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Para mim é algo realmente complicado traduzir em palavras os momentos vividos nos dias da minha viagem. Viagem esta que não se traduz num simples mochilão ou turismo de longa duração. Foi o encontro d

Eita! Vou ter que editar tudo novamente, a atualização do site desconfigurou toda a formatação e retirou as legendas da fotos. Enfim, com calma irei reajustar tudo. 

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Parte 14: Belém e Marajó

“ “A maioria dos homens não quer nadar antes que o possa fazer.” Não é engraçado? Naturalmente, não querem nadar. Nasceram para andar na terra e não para a água. E, naturalmente, não querem pensar: foram criados para viver e não para pensar. Isto mesmo! E quem pensa, quem faz do pensamento sua principal atividade, pode chegar muito longe com isso, mas sem dúvida, estará confundindo a terra com a água e um dia morrerá afogado.” O Lobo da Estepe, Hermann Hesse

Estranho chegar a Belém pelo grande Amazonas. Esperava chegar em um porto imenso e acabei chegando num porto que mais se parecia com os fundos de uma empresa. Pelo o que eu entendi cada empresa que faz este trajeto (Manaus/Santarém – Belém) tem seu “porto” particular. Cheguei e logo me acomodei na frente de uma TV que passava a final da Copa São Paulo de futebol. Fiquei assistindo o jogo até a Regina chegar. Entrei em contato com ela pelo couchsurfing e desde o inicio foi super atenciosa comigo. Agora era hora de conhecer Belém do Pará.

Regina é arquiteta e faz mestrado na UFPA, gosta muito de literatura, açaí e camarão, mas sua verdadeira paixão é a língua francesa. Ela é a doçura em pessoa e em todo momento está sorrindo. Toda imagem que eu tenho dela na memória, ela está sorrindo. Logo ela partiria para um mochilão pela Europa.

Foram dias especiais em Belém, sempre na companhia da Regina. Fomos andar pelo centro da cidade. Caminhamos pelo Ver-E-Peso. Conhecemos diversos museus. Visitamos o imponente Theatro da Paz e o Mangal das Garças. Comemos açaí. Comemos camarão com açaí. Comemos peixe com açaí. Comemos açaí puro. Com açúcar. Com farinha. Com tapioca. Açai de diversas maneiras. Açai em Belém é a melhor coisa e a única coisa que se pode pensar. É bom demais. Diferente do resto do Brasil, afinal é o original. O açaí do Ver-E-Peso é o melhor e fica ainda melhor acompanhado de Dourada (um peixe).

Culinária 14.1: Existe uma rede de sorvetes em Belém chamada Cairu, que se intitula o melhor sorvete do mundo e talvez seja. Na verdade é bom demais, mas entre tomar sorvete ou açaí, acabava sempre com o açaí.

Curiosidade 14.1: Como podemos sentir vontade de comer açaí a todo o momento e açaí não pode faltar. Caminhando pela cidade é possível saber onde se vende açaí por uma bandeira vermelha içada na frente da casa/estabelecimento e se tiver uma velinha, o negócio é 24 horas.

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Uma coisa que me chamou atenção foi o museu do Círio de Nazaré. Muito bonito e cheio de cores, assim como a procissão do Círio. Não sou religioso, mas ver a devoção que aquele povo tem pela Nossa Senhora de Nazaré é emocionante demais, mesmo por vídeos ou por histórias. Um dia pretendo voltar a Belém para ver com meus olhos e participar do Círio de Nazaré.

A mãe da Regina a Lúcia também foi uma boa surpresa de Belém. Ela é toda engajada no ambientalismo e aprendi muitas coisas com ela. Com a Regina tudo era é fácil, nos entendíamos muito bem. Nossa afinidade é grande. Foi bom demais aqueles dias. Saudades da companhia e dos risos da Regina.

Vídeo 14.1: A Regina me mostrou essa paródia da música do Bruno Mars e Mark Ronson – Uptown Funk que fala de Belém. Eu, ao menos, achei muito engraçado.

“Sinto-me em casa ao lado de Regina e sua família.” Notas de Diário

Depois de alguns dias em Belém quis ir conhecer Marajó. Deixei minhas coisas na casa da Regina e peguei um barco para Marajó. No porto, aqui um porto de verdade, existem duas opções para se chegar à cidade de Salvaterra na ilha de Marajó. Fiquei com a opção mais barata o barco usado pelos locais, a outra opção é um catamarã que é duas vezes mais rápido, porém, mais caro. Antes da viagem, fui presenteado pela Regina com um livro chamado Marajó escrito pelo Dalcídio Jurandir, o filho mais pródigo da maior ilha fluvio-marítima do mundo. Agora conheceria Marajó por histórias e pelos meus olhos.

Curiosidade 14.2: A ilha de Marajó é composta de dezesseis municípios. A cidade mais populosa é Breves, mas a mais importante cidade da ilha é Soure (a segunda mais populosa) e considerada sua capital, lembrando que Marajó pertence ao estado de Belém, então a nomeação de Soure é meramente simbólica.

Curiosidade 14.3: A população da ilha de Marajó é pouco mais que 500 mil habitantes e a população de búfalos ultrapassam 600 mil búfalos. O maior rebanho de búfalo do mundo.

A viagem é bem tranqüila. O barco tem assentos e a paisagem durante todo o trajeto é muito bonita. Cheguei ao porto segui para a “pseudo-capital” capital de Marajó, Soure. No porto existem diversos transportes (van, micro-ônibus) para as cidades acessíveis via terrestre a partir dali. Não sei ao certo porque escolhi ir para Soure, dessa vez não foi por causa do nome, pois Salvaterra é um nome mais chamativo. Não sei. Depois de quase uma hora dentro da van, enfim, Soure. Sai caminhando e logo conheci o Valdomiro e em seguida estava hospedado na sua casa/pensão.

"O rio, uma cobra de prata, se desenrolava na sombra e ia urrar na baía. A curicaca deslizava no vigor da cobra de prata, a maré enchendo trazia o bafo áspero de mato podre e de bichos. O estirão foi se distanciando, com ele o medo daquelas trovoadas que arremessavam árvores contra os homens..." Marajó, Dalcídio Jurandir

Valdomiro é um jovem de 90 anos, trabalhou a vida toda na marinha mercante, parte na marinha do Brasil e parte na marinha do Reino Unido. Conhecedor dos rios e mares e ótimo contador de histórias e estórias. Dono de uma saúde invejável e de uma disposição de criança. Quase sempre está sorrindo.

Logo de inicio viramos amigos. Ele saiu caminhar comigo para mostrar a cidade. Não deixava fugir nenhum detalhe e me apresentava para todos os seus conhecidos, praticamente, todas as pessoas que estavam nas ruas. Com seus noventa anos dizia que eu andava muito devagar e que assim não fugiria de nenhum búfalo. Na volta deixou sua bicicleta a minha disposição para explorar Marajó.

No outro dia sai de bicicleta rumo à Praia do Pesqueiro. O trajeto é lindo demais. Eu desviava a todo o momento para conhecer o entorno do caminho. Até então não tinha visto nenhum búfalo até no percurso cruzar com uma manada de uns cinqüenta búfalos. Tentei manter a calma. Fiquei parado. Eles foram passando um a um do meu lado. Cheios de cortesia liberaram a estrada novamente para mim. Senti-me um bobo por, algum instante, sentir medo daqueles seres tão tranqüilos. Cheguei a Praia do Pesqueiro e logo fiquei feliz de estar naquele lugar. Guardei a bicicleta numa casa a dois passos da praia e sai caminhando. A Praia do Pesqueiro, talvez, seja o lugar mais visitado da ilha de Marajó. Com certeza é a praia mais famosa. A fama é justa, mas acho que o charme da praia são os diversos rios que tem como foz aquela parte de mar.

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Passei o dia inteiro ali. Experimentei o famoso queijo de búfala que é muito bom. Andei muito. Não havia quase ninguém nesse dia. Fiz amizade com alguns nativos e quando a chuva chegou para valer fiquei jogando sinuca com os mesmos. No fim da tarde peguei a bicicleta e fui tranquilamente embora. Chegando a casa do Valdomiro comecei a passar mal do estômago. Vomitei. Tive diarréia. Vomitei mais um pouco. Valdomiro com seus chás milagrosos me salvou e cuidou de mim. Que gratidão. Logo na outra manhã já estava novo novamente. Valdomiro disse que foi o queijo de búfala que me fez mal, eu acho que foi o excesso de açaí que estava ingerindo naqueles dias. Só sei que fiquei mal de verdade.

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“Sem palavras para o Valdomiro. Cuidou de mim como se fosse da família. Nem sei o que faria se estivesse sozinho hoje. Agradeço ao destino por ter-lo colocado no meu caminho. Obrigado.” Notas de Diário

Fui conhecer a Praia da Barra Velha. Essa praia virou a minha favorita de Marajó. Só olhar para ela para entender o porquê disso. Com a vegetação típica de mangue no meio do mar faz dela uma preciosidade aos olhos. O contraste e o diferente são as marcas registradas dessa praia. Caminhei muito pelo lugar e a cada passo era uma surpresa de paisagem.

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“Hoje vi uma infinidade de Guarás vermelhos. Que coisa linda. Eles pareciam pintados a mão de tão vermelhos. Pena não estar com o celular para registrar o momento.” Notas de Diário

A única coisa ruim de Soure é a overdose de picadas de muriçocas. Não tem como dormir sem mosquiteiro. Mesmo no mar os mosquitos enchem o saco. De todos os lugares que já fui nessa vida, com toda certeza, Soure é o lugar com mais muriçocas.

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Pela noite eu e o Valdomiro ficamos a conversar. Deitados nas redes na varanda na companhia de mais alguns nativos. Conversamos sobre as guerras mundiais. Conversamos sobre quem eram as maiores personalidades da história. Conversamos sobre futebol. Conversamos sobre viagens. Conversamos sobre encontros e despedidas. Conversamos sobre seus cem anos que se aproximava. Foi uma noite das mais agradáveis. Saudades e gratidão é o que fica do Valdomiro.

A ilha de Marajó é um lugar sem estrutura nenhuma para o turismo. Isso faz seu charme. Pois você terá que, necessariamente, interagir com os nativos. Fique feliz por isso. Os marajoaras são gente da melhor qualidade. Coração grande. Sorriso no rosto. Muitas histórias para contar. A simplicidade das pessoas e do lugar vão te encher de alegria e fazer dos seus dias naquele lugar único os melhores possíveis.

Retornei a Belém, peguei minhas coisas e me despedi da Regina e família. Difícil deixar a Regina, mas feliz por ter conhecido alguém como ela. As saudades começaram no último abraço. Agora voltaria para o Maranhão, estado tão importante na minha formação como pessoa e que fui tão feliz anos antes com o projeto Rondon. Era hora de voltar para São Luis e o frio na barriga já fazia companhia.

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Muito obrigado Regina e Lúcia. Obrigado pelos dias em Belém. Obrigado pela companhia e pelo companheirismo. Um beijo na alma de vocês.

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Parte 15: São Luís, Lençóis Maranhenses e o delta do Parnaíba

"A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu; e ela não perde o que merece ser salvo" Dias e Noites de Amor e Guerra, Eduardo Galeano

Talvez eu nunca consiga entender o que eu sinto por este lugar. Sei que me apaixonei pelo Maranhão anos atrás. E para mim é algo, realmente, difícil voltar aqui. Sempre tive algumas paranoias, uma delas é não voltar em lugares que fui muito feliz no passado. Pelo simples medo de sobrescrever as lembranças boas por novas experiências que possam ser ruins. Agora era hora de voltar para o Maranhão, mais precisamente São Luís e o frio na barriga tomava conta de mim.

Cheguei numa manhãzinha de segunda-feira. Estava muito calor. Eu não estava muito certo se deveria ficar ali. Lembro que fiquei umas duas horas na rodoviária, pensando se pegava o próximo ônibus para o Piauí. Resolvi ficar. A Denise estava a minha espera. Peguei um circular e fui até a casa dela.

Denise é uma guria mais que tranquila. Quase formada em arquitetura, viveu o último ano na Itália e lá tinha encontrado seu companheiro de vida.

Num dia fui até ao centro histórico de São Luís. Me perder naquelas vielas, cheio de escadarias, mais parecia um "déjà vu" do que uma nova experiência. Não estava feliz. O passado feliz criava uma enorme expectativa sobre o presente. Não queria ter novas experiências e sim reviver o passado. Só quando percebi isso que comecei aproveitar o lugar. Passei ir em lugares que não conhecia e assim, parei de ser saudosista e comecei a viver o presente e de presente o destino me entregou dias felizes.

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"Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a esse artifício conseguimos suportar o passado. Mas quando voltou a ver do convés do navio o promontório branco do bairro colonial, os urubus imóveis nos telhados, a roupa dos pobres estendida a secar nas sacadas, compreendeu até que ponto tinha sido uma vítima fácil das burlas caritativas da saudade." O amor nos tempos de cólera, Gabriel Garcia Marquez

Fui para cantos que não conhecia. A praia de Carimã, em Raposa (não entendi bem, mas acho que Raposa é uma cidade ou talvez um distrito de São Luís) foi a melhor surpresa. A praia não é acessível por terra, precisando do serviço dos barqueiros para chegar até ela. Eu estando na praia, só havia eu, com aquela infinidade de mar, areia e pouco de vegetação fez eu me sentir o dono do mundo. Caminhei por horas nas areias desertas, nunca havia me sentido tão só e solo aproveitei aquele mar na companhia de um vento forte. Quando o sol teimava em ir embora, decidi que tinha que partir. No ônibus, voltando para São Luís, percebi que o passado era uma corrente e quando aceita-se o presente, o mesmo se abre como algo bom. Depois de sair do ônibus era um novo cara ou, ao menos, um cara que não remoía o passado mais.

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Em outro dia qualquer, me despedi da Denise e segui rumo a Barreirinhas. Era hora de conhecer os lençóis Maranhenses. Logo no ônibus conheci um uruguaio que mochilava pelo Brasil, ele andava decepcionado pelo nível das praias do nordeste, que na opinião dele, somente a Bahia trazia boas praias. Logo desconfiei dele por tal sentimento. Mas ele se mostrou ser uma boa pessoa. Ele fissurado por futebol e pelo Peñarol, ficou feliz em saber que estávamos num mesmo jogo meses atrás no Uruguai. Fomos conhecer as infinidades dos grandes lençóis juntos. Pena que as lagoas estavam secas (geralmente, a melhor época é junho e julho para visitar), na maioria delas. Os lençóis parecem ser infinitos, tanto de altura, tanto de extensão. Lembro, como uma criança, que saia correndo por aquelas montanhas de areia até a gravidade não deixar mais e rolava de volta. Ou sair correndo para subir as mesmas montanhas de areia. Aquilo é fantasia pura e beleza no estado da arte. Não tem como não se apaixonar por aquele lugar.

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Lembro agora de um casal de franceses que conheci na Chapada Diamantina meses depois. Eles já tinham estado em centenas de lugares pelo mundo. Conheciam todos os continentes, mas que na visão deles nenhuma beleza superava a dos grandes lençóis maranhenses.

O uruguaio seguiu viagem e eu continuei em Barreirinhas e me hospedei em uma rede na casa do professor. O Rodolfo, o professor, é gente boa demais, largou sua vida de professor de inglês para abrir o hostel (Casa do Professor) em Barreirinhas.

Barreirinhas é a cidade porta de entrada dos lençóis. Aqui encontra-se todo o tipo de hospedagem e restaurantes, mas tirando a orla do rio Preguiça a cidade é uma cidade comum que nem parece estar cercada dos grandes e pequenos lençóis. Se optar por conforto, Barreirinhas é o lugar, caso queira ter contato direto com a natureza do lugar opte por hospedar-se em Atins ou Santo Amaro (Infelizmente, não tive o prazer de conhecer Santo Amaro).

Dias depois, segui para Atins. Peguei carona em uma voadeira e seguimos pelo rio Preguiça. Estava atravessando um trajeto turístico e passei pelos vilarejos de Vassouras, Mandacaru e Caburé. Todo trajeto é lindo demais, mas o ponto alto é parar em Vassouras e conhecer o pequenos lençóis Maranhenses. Os pequenos lençóis é uma formação (nesse caso areia) mais recente (geologicamente) e se difere dos grandes lençóis por serem menores (obviamente) e principalmente por ter uma cor mais escura, Mas a beleza é surpreendente como nos grandes lençóis. Caburé é uma faixa de praia entre o rio preguiça e o mar, famoso pelo seu prato de camarão, que é muito caro. Mandacaru é menos turístico, mas tem o azar de não ter acesso ao mar e assim, não tem o "glamour" de Caburé.

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Atins é o "lugar" nos lençóis, mistura praia de mar, praia de rio e os lençóis, além de uma comunidade receptiva. Nos meus dias lá fiquei hospedado em um redário. A beleza está por todo lugar. Queria fazer a travessia a pé por todo o deserto maranhense, mas não criei coragem de fazer sozinho e não tinha dinheiro para pagar os altos valores de guias, que saiam de Atins e chegava em Santo Amaro, parte mais preservada dos lençóis maranhenses. Mas me contentei em estar no paraíso de Atins.

Pela primeira vez na viagem, sentia a necessidade em voltar pra onde eu estava. Um dia tenho que voltar para Atins e fazer o trekking por todo os lençóis.

Atins é o paraíso. Sua praia sem ondas e o céu, parece, pintado a mão. Calmaria e noites mais que estreladas fez eu entender um senhor libanês que morava há décadas ali. Ele me dizia "Se existe uma coisa que eu entendo é praia e nenhuma supera essa de Atins". Talvez Atins não seja a praia mais bonita ou vistosa que eu já vi, mas com certeza foi a que mais a paz reinou sobre mim. A magia do lugar e do luar faz ela ser especial.

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Quando chegou o dia de partir de Atins peguei uma Toyota como transporte até Barreirinhas. Saímos de madrugada. Do lado de dois bodes, me acomodei no fim da Toyota. Os bodes que estavam amarrados em suas patas pareciam, com razão, chorar a viagem toda. Chegando em Barreirinhas seguiria para Parnaíba no Piauí.

Primeiro peguei uma Toyota até a cidade de Paulino Neves. Esse trajeto é beleza pura. Talvez, o que vi de mais bonito nos lençóis. O caminho é uma mescla de grandes dunas, com povoados e sertão. Lindo demais. Pensei em muitas vezes descer e ficar ali. Chegando em Paulino Neves peguei uma Van até Tutóia, o trajeto ainda é bonito, mas o asfalto começa a dar a cara. Tutóia é uma cidade, como qualquer outra, cheguei e fui embora. Agora chegava no surpreendente Piaui. Na rodoviária de Parnaíba a Clayce me esperava.

Clayce é uma guria especial. Administradora e já trabalhou em diversos empreendimentos, agora, como eu, estava confusa sobre a vida, mas tinha uma força grande e eu sabia que ela daria certo em qualquer coisa que tentasse. Dona de um coração grande, abriu sua casa, junto sua mãe Maria. Só sei que sinto muitas saudades das duas, muitas saudades.

Em Parnaíba, fui conhecer o delta do Parnaíba. Um dos três deltas do mundo que desaguam em alto mar (os outros são o rio Nilo e o outro no Vietnã que não me recordo o nome), mas o rio Parnaíba é o único que deságua num Oceano, Atlântico nesse caso. Confesso que não sabia da existência do rio Parnaíba, nem da cidade de Parnaíba e muito menos do delta do Parnaíba antes do mochilão. Santa ignorância que só serviu para me trazer boas surpresas. Parnaíba é um local de forte vegetação com a transição das dunas que remetem os lençóis. Lindo, lindo. Por cinquenta reais, você entra numa embarcação com café da manhã cheio de frutas, almoço e uma caranguejada no fim, que percorre o rio Parnaíba até sua foz. Que viagem. Lindo demais. Chegar na foz e ver o mar com aspecto barrento do rio é das coisas que mais me surpreendeu. Tudo é lindo. Os manguezais no meio do caminho. Os infinitos caminhos do delta. A parte que mais me recordo foi a parte das altas dunas, que do alto se vê um infinito de areia, cortado pelo rio Parnaíba e no restante a vegetação densa das ilhotas do delta. Quanta beleza. Tirei minha melhor foto ali. A foto trás uma faixa de areia, outra de rio e outra de verde, sempre sorrio ao ver essa foto.

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"Hoje foi dos melhores dias. Conhecer o delta meu surpreendeu demais. Tudo é lindo. O encontro do mar com o rio. Os imensos igarapés. As infinitas ilhotas. As dunas. O labirinto que se resume essa coisa chamado Delta do Parnaíba. Outra coisa que me marcou foi o senhorzinho, parceiro de cerveja e conversas, com seus mais de setenta anos continua viajando sozinho e levando simpatia por onde passa. Ele me disse que a enfermidade viajar nunca sara e é preciso ir se adaptando conforme o tempo" Notas de Diário

Era carnaval. Safadão estava em Parnaíba. Não tinha dinheiro para ir nas badalações. Em um dos dias, fui num carnaval com música latina no único hostel da cidade junto com a Clayce. Nos outros dias vivi mais próximo da família dela. Foram bons dias. A Maria e a Clayce faziam-me sentir em casa. Quanta gratidão e que saudades. Experimentei a famosa cajuína e não gostei, já a tapioca de lá é a melhor do mundo. Parnaíba é uma cidade muito bonita e organizada, moraria tranquilamente. No dia de ir embora eu queria ficar pra sempre, mas a viagem tinha que continuar. Com o coração apertado me despedi da Clayce e da Maria.

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"… mas se deixou levar por sua convicção de que os seres humanos não nascem para sempre no dia em que as mães os dão à luz, e sim que a vida os obriga outra vez e muitas vezes a se parirem a si mesmos." O amor nos tempos de cólera, Gabriel Garcia Marquez

Entrei no ônibus. A saudade era algo que eu já estava acostumado. Um filme de todas pessoas que fizeram parte da viagem, até aqui, dominava meus pensamentos. Queria que o ônibus estivesse cheio de todas essas pessoas, mas olhava para os lados e não conhecia ninguém. O motorista acelerou, as luzes se apagaram. Ganhei uma tapioca da senhorinha do lado que em seguida me apontou para a janela. Olhei pela janela e via muitas estrelas, comecei a ficar ansioso por ter refugado Jericoacora para ir conhecer o maior museu a céu aberto do mundo, a Serra da Capivara.

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Diego, não para não! Toda vez volto aqui pra ver se tem atualização, e acabo relendo as histórias anteriores.

Repito, é das coisas mais bacanas que já li. Resultado de uma das viagens mais bacanas que já vi.

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Diego, não para não! Toda vez volto aqui pra ver se tem atualização, e acabo relendo as histórias anteriores.

Repito, é das coisas mais bacanas que já li. Resultado de uma das viagens mais bacanas que já vi.

 

@mcm não irei parar não, estou juntando as fotos e os escritos da próxima parte e nos próximos dias devo publicar. Fico muito feliz, de verdade, que tenha lido até aqui. Espero que goste também das próximas partes.

 

Muita paz pra ti!

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Diego, parabéns pela sua sensibilidade e pelo seu modo de ver a vida e valorizar as coisas simples.

 

Tenho muito em comum com vc meu amigo (já posso te chamar assim!).

 

Cada vez que vc cita Galeano, fala das pessoas humildes de um modo valorizador, eu sinto muito orgulho e tenho cada vez mais a certeza de que nem tudo está perdido no Brasil.

 

Viajo 24/12 e depois irei colocar o meu relato!

 

abraço e paz, camarada!

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Diego, parabéns pela sua sensibilidade e pelo seu modo de ver a vida e valorizar as coisas simples.

 

Tenho muito em comum com vc meu amigo (já posso te chamar assim!).

 

Cada vez que vc cita Galeano, fala das pessoas humildes de um modo valorizador, eu sinto muito orgulho e tenho cada vez mais a certeza de que nem tudo está perdido no Brasil.

 

Viajo 24/12 e depois irei colocar o meu relato!

 

abraço e paz, camarada!

 

@JUNINHO BLAZE claro que sim. Eduardo Galeano é um sopro de consciência nesse mundo, ele é um cara a ser lido. Se ainda não leu, leia Espelhos dele. Espero ansioso pela sua viagem e por seu relato, espero que tenha uma bela viagem e o aprendizado seja enorme. Um grande abraço, brother. Muita paz pra ti.

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Parte 16: Serra da Capivara

"A ilha desconhecida, repetiu o homem, Disparate, já não há ilhas desconhecidas, Quem foi que te disse, rei, que já não há ilhas desconhecidas, Estão todas nos mapas, Nos mapas só estão as ilhas conhecidas, E que ilha desconhecida é essa de que queres ir à procura, Se eu to pudesse dizer, então não seria desconhecida." O conto da ilha desconhecida, José Saramago

Muitas estruturas sociais ruíram com a passagem do tempo. A pluralidade de ontem deu lugar ao singular de hoje. Diversas formas de pensamento, vida e conhecimento foram perdidas com a evolução do tempo. Contudo, nem tudo se perdeu, alguns tesouros se mantiveram vivos. O Peru guarda Machu Picchu. O Egito as Pirâmides de Gizé. Guatemala tem Tikal. Camboja e sua Angkor Wat. E o nosso Brasil? Temos Altamira no Pará e principalmente a Serra da Capivara, a nossa Machu Picchu. A Serra da Capivara é o maior museu a céu aberto do mundo. Existem mais de 700 sítios arqueológicos ali e mais de 30000 pinturas rupestres. Além de estar situado numa região onde a natureza é caprichosa demais. A única pergunta que você deve fazer a si mesmo é: Quando eu vou conhecer a Serra da Capivara?, pois não conhecer está fora de questão.

Cheguei a São Raimundo Nonato (PI) numa tarde muito quente, novamente tinha conseguido couchsurfing, e quem me esperava era a Tati.

Tati é veterinária e sua paixão é a profissão. Dona de uma simpatia peculiar e de um coração enorme, abriu a porta de sua casa, mesmo cheia de trabalho.

Nesse dia estava num quarto em companhia de inúmeros livros, folheei alguns e logo avistei o livro fotográfico Gênesis de Sebastião Salgado. Lembro que meses antes tinha ido para São Paulo só para assistir no cinema o documentário "O Sal da Terra" dirigido por Wim Wenders, que conta a vida e trajetória do Sebastião. A beleza do filme é sem limites, mesmo dando socos no estômago a cada instante ao mostrar a crueldade que nós, humanos, somos capazes. Gênesis é o último trabalho de Salgado, onde ele distancia-se do homem e aproxima-se da natureza. Ao folhear aquelas páginas e com o filme na cabeça, refletia sobre minha viagem, desde o início não queria apenas viajar por viajar, queria poder aprender, olhar a vida pelo olhar do diferente, queria ver muita beleza, mas também poder evoluir como pessoa e livrar-me de preconceitos. Fui dormir nesse dia com a certeza que tinha perdido um pouco do propósito da viagem.

Vídeo 16.1: Trailer do Sal da Terra, Wim Wenders

Acordei no outro dia, caminhei bastante por São Raimundo Nonato e fiquei a procura de um guia para me acompanhar na Serra da Capivara. O parque tem como regra que para adentrá-lo é necessário estar na companhia de um dos poucos guias credenciados. Fui até um hotel onde o representante dos guias trabalha. Lá estava uma família, o casal e um filho, dispensando um guia de uma maneira bem grosseira, o motivo era o fato do guia não ter diploma em arqueologia ou afins e não "aparentar" ter conhecimentos suficientes. Nesse momento tinha achado o meu guia, esperei o desenrolar do desentendimento e fui conversar com ele. Falei apenas se ele queria ser o meu guia no dia seguinte, ele perguntou se era apenas eu, e eu disse que sim, ele perguntou se eu importava-me de ir de moto, eu disse que não. Apertamos as mãos e combinamos que no outro dia seis da manhã partiríamos daquele mesmo lugar.

Pontualmente partimos. Fiquei admirado pela quantidade de borboletas amarelas no caminho. O trajeto durou cerca de uma hora. Chegamos na entrada do parque, paguei o valor da entrada (acho que foi 12 reais) e nessa hora percebemos que não sabíamos o nome um do outro. Prazer Diego, prazer Zezão. Depois das formalidades começamos a caminhar. Chegamos na Pedra Furada e a partir daí não me recordo dos infinitos nomes de grutas e nomes de trilhas que fizemos no decorrer do dia. Por isso não me apegarei a nomes.

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Primeiro fomos conhecer as grutas com as artes rupestres mais famosas. O interessante em observar é a estrutura do parque, onde as construções para dar mais acessibilidade às grutas são harmônicas com a natureza. Já observando aquelas pinturas, o sorriso toma conta de você, ver aquelas pinturas feitas em planos de sequência, mostrando cenas de caça, rituais e sexo é bacana demais. O ponto alto é a cena da Capivara que é a pintura que simboliza o parque e também a cena do beijo, que é de uma beleza sem tamanho.

Curiosidade 16.1: Descobertas arqueológicas na Serra da Capivara colocam em xeque a tese mais aceita sobre o povoamento das Américas. A teoria diz que as Américas foram povoadas cerca de 12 mil anos atrás quando houve a migração dos homo sapiens da Ásia para América através do estreito de Bering (local que separa a Sibéria do Alasca), e assim foram espalhando-se por todo continente americano até chegar ao extremo sul, a Terra do Fogo. Foram achados vestígios de presença humana na Serra da Capivara entre 30 a 60 mil anos atrás.

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Depois no resto da manhã adentramos em inúmeras trilhas, o foco era conhecer as belas paisagens naturais da região. Andamos muito, subimos e descemos inúmeros paredões e continuávamos a andar. Na hora do almoço sentamos debaixo de um umbuzeiro e comemos umbu até enjoar. Zezão começou a contar a história da saga de Niéde Guidon, a mulher que "descobriu" (década de 60) as artes rupestres e arquitetou todo o Parque Nacional Serra da Capivara, numa batalha praticamente sola, conseguiu trazer recursos para a preservação e criação do parque, além do museu do Homem Americano, entre outras coisas. Se não fosse Niéde Guidon, haveria grandes chances de não haver mais essa jóia arqueológica, ainda mais com o grau de preservação e zelo de hoje. O mais interessante é a paixão que todos do parque falam dela, não tive o prazer de conhecê-la (ela estava em Brasília tentando captar mais recursos, apesar da saúde debilitada dos seus passados oitenta anos), mas fiquei com muita de vontade de dizer a ela: "Obrigado por lutar por esse lugar.". Zezão repetia com orgulho que o parque era considerado o mais organizado do mundo e também lamentava que São Raimundo Nonato não comporta o turismo que o parque pode oferecer e também dizia que era por isso que eles não divulgavam o parque para o mundo todo (essas palavras de Niéde Guidon).

Curiosidade 16.2: A Serra da Capivara recebe uma média de 20 mil visitas anuais. Machu Picchu recebe 2500 visitas por dia, isso porque é o limite máximo, senão seria mais. A Serra da Capivara em conjunto com a Serra Branca e a Serra das Confusões, oferece igual ou mais opções de turismo que Machu Picchu/Cusco e de igual qualidade. São duas preciosidades que todos deviam conhecer.

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Depois do almoço, seguimos de moto para outra região do parque. Estacionamos e logo começamos a caminhar intensamente, novamente. Passamos por dezenas de grutas, cavernas, avistei outra dezenas de mocós, algumas cobras, macacos e uma onça de longe. A natureza do parque é igualmente bela as pinturas rupestres. O que mais me lembro desse dia é o presente que a natureza ofereceu. Estava numa trilha onde dois paredões muito próximos limitavam o andar e, de repente, estava na companhia de milhares de borboletas. Acho que nunca fui tão feliz na minha vida, como ao correr naquela trilha com a chuva de borboletas. Elas ficavam no chão, todas reunidas, e quando eu aproximava elas voavam, coisa linda. Isso repetiu-se por centenas de metros. Elas eram de três cores diferentes: amarela, branca e preta, e o mais interessante que ao pousarem elas sempre pousavam na companhia de suas semelhantes. Não queria ir embora jamais dali, ficava olhando admirado. O Zezão que até então comentava que eu não cansava, pedia para continuarmos, pois logo anoiteceria. Acredito que fiquei mais de uma hora ali, parado e admirando, feito uma criança. Dar o passo para fora daquele desfiladeiro foi difícil demais. A caminhada continuou. Em um determinada gruta vendo as pinturas rupestres, Zezão contou-me que aquele era seu lugar preferido do parque. Tirei algumas fotos dele ali. E depois comentei que aquela família que tinha-o recusado não sabiam de nada. Realmente não sabiam mesmo, Zezão é conhecimento puro e tácito, conhece o parque como ninguém, fauna e flora, história, além d'uma simpatia gigante. Diplomas não definem conhecimento, muito menos caráter. Ao refutar o Zezão a família me deu um dos melhores dias da minha vida. Azar deles e sorte a minha.

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"Estava caminhando em uma mata fechada. O som dos macacos faziam-me companhia. Estava distraído, até que um mocó veio chorando em minha direção. Pensei que o Zezão havia pisado nele. Zezão logo gritou comigo e disse para eu ficar parado. Fiquei. Em seguida, apontou em direção de uma cascavel. Acabei entendendo o choro do mocó. "A cascavel confia no seu veneno", disse-me o Zezão. Distanciamos e ficamos a espera. O mocó já não mexia mais, estava deitado ao lado de uma árvore, minutos depois a cascavel retornou e finalizou o serviço. Olhar aquela cascavel com o mocó dentro de si é das coisas mais impressionantes que já presenciei. A natureza é magnífica, mas é cruel ao mesmo tempo. Em seguida, fomos para uma caverna onde a escuridão dominava. Zezão teve o cuidado de aconselhar-me "Cuidado onde pisa e põe a mão", mas não era preciso, nunca estive tão atento como naqueles minutos depois do ocorrido." Notas de diário

"Não | Eu não quero saber | Como anda você | Como vai sua vida | Eu sei |Tudo o que vão me dizer | É que você está bem | Muito feliz com outro alguém" O dia todo o Zezão repetia esse trecho da música o Mito de Amado Batista, ele sempre esquecia o resto e começa denovo. Começava trilha e terminava trilha e ele tentava. Quando tentavamos interpretar algumas das pinturas rupestres ele alternava a interpretação com a música. A obsessão dele era tão grande que enquanto voltávamos para São Raimundo Nonato ele lembrou de mais um trecho e parou a moto para cantar: "Quando alguém me fala seu nome | Eu mudo logo de assunto" e logo esquecia o resto. Chegamos na cidade e consegui a senha do Wi-fi do hotel, procurei a música e coloquei para tocar. A felicidade genuína é simples, o melhor sorriso que me recordo, dos meus dias por esse belo Brasil, é o dele quando ouviu os primeiros acordes da música. Cantou a música toda e terminou dizendo: "Viu só, viu só, eu sei, eu sei". Com um aperto de mão forte despedimos-nos, antes ele pediu para eu enviar suas fotos no email de sua filha. Na manhã seguinte ele iria levar seu carisma, bom humor, cumplicidade, conhecimento e companheirismo para outras pessoas de sorte.

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Nos outros dias, caminhei mais pela cidade, fui conhecer o Museu do Homem Americano que é magnífico. Assisti alguns jogos de futebol amador. Bebi algumas cervejas. Tinha vontade de conhecer a Serra Branca e a Serra das Confusões, mas o dinheiro era pouco e não conheci outras pessoas interessadas para dividir os custos, bancar o guia obrigatório e mais a condução (são lugares bem distantes) era algo que não daria mais pra fazer, deixei a emoção de lado e percebi que tinha metade do país a percorrer até voltar para casa. Estava feliz com a Serra da Capivara, com os aprendizados do Zezão e com a rotina na cidade. Numa manhã arrumei minha mala, pela segunda vez vi a Tati, a primeira quando a conheci e agora para me despedir. Ganhei um abraço e um boa viagem. Caminhei para a rodoviária, tinha a informação que não daria pra seguir a Petrolina (a pista estava interditada fazia dias por causa das chuvas). Cheguei e fiquei olhando o mapa do Brasil, mirava os olhos no Ceará a razão levava meus olhos para o litoral (Jericoacara, Fortaleza, Canoa Quebrada, Pipa (RN)), mas o coração indicava o sertão. E claro, segui meu coração. Enfim, meu caminho iria encontrar o sertão.

"Quando alguém procura muito – explicou Sidarta – pode facilmente acontecer que seus olhos se concentrem exclusivamente no objeto procurado e que ele fique incapaz de achar o que quer que seja, tornando-se inacessível a tudo e a qualquer coisa porque sempre só pensa naquele objeto, e porque tem uma meta, que o obceca inteiramente. Procurar significa: ter uma meta. Mas achar significa: estar livre, abrir-se a tudo, não ter meta alguma. Pode ser que tu, ó venerável, sejas realmente um buscador, já que, no afã de te aproximares da tua meta, não enxergas certas coisas que se encontram bem perto dos teus olhos." Sidarta, Hermann Hesse

Conheça a Serra da Capivara.

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Diego, parabéns pela sua sensibilidade e pelo seu modo de ver a vida e valorizar as coisas simples.

 

Tenho muito em comum com vc meu amigo (já posso te chamar assim!).

 

Cada vez que vc cita Galeano, fala das pessoas humildes de um modo valorizador, eu sinto muito orgulho e tenho cada vez mais a certeza de que nem tudo está perdido no Brasil.

 

Viajo 24/12 e depois irei colocar o meu relato!

 

abraço e paz, camarada!

 

@JUNINHO BLAZE claro que sim. Eduardo Galeano é um sopro de consciência nesse mundo, ele é um cara a ser lido. Se ainda não leu, leia Espelhos dele. Espero ansioso pela sua viagem e por seu relato, espero que tenha uma bela viagem e o aprendizado seja enorme. Um grande abraço, brother. Muita paz pra ti.

 

 

Conheci Eduardo Galeano na faculdade de História e li bastante sobre algumas de suas obras (ele tem muitas rsrsrs).

 

Vou comprar o livro e vai ser meu companheiro de viagem, obrigado pela dica!

 

Te add no face, me aceita lá pra vc ir vendo as fotos quando começar o meu mochilão.

 

abs!!

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    • Por Iana Briaca
      Vou falar aqui no meu relato sobre formas de transporte que usei, hospedagem, duração da viagem e valores. Porque eu acho que é isso que uma pessoa procura quando busca informações sobre Mochilão. Sendo que na maioria das vezes é a primeira experiência da pessoa com um; 
      Resumo: 
      Tipo de transporte: ID JOVEM e carona pelas br da vida.  
      Hospedagem: Couchsurfing e voluntariado em hostel.
      Alimentação: Fazia compras para preparar minha própria comida ou às vezes eu comprava PF (mas comprar PF sai mais caro)
      Valor em dinheiro que levei: R$ 550,00.
      Duração da viagem: 54 dias.
      Quantidade de estados: 3 Estados e uma pequena parada em Brasília.
       
      SOBRE HOSPEDAGEM, TRANSPORTE PARA SAIR DO MEU ESTADO E ALIMENTAÇÃO NO PRIMEIRO DESTINO; PERNAMBUCO: Então, meu mochilão começou quando eu saí de Belém, que é a cidade que eu moro, no dia 04/07/2019, ruma à Pernambuco. Fui de ônibus usando o ID jovem, de passagem de Belém para Recife eu paguei 3,50. Isso, três reais e 50 centavos. Esse valor corresponde à taxa de pedágio que é cobrado pela empresa de ônibus, apenas. Quando eu cheguei em Recife fiquei hospedada na casa de um casal que consegui estadia pelo Couchsurfing. O tempo que passei na casa deles foi incrível, pessoas super legais. Com o mesmo aplicativo consegui estadia para passar um final de semana em Olinda, em uma pousada localizada bem no centro histórico. Também não paguei nada para ficar hospedada, apenas tinha que ajudar a moça que trabalhava na cozinha com serviços bem simples pela parte da manhã. Ah, e sobre alimentação, essa era por minha conta. (Talvez o seu anfitrião não tenha problema em ajudar nesse quesito com algumas coisas, mas também ninguém gosta de gente folgada né, se tu tiver condições de comprar a tua comida é muito melhor, caso contrário é bom você avisar à pessoa que vai te receber que vais precisar de alimentação também).
      OBS: Couchsurfing é uma plataforma que possibilita a troca de hospedagem em qualquer lugar do mundo. Na época era totalmente gratuita quando usei, agora o app tá cobrando uma contribuição de R$ 4,99 mensal ou R$ 29,99 anual por conta da crise do corona vírus.
      ROTEIRO: Quando estive em Pernambuco conheci Recife, Olinda, Porto de Galinhas, Praias do litoral de Cabo de Santo agostinho: Calhetas e Gaibu (caara, as praias mais lindas que conheci até hoje, e por não serem tão famosas quanto Porto de Galinhas, elas não são taão movimentadas, o que eu acho ótimo) e vila de Nazaré. Isso em uma semana, que foi o tempo que passei em Pernambuco. 
      TRANSPORTE PÚBLICO: Como eu fui com um amigo que sabia tocar banjo e eu enrolava no Maracá, optamos por não pagar passagens em transporte público e sim pedir para os motoristas deixarem a gente subir e tocar Carimbó nos ônibus. E assim, essa ideia deu super certo, tanto que a galera até ajudava com uns trocados, o que ajudou muito a gente na viagem. Sobre o valor de passagem de ônibus urbano não vou saber falar do custo, pois não tive essa experiência. Porém, fica a dica: Toquem nos ônibus ou subam pra vender algo. 
      SAÍDA DE PERNAMBUCO RUMO À BAHIA:  Saí de Pernambuco de carona, com a intenção de descer até a Bahia. Porém, no primeiro dia consegui carona com um caminhoneiro que tinha como destino Maceió, aceitei porque isso ia me deixar mais próxima do meu destino, né. Tive que ficar uma noite em Maceió para poder partir no outro dia. 
      Fiquei em uma Pousada de beira de estrada que custou R$ 40,00 no total pra dormir eu e meu amigo em um quarto com duas camas. 
      Jantei em um Restaurante que o PF custava R$ 10,00.
      No outro dia peguei mais duas caronas Alagoas-Sergipe Sergipe-Bahia e cheguei na Bahia, finalmente.  Passei uma semana em Salvador, consegui hospedagem no Couchsurfing, alimentação por minha conta, fazendo compras e preparando minha própria comida, de transporte usei o mangueio kk pedindo pra subir e tocar. Depois de uma semana, saí da bahia e voltei à br para pegar carona. Consegui diversas caronas no mesmo dia e cheguei na Chapada Diamantinaa. 
      NA CHAPADA DIAMANTINA:  Não consegui estadia com o couchsurfing na Chapada, tive que pagar uma semana de Hostel. 
      VALOR DO HOSTEL: 15 Reais a diária (pedindo desconto)
      ALIMENTAÇÃO: Comprava minha comida e preparava. 
      GUIA: É necessário guia apenas em algumas trilhas em outras tem como fazer de boas usando o gps. 
      DICA DE APP: MAPS ME Nele tem como usar o gps da localidade que tu se encontra sem internet. 
      SAINDO DA BAHIA RUMO GOIÂNIA: Saí da Chapada Diamantina de carona com inumeráveis pessoas, carona com caminhoneiro e carro particular, e passei perrengues, porque a Bahia é imensa. Levei 4 dias pra chegar em Goiânia.
      Nesse percurso nem sei quantas caronas peguei, foram muitas. Em nenhum momento precisei pagar pousada, até porquê nem tinha como, pois a grana já tava curta. Na primeira noite dormi na casa da família de um rapaz que me deu carona quando ainda estava indo para Chapada, Na segunda passei a noite em um posto de gasolina, Na terceira noite dormi na casa de um amigo que conheci com a experiência de carona também, isso em Brasília. (aproveitei pra comprar logo minha passagem de volta pra belém quando eu estava em Brasília) E por fim, no quarto dia consegui a carona para Goiânia. Em Goiânia passei quase algumas semanas, fiquei na casa de um amigo, apenas ajudando com a alimentação, no trasporte também não gastei nada.
      GOIÂNIA ATÉ A CHAPADA DOS VEADEIROS: De Goiânia até a Chapada dos Veadeiros, por muita sorte, tive só uma carona. Consegui carona com um fazendeiro que tinha uma propriedade próximo da cidade que eu ia ficar. Ele me deixou até a cidade que era meu destino, lá eu fiquei hospedada em um hostel onde trabalhei como voluntária em troca de estadia. Nos dias eu que trabalhava as minhas refeições eram por conta do hostel. A dinâmica de trabalho era a seguinte, eu trabalhava um dia e folgava dois. Passei uma semana na Chapada do Veadeiros, conheci a cidade de Cavalcante e Alto Paraíso. 
      FINAL DA VIAGEM: Saí da chapada dos Veadeiros de carona também, e fui até Brasilia. Lá eu passei apenas uma noite e no outro dia embarquei de volta pra Belém. A passagem que eu comprei foi com o ID Jovem, paguei apenas R$ 5,00. Ah, eu comprei com antecedência, sempre tens que comprar a passagem com usando o id com antecedência, não deixa pra comprar na hora senão vais te ferrar. 
      Enfim, minha experiência foi essa, espero ajudar em alguma coisa, é nooós!

    • Por Duda Klaus
      Ano passado fui para Manaus, passei 3 dias na selva amazônica e depois aluguei um carro e fui até Presidente Figueiredo. Foi uma das melhores viagens que fiz na vida!
      Foi no início de julho, ou seja, período de cheia.
      Fiquei hospedada no Local Hostel e gostei bastante. A localização é excelente e eu acho que aquela área do largo de São Sebastião (onde fica o Teatro Amazonas) é a melhor para se hospedar. No primeiro dia em Manaus fui conhecer o famoso Tambaqui de Banda, no restaurante de mesmo nome, que fica no Largo de São Sebastião. No dia seguinte fui com a Iguana Tour fazer o passeio na selva, que durou 3 dias e duas noites. Ficamos hospedados no Juma Lake Inn na primeira noite e, na segunda noite, montamos um acampamento no meio da mata. Os passeios durante esses 3 dias incluiam: focagem de jacarés, acordar cedo para ver o nascer do sol, passeio pela mata, visita à casa de caboclos...tudo isso acompanhados de um guia que explicava tudo. Foi perfeito! Ah, e detalhe: lá não pega internet. Ótima opção para se desligar do mundo. Fiquei em um quarto compartilhado, mas há a opção de ficar em quartos privativos com banheiro. O passeio todo com todas as refeições ficou por R$600.
      Chegando em Manaus, dei uma volta pelo centro e conheci o Mercado Adolpho Lisboa e o porto. Fui até o MUSA e achei bem legal, o interessante é que muita coisa do que eu vi ali, vi enquanto estava na mata, mas valeu a pena.
      Fiz essa viagem com uma amiga e conhecemos mais duas mulheres massa e nós 4 alugamos um carro para irmos à Presidente Figueiredo. Ficamos no Local Hostel Figueiredo. Nos programamos para ficar uma noite e dis dias completos, mas se arrependimento matasse...era para termos ficado pelo menos uns 4 dias! Fomos na Gruta da Judeia e Caverna Refúgio do Maroaga (obrigatório contratar um guia, na entrada do local, pelo valor de R$100 para até 4 pessoas)- imperdível!. Na Lagoa Azul (foi legal), cachoeira Asframa (muito cheia de gente por ser de fácil acesso, então há uma grande concentração de famílias com crianças, então passamos pouco tempo). Fomos na cachoeira de Iracema (muito legal e com áreas profundas para mergulho) e seguimos por uma trilha até a cachoeira das Araras (linda também!). Fomos também no que chegou a ser a minha cachoeira preferida...a do Santuário (surreal a energia do lugar!). Adicionaria mais um dia para a Cachoeira da Neblina (que fiquei triste por não ter dado tempo de ir. São horas de trilhas e, segundo os locais, é a mais bonita da região. Fica para a próxima!) e mais outro para conhecer outras 2. Opções não faltam!

      Voltando para Manaus, fiz a visita guiada no Teatro Amazonas e achei muito interessante. Na primeira noite já tinha entrado nele, pois fui assistir à uma peça (a maioria das atrações são gratuitas. Consulte a programação antes!) .
      Fui até o porto de Manaus e consegui um Day Tour, só eu e minha amiga, por R$150 cada (R$300 total). As agências de turismo cobram R$200-R$250 por pessoa. O barqueiro recebeu R$150 e o cara que fechamos ficou com a outra metade. Ou seja, dá pra entrar no porto, pagar a taxa de entrada, de R$5, e negociar diretamente com o barqueiro lá. Obviamente, você não vai ter uma agência de turismo por trás, então é por sua conta e risco. Tivemos a vantagem de irmos para onde queríamos ir. Achei a ida à tribo indígena uma coisa meio que "feita para turista". Achei interessante o fato de muitos indígenas não falarem português e utilizarem idiomas próprios. Nadei com os botos, mas atenção: existem dois lugares que fazem esse mergulho com os botos. Um fica mais distante do porto  e é certo que os botos aparecerão. O outro lugar fica perto do porto e nem sempre aparecem. Fomos para esse segundo e demos sorte! Fomos também em uma casa de uma família que tem um bicho preguiça e sempre foi meu sonho segurar um. Achei estranho quando perguntei onde ele ficava e a mulher disse que ele ficava solto, aí quando eu perguntei mais informações ela mudou de assunto e fez como se não entendesse...fiquei pensando depois que ele deve ficar preso. Triste demais isso e fiquei com peso na consciência de ter, de certa forma, colaborado com isso. 
      No último dia em Manaus fui com a galera do Hostel para Ponta Negra. Fomos até a Marina do Davi e pegamos um barco para um flutuante muito legal. Foi uma bela de uma despedida ver o por do sol no rio, tomando umas cervejas com uma galera massa!

      No final, ficou assim:
      dia 01 - chegada em Manaus
      dia 02 - Passeio na Selva 
      dia 03 - Passeio na Selva 
      dia 04 - Passeio na Selva  e retorno à Manaus 
      dia 05 - Dia em Manaus 
      dia 06 - Presidente Figueiredo 
      dia 07 - Presidente Figueiredo e volta para Manaus 
      dia 08 - Manaus 
      dia 09 - Manaus 
      dia 10 - volta pra casa
       
      Bom, é isso! A viagem foi feita em Julho de 2019 e gastei algo em torno de R$1500, para passar 10 dias, com hospedagem, alimentação, transporte e passeios. 
      Se quiserem ver fotos e vídeos, mostrando detalhadamente cada coisa, vejam lá o destaque "Amazonas" no meu instagram: @dudaklaus
    • Por Ricson Silva
      Caros amigos mochileiros, tudo bem?
      Estou indo para Belém para um fim de semana, porém meus horários são bem apertados, chego no dia 05/09 (12:00pm) e meu voo de volta é no dia 07/09 (16:00pm). Gostaria de saber se da pra eu aproveitar um bate-volta no mesmo dia (06/09) até a Ilha de Marajó? Se sim, vocês poderiam me dar dicas? Será minha primeira viagem sozinho e estou com muita vontade de conhecer essa ilha cheia de encantos!!! Um abraço!!!
    • Por Carol Magnoni
      ROTEIRO CUIABÁ 1 OU 2 DIAS
       
      Oi pessoal! Eu sou a Carol, moro em Curitiba e fiz uma viagem sozinha pelo Mato Grosso em dezembro de 2019. Uma das cidades que visitei foi Cuiabá. Quando estava pesquisando eu senti que havia pouco conteúdo detalhado na internet sobre a capital do Mato Grosso, por isso resolvi escrever esse relato para vocês. Qualquer dúvida estou à disposição. 
       
      Antes da viagem:
      - No Google Maps, baixar mapa offline de Cuiabá – eu sempre faço isso, ainda que eu vá ter internet móvel no local, porque é sempre bom garantir que você não vai ficar perdido.
       
      Dia 19/12
       - Voo Curitiba – São Paulo 20h30
      - Pernoitar no airbnb próximo ao aeroporto de Congonhas -> eu tentei dormir no próprio aeroporto, como sempre faço em conexões longas, mas o que eu não sabia é que Congonhas fecha por volta das 23h e ninguém pode dormir lá dentro, então tive que arrumar um lugar barato nas redondezas para pernoitar, já que a minha conexão era de mais de dez horas e durante a madrugada.
       
      Dia 20/12
      - Voo São Paulo – Cuiabá 07h00 – chegada 8h10
      - Dom Bosco Hostel - Rua Candido Mariano nº 1390 – Booking – R$ 95,40 para duas diárias
       O Dom Bosco Hostel, é aquele famoso bom, bonito e barato - > fica super bem localizado, é um prédio novo, tem ar-condicionado (e isso é muito importante para Cuiabá), a dona, Maria Goreti, é também quem administra o local e um amor de pessoa, tudo limpinho e arrumadinho. O café da manhã é cobrado a parte, oito reais, mas é muito caprichado e os quitutes da Maria são deliciosos.
       
      WALKING TOUR PELO CENTRO DE CUIABÁ
       Se você acordar bem cedinho e tiver bastante pique para andar, dá para fazer tudo num dia só, mas lembre-se que Cuiabá é MUITO QUENTE, então não esqueça de passar protetor solar, de se hidratar e fazer pausas para descanso. Uma alimentação mais leve também ajuda. Se preferir divida esse roteiro em dois dias.
      Eu criei um mapa no My Maps do Google com os pontos turísticos que eu me interessei em Cuiabá e também com os restaurantes legais, segue o link: https://www.google.com/maps/d/edit?mid=1wn8ztei8eDJHis9Kw9UyxoB42Trlhq-3&usp=sharing
      A ordem dos lugares nesse roteiro está respeitando uma lógica para quem vai fazer o itinerário a pé.  
      - Paróquia Nossa Senhora do Rosário e São Benedito – é uma igreja bem antiga em estilo colonial; é um bom ponto para o início do tour pelo centro histórico:


       
      Como vocês vão perceber ao longo desse relato, eu não tive muita sorte no dia que tirei para conhecer Cuiabá, não sei bem porque, talvez por ter sido muito próximo do Natal, grande dos lugares que eu pretendia visitar estavam fechados 😔. E foi o caso dessa igreja. Eu vi fotos do interior dela na internet e parecia bem bonito, mas infelizmente estava fechada.  
       
      - Museus de Imagem e Som - MISC – fica no coração do centro histórico e eu achei muito interessante:

       
      - Centro Histórico (Rua Cândido Mariano e redondezas) – concentração de prédios históricos:

       
       
                    
       
      - Catedral Metropolitana Bom Jesus de Cuiabá – tem uma arquitetura bem diferentona. Confesso que só entrei para desfrutar de um pouco de frescor e de descanso nos bancos da igreja, não é fácil fazer uma caminhada no sol a pino de dezembro cuiabano meus amigos.
       
      Do lado da Catedral há uma feirinha de rua com coisas muito gostosas e ao redor dela estão as Praça Alencastro e Praça da República, importantes praças que abrigam os principais prédios públicos históricos. Essa região é o centrão da cidade, bem vuco-vuco de pessoas e comércio. Foi um pouco estranho porque eu estava claramente turistando e tirando fotos, muito destoante do pessoal que estava trabalhando ali.
       
               
       
      - Palácio da Instrução – muito próximo da Catedral há um prédio tombado que abriga exposições de artes e a Biblioteca Pública Estadual, mas estava em reforma e não pude entrar 😑. Acredito que deve valer muito a pena conhecer por dentro.
       

       
      - Santuário Eucarístico Nossa Senhora do Bom Despacho – conhecida com a “Notre Dame” Cuiabana, é uma linda igreja que fica no alto de um morro. Ela é vista de várias partes da cidade.
       

       
         
       
      - Centro Geodésico – para quem não sabe, Cuiabá é o centro geodésico da América do Sul, o que significa que é um ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico (obrigada google), no "Coração da América do Sul", como já dizia Caetano Veloso na música "Um Índio". Na cidade há um marco indicando onde seria exatamente esse ponto. Eu não achei nada demais, é uma praça simples com um marco representativo, visitei só pela curiosidade e porque já estava perto. 
      Na Chapada dos Guimarães também existe um marco para esse centro geodésico e já li que as cidades disputam esse "título". Eu não sei em qual das duas fica "o verdadeiro" centro geodésico, o fato é que as duas cidades ficam bem próximas, então em qualquer delas que você estiver pode ter certeza que está sim bem "no meio" do nosso sub-continente.  

       
      O legal de turistar a pé é que no caminho você encontra agradáveis surpresas, como essa ruelinha gracinha:
       

       
      - Museu da Caixa D’água – é um museu bem pequeno, mas que vale a pena a visita. Construído no séc. 19 o Morro da Caixa D'água por mais de 140 anos foi o único reservatório da cidade. Durante esse período a estrutura recebia água diretamente do Rio Cuiabá e distribuía para as bicas espalhadas em vários pontos da cidade. Além de objetos históricos o museu abriga um acervo artístico e conta um pouco sobre a história da cidade. Além disso, ele fica numa praça bem agradável e arborizada (mais um bom ponto de descanso). A entrada é gratuita e foi lá que eu peguei um folder supercompleto com o mapa de Cuiabá e os principais pontos turísticos que vou deixar para vocês ao final desse relato.
       
                     
       
      Seguindo minha andança, mais uma linda surpresa pelo caminho (Colégio Coração de Jesus):

       
      - Espaço do Artesão – é um importante local que abriga o artesanato típico da região, ótimo para comprar presentes e lembrancinhas.
      *Atenção: o que antes era chamado de “Sesc Casa do Artesão” não existe mais, após passar pela Rua 13 de junho, esquina com a Av. Sen. Metelo, em um prédio tombado pelo Patrimônio Histórico que ocupava desde 1983, passou por um lar temporário na Avenida Tenente Coronel Duarte, 2140 (outro prédio do SESC), e atualmente ‘estacionou’ no Salão Social dentro do Sesc Arsenal e passou a se chamar ‘Espaço do Artesão’. Até o Google está desatualizado com essa informação e se você perguntar pela cidade muita gente ainda vai conhecer o local com o nome de "Casa do Artesão". Então para não ter erro: atualmente o Espaço do Artesão fica dentro do Sesc Arsenal (Rua 13 de Julho, s/n).
      Super vale a pena a visita porque o Sesc Arsenal é lindo e os artesanatos são incríveis. Mas tenho que dizer que a maioria dos itens é cara, como eu acredito que deve ser mesmo, temos que aprender a valorizar o trabalho dos artesãos. As peças exigem um tempo muito grande de elaboração e o resultado normalmente é incrível e de muita qualidade. Mas sim, é possível encontrar souvenirs mais simples e baratinhos. Lá você vai encontrar principalmente artesanato de madeira, trabalhos com cipó, fibra de tucumã, tecelagem, redes mato-grossenses, xales, tapetes, trabalhos indígenas, biojoias, artesanato com semente, produtos alimentícios, etc. Enfim, tem bastante coisa mesmo.
      - Sesc Arsenal -  é o local que abriga o Espaço do Artesão. É um prédio muito bonito e no seu interior há um jardim lindo com banquinhos (olá descanso! 😅). Lá dentro também tem um restaurante que parecia ser muito bom, mas eu ainda não estava com fome e acabei comprando só uma água.
                  
       
       

       
      - Orla do Rio Cuiabá – é uma grande praça à beira rio no bairro chamado "Porto", onde tem um prédio histórico maravilhoso que abriga o Museu do Rio, mas estava fechado (mais uma vez 😔). Eu li que o museu está fechado desde 2016 para reestruturação, é uma pena. O local é lindo mesmo só por fora e vale a visita. Dentro desse prédio histórico funciona o Restaurante Regionalíssimo, onde almocei. Ele faz jus ao nome, todas as comidas são típicas e muito gostosas. Porém achei muito caro (eu acho que custou R$ 65,00 o buffet livre) e a higiene meio duvidosa 

       

       
      - Cenário da Orla do Porto – seguindo a partir do Museu, sempre pela orla do rio, há um agradável passeio público (nem tão agradável assim no calor de Cuiabá). Com cerca de 500m de caminhada você chega ao Cenário da Orla do Porto, que são reconstituições de predinhos históricos da orla. Quando eu fui estava tudo com tapume e extremamente mal cuidado, de novo, uma pena . Se aquilo fosse bem preservado seria lindo. Me pareceu que estava em obras, espero que um dia reabram.
                   
       
      - Mercado do Porto  – é o mercadão municipal, mas não achei tão interessante quanto outros mercados que existem Brasil afora. É bem pequeno e não tem muita coisa de diferente para ver não, só muito pequi . Eu pularia esse ponto facilmente.
      - Arena Pantanal – eu não fui porque cago litros para futebol, mas acabei me arrependendo, porque me disseram que ela está super bem cuidada e como eu fui perto do Natal estava tendo uma exposição natalina com algumas atividades.
       
      Para finalizar o dia: 
      - Parque das Águas ou Parque Tia Nair – eu acabei terminando o dia caminhando pelo Parque Mãe Bonifácia, que foi uma baita perda de tempo, porque não achei nada demais, é um local arborizado onde as pessoas fazem caminhada e corrida. Hoje eu tiraria esse parque e incluiria o Parque das Águas ou Parque Tia Nair, que ficam longes do centro (precisa pegar um uber), mas me parece muito mais interessante. Se você não tiver tempo para os dois, eu optaria em primeiro lugar pelo Parque das Águas, porque de noite tem o show das águas que dizem ser muito bonito (não sei se acontece todas as noites).

      Eu acabei indo no Mãe Bonifácia porque era perto do meu hostel e eu estava com o tempo super curto, pois ainda precisava pegar na Localiza até às 20h um carro que aluguei para viajar no dia seguinte.
      Depois ainda passei no banco sacar dinheiro e no mercado para comprar uns lanches para a viagem.
      Finalizei o dia jantando no restaurante Lelis Peixaria que é super tradicional de Cuiabá e eu recomendo DEMAIS! Comi o famoso rodízio de peixes (que inclui jacaré, arraia e outras iguarias) e bebi a caipirinha de caju, que é simplesmente divina. Não me lembro certinho do preço, mas eu acho que foi mais ou menos R$ 60,00 pelo rodízio (fora a bebida), e funciona como um rodízio de carnes, eles trazem os acompanhamentos na mesa e vão passando com as mais variadas receitas de peixes. Não é baratinho, mas eu AMEI a comida, comi horrores e sinto muita saudade, sem dúvida o melhor lugar que eu comi. Me parece que no almoço é mais caro, então deixe para ir no jantar. A caipirinha de caju é perfeita, provem!
       

      Foi no Lelis que eu comi pela primeira vez o Pirarucu e foi amor a primeira garfada. Gostei tanto que fui pesquisar e descobri que o pirarucu é um dos maiores peixes de águas doces fluviais do Brasil, podendo atingir mais de dois metros e pesar mais de 80 kg. Ele é tão saboroso que é conhecido como o "bacalhau amazônico". 
       Eu incluiria mais um dia em Cuiabá só para poder comer mais, ô culinária foda!
       
      Dica bônus:
      - Depois desse day tour em Cuiabá eu fui para Nobres e Chapada dos Guimarães, que terão um roteiro próprio. Mas no dia que eu voltei de Nobres eu tinha que passar novamente por Cuiabá para devolver o carro que aluguei (eu fui para a Chapada de ônibus), então eu aproveitei as poucas horinhas que tinha na capital e fui comer no restaurante Mahalo.
       * para entender porque eu fui para Nobres de carro e para a Chapada de ônibus acompanhe os próximos roteiros que vou publicar aqui e me segue no instagram @gocaracol que também vou contar tudo por lá.*
       Antes mesmo de chegar na cidade eu já tinha lido inúmeras recomendações do Mahalo e já tinha visto que ele estava a apenas meia quadra de distância do hostel. Assim como também li que era um restaurante super CARO. Essa foi a minha ÚNICA extravagância da viagem, eu realmente reservei um dinheiro a mais para poder comer nessa restaurante, porque sim, eu prefiro ficar em hostel com quarto misto para economizar uma graninha e poder gastar um pouco mais com comida.
      Bem, o Mahalo é realmente muito caro (MUITO!), mas é aquela comida que você come e nunca mais esquece, sabe? Salivo até hoje só de lembrar hahaha. O lugar é extremamente sofisticado e eu só tinha roupa de mochileira, mas fui assim mesmo. Botei um vestidinho simples (que estava todo amarrotado), meti uma rasteirinha no pé e fui. Pessoal que estava lá era muito chique, mas mesmo destoando da galera e estando sozinha eu não senti nenhum tratamento diferente, ao contrário, fui muito bem tratada. Eu acho que gastei mais ou menos R$ 150,00 com um prato principal, sobremesa e um drink. E olha, valeu a pena, faria de novo se pudesse hahaha.
       

       
      Dica bônus 2 (essa você vai amar):
       Depois da Chapada, para voltar para Curitiba, onde moro, eu tive que passar por Cuiabá novamente, por motivos de: é onde fica o aeroporto rs. Eu aproveitei que tinha mais algumas horas na cidade e resolvi dar um pulo num local que moradores de Cuiabá me indicaram:  São Gonçalo Beira Rio.
       São Gonçalo Beira Rio é basicamente uma comunidade ribeirinha que vive do turismo gastronômico e do artesanato. Está localizada à margem esquerda do rio Cuiabá, a 11 quilômetros do centro da cidade. A Comunidade é reconhecida pela confecção de artesanatos em cerâmica, Viola-de-Cocho (símbolo de Cuiabá) e por preservar o folclore por meio de danças como o Cururu e Siriri. Eu fui e não me arrependi.
       Lá há várias pequenas peixarias supersimples e que servem uma comida deliciosa, tendo o peixe como protagonista, claro, e a um preço BEM CAMARADA! Sim, aqui é o lugar para comer bem, comer muito e comer barato. É afastado do centro, mas eu garanto que vale a pena. Eu comi na Peixaria Barão e indico, mas o que os moradores me disseram é que todas as peixarias servem basicamente o mesmo cardápio pelo mesmo preço, a diferença é mínima, então qualquer uma deve ser boa.
       

       
       
       

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      Além da culinária delícia, ao final da rua das peixarias há a Casa dos Artesãos (outra, que não tem nada a ver com a do centro), uma associação da comunidade onde se vende artesanato, principalmente objetos de cerâmica, com barro extraído da encosta do Rio Cuiabá e feito de forma totalmente manual pelas mulheres da associação. Tem muita variedade, as peças são lindas e eu achei tudo muito barato – se você não quiser gastar tanto no Espaço do Artesão (aquele que fica Sesc no centro da cidade) aqui é uma boa pedida pra presentes e souvenirs, principalmente de cerâmica, mas lembre-se que você precisa de espaço na mala para armazenar as peças embaladas com jornal ou plástico bolha para não quebrar. Eu já estava com o mochilão completamente lotado, mas fiz o impossível para caber mais umas peças de cerâmica que eu trouxe para casa.
       

       
       
       

       
       

       
       
            
       
      Para terminar vou deixar aqui uma foto do folder que eu peguei lá no Museu da Caixa D'água que contém indicação desses lugares e outros mais:
       

       
      Encerro esse roteiro ressaltando que Cuiabá é linda e vale a pena ser visitada, o povo é muito hospitaleiro e a culinária é uma das melhores do Brasil. É uma pena que muitos prédios históricos estejam mal cuidados e/ou fechados para visitação e espero que as autoridades se conscientizem de manter esse patrimônio vivo e aberto ao público. Se puder fique dois dias inteiros só em Cuiabá, você poderá desfrutar de todas essas dicas gastronômicas e conhecer os pontos turísticos com mais calma e menos cansaço.
      Se você gostou desse relato, segue o perfil @gocaracol no instagram, porque lá eu conto mais sobre essa viagem e muitas outras.
      Eu não podia terminar esse relato sem colocar um vídeo que viralizou na época da Copa de 2014, que me passou pela cabeça durante toda a escrita desse roteiro e que tem tudo a ver com o contexto dessa viajante que vos escreve: alguém que saiu de Curitiba para Cuiabá!
       
      Pérola da internet brasileira 
       
       
      Tchaaauu!!
       
       
       
       

    • Por Bob Alves
      Sou novo aqui. Gostaria de saber lugares q aceitam Kombihome e que posso trabalhar para pagar hospedagem e alimentação se for o caso. Gosto de ir em praias, cachoeiras, Lagos.
      Caso queira ver, tenho canal no YouTube:
      'Seja Como For'
      Insta: @bobalves
       
      https://www.youtube.com/channel/UCo9rA0tPpmgPfC4SzOKPovQ


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