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A história da minha viagem para a Patagônia, na verdade, começa um pouco antes. Em Junho de 2018 decidi que faria uma viagem para o Chile e, de cara, já fechamos que seria em Santiago. Talvez por um pouco de inocência ou falta de experiência, não havia pesquisado nada sobre Santiago até então. Sabia das estações de esqui, mas nada que fosse muito além disso. Logo depois de fecharmos os aéreos e o apartamento que alugamos em Santiago, fui pesquisar sobre os possíveis pontos de passeio e aventura que me interessavam no Chile, e foi aí que comecei a conhecer a Patagônia. Todos os pontos legais que via na internet ficavam na Patagônia Chilena. Mas como minha viagem era só de 8 dias, sem chance de fazer esses dois roteiros nesse prazo. Enfim... Fomos pra Santiago e prorrogamos o roteiro PATAGÔNIA.

Já com aqueles cenários na cabeça, resolvi marcar uma outra viagem, dessa vez de moto, onde faríamos a patagônia até a famosa Ushuaia. Juntamos os amigos interessados na viagem de moto e combinamos a primeira reunião. Já nessa primeira conversa vi que a maioria tinha maior interesse em fazer o norte do Chile, o atacama para ser mais específico. E vi também, que mais uma vez, a viagem para a Patagônia estava sendo prorrogada.

Poucos dias depois dessa reunião, estava em um bar com um grande amigo e comentei com ele que a viagem de moto, ao invés de ir para o Sul, foi alterada para o Atacama. Foi quando ele me fez o derradeiro convite:

- Eu estou programando uma viagem de carro para o Ushuaia no final desse ano com saída após o natal. Está indo só eu e a namorada. Bora?

Nisso a cabeça já pirou... Seria a tão esperada Patagônia em um prazo próximo a 6 meses. Depois desse primeiro convite, todas as minhas pesquisas na internet eram sobre roteiros na Patagônia. Fechado! #PartiuPatagônia

Conversamos mais algumas vezes, e montamos um roteiro base que serviria para a nossa viagem. A idéia era descer pela Ruta 3 até Ushuaia e retornar pela Ruta 40, fazendo trechos da cordilheira até Bariloche.

Então é isso... Chegou o natal e partimos para a nossa expedição Patagônia. Na festa de confraternização da família, bebi mais que deveria, e fui passando mal de Divinópolis/MG (cidade onde moro) até próximo à divisa de São Paulo, quando paramos numa farmácia e tomei dois comprimidos de um “qualquer coisa” que o farmacêutico receitou.

Dica 1: Não faça uma viagem de carro de ressaca. A ressaca no carro é potencializada exponencialmente!

1º e 2º Dia

Nosso primeiro dia de viagem foi de Divinópolis/MG até Foz do Iguaçu/PR. 1365km. Chegamos já era bem tarde, por volta das 22h, e fomos direto para um apartamento do AirBNB que eu tinha reservado. Já no primeiro dia, o primeiro “desencontro”: O carro não cabia na garagem do condomínio. No anúncio do AirBNB, marcava estacionamento incluído. Só esqueceram de mencionar, que tem estacionamento para carros pequenos. Como estávamos em uma caminhonete e ainda tinha barraca de teto, não permitiam nem que tentássemos colocar ela na mini vaga. Conversamos com a anfitriã do apartamento e ela conseguiu uma outra vaga que coubesse a caminhonete. O AP era até razoável. Quente como um forno e sem ar condicionado, mas para quem já tinha viajado 1365km direto, estava excelente.

No outro dia cedo em Foz do Iguaçu, Romulo (meu amigo e parceiro de viagem) tinha uma revisão agendada para o carro e, aproveitando esse tempo extra, fomos as compras no Paraguai (O lugar mais caótico em que já estive), e deixamos a parte da tarde para conhecer as Cataratas. Ele já conhecia, mas eu e minha namorada não. Sensacional! O volume de água que desce naquelas cachoeiras é impressionante, além do parque ser muito bem estruturado. Vale a visita!

Saímos do Parque Iguaçu e voltamos para o apartamento para arrumarmos as coisas, já que no outro dia, entraríamos na Argentina.

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3º Dia

Saímos de Foz do Iguaçu e a nossa ideia era chegar à Lujan (aquela cidade do zoológico famoso). Mas essa era só nossa intenção mesmo rsrs, porque na verdade, o dia foi muito cansativo, muito quente, e na parte da tarde vimos que viajar até Lujan era forçar demais a barra. Enquanto descíamos rumo à Buenos Aires, fui pesquisando áreas de camping e foi aí que tive a brilhante ideia de ficarmos numa cidade que se chama Gualeguaychú.

Quando pesquisei, vi uma área de camping próximo a um rio e tudo parecia tudo muito lindo, tudo muito certo. Fomos até a área de camping e ela, apesar de não ser nem próximo ao que mostrava no Google, era razoável. Tinha uma praia que dava acesso ao rio, os banheiros eram aceitáveis, enfim... Ficamos. Acho que foi a pior decisão de toda a viagem.

Logo de cara, como o dia estava muito quente, já fui pra praia dar um mergulho e... Espinho no pé. A areia ficava só na margem. Quando íamos entrando no rio, virava uma lama suja e, para sair dessa lama, seguindo mais pra frente, espinhos. Uma enorme moita de espinhos escondida dentro da água. E não era só uma. Pra todo lugar que eu fugia, mais espinhos! Desisti de nadar no rio com 3 minutos. Acabaram os perrengues? Nada disso.

Voltei pra perto da barraca e começamos a fazer a janta. A temperatura devia estar próxima de uns 85 graus Célsius. Um calor sem igual. Nem o nordeste brasileiro tem aquela temperatura. E como o ambiente já estava agradável, chegou nada mais, nada menos, que uma enorme núvem de pernilongos que decidiu ficar por ali até irmos embora. Mas por favor, não entendam que eram só alguns pernilongos. Era pernilongo que não acabava mais!!! Eu tenho costume de acampar bastante em Minas Gerais. Sempre tem alguns insetos. Mas os pernilongos de Gualeguaychú eram fora do comum. Resultado: Fiquei nesse calor infernal, com blusa de frio por causa dos pernilongos até a hora de dormir. Fomos deitar por volta de meia noite e acordamos as 3 da manhã. O calor era demais, não tinha condição de continuar ali. Desmontamos o acampamento e seguimos viagem.

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                                                                                     Nessa foto, os pernilongos ainda não haviam chegado.

4º Dia

                Saímos de Gualeguaychú e continuamos rumo ao sul. Nesse trecho a paisagem muda bastante. Até próximo a Buenos Aires, descendo pela província de Entre Rios, a estrada passa por muitos rios e áreas alagadas. Depois disso, começa a ficar muito seco. Raramente se vê rios ou lagos.

                Já no fim da tarde, ainda traumatizado com Gualeguaychú, fui pesquisar mais uma área de camping. Dessa vez, decidimos fazer um Wild Camping. Sem estrutura, sem nada. Seria só nós e a natureza. Vi pelo aplicativo IOverlander, um local para camping próximo ao mar. No app, informava que era uma bela praia e com sorte, veríamos uns flamingos no entardecer. Essa área de Camping ficava em Las Grutas, mais especificamente na Playa De Las Conchillas. Decidimos que seria lá mesmo. O ponto marcado no aplicativo ficava próximo a algumas dunas, e logo ali, depois das dunas, uma paisagem incrível. Um entardecer maravilhoso, e agora, já não sei se por sorte ou oquê, lá estavam os flamingos. Uma cena que vai ficar guardada na minha memória. Pôr do sol, flamingos, praia deserta... Maravilhoso!

Da estrada, onde estava o carro, não se via a praia. Então resolvemos montar nossas barracas em cima das dunas para que pudéssemos ver o nascer do sol no dia seguinte. E assim foi... Começamos a montar nossas barracas enquanto as namoradas iam adiantando nossa janta próximo ao carro. Depois da barraca já SEMI-pronta, voltamos para o carro para buscar o resto dos equipamento (sacos de dormir, isolantes, travesseiros, etc...). Quando chegamos onde estavam as meninas, encontramos um casal da Colômbia que já estavam viajando por 11 meses e que pretendiam atravessar todo o Brasil antes de retornar à Colômbia. Ficamos ali conversando com o casal e simplesmente esquecemos das barracas. Eles viajam num carro da Chevrolet, meio que um jeep... Difícil até tentar explicar como era o carro. Nunca vi nada parecido na vida. Todo quadrado, antigo... Acho que é uma mistura de Jeep Willis com Fiat Uno. Mais ou menos por aí. Depois de muita conversa, cerveja e da nossa janta, peguei meus equipamentos para terminar de montar a barraca.  Subi as dunas, olhei para um lado... olhei para o outro... Cadê as barracas?

Nesse momento não sabia se ria, se chorava ou se sentava e simplesmente contemplava o “nada”. Rsrsrs. Agora, já olhando em retrospecto, chega a ser engraçado. Mas na hora, rolou um semi-desespero. Voltei para o carro para avisar que as barracas tinham “saído para passear”. Era difícil até acreditar no que estava acontecendo, todos nós tínhamos experiência com camping e havíamos deixado as barracas soltas na areia. Burrice né?!?!

 Pegamos as lanternas e fomos tentar procurar as barracas.

Como é uma praia deserta e não havia nada por perto, a chance de ter sido roubada era pequena. Então, ela só podia ter sido levada pelo vento. Essa era a primeira vez que sentimos um pouco do vento Patagônico. Voltamos para a praia, agora com as lanternas, e láááááá na frente, dentro do mar, estavam as barracas. O mar nesse local é bem raso. Durante uns 500 metros ou até mais, a água se mantém no joelho. Deve ser por isso que os Flamingos gostam dessa praia. Enfim: Saí eu, pulando caranguejos, até chegar na barraca e resgatá-la. Como o vento da Patagônia já é famoso, e eu já tinha lido vários relatos de barracas que quebravam com a força do vento, havia levado uma barraca extra. Salvou!!! Dica nº 2: Nunca deixe sua barraca, nem por um segundo, sem ancoragem. O vento lá é inexplicável!

Obs.: Nem sei se precisava dessa dica né?! É muita inocência.

Tirando toda essa aventura da barraca, o local escolhido para o camping foi ótimo. A noite foi tranquila, já estava muuuuito mais fresco que Gualeguaychú e o nascer do sol do dia seguinte foi realmente incrível.

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                                                                                                     Estrada de acesso a Playa de Las Conchillas

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                                                                                                                Nas lentes de Romulo Nery.  

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5º Dia

Logo depois de apreciar o nascer do sol, tomamos um rápido café da manhã e já voltamos para a estrada. Algumas horas depois, já estávamos chegando a Puerto Pirámides, a cidade base pra quem vai fazer o passeio da Península Valdez.

Essa península é famosa pela vida selvagem. É um reduto de baleias francas austrais, Orcas, Elefantes Marinhos, Pinguins, e mais um monte de espécies. Infelizmente não fomos na época ideal para observar as baleias (parece que elas ficam até início de dezembro e depois vão rumo a Antártida). Mas em compensação, era a primeira vez que víamos de perto pinguins e elefantes marinhos e foi uma experiência incrível. Eu imaginava que veria os pinguins um pouco mais de longe, mas lá eles ficam, literalmente, do lado das passarelas. Rolou ótimas fotos.

Saímos da Península Valdez e continuamos nossa viagem até a cidade de Trelew, a cidade onde foram encontrados os fósseis do maior dinossauro do planeta. Logo na entrada da cidade tem uma réplica em tamanho real do dinossauro. Bem interessante. Mas só paramos para uma foto com o Dino e já fomos procurar algum lugar para dormir. Nesse dia dormimos em um posto de combustível que não me lembro se era Axion ou YPF.

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6º Dia

Esse dia foi só estrada. Saímos de Trelew e reta... reta... reta... reta... Guanaco... reta... reta ... reta. A paisagem não ajuda em nada nessa região. É tudo muito igual. Dirigimos o dia todo até começar o pôr do sol, que nessa latitude já era por volta das 22:30horas, talvez até mais. Não me lembro bem.

No final do dia havíamos chegado em Rio Gallegos. Uma cidade bem estruturada, com Carrefour, lojas grandes, etc. Como no dia seguinte iríamos começar a série de Aduanas e imigrações, e também sabíamos que não é permitido entrar com frutas ou carne no Chile, fizemos tudo que havia de comida na geladeira da caminhonete e fomos dormir. Novamente em um posto de combustível.

Em Rio Galllegos também encontramos com alguns brasileiros que rumavam a Ushuaia e estavam super empolgados, pois se tudo ocorresse bem nas fronteiras, passariam o réveillon em Ushuaia. Esse também era nosso objetivo.

7º Dia – 31/12/2018

Acordamos bem cedo nesse dia e já começamos nossa pernada final ao Fim do Mundo. De Rio Gallegos até a primeira fronteira (Argentina/Chile) é pertinho. 65 km.

Fizemos nossa primeira fronteira com o Chile, cruzamos o famoso Estreito de Magalhães, e depois de algumas horas, estávamos na Argentina novamente.

Cruzar os Estreito de Magalhães é super simples nesse ponto. Tem várias balsas (se não me engano são três) que ficam o dia todo fazendo esse translado. Da balsa ainda conseguimos ver um Golfinho de Commerson. Ele é tipo uma mini orca, branco com preto. Bem bonitinho.

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                                                                                                                Chegada ao Estreito de Magalhães

 

Atrevessar o estreito de Magalhães é bem interessante, não pela travessia em si, mas por estar em um lugar que foi tão importante para a história das navegações.

Depois de cruzar o estreito, fomos direto para o parque Pinguino Rey, porém como era uma segunda feira, estavam fechados.

Spoiler Alert: Não desistimos de conhecer esse Parque por causa desse imprevisto, inclusive conhecemos ele depois, porém na volta de Ushuaia, pois passaríamos por ali novamente.

Mais alguns quilômetros e chegamos a mais uma fronteira (Chile/Argentina). As fronteiras de saída do Chile e entrada na Argentina são sempre mais fáceis. O Chile é muito rigoroso com na entrada. Já os Hermanos argentinos não costumam olhar muita coisa. Você simplesmente faz os procedimentos na imigração e Aduana e está pronto. Segue a viagem.

Depois que fizemos essa última fronteira, já nos alegramos, pois daria tempo de chegar em Ushuaia para o Réveillon.

A paisagem continuava a mesma. Retas, guanacos e mais nada. Passamos por Rio Grande e só depois, já chegando em Ushuaia a paisagem realmente começou a mudar. Já começavam algumas curvas, começávamos a ver as montanhas ao longe, alguns bosques com árvores retorcidas e agora voltávamos a ver os lagos... Muitos lagos.

Quanto mais se aproximava do Fim do Mundo, mais a paisagem se transformava. Só quando estávamos a uns 50 kms de Ushuaia que começamos a ver realmente as famosas paisagens que antes havíamos visto pela internet. Picos nevados, grandes bosques, um imenso lago na entrada da cidade e lá estávamos. Finalmente no Fim do Mundo! O clima não estava colaborando com a cidade. Estava uma insistente chuva fina e, nessa chegada, nem reparamos muito na cidade. Já chegamos procurando algum lugar para repousar a noite. Como era réveillon, todos os hotéis da cidade estavam lotados! Os que ainda tinham vagas, cobravam preços absurdos. Já era de se esperar né?!

Réveillon, 20h, e ainda não tínhamos nem ideia de onde iríamos. Romulo, meu parça de viagem, olhando no AirBNB, encontrou uma pousada próxima do centro. Pousada Los Coihues. Essa pousada é de uma brasileira do Rio Grande do Norte, muito engraçada. Ela já mora em Ushuaia há mais de 20 anos e até hoje ela mistura português com espanhol. Não dava pra entender direito. Não que o espanhol dela seja ruim, mas é que na mesma frase ela usa as duas línguas... Aí complica! Hahahahahaha

Só jogamos as coisas no quarto e fomos para a recepção procurar alguma recomendação de restaurante. Estávamos a procura da famosa Centolla. Essa Centolla é aquele caranguejo da Discovery (Pesca Mortal). Só existe no extremo norte ou extremo sul do pacífico.

Dica nº 3: Nunca vá com fome comer uma Centolla!

Fomos para o que parecia ser o único restaurante da cidade que não precisava de reserva. Resultado: Fila enorme na porta, um vento gelado lá fora e para piorar a situação, estávamos morrendo de fome. E é aí que entra minha dica número 3. A Centolla é uma delícia, porém éramos quatro pessoas. Todas famintas. A coitada da Centolla só tem 8 patas. Logo, cada um ficou com duas patinhas. Além disso, pedimos um lombo para caso o famoso caranguejo não fosse gostoso. O problema é que demorava muito para sair o jantar. Comemos o caranguejo, comemos o lombo, comemos a batata que acompanhava, enfim... comemos tudo o que tinha pra comer, comemoramos o ano novo com cerveja artesanal, mas a verdade é que voltamos pra pousada com um pouco de fome. Valeu a experiência? Demais!

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                                                  Centolla

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8º Dia

No primeiro dia do ano de 2019, estávamos começando a nossa empreitada pela famosa Ushuaia. Saímos da Pousada e fomos para o centro da cidade fazer a famosa foto na placa do Fim do Mundo. Essa placa fica próximo ao porto de onde saem os barcos que fazem os passeios de navegação pelo Canal Beagle. Depois de registrar a chegada na placa do fim do mundo, deixamos a cidade e fomos ainda mais ao sul, para o Parque Nacional Tierra Del Fuego.

A entrada do Parque fica bem próximo da cidade e o custo para entrar é de 490 pesos (uns 50 reais). A estrutura que tem nesse parque é incrível: várias áreas de camping (se não me engano são 3), um centro de informações ao turista com cafeteria e lanchonete, e o principal: todo tipo de trilhas para quem curte fazer trekkings. Trilhas que contornam lagunas e sobem cerros, trilhas à beira mar, enfim... Um paraíso para quem tem essa intenção no parque.

Em nosso primeiro dia dentro do parque, montamos nosso acampamento numa área próxima ao Rio Ovando, e já pegamos nossos equipamentos de trekking para começar as caminhadas. Fomos à Laguna Negra, à uma Castoreira, à uma trilha que liga o camping no final da Ruta 3 (Ruta essa que pegamos lááááá próximo a Buenos Aires) e o principal do primeiro dia, na minha opinião, que foi o trekking ao final da Bahia Lapataia.

Só de estar ali, numa Bahia do Fim do Mundo, já era indescritível... A sensação de estar em um dos pontos mais austrais do continente já é legal demais. Estávamos só nós 4, o mar, montanhas nevadas, um bosque ao lado.... Quando de repente aparecem duas focas ou lobos marinhos – não consegui identificar – e ficaram ali, nadando à nossa frente, mergulhando e atravessando algumas algas da bahia. Pareciam estar, ao mesmo tempo, procurando alguma comida e se divertindo na superfície.

Esse, pra mim, foi outro momento indescritível da viagem que recebi como um presente de Ushuaia para nós. Gratidão!

Depois de uns 40 minutos por ali, saímos da Bahia e voltamos para o camping para fazer nosso jantar e descansar um pouco. Nesse primeiro dia fizemos aproximadamente 14 km de trekking.

Uma coisa que esqueci de relatar aqui, é que o clima no Parque Nacional Tierra Del Fuego é bem doido. Em questões de horas e, por vezes, até minutos, pegávamos chuva, sol, vento, e até neve. Tudo isso junto! Em todos os dias que estivemos no parque passamos por todas as intempéries. Não houve nem um dia sequer que não tenha nevado. Para nós, isso era um divertimento. Mas acredito que pra quem mora lá deva ser chato demais. Hahahaha

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9º Dia

Depois de termos visto as focas na Bahia Lapataia e ter passado pelas trilhas incríveis do primeiro dia, a empolgação com o parque estava a mil. Estávamos ansiosos por começar mais um dia de trekking por lá.

O casal da Colômbia (aqueles que encontramos no dia que perdemos as barracas) havia comentado conosco que já tinham passado por Ushuaia e que no Parque Tierra Del Fuego, haviam feito uma trilha que chegava ao topo do Cerro Guanaco, e super indicou que fizemos esse sendero também.

Pois bem... Se nos foi indicado, bora pro Cerro Guanaco.

Saímos do acampamento e, nos primeiros 4 kms, a trilha é bem tranquila. Vai beirando a estrada principal do parque, passa pelo centro de informações ao turista e segue até o mirante do Lago Acigami. Depois desse ponto é subida, subida, subida e mais subida.

A primeira parte começa com as subidas por dentro de um bosque, onde não se tem muito visual. As árvores, que são bem grandes, cobrem a paisagem, mas ali dentro, formam também sua paisagem própria. Minha namorada começou a sentir ali, que a trilha ultrapassava os limites dela. Ela insistiu e continuamos subindo, subindo, subindo, até que chega em um Charco - Uma enorme planície alagada que fica depois dessa parte de bosque. Lá ela sucumbiu! Disse pra eu continuar a subida, que ela retornaria para o centro de informações e me aguardaria por lá.

Tomada a decisão, nos sentamos um pouco e fizemos um rápido lanche antes que ela retornasse. Continuei a subida em direção ao cume do Cerro Guanaco e dali pra frente a paisagem é outra. Parece até que são planetas diferentes. Uma enorme subida de pedras sem nenhuma árvore, um vento muito forte e mais próximo do topo, mais neve! Do Charco até lá, foram, mais ou menos, uma hora e meia de caminhada em um ritmo forte. Lá de cima o visual é incrível!

Retornamos ao camping e descansamos. Nesse dia deve ter dado por volta de 15 kms de trekking.

Continua...

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Continuação:

10º Dia

                Já era o nosso último dia em Ushuaia e a programação para aquele dia era conhecer a Laguna Esmeralda, porém a subida do Cerro Guanaco tinha cobrado seu preço. Ninguém queria dar nem mais um passo pelos senderos do Fim do Mundo. Os joelhos doíam demais! Os meus principalmente. Parece que era de comum acordo que aquele seria um dia de descanso.

                Deixamos Ushuaia para trás e de lá, fomos direto para o Parque Pinguino Rey (aquele que estava fechado na nossa vinda para o Ushuaia). O parque é bem pequeno e tem basicamente dois mirantes que ficam voltados para a colônia de Pinguins. A entrada não é tão baratinha. Se não me engano, custa em torno de 90 reais por pessoa. O interessante é que essa colônia de Pinguins Rei, é a única que fica fora da Antártida. E esse sim, é um belíssimo Pinguim. Não que os Pinguins de Magalhães sejam feios, eles são muito bonitinhos, mas o pinguim rei é beeem mais legal. A cor dourada perto da cabeça dá um charme e fazem as fotos ficarem mais bonitas. Além de ser bem maior que o Pinguim de Magalhães (os pinguins Rei chegam a ter 1,20 metros. Gigante!).

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                Saímos do parque, e voltamos para a nossa saga pelas fronteiras. Argentina/Chile, Chile/Argentina... A ideia agora era atravessar o estreito de Magalhães em um outro ponto, de Porvenir para Punta Arenas. Fomos direto para Porvenir e só chegando lá, descobrimos que as balsas que fazem essa travessia, só a fazem duas vezes por dia. Como já era tarde, a única opção era ir para a outra balsa e voltar pelo mesmo caminho que já tínhamos passado.

                Terminamos de fazer a travessia já era mais de meia noite. Seguimos pela Ruta 255 até próximo de um local de Naufrágios. Pelo aplicativo IOverlander, vi que existia uma área de camping selvagem já marcado no app.

                Só montamos as barracas e fomos dormir. Essa deve ter sido uma das noites com o vento mais forte de toda a viagem e a barraca bateu a noite toda.

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11º Dia

Continuamos pela Ruta 255 e depois pela Ruta 9, até chegar em Puerto Natales que é a cidade base para quem faz os passeios no parque Torres Del Paine. Muitas pessoas optam por ficar hospedado em Puerto Natales e fazer um “bate e volta” para o parque. É uma opção até viável, já que os preços dos hotéis dentro de Torres Del Paine são um absurdo. Mas como estávamos com todo equipamento de acampamento, optamos por passar três dias no camping Serrano. Essa dica pegamos pelo canal do YouTube Terra Viagem, para quem não conhece, deve ser um dos melhores canais de viagem que já vi. Segue lá!

Fizemos uma compra rápida no supermercado de Puerto Natales e seguimos viagem pela Ruta 9 sentido parque. No caminho, existe um ponto legal também que é a Cueva Del Milodón, uma caverna enorme onde vivia um animal parecido com uma preguiça, porém em tamanho gigante.

O parque tem o custo de aproximadamente 30 reais por pessoa, e, apesar de ser pequeno, vale a visita. As cavernas e formações rochosas que existem ali, são lindas e únicas.

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Já na saída desse passeio, começa a se ver as formações rochosas de Torres Del Paine, porém ainda distantes.

Seguimos na estrada e as montanhas hora sumiam, enquanto o carro passava entre árvores e rochas, hora dava a cara, porém ainda distantes. Segue assim durante muito tempo até que há alguns quilômetros da portaria Serrano, a estrada chega de frente a um lago de água azul com aqueles monstros de pedras a frente. Durante a nossa estadia de 4 dias em Torres, devo ter feito mais de 200 fotos só dessa montanha, a Cuernos Del Paine. E mesmo assim posso afirmar com toda certeza: Nenhuma foto dá a mínima ideia do que realmente são essas montanhas. É um maciço rochoso com mais de 2 mil metros de altura de uma pedra lisa. É impressionante!

Chegamos à portaria, pegamos um mapa das trilhas e algumas informações com uma guarda parque, e fomos para o camping Serrano.

Os custos do parque foram: 21 mil pesos da entrada no parque e 10 mil pesos por dia para acampar no Serrano (Preço por pessoa – Carro não é cobrado).

A área de camping é sensacional! Tudo! O banheiro, o rio que passa no fundo, a área de cozinha, tudo é ótimo.

Esse dia foi só de fotos e descanso para a trilha do dia seguinte.

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11º Dia

                A nossa intenção era conhecer duas pernas do circuito W. A do Glaciar Grey e a da Laguna Torres. Para esse primeiro dia, a escolhida foi a do Glaciar Grey.

                Para conhecer esse lado, você tem 3 opções:

Opção 1: Pegue um barco no Lago Grey (próximo ao hotel que leva o mesmo nome) e ele te leva até lá por navegação. Custo: 510 reais por pessoa.

Opção 2: Acesse a trilha pelo outro lado do parque (Hotel Torres) e vai caminhando. Porém, nesse caso, precisa dispor de uns 3 dias para a caminhada e muito preparo.

Opção 3: Pegue um barco na Estancia Pudeto, o barco atravessa o Lago Pehoe e o resto se faz por caminhada.

                Optamos por essa última, já que não tínhamos o tempo necessário para fazer caminhando e não queríamos pagar os 510 reais por pessoa para fazer de barco.

                O barco de Pudeto, só faz a travessia duas vezes por dia. Uma as 11 horas da manhã e a outra às 18:30h.         

                Havia uma fila enorme para esse barco. Eu já imaginei: “Não vai caber todo mundo”. E não é que o barco seja pequeno, ele é bem grande, mas a fila era enorme. E não deu outra! Faltando umas 20 pessoas para chegar nossa vez, o barco lotou. Felizmente eles disseram que fariam uma outra viagem, já que a fila estava longe de terminar, mas a outra saída só foi acontecer 12:30h. Para nós, que íamos caminhar até o mirante do Glaciar Grey e voltar no mesmo dia, esse tempo era precioso.

                Arriscamos assim mesmo e, por volta de 13 horas, estávamos na outra ponta do Lago Pehoe. Agora o objetivo era chegar no mirante e conseguir voltar até as 18:30h quando saía o último barco do dia. (Trilha de aproximadamente 14 km)

                A trilha começa pelo Refúgio Paine Grande. De lá você começa a subir por dentro de um pequeno vale até chegar a Laguna Los Patos. Essa Laguna já fica na parte alta e, de lá até o Mirador do Glaciar Grey, é relativamente plano.

                O que impressiona nessa parte, é que os resquícios do incêndio que teve no parque em 2011 continuam fortes. Vários bosques e árvores queimadas por todo o caminho. Como uma natureza tão forte, consegue ser tão frágil ao mesmo tempo?

                A trilha segue pelo alto até chegar no Mirador Grey. E agora sim o vento patagônico mostrou sua força! Esse tenho certeza de ter sido o vento mais forte de toda a viagem! Vi gente perder gorro, capa de mochila, óculos... Vi até passarinho voando para trás! Era praticamente impossível caminhar com o vento. Sentamos atrás de uma pedra, protegido pelo vento e fizemos um lanche rápido, pois não poderíamos demorar já que o barco sairia às 18:30h e já era quase 15:30h.

                Lanche feito, voltei a pedra que dava de cara para o vento e fiz mais alguns vídeos e fotos antes de começar o retorno da trilha.

                Na volta, já próximo do Refúgio Paine Grande, a mesma coisa: Aquela fila enorme novamente! E como na vinda, o barco teve que fazer duas viagens. Enquanto isso ficamos congelando na fila e fazendo fotos da maior montanha do parque, o Paine Grande.

                Retornamos para o camping e já fomos descansar, pois no dia seguinte seria a famosa Laguna Torres: 26 km de trilha e mais de mil metros de elevação.

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11º Dia

Tudo em Torres Del Paine gasta mais tempo que o planejado. Não tem como você percorrer essas estradas sem querer parar para tirar fotos umas 20 vezes por dia. Seja foto de montanhas, de lagos, dos Condores e alguns sortudos conseguem até fotos de Pumas. É um lugar superlativo: O azul dos lagos é muito azul, as montanhas são gigantes, o verde é mais verde... Um paraíso para fotografia.

Chegamos no hotel Torres, fizemos nosso cadastro no centro de informações (parece que cadastram todos que vão fazer as trilhas) e já começamos nossa jornada. Essa foi a trilha mais difícil de toda a viagem.

O trekking começa com uma subida, relativamente tranquila, até o vale do Ascencio. De lá continuamos por dentro do vale passando pelo “Paso de Los Vientos” (nem precisa explicar o porquê do nome né?!), descemos até o Refúgio e Camping Chileno, cruzamos as pontes sobre um pequeno rio que corta o vale até chegarmos à derradeira subida que leva as Torres. Essa subida é basicamente uma escadaria gigante com as mais diversas alturas de degraus. Cansativo? Demais. A subida parecia interminável. Quando achávamos que estava chegando, aparecia mais um pedaço de montanha a ser conquistada. Depois de muita luta com as pedras, lá estavam...

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As Torres são lindas! Tivemos muita sorte em conseguir um dia relativamente bom. Não estava aquele dia de céu azul, mas pelo menos conseguíamos ver as Torres. Li vários relatos de pessoas que fizeram a mesma trilha e, como o tempo estava fechado, não conseguiam vê-las.

Ficamos contemplando por aproximadamente uma hora. No início tinha um pedaço de céu limpo, depois o vento fechou tudo e depois começou a nevar. Tudo isso nesse prazo de uma hora. Era a Patagônia mostrando um pouquinho da sua força. Se essa era a época propícia e alta temporada por lá, imagina o que deve ser uma tempestade!

Retornamos para o carro e depois para o camping. Só lembro de ter comido alguma coisa, tomado uma Quimes e apaguei!

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12º Dia

Era nosso último dia no parque. Saímos do camping Serrano, fizemos nossa última entrada na portaria e seguimos cruzando as lindas estradas novamente até sair próximo da Laguna Amarga. Claro que fizemos todo esse trecho parando para tirar fotos e vídeos como de costume.

Logo depois do parque já fica mais uma fronteira Chile/Argentina, e também como de costume, o procedimento foi rápido e seguimos nossa viagem.

O destino do dia era El Calafate. No início, passamos direto pela cidade e fomos para o parque Los Glaciares. Já era período da tarde e não queríamos perder a oportunidade de conhecer o Glaciar Perito Moreno. A entrada do parque custa aproximadamente 70 reais por pessoa. E vale cada centavo!

O primeiro Glaciar que vi na vida foi o de Torres Del Paine, o Glaciar Grey. Mas vimos só de longe, não havíamos chegado perto de um Glaciar. E esse era o principal motivo da ida até o Perito Moreno.

Nesse sim você chega beeemm perto do gelo. Era indescritível a sensação! São 70 metros de altura e 5 kms de comprimento. Um monstro de Glaciar!!! Em baixo, no lago que dá acesso ao Glaciar, víamos os barcos que fazem os passeios por lá e pareciam migalhas perto da imensidão que era o Perito Moreno. Em alguns momentos até me lembrei da muralha de Game Of Thrones. Quem assiste a série vai entender o motivo...

Deixamos o parque e fomos direto para a cidade. Só naquele momento reparei o quanto a cidade é bonita e bem estruturada. Talvez até mais estruturada que Bariloche. Claro que não se compara, pois Bariloche já é uma cidade grande e El Calafate ainda é bem pequena, mas de todas as cidades que passamos, achei El Calafate a mais charmosa.

Ficamos no camping El Viajero, um camping municipal que fica a um quarteirão da rua principal. O camping não é dos melhores, mas é razoável. Fomos para a rua principal, compramos algumas lembrancinhas (para nós mesmos rsrsrs) e voltamos para fazer a janta e dormir.

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13º Dia

Logo cedo saímos da cidade e fomos para El Chaltén. De todas as cidades que havíamos programado de passar, essa era uma das que eu tinha maior expectativa. Já havia lido relatos de que a cidade era a Meca de trekkings e escalada. Como nossa viagem era praticamente baseada em trekkings, e no Brasil também escalamos, a expectativa era a melhor possível.

E a cidade não deixou a desejar. Logo na chegada, a estrada se alinha de frente para as montanhas e o cenário é surreal! De fundo, o famosíssimo Fitz Roy: uma das montanhas mais famosas de escalada técnica do mundo! Quase 3500 metros de altura de uma escalada mesclada de gelo e rocha. Claro que não íamos escalar um monstro desse. Não tínhamos nem capacidade pra isso. Mas só de ver essa montanha de perto, já era a realização de um sonho.

Chegamos na cidade e, pela primeira vez, meu Google me jogou em um camping certo. El Relincho: Indico e sempre que voltar quero ficar por lá. A área onde se monta as barracas é simples, mas o charme do local é uma casa que fica disponível para os campers. Na verdade, o espaço é basicamente uma cozinha compartilhada e um ambiente aquecido com várias mesas. Acho que o que realmente encanta nesses lugares, é ver as culturas diferentes compartilhando momentos juntas. Era gente do mundo todo! Nem sei quais são os países, pois não conseguia entender nem uma palavra do que falavam. Mas era engraçado e divertido observar aquilo: Todos tentando se comunicar como podiam, hora com base no espanhol, hora com base no inglês.

Nesse primeiro dia, montamos nosso acampamento, fomos dar uma volta para conhecer a cidade e eu fui até o centro de informações pegar o mapa das trilhas de lá.

Já com o mapa em mãos e o planejamento feito, voltamos à cozinha compartilhada para jantar e ficar observando aquela mexida boa que era o camping...

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13º Dia

No dia anterior, ficamos sabendo que esse seria um dia de tempo limpo e praticamente sem ventos, portanto esse era o dia ideal para fazer a trilha mais difícil que havíamos programado: O trekking até a Laguna de Los Tres. A laguna tem esse nome pois é a base das três maiores montanhas de escalada de lá: O Fitz Roy, Poincenot e Saint Exupery.

Saindo da cidade, a trilha tinha quase mil metros de elevação e se saíssemos do Hostel El Pilar (um pouco mais afastado da cidade) a trilha teria um pouco menos de elevação, além de passar pelo Glaciar Piedras Blancas. Decidimos então começar a trilha a partir do Hostel e acho que foi a decisão correta. 

A trilha começa com pequenos desníveis de subida e descida que passam próximo do Glaciar e segue assim até o acampamento Poincenot. A partir daí, a trilha fica bem parecida com a parte final de Torres Del Paine: Outra escadaria de pedras que leva a Laguna.

                E agora, mais de perto ainda, deitei nas pedras que ficam perto da Laguna e fiquei observando as três montanhas. Lindíssimas!

                No retorno da trilha, não voltei pelo mesmo caminho. Desci até o acampamento Poincenot, e ao invés de retornar pelo Glaciar, peguei a trilha que passa pela Laguna Capri e chega direto na cidade. A laguna é bem bonita e pra quem vai sentido oposto a esse que estava, se tem visual das montanhas praticamente o tempo todo.

                Nesse dia foram 24 km de trilhas e praticamente mil metros de desnível.

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14º Dia

Ainda bem que no dia anterior havíamos feito a trilha principal, pois amanheceu com o tempo bastante fechado e a barraca havia congelado. Foi a noite mais fria que pegamos: -3°C. O vento também havia voltado com força total.

Nesse dia, a programação era a trilha do Cerro Torre. 22 km, e desnível de aproximadamente 500 metros. Logo cedo, tomamos nosso café (não bebo café, no meu caso Coca Cola), e saímos para a trilha.

Como de costume, mais uma subida na saída até chegar a um dos mirantes do Cerro Torre. Chegando lá, nada! Só se via uma nuvem branca fechando todo o vale onde deveria estar a montanha. Como a esperança é a última que morre, seguimos a trilha sentido a laguna que fica na base com intenção de conseguir ver alguma coisa.

Desse ponto em diante, a trilha mescla trechos próximos ao rio Fitz Roy e trechos entre bosques. Nada de elevação, bem plano. Todo o desnível tinha ficado no trajeto até o mirante.

Infelizmente, a esperança morreu mesmo... hahahahaha. Havíamos chegado na Laguna base do Cerro Torre e só se via uma nuvem fechando o vale. Estávamos bem próximos da montanha, mas mesmo assim não era possível observar nada. Sentei ali, ainda com aquele fio de esperança e fiz um lanche. Como a montanha não queria se mostrar, depois de uns 40 minutos, pegamos a trilha de volta para a cidade.

Acho muito massa esse esquema de sair da cidade andando e chegar a lugares tão incríveis como esses que conhecemos. Realmente a cidade é privilegiada em relação a natureza e esportes Outdoor. Talvez a cidade mais promissora da Argentina em relação a esses tipos de atividade. Pra qualquer lado que se olhe tem alguma parede para escalada, ou alguma trilha para ser percorrida ou rios para a prática de rafting, etc...

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15º Dia

Acordamos às 6 da matina e partimos para mais um dia de estradas e fronteira. Dessa vez o destino era a Carretera Austral. Mais precisamente no encontro dos Rios Neff com Baker. Essa fronteira Argentina/Chile foi a mais complicada de todas da viagem. Na última cidade da Argentina (Los Antiguos) estava tendo a festa nacional da Cereja, e devido a isso, várias pessoas haviam saído do Chile para o festival. Resultado: Fronteira lotada e filas para imigração. Depois de aguardar pacientemente na fila e fazer a saída da Argentina, rodamos mais alguns kms até a imigração Chilena. E dessa vez, foi solicitado que retirássemos tudo do carro e passasse no raio x. Tudo! Uma caminhonete cheia de mochilas e caixas até a tampa!

Depois de uns 40 minutos estávamos liberados e seguimos viagem rumo a Carretera Auatral. Passamos por Chile Chico, a primeira cidade do Chile e entramos em uma parte bem bonita. Uma estrada de rípio que vai contornando o lago General Carrera até a cidade de Puerto Guadal. O lago terminou e logo depois entramos na Carretera Austral.  

Mais alguns kms ao sul e chegamos no encontro dos rios. A cor da água é impressionante! Parece até que tem corante. Mesmo nas partes rasas do rio, percebe-se a tonalidade azul. Muito bonito!

Como já era quase noite, fizemos algumas fotos rápidas e fomos procurar alguma área para acampar. Na mesma estrada, voltando sentido a Puerto Guadal, encontramos uma área que parecia já ser utilizada como camping. Tinha algumas fogueiras antigas, alguma lenha separada... Ficamos por lá mesmo. Essa área fica colada no Rio Baker.

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16º Dia

Acordamos a beira do Rio Baker, fizemos nosso café (Lê-se Coca Cola para o meu caso), e seguimos agora rumo as Capillas e Catedral de Mármol. Uma formação rochosa de mármore que são ilhas no lago General Carrera.

Para conhecer as Capillas, você deve fazer o passeio de barco ou caiaque e a maioria dos passeios saem da cidade de Puerto Tranquilo. Como estávamos de carro, fiquei de olho no GPS e chegando próximo das Capillas, encontrei uma estrada que dava acesso ao Lago General Carrera onde havia uma placa com anúncio dos passeios. Acessamos a estrada e logo depois encontramos um porto de onde saíam barcos e alugavam caiaques.

Eu fiz o passeio de Caiaque. Um guia nos acompanhou o tempo todo e ia explicando sobre as formações das rochas e algumas curiosidades da região. Inclusive nos disse que quando ocorrem tempestades sobre o lago, as ondas chegam a medir 5 metros de altura. Eu até já tinha visto algumas ondas no lago antes, mas é incrível pensar a força que esse vento deve ter para gerar ondas dessa magnitude em um lago. Logo atrás das Capillas de Mármol, vivem uma família de Condores também. Não os vimos por lá, mas o guia disse haver mais ou menos 4 ou 5 condores.

As Capelas são maravilhosas e a cor da água é bem parecida com a do rio Baker (e bem gelada também), um azul bem forte. O passeio demorou cerca de 2 horas.

Seguimos subindo pela Carretera Austral até a Villa Cerro Castillo. Camping La Araucaria. Chegando lá, descobrimos que nessa cidade também tem alguns trekkings famosos e alguns circuitos tão puxados quanto El Chálten e Torres Del Paine. Infelizmente não havíamos programado nada por lá, e a estadia foi só para descanso.

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17º Dia

O dia amanheceu e caímos na estrada novamente. Seguimos subindo pela Ruta 7 (Carretera Austral), passando por Coihaique, Reserva Rio Simpson e Reserva Lago Las Torres até chegar ao Parque Queulat, pois já estava programada nossa visita ao Ventisquero Colgante.

Tecnicamente não sei ao certo, mas parece que chamam de Ventisquero quando um Glaciar se forma no alto de uma montanha e, com o derretimento do gelo, formam-se cachoeiras.

O lugar é bem bonito. Todas as trilhas percorrem bosques. Bem úmido e fechado.

No lago onde cai a cachoeira do Glaciar também tem passeios de barco, porém não tínhamos tempo disponível para isso. O Parque fecharia em alguns minutos.

Voltamos para a estrada e decidimos dormir próximo a Futaleufú, famoso por seus rios de águas rápidas, paraíso do rafting. Nesse dia acampamos no Camping Los Coihues.

Continua...

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Sensacional! 

Tenho um roteiro já bem planejado, sem data ainda para executar, mas que é meu atual sonho de consumo. Falei esses dias mesmo que, se ganhasse na loteria, a primeira viagem que faria seria para a Patagônia. E esse roteiro é muito parecido com o seu, incluindo exatamente esse mesmo trecho da Carretera Austral, porém no sentido inverso, descendo por ela e voltando pela RN3.

Vou acompanhar os próximos dias do relato...

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2 horas atrás, Elder Walker disse:

Sensacional! 

Tenho um roteiro já bem planejado, sem data ainda para executar, mas que é meu atual sonho de consumo. Falei esses dias mesmo que, se ganhasse na loteria, a primeira viagem que faria seria para a Patagônia. E esse roteiro é muito parecido com o seu, incluindo exatamente esse mesmo trecho da Carretera Austral, porém no sentido inverso, descendo por ela e voltando pela RN3.

Vou acompanhar os próximos dias do relato...

Fala Elder,

Inicialmente, nosso trajeto também começava pela Ruta 40.

Independente do sentido que você faça, tenho certeza que vai curtir.

Sucesso no seu projeto aí! Qualquer dúvida, estamos a disposição!

Abraço.

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      Dia 1º/jul - 4º: De novo, acordamos umas 2:15h, tomamos café e saímos para caminhar às 3h e alguma coisa. Só terminamos à 12:30h, exaustos, em Santo Amaro. Foi o dia mais longo e mais cansativo, cerca de 28km. Neste dia, mais uma vez, é possível pegar um transporte em Vassouras, economizando assim, uns 10km. Pergunta se pegamos? Não. Faltando uns 8km (talvez 6km), o guia novamente perguntou se queríamos pedir um carro e pagar R$50 cada um. Pegamos o carro? Não, só faltavam 8km... As lagoas perto de Santo Amaro são bem mais bonitas que as de Barreirinhas e, acredito eu, o turismo em Santo Amaro irá aumentar com a boa estrada já existente até São Luís (só falta transporte).
       

    • Por Rodrigo Burle
      Este chalé fica em Solčava, Eslovênia (ver foto). Ele são muito populares nas áreas montanhosas, os menores são chamados de "hut" e os maiores "dom" e custam entre 17 e 30 euros, os preços variam de país para país.   Eles estão espalhados por todas as montanhas da Europa, e uma coisa que quase todos os refúgios têm em comum é uma vista espetacular (como este da foto). A estrutura é muito semelhante a um hostel, eles têm quarto privado e quarto compartilhado, estão sempre cheios de montanhistas. Na maioria dos parques nacionais é proibido acampar e isso em toda Europa. A multa é salgada e os rangers ficam o dia inteiro a procura de barracas, inclusive com helicópteros. Se você vai para as montanhas tenha em mente que você terá que dormir nestas refúgios algumas vezes, pelo menos nas montanhas mais altas ou em parques nacionais.   Dica para economizar   Se você vai para as montanhas da Europa, não importa em qual país. Você pode se associar a ao clube de montanhismo e ganhar diversos descontos, inclusive em acomodação. O mais legal é que se tiver o selo de reciprocidade, você pode usar em qualquer país (foto 4 e 5). A maioria dos refúgios que eu fiquei custavam na faixa de 30 euros, com o cartão da associação eu pagava 15.   Se você vai passar uma semana nas montanhas a 30 euros são 180, com o desconto você paga 105. São 75 euros, a anuidade varia de clube para clube (o da Eslovênia foi o mais barato que eu achei), paguei 30 euros. Você economizaria 45 euros. E quanto mais tempo maior a economia, vale a pena. Fora isso, você tem descontos em lojas de roupas e equipamentos entre outras coisas.   O site para se associar a um clube de montanhismo na Eslovênia é: www.pzs.si   Eu já ajudei centenas de pessoas com meu livro Liberdade Nômade, onde eu conto tudo que eu fiz e dou dicas para que você não passe nenhum tipo de aperto em suas viagens aprendendo com meus erros. Eu vou te mostrar que é possível viver viajando, independente do que você faz hoje ou sua idade.   Dê o primeiro passo para a liberdade, clique no link abaixo: https://bit.ly/liberdadenomade2021   Tem um monte de fotos das minhas aventuras no instagram: https://www.instagram.com/rodrigoburle/   E não esqueça, dê o primeiro passo!  Muito obrigado! 




    • Por Rodrigo Burle
      Slovenska Planinska Pot, às vezes também chamada Transverzala, é uma travessia de Maribor até Ankaran. Abrange a maior parte das áreas montanhosas da Eslovênia, incluindo Pohorje, os Alpes Julianos, os Alpes Kamnik-Savinja, os Karawanks e a parte sudoeste da Eslovênia. Distância 617km com nada menos que 37.300 metros de subida acumulada. Umas das mais difíceis trilhas de longa distância que eu já fiz, porém uma das mais belas também. Oficialmente pode ser feita em 37 dias, eu demorei 42. Essa trilha passa pela montanha Triglav, símbolo nacional da Eslovênia (a montanha da bandeira nacional), 2864 metros, ponto mais alto da travessia.
      A Eslovênia é um país lindissímo, com montanhas por todos os lados. O povo é muito hospitaleiro, o que tornou este trekking uma aventura bastante prazerosa. Eles são simplesmente fanáticos por montanhas, é comum ver famílias inteiras escalando, desde o netinho até o avô.
       
      Existe um livro, tipo um passaporte, onde você coleta o carimbo em cada topo de montanha e é bem tradicional. Conversando com um senhor, ele me disse que praticamente todo Esloveno tem esse livro e que é uma tradição coletar todos os carimbos antes dos 50 anos. Ele também me disse que poucos conseguem, eu coletei todos em 42 dias. A maioria das pessoas não consegue não porque é difícil, mas por não ter tempo, o que me lembrou o quanto eu tenho sorte em ter liberdade geográfica e financeira.   Eu comparo esse passaporte com a vida, onde cada carimbo é um sonho que você tem. Quantos carimbos você tem coletado? Comenta aí...   Eu tinha várias desculpas para não realizar meus sonhos, sempre ocupado com trabalho, estudos ou qualquer outra coisa. Somente com 38 anos eu me dei conta que a vida voa e se você não sair do “automático” e começar a viver ela vai passar e você nem vai perceber.   Felizmente nunca é tarde, não importa a sua idade, sua condição financeira, sua experiência, se você quer ter uma vida cheia de momentos incríveis e experiências transformadoras, vá viajar! Nada vai te proporcionar uma vida tão intensa e com propósito.   Se você não sabe por onde começar eu escrevi um livro contanto tudo que eu fiz desde que sai do Brasil quase sem grana até me tornar um Nômade Digital. Acredito que vai te trazer bastante clareza de como é possível viver viajando.   Vou deixar o link aqui: https://bit.ly/liberdadenomade2021   Muito Obrigado!

















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    • Por Alan Rafael Kinder
      INTRODUÇÃO
      Bom dia pessoas!
      Segue o relato da viagem em grupo que fiz neste final de semana (dias 15 e 16 de maio de 2021) até o município de Alfredo Wagner/SC, conhecida também como a capital catarinense das nascentes de Santa Catarina.

      Foto do grupo, no estacionamento - início da 'trilha de acesso'.
      De lá, seguimos por cerca de 17km em uma estrada do interior que leva até o ponto de estacionamento que dá início à 'trilha de acesso' aos Soldados Sebold.
      O caminho de carro até lá é de fácil acesso, você consegue se localizar através do GPS sem qualquer dificuldade - e quando a estrada no Maps acaba, haverão placas indicando o final do percurso até o estacionamento.
      É cobrada uma taxa de R$ 10,00 por veículo para deixa-lo estacionado (apenas dinheiro).
      Caso tenhas um veículo 4x4, podes seguir por um acesso que leva até ao acampamento (todavia você perde a chance de fazer a 'trilha de acesso').
      Para poder acessar a fazenda particular onde os Soldados Sebold estão, é necessário reservar com antecedência (mas vi pessoas chegando de carro na hora e negociando na recepção - todavia não indico pois corre-se o risco de não haver mais vagas).
      Informações específicas sobre valores e reserva podem ser obtidos diretamente no site deles: www.soldadossebold.com.br.
      Estávamos em um grupo com 06 pessoas, fizemos a reserva com duas semanas de antecedência, e conseguimos apenas vagas para o 'acampamento alto' - todas as opções de hospedagem (refúgios) e as vagas no 'acampamento baixo' já estavam ocupadas.
      O valor por pernoite acampando é de R$ 50,00 por pessoa, com acesso à toda estrutura da fazenda (mesmo que você esteja no 'acampamento alto').
      Bem, abaixo vou segmentar o relato, em ordem cronológica, falando das trilhas e da fazenda...
       
      TRILHA DE ACESSO
      Como já havia pontuado acima, a trilha começa no ponto de estacionamento, e segue inicialmente por uma larga estrada rural, passando em dois momentos por rios rasos, e depois um forte aclive até uma interseção que faz os caminhantes subirem o paredão por uma passagem, e depois retorna para uma estrada rural que leva até ao acampamento.
      O caminho em si é fácil, com apenas 7km (conforme nosso mapeamento - no site consta cerca de 6km) e 414m de elevação (qual se acumula após passar do segundo rio, até o topo do paredão).
      Ambas as passagens pelos rios podem ser feitas pelas pedras (com um pouco de trabalho - não tem um caminho bem definido). Ou tirando os calçados e passando pela água que chegará até a canela. Eu atravessei com botas de trilha de cano alto, pelas pedras.

      Primeiro rio, no primeiros momentos da trilha de acesso.

      Segundo rio, logo após o primeiro.
      Após o segundo rio, não demorará para chegar no início de um aclive acentuado pela estrada, com muitas pedras soltas. Ele é longo e sinuoso.
      Em certo momento, facilmente poderá se perceber um desvio para a esquerda (há inclusive marcações e uma plaquinha), onde saímos da estrada e pegamos uma trilha que nos levará até o topo do paredão. Trata-se de um caminho bem definido, com também muito aclive, e no final o solo argiloso fica úmido (mesmo em um dia ensolarado).
      Já no topo do paredão é possível ter o primeiro vislumbre das formações montanhosas (e dos Soldados Sebold) ao final do vale.

      Caminho pelo pasto logo após a subida do paredão (depois daqui quase não haverá mais aclives).
      A trilha percorre um pasto, disputando o espaço com algumas vaquinhas, e culmina na estrada rural, que ziguezagueia por cerca de 2km até a entrada da fazenda, com pequenas subidas e descidas. Quase chegando a porteira, temos ainda uma elevação considerável para encarar.

      Estrada rural que segue até a entrada da fazenda - já dar para ver os Soldados Sebold ao fundo.
       
      ACAMPAMENTOS BAIXO E ALTO
      Quando você chegar na porteira da fazenda, um funcionário verificará se os nomes estão na lista de reservas, daquele ponto a estrada se divide, com um caminho descendo até o 'acampamento baixo', e o outro subindo até o 'acampamento alto'.
      A recepção, os refúgios, os chuveiros, a lojinha/bar e praticamente toda estrutura da fazenda ficam no 'acampamento baixo'. Lá há sinal de wifi, tomadas para recarregar os equipamentos, água quente para banho e luz. Na cozinha compartilhada tu encontras um fogão e uma geladeira. Há algumas (poucas) mesas distribuídas pelo espaço, e também, obviamente, áreas para acampar distribuídas ao redor de toda estrutura.

      Um dos refúgios para locação na frente, a cozinha comunitária e outro refúgio ao fundo - parte da estrutura no 'acampamento baixo'.
      Há dois sanitários, três pias, e dois chuveiros (e também há um banheiro/chuveiro numa casinha de madeira pequeninha).
      Um dos chuveiros não estava esquentando nesse final de semana, e os demais ficavam mais 'fracos' quando ligados simultaneamente.
      Ah, a água é potável em todo acampamento!
      A lojinha/bar serve frituras, bolos, pinhão (nessa época) e outras coisinhas (camisas). Há também refrigerante e cerveja (Ecobier).
      Os preços são justos (considerando o isolamento do lugar - uma Ecobier de 600ml sai por R$ 10,00).
      É aceito cartão de crédito.
      Naturalmente pede-se para que todos tenham a sensibilidade com a questão do lixo, e no 'acampamento baixo' há um local para depósito de reciclados.
      Diferentemente do 'acampamento baixo', no 'acampamento alto' quase não há estrutura.
      Basicamente é um pasto enorme com vários pontos dispersos de acampamento (o espaço é bem amplo).
      Existem algumas torneiras distribuídas, e também uma pia.
      Tem uma casinha de madeira com um vaso, e ao lado de fora outra pia - mesmo durante o dia fica escuro lá, necessitando de uma lanterna para usar.
      Não há pontos de energia, nem luz, nem mesas - enfim, tem uma pegada mais selvagem.

      Conexão entre o acampamento baixo e alto, com aclive acentuado e cerca de 600m.

      Um dos lados do acampamento alto (ele é bem amplo), em foco o banheiro.
      Nós acampamos nessa área, e foi super de boas. É um pouco difícil achar áreas planas (eu não consegui - instalei a barraca da melhor forma que deu, mas ainda tinha desnível, e quem acampa sabe como isso é chato).
      Parece que os proprietários da fazenda estão tornando o local mais 'acessível' a outros públicos turísticos - estão sendo construídas cabanas e já vimos postes instalados nessa área (tudo indica que futuramente haverá energia aí também).
      Tivemos um azar terrível de um outro grupo acampar perto de nós, e fazer barulho (gritos e musica) até tarde.
      Mesmo havendo avisos sobre a questão de silêncio, parece que esse pessoal aí não sabia ler, ou muito menos ter mínimo de bom senso. Como a balbúrdia começou já no inicio da noite, não tivemos a chance de nos instalarmos em outro canto mais silencioso - e tivemos que aguentar a macaquice desses 'doutores' (uma ficava toda hora dizendo que tem CRM, outro que era engenheiro - uma piada pronta).
      Enfim, vale pontuar que os acampamentos ficam cerca de 600m um do outro. A distância não é muita, mas há um desnível considerável entre ambos, tornando essa caminhada extenuante.
      Tivemos que faze-la umas três ou quatro vezes durante nossa estadia.
       
      TRILHA ATÉ A BASE DOS SOLDADOS
      Essa trilha nos permite subir até o ponto de tocarmos a formação de rochas e arenito de Soldados Sebold. A fizemos no início de domingo, logo após nosso café da manhã.
      Ela começa em um dos extremos do 'acampamento alto' (há sinalização) e consiste em um aclive pesado por cerca de menos de 1km, onde chegamos no topo. Eu achei a subida perigosa, com muitos pontos que passava pela beirada, sem nada para impedir uma infeliz queda. O caminho também exigia que por vezes você deveria subir 'de quatro', usando as mãos para se segurar (e na boa, não é zoeira). Totalmente impossível de subir quando úmida.
      Mas obviamente, a visão lá de cima é extraordinária!

      Subida da trilha da base dos Soldados Sebold, com nuvens baixas.

      Outro ângulo durante a subida, em direção aos paredões.

      Captura de parte do acampamento alto, durante a subida para a base dos Soldados Sebold, cerca de um terço do caminho (sobe muito mais).
      Do mirante do topo, é possível subir por mais uns poucos metros e tocar nos Soldados Sebold, e deste caminho têm a opção para descer pelo caminho alternativo (que foi qual tomamos).
      É possível perceber que pouca gente opta por ele, dadas as condições da trilha (muito mais fechada e menos definida - mas sem problemas para navega-la).
      Ele é mais longo, mas achei mais seguro (apesar de também haverem pontos de exposição ao 'infinito'). Ao final você chega na interseção da trilha que leva para o 'arranha-céu' (uma trilha mais complicada que não fizemos, e exige reserva com guia credenciado), e volta por um caminho batido ao lado de um córrego até os pastos do 'acampamento alto' novamente.
      A trilha deu 2.5km (segundo nosso mapeamento), com 437m de aclive acumulado - esquecemos de mapear bem o início dela, então os números podem ser um tanto superiores.
       
      CÂNION DO LAJEADO
      Logo que terminamos a trilha até a base dos Soldados Sebold, retornamos para nossas barracas e começamos a levantar acampamento.
      Demos uma paradinha ainda no 'acampamento baixo' para usar os banheiros, tomar uma cerveja e seguimos pela 'trilha de acesso' para retornar até o estacionamento.
      Logo que saímos da fazenda, passados uns 400m, há a possibilidade de acessar o Cânion do Lajeado.
      É uma trilha extremamente curta e simples (só há uma escada para descer a parede), e tem um cenário bacana.
      Não custa nada a paradinha.

      Conforme você avança o cânion vai afunilando, mas necessita entrar na água.
      A volta foi tranquila, eu sempre acho mais fácil descer do que subir, então foi suave!
      Depois, bastou pegar os carros e encarrar a estrada até em casa.
       
      CONCLUSÃO
      Gente, vale muito a pena conhecer esse lugar - e eu sugiro ter essa experiência nesses moldes que adotamos.
      Fazer a 'trilha de acesso' e subir até os Soldados Sebold.
      Nós só subimos no domingo pois chegamos tarde no sábado, e ficava muito corrido tentar.
      O local é bem agradável para passar o dia, dá pra ficar curtindo a paisagem com tranquilidade.
      Infelizmente grupos barulhentos são comuns em todos os cantos, eu nunca vou entender a necessidade dessas pessoas virem para um canto de sossego só para fazer barulho (e ainda por cima gritar 'ninguém dorme')... e isso definitivamente estragou bastante a experiência para mim.
      Eu achei a fazenda bem estruturada, e o local é bem movimentado.
      Para nosso grupo, desconsiderando combustível, a despesa média ficou em cerca de R$ 80,00 por pessoa (considerando comida, besteirinhas que compramos por lá, entrada/pernoite e estacionamento).
      Naturalmente daria de fazer com muuuito menos.
      Enfim, foi um resumo da atividade, certamente deixei coisas de fora.
      Qualquer dúvida basta deixar uma mensagem que estarei respondendo!

      Eu praticamente no topo! @alankinder
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