"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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Olá Mochileiros!! Vou registrar aqui minha visita ao Arquipélago de Galápagos. Sem sombra de dúvidas foi a viagem que MAIS aproveitei o tempo, eu acordava quando o sol nascia e só voltava quando o sol ia embora. Foi a primeira viagem que fiz sozinho, uma experiência INCRÍVEL em um lugar INCRÍVEL!!! Tudo na base do improviso: comprei somente as passagens de ida e retorno, não fiz nenhuma reserva. Fui apenas tendo ideia de algumas coisas que queria fazer, com o capítulo do Lonely Planet sobre Galápagos e tendo lido o relato do allanavila ( galapagos-por-conta-propria-dicas-fotos-t88575.html ). No começo fiquei um pouco desesperado porque achei que não ia dar tempo de fazer metade das coisas que eu queria, mas calhou que coube tudo com tranquilidade
Pessoal, é muito fácil, tranquilo e, acredite se quiserem, BARATO conhecer Galápagos (Exceto pela passagem (cara), que paguei R$2100 incluindo impostos e taxas, gastei 800USD durante a viagem inteira, isso porque gastei 120USD com uma SUPER extravagância que vou contar adiante, daria para viver sem ela).. É um lugar bastante seguro, tudo é de fácil acesso, o povo é simpático e estão sempre dispostos a ajudar.
Vou colocar o máximo possível o preço das coisas.
Do arquipélago, são 3 as principais ilhas: Santa Cruz, San Cristobal e Isabela. A moeda usada lá é o Dolar Americano e o idioma é o Espanhol.
Uma dica para quem vai do Brasil: mantenha seu corpo para o fuso horário do Brasil, assim você acorda lá às 6 da manhã como se estivesse acordando às 10!!!! Da mesma forma você acaba indo dormir cedo, já que não tem muita coisa para fazer de noite.
Vamos lá:
25/10 – Mochileiros, este foi o dia que peguei meu voo para Galápagos saindo de São Paulo com conexão em Lima e Guayaquil.
Em Guayaquil, antes de embarcar para Galápagos, é necessário passar em um guichê especial, onde você deve pagar uma taxa de 10USD, vão te dar algumas fichas para preencher e vão examinar sua bagagem (entrar com produtos orgânicos é PROIBIDÍSSIMO). Certinho, fiz tudo isso e embarquei para Galápagos! Foram umas 2 horas de voo até começarmos a chegar perto da Isla Baltra, que vista INCRÍVEL!!! Para quem jogou pokemon Red/Blue, parece a Seafoam Island rsrsrsrs.
O aeroporto foi construído pelos americanos na época da guerra, por isso ele tem um arzão bem militar. Novamente temos que passar por um guichê, pagar mais uma taxa (LEVEM DINHEIRO EM CASH) (50USD para países do mercosul... Para quem é estrangeiro sai 100USD e para os equatorianos sai 5USD), eles carimbam o passaporte com o logo do Parque Nacional de Galápagos e dai você pode entrar para pegar sua bagagem (mas antes são examinadas por um cão farejador hehe)
Do aeroporto saem ônibus das próprias companhias aéreas que nos levaram de graça até um ponto onde pegamos a balsa (1USD) da Isla Baltra para Isla Santa Cruz (menos de10 minutos). Nestes trechos já me dava o sentimento de que eu estava num lugar extraterrestre, COMPLETAMENTE diferente de tudo!!!!
Nesta época que eu fui, de calor, os palos santos (árvore muito abundante na ilha) perdem as folhas, então o que você vê é uma floresta branca, sem folhas, parecendo um espinhal, por todos os lados!! Outra característica marcante são os cactos com tronco, lá é o único lugar do mundo onde os cactos nascem como árvores (sério, dá muita vontade de levar para casa!!).
Saindo da balsa e pisando na Isla Santa Cruz, é necessário cruzar a Ilha inteira para chegar em Puerto Ayora (de longe a maior cidade do arquipélago). Haviam várias opções: vans, taxis etc. Peguei um ônibus por 1USD e depois de 1 hora cheguei na cidade (por volta de 17h).
Eu estava com o guia do lonely planet, que foi bastante útil, dei uma olhada nele para encontrar um hostal por perto e acabei ficando no Hotel Lírio del Mar por 17USD a diária (sem café da manhã. Aliás, nenhum dos hostals que fiquei serviam café da manhã). O atendimento e o quarto eram bons, mas a água do chuveiro era fria... por isso, recomendo que procurem outros hostals, existem MUITAS opções com o mesmo preço que oferecem um pouco mais.
Neste dia só me restou ir dar uma olhada na cidade, jantar e dormir.
26/10 – Acordei às 6:00 com um tempo muito bom!!! Comi alguma coisinha no restaurante da frente e #partiu vida!!!
A primeira coisa que fui fazer foi conhecer o Charles Darwin Research Station. É muito fácil chegar, basta seguir a avenida principal até o fim. No caminho vi uma entradinha no meio de um monte de árvores para um pequeno cais e entrei para ver. Havia um pelicano ENOOOOOORME no chão e foi o meu primeiro susto!!!! Eu não sabia se ele atacava ou não, mas por via das dúvidas não quis chegar muito perto, estava voltando de fininho quando vi DEZENAS de pelicanos gigantes pousados nas árvores que eu tinha ACABADO de passar!! KKKKKKKKK
Pessoal, uma coisa MUITO interessánte de lá é que os animais simplesmente não se importam com os humanos!! Eles não atacam e não ligam se você chega perto (exceto pelas Galápagos, que se enfiam no casco). O mesmo valia para os pelicanos, eu tinha tomado o susto inicial mas eles nem ligam para o que você faz ou deixa de fazer (AAAAH se a humanidade também fosse assim rsrsrs).
Beleza, continuei meu caminho e cheguei no CDRS (para entrar é de graça), existe lá uma trilha que você faz de onde pode ver as tartarugas gigantes (mas só à distância, tipo zoológico) e umas iguanas amarelas. O bom é que só tinha eu, e foi todo aquele OOOHH, OOOHH!!
Depois de lá fui conhecer a Tortuga Bay. Também é muito fácil de chegar: basta seguir a avenida até a outra extremidade da cidade, virar aqui, virar ali e tem a entrada da trilha para a praia. Mochileiros, que trilha IMPRESSIONANTE!! Era uma floresta de palo santos, ou seja, você passa por uma floresta branca e espinhenta, onde também há várias árvores de cactos. Leva mais ou menos uns 30 minutos caminhando.
Cheguei então na Tortuga Bay: uma praia branca com mar prateado, vasta e vazia, parecia cenário de filme!
Esta praiona não é boa para banho porque as correntezas são muito fortes. Indo para a direita até o fim da praia existe uma outra praia que sim é própria para banho. Fui caminhando até lá e tive o meu segundo OOOHHH!!! Chegando quase no fim da praiona me deparei com MUITAS iguanas ENOOOORMES a paisana na praia!!!! Mochileiros, e acho que essa é a melhor parte de conhecer Galápagos, você se sente fazendo parte do lugar!!! Não é aquela coisa de “ah, estou vendo os animais à distância”, eles simplesmente estão ali, NA SUA FRENTE, eles cruzando nossos caminhos e nós cruzando o deles!!!
De uma praia para outra toma-se um caminho aberto onde haviam MUITAS muitas mais iguanas preguiçosas, sóó tomando sol rsrsrs
Chegando na outra praia, onde eu ouvira dizer que haviam tubarões, raias, tartarugas etc, tive uma bad news: a maré estava baixa, e por isso não teria, neste momento, nenhum daqueles animais ali T,T. De qualquer forma fiquei lá na praia por um tempo, que tinha uma paisagem muito bonita!!
Ali perto tinha um lugar com água cristalina onde os peixinhos te atacam quando você se aproxima rsrs .
Abri um pacote de bolacha para comer e veio uma horda daquele passarinho, o Darwin Finch, filar boia!! Os mais ousados subiam no meu pé e ficavam batendo as asas na minha perna para chamar a atenção heheh.
Depois de curtir a praia voltei para a cidade, era por volta de umas 14h e fui conhecer Las Grietas e a Playa de los Alemanes. Novamente para chegar é muito fácil: vá até o porto e tome um taxi aquático por 50 ou 60 centavos de dólar. Você toma 2 ou 3 minutos de barco até chegar no início de uma trilha. No caminho você passa pela playa de los alemanes (deixei para passar na volta), vai seguindo as plaquinhas e ATENÇÃO, tem uma hora que você pode virar para a direita e para a esquerda, e não tem placa. Isso porque você não deve ir nem para um lado nem para o outro, mas seguir adiante por uma porta de madeira que fica semiaberta e atrás dela sim tem uma placa indicando que é por ali o caminho rsrsrsrsrs. Beleza, dai você segue por uma trilha
até chegar em Las Grietas. Galera, é IMPRESSIONANTE o azul daquela água!!!! É um Azul escuro bem transparente, lugar LINDO!!! Não deixem de levar um snorkel para mergulhar nas profundezas das grietas (tem uns 30 metros de profundiade, é lindo ver os paredões debaixo dágua). Por sorte estava vazio, só tinha eu mais uns 3 caras. Nadei bastante e começou a chegar mais uma tchurma. Troquei uma ideia com uma galapagueña que me disse a coisa mais marcante da viagem. Eu disse “quiero volver a Galapagos” e ela respondeu: “TODOS quieren volver a Galápagos”. Fala sério, essa mulher deveria ganhar um prêmio!!!!
Depois de curtir lá, tomei o caminho de volta e dei uma parada na Playa de los Alemanes.
Chegando na cidade no fim da tarde, tomei um banho, comprei uma passagem de barco para San Cristobal (30USD) no dia seguinte, fiquei no porto pintando mandalas, jantei e fiz uma coisa MUUUITO da hora!!! Tinha um carro centopéia parado na praça, paguei 1USD e o motorista levava a tchurma toda para dar uma volta de 15 minutos por Puerto Ayora HAHA comédia!!
27/10 – Pessoal, neste dia acordei para pegar o barco para San Cristobal. Eu havia lido no relato do allanavila, aqui no forum mochileiros, que a viagem era barra pesada, mas não imaginei que fosse tanto =S São 2 horas e meia de pancadaria, o barco vai em alta velocidade e, como são muitas ondas altas, você fica literalmente voando e levando tranco, 2 horas e meia voando e caindo, voando e caindo... Que mal danado faz pra coluna!
Chegando lá, por volta das 9:30, eu não fazia a mínima ideia de onde ficaria, mas havia lá um senhor que me perguntou se eu estava buscando hospedagem. Ele me ofereceu uma por 15USD e, sinceramente, foi a MELHOR estadia da viagem inteira!!! Se chama “Posada Turística Terito” e SUPER recomendo: quarto impecávelmente limpo e arrumado, banheiro privado limpíssimo com um chuveiro delicioso!! O seu Homero e a esposa dele são pessoas MUITO amáveis, eles adoram conversar e se interessam muito pelas histórias dos estrangeiros!! A esposa do Homero tem uma coleção de regalitos que os visitantes dão para ela, chaveiros e outras pequenas coisas que as pessoas dão de seus respectivos países, e é uma felicidade ENOOOOOORME para ela mostrar as coisas, contar sobre as pessoas que deram aqueles presentes. Todos os dias que eu chegava eles queriam saber todos os detalhes de como havia sido o dia, queriam ver fotos e torciam pelo sucesso da viagem. =D
Pois bem, passada a propaganda, eles me recomendaram ir conhecer Las Tijeretas, uma trilha nos morros logo depois do Centro de Interpretação (para entrar é de graça) (achei o mais bonito e completo de todos, conta toda a história de Galápagos).
Não deixem de levar o snorkeling, por ali tem um ponto muito bom com água bem transparente!
Em seguida, a trilha leva a vários mirantes lindos e depois até a Playa Punta Carola, INFESTAAAADA de lobos marinhos!!!
Eles ficam dormindo e, quando você se aproxima, eles levantam a cabeça, olham para a sua cara e voltam a dormir rsrsrsrs. Tinha um filhote que tentava a todo custo atazanar uma iguana.
Voltando para a cidade eu queria ainda conhecer a loberia neste dia. Parei um taxi que me cobrou não sei se 3 ou 6USD para me levar até lá. No caminho ele foi puxando assunto, perguntou o que eu ia fazer naquele dia e se ofereceu para me levar para me levar para conhecer a parte alta da ilha por 60USD... Chorei e consegui por 50USD. Combinei que ele me deixaria na loberia e que dentro de uma hora ele estaria de volta para me buscar. Para chegar na loberia é uma trilha super curta na areia. Novamente MUITOS lobos marinhos na praia causando demais!!Me haviam dito que ali haviam tartarugas marinhas. Gente, não tem tartarugas marinhas, lá CHOVE tartarugas marinhas!!! Tantas que quando você está no mar você tropeça nelas, e elas são ENOOOOOORMES! Leve seu snorkel para ver esses animais fantásticos!!!
Passada uma hora me encontrei com o taxista no local marcado. O primeiro ponto de parada é a Laguna el Junco, a única fonte de água potável de todo o arquipélago!! É a boca de um vulcão onde se acumulou água e formou um lago, você sobe as escadas e chegando lá em cima você ve aquele espelho d'água perfeitamente redondo, os pássaros pescando e aquele vento delicioso!!! Existe uma trilha pela qual você faz toda a circunferência do lago, vale muito a pena, pois de alguns pontos você tem a visão tá ilha inteira, belíssimo!!
O próximo ponto é a Galapaguera de Cerro Colorado, onde eles criam as tartarugas gigantes para repovoarem a ilha. É bem legal, você entra e tem uma trilha pela qual você vai passando e vendo as tartarugas gigantes, no final da trilha é o centro de criação das tartarugas recém-nascidas, uma belezinha =)
O último ponto de parada é o Puerto Chino, uma praia pela qual você faz uma trilha de 15 minutos para chegar. É uma praia bem pequena e bonita, também com muitos lobos marinhos descansando.
Desta praia tem uma trilha BEEM escondida na qual você sobe e tem alguns piqueros de patas azules no topo das pedras!! É impressionante o azul da pata deles.
Voltando para a cidade, fiquei pensando o que fazer no dia seguinte. O Seu Homero e a esposa dele me falaram de uma alemã que havia se hospedado ali que tinha feito snorkeling no León Dormido (uma pedra gigante no meio do oceano) e que havia visto uma horda de tubarões martelos!! Fiquei doido para fazer, eles me recomendaram onde e fui lá fechar negócio. Era 80USD mas negociei e ficou por 70USD.
Pessoal, neste momento eu tinha uma preocupação: para chegar em Isabela eu teria que tomar 2 barcos (não existe barco direto de S. Cristobal para Isabela), seriam mais 2 viagens para arrebentar minha coluna e perderia um dia INTEIRO viajando... Contei este meu drama para o Homero e para a esposa. Eles me falaram que era possível tomar um aeroplano direto. Fui até o aeroporto que não era longe, mas já estava fechado. Jantei por 6USD num restaurante (vi uma barata passando =S), mas com muita fartura de comida e depois fui dormir.
28/10 – Acordei cedo e tive uma corrida ENOOOOOORME contra o tempo!!!! Eu precisava comprar a passagem do aeroplano antes de embarcar p o snorkeling, que saia às 9:00. Cheguei correndo na companhia aéra, mas ela só abria às 8:30. Fiquei fazendo plantão na porta e, quando abriu, expliquei p a moça a minha situação urgente, e que eu precisava de uma passagem p o dia seguinte p Isabela. Comprei a ÚLTIMA passagem (a avioneta só tem 6 vagas), aproveitei também para comprar de Isabela para Santa Cruz, paguei 120USD em cada passagem (esta é a parte que eu disse no começo do relato que era extravagância). Jajá vou contar mais sobre isso. Enfim, eles só aceitam cash, fui VOANDO em um caixa eletrônico para tirar dinheiro, voltei VOANDO para pagar e fui VOANDO² para o porto pegar o barco!!! UFA, deu tempo até de passar na padoca pegar um sanduba de queijo e presunto!!!
O tempo estava perfeito para navegar!! Havia eu mais umas 7 pessoas. O guia e o capitão eram gente finíssimas =)) Paramos primeiro em uma praia LINDA de azul!!!
Demos uma volta por ali, o guia foi explicando várias coisas e depois fizemos snorkeling na praia (não vi muita coisa, mas tem gente lá que jurou que viu de tudo rsrs). Retomamos o barco e retomamos nosso caminho para León Dormido. Mochileiros, de longe o León Dormido parece uma pedrinha de nada no meio do oceano, mas chegando perto é quase que uma montanha!!!!
Pulamos no oceano, eu N-U-N-C-A havia tido uma visibilidade tão boa no mar!!!! Você via a dezenas de metros de distância, e os raios de sol na água faziam parecer que você estava dentro de um cristal, foi uma das coisas mais lindas que estes olhos, que um dia a terra há de comer, já viram!!! Fizemos snorkeling ao redor do León dormido. Vimos 1 tubartão tintonera, 2 tubarões martelos, vários cardumes de peixes, tartarugas, raia.... Foi lindo demais, demais, demais, demais.
Voltamos por volta das 15h. Fui dar uma volta e vi uma placa por aí falando da Casa del Ceibo, uma casa construida em cima do maior ceibo do mundo. Fiquei curioso e tomei um taxi para ir lá ver (fica no vilarejo El Progreso) (acho que paguei uns 6usd... coisa assim). Para entrar na casa tem que pagar 1,50USD para entrar nela. Cara, poucas vezes estive em um lugar tão encantado. Parecia uma casa de conto de fadas!!! Você sobe nela por uma ponte, depois escadas. Dela você fica ouvindo o farfalhar das folhas, o ranger dos galhos, e ela é a decoração é de uma sutileza quase que mágica.
Só tinha eu por lá. Fiquei sentado um tempo só sentindo, tirei algumas fotos e desci. A menina que cuida da casa me mostrou o que mais ela tinha. Por entre o tronco da árvore tem uma escada que você desce para uma sala subterrânea, que fica entre as raízes!!!!! PIREI PIREI PIREI!!!
Ela me mostrou também os brinquedos: uma corda em que você se pendura e se joga de uma pedra para fazer a #Tarzan e um pneu onde você senta, ela te gira gira gira e depois solta a corda, você gira que nem um louco!!
Olha, foi uma experiência linda esta casa... A energia daquele lugar me marcou muito!
Depois disso dei umas voltinhas pelo vilarejo e tomei um taxi de volta.
29/10- Mochileiro, não sei se vocês perceberam, mas até agora tudo o que eu estava fazendo foi se encaixando perfeitamente bem, tudo estava saindo conforme meus planos, até que chegou o dia de hoje hehehehehe.
De manhã me despedi do Homero e da Esposa dele, fui caminhando até o aeroporto e tomei o voo.
QUE EXPERIÊNCIA INCRÍVEL!!! Voa que é um beleza!!! A vista lá de cima é linda!
Mais impressionante do que ver San Cristobal de cima
foi ver Isabela de cima: Várias bocas de vulcão no meio do oceano e a ilha em si era TODINHA preta, pura cinza vulcânica!!!
Chegamos no aeroporto, que fica afastado da cidade (Puerto Villamil). Combinei com duas australianas de dividir o taxi. Pessoal, em galápagos TODOS os taxis são pick ups. Coloquei meu mochilão atrás e fomos. As australianas ficaram em um hostal e eu fui para outro, o Coral Blanco porque vi que o allanavila tinha recomendado. A diária dele era 20USD, mas era tão gostoso que, mesmo sendo 5USD mais caro que o usual resolvi ficar (além de tudo ele tem ar condicionado heheh). Fui lá na recepção acertar e quando fui pegar o $$ pra pagar... cade a mala?
Mochileiros, EU ESQUECI MEU MOCHILÃO NO TAXI! Repito: EU ESQUECI MEU MOCHILÃO NO TAXI!
Pessoal, sério, eu não tinha nada de importante na minha mochila... TUDO o que eu queria era o dinheiro para pagar o hostal e uma bermuda (eu estava de calça jeans e estava pegando fogo). Fiquei desesperado. Acho que a moça da recepção percebeu e por isso começou a ligar para todas as radio taxis divulgarem o perdido, mas tudo o que eu lembrava era que o carro era branco (90% dos taxis lá são brancos), que o cara tinha cabelo espetado (...ok) e que usava óculos escuro (AH! Agora sim hein!), E MAIS NADA. Sai correndo pela cidade olhando na caçamba de cada taxi (HAHAHAH vendo hoje foi hilário). Nada. Já estava me conformando com as perdas, isso já tinham se passado uma ou duas horas, até que <3 o taxi apareceu com a minha mochila <3 (e com um animal morto na caçamba, o que foi muito estranho). Botei a bermuda, conversei com a recepcionista p saber o que tinha p fazer na ilha e toquei o pau. Aluguei uma bike (se não me engaaano paguei era 2 usd a hora e 10 usd o full day), fui numa agência comprar 2 passeios (um deles era para as 15h (Las Tintoneras 30usd) deste mesmo dia e o outro para o dia seguinte (Los Tuneles 85usd)). Chorei o preço mas a mulher não me deu desconto, a única coisa que consegui chorando foi a roupa de mergulho emprestada para o snorkeling no dia seguinte. Ta bom né?
Beleza, fui de bike na direção do Muro de Las Lagrimas. No meio caminho até lá existem váárias mini trilhas que você vai parando com a bike para fazer, vá com tempo p fazer tudo tranquilo. Parei em alguns lagos,
em uma praia onde haviam hordas de iguanas e piqueros de patas azules,
no tunel del estero (uma caverna que você entra enquanto a mare esta baixa, ela parece não ter fim. Assustadora)
e no mirante (visão MARAVILHOSA)
. Não cheguei até o muro de las lagrimas porque eu tinha que voltar para estar às 15h nas tintoneras, mas tudo o que vi no caminho já fez valer a pena.
Bueno, de volta para Puero Villamil devolvi a bike e fui até a loja. De lá um taxi veio buscar eu e mais algumas pessoas. Fomos até o porto e de lá tomamos um barco até as tintoneras. No caminho passamos por algumas pedras onde vivem os pinguins de Galápagos (eles vivem em um número reduzidíssimo... parece que só existem uns mais uns 700 no mundo)
Galera, super vale a pena pela paisagem, formada por rocha AA (DIIZZEEEMM QUEEEE ela leva este nome porque ela é pontiaguda e se você pisa descalço você grita AH! AH!), parece o inferno!!
E lá é INFESTADO de iguanas, elas ficam todas amontoadas fungando pelo nariz com aquelas caras de bravas, muito engraçadas!!
Continuando o rolê, passamos por uma fenda na rocha onde vivem as tintoneras (tubarão de ponta branca). Tem MUUUITOS!! Eles vão até ali para descansar porque a água é mais tranquila.
Depois disso voltamos para o barco e fomos fazer um snorkeling. Haviam tartarugas, estrelas do mar, lobos marinhos... Depois disso voltei, comi, tomei um milkshake num lugar ali que estava cheio de gente (e por isso deduzi que deveria ser bom, e era) e fui dormir. (hehehe alguém ainda lembrava que neste mesmo dia eu perdi a mala? Parece que já faz tanto tempo né)
30/10 – Mochileiros, neste dia acordei, abri o e-mail e meu voo para o dia seguinte para Santa Cruz havia sido cancelado por problemas técnicos no avião. No fim foi até bom, mais adiante vocês vão saber o porquê. O taxi passou para me pegar no próprio coral Blanco de manhã, me levou até uma loja de mergulho, onde peguei a roupa e os equipamentos, e levou eu e mais umas 6 pessoas para o porto.
Primeiro fomos até a Roca Union, apenas para observar,
e depois fomos até um ponto de snorkeling onde era possível ver váááarias tintoneras.
Vimos também as raias douradas, o guia tirou uma foto minha que foi a minha favorita da viagem!!
Depois disso voltamos para o barco e fomos até Los Tuneles... No caminho avistamos uma raia manta, saltamos todos do barco... Foi tudo muito rápido, ela tinha uns 4m!!!! Infelizmente não tenho foto, mas foi LINDO LINDO LINDO...
Galera, chegando nos tineles QUE ESPETÁCULO!!! São túneis de rochas vulcânicas que se formaram no mar
, fizemos snorkeling ali e vimos cardumes de peixes cirurgiões, cavalos marinhos, tartarugas etc =)))
Depois fomos dar uma caminhada por alí. Os piqueros de patas azules estavam com filhotes, uma graça!!!!
SUPER valeu a pena.
Depois de voltar fui até a empresa aérea e peguei os 120USD de volta. Depois fui ao centro de crianza de tortugas e até o lago dos flamingos. A trilha é bem gostosa e tranquila. As tartarugas que eles criam ali no meu ver são as mais diferentes, elas parecem ter a pele mais seca e os cascos são menos brilhantes que às das outras ilhas. É uma graça, porque têm MUUUITAS MUITAS MUITAS!!!!
O centro de interpretação que tem ali é MUITO fraco, está mal conservado e tem poucas informações.
Seguindo pela estrada, chega-se ao lago dos flamingos. =)
Voltei, tomei banho e fui dar um rolezinho no porto. Ali tinham raias, pinguins e lobos marinhos nadando no raso (é possível fazer snorkeling)
Depois disso voltei para a cidade, tomei banho e sai para jantar. Estava tendo uma apresentação de escola, os alunos passavam vestidos com roupas de vários países da América do Sul. No carro do Brasil estava tocando em último volume “ Beeeijo na boca é coisa do passado...” HA.
31/10 – Às 6:00 tomei o barco para Isla Santa Cruz (30USD). A viagem foi mega tranquila, não teve voos e tombos rsrsrsrs. Cheguei às 8:30, busquei um hostal para ficar (fiquei em um que se chamava Hostal de Vilma, paguei 17USD e tinha água quente). Mochileiros, para este dia eu estava planejando conhecer a parte alta da ilha (los gemelos, rancho primícias, etc) e para isso bolei uma estratégia genial: alugar uma bike, tomar um taxi até los gemelos, que fica no topo da ilha, e ir só descendo de bike até a playa Garrapatera.
Bom, como saco vazio não para em pé, entrei em um restaurante para mandar um Xburguer e Batata Frita... Isso, café da manhã bem saudáve. Foi o destino que mandou que eu fizesse isso. Na mesa do lado vi uma menina com um lonely planet aberto, puxei assunto com ela, que estava procurando alguma coisa pra fazer naquele dia. Ela perguntou o que eu ia fazer, gostou da ideia e se juntou a mim ^^ Era uma alemã.
Pois bem, terminei o hambúrguer (com bastaante ketchup) e fomos alugar as bikes (pagamos 20USD para alugar o dia todo, eles emprestam o capacete e a corrente). Tomamos um taxi que deu 15 usd e nos levou até los Gemelos. Chegando lá, acorrentamos as bikes e fomos dar uma volta, MUUUITO legal!!!! São 2 crateras vulcânicas onde cresceu uma floresta dentro delas, é um poço gigante!! Muito bonito.
Em seguida montamos na bike e foi sóóó alegria!!!
Uma descida melhor que a outra (hahaha calma que tudo o que é bom dura pouco) até chegarmos nos tubos de Lava, que fica na mesma fazenda das Primícias. Os tubos de lava são IMPRESSIONANTES!!! Parece que foi construido por mãos humanas!!!! O melhor é que só estavamos nós dois, então não ficou aquela barulheira, tititi dentro do tubo. Tem uma parte que você tem que se arrastar no chão para passar!! KKKK
Fomos até o fim e depois voltamos, pois nossas bikes estava na entrada. De lá fomos até o rancho das primícias (6usd a entrada). Mochileiros, é GENIAL! MUITAs tartarugas gigantes que ficam o dia inteiro comendo grama, como se fossem cavalos!!! E sério, elas comem comem comem, dão UM passo e continuam comendo mais grama!! Gostei bastante porque as tartarugas ficam soltas e você pode chegar mais perto delas. São lindas!
Depois disso veio o castigo: lembra de toooooodas aquelas descidas deliciosas que falei agora há pouco? Pois é, agora elas eram subidas <3. Fomos lá eu e a Pia, ela bem mais rápida que eu AHAHAH Que vergonha, eu fui capengando para subir... Finalmente chegamos de volta na Vila Santa Rosa, dali até a Playa Garrapatera era mais tranquilo, tinham subidas mas também tinham descidas. No caminho paramos na vila Bellavista para comprar coisas para bebermos (tinha um chá gelado delicioso!!) e lá aproveitamos para combinar com um taxista de nos buscar na praia mais tarde. Continuamos nossa pedalada... QUE VISTA!!!!
Depois de passar pelo Vilarejo é só descida, e você vai vendo a praia azul láááá embaixo!!! A estrada era muito bonita e fomo a toda velocidade. Chegamos na praia =))) Deixamos nossas coisas e fomos para o mar. Não dava para ver nada de snorkel, mas nem ligamos, a paisagem por si só já recompensava.
Demos uma volta na praia, fomos até o lago dos flamingos que tinha ali no fundo e, depois de 2 horas e meia por lá, subimos para nos encontrarmos com o taxista (já era 17:30). Voltamos e marcamos de jantar juntos. Alguma ruas paralelas acima da avenida principal rola uma rua só de restaurantes. As mesas ficam na rua e é aquela loucura de todo mundo oferecendo peixe, lagosta, etc =) Bem legal o clima.
Depois disso me despedi da Pia, ela iria cedo no dia seguinte para a Isla Bartolomé e eu voltaria para casa =((
01/11 – Galera, eu estava 95% na bad porque era o último dia (só não estava 100% porque dois dias depois eu estaria indo para a Patagônia), mas resolvi levantar a cabeça e aproveitar com dignidade. Fui fazer o que não tinha feito, restavam poucas coisas... Decidi ir conhecer a laguna de las ninfas, que além de ser de graça era ali do lado. Chegando lá dei de cara com os portões fechados, apesar de na plana dizer que abria às 6:00 (já era 7:00). Dei uma volta e voltei lá às 7:30, e fechado... Nisso tinha uma moça por ali que estava tão encucada quanto eu, ela era do Madagaskar e veio me perguntar se eu sabia de alguma coisa. Fomos juntos numa padoca que tinha ali do lado, fomos informados que de fds só abre às 9:00 =P
Tudo bem. Fomos os dois dar uma volta pela cidade. Paramos em um mercado de peixe onde uma mulher limpava peixes e ficavam 2 lobos marinhos, 3 pelicanos e uma garça filando boia. E a briga entre eles era feia viu!!! KKK Era uma graça que os lobos marinhos ficavam que nem cachorro pidão, esfregando a cabeça na perna dela, fazendo manha.
Depois fomos até a vila dos mosaicos (de graça para entrar).
Deu 9:00 e fomos para a laguna (de graça para entrar). Lá existem todos os tipos de mangue (vermelho, preto, branco...) e, se você tiver sorte, acho que é possível ver raias e tubarões.
Demos uma volta por ali e nos despedimos. Fiquei lá na cidade matando o tempo, almocei e parti de volta. Me passaram a informação de que naquele horário não tinha mais ônibus até o aeroporto, então peguei um taxi por 18USD, de lá peguei a balsa (1usd) e de lá peguei um busão de graça.
Para provar que é verdade que aproveitei até o último segundo, ainda fui ver de perto os geradores eólicos de perto
E, por fim, o que eu deveria ter visto no início:
Mochileiros, desacreditei a quantidade de coisas que vivi nesses dias em Galápagos... Se fosse para mudar alguma coisa na viagem eu teria ficado um dia a mais para ir conhecer a Isla Bartolomé, onde tem o Pináculo de Darwin. Amei de paixão a viagem, espero voltar um dia para lá para ver os tubarões baleias e fazer mergulhos de cilindro. E para aqueles que nunca viajaram sozinho e têm medo, deixem de ser bobos e VÃO! Sério, é uma experiência MUITO BOA, você faz os seus horários, faz o que está com vontade, dorme onde quer, come quando quer, gasta quanto quer, conhece pessoas novas. Não tenha medo de viver!
Grande abraço a todos. Espero que tenham gostado do relato.
Até a próxima.