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Olá viajante!

Bora viajar?

Relato Circuito Dientes de Navarino, Puerto Williams e Ushuaia.

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Prelúdio – Dientes de Navarino, Trekking do Fim do Mundo.

 

[align=center]DSC-0142.JPG?et=GoLdMTxpfmQVK19OLv4JZw&nmid=538763476[/align]

Sempre tive atração por locais remotos, me atraía a sensação de como era estar na última cidade do continente (Puerto William, não Ushuaia) e melhor ainda, qual seria a sensação de fazer um trekking remoto, inóspito e selvagem na Patagônia.

 

Foi lendo o Lonely Planet - Trekking In The Patagonian Andes que soube da existência do circuito de Dientes de Navarino e fiquei mais empolgado ainda com a publicação do roteiro nos guias de trekking do Guilherme Cavallari.

 

Sendo assim ainda consegui reunir bons amigos de caminhada, Ronald e LH e a minha esposa Roberta para encarar este desafio. Desafio sim, pois Dientes não tem nada a ver com Torres Del Paine, El Chalten, Refúgios de Bariloche (já fiz todos esses citados) onde, na maioria deles você conta com apoio, comida, cama, e até banho quente!

 

Já Dientes não, pela proximidade do Cabo de Hornos, mal tempo, frio, chuva e ventos antárticos são quase que uma garantia e não se tem para onde correr. Na trilha encontramos somente uma pessoa, a qual estava trabalhando na demarcação da mesma!

 

O circuito pode ser feito em 4 ou 5 dias (optamos por 4 dias) de caminhada e apesar das distâncias não serem longas e não haver grandes desníveis, o terreno é muito irregular e a caminhada não rende, pois sempre se caminha por pedras, encostas e sobe-desce de pasos de montanhas, bosques com inúmeras árvores tombadas e também muitas áreas de charcos enlameados. Em alguns trechos não há marcação alguma e o caminho não é tão óbvio assim.

 

Tem de estar bem preparado, encarar e também claro, desfrutar de suas magníficas paisagens, lagunas, montanhas e bosques multicoloridos.

 

Bom, abaixo segue o esquema relatado para se alguém quiser (e eu incentivo, não vão se arrepender) a repetir a viagem.

 

Dia 1 – Sexta-Feira, 9/3/2012 – São Paulo / Buenos Aires

 

Saímos Roberta, Ronald e eu do aeroporto de Guarulhos pela Aerolíneas com destino a Ezeiza, Buenos Aires. Chegando lá, fizemos câmbio (cotação horrível) e fechamos um taxi (Ar$ 250) para o Aeroparque de onde tomamos o primeiro voo do dia para Ushuaia.

 

Dia 2 – Sábado, 10/3/2012 – Buenos Aires / Ushuaia

 

[align=center]DSCN0366.JPG?et=zczHFj7xXPhOBAk,6qfxLw&nmid=537975032[/align]

Chegamos em Ushuaia quase 10 da manhã. O taxi para o hostel saiu por Ar$20. O hostel que escolhemos foi La Casa de Alba (http://www.lacasadealba.com.ar/), diária em quarto privado por Ar$300. O hostel é simples, mas é bem limpo, silencioso e tem um bom café da manhã. Fica a uns 10 minutos de caminhada do centro e a Dona Alba agiliza muita coisa para os hóspedes, desde táxi até passeios.

 

Neste dia fechei o barco para Puerto William com a agência Fernandez Campbell (http://www.fernandezcampbell.com/) (Us$125 ida + Us$8 taxas portuárias). A cabine de atendimento dele fica no porto de Ushuaia. São lanchas rápidas e muito confortáveis ao contrário dos botes infláveis da Ushuaia Boating. Além disso, a lancha nos deixaria direto na cidade de Puerto Williams, sem a necessidade de usar van, caso optássemos pela Ushuaia Boating. E outro detalhe, somente Fernandez Campbell possui saídas aos domingos.

 

No restante do dia, andamos pela cidade, pegamos um tempo ótimo, céu azul o tempo todo. Comemos empanadas nas casas de comida próxima a Rua Perón, longe do centro comercial. São as melhores e mais baratas, pois não é para turista e sim para os locais. Indicação da Dona Alba.

 

Ao fim do dia encontramos o LH que chegou o voo da noite e saímos para tomar umas e fechar os últimos detalhes da trilha.

 

Fotos: http://diarionamochila.multiply.com/photos/album/265/Ushuaia_-_ARG

 

Dia 3 – Domingo, 11/3/2012 – Ushuaia / Puerto Williams

 

[align=center]DSC-0010.JPG?et=HBcjcJBzMjajYJnUg6hVvg&nmid=537976124[/align]

 

Saímos de Ushuaia para Williams às 14h. O trajeto leva em torno de 1h30min. Demoramos mais na aduana chilena, pois não havia ninguém para recepcionar a gente! Imaginem esta cena... você chega num país e não há ninguém para carimbar seu passaporte, realmente chegamos no fim do mundo!

 

Enfim, após algumas ligações dos barqueiros vieram os agentes para fazer os trâmites de alfândega. Revistaram nossas mochilas para saber se havia algo orgânico e nos levaram até o prédio onde tivemos nossa entrada na cidade liberada.

 

Júlio do Hostel Akainij (http://www.turismoakainij.cl) já nos esperava lá para nos levar à casa dele, que por sinal fica próximo, aliás tudo é próximo lá. Gostei bastante do hostel, apesar da água quente não estar funcionando bem, mas tanto Gabi quanto Julio são pessoas muito simpáticas e o quarto privativo é bem aconchegante e o café da manhã é excelente. Tudo por Us$50 o quarto.

 

Nosso problema agora era encontrar algo para comer. Como era Domingo, todos os 2 restaurantes da cidade estavam fechados. Sorte encontrar um mercadinho aberto onde compramos pães, frios e cervejas. Além disso, a Roberta perguntou e descobriu que em frente ao mercado havia uma senhorita chamada Paty, Dona do Hostel Pusaki, que servia jantar mediante reserva e foi o que fizemos.

 

Antes do jantar eu e o Ronald saímos para bater perna na cidade, estava bem frio e ventando, prévia do que encontraríamos na trilha. Desde a cidade é possível avistar o Cerro Bandera e os picos de Dientes de Navarino, nosso destino para o dia seguinte. Fomos ao museu que conta a história dos índios Yaganes, visita que vale muito a pena, e lá conheci uns americanos que haviam concluído o circuito e nos alertam pela quantidade de charco na trilha e também sobra e temível descida do Paso Virginia.

 

Andamos mais um pouco pela vila, típica vila militar, casas idênticas, veículos militares a mostra como exposição, grandes navios, etc... povo muito simpático e que gosta de conversa. Já me sentia adaptado ao fim do mundo, ainda mais tomando uma cervejinha Austral.

 

De volta, compramos algumas bebidas no mercado e voltamos a casa de Paty para jantar. Estava excelente, ela preparou uma salada com King Crab e mais umas costelinhas de boi com arroz. Tudo por Us$ 20. Por coincidência os americanos estavam lá e conversamos mais um pouco sobre a trilha e conseguimos pegar algumas dicas valiosas.

 

Terminado o jantar, fomos aos Carabineiros para nos registrar para o Trekking. Lá você informa seus dados, passaporte, a data de ida e volta da caminhada. Além disso, ainda eu tinha mais um objetivo em Williams, o qual era conhecer o Micalvi Yatchi Club. Este lugar é sensacional, é um bar-barco onde claro, tomamos mais umas Austral e apreciamos o lugar. Viajantes do mundo inteiro, inclusive Amyr Klink, decoram o local com flâmulas de seus respectivos barcos, expedições ou países. Valeu muito a pena a visita.

 

[align=center]DSCN0421.JPG?et=1XjXS3WzNAcyqBuOM2nfNg&nmid=537976124[/align]

 

Fotos: http://diarionamochila.multiply.com/photos/album/267/Puerto_Williams_-_CHI

 

Dia 4 – Segunda-Feira, 12/3/2012 – Trekking Dientes de Navarino – Laguna Del Salto – Dia 1

 

[align=center]DSC-0096.JPG?et=4Bn,oUCPpEHYPzq3aZGjkw&nmid=538725094[/align]

 

Enfim começamos a caminhada, passamos pela Plaza De La Virgem, continuamos pela estrada cercada por bosques até chegarmos ao começo da trilha para o Cerro Bandera, onde há uma placa com indicação do caminho.

 

A trilha inicia por um bosque, caminho aberto e fácil de caminhar até chegamos ao topo do Cerro Bandera, após vencer 600m de desnível. Paramos um pouco para descansar a apreciar o visual ali mas foi uma péssima ideia, muito vento e frio... quase congelamos. Tratamos de continuar a trilha que entrou por uma encosta muito íngreme de montanha e foi assim praticamente até o fim do dia.

 

Sempre acompanhando a Laguna Del Robalo à direita e o pico de Los Dientes à frente. Sempre na encosta, Chegamos até a Laguna Del Salto e descemos a pirambeira com o máximo de cuidado. O local foi excelente para acampar, pouco vento, bem protegido e água e muito visual.

 

[align=center]DSC-0111.JPG?et=TfQjtZnr7p1xXFYIwHbR3w&nmid=538725094[/align]

 

Fotos: http://diarionamochila.multiply.com/photos/album/268/Dientes_de_Navarino_-_Laguna_del_Salto_-_Dia_1

 

Dia 5 – Terça-Feira, 13/3/2012 – Trekking Dientes de Navarino – Laguna Escondida – Dia 2

 

[align=center]DSC-0151.JPG?et=43kMqIhxf7EV1PZ4nmMFkw&nmid=538763476[/align]

 

Já começamos o dia subindo uma piramba enlameada. Passamos pelo Paso Primero e depois Paso Austrália. Fizemos uma descida perigosa por gelo e enfim chegamos ao Paso de Los Dientes onde começamos a ter visão sul da ilha. Como o tempo estava ótimo, foi possível ver o arquipélago de Hornos. Seguimos a esquerda de uma linda lagoa até uma bifurcação que iria para Lago Windhond, outra opção de trilha que há por lá.

 

Adentramos em um trecho de bosque colorido e vimos a Laguna de Los Dientes, por difícil decisão elegemos este lugar o mais lindo de toda a travessia. Descansamos por um bom tempo lá até retomar a caminhada por um bosque (trecho confuso, quase não há marcações), pois tínhamos que descer ao nível da lagoa e contornar o Cerro Gabriel e enfim chegar à Laguna Escondida.

 

Não vou me estender no relato para tentar detalhar a beleza do local, pois as fotos já o fazem. Acampamos num local meio exposto na Laguna e com poucos pontos de fixação. Resultado, noite mal dormida devido aos fortes ventos. A barraca do LH (que na verdade estava emprestada pelo Bob) teve suas varetas envergadas, tamanha era a força do vento.

 

[align=center]DSC-0186.JPG?et=IHouRGh1pQ6FtIq2eufXhw&nmid=538763476[/align]

 

Fotos: http://diarionamochila.multiply.com/photos/album/269/Dientes_de_Navarino_-_Laguna_Escondida_-_Dia_2

 

Dia 6 – Quarta-Feira, 14/3/2012 – Trekking Dientes de Navarino – Laguna Martillo – Dia 3

 

[align=center]DSC-0253.JPG?et=uORVM4ND38uamw,anVrAGw&nmid=539089868[/align]

 

Iniciamos o dia caminhando pela borda da lagoa e descobrimos pontos melhores para se acampar, mais ao fim da lagoa.

 

Cruzamos um rio por cima de uma castoreira e começamos a andar numa sucessão de bosques e rochas até iniciar a subida do Paso Ventarrón, onde encontramos a única pessoa durante a trilha toda. Fugiu-me o nome dele, mas era um guia local que estava trabalhando na demarcação da trilha. Por coincidência, mostrei uma foto do livro do Guilherme Cavallari e ele disse que era ele na foto e havia sido ele quem guiou o Guilherme na publicação do livro, que coincidência!

 

Muito solicito, nos forneceu dicas valiosas, pois pretendíamos avançar ao máximo o dia de hoje e conseguimos obter informações de onde acampar, mais próximo ao Paso Virgínia.

 

Após terminar a subida do Paso, demos de cara com um local belíssimo. Um vale com inúmeras lagoas e picos nevados ao fundo. Beleza cênica! O problema que para descer o paso teríamos que andar pela encosta íngreme novamente. Neste local devido aos fortes ventos, já li relatos de pessoas que despencaram morro abaixo e se quebraram inteiro. Ainda bem que não foi o nosso caso e conseguimos chegar inteiros ao vale.

 

Em outra bela lagoa paramos para fazer nosso almoço e descansar para encarar a subida do Paso Guerrico. Este subida na maior parte é por mata fechada e a descida bem mais tranquila. Fomos andando pela margem esquerda da “hermosa” Laguna Hermosa até enfim cruzar o riacho e chegar ao local de acampamento da Laguna Martillo.

 

Como nossa ideia era avançar o máximo possível e ainda tínhamos muito tempo, continuamos margeando a laguna por um trecho bem difícil de pedras e charco. A trilha sobe se afastando um pouco da laguna para contorná-la e em seguida descemos para acompanhar a margem de um rio.

 

Chegamos num bosque excelente para acampamento, bem protegido e o visual das montanhas estava magnífico naquele momento. A Roberta sugeriu pararmos por ali e como já havíamos avançado pelo menos umas 2h ficamos o resto do dia cozinhando e curtindo o visual.

 

[align=center]DSC-0280.JPG?et=vYW1NifoX5ifUqDRUebghg&nmid=539089868[/align]

 

Fotos: http://diarionamochila.multiply.com/photos/album/270/Dientes_de_Navarino_-_Laguna_Martillo_-_Dia_3

 

Dia 7 – Quinta-Feira, 15/3/2012 – Trekking Dientes de Navarino – Paso Virgina – Dia 4

 

[align=]DSCN0546.JPG?et=eqlb9nj9rlyE7qNRCexnVA&nmid=539761178[/align]

 

Como combinado, levantamos às 5h da manhã, em pleno breu tomamos nosso café a luz de lanterna, sorte que a chuva da noite e o frio nos deram uma trégua. O dia seria puxado e o mais difícil, por isso decidimos partir cedo a fim de terminar naquele dia a trilha.

 

 

Começamos a andar 7h em ponto e já pudemos ver a piramba da subida do Paso Virgina. Para chegar a sua base, andamos por charcos e por lagunas, uma delas era a Rocallosa que como o próprio nome diz é cheio de pedras que dificultam muito o avanço. Qualquer vacilo era um pé torcido.

 

Enfim chegamos à base do Virginia e pra variar mais lama. O trecho inicial é difícil, vamos tomando cuidado para não se afundar na lama e vamos ganhando altitude aos poucos, afinal eram quase 500m de desnível.

 

Após vencer o trecho do bosque enlameado, vem o que? Encostas de montanha que a Roberta tanto adora... porém o visual vai ficando cada vez mais magnífico. Pudemos observar Ushuaia, a estância Haberton e também o conjunto de montanhas conhecidas como Montes Lindenmayer.

 

Ao final da subida tem-se a impressão que estamos na Lua. Pedra por todos os lados e uma superfície plana por onde andamos por alguns KM, até enfim chegar à famosa descida do Paso Virgínia.

 

Aqui eu entendi o porquê que todo mundo recomenda utilizar bastões na trilha e também o porquê que eu lia frases do tipo “Mais assustadora do que perigosa”. Como a Roberta sofre com alturas já estava fazendo um psicológico nela e mostrando a “trilha” que deveríamos fazer.

 

O Ronald arriscou ir à frente acompanhado pelo LH. Quando vi o Ronald sentando na trilha, logo no começo, escorregando e sem conseguir ficar de pé... pensei, “fudeu, vamos todos se arrebentar aqui!!!”.

 

Sorte que ambos se ajudaram e conseguiram vencer este trecho técnico e o LH foi me orientando como descer enquanto eu segurava a Roberta para não entrar em pânico da maneira que dava, tentando transmitir segurança para que ela desse um passo por vez. Na base da motivação consegui que ela vencesse seus medos e caminhasse, mesmo que devagar. Perguntava várias vezes se ela queria um banho e uma cama quente à noite, não havia outra opção, teríamos que descer!

 

Passado este trecho, o restante foi mais tranquilo e sem sustos até chegar a Laguna de Los Guanacos. Local onde fizemos mais uma parada para restabelecer o físico e principalmente o psicológico.

 

Contornamos a laguna e fomos seguindo o curso do rio até chegar a Laguna de Las Guanacas, onde seria o último ponto de acampamento para quem faz em 5 dias. Como estávamos de acordo com o planejamento por termos levantado cedo, decidimos continuar e cruzar o último trecho de bosque até o pesqueiro, fim da trilha.

 

Todas as informações que tínhamos sobre este bosque eram unânimes. Estava terrível, sem trilha, lamaçal e sem marcações, pois havia muitas árvores tombadas, nas quais estavam as marcações.

 

Pelo menos tínhamos uma direção, uma bússola e um mapa. Nosso objetivo era tocar sempre para Nordeste, contornado as árvores tombadas e tentando nos manter na encosta da montanha e não margear o rio, pois aí sim segundo informações teríamos vários problemas com obstáculos naturais.

 

Por sorte (ou competência de navegação, ou os dois) conseguimos identificar algumas poucas marcações que serviram de alento para nós. Continuamos sempre na direção por umas 3h de caminhada dentro do bosque, até enfim sairmos num pasto onde conseguimos ter uma navegação visual a partir daqui, pois a estrada já estava visível a nossa frente.

 

Nem bem chegamos à estrada, já conseguimos carona para o centro da cidade com duas senhoras em uma Van, parece que a sorte do dia não tinha fim mesmo. Percorremos os 7km restante até a cidade onde pegamos nossas coisas no Akainij Hostel (não continuamos lá pois não haviam mais vagas) e migramos para o Pusaki Hostel da Paty, a qual nos esperava com uma deliciosa janta de frutos do mar. Antes passamos nos Carabineiros para dar baixa de nossa retorno e também passamos no Shila Turismo para confirmar nossa passagem de volta para Ushuaia.

 

O hostel tem um ambiente legal, ela prepara a comida para todos os hóspedes e serve na mesma mesa. Muito legal a interação, havia chilenos, um austríaco, um lituano e nós. A Paty é muito simpática e gosta de beber um vinho com a galera e também gosta de música brasileira, pois a Roberta teve que explicar qual o sentido do “Ai Se eu Te Pego” para ela depois de uns vinhos e outros. Parece que a onda Michel Telló chegou até ao fim do mundo também! Nesta Babel no fim do mundo, bebemoramos a noite toda o sucesso da travessia.

 

[align=center]DSCN0562.JPG?et=RkfxqEUkNc47RFjW07OmCA&nmid=539761178[/align]

 

Fotos: http://diarionamochila.multiply.com/photos/album/271/Dientes_de_Navarino_-_Paso_Virginia_-_Dia_4

 

Dia 8 – Sexta-Feira, 16/3/2012 – Puerto Williams / Ushuaia

 

[align=center]DSCN0392.JPG?et=vzLiLSKQ3TTgUiT3+S,LeQ&nmid=537976124[/align]

 

Acordei na ressaca brava, mas não me impediu de dar mais umas voltas na cidade de Puerto Williams. Desocupamos o hostel e fomos para a Shila Turismo por volta do meio-dia para fazer os trâmites de alfândega e pegar nosso barco de volta para Ushuaia.

 

Em Ushuaia voltamos para a Casa de Alba e fomos comer no El Turco (fuja dessa merda!)

 

Dia 9 – Sábado, 17/3/2012 – Ushuaia - Glaciar Martial

 

[align=center]DSCN0644.JPG?et=GuScf+nBm69VTU1IMC2N9w&nmid=537975540[/align]

 

As montanhas amanheceram brancas, resultado na nevasca da noite anterior e da manhã de sábado. O céu azul deixou o tempo perfeito para uma visita ao Glaciar Martial (pelo teleférico, claro... nada de andar!). Em pleno verão, Ushuaia chegou a marcar -5º ! Era tudo o que desejávamos pra aproveitar o Glaciar. Comemos no Bodegon Fueguino, gostei bastante da comida, preço e do atendimento.

 

Fotos: http://diarionamochila.multiply.com/photos/album/266/Glaciar_Martial_-_Ushuaia

 

Dia 10 – Domingo, 18/3/2012 – Ushuaia - PN Tierra del Fuego

 

[align=center]DSCN0687.JPG?et=OANytR1xdVGrIhLvHUnhaw&nmid=537975032[/align]

 

Logo pela manhã nos despedimos do LH. Enrolamos mais um pouco no hostel e fomos para o Parque Nacional Tierra de Fuego. O clima não estava lá grande coisa, muito vendo e a chuva se alternava com as nuvens cinzentas. De qualquer modo fizemos a Senda Costera, tomamos umas Quilmes no Lago Roca e depois voltamos para a cidade para enfim, degustar um Tenedor Libre de Cordero Fueguino no restaurante La Terraza (é bom dar uma gorjeta antes para o parrilheiro, gentileza gera gentileza!). Como já havia visitado Ushuaia anos atrás, estava mais focado em desfrutar a culinária mesmo!

 

Dia 11 – Segunda-Feira, 19/3/2012 – Ushuaia

 

[align=center]DSCN0611.JPG?et=ufMomMGAlm5rij8o8Bb9DQ&nmid=537975032[/align]

 

O Ronald ainda se arriscou a caminhar, foi subir o Jaraguá com neve de Ushuaia, conhecido também como Cerro Guanaco. Teve sorte pois o tempo estava bom, aberto. Eu e a Roberta continuamos nossa epopeia etílica, visitamos o bar mais antigo de Ushuaia, o Bar Ideal. Aqui acho que presenciei uma das cenas mais globalizadas da viagem. Estávamos em Ushuaia, em um típico pub irlandês, o qual estava tocando Bossa Nova. Comemos hamburgers americanos, bebendo a Quilmes Argentina e de repente toca o celular de uma portenha ao lado com o ringtone de “Ai Se Eu Te Pego” (de novo ela).

 

À noite fomos comer uma truta no restaurante Tante Nina, muito bom também.

 

Dia 12 – Terça-Feira, 20/3/2012 – Ushuaia

 

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O Ronald partiu logo cedo. Nós ainda tínhamos o resto do dia pois nosso voo só sairia a noite. A Roberta fez questão de me surpreender e reservar um almoço no Cerro Castor, no restaurante La Morada Del Aguila (http://www.cerrocastor.com/). Sim, lá só atende por reserva. Por ser bem afastado da cidade, a comida é preparada por demanda e na ocasião estávamos a sós no restaurante.

 

O local é bem aconchegante e foi a melhor comida que provei na viagem e também não achei caro, Ar$100 pelo Cordeiro Fueguino, à vontade.

 

No local há algumas cabanas para alugar, fiquei com vontade de retornar lá em uma outra ocasião, a região do Cerro Castor é magnífica, cercada de boques coloridos e de montanhas, além claro, da excelente comida.

 

Voltamos para a cidade, fizemos algumas compras finais, arrumamos a mala e deixamos Ushuaia debaixo de uma chuva gelada, quase virando neve. Não tivemos problemas com os voos e chegamos em Sampa na quarta-feira, pela manhã.

 

Tracklog do Circuito Dientes de Navarino: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2674988

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Olá a todos,

 

muito obrigado pelas dicas. Estou indo hj (05/01/2015). Quando voltar atualizo os preços num breve resumo.

Abraço

  • 1 mês depois...
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Olá prezados mochileiros,

 

Estou em Puerto Williams e acabo de finalizar o circuito Dientes de Navarino.

 

Segue meu relato:

 

Cheguei em Ushuaia na terça-feira (17/02) e reservei meu barco com o Pablo da Ushuaia Boating. Seu whatsapp é ‪+54 2901 55‑1007‬. Custou US$ 115,00. Dormi no hostel Refugio del Mochileiro, o qual já havia reservado antes. Um bom hostel.

 

No dia seguinte (18/02) houve um problema com o barco e o Pablo me avisou que só sairíamos as 13 (inicialmente sairia as 9 h). Após cruzar o Beagle, passei na aduana chilena e cheguei em Puerto Williams após cerca de 1:20 h de carro. Comprei comida para o trekking e fui procurar hospedagem. Paguei 20 US$ por um quarto no hostal Cabo de Hornos e fui fazer o registro nos carabineros. Dia seguinte acordei e após desayunar parti com a mochila nas costas.

 

Fiz o circuito solo e em 4 dias. Se você não for uma pessoa que pára muito para tirar fotos, diferentemente de mim, podes até fazer em 3 dias, considerando as mesmas condições climáticas, obviamente. Portanto, como o rlciq frisou, creio que valha a pena pegar 1 ou 2 dias para subir o Monte Betinelli, de onde se tem visão de 360 graus da ilha de Navarino, ou até ir o Lago Windhond, no qual existe um refúgio de apoio, onde inclusive podes pescar. Depois que alcançar o Lago Windhond, podes regressar ao circuito de dientes pelo mesmo caminho do Betinelli. Me arrependi de não ter subido ao menos o Monte, que é o ponto caminhável mais alto da ilha (883 msnm). Mas só fiquei sabendo destas informações com detalhe hoje, após finalizar o trekking.

 

é interessante observar o enorme impacto causados em toda ilha devido aos cerca de 40.000 castores que foram introduzidos na decada de 1940 por norte-americanos. Uma devastacao de florestas e muitas barragens construidas. Hoje a possibilidade de se ver algum é rara, visto que a caca deste animal é liberada na ilha por serem uma praga.

 

 

Segue detalhamento de meus dias de caminhada:

 

Primeiro dia (19/02):

 

De Puerto Williams, percorre-se 3 km de estrada, sobe-se o Cerro Bandera e se anda na sua encosta, onde só tem um ponto de água, até alcançar a Laguna del Salto. Este dia foi bem parecido com o que já descrito aqui. A diferença é que hoje em dia tem mais pessoas. Encontrei 5 grupos no caminho e haviam 6 barracas na Laguna del Salto.

 

Segundo dia (20/02):

 

Saí da Laguna del Salto as 8 h da manhã e todas as barracas ainda estavam montadas quando comecei a caminhar. Passei o dia sozinho. Este dia amanheceu bem nublado e chuvoso. Fiquei totalmente molhado. Sorte que minhas roupas Quechua deram conta do recado. Depois de passar a Laguna del Paso enfrentei o trecho com os ventos mais fortes, com bastante dificuldade para andar. Os ventos, inclusive, removeram a capa de chuva da minha mochila. Parei para comer um lanche e minhas mãos quase congelaram. Fiquei uns 30 minutos abrindo e fechando as mãos sem parar para que elas se aquecessem. Pouco depois da entrada da trilha para o Lago Windhond, me deparei com o belíssimo Cerro Gabriel e com a Laguna de Los Dientes, onde resolvi tomar um banho de lagoa com água congelante. Ao entrar na água parecia que não sabia nadar de tao fria! Ainda bem que era raso. Fiquei aproximadamente 2 segundos na água e saí para me secar, o que não demorou visto os fortes ventos. Valeu a experiência de provável mergulho mais austral de todo o resto da minha vida haha. Saindo da Laguna de Los Dientes logo cheguei na Laguna Escondida. Porém ainda eram 15 h, muito cedo para me instalar, isso porque paro muito para comer e tirar fotos e também parei para nadar. Segui então em direção à Laguna Hermosa. Mais adiante bateu uma fome e cozinhei no meio da trilha, foi quando passou por mim um grupo com 4 norte-americanos, as únicas pessoas que encontrei este dia. Coincidentemente, um deles encontrou minha capa de mochila e me devolveu. Prosseguindo, passei pelo Paso Ventarron, que não estava com muito vento e possui uma vista incrível, como já destacado pelo Rodrigo. Desci o vale e me instalei as 19:30 sozinho na ultima lagoa antes do Paso Guerrico.

 

Terceiro dia (21/02):

 

Saí mais cedo, as 07:30 h, passei pelas lagunas Hermosa e Martillo e segui no mesmo vale até a subida com muita lama rumo ao Paso Virgínia. No topo do morro vi uma lagoa congelada e desviei do caminho para tirar fotos da mesma. Foi quando os 4 americanos me passaram novamente. Chegando ao Paso Virgínia se tem uma vista estonteante da Laguna Guanacos. Neste momento lembrei do seu relato Rodrigo, porque fiquei lá em cima assistindo a paisagem e os americanos descerem. Dos 4 americanos havia uma mulher e 3 homens. 2 deles desceram na frente e a mulher e o outro americano ficaram para trás porque ela estava em pânico com a altura e ele seguia dando apoio moral a ela. Após descer por este caminho perigoso acampei com os americanos após a Laguna Guanacos, que mais tarde me ofereceram uma legítima cachaça. Quando já estava com a barraca montada chegou mais um grupo. Não vi mais pessoas neste 4 dias. Eu e dois americanos ficamos até as 23 h trocando experiências viajantes. Eles me contaram que no segundo dia saíram as 11 da manhã, 3 horas depois de mim, e ainda assim me alcançaram. Também disseram que quando saíram as 11, todas as outras barracas continuavam montadas. Os aventureiros aqui são preguiçosos haha

 

Quarto dia (22/02):

 

Só restavam 3 km para finalizar todo o circuito. Por isso também creio que seja possível fazê-lo completo em 3 dias, a não ser que prefira andar somente 8 horas por dia (o que também é uma boa opção), sendo que aqui o sol está se pondo as 21:30 está época do ano. Talvez por isso o pessoal durma até mais tarde. Esse dia não possuiu paisagens fantásticas, aliás o caminho ate a estrada é bem confuso e cansativo, por causa da mata fechada que insiste em prender em sua mochila e te fazer questionar se você está realmente no caminho certo (este dia acabei saindo totalmente do caminho oficial, mas existem outras trilhas). Chegando na estrada já estava comemorando que havia terminado este grande sendero, mas ainda estava a 8 km de Puerto Williams. Andei 2 km na estrada pedindo carona até que um rapaz caridoso aceitou colocar em seu coche um mochileiro imundo. Fiquei o resto do dia em Puerto Williams.

 

Ao término deste magnífico passeio tentei adiantar meu barco de volta a Ushuaia (havia reservado para dia 24/02, pois achei que iria fazer o circuito em 5 dias), mas não consegui. O contato para barco de Puerto Williams a Ushuaia é da Maria Luisa Will, whatsapp ‪+56 9 7558 1055‬. Segunda e terca-feira o barco nao saiu porque o tempo estava ruim, lembre-se da possibilidade disto acontecer ao programar sua viagem.

 

É isso. Ao fazer este trekking não esqueça de olhar pra trás a todo instante, principalmente na subida do Paso Ventarron, onde o ponto mais alto da ilha aparece bem proeminente. Novas paisagens se revelam.

 

Abraços 8)

  • 2 anos depois...
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Bom dia!!! 

Muito obrigada pelo relato de viajem, vai me ajudar muito. Pretendo ir em outubro para lá com dois amigos. Mas eu estava com dúvidas fortes sobre a necessidade de guia para fazer a trilha. Pelo que percebi, não parece ser tão necessário certo, visto que vcs fizeram sem um, e o custo de contratação de guia é uns 50% do valor de toda minha viajem rsrsrs. Agradeço todas as dicas, estou louca pra ir. 

Abraço Ane

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