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Viagem "de carona" de salvador a argentina e paraguay

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Continuando...

 

Penultima parte...

 

Finalmente de carona, saimos de itambe e fomos rumo a fronteira. So que era caminhao cargueiro ne pai? Ai ja viu. A 40 por hora. Mas o papo tva bom. Testei meu castellano e ele o portugues. Alem de aprender o guarany ( lingua muito usada na regiao por paraguaios)

 

As conversas no radio eram muito divertidas. Todos os caminhoneiros se conhecem e tem um codinome. Um mais engracado que o outro.

 

A experiencia da carona eh realmente fenomenal.

 

 

As dez da noite paramos em guarapuava, num posto onde varios caminhoneiros param e tem um restaurante bacana

 

Ai foi a hora de provar as delicias do sul!

 

Vinho feito no quintal (foooorte)

Churrrasco

Massas

E ainda tinha as polakas heheh

O jeito cmo eles chamavam as meninas germanicas de la.

 

Conheci mta gente e todos me perguntavam oq eu tva fzdo la vindo da Bahia.

 

Pra todo mundo eu era Piá. Esqueca meu nome haha.

 

Nesse posto literalmente no meio da estrada n tinha nada por perto entao meu saco de dormir foi meu companheiro cama e lencol. E a mochila o travesseiro. Acordamos bem cedinho e pe na estrada!!!

 

 

Subimos a serra e a vista dos eucaliptos eh linda. Recomendo

 

Paramos em laranjeiras, advinha? Pra pegar laranja!!! E em cascavel

 

As 5 e meia finalmente a placa anunciou q chegamos a foz.

 

Paramos em mais um posto. Esse com uns 300 caminhoneiros, logo na entrada da cidade.

 

Hora de cozinhar na cozinha do caminhao. Assistir ao brasileirao e timar chimarrao - pra rimar. Queria ja ir explorar a cidade, mas meus brothers paraguaios me convenceram a passar mais uma noite com eles, que no outro dia seriam meus guias.

 

Como beberam muito, acordaram muito tarde, eu me despedi rapidamente e parti. Rumo a ponte da amizade.

 

SEM QUALQUER FISCALIZACAO!!!

 

Entrei no país e a primeira coisa que me ofereceram foi uma ponto 40. Pode??

 

Fora isso, os cassinos e shops por la sao muitos. Mas a cidade eh charmosa. Os veiculos sao dos anos 80( nao sei por que ) e as pessoas lembram muito as brasileiras.

 

O que nao acontece na argentina. Passei o dia em ciudad del est e ao fim da tarde, fui em direcao a Argentina... e pasmem, eh outro mundo mesmo

 

Mas essa historia fica pro fim

 

Continua....

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Não contou o final da história, mas vou resumir a minha:

Sou de Salvador-BA também, e no final de 2018 decidi fazer exatamente a mesma coisa, ir de Salvador até a Argentina de carona.

Tinha apenas 18 dias de férias pra fazer essa viagem.

Arrumei a mochila na noite anterior, umas 5 peças de roupa, um par de chinelos, itens de higiene pessoal e um saco de dormir.

No dia seguinte acordei bem cedo, tomei um café reforçado e saí de casa em direção a BR-324.

Fiz uma grande parte do percurso andando até chegar no pedágio onde peguei minha primeira carona até um posto de gasolina onde disseram que seria mais fácil conseguir carona para sair da Bahia.
Peguei mais umas 3 caronas curtas até chegar em Feira de Santana, (lá é o entroncamento das duas BRs que ligam o norte e o sul do Brasil então é o melhor lugar pra isso)

Após várias tentativas frustradas de conseguir carona, alguns quilômetros andando no acostamento da BR-324 e várias horas de espera em postos de gasolina e pedágios, consegui uma carona com um caminhoneiro que ia para Santa Catarina e aceitou me levar até São José dos Pinhais no Paraná, era o lugar mais distante que ele poderia me levar.

Então nosso trajeto seria: Bahia--> Minas Gerais--> São Paulo--> Paraná.
Foram 3 dias de carona com esse caminhoneiro que se tornou um grande amigo meu (até hoje nos falamos pelo Whatsapp). Cozinhando na beira da estrada na hora das refeições e acampando nos postos de gasolina na hora de dormir.
Durante uma dessas paradas numa cidade do interior de Minas Gerais chamada São José da Lagoa, aproveitei pra conhecer um pouco a cidade. O lugar é muito bonito, com aquele ar típico de interior. Foi o único lugar que deu pra parar pra conhecer um pouco durante essa viagem.

Após 3 dias incríveis na estrada, cheguei a São José dos Pinhais. Levei um dia inteiro tentando carona pra Foz do Iguaçu e não consegui. Decidi dormir no posto de gasolina aquela noite, no dia seguinte acordei bem cedo e decidi ir pegando várias caronas curtas, pois percebi que direto pra Foz do Iguaçu seria quase impossível. Então foi mais um dia inteiro de caronas, horas de espera e muita caminhada nos acostamentos das estradas (inclusive debaixo de chuva).

Por volta das 22:00 eu tinha chegado em Guarapuava e após algumas tentativas consegui uma carona para Foz do Iguaçu.
Cheguei lá às 03:00 da manhã. Fiquei no estacionamento da Ceasa esperando o dia amanhecer. Mal podia esperar para atravessar a fronteira e conhecer a Argentina.
Porém o ônibus que faz a imigração só começaria a rodar a partir das 07:00, então decidi ir pro Paraguai, já que a fronteira do Paraguai (Ponte da Amizade) pode ser atravessada a pé. Então acabei conhecendo o Paraguai primeiro. Minha primeira vez fora do Brasil!! rsrs
Fiquei 3 dias no Paraguai conhecendo Ciudad del Este, depois voltei pra Foz do Iguaçu e peguei o ônibus pra Argentina.

Quando cheguei lá que desci do ônibus a sensação foi incrível. Sensação de sonho realizado. Sempre quis conhecer a Argentina mas nunca tive dinheiro pra viajar. Então conseguir realizar aquele sonho do meu jeito foi uma das coisas mais marcantes da minha vida!
Passei 4 dias na Argentina depois voltei pra Foz do Iguaçu.

Era o momento de voltar pra Salvador, então voltei pras tentativas de carona...
Mais horas de espera, mais caminhada e mais uma noite dormindo num posto de gasolina. No dia seguinte, de tarde, consegui uma carona com uma transportadora que estava levando uma carga pra São Paulo. Eles precisavam de mais uma pessoa pra completar a taxa necessária pra transporte daquela carga, então além de me dar a carona ainda me deram R$:100,00 de comissão, pois de certa forma eu acabei ajudando eles.
Foi inacreditável, consegui uma carona super tranquila e ainda ganhei R$:100,00...

Cheguei em São Paulo no dia seguinte 06:00 da manhã. Dei um passeio na cidade, visitei um museu, fui conhecer o Mercadão Municipal e depois voltei pras caronas.
Tentei carona pra Minas Gerais (último estado que faz divisa com a Bahia nesse trajeto), porém sem sucesso!!

Era dia 30 de dezembro, véspera de ano novo, dificilmente eu conseguiria carona nesse período, então decidi ir para uma cidade do interior de São Paulo onde morei quando era criança e tenho alguns parentes lá, então decidi passar o réveillon na casa deles e voltaria a tentar pegar carona novamente assim que passasse as comemorações de fim de ano.

Fiquei uma semana na casa dos familiares, eu não os via há 15 anos desde a última vez que estive lá (saí de lá com 8 anos quando vim pra Bahia, voltei em 2018 com 23 anos), matei a saudade da família revi alguns amigos de infância. Então um vizinho do meu tio que já foi caminhoneiro há um tempão atrás ficou impressionado com a história da minha viagem e disse que se eu quisesse ele conseguiria uma carona pra mim direto pra Salvador, pois ele tem muitos contatos de amigos caminhoneiros e pra ele isso seria fácil, então aceitei.
Mas no dia seguinte passou uma ideia pela minha cabeça, eu nunca tinha ido pro Rio de Janeiro, mas sempre quis conhecer.
Então falei pro vizinho do meu tio que ao invés de ir pra Salvador se ele conseguiria uma carona para o Rio de Janeiro.
Ele e meus parentes ficaram espantados com essa mudança repentina, mas eles já tinha percebido que eu tava mesmo afim de aventura e de conhecer o máximo de lugar possíveis durante essa viagem.

Então ele conseguiu uma carona saindo no dia seguinte de manhã, eu teria que encontrar o amigo dele em um posto de gasolina às 5:00 da manhã.
Como o local era muito distante, eu teria que ir pra esse posto de gasolina naquele mesmo dia de noite e dormir lá.
Então me despedi de todos e fui. Peguei 3 ônibus e mais um trajeto de metrô até chegar no local onde eu teria que esperar.

O local era péssimo pra passar a noite. Muito barulhento e perigoso.
Mas acabei fazendo amizade com os frentistas do posto que fizeram várias perguntas sobre a minha viagem, até me deram lanche da lanchonete do posto, e no final acabaram me dando a chave da copa e disseram que eu podia dormir um pouco se eu quisesse.
Acabei aceitando, tava muito cansado naquela noite.

Então dormi um pouco ali na copa do posto de gasolina,  acordei umas 4:00 da manhã pra me preparar, estava ansioso por essa carona.

Pontualmente às 5:00 o amigo do vizinho do meu tio chegou. Agradeci aos amigos frentistas do posto de gasolina, e entrei no caminhão.
Rumo ao Rio de Janeiro!!

Fomos conversando bastante sobre vários assuntos, paramos em um posto de gasolina pra tomar café, depois seguimos viagem novamente.
Finalmente chegamos no Rio de Janeiro!!
Ele me indicou o melhor lugar para pegar ônibus para o centro da cidade, então agradeci e me despedi.

Ah, e ele me alertou sobre a dificuldade para conseguir carona no Rio de Janeiro. Ele disse que a cidade tava em passando por um momento em que estava tendo muitos roubos de carga, então os caminhoneiros estavam com muito medo de dar carona pra pessoas desconhecidas, por isso seria praticamente impossível eu conseguir carona do Rio de Janeiro pra Salvador... (e ele realmente estava certo)!!

Enfim, fui direto conhecer o Cristo Redentor. Não imaginava que era tão caro!!
Somando o valor do ingresso e das conduções que são necessárias pra chegar ao topo do Corcovado dava mais ou menos uns R$: 130,00.
Então aqueles R$:100,00 que eu ganhei na carona com a transportadora acabei usando pra pagar por esse passeio.
Então cheguei ao Cristo Redentor. Mais um sonho realizado!!

Voltei pra o centro da cidade e fui tentar carona pra Minas Gerais, ou se tivesse sorte, direto pra Salvador. Sem sucesso!!
Fui pra rodoviária passar a noite. No dia seguinte fui pra Ceasa. Imaginei que lá seria mais fácil conseguir a carona pois teria vários caminhoneiros.
Realmente tinha, porém como o amigo do vizinho tinha me alertado, os caminhoneiros estavam muito preocupados com os roubos de carga que estavam acontecendo e realmente não estavam dando carona pra ninguém.

Voltei pra rodoviária, passei mais uma noite e no dia seguinte fui tentar carona novamente. Sem sucesso!!
Já estava cansado. Havia 3 dias que eu não dormia direito e aquelas tentativas frustradas de carona me fizeram desistir.

Então fui pra rodoviária e comprei a passagem pra Salvador. Estava triste. Eu realmente queria concluir minha aventura apenas pegando carona, já que eu já tinha feito todo aquele percurso sem gastar um centavo sequer com transporte. Mas percebi que não teria outra alternativa. A passagem custou R$:400,00 (paguei com cartão de débito, e isso era quase todo dinheiro que eu tinha conta).

O ônibus saiu no dia seguinte às 09:00 da manhã. Foram 2 dias e meio de viagem curtindo de novo as paisagens da estrada.

Cheguei em Salvador numa terça-feira faltando apenas 1 dia para acabar minha férias.
Enfim, estava em casa de novo!!

E foi assim que eu conheci 4 estados e 2 países em 17 dias gastando mais ou menos uns R$:600,00 (já incluso os R$:400,00 da passagem)

E só acabei gastando todo esse dinheiro porque tive que comprar passagem do Rio de Janeiro pra Salvador.
Durante todo o trajeto não gastei nenhum centavo com transporte e nem com hospedagem.
Gastei apenas com alimentação e alguns passeios pelos lugares por onde andei. Gastei mais ou menos uns R$: 200,00 com alimentação e passeios, (sendo que R$:100,00 eu ganhei na carona indo pra São Paulo).

Vou deixar umas fotos aqui pra vocês curtirem um pouco da aventura!!

 

São José da Lagoa-MG 1.jpg

Foz do Iguaçu-PR.jpg

Ciudad del Este-Paraguai 1.jpg

Misiones-Argentina 1.jpg

Misiones-Argentina 2.jpg

São Paulo-SP.jpg

Rio de Janeiro-RJ 1.jpg

Rio de Janeiro-RJ 2.jpg

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@Luís Alita  Devia ter feito um post exclusivo para contar essa sua viagem. Vc escreve muito bem e foi muito legal ler sua história. Corajoso e determinado. Parabéns e boas trips.

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Gostei tb Luis! E gente, a coisa tá tão feia que ao ler o título deste post eu li "viagem de CORONA..." kkkk

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  • kkkkkkk 1

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luis muito boa sua historia... incrivel ver que depois de 4 anos ainda tem pessoas  que leem e gostam das nossas loucas aventuras

 

 

a minha eh tao louca que na verdade ainda não acabou.

no fim eu acabei gostando tanto da regiao que acabei mudando pra foz do iguacu

depois conheci e casei com uma paraguaya que mora em sao miguel do iguaçu  ( vc deve ter passado por aqui pra chegar em foz) onde vivo a quase 3 anos.

bom ela esta gravida, eu passei num concurso publico da prefeitura e ja estou trabalhando. entao essa viagem acabou me dando um nopvo lar e uma familia.

 

espero que mais pessoas se aventurem e venham conhecer a regiao.

 

 

gente precisando eh so falar. adoreraia receber visitas

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      Lembrem sempre disso quando comentarmos os valores nos posts. E não esqueça, é balela o assunto que não é possível trocar CUP, acontece que na casa de cambio primeiro vão trocar TODO seu dinheiro por CUC e se você quer uma parte em CUP só pedir que a pessoa troca tranquilamente.
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      _________________________________________________________________________________________________________
      OUTRAS DICAS  RÁPIDAS PARA ECONOMIZAR
      ÁGUA – O gasto com água pode se tornar absurdo se você comprar todos os dias, mesmo se comprar aqueles galões de 6l. Normalmente uma água de 500ml e 1,5l em qualquer lugar custa entre 1 CUC e 1,5CUC respetivamente, em alguns mercados você até encontra por menos, mas se você fizer essa conta pela quantia de dias que você vai ficar, vai ser um gasto bem grande só com água. Nós tomamos água da torneira e não morremos por causa disso. Quando possíve, fervíamos e depois descobrimos um truque de comprar uma solução de hipoclorito por 1 CUP e colocar 3 gotas por litro de água. Pronto problema resolvido. 🥳 CASAS DE FAMÍLIA – A opção mais econômica de hospedagem são as casas de particulares. Minha dica é reservar por AIRBNB porque normalmente sai mais em conta ou também você pode chorar as pitangas. Assim você pode conseguir casas entre 10 e 12 CUC, na temporada baixa. Hoje em dia, Cuba tem pontos de Wi-Fi (ETECSA), no qual você compra um cartão, que varia de 1h e 5hs (Preço: 1 e 5 CUC respectivamente) e procurar hospedagens com reserva instantânea (sem a necessidade de confirmação com o anfitrião). Pronto, não precisa engessar o roteiro reservando tudo de casa e pode procurar o preço mais acessível na hora. COMIDA – Sempre vai ter algum lugar que vende comida por CUP ou estatais. Geralmente são estabelecimentos simples, e as vezes (poucas vezes) você até vai ter que comer em pé, mas a diferença é absurda de preço e a comida em si, é a mesma.  
       

       
    • Por Viviana Ciclobeijaflorismo
      Olá!
      Você que aparece por aqui dizendo que “gostaria de começar a viajar mas que não tem dinheiro e nem sabe como”, sua hora chegou! Estas palavras são digitadas pensando em VOCÊ!
      Antes, vamos iluminar alguns pontos:
      O Mochileiros.com é um fórum [lê-se: o maior e mais completo fórum] de troca de experiências e certamente você poderá encontrar riquíssimos relatos de viagens para se inspirar, dicas do que usar, orientações de onde ir e informações que deixam qualquer CAT (Centro de Atendimento ao Turista) no chinelo! Dessa forma, sugiro que procure, fuce, explore! Como já diziam as nossas avós “Quem procura, acha!”. Fatão! Dessa forma, te convido a degustar isso aqui: https://www.mochileiros.com/blog/mochilao
      Outro ponto que sinto ser importante iluminar é que, ainda que leia TUDO isso e muito mais, nada, NADA, vai te ensinar mais do que a prática. Esteja ciente.
      E, o mais importante é aquele velho ditado “quem quer arranja um jeito, quem não quer arranja uma desculpa”. Porque quando você REALMENTE quiser fazer algo, nada, ABSOLUTAMENTE NADA, poderá te impedir de realizá-lo. Inclusive viajar.  
      A ideia é que, a partir do compartilhar destas experiências que tive, você possa se inspirar e traçar o seu norte de acordo com sua proposta de viagem. Se você ainda não sabe disso vou te contar uma coisa: não existe certo ou errado, inclusive para viajar. Viajar sem dinheiro não te faz uma pessoa melhor do que quem viaja com dinheiro, e vice versa. O que nos faz uma pessoa melhor é nossa capacidade de expressar o Amor [em todas as suas faces como a paciência, a honestidade, a gentileza, o perdão...] através de nossos pensamentos, palavras e ações. Em toda e qualquer circunstância. A todo e qualquer momento.
      Você só saberá se viajar sem dinheiro - ou como dizemos, no modo roots – serve para você depois de se permitir ter sua própria experiência. Antes disso, qualquer pensamento não passa de masturbação mental e especulação. E isso também vale para quaisquer outros aspectos da vida. Permita-se.
      Vou separar por ordem das perguntas que mais recebi ao longo do tempo:
      SOBRE AS CARONAS
      :: Como pedir: tenha em mente que uma imagem vale mais do que mil palavras e que esta imagem que o(a) motorista receberá de ti irá durar pouquíssimos segundos para que decida parar ou não. A maior parte das vezes usei um grande pedaço de papelão como cartaz no qual escrevia bem grande o destino final, seguido de uma cidade intermediária logo abaixo. O papelão é importante pois ele não reflete a luz solar, além de ser facilmente encontrado por aí e ser suficientemente resistente contra a ventania da BR. Sempre carreguei três cores de tinta para tecido (branco, vermelho e azul/preto)  e um pequeno pincel para caprichar na placa. Vale a pena. Sempre começava o dia antes de o Sol nascer e encerrava o deslocamento diário umas duas horas antes do Sol se pôr. Raras foram as vezes em que viajei de noite, até porque a exaustão física orientava os limites. Como acredito em trocas, sempre fiz pequenas lembranças (como filtros dos sonhos ou dobraduras) para dar como forma de agradecimento a cada carona recebida. Também é importante lembrar que a carona é um genuíno e sagrado ato de confiança mútua e geralmente o deslocamento é oferecido em troca da sua história! A maior parte das pessoas que oferece carona está interessada em ouvir sobre você por se identificar ou pela curiosidade em si. Além disso, no caso dos caminhoneiros(as) a conversa é uma forma de quebrar o silêncio dos longos quilômetros de solidão que enfrentam diariamente. Alguns querem ouvir histórias, outros querem contar as suas histórias, desabafar sobre alguma questão ou simplesmente ter a oportunidade de falar. Deguste estes momentos. Aprenda. Ensine.
      ::Onde pedir: se estiver em trechos de BR, no mais amplo e longo acostamento em linha reta possível, nunca em curvas pois tanto o(a) motorista quanto você não terão visão. Em trechos de subidas/descidas/morros não adianta pedir carona no início da descida ou no final dela pois os veículos descem embalados em alta velocidade e não vão parar. Neste caso, ande até chegar no topo da subida do morro onde a velocidade é reduzida ou até o próximo trecho de linha reta com acostamento. Às vezes você poderá andar quilômetros até encontrar este trecho...
      Também é possível conversar com caminhoneiros estacionados em postos de combustível e acertar a carona. Ficar na saída dos postos também é um bom lugar, assim como logo após radares e lombadas onde os(as) motoristas obrigatoriamente passam com a velocidade reduzida aumentando o tempo do olho-no-olho. Um pouco a frente dos postos da Polícia Rodoviária também pode funcionar.
      SOBRE DORMIR
      ::Como e Onde dormir: Só não dormi em barraca nas vezes em que fui convidada para dormir em alguma pousada, bangalô, hostel ou casa de amigos feitos durante a viagem. Houve ainda duas ocasiões em que montei a rede. Mas a via de regra para não gastar com hospedagem é dormir com a barraca “moitada” (escondida) em algum lugar. Em trechos de BR geralmente falava com o segurança do posto de combustível e perguntava onde poderia montá-la para passar a noite (o famoso "mocó"). Em trechos de interior encontrava algum mato no meio do nada que muitas vezes se tornava meu endereço fixo por dias, ainda mais se tivesse rio ou cachoeira nas proximidades! E enquanto viajava de bicicleta tive duas experiências muito positivas utilizando o www.warmshowers.org.
      Em trechos urbanos e pontos muito turísticos é realmente mais difícil (~quaaase impossível) encontrar um lugar minimamente tranquilo e seguro para passar a noite, então sempre que possível trocava trabalho por estadias em campings ou hostels caso fosse necessário ficar mais dias no meio da civilização. Dentre as definições de trabalho posso citar: carpir terreno, podar árvores, pintar ou envernizar portas e janelas, pintar paredes, desenhar mandalas, consertar tomadas, chuveiros, lâmpadas ou outros reparos básicos de elétrica, trabalhar na recepção, lavar banheiro e cozinha, cuidar de jardins, bioconstrução, permacultura, paisagismo, tradução de textos e inclusive troca de artesanatos. Quaisquer dons e talentos podem (e devem!) ser usados. Autoconfiança é tudo. rsrsrsrs
      Tenha em mente que sempre que for moitar quanto menos atenção chamar, melhor para seu sono, seja em um posto de gasolina ou no meio do mato. Monte a barraca chamando menos atenção possível (ainda que isso signifique que terá de esperar algumas horas a mais - mesmo estando exausto(a)!!! - para que o movimento diminua). Se estiver no mato, tenha ciência de que fogo chama atenção e deve ser sabiamente manuseado (ainda mais em áreas naturais em períodos de seca, e isso vale para cigarros, incensos, velas) e examine bem o terreno quanto a possibilidade de formigas, cupins, pedras e gravetos. No litoral facilmente poderá pernoitar em postos de Bombeiros Guarda Vidas ou quiosques a beira mar.
      SOBRE TOMAR BANHO
      Durante períodos de deslocamento, como a maior parte dos pernoites ocorriam em postos de combustível, os banhos eram tomados nos próprios postos. No Sudeste, a maior parte dos banhos são pagos (entre R$3 e R$7) e para ter acesso é necessário retirar uma ficha com o frentista. Nunca paguei, sempre pedi cortesia e sempre ganhei. Mas atente ao tempo: pode variar de 6 a 8 minutos, mas garanto que serão minutos deliciosos... rsrsrsrs
      Centro-oeste, Norte e Nordeste apresentam em sua maioria banhos livres e gratuitos onde será possível até lavar aquela roupa em estado de decomposição avançada, porém não espere por chuveiro aquecido (o que é uma dádiva devido ao calor!). No Sul, os chuveiros são aquecidos e em sua maioria gratuitos. A composição dos banheiros pode variar muito: desde um cano que cai água até o luxo dos boxes de vidro com paredes de mármore e regulagem de temperatura e pressão. Permita-se ser surpreendido... rsrsrsrs
      Já em trechos urbanos recomendo o mantra “durmo sujo(a), acordo limpo(a)”...  ¯\_(ツ)_/¯
      Mas já consegui (em uma ocasião em que estava quase ligando para a vigilância sanitária me interditar hahahaha) trocar um banho em um hostel às 22h no meio de Belo Horizonte por... cristais!!! rsrsrsrs
      Mas no geral, como meus destinos sempre envolveram rios e cachoeiras, isso nunca foi um problema. Já cheguei a passar bastante tempo no mato relativamente longe da fonte d’água, o que não me impediu de ir a cada dois dias encher os galões ou de fazer um chuveiro com garrafa pet. A necessidade é a mãe da invenção!
      SOBRE COMER
      A maior parte de minhas viagens foram baseadas na troca ou na contribuição voluntária, só depois passei a vender artesanatos. Esse processo foi ocorrendo naturalmente a partir da maneira que passei a me relacionar com o dinheiro e com minhas reais necessidades. A princípio, sempre busquei manter meu estoque de “lembas” (vide: The Lord of the Rings) cheio. Isso quer dizer que sempre carreguei alguns alimentos básicos: amendoim salgado torrado, aveia, chia, uvas passas e cacau africano em pó e, eventualmente, bananas, maçãs ou pepinos. Também sempre carreguei alguns temperos como sal rosa do himalaia, canela em pó, cravo e orégano. Independente da situação, passava muito bem com estes alimentos o tempo que fosse. Na verdade, raramente me alimentava durante o dia por saber que a barriga cheia diminui o rendimento (principalmente viajando de bicicleta). Então, posso afirmar que nunca passei fome. O que fazia ao chegar nos postos de gasolina era pedir uma marmita no restaurante self service dos caminhoneiros [que fica nos fundos dos postos de gasolina das grandes redes, como GRAAL ou BR – onde também tem café de graça] e sempre fui prontamente atendida. Ao passar pelas cidades, qualquer restaurante oferecia marmita ao final do expediente, alguns solicitavam que deixasse algum pote com tampa para retirar posteriormente. Muitos montavam mesas com banquetes na relação de “quanto menor a cidade, maior a generosidade e recepção”. É claro que houve casos em que negaram o pedido de comida e, independente da falta de generosidade ou empatia, o fato é que ninguém é obrigado a nos dar nada. Ninguém nos deve nada, assim como não devemos nada a ninguém. Esses foram “nãos” essenciais ao meu crescimento pessoal e à compreensão de que é sábio buscar ser autossustentável em todos os aspectos da vida.
      O verbo que recomendo que conheça é manguear: a arte de trocar o seu artesanato diretamente pelo produto que precisa, sem precisar vendê-lo intermediariamente para só depois utilizar o dinheiro. Já mangueei colares de macramê e filtros dos sonhos por marmitas, lanches e sucos.
      Se for ficar um período maior em alguma cidade, encontre o maior mercadinho que tiver e descubra quando é a xepa. A xepa é o dia que antecede a chegada de novos produtos de hortifruti quando é possível pedir pelas frutas e legumes mais passadinhos (no limite do consumo) ou você pode comprá-los pelo simbólico valor de R$0,99/kg. Evite os produtos com marcas de bolor (como mamão e caqui) pois isso pode te livrar de uma bela diarreia fúngica. Esta assepsia também te livra da cólera e de morrer por motivos estúpidos... rsrsrsrs
      Sempre que fiquei parada por mais tempo em algum lugar usava uma pequenina panelinha em um fogão feito com latinha de refrigerante à álcool etílico (atenção ao manuseio!!! Para apagá-lo é necessário abafá-lo!!!). As cidades também possuem Centros Espíritas assistencialistas que geralmente oferecem durante a semana refeições em algum determinado horário. Em alguns lugares é conhecido como “sopão”. A verdade é que muitas são as refeições que se recebe, ainda mais se viajar de bicicleta.
      SOBRE LAVAR ROUPA
      Pelo menos uma vez na semana será necessário fazer essa função. Sempre que possível lavar no banho e já pendurar a peça de roupa na barraca para secar até o dia seguinte: faça! Nas regiões mais quentes isso é tranquilo de fazer. Se você tiver dinheiro, os postos de combustível das grandes redes possuem lavanderias pagas e sua roupa é entregue lavada, passada, limpa como nova e tudo isso enquanto você dorme! Pessoalmente nunca utilizei esse serviço, mas pude testemunhar muitos caminhoneiros utilizando-o. Mas bom mesmo é poder ficar na beira do rio e lavar roupa na pedra... Mas não se esqueça de usar sabão biodegradável (de coco de babaçu ou de cinza), por amor! Também é possível lavar roupas sempre que algum convite para hospedagem acontece. E também é possível usar uma roupa sem lavar por mais tempo do que você está imaginando agora... rsrsrsrsr 
      SOBRE IR NO BANHEIRO
      Não tem mistério: “Moça(o), posso usar seu banheiro?”  hahahahah funciona na maior parte dos estabelecimentos, ainda que seja apenas um buraco no chão no melhor China Style! Se estiver pelo mato acampado(a), não faça do seu banheiro a beira dos cursos d’água. Faça looonge, e enterre bem! E, se for ficar acampado(a) por mais tempo e não conhecer os princípios de decomposição de um banheiro seco, não faça sempre no mesmo lugar. No caso de ficar complicado sair de noite para fazer xixi, as garrafas pet estão aí, né, gentem?! E para as meninas existe o oigirl ( https://www.oi-girl.com.br/ ) e o InCiclo ( http://www.inciclo.com.br/ ) 
      Só sucesso!
      O que é realmente importante que tenha em mente é qual o seu objetivo e qual o preço que está disposto a pagar por isso? Quer viajar sem dinheiro por curiosidade? Diversão? Por liberdade? Convicção política? Fetishe? ( ͡° ͜ʖ ͡°) Para conhecer algum destino específico? Para ter experiências únicas? Conheça o que te move e saberá o que pode te derrubar. Está disposto a ficar longe do conforto? Precisa dormir bem toda noite? Tem pressa? Não gosta de interagir? Saiba qual o preço que está disposto(a) a pagar e nada poderá te derrubar.
      Se quiser saber sobre o que aprendi viajando, clica aqui:
       
       
      Se quiser saber sobre perrengues, espia:
       
      Se está buscando inspiração audiovisual, vai fundo:
       
      O resto é poesia.
       


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