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Alone in Floripa

              Fala galera, fiz uma trip solo barateza para Floripa esse mês e gostaria de compartilhar com vocês essa experiência, foi tudo meio que de última hora e improviso, mas são dessas viagens que vêm as melhores experiências. Vou aqui separar pelos dias em que fiquei por lá, qualquer nova informação sobre passeios ou valores vocês podem solicitar aqui ou no meu Instagram, que terá o link ao final e terei prazer em responder. Minha ideia era fazer mais trekking do que visitar praias visto que a previsão do tempo não estava muito ao meu favor, apesar da chuva e dos incríveis 5 minutos de sol nos 4 dias em que estive lá, aproveitei cada segundo da viagem, o lado bom é que voltei com meu protetor solar praticamente cheio.

 

31/10- Dia 1 (Muita chuva e amizades inesperadas)

                  Cheguei bem cedo na ilha e fui para o Mercado Municipal comer alguma coisa, pois estava no ônibus há bastante tempo e a essa hora já estava morrendo de fome. Eu nunca tinha ido em um Mercado Municipal, mas não me impressionei não, porém o lugar é bem organizado, vale a pena visitar se você estiver nas redondezas, pois a rodoviária, o mercado e o TICEN (terminal central dos ônibus) ficam praticamente juntos. Comi uma coxinha de massa de mandioca muito boa, cara pra cacete e sumi, já serviu para desgrudar as paredes do meu estômago e sobreviver até o miojão do almoço.

                   Peguei um busão e segui rumo a Lagoa da Conceição onde ficaria hospedado. Eu costumo sempre andar de ônibus onde vou viajar, Uber é muito bom mas só uso em caso de extrema necessidade, sem contar a economia, e o sistema de ônibus de Floripa é muito bom e fácil de se localizar. Fiquei hospedado no Geckos Hostel,  recomendo muito pois o ambiente é agradável e o povo que trabalha lá é extremamente prestativo, eu o escolhi principalmente pela ótima localização, fica a uns 5 minutos de caminhada do centro da lagoa, deu R$41 por dia sem café da manhã, se quiser o café tem um custo adicional de R$12 se não me engano, eu achei melhor não pegar e fazer o meu próprio café nesse caso.

                  Como cheguei um pouco antes do horário de check-in, resolvi deixar minhas coisas por ali e procurar uma trilha pequena e por perto para fazer já que a chuvinha deu uma trégua. A moça da recepção me indicou a trilha da “Costa da Lagoa”, disse que era pertinho e tranquila. Pois bem, fiz meu banquete (miojão, banana e umas bolachas), peguei minha mochila, minha bota e na saída encontrei outra hospede do hostel querendo sair, convidei ela e fomos juntos. Duas quadras depois do hostel encontrei uma cachorrinha toda molhada e andando sem rumo, como eu adoro cachorro fui lá brincar um pouco com ela e ela resolveu me seguir, pensei que apenas por uns quarteirões mas para a minha surpresa ela não nos abandonou até o final da trilha, como não sabia seu nome comecei a chamá-la de Luna. A costa da lagoa é um bairro que realmente fica na costa da lagoa (ah sério?) então você vai andar com a lagoa de um lado e na maioria do tempo um penhasco do outro, e o único jeito de se chegar lá é pelos barcos que passam de 1 em 1 hora ou então por esta trilha, a maioria do pessoal vai até o fim da trilha andando e volta de barco, era o que eu planejava fazer mas acabou não dando muito certo, mas logo chegamos lá. No caminho tem várias casas e paisagens bem diferentes, como uma floresta de bambu onde fazia um barulho que até dava medo devido ao vento forte, mas para mim que adoro a natureza foi bom demais ficar um tempo ali aproveitando essa beleza, as paisagens são lindas e tem uma cachoeira bem bonita quase no fim da trilha, se estivesse um pouco mais calor eu me jogaria nela mas com o frio que estava achei melhor seguir em frente. 

                    O caminho parece ser decorado pelos moradores que ali residem, as vezes a trilha meio que parece acabar e temos que passar pela casa de alguém, mas isso é tranquilo pois os moradores, pelo menos todos os que eu encontrei, ajudam os turistas perdidos por ali. Então eu fui até o final, eu acho que era o Ponto 23, os barcos paravam nestes pontos para pegar o povo. Chegando no final, depois de quase 3 horas e 11km de caminhada, fui esperar o barco e lá fui informado que cachorros não podem embarcar. Isso já era quase 5 da tarde e nesse dia anoitecia perto das 6 h. Eu não poderia deixar minha companheirinha lá. Ela podia se virar e voltar embora, como também poderia se perder, e no caminho tinham muitos cachorros que poderiam assustar ela. Me senti responsável pelo que cativei, como diz o "Pequeno Príncipe", então sentei no chão, descansei um pouco, comi o que eu ainda tinha de comida, consegui um pouco de ração e água para a Luninha e voltamos, um pouco mais rápidos desta vez. Eu tenho um pouco de medo de ficar na trilha quando anoitece, e para ajudar, meu celular ficou sem bateria e das 2 lanternas que eu havia levado para a viagem, nenhuma delas eu tinha trazido para a trilha. Um pouco de falta de planejamento e de experiência que poderiam ter custado bem caro, pois virar um pé ou se perder na trilha (não neste caso pois era bem sinalizado) por estar sem luz podem acabar se tornando problemas bem sérios em situações como esta.

                   Mas apertei o passo e voltamos bem rápido, com sorte acabamos chegando ao começo da trilha com o sol já se pondo (a última foto mostra a vista de quando saí da trilha), tive muita sorte, mas isso serviu como um aprendizado para as próximas. Por isso uma dica: por menor que seja a trilha tente se planejar antes com o horário, no meio do mato acaba anoitecendo mais cedo por conta das árvores e se você se desesperar ao ver que está longe do fim e com a luz diminuindo, pode acabar se machucando pela pressa ou pela falta de visibilidade e o que era para ser uma aventura acaba se transformando em um pesadelo. Pelo menos eu não estava sozinho dessa vez, diferente do próximo dia que foi outro sufoco, mas depois eu chego lá. Chegamos no hostel, mais exaustos do que o planejado, e veio a parte ruim: me despedir da Luninha. Eu acabo me apegando demais aos cachorros de rua, eles gostam de estar perto de nós, apenas por gostar de nossa companhia, pelo carinho, sem pedir nada em troca e eu valorizo muito isso, me sinto melhor com um cachorro me acompanhando. Depois me disseram que os cachorros da ilha são assim, saem atrás do povo e rodam a ilha caminhando, mas de qualquer jeito foi um pouco triste ver ela indo embora depois de todo esse tempo juntos.

                  Então, depois desse primeiro dia regado de fortes e diferentes emoções, tomei um merecido banho saí para dar uma volta, a Lagoa da Conceição é um lugar muito bom, tem opções para todos os gostos, desde barzinhos, baladas de todos os tipos, restaurantes ou a própria lagoa no meu caso que gosto de andar e tomar uma cervejinha pra rua mesmo, e foi aí que terminei meu dia, apreciando as belezas da Lagoa da Conceição.

                Bom pessoal, esse foi o relato do primeiro dia, seguem as fotos deste dia e posteriormente digo como foram os outros.

 

Forte abraço.

 

 

 

 

https://www.instagram.com/edu_penteado/  

 

 

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01/11- Dia 2 (Um dia bem heterogêneo)

              Então, depois do aperto no dia anterior acordei cedo, mas não tão cedo assim, e resolvi fazer algo mais leve e também inédito para mim: andar de caiaque. A lagoa é um lugar muito calmo e tranquilo tanto para caiaque quanto para SUP, e como o hostel fica pertinho dela fui ver se valia a pena esse negócio aí, peguei o bicho e o levei nas costas mesmo, outro erro, aquela parada é pesada pra cacete, mas tudo bem, vim ao mundo para errar o máximo que puder e nessa viagem eu estava ficando bom nisso. O passeio foi ótimo, apesar do vento e da chuvinha que caiu deu para aproveitar bem, foram cerca de duas horas de passeio. O aluguel do caiaque era R$ 10,00 a hora ou R$30,00 o dia todo, como nunca tinha andado senti muito cansaço nos braços, então voltei meio rápido para devolvê-lo e tentar ir para a Barra da Lagoa andar pro mato, que é isso que nóis gosta de verdade. Outra coisa, acabei molhando um pouco, bem pouco mesmo minhas roupas e tive que lavá-las no mesmo dia, a água da lagoa tem um cheiro muito forte de peixe morto misturado com... seilá, pensem em algo bem fedido, em alguns pontos mais do que em outros, por isso tem tão pouca gente na água por lá (na 3ª foto da pra ver que não é tão limpinha assim).

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              Então, por volta de meio dia saí do hostel, já sem o cheiro de peixe morto, arrumei minha mochilinha agora com lanterna, uma calça estilo do exército – pois ela é extremamente resistente, e comida, muitas frutas e bastante água. Peguei um latão até a Barra e assim, eu sou do interior do Paraná, não estou acostumado com essas coisas então, qualquer passeio de ônibus pela ilha e eu ficava bestificado com as paisagens, ficava feito uma criança sendo levada para passear, olhava pra um lado, para o outro, tirava foto de tudo e sorria para qualquer morro ou clareira onde via o mar ou lagoa , um completo idiota apaixonado pela natureza e pelas coisas simples que a vida nos trás, e estas ,completamente de graça. Bom, cheguei ao ponto final e fui em direção ao Projeto Tamar ver umas tartaruguinhas, é pertinho, dá uns 10 minutos a pé. A entrada também é barateza, se não me engano não chegava a R$10,00 a meia. Entrei, dei uma volta, tirei umas fotos e vazei, pois meu objetivo não era turismo de turista e sim entrar no mato pra sofrer um pouco.

              A Barra é bem bonita, praia limpa, e tem a entrada da Lagoa que tem uma água em um azul belíssimo. Passei a ponte e segui para as “piscinas naturais” que praticamente é uma barreira de pedras que fazem com que o mar fique menos agitado nessa região, porém o mar tava meio agitado demais e não deu para entrar, pouco antes disso tem como se fosse um mirante, umas pedras bem altas que dá pra ver até algumas praias mais ao norte da ilha, muito bonito e também foi onde eu vi um golfinho nadando não muito longe de uma tartaruga. Fiquei novamente bestificado, gritei avisando umas meninas que estavam saindo dali e talvez não tivessem visto essa cena, então uma delas me disse “– pois é, eles sempre estão aí.” virou as costas e foi embora. Novamente me senti um completo idiota do interior. Bom, na minha cidade não tem golfinho, então me sentei e fiquei ali os observando por mais algum tempo.

 

 

 

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               Agora a trilha, para chegar desde a ponte até as piscinas é uma caminhada de cerca de 20 minutos bem tranquila, mas depois, bem, depois eu não sei pois entrei na trilha errada. Isso mesmo, consegui me perder antes mesmo de começar. A trilha começa nas piscinas naturais, dá a volta no morro, sobe a Pedra Da Boa Vista e termina na praia da Galheta. Mas como a única trilha que encontrei foi um carreirinho pelo meio do mato, resolvi segui-lo, e ao invés de dar a volta no morro eu acabei subindo ele, quando eu vi, já não tinha mais trilha na minha frente e eu estava no meio do mato sem saber onde estava, e desta vez eu só estava acompanhado da minha mochila. Pois bem, quando vi que estava completamente perdido sentei no chão, botei minha calça, aquela calça que só estava fazendo peso na mochila, vesti minha camiseta, que nesse dia tava muito quente mas eu precisava vestir ela, pois ia ter que praticamente abrir uma trilha, peguei meu celular e por sorte o GPS funcionou bem. Então eu tentei seguir uma linha reta onde eu achava que a trilha ia passar e fui, mais ou menos 1 hora abrindo trilha no chute e cagado de medo, que não foram poucas as vezes em que pisei no mato e vi ou ouvi uma cobra saindo dele. Mas na primeira vez eu já peguei um galho e ia batendo antes de pisar para tentar assustá-las e caso fossem morder que mordessem o pau e não meu pé.

                Então, quando já tava quase desistindo de encontrar e pensando em voltar, mesmo também não tendo certeza do caminho de volta, encontrei a trilha principal, e isso foi uma alegria enorme. Eu estava no alto de um morro, saindo do mato em uma clareira que tinha uma vista linda para o mar e para as pedras lá em baixo. Fiquei muito feliz pela minha estratégia ter dado certo pois não saberia o que fazer se tivesse que tentar voltar de onde estava. Segui então para a Pedra da Boa Vista, e o nome realmente faz jus à sua reputação, a vista é sensacional, tanto do mar de fora quanto da lagoa, do mar e das praias no lado de dentro, eu acho que foi a vista mais bonita que eu tive em toda a ilha. É nessas horas que eu vejo que cada arranhão, cada sufoco, cada gota de suor que eu via caindo do meu rosto, riscado pelos galhos enquanto eu abria um caminho no meio do mato, valeram a pena. Você não pode ignorar as dificuldades que a vida te trás, talvez ter ficado lá em cima sentado e fazendo meu lanche não tivesse sido tão prazeroso se eu não tivesse passado ralado tanto pra chegar lá, nós valorizamos bem mais as coisas na dificuldade, a dificuldade nos fortalece. E como eu adoro sentar e comer qualquer coisa olhando para um lugar belo, fiquei lá por alguns minutos, as fotos pelo celular não conseguem trazer a completa beleza do lugar, só estando lá para perceber.

 

(nestas duas primeiras fotos dá pra ver parte da trilha do dia anterior, começa do outro lado, no meio da foto, naquele aglomerado de casas e termina, olha, eu não sei onde termina, mas pelo que eu vi no mapa, é pra frente daquela pequena vila no canto direito da segunda foto)

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                   Depois do merecido descanso era hora de descer, a descida é um pouco longa mas com o visual sensacional de sempre, visual este que eu não me cansava de apreciar, a saída fica na Praia da Galheta, linda demais mas não tirei muitas fotos, pois por ser uma praia de nudismo é melhor não arriscar aparecer uma gereba no meio dos arbustos, e também que é proibido, eu acho. Como estava um pouco frio e a praia quase deserta eu resolvi me molhar um pouco, não havia levado roupa para isso, mas também, nem precisava. Mergulhar pelado é bom demais, e o melhor de tudo é que das poucas pessoas que estavam ali, ninguém tava nem aí pra mim naquele, estado natural. Atravessei a Galheta, e no final dela tem uma pequena trilha para a Praia Mole, depois disso fui a pé mesmo para o hostel, bem longe por sinal, dá uns 6 km, mas eu não ia pegar 4 pila em um ônibus quando eu podia andar.

 

 

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                  Depois do banho resolvi que ia conhecer um lugar chamado The Wine Pub no centro da cidade, quando estava saindo conheci um pessoal e fomos todos juntos, eu já tinha ouvido falar bem do lugar, mas não imaginava que a experiência seria tão boa assim. A recepção, o lugar, o sistema, as companhias, tudo foi sensacional. Para quem não conhece vou falar um pouco sobre: eles utilizam maquinas chamadas “WineStation” onde eles botam a garrafa e vendem pequenas porções com preços proporcionais a garrafa dela, então vão ter doses de 30 até 150ml onde você pode pagar de R$9,00 até R$ 250,00 a dose. É uma ótima oportunidade para quem aprecia vinhos diferentes, ou para pessoas como eu, que não entendem absolutamente nada mas gostam de um vinhozinho. De qualquer jeito foi uma ótima experiência, bem diferente da próxima, onde vimos uma placa bem grande escrito “Rodízio de Pizza por R$25,00” e caímos feito um lambari vendo uma minhoca no anzol kkkkk. Mas vamos falar de coisas boas e não deixar essas experiências ruins atrapalharem um lindo dia.

 

 

 

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                   Depois disso, novamente terminei meu dia na Lagoa, tomando uma cervejinha e caminhando por lá, porém, agora com meus 5 novos amigos. Bom esse foi o segundo dia e quase que o mais cansativo, se alguém quiser informações sobre coisas boas, ruins, valores ou qualquer coisa é só dar um grito.

 

Obrigado por lerem até aqui, acho que amanhã eu posto como foi o último dia,

Abraço.

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02/11 3º dia (Mais uma caminhada e o sentimento de partida)

           O terceiro dia eu guardei para fazer a trilha da Lagoinha do Leste, é uma das mais “pop’s” da ilha, muita, mas muita gente a faz. Eu saí bem cedinho da Lagoa e segui de ônibus para o sul da ilha, o Pântano do Sul. Deu cerca de 2 horas de viagem, bem longe o negócio. A minha intenção era fazer a trilha até a praia, atravessando o morro, depois subir no morro da coroa, onde o pessoal tira aquelas fotos bonitas, e depois ir embora pela trilha da praia do Matadeiro, o contrário da maioria das pessoas. Por que eu a fiz assim? Realmente não pensei nisso.

            O ônibus para bem na frente da entrada da trilha, mas antes de subir resolvi comprar comida em um mercadinho ali perto. Como sempre, comprei algumas bananas, laranjas e porcarias como bolacha. A trilha é bem sinalizada e praticamente não tem como se perder, um grande alívio, visto o aperto que tinha passado no dia anterior. Apesar de ser curta não é muito fácil não, pois a subida é bem íngreme e cheia de buracos, quase virei o pé quando fui dar um passo e vi uma cobra entrando em um buraco. Mas é bem acessível, eu vi vários idosos e até um cara a fazendo correndo com uma prancha de surf e descalço. Depois de cerca de 45 minutos cheguei na praia, já era umas 10 e meia e estava cheia de gente. Não perdi muito tempo por ali e logo resolvi subir o Morro da Coroa.20181102_092838.thumb.jpg.cf255ce36a75e58b7b0d8a294120fd25.jpg

            Foram mais ou menos 15 minutos, mas rapaz, que 15 minutos foram esses. Você praticamente sobe em linha reta o morro, em alguns trechos é bem perigoso até, tem muitas pedras soltas. Eu via o suor brotando dos meus braços, e nem estava sol. Mas, como no dia anterior, quanto maior o esforço mais belo fica o final. E a vista de lá é espetacular como nas fotos, não tem como descrever. Novamente cheguei lá e estava cheio de gente, outra vez sentei para o meu lanche. Eu acho que faço trilhas mais pelo lanche do que pelas trilhas mesmo, todo lugar bonito que eu vejo, sento e abro a mochila, que mais parece uma lancheira, pra ver o que tem “pá nóis matá”. Desci de lá, e fui caminhar um pouco pela praia.

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                  Eu realmente sou muito “piá do interior” adoro caminhar na praia, não tem disso onde eu moro então fico fascinado com lugares como este: uma praia linda, cercada por morros e com uma lagoa atrás. Lagoa esta que cheguei para dar uma olhada e não resisti, tive que entrar. A água é meio doce meio salgada meio verde meio azul mas, deliciosa! Fiquei um tempo ali feito uma criança, subi no morro de areia que tem ao lado dela, me joguei na água, cortei o pé, uma experiência realmente sensacional. Não parei para comer dessa vez, tô melhorando nisso.

                   Então resolvi encarar a trilha do Matadeiro, fui de chinelão e calção mesmo, e enquanto eu estava fazendo percebi que fazer o percurso contrário ao que eu fiz (Matadeiro-Lagoinha) é melhor, que cada morro que eu subia, via uma paisagem linda, a maioria nas minhas costas. Mas a trilha é boa do mesmo jeito, mais longa e menos intensa. Tem morros para subir, penhascos para passar ao lado, mato para atravessar, realmente linda. Uma hora e pouco depois cheguei na praia para ver o que ia fazer, tinha uns amigos me esperando na Praia da Joaquina, que não era muito longe dali, mas ir de ônibus levava cerca de 3 horas, Uber era uns $ 40,00 que eu não estava disposto a pagar. Entrei no ônibus e fui conversar com o cobrador, outra coisa que eu adoro em cidade turística, os cobradores dos ônibus sempre ajudam bastante no que podem. Como eu disso “ajudam”, pois eles não têm obrigação nenhuma de guiar gente perdida e você não pode ficar bravo por isso. Eu presenciei uma cena lamentável nessa viagem, muita gente chega e diz para avisar quando chegar em tal lugar, eu também faço isso, mas chegou uma hora que umas 10 pessoas pediram a mesma coisa e um deles não pediu, mandou. O cobrador acabou esquecendo deste último e avisou um ponto atrasado, o cara ficou louco e começou e xingar o cobrador, o chamando de incompetente pra cima. Fiquei muito revoltado com isso pois ao contrário da maioria ali ele não está de férias e curtindo a cidade, realmente fico irritado com falta de educação desnecessária. Mas voltando a ajuda que recebi, ele me disse que ia demorar muito eu ir até o TILAG e voltar, mas era o único jeito, então me deu uma sugestão: pegar um ônibus que me deixava em seu ponto final da praia do Campeche e eu ia andando até a Joaquina, quase duas horas de caminhada, mas prefiro perder duas horas caminhando pela praia do que em um terminal de ônibus. Fiz o trajeto e não me arrependi, é tudo quase que deserto nesse trecho.

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                    Chegando lá encontrei meus amigos e vi o máximo de sol que eu pude aproveitar nos dias em que estive por lá, uns 5 minutos. Foi bom, aproveitamos bem o fim de tarde, já com aperto no coração pois no dia seguinte ia ter que me despedir deles e da ilha. Na hora de ir embora resolvemos ir a pé mesmo, mas antes disso eu subi nas dunas pra ver como era a vista de lá, e nesse momento outra surpresa. Aquilo foi uma das coisas mais lindas que eu já vi na vida: as dunas cobertas por grama encontrando o mar em uma extremidade e do outro lado os morros. Mais uma vez senti um aperto no peito de ter que deixar esse lugar maravilhoso e tão preservado e ir embora, mas um aperto bom, pois foi uma viagem sensacional, cheia de surpresas e diferentes emoções. E tudo isso para algo que eu tinha planejado pouca coisa antes e só esperava ver umas praias, umas trilhas e tchau. Voltei, pelos próximos 5 km, pensando nas coisas boas que passei por lá, nas pessoas que conheci, nos lugares que vi. A maioria das coisas que me impressionei foram do que eu realmente não esperava. Por isso aproveito sempre o caminho e não somente a chegada.

(a foto ficou meio bosta mas de longe que não é culpa da paisagem)20181102_172419.thumb.jpg.b360562f6c934709433d6a85548bbb0f.jpg

 

                   Cheguei no hostel mais acabado do que nunca, fazendo as contas eu acabei caminhando mais de 27 km neste dia, sendo os últimos 5 descalço. A noite fomos jantar e beber nesta última noite juntos, achamos um lugar muito bom que é o Nosso Bar, recomendo porque entrega o que promete e sem surpresas na hora de pagar, parece obrigação mas nem todo lugar faz isso. O outro dia era dia de arrumar as coisas e ir embora.

                   Eu adoro viajar, mas também gosto de chegar em casa, ver minha família, cachorro, cama, banheiro, ah o banheiro de casa é o melhor que existe kkkkk. A sensação de deixar um lugar que você foi bem recebido, você aproveitou tudo ao máximo, superou suas expectativas, vai ter boas lembranças pelo resto de sua vida, é meio que de cortar o coração. Não achei as coisas muito caras, se você souber o que e onde comprar consegue economizar muito, como eu fi z.

                 Esse foi meu relato e eu espero ter ajudado alguém com algo útil, novamente se alguém precisar de alguma nova informação pode perguntar aqui ou até mesmo no meu Insta (https://www.instagram.com/edu_penteado/) que ficarei feliz em ajudar, obrigado pela atenção e até a próxima.

 

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    • Por dji_pedro
      PATI SELVAGEM: uma travessia de tirar o chapéu e deixar marcas
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      Assim como na experiência anterior em 2017, escalamos o experiente Marquinhos Soledade (@expedicao_chapada) para ser nosso guia. Dessa vez, iremos realizar a Travessia do Vale do Pati, lá no coração da Chapada Diamantina, na Bahia. Entretanto fugindo um pouco do convencional optamos por deixar esse trekking mais radical fazendo um trajeto mais selvagem.  A ideia é começá-lo em Andaraí subindo o curso do Rio Paraguaçu e seu Cânion.  É uma opção que cobra maiores cuidados tanto pelo terreno como pelo isolamento. É percurso pouco testado. Muitos evitam. É um trecho do Pati esquecido, uma rota praticada por garimpeiro. A trilha exige subir muitas pedras e paredões, bem como experimentar cruzar dezenas de vezes o lado do rio de modo a encontrar melhor caminho. Sem falar da possibilidade de ocorrência de fenômenos naturais como as temíveis cabeças d’água dentro do cânion. Os primeiros dois dias se passa numa região onde possivelmente não cruzaremos com outros caminhantes. 
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      30 de Junho – 1º DIA (domingo)
      O domingo chega. Fretamos um taxi para nos levar à Andaraí.  Encontramos nosso guia no pátio da igreja católica naquela cidade e de lá seguimos no veículo até a estrada onde tem início nossa jornada. Donana é como os moradores conhecem aquela área, uma referência a uma antiga moradora da localidade: Dona Ana. Vamos seguir a velha trilha usada por garimpeiros. 
       

       
      Uma vegetação arbustiva é o que encontramos nos primeiros metros. Seguindo um pouco e ela vai mudando. Agora temos uma área mais preservada. Árvores maiores vão ocupando os espaços. Uma ponte de madeira marca o inicio dos limites do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Daqui pra frente à aventura começa pra valer. A trilha segue paralela ao Rio Paraguaçu. O terreno é de subida, sentimos o peso nas costas.
      Enfileirados seguimos pela trilha dentro da mata. O lado esquerdo fica o leito pedregoso do rio Paraguaçu de onde se ouve o som forte de suas águas. A certeza de que estamos optando por um trecho selvagem nos obriga a muitos cuidados. Aliás, pela primeira vez iremos realizar uma expedição utilizando equipamentos de GPS: Eu com um relógio Garmin Fênix 3 HR, enquanto Wilson carregava o indispensável SPOT G3. Esse é o instrumento mais importante, pois é capaz de acionar socorro e enviar nossa localização precisa em caso de acidentes.
      Era apenas o início de nossa travessia. Mal tínhamos completados 2 km e tivemos um susto: Wilson acabou batendo a cabeça contra uma ponta de um galho ao passar por baixo dele e o resultado foi um corte na parte superior do couro cabeludo que causou um sangramento. O kit de primeiros socorros levado por Marquinhos foi logo usado e minutos depois pudemos continuar. Ufa!
      Descemos. Seguimos agora pela margem pedregosa do Rio Paraguaçu. Esse é o tipo de terreno que iríamos enfrentar nas próximas 48 horas. A visão das pedras que formam todo o conjunto é muito bonita. Nossa caminhada exige muito equilíbrio porque temos que pular pedras imensas e andar sobre elas e descer outras tantas. Executar um pulo entre pedras com 20 kg nas costas é algo que exige bastante. É preciso jeito e sorte! 

       

      No quarto quilômetro fizemos uma pequena pausa para um descanso. Nosso guia buscou se refrescar nas águas geladas do rio eu a fazer as primeiras filmagens pra não perder nada da aventura que estava apenas começando. 30 minutinhos nessa parada e já tomamos uma subida forte à direita pelo paredão do Cânion do Paraguaçu: uma trilha dura pela encosta recoberta de arbustos. Agora já estávamos a quase 400 metros de altura em relação ao ponto inicial do trekking.
      Já era quase 2h horas da tarde. Estávamos outra vez dentro do leito do Rio Paraguaçu. Havíamos cruzado apenas de 6,5 km e fizemos a parada para o almoço. Visual deslumbrante. Comentava com o João de como tudo aquilo era admirável e do privilegio de se estar ali. A imagem das paredes do Cânion recoberta de vegetação verde em contraste com a água avermelhada, com as pedras no leito, as nuvens e o céu azulado trazia mais beleza ao cenário. 
      Marquinhos assumiu a cozinha e sobre um enorme pedra fez uma mistura que seria nosso almoço: grão de bico e atum sólido. Foi bem breve nossa parada.  Seguimos a caminhada e agora já estávamos diante de uma bifurcação de cânions. Majestoso recorte de rochas que marca o encontro de dois rios: do lado esquerdo as águas do Rio Paraguaçu e do direito as do Rio Pati.  É um marco geológico de dois grandes cânions. Pela primeira vez avistamos a boca do Cânion Pati.
       

      Às três da tarde havíamos percorridos 7,7 quilômetros quando chegamos à prainha formada do lado das águas do rio Pati onde levantamos o acampamento. Aproveitamos a área de terra, sem vegetação, para fazer uma fogueira distante uns 3 metros das portas das barracas. Depois disso foi momento de aproveitando os raios do sol cair e naquelas águas de dupla identidade. O tempo passou rápido e a noite se aproximava.

      Marquinhos como de costume assumiu a cozinha preparando macarrão, linguiça defumada, tomates, cebola: o cheiro e o sabor estavam perfeitos! Depois da janta seguimos com nossas lanternas para o meio do rio. Aproveitamos uma das imensas pedras para sentar e experimentar a imagem contemplativa do céu estrelado e o som das águas naquele lugar inóspito. 

       
      Às nove da noite estávamos em nossas barracas. Marquinhos “homem bruto” resolveu lançar seu saco de dormir próximo à fogueira para passar a noite. Cabra de coragem (rsrsrs). A temperatura estava agradável. O termômetro marcava 21 graus. Foi fácil pegar no sono dessa vez.

      01 de Julho – 2º DIA (segunda-feira)
      Acordei por volta das seis e meia da manhã imaginando como seria nossa caminhada. Vamos preparar o café e começar mais um capítulo de nossa história. O dia era bonito, eu estava tranquilo e até mesmo meio lerdo (rsrsrs), por isso me atrasei um pouco retardando a partida. Somente às 9h30 iniciamos a trilha. Há uma estimativa de que o percurso possua 9 km e que os mesmos serão bem pesados.
      O Cânion do Paraguaçu ficou ali. Nosso movimento agora é à direita, dentro do Cânion do Rio Pati. Por ele iriamos saber a razão pelo qual muitos aventureiros evitam aquela rota. O nível de dificuldade do trekking aumentou bastante já nos primeiros metros. O pula-pedra passou a ser uma constante e tirar a bota para não encharcá-la logo se mostrou ilusão e perda de tempo.  Avançar sobre rochas escorregadias é uma maluquice, mas não ha outra maneira de seguir.  
       

      Os joelhos sofrem demais com o peso nas costas somados ao impacto dos saltos entre as pedras que tem que ser precisos. É força, equilíbrio e principalmente sorte: levamos 1h42 minutos para percorrer 2 km tamanha dificuldade que o terreno apresentava. Ora estávamos de um lado do leito, ora do outro. E quando nos aproximávamos do terceiro quilômetro executando umas dessas passagens entre pedras escorregadias o companheiro João tomou uma queda. Ele escorregou batendo com a canela em numa pedra dentro do rio.  Um hematoma imenso se formou no centro de sua canela. E isso nos deixou assustados uma vez que ele poderia ter fraturado a perna. Tirá-lo dali aquela altura seria impossível salvo por helicóptero.  Levamos alguns minutos cuidando do amigo e graças a Deus tudo ficou bem: uma atadura foi colocada em volta da lesão, e seguimos ainda mais cautelosos com a certeza de que não podemos errar! 
       

      O terreno continuou duro. Percorremos mais 2,5 km e de trilha. Dessa vez fizemos uma subida violenta a direita, uma trilha dentro da mata que margeia a parede do cânion Pati. Às 12h30 curta parada, dessa vez para recobrar o fôlego. O trajeto em ziguezague pelo rio, atravessando, pulando pedras é um exercício para o corpo e mente. A beleza do cânion em sua forma esbranquiçada emoldura o cenário. Outros 20 minutos de descanso. Passamos à margem esquerda desafiando pedras e vegetação da encosta. Agora temos um “tronco” fixado junto o paredão que serve como ponte evitando o caminho por uma parte escorregadia sob nossos pés. É preciso segurar na parede. 

      Saindo da parede do cânion entramos na mata outra vez.  Aqui é necessário muito empenho, forca, determinação. Tivemos que transpor um emaranhado de pedras e arvores: uma combinação que exige do corpo. O esforço ofusca a beleza daquele trecho. A única coisa que queremos é sair daquilo para um lugar amplo e sem obstáculo.  
       
      Às 13h30 paramos dentro do Cânion para almoçar: grão de bico, atum cebola e tomate foi nosso almoço. Até ali tínhamos percorridos 7 km em 5 horas de muito esforço. Não temos a certeza da distancia exata do ponto de acampamento. Os 9 km que mencionei é uma mera especulação! Retomamos a trilha e ela continuou da mesma forma: dura e técnica. Quando completamos os 10 km já estávamos bem cansados e frustrados: percebemos que nossa ideia de quilometragem tinha ido por agua a baixo.  1 km depois se fez outra parada, estava bem claro que nosso moral estava baixo: expectativa e realidade se conflitavam. 
      Somente após percorrer mais 3 km chegamos ao nosso destino: a Toca do Guariba. Já passava das 17h30 minutos. Foi preciso correr para montar as barracas sob a luz da tarde, afinal dentro do Cânion escurece mais rápido. Foram exatos 14 km percorridos naquele dia.  A Toca do Guariba é nossa morada! Aliás, esse nome é dado pelo fato de que há um corte no Cânion que forma uma cavidade onde em geral os aventureiros buscam abrigo. É uma área protegida. O nome Toca do Guariba deriva pelo fato de que é comum avistar o macaco Bugio naquela área, eles também são conhecidos pelos nomes de Macaco Barbado ou Macaco Guariba. Não avistamos nenhum, tampouco os seus sons. Aliás, nesses quase dois dias ainda não cruzamos com ninguém na trilha. De fato estamos em local isolado.

       
      A noite chegou muito depressa. Não deu pra estar no rio e tomar banho. Dessa vez a higiene foi com lenços umedecidos. Estávamos exaustos, quebrados! Jantamos às 19h: frango, macarrão, linguiça defumada e bolo de rolo! Depois disso alguns instantes de conversa e música e às 21h já estava recolhido. O dia foi pesado! 
      02 de Julho – 3º DIA (terça-feira)
      Não consegui uma boa noite de sono. Só com o amanhecer do dia foi possível apreciar a beleza do lugar. O Rio Guariba é afluente do Rio Pati. Estamos exatamente no encontro dos Cânions. Tomamos nosso café e levantamos acabamento. Às 8h30 Deixamos as cargueiras em um ponto e fomos fazer uma breve visita dentro ao Cânion do Guariba. É um cânion estreito e belo. Passamos não mais que 1 hora. E infelizmente não tivemos a sorte de ver nem ouvir nenhum Bugio na local. 
       
      Voltamos, pegamos as mochilas e fizemos uma subida pela mata. Uma acentuada inclinação nos lançava mata acima. As pernas sofridas pelos 14 km do dia anterior reclamavam a todo instante.  A ideia é chegar à casa de seu Eduardo onde vamos dormir. Agora nosso caminho é por uma linda mata. Ela reveste a encosta do cânion dando beleza única a nossa caminhada. Estamos no alto do cânion encoberto onde é possível ouvir o som das águas do Pati. 

      Seguimos firmes e confiantes por 1 hora onde fizemos breve parada para um rápido lanche. A nossa direita estava a majestosamente Serra do Império. Continuamos. Ainda estamos na mata. No quilômetro 3,5 nos desviamos erroneamente numa bifurcação à esquerda que nos levou a um curral, ops! Logo achamos a trilha certa e seguimos.
      Após 5 km de trilha, às 11h da manhã estávamos diante da primeira residência nesses três dias de trekking: a casa de seu Joia e dona Leu.  E pra celebrar aquele encontro nada mais épico do que uma cerveja gelada. Sim, é possível tomar cervejas geladas no Vale do Pati. Comemos pão caseiro feito por Dona Leu e tomamos cerveja. Pagamos 12 reais por uma long neck (eu pagaria ate 50 reais rsrsrs). Passamos alguns minutos naquela casa humilde e acolhedora. Lavamos os rostos, enchemos nossos depósitos de água e seguimos.  O terreno de seu Joia tem um visual incrível. Curiosidade daquele lugar são os avistamentos de felinos como as onças que causam receios a nativos e aventureiros que cruzam a região. Graças a Deus não tivemos nenhum susto. Mas há muita gente que já viu, ouviu seus sons ou seus rastros.


      Percorremos 8.20 e às 12h40 estávamos na residência de Seu Eduardo atualmente sob os cuidados do Domingos, seu neto.  A casa fica aos pés do Morro do Sobradinho, a beira da Boca do Cânion Cachoeirão. Ela fica exatos três quilômetros daquela de seu Joia. Compramos refrigerantes e cervejas geladas. Isso e resultado das geladeiras alimentadas a gás butano e da energia solar que abastece a casa. 

      O cansaço dos dois dias nos fez desistir do planejamento inicial que era visitar o Cachoeirão por Baixo.  Resolvemos conter o dia conversando, tomando refringentes e cervejas e uns petiscos vendidos naquela casa.  A decisão se deu pela perspectiva que tínhamos daquele trekking. Queríamos devolver o prazer da caminhada, buscar prazer efetivo. Na nossa visão acumular a visita ao Cachoeirão fazendo o bate-volta iria nos desgastar e o que precisávamos mesmo era de um tempo pra ficar à toa entre amigos.  Acertamos também em comprar a janta ali oferecida e manter o acampamento com as barracas nas dependências da propriedade. 

      Tivemos a oportunidade de conhecer um bom sujeito Catalão: Joan, ele estava de passagem em visita ao amigo Domingos. Ali contou sua vida e sua relação com o Pati. Joan mora no Capão junto com sua esposa, de nacionalidade brasileira.  Ele relatou suas experiências com a natureza e de suas habilidades como especialista em agricultura sustentável e de sua colaboração em algumas comunidades na Chapada Diamantina.
      No meio da tarde fomos tomar banho no rio Cachoeirão, ele passa nos limites da casa.  Uma pequena descida te leva às margens, grande poço e corredeiras te convidam a cair na água. Ao fundo temos uma visão incrível das paredes dos morros que formam o vale.
      A noite chegou e o jantar oferecido foi sensacional: carne de sol, estrogonofe de frango, arroz, feijão, macarrão, farofa de cenouras, abóbora, e suco. Perfeito! Comemos divinamente e continuamos até umas 21h conversando em grupo. A noite estava estrelada. Eu, Wilson e João fizemos uma pequena fogueira próxima à barraca e às 21h30 já estávamos recolhidos.

      03 de Julho – 4º DIA (quarta-feira)
      Às 6h despertamos. Dessa vez procurei me apressar pra não atrasar o grupo. O café da manha foi preparado ali bem próximo às barracas: cuscuz e ovos. 8h15 já estávamos de saída. Tomamos o caminho a esquerda no sentido da casa de Seu Tonho. Atravessamos o leito do rio Pati sobre as pedras para seguir à margem esquerda do rio. Do lado direito margeando todo o leito uma belíssima mata acompanha o curso do rio. Essa caminhada ainda cedo ganhava muita beleza. A quantidade de sons dos pássaros trazia um encantamento fenomenal. O lado esquerdo nos acompanha o Morro Sobradinho, tocado pelos raios do sol. Tudo é maravilhoso!
      Agora temos forte subida.  Logo estamos a 178 metros de altitude em relação à casa de Domingo. O visual belíssimo já nos revela ao longe o Morro do Castelo. 2 horas depois e 5.6 quilômetros fizemos a parada de descanso naquela área conhecida como “prefeitura” que na verdade é um antigo entreposto dos antigos comerciantes e produtores de café do Vale do Pati. A imagem que temos é perfeita, uma pintura que cabe em qualquer quadro.


      Nossa próxima parada será na casa de seu Aguinaldo. Deixamos a prefeitura, atravessamos o Rio Lapinha e seguimos a trilha tendo a nossa direita o imponente Morro do Castelo.  Seguimos a trilha dentro da mata. No caminho Marquinhos à dianteira nos indica com cuidado a presença de uma cobra Jararaca ali bem no meio da trilha... Imóvel e bem camuflada ela parecia buscar os raios do sol que atravessava os altos dos galhos e folhas daquele lugar. Olhar para o chão sempre, essa e a dica! 

      Um pouco adiante tivemos a oportunidade de cruzar na trilha com Seu Antônio, Seu Tonho. Havíamos passado em frente a sua casinha, logo que saímos da casa de Seu Eduardo, lembra? Seu Tonho surgiu vindo atrás da gente, dentro da mata, na trilha estreita. Montava um burro e puxava outro que levava uma cela de carga (cangalha), seguia vocalizando comandos ao animal. Uma imagem bonita. Retrato de uma historia vida. É um som bonito que ecoava por entre a mata.  De perto assistimos como são transportados todos os suprimentos dos nativos dali. O burro é o motor, o transporte. 

      Enfim, depois de três horas de relógio, 8.4 km de distância e 426 metros de ganho de elevação chegamos à casa verde onde mora o casal. Estamos agora no Pati de Cima a 932metros acima do nível do mar. Ali fomos recebidos por dona Patrícia que nos ofereceu seus deliciosos pães caseiros e latinhas de Coca-Cola geladíssimas. Podemos apreciar os sabores ofertados diante de um visual belíssimo: estamos aos pés do Morro do Castelo.  

      Alguns minutos de descanso e seguimos às 13h com nossas mochilas de ataque rumo ao alto. São 400 metros de subidas em meia a mata atlântica preservada, uma trilha íngreme que exige muito mesmo dos joelhos e muita atenção para evitar quedas.  Levamos 1h20 minutos para completar os mais de 3 km de trilhas subindo até chegar ate o Morro do Castelo no alto dos seus mais de 1.400 metros. Numa subida tão vertical, não adiantar negar: vai doer.
      O Morro do Castelo é colossalmente bonito.  O fato de existir uma gruta que atravessa todo maciço de quartzito no local faz o morro ganhar ares ainda mais mágicos. É espetacular o conjunto da obra. Adentrar na gruta mexe com a imaginação. Ela possui aproximadamente 800 metros de extensão e para cruza-la se faz necessário o uso de lanternas: a escuridão é total. Não esqueçam as lanternas e muito, muito cuidado ao caminhar, pois há Pedras soltas e pontiagudas por todo percurso.


      Ao cruzar a extensão da gruta temos do outro lado um visual incrível do Vale do Calixto, ele está no lado oposto ao Vale do Pati. É magico, é incrível! Estamos a mais de 1.400 metros do nível do mar e para onde se olha é um mar de beleza que agrada aos olhos e ouvidos. É o som dos ventos soprando forte que impressiona. 

      Diante de tanta beleza muitos e muitos clicks, mas já é hora de retornar para Casa de Seu Aguinaldo que está 400 metros abaixo. É hora de descer aproveitando a luz do sol. Temos uma trilha dentro da mata e é bom não vacilar. Levamos 1h pra refazer o caminho de volta. 
      Ao chegar corri, junto com o João, para armar nossas barracas na área de frente à residência. Wilson preferiu contratar um pernoite num dos quartos da casa.  Nesse momento a temperatura começava baixar um pouco. O sol estava refletindo sem força nas bordas das paredes do Vale. Já estava imaginando a temperatura da água que iriamos tomar banho. Apelei por um aperitivo.  Eu e João provamos umas doses de cachaça para ver se a coragem aparecia. Nem sei se isso ajuda. Fomos ao banho: água gelada da mísera!
      Contratamos o jantar e não nos arrependemos. Dona Patrícia caprichou: carne de sol, macarrão, arroz, salada crua e suco de maracujá. João que não come carne foi contemplado com uma omelete preparada com exclusividade. Todos felizes e de barriga cheia. Ao termino do jantar, enfim seu Aguinaldo apareceu e conversamos bastante. Ele falou de sua vida, da rotina naquele lugar e os desafios de se viver ali. O clima era úmido e a temperatura na casa dos 18 graus. Não tardamos buscar o aconchego de nossas barracas, Wilson se recolheu ao conforto do quarto. É nossa ultima noite dentro do Vale do Pati.
      04 de Julho – 5º DIA (quinta-feira)
      Último dia. Acordei às 6h30. O termômetro marcava 14 graus. O som das águas do Rio Lapinha correndo, dos pássaros cantando e voando pertinho da barraca e a imagem do Morro do Castelo diante de nós marcavam o inicio daquele nosso derradeiro dia no Vale do Pati. Eu já sentia saudades de cada momento. Por outro lado, nosso amigo e guia estava com dores estomacais e apresentava também quadro de diarreia. Ficamos preocupados com a condição física dele. Ninguém merece ficar doente na trilha. Retardamos um pouco a saída. Marquinhos sinalizava que já estava tudo ok, então tínhamos que partir.

      Às 9h010 saímos da casa de seu Aguinaldo. Subimos a trilha e seguimos pulando pedras no curso do Rio Lapinha e após caminhar 1.7 km a gente chegava à Cachoeira das Bananeiras.  Seguindo o curso daquele rio e 1h 15 depois de nossa partida (2,5 km) estávamos na Cachoeira do Funil que se apresenta belíssima. Cruzamos o leito para pegar a trilha que fica na parte de cima da encosta, próxima a queda d´água. Minutos depois chegamos a Cachoeira da Altina. Ali havia um pequeno grupo de turistas. É uma cachoeira um pouco menor que a do Funil. Deixamos a Cachoeira da Altinha (nome que faz referencia a uma antiga moradora que ali lavava as roupas da família) e tomamos o caminho novamente à esquerda, atravessando o rio e subimos uma trilha íngreme pela mata.

      Chegamos à igrejinha. Percorremos 4 km contados a partir da casa de Seu Aguinaldo.  Ali é a Casa de Seu João. Ela está próxima da Ladeira da Rampa que dá acesso ao Mirante do Pati e os Gerais do Rio Preto.  Ali é uma casa que também oferece serviços de recepção aos aventureiros com comida e hospedagem.  Lavamos os rostos e tomamos nossas ultimas latinhas de refrigerante dentro do Vale. O sol do meio dia castigava forte. São os testes finais de resistência depois de cinco dias de trekking. Doente, Marquinhos sentia bastante cada passo. Tive pena do nosso Leão da Montanha.

      Ao meio dia e meio estávamos no Mirante da Rampa. 6 km separam a casa de seu Aguinaldo do Mirante do Pati. E o visual a 1.337 metros é de tirar o fôlego. Ali enxergamos toda extensão do Vale do Pat: é o lugar perfeito para fazer aquelas fotos clássicas. Mas não podemos demorar. Temos horário marcado para nosso resgate lá no Beco, em Guine. O motorista Ari nos aguarda!
      As 13h10 seguimos nossa jornada pelo magnifica planície que forma as Gerais do Rio Preto. O terreno é um platô de campo rupestre, não há arvores naquele trecho, o lugar é belíssimo. A partir do Mirante, depois de 1,3 km cruzamos o riozinho que dá nome aquele local, o Rio Preto. Seguindo por mais 3.27 km estávamos enfim diante da descida de Aleixo. Eu diria que A Rampa e a Descida do Aleixo são tecnicamente iguais. A diferença e a ordem das coisas. Assim iniciamos nossa descida sob o calor das às 14h em direção ao ponto de encontro. Percorridos mais 2.1 km de trilhas chegamos ao final de um dos trekking mais bonitos desse pais.  Foi sensacional! Agora vamos voltar pra Lençóis!
       

       























































      Pati_Selvagem_-_Uma_Aventura__-_31_-08.docx


    • Por hoaken
      Saalve, galera, tudo bem??
       
      Gostaria de saber se vocês conhecem trilhas em Curitiba e Região Metropolitana, pra fazer trekkings novos sem ter que viajar....
      Eu só conheço as trilhas de Quatro Barras e Piraquara:
       
      Anhangava Pão de Loth Caminho do Itupava Morro do Canal Morro do Vigia Torre Amarela  
      Conhecem alguma outra?
       
      Desde já, agradeço aí, pessoal!
    • Por jessicamazoni
      Olá pessoal, 
      Estarei viajando para Orlando na primeira semana de outubro e estou com uma lista de coisas pra comprar para trekking e acampamento, gostaria de saber se alguém teria lojas para me indicar. Obrigada
    • Por laura.bonvini
      Oi pessoal! 
      Pretendo ir pro Havaí em Fevereiro, e tô com muita dúvida! Tô com muita dificuldade de encontrar informação também. Não acho lugares baratos pra ficar, etc.
      Preciso de ajuda de quem já foi pra lá!! 
    • Por Nathan Martins
      Hey,
      Sou natural de Manaus - Amazonas e atualmente moro no sul catarinense. Estou programando ir pra Bom Jardim da Serra no inicio da primavera pra fazer um camping (setembro). De forma bem roots. Sou uma pessoa simples e busco companhias agradaveis que por ventura tenham o mesmo destino em mente ou morem nas proximidades.
      Pontos a serem visitados: Serra do Rio do Rastro e Canion do Funil
       


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