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Saudações, povo da mochila.

Compartilho aqui relato de uma curta passagem pelo Parque Nacional do Itatiaia no início de maio, junto com minha esposa. Já fazia uns três anos que planejava visitar o Parque, mas indisponibilidade de datas e outros compromissos postergaram a visita. Felizmente, por ter trabalhado nas Eleições/2018, consegui certo número de dias de folga e utilizei dois na sequência do feriado do dia do Trabalhador (1º de maio), que caiu numa quarta-feira. Minha esposa tinha alguns dias de folga para tirar também e dessa forma conseguimos estender um feriado para cinco dias, e seguimos o seguinte cronograma:

  • 3ª feira (translado): Brasília-Campinas; pernoite em Campinas
  • 4ª feira (dia 01): Campinas>Itatiaia ; Pedra do Altar
  • 5ª feira (dia 02): Agulhas Negras
  • 6ª feira (dia 03): Prateleiras ; Pernoite em Maromba (RJ)
  • Sábado (dia 04): Travessia da Serra Negra (1ª parte)
  • Domingo (dia 05): Travessia da Serra Negra (2ª parte) ; retorno à Campinas; pernoite em Campinas
  • 2ª feira (translado): Campinas-Brasília

Optamos por ir por Campinas pois os preços das passagens estavam mais atraentes e a distância e tempo de viagem não aumentavam tanto (40min). Em Campinas alugamos um carro: Fiat Mobi na Foco. É a segunda vez que alugamos um Mobi, não apenas por ser mais barato, mas também por ser bastante econômico (em nossa viagem para Paraty percorremos 700km com um tanque, usando Etanol!). A Foco apresentou os melhores preços mas o ponto negativo é que as lojas ficam fora do Aeroporto, então para quem tem pressa ou horário apertado, recomendo avaliar. Entretanto, a Foco Campinas oferece transporte numa Van para os clientes e o tempo de deslocamento é entre 10 e 15 min. Ainda que eu goste de viajar de ônibus, as opções de horários e pontos de parada para a região do Itatiaia são poucas e péssimas, fazendo com que alugar o carro seja o melhor custo-benefício.

 

Equipamento:

Optamos por pernoite no Abrigo Rebouças e em quarto na Pousada Pico da Serra Negra (com janta e café da manhã). Pernoitar no Rebouças nos ajudou também a otimizar nosso tempo, evitando, por exemplo, ir e voltar do PARNA para fazer Agulhas e Prateleiras, além de andarmos mais leves durante a travessia. Com os pernoites no Abrigo e em quarto na Pousada, pudemos levar o mínimo de equipamento e peso possível, apenas o necessário. Essa escolha nos possibilitou utilizar, durante as atividades, uma Mochila 43L e uma Mochila 36L. Para o despacho dos equipamentos que foram usados no Abrigo Rebouças (sacos de dormir, vestuário, utensílios de cozinha, etc) acabamos utilizando minha mochila de 65L. Nessa hora senti falta de um Duffel, que tornaria tudo mais simples e prático rsrs

Para cozinhar, levamos um fogareiro Nautika Apolo, um kit de panela da Quechua, talheres e outros acessórios. Quanto ao gás, como é proibido o despacho de material inflamável no avião e o Abrigo Rebouças não disponibiliza botijão, a saída foi comprar um botijão TekGás em Campinas e mandar entregar no hotel. Comprei pela internet na Corricos (www.corricos.com.br) e, por telefone, negociei uma entrega rápida. Fui muito bem atendido pela equipe da loja e providenciaram a entrega no hotel através de um motoboy.

Como o Itatiaia é conhecido por suas noites frias, levamos nossos sacos de dormir -5ºC de conforto. Passamos calor. Para quem fica no abrigo, acredito que um de conforto 0ºC ou +5ºC é suficiente. Para quem vai de carro e pode levar, uma opção é levar lençol e cobertas.

Para a travessia da Serra Negra, levamos apenas nossas roupas (camadas de aquecimento e para dormir, Crocs pendurados nas mochilas), água e alimento para 3 dias. Como estávamos sozinhos e não cruzaríamos com outros grupos, levamos também uma barraca de emergência e dois sacos de emergência, pois o peso é insignificante e são extremamente úteis em uma eventual necessidade. Estávamos com GPS de mão, e como backup, celular com App de navegação.

O Abrigo Rebouças:

O Abrigo Rebouças possui energia elétrica mas não possui  - ainda, vamos ver como ficarão as coisas após a concessão - nenhum serviço de alimentação, não oferece botijão de gás, apesar de haver um fogão industrial, e não possui chuveiros quentes nem geladeira. A diária sai R$ 35,00 por pessoa, sendo necessário realizar reserva entre 30 a 7 dias de antecedência da data de entrada. A estrutura é de abrigo de montanha, com quarto e banheiros compartilhados. As camas são em beliche, havendo um gavetão para cada pessoa, localizado abaixo da cama inferior. A estrutura, apesar de rústica, é bastante confortável. 

Inicialmente havíamos planejado dormir três noites no Abrigo Rebouças e pegar um táxi de Maringá para o PARNA no final da travessia, para recuperar o carro. Entretanto, após conversar com o taxista Marquinhos (tel/whats 35 8428-1059), preferi pernoitar em Maromba no dia anterior à Travessia e deixar o carro na pousada. Assim ficamos menos dependentes de terceiros e horários para retornar a Campinas.

 

1. Chegando…e já saindo

Saímos de Brasília na noite de terça-feira, em voo com escala da Azul. Chegando em Campinas, fomos resolver o aluguel do carro. Chave nas mãos, fomos primeiramente comprar mais algumas coisas no Extra e depois para o Hotel Casablanca (http://www.hotelcasablanca-campinas.com.br/). O hotel é bastante agradável, com ótimo custo benefício, bom café da manhã e estacionamento grátis. 

Apesar da correria conseguimos descansar bem e acordamos cedo no dia seguinte para tomar um bom café-da-manhã e, às 8h, sair rumo à parte alta do Parque. A estrada é movimentada, mas excelente. Os pedágios...são aos montes - não esqueça de levar dinheiro para isso!

Pouco depois do meio-dia já estávamos no Graal Alemão, onde paramos para abastecer e almoçar. O preço da gasolina estava bom; o da alimentação, caríssimo. Como não sabíamos se haveria restaurante mais acima, acabamos comendo lá mesmo. Mas para você que está lendo, fica a dica: em Engenheiro Passos há banquinhas e restaurantes bastante convidativos, talvez o maior e mais movimentado seja o Restaurante do Juquinha. De Engenheiro Passos até o Posto Marcão é curva que não acaba mais. Felizmente a estrada estava ótima, com asfalto e pintura recentes. Mas isso até a Garganta do Registro, onde começa a estrada que leva da rodovia até o Posto Marcão. Estrada ruim, mas transitável para qualquer veículo. Para um Parque tão movimentado quanto o de Itatiaia, já deveria ter sido melhorada. Entre 1ª, 2ª e raros momentos de 3ª marcha, pouco antes das 14h estávamos no Posto Marcão. Fizemos o cadastro, pagamos o ingresso, pegamos a chave e fomos largar as coisas no Abrigo.

O estacionamento estava movimentado, pois um grupo do Exército estava fazendo reconhecimento para uma futura atividade de treinamento. Havia carros, tendas, caixas e muitos soldados. No abrigo estava tudo calmo, apenas sinais de duas pessoas. Pudemos escolher com tranquilidade nossas camas e organizar alimentos e equipamentos. Como ainda estava cedo, resolvemos ir para a Pedra do Altar. Saindo por volta das 15:30, cruzamos com o casal que estava no abrigo, voltando de um caminhada.

A trilha para a Pedra do Altar sai (também) do Rebouças e segue parte da trilha para o Agulhas Negras. Em alguns pontos, sinais da sinalização rústica da Transmantiqueira. A trilha é bastante tranquila, sem lances técnicos. Fomos com bastante calma e apreciando a paisagem e pouco antes das 17h estávamos no cume da Pedra do Altar. O céu ensaiava o pôr-do-sol e um forte vento soprava, mas tínhamos a montanha e toda a vista só para nós: de lá apreciamos Agulhas Negras, Asa de Hermes, Couto. Na descida fomos presenteados com o Agulhas Negras tingido de laranja. Pouco tempo depois de passarmos a ponte pênsil a noite caiu. Sacamos as lanternas e seguimos para o Rebouças, atrás de um grupo que voltava do Agulhas.

A noite não estava tão fria e a água gelada do chuveiro não foi tão ruim. De qualquer forma, o banho nessas situações é tomado aos poucos: mãos, pé, cabeça, pernas, tronco, e por último as costas rsrs.

No abrigo, novas pessoas. Além do casal havia agora um grupo de aproximadamente 10 pessoas que fariam a Travessia da Serra Negra no dia seguinte. Descobrimos que a cozinha do abrigo ficou pequena para tanta gente, e ainda por cima gente espaçosa: São apenas duas mesas grandes com bancos. Com muito custo conseguimos um espaço para fazer nossa janta e comer com calma. Fizemos o bom e velho macarrão com atum, acompanhado de chá. Acabamos indo dormir cedo. Infelizmente a noite foi barulhenta: roncos, despertadores tocando de madrugada sem que seus donos - ou os amigos dos donos - desligassem. Pense você: o despertador tocando quase 10 minutos, as pessoas do grupo acordando e discutindo de quem era o celular, e ninguém se movendo para desligar. Em um rompante de indignação com a inação e incapacidade das pessoas de conviver no coletivo, desci da beliche, abri a mochila alheia e desliguei o celular. “Desculpa gente, mas se ninguém desliga eu desligo”. Voltei a dormir, para 1 hora mais tarde acordar com o barulho dos soldados na área externa.

 

2. Agulhas Negras

Café-da-manhã tomado, cuscus paulista para o almoço devidamente preparado, nos arrumamos para o Agulhas Negras. Por volta das 8:30 o guia Carlos da Barba Negra Aventuras (Telefone: 24 998235501), chegou no abrigo e às 9h partimos para o Agulhas Negras. O tempo estava nublado, mas o horizonte estava limpo: tempo perfeito! Nossa progressão foi tranquila e rápida até a base do Agulhas. A partir da primeira rampa o ritmo foi mais devagar, o que era esperado. O Carlos nos conduziu em ritmo muito bom e com toda a segurança. Não me prendi muito a marcar o tempo, pois estávamos ali para curtir o local e a ascensão. Que paisagem. O Agulhas é realmente um lugar muito único e considero uma das montanhas mais bacanas que já subi aqui no Brasil, pelos seus muitos lances de 'escalaminhadas' e por exigir mais que a simples caminhada. Apesar de não ser uma montanha com muitos lances expostos, pode causar medo e vertigem em algumas pessoas e, para quem não está fisicamente preparado, pode ser exigente. No cume, tínhamos novamente a montanha só para nós. Essa foi a primeira vez da minha esposa em montanha, e mesmo com receios e incertezas encarou o desafiou. Comemos algo e aí Carlos e eu fomos para o cume verdadeiro. Assinado o livro, voltamos, tiramos algumas fotos e iniciamos a descida, também em ritmo bem tranquilo, sem pressa, sem ansiedade. Chegando no Rebouças nos despedimos do Carlos, que nos encontraria no dia seguinte para irmos ao Prateleiras, e entramos. O banho dessa noite foi um pouco mais sofrido, pois estava mais frio que na noite anterior. Mas tudo bem, água fria ajuda na recuperação muscular rsrsrs. Após o banho, fomos jantar. O cardápio do dia era purê de batata instantâneo com lombinho defumado. Nessa noite o abrigo estava mais agradável e espaçoso. O grupo grande havia partido, e agora estávamos nós, o outro casal, e mais um casal que havia chegado. Só gente bacana, e bom papo rolando. A noite foi bem mais tranquila e silenciosa, inclusive porque a atividade do exército já havia terminado.

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No cume verdadeiro do Agulhas Negras.

3. Prateleiras

Café-da-manhã tomado, cuscus paulista para o almoço devidamente preparado, nos arrumamos para o Prateleiras. Mochilas prontas, chave do abrigo devolvida na portaria. Acabamos saindo mais tarde, umas 9:30. Eu havia alimentado uma possibilidade de fazer Prateleiras e Couto nesse dia, mas como atrasamos a saída, o Couto ficou para uma próxima. A trilha até a base do Prateleiras é tranquila e muito bonita, como é toda a parte alta do Itatiaia. Os vales que se descortinam são dignos de receberem gravações de filmes como Senhor dos Anéis e o Hobbit. A trilha que sai do Rebouças, segundo consta, era uma antiga estrada que cruzava o parque. Tanto é que parte dela é asfaltada. 

Rapidamente se chega à base do Prateleiras e é aí que começa a diversão. Apesar de mais baixo, sua ascensão é muito mais desafiadora e exigente: pedras para subir, pedras para descer, fendas, rastejo. Para quem não está acostumado, pode dar uma abalada. Apesar disso, indo com calma e com um bom guia, não há razões para se apavorar. Chegando na parte final, no primeiro trecho onde se recomenda o uso de cordas, Ana já estava cansada física e mentalmente, e decidida a ficar. Carlos então subiu e montou a corda para eu subir. Passamos rapidamente o pulo do gato e os demais trechos e enfim, cume. Que vista! Um carcará solitário numa das pontas nos observava, e observava a paisagem, certamente procurando uma presa.

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Vista incrível a partir do Prateleiras.

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Ana e eu na base do Prateleiras.

Ficamos algum tempo ali e Carlos me mostrou as ancoragens do rapel que é possível fazer dali, ao invés de descer pela trilha. Voltamos e encontramos a Ana e descemos para uma fenda onde almoçamos. Iniciamos o retorno e pouco antes das 15h estávamos no Rebouças. Acertamos o pagamento e nos despedimos. Pegamos o carro e partimos para Maringá (RJ). Se for seguir esse roteiro, recomendo demais se planejar para chegar em Maromba antes do pôr-do-sol. São 2h30min até lá e a estrada é bastante sinuosa, com trechos estreitos e o asfalto nem sempre conservado. Chegamos em Maringá às 17:45 e já estava escuro. Seguimos direto para a Pousada Santa Clara, que fica próxima à cachoeira Santa Clara e ao Restaurante Truta Rosa. Havia reservado um quarto com a Maria Margarida (24 992690350), bastante simpática e solícita. A pousada é bem bacana, quartos limpos e confortáveis. Deixamos as coisas, tomamos banhos e fomos jantar. O centro de Maringá é bem bacana e agradável, bastante organizado. Por recomendação do pessoal da pousada fomos no restaurante Paladar da Montanha. Apesar do prato típico ser a truta, optamos por uma picanha na chapa. Prato muito bem servido e preço muito bom. Maringá estava tão agradável que Ana quase me convenceu a ficar lá rsrs mas como sou obstinado, fui fiel ao planejamento. A região da pousada é bem agradável e silenciosa. Dormimos muito bem.

 

4. Travessia da Serra Negra - Pt. I

Acordamos às 5h. Já havia deixado todas as coisas separadas e o que não ia ser útil, na travessia foi para o carro. Maria Margarida gentilmente adiantou o café para nós. No estacionamento, vi um táxi de Itamonte que só podia ser o Marquinhos. Ele saiu tarde da noite de Itamonte e pernoitou no carro. Convidamos ele para tomar um café. Apesar de relutar um pouco, acabou aceitando. Às 6:30 saímos da pousada com destino ao Posto Marcão. A estrada estava tranquila e o Marquinhos é uma ótima pessoa e ótimo motorista, bastante prudente, e muito bom de papo. Deu uma aula sobre as possibilidades de passeio e lugares para visitar na região. Às 8:40 estávamos no Posto Marcão. Papéis preenchidos, cantis abastecidos, iniciamos a caminhada às 9:40. Escolhemos iniciar via Circuito dos 5 lagos, pois o outro lado, do Rebouças, já conhecíamos. A trilha já começa com uma subida, que vai ficando gradual. Nada muito intimidador, mas já dá uma agitada. O visual na primeira parte é muito bonito. O campo, lagos e o Agulhas Negras ao fundo é realmente fascinante. Depois começam os trechos nos lajeados, que dão um pouco mais de trabalho. A sinalização aqui não é das melhores e a progressão não foi muito rápida. A referência de direção é a Pedra do Altar.

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No início da Travessia da Serra Negra, via 5 lagos.

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No início da Travessia da Serra Negra, via 5 lagos.

Chegando na bifurcação da Pedra do Altar, toma-se o rumo da Cachoeira do Aiuruoca. Segue-se em single-track em terreno bom, com algumas pedras, mas aqui avançamos bem. Há um ponto de água muito limpa. Infelizmente a área ao redor está visivelmente erodida e é necessário alguma intervenção. Acredito que uma ponte/pinguela aliviaria a pressão. Andamos bem até chegarmos na próxima placa, apontando a direção da Serra Negra, Cachoeira do Aiuruoca e Rancho Caído. Tomamos mais à esquerda e prosseguimos. Passamos por um trecho mais fechado, uma espécie de taquaral, até sairmos e ter a primeira visão da Cachoeira do Aiuruoca lá embaixo, onde um grupo que seguiria para o Rancho Caído banhava. Paramos para comer um pão com patê de atum e frutas secas. De lá partimos, desfrutando do belo visual do alto da serra. Não sei precisar o tempo, mas depois a trilha entra na mata fechada e assim vai por muito tempo. A trilha está bem demarcada, não deixando muita margem para erros, a não ser na área chamada de “Invernada”. Aqui duas vacas pastavam tranquilas e nos observavam quando nos aproximamos e, para trás, fica um enorme lajeado por onde cai uma cachoeira. A sinalização na invernada não está presente (ou apagou com o tempo) e, se não estivéssemos com GPS, poderíamos ter nos perdido, como já aconteceu com outros grupos. A trilha aqui segue na beira do barranco onde está a cabana, descendo e cruzando o córrego. A partir daqui ela fica bem visível. Pouco tempo depois encontra-se o rio Aiuruoca, onde pode-se abastecer as garrafas e, para os corajosos, tomar um banho. A trilha volta para a mata e por ela vai. Na área da Cabanas do Aiuruoca, um pouco de luz. Na ocasião dois rapazes estavam trabalhando na estrutura, dando a impressão de que a área será reativada como local de pernoite. Lá avistamos mais uma marca da Transmantiqueira. Seguimos pela trilha, um carreiro bem largo que aparenta ser uma estradinha. E aí foi pela mata até finalmente chegarmos na Sônia, às 17:30. Foram pouco mais de 7h30min, em um ritmo bem tranquilo, principalmente nas descidas, pois o joelho da Ana estava começando a doer.

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Chalés na Pousada Pico da Serra Negra, propriedade da Sônia.

Fomos muito bem recebidos na Pousada Pico da Serra Negra pela Sônia e seus irmãos. Um deles trabalha na Posto Marcão ( e foi quem nos recebeu no nosso primeiro dia quando chegamos no PARNA), o outro é guia e também faz o serviço de levar seu carro até Maringá (R$ 250,00+R$15,00 do estacionamento). Nosso quarto já estava preparado e era bem agradável. Gosto muito de camping selvagem, mas confesso que o um quarto bacana com cama boa e chuveiro quente é algo difícil de resistir. Fizemos nossos alongamentos, tomamos banho e a noite já havia chegado com um céu bastante estrelado. O pessoal preparou uma janta reforçada com truta frita. Uma delícia!

Bem alimentados, parti para a sessão de convencimento da Ana, que estava pensando em desistir de continuar no dia seguinte. Depois de muita conversa, análise do tracklog e da dificuldade de outra alternativa a não ser prosseguir, ela aceitou rsrsrs Por isso só decidam o dia de amanhã depois de banho tomado e bem alimentados!

 

5. Travessia da Serra Negra - Pt. II

A noite foi revigorante. Acordamos bem descansados, tomamos um reforçado café, acertamos as contas com a Sônia, abastecemos os cantis e partimos às 8:40. Seguimos pela estrada e confundi na leitura do Tracklog, perdendo uma saída à direita antes da curva à direita. Acabamos chegando numa outra casa e uma senhora falou: “sobe tudo aí que vai achar a trilha”. Já estávamos pensando em voltar para achar o traçado oficial mas ela insistia, e depois um filho dela saiu e insistiu: “só subir tudo aí e já vai ver”. O problema é que era um baita morro bem inclinado. A insistência foi tanta que acabamos subindo e de fato, achando a trilha. A partir daí foi basicamente um single track, subindo quase 500m. Combinamos de ir em ritmo suave, sem esgotamento e aproveitando o visual, que é realmente incrível. Convém destacar que da Sônia é possível atacar a Pedra Preta - inclusive a trilha parte de uma ramificação desse segundo trecho da Serra Negra - mas é uma caminhada pesada e em geral, o pessoal dedica um dia apenas para isso. Pouco a pouco subimos e depois de 1h30min chegamos na altitude máxima daquele dia.

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Sobe, sobe, sobe!

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Daqui a pouco é desce, desce, desce!

A partir daí foi basicamente descer, alternando entre campo aberto e floresta, em trilha cavaleira. A erosão dessa trilha é assustadora. Há pontos nos quais a trilha está 1.8m abaixo da altura original. O trecho final, já nos sítios, é muito bonito. Foram 5h30min de caminhada e pouco antes das 14h estávamos na Cachoeira Santa Clara, limpando o corpo e fazendo a recuperação muscular em suas águas geladas. De lá andamos uns 800m até a Pousada, onde só trocamos de roupa, pois o banho já tinha sido tomado na cachoeira. Nos despedimos do pessoal e às 15h partimos. Paramos em Penedo apenas para conhecer rapidamente a cidade, comer um Hambúrguer (Kako´s) e comprar uns chocolates. Às 17h partimos rumo à Campinas, nas 5h de direção mais cansativas da vida. Afinal, foram 33km de caminhada. Chegamos em Campinas, no Hotel Casa Blanca pelas 22h. Na manhã seguinte, bem cedo, estávamos no aeroporto, chegando em Brasília a tempo de cumprir nossa jornada diária de serviço. Bota suja, alma lavada!

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Trecho final, já em estrada.

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Bota suja, alma lavada!

Impressões sobre os atrativos

Agulhas Negras e Prateleiras, ao contrário da Pedra do Altar e Morro do Couto, são montanhas cuja ascensão de forma autônoma exige bom condicionamento, habilidades de orientação e conhecimento técnico. Para novatos, o acompanhamento de alguém que conheça a rota e os lances técnicos e esteja com os equipamentos requeridos é essencial para garantir a segurança e o aproveitamento do atrativo. Apesar de eu ter conhecimento e experiência avançada de trekking e intermediária em escalada, ainda assim optei por contratar um guia. Com isso também evitei ter de levar equipamentos como cordas, cadeirinha e mosquetões.

A Travessia da Serra Negra é um trekking pesado. Ainda que não haja lances técnicos, são quase 19km no primeiro dia e pouco mais de 15km no segundo dia com muita variação altimétrica, principalmente no primeiro dia, o que exige bom preparo físico e mental. Não recomendo para iniciantes e pessoas sem experiência em trilhas. Caso escolha ela para uma primeira experiência de travessia com pernoite, esteja bem preparado. Na dúvida sobre sua capacidade de percorrê-la, recomendo ir com guia e comprar o pacote completo na Sônia, ou ter um carregador - isso não é nenhum demérito. Água não é um problema ao longo do percurso. A trilha está bem demarcada e visível e a navegação não é difícil. A sinalização, porém, está deficitária, principalmente nos trechos críticos (bifurcações), não sendo possível confiar apenas nela. Assim, recomendo levar um GPS ou celular com App de Navegação (Wikiloc, Avenza, LocusMaps) como referência. Utilizei esse trakclog.

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Sinalização da Transmantiqueira, apagada.

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Sinalização da Transmantiqueira, conservada.

 

Contatos:

Marquinhos (Taxista Itamonte): 35 8428-1059 (tel/whatsapp)

Pousada Santa Clara: 24 99269-0350 (tel/whatsapp)

Guia Carlos: 24 99823-5501 (tel/whatsapp)

Pousada Pico da Serra Negra: 35 9965-6515 (whatsapp)

Corricos: (19) 3258-5385

Hotel Casablanca Campinas: (19) 3272-7575

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    • Por rafa_con
      Olá pessoal, entre 6 e 10 de Junho de 2021 fui para Itamonte-MG com o objetivo de subir umas montanhas pela primeira vez e quero contar aqui minha experiência de forma breve (não foi breve), sem foto, sem nada, só um relato rápido do que você, que quer iniciar no montanhismo pode esperar do incrivelmente lindo Parque Nacional do Itatiaia. Escolhi essas montanhas porque achei que fosse algo realmente voltado para iniciante. Não é. Bom, talvez seja. Enfim, sei lá. 
      Eu sou uma pessoa sedentária, não nego, mas costumo aguentar o tranco de longas distâncias. O que eu não sabia era da dificuldade técnica das montanhas. 
      1) Prateleiras
      Acabamos escolhendo ela porque na portaria do parque nos falaram que tinha muita gente nas Agulhas e nos permitiram mudar de ideia. A trilha até a base é suave com um leve desnível. A parte difícil é quando começa o 'trepa pedra'. Em vários trechos eu, com meus 1,65 de altura, tive alguma dificuldade de passar de uma pedra para outra por causa da altura. Fora os vários trechos que uma escorregada pode ser fatal. Muitas fendas e buracos, meu joelho tremia. Pouco antes do cume, tem um trecho em que é necessário corda. Foi a primeira vez que fiz 'rapel' na vida mas achei bem tranquilo na verdade. Depois desse rapel chegamos no cume. Assinei o livro, me senti dona do mundo. Meu guia confessou lá em cima que achou que eu não ia conseguir porque eu tive muito em vários momentos de maior exposição. Mas lá estava eu no fim das contas. A volta foi o mesmo processo da ida: bastante medo nos trechos expostos ou com valas enormes mas conseguimos. Em 3 horas a gente subiu e desceu. Foi bem cansativo, as coxas pediram socorro mas deu. Estava muito satisfeita com o meu desempenho. 
      2) Agulhas Negras
      Tinha dado uma LEVE GAROA NO FIM DA MADRUGADA/ MANHÃ daquele dia, isso vai ser importante lá na frente. Só tinha a gente na montanha naquela terça-feira, 8 de Junho de 2021. Inicio de trilha suave como sempre. Para ascensão das Agulhas tem vários trechos que são paredes de pedra bem íngrimes que vc simplesmente sobe andando sem corda sem nada. Precisa duma boa bota, bem aderente. Diferente das Prateleiras, as Agulhas pega mais pelo cansaço da extensão da trilha. Não é tanto 'trepa pedra' (pelo menos até a parte que eu fui - já dando spoiler do final) mas são subidas bem íngrimes. No primeiro trecho de corda, é uma parede quase de 90 graus que o guia vai na frente, subindo pelas fissuras da rocha para amarrar a corda pra gente. Nessa parte, a gente começou a ver de fato uma prova do que já havíamos notando antes: ele tava escorregando demais para fazer algo que já tinha feito muitas vezes na vida. Ou seja, a rocha tava mesmo mais escorregadia que o normal. Aquela garoa da manhã, super leve, ficou acumulada na pedra. Juntando com a areia das pessoas do dia anterior, possivelmente ficou um 'sebinho' ali a tornando a situação mais complicada. 
      O problema veio depois dessa primeira corda. Nesse trecho de paredão a minha bota simplesmente não parava na pedra. Consegui subir aos trancos encaixando o joelho na fissura (o que me rendeu váááários hematomas) mas subi. As outras duas pessoas do meu grupo não conseguiram subir nessa parte, mas o guia jogou uma corda (contra a vontade dele pois ali naquele trecho não havia onde amarrar a corda, ficou eu e ele segurando e isso é muito perigoso) e ai eles subiram. Mais pra cima havia um trecho de duas pedras sobrepostas com uma vala entre elas. Ali, infelizmente não tinha espaço para encaixar o joelho pois a fissura era bem mais 'rasa'. Não deu jeito. Escorregar ali eu poderia cair na vala e a minha bota não firmava de jeito nenhum. Olhei para a cara do meu marido e da outra moça que estava no grupo e ambos, que já tinham tido problemas no trecho anterior, não quiseram nem tentar subir ali. Voltamos. Não consigo colocar em palavras o quão frustrada eu fiquei. Orgulho ferido demais. Faltava tão pouco. 
      (informação complementar, caso queiram saber, uso a bota Titã da marca Vento) 
      Visto que ainda era cedo, algo em torno do 12h30 quando voltamos para a base da montanha, o guia sugeriu levar a gente no Morro do Couto, uma trilha mais simples. Vou falar que nessa altura do campeonato, meu joelho e coxas não existiam mais. Mas vamos lá. A trilha do Morro do Couto é bem tranquila. Na parte final, pouco antes do cume rola um 'trepa pedra' mas nem se compara com a dificuldade e exposição que tivemos nas Prateleiras. A vista do Morro do Couto é muito bonita pois dá pra ver as Agulhas Negras e as Prateleiras em um só panorama. Foi um belíssimo prêmio de consolação. Apesar da minha lerdeza (por causa das muitas dores que eu já tava sentindo) levamos 2h30 para ir e volta do topo do Morro do Couto (contando do início da trilha). 
      3) Mirante Pedra do Picu
      A trilha é fácil pois não tem nenhum trecho técnico e nem é tão longa. No entanto, é muuuuito íngreme, especialmente nos metros finais, o que a torna extremamente cansativa. Talvez se não tivesse acumulado as dores no joelho e na coxa do dia anterior, teria sido mais fácil. A vista lá de cima é muito linda e foi o único lugar que a Claro deu sinal no meu celular (rs). A gente levou 2 horas para subir e 1h20 para descer. Meu único problema aqui foi ter tropeçado COM FORÇA numa raiz de arvore que me rendeu um dedão inchado por vários dias e hoje é apenas uma unha preta (que talvez caia em breve).
      4) Considerações finais e indicação de guia
      O que eu aprendi: melhorar meu cardio pra ontem. Fazer agachamento e subir escada todos os dias da minha vida daqui pra frente.
      É isso pessoal, essa foi minha experiência, espero que tenha sido útil. Caso queiram, vou passar o contato do meu guia Alan (WhatsApp: 35 9129-9245). Ele fez um preço muito bacana pra gente porque (já falei trocentas vezes aqui nesse fórum) aqui em casa não dirigimos e é sempre uma m* resolver alguns deslocamentos. Não existe ônibus direto de São Paulo para Itamonte, a cidade mais próxima que o ônibus para é Itanhadu, cerca de 20km. Fechamos com o Alan um pacotão completo com transfer da rodoviária de Itanhandu para Itamonte, hospedagem numa casa na roça da família dele, em Itamonte (sem wi-fi, sem TV e fogão a lenha, foi uma experiência bem legal), transfer todos os dias de Itamonte até as trilhas (dentro do Parque do Itatiaia e até a Pedra do Picu), as três guiadas e transfer de volta para a rodoviária de Itanhandu no último dia: R$1.600,00 para duas pessoas. Como as estradas dentro do Itatiaia são péssimas... Achei um valor muito bacana. Se forem fechar com ele, fala que a Rafaela indicou aqui no fórum (não vai ter desconto mas é só pra comentar mesmo hahaha). 
      Até uma próxima!
    • Por rafael.celeste
      Visitei a Chapada Diamantina recentemente com mais 2 amigos e conseguimos fazer todos os passeios que queríamos. Contratamos um guia apenas na cachoeira do Buracão, onde dizem que o guia é obrigatório.
      Pra ir sem guia, todos nós tínhamos um bom preparo físico e alguma experiência em trilhas. Além disso, baixei a versão completa do app Wikiloc. Se não me engano, custou R$7,50. Frente à economia que você fará com os guias, tá de graça. Dá pra comprar um bom powerbank pra carregar o celular na viagem que você ainda sai no lucro (recomendo o zenpower da asus). Dito isso, com exceção da trilha da cachoeira da fumacinha todas as trilhas foram feitas tranquilamente seguindo o tracklog no celular (tracklog é o caminho que você segue com o GPS). São trilhas bem marcadas, muita gente passa por lá. Vez ou outra há uma bifurcação e você tira a dúvida com o app.
      Não vou detalhar todos os passeios que fizemos pois há uma infinidade de relatos que já fizeram isso melhor do que eu poderia fazer. Deixo apenas algumas observações:
       
      - Em Ibicoara conseguimos ‘sacar’ dinheiro numa loja de reparo de motos. O dono passa no seu cartão uma compra no valor que você quer sacar e te dá o valor em dinheiro. Pode ser uma boa alternativa, já que são poucos caixas eletrônicos e o correio fica cheio. Pegamos a dica no hostel ibicoara.
       
      - A trilha da cachoeira da fumacinha é bem pesada, mas vale a pena. Além do tracklog, baixe esse relato e siga-o. Alguns pontos parecem impossíveis, mas lendo o relato dá pra passar.
       
      - Se for fazer fumacinha e buracão, compensa dormir na vila do Baixão. Fale com o Luciano (https://www.facebook.com/luciano.guiabicho?fref=ts) ele é guia e recepciona pessoas na casa dele ou indica a casa de alguém da vila. Ficamos na casa da Biazinha, pagamos 100 reais por pessoa, com direito a janta e café da manhã, cada um de nós ficou em um quarto separado. Você economiza alguns km de estrada de terra e tem uma experiência bem legal.
       
      - Visite a cachoeira do buracão. Ibicoara fica um pouco afastada das outras cidades da chapada, mas vale muito a pena. A trilha é tranquila, a queda é enorme, o volume de água é bom, dá pra observar por cima e por baixo, há estacionamento, banheiros e colete salva vidas. Lemos em todos os lugares que é preciso de guia para fazê-la, mas vimos um casal sem guia na trilha e suspeitamos que essa história talvez seja apenas um boato muito bem difundido.
       
      -Passe uma noite em Andaraí. No hostel donanna. Melhor custo benefício da viagem, hostel limpo, banheiros bons, ar condicionado, ótimo café da manhã, donos super simpáticos. Fica perto da sorveteria Apollo, que é sensacional e tem um bom preço e também do bistrô da cidade, que parece ser a melhor opção para comer lá a noite. Tínhamos planejado passar só uma noite lá, mas gostamos tanto que resolvemos entrar e sair do Vale do Pati por Andaraí, ficando 3 noites no hostel. Andaraí fica próxima dos poços Azul e Encantado e também tem algumas cachoeiras.
       
      - Em Andaraí a única operadora que tem sinal é a Claro. Não perguntei nas outras cidades, mas acredito que seja mais ou menos assim no restante da região.
       
      - Se tivesse que cortar um dos poços do passeio, eu cortaria o Azul. É nele que se mergulha, mas o Encantado é bem maior e mais bonito, achei uma experiência mais interessante. É possível ir de um poço ao outro por estrada de terra, diferentemente do que recomenda o Google Maps. Pegamos essa dica com um guia no Poço Encantado. O trajeto aparece no Waze. Saindo do poço encantado, volte até a entrada pra fazenda chapadão, à sua direita. Siga por ela até uma bifurcação que indica poço azul à direita e borracharia à esquerda. Pela esquerda também se chega ao poço azul, mas é preciso pagar 10 reais para atravessar uma ponte dentro de uma fazenda.
       
      - O poço azul fica cheio e há fila para mergulhar nele. É bom chegar cedo, nós tivemos que esperar 2h na fila.
       
      -Em lençóis ficamos na pousada São José 2. 60 reais por pessoa, ar condicionado, café da manhã, boa localização. Recomendo.
       
      - O poço do Diabo é de fácil acesso mas não é imperdível. Eu deixaria como plano B.
       
      - Praticamente não existem placas indicando o caminho pra nenhuma atração turística de lá. Nem mesmo pro Morro do Pai Inácio que é um dos pontos mais conhecidos. Saindo de lençóis será a primeira entrada à direita depois da Pousada do Pai Inácio, numa estrada de terra. Sem placa alguma. A presença do guia em passeios como Morro do Pai Inácio, Pratinha, Poços Azul, Encantado e do Diabo é completamente dispensável. Ele meramente vai te indicar o caminho e fazer companhia durante os passeios. No Wikiloc você acha os tracklogs para chegar de carro até todos os pontos turísticos da chapada.
       
      - Fomos pra chapada em janeiro de 2017 e infelizmente havia pouca água em praticamente todas as cachoeiras. Vale a pena tentar conferir se os rios estão cheios antes de partir pra lá.
       
      - É verdade que qualquer carro enfrenta a chapada, mas ele vai sofrer um pouco. As estradas de terra são muitas, são ruins e com muito pó. Vimos alguns donos de Corolla receosos com seus carros por lá. Alugar é uma boa.
       
      -Na chapada há uma certa confusão com maracujá. O maracujá amarelo que vendem nos supermercados é
      chamado de maracujina, e o que chamam de maracujá é um maracujá do mato, de casca roxa e interior verde. Se você pedir um suco de maracujá e ele vier verde, já sabe o que aconteceu.
       
      - A cidade de Lençóis realmente possui a maior estrutura turística da chapada, com ótimas opções de bares e restaurantes, mas não recomendo passar todas as noites lá. A chapada é muito grande e as cidades menores também têm seus atrativos, além de serem mais baratas.
       
      SOBRE O VALE DO PATI
      -Têm-se acesso ao vale do Pati por 3 caminhos: Saindo do Capão, de Guiné e de Andaraí. Saindo de Guiné é o menor caminho, do Capão o mais longo, mas dizem ser o mais bonito. Fomos e voltamos por Andaraí, onde deixamos o carro. Encaramos a ladeira do Império, um caminho todo calçado por pedras. Gastamos cerca de 5h desde Andaraí até a casa de Seu Eduardo e umas 7h da casa de Dona Raquel até Andaraí. Recomendo fazer pela manhã, evitando o sol.
       
      - Não recomendo levar barraca pro Pati. A menos que você queira fazer camping selvagem (há algumas clareiras na trilha) e abrir mão de mordomias como chuveiro, banheiros e acesso às cozinhas comunitárias, não compensa financeiramente. As casas de apoio praticam os mesmos preços (20 camping, 25 pra dormir com saco de dormir e 35 pra dormir em camas, 110 a diária com janta e café da manhã). Ao meu ver, não vale a pena carregar o peso da barraca por essa economia.
       
      - As casas de apoio têm vendinhas com alguns alimentos, também vendem água, cerveja e Coca Cola. No Seu Eduardo a Coca era R$7,00 e geladíssima, na Dona Raquel era R$8,00, não tão gelada.
       
      - Não suba o morro do castelo sem lanterna. Há uma gruta lá em cima. Ao sair da gruta, ande para os dois lados. Indo pra esquerda há um mirante nas pedras e para a direita você encontra outra saída da gruta. Entre nela que você retorna ao ponto inicial
       
      - Alguns tracklogs para a cachoeira do funil têm um longo trecho andando pelo leito do rio, que é pegando uma bifurcação na trilha pro morro do castelo. Esse é o caminho difícil. Há como chegar até bem perto das cachoeiras por trilha, informe-se com os nativos.
       
      - Também existem dois caminhos entre a prefeitura e a casa de Dona Raquel, um em cada margem do rio. O caminho mais suave é o que fica à direita do rio, pra quem está indo pra Dona Raquel.
       
      Também fiz uma planilha com os passeios da Chapada, acho que pode ser bem útil. Vou deixar a edição livre, pra adicionarem ou atualizarem as informações
      https://docs.google.com/spreadsheets/d/1_4-nOWQOdKMwG-fntIXCsLC3i_HlP8i9YeBz5Z_9VpQ/edit?usp=sharing
       
      Os relatos em que me baseei pra viagem foram esses:
      http://www.nathalyporai.com.br/2016/12/chapada-diamantina-raio-x-dos-gastos.html
      http://www.mochileiros.com/chapada-diamantina-vale-do-pati-t134101.html
      http://www.mochileiros.com/descomplicando-o-vale-do-pati-com-ou-sem-guia-fotos-t89310.html
      http://www.mochileiros.com/chapada-diamantina-guia-de-informacoes-t29075.html
      http://www.mochileiros.com/chapada-diamantina-em-07-dias-gastando-pouco-no-carnaval-2015-t109690.html
       
      Espero que as informações sejam úteis, aproveitem a Chapada.
    • Por Jonas Silva ForadaTribo
      Costurando
      Nossa aventura começa ao acaso, não que nunca planejássemos percorrer a Serra Geral Catarinense, mas não estava nos planos de 2020. No entanto, uma tal de pandemia resolveu estancar nosso planejamento, e aos 45 do segundo tempo conversando com um amigo de Tubarão resolvemos seguir para essa região pouco frequentada.
      De início achei que não conseguiria, o primeiro contato com o pessoal da região assustou, uma agência enviou um orçamento de rei, junto de uma ameaça; argumentava ser a única a ter acesso à região, de outra forma eu nem deveria tentar ir. Passado o susto, conversei novamente com meu amigo que me disse ser possível fazer sem agência sim. Então comecei a garimpar. Acabei encontrando o relato aqui no mochileiros do Marlon procurei ele, que foi baita parceiro e me passou contatos dos donos da fazendas e dicas da região.
      Fim de agosto e lá fomos nós, eu e a Bruna. Como não consegui autorização com uma das propriedades (que fica em um ramal da travessia), e também não consegui mais companhia resolvemos inovar e fazer um circuito na região saindo do Cânion Espraiado indo até o Lageado e retornando ao ponto de partida. Pagamos pelas autorizações R$ 200,00 em duas pessoas para permanecer nas terras 3 dias. Negociamos no Espraiado estacionar lá durante a travessia, sem custo. Se hospedaríamos lá por 2 noites depois.
       
      O Tempo Fechou
      Saímos no dia 29/08 às 08:00 da manhã, dia limpo, coisa linda. Logo de início a subida é pesada, e para piorar a trilha é em meio a pedras de todos os tamanhos até a Montanha do Infinito. Lá de cima dava para avistar no horizonte os Campos reluzentes a alguma milhas de distância. Mal conseguíamos esperar ansiosos por caminhar naquelas banda sob um céu limpo e noite estrelada.


      Os primeiros  6 km foram tranquilos, em meio a mata de araucárias, por uma trilha (estrada antiga abandonada), basicamente um declive. Nesse trecho a única dificuldade são as pedras soltas e os vários canais de água e lagos onde os búfalos (existem muitos na região) tomam seus banhos. Avistamos duas cachoeiras distantes em meio a mata, até aí acreditamos que iríamos passar nelas. No entanto me contaram que algumas dessas provavelmente nunca ninguém foi até lá (eu filmei uma com o drone na volta, corre no youtube que tem lá).

      Depois do km 6 a coisa complica, subidas longas com pedras soltas, um descuido e o tornozelo já era. Em vários trechos a trilha some e se confunde com carreiros dos búfalos, fácil se perder e parar nos perais dos cânions. Depois dos 10 km a trilha bifurca para a Grande Cachoeira do Canoas e Casa Azul. Seguimos para a cachoeira. A trilha some em meio ao banhado e as vassouras (vegetação baixa e de muitos galhos). Adentramos um trecho de mata com muitas araucárias, trecho em que encontramos os proprietários das terras montados em cavalos e acompanhados por cães enormes. Eles ainda insistiram que passássemos no rancho para um café, porém nosso tempo não permitiu.


      A essa altura o tempo já fechara, a viração tomava conta. Tivemos dificuldade para achar a cachoeira, houve um incêndio recente ali, e a trilha havia desaparecido por completo, só restara as vassouras e com a viração não dava para ver o horizonte. Na primeira investida fomos surpreendidos por um perau de uns 400 m, ouvindo a queda tentamos progredir pela borda, mas a mata se fechou deixando a situação arriscada. De volta nas vassouras demos mais uma investida e poucos metros a frente se abriu um campo baixo e pudemos avistar a queda superior. A queda maior só avistamos de relance, como a hora já havia adiantado, e o tempo pegando escolhemos não se arriscar muito nas bordas do cânion.

      Retomamos a caminhada, consultando o mapa a cada 30 min. 2 km e saímos nos campos, a caminhada ficou mais fácil. Até a Casa Azul abandonada é possível identificar a estrada antiga. O lugar é mágico, cercas de taipa, o Canoas, a cabanha, o cemitério, e aquele cenário todo coberto pela névoa, de tirar o fôlego e insinuar miragens. Descemos e acampamos do lado do rio. Como o fogo passara por ali também, não foi difícil achar um descampado para dormir. Apagamos fácil depois dos 22 km, e a noite gelada e úmida num breu total envolvida pela neblina.

      No dia 2 começamos cedo, às 06:15 já estávamos encharcados em meio a vegetação rasteira. Com alguma dificuldade chegamos às bordas da Serra, a visibilidade variava entre 100 e 50 metros. Mesmo perante as condições climáticas que encontramos a imponência dos cânions impressiona e assusta, com uma visibilidade ruim dessas seria um terror acabar ladeira abaixo.


      Seguimos pelo vale da nascente do Canoas. Alguns quilômetros à frente estávamos novamente nas partes altas, contornamos o Morro do Campo dos Padres e descemos para a Cachoeira do Rio Campo Novo onde paramos. Devido as péssimas condições do clima (a visibilidade agora não chegava a 30 m) e o horário já adiantado, resolvemos esconder as cargueiras e seguir até o Morro da Bela Vista do Guizhoni (1804 m) o terceiro mais alto do Estado, retornando sem ir até o Lageado. Subir o Bela Vista não foi fácil, cerca de 2 km, parte em uma carrasqueira de pedras e a outra em meio ao charco dentro da mata nebular, sem trilha demarcada, foi um banho por completo, nem a roupa impermeável deu conta. Atingimos o pico, idos meio-dia. E o clima só piorava, uma pena, não conseguimos ver nada. Retornamos sob as mesmas condições, a única diferença foi que durante a descida houve um relapso no tempo e pudemos enxergar o horizonte, foi incrível.



      De volta nas cargueiras, retomamos a marcha para o Morro da Boa Vista (1824 m, o mais alto do Estado e o terceiro do Sul do Brasil). A volta até a Bifurcação perto do Morro do Campo dos Padres foi mais tranquilo, já conhecíamos o traçado, o que facilitou bastante. Afinal, nesse dia foi ainda pior a navegação. A trilha não é definida, existem muitos caminhos de vaca e muita variação do relevo, como não dava para ver na cortina de névoa seguimos o relevo, nas vezes que tentei seguir por trilhos quando consultava o mapa já havíamos saído consideravelmente da rota. De início tentei me referenciar durante as curtas aberturas entre as nuvens, mas logo percebi que aquela oscilação mudava a paisagem e nós acabávamos seguindo pontos de referência distintos (muito parecidos), o que nos levava a se perder.

      Depois de passar por um longo campo de turfas chegamos de volta à bifurcação. Largamos as mochilas e atacamos o Morro do Campo dos Padres, subimos rapidinho, e quando olho no mapa, puts, errei. Viro pro lado e com atenção percebo uma sombra medonha em meio ao branco da viração. Se jogamos, a subida é hard, um paredão 60º forrado de gramíneas, uma subida engatinhando, o mais incrível é que só víamos o paredão mal enxergamos um o outro. 30 minutos e uns 400 m percorridos com elevação de 300 m, chegamos no céu, kkkkkk. Mal víamos os arbustos do entorno, mas estávamos lá,  o mapa confere dessa vez.

      Descemos ladeira abaixo, literalmente. E partimos para o Boa Vista, pela carta de navegação, caminhamos por uma crista (meio larga) cerca de 1 h e 30 min, sempre que chegávamos no pé de algum cume ficávamos animados por ter chego. Ao consultar o mapa, era falso. Foram 3 falsos cumes e meio a visibilidade negativa, isso acabou com a graça da chegada. Depois de subir o verdadeiro levamos uns minutos conferindo a carta para comemorar com certeza a chegada.
      Montamos acampamento no cume sob um vento de 60 km/h, parecia que a barraca iria decolar. Entocados na barraca, dormimos igual pedra (foram mais 21 km nesse dia). Passou a noite ventando forte e tomado pela neblina, esta amanheceu implacável (de novo, hshs) no dia 3.

      Levantamos acampamento e seguimos pelo sul do Morro para o vale do Canoas. Em meio dos charcos e turfas. Passamos por muitos córregos e em um dos vários cânions que se formam por ali encontramos três cachoeiras vizinhas. Saímos novamente na trilha dos índios, margeando a borda da Serra Geral. Mais uma vez não vimos nada.


      Cortamos o Campo dos Padres tomando a trilha por trás da casa azul. De início foi fácil segui-la. Mas não demorou muito até se perdermos e passar 40 min caminhando nos caminhos de búfalos das encostas até avistar lá embaixo um pedaço da antiga trilha. Descemos aliviados, os pés ardiam, A Bruna com bolhas arrastando-se. Paramos para almoçar e furar as bolhas, só assim para continuar.


      Estávamos novamente na trilha demarcada e o tempo abrira, víamos as araucárias imponentes ao nosso lado e no horizonte por vezes vimos a silhueta da montanha infinita. Seguimos, carrasqueira a frente. Eram já 18:00 quando pisamos na estrada que leva ao Rancho do Cânion Espraiado. Chegamos no rancho exaustos, molhados e com um vento de mudar cavalo de invernada. Não fosse a hospitalidade do pessoal do Espraiado, deixar acamparmos dentro do celeiro, teríamos uma noite conturbada. Durante a madrugada as rajadas davam a impressão de que o próprio celeiro iria tombar. Agora que estávamos de volta, no dia 4 amanheceu limpo e pudemos aproveitar as vistas do Cânion Espraiado (fica para o próximo relato).




    • Por Lara_____
      Pessoal, boa tarde. 
      Estou de férias 😎 
      e querendo ACAMPAR 🏕️🏕️🏕️ 
      em algum lugar bonito que tenha previsão de 
      ☀️☀️☀️SOL de 
      📆 amanhã até domingo. 
      Estou em Ubatuba, aqui tem previsão de chuva 🌧️
      Conhecem algum lugar que não seja tão longe daqui e valha a pena por 2 ou 3 dias? 
      Pensei em algum camping mais isolado e seguro na pandemia 😷no vale do paraíba ou região próxima ao Itatiaia...🤔
      Dicas?
    • Por leonardo_baptistella
      Olá pessoal, pretendo ir para o Parque Nacional do Itatiaia em março de 2021 (ou quando a pernoite no parque for reaberta), saindo de São Paulo e indo de ônibus até a cidade de Itatiaia.
      Segundo relatos eu vi que a maioria dos tranfers até a portaria da parte alta (portaria do Marcão) saem da cidade de Itamonte. 
      Gostaria de encontrar algum contato de transfers que saem de Itatiaia.
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