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Para mim é algo realmente complicado traduzir em palavras os momentos vividos nos dias da minha viagem. Viagem esta que não se traduz num simples mochilão ou turismo de longa duração. Foi o encontro de uma pessoa comum com seu sonho de andar por terras que tanto o inspiraram, terras mãe da esperança, terras de homens e mulheres feitos de histórias e de coração, corações gigantescos. O sentimento que fica depois de quase seis meses na estrada é o de gratidão, do agradecimento as infinitas pessoas que ajudaram esse pobre viajante das mil e uma maneiras possíveis, para vocês meu muito obrigado.

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Foto 1 - A companheira de viagem

Tinha uma vida igual a tantas outras, era bem razoável por sinal, mas a vontade de caminhar e estar frente a frente com o novo me atormentava todos os dias. Queria conhecer com meus olhos as diferenças, os sotaques, as comidas, as belezas. Desejava não ter pressa, fazer tudo no seu tempo necessário, não estar preso a rotina dos dias e principalmente aprender. Sim, aprender, não com fórmulas prontas e nem sentado dentro de uma sala de aula. Queria aprender com experiências. Queria conhecer pessoas. De alguma forma queria fugir da minha vida cotidiana, não por ela ser ruim, mas pelo desejo de se conhecer e assim, quem sabe, voltar uma pessoa melhor. Quando esse sentimento passou a ser insuportável decidi que tinha que partir.

Por um ano ajuntei algum dinheiro, queria ficar seis meses na estrada. A grana não era o suficiente, mas suficiente era a minha vontade. Dei um ponto final no trabalho. Abri o mapa e não tinha ideia por onde começar. Decidi não ter um roteiro, apesar de ter muitos lugares em que eu queria estar.

Assim começa a minha história (poderia ser de qualquer um). O relato está dividido da seguinte forma:

Parte 1: de Rio Claro ao Vale do Itajaí
Parte 2: Cânions do Sul
Parte 3: de Torres a Chuí
Parte 4: Uruguai
Parte 5: da região das Missões a Chapecó
Parte 6: Chapada dos Veadeiros e Brasília
Parte 7: Chapada dos Guimarães
Parte 8: Rondônia
Parte 9: Pelas terras de Chico Mendes, Acre
Parte 10: Viajando pelo rio Madeira
Parte 11: de Manaus a Roraima
Parte 12: Monte Roraima y un poquito de Venezuela
Parte 13: Viajando pelo rio Amazonas
Parte 14: Ilha de Marajó e Belém
Parte 15: São Luis, Lençóis Maranhenses e o delta do Parnaíba
Parte 16: Serra da Capivara
Parte 17: Sertão Nordestino
Parte 18: Jampa, Olinda e São Miguel dos Milagres
Parte 19: Piranhas, Cânion do Xingó e uma viagem de carro
Parte 20: Pelourinho
Parte 21: Chapada Diamantina
Parte 22: Ouro Preto e São Thomé das Letras
Parte 23: O retorno e os aprendizados

O período da viagem é de 01/10/2015 a 20/03/2016. De resto não ficarei apegado nas datas exatas em que ocorreram os relatos que irão vir a seguir, tampouco preocupado em valorar tudo. Espero contribuir com a comunidade que tanto me ajudou e sanar algumas dúvidas dos novos/velhos mochileiros.

********** A ATUALIZAÇÃO DO SITE AFETOU A FORMATAÇÃO, ELIMINOU AS LEGENDAS DAS FOTOS E ADICIONOU ESPAÇAMENTOS EXTRAS. COM CALMA IREI EDITAR TODO O RELATO PARA FICAR MAIS AGRADÁVEL VISUALMENTE ********* 

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Parte 1: de Rio Claro ao Vale do Itajaí

"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir." Paratii: Entre dois pólos, Amyr Klink

Enrolei alguns dias em casa, era para já estar viajando, na verdade eu tinha medo de começar. Acho que o mais difícil é começar, depois você já vai ter feito a merda mesmo e tudo fica mais fácil. Após pensar muito decidi que o meu primeiro destino seria Curitiba. Lá reencontraria o Boletão, parceiro do meu primeiro mochilão e amigo de longa data. Acho que era uma terça-feira. Fiz as malas horas antes de partir, minha irmã e mãe me acompanharam na rodoviária, elas tentaram me fazer desistir. Subi no buzão e já não tinha certeza de nada. Apesar de o trajeto ser noturno eu não dormi. Pensava milhões de coisas e ao mesmo tempo não pensava em nada.

Das coisas que levei comigo:

  • 1 mochila Curtlo Mountaineer 75 + 15 lts
  • 1 barraca Quechua QuickHiker II
  • 1 saco de dormir Trilhas e Rumos Super Pluma Inverno
  • 1 tênis de trilha Timberland
  • 2 calças jeans
  • 2 calças de trekking
  • 3 shorts
  • 10 camisetas
  • 10 cuecas
  • 5 meias
  • 1 anorak
  • 1 segundo pele
  • 1 touca
  • 1 toalha
  • Produtos de higiene pessoal
  • Alguns livros

Em média a mochila pesava uns treze quilos.

Chegar a Curitiba, reencontrar o Boletão, parecia mais um final de semana de folga. Apesar de ter ficado quase uma semana por lá. Andei por todos os cantos de Curitiba, conheci o que nunca tive oportunidade de conhecer. Já tinha ido algumas vezes antes à cidade, mas sempre de passagem. Dessa vez, com todo tempo do mundo, conheci tudo com a calma que cada lugar merecia. O museu do olho do genial Niemeyer é algo realmente belo e tive sorte de estar na cidade na época da bienal. O jardim botânico merece toda a fama de cartão postal da cidade, é um parque agradável demais, todos os outros parques da cidade são de igual sentimento. Vale destacar a qualidade do transporte público na cidade o melhor que conheci no Brasil.

Informação 1.1: Curitiba é considerada a capital ecológica do Brasil. Existem mais de 26 parques para visitação e também é a cidade onde a mata Atlântica é mais preservada.

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Na época da graduação, eu e o Boletão éramos os únicos da sala com viés social. Saber que está em Curitiba trabalhando com algo em que acreditávamos enquanto estudantes era realmente gratificante. Fazia mais de ano que não o via, depois do nosso mochilão cada um foi trabalhar em um canto. Nesses dias pudemos conversar sobre a nossa viagem, sobre a sua viagem pelo sul da África, futebol, a vida e claro, sobre a minha viagem que se iniciava. As conversas foram boas e os dias agradáveis. Nesse momento parecia estar em casa e havia uma sensação que a viagem não tinha começado. Era hora de prosseguir. Fiquei dias definindo qual seria meu próximo destino até decidir por Pomerode, cidade do Vale do Itajaí.

Informação 1.2: Pomerode é uma cidade catarinense próxima de Blumenau conhecida por ser a cidade mais alemã do Brasil.

Curiosidade 1.1: Em plena crise o vale do Itajaí era o oposto do resto do país, criando vagas ao invés de diminuir. O vale corresponde o nordeste do estado de Santa Catarina, região que tem como principal cidade Joinville.

Tentei couchsurfing na cidade, não consegui. Procurei nas cidades vizinhas até conseguir em Timbó. Meu primeiro host da viagem e seria o primeiro surfer delas. Cheguei pelo fim da noite na cidade. A minha espera estava a Dani, Bruna e família. Não poderia ter melhor recepção.

“A vontade de visitar Pomerode vem do simples fato de sempre saber que era a cidade mais alemã do Brasil, apesar de ser um termo vago, carregava essa vontade de estar lá. Estava tão perto, por que não ir? Não conhecia nada da região, muito menos sabia que Timbó existia. Como a viagem não tinha nada de planejado seria uma descoberta.” Notas de diário

No segundo dia seguimos para o morro Azul. Pico mais alto da cidade, o morro abriga uma bela vista, além de ser um ponto de camping da cidade. Do seu topo pode-se ver Timbó e Pomerode. Lá de cima na companhia da Bruna e da Daniela, finalmente, tive a certeza que a viagem havia começado de verdade. Agora sabia que tinha tomado a decisão certa. Depois fomos numa festa, no estilo Oktoberfest. Foi um bom dia, cheio de paz e de ótima companhia.

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Dias depois, finalmente, fui conhecer Pomerode. A cidade é toda charmosa, cheia de casas de arquitetura enxaimel. Tudo é organizado lá e em muitos cantos se houve falar alemão. O que há de melhor, sem dúvida, é a culinária, muitos restaurantes típicos e padarias com doces que parecem ter saído do cinema. Comi uma torta de frutas vermelhas (em uma padoca) maravilhosamente boa.

Informação 1.3: O Enxaimel é uma antiga técnica construtiva, na qual uma estrutura de madeiras encaixadas tem seus vãos preenchidos com tijolos ou taipa. Conjunto de estacas e caibros que sustenta as divisões da estrutura da casa, podendo ou não ficar aparente na fachada.

Culinária 1.1: No vale do Itajaí vende-se o refrigerante Laranjinha da Água da Serra, o melhor de todos. Não tem muito gás e é realmente bom.

Fiz um trekking de 16 km pela rota enxaimel. O caminho é recheado por construções do tipo enxaimel (aquelas casinhas típica alemã) e cercado pela natureza. Muito fácil conhecer pessoas no caminho e aprender um pouco da cultura alemã que sobrevive na região. Recomendo demais o trekking. Apesar de muito ouvir que as pessoas da cidade não são receptivas e muitas vezes preconceituosas com turistas, não senti nenhuma indiferença por parte das pessoas que tive contato. Pelo contrário, fui bem recebido e tratado com enorme educação.

Curiosidade 1.2: Pomerode, apesar de ter menos de 30 mil habitantes, tem grandes empresas como: Bosch , Hering entre outras.

Curiosidade 1.3: Apesar de toda fama de Pomerode, o melhor lugar para se visitar arquitetura enxaimel é a vila alemã em Blumenau.

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Nos outros dias caminhei por Timbó, se tivesse que escolher uma cidade para viver essa cidade seria Timbó. Calma, bonita, clima agradável, cheia de oportunidades, muito verde, muitos rios e mulheres bonitas. Não existem muitos pontos turísticos, mas existe muita beleza por todos os cantos. Apesar de a vizinha Pomerode ter a fama, Timbó tem muito de cultura e arquitetura alemã, de uma forma mais desapegada o que para mim é melhor.

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Passei bons momentos na companhia da família Nasato e quero um dia poder voltar para lá e receber aqueles abraços calorosos iguais da despedida. Família que tão bem me recebeu, iria ficar dois dias a principio, acabei ficando quase uma semana. A Dani e a Bruna transbordam amor e logo seguiriam para um mochilão de longa data. Lembro que dava dicas para elas de como viajar, hoje acompanhando a viagem delas era eu que merecia umas longas aulas, que orgulho e que saudades. Falando em saudades, esse é o sentimento que fica. Saudades das conversas com o Pini e a Rose, depois chegou a Grazi que abrilhantou ainda mais a pacata Timbó. Nunca me esquecerei desses dias e sempre serei grato a Dani e Bruna por dar a possibilidade de conhecer suas famílias, cidade e região. Meus eternos agradecimentos. Muito obrigado.

Depois fui para Blumenau em plena Oktoberfest, passei uma tarde na vila alemã e segui viagem. Dormi de noite na rodoviária da fria Criciúma. O próximo destino seria a região dos cânions.

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Parte 2: Cânions do Sul

Depois de ter desistido, por hora, de conhecer a serra catarinense e a bela serra do rio rastro, decidi conhecer os badalados cânions do sul. Estava empolgado, anos antes tive a oportunidade de conhecer o cânion mais profundo do mundo, o cañon del colca próximo a cidade peruana de Arequipa, lugar que também se localiza a nascente do rio amazonas. Essa experiência foi demais. Estar frente a frente com o vazio infinito e presenciar o voo dos condores sempre me trás boas sensações e lembranças. Agora era a vez de conhecer uma região fértil em cânions.

Curiosidade 2.1: O "cañon del colca" chega a ter mais de 3500 metros de profundidade.

A região dos cânions situa-se na Serra Geral divisa natural entre os estado do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Essa região corresponde a diversas cidades entre os dois estados, tendo maior destaque Cambará do Sul (RS) e Praia Grande (SC) por suas proximidades dos cânions mais visitados da serra. Cambará do sul é uma cidade da serra gaúcha, muito próxima de Gramado, que tem uma altitude de mais de mil metros, portanto, fica no topo dos cânions. Praia Grande apesar do nome não é uma cidade litorânea e fica no nível do mar, o que faz dela ser cercada pelos paredões dos cânions. As duas cidades são separadas pela Serra do Faxinal, que por sinal é muito ruim e fica intransitável em épocas de chuva.

Informação 2.1: Existem 36 cânions na região.

Informação 2.2: Praia Grande fica distante 40km do litoral.

Dica 2.1: Cambará do Sul está 120 km de distância de Gramado. Caso planeje uma viagem para a serra gaúcha, não deixe de visitar Cambará do Sul e seus cânions.

Dica 2.2: De Gramado existem passeios "bate e volta" para o cânion do Itaimbezinho pelo preço de R$150.

Dica 2.3: Caso queira visitar os cânions com maior comodidade, fique na cidade de Cambará do Sul que tem maiores estruturas para o turismo.

Após Criciúma, entre um ônibus e uma carona cheguei a Praia Grande. Minha escolha foi baseada nos custos, Cambará é mais badalada e por conseqüência mais cara. Nos meus dias na cidade fiquei todo tempo acampado num sítio na comunidade de Vila Rosa, que é cercada pelo cânion de mesmo nome.

Informação 2.3: Existe ônibus direto entre Criciúma e Praia Grande, mas os horários são bem restritos. Por isso minha opção de pegar um ônibus até uma cidade um pouco mais próxima e depois por sorte eu consegui uma carona.

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“Conheci uma húngara hoje. Ela estava indo embora. Fazia quatro dias que estava em Praia Grande. Seu sonho era conhecer os cânions Itaimbezinho e Fortaleza. Em todos os dias ela chegou ao topo do Itaimbezinho e em nenhuma das subidas ela teve sorte. A neblina tomou conta dos cânions naqueles dias, por mais que chegasse muito próximo ao desfiladeiro não era possível ver nada. Com lágrimas nos olhos ela se despediu, dizendo que iria voltar.” Notas de Diário

No dia seguinte caminhei até o cânion Vila Rosa. Sua localização fica na própria Serra do Faxinal. A entrada da trilha para o acesso ao cânion não tem sinalização, o melhor é se informar com os nativos antes de partir. A boa noticia é que ele é praticamente deserto, no dia que estive lá fui à única pessoa desfrutando, daquele, que para mim é o cânion mais bonito da região. Fiz todo o trajeto a pé, subi a Serra do Faxinal e depois caminhei na pequena trilha que leva ao cânion. Tive todo o tempo necessário para sentir o lugar e ter aquela sensação de vazio que os cânions proporcionam.

Dica 2.4: Caso tenha tempo na região e esteja em Praia Grande faça todo o trajeto a pé. No meio do percurso existem diversos mirantes dos cânions.

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Gosto de estar sozinho em lugares como este. Onde a natureza foi caprichosa. Muitas coisas passam pela cabeça, mas o que mais martela nos pensamentos é que existe muita beleza no mundo. Ao dormir nesse dia, só conseguia agradecer aos céus por ter tido a oportunidade de conhecer aquele lugar. Nos outros dias tinha a missão de visitar os cânions Itaimbezinho e Fortaleza, mas esses eram muito distantes impossibilitando ir caminhando. Consegui diversas caronas para conseguir visitá-los.

Dica 2.5: Existem muitos turistas na região e a maioria aluga carro, então, é muito comum conhecer pessoas que tem lugares vagos no carro e também é tranqüilo ir até a serra do faxinal para pedir caronas.

Informação 2.4: O cânion Itaimbezinho fica 25km de distância de Praia Grande.

Informação 2.5: O cânion Fortaleza fica 60km de distância de Praia Grande.

Informação 2.6: Os taxistas da cidade de Praia Grande fazem o trajeto (com até 4 pessoas) aos cânions. Para o cânion Itaimbezinho é cobrado R$200 e para o cânion Fortaleza R$300.

O cânion Fortaleza está localizado no Parque Nacional da Serra Geral e a entrada no parque é gratuita. Difícil chegar até ele, acredito que em dia de chuva seja impossível atravessar uma parte daquela estrada, ainda mais com carro comum. Por outro lado, o trecho asfaltado da pista é lindo demais, cheio de flores coloridas por todos os lados. Fui deixado na entrada do parque e depois segui andando. No meio do caminho entrei na trilha da pedra do segredo. A pedra do segredo é uma pedra de cinco metros que está equilibrada numa base de cinqüenta centímetros. Todo o percurso vale à pena, mas a pedra em si, não me encantou muito.

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Segui rumo ao Fortaleza. Quanto mais se aproxima do cânion mais encantador ele fica. Chegando ao topo e tendo aquela paisagem como companhia, não se consegue pensar muito. O momento é destinado ao sentir.

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Não há estrutura no parque (com exceção de um estacionamento) o que possibilita você estar na borda do cânion. Eu prefiro que seja assim, mas isso afasta muito dos visitantes além de, ser relativamente longe (com estrada ruim). O lugar por não ser entupido de turistas faz da visita uma experiência agradável para todos os visitantes. Eu que gosto de admirar cada canto com calma pude me sentar (sem ser incomodado) por diversas vezes na borda do cânion e ficar ali parado, contemplando.

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O cânion Itaimbezinho, cartão postal da região, está localizado no Parque Nacional de Aparados da Serra e a entrada custa oito reais para brasileiros. Aqui se gravou várias reportagens, novelas e nos últimos meses com imensa divulgação da televisão fez aumentar demais o turismo no parque. Diferente dos outros cânions que eu já havia visitado, este era completamente diferente. Primeiro pelo seu estilo, com as fendas muito próximas. Segundo por ter muita gente e terceiro por ter uma estrutura de turismo. Aqui você não consegue se aproximar muito do cânion, existem parapeitos por toda a borda. As trilhas são bem marcadas e tem um salão de apresentação, onde é contada toda a história de formação dos cânions da região.

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O lugar é muito bonito, vale à pena visitar. Por conseguir atrair o turismo de massa o Itaimbezinho perde um pouco do charme, mas nada que tire o seu sorriso ao estar diante daquele lugar tão peculiar.

Curiosidade 2.2: Depois que a globo exibiu uma reportagem sobre o Itaimbezinho e também teve uma novela gravada, o turismo no Itaimbezinho aumentou drasticamente. O problema é que a galera acha que é o único cânion da região, deixando de conhecer os, igualmente, belos Fortaleza, Vila Rosa, entre outros.

Tinha planejado fazer a trilha do rio do boi, que nada mais é que caminhar debaixo das fendas do Itaimbeizinho. Como o nível do rio estava muito alto e começava a chover na cidade, talvez a trilha só fosse liberada (pelo ICMBio) daqui algumas semanas. Resolvi não esperar.

Curiosidade 2.3: A maioria das pessoas locais que conheci, nos meus dias na cidade, nunca haviam visitado nenhum cânion da região.

Em cenários como os de cânions é preciso ter sorte. Afinal, existe um clima particular entre as fendas, onde, do nada, pode-se instaurar uma cortina de neblina e impedir toda a visualização do lugar. Então, o melhor é ficar uns dias na região para evitar qualquer frustração.

Aqui foi meu primeiro camping do mochilão. Aqui pela primeira vez estive frente a frente com a imensidão da natureza (nessa viagem). Aqui ouvi meu primeiro "Bah, mas isso é muito longe para ir andando" de muitos que ouviria por todo o sul. Aqui fiz alguns amigos e estes diziam que eu deveria conhecer Torres. Depois de muita propaganda, desfiz acampamento, arrumei a mochila e comecei a caminhar. O próximo destino seria Torres, litoral do Rio Grande do Sul.

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Parte 3: de Torres a Chuí

Fui caminhando até uma estrada vicinal na divisa entre os estados (SC e RS) e de lá peguei uma carona até Torres. As duas cidades são bem próximas e a viagem não durou mais que uma hora. O trajeto é cheia de plantações de arroz e a estrada é de terra batida, o que é comum por aqueles cantos. Achei muito bonito o caminho.

Informação 3.1: Apesar de serem vizinhas (Praia Grande - SC e Torres – RS) não existem ônibus (diretamente) que ligam as duas cidades, é necessário ir até a rodovia para conseguir pegar algum ônibus em trânsito ou esperar um bus que sai uma vez ao dia num ponto depois da ponte que divide os dois estados.

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Torres foi a primeira cidade praiana da minha viagem. Confesso que não tinha muita expectativa sobre o lugar e como sempre fui surpreendido. A praia da guarita foi dos lugares que mais me encantou em todo mochilão. As falésias da praia lembram a baía dos porcos em Fernando de Noronha, um lugar maravilhoso. Pena que nos dias que estive na cidade fazia muito frio e ventava forte, assim, não cheguei ter o prazer de mergulhar no mar. A região onde fica situada a praia é um parque (Parque Estadual da Guarita) de proteção ambiental e tudo é muito bem organizado e todo parque é muito bonito. É possível ter acesso ao topo das falésias através de caminhadas curtas, mas intensas. Com certeza, o topo da guarita é o ponto alto da visita.

Curiosidade 3.1: Os gaúchos costumam dizer que Torres é a única praia do Rio Grande do Sul, apesar de terem um litoral extenso, eles também dizem que o resto do litoral gaúcho é só areia, água e vento.

Informação 3.2: A entrada para pedestres no Parque Estadual da Guarita é gratuito, caso esteja com veículo é necessário pagar entrada e o preço varia de acordo com o veículo.

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Não fiquei muito em Torres. Dormi apenas uma noite na cidade e aproveitei dois dias na praia da guarita, gostei tanto que não quis conhecer outras praias. Depois segui para Porto Alegre de ônibus, mas não queria ficar. Já conhecia um pouco da cidade e queria evitar metrópoles. Cheguei pela noite na rodoviária e por lá fiquei toda madrugada definindo qual seria meu próximo destino.

Sempre tive grande curiosidade em conhecer Gramado e Canela. Estava tão perto, por que não ir? Pela manhã, depois de uma noite que quase não dormi, comprei a passagem com destino a Gramado. Antes tentei couchsurfing e não consegui. Ao menos fiquei sabendo da existência de camping e hostel pela região. Entrei no ônibus e dormi.

Gramado é uma cidade tranquila, segura e feita para o turismo. Basicamente se encontra hotéis, restaurantes e parques temáticos. A arquitetura chama a atenção também, com belas igrejas por toda a cidade. A parte mais bonita, que eu achei, é o lago negro que é todo envolto com árvores vindas da própria floresta negra na Alemanha. Os pedalinhos no formato de cisne dão um charme a mais para o lugar. No geral, Gramado é um lugar muito agradável de se estar e principalmente de caminhar. Existem diversos parques e como vive do turismo é fácil encontrar um evento musical ou teatral em algum lugar. Nos dias que estive na cidade fiquei no hostel Gramado, lugar bem tranqüilo.

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Canela fica distante, apenas, três quilômetros de Gramado. Aqui existe vida sem o turismo, uma cidade com mais cara de cidade. A população de Canela, em sua grande maioria, trabalha nos hotéis e restaurantes de Gramado. As opções de restaurante e de todas as outras coisas são mais baratas na cidade. Tudo que encontrar em Gramado achará igual em Canela só que mais barato. Contudo, é um lugar para se visitar por sua beleza e a cereja do bolo é a catedral de pedra.

Culinária 3.1: Experimentar o chocolate branco com banana da Florybal pelo preço de R$1.

Informação 3.3: Existem dois hostels em Gramado: Hostel Gramado (R$45) e o Hostel Britânico (R$55). Também tem a opção de camping na cidade de Canela por volta de trinta reais.

Informação 3.4: Gramado e Canela ficam distantes apenas 3km, a opção mais barata para transitar entre as cidades é o circular que passa a todo instante a preço de 3 reais. O bus tour é a opção de quase todo mundo, no preço de cinqüenta reais. Não vejo muita vantagem nele, sendo que os pontos turísticos que estão nas cidades são muito próximos. Vale a pena caminhar. E os pontos distantes como o Parque do Caracol, vale a pena usar o transporte público.

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O principal ponto turístico da região é o Parque do Caracol. Não tem como não visitar este lugar é lindo demais. Logo ao entrar já se consegue avistar a grandiosa cachoeira do Caracol, cartão postal de Canela. Existe um mirante onde se tem a melhor vista da cachoeira. No mirante é possível admirar também todo o entorno recheado de mata atlântica. Próximo ao mirante é possível seguir pela escadaria da Perna Bamba e observar a cachoeira do Caracol debaixo e muito próximo à queda d’água. A escadaria é bem longa. Vi algumas pessoas desistindo da descida no meio do caminho. O esforço é recompensado com a vista e com a fina camada de água que é lançada pela cachoeira na escadaria. Depois caminhei por todas as outras trilhas que existem no parque. Tem muitas coisas além da cachoeira do Caracol. Essas trilhas são pouco utilizadas, não é raro estar sozinho nas inúmeras corredeiras do parque. O ideal é reservar um dia todo para caminhar com calma, tem muita coisa para visitar. O parque possui restaurantes, observatório ecológico, lojas, estação sonho vivo, centro histórico ambiental, além da bela natureza.

Informação 3.5: A entrada do parque do Caracol é de R$18,00.

Informação 3.6: O parque do Caracol fica 7km de distância de Canela.

Informação 3.7: Escada da Perna Bamba tem 751 degraus.

Dica 3.1: Ao contrário do que se pensa é possível viajar barato pela região. Existem opções de hostel, camping, além do couchsurfing. O transporte público funciona bem, os fast food invadiram a cidade, assim existem opções baratas de alimentação. Os parques de diversões (Mini mundo, Snowland), sim, esses são caros, no meu caso não visitei nenhum deles e mesmo assim fiquei muito satisfeito com o que conheci.

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Depois segui para a cidade de Três Coroas. Tinha intenção de ser voluntário numa fazenda para fazer colheitas de frutas. Por azar do destino o proprietário do lugar teve que viajar as pressas e meu plano foi por água abaixo. Na cidade tem o belíssimo templo budista Khadro Ling, principal chamariz de turistas e de pessoas desejosas de conhecer um pouco do budismo. Fiquei o dia na praça da cidade definindo qual seria meus próximos passos. Ofereceram-me carona para Porto Alegre e aceitei.

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Como dito antes, não queria ficar em Porto Alegre, cheguei e já queria partir. Decidi ir conhecer Tavares. Sempre quis conhecer a lagoa do peixe (que fica em Tavares), abrigo de pássaros que fazem a migração do hemisfério norte para a Patagônia e vice-versa. São infinitos pássaros, dos quais se destacam os flamingos. Realmente é um espetáculo natural. Por sorte ou azar, conheci um funcionário do Parque da Lagoa do Peixe na rodoviária e ele me disse que chovia há dias na cidade e que não pararia tão cedo. Disse-me também que naqueles dias não havia concentração dos pássaros e me desencorajou estar na cidade naquela época. E assim, com um aperto no coração, resolvi mudar os planos e segui para o extremo sul do Brasil.

“Primeiro foi à negativa na fazenda. Depois tive que abrir mão de Tavares. Não deveria ter ouvido o funcionário. Deveria seguir meus instintos e desejos. Agora é tarde, estou dentro de um ônibus indo para Chui. Tenho que esquecer isso e seguir.” Notas de diário

De Porto Alegre a Chui peguei um ônibus noturno. No desembarque conheci as manauaras Penélope e Rhenata que estavam no primeiro mochilão com destino ao Uruguai. Fizemos amizade e decidimos ir para Barra do Chui juntos. Diferentemente do que eu pensava a cidade de Chui não é litorânea, a porção litorânea que faz divisa com Chui na parte brasileira é a cidade de Santa Vitória do Palmar e nesta cidade é onde fica o balneário de Barra do Chui. A praia é toda similar até chegar-se à foz do arroio do Chui, na divisa natural entre Brasil e Uruguai, a praia neste momento ganha um charme a mais com a presença do arroio e das muitas gaivotas.

Curiosidade 3.2: No Rio Grande do Sul quando vai fazer uma viagem dentro do estado (de ônibus) compra-se a passagem em um guichê único, ou seja, todos os guichês vendem as passagens de todas as empresas de ônibus.

Curiosidade 3.3: O trajeto de Porto Alegre a Chui tem 515 km e de ônibus o tempo de viagem é de aproximadamente 8 horas.

Curiosidade 3.4: O Arroio do Chuí é o ponto extremo sul do Brasil.

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“Estar no ponto extremo sul do país era uma conquista pessoal. Conhecer a simbólica cidade de Chuí que tanto ouvia nas aulas de Geografia era voltar no passado. Apesar de ser só mais uma fronteira, ali tinha algo de especial. Não saberia dizer o que é, só sei dizer que existe.” Notas de diário

Voltando para Chuí, caminhamos um pouco e começamos a nos acostumar com o espanhol. A cidade tem um comércio forte e em menor escala lembra Ciudad del Este no Paraguai. Depois seguimos para Chuy no Uruguai, atravessamos a avenida e chegamos ao Uruguai.

Curiosidade 3.5: A avenida que divide as cidades de Chuí (Brasil) e Chuy (Uruguai) se chama Avenida Uruguai para os brasileiros. Para os uruguaios ela se chama Avenida Brasil. Achei interessante.

Ahora es el momento de Uruguay.

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Parte 4: Uruguai

Depois de atravessar a Avenida Brasil estávamos no Uruguai, logo em seguida trocamos o dinheiro. A cotação na época estava 1 para 7, ou seja, para cada real trocado era recebido sete pesos uruguaios. Compramos as passagens de ônibus, eu seguiria para Punto del Diablo e as meninas seguiriam direto para Montevideo. Esperamos em uma praça, viajaríamos no mesmo ônibus.

Dica 4.1: Já li várias matérias do tipo "Viagem barata: Conheça os lugares onde o real vale mais". Onde a única análise é a proporção do valor do real contra as outras moedas. Se fosse assim o Uruguai seria um país extremamente barato para nós brasileiros, pois para cada real temos sete pesos uruguaios, ledo engano, o mais importante em analisar nessas situações é o poder de compra da moeda. Por exemplo, tente fazer comparações do tipo: com quinze reais no Brasil consigo almoçar e com esse mesmo valor convertido eu consigo comer no Uruguai? Assim faça com estadia, transporte e tudo mais, assim, você vai comparar o poder de compra de uma moeda em relação à outra. Para nós, neste momento, o Uruguai é um país mais caro que o Brasil.

Dica 4.2: Ao pegar um ônibus rodoviário no Uruguai (chegando por Chuí) é necessário pedir ao motorista parar na aduana e, assim, dar entrada no país.

Curiosidade 4.1: O Uruguai tem pouco mais de três milhões de habitantes, mas sua população bovina é quatro vezes maior. Todos os animais são identificados e rastreados.

Depois de uma hora e meia de viagem (e de sono) o ônibus chegou ao "pueblo" de Punta del Diablo.

Curiosidade 4.2: O nome Punta del Diablo é por causa que a orla do povoado tem um formato de um tridente. Igual ao usado pelo diabo.

Que grata surpresa chegar a Punta del Diablo, povoado litorâneo dominado por pescadores. Aqui tudo é muito simples e as pessoas são bem receptivas. Fiquei num camping no centro. Conheci muitos nativos que me ensinaram coisas sobre: maré, lua e peixes. Por falar em peixes, foi aqui que comi o melhor peixe da minha vida, preparado num boteco a beira mar.

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A orla é extensa possibilitando caminhar por horas na areia e até chegar às cidades vizinhas. Meus dias se resumiam em andar durante todo o dia pelas areias, sem fim, da região. Num desses dias, caminhei até a cidade de Santa Teresa que é muito bonita e cheia de verde. Pela noite, geralmente, ficava num bar de uma família que conheci. Sempre tinha boa música.

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Nas andanças pela orla sempre estava acompanhando de uma gaivota e de um bando de cachorros, aliás, tem muito cachorro por lá. Como dizia a tiazinha do bar: "esses cachorros gostam de turistas". Todos eles dormiam em volta da minha barraca e quando eu saia para a caminhada matutina, eles saiam todos atrás de mim.

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“Estranho a companhia da gaivota. Enquanto eu andava, ela sobrevoava sobre mim. No inicio achei que ela queria proteger sua prole ou ovos, por causa dos cachorros. Depois de andar por horas essa idéia não fazia sentido. Passei acreditar que aquilo era um presente da natureza.” Notas de diário

Se fosse escolher um lugar para morar no Uruguai, com toda certeza, esse lugar seria Punta del Diablo. Não consigo traduzir em palavras a paz daqueles dias. Fui embora querendo ficar.

O próximo destino seria Cabo Polônio, o principal motivo de eu estar no Uruguai. Antes de ir ao cabo parei numa cidade chamada Castillo. Uma cidadezinha charmosa, típica cidade de interior. Ao chegar estava tendo uma apresentação de artes na praça. Resolvi ficar e conferir. No outro dia bem cedo, peguei o ônibus para o Cabo Polônio.

Cabo Polônio é uma reserva ambiental, cercado por dunas (que lembram os pequenos lençóis maranhenses), por ser uma área importante de reprodução dos leões marinhos. Está localizado muito próximo de três ilhas que servem de morada para os mesmos. A entrada aqui é controlada e é necessário comprar as passagens (ida e volta) dos caminhões que levam para a comunidade.

Informação 4.1: Pode-se ir andando até a comunidade, porém é razoavelmente distante (trinta minutos de caminhão) da entrada, além de ter que caminhar por imensas dunas. Vale à pena, apesar dos pesares.

A comunidade que vive no Cabo Polônio não usufrui de eletricidade (exceto alguns restaurantes que utilizam energia solar) e se parece com um reduto hippie. Em resumo as pessoas que lá vivem são: pescadores, artesões y otras personas más. Fiquei hospedado em uma casinha a dois passos do mar. Era casa de uma família que morava há tempos no vilarejo.

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Lembro de quando eu era criança e viajava para o litoral. Achar uma concha na praia era uma conquista. Caminhando pela orla do cabo se encontra trechos que é totalmente coberto por conchas e afins. Se eu voltasse para a infância e visse aquilo, provavelmente iria achar que estava no paraíso. Não tem como não sorrir estando ali.

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Os leões marinhos são uma atração a parte. São centenas espalhados por todos os cantos. Sentar e observá-los é demais.

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O charme do povoado é pela noite, não se vê quase nada, caminhando sem rumo com a lanterna em mãos e deixando-se perder na companhia do céu estrelado. A maior parte dos visitantes fica apenas durante o dia. Não faça isso. É quase obrigação passar uma noite naquele lugar mágico.

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Confesso que em certos momentos achei o povoado meio forçado, mesma sensação que tive quando estive em San Pedro de Atacama. Todos tentavam passar a imagem de "super loucos" e em alguns momentos achei meio pré-fabricado o lugar. Prefiro povoados como em Punta del Diablo cheio de pessoas de verdade, que não tentam te impressionar e sim te acolher. Entretanto, gostei muito dos dias que passei por lá. Voltaria com toda a certeza.

Vídeo 4.1: Este clipe da banda Vanguart foi gravado em Cabo Polônio, pelo vídeo dá pra ter uma boa noção do lugar, além da boa música.

Parti para Montevideo. Queria evitar metrópoles, mas essa eu tinha que visitar. Sempre gostei muito de literatura e dois dos meus autores favoritos nasceram e viveram aqui. Um deles tinha acabado de falecer. Eduardo Galeano e Mario Benedetti que prazer estar em suas terras.

Curiosidade 4.3: Eduardo Galeano é um escritor que gosta de contar histórias, de preferência histórias de pessoas comuns. Sua linha de raciocínio é admirável, é um pensador livre, e não poupa nada e nem ninguém. Apesar de ser sempre lembrado pelo audacioso "As veias abertas da America Latina" tem uma obra vasta que fala desde futebol até a história da humanidade. O livro dos abraços, em especial, é “especial”.

Chegando ao terminal Tres Cruces não fazia ideia para onde iria. Acabei indo para o Ukelele Hostel e lá recebi um presente do destino. Reencontrei a Penélope e a Rhenata que também estavam hospedadas no hostel. Elas já partiriam no outro dia para Porto Alegre. Foi bom reencontrá-las e tive a oportunidade de me despedir, coisa que não foi feita quando desci em Punta del Diablo as pressas.

Montevideo parece uma cidade do interior de tamanho grande. Lá tem tudo o que uma grande cidade pode oferecer, além de certa paz que as cidades menores oferecem. O rio da Prata acompanha toda a extensão da cidade com belas praias. A praia de Pocitos e o parque Rodo foram os lugares que mais gostei. Cheguei a visitar o museu de futebol no estádio Centenário, não tem o mesmo glamour do museu do futebol no estádio do Pacaembu, mas ver a taça da Copa de 1950 é uma sensação estranha e só isso vale a pena da visita. A parte antiga, o centro, é toda encantadora também.

Culinária 4.1: Café Brasileiro, lugar favorito do Eduardo Galeano, é sensacional, o cuidado que eles têm ao tirar o café é coisa de cinema, ao todo demoram uns dez minutos. Tomava café da manhã todos os dias ai, primeiro pelo Galeano e depois por ser bom de verdade. Não deixe de visitar o Café Brasileiro.

Curiosidade 4.4: O Uruguai tem uma população aproximada de três milhões de habitantes e cerca de 60% vive no conurbado de Montevideo.

Curiosidade 4.5: O rio da Prata, divisa natural entre Uruguai e Argentina, não passa de um estuário formado pelas fozes dos rios Uruguai e Paraná antes do encontro com o mar. Um estuário nada mais é que o ambiente aquático de transição entre o rio e o mar. Estando lá, se parece mais com o mar, pela sua imensidão.

Curiosidade 4.6: Os uruguaios são extremamente apaixonados por futebol. Em todo canto tinha um grupo jogando bola. Em todo canto mesmo.

Curiosidade 4.7: O valor que os uruguaios dão a “boa comida” é demais, em nenhum lugar comi nada “mais ou menos”.

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“Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas. — O mundo é isso — revelou —. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.” Livro dos Abraços, Eduardo Galeano

Colonia del Sacramento, reduto português em território espanhol, foi à última grande parada no Uruguai. A parte histórica, onde se encontra o famoso forte da cidade, é toda muito pequena e muito bonita. Para se conhecer a parte histórica de cabo a rabo não é preciso mais do que meio dia. Pra mim o charme da cidade é a sua orla. Aconselho passar mais que um dia na cidade. A orla com boas praias, futebol por todos os lados e muita música boa, além de uma noite com bares cheios. Aqui o rio da Prata não é imenso, tornando possível ver as luzes, ao fundo, da capital argentina. A proximidade com Buenos Aires faz de Colonia del Sacramento uma extensão do turismo de quem visita o outro lado do rio da Prata.

Informação 4.2: Colonia del Sacramento pertenceu a Portugal até o ano de 1750.

Curiosidade 4.8: Em Colonia del Sacramento é aceito Pesos Argentinos, Pesos Uruguaios (obviamente) e Real.

Curiosidade 4.9: O que mais me chamou a atenção no Uruguai foi à forma de como é feita a educação no país. Grande parte das aulas é ministrada em praças e existe uma preocupação em envolver toda a cidade no ensino. Presenciei muitas vezes os alunos, principalmente dos mais novos, na rua tendo aulas do tipo: como atravessar a rua com segurança, como ajudar os mais velhos atravessarem as ruas, a importância de preservar a história da cidade. Numa dessas aulas fui abordado por um grupinho de crianças de sete anos, a aula era encontrar pessoas de outras cidades/países e saber um pouquinho mais desses lugares, me perguntaram qual era minha cidade, meu país, o que eu mais gostava, meu time de futebol e outras coisas mais, foi muito legal essa experiência. Sempre achei que a educação é o principal motor da mudança, e o que eu vi nos dias no Uruguai, em todas as cidades (sem exceção) é o mais parecido com o que eu acho certo.

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Quando sai de casa, tinha a intenção de chegar ao extremo sul do continente, a imponente terra do fogo e sua simbólica Ushuaia. Caso seguisse com essa ideia, pegaria um barco em Colonia del Sacramento e cruzaria o rio da Prata até Buenos Aires. Fiquei dois dias em Colonia pensando se iria ou não, a grana era curta e decidi trocar a gelada Patagônia pela quente Amazônia.

“Outra vez tenho que abrir mão da Patagônia. Escolher sempre é difícil. Acho que na Amazônia irei aprender mais sobre a vida. Fica aqui a promessa que num futuro próximo irei ver a Patagônia com meus olhos.” Notas de Diário

O Uruguai é, em teoria, um país bem tranqüilo em se conseguir carona e tive que pegar muitas até sair do país. Agora me despedia do Uruguai sem não antes ter cruzado dezenas de cidades que não perguntei o nome, mas que suas belezas ficarão em meus olhos. Obrigado Uruguai, mas agora era hora de voltar para o Brasil. Terra do plural.

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Parte 5: da região das Missões a Chapecó

Uma vez vi uma foto de uma igreja em ruínas, apesar de não saber sua localização (e nem ser religioso) tive a certeza que um dia colocaria meus pés naquele lugar. Anos depois fui descobrir que a tal igreja ficava em São Miguel das Missões, noroeste do Rio Grande do Sul. Agora era o tempo de conhecer a igreja da foto.

São Miguel é uma pequenina cidade com menos de 10 mil habitantes. A cidade base da região se chama Santo Ângelo e foi para lá que segui viagem. Consegui hospedagem através do couchsurfing, seria de novo o primeiro hospedado pela família, mas o interessante dessa vez que o meu contato, Talita, não estava na cidade e assim sobrou para o resto de sua família me aturar. A Talita mesmo morando em outra cidade foi super atenciosa, conseguiu convencer a família a hospedar um estranho, sem mesmo estes nunca ter ouvido falar em couchsurfing.

Informação 5.1: Santo Ângelo é o berço da coluna Prestes.

Cheguei pela noite, o Emilton e a Tânia (pais da Talita) estavam me esperando. Ganhei fortes abraços de recepção, desde o inicio sabia que seria feliz ali. Passar aquela noite ouvindo histórias de superação em família, uma em cima da outra, me fez sentir muitas saudades de casa e também fez eu ter a certeza que estava no lugar certo.

Já ouvi muitas histórias de amor, mas com toda certeza a história do Emilton e Tânia é a minha favorita. Num tempo distante, se conheceram em uma viagem no litoral, ele de muito longe e ela de Santo Ângelo, a viagem se acabou e o amor ficou. Um dia ele resolveu seguir a estrada atrás de continuar essa história interrompida. Sem saber se haveria um final feliz ele foi. Hoje, depois de mais de 20 anos eles continuam juntos e felizes e agora na companhia da Talita e da Karen.

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São Miguel das Missões fica cerca de 60 km de Santo Ângelo. Parti na companhia do Emilton para conhecer as ruínas. No meio do caminho paramos para conhecer a vinícola Fin. Fomos muito bem recebidos pelos proprietários. Confesso que não gostei dos vinhos que estavam na degustação, mas em compensação o suco de uva era fenomenal. Carregamos a mala de suco e seguimos viagem.

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Antes de chegar às ruínas, eu achava que seria apenas um lugar bonito de se visitar. Engano total. Ao entrar nas ruínas pela primeira vez, tive uma sensação parecida de quando estive em Machu Picchu. Fiquei totalmente paralisado diante de tanta beleza.

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A ruína na verdade é o sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo (patrimônio mundial da UNESCO), na época das missões jesuítas foram instauradas várias "comunidades" onde viviam os evangelizadores (jesuítas) com os ameríndios, que nesse caso foram os Guaranis, com propósito de impor a crença cristã e os costumes de vida do europeu. Vale a pena dizer que nessa época esse território era espanhol, e depois de dezenas de anos vivendo em "harmonia" (jesuitas e guaranis), os espanhóis queriam restaurar o domínio de Colônia do Sacramento e assim "trocaram" a região das missões por Colônia com os portugueses, assim as comunidades teriam que ser esvaziadas. Os guaranis não aceitaram sair de onde, agora, eram suas terras. Guerra-pós-guerra os portugueses dizimaram os guaranis da região e reassumiram a "ordem", mas não sem antes criar um herói entre os guaranis, Sepé Tiaraju, líder da resistência guarani. As guerras também foram às responsáveis por deixar em ruína o lugar.

Passamos a tarde toda dentro do sítio. O Emilton já havia estado algumas vezes no local e me passava, com toda atenção, seus conhecimentos sobre a história do lugar. Existe na entrada um museu com bastante informação.

Informação 5.2: A entrada do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo custa R$5.

Informação 5.3: O museu foi projetado por Lúcio Costa, o mesmo que projetou Brasília em parceria com Oscar Niemeyer.

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Toda noite no sítio tem o espetáculo Som e Luz, em que é contada toda a história das missões na região. Caminhamos por São Miguel das Missões até o horário da apresentação. O espetáculo ocorre todos os dias às oito horas da noite. Certamente, essa foi à maior expressão de arte que já presenciei.

Sentado no extenso gramado. Na companhia do céu estrelado e do frio. A voz da Fernanda Montenegro em conjunto de canhões de luzes (em direção as ruínas da igreja) vão contando, de forma mais que fantástica, a história das missões jesuítas e do herói Sepé. Todos uma vez na vida deveriam ver aquilo, é incrível. Pena que o sítio é pouco visitado.

Informação 5.4: O Espetáculo Som e Luz custa R$5.

Informação 5.5: Existe um hostel/pousada na frente do sitio arqueológico, em São Miguel das Missões. O preço do quarto compartilhado é R$60.

Dica 5.1: Como o espetáculo ocorre no mesmo lugar das ruínas o ideal é ir à tarde para visitar o sitio arqueológico. Depois esperar até o inicio do Som e Luz, que tem duração de 45 minutos.

Vídeo 5.1: Um vídeo que mostra um pouquinho de como é o Som e Luz.

“Que coisa linda. Como pode ser tão bonito? A beleza do lugar complementando a arte foi simplesmente sensacional” Notas de Diário

Fiquei mais outros dias na casa da família Ferrão. Conheci quase todos os familiares. Participei do Brique da Praça, onde a família expõe seus produtos culinários (feitos artesanalmente). Os melhores temperos, geléias, sucos e chocolates são o da família Ferrão. O Brique é uma feira de coisas “feita à mão”, todo domingo acontece na praça da cidade e quase todas as pessoas de Santo Ângelo comparece no evento. Achei muito interessante. Cada dia na cidade fazia aumentar os laços com a família, a Tânia já parecia minha mãe, além de companheira de chimarrão. Foram dias especiais.

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Depois de me despedir na rodoviária. Dentro do ônibus, olhava o Emilton, Tânia e a Karen e uma tristeza já apertava. Comecei sentir saudades mesmo antes de partir. Ir embora de Santo Ângelo foi algo difícil, mas tinha que seguir viagem. O próximo destino seria Chapecó.

Chapecó é uma cidade muito especial para mim, já estive aqui antes, e tinha muitas pessoas que eu queria rever. Cheguei numa segunda de madrugada. A minha espera estava a Tânia, que saudades eu estava. Anos antes, participei do projeto Rondon e uma parte da equipe era de Chapecó, este projeto foi das coisas mais importantes que aconteceram em minha vida.

Vídeo 5.2: Para quem quiser conhecer o Projeto Rondon esse é o vídeo que fiz quando participei.

Os dias na casa da Tânia junto com ela e a Amanda foram tranqüilos. Foi muito bom estar ali, matar uma saudade que me sufocava. Pude conhecer ainda mais elas e aprender mais sobre a vida. Considero-as a minha segunda família. Não conheci nada que já não conhecia na cidade, mas não importava. Nos outros dias vi boa parte do pessoal do projeto: Mauricy, Paola, Samara e a Paula. Bebemos, conversamos e o tempo parecia não ter passado. Chapecó no meu dicionário significa saudade.

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Fui embora. Agora era hora de rumar sentido norte. Ainda não fazia idéia qual seria o próximo destino. A única certeza que eu tinha, era que teria que voltar pra casa e deixar minhas roupas de frio. Assim, mataria as saudades da minha família.

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Acompanhando aqui e viajando também.

Curto esse jeito poético de ver os lugares, as pessoas...

Parabéns!!

 

Valeu Cristina. Ainda tem muita estrada para contar =].

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  • Conteúdo Similar

    • Por Nicollas Rangel
      Eu já tinha postado aqui um texto sobre como a Bolivia mudou a minha vida, então resolvi relatar o roteiro, os custos e algumas dicas. Entaaao:
      Janeiro/2018 - saída 12/01 e chegada 02/02
      Roteiro: Campo Grande > Corumbá > Puerto Quijarro > Sta Cruz > Sucre > Potosí > Uyuni > La Paz >  Copacabana/Isla del Sol > La Paz > Cochabamba > Sta. Cruz > Puerto Quijarro > Corumbá > Campo Grande.
      Cotação: R$ 1 = BOB 2 
      Custo total dentro da Bolívia = USD 600/R$ 1800,00 - pouco dinheiro, mas fiz tudo o que planejei (custos totais por categoria no final do relato)
      Vou relatando por partes, porque é muita coisa (tentando colocar o máximo de dicas) haha e vou colocando os custos mais importantes e os que lembro, pois não me recordo dos minimos detalhes rsrs
      Meu primeiro mochilão e iniciei minha viagem em rumo à Campo Grande. Sou do interior de Minas, e toda a minha viagem de ida e volta fui rodando de onibus, sem nenhum trecho por avião (o que em um certo trecho me arrependi kkkkkk), todos os custos de transporte incluem onibus e vans.
      CAMPO GRANDE - CORUMBÁ
      Cheguei em Campo Grande no dia 13/01 em torno de 13h e já fui comprar minha passagem das 23h para Corumbá. Eu preferi pegar nesse ho´rario pelo fato de ir menos pessoas do que no de 00h, mas no final não faz diferença alguma kkkkkk os dois vão mais vazios.
      Uma dica que dou para ficar na rodoviária de CP é levar comida, meu Deussssss tudo lá é ridiculamente caro e em volta não tem nada (quando digo nada é realmente nada, porque fica na avenida de entrada da cidade, uma avenida linda mas muito extensa e meio deserta de pessoas, pois só se passa carros nessa avenida) só encontrei um restaurante que custava R$ 12,00 o prato feito. É bom até, da pra satisfazer bem, quando estiver saindo da rodoviraria pelo corredor da entrada, é só perguntar os mototaxistas onde é o restaurante mais próximo, ou já vai ter uma moça lá que vai te abordar te perguntando se está com fome kkkkkkkkkkkkkk. O bom da rodoviária é que tem WIFI e guarda volumes, além de banho de graça. Eu dormiria lá (o que por pouco não aconteceu) hahaha 🤭
      Aqui conheci um rapaz da minha idade (18 anos) que estava acabando de voltar de um mochilão de lá e que me deu seu roteiro impresso, fiquei grato demaaaaaaaaaais. Eu literalmente abordei ele por estar com a mochila tipica nas costas (primeira viagem sozinho, então mesmo que já estva em CP ainda tava inseguro, porque tudo era novo incluindo as sensações, masssss logo acostuma e já se deixa levar rsrsrs) ele me deu muita informação essencial pra passar meu medo e duvidas, ele foi importante demaaaaaaaaaaaaais rsrs. Detalhe: basicamente não vi outros mochileiros como pensei que veria.  Perto do horário do onibus conheci um casal de bolivianos mais velhos já (pelos 40 anos) e que iriam pelo mesmo caminho que o meu, ali já viraram quase meus pais e cuidaram demais de mim, principalmente no Espanhol, sabia bem básico pois eu tinha estudado uns 50% pelo Duolingo kkkkkk (ajuda demais)
      CORUMBÁ - PUERTO QUIJARRO
      Aqui começou a saga rsrsrs Chegando em Corumbá conheci a Livia, outra boliviana que também era de Santa Cruz. Loucaaaaaa e o máximo de pessoa. Estava fazendo mochilão pelo Brasil, também era mais velha, em torno dos 45, com aquela mochila imeeeeeensa nas costas kkkkkk então juntamos nós três e fomos juntos direto pr fronteira. Eu super extasiado por me forçar a falar espanhol por conta dos 3 😂😂.
      Pra chegar a fronteira desde a rodoviária de Corumbá por meio de ônibus, é só sair e atravessar a rua, tem um ponto bem em frente à rodoviraria, ele deve passar de 20 em 20 minutos: via Cristo Redentor. Depois disso, ele vai parar no terminal onde ficam todos os outros onibus, é só descer e esperar o via Fronteira chegar. Depois disso demora alguns minutos e já está na receita federal. Eu cheguei na Receita Federal no domingo 14/01 e também era horario de verão, então tinha uma diferença de hora quando atravessei a fornteira, 2 horas de diferença, sendo que quando não é epoca de horário de verão é apenas 1 hora de diferença. Dei saida do Brasil bem rápido só com a identidade e já fomos nós tres para a Anduana Boliviana. Aí sim, demorou kkkkk fiquei TRES HORAS na fila em pé com chuviscos kkkkkkkk acabei perdendo o trem da morte :ccc . 
      Não me recordo muito bem a hora que abre a receita federal brasileira, se não me engano creio que as 8h ou 9h. Na parte boliviana abre às 7h ❤️ 
      Guardar os dois papeis que se recebe, o do brasil e da bolivia, um é verde e o outro branco, é super importante. Sem eles vocÊ não sai ou não entra dos países e também precisa pra mostrar na entrada da Reserva Nacional Eduardo de Avaroa. Ninguem me pediu a Carteira Internacional de Vacina, mesmo sendo obrigatório a vacina de febre amarela para entrar na Bolivia, porém por precaução, é melhor providenciar. Todos foram bem camaradas comigo, só os agentes brasileiros que são extremamente rudes com os bolivianos, até eu fiquei ofendido pra caramba. Os agentes bolivianos não tratam ninguém de maneira diferente. Do lado da Aduana tem muitas "tiendas" hahaha lá tinha um cambio e troquei meu dinheiro e comprei um chip da Bolivia da operadora TIGO por uns BOB 12 eu acho, muitoooooooooooooo boooooooooom , bate de 100 vezes nas do Brasil cara kkkkk, coloquei BOB 25 de créditos e continuei com eles por uma semana toda usando internet, sem nenhum problema, super fácil e simples ( fica a dica se alguém vai viajar sozinho por lá e não quer depender de WIFI pra acalmar a familia aqui, o que só existe nos hostels e nas rodoviárias rsrs).
      Saindo da fronteira graças a Deussssss, já se entra em Puerto Quijarro e já ve como é a cultura boliviana. Eu ficava em extase kkkkkkkkkkk meses e meses planejando e pesquisando tudo, e depois chegar e viver de fato aquilo é emocionante, eu me empolgava cm tudooooo, com as pessoas, os carros velhos, a comida (pollo pollo pollo) kkkkk almoçamos, batemos muito papo com muita risada (principalmente com os pernilongos fomos para a Rodoviária e compramos a passagem das 19h por BOB 70.
      Gastos do dia:
      BOB 70 - onibus p/ Santa Cruz
      BOB 5 - carregar celular / BOB 7 - banho
      BOB 25 - créditos TIGO/BOB 12 - chip TIGO 
      TOTAL: +- BOB 120/R$ 60,00
      SANTA CRUZ DE LA SIERRA
      Chegamos em Santa Cruz lá pelas 5h e fiquei na rodoviaria esperando ela abrir (até hj não entendi o porquê daquilo fechar, uma cidade daquele tamanho kkkk) nos separamos com tristeza, perdi o contato do casal :c e fiquei na casa da Livia na ida e na volta :)))) 
      Quando vi os micros e o fuzuê de Santa Cruz fiquei loucooooo kkkk muito louca aquela cidade kkkkk aqui gastei muito com Transporte, porque a casa da Livia era bem proxima da Plazza 24 de Septiembre (bem no centro) e a rodoviária é bem longe. Eu peguei Micro pra carambaaaaaaa uns 4 ou 5, sendo que peguei um errado e fui parar num bairro tão longe que as ruas nem eram asfaltadas 😂 😂 me desesperei kkkkk mas deu tudo certo no final. Encontrei um Restaurante Cubano andando na rua atoa e a comida era maravilhosaaaaaa, pena que não tinha nada de fora mostrando que era um restaurante, então não tem como por o nome aqui :c paguei BOB 35 no prato + salada e suco, o que é caro para o valor das comidas bolivianas, mas eu ainda não tinha muita noção dos preços então ok haha
      Gostei de Santa Cruz, é linda do seu modo de ser, mas não carrega muita história e nem muita cultura, já que é a cidade mais 'modernizada da bolivia', então de todas foi a que menos gostei. Por isso tanto na ida quanto na volta, eu não me hospedei. Acabei curtindo o dia todo (da ida e da volta) com a Livia, passeamos muito, fui fazer compras com ela, conhecer as lojas, as comidas, bebidas e tudo mais kkkk ela foi essencial pra que eu aprendesse mais o idioma, pois ela sabia o básico de português e tirava minhas duvidas haha.
      Comprei a passagem pra Sucre por BOB 100 e mais uns biscoitos e água (sempre carregue água, ninguem lá toma agua da torneira, nem as proprias pessoas que morar lá.)
      Outra questão é que as pessoas lá falaram que Santa Cruz é muito perigosa, com umas historias bem sinistras kkkkk me disseram pra nunca sentar na janela do micro com o celular na mão e muito menos com ele na rua, pois quando ele para, alguem enfia a mão na janela e te rouba ele num piscar de olhos. Achei bem louco, mas né, fiquei atento haha. Eu fiquei um pouco sismado com tantas pessoas falarem que era perigoso, mas sinceramente, não vi nada demais. O país TODO, é muito seguro, não existe assalto, nem nada do tipo. O máximo é um furto se estiver dando bobeira, mas isso existe no mundo inteiro. Creio que para O PADRÃO DELES Sta Cruz é perigosa, mas para nós brasileiros, não. Já que estamos muito acostumados com violencia e assaltos, então somos muito atenciosos com nossas coisas e sabemos reconhecer situações de perigo, o que é natural e espontâneo. Por isso em momento algum da viagem, me senti inseguro, aliás, me senti mais seguro lá que em qualquer parte que ja fui no Brasil rsrsrsrs
      CUSTOS:
      BOB 100 - passagem Sucre - 19h
      BOB 35 - almoço 
      BOB 10 - micros (BOB 2 a passagem de micro)
      BOB 15 - lanches e água
      TOTAL: +- 160 BOB/R$ 80,00
      SANTA CRUZ x SUCRE
      Essa rodovira merece atenção cara rsrs eu sabia que era ruim e perigosa por ler sobre, mas não sabia que era tantooo kkkk eu tomei DOIS remédios para dormir já imaginando o q viria, mas sem exageros, eu não dormia profundamente. Cochilava e a cada curva (que são várias, pois sai de Sta Cruz de 400 metros para Sucre de 2800 metros acima do nivel do mar, vai subindo em torno das montanhas) eu acabava acordando, olhava da janela e via o despenhadeiro e o contorno das montanhas pela luz do céu. Era aterrorizante olhar pra aquele abismo cara, eu simplesmente não ficava relaxado, e ficava putassoooooooooooooooo por que todos os outros dormiam igual criança e eu com o olho na nuca 😂 😂  foi a pior viagem da vida cara kkkkk. Uma alternativa é pegar um avião de Sta Cruz para Sucre, mas sai bem caro se comparado ao valor dos onibus. Porém tem outra opçãp bem viável, pode se comprar uma passagem para Cochabamba (que fica no centro da Bolivia) e de lá para Sucre, só vai demorar um pouco mais, mas em compensação, vai dormir bem e não vai passar medo, além de poder sair mais barato também. O onibus chacoalhava muito, pois parte da estrada era de terra. No final acabei perdendo meus tenis, pois chegando em Sucre fui calçar eles e simplesmente não estavam debaixo do meu assento!! Ai eu irei o desespero em pessoa, pois só levei um par de tenis e um de chinelo kkkkkkkkkk todos ficaram rindo da minha cara, acabei ficando um pouco bravo e me ajudaram a procurar hahaha. Hoje, dou razão pra eles, pois a cena deve ser sido hilária kkkkkkkkkk eu louco gritando "donde están mis zapatos? Mis zapatos!!" 😂 😂 😂 😂
      SUCRE
      Euforia passada, cheguei em Sucre às 7h, num frio de uns 11°C em pleno verão, gelando até meu cérebro hahahaha paguei uns BOB 1,50 (não me lembro ao certo, pois to confundindo todos os valores dos micros) até a Plazza 22 de Mayo. Sucre é lindaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, a cidade mais linda da bolivia, só não mais cultural que Potosí e La Paz, mas mesmo assim maravilhosa. Toda branca, muito branco, super limpa, tranquila, com gente alegre, frio, comida boa... eu viveria lá cara. Parece que eu tava na Europa, na moral kkkkkk fiquei 3 dias hospedado la. Fiquei no Hostal Clavel Blanco, calle Loa (rua paralela à Plazza 25 de Mayo) que era extremamente próximo de tudo!!!!!! Recomendo demais o lugar, lá conheci a Rosa da Holanda e a Manon da França, minhas colegas de quarto,  dali ficamos tão amigos que viajamos o resto do país juntos ❤️❤️ misturando ingles com espanhol + mímica, mas com boas risadas deu tudo certo hahaha. Paguei BOB 55 o quarto com 10 camas misto + desayuno = café da manhã rsrs. Fora que a proprietária era um amor, mas não me lembro bem o nome dela, acho que era Angela. Conheci a Laura que era da Argentina, também ficamos super amigos e nos reencontramos em La Paz ❤️ 
      Aproveitei muitooo Sucre. Fui no Mercado Campesino, no Mercado Central, comprei blusas de frio (pois havia levado somente uma, e perdi em Campo Grande rsrsrs, subi no terraço de uma igreja com uma vista maravilhosa de Sucre, conheci gente demais, cada uma de um canto do mundo, me perdi vaaaaaaaaarias vzes pelas ruas de Sucre, pois são muito iguais, sendo a arquitetura colonial em todas e tudo branco hahahaha, mas amava me perder kkkkk ficava na praça central, observando a vida passar, o q mais amavaaaaaaa!! Tomei um negocio de Oreo que era maravilhoso, não me recordo o lugar mas sei que era na mesma rua do hostel, um pouco mais para baixo. Comi um prato com a Rosa em lugar que acabamos encontrando por conta da carne assada que nos chamou haha. Acabei ficando mais no centro, então não fui à Recoleta, o que me arrependi depois. Sucre é uma cidade que guardo comigo cara, queria muito ter ficado mais tempo, a cidade é extremamente tranquila, super jovem, sério tem muitos universitarios, então é uma cidade super viva e gostosa de passear.
       
       


    • Por HermesRicardo
      Sempre tive o sonho de subir na moto e sair por aí sem destino. Conhecendo novos lugares, paisagens, sensações e pessoas. Vou completar 40 anos bem vividos no próximo mês e decidi que precisava me preparar de maneira extraordinária a minha entrada nos “enta”. No meu trabalho, um amigo falou que iria de São Paulo ao Chuí (RS) acompanhado por sua esposa. Ele iria em uma Citycom 300i. Neste momento veio à tona o meu antigo sonho. Não tive dúvida, agendei uns dias de férias do meu trabalho e comecei a pensar no roteiro. Em paralelo, fui equipando com alguns acessórios básicos a minha XRE300 2015, que estava na época, com 18 mil km rodados. Alforje lateral, almofadas de agua no banco, pastilhas de freio e pneus novos, troca de óleo e verifiquei a tensão da corrente...até pensei em trocar a corrente mas resolvi economizar neste item. Para me acompanhar nesta jornada, convidei o meu filho Jonatan, que tem 23 anos e mora em Cambuí, sul de Minas Gerais. Ele topou na hora e isso me deu ainda mais motivação!
      Faltando uma semana para iniciar a minha sonhada aventura, começou a greve de caminhoneiros em todo o Brasil e não tinha gasolina nos postos.  Nem se pagasse uma fortuna por ela! Simplesmente eu estava com tudo pronto, mas com o tanque seco. Anunciaram o fim da greve em uma segunda (28/05) e meus planos de partida era para a próxima quinta (31/05). A greve acabou (graças a Deus), mas até que a vida voltasse ao normal era outra história. Começaram a fazer filas quilométricas nos postos para conseguir um pouco de combustível. Respirei fundo e esperei as coisas se acalmarem. Até que na quarta-feira (30/05) consegui encher o tanque da moto e as filas aqui do Rio de Janeiro já diminuíam. Me enchi de ânimo, coragem e espirito de aventura para o início da minha sabática preparação para o novo ciclo de vida.
      Para não deixar este diário muito grande e cansativo, relatei sem muitos detalhes o dia a dia deste roteiro. Espero que gostem e que inspire outros “seres inquietos” a buscar uma grande aventura. Divirtam-se!
      1° Dia, 31/05/2018 – Rio de Janeiro – Saí de casa por volta das 11:30h, passei no posto para calibrar os pneus e segui para Cambuí, sul de Minas Gerais onde eu iria visitar os meus pais e também encontrar com o meu filho, que bravamente enfrentou este desafio comigo. Ainda na via Dutra, percebi que tinha feito um ótimo investimento nas almofadas de agua, o banco estava superconfortável. Não tive problemas para abastecer neste trajeto apesar de ver que ainda faltava combustível em alguns postos. Aí foram 450Km até a casa dos meus pais. Curti a noite com eles, jantamos e vi na televisão que ainda havia muita confusão nos postos no Norte de Minas. Mesmo sabendo que lá fazia parte do meu trajeto, resolvi não desistir da missão. Fui dormir cheio de energia para ver o que tinha pela frente!
      2° Dia, 01/06/2018 – Cambuí, MG – Acordei cedo, calibrei os pneus da moto (29 traseiro, 22 dianteiro), encontrei com o Jonatan, equipamos a moto com toda a bagagem e saímos por volta das 11h. Seguimos pela Rodovia Fernão Dias com destino a Belo Horizonte (BH). No caminho comecei a ver que a situação da falta de combustível ainda afetava bastante Minas Gerais. Próximo a 3 Corações, vi que precisava abastecer. No posto à beira da estrada tinha uma fila enorme e ainda havia previsão do combustível acabar sem atender a todos que ali estavam. Resolvi seguir em frente com o combustível que eu tinha no tanque... até que alguns quilômetros adiante vi um posto com apenas 5 carros na minha frente...que alegria! Enchi o tanque e a frentista (muito simpática) se surpreendeu ao saber que estávamos seguindo para a CHAPADA DIAMANTINA, de moto, durante a crise de falta de combustível. Ela sem nenhuma resistência encheu uma garrafa pet (2 litros) com gasolina para qualquer emergência. Vibramos por ter vencido o primeiro desafio e ainda havíamos conseguido gasolina extra para caso ficássemos sem combustível no meio da estrada. Seguimos em frente, sempre procurando abastecer nos postos que não tinha muita fila, geralmente os que não tinham bandeira ou que estavam distantes das cidades. Passamos por BH e seguimos para Sete Lagoas. À frente, um pôr do sol que deixava o horizonte avermelhado. Por volta das 19h, chegamos a SETE LAGOAS e nos hospedamos em um hotel onde fomos recepcionados por um Mineiro muito engraçado. Demos umas boas risadas com ele. Depois do banho, demos uma volta na cidade para jantar e descobrir o que tinha por lá. Comemos um sanduiche de pernil com bacon em uma feira próximo à uma das Lagoas da cidade. Estava sensacional! Depois fomos dormir sob ameaça da greve dos caminhoneiros ser retomada. Não deixamos que isso nos abalasse. Será? (rs)
      3° DIA, 02/06/2018 – Sete Lagoas, MG – Saímos por volta das 08h, com destino ao Norte de Minas Gerais. A paisagem mudou muito do que estávamos acostumados e a distância entre as cidades eram enormes. Aqui a preocupação em ficar sem combustível era eminente e nos deixou bastante apreensivos ao perceber que a moto havia entrado na reserva e não tinha nenhum sinal de cidade, posto ou pessoas. Apenas um intenso trafego de caminhões gigantescos. Até que, enfim, encontramos um posto e tinha gasolina. Aleluia! Abastecemos e seguimos! Chegando em Montes Claros percebemos o tamanho do nosso desafio! Sem gasolina na cidade! Apenas um posto com centenas de pessoas com galões, dezenas de motos e muitos carros! Como queríamos chegar em Janaúba e estava com meio tanque, resolvemos enfrentar aquela fila que além de desorganizada, sempre surgia algumas calorosas discussões. Fiquei bastante nervoso porque já estávamos a 2 horas na fila e tínhamos andando poucos metros. Não teve jeito, para sair de lá, precisei comprar no mercado negro daquele posto IPIRANGA, 2 galões de 5 litros para seguir em frente. Não sou favorável a este comportamento, mas não encontrei outra saída naquele momento. Só assim conseguimos chegar em Janaúba no início da noite. Logo que chegamos já vi que teríamos que ter paciência para abastecer novamente. Decidimos não nos preocupar naquela noite e fomos procurar um hotel. Fomos dormir cedo para acordar mais cedo ainda e ir para as intermináveis filas dos postos da cidade.
      4° Dia, 03/06/2018 – Janaúba, MG – Acordamos às 05:30h fizemos o check-out no hotel e fomos para o posto! O que era aquilo?! Não acreditei ao ver aquela fila de moto. Aproximadamente 300 motos já estavam lá pra esperar o posto abrir às 8 horas. Por sorte, um outro motociclista nos levou a um outro posto que abriria às 10h. Viram o nosso esforço e com o apoio de outras pessoas que estavam na fila, conseguimos abastecer e seguir viagem. Partimos com destino à Bahia, que alegria! Quando finalmente passamos da divisa de MG com a BA o sufoco do combustível acabou. Tinha gasolina sem fila em todos os postos. Seguimos viagem vendo a paisagem mudar para o que eu imaginava como sertão da Bahia. Uma geografia muito bonita, mas no fundo eu imaginava o quanto deveria ser difícil viver em um local tão seco. Passamos por enormes parques geradores de energia eólica, vimos uma mistura de caatinga com serrado e muita estrada pela frente. Até que enfim fomos chegando no parque da chapada diamantina embaixo de uma chuva fina e gelada. Já era noite quando avistamos uma montanha iluminada e em seguida uma placa dizia “MUCUGÊ a 1KM”. Fomos para a pousada felizes da vida pelo feito que havíamos tido até ali. Estávamos muito cansados, mas saímos para comemorar com pizza e vinho!
      5° Dia, 04/06/2018 – Mucugê, BA – A recepcionista da pousada e a dona da pizzaria haviam nos falado que não poderíamos deixar de ir na cachoeira do Buracão. Esta cachoeira estava a uns 80km voltando pela estrada que havíamos chegado. Acordamos cedo e partimos em baixo de chuva para ver a tal cachoeira. Ao chegar no centro de guias turísticos do local fomos informados que a cachoeira estava interditada devido à chuva que já estava castigando a região a 5 dias. Ficamos decepcionados e voltamos para Mucugê com a sensação de ter rodado 160km em vão. Decidimos naquele momento que iríamos para Lençóis a procura do sol e das belas cachoeiras. Seguimos para Lençóis, mas antes passamos no MUSEU DO GARIMPO para aprender um pouco sobre a cultura local. Valeu a pena porque fomos muito bem recebidos com uma aula sobre a fase do garimpo na região. Dalí continuamos a viagem até que vimos uma estrada de terra com destino a IGATU. Resolvemos ir conhecer. Caramba... uma estradinha de terra com muitas ladeiras e com um visual “inacreditável”. Fomos chegando na cidade onde tudo era de pedras, ruas, muros, casas, bares, bancos. Parecia que estávamos voltando no tempo. Perguntei a um guia local um lugar bacana para almoçar. Ele nos indicou um restaurante de comida caseira. A comida estava ótima. Depois do almoço e de uma cerveja gelada, deixamos a moto e caminhamos até uma cachoeira apreciando as casas e as paisagens. Claro, tirando muitas fotos. Chegamos na cachoeira e o sol deu o ar de sua graça. SHOW!!! Tiramos a roupa e deixamos secando, já que tínhamos tomado muita chuva na parte da manhã. Depois do banho de cachoeira e da roupa seca, pegamos a moto e seguimos para Lençóis por mais uns 100km. Quando chegamos, já estava escuro e pegamos a primeira pousada que paramos pra perguntar o preço da diária. Em seguida foi o padrão, banho e sair para jantar! Fomos surpreendidos pela bela cidadezinha com ruas de pedras. Jantamos em um restaurante chamado “Quilombolas”. Tudo perfeito! Depois das caipirinhas de umbu, fomos descansar.
      6° Dia, 05/06/2018 – Lençois, BA – Depois do café da manhã, procuramos um guia que nos levou pra conhecer algumas cachoeiras da região. Cachoeira da Primavera e a Cachoeirinha são demais e foi ótimo pra massagear as costas nas quedas d’agua. Na parte da tarde, pegamos a moto e fomos até a cachoeira do Poço do diabo. Ficamos lá apreciando por um tempo aquela imensidão de agua e pedras. Já eram 16h quando saímos da cachoeira com destino ao morro do Pai Inácio. Chegamos na encosta do morro, deixamos a moto, pagamos 6 reais por pessoa e começamos a subir as escadas e pedras até o topo. Paisagem dos cânions de tirar o fôlego. Mas o ponto alto foi o pôr do sol acompanhado de um arco íris quase que pintado à mão! Emocionante!! Ficamos ali, eu e meu filho, vendo o sol ir embora, deixando um vermelho cor de fogo em cima das montanhas. Descemos porque já estava ficando frio e estávamos de camiseta e bermuda a uns 30km da Pousada. Foi mais um dia extraordinário.
      7° Dia, 06/06/2018 – Lençóis, BA – Hora de sair da Chapada, mas com vontade de voltar em outro momento. Percebi que a corrente da moto já estava desgastada (aquela mesma que ignorei na revisão) e decidi que precisava de um mecânico. Seguimos para Itaberaba e paramos na oficina do Tony. Ele trocou a corrente e o kit de relação + a troca de óleo e filtro. A moto ficou novinha. Dalí continuamos firmes na estrada com destino a Itabuna, no sul da Bahia. Chegamos muito cansados à Itabuna. Aqui eu não imaginava que a cidade era tão grande. Demorou um pouco para encontrar um Hotel, mas conseguimos.
      8° Dia, 07/06/2018 – Itabuna, BA – Próximo destino Arraial d’Ajuda. Seguimos pela BR101, até que vi no mapa uma opção por estrada de terra até Cabrália e resolvemos encarar. Que doideira, entramos na plantação de eucalipto que não acabava nunnnca....andamos muito nesta estrada de terra. Já eram 12h quando chegamos em Cabrália. Ver o mar foi umas das sensações mais plenas que tivemos neste roteiro. Paramos na praia de Coroa Vermelha, pé na areia, peixe frito, cerveja gelada e praia de agua quente. Tudo que queríamos! Depois de algumas horas, partimos para Arraial através da balsa de Porto Seguro. Lá, curtimos um pouco da noite fora de temporada antes de ir pra pousada descansar para o dia seguinte. Foi bem legal.
      9° Dia, 08/06/2018 – Arraial d’ajuda, BA – O objetivo do dia era ir à TRANCOSO e chegamos lá por volta das 10:30h. Fomos para praça do Quadrado onde é impossível não querer morar em uma daquelas casinhas que circundam a praça quadrada, que na verdade é um retângulo. Tiramos algumas fotos e como ainda era cedo, decidimos naquele momento que iriamos dormir em CARAIVA, passando pela PRAIA DO ESPELHO. Partimos por uma estrada de terra que estava toda esburacada e em alguns pontos, com muita lama, devido à chuva que estava castigando a região. Tive quase certeza que iríamos beijar o chão em algum momento. Mas inacreditavelmente: não beijamos! Chegamos à praia do Espelho sem nenhum arranhão. Que praia espetacular! Tomamos um banho de mar enquanto observávamos tartarugas que nadavam livremente perto de nós. Já era próximo das 15h quando partimos para CARAIVA, rodando mais 25Km por estrada de terra, lama e areia! Chegamos em segurança também. Deixamos a XRE300 em um estacionamento na beira do rio e atravessamos em um barco rustico até a outra margem onde estava a bela vila de Caraiva. Lugar roots, com ruas de areia, transporte através de carroças. Estas também transportavam alguns mantimentos para as casas e pousadas mais afastadas da margem do Rio. Logo que conseguimos uma pousada, deixamos as coisas no quarto e fomos ver o pôr do sol no encontro do rio com o mar. Foi alucinante!! A noite ficou por conta do forró, que é marca registrada do local. O pessoal dançava muito bem! Depois de algumas cervejas fomos dormir para iniciar o retorno para casa, que seria no dia seguinte.
      10° Dia, 09/06/2018 – Caraiva, BA – A missão agora era retornar para casa e eu particularmente já estava bem cansado de tanta aventura. Saímos de lá por volta das 10:30h e de cara, tinham 48Km de estrada de terra, embaixo de uma forte chuva, antes de chegar na BR101. Foi tensa aquela estrada. Passamos um ponto de alagamento em um local inóspito com água batendo no meio da moto. Que adrenalina! Depois de 2 horas para sair desta estrada, chegamos na rodovia e seguimos com destino ao Rio de Janeiro. Neste dia tomamos chuva o dia inteiro. Já eram umas 17h quando chegamos na cidade de São Mateus, norte do Espirito Santo (ES), onde nos hospedamos. Um banho quente e descanso era tudo que estava precisando naquele momento. Meu filho também já demonstrava muito cansaço.
      11° Dia, 10/06/2018 – São Mateus, ES – Nesta noite não consegui dormir quase nada por conta de alguma coisa que havia comido no dia anterior... Tive uma noite de rei ;-). Mas como ainda tinha muita estrada pela frente, tomamos o café da manhã e partimos. Este trajeto, para mim, foi um dos mais cansativos devido ao “mal-estar” que me acompanhou o dia todo. Próximo à região de Serra (ES) tive que parar para tirar um cochilo na sombra de uma arvore. Meu filho cuidadosamente e com muita paciência fez a guarda enquanto eu me recuperava! Me recuperei um pouco e seguimos viagem, passando por Guarapari e avançamos com destino ao Rio de Janeiro. Chegamos por volta das 16h em Campos dos Goytacazes. Como eu estava muito debilitado, resolvemos procurar um hotel. Acredito que fizemos uma boa escolha em não arriscar seguir viagem naquele estado que me encontrava.
      12° Dia, 11/06/2018 – Campos dos Goytacazes, RJ – Depois do merecido descanso, acordei muito bem e o Jonatan também estava bem animado em saber que estávamos muito próximo de casa. Pegamos a estrada e viemos cantando por um longo trecho. Ainda não havíamos concluído a jornada, mas a sensação de gratidão já estava contagiante naquele momento. Logo que avistei a ponte Rio-Niterói, os meus olhos marejaram de alegria. No pedágio da linha amarela os motoristas deveriam estar me achando um doido. Segunda feira de manhã e eu cantando e desta vez, era muito alto, pra todos ouvirem! Cheguei em casa no mesmo horário que eu havia partido, 11:30h da manhã. Meu filho abriu o portão, coloquei a moto para dentro, desci da moto, olhei pro céu e agradeci muito a Deus pela oportunidade de ter vivenciado junto com o meu filho tantas aventuras, perrengues, risadas e emoções.
      No total foram 4.350KM, passando por 4 estados em 12 dias de viagem. Foram tantas estradas, tantas pessoas que conhecemos, tantos quebra-molas que pulamos, estrada de terra, chuva, frio, calor, risadas, conversas, cansaço, sustos e surpresas, que fizeram desta viagem algo marcante para mim e para o meu filho. A sensação de gratidão por ter conseguido atingir o objetivo, por estar vivo e por ter uma casa para retornar, são elementos básicos e essenciais para estes dois seres humanos que estavam perdidos em meio a tantas preocupações, atividades e compromissos. Desejo que estejamos sempre motivados em realizar sonhos, mas principalmente que tenhamos sabedoria para desfrutar as coisas simples! Obrigado ao Jonatan pela excelente companhia e parabeniza-lo pela coragem deste desafio. Te amo filho!
      Hermes, Minas/Rio de Janeiro



    • Por fernandos
      Passeio na Orla do Guaíba. Guaíba.RS.Jun.2018. Passando por Nova Milano Destino da vez Guaíba, Berço da Revolução Farroupilha. Saímos de Caxias, passadas 11 horas, difícil acordar cedo com esse frio que anda fazendo aqui no Sul. No caminho passamos pela cidade de Farroupilha, e demos uma paradinha rápida na localidade de Nova Milano, que fica bem a beira da estrada do lado direito, quem passa o Centro de Compras de Farroupilha. No local existe um monumento que chama a atenção do viajante, uma grande estatua  de ferro, parecendo um pássaro estilizado ou algo assim. É onde fica oParque da Imigração Italiana, de Nova Milano, um parque bonito, com pracinha para as crianças, várias bandeiras, esse monumento e uma Gôndola Veneziana, presente do governo da Itália, em comemoração aos 100 anos da imigração, feitos em 1975. Ainda demos uma passada no centrinho da localidade, onde há uma bela igreja, e havia uma feirinha de produtores rurais.    Seguindo o baile descemos a RS 122, rumo a GPA (Grande Porto Alegre). Umas 2 horas de viagem e chegamos em torno das 13 horas e 30 min. em Guaíba. E fomos direito a Orla, o lugar que surpreende pela organização e pela beleza. A vista do Lago Guaíba desse local é linda, a aguá reflete o céu azul, e o calçadão convida ao passeio. Demos uma caminhada admirando a bela paisagem, a  vista do Catamarã partindo rumo a Porto Alegre é bem legal. No entorno existem diversos restaurantes para todos os gostos e bolsos, que servem de frutos do mar, a Ala Minutas. Escolhemos um para almoçar, já que já eram quase 2 horas da tarde. E voltamos a apreciar a linda vista, o lugar não da vontade de ir embora, ainda mais um belo dia de sol, numa tarde fria do inverno gaúcho. Um cenário perfeito para quem gosta tomar um chimas, ou tirar fotografias, e decidimos ficar por ali mesmo nos deleitando com a paisagem,  na saída ainda passamos pela Escadaria: de onde se pode ter uma vista mais completa do Lago, mas a quantidade de degraus desanimou a subida. E assim conhecemos mais esse belo recanto do Rio Grande.    Que segundo pesquisas possui como atrativos: O Catamarã: que nada mais é que o barco que faz a travessia Guaíba-Porto Alegre; A Jardineira: ônibus especial modelo Jardineira, o passeio turístico conta com guia local. O ponto de partida e chegada é na Hidroviária de Guaíba (nesse dia que fomos não enxergamos); Casa de Gomes Jardim: Construída em fins do século XVIII, era sede da Estância de Gomes Jardim no período da Revolução Farroupilha. Erma de Gomes Jardim– Encontram-se os restos mortais do líder Farroupilha; Ruínas do Matadouro São Geraldo: Construção de 1927, foi um dos mais importantes do Rio Grande do Sul. Rua São Geraldo, Guaíba; Cipreste  Farroupilha: Árvore símbolo da cidade. Na sua sombra líderes da Revolução Farroupilha planejaram a tomada de Porto Alegre em 1835. Rua Gomes Jardim; Erma de Gomes Jardim: Encontram-se os restos mortais do líder Farroupilha;Vitrine Cultural: A Vitrine Cultural é um espaço desenvolvido através de uma parceria da Prefeitura Municipal de Guaíba e da Fundação Toyota do Brasil que tem por objetivo conservar, divulgar e promover os atrativos culturais e históricos do município e da região; Museu Carlos Nobre: Construção de 1908 – ao longo do tempo foi residência, hotel, biblioteca, prefeitura e hoje encontramos objetos, fotografias, documentos pessoais do comunicador e humorista conhecido internacionalmente. (Terça a Sexta – 8h30min às 12h – 13h30min às 17h30min/ Sábado, Domingo e Feriado – 13h30min às 17h30min)(Fonte:pesquisandocidades.blogspot.com).

      Mais Fotos:
          Rota:

          Postado há 1 hour ago por Sant' Anna  
      Blog:https://rotasetrips.blogspot.com/
    • Por Debora O
      Olá, meu nome é Débora, tenho 32 anos, sou servidora pública. Fiz a viagem para Bolívia e Peru com meu namorado, Pedro, 30 anos, advogado. Nós moramos em Campo Grande/MS.
      Tínhamos o sonho de conhecer Machu Picchu, e queríamos experimentar o jeito mais tradicional (mochileiro). Confesso que eu esperava encontrar muito mais mochileiros nesse trecho, mas eles foram ficando mais frequentes somente após La Paz.
      Quisemos aproveitar o recesso forense (que são 3 semanas de folga no fim do ano), pois a viagem seria longa. Então saímos de Campo Grande/MS no dia 19/12/17, de ônibus, sentido Corumbá/MS, às 23h (passagem R$ 140). Chegamos em Corumbá às 5:30, tomamos um café na rodoviária e tomamos um táxi até a Polícia Federal brasileira para sair do Brasil e entrar na Bolívia. Esse táxi é caro, custou R$ 50 (uns 15 min de trajeto). Chegamos na Polícia Federal pelas 7h, sendo que ela abriu às 9h. Estava muito quente, Corumbá/MS tem temperaturas altíssimas (quase 40ºC), então trocados a calça pelo shorts. Na fila havia umas 300 pessoas. Desses, uns 20 no máximo eram mochileiros, o restante todos bolivianos. Só tinha 2 pessoas atendendo, então ficamos lá até umas 11h. Passada a fronteira brasileira, você vai a pé uns 100m e para no posto da polícia federal boliviana. Demorou no máximo 1h e então estávamos com nosso permisso para entrar na Bolívia.
      No Brasil havíamos tomado a vacina da febre amarela e estávamos com nossa carteira internacional de vacinação, mas, na viagem toda, que durou 16 dias, ninguém pediu. Nesse procedimento de saída, usamos somente o RG. Nossos RG’s tinham mais de 10 anos, também não teve problema. Eu levei meu passaporte, mas foi ótimo não ter usado neste dia porque, como contarei depois, na volta estávamos querendo chegar em casa o mais rápido possível e, chegamos na fronteira Bolívia/Brasil à noite, atravessamos de táxi sem passar pela aduana e tomamos o ônibus Corumbá/Campo Grande às 23:30 (algo assim). Depois nos informamos se havia problema nesta situação ocorrida e algum policial federal disse que não. Mas se eu tivesse carimbado o passaporte na ida sem o carimbo da volta, aí provavelmente eu teria mais problemas. Antes de ir ouvimos pessoas dizendo que era muito difícil fazer tudo no mesmo dia (passar pelas aduanas e tomar o trem). Mas dessa vez deu.
      Após passarmos pela aduana brasileira e boliviana tomamos um táxi para a estação do trem, que vai de Porto Quijarro a Santa Cruz de la Sierra (o antigo trem da morte). Este táxi custou somente uns 20 bolivianos (10 reais), num trajeto que durou uns 10min. Ali a pobreza da cidade já choca. Havíamos assistido à série Narcos e eu brinquei que me sentia na série.
      Chegamos na estação do trem por volta de meio dia e não havia sequer 1 passageiro lá, só os funcionários (eu imaginava que, por ser fim de ano, estaria agitadíssima). Estávamos nós dois, e mais 2 mineiros que viajavam juntos.
      O trem funciona assim: um dia sai o mais luxuoso (ferrobus – 35 dólares/140 reais), e no outro o intermediário (oriental? - 10 dólares/35 reais). Neste dia (20/12) era o dia do ferrobus às 18h. Compramos passagens numa boa, deixamos as mochilas aí com os funcionários e fomos almoçar perto. É uma região muito muito muito pobre. Almoçamos perto da estação por 12 bolivianos (6reais – arroz, feijão e carne).
      Era 14h, já estávamos sujos e, como o trem era somente 18h, fomos a um hostel quase em frente a estação para tentar tomar um banho e descansar um pouco. Cobraram acho que 50 reais pelo quarto duplo. O chuveiro estava caótico, foi difícil tomar banho (20 gotas), mas ok. Compramos água pela redondeza e fomos 17h para a estação. Havia umas 20 pessoas lá. Chegou o trem, era bonito, poltrona confortável (reclinava bastante e era bem larga), mas saiu com atraso de quase 1h. O trem só tinha 2 vagões e estava quase vazio. Tocava Talia no DVD (de uns 15 anos atrás). Todos os ônibus que pegamos daí em diante tinham essa poltrona massa (bem larga, reclina bastante), é o que eles chamam de ônibus 3 filas (2 poltronas de um lado e 1 do outro). E, da mesma forma, todos atrasam para sair (de 30min a 1h), eu ficava superestressada e reclamava bastante com eles. A viagem de trem foi agradável. Serviram um jantar por 20 bls (10 reais) com um frango delicioso (o frango deles é pequeno, tipo um galeto, de pele amarela, tipo frango caipira, é bem macio, nós adoramos), arroz e macarrão. Comemos porque não sabíamos quando comeríamos de novo, foi bom. À noite pessoas vão entrando no trem e fazem barulho, falam alto e ouvem música sem fone.
      O trem saiu “18h” de Porto Quijarro e chegou umas 10h (21/12) em Santa Cruz de la Sierra (15h de viagem). A estação onde chega o trem já é dentro da rodoviária. Então usamos el banho (banheiro) e já compramos a passagem de ônibus para La Paz, para as 14h. A viagem duraria 20h e já seria a terceira noite viajando, eu estava meio tensa. Tomamos um táxi para o centro de Santa Cruz (foi barato – 20bls), paramos num café, comemos, andamos pela praça, fomos ao mercado comprar água e comida, almoçamos no mesmo café (tipo um PF), pegamos um burguer king para levar e voltamos para a rodoviária. Tomamos o ônibus rumo a La Paz. Nesta viagem eu passei mal à tarde, tive enjoo (acho que almocei meio rápido e sem fome). Tomei remédio, coca, dormi e melhorei à noite. A Coca deles é muito boa, mais forte que a nossa, tomamos muitas na viagem.
      No meio da noite o ônibus parou num lugar muito feio para banheiro e lanche. Coisa muito simples, chão batido e molhado, comidas estranhas sendo assadas etc. Não compramos nada, fomos ao banheiro e partiu. O ônibus foi MUITO devagar e a viagem durou mesmo umas 20h ou mais.
      Chegando em La Paz (na parte alta), há muito congestionamento e demorou muito também. Aí já estava muito frio lá fora, mas dentro do ônibus fica super abafado (não ligam o ar), os vidros suam, é um horror (isso serve para todos as viagens lá rsrs). Chegando em La Paz eu senti sensação de sufocamento, falta de ar. Parecia que era o calor que estava me sufocando, até comecei a pedir que abrissem as janelas, mas era a altitude. Quase passei mal. A cidade, no primeiro momento, nos choca. É um buracão, com muitas casinhas sem reboco (ar de favela), de cara achamos feia. Chegamos na rodoviária de La Paz, trocamos dinheiro (toda rodoviária troca. Na época estava 100 dólares para 700 bolivianos, em regra. Levamos todo nosso dinheiro em dólar. Eu levei uns 400 reais também. O Pedro uns 200) e tomamos um táxi para o Hostel Copacabana, que haviam nos indicado, que fica próximo ao mercado das bruxas. Ficamos lá mesmo, era 150 bls o quarto de casal (75 reais – 38 para cada), com desajuno (café da manhã) e banho (banheiro) privativo. Banho é ducha.
      Aí tomamos um banho e fomos almoçar. A região é turística, há a rua Sagarnaga, que tem restaurantes, agências e hotéis há 2 quadras do hostel. O mercado das bruxas é uma rua cheia de vendinhas que vendem a mesma coisa (roupas e acessórios de frio, lembrancinhas, comprei tocas, luvas, cachecóis e presentinhos – tudo baratão).
      Almoçamos em um restaurante cubano na famosa rua Sagarnaga (30bls um PF de arroz, feijão, frango e banana – tava bom, feijão com tempero diferente, talvez cominho) e voltamos descansar. Em La Paz (4.300m de altitude) você sobe uma quadra de ladeira e parece que coração e pulmões vão pifar. rsrs Então você vai caminhando e descansando, sempre. Ali perto tem a igreja de São Francisco, que é bonita, e reúne muita gente todo dia em frente. No ano novo assistimos à missa lá.
      Gostamos de sentar e tomar uma cerveja e, embora a região ali seja muito turística, não há barzinhos lá, só restaurantes. Tomamos cerveja num pub inglês (The Lion King, algo assim). A cerveja é cara (chega a 32 bls), e a comida na Bolívia é muito barata (geralmente você come por 25-30bls). Ao lado do restaurante cubano (Sabor Cubano?) há uma pizzaria muito boa (Italian Pizza?), comemos lá várias vezes. Uma noite fomos ao Sol Y Luna (um restaurante/pub), o atendimento é bom, comemos o tradicional prato boliviano pique a lo macho, que leva carne, batata, cebola, pimentão, ovos, linguiça, e é bem apimentado. Nos primeiros dias eu tive azia, havia levado sachets de ENO e me ajudaram bem.
      Em La Paz, mesmo sendo verão, estava beeeeem frio (mais frio que La Pa só Cusco). A chuvinha frequente e mansa nunca foi problema na viagem (há muita gente que não recomenda a viagem em dezembro). O quarto do hostel era bem frio, eles têm cobertas boas/pesadas, mas eu passei um tanto de frio lá, em geral. Fomos com um mochilão cada, levamos mais ou menos isso: uma calça no corpo e uma na mochila, 6 camisetas, 2 casacos, boot no pé; tênis e chinelo na mochila, 1 shorts, só. Protetor solar e repelente são importantes, além de medicamentos para digestão, dor de cabeça, antiinflamatório. (Em Cusco lavamos as roupas, foi baratão, tipo 15 reais para cada).
      Em La Paz começamos a dormir mal por conta da altitude, é deitar e o nariz trancar. Compramos Vick boliviano, passávamos no nariz e boa. Tomamos chá de coca umas 3x na viagem e foi bom. Também tomamos um remédio contra altitude vendido em qualquer farmácia lá (mas não direto, imagino que tomamos somente uns 3 comprimidos na viagem toda).
      Outro detalhe marcante é que na Bolívia há muitos cachorros nas ruas; cachorros lindos, grandes, peludos, raças que não são muito comuns no Brasil; e eles não têm doenças de pele (acredito que por ser frio lá). No Peru reduz um pouco, mas também há. Na viagem devemos ter visto uns 500 cachorros ou mais. São umas graças, nos seguem. Ficam em frente aos comércios, casas; até os comerciantes têm cachorros ali. É muito comum.
      Nesta primeira tarde em La Paz fizemos essas coisinhas e fomos a uma agência ver um passeio para o outro dia. Todos falam superbem do passeio de bike; mas era o dia todo e estávamos cansados de 3 dias de viagem, abandonamos a ideia. Depois soube que era só descida. Mas, mesmo assim, não me arrependi de não ter feito. Optamos pelo Monte Chacaltaya e Vale de la Luna (sempre oferecem juntos). Não me lembro se foi 90bls para cada, acho que sim. Compramos em qualquer agência. Passam no hostel pegar, fomos de van, primeiro ao monte, subimos a 5.600 metros. O trecho de ida, que leva uns 40min, é bonito, vemos lagos e lhamas. Lá é muito frio; nesta época neva (tivemos essa sorte; nevou enquanto estávamos lá). Então podemos subir ao pico, que fica a uns 300m da base, acho. Mas é muito difícil, pelo ar rarefeito. Eu dava 10 passos e já precisava sentar. Sugeri ao Pedro de ficarmos só na metade, por sorte ele topou. rsrs Tiramos fotos lindas com a GoPro, apreciamos a paisagem e descemos. Na base há uma estação de esqui abandonada. Curtimos mais um pouco e a van voltou. Talvez 1h30 no Monte Chacaltaya. Aí a van volta para a cidade, atravessa ela toda e vai para o outro lado, para o Vale de la Luna. É um lugar lindo/impressionante, de formações vulcânicas, que antigamente ficava embaixo do mar. Você passeia por ali uns 40 min, tira muitas fotos e está pronto para vazar. Detalhes: no caminho eu cochilei, porque após o Monte Chacaltaya senti bastante estafa. E, ao contrário do frio do monte, o vale é quente e seco (impressionante). Então você deve ir com roupas frescas por baixo e casacos muito quentes por cima, e vai tirando feito uma cebola. rsrs Neste dia me queimei de sol. No caminho entre um e outro começamos a ver umas partes mais bonitas de La Paz. Adoramos o passeio. Na volta a van deixa todos na Igreja de São Francisco. Almoçamos na Italian Pizza e já fomos ver o roteiro do próximo dia, seria 24/12 (véspera de natal). Ao lado do nosso hostel havia um hotel chique com agência, então fomos ali mesmo e uma moça bacana nos vendeu a ida para Copacabana, de ônibus. Acho que foi 40bls para cada. (Detalhe: La Paz no natal e réveillon eles enchem as ruas de vendinhas e ficam trabalhando, tadinhos; senhores de idade, crianças, todos na rua). O ônibus saiu da rua Sagarnaga às 8 e fomos sentido Copacabana, passar o nosso natal. São aproximadamente 4h no total. Saindo de La Paz a paisagem já começa a ficar extraordinária. Vistas MARAVILHOSAS do Lago Titicaca; sem brincadeira, uma das coisas mais lindas que já vi na vida, deslumbrante. Você chega a um vilarejo para tomar uma balsa. Todos descem, o ônibus vai na balsa e as pessoas num barquinho beeeeem simples. A água do lago é azul marinho, mas transparente que você vê as pedras no fundo. Incrível, deslumbrante, perfeito. Então mais uns 40min de busão até Copa.
      Aí você desce do ônibus e tem umas 30 pessoas oferecendo pousada. Caímos nessa e fomos parar num hostel horripilante. Após dar o sim eu entrei em depressão. rsrs Fiquei com muito medo de falar pro Pedro que havia me arrependido, mas ele topou, avisamos que não gostamos do quarto e vazamos. Nem 30min no local. Ufa. Então precisávamos de outro hostel, almoçar, trocar dinheiro e buscar meu melhor casaco que esqueci no ônibus (socorro!).
      Uma das maiores lições que tirei dessa viagem foi: quando você já está cansado ainda vai demorar umas 3 horas, no mínimo, para você deitar na sua cama. Affe! Que trabalheira.
      Casaco recuperado, encontramos outro hostel muito simples (Hostel Sofia) e descansamos. Copacabana é muito simples. A orla é feia, um caos (ao contrário do que imaginávamos). Optamos por não ir à Isla del Sol (passeio quase obrigatório), para descansar e passar um natal tranquilo em Copa. A Igreja de lá é linda (tentamos ir à missa). Então compramos uma cerveja nas conveniências e ficamos andando por ali, conhecendo a cidade e vendo onde íamos cear. Há poucas opções. Encontramos somente uns 2 lugares legais, mas acabamos adorando o que escolhemos.
      Na Bolívia na noite de Natal comem um prato típico chamado Picana, que é um caldo ralo, com carne e um milho grande por cima. Não apeteceu. Então comemos qualquer outra coisa, bebemos e voltamos para o hostel que fechava às 23h (ninguém avisou, descobrimos na rua por sorte). Esse milho grande que eles têm lá é bem gostoso; comemos algumas vezes, sem medo de ser feliz. Outro prato típico de lá é o lomo saltado (que é carne grelhada com cebola e tomate). O Pedro comeu alpaca no Peru (a aparência é de cordeiro). Outros pratos típicos do Peru são cuy (porquinho da índia – não provamos por pena) e o famoso ceviche (provei e não gostei muito – de truta, nada de mais). Em Copa é tradicional comer truta (trucha), pescada do lago Titicaca. É gostosa como um salmão, mas comemos uma vez só; é meio pequena geralmente no prato. Ah, na Bolívia é tradicional comer saltenha também; nós já conhecíamos porque o MS faz fronteira com a Bolívia e em Corumbá tem muito. Tanto Bolívia quanto Peru possuem muitas variedades de batata (boas); prepare-se para comer muita batata; mas dá uma enjoada.
      Nessa noite o Pedro achou que ia morrer, não conseguia respirar. Passamos uns momentos de pânico e depois ficou tudo bem. rsrs
      No outro dia tomamos um ônibus sentido Cusco, com parada em Puno. Saiu de Copa pelas 13h, passa pela fronteira Bolívia/Peru (enroladinha), para em Puno e espera umas 4h e depois vai para Cusco a noite toda. Puno não estava no nosso roteiro, mas muita gente depois falou bem.
      Chegamos em Cusco de madrugada, tomamos um táxi e fomos a um hostel que haviam me indicado. Estava cheio, indicaram um ao lado, cheio também, então o taxista (espertão) indicou um lugar para ficarmos, a 4 quadras da praça das armas. Acabou sendo bom (Ccoscco House, algo assim). Era uma grande construção e uma das moradas era esse hostel, o lugar era feio, mas o hostel era ok. Com desajuno era uns 70 soles, acho. No Peru eles comem um pão muito fofo. Parece pão sírio, mas melhor.
      O café da manhã deles é: pão, manteiga, geléia e café preto (o café é muito estranho, um extrato que você mistura com água quente).
      Prepare-se para comer MUITO carboidrato e pouca proteína. Como a Bolívia é muito pobre e o Peru razoavelmente também, ovos, frios, carne são luxo. A moeda da Bolívia (bolivianos) vale a metade do real, aproximadamente. E a do Peru (soles) vale o mesmo do real, aproximadamente. Logo, o que antes era a metade do preço para nós, agora era preço cheio; logo, no Peru, você começa a gastar mais.
      Tivemos um choque também porque é raro aceitarem cartão na Bolívia. No Peru aceitavam um pouco mais, mas ainda nesse quesito o Brasil está muito bem, porque lá, em geral, é raro você usar o cartão. Nem passagem de ônibus geralmente você pode pagar com cartão. Logo, ande com dinheiro sempre.
      Cusco é maravilhosa, linda, charmosa. E muito fria, cruzes. Andamos pela cidade, conhecemos (principalmente ali ao redor da plaza de las armas) e já compramos o próximo passeio rumo ao supra-sumo “Machu Picchu” (S2). Em Cusco você já compra a entrada de MP, que custa, se não me engano, 50 dólares. O trem que leva de Ollantaytambo a Águas Calientes (cidade abaixo de Machu Picchu) geralmente custa 130 dólares. Naquele dia estava em promoção (75 dólares), mas acabou rápido. Então a única opção que nos sobrou foi: ir de van de Cusco até a hidrelétrica (aprox. 5h de van – demorou 6); aí você chega à hidrelétrica, almoça e encara 11km de caminhada até Águas Calientes, pelo trilho de outro trem. Esse é o jeito raiz. (Há um jeito mais raiz ainda de uma caminhada que dura 3 dias. Affe)
      Resumo: saímos de Cusco às 8h, pegamos muita chuva no trajeto de van (o que atrasa), chegamos à hidrelétrica pelas 14h, almoçamos e encaramos a caminhada. Nossa ida caminhando demorou 4h e me rendeu bolhas enormes nos pés. No restaurante do almoço compramos capas de chuva (5bls) porque garoava. Mas ali não é frio, graças a Deus. O percurso da caminhada é bonito e plano (quanto mais perto de AC, mais bonito). E ali a altitude é tranquila (2.600m). Centenas de pessoas vão caminhando. Se quiséssemos ir de trem da hidrelétrica até AC era 31 dólares o trecho (achamos caro). E a pergunta que todo mundo faz: e se o trem vier e me atropelar? Não acontece. Quando o trem vem todos vão para o lado e ele passa tranquilamente. Havíamos deixado parte da mochila em Cusco (no hostel guardam), mas ainda fomos com mochilas grandes.
      Detalhe: em Cusco você compra um pacote que inclui a entrada de MP, a van, o almoço na hidrelétrica, a hospedagem em AC com jantar e a van de volta. Isso sai por uns 100 dólares, se não me engano.
      Mas nós optamos por ir num dia, visitar MP no outro, dormir mais uma noite, e voltar no terceiro dia. Acho que saiu uns 20 dólares a mais, se não me engano. No fim foi uma ótima escolha, senão teríamos que conhecer MP correndo e voltar caminhando na mesma manhã. (Tivemos problema na hospedagem em AC porque a dona da pensão dizia que só havíamos pagado uma noite, quando na verdade havíamos pagado por duas noites. Foi complicado, ela causou algumas vezes – batia na nossa porta à noite, fiquei aterrorizada –, mas nós tínhamos um recibo e batemos o pé que havíamos pagado por tudo e ela que se virasse com o agente de Cusco – Chino – que era um cara bem enrolado. Quase perdeu meu permisso.)
      Chegamos a Águas Calientes pelas 19:30. Exaustos. A única coisa que queria era ir pro hostel. Mas, Débora, você está muito ingênua. Nos orientaram a chegar a AC e procurar a praça central. Lá fomos. Espera daqui, espera dali, um frio do cão se instalando, e você deve aguardar até seu guia chegar gritando seu nome. Cara, é aventura mesmo. Aproveitamos para tomar umas cusqueñas na praça enquanto isso. A guia chegou, nos levou para jantar e explicou que quem quisesse subir a MP de ônibus deveria comprar já, porque fechava 21:40. Então lá fomos nós. Bolhas nos pés, cansaço, peso, frio, mas ok. Já fomos decididos a não subir a MP à pé. Este ônibus, que sobe e desce várias vezes durante o dia custa 26 dólares o trecho. (É caro. Mas subir à pé é para os fortes. E, conforme um amigo disse, consertar o joelho depois sai mais caro ainda rsrs)
      De ônibus você leva meia hora; à pé talvez 1h30m (depende do ritmo). Mas não é caminho, é escada, só escada. É a própria escada usada pelos incas que habitaram MP. Quando você vai entrar no parque em MP você vê os pedestres chegando. É emocionante. Estão acabados, suados, vermelhos, exaustos, mas com cara de felicidade. Pedro e eu não aguentaríamos.
      Outro detalhe: Machu Picchu tem duas visitações durante o dia – ao comprar eles colocam você ou no turno da manhã ou no da tarde. O nosso foi da manhã. Então você precisa entrar em MP com um guia às 6:15. A fila do ônibus começa na rua às 4. O pessoal do micro-ônibus começa a checar os ingressos às 5. O ônibus começa a partir às 5:30. Resultado: nesta noite dormimos da meia noite às 3:20; e eu dormi de cabelo molhado, num frio de rachar (no dia mais importante, óbvio, ele não estava legal). Conseguimos ir no segundo ônibus. Neste dia foi punk pro Pedro; ele só conseguiu acordar de fato ao entrar em MP. É punk mesmo (para mim também foi). Quando entramos no ônibus, o Pedro tirou um cochilo e eu me emocionei. Não acreditava que havíamos conseguido chegar até ali, que enfim eu ia realizar o sonho de conhecer aquele lugar. Foi demais.
      Entramos em MP e a primeira volta você faz com um guia, que dura umas 2h. MP é impressionante de linda. As montanhas são muitas e altíssimas, e os vales são muito profundos. A paisagem chegando em MP já é muito peculiar e específica.
      Nesta primeira volta nós tiramos algumas fotos, mas eu quis prestar atenção mais no guia; pois poderíamos retornar em uma segunda volta e tirar mais fotos. Mas acabamos nos arrependendo, porque não queríamos dar uma segunda volta. rsrs Cansa.
      Eu imaginava que eu ia gostar de passar o dia todo em MP. Mas pelas 11 já estava suficiente e até eu quis ir embora. rsrs Levamos água e lanches, porque lá é precário. Dentro do parque não há banheiros ou estrutura de lanchonete, só antes de entrar no parque, e mesmo assim dizem ser caro pra caramba (o lanche). O banheiro é ótimo lá fora.
      Em MP estava frio de manhã (na tomada do ônibus etc), mas durante o dia ficou até que calor (daria para ficar de camiseta). Ah, a paisagem fica meio nublada (não são aqueles dias limpos do inverno), mas achamos que isso não interferiu na beleza do lugar e na experiência. Neste dia (apesar de somente visitarmos o parque) andamos uns 5km. No dia anterior uns 15km e no próximo também. Ou seja, nesta viagem anda-se muito.
      Voltamos a Águas Calientes, almoçamos e descansamos. Em AC você já pode usar mais cartão, há um café expresso aqui e ali (porque antes não havia); mas quiseram nos cobrar (e cobraram) 20% de taxa para usar o cartão. Absurdo. AC é um vilarejo bem charmoso e ali comprei uns colarzinhos de prata para levar de lembrança (colar e pingente saem uns 60 reais cada).
      Dormimos cedo neste dia porque estávamos exaustos e no outro dia haveria a caminhada de volta. Acordamos 8h, arrumamos a bagagem e vazamos. A caminhada de volta foi bem mais tranquila que a de ida. (Talvez porque já estivéssemos preparados psicologicamente) Fizemos em 2h, porque queriamos acabar logo com aquele sofrimento rsrs. No caminho encontramos um casal conhecido de Campo Grande/MS. É mole? Chegamos na hidrelétrica pelas 11, almoçamos no mesmo restaurante e aguardamos a van para voltar, que só sai umas 15h. Enquanto esperávamos a van fui picada por muitos pernilongos, foi bem ruim, picavam por cima da roupa (meu repelente havia deixado em Cusco). Na região da hidrelétrica é floresta amazônica no Peru, então é meio quente e úmido durante o dia.
      Tomamos a van e voltamos a Cusco, chegando à noite. No outro dia queríamos tomar o ônibus rumo a La Paz. Cedo arrumamos as coisas e saímos rumo à rodoviária de Cusco. Só havia ônibus para La Paz às 20h. Então deixamos a mochila na empresa do ônibus e voltamos ao centro, almoçamos, andamos, conhecemos uns mercadinhos, ficamos na praça, entramos num Starbucks usar a internet e tomar um café e voltamos tomar o ônibus (não acharam a mochila do Pedro – pensamos que haviam trocado, mas após 5min de tensão achamos). Em Cusco há nos mercadinhos uns produtos bons, importados, como não temos no Brasil. Mas, em geral, os mercadinhos são simples (tanto na Bolívia quanto no Peru). Outro detalhe é que em Cusco, na praça central (das armas), há umas crianças vestidas tradicionalmente carregando filhotes de alpacas para os turistas tirarem fotos. Somos contra essas coisas, mas como passamos muito tempo na praça nesse dia, quando assustei estavam elas perto de nós e colocaram a alpaca no meu colo. Tiramos umas fotos com elas (ficaram lindas) e demos umas moedas. A pobrezinha da alpaca só tinha 1 semana, chupou nosso dedo, morremos de dó. De Cusco a La Paz você passa pela aduana boliviana (umas 3h na fila sob o sol escaldante - sofrido). Chegamos em La Paz para passar o revéillon (31/12) e, para nossa surpresa, não havia ônibus para Santa Cruz no dia 1º, só no dia 2 às 13h e só no dia para comprar a passagem. Ficamos meio tristes porque não estava no roteiro perder um dia em La Paz na volta. E, além de tudo, era um dia em que praticamente nada abre, portanto nem poderíamos fazer um passeio ou algo assim. Mas ok.
      Fomos à missa na noite de 31/12 na Igreja de São Francisco e depois fomos na nossa pizzaria favorita passar o revéillon (italian pizza). Mas bateu a deprê porque só havia umas duas mesas ocupadas lá (nosso réveillon ia ser uma derrota rsrs). Então pelas 21h uns amigos do Pedro que estavam na cidade nos chamaram para ir no Hostel Lóki para passar a virada, pois lá haveria uma festa aberta a não hospedados no Lóki. Fomos. Estava SUPER legal. Uns 400 estrangeiros, música boa, bebida, animação, foi muito legal. Salvou nossa noite.
      No dia 1º saímos dar uma andada pela cidade e conhecemos uma parte mais bonita. Na avenida da igreja São Francisco, abaixo, há bastante docerias, gelaterias, fast foods, valeu a pena ter conhecido, porque ficamos um pouco assustados com a pobreza da região em que nos hospedamos (mercado das bruxas).
      No outro dia o Pedro foi bem cedo à rodoviária garantir as passagens do ônibus de Santa Cruz, que sairia às 13h. Chegamos cedo a Santa Cruz (no outro dia de manhã), tomamos café e já tomamos o ônibus para Porto Quijarro (fomos de trem e voltamos de ônibus, que é bem mais rápido). O trem dura 15h, o ônibus umas 6h. Um amigo teve azar nesta volta e o ônibus quebrou etc. Nós tivemos sorte, foi rápido e no fim da viagem a paisagem é bonita (já é pantanal). Mas não há lanchonetes no caminho (levem lanche/água). Chegamos a Porto Quijarro umas 20h, tomamos um táxi para Corumbá/MS e ao chegar na rodoviária compramos passagem para Campo Grande/MS às 23h acho. Neste ponto que disse que, se tivéssemos que passar pela aduana para sair da Bolívia e entrar no Brasil teríamos que dormir ali e esperar o outro dia. Como eu estava com muita pressa de chegar em casa, assumimos o risco para talvez termos que resolver isso depois, mas acabou não tendo problemas. Chegamos em CG às 6h da manhã, enfim em casa, após 16 dias.
      No fim das contas acho que gastamos cada um uns R$ 2.500,00 nesta viagem de 16 dias, contando tudo. Todos os preços e nomes de lugares são referentes a dez/2017.
      Todos os transportes atrasam. Eu dava uma causada.
      Valeu a pena? Muito. Foi inesquecível. Durante a viagem não tivemos a real noção do quanto foi legal (gostamos ‘médio’), mas hoje nos lembramos de tudo com muito carinho e saudade.
      Voltaríamos? Provavelmente não. Uma vez na vida está ótimo. Mas ficou a vontade de conhecer o salar Uyuni e o deserto do Atacama, para uma próxima oportunidade.
      Para os amigos indicaríamos ir de avião conhecer La Paz, Copacabana, Puno (que acabamos não conhecendo), Cusco, Águas Calientes/Machu Picchu. Como fomos pelo meio terrestre, não sentimos tanto a altitude; não sabemos como é quando se vai de avião. Também não conhecemos Sucre, que é a capital política da Bolívia e dizem ser legal.
      Indicamos que alguns passeios sejam cortados do roteiro sempre que o viajante estiver muito cansado. É bom avaliar as prioridades, caso contrário, fica estressante demais.
      Esperamos que este relato de viagem seja útil e/ou inspire alguém. =)
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