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Sul do Brasil - Curitiba / Florianópolis / Urubici / Imbituba - 10 dias


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Fala galera! 

Faz um tempo que não posto nada aqui, nesse período de pandemia acabou não dando pra fazer muitos dos planos que tinha pra esse ano, mas realizei uma viagem rápida de 10 dias pro sul do Brasil recentemente e gostaria de compartilhar com vocês.

Gosto sempre de planejar minhas viagens por meio de planilhas, vou compartilhar abaixo o modelo que eu utilizo, fiquem a vontade para utilizar também.

Floripa - Outubro 2020.xlsx

Bom, nossa viagem partiu de Jaguariúna, interior de SP com primeiro destino a Curitiba. Posteriormente, Florianópolis, Urubici, Imbituba e retorno. Foram na verdade 9 dias e fizemos a viagem inteira de carro. O roteiro está abaixo:

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Eu vou fazer o relato de cada cidade nos comentários para não ficar muito extenso cada post.

Espero que gostem!

 

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Curitiba (PR) - 2 dias

Saindo de Jaguariúna pelo Rodoanel e depois a Regis Bittencourt, chegamos em Curitiba por volta das 16 horas. Como tínhamos poucos dias na cidade, queríamos ver os principais pontos. Nos hospedamos no Hotel Golden Star, um hotel bem antigo da cidade, que não possui estacionamento próprio (descobri isso no local, Booking sempre da um jeito de burlar isso), mas a localização era muito boa.

A noite desse dia fomos para o Hard Rock Café (ai vai de gosto, mas eu como um apaixonado por Rock e pelo bar, gosto de ir sempre que passo em uma cidade que tem). Aqui sem muitos comentários, é um lugar muito bom para comer e beber. No dia seguinte, fechamos um passeio de trem que dizem ser um dos mais bonitos do mundo, que faz a travessia de Curitiba até Paranaguá (Na verdade eles pararam de fazer recentemente essa travessia completa, agora o trem para de Morretes e depois você pode pegar uma van até Anotonina, regressando de van pela BR para Curitiba). O passeio até Morretes leva em torno de 4 horas e passa por dentro da vegetação bem extensa de Curitiba, assim como do Sul do Brasil. Fechamos o passeio pela https://serraverdeexpress.com.br/, ficou R$ 310 por pessoa incluindo: transfer do hotel até a rodoviária, ida até Morretes, almoço tradicional (Barreado - muito bom diga-se de passagem), translado até Antonina e retorno ao hotel. 

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Voltamos para o hotel próximo das 17 horas, exaustos. A noite, fomos a um restaurante chamado Taj Bar, um dos mais "consagrados" de Curitiba (recebeu título de melhor restaurante/bar por muitos anos consecutivos). Não é tão caro e come-se muuuuuuuitooo bem! Recomendo.

No próximo dia iriamos para Florianópolis, mas aproveitamos a manhã para conhecer alguns pontos turísticos principais da cidade, como o Jardim Botânico, Parque Tanguá e a Ópera de Arame. Dá pra fazer todos em uma manhã tranquilamente.

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Após isso, partimos para Florianópolis para os próximos 3 dias de viagem.

 

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Florianópolis (SC) - 3 dias

Saindo de Curitiba fomos em direção à Florianópolis, onde ficamos hospedados na região de Canasvieiras (Norte da Ilha - diga-se de passagem, achamos a melhor região para se hospedar). O Sul do Brasil é um lugar meio peculiar, lá é famoso dizer que você pode viver as 4 estações do ano em um único dia, pois o clima muda muito. Mas por sorte, pegamos os 3 dias de muito sol por lá. Ficamos hospedados no Hotel Roberto Monteiro (Muito boa localização, na beira da praia - Hotel ok). Para o primeiro dia, resolvemos fazer um tour pela cidade passando pelas principais praias e atrações e fizemos o seguinte: Praia Mole - Praia da Joaquina - Jurerê Internacional e retorno. Foi um tanto quanto cansativo, mas deu para conhecer um pouco de todos os lugares. Um ponto aqui de um lugar que deixou MUITO a desejar foi Jurerê, não pelo lugar em si, mas pelo pessoal que está frequentando aquela região.. parece que já foi muito bom, mas não recomendo..

No segundo dia, resolvemos aproveitar mais a praia que ficava na frente do hotel. É uma praia bem tranquila, e até que tinha bastante gente, mas o pessoal estava bem afastado um dos outros.. parecia também ser mais família.. A noite, fomos jantar em um restaurante argentino de carnes chamado La Parrilla de Carlitos, onde você pode encontrar carnes muitos boas com chopp argentino maravilhoso. É muito comum encontrar estrangeiros morando em Florianópolis (tanto uruguaios quanto argentinos). Outro restaurante que acabamos indo no dia seguinte para jantar foi o Marisqueira Sintra (um dos melhores da viagem), restaurante português para comer peixes, frutos do mar e tomar um bom vinho. Não esqueçam do famoso Pastel de Belém feito na casa, divino. 

Essa foi basicamente nossa estadia em Florianópolis.. eu já havia estado lá há uns anos atrás e eu me lembrava de uma cidade muito "melhor". Ela deixou a desejar, pode ser que meus gostos tenham mudado também.. quem sabe. O melhor destino ainda estava por vir.

Próximo parada: Urubici - SC

PS: Acabamos não tirando tantas fotos em Floripa, desculpe =P

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Urubici (SC) - 2 dias

Saindo do litoral, nosso destino estava há um pouco mais de 2 horas para o centro do estado. Com paisagens de filme, cheio de verde e FRIOOO. Confesso que não havia pesquisado muito sobre a cidade antes da viagem, pois o motivo de ir até lá será especificado mais abaixo, MAS, foi uma das melhores cidades da viagem. Muito muito aconchegante, com cara de cidade de interior. Foi engraçado sair do sol da praia para o frio das montanhas, vivemos mais ainda aquela sensação das 4 estações. Enfim, a estrada até lá é muito boa, bem sinalizada, mas passam muitos caminhões, então requer uma certa atenção, mesmo porque, em diversos pontos, a estrada deixa de ser pista dupla. Pessoal costuma viajar bastante de moto por lá também (quem sabe em uma próxima viagem? =])

Nosso primeiro destino, antes mesmo de ir para o hotel, foi o Morro do Campestre. Para chegar lá é um acesso muito próximo da cidade, mas pega bastante estrada de terra.. o local é particular e custa 15 reais por pessoa para subir até o topo do morro. Mas até lá, é tudo asfaltado e da pra chegar de carro. Lugar com uma paisagem surpreendente, vale a pena conhecer! 

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Depois, fomos para o hotel (chalé), ficamos hospedados no Café e Cabanas Lenha no Fogo. Recomendo muitooo.. lugar muito aconchegante, com chalés individuais e um café da manhã colonial magnífico. Fica um pouco afastado do centro da cidade (em torno de uns 6km). A noite nesse dia, fomos jantar em um restaurante italiano da cidade (diga-se de passagem, a cidade tem MUITOS restaurantes bons). Esse também entrou para um dos melhores da viagem, Semola Restaurante. 

No próximo dia (CHEGOU O GRANDE DIA!!), o destino principal da viagem havia chegado. O tão esperado Salto do Pêndulo na Cascata do Avencal. Há um tempo eu já estava batutando a ideia de fazer essa viagem com intuito de fazer esse salto, e foi dessa vez que aconteceu! Mas vamos por partes, porque o salto foi só a tarde. De manhã nesse dia, fomos a famosa Serra do Corvo Branco que é uma das serras mais famosas pelos amantes de moto (e de adrenalina). Infelizmente estava com muita neblina e tempo meio chuvoso, não deu pra ver muita coisa, mas deu para sentir! Parte da serra é em terra e parte asfaltada e ela vai até uma outra cidade..

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Voltando para a cidade, almoçamos pelo centro e fomos para a Cascata do Avencal (bem próximo também da cidade e de fácil acesso). O pulo tem que ser comprado com antecedência no site da NaturalExtremo, ou se você for um dos sortudos, pode encontrar algum desistente e comprar o lugar dele (isso aconteceu de verdade, rs). Enfim, eu já havia pulado de paraquedas e também de buguee jump (em um dos maiores do mundo, na África do Sul), mas essa experiência nunca passa despercebida e também não posso dizer qual foi melhor, todos foram surpreendentes e têm suas diferenças. Bom, pessoal muito bem preparado e os preparativos e o local é muito seguro para realizar o pulo.. podem ir sem medo (ou não). A sensação é muito louca e, de fato, #sóquempulasabe.

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Depois disso, estávamos exaustos.. assim como os outros saltos, te desperta uma adrenalina que não abaixa tão fácil, mas quando abaixa, te desmonta. Voltando para o hotel e recarregar as energias para o último destino, Imbituba.

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Imbituba (SC) - 2 dias

Para o último destino na viagem, fomos a Imbituba, uma cidade praieira conhecida pelas belíssimas praias, como a Praia do Rosa. Nosso destino estava um tanto distante, pois passaríamos pela famosa Serra do Rio do Rastro, que é considerada uma das mais belíssimas serras do Brasil.. pessoal costuma fazer esse trajeto de moto e em grupo. Antes de chegar a serra, passamos por uma cidadezinha próxima a Urubici, chamada São Joaquim. A cidade é bem simples, assim como Urubici, mas é muito conhecida por seus invernos e pela neve 😲😲. Então, nessa época do ano, muitos turistas pela cidade.. ah! É uma região conhecida também por ser exportadora de maçãs. Algo que esqueci de mencionar, e que vale para todo o Sul, são as árvores Araucárias. Esse tipo de árvore só vive em ambientes elevados e frios.. tanto que um dos períodos econômicos do Paraná é conhecido pelo comércio das Araucárias.. hoje isso é proibido por lei.

Enfim, após sairmos de São Joaquim, mais alguns quilómetros e chegamos na tão esperada Serra do Rio do Rastro.. no topo dela, antes da descida, existe um mirante (que é tipo uma vilazinha, com restaurantes, mercadinhos, etc.), onde da pra ver toda a serra.. infelizmente estava um tanto nublado, mas o suficiente para conseguirmos ver praticamente toda serra lá de cima.. a vista é sensacional.. 

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Como era Domingo, a serra estava fechada por um período, então tivemos que esperar até liberarem.. o ruim foi que como ficou muito lotado com carros e motos, a descida não foi tão legal quanto esperávamos.. e acabou demorando muito para fazer a travessia também. Fiz um vídeo da descida de carro, quando editar eu posto aqui..

Após mais algumas horas de viagem, chegamos a Imbituba, estava chovendo e fazendo um pouco de frio.. ficamos hospedados no Silvestre Praia Hotel, um hotel bem aconchegante, próximo da praia.. acho que foi um dos melhores da viagem.. café da manhã muito bom! A noite nesse dia, fomos jantar no que eu considero o melhor restaurante da viagem (Ainda sonho com o hamburguer de lá.. melhor que já comi na vida!), Atlantix Bar e Restaurante.. juro, próxima vez que for para o sul, passo lá só pra comer novamente.. rs. 

No outro dia de manhã, queríamos conhecer a famosa Praia do Rosa, que fica em uma cidade próxima a Imbituba, cerca de uns 20km. Chegando lá, o acesso é meio ruim pois é uma estrada de terra única e estava muito (MUITO) cheia.. esperávamos que por conta da pandemia estivesse menos, mas não.. O que não impossibilitou de conhecer a praia.. mesmo porque, tinham policiais que estavam barrando entrar com qualquer coisa na praia (cooler, sacolas, guarda-sol, etc.). Mas o lugar em si pré-praia é muito legal, cheio de hotéis, restaurantes, lojas, etc.. quem sabe numa próxima.

Resolvemos voltar a Imbituba na praia do hotel para curtir nosso último dia.. e não foi diferente, o céu estava aberto e ensolarado.. a praia é bem tranquila, extensa e bom pouca gente.. e a água, gelaaaaaadaaaa... 🥶😍. De volta ao hotel, decidimos novamente jantar no mesmo lugar do dia anterior e nem preciso explicar o motivo, rs.

E chegou o dia de retornar à vida real.. a volta foi muito cansativa.. levamos cerca de 14 horas para retornar.. pegamos um trânsito infernal na subida do Rodoanel.. mas enfim, perrengues da viagem, o que não anula todo o tempo e lugares magníficos que passamos no Sul do Brasil.. Nosso país possui uma beleza natural infinita, mas pouco desbravado na minha opinião.. acho que o pessoal deveria dar mais atenção para o que temos aqui.. essa beleza natural não é vista em nenhum outro lugar do mundo.. Aproveitem o Brasil! 

Até a próxima viagem! 👊

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Cara, tou com viagem marcada pra SC em março...embora meu "pré-roteiro" no estado já esteja montadinho (na verdade vou mais na tranquilidade andando para lá e para cá em algumas cidades na minha estadia de 16 dias no estado), eu desconhecia o salto...Muito boa essa experiência, e já está fazendo eu rever as opções do que fazer. Amazonense como sou, rola uma inveja branca de quem mora em um lugar "interligado" assim que te permite ir por estrada a vários estados de uma só vez.

Parabéns pelo relato de forma geral :) 

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5 minutos atrás, StanlleySantos disse:

Cara, tou com viagem marcada pra SC em março...embora meu "pré-roteiro" no estado já esteja montadinho (na verdade vou mais na tranquilidade andando para lá e para cá em algumas cidades na minha estadia de 16 dias no estado), eu desconhecia o salto...Muito boa essa experiência, e já está fazendo eu rever as opções do que fazer.

Parabéns pelo relato de forma geral :)  Amazonense como sou, rola uma inveja branca de quem mora em um lugar "interligado" assim que te permite ir por estrada a vários estados de uma só vez.

Fala @StanlleySantos!

Cara, se rolar de você ir pra lá, vá! Mesmo que não conseguir ir pelo salto, a cidade e aquela região em si é demais! Vale a pena conferir. Realmente você está meio longe desses destinos, mas não deixa nada a desejar por ai! Ainda quero conhecer algum dia.

Boa viagem man! Abraço.

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Valeu pelas dicas sobre a região @Marco_AV. Na vdd vou ficar mais pelo litoral e ver um pouquinho do vale europeu, mas vou reconsiderar (na vdd diria que o estado inteiro tem coisas para ver e fazer, e sempre vai faltar algo, não?).

Uma dúvida que surgiu agora, já que vc fez o trem Curitiba-Paranaguá, chegou a ver mochileiros no caminho? Volta e meia vejo fotos no insta de quem faz alguns trechos da ferrovia a pé (tomando cuidado com os horários do trem, claro), só que não sei se a travessia é viável de ser feita (estilo ferrovia do trigo em RS). tem alguma info sobre a ferrovia, mas indo a pé? Pretendo mochilar no Paraná após SC, e esse trecho é obrigatório para o visitante.

De fato, aqui no norte tem muita coisa legal para se ver, e é uma coisa totalmente diferente do que vemos no sul, apesar de que a gente sofre um bocado com a precariedade das estradas e o isolamento por aqui. Mas espero também que tenha a oportunidade de nos visitar. Bons ventos!

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    • Por KekaMC
      Depois de um longo inverno sem postar nenhum relato por aqui, voltei para compartilhar como foi minha viagem para Bonito-MS, junto ao Wellington.

      Foram 5 dias cheios de descobertas, aventuras e experiências incríveis - Bonito é maravilhoso e (apesar de caro) vale muito a pena. 

      ROTEIRO

      Dia 1: voo a Campo Grande e ida a Bonito; Estância Mimosa
      Dia 2: Mergulho na Lagoa Misteriosa; Flutuação no Rio da Prata
      Dia 3: Abismo de Anhumas; Gruta São Mateus
      Dia 4: Flutuação Rio Sucuri; Praia da Figueira
      Dia 5: Buraco das Araras; retorno a Campo Grande e voo a São Paulo

      Os valores de cada passeio estão dispostos ao longo do relato - vale lembrar que algumas atividades variam de valor dependendo da temporada (alta/baixa) e se você escolhe ter almoço incluso ou não. 

       
    • Por StanlleySantos
      "O ano de 2020 tirou a vida de muita gente. De tantas outras levou um ano inteiro. Sem reembolso. Irei atrás desse reembolso"
      ~ pensamentos de um mochileiro júnior frustrado no final de suas férias, março de 2021
       
      Pois bem, o objetivo deste relato é expor uma visita à "ilha da magia", com duração de 8 dias. para quem não conhece, Florianópolis é a capital do grande estado de Santa Catarina, uma herança da colonização litorânea portuguesa e presença açoriana, além de imigrantes de vários lugares da Europa. Nos dias atuais é considerada um paraíso do ecoturismo e uma capital do surfe, além de um nicho cultural fomentado pelos moradores mais antigos. Falarei das praias, mas tentarei focar mais no que dá para fazer longe das mesmas. E téleze! Como tem coisa pra fazer!
       
      "Mas peraí, viajando em plena pandemia, seu genocida, negacionista, fascista, taxista...."
      Calma que não é bem assim, caro(a) leitor(a). Bem, essa pequena viagem é fruto de 2 cancelamentos, sendo um mochilão em Minas Gerais organizado em 2019 (antes dessa coisa toda ocorrer), que foi perdido em 2020 e convertido em um mochilão em SC que deveria ter ocorrido nesse mês de março de 2021 (pessoa inocente que achava que o país estaria mais tranquilo em relação à pandemia). Chega 2021, ameaça de lockdown geral no Estado, mais uma viagem que duraria quase um mês cancelada. A passagem teria que ser usada em 2021 ou a perderia. E não havia mais espaço no ano para isso.
      Em virtude das circunstâncias do meu emprego, acabei sendo imunizado no início do ano. Já tinha contraído a doença há uns meses atrás, e, com esta proteção adicional, + um perfil de viajante que procura evitar aglomerações ao extremo (leia-se anti-social  ), veio a certeza de que não iria dar trabalho ao já comprometido sistema público catarinense. Reuni coragem e resolvi usar a passagem para andar por uma semana na ilha. Claro, isso não me impediu de obedecer as recomendações sanitárias e respeitar o próximo, fazendo uso das máscaras, álcool gel, etc (melhores do que as medidas aplicadas na minha cidade, diga-se de passagem). Mas no final das contas minha maior medida de prevenção foi o isolamento in natura (vc vai entender). Sei que fiz o necessário para evitar quaisquer problemas e a viagem correu perfeitamente bem em virtude disso, sem febre ou espirros na fuça dos outros. Consciência limpa, com ou sem julgamento alheio. Esclarecido? Ok, vamos lá.
       
      A época escolhida foi os dias 22-29 de março, início do outono na região, fora da alta temporada. As águas marinhas ainda estavam na temperatura ideal, e lindas de se ver (azul numa hora, esverdeado em outra, aí já viu). O clima deu uma colaborada, pois ia de nublado a sol forte durante o dia, caindo a chuva somente no início da noite. Primeiro mandamento de quem quer conhecer bem a ilha: NÃO.VÁ.EM.ALTA.TEMPORADA.NUNCA.JAMAIS. Primeiro: obviamente as coisas encarecem e a hospedagem fica concorridíssima. Segundo: a ilha não dá conta de tanta gente no mesmo lugar. Para você ter uma ideia, formam-se filas quilométricas de carros parados nas ruas e avenidas, devido a pouca quantidade de rotas alternativas (sabe aquelas matérias do datena cobrindo o caos no Tietê de fim de tarde? Pois é). Não convenci? pera lá:

      Essa é a avenida das rendeiras, uma das  principais da lagoa da conceição, e o principal acesso para o lado leste da ilha. É uma avenida estreita demais, dada a sua importância, e às vezes em dias de semana formam-se filas de carros. Imagina isso na temporada...
       

      Essa é uma cachoeira no sul da ilha num final de semana, isso com o "medo" da pandemia (que pandemia?). Imagina na temporada...
       
      Chegando na cidade no dia 22/03, como não conhecia patavinas do lugar, achei que uma voltinha inicial no Centro e arredores seria uma boa prévia. Já adiantaria lembranças e iria adquirir informações sobre a locomoção na ilha. Em virtude da pandemia, a maior parte dos museus ou estava fechada, ou funcionado em horários muito restritos, o que desmotivou, nesse primeiro momento, um roteiro mais "cult". Confesso que queria ter conhecido o Museu do Lixo da comcap, ou o Museu Estação do Mar, que abordam a relação do homem com o meio ambiente. Fica para a próxima.
      O centro de Floripa é bem pequeno, então vc consegue explorar o comércio local em uma manhã, sem problemas. Fui atrás das lembrancinhas e de um café no mercadão municipal, e depois fiquei circulando pelas ruas. Tem magazine, tem véio da havan, lojinha de 4,99, enfim, opções para vários gostos. Ah sim, o centro é um bairro mais marginalizado, como em qualquer capital, então cuidado redobrado ao andar por aí.

      Le mercadão. Dessa vez sem espaço para jogar moedinhas como no mercadão de POA
       
      Na mesma área tem a famosa praça XV de novembro. Anote essa referência pois tem muitos lugares para visitação nesse entorno. A figueira centenária por si só já é uma maravilha da natureza, e nem cem máquinas humanas poderiam recriar a história e o simbolismo deste ser. Os galhos são tão frondosos que foi necessária a instalação de barras para estabilizar a giganta. Sabe o que é uma árvore estar aí desde o início do Brasil-república?
       
      Majestosa

      Le catedral metropolitana, bastante visitada também
       
      Ainda na região do centro, passei pelo beira mar norte, com uma vista da ponte Hercílio Luz, o grande cartão-postal urbano da cidade. Tem um museu histórico de armas embaixo dela, que aparentemente estava aberto, mas como precisava passar na decathlon local para comprar uma coisa ou duas, passei batido dessa vez .

      O orgulho manezinho
      Ainda numa breve andada pelo beira mar, encontro o obrigatório point para fotos e uma curiosa escultura. O cão Harry, que era uma figura conhecida, supostamente é a primeira escultura brasileira em homenagem a um cão (ou a todos, se formos pelo contexto dos cães de rua). Achei simplesmente o máximo 

      Para quem quer declarar seu amor à cidade, tem um desses no mirante da lagoa da conceição, também

       
      Compras feitas, partiu para a base secreta. Segunda dica: fora da temporada, o transporte coletivo de Floripa funciona muito bem. Estava só, então carro alugado estava fora de cogitação. Mas você tendo o aplicativo local em mãos (floripa no ponto, embora o moovit tbm ajude), fica bem fácil e barato se deslocar pelos diversos pontos da ilha. Basta ter timing e disposição. Floripa tem alguns terminais de integração que facilitam bastante o deslocamento (sempre um prefixo TI + a inicial da região de referência, por exemplo, TICEN - Terminal do Centro; TILAG - Terminal da Lagoa da Conceição, e assim por diante). Caso quiser poupar no transporte, decore os terminais, suas localizações, e veja as melhores rotas no app. Claro, no momento da pandemia, havia redução de ônibus, com ênfase nos finais de semana, mas deu tudo certo, a meu ver. Outra opção é alugar bicicleta (o ciclismo é bastante forte na ilha).
       Fui para a Lagoa da Conceição, uma recomendação geral, e faço coro a tal dica, pois o bairro é bonito, é tranquilo, e é "central", ou seja, dá para pegar as 4 direções da ilha a partir dali. Acertei o checkin e fui tratar de descansar, pois os próximos dias seriam bem agitados.
       
      No dia 23 (aniversário de 348 anos da cidade, diga-se de passagem 🎂 ), levantei cedinho para realizar a primeira atividade na ilha. Queria algo afastado do povo (por motivos óbvios), e diferente de praia, então vamos de trilha! A ilha possui várias, 90% delas bem conservadas e acessíveis, rendendo aqui uma estrela de bom menino para a gestão das mesmas 👏👏👏👏👏 
      O hostel onde fiquei hospedado fica próximo da Trilha da Costa da Lagoa, uma das mais populares (e longas também, 7,5km em sua extensão completa). Uma trilha que "arrudeia" a lagoa propriamente dita, alternado entre caminhadas na mata, subidas em pedras, ruínas históricas, mirantes do lago, e pequenas vilas de moradores, Um charme.

      partiu??




      A única aglomeração que quero é a de árvores. O único sintoma que desejo é euforia. E a única infecção que almejo é a de boas vibes
       
      A trilha tem uma dificuldade baixa, e a única questão é a distância, como já informado, e isso pode ser contornado pegando barcos em certos portos da trilha (como disse, existem vilas e comunidades ao longo dela, logo fica fácil retornar). Por ser exatamente "feriado" de aniversário, não sabia como seria o funcionamento dos barcos, então acabei fazendo a ida e volta a pé mesmo (aproximadamente 15km).
      Perto do fim da trilha há uma bela recompensa, a Cachoeira da Costa da Lagoa. Por ser de manhã, num dia de semana, não havia ninguém além do caseiro local. Aquela lindeza e suas águas claras e geladas seriam só para mim =D

      Eeeeeee maravilha =D

      gatilho?

      mago d'água lvl 1
      Fiquei bastante feliz por ter aquele "isolamento" ao ar livre, por um tempo. Somente lá para meio-dia que começou a aparecer gente, o que dá a entender que Deus ajuda quem cedo começa a caminhar  Creio que nos finais de semana isso lote, pela facilidade do acesso, o que é mais um motivo para você visitar lugares como esse nos dias de semana, e fora da temporada. Hidratado e fresco, fiz a trilha de volta, encontrando algumas famílias no caminho. Sortudos são por terem lugares assim para fortalecerem seus laços familiares.
      Depois do almoço, decidi que iria conhecer a primeira praia, a Praia da Joaquina. Ela fica relativamente próxima da Lagoa da Conceição, embora aparentemente não tenha uma linha de ônibus que te deixa lá (ao menos era isso que o app dizia). Então fui de App (meu único uso em toda a viagem), e voltei a pé ao anoitecer. Essa praia é bem famosa pela prática de surfe, e tem uma história mórbida sobre seu nome. Banho tomado, andei um pouco nas famosas Dunas da Joaquina, que é vista de longe em vários mirantes da ilha, e é onde se faz sandboard (um snowboard sem neve, tá ligado?). Eu, com experiência ZERO disso, resolvi colocar meu corpinho jovem de 31 anos à prova e aluguei uma prancha. Caí algumas vezes, em outras comi areia, e em raras ocasiões conseguia me manter em pé. Quase quebro o toba de tanto cair. valeu a pena? Valeu, claro. =]

      Dunas e praia da Joaquina


      Vai lá, ow Tony Hawk desnutrido, vai se achando o fodão do sandboard, vai

      "Se a coluna ficar dormente não liga não que daqui a uns dias volta ao normal"
      Depois de passar vergonha na areia, começou a chover, e precisava voltar para o hostel. Estava bem feliz (e quebrado) com o tanto de coisa que vi e fiz em um único dia. Mal imaginava que era apenas um aquecimento para o que estava por vir...
      O dia 24 (quarta) foi dedicado à famosa Trilha da Lagoinha do Leste. Junto com a costa da lagoa com certeza é a trilha mais popular pelo seu fabuloso e conhecido mirante. Torcendo para ter a trilha somente para mim, madruguei no TILAG, rumo ao Sul da Ilha. Pessoalmente achei massa as trilhas começarem do nada em alguma rua aleatória de um bairro, fico imaginando os moradores acordando com o som de passos dos trilheiros.
      O clima foi perfeito nesse dia, pois o céu ficou aberto, deixando a trilha e o oceano lindos aos olhos do visitante.

      Segundo partiu??

      Pausa pro H2O. Tem algumas fontes no caminho que aparentam ser confiáveis
      Essa trilha é fácil, até porque as escadas de toras de madeira e pedras estão bem colocadas para ajudar o trilheiro. Apesar de ser meio "nutella", o resultado ficou muito bonito. Se não me engano leva aproximadamente 1 hora para fazer ela.

      A praia estava com poucas pessoas, a maioria surfistas de plantão. E assim que cheguei, lá estava o morro da coroa convidando mais um visitante. Essa é a parte "gostosa" do passeio. A trilha clássica para chegar ao topo do morro é feita pela praia, fazendo uma escalaminhada até o final. É um pouco difícil, e mesmo perigosa para quem não for acostumado(a) com essa intensidade. Precisei parar algumas vezes para pegar um ar e me hidratar. Mas o visual vai ficando cada vez mais lindo.

      Olhando assim vc não dá nada pra subida, ne?

      Bora que nem cheguei na metade ainda

      Pausa para contemplação. Calliandra, uma das minhas flores favoritas.
      O esforço é grande, mas o resultado sem dúvidas vale a pena! Lá de cima você pode seguir por outras trilhas para acessar alguns pontos da encosta do Pântano do Sul, mas que requerem cuidado redobrado e paciência (pois como não são trilhas oficiais, por vezes são difíceis de acompanhar em virtude da mata fechada). Mas o negócio mesmo é a pedra do surfista, provavelmente o ponto mais googleado da ilha. Para interessados, o local também é plano o suficiente para o camping. Lamentei por não ter levado minha barraquinha nessa trip.

      Mas sim, chapada dos veadeiros isso agora???

      Por mim a viagem podia acabar amanhã, esse momento já fez a viagem valer.
      Após as fotos e um tempinho para contemplação (sozinho por um bom tempo), um merecido mergulho no mar para recarregar as energias. Na praia existem algumas banquinhas que vendem o básico, a um preço meio exorbitante. Mas ponto turístico é isso ne?
      Depois do nado, pensei em fazer a trilha para o Dedo de Deus (que é outro ponto com um visual muito massa), mas a fome, o sol e a água acabando estavam acendendo o sinal amarelo. Fica para a próxima. Retornei à cidade, comprei algumas besteiras para comer/beber, e fiquei um tempo na praia do Pântano do Sul. Ah, da Lagoinha do Leste tem uma trilha que te leva até a Praia do Matadeiro, essa já mais colada com a cidade. Mas a trilha é longa (2-3 horas), e pelo mesmo motivo pelo qual não fiz o Dedo de Deus, acabei não fazendo ela nessa viagem.
      Antes de voltar para o hostel, no fim do dia, fiz um desvio. Ao invés de seguir para a lagoa, peguei um ônibus que entra no Campeche (um bairro com uma praia e ilha de mesmo nome, bem famosos, aliás), pois queria encerrar o dia com uma visão privilegiada. Então tratei de subir o Morro do Lampião. Não tem exatamente uma trilha, e sim um "ramal" de argila, pedras e cascalho, que vc sobe por uns 15, 20 minutos. A vista é sensacional, te dando um 180 graus que vai da Joaquina (norte) até morro das pedras (sul), com a Ilha do Campeche quase que na sua frente. Pela facilidade do acesso, e por ser dentro da área urbana, confesso que bateu receio de assalto, mas como me disseram em mais de uma ocasião que Floripa é mais de boa em termos de segurança pública (apesar das dezenas de maconheiros com quem cruzei na ilha ), coloquei minha vontade de viver e aproveitar em frente dos receios.

      Le início

      aos poucos a obra de arte vai se revelando, só continuar a subir...

      Show

      Le Campeche.
      Com o anoitecer nesse mirante, o dia estava fechado. As pernas iriam me xingar a partir do dia seguinte sob a forma de pontadas de dor, mas, nada que desmotivasse o tio.
      No dia 25, o destino acabou sendo uma das praias mais isoladas da ilha, Naufragados, no extremo-sul, com um acesso demorado por uma única estrada e aparentemente feito por uma única linha de ônibus. Notei que curiosamente do lado oeste da ilha as praias não são tão badaladas (até por estarem mais em contato com as cidades, as ondas serem mais fracas, a sujeira se fazer mais presente, e os locais serem usados mais para a pesca do que para o banho em si). 
      A trilha de naufragados é de nível fácil, bastante aberta, com fontes de água, perfeita para levar a família



      Seria um guardião que me testaria para saber se sou digno da passagem?
      A trilha termina em uma comunidade que se divide entre os moradores pesqueiros locais e alguns moradores alternativos (uma coisa que notei é que tem muita gente roots, hippie na ilha, assim como o consumo de maconha é bem pesado, mas o pessoal de lá é mais de boa, não são como traficantes ou viciados de outros lugares), sendo que há alguns locais para o camping (pago), mas nada que te impeça de levantar acampamento em outros lugares 0800 da praia. Aproveitei para catar conchinhas (é, não tive infância), curtir o dia, e explorar o lugar.


      Como eu tenho raiva da raça humana e sua porquisse

      Ahh, bem melhor
      Além da praia em si há umas trilhas que te levam para 3 canhões de treinamento e defesa da época da segunda guerra, no topo de uma pequena colina, e uma trilha (esta meio mal conservada) para um farol da União/forças armadas, que supostamente te dá uma visão privilegiada de algumas ilhas pequenas (incluindo a ilha da fortaleza), e do continente, mas que na ocasião estava fechado com cadeado e avisos de proibição. Como não queria correr o risco de cruzar com milico de passagem e tretar, não quis invadir o farol (MST não curtiu isso). Mas os canhões compensaram a visita, um espaço aberto muito legal para um piquenique e contemplação.

      me amarro em artefatos históricos. Bélicos então, nem se fala

      Mete bala nesse invasor fi duma égua, pau na moleira!!!!
      Esse dia foi dedicado única e exclusivamente a naufragados. A trilha é gostosa de se fazer, a praia é bem isolada, tem curiosidades para serem vistas, posso dizer que foi uma das minhas praias favoritas. O que me incomodou bastante foi a presença de lixo de alguns sem noção. Diz que não há coleta de lixo naquelas partes, o que complica um pouco. Se fosse morador organizaria um mutirão ocasional.
       

      Adianta? Adianta nada, só um milico dando cacetada no joelho de cabra que sujasse a trilha mesmo 

      O famoso peixe-porco da ilha, bastante consumido ali. Para deixar claro, esse carinha foi solto logo em seguida.
      O legal de estar fazendo todos esses passeios era a independência total. Sem agências, sem gente burocratizando os locais. Só eu mesmo e até onde as pernas e determinação levam. Estava curtindo muito cada dia ali. E queria aumentar o nível mais uma vez.
      O dia 26 era dia de "Sextou" com "S" de subida, e era o que iria fazer. Depois de um pouco de estudo no mapa de Floripa, fiquei bastante interessado na Trilha da pedra da Boa Vista. Essa trilha fica na Barra da Lagoa, no leste da ilha, bairro famoso por suas piscinas naturais. O bom é que partindo da lagoa da conceição é um dos lugares mais fáceis de se chegar de ônibus.
      A barra é bastante usada para pesca, deu para ver a rotina de alguns moradores locais.

      Amanhecer nos molhes da barra (não o gaúcho)

      A prainha da barra, diz que tem um sítio arqueológico na área, inclusive com uma pegada de dinossauro

      Essa trilha com certeza é uma das mais fáceis da ilha. Mais nutella que isso só sendo carregado, rs. Alguns minutos e eu já estava na área das pedras e piscinas. 

      Aparentemente tem que esperar a maré dar uma baixada para curtir melhor

      Aquecimento
      O legal das piscinas, a meu ver, não era nem o banho em si, mas a riqueza de vida marinha nos mínimos detalhes. Acho que passei mais tempo observando a vida local do que na água, de fato.

      caranguejos, mestres do stealth
      Depois do breve banho, tratei de comprar uns lanchinhos e procurar a entrada da trilha (meio escondida mas bem sinalizada). A trilha tem uma dificuldade fácil (chegando ao moderado para quem é cheio das frescuras). Muita subida, inclusive em pedras, com poucas oportunidades de se esconder do sol forte. Muito mato fechado também, o que sugere que não é bom fazer trilha noturna, em virtude das cobras. Mas é uma atividade, no mínimo, prazerosa e revigorante. O legal é que em uma boa parte da trilha tem sinal, então dá pra fazer uma ligação, ou mandar fotos pro insta lá do alto e matar a galera de inveja.


      Até aqui ainda é de bobs

      Tá melhorando, tá melhorando =D

      Que visão espetacular, essa foi a melhor fritada que levei do sol neste ano

      Chegando lá em cima, o visual é surreal. Você tem um 360 daquele ponto da ilha, com a cidade de um lado e a imensidão azul do outro. É uma sensação muito boa poder estar no topo daquelas grandes elevações que vc fica observando lááá da rua. 

      Essa parte em especial é muito boa para descansar ou fazer um piquenique com uma visão digna de aplausos.
      no fundo tem lagoa, praia mole, galheta e gravatá. Queria muito ter um drone nessas horas.
      Após um tempo para descanso, lanches de trilha e reflexões diversas, era hora de descer. Da pedra da Boa Vista você pode voltar para a cidade, ou fazer um desvio para a Praia da Galheta, famosa por, digamos, ser uma praia de nudismo oficial. Como o nudismo é opcional, tinha mais gente com roupa do que sem, salvo por alguns vovôs sem vergonha, alguns homossexuais, e umas moças de topless. Bom, já que estava aqui, então pq não ter uma conquista desbloqueada e uma história a mais para contar pros futuros filhos? Roupas jogadas, aproveitei para tomar um banho de mar do jeito que vim ao mundo =]  Por motivos óbvios (sedução em massa, claro), não posso postar fotos. Vão e descubram!
      Após essa atividade, retornei à cidade para comprar lanches para a tarde, e como ainda estava cedo, fui conhecer outro lugar. Perto da Lagoa da Conceição existe a Trilha e Praia do Gravatá, então estava decidido. A trilha principal é pequena e fácil, embora tenha desvios para outras trilhas, que não pude explorar. Inclusive acredito que dê para chegar no topo de um morro que tem na área, dando uma vista privilegiada da Lagoa da Conceição. Descubro na próxima viagem.


      Aqui é um ponto de saída de parapente ou asa-delta, com uma vista privilegiada de Pedra Mole e Galheta. E pensar
      que há umas horinhas atrás estava no topo daquele morro do fundo

      A praia é pequena e de ondas tranquilas, acredito que ela seja bem "familiar" por isso (vi crianças e cachorros na água de boa, coisa que não tinha visto nas demais), e parece que tem muita coisa para ver nessa região. Uma pena que um temporal estava chegando na ilha, me obrigando a ir embora mais cedo (e o temporal no final das contas ficou isolado na região sul! ).
      Com o sábado chegou o temido final de semana , afinal, com esses dias de sol era óbvio que o povo iria para os banhos, com ou sem pandemia. Escolhendo a dedo no google maps, resolvi conhecer a Praia e Cachoeira da Solidão, no sul da ilha (do lado do Pântano do Sul, onde vc faz a trilha da Lagoinha do Leste). Antes eu soubesse que solidão seria a última coisa que sentiria ali! 
      A cachoeira é de fácil acesso, seguindo uma trilha atrás de um pequeno conjunto de casas, não só a água é linda como o poço é bastante fundo para o mergulho, inclusive tem uma gruta atrás da cachoeira que mesmo eu, corajoso que só, não quis desbravar (bem claustrofóbica mesmo). Infelizmente já tinham algumas pessoas no local (aquele bem egoísta ), e só iria piorar dali para frente (sabe aquela aglomeração no início do relato? Pois é), então as fotos não saíram tão boas. Mas o lugar vale a visita (nos dias de semana, claro).

      Me disseram que é bem fundo o poço, com grutas submersas. Como a água é clara, um óculos, uma lanterna de mergulho e uma GoPro devem valer bastante a pena aqui. Para meu azar não tinha nenhum dos 3. 

      Sorriso forçado de "ahhh que maravilha que tem uma pessoa no fundo da foto"
      Bom, aí começou a aglomeração master de gente, e como o espaço não é muito grande, era mais que justo ceder meu lugar para alguém e ir embora. Passei um tempo na praia propriamente dita, e aproveitei para brincar de ser criança novamente.

      A parte legal dessa brincadeira é que eu estava numa parte protegida por pedras, e com minhas coisas em cima de uma pedra grande. Logo depois dessa foto veio a água, NÃO SEI DE ONDE CARALHOS POIS NÃO TINHA DADO ÁGUA NAQUELA PARTE ATÉ O MOMENTO, levando tudo pela frente, inclusive meu corpo de sereio  minha mochila e smart quase viram oferenda (dei um cagaço enorme pelo meu aparelho estar funcionando até agora só com uma oxidação na entrada USB). Eu não sei se foi um PUTA azar, ou se Iemanjá ficou pistola comigo por apropriação cultural. No meu estado Iara não fica com essas paradas não, viu?
      Logo depois desse incidente, tive que tirar areia de tudo o que tinha levado banho, e ir embora, pois o buzu tinha um horário mais limitado. Nessa região tem uma trilha (saquinho) que não sei pq diabos não fiz, ao invés de levar água na praia. Mas sem crise.
      O domingo veio, penúltimo dia da minha estadia no paraíso, e tinha ficado interessado numa trilha no Parque Municipal da Lagoa do Peri, um local de preservação enorme e bonito, diga-se de passagem. Na verdade não iria fazer trilha no parque propriamente dito (que também vale a pena, mas por falta de tempo não conheci), mas sim a Trilha da Gurita, que fica dentro das dependências do parque. Inclusive a entrada é bem escondida, próxima do projeto Lontra. 


      Essa trilha tbm tem uma dificuldade fácil, mas com 2 ressalvas: a distância (+ de 3km, o que levou 1 hora e meia por minha pessoa), e as várias modalidades de chão que aumentam o tempo de caminhada (de caminho firme dos pôneis sorridentes a subidas em raízes e pedras do tamanho de carros, e a parte mais escrota que são os pequenos lamaçais, é bom que você não tenha ciúmes de seu calçado limpinho ao fazer essa trilha, aviso dado).

      Tralalala oi passarinho oi planta oi céu azul tralalalalala....

      ...GODDAMMIT, EU TINHA LAVADO ESTA CARALHA DE TÊNIS ONTEM MESMO!!!!! 

      Um momento para exercitar a solitude e ter um bom papo consigo mesmo...
      A trilha termina numa cachu que na verdade é um conjunto de pequenas quedas d'água e piscinas naturais para o banho, a água estava meio turva (diferente dos outros lugares que visitei), mas o caseiro local disse que era resultado da chuva da noite anterior. Em todo o caso, uma belíssima paisagem. Tinha que aproveitar, pois logo receberia mais visitas.

      Vocês de Floripa são uns sortudos oh, mantenham esta obra limpa e preservada, por favor

      Valeu a pena. Cada segundo. Cada bendito segundo.

      Depois da cachu grande vc sobe um pouquinho que tem uma área mais "Vip", com uma queda legalzinha, acho ideal para casais que queiram um pouco de intimidade no fim da tarde, se vc me entende ( ͡° ͜ʖ ͡°)
      Logo depois começou a chegar gente, aparentemente tem uma galera que faz SUP e caiaque de outros pontos do lago até a parte da cachoeira, cortando toda a trilha. Eis uma atividade que queria ter tido tempo para fazer, adoro fazer caiaque nos igarapés amazônicos. Também fica para a próxima. Banho tomado, tinha reparado que dali havia uma segunda trilha que dava para um tal de "Sertão do Ribeirão". Como ainda estava cedo, então, pq não? Além do mais, nesse dia não tive tempo de comprar nada para lanchar, então, talvez houvesse algum mercadinho na tal estrada que o google maps dizia que levaria.

       
      Saí numa área de estradinha de terra e vários sítios , realmente um sertão da ilha. Não havia mercadinho algum por ali, algumas fazendinhas vendiam produtos-base (ovos, leite, mel), e como não tinha aparato para transformar essas coisas em uma refeição, começou a dar a desanimada de fazer agora 5km de trilhas até voltar para a cidade. Mas eis que encontro o Sítio e Café Hortêncio, que salvou minha barriguinha da miséria com seus lanches caseiros. Um sítio muito bonito com hospedagem, visita guiada nas áreas dos bichos (uma coisa mais família com criança), e o café colonial propriamente dito. O pastel de queijo recém fabricado e goiabada caseira foi uma coisa divina  O outro pastel de pernil de porco completou minhas necessidades terrenas do momento  Fui muito bem atendido, então faço questão de recomendar uma visita aqui se você passear pela região. Aliás, o Sertão do Ribeirão é uma atração por si só, pois possui mirantes, lugares para banho, alguns alambiques e sítios para visitação.

      Só o filtro de barro já ganhou minha simpatia, isso vai de encontro com minha infância...

      Quando é feito com amor são outros 500

      Pooo, vcs são muito show, voltarei a visitá-los no futuro
       
      Antes de ir embora, passei numa última cachoeira da região, aparentemente era a Cachoeira da Carabina, bem fácil de achar. Assim como gurita, possui várias quedinhas e piscinas para o banho. Essa em particular tem muita área perigosa, então não acho um lugar muito bom para crianças (pedras escorregadias, lugares altos e tal).



      Tinham umas oferendas ali num cantinho, acredito que é algo da cultura dos locais
      Bom, mais um banho tomado, e tudo mais, mas o horário já estava dando, um tempo de chuva suspeito estava formando, e tinha a questão dos ônibus, por ser domingo, então precisava ir embora. Mas a preguiça de voltar pela trilha bateu forte, MUITO forte  então o que um turista que nunca pisou naquele lugar no meio do "nada" (apenas força de expressão, tinha achado um local muito interessante na ilha) poderia fazer? Seguir a estrada, ora!
      Então liguei o player do smart, comecei a cantar as músicas sozinho na estrada, e ver onde a mesma iria dar. Às vezes os melhores momentos da vida estão nas decisões mais sem noção e na certeza da incerteza à frente.

      Mais partiu??? Partiu

      Ahlá a lagoa do Peri no fundo

      Mas donde carajos estoy, google maps???
      Essa estrada iria me deixar em 2 lugares: no bairro dos açores, próximo de onde a onda tinha me trollado no dia anterior, ou na armação do pântano do Sul, não muito longe da trilha da lagoinha do leste. Foi uma andada de 1 hora (achei que duraria mais, uma pena), até chegar na parada e esperar minha limusine com chofer me deixar no Hostel.
      A segunda-feira (29) foi meu último dia na ilha, mas resolvi dar uma descansada no corpo e ver se iria levar mais algumas coisas para casa, no centro. Fora que, coincidentemente nesse dia, choveu de manhã e de tarde, então de qualquer forma não faria nada. Sendo assim, o relato acaba por aqui, garotada =]
      Como de praxe em meus relatos, algumas informações adicionais:
      Gastos: para uma semana na ilha combinei que levaria exatos 1000 reais, apesar de que me conhecendo (economista, vulgo pata de vaca como minha mãe me chama), não usaria tudo. No final das contas, com os gastos essenciais foram usados aproximadamente R$ 500,00 (transporte, comida para cozinhar no hostel, restaurante, compra de lanches para trilha, essas coisas). De hospedagem dei uma sorte do hostel ter dado uma promoção muito boa para o período que fui, e não está incluso nessa conta (141 reais para 8 diárias no booking). Acredito que o fato de ser período de pandemia, e ter ido fora da temporada influenciaram bastante nos valores.
      Transporte: como dito, achei muito bom o serviço de coletivo da ilha, uma boa frota de ônibus em boas condições, e geralmente pontuais, fora os pulos em múltiplos terminais que te permitem gastar pouco para visitar todos os lugares da ilha. Uber é uma opção, mas pelo que me falaram, e pela demora que tive em conseguir um, não tem tanto motorista como em outras capitais brasileiras, então às vezes poder ser que vc fique na mão. Na alta temporada, em algumas praias afastadas existe o transporte de barcos, de volta para a cidade, o que é uma mão na roda. Outra opção (que eu acabei não usando mas recomendo) é o aluguel diário de bicicletas, mas tenha em mente que a ilha não é tão pequena assim, e que pode ser mais jogo ir de bus ou carro sem se cansar previamente antes de fazer uma trilha. Mas vale a pena, dado o respeito dos motoristas pelos ciclistas e a boa infraestrutura para os mesmos.
      Hospedagem: bom, não me considero um expert nesse quesito, mas vi opções para todos os gostos, desde hotéis de frente para o mar a campings 0800 em algumas atrações. Pessoalmente penso que uma hospedagem nas proximidades do centro ou da lagoa sejam boas opções em termos logísticos.
      Lugares para conhecer: eis aqui um ponto interessante. TODA A ILHA tem lugares para conhecer. Eu passei uma semana andando sem parar de um lugar para outro e posso dizer que só desbravei uma boa parte do Sul da ilha. Não quis ir ao norte por simplesmente não dispor de tempo para isso  e para lá tem lugares conhecidos como o Jurerê, a vila de Santo Antônio de Lisboa, Canasvieiras, Ingleses..... Isso fora o que não explorei no centro e no sul. E isso eu falo de conhecer a pé. Tem os passeios de barco, tem as atividades mais radicais como vôo de parapente, asa-delta, lancha, caiaque, etc. tem passeio para certas ilhas. Tem as trilhas não oficiais que levam a lugares mais exclusivos e belos. Tem a zona rural e o Sertão. Tem as visitas a museus, institutos naturais e afins. Nossa, eu nem tenho ideia de quanto tempo disponível uma pessoa precisaria para "zerar" Floripa. 
      Melhor época: eu já disse e repeti qual a época a ser evitada, certo? No mais, penso que por questões lógicas, evite o Inverno (que compreende o meio do ano) e vá para a serra catarinense beber chocolatinho quente. Dizem que no inverno dá surfista na ilha, pelas águas estarem mais "bravas", mas aí é confirmar com algum conhecido (caso vc praticar a atividade ne?)
      Mais alguma coisa? Leve bastante água, lanches, protetor solar e roupas que te protejam do sol, no caso das trilhas, ir de calça/legging ao invés de short (como o teimoso aqui foi) vai te poupar de canelas queimadas, picadas, mordidas, etc. 
       

       
      Então é isso amigos, quando essa pandemia se acalmar, ou quando geral estiver vacinado, organizem um roteiro bacana na ilha da magia.
    • Por Maria Isabel P.
      Olá pessoal,
      pretendo ir à Floripa no período de 16/01/22 a 31/01/22. Minha idéia é, já que será alta temporada e provavelmente estará tudo muito lotado, ficar só pela parte Leste e Sul da ilha. Pensei em ficar hospedada em Campeche, já que sem a parte Norte ali ficaria sendo uma área mais central, e a partir dali ir até os outros locais. Queria saber se é uma boa idéia ficar hospedada apenas em um local, se consigo aproveitar bem dessa forma, ou se me indicam ficar em outras regiões também.
    • Por Marlon Escoteiro
      Campo dos Padres - Urubici-SC – julho de 2021
      - Fazenda Búfalo da Neve no Campo dos Padres - (parte I)
      - Travessia solo Serra da Anta Gorda (42km em 2 dias) - (parte II)
       
      *INFORMAÇÃO*: Essa travessia é realizada em área particular é OBRIGATÓRIO solicitar AUTORIZAÇÃO para passar nas propriedades do Campo dos Padres e arredores. Vamos respeitar os proprietários e manter o local aberto para que possamos continuar com nossas travessias e trekking.
      Entrar em contato com a Fazenda Búfalo da Neve.
      Instagram: @fazendabufalodaneve  via direct
      Fone: 48-99152 1277 Lucas Philippi  - 48-99617 7552 Arno Philippi
      Caso não tenha experiência em travessias autônomas, recomendo entrar em contato com a empresa de trilhas e travessias Expedicionários que organizam travessias para a região do Campo dos Padres, eles conhecem muito a região e com certeza vc poderá aproveitar muito mais.
      Instagram: @expedicionarios_sc via direct
      Fone: 49-99945 5000 Renan Hermes
      No Rio dos Bugres contatar o Abrigo 1500
      Instagram: @abrigo1500 via direct
      Fone: 49-99180 9621 Elói
      *IMPORTANTE*
      -NÃO FAÇA FOGO NUNCA – Use fogareiro
      -LEVE TODO O SEU LIXO EMBORA
      -TUBOSTÃO (Vamos todos começar a usar esse banheiro) nesta região estão muitas nascentes importantes de SC, é necessário mantermos o meio ambiente em equilíbrio e limpo. Temos outras áreas de montanha do Brasil como o Pico Paraná e Pedra da Mina que já estamos tendo problemas sérios de contaminação por conta das fezes, papel higiênico e dos lenços umedecidos deixados nos “banheiros” ao redor das áreas de acampamento. O TUBOSTÃO serve para vc levar tudo isso de volta para a sua casa e descartar no lixo.

      Mais uma vez nesse lugar maravilhoso da serra catarinense. O Campo dos Padres é aquele lugar fantástico que te encanta em cada coxilha, cada araucária, cada curva de rio, cada cachoeira, cada canion...
      É a região mais alta de Santa Catarina tendo o ponto culminante do estado com 1823m no Morro da Boa Vista e aos pés deste morro nasce o Rio Canoas sendo este o maior rio do estado e junto com o Rio Pelotas formam as nascentes do Rio Uruguai. Ali mesmo no Campo dos Padres o rio Canoas cai a quase 100m de altura formando uma bela cachoeira e rasgando o arenito para formar o canion do Rio Canoas, uma formação muito impressionante e bonita. Mais ao oeste se estende a Serra da Anta Gorda, desde o Morro da Boa Vista e vai até as Águas Brancas em Urubici e paralelo a esta serra nasce o Rio dos Bugres que logo despenca na cachoeira dos Bugres, uma das maiores do estado com 218m de altura. Na extremidade sul do Campo dos Padres próximo a serra do Corvo Branco esta o canion do Espraiado que rompe os peraus da borda da Serra Geral em direção a planície e a Grão Pará. E seguindo ao norte pela encosta da serra já em Alfredo Wagner surge 4 formações rochosas de arenito Botucatu com mais de 90m de altura conhecido como os Soldados do Sebold. Tudo isso em uma só região espremida entre Urubici, Bom Retiro, Anitápolis, Grão Pará e Alfredo Wagner.
      O nome Campo dos Padres é uma alusão a passagem dos jesuítas pela região dos campos de cima da serra. Muitas lendas de tesouros deixados pelos jesuítas correm esses campos todos. Historicamente não há comprovação que eles estiveram ali nessa região específica. Sabe-se que eles formaram estancias de gado na região que ficou conhecida como Vacaria de los Piñales, onde hoje é Vacaria no RS e certamente circularem por boa parte dos campos da região.
      Certo mesmo é que ali foi terra dos “bugres” como eram chamados os indígenas nesta região. No Campo dos Padres existe um carreiro chamado de trilha dos Índios que sobe de Anitápolis até o alto do Campo dos Padres. Essa trilha leva esse nome por conta de uma perseguição que houve nessas paragens, onde os bugreiros que eram jagunços contratados para caçar, matar e cortar as orelhas dos índios como forma de provar o assassinato e assim receber um soldo por cada indígena morto. Conta-se que pelos lados da nascente do rio Pelotas logo abaixo do Morro da Igreja, onde hoje é o Parque Nacional de São Joaquim haviam “bugres” escondidos, eram indígenas da etnia LaKlãnõ-Xokleng que habitavam as bordas dos peraus além das encostas e as baixadas. Eram caçadores e coletores, tendo o pinhão como uma fonte importante de alimento. Quando os bugreiros encontraram os LaKlãnõ-Xokleng houve uma matança, porem alguns conseguiram escapar para os lados do Rio do Bispo e por ali desceram a borda da serra por uma antiga picada, seguiram sentido norte fugindo pelas encostas e grotas. Foram se escondendo dos jagunços até a região de Anitápolis onde subiram novamente a serra por outra picada que ficou conhecida como “Trilha dos Índios”. Porem lá em cima na região dos Campos dos Padres sofreram uma emboscada e foram então exterminados pelos bugreiros que os esperavam. Realmente uma triste história de um passado recente de Santa Catarina.
      Em direção oeste no Campo dos Padres na serra da Anta Gorda tem o Rio dos Bugres e a caverna dos bugres, ou seja, em alusão aos antigos e extintos habitantes dessa região. Ali onde diversas etnias indígenas (tradição Umbu, LaKlãnõ-Xokleng, Kaingangs...) ocuparam de forma aleatória essa área, deixando ali alguns registros rupestres, além de pontas de flechas e outros artefatos líticos.
      E também temos a influência da rota dos tropeiros que vieram atrás do gado dos jesuítas e das mulas de Viamão para levar para as minas de ouro de Minas Gerais. Haviam muitas rotas, a rota principal saia de Viamão no RS, subia a serra na região de São Francisco de Paula, e passava pelos Ausentes, Bom Jesus, Coxilha Rica, Lages até a feira de Sorocaba em SP, e de lá até as Minas Gerais. Porém haviam inúmeros outros caminhos regionais interligando toda a região a rota principal. Nessas rotas se comercializava de tudo um pouco dependendo da região de origem, desde mulas, gado, suínos, charque, couro, mel que vinham da serra. Como cachaça, farinha de mandioca, feijão, milho, trigo, utensílios e outros vindo do litoral. E assim Santa Catarina foi se interligando em todas as regiões formando uma tradição tropeira ligada ao campo e a lida com o gado.

      Mas vamos ao Campo dos Padres então...
      Essa minha ida a região foi dividida em duas etapas. A primeira na Fazenda Búfalo da Neve onde fiquei 3 dias em um rancho tropeiro explorando a região e conhecendo um pouco das suas belezas. E a segunda quando fiz uma travessia solo de 42km pela Serra da Anta Gorda que corta o Campo dos Padres de Leste a Oeste saindo do Rancho da Fazenda Búfalo da Neve até a cidade de Urubici.
       
      Parte 1
      Fazenda Búfalo da Neve
      Eu já havia falado para o Lucas de como eu havia gostado do Campo dos Padres, então ele disse que qualquer hora que ele fosse para o Rancho me convidaria para conhecer melhor a Fazenda Búfalo da Neve, dito e feito, ele me mandou uma mensagem me convidando para a segunda quinzena de julho de 2021 irmos para lá.

      Combinamos então de sair na segunda dia 12/07, me encontrei com o Lucas e mais o Renan e partimos para a Serra. Chegamos em Urubici por volta do meio dia e fomos ao supermercado fazer as compras do rango com direito a churrasco, carreteiro e lentilha, bem em cima da hora para o mercado fechar, mas deu tempo ainda de encher o carrinho. Sacolas cheias rumamos em direção ao Campo dos Padres pela estrada que liga Urubici a Serra do Corvo Branco, aproximadamente 25km saindo de Urubici entra a esquerda em direção ao canion do Espraiado e segue mais uns 10km, passamos pela Pedra da Águia uma imponente formação de arenito que chama a atenção pelo formato. Seguimos pelo vale do rio Canoas, esse vale é muito lindo com paredões de ambos os lados e muitas araucárias coroando o caminho, logo adiante começa a subida de uma serra que em dias de sol os carros pequenos tem que ter atenção, já em dias de chuva se torna difícil subir podendo ficar no caminho. Uma vez lá em cima, há um cruzamento que vai para o canion do Espraiado e outro para o Morro da Cruz (que um sem noção renomeou de balanço/montanha infinita...) logo ali paramos o carro no campo, na entrada da antiga estrada da serraria. É importante consultar antes onde pode parar o carro, pois ali há várias propriedades particulares.

      Aqui existe uma antiga estrada que era utilizada por uma serraria nos tempos de corte de araucária, já a muito tempo abandonada e hoje está intransitável mesmo para 4x4, sendo possível passar somente a pé ou a cavalo. E pensar que toda essa região foi devastada para a exploração da araucária que foi uma das principais economias de exportação de SC, também foi com parte dessas araucárias que Brasília foi construída, sendo usado como caixaria para o concreto... que triste fim teve nossas araucárias. Importante salientar que onde estão os campos, sempre foi campo natural, onde foi cortado as araucárias é onde hoje ainda se vê araucárias e mata que na época foram poupadas por serem pequenas, e outros lugares de mata de araucárias deu lugar a agricultura.

      Pegamos nossas mochilas e fomos adicionando a comida comprada no supermercado. Tudo pronto e partimos pela trilha que tem 10km pela mata em direção ao rancho. Esta trilha conduz até o Campo dos Padres. Lá adiante pegamos uma outra trilha que o Lucas conhecia que iria sair do outro lado do morro da Laurinha. Paramos por uns minutos por ali para arrumar uma cerca que os búfalos haviam arrebentado e logo em seguida aparece uma búfala com um bezerrinho. Depois de seguir sempre subindo pela trilha, mas nada muito inclinado chegamos em um faxinal (campo cercado de mata) plano e fomos até um platô que tinha uma vista linda do canion do Rio Canoas.

      Ali encontramos 2 cavalos que tocamos para o lado do rancho com o intuito de pega-los para montaria. Fomos seguindo a trilha que leva até o rancho e encontramos mais alguns cavalos que acabaram pegando outra trilha que subia um morro, ali nos dividimos onde o Lucas e eu subimos atrás dos cavalos e o Renan seguiu pelo carreiro até o rancho. Quando íamos subindo tentando encontrar os cavalos, cruzou por nós um zorrillo que é o mesmo animal protagonizado pela Warner como “Pepe Le Gambá” que na realidade não tem nada a ver com o gambá nosso que é um marsupial e visualmente lembra um grande rato. O zorrillo tem hábitos noturnos e é famoso por soltar um mijo muito fedorento quando ameaçado, ele tem coloração preta com uma listra branca desde a cabeça até o rabo que é bem peludo e volumoso. Ele logo sumiu na capoeira e seguimos adiante tentando ver se achava o zorrillo e também os cavalos, mas estes foram embora e se embrenharam pelo mato. O por do sol neste momento estava lindo e paramos alguns momentos para fotografar, mais abaixo já se avistava o rancho e pra lá descemos para encontrar o Renan e se instalar.



      O rancho da Fazenda Búfalo da Neve é uma cabana de madeira de dois pisos, toda pintada em óleo queimado. Em anexo está a estrebaria e também uma mangueira de taipa de pedra circundando. Ela está cercada entre muitos vassourões e algumas pequenas araucárias, camuflando-se assim com a paisagem ao redor. Aos olhos menos atentos passaria despercebida. Logo ao abrir a porta principal nota-se o chão de terra batida coberta por grandes pedras de basalto e troncos cortados em rodelas. É um ambiente único de uns 6x6m aproximadamente com uma coluna de tora de madeira bem no meio sustentando as vigas que suportam o piso superior. Uma escada ao fundo dá acesso ao segundo andar e embaixo da escada a porta do banheiro. Pendurado em uma das paredes estão os arreios usado para a montaria dos cavalos. Sendo composto pelo baixeiro, a sela, chincha, sobrechincha e pelego; também tem o cabresto, o freio, rédea e os estribos. Ainda tem pendurado os itens de uso do peão como o pala, capa campeira, chapéu, jaquetas, a soiteira e o rabo de tatu. E finaliza com a cangalha e bruaca que são usadas para carregar no cavalo ou mula para o transporte de carga. Junto a janela desta parede tem uma rede pendurada, que eu imagino que deve ser um bom local para descanso e espera no verão em dias molhados e chuvosos . Logo a esquerda da porta de entrada está a mesa acompanhada de bancos rústicos ao redor, coberta com uma toalha destas de tecido plástico com motivos florais, em cima da mesa um botijão de gás onde está acoplado um lampião (já que não tem luz na cabana). Havia alguns potes, uma caixa de fosforo, um cesto com alguns pinhões, ovos, limões e batata doce que já estavam um pouco passados querendo apodrecer, provavelmente sobraram dá última vez que alguém pousou no rancho. Pendurado na parede uma sacola destas de supermercado com um jogo de baralho, havia também um chapéu, uma bolsa, uma trena e uma pá apoiado na parede. Um grande baú serve como banco e dentro dele estão guardados vários alimentos que cada um que vem passar uns dias acaba trazendo. Sal havia uns 3 sacos quase cheios (não precisa mais levar sal!!! Já tem bastante.), um pote com temperos diversos, macarrão, arroz, alguns pães esquecidos em sacos plásticos já embolorados (jogamos na fogueira), entre outros mantimentos. Na parede oposta a parede dos arreios tem outra porta e logo ao lado uma pilha de madeira já cortada e rachada para o fogão a lenha que está ao lado. Este fogão tem uma base toda de pedra com a chapa de ferro e uma porta para pôr a lenha no queimador. Preso no teto em cima do fogão tem um varal de madeira onde estavam pendurados para defumar um pedaço de charque, linguiça e umas cascas de laranja. Também em alguns momentos apareceram ali algumas meias... ao lado uma janela permite a entrada da luz e ajuda a fumaça a sair também. Bem na frente do fogão tem duas cadeiras cobertas de pelego que mais parecem um trono pela posição privilegiada na frente do fogo, e sempre disputada para poder aquecer os pés. Na parede do fundo tem um móvel feito de madeira talhado no local com um tanque destes plásticos que serve de pia, pendurado na parede e na estante estão os utensílios de cozinha como os pratos, panelas, bacias, talheres e alguns temperos. Ali apertado ao lado da pia já começa a escada de madeira que leva ao segundo piso, embaixo da escada um grande baú e algumas peças de roupas penduradas. A porta do banheiro está bem ali. O banheiro é de chão batido com um estrado de madeira, tem uma pequena pia, um vaso sanitário destes de caixa de puxar a cordinha para dar a descarga. Pendurado no teto por uma corda em uma roldana tem um velho galão de óleo diesel que serve como chuveiro tendo na parte superior do galão um buraco cortado e na parte de baixo um cano colado com registro e todo furado. A medida para um bom banho é duas chaleiras de água fervendo para quatro de água da torneira. A agua que abastece a cozinha e o banheiro vem de captação direto de uma vertente, onde por meio de mangueiras leva água corrente para o rancho. Subindo pela escada penduradas no corrimão tem várias daquelas canecas de chope de porcelana antiga de baile, um lenço escoteiro, uma lanterna e um rádio de pilhas. O andar superior é um grande quarto com camas e beliches feitos de madeira do local, tudo bem rústico, já que é feito de tabuas com suas frestas que servem para oxigenar o ambiente, sem forro e de telha aparente. Com janelas em todas as paredes, de onde se tem uma vista privilegiada tanto do nascer do sol quando do poente. Um lugar de descanso depois de um dia de lida no campo ou aventuras pelo Campo dos Padres. Anexo ao fundo está a estrebaria onde se ordenha as búfalas, é toda fechada de parede de madeira com uma grande porta, um pequeno canto serve de deposito para as ferramentas, além de sal e outras coisas. O mais bacana desse anexo é o telhado, que é verde, ou seja, feito de terra coberto com gramíneas do local.
       




      Já dentro no rancho tratamos de abrir todas as janelas para tirar o cheiro de fechado e logo fazer um fogo no fogão a lenha. Arrumar as coisas para nos instalar e começar a janta. Fomos buscar umas pedras para improvisar o fogo de chão para o churrasco. O Lucas já foi preparar uma bela lentilha, enquanto ele picava o bacon, cebola e alho; eu e o Renan preparamos o fogo e o churrasco campeiro com direito a costela e carne de porco. Enquanto a comida ia sendo preparada, cada um com seu goró ia molhando a goela e batendo um bom papo. Fazia uns 11° C, noite agradável, o churrasco foi ficando pronto e nós só beliscando. Depois veio a lentilha bem saborosa e quentinha para aquecer o fim de noite. Eu acabei não dormindo nas camas, optei por estender meu isolante e saco de dormir no chão mesmo, onde tive uma bela noite de sono.
      No dia seguinte fizemos um pão de caçador típico escoteiro, até gravamos uns vídeos que logo eu faço uma edição bacana. O Lucas e o Renan me ajudaram a preparar, foi feito uma fogueira e preparado a massa e depois assada enrolado em gravetos na brasa. Mas eu salguei demais a massa... kkkkkk mas tava bom assim mesmo. Saiu até um café tropeiro aquele que ferve a água e o pó do café junto e depois joga uma brasa viva na chaleira para descer o pó. Barriga cheia e café tomado, o Lucas montou uns sanduiches de queijo e mel de bracatinga.



       
      Começamos nossa trilha do dia, o objetivo foi ir até o morro mais alto da Fazenda Búfalo da Neve na borda dos peraus. No caminho passamos por outra propriedade onde tem uma casa azul e o galpão com uma grande mangueira de taipa ao redor. Mais adiante fomos até uma pequena cascata e depois subimos o morro até o ponto mais alto a 1715m.



      Descemos o morro ao norte e chegamos na trilha dos índios e de lá até as margens do rio Canoas. Logo ali no meio do vale onde passa o Canoas e está a casinha azul, tem uma coxilha isolada com uma araucária solitária em seu topo e ali mesmo tem um cercado de taipa com um pequeno cemitério dos antigos moradores destas fazendas. Infelizmente contam que ali é um cemitério jesuíta, o que não tem nada a ver. Seguindo o rio Canoas logo a frente tem uma pequena cachoeira que forma um grande poço que deve ser perfeito para um dia de banho no verão. E logo adiante de volta ao rancho.
      Chegando no rancho eu disse que estava com muita vontade de comer sapecada de pinhão que já fazia anos que não comia. Pegamos alguns pinhões que estavam guardados na cabana, juntamos algumas grimpas do chão e empilhamos uma em cima da outra e despejamos os pinhões em cima, peguei o isqueiro e taquei fogo. Aquelas grimpas inflamaram e foram queimando e sapecando o pinhão, quando apagou sentamos ao redor e fomos pegando na mão os pinhões levemente queimados, ainda quente e em brasa, esfregando na mão, queimando a pele e sujando de carvão. Que lembrança boa eu tive e assim fomos comendo um a um.







       
      Já dentro na cabana acendemos o fogo do fogão e esquentamos água na chaleira para o banho. Confesso que não botei fé no chuveiro naquele frio, mas foi um banho muito bom e bem quente. Enquanto isso o Lucas foi cortar cebola, alho e o resto de carne e gordura do churrasco da noite anterior para preparar um “carreteiro” que no final das contas virou uma sopa de arroz muito boa... kkkkkk. Essa noite estava mais fria chegou a fazer 6°C, aproveitei e sentei no trono de pelego posicionado bem na frente do fogão com a desculpa de cuidar do fogo. Numa caneca eu ia tomando a sopa de arroz com lentilha. O som rolava no celular do Lucas com uma seleção de rock bem eclética e o bate papo ia seguindo. As vezes íamos lá fora conferir o termômetro e ver a noite que estava muito bonita. Mas o frio logo nos mandava entrar... kkkkk.
      No dia seguinte tivemos um belo nascer do sol com direito a algumas fotos. No café da manhã rolou chapati preparado pelo Renan na chapa do Fogão, onde comemos com queijo e mel de bracatinga. Também eu fiz pão de queijo escoteiro na frigideira e o Lucas passou algumas térmicas de café.



       
      Saímos em direção ao canion do Rio Canoas para explorar as cachoeiras e grotas. De um mirante se tem a vista da primeira queda de uns 15m. Pegamos uma trilha que descia aos pés desta cascata, onde chegamos quase embaixo dela, mas estava bem frio para um banho. Depois seguimos o rio alguns metros adiante até alcançar o topo da outra cachoeira do Canoas, essa sim deve ter quase 100m de queda e a vista de cima impressionava.



      Subimos a trilha novamente e fomos atrás de outra trilha usada pelos búfalos que descia pela margem esquerda até a base dessa cachoeira, é uma descida íngreme, mas bem tranquila, tem até um ponto com cordas amarradas, mas desnecessário seu uso. Já lá embaixo na margem do rio, as pedras estavam bem lisas pela umidade jogada pela força da cachoeira. Levei um tombo, mas logo levantei e me recuperei. Tiramos as fotos clássicas de praxe na base da cachoeira e quando fomos sair levei outro tombo, esse doeu um pouco e esfolou as canelas, mas nada que não superasse, mesmo que saísse mancando... kkkkk.


      Andamos rio abaixo até o rio bater em um paredão e formar um grande poço de remanso, ali haviam vários vestígios de côco de capivara, porém não vimos nenhuma. Aproveitamos para descansar um pouco e almoçar. Nosso almoço neste dia foi outra sapecada de pinhão que fizemos ali mesmo as margens do rio. Ô coisa boa!!!

      Explorei um pouco ao redor do rio canoas, onde neste ponto já estava imerso dentro do imponente canion, com paredões imensos de arenito esculpidos nos últimos milhões de anos pelo rio. Seguimos rio acima por um afluente do Canoas, ali encontramos a outra trilha que subia pela margem direita para o campo e deixamos nossas mochilas, marcando o início da trilha.  Dali em diante entramos em uma grota bem estreita entre grandes paredões, fomos subindo por dentro do rio até onde não era mais possível pois alcançamos uma cascata bem alta de uns 80m chamada de leão baio, pois ali próximo haviam achado rastros deste grande felino.





       
      Voltamos pelo mesmo caminho até o ponto onde estavam as mochilas e subimos a trilha, lá em cima achamos uns rastros com o gramado todo revirado, pensei que poderia ser de cateto fuçando o chão, mas havia pegadas que não eram de cateto, essas pegadas formavam 3 dedos salientes, depois o Marcio o capataz da fazenda nos disse que era rastro de capivara, claro havíamos visto lá embaixo no rio as fezes delas. Ali nesse ponto tem um mirante natural com uma vista de frente da cachoeira, mais umas fotos e depois voltamos em direção do rancho. No caminho passamos por um chassi de caminhão abandonado e já deteriorado pelo tempo. Mais um vestígio dos tempos das serrarias que ali existiam, havia também muitas estradas por onde esses caminhões passavam para transportar a madeira que hoje já viraram trilhas intransitáveis para qualquer veículo.



      Já no rancho encontramos o Márcio que havia chego naquele dia lá. O fogo já estava aceso e ali ficamos proseando um pouco. O Lucas prometeu que hoje sairia o carreteiro, mas desta vez foi de linguiça e bacon e pouca água... se não ia virar sopa de novo. Kkkkkkk. Em relação a comida nunca comi tão bem. Tudo que preparamos ficou muito bom. Está seria nossa última noite, o tempo já estava virando. Fomos dormir cedo pois o dia seguinte prometia.
      Logo pela manhã cada um foi se preparando, o dia estava nublado e meio carrancudo. Nesse meio tempo o Marcio estava na estrebaria ordenhando as Búfalas, fazia anos que eu não tirava leite, então aproveitei para fazer um Camargo que consiste em ordenhar o leite direto na caneca com café e tomar. Lembrei de quando eu ia passar as férias na casa da minha vó no sítio. Terminei de arrumar minha mochila, nos despedimos já que o tempo iria mudar logo. O Lucas e o Renan iriam voltar até o carro e ir embora, o Márcio ia ficar a próxima semana no rancho cuidando das coisas e esperando um grupo de trilheiros organizado pelos guias da @expedicionarios_sc que iriam dormir no rancho no próximo final de semana. Esses caras são profissionais e conhecem muito bem a região e as trilhas e organizam trekking para pequenos grupos para conhecer o Campo dos Padres, é uma boa pedida para quem quer uma experiência bacana com mais segurança. Já eu ia seguir sentido oeste pela serra da Anta Gorda até Urubici.






       
      segue parte II - Travessia Serra da Anta Gorda
    • Por Marlon Escoteiro
      Parte 2
      Travessia solo da Serra da Anta Gorda
      1°dia de travessia – Rancho Búfalo da Neve até Abrigo 1500 – 17km
      No ano passado em julho de 2020 eu havia feito a travessia do Campo dos Padres relato aqui .. https://www.mochileiros.com/topic/93114-travessia-do-campo-dos-padres-%E2%80%93-sc-%E2%80%93-julho-de-2020-%E2%80%93-80-km-em-5-dias-%E2%80%93-do-c%C3%A2nion-espraiado-morro-da-boa-vista-at%C3%A9-o-morro-das-pedras-brancas/   no sentido sul-norte saindo da Pedra da Águia as margens do rio Canoas, passando pelo canion Espraiado e cruzando todo o Campo dos Padres seguindo o rio Canoas até a sua nascente, subi o Morro da Boa Vista e ainda passei pelo morro do Chapéu, o Arranha Céu e morro das Pedras Brancas terminando as margens da BR 282. Mas o nome “Serra da Anta Gorda” havia me chamado a atenção na carta topográfica, essa serra ia desde o morro da Boa Vista até Águas Brancas em Urubici, eu até já tinha estudado pelo google maps um trajeto por ali. Então dessa vez de novo no Campo dos Padres resolvi fazer a travessia leste-oeste por essa serra que divide Urubici e Bom Retiro.
      As 8h20 pus a mochila e parti em direção a Serra da Anta Gorda saindo por trás do rancho até o Canoas, cruzei o rio e subi a antiga estrada que ligava o Campo dos Padres a Urubici pelo Rio dos Bugres, estrada essa, abandonada onde só passava cavalo e a pé. Logo na subida vi muitas gralhas azuis fazendo um estardalhaço sobre as araucárias, parei um pouco para observar e tentar tirar alguma foto. Logo alcancei o topo e fui seguindo a estrada que ia dando a volta pela margem esquerda de um afluente do rio Canoas, formava um pequeno canion, esse foi o canion da grota que no dia anterior entramos nele até a cascata do Leão Baio. Lá adiante cruzei o vértice deste canion e teve outra subida até o topo da Serra da Anta Gorda nos campos, ali próximo havia uma casa e um galpão já abandonados na margem direita do canion bem no topo protegido por uma coxilha, mas fora da estrada. Porém não cheguei perto e fui seguindo a estrada/trilha, dei uma parada para mastigar umas castanhas e tomar agua era umas 10h da manhã, também já me preparei, pois a chuva estava vindo e fazia bastante frio e vento.

       

      Ali era uma área de campo de altitude e segui adiante pela estrada até uma pequena descida que já estava bastante erodida onde havia uma outra casa com galpão também abandonados logo atrás meio que escondidos, cruzei outro arroio e vi dois cavalos, um branco e outro preto que ficaram só de olho em mim.

      Passei por eles e cheguei em uma mangueira velha de madeira toda quebrada, ali a trilha principal ia a direita, mas logo entrava na mata que estava na encosta norte em direção a Bom Retiro, preferi seguir a da esquerda na encosta sul voltada para Urubici e subi um morrinho e logo a chuva veio com força e junto a serração, minha ideia era seguir pelos campos ao invés de ir pela mata, mas ali havia muito banhado então decidi subir para a direita em direção a mata e alcançar a estrada de novo. Era uma estrada/trilha bem marcada sentido sudoeste, tendo uma elevação a minha esquerda e a direita o vale do Paraiso da Serra e por ali fui andando por um bom tempo, a chuva só piorava e o frio aumentava, minhas mãos expostas segurando o bastão já estavam congeladas e a minha capa de motoqueiro já estava passando água pelas costuras.
      Logo adiante a frente abriu para o campo do vale do rio dos Bugres e a estrada dava uma volta no morro agora sentido sudeste até um galpão cercado de uma mangueira de taipa bem robusta, cruzava um rio que formava um pequeno canion do rio dos Bugres e a estrada ia acompanhando pela margem esquerda até passar uma porteira grande e cruzar o rio sobre uma ponte. Já a direita havia uma propriedade habitada que era a estancia Bonin, passei bem próximo seguindo a estrada a direita em direção ao Abrigo 1500 que era o meu destino daquele dia. No caminho havia uma plantação de pinus Ellioti a direita e eu estava bem tranquilo trabalhando a minha respiração ao estilo Win Hof, ritmo cadenciado, tentando espantar o frio para ver se esquentava, o passo era firme, derrepente do lado esquerdo da estrada do meio das vassouras do campo me aparece um javaporco... tomei um susto, mas ele também, e cada um correu para um lado... Boa parte da Serra Geral está tendo problemas com Javalis e com a cruza deles com porcas que viram o “javaporco” que são enormes, destroem plantações fuçando o chão e comendo de tudo, podem ser muito agressivos e perigosos, por isso muito atenção com eles. Como vi que não veio atrás de mim, segui adiante no meu passo que já estava firme em meio a chuva que seguia forte me molhando cada vez mais. Parei adiante por uns minutos e logo passou um carro que buzinou e seguiu em direção a cachoeira do rio dos Bugres.
      Em pouco tempo lá pelas 14h e com aproximadamente 17km percorridos cheguei também no Abrigo 1500, que é a propriedade que tem a vista da cachoeira do Rio dos Bugres e camping. A princípio eu iria acampar, mas chovia tanto e eu estava tão molhado e com frio que pedi permissão para pernoitar no galpão pelo valor do camping, o Sr. Elói foi muito gentil e falou que não tinha problemas, inclusive me convidou para entrar em sua casa e me aquecer no fogão a lenha e secar minhas roupas. A rede elétrica não chegava até ali, e a luz era obtida por placas solares que davam conta de tocar a geladeira e algumas lâmpadas e tomadas. O camping custa R$ 30,00 e eles servem pastel e paçoca de pinhão, nem pensei duas vezes e pedi a paçoca que foi meu almoço e estava uma delícia. Depois a esposa dele pôs mais pinhão na chapa e fiquei ali tomando um café e comendo pinhão. Também estava ali o Romeu que havia passado por mim de carro com a família, e ficamos conversando um pouco sobre trilhas e Urubici.
      Logo em seguida a chuva deu uma trégua e fui dar uma volta pelo campo do camping e acessar os mirantes da cachoeira dos Bugres. São 2 mirantes acessados por uma pequena trilha, tem um deck de madeira para segurança e uma vista incrível da cachoeira que é uma das maiores de Santa Catarina com 218m, em um dos mirantes é possível ver duas grandes cachoeiras a dos Bugres e outra numa grota próxima e abaixo o vale/canion que forma o rio dos Bugres. Seguindo pela borda onde está o camping tem outra grota mais a direita de um outro afluente dos Bugres que vinha da serra formando outra grande cachoeira. É um excelente lugar para acampar e curtir a paisagem desta região do Campo dos Padres e rio dos Bugres, uma ótima estrutura, recomendo acampar ai no Abrigo 1500.




       
      Ao norte atrás da propriedade está a continuação da Serra da Anta Gorda, que segundo o Sr. Elói tem esse nome pois ali haviam muitas antas e algumas bem gordas, que hoje infelizmente não vemos mais na região. Também ali no topo daquela serra foi encontrado uma ponta de flecha de pedra lascada da tradição Umbu, mais um sinal do nome Bugres. A tradição Umbu foi um grupo muito antigo de caçadores e coletores que deixaram muitos vestígios na região em forma de pontas de flecha, estima-se que esse grupo antecessor das demais etnias indígenas esteve aqui entre 13 e 4 mil anos e habitavam toda a região do planalto de araucárias e campos rupestres.
      No galpão havia umas mesas com chão de madeira e junto está a estrebaria que é onde se ordenha as vacas, já na terra batida, uma caveira de búfalo todo pintado de preto ornava pendurado na parede, e alguns equipamentos para ordenha e arreios. Comecei a preparar minha janta, que seria polenta com queijo e bacon; sai do galpão para buscar um pouco de água, quando voltei dei conta que meu queijo havia sumido, pensei quem foi o gatuno que surrupiou parte da minha janta, dei uma olhada ao redor e achei um pedaço do queijo no plástico todo comido e rasgado e um gato escondido entre as madeiras na estrebaria. Achei o meliante e junto a sua ninhada. Deixei o queijo para eles, e eu que pensei que era os ratos que gostavam de queijo... ou será que por causa do sabor rato ao queijo que os gatos gostam também... Janta pronta, estava muito bom, só faltou o queijo para dar mais sabor... já consegui me aquecer um pouco com a refeição quente.
      Montei embaixo de uma mesa o meu isolante de eva, isolante inflável, travesseiro e o saco de dormir, pus minha roupa de dormir que é composto de uma meia de lã merino, uma calça e blusa térmica segunda pela, e uma blusa de lã sintética que tenho desde os meus 14 anos e sigo usando ela sempre. Além da touca e de uma luva de fleece. Está noite fez 6°C. Ao lado do saco de dormir deixo sempre uma garrafinha com água, meu afrin em caso de nariz entupido e a lanterna a mão. Guardei as comidas na bolsa de cozinha e pus dentro da mochila ao meu lado com “um olho no peixe e outro no gato”. E assim fui dormir, pois o dia seguinte ainda tinha muito chão pela frente.
      2° dia de travessia – Abrigo 1500 até Urubici – 25km


      Acordei as 6h30, já fui guardando minhas tralhas de dormir, vestir minha roupa de trilha e tomar um café. Meu café em travessia consiste sempre em café passado na Pressca (tipo de prensa francesa de acrílico) pão com polengui, salame e “queijo” (quando tem...), carrego também para lanche de trilha uma garrafa pet com um mix de castanhas, uvas passas e gotas de chocolate, além de uma barra de chocolate, particularmente tenho levado o chocolate Talento da Garoto por ter uma quantidade grande de calorias, ser gostoso e ter muitas versões. Mochila pronta e café tomado, sai do galpão e dei de cara com o frio, me despedi do Sr. Elói e aproveitei o dia de céu azul para ir de novo nos mirantes da Cachoeira do Rio dos Bugres para curtir mais um pouco a paisagem.




      Depois passei pela casa de novo e logo atrás segue a trilha que sobe até a Serra da Anta Gorda novamente, a irmã do Sr. Elói é a única moradora naquela região acima, apesar de ter outras casas e galpões, porém desocupados. Fui seguindo o caminho por um faxinal bonito, corria um arroio sobre uma laje de pedra, parei para umas fotos.



      E logo a frente a trilha subia forte até a cumeeira da serra e dali se tinha uma vista linda ao norte do Paraiso da Serra e de um mar de montanhas, a leste se via o Morro da Boa Vista e Morro do Chapéu. Fui seguindo pelos campos ora margeando a borda norte, ora para o sul.


      Neste momento senti arder a sola do meu pé próximo ao dedão, a meia e o tênis estavam molhados então já sabia o que poderia ser. Parei logo em seguida e tirei meus tênis e meias, torci as meias que estavam encharcadas, sequei meu pé e passei uma pomada de vick vaporub que é o santo remédio do montanhista podendo ser usado para muitas coisas. Deixei meu pé respirar e aproveitei para comer meu chocolate e castanhas e curtir a paisagem. Depois colei um esparadrapo, calcei minhas meias e tênis novamente. Segui adiante e fiquei monitorando, o segredo para bolhas é fazer os primeiros socorros logo no primeiro sinal de irritação e vermelhidão, não pode deixar levantar a bolha, se não é problema. Caminhei todo o trajeto sem problemas. No meu caminho ainda cruzei algumas vacas e cercas, até que vi mais abaixo a uns 500m ao sul a propriedade da família do Sr. Elói, fui contornando o morro por cima até que chegou na estrada de acesso a propriedade e onde chegava também a rede elétrica.



      Ali a estrada era transitável de carro. Resolvi tentar seguir fora da estrada pelos campos, mas algumas vezes não tinha como até que fui descendo até uma propriedade bem grande onde havia bastante gado e de ali em diante seria só por estradas. Achei alguns pinhões debulhados pelo caminho e fui enchendo o bolso até que mais pra frente parei embaixo de uma araucária e fiz outra bela sapecada de pinhão, não sabia quando teria a oportunidade de novo, já que fazia muitos anos que eu não comia, ai aproveitei para curtir esse momento de fazer a pilha de grimpa, por fogo e os pinhões e sentado no chão ir pegando pinhão por pinhão sapecado, queimado pelo fogo com partes ainda em brasa, ia esfregando na mão, queimando e sujando de carvão, e assim fui me deleitando com essa iguaria serrana. Fiquei imaginando essa região a alguns séculos atrás ainda antes dos tropeiros com os diversos povos indígenas que por aqui haviam passado coletando pinhão, obviamente que o pinhão sapecado deveria ser a principal forma de comer essa rica e proteica semente da araucária nos meses frios de inverno.


      Logo fui seguindo pela estrada, abrindo e fechando porteira e passando por um corredor de araucárias que por muitas vezes formava um túnel no caminho. Era uma paisagem muito bonita e bucólica. Logo começou a descida bem forte ziguezagueando a estrada, em um certo momento encontro um pônei com uma franja muito estilosa, me aproximei dele, mas ele não quis muita conversa.


      E assim segui até a base da estrada e dei de cara com um bosque de araucárias todo varrido, grimpas amontoadas e uma entrada tipo de condomínio. E aí percebi que eu já havia chegado em um ponto turístico de Urubici chamado de Cavernas dos Bugres, que na realidade não são cavernas e sim paleotocas. Essas estruturas eram tocas que foram escavadas pelos gliptodontes, os tatus gigantes da megafauna que eram do tamanho de um fusca. Mais tarde diversas etnias indígenas (tradição Umbu, LaKlãnõ-Xokleng, Kaingangs...) ocuparam de forma aleatória essas tocas, deixando ali alguns registros rupestres, além de pontas de flechas e outros artefatos líticos. São diversos túneis de até uns 100m de extensão, ora se interligando, ora se sobrepondo. Havia dois conjuntos de túneis e logo abaixo corria um arroio. Dentro destes túneis haviam alguns morcegos e vários opiliões que são uma espécie de aracnídeo de cavernas. São estruturas baixas, tendo que andar levemente abaixado e algumas vezes até engatinhando. Aproveitei que já era 13h e o bosque de araucárias ali, sentei no gramado tirei meu tênis e almocei meu sanduiche de polengui, salame e mel de bracatinga. Só faltou o queijo.... kkkkk









      Seguindo a estrada abaixo há um portão fechando a rua e ali tem a pousada da Caverna Rio dos Bugres, fui barrado de forma agressiva e mal-educada por um homem dizendo que ali era propriedade particular e que eu tinha que pagar uma taxa, ai eu falei tudo bem, quanto é? Eu pago! Falei que não sabia que aqui era propriedade particular uma vez que passei por várias propriedades estrada acima. Aí ele falou que ele era dono de tudo ali, e eu passando por aqui poderia sumir uma vaca, e as câmeras dali me pegariam então eu seria o culpado... falei: pera ai loco! Tá me chamando de ladrão?? Sou montanhista e estou vindo de longe desde o canion espraiado, passando por várias propriedades, pedindo autorização a todos, mantendo todas as porteiras, cercas e animais como estavam, aí ele disse que não precisava mais pagar, mas tinha que avisar não sei quem... Infelizmente temos ignorantes assim, ainda mais para quem trabalha com turismo me pareceu muito despreparado e totalmente focado no dinheiro e na cobrança pela passagem pois o ponto turístico era propriedade dele, não sei se a estrada realmente é ou não. Porem precisa melhorar a abordagem. Então fica a dica de quando passarem aqui, já vir com dinheiro na mão. Passado esse contratempo segui pela estrada que ia margeando o Rio dos Bugres que dá nome a localidade, uma área rural muito bonita, com muitos sítios e chácaras, havia bastante criação de gado, cabra, também hortaliças e pomares. Mais adiante já alcancei o asfalto que liga Urubici ao Corvo Branco e fui até o camping Hospedagem Rural Nossa Senhora das Graças, um lugar muito bacana com uma ótima infraestrutura para acampar, tem também espaço para motorhome e chalés para alugar, recomendo o lugar. E ai finaliza essa minha jornada desde o Canion Espraiado, passando pelo Campo dos Padres, Serra da Anta Gorda, Rio dos Bugres e Urubici.
       
       


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