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Augusto

Travessias Marins-Itaguaré, Serra Fina e Serra Negra juntas em uma só caminhada

Posts Recomendados

Ola pessoal.

 

Tô planejando fazer uma travessia saindo do Pico do Marins, passando pela Serra Fina e Serra Negra e terminando em Visconde de Mauá (Maromba).

Para quem não conhece, esses locais ficam na Serra da Mantiqueira (divisa de SP/MG/RJ)

 

Provavelmente farei um "reabastecimento" em Passa Quatro (MG) e talvez ficar uma noite por lá.

 

Antes, porém estarei fazendo a Travessia da Bocaina emendando com a Joatinga no dia 05.

 

Alguém quer encarar?

Já vou adiantando uma coisa: estou fazendo sem apoio e suporte nenhum.

Fico no aguardo.

 

PS: Moro em Sampa

 

Abcs

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Eu ainda nao tenho certeza da data, porque irei fazer primeiramente a Serra da Bocaina no dia 05 e ficar uns dias em Paraty p/ depois fazer a Travessia da Joatinga. A Joatinga eu pretendo terminar lá pelo dia 17 (mais ou menos). Em seguida voltarei p/ Sampa p/ fazer o Marins-Maromba.

De quais datas vc dispoe?

 

 

 

 

Abcs.

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Augusto,

 

Eu e meu amigo assumimos alguns compromissos até o dia 07, depois disso estamos livres até o dia 26, quanto a planejamento o ideal seria deixar um dos carros em uma cidade e o outro em outra, em local seguro e depois irmos como pudermos para as trilhas, dependendo da programação posso combinar com uma pessoal para esperar a gente na saida do Itaguare pois eles se interessam em fazer a Serra Fina somente. Meu carro estaria disponivel para ficar em qualquer uma das cidades se vc tb tiver essa opção então está fácil deixamos um dos carros e seguimos num mesmo carro para o começo da trilha, vc tem essa possibilidade? acha que consegue encaixar algo nessas datas?

 

inte

 

Ricardo

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Augusto,

 

Eu e meu amigo assumimos alguns compromissos até o dia 07, depois disso estamos livres até o dia 26, quanto a planejamento o ideal seria deixar um dos carros em uma cidade e o outro em outra, em local seguro e depois irmos como pudermos para as trilhas, dependendo da programação posso combinar com uma pessoal para esperar a gente na saida do Itaguare pois eles se interessam em fazer a Serra Fina somente. Meu carro estaria disponivel para ficar em qualquer uma das cidades se vc tb tiver essa opção então está fácil deixamos um dos carros e seguimos num mesmo carro para o começo da trilha, vc tem essa possibilidade? acha que consegue encaixar algo nessas datas?

 

inte

 

Ricardo

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Ola Ricardo.

Eu já me comprometi c/ minha namorada p/ as travessias Bocaina e Joatinga do dia 05 ao 16 ou 17/07.

Depois estarei livre p/ fazer Marins-Maromba.

Infelizmente são esses os dias q me sobraram p/ a travessia.

Abcs.

 

 

 

Augusto

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Ola pessoal.

Por problemas q surgiram c/ minha namorada, estarei antecipando a travessia Marins-Maromba em uns 3 dias.

Ficarei no máximo 1 ou 2 dias em Paraty antes de iniciar a travessia da Joatinga.

Vou iniciar a travessia Marins-Maromba lá pelo dia 15, se tudo der certo nas travessias Bocaina e Joatinga q farei antes.

É isso.

Abcs a todos.

 

 

Augusto

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Aqui é um relato de uma mega travessia pela Serra da Mantiqueira (Transmantiqueira) onde caminhei pela Marins-Itaguaré, Serra Fina e Serra Negra, todas de uma vez só, entre os dias 15/07 a 23/07/2003. As 3 eu fiz uma na sequência da outra, iniciando no Pico do Marins e terminando na Vila de Maromba, em Visconde de Mauá.

Em todas as 3 o tempo estava perfeito, mas o frio era de lascar.

 

Abaixo o link das fotos junto com as cartas topográficas, mapas e croquis:

 

Para realizar essas 3 travessias só tinha dúvidas em relação a Serra Negra, já que era a única que eu não tinha feito entre as 3.

Para essa trip consegui reunir mais 4 corajosos: Jorge Soto (Sampa), Téo, Ricardo e o Temujin (Pouso Alegre/MG) mas eles seguiram até o final da Serra Fina. A Serra Negra eu tive que completar sozinho.

 

Na manhã do dia 15/7 (Terça-feira) encontrei o Jorge na Rodoviária do Tietê em São Paulo e o resto da galera iria encontrar na base do Pico do Marins, onde iriamos acampar. Pelo nosso planejamento não iríamos ter apoio nenhum de veículo ou algum suporte durante o trajeto e pelo roteiro iríamos terminar em cerca de 10 dias.

Para a 1ª travessia (Marins-Itaguaré) eu e o Jorge pegamos o ônibus no Tietê em direção a Itajubá e descemos logo depois da divisa SP/MG, no alto da Serra da Mantiqueira, uns 5 minutos depois do Posto Policial para quem vem de Piquete.

O horário marcava 11:00 hrs e ainda teríamos que caminhar em um ritmo forte por cerca de 15 Km até para chegar no Acampamento Base Marins, onde se inicia a trilha até a base do Pico do Marins. Assim que descemos na Rodovia, seguimos por uma estrada de terra no sentido leste. Logo no início dessa estrada há uma placa de Fazenda Saiqui, como referência. Inicia-se numa parte plana e depois tendo uma subida forte.

Água não é problema, pois existem várias nascentes na estrada e depois de uma longa subida com uma bica de água do lado direito, a estrada passa por um mata-burro e aqui se inicia a descida até a sede da Fazenda, que vai estar do lado esquerdo. Depois das casas dos moradores da Fazenda à esquerda, logo a frente haverá uma bifurcação à direita indicando Pico do Marins (desse ponto já dá para ver o Marins imponente à sua frente). Seguindo por ela, logo em seguida se chegará ao Acampamento Base, que pertence ao Milton onde atualmente existe um camping estruturado e um enorme estacionamento para veículos. Daqui para frente se inicia uma subida bem íngreme em direção ao Morro do Careca. A estrada vai seguindo quase em zig zag.

Depois da longa subida pela estrada íngreme, eu e o Jorge chegamos ao descampado onde existe uma placa verde com indicações de alertas e altitudes de alguns picos até o topo do Marins. Descansamos um pouco aqui e saímos pouco depois das 15:00 hrs serra acima. Água se encontra à esquerda do descampado com a placa, descendo alguns mts por uma trilha bem demarcada. É uma pequena nascente, mas é a única até o topo.

Para a subida é só pegar a trilha ao lado da placa e ir atravessando a mata até sair em campos de altitude e dali para frente é só subida íngreme. Ela é bem desgastante, mas bem demarcada e sem problemas de navegação. Na dúvida siga os totens e as marcações de setas que estão pintadas em amarelo.

 

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Depois de uma exaustiva subida chegamos na base do Marins, ao lado do riacho às 17:30 hrs e aqui montamos acampamento, mas nada do resto da galera chegar. Assm que anoiteceu fizemos nosso jantar e logo fomos dormir. A noite foi tranqüila e só no dia seguinte encontramos os outros 3 (disseram que tinham chegado as 22:00 hrs).

A subida até o topo do Pico do Marins leva uns 20 minutos e só o Jorge subiu, assim que ele acordou. A travessia até o Pico do Itaguaré leva umas 8 horas, em um ritmo razoavelmente forte, então precisávamos sair cedo para não chegar lá no anoitecer. Existe um problema de não haver água durante essa travessia e o riacho que nasce na base do Marins está poluído (até existe uma placa alertando sobre isso - se puder traga do Morro do Careca). O ideal é levar uns 2 a 3 litros de água, pelo menos.

 

A trilha para o Itaguaré está à nordeste, tendo que subir e descer o Pico Leste (ou Marinzinho, como alguns chamam) e na dúvida siga alguns totens e setas que estão visíveis em boa parte dessa travessia. Com barracas desmontadas e mochilas nas costas, pouco antes das 08:00 hrs iniciamos a caminhada até o topo do Marinzinho, onde é possível ver toda a crista a ser percorrida no sentido leste naquele dia. A Pedra Redonda e o Pico do Itaguaré já aparecem bem ao fundo e parecem estar bem próximas, mas ainda falta uma longa caminhada.

A descida do Marinzinho é bem mais íngreme que a subida que a gente passou e existe até trecho onde é necessário descer por uma corda amarrada na pedra e aqui fomos descendo um a um. Daqui em diante fomos seguindo por trilha no meio de vegetação baixa até chegar ao fundo do vale e depois encontramos mais outro trecho com corda, agora auxiliando a subida.

 

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É preciso tomar muito cuidado neste ponto, pois a corda estava amarrada em uma pedra que se soltou do solo, mas é possível subir sem o uso dela se agarrando na vegetação, apesar de ser um pouco íngreme. Já na crista haverá uma alternância entre subidas e descidas de pequenos morros, trilhas passando por arbustos e muitos trechos com bambuzinhos até que se chegue à Pedra Redonda e junto dela tem um local plano para descansar e onde paramos um certo tempo com um belo visual do Marins bem ao fundo.

 

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Seguindo em frente e depois de alguns minutos encontramos uma área de acampamento denominada "Acampamento 3 - Base da Pedra Redonda" onde cabem umas 5 barracas.

É um dos melhores lugares de toda a travessia para acampar, cercado de vegetação um pouco alta por todos os lados e o solo totalmente plano, mas tem o problema de não haver água próxima. Passamos pelo descampado e seguimos pela trilha e mais trechos de sobe morro/desce morro vão surgindo, mas sem problemas de navegação.

 

O que atrapalha aqui são os arbustos que estão altos e os bambuzinhos que teimam em se enroscar nas mochilas.

Lá pelas 15:00 hrs avistamos o Pico do Itaguaré bem em frente, mas ainda tínhamos a última subida de morro e quando estávamos no trecho final da travessia, chegamos a uma parte onde se deve passar por um buraco na pedra.

Primeiro joga-se as mochilas por cima da pedra para depois passar se agachando.

Mais alguns minutos e chegamos na base do Pico do Itaguaré, já por volta das 16:00 hrs.

O caminho prossegue até que se chegue a uma bifurcação.

À direita sobe até o topo do Itaguaré e a esquerda chega-se a uma área de acampamento bem aberta. Fomos acampar logo depois de uma pequena nascente (que estava seca) em um vale entre os dois picos menores, que possui bons lugares para montar barracas.

 

Depois fomos subir até o topo do Itaguaré, que não leva mais do que uns 20 minutos. É preciso tomar cuidado, pois tem um ponto onde tem de pular algumas pedras com um abismo abaixo. Batemos algumas fotos lá do topo e resolvemos descer para preparar o jantar.

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Aquela noite de Quarta-feira foi tranquila sem muito vento e com temperatura razoável próxima dos 5ºC. No dia seguinte (Quinta-feira), para descer em direção a estrada, tomamos a trilha que sai na direção norte (ela é bem nítida e fácil achá-la). A trilha é íngreme com enormes buracos causados pelas enxurradas e é preciso tomar cuidado para não se machucar em um deles. Até a estrada são umas 2 horas de descida bem forte.

 

Ela termina em um descampado bem grande, junto a um riacho e ao lado de uma estrada de terra. Daqui para frente é seguir por ela e depois de quase 1 hora chegamos nas primeiras casas. A estrada segue em frente, mas viramos na bifurcação da direita, cruzando a porteira.

O caminho foi seguindo por uma plantação de marmelo e cruzando com algumas nascentes e um enorme lago que estará à esquerda e depois desse lago é que começa a descida em direção à Rodovia que nos conduzirá até Passa Quatro. Já na Rodovia o ônibus não demorou muito e chegamos na cidade pouco antes das 14:00 hrs.

Em Passa Quatro ficamos no Hotel Serra Azul, bem em frente à antiga estação de trem e nessa cidade houve a 1ª baixa: o Temujin. Ele alegava que não estava aguentando mais e daqui para frente continuamos em 4. Pelo roteiro iríamos caminhando até a Fazenda Toca do Lobo, onde se inicia a trilha da Serra Fina, mas o pessoal insistiu para arranjar um transporte e o Ricardo conseguiu uma Toyota que nos pegaria na Sexta-feira pela manhã por volta das 07:00 hrs no Hotel.

 

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Depois de uma noite bem dormida e um café da manhã no Hotel, seguimos de Toyota até a Toca do Lobo, onde chegamos as 08:30 hrs.

Aqui existe uma Toca mesmo, mas cheia de lixo e para iniciar a trilha é só voltar uns 10 mts, atravessar o rio e iniciar uma longa caminhada para vencer o desnível de praticamente 1000 metros até o alto da serra, onde se localiza o Pico Alto do Capim Amarelo. Ao cruzar o riacho, deixe para pegar água em outros pontos mais acima, junto da trilha para economizar no peso.

Quando iniciamos a subida notamos uma outra trilha bem maior, que depois fiquei sabendo tratar-se de um caminho para passagem de madeira, retirada daquela região.

 

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A subida agora é nítida, avançando por entre a vegetação para o espigão principal da Serra Fina.

Após um trecho relativamente desgastante de subida, onde a vegetação é um tanto fechada, mas logo cede espaço para os campos de altitude, vegetação mais rasteira, que permite a primeira visão do Vale do Paraíba, ao sul. A leste aparecem os Picos da Gomeira, Itaguaré e Marins e Marinzinho bem ao fundo.

 

Assim que iniciamos pelos campos de altitude, é só seguir pela crista, que marca a divisa SP/MG, já sendo possível observar o Pico Capim Amarelo lá no alto.

Cerca de 1 hora de subida haverá 2 pontos para pegar água do lado direito e logo à frente a trilha cruza uma área de acampamento, mas é um local muito exposto aos ventos que sopram na região, por isso somente em caso de emergência deve ser usado.

Nesse trecho a trilha passa por entre 2 vales para depois iniciar a subida pelo meio da vegetação por um bom tempo assim.

 

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Chegamos a um ombro um pouco mais abaixo do pico onde se tem a visão da Pedra da Mina bem a leste. Daqui em diante a trilha entra na mata e segue assim até o topo do Capim Amarelo, onde chegamos por volta das 14:30 hrs.

No dia, o local estava lotado e tinha até um pessoal com 2 cães da raça pitbull (uma coisa absurda) e que tinham montado até uma tenda. O topo possui áreas pequenas e cada uma com espaço para uma ou duas barracas. São áreas protegidas porque o capim forma uma ótima proteção contra o vento, que às vezes é muito forte.

 

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Olhando para leste pode-se observar imponente a Pedra da Mina e os vales e cristas que nos separam dela. Devido ao lugar já estar ocupado passamos direto por esse pico e fomos montar nosso acampamento descendo até o fundo do vale, cerca de 1h30min depois, em um descampado à direita da trilha, chamado de Maracanã.

Para se chegar nesse local é só pegar a trilha na direção norte e descendo até chegar aos bambuzinhos e ao capim elefante. Nas bifurcações siga os totens e algumas fitas. Eles serão a sua referência nos locais mais difíceis dessa trilha. Nessa noite fomos dormir com temperatura bem próxima abaixo de zero, pois fez muito frio.

 

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No Sábado pela manhã encontramos uma crosta de gelo em cima das barracas e na vegetação. Depois do café da manhã e barracas desmontadas, continuamos a caminhada sempre rumo leste. Nesse trecho a trilha segue por entre a vegetação alta até chegar na base de uma encosta de pedra, onde vamos subindo, nos guiando por alguns totens até chegar no topo e novamente entrar na vegetação alta.

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Depois de um pequeno trecho de subida íngreme chegamos no plano passando por inúmeras pedras na trilha. Daqui já víamos a Pedra da Mina bem a frente e fomos descendo até o fundo do vale onde existem várias nascentes.

 

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Aqui passamos ao lado de uma pequena cachoeira do lado direito, mas a água é rica em ferro, por isso não é boa para consumo.

Siga pela trilha mais alguns minutos e pegue água do próximo riacho, esse sim com água de qualidade. Ao lado existe alguns descampados que são boas opções para camping se você estiver chegando aqui durante a noite.

Depois de um pequeno trecho por lajes de pedras, iniciamos a subida da face oeste da Pedra da Mina por entre a vegetação em trilha quase que em zig zag para chegarmos no topo por volta das 14:30 hrs.

 

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Aqui encontramos inúmeros locais que o pessoal abriu para colocar barracas, mas todos eles são muito expostos. Alguns são protegidos por pedras e não recomendo acampar aqui, a não ser que esteja bem preparado para o vento e o frio. Olhando para o norte vê-se a trilha que vem do Paiolinho e contamos 3 grupos que tinham chegado naquele Sábado à tarde por essa trilha.

Do Paiolinho até o topo da Pedra da Mina é 1 dia de caminhada com subida muito íngreme. Demos um tempo no topo para curtir o visual e em seguida descemos em direção à várzea do Rio Verde, em um local chamado Vale do Ruah, que fica à leste da Pedra da Mina.

Do topo é possível ver descampados por entre o capim elefante e nesse vale existem alguns lugares onde pode-se montar as barracas e os locais são bem planos (só é complicado em dias de chuva). A maioria do pessoal que estava acampado no topo ou no vale onde estávamos iria terminar a travessia ali mesmo e depois voltariam pela Trilha do Paiolinho.

A noite foi bem tranquila e como estávamos protegidos pela vegetação, nem sentimos tanto frio.

No Domingo pela manhã (20/07) barracas desmontadas e mochilas prontas, agora seguimos em direção ao Pico dos 3 Estados que estava ainda a umas 6 ou 7 horas. A trilha aqui segue pelo Rio Verde sentido leste e quando ele começar a ir para esquerda, se tornando mais encachoeirado, a trilha sai para a direita. Sugiro levar bastante água (uns 3 litros), pois agora só no final da travessia, quase no final do dia seguinte. Quando a trilha sai do Rio Verde e chega em uma pequena crista, ela vai seguindo por ela, cruzando trechos de arbustos altos e muito bambuzinho. Desse ponto olhando em linha reta a crista se vê o Pico Agulhas Negras bem ao fundo na Serra de Itatiaia, o Pico do 3 Estados vai estar à esquerda e a direita o Pico Cupim de Boi no final da crista (parece nem existir trilha até o topo desse pico).

 

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E ao chegar no final dessa crista, sai uma trilha à esquerda que vai descendo até um pequeno vale, passando por uma região de bambuzal com bons lugares de acampamento, mas sem agua. Saindo do trecho de mata fechada, a trilha vai seguindo morro acima até chegar ao topo do 3 Estados por subidas íngremes e muito cansativa.

No topo existem bons lugares para montar barracas e logo que montamos as nossas, um outro grupo de 3 pessoas chegou em seguida.

 

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Aqui existem as ruínas de um enorme marco de ferro com os nomes dos 3 Estados e o visual daqui é um dos melhores dessa travessia, pois dá para ver toda a parte alta do PN Itatiaia com Agulhas Negras e Prateleiras, boa parte da crista por onde caminhamos e o Bairro Paiolinho e a cidade de Passa Quatro no vale.

Aquela noite de Domingo foi bem tranquila e com temperatura razoável.

 

Acordamos relativamente cedo naquela manhã de Segunda-feira (21/07) e depois de um café da manhã partimos em direção ao trecho final dessa travessia, que é chegar na Rodovia que liga Engenheiro Passos a Itamonte e serão mais umas 5 a 6 horas com uma certa dificuldade. Logo depois que saímos do 3 Estados, a trilha tem uma alternância de pequenas subidas e descidas por vegetação de arbustos e capim elefante até chegar ao topo da Serra dos Ivos.

A partir dali e descida é bem íngreme e a direção geral da trilha é em frente, sempre descendo. Na metade da descida do Alto dos Ivos existe um local para acampamento, mas apenas para emergências e após esse trecho, a trilha desce através de um bambuzal muito fechado que vai se enroscando na mochila. Nessa descida existem algumas bifurcações, mas a trilha correta é a que sai na 2ª crista à esquerda, para quem desce a Serra dos Ivos e quando chegar na parte plana da trilha, haverá uma cerca de arame do lado direito e é o sinal que a trilha estará chegando no fim. Ao seguir próximo a uma encosta coberta de vegetação do lado direito, em alguns minutos passamos ao lado de uma pequena bica de água do lado direito e aqui é um bom local para descanso. Mais alguns metros e a trilha termina em uma pequena estrada.

 

À direita deve levar à plantações pertencente ao Sitio ou se quiser até a Garganta do Registro; à esquerda leva a uma estrada um pouco maior que chega na Rodovia e é o caminho que vamos seguir. Mais alguns minutos e passamos ao lado de uma antiga Pousada que deve ter funcionado a muitos anos atrás.

 

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Descendo pela estrada da fazenda, logo chegamos na casa do caseiro e em seguida a Rodovia (desse ponto já é possível ver o Picú à frente). Quando chegamos na Rodovia o grupo se separou, pois o Ricardo, o Téo e o Jorge resolveram não continuar comigo na travessia da Serra Negra. Infelizmente tive que continuar sozinho a minha caminhada; não teve jeito. Carona para a Garganta do Registro é muito difícil conseguir aqui e não me restou outra opção de seguir a pé até lá, que levou uns 30 minutos.

Ao chegar na Garganta comprei umas mexericas e dei uma descansada por lá e pelo horário (cerca de 15:00 hrs) achava que seria muito difícil conseguir carona em direção ao Alsene, pois o PN já ia fechar logo, por isso já planejava acampar no Brejo da Lapa, mas assim que iniciei a subida, passou por mim um carro que era Sr. Adauto - funcionário de Furnas, que trabalha dentro do PN à quase 30 anos e me deu carona até o inicio da trilha, me deixando próximo do Alsene pouco antes das 16:00 hrs.

 

A travessia da Serra Negra se inicia uns 300 mts antes da antiga Pousada do Alsene, à esquerda, em uma antiga estrada de terra abandonada que vai descendo o vale até cruzar com o Rio Aiuruoca lá embaixo e ao cruzar o rio passo ao lado das Cabanas Cabeceiras do Aiuruoca, que seria um ótimo local para acampar, mas sigo em frente pela trilha. Uns 200 mts depois das Cabanas, a trilha se divide em duas: eu segui na da esquerda (a da direita segue paralela, mas é um pouco mais longa). A da esquerda é um pouco fechada e segue próximo ao Rio Aiuruoca. Quase já de noite, ao passar por uma Fazenda abandonada do lado esquerdo existe uma subida um pouco à frente e logo depois tem início a descida por voçorocas enormes. Água não é problema, pois há várias nascentes nessa travessia. Na verdade a trilha é uma antiga estrada bem deteriorada no seu começo e depois de cruzar o Aiuruoca continua ainda bem demarcada, já tendo ares de trilha, seguindo sempre com o rio do lado esquerdo e se afastando cada vez mais dele.

 

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Depois desse trecho de descida se chega no Sitio do Sr. José Rangel (filho do falecido Sr. Anísio) e aqui funciona uma Pousada, onde cheguei aqui por volta das 19:00 hrs já de noite.

 

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Na época o lugar só dispunha de um pequeno chalé e devido ao cansaço resolvi ficar lá, pagando $40,00 com jantar e café da manhã (valor da época, não sei como tá hoje). Se quiser acampar, o ideal é caminhar mais uns 10 minutos por uma estrada de terra que terminava na Pousada e virar em uma bifurcação da direita para chegar no Sitio do falecido Sr. Anísio. Lá há bons lugares para barracas.

 

Depois de um belo banho e um jantar com frango caipira fui dormir no chalé e acordei na manhã seguinte (Terça-feira) com um galo cantando e revigorado, pronto para as últimas horas dessa mega caminhada pela Mantiqueira.

Depois do café da manhã e de me despedir do Sr. José Rangel e sua família, eu tinha 2 opções para continuar a caminhada: continuando pela estrada, uns 10 minutos depois eu viraria na bifurcação da direita até chegar até a casa do falecido Sr. Anísio e de lá subir por trilha muito íngreme que me tomaria algumas horas, mas resolvi seguir um croqui do Guilherme Rocha, que continua seguindo pela estrada e só vai sair dela uns 20 minutos depois, onde é o início do “Subidão da Misericórdia”.

 

Essa subida se inicia depois de passar um antigo curral do lado direito. É uma subida longa e íngreme (justifica o nome). O ideal é levar 1 litro de água, pois só fui encontrar outro ponto depois de umas 3 horas, em uma bica do lado direito da trilha. Terminando essa subida a trilha continua no planalto com visual do alto da Serra Negra e Itatiaia à direita e Pico do Papagaio à esquerda. É um belo visual.

 

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A trilha é bem nítida e muito usada por moradores da região que vão de cavalo para Vila de Maromba levar queijo e alguns doces. Nesse trecho ela se encontra com uma outra que vem do Sitio do Sr. Anísio e daqui em diante é quase que uma estrada até chegar nas voçorocas.

 

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Depois do trecho íngreme com alguns descampados, a trilha se estabiliza e logo à frente surge uma bifurcação à direita, que leva até próximo da Cachoeira do Escorrega, mas se quiser continuar em frente pela crista descendente se chega próximo da Cachoeira Santa Clara. Eu resolvi seguir na bifurcação da direita, que me deixou na estrada próxima da Cachoeira do Escorrega, umas 5 horas desde o Subidão.

 

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Depois de cruzar o Rio Preto por 2 pequenas pontes, continuei descendo pela estrada até a Praça principal da Vila de Maromba, onde fiquei aguardando o circular até Resende (na verdade até o Graal) e de lá tomei um ônibus direto para SP.

 

 

Abcs

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Cara!!! Lindas as fotos da Travessia, estão parecendo pintura!

Vi o seu relato, e venho acompanhando, muito legal! Show, essa travessia! Conhecia de nome, mas nunca tinha feito. Com certeza, vou fazer, é linda!

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E aí Silva.

Vc está falando da Serra Fina, né?

Já q foi a melhor das tres e com o visual mais legal.

Uma pena q possui muitas dificuldades, como falta de agua, trilha fechada, trechos muito ingremes e outros.

 

 

Augusto

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Quantos dias levam para fazer a travessia da Serra Fina?

Pretendo realizá-la no feriado do Corpus Christi de 2005.

E qual é o melhor visual? Saindo da Toca do Lobo?

Abraço.

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    • Por E.Samuel
      Bom dia, boa tarde, boa noite. Não sei em qual horário vocês irão ler esse relato mas, enfim, no Domingo, dia 08/04/2018, realizamos pela segunda vez a travessia Marins x itaguaré.
      O objetivo de termos feito novamente essa travessia foi estreitar nossos laços de amizade e também nos preparamos para fazer outras travessias ou projetos que temos em mente.
      Fomos em 9 pessoas, 3 delas nunca haviam feito uma travessia de montanha mas ansiavam em fazer. Com o grupo focado e devidamente treinado partimos para a cidade Marmelópolis para recrutarmos o último integrante e de lá fomos rumo à base do Marins. Às 5:48 começamos nossa aventura rumo ao morro do careca.

      Da esquerda para a direita: Breno, José Rodrigo, Éder,  Nandão, João, Samuel, Cotonete, Carlos e Zé Renato.



      Logo após algumas fotos, atacamos a subida até chegarmos à fenda.


      Segue um vídeo de demonstração de uma escalaminhada.
      Paramos para tomar um fôlego e bater algumas fotos. Logo em seguida iríamos atacar o Marinzinho - as imagens falam por si só:



      No topo do Marinzinho, avistamos a Pedra Redonda, que seria nossa próxima parada. Antes disso, teríamos que descer pela corda, nessa hora a adrenalina subiu um pouco, principalmente nos novatos, mas todos tiraram de letra.

      Chegamos na Pedra Redonda e lá fizemos uma parada mais longa, cerca de 20’. Nosso fotógrafo profissional, Zé Renato, arrasou nas fotos. Confiram:

      Às 10h50min chegamos na Pedra do Picolé e de lá fomos direto ao Portal, onde paramos para descansar e encher nossas garrafas de água.


       
       
      Às 13h20min chegamos na base do Itaguaré, porém, não subimos - isso ficará para uma próxima aventura. De lá começamos a descida sem fim, rumo ao Campinho, onde o motorista da Kombi nos aguardava para nos levar embora.





      Considerações finais: a Travessia Marins x Itaguaré é uma travessia muito bonita, digo isso agora porque da última vez que fizemos essa travessia estava nublado e não pudemos enxergar quase nada, mas dessa vez o tempo colaborou e a vista foi maravilhosa. Gostaria de agradecer a todos que foram nessa travessia - Breno, Nandão, Éder, Zé Renato e João,  e elogiar os 3 integrantes que começaram nessa empreitada e deram conta do recado - José Rodrigo, Carlos e Wellington(Cotonete). Não é fácil chegar ao topo da montanha, é preciso muito esforço e encorajamento, nosso grupo mais uma vez mostrou que é unido e isso faz toda a diferença. Esperamos vocês na nossa próxima aventura, que será um mega desafio: fazer a Serra Fina invertida. Até lá, bom treino a todos e, como é de costume, segue uma frase que sempre carrego comigo: “Não importa quão curto nosso passo pode ser. Caminhar nesse mundo que diariamente nos puxa para trás só deixa nossas pernas mais fortes.”
    • Por Fábio Borges
      Neste relato tentarei expressar minhas sensações com minha primeira trilha e travessia de verdade, Marins - Itaguaré. Comecei praticar treeking no começo deste ano juntamente com meu primo, logo procurei mais informações sobre esse esporte e encontrei este fórum que além de informações fez com que conhecesse uma galera que viraria uma bela e unida turma, que chamamos de Sem Limites.
       
      Essa travessia quem idealizou foram dois amigos da Cris (vulgo Negrabela), o Vinicius e o Well. Desde comecei a caminhar por trilhas, fiquei fascinado com o Marins, mas vinha adiando porque sabia que a subida era forte e não queria passar apuros. Como estava com um preparo legal acabei aceitando fazer esta travessia, já que a Vivi, uma grande amiga e Sem Limites de corpo e alma, também iria e achava que eu tinha condições de faze-la.
       
      Logo comecei a conversar com o Vinicius sobre como faríamos e passei a pesquisar relatos sobre a travessia. Nem preciso relatar que as melhores informações que encontrei no site do Augusto. Pesquisa feita, algumas dicas dadas pelo Vinicius para mim, marcamos de nos encontrar na rodoviária Tietê às 22h.
       
      Às 22h30 eles me pegaram na rodoviária e seguimos de carro até a casa da Vivi. Pegamos a Dutra por volta das 23h e partimos rumo á Piquete, mas sem antes parar comer alguma coisa pelo caminho. Na estrada o clima entre nós era de pura descontração, trocamos experiências e planos para futuras viagens.
       
      Chegamos na ranchonete por volta das 3 horas da manhã, conversarmos um pouco e fomos dormir por volta das 4 da manhã. Às 7h despertador já soava, quase não dormimos. Enrolamos um pouco para sair da cama e arrumarmos as coisas. Tomamos café e partimos às 10h.
       
      [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20090901141223.jpg 500 375 Legenda da Foto]da esquerda para a direita eu, Vivi, Vinicius e Well[/picturethis]
       
      1º Dia. Andando além das Expectativas– Da ranchonete tem uma trilha que levará a estrada que vai para em direção ao morro do Careca. Em 45 minutos chegamos neste morro. Fizemos uma pausa para tirar umas fotos, recuperar o fôlego e passar protetor solar.
       
      No morro do Careca é onde começa a trilha para o Marins, encontramos ali vestígios de “farafoda”, pois havia indícios de fogueira. Subimos em direção ao Marins, confesso que para a trilha até o Marins prestei pouca atenção no caminho, pois o Vinicius e o Well sabiam bem como chegar lá, então eu e a Vivi demos uma de turistas e nos preocupamos basicamente em admirar a paisagem, tirar fotos e falar besteira. Mas há inúmeros totens e só segui-los. O Milton, dono do acampamento base, está trabalhando para manter a trilha e retirou todos os totens falsos, portanto uma preocupação a menos para quem não conhece a trilha.
       
      [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20090901141434.jpg 500 375 Legenda da Foto]A subida proporciona paisagens impares[/picturethis]
       
      Por volta do meio dia paramos para um lanche rápido, quer dizer eu e a Vivi fizemos logo dois “sandubas” de copa e provolone que deixaram nossos colegas um pouco atônicos, já que eles estavam comendo somente barras de cereais. Em trinta minutos no máximo voltamos a caminhar.
       
      Seguimos caminhando e por volta das 3 horas da tarde depois de muita escalaminhada, chegamos ao riacho do Acampamento base do Marins. Pelo nosso cronograma iríamos dormir na base do Marins e atacaríamos o cume logo de manhã, como chegamos cedo decidimos acampar no cume. Antes da subida discutimos se valia à pena voltar até o riacho para pegar água ou ver se no cume tinha poças d’águas para pelo menos cozinharmos. O Well subiu na frente e disse que havia muitas poças e que poderíamos preparar nosso jantar com aquela água.
       
      Chegamos no cume às 16:30 e aproveitamos para tirar fotos e mais fotos, sendo que uma delas foi hilária. Programei a máquina para tirar a foto depois de 10 segundos e sai correndo para me posicionar, só que ao sentar me desequilibrei e cair deitado na poça d’água, ficando com as pernas pra cima, sendo que a máquina registrou bem esse momento.
       
      [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20090901141623.jpg 500 375 Legenda da Foto]Olha o rola!![/picturethis]
       
      Montamos o acampamento e começamos a preparar nosso miojão com linguiça e bacon ainda de dia. Depois da janta preparamos um choconhaque para aquecer. Como não tinha dormido na noite anterior fui me deitar às 18h30. Por volta das 22h acordei tremendo de frio, como meu saco de dormir agüenta até 6°C do limite e – 9°C no extremo (só que até essa temperatura você tem estar muito bem agasalhado) pensei “vou passar perrengue de frio essa noite”. Coloquei mais uma blusa e para minha felicidade consegui dormir tranquilamente.
       
      2º Dia: Mudanças de Planos – Acordei por volta das 6 horas e sem fraquejar muito sair do meu saco de dormir quentinho, pois estava ansioso para ver a alvorada e valeu à pena. Muito lindo o nascer do sol do cume do Marins. Fomos tomar café e arrumar nossas coisas para partir. Começamos a descer o Marins por volta das 9h30, um pouco tarde para quem quer chegar à base do Itaguaré antes do anoitecer, mas estávamos convictos que chegaríamos.
       
      [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20090901141802.jpg 500 375 Legenda da Foto]Amanhecer no Marins[/picturethis]
       
      Chegamos ao rio e paramos para coletar água, apesar da placa dizendo que a água estava imprópria para o consumo, mas o Milton, dono da ranchonete, disse que devido as fortes chuvas que caíram nesta temporada pouca gente subiu a montanha e acreditava que não teríamos problema em tomar aquela água desde que usássemos clorim.
       
      Enchemos nossas garrafas e pingamos clorim na água e seguimos em direção ao marinzinho. Aqui novamente a trilha é sinalizada pelos totens. Subimos um cucuruto antes de chegar na base do Marinzinho e aqui cometemos o primeiro erro do dia. Em vez de chegar ao topo deste cucuruto e procurar pelos totens, descemos e encontramos uma trilha que terminava em um paredão do Marinzinho. Como o Milton nos alertou que a trilha estaria um pouco fechada devido às chuvas e que fazia tempo que ninguém fazia a travessia, perdermos um tempo procurando a trilha, pois acreditávamos que ela estava por ali.
       
      Como não encontramos a trilha decidimos voltar para o cucuruto novamente e vimos que no meio do charco havia uma passagem que parecia uma trilha. Caminhando até essa trilha constatamos que era ali a passagem, pois logo atrás tinha uns totens.
       
      Então para não perder tempo, quando atingir o topo do cucuruto antes do Marinzinho siga para esquerda até encontrar os totens e a trilha no meio do charco. Aqui perdemos mais um tempo mas para salvar a Vivi de bolhas no pé. Ao pisar no charco a bota chegava a afundar quase totalmente e como ela estava com um calçado que não era impermeável, ela tinha dificuldade de andar por ali, até que ela não conseguiu mais progredir. Então eu e o Well literalmente a carregamos no colo. Cada um pegou em uma perna dela e a içamos. Ela parecia a Cleoprata sendo carregada pelos seus escravos. Haha Mas amigos são para essas coisas.
       
      Após o charco seguimos pelo lado esquerdo do Marinzinho, sempre seguindo os totens. Aqui mais uma vez perdemos tempo por falta do nosso conhecimento do caminho. Como sabíamos que tínhamos que seguir sempre a nordeste, achávamos que contornaríamos o Marinzinho pela esquerda da base e depois seguiríamos para essa direção. Porém estávamos totalmente errados, segue daqui, olha dali e nada de encontrar trilha ou totem.
       
      Depois de um tempo, olhamos para cima e vimos uns totens no topo do marinzinho, só que continuávamos achando que a trilha estava em nossa frente, quando na verdade ela estava lá trás, pois a trilha vai dar uma serpenteada para começar subir para o Marinzinho. No cume do marizinho éramos observados por dois urubus, cena típica de desenho animado. Aqui no topo do Marinzinho tem-se que tomar cuidado com as setas amarelas que levam para a pousada do Maeda.
       
      A trilha que dará no paredão para descer o marinzinho fica bem na esquerda do topo, siga os totens e chegará na corda. Descemos tranquilamente pela corda e saímos em um vale e pegamos uma trilha que daria em um paredão. Conforme o Milton nos alertou, a trilha estaria um pouco fechada devido ao pouco uso desta temporada por causa das chuvas, por isso a vegetação lateral estava cobrindo a trilha e seus galhos castigavam nossas pernas, braços e às vezes a cara, por isso andar de óculos escuros era fundamental para evitar uma lesão no olho, além disso, ás vezes confundíamos a trilha com outras de animais, mas logo se fechavam e não traziam maiores atrasados. Ao subir esse paredão já estávamos na crista que daria na Pedra Redonda.
       
      [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20090901142502.jpg 500 375 Legenda da Foto]Descendo[/picturethis]
       
      Por volta das 13h30 paramos para um lanche rápido já que estávamos atrasados para quem queria chegar ao Itaguaré ainda naquele dia. Durante o lanche já discutimos a mudança de planos e decidimos acampar na base da Pedra Redonda. Comemos e partimos por volta das 14h. Seguimos pela crista seguindo os totens e tendo sempre nosso destino em nosso campo visual.
       
      Chegamos à base da Pedra redonda às 15:40 e descansamos um pouco contemplando os visuais que ela nos proporcionava. Às 16h decidimos encontrar o acampamento. Não é difícil encontra-lo, mas devido à altura dos capins elefantes não conseguimos visualizar direito a área de camping lá da pedra redonda. Mas descendo-a tem uma trilha que segue para a esquerda que dará na área de camping e a direita segue rumo ao Itaguaré. Nesta área de camping cabem umas 3 barracas no aperto.
       
      Armamos o acampamento e preparamos o jantar. O Well logo depois de jantar foi dormir, enquanto eu, a Vivi e o Vinicius ficamos conversando até às 22 horas sob uma lua maravilhosa e que dispensava nossas lanternas. Obs: na área de camping encontramos coco de jaguatirica, assim como em boa parte da trilha, é bom tomar cuidado.
       
      3° Dia: Falta de água e Perrenguinho – Acordamos cedo e tomamos um senhor café da manhã preparado pela Vivi. Panquecas recheadas com queijo provolone e geléia de morango. Uma delícia! Porém devido à economia de água no dia anterior, meu corpo já sentia sua falta.
       
      Partimos em direção ao Itaguaré às 8h30, logo que subimos em um ponto mais alto deparamos com um belíssimo colchão de nuvem. Ficamos tirando algumas fotos e seguimos rumos ao Itaguaré. Caminhamos durante duas horas em um bom ritmo e ao contrário do dia anterior não tínhamos perdido a trilha nenhuma vez. Pensei estávamos ficando bons nisso rs.
      [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20090901142102.jpg 500 375 Legenda da Foto]Turma de respeito[/picturethis]
       
      Ao chegar à bifurcação tomamos o caminho da esquerda como descrito no croqui encontrado no site do Augusto. Nesta parte a trilha estava muito fechada e somada a nossa falta de conhecimento, adivinhe o resultado, perdemos a trilha e caminhamos por uns dez minutos em um vara mato por meio de uns bambus e saímos embaixo do paredão que era nosso destino. Pensamos em escalar ou varar mais um pouco de mato, mas concluímos que isso demandaria mais tempo e nos cansaria mais ainda, o que levaria a consumir mais água. Sendo que nessa altura nossas reservas estavam quase acabando.
       
      Decidimos voltar e tentar achar o caminho. Voltamos até ultimo totem avistado para procurar a trilha. Nesta hora ficamos confusos, pois estávamos na trilha, mas não sabíamos o que fazer. Cada um foi para um lado tentando procurar a continuação da trilha, mas sem sucesso. Quando decidi mais uma vez pegar a bifurcação a esquerda e olhar com mais atenção para ver se encontrava a trilha e encontrei.
       
      Entrando pela bifurcação a esquerda a trilha continuava para a direita, porém uma cortina de folhagem dos bambuzinhos escondia bem o caminho. “Abra essa cortina” e logo chegara em umas escadas feitas de raízes que levam ao topo do paredão.
       
      Seguimos caminhando e por volta do meio dia meu corpo já dava sinais claros de desidratação. Estava com quase nada de água e meu corpo não estava mais no mesmo pique e para ajudar uns totens falsos levaram a gente para o meio do nada.
       
      Aproveitamos para ligar para o nosso resgate e avisar que estávamos atrasados e que ligaríamos assim que estivéssemos descendo o Itaguaré. Demoramos uns 20 minutos para achar o caminho, nesta hora eu não ajudava mais a procurar mais a trilha, ficava sentado queimando naquele sol sempre na companhia da Vivi. O Vinicius achou o caminho e seguimos por um vale a caminho do Itaguaré. A sede e o sol do meio dia castigavam meu corpo e só pensava em beber água, nisso a Vivi viu uma bromélia e disse “olha Fá! Porque você não bebe água da bromélia?” respondi “que essa água deve conter muito protozoários, vermes larvas e que só beberia essa água em ultimo caso”.
       
      Continuamos caminhando, agora subindo o morro sob um sol escaldante. Meu caminhar parecia aquela fala do Capitão Nascimento “subir morro é uma arte, você vai progredindo de beco em beco” no meu caso era de passo em passo. Não conseguia caminhar firme por mais que 10 minutos e logo precisava recuperar o fôlego.
       
      Nessa hora os sinais de desidratação em mim eram nítidos e nos restante do grupo estavam começando a aparecer, principalmente no Well. Durante o caminho inúmeras bromélias estavam me atentando a tomar da sua água, nessa hora não pensava mais nos malditos protozoários. Quando em uma dessas paradas, não pensei duas vezes dei um jeito de captar a água dela e bebi. Uma sensação horrível, pois junto com a água vieram muitos mosquitos. Em outra bromélia em vez de beber comecei a refrescar minha nuca, foi melhor do que beber, pois aliviava um pouco o sinal da desidratação já que refrescava a pele. Assim, seguimos devagar e sem água, às vezes parando para todos captarem água para amenizar os efeitos desidratação. Acho que se não fosse isso não teríamos chegado razoavelmente bem na base do Itaguaré.
       
      As 15h30 chegamos perto da base do Itaguaré e encontramos água em um riacho. Então paramos e saciamos nossa sede e paramos para comer. Ficamos ali bebendo e comendo por uns 40 minutos.
       
      Começamos descida e logo vimos que não conseguiríamos chegar até o acampamento base antes de anoitecer se continuássemos em nosso ritmo normal. Decidimos apertar o passo, ou melhor, corremos morro abaixo. Para vocês terem uma idéia, dizem que um grupo normal demora para descer da Base do Itaguaré até o acampamento base em duas horas e nós descemos em 50 minutos. Foi uma corrida louca e perigosa, cada usou a ultima reserva de força que tinha.
       
      Mas antes de iniciar esta corrida maluca, tentamos fazer contato com nosso resgate, sem sucesso. Quando chegamos ao acampamento base, constatamos que nosso resgate não estava lá, já que não conseguimos ligar, ou seja, mais um problema para ser resolvido. Deliberamos se era melhor acamparmos ali ou seguir rumo à cidade e conseguir algum resgate. Decidimos por ir até a cidade e conseguir ajuda ou ficar em uma pousada.
       
      [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20090901142227.jpg 500 375 Legenda da Foto]Chegamos! Missão cumprida![/picturethis]
       
      Seguimos caminhando pela estrada que dá em direção a Passa Quatro e depois de uma hora e meia escutamos latidos de cachorros e tínhamos certeza que estávamos perto de uma casa. Era a fazenda do Portuga, que gentilmente nos deixou a tentar ligar o nosso resgate e mais uma vez não conseguimos. Enquanto eu e o Vinicius tentávamos ligar para o resgate, o Well parou um motoqueiro que juntamente com o Amauri da fazenda portuga, nos ajudou a arrumar um resgate.
       
      Ficamos esperando nosso resgate num frio de matar e quando ele chegou demos mais risada ainda. A Brasília do tiozinho não tinha tanque de gasolina, o tanque era uma garrafa pet de dois litros kkk no meio do caminho a garrafa acabou e precisou ser trocada kk Finalmente chegamos na ranchonete e por volta das 23h30 partimos para São Paulo exausto mas felizes por conseguir concluir esta travessia!!! A minha primeira de respeito!!
       
       
      [picturethis=http://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20090901142339.jpg 500 375 Legenda da Foto]O resgate! Se liga na garrafa pet que serve de tanque de combustível, o telefone dele para contato é (35) 9993-5606, falar com Djalma.[/picturethis]
    • Por carlos lannes
      Olá amigos mochileiros,
      Bom minha travessia foi planejada por três meses, com os amigos Renato Fidêncio- RJ, Anderson Fioravante- SP e nesta primeira parte (Marins x Itaguaré) José Grado Casemiro de Abreu-RJ. Planejamos toda a logística de regate da Marins Itaguaré com o Milton https://www.facebook.com/milton.gouveafranco (Montanhista que tem um acampamento base na subida do Marins).
      Tudo acertado para a expedição, partimos do Rio de Janeiro no dia 03 Agosto 2012 as 02:00 hs ao encontro do amigo Anderson que estava nos esperando na cidade de Piquete-SP, depois de encontrá-lo e as devidas apresentações, pois não o conheciamos, (somente pelo mochileiros) partimos para a subida do Marins. (Segue o Vídeo de nossa travessia)
       

       
       
      Após nossa travessia, partimos para a segunda fase da Transmantiqueira. Como o nosso amigo José Grado tinha que retornar para o Rio, pegamos uma carona com ele que nos transportou da base do Marins para a cidade de Passa Quatro, onde acertamos nosso próximo resgate com o amigo Vinicius (https://www.facebook.com/viniciustrek) que nos levaria do Sitio do Pierre até o Parque Nacional do Itatiaia. (Segue o vídeo de nossa travessia).
       

       
       
      Concluída a Serra Fina, já tinhamos sete dias de caminhada e assim partimos para o Parque Nacional do Itatiaia-RJ, para a conclusão de nossa jornada. Estavamos ansiosos por esta parte, pois não tinhamos agendado nossa travessia com o Parque e estavamos temerosos por não poder entrar. Graças a Deus tudo deu certo e assim pernoitamos no Abrigo Rebouças e no dia seguinte fizemos nossa travessia em um só dia, do Abrigo Rebouças a Maromba, via Rancho caído. (Segue o vídeo de nossa travessia)
       

       
       
       
      Finalizamos nossa travessia em oito dias, uma caminhada muito pesada porém muito linda com dias maravilhosos que Deus nos concedeu. Toda a logística e contatos postei para que vocês possam fazer contado pelo Facebook.
      Em Maromba o ônibus para a cidade de Resende sai as 17:00 horas e o último sai as 19:00 horas e deixa na rodoviária de Resende-RJ, de lá tem ônibus para todo o Brasil. Espero te ajudado, qualquer outra informação pode entrar em contato.(https://www.facebook.com/carloslannes). Algumas fotos para os amigos. MONTANHA.
       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

       

    • Por clovisher
      Esta é minha visão/versão sobre a travessia Marins itaguaré, realizada nos dias 27, 28 e 29 de setembro de 2013.
       
       
      Aqui eu pretendo relatar como foram os preparativos para a travessia que iniciou-se meses antes, o perrengue que eu passei por não ter dormindo no primeiro dia de acampamento, o efeito que uns kilos a mais produz no desempenho, demonstração de respeito e amizade que eu vivênciei, além de dicas e avaliações sobre planejamento e equipamentos. Quem estiver buscando um relato mais técnico recomendo o do Renato: travessia-marins-x-itaguare-t87374.html
       
       
       
      A minha travessia começou meses antes, mesmo tranquilo em relação a logística pois o Renato já estava incumbido desta tarefa, havia muito o que ser feito, pois é necessário preparar-se fisicamente, fazer um planejamento básico de segurança, e escolher os equipamentos adequados para levar, afim de evitar peso desnecessário.

      image por ⌇∁ႧႽႹ⋉ ⌇✌, no Flickr
      Eu já prático esportes habitualmente mesmo sem ter travessias ou aventuras programadas, quando há travessias ou outras aventuraras dou ênfase a treinamentos em subidas, fortalecimentos da musculatura em torno dos joelhos e treinos de resistência, não menos do que três horas por dia e 4 vezes por semana, exceto na ultima semana antes da travessia que diminuo um pouco o ritmo, com o objetivo de chegar inteiro para empreitada.
      Além de disso, uma semana antes também uso creme hidratante nos pés e áreas de atrito para evitar bolhas, pois um dos motivos da formação de bolhas é a pele ressecada.
      A alimentação saudável com pouca gordura, no meu caso, é essencial, mas cada um deve inteirar-se de qual a melhor forma de alimentação.
       
      Na hora de montar a mochila há sempre um dilema, pois é difícil conciliar peso x conforto, quanto mais conforto geralmente mais peso, e eu já cheguei numa fase em que um mínimo de conforto é necessário, nem pensar em sair com uma pequena mochila, 1 garrafa de água e 1 pacote de biscoitos, como já cheguei a fazer 10 ou 15 anos atrás e sem preocupação em usar uma roupa adequada ou uma bota, isso ficou no passado e não me pertence mais.
      Hoje estou sempre em busca do equipamento mais adequado, com menor peso e boa usabilidade, e sempre conforme a experiência e as possibilidades permitem vou renovando os equipamentos em busca da melhor relação conforto x desempenho.
       
      Outro item que considero importante é um planejamento de segurança e ou imprevistos, mesmo havendo algum amigo planejando e organizando a aventura, na montanha cada um é responsável pela sua própria segurança, então você tem que se preparar e estar ciente do que fará em caso de imprevistos, até mesmo caso fique sozinho na trilha vc tem que saber se virar. (http://www.pegaleve.org.br) Por isso é importante levar seu gps, ou mapa com detalhes da trilha e ter o mínimo de noção e senso de orientação antes de se aventurar em locais mais técnicos. Também é importante ter consciência das regras e ética de conduta e preservação ambiental. Eu fico irado quando vejo gente fazendo fogueira na montanha e acha que está apavorando sentindo-se o verdadeiro bandeirante, por isso conheça as regras e evite problemas.
       
      [t3]Organizando a mochila.[/t3]
       
      Pelo menos uma semana antes começo organizar os itens da mochila, isso é para min além de divertido relaxante. Nessa travessia, como não havia um abrigo de montanha, foi necessário levar barraca, isolante, panelas, etc..
      A barraca. É importante uma barraca que tenha boa resistência a chuva e a condensação interna, e que seja leve, algo difícil de conseguir aqui no Brasil. A minha barraca é super resistente a chuvas, gelo, terremoto e furacões, confortável, tudo isso ao custo de 3 kilos, o que me faz ter a certeza que compensa alugar uma barraca resistente quando for para as cordilheiras do que usar essa barraca aqui no Brasil. Minha barraca é a Manaslu discovery mountain intermediária, está na minha lista de equipamentos a serem substituídos, ela será mais útil para alguém que vá com mais frequência a lugares extremamente exigentes. Hoje almejo uma barraca resistente a chuva e com menos de 1,5 quilos.E se alguém estiver pensando em comprar uma barraca igual a minha, recomendo avaliar bem a necessidade de uma barraca destas, principalmente por conta do peso.
      Do isolante térmico. Antigamente usava os isolantes de EVA aluminizados, depois passei a utilizar os auto infláveis, é outra história, muito mais confortável e vale a pena o peso adicional, nessa travessia a montanha levou o meu isolante, ele pesava 1,2 kilos, e eu já pretendia substitui-lo por um de outra marca(camp) também auto inflável e que pesa 640 g, essa economia de 640 gramas fará muita diferença.
      Nessa travessia fiquei preocupado com os amigos que estavam usando os isolantes de EVA aluminizados, pois na noite de sábado para domingo choveu com bastante trovoada e raios, o raio quando cai no chão a energia pode se espalhar por até 5 km, dependo do local, e o alumínio do EVA pode servir como um convite atrativo para o raio e fritar quem estiver deitado nele, a borracha do isolante pode não ser suficiente para evitar o choque, na maioria dos casos de incidentes com raios as pessoas são atingidas indiretamente, fiquei atento a distancia em que os raios caiam de nós, e felizmente estavam distantes, se estivessem mais perto, teríamos que sair na chuva e descer o vale as pressas. Sem contar que as varetas da minha barraca são de alumínio...
      Os raios são perigosos, principalmente na montanha, é importante saber como reagir nesta situação, ainda mais aqui no Brasil, onde ocorre 1 morte a cada 50 com raios no mundo.
       
      O saco de dormir. Tenho dois sacos de dormir na relação 8/80, um deles da náutika, só serve para usar em Cuiabá, sempre passei muito frio com ele, isso porque ele promete cobrir temperatura de 8 graus, mas de fato não suporta 20 graus, tenho outro o deuter orbit -5, esse já é bom para o Alasca, quando eu for para Fairbanks ver o acampamento do Supertramp no ônibus 142, ele será ótimo... Nesta travessia levei o saco de dormir para -5 e tive que usar ele aberto como um cobertor, mas melhor o calor do que o frio...Peso 1,2 kilos. Há um saco de dormir para -5 que pesa 900 Gramas, mas é muito caro e é de plumas de ganso, não gosto nem das plumas e nem do preço, então este é um equipamento que pretendo manter, mesmo achando pesado.
       
      Botas. Uso uma nômade titã já tem um tempo, já tive de outras marcas. Eu já me decepcionei com essa minha bota por ela ter um desempenho baixo em pedras com limo, mas ultimamente conheço mais as limitações dela e estou satisfeito com o desempenho, fui fazendo ajustes nela, mudando a amarração, troquei a palmilha por uma de silicone, e agora ela está bem confortável, o desempenho da bota nesta travessia foi bom, preservou bem meus pés e meu joelho, mas ainda preciso resolver problemas ocorridos pois no ultimo dia da travessia tive calos e machucados no dedão e dedinho dos dois pés, diminuindo ainda mais minha velocidade de cruzeiro.
       
      Meias. Sempre uso duas meias uma grossa e uma liner, isso é recomendado evita bolhas nos pés, eu comprei uma liner há uns dois anos num site dos EUA ela é ótima e tem tecnologia com fios de prata, etc etc etc, que não permite odor nos pés e transporta a transpiração para fora, mesmo usando 3 dias seguidos nada de parmesão no pé. Essa foi a ultima travessia dela pois esta bem desgastada e está perdendo o efeito tecnológico, é um equipamento que recomendo e vou repor por outro igual.
       
      Mochila. É um equipamento importante, tenho duas cargueiras, uma da alto estilo e uma da curtlo, a da alto estilo é mais leve, muito resistente e relativamente confortável a da curtlo é um pouco mais pesada e bem confortável, para este tipo de travessia é importante uma cargueira fechada, pois a montanha não perdoa equipamento do lado de fora. Se você pretende comprar uma mochila de baixo custo e boa qualidade recomendo pesquisar as mochilas alto estilo pois tenho, já testei bastante e recomendo, a da curtlo também recomendo.
      Cantil hidratante, tenho um da nautika, na primeira vez que fui usar, ele vazou toda a água, na ultima hora consegui uma garrafa pet de 3 litros que me salvou. Depois disso eu reformei ele, refiz a solda do conector da mangueira na base, e ele já está comigo a quase 2 anos firme forte, é um equipamento não obrigatório mas que vale a pena, se for comprar da nautika teste bem antes de levar para a montanha, já vi gente perder toda a água com ele no meio da montanha.
      Bastão de caminhada. Vejo poucas pessoas usando, mas considero essencial, ele alivia o peso e pressão que vai para os joelhos, e como tenho problemas de joelho vale muito a pena.
      Das roupas. Com o objetivo de diminuir peso, não levei roupas extra para a travessia, apenas uma segunda pele para dormir a noite e uma jaqueta Anorak. Usei na travessia uma camiseta da curtlo que já tenho ha um tempo, ela tem proteção contra odores e secagem ultra rápida, recomendado, vale super a pena, usei manga comprida para não ter que usar protetor solar, mas manga curta vale mais a pena pois refresca mais, ainda mais com o sol cozinhante que pegamos. ( exceto para caminhar no bambuzal)
       
      O equipamento destaque.
       
      Resolvi eleger um equipamento de destaque em cada aventura, lembrando que um equipamento pode ter um bom desempenho em um lugar e em outro não. O prêmio destaque vai para minha jaqueta Marmot precip, já tenho ela há algum tempo, ela já subiu muita montanha comigo, mas só desta vez tive a oportunidade de usá-la, ela me manteve seco, permitiu a evaporação da transpiração e ainda resistiu ao mato e aos bambuzinhos. Cumpriu bem o que promete.
      Confira no final dicas de site de lojas internacionais que já testei e funcionam.
       
      Alimentação. O planejamento da alimentação é algo muito importante para min, sempre levo frutas secas separadas em saquinhos com porções individuais contendo uva passa, noz ou castanha, damasco, para comer de hora em hora.
      Também levei alimento pronto, não liofilizado que basta apenas aquecer, da marca alimentação (http://alimentacaopronta.com.br), é bem mais saboroso que o liofoods e não precisa de água, este o motivo da escolha, como não precisa de água é mais pesado que o Liofoods, mas em travessias com restrição de água vale a pena. A única coisa que me chamou a atenção e que havia alguns pelos dentro da embalagem de papelão, gerando dúvida quanto a correta armazenagem das embalagens pela empresa fornecedora, mas a embalagem metalizada com o produto estava intacta.
      Suplementos. Esses itens são de extrema importância para min, sempre levo suplementos alimentares de whey protein para utilizar no almoço, já que não é possível fazer uma refeição mais elaborada no almoço, suplemento de carboidratos uso o oxy maze, é um suplemento de carboidrato de baixo índice glicemico, este é para ir tomando durante todo o dia, e também levo o glycofull, que é um repositor hidroeletrolitico e energético para ir tomando também durante todo o dia. Nesta travessia experimentei o suplemento glicodry com a mesma função do glicofull, mas ainda prefiro o glycofull pois considero melhores os resultados em relação a desempenho e energia.
       
      Café da manha : pão sírio, polenguinhos, leite em pó, toddy, e whey protein, no terceiro dia de travessia eu resolvi bater um almoço de arroz com carne moída e batatas no café da manha, ou seja as 7:00, o resultado foi ótimo e penso seriamente em rever o meu plano de café da manha.
      Almoço levo sempre para o almoço uma lata de atum, uma batata doce assada, mais um suco de whey protein com oxymaze. No primeiro e no segundo dia acabei pulando esta etapa e o meu organismo respondeu severamente a isso, mas logo a diante falarei sobre.
      Jantar. Levo sempre alimentos tipo liofoods, e agora alimentação pronta, são fáceis e rápidos de fazer e relativamente saborosos. Mas depois desta viagem vou rever isso, pois o amigo e chefe Idolo Giusti, nos brindou com ótimas refeições com alimentos frescos na janta e foi realmente surpreendente e uma experiência muito boa.
      Lanches, para lanches levo as frutas secas e barrinhas de cereal para comer rapidamente durante a trilha sem perder muito tempo.
       
       
      [t1]Da travessia.[/t1]
       

      mapa gps travessia por ⌇∁ႧႽႹ⋉ ⌇✌, no Flickr

      grafico da travessia por ⌇∁ႧႽႹ⋉ ⌇✌, no Flickr
       
      No primeiro dia percorremos uma distância de 6,2 km, com 700 metros de desnível a uma velocidade média de 0,9 km\hora. Com inicio as 10:00 e final as 17:00.
      Logo no primeiro dia a travessia já mostra que não é brincadeira e a montanha deixa bem claro sua resplandecência.
      Mesmo diante da imponência da montanha, não faltou força e nem coragem da galera para continuar.
      Essa turma é do tipo que caminha a luz do luar em trilhas que outros temem falar durante o dia.
      Subida difícil e desgastante, no acampamento fomos presenteados com uma janta gourmet ao melhor estilo haute cuisine , preparada com todo esmero pelo amigo e companheiro de trilha chefe Idolo Giusti. Nessa hora me veio a mente aquele bordão de comercial de cartão de crédito que fala de coisas que não tem preço, e jantar de primeira linha na montanha não tem preço.
      O dia foi embora e noite caiu, surgiram as estrelas que levaram meus pensamentos que voavam leve como uma pluma ao vento levada pelo ar, que voa leve, mas tem a vida breve, e precisa que haja vento sem parar. (TJ)
       
       

      1385217_555410781174914_1115208535_n por ⌇∁ႧႽႹ⋉ ⌇✌, no Flickr

      1381976_661230347222486_1400929700_n por ⌇∁ႧႽႹ⋉ ⌇✌, no Flickr
       
      [t3]Segundo dia[/t3]
       
      Distancia 6,4 km, desnível máximo de subida 217 metros, velocidade 0,6 km/h,
      Início 07:53, termino 17:13.
      A noite foi longa, e o sono não veio me visitar, no segundo dia da travessia um alto preço eu tive que pagar.
      Sem dormir o corpo e os músculos não puderam se recuperar, e não demorou muito para a fadiga me alcançar.
      Fadiga, falta de sono é uma coisa que não rima muito com travessia de montanha.
       
      Por volta das 14:00 cheguei na pedra redonda literalmente destruído, parecia que eu carregava dois sacos de areia nos olhos, a mochila parecia pesar 10 vezes mais. Eu estava disposto a acampar por ali mesmo, sozinho, dormir e seguir pela noite ou no dia seguinte bem cedo, cheguei até a pensar em abandonar a cargueira e seguir a travessia de ataque, ainda que eu goste dos meus equipamentos eles não eram a prioridade naquele momento.
      O Ídolo e o Micheu me esperavam, O Ídolo assim que eu cheguei logo perguntou, - E aí descansa um pouco aí e em 10 minutos a gente segue? Eu: - preciso de mais. Ele - 20?
      Me joguei na sombra de uma pedra, e ali fiquei jogado uns minutos, se estivesse sozinho provavelmente teria dormido por algum tempo, o sono veio ao meu encontro como um amante num leito vazio.
      Insisti para que o Micheu e o Ídolo seguissem, mas logo escutei " Tamo junto", e isso foi foda, pesou muito, fez muita diferença foi uma atitude de camaradagem, de companheirismo, de consideração, pois eles tinham pique para seguir e acampar no itaguare com o Renato e o Marco, Eles fizeram o que lhes pareceu certo, e foi, valew!
      Nesse momento, logo chegou o grupo do Pedro, ( Pedro, Eduardo, Gustavo e Tailan), eles iniciaram a subida no mesmo dia, desde o acampamento base, e sabendo que eu estava andando lentamente e no perrengue falaram "Tamo junto também" , e ficaram com a gente até o final, isso foi foda, essa galera é gente boa demais!
      Atitudes assim não tem preço, não há agradecimento que expresse toda a minha gratidão por todos que ficaram lá.
      Embora destruído, eu estava sem um pingo de fome, comi a pedido do Ídolo, e poucos minutos depois comecei a notar a diferença, logo me dei conta que embora desgastado eu não tinha nenhuma dor muscular, e me dei conta que a alimentação praticada por min até aquele momento estava insatisfatória, eu estava andando desde cedo, não havia almoçado só estava tomando suplemento de glicodry, não havia tomando nada de weyprotein e nem de carboidratos. O almoço lanche que eu preparei em seguida com atum, suco de whey protein, glicofull, barras de cereais e frutas secas fizeram toda a diferença, eu tive um up de energia e disposição que foram suficientes para chegar até o local onde acampamos uns dois km a frente.
      Depois eu fiquei pensando, eu me preocupo tanto com alimentação e como eu fui me deixar cair nesta situação, que me custou um preço alto no terceiro dia, pois para repor a energia faltante, devido a má alimentação, o organismo acaba consumindo energia da musculatura, e o resultado disto foi um desgaste muscular no terceiro dia, que eu não esperava.
      Mas em fim, após a pedra redonda, seguimos por mais dois km, onde levantamos acampamento numa área de camping, o Ídolo novamente nos privilegiou com duas paneladas de um preciso jantar, foi ótimo para recompor as energias e preparar para o sono.
      Fomos todos dormir, até que a tempestade chegou por volta das 22:00 mas não tardou muito a ir. Nesta noite tb não consegui dormir direito, mas tive vários momentos de sono que foram importantes para seguir no dia seguinte.
       
      O GPS e a fenda.
       
      Num vale antes de chegar a pedra redonda, há uma região de rochas com várias fendas, como haviam várias bifurcações eu caminhava lindo e bonito com meu gps na mão, até que veio um bambu sem cara e nem coração, e bateu na minha mão que estava o gps, e ele pulou diretamente para dentro de uma profunda fenda, com mais de 2 metros e bem estreita.
      Senti um forte aperto no coração, embora eu não seja apegado a meus brinquedos de montanha, o gps é o meu predileto.
      Tentei de várias formas alcançar o equipo por cima e não consegui, a raiva tomou conta de min. Parei alguns segundos para pensar, já me conformando que meu cadged, ficaria por ali, foi quando pude observar uma fresta de sol entrando pela lateral da fenda, e logo pensei que se o sol entra aí há outro caminho e eu entrarei ali também. Escalaminhei a rocha para baixo, contornei uma pedra, amarrei um cordelete para apoio, e eis que a frente vejo um buraco e meu gps reluzente olhando para min, olhei para ele fiquei feliz, contente o apanhei, guardei muito bem e voltei para a trilha depois de quase 40 minutos na empreitada. Na próxima pernada de alguma forma vou prendê-lo junto a min, pois esse brinquedo de forma alguma deverá pertencer a montanha.
      A lição aqui é que a emoção não é racional, se tivesse agido apenas na emoção, meu gps teria ficado na montanha. Trilhar as montanhas, não é o mesmo que fazer um piquenique.
       
       
      [t3]Terceiro dia.[/t3]
       
      Distancia 7,8 km, velocidade média 08km/h, início 8:03 termino 14:40.
       
      Acordei por volta das 4:30 com um despertador em alguma das barracas, logo veio uma chuva, e acabei não dormindo mais, aproveitei para ir arrumando minhas coisas e preparando um café da manha ao melhor estilo almoço.
       
      Por volta das 7:00 zarpamos, pegamos alguns trechos com garoa, mas em geral, embora sentindo a musculatura, o dia foi tranquilo, o céu era um lençol cinza coberto de nuvens que pareciam querer transformar-se em chuva, mas não conseguiam reunir forças para isso, e as 14:40 chegamos na saída da trilha, onde logo em seguida o Marco chegou de caminhonete para nos buscar.
      Neste trecho, tínhamos pouca água, a nossa sorte foi que o grupo do Pedro nos disponibilizou 2 litros, que foi muito importante.
      Durante o caminho, separei meio litro em uma garrafa de gatorede, que coloquei em um compartimento externo da minha mochila, e adivinha o que aconteceu quando eu fui pegar? A garrafa não estava lá, a montanha levou. Mas como eu estava bem hidratado, e o dia estava nublado, não tive problemas até chegar no ponto de água do itaguaré.
       
      [t3]Conclusão.[/t3]
       
      Valeu a pena, um desafio em que o sucesso esta garantido não é desafio algum.
      A propósito, se não fosse por um ou dois erros aparentemente insignificantes, eu poderia ter ido muito melhor. Mas ficou a lição de que tenho que continuar e aprimorar meu treinamento diário, não se pode descuidar nestas atividades, o mato e a montanha são lugares que não perdoam.
      Todo o grupo foi sempre muito prudente, e isso é importante, pois coragem e força não são nada sem prudência.
      E realmente fiquei muito feliz em participar desta travessia organizada pelo Renato, e poder compartilhar isso com todos os presentes, afinal, a "Felicidade só é real quando compartilhada".(Alex supertramp).
      Valeu a pena conhecer todos, todos eram super gente boa, e espero em breve ter a companhia desta galera em novas trips.
       
       

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      "Na vida só há um modo de ser feliz. Viver para os outros."
      (Leon Tolstoi)
       
      "A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira."
      (Leon Tolstoi)
       
      "Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o!"
      (Nietzsche)
      "Então, eu acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui. Ainda podemos fazer coisas. E podemos tentar ficar bem com elas."
      (As Vantagens de ser Invisível)
       
       
      Valeu!!!!!
       
       
       
      Segue dicas de lojas onde costumo comprar equipamentos de boa qualidade com preços muito mais baixo do que aqui no Brasil as lojas abaixo eu já usei e recomendo. É necessário saber que comprando nessas lojas, sempre há a possibilidade de ocorrer tributação.
       
      http://www.rei.com
      scoutgear.com
      mountaingear.com
      basegear.com
      ebay.com
       
      Aqui no Brasil:
       
      kanui.com.br
      decathlon.com.br
      basebrasil.com.br
      altoestilo.com
      bivak.com.br
    • Por divanei
      CLÁSSICA E REVOLUCIONÁRIA: TRAVESSIA MARINS X ITAGUARÉ X 32
       
      .........’’Amoitados juntos à Estação Túnel da Mantiqueira, na divisa entre Passa Quatro-MG e Cruzeiro-SP, observamos atentamente os desdobramentos da Revolução de 1932. De um lado as tropas mineiras à serviço do ditador Getúlio Vargas. Do outro lado do túnel, as tropas paulistas, capitaneadas por inescrupulosos senhores do café, que na ânsia de voltarem ao poder, sustentam vergonhosamente uma guerra estúpida, com a desculpa de se fazer uma nova constituição. Por incrível que possa parecer, é uma batalha travada por soldados que ontem mesmo eram irmãos, serviam juntos em vários quartéis espalhados pelo Brasil e agora lutam uns contra os outros por uma causa que nem eles mesmos sabem qual é. A batalha é sangrenta e já vitimou centenas de vidas dos dois lados do túnel. Os paulistas resistem bravamente entrincheirados ao longo da Serra da Mantiqueira, desde o Pico da Gomeira até o Itaguaré, parece mesmo que a batalha vai ser longa. De onde estamos é possível ver uma chuva de balas vindas do lado paulista e logo passa apressado o capitão médico da força pública, o senhor Juscelino Kubitschek de Oliveira, que mais tarde, em 1.955 se tornará presidente do Brasil. J K volta carregando em uma maca o tenente Coronel Fulgêncio de Souza Santos que havia sido atingido por um tiro de fuzil e faleceria logo depois, sendo mais um a tombar em combate. Como a coisa estava ficando feia, resolvemos tentar sair dali o mais rápido possível, mas foi nesse momento que uma granada caiu no local de onde estávamos, vindo a explodir a um palmo dos nossos pés. Essa foi a deixa para Eu e o Dema pararmos de viajar na maionese e voltarmos à 2014......”
       
      A Travessia Marins X Itaguaré acabou se tornando um clássico do montanhismo nacional. Quando cruzamos por aquelas paragens no inverno de 2001, praticamente não encontramos ninguém, as trilhas eram confusas e os caminhos ainda guardavam muitas dificuldades para os raros montanhistas que se aventuravam por aquelas íngremes encostas rochosas. Muito alardeado por ser na época o ponto culminante do Estado de São Paulo, o Pico dos Marins foi cada vez mais chamando a atenção de gente de todos os cantos do Brasil. O Marins perdeu o posto de pico mais alto do estado para a Pedra da Mina, também na Serra da Mantiqueira, mas nunca deixou de perder seu brilho, ainda mais quando depois que um grupo de Campinas abriu e “sinalizou” a famosa travessia em 1993. Pois bem, passado mais de 13 anos desde a minha primeira caminhada por essa serra, achei que já era hora de voltar, ainda mais quando vislumbrei a possibilidade de emenda-la com outra famosa trilha, a da Revolução de 32. Para essa nova empreitada, como não poderia deixar de ser, convidei meu amigo Dema que havia estado comigo em 2001. Era hora de provar para nós mesmos que poderíamos estar velhos, mas ainda não estávamos acabados. Para compor o resto do grupo foram convidados ainda o Eduardo loures, o Marcos Prince, o Will Lian e Luciano Lourenço. Sendo que estes quatros últimos praticamente jamais tinham pisado em uma montanha antes, em compensação pesavam a favor deles todo o vigor que só a juventude poderia lhes dar.
       
      Combinamos de nos encontrarmos de madrugada na cidade de Lorena-SP. Eu e o Dema Vindos de Sumaré-SP e os outros da capital do estado. Uma da madrugada Eu e o Dema nos juntamos ao grupo em Lorena e como o Eduardo e o Prince já haviam conseguido uma carona para Piquete-SP, coube a um parente do Luciano que também mora em Lorena, nos dar uma carona e unir todo o grupo. Todos unidos em Piquete, tentamos persuadir um cara com uma Vam a nos levar até o bairro dos Marins, que fica a 15 km de piquete e a 21 km do acampamento base do pico dos Marins, onde nossa travessia começaria. O cara não teve dó, por dinheiro nenhum largou a maldita cachaça par nos levar, então mandamos ele a merda e resolvemos enfrentar todo o caminho a pé mesmo, quem sabe não rolaria uma carona.
       
      Jogamos as mochilas às costas e nos pusemos a caminhar pela rodovia sentido Itajubá-mg e meia hora depois abandonamos essa rodovia e entramos à direita em direção ao Bairro dos Marins, onde a placa indicava a direção do pico de mesmo nome. Passamos pela igrejinha que fica do lado esquerdo e seguimos enfrente, um pé à frente do outro, caminhando madrugada adentro. Pouco a pouco o sono vai tomando conta da gente e em uma curva do caminho, paramos para um breve descanso. Foi aí que eu cheguei a uma conclusão : Não precisa ser a mãe Dinah para adivinhar que muito provavelmente o Will e o Luciano não conseguiriam ir até o final nessa travessia e que a minha bota, ainda mau amaciada, acabaria com o meu pé. Aos poucos o rio que corre ao nosso lado direito vai ficando cada vez mais próximo e em outra curva do caminho, às 05 horas da manhã, nos jogamos em um gramadinho à beira da estrada e por quase duas horas tiramos um cochilo, esparramos sobre uma lona preta.
       
      O dia amanhece lindo e o Pico dos Marins anima a galera a continuar seguindo enfrente, mesmo sabendo que será uma tarefa árdua, porque o caminho só sobe e agora teremos a companhia do sol a nos desgastar mais ainda. Finalmente às 07h30min desembocamos no bairro dos Marins e logo à frente pegamos a esquerda, seguindo as placas indicativas. A estrada asfaltada da lugar a um calçamento e logo o calçamento se reveza com estrada de barro e logo mais à frente chegamos a uma cachoeira, enfim água fresca. Já andamos mais de 15 km desde Piquete e daqui para frente a estradinha fica cada vez mais íngreme e o Will e o Luciano vão ficando cada vez mais para trás, o que nos obriga a esperá-los por muito mais tempo. Mas não demora muito para o Luciano enfim conseguir uma carona e levar a tira colo o Will com ele. Aliás, fica aqui um protesto contra os montanhistas motorizados, que passaram por nós e não ofereceram caronas, muitos com seus carros 4 x 4 totalmente vazios.
       
      Como não há sofrimento que dure para sempre, finalmente ao meio dia chegamos ao acampamento base do pico dos Marins, tiramos nossas mochilas das costas e desmaiamos de canseira. O Will e o Luciano já haviam se dirigido para o Pico do Careca, então o que tínhamos a fazer era cozinhar algo para comer e tentar refazer o roteiro que havíamos traçado e que já havia ido “pro saco” faz tempo. Traçamos uma meta de alcançar o topo do Marins até o anoitecer, não iria ser fácil, mas teríamos que tentar, mas antes decidimos comer e beber até não aguentar mais.
       
      Alimentados, nos despedimos dos amigos do Campo Base, atravessamos a porteira de arame e nos enfiamos trilha adentro. Cruzamos uma língua de mato e em menos de 20 minutos interceptamos a estradinha que da acesso ao Pico do Careca. Em mais meia hora atingimos um platô, onde as vistas se alargam. Aqui a estradinha foi fechada por uma porteira, em 2001 ela seguia até o topo do Careca. Então nos enfiamos por uma trilha larga e para nossa surpresa encontramos o Luciano e o Wil lagarteando ao sol. Imaginávamos que eles teriam seguido a trilha em direção ao Marins, ganhando tempo já que eles estavam umas 3 horas à nossa frente. Passamos por eles e desembocamos no topo de rocha nua a 1.638 metros de altitude. O Pico do Careca é um ótimo lugar para acampar, um pouco exposto em dia de muito vento, mas com um visual incrível, principalmente das íngremes paredes do Marins. Em 2001 acampamos aqui e pegamos uma noite de lua cheia espetacular e uma temperatura muito baixa. No local também existe uma clareira junto à mata, bem mais abrigada e com água perto. Quando todos chegaram ao topo, nos reunimos para uma foto com o Marins ao fundo e essa seria a ultima foto com a galera toda reunida.

       
      Nosso caminho vira à direita, entra na mata, passa pela clareira citada, onde uma placa nos diz que estamos no caminho correto, atravessa um pouco de mata e minutos depois nos leva ao aberto e nos encaminha para uma trilha larga com um sulco arenoso e em meio ao capim elefante. Ela sobe sem dó, passa por lajes rochosas e uma hora depois chegamos a uma ótima área de acampamento, onde paramos para esperarmos o Luciano e o Will, que estavam subindo a passos de tartaruga tetraplégica, (rsrsrsrsrsrs). Seguindo pelas pedras expostas chegamos a borga de um Canyon, onde fizemos mais uma parada para uma foto em uma grande rocha que beirava o abismo. O caminho seguinte se enfia no meio dos grandes matacões, seguindo alguns totens e outros sucos de trilha. Na minha memória eu imaginava que teríamos que bordejar todo o topo deste morro, deixando-o a nossa direita, mas parece mesmo que a trilha foi realocada para cruzar por cima e não ao lado ou é mesmo minha memória que envelheceu e eu tenha me esquecido deste trecho 13 anos depois da nossa passagem por ali. Seguindo então por cima do grande morrote pontilhado por grandes rochas, vamos avançando aos poucos, pulando de pedra em pedra quando é necessário e logo nos deparamos com uma parede rochosa de outra montanha, desta vez intransponível. Sentamo-nos à beira da parede para apreciarmos o visual e esperarmos os mais lentos. O caminho a seguir não poderia ser outro: desce-se do morrote e pega-se para a esquerda, onde iremos ter que contornar a montanha deixando-a a nossa direita. Aproveitando o sulco nítido e nos guiando por uma seta pintada na pedra, escalamos grandes rochas e ganhamos um pouco de altura, mas não muito. Foi aqui que encontramos um grupo que havia se perdido, voltando do Marins para o acampamento Base. Vendo-os totalmente desorientados, demos sinais para que subissem até onde estávamos e então lhes indicamos o caminho correto. Contornando parte da montanha, logo nos deparamos com uma grande parede, onde uma corda serve de guia e de amparo para a subida. Passado esse trecho, pegamos para a esquerda e fomos seguindo em direção a um vale e como os meninos continuavam ainda muito lentos, vou sinalizando com meu bastão na parte da trilha arenosa para onde eles devem seguir. Logo chegamos a uma área de acampamento e vendo que o sol já começava a querer se jogar no oeste, resolvemos parar e esperar que todos se juntassem. Já passava das 17h30min e o Luciano e o Will nada de aparecer. Gritamos por eles e nada, os caras sumiram. Preocupados, fomos atrás dos caras e logo encontramos o Will e muito tempo depois apareceu o Luciano, que disse que havia tirado um cochilo na trilha. Diante da situação, resolvemos que seria hora de pararmos e montar acampamento ali mesmo, racionar o pouco que tínhamos de água, prepararmos uma janta e fazer com que os meninos descansassem bem e se recuperassem para o dia seguinte. Pra nós quatro já haviam ficado bem claro que o Luciano e o Will não tinham a menor condição de seguir enfrente naquela travessia, pelos menos no tempo em que a gente tinha proposto para empreitada. Mesmo assim jamais havia passado pelas nossas cabeças deixa-los para trás. Caberia a eles o bom senso de avaliarem suas condições físicas e tomarem a decisão de retornar, mas mesmos assim estávamos dispostos a persuadi-los a irem pelo menos até o cume do Marins, o que já seria um grande feito, haja vista que essa era a primeira vez que os caras pisavam em uma grande montanha.
       
      Eu e o Dema ficamos em uma barraquinha de dois lugares, o Will montou também a sua barraquinha e os outros três dividiram mais uma barraca. A temperatura apesar de fria encontrava-se excelente para essa época do ano, já que estávamos a mais de 2.000 metros de altitude, mas o Will e o Prince foram para montanha sem saco de dormir e sofreram de tanto frio e se esses caras tivessem pegado a temperatura que pegamos no passado, teriam virado picolé. Foi realmente um erro de principiantes, que poderia ter lhe custado um sofrimento ainda maior e desnecessário, espero que tenham aprendido a lição.
       
      O dia amanheceu novamente extraordinário e com ele se renova a nossa esperança de nos colocarmos novamente no nosso roteiro original. Tomamos café e partimos logo bem sedo. A trilha entra no capim e um minuto depois já estamos novamente nos pendurando em mais uma parede íngreme, sem mesmo dar tempo de aquecermos os motores. Agarrando- nos nas saliências da rocha, ganhamos altura e logo nos encostamos na grande parede que já havíamos avistado desde de quando começamos a pequena escalaminhada. O caminho vai seguindo pela esquerda e vamos nos equilibrando em uma lamina de pedra com todo cuidado, até que hora e meia depois já temos à nossa frente um selado e mais acima o Pico do Marinzinho, mas não é para aquela direção que iremos, pelo menos por enquanto. Vamos seguindo pela rocha nua, nos guiando pelos totens, deixando o Marinzinho agora à nossa esquerda e nos direcionando para o próprio cume do Marins. Passamos por duas lombadas e logo começamos a descida até a água, que marca o início da subida final até o topo do Marins. Antes de descermos essa ultima rampa de pedra até a água o Will nos comunica que não irá mais continuar conosco nessa travessia, irá somente até o topo do Marins e resolve esconder sua mochila por ali mesmo e seguir sem carga. Enquanto ele esconde a cargueira, deslizamos rampa abaixo e ao chegar a água, jogamos as mochilas no chão e fomos nos fartar de tanto beber o precioso liquido, mas não sem antes colocarmos algumas gotas de hidrosteril afim de tratá-la , já que uma placa indicava que poderia haver contaminação.
      O ponto de água no pé do Marins é um grande encontro de montanhistas de tudo quanto é lugar. É ali que a galera acaba trocando informações, planejando futuras travessias e é ali também que caminhantes acaba por encontrar velhos amigos de outras travessias, resumindo, uma festa, uma grande confraternização.
      Antes de seguirmos nosso caminho final até o cume, escondemos também nossas mochilas no capim junto à água, primeiro que é muito mais fácil subir leve ao cume do que carregando 15 ou 20 quilos nas costas e também porque nosso caminho para a Travessia do Marins para o Itaguaré parte exatamente alguns metros dali e não há porque gastar energia para subir e descer carregado. Seguindo os totens e o caminho óbvio, que é subindo a grande rampa, vamos caminhando rapidamente, de rampa em rampa, de pedra em pedra, parando de vez enquando para uma foto que nos indica qual será o caminho que seguiremos para o Itaguaré , depois que voltarmos do Marins. Às 10 horas da manhã passamos por uma área de acampamento e pouco depois por mais uma, desta vez ocupada por três barraquinhas, que logo depois serão avistadas novamente quando tivermos na rampa final rumo ao cume.
       
      Alguns metros antes do topo passamos por mais uma área de camping e finalmente às 10h20min fizemos uma pose para a grande foto no cume do PICO DOS MARINS – 2.421 METROS. Chegar ao topo de uma grande montanha como o Marins é uma sensação muito boa, principalmente depois de um grande esforço como foi o nosso, vindo desde lá de Piquete até o cume, mas ver a cara de satisfação dos amigos principiantes , não tem preço. Pisar no topo é a coroação para os determinados, para aqueles que tiveram que superar seus limites, tiveram que ir além das suas forças. E isso foi o que aconteceu principalmente com o Will e com o Luciano, apesar dos pesares, os dois foram bravos, superaram todos os limites físicos e psicológicos que só uma grande caminhada e uma grande montanha podem impor. E como eu nunca me canso de dizer: As pessoas não superam montanhas, as pessoas superam limites, as pessoas superam a si mesmas, para provar para si mesmas que são capazes de qualquer coisa, subir montanhas é só mais uma.
       
      Ficamos no topo por mais ou menos uma hora, escalamos algumas grandes rochas, conversamos com outros montanhistas e descemos a todo vapor e só paramos quando estávamos de novo de volta à água, onde paramos novamente para uma refeição fria e discutirmos que rumo tomaria nossa expedição. Logo em seguida chegou o Luciano, anunciando também a sua desistência de continuar a travessia. O Will já havia se despedido de nós e já havia tomado o caminho de volta para o Acampamento Base. Por algum motivo, talvez incompatibilidade de genes, o Will e o Luciano não quiseram descer juntos, cada um tomaria seu próprio rumo. Mesmo assim pedimos para que um grupo que desceria depois deles os auxiliassem caso precisassem, não queríamos que os dois tivessem o mesmo fim do Escoteiro Marquinhos, que ao descer o Marins em 1985, desapareceu sem nunca mais ser encontrado e hoje permanece como o maior mistério do montanhismo nacional.
       
      Pois bem, agora nosso grupo seguiria somente com quatro integrantes, Eu, Dema, Eduardo e o Prince. Poderíamos imprimir um ritmo um pouco mais rápido porque, mesmo havendo uma diferença bem grande de idade, com total “desfavorecimento” para Eu e o Dema, que eram os idosos do grupo, ainda assim a “velha guarda ainda tava” aguentando o tranco. (Rsrsrsrssrsrsrsrs).Jogamos as mochilas às costas e partimos decididamente às 13:00. Pulamos o riacho, abastecemos as garrafas com 3 litros de água por pessoas e subimos a rampa até a metade e fomos nos guiando em direção a área de acampamento que estava da direção do Marinzinho. Aqui não tem erro, precisa olhar para a grande rampa de pedra que sobe a encosta da montanha e tocar para cima, às vezes se guiando pelos totens, outras vezes subindo por onde dá até chegar ao topo para depois descobrir que é um topo falso e que o verdadeiro ainda está muito mais à frente.
       

      A sequência do caminho é pela esquerda do topo principal, tem que descer e ir contornando até conseguir escalaminhar sua parede e ir subindo aos poucos até o cume verdadeiro. Nós gastamos para ir do ponto de água até o cume do Marinzinho 2.432 metros de altitude, o ponto mais alto de toda nossa travessia, umas duas horas, mas imprimimos um ritmo não muito rápido porque paramos muito para apreciar o visual e tirarmos umas boas fotos. O cume é marcado por uma grande pedra, onde é muito difícil de subir, mas com ajuda dos companheiros, lhe dando apoio para os pés é possível fazer uma foto no ponto mais alto. Nós ainda pegamos uma placa que existe embaixo e levamos para cima do grande matacão e aí fizemos uma foto espetacular. O Dema e o Prince ainda se arriscaram a saltar de cima do monólito para outra pedra mais embaixo, um pulo ariscado de mais para um lugar ermo e sem nenhuma chance de socorro, mais confesso : a foto dos caras ficou de dar inveja, (rsrsrsrsr).
       
      O nosso objetivo era acampar junto a Pedra Redonda e por isso tínhamos que nos apressar para não pegarmos trilha à noite. A saída do Marinzinho é pela esquerda, como indica uma pequena placa colocada ali pelo pessoal da pousada Maeda, aliás, do próprio Marinzinho parte uma trilha para a pousada, encurtando a travessia para quem já estiver sem condições de prosseguir e quiser ir embora para casa mais sedo. Seguindo um totem, também à esquerda, contornamos uma pedra e damos de cara com um vale gigantesco que teremos que descer e para começar, teremos que nos pendurar em uma corda, colocada estrategicamente para dar segurança na descida. A descida é lenta e penosa, porque a tendência é que a mochila te jogue abismo a baixo e então é preciso fazer muita força no braço para não se emborrachar lá embaixo. Terminada a descida, descemos atrás dos arbustos até o fundo do vale e então começa uma enorme subida, onde temos que escalaminhar e botar os joelhos na boca para podermos chegar ao cume de mais um morro. No topo é possível admirar a grande descida que acabamos de descer e também ter uma das mais belas visões de toda a travessia, que a visão magnífica da Pedra Redonda, se fundindo com o Itaguaré ao fundo. Mas infelizmente não há tempo para muita contemplação, pois já passa das 16h00min e logo o sol já vai começar a se recolher, portanto demos adeus ao cume e começamos novamente a descida em direção a Redonda.
       
      Vamos descendo como dá, seguindo totens ou simplesmente pulando de pedra em pedra, desescalando, escalaminhando, abrindo mato no peito, escorregando, passando por dentro de pequenas tocas até finalmente alcançarmos os 2.353 metros do cume da Pedra Redonda. Cume é modo de dizer por que a pedra é realmente difícil de subir, dois monólitos um encima do outro, que por incrível que pareça, nem de longe são redondos ( bom, de longe é sim, rsrsrsrs). Pois é, a Pedra Redonda é pura ilusão de ótica. Há uma medíocre área de camping junto à pedra, mas a não ser que se chegue por aqui realmente destruído, o melhor mesmo é seguir por mais algum tempinho e encontrar um lugar mais descente para esticar o esqueleto. A descida começa por entrar na mata , mas logo sai e começa a contornar mais um pequeno morrote, até voltar a entrar na mata, virar a esquerda e sair em campo aberto. Passa por mais uma área de camping, mas igualmente medíocre, passamos batido até atravessarmos por um alto capim elefante e nos vermos a beira de uma grande descida. Nós queríamos acampar de qualquer jeito , pois o sol já estava nas últimas, por isso resolvemos não descer até a crista logo abaixo. Voltamos e resolvemos abrir uma nova clareira de acampamento.
       
      Junto à trilha larga no meio do capim elefante, encontramos um bom local para cortamos as folhas do capim. Fomos cortando as folhas com uma faquinha de cozinha e jogando no chão para forrá-lo e protegê-lo da umidade. Fizemos um serviço tão bom, que essa agora é sem dúvida a melhor área de camping de toda a travessia, cabendo umas três barraquinhas de dois lugares. A noite caiu e a temperatura estava novamente muito boa. Fizemos o jantar e como desta vez estávamos menos cansados que na noite anterior, pegamos nosso fogareiro, nossas lanternas, um pouco de água , chás e cappuccino e fomos uivar para lua e celebrar a vida no topo do morrote que havíamos descido depois da Pedra Redonda. Ficamos por lá até depois das oito da noite, observando as estrelas, jogando conversa fora e planejando futuras caminhadas e novas explorações. Depois descemos e cada um se recolheu para a sua barraca e foi ter sonhos mais impossíveis de realizar.
       
      Bem cedo, acordamos. Desmontamos rapidamente as barracas e logo partimos sem mesmo tomar café, pois não havia água para tal luxo. Tínhamos agora meio litro de água por pessoa para realizarmos a travessia entre a Pedra Redonda e o pico do Itaguaré. Atravessamos novamente por dentro do capim elefante e logo chegamos à borda do platô, onde havíamos acampados. Na grande crista uns 150 metros de desnível abaixo de nós, identificamos ao longe um grupo grande e suas barraquinhas coloridas. Fomos descendo com cuidado, ora pulando e descendo pedras, ora seguindo por dentro de caminhos nítidos por dentro do capim. Chegamos à crista e começamos a imprimir um ritmo muito rápido, sem quaisquer paradas, avançávamos destruindo tudo que aparecia à nossa frente, seja bambuzinho, capim elefante ou outro obstáculo qualquer. Não demora muito, tropeçamos em uma barraquinha, onde um senhor de uns 60 anos ou mais, acampava solitário. Perguntamos ao velho se teríamos água antes do Itaguaré e ele com todo simpatia nos disse que não. Despedimo-nos e fomos conversar com o resto da galera que estava alguns metros à frente, em outra grande área de acampamento. Além da turma que havíamos encontrado no Marins, estavam também outros montanhistas de idade avançada. Era uma expedição guiada que estava fazendo a travessia ao contrário, do Itaguaré para o Marins. Até aí nada de mais, a diferença é que o homem velho que havíamos encontrado primeiro era nada mais nada menos que o S.r. Afonso, juntamente o guia que havia sido dispensado pelo grupo de escoteiros no fatídico sumiço do Marquinhos em 1.985, pena que fiquei sabendo disso somente quando me deparei com toda a história, dias depois, já em casa.
       
       

      Seguimos enfrente, sempre seguindo alguns totens e tentando nos manter sempre na crista e logo chegamos à beira de mais um gigantesco vale verdejante, onde se tem uma vista espetacular do Itaguaré. Paramos ali para mais algumas fotos, para bebermos o último gole de água do cantil e nos lamentarmos de não termos conseguido encontrar nenhuma água desde o Marins. Nossa pernada continua para a direita, onde logo encontramos uma larga trilha que se enfia na mata e desce ao fundo do vale, para depois voltarmos a subir novamente e retomarmos a altitude perdida. Mas não sem antes termos que suarmos muito para escalarmos muitas lajotas ásperas, nos enfiarmos por debaixo de matacões que insistiam em travar nossas mochilas, nos obrigando a retirá-las e a arrastá-las feito um saco de batatas.
       
      Cansados já estávamos a muito tempo, mas agora a sede vai tomando conta das nossas entranhas e cada passo dado vai se tornando em um tormento, que só acaba, ou é esquecido, quando as grandes formações rochosas vão aparecendo e inundando a nossa alma. Eu e o Dema procuramos uma grande rocha em especial, uma rocha que havíamos escalado em 2001, no auge da nossa forma física, em tempos onde a juventude e a irresponsabilidade reinavam sobre nós. Queríamos provar para nós mesmo que apesar da idade, ainda éramos capazes de nos agarrarmos feito lagartixas naquela pedra e chegar ao topo, 13 anos depois.
       
      Atravessamos mais um selado, sempre com as mesmas dificuldades dos anteriores. Vamos subindo e escalando outras grandes pedras e nos maravilhando com a grande visão oeste do Pico do Itaguaré, que guardada as suas devidas proporções, se parece muito com o Agulhas Negras. Do nosso lado direito, um deslumbrante Canyon se descortina, onde a centenas de metros a baixo, uma mata ainda dos tempos de Cabral, reina absoluta e quando a GRANDE PEDRA que procurávamos aparece, não demora para Eu e o Dema nos atirarmos à borda do vale e nos posicionarmos ao pé do nosso desafio. São duas grandes rochas, uma equilibrada sobre a outra, bem a beira do precipício. O Dema vai primeiro, apoia-se em minhas mãos e faz a alavanca até conseguir se agarrar em uma saliência mais acima. Toma impulso e se projeta encima da primeira pedra. Deita-se e me estende as mãos. Tomo impulso também e me agarro firmemente e o resto é puro esforço e superação física até eu conseguir chegar ao topo do primeiro desafio. Aproveitando que o Dema já se encontra deitado sobre a pedra, aproveito o embalo para pisar em suas costas e me catapultar para o cume da formação rochosa e logo em seguida dar a mão e facilitar que o Dema também atinja o topo. Agora somos dois velhos amigos se regozijando de tanta felicidade. Dando uma banana para a idade, gargalhando do tempo. Somos dois homens de meia idade que se recusa a abandonar o montanhismo, mesmo que muitos digam que é hora de parar. A gente não desiste fácil e mesmo que o corpo possa dar sinal de cansado, o espírito ainda faz planos de outras grandes aventuras e enquanto tivermos forças para carregarmos nossas mochilas, estamos nas trilhas, no mato, nas montanhas, nas cavernas, nos cânions, nas praias desertas ou em qualquer outro lugar onde formos desafiados pela mãe natureza.
       
      O Eduardo e o Prince também vão ao topo da “nossa” pedra e logo todos nós estamos partindo para o estirão final até o Itaguaré, afinal de contas a sede já estava nos matando. Passamos por dois irmãos que moram na mesma região que eu e o Dema e continuamos em passos apressados, escalando, pulando, passando por baixo, passando por cima de outras tantas pedras que eu nem poderia descrevê-las com exatidão, mas o caminho é bem óbvio, há de se ir seguindo os totens e sulcos de trilhas e às vezes algumas marcações pintadas nas rochas, até que sem perceber estamos encostados à grande parede do Pico do Itaguaré, mas sem água, nos recusamos a ir ao cume, pelo menos por enquanto.
       
       
       
      Se o nosso corpo ainda estava aguentando o tranco depois de tantos anos, o nosso cérebro não estava colaborando muito, pois não nos lembrávamos de onde seria a tal água do Itaguaré. Da parede de acesso ao Itaguaré, saem várias trilhas para todos os lados, o que acaba confundindo o trajeto a seguir. Os dois irmãos chegam e também não fazem ideia do caminho a seguir e olha que eles estiveram ali há poucos anos. Usando a nossa experiência e intuição, vamos descendo em direção ao vale verdejante logo a baixo, nos guiando em direção ao selado entre duas pequenas montanhas a nossa frente. Uma trilha tosca acaba se perdendo no vale logo abaixo e então a abandonamos em favor de alguns totens à nossa esquerda, o que acabou nos levando a uma clareira de acampamento, de onde parte a verdadeira trilha. Aí foi só ir descendo por ela até nos depararmos com um pequeno córrego, enfim Água!
      Eram exatos meio dia e além de matarmos a sede com a água muito melhor que a do Marins, assassinamos a fome comendo tudo que estava ao nosso alcance, enquanto batíamos um bom papo com os dois irmão, que de tão cansados, não foram ao topo do Itaguaré e isso não é exceção, boa parte dos montanhistas que passam por ali, estão tão extenuados que não tem forças nem para ir até o cume, uma pena porque é uma linda subida.
       
      Nós não quisemos nem saber, escondemos nossas mochilas no mato e seguimos “voados” para cima. Passamos novamente pela clareira de camping, contornamos uma grande rocha, que ficou à nossa esquerda e logo estávamos novamente na grande parede rochosa que dá acesso ao cume. Pegando um caminho alternativo, (poderíamos ter seguido alguns totens), escalamos nos valendo das fissuras ásperas da parede rochosa e logo ganhamos grande altura. Logo seguimos um pouco mais para a esquerda, onde a visão das nuvens bem abaixo de nós, nos fez pararmos para algumas fotos e logo estávamos em um platô, de onde os mais tímidos não passam e costumam ficar por ali mesmo, admirando a paisagem. Deste falso cume é possível atingir umas formações rochosas espetaculares e de lá, se assombrar com o vazio que se descortina a sua frente. Mas a gente não se contenta com pouco, queremos o ponto mais alto. E para ir ao cume verdadeiro é preciso enfrentar uma fenda potencialmente perigosa, se esgueirar ao lado de um abismo, escalar uma grande rocha e fincar de vez o pé no PICO DO ITAGUARÉ – 2.308 metros.
       


       
      Que lindo lugar! Que sensação maravilhosa essa de estar acima das nuvens, de olhar a mediocridade da civilização lá de cima. Tudo é belo e esplendoroso, estamos realmente extasiados diante do poder desta visão arrebatadora. Não importa quantas vezes se vai ao topo de uma grande montanha, a gente nunca se cansa de admirar. Estamos todos no topo e o clima de euforia contagia cada um de nós. Valeu cada gota de suor derramado, cada aranhão, cada tombo, cada queda, cada escorregão, cada joelhada na rocha, cada calo no pé, cada esfolada e furada de espinho nos dedos. O sofrimento é passageiro, mas as lembranças destes momentos no topo, não há tempo que apague.
       
      Satisfeitos, partimos! Abandonamos o cume e voltamos para o lugar onde havíamos escondido nossas mochilas, no caso a água do Itaguaré. Jogamos as mochilas às costas, pulamos o riozinho e pegamos a trilha que em pouco tempo chega a uma bifurcação, onde pegamos para a direita e saímos logo na grande área de acampamento. Estamos no selado, bem no meio das duas montanhas, que víamos quando já estávamos na parede do Itaguaré. Aqui foi onde titubeamos para encontrar a trilha de saída, mas chegando a primeira área de camping é preciso pegar para a esquerda e subir a montanha se guiando por alguns totens até que diante de uma grande rocha, a trilha quebra para a esquerda e desce de vez ao vale, se enfiando em algumas verdadeiras voçorocas, até se enfiar de vez na mata e virar quase uma estradinha de tão larga. O caminho a seguir é um pé à frente do outro, sentindo todas as dores nos joelhos possíveis, já que o caminho só desce e seguirá assim por quase duas horas, até que às 15h30min chegamos ao primeiro riacho e então o caminho arrefece e logo cruzamos novamente o mesmo rio e ao cruzarmos ele pela terceira vez, desembocamos no gramadinho à beira da estrada, é o Barreiro, a Travessia Marins x Itaguaré chega ao fim.
       
      No gramadinho final é o lugar onde todos que fazem essa travessia são resgatados e levados de volta para o acampamento base do Marins. Por estrada de terra são quase 20 km de distancia. Em 2001 nós enfrentamos esse pedaço caminhando, mas é um esforço descomunal, feito em quase cinco horas de caminhada. Passa da 16h00min e o sensato é ficar por ali, tentar uma carona ou mesmo acampar e seguir só no dia seguinte, já descansado. Nosso corpo diz que é hora de parar, encerrar a caminhada, comer uma comida quente, dormir em uma cama macia, mas nosso espírito de aventura insiste em dizer que devemos seguir enfrente, aproveitar o feriado de quatro dias por inteiro, terminar de fazer aquilo que a gente havia proposto quando abandonamos nosso lar há três dias.
       
      Para a esquerda é o caminho para a cama e comida quentinha, para a direita é o caminho para o desconhecido, para as dores nas pernas, para sofrimento sem limite. Pegamos para a direita. E naquela estradinha vazia, deserta e sem nenhum movimento, fomos seguindo, arrastando nossos corpos destruídos, feitos zumbis que vagão sem rumo. Caminhamos até um amontoado de casas e seguindo a informação de um morador, pegamos para a direita em direção ao povoado de Caxambu. A estradinha sobe um pouco, passa por entre algumas casas, enfrente a um sítio e sobe loucamente e quando chega ao topo, a noite já se foi. A nossa intenção é assim que possível, arrumar um lugar para acampar porque ninguém mais tá aguentando de cansado e de tanta fome. Andamos, andamos e nunca chegávamos a lugar nenhum. A fome era tanta que eu já estava torcendo pelo aparecimento de um despacho para poder me apoderar do frango. Quando chegamos a um cruzamento, pegamos para a esquerda e entramos em uma área de mata, onde paramos junto a uma bica de água. Dei uma revistada no local para ver se havia a possibilidade de acampar, mas não havia. Andamos agora sob a luz da lua e a cada curva da enfadonha estradinha, sonhávamos com a possibilidade de encontrar um lugar para esticar o esqueleto, até que uma placa de POUSADA RESTAURANTE TAIPA BRANCA nos chamou a atenção.
       
      Paramos em frente da pousada e ficamos discutindo se não deveríamos tentar arrumar um cantinho para acampar por lá, haja vista que lá havia um ótimo gramado. Mas como era uma pousada vimos logo que seria difícil arrumar algo. Mesmo assim eu e o Prince nos encarregamos de ir verificar. Chegando lá fomos atendidos por um simpático casal de velhinhos, que nos convidaram para conhecer o restaurante. Acampar não seria possível, já que não estávamos dispostos a pagar nada por isso. Mas a visão da comida mineira nos chamando não dava para recusar. Corremos lá fora e avisamos o Dema e o Eduardo. Iguais a refugiados de guerra, vindos da Somália, nos servimos da farta mesa, onde cada num pegou o que pode e o que coube no prato. Sem saber que o estilo era o do coma à vontade e o quanto puder, o Eduardo fez um prato tão grande, que teve de ser carregado até a mesa com a ajuda de todo o grupo, rsrsrsrsr. Quando abandonamos aquele pequeno restaurante, deixamos para trás um casal de velhinhos totalmente falidos, lamentando o dia em tiveram como clientes quatro aventureiros esfomeados.
       
      Apesar de ainda muito cansados, estávamos com as energias renovadas e seguindo um conselho dos donos da pousada, pensávamos em acampar no barracão da igreja, que estava a uns 3 km à frente, mas a noticia de que estava rolando a festa de São José, acabou com nossa esperança. Fomos caminhando sempre de olho em algum gramadinho à beira da estrada, mas logo tivemos que parar porque o Dema teve um ataque de dor de barriga. No desespero o cara saltou por cima de uma cerca de arame farpado e foi fazer a sua obra em um matinho. Foi aí que percebemos que o local era um excelente gramado para passarmos a noite, foi literalmente na cagada que encontramos nosso lar por mais uma noite. Forramos um plástico no chão e improvisamos um bivak, já que o tempo estava maravilhoso. Dormimos muito bem e lá pelas cinco da manhã acordamos e enquanto o sol não nascia, ficamos observando as estrelas cadentes e os satélites rodando sobre nossas cabeças. Depois tomamos café e partimos para o nosso último dia de caminhada.
       
      Quarenta minutos de caminhada nos levou ao povoado de Caxambu e em mais uns 15 minutos tropeçamos na linha férrea, onde um marco da famosa Estrada real marca o inicio da nossa caminhada pelo Caminho da Revolução de 32. Nosso caminho agora segue pela linha de trem para a direita em direção a divisa de estados, entre Minas Gerais e São Paulo. Como ainda é muito sedo, o caminhar é tranquilo e prazeroso e logo chegamos a primeira ponte do nosso trajeto, onde um riacho de águas cristalinas nos convida para um mergulho, mas ninguém se arisca ,pois ainda não passa das oito da manhã e a água está gelada. Seguimos nosso caminho e logo passamos por uma fábrica de queijos, onde aproveitamos e compramos um, para um lanche logo à frente. Passamos mais uma vez pela Estrada Real, que não passa de uma trilha mais larga e antes das nove horas da manhã, largamos nossas mochilas na Estação Coronel Fulgêncio. No tempo da revolução, essa estação tinha o nome de Estação do Túnel, depois da guerra, mudou de nome para homenagear o coronel abatido em combate. A estação marca o fim da ferrovia no lado mineiro e alguns metros à frente, cruzando por baixo de uma montanha, reina soberano o famoso TÚNEL DA MANTIQUEIRA.

       
      Sentados ali naquela estaçãozinha, ficamos imaginando como seria se pudéssemos voltar no tempo e puder acompanhar os desdobramentos da batalha da Mantiqueira. Muito provavelmente aquele lugar era muito diferente do que é agora, um terreno hostil e perigoso. Muita gente perdeu a vida nesta batalha e apesar de São Paulo ter resistido bravamente por meses contra as tropas de Getúlio Vargas, a perca de outros territórios no estado, fez com que a tropa paulista fosse obrigada a se retirar do fronte. No fim acabaram capitulando e o sonho de muitos de tornar São Paulo um Estado independente acabou indo por água abaixo.
       
      Depenamos um pé de mexerica e de laranjas lima, enchemos nossos cantis na fonte de água, acendemos uma lanterna e adentramos no grande Túnel da Mantiqueira. São 996 metros de comprimento, que foram cruzados rapidamente e logo, mesmo sem perceber, havíamos cruzado a fronteira de estado e mergulhado no lado paulista da Mantiqueira. Tiramos uma foto em um obelisco que marca a chegada em um novo estado, onde também me parece um bom lugar para acampar e seguimos acompanhando a linha férrea, que a partir de agora está abandonada e desativada. A floresta tomou conta de tudo e às vezes é preciso ir procurando os trilhos por debaixo do mato. Às 10h30min passamos pelo primeiro túnel do lado paulista e logo à frente passamos por uma pequena ponte e depois mais um túnel foi cruzado. Mesmo tendo sido construído lá pelos idos de 1884, os túneis ainda se encontram bem conservados. Passamos por uma cachoeira, onde fizemos uma pequena pausa para um lanche e um gole de água. A partir da cachoeira o mato toma conta de tudo. É um capim gordura que vai grudando nas pernas, o que torna o avanço quase que impossível. Logo começamos a ver que dificilmente conseguiríamos chegar a Cruzeiro no mesmo dia. Em uma curva mais à frente, surge uma grande ponte, onde cruzamos com muito cuidado e mais 20 minutos de caminhada tivemos que cruzar ao lado da linha férrea porque a erosão levou o apoio do trilho, transformando-o em uma ponte sem apoio, onde o Dema e o Prince se ariscaram, mas eu e o Eduardo achamos que seria um risco desnecessário.
       
      Mais um túnel é cruzado e logo em seguida, a linha férrea vai fazer uma curva gigantesca cruzando por dentro de muito mato, onde tínhamos que abri-lo no peito. Cansados e com os pés destruídos, não víamos a hora de abandonarmos aquele caminho, que a muito tempo deixou de ser uma trilha. Depois de cruzarmos por um grande brejo e passarmos batidos pela Estação do Perequê, na verdade nem a vimos porque estava envolta em muito mato, chegamos a uma estradinha, junto a Capela do Perequê, pintada de amarela e abandonada. Não tivemos duvida, pegamos a estradinha para sudoeste e fomos descendo até encontrarmos um pequeno córrego, que corria junto a uma mata, onde paramos para tomar um banho, o primeiro depois de quase 4 dias e prepararmos nosso almoço. Depois passamos por uma porteira, junto a um mata-burro e por mais uma hora cruzamos outro rio, desta vez muito maior e desembocamos na rodovia principal, aonde sem conseguir nenhuma carona, seguimos nos arrastando pelo asfalto, até que uns 5 km antes de Cruzeiro a tão almejada carona em uma Kombi veio bem a calhar e às 18h00min já estávamos na rodoviária contemplando ao longe toda a serra da Mantiqueira, de onde demos um último adeus antes de seguirmos para casa.
       
      E foi assim que 13 anos depois da nossa primeira incursão por este fantástico pedaço da serra da Mantiqueira, nós concluímos mais uma vez esta linda travessia. Estamos mais velhos e isso é um fato que não podemos negar. Talvez não tenhamos o mesmo vigor de outrora, mas é certo que aprendemos a superar isso, aprendemos a usar os atalhos do caminho. A experiência nos deu a maturidade que nos faltou quando éramos mais jovens e se a energia não é mais a mesma, nós superamos com garra, com determinação. Ainda somos os mesmos obstinados de sempre que tenta seguir enfrente e mesmo quando todos dizem que a gente não vai conseguir, a gente vai lá e tenta, só para provar para nós mesmo que somos capazes. Quanto ao Eduardo e ao Prince, acho que Eu e o Dema só temos a agradecer a companhia destes duas caras espetaculares e volto a repetir : Uma boa caminhada tem o poder de transformar grandes companheiros em grande irmãos. Valeu meus irmãos, pelo prazer das vossas companhias.
       
      Divanei Goes de Paula – maio de 2014




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