Ir para conteúdo
  • Cadastre-se

Posts Recomendados


Somos um casal de Noivos de 22 anos, e estamos largando tudo aqui no Rio de Janeiro para fazer um mochilão pelo Brasil. Nosso primeiro destino é MG. 

Queremos ficar mais tempo acampados (de preferencia em lugares que não pague) Alguém tem algumas dicas de segurança, lugares.. etc?

Queremos percorrer a maior parte do caminho de carona, alguém consegue me dizer em que trecho do Rj seria legal pra pegar carona para chegar ao meu destino?

Estamos com pouca grana, vocês sabem se pelo brasil conseguiriamos alguns bicos em restaurantes , hostel ou até vender alguma coisa na rua para ajudar a custear nossa viagem?

Podem nos ajudar a economizar? Que dicas vocês tem para não gastar muito (quase nada)

Estamos cansados dessa monotonia. Estamos com medo, mas muito curiosos e ansiosos para começar já a nossa expedição! 

Nosso email pra contato e dicas > [email protected]

IMG_20181017_181854_375.jpg

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!

Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Entrar Agora

  • Conteúdo Similar

    • Por Alan - Allckan's
      Olá pessoal, vou realizar uma prova em Roraima e estou indo de mochilão pedindo carona saindo de Brasília, quem topa ir nessa aventura me da um alô. Zap 61 9 8410 5056. 
    • Por gmussiluz
      ORGANIZAÇÃO/PLANEJAMENTO
      Moro em Salvador e, de férias regulares, não poderia ter melhor oportunidade para realizar essa trip. Não lembro exatamente quando pensei nesse trecho, mas já estava planejando havia um bom tempo e queria fazer pelo menos o trecho de Itacaré a Barra Grande, que não finalizei da primeira vez (https://www.mochileiros.com/topic/58177-itacaré-algodões-a-pé/). Quando defini qual seria o trecho, revisava o planejamento com frequência pra ter certeza de que nenhum ponto estava passando em branco.
      Inicialmente, o planejamento era de sair de Itacaré e ir até Morro de São Paulo, passando o réveillon em Moreré, que acabou sendo o destino final por causa de imprevisto (no dia 1 em Moreré, senti uma dor muito forte no tendão que se estendeu por alguns dias e mal conseguia andar. Não seria prudente continuar a travessia nessa condição).
      Voltei do natal no Rio e chegando em Salvador só troquei de mochila e segui para o ferry boat para iniciar a viagem. Digo iniciar a viagem, porque ainda na travessia do ferry boat encontrei um amigo e comentei sobre estar ansioso para a travessia, quando ele me falou "nem precisa, já está acontecendo", e me dei conta de que realmente eu já estava a caminho, a viagem já tinha começado.
      Estava usando uma mochila cargueira de 40 L com aproximadamente 15 Kg. Como pretendia passar o réveillon em Moreré e sairia de Itacaré no dia 27, teria que andar pelo menos 19Km por dia até o dia 31, pernoitando na praia. 
      Como já disse em outros relatos, é importante lembrar que para caminhada em praia, tem que saber a tábua de marés para os dias planejados, do contrário, por falta de planejamento pode pegar uma maré cheia para caminhar, por exemplo, e terá que ir pela areia fofa, obrigando a parar ou dobrar o esforço de caminhada e, assim, dificultando o percurso.
       
      1º DIA
      Como o ônibus de Bom Despacho (ferry boat) para Itacaré demora, cheguei em Itacaré já umas 15h, e acabei saindo tarde de lá. Não tinha mais nada pra fazer e saí da rodoviária já em direção à orla pra fazer a travessia de barco. Chegando lá, tem alguns barqueiros que fazem a travessia do Rio de Contas para a praia do Pontal por 5 reais. Cheguei do outro lado e só precisei me arrumar e iniciar a caminhada, que foi aproximadamente às 15h30. A praia do Pontal é pouco frequentada, e só tinha um grupo de umas 6 pessoas. Daí pra frente, como já esperava, só vi pessoas em frente a Piracanga.

      (travessia do Rio de Contas, Itacaré)
      Chegando em Piracanga, o rio me surpreendeu pelo nível. Tive que tirar a mochila e atravessar antes pra conferir o nível e caminho onde poderia atravessar "tranquilo". Depois de conferir, atravessei com água 5 dedos acima do umbigo, carregando a mochila na cabeça e 3 pessoas me assistindo do outro lado. Como eu queria essa cena registrada! 🤣
      Segui caminhando e parei pra descansar já com tudo escuro e aproximadamente 13 Km caminhados, onde abri a canga, deitei e fiquei deslumbrado com aquele céu inteiro numa praia deserta, tudo só pra mim, contando inúmeros satélites e estrelas cadentes e acabei dando uma cochilada. Acordei recarregado e continuei caminhando, até fechar os 19 Km desse primeiro dia.
      No meio do caminho, dei de cara com um cachorro, que só vi quando estava a uns 3 m de mim, já latindo e vindo em minha direção, era um risco que eu não tinha previsto, mas me saí bem, só acendi a lanterna na cara dele, fui pra beira do mar e virei de costas pra água garantindo que não viria nenhum outro cão surpresa junto com ele, enquanto o afastava com um pedaço de pau (um "cajado") que tinha em mãos. Ele entendeu que eu não era uma ameaça, continuou latindo, mas ficou parado, e fui andando com a lanterna ainda acesa, vendo aqueles olhos caninos brilhantes se distanciando na escuridão
      Parei em um ponto mais pra frente, armei meu acampamento e deitei pra dormir. Fui acordado em algum momento no meio da noite por dois cachorros latindo, que acredito que era o de mais cedo com um outro. Só precisei espantar eles batendo em um pedaço de pau e continuar dormindo.

      Total percorrido: 19,5 Km
       
      2º DIA

      Acordei bem cedo com um nascer do Sol que não assistia havia muito tempo. Contemplei aquele momento por um instante, tirei algumas fotos e voltei a dormir, acordando de novo já perto das 8h. Comi, tomei um banho (de mar, obviamente), arrumei as coisas e segui caminhando. Com cerca de 2 Km, cheguei a Algodões, local onde a quantidade de habitações, pessoas e barracas já chama a atenção, e foi onde passando por um caminhante na praia, ouvi um comentário sobre uma das minhas tatuagens: três diafragmas de lentes fotográficas, o bastante para reunir e dar assunto entre eu, um fotógrafo das horas vagas e amante dessa arte e ele, um estudante de cinema, que me acompanhou por uns 4 Km enquanto conversávamos sobre a minha caminhada, sobre fotografia, cinema, filmes e temas afins. Foi meu primeiro contato e interação em 24 Km, e durante a conversa eu nem vi o tempo e caminho passarem.

      (meu xará, estudante de cinema, com quem troquei algumas ideias)

      Daí pra frente segui caminhando e comecei a ficar atento ao GPS, porque tinha marcado um waypoint na entrada com menor caminho para a lagoa do Cassange, onde já tinha planejado uma parada de descanso com banho doce e talvez almoço. A lagoa é bem bonita, bem rasa (andei mais de 50 m em direção ao meio e a água não chegou nem na cintura), com água quente e cheia de peixinhos que ficaram mordiscando enquanto eu estava de molho. Após o banho, dei uma olhada no cardápio da barraca que fica na beira da lagoa para saber a possibilidade de almoçar ali, e os preços eram bem altos, mas nada surpreendente para Barra Grande em alta estação. Fiz um lanche com o que tinha na mochila, fiquei um bom tempo descansando e segui a caminhada.

      (Lagoa do Cassange)

      Essa parada na lagoa durou quase 2h, deu pra descansar bastante e passar o horário de sol a pino, além de dar o tempo de a maré secar toda, melhorando a área de caminhada na areia.
      Andei até um pouco antes de Taipus de Fora, e abri a canga pra descansar de novo, onde dei mais uma daquela cochilada revigorante e gastei mais um bom tempo observando o visual e o movimento na praia enquanto pensava sobre seguir para dormir mais a frente ou parar por ali, já que já tinha percorrido um total de 40 Km nesse ponto.
      O Sol já estava se pondo, mesmo assim resolvi pegar a mochila e ir andando devagar, mas logo que fiz a curva de Taipus de Fora já parei e fiquei olhando de longe: eram muitas casas, muita gente, festa, barraca...não seria legal dormir por ali, se é que acharia um lugar tranquilo e onde pudesse dormir. Fiquei olhando por uns cinco minutos e vi um casal, aparentemente andarilhos também, me olhando de longe, com mochilas, sentados mais acima da areia e fui falar com eles:
      -Estão vindo de lá de Barra?
      -Sim, estamos indo pra Itacaré
      -Maravilha! Estou vindo de lá, saí ontem à tarde.
      -Olha aí, mais um colega de caminhada haha
      -Pois é haha sabem me dizer se seguindo a praia a partir daqui é sempre assim com muita casa, cheio de gente? Estou procurando um lugar pra dormir na rede e virei aqui já desanimando com tanto movimento.
      -Nãão, se você apertar o passo, depois daquela ponta ali vai ter umas barracas com cobertura de palha que ficam armadas para o pessoal ficar durante o dia, mas à noite é bem tranquilo, não fica ninguém e dá pra armar a rede e dormir bem lá.
      -Ótimo, vou seguir!


      A ponta que ele indicou ficava a aproximadamente 1 Km, e obviamente eu fui em busca das barracas com cobertura de palha para dormir, afinal, eu estava bem cansado, mas 1 Km não é tanto assim e dormir bem seria importante. Andei, passei da ponta, andei, andei, andei, andei e depois de uns 4 Km sem ver nenhuma estrutura semelhante ao que ele descreveu, decidi que qualquer estrutura que aparecesse, eu pararia, quando logo depois vi, na praia da Bombaça, ao lado da entrada de um terreno com casarões, uma armação de bambu com um tecido branco e algumas palhas de coqueiro por cima, era ali. Montei a rede, deitei e depois de observar a movimentação de algumas pessoas da casa pela praia observando o céu, apaguei, mas acordei algumas vezes durante a noite com carros, quadriciclos e motos passando, além do frio que fez na madrugada. Foi uma noite bem difícil porque eu não tinha mais recursos para me proteger do frio e fiquei lutando com ele por um bom tempo.
      Total percorrido: 45 Km

      3º DIA
      Apesar de algumas nuvens densas se aproximando pelo Norte, mais uma vez acordei com um nascer do Sol maravilhoso, mas dessa vez não dormi de novo. Fiquei observando a praia e algumas pessoas já passavam por ali quando levantei da rede pra arrumar minhas coisas e iniciar minha caminhada logo em seguida, já às 6h40. Com menos de 1 Km de caminhada, vi as estruturas que o cara me falou no dia anterior e percebi que tinha dormido no lugar "errado". 😂

      Passei a Praia dos três coqueiros, farol, Ponta do Mutá e cheguei no “centro” de Barra Grande com uma hora de caminhada.
      Logo que cheguei, fui ver como faria para atravessar para a Barra do Serinhaém, e o pessoal das empresas que operam as lanchas não tem esse trecho nos serviços deles, então é um pouco complicado. Não é tão fácil como poderia ser, mas dei sorte depois. Depois de terem me cobrado 250 (duzentos e cinquenta!!!!) reais para atravessar, resolvi tomar logo um café da manhã na padaria e voltaria pra resolver isso e, obviamente, achar outra forma (e outro valor) para atravessar.
      Caminhei até o final do píer e fiquei lá “queixando” carona para cada barco que encostava pegando ou deixando passageiros, sem sucesso em todos eles, já que a travessia era meio contramão para o caminho usual que eles costumam fazer. Depois de tentar em alguns, comecei a conversar com alguns caras que estavam no píer comigo, todos trabalhando, ajudando a carregar, coordenando ou ligados de alguma outra forma às movimentações de embarcações que aconteciam ali. Falei brevemente sobre minha viagem e para onde estava indo e um deles colou comigo e ficou conversando, quando me falou -não sei se para confortar ou para desanimar- que SE eu conseguisse a travessia, poderia ser no fim da tarde, quando alguns trabalhadores residentes de Barra do Serinhaém voltavam de Barra Grande pra lá e eu, com essa informação, ao mesmo tempo que pensei no tanto de tempo que perderia esperando até o fim da tarde, me confortei sabendo que pelo menos de uma forma eu conseguiria atravessar. Não se passaram cinco minutos e esse mesmo cara gritou:
      -Ó lá quem vai te levar pra Barra! Eeei! - gritava e acenava para um casal numa lanchinha saindo da praia - leva esse amigo nosso aqui pra Barra!
      Eu, atrás dele, pulava, balançava os braços, acenava e assobiava alto para chamar atenção do casal e não passarem direto😂. O piloto prontamente mudou a rota, encostou no píer e eu só desci a escada e embarquei, feliz da vida e agradecendo mil para o brother que arranjou a carona pra mim.
      Seguimos e eles não me cobraram nada pela travessia (afinal, ele já estava indo pra lá).
      Parei, e segui procurando a casa de uma amiga com quem já tinha falado previamente e estava à minha espera. Nessa parada, tomei banho de chuveiro com xampu e sabão, fui servido com um prato de frutas muito farto e ainda almocei uma moqueca deliciosa hahaha, não sei se ela e a família tinham noção disso, mas a recepção, cada gesto e ato de generosidade foram extremamente significantes pra mim, e agradeço demais por aquilo, saí de lá revigorado, muito bem alimentado e com disposição para continuar firme na caminhada. Depois de almoçar, descansei por uma hora e comecei a reorganizar minha mochila, para sair perto das 15h40, quando comecei a caminhada saindo da Barra do Serinhaém em direção à praia de Pratigi.

      (início da praia de Pratigi)

      Pratigi é uma praia bem extensa, toda dominada por plantações de coco, e depois de andar por uma boa extensão, logo após o pôr do Sol resolvi que iria parar porque meu saldo estava bom (tinha andado 26 Km no segundo dia, então a meta desse dia era menor, não precisava me estender tanto) e meus pés já doíam, entretanto, acabei sendo obrigado a andar mais quando subi a faixa de areia indo pegar materiais para montar um abrigo e fui surpreendido por um enxame de mutucas me rodeando. Como estava ventando, continuei andando na esperança de elas perderem meu rastro e eu poder parar logo, mas eu parava de vez em quando checando e ainda via algumas voando ao meu redor, e nessa história, tive que andar mais 4 Km com os pés doendo e no escuro até finalmente parar e não ver mais nenhuma mutuca. Parei, catei materiais, montei o abrigo e finalmente pude deitar e dormir. Estava a 2 Km da vila de Pratigi e apesar de não ter movimento na praia, as luzes da vila eram bem fortes.
      Total percorrido: 75 Km

      4º DIA

      (abrigo montado no primeiro e terceiro dia)


      Acordei umas 5h, e se não fosse o abrigo eu certamente sentiria frio, já que tive que me cobrir durante a noite. Levantei e percebi que tinha parado exatamente no local onde acontece o Universo Paralello quando reconheci a estrutura ainda resistente da cozinha comunitária (era uma estrutura de barro, por isso devem ter deixado por lá do jeito que estava). Estive no festival no ano anterior e tudo aqui estava irreconhecível sem movimento, música, luzes, pistas e estruturas montadas.
      Iniciei a caminhada planejando a parada na vila de Pratigi para poder trocar dinheiro caso precisasse pagar para a próxima travessia de barco. Parei lá e rodei em algumas barracas até conseguir trocar uma nota de 100: início da manhã de um domingo, não estava fácil trocar uma nota de valor alto, mas consegui e segui. 1 Km depois da vila tem um riozinho raso com travessia tranquila com a água pouco acima do joelho e 4 Km depois cheguei na Barra do Carvalho. Nesse ponto, tirei a mochila e acenei para alguns barcos que passavam para saber se iriam atravessar em direção a Cova da Onça ou Ponta de Castelhanos, e nada.

      (Barra do Carvalho)


      Sentei e fiquei esperando por cerca de uma hora até decidir ir para a parte de dentro da ponta de areia que se formava ali e na mesma hora que levantei e comecei a andar, surgiu um pessoal vindo andando no sentido oposto. Fui andando, dei de frente com o grupo e perguntei como tinham chegado ali, quando me responderam e apontaram os barcos parados, meus olhos quase brilharam de felicidade. Fui direto ao barqueiro perguntar se faria a travessia para Cova da Onça e o mesmo prontamente me negou com a cabeça. Fui atrás do dono do outro barco, que estava com a família já preparando um churrasco naquela prainha enquanto comiam alguns petiscos e tiravam cervejas geladas dos isopores que tinham levado, e me disse que era uma travessia pouco feita, difícil e depois de pensar e enrolar um pouco, me cobrou 50 reais, ao mesmo tempo que me perguntou se queria comer alguma coisa, “que ficasse à vontade”. Ainda era cedo, neguei.
      Depois de pagar 5 reais para atravessar o Rio de Contas, 50 reais me soava um preço altíssimo e eu tive que negar, resolvi esperar por mais tempo. Sentei já com pouca esperança e imaginando ter que dar os 50 reais mais tarde mas, passado mais um tempo, chegaram mais dois barcos dos quais tive uma negação e uma oferta de travessia por 20 reais: o preço já tinha melhorado! Ainda assim, resolvi esperar mais um pouco e uma pessoa que estava com o barqueiro que me cobrou 20 reais chegou perto de mim e começou a conversar, perguntando sobre a viagem, o que eu estava fazendo, etc., perguntas que àquela altura eu já estava acostumado, e me ofereceu um prato de almoço, que pelo tempo que já tinha passado, eu não pude negar.
      Mais um tempo de espera, já olhando pro horizonte pensando em qualquer coisa, esquecendo por um instante que eu estava à espera de uma travessia, ouço uns gritos. Era o segundo barqueiro, chamando atenção de um barco que passava e me chamando pra ir até lá. O barco, no qual embarquei prontamente, era de um primo dele que estava de passagem indo para Cova da Onça só com o filho pequeno a bordo. As 2 horas e 40 minutos de espera compensaram o custo nulo da travessia e, durante o caminho, que durou uns 20 minutos, conversei bastante com o dono do barco, que me explicou - e mostrou, enquanto “zigzagueava” - o motivo de aquela ser uma travessia tão evitada: a batimetria ali é muito ruim para navegação porque além de ser raso, tem muitas rochas, bancos de areia e recifes e nem todo mundo conhece bem o local mas ele, com muito conhecimento do local e, claro, aproveitando a maré cheia, passava com maestria pelos locais que indicava perigo e eu, enquanto conversava com ele, ia debruçado na lateral vendo nitidamente o fundo passando bem raso.

      Chegando em Cova da Onça, ele me explicou por onde eu pegaria o caminho até Ponta de Castelhanos, meu próximo destino. Pedi água numa casa com duas senhoras na frente, que encheram minha garrafa de 1,5 L sem problema e segui ansioso por esse próximo trecho, afinal, eu já estava bem próximo do fim.

      A caminhada de Cova da Onça até Ponta de Castelhanos foi, sem dúvida alguma, onde mais suei e cansei. Por ser uma estrada de areia fofa que passa por trás do mangue, acaba sendo uma área protegida de vento, pior ainda considerando o Sol escaldante do início da tarde na areia fofa. Depois de pouco mais de uma hora de caminhada, cheguei à praia de Castelhanos, um dos paraísos na Terra. Não queria perder muito tempo e fui logo ver como era a travessia para pegar a trilha do mangue e chegar em Moreré.

      Depois de conversar com dois canoeiros, me disseram que existia a travessia de barco direto para Moreré, por 40 reais, e a travessia para o início da trilha do mangue, por 10 reais, que era a que eu estava procurando. Sentei um pouco enquanto conversávamos e depois subi na canoa para atravessar, enquanto um deles me levava dando orientações sobre a trilha.


      A travessia do rio dura 5 minutos, e a trilha, que é dentro do mangue fechado, iniciou com água acima do tornozelo e, para o meu alívio, o fundo era de areia sem afundar o pé, ao invés de lama que afunda até o joelho, como é comum em manguezais, o que seria bem ruim de lidar com uma mochila pesada nas costas😅. A trilha é linda, e segui sozinho por ela, passando por mangue, apicum, coqueiros e até uma pequena plantação de cana, até chegar na praia de Bainema, e depois, finalmente, na vila de Moreré.

      (Praia de Bainema, pouco antes de chegar em Moreré)

      Total percorrido: 100 Km
      OBSERVAÇÕES:
      -Acabei usando a rede só em uma noite, dormindo nos abrigos que montei na areia nas outras duas noites, então acredito que poderia abrir mão da rede (peso e volume) e dormir no abrigo todas as noites.
      -Um ponto importante que ainda preciso melhorar é a alimentação. De forma alguma passei fome ou me alimentei muito mal, mas investir em comida liofilizada é uma prioridade urgente para reduzir o peso e volume da mochila.
      -O GPS foi uma das melhores aquisições que fiz e realmente faz muita diferença, me possibilitando acompanhar meu rendimento com dados de quilometragem percorrida e velocidade média, além de poder marcar pontos de interesse como entradas de lagoas, possíveis pontos para acampamento, pontos de apoio, etc., e, claro, gravar o tracklog para compartilhar com quem tenha interesse em realizar o mesmo percurso.
       
      TRACKLOG NO WIKILOC:
      https://www.wikiloc.com/wikiloc/view.do?pic=hiking-trails&slug=travessia-itacare-morere&id=31923513&rd=en

      EQUIPAMENTOS USADOS:
      -Curtlo Highlander 35+5L
      -Camelbak Chute 750ml
      -Garmin eTrex 30x
    • Por fernandobalm
      Resumo:
      Itinerário: Itajaí → Balneário Camboriú → Canelinha → Nova Trento → Santuário de Madre Paulina
      Período: 19/12/2018 a 26/12/2018
      Gasto Total: R$ 582,96
      Gasto sem Transporte de Viagem: R$ 389,96 Média Diária: R$ 55,71
      Ida e Volta por Carona do BlaBlaCar (R$ 97,00 de ida e R$ 96,00 de volta)
      Considerações Gerais
      Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, acomodações, meios de transporte e informações adicionais que eu achar importantes.
      Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis na internet. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.
      Informações Gerais:
      Em toda a viagem houve bastante sol. Chuva pesada houve na 5.a feira (20/12) à noite, quando estava vendo o espetáculo de Natal em Itajaí e na 6.a feira (21/12) no meio da tarde, quando estava chegando em Balneário Camboriú, que durou cerca de 45 minutos. Chuva leve houve na ida à Canelinha no domingo (23/12) e na região de Nova Trento, na 2.a (24/12) e 3.a (25/12). As temperaturas também estiveram bem razoáveis (para um paulistano), chegando em média a 32 C ao longo do dia e caindo até 20 C à noite.
      A população de uma maneira geral foi cordial e gentil 👍. As paisagens das praias, da vegetação e do Santuário agradaram-me muito , principalmente as próprias praias, o mar, a vista a partir de pontos altos, a mata, o templo e os locais históricos e religiosos.
      Como era época natalina, pude aproveitar vários locais com iluminação e decoração de Natal 👍.
      A caminhada no geral foi tranquila. Mesmo quando precisei andar nas estradas, o acostamento na maior parte do percurso foi bem aceitável.
      Não tive nenhum problema de segurança (nenhuma abordagem indesejada) nas praias, nas estradas nem nas cidades.
      Não houve nenhum obstáculo relevante nas praias, pois como estavam em cidades, havia alternativas.
      Todos aceitaram cartão de crédito sem acréscimo. Só a carona de volta paguei em dinheiro.
      Gastei na viagem aproximadamente R$ 582,96, sendo aproximadamente R$ 20,46 com alimentação, R$ 369,50 com hospedagem, R$ 97,00 com a carona de ida e R$ 96,00 com a carona de volta para São Paulo. Sem contar o custo das caronas entre São Paulo e Itajaí e entre Tijucas e São Paulo, o gasto foi de R$ 389,96 (média de R$ 55,71 por dia). Mas considere que eu sou bem econômico.
      A Viagem:
      Minha viagem foi de SP (Estação Consolação do Metrô) a Itajaí em 19/12/2018 pelo BlaBlaCar (https://www.blablacar.com.br). Saímos cerca de 9:30. O ofertante da carona era Élton Luís dos Santos, professor do CEFET, que tinha saído do Rio e estava indo para Porto Alegre. Fomos com o engenheiro mecânico Rogério e o jovem Eduardo, que queria ser político. Desceram em Curitiba, onde subiram Tiago, que foi até Joinville e Naimara, que iria até Florianópolis. Ao longo do trajeto conversamos muito sobre assuntos variados. Ele me deixou na estrada perto de 20:15, no ponto mais próximo para eu ir caminhando até o hostel em Itajaí. Paguei R$ 97,00 com cartão de crédito (paguei o abastecimento do carro num posto). Na estrada comi sanduíches que tinha trazido de casa 🥪.
      Fui andando por 3 km (cerca de 35 minutos) da estrada até o hostel em Itajaí. Fiquei no Fica, Vai Ter Bolo Hostel (https://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g1143387-d15263814-Reviews-Fica_Vai_Ter_Bolo_Hostel-Itajai_State_of_Santa_Catarina.html) por R$ 50,00 a diária, paga com cartão de crédito, com direito a café da manhã. Já havia reservado via Booking (https://www.booking.com). A dona era Francine, pedagoga, que o estava ampliando para a temporada de verão. Seu pai e amigos estavam trabalhando nisto quando cheguei. Sua mãe Jaqueline, diretora de escola, também estava lá. Francine tinha 2 filhos adotivos. Receberam-me muito bem 👍. Deram-me um quarto privativo, pois os coletivos estavam em obras para receber as pessoas na temporada depois do Natal. Conversei com eles sobre viagens e estilo de vida. Experimentaram comer pedacinhos de abóbora moranga crua, que eu havia levado para não estragar em SP. Ofereceram-me camarões cozidos como cortesia, mas recusei porque não como carne. Cozinhei arroz, feijão, soja e batata e juntei com abóbora e chicória para o jantar. Trouxe tudo de casa.
      Na 5.a feira 20/12 fui conhecer Itajaí. Tomei café da manhã com pães, requeijão, doce de leite, doce de banana e bolo de cenoura, durante o qual conversei com Francine sobre hostels, Itajaí e São Paulo. Depois a funcionária Elisa, que era do Mato Grosso e em breve iria para Parati, ensinou-me o caminho até o Bradesco, onde fui depositar o dinheiro que não precisei usar para as diárias. Inicialmente fui conhecer o centro histórico e todos os prédios e monumentos associados. Havia placas com informações e mapas das redondezas nos diversos pontos turísticos, o que facilitou tudo e ainda me deu sugestões de pontos a conhecer. Achei muito interessante a diversidade de peixes no Mercado do Peixe 🐟. Depois fui conhecer as praias, parques e montes. Não tinha ido de roupa de banho por baixo da calça, então não pude nadar . Gostei das praias. A foto abaixo mostra a Praia do Atalaia.

      Gostei também das vistas a partir dos molhes, das paisagens naturais e dos parques . Achei especialmente belas as vistas a partir do Molhe da Barra, a partir do mirante do Parque do Atalaia  e a partir do morro de salto de parapente . A vista a partir do Morro da Cruz também foi boa, mas não contemplava tantas áreas naturais. No Parque do Atalaia aproveitei para tomar água, que estava disponível para o público. Não pude ir até o Farol das Cabeçudas porque estava fechado o acesso privativo da Marinha e não havia ninguém a quem perguntar. À noite vi a iluminação de Natal no calçadão principal, na Igreja, no museu e a apresentação de Natal, com desfile de Papai Noel e dançarinas que terminou no Museu Histórico, onde houve apresentações com várias músicas 👍. Pouco depois do desfile acabar e começarem as músicas, começou uma enorme tempestade ⛈️, com muitos e próximos raios, que durou toda a apresentação e mais um pouco e chegou a fazer a água subir até parte da calçada. Devido à tempestade, a projeção de luzes na catedral e no museu foi cancelada 😞. Após a chuva diminuir bastante voltei caminhando para o hostel por cerca de 30 minutos. Várias ruas estavam com muita água nas calçadas e nas laterais, o que fez com que precisasse andar em pontos com água até um pouco acima da canela. Jantei arroz, feijão, soja, batata, abóbora, chicória e mamão. Comi manga e pão com margarina de sobremesa.
      Na 6.a feira 21/12 fui para Balneário Camboriú. Tomei café da manhã, desta vez com bolo de maça, que achei bom. Despedi-me de todos, incluindo Pedro, filho adotivo da Francine. Um hóspede mineiro pediu para tirar uma foto minha vestido com a camiseta do guaraná Dolly, de que disse ser fã. Inicialmente passei pela Igreja Imaculada Conceição, que estava fechada na hora do almoço em que a visitei no dia anterior. Desta vez estava aberta e pude conhecê-la. Passei novamente pelas praias do Atalaia e Cabeçudas. Depois fui à Praia Brava e à Praia da Solidão, em que para chegar peguei uma trilha íngreme e não muito fácil e para voltar fui pelo mar, mesmo com maré já alta, tomando cuidado com as pedras. Na Praia da Solidão cortei o dedo do pé numa pedra . Quando voltei à Praia Brava, como já estava molhado, aproveitei para tomar um banho de mar. Havia deixado minha mochila com uma moça antes da trilha e ela a guardou até o fim do banho de mar. Achei a praia bela e boa para aproveitar 👍. Estava tranquila . Depois fui caminhando pela praia até seu fim e aí subi no Morro do Careca, já em Balneário Camboriú. No caminho havia um mirante que apresentava boa vista para a Praia do Buraco. A foto da Praia Brava a partir do alto do Morro do Careca está a seguir.

      Achei as diferentes vistas a partir do Morro do Careca espetaculares . Havia vários cadeirantes fazendo voos de parapentes. Todos os voos eram junto com profissionais. Num deles, devido às condições do vento, foram necessárias várias tentativas para o pouso, o que me pareceu trazer uma certa tensão para o público que acompanhava. Depois desci, fui à Praia do Buraco e tomei nela um delicioso banho de mar. Caminhei para o fim da praia e peguei o deck norte. Aí começou a garoar. Perto do fim do deck, a chuva começou a engrossar 🌧️ e eu arrumei um local para me abrigar, um local coberto do outro lado da avenida em que jogavam baralho, dominó e bocha. Após passar a chuva fui ao Hostel In BC Bar (https://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g680306-d15118480-Reviews-Hostel_In_BC-Balneario_Camboriu_State_of_Santa_Catarina.html), que havia reservado pelo Booking. Fiquei hospedado por R$ 52,25 a diária com cartão de crédito, com direito a café da manhã. O hostel era dirigido por Polaco e sua esposa Aline, que tinham uma filha chamada Natália. Havia bastante gente no hostel, incluindo uma família de 15 pessoas de Minas Gerais e interior de São Paulo, pessoas de Franca, Santo André, São Carlos, Caraguatatuba etc. Após instalar-me fui dar uma volta na orla e ver a iluminação natalina. Havia enfeites e uma árvore de Natal (neste dia apagados) na praça central e toda uma sequência de luzes no Molhe da Barra Sul, culminando com uma espécie de globo. Só achei estranho as placas de cuidado com a alta tensão ⚡, pois a chance de uma criança não ver e tocar me pareceu enorme. Devido à chuva, apareceram 2 arco-íris 🌈 no mar e nas montanhas, que fizeram uma imagem de que gostei 👍. Pude ver o pôr do sol 🌇 a partir do molhe e depois da praia, o que me agradou bastante, apesar dos prédios altos que tapavam um pouco a visão. Após escurecer foi possível ver a orla toda iluminada e perto do deck norte, já quando estava no fim da volta, ver outra árvore de natal, esta toda iluminada. Conversei com alguns hóspedes, jantei arroz feijão, soja, batata, abóbora, chicória, mamão, manga e 2 pães com margarina de sobremesa, tudo trazido de casa.
      No sábado 22/12 fui conhecer Balneário Camboriú. Já havia conhecido as praias da Rodovia Interpraias em uma viagem anterior, então estas ficaram de fora desta vez. Achei o café da manhã muito bom , com diferentes tipos de pães (Polaco disse que compraria um especialmente para mim, que estou evitando produtos que causem sofrimento a animais), frios, frutas, bolos, suco, café, leite etc. Valia por um almoço. Primeiramente fui andar um pouco pelo deck norte e as trilhas que ficavam perto, chegando até a Praia do Buraco, para apreciar a área com mais calma, posto que na chegada a chuva me fez passar por este trecho com rapidez. Depois fui conhecer os itens urbanos (igrejas, teatro, universidade, prefeitura, câmara e fórum), além do Cristo Luz, que estava fechado quando lá cheguei (às 12:15) e só abriria as 16 horas. Acabei ficando sem entrar nele. Mas não sei se pagaria os R$ 20,00 (até as 19 hs ou R$ 35,00 após este horário) depois de ter visto tantas paisagens espetaculares gratuitamente a partir de vários morros. Por fim fui ao Parque Ecológico, que também estava fechado 😞, embora tenha chegado no horário correto. Provavelmente era por causa da época do ano. Pouco antes de chegar a ele peguei algumas acerolas no chão, que estavam muito boas 👍. Este passeio valeu para conhecer parte de Balneário Camboriú que não é destinada a turistas 👍. Então decidi ir ao Morro do Boi, mas logo desisti, pois me disseram que o acesso era pela BR-101 e me desinteressei. Como era caminho, cruzei a ponte na estrada e fui até o outro lado do rio. Já havia passado por lá em viagem anterior, mas desta vez pude apreciar a vista com mais calma e ver detalhes do local. Passei pela Ponte Estaiada, apreciei demoradamente a vista 👍 e voltei para a Praia Central. Depois caminhei novamente pela praia, parei, fiquei lá apreciando o mar e a vista, tomei 3 banhos de mar e depois fui novamente ver a árvore e os enfeites da praça central, que desta vez parecia que iriam ser acesos. Porém ocorreu algum problema e a árvore apagou. Esperei um pouco e como não acendeu fui embora, voltando para o hostel, pois já estava anoitecendo. No meio do caminho a árvore acendeu e eu voltei para vê-la . Pude entrar nela e vê-la de dentro, o que foi interessante 👍. Ainda fui procurar um local para ver o Cristo Luz de longe, pois os prédios impediam a visão. Ele estava iluminado e alternando de cores, num espetáculo que achei muito bonito . Após apreciar novamente a orla, que achei bela de dia e de noite 👍, voltei para o hostel e jantei o mesmo que no dia anterior, sem os pães no final. O pessoal do quarto saiu para casas noturnas e eu dormi boa parte do tempo só e não quis ligar o ar condicionado.
      No domingo 23/12 fui para Canelinha. Após o novamente muito bom café da manhã, arrumei-me e parti. A caminhada prometia, pois pelo mapa eram 52 km. Saí perto de 9:30. Devido a algum problema no celular, não consegui enviar mensagem pelo celular para o hotel em Canelinha e fiquei meio preocupado devido à época do ano. Peguei um pouco de chuva leve no início do caminho, que apertou um pouco após eu pegar a BR-101, tanto que acabei usando a capa por cerca de 30 minutos a 1 hora. Depois parou e abriu o sol. Pude ver algumas belas paisagens de praias e mata a partir da BR. Cruzei o Morro do Boi, mas como não cheguei ao topo, não consegui grandes vistas a partir dele. Houve alguns trechos na mini serra em que o acostamento era bem estreito. No resto ele geralmente era bem amplo. Tive um pouco de dor nas costas, nada grave, e fiz bolhas nos pés, provavelmente por causa do modelo do chinelo, que tinha a fixação das alças saltadas que pressionavam partes do pé. Tomei 500 ml de água e comi dois pães de forma durante o caminho. Encontrei um passarinho morto (acho que era bem-te-vi) no acostamento. Após sair da BR havia muitos cachorros 🐕 de rua no trajeto e um animal morto na pista. Quando estava cruzando Tijucas, emocionou-me ver crianças de um bairro periférico gritando e correndo muito felizes ao verem o carro do Papai Noel 🎅 chegando , que aparentemente era de associações de comerciantes da região. A estrada de Tijucas a Canelinha apresentou paisagens rurais de que muito gostei. Logo no início vi esta paisagem.

      Antes desta foto, como a câmera estava apresentando erro, reiniciei o celular e aí as mensagens foram para o hotel, que me respondeu dizendo que estava tudo certo. Mais para frente, já chegando em Canelinha, houve esta paisagem.

      Cheguei perto de 19:30, ainda com dia claro. Cansei um pouco da caminhada. 50 km é mais do que a minha média regular. Havia uma família de cerca de 9 pessoas negociando a estadia e sendo atendida na recepção do hotel e eu os esperei. Creio que decidiram ir embora e aí fiz minha entrada. Era o Hotel Prime (https://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g2578183-d12716553-Reviews-Prime_Hotel-Canelinha_State_of_Santa_Catarina.html), em que paguei R$ 50,00 com cartão de crédito pela diária com direito a café da manhã, quarto privativo com banheiro, TV e ventilador. Cauã, um jovem adolescente, atendeu-me, sendo prestativo. O quarto tinha vista para rua, apesar de um pouco bloqueada pelo supermercado ao lado. Depois de me instalar fui fazer compras no Supermercado Macris (http://macris.com.br) por R$ 4,95 (goiabada, 2 bananas, 2 cenouras, 2 chuchus, 4 limões e 4 cebolas) com cartão de crédito e depois fui visitar a praça central, que tinha um prédio público iluminado e luzinhas natalinas em árvores 👍. Jantei sanduíches 🥪 de abóbora, mamão, limão, chuchu, cenoura e cebola, com banana e pão com goiabada de sobremesa.
      Na 2.a feira 24/12 fui para Nova Trento. O café da manhã foi muito bom , com alguns tipos de pão, manteiga, frios, frutas, bolos, sucos, café, leite etc, preparado por Patrícia. Primeiramente visitei a igreja em Canelinha, que no dia anterior estava fechada e depois saí perto de 10:45. Atrasei porque fiquei enviando as mensagens de Natal . Achei que a estrada de Canelinha a Nova Trento tinha paisagens naturais belas 👍. Foram aproximadamente 18 km. Cheguei perto de 14:15. Carlice, atendente da Pousada CEIC (https://ceicsc.com.br), recebeu-me lembrando-me da conversa que havíamos tido por e-mail para fazer a reserva. Paguei R$ 65,00 (já havia feito depósito de R$ 32,50 quando reservei e paguei os R$ 32,50 que restavam com cartão de crédito) por uma diária na ala da espiritualidade, num quarto privativo, com ar condicionado e banheiro, sem TV (porque era para retiros) e sem direito a café da manhã. Mas Carlice informou-me que me seria concedido o café da manhã como cortesia, como presente de Natal . Acomodei-me e fui visitar a igreja matriz e depois fui ao Supermercado Archer (https://www.archer.com.br), onde comprei R$ 5,71 (pepino, laranja, abobrinha e pão de aipim). Após chegar à cidade fiquei sabendo que a mãe de uma amiga espanhola havia morrido. Sua voz parecia um pouco fragilizada. Quando voltava do supermercado um beija-flor 🐦 parou na minha frente e ficou bicando uma flor em uma árvore. Achei muito interessante a coincidência da vida que flui e reflui, como um sinal, sincronicidade. Informei-me sobre um outro santuário que descobri que existia na cidade e saí para o Santuário de Madre Paulina (https://www.santuariosantapaulina.org.br), que ficava a cerca de 6 km. Achei bonitas as paisagens no caminho para o Santuário, incluindo cascatas, hortênsias, mata etc 👍. Uma foto da paisagem segue.

      O Santuário ⛪ pareceu-me enorme, com um templo bem alto e amplo, vários outros pontos de visitação (oratórios, cascatas, casebre histórico, capela, colina, velário e muitos outros) . Visitei quase todos os que constavam no mapa e depois fui assistir à Missa de Natal. Foi uma celebração especial com encenação de Maria e José, músicas específicas de Natal e a colocação de Jesus no presépio. Houve coral e pequena orquestra natalina. Gostei bastante da celebração 👍, que tinha bastante gente. Depois, ao sair, já à noite, pude ver o templo todo iluminado, conforme foto a seguir.

      Saí para voltar andando cerca de 21:30 e não tive nenhum problema. Quando cheguei à cidade passei pela praça para ver a iluminação de Natal 👍. Cheguei na pousada quando Carlice estava trocando de plantão, e ainda tive tempo de lhe desejar feliz Natal. Jantei sanduíches 🥪 de pão, manteiga, cenoura, limão, cebola, abobrinha, chuchu e abóbora, e banana e goiabada de sobremesa.
      Na 3.a feira 25/12 fui conhecer o outro santuário e voltei ao Santuário de Madre Paulina. Luís atendeu-me de manhã e me relembrou que o café era cortesia. Fui tomá-lo e o achei excelente . Era um enorme buffet, com vários tipos de pães, manteiga, margarina, queijos, frios, bolos, cuca, panetone, doces, iogurte, sucos, café, leite etc. Tomei o café sozinho. Havia mais 3 hóspedes, mas ainda não haviam descido. Após terminar, Luís explicou-me os pontos a visitar dentro da pousada e comecei indo conhecer uma exposição na casa em que Paulina havia recebido seus votos, contando como foi sua trajetória. Depois fui visitar um local chamado de calvário, que ficava no quintal da pousada e tinha as passagens da Via Crúcis. Visitei também a capela e o jardim. Luís deu-me um presente de Natal, que o CEIC estava ofertando aos seus hóspedes no Natal 👍. Depois aprontei-me, combinei com ele de deixar minha mochila na recepção e pegar à noite e fui conhecer os pontos da cidade. Fui primeiramente ao Santuário de Nossa Senhora do Bom Socorro ⛪. Começou uma garoa fina, mas nada que incomodasse. Achei a temperatura agradável (mais de 20 C). No caminho, que era uma enorme subida, havia um Museu Italiano de Pulgas, que olhei por fora e foi possível encontrar pontos com ampla vista. Pena que estava um pouco encoberto e não deu para ver tudo. Encontrei um rapaz que havia visitado o santuário e estava descendo. Ao chegar lá pude visitar o santuário por fora. A igreja estava fechada. A vista pareceu-me muito boa 👍. Não pude ver tudo porque havia muitas nuvens, mas deu para ver até uma parte do litoral. Após sair de lá fui para o Calvário, que ficava num morro afastado 1 ou 2 km do centro. Achei-o interessante, com as passagens da Via Crúcis. Havia uma capela anexa, mas estava fechada. A vista de lá também foi interessante, mas o morro era baixo. Reencontrei o rapaz do caminho do Bom Socorro indo para o Calvário quando eu já estava voltando. Saindo de lá voltei ao Santuário de Madre Paulina para conhecer os pontos que não havia tido tempo de ver no dia anterior e para rever o Santuário, de que havia gostado muito. A Colina estava fechada porque era Natal e os funcionários estavam de folga. O Caminho Mariano, outro ponto que tinha faltado, estava aberto. Além de tê-lo achado belo, a vista a partir dele agradou-me bastante 👍. Lá encontrei uma família de Chapecó, cujo pai e marido trabalhava com sistemas para o agronegócio. Novamente gostei muito do santuário e fiquei admirando o interior do templo e a vista de fora . Tentei conseguir carona sem sucesso. Voltei a pé até Nova Trento, desejei feliz Natal para o atendente Cláudio, que havia substituído Luís e rumei para Canelinha. No caminho ainda visitei a Capela de Santa Ágata, histórica. Novamente apreciei a paisagem. 6 km antes de Canelinha, repentinamente apareceu uma moça de motocicleta na minha frente e me perguntou se eu queria carona, dizendo que tinha capacete para o passageiro. Como eu estava andando no acostamento da contra mão, ela precisou fazer a volta para ir me perguntar. Disse que tinha me visto e achado que eu iria para Canelinha. Fiquei surpreso e disse que tinha um pouco de receio porque havia queimado a perna numa carona de moto. Ela falou que bastava tomar cuidado e eu aceitei. Levou-me até a porta do hotel e ainda me ofereceu um pacote de biscoitos que havia ganho, que eu recusei. Economizou-me quase 1 hora e me fez não andar no escuro completo na estrada . Agradeci muito e lhe disse que em São Paulo seria inimaginável uma mulher sozinha parar sua motocicleta na estrada, já escurecendo, para oferecer carona a um homem estranho com uma mochila nas costas . Após chegar ao Hotel Prime (o mesmo de antes, pagando o mesmo valor de diária – R$ 50,00 – e ficando no mesmo quarto, com as mesmas condições) e me instalar, fui jantar e chegou Márcia, uma amiga que eu havia conhecido numa viagem 2 anos antes, na caminhada da Enseada do Brito até Balneário Camboriú. Conversamos longamente durante o jantar (que foi de sanduíches 🥪, laranja e goiabada) sobre a vida, viagens, trabalho e Canelinha e ela me deu várias sugestões de passeios a fazer no dia seguinte. Na despedida ainda me deu uma caixa de bombons de presente 👍. Antes de dormir fui dar uma volta na praça e rever a iluminação natalina.
      Na 4.a feira 26/12 fui para Tijucas para pegar a carona do BlaBlaCar (https://www.blablacar.com.br) para São Paulo. Inicialmente tomei o café da manhã. Não havia mais pães, pois a padaria estava fechada e provavelmente os outros hóspedes haviam comido o que restou. Fui ver se o supermercado estava aberto e como estava, perguntei a Cauã se poderia comprá-los. Ele foi e trouxe pães integrais, conforme minha preferência 👍. Então saí para ir conhecer os pontos de que Márcia havia falado, a Igreja de Santana, o Casarão dos Santana e a pista de motocross. Achei a vista do morro onde ficava a igreja muito boa e bonitas as paisagens naturais nos caminhos 👍. Voltei ao hotel, peguei a mochila, despedi-me de Cauã e fui rumo a Tijucas. Novamente apreciei a paisagem. Num determinado trecho, um veículo (acho que era um pequeno caminhão) passou por mim rapidamente e meu boné voou. Quando fui pegá-lo uma aranha média (não era minúscula, mas também não era grande) entrou nele. Tirei-a e ela pulou de volta . Coloquei o boné no chão na vegetação e a estimulei a sair e ela se foi para o mato. Chegando em Tijucas visitei o local onde ficam os dinossauros, que estava com enfeites natalinos próximos. Andei pela margem do rio e visitei a igreja. Revisitei casarões que havia visitado na viagem anterior e fui para a Igreja Nossa Senhora dos Navegantes, que estava fechada. Pensei em ir à praia, mas achei que ficaria tarde. Resolvi então passear pela margem do rio. Segue uma foto dele.

      Depois fui à padaria para comer 4 pães antes de ir esperar a viagem. Paguei R$ 1,40 com cartão de crédito por eles e os comi lá mesmo, junto com a margarina que eu tinha. Depois fui esperar a carona no local combinado, que era um posto Ipiranga na lateral da BR-101. A carona foi com Mateus, que devido ao trânsito em Florianópolis, chegou 2 horas depois do combinado. Mas como conversamos por whatsapp, esperei sem problemas. No carro já havia um casal que vinha de Florianópolis e foi até Curitiba. Lá outro casal subiu para vir até São Paulo. Mateus tinha saído de Porto Alegre e vinha até São Paulo. Saímos de Tijucas perto de 18:30 e Mateus deixou-me em casa como combinado perto de 4 horas da manhã de 5.a feira 27/12. Durante a viagem conversamos bastante sobre muitos assuntos, a partir de certo ponto eu já estava com bastante sono 😴, mas não dormi. Paguei R$ 96,00 em dinheiro.

       
    • Por gmussiluz
      Fala pessoal, trazendo mais um relato pelo litoral baiano, dessa vez um pouco mais ao sul. O trecho que fiz saindo de Itacaré em direção a Barra Grande me motivou a fazer outro logo! hehehe (http://www.mochileiros.com/itacare-algodoes-a-pe-t141705.html)
      Idealizei essa travessia desde o carnaval, para realizar em abril, coincidindo com as férias, e fazendo um planejamento simples, por se tratar de um trecho curto. Serra Grande fica situada entre Ilhéus e Itacaré, e é uma pequena cidade que tem se desenvolvido mais atualmente, com surgimento de empreendimentos e inciativas com uma abordagem mais ecológica. Assim como toda a região, tem muitas opções de aventura, atividades ao ar livre e em contato com a natureza, oferecendo paisagens paradisíacas de rios, cachoeiras, costões rochosos e praias desertas.
       
      PLANEJAMENTO

      Idealizei fazer esse trecho saindo do pé da serra e contornando o costão rochoso pra então seguir pela areia até a praia da Engenhoca ou Jeribucaçu, isso tudo me baseando em muita pesquisa, vendo alguns vídeos do local no YouTube, imagens de satélite no Google Maps e fotos que procurava pela internet. Morei em Ilhéus minha vida quase toda e frequentava muito Itacaré, sempre de passagem por Serra Grande, mas nunca atento aos detalhes que eu precisava saber pra fazer esse trecho, principalmente do costão, (grau de declividade, distância "caminhável" entre a encosta e a água durante a maré seca, regularidade do solo nas rochas, entre outros) e, por esse motivo, o contorno do costão foi na completa aventura, já que essas pesquisas não me davam noção exata desses detalhes e não conheço ninguém que pudesse me dizer, me precavendo apenas com um tênis, que foi essencial! Entretanto, caso não fosse possível fazer esse trecho, subiria Serra Grande e desceria a trilha pro início da praia, local que inclusive já fui há um tempo. Pelo Google Maps/Earth, o trecho do pé de serra até Jeribucaçu deu um total de 16,3Km. Tinha observado um rio pequeno desaguando no trecho (Barra do rio Tijuípe) e, assim como qualquer caminhada de praia, é imprescindível que saiba a maré ideal pra o local que vai, que nesse caso seria seca. Isso pode evitar perrengues ou complicações (que vou citar a seguir! hahaha). Apesar de o trecho ser relativamente curto, não tenho costume de fazer grandes caminhadas e não sabia se dormiria no caminho ou se daria pra terminar em um dia, então levei a barraca. Como sempre tem muuuito coqueiro, acredito que fazer um trecho desse com rede e cobertura (lona, tarp...) deve ser uma boa, já que reduz o peso e volume da mochila. Além disso tudo, como já conhecia o início da praia, sabia que teria pelo menos um trecho de praia com declividade grande e areia grossa fofa (praia predominantemente refletiva), sabendo que seria hard caminhar nessa condição!
       
      ORGANIZAÇÃO
      De férias em Ilhéus, já tinha visto com muita antecedência o dia bom com maré seca pela manhã, para ter mais área de areia pra caminhar e um amigo iria comigo, mas cancelou na noite anterior ao dia combinado. Fiquei no impasse de ir sozinho ou cancelar de vez, mas a vontade era muita e me organizei pra ir sozinho no dia seguinte ao combinado. Consegui carona com outro amigo e tudo foi dando certo pra fazer nesse dia mesmo. Estava com uma cargueira de 35L.
      (Não levei minha câmera dessa vez, e a GoPro afogou uma semana antes, num acidente enquanto surfava . As fotos ficaram por conta do celular mesmo).
       
      CAMINHAR!

      A minha carona avisou que sairíamos de Ilhéus às 7h, me animei porque saindo essa hora a programação com o horário da maré ia encaixar tranquilo, entretanto acabamos saindo mais tarde, aproximadamente às 8h30. Chegando no pé de serra, me preparei e saí: camisa de manga comprida, óculos escuro e tênis! Do jeito que era acidentado, se caminhasse no costão descalço, chegaria sem pé . Saí às 9h50. O costão é acidentado em praticamente todo o contorno, mas em alguns trechos tem trilhas mais acima, que ficam na parte com grama, no pé dos coqueiros, inclusive já mostrando que passa gente por ali com certa regularidade, porque a trilha é bem marcada, provavelmente pelos pescadores que vi. Em algumas partes, caminha-se em parede quase vertical, e o "bastão de caminhada" (cajado de madeira hehehe) que achei no início me ajudou muito no apoio. A maré já estava cheia a um ponto considerável e cheguei a tomar alguns "sprays" das ondas em trechos mais estreitos, mas nada que pusesse a caminhada em risco, é sempre bom prezar pela segurança, ainda mais sozinho! Depois de andar mais um pouco sobre as rochas, surge um caminho bem fechado entre palmeiras baixas, que seguia até uma pequena praia onde vi algumas pessoas chegando e que aparentemente não tem acesso difícil, seguida por um grande gramado liso com coqueiros espaçados (gramado perfeito pra um camping! haha).

      Mais à frente, algumas piscinas naturais se formam entre as rochas, o visual é sempre convidativo e é tentador parar em cada lugar pra curtir um pouco.

      Depois, mais uma pequena (essa é beem pequena, com uns 10m de extensão!) praia paradisíaca com cara de cenário de filme/série, onde tinha uma família (4 pessoas), aparentemente da comunidade de Serra Grande, pescando. Dali pra frente, só mais um pequena parte e acabou o costão rochoso. O contorno do costão foi um trecho curto, mas bem puxado!

       
       
      Havia um pescador no início da praia, e era visível também muitos pontos de desova de tartaruga. Caminhei uns 100m até um lugar bom pra parar, me hidratar e comer algo pra então sair e iniciar a grande caminhada pela areia. Alguns metros depois, uma lagoa espelhada se destacou mais pra trás, muito bonita e parece ser um bom lugar pra acampar.

      Daí pra frente, o trecho segue praticamente o mesmo, com algumas casas bem grandes, mas vazias, dunas pequenas sempre beiram a praia e segue assim praticamente até chegar ao rio. Em cima das dunas se vê muitos mandacarus, e alguns tinham frutos que eu, com certeza, peguei pra comer! Quem conhece sabe como é bom e deve imaginar como foi bom esse achado! hahaha (importante não comer nenhum fruto se não conhecer! É melhor morrer de fome do que de envenenamento ).

       
      O RIO!
      Quando cheguei no rio tomei um susto! Tinha chovido um pouco nos dias anteriores, mas não imaginei que tivesse aquela intensidade de fluxo...pra dentro do rio! A maré estava enchendo e as ondas quebravam e entravam com força. A travessia era bem curta,15 a 20m. Dois pescadores estavam jogando tarrafa no rio e ainda de longe vi que um deles estava atravessando com água quase no pescoço e dava algumas braçadas pra conseguir andar e vencer a correnteza. Do lado de cá, chamei eles e gesticulei com a mão, perguntando em que altura estava a água, quando um deles fez o nível acima da cabeça. Nessa hora, tive uma breve certeza de que acamparia do lado de cá do rio, pra na manhã seguinte, na maré seca, atravessar e continuar. Larguei a mochila na beira e resolvi checar por conta própria, dando uma analisada visualmente antes, pra ver onde parecia estar mais raso. A correnteza estava forte, a areia era fofa e afundava o pé até um pouco acima do tornozelo e as ondas não paravam de entrar, andei até a metade e atravessei o resto com ajuda de braçadas, assim como o pescador. Do outro lado, dei uma olhada melhor, fui mais pra frente, voltei, fui de novo, olhei, olhei e atravessei traçando uma diagonal até o outro lado, dessa vez com a água no peito, chegando ao ombro. Dei uma pensada e confesso que quaase fiquei por ali mas, além de ter achado um local mais raso pra atravessar (mas ainda assim arriscado), ainda era cedo, 12:10! Única coisa que estragaria realmente se acontecesse de molhar a mochila acidentalmente, seria o celular, pois o resto era "recuperável" (claro que seria terrível molhar a barraca, mas é mais fácil de enxugar e recuperar). "Embrulhei" o celular em duas sacolas plásticas, pensei mais um pouco e resolvi atravessar segurando a mochila acima da cabeça pelo caminho que tinha traçado. Sim, deu tudo certo, mas foi bem hard hahaha, a mochila estava com um peso considerável, e todos os outros fatores dificultaram bastante também. Atravessei e deitei na água na "lagoa" que se formava do outro lado, muuuito boa pra tomar banho e além dos pescadores na beira do rio, só estavam duas meninas com uma mulher tratando uns peixes, à qual pedi pra tirar uma foto minha .
      (link com um vídeo curto que fiz do rio, depois de atravessar:
      )
      -Observação 1: muito importante analisar as condições do rio, bem como do local e o seu preparo e conhecimento de corrente, maré e etc., PRINCIPALMENTE ESTANDO SOZINHO. O risco de se afogar existe até para os mais experientes mesmo nas condições mais desprezíveis e a análise dos riscos podem livrar de um perrengue. Além da correnteza jogando para dentro da lagoa do rio, a profundidade era pouca, tenho boa natação, não atravessei preso à mochila (poderia largar para nadar) e haviam pessoas ali. Na dúvida, é melhor não arriscar!
      -Observação 2: por mais que tenha visto a desembocadura do rio pelas imagens do Google Earth, esse ambiente tem um perfil que está constantemente sujeito a mudanças causadas pelas forçantes locais como: ondas, maré, fluxo do rio, entre outras. O perfil que encontrei lá pessoalmente, já estava BEM diferente do que observei pelas imagens então, é bom estar preparado para isso (olhando as imagens históricas do Google Earth, vi que nas imagens de 2010 a desembocadura chegou a ter aproximadamente 100m de uma margem à outra, aparentemente com uma profundidade considerável, condição praticamente impossível de atravessar sem ajuda de um barco ou algo do tipo!).
       


       
      Dessa parte em diante, a praia já fica menos inclinada e em vez de dunas, uma mata fechada com muitas palmeiras e coqueiros beirava a praia, e seguiu assim até chegar num "morro" pequeno que debruçava na água, com um riacho na lateral (um pouco antes disso, vi um esqueleto de baleia realmente grande!).

      Comecei a subir o morro por uma trilha, que tinha uma cerca com uma passagem, mas na dúvida se também teria passagem do outro lado, resolvi voltar e contornar por baixo.

      Depois de contornar o morro, um coqueiro baixo com um cacho de cocos chamou minha atenção e não resisti em subir e tirar: bebi muita água de coco e segui. Nessa parte depois do morro, tinha também uma cerca com uma propriedade imensa com uma casa e até alguns cavalos pastando!

      A partir daí, algumas casas de alto nível, depois o resort Txai e a praia de Itacarezinho, onde vi que não tinha possibilidade de contornar o costão rochoso para a Engenhoca, porque tem uma declividade muuito acentuada.
      Me informei da trilha que sai dali para a Engenhoca, tomei um banho gelado na bica e segui. Nunca havia feito essa trilha de Itacarezinho pra Engenhoca, e é uma trilha bem fácil e bonita.

      Antes da Engenhoca, ainda se passa por duas praias, a primeira (pelas pesquisas, o nome parece ser Camboinha) estava deserta, e a segunda é a Havaizinho, conhecida, que tem estrutura bem simples de barraca de praia, dali pra Engenhoca é um pulo, mais dez minutos e finalizei o percurso na Engenhoca mesmo, às 15h15, totalizando 5h25 de percurso. Já era fim de tarde e cheguei à conclusão que não valeria a pena dormir ali para no outro dia só fazer o trecho até Jeribucaçu.

       
      Atualização: fiz uma estimativa do tempo parado, me baseando em fotos que havia feito na hora de cada parada longa e quando voltava a caminhar. Como além das paradas longas parei algumas vezes rapidamente pra tirar fotos e não contei o tempo, estimei um tempo somando cada foto. A soma das paradas longas totalizou 1h10min, mais uma estimativa de 20min das paradas curtas, resultando aproximadamente 1h30min de tempo parado. Dessa forma, o tempo efetivo de caminhada estimado foi de 3h50min. Considerando a distância do percurso como 15Km, a velocidade média foi de 3,9Km/h. Espero conseguir comprar meu GPS logo pra ter essas informações de forma mais prática e exata!
       
      O QUE APRENDI NESSA TRAVESSIA:
      -Nunca tinha usado "bastão de caminhada" e foi muito útil não só no costão rochoso mas também na praia;
      -Em casos como esse, trocar a barraca por uma rede e cobertura talvez seja ideal;
      -Acondicionar as coisas em sacos estanques dentro da mochila é realmente importante, ficaria menos preocupado no caso do rio, por exemplo;

      EQUIPAMENTOS USADOS:
      -Curtlo Highlander 35+5L
      -Azteq Nepal 2 (não usei)
    • Por Sky Nomad
      Olá a todos! Já faz uns dois anos desde a última vez que publiquei algo do tipo, mas aqui estou novamente com outro relato/documentário em vídeo. Eu aproveitei os dois últimos dias de 2018 para tentar a Travessia do Rio Branquinho, que é uma trilha através das terras indígenas que ligam a Zona Sul de São Paulo à cidade litorânea de Itanhaém. Eu estou sem computador, então o vídeo saiu bem amador e com uma marca d'água, mas acredito que consegui gravar todas as partes mais importantes da trilha (por exemplo, bifurcações, eu cantando e imitando vozes, trechos em que a travessia é feita através do rio, eu falando sozinho, eu tropeçando, eu nadando e eu xingando moscas e reclamando da ausência de cobras e onças).
      O vídeo foi gravado com uma GoPro Hero+, mas o YouTube infelizmente não liberou a resolução HD. Mas a imagem está boa.
       
       


×