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Travessia da Serra Fina Full – 3 dias
Sabe aquela sensação de que “faltou algo”? Então... havíamos concluído uma grande travessia,
que intitulamos de Travessia da Serra Fina Full, acrescendo à travessia tradicional o cume de
todas as montanhas próximas. Subimos, de ataque, o Tartarugão, o Ruah Menor (ou Ruah Leste
– conforme relato de um montanhista que nos precedeu ali), os Camelos 1, 2, 3 e 4, o São Joao
Batista (ou do avião), o Cabeça de Touro...mas não ascendemos ao cume do Ruah Maior (ou
Ruah Norte – conforme o relato desse mesmo montanhista precursor). Ou seja, faltara algo. Na
incursão anterior, cogitamos entre o subir ou não aquela montanha pelo horário em que
começaríamos a ascensão, pois sendo inverno e passando pouco das 15h, seríamos obrigados a
descer a noite, com visibilidade quase zero pela neblina que ameaçava formar, por uma região
desconhecida, sem trilha e com a temperatura abaixo de 0C. A prudência prevaleceu e não
fomos. Terminamos a travessia, mas o não acumear do Ruah Maior nos ficou atravessado...
então, quando o Douglas propôs no grupo, que retornássemos à SF e repetíssemos o feito, dessa
vez, com o Ruah Maior, não lembramos do cansaço, da fome ou do frio... topamos na hora.
A questão agora não era “se”, mas “quando”. Temporada de montanha findando, os
compromissos profissionais de cada um conduziram para a única data viável para 2018 ainda:
aproveitar o feriado do Dia da Independência, 7/9, que cairia numa sexta. Sairíamos de SP assim
que possível, para iniciar a subida à noite e aproveitar o enregelante frescor noturno para
caminharmos mais leves, poupando peso e pernas. Só que isso nos traria outro desafio: o feriado
cairia na sexta, de forma que teríamos apenas 3 dias nas montanhas: sexta, sábado e domingo.
Daríamos conta?!? Procuramos nos lembrar da caminhada anterior, das sobras de tempo, das
dificuldades, do cansaço.... Acreditávamos que sim, mas sabíamos bem como subir montanha
no papel, na fala, difere da realidade... o somar dos infindáveis passos, o perseverar,
independente da falta de folego... balançávamos entre o tentar ou não, quando notamos que
seria Lua Nova. Se na travessia anterior a Lua Cheia tudo iluminava, ao ponto de trilharmos com
as lanternas apagadas nos trechos de crista... dessa vez teríamos o mar de estrelas por
testemunhas do feito. Foi o que bastou para nos decidirmos. Já éramos conhecedores das
incríveis fotos da via láctea a partir da PM, e sabíamos, também que as fotos não faziam jus a
real beleza que veríamos.
Ao grupo original (Douglas, Marinaldo, Rodrigo e Rogério) somaram-se alguns amigos que
acreditávamos darem conta da empreitada: Leonardo, Adilson, Zagaia. Compromissos familiares,
complicações de saúde prejudicaram a participação do Adilson e do Rodrigo. Sob recomendação
do Zagaia, passamos a contar com a Areli, que apesar de nunca ter feito trilha de montanha aqui,
tinha na bagagem larga experiência em ambientes frios e estava treinando para uma corrida de
aventura de 300 km. Não nego que a qualificação do grupo me intimidava... todos em excelente
forma física e eu apegado ao meu sedentarismo... ante os insistentes (e pertinentes) alertas do
Marinaldo quanto ao esforço físico que nos esperava, deixei minha habitual inércia e me
obriguei a duas semanas de academia, com frequência quase perfeita. A posteriori, posso dizer
que foi isso que evitou um constrangedor pedido de resgate, por total exaustão física. Nos
encontramos nas catracas do metro Barra Funda às 15h, demos cabo do primeiro desafio dessa
jornada, acomodando 5 cargueiras, uma dama e 4 marmanjos num (modelo do carro?) e
partimos para Passa Quatro. Na estrada, o Leo nos informou de que o conserto da Kombi ainda
se arrastava. Procuramos otimizar os tempos previstos e concluímos que iniciar a trilha após as
23h colocaria em risco o êxito do primeiro dia. Então, se o Léo não conseguisse estar em Passa
Quatro a tempo de partirmos para a Toca do Lobo até as 22h30, partiríamos sem ele; com a
possibilidade dele nos alcançar pelo Paiolinho e seguirmos juntos. Com o avançar das horas,

ficou claro que o Léo não poderia nos acompanhar, pelo menos nesse primeiro momento, de
forma que acordamos com a Patrícia (que faria nosso resgate) que iríamos direto para a casa
dela e partiríamos assim que possível.
Primeiro dia
A Patrícia nos deixou perto da Toca do Lobo, pouco antes das 23h e, rapidamente, nos
equipamos e nos colocamos a caminhar. Mochilas leves, a maioria com um litro de agua apenas,
em pouco tempo chegamos à Toca do Lobo onde fizemos a primeira foto, ajustamos as
cargueiras e iniciamos a travessia, pouco após as 23h. Subimos a passo as encostas que nos
levariam ao Cruzeiro e, ao pé do Quartzito fiz o primeiro reabastecimento de água, completando
meu inventário para 1 litro. Enquanto eu buscava água (e tirava minha primeira foto dessa
travessia, uma “flor de maio”, avistada ainda em botão na travessia da SF com meu filho, há
pouco mais de um mês, se mostrava agora perdendo o viço em consonância com o findar da
temporada). Os amigos aguardavam, lanchando e curtindo o visual na brisa gélida da crista e
assim que retornei, recomeçamos a ascensão. Em pouco tempo, caminhávamos pelo
encantador Passo dos Anjos, onde a SF revela a origem do seu nome...mesmo sob as luzes da
lanternas, não deixa de impressionar como a crista se estreita naquela parte...aproveitávamos
os trechos de ascensão mais suave para retomar o folego, já que nossa intenção era prosseguir
sem paradas até o alto do Capim Amarelo. Subíamos pouco ansiosos, confiantes do
planejamento e validando a estratégia de caminhar à noite e minimizar o peso nas cargueiras.
Encontramos um pedaço de bastão de caminhada e passamos a levá-lo conosco, certos que em
pouco tempo encontraríamos seu dono. De fato, não tardou, e num dos pontos de
acampamento dos falsos cumes do CA, encontramos dois colegas montanhistas acampados há
pouco, ainda com chocolate quente nas panelas... restituímos a parte perdida, conversamos um
pouco, tomamos uns goles de chocolate quente e retornamos a caminhada. Pouco depois das
2h alcançamos o cume do CA. Fizemos uma breve parada, substituímos o livro de cume, que já
não apresentava espaços em branco e após a devida preparação do livro, identificando o nome
do cume, sua localização, data, responsáveis pela guarda, etc, registramos a composição do
grupo, objetivo e horário de partida, descansamos alguns minutos, procurando não perturbar
muito aos montanhistas acampados ali e retomamos a caminhada, buscando assegurar a
descida do CA pela trilha correta, bem à esquerda. Sem grandes dificuldades, descemos o CA,
notando ao passar pelo Maracanã que havia pelo menos mais sete barracas armadas.... de fato,
o último feriado dessa temporada prometia que a SF estaria lotada de caminhantes... não nos
afetava, já que estaríamos quase que todo o tempo fora da trilha mais batida. Havia uma remota
possibilidade de termos algum contratempo com a lotação da serra, no acampamento do
primeiro dia, no Vale do Ruah. Para essa eventualidade, cogitávamos acampar aos pés do Ruah
Leste, o que exigiria atravessar o capim à noite. No Maracanã, nos abastecemos com o suficiente
para a caminhada até o Rio claro, na base da Pedra da Mina.

Flor na encosta do Quartzito Foto: Rogério Alexandre Cristais de gelo Melano: Foto: Rogério Alexandre
De forma geral, partimos com pelo menos dois litros, sabedores que, com o nascer do Sol, o
consumo de água aumentaria. Com poucas paradas, em breve estávamos começando a longa
ascensão do Melano, um dos desafios propostos quanto à regularidade da caminhada, já que
queríamos apreciar a alvorada em sua crista, de forma a permitir registrarmos o nascer do sol
com a lua minguante ainda visível no céu. Caminhávamos compenetrados, procurando
aproveitar os trechos planos para trocarmos ideias e retomarmos o folego. Talvez pela
adrenalina do desafio, a caminhada transcorreu rápida e alcançamos a crista do Melano perto
das 5h30, passando sobre diversas poças de agua congeladas nas encostas. Fizemos uma parada
para um rápido lanche e retomamos a caminhada, agora em passo mais tranquilo, apreciando o
dia que nascia.
Nascer do Sol e Lua Minguante visto na crista do Melano. Silhueta da PM contra o sol nascente. Fotos: Douglas Garcia
Tocamos em frente pelo sobe e desce da crista do Melano, ganhando altitude devagar, na
diferença entre as subidas e descidas infindáveis desse trecho. Aproveitávamos para apresentar
para a Areli, as montanhas que havíamos passado desde o início da caminhada, as montanhas
que subiríamos antes de acamparmos, nominá-las, fazer comentários e contar causos de
pernadas anteriores por aquelas plagas. Isso nos distraia, e, quase sem perceber, alcançamos a
base da cachoeira vermelha, às 8h.
Preparamos as mochilas de ataque com material para emergência, lanches e água, guardamos
as cargueiras nas moitas, atravessamos a cachoeira vermelha, buscando a trilha que começa
bem próxima da sua queda. Fomos ganhando altitude aos poucos, pelo ombro do Tartaruguinha,
quase que sem nenhum vara-mato e em pouco tempo estávamos aos pés do Tartarugão.
Seguimos a mesma técnica da vez anterior, avançando meio que em paralelo, para minimizar a
possibilidade de um acidente com as pedras soltas, que são abundantes nessa face da montanha

Com as inevitáveis paradas para descansar, levamos cerca de meia hora para alcançar o cume
da primeira montanha fora-da-rota da travessia planejada. Fizemos uma pausa, contemplando
a paisagem, retomando o folego e lanchado. Verificamos que haviam poucos registros no livro
de cume, uma incursão de um colega de montanha, desbravador de ambos os Ruah Norte e
Leste. Registramos os nomes do grupo, algumas impressões da caminhada e das nossas
intenções, horário de partida e destino, acrescemos dois saches de mel no kit perrengue deixado
antes, guardamos tudo no tubo de cume e partimos para explorar parte dos ombros do
Tartarugão, avaliando possíveis alternativas para uma travessia a partir da face sul da PM,
subindo a partir do Vale do Paraíba. Essa avaliação acabou por consumir um tempo precioso
pois descemos o Tartarugão em direção a PM e na face sudeste bem à direita de quem está de
frente para a PM encontramos um ponto de agua corrente, onde nos hidratamos. Por outro lado,
essa investigação nos causou considerável transtorno para retornar, pois os trechos de lajes na
base são intercalados com trechos de vegetação o que exigia varar o mato, com considerável
dispêndio de energia e tempo. Procurando manter a altitude, fomos costeando as encostas do
Tartarugão e do Tartaruguinha, buscando a direção da Cachoeira Vermelha, onde chegamos às
12h.
Pedra da Mina vistas do Tartarugão. Foto: Marinaldo Bruno Contemplando o Vale do Rio Claro. Foto: Douglas Garcia
Retomamos as mochilas e seguimos para a PM, passando pelo Rio Claro, onde nos hidratamos
e coletamos água apenas para a subida da pedra, uma vez que acampando no Ruah, teríamos
fartura de água. Apreciando o visual, fomos ganhando altitude e, perto das 13h estávamos a
2978m, no cume da PM. Encontramos o Rafael preparando o acampamento para um grupo que
o Cainã, ambos guias na SF e amigos de outras caminhadas, que fizeram a gentileza de cuidar
das nossas cargueiras enquanto descíamos em direção ao acampamento da base da PM, no
sentido do Paiolinho, por onde atacaríamos o Ruah Norte. Sabe aquela história de barraca
voando? Então, por pouco não conseguem alcançar uma delas a tempo, rs... Do acampamento
base, fizemos uso do tradicional trepa-pedra para descermos a encosta da área de
acampamento na base da PM em direção ao Ruah, na sua extremidade NO.
Atravessando o vale pelas lajes de pedra, cruzamos com um pequeno curso de água, avaliamos
a direção pela qual faríamos o vara-mato da subida e tocamos para cima, com o Douglas abrindo
a passagem e os demais procurando facilitar a volta, quase consolidando uma trilha... mas a
verdade é que a passagem de 5 pessoas por ali, sem outros que a repitam, talvez não seja
perceptível na próxima temporada. Sob sucessivos alertas de “caminho errado” e “voltem” dos
companheiros de montanha que chegavam na PM via Paiolinho, com pouco mais de 40 minutos
de vara mato, para total deleite da Areli, alcançamos o cume.

Sob congratulações mútuas, entre respirações ofegantes, apreciamos por uns minutos o visual
que se descortinava... ângulos incomuns da travessia, detalhes de ambas as faces da PM e das
montanhas ao redor enchiam nossos olhos. O sentimento de respeito, ante a enormidade do
que propúnhamos fazer, grassava em nosso peito, dividindo espaço com a sensação de
superação e ineditismo. Verificamos no livro de cume, colocado pelo Douglas pouco mais de um
mês antes, a ausência de outros registros, acrescemos ao “kit perrengue” um cobertor de
emergência e dois saches de mel. Tomamos o último lanche do dia, descansamos um pouco e
lembrando que ainda precisaríamos de duas horas para estarmos com o acampamento montado,
iniciamos a descida do Ruah Norte procurando refazer o caminho trilhado na subida. Pegamos
um pouco de água no pequeno curso que escorre na passagem e voltamos sob os nossos passos
até a parede quase vertical do acampamento base.
Usando a já consolidada estratégia de ataque em rotas paralelas fomos tocando para cima até
atingir a área de acampamento na base da PM, onde nos reagrupamos antes de subir a PM, na
rota tradicional de quem chega pelo Paiolinho.
Havíamos cogitado descer a PM com as cargueiras, para depois cortar pela trilha que ouvimos
existir na encosta da PM, ligando a área do acampamento base com o Ruah, mas abandonamos
essa ideia pela segura, ainda que mais cansativa, opção de descer e subir a PM de ataque, pelo
caminho já conhecido. Subimos em passos largos, recuperamos as mochilas e seguimos para o
vale do Ruah, onde acamparíamos. Iniciamos a segunda descida da PM com o sol buscando o
horizonte, e pouco antes do anoitecer, estávamos com as barracas prontas para a noite. Como
cuidados adicionais, ante a afamada geladeira que o Ruah se transforma à noite, colhemos
porções de palha para colocarmos sob as barracas, dando preferência para as folhas mais secas,
que por conterem menos água são mais eficazes como isolamento térmico. Cedi meu cobertor
de emergência ao Marinaldo, que, apesar da minha insistência não aceitou ficar com o saco de
bivaque de emergência. Fizemos a primeira refeição quente, conforme o cardápio que
escolhemos e que nos foi fornecido, abaixo do preço de custo, pela Livre Adventure Tour.
Agradecemos muito pelo apoio, todas as refeições juntas não somavam 2 kg, o que contribui
significativamente na redução de peso das cargueiras. Optei pelo espaguete com frango e
legumes, porção individual, e que pelas menos de 85g de peso que faziam na mochila constituiu
uma excelente refeição, após hidratado com os 240g de água quente recomendados. O processo
de liofilização, preserva muito da textura dos alimentos, assim como do sabor e do seu valor
nutricional. É sempre recomendável, para quem inicia no uso desse tipo de alimento, planejar
com alguma folga, para verificar como se adapta aos tamanhos das porções, principalmente
naquelas que servem duas porções. Cansados pela pernada do dia, alteramos os planos de
vermos o sol nascer no cume do Ruah Leste, optando por estendermos um pouco o repouso e
nos recuperarmos para o segundo dia, que prometia ser tão exaustivo quanto o que se findava.
A temperatura caiu rapidamente, meu relógio marcando 8C pouco mais de uma hora após o pôr
do sol, e todos se recolheram às barracas, não saindo para nada, após o jantar. Ante a previsão
de 2C para a PM, esperava dormir bem tranquilo com o que levava de equipamento: saco de
dormir para -4C, meias de trekking, segunda pele leve para as pernas e duas mais fortes para o
tronco, luvas e gorro. Por praticidade e cansaço adormeci com ambas as segundas-peles, luvas
e gorro... imaginava que acabaria por acordar de madrugada com calor, mas aí já teria
recuperado um pouco das forças... e estava tão agradável daquele jeito, usando quase toda
roupa que tinha disponível... dois isolantes, um de espuma e outro inflável acresciam conforto
e luxo ao necessário. A camada de palha sob a barraca fazia as vezes de colchão e mesmo fora
dos isolantes, o contato com o piso da barraca era agradável.

Segundo dia
Realmente dormi muito bem, acordando apenas às 5:00 como de hábito, quando na montanha
ou muito ansioso com algo. As surpresas começaram ao constatar a condensação congelada
dentro da barraca, por sobre minha cabeça... pequenas estalactites de gelo pendiam do teto da
barraca... curioso, fui verificar a temperatura em meu relógio, que apontava -6C. Isso dentro da
barraca... lá fora estaria ainda mais frio! Fiquei no saco de dormir, curtindo o ineditismo do
Ruah... Pouco depois, ouvia-se o alarido normal de quando se desmonta acampamento, ainda
às escuras e um pessoal acampado próximo de nos informou que o termômetro levado por eles
havia marcado -9,6C às 23h e outro pessoal falar em -11,7C. Meus dedos do pé doíam de frio e,
vencendo a preguiça com algum receio, saí do saco de dormir para verificar o estado em que
eles se encontravam. As pontas dos dedos estavam muito avermelhadas, e temi que estivessem
queimados de frio... fiz uma massagem vigorosa em ambos os pês e mesmo a cor não
normalizando, senti-me um pouco melhor. Como não sairíamos em seguida e não curto ficar à
toa na cama, vesti calca, calcei botas, coloquei o saco de dormir dentro de um estanque e sai da
barraca para caminhar e ver o sol terminar de nascer. A esperança de que, caminhando os dedos
parassem de gritar de frio não se concretizou, mas a beleza do sol nascendo entre o Ruah Leste
e a PM compensava o desconforto.
Pouco depois, o sol incidia sobre a encosta da PM e, após despir a segunda pele das pernas,
peguei a mochila de ataque, preparada na véspera e avisei aos amigos que iria esperá-los
tomando um pouco de sol. Subi um pouco e fiquei admirando o vale do Ruah, branco pelo gelo
que cobria o capim ainda que as moitas superassem a altura de um homem. No ano anterior,
em minha primeira travessia ele estava ainda mais branco, com o gelo no capim subindo as
encostas. Talvez seja isso que encante tanto na natureza, nas montanhas... tudo está lá, nada
mudou... mesmo assim, a experiência sempre é inédita, a vista sempre é outra. A viagem não é
apenas pelo exterior, mas trilha-se para dentro também... para a alma.
Agrupamos e partimos, às 6h30 para o ataque ao Ruah Leste, que com 2640m de altitude faz o
limite leste do Vale do Ruah e fica à direita de quem, na travessia caminha em busca do Cupim
de Boi. As mochilas de ataque continham além dos kits de perrengue, de primeiros socorros,
água e lanches, os materiais que usaríamos nos livros de cume que iríamos passar antes de
retornar ao acampamento: o próprio Ruah Leste, os Camelos 1, 2, 3 e 4, o do Avião e o São João
Batista. Alcançamos o primeiro cume do dia às 8h10, fizemos uma parada para café da manhã
com as frutas liofilizadas, chocolates, queijos e guloseimas trazidas, curtindo os diferentes
ângulos das montanhas da Serra Fina. Verificamos não haver registros no livro de cume desde
nossa incursão anterior, apontando que, mesmo tão próximo a concorridíssima trilha da
travessia, ainda há montanhas tranquilas, bastando ter a disposição de ousar um pouco mais e
fugir do convencional. Acrescemos alguns itens (mel e cobertor de emergência) ao tubo de cume,
considerando que possam ser de grande valia para algum colega num eventual perrengue
explorando os arredores da trilha tradicional.
Pouco depois, 8h20 iniciamos a descida em direção ao Ruah, onde um vara-mato nos aguardava,
mirando alguma laje que abreviasse o sofrimento. Pouco antes das 9h, passamos pela lata de
sardinha deixada por algum excursionista pioneiro, dessa vez não confabulamos entre leva-la
ou não... o estado de corrosão apontava algo muito antigo e estando colocada sobre uma parte
mais elevada da laje, ela claramente tinha a intenção de marcar um ponto de passagem, e na
caminhada anterior já havíamos deliberado mantê-la ali, pelo menos enquanto seus restos
fossem reconhecíveis. Curiosos com a história que havia ali, condensada naquelas poucas
gramas de folha de flandres, subimos buscando o colo entre o Pico do Avião e o primeiro dos

camelos. A partir dali, viramos em direção norte e tocamos para cima, chegando aos 2550m de
altitude do cume em pouco mais de 30 minutos de caminhada.
Mantendo a mesma direção, descemos em direção ao colo entre os Camelos 1 e 2, atravessamos
com cautela pela maior exposição do trecho e tocamos para o cume do Camelo 2, quase tão alto
quanto o anterior. A diferença de altitude entre os dois não ultrapassa 20 m. Nesse cume,
havíamos deixado, na incursão anterior um tubo de cume, cujo o único registro era o da nossa
passagem, na travessia full anterior.
Da esquerda para a direita: Três Estados, Cupim de Boi e Cabeça de Touro, vistos a partir do Camelos 2. Foto: Douglas Garcia
Ali registramos nossa passagem, acrescemos o mel ao material de emergência deixado
anteriormente, retomamos um pouco o folego e partimos para o Camelos 3, alcançando às
10h15 os 2480m de altitude do seu cume. Para o Camelos 4, o caminho começa pela lateral
direita descendo a encosta íngreme e seguindo o vara-mato desbravado na passagem anterior,
à esquerda. Apesar de já haver palmilhado a passagem, ainda havia o receio de buracos e fendas
e, paradoxalmente, exatamente no momento em que eu alertava a Areli e o Zagaia da
possibilidade de haver buracos escondidos na vegetação e da necessidade de cautela, encontrei
um deles e sumi, diante dos olhos dos dois, quase como em um passe de mágica... enquanto
caía, esperava que a vegetação me freasse a queda, como isso não aconteceu, tratei de agarrar
o que tinha à mão, e, às custas de dois cortes maiores nas luvas (de couro, grossas) que não se
aprofundaram muito nas mãos, freei minha descida e me vi de ponta cabeça a uns 4 m abaixo
dos pês do pessoal. Gritei informando estar tudo bem, e procurei me firmar antes de escalar a
encosta, usando a vegetação como apoio. Nesse momento meu receio era que os tufos de capim
e os poucos bambus que me via aqui e ali, não suportassem mais peso que apenas o meu e
cedessem, caso alguém buscasse me ajudar ou caísse também. Refeitos do choque do susto,
retomamos a caminhada com mais cuidado, uma vez que os trechos seguintes são de exposição

bem maior e uma errada como a de poucos minutos antes, quase certo de que teria
consequências graves. Passamos pelas partes de exposição com bastante zelo, procurando não
dedicar mais que um olhar de relance à paisagem por mais espetacular que fosse. Da mesma
forma que na vez anterior subimos pela direita de forma a evitar ter que dar um “salto de fé”
para cima.
Com maior cautela, alcançamos o totem que erguemos na vez anterior, às 11h20, fizemos uma
parada maior, registramos a passagem pelo livro de cume, aproveitando para revestir duas
pedras maiores com parte de um cobertor de emergência danificado. Acrescentamos os saches
de mel ao material de emergência, descansamos um bocado e partimos explorar os arredores...
a crista dos camelos tem um quinto cume, cerca de 30 metros inferior em altitude ao Camelo 4.
Aproveitamos bem o tempo observando o PNI, o Cupim de Boi, o Três Estados e curtindo a pausa
maior, fizemos um lanche mais substancial apreciando o que havíamos caminhado e o que ainda
o faríamos antes de dar o dia por encerrado.
CT visto do 5 Camelo. Foto: Marinaldo Bruno Retornando dos Camelos “Toca para cima”. Foto: Douglas
Discutimos as alternativas para acampamento entre a base do CT e o bosque na descida do
Cupim de Boi. A expectava de descer a encosta do Cupim, à noite e com cargueiras era um pouco
apreensiva e concordamos, que se, encontrássemos um lugar, por pequeno e ruim que fosse,
acamparíamos no bambuzal e partiríamos de madrugada para ver o sol nascer instalados no alto
do CT. Aproveitamos o horário pouco avançado e esticamos até o próximo cume da crista, que
seria o “Camelos 5” e curtimos um pouco o visual da SF a partir dali, com vistas inéditas para
nós. Iniciamos o retorno com o sol brilhando forte, o que consumia nossas reservas de água, e
eu aproveitei todos os filetes de água que encontramos para me hidratar, por fraco que fosse o
correr de água, em quase todos consegui uns goles. Já na subida do Morro do Avião,
encontramos uma poça maior, onde eu, a Areli e o Zagaia nos fartamos de beber. Continuamos
a subir, buscando o cume do pico do Avião, alcançado pouco antes das 14h. Estávamos dentro
do planejado, então fomos até os destroços do avião monomotor na encosta antes de
retornamos ao acampamento e arrumarmos as cargueiras para o restante da pernada do dia.
Seria o trecho que faríamos com o inventário de água totalmente ocupado, pois não teríamos
agua até o final da tarde do dia seguinte.
Com as cargueiras arrumadas, partimos para nos abastecer de água na cachoeira que o Rio
Verde faz, na parte em que o vale se estreita entre o Ruah Norte e Ruah Leste. Procuramos nos
hidratar bastante considerando a previsão de mais um dia sem nuvens, sem disponibilidade de
termos acesso a outro ponto de água antes das 17h, já na saída da trilha. Ficamos quase meia
hora na pequena queda, alguns de nós aproveitando para tomar um rápido banho nas frescas

águas. Eu, levando em conta que o sol já ameaçava deixar o vale, optei por postergar mais uma
vez meu banho naquelas águas. Nesse ponto, nos abastecemos de toda água possível nas
mochilas e no corpo, buscando a melhor condição para a pernada final. Caprichamos nos ajustes
das cargueiras, que agora fariam valer sua capacidade de transferir a maior parte do esforço
para os quadris. Com 4l de água, minha mochila pesava pouco mais de 14kg, e, com os benefícios
da observação à posteriori, devo dizer que 4l eram “pouco”. Imaginava terminar o último dia
com água contada, carregando o mínimo de peso e administrando o consumo. Houve quem
pegasse 6l e nenhum de nós imaginava esbanjar o precioso líquido.
Com os últimos raios de sol se perdendo atrás da PM, deixamos o Ruah para a derradeira
caminhada do dia, com destino ao bosque de bambus à direita do Cupim de Boi. Com as mochilas
em seu peso máximo dessa travessia, caminhávamos de forma tranquila, procurando preservar
o fôlego e as forças para o dia seguinte. Pouco antes das 21h estávamos no bosque, com as
barracas montadas, nos preparando para dormir algumas horas, já que o planejado era
partirmos antes das 4h para acompanharmos o nascer do sol a partir do cume do CT.
Tranquilizamos o pessoal de outro grupo que já estava ali, e que havia se dividido ao longo do
dia. Parte dos montanhistas desse grupo tinha chegado ao ponto em que acampamos na véspera,
no Ruah, aos pés da PM e ficara no aguardo de alguns retardatários. Estimamos que eles
tardariam no máximo duas horas, porém, com o cansaço e a progressão à noite pouco
confortável, eles optaram por armar acampamento antes do Cupim, numa área de
acampamento alternativa. A expectativa de um visual inédito nos inebriava, e com o cansaço do
segundo dia apoiando, rapidamente adormecemos. Decidi não cozinhar e poupar água para o
dia seguinte, decisão que se mostraria bastante oportuna. Apesar de não estar com fome, já que
passara o dia com diversos petiscos, me obriguei a comer pelo menos uma barrinha de cereais;
ou melhor, tentei me obrigar... o sono e o cansaço venceram e adormeci com a barrinha na
mão... rs... a noite foi muito agradável e dormi direto, sem interrupções, depois que desisti de
utilizar o isolante inflável... o saco de dormir teimava em escorregar de sobre ele, mesmo ante
a suave inclinação em que minha barraca fora montada. Felizmente, era uma questão de luxo,
de forma que apenas coloquei o isolante inflável de lado e adormeci sobre o bom e velho
isolante “casca de ovo”.
Terceiro dia
Confirmando a fama de ser um dos melhores lugares para pernoite na travessia, a temperatura
amena no bosque e o abrigado do vento, possibilitaram uma noite de sono espetacular. Acordei
3h30, revisei a arrumação da mochila de ataque feita na véspera e sai da barraca para esticar as
pernas enquanto os amigos faziam os últimos preparativos. Por mais que procurasse, não
consegui encontrar o estojo com os óculos, e como não queria colocar a lente de contato ainda,
para dar um período maior de descanso para as pupilas, coloquei o estojo de lentes na mochila
de ataque, junto com soro e um pequeno espelho de sinalização, revisei a mochila, verificando
se os itens críticos estavam lá e me preparei para iniciar a caminhada. Partimos no horário
previsto, subindo rapidamente o Cupim e virando à esquerda, para alcançar seu cume e voltar
a descê-lo, agora agarrando nas pedras e na vegetação. A descida naquele trecho é bastante
íngreme, e após alguns minutos tensos, alcançamos a grande rocha que serve de totem natural
para os que atravessam o colo entre as duas montanhas. Não deixamos de notar o quanto o
caminho estava batido, pela passagem de sucessivos montanhistas. A montanha do começo do
ano, nesse aspecto diferia demais daquela que alcançávamos de forma tão desimpedida. Na
minha primeira incursão naquela montanha, ainda no início da temporada de montanhas de
2018, foi necessário dispender um tempo considerável para avaliar por onde passaríamos equais pontos de referência teríamos ao estar no colo e depois varando o mato que apresentava,
apenas aqui e ali, marcas de já ter sido desbravado anteriormente. Eu caminhava em passo mais
lento que os demais, já que a minha visão era bastante limitada. Quando o Zagaia comentou ter
visto água próximo à trilha, lembrei-me de que, no vara-mato do começo do ano, eu havia visto
uma pequena lagoa, à esquerda da trilha.
Com a trilha mais aberta, avançamos mais rápido do que havíamos planejado, e seguindo a velha
estratégia de ataques paralelos, visando minimizar o risco de uma pedrada amiga, alcançamos
o cume 6h30, a tempo de ver o nascer do sol na direção do Agulhas Negras. Fizemos uma pausa
para um lanche à guisa de café da manhã. Aproveitei a parada mais longa para colocar, sem
pressa, a lente de contato... com 5,25º de miopia, garanto que os contornos das montanhas
mudam sensivelmente. Um arrepio me passou pela espinha, lembrando da descida do Cupim,
tateando cada passo no que o colega da frente fazia, quase que às cegas. Curtimos bastante o
cume, exploramos rapidamente duas de suas cristas, passando pelos destroços do bimotor e
instalamos um novo tubo de cume num pico mais afastado à 2580m de altitude, após os
destroços do avião. Junto com esse livro de cume, colocamos um kit perrengue minimalista, haja
vista que ali não se pode contar com a chegada providencial de outro montanhista para lhe
“safar a onça”.
Nascer do sol a partir do Cabeça de Touro Sombra do CT na Pedra da Mina Fotos: Marinaldo Bruno
Após estudar brevemente com o Marinaldo, a crista sudeste do CT, eu e o Douglas encontramos
com o Zagaia e Areli que retornavam para o cume vindo da parte onde estão os destroços do
avião. Combinamos de iniciar a descida do CT no mais tardar às 8h e nos apressamos com a
instalação do tubo complementar, buscando iniciar a descida com o restante do grupo ou pouco
atrás. Com o cansaço da subida, parte do grupo iniciou a descida pouco antes de nós, porém
como desciam mais devagar nos aproximamos deles rapidamente. Novamente, utilizamos a
estratégia de descer em linhas paralelas, cuidando para que alguma rocha eventualmente
deslocada não atingisse ninguém abaixo. Com isso, em pouco tempo estávamos à margem do
colo entre o Cupim de Boi e o Cabeça de Touro. Marinaldo, Areli e Zagaia, já estavam no colo,
buscando a lagoa vista a partir da trilha de ida. A questão é que não encontraram o caminho da
ida e estavam varando mato, na busca das referências: peladona e peladinha.
Confiando na impressão e no que lembrava da ida, esquecendo que a fizera quase que às cegas,
busquei a trilha que havíamos passado pouco antes com a intenção de coletar um pouco de
água na lagoa que existe ali. Com a informação de que o pessoal que havia descido antes não
estava voltando por ela, supus que a trilha estaria mais para a esquerda e fui no vara-mato
buscando interceptar a trilha. Acontece que, por causa da pouca visão na ida ou não, a trilha
estava à minha direita. Quase que certamente a trilha estava ali, entre a minha posição e a

posição dos 3 (Marinaldo, Areli e Zagaia). Como segui à direita, conforme varava o mato, me
afastava cada vez mais da trilha correta e o vara-mato ficava cada vez pior. Sem perceber eu
descia, por entre as moitas de capim que, superavam os três metros de altura. Em pouco tempo,
do chão eu não conseguia mais nenhuma referência visual, e apesar de estar com GPS ainda
queria fazer a navegação visual. Para conseguir ver por sobre o capim e me orientar, escolhi
duas moitas próximas e tratei de “escalar” elas até ter um panorama do entorno.
Do alto das moitas, tudo que eu via era capim, o CT e o Cupim, de forma que ajustei o rumo para
a encosta do Cupim, pois sabia que costeando a base havia grandes lajes de pedra que fariam o
avançar menos custoso. Gritei “oi” buscando que a resposta indicasse a posição dos outros e
não logrei escutar nenhuma resposta... apesar de saber que estavam lá, foi muito inquietante...
Procurei avançar por cima das moitas, e por certo tempo se desenhou como solução ... Posso
dizer que “nadei” no capim, ali... pois apesar de todo o esforço parecia que eu não avançava
“nada”.... encontrei uma rocha que se destacava no mar de capim e tentei galgá-la num pulo,
mas o capim sobre o qual eu me equilibrava cedeu quando dei impulso, me fazendo errar o pulo
e acertar a borda da pedra com a canela esquerda... a dor excruciante me fez crer que havia me
machucado, mas naquele momento, eu só queria saber de sair dali... dei a volta na pedra, por
sob o capim e encontrei um lado que me permitiu galgá-la com êxito. De sobre ela, gritei
novamente o “oi” e ouvi a resposta do Douglas perguntando onde eu estava, levantei os bastões
e escutei um “estou vendo” muito alvissareiro. Pedi que levantasse as mãos, já que ele não
estava com bastões e vi um movimento no capim ... acertamos de irmos um em direção ao outro
para depois retornamos pelo caminho que ele abria em minha direção...ainda que o vara-mato
ali não fosse tão ruim quanto o que eu havia passado pouco antes, o avanço era muito moroso.
Para efeito de comparação, no caminho que percorri através do capim consumi 32 minutos
enquanto na ida, atravessamos o mesmo colo em 8 minutos.
Estar na trilha, só com o tradicional e cansativo “toca pra cima” da íngreme subida do Cupim de
Boi, foi um grande alivio, rs... Com calma e fôlego, parando algumas vezes para que o Douglas
apreciasse as Amarilis que cresciam em um jardim escondido,, numa quantidade que ainda não
havíamos visto pela SF. Numa das pausas para recuperar o folego, ele comentou que elas seriam
o tema provável de seu trabalho de conclusão de curso... identificar habitat, mecanismos de
dispersão, a exigência do frio intenso para quebrar a dormência da gema, etc. Achei muito legal,
e continuamos a debater o que poderia ser estudado, eu sempre procurando que fosse algo de
cunho prático, talvez alguma aplicação fitoterápica. Chegamos ao acampamento no bosque às
10h e rapidamente começamos a arrumar nossas cargueiras para a última pernada do dia. Uma
vez que eu, para poupar água e por falta de apetite, não utilizara minha segunda refeição
liofilizada, a cedi para o Zagaia e para Areli. Partimos para a última pernada da travessia, às 11h,
com o sol rachando tudo e a todos.
Alcançamos o cume do Três Estados pouco antes das 12h30, ficamos cerca de 10 minutos
recuperando o folego e descansando na deliciosa sombra dos arbustos que insistem em
sobreviver ali, apesar de todos os maus tratos que montanhistas menos afeitos à política de
minimizar o impacto na natureza lhes impõem. Aproveitei para fazer uma cata dos lixos
escondidos em algumas moitas de capim, à exemplo do que encontrara quando ali estive,
atravessando a SF com meu filho, pouco mais de um mês antes. Sem muito procurar, acresci à
minha bagagem, uma lata de sardinha, uma embalagem de macarrão instantâneo e outras duas
de barrinha de cereais. Antes de partir, registramos a passagem no livro de cume, batemos um
pouco de papo com um colega de montanha que chegara pouco depois e que iria esperar o resto
do grupo em que estava.

O sol não dava trégua e como a descida do Três Estados é toda à descoberto, desci procurando
poupar a agua, respondendo com monossílabos e procurando manter a respiração controlada.
Levamos pouco mais de uma hora para atingir o cume do Bandeirante.... ainda que
progredíssemos bem, o sol abrasador fazia parecer que levávamos várias horas ao invés de
minutos entre cada cume. No meu caso, a sede era uma presença constante, dominada com
curtos goles de água a cada parada para recuperar o folego ou apreciar a paisagem.
No Alto dos Ivos, fizemos nova parada e contatamos a Patrícia para programar nosso resgate.
Consideramos que levaríamos cerca de 4 horas, a partir dali, para alcançarmos a estrada,
colocamos uma margem de segurança de cerca de meia hora, de forma a permitir que
andássemos sem pressa e agendamos o resgate para as 19h.
Nesse momento eu tinha pouco mais de 1l de água. As poucas nuvens que surgiam no horizonte
não bastavam para nos proteger do sol. Decidi que consumiria toda (ou quase) toda a minha
agua no trecho mais exposto ao sol, deixando uma eventual sede para o trecho de trilha que
percorre a floresta. Dessa forma, considerei levar três horas até o próximo ponto de água,
imponto como meta, tomar 300 ml por hora, 5ml por minuto ou 75 ml a cada 15 minutos. Como
resultado, o tempo não passava, mas a sede ficou bem administrada, permitindo chegar
próximo do ponto de água com cerca de 300 ml que, já sob o abrigo das árvores, tomei em
generosos goles.
Eu e o Marinaldo seguíamos um pouco à frente, chegando no ponto de água com alguma
vantagem em relação aos amigos e, após esperar o grupo que nos precedia se reabastecer,
preparamos uma limonada que caiu perfeita: doce e gelada.
Dali, segui em frente com a Areli, enquanto os outros procuravam se recuperar e matar a sede
com a escassa vazão de água que se apresentava. Fomos perdendo altitude de forma lenta e
contínua pela estradinha até o Sitio do Pierre e depois até a estrada, onde chegamos 18h30.
Aproveitamos o embalo e subimos um pouco pela estada para tomar sorvete caseiro.
Cada um escolheu a parte do gramado que mais lhe agradava e procurou relaxar enquanto
esperávamos o resgate, rememorando a caminhada, as paisagens, petiscando o delicioso
biscoito de polvilho, avaliando os estragos nos pés e as dores nas pernas.
A Travessia da Serra Fina Full, foi a concretização de um sonho antigo... inserir livros e caixas de
cumes em alguns dos principais cumes no entorno da PM.... onde, após várias tentativas,
mapeando e explorando, avançando a partir dos relatos dos montanhistas percursores,
conseguimos realizar. Nesse processo cumulativo de aprendizado e desenvolvimento,
percebemos o quanto alguns trechos demandam maior cuidado, até por estarem longe de tudo
e de todos, sem sinal de celular ou a passagem ocasional de outro montanhista por diversos dias.
Na esperança de apoiar algum irmão de montanha que se veja numa fria nessas partes da SF,
tomamos a iniciativa de acrescer aos livros de cume, um material básico para “safar a onça”. Se
você que lê essas linhas, precisar utilizar esse material, pedimos que nos avise para que
possamos planejar a reposição. Claro que, pelas dificuldades logísticas, consideramos o uso “kits
perrengue” na necessidade, não para conforto. Cabe a cada montanhista, novato ou experiente,
preservar e cuidar da Mantiqueira, Amantikir para os índios, nascente de inúmeros rios que
suportam a vida nas cidades, nas vilas e nas fazendas ao seu redor e ainda mais, a muitos
quilômetros de distância. Com certeza, a Serra da Mantiqueira, em sua imponência, é um dos
fatores determinantes para o clima que experimentamos no Sudeste.

Se você que lê essas linhas, já for montanhista experiente, vá preparado, pois em alguns dos
picos fora da rota tradicional, você poderá entrar numa grande “fria” se não tomar as devidas
cautelas. Esteja sempre com alguém experiente também, evite se aventurar solo ou considere
na preparação eventuais imprevistos. Não descuide do “e se”... há trechos em que não são
necessários três erros para um acidente mais grave. Como registrei acima, fizemos parte da
caminhada à noite, mas ainda que estivéssemos voltando sobre nossos passos em vários locais,
evitamos os trechos menos frequentados à noite, por perder algumas paisagens e pelo risco de
algumas passagens.
Enquanto escrevo essas linhas, relatando a travessia da SF Full em 3 dias, comentam comigo que
há montanhistas que pretendem fazê-la em 2 dias... me perguntam o que acho, e depois de
refletir um pouco me vem a resposta: amigo, a montanha não é minha nem sua, ela é de todos
que a amam e cuidam, seja do sitiante que planta ao pé da serra, ou do turista "modinha" que
posta no Instagram, ela é uma obra de Deus seja você materialista ou espiritualista. Você que lê
essas toscas e mal traçadas linhas, saiba: se estiver na montanha e precisar, um bom
montanhista vai ajudá-lo no que puder, apenas por estar lá e poder. Vejo
isso naqueles irmãos de montanha, que buscam ajudar e orientar
desconhecidos, nos guias que, pesados, sobem rindo aquelas encostas
que tantos outros se arrastam chorando... e ainda encontram forças para
apoiar as equipes de resgate daqueles menos afortunados, seja por que
motivo for e independente de sua forma de pensar ou ver a vida... Forte
abraço! Nos vemos por essas trilhas desse mundão de Deus!

 

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      Da rodoviária é preciso pegar 2 ônibus municipais para chegar até a sede do parque de Petrópolis (Bonfim), um até o Terminal Corrêas e outro (número 616 - Pinheiral) até a Escola Rural do Bonfim. 
      DICA: em feriados corra para as filas destes ônibus, pois lotam e você pode acabar tendo que esperar próximo.
      Na sede, às 9h assinamos os termos, checaram as nossas entradas e acampamentos (leve impresso!) e pronto.  Pé na trilha!

      DIA 1
      O primeiro trecho até a bifurcação para a cachoeira Véu de Noiva (ponto de água) foi bem tranquilo, cachoeira para esquerda e Castelos do Açu para direita. Para chegar até a cachoeira, é preciso atravessar um rio de pedras escorregadias e a trilha continua até ela, que é linda e vale a pena. Sou daqueles que entra na cachoeira por mais gelada que esteja, mas não entra em um chuveiro gelado nem com reza brava.
      Aquele dia de céu azul ainda estava começando. Voltamos até a bifurcação e tocamos para Pedra do Queijo, nossa parada para almoço e um lugar para sentar estava concorrido. Então, continuamos até o Ajax (ponto de água). No primeiro dia são mais de 1.100 metros de altimetria conquistados em 7km. Puxado! O trecho final de subida, conhecido por Isabeloca, foi desviado da rota original, portanto se você está com GPS, cuide para estar com seu tracklog atualizado. A rota original está preservada para restauração da vegetação.
      O final da Isabeloca, marcou o começo das vistas de tirar o fôlego. A caminhada neste trecho estava tranquila, mas durante o caminho para o Morro do Açu, o sol já estava se pondo, e agora? Corremos para aproveitar a luz do dia ou ficamos para ver o sol se pôr? Pessoas experientes diriam para aproveitar a luz solar e apertar o passo. Nós aproveitamos a luz solar, acompanhamos cada raio de sol se escondendo em um pôr do sol maravilhoso, e depois apertamos o passo.  No primeiro dia não tem segredo! A trilha é muito bem marcada em meio à vegetação.
      A noite, chegamos ao Morro do Açu e lá, era possível acampar próximo ao abrigo ou à cabeça da tartaruga.

      DIA 2
      Este era o dia! Navegar sem GPS, passar pelo "elevador", "mergulho", "cavalinho" e chegar até o Abrigo 4, da Pedra do Sino.
      5h da matina, é hora de ver o sol nascer! Como um ritual, todos vão ao Castelos do Açu para este momento. 
      Fez um bocado de frio a noite, mas não deve ter chegado a 0° C. Levantamos acampamento, enchemos nossas garrafas de água e partimos. Geralmente, o tempo que se leva no primeiro dia é parecido com o tempo do segundo.
      Neste dia, existem pelo menos 2 trechos que são por laje de pedra que em caso de neblina, só um guia ou GPS poderão te salvar. Tome cuidado!

      A travessia começou ao lado do abrigo, sentido Pedra do Sino. Depois de pouco tempo encontramos uma descida íngreme e então uma laje de pedra. Como o tempo estava  bom, foi possível ver a continuação da trilha ao lado do vale.
      Continuamos e começamos a subir o Morro do Marco, na subida tivemos alguns trechos de trepa pedra e os primeiros escorregões e no final d a trilha (no topo) viramos para direita, caminhamos pela crista e a descemos pela laje de pedra em direção ao Dedo de Deus.
      Chegamos a um riacho na base do Morro da Luva onde tem sombra e água fresca, (estávamos precisando!). Conosco, haviam umas 10 pessoas e outras estavam chegando, então resolvemos sair para diminuir a fila da água.  Sim, havia fila. Tocamos para cima, agora subindo o Morro da Luva. O começo é pela mata, mas a sombra durou pouco, seguimos com um sol do agreste de tostar a moleira. Quando chegamos a crista, transmitindo uma paz e maior do que as fotos podem representar, surgiu a Pedra do Garrafão. Que vista!

      A trilha continua pela crista, atravessando o morro. Terá um vale e o sentido é para direita,  continuando entre lajes de pedra, trilha e atravessando outro riacho (ponto de água). Depois de um bom tempo atravessamos uma ponte de madeira e chegamos ao Elevador. Havia chovido nos dias anteriores e boa parte da trilha tinha lama e a Ádria que tomou todo cuidado para não molhar a bota a fim de escalar o "Elevador" sem o risco de escorregar, descobriu que ele inteiro estava molhado. Antes da subida, parada para almoço. E aí, grupos estavam chegando, a fila aumentando e o tempo passando.  Vamos. A subida não foi tranquila, teve muita atenção e tensão. Ferros da escada soltos e outros faltando, todo cuidado era pouco (sem falar no peso da mochila te empurrando). Um pé de cada vez, sem pressa. Pronto, passamos.
      INSPIRADOS NA TRAVESSIA PETRÔ X TERÊ CRIAMOS UMA CAMISETA INCRÍVEL


      Como recompensa um cubinho de doce de leite doado pelo amigo da trilha, a Maiza (com a mão bem limpinha) não pensou duas vezes. Obrigado amigo!
      Após o elevador, seguimos até encontrar mais um trecho de laje, agora mais íngreme, onde era possível ver 2 pês cravados na rocha que podem ser muito úteis em dias de chuva forte. Por todos estes trechos onde caminhamos pelas rochas foi possível encontrar os totens (foto abaixo). Já as setas indicando a direção (amarela para Teresópolis e branca para Petrópolis) eram raras. Subimos a crista do Dinossauro, passamos pelo Vale das Antas (ponto de água), continuamos pela Pedra da Baleia, depois zizagueando pelas lajes de pedra chegamos ao Mergulho.
      O Mergulho é uma depressão (buraco) no final das lajes de pedra com uns 5 metros de altura. Quando chagemaos, um casal com corda, ajudava outros dois trilheiros, que não tinham. Então, começamos a nos preparar enquanto a fila se formava atrás de nós. Optamos por fazer um pequeno rapel pois achamos que era o mais seguro para aquela pedra úmida e escorregadia (imagine em dias de chuva!). No meio do rapel da Ádria, chegou um quarteto de cabras da peste, metidos a Indiana Jones, querendo passar rapidinho e ao mesmo tempo que a Ádria. 
           - Amigo,  quer passar, passa, mas não segura na corda que ela está pendurada né?
      Pois é, esses Indiana Jones estavam sem o chicote para lançar na árvore e usar feito cipó.
      Pronto, mergulho superado,  então vamos para o próximo,  o Cavalinho.
      Quando chegamos lá,  adivinha quem estava travado com medo de altura e não conseguia passar pelo cavalinho?  Um dos Indiana Jones.
           - É amigo,  no filme era mais fácil, né?
      Assim como no Mergulho, tiramos as mochilas e passei primeiro para içá-las. No Cavalinho existe um "pê" para proteção que usei para içar um Indiana Jones, dois Crocodilos Dundee, a Ádria, a Maiza, quatro pessoas que não tinham corda, tampouco guia e onze mochilas, até que chegou o grupo guiado pelo Janio,  que me perguntou:
      - Você é guia?
      - Não, estou mais para bom samaritano de trilha mesmo.
      - Eita, então pode continuar que ali em cima tem uma passagem pior que essa, e o pessoal deve estar te esperando .
      Dito e feito, dali 10 metros, a turma estava lá me esperando. Mais um trecho bem complicado com necessidade do uso da corda. Acredito que levamos mais de 1 hora, entre o Mergulho, Cavalinho e o último trepa pedra, pois foram trechos técnicos, com fila e ajuda aos desavisados.
      Dali em diante, a trilha foi tranquila e rápida até o Abrigo 4. 

      Dica: chegando ao abrigo, a primeira coisa a se fazer é colocar o nome na fila do banho quente, caso você tenha comprado, pois a espera pode ser bem longa. Armamos a barraca, a Maiza fez um jantar sinistro, comemos e esperamos, esperamos, até que eu comecei a dormir em pé esperando a minha vez no banho. Quer saber? Já tomei um banho de cachoeira antes de ontem, vou dormir. A Maiza conseguiu revender o meu banho e o lugar na fila.
      DIA 3
      5h da manhã, hora de acordar para ir ver o sol nascer na Pedra do Sino. Chegamos em 30 minutos, com tempo para andar pelo pico e escolher o melhor lugar para dar bom dia ao sol.

      Descemos, levantamos acampamento e seguimos morro abaixo. O caminho foi óbvio e tranquilo, com vários pontos de água. Chegamos à portaria da sede em Teresópolis realizados! Satisfeitos com cada minuto desta travessia e famintos.
      Andamos até o ponto de ônibus indicado pelos funcionários do parque, e próximo à rodoviária comemos um PF de respeito. Entramos no ônibus para Petrópolis, depois para o hostel e finalmente tomei banho.
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    • Por maizanara
      Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP),  símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W.
      Tem muitas outras informações no meu blog: www.mawaybr.com.br
      Tem um post com os custos desta viagem AQUI e outro sobre como fazer as reservas AQUI.
      Acompanhe nossas aventuras no Facebook ou Instagram
        Relato de Viagem">Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras
      Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor.
      A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo.
      Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada.
      É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto.
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.

      Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto.   Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! )
      Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares  queimados. Uma tristeza  ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos ao Mirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 -  café com montanha
      Após uma noite de muito vento (dica: monte muito bem sua barraca!), tomamos café na cozinha do acampamento com uma vista incrível, arrumamos tudo e saímos.
      Logo no início da trilha, na Portería Lago Pehoe, o guarda-parque pediu para ver nossa reserva impressa do acampamentoItaliano, reservas confirmadas, pé na trilha! A cadeia de montanhas Los Cuernos estava bem escondida, mas conforme nos aproximávamos dela, mais ela aparecia, e uma caminhada de 2,5 horas, fizemos em incríveis 4,5 horas. Haja foto!
      A alegre chegada ao acampamento Italiano é anunciada pela ponte que temos que atravessar e deu um medinho! Como venta muito, ela parece bem instável. Fizemos o check-in no acampamento, conversamos com os guardas e fomos preparar nosso jantar.
      Decidimos não fazer nenhuma outra trilha neste dia pois a trilha para o Mirador Britanico fecha às 17h e a do Mirador Frances às 19h. E quando digo que a trilha fecha, ela fecha mesmo, pois um dos guardas percorre a trilha até o final para garantir que não há mais ninguém na trilha (todos os dias, imagina!).
      Dia 3 - doce ilusão
      O vento faz parte da Patagônia, aceite! Eu acordei assustada a noite, pois dormíamos debaixo da copa das árvores e o vento balançava seus galhos com força. E o medo daqueles galhos caírem sobre nós?
      Não, nenhum galho caiu, ufa! Deixamos nossos pertences no acampamento e seguimos em direção ao Mirador Britanico com nossas mochilas de ataque. Todo mundo larga suas mochilas no acampamento, isso é bem normal (também algo que tive que aceitar me acostumar). Quando chegamos ao Mirador Frances o tempo já estava muito fechado, andamos mais um pouco e decidimos voltar, afinal não conseguiríamos ver nada mesmo. Ficamos sentados um tempo esperando por uma avalanche no topo das montanhas, que também não aconteceu...
      Mesmo assim estávamos só felicidade, afinal estávamos a caminho do Refugio Los Cuernos, onde passaríamos a noite em uma linda cabana de madeira na beira do lago.   Sim, foi puro luxo! Não temos dinheiro para Não ligamos para luxo quando o assunto é hospedagem, mas há anos atrás vimos uma foto no Facebook de um casal em um ofurô com uma paisagem de tirar o fôlego ao fundo. Escrevemos para a pessoa que postou a tal foto perguntando onde era: Refugio Los Cuernos.
      Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha!
      Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza.
      Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO!     CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.   Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso!
      Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho. Dia 4 - meu querido saco de dormir
      A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping.
      Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho!
      No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco).
      Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos.
      O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos).
      Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado
      Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado!
      Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas!  Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma).
      A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3.
      Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos.
      Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?"
      Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão.

       
      CRIAMOS UMA COLEÇÃO DE CAMISETAS INSPIRADA NO CIRCUITO W, VEJA AQUI.
      Escrevi um post com os custos desta viagem AQUI.
      Bons ventos!
       
       
    • Por Leandro Z
      Apesar de haver bons relatos no site, espero contribuir com o meu.
      Há 4 ônibus diários entre São Luís e Barreirinhas pela viação CISNE BRANCO, R$51, demora 5h (não procurei vans saindo do aeroporto direto pra Barreirinhas, mas existem). Dizem que é melhor fazer a travessia no sentido Barreirinhas - Santo Amaro, por causa da posição do sol e do vento. A estrada São Luís-Santo Amaro é relativamente nova, está boa e é mais perto que SLZ - Barreirinhas. Além disso, as lagoas de Santo Amaro são mais bonitas. ATENÇÃO com a volta de Santo Amaro para São Luís, acho que não tem ônibus (se tiver, são raros) e dependemos do guia em achar uma van que ia pra lá. Geralmente, o último dia termina 12:30h e o transporte até São Luís demora 4h30min. Grande parte da travessia é em areia firme e fria, então é melhor andar descalço ou com meia. Também tem inevitáveis passagens por lagoas menores, onde se molha, pelo menos, as pernas. Elas são boas para se refrescar (o tempo inteiro eu andei molhado ou úmido de propósito). Melhor época: junho e julho, alguns dizem agosto e até setembro, mas nestes muitas lagoas já estão secas. Preços: como junho e julho são os melhores meses, só diária do guia custa até R$250; hospedagem (café da manhã incluído), em redário, sai por R$35; jantar: R$30 a R$35; água de 2l: R$8. Converse com o guia para ver o que está incluído no preço dele (passeio pelo rio Preguiça, hospedagens e refeições, etc). Cansar vai, mas com certeza vale a pena. Acredito que uns treinos de caminhada de 8km sejam suficientes para preparação. Esta é a travessia mais tradicional do parque, mas tem outras de 6 até 10 dias! Levar: poucas roupas (inclusive com proteção UV), meias, chapéu (nessa época, não precisa levar nada para frio, nem tênis), chinelo, protetor solar, água (pode ser comprada em cada parada),  snacks (frutas desidratadas, amendoim e castanhas), dinheiro em espécie, lanterna (não é essencial, não precisa na caminhada, mas ajuda nas hospedagens), coisas de higiene pessoal (sabonete, escova, pasta, repelente). É recomendável levar aquelas baterias portáteis, power bank, mas dá pra usar a eletricidade em algumas hospedagens. Dia 28/jun - 1º dia: Pegamos um barco em Barreirinhas para fazer o passeio pelo rio Preguiça (R$80) por volta das 10h, o guia já nos acompanhava. O passeio é tranquilo, para em Mandacaru, onde tem um farol, também para em Caburé onde tem dunas e uma lagoa. Termina em Atins, banhamos em uma praia. Depois, final de tarde, caminhamos até Canto de Atins, cerca de 3,5h em ritmo tranquilo, sem paradas para banhos, o GPS marcou 12km de caminhada durante o dia todo (pareceu bem menos). Em Canto de Atins, tem dois restaurantes/pousada: do seu Antônio e da dona Luzia. A dona Luzia foi pioneira e é mais famosa, mas o guia disse que a fama subiu-lhe a cabeça, ficamos no seu Antônio. O camarão na chapa é o prato chefe de ambos, não é barato (com refri e água, saiu R$50 cada um o jantar), mas realmente estava muito gostoso. Dormimos em rede (R$35), local coberto com palha, com luz, mas sem paredes, até às 2:30h da manhã.
       
      Dia 29/jun - 2º dia: Prometia ser o mais pesado, cerca de 17km até Baixa Grande (o quarto dia que foi o mais cansativo). Começamos a travessia por volta das 3:15h, depois de um bom café da manhã, caminhamos sob a lua cheia iluminando tudo e temperatura amena. Andamos pela praia um bom tempo, cerca de 4h (com direito a cochilada no caminho) até chegar às dunas. Valeu a pena? Sempre, no entanto, tem gente que faz este trajeto de carro e isto economiza umas boas horas. Nas dunas, subida, descida, banho em algumas lagoas. Terminamos em Baixa Grande às 12:10h. Cansei muito! O GPS marcou, durante todo o dia, uns 27km. Eu digo "durante todo o dia", porque ainda caminhávamos pelos arredores do local da hospedagem para conhecer lagoas, rios, ver o pôr-do-sol. Baixa grande é um vilarejo no meio do deserto, mas com construção de alvenaria e vegetação por perto. Almoçamos galinha caipira por R$35 (preço padrão e não é você que escolhe o que comer). Descansamos e, à tarde, fomos para uma lagoa e ver o pôr-do-sol. Dormimos, como sempre, em rede (R$35 preço padrão), sem iluminação, mas coberto com palha e "paredes". O dia seguinte seria mais tranquilo.
       
      Dia 30/jun - 3º: Este terceiro dia foi tranquilo, acordamos por volta das 4:30h para sairmos às 5h, após café da manhã simples (tapioca e ovo). Caminhamos devagar, parando bastante em lagoas e terminamos antes do meio-dia em Queimada dos Britos, o GPS indicou 15km. Eu comecei a usar meia, pois vi que estava começando a formar bolha no meu pé. Almoço (R$35) era peixe (estava salgado), teve salada (artigo raro) e até sobremesa. Lagoas, pôr-do-sol, jantar e dormir cedo, porque não tem muito que fazer a noite.
       
      Dia 1º/jul - 4º: De novo, acordamos umas 2:15h, tomamos café e saímos para caminhar às 3h e alguma coisa. Só terminamos à 12:30h, exaustos, em Santo Amaro. Foi o dia mais longo e mais cansativo, cerca de 28km. Neste dia, mais uma vez, é possível pegar um transporte em Vassouras, economizando assim, uns 10km. Pergunta se pegamos? Não. Faltando uns 8km (talvez 6km), o guia novamente perguntou se queríamos pedir um carro e pagar R$50 cada um. Pegamos o carro? Claro que não, só faltavam 8km! kkk. As lagoas perto de Santo Amaro são bem mais bonitas que as de Barreirinhas e, acredito eu, o turismo em Santo Amaro irá aumentar com a boa estrada até são Luís (só falta transporte).
       

    • Por Tadeu Pereira
      Salve salve mochileiros!
      Segue o relato da trilha feita no Réveillon rumo ao Pico do Corcovado situado no município de Ubatuba no litoral norte de São Paulo.
      --> 24km ida e volta 
      --> Nível de dificuldade: DIFÍCIL (trilha extensa com várias bifurcações no início e muita mas muita subida rss)
       
      Partida - 30/12/19 - Partida 18:00pm - São Paulo x Caraguatatuba x Praia da Lagoinha x Praia do Bonetinho - Ônibus R$65,00 - Transporte público R$5,50
           Dia 30 de Dezembro geralmente costumo me organizar com antecedência o que vou fazer na virada pra não passar apuros nas correrias de final de ano. Mas ao contrário deste ano de 2019 eu não segui o protocolo e resolvi tudo na última hora, e lá estávamos nós, eu Tadeu e meu amigo Léo no dia 30 de Dezembro partindo de São Paulo capital sentido Caraguatatuba no litoral norte de São Paulo pelo empresa de ônibus Litorânea onde compramos as passagens por R$65,00. Em meio a milhares de pessoas correndo pra lá e pra cá no Terminal Rodoviário Tietê, nós conseguimos as passagens para às 18:00 com previsão de chegada para às 20:35. Chegamos por volta das 21:30 em Caraguatatuba por causa do trânsito intenso na rodovia de final de ano.

      Terminal Rodoviário Tietê 
           Em Caragua o clima estava abafado mas sem nenhum sinal aparente de chuva. A previsão mostrava clima aberto pro dia 30 e 31 com 20% de chuvas isoladas. Aguardamos por um tempo no terminal para aguardar nosso proximo ônibus e neste tempo aproveitamos e caminhamos por uns 5 minutos até o supermercado Shibata que fica próximo ao terminal rodoviário para comprar comida e água para passar a primeira noite no camping. Compras feitas, retornamos ao terminal e então pegamos um ônibus de transporte público na rodoviária de Caraguatatuba com sentido a Ubatuba por R$5,50 e depois de 1 hora descemos no ponto da praia da Lagoinha próximo ao Mercado Garotão e ao Condomínio SARELA - Recanto da Lagoinha onde caminhamos até sua entrada na 1ª guarita e continuamos por dentro do condomínio até a 2ª guarita que é onde fica o início da Trilha da Sete Praias. Caminhamos por 40 minutos passando pela Praia do Oeste e Praia do Peres caminhando totalmente no escuro iluminando com lanternas até chegar na Praia do Bonete ou Bonetinho onde passamos a primeira noite em camping selvagem ou seja, camping sem estrutura nenhuma, mas com o essencial, mar aberto e uma fonte de água potável. Ai foi só montar as barracas!   

      Camping Praia do Bonetinho

           O camping na Praia do Bonete além de selvagem é um camping proibido, na praia existe uma enorme placa lembrando os visitantes que aquele local ou aquela praia é uma propriedade particular. Então como chegamos já a noite, nós acampamos e desmontamos nossas barracas bem cedinho para ninguém ver e causar maiores problemas. Camping concluído com sucesso!  
      Subida - 31/12/19 - Partida 9:00am - Praia do Bonetinho x Pico do Corcovado - Transporte público R$5,50 

      ;
           Acordamos por volta das 6:00 da manhã e desmontamos rápido nossas barracas. Fizemos um bom café da manhã, tomamos o último banho de mar de 2019, arrumamos nossas mochilas e caminhamos de volta para o começo da trilha das Sete Praias, pois teríamos que pegar um ônibus sentido Ubatuba para descer no ponto da Praia Dura que ficava a 4,7 km de onde estávamos. Então fizemos a trilha da Praia do Bonetinho de volta para o condomínio Recanto da Lagoinha, fomos para a 1ª guarita na entrada do condomínio e caminhamos para a direita na rodovia sentido Ubatuba por uns cinco minutos até chegar em um ponto de ônibus. Até tentamos pegar carona mas os carros pareciam estar todos lotados ou com bagagens ou de pessoas chegando para passar a virada de ano no litoral. Por sorte o ônibus não demorou muito e pegamos rápido um ônibus por R$5,50 sentido Ubatuba e alguns minutos depois descemos no ponto da Praia Dura em frente ao Supermercado Praia Dura que fica também no começo da estrada do Corcovado que seria o começo da nosso caminho rumo ao imponente Pico do Corcovado. Aproveitamos e compramos no supermercado alguns mantimentos e água. Levamos 2 garrafas de água de 1 litro e 1 litro e meio cada um.
       
      (Caminho até o início da trilha)
       Supermercado Praia dura x Casa do Sr. Tozaki - Guarita do Parque Estadual Serra do Mar
      --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

      (Todo caminho percorrido) 
      Wikiloc: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/spatialArtifacts.do?event=setCurrentSpatialArtifact&id=45109332
       Supermercado Praia dura x Casa do Sr. Tozaki - Guarita do Parque Estadual Serra do Mar x Pico Do Corcovado
           Começamos nossa caminhada para o pico por volta das 11:00 da manhã. Nosso ponto de partida foi do Supermercado Praia Dura, dali caminhamos por 1 hora os 4 Km da Estrada do Corcovado até a casa do famoso Sr. Tozaki (que infelizmente não tive a oportunidade de encontrar) onde fica situado a guarita do Parque Estadual da Serra do Mar PESM - Núcleo Picinguaba e início da Trilha do Pico do Corcovado.

      Casa Sr. Tozaki
       
      Guarita do Parque Estadual Serra do Mar - Núcleo Picinguaba
           Para subida e pernoitar no Pico do Corcovado é preciso realizar o agendamento com o Núcleo Picinguaba enviando um e-mail para [email protected] ou para [email protected] Nós até fizemos nossa parte e enviamos três e-mails para solicitar o agendamento em três emails diferentes, porém recebemos a resposta de que dois deles estavam desativados. O único e-mail que nos respondeu foi o [email protected] e disse assim: 
      ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
      31 de dez de 2019 às 13:59
      "Bom dia!
      Informamos que a Associação Coaquira de Guia de Turismo, Monitor e Condutor de Ubatuba é responsável pelo ecoturismo realizando o controle de acesso, monitoramento e manutenção do atrativo do atrativo Pico do Corcovado por meio do Termo de Autorização de Uso (TAU /FF/CORCOVADO nº 01/2018 - Processo FF nº 726/2018 - NIS 2096616) assinado pela Fundação Florestal no ano de 2018.   O atrativo Pico do Corcovado se encontra em área do Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo Picinguaba, Unidade de Conservação de Proteção Integral, instituída através do Decreto Estadual 13.313/79 e o principal objetivo da associação e a preservação, conservação e prática do Ecoturismo e Montanhismo de mínimo impacto no atrativo. A trilha para o Pico do Corcovado é monitorada, ou seja, há a necessidade de contratação de um Guia de Turismo ou Monitor Ambiental da Associação Coaquira para acessar o mesmo e realizar o procedimento de agendamento.   É necessário realizar o agendamento com antecedência, dessa forma poderemos indicar um condutor para acompanhar o grupo, o procedimento será confirmado após a confirmação da disponibilidade da data solicitada, preenchimento do Ofício de Solicitação de Reserva, Termo de Isenção de riscos, Termo de Responsabilidade e Ficha Médica.    Quanto a pernoite, é permitida seguindo as informações acima, agendamento e contratação de um Guia de Turismo ou Monitor Ambiental que disponibilizamos pela associação e respeitando a capacidade de carga do atrativo de 15 pessoas. As datas propícias e permitidas para atividade de camping são entre os meses de abril a outubro.  Informamos que o atrativo estará fechado para pernoite de 19/11/2019 até 19/03/2020 pois durante esse período as chuvas no local são muito intensas, com a possibilidade de ocorrência de descargas elétricas, erosões e deslizamento do solo, causando graves riscos aos usuários. O trajeto bate e volta permanece liberado, desde que as condições climáticas estejam favoráveis e após feito todo o procedimento.   Feliz 2020!   Qualquer dúvida estamos a disposição.   Att.   Diretoria do Departamento Executivo do Atrativo Trilha do Pico do Corcovado da Associação Coaquira de Guia de Turismo Monitor e Condutor de Ubatuba ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________   --> https://www.infraestruturameioambiente.sp.gov.br/pesm/nucleos/picinguaba/contato/?filter=agendar        Como não tínhamos recebido nenhuma resposta dos e-mails enviados com a autorização e o agendamento quando começamos o caminho para o início da trilha por volta das 11:00 da manhã do dia 31 de Dezembro, decidimos ir sem agendamento mesmo. Pensamos em talvez conversar na guarita sobre os emails enviados para solicitar agendamento e que não tínhamos recebido nenhuma resposta, massss não foi necessário nada disso hehehehe. Quando nos aproximamos da guarita percebemos que não havia ninguém, nem mesmo o Sr. Tozaki estava em sua residência que fica no mesmo lugar da guarita do parque. Então decidimos começar a trilha sem falar com ninguém. Sabíamos do risco de encontrar algum guarda do parque que poderia nos multar por ter feito a trilha sem autorização e agendamento, mas estávamos decididos a subir e seguimos em frente.
           Seguimos em frente depois de uma corrente na estrada em frente a guarita e começamos realmente a trilha. A trilha se inicia em um bambuzal ao lado de uma cerca e é neste ponto que a trilha traz a maior dificuldade pois têm algumas bifurcações que levam a alguns lugares diferentes. Realizamos esta trilha com Wikiloc e mesmo assim demos umas vaciladas que foram corrigidas a tempo. Recomendo que façam esta trilha ou com guia ou com gps Wikiloc pois a trilha é muito cansativa, extensa e contém algumas bifurcações principalmente no seu começo. 
           Os primeiros minutos da trilha são tranquilos, passamos por três vezes em riachos de águas geladas e potáveis, ótimas para se refrescar e beber, já que o clima com a mata fechada se torna muito quente e úmido em dias de sol forte nos fazendo suar muito. 
      -->WIKILOC:  https://pt.wikiloc.com/wikiloc/spatialArtifacts.do?event=setCurrentSpatialArtifact&id=45109332
        
       

           A trilha no começo é tranquila, caminhamos por 1 hora aproximadamente passando por 2 pontos de água até chegar na primeira placa da trilha (PESM) e também no terceiro ponto de água. Deste ponto em diante sentimos o que realmente é a trilha do Pico do Corcovado hauhauhua. Tomamos bastante água no riacho, enchemos nossas garrafas e bora começar a subir o morro que nos aguardava ahuhaua. Estávamos em 206 metros de altitude e a partir dali iriamos subir até 460 metros para o primeiro mirante da trilha.  
         
        
      Placa PESM - Parque Estadual Serra do Mar e 3º ponto de água
           Caminhamos por algumas horas e passamos pelo primeiro ponto de corda em 382 metros de altitude. Neste ponto temos um vista muito linda pois é um dos poucos pontos abertos na trilha. A subida até o primeiro mirante foi bem desgastante, mas quando chegamos, vimos o quão lindo é a vista, isso só nos deu mais ânimo para subir. Este ponto também chamado de Igrejinha nos mostrou só uma prévia do que nos aguardava no cume. Diz a lenda que à meia-noite próximo da Igrejinha seria possível ver a imagem do Frei Bartolomeu andando por lá. É claro que não ficamos lá pra ver isso kkkkkk. Neste mirante conseguimos ver o Pico do Corcovado pela primeira vez da trilha e um belo visual de algumas praias do litoral de Ubatuba. Ficamos por alguns bons minutos contemplando aquele visual e logo seguimos em frente. Neste trecho encontramos somente duas pessoas descendo a trilha, eram dois sul africanos que estavam fazendo um bate e volta. Conversando com eles descobrimos que não havia mais ninguém na trilha e nem no cume, isso significaria que não corríamos o risco de algum guarda nos ver e nos multar e também de ter a possibilidade de passar a virada de ano somente nós no cume! Yeahhhh!!! 




      Mirante ou Igrejinha
           Depois deste ponto a trilha vai ficando cada vez mais íngreme e inclinada nos castigando bastante. Caminhamos bem lentamente até chegarmos até o último ponto de água que fica a 767 metros de altitude. Paramos um pouco para mais um descanso, fizemos um lanche, tomamos bastante água, enchemos novamente nossas garrafas pois aquele seria o último ponto de água até o cume. Então levamos água o bastante pra beber no restante da trilha e para pernoitar no cume do pico sem precisar voltar para buscar mais água.

       3 km de trilha percorridos e ainda faltavam 5 km kkkkk
       
      Último ponto de água em 767 metros de altitude

      Neblina surgindo no meio da mata. Estávamos nas nuvens!
           Continuamos caminhando sempre subindo até chegarmos ao Camping 1 em 1000 metros de altitude. A subida mais uma vez nos castigou muito e paramos por diversas vezes para descanso e recuperar o fôlego. Chegamos no Camping 1 e ficamos um bom tempo descansando antes de enfrentar a última e mais difícil subida do percurso.  


      Camping 1


      O camping 1 tem espaço para aproximadamente umas 7 barracas. 
           Após este ponto, no Camping 1, a trilha deu uma trégua na subida e começamos a caminhar olhando alguns momentos para o Pico do Corcovado em uma trilha mais plana e com poucos declives. Afinal já estávamos na crista da Serra do Mar e a mais de 1000 metros de altitude. Esta parte da trilha é simplesmente incrível, havia desfiladeiros dos dois lados que conseguíamos ver por entre as árvores, mas como a visibilidade estava baixa por causa da neblina, fomos ver realmente a dimensão do lugar que estávamos trilhando somente na volta com o tempo aberto. 
       
           Caminhando por aproximadamente mais 40 minutos pela crista da Serra do Mar e chegamos em duas placas informando qual a direção que se deveria seguir. A placa da direita subindo dizia que o caminho estava em recuperação e que o acesso estava restrito, já a placa da esquerda era uma seta informando a direção a se seguir para chegar ao cume. Como estávamos seguindo a trilha com o Wikiloc resolvemos fazer a trilha de acesso restrito que era o que o nosso GPS estava guiando, mas esta trilha foi um das partes mais difíceis do caminho com uma subida quase que impossível e perigosa, mas nós conseguimos! Já a trilha da esquerda é um pouco maior com uma grande descida até um ponto de água que fica ainda mais próximo do cume e depois uma última subida mais tranquila até o cume do Pico do Corcovado, mas isso só ficamos sabendo na volta quando retornamos por este lado da trilha pois subimos pela trilha restrita.    

      Placas direcionando a trilha correta e mais fácil a se seguir
           Após alguns minutos subindo os últimos 100 metros finais e os últimos 60 metros de altitude, onde o corpo já está a ponto de explodir com a mistura de tanta ansiedade, de cansaço, de adrenalina, sede e de todo o esforço feito pra chegar até ali, nós conseguimos vencer com muita superação a última e mais difícil parte da trilha. Uma "escalaminhada" que necessita de pés e mãos livres para subir pelas raízes das árvores que nos custou muito esforço com as mochilas nas costas depois de quase 6 horas de trilha para ai sim conquistar a 1160 metros de altitude o cume do imponente PICO DO CORCOVADO em Ubatuba na Serra do Mar. Foi surreal a primeira vista de lá de cima e as lágrimas simplesmente rolaram pela minha cara suada ahauhauh! Foi incrível! 
          







           Os primeiros minutos em cima do Pico do Corcovado foram simplesmente mágicos. O tempo que estava fechado até então começou a se abrir e nos presenteou com um por do sol fantástico que nos deixou anestesiados pela beleza que estávamos contemplando. Gratidão era a palavra que mais me vinha a cabeça neste momento. Gratidão por estar ali, por ter condições e saúde pra chegar até ali, gratidão por todas as pessoas que estão comigo ou junto comigo de alguma forma, gratidão pela minha família, minha mãe, meu pai, meu irmão e minhas avós, pelos meus amigos e o mais importante grato pela VIDA! Obrigado Obrigado Obrigado... 


       






           E lá se foi o último por do sol de 2019. Após esta fantástica exibição da natureza, nós assinamos os nossos nomes no livro do cume para registrar nossa subida e fomos armar nossas barracas pois de noite faria um pouco de frio com os ventos cortantes no cume. Existem duas áreas de camping no cume do pico, uma fica próxima ao livro do cume com um espaço menor, cabendo aproximadamente umas 4 barracas (camping 3), já o outro com um espaço maior cabendo aproximadamente umas 7 barracas e não tão exposto aos ventos (camping 2). Montamos as barracas na área de camping 2 que tinha um espaço maior e menos exposto ao vento. Camping concluído com sucesso!   
           Acampamento armado, tratamos de fazer a nossa ceia de final de ano kkkk. Fizemos um ensopado de legumes e macarrão para recuperar nossas energias que perdemos nas quase 7 horas de subida intensa até o cume. Tivemos um problema com o nosso gás do fogareiro mas nada que impediu de fazer nosso rango. Barriga cheia ficamos esperando a meia-noite chegar pra ver a queima de fogos nas diversas praias que se consegue ver de cima do pico. Foi fantástico ver por 15 minutos a queima de fogos de quase 17 praias de cima do Pico do Corcovado. Foi uma visão única e surreal e que decidimos não filmar nada para ficar somente nas nossas memórias ahuahuahua. Foi fodástico! 
      Descida - 01/01/2020 - Partida 11:00am - Pico do Corcovado x Praia Dura
           Dormimos por volta de 1:00 da madrugada. Conseguimos descansar um pouco e ainda acordamos por volta das 5:00 horas da manhã para ver o primeiro nascer do sol de 2020. Coloquei o despertador e quando deu o horário sai da barraca e o céu já estava com uma coloração laranja que avisava que o sol estava a caminho. 







      Primeiro nascer do sol de 2020
                Contemplamos o nascer do sol por uns 40 minutos e voltamos a dormir e descansar pois ainda tínhamos a descida pra fazer e tínhamos que ter pernas pra descer tudo que subimos ahuahuha. Consegui ficar na barraca até umas 10:00, pois a partir desse horário o sol começa a esquentar deixando a barraca muito quente. Acordamos tomamos um pequeno café da manhã e ficamos algumas horas contemplando aquela linda paisagem com um dia maravilhoso que a natureza nos presenteou. Gratidão.




       

       
      nam-myoho-rengue-kyo
           Após desmontar nossas barracas e montar novamente as mochilas, iniciamos nossa descida pelo outro caminho. Decidimos fazer o caminho que as placas estavam indicando quando estávamos subindo na trilha e não descemos pela trilha que estava de acesso restrito. A descida começa seguindo pelo camping 2 onde acampamos. Descemos por mais ou menos uns 30 minutos e já começamos a ouvir o barulho das águas. Chegamos em um ponto de água que não sabíamos que havia ali. Descemos a 1066 metros de altitude e encontramos água ainda mais perto do cume em um riacho com águas geladas e da mais pura que já havia bebido antes. Ficamos um bom tempo neste riacho onde fizemos um bom rango, aproveitamos para tomar um bom banho nas águas geladas e seguimos em frente. 
       
       
           A trilha que se deve seguir esta antes do riacho e não seguir a diante atravessando o riacho. Fizemos este caminho e chegamos em um lugar sem saída, então retornamos e começamos a subir novamente até que vimos um trilha a direita e continuamos nela até chegarmos até as duas placas que informava o caminho. Pra quem esta descendo, a trilha correta a se seguir fica um pouco antes do riacho virando a esquerda. Como passamos direto não reparamos nesta entrada. Então retornamos entramos na trilha correta e caminhamos por uns 30 minutos até que depois de uma subida intensa chegamos nas placas que tínhamos visto antes na subida e a partir dai foi só seguir o Wikiloc novamente e seguir a trilha para descer sem se perder. 

      Placas informando o caminho correto para o cume
           Depois das placas a trilha continua por um bom tempo com terreno plano com alguns declives caminhando sobre a crista da Serra do Mar e como comentei anteriormente o visual deste lugar que não conseguimos ver na subida por causa da neblina se mostrou o quanto é mágico e surreal. Dos dois lados haviam precipícios enormes com um visual fantástico e único das cadeias de montanhas de um lado e do outro a serra do Mar contrastando com as praias. Cada vez que parávamos para descansar ficávamos um bom tempo contemplando a natureza. 









           A decida nos cansou mais que o esperado. Fizemos um bastão de trekking improvisado para ajudar na pressão que os joelhos sofrem na descida, isso nos ajudou muito. Gastamos por volta de 6 horas de descida, contando o tempo que ficamos no riacho e o tempo que perdemos na trilha. Chegamos por volta das 18:00 na guarita do PESM e ainda não havia ninguém la, nem mesmo o Sr. Tozaki estava em sua residência. Descansamos por alguns minutos em frente a guarita e seguimos rumo a rodovia para procurar um local para acampar aquela noite. No meio do caminho encontramos um mercado onde paramos para comer, ir ao banheiro, carregar nossos aparelhos de celular, comprar alguns alimentos para o próximo camping e brindar a nossa subida ao Pico do Corcovado com uma bela e gelada cerveja. Yeahhhh!!!

           Conversamos com alguns locais, e conversa vai conversa vem, resolvi perguntar se havia algum local para acampar por ali. O dono do supermercado ouvindo minha pergunta nos informou que na Praia Dura, a praia mais próxima de nós naquele momento, teria uma forma de acampar debaixo de duas pontes que passam sobre o Rio Escuro que deságua na praia. Seguindo esta informação caminhamos até a rodovia e seguimos a esquerda até as tais pontes. Chegamos nelas com pouco tempo de caminhada e logo vimos os caminhos para se chegar debaixo delas e vimos também que havia um enorme banco de areia. Ficamos um pouco receosos e com medo do local mas acampamos por ali mesmo. Camping concluído com sucesso! 
       

      Praia - 02/01/2020 - Partida 9:00am - Praia Dura x Praia da Sununga - Camping R$25,00 
           Acordamos e vimos que a praia fazia parte de um grande condomínio e que a divisa se fazia até as pontes, então estávamos acampando em um lugar que não causaria problema pra ninguém. Isto quem nos disse foi o próprio guarda que ficava rondando a praia. Acordamos tomamos um bom café da manhã, tomamos um banho de rio, desmontamos nossas barracas e fomos ao encontro de alguns amigos na praia da Sununga que ficava a uns 6 km da Praia Dura.

      Pontes sobre o Rio Escuro na Praia Dura 
           Como o trânsito ainda estava carregado na rodovia, optamos em ir a pé para a Praia da Sununga. Caminhamos pela rodovia por quase uma hora, entramos pelo Condomínio Pedra Verde na Paia Domingas Dias e atravessamos a Praia do Lázaro até chegarmos na Praia da Sununga onde encontramos mais dois amigos para finalizar nossa jornada ao Pico do Corcovado com chave de ouro. Pronto! Agora vamos dar um mergulho neste marzão prq nóiz merece! Yeahhhhhhhhhh Gratidão!!! 


      Retorno - 03/01/2020 - Partida 8:00am - Praia da Sununga x Caraguatatuba x São Paulo - Transporte público R$9,00 - Van R$70,00
         Dormimos este dia na Praia da Sununga no Camping Guarani pagando R$25,00 para dormir com chuveiro quente e cozinha compartilhada. Acordamos bem cedo e fomos para o ponto de ônibus na rodovia pegar um ônibus para Caraguatatuba. Pagamos R$9,00 até Caraguá e demoramos umas 2 horas para chegar por causa do trânsito. Na rua ao lado do Terminal Rodoviário de Caraguatatuba haviam várias vans com transportes alternativos para São Paulo. Conseguimos uma por R$70,00 e fomos direto e mais rápido para o Terminal Rodoviário do Tietê em São Paulo finalizando nossa aventura de final e começo de ano hauhauhaua! Valeu! Feliz 2020...

      Paparazzi nos fotografou no ponto de ônibus kkk
       
       
      Gratidão!
       
       
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