Ir para conteúdo
  • Faça parte da nossa comunidade! 

    Encontre companhia para viajar, compartilhe dicas e relatos, faça perguntas e ajude outros viajantes! 

rlciq

TREKKING INVERNAL EM SANTIAGO - Travessia Provincia - San Ramon & Parque Yerba Loca

Posts Recomendados

Chover no molhado é fácil e pouco agrega. Por isso, nunca relatei nada antes, apesar de participar do fórum em pontualidades desde 2011. Mas desta vez como fiz uma trip realmente pouco conhecida, vale a divulgação. Vou principalmente apontar o caminho a quem queira ir até lá.

 

RESUMO RÁPIDO A QUEM QUER FAZER A VIAGEM

 

Se você vai no Chile, Atacama, TDP, etc, bem... pare uns dias a mais em Santiago. Provavelmente seu aéreo nem vai mudar de preço, mas você vai adicionar uma aventura incrível em sua viagem.

 

Eu fiz trekking nas montanhas dos andes, autossuficiente, sem guia e no meio do inverno. Não é coisa para inexperientes mas também não é destinado apenas a super heróis.

 

Se você já fez trilhas na Mantiqueira, já teve contato com vento e frio fora do pais, como patagônia, Bolivia ou Peru e consegue fazer essas coisas sem guia, sozinho, você está totalmente preparado para os andes invernal. Apenas complemente preventivamente seu conhecimento com esses vídeos:

 

Comprei crampons e não os usei em nenhum momento, para usar seria necessário uma neve muito dura ou gelo. Comprei piolet também e esse teve sua utilidade, mas teria sobrevivido tranquilamente sem. Mesmo que pareça que será apenas um peso morto, não vá lá no meio do inverno sem eles. Piolet e crampom DEVEM te acompanhar.

 

Pessoalmente, eu já fiz uma meia dúzia de trilhas na américa do sul, (TDP, Chalten, Tierra del Fuego, Peru, Pucon, escalei o Villarrica guiado, Sudeste Brasil). Isso me rendeu experiência muito mais que suficiente para ir sem medo. Ainda que alguns achem que eu já sei tudo, tive meus novos aprendizados em campo.

 

As dicas abaixo, são bem comprovadas, aprendidas durante o percurso. Se quiser entender a dica, algumas podem parecer estranhas, você terá que ler o relato.

 

Abra os links abaixo. Essas informações foram as únicas fontes de informações efetivas que tive para planejar a viagem e foram suficientes.

 

http://www.andeshandbook.org/senderismo/ruta/534/Travesia_Integral_de_la_sierra_de_Ramon

http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2218762

http://www.yerbaloca.cl/

 

DICAS

- Tenha certeza que vai se hospedar em um local que aceita tomar conta das suas coisas enquanto você está na trilha.

- Não leve comida do Brasil, apenas se for essencial por logística ou tempo. Supermercado chileno é sensacional, tem muitos produtos que os nossos mercados nem sonham.

- Pegue busão para sair do aeroporto (centropuerto ou turbus). Barato e rápido te deixa no metro por muito pouco dinheiro.

- Compre um BIP! no metro. BIP! é o cartão de transporte público chileno.

- Melhor época é a primavera. No inverno também é muito bom, recomendo. NUNCA vá no verão ou outono, porque apesar de possível, não tem agua nenhuma e o calor deve ser insuportável.

- Agua só se derreter neve. Leve um filtro de papel para tirar os detritos e use uma panela de inox ou titânio para melhorar o gosto horrível que o alumínio deixa.

- Levar um funil para não desperdiçar agua.

- Leve dinheiro para pagar o ônibus da volta baixando pelo Los Azules, não aceita BIP!

- GPS para a descida do San Ramon via Los Azules, não é opcional. Sem GPS, você VAI SE PERDER. Não é impossível, mas vai ter sofrimento. Pelo menos foi assim no inverno, com a neve tampando caminho.

- O Chile tem isenção de impostos em muitos produtos, como piolet. Pode comprar sem medo equipamentos de montanha, você vai ver que eles tem um preço muito semelhante aos EUA.

- O rio do parque Yerba Loca é venenoso, pegue toda água do lado direito quando sobe (oeste), ou derreta neve.

 

Previsão do tempo:

http://www.windguru.cz/pt/index.php?sc=552853

 

Agora vc já sabe tudo que precisa para ir pra lá. Apenas para diversão coletiva, vamos ao relato.

 

AQUECENDO MOTORES

 

Fui a Santiago do Chile em 21 de julho de 2015 e lá fiquei até 1 de agosto. Nesses dias, evitei a cidade de 5 milhões de habitantes que concentra quase um terço da população chilena. Permaneci o máximo que pude nas montanhas ao redor, mas bem longe das estações de esqui. Se quer saber algo de mercado municipal, museu, passeios.... você está no relato errado.

 

Eu não optei ir em meio do inverno, em meio das férias e altíssima temporada, eu fui obrigado. Paguei um aéreo supercaro, não haviam opções boas nem baratas de hospedagem. Já que fui obrigado, abracei o capeta. Se quer ler um relato de alguém que foi e gastou pouco, vai dar dicas de hostel e restaurantes, sinto muito.

 

Sai de SP a noite e dormi no chão do aeroporto do Paraguai. Tudo isso pra economizar uma grana no aéreo, que gastei apenas R$1500, acredite, esse preço super faturado, foi uma verdadeira pechincha. A fusão da LAN e TAM já mostra que o passageiro teve muito a perder.

 

Cheguei em Santiago ao meio dia do dia 22 de julho. Perdi minha carne desidratada na chegada do aeroporto. Explico, eu desidrato comida em casa, só achei que não teria problemas, porque em experiência anterior, entrando no Chile de carro, foi permitido. Questionei, eles alegaram que a carne devia ter uma etiquetada pelo ministério bla bla bla, dizendo que foi cozida antes de ser desidratada. Era o caso, mas sem o carimbo ou etiqueta, era um produto caseiro.

 

Ignorei todos os taxistas, atravessei a calçada fui para direita para pegar o busão. Eu já tinha pesos chilenos no bolso, troco das viagens anteriores. Paguei ~CLP1.000 (aprox. R$ 5). Não demora 15 minutos, o alvoroço ao lado de algo enorme como uma rodoviária deixa claro que cheguei em uma estação do metro (pasaritos).

 

Comprei um BIP!, que é um cartão de metro/onibus e o abasteci. Achava que estava apenas economizando, sendo mão de vaca evitando pegar taxi ou alugando carro. Descobri depois que na verdade o transporte público em Santiago é surpreendente. O google maps me indicou com maestria as baldeações de metro e cheguei facilmente ao apartamento que minha namorada havia alugado e ficado com a mãe e sobrinha, que já haviam partido. A parte radical da viagem dela ia começar agora com minha chegada.

 

Descobri que os locais compram apartamentos e alugam por dia para turistas. Bacana, um ap só pra vc, mas, eles não tomam conta das suas coisas quando vc vai pra montanha.... ganhei uma tarefa adicional para o dia seguinte: mudar para um hostel.

 

Tirei o dia de chegada para comprar comida, gás e equipamento. Fiquei impressionado com a variedade de alimentos que encontrei nos supermercados comuns de Santiago, várias comidinhas prontas, muito, mas muuuito MUUUUUITOOO melhor que o Brasil.

 

Fui na tatoo (tatoo.cl) comprei gas, piolet e crampom. Crampom, apesar de ter sido inútil pra mim, não recomendo ir sem, vc pode pegar dias mais frios e a neve ficar dura, impossibilitando sua locomoção. Já o piolet tirei ele da mochila, cheguei a usar tanto para coletar neve, como para segurança de apoio.

 

Saimos pela manhã do apartamento e levamos a mala para um hostel em providencia (bairro de Santiago). Eu não estava com saco de pesquisar ônibus a partir do novo lugar, então fui no básico, metro e taxi. O bolso pagou pela minha preguiça. Foram CLP20.000 (R$100) de taxi. Se eu tivesse pesquisado, não teria gasto nem metade.....mas........ começou a aventura!

 

TRAVESSIA PROVINCIA – SAN RAMON

 

DIA 1 – 23/jul Distancia 5,3km Desnível +900 Tempo 4:00 horas

 

A troca para pousada me forçou a começar a aventura mais tarde. Tarde demais. Não ia dar tempo de chegar no cume do província no mesmo dia, não queria pegar pesado nem caminhar a noite, assim a aventura ia ter que durar um dia a mais. Mais um dia na montanha. Que sofrimento!

 

A idéia era subir até o tal do Alto del Naranjo, um morrinho anterior que ganhou destaque popular por ter uma enorme arvore onde o pessoal acampa. Lá, pegaria neve, afinal é inverno e passaria uma boa noite, com garantia de vista de cima da cidade. Ótimo plano!

 

Cheguei na entrada do parque, um guardaparque muito atencioso deu várias dicas, me cobra CLP 10.000 (R$ 50) pelo número de dias que disse que ia ficar em duas pessoas. Passou um celular de contato para emergência e também para avisar minha saída. Por último me dá uma má noticia: NÃO tem neve no alto del Naranjo.

 

Eu ia ter que levar desde lá da guarita, o máximo de água possível. Ok, mas eu não tinha nem garrafa suficiente pra isso. Falei minha pretensão e toma outra má noticia: NÃO pode acampar no alto del Naranjo. Estamos tentando preservar o lugar

 

Ele me deu dois problemas grandes, mas uma solução matadora: - Anda mais 20 minutos, acampa em um local chamado valle Suiço, não está no mapa, mas quando chegar lá você vai reconhecer. Lá é mais provável encontrar neve e tem uma linda vista pra cidade.

 

E assim começou as 14:40. É uma subida sem dó, bem inclinada. Carregado, primeiro dia de trekking, acusei o golpe: Sobreaqueci!!!

 

Sim, inverno nos andes. Um calor infernal. Como eu sabia que a coisa melhorava lá em cima, continuei, senão juro que tinha voltado pra traz. Sem garantia de agua ainda? Nem suar podia. Carregava um absurdo de blusas! Subia a passos de tartaruga.

 

Chegando no Alto del Naranjo via uma coisinha de neve aqui e ali. Você pegava ela, e via que ela estava totalmente suja de terra. Local bonito, agradável e fácil acesso. Mas pequeno. Não admira que todo mundo acampe lá. O resultado é impacto elevado, daí a proibição de acampar lá.

 

Continuamos tensos até o tal do valle Suiço. Não tinha nos mapas oficiais do parque, mas o ponto estava marcado em meu GPS. Quando cheguei as 18:40 no local e vi que tinha neve na encosta, foi um alívio. O local, excelente mesmo para acampar e com uma incrível vista. Mas tem seus inconvenientes: lama e bosta de gado.

 

Armei barraca em local mais seco possível e sem bosta. Fui coletar neve. Minha lembrança de agua da patagônia, que é degelo da neve e dos glaciares, com um gosto maravilhoso me dava a certeza que seria uma experiência maravilhosa beber agua feita de neve. Quanta inexperiência!

 

1.jpg.b938ffa0cba58c24d011d9c6cb904869.jpg

 

Insetos, folhagem, terra. Tudo escondidinho dentro daquela coisa branquinha e impecável. O alumínio da panela não só derrete a neve, mas também deixa a agua com um gosto estranho (passe papel branco em panela de alumínio. Ele sai cinza, é normal alumínio se desgrudar e ir pra comida). Tirar agua da panela e colocar dentro da garrafa é outra manobra difícil para quem não pensou em levar um funil.

 

Lições aprendidas.

- Levar um filtro (talvez de papel) para tirar os detritos da neve derretida.

- Aluminio é leve e barato, muito obrigado, mas estou aposentando essa panela. Minha próxima panela de camping será de inox ou titânio. No caso do titânio, aceito doações.

- Levar um funil para não desperdiçar agua.

 

Ainda estava claro e não via a cidade, só nuvens. Santiago é de fato uma cidade cercada por altas montanhas, a poluição e as nuvens ficam presas lá. Então começa o anoitecer e o milagre acontece. Da pra ver tudo! Durante o dia, a poluição, nuvens, são iluminadas pelo sol e a cidade some. A noite, tudo fica visivel. Mesmo efeito de usar farol alto em neblina, muita luz, tudo fica branco.

 

1a.jpg.8d2768b3e909fede3052fafe93f4309b.jpg

 

Curiosidade, durante a noite, dois corredores de aventura passaram pelo local. Foram até o cume e voltaram. Malucos.

 

DIA 2 – 24/jul Distancia 4,2km Desnível +800 Tempo 4:40 horas

 

Começa a pernada as 11:00. Durante a subida, ao longo do dia, fomos ultrapassados por 4 pessoas que faziam o cume do província em ritmo de bate-e-volta sem mochila. De cargueira, fotografando, demorava muito mais. Um dos caras na descida disse que faltava uma hora pro cume. Devo ter levado 3.

 

A neve vai tomando conta a medida que sobe. Cavalos selvagens... o que eles faziam lá eu não sei. Mas pastavam em meio a neve. Águias e condores são comuns. Pegadas de bicho na neve em todo lugar. Que bicho? Sei lá qual bicho.

 

Até que cheguei em um famoso ponto, que era minha preocupação desde os meus planos iniciais sentado no computador de casa: O paso de rocas.

 

2.jpg.fdb1b3efac738bf05983d1d735c1a54c.jpg

 

A montanha se estreita, abismos em ambos os lados e você tem que “escalar” uma passagem entre rochas. Que medo! Posso falar? Fácil. Sem dificuldade, subi de um lado e sair do outro é realmente tranquilo. Claro, só não tropece. Caiu? Sei lá se o piolet segura. A visão da medo, mas a pratica é bem tranquila. Acredito que a canaleta do Marins deve ser mais perigosa que isso.

 

Depois disso é uma subida nevada até o falso cume. Falso? Pra mim aquilo era o cume! O cume verdadeiro é bem sem graça! O falso tem poste com pinduricos, vista ampla da cidade, muito legal.... uma verdadeira sensação de conquista! O cume verdadeiro, uns 100 metros mais a frente é apenas numericamente mais alto. Tem placas de homenagem, mas é só. O falso cume é demais!

 

Foi quando cheguei no cume verdadeiro, que vi o dommo. Dommo? Sim! Teoricamente, você pode fazer esse trekking sem levar barraca! Dommo para quem não sabe é uma barraca de formato meia bola, feita de aço e madeira. Só não me pergunte o que fazer se você não levar barraca e a coisa toda estiver lotada... mas cabem 8 pessoas lá dentro. Se houver amor, 10 ou 12.

 

3.jpg.7a20bcaf4c8cdfec159c056b6e1579a6.jpg

Eram 15:40 quando abri a porta e.... como os chilenos são porcos! Uma sacola plástica enorme com casca de banana, frutas podres e outros lixos aberta na porta! Uma maça, que estava até mole, bem no meio do dommo. Que porquisse! Limpei tudo, havia uma vassoura lá dentro. Era mais de 2 quilos de lixo orgânico ou não. Me dei ao direito de não ser bom samaritano e carregar lixo alheio montanha abaixo. Fechei a sacola e deixei do lado de fora, embaixo do dommo.

 

Mas, acabaram minhas críticas. Dommo inteiro, praticamente sem pichações! Nada quebrado, bem cuidado. Se fosse no Brasil, bem, não existiria mais o dommo. Apesar de estar em Santiago, com 5 milhões de pessoas, nenhum vândalo sobe a montanha. Só um ou outro porco eventual.

 

No quintal do dommo, haviam vários iglus! Sim, iglus! Estavam todos derrubados, derretidos, mas estavam lá. Acredito que um grande grupo subiu lá, treinou construção na neve produzindo iglus e.... deixaram o lixo lá dentro do dommo.

 

Haviam 2 bujões de gás no dommo, um deles bem cheio. Quase que por brincadeira, peguei o bujão que estava mais vazio e o usei para derreter neve e cozinhar. Havia um pouco de instinto no ato. Dali a 2 dias meu gás ia praticamente acabar e sem ele, nem agua para beber eu teria. Esse furto de gás me salvou. Eu apenas não sabia, ainda.

 

Subimos no cume e vimos o pôr do sol. Nos preparávamos para dormir. Estávamos felizes, o dommo era nosso não dividiríamos com ninguém. Saiamos para fazer o xixi antes de dormir e... de lanterna na cabeça chega um casal chileno. Conversamos pouco, era realmente tarde, já íamos dormir. Dormir, aliás, demorou, porque eles chegaram tarde, tinham que derreter neve, cozinhar, se trocar, etc...

 

Perguntaram por onde eu ia baixar, respondi a verdade: - Não sei.

Indignados, “como assim, não sabe”? Não sei.... não escolhi ainda. Mas acho que vou descer pelo Los Azules, mas ir pelo minillas também me agradaria, eu ainda não decidi. Conversando, eles disseram que o caminho mais longo era o Los Azules, mas era uma baixada tranquila. Qualquer outros caminho de baixada era bem mais abrupto, alguns lugares bem expostos, citaram que havia um lugar que as pessoas passavam sentadas porque ninguém tem coragem de ficar de pé em um pico ventando com abismo em todos os lados...

 

Nessa hora, acabaram minhas opções. A minha namorada ouvindo isso disse imediatamente: - vamos descer pelo Los Azules.

 

Sinceramente, foi a melhor escolha. Você fica muito andando na crista da montanha, vendo Santiago o tempo todo. Descer pelos Los Azules era uma opção de descer vendo algo diferente. Vi diversos coelhos correndo na neve, o lugar é bem mais selvagem, você se isola e esquece que tem uma metrópole ao seu lado. É mesmo a melhor escolha.

 

DIA 3 – 25/jul Distancia 5,1km Desnível +240 Tempo 5:40 horas

 

 

Acordamos, nos arrumamos e saímos bem mais cedo que o casal, saímos as 9:30. Já tínhamos conquistado o Província, agora tinha que atravessar a crista até o San Ramon. Eu sabia que hoje era o filé da viagem. Sabia também que a jornada podia ser longa, umas 8 a 10 horas. Eu tinha então uma preocupação. A minha namorada tinha quebrado em Bariloche devido uma caminhada longa demais. Assim eu planejava sabotar o dia longo e quebra-lo em 2 dias curtos. Mas a essa decisão não seria minha.

 

Poucos passos após a saída do refúgio, a jornada é ladeira abaixo. 200 metros de desnível abaixo, começa a caminhada em crista de montanha. Tão desagradável caminhar com vista 360 graus o tempo todo.

 

Segue então uma subida gradativa e mal marcada até o Cerro Tambor, cujo cume tem uma estação meteorológica. Ao lado da estação uma área de acampar de babar! Pena que a caminhada até lá é muito curta. Seguimos.

 

Então em um ponto tinha uma crista com uma passagem por pedras. Tinha que ficar de pé passando pela pedra com abismos em ambos os lados (será que era aquele o ponto que os chilenos falaram?). O receio tomou conta da minha namorada. Ela ficou estimulada vendo algumas pegadas na neve, bem na lateral da montanha. -Vamos pelo lado, é melhor....

 

OK, vamos pela lateral. Eu fui na frente. A coisa era estranha. A neve fofa demais, afundava até a cintura. Zero risco de avalanche, afundei o piolet e vi que não tinha mais do que um metro de neve. Minha lição de casa me ensinou que avalanches só ocorrem com mais de 5 metros de neve.

 

Mas as pegadas eram espaçadas demais e com pés juntos. Montanhista canguru.... estranho. O tamanho não batia. Não eram pegadas humanas, mas de algum animal grande. Cavalo? Impossível. Após contornar a montanha na lateral, seguindo essas pegadas, começou uma crista, com neve bem mais firme. Agora descobri. As pegadas eram de puma.

 

4.jpg.4df944303ac3dbacbf68b82eeefd0632.jpg

 

Pouco mais a frente, acaba a crista e temos uma forte descida. Não parecia que o caminho era por ali, mas, era uma crista, por onde mais seria? Era continuar ou continuar. E o GPS confirmava isso. Essa descida era algo realmente assustador. Eu não sabia se devia descer pela direita, lado mais rochoso pedrinhas pequenas e bem escorregadio ou pela esquerda onde era totalmente nevado, ambos lados estavam apimentados com um precipício. Não sabia se aquilo na neve eram pegadas ou neve se desprendendo indo para baixo do barranco.

 

Optei pela neve. Piolet na mão. Foi bom viver, estava preparado para o meu fim. Mas depois de caminhar 10 metros, afundando até a cintura, estava claro que aquele era o caminho, e ele era muito fácil e seguro e como eu estava exagerando no cagaç, opa, no receio, que sentia a poucos segundos atrás.

 

5.jpg.79b83416fe2eb85460e8963b9850ccc4.jpg

 

No meu GPS existia um ponto chamado “pirca donde acampamos”. Esse ponto, baixado do wikiloc era a aventura de dois chilenos que fizeram a travessia em dois dias. Secretamente, eu planejava dormir lá.

 

Chegamos lá as 15:00, descansamos comemos, olhamos pra frente e para o GPS. Seria mais uma subida com uma travessia em neveiro. Calculamos mais 2 a 3 horas de caminhada. Era cedo demais para parar, mas poderia forçar e quebrar. Deixei ela decidir e decidiu por parar.

 

Havia um lindo muro de pedras que poderia servir de abrigo de vento a uma barraca, mas só se ele não estivesse totalmente coberto por neve. Procurei outro ponto e tive que limpar o chão sujo com pedrinhas de todos os tamanhos e descobrir que as estacas da barraca não entravam no solo, muito pedregoso. Ventava forte e eu tinha que ancorar a barraca. Usamos pedras ancorando a frágil barraca chinesa. Sobre a barraca, comentei em outro fórum. post1101219.html#p1101219

 

O casal chileno apareceu depois que nos instalamos. Seguiram em frente, nos despedimos. Dormimos bem, apesar de ter ventado toda a noite.

 

Hoje tive uma certeza. Minha bota marca Hightech, estava entrando agua. Pé molhado a zero grau. Não é a primeira vez que isso acontece, acho que descobri um padrão. Fica uma dica: Nunca guarde uma bota goretex no armário. Comprou, USE. Eu “poupava” bota, afinal, para trilhas no fim de semana não preciso de bota goretex, eu uso botas assim apenas em grandes viagens..... mas já vi que a estratégia é falha, bota guardada é bota molhada.

 

DIA 4 – 26/jul Distancia 4,4km Desnível +278 Tempo 3:20 horas

 

Mochila quase pronta, passa por nós meia dúzia de chilenos fazendo a travessia no fim de semana. Foram na frente, tinham pressa. Eu não. Estou de férias!

 

A coisa começou preguiçosamente as 11:00 em um neveiro. Um sobe e desce leve, mas 100% em neve fofa. Quando a neve acaba, começa uma subida de respeito para o ataque final. Ventava muito, vento gelado, coloquei o cortavento. Apenas quem realmente me conhece sabe o que isso significa: Estava frio pra burro.

 

Peguei o GPS e botei “cume San Ramon”. Isso foi um erro estupido, digno de troféu. Só descobriria o erro quando fosse tarde demais.

 

Após uma subida brusca, entre terra deslizante neve, chegamos em um platô.Trilha? Que trilha? O caminho estava correto mas nada indicava. Então começa uma subida leve mas em terreno irregular e mal marcado. Assim se conduz ao cume do San Ramon. Conseguimos! Santiago estava aos nossos pés!

 

Abrigados em um murinho, lanchamos e procuramos o caminho. Botei no GPS “Dommo San Ramon”... e olhei...bem, eu queria me matar. Burro! Estupido!

 

6.jpg.ecd8f0107a2dca899578010202ade1b6.jpg

 

Eu tinha carregado a mochila até o cume. Estava pesado. O imbecil passou pelo dommo e foi até o cume com a cargueira! Podia ter feito cume leve, sem preocupação, mas não... teve que ser estupido. Volta tudo. Vamos dormir no Dommo..

 

Quando eu cheguei no Dommo, o casal de chilenos estava saindo. Saiam tarde, era 14:30! Iam descer pelos Los Azules, disseram que chegariam na estrada depois das 23. Que encrenca...

 

Entramos no Dommo e não parava de ventar. Estava frio de verdade. Havia, sei lá como e porque, um pedaço de gelo no interior do dommo, do tamanho maior que um tijolo baiano. No dia seguinte fomos embora e ele não derreteu uma gota, mostrando que no interior do dommo a máxima temperatura estava bem menos que zero grau.

 

7.jpg.dcd62dff698af3a2c0fa4effe931ffcf.jpg

 

Eu derreti neve, cozinhava... inacreditável, o bujão de gás congelou e grudou no chão! Eu puxei com força e ele não saia de lá! Apenas no dia seguinte, após o café da manhã consegui tira-lo do chão. Estava vazio, ainda bem que roubei gás no Dommo do Provincia. No dia seguinte, ligaria o bujão no hostel, para ver apenas um minuto de chama.

 

DIA 5 – 27/jul Distancia 21km Desnível -2.300 Tempo 10:20 horas

 

O agradável seria quebrar o dia de hoje em dois dias. Era uma distância longa com descida pesada, mas sem gás, o que significa sem agua, quebrar em dois dias não era exatamente uma opção. Mesmo antes da descoberta do “estamos sem gás” falávamos em descer de uma vez. É uma travessia de 3 dias, e hoje era o 5º dia..... muita moleza né? Pelo menos hoje, vamos pegar pesado.

 

Acordamos muito cedo e saímos junto do amanhecer as 9:00. Achei que seria uma navegação fácil, basta ir para oeste e depois que descer, ir para o sul até chegar na estrada, tudo bem marcado, bem tranquilo. Que engano! Até o refúgio Los Azules eu ia dar graças a deus por ter um GPS em minhas mãos. Eu não teria baixado daquilo de jeito nenhum sozinho, ou pelo menos ia me perder dezenas de vezes e levaria horas a mais.

 

No alto da montanha, saindo do refúgio via algumas marcas e trilhas sentido oeste. Fui seguindo, sempre montanha abaixo, sem subidinha nenhuma, aguentando um fraco vento patagônico. Sim, tinha que parar, o vento me desequilibrava, pedras voavam. Só não fui derrubado no chão, mas faltou pouco.

 

Conforme baixava, engraçado, as marcas e trilhas iam sumindo! Pior. Muitas vezes via caminhos bem marcados que iam para lugar errado. A geografia não ajudava, várias montanhas, as dezenas, sem a menor chance de olhar e sequer imaginar qual o caminho seria o correto. Acho que somando tudo, já fiz mais de mil quilômetros de trilhas diferentes mas ali, eu não fazia ideia, não por instinto, qual seria o caminho correto.

 

Vendo o traçado no mapa, o caminho é oeste, mas tem um contorno pelo norte depois de ir em direção sul de olho, no instinto, não fazia ideia. Santo GPS! A pernada que ele deve ter me poupado pagou seu custo nesse dia. Cheguei no refúgio Los Azules e apenas a partir de lá a navegação por instinto, fácil e segura seria possível.

 

Eu disse refúgio Los Azules mas na verdade, não sei bem o que é aquilo. Primeiro você vê as ruinas de uma casa de pedra, sem teto e com paredes a “meio mastro”. Depois, algo que parece ser uma fazenda, mas sem gados, sem plantação, toda coberta por meio metro de neve. Não sei se havia alguém ou se poderia acampar. Caminhada longa, apenas continuei descendo.

 

Caminho óbvio, lama incrível. Grudava na bota, a ponto da bota ficar pesada. Eu digo pesada mesmo, levantava o pé e era tanta lama grudada que a bota havia dobrado de tamanho! Isso vai, até você chegar próximo do rio El Manzano.

 

Depois fica ainda mais fácil, sempre beirando o rio, que cruzávamos várias vezes. Cruzamentos fáceis, do tipo que você passa o rio e sai de bota seca.

 

Começa então uma estradinha de terra. Estava quase no El Manzano (acho que é o nome de um bairro). Cheguei junto com o pôr do sol. Ficaria escuro em poucos minutos. Para minha surpresa, a estrada de terra acabava em um portão intransponível fechado por cadeado! Leia de novo a palavra intransponível. Não era possível, pular cerca, passar por baixo, nada.

 

GPS não dava a menor pista, nada daquilo estava no mapa. Mas o GPS ajudava a não andar em círculos. Tinha que encontrar um local para pular a cerca. Fui caminhando sentido leste, ora beirando cercas cheias de cachorros bravos em propriedades particulares, ora contornando geografia natural, como arvores. Até que achei um buraco para fuga!

 

Pulamos a cerca, voltamos por uma rua inexistente no GPS. Escureceu, encontramos um ponto de ônibus. Acabou! Era 19:20, arrumamos a mochila, guardamos bastão, piolet, etc. Um cara local que estava no ponto explicou tudo, era um ônibus azul e branco (bem cordial, ele mesmo deu sinal pra ele parar). Seu ponto final era no metro, erro zero, baldeação gratuita. Esse busão não aceita cartão de transporte BIP! apenas grana, CLP 1.000 (R$ 5).

 

Fim da aventura, comemos em um restaurante giratório, isto é, o chão roda dando uma vista 360 graus da cidade.

YERBA LOCA

 

EPILOGO

“O que? Você vai pro parque da erva loca?” kkkkkkk

Como ouvi essa piadinha......

Vou resumir, a água do rio ao lado oeste do vale, seu lado esquerdo, quando se está subindo, é cheio de sulfatos.

Como eu colei em todas as provas de química, não sei bem o que isso significa, mas o conselho oficial é não beba, nem mesmo toque nessa agua. Acho que a agua é acida como agua de bateria.

Essa agua deixa o gramado diferente e os animais que o comem ficam “agitados” e os vaqueiros começaram a falar que lá tem a erva louca....

Para beber, derreta neve ou pegue água do lado leste (lado direito de quem esta subindo a trilha).

 

Há, uma sub-aventura: Eu esqueci de comprar gás!

 

Já era noite quando me toquei, se perdesse tempo comprando gás, mataria meu dia, não sabia nem onde ir nos arredores para comprar.

Minha solução foi simples, comprei meio litro de álcool 95% disponível facilmente no supermercado. Bebi uma cerveja, e fiz um fogareiro a álcool com a lata vazia.

O resultado já era conhecido, já uso fogão a álcool no Brasil, muito melhor que o fogão a gás. Só não tinha certeza como se comportaria em ambientes abaixo de zero grau com muita neve para derreter.

Derreti neve com essa latinha de cerveja, cozinhei e acredite, sobrou muito álcool. Como não posso levar pra casa, deixei queimando à toa no vento mais de 150ml enquanto desarmava a barraca no último dia.

Realmente, fogão a álcool mostrou sua superioridade mesmo acima dos 3 mil metros com temperatura máxima abaixo de zero grau. Talvez eu aposente definitivamente meu fogão a gás...

O modelo usado, é muito simples, fácil de fazer, confira o vídeo abaixo. Em casa já fiz e tenho outros modelos bem melhores.

 

 

DIA 1 – 29/jul Distancia 11km Desnível +850 Tempo 5:45 horas

 

Bom, dessa vez, deixei a preguiça de lado, e sai de pesquisa feita. Peguei ônibus certinho e fiquei realmente impressionado com Santiago. TODOS os pontos de ônibus tem uma placa, dizendo quais ônibus passam nesse ponto, e que ponto é esse (isso é, todos os pontos recebem um número/código).

 

Você não precisa pedir ao motorista para parar no lugar X. Você olha o ponto de ônibus e já sabe exatamente onde você está e quantos pontos faltam ao seu destino!

 

Desci na Plaza San Enrique e já dei de cara com os taxis. Eles tem uma tabela de preço especial para vários lugares, entre eles, Yerba Loca, CLP 20.0000 (R$ 100). É a mesma estradinha que vai pro início da travessia anterior, que é a mesma estradinha que vai para as estações de esqui, caminho para Farellones.

 

Chegamos, pagamos a nossa entrada do parque, valores que não lembro, e o taxi nos levou até a tal de vila Paulina, onde achei que haveria, mas não vi um único humano.

 

O mapa que peguei na portaria e que tem disponível na internet, tinha as distancias e tempos de trilha. Tudo completamente furado! Não foi destinado a quem carrega mochila cargueira. Não pense que estou velho, fora de forma e gordo (o que é tudo verdade). Saímos as 13:00 e um grupo de jovens chilenos saíram um pouco na frente. Acabei alcançando, ultrapassando e acampando bem mais a frente deles. Como levei muito mais tempo que sugeria o mapa, conclui assim que não sou eu, o mapa com o tempo que é muito mentiroso.

 

Em teoria, com 3:30horas de caminhada, chegaria no setor La Lata. Uma área de acampamento que deveria ser interessante, com pircas de pedra, fontes de agua, mas não. Nada disso.

 

Na prática foi quase 6 horas de caminhada, todas as pircas de pedra indicadas para acampar estavam cobertas por gelo e neve e nenhuma fonte de agua liquida disponível além do contaminado estero Yerba Loca. Consegui encontrar um gramadinho (único!) ao lado de uma estação meteorológica.

 

Começou o suspense. Seria o fogão a álcool suficiente para derreter neve e fazer janta em um ambiente abaixo de zero? Sei que o maior ponto fraco do fogão a álcool é o vento, então fui pra dentro da barraca. Lá derreti 5 litros de água, suficiente para nós passarmos a noite e caminhar no dia seguinte. Fiz a janta também. Gostaria de ser preciso, mas de olho, gastei 100, no máximo 150 ml de álcool nesse dia.

 

Fiz umas contas de cabeça, aproximadamente 120ml seria aproximadamente 100 gramas de peso. Eu tinha combustível para viver assim mais 4 a 5 dias. Conclusão rápida, para uso, 500ml de álcool é equivalente a um bujão de butano. No entanto, o conjunto fogão a álcool é mais leve (aproximadamente 500gramas tudo) enquanto que o conjunto fogão butano (aproximadamente 700 gramas tudo). Ao final da viagem, com todo combustível gasto, o álcool é uma latinha e uma PET vazia, 40 gramas todo, enquanto o fogão a gas com bujão vazio seria umas 250 gramas.

 

Fogão a álcool mostrou-se, mesmo em ambiente extremo, tão bom quanto o butano, só que mais leve e mais barato. Acho que mudei definitivamente de equipamento de cozinha.

 

Quando anoiteceu, foi fantástico! Era lua cheia. Em poucas palavras, não anoiteceu! O gelo e a neve eram rebatedores naturais de luz e eu estava cercado por encostas. Mesmo dentro da barraca era desnecessário o uso de lanterna.

 

Com a bota molhada, isto é, congelada, e acredito com uma temperatura de -10C, cometi um ato heroico de sair para fazer umas fotos.

8.jpg.ddf55c656e2228b2f0a2367534fab8b5.jpg

 

DIA 2 – 30/jul Distancia 6km & 9km Desnível 0 & -850 Tempo 3:20 & 3:20 horas

 

Hoje, foi o dia da derrota.

 

A idéia era ir até o mirante ver de perto o tal do Glaciar Paloma. Subir leve, sem mochila e volta. Fácil!

 

Com pouco tempo de caminhada, já estávamos no setor das cascatas de gelo. Não havia ninguém lá. Não via muitos sinais de pegadas na neve, indicando que pouquíssimas pessoas tinham subido até ali, todos se continham no La Lata. Mesmo o grupo de adolescentes que nos acompanharam, não haviam subido.

 

Las cascatas, é uma cachoeira em um penhasco completamente congelada, famosa por criar condições ideais para escalada em gelo. Para mim, seria apenas foto, não sou escalador.

 

10.jpg.17ee170c0e8642a3368f1a94fa2aa681.jpg

 

Seguimos em frente, sempre subindo. Havia menos sinal ainda, aliás, nenhum sinal, de passos humanos. A geografia era uma encosta a esquerda, outra a direita e o rio no meio. O caminho, invisível, inexistente. Nenhum sinal.

 

Andamos pela encosta. Muito perigoso, vez por outra, você pisa e afunda pisando em pedra, com risco de torcer o pé. Ou pisa em pedra que rola pela neve. O caminho correto estava oculto. Sem pircas, com neve que alternava repentinamente entre muito fofa e gelo.

 

O caminho nos conduziu para baixo onde era plano. Era notável que o rio estava lá, em algum lugar, embaixo da neve. É bem possível cair afundado na neve, levar uma rasteira da agua e ser arrastado para baixo da neve onde você não conseguiria se levantar e morreria afogado. Mas esse perigo não estava ainda tão evidente.

 

Minha namorada foi a frente em um local que parecia inocente. Dei um único passo em sua direção descendo de uma pedra e afundei na neve. Me joguei para tráz e vi a agua correndo. Ela tinha passado por uma ponte de neve. Eu peso mais, a ponte não me aguentou.

 

Avisei ela, contornei por outro caminho, procurando pisar em pedras. Não achávamos um caminho de fato seguro para continuar. Decidimos voltar. Sei que se teimasse, daria tudo certo, iria pela encosta. Talvez tivesse que voltar cruzar o invisível rio de novo, e provavelmente daria tudo certo, mas, pra que arriscar?

9.jpg.a737060682a6250640ebdbb8bde6c2d5.jpg

 

Voltamos. O gosto ainda é amargo.

 

Fizemos uma sopa e cochilamos por uma hora. Eram 15:00 horas. Pra que passar outra noite aqui? Descer, ficar em lugar mais quente, com banheiro e torneira.... Convenci minha namorada que relutava por ter que andar a noite. No fim, foi uma ótima jogada. Tinha até mesa e banco na área de acampamento da villa Paulina.

 

Curiosidade, minha molhada meia ficou em cima da bota, para secar, enquanto cochilamos e almoçamos. Quando a peguei, ela estava completamente dura, congelada. A ergui no ar. Nem parecia um objeto de tecido.

 

 

DIA 3 – 31/jul Distancia 4,5km Desnível -200 Tempo 1:20 horas

 

Desconfiei pelo barulho que ouvi durante a noite e confirmei de pela manhã. Acordamos com tudo debaixo de neve! A torneira da pia estava congelada, sem agua. Tive que pegar agua dentro da pia do banheiro.

 

Acabou a aventura. Desarmamos tudo, mochila nas costas e caminhada leve até a portaria.

 

Na portaria, conseguir transporte para voltar a cidade, deveria ser um suplício. Creditos no celular pré pago tinham acabado.... mas foi fácil resolver. Em menos de 10 minutos meu polegar arranjou uma carona. Sujeito simpático, ele trabalhava com sua VAN subindo turistas ao vale nevado. Descia sozinho, cedeu a carona. Deixou agente no centro, muito próximo do hostel.

Gentileza gera gentileza, fui legal de volta. Dei espontaneamente CLP 20.000 (R$ 100), que foi o valor que pagaria em um taxi apenas para chegar de volta na Plaza.

Compartilhar este post


Link para o post

Caraca, me agradou também!

Excelente relato... excelente travessia!!!

Tô de zóio e se rolar Cia.. bóra lá também! eheheh.

Abração brother!

::otemo::

Compartilhar este post


Link para o post

Grande Ramon!

 

Muito legal o relato! Bom saber que existe algo perto de Santiago! E ainda com pumas...

 

Fiquei surpreso em saber que o alcool funcionou bem no frio. Era etanol?

 

Normalmente como o etanol tem poder calorífico menor que o gás ele acaba pesando mais. Porém é uma solução mais ecológica e barata.

 

Parabéns pela aventura!

 

Abs, Peter

Compartilhar este post


Link para o post
(...) Fiquei surpreso em saber que o alcool funcionou bem no frio. Era etanol?(...)

Na vdd todo mundo se surpreende com o fogão a álcool. Pouco se fala, pouco se divulga. Praticamente nunca achei ninguém com fogão a álcool. Fogão a custo zero e com combustível muito mais barato.

 

O álcool era de supermercado mesmo, álcool 95graus (95% puro). MUITO CARO no chile, cerca de R$ 10 o litro. Aqui no Brasil uso fogão a álcool, etanol de posto mesmo, por R$ 2 o litro.

 

Para se ter idéia de custos comparativos, aqui no Brasil, aproximadamente meio litro de etanol (R$ 1,00), é equivalente a um bujão de gáz (R$ 12,00). No Chile a diferença não é tão gritante, R$5,00 o álcool, contra R$ 10 do bujão.

 

Eu já sabia como ele ia atuar no frio! Mas apenas em teoria, fiquei feliz com a prática. O que me surpreendeu foi o rendimento tão positivo com um modelo tão rudimentar em um frio tão extremo. Achei que renderia menos.

Quando decidi partir pro álcool, um dos pensamentos que me fez usar sem medo de passar perrengue foi a lembrança dessa pagina.

http://www.thesodacanstove.com/alcohol-stove/myths.html

 

como o etanol tem poder calorífico menor que o gás ele acaba pesando mais.

 

Sim, a grosso modo, para se gerar o mesmo calor, o com álcool precisa de aproximadamente o dobro de gramas no peso. Mas NÃO SE ENGANE com isso...

 

Explico:

O conjunto fogão a gás + bujão vazio pesa aproximadamente 200 gramas

O conjunto fogão a alcool+ PET vazia pesa aproximadamente 30 gramas

 

Essa diferença de peso de 170 gramas é equivalente a aproximadamente 200ml de álcool. 50ml de álcool cozinha a janta e esquenta a agua do café da manha para 2 pessoas, totalizando 4 dias de uso.

 

De um lado, você inicia a aventura, com um bujão inútil, que não cozinha nada. Do outro, mesmo peso, você passa 4 dias. No fim da aventura, no caso do gás, vc carregou 200 gramas de peso morto. No caso do álcool a coisa termina com só 30 gramas e 4 dias de refeição feita.

 

Bujão de gás só se justifica quando precisa de MUITO gás. Grandes grupos, muitos dias sem civilização.....

Compartilhar este post


Link para o post

Muito legal !!! ::otemo:::wink:

 

Agora é esperar aquelas promoções de passagem para Santiago.

Acho que não existe nenhuma travessia em neve com acesso tão fácil como essa para nós brasileiros.

 

Grande abraço !!!

 

Rodrigo Cavalcante

Compartilhar este post


Link para o post

Sensacional seu relato! ::otemo::

E que fotos! Muito bonitas MESMO!

 

Agora fala pra mim: não deu um certo cagaço quando viu a pegada de puma não?

 

Perguntinha: você tem o contato de algum desses taxistas que saem da Plaza San Enrique para Yerba Loca?

 

Uma amiga me passou um contato de táxi em Santiago, e ele me cobrou $70.000 (mais de R$ 300,00) para subir até la! ::mmm:

 

Estou indo em janeiro para o Parque, e pretendo ficar uns 3 dias acampando por lá e fotografando.

Outra pergunta: tem local para compra de alimentos por lá? Estarei levando de Santiago, claro, pergunto mais por que vai que invento de ficar mais tempo que o previsto...

Compartilhar este post


Link para o post
E que fotos! Muito bonitas MESMO!

Tudo porcaria...

 

Agora fala pra mim: não deu um certo cagaço quando viu a pegada de puma não?

Não deu não Cris. Ignorância é felicidade, falta de bom senso é coragem!

 

(...)você tem o contato de algum desses taxistas que saem da Plaza San Enrique para Yerba Loca?

Uma amiga me passou um contato de táxi em Santiago, e ele me cobrou $70.000 (mais de R$ 300,00) para subir até la! (...)

Nenhum contato. Mas, relaxa, o preço do transporte é bem caro mas não é tudo isso. Paguei aprox. R$ 100. Quando o busão chegar na Plaza San Enrique você dá de cara com uma fila de taxi, não tem erro e nem choro no preço. Eles tem uma tabela fixa.

Mas eu tenho um PALPITE.

Desce lá e.... NÃO pegue esses taxis, saia nos arredores e tente achar um taxi que te leve usando o taxímetro. Se funcionar, conte depois aqui pra gente...

Outro palpite, sinceramente, acho que deve ser fácil subir de carona....

 

tem local para compra de alimentos por lá?

NADA. Ao final, estava sem créditos no celular, queria chamar um taxi. Ainda bem que a pedir carona funcionou pq nem telefone tem. Talvez vc veja um parque bem diferente, porque vai na alta temporada, mas eu não contaria com isso.

Se tempo não é problema para você, leve comida a mais.

 

Não sei se incluiu a travessia Provincia - San Ramon no seu roteiro. Se não, deveria. Qualquer um que encara Serra Fina, consegue fazer essa travessia.

Se acha pesado, vá até o Provincia, tem abrigo lá, nem precisa levar barraca. Ou ao menos suba até o Alto del Naranjo, se o guarda parque proibir de dormir lá diga que vai dormir no Valle Suizo. É uma incrível experiência ter vista de toda a cidade...

Compartilhar este post


Link para o post

Incrível a aventura e seu relato, Ramon! Muito bem descrito e com um tom de humor que torna a leitura bem mais leve e divertida. Parabéns!

Compartilhar este post


Link para o post

Participe da conversa!

Você pode ajudar esse viajante agora e se cadastrar depois. Se você tem uma conta,clique aqui para fazer o login.

Visitante
Responder

×   Você colou conteúdo com formatação.   Remover formatação

  Apenas 75 emoticons no total são permitidos.

×   Seu link foi automaticamente incorporado.   Mostrar como link

×   Seu conteúdo anterior foi restaurado.   Limpar o editor

×   Não é possível colar imagens diretamente. Carregar ou inserir imagens do URL.

  • Conteúdo Similar

    • Por Alan karleno
      Fala Mochileiros..
      Procuro dicas para aperfeiçoar o meu roteiro e a quantidade de dias que se faz interessante para cada local. Planejo o roteiro entrando pela Argentina (buenos Aires), saindo pelo Chile (Santiago), em junho de 2020. Tenho 25 dias disponíveis. 
      Vôo. Teresina & buenos Aires (buenos Aires 3 dias).
      Vôo. Buenos Aires & Bariloche (Bariloche  + Villa la angostura 5 dias). 
      Vôo. Bariloche & Buenos Aires e Buenos Aires Ushuaia. (Dia para viagem). 
      Vôo. Ushuaia & El Calafate (4 dias El Calafate).
      Ônibus. El Calafate & Puerto Natales (5 dias Puerto Natales + Parque torres del paine). 
      Ônibus. Puerto Natales & Puta Arena (2 dias Puta Arena).
      Vôo. Punta arenas & Santiago ( 4 dias Santiago) + VALLE NEVADO ou FARELLONES.
      Vôo. Santiago & Teresina. 
      1 dias para emprevisto.
      Quero aproveitar ao máximo o tempo em viagem.
      Desde já agradeço pela atenção.
      Bora Mochila..
       
       
       
       
       
       
       
    • Por VoandoAltoFH
      Pessoal,
      Vou fazer um relato detalhado do Mochilão que fiz no comecinho deste ano, mas que lembrei só agora de postar aqui neste site.
      O legal de tudo isso é que registrei em videos, então estará bem fácil entender o passo a passo da viagem.
      Foram no total 32 dias de viagem e gastei R$ 13.560,00 para 2 pessoas, incluindo TUDO (hospedagem, comida, passagem aérea, passagem de ônibus, seguro viagem, passeios, transporte, taxi, mercado, museu, gorjeta, entrada de parques, etc)!!! Considerando que a cotação do dólar na época beiravam os R$ 3,85 posso dizer que em moeda americana saiu por US$ 3.522,00.
      Ressalto que se dividir o valor por pessoa, acabou saindo então por R$ 6.780,00 ou US$ 1.761,00 por pessoa aproximadamente. 
      Então, acredito que saiu bem barato e aproveitei muito a viagem.
      Todos os episódios estão registrados no meu canal do Youtube, mas postarei um pouco mais detalhado aqui, já que o conteúdo é escrito.
      Mas quem tiver curiosidades, poderá assistir por lá.
       
      Canal Voando Alto
       
      Abs!
    • Por VoandoAltoFH
      Assista em Video no Youtube - Cajon del Maipo
       
      Se estiver no inverno, recomendo visitar o Valle Nevado e aproveitar para esquiar nos resorts de ski. 
      Um outro passeio que recomendo, que é o tema deste video, seria o pacote para Cajón del Maipo, que inclua a visita ao próprio Cajón, as termas Valle de Colina, a represa, o Embalse El Yeso e no final ter um piquenique de vinho.
      Posso dizer que o valor do pacote está caro mesmo, mas valeu cada centavo. 
      Atualmente está custando em torno de 40.000 a 45.000 pesos chilenos. Em torno de US$ 60,00 ou R$ 230,00 por pessoa.
      Se estiver em 2 ou mais pessoas, sempre negocie um desconto, pois eles sempre dão. 
      Eles farão uma primeira parada na cidade San José del Maipo para que as pessoas possam tomar um café na manhã ou passar no banheiro. 
      Os lanches são muito mas muito caros. Eles estavam cobrando o combo com 1 empanada, 1 café e 1 garrafinha de água por apenas 5.000 pesos chilenos, que é em torno de R$ 30,00. 
      Eu tive que comer senão você ía passar mal dentro do carro, evite viajar de barriga vazia. 
      Recomendo que 1 dia antes, vá ao mercado, prepare o seu lanche ou um sanduiche, pra comer pela manhã e a tarde no almoço. Leve água, pelo menos 1 litro pra cada pessoa. 
      No mirante do Cajón del Maipo terá de 10 a 15 minutos para tirar fotos.
      Esqueci de comentar, o tour leva o dia inteiro, eles saem bem cedo, por volta das 06:00 da manhã e retornam às 19:00 da noite.
      Quase 99% das pessoas visitam este local, são brasileiros. 
      Além do turismo, a cidade tem como principal atividade economica, a mineração não metálica, exploração de minas de pedras. 
      Como é região montanhosa, recomento sempre vir bem agasalhado.
      Se tiver incluso a visita aos termas, será necessário levar roupa de banho e tolha.
      No caminho vocês verão algumas casas próximo às montanhas, que são refúgio para aqueles que visitam ou fazem trilhas na montanha, para que não morram congelados. Já que há uma grande variação de temperatura no local, chegando aos valores negativos.

      * Termas Valle da Colina
      Seria uma fonte de águas termais, com vários minerais que auxiliam na cura de algumas doenças de pele, bem como os 
      seus efeitos relaxantes. Ótimo para a pele, tanto é que vi algumas pessoas passando no rosto.
      As termas contam com 6 piscinas de vários tamanhos, variando a temperatura da água do morno para mais quentes, podendo chegar aos 50 graus Celsius na mais quente e alta do local.
      A infraestrutura do local é meio precária, os banheiros deixam a desejar e o chuveiro sai somente água fria. 
      O guia estará dando em torno de 1 hora a 1:30 para que possa desfrutar das termas, tempo mais do que suficiente para curtir o ambiente.
      Há também uma área para camping, conforme as imagens.

      * Embalse El Yeso
      Após o passeio nas termas, estamos indo à represa, o Embalse El Yeso. Ao lado o temos Rio Volcán.
      Ao lado vocês poderão verificar ao lado que tem uma montanha que praticamente se partiu ao meio, isso foi por conta de um dos grande terremotos que ocorreram no Chile. Principalmente o 
      terremoto de Las Melosas de 1958, que alcançou uma magnitude de 7 graus na escala Richter.
      Segundo o guia, o Chile é o número 2 no ranking de países com mais terremotos no mundo. Isso é assustador.
      Graças a Deus, durante a minha viagem, não senti nenhum tremor de terremoto.
      Chegamos agora na represa, Embalse El Yeso. Seria um reservatório de água doce, com capacidade de 250 milhões de metros cúbicos, com 8 km de extensão e 55 metros de profundidade, que abastece a cidade de Santiago e suas proximidades e essa obra foi concluído em 1964 .
      Geralmente as águas mudam de cor, neste caso está azul, em outras épocas ficam esverdeadas. 
      Se for no inverno, as montanhas ficam brancas, cobertos de neve. 
      Mas não é recomendado visitar durante o inverno, já que as estradas ficam escorregadias e bem perigosas. Além de não poder curtir bem os passeios, já que alguns trajetos o seu sapato vai 
      ficar todo encharcado.
      No geral é recomedado a visita durantes os meses de Outubro a Maio.

      * Piquenique
      Após isso, restará a última etapa do passeio que é o piquenique com vinho, geralmente ocorrerá em torno das 3 ou 4 horas da tarde.
      Este é o local para o piquenique com montanhas e em cima temos geleiras. É claro que por conta do aquecimento global, é praticamente que raro ver as geleiras no topo das montanhas, uma pena.
      Aí está o nosso guia preparando para o piquenique. Estará servido alguns salgados, frios, queijos com sucos e um bom vinho.

      * Itens para se levar no passeio
      - Agasalho, por conta da enorme variação de temperatura
      - 1 garrafa de água de 1 litro
      - Lanche ou sanduíche pro café da manhã e almoço
      - Biscoito pra matar a fome durante o trajeto
      - Roupa de banho
      - Toalha
      - Chinelo

      * Turismo "Miky" - Migguel 
      Celular/Whatsapp: +56 9 7257-2004
      E-Mail: [email protected]
      Instagram: migguel.azocar
    • Por VoandoAltoFH
      Assista em Video no Youtube
       
      Vou resumir neste video os principais pontos turísticos que visitei durantes 4 dias em Santiago.
      Apenas lembrando que 1 dia reservei para realizar o passeio em Cajon del Maipo, tem imagens no final do video.
      Na minha visão creio que serão necessários no mínimo 7 dias para conhecer bem o local e seus arredores, como por exemplo visitar as cidades litorâneas de Valparaíso e Viña del Mar.
      Muitas pessoas acabam realizando um bate-volta via ônibus ou  pacotes turísticos. Mas é melhor ir de ônibus e passar 1 noite em uma das cidades. 
      Caso esteja indo no período de inverno, recomendo reservar de 2 a 3 dias a mais para visitar e esquiar no Valle Nevado.
      Em relação aos preços, no modo geral achei eles bem semelhantes ao Brasil. 
      O transporte público é muito bem feito, principalmente o metrô, que leva você a quase todos os pontos turísticos da cidade. Farei um vídeo separado em relação a este tema.
      Sobre a segurança, recomendo agir como se estivesse no Brasil, sempre atento. A região do centro da cidade era um pouco vazia, suja e muitas casas estavam pixadas e com grades. 
      Ouvi relatos de furtos e roubos de celulares de alguns brasileiros que conheci na viagem. 
      O cartão BIP, é utilizado para o transporte público. Custa 1.550 pesos chilenos, que dá o equivalente de R$ 9,00. O trajeto de metro custa 720 pesos, que dá em torno de R$ 4,50.
      O Palacio de La Moneda, seria a sede da Presidência da República do Chile. Embaixo dele temos o Centro Cultural de La Moneda.
      Dá para assistir filmes, exposições ou simplesmente comer ou tomar um café no local. 
      Na parte da frente do palácio em que são realizados a troca da guarda, em dias específicos, conforme os links abaixo.
      Um detalhe que esqueci de comentar é que se estiver no verão, vale muito a pena, porque os dias são bem longos, já que o pôr do sol geralmente por volta das 8 da noite. Então você aproveita muito bem o dia. 
      O Museu Precolombino, que não fui pois estavam cobrando caro pra entrar, uns 7.000 pesos que era uns R$ 42,00.
      No lugar, vá ao Histórico Nacional que é gratuito e tem fotos no início do video.  É possível visitar a torre e ter uma vista privilegiada da Plaza de Armas. 
      É recomendado realizar o câmbio de moedas próximo à Plaza de Armas, vá em estabelecimentos fechados e seguros. Evite locais com grandes discrepâncias da cotação oficial, tanto pra menos ou pra mais.
      No Cerro Santa Lucia, é um parque vertical, num morro. Dá pra tirar muitas fotos, visitar vários lugares diferentes. É muito bonito, dá para caminhar, subir o morro e ter uma vista fantástica da cidade.
      Suba pela trilha ou caminho para se ter acesso à outros jardins dentro do parque e no final chegar ao Castillo Hidalgo.
      Não recomendo a visita na Sky Costanera, já que custa 15.000 pesos chilenos, que dá R$ 90,00. Muito caro.
      Bem perto, andando uns 10 minutos temos o Barrio Lastarria, que seria uma rua com artesanatos, pinturas, souvenirs e tem uma boa variedade de restaurantes.
      Fui mais por curiosidade no Mercado Central, que vende peixes e frutos do mar. Poderá conhecer e experimentar nos restaurantes que estão dentro do local. A construção era bem interessante, mas por dentro era um pouco abafado e é lógico fedia a peixe, nada assim tão agradável. Um passeio apenas simples, nada demais.
      No Cerro San Cristobal, utilize do funicular ou trenzinho para subir o morro. A ida e volta custa de 2.000 a 2.600 pesos, a primeira sendo dia de semana e a segunda para finais de semana ou feriados. Em reais seriam de R$ 12,00 a 16,00. 
      Dá para subir à pé, ou fazer somente um dos trajetos. Mas por mim creio que vale sim a pena pagar e conhecer o trenzinho, além de economizar tempo.
      Aqui é bem mais alto do que o Cerro Santa Lucia, então você tem uma ótima vista da cidade. Nem precisa ir até o Sky Costanera.
      Subindo um pouco mais temos o Santuário da Inmaculada Concepción.
      Existia um serviço de teleférico para visitar outros pontos do parque, como mirante. Mas infelizmente estava fechado no dia em que fui visitar.
      A Ponte Pio Nono seria meio que uma ponte do amor, com vários cadeados com nomes de casais. Apenas registrei a imagem, já que era caminho do Cerro San Cristobal com a estação de metro. 
      Por fim, o bônus do Embalse El Yeso, que é a represa que abastece a cidade, um dos passeios ao Cajon del Maipo. 

      * Links
      - Troca da Guarda no Palacio de La Moneda (horários)
      http://www.santiagocapital.cl/eventos...
      - Centro Cultural de La Moneda (horários e tarifas)
      http://www.ccplm.cl/sitio/horarios-y-...
      - Museu Precolombino (horários e tarifas)
      http://www.precolombino.cl/planifica-...
      - Sky Costanera (horários e preços)
      http://www.skycostanera.cl/pt/precos-...
      - Funicular e Teleférico do Cerro San Cristobal (horários e preços)
      https://funicularsantiago.cl/
      http://telefericosantiago.cl/
      - Hospedagem (Chile Lindo Hostel)
      https://www.chilelindohostel.cl/en-us
      https://www.booking.com/hotel/cl/chil...
    • Por Carol.Barbosa94
      Olá, 
      Aqui vou descrever sobre os meus gastos e como foi a minha viagem ao Chile do dia 02 a 10 de Outubro de 2019. Fora da temporada de neve, porém, com uma beleza encantadora.
      Vou deixar meus insta aqui pra quem quiser mais informações: @barbosa_carolin
      Passagens Aérea (ida e volta):
      R$ 709,00 Guarulhos x Santiago
      R$ 239,00 Santiago × Calama
      Companhia SKY Airline (comprei pelo site Maxmilhas). É possível encontrar bem mais barato, mas comprei muito em cima da hora hehe...
       
      Cambio:
      Comprei $25.000 pesos no aeroporto de Santiago, a cotação é ruim, mas é melhor que trocar no Brasil e saiu por 153 pesos por real. Então gastei R$ 170,00 (com uma taxa de $1.043,00 pesos incluso, que é cobrado na casa de câmbio do aeroporto)
       
      A conversão é feita assim: o total de pesos que você precisa dividido pela cotação do dia. 
      Ex: 26.043,00 ÷ 153 = R$ 170,21
      Sugiro trocar no aeroporto só o que for usar para o transfer.
      Transfer Aeroporto x Hostel (ida e Volta)
      De Calama p/ San Pedro leva em média 1h30 de viagem e o transfer é tabelado e custa $20.000 pesos ida e volta com desconto. (Só ida ou volta $12.000)
      Do aeroporto de Santiago até o hostel no centro ida e volta com desconto ficou por $13.320,00 pesos. (Só ida ou volta $7.400)
       
      Total Transfers: R$ 210,00
       
      Hospedagens:
      Em San Pedro de Atacama, fiquei no Tiny Hostel, super limpo e organizado e perto de tudo. 29.300 pesos (R$ 174,40) por 3 dias e meio e não paguei os 19% do IVA porque apresentei o PDI e identidade.
      Em Santiago, fiquei no Hostal Yungay localizado no centro e indicado para quem busca mais tranquilidade a noite. O custo foi bem parecido com de Atacama, porém foram 05 diárias por 29.400 pesos. Devido a diferença de cãmbio o meu gasto foi de R$ 175,60.

      No Total, gastei R$ 350,00 para 08 diárias.
       
      Passeios:
      1° Dia - Valle de la Luna: É um tour maravilhoso, com paisagens incríveis, passando pelas dunas e mais alguns pontos famosos como as 3 Marias. Geralmente feito na parte da tarde e encerra com um lindo pôr do sol. 
      2° Dia - Lagunas de Baltinache: São 7 lagunas simplesmente lindas!!! Fiquei encantada com aquele lugar, pode entrar na primeira e na última Laguna, água extremamente salgada e gelada rsrs... Também encerramos com um pôr do sol maravilhoso.
      A noite fiz o Tour astronômico. Super recomendo. 
      3°  Dia - Piedras Rojas e Lagunas Antiplanicas: Pra quem não sabe, a entrada na Piedras Rojas está fechada, podemos ir apenas até o mirante, mas é um passeio fantástico também, só o caminho até chegar lá já faz valer a pena. Muitas histórias, vegetação, animais. Ainda passamos pela placa de  Capricórnio. Nas Lagunas de Miscanti e Miñiques pudemos ver um pouco mais de perto os vulcões com o mesmo nome. Paisagem que parece uma pintura de tão lindo que é.
      4° Dia - Deixei livre para conhecer um pouco mais de San Pedro e fazer algumas comprinhas de lembrancinhas. No seu dia livre pode alugar uma bike também para desbravar um pouco mais.
       
      Todos os passeios em San Pedro de Atacama ficaram por 87.500 pesos. (R$ 520,00) o pacote fechado com a mesma agência "Tour Connection" que super indico, os guias são maravilhosos. Agora vamos seguir para Santiago onde fiz os passeios com a Agência Bora Pro Chile Br e recomendo muito, excelente atendimento e acompanhamento do inicio ao fim de cada passeio.
       
      5° Dia - Manhã livre no centro, fiz a visita guiada no Palácio de la Moneda agendei Com 1 mês de antecedência e assisti um pedaço da troca de guardas e conheci a Catedral.
      Na parte da tarde fui com a agência na Vinícola Undurraga. É simplesmente linda. 
      6° Dia - Viña Del Mar e Valparaíso. Que lugar lindo, alegre e cheio de Cores e arte. Não deixe de conhecer, é um dos principais passeios.
      7° Dia - Portillo. O passeio mais esperado por  mim. Que paisagem linda do inicio da estrada até a fronteira com a Argentina. Paisagens de quadro. Vale muito a pena conhecer, aquela Laguna del Inca é surreal!!
      8° Dia - Vale Nevado & Farellones Sunset (Esse eu fiz com a agência Morandé) Pra quem assim como eu é apaixonada por montanha e pelo pôr do sol, esse passeio é super recomendado. Mesmo sem neve foi incrível.
       
      Todos os passeios em Santiago ficaram por 105.000 pesos (R$ 600,00) fechando os 3 primeiros com a mesma agencia e o ultimo com uma agencia diferente.
       
      Total com passeios e tickets de entradas R$ 1.120,00
       
      Alimentação:
      A média que estabeleci para refeição foi de 12.000 pesos por dia, mas gastei bem menos. Como alguns passeios oferecem café da manhã, teve outro que oferecia almoço, então acabei economizando. Ao todo gastei R$ 545,00 em refeições. Lá existe os pratos prontos com entrada+prato principal+sobremesa por 4.000 pesos, McDonalds, Subway ou o famoso La Piccola Italia, são opções bem econômicas para comer.
       
       
      GASTO TOTAL DESSA VIAGEM: R$ 3.173,00 









×
×
  • Criar Novo...