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brunasscarvalho

De Manaus (inclusive Selva) a Alter do Chão – De barco, de mochila, SOZINHA – Junho/2017

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08/06/2017 e 09/06/2017 – Barco

 

::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::::love::

 

Com tudo arrumado tomei um café da manhã beeeem reforçado e esperei o pessoal da agência de turismo vir me buscar. O horário combinado era as 9h, mas só apareceu um táxi para me buscar no hostel as 10:30h. Enfim, minha maior preocupação era pegar um lugar ruim no barco.

 

Embarquei no Ana Beatriz V, que pelo que falam é um dos melhores barcos que fazem o trecho Manaus-Santarém. O porto é uma zona, e você consegue comprar qualquer coisa que porventura tenha esquecido (qualquer coisa mesmo… tinha ambulante vendendo remédio!). ::hahaha::

 

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Durante o embarque uma equipe te recebe, pede os documentos, colocam seu nome na lista. Nesse aspecto achei que seria mais zuado, mas há um certo controle de quem embarca ali.

 

O Ana Beatriz é imenso, com cinco andares.

 

No primeiro ficam os carros e as cargas. Carrega-se absolutamente TUDO (mudança, alimentos, coisas que só Deus sabe). Depois que se inicia a navegação é proibido o acesso a essa área (agora se obedecem são outros 500…)

 

No segundo fica a área climatizada. É um andar inteiro para as redes em um ambiente teoricamente fechado com ar condicionado. Fugi dessa área e foi a melhor decisão que tomei. Conforme já tinha lido, é o andar que mais lota e aquelas janelas supostamente fechadas, com cheiro de comida, de gente sem banho e com menino chorando me deram medo. Durante a viagem várias vezes o ar condicionado foi desligado porque as pessoas abriam as janelas (tem um sistema de rádio no barco onde o comandante manda os recados… tipo avião, mas sem voz bonitinha rs). Nesse andar também ficam os banheiros, as pias e o refeitório.

 

No terceiro fica a área sem climatização. Foi onde me instalei. Consegui colocar a rede em um bom lugar, sem ficar muito próximo a ninguém, com ventilação boa. A recomendação é que se coloque a rede longe dos banheiros (nesse barco isso não se aplica porque os banheiros já ficam isolados) e do motor do barco (porque faz barulho). Não fiquei tão longe do motor e o barulho não me incomodou.

 

No quarto andar fica o bar com alguns mantimentos para vender também. Lá o calypso toca 24 horas.

 

No último andar fica um terraço, muito legal para curtir o pôr do sol, a lua, a paisagem… ::love::

Tanto no segundo quanto no terceiro andar ficam as cabines individuais. Nelas há banheiro, um beliche, não sei se tem geladeira. Para viajar lá deve-se desembolsar em torno de 600 mangos… Nunca precisei!

 

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Meio dia em ponto o barco saiu do porto. Não se preocupe que antes desse horário os ambulantes levam comida, bebida e o que mais você quiser até você. A entrada deles é livre até o barco sair.

 

O cuidado com os pertences é essencial. Adotei uma estratégia que deu certo. Coloquei tudo de valor na mochila pequena (dinheiro, documentos, celular)… Essa mochila não desgrudava de mim pra nada nessa vida. Já a mochila grande foi guardada numa capa de proteção que eu tenho (excelente investimento para quem viaja de mochila) e trancada com o cadeado. Depois amarrei essa mochila na rede (quando cheguei no barco todas as pilastras já estavam ocupadas). Fazendo isso não tive problemas. Entrando nessa discussão da proteção de mochila desde outros carnavais, meu maior medo não é nem tirarem algo (já que os artigos de valor não ficam na mochila), mas é colocarem algo (lembrando que tem revista pela PF no meio do caminho, falarei isso mais adiante… ::sos:: então no caso de ter algum bagulhinho na bolsa, desfaçam-se dele antes de chegar em Óbidos, no Pará). ::sos::

 

Aliás, outra coisa que acho legal informar é o itinerário. O barco para nas cidades nos seguintes horários aproximados:

 

Itacoatiara – AM – 19h

Parintins – AM – 5h do dia seguinte.

Juriti – PA – 9h do dia seguinte já no horário do Pará (tem diferença de fuso entre o Amazonas e o Pará)

Óbidos – PA – 12h do dia seguinte.

 

Em todas essas paradas há venda de comidas e bebidas pelos ambulantes, em alguns lugares com mais ou menos fartura.

Em Óbidos a Polícia Federal faz a revista no barco. Dos gringos eles cobram inclusive documentação. De mim, pediram para revistar as bolsas. Essa parada pode atrasar MUITO a viagem. A minha teve um atraso de 2h por conta dela. As demais paradas são curtas, em torno de 15 minutos, não dá pra descer do barco nem nada.

 

Sobre a experiência: ::love::::love::::love::::love::::love::::love::

 

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É um tanto cansativo viajar 32 horas em um barco. Desconfortável dormir numa rede. Não consegui tomar banho porque o banheiro era muito pequeno e molhava papel, vaso e ficava um nojo. Também precisava fazer um psicológico pra conseguir fazer xixi. Não consegui comer no restaurante também. ::toma:: Mas a experiência vale MUITO a pena. ::love::

 

Primeiro porque você conhece muita gente legal e isso por si só é enriquecedor. Conheci gringos e brasileiros, conversei sobre economia, política, educação, segurança alimentar, viagens, experiência de vida e essa troca é muito bacana.

A paisagem é muito linda. É muita água, durante muito tempo e muita floresta. Pensar na dimensão de tudo aquilo é espetacular. Fora os shows protagonizados pelo sol e lua nos fins de tarde (não acordei para ver o sol nascer).

 

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E a reflexão sobre a vida daquelas pessoas que estão no barco, sobre a vida das pessoas que moram naquelas casas tão distantes na beira do rio (como elas vivem, qual é o acesso delas às coisas, será que são felizes, como crescem as crianças, mó viagem, mas enfim…) e sobre a minha vida. As vezes temos tudo na mão, temos acesso a carro, ônibus, avião e não visitamos nosso parente que mora na rua de cima, reclamamos porque gastamos meia hora para se deslocar até o trabalho, reclamamos porque o trânsito tá ruim… Aloooww, tem estrada onde você mora! ::toma:: Aquelas pessoas pagariam muito caro em uma passagem aérea para cumprir aquele itinerário. E a única opção delas é passar 32 horas em um barco para ver a família, trabalhar, fazer a mudança… E elas se divertem no meio do caminho… Ouvem música (teve show de calipso gospel ao vivo com um teclado e gringos desengonçados dançando ao redor), fazem sua farofada (adooooro), conversam… Foram momentos de reflexões incríveis. E de ócio forçado também (sou meio hiperativa, então ser “obrigada” a deitar numa rede e descansar foi sensacional.

 

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O sinal de celular pega nessas principais cidades que eu mencionei. Tem tomadas suficientes para todos. Recomendo levar uma extensão para facilitar o carregamento de eletrônicos.

Fazer amizade com as pessoas ajuda muito! Pegando certa confiança fica mais fácil abandonar a rede e circular pelo barco (sempre com a bolsa de artigos valiosos na mão… confiar plenamente nunca).

Não me senti insegura em momento algum. Dormi tranquilamente usando tampão de ouvidos e máscara nos olhos como já faço em hostels. Não subestimem o frio da Amazônia. Não é arrebatador, mas uma coberta teria me dado um pouco mais de aconchego (mas a blusa de frio, calça cumprida e meias não me desampararam). ::Cold:: sqn

 

Que textãozão… Mas quero encorajar, principalmente as meninas que têm me questionado muito sobre isso, a viver essa experiência… Dois dias numa rede numa situação não tão confortável não vai degradar a vida de ninguém e vai render uma experiência legal e no mínimo uma história boa para contar para os filhos.

 

Chegamos a Santarém às 19h. Gostaria de ter chegado mais cedo para dar uma volta na cidade e de fato fiquei muito sentida por não ter feito isso. ::Ksimno::

 

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É possível ir a Alter do Chão de ônibus saindo do porto. É só andar em linha reta até achar o Banco do Brasil e o Ministério Público. A passagem fica do lado oposto a eles. O ônibus se chama “Alter do Chão”, passa a cada 40 minutos, demora 40 minutos para chegar, o último passa as 21:30h. Custa 3 mangos.

 

Um gringo resolveu se hospedar no mesmo hostel que eu. Acabamos nos perdendo na procura do hostel pois como já estava tarde o motorista não quis ir até o lugar indicado no mapinha. De começo fiquei com medo porque as ruas estavam escuras e vazias, mas conversando com o povo da cidade depois me foi dito que a cidade é bem tranquila e que dá até pra dormir de portas abertas.

 

No próximo post escrevo sobre o hostel, que esse já está gigaaaaa

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10/06/2017 – Alter do Chão

 

Sobre o hostel:

Fiquei hospedada no hostel pousada dos Tapájós. É um hostel super familiar, administrado pela família da dona Sandra, pessoa maravilhosa de se conversar, sabe muito sobre a região. Quartos e banheiros super limpos, um redário bem legal, café da manhã super bem servido. Fecha as 22h, então é bom avisar se for chegar depois desse horário.

Como fui na super baixa temporada, no dia que cheguei a menina que estava no quarto foi embora. Então fiquei com um quarto só para mim! Fica bem próximo à praça da cidade.

 

Como já tinha dado uma lida sobre o que tinha na região, já tinha passado uns dias na floresta e tinha pouco tempo, o que eu queria mesmo era as famosas praias de água doce. O período bom para desfrutar dessas praias é entre julho e fevereiro. Não observei isso antes de comprar a passagem e confesso que sofri muito achando que ia chegar na cidade e até a igrejinha estaria alagada. Não é beeeeem assim. De fato as praias estão menores e menos Caribe, mas continuam maravilhosas.

 

O dono da pousada faz passeios e eu queria muito ir a pindobal. Cotei com ele, e como nessa época é difícil formar grupos, o preço das coisas acaba ficando maior. A lancha para pindobal ficaria R$120,00. Como a menina que estava no quarto já tinha me alertado a fazer uma pesquisa na praça, resolvi seguir o conselho em busca de preços mais atrativos.

 

O ACIDENTE

 

No caminho para a pracinha eu chutei uma calçada (não me perguntem como). Olhando para o centro de saúde da cidade, senti que lá não haveria um ortopedista e muito menos raio x para fazer alguma coisa por mim. Com medo de quererem me mandar para Santarém e acabar com meu tempo com o danado do dedinho, fiz que tava numa boa e passei dois dias desfilando pela cidade sem sentir o dedo que ficou muito roxo e enorme de inchaço. Nem preciso dizer que fui do aeroporto para o hospital quando cheguei a Brasília. Foi uma luxação meio feia, precisei imobilizar, mas até hoje meu dedo não é o mesmo.

 

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A ENGANAÇÃO

 

Cheguei na pracinha e achei o cara de uma lancha que me ofereceu a ida para pindobal a R$70,00. Segundo ele, eu seria levada até lá e depois ele voltaria com um grupo que iria mais tarde e por isso esse preço. Meus olhos brilharam com a economia de R$50,00. Peguei a lancha com ele. Chegando lá (que é um tanto longe) a conversa foi outra: caso o grupo não viesse o preço ficaria por R$100,00. Nem preciso dizer que esse grupo nunca apareceu e eu não tinha muita opção a não ser pagar para poder voltar para a cidade. Portanto, antes do embarque esclareçam MUITO bem todas essas situações. ::sos::

 

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Pindobal é uma praia de água doce muito delícia.

 

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A água tem uma temperatura morna perfeita e peixinhos beliscam seu pé se você ficar quietinha. Recomendo levar lanche na mochila, já que as coisas podem ser um tanto caras. Mas comi uma porção de pirarucu frito, muito bem servida, que talvez daria para duas pessoas não tão esfomeadas, por R$30,00. É aquele lugar que você fica prazerosamente o dia inteiro mergulhada na água e não quer ir embora nunca mais. ::love::

 

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Voltando tirei um tempinho pra comprar algumas lembrancinhas, ir ao mercado (que tem o único caixa eletrônico da cidade) e comer um açai bem gostoso que fica na rua de cima da igreja.

 

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Não calculei direitinho os custos.

Mas gastei uns 500 reais de passagem, 510 no tour da selva, uns 200... 250 na hospedagem em hostel, 120 no barco, 100 na lancha pra Pindobal.

Comia a 30 reais (muito bem em lugares muito bons) mas é possível comer por bem menos.

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Bruna, seu relato é maravilhoso! Estou me programando para ir me março e foi super esclarecedor. 

Minha viagem é bastante low cost e sua experiência me ajudou a entender que posso ir sim com pouco! (já estava pensando em vender um rim pra conseguir fazer essa trip haha)

Quando você pagou na travessia de barco, de Manaus até Santarém?

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      Alter do chão lá de cima, com a ponta do cururu bem definida. Acreditem, caminhei boa parte disso aí de praia
      A época escolhida foi a segunda semana de novembro, logo após o agito derivado do tradicional Sírio de Nazaré em outubro. As passagens deram uma aliviada, e consegui pegar uma ida e volta de 400 mangos (com barco, de Manaus, você gasta quase esse mesmo valor de ida e volta, só com passagem, e fica de um dia e meio a quase três dias nos rios dos trechos, enquanto que o vôo dura nem uma hora).  Fato rápido: as praias do norte costumam estar mais bonitas na segunda metade do ano em virtude da seca, mas, diferentemente do Amazonas, que seca demais e não fica tão bacana no ponto mais baixo, certos rios do Pará secam menos e mantêm sua beleza natural em virtude da proximidade geográfica com o oceano. E com o belo rio Tapajós não foi diferente. A propósito, Santarém tem seu próprio encontro das águas, assim como Manaus, só que é Tapajós e Amazonas, ao invés do Rio Negro e Solimões (não a dupla sertaneja) da minha terrinha 

      Bando de copião, pegaram o encontro das águas amazonense e fizeram uma versão deles kkkkkkkkk  é brincadeira, mas é igualmente impressionante e belo
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      Fato do aeroporto de STR: os taxistas chegam em cima de você que nem urubus numa carcaça, e os preços deles não são muito convidativos (50 pila para ir ao centro de Santarém, 100 a 120 para ir para Alter). Mas fica a dica do tio: esperem passar o bus para Santarém, pois tem uma linha que faz essa integração, ou rachem o táxi com alguém, que com certeza vai ter gente afim. De santarém tem ônibus para alter, mega fácil de pegar, e barato, vale esperar um pouquinho. Mas como não sabia desse fato, resolvi rachar o táxi com uma família que iria direto para alter

      Pessoalmente acho massa ter uma ciclovia entre a cidade e a vila turística, em Manaus não temos isso
      O táxi rachado me custou apenas 34 reais, o que foi uma boiada e tanto! Desci perto da famosa ilha do amor, já na orla da vila. O "centro" é ali mesmo, e você não vai se afastar muito dali, a não ser para os passeios para os lugares distantes. Tem pousada pra dedéu, hotéis, e redários com camping, que era o que eu estava procurando (eu prefiro acampar e ter o desconforto e privacidade da minha barraquinha ). Não lembro de ter visto hostel, mas creio que tenha sim.
      Não andei muito e logo de frente pra ilha achei um camping com redário, rústico, bem localizado, além dos donos serem bem receptivos, e com um preço MEGA em conta, considerando a sua localização. Altas vibes naquele lugar (estilo roots, espere encontrar hippies e pessoal alternativo, se você tem algum preconceito com esse tipo de gente, não recomendo o camp, mas não achei nem um pouco ruim).

      Le acampamento base. Fui muito bem tratado aqui.
      Honestamente pensei que só ia chegar no domingo com tempo de achar um lugar para ficar, mas estava no meio da tarde, e não queria perder o dia, então conheci a dona, fechei as diárias, e tratei de dar um rolê pelo lugar.

      A vila até parece meio feinha com o rio seco, mas vai por mim, lá na frente é a coisa mais linda de se ver. Detalhe para a conhecida serra da piroca 
      A vila é tranquila, mesmo nos fins de semana, confesso que achei bem vazia de gente, e desconheço a alta temporada de lá, apesar de ter chutado o mês de outubro. O lugar é cheio de moradores e visitantes latinos, no camp mesmo haviam argentinos e chilenas de passagem. O cajueiro parece ser o capim de lá, de tanto que tem, existem ruas onde você passa e sente o cheiro gostoso, de tanto caju (e cajuí) que tem no chão. Curiosamente não encontrei nenhuma bebida específica feita dele na vila. Se eu tivesse vontade de comer caju, era só olhar para uma árvore e colher.

      Caju hoje, caju amanhã, caju sempre
      Andando pela praia da ilha do amor (que na seca pode ter seu curso d'água atravessado a pé, só tomar cuidado pq dizem que tem arraia lá), decidi ir a pé para a conhecida ponta do cururu. Quando os rios secam, faixas de areia são descobertas pela água e ficam em contato com a parte mais funda e bonita do rio, em Alter há várias pontas, sendo as do cururu, pedras e muretá as mais conhecidas. Na cheia não dá para chegar nelas a pé, ou simplesmente nem dá pra acessar (por já não existirem!), sendo obrigatório pagar barqueiro para levar lá. Li que os valores não são dos melhores para quem está só, fora que eu não estava afim de fazer um passeio regrado com hora para ir e voltar, e como você deve ter visto na foto lá de cima, tinha uma mega praia formada em todas as margens da região, então resolvi botar as panturrilhas para trabalhar e ir a pé.

      Partiu ponta do Cururu
      A "andada" leva mais ou menos 1 hora e 20 minutos, de alter até chegar lá, e você fica com aquela ansiedade de estar vendo o horizonte, e não chegar perto dele, mas deu para me distrair com os achados da praia. Corais, peixes mortos e muitos mexilhões se faziam presentes na margem (de noite é possível achar caranguejos). Ah, nas praias também é possível achar MUITOS sapinhos, eles são um símbolo da vila, e representados na cultura local por esculturas e amuletos com o nome de muiraquitã (embora não seja o nome certo pro sapo em si, apesar de tentarem te convencer do oposto). Sapo na areia, embaixo de sol, durante o dia nunca tinha visto, isso me encantou.

      Eu desconheço o gênero e espécie, mas lá parece haver pelo menos 3 ou 4 espécies de diferentes cores e tamanhos, até sapinho de meio centímetro achei
      Chegando na ponta, senti na pele o porquê de chamarem aquele lugar de caribe brasileiro. Nossa, que praia sensacional!!!!!  Água semelhante à do mar (transparente e azul-esverdeada), agitada, e areia branquinha. Agradeci à Deus e à minha mãe por estar naquele momento e naquele lugar tão únicos, e com o sentimento de conquista de mais um lugar paradisíaco de nosso Brasil

      Recadinho básico pra mandar pra patroa em casa

      É vontade de ficar aqui e não sair mais, difícil imaginar uma paisagem dessas que não é no litoral

      A minha foto favorita dessa viagem. Depois das altas fotos, um bom banho
      Engraçado que só eu tinha vindo a pé, todos os demais presentes estavam nos seus barcos de passeio ou particulares, fiquei pensando no quanto que devo ser louco para fazer essas proezas, mas sem crise!! Dizem que pôr do sol é perfeito nessa ponta, mas infelizmente, em virtude desse clima de nublado e chuvas, o céu não ficou legal para o crepúsculo em nenhum dia da minha estadia. Fica para a próxima. Uma história engraçada: não ajustei meu relógio para o fuso horário do Pará, e por isso saí bem tarde da praia, achando que ainda era uma hora mais cedo  os demais barcos indo embora e eu sobrando na praia, e com mais de uma hora de caminhada no breu total. Mas como uma pessoa precavida vale por duas, tinha levado minha lanterna na bolsinha, então o "passeio noturno" foi mais divertido que frustrante. Adorei achar caranguejos na margem, nesse processo.

      Que que foi, maninho, tá olhando o q? Já me vu....
      Apesar da caminhada ter sido ótima, andar na areia dá uma fadiga aos músculos do pé, batata da perna, calcanhar, etc., e cheguei em alter pedindo um torsilax para não amanhecer com as patas doendo. Armei a barraca, fui procurar o que jantar e depois, dormir.
      2o. dia: Tsunamis aéreos e a tentativa de subir a careca
      A segunda iniciou com temporais, com direito a raios de minuto a minuto, e eu, desde a madrugada dormindo com aquele barulho gostoso de chuva batendo na barraquinha. Como a chuva estava forte durante a manhã toda, não tinha como procurar uma panificadora e comprar itens pro café, o povo do camp estava todo em off nas suas redes tbm  então o jeito era me acomodar na barraca, e planejar o que fazer pro dia, caso o temporal não parasse mais. Teve uma hora que precisei sair para improvisar uma "vala" pra água acumulada vazar, ou minha casinha provisória seria inundada 
      Depois de meio-dia, a chuva finalmente deu uma trégua, e estava na hora de andar na vila e procurar algo para comer. A falta de paciência para cozinhar algo na cozinha do camp me fez apelar para o bom e velho PF, que veio numa quantidade generosa, me fazendo dividir ela com o Robervaldo (um vendedor de arte e viajante que conheci lá, gente boa, inteligente e bom de papo, com esse deu pra conversar até sobre política sem haver atritos).
      Como o sol estava ainda tímido, mas querendo aparecer, achei que o melhor seria ir para algum lugar próximo da vila, então resolvi subir a piroca, literalmente 

      March!!!!!!

      Esse lugar é diferenciado
      Sim, é isso que você leu. Um ponto conhecido de alter, que está em praticamente todas as fotos turísticas e artísticas é a chamada serra da piroca (que está mais para morro a meu ver, mas vai da sua interpretação). A etimologia do nome é justa: significa algo como "vegetação rala" ou "careca", que tem a ver com a vegetação do alto do morro e o nosso falo masculino A trilha é sussa, vc leva uns 40 minutos andando até chegar ao topo.
      Infelizmente, nesse dia, não deu pra chegar no topo, topo mesmo, por causa de insetos, não precisa ser biólogo(a) para saber que depois de grandes chuvas certos insetos como cupins e formigas saem para namorar aos montes na mata e no céu. Pois bem! Tinha uma espécie de "muquitinho" que resolveu fazer uma verdadeira suruba galáctica bem no alto da piroca (!), não é exagero amigos, o bicho é do tamanho de um mosquito, mas eram enxames de enxames, tantos, que dava pra ouvir alto e claro o barulho das asas deles da base do morro, e o céu escurecia um pouco lá no topo. Mosquito grudando no meu corpo suado, batendo nos olhos e ouvidos obviamente incomodava bastante, além de eu não saber se eram bichos nocivos de alguma forma, então me vi obrigado a descer.

      A trilha é super de boa e demarcada na subida, mas não recomendaria para pessoas de idade e com problemas cardíacos ou de locomoção

      O máximo que deu pra subir. Ahlá a vila, o lago verde e a ilha do amor no fundo
      Como ainda haviam umas três horas de luz do dia, resolvi ficar no lago verde de bubuia, curtindo o final da tarde. Ele é bem raso por tipo, um quarto de quilômetro na seca, então pra criança brincar é mais de boa, e a água é igualmente gostosa. Tem aluguel de caiaque também. Fiquei brincando de caiaque por uma hora, e depois apenas boiando na água

      Até aqui e ainda está bem raso
      Com tempo de sobra, em comparação com o dia anterior, resolvi andar e conhecer a vila de noite. Achei o lugar relativamente tranquilo e seguro (apesar de não ter visto policiamento, o que sugere que não é bom ficar dando sopa nas ruas até tarde da noite). Além da orla para passear existe a praça central, onde tem wifi gratuito (quando está pegando), várias lojas de lembrancinhas e uma praça de alimentação. Em algumas ruas próximas há restaurantes, lanches e moradores que fazem refeições prontas a um valor ok. Particularmente não sou um "gourmet", então não fiz questão de provar as especiarias locais (até pq já provei a maniçoba num festival paraense de Manaus, uma vez, e não gostei muito, fiquei com receio de gastar muito num prato que não me agradasse), então comprar um prato do bom e velho vatapá já estava de bom tamanho 😀

      10 pila num pratão desse vale cada mordida!!!
       
      3o. Dia: Ponta do Muretá e mais caminhadas na praia
      Segundo dia consecutivo em que amanhece com as altas tempestades, não tinha muito a ser feito a não ser aguardar na barraquinha a chuva passar, e dormir ao som da chuva. De madrugada, um visitante inesperado no meu quartinho:

      Mas ein???????
      Bom, tinha conhecido a ponta do cururu, a ilha do amor, morro da piroca e lago verde, hoje poderia ser uma nova atração. Como tinha visto anteriormente no "gugrou maps", a ponta do muretá fica próxima da vila (em termos pq é mais uma hora de caminhada na praia), então não vi o motivo de não fazer essa atividade. Estava decidido.
      Dessa vez o povo do camp se juntou pra fazer um frango guisado MA-RA-VI-LHO-SO (Parabéns ao Robervaldo, nível master chef já  ).
      De tarde dei mais um rolê na vila, a procura de lembrancinhas para levar para casa, e após isso segui rumo à ponta. Não é complicado, só seguir a margem do rio pela cidade, não pela ilha do amor. A ponta do Muretá é curiosa pq ela tem um lago atrás que tem um formato triangular, assim como a ponta.

      Fonte: google maps, 2018
      A caminhada foi sussa, tirando o esforço óbvio nas pernas e pés por andar na areia, mas o segredo é ficar mais perto da água onde a areia é mais firme. A ponta do Muretá também é linda!!!! Com ondas batendo o tempo todo, e dessa vez, sem sinal de vida, salvo pelos barcos de passeio que passavam (mas não paravam) e botos que brincavam perto da praia (sim, vi botos na superfície, mas era difícil registrar os danados). A praia era só para mim naquela tarde 🤩

      Por essa tarde, declaro a ponta do Muretá território Stanlístico!  Detalhe: no horizonte é a serra da piroca e mais à direita da imagem fica a ponta do cururu

      Praise the Sun!
      O pôr do sol também ficou impedido pelas nuvens, mas foi melhor do que no cururu. Lindo demais, uma pena que tinha que voltar logo para a vila antes que anoitecesse.
      Só a nível de curiosidade, os gastos foram mínimos nesses dias: tirando as diárias do camping, só gastei um pouco com comida, leite-achocolatado-pão-queijo-presunto-ovo para café + lanche, e as lembrancinhas nesse dia, estava bem alimentado e com um espaço seguro para acampar, que pra mim era o principal. Poderia ter gastado mais, poderia, se eu quisesse fazer os passeios, mas optei por não fazer, pelo medo de chover e o passeio não valer a pena (fora que sempre gosto de fazer as coisas de forma mais independente).
      4o. Dia: despedida de Alter do chão
      Esse seria meu último dia na vila, até porque queria conhecer Santarém um pouquinho. Me recomendaram ficar em Alter pq valia mais a pena e tal, mas acabei seguindo meu coração das cartas.
      O dia seria para visitar lugares previamente visitados. Sei muito bem que deixei de visitar a ponta das pedras, que meio mundo diz ser o lugar mais bonito da região. Os valores dos barcos não estavam justos, a meu ver (prefiro não informar), e a praia infelizmente é bem isolada, sendo necessário um transporte próprio para chegar lá, se não for contratando barqueiro. A pé, pelas praias, até é possível, mas levaria o dia inteiro, fora o cansaço, então penso que essa atração serviria para me motivar mais ainda a retornar (pensando seriamente em trazer a mãe aqui em 2020). 
      Esse foi o primeiro dia em que não amanheceu chovendo, pelo contrário, fez até um solzinho forte que duraria o dia todo, então com esse tempo bonito, imaginei que daria para chegar ao topo do morro sem me deparar com os insetinhos (descobri que as chilenas que estavam acampando foram lá de noite, e chegaram no topo sem problemas, me arrependo de não ter pensado em fazer essa trilha noturna )
      Tomei um café reforçado, pois só iria retornar no meio da tarde à vila, então comecei o dia na trilha do morro. E dessa vez deu tudo certo, apesar de lá haver um outro inseto chatinho (que lembra uma abelha sem ferrão), deu para ficar lá em cima por um bom tempo, e tirar altas fotos para matar os amigos de inveja.

      Melhor vista. Reconhece aquela ponta ali?

      Agora posso dizer pra família e amigos: subi a piroca, minha gente!!!
      Após terminada essa trilha, como eu tinha gostado bastante da ponta do cururu, e como eu tinha chegado lá no final da tarde de domingo, imaginei como estaria bonita em plena quarta ensolarada. E acertei em cheio! As águas estavam bem agitadas, e com uma cor maravilhosa   aquele local digno de cartão-postal havaiano. E a melhor parte: novamente estava com a ponta só para mim 

      Que água transparente é essa, cara?

      O calor não faz muito bem pros anuros, então o jeito é procurar uma sombrinha, ne

      Ah, o paraíso

      Perfeição
      base montada, passei umas horinhas brincando na areia, nadando, ou simplesmente boiando nas ondas, e era uma felicidade sem fim! Um cabra de quase 30 com a alma de 10 brincando na praia, mas como alegria de pobre dura pouco, a fome estava batendo, e precisava retornar para a vila. Umas 13:00 me despedi daquele cantinho do céu e tratei de retornar.

      Recadinho para o povo que iria assistir o pôr do sol, antes de ir embora 🤭🤭🤭
      Almoço devorado, era hora de enfim me despedir do pessoal do camp., agradecer à anfitriã pela hospitalidade, e pegar o rumo à Santarém. Existe uma única linha que faz a integração Santarém-Alter, que passa pelas paradas de ônibus sinalizadas nas ruas. Então é só ir, comprar um chopão geladinho (vc sabe o que é chopão?), e esperar, pq se não me engano é de meia em meia hora que passa.

      Ah o Rober na breja se depedindo de mim. Obrigado a todos presentes nesses dias!
      Cheguei em Santarém no final da tarde, no centro, e fiquei perambulando pela famosa orla, procurando possíveis lugares para pernoitar (enfim, dormir numa cama!! 😭😭😭), até que encontrei o hotel alvorada. Uma casa no melhor estilo do início do século passado,um pouco rústica, comparando com o padrão de hotel e pousada atual, porém receptiva e com um ótimo custo-benefício (paguei nem 100 reais por duas diárias, isso com café e wifi incluso), com vista pro rio, e ainda localizada no centro da cidade. Definitivamente acertei em cheio  e recomendo, se você está numa estadia em Santarém, e não faz questão de muito luxo, ou quer uma experiência de vivência do homem do norte autêntica, e uma ótima localização.

      Le orla com a área recreativa

      A cultura do sapo presente também em STR.
      Com isso, só restava arrumar as coisas, tomar um banho merecido, e dormir.
      5o. Dia: conhecendo um pouquinho de Santarém
      O dia foi resumido a simplesmente conhecer alguns dos principais pontos da cidade. A mãe estava sempre mandando mensagens para eu tomar cuidado com isso e aquilo, mas confesso que dificilmente me senti inseguro em alter e STR. A cidade é razoavelmente policiada, e a impressão que tive é de que a criminalidade lá é pequena, comparando com Belém e outras regiões do estado. Além do mais, a cidade tem vários pontos em comum com Manaus, então, de certa forma me senti familiarizado ao andar por ali  
      Alguns pontos que você precisa saber se quiser conhecer a cidade:
      * Santarém, como já disse, tem um centro comercial colado com a orla, onde a maioria dos ônibus passa (incluindo o ônibus para alter). Se você se hospedar no centro, tem um retorno garantido.
      * No centro, a melhor referência de parada de ônibus é a praça Barão de Santarém (também chamada de praça São Sebastião). Lá tem museu e uma catedral, também.
      * O encontro das águas pode ser visto do início da Orla, nessa data que fui estava em reforma, mas, diferente de Manaus, onde você precisa pegar uma balsa ou um barco particular para ver a atração, o encontro dos Rios Amazonas e Tapajós é mais de boa para ver e registrar. 
      * Uber não existe lá. Mas particularmente não vi como um problema, uma vez que a cultura de mototáxi é forte, e passam muitos ônibus nas avenidas principais da cidade.
      * A orla é bem movimentada de noite, porque tem uma parte da praia que é destinada para o lazer, atividades físicas, fora o calçadão, onde as pessoas comem e fazem caminhada. Super de boa. 
      * Há um zoológico legal para visitar, mas que é de difícil acesso, é altamente recomendado você ter transporte próprio para chegar nele.
      * Há Wifi gratuito nas principais praças da cidade, é só se registrar e usar, se estiver disponível. Pela tranquilidade das pessoas usando, deu a entender que o receio de assaltos era mínimo.
      * O parque da cidade fica próximo do centro, dá para ir até a pé, mas vai de cada um.
      * O melhor horário para visitar a Orla, a meu ver, é do fim da tarde até umas 21 ou 22 horas, pelo fluxo de pessoas. Na área do conhecido bar do mascotinho tem uns restaurantes, pizzarias e bares bacanas.
      * Existem umas praias bacanas próximas do aeroporto de STR, mas que necessitam de transporte próprio (ou money para o taxi) para chegar lá, numa delas fica a badalada casa do Saulo, pela correria e ausência de transporte, acabei não indo também para esses lugares.
      O primeiro ponto que fui conhecer foi o parque municipal, gosto de espaços naturais para o convívio e prática de exercícios e ações sociais, fui me orientando pelo localizador + google maps, vi que dava para ir andando, e logo cheguei ali.

      A pista de cross para quem curte uma bike marota. 

      Uma coisa que achei muito legal do parque é a preocupação com a educação, ali existem inúmeros avisos de conscientização, e uma pegada forte para o cuidado com o meio ambiente, com foco no reaproveitamento de pneus, os mesmos foram utilizados para a trilha de mountain bike, e confecção de animais e plantas de pneus. Simplesmente show de bola! Viveiro de quelônios, de plantas, e até um minhocário foram pontos interessantes de se ver. 

      O parque pega pesado (num bom sentido) na pegada ecológica, além de ser bem arrumado. Parabéns!

      Idéias que viram inciativas que embelezam o lugar

      Espaço saúde para caminhadas e trilhas
      Depois do passeio, o próximo ponto de interesse era o Zoológico da UNAMA. Este fica praticamente na zona rural da cidade, foi meio tenso o mototáxi me deixando numa rua de terra e me dando as direções  mas o maps estava indicando que era ali mesmo, e os moradores confirmaram a direção. 
      O zoológico estava passando por uma reforma e ampliação, nessa semana em que estava indo, mas deu pra curtir. É cobrado um valor simbólico de entrada, e um valor adicional para visitar o "berçário" dos peixes-boi, segundo o rapaz que estava me atendendo era uma taxa para ajudar na compra de material para fazer o leite "manipulado" dos filhotes, pessoalmente pagar os R$ 3,00 de entrada mais os R$ 3,00 de manutenção dos viveiros dos peixes-boi vale MUITO a pena, pelo prazer de colaborar para o desenvolvimento de um espaço de lazer e conhecimento.

       

      Que gutyyyyy 🤩
      As araras-vermelhas estavam livres no espaço, eu não sei se podia fazer algo além de tirar foto com elas (até porque uma delas quase rouba minha bandana e belisca minha orelha ), mas achei isso legal, pois promove uma interação maior com os visitantes, além de dar uma liberdade maior para os animais (só as araras, no caso). De resto, haviam algumas gaiolas com espécies nativas, algumas vistas no Pará e não no Amazonas, acho sempre válido conhecer elementos da nossa fauna. Infelizmente não haviam tantos animais, comparando com outros zoológicos que visitei, mas gostei bastante do espaço (trilha no meio da mata), e como já disse, o zoo está em expansão, então provavelmente no ano que vem já existirão mais espécies em exibição.

      Era o animal mais próximo dessa visita
      Saí do Zoo na hora do almoço, então peguei dois ônibus em direção ao Shopping da cidade (acho que o único), mas não cheguei a ver nenhum restaurante bacana, então fiquei por pouco tempo lá. Creio que era melhor ter ido de tarde, até para assistir um filminho, mas sem crise!!! 
      Retornei para a pousada no meio da tarde, descansei um pouco, e de noite, fui dar mais uma volta na orla, para beliscar uma besteira ou outra, e curtir a vibe noturna da cidade. No dia seguinte seria apenas para dar uma voltinha no centro comercial, ver se tinha algo que valia a pena comprar, e pegar o vôo para Manaus, então não entrarei em detalhes.
       



      Então é isso. A viagem foi extremamente prazerosa, feita na base dos improvisos, em alguns aspectos, mas valeu cada segundo aproveitado. E ao contrário do que um ou outro pode achar ou pregar, não é um destino caro. Alter é um lugar para todos os bolsos, penso que se a pessoa consegue fazer contatos, ou se dedica um pouquinho a pesquisar sobre os lugares, ela se programa tranquilamente, e honestamente, isso nem é necessário. A corrente da boa vibe do lugar por si só te carrega sem maiores problemas. Só seguir a onda =D
      Agora às informações básicas, como de praxe em meus relatos:
      Melhor época para ir: semelhante ao Amazonas, Pará possui um período de cheia (que é mais evidente nos primeiros meses do ano e vai até o mês de Junho, mais ou menos, as águas estarão mais cheias, chuvas se farão mais frequentes), e um período de seca (de junho a novembro, onde chove bem menos e os rios dão uma secada, mas como disse, as praias ficam melhores nesse período, peguei chuva nessa semana por puro azar mesmo). Acredito que entre Agosto e novembro seja a melhor época, se você quiser evitar o movimento do final de ano. Em alter existe a famosa festa do Çairé, um grande e importante festival da região, que vale a visitada pela importância cultural.
      custos: cara, levei R$ 500,00 e gastei aproximadamente R$ 390,00, e pude ficar super de boa lá. Tomava café, almoçava, lanchava, jantava e/ou comia besteira quase todo dia, acampei em 3 dias e fiquei hospedado em um quarto próprio de hotel em 2, pude comprar lembrancinhas, e se quisesse teria comprado mais. O que realmente dói no bolso do visitante são os passeios de barco ou o transporte alugado, pois muitas atrações são de difícil acesso por terra, ou estão um pouco longe, ou mesmo em outras vilas. Penso que você vai gastar mais em alter mesmo.
      O que fazer lá: Só a vila de alter por si só possui a ilha do amor e as praias próximas como referência (atrações 0800), a trilha para a serra da piroca, o lago verde e suas adjacências. As pontas, como mostrei, podem ser acessadas por terra, mas somente durante a seca, e exige um esforcinho, então o melhor jeito de chegar nelas é de barco. Há passeios com preços variados. Existem atrações ainda mais distantes como a FLONA (que pessoalmente não me interessa por eu já ter muito contato com a floresta amazônica), a tal cidade das casinhas dos americanos, etc.
      Em Santerém também tem muitos lugares interessantes, mas que vão exigir pesquisa e um transporte próprio. De principal, o centro, o parque, o zoológico e algumas praias que ficam lá nas proximidades do aeroporto.
      Dinheiro ou cartão: leve ambos, porque há sinal de cartão em alter, e alguns bancos. Como me senti seguro andando na vila e na cidade, para mim bastou levar o dinheiro muito bem escondido e uma parte na carteira, de uso imediato. O cartão de crédito sequer foi utilizado.
      Transporte: recapitulando, em Santarém existem ônibus que circulam pela cidade quase toda, uma linha que vai para o aeroporto, e uma linha comum que vai para alter. A menos que você realmente não goste de ônibus, existem pontos de táxi e mototáxi em alguns lugares da cidade. O mototaxi é mais frequente. Em alter não vi taxi de nenhum tipo, então basicamente você se desloca por barco para certos lugares.
      Hospedagem: Tanto em Alter quanto em Santarém, lugar para ficar não falta, e tem para todos os bolsos. Pessoalmente não gostei dos preços dos estabelecimentos ofertados pelo booking, então penso que vale a pena andar um pouco e encontrar um lugarzinho bom e barato.

      Sejam felizes, e curtam bastante a vibe paraense! =D


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