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Para mim é algo realmente complicado traduzir em palavras os momentos vividos nos dias da minha viagem. Viagem esta que não se traduz num simples mochilão ou turismo de longa duração. Foi o encontro de uma pessoa comum com seu sonho de andar por terras que tanto o inspiraram, terras mãe da esperança, terras de homens e mulheres feitos de histórias e de coração, corações gigantescos. O sentimento que fica depois de quase seis meses na estrada é o de gratidão, do agradecimento as infinitas pessoas que ajudaram esse pobre viajante das mil e uma maneiras possíveis, para vocês meu muito obrigado.

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Foto 1 - A companheira de viagem

Tinha uma vida igual a tantas outras, era bem razoável por sinal, mas a vontade de caminhar e estar frente a frente com o novo me atormentava todos os dias. Queria conhecer com meus olhos as diferenças, os sotaques, as comidas, as belezas. Desejava não ter pressa, fazer tudo no seu tempo necessário, não estar preso a rotina dos dias e principalmente aprender. Sim, aprender, não com fórmulas prontas e nem sentado dentro de uma sala de aula. Queria aprender com experiências. Queria conhecer pessoas. De alguma forma queria fugir da minha vida cotidiana, não por ela ser ruim, mas pelo desejo de se conhecer e assim, quem sabe, voltar uma pessoa melhor. Quando esse sentimento passou a ser insuportável decidi que tinha que partir.

Por um ano ajuntei algum dinheiro, queria ficar seis meses na estrada. A grana não era o suficiente, mas suficiente era a minha vontade. Dei um ponto final no trabalho. Abri o mapa e não tinha ideia por onde começar. Decidi não ter um roteiro, apesar de ter muitos lugares em que eu queria estar.

Assim começa a minha história (poderia ser de qualquer um). O relato está dividido da seguinte forma:

Parte 1: de Rio Claro ao Vale do Itajaí
Parte 2: Cânions do Sul
Parte 3: de Torres a Chuí
Parte 4: Uruguai
Parte 5: da região das Missões a Chapecó
Parte 6: Chapada dos Veadeiros e Brasília
Parte 7: Chapada dos Guimarães
Parte 8: Rondônia
Parte 9: Pelas terras de Chico Mendes, Acre
Parte 10: Viajando pelo rio Madeira
Parte 11: de Manaus a Roraima
Parte 12: Monte Roraima y un poquito de Venezuela
Parte 13: Viajando pelo rio Amazonas
Parte 14: Ilha de Marajó e Belém
Parte 15: São Luis, Lençóis Maranhenses e o delta do Parnaíba
Parte 16: Serra da Capivara
Parte 17: Sertão Nordestino
Parte 18: Jampa, Olinda e São Miguel dos Milagres
Parte 19: Piranhas, Cânion do Xingó e uma viagem de carro
Parte 20: Pelourinho
Parte 21: Chapada Diamantina
Parte 22: Ouro Preto e São Thomé das Letras
Parte 23: O retorno e os aprendizados

O período da viagem é de 01/10/2015 a 20/03/2016. De resto não ficarei apegado nas datas exatas em que ocorreram os relatos que irão vir a seguir, tampouco preocupado em valorar tudo. Espero contribuir com a comunidade que tanto me ajudou e sanar algumas dúvidas dos novos/velhos mochileiros.

********** A ATUALIZAÇÃO DO SITE AFETOU A FORMATAÇÃO, ELIMINOU AS LEGENDAS DAS FOTOS E ADICIONOU ESPAÇAMENTOS EXTRAS. COM CALMA IREI EDITAR TODO O RELATO PARA FICAR MAIS AGRADÁVEL VISUALMENTE ********* 

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Parte 1: de Rio Claro ao Vale do Itajaí

"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir." Paratii: Entre dois pólos, Amyr Klink

Enrolei alguns dias em casa, era para já estar viajando, na verdade eu tinha medo de começar. Acho que o mais difícil é começar, depois você já vai ter feito a merda mesmo e tudo fica mais fácil. Após pensar muito decidi que o meu primeiro destino seria Curitiba. Lá reencontraria o Boletão, parceiro do meu primeiro mochilão e amigo de longa data. Acho que era uma terça-feira. Fiz as malas horas antes de partir, minha irmã e mãe me acompanharam na rodoviária, elas tentaram me fazer desistir. Subi no buzão e já não tinha certeza de nada. Apesar de o trajeto ser noturno eu não dormi. Pensava milhões de coisas e ao mesmo tempo não pensava em nada.

Das coisas que levei comigo:

  • 1 mochila Curtlo Mountaineer 75 + 15 lts
  • 1 barraca Quechua QuickHiker II
  • 1 saco de dormir Trilhas e Rumos Super Pluma Inverno
  • 1 tênis de trilha Timberland
  • 2 calças jeans
  • 2 calças de trekking
  • 3 shorts
  • 10 camisetas
  • 10 cuecas
  • 5 meias
  • 1 anorak
  • 1 segundo pele
  • 1 touca
  • 1 toalha
  • Produtos de higiene pessoal
  • Alguns livros

Em média a mochila pesava uns treze quilos.

Chegar a Curitiba, reencontrar o Boletão, parecia mais um final de semana de folga. Apesar de ter ficado quase uma semana por lá. Andei por todos os cantos de Curitiba, conheci o que nunca tive oportunidade de conhecer. Já tinha ido algumas vezes antes à cidade, mas sempre de passagem. Dessa vez, com todo tempo do mundo, conheci tudo com a calma que cada lugar merecia. O museu do olho do genial Niemeyer é algo realmente belo e tive sorte de estar na cidade na época da bienal. O jardim botânico merece toda a fama de cartão postal da cidade, é um parque agradável demais, todos os outros parques da cidade são de igual sentimento. Vale destacar a qualidade do transporte público na cidade o melhor que conheci no Brasil.

Informação 1.1: Curitiba é considerada a capital ecológica do Brasil. Existem mais de 26 parques para visitação e também é a cidade onde a mata Atlântica é mais preservada.

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Na época da graduação, eu e o Boletão éramos os únicos da sala com viés social. Saber que está em Curitiba trabalhando com algo em que acreditávamos enquanto estudantes era realmente gratificante. Fazia mais de ano que não o via, depois do nosso mochilão cada um foi trabalhar em um canto. Nesses dias pudemos conversar sobre a nossa viagem, sobre a sua viagem pelo sul da África, futebol, a vida e claro, sobre a minha viagem que se iniciava. As conversas foram boas e os dias agradáveis. Nesse momento parecia estar em casa e havia uma sensação que a viagem não tinha começado. Era hora de prosseguir. Fiquei dias definindo qual seria meu próximo destino até decidir por Pomerode, cidade do Vale do Itajaí.

Informação 1.2: Pomerode é uma cidade catarinense próxima de Blumenau conhecida por ser a cidade mais alemã do Brasil.

Curiosidade 1.1: Em plena crise o vale do Itajaí era o oposto do resto do país, criando vagas ao invés de diminuir. O vale corresponde o nordeste do estado de Santa Catarina, região que tem como principal cidade Joinville.

Tentei couchsurfing na cidade, não consegui. Procurei nas cidades vizinhas até conseguir em Timbó. Meu primeiro host da viagem e seria o primeiro surfer delas. Cheguei pelo fim da noite na cidade. A minha espera estava a Dani, Bruna e família. Não poderia ter melhor recepção.

“A vontade de visitar Pomerode vem do simples fato de sempre saber que era a cidade mais alemã do Brasil, apesar de ser um termo vago, carregava essa vontade de estar lá. Estava tão perto, por que não ir? Não conhecia nada da região, muito menos sabia que Timbó existia. Como a viagem não tinha nada de planejado seria uma descoberta.” Notas de diário

No segundo dia seguimos para o morro Azul. Pico mais alto da cidade, o morro abriga uma bela vista, além de ser um ponto de camping da cidade. Do seu topo pode-se ver Timbó e Pomerode. Lá de cima na companhia da Bruna e da Daniela, finalmente, tive a certeza que a viagem havia começado de verdade. Agora sabia que tinha tomado a decisão certa. Depois fomos numa festa, no estilo Oktoberfest. Foi um bom dia, cheio de paz e de ótima companhia.

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Dias depois, finalmente, fui conhecer Pomerode. A cidade é toda charmosa, cheia de casas de arquitetura enxaimel. Tudo é organizado lá e em muitos cantos se houve falar alemão. O que há de melhor, sem dúvida, é a culinária, muitos restaurantes típicos e padarias com doces que parecem ter saído do cinema. Comi uma torta de frutas vermelhas (em uma padoca) maravilhosamente boa.

Informação 1.3: O Enxaimel é uma antiga técnica construtiva, na qual uma estrutura de madeiras encaixadas tem seus vãos preenchidos com tijolos ou taipa. Conjunto de estacas e caibros que sustenta as divisões da estrutura da casa, podendo ou não ficar aparente na fachada.

Culinária 1.1: No vale do Itajaí vende-se o refrigerante Laranjinha da Água da Serra, o melhor de todos. Não tem muito gás e é realmente bom.

Fiz um trekking de 16 km pela rota enxaimel. O caminho é recheado por construções do tipo enxaimel (aquelas casinhas típica alemã) e cercado pela natureza. Muito fácil conhecer pessoas no caminho e aprender um pouco da cultura alemã que sobrevive na região. Recomendo demais o trekking. Apesar de muito ouvir que as pessoas da cidade não são receptivas e muitas vezes preconceituosas com turistas, não senti nenhuma indiferença por parte das pessoas que tive contato. Pelo contrário, fui bem recebido e tratado com enorme educação.

Curiosidade 1.2: Pomerode, apesar de ter menos de 30 mil habitantes, tem grandes empresas como: Bosch , Hering entre outras.

Curiosidade 1.3: Apesar de toda fama de Pomerode, o melhor lugar para se visitar arquitetura enxaimel é a vila alemã em Blumenau.

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Nos outros dias caminhei por Timbó, se tivesse que escolher uma cidade para viver essa cidade seria Timbó. Calma, bonita, clima agradável, cheia de oportunidades, muito verde, muitos rios e mulheres bonitas. Não existem muitos pontos turísticos, mas existe muita beleza por todos os cantos. Apesar de a vizinha Pomerode ter a fama, Timbó tem muito de cultura e arquitetura alemã, de uma forma mais desapegada o que para mim é melhor.

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Passei bons momentos na companhia da família Nasato e quero um dia poder voltar para lá e receber aqueles abraços calorosos iguais da despedida. Família que tão bem me recebeu, iria ficar dois dias a principio, acabei ficando quase uma semana. A Dani e a Bruna transbordam amor e logo seguiriam para um mochilão de longa data. Lembro que dava dicas para elas de como viajar, hoje acompanhando a viagem delas era eu que merecia umas longas aulas, que orgulho e que saudades. Falando em saudades, esse é o sentimento que fica. Saudades das conversas com o Pini e a Rose, depois chegou a Grazi que abrilhantou ainda mais a pacata Timbó. Nunca me esquecerei desses dias e sempre serei grato a Dani e Bruna por dar a possibilidade de conhecer suas famílias, cidade e região. Meus eternos agradecimentos. Muito obrigado.

Depois fui para Blumenau em plena Oktoberfest, passei uma tarde na vila alemã e segui viagem. Dormi de noite na rodoviária da fria Criciúma. O próximo destino seria a região dos cânions.

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Parte 2: Cânions do Sul

Depois de ter desistido, por hora, de conhecer a serra catarinense e a bela serra do rio rastro, decidi conhecer os badalados cânions do sul. Estava empolgado, anos antes tive a oportunidade de conhecer o cânion mais profundo do mundo, o cañon del colca próximo a cidade peruana de Arequipa, lugar que também se localiza a nascente do rio amazonas. Essa experiência foi demais. Estar frente a frente com o vazio infinito e presenciar o voo dos condores sempre me trás boas sensações e lembranças. Agora era a vez de conhecer uma região fértil em cânions.

Curiosidade 2.1: O "cañon del colca" chega a ter mais de 3500 metros de profundidade.

A região dos cânions situa-se na Serra Geral divisa natural entre os estado do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Essa região corresponde a diversas cidades entre os dois estados, tendo maior destaque Cambará do Sul (RS) e Praia Grande (SC) por suas proximidades dos cânions mais visitados da serra. Cambará do sul é uma cidade da serra gaúcha, muito próxima de Gramado, que tem uma altitude de mais de mil metros, portanto, fica no topo dos cânions. Praia Grande apesar do nome não é uma cidade litorânea e fica no nível do mar, o que faz dela ser cercada pelos paredões dos cânions. As duas cidades são separadas pela Serra do Faxinal, que por sinal é muito ruim e fica intransitável em épocas de chuva.

Informação 2.1: Existem 36 cânions na região.

Informação 2.2: Praia Grande fica distante 40km do litoral.

Dica 2.1: Cambará do Sul está 120 km de distância de Gramado. Caso planeje uma viagem para a serra gaúcha, não deixe de visitar Cambará do Sul e seus cânions.

Dica 2.2: De Gramado existem passeios "bate e volta" para o cânion do Itaimbezinho pelo preço de R$150.

Dica 2.3: Caso queira visitar os cânions com maior comodidade, fique na cidade de Cambará do Sul que tem maiores estruturas para o turismo.

Após Criciúma, entre um ônibus e uma carona cheguei a Praia Grande. Minha escolha foi baseada nos custos, Cambará é mais badalada e por conseqüência mais cara. Nos meus dias na cidade fiquei todo tempo acampado num sítio na comunidade de Vila Rosa, que é cercada pelo cânion de mesmo nome.

Informação 2.3: Existe ônibus direto entre Criciúma e Praia Grande, mas os horários são bem restritos. Por isso minha opção de pegar um ônibus até uma cidade um pouco mais próxima e depois por sorte eu consegui uma carona.

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“Conheci uma húngara hoje. Ela estava indo embora. Fazia quatro dias que estava em Praia Grande. Seu sonho era conhecer os cânions Itaimbezinho e Fortaleza. Em todos os dias ela chegou ao topo do Itaimbezinho e em nenhuma das subidas ela teve sorte. A neblina tomou conta dos cânions naqueles dias, por mais que chegasse muito próximo ao desfiladeiro não era possível ver nada. Com lágrimas nos olhos ela se despediu, dizendo que iria voltar.” Notas de Diário

No dia seguinte caminhei até o cânion Vila Rosa. Sua localização fica na própria Serra do Faxinal. A entrada da trilha para o acesso ao cânion não tem sinalização, o melhor é se informar com os nativos antes de partir. A boa noticia é que ele é praticamente deserto, no dia que estive lá fui à única pessoa desfrutando, daquele, que para mim é o cânion mais bonito da região. Fiz todo o trajeto a pé, subi a Serra do Faxinal e depois caminhei na pequena trilha que leva ao cânion. Tive todo o tempo necessário para sentir o lugar e ter aquela sensação de vazio que os cânions proporcionam.

Dica 2.4: Caso tenha tempo na região e esteja em Praia Grande faça todo o trajeto a pé. No meio do percurso existem diversos mirantes dos cânions.

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Gosto de estar sozinho em lugares como este. Onde a natureza foi caprichosa. Muitas coisas passam pela cabeça, mas o que mais martela nos pensamentos é que existe muita beleza no mundo. Ao dormir nesse dia, só conseguia agradecer aos céus por ter tido a oportunidade de conhecer aquele lugar. Nos outros dias tinha a missão de visitar os cânions Itaimbezinho e Fortaleza, mas esses eram muito distantes impossibilitando ir caminhando. Consegui diversas caronas para conseguir visitá-los.

Dica 2.5: Existem muitos turistas na região e a maioria aluga carro, então, é muito comum conhecer pessoas que tem lugares vagos no carro e também é tranqüilo ir até a serra do faxinal para pedir caronas.

Informação 2.4: O cânion Itaimbezinho fica 25km de distância de Praia Grande.

Informação 2.5: O cânion Fortaleza fica 60km de distância de Praia Grande.

Informação 2.6: Os taxistas da cidade de Praia Grande fazem o trajeto (com até 4 pessoas) aos cânions. Para o cânion Itaimbezinho é cobrado R$200 e para o cânion Fortaleza R$300.

O cânion Fortaleza está localizado no Parque Nacional da Serra Geral e a entrada no parque é gratuita. Difícil chegar até ele, acredito que em dia de chuva seja impossível atravessar uma parte daquela estrada, ainda mais com carro comum. Por outro lado, o trecho asfaltado da pista é lindo demais, cheio de flores coloridas por todos os lados. Fui deixado na entrada do parque e depois segui andando. No meio do caminho entrei na trilha da pedra do segredo. A pedra do segredo é uma pedra de cinco metros que está equilibrada numa base de cinqüenta centímetros. Todo o percurso vale à pena, mas a pedra em si, não me encantou muito.

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Segui rumo ao Fortaleza. Quanto mais se aproxima do cânion mais encantador ele fica. Chegando ao topo e tendo aquela paisagem como companhia, não se consegue pensar muito. O momento é destinado ao sentir.

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Não há estrutura no parque (com exceção de um estacionamento) o que possibilita você estar na borda do cânion. Eu prefiro que seja assim, mas isso afasta muito dos visitantes além de, ser relativamente longe (com estrada ruim). O lugar por não ser entupido de turistas faz da visita uma experiência agradável para todos os visitantes. Eu que gosto de admirar cada canto com calma pude me sentar (sem ser incomodado) por diversas vezes na borda do cânion e ficar ali parado, contemplando.

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O cânion Itaimbezinho, cartão postal da região, está localizado no Parque Nacional de Aparados da Serra e a entrada custa oito reais para brasileiros. Aqui se gravou várias reportagens, novelas e nos últimos meses com imensa divulgação da televisão fez aumentar demais o turismo no parque. Diferente dos outros cânions que eu já havia visitado, este era completamente diferente. Primeiro pelo seu estilo, com as fendas muito próximas. Segundo por ter muita gente e terceiro por ter uma estrutura de turismo. Aqui você não consegue se aproximar muito do cânion, existem parapeitos por toda a borda. As trilhas são bem marcadas e tem um salão de apresentação, onde é contada toda a história de formação dos cânions da região.

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O lugar é muito bonito, vale à pena visitar. Por conseguir atrair o turismo de massa o Itaimbezinho perde um pouco do charme, mas nada que tire o seu sorriso ao estar diante daquele lugar tão peculiar.

Curiosidade 2.2: Depois que a globo exibiu uma reportagem sobre o Itaimbezinho e também teve uma novela gravada, o turismo no Itaimbezinho aumentou drasticamente. O problema é que a galera acha que é o único cânion da região, deixando de conhecer os, igualmente, belos Fortaleza, Vila Rosa, entre outros.

Tinha planejado fazer a trilha do rio do boi, que nada mais é que caminhar debaixo das fendas do Itaimbeizinho. Como o nível do rio estava muito alto e começava a chover na cidade, talvez a trilha só fosse liberada (pelo ICMBio) daqui algumas semanas. Resolvi não esperar.

Curiosidade 2.3: A maioria das pessoas locais que conheci, nos meus dias na cidade, nunca haviam visitado nenhum cânion da região.

Em cenários como os de cânions é preciso ter sorte. Afinal, existe um clima particular entre as fendas, onde, do nada, pode-se instaurar uma cortina de neblina e impedir toda a visualização do lugar. Então, o melhor é ficar uns dias na região para evitar qualquer frustração.

Aqui foi meu primeiro camping do mochilão. Aqui pela primeira vez estive frente a frente com a imensidão da natureza (nessa viagem). Aqui ouvi meu primeiro "Bah, mas isso é muito longe para ir andando" de muitos que ouviria por todo o sul. Aqui fiz alguns amigos e estes diziam que eu deveria conhecer Torres. Depois de muita propaganda, desfiz acampamento, arrumei a mochila e comecei a caminhar. O próximo destino seria Torres, litoral do Rio Grande do Sul.

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Parte 3: de Torres a Chuí

Fui caminhando até uma estrada vicinal na divisa entre os estados (SC e RS) e de lá peguei uma carona até Torres. As duas cidades são bem próximas e a viagem não durou mais que uma hora. O trajeto é cheia de plantações de arroz e a estrada é de terra batida, o que é comum por aqueles cantos. Achei muito bonito o caminho.

Informação 3.1: Apesar de serem vizinhas (Praia Grande - SC e Torres – RS) não existem ônibus (diretamente) que ligam as duas cidades, é necessário ir até a rodovia para conseguir pegar algum ônibus em trânsito ou esperar um bus que sai uma vez ao dia num ponto depois da ponte que divide os dois estados.

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Torres foi a primeira cidade praiana da minha viagem. Confesso que não tinha muita expectativa sobre o lugar e como sempre fui surpreendido. A praia da guarita foi dos lugares que mais me encantou em todo mochilão. As falésias da praia lembram a baía dos porcos em Fernando de Noronha, um lugar maravilhoso. Pena que nos dias que estive na cidade fazia muito frio e ventava forte, assim, não cheguei ter o prazer de mergulhar no mar. A região onde fica situada a praia é um parque (Parque Estadual da Guarita) de proteção ambiental e tudo é muito bem organizado e todo parque é muito bonito. É possível ter acesso ao topo das falésias através de caminhadas curtas, mas intensas. Com certeza, o topo da guarita é o ponto alto da visita.

Curiosidade 3.1: Os gaúchos costumam dizer que Torres é a única praia do Rio Grande do Sul, apesar de terem um litoral extenso, eles também dizem que o resto do litoral gaúcho é só areia, água e vento.

Informação 3.2: A entrada para pedestres no Parque Estadual da Guarita é gratuito, caso esteja com veículo é necessário pagar entrada e o preço varia de acordo com o veículo.

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Não fiquei muito em Torres. Dormi apenas uma noite na cidade e aproveitei dois dias na praia da guarita, gostei tanto que não quis conhecer outras praias. Depois segui para Porto Alegre de ônibus, mas não queria ficar. Já conhecia um pouco da cidade e queria evitar metrópoles. Cheguei pela noite na rodoviária e por lá fiquei toda madrugada definindo qual seria meu próximo destino.

Sempre tive grande curiosidade em conhecer Gramado e Canela. Estava tão perto, por que não ir? Pela manhã, depois de uma noite que quase não dormi, comprei a passagem com destino a Gramado. Antes tentei couchsurfing e não consegui. Ao menos fiquei sabendo da existência de camping e hostel pela região. Entrei no ônibus e dormi.

Gramado é uma cidade tranquila, segura e feita para o turismo. Basicamente se encontra hotéis, restaurantes e parques temáticos. A arquitetura chama a atenção também, com belas igrejas por toda a cidade. A parte mais bonita, que eu achei, é o lago negro que é todo envolto com árvores vindas da própria floresta negra na Alemanha. Os pedalinhos no formato de cisne dão um charme a mais para o lugar. No geral, Gramado é um lugar muito agradável de se estar e principalmente de caminhar. Existem diversos parques e como vive do turismo é fácil encontrar um evento musical ou teatral em algum lugar. Nos dias que estive na cidade fiquei no hostel Gramado, lugar bem tranqüilo.

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Canela fica distante, apenas, três quilômetros de Gramado. Aqui existe vida sem o turismo, uma cidade com mais cara de cidade. A população de Canela, em sua grande maioria, trabalha nos hotéis e restaurantes de Gramado. As opções de restaurante e de todas as outras coisas são mais baratas na cidade. Tudo que encontrar em Gramado achará igual em Canela só que mais barato. Contudo, é um lugar para se visitar por sua beleza e a cereja do bolo é a catedral de pedra.

Culinária 3.1: Experimentar o chocolate branco com banana da Florybal pelo preço de R$1.

Informação 3.3: Existem dois hostels em Gramado: Hostel Gramado (R$45) e o Hostel Britânico (R$55). Também tem a opção de camping na cidade de Canela por volta de trinta reais.

Informação 3.4: Gramado e Canela ficam distantes apenas 3km, a opção mais barata para transitar entre as cidades é o circular que passa a todo instante a preço de 3 reais. O bus tour é a opção de quase todo mundo, no preço de cinqüenta reais. Não vejo muita vantagem nele, sendo que os pontos turísticos que estão nas cidades são muito próximos. Vale a pena caminhar. E os pontos distantes como o Parque do Caracol, vale a pena usar o transporte público.

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O principal ponto turístico da região é o Parque do Caracol. Não tem como não visitar este lugar é lindo demais. Logo ao entrar já se consegue avistar a grandiosa cachoeira do Caracol, cartão postal de Canela. Existe um mirante onde se tem a melhor vista da cachoeira. No mirante é possível admirar também todo o entorno recheado de mata atlântica. Próximo ao mirante é possível seguir pela escadaria da Perna Bamba e observar a cachoeira do Caracol debaixo e muito próximo à queda d’água. A escadaria é bem longa. Vi algumas pessoas desistindo da descida no meio do caminho. O esforço é recompensado com a vista e com a fina camada de água que é lançada pela cachoeira na escadaria. Depois caminhei por todas as outras trilhas que existem no parque. Tem muitas coisas além da cachoeira do Caracol. Essas trilhas são pouco utilizadas, não é raro estar sozinho nas inúmeras corredeiras do parque. O ideal é reservar um dia todo para caminhar com calma, tem muita coisa para visitar. O parque possui restaurantes, observatório ecológico, lojas, estação sonho vivo, centro histórico ambiental, além da bela natureza.

Informação 3.5: A entrada do parque do Caracol é de R$18,00.

Informação 3.6: O parque do Caracol fica 7km de distância de Canela.

Informação 3.7: Escada da Perna Bamba tem 751 degraus.

Dica 3.1: Ao contrário do que se pensa é possível viajar barato pela região. Existem opções de hostel, camping, além do couchsurfing. O transporte público funciona bem, os fast food invadiram a cidade, assim existem opções baratas de alimentação. Os parques de diversões (Mini mundo, Snowland), sim, esses são caros, no meu caso não visitei nenhum deles e mesmo assim fiquei muito satisfeito com o que conheci.

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Depois segui para a cidade de Três Coroas. Tinha intenção de ser voluntário numa fazenda para fazer colheitas de frutas. Por azar do destino o proprietário do lugar teve que viajar as pressas e meu plano foi por água abaixo. Na cidade tem o belíssimo templo budista Khadro Ling, principal chamariz de turistas e de pessoas desejosas de conhecer um pouco do budismo. Fiquei o dia na praça da cidade definindo qual seria meus próximos passos. Ofereceram-me carona para Porto Alegre e aceitei.

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Como dito antes, não queria ficar em Porto Alegre, cheguei e já queria partir. Decidi ir conhecer Tavares. Sempre quis conhecer a lagoa do peixe (que fica em Tavares), abrigo de pássaros que fazem a migração do hemisfério norte para a Patagônia e vice-versa. São infinitos pássaros, dos quais se destacam os flamingos. Realmente é um espetáculo natural. Por sorte ou azar, conheci um funcionário do Parque da Lagoa do Peixe na rodoviária e ele me disse que chovia há dias na cidade e que não pararia tão cedo. Disse-me também que naqueles dias não havia concentração dos pássaros e me desencorajou estar na cidade naquela época. E assim, com um aperto no coração, resolvi mudar os planos e segui para o extremo sul do Brasil.

“Primeiro foi à negativa na fazenda. Depois tive que abrir mão de Tavares. Não deveria ter ouvido o funcionário. Deveria seguir meus instintos e desejos. Agora é tarde, estou dentro de um ônibus indo para Chui. Tenho que esquecer isso e seguir.” Notas de diário

De Porto Alegre a Chui peguei um ônibus noturno. No desembarque conheci as manauaras Penélope e Rhenata que estavam no primeiro mochilão com destino ao Uruguai. Fizemos amizade e decidimos ir para Barra do Chui juntos. Diferentemente do que eu pensava a cidade de Chui não é litorânea, a porção litorânea que faz divisa com Chui na parte brasileira é a cidade de Santa Vitória do Palmar e nesta cidade é onde fica o balneário de Barra do Chui. A praia é toda similar até chegar-se à foz do arroio do Chui, na divisa natural entre Brasil e Uruguai, a praia neste momento ganha um charme a mais com a presença do arroio e das muitas gaivotas.

Curiosidade 3.2: No Rio Grande do Sul quando vai fazer uma viagem dentro do estado (de ônibus) compra-se a passagem em um guichê único, ou seja, todos os guichês vendem as passagens de todas as empresas de ônibus.

Curiosidade 3.3: O trajeto de Porto Alegre a Chui tem 515 km e de ônibus o tempo de viagem é de aproximadamente 8 horas.

Curiosidade 3.4: O Arroio do Chuí é o ponto extremo sul do Brasil.

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“Estar no ponto extremo sul do país era uma conquista pessoal. Conhecer a simbólica cidade de Chuí que tanto ouvia nas aulas de Geografia era voltar no passado. Apesar de ser só mais uma fronteira, ali tinha algo de especial. Não saberia dizer o que é, só sei dizer que existe.” Notas de diário

Voltando para Chuí, caminhamos um pouco e começamos a nos acostumar com o espanhol. A cidade tem um comércio forte e em menor escala lembra Ciudad del Este no Paraguai. Depois seguimos para Chuy no Uruguai, atravessamos a avenida e chegamos ao Uruguai.

Curiosidade 3.5: A avenida que divide as cidades de Chuí (Brasil) e Chuy (Uruguai) se chama Avenida Uruguai para os brasileiros. Para os uruguaios ela se chama Avenida Brasil. Achei interessante.

Ahora es el momento de Uruguay.

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Parte 4: Uruguai

Depois de atravessar a Avenida Brasil estávamos no Uruguai, logo em seguida trocamos o dinheiro. A cotação na época estava 1 para 7, ou seja, para cada real trocado era recebido sete pesos uruguaios. Compramos as passagens de ônibus, eu seguiria para Punto del Diablo e as meninas seguiriam direto para Montevideo. Esperamos em uma praça, viajaríamos no mesmo ônibus.

Dica 4.1: Já li várias matérias do tipo "Viagem barata: Conheça os lugares onde o real vale mais". Onde a única análise é a proporção do valor do real contra as outras moedas. Se fosse assim o Uruguai seria um país extremamente barato para nós brasileiros, pois para cada real temos sete pesos uruguaios, ledo engano, o mais importante em analisar nessas situações é o poder de compra da moeda. Por exemplo, tente fazer comparações do tipo: com quinze reais no Brasil consigo almoçar e com esse mesmo valor convertido eu consigo comer no Uruguai? Assim faça com estadia, transporte e tudo mais, assim, você vai comparar o poder de compra de uma moeda em relação à outra. Para nós, neste momento, o Uruguai é um país mais caro que o Brasil.

Dica 4.2: Ao pegar um ônibus rodoviário no Uruguai (chegando por Chuí) é necessário pedir ao motorista parar na aduana e, assim, dar entrada no país.

Curiosidade 4.1: O Uruguai tem pouco mais de três milhões de habitantes, mas sua população bovina é quatro vezes maior. Todos os animais são identificados e rastreados.

Depois de uma hora e meia de viagem (e de sono) o ônibus chegou ao "pueblo" de Punta del Diablo.

Curiosidade 4.2: O nome Punta del Diablo é por causa que a orla do povoado tem um formato de um tridente. Igual ao usado pelo diabo.

Que grata surpresa chegar a Punta del Diablo, povoado litorâneo dominado por pescadores. Aqui tudo é muito simples e as pessoas são bem receptivas. Fiquei num camping no centro. Conheci muitos nativos que me ensinaram coisas sobre: maré, lua e peixes. Por falar em peixes, foi aqui que comi o melhor peixe da minha vida, preparado num boteco a beira mar.

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A orla é extensa possibilitando caminhar por horas na areia e até chegar às cidades vizinhas. Meus dias se resumiam em andar durante todo o dia pelas areias, sem fim, da região. Num desses dias, caminhei até a cidade de Santa Teresa que é muito bonita e cheia de verde. Pela noite, geralmente, ficava num bar de uma família que conheci. Sempre tinha boa música.

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Nas andanças pela orla sempre estava acompanhando de uma gaivota e de um bando de cachorros, aliás, tem muito cachorro por lá. Como dizia a tiazinha do bar: "esses cachorros gostam de turistas". Todos eles dormiam em volta da minha barraca e quando eu saia para a caminhada matutina, eles saiam todos atrás de mim.

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“Estranho a companhia da gaivota. Enquanto eu andava, ela sobrevoava sobre mim. No inicio achei que ela queria proteger sua prole ou ovos, por causa dos cachorros. Depois de andar por horas essa idéia não fazia sentido. Passei acreditar que aquilo era um presente da natureza.” Notas de diário

Se fosse escolher um lugar para morar no Uruguai, com toda certeza, esse lugar seria Punta del Diablo. Não consigo traduzir em palavras a paz daqueles dias. Fui embora querendo ficar.

O próximo destino seria Cabo Polônio, o principal motivo de eu estar no Uruguai. Antes de ir ao cabo parei numa cidade chamada Castillo. Uma cidadezinha charmosa, típica cidade de interior. Ao chegar estava tendo uma apresentação de artes na praça. Resolvi ficar e conferir. No outro dia bem cedo, peguei o ônibus para o Cabo Polônio.

Cabo Polônio é uma reserva ambiental, cercado por dunas (que lembram os pequenos lençóis maranhenses), por ser uma área importante de reprodução dos leões marinhos. Está localizado muito próximo de três ilhas que servem de morada para os mesmos. A entrada aqui é controlada e é necessário comprar as passagens (ida e volta) dos caminhões que levam para a comunidade.

Informação 4.1: Pode-se ir andando até a comunidade, porém é razoavelmente distante (trinta minutos de caminhão) da entrada, além de ter que caminhar por imensas dunas. Vale à pena, apesar dos pesares.

A comunidade que vive no Cabo Polônio não usufrui de eletricidade (exceto alguns restaurantes que utilizam energia solar) e se parece com um reduto hippie. Em resumo as pessoas que lá vivem são: pescadores, artesões y otras personas más. Fiquei hospedado em uma casinha a dois passos do mar. Era casa de uma família que morava há tempos no vilarejo.

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Lembro de quando eu era criança e viajava para o litoral. Achar uma concha na praia era uma conquista. Caminhando pela orla do cabo se encontra trechos que é totalmente coberto por conchas e afins. Se eu voltasse para a infância e visse aquilo, provavelmente iria achar que estava no paraíso. Não tem como não sorrir estando ali.

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Os leões marinhos são uma atração a parte. São centenas espalhados por todos os cantos. Sentar e observá-los é demais.

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O charme do povoado é pela noite, não se vê quase nada, caminhando sem rumo com a lanterna em mãos e deixando-se perder na companhia do céu estrelado. A maior parte dos visitantes fica apenas durante o dia. Não faça isso. É quase obrigação passar uma noite naquele lugar mágico.

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Confesso que em certos momentos achei o povoado meio forçado, mesma sensação que tive quando estive em San Pedro de Atacama. Todos tentavam passar a imagem de "super loucos" e em alguns momentos achei meio pré-fabricado o lugar. Prefiro povoados como em Punta del Diablo cheio de pessoas de verdade, que não tentam te impressionar e sim te acolher. Entretanto, gostei muito dos dias que passei por lá. Voltaria com toda a certeza.

Vídeo 4.1: Este clipe da banda Vanguart foi gravado em Cabo Polônio, pelo vídeo dá pra ter uma boa noção do lugar, além da boa música.

Parti para Montevideo. Queria evitar metrópoles, mas essa eu tinha que visitar. Sempre gostei muito de literatura e dois dos meus autores favoritos nasceram e viveram aqui. Um deles tinha acabado de falecer. Eduardo Galeano e Mario Benedetti que prazer estar em suas terras.

Curiosidade 4.3: Eduardo Galeano é um escritor que gosta de contar histórias, de preferência histórias de pessoas comuns. Sua linha de raciocínio é admirável, é um pensador livre, e não poupa nada e nem ninguém. Apesar de ser sempre lembrado pelo audacioso "As veias abertas da America Latina" tem uma obra vasta que fala desde futebol até a história da humanidade. O livro dos abraços, em especial, é “especial”.

Chegando ao terminal Tres Cruces não fazia ideia para onde iria. Acabei indo para o Ukelele Hostel e lá recebi um presente do destino. Reencontrei a Penélope e a Rhenata que também estavam hospedadas no hostel. Elas já partiriam no outro dia para Porto Alegre. Foi bom reencontrá-las e tive a oportunidade de me despedir, coisa que não foi feita quando desci em Punta del Diablo as pressas.

Montevideo parece uma cidade do interior de tamanho grande. Lá tem tudo o que uma grande cidade pode oferecer, além de certa paz que as cidades menores oferecem. O rio da Prata acompanha toda a extensão da cidade com belas praias. A praia de Pocitos e o parque Rodo foram os lugares que mais gostei. Cheguei a visitar o museu de futebol no estádio Centenário, não tem o mesmo glamour do museu do futebol no estádio do Pacaembu, mas ver a taça da Copa de 1950 é uma sensação estranha e só isso vale a pena da visita. A parte antiga, o centro, é toda encantadora também.

Culinária 4.1: Café Brasileiro, lugar favorito do Eduardo Galeano, é sensacional, o cuidado que eles têm ao tirar o café é coisa de cinema, ao todo demoram uns dez minutos. Tomava café da manhã todos os dias ai, primeiro pelo Galeano e depois por ser bom de verdade. Não deixe de visitar o Café Brasileiro.

Curiosidade 4.4: O Uruguai tem uma população aproximada de três milhões de habitantes e cerca de 60% vive no conurbado de Montevideo.

Curiosidade 4.5: O rio da Prata, divisa natural entre Uruguai e Argentina, não passa de um estuário formado pelas fozes dos rios Uruguai e Paraná antes do encontro com o mar. Um estuário nada mais é que o ambiente aquático de transição entre o rio e o mar. Estando lá, se parece mais com o mar, pela sua imensidão.

Curiosidade 4.6: Os uruguaios são extremamente apaixonados por futebol. Em todo canto tinha um grupo jogando bola. Em todo canto mesmo.

Curiosidade 4.7: O valor que os uruguaios dão a “boa comida” é demais, em nenhum lugar comi nada “mais ou menos”.

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“Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas. — O mundo é isso — revelou —. Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.” Livro dos Abraços, Eduardo Galeano

Colonia del Sacramento, reduto português em território espanhol, foi à última grande parada no Uruguai. A parte histórica, onde se encontra o famoso forte da cidade, é toda muito pequena e muito bonita. Para se conhecer a parte histórica de cabo a rabo não é preciso mais do que meio dia. Pra mim o charme da cidade é a sua orla. Aconselho passar mais que um dia na cidade. A orla com boas praias, futebol por todos os lados e muita música boa, além de uma noite com bares cheios. Aqui o rio da Prata não é imenso, tornando possível ver as luzes, ao fundo, da capital argentina. A proximidade com Buenos Aires faz de Colonia del Sacramento uma extensão do turismo de quem visita o outro lado do rio da Prata.

Informação 4.2: Colonia del Sacramento pertenceu a Portugal até o ano de 1750.

Curiosidade 4.8: Em Colonia del Sacramento é aceito Pesos Argentinos, Pesos Uruguaios (obviamente) e Real.

Curiosidade 4.9: O que mais me chamou a atenção no Uruguai foi à forma de como é feita a educação no país. Grande parte das aulas é ministrada em praças e existe uma preocupação em envolver toda a cidade no ensino. Presenciei muitas vezes os alunos, principalmente dos mais novos, na rua tendo aulas do tipo: como atravessar a rua com segurança, como ajudar os mais velhos atravessarem as ruas, a importância de preservar a história da cidade. Numa dessas aulas fui abordado por um grupinho de crianças de sete anos, a aula era encontrar pessoas de outras cidades/países e saber um pouquinho mais desses lugares, me perguntaram qual era minha cidade, meu país, o que eu mais gostava, meu time de futebol e outras coisas mais, foi muito legal essa experiência. Sempre achei que a educação é o principal motor da mudança, e o que eu vi nos dias no Uruguai, em todas as cidades (sem exceção) é o mais parecido com o que eu acho certo.

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Quando sai de casa, tinha a intenção de chegar ao extremo sul do continente, a imponente terra do fogo e sua simbólica Ushuaia. Caso seguisse com essa ideia, pegaria um barco em Colonia del Sacramento e cruzaria o rio da Prata até Buenos Aires. Fiquei dois dias em Colonia pensando se iria ou não, a grana era curta e decidi trocar a gelada Patagônia pela quente Amazônia.

“Outra vez tenho que abrir mão da Patagônia. Escolher sempre é difícil. Acho que na Amazônia irei aprender mais sobre a vida. Fica aqui a promessa que num futuro próximo irei ver a Patagônia com meus olhos.” Notas de Diário

O Uruguai é, em teoria, um país bem tranqüilo em se conseguir carona e tive que pegar muitas até sair do país. Agora me despedia do Uruguai sem não antes ter cruzado dezenas de cidades que não perguntei o nome, mas que suas belezas ficarão em meus olhos. Obrigado Uruguai, mas agora era hora de voltar para o Brasil. Terra do plural.

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Parte 5: da região das Missões a Chapecó

Uma vez vi uma foto de uma igreja em ruínas, apesar de não saber sua localização (e nem ser religioso) tive a certeza que um dia colocaria meus pés naquele lugar. Anos depois fui descobrir que a tal igreja ficava em São Miguel das Missões, noroeste do Rio Grande do Sul. Agora era o tempo de conhecer a igreja da foto.

São Miguel é uma pequenina cidade com menos de 10 mil habitantes. A cidade base da região se chama Santo Ângelo e foi para lá que segui viagem. Consegui hospedagem através do couchsurfing, seria de novo o primeiro hospedado pela família, mas o interessante dessa vez que o meu contato, Talita, não estava na cidade e assim sobrou para o resto de sua família me aturar. A Talita mesmo morando em outra cidade foi super atenciosa, conseguiu convencer a família a hospedar um estranho, sem mesmo estes nunca ter ouvido falar em couchsurfing.

Informação 5.1: Santo Ângelo é o berço da coluna Prestes.

Cheguei pela noite, o Emilton e a Tânia (pais da Talita) estavam me esperando. Ganhei fortes abraços de recepção, desde o inicio sabia que seria feliz ali. Passar aquela noite ouvindo histórias de superação em família, uma em cima da outra, me fez sentir muitas saudades de casa e também fez eu ter a certeza que estava no lugar certo.

Já ouvi muitas histórias de amor, mas com toda certeza a história do Emilton e Tânia é a minha favorita. Num tempo distante, se conheceram em uma viagem no litoral, ele de muito longe e ela de Santo Ângelo, a viagem se acabou e o amor ficou. Um dia ele resolveu seguir a estrada atrás de continuar essa história interrompida. Sem saber se haveria um final feliz ele foi. Hoje, depois de mais de 20 anos eles continuam juntos e felizes e agora na companhia da Talita e da Karen.

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São Miguel das Missões fica cerca de 60 km de Santo Ângelo. Parti na companhia do Emilton para conhecer as ruínas. No meio do caminho paramos para conhecer a vinícola Fin. Fomos muito bem recebidos pelos proprietários. Confesso que não gostei dos vinhos que estavam na degustação, mas em compensação o suco de uva era fenomenal. Carregamos a mala de suco e seguimos viagem.

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Antes de chegar às ruínas, eu achava que seria apenas um lugar bonito de se visitar. Engano total. Ao entrar nas ruínas pela primeira vez, tive uma sensação parecida de quando estive em Machu Picchu. Fiquei totalmente paralisado diante de tanta beleza.

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A ruína na verdade é o sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo (patrimônio mundial da UNESCO), na época das missões jesuítas foram instauradas várias "comunidades" onde viviam os evangelizadores (jesuítas) com os ameríndios, que nesse caso foram os Guaranis, com propósito de impor a crença cristã e os costumes de vida do europeu. Vale a pena dizer que nessa época esse território era espanhol, e depois de dezenas de anos vivendo em "harmonia" (jesuitas e guaranis), os espanhóis queriam restaurar o domínio de Colônia do Sacramento e assim "trocaram" a região das missões por Colônia com os portugueses, assim as comunidades teriam que ser esvaziadas. Os guaranis não aceitaram sair de onde, agora, eram suas terras. Guerra-pós-guerra os portugueses dizimaram os guaranis da região e reassumiram a "ordem", mas não sem antes criar um herói entre os guaranis, Sepé Tiaraju, líder da resistência guarani. As guerras também foram às responsáveis por deixar em ruína o lugar.

Passamos a tarde toda dentro do sítio. O Emilton já havia estado algumas vezes no local e me passava, com toda atenção, seus conhecimentos sobre a história do lugar. Existe na entrada um museu com bastante informação.

Informação 5.2: A entrada do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo custa R$5.

Informação 5.3: O museu foi projetado por Lúcio Costa, o mesmo que projetou Brasília em parceria com Oscar Niemeyer.

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Toda noite no sítio tem o espetáculo Som e Luz, em que é contada toda a história das missões na região. Caminhamos por São Miguel das Missões até o horário da apresentação. O espetáculo ocorre todos os dias às oito horas da noite. Certamente, essa foi à maior expressão de arte que já presenciei.

Sentado no extenso gramado. Na companhia do céu estrelado e do frio. A voz da Fernanda Montenegro em conjunto de canhões de luzes (em direção as ruínas da igreja) vão contando, de forma mais que fantástica, a história das missões jesuítas e do herói Sepé. Todos uma vez na vida deveriam ver aquilo, é incrível. Pena que o sítio é pouco visitado.

Informação 5.4: O Espetáculo Som e Luz custa R$5.

Informação 5.5: Existe um hostel/pousada na frente do sitio arqueológico, em São Miguel das Missões. O preço do quarto compartilhado é R$60.

Dica 5.1: Como o espetáculo ocorre no mesmo lugar das ruínas o ideal é ir à tarde para visitar o sitio arqueológico. Depois esperar até o inicio do Som e Luz, que tem duração de 45 minutos.

Vídeo 5.1: Um vídeo que mostra um pouquinho de como é o Som e Luz.

“Que coisa linda. Como pode ser tão bonito? A beleza do lugar complementando a arte foi simplesmente sensacional” Notas de Diário

Fiquei mais outros dias na casa da família Ferrão. Conheci quase todos os familiares. Participei do Brique da Praça, onde a família expõe seus produtos culinários (feitos artesanalmente). Os melhores temperos, geléias, sucos e chocolates são o da família Ferrão. O Brique é uma feira de coisas “feita à mão”, todo domingo acontece na praça da cidade e quase todas as pessoas de Santo Ângelo comparece no evento. Achei muito interessante. Cada dia na cidade fazia aumentar os laços com a família, a Tânia já parecia minha mãe, além de companheira de chimarrão. Foram dias especiais.

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Depois de me despedir na rodoviária. Dentro do ônibus, olhava o Emilton, Tânia e a Karen e uma tristeza já apertava. Comecei sentir saudades mesmo antes de partir. Ir embora de Santo Ângelo foi algo difícil, mas tinha que seguir viagem. O próximo destino seria Chapecó.

Chapecó é uma cidade muito especial para mim, já estive aqui antes, e tinha muitas pessoas que eu queria rever. Cheguei numa segunda de madrugada. A minha espera estava a Tânia, que saudades eu estava. Anos antes, participei do projeto Rondon e uma parte da equipe era de Chapecó, este projeto foi das coisas mais importantes que aconteceram em minha vida.

Vídeo 5.2: Para quem quiser conhecer o Projeto Rondon esse é o vídeo que fiz quando participei.

Os dias na casa da Tânia junto com ela e a Amanda foram tranqüilos. Foi muito bom estar ali, matar uma saudade que me sufocava. Pude conhecer ainda mais elas e aprender mais sobre a vida. Considero-as a minha segunda família. Não conheci nada que já não conhecia na cidade, mas não importava. Nos outros dias vi boa parte do pessoal do projeto: Mauricy, Paola, Samara e a Paula. Bebemos, conversamos e o tempo parecia não ter passado. Chapecó no meu dicionário significa saudade.

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Fui embora. Agora era hora de rumar sentido norte. Ainda não fazia idéia qual seria o próximo destino. A única certeza que eu tinha, era que teria que voltar pra casa e deixar minhas roupas de frio. Assim, mataria as saudades da minha família.

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Acompanhando aqui e viajando também.

Curto esse jeito poético de ver os lugares, as pessoas...

Parabéns!!

 

Valeu Cristina. Ainda tem muita estrada para contar =].

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Parte 6: Brasília e Chapada dos Veadeiros

 

Depois de voltar para casa e ficar mais tempo que o previsto. Voltei para a estrada. Primeiro passei em São Carlos para rever alguns amigos. Na seqüência fui para Ribeirão Preto conhecer o filho do Gabriel, um grande amigo que conheci na graduação. Estava agora na rodoviária e depois de quatro horas de atraso, pela madrugada, chegava o ônibus que me levaria para a capital do país.

 

“O Brasil estréia nova capital. Nasce Brasília, súbita, no centro de uma grande cruz traçada sobre o pó vermelho do deserto, distante do litoral; longe de tudo, lá no fim do mundo ou em seu principio. Foi construída num ritmo alucinante. Durante três anos este foi um formigueiro onde os operários e os técnicos trabalharam ombro a ombro noite e dia, dividindo a tarefa, o prato e o teto. Mas quando Brasília fica pronta, termina a fugaz ilusão de fraternidade. Fecham-se de repente as portas: a cidade não serve aos serventes. Brasília deixa de fora quem ergueu com suas mãos.” O Século do Vento, Eduardo Galeano

 

Brasília lugar tão presente em nossas vidas, mesmo que seja tão distante para a maioria de nós. Aqui é onde fica o controle do videogame e os falastrões engravatados jogam o jogo Brasil sem medo de morrer, afinal, conseguiram vidas infinitas. Nossa capital, tão mal freqüentada por figurões, consegue mostrar muita beleza e simpatia.

 

Victoria me aguardava em sua agradável casa. Entrei em contato pelo couchsurfing. Sempre atenciosa, deu todas as dicas para me locomover na confusa Brasília. Cheguei a sua casa e logo já me levou para um tour por toda cidade. Ela tentou me explicar às nomenclaturas utilizadas nos nomes das ruas e eu, como péssimo aluno, nada aprendi. Passamos por muitos lugares. Terminamos o dia a beira do lago Paranoá admirando o pôr do sol.

 

Informação 6.1: A parte inicial de Brasília projetada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer chama-se plano piloto e tem o formato de um avião. Lógico que a cidade cresceu e não se limita mais ao avião, as cidades criadas em volta de Brasília (que pertencem ao Distrito Federal) se chamam cidades satélites.

 

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Vic é uma guria especial, seu filho Romeo também. Cheia das habilidades artísticas: cantora, professora de dança, toca vários instrumentos musicais e futura pedagoga. Dona de uma voz belíssima. Eu não me cansava em pedir que ela cantasse mais e mais.

 

No outro dia sai caminhar pela Esplanada e conhecer todos os detalhes do plano piloto. Surpreendi-me muito com a cidade e gostei de cada canto. A igreja, que não se parece igreja, é bem legal. A vista que se tem da esplanada subindo ao topo da torre de TV é a melhor. Fiz uma visita ao Congresso Nacional e pude ver alguns hipócritas frente a frente. Voltei para a casa da Vic, pela noite, e estava tendo um forró dos mais animados. Como bom mal dançarino fiquei só olhando e já começava a pensar no meu próximo destino.

 

Informação 6.2: É possível visitar o Congresso Nacional numa visita guiada a cada trinta minutos em horário comercial, de segunda a segunda. A visita da mais ênfase nas obras de arte que existem no Congresso no que na verdadeira importância do mesmo, mas vale a visita.

 

Informação 6.3: A cidade foi projetada para a utilização de carro. Então, para nós que utilizamos transportes públicos à vida é difícil. Existem algumas vans (creio que sejam clandestinas) que ajudam e muito.

 

Dica 6.1: A cidade é toda bonita, por ser pré-fabricada sua arquitetura se destaca, mas o que há de mais bonito na cidade é obra da natureza: O lago Paranoá.

 

Inspiração 6.1: Como diria a música do Natiruts: "Eu vou surfar no céu azul de nuvens doidas. Da capital do meu país". Aquele pedaço de céu é doido mesmo.

 

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Numa manhã segui para a Chapada dos Veadeiros. O ônibus seguia para a "capital" da chapada, Alto Paraíso. Logo observei que tinha vários mochileiros no busão. Fui sorteado a sentar ao lado duma nativa, foi massa, ela me contou algumas coisas sobre a vida no cerrado. Vivia numa cidade no sul do Tocantins. Eu tinha a intenção de ficar na vila de São Jorge, onde se encontra o parque da Chapada dos Veadeiros. Estando lá conseguiria fazer mais coisas caminhando.

 

Curiosidade 6.1: A Chapada dos Veadeiros fica no mesmo paralelo de Machu Picchu.

 

De todos os mochileiros que estavam no ônibus todos ficariam em Alto Paraíso, com exceção de mim, Gita e Marie que seguiríamos para a vila de São Jorge. Conheci-as quando tentava negociar algum transporte para São Jorge e assim nos juntamos. Dois taxistas quase saíram no tapa para nos levar a São Jorge, bom pra nós que pagamos oito reais por cabeça. Chegando a São Jorge, Gita disse que tinha um hostel (Casa do Sucupira) para ficar, Marie e eu fomos com ela e assim nasceu a família da chapada.

 

Curiosidade 6.2: O trecho de pista que liga Alto Paraíso e a vila de São Jorge é o trecho rodoviário mais bonito que vi no Brasil.

 

Gita é uma inglesa de vinte e poucos anos, que teve sua educação toda em casa. Só quando foi fazer faculdade de fotografia que se iniciou num ambiente escolar. Ela é diferente de todos nós, ela consegue se surpreender com toda forma de vida, apesar dos anos a criança nela não se partiu, que inveja. Mochileira de primeira viagem e queria conhecer sozinha a América do Sul que tanto a encantava por histórias.

 

Marie é belga e é recém balzaquiana, agrônoma de profissão, mas forrozeira de coração. Ela tem a profissão mais incrível que já ouvi falar, trabalha com agronomia em regiões de conflito de guerra. Conhece o mundo inteiro e viveu anos na África, no Brasil já tinha estado antes. Ela estava de férias e seu tempo era limitado no país, queria conhecer a chapada e fazer infinitas aulas de forró, sua verdadeira paixão. A pessoa de sorriso mais fácil que já conheci.

 

Fomos para a casa do Sucupira e logo depois estávamos metidos numa trilha rumo ao rio da lua. Conhecemos uma tribo indígena no caminho e logo depois mergulhávamos, pela primeira vez, nas águas geladas da chapada. Nesse primeiro dia andamos demais e cada passo servia para nos aproximar mais.

 

“Acho que os dias na Chapada dos Veadeiros serão os melhores. Hoje enquanto recolhíamos frutas na aldeia, pelas nossas conversas acho que criamos uma grande empatia.” Notas de Diário

 

O segundo dia em São Jorge foi o dia de “todas as ajudas”. Decidimos que conheceríamos o Vale da Lua e a Raizama. Acordamos cedo e fomos para a trilha do Vale da Lua, como tinha chovido muito dias antes, chegamos num trecho intransponível, assim tivemos que voltar para a rodovia. Depois de duas caronas, enfim, chegávamos ao diferente Vale da Lua. O vale é propriedade privada, o valor de entrada é de vinte reais (como quase tudo na chapada). Aqui é lindo demais e não poderia ter outro nome que não fosse Vale da Lua. Não tem como ir para a chapada e não ir para o vale. Ficamos um bom tempo nadando e escalando o infinito de pedras até que o mundo caiu em forma de chuva, os poucos visitantes do dia foram se abrigar no mesmo lugar. Sai à procura de carona para voltar a São Jorge, antes conheci a Talita e o Reginaldo (casal de Sampa) e combinamos de no outro dia fazer as trilhas do parque da chapada juntos. A carona consegui com outro casal que também partia para São Jorge.

 

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No meio do trajeto o casal (que não consigo lembrar o nome) nos convidou para seguirmos com eles até as águas termais e ainda disseram que depois nos deixariam na Raizama (nosso destino pensado). Claro que nós aceitamos, a parte boa de não ter planos fixos é aceitar qualquer boa proposta no caminho. Eles tinham uma marmita turbinada e deu para nós cinco almoçarmos tranquilamente, com direito até cerveja. Depois do role gourmet nas termais fomos deixados na Raizama. A entrada é toda estilosa, um palco com as imagens de Hendrix, Raúl Seixas e John Lennon. A natureza do lugar não deve em nada, com uma trilha de uma hora, prainha e muita manga para comer. Agora tínhamos que voltar para São Jorge e uma longa distância nos separavam. Depois de caminhar uma boa parte o mundo caiu em forma de chuva, novamente. Eu já tinha desistido de pegar caronas, pois estávamos todos molhados e cheios de barro (o caminho virou um lamaçal), até que um anjo em forma de fusca parou e salvou nossas vidas. O tiozinho nos deixou na frente do hostel, molhamos e sujamos todo o carro dele e ele ainda nos deu o golpe baixo de simplicidade ao se despedir com a seguinte frase: "Obrigado por estarem aqui". Não sou de chorar, mas quis chorar ali e só pude agradecer de um jeito cretino falando: "Mano, eu que agradeço. Você salvou nossas vidas", deveria ter-lo convidado para jantar junto conosco, mas não fiz. Fomos jantar num bom restaurante em São Jorge. Tomamos pinga de um bode que despeja pinga pelo rabo e seguimos para um botequinho que estava tendo boa música.

 

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Aqui acontece a maior coincidência da minha vida, neste boteco tinha umas dez pessoas no máximo, contando com nós três. Fui pegar umas cervejas e olhei um maluco que me era muito conhecido, sabia que o conhecia só não sabia de onde. Até que ele percebeu minha presença e juntos falamos "Salkantay". Salkantay é o nome de uma montanha no Peru que também dá nome a uma trilha alternativa a Machu Picchu. Há dois anos exatos (sem brincadeira, exatamente dois anos), Jonathan (o cara que encontrei no bar), eu e mais sete pessoas iniciava essa trilha juntos. Nunca mais tinha falado com ele, ele não tinha facebook na época. Sabia que ele morava no Tocantins. Encontrar ele numa vila que tem 500 habitantes, num boteco com dez pessoas foi estranho demais. Ele se juntou a nós e ficamos o resto da noite conversando. Voltamos ao Sucupira e tínhamos poucas horas para dormir, o próximo dia seria intenso, pois faríamos todas as trilhas do parque da Chapada com a Talita e o Reginaldo.

 

Acordamos cedo, preparamos nosso lanche do dia, e partimos a pé para o parque. Esperamos o casal. Até então eles não sabiam da nossa intenção de percorrer todo o parque em um dia, afinal, seriam quase 25 km. Falei da nossa intenção para eles que aceitaram sem pestanejar. Decidimos começar pela trilha dos Saltos e fomos sem guia. Depois de uma longa caminhada, podemos banhar no salto dois, aqui o rio é forte, mas vale o sacrifício para chegar ao pé da cachoeira que tem 80 metros. Caminhamos e caminhamos, paramos muitas vezes para nos banhar, tomamos chuva, nos conhecemos melhor e nesse dia ouvi pela primeira vez a frase que depois a Gita falava a cada cinco minutos: "Sem medo, tem liberdade" (depois na Argentina ela tatuou "Sem medo"). Na metade do caminho não tínhamos mais água o que fez a volta da trilha dos Cânions um sacrifício. No final do dia, Talita e Reginaldo nos deu carona até o hostel e combinamos de nos encontrar no outro dia em Alto Paraíso. Nesse dia meu único tênis (uma botina Caterpillar) não aguentou e se desfez. Passei a noite fazendo gambiarras para a botina agüentar até meu regresso a Brasília.

 

Informação 6.4: Não é necessário guia para entrada no parque que é gratuito. Apesar disso, existem guias que ficam no parque e cobram uma diária de cento e cinquenta reais por grupo. Em minha opinião não é necessário guias para o parque, todas as trilhas são bem sinalizadas.

 

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No outro dia conseguimos uma carona e fomos para Alto Paraíso. Reencontramos o Reginaldo e a Talita que estavam indo para as cachoeiras de Anjos e Arcanjos e nos convidaram para seguirmos juntos. Deixamos nossas coisas no Anna Hostel (a parte boa de estar em três é o poder de barganha, conseguimos quartos por vinte e cinco reais) e seguimos viagem com o casal que mais se parecia nossos anjos. Anjos e Arcanjos fica cerca de uma hora e meia de carro e foi o melhor lugar da chapada para nós cinco. Como quase todos os lugares, este também é uma propriedade privada, deixa-se dez reais de caixinha aqui. O dono do lugar é um francês todo gente boa. Aqui a água é totalmente negra e muito gelada. Tinha apenas o nosso e outro grupinho nessas cachoeiras. O que deixou o lugar mais especial ainda. Ali tem bons lugares para saltar no rio, picos com mais de dez metros de altura. Ficamos todo o dia ali, em plena paz. Nadando e caminhando. Caminhando e nadando. Não queria nunca que esse dia acabasse. De volta a Alto Paraíso, convidamos o casal a jantar conosco. Fomos à praça principal comer, onde estava tendo apresentações culturais. Comemos, bebemos bastante e fomos dormir. No próximo dia pegaríamos carona com eles, novamente, agora para Cavalcante.

 

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Acordamos cedo e seguimos para Cavalcante. Iríamos de encontro à cachoeira mais bonita do Brasil (talvez do mundo), Santa Bárbara. Depois de duas horas de carro chegamos numa comunidade quilombola que toma conta da área onde se localiza Santa Bárbara (acho que pagamos quarenta reais) e seguimos parte dentro da caçamba de um carro (dos quilombolas, utilizado para o transporte até o inicio da trilha) e fizemos a outra parte a pé. Santa Bárbara brilha no meio do verde da vegetação. A vontade ao ver o brilho é seguir correndo e não perder um segundo daquele lugar. Santa Bárbara é a beleza no seu sentido mais puro. Covardia aquele lugar. O lugar é todo fechado pela vegetação e não bate quase sol, tornando a água quase congelante, mas nada que impeça você ficar a todo o momento dentro da água. A beleza vence. Estávamos no paraíso e sabíamos disso. Tentamos aproveitar o máximo, foram bons momentos num cenário incrível. Tivemos sorte de ter poucas pessoas visitando a cachoeira, assim, podemos ter Santa Bárbara só para nós em alguns momentos. Depois fomos para a Cachoeira da Capivara. Marie tinha que partir no outro dia e não fazia sentido ficar mais na chapada com a família desfalcada. Gita e eu decidimos partir também, então essa seria a nossa última cachoeira juntos. A despedida já dava seu tom. Num ritmo mais lento e com um ar de tristeza se aproximando, curtimos a bela cachoeira da Capivara. No fim da tarde, retornamos para a cidade. À noite fomos (os cinco) jantar juntos. No fim nos despedimos de Talita e Reginaldo que continuariam por mais alguns dias na Chapada. A família começava a se desfazer.

 

Dica 6.2: Numa época sem chuva é possível/tranqüilo chegar até a comunidade onde fica Santa Bárbara com um carro comum. Agora em época de chuva eu não aconselho.

 

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“No Portal da Chapada

tristeza não há

que resista à poesia

contidas nas matas

da beira do rio

-

Vão-se as mágoas

nas águas correntes

a se despencarem

em cachoeiras

-

E eu que não creio,

me rendo aos encantos

desse lugar

e sinto que a fé

preenche meu ar” Altas Histórias do Paraíso, Geraldina Lombardi

 

Consegui uma carona até a rodoviária de Brasília. O motorista era um cara gente boa que morava em Alto Paraíso. As duas capotaram atrás do carro e fui conversando com ele na viagem. O cara deixou a vida de radialista no nordeste para encontrar a paz espiritual na chapada, trabalhando como guia. Foi uma boa viagem. Chegando a rodoviária a Marie logo seguiria para Goiânia. Foi difícil demais deixa - lá para trás. Despedimos-nos com um abraço triplo. Que falta a alegria dela faz.

Gita tinha voo marcado para Foz do Iguaçu no final da tarde. Aproveitei para mostrar o pouco que conhecia de Brasília para ela. Caminhamos bastante por toda esplanada. Gita experimentou pela primeira vez caldo de cana e depois fomos para o aeroporto. Chegando lá descobrimos que ela tinha comprado errado a passagem e o vôo era só para o próximo dia. Não havia mais vôos para Foz nesse dia, enfim ela teria que esperar. Não iria deixá-la sozinha na cidade. Conversei com a Vic (meu couchsurfing em Brasília) e seguimos para a casa dela.

 

Dica 6.3: O grupo no facebook "Conexão Chapada-BSB" é um grupo de carona entre a chapada e Brasília. Funciona muito bem.

 

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Agora é o retorno do anjo Vic. Mesmo hospedando uma australiana, quando expliquei a ela o ocorrido ela abriu os braços e não pensou duas vezes e nos ajudou. Que gratidão. Nunca terei palavras para agradecer a Vic por esse dia. Por fim, passamos uma ótima noite. Vic com seu violão e o vinho deram o ritmo da noite. No fim das contas, foi mais que bom a Gita ter perdido o voo. No outro dia cedo nos despedimos e fomos para um shopping, comprei um novo tênis, almoçamos e seguimos para o aeroporto. Despedir-me da Gita foi à tarefa mais difícil da viagem, já tinha me acostumado com sua presença, nos entendíamos sem precisar de palavras. Agora tomávamos direções opostas. Ela iria para o sul e eu para o norte. O último abraço foi dado e fui para a rodoviária.

 

Chapada dos Veadeiros é toda espiritual, não tem como negar que existe uma energia boa naquele lugar. Todos que a conhecem, nunca se esquecem. As pessoas que lá vivem fazem da chapada um lugar mais especial ainda. Existem infinitas cachoeiras e trilhas, você não conseguirá conhecer tudo, então fique tranqüilo. Conheça o que der, porque cada palmo da chapada vale muito à pena. Ali, passei os melhores dias dos meus seis meses de viagem e me despedir de todos foi muito difícil. A sintonia daqueles dias é o que procuro para o restante da minha vida. Se existe um lugar para conhecer antes de morrer, esse lugar é Chapada dos Veadeiros. Claro que isso é uma opinião minha, mas nunca disse que seria imparcial. Então, pegue a mochila e vá para Veadeiros.

 

“Tudo mudara subitamente - o tom, o clima moral; não sabias o que penar; a quem ouvir. Como se em toda a tua vida tivesses sido conduzido pela mão como uma criança pequena e de repente tivesses de ficar por tua própria conta, tinhas de aprender a andar sozinho. Não havia ninguém por perto, nem família nem pessoas cujo julgamento respeitasses. Em tal momento, sentias a necessidade de dedicar-te a algo absoluto - vida, verdade, beleza -, de ser regido por isso, em lugar das regras feitas pelos homens que tinham sido descartadas. Precisavas render-te a um tal objetivo último de modo mais pleno, mais sem reservas do que jamais fizeras nos velhos dias familiares e tranquilos, na velha vida que estava agora abolida e abandonada para sempre.” Doutor Jivago, Boris Pasternak

 

Cheguei à rodoviária, tinha ônibus direto para Cuiabá (meu próximo destino seria a Chapada dos Guimarães que é próximo a Cuiabá), mas quis passar antes em Rondonópolis, não sei por que, nunca tinha pesquisado a cidade. Achei curioso o nome e apenas fui.

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Parte 7: Chapada dos Guimarães

 

Sempre para mim, ao se falar de Chapada, logo pensava na Chapada dos Guimarães, se existia uma chapada que sonhava em conhecer essa era a dos Guimarães.

 

Sai de Brasília com destino a Rondonópolis no Mato Grosso, viajei pela madrugada, nada de muito especial aconteceu no trajeto. O que me chamou a atenção na cidade de Rondonópolis foi que em alguns lugares na rodoviária e na cidade existem tradução para o esperanto. Achei interessante. Ninguém soube me explicar o porquê disso. Sempre achei que o esperanto era caviar, só ouvia dizer que existia.

 

Informação 7.1: Esperanto é uma língua criada para ser o idioma universal (pegando propriedades de todas as línguas para facilitar o aprendizado de todos) e claro, não vingou.

 

Depois de pegar outro ônibus segui para Cuiabá. No meio do caminho a policia invadiu o ônibus e foi direto em direção a um cara que estava sentado na minha frente. Devia ter uns oito policiais, todos apontaram suas metralhadoras em direção do rapaz que mais parecia um viajante normal. Revistaram a sua bolsa e acharam uns dez quilos de cocaína. Logo, levaram-no preso. Assim, todos e tudo no ônibus foram revistados. Não encontraram mais nada. Fiquei pensando muito depois disso. Se ele coloca um pouco de droga na minha mochila seria o fim da viagem. Como explicaria para policia que aquilo não era meu? Um fato curioso é o trajeto da apreensão, geralmente, a rota do tráfico é Cuiabá-Brasília, pelo simples fato de Cuiabá estar muito próximo com a divisa da Bolívia, o contrário é no mínimo esquisito. No resto da viagem o assunto no ônibus foi à má sorte do sujeito. Nunca tinha presenciado nada parecido e por alguns dias tive cuidado em excesso com minhas coisas. Isso até a memória começar deixar de lado essa história.

 

Cheguei a Cuiabá e logo parti para a cidade Chapada dos Guimarães (sim, esse é o nome da cidade). Chapada dos Guimarães fica distante 40km de Cuiabá, ao contrário de Cuiabá e apesar da proximidade, a cidade tem um clima muito agradável, isso pelo fato de estar mais de 600 metros acima de sua vizinha. A cidade é toda charmosa. No seu centro tem uma bela igreja e muita tranqüilidade. Nos primeiros dias fiquei na casa do gentil Gentil, tio da Tânia de Chapecó. Gentil e sua esposa são a gentileza (como seu nome já diz) em pessoas, ele era conhecedor de toda a Amazônia, seu trabalho com hidrelétricas lhe deu a oportunidade de conhecer e assim, tinha infinitas histórias que aproveitei para escutar atentamente. Afinal, iria depois seguir para a maior floresta do mundo. Além de poder conhecer um pouco mais da Tânia, através de histórias contadas pelos dois. Estava longe da Tânia, mas parecia que a presença dela estava ali. Depois de alguns belos dias na casa deles segui para um hostel no centro da cidade.

 

Curiosidade 7.1: Na cidade encontra-se a empresa Águas Lebrinha que extrai água da fonte bica das moças (muito boa por sinal), o legal é que é possível encher uma quantidade per capita de graça no lugar.

 

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Um fato interessante da Chapada é que o centro geodésico da América do Sul situa-se na cidade. Apesar de Cuiabá também dizer que o centro geodésico se encontra lá. Não sei qual está certo. Prefiro acreditar que seja o da Chapada dos Guimarães. O local está interditado (como quase todos os pontos turísticos da Chapada) pelo ICMBio por causa das erosões, mas não existe fiscalização e todos visitam o lugar mesmo assim. O centro geodésico é um lugar sem muito charme, você saberá que está no centro por causa de um suporte de uma placa. A placa é feita de bronze e foi roubada, então só sobrou o apoio dela. O interessante de estar ali é o entorno. Muito próximo encontra-se um desfiladeiro. De onde é possível avistar Cuiabá e o inicio do Pantanal norte. O ponto alto é caminhar no dedo de deus e nos seus similares. Foi a primeira vez que estava diante de um desfiladeiro em cima de uma pontinha de terra. Estar ali, vendo o Pantanal que se mostrava tão verde e tão belo, me trazia muitas saudades de estar de novo na maior planície alagada do mundo. O tempo era outro, era tempo de Chapada dos Guimarães. De ver o novo. De conhecer a novidade. De andar por terras novas.

 

Informação 7.2: O Pantanal é uma extensão territorial ou bioma dividido entre Brasil, Paraguai e Bolívia. No Paraguai e Bolívia a região é conhecida com Chaco ou Gran Chaco.

 

Curiosidade 7.2: Nos últimos anos ocorreram algumas mortes de pessoas tirando selfies/fotos no dedo de deus. O que fez a cidade não aconselhar mais a visita no local.

 

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O legal da Chapada dos Guimarães é que existem muitas trilhas próximas a cidade. Recheadas de cachoeiras. Para eu que curto demais caminhar é mais do que bom. Cria-se uma boa autonomia. Tem lugares que alugam bikes para fazer essas trilhas. Achei legal, apesar de preferir ir caminhando com calma e lentamente, apreciando cada novidade que ia se anunciando no caminho. As trilhas são bem marcadas e é muito fácil se achar nos arredores da cidade. Diferentemente, da Chapada dos Veadeiros, onde a vegetação é mais rasteira, na Chapada dos Guimarães a vegetação é mais densa e alta, dificultando a caminhada e também a deixando mais emocionante. Na época em que estive lá, não eram muitos os visitantes e isso fazia do lugar mais especial, conseguia aproveitar cada lugar de todas as formas sem a preocupação de ser incomodado pelo turismo de massa. Não era incomum eu ter uma cachoeira somente para mim. Quando havia pessoas, em sua maioria, eram como eu, estavam sozinhos ou em grupos pequenos, assim, facilitava a aproximação. Foram inúmeras pessoas que conheci nessas trilhas, apesar de não criar vínculos foram bons momentos nos arredores da cidade.

 

Para me locomover para os outros lugares mais distantes, peguei muitas caronas e numa delas eu conheci o Roberto e a Wanderléia, casal com a mesma simpatia dos xarás famosos. Num dos dias, meu intuito era seguir para uma trilha que estava bloqueada pelo ICMBio. Os nativos me disseram que era a melhor vista da Chapada. Ouvi nessas palavras “Lá é o Hors Concours da Chapada”. Depois dessa propaganda teria que conhecer a tal vista. Contei minha intenção para o casal. Estes seguiriam para o Parque da Chapada dos Guimarães, me convidaram para ir com eles no passeio e que depois me deixavam no inicio da trilha. Conhecemos a famosa cachoeira Véu de Noiva e as igualmente belas cachoeiras dos Namorados e Cachoeirinha. Foi um role muito massa. O Roberto, técnico de telecomunicações do exército, cheio de histórias não deixava o silêncio reinar em momento algum. O que achei mais legal foi que apesar de anos juntos eles pareciam um recém casal, curtindo a nova paixão. Banquei o fotografo pelo caminho, o amor estava no ar. Eu sorria a todo o momento ao vê-los e ao repetir dezenas de vezes à mesma foto, afinal, o Roberto é do exército e o chapéu tinha que sair alinhado.

 

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“O véu de noiva de água virgem

Me elevou, envolveu

A sua ducha me deu vertigem

Arrepio, rodopio, em mim

Seu jorro não tem mais fim

E nesse êxtase me deixo

Não sei quem sou

Estou no meio do arco-íris

E saboreio elixires de amaralis

Na cachoeira enxurrada

O véu da chuva desceu

No vento nuvem

No céu desaba

Chapinhante

Espumante

Champagne

Chapada dos Guimarães” Na Chapada, música de Tetê Espindola

 

Apesar de me sentir o “estraga o romance” a harmonia de nós três foi legal demais. Terminamos o Parque da Chapada dos Guimarães e como prometido eles me levaram a entrada da trilha que eu queria fazer. Ao chegar ao meu destino, para minha surpresa, os dois resolveram seguir comigo numa caminhada de quatro horas. O local da trilha é propriedade privada, então cobra-se a entrada, vinte reais por pessoa. O Roberto depois de muita conversa conseguiu um belo desconto e entramos na trilha. A trilha em algumas partes é bem fechada e em outras um pouco confusa. A beleza do caminho é indescritível, cheio de platôs gigantes de pedra. O parque dos dinossauros no meio do caminho é belíssimo, além da companhia das infinitas borboletas. Estava meio receoso do casal ter mudado o roteiro para andar e andar, queria que eles curtissem o momento, andando por duas horas e vendo a cara de exaustão dos dois, me sentia culpado. Logo ao chegar no desfiladeiro e ver aquele cenário, olhei para o rosto dos dois e ver a felicidade em seus rostos, fiquei aliviado. Foi dos momentos mais felizes da viagem, nós três e mais ninguém em companhia do fim da tarde e daquele visual lindíssimo. Enfim, tinha a imagem em minha retina do que para mim era a chapada. A cena mais legal foi quando a Wanderléia ligou (sim, tinha sinal) para sua mãe emocionada de estar ali, naquele lugar, naquele momento. Ficamos um bom tempo, lá em cima. O esforço tinha valido a pena e a beleza do lugar tinha vencido novamente. Ninguém queria ir embora. Depois de muito tempo resolvemos voltar. A volta da trilha foi tranquila, a leveza do dever cumprido fez o cansaço desaparecer e seguimos realmente felizes. Parecíamos três crianças com seus presentes de Natal em mãos.

 

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“Ao ver o sorriso deles lá em cima. Tive a certeza que a divida pela carona estava paga. Muito feliz em levar um pouco de felicidade para eles. Realmente muito feliz.” Notas de Diário

 

A Chapada dos Guimarães se difere das outras chapadas brasileiras por ter paredões contínuos, infinitos no olhar. Lugar único. O mais interessante é observar a transição de vegetação, ponto de encontro do Cerrado, Pantanal e Amazônia. Aqui o turismo é mais familiar, não atrai tantos mochileiros como as chapadas dos Veadeiros e Diamantina, mas isso não impede do local ser encantador igualmente, mas claro, de uma forma diferente. Aqui se encontra o centro geodésico da América do Sul. De forma surrealistica é possível sentir toda a magia do nosso continente. Escutar os ecos de todos os nossos povos, como: da terra do fogo, incas, aimarás, guaranis, mapuches, cablocos, mestiços, homens da floresta e todos mais. Aqui já seria um lugar especial só pela localização geográfica, mas ai a natureza inventou a Chapada dos Guimarães, a cereja do bolo.

 

“Mais um sonho realizado. Chapada dos Guimarães e seus paredões, enfim, conheci-os. Muitas coisas boas acontecendo por esses dias. Não poderia imaginar tanta coisa boa em tão pouco tempo. Obrigado quem quer que seja o senhor do tempo. Jesus, Alá, Buda, Krishna, Jah, Oxum, Pachamama, pra quem seja, meu muito obrigado.” Notas de Diário

 

Voltei para Cuiabá numa manhã e tinha todo o dia para conhecer um pouco da cidade (o ônibus para Porto Velho sairia por volta das 10 horas da noite). Caminhei dois quarteirões e voltei para a rodoviária, foi a única vez que o sol me venceu na viagem. Nunca tinha provado um dia de sol tão quente, era impossível caminhar naquele dia, sentei e esperei. Agora é hora de estar de frente com a Amazônia. Depois de anos de espera, enfim, adentraria o maior dos meus sonhos. Enfim, era hora de buscá-lo, quem? Meu sonho.

 

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Mar sem fim, Amyr Klink

 

Agora estou dentro de um ônibus, o Natal está cada vez mais próximo. Atravesso a fronteira, estou em Rondônia. Ansioso para chegar a Porto Velho.

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Parte 8: Rondônia

 

Quando trabalhava em São Paulo, morei numa república e lá conheci o Pedro, rondoniense e aspirante a cineasta. Mesmo sem planejar essa viagem, sempre dizia a ele que um dia bateria em sua porta em Rondônia. Ele estranhava um paulista querer conhecer Rondônia e eu achava estranho ele se mudar do paraíso amazônico para morar no caos paulista, a selva de pedra. Mas ele tinha um bom motivo, o cinema.

 

O trajeto Cuiabá até Porto Velho foi o mais longo que fiz dentro de um ônibus nessa viagem. Foram quase trinta horas de belas paisagens. Passamos por dezenas de cidades, das que paramos Vilhena foi a que mais gostei, por seu clima agradável e muito verde ao redor. Lembro de ver uma casa suspensa, ela se erguia no meio da mata sobreposta em algo que me parecia um poste, fiquei perplexo. Pena não dar tempo de tirar foto. Dentro do ônibus, quase todo mundo virou amigo. Muitas pessoas que tentam a vida em outros estados ou regiões estavam voltando para passar o final de ano com a família. Muitos presentes de natal viajaram conosco. Eram tantas pessoas voltando para Porto Velho que só existiam passagens saindo de Cuiabá para depois de quatro dias da minha saída. O clima e as conversas eram em tom nostálgico. Muita ansiedade por parte de todos. Muitas histórias de saudades. O ônibus parou na rodoviária de Porto Velho. Creio que naquele momento o tempo parou. A distância e o tempo não importava mais. No meio de tantas pessoas se abraçando eu tentava pegar minha mochila. Depois de receber alguns abraços de despedidas eu caminhei a procura do Hugo.

 

“Quando abandonava a cidade ainda silenciosa, à luz da incipiente madrugada, caminhando devagar, com as pernas enrijecidas, avistou nas proximidades da última cabana um vulto que ali estava acocorado. Era Govinda. Ergueu-se e foi com Sidarta, o peregrino.

– Vieste mesmo – disse Sidarta, sorrindo.

– Vim – confirmou Govinda.” Sidarta, Hermann Hesse

 

Nesse dia o Pedro não estava na cidade. Estava terminando o intercâmbio nos Estados Unidos. Sobrou para seu irmão Hugo ir ao meu encontro na rodoviária. Hugo é um cara gente boa demais. Futuro médico e pai do Miguel. Ele desde o inicio me fez sentir em casa. Logo depois já fomos para um churrasco da família. Lá pude conhecer os pais do Pedro e do Hugo, a Zilma e o Renato. O interessante nesse dia foi conhecer o Cartaxo, dos melhores amigos deles, que estuda na USP São Carlos mesmo lugar em que fiz minha graduação. Foi bom conversar sobre a universidade e matar um pouco das saudades dos dias de estudante.

 

“Existem poucas coisas que me arrependo na vida, uma delas é ter deixado a ONG Napra. Com ela teria vindo antes conhecer as populações ribeirinhas do rio Madeira e de alguma forma iria aprender e ensinar. Depois de anos com isso na cabeça, por fim, pago essa divida que tinha comigo mesmo.” Notas de Diário

 

No outro dia, fomos buscar o Pedro no aeroporto. Mal conseguia vê-lo, estava no meio de tantas malas. Foi bom reencontrar o Pedrão. Nesse mesmo dia conheci o Bruno, outro cara bem gente boa. Ele sonha em fazer um mochilão pela América do Sul. Um dia depois fomos jogar bola. Foi muito legal, marcaram um jogo dos amigos do Pedro contra outro time. O Brunão assegurou nossa vitória agarrando tudo no gol. Já começava a me sentir em casa em Porto Velho.

 

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O pôr-do-sol em Porto Velho é lindo e fica muito mais bonito a beira do rio Madeira. Acompanhar toda a descida do sol até ele se esconder para depois do rio, é algo que realmente vale à pena. Todos os fins de tarde existem uma boa platéia (a beira rio) para acompanhar os últimos momentos do sol no dia. De resto, Porto Velho parece-se com um aglomerado de bairros. Não tem cara de capital do estado. A cidade de Ji-Paraná tem mais cara de capital. No entanto, as pessoas do lugar é o que faz de Porto Velho um lugar especial.

 

Culinária 8.1: O açaí de Porto Velho é muito bom.

 

Culinária 8.2: O melhor suco de cupuaçu fica no bar flutuante no rio madeira.

 

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Aqui tive uma vida bem familiar. Peguei emprestado a Zilma como mãe. Ela é advogada, psicóloga e principalmente batalhadora. Conhece muito sobre a vida. Tive muitas boas conversas com ela. Contava sobre a confusão que é a minha cabeça, minhas intenções sobre a viagem e sobre as banalidades da vida. Ela tinha bons conselhos e sempre me fazia pensar com seus questionamentos. Na verdade eu ainda penso sobre esses dias. Enfim, a Zilma é uma pessoa que todos deveriam conhecer. O Renato é médico e trabalhou bastante tempo com as populações ribeirinhas da Amazônia. Conhece muito de doenças tropicais e aproveitei para pegar o máximo de informação para minha proteção na floresta. Na maioria do tempo estava na companhia do Pedro e do Hugo. Tive o prazer de passar o Natal na companhia do Pedro, Hugo, Zilma e Renato e o restante de suas famílias. Foi muito bom.

 

Informação 8.1: A malária é transmitida pelo mosquito Anopheles. Os horários de maior risco são no amanhecer e ao entardecer. Então, se tiver pela Amazônia é bom ter uma atenção especial nesses dois períodos.

 

Fomos acampar em um dia de sol. A idéia era fazer algumas trilhas na floresta que margeia a cidade. Fomos eu, Pedro, Hugão, Bruno e o Cartaxo. Ao chegar arrumamos o acampamento e começamos preparar a comida do almoço. Depois dos afazeres saímos para caminhar no meio da mata. O Hugão conhece bem o lugar. Ele tinha dito que a trilha seria feita andando pelo rio. Achei que era brincadeira, ao menos torcia para ser. Começamos a trilha e logo ela era interrompida por um rio, que mais se parecia como o rio do filme da Anaconda. Eu era o último da fila. Chegando ao rio o Hugo não pestanejou e pulou e assim, foi um a um se jogando dentro d’água. Na minha vez, eu quis voltar, mas segui em frente. No inicio daquele rio acinzentado, imaginava um monte de coisas, mas logo a preocupação foi embora e comecei a curtir a trilha aquática que estávamos fazendo. Alternávamos trechos por terra e por água. Depois de um bom tempo de trilha o Cartaxo não se sentia muito confortável em caminhar pelo rio. Em comum acordo, decidimos voltar. Só que tínhamos que voltar por terra. Isso era um problema. O Hugo analisou o terreno e indicou uma direção e fomos. Com dois facões abríamos caminho pela mata que em momentos era bem fechada. Por mais que caminhávamos não havia sinal que estávamos na direção certa. Eu estava tranqüilo até que o Bruno erra uma facãozada e acerta sua canela. Nesse momento certo desespero bateu em todos. Sangrava demais. Depois do susto e com o sangue estancado voltamos a caminhar. Caminhamos um pouco mais e saímos da mata fechada, avistando uma pista no horizonte. Caminhamos por um longo tempo e voltamos para o acampamento. No resto do dia, nadamos e conversamos bastante. Foram boas as conversas e as risadas. Melhores foram às companhias. Prazer imenso de ter conhecido-os. Pedro, Hugo, Bruno e Cartaxo valeu demais. No outro dia partimos em direção a cidade.

 

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“Hoje pela primeira vez entrei na floresta amazônica. Apesar de estar próxima a cidade, era a Amazônia e isso me deixa feliz. Depois de anos imaginando como seria, enfim tinha acontecido.“ Notas de Diário

 

Os dias aqui foram realmente bons, principalmente, por causa da família Pereira/Watanabe que me acolheu como um filho e irmão. Meu eternos agradecimentos por esses dias. Muito Obrigado.

 

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Agora daria uma pausa em Rondônia e seguiria para o Acre, era hora de conhecer as terras de Chico Mendes. Peguei algumas poucas coisas e segui viagem.

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Parte 9: Pelas terras de Chico Mendes, Acre

 

De Porto Velho segui para Rio Branco, enfim saberia se o Acre existe ou não. Neste dia o Pedro, Bruno e Daniel me acompanharam até a rodoviária. Antes tomamos o melhor açaí da viagem, até então. A estrada para Rio Branco é muito ruim (parte rondoniense) até chegar à divisa natural com o Acre, o rio Madeira. Depois de cruzar o rio na balsa, a viagem seguiu teoricamente tranquila, apesar de o ar condicionado estar congelante.

 

Informação 9.1: No norte do país tem-se o melhor serviço rodoviário, em minha opinião, do Brasil. Todo motorista explica o percurso, todas as cidades, todas as paradas, a importância do cinto de segurança e algumas companhias distribuem lanches durante a viagem.

 

Cheguei a Rio Branco na madrugada, depois de dormir algumas horas na rodoviária segui para Xapuri, terra do grande Chico Mendes. Seriam de cinco a seis horas de viagem num trecho que não chega a duzentos quilômetros.

 

"Peguei um ônibus "pinga-pinga" para Xapuri. Certo momento, contei cento e vinte pessoas dentro do ônibus que iria percorrer quase duzentos quilômetros. Crianças se aglomeravam nos vãos das poltronas. Idosos se amontoavam no corredor e parecia que todas as gestantes do Acre queriam ir para Xapuri neste dia. No inicio achei interessante não deixar ninguém para trás, mas logo essa idéia desapareceu, já tinha perdido a conta de pessoas no ônibus. Seriam quase cinco horas de viagem (com sorte), tempo demais para o caos instaurado dentro do ferro ambulante. O cobrador do ônibus era um tanto quanto curioso, parecia um ditador rodoviário e todos pareciam ter medo do sujeito. Ele sempre via mais espaço e não parava de deixar entrar pessoas. Pessoas entravam, nenhuma saía. A cada 500 metros o bus parava e encaixotava as pessoas, ninguém descia. Diante de sua poltrona confortável, único lugar cômodo do bus, pois até o motorista estava rodeado de pessoas, o cobrador indicava para mais pessoas entrarem. Até que um momento uma grávida indicava do lado de fora para entrar, neste momento, o cobrador teve que sair para pegar uma encomenda na porta de um sítio. Todos com cara de prazer indicaram, enquanto a mulher grávida subia os degraus, para se sentar na poltrona do cobrador. O cobrador de fora ainda tentou evitar, de nada adiantou, teve que subir junto com no mínimo duzentas pessoas de pé no ônibus. Não recuperou seu lugar, mas depois desse momento ele não deixou mais ninguém subir no ônibus." Notas de Diário

 

Depois de uma viagem em que ônibus parava a todo momento, finalmente, chegava a Xapuri. Meu destino exato seria o seringal Cachoeira, principal empate de Chico Mendes.

 

Para quem não conhece Chico Mendes, farei uma breve apresentação. Chico Mendes é um homem nascido no Acre, cria da floresta amazônica que teve a sorte de encontrar um refugiado da coluna Prestes e ter uma educação diferenciada por conta deste mesmo refugiado. Seringueiro desde sempre, viu na década de 70 com o apoio da ditadura militar, latifundiários vindos do sul, desmatar o nosso Acre (roubado/comprado da Bolívia) para a criação de gado. Apesar do êxodo da borracha no final do século dezenove e sua decadência no século posterior, o extrativismo ainda representava setenta por cento da economia do Acre, enquanto o latifúndio representava cinco por cento. O latifúndio começou a mudar a vida do homem da floresta, pois desmatando a floresta não tinha mais a seringa e a castanha, principais produtos do extrativismo local. Chico virou líder do movimento seringueiro e com sua metodologia de empates, baseado nas teorias de Gandhi, combateu o desmatamento de sua região. O empate era um boicote no desmatamento, junto com os seringueiros e suas famílias iam até a zona que seria devastada e ficavam ali parados na frente dos tratores, como barreiras humanas. Também saqueavam as motosserras. Chico chamou a atenção mundial e recebeu diversos prêmios pela luta pela Amazônia. Ele é considerado o primeiro militante ambiental em âmbito mundial. No Brasil, ao contrário, fez muitos inimigos por conta dos boicotes ao latifúndio e assim foi jurado de morte, mas antes de ser assassinado ele fez um dossiê (entregue nos quatros cantos do Brasil) de quem o mataria: latifundiários, políticos e empresários, mas de nada serviu, esses mesmos foram os responsáveis pela sua morte em 22 de dezembro de 1988. Apesar de ter criado uma metodologia de educação nos moldes de Paulo Freire e alfabetizar toda a comunidade, não surgiu outro Chico e o movimento com o tempo está sendo calado. No entanto, sua luta não foi em vão, conseguiu transformar muitas áreas que seriam devastadas em áreas de proteção. Para uma delas que eu seguia agora, Seringal Cachoeira.

 

Vídeo 9.1: Música em homenagem ao Chico Mendes da banda mexicana Maná.

 

 

"Canto do mundo esquecido, condenado a dias iguais. Onde vozes não são ouvidas e direitos são violados. Um dia, como outro qualquer, perdido no passado e remetido pelos sem vozes. Naquele dia em que a voz enterrada venceu o silêncio. O mundo se curvou ao ninguém, filho do nada. Seu grito sacudiu o planeta e uma bala foi disparada. O homem caiu e sua voz ecoa pela eternidade. Chico Mendes Vive!" Notas de Diário

 

O seringal fica uns 30 km da cidade. O caminho, por uma estrada de terra batida, parece não ter fim. Aqui a natureza é selvagem. A estrada corta a floresta e a comunidade do seringal mora em harmonia com a natureza. Pelo caminho é possível ver árvores gigantescas, algumas lagoas e muito verde. Cheguei ao seringal Cachoeira e logo conheci Nilson, o homem da floresta. Nilson é um senhor que viveu a vida toda em Xapuri, conhece a floresta com a palma da mão. A história passou por seus olhos e também participou dos empates. Dono de um coração enorme me acolheu junto a sua família como a um filho.

 

Curiosidade 9.1: Agora em casa, descobri que o Nilson é citado em dois livros sobre a vida de Chico Mendes, além de ter sido guia para a Globo, Discovery Channel, BBC, entre outros.

 

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A experiência dentro da floresta amazônica foi um misto de medo e de encantamento. Agora, por fim, estava no coração da floresta. Nilson era uma companhia perfeita, conhecia todas as plantas, animais e cantos do lugar. Tinha a paciência de me explicar tudo. Ele conhece centenas de remédios naturais, utilizando apenas as plantas da região. Queria lembrar todos os nomes das plantas, de todos os remédios naturais, mas não consigo. Neste dia, caminhamos por muitas horas. Tive a oportunidade de ver dezenas de seringueiras (árvores utilizadas na extração do látex). No meio do caminho o Nilson extraiu o palmito de uma palmeira que nos serviu de refeição durante a caminhada. Depois de um bom tempo e cheio de evidências de onça por perto, perguntei o nome de um pássaro com um som bem característico. Esse som nos acompanhava desde sempre. Nilson na maior tranqüilidade, disse que era o pássaro (que não me recordo o nome) que indica a proximidade de onça. Não fiquei muito feliz com a noticia. Passei a ter medo. Ele dizia que onças só são agressivas por dois motivos: comida e filhos. Disse que não fazíamos parte do cardápio. O problema seria encontrar os filhotes, assim, teríamos problemas de verdade. No fim não cruzamos com nenhuma. Às quatro horas da tarde no meio da selva quase não se enxerga mais e assim voltamos.

 

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"Caminhava tateando o ar, embora se movesse por entre as coisas com uma fluidez inexplicável, como se estivesse dotado de um instinto de orientação baseado em pressentimentos imediatos" Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Marquez

Dentro da floresta densa pouco se vê. Sabe-se que existem centenas de animais a volta, mas o raio de visão é muito pequeno, além da camuflagem. Achava que estando ali. Onde as árvores são gigantes. Onde a floresta está intacta. Onde não existem trilhas. Teria a oportunidade de ver a vida selvagem das mais diversas formas. Pouco vi dos animais. Por azar ou sorte. A beleza que fica dessa experiência são as sensações. Os sons são muitos, não existe silêncio nunca. A harmonia dos sons de insetos, pássaros e macacos são assustadores, mas muito bonito de ouvir-se. A beleza de cada canto. Observar a vida no seu estado mais puro. Sentir que tudo o que é preciso para a vida está ali em extrema abundância. Sem frivolidades.

 

Curiosidade 9.2: Aqui foi a região da Amazônia em que vi as maiores árvores.

 

Nilson costuma dizer que ensinar sobre a importância da Amazônia era seu dever. Lembro de um fim de tarde, sentados no seu quintal floresta, ele me perguntou se eu já tinha visto um cateto. Cateto é um tipo de porco selvagem. Disse que não conhecia. Ele começou a gritar e fazer uns barulhos esquisitos. Depois de alguns minutos chegou um bando de catetos. Nilson disse que eram seus amigos. Eu acreditei. Os catetos são brigões entre eles. Depois da aparição e de algumas brigas eles logo correram para a proteção da floresta.

 

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Depois conheci Xapuri com mais calma. Visitei o museu Chico Mendes, a casa do Chico, o rio Acre e tudo mais. Do meu objetivo social da viagem, Xapuri foi sem dúvida o mais importante. Foram poucos dias, mas intensos. Conhecer outro estilo de vida. Acompanhar a vida de alguns seringueiros, ficar no seringal, adentrar algumas vezes na floresta e conhecer uma grande pessoa como o Nilson, faz desses dias talvez os mais especiais de todos.

 

Culinária 9.1: Um prato feito em Xapuri, custa por volta de dez reais. Geralmente, vem uma travessa de arroz que serviria facilmente umas cinco pessoas, um balde de feijão, uma travessa de salada e um peixe gigantesco, além de um litro de suco de cupuaçu.

 

Curiosidade 9.3: O nível educacional de Xapuri é alto, principalmente nos seringais, foi muitas pessoas que conheci com ensino superior, algumas com mais de uma graduação. Não que um diploma importa, mas são pessoas realmente articuladas.

 

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Segui para Rio Branco, onde fiquei um dia inteiro, caminhando sem rumo e observando cada palmo daquele lugar que logo me despediria. Gostei muito da cidade, o mercado velho é um lugar agradável para se estar.

 

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Depois retornei para Porto Velho, pois pegaria o barco com destino para Manaus.

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Parte 10: Viajando pelo rio Madeira

 

Nunca antes tinha passado mais que cinco horas em um barco. Agora ficaria cinco dias viajando pelo rio Madeira, saindo de Porto Velho com destino a Manaus. Iria passar meu ano novo navegando pelo Madeirão, me sentia um Amyr Klink.

 

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” Mar sem fim, Amyr Klink

 

Antes passei a manhã na casa do Pedro. Depois de muitos dias na companhia de sua família era hora de partir. Triste caminhar sozinho agora e deixar a família que mais foi minha família nessa viagem. Chegando ao barco, junto com o Pedrão e o Hugão, mal sabia armar a minha rede (presente da Zilma). Um cara da marinha mercante me ensinou a colocar a rede de uma forma segura. Ensinamento usado diversas vezes depois. Agora estava sentado na rede do barco e aguardava a autorização da marinha para o barco seguir viagem.

 

Informação 10.1: Paguei o preço de R$160 na passagem com alimentação inclusa. O valor da passagem é totalmente negociável. O preço inicial era de R$220, mas depois de conversar um pouco consegui baixar o preço. Conheci pessoas que pagaram na mesma viagem os R$220 iniciais e pessoas que pagaram R$150.

 

Informação 10.2: Diferente das viagens pelo rio Amazonas, nas viagens pelo rio Madeira a alimentação é inclusa na passagem.

 

Informação 10.3: Existem dois tipos de embarcações que fazem o trajeto. O modo mais rápido é o barco de passageiros que leva “apenas” três dias, no entanto, essa opção é abarrotada de pessoas, quase não há lugar para se colocar a rede. A outra opção é o barco cargueiro, que demora cinco dias, a diferença é que tem poucos passageiros, podendo caminhar pelo barco tranquilamente e tendo espaço de sobra para a rede. Eu acabei indo com o barco cargueiro, mas não sabia das opções, fiquei sabendo quando já estava viajando. As duas opções têm alimentação inclusa e o preço é o mesmo.

 

Informação 10.4: Lembrando que o sentido que fiz essa viagem, acompanha o sentido do rio. Assim a viagem é mais rápida. Caso faça o sentido contrário o tempo de viagem é dobrado.

 

Informação 10.5: O rio madeira é um dos vinte maiores rios do mundo. Tem mais de três mil quilômetros de extensão e é um dos principais afluentes do rio Amazonas.

 

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Quando caiu a noite ainda estávamos esperando a autorização da marinha. Logo cai no sono. No primeiro brilho do dia acordei animado para ver o barco em movimento. Ao acordar percebi que estávamos no mesmo lugar. O capitão do barco teve um mal súbito durante a noite. Ele foi levado para o hospital e nunca mais soube dele. Ficamos toda a manhã aguardando um novo capitão. Nesse tempo fiquei vendo o pessoal da cozinha atirar restos de comida no rio e um cardume infinito pulando fora da água por causa da comida. Isso é das coisas mais incríveis que já pude presenciar. Apesar de parado estava feliz. Depois de muita apreensão, por conta do capitão, seguíamos nosso rumo. O engraçado que enquanto a situação não se resolvia os passageiros quase não se conversavam, foi passar os primeiros metros da viagem e a conversa tomou o barco. Minha primeira experiência na navegação de cabotagem começava.

 

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O barco devia ter uns quarenta passageiros e oito tripulantes. Os barcos de passageiros saíram com mais de duzentas pessoas e eram bem menores. Apesar dos dias a mais de viagem, me senti com sorte de estar no barco que eu estava. O barco tinha três andares. Na parte mais baixa ficava toda a carga. Levava-se todo o tipo de carga, desde carro a cachos de bananas. No andar da proa fica a cozinha, a área comum e a área dos passageiros, além dos banheiros. No piso superior fica o bar, a cabine do capitão e a área dos tripulantes.

 

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A alimentação é pouco variada. Tendo carne bovina no almoço e frango no jantar. Sempre assim. Os acompanhamentos não mudam, sendo feijão, arroz, farinha e um pouco de salada. Existe um bar no piso superior que vende salgadinhos, refrigerantes, cervejas, salgados, água e tudo mais, mas os preços são abusivos. Também está incluso café da manhã. Os horários das refeições são fixos e inflexíveis. Perdeu a hora de comer, ficou sem comer. No entanto, a comida servida é mais que suficiente, pois os passageiros da embarcação quase não gastam energia durante a viagem. Quase o tempo todo estará deitado na rede.

 

Como a embarcação era grande, ela não parava nos portos dos vilarejos pelo caminho. Fazendo da viagem um pouco monótona. A vida no barco é como em uma cidade pequena. Todos acabam se conhecendo por força da situação. No terceiro dia todos já estão íntimos e todos conhecem a história de vida de todos. O que quebra a rotina dos dias são os botos. Em alguns momentos eles acompanham o barco. Fazendo a felicidade de todos. Outra coisa que quebra a rotina são os olhos incandescentes dos jacarés pela noite, principalmente nos trechos estreitos do rio. A paisagem pouco muda durante os dias da viagem. Ás vezes surge algumas comunidades ribeirinhas. Ás vezes aparece algumas ilhotas que embelezam o caminho. A mata ciliar pouco muda, as árvores são mais baixas do que eu imaginava. No entanto, o rio muda muitas vezes de cores e tem horas que parece estar navegando em um pântano, pela quantidade de barro na água.

 

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Antes de me despedir de Porto Velho a Zilma entregou-me chocolates e balas para entregar no ano novo para as crianças da embarcação. No dia da entrega, quando tirei o saco de chocolate da mala, quase fui pisoteado, talvez seja a maior expressão de alegria que vi nessa viagem. Muito das pessoas que lá estavam são pessoas sem posses que vivem em vilarejos e comem o que a floresta oferece. Fiquei espantando no poder de alguns doces, mas feliz por levar alguns segundos de felicidades para eles. Isso graças a Zilma.

 

“Hoje vieram me perguntar se eu era rico ou coisa do tipo. Dei risada. Deve ser por causa dos chocolates e balas. Disse que era presente de uma mulher com um coração enorme.” Notas de Diário

 

A maior surpresa navegando pelas as águas do rio Madeira foi conhecer o Paulo. Ele era um publicitário chileno e largou a vida de empresário bem sucedido no Chile para encontrar algum sentido na vida. Por coincidência do destino a viagem dele se iniciou no mesmo dia que a minha (primeiro de outubro). Toda viagem “sola” tem um sentido maior. No meu caso era algo mais social, já a dele era totalmente espiritual. Ele buscava a todo o momento o autoconhecimento. O mais interessante que ele é casado, sua mulher seguiu viagem para o sul da América do Sul e ele pelo norte da América do Sul. Os dois buscam a mesma coisa em lugares diferentes e se nada mudar dentro deles, no retorno ainda esperam ficar juntos.

 

"Cenários desabarem é coisa que acontece. Acordar, bonde, quadro horas no escritório ou na fábrica, almoço, bonde, quatro horas de trabalho, jantar, sono e segunda terça quarta quinta sexta e sábado no mesmo ritmo, um percurso que transcorre sem problemas a maior parte do tempo. Um belo dia, surge o “por quê” e tudo começa a entrar numa lassidão tingida de assombro. “Começa”, isto é o importante. A lassidão está ao final dos atos de uma vida maquinal, mas inaugura ao mesmo tempo um movimento da consciência." O mito de sísifo, Albert Camus

 

As minhas melhores conversas foram a bordo deste barco com o Paulo. Sem muita coisa a se fazer no barco, passávamos quase o dia todo contando histórias de viagem, da vida, família e tudo mais. Lembro-me quando ele me contou a história do dono da lua. Um chileno na década de 60, no auge das patentes, patenteou a lua como se fosse dele. O engraçado de tudo isso foi que o presidente americano Nixon antes da Apollo 11 pousar na lua, teve que pedir ao chileno “permissão” para o pouso. E claro, que o cara autorizou Neil Armstrong a pisar pela primeira vez na lua. Acho esse ato muito simbólico, o sistema sendo quebrado pelo sistema. Depois da morte do bravo chileno foi definido que ninguém poderia ser dono da lua. O humor do Paulo contando essa história é demais.

 

O Paulo é daqueles casos onde a repetição trás o talento. Ele dizia que não sabia nada sobre artesanato e artes. Seu sonho era viver das habilidades de suas mãos. A todo o momento ele estava aprendendo/tentando costurar ou a pintar ou a escrever. Depois de três meses de viagem já conseguia produzir muita coisa, apesar de ainda não conseguir subsistir viajando. Acredito que com sua insistência logo ele consiga.

 

Existem viagens de barco pela Amazônia que duram mais que trinta dias. Ouvi histórias de pessoas que entraram solteiras nessas viagens e saíram casadas. Foi mais de uma história. Isso da para se ter noção de como se vive uma vida dentro do barco. Na nossa viagem, pelo que eu sei não se formou nenhum casal.

 

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A parte negativa dessa viagem foi à falta de sintonia da tripulação com a natureza e principalmente com o rio. Todo tipo de lixo era lançado fora do barco. Tentei algumas vezes falar com a tripulação, de nada adiantava. A maioria dos passageiros, pelo contrário, guardavam seus lixos para estes não serem lançados pelos tripulantes na água.

 

O legal que as mulheres da embarcação fizeram do barco, no último dia, um salão de beleza. Todas cortaram o cabelo. Maquiaram-se. Trocaram roupas entre si. Todas queriam estar bonitas no primeiro dia do ano em terra.

 

Passar o ano novo sem percebê-lo, rodeado de novos amigos e como plano de fundo a imensidão do rio Madeira e da floresta, foi mais especial que eu poderia imaginar. Fez-me ter mais certeza na simplicidade da vida. Viver conforme a luz do dia é outra coisa que me surpreendeu. Acordar ao primeiro sinal de luz e dormir assim que a noite cair. Foram seis dias (um parado e os outros viajando) dentro de um barco, mas mais se pareceu com uma vida. Ter oportunidade de conhecer pessoas tão intima da natureza. Ouvir histórias de vidas que tanto se diferem da minha. Foi um aprendizado constante. Viver sem a pressa dos dias e apenas esperar. Confesso que no inicio tive medo da viagem, mas ao ver as luzes de Manaus se aproximando, a tristeza tomou conta de mim, não queria nunca que aquele barco atracasse.

 

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Chegamos num domingo cerca de 8 horas da noite em Manaus, como o barco iria ficar atracado no porto, eu, Paulo e uma família resolvemos dormir no barco para economizar uma estadia. Enquanto o Paulo foi procurar frutas para o jantar eu fiz uma bola de rede (que alguém esqueceu). Paulo chegou com duas melancias que comemos em segundos e depois jogamos futebol no barco. Todos os que restavam no barco jogaram. Foi um Fla-Fu dos mais disputados. Desde a senhorinha até o gurizinho. A partida mais democrática do futebol acabou sem um vencedor com o placar de 2 x 2.

 

Dica 10.1: Os portos são bons lugares para quem quiser economizar com estadia. Os barcos ficam atracados e geralmente é tranqüilo colocar a rede e passar a noite neles.

 

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No dia seguinte nos despedimos da família. Paulo e eu saímos do porto caminhando. Agora estávamos em terra firme e precisávamos arrumar algum lugar para ficar.

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Parte 11: de Manaus a Roraima

 

Nos primeiros passos em Manaus já começava a perceber algo que iria me incomodar na cidade. A cidade tem uma belíssima arquitetura da belle èpoque da borracha. Porém, a maioria da arquitetura desta época está tampada por prédios comerciais ou estão em desarmonia com a cidade que cresceu à volta.

 

"Perder tempo a explicar por que gosta seria pouco menos que inútil, há coisas na vida que se definem por si mesmas, um certo homem, uma certa mulher, uma certa palavra, um certo momento, bastaria que assim o tivéssemos enunciado para que toda a gente percebesse de que se tratava, mas outras coisas há, e que até poderão ser o mesmo homem e a mesma mulher, a mesma palavra e o mesmo momento, que, olhadas de um ângulo diferente, a uma luz diferente, passam a determinar dúvidas e perplexidades, sinais inquietos, uma insólita palpitação..." A caverna, José Saramago

 

Depois de caminhar por algumas horas, eu e o Paulo, paramos em um hostel próximo ao Teatro Amazonas. Deixamos nossas coisas. O Paulo seguiu para um sitio nos arredores da cidade. Ele tinha ouvido falar do dono do lugar (uma pessoa no barco havia indicado) e iria ver se era possível trocar hospedagem por trabalho. Nesse dia eu não perdi tempo e fui tentar conhecer um pouco da cidade.

 

Uma tática que eu tenho para me familiarizar com as grandes cidades de forma barata é andar de ônibus circular intensamente. Vou até um terminal de ônibus, entro em um ônibus e faço todo o trajeto dele até voltar no terminal. Geralmente, nesses terminais o transfer é gratuito. E assim, pego diversos ônibus e vou para diversas regiões, vendo a cidade pela janela do ônibus e assim me familiarizo com a cidade e fico mais seguro em caminhar. Isso tudo pelo preço de uma passagem apenas. Pode parecer programa de bobo, mas para um cara observador como eu, ajuda muito.

 

De noite já com a companhia do Paulo, compramos cervejas e ficamos bebendo na frente do Teatro Amazonas. O teatro, realmente, é muito bonito, mas estava com uns enfeites de Natal deixando o teatro menos bonito. Todo o entorno do teatro é chamativo, com uma bela praça, muitos restaurantes e bares fazem daquele pedaço de terra um lugar que aglomera os mais variados tipos de pessoas, ou seja, um bom lugar de se estar, principalmente pela noite.

 

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No outro dia fomos ao Ceasa para pegar uma voadeira e navegar pelo rio Amazonas. Negociamos com um barqueiro. Combinamos com o mesmo de conhecer o encontro dos rios Negro e Solimões e passar por uma comunidade ribeirinha no rio Negro. Fechamos o passeio por um valor total de oitenta reais. Assim, seguimos para o encontro das águas, não antes de abastecer em um posto flutuante.

 

Informação 11.1: As agências cobram em média R$150 por pessoa pelo passeio do encontro das águas (em um barco cheio). O jeito mais barato é pegar um ônibus até o Ceasa e lá negociar diretamente com o barqueiro. Se você for apenas visitar o encontro das águas, consegue-se um barco com até dez lugares por cinquenta reais (preço do barco).

 

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O encontro do rio Solimões com o rio Negro resulta na maior bacia hidrográfica do mundo vulgo rio Amazonas. Dependendo de como se considera a nascente do Amazonas ele também pode ser considerado o rio mais extenso do mundo, mas isso gera algumas controvérsias e nos livros o Nilo fica com o título de rio mais extenso do mundo, deixando o Amazonas em segundo lugar. Isso pouco importa na verdade, o que importa é preservar e reconhecer aquela beleza sem limites.

 

O rio Negro parece feito de petróleo de tão escuro e a temperatura de sua água é mais agradável. O rio Solimões é barrento, sua água é muito mais fria e o seu curso de água é duas vezes mais rápido que o rio Negro. Na linha natural que os dois rios se encontram e assim, não podem se misturar por serem tão diferentes. Eles caminham lado a lado por cerca de quarenta quilômetros sem se misturar. Depois disso o rio Negro parece desaparecer ao encontro do Solimões. Bom, mas nada é melhor que estar no encontro destes rios. Com toda certeza é uma sensação única. Ficar com o barco parado na linha exata que separa o Solimões do Negro e colocar uma perna em cada rio e poder sentir a diferença dos dois em sua pele é algo que não tem como expressar em palavras. A natureza sempre é bela, mas em alguns lugares ela é caprichosa demais. Estar ali, naquele momento, sentindo e vendo da minha forma o que eu sonhava em fazer desde criança me deixou muito feliz. Feliz de verdade.

 

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“Lembro das tantas vezes que havia planejado estar em Manaus, somente para ir ao encontro das águas. Não me recordo como esse desejo nasceu só sabia que ele existia. Pois agora não existe mais, estou aqui.” Notas de Diário

 

Depois seguimos conhecer uma comunidade ribeirinha no rio Negro. Tivemos a oportunidade de conversar com algumas pessoas. Sempre que estou numa comunidade ribeirinha fico surpreendido com o tamanho respeito que todos têm pela natureza. Cada vez tenho mais admiro essas pessoas e toda vez fico mais revoltado ao ver como são tratados com descaso pela grande maioria da população. Seguimos e pela primeira vez vi uma igreja flutuante. Paramos num igarapé. Tivemos sorte, pois estávamos somente eu, Paulo e o barqueiro que era gente boa demais. Demoramos o tempo necessário em cada lugar.

 

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O Paulo iria seguir para o sitio no próximo dia e resolvi partir para Boa Vista, eu teria que voltar para Manaus no futuro, pois iria descer de barco o rio Amazonas.

 

No outro dia nos despedimos. Paulo foi o meu irmão de alma nessa viagem, aprendi muita coisa com ele, principalmente na forma de encarar a vida. Foi outra despedida difícil, mas os viajantes se encontram e logo se desencontram, para num futuro se encontrarem novamente. E assim seguia a viagem.

 

Segui para a escondida rodoviária de Manaus. Rodoviária em Manaus é um pouco vazia e sem muitos destinos, pelo fato da região ser rodeada de rios faz o barco e o avião os meios de locomoção mais utilizados para grandes distâncias. Comprei minha passagem, esperei por algumas horas e parti.

 

Cheguei a Boa Vista no inicio do dia. Nathy e sua família me esperavam, contatei-a pelo couhsurfing e ela desde o inicio foi muito pronta comigo. Que sorte de encontrá-la.

 

Nathy está quase se formando em Relações Internacionais, já morou na Espanha, Indonésia e é apaixonada pela Tailândia. Sempre alegre, ela é a simpatia em pessoa. Eu e ela temos o gosto literário muito parecido e isso nos fez aproximar rapidamente. Ela já é calejada de couchsurfing, já foi hospedada e já hospedou muitas vezes. Ela me contou boas histórias sobre os pedidos de hospedagem que chegam a ela no couchsurfing . Tem uma galera sem o mínimo de noção por ai, acham que a comunidade é uma rede hotel e que é apenas informar a data e chegar. O jeito dela contando sobre esses pedidos é muito engraçado.

 

No primeiro dia na cidade, Nathy me mostrou toda a parte turística e depois na companhia do seu primo Patrício seguimos para um igarapé no entorno de Boa Vista. Foi um role massa demais. O lugar é de um verde muito intenso. Levamos algumas cervejas e ficamos de bobeira pelo resto do dia, conversando, nadando e explorando um pouco daquela beleza.

 

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No outro dia fomos numa prainha de rio, toda bonita. A cidade não chega a ser quente como Cuiabá ou Manaus, mas é muito quente também. Os igarapés e as prainhas são as melhores opções de lazer e para se livrar do calor.

 

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Depois fomos ver o por do sol no parque. Com toda certeza, os fins de tarde no estado de Roraima são os mais bonitos. Deve ser pela proximidade da linha do Equador, tem-se a impressão que o sol é muito maior naquela região e todo fim da tarde é um espetáculo a parte. Terminamos o dia no melhor bar de todos, o litrão da Brahma custava R$3,50, em companhia de muitos amigos da Nathy.

 

Informação 11.2: Roraima é o estado menos populoso do país. E grande parte do seu território é reserva indígena.

 

Informação 11.3: Existem apenas 15 cidades no estado de Roraima.

 

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Boa Vista é toda organizada, achei o clima agradável, apesar de quente. Venta bastante. O entorno da cidade é rico em igarapés e o centro é todo conservado e limpo. O melhor de tudo é o sensacional por do sol. Com certeza, Boa Vista é a capital mais charmosa dos estados do norte.

 

Informação 11.4: Estando em Boa Vista você estará no máximo duas horas (de carro) de dois países, Guiana e Venezuela.

 

Curiosidade 11.1: Ao contrário do que se pensa, a cidade de Oiapoque no Amapá não é a cidade mais ao norte do Brasil. Essa cidade se chama Uiramutã e fica no estado de Roraima.

 

Depois de dois bons dias em Boa Vista eu seguiria para a Venezuela. O trajeto Boa Vista-Pacaraima (cidade brasileira que faz divisa com a Venezuela) deve ser o único (no Brasil) que ir de táxi é o mesmo preço que ir de ônibus. Isso porque os taxistas abastecem os carros em Santa Elena do Uairen, na Venezuela, a preço de quarenta centavos o litro da gasolina.

 

Nathy me deixou no ponto de táxi. Foram poucos dias na companhia dela, mas foi outra despedida difícil, mas já estava ficando calejado com despedidas. Ficou um sentimento de um até breve, e certamente iria sentir muitas saudades.

 

Peguei o táxi e segui rumo a Pacaraima, o valor do táxi é de R$35. Dentro do táxi tinha um casal que viajaria para as islas Margaritas e outro casal que iria para Colômbia. Todo o trajeto é muito bonito, vai saindo o verde e entra uma paisagem de savana, afinal estávamos ficando cada vez mais próximo da Gran Sabana. O casal que seguiria para Colômbia ficou na cidade de Pacaraima, enquanto eu e outro casal fomos para a aduana venezuelana.

 

Curiosidade 11.2: No trajeto Boa Vista-Pacaraima tem um trecho (próximo de Pacaraima) que é descida e ao parar o carro, ao invés de o carro descer (que seria o natural) ele sobe. Estranho demais.

 

“O verde tão intenso agora dá lugar há um misto de savana e deserto. Tudo muda muito rápido.” Notas de Diário

 

Chegando na fila (imensa por sinal), conversando com os dois percebi que eles só estavam com a carteira de motorista. Como se sabe, a carteira de motorista não é aceita como um documento para transitar nos países da América do sul. Os documentos aceitos são o RG ou passaporte. Fiquei com dó deles, suas férias iriam por água abaixo, por uma pequena falta de informação. Na fila ficamos sabendo que na aduana venezuelana tudo se resolve por vinte e cinco reais e eles resolveram tentar. Eu fiquei meio cético deles conseguirem ingressar na Venezuela com as carteiras de motorista. Aguardei eles saírem do trailer (aduana) e no final cinquenta reais foi o valor pago de propina para eles conseguirem tirar o permiso e assim, estavam livres para seguir viagem.

 

Dica 11.1: Ao cruzar a fronteira Brasil-Venezuela por Pacaraima - Santa Elena do Uiaren, opte em utilizar o RG nos tramites. Com o RG somente é necessário dar entrada na aduana venezuelana. Com o passaporte é necessário dar saída na aduana brasileira para depois dar entrada na aduana venezuelana. Levando em conta que você pode ficar quase um dia em cada aduana, passar com o RG irá facilitar sua vida na ida e na volta (pois o processo é o mesmo).

 

Informação 11.5: A aduana venezuelana é um caos, lá se vende lugar na fila (umas tiazinhas) e geralmente isso gera brigas. Eu mesmo presenciei várias brigas e dependendo do humor do pessoal tendo brigas eles fecham a aduana no dia, complicando ainda mais a entrada.

 

Informação 11.6: Tudo é negociável na aduana venezuelana, presenciei vários trambiques. Eu realmente acho deplorável o suborno, mas estou aqui para dar informações.

 

Informação 11.7: Os táxis na Venezuela são realmente baratos, da aduana até Santa Elena do Uarien tem 10 km distância. Os taxistas venezuelanos cobram dois reais pelo trajeto.

 

Informação 11.8: Tem muitos taxistas na aduana que vendem viagens para todos os lugares, vá para Santa Elena primeiro, e de lá você vai conseguir melhores preços, além de ter a opção do ônibus.

 

Pegamos um táxi e seguimos juntos para Santa Elena de Uairen, na Venezuela.

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Caramba Diego!!!! Relato incrível!!!!

 

Parabéns.... Estou curiosa para continuar lendo! Riquíssimo....

 

Bjs.

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Diego,

Nem sei exatamente o que dizer... A ideia, a viagem, os lugares, a forma escrita, as memórias... tudo excelente.

De alguma forma me cativou bastante, é das melhores coisas que já li por aqui. Espalhei para os amigos.

Por favor, não pare de postar, siga até o fim! Parabéns mesmo!

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Caramba Diego!!!! Relato incrível!!!!

 

Parabéns.... Estou curiosa para continuar lendo! Riquíssimo....

 

Bjs.

 

Valeu Licka! :D

 

Logo nesse relato nossas viagens se encontram. Um beijo na alma.

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Diego,

Nem sei exatamente o que dizer... A ideia, a viagem, os lugares, a forma escrita, as memórias... tudo excelente.

De alguma forma me cativou bastante, é das melhores coisas que já li por aqui. Espalhei para os amigos.

Por favor, não pare de postar, siga até o fim! Parabéns mesmo!

 

Muito obrigado pelas palavras. Fico muito feliz de saber que você está lendo e gostando. Sobre a continuidade fica tranquila, não começaria se não fosse terminar.

 

@mcm muita paz pra ti!

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    • Por Raiça
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      Boa tarde!
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      Viagem Janeiro e Fevereiro 2017
      Olá amigos mochileiros, estarei escrevendo minhas opiniões, frustrações, dicas e maravilhosas férias que tive neste ano. Quero agradecer primeiramente a Deus por proporcionar estas férias, depois ao site e diversas dicas e sugestões proporcionando a nós mochileiros eternos a várias dicas e lugares desconhecidos para desbravar advindo de nossos sonhos.
      Quero agradecer também a duas pessoas incríveis (Naomi e Pedro Pedri) que prestaram seus dias e tempos preciosos em dividir suas experiências e vivências para nos proporcionar melhor conforto e segurança em lugares desconhecidos por mim, agora faço a minha parte dividindo sonhos e alegrias, pois férias não são só descanso e sim aventuras, descobrimentos, redescobrimentos, novos conhecimentos, algumas frustrações, mais muito mais, são as alegrias, paisagens, natureza, belíssimos lugares, lugares pintados por Deus, investidos de seu preciso tempo para nós reles mortais, desfrutar de seus desígnios.
      Neste post não colocarei fotos, pois nada melhor, imaginar um lugar dos seus sonhos e você ter impacto da realidade, nada é melhor você ver com seus próprios olhos a natureza e suas exuberâncias, colocarei aqui minhas observações, meus roteiros e minhas dicas.
      Podem ocorrer discordâncias de opiniões, mas o que seria do “Amarelo se não houvesse o Azul”, e é esta a beleza do ser humano suas discordâncias e seus acordos, suas idéias e opiniões, seus olhares clínicos para cada lugar visitado, este nosso Brasil como lindo é, como lindo está, tantos lugares a se conhecer, quantas portas e janelas e serem abertas ou reabertas, quantos horizontes a serem descobertos ou visitados, Viagem, Viagem sozinhos ou acompanhados, com amigos ou desconhecidos, Viagem livres como pássaros, leves como as matas e esperançosos como um olhar de sua filha, Viagem com o coração aberto, aberto a novas diferenças, a novos conquistas, a novos amigos, deixe o celular de lado e suas loucuras de apps, contas, jogos e distrações tente esquece-lo, compre uma câmera digital subaquática se possível, desliguem seus aplicativos e mídia social, invistam em boas conversas, em sua própria língua ou estrangeira, se comuniquem através de mímicas, arranhe seu inglês, francês qualquer outra língua, desenhe se for preciso, viva o momento como se fosse o único, e quando estiver em um lugar maravilhoso foque bem na paisagem, grave em sua memória na sessão “Paisagens Maravilhosas” “Awesome” lembre-se dos sonhos, momentos alegres e felizes enquanto você estava lá, abasteça seu coração e alma com as belezas presentes, purifique-se com o ar da mata, recarregue suas energias com a alvorada e pôr do sol, fale com o vento e consigo próprio, escute os anseios do corpo e purifique sua alma com presença de Deus, junte tudo para o seu retorno e rotina. Obrigado Deus por esta experiência e momentos que vivi.
      Bem meus roteiros para esta viagem Janeiro e Fevereiro 2017 foram Bertioga, Natal, Recife e Maceió, estarei dividindo em tópicos para aqueles que não querem ler o post todo, saliento que não gosto de falar de dinheiro ou custos, mesmo porque férias não é custo e sim Investimento.
      Sesc Bertioga – 25 Janeiro a 31 Janeiro 2017
      Bem Bertioga para mim foi uma grata surpresa e experiência, pois minhas férias começaria no Sesc Bertioga. Resolvemos conhecer por estar perto do litoral Norte e de tantas boas ressalvas positivas sobre, alguns sabem ou descobrirão que é extremamente difícil pernoitar em seu recinto, mas fomos agraciados pelo sorteio, lembrando que começamos e entramos no sorteio em Agosto/2016 (Site Sesc Bertioga) fomos sorteados em setembro/2016 para irmos em Janeiro de 2017, cinco meses antes da viagem planejada e lá descobri o porque!!!
      Pegamos a estrada no dia 25/01/2017 Feriado de São Paulo - Origem Osasco Destino Bertioga cerca de 2 horas de viagem, pela imigrantes sentido Cubatão, muito tranquila a viagem e bem sinalizada pedágio R$ 25,20 reais descida e subida cerca de R$ 10,00 reais, (este valor já não me recordo).
      Pois bem saímos daqui as 07:00 hrs e chegamos as 09:00 hrs, o primeiro check-in começava as 10:00 hrs, no site informava que começava as 12:00 hrs, mas resolvi arriscar e nos demos bem!!! Chegando seu check-in  consiste pegar primeiro as pulseiras dos hospedes, chave da casa, o cartão para suas despesas caso queira (recarregável) limite de R$ 50,00 reais diários e pagar o estacionamento R$ 13,00 reais para a estadia inteira. Nesta viagem resolvemos pegar a maior estadia que são 6 dias e meio, não existe mais, porém existe menos, logo colocarei os valores. Não é permitido você andar com o carro dentro do Sesc, seu percurso é restrito descarregar as malas em frente a casa e deixar o carro no estacionamento, você ganhará uma identificação para as suas saídas fora do Sesc. Fiquem de olhos nas atrações do Sesc pois elas costumam começar as 07:30 hrs e vão até as 23:00 hrs.
      Passeio:
      Bem ficamos na casa nº 8 muito aconchegante cabiam confortavelmente 12 pessoas em beliches de alvenaria, quartos espaçosos, ventilador, dois banheiros, cozinha confortável com frigobar, sem televisão (obrigado Sesc), sem telefone (obrigado Sesc). Nossa casa ficava bem próximo ao parque infantil aonde até os adultos podem desfruta-lo, lógico com limitações (não podem descer no Toboáqua ou escorregadores) mas pode desfrutar das fontes e canos d’águas muito gostosos por sinal, a piscina realmente é para crianças e somente crianças de até 12 anos podem desfruta-lo integralmente, a profundidade é cerca de 30 cm dá em nossa canela não oferece risco algum para os pequenos, mesmo porque ainda existe um guarda-vidas no local para mais segurança e conforto. Caminhando dentro do complexo, fomos conhecer o rendário longos cochilos após o almoço - Ahh o almoço o almoço e jantar– Nicho da Baleia, Salão de jogos, Caminho das pedras (relaxante) para mim não foi nada relaxante, mas fui fazer mesmo assim e voltaria a fazer. O Sesc possui uma mega estrutura para mim chega a ser comparado a um Resort, devido a sua estrutura, acomodações, espaço, lazer, comida e divertimento, não chega a ser um exagero não!!!!
      Alugamos bicicleta R$ 20,00 reais grande e R$ 8,00 reais duas pequenas por uma hora, mas existe a diária a R$ 25,00 reais comum e ainda pode sair do complexo. O salão de jogos é muito espaçoso e aconchegante, vocês pais e filhos que não conseguem ter interação com a prole, a proposta do Sesc é justamente esta, existe ping pong, dama, xadrez, centenas de jogos que podem jogar todos os membros da família, Caiaque para andar sobre o Rio, Xadrez Gigante (não brinquei, me arrependo), então aquele pimpolho que não larga o celular, só quer ficar nos apps e jogos eletrônicos, façam eles descobrirem os horizontes levantando um pouco suas cabeças, agora abaixadas e fixadas em seus celulares e jogos eletrônicos, forcem a barra um pouco se necessário, interagem com eles com Detetive, jogos de Macacos, Varetas, bolas de gude, jogos de cubos de madeiras,  rio para pesca (isca de graça), brinquem redescubram os sorrisos em seus rostos e o brilho em seus olhares, o Sesc proporciona isto em suas centenas de diversões, as atrações são para o dia inteirinho, sem descanso.
      Café da manhã, Almoço e Jantar, dependendo da sua estadia você terá um horário fixo devido a cor da sua pulseira, mais ainda é flexível pois existem “horários livres”, fiquem atentos.
      Dica: Levantem bem cedo tomem um café da manhã reforçado, e como já diziam, tomem um café como um Rei, almoce como um príncipe e jantem como um plebeu, mas não foi o meu caso, lá eu virei boi de engorda. Em todos os Sesc’s que já frequentei este é o melhor em termos de comida, por enquanto e até agora, o café da manhã é divino, ovos mexidos maravilhosos, frios muito frescos, pãezinhos, iogurte, mel, frutas, sucos, cereal, só para ter uma noção eu comia tudo isto somado a três pães com frios e etc rs rs rs. O almoço também com 2 tipos de carnes diferentes, frango, peixes, massas, saladas, arroz, feijão, sopas, caldos tudo muito bem preparado com muita higiene e limpeza, muito saborosos o jantar a mesma coisa. Existe a condição de você levar o refrigerante ou comprar lá, o refrigerante e suco cerca de R$ 3,00 reais.
      A piscina dos adultos na imagem parece imensa, mas fica apenas na imagem, é muito gostosa quando não cheia de gente, existem diversas atrações, hidroginástica em horários distintos, mais uma piscina para os pequeninos cerca de 30 cm profundidade, na piscina adulto que felicidade, podemos saltar e mergulhar da borda, em outros Sesc’s é proibido, existe um bar próximo a piscina onde porção camarão R$ 20,00 reais, batata cerca de R$ 10,00 reais, achei a música, muita alto para a piscina, minha namorada não então vai de cada um. No geral muito gostoso e agradável mesmo porque você tem logo ali o acesso a praia, “enjoou da piscina vá para a praia”, “enjoou da praia vá para a piscina”, vida chata hein rs rs rs. O acesso a todas as dependências do Sesc são através da identificação da pulseira, inclusive acesso a praia através do Sesc, houve até aula de surf para as crianças tinha até para adulto, mas deste eu não participei. A tarde noite mais atrações e diversões mesmo porque a piscina encerra as 18:30 hrs, participamos de um grupo de circo muito legal e divertido chamado “Corsários Inversos” uma atração a parte, ótima interação e diversão para todas idades, fiquei muito feliz, eles me chamarem para fazer parte de 30 min do espetáculo amei em tê-los conhecidos e indico aonde estiver se apresentando, muita diversão mesmo.
      O famoso mirante onde li alguns relatos que estava fechado e realmente está, o que é uma pena, pois a visão de lá é espetacular, segundo vídeos internet, pelas minhas contas já está fechado a cerca de 5 meses, gostaria de saber quando vão abri-lo novamente, quero muito conhece-lo.
      Passeio:
      Nesta semana estava, em meu roteiro, conhecermos a praia de “Itaguaré”, “Barra do Uma” e “Boiçucanga”, como estávamos bem próximos e não conhecíamos nenhuma destas, resolvi incluir e sair um pouco do roteiro do Sesc, outra feliz escolha.
      Boiçucanga (feliz escolha) 60 Km, cerca de 01:30 hrs a partir do Sesc, é muito bonito areia amarela e mar de ondas fortes (não aconselho para crianças) no meio da praia como em qualquer praia litoral norte e tranquila na parte perto das pedras (aconselho para as crianças), tomamos uma deliciosa caipirinha de Maracujá, bem próximo a entrada que escolhemos, tomamos muita água refrigerante para as crianças, voltaria com certeza!!!! Logo depois de 4 horas fomos para Barra do Una (outra feliz escolha) 21 km cerca de 30 min a partir Boiçucanga, encontro do mar com rio, muito bonito e gostoso, lá descobrimos um redutos de umas pessoas que não gostam de desfrutar dos prazeres da vida, muitas lanchas, barcos, jets, carros conversíveis, etc rs rs, mas o que eu queria mesmo era pegar ondas de body board, minha meta era pegas umas 20 ondas, peguei mais de 100, eu e o Kaique (12 anos), filho da minha namorada nos divertimos muito, ondas fortes mas não perigosas perfeita para o que queríamos. Tomamos outra caipirinha de maracujá, muito doce e não gostamos, as crianças brincaram até da caiaque na parte do rio, tudo com muita segurança e tranquilidade R$ 50,00 reais 01:00 hrs.
      Dica: Acho muito importante encontrar praias com rios próximos para podemos tirar o Sal do corpo, principalmente das crianças que possui pele muita sensível a altas temperaturas que estávamos sujeitos ali, ficamos por lá umas 04:00 hrs também, chegamos ao Sesc umas 20:30 hrs esbodegados mais felizes dos nosso passeios, voltaria com certeza!!!!.
      No dia seguinte não tínhamos que acordar tão cedo para conhecer;
      Frustração: Itaguaré (infeliz escolha) 16Km a partir Sesc 25 min, as vezes desejamos coisas que não conhecemos mas termos que conhecer e presenciar, para não retornarmos ou aconselhar nossos amigos, minha opinião!!!!  Pois bem, toda a alegria e satisfação do dia anterior foi trocado por frustração e brigas deste dia, saímos já tomados café da manhã, com o Sol já a pino e chegamos até a praia, a entrada é muito bonita no meio da mata, porém descobrimos que a praia é de surfistas, onda muito fortes e mar nervoso, não possui nenhuma infra, descuido nosso não levar guarda sol ou nos resguardar pelos improvisos, logo na entrada minha namorada pisa na “merda”, as crianças odiaram a praia, consequentemente tiram meu sossego e Vibe. Apesar de não ser a praia que queria conhecer aquela da foto, próximo ao rio etc, descobrimos 01:00 hrs depois que teríamos que andar mais 4 km a diante, a praia da foto fica na entrada do Rio Itaguaré, logo na entrada recebemos informações de como funciona e cuidados na reserva ecológica, havia um pessoal armado da guarda florestal, salva vidas falando que já houveram pessoas que se afogaram, ou seja um tormento de dia. Pois bem, ficamos lá umas 04:00 hrs com o mar revolto (impróprio para crianças) água do rio parecendo fervida para o chá da tarde, pessoas gritando, fazendo churrasco de domingo, as crianças de mal humor e irritadas e o meu sossego indo cada vez embora. Ou seja não foi legal ou proveitoso o dia, e também não volto mais lá, sem falar que rolou um tremendo stress entre todos (eu e minha namorada) (entre as crianças) em nossa chegada tanto é que nem fui jantar com eles neste dia. No dia seguinte, cabeça mais tranquila, estabilidade emocional recuperada houve uma bela “Conversa”, mas tínhamos mais 2 dias e meio de divertimento então brigas e discussões no passado, bora seguir em frente.
      Retornamos a nossa rotina de interação com as crianças, de jogos, risadas, brincadeiras e “Boi de engorda”, depois fui parar na balança mais 4 Kg a serem gastos durante minha viagem ao Nordeste que contarei logo a seguir.
       
      Minhas considerações finais:
      Retornamos para São Paulo dia 31/01/2017 as 12:00 hrs, voltaria com certeza para o Sesc Bertioga, em vista do que me proporcionou as alegrias e aprendizados e aconselho a todos irem, tomara que não na mesma época, pois a concorrência vai ser maior rs rs.
      Excelente comida, estadia, acomodações, diversões e tranquilidade .
      Valor gasto, para 2 adultos e 4 crianças (3, 8, 10 e 12) Frustração: minha filha de 3 anos não foi, porém não paga também, café da manhã, almoço e jantar.
      R$ 2.210,00 reais para 6 dias e meio;
      R$ 1.000,00 reais Namorada (pedágio, combustível, gasto Sesc, visitação as praias, bebidas diversas e outros);
      R$ 500,00 reais Eu (pedágio, combustível, gasto Sesc, visitação as praias, bebidas diversas e outros);
      Total Sesc Bertioga R$ 3.710,00 reais
      Nota: 9.5
       
      Natal – 02 Fevereiro a 06 Fevereiro 2017
      Bem de volta a São Paulo, parada estratégica de 1 dia e meio, lavar as roupas, encher a mala de mais bermudas e cuecas e vamos que vamos, depois de um ano e meio trabalhando, ouvindo chefe na orelha, problemas e problemas sérios, quero voltar renovado, pilha recarregada, renovar corpo e alma. Certooo vou voar de avião, adoro, todo o trajeto São Paulo X Natal X Recife X Maceio X São Paulo (planejei 6 meses para todo o translado de avião) ahh eu merecia, trabalho para que? Não é mesmo.....
       Minha namorada morre de medo, vou contar mais adiante, pensa numa pessoa “Cagona” mandei ela para Recife sozinha de avião, com conexão ainda..., nunca tinha voado kkkkkkkkkkkk.....depois eu conto mais!!!!
      Natal é a segunda vez que visito, a cidade está em meu coração, quero torna-la minha segunda casa um dia, pretendo um dia morar lá, gosto muito da Infraestrutura, Comodidade, Lazer, Diversão, Entretenimento, Praias paradisíacas, estratégico ao meu ver, para o Nordeste  etc etc etc, sou apaixonado por Natal, abaixo segue meu roteiro e vou falar em cima dele.
      Gosto muito de experimentar coisas novas, comidas, passeios e hospedagens e neste não foi diferente, da última vez que fui a Natal “2015”, fiquei hospedado em um Hostel chamado “Fun Hostel” era de um publicitário do Rio de Janeiro o Fabio, gente boa por sinal, ele tem outro em Buzios do irmão ou parente, o de Natal muito bem localizado, muito bem cuidado, extremamente limpo, moveis, mobília novas adorei ficar lá, mas resolvi me hospedar em outro, mesmo porque foi orientação do próprio Fabio e busquei informações aqui no site. Enfim encontrei e fui orientado a ficar no
      Frustração: “Albergue da Costa”, uma das piores escolhas que fiz na minha vida, você leu certo, piores escolhas que fiz na minha vida.
      Ressalvas:
      Historicamente existe uma rixa ou uma “P....a” que eu não sei quem inventou isto ou quando surgiu, o infeliz que plantou a sementinha da discórdia entre Paulistas X Cariocas, gente estou de férias, quero ficar zem, buscar paz, sossego e tranquilidade, quero fazer novas amizades, conhecer novos lugares, passar boas dicas, nadar com peixinhos, ficar horas e horas no mar contemplando a natureza etc etc, mas infelizmente presenciei o fato!!! Quando cheguei em Natal desembarquei com o calor maravilhoso, clima agradável, tudo que eu queria...
      Dica: Transfer Aeroporto a Ponta Negra “Natal Transfer” R$ 35,00 reais, vale muito a pena, já havia solicitado no próprio hostel, me levaram certinho show.
      Quando cheguei no hostel já vi a sua cara e cuidados, nada a ver com “Fun Hostel”, sou adepto a albergue, quando  me hospedo, estou em busca de uma boa cama, chuveiro e um bom café da manhã, depois fazer amizades, conversas, o dia rende para mim, 06:00 hrs já estou levantando.
      Pois bem, fui recepcionado por duas atendentes extremamente mal educadas, bocudas Luciana “A Carioca”, Evellyne “A internauta” e Marcelo ou Henrique “O Atleta”, este último não sei o nome direito dele, enfim o dono do Hostel; continuando, para começar toda aquela fotos dos quartos, área de lazer, bar, piscina, história do albergue passou por várias reformas, sonhos e trabalhos na Argentina para construir um sonho tudo blá blá blá, blá blá blá, blá blá blá acredito muito na premissa Esforço X Trabalho X Realização, mas não se aplica a eles, para começar as atendentes; primeiros contatos:
      - Fala bicho blz? Quem é você?
      - Sou o Paulo tenho uma reserva aqui....
      - Vai falando mais que a minha memória está sequelada....
      (se vocês adivinharem quem me recebeu assim, pago uma gelada para cada um que me cobrar.... escrevendo agora rs rs rs estou rachando de dar risadas, mas foi exatamente assim o primeiro contato... Eu sou bicho? Me pareço com um? minha mãe será que é uma ursa e não estou sabendo, ahhh meu Deus crise de identidade! Memória sequelada, isto quer dizer esquecimento????
      Normal levei na esportiva, mesmo porque estou de férias tranquilo, novos contatos, terras distantes, saber lidar com as diferenças etc etc.
      - Ahhh então é você que é o cara teimoso, que quer, porque quer ficar no quarto misto.... (A internauta)
      - Eu tinha reservado este, mas o quarto está com algum problema?
      - Sei lá, quem vai dormir lá é você!!!
      Nesta hora já havia subido, a paciência um pouco esgotada, fui parar em um quarto lotado, camas horríveis, banheiro minúsculo, beliche mole parecida saída de um tufão, moveis antigos, largados e sujos, piscina água verde, mata sem cortar e aparar, a campainha é igual a usada em fazenda, para chamar o gado, e a localização do Albergue horrível, detestei, depois de outras conversas elas próprias me disseram, que o Hostel iria fechar, porque o dono queria ter estilo de vida das “Kardashian” rs, será que tem motivo??? Mais tarde fui pedir outra ajuda:
      - Meninas depois preciso de uma ajuda.... (Paulo)
      - Vai falando, vai falando, vai falando.... (a Carioca)
      - Vocês podem me ajudar com a tábua da maré e ver os passeios que dependem dela? (Paulo)
      - Vê você, usa o seu celular... (a Carioca)
      - Tem algum micro ou internet que posso ver? (Paulo)
      - Só existe um e está quebrado (A internauta)
      Penso eu: Meu Deus aonde eu vim parar, sai logo daqui, vai procurar seus passeios, ver o mar azul turquesa, com mistura de verde, vá respirar ar puro, ver o morro do Careca, passear na areia, foi o que fiz.
      Dica: Programe seus passeios as piscinas naturais Maracajaú e Perobas, de acordo com a Tábua da Maré, depois te explico melhor como funciona, todos os passeios, as piscinas naturais, dependem dela, eu já sabia disto e fui atrás para me programar.
      1 Dia – Maracajaú + Punaú (Preferência ficar somente nestes locais)
       
      03/02/2017 – Perobas (Passeio lancha para Parrachos)
       
      Maracajaú (perfeito o lugar, maravilhoso o passeio, “Awesome”), mas infelizmente o mar só estava bom um único dia, na semana da minha estadia, então resolvi Perobas ***(antes de continuar lendo, vá até os asteriscos logo abaixo, leia minhas resenhas e depois retorne aqui...)
      R$ 120,00 reais, mais R$ 30,00 reais do almoço lá, nunca tinha feito, comprei o passeio através da “Buggy Brazil”, não conhecia, procure as agentes Patricia ou Paula (ela é meio doidinha mas gente boa), deixo o contato e telefone depois, existe também o “Mar Azul” guia e agente “Caio” um paulista da Zona Leste gente fina de mais, depois deixo o contato, aprendi muito com ele, existe a “Lizzandra” agente “Laura” uma Argentina que não trabalha mais lá mas deixo o contato também, agora em seu lugar está um agente Uruguaio, esqueci o seu nome, muito gente boa e feliz da vida, me ajudou muito em momento de desespero, depois eu conto!!! Comprei também o passeio pela Buggy do quadricículo para lagoa Carcará.
      Ressalvas:
      *** No dia marcado ao passeio, acordo 06:00 hrs da manhã, café da manhã está longe de ser servido, começa as 07:30 hrs, me arrumo, passo protetor, pego meu Kit mergulho bugigangas e celular perto para caso aconteça alguma coisa, pois aconteceu.....
      (cont ***) Ai ai, não sei por onde começar tantas coisas ocorreram neste viagem, que vou voltar a viajar de novo, de novo e de novo. Fui orientado pela agente Paula para eu estar as 06:30 hrs em frente ao hostel porque ninguém conhecia-o, segunda ela, com celular perto, deu 06:40 hrs, 06:50 hrs, 07:00 hrs, 07:30 hrs e nada da Van, meu Deus esqueceram eu aqui, tentei ligar na agência e telefone não existe, comecei muito bem aqui em Natal hein, minhas férias estão indo por água a baixo, está sendo destruída, Paulo não desista, enfrente a parada, você não voou mais de 2.240 km para isto, e aí que aparece o Atleta.
      (cont ***) Olho para o lado e vejo um cara de sunga vermelha se exercendo logo nas primeiras horas do dia, penso que é um hospede, dou bom dia me responde bom dia e tudo certo, lembre-se eu esperando a van e já desesperado! Ele termina seus exercícios e me pergunta?
      - Vai para passeio? (O atleta)
      - Vou sim, vou para Perobas, mas a Van ainda não passou, acho que me esqueceram aqui. (Paulo)
      - Que horas são? (O atleta)
      - 07:40 hrs... (Paulo)
      - Perobas a Van passa 07:15 hrs no máximo (O atleta)
      - Aonde você contratou o passeio? (O atleta)
      - Na Buggy Brazil... (Paulo)
      - Não trabalhamos com eles... (O atleta)
      (cont ***) Neste momento tinha descoberto o dono do Hostel ele foi muito solicito comigo nos primeiros instantes, até a página 2, ele tentou ligar para a Buggy tb não conseguiu, tentou me vender um outro passeio para Maracajaú, que eu sabia que a maré estava horrível aquele dia, e ainda fez um comentário desnecessário com a agente de turismo, deixa para lá... Nesta hora entrei em desespero total, buggy total no sistema, colapso financeiro, queda mundial da bolsa. Peguei minhas coisas e fui correndo mais de 30 min pela orla para chegar a agência, errei o local fiquei rodando como um peru para achar, quando eu encontro, bem na frente existem outros turistas que a agência havia esquecido, pronto!!!! Mundo abaixo, terremoto, maremoto, tsunami e tempestade em um único lugar. Olho para o lado a Paula (Doidinha) tentando ligar para Deus e o mundo, detalhe 08:15 hrs da manhã. Enfim depois de toda esta catástrofe no primeiro dia em Natal, cidade comedor de camarão, sou potiguar de coração, a Van me aparece, pega os turistas perdidos e encontro o motorista da Van (Esqueci o nome), parece Senhor dos Aneis II aonde a sociedade do Anel Frodo e Aragorn estão encurralados no castelo e quando derrepente soa a trombeta do exercito Elfos Armados e blindados para salva-los, ufa foi exatamente assim que me senti. Mais um adendo, o motorista havia me falado que havia passado 5 min depois da minha saída e detalhe eu vi ele passando ao meu lado, mas como não tinha emblema da buggy não reconheci, e ainda o atleta tinha informado que eu tinha desistido do passeio, tentou vender outro para mim e informado ao motorista que tinha saída a mais de 30 min daquele instante.
      Passeio:
      Maravilhoso o passeio amei muito, primeiramente fui para Punaú, este passeio antes era feito junto com Maracajaú, agora eles desmembraram, Punaú é uma fazenda que este sim, está eternamente em reforma maravilhoso o lugar, excelente para estar com crianças e tudo mais, água rio altura da canela, mar incrível foi meu batismo em Natal, existe uma tirolesa no local R$ 5,00 reais por descida (legal), o almoço não sei mas creio ser bem salgado pois uma água      R$ 5,00 reais, mas levarei e levo minha filha de 3 anos com certeza lá, mas vou alugar um carro da próxima vez - falando em alugar carro depois conta mais!!!! - Depois de cerca de 02:30 hrs em Punaú fomos para a tão sonhada Perobas, uma lancha pequena para um grupo de 6 a 8 pessoas, já foi emoção do inicio, lanchinha enfrentado as ondas que mais parecem de pedra
      Dica: não aconselho este passei “Perobas + lancha” para as piscinas naturais com crianças!!! Talvez de catamarã, talvez para não ainda!!!! Mas finalmente, estava em Natal e suas belezas naturais, nadando com os peixinhos coloridos, no meio do oceano, tirando e filmando fotos submersas, minha câmera digital é subaquática uma das melhores aquisições que fiz na vida, junto com o meu Kit mergulho (Extremamente essencial estes dois itens), estava tudo lindo maravilho, diversão total, quando derrepente no retorno a costa me aconteçe a “M...a” anunciada.
      Ressalvas:
      Quando você planeja umas férias destas, pelo menos para mim, tento me blindar de todos os problemas possíveis e inimagináveis, a final de contas eu trabalho com TI, meu chefe me exige isto, minha rotina me exige isto, meu trabalho exige isto, mas como dizem “M...as” acontecem, problemas aparecem e soluções são necessárias... como se não tivesse passado por problemas dias antes, por enquanto e até agora. Mas vamos a frente e enfrente, aqui em São Paulo eu tinha percebido que minha câmera estava meio embaçada quando tirava fotos subaquáticas mas eu nem liguei muito, mas me resguardando fui atrás de assistência tentei trocar o Kit de vedação, sabia que iria utiliza-la e muito aqui, só que o técnico da autorizada me cobrou R$ 400,00 reais na época para trocar, fui na Santa Efigênia, ninguém fazia o serviço, na Itália ela me custou R$ 600,00 reais, meu irmão que trouxe-a, já tinha 5 anos de uso comigo e ainda aguentando, acreditei que ela ainda aguentava, pois bem, não aguentou!!!! Detalhe segundo dia dos 22 total no Nordeste das férias, piscinas naturais, mergulhos, paisagens etc etc etc. E agora aonde eu vou arrumar está câmera aqui, se nem em Sampa consegui, nesta hora não conseguia pensar em mais nada, nenhuma alternativa a não ser arruma-la, imagina quanto custaria ela aqui mais de R$ 1.000,00 reais e agora e agora??? Eu não tenho esse dinheiro!!!! Levei mais de 12 sabonetes, 2 tubos de pasta dental, 2 tipos de protetor solar (pois sou alérgico), 2 pares de chinelos, bermudas diversas, cuecas diversas, dinheiro a mais para emergências para os passeios, mas nunca pensei em levar, 2 máquinas digitais, e ainda meu celular é só aquele que faz e recebe ligação. Estava muito receoso em comprar um novo celular (outra história mais adiante), minha namorada disse que vivo na era das cavernas pois nem Whatsup tenho, agora eu pergunto, trabalho com tecnologia o dia inteiro, trabalho em um ambiente aonde se eu colocar todos os servidores que tomamos conta, enche um apartamento de 100 metros quadrados e ainda falta, você acha que quero isto para mim, eu não, mesmo porque, proposta de férias é desligar total, derrubar os disjuntores, investir em conversas, deixar os celulares Mega Blaster Poderosos, com processadores e aplicativos capaz de controlar a sua própria casa a km de distâncias, alguns deles controlam até a vida dos próprios donos!!! Sai fora, deixe-o de lado, quero contemplar o corpo, alimentar o espírito e alma de coisas boas. Você acha que um advogado quer saber de quantos processos e audiências com o juiz ele vai enfrentar nas férias???? Você acha que um médico quer saber de quantos pacientes ele terá que operar nas férias??? Você acha que engenheiro quer saber dos cálculos que tem que fazer nas férias???? Lógico que não...então cada um...cada um.....!!!!
      Volto a Buggy Brazil para suspender meu passeio de quadricículo que seria no dia seguinte para eu ir atrás da câmera, até que encontrei o abençoado Uruguaio feliz da vida que me deu uma enorme dica, no momento de desespero. Fale com aquele cara ali que ele pode te ajudar, depois coloco o nome, pediu para eu procurar uma loja chamada “Samurai Assistência Técnica” especializada em consertos de máquinas digitais, detalhe era sábado, acordei bem cedo peguei o ônibus para o Centro de Natal, esta loja fica em frente ao Shopping Cidade Jardim, eles até arrumariam R$ 175,00 reais com muito esforço e dedicação porém destroem a capacidade de fotos aquáticas, então parti para comprar um kit de proteção para câmera, não encontrei em parte alguma, quando derrepente encontrei a salvação da minha vida
      Frustração: Alecrim presentes, aonde o vendedor me ofereceu aos 47 min do segundo tempo uma parecida com a Go Pro, (câmera Sports HD) resolução boa, gravação subaquática por R$ 400,00 reais. Pensei pronto estou de volta a vida com minhas fotos e filmagens. Comprei cartão de crédito parcelado em várias vezes, todo feliz e deixei a outra lá na assistência. Chegando em casa comecei a testa-la e fazer filmagens e logo percebi alguma coisa errada, resolução das fotos e filmagem, lembrando estava véspera do passeio quadricículo, um dia inteiro perdido em Natal a procura da câmera, vou testa-la amanhã!!!
      Batata fotos com baixíssima qualidade e filmagem horrível. Voltei a loja na segunda feira, pois domingo não abria, consegui troca-la por outra, detalhe parecida e agora estava pouco feliz, pois perdi um dia de filmagem e fotos, mas pensei o que é um dia em vista dos cerca 19 que tenho adiante, pois é, só pensei, Lembrem-se nada que está ruim não possa piorar!!!! A câmera também está com defeito só que estou agora véspera de embarcar para Recife e sem ânimo para ir atrás de novo!!!! (Até hoje 02/03/2017 não resolvi o problema), ou seja preciso comprar outra para as próximas férias.
      04/02/2017 – Depois de passar todo o perrengue, beirando as 14:00 hrs fui para o meu lugar preferido de Natal, um cantinho muito especial para mim, tomar um banho de mar, relaxar, reenergizar-se e pronto, mas este, não dividirei com vocês.
      Passeio:
      05/02/2017 – Lagoas Arituba, Carcará, Alcaçuz, Juventude (passeio quadricículo 4x4)
       
      Com a câmera com defeito mesmo, fui ao passeio, desta vez ocorreu tudo bem, a Van me pegou no horário no hostel e chegamos no horário estipulado, passeio R$ 220,00 reais, fora o almoço cerca de R$ 30,00 reais. Eu queria conhecer as lagoas de um modo diferente, então resolvi comprar este, queria conhecer Arituba, Carcara, Alcaçuz e Juventude, já a emoção tomou conta no início do passeio, porque é muito, muito louco pilotar o quadricículo, fizemos um teste rápido na mini pista deles, aquele troço é forte de mais, fiquei com vontade de comprar um para mim, nunca tinha andado de moto e além do que pilotar nas dunas, falésias e o bicho é 4x4 show!!! O passeio consiste em passear no meio da floresta, subir e descer uns declives a aclives e passear nas dunas. A agência fica na praia Pirangi do Norte, Panamirim, bem próximo ao maior Cajueiro do mundo.
       
      Dica: você pode até ir de ônibus a Pirangi e contratar o passeio lá, a agência “Terra Molhada”, pode ser a mesmo coisa, talvez mais barato, aí já não sei.
       
      As paradas são nas lagoas Amarela está seca seca, lagoa Alcaçuz (mais ou menos, esperava mais) e a tão famosa Carcará pelas fotos lindo lugar só na foto, tempo média de parada para conhecer e banhos 40 min, Carcará neste dia como era final de semana tinha um evento lá da Bandeirantes, SBT e Record imagina o furdunço que estava aquele lugar, mas fui muito bom conhecer e tirar fotos, virei até celebridade pois os moradores queriam tirar fotos em cima do meu quadricículo, foi legal!!!
       
      Dica: Não vá a estes passeios das lagoas de final de semana, já tinha lido a respeito, mas fui do mesmo jeito, não voltaria “De final de semana”; Carcará existe um passeio de pedalinhos para mim dispensável, na lagoa, se não tivesse tanta gente seria mais legal, mesmo porque descobri que dá para ir de carro lá, mas não voltaria sozinho de carro não, não tem nada para fazer lá, a não ser encher a cara (mas não era o meu foco) e nadar na lagoa. Mas o passeio foi salvo e foi muito legal andar de quadricículo do que propriamente conhecer as lagoas, voltaria a fazer, pelo quadricículo. Os guias até me filmaram a toda velocidade pilotando-o, muito show amei!!!!
       
      Frustração: Soube pelas pesquisas e conversas que tive lá, a Lagoa Arituba fede a urina (mais de 4 pessoas, inclusive morador me confirmou isto), era bonito no passado e agora de longe e só para tirar fotos então atentem-se. Lagoa da Juventude secou, morreu. Em Natal eles estão com problemas muito sérios de falta de chuva o que temos aqui em abundância eles perecem com o recurso, tanto é que no passeio da lagoa de Jacumã, eles a represaram para também não morrer. Outro passeio que tinha feito no passado foi a lagoa da Coca Cola, também morreu, secou! Triste estas informações mais atuais e reais.
       
      Passeio:
      06/02/2017 – Lagoas Jacumã Aerobunda, Tirolesa e Kamikaze, Pitangui) (Possibilidade Aluguel Carro, atravessa a balsa).
       
      Bugueiros recomendados - Marcilio (84) 99960-8334/99927-1103, Moal (Informações Albergue da Costa)
       
      Preferir passeio de buggy o dia inteiro
       
      Desta vez decidi voltar a Natal, pois da última fiquei 19 dias, praticamente todos os dias um passeio diferente e não conheci todo Natal, este retorno o foco e objetivo era “Lagoa de Jacumã”. Muito eu li e busquei informações sobre o tão falado “Moal” ou “Marcílio”, o quanto eu li a respeito destes caras deveriam ser os príncipes de Natal, gente boa, bons passeios, ótimas aventuras, etc etc etc. Lenda, Lenda, tudo lenda, sabe aquela coisa não acredite em tudo que lê, passei na pele o sufoco. Meus cinco dias em Natal, todos, afirmo todos os dias tentei contatar o Príncipe Moal para o passeio em Jacumã, pedi ajuda até para Carioca e a Internauta, para o passeio na Lagoa Jacumã; não consegue ir sem Buggy, todas as agências, não quiseram me incluir para fechar um grupo, repito 5 dias praticamente tentando fechar o passeio, não me aceitaram pois eu estava sozinho e quem tinha não queria um forasteiro!!! Pensei o príncipe Moal vai me salvar, a Carioca até conseguir falar com Príncipe Moal e Príncipe Marcílio, mas ambos informaram, “Não faço este passeio exclusivo”, “Não tenho como encaixa-lo em nenhum de meus passeios”, “Só faço se ele pagar o buggy inteiro R$ 400,00 reais e ainda talvez”, pois este não é o meu foco..... Imagina um cara frustrado, agora some uma 10 caras frustrados, agora multiplique por 100, este era eu!!!!! Meu retorno a Natal foi quase que exclusiva motivo Jacumã, queria descer no Kamikaze, na tirolesa, adoro sports radicais, pois bem, mais um problema para coleção.
       
      Quer saber a frente e enfrente, vou neste lugar mesmo que seja voando!!! Mal sabia da minha peregrinação... este era minha única alternativa no momento, uma das loucuras da viagem. Começando peguei um ônibus até o Shopping Cidade Jardim 30 min, depois peguei o Nº 77 até (esqueci a cidade) 01:30 hrs e depois peguei um táxi comunitário até a Lagoa 40 min, total de trajeto cerca de 02:30 hrs. É muito longe de condução, fora que neste vilarejo o descaso do governo é tão grande, tão grande que - Se uma mãe estiver com filho doente as 19:30 hrs da noite, esquece que nem taxi vai te pegar, além do mais hospital que não existe, uma vergonha este descaso. Pois bem, cheguei a Lagoa todo preocupado, aonde eu estava, que lugar é este, totalmente desnorteado, imagina aqueles taxis que carrega cachorro, periquito, galinhos e nós... Na lagoa tinha uma casa/restaurante que serve comida para os turistas (XXXX) eu desnorteado com as minhas coisas, fui atrás de informação, cada descida kamikaze R$ 13,00 reais, descida tirolesa    R$ 13,00 reais, comprei 2 Kamikaze e 1 tirolesa, melhor coisa que fiz!!!! O lugar é fantástico, primeiro fui tomar um banho de lagoa para relaxar e me reequilibrar, depois fui tirar uma fotos do lugar com quem? Minha super câmera Sports HD “F.....a” quebrada!!! Voltei e dei mais um mergulho, que delícia de lagoa, até então não tinha tantos Buggys das agências, quando resolvi... vai ser agora, vou descer de tirolesa primeiro, que sensação, show, já tinha valido por 01:00 hrs de viagem, agora vou dar outro mergulho na lagoa, porque aquele escorregador é insano, antigamente as pessoas desciam de costas e blz, agora eles descem de cabeça ... em cima de uma prancha a cerca de 60Km por hora, a uns 40 mtrs de altura, eu também tinha que descer. Depois de 15 min tomando coragem, pedi para um cara lá embaixo, me filmar. Pegando aquele carrinho, movido a motor de fusca que te puxa a uma velocidade – O Carrinho descarrila comigo em cima – Puts cagou....quase me machuquei não é um bom presságio.... vou me arrebentar todo, vou quebrar o pescoço...como o águia da PM vai me resgatar aqui....Minha filha vai ficar sem Pai....um monte de “M....a” passou pela minha cabeça.....respira...respira a frente e em frente. Lá de cima acreditem não são só seus pensamentos que travam, quando você coloca a prancha embaixo de você e começam a jogar água na lona....O instrutor segura a prancha firme, levanta a sua cabeça e a ponta dela e vaiii..... Ai meu Deus... Ai meu Deus.... Nãooooooooooo........ Nãooooooooooo..... e despenco a 60 km por hora.... – Nossaaaaaaaaaaaaaaa, que delícia, dá uma impressão que você vai ser arremessado para fora da lona e decolar da lagoa - Pronto viagem perfeita, valeu todo o sacrifício, muito show... finalmente fiz o que vim fazer, deslizei uns 20 mtrs na lagoa, “Awesome”!!!! “Awesome”!!!! Vamos a segunda vez??? Calma respira, analisa, dá um mergulho antes, relaxa!!!!! Tinha até umas crianças descendo quase de pé com a prancha.
       
      Dica: Quando você for, segure bem firme a prancha em sua cabeceira, junto os cotovelos bem próximos ao peito e unidos erga a cabeceira dela e permaneça até você parar na lagoa, existem uns barquinhos de apoio próximo, muitos perdiam o controle e imaginam, “Vídeo Cassetada”. Umas duas vezes que descer, já pega o jeito, e fiquem tranquilo, não possui “Perigo”, lógico por sua conta e risco!
       
      Minha permanência na lagoa girou em torno de 3 horas, o que eu via de Buggys chegando e partindo com 40 min de permanência, é muito pouco tempo, fora as filas imensas para descer na Tirolesa e Kamikaze. Meu medo maior foi estar no meio do nada e ficar sem apoio para voltar, coisa da minha cabeça, dava para eu permanecer mais umas 02:00 hrs que o taxi comunitário iria me buscar, margem de segurança é até as 17:00 hrs, depois disso eu não aconselho. Como eu havia pegado o telefone do ponto de táxi mais próximo de Jacumã, foi tudo tranquilo!!! Mas eu voltaria de carro.
       
      07/02/2017 – Neste dia, acordei cedo tomei café da manhã, fui fazer minha respeitável despida de Natal, agradece-la novamente pela minha estadia e principalmente de continuar linda do jeito que está.
      Minhas considerações finais:
      * Não volto mais ao Albergue da Costa e não indico, mesmo por que é bem capaz que não existe mais, as meninas me falaram que provavelmente vão fechar, e com certeza existe motivos para tal.
      * Restaurantes para comer os tão famosos (Tábua de Carne, Camarões, Barraca do Caranguejo e Coral), não fui em nenhum deles, pois não me importo em comer em lugares “sofisticados”, comendo o básico e ficar bem alimentado Show, almocei/jantei a maioria dos dias no Praia Shopping Girafas pois ficava bem próximo ao Hostel, preferi investir em excelentes passeios, em excelentes paisagens, é nisto que invisto minhas viagens.
      * Na época Natal, estourou o problema no Presídio Alcaçuz, não me senti em nenhum momento constrangido ou cerceado pelas minhas caminhadas, existia um Jipe dos Fuzileiros Navais e policiais fazendo patrulha, andava com $$$ no bolso e tranquilo.
      * Fiquei extremamente decepcionado com os príncipes Moal e Marcílio o que se tornou para mim Lenda Urbana.
      * Para compras o Vilarte Ponta Negra, muitas variedades e principalmente preço mais em conta do que os famosos Centro de Artesanato e Feirinha do Artesanato, inclusive aonde consegui fazer degustação de cachaça e licores para presentes nos outros não tinha. Castanha inteira a boa achei por R$ 20,00 reais 400 g.
      * Apesar dos pesares Natal está em meu coração e voltarei com certeza.
      Investimento:
      Passagem área ida e volta Natal cerca de R$ 800,00 reais;
      Hostel quarto compartilhado R$ 120,00 reais;
      Passeios, alimentação, lembrancinhas e câmera com defeito cerca de R$ 1.300,00 reais.
      Nota: 8
       
       
      Voando para Recife....
      Recife – 07 Fevereiro a 11 Fevereiro 2017
      Nossa como é gostoso voar de avião, dois anos e meio sem voar, sentir aquele friozinho na Barriga, olhar para os painéis do aeroporto e dizer “Estou indo embora, lógico que não estou continuando minhas tão sonhadas férias, eu era potiguar agora vou virar Recifense”, ô delícia de pensamento e sensação. Saí de Natal rumo a Recife um calor de 38˚ no aeroporto, lembrando:
      Dica: Paguei novamente o transfer para o aeroporto R$ 40,00 reais, agora ficou um pouco mais caro pois o motorista não tinha troco – penso eu que me deu um calote de R$ 5,00 reais – mas de boa fica de caixinha eles foram super pontuais...
      Tirando fotos no aeroporto, indo para lá e para cá, meu que viagem maravilhosa estou tendo, apesar dos problemas passados, vou chegar em Recife vou pegar o carro alugado, vou conhecer uma nova cidade, nadas com os peixinhos nas piscinas naturais, obrigado Deus....
      Quando reservei o carro fiquei muito preocupado, pois não a conhecia e estava muito receoso em alugar, nunca tinha feito, encontrei a locadora Budget, nunca havia falado mas quando cheguei em Natal ainda estava receoso com a locadora, será que existe, será que vai dar certo, mas olho para o lado e me tranquilizo pois até em Natal tinha um guichê deles, 0800 então Recife fichinha, como o carro era para Recife tranquilo. Paguei muito barato cerca de R$ 280,00 reais com seguro todo o período em Recife. Desembarquei no aeroporto, um sol, um clima uma temperatura maravilhosa, fui tomar uma água e fui ao banheiro, fui fazer o nº dois, fiquei por lá um tempo, consequentemente fiquei preso na área de desembarque, rs rs rs...de boa chamei uns funcionários para ligar para a administração e logo abrirão o portão para mim. Fui atrás do guichê da Budget muito rápido o atendimento e tranquilo, eu só não esperava o “Caução”, não sabia que tinha isto e mesmo porque tinha deixado o cartão de crédito para comprar outra coisas, mas sem choro R$ 800,00 reais de caução, uiiii doeu na alma um pouco. Quando o senhor retornar com o carro estornamos o caução. Vamos até lá pegar o carro eu tinha reservado um Nissam March, pois me atendia super bem preço e custo e iria andar mito em Recife queria dar comodidade para mim e a minha namorada, afinal era a primeira vez que estávamos viajando para tão longe e sozinhos, e ainda para um paraíso. Não tinha o carro ele me deram, um Ford Ka, novinho, vidro, trava, direção, porta trecos diversos e entradas USB, limpinho show.
      Dica: Carro com estes itens parecem banais mas de extrema importância, logo irei contar o porque, não pego mais carro sem estes itens básicos e principalmente você precisa ter GPS.
      Perguntei ao funcionário da locadora como faço para ir para Porto de Galinhas, lembrando não tinha GPS (pois  iriamos usar o da minha namorada), é bem tranquilo é uma reta só ele me deu as orientações certinho e fui se embora. Ainda meio receoso, afinal de contas 1º vez a cerca de 2000 km de distância da minha cidade e sem GPS....rs rs doidera nehhh....mas saindo do aeroporto, peguei a reta e fui, logo começam a aparecer as placas de identificação e sentido, mas mesmo assim parei em um posto e perguntei novamente, o rapaz me aconselhou e eu aconselho vocês a pegar a via pedagiada R$ 7,00 reais, porém muito melhor e muito mais fácil, lembrando Recife apesar de ter metrô e transporte público, sofre por problemas de grandes capitais, trânsito. Chegando próximo a entrada de Porto de Galinhas, ô que brisa maravilhosa, temperatura agradável, parei em uma pousada para pedir informação aonde ficaria a minha. Gente eu já sabia, tinha conhecido um Recifense, mas agora encho minha boca para falar “O povo hospitaleiro e gentil hein....” Nossa todos os recifenses que conversei ou encontrava são extremamente gentis.... O atendente da pousada ligou até para a minha pediu mais informações e me orientou certinho, cara muito obrigado, não vou lembrar da pousada. Chegando em frente a pousada, igualzinha a Foto em frente a uma pracinha agradável e tranquila,
      Dica: Pousada Liras da Poesia ou Pousada Branca, é a mesmo lugar, mas muito, muito boa a pousada/hostel, totalmente ao contrario da minha estadia em Natal, não vou nem citar mais o nome. Excelente atendimento, custo X benefício excelentes, excelente café da manhã e Rabanada!!!!!!!. Nossa não sou muito fã de doces, mas aquele Rabanada com leite condensado, são dos Deuses!!!!
      Estava com saudades da minha “pretinha” que na verdade é morena, mas sabia que aquele Sol iria deixa-la Jambo e queria saber acima de tudo sua experiência em voar de avião, sozinha com conexão, Kkkkkkkkkkkkkk que gostoso sacanear os outros, saudavelmente é claro, o que rende vários momentos de descontração e risadas.
      Em São Paulo, levei-a para o aeroporto de Congonhas expliquei detalhadamente aonde ela iria fazer check in, desembarque com o carro do pai dela, direção dos portões, expliquei voo de conexão pega suas bagagens do destino e não conexão, blá blá blá, blá blá blá. Saindo do aeroporto 15 dias antes do seu embarque e aí decorou está tudo bem?
      - “Lógico, agora está tudo bem, quero ver na hora do meu voo, fica com o celular ligado hein, pelo amor de Deus...” (Letícia)
      Três dias antes do embarque meu a Natal:
      - Você quer perguntar alguma coisa sobre o voo? Anotou todas as dicas e principalmente se der alguma “m....a” fixe seus olhos nos comissários eles tem treinamento para salvamento e resgate, posição fetal para impacto da aeronave,   (falei de sacanagem o final só para dar uma pilhada kkkkkkkkkkkkkkk)... (Paulo)
      - O que salvamento e resgate.... (Leticia)
      - Lógico, acidentes acontecem kkkk... (Paulo)
      Recentemente tinha acontecido aquela tragédia com o time as Chapecoense e outros passageiros, que Deus os tenha e confortem suas famílias....
      Adentrei ao portão da pousada e logo vi, uma pessoa bronzeada e brilhante, era ela, subimos até o quarto e sem explicações agora!!!!
      Sua chegada em Porto de Galinhas foi dia 05/02 eu já estava em Natal, resolvi deixa-la 2 dias sozinha só para saber como é viajar sozinha, longe de tudo e de todos, é uma sensação “Maravilhosa”, conhecer novos ares, novas pessoas, novas oportunidades, novas culturas e línguas. Uma coisa que aprendi a dar valor quando comecei a viajar sozinho é:
      - Pensamos que o mundo só está ao nosso redor, nossa cidade, bairro e emprego, devemos sair desta redoma e ampliar e conquistar novos horizontes e visões, quantas e quantas coisas temos a conhecer e a descobrir, basta querer, quantas oportunidades e conquistas teríamos se ficássemos em nosso “Mundinho”!!!! Viva com amor e intensamente, afinal nossa vida é hoje e o agora, desfrute destes prazeres, que Deus nos deu, se permita alçar novos sonhos e conquistas, o mundo é tão grande e muito além de nossas fronteiras imaginárias, devemos ultrapassa-las sim com consciência e serenidade, deguste de novos sabores e odores, descubra as belezas e riquezas de Porto por exemplo e como tem riquezas...
      O voo:
      Este é um breve relato dela.... Pernas bambas na entrada do aeroporto, sudorese no embarque. Qual é a sensação de alguém viajar sozinha de avião pela primeira vez e sozinha, terrível é lógico, o estômago vai parar na boca, a decolagem é o pior momento, avião sacudindo e um barulho quase ensurdecedor, sensação claustrofóbica se sentindo dentro de uma lata de sardinha com asas, náuseas diversas, cabeça explodindo e quando o avião pousa nossaaaaaa, que doidera, e depois avião subindo novamente quase vomitei, não tinha as tv  das poltronas, peguei a internet do avião e baixei o aplicativo da TAM, enfim ela passou muito mal!!! Precisou comer um boi para se restabelecer. Seus relatos com detalhes e dinamismo foram que renderam as risadas!!! Mas disse que não voa mais sozinha, kkkk, agora eu mando ela para o Egito!!!! kkkkkkkkk
      Sensações que não percebo mais e acredito que passageiros assíduos também. Uma grande novidade para os marinheiros de primeira viagem, segundo ela e minha opinião, valeu tudo a pena, quando vi este mar verde esmeralda transparente, já tinha passado todas as náuseas.
      Estava meio cansado da viagem, mas mesmo assim fomos dar uma volta em Porto, lembrando que já eram quase 17:00 hrs e anoitece muito rápido no Nordeste inteiro, então quase não deu para ver as praias, fomos caminhar no centrinho de Porto, que gostoso, novos ares, novo lugar para ambos, novos sonhos, novos horizontes!!!!
      Em porto, é muito bem estruturado, tem lavanderia, restaurantes, lojas de conveniência, lojinhas diversas, um pouco salgado os preços, em relação a Natal e Maceió. A pousada é muito bem localizada 10 min agradáveis de caminhada, perto do centrinho. Restaurante Gauchão para comer a vontade R$ 29,00 reais, (mais ou menos a comida) lavanderia R$ 15,90 o Kg roupa, água R$ 4,00 reais; mas lembre-se, nada disto é custo e sim investimento para você e sua vida, com planejamento e organização você não passará problemas. 
      Meu roteiro vou deixar abaixo, me planejei mal, no quesito dias, Recife/Porto de Galinhas é lindo de mais, tanto é no meu Ranking Porto ficou em segundo lugar, desta viagem, pouquíssimos dias para aproveitar suas belezas, voltarei com certeza agora com no mínimo 10 dias, e não chega a ser exagero!!!
      Minha previsão para o roteiro em Recife:
      07/02/2017 – Porto de Galinhas, Maracaípe e Ponta de Serrambi;
      08/02/2017 – Coroa do Avião, Forte Orange e Marinha Farinha (Parque aquático);
      09/02/2017 – Gaibu, Calhetas e Cabo de Santo Agostinho;
      10/02/2017 – Praia dos Carneiros e Tamandaré;
      11/02/2017 – Recife Olinda;
      Passeio:
      08/02/2017 – Coroa do Avião
      Coroa do avião foi um achado na internet, busquei as melhores praias de Recife e logo veio esta, cerca de 100Km de Porto de Galinhas, 01:40 hrs de viagem, gente acordem cedo, como falei, o dia rende para mim!!!!  Colocamos no GPS e ele nos levou até a Praia de Gavoa, em frente a um resort, aparentemente abandonado, não sei se funciona mais, pois só havia um guardinha na guarita, pedi informações e pude deixar o carro em frente a portaria, tranquilo e sossegado. Chequem no google maps, Coroa fica no meio do oceano, como a maré estava muito baixa conseguimos atravessar de “Gavoa” até “Coroa do Avião” a pé com a água no tornozelo mas subindo bem devagar. A distância cerca de uns 500 mtrs de caminhada, que sensação deliciosa caminhar em pleno oceano, sabendo que ali logo vai estar inundado, avistamos uns moradores pegando sururu, um deles me disse que existe umas piscinas naturais que é muito bonito, porém só de barco e maré baixa, outra nova janela a ser explorada!!! Pois bem chegando a coroa não parece aquela foto linda do post, mas em cima da ilha aí sim, vemos a imensidão e sua energia, que delícia, fomos recepcionados pelo garçom Leandro (não me lembro), logo nos instalou em seu mini restaurante, muito simpático e atencioso, quando derrepente  meus olhos saltaram  - Redes de descaço dentro do mar - Nosaaaa o que eu mais queria tirar uma bela foto (agora no celular da Leticia), desfrutar um sol 40° relaxamento total e tomando uma água de coco e com o plano de fundo o Forte Orange.
      Eitaaaaaaa vida mais ou menos, até ali já valeu as quase 02:00 hrs de estrada. Água deliciosa, mar um pouco revolto, mas porque a maré aquele dia estava cheia, comemos até duas lagostas por R$ 130,00 reais, nossaaaa..., vida de rei. O gosto não é dos melhores, para o meu paladar, mas estava muito bem feito, é a segunda vez que como e vai ser a última, prefiro ainda outros peixes, frutos do mar etc. Ficamos ali até o último cliente, de vez em quando chegavam umas lanchas enormes para nos visitar e tomar uma cervejinha, não foram muitas ainda bem, resolvemos caminhar em toda a sua extensão, acredito que deva ter 1,5 km, em toda parte tirava foto e banho de mar, lá não existe banheiro, estamos no meio do mar. Resolvemos conhecer o Forte Orange contratamos uma barquinho R$ 15,00 reais a travessia do canal por cabeça, passeio dispensável ao meu ver, pois está em reforma e acredito que no futuro se torne igual ao Forte do Reis Magos - Natal, muito louco o lugar; voltaria lá uma segunda vez sim. Como adoro lanchas, nadar, mar verde etc, pedi para o piloto da lancha se podia dar um mergulho no meio do canal!!!! Adivinha o que ele respondeu, lógicooooooooooooo!!!! Nossa estava a mil, mergulhei no meio do oceano, entre Coroa e Forte,  que delícia, tirei umas fotos e filmei, pronto, fechou o passeio em grande categoria, sucesso, piloto muito gente boa, fechamos com ele até nosso retorno a Gavoa R$ 30,00 cabeça.
      Gente lindo o lugar, volto com certeza, dependendo da maré dá para levar crianças, maravilhoso o lugar!!!! Amei. Gastamos o total com água de coco, água, lagosta, cerveja R$ 280,00 reais os dois. Retornamos a Porto felizes da vida.
      Neste mesmo dia, arriscamos ir para Olinda, quem vai a Recife a não conhece Olinda, não foi para Recife, mas chegamos muita tarde já a noite e cansados, eu queria conhecer o circuito do carnaval, achei a tão famoso Rua do Bom Fim, onde “Iveti” canta para todos. Tiramos várias fotos com os poucos bonecos gigantes que encontramos, fomos conhecer a Igreja da Sé, não sabia mas existem somente três no Brasil, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro, e para subir aquela ladeira, parece mais um precipício, só 4x4, pois subimos a pé, lá de cima o mirante é uma vista única, pena que não deu muito para apreciar pois a noite encobria tudo. Compramos alguns suvenirs, passamos umas 03:00 hrs em Olinda, eu sei que fomos chegar em Porto de Galinhas 22:30 hrs exaustos!!!! Mas cheios de alegria e emoção!!!
      Dica: Coroa do Avião muito protetor solar, beber muita água de coco, verificar tábua da maré (sem muita preocupação), chegar cedo!!! Chore para os garçons nos preços eles são gente boa, as duas lagostas eram R$ 250,00 reais. Não ande com muito dinheiro em Olinda ruas pouco iluminadas e escuras, mas foi tudo tranquilo, sem sustos ou maiores preocupações.
      Passeio:
      09/02/2017 – Porto de Galinhas, Maracaípe e Ponta de Serrambi
      Eu ainda não tinha conhecido até o momento as piscinas naturais de Porto - Oxxxxi como assim, pois é, me planejei mal com relação aos dias para a minha estadia - Mas enfrente e a frente, acordamos cedo tomamos um delicioso café da manhã, que por sinal, Excelente Pousada/Hostel Liras da Poesia, comi a famosa Rabanada com Leite condensado, nosaaaaa que delícia, lembro que comi mais de 15, nem aí para aumento de peso, estou de férias!!!!
      Chegamos as piscinas 08:00 hsr da manhã. Descobrimos lá que; para você frequentar as famosas piscinas com o formato do mapa do Brasil e outras mais adiante, você tem que pegar uma pulseira de acesso/controle, pois a fiscalização dentro mar é forte e existe, sem pulseira, sem fotos!!!! E bem na nossa vez, acabaram as pulseiras e só tinha para o dia seguinte, existe um limite de pessoas para frequentar as piscinas, concordo com a fiscalização e está certíssimo, mas não desanimamos, pegamos nossos kits mergulhos e fomos em outras piscinas mais perto e maravilhosas do mesmo  jeito, vimos a Dory, Peixe palhaço, peixinhos mais variados e coloridos possíveis, tiramos excelentes fotos da vida marinha, que delícia de mar, nossa como é lindo Porto de Galinhas, ficamos de queixo caído, ficamos no mar mais de 04:00 hsr filmando, nadando e relaxando. Depois de muita alegria e satisfação, olhos cheios de entusiasmos e apaixonados cada vez mais pelo lugar, fomos até a praia de Maracaípe, vizinha de porto, 10 min andando sentido lado direito, nadamos, tomamos uma água de coco maravilhosa, geladérrima!!! Maravilhoso mar. Depois fomos para Serrambi, bem próximos de carro, entramos em restaurante (não me lembro o nome) que um manobrista tinha falado R$ 15,00 reais prato feito e água de coco R$  2,00 reais, que nada preços altíssimos, pouco variedade, não gostamos o mar revolto e maré alta, não gostei da praia faixa de areia estreita e mal entramos no mar. Descobrimos um rio com encontro com o mar, lá tinha até cavalo marinho, mas através de passeio, não fizemos ficamos na praia/rio mesmo, não gostei, muito perigoso, não levem as crianças lá, correnteza forte e perigosa, rio traiçoeiro, muito melhor ficar na praia de Maracaípe estava muito mais gostoso, mas valeu a pena para conhecer, tirar fotos e relatar.
      Passeio:
      10/02/2017 - Calhetas, Gaibu e Cabo de Santo Agostinho
      Neste dia estava previsto, no meu roteiro, conhecer estas praias, porém mudamos de planos, por que?
      Estávamos as vésperas da despedida de Porto, e eu queria que a Letícia fechasse com chave de Ouro Porto de Galinhas, então sacrifiquei este dia para nós conhecermos Maragogi, o supro sumo das praias de Maceio, “Awesome”, a Galinha dos Ovos de Ouro de Alagoas, o tão famoso Passeio das Galés!!!!!!!!!! Agora muita atenção neste post e relatos extremamente importantes!!!!!!!
      Respiro para grandes emoções....
      10/02/2017 – Maragogi (Intenção passeio para as Galés)
      Este foi a minha pesquisa para as minhas férias em Maceió, logo abaixo deixarei exatamente minha pesquisa, minhas considerações, dicas etc.
      “___/___ / 17/02 – Maragogi - Passeio deve ir nas Galés – Galés é diferente ≠ de Barra Grande que é diferente ≠ de Taocas (Quero ir especificamente para as Galés) – Maré abaixo de 0,5. Maragogi Dreams no bar Burgalhau na praia de Burgalhau (ao lado de Maragogi). La tem passeios para outras galés inexploradas, tem banana boat e um montão de outras coisas. Telefone (xx)xxxx-xxxx Email [email protected] - Burga Nautica / [email protected] – Restaurante Frutos do Mar. Corre o risco de chegar num horário que a maré já está subindo, ou seja, não propício para o passeio das piscinas naturais de Maragogi, Os passeios das agências normalmente saem por volta das 8h, fazem o "hotel tour" pegando os outros turistas e vão para a praia. Retornam por volta das 15h e tem quem reclame que é muito cedo. Analisar se houver no mesmo dia maré baixa em dois momentos distintos, vale a pena ficar, perguntar sobre passeio buggy/quadricículo quando a maré está bem baixa, passeio na orla, pensar em levar Bike para conhecer Praia Barra Grande, Praia de Antunes, Praia Xaréu,  caminhar até a barreira de corais, também para entrar nas piscinas naturais, avaliar conhecer Rio Maragogi, as praias de Maragogi são: Praia de São Bento, Praia do Camacho, Praia de Maragogi, Praia de Burgalhau, Praia de Barra Grande, Praia do Antunes, Praia do Dourado Praia de Xaréu, Praia de Ponta Mangue e Praia de Peroba, se gostar de caminhar, da Praia do centro de Maragogi siga em direção sul até o Rio Maragogi, é bem legal, paisagem bonita e rende um bom banho de mar ou rio. Acho dá tempo de fazer no dia do passeio as Gales 135 Km”
      Seguindo este roteiro, já impresso desde São Paulo, analisando todo santo dia para nada dar errado, perguntando mais, pesquisando mais e no final das contas, quer dizer no meio das contas “Deu ruim!!!”.
      Saímos de Porto de Galinhas 06:00 hrs da manhã, pois as pesquisas mostravam que a mare excelente para Maragogi 0.3 as 10:30 hrs seria no dia 10/02. Chegando lá, encontramos o Bar Burgalhau conforme pesquisa, fomos logo abordados pelos agenciadores de passeios, cobrando “Para o passeio as Galés R$ 100,00 por cabeça”, estamos no horário para a maré baixa até então estava tudo bem, insiste várias vezes, mais de 4 X... este passeio vai para as Galés? Sim é para as piscinas. Este passeio é a do foto principal dos catamarãs, sim é para este lugar que vou leva-los. Desconfiei, desconfiei, mas mesmo assim ok fechamos. Aqui a gente não passa cartão, detalhe eu esqueci o $$$ no Hostel, blz ele deu um jeito e pagamos no cartão. O (fulano) me disse que existem os três passeios Galés / Barra Grande e Taocas, mas que todos são iguais e a vida Marinha são as mesmas. Não acreditei muito, mas vamos lá.
      Dica: Levem dinheiro em espécie.
      Esperamos no Burgalhau, bar até que gostoso, vista muito gostosa, mar azul, aconchegante até, preços de pratos razoáveis. Ele havia me pedido um tempo pois iriamos com a lancha cheia, esperamos mais de 01:00 hsr e já tinha batido o horário da maré, um casal, chegou em cima da hora e atrasou a todos, primeira constatação que tínhamos comprado gato por lebre, pontualidade. Quando subimos na lancha, já atrasados inclusive pelo horário da tábua, o piloteiro Mal encarado, Bocudo, Ignorante, só sabia reclamar, não falou nada sobre o lugar e atrativos, segundo ponto de desconfiança (subiu as anteninhas e pensei, fizemos “Cagada”!!!). Perguntei para o piloto, aonde fica as Galés, fica a direita do Bar Burgalhau, lá para baixo, mais próximo a praia de Maragogi, mas “ninguém faz mais este passeio”, terceiro ponto, pronto constatação total “fizemos sim cagada”.
      Eles nos levaram as piscinas naturais de Barra Grande, para um turista desavisado nosso tudo lindo e maravilhoso, mas como sou macaco veio, e meu nível de exigência é extremamente alto para passeios, o lugar mais parecia um estacionamento de lanchas, águas turvas, vida marinha quase zero, peixes minúsculos mal dava para ver e a minha cara de desgosto, de frustração e a cara da Letícia de quero embora, “f....eu” o passeio inteiro!!!!
      Não nos divertimos como o esperado, muito ruim o passeio, fomos enganados duas vezes, águas turvas, o lugar era o estacionamento do Carrefour de Sábado, lancha quase passou por cima de mim, o piloto da lancha ameaçou de deixar-nos lá mesmo, “TOTALMENTE HORRÍVEL O PASSEIO”. Nunca mais volto lá, frustração total, meu Deus, isto aqui são as Galés, a tão famosa praia de Maragogi, mentira, não acredito!!!
      Dica Importante: Anota aí um telefone e um restaurante. Restaurante “Taocas”, telefone do Grande Mergulhador Alisson o salvador (82) 9 8224 8001, pode falar que fui eu que indiquei, ele vai lembrar do Paulo do São Paulo que estava bravo porque ele foi para Barra Grande, o Alisson foi o meu salvador de Maragogi.
      Dica Importante: Restaurante=Taocas ; Galés=Alisson
      Depois do passeio, 40 min intermináveis, de pura frustração e arrependimentos, voltamos a praia e ainda outro agenciador me perguntou:
      - E aí gostou do passeio? (Agenciador)
      - Muito abaixo da minha expectativa. (Paulo)
      A Letícia de mal humor eu com cara de tacho, fomos procurar alguma agência que fazia o passeio, eu descobri, mas não vou passar o nome, lembre-se “Galés=Alisson; Alisson=Galés ”, até que encontramos o restaurante Taocas aonde foi minha consagração, paramos para comer um peixe frito Delicioso, atendente super simpática e sorridente, não vou lembrar seu nome, minha salvadora, depois conto mais. Pedimos o prato R$ 65,00 reais para dois e com muita fartura, suco; vamos tentar nos acalmar e relaxar. Rolou um stress grande entre nós dois, olha que dia hein!!! Antes do prato chegar achei esta agência, que não vou falar, fica em frente ao restaurante Taocas, bem de esquina. O passeio para as galés fica R$ 75,00 reais por cabeça e nós fazemos aqui, porém só vai ter até o dia 17/02, pois depois disto as piscinas fecharão, eu iria embora de Maceió somente dia 21/02, então dava tempo para encarar o passeio de novo. Blz fechou volto outro dia.
      Depois de conseguir o passeio que eu queria, mais barato que paguei, discutir com a Leticia, queríamos tomar um banho de mar, na hora de pagar a conta, esqueci de pegar minha carteira no carro em Burgalhau, detalhe havíamos andado cerca de 2 Km em plena praia, sol rachando. Voltei correndo pela praia, passei de novo no rio Maragogi, atrás do Pontal Maragogi, uma espécie de hotel, mas é ponto de apoio das agências CVC e outras. Não queria nem encontrar o (fulano) na minha frente, tirei o carro rapidamente e fui até o Taocas, a Le já estava mais tranquila e paciente e eu também, fizemos as pazes lá mesmo.
      Dica Importante: Então quando forem a Maragogi, nem passem em frente do Burgalhau, roubada total, fujam de lá, nunca mais volto. Vá direto ao Restaurante Taocas, tentem ligar ou mesmo procurem o Alisson alí perto mesmo, ele fica bem ao lado do restaurante, em uma associação de Jangadeiros Tur, lá tem uma equipe de mergulhadores profissionais, todos muito gente boas, vão poder te ajudar caso não o encontrem; ou contratem o passeio ali, tem um Negrão gente boa, simpático e sorridente, como todo Baiano, dono de uma lancha laranja, da associação de Jangadeiros Tur, pode contratar com ele também. Me recordo de um post que li sobre as opiniões e dicas sobre Maragogi junto com o Post da “Naomi”, existe um cara, vou tentar pesquisar, que ele fala exatamente as diferenças de Barra Grande, Galés e Taocas muito interessante o Post e tudo que ele fala alí é verdade.
      Dica Importante: Quando for até Maragogi, para você ter certeza aonde eles vão te levar faça a seguinte pergunta para o agenciador:
      - Qual é o sentido das Galés?
      - Se ele te responder seguindo em frente ao Restaurante Taocas, são cerca de 30 min mar a dentro, você vai para as Galés...
      - Se ele te responder, sentido em frente ao Restaurante Burgalhau, são cerca de 15 min mar adentro, você vai para Barra Grande....
      - Se ele te responder, sentido a direita Restaurante Taocas, cerca de 15 min mar adentro você vai para Taocas....
      Minha experiência falando o que é realmente o passeio as Galés. (Este eu conto em Maceió), sou Recifense por enquanto lembra? Então até mais.... vá lá e me encontre.
      Retornamos a Porto, depois de um dia turbulento, arriscamos ir para Muro alto, mas já estava muito tarde, a maré em Porto é muito alta a partir das 16:00 hrs, e não aproveitamos nada, mas voltarei com certeza. Chegamos a tarde/noite,  tomamos duas caipirinhas Seriguela e Abacaxi com pinga Pitú, em frente as piscinas naturais, sentados na areia, vendo o entardecer do sol, que imagem linda.
      Passeio:
      11/02/2017 – Porto de Galinhas
      Ai ai, aqui me despeço desta terra maravilhosa, de povo solidário e gentil, de visões e experiências incríveis, ai que saudade está me batendo, mas não menos antes da dar um último mergulho nas Piscinas Naturais, ai que saudade, que delícia.
      Como era nosso último dia, eu iria continuar minhas férias mas a Le retornaria para São Paulo, então resolvemos acordar cedo para o último mergulho, levantamos 05:00 hrs da manhã, que delícia, caminhamos até a praia com o céu claro e mar um pouco turvo nada para se preocupar. Neste dia, como está no meu face, está a foto mais incrível que conseguimos capitar, está bem na capa do meu perfil, Porto de Galinhas as 06:30 hrs da manhã. A Le estava com receio de entrar no mar, então eu entrei primeiro e falei daqui a pouco eu volto e falo se o mar está bom ou ruim kkkkk – fiquei mais de 50 min analisando se o mar estava bom – kkkkk é lógico que estava, eu que não queria deixa-lo, e depois veio “brigar comigo” porque esqueci ela lá kkkkkkk – mas estávamos muito felizes em ter conhecido Porto, os ambulantes arrumando as barracas, o Sol cada vez mais quente, a água um pouco turva, mas mesmo assim consegui ver “meus” peixinhos coloridos. Quando você está no mar sozinho, você consegue esq                uecer de todos os problemas, mas é lógico que bate uns pensamentos loucos....Quando estava sozinho eu e o Mar me lembrei que estava em Recife e justamente no horário em que os tubarões se alimentam, água turva, nossa saio ou não saio, está muito gostoso aqui, água quentinha, ai ai....Calma respira, os tubarões não se alimentam em arrecifes e você está sobre um, lembra??? Que pensamentos doidos nehhhh, mas saibam que esta informação é importante, se estivesse em qualquer outra praia Recife saiba que existe a possibilidade, depois te conto um relato. Mas felizmente não aconteceu nada, até aí estamos nadando tranquilamente nas piscinas, curtindo nossas férias, um ao outro, e de olho no relógio. Saimos do mar depois de 02:30 hrs nadando, fomos rapidamente a Pousada/Hostel tomar nosso último banho e nos despedir do pessoal.
      Dica: Aconselho muito Liras da Poesia vale muito, muito a pena, e como eu falei peçam a rabanada com leite condensado, doce dos Deuses.
      Malas dentro do carro, coisas arrumadas, GPS sentido Aeroporto Recife e bye bye Recife, obrigado por tudo, por nos receber, por nos acolher e voltaremos com certeza. Já dentro do Aeroporto minha despedia da Le e meu sonho continuando, umas atrapalhadas é claro, devido minha ansiedade de devolver o carro, fazer cheque in, voo no horário mas cabeça nas nuvens e a Leticia pegando voo novamente sozinha para Sampa, eita que aventura kkkkkkkkkkkkk, imagina o que aconteceu kkkkkkkkkkkkkkk passou mal de novo, as vezes é gostoso dar risada das desgraças dos outros.....só para sacanear......mas foi mais tranquilo!!!
      Porto realmente foi um excelente descoberta, voltarei com certeza.
      Passeio:
      05/02/2017 - Praia do Carneiros
      Relatos da Letícia – Ela gostou muito, vale a pena  conhecer, lugar lindo, excelentes fotos pois eu vi, igrejinha famosa, faixa de areia um pouco curta, mas valeu a pena R$ 60,00 reais. Não vou entrar em detalhes, pois minhas visões e expectativas são outras, então fica aqui o relato.
      Investimento:
      Passagem área ida Natal para Recife 1 adulto R$ 200,00 reais;
      Passagem área SP para Recife ida e volta 1 Adulto R$ 700,00 reais;
      Hostel quarto feminino (ar condicionado) 2 diárias R$ 150,00 reais, com carteirinha HI Hostel;
      Hostel quarto casal para dois (ar condicionado) R$ 700,00 reais, com carteirinha HI Hostel;
      Aluguel do carro para todo o período R$ 285,00 reais;
      Passeios, Alimentação, lembrancinhas e gastos diversos R$ 1.800,00 para os dois;
      Nota: 9.70
      Voando para Maceió....
      Maceió – 11 Fevereiro a 21 Fevereiro 2017
      Minha última fase de minhas férias, está acabando, que nada, tenho mais dez dias de puras emoções e descanso ainda, então mergulhe em suas férias. Chegando no aeroporto cerca de 40 min de voo bem tranquilo Recife a Maceió, a mala já com algumas lembrancinhas, havia despachado alguma pela Le, e agora sozinho em Maceió.  Em toda a minha estadia em Maceió senti o clima e os ares não foram os mesmos do que os outros lugares em que estava, Bertioga, Natal e Recife, talvez por estar chegando ao final de minha viagem, não sei, mas em toda a minha permanência em Maceió, não em Maragogi que para mim é outra Maceió, o clima é meio pesado!!!
      No aeroporto fui atrás de um transfer para o albergue, pensei que era o mesmo preço de Natal, “mas só que não”, todos os transfer R$ 75,00 reais para o destino, deixa quieto; logo os taxistas começam e te abordar e oferecer o serviço, taxistas clandestinos, ai aí “Clandestino”, esta palavra me fez ficar com calafrios nos primeiros dias, logo logo te conto!!!
      Fechamos o preço a R$ 50,00 reais, lembre-se taxista clandestino, calça jeans igual a borracheiro, atravessava sinal vermelho e na calçada, falando das mulheres como se fossem objetos de prazer e algo a mais, não podia ver uma na rua que logo começavam os assédios, palito de dente na boca igual a caminhoneiro e por aí vai. Bem ele falou que meu trajeto era de 38 km, mas consultei no google maps foram 24 km, ele conhecia o albergue e me levou certinho cerca de 50 min de carro, no trânsito. Meu Deus o que é este trânsito um dos piores do mundo ao meu ver, para mim chega a ser pior do que de São Paulo, mais um problema de todas as grandes capitais, horrível, principalmente em horário de pico, transporte público precário, existe o metrô para tentar aliviar o trânsito, mas sem investimentos em transporte público, população desesperada ou já acostumada com o descaso, detestei esta parte, mas estou de férias.
      Enfim chegamos ao Albergue, nesta viagem depois de pesquisa, fechei com o “Brazuka Hostel, Ponta Verde – Unid Maceio”, eles possuem duas unidades uma em Maceió e outra em Maragogi. Só conheci a de Maceió e ouvi várias coisas e opinião de Maragogi, vou falar mais a frente. O albergue é de um Argentino chamado Facundo, muito solicito no que eu precisei, possui até que uma proposta boa, mas para mim não funciona muito bem, de ter voluntários em troca de hospedagem, para ajudar na manutenção e hospedagens dos hospedes, e um “Bar Man Argentino” exclusivo no hostel, depois falarei mais, o porque das aspas!!!
      Pois bem, como já tenho experiência em outros Hostels, pois já me hospedei em mais de 10 diferentes, posso falar com propriedade, a proposta é muito boa e de extrema necessidade os voluntários, porém você tem que ter empregado fixo no Albergue, pois imaginem uma situação:
      Você possui um carro e infelizmente bateu, leva para o funileiro ele arruma ficou em sua opinião bom, só que na semana seguinte você bate novamente o carro no mesmo lugar, leva novamente ao funileiro, só que desta vez é outro profissional que vai arrumar, vai ficar do mesmo jeito e igual ao anterior? Não nehhhh.... Aí na semana seguinte você bate de novo no mesmo lugar e outro funileiro arruma, vai ficar igual ao anterior, lógico que não!!!!!
      O que eu quero dizer com esta analogia? Um albergue ou qualquer estabelecimento em que recebem pessoas, precisam de cuidados e rotinas iguais todos os dias, para receber bem seus hospedes, ter um bom café da manhã igual todas as manhãs, serviço de limpeza, cuidados no quarto, banheiros, piscina, arrumar coisas quebradas igual a chuveiro, micro-ondas,  simplesmente ter um padrão, mas infelizmente não é isto que acontece no “Brazuka Hostel”. O clima do Hostel é bem agradável sim, muito gostoso várias pessoas do mundo inteiro, nunca fiquei em um só lugar Brasil, EUA, Alemanha, Argentina, Chile, França e Espanha, é muito legal esta miscigenação, muito interessante. Porém o Hostel em sí, é muito largado, muito judiado. Uma casa enorme, confortável, cheio de banheiros, quintal enorme, piscina, infelizmente judiado e largado. Não chega ao clima e estadia do albergue de Natal “Albergue da Costa”, mas está próximo, o de Natal é muito ruim, muito pior, nunca mais volto!!!!
      Primeiramente fui recepcionado por uma voluntária a “Jenny” uma graça de pessoa, muito educada, gentil uma Chilena que mora na Espanha, de 20 e poucos anos desbravando o mundo e o Brasil. Com certeza ela não recebeu as orientações corretas do proprietário, Facundo, acredito que, quando você tem um negócio você tem que respira-lo 24 hrs por dia, você tem que estar atento a problemas, a dificuldades a coisas quebradas, a dicas, opiniões tudo que possa agregar ao seu negócio, mas infelizmente não acontece em seu caso.
      Chegando ao Hostel a Jenny me encaminhou para um quarto coletivo masculino, eu tinha reservado o coletivo feminino, desfiz toda a minha mala, minhas coisas e fui dormir um pouco, pois estava exausto. O Facundo não se encontrava. Cheguei no Hostel por volta das 14:30 hrs a dormi até as 16:00 hrs, felizmente consegui descansar, uma coisa que não gosto é dormir na cama de cima beliche, mas não tinha escolha. Como eu falei e repito, quando me hospedo em um, procuro uma boa cama, chuveiro e um bom café da manhã, o resto é consequências....
      Tomei um banho e fui conhecer novos ares e fui direto a praia fazer uma caminhada, a partir de agora vou colocar meu roteiro, minha pesquisa em cima deles falo minhas considerações. Coloquei as legendas (desenhos) na frente, ajuda a bater o olho e identificar o que é o que.
      A orla de Maceió é muito extensa e muito bonita, muito gostoso caminhar, correr logo nas primeiras horas da manhã, a tarde muita gente de bicicleta, adultos, poucas crianças mas muita a se fazer e conhecer. Não entrei, neste dia, na praia, pois como ficaria muitos dias em Maceió, precisava alugar um carro, que nesta viagem também indispensável, e fui atrás de locadoras, precisava sacar dinheiro e comer, fui fazer tudo neste dia. Como qualquer outro lugar novo e desconhecido, me perdi para voltar ao Hostel, e como me perdi desta vez para encontrar o Hostel, só para se ter uma idéia me acostumei com o lugar, no quinto-dia, de tão perdido, tão perdido que fiquei, mesmo porque o anúncio do Hostel informava que ficava a 20 min a pé, que nada, 15 min no máximo você, está na praia eu que não sabia andar mesmo. Até que para mim bem localizado, houve história de outras pessoas que não gostaram, outras gostaram, com relação a localização ficou meio a meio.
      Dica: Existe o mercado Compre Bem faz parte da rede “Walmart” igual a de São Paulo, muito barato as coisas, excelente dica que obtive no site, próximo ao Hostel, bem próximo a praia, em frente ao ponto de Taxi.
      Passeio:
      12/02/2017 - Garça Torta e Riacho Doce
      “Previsão 12/02/17 / Efetivo 12/02/17 - Garça Torta e Riacho Doce pra mim os melhores lugares na terra, água é muito boa, praia tranquila, praticamente deserta. ² Peça auxílio ao cobrador para descer no restaurante Lua Cheia, descendo você entra na ruazinha atrás do restaurante dá acesso a esses dois bares, ambos na beira da praia (Milky é na beira da praia e tem acesso pra ela e você pode escolher ficar na areia ou na parte mais abrigada, na do Seu Manoel você fica na areia) Garça Torta 13 km, Riacho Doce 16 km.
       
      u - Ipioca
      ² - Bar do Seu Manoel (conhece como bar do Carlinhos), Milky Bar: Público é LGBT e friends, barman é formada em coquetelaria em Londres
      ä - Restaurante do Zezé, no centrinho de (Riacho Doce)”
       
      Acordei de manhã, agora já instalado em outro quarto nos fundos do Hostel, aonde ao final da noite, finalmente conheci o Facundo o proprietário, me hospedaram em um quarto com 12 camas balançantes, dois ventiladores que mais pareciam uma turbina de avião, teto baixo e buracos no teto, tanto é que levantava a mão e o alcançava; armários muito receio de encostar neles com medo de pegar tétano, de tão podre e corroído estavam. Mas de qualquer forma foi o melhor local, naquelas condições, pois peguei a cama de baixo, perto da janela e no fundo da casa, dormi todos os dias tranquilamente, com muito calor é lógico.
      Praticamente todos os dias, eu era o primeiro acordar, queria aproveitar o máximo, meu relógio despertava 06:30 hrs da manhã quase todos os dias, e quando o passeio era longe acordava mais cedo ainda. O café da manhã são preparados pelos voluntários, agora voltem a analogia funileiro!
      Café da manhã do Hostel, razoável, até o de Natal era melhor, gente me desculpa, mas é impossível nesta altura do campeonato, não fazer comparações, estava na estrada a cerca de 20 dias, mas tentava me alimentar bem, para um dia corrido.
      Fui a praça próximo ao Hostel, peguei o ônibus de acordo com a pesquisa, “Ipioca” demorou mais de uma hora para passar, pois era Domingo e cerca de 01:00 hrs para chegar ao destino. Pedi ajuda ao cobrador para descer em Riacho Doce e assim começa minha aventura em terras alagoanas, de agora em diante sou Alagoano de coração!!!!
      De bermuda, protetor, câmera digital “f....a”, camiseta e dinheiro, fui conhecer Riacho Doce, praia realmente tranquila, mas muita aquém de “Melhores lugares da terra”. Gente não quero criar confusão ou muito menos discórdias, neste post, estou dando minha opinião, minhas ressalvas e minhas dicas, mesmo porque agradeço e muito ao Pedro e Naomi,  porque se não fossem eles, não teria direção e norte para conhecer o que eu conheci, muito obrigado do fundo do coração aos dois pelas suas valiosas dicas.
      Fui caminhar na praia tirei algumas fotos entrei no mar um pouco, mas não gostei muito, a praia estava cheia de algas marinhas, dá aquela impressão de água suja, não curto, mar pouco revolto, areia amarelinha bonita até, mas permaneci lá somente umas 02:00 hrs. Tomei uma água gelada e uma água de coco em um barzinho/pousada bem próximo ao rio Riacho Doce.
      Caminhando voltando sentido Garça Torta, muito melhor que Riacho Doce, primeiramente fui ao “Milk”, bar realmente agradável, boas instalações e clima gostoso. Fui perguntar ao garçom se era aqui, que se preparavam os famosos Drinks de Londres, se a dona tinha formação no exterior, etc, não soube me responder!!! Foi aí que conheci o atual dono do Barzinho “Zeus” era o seu nome, um coroa de cabelos grisalhos com os seus 1.90 mts de altura, paulista que comprou o bar a cerca de 5 anos da antiga dona - a formada em Londres - muito gente boa, extremamente simpático e gentil com seus cliente, me disse que o bar tinha entrado para a Revista Veja como um dos melhores drinks de Maceió, fiz várias perguntas a ele qual era a proposta do bar, seu publico etc, etc ficamos conversando cerca de uns 25 min, muito simpático por sinal. Realmente o clima é muito gostoso, bem em frente as águas mornas de Maceió, público eclético, grande parte familiares frequentavam neste dia, mesas debaixo de coqueiros enormes, com sombras deliciosas para cada sol de Maceió.
      Resolvi experimentar uma caipirinha de maracujá, o básico primeiro para saber como é, depois poderia pedir algo mais requintado, preparado por seus garçons, nada de mais!!! Não achei melhor nem pior das que havia tomado, estava gostoso, muito gelo, mas bem preparada, nada de sul real. A caipirinha de maracujá que tomei na entrada da praia Boiçucanga SP estava muito melhor, Pedi uma porção de petiscos da casa “Bolinhos de peixe” se não me engano, era o diferente da casa, pouquíssima quantidade, gostoso até, pelo preço estava razoável e tomei uma água de coco no copo, queria ter tomado no próprio cocô, na hora estavam uns Djs tocando funk, odeio funk, para mim música lasciva, promiscua, nada a acrescentar a ninguém, só traz destruição e terror as famílias. Ele disse que entraria outro tipo de músicas, não esperei para ver, fiquei cerca de 01:30 hrs, voltaria e aconselho irem com seus amigos e familiares, sem este estilo de música, final das contas cerca de R$ 50,00 reais mais couver, ele não me deixou pagar agradeci muito e me fui embora.
      Bem ao lado, está o Bar do Carlinhos, seu pai chamava-se Manoel, estava fechado um tempo, o filho Carlinhos resolveu abri-lo novamente e gente.... Lotado de gente, clima extremamente agradável, muitos homens e mulheres pais e mães de família estavam ali para descansar e curtir o que? Um poderoso som de gaita e uma banda afinando seus acordes, começaria ali um mega Blues, alguém imaginaria um Blues em frente a praia, em plena Maceió terra do forró, cerveja extremamente gelada, ahhh é aqui eu vou me instalar. Pois bem fiquei.
      Estava de pé, bem em frente ao barzinho, lugar simples porém aconchegante e vi um Homem cabelos compridos e brancos, estilo metal, dando atenção a todo mundo, logo percebi que era o Carlinhos fazendo a social. Pedi ao garçom uma mesa, mas era impossível no momento estava lotado de gente, então pedi uma cadeira mesmo, os garçons estavam a mil com os atendimentos, chamei o Carlinhos e pedi novamente, 1 min depois chegou. Deixei minhas coisas em cima e bora para um mergulho, que delícia de água, que delícia de lugar, que delícia de esfera, voltei preocupado com as minhas coisas, que nada, mania de Paulista que vai ser roubado. Quando voltei chamei o Carlinhos para umas perguntas, fiz as mesmas perguntas a ele sobre o bar, e foi muito simples direto, “O Bar é isto aqui que você está vendo, Rock and Roll, famílias tranquilas e diversão”, ficamos conversando cerca de 10 min desta vez, ele estava muito ocupado!!! Peguei minha cerveja gelada, tomei uns golinhos e de novo para o mar, agora com trilha sonora do Blues, que delícia de lugar, mais tarde pedi um prato executivo porção de arroz, batata e frango cerca R$ 20,00 reais quantidade muito pouca pelo preço razoável, para enganar a fome, cerveja cerca de R$ 8,00 reais eu sei que fiquei lá umas 04:00 hrs realmente muito gostoso o lugar, voltarei com certeza e indico também,  minha conta cerca de R$ 70,00 reais, agora tive que pagar, me despedi do Carlinhos agradeci a hospedagem e conversa, de volta a ponta verde, ônibus lotado, cachorro, periquito, galinha todos a bordo e vamos que vamos, programa de família privilegiadas por  morarem perto das belezas de Maceió!!! Final da tarde cheguei em Ponta verde cerca das 18:30 hrs. Primeira coisa tomar um belo de um banho, hidratar o corpo e lavar minhas coisas, pois a câmera continua “f.....a”.
      Dica: Quando vamos a praia, sabemos que Sol e Mar combinam para descanso, paz e tranquilidade, mas existem as consequências, nossa pele, os dois juntos castigam e muito, pesquisando descobri o “Johnson’s Óleo Baby com Amêndoas”, hidrata e amacia a pele, este é um dos itens indispensáveis em minhas viagens, quase nunca descasco, minha pele não arde pós sol e principalmente tenho alergia a protetor solar então, depois do banho, tomo outro com ele, depois disto minha idas a praias nunca mais passei perrengues, fico bronzeado mais uns 15 dias.
      Neste mesmo dia, fui até o Compre Bem, comprar alguns mantimentos, comprei várias Águas de garrafinha, comida congelada Lazanha, Escondidinho muito prático, fácil e barato para mochileiros, Coca-Cola e uma caixinha de cerveja Stella Artois. Quero fazer um adendo aqui, ultimamente e faz alguns anos em minha fase da vida, diminui e muito a bebida, por questão de escolhas, porque agora sou Pai e também não faço a menor questão em beber nas minhas viagens, não quero meu cérebro entorpecido de álcool diante das belas e exuberantes paisagens que encontro em minhas empreitadas, quero que as imagens permaneçam muito tempo em minhas memórias e lembranças. Só para ter uma ideia para comparação, se eu tomei 10 latinhas de cerveja nestes 28 dias viajando, estou exagerando e muito! Mas resolvi comprar a Stella, gosto muito dela e queria comemorar comigo mesmo minhas tão sonhadas férias. Chegando ao Hostel, deixei na geladeira e freezer, com o meu nome identificado, e mais tarde fui dormir..... (continua)!
      Passeio:
      13/02/2017 – Previsão Francês
      No dia 13 já estava previsto eu ir para a tão famosa Praia do Francês e também alugar um carro, porque no dia seguinte 14/03/2017 era o último dia para eu voltar a Maragogi, e também da Tábua da Maré, as piscinas seriam fechadas a passeio por causa da ressaca. Então resolvi suspender este passeio.
      Demorei dois dias para encontrar o carro através do Ipad do “Bar Man Argentino”. Reservei através do site Expedia o na locadora Budget, a primeira vez muito barato, tinha dado tudo certo em Recife, carro excelente para o meu uso, tudo acertado, reserva feita preço estipulado em R$ 500,00 reais para todo o período em Maceió, só faltava pegar o carro no aeroporto e pagar!!!! Só que não, tudo errado!!! Outro Desespero com frustração em minhas férias.
      Logo de manhã aguardando contato com outra locadora, precisava de um carro com GPS, pois como sou extremamente perdido e andaria muito para as praias, acessório indispensável, só que o agente queria me alugar o carro sem GPS e falei que não, isto me atrasou horrores para a minha reserva do aeroporto. Pedi a Leticia em SP, enviar um Uber para mim, o cara chegou rapidinho e foi bem tranquilo, detalhe viagem Hostel até aeroporto R$ 34,00 reais, “Mesmo preço do taxista borracheiro!!!”  Uber em Maceió funciona e muito bem. Chegando ao aeroporto quase aos 40 do segundo tempo, fui até a Budgte, quando para o meu desespero:
      - O senhor alugou o carro através do site expedia? (Atendente)
      - Sim... (Paulo)
      - O senhor vai querer contratar o seguro e GPS? (Atendente)
      - Não, porque pelo site, já fiz isto... (Paulo)
      - Não fez não... pelo site o senhor só alugou o carro, pelo sistema só está reservado o carro, este site Expedia engana as pessoas mesmo... (Atendente)
      - E quanto ficaria mais estes itens? (Paulo)
      - R$ 990,00 reais, R$ 400,00 reais a mais do orçamento.... (Atendente)
      Naquele momento meu mundo desabou, e agora, não tenho dinheiro, não tenho o calção necessário, já dispensei as outras locadoras e agora e agora???? Detalhe que se tivesse agido com mais calma e tranquilidade, eu já tinha encontrado uma locadora na Orla, logo após o posto Policial, quase ao lado banco itau com valor de R$ 660,00 reais sem GPS, mas acredito eu que ele poderia dar um jeito.
      Sem chão, desolado no aeroporto e com o último dia para ir a Maragogi na cabeça, (lembrando da minha frustração já passada em Maragogi), não havia mais tempo de fechar passeio para Maragogi, nem para as Galés, tenho que fazer alguma coisa, “Situações extremas, requer medidas extremas”....
      O que eu vou falar aqui, eu não indico e não sei se faria novamente, mas infelizmente era meu último recurso, já cansado e extremamente exausto, aluguei um Carro clandestino no próprio Aeroporto, aquele com contrato de papel de pão e pagamento adiantado em dinheiro. Consegui um Logan 2015, sem vidro, sem trava, sem GPS e só com ar condicionado, por R$ 600,00 reais. Depois deste instante, estava parecendo uma vadia se prostituindo, para valer a pena minhas férias, passando um monte de “m....a” na minha cabeça. Esses caras vão vir atrás de mim, vai me roubar o carro, vai me assaltar, vou para delegacia, vai cagar toda as minhas férias, olha o que estou fazendo????
      Saindo do aeroporto, fui atrás de GPS para comprar, encontrei uma Loja do Extra que estou com problemas até hoje com eles, aqui em SP já acionei até o Procon e Reclame Aqui. Procurando e procurando e o dia indo embora, não encontro GPS em nenhum lugar de Maceió, até que bateu uma ideia, ainda preocupado com o possível assalto dos agenciadores do aluguel do Carro.
      Não tenho celular, minha namorada vive me enchendo o saco para eu comprar um e na verdade preciso de um, vou atrás de um baratinho. Entrei em uma das centenas lojas do Extra e começo a pesquisar um máximo de R$ 400,00 reais que não tinha e não estavam nos meus planos e que tenha GPS e 4G, parcelei a compra no cartão de crédito. Rapidamente o vendedor me mostrou um que aparentemente me atendia, não vou explicar o problema aqui que estou tendo, mas ele me garantiu que funcionava GPS e 4G. Agora tenho que comprar um plano de Internet, para uso do GPS. Mais R$ 40,00 reais de plano, não estavam nos meus planos.
      Dica: Quando estiver em viagem, é muito mais barato vocês comprarem um plano de voz e dados do estado local,  seja DDD 82, 84 etc para uso de internet e voz, do que você usar seu plano de qualquer cidade que more, depois é só cancelar e tudo certo. Sei disto o porque minha namorada com o plano dela de SP em Recife gastou mais R$ 150,00 reais de voz/dados para uso pessoal e nosso GPS. Sendo que lá tinha um plano de R$ 40,00 reais, a claro funciona muito bem no Nordeste, igual a Vivo aqui em Sampa.
      Celular GPS configurado, carro em mãos e tanque cheio, com os olhos atentos a motoqueiros e ladrões, procurando algum rastreador dentro do carro, eles poderiam roubar o carro de madrugada no Hostel, olha o tamanho das besteiras que passavam na minha cabeça. Agora tenho que comprar um suporte para celular, mais R$ 25,00 reais que não estavam previstos, eu sei que depois de toda esta correria das 08:00 hsr da manhã até as 15:00 hrs da tarde resolvendo problemas, pois não consegui visualiza-los antes, precisa urgentemente de um banho de mar, terapia de relaxamento instantâneo. Ou seja, mais de R$ 1.000,00 reais gastos em menos de 4 horas; levo dinheiro para emergências, mas não imaginaria que isto seria uma..... Havia uma galera do Hostel que estavam me aguardando para irmos ao Francês desde a manhã, iriamos todo juntos. Resolvi então ir para praia Pajuçara.
      Passeio:
      13/02/2017 - Pajuçara
      “Previsão 11/02/17 / Efetivo 13/02/17– Pajuçara: É a praia mais bonita da parte "central" de Maceió, águas claras e calmas, aqui ocorrem os passeios de Maceió. À tardezinha/noite, as vans dos passeios ficam paradas perto da feirinha de Pajuçara, (Verificar se tem passeio para Guaxuma, Garça Torta e Riacho Doce juntos) oferecendo os passeios. Trabalham geralmente com vans e praticam preços menores do que as agências mais conhecidas, preços são praticamente tabelados, aos domingos, a Av. Silvio Carlos Viana (trecho Pajuçara / Ponta Verde) fica interditada para carros e, além do calçadão e da ciclovia, as pessoas podem circular pelas pistas que ficam bem movimentadas, agradável área de lazer, ao longo da orla aluguel de bicicletas, na praia de Pajuçara fica uma fileira de jangadas, que fazem o passeio pelas piscinas naturais de Pajuçara. É um passeio tradicional da cidade, mas disseram que as águas estão turvas e vale pelo passeio de jangada em si e não pelas piscinas 700 Mtrs”.
       
      b - Aluguel Bikes
      - Piscinas naturais (Caio Mar)
      - Feirinha da Pajuçara / Pavilhão do Artesanato (Av. Sílvio Carlos Viana, 1447, Ponta Verde) / Mercado Municipal
      u - Circular 2
      ² - Bar/Balada Soró Sereno/Maikai (eclética), cerveja gelada e barata / Barraca do Pirata / Botequim Paulista (Rock)
      ä - Parmegianno, Av. Dr. Antônio Gouveia, 1259, 3313-9555, 9331-7032”
       
      Bem realmente as águas são calmas e turvas, não consegui ir as piscinas naturais imaginei que seriam “turvas” e não seria tão legal quanto Porto de Galinhas, já era final da tarde, para este passeio, quando fui pesquisar, R$ 30,00 reais por cabeça mas tem que chegar cedo 07:00 hrs para reservar na Orla, não me arrependo de não ter feito, mesmo porque agora tenho uma impressão e opinião formada sobre Maceió, mas só vou contar no final. Realmente todas as agências ficam na Orla aguardando os turistas, os passeio em si, são muito mais baratos do que  Natal ou Porto de Galinhas.
       
      Se existisse um passeio igual nestas três cidades que conheci, ficaria mais ou menos assim o investimento, em Natal  R$ 120,00 reais, Porto R$ 150,00 reais e Maceió R$ 80,00 reais e tenham ciência que, todos ficam restritos aos horários das agência, vou dar exemplos a frente. O aluguel de bicicletas são aquelas de duplas, cadeira uma do lado da outra, meio pesado ao meu ver.
       
      Dica : Feirinha da Pajuçara e Pavilhão do Artesanato são bem legais, o Pavilhão muito mais, mais variedades e preços melhores, não fui em nenhum bar acima, tentei ir no Barraca do Pirata mas estava fechado já as 21:00 hrs.
       
       
       
       
       
       
       
      Dica ²: Se você estiver com a pretensão de curtir a noite de Maceió, “Esquece”, “Ouviu esquece!!!!!”, “Ouviu de novo Esqueceeeeeee!!!!” Toda a orla, bares e da cidade dormem cedo, só para ter uma ideia, os tão Famosos, Mega Blaster “Barraca Lopana” e “Barraca kanoa” 22:00 hrs nem música tem direito, passei mais de 5 vezes na frente e a noite, nem de final de semana, pré carnaval dá ânimos aos Alagoanos, vida noturna aos Baladeiros é horrível, vários alberguistas reclamaram disto, eu nem me importei, porque não era o meu foco, mas se estivesse na pele ficaria muito decepcionado. Diferente de Pipa em Natal, não frequentei, mas 02:00 da matina é cedo!!!! Então pensem bem quais são os propósitos!!!! Em Natal existe o “Calangos” em Pipa das 02:00 hsr da matina até 08:00 hrs vendo o sol raiar.
       
      Dica ä: Para comer realmente o Parmegiano é muito bom é bem servido, eu que como igual a um Dinassauro, o prato pequeno o básico fiquei muito satisfeito, filé a “Parmegiano” R$ 26,00 reais é uma delícia, muito saboroso e muito bem feito, detalhe chopp uma delícia também. Existe outro lugar bem próximo ao Pavilhão do Artesanato o “Comida de Mainha” R$ 29,00 reais come até morrer, comida achei mais ou menos, mas come até morrer, muita variedade.
       
      Passeio:
      14/02/2017 - Maragogi
      “Previsão 17/02/2017 / Efetivo 14/02/2017 – Passeio deve ir nas Galés – Galés é diferente ≠ de Barra Grande que é diferente ≠ de Taocas (Quero ir especificamente para as Galés) – Maré abaixo de 0,5. Maragogi Dreams no bar Burgalhau na praia de Burgalhau (ao lado de Maragogi). La tem passeios para outras galés inexploradas, tem banana boat e um montão de outras coisas. Telefone (xx)xxxx-xxxx Email [email protected] - Burga Nautica / [email protected] – Restaurante Frutos do Mar. Corre o risco de chegar num horário que a maré já está subindo, ou seja, não propício para o passeio das piscinas naturais de Maragogi, Os passeios das agências normalmente saem por volta das 8h, fazem o "hotel tour" pegando os outros turistas e vão para a praia. Retornam por volta das 15h e tem quem reclame que é muito cedo. Analisar se houver no mesmo dia maré baixa em dois momentos distintos, vale a pena ficar, perguntar sobre passeio buggy/quadricículo quando a maré está bem baixa, passeio na orla, pensar em levar Bike para conhecer Praia Barra Grande, Praia de Antunes, Praia Xaréu,  caminhar até a barreira de corais, também para entrar nas piscinas naturais, avaliar conhecer Rio Maragogi, as praias de Maragogi são: Praia de São Bento, Praia do Camacho, Praia de Maragogi, Praia de Burgalhau, Praia de Barra Grande, Praia do Antunes, Praia do Dourado Praia de Xaréu, Praia de Ponta Mangue e Praia de Peroba, se gostar de caminhar, da Praia do centro de Maragogi siga em direção sul até o Rio Maragogi, é bem legal, paisagem bonita e rende um bom banho de mar ou rio. Acho dá tempo de fazer no dia do passeio as Gales 135 Km”
       
      b - Possibilidade aluguel de Bicicleta em Pajuçara e levar ou aluguel de Buggy/Triciclo Bugalhau
      - Passeio deve ir nas Galés / Tábua da Maré / Piscinas Naturais
      ä - Bar Burgalhau / Restaurante Corais do Maragogi (Compra passeios)
       
      Último dia para ir a Maragogi, presenciar um dos lugares mais maravilhosos da terra, em minha singela opinião, pois não acredito que minha primeira experiência “daquilo” seja “Maragogi”, a tão famoso foto dos parrachos, dos arrecifes, dos catamarãs atracados junto um ao outro é Photpshop!!!
      Acordo 04:30 hrs, já tinha conversado com o agente da agência de passeios, como eu falei não vou falar o nome, dias antes sobre o passeio e ele tinha sido bem claro:
      - “Nós fazemos o passeio para as Galés, fica R$ 75,00 por cabeça, mas você tem que dar um sinal para reservar, ou caso não queira, tente chegar cedo, talvez ainda consiga....
      Pois bem, não reservei, resolvi apostar, as vezes eu gosto de viver fortes emoções... Saio do Hostel 05:00 hrs da manhã, o céu claro e o sol já esquentando os motores, sei que de Maceió até Maragogi são 140 km, cerca de duas horas, calculei 07:00 hrs estaria lá tranquilamente. Já na estrada, GPS posicionado, bateria Ok celular, levei cabo USB e carregador, mas pensei que não “usaria” engano meu, com o coração aberto e receptivo, 06:40 hrs chego novamente a Maragogi, ai ai, que delícia de lugar e férias, estou com tempo de sobra resolvo parar no “Posto Ipiranga – Auto Café”, já bate uma fome, e cérebro meio lento da viagem, estaciono o carro o Sol já a Pino.
      Eu não tenho o costume de tomar café preto ou suas variações, mas neste dia tomei, quero deixar o cérebro atento e focado no passeio. Olho o cardápio e vejo “Ovos mexido a moda do chefe”, nossa lembrei na hora de Bertioga, que delícia de ovos mexidos, resolvi pegar e um café médio com leite – Nunca tomei um café da manhã no meio da estrada, podemos dizer industrial, tão gostoso na minha vida, o que era aquele “Ovos mexido a moda do chefe” aquilo é maravilhoso, se tivesse mais tempo, comeria mais umas duas porções fácil, falei até para caixa atendente da minha satisfação e prazer de ter provado e comido, maravilhoso, agora o de Bertioga ficou em segundo plano. Fazendo um Jabá, realmente o Posto Ipiranga cumpre o que fala, volto com certeza, café com leite muito bem feito, nem parece de maquina expressa. “Awesome”.
      Chegando ao Restaurante “Taocas”, encontro novamente a garçonete simpática e batemos um papo rapidamente, ela pergunta da Leticia falo que está tudo bem mas agora retorno a ficar sozinho nas minhas férias, peço um favo de carregar meu celular pois bateria tinha ido já para o espaço, ainda bem que levei o carregador, não sabia que estes celulares consumem um bateria que só....
      Vou até a agência e ainda estava fechada, era 07:15 hrs, resolvo tomar uma água de coco gelada para esperar, em paralelo resolvo ir a outra agência para ver se tinha o passeio o rapaz falou que tinha sim, ótimo se der errada em um o outro vai dar certo. Tomo toda minha água e vou até a agência de esquina, o agenciador me recebe:
      - Bom dia, dias atrás vim aqui falar sobre o passeio das Galés e hoje resolvi fazer...
      - Você reservou?
      - Não, mas você tinha falado que poderia ter a chance de chegar mais cedo e ainda dar tempo...
      - É mas infelizmente não dá mais, todos os lugares estão lotados, o catamarã está lotado...
      - Não tem outra agência ou um encaixe?
      - Não este passeio como é o último dia, é muito concorrido...
      Já sabia destas informações, corri o risco e paguei o preço, neste meio tempo vem outro agenciado de camisa preta me oferecendo o passeio para as Galés, não fechei o passeio pois estava esperando a informação da outra agência, quanto é R$ 75,00 reais, nós vamos naquela lancha laranja, deixa eu saber alí primeiro que depois te procuro, Ok então qualquer coisa estarei aqui meu nome é “Alisson”.
      Já beirando as 08:00 hrs outro agenciado ligando para um para outro, tentando lugar e alí liguei minhas anteninhas, vai dar “m....a” de novo, o porque eu não reservei antes isto, as vezes sou muito teimoso, para certas coisas... 08:15 hrs o agenciador me fala que também não tem mais lugar, os catamarãs já estavam lotados....ai ai ai ai!!!! Não creio que está acontecendo de novo comigo!!!! Ai meu Deus hoje é o último dia para ir as Galés....não vou embora sem ir ao passeio, me recuso, não aceito isto novamente, minhas estadia em Maceió este era o único propósito!!!!
      Vou atrás do cara de camisa preta e não encontro mais, adentro ao restaurante e encontro ele já fechando o passeio com um casal de Carioca.
      - “Alisson ainda tem o passeio?” (Paulo)
      - Sim... (Alisson)
      - Aceita cartão? (Paulo)
      - Não, só em espécie... (Alisson)
      - Tudo bem, tinha levado dinheiro mesmo.... (Paulo)
      - Pergunto novamente, este passeio é para as Galés?  (Paulo)
      - Sim, nós só vamos para as Galés... (Alisson)
      - Qual é o sentido das Galés? (Paulo)
      - Em frente ao “Restaurante Taocas”, cerca de 30 min mar adentro. (Alisson)
      Valores fechado, horário estipulado por ele para nós aguardamos em frente ao restaurante cerca de 09:30 hrs partimos, resolvo tomar outra água de coco e passar mais protetor solar.
      Eu ainda desconfiado, cabreiro, sentado tomando minha água de coco, minutos mais tarde ele retorna, oferendo outro passeio no mesmo, agora para fazer mergulho, bla bla bla, bla bla bla, bla bla bla aqui começa minha história com o meu “Salvador Alisson”...
      - Alisson, cara vou te contar uma história, vou ser sincero e direto com você!!!!
      - Cara dias atrás vim até Maragogi esperando ir as Galés, eu e minha namorada, só que eles me levaram para outro lugar que mais parecia um estacionamento de Shopping, águas turvas, vida marinha escassa cara horrível, minha namorada super estressada, queria ter dado a ela uma surpresa para ela fechar com chave de ouro do Nordeste, o piloteiro quase nos abandonou em alto mar, cara estou aqui como turista, você acha que sou idiota? Em São Paulo fiz milhões de pesquisas, eu sei o que eu quero, eu sei o que vim fazer aqui, eu sei para onde eu quero ir, mas agora você me querendo vender outro passeio, sem eu fazer este??? Cara deixa eu fazer o básico e depois conversamos, e eu vomitando mais e mais minhas frustrações de minha experiência agoniante anterior - Alisson só ouvindo - até o casal de Cariocas parou o que estava fazendo para ouvir meu desabafo.... ele calmamente me respondeu....
      Aqui começa uma aula do passeio e cultura.
      - Paulo para onde você foi chama-se “Barra Grande”, se você que saber para onde é a galés vou te dar uma dica....
      Faça a seguinte pergunta para o agenciador:
      - Qual é o sentido das Galés?
      - Se ele te responder seguindo em frente ao Restaurante Taocas, são cerca de 30 min mar a dentro, você vai para as Galés...
      - Se ele te responder, sentido em frente ao Restaurante Burgalhau, são cerca de 15 min mar adentro, você vai para Barra Grande....
      - Se ele te responder, sentido a direita Restaurante Taocas, cerca de 15 min mar adentro você vai para Taocas....
      Nós somos uma equipe de mergulhadores profissionais, você vai embarcar em nossa lancha somente com mergulhadores credenciados, eu não sou agenciador de passeios eu sou mergulhador, eu até vendo passeio mas este não é meu foco, mas tudo bem, entendo sua frustração e depois do passeio você me fala a sua opinião, fique tranquilo que 09:30 hrs saíremos....
      Alí percebi, que ele era um cara diferenciado, nós ficamos quase 25 min conversando antes do passeio...
      09:32 hrs ele aparece novamente, vamos embora? Estão prontos? Uma atenção, uma cordialidade, uma pontualidade sem precedentes, a barco tinha cerca de 10 mergulhadores um negrão parece um armário Baiano, se apresenta como comandante e responsável pela sua equipe de mergulhadores, gente boa com sorriso cativante e extremamente simpático como todo Baiano.
      O Alisson se acomoda ao meu lado e os 30 min de mar adentro, mais outra aula sobre o que é Maragogi e o que faríamos lá...
      Antigamente Maragogi recebia cerca de 3000 turistas diários, mas a fauna começou a sentir o impacto então a Marinha resolveu baixar isto para cerca de 800 diários, e este número vai diminuir mais, nós como somos embarcação de mergulhadores, temos uma licença especial com tempos especiais, toda embarcação só pode ficar no máximo entre 01:30 a 02:00 hrs nas galés nós vamos ficar mais de 02:30 hrs em alto mar, muito cuidado com os corais e ouriços são perigos e cortam como se fossem navalhas, existe um cordão de proteção e isolamento nas Galés aonde nenhuma embarcação pode ultrapassar somente a fiscalização e o socorro, nós vamos deixa-los perto desta proteção, vamos descer e te levaremos cerca de 00:05 min a nado até as galés, qualquer problema ou ajuda me procure estaremos a disposição....
      Nesta hora meu queixo já estava no fundo do mar, junto com as belezas submersas e extremas, exuberante “Awesome” do lugar, agora sim eu estava na tão famosa foto “Cartão Postal de Maragogi, as Galés”. Descemos da embarcação, coloquei meu snorkel, os mergulhadores já com os seus aparatos, o Alisson junto, pediu para nós segurarmos no colete e não precisa ajudar a nadar pois ele estava com as nadadeiras, e ainda me diz:
      - “Paulo relaxa, e aprecie a vida marinha....” (Alisson)
      Neste instante, me corto nos arrecifes, ele logo fica apavorado e me ajuda, milésimos de segundos depois, quando abaixo a cabeça e vejo a transparência das águas, uma Dory, quase do tamanho de uma Pizza, peixes mais coloridos e graciosos do mundo, esqueço meu joelho sangrando, somente tinha um pensamento, agradecer muito a Deus pelo o que me ocorreu e o que passei - Maragogi nas Galés, definitivamente foi o lugar mais Maravilhoso, Belo, Incrível, “Awesome”, de toda as minhas férias – estava definitivamente mergulhando em um aquário natural gigante, nadando com os mais belos peixes ao meu lado, as Galés é gigante, para cada braçada e respiro, um peixe colorido e diferente apareciam, realmente a Leticia perdeu!!!!!!!!!!!!!!!
      Eu sei que fomos os primeiros a chegar e os últimos a sair, ficamos em alto mar quase 03:00 hrs nadando e me divertindo, mergulhei até uns 5 mtrs para pegar umas sujeiras de turistas como “Amarradinhos de cabelo”, “plásticos” que estavam no fundo, perigoso aos peixes, fazendo a minha parte, o Alisson fez uma filmagem com a minha excelente câmera sobre os corais, nadando com os peixes, apesar do pesar ficou legal, nunca mais esquecerei esta experiência.
      Eu sei que na volta não tinha palavras e nem pensamentos, estava imerso em pura satisfação e paz de espírito e no fundo uma voz....
      -“Paulo.....Paulo....Paulo e aí gostou?” (Alisson)
      - “Quase pulei para cima dele, para dar um forte abraço e agradece-lo pela imensa experiência que acabara de ter” (Paulo).
      Dica Importante: Restaurante=Taocas ; Galés=Alisson, Agência=Jangadeiros Tur
      Dica Importante: Vão direto ao restaurante “Taocas”, telefone do Grande Mergulhador Alisson O Salvador (82) 9 8224 8001, pode falar que fui eu que indiquei, ele vai lembrar do Paulo do São Paulo que estava bravo porque ele foi para Barra Grande. Tentem ligar ou mesmo procurem ele alí perto do restaurante, na  associação de Jangadeiros Tur, lá está a equipe de mergulhadores profissionais que lhe falei, todos muito gente boas, ou o Baiano Negrão gente boa, simpático e sorridente, como todo Baiano, dono da lancha laranja, da associação de Jangadeiros Tur.
      Feliz da vida curtindo mais um pouco a praia, dando mais uns mergulhos naquele Azul Turquesa, depois fui tirar sal do corpo, muito importante em terras aonde o Sol é muito quente e a água muito salina, me refresquei mais ainda e de volta ao Hostel, meus 280 km viajados mais felizes até agora.
      Já no terceiro dia nem me lembrava mais de minhas loucuras e devaneios sobre o carro, estava tudo muito bem e tranquilo, carro grande, econômico porém básico.....
       Em algumas das minhas vindas de Maragogi senti esta dificuldade, acessórios básicos como vidro, travas e USB são indispensáveis em um carro, e você só da conta quando você não os tem, parei algumas vezes para pedir informação e lá vai o desconforto de baixar os vidros manualmente,  travar os pinos dentro do carro e USB que não tinha. Chegou uma hora que meu novo celular estava dando uns “paus” reinicializando e desligando sozinho, devido ao calor extremo, e principalmente não aguentava a carga que havia dado no dia anterior, logo requisitei o USB do rádio que mal funcionava, consequentemente o GPS e celular me deixou na mão umas 4 vezes, uma foi a pior, aonde estava voltando de Maraga e o celular não carregava mais, não ligava simplesmente travou e detalhe estava no meio do nada e a escuridão bem próximo eram cerca de 17:50 hrs as 18:30 já está um breu que só, mantive a calma, já tinha passado por ali antes, mas não consegui por muito tempo, me perdi no meio da escuridão e no meio do nada, em uma estrada que só tinha passado duas vezes e detalhe não sabia voltar para o Hostel sem GPS, as ruas muito confusas e o condutor que aqui lhes falam também, passeio um perrengue, viagem de retorno prevista para duas horas terminou em mais de 04:30 hrs para o hostel, então:
      Dica: Quando forem alugar um carro, não esqueçam de ver estes itens indispensáveis Vidro, Trava, Direção, Ar condicionado, carro econômico e principalmente USB, vários, para carregar o celular, no carro em Recife tinha tudo isto, não senti problemas e não sabia de sua importância. Alguns carros possuem suporte para smarthphones no console outros você precisa de suporte para celular grudados no vidro, tentem deixar na saída de ar, pois ajudam a refrigera-lo, evitando assim os “paus” de não ligar.
      Com relação a passeio buggy/quadricículo quando a maré está bem baixa e levar Bike, não senti falta, mesmo porque o lugar é belo de qualquer ângulo e bike é dispensável, areia em muitos lugares muito fofa e você não vai querer estar debaixo de um Sol de 40° com um trambolho para se preocupar.
      Maragogi para mim é outra Maceió...logo mais explico melhor.
      Passeio:
      15/02/2017 – Praia do Paripueira
      “Previsão 14/02/2017 / Efetivo 15/02/2017 – Praia do Paripueira – Se você vai por conta própria, peça uma pulseirinha de cliente avulso aos atendentes que estão na área do estacionamento; ela será necessária para reservar o passeio, ao entrar, vá direto à fila da bilheteria para comprar o passeio, a permanência na área dos corais é de até 2h30, Paripueira, nade sobre o coral e alcance a área deserta das piscinas, aproveitar melhor o passeio, não fique junto com todo mundo coladinho ao muro de corais, vá nadando com cuidado até a piscina do outro lado dos corais, ali a densidade demográfica é mínima 31 Km.
       
      - Piscinas naturais (Rest Mar & Cia) 4 km depois passar pelo clube Hibiscus em Ipioca / Passeio catamarã, 3293-2031
      u - Circular 2
      ² - Soró Sereno/Maikai (eclética), cerveja gelada e barata
      ä - Quiosque da Jaraguá (mais sossegado) / Restaurante Mar e Cia
       
      Ahhh, aonde estou? Quem sou eu? O que estou fazendo aqui? Viagem, viagem e viagem, que delícia, perder a noção do tempo, não saber que dia é da semana, não ter compromissos marcados, reuniões estressantes, agendas cheias, nada mais é que Férias, única e exclusiva descanso, revitalizar corpo e alma.
      Acordei as 06:30 hrs da manhã, tomei meu banho como Paripueira era próximo, não precisava acordar tão cedo rs, mas sinceramente nem ligaria, um café da manhã razoável, mas está tudo bem, os voluntários faziam o que podiam, indispensável sua ajuda ao Hostel João e a Jenny, amigos que quero levar para o resto da vida. Conversei com o pessoal um pouco, dei uma relaxada no Hostel, passei protetor, escovei os dentes e bora para a estrada. Meu GPS não apaguei os destinos até hoje 11/04/2017, faço inveja a mim mesmo, quando o olho.
      Paripueira de fato é bem tranquilo de se chegar, mesmo porque sentido Maragogi, você passa em frente, então estava memorizado o caminho, mas coloquei no GPS mesmo assim. Chegando ao Restaurante Mar & CIA, uma frota de micro ônibus e vans de agências, estacionei o carro e você paga R$ 5,00 reais para entrar. Logo fui atrás do passeio as piscinas naturais, cerca de R$ 60,00 reais o mais barato logo na portaria do restaurante, peguei minha pulseira e fui caminhar procurar outros agentes, mesmo porque o folder dos passeio já estavam me cobrando isto, só que a partir do Hostel com translado, então pensei que seria mais barato alugar ele lá!!!! Engano meu...
      O lugar é muito bem estruturado e enorme, porém comida e bebida não são baratos não, um prato individual cerca de R$ 65,00 reais, o básico ainda hein, arroz, feijão, batata frita, salada, carne ou peixe. Caminhando pela praia em busca do passeio, existem mais dois restaurantes a esquerda do Mar & CIA que vendem os passeios, mas também R$ 50,00 reais por cabeça, logo pensei existe alguma coisa errada....estou aqui, não paguei o translado, vim por conta própria e os passeio estão com o mesmo valor das agências??? Algo está errado. No horizonte encontro um dos agentes clandestinos de moto correndo pela praia oferecendo os passeio, o que que eu fui fazer???????
      Frustração: Seu nome “Camarão”, apelido na verdade, decorem bem este nome “Camarão”!!!! Crustáceo abdome longo podem ser água doce ou salgada, aquele que você arranca a cabeça e come o resto, fruto do mar que é gostoso frito, marinado, na paella etc. Mas não desceu na garganta desta vez, entalou, quase engasguei e morri na praia. Um cara cheio de protetor labial branco, moto biz vermelha correndo de um lado para outro. Me ofereceu o passeio as piscinas naturais a R$ 50,00 reais, também recusei, logo ele percebeu que perderia o cliente abaixou para R$ 40,00 reais, não deveria ter pago, seria melhor ter comprado o passeio na portaria conforme dica que eu mesmo ignorei!!!!
      Passeio comprado depois de 01:30 hrs a procura e horário programado, este cara me coloca em sua garupa a sai a procura de vagas em algum catamarã, olha a presepada!!!!! Vamos em um, vamos em outro, vamos em outro e vamos em um e nada de me encaixarem, porque ninguém aceitava o ticket clandestino e o forasteiro aqui que lhes fala. Mas o motivo foi que a fiscalização estava forte aquele dia, e eles não colocam ninguém a mais nos catamarãs quando chega ao limite está corretíssimo, afinal de contas quem quer correr o risco de um acidente??? Eu sei que este cara já sabendo da impossibilidade de arrumar uma vaga para mim, já impossível uma vaga, aos 00:43 hrs do segundo tempo, os barcos não sairiam mais, vende mais um passeio agora para uma família inteira, vai vendo a “prese....” da “presepada”, eu sei que tinha um total de 8 para o passeio. Os catamarãs começaram a ficar lotados de gente, e nós ficando para trás, o sujeito me vira depois de 02:30 hrs aguardando, e me diz:
      - “Olha seu eu não conseguir encaixa-lo, devolvo o seu dinheiro....” (Camarão)
      - “Mas eu não quero o dinheiro, quero fazer o passeio...” (Paulo)
      -“A fiscalização está forte hoje, muita gente e está perigoso embarcar todo mundo...” (Camarão)
      - “Cara quero ir ao passeio... ” (Paulo)
      As 11:30 hrs da manhã, último catamarã disponível para o passeio acham vagas para todo mundo inclusive para a família, nos reunimos para embarcar próximo ao Catamarã e os fiscais pedindo os bilhetes de embarque, não temos bilhetes, estamos com o “Camarão”, então aguardem aqui....ai ai ai...o stress começou e retornar!!!!
      Conversando com os agentes autorizados do Mar & Cia, me explicaram que era bem provável que ninguém do Camarão embarcaria, pois todos os catamarãs estavam lotados, tentando descontrair um deles me disse:
      - “Mas fique tranquilo, você pode voltar amanhã, pena que você vai perder o melhor passeio de Maceió.... ” (Agente)
      - “rs rs Melhor passeio comparado a Maragogi, nas Galés???” (Paulo)
      - “Este aí fica no chinelo....” (Agente)
      Olha a besteira que ouço com a minha cabeça cheia, então fui a desforra, vamos fazer uma aposta...
      - “Seu achar que realmente este passeio é melhor que as Galés, eu pago novamente o passeio agora para você, se você perder você paga para mim OK?” (Paulo)
      - “Aquela lábia alagoana, sendo simpático, tentando me convencer com história e boto marinho, que derrepente ele avistou no fundo do mar.....”
      - “Me espere aqui que eu volto e digo minha opinião...”, pergunta se ele estava lá quando retornei....
      Os catamarãs já em deslocamento, lotados 11:45 hrs o piloteiro assinalando para todo mundo que estava cheio, não cabia mais ninguém, aí o desespero tomou conta....
      Me aproximei do “Camarão” agora já dentro do mar a 5 metros para embarcar; uma alma salvadora, por dó e piedade de mim, conversou com o piloteiro e permitiu meu embarque, agora perguntem e a família que havia comprado??? Se “f......am” lógico!!!
      Agora o agente autorizado, mais uma em “Camarão”, se não fosse por mim ele iria ficar aí, é logico que eu agradeci enormemente depois....
      Ufa passado o desespero, agora dentro do Catamarã, lotado de pessoas e crianças, grande maioria Argentinos, o barco não liga.....Pronto não deveria ter vindo, esta “b....a” vai afundar, olha a tragédia anunciada!!!! Depois de 00:30 hrs o barco liga e vamos ao destino....
      Passeio bem tranquilo, Catamarã bem lento e seguro, muitas crianças com coletes e os tripulantes ajudando todo mundo, passeio seguro para ir com crianças, lógico que não os desdentados, acima de 6 anos Ok???
      Chegando as piscinas naturais, um viagem cerca de 25 min mar adentro, uma multidão aglomerada, bem diferente das galés e a estrutura, mais uma vez e última Alysson meu Salvador!!! Águas turvas, vida marinha bem escassa, mar um pouco revolto, mas tranquilo, para relaxar muito parecido com Barra Grande em Maragogi. Depois das Galés passeio insuperável de Maceió, Paripueira se tornou dispensável, voltaria novamente as piscinas de Paripueira??? Não, obrigado já conheço!!!!
      Cerca de 01:30 hrs nas piscinas naturais, já retornando a praia, bem tranquilo novamente, um turista me perguntou porque queria comprar, mas agora só para o dia seguinte.
      -“E aí gostou?” (Turista)
      -“Olha vou ser sincero, nota 5, quer fazer para conhecer Ok, mas para mim dispensável...” (Paulo)
      Agora tento almoçar no restaurante, quando descubro os preços, logo desisti, como quando retornar.  Começo a caminhar sentido a direita do restaurante, havia me esquecido que havia um rio lá, você atravessa por ele inclusive, investindo mais uns 20 minutos de caminhada, você se depara com a praia deliciosa e areias cantantes, o rio está logo atrás, mergulhei nos dois é lógico, melhor que o passeio das piscinas, mas foi bom ter conhecido, ter a experiência para contar a vocês, agora sei o que quero fazer quando voltar, por lá permaneci mais umas 02:00 hrs longe da badalação e forró do restaurante. Hora água salgada, hora água doce, adorei esta praia, principalmente fazendo um spa com as areias, muito gostoso e relaxante.
      Por volta das 16:00 hrs retorno ao restaurante para fechar minha conta, paguei a entrada, retorno a Maceió já anoitecendo.
      O restaurante em si é legal e estruturado, existem estrutura e brinquedos para os pequeninos brincarem e os pais ficarem tranquilos e relaxados, levaria minha filha para lá sim, mas só por causa do restaurante, da praia e rio a direita, bem próximo ao Mar & Cia.
      Com relação ao Soró Sereno/Maikai (eclética), não fui e não me arrependo, estava tranquilo e sossegado. Conforme o folder o passeio a Paripueira consiste, “nas entre linhas”, R$ 60,00 reais somente o translado e o passeio a praia, não o as piscinas naturais, mais R$ 50,00 reais, então fiquem atentos, o carro te possibilita fazer o seu roteiro e horário. Mas, somente neste em específico, Paripueira o carro é dispensável, poderia ter ido de Agência, que não me arrependeria, me divertiria igual.
       
       
    • Por Mochileiros.com
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      Esqueça tudo que você viu e viveu até hoje. Posso te garantir: sua vida só começa depois de conhecer o Egito. É simplesmente uma experiência avassaladora para quem ama vivenciar novas culturas.
      O Egito é barato mas também é caro. Pode ser muito barato. Mas também pode te levar à falência em um dia.
      Para início de conversa: fui sozinha. E estava morrendo de medo de como isso seria. Não li um relato agradável na internet. Inclusive aqui no site, tem relato de gente que até apanhou de leve na rua rs... É sério, procurem que vocês vão encontrar as coisas mais bizarras.
      Mas vamos ao que interessa. Durante o relato vou fazendo as considerações para vocês.
      Dia 01
      Cheguei no aeroporto do Cairo, exatamente às 16h55 min. No meu voo tinha apenas eu de brasileira e um grupo de senhorinhas que estavam fazendo turismo religioso. De resto, todos eram árabes. Por esse motivo, a alimentação era especial, já que muçulmanos só podem comer comida Halal.

      Chegando no aeroporto fui (para varias) barrada pelo cara da "polícia federal" deles. Mas não se assustem. Ninguém no meu avião foi barrado. O problema é sempre pessoal. Isso já aconteceu em diversos países que eu visitei. Talvez por eu ser mulher, solteira, sem filhos... enfim, o que eles consideram uma pessoa perfeita para entrar em qualquer país e nunca mais sair. Passei um belíssimo sufoco e acho que foram mais de 40 minutos tentando convencer o cara que eu não era uma salafrária. Ele me questionou várias vezes porquê uma mulher sozinha, sem amigos ou família tinha escolhido o Egito para passar as férias,, se eu realmente não conhecia ninguém lá. Mesmo mostrando documentos do hotel, passagem, passaporte, visto, dolares, euros... o fdp resolveu que ia me Cristo (ou para qualquer outro profeta) naqueles dia. Depois de até revistar meu celular e eu dar um ataque que já estava misturando inglês, português, italiano e espanhol, o escroto do cara resolveu me liberar às gargalhadas. Ali tive certeza que ele só estava mesmo zombando da minha cara!
      Nesse primeiro instante fiquei bem apavorada e com medo do que viria dali para frete. Pensei que aquilo ali poderia ser apenas o início de uma viagem trágica ao Egito mas graças a Deus não. Foi só um susto e depois foi tudo lindo e maravilhoso.
      Na saída do aeroporto comprei meu chip da VodaFone que me custou 35 libras egípcias com um pacote de dados de internet e SMS. Ah, e tem banco onde você pode trocar algum dinheiro. Não troque tudo porque a cotação é péssima. Na rua você encontra preços bem melhores. Quando saí do aeroporto tinham uns taxistas, mas resolvi seguir as dicas da internet e usar o UBER que já estava previamente instalado no meu celular. Deu super certo e foi o que eu usei a viagem toda. Barato e seguro (eu via as rotas pelo google mapas e ninguém me enrolava não).
      Saí do aeroporto em direção ao meu Hostel (super bem localizado por sinal), depois de 3 dias viajando (fiz várias conexões - passagem promocional ne gente?), morta e arrasada de cansaço mas com um pôr do sol único e com a sensação de felicidade imensa. Ah e eu nem me importei com o trânsito naquele momento (não tenha dúvidas, você vai pegar trânsito por todos os lugares).

      Meu hostel era o Freedom Hostel, extremamente bem localizado, eu entrei em contato com eles antes de ir para o Cairo e um dos responsáveis, o Eslam, sem muito simpático, respondia todos os emails rapidamente e detalhadamente. O hostel fica bem pertinho da Praça Tahir e do Museum e tem estação de metrô próximo (mas eu não usei). Tem restaurante, ruas cheias de lojas de roupas, eletrônicos, turismo, câmbio, tudo pertinho.
      O UBER do aeroporto para o hostel deu 40 EGP (libras egípcias)
      Me assustei chegando no hostel, o prédio é velho e caindo aos pedaços. Mas logo você se acostuma e percebe que tudo no Egito é assim. O hostel fica no último andar do prédio e sofri um bocado para subir com minha mala (e olha que só pesava 14kg). Sempre digo que vou de mochilão, nunca vou e sempre me arrependo, claro! Fui muito bem recebida pelo próprio Eslam. Meu quarto era logo o primeiro, dividia com 6 pessoas, cada uma de uma nacionalidade diferente. O Wi-fi é liberado. Depois de me acomodar eu só precisava de um banhinho quentinho e sair para comer porque a fome era maior que o cansaço.
      À essa altura do campeonato já estava me achando  rica milionária. Pedi indicação ao Eslam do restaurante mais top e com comidas típicas do Cairo e ele me indicou o Sequoia. Pedi um UBER (valor da corrida ida e volta 40EGP) e fui. Ele fica às margens do Rio Nilo, todo aberto para você comer e admirar as belezas daquele lugar. Só indo pra vê gente. Pedi todas as comidas típicas que eu ahcei no cardápio (em inglês) naquele dia. Sério, comi como se não houvesse amanhã. Comida maravilhosa, cheia de gordura e fritura, do jeito que meu tecido adiposo gosta. Depois de comer como um trator, no final pedi um café egípcio e um karkadec (chá de hibiscus), então por aí vocês tiram o quanto eu comi e bebi nesse dia. A conta deu míseros 200 EGP (aprox 40 reais). Eu comi como se não houvesse amanhã, mas tinha amanhã e ele era nebuloso... Cheguei no hostel passando muito mal, claro. Eu não to acostumada com esse tipo de comida, estava sofrendo com o fuso horário (pela primeira vez tive jetleg), não dormia bem há dias... resultado: o fígado reclamou e eu passei a madrugada em claro (sem sono pelo jetleg) e chamando o Hulk no banheiro do hostel. Os meninos da recepção do horário da noite me fizeram chá preto e me deram um biscoito muito parecido com cream craker (apra vocês verem que amor). E às 5h da manhã (meia-noite ainda no Brasil). Eu estava acordada feito um zumbi. Devo ter pego no sono depois de 3 dramins, 2 xantinons e 4 epoclers.



      Hostel:
      Freedom Hostel: 6 Bank Misr Street Off Sherif St.Front of the Central Bank of Egypt., Cairo, Egito (Peçam para falar com o Eslam)  -
      Restaurante:
      Sequoia: 53 Abou El Feda, Zamalek, Cairo, 11211
      Cotações do dia:
      No aeroporto: 1 dolar = 15 EGP
      Na casa de câmbio perto do hostel: 1 dólar = 19.50EGP
      OBS:. não se troca reais por EGP no Cairo, mas eles te dão a cotação para você ter uma ideia e sempre fica em torno de 1 real - 5 EGP
      Gastos do dia:
      Chip Vodafone: 35 EGP
      UBER aeroporto - hostel: 40EGP
      UBER hostel -sequoia: 40 EGP (20 ida e 20 volta)
      Sequoia: 200 EGP
      Total: 315 EGP (aprox 63 reais ou 16 dólares)
      Dia 02
      Depois de dormir pouquinho devido a madrugada dos horrores já mencionada acima rs, acordei às 8h, tomei um café preto com um pão apenas. O Hostel tem um café da manhã modesto mas bem bonzinho e que dá pro gasto. E o melhor, sem fritura. Preferência nacional de qualquer prato no Egito. Conversei com o Eslan e ele conseguiu um UBER para mim. Acabou que no final fechei todos os dias com esse rapaz do UBER, um senhor muito distinto, educado e simpático, mas que infelizmente não tirei foto nem decorei o nome dele. Mas acredito que, se você pedir no seu hostel, com certeza você consegue um guia ou UBER bem em conta como eu.
      Mas vamos ao que interessa, quem vai ao Cairo quer ver o que? Pirâmide. Então vamos de Pirâmides no primeiro dia e não quero nem saber se é a cereja do bolo rs... A programação do dia era Pirâmides de Queops, Pirâmide de Djoser e Sacara. Mas vai por mim, você não vai conseguir fazer isso tudo por alguns motivos: 1) A logística é impossível, 2) o transito não deixará, 3) Queops é imenso e você vai ficar tão absudamente boquiaberto com tudo que vai querer passar o dia inteiro lá. E foi o que eu fiz...
      O UBER me cobrou 60 EGP para me levar e buscar (tava com o whatsapp dele). No caminho além do trânsito caótico que não me deixava esquecer que estava no Egito, de longe eu conseguia avistar a pontinha das pirâmides, e claro, comecei a chorar (se você for manteiga que nem eu vai chorar mesmo, é uma energia, uma emoção sem tamanho...)
      O carro me deixou na entrada e fui para a fila comprar meu ingresso. Eu tenho uma carteirinha internacional de estudante. Se você tem uma a dica é: leve-a. Eu paguei meio na maioria dos locais que eu fui no Egito. eles super valorizam a carteirinha. Comprei o ingresso que dava direito a entrar nas pirâmides e custou 100 EGP (lembrando que era meia, tá?).

      Entrei... e quase morri! Só indo para ver. Não vou ficar detalhando a beleza e imensidão. Não tem como. Vamos nos atear a logística da coisa. Depois de passar uns 10 min abraçada nas pedras da pirâmide, fui procurar um guia e um camelo. Acredite, você vai precisar de um. Ah, e antes que alguém venha falar dos direito dos animais eu já aviso: eu sou vegana e luto diariamente para isso, mas você não vai resistir a andar de camelo nas pirâmides, por mais que esteja com o coração partido e morrendo porque está colaborando com a exploração dos animais. Então, aceite! Fechei com um guia um passeio completo pelas pirâmides e até o ponto mais alto por 500 EGP (aprox 100 reais). Não achei caro, já tinham me oferecido por 1000, 800 e depois de chorar consegui o desconto. Aliáaaaasss, chore muitoooooooo no Egito, provavelmente você consiga descontos do tipo 80% (e não to brincando não).
      É muitooo emocionante andar de camelo, naquela paisagem. Gente, não tem explicação. O guia foi muito bacana e tirou várias fotos show (depois rolou 50 EGP por fora, claro). Outra observação: no Cairo, no egito em geral, tudo tudooo é comissionado. Se eles te derem uma informação, vão te pedir comissão. Acostume-se e separe uma grana pra isso. Não é de bom tom não dar e você será xingado em árabe por umas 15 gerações.
      O guia dá a volta inteira nas Pirâmides. Esse passeio dura umas 3 horas e no final ele te leva num lugar para comprar essências e perfumes egípcios. Alias, quase todo passeio terminam nessas perfumarias, tapeçarias ou "papirarias" (onde vendem os papiros). Dentro de Guizé é beeemmm caro  e não recomendo comprar nada por lá. Depois ele voltou comigo para dentro da área das pirâmides. Acho que já eram por volta das 17h e estava quase escurecendo. O pôr-do-sol naquelas bandas é de babar.


      Apreciei mais um pouco cada pedacinho daquele lugar, tirei mais 600 fotos, beijei a esfinge, segurei a pirâmide e virei artista por 15 min. Vocês podem imaginar o que uma ocidental loira com os cabelos expostos pode causar nas crianças egípcias? Eles adoram. Pedem para tirar foto a cada passo que você dá. Você é assediado como se fosse um artista hollywoodiano. O guia teve que pedir pelo amor de deus para eu não ser tão simpática porque ele não aguentava mais parar para tirar foto com as mulheres de burca e as crianças rs... E acredite, você adora no início, mas no final da viagem tava fechando a cara já, porque enche o saco e daí entendi porque os artistas também ficam de saco cheio rsrs...

      Ah, durante o dia nas pirâmides eu não comi absolutamente NADA! Você não vai lembrar de ter fome, acredite. Quando cheguei no hostel pedi um pão e chá preto e eles me forneceram, e não me cobraram por nada. Voltei para o hostel e combinei com o UBER dele me buscar para ir a Khan El Khalili. Estava muitoooo ansiosa e deixei para comprar algumas lembrancinhas lá. Ele me buscou por volta das 19h30.
      Explore o máximo que você puder de Khan. Eu sinto não ter podido ir lá de manhã. Deve ser lindamente colorido. Porque à noite já era. As luzes e cores são tão fortes por lá que quando você sentir esse cheiro novamente, com certeza, lembrar das ruas de El Khalili (aconteceu comigo em Sharm). Eu comprei muitas lembrancinhas lá e por um preço muitooo em conta. Cada papiro comprei a 10 EGP e mais miniaturas de piramides e gatos, esfinge, deuses (cada um a 10 EGP). Mas chore muito que o preço cai. Eles custavam 80 EGP hahaha. Depois achei um café que havia sido recomendado pelo guia do UBER e parei lá para jantar, chamado Naguib. É bem carinho perto dos preços do Cairo, mas quem liga né? Lá é proibido tirar fotos mas tirei da entrada pra vocês verem. Mas é bem divertido, tem música ao vivo e as pessoas cantam alegremente. Aliás, cantar alegremente é uma coisa que os egípcios adoram fazer.






      Gastos do dia:
      UBER até as pirâmides: 60 EGP (ida e volta)
      Entrada das Pirâmides: 100 EGP
      Passeio de Camelo + fotos: 550 EGP
      UBER para o jantar: 50 EGP (ida e volta)
      Jantar: 250 EGP
      Dia 03
      Tinha combinado com o motorista do UBER bem cedinho nesse dia. Nesse dia fomos a Saqqara, Dsjor, um passeio pelo deserto do Saara e Memphis. Acordei cedo, tomei café no hostel e saí por volta de 8h30.
      Todas as entradas eu paguei meia com o cartão de estudante.



      O guia ia me explicando tudo e dei muita sorte. Nenhum dos lugares estava cheio. Nesse dia, apesar do frio extremo no Cairo, fez um pouco de calor e como eu estava com roupa térmica, mais blusa segunda pele, casaco, cachecol passei mal. E ainda juntou que passava muitas horas sem me alimentar. O guia parou num feirante e compramos um cacho de banana rsrs... o mais vegan que eu achei por aquelas bandas. Para o guia o cacho custava 5 EGP mas quando ele viu que era eu quem queria comprar ele se recusou a vender por esse preço e fui obrigada a pagar 7 EGP. Isso é bem comum no Egito, bem mesmo. Se um nativo pergunta o preço, para ele com certeza, ser[a mais barato. Nada tem preço tabelado ou exposto. Justamente para isso.
      Todas as pirâmides ficam no mesmo completo e quando você compra o ingresso já compra tudo junto. O templo fica bem afastado e na entrada já encontramos aquelas clássicas pilastras que vemos em várias fotos. É enormemente impressionante. 



      Existe um sítio arqueológico aí dentro e o ingresso dá direito a entrar. Quando você entra, encontra o complexo funerário de Djoser. Tem uma tumba lá dentro com uma múmia. Não lembro qual rei é. Mas se procurar no Google acha. Aliás, se você não tem boa memória que nem eu, é bom levar um caderninho para anotar o nome das múmias, porque você verá muitaaaassss delas, por todos os lugares. Dentro do complexo fica um Beduíno. Ele te explica tudo mesmo sem você querer e vai pedir gorjeta. Prepare-se. Cogitei em não pagar e o guia me disse que não era de bom tom e nem seguro (quando ele uso essa palavra saquei 20 EGP e dei ao cara). Mas valeu a pena!
      Se você não fala bem inglês pode se enrolar no Egito. Eles são muito simpáticos e solícitos mas o inglês e o árabe são o idioma. É bom procurar por um guia que domine o idioma que você também domina. Mas tirando o seu guia que pode falar diversos idiomas (inclusive o russo - eles amam russo), tudo será em inglês.
       Nesse dia o guia do UBER me acompanhou o tempo todo. Então não paguei apenas a ida e volta. Mas valeu cada centavo. Ele me explicou sobre tudo e me senti muito segura com ele próximo além de tê-lo como fotógrafo e não precisar ficar pagando gorjeta para cada árabe que pedia pra tirar foto. Se você pegar um guia maneiro, ele ainda vai te ajudar em fotos maneiras essa daí embaixo. Você só paga sua entrada. Os guias sempre entram de graça.

      Quando saímos dessa pirâmides fomos para o Complexo que fica no meio do deserto do Saara. Dá pra entender porque eu passei mal né? Devia estar uns 35 graus e era inverno (à noite caía abaixo de zero) e eu entupida de roupa. Prepara-se para comer muitaaaa areia porque o vento é alucinante. Não há cabelo que resista rsrs. Mas vai valer a pena.


      Pegamos o carro e fomos para a Pirâmide de Dashur também conhecida como Pirâmide Curvada e eu gostei demais dessa. Beeemm diferente mesmo.

      Logo depois pegamos o carro de novo e percorremos o deserto para chegar na Pirâmide Vermelha. Nada especial nessa. Essas pirâmides ficam no meio de uma área militar então não é dificil ver carros do Exercito rodeando o carro do guia e soldados olhando pra você como cara de poucos amigos. A Pirâmide Vermelha só serviu para o meu guia me ajudar a fazer as maiores estripulias e tirar as fotos mais doidas. Como eu disse, nesse dia, só estavamos eu e o guia nas pirâmides. É bem diferente das grandes de Guizé, que são lotadas e dificilmente você conseguirá uma foto sem um intruso.

      Saimos de lá  fomos para Memphis ver a Estatua de Ramsés II

      Voltei pro Hostel. Estava exausta, tinha comido toda a areia do deserto, estava imunda mas terrivelmente feliz. Combinei com o UBER que ligaria para ele me buscar para jantar.
      Ele passou no hostel por volta das 21h e fui jantar num restaurante no Nile City. É um restaurante na beira do Nilo em formato de navio. Comi uma salada e tomei um suco. Sentei numa mesa que dava para o Rio Nilo e pensando no quanto Deus é bom conosco porque nos permite realizar sonhos como esse.

      UBER me pegou e voltamos para o Hostel.
      Gastos do dia:
      Entradas: 20 + 20 + 40: 80 EGP
      Guia = UBER: 500 EGP
      Cacho de banana: 7 EGP
      Gorjetas: 20 EGP
      Uber para o jantar: 50 EGP (ida e volta)
      Jantar: 150 EGP
      [Em Construção]
       
       
    • Por catiavicente
      Olá comunidade!

       
      Em jeito de retribuição pela enorme quantidade de informações que ao longo dos anos tenho vindo recolher neste site, venho aqui deixar o meu contributo: relato da viagem de três semanas pela Tanzânia em Fevereiro de 2017.
      Antes de mais penso que é importante perceberem que somos um casal, ambos com 38 anos, oriundos de Portugal, habituados a acampar, que poupam muito na habitação durante a viagem para puder gastar em experiências, bebida e comida! Que valorizam mais a simpatia do dono da GuestHouse do que o facto de esta ter AC. Que valorizam mais a entrega e disponibilidade de um guia do que um parque de campismo 5 estrelas! Isto só para contextualizar as opiniões que iremos dar!
       
      Costumamos viajar sozinhos, no entanto desta vez, fomos acompanhados de um casal, o que se revelou uma escolha acertada, apesar de termos de abdicar de algumas escolhas mais económicas em termos de habitação ou transportes. Como vão perceber mais à frente, a rede de transportes em África não é comparável aquela que encontramos na Ásia por exemplo! Muito mais deficiente e muitooooooo mais cara! Não existem transportes durante a noite e viajar longas distâncias significa perder dias de viagem! Assim viajar com outro casal, permitiu optar por táxis em vez de dala-dala, uma vez que o valor é pelo carro e não pelo numero de pessoas, “obrigou-nos” a optar por viajar de avião dentro do pais, ganhando assim 2 dias de viagem, permitiu dividir quartos com WC em vez de optar por dormitórios, etc.
       
      A primeira dica de todas é: se é a tua primeira vez em África vai acompanhado ou junta-te a outros que vás encontrando ao longo da viagem, facilita e muito!
       
      Feita esta ressalva, ai vai o relato:
      Saímos de Faro, Portugal no dia 28 de Janeiro em direcção a Londres onde ficamos praticamente dois dias e uma noite. Sobre Londres não tenho nada de novo a acrescentar, a quantidade de informação que se encontra é mais do que suficiente para que qualquer um possa organizar um pit stop por lá.
      No dia 29 de Janeiro apanhamos um voo da Etihad Airlines, com escala curta em Abu Dhabi, e chegámos a Dar Es Salem no dia 30 de Janeiro (o voo custou cerca de 510 euros por pessoa). Logo à chegada ao aeroporto fomos confrontados com a maior verdade do país: tudo funciona “pole pole”, ou seja, devagar! Não tínhamos bagagem de porão e demorámos 1 hora a conseguir sair do aeroporto! O visto para Portugueses custa 50 dólares, tens de entregar o teu passaporte e aguardar que te voltem a chamar… pole pole…
       
      No dia seguinte iriamos apanhar um voo doméstico para o norte do país, por isso não compensava estar a pagar táxi para ir até à cidade (preço fixo 35 dólares). Para apanhar transporte público do aeroporto para a cidade tens de sair do aeroporto e caminhar cerca de 500 metros até encontrares um dala dala na direcção correcta (o melhor é ir perguntando), custa cerca de 3 dólares e demora até 2 horas! Os dala-dala, são viaturas que deveriam transportar 15/18 pessoas e por norma transportam o dobro + mercadorias e fazem paragens de 5 em 5 minutos .
       
      Assim saímos de Portugal já com GuestHouse reservada para essa noite, muito próxima do aeroporto, com transfer gratuito: Airport Transit Lodges – foi um dos mais caros da viagem: 40 dólares, com pequeno-almoço e transfer do aeroporto incluído. Os quartos são óptimos (especialmente para nós que estamos muito habituados ao básico), espaçosos, com casa de banho e água quente (olha o luxo!!!). O pessoal foi do mais simpático! Foram connosco comprar cerveja, e no final da tarde, quisemos ir conhecer as redondezas e um dos funcionários do hotel, o Thomas, acompanhou-nos por questões de segurança e ficou connosco na rua até à meia noite!!! Metemos conversa com gente que vivia perto do hotel e acabamos a fazer a festa com eles! Logo ali ficamos com uma certeza: é diferente da ásia? Sim e muito. Tens que ter cuidado? Sim claro que tens, mas que isto não te impeça de interagir e conviver com as suas gentes! Eles ficam felizes de puderem conversar connosco e adoram partilhar o que têm, nós pagámos umas cervejinhas e recebemos em troca cabra assada, salada (que não deveríamos ter comido mas estávamos tão felizes que esquecemos todas as recomendações) e musica a noite toda! Trocamos contactos, tiramos mil e uma fotos, dançamos e rimos! Bastaram algumas horas para que esta terra e estas gentes me entrassem coração adentro!!!
       
      31-Janeiro
      Acordámos cedo e tomamos o pequeno-almoço que considerando o preço do quarto tinha obrigação de ser melhor! Muito fraco. Pedimos para nos levar ao aeroporto o que nos custou 5 dólares por casal. Dá para ir caminhando (cerca de 15 a 20 minutos).
      Apanhámos um voo da FastJet e 55 minutos depois estávamos a aterrar no aeroporto de Kilimanjaro. O voo custou cerca de 75 dólares por pessoa, ida e volta.
      (A alternativa seria apanhar um autocarro na estação de Ubungo, fica nos arredores de DAR, o bilhete para Arusha custava cerca 15000 TZ. Para chegar à estação desde o centro de DAR precisávamos de apanhar um Dalla Dalla na paragem do New Posta ou Old Posta +- 300 TZS. De salientar que existem vários horários a partir das 06:00/07:00 da manha e demoram cerca de 12 horas a fazer o caminho até Arusha.)
       
      Em Kilimanjaro tínhamos à nossa espera, aquele que viria a ser a peça chave dos próximos dias: O Heaven, o nosso guia do Safari! O Heaven trabalha para a empresa It Started in África, empresa essa que se revelou a melhor escolha de toda a viagem!
      Durante mais de um ano pesquisei e enviei pedidos de orçamento para imensas empresas de Safari, ao mesmo tempo que ia lendo depoimentos contraditórios: “compra o safari em Arusha quando chegares porque sai muito mais barato”, “escolhe e reserva o safari com antecedência para não estares sujeita á pressão dos caça-clientes em Arusha e estares sujeita a escolher uma empresa que não seja de confiança”, etc, etc. Eu sou um bocado freack-control e a diferença de preços não justificava arriscar escolher o safari in loco. Inicialmente como eramos só dois, escolhemos apenas 4 dias porque o orçamento não permitia mais. Mas quando os nossos amigos se juntaram a nós, e dividimos o jipe, pudemos alargar o safari para 5 dias com um dia mais alternativo “out of the beaten track” com visita à tribo Hadzabe. Resumindo, o Safari ficou no total (com todas as visitas, dormida, comida + guia e cozinheiro só para nós) por 200 doláres por pessoa por dia. É caro?! Sem dúvida! Mas era o sonho de uma vida para o meu namorado, que cresceu a ouvir as histórias do David Attenborough, nas planícies do Serengueti! E com os sonhos não se arrisca 
      Foram muitos sacrifícios ao longo do ano, muita roupa que não compramos, muitos jantares em casa em vez de ir para fora, levar todos os dias comida para o trabalho, correr em vez de ir ao ginásio, os 4 canais da TV em vez de um pacote pago, muitas opções deste género! Mas valeu cada esforço!!!
       
      Pelo que fui pesquisando, encontras safaris significativamente mais baratos em jipes entre 6 a 10 pessoas – cerca de 100 a 120 dólares por dia. Mas como é evidente há coisas que perdes, como ajustares (dentro daquilo que é possível) o itinerário com o guia, o ficares mais tempo num local que estás a adorar, o risco de apanhares um jipe velho que quebra durante a viagem e obriga te a perder horas do safari etc. A dica é: mesmo que optes por reservar em Arusha, pesquisa muitoooooooo! Li relatos de pessoas que saíram muito frustradas desta experiência e gastaram uma pipa de massa! Existem empresas que não têm o minino de condições de segurança no jipe, cujos guias passam a correr nos locais sem se importar se avistas os animais ou não, que oferecem comida em fracas condições de higiene, etc.
       
      Fazer por conta própria, no meu ponto de vista não compensa, porque o valor do aluguer do jipe (sim tem de ser obrigatoriamente um jipe considerando os caminhos)+ a entrada nos Parques e reservas + a pernoita nos parques de campismo + alimentação vai ultrapassar os 200 dólares que nós pagamos!
       
      Mas voltando ao relato (desculpem me mas eu perco-me, escrevo como falo: muitooooo!), acertamos o transfer com a empresa do safari e ficou 25 dólares por casal para fazer os 45 minutos que separam o aeroporto da cidade de Arusha. Pesquisamos por transporte alternativo mas não encontramos nada a não ser o shuttle da FastJet que ficava por volta de 7 dólares por pessoa. As decisões eram tomadas em grupo e considerando as diferenças de preço por vezes optou-se pela comodidade.
       
      Não ficamos no centro de Arusha porque já levávamos o safari reservado e não queríamos estar constantemente a ser alvo dos caça-clientes, ficamos no Settlers Executive Lodge, por 25 doláres, quarto duplo com WC. Recomendo vivamente, o quarto é bom, limpo, o staff é simpático, os arredores são muito seguros para passear e visitar mercados de rua, com comida a preços acessíveis, prato de frango com arroz ou batatas por 4000tz, cerveja a 2500 tz, um campo de futebol mesmo ao lado do hotel que nos valeu umas grandes risadas. A uma distância a pé de 5 minutos há um grande supermercado, com ATM e loja de cambio, bebidas e comida. Enquanto caminhamos encontramos várias placas de Guesthouse, que presumo a preços mais baixos (não confirmei).
      Tivemos uma boa noite de descanso para nos prepararmos para os próximos dias 
       
      01 a 5 de Fevereiro - Safari
      No 1º dia foram nos apanhar ao hotel, fizemos as ultimas diligências contratuais no escritório (pagamento ) e seguimos com o Heaven para abastecer o jipe… de cerveja!!! É verdade o Heaven foi o máximo, percebeu que o nosso orçamento era curto e que a compra de bebidas nos parques de campismo (quando havia) eram muito caras, foi conncosco a um supermercado onde pudemos comprar cerveja, trocar xelins, etc. Cerveja colocada na arca do Jipe (sim tinha uma arca para manter as águas e cervejas bem geladinhas), partimos em direcção ao Lake Manyara. No caminho paramos para fazer a primeira visita: tribo Masai. Bom, na minha opinião, não vale a pena. É puro negócio! É giro para tirar fotos daquelas que impressionam os amigos, mas eu não voltava a pagar os 50 dólares (este valor já está incluído nos valores do safari que referi em cima). Sobretudo porque mais à frente, a caminho do Serengueti e Ngorongoro tens oportunidade de ver imensas aldeias Masai e cruzas-te com os seus habitantes em contexto real, e mesmo que não visites as suas casas, na minha opinião acaba por ser muito mais real do que esta primeira visita.
       



       
      Apesar do Heaven nos avisar que não deveríamos pagar nada, a verdade é que és pressionada para dar algum dinheiro ao dono da casa que visitas ou pelo menos comprar um artesanato a preços que são um autentico ROUBO!
      Não tiveram muita sorte com este grupo ãã2::'>  apesar disso fizemos a festa! Trocamos de sapatos com eles, rimos, dançamos e quando demos por nós tínhamos a tribo toda ao nosso redor. O guia dizia que os Masai é que tinham vindo visitar os portugueses .
       
      De volta à estrada entrámos duas horas depois no Parque Nacional do Lake Manyara. À distância, de todos os parques que visitamos, é sem dúvida o menos impactante. Mas na altura, não sabíamos disso e queríamos parar a cada segundo para tirar fotos aos babuínos, girafas, elefantes, búfalos, zebras e aves que íamos encontrando pelo caminho, alguns estavam a metros do jipe!
       


       
      Por volta das 16h, terminamos a visita e fomos em direcção ao Haven Nature Camp. Foi um dos melhores de toda a viagem, as tendas são permanentes e tem camas no interior. O campo tem água quente. É muito bonito e arranjadinho. A zona de jantar e pequeno-almoço é muito agradável. Conhecemos o Fadile, o nosso cozinheiro que nos acompanhou durante toda a viagem e que preparou um autêntico manjar dos deuses (pelo menos era o que parecia): uma sopa com leite de coco, caril e coentros, seguida de um curry de frango acompanhado de arroz, batatas fritas e legumes salteados!
       



       
      Para não me estar a repetir posso já dizer que a comida dos dias seguintes, ao jantar, foi sempre muito saborosa, com direito a sopas sempre diferentes, quiches, bolonhesa e currys diversos. O pequeno-almoço era suficiente para nos manter muito bem durante horas, quanto ao almoço, vinha embalado em caixas individuais e continha por norma uma peça de carne (frango assado), ou tortilha, ovos cozidos, sumo, fruta, etc.
      Nessa noite bebemos umas cervejinhas, trocamos as primeiras impressões até tarde e… cama!
       
      No dia seguinte bem cedo o Heaven e o Fadile prepararam o jipe, a logística é impressionante mas eles já fazem aquilo como se nada fosse.

       
      Carregadas as tendas, mesas, cadeiras e comida para os próximos dias, seguimos em direcção ao Serengueti. As distâncias são grandes, e as estradas proporcionam aquilo que eles chamam de “África Massage”, mas se tiveres um bom guia, depressa se faz o caminho! Um Guia que anime a viagem com musica, faça paragens regulares, para um cigarrinho, para dois dedos de conversa, para tirarmos umas fotos com os masais que vamos encontrando no caminho a guardar gado, para um xixi (em relação ao xixi, era uma coisa que me intrigava antes da viagem, mas nós fazemos paragens em parques/entradas de parques nacionais etc, de 3 em 3 horas +- e em caso de aflição há sempre uma arvore ou a roda do jipe!).
       

       
      O próprio caminho é um game drive tal é a quantidade de animais que vais vendo pelo caminho! Nós estávamos tão espantados! É tão difícil colocar em palavras! Foi numa destas alturas, ainda antes de entrarmos no Serengueti, que o nosso guia teve uma saída memorável:
       
      “Do not spend the memory of the machine, If this was a movie, this part is just the trailer”
       
      E ele tinha razão!!! A quantidade de animais é inexplicável! A imensidão das planícies é inolvidável! São aos milhares! Especialmente os Gnus e as Zebras!!! Só de falar/escrever o meu coração fica apertado de emoção. A sério.


       
      Por norma, nesse dia todos os jipes param na entrada do Serengueti para o almoço, fica uma dica: nesse parque, existe uma pequena subida para uma rocha enorme que vale a pena espreitar! A vista é de tirar o folego!
      O Serengueti não nos podia ter recebido melhor: dois minutos depois de entrarmos no parque avistamos duas Chitas que estavam escondidas numa barreira Á BEIRA DA ESTRADA! Tivemos a sorte de se levantarem na altura e de ficarmos a menos de dois metros delas! Tive vários colapsos durante a viagem e este foi um deles! São lindas! E são selvagens! E não tem grades á volta delas! E… e… e é isso!
       

       
      Se tivéssemos acabado por ai já tinha valido a pena, mas não acabámos! Ainda tivemos direito aos omnipresentes gnus, elefantes, Leões, hienas, chacais e todo o tipo de antílopes! Não vale a pena tentar descrever estas partes porque não tenho o dom da palavra que faça justiça áquilo que vimos.
       




       
      Antes de entardecer, fomos procurar o parque para passar a noite e surpresa da surpresa: era bem no meio do Serengueti! Tínhamos acabado de avistar leões, hienas, chacais, búfalos, etc á cerca de 10 minutos quando o Heaven passou por um parque de campismo que julgamos estar abandonado! Não estava minha gente! Era o nosso Parque !!! O Heaven explicou que tinha recebido a informação que o campo onde deveríamos ficar estava demasiado cheio e resolveu trazer-nos para este. É nestas alturas, que caso ele não tivesse já ganho a nossa confiança e se não tivesse feito de tudo para nos ver felizes, nós teríamos levantado problemas! Mas não. Eu tinha pesquisado na net e o campo era muito semelhante a este, ou seja, muito… muito… básico!
       


       
      Água quente não havia mas também não era necessário, tinha duche e casas de banho, tinha um local fechado para o jantar e depressa os funcionários acenderam uma fogueira. Ajudámos o Heaven a montar as tendas (não tínhamos obrigação só mesmo vontade), banho tomado, barriguinha cheia, fogueira com a gente. Foi uma das melhores noites de toda a minha vida! Sentia-me tão feliz, rodeada de amigos, no meio do SERENGUETI, á fogueira, a beber umas kilimanjaros, não precisava de mais nada. Estava completamente preenchida! Fomos avisados para não irmos à casa de banho sozinhos e antes de irmos para a tenda dormir percebemos porquê como meninos bem comportados fomos os quatro á casa de banho antes de irmos para a tenda quando o Luis avista dois olhinhos brilhantes a uns 5 metros de nós era uma hiena!!! A ida à casa de banho foi praticamente desnecessária porque ia fazendo xixi mesmo ali!!! A coitada teve medo de nós claro! Íamos em “manada”! Fugiu em segundos! Mas voltaram… durante a noite ouvimos os sons delas e dos leões como pano de fundo  foi uma noite surreal, pouco dormimos devido à excitação! Mas não trocava aquela noite por uma noite bem dormida num Lodge 5 estrelas!
       
      (continua...)
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