Acabei de voltar de uma viagem de 2 semanas na Bolívia. O objetivo era fazer trekking em alta montanha e principalmente conquistar um cume com mais de 6.000 metros.
Passagem aérea
Fui com a BoA (www.boa.bo). Comprei a passagem de ida e volta por R$ 1.690, com uns 2 meses de antecedência. A passagem era sem bagagem despachada no momento da compra, mas me deram o direito de despachar um item na ida e volta. O voo para La Paz não é direto, tem que trocar de avião em Santa Cruz de la Sierra.
Dinheiro e Câmbio
A moeda da Bolívia é o boliviano (abreviado por bs). A melhor coisa é levar dólar em espécie e em notas de 100. Tem uma diferença gigantesca na cotação do oficial e do paralelo. O oficial estava em 6,90 bs por dólar, enquanto o paralelo estava por 13,20 a 13,50. O melhor lugar para o câmbio paralelo é na Calle Sagárnaga, o coração turístico de LP, com uns vendedores que ficam na calçada mesmo.
Praticamente não usei cartão de crédito. Somente para pagar um hotel em La Paz.
Internet e chip de celular
Quase todos os lugares (hotéis e restaurantes) têm internet em boa velocidade. Por outro lado, quase não encontrei wifi público ou aberto.
Comprei um chip da Tigo (10 bs), com 12 dias de dados (mais 50 bs). Funcionou bem. Você encontra em qualquer lugar de LP.
Chegada em La Paz
O aeroporto de La Paz (LP) fica em El Alto, há uns 30 minutos do centro de LP. Um táxi (contratado com o hotel) custa 80 bs. Um coletivo custa 10 bs, na saída do aeroporto.
Comida
Comer num restaurante mais bacana vai custar uns 40-60 bs, sem bebida. Se quiser economizar, uma opção é o popular almuerzo. São 3 pratos, uma sopa, prato principal (carne) e uma sobremesa. Custa entre 12 a 30 bs, sendo que os mais baratos você encontra nos mercados.
Uma salteña custa uns 7 bs.
Hospedagem
LP tem uma infinidade de hotéis e hostels. Vale procurar no Booking e no HostelWorld. Minha recomendação é escolher um nas proximidades da Calle Sagárnaga, já que quase todas as agências de turismo estão por ali. O preço vai variar de uns 50 bs até o limite do seu orçamento.
Segurança
A Bolívia é um país geralmente seguro. A taxa de homicídios da Bolívia em 2024 está em torno de 3,0 homicídios por 100.000 habitantes. Como comparação, em 2024, a do Brasil foi de 18,2 homicídios por 100 mil.
O maior risco na Bolívia é sofrer furto ou cair em algum golpe, como notas falsas ou o golpe do falso policial (uma amiga foi vítima).
Tours saindo de La Paz (que eu fiz)
La Paz tem muito mais coisa para se fazer, escolhi esses por fazer sentido para os meus objetivos.
- Walking tour: no primeiro dia em LP, fiz dois walking tours na cidade. Ambos foram agendados pelo Guru Walk (https://www.guruwalk.com/la-paz/). O primeiro foi um tour histórico pelo centro de LP e o segundo foi um tour por 7 linhas do teleférico. Recomendo os dois. O valor pagamento é o que você decidir. O usual é de 50 a 80 bs por pessoa.
- Laguna Charquini: caminhada de 4 km (ida e volta) para visitar uma laguna glacial que fica a 5.000 m sobre o nível do mar. Custou 150 bs, com direito a transporte, guia e um lanche. Esforço médio e visual muito bonito. Fui pela Blue Wings Adventures (zap +591 73254342, Juan).
- Pico Áustria: fazia parte do meu plano de aclimatação e treino. O Pico Áustria tem 5.350 m e é uma subida exigente de 3 a 5 horas (mais descida, umas 2h). Não é para qualquer um. Visual fantástico da Cordilheira Real, Apolobamba e proximidades de LP. Custou 450 bs, com direito a transporte, guia e almoço (marmita). É oferecido por todas as agências. Fiz pela agência Over Limit Adventures (zap +591 60157042) e a recomendo.
- Estrada da Morte: descemos a famosa Estrada da Morte de bicicleta. Todas a agências oferecem e o preço não varia muito. Fizemos pela Blue Wings Adventures (zap +591 73254342, Juan) e gostamos muito das bicicletas e dos guias (Freddy e Franco, ambos super gente boa). As bicicletas eram full suspension e com boa manutenção. O tour inclui também um café da manhã e um almoço (buffet) no fim do passeio, com espaço para banho. Sai as 7:30 e volta lá pelas 20h. Ficou em 430 bs por pessoa.
Parque Nacional Sajama
O PN Sajama era o maior objetivo da viagem, pois lá estão vários vulcões com mais de 6.000 m e com exigência técnica baixa (não precisa de equipamento de escalada). Eu estava em dúvida sobre o Acotango ou Parinacota.
O transfer de LP até a vila de Sajama nos custou 750 bs para até 4 pessoas. Fomos numa SUV confortável. O motorista foi o Orlando e o zap dele é +591 72518401. Dá para ir de transporte público, pegando um ônibus/van bem cedo até Patacamaya. De lá, sai uma van por dia para Sajama ao meio-dia. Vai custar uns 70 bs no total. O ponto de saída da van é o Restaurante Capitol.
Chegando no PN Sajama, tem que pagar uma taxa de entrada de 100 bs em dinheiro vivo, independente do número de dias que vai ficar.
A vila de Sajama fica a 4.250 m, é bem fria e bem pequena (300 hab), com alguns hostels, vendinhas e poucos restaurantes. É um lugar visitado basicamente por montanhistas. A vista da vila é sensacional, cercada de vulcões nevados, como o Sajama, Parinacota, Pomerape e Acontango.
Fiquei no Hostel Oasis, muito bom. O contato é o Marcelo (dono), zap +591 63204276. Tem várias opções de quarto, variando de 100 a 160 bs por pessoa. Eles servem também almoço e jantar, por 40 bs cada.
Para treino e aclimatação, subi o pico Wisalla (ou Huisalla), com 5.050 m. Se sai caminhando da vila até o cume. Dá uns 12 km (total). Usei trackings do Wikiloc. Recomendo fazer a subida e descida pelo lado direito da montanha, que é menos inclinado e com menos areia.
Trekking das lagunas de altura: foi outra etapa da aclimatação. Trekking de 21 km, com boa parte dele acima de 5.000 m. Pegamos um transporte até os gêiseres de Sajama e fomos caminhando até a primeira laguna, seguimos para a segunda, depois subimos o passo de montanha. Desse ponto, a trilha desce até a laguna Chiar Cocha e depois desce por um vale por um longo caminho até os banhos termais. Visuais incríveis! Trekking exigente pela distância e altitude. Se não estiver confiante, dá para voltar da segunda laguna para os gêiseres e chamar o transporte. A trilha é bem marcada, mas mesmo assim, sugiro levar um tracking offline. Usamos o transporte da Brenda, zap +591 75828088, que nos cobrou 150 bs até os gêiseres e 100 bs para nos resgatar nos banhos termais.
Tanto o Wisalla como o trekking nas lagunas de altura fizemos por nossa própria conta, sem guias.
Tem também o Mirador de Montecielo, com 4.500 m, bem em frente a vila e com o caminho bem marcado. Esse eu não fui.
Acabamos nos decidindo pelo vulcão Acotango, pois o Parinacota estava com muitos penitentes (formação de gelo). Recomendo ir com guia, tanto por segurança como por facilidade. No hostel Oasis, todos os dias, entre 17 e 18h, passam os guias de montanha para dar informações e oferecer os serviços. Eles também tem equipamento (botas, roupas, crampons, cadeirinha, etc) para a subida. Fomos com o guia Eloi, mas não o recomendo. Ele é muito xucro e sem paciência. Prefira o Nelson ou o Ariel, muito melhores. O pacote com guia, transporte e equipamentos que faltavam nos custou 1.400 bs para 3 pessoas. Para duas, ficaria em 1.800 bs. A saída para o Acotando é as 2h da manhã, retornando as 13h. A subida é uma longa caminhada inclinada em altitude, saindo de 5.300 m e chegando no cume a 6.052 m. São de 3 a 5 h de caminhada para subir. Não tem dificuldade técnica, mas precisa estar bem aclimatado, bem agasalhado (temperatura de -20º C) e com bom preparo físico. Levar uma garrafa térmica com chá quente de folhas de coca ajudou bastante.
Para ascensões aos picos nevados, tem que usar óculos escuros categoria 4, senão, você corre o risco de queimar a sua retina e ficar cego. A Decathlon tem esses modelos. Eu aluguei um modelo usado para esqui, que dava para colocar sobre os meus óculos de grau. Aluguei na agência Over Limit, em LP, mas outras agências também oferecem. Não dá para alugar na vila de Sajama.
Salve, pessoal.
Acabei de voltar de uma viagem de 2 semanas na Bolívia. O objetivo era fazer trekking em alta montanha e principalmente conquistar um cume com mais de 6.000 metros.
Passagem aérea
Fui com a BoA (www.boa.bo). Comprei a passagem de ida e volta por R$ 1.690, com uns 2 meses de antecedência. A passagem era sem bagagem despachada no momento da compra, mas me deram o direito de despachar um item na ida e volta. O voo para La Paz não é direto, tem que trocar de avião em Santa Cruz de la Sierra.
Dinheiro e Câmbio
A moeda da Bolívia é o boliviano (abreviado por bs). A melhor coisa é levar dólar em espécie e em notas de 100. Tem uma diferença gigantesca na cotação do oficial e do paralelo. O oficial estava em 6,90 bs por dólar, enquanto o paralelo estava por 13,20 a 13,50. O melhor lugar para o câmbio paralelo é na Calle Sagárnaga, o coração turístico de LP, com uns vendedores que ficam na calçada mesmo.
Praticamente não usei cartão de crédito. Somente para pagar um hotel em La Paz.
Internet e chip de celular
Quase todos os lugares (hotéis e restaurantes) têm internet em boa velocidade. Por outro lado, quase não encontrei wifi público ou aberto.
Comprei um chip da Tigo (10 bs), com 12 dias de dados (mais 50 bs). Funcionou bem. Você encontra em qualquer lugar de LP.
Chegada em La Paz
O aeroporto de La Paz (LP) fica em El Alto, há uns 30 minutos do centro de LP. Um táxi (contratado com o hotel) custa 80 bs. Um coletivo custa 10 bs, na saída do aeroporto.
Comida
Comer num restaurante mais bacana vai custar uns 40-60 bs, sem bebida. Se quiser economizar, uma opção é o popular almuerzo. São 3 pratos, uma sopa, prato principal (carne) e uma sobremesa. Custa entre 12 a 30 bs, sendo que os mais baratos você encontra nos mercados.
Uma salteña custa uns 7 bs.
Hospedagem
LP tem uma infinidade de hotéis e hostels. Vale procurar no Booking e no HostelWorld. Minha recomendação é escolher um nas proximidades da Calle Sagárnaga, já que quase todas as agências de turismo estão por ali. O preço vai variar de uns 50 bs até o limite do seu orçamento.
Segurança
A Bolívia é um país geralmente seguro. A taxa de homicídios da Bolívia em 2024 está em torno de 3,0 homicídios por 100.000 habitantes. Como comparação, em 2024, a do Brasil foi de 18,2 homicídios por 100 mil.
O maior risco na Bolívia é sofrer furto ou cair em algum golpe, como notas falsas ou o golpe do falso policial (uma amiga foi vítima).
Tours saindo de La Paz (que eu fiz)
La Paz tem muito mais coisa para se fazer, escolhi esses por fazer sentido para os meus objetivos.
- Walking tour: no primeiro dia em LP, fiz dois walking tours na cidade. Ambos foram agendados pelo Guru Walk (https://www.guruwalk.com/la-paz/). O primeiro foi um tour histórico pelo centro de LP e o segundo foi um tour por 7 linhas do teleférico. Recomendo os dois. O valor pagamento é o que você decidir. O usual é de 50 a 80 bs por pessoa.
- Laguna Charquini: caminhada de 4 km (ida e volta) para visitar uma laguna glacial que fica a 5.000 m sobre o nível do mar. Custou 150 bs, com direito a transporte, guia e um lanche. Esforço médio e visual muito bonito. Fui pela Blue Wings Adventures (zap +591 73254342, Juan).
- Pico Áustria: fazia parte do meu plano de aclimatação e treino. O Pico Áustria tem 5.350 m e é uma subida exigente de 3 a 5 horas (mais descida, umas 2h). Não é para qualquer um. Visual fantástico da Cordilheira Real, Apolobamba e proximidades de LP. Custou 450 bs, com direito a transporte, guia e almoço (marmita). É oferecido por todas as agências. Fiz pela agência Over Limit Adventures (zap +591 60157042) e a recomendo.
- Estrada da Morte: descemos a famosa Estrada da Morte de bicicleta. Todas a agências oferecem e o preço não varia muito. Fizemos pela Blue Wings Adventures (zap +591 73254342, Juan) e gostamos muito das bicicletas e dos guias (Freddy e Franco, ambos super gente boa). As bicicletas eram full suspension e com boa manutenção. O tour inclui também um café da manhã e um almoço (buffet) no fim do passeio, com espaço para banho. Sai as 7:30 e volta lá pelas 20h. Ficou em 430 bs por pessoa.
Parque Nacional Sajama
O PN Sajama era o maior objetivo da viagem, pois lá estão vários vulcões com mais de 6.000 m e com exigência técnica baixa (não precisa de equipamento de escalada). Eu estava em dúvida sobre o Acotango ou Parinacota.
O transfer de LP até a vila de Sajama nos custou 750 bs para até 4 pessoas. Fomos numa SUV confortável. O motorista foi o Orlando e o zap dele é +591 72518401. Dá para ir de transporte público, pegando um ônibus/van bem cedo até Patacamaya. De lá, sai uma van por dia para Sajama ao meio-dia. Vai custar uns 70 bs no total. O ponto de saída da van é o Restaurante Capitol.
Chegando no PN Sajama, tem que pagar uma taxa de entrada de 100 bs em dinheiro vivo, independente do número de dias que vai ficar.
A vila de Sajama fica a 4.250 m, é bem fria e bem pequena (300 hab), com alguns hostels, vendinhas e poucos restaurantes. É um lugar visitado basicamente por montanhistas. A vista da vila é sensacional, cercada de vulcões nevados, como o Sajama, Parinacota, Pomerape e Acontango.
Fiquei no Hostel Oasis, muito bom. O contato é o Marcelo (dono), zap +591 63204276. Tem várias opções de quarto, variando de 100 a 160 bs por pessoa. Eles servem também almoço e jantar, por 40 bs cada.
Para treino e aclimatação, subi o pico Wisalla (ou Huisalla), com 5.050 m. Se sai caminhando da vila até o cume. Dá uns 12 km (total). Usei trackings do Wikiloc. Recomendo fazer a subida e descida pelo lado direito da montanha, que é menos inclinado e com menos areia.
Trekking das lagunas de altura: foi outra etapa da aclimatação. Trekking de 21 km, com boa parte dele acima de 5.000 m. Pegamos um transporte até os gêiseres de Sajama e fomos caminhando até a primeira laguna, seguimos para a segunda, depois subimos o passo de montanha. Desse ponto, a trilha desce até a laguna Chiar Cocha e depois desce por um vale por um longo caminho até os banhos termais. Visuais incríveis! Trekking exigente pela distância e altitude. Se não estiver confiante, dá para voltar da segunda laguna para os gêiseres e chamar o transporte. A trilha é bem marcada, mas mesmo assim, sugiro levar um tracking offline. Usamos o transporte da Brenda, zap +591 75828088, que nos cobrou 150 bs até os gêiseres e 100 bs para nos resgatar nos banhos termais.
Tanto o Wisalla como o trekking nas lagunas de altura fizemos por nossa própria conta, sem guias.
Tem também o Mirador de Montecielo, com 4.500 m, bem em frente a vila e com o caminho bem marcado. Esse eu não fui.
Acabamos nos decidindo pelo vulcão Acotango, pois o Parinacota estava com muitos penitentes (formação de gelo). Recomendo ir com guia, tanto por segurança como por facilidade. No hostel Oasis, todos os dias, entre 17 e 18h, passam os guias de montanha para dar informações e oferecer os serviços. Eles também tem equipamento (botas, roupas, crampons, cadeirinha, etc) para a subida. Fomos com o guia Eloi, mas não o recomendo. Ele é muito xucro e sem paciência. Prefira o Nelson ou o Ariel, muito melhores. O pacote com guia, transporte e equipamentos que faltavam nos custou 1.400 bs para 3 pessoas. Para duas, ficaria em 1.800 bs. A saída para o Acotando é as 2h da manhã, retornando as 13h. A subida é uma longa caminhada inclinada em altitude, saindo de 5.300 m e chegando no cume a 6.052 m. São de 3 a 5 h de caminhada para subir. Não tem dificuldade técnica, mas precisa estar bem aclimatado, bem agasalhado (temperatura de -20º C) e com bom preparo físico. Levar uma garrafa térmica com chá quente de folhas de coca ajudou bastante.
Para ascensões aos picos nevados, tem que usar óculos escuros categoria 4, senão, você corre o risco de queimar a sua retina e ficar cego. A Decathlon tem esses modelos. Eu aluguei um modelo usado para esqui, que dava para colocar sobre os meus óculos de grau. Aluguei na agência Over Limit, em LP, mas outras agências também oferecem. Não dá para alugar na vila de Sajama.
Editado por LuisD