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brunasscarvalho

De Manaus (inclusive Selva) a Alter do Chão – De barco, de mochila, SOZINHA – Junho/2017

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08/06/2017 e 09/06/2017 – Barco

 

::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::

 

Com tudo arrumado tomei um café da manhã beeeem reforçado e esperei o pessoal da agência de turismo vir me buscar. O horário combinado era as 9h, mas só apareceu um táxi para me buscar no hostel as 10:30h. Enfim, minha maior preocupação era pegar um lugar ruim no barco.

 

Embarquei no Ana Beatriz V, que pelo que falam é um dos melhores barcos que fazem o trecho Manaus-Santarém. O porto é uma zona, e você consegue comprar qualquer coisa que porventura tenha esquecido (qualquer coisa mesmo… tinha ambulante vendendo remédio!). ::hahaha::

 

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Durante o embarque uma equipe te recebe, pede os documentos, colocam seu nome na lista. Nesse aspecto achei que seria mais zuado, mas há um certo controle de quem embarca ali.

 

O Ana Beatriz é imenso, com cinco andares.

 

No primeiro ficam os carros e as cargas. Carrega-se absolutamente TUDO (mudança, alimentos, coisas que só Deus sabe). Depois que se inicia a navegação é proibido o acesso a essa área (agora se obedecem são outros 500…)

 

No segundo fica a área climatizada. É um andar inteiro para as redes em um ambiente teoricamente fechado com ar condicionado. Fugi dessa área e foi a melhor decisão que tomei. Conforme já tinha lido, é o andar que mais lota e aquelas janelas supostamente fechadas, com cheiro de comida, de gente sem banho e com menino chorando me deram medo. Durante a viagem várias vezes o ar condicionado foi desligado porque as pessoas abriam as janelas (tem um sistema de rádio no barco onde o comandante manda os recados… tipo avião, mas sem voz bonitinha rs). Nesse andar também ficam os banheiros, as pias e o refeitório.

 

No terceiro fica a área sem climatização. Foi onde me instalei. Consegui colocar a rede em um bom lugar, sem ficar muito próximo a ninguém, com ventilação boa. A recomendação é que se coloque a rede longe dos banheiros (nesse barco isso não se aplica porque os banheiros já ficam isolados) e do motor do barco (porque faz barulho). Não fiquei tão longe do motor e o barulho não me incomodou.

 

No quarto andar fica o bar com alguns mantimentos para vender também. Lá o calypso toca 24 horas.

 

No último andar fica um terraço, muito legal para curtir o pôr do sol, a lua, a paisagem… ::love::

Tanto no segundo quanto no terceiro andar ficam as cabines individuais. Nelas há banheiro, um beliche, não sei se tem geladeira. Para viajar lá deve-se desembolsar em torno de 600 mangos… Nunca precisei!

 

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Meio dia em ponto o barco saiu do porto. Não se preocupe que antes desse horário os ambulantes levam comida, bebida e o que mais você quiser até você. A entrada deles é livre até o barco sair.

 

O cuidado com os pertences é essencial. Adotei uma estratégia que deu certo. Coloquei tudo de valor na mochila pequena (dinheiro, documentos, celular)… Essa mochila não desgrudava de mim pra nada nessa vida. Já a mochila grande foi guardada numa capa de proteção que eu tenho (excelente investimento para quem viaja de mochila) e trancada com o cadeado. Depois amarrei essa mochila na rede (quando cheguei no barco todas as pilastras já estavam ocupadas). Fazendo isso não tive problemas. Entrando nessa discussão da proteção de mochila desde outros carnavais, meu maior medo não é nem tirarem algo (já que os artigos de valor não ficam na mochila), mas é colocarem algo (lembrando que tem revista pela PF no meio do caminho, falarei isso mais adiante… ::sos:: então no caso de ter algum bagulhinho na bolsa, desfaçam-se dele antes de chegar em Óbidos, no Pará). ::sos::

 

Aliás, outra coisa que acho legal informar é o itinerário. O barco para nas cidades nos seguintes horários aproximados:

 

Itacoatiara – AM – 19h

Parintins – AM – 5h do dia seguinte.

Juriti – PA – 9h do dia seguinte já no horário do Pará (tem diferença de fuso entre o Amazonas e o Pará)

Óbidos – PA – 12h do dia seguinte.

 

Em todas essas paradas há venda de comidas e bebidas pelos ambulantes, em alguns lugares com mais ou menos fartura.

Em Óbidos a Polícia Federal faz a revista no barco. Dos gringos eles cobram inclusive documentação. De mim, pediram para revistar as bolsas. Essa parada pode atrasar MUITO a viagem. A minha teve um atraso de 2h por conta dela. As demais paradas são curtas, em torno de 15 minutos, não dá pra descer do barco nem nada.

 

Sobre a experiência: ::love::::love::::love::::love::::love::::love::

 

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É um tanto cansativo viajar 32 horas em um barco. Desconfortável dormir numa rede. Não consegui tomar banho porque o banheiro era muito pequeno e molhava papel, vaso e ficava um nojo. Também precisava fazer um psicológico pra conseguir fazer xixi. Não consegui comer no restaurante também. ::toma:: Mas a experiência vale MUITO a pena. ::love::

 

Primeiro porque você conhece muita gente legal e isso por si só é enriquecedor. Conheci gringos e brasileiros, conversei sobre economia, política, educação, segurança alimentar, viagens, experiência de vida e essa troca é muito bacana.

A paisagem é muito linda. É muita água, durante muito tempo e muita floresta. Pensar na dimensão de tudo aquilo é espetacular. Fora os shows protagonizados pelo sol e lua nos fins de tarde (não acordei para ver o sol nascer).

 

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E a reflexão sobre a vida daquelas pessoas que estão no barco, sobre a vida das pessoas que moram naquelas casas tão distantes na beira do rio (como elas vivem, qual é o acesso delas às coisas, será que são felizes, como crescem as crianças, mó viagem, mas enfim…) e sobre a minha vida. As vezes temos tudo na mão, temos acesso a carro, ônibus, avião e não visitamos nosso parente que mora na rua de cima, reclamamos porque gastamos meia hora para se deslocar até o trabalho, reclamamos porque o trânsito tá ruim… Aloooww, tem estrada onde você mora! ::toma:: Aquelas pessoas pagariam muito caro em uma passagem aérea para cumprir aquele itinerário. E a única opção delas é passar 32 horas em um barco para ver a família, trabalhar, fazer a mudança… E elas se divertem no meio do caminho… Ouvem música (teve show de calipso gospel ao vivo com um teclado e gringos desengonçados dançando ao redor), fazem sua farofada (adooooro), conversam… Foram momentos de reflexões incríveis. E de ócio forçado também (sou meio hiperativa, então ser “obrigada” a deitar numa rede e descansar foi sensacional.

 

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O sinal de celular pega nessas principais cidades que eu mencionei. Tem tomadas suficientes para todos. Recomendo levar uma extensão para facilitar o carregamento de eletrônicos.

Fazer amizade com as pessoas ajuda muito! Pegando certa confiança fica mais fácil abandonar a rede e circular pelo barco (sempre com a bolsa de artigos valiosos na mão… confiar plenamente nunca).

Não me senti insegura em momento algum. Dormi tranquilamente usando tampão de ouvidos e máscara nos olhos como já faço em hostels. Não subestimem o frio da Amazônia. Não é arrebatador, mas uma coberta teria me dado um pouco mais de aconchego (mas a blusa de frio, calça cumprida e meias não me desampararam). ::Cold:: sqn

 

Que textãozão… Mas quero encorajar, principalmente as meninas que têm me questionado muito sobre isso, a viver essa experiência… Dois dias numa rede numa situação não tão confortável não vai degradar a vida de ninguém e vai render uma experiência legal e no mínimo uma história boa para contar para os filhos.

 

Chegamos a Santarém às 19h. Gostaria de ter chegado mais cedo para dar uma volta na cidade e de fato fiquei muito sentida por não ter feito isso. ::Ksimno::

 

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É possível ir a Alter do Chão de ônibus saindo do porto. É só andar em linha reta até achar o Banco do Brasil e o Ministério Público. A passagem fica do lado oposto a eles. O ônibus se chama “Alter do Chão”, passa a cada 40 minutos, demora 40 minutos para chegar, o último passa as 21:30h. Custa 3 mangos.

 

Um gringo resolveu se hospedar no mesmo hostel que eu. Acabamos nos perdendo na procura do hostel pois como já estava tarde o motorista não quis ir até o lugar indicado no mapinha. De começo fiquei com medo porque as ruas estavam escuras e vazias, mas conversando com o povo da cidade depois me foi dito que a cidade é bem tranquila e que dá até pra dormir de portas abertas.

 

No próximo post escrevo sobre o hostel, que esse já está gigaaaaa

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10/06/2017 – Alter do Chão

 

Sobre o hostel:

Fiquei hospedada no hostel pousada dos Tapájós. É um hostel super familiar, administrado pela família da dona Sandra, pessoa maravilhosa de se conversar, sabe muito sobre a região. Quartos e banheiros super limpos, um redário bem legal, café da manhã super bem servido. Fecha as 22h, então é bom avisar se for chegar depois desse horário.

Como fui na super baixa temporada, no dia que cheguei a menina que estava no quarto foi embora. Então fiquei com um quarto só para mim! Fica bem próximo à praça da cidade.

 

Como já tinha dado uma lida sobre o que tinha na região, já tinha passado uns dias na floresta e tinha pouco tempo, o que eu queria mesmo era as famosas praias de água doce. O período bom para desfrutar dessas praias é entre julho e fevereiro. Não observei isso antes de comprar a passagem e confesso que sofri muito achando que ia chegar na cidade e até a igrejinha estaria alagada. Não é beeeeem assim. De fato as praias estão menores e menos Caribe, mas continuam maravilhosas.

 

O dono da pousada faz passeios e eu queria muito ir a pindobal. Cotei com ele, e como nessa época é difícil formar grupos, o preço das coisas acaba ficando maior. A lancha para pindobal ficaria R$120,00. Como a menina que estava no quarto já tinha me alertado a fazer uma pesquisa na praça, resolvi seguir o conselho em busca de preços mais atrativos.

 

O ACIDENTE

 

No caminho para a pracinha eu chutei uma calçada (não me perguntem como). Olhando para o centro de saúde da cidade, senti que lá não haveria um ortopedista e muito menos raio x para fazer alguma coisa por mim. Com medo de quererem me mandar para Santarém e acabar com meu tempo com o danado do dedinho, fiz que tava numa boa e passei dois dias desfilando pela cidade sem sentir o dedo que ficou muito roxo e enorme de inchaço. Nem preciso dizer que fui do aeroporto para o hospital quando cheguei a Brasília. Foi uma luxação meio feia, precisei imobilizar, mas até hoje meu dedo não é o mesmo.

 

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A ENGANAÇÃO

 

Cheguei na pracinha e achei o cara de uma lancha que me ofereceu a ida para pindobal a R$70,00. Segundo ele, eu seria levada até lá e depois ele voltaria com um grupo que iria mais tarde e por isso esse preço. Meus olhos brilharam com a economia de R$50,00. Peguei a lancha com ele. Chegando lá (que é um tanto longe) a conversa foi outra: caso o grupo não viesse o preço ficaria por R$100,00. Nem preciso dizer que esse grupo nunca apareceu e eu não tinha muita opção a não ser pagar para poder voltar para a cidade. Portanto, antes do embarque esclareçam MUITO bem todas essas situações. ::sos::

 

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Pindobal é uma praia de água doce muito delícia.

 

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A água tem uma temperatura morna perfeita e peixinhos beliscam seu pé se você ficar quietinha. Recomendo levar lanche na mochila, já que as coisas podem ser um tanto caras. Mas comi uma porção de pirarucu frito, muito bem servida, que talvez daria para duas pessoas não tão esfomeadas, por R$30,00. É aquele lugar que você fica prazerosamente o dia inteiro mergulhada na água e não quer ir embora nunca mais. ::love::

 

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Voltando tirei um tempinho pra comprar algumas lembrancinhas, ir ao mercado (que tem o único caixa eletrônico da cidade) e comer um açai bem gostoso que fica na rua de cima da igreja.

 

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Não calculei direitinho os custos.

Mas gastei uns 500 reais de passagem, 510 no tour da selva, uns 200... 250 na hospedagem em hostel, 120 no barco, 100 na lancha pra Pindobal.

Comia a 30 reais (muito bem em lugares muito bons) mas é possível comer por bem menos.

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Bruna, seu relato é maravilhoso! Estou me programando para ir me março e foi super esclarecedor. 

Minha viagem é bastante low cost e sua experiência me ajudou a entender que posso ir sim com pouco! (já estava pensando em vender um rim pra conseguir fazer essa trip haha)

Quando você pagou na travessia de barco, de Manaus até Santarém?

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