Ir para conteúdo
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Encontre companhia para viajar, compartilhe dicas e relatos, faça perguntas e ajude outros viajantes! 

Posts Recomendados

1. Chapada dos Veadeiros: Cachoeira dos Cristais + chegada em Goiás

Cachoeira Véu de Noiva - Fazenda dos Cristais

(Foto: Cachoeira Véu de Noiva - Fazenda dos Cristais)

Mapa: https://goo.gl/maps/B6fUo5G4PnNs5Snh6

Acordei um pouco antes das 6h da manhã, dormi bem, estava cansado da viagem de ônibus de São Paulo até Alto Paraíso- Goias. Hoje é dia 06 de dezembro de 2019, o dia amanheceu nublado e o sol aparecia vez em quando bem tímido. Assim, apenas preparei o que eu iria levar, pois o destino do dia prometia: Cachoeiras dos Cristais. Dar inicio de vez às visitas pras cachoeiras da Chapada dos Veadeiros.

Com a carteira, câmera fotográfica, celular e chave numa sacolinha, eis que as 06h40 comecei minha caminhada rumo a GO-110. Saí a rua do Camping Girassóis, dobrei à esquerda na Av Ary Valadão Filho pra, já no portal da cidade, tomar à direita na rodovia GO-110. A partir de então me pus a fazer uma corrida de leve num trajeto de 5km por essa rodovia, na maioria do trecho a estrada permanece reta, mas não plana. Também nada de aclives e declives acentuados.

Com uma paisagem bem bonita do cerrado brasileiro, as 07h30 me deparo com a placa indicando Fazenda Cachoeira dos Cristais, só seguir mais 3km à direita, numa estrada de terra, daí então volto a caminhar, bem suave e reparando cada detalhe que posso pelos meus sentidos. Devagar também porque o local abre as 08h00 ainda.

Observando os besouros, as abelhas, os lagartinhos, as folhas, as flores, as árvores, os pássaros, as formigas, a terra, os morros, eis que as 08h10 apresentei na portaria, um senhor me atendeu, seu Chiquinho, e como a lanchonete ainda não estava aberta fui direto pras cachoeiras.

São varias, muitas de verdade, porém segui direto até a última que é a Véu de Noiva e na volta fui parando nas outras. A trilha até a Véu de Noiva é de 400 metros e essa queda é simplesmente encantadora, o sol ainda meio tímido ajudava a reluzir a beleza contida nessa parte do paraíso. Após muito descansar e curtir numa boa, comecei a subir para as outras quedas, são lindas também, uma perto da outra. Realmente aqui tem muitas opções para todos os gostos e disposições.

As 10h30 a chuva veio nos acompanhar e então foi a deixa pra eu comer os deliciosos pasteis da lanchonete (pedi Frango com pequi e de Marguerita) e tomar uma saudável jarra de suco de laranja. 

Agora estou escrevendo num papel, os pingos caem leve na grama e na terra, minha cobertura é um quiosque de palha, o apoio para o papel é uma mesa de madeira envernizada, do meu lado um redeiro. Alguns trovões anunciam chuvas para as próximas horas.

Como cheguei em Alto Paraíso - Goiás (Chapada dos Veadeiros)

No terminal Rodoviário Tietê em São Paulo, embarquei  (as 18h - 04/12) num busão pra Brasilia pela viação Real Expresso, preço R$159,00. Cheguei na Rodoviaria Interestadual de Brasilia as 10h30 (05/12), portanto perdi o ônibus das 10h que opera de Brasilia até Alto Paraíso, o próximo só viria as 19h (R$45,00). Bom, pensei em procurar carona e também pensei em pegar metrô e conhecer a cidade, mas no caminho do metro, que é logo do lado a rodoviária, uma quentinha me chamou por R$09,00, então almocei ali mesmo e depois voltei pra esperar no espaço VIP da Real Expresso, daí já aproveitei pra entrar em contato com familiares e amigos, além de avisar a dona do Camping que eu estava a caminho e iria chegar umas 23h00. 

Fui recebido na rodoviária de Alto Paraíso que está bem próxima do Camping dos Girassóis, armei a barraca e fui dormir...

Estou em paz, depois eu volto por aqui. E com fotos.

  • Gostei! 2

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

2. Chapada dos Veadeiros: Cachoeiras Almécegas I, II e São Bento.

Almécegas I

(Foto: Almécegas I - Fazenda São Bento)

 

Antes de mais nada, devo ressaltar a tarde agradável que foi do dia anterior, vários papos bem pra frente que a Roberta, dona do Camping Girassóis, proporcionou deixando a estádia bem mais harmoniosa!

Não tem como deixar de falar que a acomodação é de grande importância numa viagem, seja qualquer tipo de viagem que for. E o Camping Girassóis fez total diferença para que minha estadia em Alto Paraíso fosse ótima.

Além da receptividade, o camping conta com cozinha coletiva, banheiros limpos, artes e artesanatos para todo lado, diversas árvores frutíferas, wifi perfeito em toda extensão, luzes personalizadas, localização bem central em Alto Paraíso e muito mais, enfim deixarei o link da página do camping e tá mais que indicado. Dá pra observar o Tucano de bico amarelo, as Araras Canindé, etc.

Hoje, referente ao dia 07/12/19, parti as 06h45 rumo a estrada que liga São Jorge (GO-239) para seguir até a Fazenda São Bento onde se tem três cachoeiras boas para se visitar, Almécegas I e II; e São Bento. O atrativo do dia era esse, pra curtir sem muita pressa e também aproveitar mais um dia de exercício.

Como na minha ida para as Cachoeiras dos Cristais, nessa eu também fui à pé. Na real comecei correndo, foi bem uns 8km e mais 2km de caminhada. Dei até uma relativa forçada pois sou acostumado a correr no máximo 7km, mas o ambiente estava bem favorável continuei numa boa. Com isso, ainda não tinha batido as 8h e eu já estava na entrada do parque.

A Fazenda é grande, logo no guichê de entrada tem um coffee shop, mais adiante um restaurante (no caso não fui ao restaurante). Paguei R$40,00 para visitar as 3 cachoeiras.

E aconselhável ir na Almécegas 1 primeiro pois é a mais top de todas. Da entrada tem mais 3km e pode ir de carro pra depois do estacionamento trilhar 800 metros. Na volta pro estacionamento se dobra à esquerda pra ir na Almécegas 2. Mais 1,8km de estradinha e depois 300 metros de trilha. Bem lindas e bem de boa para chegar. As fotos, por mais que não consigam demonstrar de fato a sensação toda, ajuda a descrever o que são essas maravilhas.

A Cachoeira São Bento eu visitei por último e ela está do lado da portaria da fazenda, 300 metros de trilha e já chega em mais uma queda!!! É tudo tão tranquilo que vale muito a pena ir pra contemplar e relaxar. Como eu tava a pé deu um tom de aventura também.

É importante notar que o volume de água é forte nas três, pelo menos nessa época, e como eu não costumo nadar (pra não dizer que não sei rs) tomei muito cuidado pra me banhar, me afastei um pouco das quedas. E de fato está chovendo algumas partes do dia, então em caso de chuva sair imediatamente da cachoeira. Além disso, é bom ficar atento ao nível do rio, pois as vezes chove em outro ponto e fica perigoso da mesma forma. Quem não tá muito familiarizado com isso contrate um guia local, a experiência será bem mais enriquecedora.

Na volta fiz à pé também, ia pegar carona mas quando coloquei o fone no ouvido bateu uma vibe que voltei ouvindo e cantando uns sons haha. Vale lembrar que é uma estrada com ciclofaixa, sensacional. A bike então é uma ótima pedida pra esse atrativo. Distante apenas 10km do centro de Alto Paraíso.

É nóis!! Quando eu descarregar as fotos já posto e tbem edito melhor alguma info. Tô no rolê!

DSC08396.thumb.JPG.3a7b9ca251e5c4bd3755fd532e3bf05f.JPG

(GO-239 sentido São Jorge )

DSC08402.thumb.JPG.21191021a6cbaba5c5c38cd575a8819c.JPG

(Mirante Almécegas I)

DSC08404.thumb.JPG.cfa02736fd7af94dfcaa8d6a55a81e4c.JPG

(um pouco mais de perto)

DSC08407.thumb.JPG.2dcf12ad8eed8b4bc65210de4d2dce40.JPG

(agora na base)

DSC08427.thumb.JPG.0376a1926effe45d06228d914bee776d.JPG

(Almécegas II)

DSC08441.thumb.JPG.66a8a80048f446db2539b38b15d7d3c1.JPG

(Cachoeira São Bento)

DSC08444.thumb.JPG.5efe5521dbcc7bac969577be6d936432.JPG

(Portal da Chapada - Nave Louca!)

 

  • Gostei! 2

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

3. Chapada dos Veadeiros: Cachoeiras Anjos e Arcanjos - Moinho

Cachoeira Arcanjos - Fazenda Solarion

(Foto: Cachoeira Arcanjos - Fazenda Solarion)

 

 

Dia 08/12/19, às 07h00, lá estou eu passando pela avenida principal Ary Valadão Filho, mas dessa vez seguindo para a Av João Bernades Rabêlo até sair na GO-239, essa que é uma estrada de terra, que possui algumas descidas e subidas, e um dos lugares que se dá acesso é ao Povoado do Moinho. Desse povoado a intenção era ir até a Fazenda Solarion, onde se tem pelo menos duas cachoeiras que valem bem a visita: Cachoeira Arcanjos e a Anjos.

Dessa vez o sol tava exposto de fato, algumas nuvens no céu que nem quiseram se intrometer no raio em que o sol imperava, mas mesmo assim empreendi uma corrida de leve por uns 40 minutos. Bom, de caminhada me aguardava pelo menos umas 2 horas e 40 minutos e assim com esse pequeno cooper eu já pude poupar uns 20 minutos. Enfim, uma breve conta só pra exemplificar. 

Subidas e descidas, depois consegue-se avistar boa parte da chapada de forma panorâmica, nesse horário só se passaram dois carros, devia ser umas 08h15.

Fui me guiando pelos prints do celular que eu havia feito do trajeto traçado pelo google maps. No geral não teve muita bifurcação duvidosa, levando em consideração que se tinha placas em duas delas. Apesar dessa sinalização acontecer em um espaço longo, ou seja, fica-se seguindo bastante tempo sem indicação, mas enfim, é bom ir com um mapa. 

Passados um pouco das 09h20 cheguei no Hostel Moinho que eu tinha como referência. Lá eu perguntei se servia café da manhã, um moço solicito me informou uma vendinha mais acima na rua e perto do ginásio. Ao chegar nessa vendinha tava fechada, mas foi bom eu ter ido lá, pois ao lado já encomendei um almoço caseiro da dona Conceição, quem me atendeu foi um senhor e lá já me ofereceu um cafézin com pão. Almoço marcado pras 13h.

Logo depois vi a Associação Quilombola de Moinho e também a casa da Flor, só passei em frente, no entanto foi interessante pois eu havia assistido um documentário no qual ela era protagonista. Flor do Moinho, o doc.

Segui caminho pra Fazenda Solarion e as 10h00 já tô batendo um papo com o dono que é Suíço. De cara ele se surpreendeu pelo fato de eu ter ido à pé. Ele foi bem receptivo e após explicar as trilhas eu continuei a caminhada.

Primeiro fui na Cachoeira Arcanjos. Estava muito bom lá. O sol batia bem de frente com a queda, impossível não ter a vontade de entrar na água, bastou encontrar um lugar seguro pra banho e lá eu fui. Tinha apenas um grupo, e um casal na borda direita da cachu. Eu permaneci na esquerda. Vale a pena hein!

Adiante, depois de relaxar bastante, segui pra Cachoeira dos Anjos. Nesse momento o tempo estava se fechando aos poucos, assim eu estava sempre atento ao nível do rio. A minha parada em Anjos foi mais breve, mas valeu muito a ida até lá. Gostei muito da sensação. Rolê ótimo até então, bora almoçar!

Que comida deliciosa, parecia que estava comendo na minha casa de tão familiar que era o tempero, enquanto isso a chuva veio de leve pra refrescar o dia e fazendo subir aquele cheirinho bom de chuva. 

Agora, hora de encarar a volta e não deu uma hora de caminhada eu consegui uma carona, advinha quem? O casal que estava no lado direito da cachu, cariocas foram super gente boa, e assim eu desembarquei próximo ao centro. E já de volta pro camping foi só me ajeitar pra descansar!!!

Mais um dia lindo nas Chapadas dos Veadeiros em Goiás!!!

Até mais!

DSC08447.thumb.JPG.e7e0bae90a2c6d09c08568494c113012.JPG

(visual no caminho)

DSC08451.thumb.JPG.56cd8c41267f20da493984df1bbd52b1.JPG

(portal na fazenda)

DSC08453.thumb.JPG.9111a5a78882fb1bdad0dfc73aaa8e32.JPG

(informação)

DSC08464.thumb.JPG.090077c644b1fa87a5d115ae2e1900b8.JPG

(Arcanjos!!!)

DSC08470.thumb.JPG.91c4d5a4e3785418f0e0c01889171edd.JPG

(quem sabe nadar?)

DSC08476.thumb.JPG.c23df19a4063447a2d20280015fd6085.JPG

(Anjos!!!)

DSC08481.thumb.JPG.3e4d4a4e8dc19688a2b7a78c5496ff82.JPG

(mais de longe - Anjos!)

 

  • Gostei! 1

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

4. Chapada dos Veadeiros: Cachoeiras Santa Barbara e Capivara - Quilombo Kalunga

Cachoeira Santa Bárbara

Na segunda-feira, 09/12/2019, foi o dia em que eu iria pra Cavalcante, marcando assim minha saída do Camping Girassóis, que além de ter sido uma boa estadia, lá eu soube que a uma semana está operando uma linha de ônibus até Cavalcante por R$20,00. Com isso facilitou minha ida. Após muito conversar com a BellKalunga, decidi me hospedar no Hostel e Camping Cavalcante, pois eu havia combinado de rachar a gasolina com ela pra ir até o Engenho II no dia seguinte, povoado onde se encontra a queda top, a Santa Barbara.

Mapa: https://goo.gl/maps/5FoTBp3mNw8FFPTW7

Vale dizer: horário do ônibus

-Alto Paraíso x Cavalcante 16h30 - R$20 - único horário por dia

- Cavalcante x Alto Paraíso 05h20, horário por dia também.

Numa viagem de 90km de Alto Paraíso até Cavalcante e passando por Teresina de Goiás, cheguei as 18h10 no hostel. Logo foi-me apresentado um casal do Rio de Janeiro que tinha planos de ir até a famosa Cachoeira Santa Barbara. Sendo assim, me interessei e disse que ajudava a dividir o guia e a gasosa. Pronto, assim mudei meu roteiro na hora. A intenção inicial era ir com a Bell e voltar na caminhada os 27km, lógico que eu iria acampar no Kalunga, com a mudança o rolê seria de um dia, e mesmo assim foi uma experiência riquíssima.

Eu estava em contato com um guia, o Sr Elias Maia, que foi muito prestativo com nosso grupo (a essa altura éramos 6) e ele possui vasta experiencia na região, não pra menos ele foi nascido e criado no Kalunga, além de ser uma pessoa carismática, assim passou uma imagem maravilhosa das vidas no Quilombo Kalunga.

Nos falou dos saberes tradicionais e ancestrais, da vida no campo, de saúde, alimentação, plantas, animais, de família, enfim nos preencheu de sabedoria e conhecimento. Tudo isso, somado com a beleza e diversidade da natureza do local, é de tornar um destino imprescindível numa viagem para a chapada dos veadeiros. As vezes não curto muito essa de rotular o que se deve ou não fazer, porém se não relatassem que esse era um atrativo obrigatório, talvez eu nem iria pela dificuldade de acesso pra quem tá à pé e sozinho ainda. Mas deu tudo certo.

Quem está de carro não precisa agendar previamente o guia, basta chegar no C.A.T engenho 2 que lá terá guias de prontidão. A entrada pra Santa Barbara está R$20,00 e em seguida fomos até a Cachoeira Capivara, R$10,00.

É bom reservar o dia todo pra fazer o passeio, existe algumas trilhas para se fazer e também um transporte de pickup do próprio Quilombo, sendo r$10,00 ida e volta. Em alta temporada é bom chegar cedo, pois, por motivos de preservação da natureza, tem limite de visitantes e também do tempo de permanência na Santa Barbara.

Eu já falei que lá é um verdadeiro paraíso? Se sim, volto a repetir rs.

E até que fotos sejam postas, fica o breve relato.

DSC08486.thumb.JPG.ea5962db7d171b87b05978f4330530ef.JPG

(Barbarinha)

DSC08512.thumb.JPG.bb78116c49aa6d3ccbf62d0b7c138b17.JPG

(Cachoeira Santa Barbara)

DSC08545.thumb.JPG.72ec1c8ef83763245c33a4a65f6cb4eb.JPG

(Banho merecido)

DSC08553.thumb.JPG.0cfa7f6c5208577ae2839aba78782e67.JPG

(Paz!)

DSC08555.thumb.JPG.4490aaf3ac625bdb760ba07a81fdd819.JPG

(Trilhando, o guia)

DSC08583.thumb.JPG.52c2561268fcccc563dd89aff18c36c4.JPG

(Cachoeira Capivara)

DSC08590.thumb.JPG.d929e47f1db9939b0ca0a43d96cc685c.JPG

(outro ângulo)

DSC08592.thumb.JPG.13d7fc491e1a10308d2bf675fc4de63c.JPG

(peixe, jacaré ou cobra?)

 

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

5. Chapada dos Veadeiros: Fazenda Veredas - Cavalcante

Poço Veredas - Fazenda Veredas

Cedo, mais uma vez eu me levantei, no dia de hoje o plano é conhecer as cachoeiras veredas que ficam uns 8km distante do Hostel Cavalcante em que eu estava. A resenha seria a mesma, praticar uma corrida na ida por uns 5km e depois continuar na caminhada. Porém, antes de ir, pude trocar umas ideias com o Paulo, hospede também do hostel e uma pessoa bastante viajada, diria um maluco que com seu carro desbrava o mundão, sobretudo a América Latina. Bem bacana trombar pessoas assim, muitas histórias pude ouvir e me inspirar. 

Papo vai e papo vem, eis que saio pro meu rolê lá pelas 10h00. Nada que comprometesse o planejamento, apenas o sol que estava um pouco mais forte nesse horário. No entanto, antes o sol do que a chuva nesse momento.

Subi a rua do camping e logo virei à direita, segui direto e no final dessa estradinha eu me tornei pra esquerda, acessando então a Estrada Colinas, diretão. Vou deixar o link do caminho traçado pelo google maps e que eu fiz uns prints.

Era uma quarta-feira, na estrada não se passava ninguém, apenas via algumas chácaras e propriedades RPPN. Algumas subidas e descidas foram deixadas pra trás. E continuei numa boa comendo poeira.

Por volta das 11h30 eu cheguei na sede da fazenda, uma senhora me atendeu, me concedeu um mapa e paguei R$25,00 pra adentrar nas cachoeiras. São mais 3km até o inicio da trilha e quem estiver de carro consegue poupar esse trecho de caminhada. 

São 7 cachoeiras espalhadas entre duas trilhas principais, uma dará na Cachoeira Veredas, mas eu segui a trilha que levava até Véu de Noiva. Sendo assim, passei primeiro na Cachoeira Veredinhas, que fica entre um paredão ou cânion e não é muito segura pra banho. Depois parti para o Poço Encantado, essa sim é uma linda queda apropriada pra se banhar de forma mais segura. Adiante, fui pra Toca do Lobo, lá a trilha tava um pouco confusa e na real vi a cachoeira só por cima mesmo e assim fui seguir para a Véu de Noiva, distante 6km da sede e foi lá que fiz minha pausa mais longa. 

Eu já estava com sinais de cansaço, pois até então já tinha caminhado uns 13km. Porém, me revigorei nas águas da Véu de Noiva do Veredas. A chuva ameaçava vir bem forte, mas ela veio de leve e por pouco tempo, nada que tornasse a trilha perigosa.

Voltei para a sede com passos leves, bem numa boa e cadenciando as energias. Quando terminei já pedi um misto quente e uma porção de peixes pra fazer uma reposição. No finalmente ainda se tinha uns 8km, acredito que depois de uns 30 minutos andando uma moça me ofereceu uma carona e num instante eu já estava na bifurcação a 1km do camping. Salvou de verdade, ainda fui na caçamba tomando um vento legal no rosto.

A dica que fica é que, se for passar uns dias em Cavalcante vale a pena ir nesse complexo de cachoeiras, mas a ida pra Cavalcante deve incluir a Cachoeira Santa Barbara como prioridade! 

Até mais!!!

DSC08595.thumb.JPG.c8657197e028d675bc3e640cd076cf7a.JPG

(Cânion veredinha)

DSC08601.thumb.JPG.b396bd2ebf96756c16b1a18719630245.JPG

(muito cuidado!)

DSC08609.thumb.JPG.35baf3ac83d9c3b42edba5b5d0df3481.JPG

(Cachoeira Veredinhas)

DSC08625.thumb.JPG.dec244efb233cef6ad1fea8d397bd954.JPG

(Poço Encantado de boa)

DSC08627.thumb.JPG.9b9596e9cdb801379bbc15e89c2c9397.JPG

(Cachoeira Véu de Noiva!)

 

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

6. Chapada dos Veadeiros: Saltos, Parque Nacional - São Jorge

Saltos 120!!!

Chegou o dia de me despedir de Cavalcante após duas noites no Hostel e Camping Cavalcante, o destino próximo seria a Vila de São Jorge em Alto do Paraíso. Ainda de ônibus como transporte, acordei antes das 05h da manhã, fui pro ponto de ônibus pra esperar o das 05h20, sendo aquela linha nova de Cavalcante que, de acordo com o cobrador, é uma rota que veio pra ficar. Vale lembrar que o busão sai da Rodoviária de Cavalcante uma vez por dia sentido Brasilia, horário único das 05h20, valor de R$20,00 até Alto do Paraíso.

Um papo bem legal eu tive com uma senhora muito atenciosa e bem receptiva que estava no ponto de ônibus com seu filho e sua nora. Ela me contou várias histórias e eu me senti muito bem com isso, sinal que eu inspirei confiança pra ela. Com isso, fiquei sabendo dos principais acontecimentos de Cavalcante, de como ela foi morar lá e como criou os filhos. Soube até que, naquele dia, tinha sido decretado feriado em Cavalcante devido o falecimento de uma política muito próxima do povo e que ajudava muita gente. Alguns minutos depois eu embarquei no busão depois de me despedir dela.

Um pouco depois das 07h00 da manhã eu já estava próximo ao portal da cidade de Alto Paraíso e sentido São Jorge, parei no ponto de carona e era hora de conseguir uma. Após uns 40 minutos consegui, foi um rapaz gente boa que estava a caminho do Parque Nacional para fazer estágio de guia turístico. Maior vibe!

Ao chegar na Vila de São Jorge, depois de uns 36km, o meu objetivo do dia era ir ao Parque também, mas antes eu teria que procurar um camping. O Paulo, amigo do hostel em Cavalcante, me indicou o Camping Umay, porém além de não encontrar o mesmo, a vila estava bem vazia ainda e a maioria dos campings fechados. O Taiuá Ambiental estava aberto e lá já fiz o check in. Paguei R$40,00 a diária, um pouco a mais do que tinha previsto na média de R$25,00. Foi bom da mesma forma, um camping muito bem estruturado, funcionários atenciosos e regras de boa convivência para serem seguidas. O diferencial pra mim foi com certeza o diversos espaços de descanso com pufs, colchões, cadeiras, enfim. Super tranquilo! Pra se ter uma ideia, nem na barraca eu dormi durante as duas diárias.

Com o dia ainda todo livre e barraca montada, lá fui eu pro Parque Nacional, distante um pouco mais de 1km do camping. Após assistir um vídeo de consciência ambiental no parque e ouvir as instruções dos monitores, eis que as 10h15 começo minha caminhada pelo Parque Chapada dos Veadeiros, a trilha escolhida foi a amarela, que contêm os dois Saltos como atrativos, além do Carrossel e das corredeiras. Ah a entrada é paga agora, para brasileiros um valor de R$18,00.

Com trilhas autoguiadas, conservadas e com marcações muito bem feitas, segui numa boa por este pedaço de paraíso. A ida nessa trilha a gente perde altitude, tudo isso mostrado nos painéis na entrada. Sem maiores dificuldades,  muito empolgado e com um pouco mais de 4km caminhados, cheguei no Salto 120, é um mirante belíssimo, porém deixei-o pra volta e parti rumo ao Salto 80. 

Nossa, que show! Essa foi a sensação quando avistei a Cachoeira Salto 80. Foi incrível e surpreendente, ali eu vi que a chapada dos veadeiros é mágica de fato. Aquela sensação boa transbordou sobre mim que acredito que até escoou naquelas águas gélidas e constantes. Assim fui pra sessão de fotos. Depois, veio uma chuvinha de leve enquanto eu estava descansando deitado sobre um rocha que era ligeiramente inclinada fazendo com que minhas perna ficassem pro ar.

Mais uma vez, me falta palavra pra descrever com exatidão tudo aquilo, mas voltei pro Salto 120 e ali contemplei mais um pouco. Meio anestesiado, adiante, finalizei a travessia da trilha amarela, passando ainda pelo Carrossel e pelas corredeiras.

É preciso reafirmar que a ida ao Parque é crucial na Chapada dos Veadeiros? Só vai!

É nois!!!

Site do Parna: http://www.icmbio.gov.br/parnachapadadosveadeiros/

Fotos:

DSC08634.thumb.JPG.60e878b9333ccd37d183f587bbb687e1.JPG

(orientação)
DSC08635.thumb.JPG.877565a69c11f08938ad3574812e8b7f.JPG

(Salto 80 - loko)

DSC08651.thumb.JPG.fc06d8425d51a3bbaeabce51835c02c7.JPG

(opre, eu aí)

DSC08656.thumb.JPG.b05b03f95ae81a61adfcce829a467aba.JPG

(nadando)

DSC08663.thumb.JPG.e1c36e967abb8d950e12f6edbf38a7a0.JPG

(mirante lokoo)

DSC08664.thumb.JPG.3d9ccf9ba89063f10179b11b45830817.JPG

(Selfie)

DSC08668.thumb.JPG.cb02e6a18881336a5560f8728514dea0.JPG

(Carrossel)

DSC08673.thumb.JPG.8c11f63446eb03ec03cc62014f25aa7a.JPG

(corredeira)

DSC08676.thumb.JPG.5b87d3913498fb6f638e8e63033038b8.JPG

(acessibilidade)

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

7. Chapada dos Veadeiros: Cachoeira Cordovil - São Jorge

Cachoeira Cordovil

Nesse dia eu pretendia visitar o parque nacional pelo segundo dia, porém me veio a sensação e vontade de ir até a Fazenda Volta da Serra pra conhecer a Cachoeira Cordovil. Bom, as vezes é necessário seguir a intuição e mudar os planos, eu mesmo procuro ser flexível planejado rs! Acredito que a Chapada dos Veadeiros oferece essa gama de atrativos que pra elaborar um roteiro é necessário seguir o seu momento as vezes, pois com certeza algo ficará de fora. Portanto, não há necessidade de se afobar!

Nem na barraca eu tinha dormido, adormeci na área de convivência do camping que, como falei no post anterior, é repleto de estofados e colchões. Acordei pela manhã já disposto pra mais um dia de descobertas, no dia anterior eu tinha marcado com o casal que conheci no Hostel em Cavalcante e no qual fizemos a Cachoeira Santa Barbara juntos, para irmos ao Parque fazer a trilha vermelha (Cânions e Cariocas), eles estavam no Camping Umay, indicação do Paulo que também estava no hostel Cavalcante, e quando eu estava voltando da minha trilha eu os avistei no camping, batemos um papo rápido e fechamos esse rolê, uma pena eu ter mudado de ideia depois e não peguei o contato deles pra avisar, mas enfim, deve ter dado tudo certo pra eles também. Pessoas bem legais e de uma energia daora!

Agora, deixe-me ir para a caminhada (mapa: https://goo.gl/maps/14y7neMUty1u6FU39 )... 07h00 da manhã eu já estava na estrada sentido Vale da Lua que estava interditado para visita, pois estavam fazendo a busca de um menino que foi levado pela tromba d'água e até então estava desaparecido. Corri por uns 5km, de leve, na cautela e depois passei a caminhar. Tudo isso eu fazia pela ciclofaixa da rodovia. São Jorge assim como Cavalcante, é forrado de montanhas bem do tipo chapadão mesmo, eu acho isso muito louco, por mais que muitas vezes eu foque nas fotos de cachoeira, é bom saber que a natureza como um todo é um espetáculo imenso!

Na real, é normal faltar muitas coisas no meu relato, pois não dá pra descrever tudo assim, até daria mas ficaria prolixo, no caminho a gente vai tomando ciência de diversas histórias, são várias observações, várias pessoas e cada ser tem uma história, isso é muito louco da vida. Você já parou pra pensar nisso? Que cada pessoa tem seu tempo e seu espaço? Essa foi a viagem mais mochileira que fiz no meu ponto de vista, só encontrei pessoas incríveis, e por mais de boa que sejamos, o momento atual parece não nos reservar essa troca com diversidade e de poder compreender a trajetória e escolhas de outra pessoa.

O acesso à Fazenda Volta da Serra fica distante 8km de São Jorge, virei à direita e andei por mais 3km até chegar na sede. Lá, eu paguei uma quantia de R$30,00 pra acessar as trilhas. Eu tava na intenção de comer algo quente pro almoço, mas naquele dia não teria nada, então comprei alguns doces e salgadinhos. Fui informado que por questões de segurança seria melhor eu não trilhar sozinho. Bom, com o acontecido no Vale da Lua, estamos todos apreensivos. Eu disse ok, aguardei por uns 20 minutos e veio um casal de Goiânia. Não preciso nem dizer que as meninas eram incríveis e super gente boa, foi uma baita vivência trilhar com elas e fomos num apoio mutuo, foi dez. A gente não trocou contato, mas bem que poderíamos, pois a vibe de viagem delas e bem de boa! 

Por bem dizer, a Cachoeira que compensou mesmo foi a do Cordovil, vá nela como obrigação se for visitar a fazenda, pois a outras quedas e poços são bons e tal, mas com o padrão chapada dos veadeiros a gente quer sempre mais rs. Costumei dizer pra muita gente que a chapada iria me deixar mal acostumado e por vezes eu pensava, como será quando eu voltar pra casa? rs.

No total foram bem uns 10km de trilha, ida e volta, e o cansaço já batia na volta. De passos curtos e com paciência chegamos na sede bem. Ainda peguei carona com as meninas até a estrada, elas queriam me deixar em São Jorge e eu insisti que não precisava, pois elas iriam aproveitar outro atrativo e com isso poderia atrasá-las. Logo quando eu desci do carro delas, no primeiro caminhão que passou consegui uma carona até a entrada da vila. Era então só me alimentar e descansar. 

Vou encerrar aqui essa jornada de textos breves e com algumas fotos sobre meu mochilão pela Chapada dos Veadeiros em Goiás. Não vou fazer aquele final de novela do tipo, NOSSA! Mas enfim, eu ainda tenho em mente continuar a mochilada. Por enquanto, acabei pousando por um tempo em São Thomé das Letras. O vento soprou pra cá, outro lugar loko, E a vida segue. Qualquer coisa que eu puder somar é só dar um salve!

Pé de Natureza.

cachu rodeador

(cachu rodeador)

DSC08686.thumb.JPG.c8cc9ad13577f83b456857eed0dc2e2b.JPG

cachoeira do encontro

(Cachoeira do encontro)

Fim!!!

  • Gostei! 3

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Em 26/01/2020 em 20:49, George André disse:

Boa noite  estou querendo  saber  quanto  e quando estar para saí este passeio. Sou daqui de Sergipe 

Boa noite!

No caso eu fui de ônibus de São Paulo até Brasilia e então embarquei em outro ônibus até Alto Paraiso-GO,

Já de Sergipe vc pode ir de avião até Brasilia e de lá alugar um carro ou ir de ônibus também. Esse relato serve pra quem tá à pé!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!

Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Entrar Agora

  • Conteúdo Similar

    • Por Paulonishi
      15/03/2020
      Logo após a visita ao sítio arqueológico de Mayapán, fui procurar uns cenotes que constavam no Google Maps e acabei parando no pequeno povoado de Telchaquillo...

      Caminhei pela rodovia até a entrada da cidade, sob um sol escaldante...

      Cheguei no centro do povoado e percebi muita coisa interessante, principalmente na construção dessa igreja.

      As pedras principais foram retiradas de construções maias, e ainda se pode observar várias inscrições nelas. Imagine quanta coisa foi destruída, pois sabemos que os espanhóis aproveitavam as pedras dos templos para construir suas fortalezas, igrejas e casas...

      E a força da conversão religiosa imposta pelos conquistadores, fez com que a população se tornasse majoritariamente católica.
      O calor estava grande e saí perguntando a respeito do Cenote, que, para a minha surpresa, ficava bem na praça central... Porém, subterrâneo!

      Paguei incríveis $10 pesos para o acesso e desci na caverna, que tinha apenas uma abertura na parte superior que iluminava o restante do lugar.

      Havia somente duas famílias com crianças e, apesar de parecer pequeno, aproveitei bastante mais essa experiência.

      As águas azuis, transparentes e refrescantes deram uma boa revigorada depois de tanto sol nas andanças por Mayapán e a caminhada pela rodovia em busca dos Cenotes. Pode até não ter sido aqueles que eu procurava, mas valeu muito a pena ter conhecido mais este.

      Depois desse momento relaxante, para voltar fiquei sabendo que o ônibus passava pelo povoado. Voltei até uma mercearia para tomar um refrigerante bem gelado e pouco depois veio o ônibus.

      Apesar de feio, até que era confortável e, como foi parando em todos os povoados pelo caminho 🙄, aproveitei para conhecer muitos outros lugares interessantes para uma nova visita na região!
      Ah, o ônibus foi bem mais barato: $27 pesos!
      Quer conhecer os detalhes e a história do local? Dá uma olhada no link de deixei aqui embaixo:
      Mochilão pelo México: o Cenote de Telchaquillo
      Espero que tenha ajudado! 🤠👍
    • Por Paulonishi
      11/03/2020
      Fundada em 28 de maio de 1543, Valladolid ainda guarda o ar da arquitetura colonial e é uma cidade fundamental para quem quer explorar a região e o principal sítio arqueológico Maia, Chichén Itzá!
      O terminal de ônibus da empresa ADO (aquela da mulher falando sem parar nos terminais 🥴) fica bem no centro da cidade, facilitando muito o deslocamento. 

      As cidade em si é bem tranquila e pude perceber que é bem policiada. Isso é um aspecto bem legal das cidades da região, pois a sensação de segurança é muito grande e o povo muito amistoso.
      Escolhi um hostel bem próximo ao terminal e também estrategicamente localizado para conhecer as principais atrações da cidade, bem como próximo a supermercados. Nas minhas pesquisas por hospedagem, além desses itens mencionados, vejo as facilidades disponíveis como cozinha compartilhada! Isso dá uma baita ajuda para baratear os custos, pois faço compra nos mercados e cozinho algo mais saudável.

      A cidade tem como atrativo principal as construções da época do período colonial, vários Cenotes nas proximidades e sítios arqueológicos importantes, como Chichén Itzá e Ek Balam.


      Um detalhe importante é que o horário local é 1 hora a menos do que o de Cancún. Assim que cheguei fiquei perdido quanto a isso...

      O post aqui é bem resumido, pois preferi fazer um vídeo mais detalhado:
      Mochilão por Valladolid


    • Por Mônica Ferreira Lima
      Pessoal, nunca vi tanta caverna num lugar só, de tudo qto é jeito! Com muita aventura: salões, rios subterrâneos... A hospedagem é num vilarejo super simples, em ruas ainda de terra, mas com uma comidinha caseira deliciosa! Pra contrabalançar, tinha um boia-cross super relaxante. Imperdível!



    • Por Trip-se!
      Em setembro de 2018, fizemos uma viagem ao Chile e Peru.
      Roteiro - 24 dias
      São Paulo > Santiago > Valparaíso > San Pedro do Atacama > Tacna > Arequipa > Cusco > Ollantaytambo > Aguas Calientes > Machu Picchu > Cusco > Lima.
       
      Começamos nossa jornada no Chile, em Santiago, Valparaíso e San Pedro do Atacama, cujos relatos seguem abaixo:
       
       
      No ônibus das 20:30, deixamos San Pedro do Atacama em direção a Arica, cidade chilena fronteira com o Peru. Seriam 8 horas de viagem, que à noite tínhamos esperança de sequer vermos passar. Com o coração apertado de deixar aquele lugar que tinha acordado tanto dentro de nós, nos despedimos do céu mais estrelado do mundo prometendo, para o Universo e uma para a outra, que voltaríamos logo, em breve, a tempo de não esquecermos toda a emoção que sentimos, nem de deixarmos a brutal rotina do acordar-trabalhar-dormir nos transformar em marionetes que fazem o uso da palavra "sabático" para justificar o tempo em que resolveram ser felizes. Logo nós, que tínhamos acabado de enxergar o não tamanho do mundo.
      Chegamos em Arica ainda escuro. Claudio (amigo que fizemos no Atacama, junto com seu fiel cão Lucky, artista plástico de Valparaíso que, cansado do mesmo todo-dia da vida e do consumo sentimental das relações obrigatórias, encontrou em San Pedro um porto. Breve e temporário.) tinha nos dito que, ao chegarmos, deveríamos atravessar a rua para a outra rodoviária, a internacional, onde poderíamos pegar um ônibus para o Peru. Foi uma ótima dica, ou teríamos ficado perdidas na escuridão da falta de informação e sinalização.
      Ao chegarmos na rodoviária internacional, que mais parecia o ponto final de uma linha de ônibus bem acabada em uma cidade quase fora do mapa, uma mulher sentada numa mesa nos informou que o ônibus para Tacna só sairia a partir das 8:30 da manhã. Eram 4:30 da madrugada. A outra opção, como ela sugeriu, era atravessar a fronteira com um dos muitos motoristas de carro que faziam ofertas de assentos pelo mesmo valor dos ônibus. Não, só se fôssemos loucas de aceitar. Assistimos demais "Presos no Estrangeiro" para arriscarmos uma prisão por tráfico de drogas com um estranho que diria que era tudo nosso, das gringas. Nunca. Resolvemos dar uma volta na rodoviária para despistar a mulher que nos alucinava com essa ideia, quando ouvimos sem muita certeza, o motorista de um ônibus gritar "Tacnabus, Tacnabus" e corremos para confirmar a informação. O ônibus ia para a Bolívia, mas primeiro pararia no Peru, em Tacna, para onde estávamos indo. Com o dinheiro guardado na calcinha, entramos no ônibus e seguimos para o nosso próximo destino.
      Na fronteira: sai do ônibus, carimba passaporte de entrada no Peru, passa as mochilas no raio X, tira o vinho da mochila, mostra que é vinho, guarda a garrafa, volta as mochilas para o bagageiro, sobe no ônibus. E em 40 minutos, chegávamos em Tacna.
      *ATENÇÃO! Ao desembarcar no aeroporto em Santiago do Chile, na entrada no país, além do passaporte carimbado, também entregam um papelzinho, aparentemente sem nenhum valor e sem nenhuma explicação. GUARDE-O DENTRO DO PASSAPORTE! Na travessia da fronteira, esse papel é exigido.
       
      TACNA
      Não esperávamos encontrar em Tacna a cidade charmosa e acolhedora que descobrimos. De habitantes tacanhamente tímidos, que nos olhavam surpresos e alegres ao perguntarmos seus nomes, essa cidadela conquistou nossos corações, receosos de não conseguirem mais se apaixonar depois de conhecer o Atacama. Mas Tacna é leve, florida, descompromissada, como que se viesse só para provar que é possível amar depois de amar. 
      O sotaque, de tanta timidez, torna o espanhol mais difícil aos ouvidos. Os bancos das praças possuem tetos de flores para fazer sombra. Na Plaza de Armas - nome de todas as praças principais de todas as cidades do Peru - há fotógrafos velhinhos andando sob o sol, sorrindo e sugerindo um retrato para a posteridade, como um pedaço de tempo congelado entre as flores coloridas, as palmeiras altíssimas, a fonte imponente, o arco marcante da cidade e, sempre, a igreja. 
      As lojas são todas setorizadas, de forma que os supostos concorrentes são colegas vizinhos, e você jamais vai conseguir tirar uma xerox se estiver próximo dos açougues ou dos consultórios ortodônticos, uma pequena obsessão tacniana. Por toda a rua principal, há galerias como camelódromos, com cabines de câmbio, tabacaria, lojas de joça e manicures enfileiradas em carteiras escolares oferecendo seus serviços. 
      Em Tacna você vira a esquina e se depara com uma padaria a céu aberto no meio da rua! Carrinhos de pães perfumam o entardecer e nos transportam para uma imaginada infância peruana. Foi ali que também comemos o melhor hambúrguer de cordeiro da nossa vida. No "Cara Negra", uma sanduicheria especializada em cordeiro, que eles criam lá mesmo no sítio atrás do bar. É descolado e tem drinks deliciosos. Faz valer a visita na cidade.
      Por todos os lugares que passamos, sempre procuramos pelo Mercado Central, que é onde encontra-se a essência do local. O Mercado Central de Tacna é imperdível. Tem de tudo. Especiarias, ervas, carnes, queijos, farinhas, biscoitos, frutas, verduras, doces, produtos de limpeza e muitas, muitas casas de sucos. Na "Juguería Sra Rosita", uma simpática senhora de sorriso frouxo e vontade de conversar, tomamos maravilhosos sucos de melão e de morango, muitíssimo bem servidos, de ficar na memória. Conhecemos também Miguel, dono de uma barraca de remédios de plantas medicinais, que sabia a erva ideal para absolutamente todo tipo de enfermidade.
      Ao caminharmos de volta para o hotel, bem encantadas com a surpresa de Tacna, uma vendedora nos parou para oferecer azeite. Ao agradecermos e sorrirmos, ela trocou a oferta para um branqueador dental. Talvez por marketing, ou pela já citada fixação por dentes perfeitos dos habitantes da li. Tomara. 
      Por fim, antes de partirmos, passamos por uma casa roxa, um centro de, como dizia a placa, "Magia y Diversión". Sem isso, qual seria mesmo o sentido de tudo? Com a delicadeza dessa mensagem tão sutil e necessária, seguimos nossa viagem em direção a Arequipa.
       







       
       
      - Onde ficamos:
      Ficamos no Nice Inn Tacna, no centro da cidade, com atendimento muito cordial. As pessoas são super simpáticas, o quarto era confortável, chuveiro quente e café da manhã bem simples. 
      Nice Inn Tacna - Av Hipólito Unanue 147, Tacna 23001, Peru / Telefone: +51 52 280152 / booking.com/hotel/pe/nice-inn-tacna.es.html - Onde comemos:
      Cara Negra - Cnel. Bustios 298 / Telefone: +51 952 657 540 / @caranegraoficialtacna / facebook.com/caranegraranchosanantonio/ - Onde fomos:
      Mercado Central de Tacna - Calle Francisco Cornejo Cuadra 809, Tacna 23003, Peru Plaza de Armas - Paseo Cívico de Tacna, Tacna 23001, Peru  
       Seguimos para Arequipa, Cuzco, Ollantaytambo, Aguas Calientes, Machu Picchu e Lima, que detalharemos em post separados. 
      https://www.instagram.com/trip_se_/
    • Por victoralex
      Quinta-feira, 30 de abril de 2020.
      Saravá, mochileiros!
      Escrevo esse relato no dia 30 de abril, em plena pandemia de COVID-19. Estou pra escrever o relato já algum tempo. A viagem foi em fevereiro de 2020, no carnaval, logo antes do primeiro caso de coronavírus ser confirmado no país. E nesse momento de stress, a coisa que eu mais sinto falta é pegar a mochila e viajar, sem sombra de dúvidas. De certa forma, o relato vai ser meio bucólico pelo fato da gente não poder sair. E escrever sobre viagens talvez seja a atividade mais terapêutica que eu conheço, além de viajar, claro. Então se você, como eu, está aflito com toda a situação, ficando em casa e lembrando de viagens antigas e bons momentos, aproveite esse relato pra te inspirar e lembrar que tudo isso vai passar 😊. Afinal, melhor que surtar com toda a situação é nos apoiar nos momentos que marcaram a sua vida. E com certeza, conhecer a Chapada foi um dos grandes expoentes da minha vida de viajante! 🌎
      Antes de tudo, vale conferir dois relatos que me ajudaram bastante ao planejar a viagem: O relato geológico do Guilherme e também o divertidíssimo e detalhado relato do Stanlley. Ambos abordam de forma diferente a Chapada, dando uma ideia geral, junto com esse relato, do que esperar lá!
      Vamos lá!
      1. Cronograma
      A viagem se divide em duas partes. A primeira, em Brasília, que fui sozinho, por dois dias. Nunca tinha ido à capital e era um sonho conhecer o lugar onde fica o Itamaraty, o Planalto, o STF...como um bom economista, BSB é destino obrigatório em algum momento da sua vida. E foi incrível! Depois os últimos 4 dias foram na Chapada, onde encontrei meu irmão Flávio e minha grande amiga Thaís. Viajamos os 3 juntos de BSB pra Vila de São Jorge. Aqui vai o cronograma:
      Dia 1: Quinta, 20/fev/2020: Voo Congonhas-BSB, Congresso, Esplanada, 3 Poderes e Pontão do Lago Sul.
      Dia 2: Sexta, 21/fev/2020: Banco Central, Caixa Cultural, Itamaraty, CCBB. 
      Dia 3: Sábado, 22/fev/2020: Saída de BSB para São Jorge, chegada às 15h.
      Dia 4: Domingo, 23/fev/2020: Parque Nacional, Saltos, Corredeiras.
      Dia 5: Segunda, 24/fev/2020: Cachoeira do Cordovil.
      Dia 6: Terça, 25/fev/2020: Mirante da Janela e Cachoeira do Abismo.
      Dia 7: Quarta, 26/fev/2020: Voo BSB-Congonhas, chegada 13h30. 
       
      2. Gastos
      A viagem não é cara, se você for prudente. O que fizemos foi poupar nas hospedagens para poder gasta um pouco mais nos restaurantes/bares. Aqui vão os gastos:
      Voo ida e volta SP-BSB: 703,00 BRL
      Hospedagem em BSB (Econotel, 2 diárias): 298,00 BRL
      Hospedagem em São Jorge (Savana Hostel) 420,00 BRL
      Entrada trilhas/parque: 120,00 BRL
      Comidas/souvenirs: 400,00 BRL
      Aluguel carro (4 diárias, com combustível incluso, pra cada um): 255,00 BRL
      Total sem passagem aérea: 1493,00 BRL
      Total com passagem aérea: 2196,00 BRL
       
      3. São Jorge ou Alto Paraíso?
      Esse foi uma pergunta que ficou na nossa cabeça desde o planejamento da viagem. A Vila de São Jorge é uma vilarejo a 40km da cidade de Alto Paraíso de Goiás, que se autointitula "capital da Chapada dos Veadeiros". Acho que vai de cada um, do tipo de viagem. Uma das vantagens de São Jorge é que, caso vá visitar o Parque Nacional, ele fica em São Jorge, dando pra ir a pé. A maioria das cachoeiras/trilhas da região fica na estrada que liga as duas cidades. 
      A Chapada é enorme e claro, não conhecemos Cavalcanti e etc, vai ficar pra próxima. Você já deve ter ouvido que para conhecer a Chapada inteira você tem que ir váaarias vezes, e é real!! Conhecemos inclusive uma garota, a Paula, que ela tava pela quarta vez em 1 ano na Chapada. Gente fina demais!
      Basicamente então minha dica é: se você curtir um clima mais simples, com direito a forró e samba na praça, escolha São Jorge. Se você quer algo mais reservado, com pousadas, etc, vá para Alto Paraíso. Ficamos em São Jorge e curtimos demais!
       
      4. Condicionamento físico, roupas, etc
      Aqui uma dica de ouro. Se você não tem, providencie uma bota/tênis de trekking. Eu já tinha feito viagens de trilha pra Patagônia e Atacama, então já tinha uma ideia do que esperar. Mas por exemplo, meu irmão teve bastante problemas com o joelho por causa do tênis. Ele levou um New Balance urbano. Grande erro! O sapato praticamente se desfez e jogamos no lixo antes de voltar pra SP. 
      De resto, o básico: você vai fazer uma viagem de trilha, então trate de ir adequadamente! Camisetas leves, bermudas/calças, capa de chuva (pegamos uma chuva pesadíssima na volta do Mirante da Janela!), chapéu/boné, protetor solar...Vimos uma quantidade imensurável de gente que tava indo maquiada e despreparada (sim!!! haha fizemos piada a viagem inteira disso) pras trilhas. Imagino como ficaram depois de tomar a chuva que a gente tomou no último dia. 
      Sobre condicionamento, depende da trilha que você escolher fazer. A mais difícil que fizemos foi bem tranquila, mas sei que tem umas trilhas bem pesadinhas lá! Então não que você precisa ser um atleta, mas tenha um pouco de condicionamento físico. Ele será importante, principalmente nas partes de subida . Sobre isso, eu também levei meu bastão de trekking que tinha comprado para ir à Patagônia e foi de ótima utilização! Subir e descer com o auxílio do stick poupa muita energia! Fica a dica.
       
      5. Época de ir e clima
      Estamos falando do cerrado! E ele é bem característico e previsível! Então basicamente há dois períodos: a seca e a cheia. A seca é entre abril e setembro, e a cheia é de outubro a março. Como fomos no Carnaval, pegamos o fim da cheia. Então sim, todo dia chovia! Ou pelo menos dava aquela chuviscada. Demos sorte e pegamos chuva em apenas uma das trilhas, o resto já estávamos no hostel. Em Brasília é a mesma coisa. Era bizarro, o dia amanhecia com um sol escaldante e, do nada, às 14h da tarde vinha um temporal. Mas aí o Sol voltava a surgir às 15h. Eu achava muito legal! 
      A vantagem de ir na cheia é que algumas cachoeiras, como a do Abismo, estão, como o nome diz, cheias! Na seca ela simplesmente não existe! E foi bem agradável ficar por lá! Na seca porém não há risco de tromba d'água, coisa que nos alertavam toda entrada de trilha. Mas basicamente a dica é: se for na cheia, quando entrar na cachoeira, fixa um ponto de referência. Caso o nível da água começar a subir, saia da água, porque vem tromba d'água vindo! Não pegamos nenhuma, mas dizem que é bem comum!
      Quero voltar ainda na seca, para não correr o risco de chuva nas trilhas. Fica pra próxima! Mas foi muito legal ir na cheia, com a vegetação toda florida! O cerrado e sua vegetação foi uma das coisas que mais me encantou. Muitas árvores, arbustos, flores, palmeiras...vimos diversas vezes araras voando pela trilha, tucanos...Foi demais!
       
      6. Relato
      Dia 1: Chegada em BSB, Esplanada, Congresso Nacional e Pontão do Lago Sul (11,8km andados)
      Brasília é espetacular! Sempre quis conhecer e não me deixou desapontado. Lendo os relatos, vi que, pelo menos para fazer o básico, 2-3 dias estava mais que suficiente. Saí de SP pela manhã para chegar em BSB pelas 13h30. De lá, uber até o hotel Econotel para fazer o check-in. O hostel é aquilo que promete: econômico. Mas de forma geral, confortável. Minha maior preocupação era ter ar condicionado hehe, e me certifiquei que sim. A vantagem é que ele fica na Zona Hoteleira Sul, então deu pra ir para a maioria dos lugares de BSB a pé. 
      Saindo do hotel, fui passear andando, com destino final até o Congresso Nacional. E aí senti na pele o que todo mundo fala de Brasília: não, não é de uma cidade de pedestres hehe. É bizarro, o caminho acaba, do nada! Tive que achar uns túneis, viadutos para atravessar alguma avenidas. Sem contar o sol. A cidade em si é muito arborizada, mas ali no Eixo Monumental é basicamente um deserto. Então sempre andar com chapéu e protetor! 
      No caminho passei pelo Complexo Cultural, Catedral Metropoliatana, Esplanada dos Ministérios...até chegar na frente do Congresso Nacional. Caminhada de 1h mais ou menos. E que lugar espetacular! Brasília é um encanto e, apesar de andar ser um longo caminho, valeu muito a pena! Tinha reservado antecipadamente online a visita no Congresso Nacional, que foi bem bacana! Deu pra conhecer as duas casas, o Senado e a Câmara dos Deputados, ambos os plenários, a sala de imprensa...sabe aquele lugar que você vê na TV o Rodrigo Maia dando entrevista, o Salão Verde? Estava lá! 

      Palácio do Itamaraty

      Congresso Nacional

      Plenário Ulysses Guimarães (foda!)
      Depois do Congresso, dei uma passada na Praça dos Três Poderes e tem muita coisa legal por lá! Além claro, da sede dos 3 poderes, na praça têm alguns museus bem interessantes, como o Panteão da Pátria e da Liberdade, onde tem uma exposição fixa do Tancredo Neves e também o Livro dos Heróis da Pátria, um livro de ferro todo prateado em que somente os considerados heróis da república entram, tais como Tiradentes, Santos Dumont, Zumbi dos Palmares...e não só isso, mas o "herói" deve ser nomeado pelo Presidente e também ter falecida há um determinado número de anos, é bem interessante! Na praça há também o Espaço Lúcio Costa, uma exposição fixa sobre o urbanista que projetou Brasília...enfim, muita coisa bacana!
      De lá, peguei um Uber até o Pontão do Lago Sul, que tinha lido que era um pico bem legal de ver o pôr-do-sol. Basicamente, é uma orla do Lago Paranoá em que ficam muitos restaurantes e bares. Tem um calçadão e opções de passeios de lancha, caiaque...e que lugar bonito! Sentei num bar chamado Fausto & Manoel bem em frente ao lago, para ver o pôr-do-sol e tomar um chopp. Incrível! Além de servirem um happy hour com chopp e comida bem em conta, o lugar é bem confortável para ver o pôr-do-sol. Valeu muito a pena e foi uma ótima forma de terminar o dia na primeira vez conhecendo a capital :). 

      Lago Paranoá, vista do Pontão Lago Sul

      O chopp em BSB é muito, mas muito mais barato que em SP.
      Dia 2: Mané Garrincha, Eixo Monumental, Banco Central, Caixa Cultural, CCBB e bares na Asa Norte (12,4 km andados)
      O segundo dia começou com um belo café da manhã no Econotel. Além do ar condicionado, procurei um hotel barato que também tinha um café da manhã, para poupar uma refeição. Aos que perguntaram, até procurei hostels em BSB, mas o preço do hotel era se não o mesmo, muito parecido...então resolvi ficar com o quarto privativo mesmo! Depois de uma café reforçado, saí mais uma vez andando pela cidade, só que dessa vez primeiro para o oeste, indo na direção contrário ao Congresso Nacional, até o estágio Mané Garrincha.
      Como apaixonado por futebol, queria conhecer (e também lamentar) o elefante branco que o estádio, que custou BRL 1,778 bilhões, um absurdo. Mas o estádio é bonito. Fui andando até lá e, mais uma vez, a dificuldade de atravessar as ruas no Eixo Monumental é um turbilhão de emoções, já que são poucas faixas de pedestres. No caminho você passa pela Torre de TV de Brasília, que é nada mais que uma antenona hehe (os brasilienses simplesmente odeiam que chamem a Torre de "antena"), mas é uma antena gigante! Infelizmente não consegui subir, estava em obra, mas sei que dá pra subir lá em cima e ter uma boa vista da cidade! Chegando ao Mané Garrincha, também não pude entrar. As visitas são só de sábado, e vale a pena visitar o site deles para se certificar dos horários. Mas deu pra bater umas fotos de fora e apreciar a magnitude do estádio. É bem bonito mesmo...ainda por cima com os arcos olímpicos bem em frente...(lembrando que o Mané também sediou jogos nas Olimpíadas Rio 2016). Pena que não tem nenhum time da Série A que jogue regularmente por lá. 

      Eu e o Mané! Estádio belíssimo, mas também caríssimo!
      De lá, cruzei o Eixo Monumental mais uma vez e fui em direção ao Banco Central do Brasil. No caminho, deu até pra ver o posto de gasolina que foi o marco zero da Operação Lava Jato haha. Como um economista, sempre foi um sonho conhecer o Bacen e quem dirá trabalhar lá. O prédio é muito bonito, e a única visitação disponível regular é o Museu de Valores do Banco Central, que tem uma exposição fixa sobre o desenvolvimento dos meios de pagamento (ouro, moeda, etc) no Brasil e, no período que eu fui (fev/2020), uma exposição temporária celebrando os 25 anos do Plano Real! E que museu legal! Conta a história do Bacen, a importância da instituição, o desenvolvimento dos meios de pagamentos brasileiros e também um suco de história econômica. Sobre a exposição do Plano Real, é bem legal para quem não conhece a história! Na minha opinião, o Plano Real é a política pública mais importante da história da República. Seu papel na redução da inflação é inestimável e envolveu um esforço acadêmico de dar inveja. A exposição é bem acessível para quem não é economista e me fez pensar o quão importante isso é ser difundido no povo...ainda mais para nós que nascemos pós hiperinflação (sou de 1993, então nasci no pré Real). Mas chega de economês. Vamos falar de viagem hehe. Do lado do Bacen, tem a Caixa Cultural! Tinha lido que lá reúne muitas exposições bacanas temporárias, e fui dar uma checada. No resumo, vi uma exposição de paisagens modernistas, que tinha até algumas obras da Tarcila do Amaral e uma outra que nem lembro qual era o conteúdo. Só sei que foi a pior exposição que eu já vi na minha vida hehe. Dei azar com a programação, porque 1 semana depois ia ter uma exposição sobre ciência bem legal! De lá, fui andando mais uma vez até o Congresso, já que tinha passado reto pelo Palácio da Justiça, Itamaraty, STF, STJ, etc. Desses só consegui tirar foto por fora, sem entrar. Ambos tem visitação guiada, com agendamento prévio no site, mas por algum motivo misterioso, as visitas estavam suspensas. Uma pena. 
      A tarde, já na Praça dos 3 Poderes, peguei um Uber até o CCBB. Tinha lido que lá tinha umas exposições mais legais que a da Caixa Cultural, além de restaurantes ótimos. O CCBB é perto do Lago, longe da Praça dos 3 Poderes, então não dava pra ir andando. E que prédio bonito! Peguei a exposição fixa deles, bem interessante, contando a história do BB. Além de uma coleção de arte que eles tem do Portinari. Mas, mais uma vez, dei azar com as exposições temporárias. Estavam em fase de montagem para a próxima...estavam aguardando o Carnaval pra isso. Mas deu para tomar uma cerveja e comer algo pelo bistrô deles. O CCBB é realmente bem legal, quando voltar a BSB quero passar mais tempo lá, ver alguma peça, algo do tipo. Lá é enorme!! Bem maior que o CCBB de São Paulo. Passei a tarde por lá e depois peguei um Uber até o hotel, para dar uma descansada. A noite encontraria o Flávio, meu irmão, e a Thaís, minha amiga. Ambos chegariam em BSB de noite. Fomos a dois bares na asa norte: o primeiro, Carne Moída, é um butecão justo com um karaokê. Bem divertido. Mas como tinha acabado tanto a cerveja quanto a comida, migramos para outro, a Área 51, um bar cheeeio de mesa de sinuca. Jogamos um bocado, mas não ficamos até muito tarde, já que no dia seguinte iríamos para São Jorge. Ah, detalhe. Diferente de SP, os bares em BSB fecham bem cedo. O Carne Moída fechava 0h e o Área 51 fechava 3h. Depois dos bares, cama. A viagem estava só começando. 
      Dia 3: Ida a São Jorge, Matula no Rancho do Waldomiro e Jardim de Maytrea (7,1 km andados)
      Acordamos de manhã e tomamos um café reforçado no hotel, já que iríamos viajar para São Jorge de manhã. Alugamos o carro na Unidas. A locadora é boa, alugo sempre nela aqui em SP, mas em BSB as coisas foram diferentes. Iríamos pegar o carro na zona hoteleira, do lado do hotel, e devolver no aeroporto na quarta-feira de cinzas. Mas, ao chegar na unidade da zona hoteleira, mesmo com reserva, eles não tinham carro com a categoria que reservamos, que era a segunda mais simples (Ônix, Polo, HB20...). Lamentável. Eles nos levaram a uma unidade que ficava marginalmente fora de Brasília, uns 30 min de onde estávamos, para pegar um carro. A ideia era sair de BSB já de manhã, mas por conta do atraso, da burocracia, só saímos depois do 12h. Briguei com eles para ter um upgrade por conta do transtorno, mas eles foram irredutíveis. Consegui barganhar um pouco e eles nos deram 1/4 do tanque de graça, mas mesmo assim...Em BSB, nunca mais alugo com a Unidas, o serviço foi péssimo. Em SP sempre deu muito bom. Pegamos um Polo. O carro é ótimo. Ficamos na dúvida se pegávamos o carro da categoria que pegamos ou uma Duster, algo 4x4...mas depois de muito ler, vimos que uma Duster/4x4 só seria necessário se fôssemos fazer cachoeiras mais remotas, como Santa Bárbara, por exemplo. Como não era o caso, pegamos a categoria menor. Isso é importante. Em São Jorge vimos muitos carros alugados com o parachoque quebrado, provavelmente porque foram para rotas mais acidentadas e não pegaram uma 4x4. Então, ao planejar a sua viagem, pense aonde quer ir e qual carro seria adequado. Só para constar, não fomos pra Santa Bárbara dessa vez porque lemos que no Carnaval o negócio lota. Coisa de ter que sair 3-4h da manhã para pegar um lugar. Não valia a pena. Volto para lá em baixa temporada. 
      O caminho até São Jorge é bem legal, uma retona. A estrada é boa, bem bonita, com muitas plantações de milho, cana-de-açucar, soja...era a primeira vez que visitava o Goiás e é legal ver essa parte do Brasil. Dirigir até lá foi uma delícia. Quase em São Jorge, na estrada que liga a Vila e Alto Paraíso, paramos no famoso Rancho do Waldomiro para comer a famosa Matula. E que coisa espetacular. Matula é o que eles chamam de "marmita" no Goiás. Mas que baita marmita, com uma abóbora refogada, um feijão tropeiro, arroz e uma carne de panela. É simplesmente espetacular. E tem a versão vegetariana também que é muito bom! A Thaís comeu. O lugar é simples, muitos trilheiros por lá, gente chegando na Chapada. Comemos e brindamos com uma cerveja gelada para celebrar o início da viagem. Vimos ali que o clima seria excelente!

      A espetacular Matula do Rancho do Waldomiro. A direita, de carne e a esquerda, vegetariana.
      Depois do almoço, finalmente chegamos em São Jorge. A Vila já nos encantou de cara! Rua de terra, casinhas simples, muita gente na rua, é animal! Fizemos o check-in no Savana Hostel. O Savana foi uma indicação de um amigo que tinha ido para lá no réveillon 2020. E o hostel é bem bom! O quarto que a gente ficou tinha até ar condicionado. Café da manhã excelente, um bar bem legal para passar o tempo, muitos banheiros, sempre limpos, pessoal gente fina. A atendente do hostel era muuuito firmeza, trocamos altas ideias. Valeu a pena! 
      Depois de nos alojar, já era quase o pôr-do-sol. Pegamos o carro e fomos ao famoso Jardim de Maytrea, ver o pôr-do-sol. O Jardim nada mais é que uma vista bem bacana do cerrado. Faz parte do Parque e não podemos entrar lá, só apreciar. A vista fica na estrada que liga São Jorge e Alto Paraíso, pouco antes do Waldomiro. Vista espetacular! Dá para ver as palmeiras, muitas, mas muuitas araras voando, maritacas. É espetacular! O Sol não se põe lá, mas com a golden hour dá pra ver uma vista bem bacana. Mas aqui vai uma dica: ali lota. Então toma cuidado ao parar o carro. Você para no acostamento mesmo. Além disso, aqui vai uma sugestão: aprecie a vista!! O que vimos de gente só querendo tirar foto sentado na estrada não tá escrito. Além de ser perigoso, o pessoal acabou perdendo uma paz de vista! Quão bom era ficar em silêncio vendo (e ouvindo) a natureza. Inesquecível

       
      Depois do sol se pôr, voltamos pro hostel e ficamos tranquilos, tomando umas cervejas e também demos uma volta pela Vila. Jajá falo disso, já que aproveitamos a noite só a partir do próximo dia. De resto, cama porque no dia seguinte acordaríamos 6:30-7h pra primeira trilha da Chapada!
      Dia 4: Parque Nacional, Saltos, Corredeiras e Vila de São Jorge (15,9 km andados)
      O primeiro dia de trilha começou com um belo café da manhã no hostel. Acordamos cedo para conseguir pegar as trilhas vazias (dica de ouro para o Carnaval) e também o café da manhã vazio no hostel. Saímos às 7h30, a pé, para a entrada do Parque, que abria às 8h. No Parque Nacional, existem 3 percursos diferentes: i) A trilha que chega nas Cachoeiras dos Saltos, ii) a trilha que dá na Cachoeira das Corredeiras e iii) a trilha que dá nos Cânions. A priori, queríamos fazer todas no domingo mesmo. Mas depois de fazer 2 delas, optamos por voltar, para não pegar a trilha de noite (o Parque fecha às 17h, então você deve voltar antes disso!). Pagamos preço de brasileiro para entrar no Parque, bem tranquilo. 

      Fomos primeiro o circuito dos Saltos, onde você passa pelas duas cachoeiras maiores do Parque: O Salto de 120m, que você vê só o panorama, de cima e o Salto de 80m, que dá pra nadar! Aqui mais uma coisa que acertamos: entrar cedo no parque nos proporcionou uma trilha bem vazia e, quando chegamos no Salto de 80m para nadar, também. A medida do tempo, foi enchendo. E foi quando saímos em direção às Corredeiras, fugindo do povo hehe. E que lugares bonitos! Foi a primeira vista que tivemos da magia da Chapada, e fomos muito bem recebidos! A vista do Salto de 120m é impressionante, e nadar no Salto de 80m é bem agradável, apesar de ter lotado rápido. A cachoeira das Corredeiras é legal pra você descansar, já que ela é menos atrativa em termos de banho. Não ficamos bastante tempo por lá. Mas o mais legal do Parque Nacional é fazer a trilha em si. Foi a primeira vez que vimos a vegetação e os animais do Cerrado. Muitas árvores com flores, já que estávamos no fim do verão. Imagino que nos períodos de seca deve ser bem diferente, o que me dá mais vontade ainda de ir em outro período! A trilha em si não é difícil...mas é aquilo: Vá com os calçados certos. Meu irmão já começou a ter as primeiras consequências de ter ido com o New Balance, sentindo o joelho. É questão de ir apropriado! No caminho de volta, já era quase 15h30 e decidimos não ir nos Cânions, já que não daria tempo para aproveitar o lugar. E assim voltamos para a entrada do Parque.

      Salto de 120m. Espetacular!

      Salto de 80m. Esse dá pra nadar!
      Como não tínhamos almoçado (só comido uns snacks de trilha), voltar "cedo" do Parque foi ótimo. E não só nesse dia, mas nos próximos sempre voltávamos das trilhas ao redor das 15h. Isso nos dava a oportunidade de descansar a tarde, almoçar tranquilo e ainda aproveitar a cidade a noite! Como acordávamos muito cedo, a estratégia foi perfeita: chegávamos no início do dia, com as rotas vazias e saímos quando começava o ofurô. Mais uma vez, lá no Carnaval é cheio e, as vezes, vale mais a pena você escolher horários em que consiga de fato aproveitar as cachoeiras :). Agora a questão é, aonde almoçar? Não teve dúvida: voltamos ao Rancho do Waldomiro porque ninguém tinha superado ainda aquela Matula da massa. O negócio é espetacular. Nos empanturramos, tomamos umas Antarcticas e ainda deu pra ver mais uma vez o pôr-do-sol no Jardim de Maytrea, que é do lado! As coisas deram certinho!
      Voltamos para a Vila de São Jorge e demos um tempo lá. A noite, foi a vez de aproveitar a Vila de São Jorge. E que vilarejo legal! O que mais nos impressionou foi a simplicidade de lá..não só do lugar mas também das pessoas. Todos te tratam bem! Tínhamos visto que rola um forró na Casa de Cultura Cavaleiro de São Jorge todos os dias, mas, quando tentamos ir, o preço era salgadíssimo. Coisa de 50/cabeça. Não estávamos nessa brisa e, ao voltar para o centrinho, na pracinha mesmo tinha um restaurante chamado Casa da Pankeka com uma banda de forró muito charmosa! Sentamos lá e ficamos tomando uma cerveja ouvindo. Foi bem agradável! Voltaríamos lá ainda nos próximos dias! O lugar serve comido e bebida com preços bem justos, além de ser mesa ao ar livre e com música. Melhor que pagar 50/cabeça, né?
      Dia 5: Cachoeira do Cordovil e mais Vila de São Jorge (15km andados)
      O dia 5 começou de novo com todos acordando cedo e sendo os primeiros a tomar café. Não tínhamos um roteiro definido ainda. A priori íamos para uma cachoeira que todo mundo do hostel tava falando: a Cachoeira do Segredo. Mas por outro lado, todos os relatos eram de que estava muito cheio no Carnaval. Então seguimos a dica de um pessoal do hostel também e fomos à Cachoeira do Cordovil. E acertamos! A trilha que dá acesso fica na estrada que vai pra Alto Paraíso, dentro de uma fazenda.
      Foi a nossa primeira trilha fora do Parque. E você já consegue ver que as coisas são bem diferentes! A primeira: as trilhas são mais freestyles, já que quem realiza a manutenção são os proprietários da fazenda. E por outro lado, você tem um olhar mais aberto do ecossistema. A trilha em si é muito legal, com muitos campos abertos e fechados, onde conseguimos ter um p anorama bem grande do ecossistema e da fauna. Gostei mais que a trilha do Parque! Na parte final você passa pelo Poço Esmeralda também, que fica num desvio antes de chegar à Cachoeira do Cordovil. Mas o acesso estava restrito para o Poço. O rapaz que controlava a entrada da Fazenda disse que muita gente estava se acidentando por lá, então eles fecharam.
      Chegando no ponto final, a Cachoeira do Cordovil é belíssima! Mas geladíssima também ahha. Só eu que pulei na água (YOLO, certo?). E foi muito bacana. A cachoeira estava vazia, então pudemos ficar um tempo por lá. Em compensação, o tempo estava começando a fechar, então não nos estendemos muito. Mas o lugar é realmente muito bonito e, imagino que ir em algum dia com o céu limpo seja mais legal ainda! No fim da trilha você passa por bastante pedra, então trate de tomar cuidado de não cair. Nisso, meu bastão de trekking ajudou bastante. Caso você goste de fazer viagens do tipo, vale a pena ter um! Não vejo necessidade em 2, já que eu gosto de ficar com uma mão livre. 


      Caminho para o Cordovil. Essa última foto representa bem o que é a vegetação do Cerrado no verão! Essa trilha é demais!

      Cachoeira do Cordovil
      A volta foi tranquila. Demos uma sorte, já que o tempo estava fechando, conseguimos inclusive ver a chuva no horizonte..então foi uma corrida contra o tempo hehe. Assim que pisamos na recepção da trilha, começou o temporal. Demos uns 20min e voltamos. Nisso, tome cuidado: Na maioria dos acessos das trilhas a estrada é de terra. Então controle bem a permanência e olhe a previsão. Não queremos ninguém atolado no caminho né?
      Chegando em São Jorge, o padrão: banho, cochilo e um descanso. Ficamos um tempo ainda tomando uma cerveja no hostel até dar a hora da "alma-janta". Isso nos fez poupar bastante dinheiro, já que optamos por almoçar tarde, e assim conseguir aproveitar as trilhas no horário vazio e ainda ter menos refeições ao dia. Claro, levamos bastante snacks durante as trilhas, mas deu super certo. Escolhemos para comer nesse dia talvez no restaurante mais famoso da Vila: a Santo Cerrado Risoteria. É um restaurante animal, com diversos tipos de risottos e bebidas! Pedimos 2 risottos para dividir em 3 pessoas e deu muito bom. Comida de excelente qualidade, mas cara. Conseguimos baratear por não pedir 3 porções, e deu mais que o suficiente! As panelas vêm cheias. Acho que vale a pena guardar um pouco do budget para ir lá sim! No fim da noite ainda sentamos de novo na Casa da Pankeka pra tomar umas e ouvir uns sons na praça. 

      Risoteria!
      Dia 6: Mirante da Janela, Cachoeira do Abismo, Alto Paraíso e último dia de São Jorge! (11km andados)
      No dia 6 decidimos terminar as trilhas numa das mais famosas: o Mirante da Janela! Sabe aquela foto clássica da Chapada, em que o pessoal consegue tirar a foto como se fosse numa janela, com o Salto de 120m no fundo? É exatamente essa. Mas o mais legal é: O mirante em si é a menor das coisas por lá! E ainda tem uma fila danada pro povo colocar no Instagram hehe. Jájá vocês entendem o que eu tô falando. 
      A trilha em si foi a mais legal que fizemos. Para começar, tem uma trilha até a entrada da trilha. E ela não é curta! Haha, mas depois disso a coisa fica bem legal. A maior parte do trajeto é plano, só no fim que é uma subida, em torno de uns 15min de caminho íngrime. Mas o mais espetacular da caminhada é a vista em si. Não dá nem 20min andando e você já se depara com a imensidão do Parquer Nacional. Vamos explicar: A trilha que dá no Mirante da Janela fica atrás do Parque Nacional. Então você consegue ver, de cima, tudo o que nós vimos no primeiro dia, em especial o Salto de 120m. E eu particularmente gosto demais de vistas panorâmicas! E nessa trilha é o que mais tem :), além, claro, da sempre presente vegetação encantadora do Cerrado. E não só isso, mas ir no verão têm seus méritos: A calma e belíssima Cachoeira do Abismo está cheia! Paramos nela tanto na ida quanto na volta e...que calmaria! Mais uma vez a estratégia de sair cedo do hostel foi boa, já que pegamos tanto a Cachoeira quanto o caminho bem tranquilos, onde deu pra relaxar tanto na ida na volta. A Cachoeira do Abismo tem seu charme como o próprio nome diz: uma piscina natural com borda infinita se forma com o horizonte ao fundo, o que dá um efeito bem legal! É como se você estivesse num jacuzzi natural apreciando a natureza. Espetacular!

      Cachoeira do Abismo

      Nós 3 e o Abismo!
      Seguimos pela trilha até o Mirante. Mais uma vez, o caminho é bem legal e você passa por tanto campos abertos quanto fechados! É bem legal! No final há uma subida de uns 15min...Nada impossível, mas o pessoal normalmente costuma cansar. Mas o que importa é que você chega na melhor parte da trilha: a vista! E aqui vai uma dica de ouro: Apesar da trilha chegar no famigerado Mirante da Janela, o Mirante em si é o que menos nos atraiu! Primeiro porque tinha uma fila de 1h para só tirar a foto clichê. Segundo porque nem é a melhor vista de lá! Mas o melhor lugar pra ver é um pico logo antes da Janela, numa pedra no fim da trilha. A vista você pode conferir embaixo, onde fiz questão de tirar uma foto pra guardar  . E não só isso, mas lá tem 3 mirantes bem legais para ver, com 3 diferentes ângulos do horizonte. É simplesmente espetacular. A minha pergunta é: Você vai ficar mesmo 1h esperando para tirar uma foto na janela (que nem é tão legal assim) e não ficar apreciando a natureza nos mais de 4 ângulos do lugar? Cada um tem sua prioridade né haha. O lugar é realmente impecável...e alto! Passamos bastante tempo lá contemplando, em silêncio a maravilha que é a Chapada dos Veadeiros. Cheguei até a chorar. Foi a forma perfeita de encerrar a viagem. E só me deu vontade de voltar para sentir aquilo de novo 😍. 

      A melhor vista do Mirante da Janela!

      Bons momentos!
      Na volta, mais um banho no Abismo antes de ir. Só que, para lavar a alma da viagem, a Chapada nos deu de presente uma tempestade na metade final da trilha! haha não foi tão ruim assim, estávamos com capa de chuva, mas os sapatos molharam todos. E foi uma chuva de verão, forte e rápida (uns 20min de chuva). Pra ficar na memória!
      De volta a São Jorge, depois do banho e descanso, fomos almoçar. Estávamos com uma "lombriga" de comer um peixe frito com cerveja e fomos em busca do famigerado. Recomendo o restaurante Luar com Pimenta, que fica logo antes da estrada que dá no Parque Nacional. Peixe muito gostoso e cerveja bem gelada para brindar o fim da viagem!
      A noite, fomos para Alto Paraíso para i) abastecer e ii) levar a Thaís para a rodoviária da cidade, já que ela voltaria na madrugada pra SP, saindo de BSB. Eu e Flávio ainda dormimos mais uma noite em São Jorge. Foi legal para conhecer Alto Paraíso, uma cidade "grande" quando comparado a São Jorge. Mas foi bacana, consegui comprar uns souvenirs por lá e ainda jantamos num ótimo restaurante Vendinha 1961, que descobrimos no Foursquare. Vale a pena! Mas, pelo pouco que vimos de Alto Paraíso, ficamos com São Jorge hehe. O clima intimista e simples é insuperável .
      De resto, eu e Flávio voltamos para São Jorge e capotamos, já que no dia seguinte iríamos cedinho voltar para o aeroporto de Brasília!
       
      7. Conclusão
      Eu sempre quis aproveitar o período de Carnaval para fazer uma viagem fora da realidade. Apesar de SP estar com um ótimo Carnaval, ir pra Chapada foi uma terapia que eu estava precisando. A gente corre tanto no dia-a-dia e pouco lembra que temos que nos dar algum tempo para aproveitar não só nós mesmos, mas também a natureza espetacular que o Brasil nos oferece. Lembro que era dezembro de 2017, na Patagônia, que decidi que ia tornar o trekking um hobby na minha vida. E tenho conseguido! A Chapada dos Veadeiros foi a primeira das grandes viagens que fiz só com o intuito de fazer trilhas. E que privilégio ter tido a companhia do meu irmão Flávio e da minha grande amiga que é a Thaís . Agradeço a vocês por terem feito parte disso!
      E aqui vai uma reflexão: Como disse no início, escrevi essas memórias em tempos de pandemia. Não vai ser agora que você vai viajar para lá, por questões sanitárias, mas o relato é pra lembrar que as coisas vão voltar ao normal. E não só isso, mas vão voltar de uma forma completamente diferentes. Sabe aqueles tabus que tínhamos antes de tudo isso acontecer? Sabe aquela ligação para seus amigos, para sua família que você sempre deixava pra depois? Isso é passado. Eu realmente acredito que a gente vai mudar pra melhor. Tornar a vida mais leve e mais sustentável. É a primeira vez no século XXI que estamos, de fato, em guerra com o incontrolável. E fica a lição que a natureza é o que temos de mais supremo e mais magnífico na humanidade. Então tratemos de aproveitá-la!
      E, depois de conhecer a capital federal, andar mais de 73km em 6 dias e chorar copiosamente lembrando dos bons momentos, concluo o relato com uma mensagem de amor a todos vocês. De nada adianta se ficarmos martelando a cabeça em coisas que não nos faz bem. E se tem alguma coisa que deixa o ser humano mais completo é viajar. E, se for viajar com a natureza, pode ter certeza que estará em uma formidável companhia 😊.
      Chapada, eu volto!
      Um abraço e boa viagem! 🌎
       
       
       



×
×
  • Criar Novo...