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jeffersonsantoscohen

Viagem "de carona" de salvador a argentina e paraguay

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Bom galera, to aqui pra contar essa historia louca que fiz em julho desse ano. Moro em salvador e tive a incrivel ( na verdade louca) ideia de ir de carona, fazer um mochilao. Como estava de ferias tinha em torno de 25 dias pra fazer. Mas como foi minha primeira viagem pra fora da Bahia, n tinha a minima nocao de como seria. Comecei a tracar um roteiro simples- pegar carona na Br e nao gastar nada.

 

Acham que eu consegui? Claro que nao kkkkk. Mas a historia eh interessante rss.

Bom fiz os preparativos inicias. Comprei mochila, lanterna, comida, vasilias de agua, medicamentos e etc. Tirei os documentos, arrumei tudo e la vamos nos...

Claro que amigos e familia acharam super loucura. Disseram qur eu ia morrer de fome, de frio, de assalto, enfim... mto encorajamento kkk. De qualquer forma, fui!

Tinha vistos relatos aqui no mochileiros, videos no youtube, e todos falavam que era tranquilo. Apesar de perigoso, mas sempre dava certo. Entao la vamos nos...

 

Sai dia 5 de junho, minha ideia era pegar um onibus ate a br aqui em salvador, ir a um posto de combustivel que tem varios caminhoneiros. Peguei 2 buzus com minha mochila imensa nas costas e fui. Cheguei no posto e tinham variooooos caminhoes. Blz!!! Vou me dar bem. Mas conversa vai, conversa vem e nada. Todo mundo dizendo que tava sem carga, eaperando...

Duas horas se passaram e eu ainda tava la.

Primeiro eu queria pegar uma carona ate o parana ou foz, mas com o passar do tempo aceitava ate o sul da bahia so pra adiantar o lado. Consegui? Tambem nao.

 

O carinha do posto disse que tinha um casal la que passou 2 dias la, mas que conseguiram carona e ja tinham ido.

E eu nada...

Ja era 2 da tarde e nada... os caminhoneiros comecaram a falar que la demoraria muito, que era pra eu ir em um posto uns dez quilometros a frente que la tinha caminhao saindo pro Brasil todo. Toda hora. Entao pra que melhor ne? Decidi ir mesmo sem saber onde era ou oq ia rolar. Mas o espirito de aventura me moveu!!! Peguei minha primeira carona do posto que eu tava pra o posto que parecia ser o ceu. Sensacao incrivel, levantei o dedo, o cara parou e eu disse pra ond ia e ele: sobe ai!8):-)

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Cheguei no posto e realmente parecia. Um imenso parque dos caminhoes. Tinham uns 200 parados, e varios passando na eatrada. Pensei, agora vai!

 

Entre varios agenciadores, caminhoneiros e gente de la, tinha uma galera de umas 6 pessoas que tambem estavam procurando carona, mas pra fortaleza. Eles ja tavam la a 3 dias...

 

Foi ai que eu pensei: vixiii me dei mau. Mas eles eram 6 e eu so um, entao devia ser mais facil.

A partir dai eu ja tinha oq buscava nessa viagem. Era uma trip pra me conhecer, saber meus limites, me aventurar e me abrir. Certamente me conheceria mais e conheceria o mundo e as pessoas mais do que antes...

 

Sai e rodei todo o patio e encontrei um caminhoneiro que me daria carona, mas tava com a familia... outro que daria, ia pra sao paulo, mas ia esperar carga. E varios outros que simplismente diziam nao. Um deles conversou cmg que eles nao davam mais carona por medo de assalto. E que seria bem dificil... naquela hora meio que ja bateu desespero, comecei a pensar no meu sofa macio, meus programas de tv passando, comida em casa e eu ali, cansado, com peso nas costas , falando com mil pessoas sem conseguir nada. Pra minha surpresa as 6 da tarde a galera que ia pra fortaleza consegui uma carona e foram embora. Creiam, eles 6 conseguiram e eu nao. Anoiteceu, comecou a chover, o posto comecou a esvaziar, e eu tava ali sozinho. Com 1% de esperanca. Fui pra pista e fiquei acenando pra quem passava e nada. Percebi que ja estava chamando atencao... mais de quem eu nao queria, como caras com cara de poucos amigos. Ai nao teve como. Fui pro ponto pra pegar um onibus e voltar pra casa. Tava nervoso. Confuso e com medo. Encontrei um senhor bem falante no ponto de onibus, ele disse que ali agora ia demorar de passar e ele iria de carona. Pedi pra ele me levar, ele disse que sim. Ufa! Ia sair dali, finalmente.

2 caronas no dia e nenhum avanco. Mas voltei pra salvador e fui pra casa.

Cheguei com a cabeca rodando... feliz por ta em casa e triste por nao ter conseguido ir.

Um fracasso... mas eu sei como eu sou, eu nao ia desistir

Eu queria fazer essa viagem e ia fazer essa viagem

E eu fiz.

 

 

Continua...

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Foda cara, triste pelo Brasil ser assim ainda. Estarei pegando carona de foz até ushuaia, e depois até o chile, ja conversei com muita gente que fez isso e creio ser bem mais facil.

 

Mas serviu de experiencia pelo menos rs

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Foda cara, triste pelo Brasil ser assim ainda. Estarei pegando carona de foz até ushuaia, e depois até o chile, ja conversei com muita gente que fez isso e creio ser bem mais facil.

 

Mas serviu de experiencia pelo menos rs

 

 

Verdade. Mas a historia tem um final feliz ainda rss vou continuar a contar

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Continuando...

 

Ae galera, agora chega a parte divertida desse relato doido sobre essa historia doida kkk.

 

No outro dia acordei e meus neuronios cmecaram a trabalhar pra criar um plano novo. Pensei em varias possibilidades e vi que talvez eu poderia estar com um pouco de vergonha por estar pegando carona na minha cidade, pelo que os outros iam pensar entao pensei em ir p outra cidade e comecar de la.

Ai pensei em sao paulo, brasilia, mas decidi mesmo cmc do rio. Assim do nada. Acordei e algumas hrs e pesquisas depois decidi... " eh vou pro rio".

 

Digo uma coisa... se vc quer viajar de carona e n gastar dinheiro, n tenha dinheiro, pq seu psicologico afeta kkkkkk.

Comprei a passagem pela avianca e la fui eu as 5 da tarde no meu primeiro voo.

 

Da pra imaginar q eu so achava q aquele trambolho ia cair ne? E aqueles estalinhos no ouvido pela altitide? Bizarro . Mas cheguei no rio no cmc da noite. E ali percebi q tava super longe de casa e agr n tinha mais volta.

 

Sentei no aeroporto pra pensar p onde ir e... decidi ir pra rodoviaria, ou seja, nada de carona... fail!!!

 

Olhei umas passagens na rodoviaria do rio e vi q pela manha saia buzu pra curitiba, entao comprei e decidi passar a noite la.

 

Sai e dei uma voltinha meio amedrontado ja que os taxistas ficavam me botando medo dizendo q n era nem um pouco seguro. Vi umas escolas de samba. Sao januario. O vidigal. O iconico largo dos leoes onde tomei uma cerejinha e voltei...

 

Dormi sentado no banco da rodoviaria... ate a hr q o pessoal passou lavando o chao ne... ai acorda td mundo e ja viu.

 

Pra quem eh do rio ou ja passou la, sabe q a rodoviaria tem varias tomadas pra plugar o celular mas todas estavam ocupadas... celular descarregado fiz minha primeira boa acao ( sqn) e desliguei um daqueles tokens q ninguem tava usando pra carregar meu cel... afinal, economizava energia ne? Kkk

 

Pela manha banho tomado e partiu eu. Num onibus vazio. Tinha tipo umas 8 pessoas rumo a curitiba.

 

A partir dai so vi lindas paisagens... serio gente. O interior do rio ate sampa eh lindo. Resende. Seropedica. Vale... paisagens incriveins com pinheiros. Neblina. Tudo lindo.

 

Pra minha sorte o onibus parava rm quase td rodoviaria e foi assi. Q conheci mesmo q rapidinho a basilica de aparecida. A cidade em sim eh voltada pra ela. Incrivel.

 

 

 

Depois sao paulo era mto predio e o onibus nao parou entao eu dormi... quando acordei ja tava no interior do parana, chegando em curitiba. O onibus tinha ar condicionado mas eu tva sentindo algo estranho... ai qdo cheguei em curitiba e desci do buzu tava mais frio que la dentro :-D:grin:

 

Faziam 8 graus... meia noite. E eu de bermuda e camiseta. Me intoquei com 3 camisas 1 jaqueta, duas calsas, gorro e fui eu pasaar a noite mais fria da minha vida.

 

Continua...

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Voltando...

 

No dia seguinte, amanheceu e, olha que legal?! Nao esquentou... sim fomos de 5 para 7 graus as 9 da manha. Finalmente tomei coragem e 30 copinhos de chocolate super quente e sai pra conhecer a cidade.

 

De cara me deparei com todo mundo de gorro, bota, casaco, luva. Luva?

 

Eles moram aqui e tao de luva? Imagina eu que sou de salvador.

Corri pra aquele mercadao famoso que tem perto do parque e tratei de compra um par. Fiquei supppper chic kkkk. Me senti nas zoropa.

 

Mas o frio n tava pra brincadeira. As extremidades sofrem, entao se vc for pra algum lugar frio, recomendo que va preparado.

 

Dito isso, posso afirmar que curitiba é sem duvida o lugar mais bonito que ja vi. As pessoas sao agradaveis, é tudo muito limpo e organizado. E aquele ponto de onibus é um charme.

 

Depois de perambular bastante tava cansado entao fui pro hotel em frente a rodoviaria pra descansar. E la tinha wi fi. Hora de mandar noticias e tal.

 

Fiz um roteirosinho de curitiba a Foz. Passava por varias cidadesinhas e meu intuito era ir de carona.

 

No dia seguinte entao levantei, fiz chek out e fui... como nao vi muitos caminhoes e era um sabado decidi ir a cidade mais proxima de onibus. Entao partiu campo limpo.

 

De la ia pegar uma carona mas... n tinha nenhum caminhoneiro por la. Mas pelo menos tinha esquentado. Uiii blz

 

 

Conheci a cidade pois tava tendo uma feirinha com comidas tipicas e coisas da regiao.

Comi

Comi

Comi me fartei

Tem sabores de pasteis que nunca ouvimos falar. Recomendo.

 

O problema foi que ja tava de tarde e eu tinha que ir embora... como nao tava mais saindo onibus, decidi ir a pe ate a Br, era pertinho e de la ia usar o dedo mesmo. Acredite.

Levei 3 hrs pra chegar na Br e claro, me perdi.

 

2 caminhoneiros me ofereceram carona sem eu nem pedi, mas eles iam para o lado contrario.

 

Parei num posto e perguntei onde tinha um posto da receita e um rapaz me disse que era 10km ... bizarro. Andei como nunca. No meio da rodovia mesmo. Ja tva pensando onde ia passar a noite com um camp e meu saco de dormir.

 

Fiz uma linda placa de papelao dizendo: proximo posto.

 

Mas nao funcionou

 

Depois de muito andar so queria chegar em algum lugar... quaquer que fosse.

 

Vi um lugarsinho chamado itambe. So tinha uma fabrica de cimento. Perguntei ao porteiro se tinham caminhoes la e ele disse que eles ja estavam saindo... entao fui correndo para o fundo da empresa e vi 2 camonhoes parados.

 

 

Minha ultima chance no dia. Falei com. O cara que tava terminando de carregar... ele era paraguaio mas rolava um portunhol.

Perguntei se me levaria ate sao luiz do puruna e ele aceitou

 

 

Uhoooo

 

Blz

 

So que perguntando a ele pra onde era a carga advinhe?? Pro paraguai haha

 

Passagem direta? Ninguem rejeita...

 

Continha

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    • Por Hi.Loren
      Olá, galera!
      Vou sair de mochilão pelo BR e América do Sul (roteiro incerto), pretendo ir esse ano sem data para voltar, estou com pouco dinheiro mas dinheiro não é o mais importante, podemos fazer grana pelo caminho, pedir caronas, dormir em albergues, acampar, etc. Sem mordomias.
      Quero mesmo é aventurar em todas as adrenalinas que puder, me divertir muito, amo cachoeiras, praias, natureza no geral.
      Sou de Minas Gerais, será meu primeiro mochilão roots. Adoraria companhia de pessoas dispostas a viver uma experiência apaixonante.
      Sempre com respeito e responsabilidade.
      Bora?
    • Por maria.alves
      Mas como assim, Cuba com menos de 10 dólares por dia? 🤨 
      É isso mesmo pessoal, e para sermos mais exatos, gastamos exatamente $8,70 dólares cada um por dia, mas como o nome do post diz, foi um mochilão raiz e por isso eu advirto vocês que NÃO FOI FÁCIL, mas é possível.😎 Então, antes de começarmos, preciso dizer duas coisas:
       - PRIMEIRO: Eu e meu namorado estamos fazendo um ano sabático e tivemos a oportunidade de encontrar bons preços nas passagens a cuba, saindo de Bogotá- Colômbia e depois seguindo a Miami/NY-Estados Unidos. Então lá vamos nós com pouca grana e sem ter pesquisado muito.🤦‍♀️🙆‍♀️🤷‍♀️
      -SEGUNDO: Falaremos a verdade, é bem difícil ser mochileiro em Cuba! Mas, porquê Maria? Porque é um país pobre, em que a maioria das pessoas pensam que “turistas tem dinheiro, cubanos que não tem dinheiro”, segundo que por ter duas moedas os preços são absurdamente diferentes para cubanos e estrangeiros e terceiro que sempre vão tentar tirar um pouco do seu suado dinheirinho. Além  disso, seu mochilão pode se complicar pelo fato de ser ILEGAL fazer Couchsurfing, trabalhos voluntários, acampar selvagem, difícil pegar carona e até mesmo comprar comida em um supermercado para cozinhar, pode ser muito mais caro que comer na rua. 🤑😮
      Mas se você é brasileiro e não desiste nunca, assim como nós, vamos te dar dicas e esmiuçar como fazer um mochilão raiz em Cuba.
      Mas antes de começar, queria falar rapidinho sobre o DICIONÁRIO CUBANO, ou seja, palavras próprias que vão te ajudar e muito a se "disfarçar" de Cubano:
      CORRER LAGUAGUA = pegar um ônibus 🚍 CORRER CAMIONES = pegar um caminhão que é adaptado como se fosse uma lotação 🚚 CORRER BOTELLA = pegar carona PUNTO AMARILLO = lugar aonde fica uma pessoa vestida de amarelo, que para transportes do governo para você, mediante a uma proprina.  MONEDA NACIONAL = peso cubano/ CUP * DÓLAR = peso convertível / CUC  (se fala CU ou Ce-u-ce)
      Lembrando que Cuba tem duas moedas, o peso cubano (CUP) e o peso cubano convercível (CUC), ISSO É DE EXTREMA IMPORTÂNCIA, porque?
                  1 DÓLAR = 0.96 CUC (-10% ... não compensa levar dólar)
                  1 EURO = 1,08 CUC
                  1 CUC = 25 CUP
      OU SEJA, 
                  1 CUC = 4,07 reais
                  1 CUP = 0,15 centavos.
      obs: é fácil diferenciar as moedas, porque o CUP sempre ter os ROSTOS DOS PERSONAGENS FAMOSOS e o CUC vai ter sempre a imagem dos monumentos nacionais aos mesmos personagens.

      Lembrem sempre disso quando comentarmos os valores nos posts. E não esqueça, é balela o assunto que não é possível trocar CUP, acontece que na casa de cambio primeiro vão trocar TODO seu dinheiro por CUC e se você quer uma parte em CUP só pedir que a pessoa troca tranquilamente.
      *Lembrando que essa viagem aconteceu em maio de 2019, então eu estou usando a cotação dos valores comerciais, para ficar mais fácil.
      _________________________________________________________________________________________________________
      OUTRAS DICAS  RÁPIDAS PARA ECONOMIZAR
      ÁGUA – O gasto com água pode se tornar absurdo se você comprar todos os dias, mesmo se comprar aqueles galões de 6l. Normalmente uma água de 500ml e 1,5l em qualquer lugar custa entre 1 CUC e 1,5CUC respetivamente, em alguns mercados você até encontra por menos, mas se você fizer essa conta pela quantia de dias que você vai ficar, vai ser um gasto bem grande só com água. Nós tomamos água da torneira e não morremos por causa disso. Quando possíve, fervíamos e depois descobrimos um truque de comprar uma solução de hipoclorito por 1 CUP e colocar 3 gotas por litro de água. Pronto problema resolvido. 🥳 CASAS DE FAMÍLIA – A opção mais econômica de hospedagem são as casas de particulares. Minha dica é reservar por AIRBNB porque normalmente sai mais em conta ou também você pode chorar as pitangas. Assim você pode conseguir casas entre 10 e 12 CUC, na temporada baixa. Hoje em dia, Cuba tem pontos de Wi-Fi (ETECSA), no qual você compra um cartão, que varia de 1h e 5hs (Preço: 1 e 5 CUC respectivamente) e procurar hospedagens com reserva instantânea (sem a necessidade de confirmação com o anfitrião). Pronto, não precisa engessar o roteiro reservando tudo de casa e pode procurar o preço mais acessível na hora. COMIDA – Sempre vai ter algum lugar que vende comida por CUP ou estatais. Geralmente são estabelecimentos simples, e as vezes (poucas vezes) você até vai ter que comer em pé, mas a diferença é absurda de preço e a comida em si, é a mesma.  
       

       
    • Por Viviana Ciclobeijaflorismo
      Olá!
      Você que aparece por aqui dizendo que “gostaria de começar a viajar mas que não tem dinheiro e nem sabe como”, sua hora chegou! Estas palavras são digitadas pensando em VOCÊ!
      Antes, vamos iluminar alguns pontos:
      O Mochileiros.com é um fórum [lê-se: o maior e mais completo fórum] de troca de experiências e certamente você poderá encontrar riquíssimos relatos de viagens para se inspirar, dicas do que usar, orientações de onde ir e informações que deixam qualquer CAT (Centro de Atendimento ao Turista) no chinelo! Dessa forma, sugiro que procure, fuce, explore! Como já diziam as nossas avós “Quem procura, acha!”. Fatão! Dessa forma, te convido a degustar isso aqui: https://www.mochileiros.com/blog/mochilao
      Outro ponto que sinto ser importante iluminar é que, ainda que leia TUDO isso e muito mais, nada, NADA, vai te ensinar mais do que a prática. Esteja ciente.
      E, o mais importante é aquele velho ditado “quem quer arranja um jeito, quem não quer arranja uma desculpa”. Porque quando você REALMENTE quiser fazer algo, nada, ABSOLUTAMENTE NADA, poderá te impedir de realizá-lo. Inclusive viajar.  
      A ideia é que, a partir do compartilhar destas experiências que tive, você possa se inspirar e traçar o seu norte de acordo com sua proposta de viagem. Se você ainda não sabe disso vou te contar uma coisa: não existe certo ou errado, inclusive para viajar. Viajar sem dinheiro não te faz uma pessoa melhor do que quem viaja com dinheiro, e vice versa. O que nos faz uma pessoa melhor é nossa capacidade de expressar o Amor [em todas as suas faces como a paciência, a honestidade, a gentileza, o perdão...] através de nossos pensamentos, palavras e ações. Em toda e qualquer circunstância. A todo e qualquer momento.
      Você só saberá se viajar sem dinheiro - ou como dizemos, no modo roots – serve para você depois de se permitir ter sua própria experiência. Antes disso, qualquer pensamento não passa de masturbação mental e especulação. E isso também vale para quaisquer outros aspectos da vida. Permita-se.
      Vou separar por ordem das perguntas que mais recebi ao longo do tempo:
      SOBRE AS CARONAS
      :: Como pedir: tenha em mente que uma imagem vale mais do que mil palavras e que esta imagem que o(a) motorista receberá de ti irá durar pouquíssimos segundos para que decida parar ou não. A maior parte das vezes usei um grande pedaço de papelão como cartaz no qual escrevia bem grande o destino final, seguido de uma cidade intermediária logo abaixo. O papelão é importante pois ele não reflete a luz solar, além de ser facilmente encontrado por aí e ser suficientemente resistente contra a ventania da BR. Sempre carreguei três cores de tinta para tecido (branco, vermelho e azul/preto)  e um pequeno pincel para caprichar na placa. Vale a pena. Sempre começava o dia antes de o Sol nascer e encerrava o deslocamento diário umas duas horas antes do Sol se pôr. Raras foram as vezes em que viajei de noite, até porque a exaustão física orientava os limites. Como acredito em trocas, sempre fiz pequenas lembranças (como filtros dos sonhos ou dobraduras) para dar como forma de agradecimento a cada carona recebida. Também é importante lembrar que a carona é um genuíno e sagrado ato de confiança mútua e geralmente o deslocamento é oferecido em troca da sua história! A maior parte das pessoas que oferece carona está interessada em ouvir sobre você por se identificar ou pela curiosidade em si. Além disso, no caso dos caminhoneiros(as) a conversa é uma forma de quebrar o silêncio dos longos quilômetros de solidão que enfrentam diariamente. Alguns querem ouvir histórias, outros querem contar as suas histórias, desabafar sobre alguma questão ou simplesmente ter a oportunidade de falar. Deguste estes momentos. Aprenda. Ensine.
      ::Onde pedir: se estiver em trechos de BR, no mais amplo e longo acostamento em linha reta possível, nunca em curvas pois tanto o(a) motorista quanto você não terão visão. Em trechos de subidas/descidas/morros não adianta pedir carona no início da descida ou no final dela pois os veículos descem embalados em alta velocidade e não vão parar. Neste caso, ande até chegar no topo da subida do morro onde a velocidade é reduzida ou até o próximo trecho de linha reta com acostamento. Às vezes você poderá andar quilômetros até encontrar este trecho...
      Também é possível conversar com caminhoneiros estacionados em postos de combustível e acertar a carona. Ficar na saída dos postos também é um bom lugar, assim como logo após radares e lombadas onde os(as) motoristas obrigatoriamente passam com a velocidade reduzida aumentando o tempo do olho-no-olho. Um pouco a frente dos postos da Polícia Rodoviária também pode funcionar.
      SOBRE DORMIR
      ::Como e Onde dormir: Só não dormi em barraca nas vezes em que fui convidada para dormir em alguma pousada, bangalô, hostel ou casa de amigos feitos durante a viagem. Houve ainda duas ocasiões em que montei a rede. Mas a via de regra para não gastar com hospedagem é dormir com a barraca “moitada” (escondida) em algum lugar. Em trechos de BR geralmente falava com o segurança do posto de combustível e perguntava onde poderia montá-la para passar a noite (o famoso "mocó"). Em trechos de interior encontrava algum mato no meio do nada que muitas vezes se tornava meu endereço fixo por dias, ainda mais se tivesse rio ou cachoeira nas proximidades! E enquanto viajava de bicicleta tive duas experiências muito positivas utilizando o www.warmshowers.org.
      Em trechos urbanos e pontos muito turísticos é realmente mais difícil (~quaaase impossível) encontrar um lugar minimamente tranquilo e seguro para passar a noite, então sempre que possível trocava trabalho por estadias em campings ou hostels caso fosse necessário ficar mais dias no meio da civilização. Dentre as definições de trabalho posso citar: carpir terreno, podar árvores, pintar ou envernizar portas e janelas, pintar paredes, desenhar mandalas, consertar tomadas, chuveiros, lâmpadas ou outros reparos básicos de elétrica, trabalhar na recepção, lavar banheiro e cozinha, cuidar de jardins, bioconstrução, permacultura, paisagismo, tradução de textos e inclusive troca de artesanatos. Quaisquer dons e talentos podem (e devem!) ser usados. Autoconfiança é tudo. rsrsrsrs
      Tenha em mente que sempre que for moitar quanto menos atenção chamar, melhor para seu sono, seja em um posto de gasolina ou no meio do mato. Monte a barraca chamando menos atenção possível (ainda que isso signifique que terá de esperar algumas horas a mais - mesmo estando exausto(a)!!! - para que o movimento diminua). Se estiver no mato, tenha ciência de que fogo chama atenção e deve ser sabiamente manuseado (ainda mais em áreas naturais em períodos de seca, e isso vale para cigarros, incensos, velas) e examine bem o terreno quanto a possibilidade de formigas, cupins, pedras e gravetos. No litoral facilmente poderá pernoitar em postos de Bombeiros Guarda Vidas ou quiosques a beira mar.
      SOBRE TOMAR BANHO
      Durante períodos de deslocamento, como a maior parte dos pernoites ocorriam em postos de combustível, os banhos eram tomados nos próprios postos. No Sudeste, a maior parte dos banhos são pagos (entre R$3 e R$7) e para ter acesso é necessário retirar uma ficha com o frentista. Nunca paguei, sempre pedi cortesia e sempre ganhei. Mas atente ao tempo: pode variar de 6 a 8 minutos, mas garanto que serão minutos deliciosos... rsrsrsrs
      Centro-oeste, Norte e Nordeste apresentam em sua maioria banhos livres e gratuitos onde será possível até lavar aquela roupa em estado de decomposição avançada, porém não espere por chuveiro aquecido (o que é uma dádiva devido ao calor!). No Sul, os chuveiros são aquecidos e em sua maioria gratuitos. A composição dos banheiros pode variar muito: desde um cano que cai água até o luxo dos boxes de vidro com paredes de mármore e regulagem de temperatura e pressão. Permita-se ser surpreendido... rsrsrsrs
      Já em trechos urbanos recomendo o mantra “durmo sujo(a), acordo limpo(a)”...  ¯\_(ツ)_/¯
      Mas já consegui (em uma ocasião em que estava quase ligando para a vigilância sanitária me interditar hahahaha) trocar um banho em um hostel às 22h no meio de Belo Horizonte por... cristais!!! rsrsrsrs
      Mas no geral, como meus destinos sempre envolveram rios e cachoeiras, isso nunca foi um problema. Já cheguei a passar bastante tempo no mato relativamente longe da fonte d’água, o que não me impediu de ir a cada dois dias encher os galões ou de fazer um chuveiro com garrafa pet. A necessidade é a mãe da invenção!
      SOBRE COMER
      A maior parte de minhas viagens foram baseadas na troca ou na contribuição voluntária, só depois passei a vender artesanatos. Esse processo foi ocorrendo naturalmente a partir da maneira que passei a me relacionar com o dinheiro e com minhas reais necessidades. A princípio, sempre busquei manter meu estoque de “lembas” (vide: The Lord of the Rings) cheio. Isso quer dizer que sempre carreguei alguns alimentos básicos: amendoim salgado torrado, aveia, chia, uvas passas e cacau africano em pó e, eventualmente, bananas, maçãs ou pepinos. Também sempre carreguei alguns temperos como sal rosa do himalaia, canela em pó, cravo e orégano. Independente da situação, passava muito bem com estes alimentos o tempo que fosse. Na verdade, raramente me alimentava durante o dia por saber que a barriga cheia diminui o rendimento (principalmente viajando de bicicleta). Então, posso afirmar que nunca passei fome. O que fazia ao chegar nos postos de gasolina era pedir uma marmita no restaurante self service dos caminhoneiros [que fica nos fundos dos postos de gasolina das grandes redes, como GRAAL ou BR – onde também tem café de graça] e sempre fui prontamente atendida. Ao passar pelas cidades, qualquer restaurante oferecia marmita ao final do expediente, alguns solicitavam que deixasse algum pote com tampa para retirar posteriormente. Muitos montavam mesas com banquetes na relação de “quanto menor a cidade, maior a generosidade e recepção”. É claro que houve casos em que negaram o pedido de comida e, independente da falta de generosidade ou empatia, o fato é que ninguém é obrigado a nos dar nada. Ninguém nos deve nada, assim como não devemos nada a ninguém. Esses foram “nãos” essenciais ao meu crescimento pessoal e à compreensão de que é sábio buscar ser autossustentável em todos os aspectos da vida.
      O verbo que recomendo que conheça é manguear: a arte de trocar o seu artesanato diretamente pelo produto que precisa, sem precisar vendê-lo intermediariamente para só depois utilizar o dinheiro. Já mangueei colares de macramê e filtros dos sonhos por marmitas, lanches e sucos.
      Se for ficar um período maior em alguma cidade, encontre o maior mercadinho que tiver e descubra quando é a xepa. A xepa é o dia que antecede a chegada de novos produtos de hortifruti quando é possível pedir pelas frutas e legumes mais passadinhos (no limite do consumo) ou você pode comprá-los pelo simbólico valor de R$0,99/kg. Evite os produtos com marcas de bolor (como mamão e caqui) pois isso pode te livrar de uma bela diarreia fúngica. Esta assepsia também te livra da cólera e de morrer por motivos estúpidos... rsrsrsrs
      Sempre que fiquei parada por mais tempo em algum lugar usava uma pequenina panelinha em um fogão feito com latinha de refrigerante à álcool etílico (atenção ao manuseio!!! Para apagá-lo é necessário abafá-lo!!!). As cidades também possuem Centros Espíritas assistencialistas que geralmente oferecem durante a semana refeições em algum determinado horário. Em alguns lugares é conhecido como “sopão”. A verdade é que muitas são as refeições que se recebe, ainda mais se viajar de bicicleta.
      SOBRE LAVAR ROUPA
      Pelo menos uma vez na semana será necessário fazer essa função. Sempre que possível lavar no banho e já pendurar a peça de roupa na barraca para secar até o dia seguinte: faça! Nas regiões mais quentes isso é tranquilo de fazer. Se você tiver dinheiro, os postos de combustível das grandes redes possuem lavanderias pagas e sua roupa é entregue lavada, passada, limpa como nova e tudo isso enquanto você dorme! Pessoalmente nunca utilizei esse serviço, mas pude testemunhar muitos caminhoneiros utilizando-o. Mas bom mesmo é poder ficar na beira do rio e lavar roupa na pedra... Mas não se esqueça de usar sabão biodegradável (de coco de babaçu ou de cinza), por amor! Também é possível lavar roupas sempre que algum convite para hospedagem acontece. E também é possível usar uma roupa sem lavar por mais tempo do que você está imaginando agora... rsrsrsrsr 
      SOBRE IR NO BANHEIRO
      Não tem mistério: “Moça(o), posso usar seu banheiro?”  hahahahah funciona na maior parte dos estabelecimentos, ainda que seja apenas um buraco no chão no melhor China Style! Se estiver pelo mato acampado(a), não faça do seu banheiro a beira dos cursos d’água. Faça looonge, e enterre bem! E, se for ficar acampado(a) por mais tempo e não conhecer os princípios de decomposição de um banheiro seco, não faça sempre no mesmo lugar. No caso de ficar complicado sair de noite para fazer xixi, as garrafas pet estão aí, né, gentem?! E para as meninas existe o oigirl ( https://www.oi-girl.com.br/ ) e o InCiclo ( http://www.inciclo.com.br/ ) 
      Só sucesso!
      O que é realmente importante que tenha em mente é qual o seu objetivo e qual o preço que está disposto a pagar por isso? Quer viajar sem dinheiro por curiosidade? Diversão? Por liberdade? Convicção política? Fetishe? ( ͡° ͜ʖ ͡°) Para conhecer algum destino específico? Para ter experiências únicas? Conheça o que te move e saberá o que pode te derrubar. Está disposto a ficar longe do conforto? Precisa dormir bem toda noite? Tem pressa? Não gosta de interagir? Saiba qual o preço que está disposto(a) a pagar e nada poderá te derrubar.
      Se quiser saber sobre o que aprendi viajando, clica aqui:
       
       
      Se quiser saber sobre perrengues, espia:
       
      Se está buscando inspiração audiovisual, vai fundo:
       
      O resto é poesia.
       
    • Por Bruno Anastasi
      Bom dia 
      Tenho 21 anos e planos de no final do ano partir para um mochilão roots pelo mundo sem data de volta começando pela america do sul, pegando carona, couchsurfing, trabalho voluntario... mais me encontro sem dinheiro e com um trabalho que não me faz feliz, quando tive uma ideia q não sei se é bem possível para pelo menos não sair sem nada, tava pensando em mudar de cidade (provavelmente em curitiba) alugar um apartamento no Airbnb pelo mais barato q achar e nisso faria uns 100 brigadeiros vendendo cada um por 2 reais  ( vendendo minha historia e meu sonho de viajar o mundo), fazendo isso todo dia conseguiria por dia 140 de lucro e por mês 4.200 na teoria, oque me possibilitaria de conseguir pagar o apartamento, me manter (com o minimo de gastos) e guardar dinheiro para viajar, tava pensando em fazer isso por uns 5 meses e depois cair na estrada, alguém poderia dizer se já fez alguma coisa parecida ou se minha ideia não é tão impossível assim, porque a unica coisa q ouço é q estou louco, mais não tem como, é meu sonho, não tem coisa que mais queira no mundo.
    • Por Viviana Ciclobeijaflorismo
      Saudações!
      Há pouco compartilhei um relato sobre como foi viajar e viver na BR nos últimos dois anos e meio conhecendo um pouquinho de cada uma das cinco regiões do Brasil de carona, a pé e de bike. O relato não aborda roteiros, preços ou dicas mas busca compartilhar outras dimensões e aprendizados que tive (e você pode entender ao que me refiro aqui: https://www.mochileiros.com/topic/66973-sobre-a-coragem/ ).
      Como venho assimilando as informações vividas nesse intervalo entre ciclos que se encerram e se iniciam - e como todos sabemos que "happyness is only real when shared" -, percebi que outros dois assuntos são recorrentes no curioso imaginário da arte de viajar ~por aí e resolvi compartilhá-los também buscando somar.
      No outro post, os aprendizados foram compartilhados a partir da óptica da coragem necessária para seguir o coração a despeito de quaisquer garantias ou certezas que um mochileiro enfrenta no início, e automaticamente me lembrei das muitas mentiras que também temos que encarar. Acredito que a maior mentira que a humanidade perpetua a si e ao coletivo - de maneira quase socialmente institucionalizada - é o "não tenho/deu tempo", que é a maneira politizada de dizermos que não-queremos-tanto-assim-fazer-algo-como-dizemos-que-queremos. Mas, uma vez tendo vencido este autoengano, me deparei com aquela que considero a segunda maior mentira do universo das viagens: "para viajar precisa de dinheiro".
      Criada num contexto de classe média baixa onde as viagens feitas não ultrapassaram os dedos de uma mão (e envolveram exclusivamente a visita a algum parente distante ou um bate e volta à praia mais próxima) cresci com a crença de que viagem é luxo e que precisa de dinheiro para isso. Ao me dispor a encarar esta máxima e colocar a sua veracidade em cheque, descobri que é balela: para viajar precisa ter vontade - e disposição, claro! Não estou pregando que o "certo" ou "errado" é viajar com dinheiro ou sem, até porque ele é apenas uma ferramenta. O que busco salientar é que ele não é obrigatório como cresci acreditando que era. Ao escolher viajar sem dinheiro precisamos das mesmas coisas que ao viajar com dinheiro (ou até mesmo se ficarmos parados!): precisamos comer, tomar banho, dormir em um lugar minimamente seguro, etc, a única diferença é que se faz necessário encontrar maneiras alternativas de suprir tais necessidades, e daí vai da disposição e criatividade de cada um. Como diz o ditado "quem quer arranja um jeito, quem não quer uma desculpa".
      Outra mentira na qual tropecei antes mesmo de colocar a mochila nas costas foi "é perigoso mulheres viajarem sozinhas".  Tantas são as fobias e "-ismos" fortemente enraizados em nossa cultura que reproduzimos sem nem ao menos questionarmos as origens que eu mesma muito me admirei ao notar o sutil machismo que me habitava por acreditar nessa idéia. No entanto, após pensar um pouco, concluí que uma mulher viajar sozinha não é mais perigoso que uma mulher ir comprar pão, andar no transporte público ou ir para o trabalho. A sociedade é patriarcal e o assédio, infelizmente, encontra-se em todas as esferas sociais, logo é uma mentira acreditar que uma mulher viajando está mais susceptível à riscos do que qualquer outra mulher em qualquer outro lugar fazendo qualquer outra coisa.
      Outra ideia que tinha como verdadeira, e que descobri ser mentira muito rapidamente, é a de que "todo maluco de BR é paz e amor". Fui muito ingênua por acreditar nisso? Fui! Romantizava a vida na BR? Sim! Mas não levou muito tempo para que compreendesse que essa é uma inverdade por motivos lógicos! Hoje dou risada da magnitude de minha inocência por acreditar nesse estereótipo romantizado e assumo que compreender isso foi como levar um balde de água fria - necessário. Roubos, drogas, disputas e desonestidade são apenas alguns exemplos da realidade que não esperava conhecer entre os mais variados malucos de BR. Antes achava que todos eram "hippies saídos do Hair" ou "Cheech & Chong", embora estes existam em processo de avançada extinção... Rsrsrs sabe de nada, inocente... 
      Mas de todas as mentiras, a que mais me pegou foi "só dá para viajar com equipamentos ~adequados (lê-se, caros)". Sonho em ter uma mochila da Deuter? Sonho. No entanto, consegui muito bem me virar, entre remendos e adaptações alternativas de baixo custo (a.k.a. gambiarra) com uma comprada na loja do chinês por R$80. É claro que poder ter um equipamento de qualidade implica diretamente na relação entre conforto e rendimento, mas nada que não possamos nos adaptar. Digo que foi um ponto que me pegou pois também passei pela situação inversa: investi em um equipamento de marca e me ferrei! Por muito tempo, após ter passado por uma experiência de chuva muito intensa com uma barraquinha dessas de supermercado sem ter nem ao menos uma lona (amadora, rsrs), juntei dinheiro decidida a investir na minipak. Como passaria a viajar de bicicleta, ela era leve e apresentava uma excelente coluna d'água pelo que a julguei perfeita. Porém, ao adquirí-la e usá-la realizei que não era funcional para mim pois sentia falta de ser autoportante, é muito chata de guardar, o teto é muito baixo para o cocoruto, é pequena para visitas (ou sou muito espaçosa...), o alumínio entorta fácil e a vareta com 3 meses de uso quebrou! Passei um bom tempo pensando em como uma simples lona custando 10x menos já resolveria meus problemas... Rsrsrs
      Dessa forma, aprendi que equipamento bom é o que temos pois atende às nossas necessidades e temos intimidade com ele. Mas ainda hei de comprar uma mochila da Deuter! Rsrs
       
      Outro tema recorrente aos mochileiros são os tais dos perrengues! Ouso até dizer que, aos que ainda sucumbem ao medo, eles interessam mais do que as viagens em si! Rsrsrs Os perrengues e dificuldades são tão relativos quanto possíveis, variando de viajante para viajante assim como em intensidade. Para alguns o maior pesadelo pode ser perder a reserva de hotel, para outros pode ser um pernilongo. Dentro do que me propus a viver, por saber e confiar que nada que realmente precisasse faltaria, também carregava a consciência de que assim como recebo posso ter tirado de mim, afinal o conceito de posse já não mais me acompanha. Dessa forma, por não carregar eletrônicos, documentos ou ítens de valor comercial reconheço que fica mais fácil não se preocupar com perrengues. Ou não. Ao menos era nisso que acreditava até tomar A MAIOR CHUVA dessa vida numa passagem pela Chapada Diamantina. Pelo meu característico amadorismo e excessivo despreocupar no começo da vida mochileira, nem lona carregava, logo, a barraquinha de R$50 do mercadinho só serviu para canalizar o fluxo d'água numa cachoeira central que molhou a.b.s.o.l.u.t.a.m.e.n.t.e. TUDO. Compreendo que qualquer adversidade que surja é passível de adaptação, no entanto ficar completamente molhado nos traz a pior sensação de impotência possível já que não se tem o que fazer...
      O perrengue de tomar uma chuva e ficar completamente molhado ainda se agrava pois a questão não é solucionada com o fim da chuva! Mochila, barraca, roupas e pertences permanecem molhados por dias e isso significa que também ficam mais pesados, fedorentos e com grande possibilidade de embolorarem, além do risco momentâneo de hipotermia. Certamente, nunca passei por perrengue tão intenso quanto ficar completamente molhada pela chuva. Por dias. 
      Embora menos intensa quanto aos desdobramentos porém potencialmente problemática é a situação no outro extremo: ficar sem água. Houveram períodos em que levei bem a sério o Alex Supertramp e fui morar um tempo com minha barraquinha no meio do mato. O desafio principal está no fato de que não só o ser humano busca água como toda a natureza. Dessa forma, dividir a fonte com outros animais, fofos ou peçonhentos, é inevitável e saber a sua hora de usar a fonte e a hora deles é uma urgente sabedoria. Mas também houveram situações em que não havia uma fonte de água próxima e esse também se torna um desafio de captação, transporte, armazenamento e racionamento dessa água. Momentos como este reforçaram a consciência ecológica do desperdício-nosso-de-todo-dia com algo tão sagrado. Mas o perrengue mesmo é quando a água de beber acaba no meio do nada! A desidratação é um perigo silencioso e intenso pois o corpo buscará compensar a perda hídrica envolvendo todas as funções biológicas e então atividades simples como andar, falar e pensar se transformam em desafios homéricos. Saber calcular e administrar a relação distância x peso x sede é fundamental para evitar este perrengue.
      Além de ficar hipotérmica ou desidratada, os únicos perrengues que considero ter enfrentado derivam de um único fator: cansaço. Não me refiro ao cansaço físico pois este se resolve com uma ciesta, me refiro ao cansaço mental. Ter que retornar por caminhos já conhecidos, e que envolviam grandes centros urbanos, ou estar acompanhada de alguém com prioridades diferentes ou que só fazia reclamar são exemplos do que me causava o cansaço emocional. Então, mais de uma vez, a pressa por sair logo de uma dessas situações fez com que me colocasse no que chamo de vulnerabilidade desnecessária. Viajar exige uma pré disposição em se expor mas existem situações em que aceitamos nos submeter a uma exposição de alto risco sem real necessidade. Posso citar aquela carona que se aceita próximo do anoitecer pela pressa de chegar logo ou atravessar algum lugar, ou quando por preguiça de darmos uma volta maior mas que apresente menos riscos cruzamos trechos perigosos (estradas sem acostamento em trechos de serra, túneis ou viadutos), ou quando escolhemos parar em lugares sabidamente arriscados (como um leito de Rio ou cachoeira em época de chuvas, na praia aberta durante uma tempestade, sobre folhas secas ou chão batido certamente território de cupins ou formigas noturnas) ou quando aceitamos aquela carona cujo motorista apresenta nitidamente ao menos um pé na psicopatia - é raro, mas a energia que emanamos atraímos de volta). Felizmente aprendi rápido que o único remédio para o cansaço é descansar! Estes são exemplos da vulnerabilidade desnecessária que o cansaço mental atrai e transforma em verdadeiros perrengues.
       
      Sinto que as balelas e perrengues são intrínsecos a todos viajantes e, embora não pertençam ao lado glamouroso da viagem, são parte do alicerce. Que este compartilhar possa minimamente suprir a curiosidade dos que ainda buscam apoio na literatura assim como me confortam ao externizá-las, validando de certa forma as experiências que tive. Mas mais do que isso, que estas palavras sirvam de fermento ao questionamento. Não acredite no que falo. Duvide. Busque ter sua própria experiência.
       
       
      Dedico este compartilhar a todas e todos que têm ao menos um perrengue para contar pois acredito que este seja, no mais profundo, o seu propósito: transformar a história em estória...
       
      PRABHU AAP JAGO
       
       


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