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Olá viajante!

Bora viajar?

Mil Perrengues: Bolívia, Chile e Peru

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Fala galera da mochila!

 

Estou aqui mais uma vez, como forma de retribuição, para registrar nossa aventura. O roteiro é clássico e já conhecido de quase todos por aqui, mas nunca imaginaria que uma viagem dessas fosse tão marcante e tão imprevisível.

 

Iniciamos – eu e a Miriam (minha esposa) – no dia 12.03.2014 por Santa Cruz, depois Sucre, Potosi, Uyuni (Salar), San Pedro do Atacama, Arequipa, Cusco (Macchu Picchu), Copacabana e, por fim, La Paz.

 

Antes de mais nada, gostaria de agradecer imensamente a TODOS do Mochileiros.com que me ajudaram a construir e realizar esta viagem, direta ou indiretamente, especialmente Sorrent, Mauro Brandão, Maria Emília, guto_okamoto (e os mendigos machos), Aletucs, camilalisboa e todos os demais que a minha memória traiu agora...Muito Obrigado!

 

Gastos

 

A primeira preocupação de qualquer mochileiro, além do roteiro, claro, é com a grana que irá investir. Posso dizer que conseguimos ser bem econômicos, principalmente com comida e hospedagem, fato que foi bem proveitoso ao final, restando uns dólares para o Free Shop e presentes aos amigos.

 

No total, gastamos cerca de R$ 4.500,00 (reais) para o casal, com tudo, hostel, comida, passeios, etc. Só não entrou nessa conta as passagens aéreas de ida e volta e um “plus” devido aos perrengues que explicarei mais tarde...

 

Levamos TUDO em dólares e foi a melhor coisa que fizemos. Não tivemos problema algum, sem preocupação com caixas eletrônicos, taxas de cartão de crédito e demais preocupações. O único risco – e bota risco nisso – era perder o dinheiro, mas levamos duas Money Belt que deram conta do recado, só tirávamos para tomar banho e olha lá!

 

A estratégia foi trocar reais por dólares aos poucos, aqui no Brasil. Íamos acompanhando a cotação e quando estava boa, ligávamos para três casas de câmbio e brigávamos pela melhor cotação, sempre dava certo e uma cobria o preço da outra.

 

Passagens: R$ 1.380,00 para os dois já com todas as taxas, voando Gol. O melhor preço foi no decolar.com, inclusive com mais opções de horário.

 

Reservas/Hospedagem

 

A única reserva que fizemos com antecedência foi para o Jodanga, hostel excelente de Santa Cruz, pois queríamos conhecê-lo e sabíamos que não voltaríamos tão cedo a Santa Cruz, quer dizer, pelo menos não imaginávamos o final SURPREENDENTE dessa viagem...Mas enfim, quem quiser dar uma olhada no Jodanga e já aproveitar para fazer aquela reserva esperta, entra lá no site deles: http://www.jodanga.com/

 

No mais, fomos desbravando as “ótimas” ::mmm: opções de hospedagem que a nossa querida América do Sul nos oferece, com exceção do Wild Rover, que realmente é muito bom, mas só tem em Arequipa, Cusco e La Paz, recomendadíssimo! Pela festa, pela bagunça, pelo conforto, pela higiene, pela comida, pela galera, etc., etc., etc., quem já ficou lá sabe do que estou falando...E mesmo para você, rapaz casado e sério e você, donzela comprometida, vale a pena. Como disse, fui com minha esposa e curtimos muito o lugar, não é só para pegação e bebedeira que o Wild Rover se presta, confiem em nós: http://www.wildroverhostels.com/

 

Obs. Se você for solteiro (a), então amigo (a), o Wild Rover é parada obrigatória. ::hahaha::

 

Perrengues

 

Meu Deus do céu! Só nesta trip aprendemos a lidar com quase todos os tipos de perrengues que uma viagem pode proporcionar. Terminamos com a sensação de missão cumprida, mesmo não conseguindo seguir boa parte do nosso roteiro, infelizmente, mas serviu como um grande aprendizado e um motivo para voltarmos, sem sombra de dúvida. Então, como todo bom mochileiro, prepara-se e curta o momento...

 

Certificado Internacional de Vacinação

 

Como a maioria que já postou relato por aqui, não nos foi solicitado este certificado em nenhum momento da viagem. No entanto, se você quiser garantir, o posto da ANVISA, no aeroporto de Guarulhos, fica no Terminal 2, ASA "C" - Desembarque, e você poderá retirá-lo na hora.

 

IMPORTANTE: Para a retirada do Certificado Internacional, primeiro deverá tomar a vacina em qualquer posto de saúde, é de graça e garantirá sua proteção contra a FEBRE AMARELA. Para agilizar as coisas caso queira retirar o certificado no mesmo dia do seu voo, como nós fizemos, antes de sair de casa, faça seu cadastro no site da ANVISA, pois sem ele não será possível a retirada no posto do aeroporto. Você até consegue fazer o cadastro na hora, eles têm um computador ligado à internet lá mesmo, mas a conexão é lenta e tem fila, o que poderá atrapalhar seus planos ou fazer com que se atrase para pegar o avião.

 

Então vamos lá!

 

12.03.2014 – São Paulo / Santa Cruz de La Sierra (Bolívia)

 

Voamos pela Gol, com saída do aeroporto de Guarulhos às 11h05 e chegada prevista em Santa Cruz às 13h10, tudo no horário e sem transtornos, aliás, essa primeira parte da trip foi bem tranquila, mal sabíamos o que vinha pela frente...

 

Chegando em Santa Cruz, logo trocamos 100 dólares no aeroporto mesmo, pois não tínhamos um boliviano sequer e sabíamos que iríamos precisar para o táxi até o Jodanga, pagamento da diária, lanche e uns itens de última hora.

 

Logo no avião já conhecemos o primeiro brasileiro! Um baiano gente fina que faz medicina em Santa Cruz, aliás, estudante brasileiro de medicina em Santa Cruz é como formiga, tem em todo canto!

 

As perguntas básicas aos brasileiros que chegam nessa cidade são: “Faz medicina?” e “Veio colocar silicone?” Hahahahaha.

 

Pois bem, já com todas as dicas do nosso amigo baiano que não é muito chegado em carnaval, chegamos à cidade mais brasileira da Bolívia. É incrível como Santa Cruz se parece com o Brasil, desde a fisionomia do povo, até o clima e a comida.

 

CURIOSIDADE: Ao sair do aeroporto, existe um sistema alfandegário e de segurança curioso. Ninguém, ninguém mesmo entende e eles não explicam. O lance é o seguinte, existe uma porta grande, tipo aquelas com detector de metais, com um botão. Você chega, aperta o botão e, se ficar verde: Liberado! Se ficar vermelho: Revistado! Hahahaha, mas isso é antes de passar pelo suposto detector de metais! WTF?! Como assim? É tipo um roda a roda do Silvio Santos! Pura sorte, nada mais que isso! E detalhe, NINGUÉM RECEBEU LUZ VERMELHA! Passaram umas trinta pessoas na nossa frente e não acendeu a luz vermelha nenhuma vez!

 

O trajeto até o Jodanga é bem tranquilo, um pouco distante, mas tranquilo. Este foi o único táxi que pegamos em Santa Cruz, carro velho, sem cinto, que engasgava e morria a cada 5 km. O taxista era bem fechado, só se soltou quando começamos a falar em português (eita povo simpático de meu Deus), perguntando sobre a Copa, economia, política...Puxar papo com o taxista sempre ajuda.

 

 

Chegando ao Jodanga, surpresa agradável. Hostel com clima caribenho, pessoal simpático, com piscina, bar, wi-fi, enfim, ótimo lugar. Ficamos num quarto para 10 pessoas (beliches), misto, com banheiro e chuveiro quente próprios. O locker fica fora do quarto, no corredor, mas é bem tranquilo, nos sentimos bem seguros lá.

 

Pedimos informações na recepção e já saímos para desbravar a Bolívia brasileira! De lá, caminhamos até um parque que fica bem perto do Hostel, lugar agradável e bem arborizado. Andamos mais um pouco até uma avenida, contornando esse parque e chegamos a um ponto de ônibus. Aí já sacamos como funciona o transporte público na Bolívia.

 

O lance é o seguinte: Não existe ponto de ônibus! Você fica parado numa esquina, numa rua qualquer onde costumam passar os “buses” e, ao avistá-lo, sai correndo atrás! Faz sinal! Mostra a camisa a Brasil! Vira estrelinha, dá um duplo twist carpado, Isso deve funcionar...Para vocês terem uma ideia, de táxi, do Jodanga até o centro, ficaria em torno de 80 BOB´s (bolivianos) ida e volta - pelo menos foi isso que uma brasileira gastou. Nós gastamos míseros 4 BOB´s, cerca de R$ 1,28 (cada passagem). Então, ao contrário da Angélica, Vá de ônibus!

 

Além da economia, é muito divertido. São micro-ônibus bem velhos, importados do Japão da década de 70 e sem segurança alguma. Eles andam com as portas abertas para facilitar a entrada e saída da galera, é sério, às vezes nem param, passam perto da calçada e o povo vai subindo, pagando o motorista, e se agarrando nas ferrugens para ficar em pé. Pra ajudar, como bom brasileiro, estava de chinelo e levei um mil, duzentos e dezessete pisões no dedão do pé direito, resultando, ao final, um saldo de -1 unha.

 

Enfim, chegamos ao centro de Santa Cruz, lugar agradável e meio caótico. A praça XXIV de Setembro é bonita e bem cuidada, com muitas crianças e pombas, as “palomitas”, terror da Miriam :cry: . Resolvemos comer no Burger King, que fica bem em frente a essa praça, num lugar bem legal, enorme e com cara de museu antropológico da minha cidade, hehe. Andamos bastante por todo o centro, já se adaptando novamente ao espanhol e ao povo boliviano. Entramos no mercado municipal, passeamos pela praça, tiramos algumas fotos e conhecemos a catedral, linda.

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De volta ao Hostel, compramos umas bobeiras numa mercearia próxima e aproveitamos para curtir o lugar. O pessoal é bem gente fina, mas tinham muitos, muitos israelenses que, apesar de simpáticos, se fechavam entre eles, numa espécie de panelinha israelita. Uma pena.

 

No mais, entramos no quarto e a Miriam foi perguntar em espanhol não sei o que a um cara com pinta de indiano, que respondeu em inglês e era brasileiro! Hahahaha. Logo uma outra veio berrando: Brasileiros! Aí sentamos na entrada do banheiro, uma espécie de vestiário e ficamos lá batendo papo. O “indiano” (Lucas, se não me engano) contou que estava viajando há três anos, já tinha rodado o mundo e estava voltando pra casa. A outra brasileira, uma figura, estava no fim da trip com um roteiro bem parecido ao nosso, o que foi bom para perguntarmos sobre o Salar e as condições climáticas em Uyuni, pois era Março e a chuva pega naquelas bandas...

 

Terminei a noite tomando coca-cola com Eno e Dramin, resultado do lanche que não caiu bem, droga. Falarei sobre a comida mais pra frente, mas já adianto que, mesmo para estômagos mais fortes, a culinária boliviana reserva algumas surpresas.

 

CURIOSIDADE: Se alguém te convidar para “ficar de bola” em sua casa, recuse! [ou não, vai saber]. Ficar de bola significa TODOS PELADOS pela casa, assistindo um filminho, comendo pipoca, dançando Macarena, de boa, sem roupa, só “de bola”...HAHAHHAhahahaha...História bizarra do indiano brasileiro com uns chilenos aí...

 

Por enquanto é isso [...]

 

NOTAS

 

Cotação do dólar no aeroporto de Santa Cruz: US 1,00 a BOB 6,96.

Táxi aeroporto/Jodanga: BOB 70

Hostel Jodanga: BOB 80 (por noite, por pessoa).

Burguer King: BOB 40 (combo).

Água: BOB 12 (1 litro)

Coca-cola: BOB 7

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  • [...]   O FIM.   Entramos no carro, olhamos um para a cara do outro e demos um sorriso sem dizer nada, mas pensamos a mesma coisa: “Olha só como essa viagem vai terminar...”   Eu, a Miriam e a “

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Oloco Gerson, que festa é essa meu camarada! Uns argentinos ficaram no LOKI e disseram que tinha um lance com garrafa mesmo, mas estavam tão brisados que não souberam informar se giraram ou enfiaram o gargalo HAHAHhhahahaa...Histórias da Bolívia... :!:

 

Ei Mauro, prometo que hoje sai mais uma parte, juro, rs.

 

Abraço a todos que estão acompanhando.

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O Nogy, sei que é demorado escrever relato, principalmente pra carregar as fotos e blá blá. Eu mesmo demorava umas 4 horas pra fazer tudo. Mas manda a ver ai, to viajando na sexta !!!

 

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CARACA Maurão! Vai repetir a dose? Poxa vida, pode deixar que hoje dou uma acelerada por aqui, rs.

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Opa, vou fazer o seguinte :

 

Sta. Cruz > Sucre > Potosí > Uyuni > SPA > Calama > Iquique > Tacna > Arequipa

> Ica > Paracas > Lima > Huaraz > Lima > Cusco > Copacabana > La Paz > Chochabamba > Sta. Cruz

 

36 dias !!!

 

TO MALUCOOOO, vo pra Huaraz !!!!!

 

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Quem quiser mais detalhes acessa o meu blog DE MOCHILA E BOTA >

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Nogy,

 

Estou adorando seu relato.. rindo muito. Parabéns!!!

Heiii me conta qual a quantidade rsrs e o que vocês levaram de roupa de frio.

Vou ir em outubro e estou com medo de passar frio lá hehe

 

Um abraço e continuo na expectativa dos próximos capítulos :D

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Me acabando de rir com o relato... ::lol4::

 

Não tenho nenhuma previsão de fazer esse roteiro que tenho tanta vontade, pois a digníssima esposa turista me mataria já em Sucre, mas tô invejando cada perrengue de vocês...

 

No aguardo dos próximos capítulos...

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Olá Laiza,

 

Como fomos em Março/Abril, não pegamos tanto frio durante quase toda a viagem, exceto em Uyuni. Para o deserto, levamos 2 fleeces, uma segunda pele (perna e tronco), calça de trilha (aquele material mais grosso e resistente), um corta vento impermeável e, de garantia, um casaco mais grosso, também impermeável. Como pode notar, demos mais ênfase aos materiais impermeáveis, pois pegamos o final do período de chuvas, mas acredito que um sistema de camadas bem feito (segunda pele+fleece+corta vento), associado a um outro casaco para aqueles dias em que o frio pega muito, deva dar conta...No mais, aproveite a Trip e não encane muito, tem gente que vai com roupa normal e não sente frio, vai um pouco da sua sensibilidade ao clima. ::Cold::

 

Abraço.

Editado por Visitante

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Maurão, seu roteiro está ANIMAL! Vai fazer o Circuito Huayhuash em Huaraz? Eu e a Miriam estamos planejando...Quem sabe um dia...Aproveite cada segundo e não se esqueça de postar o relato heim!

 

Abraço e boa trip.

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16.03.2014 – Salar: 2º dia

 

Após esperar uns 40 minutos em frente à masmorra, subimos em nosso 4 x 4 e partimos rumo à Reserva Nacional de Fauna Andina “Eduardo Avaroa”, com a promessa de paisagens belíssimas e lagoas de cores impressionantes, além dos flamingos e tudo o mais que a gente vive pesquisando antes de sair do Brasil.

 

Este dia é, ao mesmo tempo, o mais tranquilo e o mais cansativo.

 

Tranquilo porque passamos horas dentro do 4x4, sem ter que andar muito ou subir morros, ficar debaixo do Sol e essas coisas. Cansativo porque passamos muito tempo sentados, viajando no meio do deserto, isso, com o tempo, cansa um bocado. Você cochila, acorda, toma água, cochila, acorda, grita: “Olha! ...ah, não era nada, pensei que você um bicho...”. E assim vai.

 

As paisagens pelo caminho realmente impressionam, não só nós, brasileiros, mas a gringaiada também. Cansamos de ouvir que foram as paisagens mais lindas e diferentes que já viram em toda a vida, isso de gente que viaja há tempos, pra tudo quanto é canto do planeta. Dá uma olhada aí:

 

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Como esse dia é mais para tirar fotos e apreciar as paisagens, aproveite para criar um vínculo maior com o seu grupo, puxe conversa, os gringos são mais fechados mesmo, estamos acostumados com a galera do Brasil, que faz piada de tudo e já vai fazendo amizade, eles não têm esse costume, então, seja brasileiro com eles também :wink:

 

A Reserva Nacional é um lugar bem bonito e muito bem cuidado, isso porque cobram 150 BOB pra entrar, sem choro.... Até quem recebe em euros achou caro, imagina a gente...Mas, ao menos cuidam do lugar, é uma pena alguns lugares pelos quais passamos, estarem pixados, com lixo e sem cuidado algum.

 

Neste dia também que você avistará a famosa “Árbol de Piedra” e passará pelo deserto de Siloli. São lugares legais, mas achei que o tempo que tivemos para aproveitar cada um são muito curtos, talvez porque o tal refúgio seja distante e o pior pesadelo dos guias é dirigir à noite no deserto, porque eles se orientam pelas montanhas, já que sinal de GPS ou celular nem pensar naquelas bandas.

 

O almoço na Reserva foi bem gostoso, debaixo de um quiosque e com uma vista linda das lagunas com os flamingos ao redor.

 

Aproveitamos o momento pra refletir sobre esses bichos. A alemã disse que eles se alimentam de microorganismos presentes nas lagunas, o guia Edwin confirmou e disse que este é o motivo da sua coloração rosada. Perguntei se a água é salgada, por causa do deserto de sal e realmente é bem salgada, mas os flamingos não ligam, devem ser chegados a uma tequila...

 

Nessa, o Nick que tentava entender alguma coisa do papo, disse que era fazendeiro na Austrália e nos contou umas histórias bem engraçadas, esse cara era muito divertido.

 

Saindo do parque, andamos mais um monte até nosso refúgio, aquele que a dona Andrea disse ser horrível, muito simples, com animais ao redor, lembram? Foi uma das melhores hospedagens que tivemos em toda a viagem!

 

Chegamos já no final do dia, quase escurecendo. O frio começou a pegar nessa hora, fazia muito, mas muito frio. Nesse dia que decidimos pular um banho, rs. Pô, o chuveiro fica do lado de fora! Naquele deserto gélido, com possíveis animais rondando...Nem f**** que iríamos tomar banho hoje!

 

Poxa, essa noite certamente foi uma das mais agradáveis. Ficamos todos do 4x4 juntos no mesmo quarto, parecia um alojamento daqueles filmes da sessão da tarde sobre acampamento de férias, manja? O refeitório era a área comum, onde estavam todos de todas as demais agências. Havia uma espécie de lareira ao centro e mesas separadas para cada 4x4.

 

Logo de cara, serviram chá com bolachas. Gato escaldado...Comemos, de novo, kilos de bolacha com litros de chá, o que foi bom, mas nos arrependemos depois, porque a janta estava deliciosa!

 

Serviram uma sopa muito boa de entrada, com macarrão ao sugo e queijo ralado de prato principal, uns pãezinhos muito bons, refrigerante, água e uma garrafa de vinho.

 

Nessa, o vinho fez toda diferença. :D

 

Começamos a divagar sobre os chocolates e canivetes suíços, que as suíças se orgulham bastante. Depois ficamos ensinando a galera a dizer “leite”, “dente”, pois eles dizem que o português parece mandarim (chinês), escrevemos de um jeito e falamos de outro, eles não acreditam nisso, disseram que a nossa língua é a mais difícil de todas (olha quem fala!) e ficamos lá batendo papo.

 

Como o vinho faz milagre, começamos a falar “línguas” HAHAHAHhahhaa, chegou num ponto que todo mundo falava alemão, inglês australiano, português, brasileiro, suíço, ahahahha, foi bem divertido.

 

Aí que surgiu o tal do banho de gato. As suíças, que não tomavam banho desde Uyuni e já estavam sendo perseguidas por chacais, disseram que iriam tomar banho depois da janta. A alemã topou e o Nick já havia tomado logo que chegou. Então a Miriam falou: “Ah, está muito frio, vamos tomar um banho de gato mesmo”. Aí a galera ficou com aquela cara de paisagem né...banho de gato? Perguntou a suíça que falava espanhol. Sim, falamos banho de gato no Brasil, explicando que iríamos passar uns lenços umedecidos pelas partes e tals, que tava valendo. A alemã entendeu e tentou traduzir pro Nick, que estava viajando, mas ele não sacou. Então eu soltei a pérola: “Hey Nick, CAT SHOWER!”.

 

O cara passou mal de rir e começou a fazer gestos de gato se lambendo, achando que os brasileiros tomam banho de língua! SHSHHAAHAHHAHA. Ele disse que iria digitar no Google: “Brasilian Cat Shower” e o problema é que já estávamos meio bêbados (lembra do álcool + altitude?) e tivemos um ataque de risos, uns malucos da outra mesa acharam que estávamos comemorando, levantaram os copos brindando, umas espanholas começaram com as danças doidas delas em volta da lareira de carvão, aí chegou um tiozinho lá de fora, chapado e chutou a porta! Cara, o cat shower quase acabou com a noite!

 

Pra fechar, a alemã já havia esquecido que estava na Bolívia e só falava alemão comigo e com o Nick, estávamos rindo muito do lance todo. Aí eu peguei uma frase dela com “rucksack” no meio, que em alemão é mochila e tentei explicar ao Nick. Só que o cara estava muito loco e começou a gargalhar e coçar o seu “rucksack” em público! Teve um povo que achou que era dança e começou a imitar o Nick, meu, virou uma zona aquele lugar! De novo!

 

Recuperados do ataque de risos e com seus rucksacks em dia, fomos nos ajeitar pra dormir.

 

Como as camas eram todas de solteiro, cada um foi arrumar a sua, que, aliás, era muito confortável e com cobertores suficientes (desde que você faça um plus com fleece, segunda pele, meias, gorro e luvas).

 

Perguntamos ao Edwin, qual era a altitude que estávamos naquele refúgio e a resposta foi: “Mais de 5 mil metros (!)”. Nessa noite sofremos um pouco com a maldita. O nariz da Miriam sangrou bastante e eu tive dores de cabeça, mas suportável.

 

O problema foi de madrugada. Lembra que a janta estava uma delícia? Pois bem, abusei e quebrei a regra 17 do nosso código: “comer demais em altitudes elevadas”. Resultado: Virei o Rei do Deserto de Sal.

 

Até aí normal, todo mundo reinou nessa trip. Só que eu, fui coroado bem na madrugada mais fria de toda a minha vida!

 

O banheiro ficava nos fundos do refúgio, então, lá pelas 3h da manhã, acordei com um nó nas tripas...Meu, doía muito! Me arrastei feito uma cascavel por debaixo dos cobertores e me dirigi ao banheiro.

 

Saí do quarto e descobri que não tinha luz naquele lugar! Um breu total. Voltei me arrastando para o quarto, procurei minha mochila pelo olfato e achei minha lanterna. Voltei ao corredor e percebi que estava muito frio, mas muito frio mesmo, vocês não imaginam como...

 

Cheguei na casinha e SURPRESA! HAVIA UMA BURACO NA PAREDE! Imagina você com uma dor de barriga absurda, sentado num vaso sem almofadinha, numa casinha feita de sal e uma janela quadrada SEM VIDRO! O vento ártico do deserto entrava e corria pela sua nuca! Minha coluna virou uma barra de gelo e eu já nem tremia mais...Rezava pra acabar logo com aquilo, mas o macarrão foi impiedoso! Foi quando comecei a ouvir um uivo...Cara, gelei (como se já não estivesse gelado). Tentava iluminar lá fora com minha lanterna 2,5 watts que mais parecia uma vela. Me concentrava nas dicas do Bear Grylls que, na hora do pavor, você só lembra de quando deu merda no programa, enfim, fiquei ali apavorado, literalmente com as calças nas mãos...

 

E eu nem sei que bicho feroz existe naquele lugar! Mas como a dona Andrea fez o favor de comentar, fiquei encanado com isso. Não sei quanto tempo fiquei sentado, humildemente, esperando a morte chegar, só sei que, quando meu reinado acabou, voltei correndo pro quarto! Entrei debaixo das cobertas, tremia de frio e só pensava em voltar a dormir, porque o dia seguinte acordaríamos muito cedo e...TRIM, TRIM, TRIM...tocou a porra do despertador!

 

Levantei feito um zumbi, P da vida e fui lá trocar de roupa. Todos alegres com a excelente noite de sono, contando vantagem dos seus cobertores e meias de alpaca...humpf...

 

Tomamos café da manhã, bom por sinal, com geleia, pães, chá e etc., e fomos subir a tralha no 4x4. Quando abriram a porta, não acreditei no frio que fazia. Era demais.

 

Acordamos (nem dormi) às 4h30 da matina, arrumamos as coisas na correria, subimos tudo no jipe e já saímos, tudo em meia hora! É assim por causa dos “geysers”, que só podem ser vistos nesse horário.

 

Entramos no 4x4, todos tremendo de frio, mas felizes por mais um dia de aventura...

 

Próxima parada: Los Geysers.

 

Notas:

Entrada Reserva Nacional: 150 BOB

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Nogy, tenho certeza que seu relato está trazendo lembranças cômicas na cabeça de quem está lendo.

 

Eu me lembro de uma viagem que fiz para a Argentina e que, de tanto vinho, começamos a falar em línguas também. De repente, só tinha brasileiro na roda de baralho e todos falando portunhol. Quase quebraram a hosteria de tanto rir, fazer danças esquisitas, chutar a porta, jogar pinha na lareira e por aí vai.

 

Está ótimo.

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