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Olá viajante!

Bora viajar?

42 dias mochilando sozinha - Bolívia, Chile e Peru (Abril a Junho/25)

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Oi pessoal! 

Ano passado tive a oportunidade de realizar um sonho: meu tão sonhado mochilão pela América do Sul!

Estou começando a escrever esse relato meio que de repente. Desde quando eu estava viajando eu já esperava poder compartilhar essa linda experiência um dia mas logo em seguida que voltei do mochilão já comecei uma nova mudança na minha vida, e quase dois meses depois do mochilão, me mudei para França e estou vivendo aqui desde então! 
Muitas coisas aconteceram antes dessa viagem acontecer de fato, então gostaria de compartilhar porquê acredito que foram essenciais pra eu poder realizar esse sonho. Enfim, apenas uma introdução pra quem assim como eu, gosta de saber das experiências dos outros hahaha

Bom, antes de começar a contar a minha experiêcia fazendo meu primeiro mochilão em uma viagem solo, é impossível começar esse relato sem contar de onde surgiu esse sonho. E esse sonho surgiu dessa comunidade, lá em meados de 2021. Eu estava vivendo uma vida onde eu eu não era feliz, onde eu lembrava constantemente dos sonhos que eu tinha e do mundo que eu sempre sonhei conhecer, mas eu estava estagnada, presa. Estava também em um relacionamento onde não havia um futuro e foi onde a vontade de viver, sem nem saber o quê ao certo, começou a crescer dentro de mim. Eu sempre sonhei em viajar, conhecer o mundo, e nessa época comecei a pesquisar sobre mochilão na Europa. Encontrei a comunidade dos Mochileiros em uma busca pelo Google e logo comecei a ler alguns relatos de viagem. Passeando pela comunidade, comecei a ler alguns relatos de mochilão pela América do Sul, e foi aí que fazer um mochilão pelo meu próprio continente passou a ser um sonho. Eu me apaixonei pelos lugares que eu vi e desejei do fundo do meu coração conhecê-los. Acho que parte da vontade de escrever esse relato é para que de alguma forma ele também inspire as pessoas, porquê foi através dos relatos que eu li naquela época que eu pude sonhar esse sonho, e foi lindo! Então obrigada galera da comunidade 🙂

Fiquei muito tempo imersa nesses relatos de viagem, mas a vida tomou um rumo diferente e eu fui viver outras coisas que eu precisava viver naquele momento da minha vida. E foi em Março de 2024, após uma viagem pro Rio de Janeiro, em meio a uma crise de identidade/ansiedade no meio do banho (lugar de grande tomadas de decisões) que eu resolvi que iria fazer esse mochilão sair do papel, que eu iria sair do meu trabalho onde eu já estava há 5 anos e que me trazia estabilidade. Eu decidi que iria sair do Brasil com o intuito de conhecer o mundo, e foi a partir daí que todo o planejamento do meu mochilão começou a acontecer. Sentei na frente do notebook e comecei a reler todos os relatos de mochilão na América do Sul que eu já havia lido em 2021. Comecei a ver vídeos no youtube, decidir os lugares que eu queria conhecer, comecei todo o planejamento da minha viagem do zero. Eu estava muito feliz e empolgada, mas 2 meses depois eu estagnei no meu planejamento porquê comecei a me sabotar. Comecei a sentir medo, a duvidar da minha capacidade de fazer uma viagem como essa e a sentir que era um sonho impossível, afinal, como eu iria fazer uma vigem como essa acontecer? Como eu teria coragem de largar meu emprego e começar uma vida do zero em outro país? Eu realmente comecei a desistir. Até que um dia eu tive uma sessão de terapia que me fez aceitar o processo e a ser mais gentil comigo e isso foi muito importante. Dias depois conversei com uma amiga que já morava na França há uns 3 anos, e em uma conversa de vídeo pra gente atualizar a vida, já que não nos falavámos há algum tempo, ela me disse "amiga, eu acho que você deveria vim pra França nas suas férias, ver um lugar diferente, novas pessoas"; e foi assim que, 40 minutos após essa ligação, eu comprei — impulsivamente — uma passagem para Paris parcelada em todas as vezes possíveis, com embarque em dois meses.
Estou contando essa história só para dizer como ter vindo pra França por 9 dias foi o empurrão que eu precisava pra sair da minha zona de conforto e meter a cara pra realizar meu sonho. Nessa viagem eu também fui com medo. Medo de não conseguir me comunicar em outro idioma, de me perder, de algo ruim acontecer. Mas eu fui, e todos os medos e inseguranças que eu tive foram superados e eu vi que eu conseguia! Logo que voltei pro Brasil eu recomecei mais uma vez o planejamento do meu mochilão, e dessa vez foi pra valer. Eu comecei a definir a data que eu ia embarcar, quanto tempo iria ficar em cada lugar, decidi também que eu iria sair do meu emprego e com o acordo que eu faria, eu iria fazer meu mochilão e me mudaria pra França, sem certeza de nada; e além de tudo isso, FINALMENTE comprei a passagem para embarcar, comprei a passagem para Bolívia, e aí as coisas começaram a acontecer. Obrigada universo!

Quis contar um pouco da minha história porque esse mochilão realmente mudou a minha vida. 2025 foi um ano de grandes mudanças e elas só acontecerem porquê eu decidi ir com medo mesmo, sem saber o que me esperava. Eu saí do meu emprego, realizei um sonho do qual passei tanto tempo desejando e as vezes pensando que era impossível, e também parti rumo a outro continente, deixando o país que eu tanto amo e tenho saudade, pra poder continuar seguindo, conhecendo o mundo! 

Dito tuuudo isso, irei contar tudo o que eu vivi nessa jornada que foi transformadora, tentando colocar o máximo de detalhes possíveis para que ajude quem está planejando fazer um roteiro parecido. No começo da viagem eu até tentei anotar todas os meus gastos mas chegou uma hora que eu me perdi, então irei tentar colocar as coisas que eu lembro hahaha

O meu mochilão foi cura, foi aprender a cuidar de mim nos momentos em que eu estava frágil, onde muitas vezes a solitude saía e eu precisava encarar a solidão e as dores que eu não queria. Foi um momento onde eu cresci e me tornei mais forte, pois ao longo de grande parte dessa jornada, eu fui minha única companhia, imersa nos meus próprios pensamentos e sentimentos. Foi também onde eu vi as paisagens mais surreais da minha vida e onde eu com certeza posso afirmar que vi Deus, mas não um Deus criado pelo homem, o Deus que eu vi, ou Deusa melhor dizendo, foi a inigualável força da mãe natureza em vulcões, montanhas e lagunas nevadas. Paisagens essas que estão aqui muito antes do mundo ser o mundo que o ser humano conhece. Eu tenho certeza que essa experiência mudou a quimíca do meu cerébro, pois depois de viver o que eu vivi, eu vejo a existência de uma outra forma!  

Salar de Uyuni - Bolívia
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Lago Titicaca, Isla del Sol - Bolívia

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Montanha Chacaltaya - Bolívia
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Altiplano Boliviano
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Laguna Humantay - Peru
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Vista da montanha na Laguna Churup - Peru

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Laguna 513 - Peru
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Vulcões Licancabur e Juriques, Deserto do Atacama - ChileIMG_8575.JPG

 

Próximo capítulo: Planejamento do mochilão.

Editado por Grasiele Reis

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- PLANEJAMENTO DO MOCHILÃO

Como eu disse no primeiro post, a minha vontade de fazer esse mochilão surgiu aqui no site do Mochileiros, então o roteiro que eu fiz foi baseado nos lugares que eu vi através dos posts de outras pessoas e que eu gostaria de conhecer. Pode não ser o melhor roteiro, mas pra mim deu certo e por mais que eu tenha percebido que eu poderia ter feito algumas coisas diferentes e até economizado mais, minha experiência foi incrível da mesma forma, então no fim cada um faz do jeito que dá certo pra si haha

Compras para o mochilão:

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Essas foram todas as compras que fiz para essa viagem, roupas novas, térmicas, tênis, etc.

As compras na Decathlon foram essenciais também, o valor total teve desconto pela primeira compra à vista no site.

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Viajei durante 42 dias e a mochila de 50lts me atendeu perfeitamente. No final da viagem estava muito cheia pois comprei presentes, mas uma mochila cargueira dessa e uma de ataque de 10lts foram suficiente. É essencial se vestir em camadas pois a maioria dos lugares que eu fui eram frios devido a altitude, então comprar roupa térmica é prioridade. Corta vento também é essencial principalmente para usar nas trilhas em montanhas onde o clima pode mudar de repente. As roupas que comprei me atenderam bem, embora eu tenho sentido MUITO frio em alguns lugares específicos, deu pra segurar. E agora preciso falar do meu maior vacilo nessa viagem. Eu já havia gasto um bom valor nesse pré-viagem e acabei deixando para comprar o tênis por útlimo. No roteiro que eu montei, eu iria fazer muitas trilhas e o correto seria comprar uma bota de trilha, o que era meu intuito. Mas como eu já tinha gastado muito antes mesmo da viagem começar, eu economizei no calçado e foi meu maior erro, e também burrice. Comprei um tênis de corrida da Olympikus e é óbvio que não é o sapato correto para uma viagem com vários trekkings. Foi um super vacilo e paguei o preço quase me machucando várias vezes, além das dores constantes que sentia no tornozelo por não estar usando um calçado apropriado para trilhas. Então invistem em tênis e botas de qualidade e não vacilem como eu.

Passagens áereas: 

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O meu gasto total com passagens áereas foi R$ 3.357,62. Acho que eu poderia ter conseguido passagens mais baratas, como no trecho de SP/Santa Cruz de La Sierra, mas foi o que paguei.

QUANTO LEVEI DE DINHEIRO:

Fazendo uma pesquisa pelo meu extrato da época, vou deixar os valores aproximados do quanto eu gastei nessa viagem e convertendo para uma cotação aproximada daquela data. Optei por levar $500 dólares e R$ 300,00 reais em espécie. Quando o dinheiro em espécie acabou (1 mês depois do início da viagem), eu usava meu cartão da Wise para sacar o dinheiro já convertido da cidade em que eu estava, e debitava direto em dólar da minha conta. Também tive alguns débitos em euro.

Dólar: $1.130,00 (dólar em maio/25: R$5,69 - R$ 6.429,70)
Euro: €111,13 (euro em maio/25 R$6,45 - R$ 716,78)
Real: R$ 300,00

Total do gasto em real: R$ 7.446,48

Esse foi o valor em real que eu gastei nessa viagem de 42 dias. Fiquei hospedada em hostels, fiz muitos tours (sendo o o Salar de Uyuni o mais caro), no Atacama como era uma cidade mais cara optei por cozinhar todos os dias, mas quando cheguei em Arequipa, no Peru, me permiti bastante e fui em bons restaurantes. Totalizando todos os gastos que eu tive pré viagem, passagens áereas e gastos dentro da viagem, gastei um total aproximado de R$ 14.566,65.

Essa é a primeira vez que faço esse cálculo e confesso que estou um pouco assustada kkkkkkkk. Tenho certeza que esse gasto poderia ter sido reduzido de várias formas, caso eu tivesse me planejado melhor. Mas é aquela coisa, foi a minha primeira experiência e com certeza virão muitas outras e é assim que aprendemos! De qualquer forma aproveitei muito e fiz tudo (ou quase tudo) que eu queria fazer, então valeu a pena.

Meu roteiro:

Bolívia
- La paz
- Copacabana e Isla del Sol
- Salar de Uyuni

Chile
- Deserto do Atacama

Peru
- Arequipa
- Cusco
- Lima
- Huaraz 

Próximo capítulo: O dia do embarque para Bolívia!

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Muito legal, fiz quase o mesmo roteiro em 2014 e passei por alguns perrengues como a greve dos mineiros em Potosí que bloqueou o caminho para Uyuni. Fui parar na fronteira com a Argentina para dar a volta. Meu relato está aqui:

Na página 10 postei minha planilha com gastos calculados em dólar, então ainda deve ser útil.

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Este é o gatilho que todos nós precisamos, de encarar nossos bloqueios e ir viver. 
Tive a mesma sensação de ver Deus quando fui ao deserto do Uyuni e do Atacama, pra mim é o lugar mais bonito que ja fui. 

Quanto ao gastos, não se assuste, você poderia ter gasto menos e gasto mais, o importante é o rolê que vc fez e deu certo. 

Aguardando a continuação. 

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@Grasiele Reis Se está assustada com os gastos é porque foi a câmbio(ao menos parece)ao contrário de levar real que também é trocado nesses lugares. Fico feliz de ver alguém gostando desse roteiro que, particularmente, não faço, nem indico, depois do que me aconteceu em La Paz e já cansei de contar aqui.Mas o melhor é que você venceu os seus medos e foi,não importa aonde. 

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Olhei a foto e vi que eu te conhecia de algum lugar, demorei uns minutos para puxar as memórias da cabeça daí me lembrei que a gente se encontrou em Cusco junto com a Juliana e o marido dela.

Minha primeira viagem eu também saí do emprego e passei 3 meses na Europa (era 2013, euro era menos de 3 reais :D), mas foi um projeto de 2 anos desde a decisão de juntar o máximo possível, sair do emprego e pegar o voo, a ansiedade a mil pois ficava olhando no calendário a data de partida. Depois disso o mundo se abre e não tem mais volta, tanto que eu voltei para cá 3 anos depois para morar.

Eu ainda hoje sinto um frio na barriga quando voi viajar para países um tanto diferente pela primeira vez, mesmo depois de 45 países visitados, então é algo normal, e como dizem, a coragem não é falta de medo, mas saber enfrentá-lo, o primeiro passo é sempre mais difícil, mas depois que pega no embalo as coisas ficam muito mais leves. De resto, o segredo é comprar a passagem e aparecer no aeroporto no dia, daí o resto se segue.

Esperando pelo relato, estou curioso para saber como terminou ela.

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Se tem algo que recomendo para quem gosta de viajar é ter a experiência de viajar sozinho.

Fiz meu primeiro mochilão com um amigo e eu era muito inseguro, mas via muitas pessoas viajando sozinhas e resolvi me desafiar... Foi sensacional, necessário e molda caráter kkkkk

  • 3 semanas depois...
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- O DIA DO EMBARQUE PARA BOLÍVIA!

Dia 25/04/25 foi a data que decidi embarcar, e finalmente esse dia chegou, depois de tantos anos sonhando com essa viagem!

Saí de: BH > Guarulhos
            Guarulhos > Santa Cruz de La Sierra
            Santa Cruz > La Paz

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Cheguei no aeroporto de El Alto por volta das 16h da tarde e dentro do aeroporto mesmo optei por câmbiar um dinheiro para pagar o táxi e alguma coisa no hostel, se fosse necessário. Troquei o equivalente a R$ 50,00 e saí do aeroporto para conseguir algum transporte pro hostel. Fui abordada por alguns táxistas e quando eu mostrava o endereço do meu hostel todos cobravam 80bs, resolvi andar mais um pouco e encontrei um monte de van que saía do aeroporto para La Paz e me cobraram 2,50bs para me levar até o endereço. Não pensei duas vezes, colocaram meu mochilão em cima da van, com mais ou menos umas 15 pessoas e a van ainda parava no caminho para pegar mais gente. Era literalmente o transporte local da cidade hahaha pouco mais de 20 minutos o motorista me deixou perto de onde eu precisava descer e valer super a pena.

O meu hostel foi o The Adventure Brew Downtown Hostel, ele ficava bem pertinho da rodoviária de La Paz e uns 10 minutos caminhando até o centro da cidade. Gostei muito do hostel, paguei em torno de 58bs a diária, sem café da manhã incluso. 

Fiz o check-in, dei uma descansada na cama porquê eu já estava sentindo um pouco de dor de cabeça por causa da altitude e pouco tempo depois resolvi sair para conhecer um pouco o centro de La Paz antes que escurecesse. Minha primeira impressão da cidade foi uma mistura de sentimentos. Logo de cara você não vê muito charme mas na medida que você vai conhecendo, você vai se encantando. O lugar que eu mais queria ir quando chegasse em La Paz era o Mercado de Las Brujas. Vi tantos vídeos sobre esse lugar e de repente eu estava lá vendo com meus próprios olhos! Foi bem peculiar e interessante caminhar pelas ruas e ver tanta diferença e riqueza cultural. Ver a fé do povo daquele lugar ser expressada de outra forma, onde por todos os lugares que você caminha há uma oferenda para a Pachamama. Ver essa cultura foi transformador.

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Caminhar por La Paz quando você não nunca esteve em uma altitude maior que o nível do mar é desafiador. Eu tinha acabado de chegar e já estava me sentindo um pouco cansada. Aproveitei para comprar um chip de telefone (comprei um chip por 65bs com internet ilimitada), para comer alguma coisa e comprar água. Logo voltei para o hostel e optei por jantar lá mesmo. A comida era um pouco cara mas estava tão frio que eu preferi comer todas as noites no hostel mesmo. No dia seguinte acordei já pronta para conhecer a cidade. Fui tomar café da manhã em lugar que só tinha gringo, fui no Mercado Lanza, famoso mercadão de La paz, caminhei sem destino pelas ruas da cidade e também fui no Coca Museo. O museu da Coca foi uma experiência incrível, passei mais de 1 hora lendo todas as informações, toda a história da folha de coca que é uma planta sagrada, até chegar na história de como a mesma folha é usada para produção de cocaína e o impacto disso no mundo. Recomendo a todos irem no museu quando estiverem em La Paz porque vale muito a pena, e você ainda aprende sobre a folha de coca, algo que nessa viagem pelos Andes é muito comum. 

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Esse foi meu segundo dia em La Paz, conhecer um pouco da cidade e os pontos turísticos mais conhecidos. No final do dia voltei pro hostel e depois do banho fui jantar por lá mesmo. E é aqui que começa um dos maiores erros de quem chega em uma cidade com altitude elevada pode cometer. Eu estava com vontade de tomar uma cerveja, afinal, era um sábado e eu estava feliz por estar ali, então pedi um hambúrguer com fritas e uma cerveja local. Chegou uma cerveja gigante e comecei a beber. Pouco tempo depois comecei a conversar com a moça do bar que estava me atendendo e logo uma outra menina começou a conversar comigo também. A moça do bar era argentina e a outra peruana, elas estavam indo para uma balada e me convidaram. Eu já estava de pijama mas acabei animando o rolê com elas, nos encontramos de novo mais tarde e já tinha outras meninas no rolê também, elas eram da Alemanha, Holanda e Reino Unido, se não me engano. Nisso a moça do bar já me pagou uma cerveja e eu já estava ficando mais animadinha né. Chegamos na balada e tava bem legal. Tocaram músicas latinas, músicas locais e até um funk brasileiro. Empolguei um pouco e comprei outra cerveja, queria viver o rolê, claro. Nisso ficamos até umas 2h da manhã, eu acho, e voltamos pro hostel. Eu estava me sentindo bem, só muito cansada, então cheguei e dormi. No dia seguinte eu acordei achando que fosse morrer, com uma ressaca que nunca senti na vida. Bebi apenas 3 cervejas mas o problema foi ter bebido elas em uma altidude onde meu corpo ainda não estava acostumado. Acordei muito mal, com dor de cabeça, nauséas. O que fiz foi tomar uma dipirona, um engov e ainda coloquei folha de coca na boca pra ver se ajudava. Acabei dormindo de novo e acordei um pouco melhor. Era domingo e eu queria ir para feira de El Alto e ver a luta das Cholitas, mas como eu não estava me sentindo tão bem, preferi ficar na cidade mesmo. Fui procurar alguma coisa local para comer e acabei parando em um restaurante onde era bem barato, mas não gostei tanto da comida. Como também estava com pouco apetite, comi o que dava e fui embora. Acabei decidindo conhecer o Mirador Killi Killi e foi muito difícil para conseguir chegar até lá. La Paz é uma cidade com muitas ladeiras super íngremes e por ter uma altitude de mais de 3.600m, andar 5 passos as vezes é um desafio. Consegui chegar até o mirador e a vista é linda, dá pra ver perfeitamente a montanha Illimani.

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No dia seguinte, eu iria sair cedo de La Paz rumo a Copacabana. Como meu hostel era perto da rodoviária, fui caminhando mesmo até lá e peguei um ônibus (paguei 40bs) rumo a Copacabana. Fiquei bem surpresa com a quantidade de gringo dentro do ônibus, acredito que eu era a única da américa latina. A viagem até Copacabana durou cerca de 4 horas. Em um determinado ponto precisamos descer do ônibus e atravessar de barco pelo Lago Tititica até o outro lado e de lá continuar seguindo caminho. É necessário pagar em torno de 2bs para essa travessia. Confesso que foi bem legal a experiência de atrevessar de barco o maior lago navegável do mundo. Chegamos do outro lado e continuamos seguindo para Copacabana em um caminho com muita subida e várias curvas, e foi aí que a altitude começou a pegar de novo. 

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Cheguei em Copacabana e segui pelo maps o caminho do meu hostel. Estava muito difícil para caminhar nessa cidade. A altitude de Copacabana é de 3.840, mais que La Paz, e eu sofri muitos com os efeitos da altitude logo quando cheguei. Minhas mochilas pareciam pesar uma tonelada e o hostel não chegava nunca. Fiquei no Hostal Puerto Alegre, paguei em torno de 70bs a diária com café da manhã em um quarto privado com banheiro e gostei bastante. Deixei minhas coisas no quarto e fui procurar alguma coisa para almoçar. Ouvi falar que as trutas é o prato principal em Copacabana, então peguei a dica em algum lugar sobre um restaurante e fui até lá. O restaurante é o Kiosko nº20 e fica bem na beira do lago. A comida é muito boa e um preço ótimo.

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Voltei para o hostel e resolvi deitar um pouco, estava me sentindo cansada e com dor de cabeça, era a altitude. Dormi um pouco e no final do dia fui ver o pôr do sol no lago. Aproveitei para comprar umas coisas para lanchar no hostel a noite e preparar alguns lanches porque no dia seguinte eu seguiria para a Isla del Sol, um dos lugares que eu estava mais ansiosa para conhecer! 

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No dia seguinte acordei cedo para tomar o café da manhã no hostel e seguir viagem rumo a Isla. Mas nesse dia eu não acordei muito bem, estava com dor de barriga e com náuseas. Eu havia comprado a passagem de barco para isla direto no hostel por 40bs, como não acordei me sentindo bem pensei em pedir para remarcar minha passagem pro dia seguinte, se fosse possível. A moça do hostel disse que não teria como, que eu teria que ir naquele dia. Em uma decisão rápida acabei decidindo seguir viagem. Eu iria fazer a trilha na isla, do lado norte ao sul, e não seria uma trilha fácil, visto quê a altitude da ilha é de quase 4.000m. Mas decidi ir assim mesmo, então tomei um dramin, dois floratil e uma diporina e fui procurar o tal do barco. A viagem de barco durou em torno de 1h30 e consegui me sentir melhor depois de tomar os remédios. Quando você chega na ilha, um local informa que é necessário pagar 15bs para adentrar a ilha, uma espécie de "taxa de preservação", e que ao chegar no lado no sul você precisaria pagar os 15bs novamente, pois são dois "territórios" diferentes. Enfim, parei para comprar uma água e perguntei a um local qual era o caminho para iniciar a trilha rumo ao lado sul. Ele me disse que por um caminho eu teria que fazer uma super subida e que pelo outro eu seguiria dentro da comunidade. Eu não sei o que me fez decidir, mas segui pelo caminho que passava dentro da comunidade e só descobri depois que era o caminho mais difícil. Por já ter visto alguns vídeos de pessoas fazendo essa trilha, eu percebi que a trilha que eu estava fazendo era completamente diferente. Bom, eu não sei como é o outro caminho, mas o caminho que eu fiz foi deslumbrante. Essa trilha foi muito desafiadora. Fiz ela em aproximadamente 4h30. Em alguns lugares eu parava a cada dois passos por falta de ar. O caminho foi lindo, eu desafiei meus limites e no final consegui chegar do outro lado. Ao chegar na comunidade Yumani, no lado sul, você tem outro desafio: descer e subir as ladeiras. A comunidade é ladeira pura e pra mim, caminhar por lá era um desafio. 

Estar na Isla del Sol foi transformador. Aquele lugar tem uma energia surreal, é de encher os olhos. Não só o lugar que é magnífico, mas as pessoas que moram lá são de uma força absurda. É uma cultura encantadora e que resiste aquele lugar. Eu me emocionei nessa ilha e tive a oportunidade de ver um pôr do sol lindo na primeira noite.

A Isla del Sol é um lugar MUITO frio, eu sofri um pouquinho com o frio lá, além de dificuldade ao respirar principalmente ao caminhar. No dia seguinte explorei mais a ilha e continuei me encantando e me emocionando com o que eu via. Depois de 2 dias na ilha, voltei para Copacabana onde eu resolvi ficar uma noite a mais porque gostei muito da cidade e ainda queria ir até o cerro Calvario, um dos pontos mais altos da cidade.

Conhecer a Isla del Sol foi um sonho!

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Peguei um barco da Isla para Copacabana por 40bs e essa volta foi um pouco difícil, o barco era um pouco desconfortável e tive um pouco de enjôo. Voltei no mesmo Kiosko para comer a truta que comi no primeiro dia, caminhei por Copacabana e no final da tarde fui fazer a trilha até o cerro Calvário. É uma trilha um pouco puxada para se fazer, bem ingríme mas não impossível e a vista é linda.

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No dia seguinte eu voltei para La Paz. Quando eu estava na Isla del Sol, fui em um restaurante no final da tarde e lá conheci a Juliana, uma brasileira de São Paulo que estava mochilando pela América do Sul também. Trocamos uma idéia super legal sobre a vida, em um final de tarde lindo e foi muito especial. Quando eu estava voltando para La Paz e precisávamos descer do ônibus para fazer a mesma travessia de barco, acabei encontrando com a Juliana, que coincidentemente estava no mesmo ônibus que eu. Ela estava sem hostel em La Paz e falei que o hostel que eu estava era bom, e ela acabou indo comigo. Ela iria voltar para São Paulo na noite seguinte e eu disse que eu queria subir a  montanha Chacaltaya e era um tour de dia inteiro, como o vôo dela era só a noite, ela animou fazer a trilha também. E aqui gostaria de falar sobre uma das partes mais bonitas da viagem, que é quando você conhece pessoas que fazem a sua experiência ser mais especial. Acredito que o universo nos coloca onde precisamos estar no momento certo, e por isso esses encontros são tão especiais. 
Eu a Juliana fechamos o tour com o hostel e no dia seguinte iriamos subir a montanha Chacaltaya com mais de 5.400m de altitude.

Acordamos cedo, tomamos café da manhã e a van pegou a gente no nosso hostel. Fizemos amizade com uma menina da suíça que falava português e que estava mochilando sozinha pela América Latina. A viagem até a montanha é um pouco tensa, a van passa em uma estrada super estreita na beira do precipício e parece que vai cair toda a hora. Chegamos na base da montanha e o guia vai dando as instruções. Foi a primeira vez que eu vi neve na vida, foi lindo! A subida foi extremamente difícil. Muitas pedras soltas, escorregadias, muito frio, falta de ar. Subi mascando folha de coca pra ver se ajudava com a altitude, estava muito difícil. De um grupo com mais de 10 pessoas, muitos foram desistindo no caminho. A cada passo que eu dava era uma batalha que eu travava. Eu comecei a ver o topo da montanha e quando mais perto parecia estar, mas difícil ficava. A Juliana estava lá em cima me gritando, dizia que eu conseguiria, e nós fomos as únicas mulheres do grupo que conseguiram chegar no topo! Foi um desafio fazer essa subida, fiquei tão feliz por ter conseguido, por não ter desistido. Cheguei lá em cima e aí comecei a passar um pouco mal. Fiquei tonta e o guia me falou pra sentar, que logo passaria. Então descansei um pouco, masquei folha de coca e fui me recuperando. Superei meus limites, não poderia estar mais feliz!

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Depois da montanha Chacaltaya o tour seguiria para o Valle de la Luna, outro ponto turístico de La Paz. É bem interessante, mas depois de fazer aquela montanha nada mais superaria no dia!

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A Juliana iria voltar para o Brasil naquela noite, era o final da viagem dela. Enquanto eu, segui viagem a noite para Uyuni, eu iria fazer o tour de 3 dias no Salar e seguiria pro Atacama, estava no começo da minha viagem. Nós aproveitamos para fazer compra no mercado das bruxas com outra brasileira que conhecemos no tour e fomos pro hostel. De lá nos despedimos e torcemos para nos encontrar um dia de novo, seja em São Paulo ou BH, ou em qualquer lugar do mundo!

Nesse dia eu me despedi de La Paz e segui para Uyuni onde eu viveria outra grande extraordinária experiência. Tanto a Isla del Sol quanto Chacaltaya e até mesmo La Paz, foram lugares únicos que fizeram com que eu me emocionasse muito, nunca vou esquecer de como me senti nesses lugares!

Próximo cápitulo: Salar de Uyuni 

 

 

Editado por Grasiele Reis

  • 2 semanas depois...

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