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Para mim é algo realmente complicado traduzir em palavras os momentos vividos nos dias da minha viagem. Viagem esta que não se traduz num simples mochilão ou turismo de longa duração. Foi o encontro de uma pessoa comum com seu sonho de andar por terras que tanto o inspiraram, terras mãe da esperança, terras de homens e mulheres feitos de histórias e de coração, corações gigantescos. O sentimento que fica depois de quase seis meses na estrada é o de gratidão, do agradecimento as infinitas pessoas que ajudaram esse pobre viajante das mil e uma maneiras possíveis, para vocês meu muito obrigado.

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Foto 1 - A companheira de viagem

Tinha uma vida igual a tantas outras, era bem razoável por sinal, mas a vontade de caminhar e estar frente a frente com o novo me atormentava todos os dias. Queria conhecer com meus olhos as diferenças, os sotaques, as comidas, as belezas. Desejava não ter pressa, fazer tudo no seu tempo necessário, não estar preso a rotina dos dias e principalmente aprender. Sim, aprender, não com fórmulas prontas e nem sentado dentro de uma sala de aula. Queria aprender com experiências. Queria conhecer pessoas. De alguma forma queria fugir da minha vida cotidiana, não por ela ser ruim, mas pelo desejo de se conhecer e assim, quem sabe, voltar uma pessoa melhor. Quando esse sentimento passou a ser insuportável decidi que tinha que partir.

Por um ano ajuntei algum dinheiro, queria ficar seis meses na estrada. A grana não era o suficiente, mas suficiente era a minha vontade. Dei um ponto final no trabalho. Abri o mapa e não tinha ideia por onde começar. Decidi não ter um roteiro, apesar de ter muitos lugares em que eu queria estar.

Assim começa a minha história (poderia ser de qualquer um). O relato está dividido da seguinte forma:

Parte 1: de Rio Claro ao Vale do Itajaí
Parte 2: Cânions do Sul
Parte 3: de Torres a Chuí
Parte 4: Uruguai
Parte 5: da região das Missões a Chapecó
Parte 6: Chapada dos Veadeiros e Brasília
Parte 7: Chapada dos Guimarães
Parte 8: Rondônia
Parte 9: Pelas terras de Chico Mendes, Acre
Parte 10: Viajando pelo rio Madeira
Parte 11: de Manaus a Roraima
Parte 12: Monte Roraima y un poquito de Venezuela
Parte 13: Viajando pelo rio Amazonas
Parte 14: Ilha de Marajó e Belém
Parte 15: São Luis, Lençóis Maranhenses e o delta do Parnaíba
Parte 16: Serra da Capivara
Parte 17: Sertão Nordestino
Parte 18: Jampa, Olinda e São Miguel dos Milagres
Parte 19: Piranhas, Cânion do Xingó e uma viagem de carro
Parte 20: Pelourinho
Parte 21: Chapada Diamantina
Parte 22: Ouro Preto e São Thomé das Letras
Parte 23: O retorno e os aprendizados

O período da viagem é de 01/10/2015 a 20/03/2016. De resto não ficarei apegado nas datas exatas em que ocorreram os relatos que irão vir a seguir, tampouco preocupado em valorar tudo. Espero contribuir com a comunidade que tanto me ajudou e sanar algumas dúvidas dos novos/velhos mochileiros.

********** A ATUALIZAÇÃO DO SITE AFETOU A FORMATAÇÃO, ELIMINOU AS LEGENDAS DAS FOTOS E ADICIONOU ESPAÇAMENTOS EXTRAS. COM CALMA IREI EDITAR TODO O RELATO PARA FICAR MAIS AGRADÁVEL VISUALMENTE ********* 

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Parte 1: de Rio Claro ao Vale do Itajaí

"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir." Paratii: Entre dois pólos, Amyr Klink

Enrolei alguns dias em casa, era para já estar viajando, na verdade eu tinha medo de começar. Acho que o mais difícil é começar, depois você já vai ter feito a merda mesmo e tudo fica mais fácil. Após pensar muito decidi que o meu primeiro destino seria Curitiba. Lá reencontraria o Boletão, parceiro do meu primeiro mochilão e amigo de longa data. Acho que era uma terça-feira. Fiz as malas horas antes de partir, minha irmã e mãe me acompanharam na rodoviária, elas tentaram me fazer desistir. Subi no buzão e já não tinha certeza de nada. Apesar de o trajeto ser noturno eu não dormi. Pensava milhões de coisas e ao mesmo tempo não pensava em nada.

Das coisas que levei comigo:

  • 1 mochila Curtlo Mountaineer 75 + 15 lts
  • 1 barraca Quechua QuickHiker II
  • 1 saco de dormir Trilhas e Rumos Super Pluma Inverno
  • 1 tênis de trilha Timberland
  • 2 calças jeans
  • 2 calças de trekking
  • 3 shorts
  • 10 camisetas
  • 10 cuecas
  • 5 meias
  • 1 anorak
  • 1 segundo pele
  • 1 touca
  • 1 toalha
  • Produtos de higiene pessoal
  • Alguns livros

Em média a mochila pesava uns treze quilos.

Chegar a Curitiba, reencontrar o Boletão, parecia mais um final de semana de folga. Apesar de ter ficado quase uma semana por lá. Andei por todos os cantos de Curitiba, conheci o que nunca tive oportunidade de conhecer. Já tinha ido algumas vezes antes à cidade, mas sempre de passagem. Dessa vez, com todo tempo do mundo, conheci tudo com a calma que cada lugar merecia. O museu do olho do genial Niemeyer é algo realmente belo e tive sorte de estar na cidade na época da bienal. O jardim botânico merece toda a fama de cartão postal da cidade, é um parque agradável demais, todos os outros parques da cidade são de igual sentimento. Vale destacar a qualidade do transporte público na cidade o melhor que conheci no Brasil.

Informação 1.1: Curitiba é considerada a capital ecológica do Brasil. Existem mais de 26 parques para visitação e também é a cidade onde a mata Atlântica é mais preservada.

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Na época da graduação, eu e o Boletão éramos os únicos da sala com viés social. Saber que está em Curitiba trabalhando com algo em que acreditávamos enquanto estudantes era realmente gratificante. Fazia mais de ano que não o via, depois do nosso mochilão cada um foi trabalhar em um canto. Nesses dias pudemos conversar sobre a nossa viagem, sobre a sua viagem pelo sul da África, futebol, a vida e claro, sobre a minha viagem que se iniciava. As conversas foram boas e os dias agradáveis. Nesse momento parecia estar em casa e havia uma sensação que a viagem não tinha começado. Era hora de prosseguir. Fiquei dias definindo qual seria meu próximo destino até decidir por Pomerode, cidade do Vale do Itajaí.

Informação 1.2: Pomerode é uma cidade catarinense próxima de Blumenau conhecida por ser a cidade mais alemã do Brasil.

Curiosidade 1.1: Em plena crise o vale do Itajaí era o oposto do resto do país, criando vagas ao invés de diminuir. O vale corresponde o nordeste do estado de Santa Catarina, região que tem como principal cidade Joinville.

Tentei couchsurfing na cidade, não consegui. Procurei nas cidades vizinhas até conseguir em Timbó. Meu primeiro host da viagem e seria o primeiro surfer delas. Cheguei pelo fim da noite na cidade. A minha espera estava a Dani, Bruna e família. Não poderia ter melhor recepção.

“A vontade de visitar Pomerode vem do simples fato de sempre saber que era a cidade mais alemã do Brasil, apesar de ser um termo vago, carregava essa vontade de estar lá. Estava tão perto, por que não ir? Não conhecia nada da região, muito menos sabia que Timbó existia. Como a viagem não tinha nada de planejado seria uma descoberta.” Notas de diário

No segundo dia seguimos para o morro Azul. Pico mais alto da cidade, o morro abriga uma bela vista, além de ser um ponto de camping da cidade. Do seu topo pode-se ver Timbó e Pomerode. Lá de cima na companhia da Bruna e da Daniela, finalmente, tive a certeza que a viagem havia começado de verdade. Agora sabia que tinha tomado a decisão certa. Depois fomos numa festa, no estilo Oktoberfest. Foi um bom dia, cheio de paz e de ótima companhia.

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Dias depois, finalmente, fui conhecer Pomerode. A cidade é toda charmosa, cheia de casas de arquitetura enxaimel. Tudo é organizado lá e em muitos cantos se houve falar alemão. O que há de melhor, sem dúvida, é a culinária, muitos restaurantes típicos e padarias com doces que parecem ter saído do cinema. Comi uma torta de frutas vermelhas (em uma padoca) maravilhosamente boa.

Informação 1.3: O Enxaimel é uma antiga técnica construtiva, na qual uma estrutura de madeiras encaixadas tem seus vãos preenchidos com tijolos ou taipa. Conjunto de estacas e caibros que sustenta as divisões da estrutura da casa, podendo ou não ficar aparente na fachada.

Culinária 1.1: No vale do Itajaí vende-se o refrigerante Laranjinha da Água da Serra, o melhor de todos. Não tem muito gás e é realmente bom.

Fiz um trekking de 16 km pela rota enxaimel. O caminho é recheado por construções do tipo enxaimel (aquelas casinhas típica alemã) e cercado pela natureza. Muito fácil conhecer pessoas no caminho e aprender um pouco da cultura alemã que sobrevive na região. Recomendo demais o trekking. Apesar de muito ouvir que as pessoas da cidade não são receptivas e muitas vezes preconceituosas com turistas, não senti nenhuma indiferença por parte das pessoas que tive contato. Pelo contrário, fui bem recebido e tratado com enorme educação.

Curiosidade 1.2: Pomerode, apesar de ter menos de 30 mil habitantes, tem grandes empresas como: Bosch , Hering entre outras.

Curiosidade 1.3: Apesar de toda fama de Pomerode, o melhor lugar para se visitar arquitetura enxaimel é a vila alemã em Blumenau.

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Nos outros dias caminhei por Timbó, se tivesse que escolher uma cidade para viver essa cidade seria Timbó. Calma, bonita, clima agradável, cheia de oportunidades, muito verde, muitos rios e mulheres bonitas. Não existem muitos pontos turísticos, mas existe muita beleza por todos os cantos. Apesar de a vizinha Pomerode ter a fama, Timbó tem muito de cultura e arquitetura alemã, de uma forma mais desapegada o que para mim é melhor.

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Passei bons momentos na companhia da família Nasato e quero um dia poder voltar para lá e receber aqueles abraços calorosos iguais da despedida. Família que tão bem me recebeu, iria ficar dois dias a principio, acabei ficando quase uma semana. A Dani e a Bruna transbordam amor e logo seguiriam para um mochilão de longa data. Lembro que dava dicas para elas de como viajar, hoje acompanhando a viagem delas era eu que merecia umas longas aulas, que orgulho e que saudades. Falando em saudades, esse é o sentimento que fica. Saudades das conversas com o Pini e a Rose, depois chegou a Grazi que abrilhantou ainda mais a pacata Timbó. Nunca me esquecerei desses dias e sempre serei grato a Dani e Bruna por dar a possibilidade de conhecer suas famílias, cidade e região. Meus eternos agradecimentos. Muito obrigado.

Depois fui para Blumenau em plena Oktoberfest, passei uma tarde na vila alemã e segui viagem. Dormi de noite na rodoviária da fria Criciúma. O próximo destino seria a região dos cânions.

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Parte 2: Cânions do Sul

Depois de ter desistido, por hora, de conhecer a serra catarinense e a bela serra do rio rastro, decidi conhecer os badalados cânions do sul. Estava empolgado, anos antes tive a oportunidade de conhecer o cânion mais profundo do mundo, o cañon del colca próximo a cidade peruana de Arequipa, lugar que também se localiza a nascente do rio amazonas. Essa experiência foi demais. Estar frente a frente com o vazio infinito e presenciar o voo dos condores sempre me trás boas sensações e lembranças. Agora era a vez de conhecer uma região fértil em cânions.

Curiosidade 2.1: O "cañon del colca" chega a ter mais de 3500 metros de profundidade.

A região dos cânions situa-se na Serra Geral divisa natural entre os estado do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Essa região corresponde a diversas cidades entre os dois estados, tendo maior destaque Cambará do Sul (RS) e Praia Grande (SC) por suas proximidades dos cânions mais visitados da serra. Cambará do sul é uma cidade da serra gaúcha, muito próxima de Gramado, que tem uma altitude de mais de mil metros, portanto, fica no topo dos cânions. Praia Grande apesar do nome não é uma cidade litorânea e fica no nível do mar, o que faz dela ser cercada pelos paredões dos cânions. As duas cidades são separadas pela Serra do Faxinal, que por sinal é muito ruim e fica intransitável em épocas de chuva.

Informação 2.1: Existem 36 cânions na região.

Informação 2.2: Praia Grande fica distante 40km do litoral.

Dica 2.1: Cambará do Sul está 120 km de distância de Gramado. Caso planeje uma viagem para a serra gaúcha, não deixe de visitar Cambará do Sul e seus cânions.

Dica 2.2: De Gramado existem passeios "bate e volta" para o cânion do Itaimbezinho pelo preço de R$150.

Dica 2.3: Caso queira visitar os cânions com maior comodidade, fique na cidade de Cambará do Sul que tem maiores estruturas para o turismo.

Após Criciúma, entre um ônibus e uma carona cheguei a Praia Grande. Minha escolha foi baseada nos custos, Cambará é mais badalada e por conseqüência mais cara. Nos meus dias na cidade fiquei todo tempo acampado num sítio na comunidade de Vila Rosa, que é cercada pelo cânion de mesmo nome.

Informação 2.3: Existe ônibus direto entre Criciúma e Praia Grande, mas os horários são bem restritos. Por isso minha opção de pegar um ônibus até uma cidade um pouco mais próxima e depois por sorte eu consegui uma carona.

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“Conheci uma húngara hoje. Ela estava indo embora. Fazia quatro dias que estava em Praia Grande. Seu sonho era conhecer os cânions Itaimbezinho e Fortaleza. Em todos os dias ela chegou ao topo do Itaimbezinho e em nenhuma das subidas ela teve sorte. A neblina tomou conta dos cânions naqueles dias, por mais que chegasse muito próximo ao desfiladeiro não era possível ver nada. Com lágrimas nos olhos ela se despediu, dizendo que iria voltar.” Notas de Diário

No dia seguinte caminhei até o cânion Vila Rosa. Sua localização fica na própria Serra do Faxinal. A entrada da trilha para o acesso ao cânion não tem sinalização, o melhor é se informar com os nativos antes de partir. A boa noticia é que ele é praticamente deserto, no dia que estive lá fui à única pessoa desfrutando, daquele, que para mim é o cânion mais bonito da região. Fiz todo o trajeto a pé, subi a Serra do Faxinal e depois caminhei na pequena trilha que leva ao cânion. Tive todo o tempo necessário para sentir o lugar e ter aquela sensação de vazio que os cânions proporcionam.

Dica 2.4: Caso tenha tempo na região e esteja em Praia Grande faça todo o trajeto a pé. No meio do percurso existem diversos mirantes dos cânions.

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Gosto de estar sozinho em lugares como este. Onde a natureza foi caprichosa. Muitas coisas passam pela cabeça, mas o que mais martela nos pensamentos é que existe muita beleza no mundo. Ao dormir nesse dia, só conseguia agradecer aos céus por ter tido a oportunidade de conhecer aquele lugar. Nos outros dias tinha a missão de visitar os cânions Itaimbezinho e Fortaleza, mas esses eram muito distantes impossibilitando ir caminhando. Consegui diversas caronas para conseguir visitá-los.

Dica 2.5: Existem muitos turistas na região e a maioria aluga carro, então, é muito comum conhecer pessoas que tem lugares vagos no carro e também é tranqüilo ir até a serra do faxinal para pedir caronas.

Informação 2.4: O cânion Itaimbezinho fica 25km de distância de Praia Grande.

Informação 2.5: O cânion Fortaleza fica 60km de distância de Praia Grande.

Informação 2.6: Os taxistas da cidade de Praia Grande fazem o trajeto (com até 4 pessoas) aos cânions. Para o cânion Itaimbezinho é cobrado R$200 e para o cânion Fortaleza R$300.

O cânion Fortaleza está localizado no Parque Nacional da Serra Geral e a entrada no parque é gratuita. Difícil chegar até ele, acredito que em dia de chuva seja impossível atravessar uma parte daquela estrada, ainda mais com carro comum. Por outro lado, o trecho asfaltado da pista é lindo demais, cheio de flores coloridas por todos os lados. Fui deixado na entrada do parque e depois segui andando. No meio do caminho entrei na trilha da pedra do segredo. A pedra do segredo é uma pedra de cinco metros que está equilibrada numa base de cinqüenta centímetros. Todo o percurso vale à pena, mas a pedra em si, não me encantou muito.

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Segui rumo ao Fortaleza. Quanto mais se aproxima do cânion mais encantador ele fica. Chegando ao topo e tendo aquela paisagem como companhia, não se consegue pensar muito. O momento é destinado ao sentir.

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Não há estrutura no parque (com exceção de um estacionamento) o que possibilita você estar na borda do cânion. Eu prefiro que seja assim, mas isso afasta muito dos visitantes além de, ser relativamente longe (com estrada ruim). O lugar por não ser entupido de turistas faz da visita uma experiência agradável para todos os visitantes. Eu que gosto de admirar cada canto com calma pude me sentar (sem ser incomodado) por diversas vezes na borda do cânion e ficar ali parado, contemplando.

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O cânion Itaimbezinho, cartão postal da região, está localizado no Parque Nacional de Aparados da Serra e a entrada custa oito reais para brasileiros. Aqui se gravou várias reportagens, novelas e nos últimos meses com imensa divulgação da televisão fez aumentar demais o turismo no parque. Diferente dos outros cânions que eu já havia visitado, este era completamente diferente. Primeiro pelo seu estilo, com as fendas muito próximas. Segundo por ter muita gente e terceiro por ter uma estrutura de turismo. Aqui você não consegue se aproximar muito do cânion, existem parapeitos por toda a borda. As trilhas são bem marcadas e tem um salão de apresentação, onde é contada toda a história de formação dos cânions da região.

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O lugar é muito bonito, vale à pena visitar. Por conseguir atrair o turismo de massa o Itaimbezinho perde um pouco do charme, mas nada que tire o seu sorriso ao estar diante daquele lugar tão peculiar.

Curiosidade 2.2: Depois que a globo exibiu uma reportagem sobre o Itaimbezinho e também teve uma novela gravada, o turismo no Itaimbezinho aumentou drasticamente. O problema é que a galera acha que é o único cânion da região, deixando de conhecer os, igualmente, belos Fortaleza, Vila Rosa, entre outros.

Tinha planejado fazer a trilha do rio do boi, que nada mais é que caminhar debaixo das fendas do Itaimbeizinho. Como o nível do rio estava muito alto e começava a chover na cidade, talvez a trilha só fosse liberada (pelo ICMBio) daqui algumas semanas. Resolvi não esperar.

Curiosidade 2.3: A maioria das pessoas locais que conheci, nos meus dias na cidade, nunca haviam visitado nenhum cânion da região.

Em cenários como os de cânions é preciso ter sorte. Afinal, existe um clima particular entre as fendas, onde, do nada, pode-se instaurar uma cortina de neblina e impedir toda a visualização do lugar. Então, o melhor é ficar uns dias na região para evitar qualquer frustração.

Aqui foi meu primeiro camping do mochilão. Aqui pela primeira vez estive frente a frente com a imensidão da natureza (nessa viagem). Aqui ouvi meu primeiro "Bah, mas isso é muito longe para ir andando" de muitos que ouviria por todo o sul. Aqui fiz alguns amigos e estes diziam que eu deveria conhecer Torres. Depois de muita propaganda, desfiz acampamento, arrumei a mochila e comecei a caminhar. O próximo destino seria Torres, litoral do Rio Grande do Sul.

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Parte 3: de Torres a Chuí

Fui caminhando até uma estrada vicinal na divisa entre os estados (SC e RS) e de lá peguei uma carona até Torres. As duas cidades são bem próximas e a viagem não durou mais que uma hora. O trajeto é cheia de plantações de arroz e a estrada é de terra batida, o que é comum por aqueles cantos. Achei muito bonito o caminho.

Informação 3.1: Apesar de serem vizinhas (Praia Grande - SC e Torres – RS) não existem ônibus (diretamente) que ligam as duas cidades, é necessário ir até a rodovia para conseguir pegar algum ônibus em trânsito ou esperar um bus que sai uma vez ao dia num ponto depois da ponte que divide os dois estados.

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Torres foi a primeira cidade praiana da minha viagem. Confesso que não tinha muita expectativa sobre o lugar e como sempre fui surpreendido. A praia da guarita foi dos lugares que mais me encantou em todo mochilão. As falésias da praia lembram a baía dos porcos em Fernando de Noronha, um lugar maravilhoso. Pena que nos dias que estive na cidade fazia muito frio e ventava forte, assim, não cheguei ter o prazer de mergulhar no mar. A região onde fica situada a praia é um parque (Parque Estadual da Guarita) de proteção ambiental e tudo é muito bem organizado e todo parque é muito bonito. É possível ter acesso ao topo das falésias através de caminhadas curtas, mas intensas. Com certeza, o topo da guarita é o ponto alto da visita.

Curiosidade 3.1: Os gaúchos costumam dizer que Torres é a única praia do Rio Grande do Sul, apesar de terem um litoral extenso, eles também dizem que o resto do litoral gaúcho é só areia, água e vento.

Informação 3.2: A entrada para pedestres no Parque Estadual da Guarita é gratuito, caso esteja com veículo é necessário pagar entrada e o preço varia de acordo com o veículo.

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Não fiquei muito em Torres. Dormi apenas uma noite na cidade e aproveitei dois dias na praia da guarita, gostei tanto que não quis conhecer outras praias. Depois segui para Porto Alegre de ônibus, mas não queria ficar. Já conhecia um pouco da cidade e queria evitar metrópoles. Cheguei pela noite na rodoviária e por lá fiquei toda madrugada definindo qual seria meu próximo destino.

Sempre tive grande curiosidade em conhecer Gramado e Canela. Estava tão perto, por que não ir? Pela manhã, depois de uma noite que quase não dormi, comprei a passagem com destino a Gramado. Antes tentei couchsurfing e não consegui. Ao menos fiquei sabendo da existência de camping e hostel pela região. Entrei no ônibus e dormi.

Gramado é uma cidade tranquila, segura e feita para o turismo. Basicamente se encontra hotéis, restaurantes e parques temáticos. A arquitetura chama a atenção também, com belas igrejas por toda a cidade. A parte mais bonita, que eu achei, é o lago negro que é todo envolto com árvores vindas da própria floresta negra na Alemanha. Os pedalinhos no formato de cisne dão um charme a mais para o lugar. No geral, Gramado é um lugar muito agradável de se estar e principalmente de caminhar. Existem diversos parques e como vive do turismo é fácil encontrar um evento musical ou teatral em algum lugar. Nos dias que estive na cidade fiquei no hostel Gramado, lugar bem tranqüilo.

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Canela fica distante, apenas, três quilômetros de Gramado. Aqui existe vida sem o turismo, uma cidade com mais cara de cidade. A população de Canela, em sua grande maioria, trabalha nos hotéis e restaurantes de Gramado. As opções de restaurante e de todas as outras coisas são mais baratas na cidade. Tudo que encontrar em Gramado achará igual em Canela só que mais barato. Contudo, é um lugar para se visitar por sua beleza e a cereja do bolo é a catedral de pedra.

Culinária 3.1: Experimentar o chocolate branco com banana da Florybal pelo preço de R$1.

Informação 3.3: Existem dois hostels em Gramado: Hostel Gramado (R$45) e o Hostel Britânico (R$55). Também tem a opção de camping na cidade de Canela por volta de trinta reais.

Informação 3.4: Gramado e Canela ficam distantes apenas 3km, a opção mais barata para transitar entre as cidades é o circular que passa a todo instante a preço de 3 reais. O bus tour é a opção de quase todo mundo, no preço de cinqüenta reais. Não vejo muita vantagem nele, sendo que os pontos turísticos que estão nas cidades são muito próximos. Vale a pena caminhar. E os pontos distantes como o Parque do Caracol, vale a pena usar o transporte público.

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O principal ponto turístico da região é o Parque do Caracol. Não tem como não visitar este lugar é lindo demais. Logo ao entrar já se consegue avistar a grandiosa cachoeira do Caracol, cartão postal de Canela. Existe um mirante onde se tem a melhor vista da cachoeira. No mirante é possível admirar também todo o entorno recheado de mata atlântica. Próximo ao mirante é possível seguir pela escadaria da Perna Bamba e observar a cachoeira do Caracol debaixo e muito próximo à queda d’água. A escadaria é bem longa. Vi algumas pessoas desistindo da descida no meio do caminho. O esforço é recompensado com a vista e com a fina camada de água que é lançada pela cachoeira na escadaria. Depois caminhei por todas as outras trilhas que existem no parque. Tem muitas coisas além da cachoeira do Caracol. Essas trilhas são pouco utilizadas, não é raro estar sozinho nas inúmeras corredeiras do parque. O ideal é reservar um dia todo para caminhar com calma, tem muita coisa para visitar. O parque possui restaurantes, observatório ecológico, lojas, estação sonho vivo, centro histórico ambiental, além da bela natureza.

Informação 3.5: A entrada do parque do Caracol é de R$18,00.

Informação 3.6: O parque do Caracol fica 7km de distância de Canela.

Informação 3.7: Escada da Perna Bamba tem 751 degraus.

Dica 3.1: Ao contrário do que se pensa é possível viajar barato pela região. Existem opções de hostel, camping, além do couchsurfing. O transporte público funciona bem, os fast food invadiram a cidade, assim existem opções baratas de alimentação. Os parques de diversões (Mini mundo, Snowland), sim, esses são caros, no meu caso não visitei nenhum deles e mesmo assim fiquei muito satisfeito com o que conheci.

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Depois segui para a cidade de Três Coroas. Tinha intenção de ser voluntário numa fazenda para fazer colheitas de frutas. Por azar do destino o proprietário do lugar teve que viajar as pressas e meu plano foi por água abaixo. Na cidade tem o belíssimo templo budista Khadro Ling, principal chamariz de turistas e de pessoas desejosas de conhecer um pouco do budismo. Fiquei o dia na praça da cidade definindo qual seria meus próximos passos. Ofereceram-me carona para Porto Alegre e aceitei.

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Como dito antes, não queria ficar em Porto Alegre, cheguei e já queria partir. Decidi ir conhecer Tavares. Sempre quis conhecer a lagoa do peixe (que fica em Tavares), abrigo de pássaros que fazem a migração do hemisfério norte para a Patagônia e vice-versa. São infinitos pássaros, dos quais se destacam os flamingos. Realmente é um espetáculo natural. Por sorte ou azar, conheci um funcionário do Parque da Lagoa do Peixe na rodoviária e ele me disse que chovia há dias na cidade e que não pararia tão cedo. Disse-me também que naqueles dias não havia concentração dos pássaros e me desencorajou estar na cidade naquela época. E assim, com um aperto no coração, resolvi mudar os planos e segui para o extremo sul do Brasil.

“Primeiro foi à negativa na fazenda. Depois tive que abrir mão de Tavares. Não deveria ter ouvido o funcionário. Deveria seguir meus instintos e desejos. Agora é tarde, estou dentro de um ônibus indo para Chui. Tenho que esquecer isso e seguir.” Notas de diário

De Porto Alegre a Chui peguei um ônibus noturno. No desembarque conheci as manauaras Penélope e Rhenata que estavam no primeiro mochilão com destino ao Uruguai. Fizemos amizade e decidimos ir para Barra do Chui juntos. Diferentemente do que eu pensava a cidade de Chui não é litorânea, a porção litorânea que faz divisa com Chui na parte brasileira é a cidade de Santa Vitória do Palmar e nesta cidade é onde fica o balneário de Barra do Chui. A praia é toda similar até chegar-se à foz do arroio do Chui, na divisa natural entre Brasil e Uruguai, a praia neste momento ganha um charme a mais com a presença do arroio e das muitas gaivotas.

Curiosidade 3.2: No Rio Grande do Sul quando vai fazer uma viagem dentro do estado (de ônibus) compra-se a passagem em um guichê único, ou seja, todos os guichês vendem as passagens de todas as empresas de ônibus.

Curiosidade 3.3: O trajeto de Porto Alegre a Chui tem 515 km e de ônibus o tempo de viagem é de aproximadamente 8 horas.

Curiosidade 3.4: O Arroio do Chuí é o ponto extremo sul do Brasil.

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“Estar no ponto extremo sul do país era uma conquista pessoal. Conhecer a simbólica cidade de Chuí que tanto ouvia nas aulas de Geografia era voltar no passado. Apesar de ser só mais uma fronteira, ali tinha algo de especial. Não saberia dizer o que é, só sei dizer que existe.” Notas de diário

Voltando para Chuí, caminhamos um pouco e começamos a nos acostumar com o espanhol. A cidade tem um comércio forte e em menor escala lembra Ciudad del Este no Paraguai. Depois seguimos para Chuy no Uruguai, atravessamos a avenida e chegamos ao Uruguai.

Curiosidade 3.5: A avenida que divide as cidades de Chuí (Brasil) e Chuy (Uruguai) se chama Avenida Uruguai para os brasileiros. Para os uruguaios ela se chama Avenida Brasil. Achei interessante.

Ahora es el momento de Uruguay.

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Parte 4: Uruguai

Depois de atravessar a Avenida Brasil estávamos no Uruguai, logo em seguida trocamos o dinheiro. A cotação na época estava 1 para 7, ou seja, para cada real trocado era recebido sete pesos uruguaios. Compramos as passagens de ônibus, eu seguiria para Punto del Diablo e as meninas seguiriam direto para Montevideo. Esperamos em uma praça, viajaríamos no mesmo ônibus.

Dica 4.1: Já li várias matérias do tipo "Viagem barata: Conheça os lugares onde o real vale mais". Onde a única análise é a proporção do valor do real contra as outras moedas. Se fosse assim o Uruguai seria um país extremamente barato para nós brasileiros, pois para cada real temos sete pesos uruguaios, ledo engano, o mais importante em analisar nessas situações é o poder de compra da moeda. Por exemplo, tente fazer comparações do tipo: com quinze reais no Brasil consigo almoçar e com esse mesmo valor convertido eu consigo comer no Uruguai? Assim faça com estadia, transporte e tudo mais, assim, você vai comparar o poder de compra de uma moeda em relação à outra. Para nós, neste momento, o Uruguai é um país mais caro que o Brasil.

Dica 4.2: Ao pegar um ônibus rodoviário no Uruguai (chegando por Chuí) é necessário pedir ao motorista parar na aduana e, assim, dar entrada no país.

Curiosidade 4.1: O Uruguai tem pouco mais de três milhões de habitantes, mas sua população bovina é quatro vezes maior. Todos os animais são identificados e rastreados.

Depois de uma hora e meia de viagem (e de sono) o ônibus chegou ao "pueblo" de Punta del Diablo.

Curiosidade 4.2: O nome Punta del Diablo é por causa que a orla do povoado tem um formato de um tridente. Igual ao usado pelo diabo.

Que grata surpresa chegar a Punta del Diablo, povoado litorâneo dominado por pescadores. Aqui tudo é muito simples e as pessoas são bem receptivas. Fiquei num camping no centro. Conheci muitos nativos que me ensinaram coisas sobre: maré, lua e peixes. Por falar em peixes, foi aqui que comi o melhor peixe da minha vida, preparado num boteco a beira mar.

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A orla é extensa possibilitando caminhar por horas na areia e até chegar às cidades vizinhas. Meus dias se resumiam em andar durante todo o dia pelas areias, sem fim, da região. Num desses dias, caminhei até a cidade de Santa Teresa que é muito bonita e cheia de verde. Pela noite, geralmente, ficava num bar de uma família que conheci. Sempre tinha boa música.

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Nas andanças pela orla sempre estava acompanhando de uma gaivota e de um bando de cachorros, aliás, tem muito cachorro por lá. Como dizia a tiazinha do bar: "esses cachorros gostam de turistas". Todos eles dormiam em volta da minha barraca e quando eu saia para a caminhada matutina, eles saiam todos atrás de mim.

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“Estranho a companhia da gaivota. Enquanto eu andava, ela sobrevoava sobre mim. No inicio achei que ela queria proteger sua prole ou ovos, por causa dos cachorros. Depois de andar por horas essa idéia não fazia sentido. Passei acreditar que aquilo era um presente da natureza.” Notas de diário

Se fosse escolher um lugar para morar no Uruguai, com toda certeza, esse lugar seria Punta del Diablo. Não consigo traduzir em palavras a paz daqueles dias. Fui embora querendo ficar.

O próximo destino seria Cabo Polônio, o principal motivo de eu estar no Uruguai. Antes de ir ao cabo parei numa cidade chamada Castillo. Uma cidadezinha charmosa, típica cidade de interior. Ao chegar estava tendo uma apresentação de artes na praça. Resolvi ficar e conferir. No outro dia bem cedo, peguei o ônibus para o Cabo Polônio.

Cabo Polônio é uma reserva ambiental, cercado por dunas (que lembram os pequenos lençóis maranhenses), por ser uma área importante de reprodução dos leões marinhos. Está localizado muito próximo de três ilhas que servem de morada para os mesmos. A entrada aqui é controlada e é necessário comprar as passagens (ida e volta) dos caminhões que levam para a comunidade.

Informação 4.1: Pode-se ir andando até a comunidade, porém é razoavelmente distante (trinta minutos de caminhão) da entrada, além de ter que caminhar por imensas dunas. Vale à pena, apesar dos pesares.

A comunidade que vive no Cabo Polônio não usufrui de eletricidade (exceto alguns restaurantes que utilizam energia solar) e se parece com um reduto hippie. Em resumo as pessoas que lá vivem são: pescadores, artesões y otras personas más. Fiquei hospedado em uma casinha a dois passos do mar. Era casa de uma família que morava há tempos no vilarejo.

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Lembro de quando eu era criança e viajava para o litoral. Achar uma concha na praia era uma conquista. Caminhando pela orla do cabo se encontra trechos que é totalmente coberto por conchas e afins. Se eu voltasse para a infância e visse aquilo, provavelmente iria achar que estava no paraíso. Não tem como não sorrir estando ali.

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Os leões marinhos são uma atração a parte. São centenas espalhados por todos os cantos. Sentar e observá-los é demais.

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O charme do povoado é pela noite, não se vê quase nada, caminhando sem rumo com a lanterna em mãos e deixando-se perder na companhia do céu estrelado. A maior parte dos visitantes fica apenas durante o dia. Não faça isso. É quase obrigação passar uma noite naquele lugar mágico.

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Confesso que em certos momentos achei o povoado meio forçado, mesma sensação que tive quando estive em San Pedro de Atacama. Todos tentavam passar a imagem de "super loucos" e em alguns momentos achei meio pré-fabricado o lugar. Prefiro povoados como em Punta del Diablo cheio de pessoas de verdade, que não tentam te impressionar e sim te acolher. Entretanto, gostei muito dos dias que passei por lá. Voltaria com toda a certeza.

Vídeo 4.1: Este clipe da banda Vanguart foi gravado em Cabo Polônio, pelo vídeo dá pra ter uma boa noção do lugar, além da boa música.

Parti para Montevideo. Queria evitar metrópoles, mas essa eu tinha que visitar. Sempre gostei muito de literatura e dois dos meus autores favoritos nasceram e viveram aqui. Um deles tinha acabado de falecer. Eduardo Galeano e Mario Benedetti que prazer estar em suas terras.

Curiosidade 4.3: Eduardo Galeano é um escritor que gosta de contar histórias, de preferência histórias de pessoas comuns. Sua linha de raciocínio é admirável, é um pensador livre, e não poupa nada e nem ninguém. Apesar de ser sempre lembrado pelo audacioso "As veias abertas da America Latina" tem uma obra vasta que fala desde futebol até a história da humanidade. O livro dos abraços, em especial, é “especial”.

Chegando ao terminal Tres Cruces não fazia ideia para onde iria. Acabei indo para o Ukelele Hostel e lá recebi um presente do destino. Reencontrei a Penélope e a Rhenata que também estavam hospedadas no hostel. Elas já partiriam no outro dia para Porto Alegre. Foi bom reencontrá-las e tive a oportunidade de me despedir, coisa que não foi feita quando desci em Punta del Diablo as pressas.

Montevideo parece uma cidade do interior de tamanho grande. Lá tem tudo o que uma grande cidade pode oferecer, além de certa paz que as cidades menores oferecem. O rio da Prata acompanha toda a extensão da cidade com belas praias. A praia de Pocitos e o parque Rodo foram os lugares que mais gostei. Cheguei a visitar o museu de futebol no estádio Centenário, não tem o mesmo glamour do museu do futebol no estádio do Pacaembu, mas ver a taça da Copa de 1950 é uma sensação estranha e só isso vale a pena da visita. A parte antiga, o centro, é toda encantadora também.

Culinária 4.1: Café Brasileiro, lugar favorito do Eduardo Galeano, é sensacional, o cuidado que eles têm ao tirar o café é coisa de cinema, ao todo demoram uns dez minutos. Tomava café da manhã todos os dias ai, primeiro pelo Galeano e depois por ser bom de verdade. Não deixe de visitar o Café Brasileiro.

Curiosidade 4.4: O Uruguai tem uma população aproximada de três milhões de habitantes e cerca de 60% vive no conurbado de Montevideo.

Curiosidade 4.5: O rio da Prata, divisa natural entre Uruguai e Argentina, não passa de um estuário formado pelas fozes dos rios Uruguai e Paraná antes do encontro com o mar. Um estuário nada mais é que o ambiente aquático de transição entre o rio e o mar. Estando lá, se parece mais com o mar, pela sua imensidão.

Curiosidade 4.6: Os uruguaios são extremamente apaixonados por futebol. Em todo canto tinha um grupo jogando bola. Em todo canto mesmo.

Curiosidade 4.7: O valor que os uruguaios dão a “boa comida” é demais, em nenhum lugar comi nada “mais ou menos”.

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“Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas. — O mundo é isso — revelou —. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.” Livro dos Abraços, Eduardo Galeano

Colonia del Sacramento, reduto português em território espanhol, foi à última grande parada no Uruguai. A parte histórica, onde se encontra o famoso forte da cidade, é toda muito pequena e muito bonita. Para se conhecer a parte histórica de cabo a rabo não é preciso mais do que meio dia. Pra mim o charme da cidade é a sua orla. Aconselho passar mais que um dia na cidade. A orla com boas praias, futebol por todos os lados e muita música boa, além de uma noite com bares cheios. Aqui o rio da Prata não é imenso, tornando possível ver as luzes, ao fundo, da capital argentina. A proximidade com Buenos Aires faz de Colonia del Sacramento uma extensão do turismo de quem visita o outro lado do rio da Prata.

Informação 4.2: Colonia del Sacramento pertenceu a Portugal até o ano de 1750.

Curiosidade 4.8: Em Colonia del Sacramento é aceito Pesos Argentinos, Pesos Uruguaios (obviamente) e Real.

Curiosidade 4.9: O que mais me chamou a atenção no Uruguai foi à forma de como é feita a educação no país. Grande parte das aulas é ministrada em praças e existe uma preocupação em envolver toda a cidade no ensino. Presenciei muitas vezes os alunos, principalmente dos mais novos, na rua tendo aulas do tipo: como atravessar a rua com segurança, como ajudar os mais velhos atravessarem as ruas, a importância de preservar a história da cidade. Numa dessas aulas fui abordado por um grupinho de crianças de sete anos, a aula era encontrar pessoas de outras cidades/países e saber um pouquinho mais desses lugares, me perguntaram qual era minha cidade, meu país, o que eu mais gostava, meu time de futebol e outras coisas mais, foi muito legal essa experiência. Sempre achei que a educação é o principal motor da mudança, e o que eu vi nos dias no Uruguai, em todas as cidades (sem exceção) é o mais parecido com o que eu acho certo.

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Quando sai de casa, tinha a intenção de chegar ao extremo sul do continente, a imponente terra do fogo e sua simbólica Ushuaia. Caso seguisse com essa ideia, pegaria um barco em Colonia del Sacramento e cruzaria o rio da Prata até Buenos Aires. Fiquei dois dias em Colonia pensando se iria ou não, a grana era curta e decidi trocar a gelada Patagônia pela quente Amazônia.

“Outra vez tenho que abrir mão da Patagônia. Escolher sempre é difícil. Acho que na Amazônia irei aprender mais sobre a vida. Fica aqui a promessa que num futuro próximo irei ver a Patagônia com meus olhos.” Notas de Diário

O Uruguai é, em teoria, um país bem tranqüilo em se conseguir carona e tive que pegar muitas até sair do país. Agora me despedia do Uruguai sem não antes ter cruzado dezenas de cidades que não perguntei o nome, mas que suas belezas ficarão em meus olhos. Obrigado Uruguai, mas agora era hora de voltar para o Brasil. Terra do plural.

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Parte 5: da região das Missões a Chapecó

Uma vez vi uma foto de uma igreja em ruínas, apesar de não saber sua localização (e nem ser religioso) tive a certeza que um dia colocaria meus pés naquele lugar. Anos depois fui descobrir que a tal igreja ficava em São Miguel das Missões, noroeste do Rio Grande do Sul. Agora era o tempo de conhecer a igreja da foto.

São Miguel é uma pequenina cidade com menos de 10 mil habitantes. A cidade base da região se chama Santo Ângelo e foi para lá que segui viagem. Consegui hospedagem através do couchsurfing, seria de novo o primeiro hospedado pela família, mas o interessante dessa vez que o meu contato, Talita, não estava na cidade e assim sobrou para o resto de sua família me aturar. A Talita mesmo morando em outra cidade foi super atenciosa, conseguiu convencer a família a hospedar um estranho, sem mesmo estes nunca ter ouvido falar em couchsurfing.

Informação 5.1: Santo Ângelo é o berço da coluna Prestes.

Cheguei pela noite, o Emilton e a Tânia (pais da Talita) estavam me esperando. Ganhei fortes abraços de recepção, desde o inicio sabia que seria feliz ali. Passar aquela noite ouvindo histórias de superação em família, uma em cima da outra, me fez sentir muitas saudades de casa e também fez eu ter a certeza que estava no lugar certo.

Já ouvi muitas histórias de amor, mas com toda certeza a história do Emilton e Tânia é a minha favorita. Num tempo distante, se conheceram em uma viagem no litoral, ele de muito longe e ela de Santo Ângelo, a viagem se acabou e o amor ficou. Um dia ele resolveu seguir a estrada atrás de continuar essa história interrompida. Sem saber se haveria um final feliz ele foi. Hoje, depois de mais de 20 anos eles continuam juntos e felizes e agora na companhia da Talita e da Karen.

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São Miguel das Missões fica cerca de 60 km de Santo Ângelo. Parti na companhia do Emilton para conhecer as ruínas. No meio do caminho paramos para conhecer a vinícola Fin. Fomos muito bem recebidos pelos proprietários. Confesso que não gostei dos vinhos que estavam na degustação, mas em compensação o suco de uva era fenomenal. Carregamos a mala de suco e seguimos viagem.

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Antes de chegar às ruínas, eu achava que seria apenas um lugar bonito de se visitar. Engano total. Ao entrar nas ruínas pela primeira vez, tive uma sensação parecida de quando estive em Machu Picchu. Fiquei totalmente paralisado diante de tanta beleza.

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A ruína na verdade é o sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo (patrimônio mundial da UNESCO), na época das missões jesuítas foram instauradas várias "comunidades" onde viviam os evangelizadores (jesuítas) com os ameríndios, que nesse caso foram os Guaranis, com propósito de impor a crença cristã e os costumes de vida do europeu. Vale a pena dizer que nessa época esse território era espanhol, e depois de dezenas de anos vivendo em "harmonia" (jesuitas e guaranis), os espanhóis queriam restaurar o domínio de Colônia do Sacramento e assim "trocaram" a região das missões por Colônia com os portugueses, assim as comunidades teriam que ser esvaziadas. Os guaranis não aceitaram sair de onde, agora, eram suas terras. Guerra-pós-guerra os portugueses dizimaram os guaranis da região e reassumiram a "ordem", mas não sem antes criar um herói entre os guaranis, Sepé Tiaraju, líder da resistência guarani. As guerras também foram às responsáveis por deixar em ruína o lugar.

Passamos a tarde toda dentro do sítio. O Emilton já havia estado algumas vezes no local e me passava, com toda atenção, seus conhecimentos sobre a história do lugar. Existe na entrada um museu com bastante informação.

Informação 5.2: A entrada do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo custa R$5.

Informação 5.3: O museu foi projetado por Lúcio Costa, o mesmo que projetou Brasília em parceria com Oscar Niemeyer.

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Toda noite no sítio tem o espetáculo Som e Luz, em que é contada toda a história das missões na região. Caminhamos por São Miguel das Missões até o horário da apresentação. O espetáculo ocorre todos os dias às oito horas da noite. Certamente, essa foi à maior expressão de arte que já presenciei.

Sentado no extenso gramado. Na companhia do céu estrelado e do frio. A voz da Fernanda Montenegro em conjunto de canhões de luzes (em direção as ruínas da igreja) vão contando, de forma mais que fantástica, a história das missões jesuítas e do herói Sepé. Todos uma vez na vida deveriam ver aquilo, é incrível. Pena que o sítio é pouco visitado.

Informação 5.4: O Espetáculo Som e Luz custa R$5.

Informação 5.5: Existe um hostel/pousada na frente do sitio arqueológico, em São Miguel das Missões. O preço do quarto compartilhado é R$60.

Dica 5.1: Como o espetáculo ocorre no mesmo lugar das ruínas o ideal é ir à tarde para visitar o sitio arqueológico. Depois esperar até o inicio do Som e Luz, que tem duração de 45 minutos.

Vídeo 5.1: Um vídeo que mostra um pouquinho de como é o Som e Luz.

“Que coisa linda. Como pode ser tão bonito? A beleza do lugar complementando a arte foi simplesmente sensacional” Notas de Diário

Fiquei mais outros dias na casa da família Ferrão. Conheci quase todos os familiares. Participei do Brique da Praça, onde a família expõe seus produtos culinários (feitos artesanalmente). Os melhores temperos, geléias, sucos e chocolates são o da família Ferrão. O Brique é uma feira de coisas “feita à mão”, todo domingo acontece na praça da cidade e quase todas as pessoas de Santo Ângelo comparece no evento. Achei muito interessante. Cada dia na cidade fazia aumentar os laços com a família, a Tânia já parecia minha mãe, além de companheira de chimarrão. Foram dias especiais.

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Depois de me despedir na rodoviária. Dentro do ônibus, olhava o Emilton, Tânia e a Karen e uma tristeza já apertava. Comecei sentir saudades mesmo antes de partir. Ir embora de Santo Ângelo foi algo difícil, mas tinha que seguir viagem. O próximo destino seria Chapecó.

Chapecó é uma cidade muito especial para mim, já estive aqui antes, e tinha muitas pessoas que eu queria rever. Cheguei numa segunda de madrugada. A minha espera estava a Tânia, que saudades eu estava. Anos antes, participei do projeto Rondon e uma parte da equipe era de Chapecó, este projeto foi das coisas mais importantes que aconteceram em minha vida.

Vídeo 5.2: Para quem quiser conhecer o Projeto Rondon esse é o vídeo que fiz quando participei.

Os dias na casa da Tânia junto com ela e a Amanda foram tranqüilos. Foi muito bom estar ali, matar uma saudade que me sufocava. Pude conhecer ainda mais elas e aprender mais sobre a vida. Considero-as a minha segunda família. Não conheci nada que já não conhecia na cidade, mas não importava. Nos outros dias vi boa parte do pessoal do projeto: Mauricy, Paola, Samara e a Paula. Bebemos, conversamos e o tempo parecia não ter passado. Chapecó no meu dicionário significa saudade.

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Fui embora. Agora era hora de rumar sentido norte. Ainda não fazia idéia qual seria o próximo destino. A única certeza que eu tinha, era que teria que voltar pra casa e deixar minhas roupas de frio. Assim, mataria as saudades da minha família.

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Acompanhando aqui e viajando também.

Curto esse jeito poético de ver os lugares, as pessoas...

Parabéns!!

 

Valeu Cristina. Ainda tem muita estrada para contar =].

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    • Por Heloisa Amaral Antunes
      Oi pessoal, tudo bem? 
      Estou indo passar um tempo no Jalapão e depois vou para Lençóis na Chapada Diamantina. Procurei na Internet informações sobre deslocamento por ônibus entre municípios principais na rota entre as duas cidades, como Barreiras, mas não consegui informações. Preciso fazer um deslocamento barato. Alguém teria uma dica para dar? Obrigada desde já!
    • Por Jaaziel
      Alguém afim de cair numa trip pelo Mercosul (fazer roteiro ainda), de carona e sem grana?
      É a minha primeira vez e estou super ativo para sair o mais rápido possível. 
      Topam fazer grupo no WhatsApp?

      Meu contato pra quem tiver interesse
      55 11 979509059 
       
    • Por @duane.santo
      Ano passado eu fiz um mochilão pela américa do sul (Bolívia, Chile e Peru), usei o relato do Rodrigo Vix e sou super grata a ele pelo roteiro compartilhado no site, por  isso nada mais justo do que compartilhar o meu roteiro de um destino pouco conhecido por brasileiros.
      Todo ano tiro férias e procuro ficar o maior tempo possível viajando e nesse mochilão de 2017 eu conheci o Rafa, que virou meu companheiro de viagem e nessas férias de out/2018 e o roteiro foi o seguinte:
      06/10 Rio de Janeiro X Manaus
      07/10 Manaus X Selva
      08/10 Selva
      9/10 Selva X Manaus
      10/10 Manaus X Presidente Figueiredo X Manaus
      11/10 Manaus X Santarém
      12/10 Santarém X Alter do Chão
      13/10 Alter do Chão
      14/10 Alter do Chão
      15/10 Alter do Chão
      16/10 Alter do Chão
      17/10 Alter do chão X Santarém X Belém X Ilha de Marajó
      18/10 Ilha de Marajó
      19/10 Ilha de Marajó
      20/10 Ilha de Marajó X Belém
      21/10 Belém
      22/10 Belém X Rio de Janeiro
      No meu instagram eu deixei toda essa viagem nos meus destaques, quem quiser ver ou tirar alguma dúvida, pode me mandar por lá também: @duane.santo
      Na verdade quando nos conhecemos em 2017 combinamos de ir pra Colômbia, mas como o dólar subiu muito acabamos desistindo e encontramos a Amazônia como um lugar que ambos queriam conhecer. Então comecei a pesquisar tudo com o Rafael e fechamos nosso roteiro. Segue a saga (é a primeira vez que escrevo um relato, qualquer dúvida, perguntem):
      Dia 1 - 06/10/18
      O grande dia da viagem chegou. Check in feito no sábado anterior (é sempre bom fazer uns dias antes) e Rafael já estava a caminho. Botei minha mochila nas costas, peguei um ônibus e depois um BRT em direção ao aeroporto do Galeão. Cheguei um pouco cedo no aeroporto, encontrei o Rafael e fomos pesar nossos mochilões em um balcão de check in desativado. O mochilão do Rafael pesava 12 kg e o meu 8kg. Distribuímos o peso para evitar problemas na hora do embarque, pois não queríamos pagar para despachar os mochilões. (50 reais é 50 reais, né mores?). Almoçamos pelo Mc Donald’s (17 reais) e logo depois embarcamos. Chegamos em Manaus 15h, pegamos um voo direto com duração de 3h. O bom de não despachar mala é que além de economizar, nós não precisamos pegar e nem rezar pra ela estar na esteira. Obs: minha mochila é de 50L, da Quechua e até hoje não tive problemas para embarcar com ela como mala de mão.
      O aeroporto de Manaus é bem pequeno, saindo do segundo andar mesmo, que é onde se desembarca, nós pegamos um ônibus de 4 reais que vai do aeroporto até o centro de Manaus,  813 (a situação do ônibus é bem precária, mas nada que nãp dê pra pegar). Entrou um cara de uma agência no ônibus e ao ver que éramos turistas ficou falando com a gente, ganhamos um tour turístico de graça, pois enquanto o ônibus ia andando ele ia contando os pontos turísticos. Se é de graça a gente já ama! Diga-se de passagem: Manaus é um calor do cão, muito abafado!
      Em Manaus ficamos hospedados no Local Hotel (gostei e recomendo – 46 a diária + 10 reais de café da manhã), descemos do ônibus no ponto próximo ao Hospital Beneficente Portuguesa e andamos por volta de 5 minutos e já estávamos em frente o Local Hostel. Fizemos check in e resolvemos ir ao mercado e na agência fechar o passeio para o dia seguinte.
      O local Hostel tem parceria com a Iguana tur (agência que fiz os passeio em Manaus) e eu soube de uma menina que fechou os passeios com eles e ganhou o transfer de graça (fica a dica- quem não se comunica se trumbica). Eu tinha fechado o passeio com eles pela internet, peguei um pacote promocional no IG deles e paguei 720 reais pra ir nas cachoeiras de presidente Figueiredo (incluso almoço) e no pacote iguana, o pacote iguana consiste em 3 dias e 2 noites na selva (tudo incluso, menos bebidas- água free).
      Após o check in no Local fomos na agência da Iguana, pois eram quase 17h e então perguntamos que horas a agência fecharia, o sinhozinho disse que na hora que desse na telha. Ok! Corremos pra sacar dinheiro, eles não aceitam cartão, ali tem quase todos os bancos próximos. Pra início de viagem saquei 1000 reais.
      Durante a semana fica um rapaz da Iguana tur dentro do local hostel fechando os passeios, mas como era sábado ele não estava lá. Passeios pagos e fomos ao mercadinho próximo do hostel comprar beliscos para esses 4 dias de passeio. Compramos um club social e água, era um mercadinho bem mequetrefe. Só comemos o club social pra não dizer que não comemos, foi desnecessário, pois comemos bem em todos os passeios e o local hostel tem bebedouro a vontade para os hóspedes. Depois descobrimos que tinha um Carrefour perto do hostel, fomos lá e compramos uma lasanha para a janta e um suquinho, além de mais um ou outro biscoitinho 😁
      Voltando pro Hostel colocamos nossa lasanha no micro-ondas e foi só sucesso! Depois da barriga cheia, arrumamos nossa mochila de ataque para os próximos 3 dias na selva e fomos dormir. Deixamos o mochilão no hostel por 1 real. O valor independe da quantidade de dias.
      O hostel fica pertinho do Teatro Amazonas, principal cartão postal de Manaus

    • Por Gedielson
      Resolvi fazer este relado de viagem principalmente pela pouca orientação que encontrei para fazer a expedição para o Monte Roraima.
      Tive dúvida do que levar, mas, principalmente do que NÃO levar. Incerteza com que guia contratar. Incerteza com comida e pouca orientação sobre preparo físico necessário.
       
      Espero com este relato suprir algumas dessas deficiências que outros aventureiros possam ter.
       
      1 – Diário de bordo
      2 – O que levei para o Monte Roraima
      3 – Como contratar um guia
      4 – O que comer e o que beber
      5 – Preparo físico necessário para subir o Monte Roraima
      6 – Despesas
      7 – Conclusão
       
       
      1 – Diário de Bordo
       
      DIA 1
       
      Saímos de Londrina, eu Ana e Maurício às 13:25.🛫 Chegamos em Congonhas com pouco menos de uma hora.
      O voo para Brasília saiu às 17h. Uma hora  e meia de viagem. 
      Chegando em Brasília tínhamos mais de 4 horas de espera até o voo para Boa Vista.
      Bom que deu tempo de conhecer o aeroporto, que é muito grande e bonito. Faz jus a capital do Brasil.
      Deu tempo de jantar (R$ 28,00) e até de comer uma sobremesa (R$ 36,00).
       
      De Brasília saímos às 22:45 e chegamos em Boa Vista a 1:20 (horário local, uma hora a menos do horário de Brasília).
       
      Em Boa Vista desembarcamos e pegamos um táxi (R$ 40,00) para o hotel (R$ 110,00).🛬
       
      No hotel chegamos umas 2h da manhã.
      O Hotel Magna era bem simples, mas suficiente.
      Tinha até condicionado, mas o chuveiro não tinha a opção de quente. Tudo bem que faz muito calor em Boa Vista, mas água fria e tenso. Depois ficamos sabendo que somente hotéis de luxo que tem chuveiro elétrico em Boa Vista
       
      Procuramos dormir logo pq as 6 da manhã o táxi já ia passar nos pegar.
       
       
      DIA 2
       
      Acordamos as 5:15 de uma noite não dormida muito bem.
      Pernilongos e poucas horas de sono.
       
      As 6h em ponto o táxi chegou.🚖
       
      Partimos em direção a Pacaraima. Um pouco mais de 2 horas de viagem. Com direito a uma parada para tomarmos um café da manhã no Quarto de Bode.🐐
       
      Chegando em Pacaraima o nosso guia Leopoldo já nos aguardava e a partir de então era com ele que a gente seguiria o restante da viagem.
       
      Pacaraima aparenta ser uma cidade bem pequena, mas estava com um fluxo bem grande de pessoas. Acho que a maioria era venezuelanos.
       
      Atravessar a fronteira foi bem tranquilo. Do lado brasileiro nem precisamos fazer trâmite algum (pelo menos eu acho que não precisava 🤔). 
      Do lado venezuelano foi uns 20 min, isso graças ao auxílio do  guia. Senão penso que demoraria mais.
       
      Para ingressar do lado venezuelano vc passa por tbm por uma fiscalização da guarda Bolivariana que tbm foi sussa. Mas, segundo informações ela geralmente não é tranquila. Ficam criando dificuldades para poder vender a facilidade. Mas não foi nosso caso.
       
      Depois da fronteira, mais uns 20 min chegamos em Santa Elena de Uairen e fomos direto para a base do guia, que já ajeitou as nossas mochilas no carro que nos levaria até a reserva de onde começa a expedição.
       
      O guia nos apresentou a equipe que nos acompanharia, Omar, sua esposa (até agora não sei o nome dela 😂) e Valentim. Depois se juntaria a nós o cozinheiro Armando. Tbm conhecemos outros dois brasileiros que fariam a expedição com nós, Guilherme e Gabriel.
       
      Logo partimos. Umas 10h.
      A previsão era de umas duas horas de viagem até chegar no Parque Nacional Canaima, mas o carro que estávamos deu um problema mecânico no meio da estrada.
      Então o motorista ligou para um outro que veio nos socorrer e trocamos de carro. Com isso atrasamos cerca de uma hora.
      A rodovia foi tranquila. A parte de estrada de chão é de muito sacolejo. Se não for um veículo traçado não daria conta.
       
      Quando chegamos na reserva de onde parte a expedição, tivemos que pagar uma taxa de R$ 30,00.
      A informação é que era R$ 10,00, mas, aparentemente subiu (deve ser a puta inflação venezuelana).🤑
       
      Ainda nesta reserva fizemos um lanche e então partimos para 12 km de caminhada.
       
      Iniciamos por volta das 14:30.   
       
      Não estava sol, o que facilitou um pouco, mas a caminhada não foi fácil.
      Um trekking de 12 km com uma mochila de uns 13 kg pra quem não tinha dormido direito não é fácil pra ninguém.😲
       
      Chegamos no local do acampamento por volta das 19:00h, exaustos.
      Ajudamos montar as barracas e descemos para o Rio Tel para tomar aquele banho frio.
       
      Não demorou muito para o jantar ficar pronto. Uma macarronada com carne moída. Muito boa!
       
      Comemos, o guia nos deu algumas orientações sobre o dia seguinte e jogamos um pouco de conversa fora, depois dormimos, com uma chuva que se aproximava.
       
      De madrugada choveu um pouco.
       
      DIA 3
       
       
      Eu acordei bem cedo. Foi uma noite bem dormida. Às 5:30 já estava de pé.
       Serviram o café da manhã às 6:30, omelete com uma espécie de “massinha” de pão frita.
       A programação era de sairmos a 7h, mas com a chuva que começou a cair e não dava para seguir viagem.

       
      Não pela chuva em si, mas sim pela cheia do rio que teríamos de atravessar.
       
      Esperamos até às 10 horas e Omar resolveu que dava para tentar. Então seguimos.
       
      Para atravessar o rio Tek foi tenso. Primeiro atravessaram nossas mochilas e depois um a um.
      O rio estava bem cheio e a correnteza era forte. Mas demos conta. Isso graças ao ótimo trabalho realizado pelos guias.
       
      Esta foi a primeira etapa, pq outras duas travessias do rio Kukenan nos aguardava.
       
      Paramos para o almoço, até pq não dava ainda para atravessar o rio Kukenan por causa da sua cheia.
      Prepararam e serviram o almoço, uma salada variada com pão.
       
      Ao seguirmos, atravessamos o Kukenan em dois pontos.
      O primeiro ponto foi tranquilo. A segunda é necessária a ajuda de uma corda esticada de lado a lado.
       
      Seguimos para uma caminhada de aproximadamente 3 horas. Deve ter dado uns 8 KM, mas pareceu ter andado uns 80 😅.
      Boa parte com um sol forte, outras com o tempo encoberto, mas sem chuva.
      Essa subida exige bastante preparo.
       
      Chegamos no acampamento. Mais um banho bem frio. Aquele velho e bom “banho checo”.
       
      Barracas montadas, foi hora de descansar um pouco. Já tirei um cochilo e acordei com a janta servida na porta da barraca, frango, arroz e batata cozida.

       
      Exaustos, dormimos fácil.
      Amanhã é o dia de concluirmos a subida e finalmente chegar ao topo.
       
      DIA 4
       
      Acordamos cedo e o café foi servido assim que arrumamos as mochilas.
      Logo partimos para a etapa final da subida.
       
      Foi uma subida quase toda por dentro da mata.
      A trilha em si já é um espetáculo.

      Foram aproximadamente 5 horas de subidas e descidas.
      Passando por pequenos riachos, alguns mirantes onde era possível ver toda extensão do paredão do Roraima e o "Poço das lágrimas".
       
      Alcança o topo é muito gratificante. A sensação de conquista, de missão cumprida, de superação é difícil descrever.
       
      Tudo que vimos debaixo foi sensacional. A impressão que se tem e que de cima não pode superar aquilo que já vimos.
       
      Mas, por incrível que pareça, supera sim. 😲
      A vista é sensacional. Apreciar o Kukenan, o sol, as nuvens, a vista de toda trilha que fizemos, o paredão visto de cima.
      As palavras são poucas para descrever.

       
      E isso foi só no momento da chegada, em um minúsculo pedaço do tepui que ficamos por alguns minutos.
       
      Depois de apreciar a vista e tirar umas fotos de um mirante, fomos rumo ao Hotel Índio, que nesta noite nos serviu de abrigo. É uma espécie de caverna com vista voltada para o Kukenan.

      O almoço foi servido (macarrão com carne moída).
      Descansamos um pouco e fomos conhecer as Jacuzzis.
       
      Ficava uma cerca de 30 min de caminhada do nosso “hotel”.
       
      A água é totalmente transparente, de uma pureza sem igual.
      Muito fria tbm. Confesso que deu trabalho para entrar. Mas não tem como estar lá e não entrar. O passeio seria incompleto. Por mais frio que seja, vale a pena. É uma beleza sem igual.

       
      Ao retornarmos foi servido um chocolate quente e pipoca.
       
      Foi possível apreciar um pouco de pôr do sol, mas com nuvens.
       
      Não demorou muito e jantamos (sopa de legumes com macarrão).
       
      Ficamos um tempo conversando e tirando fotos da lua e das estrelas.
       
      Logo depois dormimos.
       
      Amanhã é dia de irmos para outro hotel.
      12 km de treking.
       
       
      DIA 5
       
      O horário programado para acordar este dia não foi diferente dos outros, acordamos as 6, para tomarmos café as 6:30 e saída umas 7:30.
       
      O dia amanheceu com um céu muito limpo.
       
      Tomamos café da manhã que foi servido com uma espécie de panqueca com goiabada e uma porção de frango desfiado com umas misturas que nem sei o que é.
      Sei que parece que não combina, mas é bom.
       
      Mochilas arrumadas, partimos para outro hotel, Hotel Quati, este do lado brasileiro.
       
      São 12 km de trekking.
       
      A imensidão do tepui impressiona. Vc anda e parece que não tem fim.
      E embora seja um lugar peculiar pelas suas características, é possível perceber que o cenário vai mudando de um lugar a outro.

       
      Por este caminho de 12 km paramos em alguns pontos para conhecer e “sacar unas fotitas”.
      Existe até uma réplica da nave de Star wars 😁🖖

       
      O ponto alto da caminhada é a passagem pelo "El Foço".
      Trata-se de um poço de um raio de uns 20/30 metros e uma profundidade de uns 30/40 metros.

       
      Uma pequena cascata cai de cima e é possível ver a lagoa que se forma no fundo. Uma lagoa de água transparente.
       
      Se de cima já impressiona, poder descer ao fundo então é espetacular.
       
      O caminho não é dos mais fáceis, mas a ajuda do nosso guia Omar mais uma vez fez toda diferença.
       
      O acesso ao fundo do "El Foço" é feita por uma caverna lateral.
       A descida já vale a pena.
      Parece que vc está em um cenário de algum filme do tipo "mundo perdido" ou filmes que retratam o período pré-histórico.
       
      O fundo do poço é muito melhor do que eu podia esperar.
      Tem um aspecto dourado, desde sua água até suas paredes. Quando o sol bate por suas fendas o dourado fica ainda mais vivo.

       
      A hora de entrar na água foi o momento mais desafiador. Sem dúvida foi a água mais fria que já experimentei até hoje. Ao colocar os pés na água, parecia que estavam sendo cortados. Doía a alma. E o foda é que para chegar na parte aberta, molhar só os pés não é suficiente, é preciso molhar pelo menos até a cintura.
       
      Fui o primeiro a entrar, já que percebi alguma hesitação por parte dos meus companheiros de viagem. Depois os outros vieram tbm. Todos nós com muitos gritos de "pqp" e suspiros de "Jesus". 😝
       
      Valeu muito a pena. Olhar aquela imensidão de baixo para cima valeu o perrengue da água geladamente cortante.
       
      Depois do "El Foço" fomos para ao "Punto Triple", que é a tríplice fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.
      Não é nada além de um marco que sinaliza a fronteira dos 3 países, mas é bem interessante saber que vc com apenas um passo pode mudar de país.

       
      Do lado guiano é possível observar um labirinto de rochas.
      Já do lado brasileiro o cenário muda um pouco e é possível observar árvores.

       
      Seguimos então pelo lado brasileiro e com cerca de uma hora de caminhada chegamos ao Hotel Quati, onde um delicioso almoço nos aguardava (feijoada).
       
       
      Almoçamos, descansamos alguns minutos e fomos a um mirante onde se pode observar a savana brasileira e o Roraiminha. A vista mais uma vez surpreendeu.

       
      Na volta passamos por um pequeno riacho para tomarmos banho. Dessa vez não tão frio.
       
      Ao retornarmos um chocolate quente foi servido, acompanhado de pipoca e bolacha de água e sal.
       
      Jogamos um pouco de conversa fora. Logo a noite caiu e a janta foi servida.
      Mais uma vez uma sopa de legumes. O que caiu muito bem, até pq fazia bastante frio.
       
      Mais um pouco de conversa, Conhaque e Rum para aquecer e fomos dormir. Até pq o dia foi cansativo tbm.
       
      DIA 6
       
      Acordamos as 5 da manhã para ir ao mirante ver o sol nascer.
       
      O dia estava claro, mas quando chegamos no mirante o céu fechou e deu para ver bem pouco do sol mesmo.
      Mas mesmo assim a beleza foi espetacular.
       
      Voltamos ao hotel e tomamos café da manhã (um pão assado, com ovo, acompanhou goiabada).
       
      As 8 horas partimos para a aventura do dia.
       
      Foram 4 horas de caminhada para ir e 4 horas para voltar. Nada fácil. E isso pq estava somente com uma mochila de ataque.
       
      Iniciamos a caminhada com o tempo fechado e logo começou a chover.
       
      Conhecemos aquilo que chamam de Jacuzis Brasileiras.

      Passando por uma área que parecia um “jardim japonês”. Quando chegamos neste ponto o sol abriu um pouco.

       
      Neste dia experimentamos da grande variação climática do Monte Roraima. Chuva, sol, frio e calor tudo isso com diferença de poucos minutos.
       
      Conhecemos também Lago Gladys, que quando chegamos estava encoberto por nuvens. Abriu um pouco, mas sem muita visibilidade.

       
      Seguimos em direção a “proa”. Passamos pelos destroços de um helicóptero da Tv Globo que caiu ali no ano de 1998.
      O caminho não é fácil. O labirinto se torna bem mais complexo com chuva.
      Finalmente chegamos, mas o mal tempo não deu trégua. Apesar de ter parado a chuva, o tempo não abriu e vimos apenas o cinza de uma nuvem que insistia em não sair (nem tudo são flores 😏).

       
      Na volta, passamos novamente pelo Lago Gladys, agora totalmente visível e também passamos por um mirante espetacular, com o céu aberto.

       
      Voltamos para o Hotel Quati. Almoçamos. Descansamos um pouco.
      Logo a noite chegou. A janta foi servida.
      Jogamos um pouco de conversa fora. Muitas risadas e fomos dormir. Acredito que esta foi a noite mais fria de todas.
       
      Continua...


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