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Carlosfuca

Mochilão África do Sul / Zâmbia - 23 dias

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Parte 1: Introdução e Roteiro

O fato de poder pisar no Continente Africano está diretamente relacionado às minhas aspirações de pelo menos quatro anos pra cá. Tempo esse que pude saber que foi em África que se instalou os primeiros seres humanos do mundo, ou seja, o continente Africano é o Berço da Humanidade. De sua antiguidade clássica provem as primeiras civilizações que consolidaram diversos feitos avançados para época e que foram modelados para civilizações de outras partes. As dificuldades que se presenciam nos dias de hoje em África foi devido o advento das invasões europeias e também das invasões árabes, todo o passado de glória se perdeu e transformou no que podemos ver ainda no século XXI e o que ocorreu nos séculos anteriores de desmantelamento cultural e exploração intensa desde pelo menos o século XVI.

De certo que existe a importância cultural (e de certa forma política), mas essa viagem teve um aspecto mais mochileiro/turístico com uma diversidade de atrações e com certeza contando com o espetáculo da natureza, a exuberante paisagem do sudeste africano. Foram 23 dias de viagem, onde parti de São Paulo dia 04 de Julho de 2017 e só retornei no dia 27 do mesmo mês.

Antes de ir, apesar de estar próximo de se realizar um grande sonho e do que esse momento significava pra mim, o planejamento foi feito bem rapidamente utilizando o pouco de experiência que tenho em fazer meus roteiros com informações da internet. Não agendei previamente (no Brasil) nenhum "Tour", transporte ou acomodação, apenas comprei a passagem para Cidade do Cabo (Cape Town) pela Angola Airlines (TAAG) que custou R$1960,00, renovei meu passaporte e chequei se eu precisava tomar a vacina contra Febre Amarela. No caso não precisei, pois já havia tomado em 2011 quando fui pra Bolívia e essa vacina é valida por dez anos. Lógico que antes de tudo olhei os mapas, compilei os hostels no centro de Cape Town e tudo mais. Levei dinheiro em espécie e no Cartão VTM (Visa Travel Money) tudo em dólar, mas a moeda na África do Sul é o Rand (Zar). Na questão do visto para a África do Sul, pra turismo os brasileiros não precisam pagar nem agendar previamente, é apenas mostrar um passaporte contendo pelo menos 1 mês de validade antes da data de retorno pro Brasil e uma folha em branco, o visto valerá por 90 dias.

Vou deixar pra detalhar essa encantadora e graciosa aventura nas próximas postagens, por enquanto vou deixar o esboço do roteiro. Recebi no passaporte carimbos de cinco países: África do Sul, Reino de Lesoto, Zâmbia, Zimbábue e Botsuana. A estadia foi maior na África do Sul e depois em Zâmbia, os outros três países visitei mais a região próxima das fronteiras fazendo um "Day Tour" em cada país.

Do que eu havia planejado tudo correu muito bem, só não consegui conhecer a Ilha Robben (Robben Island) por ter chovido no dia em que eu agendei minha ida e não pude adiar porque no dia seguinte já estava marcado o inicio da viagem pelo BasBuz, uma van que percorre por toda a costa sul africana desde a Cidade do Cabo até Pretória (falarei mais sobre). Outro ponto que queria muito ir era o Museu Africano em Joanesburgo, mas não achei o local. Isto foi minimizado pelos diversos pontos altos da mochilada, como a subida na caminhada até a Montanha da Mesa (Table Mountain), o tour na Península do Cabo, a caminhada até a Tugella Falls na Cordilheira de Drakensberg, a ida as Cataratas Mosi-oa-Tunya/Victoria Falls em Zâmbia/Zimbabue, ou o Chobe Safari em Botsuana. 

Cataratas Mosi-oa-Tunya ou Victoria Falls

 

Dia 06/07/17
Table mountain - Trekking sozinho pela Montanha da Mesa - Cidade do Cabo

Dia 07/07/17
ida ao centro comercial V&A Waterfront de manhã
Praia - Camps bay beach à tarde

Dia 08/07/17
Cape Peninsula Tour (BasBuz)- Ilha das Focas, Praia dos Pinguins e Cabo da Boa Esperança
 

Dia 09/07/17
Era pra ser robben island mas foi cancelado pelo tempo chuvoso. Dia de descanso depois de breve caminhada pela cidade. Domingo tudo vazio. Ajeitar roteiro.


Dia 10/07/17
Viagem de Cape Town até Port Elisabeth por basbuz. O dia todo de viagem com a van.


Dia 11/07/17
Viagem de port elisabeth até durban. Chegando no Hostel Curiosity no Centro de Durban.


Dia 12/07/17
Sai umas 10h para o Kwa Muhle Museum, depois fui comer, depois pra região do porto e finalizando a tarde na Praia - South Beach.


Dia 13/07/17
Cheguei no Amphitheatre Backpackers em Northern Drakensberg e passei a tarde de boa. Fiz umas trilhas ao redor do Hostel.


Dia 14/07/17
Tugela falls tour - A segunda maior cachoeira do mundo e a maior da África, mas no inverno o volume de água é baixo.
Beleza da Cordilheira de Drakensberg - Show!!!


Dia 15/07/17
Lesotho Day Tour - Lesoto é um país montanhoso incrustado na África do Sul e sem saída pro mar. A etnia predominante é Bashoto e a língua é o Sesoto (soto).
Experiencia unica. Show!!


Dia 16/07/17
Amphitheatre Backpackers


Dia 17/07/17
Amphitheatre Backpackers


Dia 18/07/17
Viagem de van basbuz de Drakensberg até Joanesburgo, fiquei num hostel próximo do aeroporto Oliver Tambo.


Dia 19/07/17
Viagem de avião de Joanesburgo até Livingstone em Zâmbia
Ao chegar andei pela cidade, povo muito acolhedor. Fiquei no Hostel Zinga Backpackers.


Dia 20/07/17
Grande dia nas cataratas Mosi-oa-Tunya (Victoria Falls). lados da Zâmbia e Zimbabwe.


Dia 21/07/17
Walk around the city centre. Change money to next day


Dia 22/07/17
Chobe Safari Day Tour em Botsuana


Dia 23/07/17
Viagem de volta a joburg. Do aeroporto um taxi até curiocity backpacker


Dia 24/07/17
Soweto Day Tour e Museu do Apartheid


Dia 25/07/17
Andando por joburgo.


Dia 26/07/17
Transfer até o aeroporto e volta pra São Paulo com escala em Luanda (transferência apenas).

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Parte 2: De SP a Cape Town

Republica da África do Sul: País da África Austral, limitado por Botsuana, ao norte; Namíbia, ao noroeste; Zimbábue e Moçambique, a nordeste; e pelo Oceano Atlântico, ao sul. Suas fronteiras circundam o enclave que constitui o Reino de Lesoto. Os primeiros povoadores foram indivíduos dos coissãs e bantos, entre os quais ovambos, sotos, zulus, xonas, os quais expulsaram, no século XV, os antecessores; além destes, citem-se os primeiros europeus, estabelecidos já no século XVII. As sociedades bantas. No século X, povos das bacias dos rios Limpopo e de seu afluente Cháchi (Sashi, Shashe)já se inseriam na rede comercial do Oceano Índico, adquirindo contas de vidro, tecidos e até artefatos de cerâmica envernizada, em contrapartida ao fornecimento de ouro e marfim (Huffman,2010, HGA, III, p.791). Essa atividade, comprovada pela arqueologia, levou à constatação da possível existência, em partes do território atual da África do Sul, de sociedades das quais a pastorícia, a agricultura e a extração mineral teriam sido exercidas em paralelo, e às vezes de forma combinada. Nos centros mais avançados, teria dominado a mineração e fundição de metais, sendo a autoridade politica prerrogativa hereditária de uma classe dirigente, proprietária dos rebanhos e das minas (Jaspan,1958, p.164-165), Consoante Davidson (1981, p.55), a metalurgia do ferro já existia, no centro do território da atual republica, no ano 1000 d.C. 

(Origem: Dicionário de História da África, Séculos VII a XVI - Nei Lopes e José Rivair Macedo)

 

"África do Sul, oficialmente República da África do Sul, é um país localizado no extremo sul da África, entre os oceanos Atlântico e Índico, com 2 798 quilômetros de litoral. É limitado pela Namíbia, Botsuana e Zimbábue ao norte; Moçambique e Suazilândiaa leste; e com o Lesoto, um enclave totalmente rodeado pelo território sul-africano.
O país é conhecido por sua biodiversidade e pela grande variedade de culturas, idiomas e crenças religiosas. A Constituição reconhece 11 línguas oficiais.Duas dessas línguas são de origem europeia: o africâner, uma língua que se originou principalmente a partir do neerlandês e que é falado pela maioria dos brancos e mestiços sul-africanos, e o inglês sul-africano, que é a língua mais falada na vida pública oficial e comercial, mas é apenas o quinto idioma mais falado em casa."
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

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Dias 04 e 05 de Julho/17

Saí de casa perto das 13h00, no meio do caminho minha irmã avisou sobre uma falha na consecução da transferência de credito no cartão VTM (Visa Travel Money), no caso fica aqui um ponto a pensar adiantado, evite de deixar para os últimos dias igual eu fiz. Como eu estava no trem, desci na estação Jurubatuba e passei no Shopping SP Market. Não tinha Banco do Brasil neste shopping, então segui direto pro aeroporto de Cumbica (Guarulhos) pelo busão que saiu do Tatuapé, linha 257-Aeroporto de Guarulhos (horários aqui). Demorou menos de 40 minutos. Lá no aeroporto procurei o caixa do Banco do Brasil, mas meu limite era apenas de 800 para transferência. Então saquei o limite pra saque que era de R$1200, com mais R$400 que tinha sacado da Caixa ficou R$1600. E debitei mais R$1000 da Caixa Econômica pra levar em cash. Dica: Vejam tudo isso dias antes, até questão de aumentar limites e debloqueio de transferência nos bancos. *Investimento inicial: R$2600,00 (Vtm/cash) + R$ 1960,00 (Passagem) = Total R$4,560,00

Fiz um check in na TAAG, sem filas e tudo ok. Fui já pro portão de embarque e fiquei aguardando abrir a porta. Saiu sem atraso a viagem. Gostei do serviço. Serviu uma janta e café da manhã. Durou umas 8 horas até chegar em Luanda. Chegamos as 06h20 em Angola, diferença de 4 horas do Brasil.

Agora o destino era a Cidade do Cabo. Mas antes uma fila grande pra fazer a transferência, mas não precisa de visto. Essa fila se formava porque só tinha um scanner em serviço na parte da transferência. Demorou um pouco, e a partir de então foi fila atras de fila. Até aguardarmos a abertura do portão final. Contudo, atrasou 30 minutos. Saindo às 09h30. 

Viagem tranquila, cochilei logo no inicio da decolagem. A aeromoça me acordou pra fazer um almoço, e depois voltei a dormir  Essa parte do voo passou bem rápido, duração de 3 horas.

Chegada em Cape Town

Eis que chegou o momento de ir amenizando pouco a pouco toda a ansiedade de pisar em solo africano, de andar nas ruas da África do Sul e de sentir sua atmosfera. Abobalhado, eu andava pelas ruas do centro da Cidade do Cabo, realmente eu estava muito contente de estar ali e de me identificar com o local e com as pessoas que circulavam pelas ruas, a principio senti um baque de cidade grande, onde eu era apenas mais um na multidão, mas em instantes me senti em casa. Do aeroporto eu havia utilizado o ônibus do transporte público sentido "Civic Centre". Ao lado do aeroporto vendem-se os cartões Mycity, paguei uma taxa de 35 Rands e creditei mais 80 Rands. Esse sistema é parecido com o bilhete único de São Paulo, porém a passagem é cobrada gradativamente, de acordo com a distância percorrida, então se passa o cartão na entrada e é debitado na saída, ou seja, é cobrado no desembarque. Foi o meio mais barato e correu bem tranquilo. 

Ao descer na estação do centro, já segui sentido a Strand Street pra depois virar na Long Street, onde eu havia planejado de checar o hostel Two Oceans Back Packers. Por lá eu fechei quatro diárias por 150 rands cada dia, totalizando 600 rands e então fui descansar o restante da tarde após ter tomado um bom banho. O Wi-fi era livre e dei notícias pra minha família. Vale frisar que uma pessoa importante que me auxiliou do Brasil foi minha irmã, principalmente no diz respeito ao cartão vtm. Voltando ao hostel, ele era simples, um atendimento bom, tinha uma cozinha muito bem organizada com chá livre. Lá também se lavava roupas mediante uma taxa. Fiquei num quarto compartilhado com seis beliches e foi tudo tranquilo, não tinha muita rotatividade, até porque tinham hospedes que alugaram a cama por meses, pois estavam trabalhando na long street.

A Long Street pode ser considerada uma das ruas mais turísticas da Cidade do Cabo, pois conta com diversos restaurantes, hostels, casas noturnas, bares, comércios, etc. Passei num mercadinho pra comprar algumas coisas pra comer na janta e também pra tomar um café reforçado, já que no dia seguinte eu iria pra famosa e tão esperada TABLE MOUNTAIN!

Observação: 
* No geral, fiz as contas de 1 real valendo 4 Rands ou 1 dolar de 12 a 13 Rands - Julho/17 
 

Links úteis: 

Linha Metro Tatuapé x Aeroporto de Guarulhos (R$06,15 jan/2018)

http://www.emtu.sp.gov.br/sistemas/linha/resultado_imp.htm?numlinha=30446

Mycity

https://myciti.org.za/en/home/

Hostel - Cape Town

http://twooceansbp.co.za/Welcome/

Mapa - chegada no hostel:

https://goo.gl/maps/RxAyDwc1Vw72

Providenciar certificado da Anvisa - Febre Amarela

http://portal.anvisa.gov.br/certificado-internacional-de-vacinacao-ou-profilaxia

Requerimento de Passaporte brasileiro:

http://www.pf.gov.br/servicos-pf/passaporte/requerer-passaporte

Sobre o Visa Travel Money (VTM)

https://www.visa.com.br/pague-com-visa/cartoes/cartoes-pre-pago/visa-travelmoney-detalhes.html

Angola Airlines (TAAG):

http://www.taag.com/en/

África do Sul - Wikipédia:

https://pt.wikipedia.org/wiki/África_do_Sul


HINO DA ÁFRICA DO SUL

 

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Parte 3: Subida à Table Mountain (Montanha da Mesa)

06/07/2017 - Subida à Table Mountain (Montanha da Mesa) - Cidade do Cabo

Dia bonito em Cape Town, acordei mais tarde do que o esperado pelo despertador, me agilizei pra aproveitar o dia, pois iria enfrentar a tão falada Table Mountain. Desde casa em SP eu já havia navegado por parte do seu caminho via google maps. Até então pensava em ir à pé desde o hostel mas como havia adquirido o cartão mycity, fui de ônibus poupando uma caminhada de 6km. O ônibus foi o 107 Camps Bay. Peguei na Estação Adderley mas poderia ter pego após a Long Street.

Desci logo quando chega a entrada pra Tafelberg Road que já liga até o inicio da trilha. Desse trecho andei uns 30 minutos até chegar na base do Teleférico, mas na volta percebi que tem um ônibus que faz integração gratuita e deixa bem próximo da base.

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Sendo uma das atrações mais visitadas da África do Sul, a Montanha da Mesa esbanja beleza desde diversas partes da Cidade do Cabo até o seu ponto culminante que é achatado se assemelhando a uma mesa. Com mais de 1000 metros de altitude e um cume de 3km de extensão, consegue-se avistar todo o centro da Cidade do Cabo, a Ilha Robben e diversas praias, um visual de tirar o fôlego.

A Montanha da Mesa pertence a um Parque Nacional sendo um Patrimônio Mundial e uma das 7 maravilhas naturais do mundo. Existe um Teleférico que faz a subida em 5 minutos, mas meu plano era subir andando, uma aventura ímpar pra iniciar bem minha mochilada!

A trilha escolhida foi a Platteklip Gorge que aparenta ser a mais utilizada, a mais fácil e a mais demarcada. A atmosfera tava sensacional, fiz essa caminhada numa paz incomum, minha única preocupação a principio era o tempo, pois havia me atrasado pro inicio do role e a tarde era possível chover. A subida foi tranquila, eu sempre fazia as pausas necessárias e já tinha durante todo o trajeto um panorama legal da paisagem. Acredito ter feito em 2 horas esse trekking.

A caminhada começou sobre um piso de rochas planas e um declive moderado, logo apareceu um pequeno córrego, mas eu apenas o olhei e continuei subindo, meu cantil de 2 litros estava cheio e não precisei abastecer, também não sei informar se era água própria pra consumo. Depois o zigue zague tomou conta da trilha, era meio de semana mas mesmo assim tinham várias pessoas na atividade, algumas subindo e outras já descendo. Algo muito interessante eram os cumprimentos e o apoio que todos davam, um ambiente bem favorável para esta modalidade. Presenciei crianças e mais velhos fazendo a trilha, certo que era num ritmo bem tranquilo, mas estavam lá tendo essa vivência.

É mais que importante lembrar que quem decidir encarar a subida a pé, deve se preparar fisicamente, calçar um tênis apropriado, vestir roupas leves e para trilhas, levar alimentação de trilha, água é crucial, pensar nos primeiros socorros e ter disposição/ paciência!

 Então é só curtir a fauna e flora local, o visual da cidade e do oceano ao fundo. Cheguei ao topo e precisei vestir uma blusa, ventava muito e a temperatura diminuiu bastante. Sensação de parte do dever cumprido pra admirar aquela beleza natural africana. Fiz diversas trilhas lá em cima e tirei muitas fotos. (selecionadas abaixo)

Ao sentar pro descanso um passarinho me acompanhou bem de perto, e ficou um bom tempo do meu lado. Pelo que eu vi ele é conhecido como Estorninho de Asas Vermelhas. Depois fiz meu lanche, o pássaro já havia ido embora e acho que ele deve ter voltado ali pra bicar os farelos rs

A tarde já se encaminhava a envelhecer, então me pus a voltar, fiz o mesmo trajeto da subida. Não quis arriscar outro caminho por não ter muito tempo pra se caso ocorresse algo de errado, alem da previsão de chuvas. A descida foi mais rápida, porém mais interessante pela janela que se tinha, pois eu ficava a maior parte do tempo de frente pro visu.

Finalizada essa jornada com o cansaço aparente, embarquei no ônibus até a avenida principal e depois um pro centro, pois na Long Street eu fui descansar nos hostel Two Oceans!

Fotos:

opa, tô chegandoLion de fundo

parte do teleféricosubi por essa trilha

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Parte 4 - Dia 07/07/17 - Museu Robben Island e Praia Camps Bay

Na noite anterior havia chovido mesmo, conforme a previsão dizia. Chuva é sempre bom em época de racionamento de água, em julho essa campanha não me pareceu tão intensa, mas na Cidade do Cabo existe racionamento de água. Essa manhã o clima estava ameno, tomei um café da manhã caprichado (food lover's cafe, se não me engano) e depois parti para o centro comercial V&A Waterfront e seguindo pelo plano de ir até a praia de Camps Bay, ainda de forma independente utilizando o transporte público ou a própria caminhada mesmo. 

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The Victoria & Alfred Waterfront é um porto em principio, mas não só isso, o que realmente se destaca são os diversos atrativos ao redor do porto, desde comércios, bares, pubs, museus, lojas de artesanatos, restaurantes, o Aquário Two Oceans que não fui, porém dediquei grande parte do tempo no Museu Robben Island, que é o local de onde parte a viagem até a ilha. Comprei o ingresso para o dia 09/07 e depois do museu eu troquei dinheiro no banco, almocei e andei pelo porto.  

A Ilha Robben foi por um tempo território de um presidio de segurança máxima, onde aprisionava presos políticos. Na época do apartheid sul africano, Nelson Mandela foi um desses presos, e hoje o local é visitado como tour educativo e de memória de preservação da resistência desses que lutaram pela liberdade e por plenos direitos civis, sociais e políticos. Nesse dia eu apenas comprei o ingresso, mas bem no meu dia de visita a chuva impediu que o tour ocorresse, e como eu estava com o tempo já contado fiquei sem conhecer a ilha, os 340 Rands foram reembolsados no cartão  Os guias desse passeio são alguns dos ex-presos políticos daquele tempo. O museu não me escapou e fiquei muito informado sobre essa época que muito marcou. Vale lembrar que a visita à ilha dura em torno de 4 horas e tem horários específicos de partida. (deixarei o link mais abaixo).

Momento de muita emoção foi estar frente a frente dos quadros que traçavam a história de luta anti-apartheid, as informações eram separadas em diversas seções, tais como: Fundação do Apartheid; primeiras resistências; distribuição de terra; mão de obra barata de imigrantes; primeiros sindicatos; mulheres, apartheid e resistência; partido nacional no poder; legislação do apartheid; campanha de desobediência; Massacre de Sharperville*; campanha contra lei do passe**; estado de emergência; luta armada; encarceramento, insurreição da juventude; capitulo da liberdade; crescimento de movimentos sociais, etc.

Após o almoço, voltei pro centro andando e parti direto pra Camps Bay Beach. Tem um ônibus que vai direto e é barato. No verão essa praia costuma lotar, mas como era inverno o tempo tava nublado e a temperatura baixa trombei com uma praia vazia. Ao embarcar no ônibus 107 Camps Bay usando o cartão Mycity, logo o rumo se deu em um bairro muito bem estruturado e de grandes casas, aos poucos já dava pra avistar o mar.

Essa praia é uma das mais badaladas na época quente, suas águas são frias, mas o diferencial é a estrutura que se tem na beira da praia, diversos restaurantes, bares e inclusive um mercado. Então mesmo que não se entre no mar, tem muita coisa pra se fazer. A vista é muito linda da sequencia de montanha que pertence a Table Mountain, chamada de 12 apóstolos. Quando eu fui essa visão estava parcialmente coberta, mas se mostrou bonita do mesmo jeito. Ao continuar a caminhada pelo calçadão se chega numa piscina natural que é tida como mais apropriada para banho, já que também não tem o risco de aparecer tubarões como ocorre no mar. Fiz minhas compras no próprio mercado, sendo assim a opção mais barata. Não entrei na água pois estava frio e por lá permaneci o restante da tarde. Show de bola!!!

O dia terminou com esse programa light, bem tranquilo. Voltei de ônibus até o centro, desci na Long Street pra descansar no hostel Two Oceans. No dia seguinte eu tinha agendado o rolê até a Peninsula do Cabo com a agencia BazBus.

Links:

Rota e horários da linha Camps Bay

https://myciti.org.za/en/timetables/route-stop-timetables/?timetable[weekday]=wednesday&timetable[route_id]=107&timetable[direction]=0

Ilha Robben ou Robben Island

http://www.robben-island.org.za/

 

*Massacre Sharpeville - fonte "Por dentro da África"

Em 21 de março de 1960, ocorreu em Sharpeville, na província de Gauteng, África do Sul, um protesto realizado pelo Congresso Pan-Africano contra a Lei do Passe, um documento que detalhava onde os negros poderiam ir. Caso os negros não apresentassem o passe, eles eram sumariamente detidos.

Neste dia, milhares de manifestantes caminhavam por Sharpeville para um protesto pacífico, que foi reprimido pela polícia sul-africana com arma de fogo provocando a morte de 69 pessoas e ferindo cerca de 180.

Após esse dia, a opinião pública mundial passou a olhar com mais atenção para o regime do apartheid. Em 21 de novembro de 1969, as Nações Unidas implementaram o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, que passou a ser comemorado todo dia 21 de março.

http://www.pordentrodaafrica.com/noticias/por-dentro-da-historia-o-massacre-de-sharpeville-durante-o-apartheid
 

**Lei do Passe

A Lei do Passe era uma lei que existia antes do Massacre de Sharpeville, na África do Sul.

A lei, que obrigava os negros da África do Sul a portarem uma caderneta na qual estava escrito onde eles podiam ir, era um dos principais elementos do sistema de apartheid.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_do_passe

O apartheid (...) foi um regime de segregação racial adotado de 1948 a 1994 pelos sucessivos governos do Partido Nacional na África do Sul, no qual os direitos da maioria dos habitantes foram cerceados pelo governo formado pela minoria branca.

A segregação racial na África do Sul teve início ainda no período colonial, mas o apartheid foi introduzido como política oficial após as eleições gerais de 1948. A nova legislação dividia os habitantes em grupos raciais ("negros", "brancos", "de cor" e "indianos"), segregando as áreas residenciais, muitas vezes através de remoções forçadas. A partir de finais da década de 1970, os negros foram privados de sua cidadania, tornando-se legalmente cidadãos de uma das dez pátrias tribais autônomas chamadas de bantustões. Nessa altura, o governo já havia segregado a saúde, a educação e outros serviços públicos, fornecendo aos negros serviços inferiores aos dos brancos.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Apartheid

Fotos: 

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Parte 5 - 4* Dia -  08/07/17 - Cape Peninsula Tour (BasBuz) - Ilha das Focas, Praia dos Pinguins e Cabo da Boa Esperança

Acordei cedo, tomei café no próprio hostel com aquele gelado matinal, cheguei pela varanda e a brisa leve indicava que viria dia bom pela frente. Não pra menos eu faria o Day Tour na Península do Cabo, rolê guiado que mesclava história com a bela paisagem oceânica e montanhosa do sul do país e da Cidade do Cabo. Eu havia agendado esse tour no dia anterior pelo Baz Bus e já comprei a passagem de van que vai desde a Cidade do Cabo até Joanesburgo passando por diversas cidades e hostels. Com isso fechei um pacote e ficou 2780 Rands. (+ ou - R$700,00).

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Baz Bus é basicamente um transporte que busca na acomodação e deixa em outra acomodação ao longo da costa sul africana. Essas acomodações inclui hostel, hotel e casa de hospedes. São mais de 200 acomodações entre 40 cidades. Existem diversos tipos de passagens, apenas de ida por 7, 14 ou 21 dias, e também ida e volta. Dessa forma facilita bastante a viagem para quem não está de carro, e acessando os horários disponíveis se planeja perfeitamente a viagem. Bas Buz oferece alguns tours como o da Cape Peninsula.

Ainda não tinha alcançado as 8h da manhã e a van já estava em frente ao hostel, passou por outras acomodações e com o grupo fechado, todos a bordo, foi hora de seguir pra viagem. O que nos esperava era primeiramente a Hout Bay, de lá partia um barco até a Ilha das focas. Depois, na cidade de Simon, a visita à Boulder Beach (Praia dos Pinguis). Por fim na Reserva Natural Cape Point, Cabo da Boa Esperança, etc. Incluido uma caminhada leve e um rolê de 6km de bike.


Seal Island

O Lobo Marinho do Cabo (Arctocephalus Pusillus)

Há 35 espécies de focas no mundo. A ilha de Duiker é um santuário de aves e de lobos marinhos do Cabo, onde se contam aos milhares estas focas e muitas aves tais como o corvo marinho do Cabo, o corvo marinho do banco, as gaivotas de dorso negro, etc. (...)

O lobo marinho do Cabo mergulha a profundidade de 36 metros, variando esta aptidão de espécie para espécie. Ao mergulhar, os ouvidos e as narinas fecham-se hermeticamente, não sendo possível a respiração debaixo da água. Mesmo quando dorme, torna-se necessário emergir para respirar. O animal adulto consegue permanecer debaixo de água durante 30 minutos e os mais novos de 10 a 15 minutos. 

- De um modo geral alimentam-se de peixe, camarão, crustáceos e lulas.

- As focas gozam de boa audição fora da água, ouvindo muito melhor quando submersas. A sua aptidão de detectar a origem dos sons é excelente.

- Os olhos estão adaptados paar verem tanto na água como em terra.

- O seu corpo é mantido a uma temperatura constante de 38,5º C.

- OS machos chegam a pesar 350kgs e as fêmeas 113kgs.

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Boulders Beach

Aninhado em uma enseada abrigada entre a cidade de Simon e Cape Point, Boulders tornou-se mundialmente famosa por sua colônia próspera de Penguin Africano e magníficas praias protegidas de vento e seguras. 

A partir de apenas dois pares reprodutores em 1982, a colônia de pinguins cresceu para cerca de 2200 nos últimos anos. Isto é em parte devido à redução do arrasto pelágico comercial em False Bay, que aumentou o suprimento de pilchard e anchovas, que fazem parte da dieta dos pinguins.

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A segunda parte do tour é marcada pela ida até a região do Cabo da Boa Esperança (Cape of Good Hope) e uma caminhada até a Ponta do Cabo (Cape Point). Ao chegar ao parque nacional da montanha da mesa, iniciou-se uma pedalada de 6 km, a bicicleta é cedida pela agencia, assim como, os capacetes de segurança. Após essa atividade fizemos um bom lanche da tarde, pra já seguirmos rumo à ponta da África. O Cabo da Boa Esperança representa o extremo sudoeste do continente, já o extremo sul é por conta do Cabo das Agulhas que não é tão famoso quanto o da esperança, que já foi chamado de tormentas por Bartolomeu Dias. O guia perpassou pelas histórias das navegações, realmente muita referencia histórica no local, que tem por característica a difícil navegação.

Ao visitar todos esses atrativos, seguimos de volta a cidade, o sol já estava se pondo, avistamos também diversos babuínos na beira da estrada, algumas pessoas paravam os carros, desciam e se aproximavam para tirar fotos, algo que não é muito aconselhável. Vale lembrar que foi um grande tour, o serviço muito divertido dos guias e reuniu uma galera bacana. Vale a pena!!!

Links para consulta de horários e preços!

http://www.bazbus.com/tickettype.html?rid=17

Fotos:

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Parte 6: Da Cidade do Cabo até Durban

Nesta parte do relato vou focar na minha ida a Durban. No dia 09 de julho completou meu quinto dia na Cidade do Cabo e eu tinha o ingresso da Ilha Robben que eu tanto queria visitar, mas nesse dia choveu, então o tour foi cancelado e me reembolsaram no cartão vtm. Era um domingo e eu andei pelo centro na intenção de fazer outra atividade, estava tudo vazio e ainda mais com chuva então decidi passear pela Long Street. Aqui vai um alerta acerca dessa rua nos domingos e a noite pois pode ser perigoso na questão de furtos ou roubos.

Mesmo sem programa eu pensei em sair pra beber, mas que logo decidi ficar mais tranquilo, almoçar bem e organizar os próximos passos do roteiro. Por bem dizer só fui tomar uma gelada lá em Zâmbia, mas é coisa pros próximos capítulos. 

No dia 10 de julho iniciou minha viagem de Bas Buz pela costa sul africana sentido Joanesburgo. Como peguei uma sequência de chuvas nas tardes e era inverno, decidi passar direto até Durban, eu poderia ter comprado uma passagem pela Intercape, no entanto eu havia fechado um pacote com Bas Buz e de certa forma eu iria percorrer a costa, só que apenas de passagem. E assim fiz, foram dois dias de viagem com uma pernoite em Port Elisabeth. Na verdade meu objetivo maior era a Cordilheira de Drakensberg, quase pensei em ir direto pra lá, mas passar um dia em Durban seria bom.

Em Port Elisabeth fiquei acomodado no Hostel Jikeleza e logo de manhã a Van passou novamente rumo a Durban, onde eu fiquei no Curiocity BackPackers, chequei a disponibilidade de camas já que eu não havia agendado, acertei por duas noites no curiocity. A estrutura do hostel é bem bacana, camas confortáveis, wifi nos quartos, tomada na cama, mini luminaria, etc. 

Um dia em Durban - 12/07/2017 - 8º dia

Depos de uma noite bem dormida, acordei umas 9h00, tomei café da manhã e parti rumo ao museu Kwa Muhle, isso já era bem umas 10h00. Caminhei até o museu, não durou nem 40 minutos do hostel. Assim como o Museu da Robben Island, esse me deixou bastante emocionado, acredito que até mais, pois me deparei com a história, imagens e depoimentos de Andrew Zondo*. Outra seção muito bem detalhada era a que tratava da história da lei do passe. Nesse museu tinha também uma sala dedicada a informações para conhecimento e preservação contra a AIDS e tuberculose também.

Logo depois do museu passei no prédio onde ocorreu a III Conferência Mundial Contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas em setembro de 2001, e contou com mais de 16 mil participantes de 173 países.

Após ter esse contato histórico fui passear pela cidade, andei até porto pelo calçadão e foi bem tranquilo. Procurei um lugar pra almoçar e segui sentido a South Beach. Cheguei na praia já de tarde e tinha uma movimentação razoável, tendo em vista que era meio de semana. Um ambiente bem legal, as pessoas se divertiam bastante e o interessante foi ver mais moradores locais curtindo a praia. 

Todo esse rolê fiz à pé, e na volta pro hostel ainda passei por umas ruas fora da rota turística, assim tive mais contato e deu pra sentir a atmosfera do local, moraria ali de boa. O contato era mais quando eu ia comprar algo e já fazia alguma pergunta ou algum comentário. Nesse trecho aumentou também o número de moradores indianos. Por indicação dos funcionários do hostel eu andei sem a câmera fotográfica e sem muito dinheiro no bolso, pois disseram haver risco de roubo. Ainda bem que comigo correu tranquilo, mas só tirei fotos pelo celular, essa foi a desvantagem, já que ele não é top.

Por fim, e depois de camelar um tanto, foi momento de relaxar no hostel. No dia seguinte eu tinha viagem pronta para a grande e tão esperada Cordilheira de Drakensberg!

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Reprodução caderneta de passe - museu durban

 

*Andrew Zondo

Ele cresceu no município de KwaMashu de Durban, teve seu despertar politico aos 14 anos inconformado com a Lei de Educação Bantu e se juntou ao CNA quando tinha 16 anos. Foi treinado como combatente no exílio em Angola e realizou várias operações clandestinas contra o governo do apartheid sul-africano.

A explosão no Amanzimtoti, no período de compras pro natal, foi o seu mais proeminente. Cinco pessoas foram mortas e Zondo foi capturado seis dias depois.

Em 20 de dezembro de 1985, as forças de segurança sul-africanas realizaram uma incursão em Lesoto, matando nove ativistas anti-apartheid. Em retaliação, os agentes da Umkhonto weSizwe, incluindo Andrew Zondo, colocaram uma bomba (mina) no centro comercial Amanzimtoti Sanlam em 23 de dezembro de 1985, matando três adultos e duas crianças, enquanto outras 40 pessoas ficaram feridas. Por este ato Andrew Zondo foi amplamente criticado pela população branca na África do Sul. O alvo seria uma agência do governo.

Também teve criticas por parte do CNA, Oliver Tambo, ex-presidente do CNA, indicou que o assassinato de civis foi contra a política do CNA e, consequentemente, ele desaprovou o bombardeio, mas entendeu as razões.

A Execução

Em 6 de setembro de 1986, a família de Andrew Zondo foi visitá-lo na Prisão de Segurança Máxima em Pretoria, onde estava aguardando sua execução. Ele estava em paz consigo mesmo e com o mundo e ele disse a sua família:

"Eu não quero que vocês chorem. Não quero que as pessoas venham e chorem por mim. O que eu tinha que fazer, eu fiz. Agora minha vida está terminando."

Menos de nove meses após o bombardeio, na terça-feira, 9 de setembro de 1986, Andrew Sibusiso Zondo foi enforcado com dois homens de KwaMashu. Lucky Paye e Sipho Xulu, que também morreram sob instruções políticas.

"A pena de morte na África do Sul foi reservada como uma punição por assassinato premeditado, traição ou como parte da justiça militar."

"A execução de criminosos e opositores políticos foi usada para punir e reprimir a dissensão política."

A última palavra de Andrew Zondo foi "Amandla", o grito de guerra da luta anti-apartheid!

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Parte 7: Cordilheira de Drakensberg + Lesoto

Depois de ter passado um dia em Durban, no dia 13/07/2017 (9° dia de viagem) embarquei no Baz Bus rumo ao Amphitheatre BackPakers que se localiza na região norte da Cordilheira de Drakensberg, na província de KwaZulu-Natal, sendo que nessa província se localiza parte da Cordilheira que no total se estende por aproximadamente 1000 km. 

Pra mim parecia ser o momento mais esperado do mochilão, pois é esse tipo de atividade e esse tipo de lugar que mais me identifico - caminhada nas montanhas. A principio o plano seria aproveitar dois dias no Amphitheatre, e assim poder fazer o tour até a Tugela Falls (Cataratas do Tugela) em um dia e no outro ir até o Reino Lesoto. Acabei esticando minha estadia em mais dois dias, pois perdi o horário da Van (Baz Bus) que me levaria para Joasnesburgo e só teria outra dois dias depois. No final acabou que foi uma boa mudança, pois pude curtir mais ainda a tranquilidade desse lugar!

Cheguei por volta das 14h00 no belo e aconchegante hostel Amphitheatre BackPackers, a van havia me buscado no Curiosity Backpackers em Durban pra em algumas horas chegarmos no meu destino. Fiz o check-in, como eu não havia agendado perguntei primeiro onde tinha vaga e no quarto compartilhado consegui uma vaga. Ali já agendei os dois dias de tour, no caso de Lesoto coloquei meu nome na lista de interesse pois não havia certeza de que fecharia um grupo. E por fim pus meu nome na lista de quem queria jantar no hostel.

Essa tarde eu aproveitei pra caminhar numas trilhas próximas do hostel, o sol estava presente, mas ventava bastante também, foi um rolê tranquilo e refrescante.Voltei pro hostel e em meio aquele ambiente brando pude relaxar o resto da tarde até a hora da janta. O dia seguinte me reservara uma grande aventura pelo Amphitheatre da Cordilheira de Drakensberg, o objetivo era um trekking até as Cataratas de Tugela!

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eis o primeiro trecho pra trás

 

Tugela Falls

Situada no Royal National Park, as Cataratas do Tugela possui uma queda de mais 900 metros, essa beleza natural se cessa no inverno, estação que ocorre uma grande diminuição do volume de água. Foi bem nessa época do ano que eu fui e não pude presenciar aquela queda máster, mas mesmo assim a formosura do lugar foi imperdível de se ver.

Considerada a segunda maior cachoeira do mundo e a primeira mais alta da África, consegue-se atingir seu topo numa caminhada média de aproximadamente 2 horas e assim se deu o role. Saímos pela manhã do hostel, acredito que em um pouco mais de uma hora já estávamos no estacionamento do parque real, após uma viagem por uma estrada boa e só quando se aproximava as montanhas que o caminho ficou sinuoso e um pouco dificultoso.

O tour foi fechado por 690 Rands, o nosso guia era o Sia, que já é muito experiente nessa região, trabalhando ali há anos desde que veio de Durban. As primeiras instruções foram dadas, grupo completo e então foi hora de caminhar. O tempo estava gelado, as mãos quase congelaram se não fossem as luvas que eu usava para manter o calor. Faz muito frio lá, não é pra menos pois estávamos próximo dos 2500 metros de altitude e iriamos atingir mais de 3000 até o final da trilha.

A trilha eu considerei como autoguiada, no primeiro trecho estavam inclusive, de certa forma, pavimentando, no segundo momento começou alguns zigue-zagues, típicos de extensões de caminho nas montanhas devido também ao escoamento das águas das chuvas. As pausas eram feitas em momentos oportunos para descansarmos, tendo em vista que nem todos tinham experiências em trilhas, é uma aventura que vale pra quase todas as pessoas.

O terceiro momento do trekking já foi mais puxado, uma subida mais íngreme numa trilha de rochas, algumas pessoas não continuaram, pois preferiram esperar num ponto que fossemos passar na volta. Com muita cautela cheguei no topo, um visual estonteante das montanhas em forma de agulhas, aquela chapada imensa e assim a pausa pro lanche e mais fotos. Em seguida fomos rumo a queda do Tugela, uma pena estar suave naquela época, pois o lugar é fantástico.

Passamos por outra queda depois, que também estava seca e na volta enfrentamos dois lances de escadas de tirar o folego, deu aquela aquecida na adrenalina e enquanto o tempo nos presenteava com pequenos flocos de neves. Bem legal. Era final de tarde quando estávamos de volta ao estacionamento. A minha sensação foi boa, mas eu também esperava mais, não sei se porque tenho o costume de explorar mais ou de não me adequar ao tipo de tour muito programado por guias e lógico que se a queda estivesse no seu auge seria o lugar mais brilhante que eu teria visitado rs.

Ao chegar no hostel foi papo de descanso, já que no dia seguinte já tinha programado o dia em Lesoto. Continuarei mais abaixo, após as fotos!


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Reino de Lesoto

Para falar sobre meu dia em Lesoto vou deixar a publicação que fiz na época no facebook!

---Hoje foi mais um dia de aprendizado, passei o dia numa vila em Lesoto. Mesmo que não falo a mesma lingua, um sorriso, um aperto de mão, um abraço, pôde transmitir a imensidão do que eu sentia no momento.

Lesoto é um pais localizado no sul da África, o povo é Basoto, a língua Sesoto. Lesoto faz fronteira unicamente com a África do Sul. Geografia montanhosa sendo o país mais alto do mundo, pois tem... uma altitude minima entre 1400 a 1500 metros com relação ao nível do mar.

Na foto, eu com um dos 2 Curandeiros da vila ou usando o termo certo, Sangoma. aos 18 anos ele recebeu os sinais dos ancestrais para se tornar um Sangoma. Não vou colocar seu nome e nem o da vila porque não sei como escreve corretamente. ---

Muito respeito aos ancestrais.
Paz, chuva e prosperidade.
Povo lindo, lugar lindo!

De fato o povo de Lesoto está onde está devido as batalhas travadas com os invasores holandeses, de acordo com o guia e a própria história, antes eles se localizavam no Free State (Estado Livre), que é hoje província da África do Sul. Esse país incrustado nas montanhas teve batalhas entre os povos San* e os Bantos, Zulu. Mas foi com o advento da invasões europeias que o genocídio se ocorreu. Essa região é rica de afrescos e pinturas rupestres dos povos San, porém no trecho do tour, já estavam todas se deteriorando muito disso devido a transgressão de alguns moradores. O guia foi um professor local, e isso foi muito gratificante por ele contar as vivências dali e a história tal como ela é, ou seja, não romantizou pra agradar turistas. O grupo no hostel estava grande e como tinha apenas um guia, foi dividida a turma. Grande experiência pra mim, difícil de descrever o que representou estar ali...   

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Preços/ Gastos (julho/2017)

-Dormida por noite 180 Rands (+- R$45,00)
5 noites = 900 Rands

- Jantar unidade 135 Rands 
4 dias - 540 Rands

- Atividade Lesoto day tour = 690 Rands

- Atividade Tugela Falls = 690 Rands

- 3 breakfast - café da manhã = 180 Rands

- 3 garrafas de água 1,5L = 75 Rands

- 2 sucos de laranja = 52 Rands

Enfim gasto total nesse trecho = 3440 Rands ( +- R$860,00)
Site do Hostel: http://www.amphibackpackers.com/


*Khoisan: conjunto de povos mais antigos da África Austral

Khoisan ou Coissã é na verdade a junção de duas etnias, os San, que são caçadores-coletores, e os Khoi Khoi, que são pastores semi-nômades. Há dezenas de milhares de anos vivem na terra, atualmente de forma reduzida no deserto de Kalahari, na Namíbia, mas já ocuparam grande extensão da África Austral, que representa a parte sul do continente africano. Com a chegada dos Bantos, os Khoisan desapareceram ainda portando grande território, mas foram dizimados com a chegada dos britânicos e holandeses. O Reino de Lesoto, por exemplo, que situava-se no Estado Livre (província da Africa do Sul) foi empurrado para o território montanhoso que ocupa hoje, sem acesso ao mar e muito dependente da África do Sul. 

A Cordilheira de Drakensberg ou uKhahlamba (em zulu), na África do Sul, abriga mais de 30 mil pinturas rupestres dos Khoisan, arte conhecida pela sofisticação de seu simbolismo espiritual. Eland (antílope africano com espirais no chifre) predomina porque o eland era o animal favorito de Deus e então estava repleto de poder espiritual. A arte Khoisan também retrata cenários de caça, dança, cerimonias religiosas e guerra. 

Conhecidos de forma depreciativa pelos colonizadores como hotentotes ou bosquímanos, possuem linguagens únicas chamadas de "Línguas do Clique" com diversos sons inexistentes em outros idiomas e por isso chamados de "gagos" pelos colonos. 

Segue um trecho do Dicionário da África - sec. VII a XVI, Nei Lopes e José Rivair:

(..)"Segundo L. D. Ngcongco, entre os anos 1000 e 1500 d.C., os KhoiKhoi tornaram-se criadores de gado, inclusive bois e vacas de grande porte, que montavam e usavam em transporte de cargas, além de ovelhas de causa grossa. Assim, espalharam-se por vasta área, numa expansão que deixou marcas profundas, tanto sob aspecto linguístico, quanto do ponto de vista da miscigenação, em grande parte da Africa Meridional, em terras hoje pertencentes a África do Sul, Angola, Botsuana, Namíbia, e Zimbábue. Em 1510, na região do Cabo da Boa Esperança, o português Dom Francisco de Almeida é morto com outros fidalgos no decorrer de uma 'expedição punitiva'. (Almeida, 1978, p.91). O ilustre falecido era vice-rei das Índias e sua morte ocorreu em confronto com um grupamento KhoiKhoi, que fez, além dele, mais 60 vitimas fatais. O fato comprova o grau de organização desses africanos, capazes de, apenas com seus arcos e flechas, infligir essa fragorosa derrota a uma coluna portuguesa, munida de armas de fogo"
Logo no inicio do filme "Os Deuses Devem estar Loucos" mostra um pouco da vivência dos Khoisan, com propriedade coletiva, cultura de dividir, caça e coleta para sobrevivência, o amor e respeito às crianças, muita sabedoria, etc. Na África do Sul tem um partido politico que representa os Khoisan de atualmente, o Partido Revolucionário Khoisan, que não tem pretensão de ganhar grandes cargos, mas de defender seus interesses.

 

 

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Aqui vou continuar minha jornada pela África Austral após ter passado cinco dias em Nothern Drakensberg

Dia 18/07/17 - 14º dia de viagem

Viagem de van basbuz de Drakensberg até Joanesburgo, fiquei num hostel próximo do aeroporto Oliver Tambo, pois no dia seguinte iria pra Zâmbia.

Dia 19/07/17

Viagem de avião de Joanesburgo até Livingstone em Zâmbia

Ao chegar andei pela cidade, povo muito acolhedor. Fiquei no Hostel Zinga Backpackers.

Preço da Passagem pela British Airways = R$950,00 (ida e volta)

Eis que deixei a região das cordilheiras para seguir minha mochilada por Zâmbia, mas antes passei uma noite num hostel próximo do aeroporto e no dia seguinte voei para Livingstone. O voo estava marcado para as 14h00 e o próprio moço do hostel me deixou já no portão de embarque no aeroporto. Dali só foi fazer o check-in e embarcar.

Essa passagem eu não comprei antecipadamente, minha irmã que estava no Brasil comprou pra mim, vale frisar que ela foi bem prestativa e me ajudou muito nesse tipo de serviço. No caso eu preferi deixar assim um pouco mais flexível para que eu me decidisse conforme a viagem fosse ocorrendo. O trecho das cataratas era duvida na verdade, pois tinha a questão da grana que poderia ser insuficiente, mas fiz as contas e vi que daria se a passagem fosse comprada por fora. Então do orçamento inicial acrescentei mais R$1000,00 da passagem e depois minha irmã fez a gentileza de creditar mais R$1000,00 no cartão vtm, que lógico paguei quando voltei.

Do investimento inicial que foi de R$4560,00 adiciona aí mais R$2000,00, foi o total de tudo e ainda sobrou, assim pude ir pras cataratas de vitória, fazer o Chobe Safari e passar os dias finais em Joasnesburgo.

Chegada em Zâmbia

Uma viagem tranquila e rápida, era tarde do dia 19/07, uma quarta-feira. Ao passar na imigração no aeroporto de Livingstone, peguei o visto de múltipla entrada, pois eu iria passar na fronteira de Zimbabue e também de Botsuana. Paguei US$50 (Cinquenta dolares) pelo visto. Pra mim saiu um pouco mais caro (indiretamente) esse visto, lá no aeroporto Oliver Tambo em Joburgo, eu fiz a mudança de moeda e ali perdi bem uns R$70,00. Coisa que nem sei explicar agora, mas isso aconteceu. É sempre bom pesquisar bem para fazer essas changes currency.

Logo ao sair do aeroporto tinha uma fila de taxis, eu tava pensando realmente em ir à pé até o centro de Livingstone, eu havia visto dois hostels pela internet: o Livingstone e o Zinga. E assim poderia procurá-los já que estava com os endereço e não tinha nenhum agendado ainda. Acabei tomando um táxi até o Zinga BackPackers, isso me custou US$15, que achei caro. Mas que valeu pela gentileza e a boa recepção do taxista, conversamos bastante e dali já vi que o Brasil é muito conhecido pelo futebol, foram vários assuntos mesmo a corrida do aeroporto até o hostel sendo curta.

Adentrei o Hostel Zinga e de cara gostei muito do ambiente, algo bem leve, de certa forma roots, simples e criativo. A recepção foi dez também, o dono fui conhecer depois, o Skool boy. São vários quiosques e têm quartos também, todos nomeados em homenagem a grandes lideranças mundiais, a exemplo de Nelson Mandela. Acertei 4 noites, a diária estava $10 com café da manhã incluso, o quarto era compartilhado. Maquei pro dia seguinte a ida para as Cataratas de Victoria, o transfer tava incluso gratuito e fica menos de 15 minutos de carro do hostel até a entrada do Parque das Cataratas.

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Parque Nacional Victoria Falls - Lado Zimbabue

Mosi-oa-Tunya ou Victoria Falls

O grande dia, 20/07/2017, marcava o 16º dia do meu mochilão, pra mim parecia que eu estava com parte do meu objetivo concluído, como eu mencionei anteriormente a ida pra cordilheira era o que eu mais havia criado expectativas, mas ao presenciar as cataratas foi quando o suspiro de surpresa saiu de verdade. Fiquei 100% admirado e ali percebi que tudo valeu muito a pena. As vezes a vida nos põe um contrabalanço numa balança que lança vida, tristeza e esperança, que lança choro, vida dura ou vida mansa, ou o sorriso de uma criança. Esqueça tudo de mal que se faz ou que a história nos reserva. Ali dá pra acreditar num mundo melhor. O lugar é fantástico por demais!!! 

Encantamento gigantesco, nada menos que a maior catarata do mundo. sua extensão passa dos 1000 metros (1km) e sua queda mais de 100 metros. Quem alimenta a queda é o Rio Zambezi que demarca também a fronteira entre os países de Zâmbia e Zimbabue. Os povos tradicionais da região chamavam de Mosi-oa-Tunya ou "Fumaça que Troveja", isso antes da colonização. Essa maravilha natural é também patrimônio na Unesco e em cada parte da fronteira tem um parque. Em Zâmbia, Parque Nacional Mosi-oa-Tunya e em Zimbabue, Parque Nacional Victoria Falls.

No lado da Zâmbia paguei U$D 20 (vinte dólares) e após passar quase 4 horas pelo parque, eu atravessei a fronteira pela ponte, fui a pé mas tem vários taxis por lá, no geral é bem tranquilo de se atravessar essa fronteira e ainda tinha na ponte muitos turistas aguardando e olhando os saltos de Bunguie Jump. Alguns vendedores são insistentes demais nas vendas dos souvernies, e é nesse momento que tem que ser bom pra negociar pois ele colocam o preço inicial lá no alto. Como não negocio nessa situação muito bem, ou eu compro mais caro mesmo ou nem compro rs. O preço pra entrar no parque do lado de Zimbabue é de US$30,00 (trinta dólares). Ambos são espetaculares, cada um com sua particularidade, mas eu fiquei mais tempo no lado de Zâmbia. Um ponto interessante pra quem deseja planejar é saber sobre as épocas mais cheias e têm outras mais secas, o intermediário disso pode ser o ideal. Como eu fui no mês de julho achei perfeito! Para se atualizar mais sobre os parques é bom ir nos sites pra saber das condições da estações e também dos horários de funcionamento dos parques.

É interessante levar proteção para a câmera fotográfica e também capa de chuva. Algumas pessoas alugam por 1 dólar na entrada do parque. Pra voltar peguei um táxi por 5 dólares e então ao chegar tranquilo no Zinga Backpackers foi só relaxar a refletir o belo dia que tive. Foi mais um momento único!!! E a aventura continua...

Fotos:

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  • Conteúdo Similar

    • Por MilenaSSoares
      Olá,
      Eu voltei de Cape Town e trouxe alguns Randes de volta, caso você seja da Capital de São Paulo ou região metropolitana me contate.
      Sei que esse ano está difícil e a normalidade de mochilhar por aí, e nossa rotina retome apenas em meados de 2021.
      Espero que estejam seguros e take care!
      WhatsApp: 11 967507797
    • Por fernandobalm
      Resumo:
      Itinerário: Joanesburgo (África do Sul) – Katmandu (Nepal) – Bhaktapur - Pokhara – Zhangmu (Tibet) – Tingri – Xigatse – Lhasa - Zhangmu – Katmandu (Nepal) - Janakpur - Lumbini – Katmandu - Caminhada até o Lago Gosaikund (Chisapani – Kutumsang - Ghopte - Gosaikund – Thulo Syabru - Syapru Besi - Dhunche) - Katmandu
      Período: 08/09/2003 a 09/11/2003
      Ida: Voo de São Paulo (Guarulhos) a Joanesburgo na África do Sul pela South Africa Airways. Após parada de 4 dias, voo para Mumbai na Índia pela South Africa Airways. De lá voo para Nova Déli pela Air India. De lá voo para Katmandu no Nepal pela Indian Airlines.
      Volta: Era para ser voo da Royal Nepal Airlines até Nova Déli na ïndia e depois pela Jet Airways até Mumbai. Porém o avião teve problemas antes da decolagem, o que me fez permanecer por 6 dias em Katmandu até conseguir um voo direto pela Royal Nepal Airlines até Mumbai na Índia. De lá voo pela South Africa Airways até Joanesburgo na África do Sul e depois até São Paulo.
      Considerações Gerais:
      Depois de tanto tempo não pretendo nem consigo fazer um relato detalhado, pois nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, mas vou tentar descrever a viagem com as informações de que lembrar e que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante ou ter uma base para pesquisar detalhes, principalmente o trajeto, tipos de acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes. Os preços que eu citar serão somente para referência e análise da relação entre eles, pois já devem ter mudado muito.
      Acho que o relato principalmente serve para ideias de roteiros a quem se interessar e também como um relato das experiências vividas.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informações Gerais:
      Em toda a viagem houve todo tipo de clima. Em Joanesburgo fez sol quase todo tempo, com temperaturas amenas, levemente frias de manhã e à noite e esquentando ao longo do dia. No Nepal houve bastante sol, mas também alguma chuva, principalmente em Pokhara. Houve neve no Lago Gosaikund. No Tibet fez sol quase sempre, porém as temperaturas foram um pouco frias ao amanhecer a anoitecer, às vezes esquentando ao longo do dia, mas não muito.
      A população de uma maneira geral foi muito cordial e gentil 👍. Houve vários mal-entendidos devido à língua, ao alfabeto e aos costumes no Nepal e no Tibet, onde quase ninguém falava inglês. Em Joanesburgo houve um episódio em que senti olharem-me com ódio, talvez por minha pele ser branca. Muitos disseram-me para não ir por conta própria para vários lugares, pois poderia ser morto.
      As paisagens ao longo da viagem agradaram-me muito, passando por áreas de florestas, rios, cachoeiras, montanhas e outros . Achei deslumbrantes especialmente as montanhas nevadas, em particular os Himalaias.
      Alguns trajetos de ônibus no Nepal e no Tibet passaram na beira de precipícios bem altos, o que foi um teste para os nervos 😟. Houve muitos problemas com pneus furados. Houve pontos em que os veículos atolaram e vários congestionamentos devido a deslizamentos de terra. Como havia uma guerrilha tentando tomar o poder no Nepal, houve muitas paradas para checagem pelo exército. As viagens foram muito lentas devido a tudo isso. Para entrar no Tibet foi necessário ir em uma excursão até Lhasa, por exigência do governo chinês. Em Joanesburgo recomendaram-me não usar transporte público, sob pena de sofrer violência.
      A viagem no geral foi tranquila. Não tive nenhum problema direto de segurança, mas houve uma decretação de paralisação geral pela guerrilha no Nepal que o exército respondeu decretando toque de recolher. Em Joanesburgo contaram-me a respeito de muitos episódios de violência.
      Quase ninguém aceitou cartão de crédito. Mas consegui fazer saques nas moedas locais usando o cartão de débito Visa Electron. Levei cerca de US$ 1,300.00 em espécie, mas gastei bem menos. Na África do Sul saquei R$ 511,75 e paguei R$ 24,81 de tarifas. Gastei mais R$ 28,05 com cartão de crédito. No Nepal saquei R$ 178,97 e paguei R$ 10,86 de tarifas. Troquei mais uns poucos dólares também. No Tibet saquei R$ 431,68 e paguei R$ 15,97 de tarifas. Acho que troquei alguns poucos dólares lá também. Paguei US$ 129.00 pela excursão para ir ao Tibet. Acho que ao todo gastei cerca de US$ 530.00 a US$ 630.00 na viagem sem contar a passagem aérea. A passagem aérea custou pouco menos de US$ 1,500.00 obtida através da agência Via Aérea (http://viaaerea.tur.br).
      No Nepal achei a comida com muitas especiarias, ardida como pimenta. Como não gosto, tive alguma dificuldade.
      A Viagem:
      Fui de SP (Guarulhos) a Joanesburgo na 2.a feira 08/09/2003 pela South Africa Airways (https://www.flysaa.com). A saída estava prevista para as 18:15. Cheguei em Joanesburgo pela manhã na 3.a feira 09/09. Tive alguma dificuldade de comunicação com alguns atendentes do aeroporto provavelmente devido ao sotaque e ao meu nível de inglês precário. Obtive informações no balcão correspondente do aeroporto e confirmei as informações que tinha lido de que a cidade poderia ser perigosa. No próprio aeroporto encontrei um rapaz e uma moça do hostel Africa Centre (http://www.cheaphotelsandhostels.com/hostel/h-3170/Africa-Center-Airport-Hostel) fazendo propaganda e, analisando as outras opções, resolvi aceitar a oferta deles. Disseram que o hostel ficava numa área muito segura perto do aeroporto. O rapaz comentou que seria perigoso visitar os pontos de interesse por conta própria. Contou relatos de pessoas que haviam sido mortas. Achei que poderia ser exagero para me levar à compra de pacotes.
      Chegando ao hostel, após acomodar-me, fui dar uma volta pelos arredores. Foi possível perceber que havia preocupação com segurança nas várias residências, com placas de resposta armada de empresas de segurança. Um pouco cansado, com um pouco de sono após uma noite no avião e sem ter almoçado, não fui muito longe e depois de andar um pouco, parei numa praça para descansar. Lá um homem pediu-me dinheiro, dizendo que estava com fome, pois não havia almoçado. Como ele me pareceu em bom estado, como não havia nenhum local que eu conhecesse para comprar alimentos por perto e como tenho certa reserva em dar dinheiro, pois nunca se sabe para onde vai, acabei desejando-lhe boa sorte, mas não lhe dei nada. Notei que várias vezes pessoas negras mudavam de calçada quando iriam cruzar comigo. Achei coincidência num primeiro momento. À noite no hostel conheci a dinamarquesa Liz, recém-formada ou acabando a formação na área de negócios, e a inglesa Emma e seu namorado, que pretendiam ir ao Parque Kruger. Consultei também os preços para visitar alguns pontos que desejava.
      Para as atrações de Joanesburgo veja https://guia.melhoresdestinos.com.br/pontos-turisticos-de-joanesburgo-141-1467-p.html, https://www.planetware.com/tourist-attractions-/johannesburg-saf-gp-jo.htm e https://www.lonelyplanet.com/south-africa/johannesburg/attractions/a/poi-sig/355617 . Os pontos de que mais gostei foram os itens históricos, os típicos da África, a mina de ouro e o Museu do Apartheid .
      No dia seguinte, 4.a feira 10/09, bem mais descansado, fui dar uma grande volta pelos arredores para tentar descobrir se seria possível ir por conta própria para o centro e os demais pontos de interesse. Perguntei a cerca de 20 pessoas brancas se seria seguro e unanimemente elas me disseram que não, sendo que boa parte delas disse-me que eu poderia morrer. Achei que poderia ser algum tipo de discriminação e ideia deformada por parte dos brancos. Tentei então procurar pessoas negras para ver a sua opinião. Falei também com cerca de 20 e, para minha surpresa, a opinião deles foi a mesma dos brancos, porém não me lembro de terem me falado que eu poderia morrer. Só disseram para eu não ir, pois não seria seguro. Só houve uma exceção, que foi o vendedor de bilhetes da estação de trem, que disse que eu poderia ir sem problemas. Mas eu resolvi não ir e, apesar dos valores bem mais altos, resolvi ir em excursões coletivas privadas nos dias seguintes. No meio da tarde, quando pedia informações às pessoas sobre caminhos, conversei com uma mulher branca de uns 50 ou 60 anos em sua oficina e ela me disse que não dava para ir a pé ao centro, porque havia muitas pistas só para carros e porque passaria por áreas perigosas. Acho que o marido dela ficou com ciúmes da atenção que ela me deu (pareceu com um enfoque maternal). Falei também com um vigilante negro, que num primeiro momento mostrou-se na defensiva, mas conforme que a conversa foi evoluindo informalmente, tornou-se bastante amistoso e, no fim, estendeu a mão num cumprimento típico. Paralelamente um outro vigia atravessou a rua e veio cumprimentar-me. Desejaram-me longa vida sorrindo. Fiquei bestificado 😲. Este episódio de um branco conversar com um negro sem ser por alguma questão de serviço pareceu-me ser algo raro por ali, um evento. Isso me fez achar aquele estado de coisas infeliz ☹️. Lembrei-me do Brasil, que apesar de toda a questão do preconceito, é um lugar em que sempre tinha convivido com muitos negros e mestiços de maneira amigável, em ambiente de trabalho, escola, esportes, cultura, família etc. Neste dia nadei na piscina do hostel, apesar da água um pouco fria do fim de inverno. Um dos atendentes até me perguntou sobre a temperatura da água. À noite ainda conversei com um dinamarquês amigo de Liz, que me recomendou cautela se fosse tentar ir a algum local por conta própria.
      Na 5.a feira 11/09 fui numa excursão pela manhã, junto com outros estrangeiros, conhecer o centro da cidade, incluindo museu, lojas típicas, praças, prisão em que ativistas anti-apartheid estiveram (incluindo Nelson Mandela) e outros itens. Lembro-me de um alemão, um australiano e talvez algumas alemãs. As pessoas estavam muito temerosas de sair para andar em áreas públicas, especialmente o alemão. Quando fomos ao Parque Joubert (https://en.wikipedia.org/wiki/Joubert_Park), perguntei se poderia dar uma volta, o guia autorizou e eu fui. Só havia negros. Pelos olhos achei que cerca de 20% pareceram muito surpresos e felizes com minha presença, como que a me convidar a ficar à vontade e desfrutar do ambiente. Cerca de 40% pareciam indiferentes e evitavam o contato visual. Outros 20% pareciam não gostar e alguns até pareciam esperar alguma oportunidade de algum delito (até aí nada diferente do que em alguns locais de SP). Porém, o que me assustou foi que havia cerca de 20% que pareciam fazer questão de me olhar fixamente com aparente ódio, sem nunca me terem visto antes. Seu olhar parecia exprimir raiva e, se tivessem oportunidade, acho que cometeriam violência contra mim. Nunca tinha passado por isso. Mesmo em locais onde há crime ou algum tipo de rivalidade no Brasil, nunca tinha sentido alguém olhar-me assim. Fiquei tristemente espantado ☹️. Não entramos na Galeria de Arte porque o tempo era curto e a galeria muito grande. Apenas vi as obras da sala de recepção. Fomos para lojas típicas e para áreas centrais. Andamos um pouco por lá e depois fomos para outra excursão à tarde, com destino ao Soweto. No caminho o alemão, que parecia não querer se aventurar a andar muito longe do guia e em locais públicos, contou a seguinte história, que foi narrada por jornais alemães, alguns dos quais sensacionalistas. Um casal de alemães saiu para assistir um espetáculo de música no centro da cidade à noite. Beberam e depois saíram andando pelas ruas, dispensando o táxi. O homem tinha um relógio no pulso, a mulher tinha anéis nos dedos e um colar. Ele deu uma pausa na história, olhou pela janela, tomou fôlego e continuou. Quando acharam o homem ele não tinha a mão. Quando acharam a mulher ela não tinha nenhum dos dedos e nem a cabeça. Ambos morreram e alguns jornais sensacionalistas publicaram fotos na primeira página. Aí eu entendi porque ele estava tão cauteloso.
      Juntaram-se a nós mais algumas pessoas para o passeio, incluindo um belga e talvez mais uma ou duas alemãs. Começamos o passeio pelo Soweto parando no início do bairro e entrando numa espécie de tenda ou bar de madeira onde se vendia comida típica, um tipo de churrasco, e cerveja. O australiano comprou uma e gostou. Depois fomos conhecer locais históricos, casa de Desmond Tutu, de Mandela, Steve Biko, locais de manifestações, uma ocupação (o que chamaríamos aqui de uma favela em área não autorizada) e uma favela. Na ocupação chamou-nos atenção uma placa do KFC que eles penduraram em uma das casas. Chamou a atenção do belga o fato deles conhecerem David Beckham. Na favela eu perguntei se seria perigoso entrarmos nas vielas e o guia disse que dependia de até onde eu quisesse ir. Achei melhor não ir para não expor o grupo e porque não sabia se havia algo relacionado a algum tipo de crime ali, como narcotráfico. Quando estávamos indo embora, um homem da favela com que eu havia conversado pediu-me comida. Eu não tinha nada na mão e fui ao grupo perguntar se alguém tinha algo. Mas o guia não gostou e falou para irmos embora. Disse: “Não podemos (temos capacidade para) alimentar todos”. Chegamos de volta ao hostel à noite.
      Na 6.a feira 12/09 fui com o transporte da excursão a Golden Reef (https://en.wikipedia.org/wiki/Gold_Reef_City), onde havia uma enorme e típica mina de ouro. Mas fui fazer o passeio só, pois os outros iriam para outros passeios. Havia uma espécie de parque de diversões no mesmo local e, achando que teria bastante tempo, decidi conhecer um pouco dele antes e depois da visita à mina. Foi um grande erro, pois perdi tempo precioso, que poderia ter usado na visita ao Museu do Apartheid. Achei as atrações do parque interessantes, mas parecidas com os parques de diversão que conhecia em São Paulo. Achei a visita à mina espetacular . Nunca tinha visitado uma mina de ouro subterrânea. Achei impressionantes as estruturas, o modo de trabalho, todo o local e o processo. Por não ver, liguei a lanterna na cara de um trabalhador da mina de apoio à excursão enquanto a guia dava explicações e ela logo me chamou a atenção, mostrando o trabalhador, que eu não havia visto porque estava numa área escura dentro de uma estrutura da mina. Após a visita à mina, enquanto passeava pelo parque, vi um prédio grande não muito distante e descobri tratar-se do Museu do Apartheid (https://www.apartheidmuseum.org). Apesar de já ser tarde, apenas 1 hora a 1 hora e meia antes do que havia combinado com o motorista da excursão para me pegar de volta, decidi ir visitá-lo. Gostei muito. Havia muitos ambientes, contando a história da segregação racial no país, desde as guerras entre holandeses Boer e ingleses, do convívio com os zulus, da passagem de Gandhi por lá, até os dias mais recentes (não consegui ver o fim, então não sei exatamente até onde ia). Havia um trecho em que brancos passavam por uma área e negros por outra, de modo que os brancos vissem como eram tratados os negros e como eram os ambientes em que viviam e os negros vissem como eram tratados os brancos e como eram os ambientes em que viviam. Na área dos atentados, torturas e assassinatos promovidos pelo governo, chamou-me a atenção o número de explicações claramente (parecia que até propositalmente, com intuito de intimidar) falsas a respeito de prisioneiros mortos, a maioria enquanto tomava banho (tomava banho, escorregou, bateu a cabeça e morreu, caiu no banheiro e morreu etc). Lembrou-me algumas das explicações da ditadura militar no Brasil referentes a atropelamentos por caminhões, além da dada no caso de Vladimir Herzog. Infelizmente o horário que havia combinado com o motorista da excursão estava chegando e parei na seção de atentados, nos anos 1980. Até tentei propor ao motorista que me pegasse no fim da tarde, mas ele estava levando o pessoal da excursão de volta e não tinha previsão de nova excursão à tarde. Aí disse que não seria possível, a menos que eu pagasse pela gasolina como táxi individual. Eu acabei não querendo e voltei com eles. De volta ao hostel conversei com um espanhol e outro viajante (acho que também era espanhol). Perguntaram-me como ia indo o Lula em seu primeiro ano de governo, conversamos sobre o mundo e sobre os perigos da viagem ao Nepal, que tinha uma guerrilha maoísta.
      No sábado 13/09, perto da hora do almoço, peguei uma transferência, junto com um dos dois espanhóis. Eu estava indo para o aeroporto e ele, se bem me lembro, para o shopping. Na sala de espera para o embarque, vi que havia um grupo de brasileiros indo para a Índia, que perceberam que eu era brasileiro. Eram Fábio, dono de uma empresa de aço e seu irmão ou cunhado. Fomos conversando uma parte do voo e eles, principalmente o Fábio, tinha interesse em esoterismo. Falou-me de sua experiência com vários locais de estudos de filosofia e esoterismo que eu também conhecia. Por coincidência ele era formado na mesma escola que eu, só que em engenharia metalúrgica. Ele me falou que eu era a primeira pessoa que ele conhecia que de fato fazia uma viagem ao Tibet, pois muitos falavam, sonhavam, mas não faziam. Falou-me ainda que era só assistir televisão e ver como era o mundo para se esquecer tudo de que se falava sobre esoterismo nos locais de estudo ou encontro. Achou um pouco forte o tempero da comida e eu lhe disse sorrindo que ele não tinha visto nada ainda 😀. Depois de ter voltado ao Brasil fui jantar na casa dele, conheci sua mulher e filhos e conversamos sobre minha viagem a passeio e a dele de negócios. Chegamos a Mumbai de madrugada, ele lá ficou e eu fui pegar conexão para Nova Déli pela Air India (http://www.airindia.in), morto de sono. Cheguei em Nova Déli no amanhecer. Tive que ficar numa área restrita, pois precisava de um atendente da Indian Airlines (https://en.wikipedia.org/wiki/Indian_Airlines) para me liberar para o novo embarque. Foi uma espera de algumas horas (cerca de 3) não muito agradável. Ainda tive que pagar uma taxa de US$ 5.00, se bem me lembro. Após a liberação fui para a sala de embarque para Katmandu. Conheci uma médica de Médicos Sem Fronteiras, que me deu 3 sugestões de ouro, apesar de algumas óbvias, sobre como enfrentar a altitude. Primeiramente, respirar fundo (inspirando e expirando longamente), depois dormir com a cabeça bem elevada do corpo, não em linha reta e por fim, beber muita água. Estes 3 procedimentos simples ajudaram-me muito e tive muito menos problemas do que em uma ida anterior a regiões altas. Embarquei no domingo no fim da manhã, morto de sono. Havia 3 lugares na fileira em que eu estava, comigo, um russo e um indiano. Eu ri e comentei com eles que era um retrato do mundo. Fomos conversando sobre Moscou, a questão dos atritos entre Islamismo e Ocidente, a Índia e a situação política no Nepal. O indiano disse-me que as montanhas eram seguras, mas para eu não ir ao Terai (https://pt.wikipedia.org/wiki/Terai). Ao longo da viagem perguntei a várias pessoas sobre a situação política e todos disseram-me que a situação estava sobre controle.
      Chegando em Katmandu, no domingo 14/09 no meio da tarde, tirei o visto de entrada no aeroporto. Precisava de uma foto, que a atendente da embaixada da Índia no Brasil (que representava o Nepal) havia me dito. Levei comigo e poupei o preço de tirar a foto no aeroporto. Paguei uma taxa pelo visto (algo como US$ 50.00). Peguei um táxi e fui para a área conhecida como Thamel (https://en.wikipedia.org/wiki/Thamel), onde ficavam os estrangeiros geralmente. Dadas as notícias que havia ouvido, achei a situação até bem tranquila. Um guia recomendou-me um hotel por US$ 6.00 a diária, em que acabei ficando nos primeiros dias, até descobrir que havia outros muito mais baratos. Após instalar-me, resolvi deitar um pouco para depois ir jantar, pois não consigo dormir em aviões e estava bem cansado. Fui acordar de madrugada e acabei decidindo dormir até o dia seguinte 😴.
      Para as atrações de Katmandu veja https://wikitravel.org/en/Kathmandu, https://www.lonelyplanet.com/nepal/kathmandu e https://thingstodoeverywhere.com/visit-kathmandu-attractions.html. Os pontos de que mais gostei foram as stupas, os templos, os prédios e monumentos históricos, as vistas a partir de locais altos e a população local .
      Conversei com um agente de turismo local e ele me deu informações sobre os locais a conhecer no Nepal, os preços, as formas de transporte e as condições gerais do país. Disse-me para não ir para a região de Lumbini, pois havia muitos pontos de checagem do exército nas estradas, o que tornaria a viagem cansativa, além de ser área com muitos guerrilheiros, que não costumavam atacar os turistas, mas pediam dinheiro para que pudessem prosseguir. E tudo poderia acontecer, nada era garantido.
      Na 2.a, 3.a e 4.a feira fui visitar as 3 principais stupas de Katmandu, que eram Swayambhunath (https://www.swayambhunathstupa.org/), Boudha (https://boudhanathstupa.org) e acho que a última era em Patan. Achei as estupas espetaculares , principalmente as 2 primeiras. Gostei mais de Swayambhunath, mas Boudha também pareceu-me muito boa. Além de todo o clima espiritual, a vista lá de cima também era muito boa e ampla. Passei também por templos, monumentos, parques e palácios nas áreas centrais e no caminho para as estupas. Achei que havia um certo clima de tensão devido à guerrilha e à possibilidade de atentados ou talvez eu estivesse precondicionado. A cidade em si parecia-me com trânsito um pouco caótico e com estrutura simples, mas sem extremos de pobreza, apesar de haver mendigos. Acho que uma visão ocidental materialista diria que era bem pobre. Aproveitei também estes dias para obter informações detalhadas sobre a ida ao Tibet, algo que não tinha conseguido no Brasil. Fui ao consulado chinês e obtive as informações necessárias. Se bem me lembro obtive um visto de 15 dias, que era o que o governo chinês oferecia para quem entrava por ali. Fui também a agências de turismo obter informações sobre excursões ao Tibet, posto que o governo chinês não permitia viagens de estrangeiros sem ser vinculadas a excursões.
      Na 4.a feira à tarde correu um boato de que a guerrilha decretaria uma paralisação geral. Quando cheguei ao hotel informaram-me que o rei havia decretado toque de recolher naquele dia e provavelmente nos outros também. Fui jantar e quase me perdi na volta ao hotel. O toque de recolher era as 23 horas e já eram 22 horas e as pessoas andavam rapidamente, num clima de desespero. A atendente de uma agência de turismo em que eu havia ido disse-me que se estivesse na rua após o horário as forças armadas tinham ordem de atirar. Enquanto procurava pelo caminho para o hotel, que era meio escondido, em meio às pessoas correndo, dei de cara com um carro de combate com soldados . Levei um susto, cruzei com eles, mas nada aconteceu. Tentei perguntar para os habitantes locais, mas naquele clima tudo era difícil, além da língua, que eu não sabia falar. Mas achei o caminho e voltei para o hotel aliviado. Esta situação lembrou-me a cena com o desespero da população na invasão da China no filme “O Império do Sol”.
      Na 5.a feira 18/09 perguntei aos atendentes do hotel se poderia visitar pontos de interesse e eles me disseram para não ir longe. Acabei não atendendo o que disseram. Primeiramente fui até a parte antiga da cidade, que achei espetacular . Não tinha ideia da existência daquele conjunto histórico razoavelmente preservado. Depois fui a Bhaktapur (https://en.wikipedia.org/wiki/Bhaktapur) andando. Fui conhecendo os vários pontos de interesse pelo caminho. Gostei também bastante de lá. Novamente achei grandioso o conjunto histórico e arquitetônico . Parecia mais calmo, pois era uma área turística, mas novamente pareceu-me tenso o clima. Um nepalês, que veio conversar comigo, perguntou-me como eu havia chegado lá e quando disse que tinha vindo só e andando, ele ficou admirado e disse que eu devia ser muito inteligente para conseguir chegar (talvez ele devesse ter dito muito louco).
      Na 6.a feira 19/09 fui à última grande stupa que haviam recomendado em Katmandu. Cada uma delas era em direção a um ponto cardeal em relação ao Thamel e esta, se bem me lembro, era para Norte ou Nordeste (talvez fosse Budhanilkantha - https://en.wikipedia.org/wiki/Budhanilkantha). Fui andando. Gostei. Achei-a menor e mais simples que as outras, mas ainda assim achei-a interessante. Passei por templos próximos e fui visitando os pontos de interesse no caminho.
      No sábado e domingo mudei para um hotel mais barato, cerca de US$ 2.00 a diária e fui tentar visitar os templos de Pashupatinath (http://pashupatinathtemple.org) e Guhyeshwari (https://en.wikipedia.org/wiki/Guhyeshwari_Temple). Mas não eram permitidos para não hindus. Na porta de Pashupatinath havia estátuas de deuses e uma placa enorme dizendo que só era permitido para hindus. Mas como eu estava apreciando as estátuas não vi a placa. Olhei para os guardas e eles não falaram nada. Acho que imaginaram que eu era hindu. Alguns minutos após entrar, quando observava uma estátua de Ganesha, um sacerdote brâmane veio até mim e rispidamente perguntou o que eu estava fazendo ali, pois não era permitido para não hindus. Eu fiquei surpreso e disse que não sabia. Ele me conduziu parte do caminho até a porta. Lá, vi a enorme placa e fiquei constrangido 😳. Um outro brâmane passou indo embora e eu lhe falei que era leitor do Bhagavad Gita e gostava do hinduísmo. Ele me disse que isso era bom, mas que eu não poderia entrar. Aparentemente esta norma mudou nos dias atuais. Nos outros templos fiquei mais atento antes de entrar. Em vários pude entrar, sem problemas.
      Apreciei o Dal Bhat, que era um prato típico do Nepal, com arroz, lentilha e legumes (poderia ser também com carne, mas eu sou vegetariano). Parecia nosso arroz com feijão, porém alguns vinham com muitas especiarias, o que os fazia ardidos. Descobri também uma doceria que tinha uma promoção de 50% de desconto no fim da noite, o que me pareceu tornar atraente os preços dos bolos e tortas .
      Perguntei a um judeu onde poderia encontrar um mapa gratuito da região e ele me disse sorrindo “em seus sonhos”, mas completou dizendo que os mapas não eram caros.
      Conheci um outro judeu que também procurava ir ao Tibet. Procuramos juntos por agências de turismo e conseguimos fechar com a mais barata por US$ 129.00 uma excursão de 4 dias, saindo de Katmandu e chegando a Lhasa, com transporte, hospedagem e café da manhã do primeiro dia incluídos. A excursão mais próxima sairia dia 28/09. Ele pareceu um pouco incomodado com o fato de eu pedir informações a qualquer pessoa. Provavelmente em Israel esta prática era perigosa. Ele era agricultor e conversamos sobre a situação de guerra existente em Israel.
      Conheci um outro turista (acho que era europeu) que comentou sobre sua viagem e disse que estava agendado para ir ao Tibet também e me disse que sua chegada estava prevista para 01/10. Comentei com ele que minha previsão era a mesma e imaginei que iríamos na mesma excursão.
      Dada a data da excursão, decidi ir conhecer Pokhara enquanto esperava. Peguei um ônibus na manhã da 2.a feira 22/09 e cheguei no fim da tarde. As viagens costumavam demorar muito porque as estradas eram precárias, havia deslizamentos de terra e havia checagens de segurança feita pelas forças armadas. Nesta primeira, se bem me lembro, não houve muitos incômodos. Fiquei numa espécie de casa de família que tinha alguns cômodos para hóspedes. Alguns turistas estrangeiros que estavam na cidade disseram-me que nem se notava o toque de recolher por ali e que a situação era muito mais calma do que em Katmandu.
      Para as atrações de Pokhara veja https://myownwaytotravel.com/tourist-destination-pokhara-tour-guide/, https://www.lonelyplanet.com/nepal/pokhara e https://wikitravel.org/en/Pokhara. Os pontos de que mais gostei foram as montanhas, os templos, o lago, a vegetação e as vistas a partir de locais altos .
      Fiquei lá até 6.a feira 26/09. Foi difícil ter uma vista limpa das montanhas, pois lá chovia muito e havia muita nebulosidade. Se bem me lembro as informações diziam que o tempo ficava chuvoso mais de 200 dias por ano. Mas em alguns dias houve algumas aberturas das nuvens e no último, principalmente, foi possível uma razoável vista dos picos e das montanhas.
      Num dos dias fui até um templo que ficava no topo de uma montanha e que havia visto lá de baixo. Fui intuitivamente por uma trilha na montanha no meio do mato . Fui perguntando para as pessoas que encontrava pelo caminho, muitas coletando algum tipo de produto agrícola ou fazendo extrativismo vegetal ou mineral. Perguntava por “Buda” e eles (em boa parte mulheres) apontavam-me o caminho. Cheguei a fazer uma marca no chão numa encruzilhada para não me perder na volta. Chegando lá um vendedor ambulante perguntou-me se eu havia vindo pela floresta e me disse que poderia ser perigoso, narrando o caso de um japonês que havia sido morto por estrangulamento ou enforcamento há um tempo atrás. Disse que sozinho era problemático, mas em dois ou mais não havia problemas. Gostei muito deste templo que era a World Peace Pagoda (https://en.wikipedia.org/wiki/Shanti_Stupa,_Pokhara). Gostei muito também da paisagem vista lá de cima e da vegetação ao longo da trilha. Depois de ficar um bom tempo lá, desci por um outro caminho, que passava no meio de uma comunidade local. Um habitante local acompanhou-me parte do caminho, até pegar um atalho para sua casa. Não havia a vegetação espetacular da mata, mas a vista era bela. Nem precisei usar a marca que havia feito no chão.
      Num outro dia fui até um templo que havia no meio do lago. Acho que era o Templo Tal Barahi (https://en.wikipedia.org/wiki/Tal_Barahi_Temple). Fui nadando, o que surpreendeu alguns habitantes locais, pois havia barcos pagos. Deixei minha carteira e passaporte no local em que estava hospedado e fui com calção de banho e camisa. Era próximo, talvez cerca de 100 a 200 metros. Achei bem interessante, simples, mas típico. Ocupava a ilha toda.
      Numa ocasião, perguntando a um rapaz por informações, ele alertou-me sobre ficar andando por lugares desertos, dizendo que havia uma “discussão”, referindo-se à disputa entre o governo e a guerrilha maoísta.
      Num dos dias à noite, fui visitar uma loja de tapetes. Era de muçulmanos e, pelo meu interesse em questões religiosas, para começar uma conversa amistosa, perguntei referente à questão da Guerra Santa não ter sido criada por Maomé. Acho que não foi uma boa ideia, pois eles se empolgaram com a conversa e começaram a falar sobre os muçulmanos, sobre a discriminação que estavam sofrendo após o 11 de Setembro (que estava fazendo 2 anos), chegando a me perguntar se eu achava que tinham 6 dedos por serem muçulmanos. Como eu disse que não era cristão, apesar de ter sido criado numa cultura cristã, creio que quiseram converter-me. Tanto que disseram que iriam chamar um estudioso que teria muito mais argumentos. Mas aí entraram algumas pessoas interessadas nos tapetes e desviaram sua atenção. Eu aproveitei a ocasião, agradeci pela conversa, despedi-me e fui embora.
      Numa noite conheci um japonês num restaurante enquanto jantávamos e conversamos sobre nossas viagens. Comentamos como eram baratos os produtos e serviços no Nepal. Interessante como havia reposição gratuita de alimentos (arroz, lentilhas, vegetais).
      Por várias vezes caminhei por trilhas e estradas com vegetação natural. A vista do lagos, dos cursos de água, das montanhas e da vegetação agradou-me muito. Se bem me recordo foi nesta região que atravessei uma ponte parecida com aquelas que se vê em filmes de aventura, geralmente na África, sobre um desfiladeiro ou uma garganta, feita de cordas e com piso vegetal. Imaginei como seria aquela ponte num dia com ventania.
      Na 6.a feira, quando disse ao dono da casa em que estava hospedado que iria embora no dia seguinte para o Tibet, ele disse que ali era a minha casa e que o Tibet seria caro. Eu sorri, mas prossegui com meus planos.
      No sábado 27/09 voltei para Katmandu para poder pegar a excursão no domingo. A viagem foi lenta e cheguei já de noite. Mesmo assim fui ao local da agência de turismo para confirmar o local e horário de embarque e combinamos que um dos atendentes fosse ao hotel e me acordasse caso eu não aparecesse, pois a saída era cerca de 5h da manhã. Fiquei num outro hotel, com preço semelhante ao anterior ou um pouco mais baixo, se bem me lembro.
      A viagem de ida ao Tibet de 28/09 a 01/10 teve a paisagem que achei mais espetacular em toda a viagem e talvez a mais espetacular que vi na vida , talvez por não estar acostumado a este tipo de vista.
      No domingo 28/09, eu acordei na hora, pois tinha ficado com o horário na cabeça, o guarda do hotel ajudou-me a acordar para não haver perigo de eu voltar a dormir e logo em seguida chegou o atendente da agência de turismo, para não haver nenhum perigo de perder a hora mesmo. Ele esperou por mim e fomos até o ponto onde estavam os veículos. Os agentes de turismo disseram que todos eram geralmente muito gentis, menos o exército chinês. Creio que esperamos ali por cerca de 1 hora ou mais até todos chegarem e podermos partir. Fomos em comboio, creio que também por questões de segurança. Paramos num hotel restaurante cerca de 1 hora depois da partida para tomar café da manhã. O café estava muito bom, pareciam produtos rurais da própria área. A paisagem durante a viagem pareceu-me bonita, com vistas rurais e montanhas. Katmandu tinha cerca de 1.300 metros de altitude e estávamos subindo.
      Após andar mais um pouco chegamos em Kodari, na fronteira com a China. Fomos fazer os procedimentos de entrada. Havia uma diferença horária de 02h15, com a China tendo o horário à frente. Aí entendi porque tínhamos saído tão cedo. Naquele ponto havia uma usina hidrelétrica do lado nepalês e a Ponte da Amizade, que separava os dois países, sobre uma enorme garganta de rio, o que tornava a vista grandiosa. Ficamos algum tempo esperando e depois fomos para uma fila no sol para passar pela ponte. Conheci uma guia turística húngara que sabia falar “Bom dia”, pois já havia estado no Brasil. Quando algumas mulheres mais idosas foram tirar fotos a partir da ponte, um soldado chinês saiu da cabine em que estava e veio dizer que era proibido.
      Ao passar para o outro lado, havia um micro-ônibus e vários outros veículos Land Rover antigos. Eu fui no micro-ônibus com o guia (acho que o nome era Tashi ou semelhante), um casal de amigos canadenses (acha que a moça chamava Hanna), um outro canadense chamado Greg, duas amigas francesas, uma americana chamada Shirley e uma holandesa. Pensei que os procedimentos de imigração haviam acabado, mas estava totalmente enganado. Ficamos esperando em pé ou sentados no chão numa fila para passar por alguns funcionários, que iriam verificar os papéis e provavelmente nos autorizar a entrada. Demorou bastante e o atendimento de alguns não era muito cortês. Numa situação, um deles esmurrou a mesa e gritou com uma turista (acho que europeia) perguntando porque não tinha um determinado papel. Ela respondeu que um funcionário anterior havia provavelmente pego por engano, localizaram o papel e tudo prosseguiu bem. Vi alguns soldados baterem nas costas com uma vara (e acho que era batida de fato, não era brincadeira cordial) em prováveis nepaleses que estavam atravessando a fronteira de volta carregando madeiras ou algo semelhante nas costas, provavelmente por terem descumprido alguma norma, como horário etc. Bateram neles na frente de todos, sem o mínimo constrangimento. Após o demorado procedimento e passar por todos os funcionários, fomos liberados. O guia encaminhou-nos para o hotel. Estávamos em Zhangmu, a cerca de 2.300 metros de altitude. Fomos separados em 2 ou mais quartos, sendo que um tinha vários homens e outro várias mulheres. No nosso quarto havia inúmeros insetos do lado de dentro tentando sair e estava um pouco quente. Mas quando entrei 2 alemães que já estavam lá alertaram-me que não poderíamos abrir a janela, apontando para a quantidade muito maior de insetos do lado de fora, tentando entrar 🦟. Jantei e dormi, morto de sono 😴.
      Na 2.a feira 29/09 tomamos café e partimos para Xigatse. Achei a subida deste dia espetacular , com sua vista das montanhas do Himalaia, várias cachoeiras de degelo, a paisagem dos vales profundos ao longe etc. No meio do caminho houve um deslizamento de terra e a estrada estava interrompida. Tivemos que parar e esperar por algumas horas. Aproveitei para dar uma volta na área. Quando conseguimos prosseguir estávamos bastante atrasados. Passamos por um ponto que permitia ver o Everest, mas o tempo estava encoberto e não pudemos vê-lo. Devido ao horário tivemos que ficar num pequeno povoado chamado Tingri, perto do campo base do Everest. O hotel talvez estivesse em construção, pois não tinha energia elétrica nem água potável. E não tinha quartos cobertos para todos. Os alemães se dispuseram a dormir nos quartos em construção, pois tinham sacos de dormir e disseram que gostavam de acampar. Disseram não falar bem inglês por serem da parte Oriental. Pelo menos jantar tinha. Pedi comida sem carne (sou vegetariano), mas não me entenderam e comi o que veio, que foi sopa com carne. Conheci um casal de brasileiros (acho que eram Marcelo e sua namorada, que acho que se chamava Vanessa). Ele me reconheceu como brasileiro pelo sotaque e pela camisa do Santos que viu quando tirei o agasalho. Falou que tinham feito uma extensão extraoficial para o campo base do Everest, de que tinham gostado, mas que tinha deixado Vanessa indisposta pela altitude (ele ou ela tinham posto o pé num curso de água gelado). Tinha havido algum atrito com um outro turista alemão que estava no mesmo Land Rover, pois aparentemente aquela extensão não era totalmente legal, mas o voto dos 2 e de mais um guatemalteco venceu a disputa para irem. Antes de dormir fui ao banheiro, que era uma casa de madeira fora da construção principal, com uma fossa. Não tinha luz e eu não tinha lanterna. Foi um pouco problemático, mas consegui fazer xixi. Eu segui as recomendações preciosas da médica do aeroporto e senti muito pouco impacto com a altitude, mas percebi que vários outros, incluindo Greg, sofreram bastante 😒. O rapaz canadense passou mal e Hanna parecia aflita procurando pelo guia. Fui tentar ajudá-la a encontrá-lo e conseguimos. No dia seguinte ele parecia bem melhor. Havíamos cruzado uma passagem de montanha de cerca de 5.250 metros e estávamos dormindo a cerca de 4.400 metros.
      Devido ao atraso, chegaram a considerar a hipótese de viajar à noite, mas foi logo descartada pelos riscos. Marcelo comentou comigo também que estava achando aquela paisagem a mais bonita que já tinha visto e que não desejava viajar à noite e perdê-la.
      Na 3.a feira 29/09, com várias pessoas tendo passado dificuldades durante a noite, mas já bem melhores, partimos rumo a Xigatse. Hanna parecia agradecida por tê-la ajudado a encontrar o guia na noite anterior. Ela passava boa parte dos deslocamentos lendo um livro. Posteriormente o rapaz canadense agradeceu muito ao guia por tê-lo ajudado. Passamos por alguns templos, visitamos seu interior, visitamos vilas, pontos típicos, houve até uma praça em que estavam tocando “Lambada”, que me lembrou do Brasil, depois de quase 1 mês distante. Cantei alegremente, embora não fosse meu gênero preferido. Eu continuava deslumbrado pela paisagem, embora agora houvesse mais trechos urbanos. No fim da tarde chegamos a Xigatse. Porém o hotel parecia não ter energia elétrica. Eu e Shirley ficamos conversando com o motorista enquanto esperávamos a definição do hotel, perguntando sobre como se dizia algumas expressões em tibetano. Acho que conseguiram trocar de hotel e tudo ficou bem. Dividi o quarto com um israelense que tinha conhecido no primeiro dia da excursão. Ele estava indo num Land Rover, com um casal de sulafricanos. Um casal de ingleses que tinha ficado muito irritado com as condições de habitação do dia anterior, ficou satisfeito com o novo hotel. Acho que os agentes de turismo não tinham muito controle da situação e não sabiam quem tinha pago por que tipo de hospedagem e serviços. Saí para dar uma volta e quase fui atropelado por uma bicicleta . A ciclovia era enorme e bem larga e havia nas 2 laterais da pista de carros. Eu achei que elas eram mão única e seguiam o sentido dos carros, mas estava enganado e elas eram mão dupla. Não vi que vinha vindo uma bicicleta e o condutor desviou bem em cima de mim 🚲. Depois acho que me xingou em chinês, mesmo comigo pedindo desculpas várias vezes. Fui jantar com o israelense e tivemos alguma dificuldade para pedir, pois as atendentes falavam pouco inglês e os cardápios não tinham descrições detalhadas em inglês. Mas conseguimos comer dumplings momos (bolos de massa recheados). Na volta, quando comentávamos sobre a melhor organização da China em relação ao Nepal e a não existência de pedintes, apareceram várias garotas dizendo repetidamente “I love you” e rimos da ironia do que tínhamos acabado de dizer. Ele me contou dos seus planos de viajar pela China, mas com um guia, pois seria mais confortável, visto a experiência de dificuldade de comunicação que tínhamos acabado de ter no restaurante. Falou-me também de achar as viagens pela Europa interessantes, porém caras.
      Na 4.a feira 01/10 partimos para Gyantse. O motorista, que havíamos visto entrar num hospital, pediu-me comida antes da partida. Eu não tinha nada no momento, mas perguntei aos outros e conseguimos vários biscoitos e outros itens para ele. Não sei se ele gostou, pois acho que não estava acostumado àquele tipo de comida ocidental. Achei estranho, pois imaginei que suas refeições fossem pagas pelos agentes de turismo da excursão. Seguimos e passamos por templos e locais típicos. Eu continuava apreciando muito a paisagem. Chegamos no fim do dia em Lhasa. Lá todos se reencontraram. Foi uma festa. Cada qual seguiu para um hotel. Eu procurei por um barato e paguei cerca de 25 yuans (acho que eram uns US$ 3.00). Reencontrei o judeu com que havia procurado por excursões em Katmandu. Ele acabou ficando em um hotel com o outro judeu que eu havia conhecido na viagem. Marcelo e Vanessa ficaram no mesmo hotel que eu, só que em quarto privativo, enquanto eu fiquei em quarto compartilhado. O casal de canadenses ficou assustado com a possibilidade dos hotéis estarem cheios e rapidamente encontraram um hotel para ficar. Shirley pediu par tirarmos uma foto do grupo. Despedi-me deles e fui para o hotel. Excetuando Marcelo e Vanessa, não voltei a ver os outros mais ao longo da viagem. Ao longo da estadia pessoas de várias nacionalidades compartilharam o quarto comigo, incluindo uma francesa, uma ou mais japonesas e outros europeus.
      Numa ocasião, logo nos primeiros quilômetros em território chinês, um funcionário do governo estava colocando uma espécie de leitor de código de barras na testa das pessoas que passavam, imagino que para medir a temperatura, pois pouco tempo antes havia ocorrido a crise de SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave). Ele apontou para o meu boné, eu não entendi bem, ele deu um tapa no boné, mediu e me mandou seguir rispidamente. Eu fui pegar o boné que tinha caído.
      Num dos dias, durante uma parada saí para comprar pães e vi algo parecido com queijo sendo vendido. Perguntei para a vendedora, que parecia ser chinesa, se era queijo (cheese), mas acho que ela não entendeu, pensou que eu estava rindo e repetiu a palavra cheese. Falei várias vezes e ela repetiu. Resolvi comprar para misturar com o pão. Quando dei uma mordida para experimentar o suposto queijo descobri que era manteiga. Acabei dando para uma pessoa, pois se comece toda aquela manteiga provavelmente teria problemas intestinais.
      Passamos pelo Monte Kailash (https://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Kailash - uma montanha que ficava sempre coberta de gelo – não sei agora com o aquecimento global como está). Paramos e Shirley pediu-me para ficar junto a um iaque para tirar fotos, mas apareceu um menino e pediu dinheiro para ela fotografar e então ela desistiu.
      Houve muitas paisagens de montanhas, cruzamos com um grande rio perto de sua nascente (já estava bem largo), acho que era o Rio Brahmaputra. Passamos também por muitas áreas com as bandeiras típicas do Tibet e os totens xamânicos feitos de pedras empilhadas. Houve alguns trechos em que havia camponeses e iaques, mas o número de pessoas fora dos núcleos urbanos era muito pequeno. Houve pontos de passagens bem altos, com belas vistas. Passamos também pelo grande lago Yamdrok, cuja vista foi espetacular .
      Conversando com Shirley durante a viagem descobri que ela estava se formando em engenharia de computação, mesma formação minha 10 anos antes, e conversamos sobre o assunto e plataformas usadas no trabalho. Ela disse que desejava entrar para a Marinha. Eu perguntei se não achava perigoso, se não teria melhores oportunidades na iniciativa privada (se bem me lembro ela era da Califórnia, perto do Vale do Silício). Mas ela estava decidida. As francesas conheciam bem a América do Sul, falaram sobre a semelhança de alguns locais com Cochabamba e se dispuseram a me ajudar a aprender francês. Caçoaram de mim porque eu sempre conseguia achar lugares onde se vendia pães frescos. A holandesa teve algum tipo de desarranjo intestinal e precisou pedir para o ônibus parar várias vezes para ir ao banheiro. Sempre pedia desculpas e algumas vezes criticava a sujeira dos banheiros.
      Conversando com o casal de sulafricanos sobre os problemas das caminhadas referentes à guerrilha, disseram-me que haviam pedido dinheiro a eles para que pudessem prosseguir em uma caminhada que tinham feito nas montanhas. O homem disse-me rindo que não sabia se eles poderiam matar quem não desse dinheiro, pois ele havia pago. A mulher disse que basicamente era uma extorsão.
      Depois que entendi que o guia não sabia exatamente quem tinha pago o que, como eu me lembrava de ter comprado o pacote mais barato, sem guia, passei a não acompanhá-lo mais nas explicações e fazer as visitas por conta própria. O israelense até comentou comigo numa das ocasiões que eu estava circundando um monumento no sentido errado, e que isso não era educado.
      Marcelo contou-me que perto da chegada à Lhasa, as pessoas do Land Rover em que estavam desentenderam-se. Disse que o alemão o havia ofendido. Disse que ele era radical e que o guatemalteco era folgado e isso tornava a situação difícil. Ele e Vanessa tinham levado um filtro para a viagem o que os fez economizar bastante dinheiro com água.
      Para as atrações do Tibet e Lhasa veja https://www.tibettravel.org/top-attractions/, https://www.greattibettour.com/tibet-attractions, https://www.tibetdiscovery.com/lhasa-travel/things-to-do-in-lhasa/ e https://www.lonelyplanet.com/china/lhasa/attractions/a/poi-sig/356124. Os itens de que mais gostei foram os mosteiros não turísticos, a arte religiosa, os locais originais da cidade e a Natureza .
      Na 5.a feira 02/10 comecei a explorar Lhasa. Tinha acabado a vinculação à excursão exigida pelo governo chinês e eu estava livre para conhecer a área. Pontos fora da área de Lhasa precisavam de autorizações especiais do governo e excursões específicas com guias credenciados pelo governo. Fiquei hospedado lá até aproximadamente dia 13/10. Inicialmente fui aos guias de turismo (um chinês e um tibetano) que trabalhavam no hotel perguntar por sugestões de pontos a conhecer. Deram-me várias, indicando quais eram livres e quais precisavam de motoristas, guias e excursões. Alertaram-me que se fosse pego pelo exército em áreas não permitidas teria grandes problemas. O guia chinês até me disse que se realmente quisesse ir numa área não permitida era só pagar uma determinada quantia, algo que o tibetano imediatamente desaconselhou e disse que não era possível. Como eu não suborno ninguém, nem considerei esta proposta.
      Fui ao Palácio de Potala (100 yuans, aproximadamente US$ 12.50 de entrada), ao Templo Jokhang, ao Museu Tibetano, a vários outros templos e áreas naturais da cidade. Depois e paralelamente também, fui a templos e locais próximos, como Tsurpu, o Mosteiro de Tar e vários outros mosteiros. Tentei ir a um lago com um casal de europeus, mas não deu certo. Achei vários dos mosteiros indicados muito orientados ao turismo e, por isso, tentei conhecer outros não tão famosos, porém mais autênticos no tocante à vida espiritual. Na maioria destes fui junto com peregrinos.
      No dia em que fui ao Mosteiro de Tar em Dolma Lhakang, pedi informações para vários chineses e não consegui. Um tibetano ouviu-me e disse que sabia onde era e poderia dar-me uma carona até lá. E realmente, deixou-me na porta. Não sei se ele estava indo até lá ou fez aquilo por cortesia. Passei o dia inteiro lá cantando mantras. Fui muito bem recebido pelos monges. Acostumado ao ambiente mercantil dos mosteiros turísticos, gostei muito da diferença. Ajudaram-me na pronúncia dos mantras. Recusei educadamente a refeição e os adornos que me ofereceram, agradeci por toda a hospitalidade. Quando já havia atravessado a rodovia para tentar pedir carona, um monge mais jovem perguntou-me se não daria dinheiro. Achei que destoou de todo o ambiente, mas resolvi ignorar. Depois de tentar algum tempo, um caminhoneiro parou e me ofereceu carona. Fui na cabine com ele e seu ajudante. No meio do caminho furou um pneu, mas ele não quis que eu ajudasse na troca. No fim, ofereci-lhe pagar pela carona, mais de uma vez, mas ele não quis de jeito nenhum, repetindo na última oferta, já com a voz um pouco mais alta “No money”.
      Perto do fim da minha estadia, conversando com uma alemã que havia conhecido dias antes, sabendo que ela poderia ir ao Mosteiro de Tar, pedi que ela fizesse uma doação, pois havia gostado muito da espontaneidade espiritual de lá. Ela pegou o dinheiro, mas devolveu-me um ou mais dias depois por ter decidido não ir.
      Em alguns deslocamentos para mosteiros ou atrações passamos por subidas e descidas íngremes na beira de precipícios em ônibus algumas vezes superlotados. Lembro-me de um em que o ônibus estava lotado e eu fiquei ao lado (quase em cima) do câmbio. Havia uma mulher com um nenê de colo perto. Achei a situação bem delicada 😟. Mas chegamos lá embaixo de volta sem problemas. Abstraindo-se a preocupação, a paisagem pareceu-me espetacular .
      As visitas quando eram com peregrinos precisavam acompanhar o ritmo deles. Eu geralmente gosto de ficar lendo e observando tudo, mas os peregrinos geralmente iam fazer oferendas num altar e depois seguiam para outros. Perdi a visita a um templo numa das primeiras vezes, mas depois adaptei-me ao ritmo. Muitas vezes os guias dos mosteiros não pareciam muito corteses, talvez por não estarem acostumados a estrangeiros na visita ou não gostarem da ideia de visita de pessoas que não fossem peregrinas associadas à religião. Num mosteiro de monjas lembro-me de ter conversado com uma delas, que me ofereceu uma laranja, dizendo que aquele dia era feriado (ou domingo)
      Achei as paisagens espetaculares nos vários deslocamentos de ônibus e mesmo quando andei a pé por Lhasa. As montanhas nevadas, os vales e as vistas encantaram-me .
      Achei um pouco frio, principalmente à noite, de manhã e nos lugares mais altos, onde às vezes chegávamos cedo. Mas geralmente à tarde, quando abria o sol, a temperatura ficava bem mais razoável (em torno de 20 C).
      Na visita ao Templo Jokhang, uma oriental (acho que era coreana) fez um gesto que me pareceu querer espaço livre para tirar a foto de um dos monges. Mas quando eu saí de cena, ela pediu para eu voltar, pois queria tirar a foto de um ocidental também. Talvez nunca tivesse visto um 😀.
      Numa das noites Marcelo foi conhecer o quarto compartilhado em que eu estava (acho que ele não estava acostumado a hostels) e achou interessante. Falou-me num dos dias que ele e Vanessa tinham ido ao Mosteiro de Samye sem ser numa excursão e que na volta ninguém lhes dava transporte. Passaram ônibus que não os aceitaram. Ele ficou apreensivo com a situação. Aí apareceu uma excursão de europeus (acho que eram alemães) e eles conseguiram integrar-se a ela para voltar. Ele me alertou para o caso de eu ir visitar Samye. Falou-me também que tinham pedido para tirar uma foto dele e, quando comentei sobre o ocorrido com a coreana comigo, ele comentou “Será que somos tão feios assim?!” 😀.
      Muitas vezes o preço das passagens de ônibus não era claro (uma chinesa ou oriental comentou isso comigo), ainda mais para mim que não entendia a língua. Creio que paguei a mais numa das vezes. Neste dia, enquanto esperava a partida do ônibus, reencontrei uma mocinha francesa que havia conhecido no hostel. Ela ficou surpresa por eu estar pegando o mesmo ônibus que ela. Mas quando chegamos ela foi com seu grupo fazer uma caminhada pelas montanhas e eu fui visitar os mosteiros e locais de peregrinação.
      Eu tive vários problemas de comunicação. Numa das primeiras noites, entrei num restaurante chinês, fui até uma samambaia e peguei em uma de suas folhas para explicar que não comia carne. Pelo menos desta vez entenderam e me trouxeram macarrão com legumes. Porém trouxeram palitos, que eu não sei usar. Não tinham garfo e faca e me trouxeram uma colher. Depois de muito tentar eu usei a colher como um bastão e enrolei o macarrão nela. Quando levantei a cabeça para levá-lo a boca, percebi que havia várias pessoas ao meu redor, rindo da minha falta de habilidade com o assunto 😀.
      Num fim de tarde em Lhasa, quando eu procurava por algo para jantar, houve um mal-entendido com uma ambulante vendedora de comida. Eu perguntei se ela tinha pizza e ela não sabia o que era pizza. Pensei que pizza fosse um nome universal. Tentei explicar fazendo gestos, mas ela não entendeu. Aí procurei ser mais enfático e fazer um círculo pequeno com as mãos no formato de uma pizza. Eu acho que ela entendeu que eu estava interessado em alguma experiência sexual. Pegou a espumadeira ou algo semelhante que estava usando para cozinhar e fez gestos ríspidos para mim, falando palavras em voz alta. Eu me retirei e fui comprar outra coisa 😀.
      Numa visita a um mosteiro, os monges estavam meditando e eu estava de tênis. Para participar da meditação precisei tirar o tênis, mas depois de andar por vários dias em locais com terra e neve, acho que estava com enorme chulé . Um dos monges fez um gesto com a mão no nariz, típico de mau cheiro. Eu me retirei meio constrangido e recoloquei o tênis 😳.
      Os viajantes e comerciantes chineses pareceram-me muito gentis, diferentes do exército. Alguns turistas sabiam falar inglês e tinham curiosidade sobre o Ocidente. Porém não conheciam atrações religiosas nem históricas do Tibet.
      Numa ocasião eu não pude conhecer uma determinada atração (acho que era um templo ou mosteiro) devido ao horário. Voltei no outro dia e falei com o atendente, que depois de me perguntar se eu estava falando a verdade, ainda que meio desconfiado, permitiu-me entrar sem pagar novamente.
      Eu paguei por uma pequena extensão de 3 ou 5 dias para poder ficar um pouco mais, pois o Tibet era meu principal destino nesta viagem. Mas acabei não aproveitando muito devido às dificuldades de conseguir transporte de volta. Acho que foi devido a isto que fui ao banco fazer um pagamento de taxa e o atendente chinês caçoou da minha foto risonha no passaporte.
      O ônibus da agência de turismo que nos havia trazido estava previsto para sair dia 3 e acho que havia outro no dia 10 (não me lembro exatamente, acho que os ônibus saíam às 6.as feiras). Porém eu queria ver mais atrações e não quis pegá-lo. Com isso precisei procurar um outro transporte, o que não foi nada fácil.
      Como não havia ônibus disponíveis, tentei pegar carona com caminhoneiros provavelmente no domingo 12/10. Fiquei mais de 1 hora tentando, mas nenhum aceitou. Eu não sabia que era proibido levar estrangeiros. Alguns guias haviam dito que era possível. Tentei então falar com pessoas com Land Rover, mas não obtive sucesso.
      Procurei por vários agentes de turismo para ver se havia algum transporte saindo naqueles dias. Num hotel uma recepcionista indicou-me para um que disse saber de transporte para voltar, ligou para ele e me colocou na linha. Ele disse que seria possível eu ir. Eu não entendia direito o que ele falava, as informações pareciam desconexas e eu me irritei e até elevei um pouco a voz. Ele disse que viria falar comigo e em poucos instantes chegou. Aparentava estar alcoolizado. Começou a me explicar sobre a viagem e a certa altura explicou que seria à noite. Achei muito estranho e perguntei porque. Aí ele disse que era porque era ilegal e teríamos que sair do veículo perto dos pontos de checagem do exército, ir pela montanha até o outro lado e depois voltar ao veículo. Aí eu entendi o que ele estava propondo. Disse-lhe então que não tinha nenhum interesse. Antes de ir embora fui pedir desculpas para recepcionista do hotel por ter elevado a voz na recepção do hotel.
      Descobri então que precisava de uma permissão de viagem para poder fazer aquele trajeto. Agora entendi porque os caminhoneiros não tinham parado nem os veículos Land Rover aceitavam-me como passageiro. No dia seguinte fui até o escritório do governo obter a permissão de viagem, através do pagamento de uma taxa. E quem era o sub-encarregado que chegou durante a emissão da permissão de viagem? O mesmo agente que no dia anterior havia proposto para mim a viagem ilegal. Aí eu entendi como ele sabia todos os procedimentos para escapar dos pontos de controle ao longo do trajeto. Ele ainda riu e me cumprimentou. Eu lembrei da corrupção existente no Brasil ☹️.
      De posse da permissão de viagem, acho que na 2.a feira 13/10 fui até a rodoviária ver se encontrava algum transporte e havia uma van 🚐 que me indicaram. Mas na frente da van só havia letreiro em chinês. Eu estava sem caneta nem papel. Fui até o painel central da rodoviária e decorei cada caractere escrito e fui confirmar no letreiro da van. Fui do painel da rodoviária até a plataforma de embarque da van tantas vezes quanto o número de caracteres da palavra, uma ida para cada caractere, de modo a não ocorrer nenhum erro. Ainda fui mais algumas para confirmar e garantir. Com grande dificuldade, consegui comunicar-me com o motorista chinês e entender destino, preço, horário e condições de viagem. Ele chegou a tirar minha mala da van por achar que eu estava pedindo algo incompatível com a viagem. Fomos apertados por boa parte da viagem, até algumas pessoas desembarcarem. Devido aos mal-entendidos de comunicação o motorista e sua mulher estavam irritados comigo no início, mas ao longo da viagem, depois que ofereci biscoitos a todos e convivemos um pouco, a irritação passou. Consegui ver o Everest 🏔️, pois desta vez o céu estava limpo. Eles não pararam, pois a viagem não era turística, mas deu para ter uma boa ideia da montanha, embora meio apertado e sem jeito na van. Em um posto de controle, um guarda parou o carro, fez um monte de perguntas a todos, olhou suas bagagens e quando chegou a minha vez e lhe perguntei mansamente em inglês em que poderia ajudá-lo, ele se assustou por eu ser estrangeiro e não me revistou. Os outros pareceram falar rindo que o melhor seria dar para mim suas bagagens, pois os guardas tinham receio de fazer qualquer procedimento. Já perto do anoitecer furou um pneu e o motorista trocou. Até me ofereci para ajudar, mas ele não quis. A parte final do percurso foi à noite, justamente a descida mais íngreme, o que me pareceu um pouco assustador em meio àqueles precipícios. Deixaram-me em hotel de uma conhecida ou parente, que custava 100 yuans. Ela fez o sinal de 1 e eu pensei que fosse 1 yuan, mas estava enganado. Mesmo com ela aceitando negociar, fui procurar outro e acho que paguei 25 yuans. Um guarda pediu-me a permissão de viagem no fim do trajeto. Foi a única vez que foi pedido. Dormi em Zhangmu.
      Acho que na 3.a feira 14/10, fora do prazo do visto inicial, mas dentro da extensão que havia conseguido, fiz a viagem de volta para o Nepal. Saí de manhã e fui a pé. Os taxistas passavam por mim caçoando por eu estar indo a pé. No meio do trajeto parei para descansar um pouco e admirar a paisagem e esqueci o boné. Depois de já ter andando bastante (cerca de meia hora) sentia a falta do boné e voltei para pegar. Cheguei em Kodari, no Nepal, perto do meio dia (agora o fuso horário estava a meu favor). Peguei um ônibus que acho que iria até um ponto intermediário para pegar outro ônibus para Katmandu. Estava havendo uma discussão entre os passageiros e os donos do ônibus sobre o preço da passagem. Fiquei feliz que riram e pareceram entender-se e perguntei a um dos passageiros a meu lado o que tinha ocorrido. Aí ele me explicou que haviam concordado no preço da passagem e que de mim (o estrangeiro) seria cobrado bem mais 😠. Não gostei muito da ideia, levantei-me e disse que pegaria outro ônibus para outro lugar. Num primeiro momento não concordaram em que eu pagasse o mesmo dos outros, mas quando levantei em direção à porta mudaram de ideia e paguei o preço regular da passagem. Viajamos a tarde toda. Furou o pneu uma ou mais vezes (acho que foram 3 vezes, uma vez cada pneu). Cheguei em Katmandu à noite.
      Na 4.a feira 15/10 acho que fui para Janakpur. Havia deslizamento de terra e ficamos parados por muito tempo. Num dos locais de parada, quando desci, o motorista do ônibus pediu-me para voltar para o ônibus e partimos. Pareceu estar com medo de um estrangeiro chamar a atenção de pessoas que faziam parte da disputa política. Lembrei-me da frase do indiano, quando conversávamos sobre a situação política, dizendo para eu não ir ao Terai, e do agente de turismo dizendo para eu não ir à região de Lumbini. Mas eu queria conhecer Lumbini, cidade natal de Sidarta (Buda) e resolvi arriscar. Acabei não conseguindo chegar ao destino, devido ao enorme atraso e precisei pernoitar numa cidade no meio do caminho. Conheci um oficial do exército israelense de férias, após terminar o serviço militar obrigatório. Acabamos dividindo o quarto para pagarmos menos. Eu ainda fui tentar sair para jantar, mas naquela área havia toque de recolher às 20h. Perguntei até a um soldado como faria para jantar se o toque de recolher era tão cedo e ele me disse, com um certo tom de deboche, mostrando-me um pacote de biscoitos, que eu poderia comer biscoitos. Voltei ao hotel e resolvi jantar lá mesmo. Depois fiquei conversando com o israelense. Ficamos olhando da sacada do quarto e ele comentou que estava ouvindo tiros ao longe, que eu não ouvi. Ele disse que talvez fosse só impressão, mas que ele conseguia distingui-los por estar acostumado. Disse que era estranha para ele aquela experiência, pois várias vezes já tinha tido que comandar toques de recolher e agora ele tinha que obedecer um. Eu nada disse, mas pensei “Está vendo como os palestinos sofrem!”. Ele me falou de uma caminhada que havia feito pelas montanhas, até o Lago Gosaikund. Ao perguntar sobre problemas com guerrilheiros, ele me disse que algumas pessoas disseram que eles cobrariam dinheiro em vários pontos, mas que não havia aparecido ninguém durante sua caminhada. Disse que a trilha era tão clara no chão que nem era necessário mapa. Eu achei muito interessante, e como ainda teria tempo, considerei a possibilidade de fazê-la. Ele me ofereceu o mapa, eu educadamente recusei, mas ele disse que não usaria mais e não haveria problema em me dar. Disse que havia sido muito bem tratado em vários locais por brasileiros e argentinos e esperava pela oportunidade de retribuir. No dia seguinte, quando acordei ele já tinha partido e tinha deixado o mapa para mim.
      Fui então para Janakpur. A cidade em si parecia tranquila, longe daquele clima tenso do trajeto e de Katmandu. Havia muitos templos e edificações religiosas. Gostei bastante de lá . Mostrava uma outra face do Nepal, hindu, simples, como um povoado interiorano. Numa tarde fiquei contemplando a paisagem sentado numa praça, após ter visitado vários locais.
      Para as atrações de Janakpur veja https://www.holidify.com/places/janakpur/sightseeing-and-things-to-do.html e https://www.lonelyplanet.com/nepal/the-terai-and-mahabharat-range/janakpur. Os itens de que mais gostei foram os templos, alguns integrados com atrativos naturais .
      Acho que foi no sábado 18/10 que fui para Lumbini. Viajei durante todo o dia e cheguei lá no fim da tarde. Desta vez o tempo gasto com deslizamentos foi um pouco menor e a viagem pode ser concluída no mesmo dia. Procurei um hotel para ficar e um dos recepcionistas de um deles foi muito afoito, querendo que eu ficasse a qualquer custo. Resolvi então ficar em outro. Saí para dar uma volta e quando voltei o recepcionista havia me mudado de quarto sem me consultar, pois tinha chegado uma família (acho que era de judeus) e ele cedeu meu quarto para eles. Apesar de não ter gostado de não ter sido consultado, eu aceitei sem problemas. Fiquei no mesmo quarto com o motorista da família. Ele era indiano e conversamos bastante sobre a Índia e a situação geopolítica na região.
      Para as atrações de Lumbini veja https://nepalecoadventure.com/lumbini-attractions-in-lubmini/, https://www.lonelyplanet.com/nepal/lumbini/attractions/a/poi-sig/357154 e https://www.welcomenepal.com/places-to-see/lumbini-nepal-birthplace-of-buddha.html. Os itens de que mais gostei foram os templos budistas reunidos, cada qual de uma origem ou linha .
      Havia uma espécie de parque onde cada linha do budismo tinha um templo. Achei maravilhosa a ideia. Foi bastante interessante notar como as imagens de Buda eram diferentes e parecidas com as características da população de onde era o templo. No templo chinês Buda parecia um chinês, no templo japonês Buda parecia um japonês, o mesmo no tailandês, no indiano, no tibetano e assim por diante. As pessoas projetavam-se fisicamente no seu líder (ou na sua divindade para alguns). Gostei também de conhecer o sítio histórico onde Sidarta nasceu e cresceu. Havia também um templo que achei maravilhoso, a World Peace Pagoda. O motorista da família pareceu ter ficado deslumbrado com este templo.
      No dia de vir embora, o recepcionista do hotel falou-me que eu tinha que pagar uma taxa adicional de serviço que ele não havia dito. Queixei-me por ele não ter falado no início, paguei e me arrependi de não ter ficado no outro hotel.
      Acho que na 3.a feira 21/10 peguei o ônibus de volta para Katmandu. Novamente a viagem foi longa e com várias checagens de segurança por parte do exército. Cheguei em Katmandu no fim do dia.
      Numa das viagens paramos num local na estrada para comer, eu pedi uma espécie de salgado bem pequeno, pois não me dava bem com toda aquelas especiarias e pimenta. O atendente vendo que eu era estrangeiro e querendo agradar-me colocou por conta própria um pouco de recheio apimentado. Eu sorri e agradeci 😀. Numa outra ocasião um jovem soldado (quase um menino) que entrou no ônibus para fazer uma inspeção perguntou-me algo em nepalês. Eu respondi em inglês que não falava a língua dele, ele não entendeu, os outros passageiros explicaram e ele se foi. Em outro trecho veio um camponês bem simples a meu lado. Acabou dormindo no meu ombro. Numa das paradas bebeu a água oferecida no restaurante na própria jarra. Parecia não estar acostumado a áreas urbanas.
      Fiquei no mesmo hotel em Katmandu. Quiseram até me cobrar mais, mas quando disse que então daria uma volta para procurar por outras opções, voltaram ao preço anterior. Numa das minhas passagens por lá um menino que lá trabalhava perguntou se eu não queria que lavassem minhas roupas, pois estavam sujas. Como ainda tinha uma semana e meia antes da volta, decidi fazer a caminhada pelas montanhas. Pedi ao gerente ou dono que guardasse o dinheiro em espécie que tinha comigo, pois muitos haviam relatado que nas montanhas poderiam haver guerrilheiros que iriam pedir dinheiro. E como eu tinha errado na conta, estava com bem mais dinheiro do que precisava. Ele guardou US$ 800.00 em seu cofre, sem cobrar taxa nenhuma e me deu um recibo. Um dos atendentes ofereceu-me um gorro, pois achou que eu não estava adequadamente preparado para ir às montanhas.
      Para informações sobre a caminhada para o Lago Gosaikund veja https://en.wikipedia.org/wiki/Gosaikunda e https://www.nepalsanctuarytreks.com/gosaikunda-best-time-to-visit-cost-and-weather.
      Na 4.a feira 22/10 peguei um ônibus para perto do Parque Chisapani para começar a caminhada. Eu estava começando pelo lado contrário ao da maioria, mas optei por fazê-lo porque o ponto de início era bem mais próximo de Katmandu. Paguei a entrada e comecei a caminhada. Parei no povoado de Chisapani (acho que o nome era o mesmo do parque) antes do anoitecer. O mapa que o israelense havia me dado estava sendo bem útil. Lá conheci vários outros caminhantes, mas acho que todos pretendiam ir para outros destinos, a maioria para Langtang. Conversei bastante com um irlandês, que trabalhava nos Emirados Árabes. Falamos sobre a caminhada e temas gerais. Ao falar da minha preocupação com possíveis problemas com a guerrilha ele me disse para ter cuidado, posto que eu estava indo só e sem guia. Falou que não queria ver-me nos noticiários 😀. Se bem me lembro foi aqui que conheci um grupo de alemães (acho que eram 2 mulheres e 2 homens, provavelmente 2 casais), que iriam fazer parte da caminhada comigo. Um dos alemães caçoou de mim ao longo da caminhada, dizendo que eu era um viajante profissional, pois minha mala era muito menor do que a deles e eu ia mais rápido. Falaram até em viajarmos juntos, mas eu lhes disse que nos encontraríamos ao longo do caminho. O dono do hotel em que eu tinha ficado falou que naquelas áreas era costume comer onde se dormia, mas eu acabei saindo para comer em outro restaurante. Acho que a altitude era por volta de 2.215 metros.
      Na 5.a feira 23/10 não sabia bem onde deveria planejar chegar. Logo na saída de Chisapani perguntei a alguns viajantes que chegavam e eles disseram que haviam dormido em Kutumsang, que era um povoado maoísta e que não tinham tido nenhum problema e ninguém lhes havia pedido dinheiro como pedágio. Encontrei alguns outros grupos com guias no princípio da caminhada. Um pouco a frente havia um homem, com cerca de 60 anos, e seu ajudante, bem mais jovem, ao lado de uma mesa, bem no meio do caminho. Ao me aproximar ele cordialmente falou para eu sentar. Se bem me lembro fiquei em pé e começamos a conversar. Ele tentava explicar quem era e eu, imaginando do que se tratava, tentava desconversar, até falando às vezes em português, que ele não entendia. Até que, percebendo que não sairíamos daquela situação e que era importante continuar a caminhada logo para não ter problemas com o anoitecer mais adiante, resolvi ir direto ao assunto. Perguntei então “Quanto?”. Aí ele abriu um largo sorriso e disse que semelhantemente ao que havia pago na entrada do parque para o governo, deveria pagar para eles a mesma tarifa. Eu disse para ele esperar e voltei para trás para reencontrar o grupo com os guias. Expliquei a eles o que havia ocorrido e eles se mostraram preocupados. Falei com um deles para conversar com o homem e explicar que eu era de um país pobre, não era americano nem europeu. O guia foi lá, eles conversaram, não sei se pagou algo a ele para seu grupo, mas o homem disse que eu podia passar sem nada pagar. Fiquei meio desconfiado, mas segui em frente.
      Comecei a subida de uma colina e lá no alto havia um homem de uns 30 anos, com traços orientais e com fisionomia séria e fechada. Achei que poderia estar associado aos que pediram dinheiro lá embaixo. Achei que não era uma boa ideia cruzar com ele olhando para o chão, pois era interessante saber se desejava algo. Quando se fecha o diálogo resta a violência. Ele me olhou sério, com a testa franzida, eu fiz um levíssimo aceno de cumprimento, quase imperceptível, e prossegui. Ele nada disse. Mais para frente reencontrei os alemães, que haviam saído antes. Perguntei-lhes se não haviam encontrado o homem na mesa e uma das mulheres me disse que havia visto um homem que havia lhe dito para sentar e ela o ignorou, pois não iria sentar com um desconhecido num lugar deserto 😀. Quando lhes disse que provavelmente era um representante da guerrilha, surpreendeu-se e ficou um pouco assustada. Um dos homens então me disse para viajarmos juntos, pois esta era uma razão ainda mais forte. Eu até que concordei, mas deixei-os fazendo sua refeição e prossegui só.
      Estava meio preocupado com o ocorrido e como à frente havia uma zona maoista, não sabia bem pelo que esperar. Não sabia o quanto o não pagamento poderia gerar de repercussões. Já depois do meio da tarde, perto de 16h30, avistei o povoado de Kutumsang e vi a bandeira maoísta tremulando 😱. Aquilo trouxe-me receio do que poderia vir. Havia também mensagens escritas em paredes dizendo “Abaixo ao exército real americano”, numa alusão ao possível apoio dos EUA ao rei do Nepal contra os maoístas. Cruzei boa parte do povoado e decidi tentar ficar ali mesmo. Procurei por uma hospedagem e um rapaz do povoado, provavelmente algum tipo de sentinela informal, ajudou-me. Levou-me a um tipo de hotel simples. Fiquei hospedado lá, sem ir procurar por outros para não gerar nenhum tipo de problema. Pedi para a dona cobertor e lençol e ela pareceu surpresa, esperando que eu tivesse comigo. Quando pedi ainda uma toalha ela falou irritada “Você não tem nada!?” 😀. Enquanto me organizava no quarto ouvi ao fundo o rapaz que me havia trazido àquele hotel conversando com alguém, talvez o responsável da guerrilha na área, sobre quem eram os hóspedes que haviam chegado, europeus, israelenses e quando o responsável perguntou quem era eu, ao me ver de costas de longe, sua voz ficou bem mais descontraída e ele disse “Ah, esse rapaz é do Brasil!”, num tom que me pareceu bem amistoso.
      A noite conheci pai e filho de Israel que estavam fazendo a caminhada. Logo de início perguntei ao filho de onde eles eram e ele pareceu desconfortável com isso, dizendo “Esta a primeira pergunta que você me faz?!”. Mas depois, conforme conversamos durante o jantar, o tom ficou amistoso e compartilhamos experiências da viagem. Falamos também sobre a situação de Israel e ele me desaconselhou viagens para lá naquele momento, falando também que o custo de vida estava muito caro. Falou que para ele era um feito ir com seu pai que já estava na casa de 50 anos para uma caminhada daquelas nas montanhas. Acho que a altitude era por volta de 2.470 metros.
      Na 6.a feira 24/10 de manhã fui em direção a Gopte. Inicialmente procurei um local para tomar café da manhã. Vi um homem cozinhando batatas. Propus para ele comprar várias batatas e ele aceitou. Foram meu café da manhã e almoço. Não consegui nada para tomar por perto e resolvi seguir assim mesmo e tentar encontrar ao longo do caminho. Neste trecho a caminhada ficou mais íngreme. Cruzei com um casal que voltava do Langtang eu acho e me disseram que não havia maoístas por lá. Acho que foi neste trecho que vi um menino sentado no alto de uma colina enquanto eu comia pães de forma de um saco. Como é costume no Brasil, ofereci para ele e ele aceitou. Depois de lhe dar prossegui. Haviam algumas possibilidades de trilha e eu estava pegando uma que achei ser a certa. Mas o menino disse-me com gestos para não pegá-la e pegar outra. Acho que ele evitou que eu cometesse um erro. Provavelmente fez aquilo por ter simpatizado com meu gesto de lhe oferecer pão. Cruzei também com uma europeia ou americana com um guia e ela me disse para tomar cuidado, pois haviam visto vários guerrilheiros no meio de mata nas montanhas. Disse-me que nada havia pago mais talvez devesse ter pago. Num determinado ponto havia uma bifurcação possível, por uma floresta de bambus, onde o mapa dizia poderem existir tigres, ou por uma área em que seria mais provável a presença de guerrilheiros. Achei improvável a presença de tigres, ainda mais durante o dia. Acho que o mapa provavelmente se referia a uma época muito anterior ou a animais menores. Fui pela floresta, um pouco preocupado e prestando bastante atenção, mas não tive nenhum problema. Cheguei em Gopte no fim da tarde. Estava com a barriga começando a doer. Pela minha completa ignorância em ciências biológicas não fiz a associação clara da dor com a ausência de hidratação . Como não estava quente não sentia muita sede, mas certamente o rim e outros órgãos estavam reclamando da falta de água. Ali era bem mais alto e a vista dos locais mais baixos e das montanhas pareceu-me espetacular. Conheci um casal de turistas, um judeu e outros peregrinos. A dor piorou bastante 😒. A moça ofereceu-me comprimidos para desarranjo intestinal, mas eu lhe disse que era o oposto disso. Comecei a desconfiar que o problema era falta de água. Pedi uma sopa para o jantar e isso resolveu tudo. Em alguns instantes a dor diminuiu bastante. Aí, percebendo o que tinha ocorrido, resolvi tomar muito líquido. Foi ótimo para o problema, porém fez-me ter que acordar durante a noite para fazer xixi. Ao ver que tinha melhorado, o judeu falou-me que indisposições estomacais ou intestinais aconteciam em viagens o tempo todo. Acho que foi aqui ou em Kutumsang que conversando com um dos guias falei que não sabia se iria a Langtang ou ao Gosaikund. Ele me disse que se pretendia ir a Langtang deveria ter pego outro ramal da trilha bem antes, pois agora o caminho ficaria bem maior. Decidi definitivamente então ir ao Gosaikund. O hotel ficava no alto de uma colina e fui até a ponta observar o céu noturno e a vista. Achei muito belos, apesar da escuridão. Durante a noite, devido à enorme quantidade de líquido ingerido, precisei sair para ir ao banheiro. Mas estava tudo escuro, as luzes apagadas e eu não tinha lanterna. Não consegui achar o banheiro e fui até a ponta da colina, que era arredondada, e fiz xixi lá mesmo. Acho que foi um pouco arriscado, porque eu não enxergava nada e fui tateando o chão, para ver até onde poderia ir 😀. Mas como a colina era arredondada e não com queda abrupta, achei que o risco não era tão grande, apesar da altura. Consegui sem problemas e voltei a dormir. Acho que a altitude era por volta de 3.440 metros.
      No sábado 25/10 fui para o Lago Gosaikund. Inicialmente tomei café da manhã, agora bem mais atento à questão da água. Depois, conversando com o judeu, ele disse que apesar de ser sábado, talvez fizessem um pequeno deslocamento para outro povoado próximo. Ele havia me dito que não estava muito bem (não me lembro se era por causa da altitude ou algum problema devido à caminhada). Após andar um pouco arrotei, mais alto do que imaginava, devido ao monte de líquido que tinha tomado. Poucos minutos depois cruzei com a mulher do judeu e seu filho pequeno, que acho que estavam vindo encontrar o pai. Percebi sua fisionomia tensa, talvez por eu ser um desconhecido numa área deserta, talvez tivesse ouvido o arroto e pensado que eu poderia ser árabe e contra judeus. Vendo isso, para tranquilizá-la, cumprimentei-a falando “Shalom”. A fisionomia dela mudou completamente, ela sorriu levemente e pareceu ficar tranquila. Caminhei mais um pouco satisfeito pelo terreno ser quase todo plano, com poucas subidas e descidas. Uma das alças da minha mala havia quebrado e eu estava tendo que carregá-la nas mãos, em vez de pendurá-la nos ombros, o que tornava a situação um pouco desconfortável. Um pouco mais à frente vi uma subida, que não imaginava ser tão grande. Era a subida para a Passagem Laurebina. Acho que demorei de 2 a 3 horas nesta subida. A passagem no topo ficava a cerca de 4.610 metros. Aí eu entendi porque a ampla maioria fazia o caminho contrário, começando por Dhunche. Cruzei com amigos belgas descendo, que quiseram me animar e disseram que eu estava quase chegando e que poderia conseguir alguma forma de consertar a mala quando chegasse no hotel. O clima ia mudando conforme eu subia e o vento ia ficando mais frio e mais forte. Começou uma leve neve 🌨️. Quando cheguei lá em cima estava totalmente sem forças 😫. Tanto foi assim que precisei sentar numa pedra para me recuperar. Fiquei uns 5 minutos sem conseguir ver nada. Depois percebi a paisagem magnífica (). Como a subida havia sido íngreme era possível apreciar uma ampla vista sem obstáculos das partes mais baixas. Do outro lado havia a vista das montanhas com mais de 5 ou 6 mil metros de altitude. Havia também a vista do lago principal e de pequenos lagos anexos. Fiquei ali cerca de meia hora deliciando-me com a paisagem . Se bem me lembro cheguei a meditar um pouco também. Depois segui para a sede do povoado, que não era longe. Apesar disso eu estava bem cansado e fui vagarosamente. Fiquei num hotel sem chuveiro quente (acho que só havia um com chuveiro quente naquela época). Não tomei banho nos dias em que lá fiquei. Procurei ficar num hotel não turístico, de habitantes locais ou tibetanos. Depois de me acomodar dei uma pequena volta nas proximidades. Achei linda a vista do lago e das montanhas. Pedi um cobertor adicional para a noite. No meu quarto havia 2 camas e entrava vento pelas frestas da parede. Acho que a altitude era por volta de 4.300 ou 4.400 metros.
      No domingo 26/10 fui explorar os arredores e apreciar a paisagem. Subi numa das montanhas laterais, a menor delas, que tinha vista para as montanhas de Langtang. Fiquei lá apreciando a paisagem e meditando. Inicialmente o tempo estava coberto, mas depois abriu em boa parte e foi possível admirar o esplendor das altas montanhas cobertas de neve. Achei a vista a partir dali maravilhosa . Fiquei lá mais de uma hora e depois desci e fui tentar subir na montanha do outro lado. Esta era bem maior e subi só até a metade, pois a partir dali pareceu-me que começava a ficar perigoso e exigir equipamentos, experiência e conhecimento, sendo que eu não tinha nenhum deles. A vista também agradou-me bastante. Fiquei lá algum tempo, mas menos do que na montanha anterior. Desci e já estávamos no meio da tarde. Fui então dar uma volta no lago. Até que me deu vontade de nadar, pois abriu um pouco de sol. Mas eu não tinha levado roupa de banho e a água estava com a temperatura muito baixa. Mais tarde o dono do hotel diria que eu poderia ter nadado nu, o que me fez rir. Já perto do fim da tarde voltei para o hotel. Haviam chegado 2 viajantes israelenses e 1 americana chamada Alisson com seu guia local. Um pouco mais tarde começou a nevar 🌨️. Os judeus mostraram-se entusiasmados, pois provavelmente não estavam acostumados à neve. Eu também achei a cena bela. A americana não deu muita importância, provavelmente via neve com frequência. A neve acentuou-se e cobriu parte da paisagem de branco. Eles começaram a jogar cartas e eu preferi ficar apreciando a paisagem e descansando. Conversamos sobre a viagem, jantamos e fomos dormir. Eu mudei de cama durante a noite, pois com o vento que entrava pelas frestas, mesmo com os cobertores e agasalhos, eu estava com frio .
      No meio da noite acho que o telhado não aguentou e caiu um pouco de neve e gelo na cama em que eu não estava e em que tinha dormido no dia anterior. No meio da noite eu precisei ir ao banheiro. Saí de pijama e com um agasalho para o peito. O banheiro era externo. Fui até ele, que era logo do lado do hotel, fiz xixi e apreciei a paisagem do lago, que tinha ficado ainda mais bela após a neve. Parte das pedras estavam cobertas de neve e o céu estava claro, fazendo uma cena que achei linda. O céu estralado também estava maravilhoso, talvez o mais espetacular que já tenha visto . Voltei rapidamente para o hotel, pois estava muito frio, talvez abaixo de zero. Porém o vento havia batido a porta e ela estava trancada. Acho que de algum modo, quando bateu girou o trinco. Eu estava preso do lado de fora. E o banheiro era num local de difícil acesso sem ser pelo hotel. Havia uma montanha atrás dele, o hotel na outra face, um precipício ao lado e o lago. Ou seja, a saída por qualquer opção não era simples. Resolvi tentar abrir a porta, mas não consegui. Admirei mais um pouco a linda paisagem e depois, já com bastante frio, resolvi bater na porta. Mas ninguém ouvia, provavelmente por causa do vento. Cheguei a pensar em tentar arrombar a porta ou escalar o telhado, mas aí pensei em chamar pela americana. Imaginava que estava dormindo no quarto em frente. Chamei-a pelo nome e ela estava acordada e me ouviu. Foi até a porta e perguntou “Fernando, o que você está fazendo aí?”. Eu respondi que tinha ido ao banheiro e perguntei se ela poderia abrir a porta. Ela pediu para eu esperar e foi chamar o seu guia. Enquanto isso eu aproveitei para apreciar mais um pouco a maravilhosa paisagem noturna e o lindo céu. Poucos instantes depois chegou o gia com uma lanterna e abriu a porta. Eu agradeci bastante e entrei. Ela ficou bestificada (e o guia também, mas um pouco menos) por eu estar de pijama, quase sem agasalho lá fora 😀. Fomos dormir.
      Na 2.a feira 27/10 quando eu acordei todos já estavam tomando café e já sabiam do ocorrido. Receberam-me rindo e o dono do hotel disse “Se você não tivesse sido escutado certamente teria arrombado a porta”. Eu disse que tinha ficado com medo de arrombar e depois ficar entrando vento e neve na casa. Eles riram um bocado e tomamos café. A dona riu pelo fato de eu ter oferecido o pagamento enquanto eles estavam com as mãos ocupadas fazendo o café pedido pelos outros. Durante a estadia o jovem dono disse-me que a situação era delicada. O exército vinha recrutar os moradores para fazer parte dele. Se a pessoa entrasse os maoístas a matavam. Se a pessoa se unisse aos maoístas o exército a matava. Então não havia saída. Pareceu-me uma triste realidade ☹️. Perguntou-me sobre procedimentos para conseguir viver no Brasil. Eu não sabia exatamente quais eram, mas lhe disse que achava que seria bem complicado para ele, pois era outra língua, outro alfabeto, outra cultura, outra religião da maioria da população e várias outras diferenças para a vida que ele estava acostumado a levar. Além do que estaria sem seus familiares e conhecidos e muito longe da sua terra natal. Achei a situação do país delicada, mas não me pareceu que naquele local ele estivesse em alto risco. Ele me falou também que achava que Buda era o Deus deles, mesmo após eu questionar se de fato era Deus ou um mestre.
      Após despedir-me de todos saí para descer. Antes apreciei a paisagem do local, principalmente do lago, que com a neve tinha ficado muito bela . Foi bem mais fácil descer do que subir 😀. As paisagens pareceram-me muito belas, embora devido à nevasca do dia anterior, os trechos mais altos estivessem nublados. O chão tinha ficado coberto de neve nos primeiros trechos. Não tive nenhum problema durante a descida e cheguei até Thulo Syabru, a cerca de 2.250 metros de altitude. Foi a parte mais íngreme. Achei que ainda dava para ir adiante e fui até Syapru Besi, a cerca de 1.460 metros de altitude. Já estava perto do fim da tarde e eu decidi ficar ali. Era um povoado bem maior do que os outros das montanhas. Havia muitas opções de hospedagem, eu fui a várias, mas acabei voltando a um dos primeiros (acho que foi o primeiro) em que havia passado. Era a casa de uma família. Todos pareciam muito simpáticos 👍. As crianças eram bem curiosas para conhecer um estrangeiro ocidental. Trataram-me muito bem. Ofereceram-me até um copo de leite ou semelhante no dia seguinte por cortesia, posto que eu não quis comprar o café da manhã, uma vez que em locais comerciais era mais barato. O clima estava muito menos frio.
      Na 3.a feira 28/09 fui andando até Dhunche e de lá peguei um ônibus para Katmandu. Na saída havia um posto de controle e tive que pagar pelo ingresso de visita, que ninguém tinha cobrado, que achei que não existia naquele sentido da caminhada e do qual imaginava ter escapado. Encontrei com vários franceses que estavam fazendo algum tipo de excursão ou trabalho voluntário. Uma das mulheres comentou comigo que seu marido cirurgião tinha ido fazer uma cirurgia num hospital local e tinha achado as condições deficientes. Ao longo do percurso de ônibus tivemos que parar várias vezes devido a checagens do exército. Os franceses pareciam bastante incomodados. Houve uma ocasião em que entrou um habitante local com uma galinha viva 🐔 e a colocou numa sacola na plataforma de bagagem acima das cabeças. Uma das francesas ficou bastante tocada com a situação, achando que a galinha estava morrendo e o nepalês pareceu não entender muito bem porque ela tinha ficado tocada. Chegamos em Katmandu já à noite. Alguns franceses que tinha conhecido antes conversaram comigo sobre a nevasca, a caminhada, despedimo-nos e voltei para o mesmo hotel. O dono devolveu-me a quantia que tinha guardado e eu devolvi o gorro ao atendente sem tê-lo usado.
      De 4.a feira 29/10 a 6.a feira 31/10 fui conhecer alguns projetos sociais em Katmandu e alguns pontos da cidade que não tinha visto. Fui conhecer projetos referentes a pessoas tentando livrar-se da dependência química, creches e educação de crianças e apoio a mulheres (https://www.etc-nepal.org). Neste último ofereceram-me uma refeição. Eu comi um pouco para não gerar aborrecimentos, apesar de ter carne (se bem me lembro era frango) e especiarias. Mas conhecendo ocidentais, eles me disseram para não comer se percebesse que meu organismo não assimilaria bem. Nestes dias aproveitei para jantar Dal Bhats, que estavam um pouco apimentados, e algumas comidas locais.
      Conheci uma inglesa que parecia muito ingênua. Tinha pago preços bem superiores por água mineral e estava prestes a contratar uma excursão também por preços mais altos. Porém percebi que ela não conseguia se virar sozinha com itens básicos. Então achei melhor deixá-la ser tutelada pelo pessoal do hotel, pois nas opções mais baratas a pessoa geralmente precisa fazer muitos procedimentos por conta própria, algo para que talvez ela não estivesse preparada. Aí provavelmente não valeria a pena a economia e faria com que a viagem dela não fosse agradável.
      No sábado 01/11 fui a Swayambhunath, que havia sido a stupa de que mais tinha gostado. Lembro-me de alemães indo visitá-la enquanto eu descansava no início da escadaria. Uma vendedora começou a acompanhar os alemães e um deles ficou para trás, deu dinheiro para ela e pediu cordialmente que os deixasse fazer a visita sem importunação. Meditei, apreciei a paisagem e me despedi de Katmandu.
      No domingo 02/11 saí no fim da manhã rumo ao aeroporto. Fui caminhando. Passei por um restaurante simples e comi momos, que estavam muito bons. Comprei também queijo de iaque, que achei maravilhoso 🧀. Cheguei ao aeroporto antes do horário e estava pronto para embarcar. Porém, parecia haver algum problema. Eu precisava sair na hora, pois tinha uma conexão em Nova Déli e outra em Mumbai. O avião deveria sair no fim da tarde e não tinha saído até o início da noite. Minha conexão provavelmente já estava perdida. Então fomos embarcados, porém somente jantamos e voltamos à sala de embarque. Foi bem confuso e houve bastante reclamação no aeroporto por parte dos passageiros. Por volta de 23h foi chamado novo embarque. Porém aí eu já havia perdido a conexão. Falei com o pessoal da Companhia Royal Nepal Airlines e me disseram que se não tinha um visto indiano era melhor não embarcar. Disseram que me dariam hospedagem e tentaríamos outro voo nos dias seguintes. Aceitei e fui para o Hotel Annapurna (https://annapurna-hotel.com) que indicaram. Era um dos mais luxuosos de Katmandu, onde ficavam políticos. Fiquei até com medo de atentados, dada a situação política. Chegamos lá no começo da madrugada e fui dormir.
      Na semana de 03/11 a 08/11 fiquei tentando pegar um voo de volta. Inicialmente fui ao escritório da companhia aérea para tentar remarcar minha passagem. Disseram que estavam com problemas para fazê-lo, pois minha passagem não era remarcável, provavelmente devido ao baixo preço que havia pago. Fomos ao aeroporto em dois ou três dias durante a semana e ocorreu exatamente o mesmo problema, o avião atrasou e eu não fui. Um gerente disse-me que estavam com problemas no flap de um dos aviões, o que estava acarretando aquela situação. Precisei voltar ao escritório da Cia todas as vezes que perdi o voo. A atendente já parecia bem constrangida e nem sabia mais como me pedir desculpas. Havia também outros passageiros com o mesmo problema, mas acho que depois de algumas vezes eu passei a ser o mais antigo. Ficou clara para mim a precariedade da companhia, apesar da boa vontade das pessoas. Eu fiquei no hotel assistindo televisão, pois não podia me ausentar, posto que poderiam a qualquer momento pedir para eu ir ao aeroporto ou ao escritório. Tinha direito a todas as refeições gratuitamente. Apesar do clima já estar um pouco frio, lembro-me de ter nadado em pelo menos um dos dias. Quando sabia que num determinado horário não tinha possibilidade de voo às vezes saía um pouco para dar uma volta. Cometi o erro de deixar o queijo de iaque fora da geladeira, o que não o estragou, mas fez com que começasse a exalar um forte cheiro.
      No sábado 08/11 o gerente veio buscar-me para tentarmos novamente um lugar no avião, mas já me avisou que provavelmente teríamos o mesmo problema. Desta vez porém, quando chegamos ao aeroporto, descobri que existia um voo direto para Mumbai, que já deveria ter saído, mas estava atrasado. Isso me deu esperança, pois se me recordo meu voo de Mumbai para Joanesburgo saía por volta de 2 horas da manhã. Conversei com o gerente da Royal Nepal Airlines e ele me disse que precisaria ser verificada a questão financeira, pois um bilhete para Mumbai era mais caro do que para Nova Déli. Ponderei para ele o tempo que já estava esperando, as tentativas infrutíferas que tínhamos tido e o custo da hospedagem que estavam pagando para mim. Novamente houve grande confusão entre os passageiros devido ao atraso. Vários passageiros que já estavam esperando há dias para embarcar fizeram um bloqueio e impediram que houvesse outros embarques antes que o voo para Mumbai fosse autorizado. Chegaram a lutar fisicamente com os funcionários do aeroporto 👊. Eu estava na sala de espera da Cia e não vi, mas um outro turista estrangeiro que havia conhecido contou-me o ocorrido. Quando tudo parecia encaminhado para eu finalmente conseguir voltar para o Brasil, apareceu um russo e sugeriu que fosse invertida a ordem dos voos, indo o avião primeiro para Nova Déli, que era mais perto, e depois regressando e indo para Mumbai. Isso me faria perder a conexão em Mumbai. Porém havia tantas pessoas já esperando há horas no aeroporto e talvez dias na cidade, que a proposta não foi bem recebida pelos passageiros e a ordem dos voos foi mantida. Enquanto esperava na sala da Cia repentinamente desapareceram os funcionários. A seguir chegaram pessoas da segurança e da imprensa. Talvez tivesse havido alguma reclamação mais fundamentada e tivessem vindo para responsabilizar ou até prender algum responsável. Mas não acharam ninguém. Quando eu encontrava alguém mais exaltado no corredor sempre dizia “Eu sou passageiro”. Num dado momento tirei a carteira do bolso para mostrar ao gerente meu cartão de membro da Star Alliance, através da Varig, argumentando com isso que tinha direito a embarque prioritário nas companhias parceiras. Mas acho que da primeira vez ele achou que eu estava tentando suborná-lo e acenou negativamente com a cabeça, antes de eu mostrar o cartão. Mais adiante, depois que percebi a interpretação que ele tinha feito, tirei novamente a carteira do bolso, mostrei-lhe o cartão e expliquei sobre a Star Alliance e embarque em parceiras. Mas ele disse que naquelas circunstâncias não era válido, além do que eles não faziam parte da Star Alliance. Já perto das 8 horas da noite, quando eu já estava ficando preocupado e achando que não chegaria a tempo a Mumbai, chegou o seu auxiliar e me disse afoitamente “Ok, ok, cadê seu passaporte, sua bagagem, vamos embarcar”, como se eu já soubesse que tinham me autorizado a ir. Eu nem acreditei 😀. Será que desta vez conseguiria? Consegui. Embarquei no voo para Mumbai, o voo decolou por volta de 9 horas e chegou antes da meia noite. Realmente a Cia parecia precária. No pouso, pareceu que o comandante socou o avião no chão, tanto que um passageiro francês comentou sarcasticamente, quando ele ia falar aos passageiros pelo alto-falante após o pouso, “Antes de mais nada desculpe pelo pouso”. Mas o comandante não falou isso 😀. Quando disse em Mumbai que tinha vindo pela Royal Nepal Airlines, uma funcionária do aeroporto fez gesto de reprovação com a cabeça como quem diz “Sai dessa amigo!”. Esperei pela conexão, dei meu número de membro da Star Alliance para o atendente, que o marcou erradamente, tentei descansar um pouco e embarquei sem problemas pela South Africa Airways (SAS) para Joanesburgo.
      No domingo 09/11 pela manhã desembarquei em Joanesburgo. Tudo parecia resolvido e bastava esperar pelo embarque para São Paulo. Quando fui passar pelo balcão para fazer a conexão, o atendente me disse que havia sido feito uma atualização na passagem não permitida e eu teria que pagar aproximadamente US$ 720.00. Isso significava pagar quase a metade do valor da passagem por uma remarcação para um trecho de menos de ¼ (25%) da distância 💲. Eu achei inaceitável. Argumentei com o atendente que a responsabilidade pela remarcação não era minha, pois o avião não tinha decolado por várias vezes. Mas ele me disse que a SAA não era responsável por outras cias aéreas. Eu repliquei que tinha sido a SAA que tinha emitido o bilhete e portanto alguma responsabilidade ela tinha. Como a conversa estava se prolongando e esquentando, ele mudou totalmente de postura e disse que não queria me onerar e eu estava liberado da taxa. Eu agradeci, fui para o embarque e voltei para São Paulo. Após desembarcar decidi passar no controle de itens a declarar devido ao queijo de iaque que havia comprado. O atendente pediu para eu esperar e foi chamar o fiscal, que ao ver o queijo disse que eu não poderia entrar com ele, embora tenha permitido que eu comece um pouco ali. Talvez o cheiro que ele estava exalando tenha ajudado na decisão. Eu fiquei decepcionado e perguntei se iria ser jogado fora mesmo, pensando no desperdício ☹️, O fiscal perguntou se eu estava insinuando algo e me falou rispidamente que era melhor eu ir embora. Eu fui, mas o queijo foi apreendido por razões sanitárias (não era permitido entrar no Brasil com comidas não industrializadas).
    • Por Guimg12
      Vamos lá, mais um relato, perdi minha outra conta então vamos lá
      Bom, essa viagem foi decidida meio que na sorte, eu tinha alguns pontos no programa da LATAM, e como para mim é melhor viajar final do ano por conta do recesso forense.
      Comecei a pesquisar possíveis destinos, como eu gosto de praia e sol me restringia um pouco.
      No final do ano poderia ir para a região da américa central, que até então era minha primeira opção, mas estava com receio de ir sozinho por conta da “má fama” da região por ser um pouco violenta.
      Com isso decidi ir para a África do Sul, achei a passagem de ida por apenas 28k milhas e dei a loca de ir. Como meu inglês é bem ruim, resolvi incluir um pequeno intercâmbio na África do sul.
      Fechei pelo site Intercambio direto, foi a melhor cotação que achei, era o mesmo preço da escola se eu pagasse por lá. Entrei em contato com a escola para saber se realmente eles faziam parceria com o site, pois iria pagar todo curso no brasil, então não poderia correr o risco de ser falso. Tudo certo, paguei o valor de 2.600 reais para 3 semanas de aula.
      Se tem intenção de fazer um intercâmbio faça por mais tempo, e não sei se na África do sul é uma boa, minha sala só tinha árabes então era muito difícil entende-los, havia alguns brasileiros também por lá.
      qualquer coisa só chamar no insta uaiguilhermee
    • Por José Luiz Gonzalez
      Introdução
      Fala galera!
      No fim de 2018 fiz uma viagem incrível pela África do Sul que contou inclusive com a companhia do grande parceiro Fabiano que conheci aqui no Mochileiros!
      Se alguém tiver alguma dúvida, sinta-se a vontade pra perguntar abaixo e evitem mensagens privadas ou e-mail já que a sua dúvida pode ser a mesma de outras pessoas aqui no fórum!
      Roteiro Resumido
      1 dia na Rota Panorâmica
      3 dias de Safári no Kruger
      9 dias na Garden Route
      5 dias na Cidade do Cabo
      Roteiro Detalhado
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    • Por zervelis
      Uma Imagem vale mais que mil palavras né?!
      Deixa eu começar então com a Imagem
       

      E agora com as milhares de palavras
       
      Nosso roteiro: África do Sul (Cape Town Cabo, Cabo da Boa Esperança, Ganasbaai (mergulho com tubarão branco) e Johanesburg), Namíbia (Windhoek, Walvis Bay, Sossusvlei, Deadvlei), Zimbabwe (Victoria Falls), Botswana (Kasane - Chobe - Safari) e Zambia (Livingstone)
       
      Primeiro deixa eu me apresentar... Me chamo Felipe Zervelis, prazer... Já sou usuário cativo aqui no mochileiros com relatos do Sudeste Asiático, Escandinávia e Costa Oeste dos EUA. Agora venho aqui mostrar pra vocês nossa viagem pra África, feita em Novembro de 2013, com mais 2 colegas que se encontram nessa foto. O primeiro da foto é o David, mais conhecido como Caju (por se de Aracaju, dããã), o segundo, o mais mala de todos, Felipe Watson (também bem conhecido aqui no mochileiros por suas farras na Europa) e o terceiro (o mais galã, claro), eu . Ah,.. os Felipes são cariocas,craroooo...
       
      [creditos]Aproveito também para dedicar esse relato a duas pessoas: Paulera aqui do mochileiros e também a Dri (http://www.drieverywhere.net). Obrigado amigos por toda a ajuda (direta e indireta) para que acontecesse essa viagem. [/creditos]
       
      Foi uma viagem de 17 dias. Saimos dia 31 de outubro a noite do Rio de Janeiro e voltamos, por Johanesburgo, saindo de lá dia 17 de novembro de tardinha.
      Dessa vez vou fazer diferente no relato. Todos os preços, locais, passagem e programas principais, irei colocar no final do relato.
       
      Apenas irei antecipar o custo TOTAL da viagem por pessoa, em reais, a uma taxa de dólar média variando entre R$ 2,25 a R$ 2,30 - R$ 7 mil !!!!!!!
       
      Vale a pena citar que os 2 trechos principais (ida e volta) utilizamos milhas (50 mil pontos no total) pelo Fidelidade (da Tam) e voamos South African Airlines (excelente cia). Mas assumo que tem que tentar pelo telefone, diversas vezes e pedindo pro atendente ter paciência e ver todas as possibilidades possíveis. Pra se ter ideia, voltamos por Guarulhos, chegando lá 1 da manha e tendo que fazer o translado por nossa conta para Congonhas onde iríamos pegar um outro voo (já incluso no principal) as 6 da manha para o Rio. Mas valeu !!!
       
      Observações Gerais:
       
      - O CERTIFICADO DE VACINAÇÃO internacional de Febre Amarela é VERIFICADO PELA EMPRESA AEREA, não podemos embarcar sem apresentá-lo. De cara, o atendente da TAM já disse que aproximadamente 50% das pessoas não viajam porque não tem o certificado (e caso parecido acontece com o visto para os EUA), alguém acredita ?
       
      - Não encontrei UM africano que não falasse inglês. ãã2::'>
       
       
      Vamos começar com o que interessa, não é mesmo ?!


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