: o vôo GRU-Frankfurt dura 12 horas e só são servidas duas refeições um jantar após uma hora de vôo aproximadamente e o café da manhã umas duas horas antes de chegar ao destino, então se você não consegue dormir no avião (como eu), é bom se precaver e levar água e lanche ou vai morrer de fome na madrugada. De Frankfurt para Tel Aviv, fomos de Turkish Airlines com escala em Istambul. Aqui tem outro problema: no Aeroporto de Istambul (Ataturk), para acessar o wi-fi, é necessário fazer um cadastro e receber um SMS com um código de autorização que estou esperando até agora. Então, caso aconteça o mesmo e vc não receba o SMS, como aconteceu comigo (normal), é bom ter um plano B para passar um tempo, um livro, músicas baixadas offline, etc. Achei a Turkish muito boa, boas refeições (mesmo em vôos de 2 ou 3 horas), bom espaço para as pernas (peguei um avião com 2, 3 e 2 lugares), sistema de entretenimento em todos os trechos (exceto TLV-IST na volta).
      Roteiro e hospedagem: 4 noites em Tel Aviv (Abraham Hostel), 2 noites em Eilat (HI Hostel), 2 noites em Petra (Peace Way Hotel), 1 noite no deserto Wadi Rum e 5 noites em Jerusalém (Abraham Hostel). A hospedagem, como quase tudo em Israel, é bem cara, beira R$ 100/cama/dia em Tel Aviv e Eilat e R$ 90 em Jerusalém, mas todos os hostels são muito bons, quartos espaçosos, camas confortáveis, bom café da manhã e boa localização. Tem uma questão positiva e, de certo modo, surpreendente, em todos tem água de graça. Apesar de ser tranquilo beber água da torneira em Israel, os hostels tinham bebedouro com água filtrada e gelada, o que dá um boa economia depois de alguns dias. Em Petra, duas noites de hospedagem em quarto saíram por JOD44 (JOD11 por pessoa por dia). O hotel era razoável, no centro de Wasi Musa (cidade base de Petra) e tinha bom café da manhã, mas a internet era ruim, fica caindo toda hora, mas, tirando isso, era bem justo pelo preço.
      Visto/imigração/certificado de vacinação: Para Israel, não é necessário certificado de vacinação nem visto para brasileiros e a permanência máxima autorizada é de 90 dias. A imigração foi surpreendentemente fácil, não me perguntaram NADA, absolutamente nada. Suspeito que foi pelo fato do último carimbo no passaporte ser de Frankfurt. Foi muito mais difícil entrar na Alemanha do que em Israel, me perguntaram onde eu ia, o que eu ia fazer, e o agente tava com uma cara de poucos amigos pro meu passaporte em branco (renovei no meio do ano para essa viagem). Minha vida só melhorou quando mostrei o passaporte antigo com carimbo de entrada na Europa, então, caso o passaporte seja recente, recomendo levar o antigo (imigração em Lisboa não é referência pro resto da Europa). Em Israel, o passaporte não é carimbado para evitar problemas em viagens futuras para países árabes, eles emitem um tíquete à parte com o nome, número do passaporte e sua foto. Sugiro colocar o tíquete com um clipe dentro do passaporte, ESSE TÍQUETE É SUA VIDA EM ISRAEL .. Meu amigo teve que fazer imigração na Turquia e eles fizeram as perguntas de praxe para ele, nada demais. Surpresa boa. O problema é, por incrível que pareça, é sair de Israel. Antes de fazer o check-in no aeroporto, você tem que passar por uma "checagem de segurança" dependendo do destino. Eles perguntam onde vc esteve, o que foi fazer em Israel e na Jordânia, se tem parentes ou conhecidos na Jordânia, quem estava com vc, se era possível confirmar essas informações, nome e dados do meu amigo (falei que estava com ele na viagem)...Aprovado na checagem de segurança, você segue para despachar a bagagem, mas não pode trancar a mala, caso alguém suspeite de alguma coisa e necessite abrir sua mala . Ok, aceitar, despachar a mala destrancada e rezar para tudo aparecer intacto no destino. Em seguida, passa-se pelos procedimentos de segurança, onde há mais perguntas, tirar casaco, cinto, sapato, ... abrir mochila, mostrar o que tem lá dentro, etc... É tensa a coisa toda, mas é mais cansativo que tenso, pq demora muito para fazer todo o procedimento e, depois de tudo, fui "autorizado" a deixar Israel, momento em que devolvem o passaporte ( o passaporte fica com os agentes enquanto vc, suas roupas e pertences passam pelo procedimento de segurança). 
      Continua... 
       
       
       
    • Por Alex DF
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      Voo: Guarulhos - Tel Aviv.
      Trem: Tel Aviv - Jerusalém.
      Van: Jerusalém (Portão de Damascus) - Fronteira Allenby/King Hussein Bridge.
      Ônibus: Fronteira Cisjordânia - Fronteira Jordânia
      Táxi: Fronteira Jordânia - Amã

       
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