Olá viajante!
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Com o propósito de permitir uma maior visitação dentro de algumas Unidades de Conservação, o ICMBio vem implementando políticas voltadas à atração e ao bem estar da população dentro dessas unidades, como a estruturação das mesmas, a sinalização das trilhas e o treinamento de profissionais. Ações bastante necessárias, afinal os Parques Nacionais foram criados para preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de ecoturismo.
Na segunda-feira, 07 de janeiro, o Fábio me ligou convidando-me para uma travessia experimental dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Aceitei imediatamente e ele disse que me passaria um email com mais detalhes. A travessia teria início na entrada do parque, em São Jorge, acampamento nas Sete Quedas e finalizaria no Jardim de Maytrea, na base do Morro do Buracão, num trajeto aproximado de 27km. Como tinha combinado uma trilha com o Helton, liguei pra ele pra falar sobre a mudança de roteiro. Há alguns dias o sol castigava nossa região e o calor estava de matar. Por um “Presente Divino”, na quinta começou a chover forte. Saí de Uruaçu na sexta-feira às 14:00h debaixo de chuva, a qual me acompanhou pelos 220km até São Jorge. Ao chegar à vila, liguei pro Fábio e marcamos de nos encontrar mais tarde. Aproveitei pra procurar hospedagem pra mim e pro Helton, pois não estava afim de acampar naquela chuva e molhar o equipo antes da trilha. Resolvi ficar na Casa da Sucupira, onde fui muito bem recebido pelo Diogo e pela Nina. À noite, o Fábio me ligou e fui encontrá-lo numa pizzaria, onde conheci o Marco, a Silvana, o Pedro e o Gustavo, amigos do Fábio que também participariam da travessia. Tomamos umas cervejas e batemos um papo descontraído enquanto esperávamos o Helton vir de Brasília. Comentaram que desde o dia 10/01/2013 o ICMBio acabou com a obrigatoriedade das visitas guiadas dentro do Parque de Veadeiros e tem o projeto de liberar essa travessia dentro de alguns meses. Como a curto prazo isso trará certo impacto na economia local, algumas pessoas são extremamente contra as visitas sem a obrigatoriedade do guia, inclusive parte da sinalização de algumas trilhas foi vandalizada e já surgiram algumas acusações sobre a atuação do ICMBio.
O Helton chegou por volta das 23:30 e ficamos conversando e bebendo umas cervejas até 01:00 hora. Deixamos o Fábio no parque e combinamos de nos encontrar às 08:30 da manhã. A noite foi tranquila, e às 07:00 horas já estava de pé. A chuva caía incessantemente. Tomei um banho e terminei de colocar as coisas na mochila. O Helton também terminou de arrumar a dele e descemos para tomar café. Ao conversarmos com a Nina e o Diogo, pudemos perceber a insatisfação dos moradores com as ações do Instituto Chico Mendes. O maior medo deles é em relação ao desemprego e eles disseram que os guias estavam revoltados com isso.
Despedimos deles e rumamos pra a entrada do parque. No caminho, haviam placas com pichações ofencivas a funcionários do parque.
Encontramos o Fábio e aguardamos a chegada do restante do pessoal. Foram chegando aos poucos e depois de um tempo a “equipe” estava completa. O Fábio, o Pedro e o Gustavo do ICMBio, o Marco, a Silvana, o Aldem, a Melissa, o Helton e eu, como convidados do Fábio. Após assistirmos a um vídeo e assinarmos o termo de responsabilidade, iniciamos a travessia.
Seguimos a trilha tradicional até o Canion I, que por sinal está muito bem sinalizada. De lá, subimos a margem esquerda verdadeira do Rio Preto por uns 3km, passando por paisagens muito bonitas, de um lado o rio, do outro um paredão. É incrível a variação de ambientes, são áreas de cerrado, campos rupestres, pequenos trechos de mata de galeria, veredas, cada qual com seu encanto. Nesse trecho o rio também é exuberante. A caminhada seguia tranquila, por uma antiga trilha que saía da sede do parque, mas a chuva insistia em cair. Passamos por um trecho um pouco mais sujo e cruzamos diversos riachos até o local onde atravessaríamos o Rio Preto. Foi o primeiro momento tenso da travessia. Apesar de ser um local raso, a laje do fundo é bastante escorregadia e a correnteza estava um pouco forte.
Todos passamos sem problemas e rapidamente continuamos a pernada. Desse lado do rio a trilha é mais limpa e caminhada fluía mais rápido. A trilha vai se afastando do rio e ganhando um pouco de altitude. A certa altura, alcançamos um lindo campo limpo com um ótimo visual do Morro do Buracão, do Morro da Baleia, do Palha Virada e já começávamos a ver a Cachoeira Sete Quedas. Por todo o campo havia umas coníferas minúsculas e inúmeros chuveirinhos mortos. Imaginei que esse trecho da trilha na época de floração dessas plantas, deve ser espetacular. Algumas horas depois, chegamos novamente à margem do rio. Nesse trecho, a trilha desaparece, pois o terreno é muito pedregoso e para chegar até a área do camping, deveríamos subir mais alguns metros. Enquanto o Fábio voltou pra pegar o bastão que tinha esquecido, o Pedro, o Gustavo, O Helton e eu nos separamos e entramos num “labirinto” de pedras. Foi tanto vara-mato, trepa-pedra e rala-bunda em meio a plantas espinhosas, que depois de mais de uma hora, resolvemos voltar, pois não estávamos avançando praticamente nada. O Pedro ligou pro Fábio, que estava com o GPS. O Fábio voltou e subimos margeando um riacho por uma laje fugindo do labirinto. Ao chegarmos à área de camping, a chuva tinha dado uma trégua e as meninas já tinham montado algumas barracas. O GPS do Gustavo marcava 19,8km de caminhada. O local é limpo, espaçoso e com ótima vista de Sete Quedas. Armei a minha tenda, tomei um banho e fui preparar meu jantar. Depois de muita conversa e de uma ótima macarronada, fomos dormir. A chuva só esperou a gente se recolher e voltou a derramar. Apesar de acordar algumas vezes na madrugada por causa do barulho da chuva, a noite foi tranquila.
Pela manhã, após fazer o café e arrumar minhas coisas, ficamos conversando até todos arrumarem suas coisas. O Fábio ligou pro pessoal do instituto pra eles providenciarem uma corda pra realizar a travessia do Rio Preto, pois nesse ponto era mais profundo e a correnteza bem mais forte. Como o ICMBio tem uma base a uns 50 minutos de caminhada do ponto de travessia, daria tempo de sobra. Saímos às 09:00 horas e em pouco tempo chegamos no que pra mim foi o ponto alto da travessia. Nessa hora o sol deu as caras e deixou o clima ainda melhor. Passamos por uma laje por toda extensão da Cachoeira Sete Quedas, simplesmente fascinante. Logo acima ficava o ponto de travessia do rio e ao chegarmos, o Mateus, o Marcelo e o Adilson já nos aguardavam. Com a corda fixada, a travessia foi tranquila. Retomamos a pernada num trecho em que a trilha está bem sinalizada, passa por alguns corredores de pedras até alcançar um mirante com um visual incrível do Vale do Rio Preto e dos morros adjacentes. Dali até o posto do ICMBio foi um pulo, a orientação é facilitada pela existência de uma antena de rádio, é só segui-la. Lá jogamos as mochilas na caminhonete e seguimos sem carga. O Helton e a Melissa resolveram retornar de caminhonete com o Mauro, enquanto o restante seguiu caminho.
A trilha a partir do posto do ICMBio é muito tranquila, totalmente plana, cortando em sua maioria campos limpos e veredas. Um ou outro ponto mais úmido, mas bem leve. A paisagem impressiona, a região do Jardim de Maytrea é exuberante e o Buracão sempre crescendo à nossa frente é magnífico. Com pouco mais de 3 horas de caminhada a partir do posto do ICMBio, chegamos ao final da travessia, fechada com chave de ouro, de um lado o Morro do Buracão, do outro a beleza indescritível do Jardim de Maytrea. Nesse 2º dia percorremos 11,7km, segundo o GPS do Gustavo. O Mauro já nos esperava e levou-nos até o Recanto do Valdomiro, onde fomos saciados com uma deliciosa Matula. Voltamos ao parque e após nos despedirmos, cada um seguiu seu rumo. A chuva me acompanhou até em casa e mal dei tchau à Chapada, a vontade de voltar já começou a despertar. Agradeço a todos os companheiros de trilha, pois cada um a seu modo, tornou essa travessia magnífica.
Editado por Visitante