Ir para conteúdo
Mochileiros.com
Diego Minatel

Caminhando por quase todo o Brasil, Uruguai e um pouco de Venezuela em seis meses de estrada

Posts Recomendados

Para mim é algo realmente complicado traduzir em palavras os momentos vividos nos dias da minha viagem. Viagem esta que não se traduz num simples mochilão ou turismo de longa duração. Foi o encontro de uma pessoa comum com seu sonho de andar por terras que tanto o inspiraram, terras mãe da esperança, terras de homens e mulheres feitos de histórias e de coração, corações gigantescos. O sentimento que fica depois de quase seis meses na estrada é o de gratidão, do agradecimento as infinitas pessoas que ajudaram esse pobre viajante das mil e uma maneiras possíveis, para vocês meu muito obrigado.

 

598dd755aa84c_Foto1.jpg.c7f7d4b2b343a070076c0b76b0c7e2cb.jpg

 

Tinha uma vida igual a tantas outras, era bem razoável por sinal, mas a vontade de caminhar e estar frente a frente com o novo me atormentava todos os dias. Queria conhecer com meus olhos as diferenças, os sotaques, as comidas, as belezas. Desejava não ter pressa, fazer tudo no seu tempo necessário, não estar preso a rotina dos dias e principalmente aprender. Sim, aprender, não com fórmulas prontas e nem sentado dentro de uma sala de aula. Queria aprender com experiências. Queria conhecer pessoas. De alguma forma queria fugir da minha vida cotidiana, não por ela ser ruim, mas pelo desejo de se conhecer e assim, quem sabe, voltar uma pessoa melhor. Quando esse sentimento passou a ser insuportável decidi que tinha que partir.

 

Por um ano ajuntei algum dinheiro, queria ficar seis meses na estrada. A grana não era o suficiente, mas suficiente era a minha vontade. Dei um ponto final no trabalho. Abri o mapa e não tinha ideia por onde começar. Decidi não ter um roteiro, apesar de ter muitos lugares em que eu queria estar.

 

Assim começa a minha história (poderia ser de qualquer um). O relato está dividido da seguinte forma:

 

Parte 1: de Rio Claro ao Vale do Itajaí
Parte 2: Cânions do Sul
Parte 3: de Torres a Chuí
Parte 4: Uruguai
Parte 5: da região das Missões a Chapecó
Parte 6: Chapada dos Veadeiros e Brasília
Parte 7: Chapada dos Guimarães
Parte 8: Rondônia
Parte 9: Pelas terras de Chico Mendes, Acre
Parte 10: Viajando pelo rio Madeira
Parte 11: de Manaus a Roraima
Parte 12: Monte Roraima y un poquito de Venezuela
Parte 13: Viajando pelo rio Amazonas
Parte 14: Ilha de Marajó e Belém
Parte 15: São Luis, Lençóis Maranhenses e o delta do Parnaíba
Parte 16: Serra da Capivara
Parte 17: Sertão Nordestino
Parte 18: Jampa, Olinda e São Miguel dos Milagres
Parte 19: Piranhas, Cânion do Xingó e uma viagem de carro
Parte 20: Pelourinho
Parte 21: Chapada Diamantina
Parte 22: Ouro Preto e São Thomé das Letras
Parte 23: O retorno e os aprendizados

 

O período da viagem é de 01/10/2015 a 20/03/2016. De resto não ficarei apegado nas datas exatas em que ocorreram os relatos que irão vir a seguir, tampouco preocupado em valorar tudo. Espero contribuir com a comunidade que tanto me ajudou e sanar algumas dúvidas dos novos/velhos mochileiros.

Editado por Visitante

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parte 1: de Rio Claro ao Vale do Itajaí

 

Enrolei alguns dias em casa, era para já estar viajando, na verdade eu tinha medo de começar. Acho que o mais difícil é começar, depois você já vai ter feito a merda mesmo e tudo fica mais fácil. Após pensar muito decidi que o meu primeiro destino seria Curitiba. Lá reencontraria o Boletão, parceiro do meu primeiro mochilão e amigo de longa data.

 

Inspiração 1.1: Como diria o grande Amyr Klink no seu relato/livro Paratii: Entre dois pólos: "Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir."

 

Acho que era uma terça-feira. Fiz as malas horas antes de partir, minha irmã e mãe me acompanharam na rodoviária, elas tentaram me fazer desistir. Subi no busão e já não tinha certeza de nada. Apesar de o trajeto ser noturno eu não dormi. Pensava milhões de coisas e ao mesmo tempo não pensava em nada.

 

Das coisas que levei comigo:

  • 1 mochila Curtlo Mountaineer 75 + 15 lts
    1 barraca Quechua QuickHiker II
    1 saco de dormir Trilhas e Rumos Super Pluma Inverno
    1 tênis de trilha Timberland
    2 calças jeans
    2 calças de trekking
    3 shorts
    10 camisetas
    10 cuecas
    5 meias
    1 anorak
    1 segundo pele
    1 touca
    1 toalha
    Produtos de higiene pessoal
    Alguns livros

Em média a mochila pesava uns treze quilos.

 

Chegar a Curitiba, reencontrar o Boletão, parecia mais um final de semana de folga. Apesar de ter ficado quase uma semana por lá. Andei por todos os cantos de Curitiba, conheci o que nunca tive oportunidade de conhecer. Já tinha ido algumas vezes antes à cidade, mas sempre de passagem. Dessa vez, com todo tempo do mundo, conheci tudo com a calma que cada lugar merecia. O museu do olho do genial Niemeyer é algo realmente belo e tive sorte de estar na cidade na época da bienal. O jardim botânico merece toda a fama de cartão postal da cidade, é um parque agradável demais, todos os outros parques da cidade são de igual sentimento. Vale destacar a qualidade do transporte público na cidade o melhor que conheci no Brasil.

 

Informação 1.1: Curitiba é considerada a capital ecológica do Brasil. Existem mais de 26 parques para visitação e também é a cidade onde a mata Atlântica é mais preservada.

 

Bote.JPG.1b4c63cc8ce82addf01dde80496b3a06.JPG Pomerode é uma cidade catarinense próxima de Blumenau conhecida por ser a cidade mais alemã do Brasil.[/size][/i]

 

Curiosidade 1.1: Em plena crise o vale do Itajaí era o oposto do resto do país, criando vagas ao invés de diminuir. O vale corresponde o nordeste do estado de Santa Catarina, região que tem como principal cidade Joinville.

 

Tentei couchsurfing na cidade, não consegui. Procurei nas cidades vizinhas até conseguir em Timbó. Meu primeiro host da viagem e seria o primeiro surfer delas. Cheguei pelo fim da noite na cidade. A minha espera estava a Dani, Bruna e família. Não poderia ter melhor recepção.

 

“A vontade de visitar Pomerode vem do simples fato de sempre saber que era a cidade mais alemã do Brasil, apesar de ser um termo vago, carregava essa vontade de estar lá. Estava tão perto, por que não ir? Não conhecia nada da região, muito menos sabia que Timbó existia. Como a viagem não tinha nada de planejado seria uma descoberta.” Notas de diário

 

No segundo dia seguimos para o morro Azul. Pico mais alto da cidade, o morro abriga uma bela vista, além de ser um ponto de camping da cidade. Do seu topo pode-se ver Timbó e Pomerode. Lá de cima na companhia da Bruna e da Daniela, finalmente, tive a certeza que a viagem havia começado de verdade. Agora sabia que tinha tomado a decisão certa. Depois fomos numa festa, no estilo Oktoberfest. Foi um bom dia, cheio de paz e de ótima companhia.

 

itinerario_trem.jpg.b0fb2972819bf56190f014d9fa7c0047.jpg O Enxaimel é uma antiga técnica construtiva, na qual uma estrutura de madeiras encaixadas tem seus vãos preenchidos com tijolos ou taipa. Conjunto de estacas e caibros que sustenta as divisões da estrutura da casa, podendo ou não ficar aparente na fachada.[/i]

[/size]

Culinária 1.1: No vale do Itajaí vende-se o refrigerante Laranjinha da Água da Serra, o melhor de todos. Não tem muito gás e é realmente bom.

 

Fiz um trekking de 16 km pela rota enxaimel. O caminho é recheado por construções do tipo enxaimel (aquelas casinhas típica alemã) e cercado pela natureza. Muito fácil conhecer pessoas no caminho e aprender um pouco da cultura alemã que sobrevive na região. Recomendo demais o trekking.

Apesar de muito ouvir que as pessoas da cidade não são receptivas e muitas vezes preconceituosas com turistas, não senti nenhuma indiferença por parte das pessoas que tive contato. Pelo contrário, fui bem recebido e tratado com enorme educação.

 

Curiosidade 1.2: Pomerode, apesar de ter menos de 30 mil habitantes, tem grandes empresas como: Bosch , Hering entre outras.

 

Curiosidade 1.3: Apesar de toda fama de Pomerode, o melhor lugar para se visitar arquitetura enxaimel é a vila alemã em Blumenau.

 

598d9e054e324_StaCruzeSucre027_edited.jpg.6de67840b85a8e4a127bf23f8ca8ec4c.jpg

 

Passei bons momentos na companhia da família Nasato e quero um dia poder voltar para lá e receber aqueles abraços calorosos iguais da despedida. Família que tão bem me recebeu, iria ficar dois dias a principio, acabei ficando quase uma semana. A Dani e a Bruna transbordam amor e logo seguiriam para um mochilão de longa data. Lembro que dava dicas para elas de como viajar, hoje acompanhando a viagem delas era eu que merecia umas longas aulas, que orgulho e que saudades. Falando em saudades, esse é o sentimento que fica. Saudades das conversas com o Pini e a Rose, depois chegou a Grazi que abrilhantou ainda mais a pacata Timbó. Nunca me esquecerei desses dias e sempre serei grato a Dani e Bruna por dar a possibilidade de conhecer suas famílias, cidade e região. Meus eternos agradecimentos. Muito obrigado.

 

Depois fui para Blumenau em plena Oktoberfest, passei uma tarde na vila alemã e segui viagem. Dormi de noite na rodoviária da fria Criciúma. O próximo destino seria a região dos cânions.

598dd784b89a0_Foto1.1-JardimBotnicodeCuritiba.jpg.e4310b4f955dff981246170e4833fb0a.jpg

598dd784bdfc4_Foto1.2-VistadomorroAzul-Timb.jpg.12688c3d061df7e01e8466cc11f2b94e.jpg

598dd784c350c_Foto1.3-ExemplodaarquiteturaenxaimelnarotaenxaimelemPomerode.jpg.0ff7c8cb062fbad2581c43e1fdaf8386.jpg

598dd784c7981_Foto1.4-RioBeneditoearquiteturaenxaimel-Timb.jpg.9678edfb625da9c97fc1ea880cf10956.jpg

598dd784cc061_Foto1.5-RioBenedito-Timb.jpg.72426a173f085a76892d30a6e3c5c209.jpg

Editado por Visitante

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parte 2: Cânions do Sul

 

Depois de ter desistido, por hora, de conhecer a serra catarinense e a bela serra do rio rastro, decidi conhecer os badalados cânions do sul. Estava empolgado, anos antes tive a oportunidade de conhecer o cânion mais profundo do mundo, o "cañon del colca" próximo a cidade peruana de Arequipa, lugar que também se localiza a nascente do rio amazonas. Essa experiência foi demais. Estar frente a frente com o vazio infinito e presenciar o vôo dos condores sempre me trás boas sensações e lembranças. Agora era a vez de conhecer uma região fértil em cânions.

 

Curiosidade 2.1: O "cañon del colca" chega a ter mais de 3500 metros de profundidade.

 

A região dos cânions situa-se na Serra Geral divisa natural entre os estado do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Essa região corresponde a diversas cidades entre os dois estados, tendo maior destaque Cambará do Sul (RS) e Praia Grande (SC) por suas proximidades dos cânions mais visitados da serra. Cambará do sul é uma cidade da serra gaúcha, muito próxima de Gramado, que tem uma altitude de mais de mil metros, portanto, fica no topo dos cânions. Praia Grande apesar do nome não é uma cidade litorânea e fica no nível do mar, o que faz dela ser cercada pelos paredões dos cânions. As duas cidades são separadas pela serra do faxinal, que por sinal é muito ruim e fica intransitável em épocas de chuva.

 

Informação 2.1: Existem 36 cânions na região.

 

Informação 2.2: Praia Grande fica distante 40km do litoral.

 

Dica 2.1: Cambará do Sul está 120 km de distância de Gramado. Caso planeje uma viagem para a serra gaúcha, não deixe de visitar Cambará do Sul e seus cânions.

 

Dica 2.2: De Gramado existem passeios "bate e volta" para o cânion do Itaimbezinho pelo preço de R$150.

Dica 2.3: Caso queira visitar os cânions com maior comodidade, fique na cidade de Cambará do Sul que tem maiores estruturas para o turismo.

 

Após Criciúma, entre um ônibus e uma carona cheguei a Praia Grande. Minha escolha foi baseada nos custos, Cambará é mais badalada e por conseqüência mais cara. Nos meus dias na cidade fiquei todo tempo acampado num sítio na comunidade de Vila Rosa, que é cercada pelo cânion de mesmo nome.

 

Informação 2.3: Existe ônibus direto entre Criciúma e Praia Grande, mas os horários são bem restritos. Por isso minha opção de pegar um ônibus até uma cidade um pouco mais próxima e depois por sorte eu consegui uma carona.

 

598d9e0584fba_LandRoverTaxi.jpg.25f6bb786b53a2037c1ca9ca048a04a1.jpg[/i]

 

598d9e057fb20_StuckintheSand.jpg.15143dfff5b21e4282866ce69c7873b9.jpgExistem muitos turistas na região e a maioria aluga carro, então, é muito comum conhecer pessoas que tem lugares vagos no carro e também é tranqüilo ir até a serra do faxinal para pedir caronas.

 

Informação 2.4: O cânion Itaimbezinho fica 25km de distância de Praia Grande.

 

Informação 2.5: O cânion Fortaleza fica 60km de distância de Praia Grande.

 

Informação 2.6: Os taxistas da cidade de Praia Grande fazem o trajeto (com até 4 pessoas) aos cânions. Para o cânion Itaimbezinho é cobrado R$200 e para o cânion Fortaleza R$300.[/size][/i]

 

O cânion Fortaleza está localizado no Parque Nacional da Serra Geral e a entrada no parque é gratuita. Difícil chegar até ele, acredito que em dia de chuva seja impossível atravessar uma parte daquela estrada, ainda mais com carro comum. Por outro lado, o trecho asfaltado da pista é lindo demais, cheio de flores coloridas por todos os lados. Fui deixado na entrada do parque e depois segui andando. No meio do caminho entrei na trilha da pedra do segredo. A pedra do segredo é uma pedra de cinco metros que está equilibrada numa base de cinqüenta centímetros. Todo o percurso vale à pena, mas a pedra em si, não me encantou muito.

 

598d9e0574720_Lacreparamochila.jpg.3a8a0cc1113851a7cc695bb820a6eac1.jpg

 

O lugar é muito bonito, vale à pena visitar. Por conseguir atrair o turismo de massa o Itaimbezinho perde um pouco do charme, mas nada que tire o seu sorriso ao estar diante daquele lugar tão peculiar.

 

Curiosidade 2.2: Depois que a globo exibiu uma reportagem sobre o Itaimbezinho e também teve uma novela gravada, o turismo no Itaimbezinho aumentou drasticamente. O problema é que a galera acha que é o único cânion da região, deixando de conhecer os, igualmente, belos Fortaleza, Vila Rosa, entre outros.

 

Tinha planejado fazer a trilha do rio do boi, que nada mais é que caminhar debaixo das fendas do Itaimbeizinho. Como o nível do rio estava muito alto e começava a chover na cidade, talvez a trilha só fosse liberada (pelo ICMBio) daqui algumas semanas. Resolvi não esperar.

 

Curiosidade 2.3: A maioria das pessoas locais que conheci, nos meus dias na cidade, nunca haviam visitado nenhum cânion da região.

 

Em cenários como os de cânions é preciso ter sorte. Afinal, existe um clima particular entre as fendas, onde, do nada, pode-se instaurar uma cortina de neblina e impedir toda a visualização do lugar. Então, o melhor é ficar uns dias na região para evitar qualquer frustração.

 

Aqui foi meu primeiro camping do mochilão. Aqui pela primeira vez estive frente a frente com a imensidão da natureza (nessa viagem). Aqui ouvi meu primeiro "Bah, mas isso é muito longe para ir andando" de muitos que ouviria por todo o sul. Aqui fiz alguns amigos e estes diziam que eu deveria conhecer Torres. Depois de muita propaganda, desfiz acampamento, arrumei a mochila e comecei a caminhar. O próximo destino seria Torres, litoral do Rio Grande do Sul.

598dd78ae839d_Foto2.1-ComunidadeVilaRosa-PraiaGrande-SC.jpg.f30142db3332a3d794e06b00a5030848.jpg

598dd78aec97b_Foto2.2-CnionVilaRosa.jpg.853b3902a865129d60ebf1102718bc54.jpg

598dd78af1a53_Foto2.3-EueovaziodocnionVilaRosa.jpg.5a1ea45d07e207716d969101fda4a376.jpg

598dd78b8c045_Foto2.4-TrekkingPedradoSegredo.jpg.4667e3386047b20dcc5ebfc3355e12b4.jpg

598dd78b91869_Foto2.5-PedradoSegredo.jpg.edb763688e2c5f5a3b344482322e0132.jpg

598dd78b970f6_Foto2.6-TrajetoatotopodocnionFortaleza.jpg.7d8db33a5029e494f4b93191170ecbef.jpg

598dd78b9c8eb_Foto2.7-PrimeiravisodotopodoFortaleza.jpg.9e268f41718695690710b763e32eded7.jpg

598dd78ba1ec0_Foto2.8-EueovaziodocnionFortaleza.jpg.93f43460f22cb94be1638354e0db388e.jpg

598dd78ba71d6_Foto2.9-CnionFortaleza.jpg.c9f36e208cb3b78f30c43e16bc1a420d.jpg

598dd78babcdd_Foto2.10-CnionItaimbezinho.jpg.4b0fa32a68e468358bba87b612d8b48e.jpg

598dd78bb0284_Foto2.11-CnionItaimbezinho.jpg.8bccfab42145a0a9b965854b0fc4251e.jpg

598dd78bb4761_Foto2.12-CachoeiraVudeNoivanocnionItaimbezinho.jpg.19056c5a8beb92b8a575b25717450fe6.jpg

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parte 3: de Torres a Chuí

 

Fui caminhando até uma estrada vicinal na divisa entre os estados (SC e RS) e de lá peguei uma carona até Torres. As duas cidades são bem próximas e a viagem não durou mais que uma hora. O trajeto é cheia de plantações de arroz e a estrada é de terra batida, o que é comum por aqueles cantos. Achei muito bonito o caminho.

 

Informação 3.1: Apesar de serem vizinhas (Praia Grande - SC e Torres – RS) não existem ônibus (diretamente) que ligam as duas cidades, é necessário ir até a rodovia para conseguir pegar algum ônibus em trânsito ou esperar um bus que sai uma vez ao dia num ponto depois da ponte que divide os dois estados.

 

598d9e05a0b4c_cascatasdemanakuchi.JPG.6b69da777387a71f2c021b7702feb4cb.JPG Os gaúchos costumam dizer que Torres é a única praia do Rio Grande do Sul, apesar de terem um litoral extenso, eles também dizem que o resto do litoral gaúcho é só areia, água e vento.

 

Informação 3.2: A entrada para pedestres no Parque Estadual da Guarita é gratuito, caso esteja com veículo é necessário pagar entrada e o preço varia de acordo com o veículo.[/size][/i]

 

S5030170.JPG.d78caa1cc59f8aefe7c41d9322139d7b.JPG Experimentar o chocolate branco com banana da Florybal pelo preço de R$1.

 

Informação 3.3: Existem dois hostels em Gramado: Hostel Gramado (R$45) e o Hostel Britânico (R$55). Também tem a opção de camping na cidade de Canela por volta de trinta reais.

 

Informação 3.4: Gramado e Canela ficam distantes apenas 3km, a opção mais barata para transitar entre as cidades é o circular que passa a todo instante a preço de 3 reais. O bus tour é a opção de quase todo mundo, no preço de cinqüenta reais. Não vejo muita vantagem nele, sendo que os pontos turísticos que estão nas cidades são muito próximos. Vale a pena caminhar. E os pontos distantes como o Parque do Caracol, vale a pena usar o transporte público.[/size][/i]

 

598d9e057a231_Sudaneseport.jpg.832e297c5edbacc873e7b430f9e04eae.jpg A entrada do parque do Caracol é de R$18,00.

 

Informação 3.6: O parque do Caracol fica 7km de distância de Canela.

 

Informação 3.7: Escada da Perna Bamba tem 751 degraus.

 

Dica 3.1: Ao contrário do que se pensa é possível viajar barato pela região. Existem opções de hostel, camping, além do couchsurfing. O transporte público funciona bem, os fast food invadiram a cidade, assim existem opções baratas de alimentação. Os parques de diversões (Mini mundo, Snowland), sim, esses são caros, no meu caso não visitei nenhum deles e mesmo assim fiquei muito satisfeito com o que conheci.[/size][/i]

 

598d9e0574720_Lacreparamochila.jpg.3a8a0cc1113851a7cc695bb820a6eac1.jpg No Rio Grande do Sul quando vai fazer uma viagem dentro do estado (de ônibus) compra-se a passagem em um guichê único, ou seja, todos os guichês vendem as passagens de todas as empresas de ônibus.

 

Curiosidade 3.3: O trajeto de Porto Alegre a Chuí tem 515 km e de ônibus o tempo de viagem é de aproximadamente 8 horas.

 

Curiosidade 3.4: O Arroio do Chuí é o ponto extremo sul do Brasil.[/size][/i]

 

598d9e054e324_StaCruzeSucre027_edited.jpg.6de67840b85a8e4a127bf23f8ca8ec4c.jpg

 

“Estar no ponto extremo sul do país era uma conquista pessoal. Conhecer a simbólica cidade de Chuí que tanto ouvia nas aulas de Geografia era voltar no passado. Apesar de ser só mais uma fronteira, ali tinha algo de especial. Não saberia dizer o que é, só sei dizer que existe.” Notas de diário

 

Voltando para Chuí, caminhamos um pouco e começamos a nos acostumar com o espanhol. A cidade tem um comércio forte e em menor escala lembra Ciudad del Este no Paraguai. Depois seguimos para Chuy no Uruguai, atravessamos a avenida e chegamos ao Uruguai.

 

Curiosidade 3.5: A avenida que divide as cidades de Chuí (Brasil) e Chuy (Uruguai) se chama Avenida Uruguai para os brasileiros. Para os uruguaios ela se chama Avenida Brasil. Achei interessante.

 

Ahora es el momento de Uruguay.

598dd79b924fb_Foto3.1-RioMapitumbadivisaentreSCeRS.jpg.baf720c6f03eaaefdcc5dc5388dc03c0.jpg

598dd79b98465_Foto3.2-ParqueEstadualdaGuarita.jpg.9dd63c8200a9833132164a51842da1d7.jpg

598dd79c7db75_Foto3.3-PraiadaGuarita.jpg.1351b20c1bc896d43cc8b166fa2edc85.jpg

598dd79c82044_Foto3.4-PraiadaGuarita.jpg.ff70f125e75ed35fadf831be58ee5d8b.jpg

598dd79c861f6_Foto3.5-EntreasfalsiasnapraiadaGuarita.jpg.d55efb5f77beda35e775608634bae181.jpg

598dd79c8b435_Foto3.6-UmavistadeTorres.jpg.e487c957a4552ed80d849db48886428e.jpg

598dd79c906e7_Foto3.7-LagoNegro-Gramado.jpg.54ccafbf71a21c86426d5f7df7985bc0.jpg

598dd79c95a4e_Foto3.8-UmavistadeGramado.jpg.760dcb0d68bd40cd7868a98990dd473b.jpg

598dd79c9aac4_Foto3.9-CatedraldePedra-Canela.jpg.5842e53dec236b5646786aa0fbcb4812.jpg

598dd79ca1414_Foto3.10-CachoeiradoCaracol.jpg.58166fe4d805e0fdbaa584bd7d56a3ed.jpg

598dd79ca5a20_Foto3.11-CachoeiradoCaracolvistadebaixo.jpg.45defe1734b41f5b6a1ee8e5543aa607.jpg

598dd79ca9ee2_Foto3.12-QuedadguanoparquedoCaracol.jpg.1c7c531d0505de064b6bbcaea9da2856.jpg

598dd79cae3b6_Foto3.13-QuedadguanoparquedoCaracol.jpg.f47eb4d40a1e320d68b131a90fb0a49f.jpg

598dd79cb2bba_Foto3.14-PraaemTrsCoroas.jpg.0378ac626e30487230152ff65a938ecb.jpg

598dd79cb6ef6_Foto3.15-Gachos-TrsCoroas.jpg.69ce37bb4766f83210282257b03c541c.jpg

598dd79cbc43e_Foto3.16-ChegandonaBarradoChu.jpg.1d0ac6eceb82fc029be691b1cdfbda7c.jpg

598dd79cc174e_Foto3.17-BarradeChu.jpg.4e3f9347dda6613144cb21ab4610483c.jpg

598dd79cc6d84_Foto3.18-FozdoarroiodoChu-DivisanaturalentreBrasileUruguai.jpg.dc7f91132f2fd6df20bd051bca30b944.jpg

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parte 4: Uruguai

 

Depois de atravessar a Avenida Brasil estávamos no Uruguai, logo em seguida trocamos o dinheiro. A cotação na época estava 1 para 7, ou seja, para cada real trocado era recebido sete pesos uruguaios. Compramos as passagens de ônibus, eu seguiria para Punto del Diablo e as meninas seguiriam direto para Montevideo. Esperamos em uma praça, viajaríamos no mesmo ônibus.

 

Dica 4.1: Já li várias matérias do tipo "Viagem barata: Conheça os lugares onde o real vale mais". Onde a única análise é a proporção do valor do real contra as outras moedas. Se fosse assim o Uruguai seria um país extremamente barato para nós brasileiros, pois para cada real temos sete pesos uruguaios, ledo engano, o mais importante em analisar nessas situações é o poder de compra da moeda. Por exemplo, tente fazer comparações do tipo: com quinze reais no Brasil consigo almoçar e com esse mesmo valor convertido eu consigo comer no Uruguai? Assim faça com estadia, transporte e tudo mais, assim, você vai comparar o poder de compra de uma moeda em relação à outra. Para nós, neste momento, o Uruguai é um país mais caro que o Brasil.

 

Dica 4.2: Ao pegar um ônibus rodoviário no Uruguai (chegando por Chuí) é necessário pedir ao motorista parar na aduana e, assim, dar entrada no país.

 

Curiosidade 4.1: O Uruguai tem pouco mais de três milhões de habitantes, mas sua população bovina é quatro vezes maior. Todos os animais são identificados e rastreados.

 

Depois de uma hora e meia de viagem (e de sono) o ônibus chegou ao "pueblo" de Punta del Diablo.

 

Curiosidade 4.2: O nome Punta del Diablo é por causa que a orla do povoado tem um formato de um tridente. Igual ao usado pelo diabo.

 

Que grata surpresa chegar a Punta del Diablo, povoado litorâneo dominado por pescadores. Aqui tudo é muito simples e as pessoas são bem receptivas. Fiquei num camping no centro. Conheci muitos nativos que me ensinaram coisas sobre: maré, lua e peixes. Por falar em peixes, foi aqui que comi o melhor peixe da minha vida, preparado num boteco a beira mar.

 

598d9e06a002c_BasemilitardoHezbollah.jpg.2a063b4b995149f906a724cc8f265283.jpgFoto 4.6 - Punta del Diablo.jpg[/attachment]

 

Sande.jpg.7a07a410e5a867299982719bab67f4d5.jpg Pode-se ir andando até a comunidade, porém é razoavelmente distante (trinta minutos de caminhão) da entrada, além de ter que caminhar por imensas dunas. Vale à pena, apesar dos pesares.[/size][/i]

 

A comunidade que vive no Cabo Polônio não usufrui de eletricidade (exceto alguns restaurantes que utilizam energia solar) e se parece com um reduto hippie. Em resumo as pessoas que lá vivem são: pescadores, artesões y otras personas más. Fiquei hospedado em uma casinha a dois passos do mar. Era casa de uma família que morava há tempos no vilarejo.

 

Dhal_Bhat_Sangbadanda.jpg.5b4af50139b596c6d557fb4f3dc005a5.jpg Este clipe da banda Vanguart foi gravado em Cabo Polônio, pelo vídeo dá pra ter uma boa noção do lugar, além da boa música.[/size][/i]

 

 

Parti para Montevideo. Queria evitar metrópoles, mas essa eu tinha que visitar. Sempre gostei muito de literatura e dois dos meus autores favoritos nasceram e viveram aqui. Um deles tinha acabado de falecer. Eduardo Galeano e Mario Benedetti que prazer estar em suas terras.

 

Curiosidade 4.3: Eduardo Galeano é um escritor que gosta de contar histórias, de preferência histórias de pessoas comuns. Sua linha de raciocínio é admirável, é um pensador livre, e não poupa nada e nem ninguém. Apesar de ser sempre lembrado pelo audacioso "As veias abertas da America Latina" tem uma obra vasta que fala desde futebol até a história da humanidade. O livro dos abraços, em especial, é “especial”.

 

Chegando ao terminal Tres Cruces não fazia idéia para onde iria. Acabei indo para o Ukelele Hostel e lá recebi um presente do destino. Reencontrei a Penelope e a Rhenata que também estavam hospedadas no hostel. Elas já partiriam no outro dia para Porto Alegre. Foi bom reencontrá-las e tive a oportunidade de me despedir, coisa que não foi feita quando desci em Punta del Diablo as pressas.

 

Montevideo parece uma cidade do interior de tamanho grande. Lá tem tudo o que uma grande cidade pode oferecer, além de certa paz que as cidades menores oferecem. O rio da Prata acompanha toda a extensão da cidade com belas praias. A praia de Pocitos e o parque Rodo foram os lugares que mais gostei. Cheguei a visitar o museu de futebol no estádio Centenário, não tem o mesmo glamour do museu do futebol no estádio do Pacaembu, mas ver a taça da Copa de 1950 é uma sensação estranha e só isso vale a pena da visita. A parte antiga, o centro, é toda encantadora também.

 

Culinária 4.1: Café Brasileiro, lugar favorito do Eduardo Galeano, é sensacional, o cuidado que eles têm ao tirar o café é coisa de cinema, ao todo demoram uns dez minutos. Tomava café da manhã todos os dias ai, primeiro pelo Galeano e depois por ser bom de verdade. Não deixe de visitar o Café Brasileiro.

 

Curiosidade 4.4: O Uruguai tem uma população aproximada de três milhões de habitantes e cerca de 60% vive no conurbado de Montevideo.

 

Curiosidade 4.5: O rio da Prata, divisa natural entre Uruguai e Argentina, não passa de um estuário formado pelas fozes dos rios Uruguai e Paraná antes do encontro com o mar. Um estuário nada mais é que o ambiente aquático de transição entre o rio e o mar. Estando lá, se parece mais com o mar, pela sua imensidão.

 

Curiosidade 4.6: Os uruguaios são extremamente apaixonados por futebol. Em todo canto tinha um grupo jogando bola. Em todo canto mesmo.

 

Curiosidade 4.7: O valor que os uruguaios dão a “boa comida” é demais, em nenhum lugar comi nada “mais ou menos”.

 

598d9e0594c41_resultadoeleicoes.jpg.f57f66faf5e90aa14477a594ce69b121.jpg

 

598d9e0574720_Lacreparamochila.jpg.3a8a0cc1113851a7cc695bb820a6eac1.jpg Colonia del Sacramento pertenceu a Portugal até o ano de 1750.

 

Curiosidade 4.8: Em Colonia del Sacramento é aceito Pesos Argentinos, Pesos Uruguaios (obviamente) e Real.

 

Curiosidade 4.9: O que mais me chamou a atenção no Uruguai foi à forma de como é feita a educação no país. Grande parte das aulas é ministrada em praças e existe uma preocupação em envolver toda a cidade no ensino. Presenciei muitas vezes os alunos, principalmente dos mais novos, na rua tendo aulas do tipo: como atravessar a rua com segurança, como ajudar os mais velhos atravessarem as ruas, a importância de preservar a história da cidade. Numa dessas aulas fui abordado por um grupinho de crianças de sete anos, a aula era encontrar pessoas de outras cidades/países e saber um pouquinho mais desses lugares, me perguntaram qual era minha cidade, meu país, o que eu mais gostava, meu time de futebol e outras coisas mais, foi muito legal essa experiência. Sempre achei que a educação é o principal motor da mudança, e o que eu vi nos dias no Uruguai, em todas as cidades (sem exceção) é o mais parecido com o que eu acho certo.[/size][/i]

 

fer.jpg.52d6c96fbba4cfdd0658b7e91e770622.jpg

598dd7a70b6b6_Foto4.2-PuntadelDiablo.jpg.f950812a65e6ad4aac4a449c2ef46c33.jpg

598dd7a710d92_Foto4.3-Barcos-PuntadelDiablo.jpg.74cb485be5486f5d7a2489bbd7292aa3.jpg

598dd7a7161c0_Foto4.4-Pedras-PuntadelDiablo.jpg.cf042169ed399d7d8b51f4ba91cc68f0.jpg

598dd7a71a5ea_Foto4.5-Apassagem-PuntadelDiablo.jpg.e1411414aa1768ae72961a797bc0fe73.jpg

598dd7a71e7ca_Foto4.6-PuntadelDiablo.jpg.439e17de0fafd667cb520031b3e2ec2b.jpg

598dd7a722bd2_Foto4.7-Omar-PuntaldelDiablo.jpg.c569364ebf650142207e20db96bf2514.jpg

598dd7a726fa8_Foto4.8-Mirantedebaleias-PuntadelDiablo.jpg.43baf9c7bf3d352c089608487e96b97c.jpg

598dd7a72adca_Foto4.9-Casasolitria-CaboPolnio.jpg.b173f64a6b3d478ed029b7d8440d3422.jpg

598dd7a72fcd1_Foto4.10-Obarco-CaboPolnio.jpg.82eb2edfcac976cb8d7d8c885d0060ce.jpg

598dd7a74b0a7_Foto4.11-Infinitasconchas-CaboPolnio.jpg.af43c1c7f621d3cb53edfd5524fb4b73.jpg

598dd7a750203_Foto4.12-Leesmarinhos-CaboPolnio.jpg.f1d53583b3b40b51d46bf5b9966115cd.jpg

598dd7a76cb31_Foto4.13-FarolemCaboPolnio.jpg.b0a8b4685c93423f331b1a9230908ae3.jpg

598dd7a770d3c_Foto4.14-CaboPolniovistonofarol.jpg.1e96a7a18f69a9c74d02ee51bfa9b316.jpg

598dd7a774e53_Foto4.15-CaboPolniovistonofarol.jpg.6ac6394d2970df51fec1ff4e2ee49816.jpg

598dd7a779073_Foto4.16-CentrodeMontevideo.jpg.c90b4022419c74031be856f28b8bc47d.jpg

598dd7a77d4ee_Foto4.17-PraaIndependncia-Montevideo.jpg.155328418f1247c3ed269f4ae979f690.jpg

598dd7a796a1d_Foto4.18-MontevideoeRiodaPrata.jpg.b748df03a8c926b44f2dbb04ea813528.jpg

598dd7a79bd60_Foto4.19-ObeliscodeMontevideo.jpg.4c9a78b3f775213ee186e6ff721eb5c8.jpg

598dd7a7a1277_Foto4.20-EstdioCentenrio-Montevideo.jpg.a78cf626b7bd85063f4f47ec5a658dfd.jpg

598dd7a7a6818_Foto4.21-ParqueRod-Montevideo.jpg.56be38963ab82e88580de55c6987c46f.jpg

598dd7a7af711_Foto4.23-Asgaivotas-Montevideo.jpg.ab217f7cc65638f148f80b954e574ecd.jpg

598dd7a7b36bc_Foto4.24-Pocitos-Montevideo.jpg.294ab5f25fddfb29953bd289d6fce70f.jpg

598dd7a7b7a93_Foto4.25-ColniadelSacramento.jpg.8e177a49f77e843a47d01ec73724d1bd.jpg

598dd7a7bbe87_Foto4.26-ColniadelSacramento.jpg.a5df151ac1d7735c121f66904f8aca30.jpg

598dd7a8923a3_Foto4.27-ColniadelSacramento.jpg.d49cc1dabc28fcd340d13e1a051d7692.jpg

598dd7a898337_Foto4.28-ColniadelSacramento.jpg.ad254266121aa017bb673cc6ca26a0c2.jpg

598dd7a89d9aa_Foto4.29-ColniadelSacramento.jpg.2550ec58848a84e91110315c0b08e24e.jpg

598dd7a8a3088_Foto4.30-Orla-ColniadelSacramento.jpg.7faa6b098ce3a21f293d7919d869d1c3.jpg

598dd7a8a8294_Foto4.22-MemorialdoHolocausto-Montevideo.jpg.a6a1c4a8aa542fc9744085ed3e1ecf93.jpg

Editado por Visitante

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parte 5: da região das Missões a Chapecó

 

Uma vez vi uma foto de uma igreja em ruínas, apesar de não saber sua localização (e nem ser religioso) tive a certeza que um dia colocaria meus pés naquele lugar. Anos depois fui descobrir que a tal igreja ficava em São Miguel das Missões, noroeste do Rio Grande do Sul. Agora era o tempo de conhecer a igreja da foto.

 

São Miguel é uma pequenina cidade com menos de 10 mil habitantes. A cidade base da região se chama Santo Ângelo e foi para lá que segui viagem. Consegui hospedagem através do couchsurfing, seria de novo o primeiro hospedado pela família, mas o interessante dessa vez que o meu contato, Talita, não estava na cidade e assim sobrou para o resto de sua família me aturar. A Talita mesmo morando em outra cidade foi super atenciosa, conseguiu convencer a família a hospedar um estranho, sem mesmo estes nunca ter ouvido falar em couchsurfing.

 

Informação 5.1: Santo Ângelo é o berço da coluna Prestes.

 

Cheguei pela noite, o Emilton e a Tânia (pais da Talita) estavam me esperando. Ganhei fortes abraços de recepção, desde o inicio sabia que seria feliz ali. Passar aquela noite ouvindo histórias de superação em família, uma em cima da outra, me fez sentir muitas saudades de casa e também fez eu ter a certeza que estava no lugar certo.

 

Já ouvi muitas histórias de amor, mas com toda certeza a história do Emilton e Tânia é a minha favorita. Num tempo distante, se conheceram em uma viagem no litoral, ele de muito longe e ela de Santo Ângelo, a viagem se acabou e o amor ficou. Um dia ele resolveu seguir a estrada atrás de continuar essa história interrompida. Sem saber se haveria um final feliz ele foi. Hoje, depois de mais de 20 anos eles continuam juntos e felizes e agora na companhia da Talita e da Karen.

 

598d9e0574720_Lacreparamochila.jpg.3a8a0cc1113851a7cc695bb820a6eac1.jpg A entrada do Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo custa R$5.

 

Informação 5.3: O museu foi projetado por Lúcio Costa, o mesmo que projetou Brasília em parceria com Oscar Niemeyer.[/size][/i]

 

Bote.JPG.1b4c63cc8ce82addf01dde80496b3a06.JPGO Espetáculo Som e Luz custa R$5.

 

Informação 5.5: Existe um hostel/pousada na frente do sitio arqueológico, em São Miguel das Missões. O preço do quarto compartilhado é R$60.

 

Dica 5.1: Como o espetáculo ocorre no mesmo lugar das ruínas o ideal é ir à tarde para visitar o sitio arqueológico. Depois esperar até o inicio do Som e Luz, que tem duração de 45 minutos.

 

Vídeo 5.1: Um vídeo que mostra um pouquinho de como é o Som e Luz.[/size][/i]

 

 

“Que coisa linda. Como pode ser tão bonito? A beleza do lugar complementando a arte foi simplesmente sensacional” Notas de Diário

 

Fiquei mais outros dias na casa da família Ferrão. Conheci quase todos os familiares. Participei do Brique da Praça, onde a família expõe seus produtos culinários (feitos artesanalmente). Os melhores temperos, geléias, sucos e chocolates são o da família Ferrão. O Brique é uma feira de coisas “feita à mão”, todo domingo acontece na praça da cidade e quase todas as pessoas de Santo Ângelo comparece no evento. Achei muito interessante. Cada dia na cidade fazia aumentar os laços com a família, a Tânia já parecia minha mãe, além de companheira de chimarrão. Foram dias especiais.

 

IMG_20170806_135123126.thumb.jpg.3fd6adee03e168a086db7ea838c59550.jpg Para quem quiser conhecer o Projeto Rondon esse é o vídeo que fiz quando participei. [/size][/i]

 

 

Os dias na casa da Tânia junto com ela e a Amanda foram tranqüilos. Foi muito bom estar ali, matar uma saudade que me sufocava. Pude conhecer ainda mais elas e aprender mais sobre a vida. Considero-as a minha segunda família. Não conheci nada que já não conhecia na cidade, mas não importava. Nos outros dias vi boa parte do pessoal do projeto: Mauricy, Paola, Samara e a Paula. Bebemos, conversamos e o tempo parecia não ter passado. Chapecó no meu dicionário significa saudade.

 

598dd7c3a65b9_Foto5.9-ReencontroemChapec.jpg.f4cd508227d8eb233009aaf21d498832.jpg

 

Fui embora. Agora era hora de rumar sentido norte. Ainda não fazia idéia qual seria o próximo destino. A única certeza que eu tinha, era que teria que voltar pra casa e deixar minhas roupas de frio. Assim, mataria as saudades da minha família.

598dd7c37db3d_Foto5.1-CatedralAngepolitana-Santongelo.jpg.4d374967bef69bcd22ba8274a699b4bb.jpg

598dd7c3830cf_Foto5.2-ChegandoaSoMigueldasMisses.jpg.e760a2a5744fafd956c269cf7241daa2.jpg

598dd7c387a9d_Foto5.3-SitioArqueolgicoSoMiguelArcanjo.jpg.8d5b5051427f9c12a5a2774f671f62cb.jpg

598dd7c38c174_Foto5.4-SitioArqueolgicoSoMiguelArcanjo.jpg.fdc90b73150ac47d812b1044b7d251cd.jpg

598dd7c390b88_Foto5.5-SitioArqueolgicoSoMiguelArcanjo.jpg.c6e858b93615c2fc0a98c797d41b8467.jpg

598dd7c395822_Foto5.6-SitioArqueolgicoSoMiguelArcanjo.jpg.391c9e28c428bc16f48781a162f3e7d2.jpg

598dd7c39aefa_Foto5.7-SitioArqueolgicoSoMiguelArcanjo.jpg.fc655272b7025b1fdaf6e0fbc848dba2.jpg

598dd7c3a049e_Foto5.8-ObrigadofamiliaFerro.jpg.ebd4b520501f0fa39b8989e6036f1577.jpg

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Acompanhando aqui e viajando também.

Curto esse jeito poético de ver os lugares, as pessoas...

Parabéns!!

 

Valeu Cristina. Ainda tem muita estrada para contar =].

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parte 6: Brasília e Chapada dos Veadeiros

 

Depois de voltar para casa e ficar mais tempo que o previsto. Voltei para a estrada. Primeiro passei em São Carlos para rever alguns amigos. Na seqüência fui para Ribeirão Preto conhecer o filho do Gabriel, um grande amigo que conheci na graduação. Estava agora na rodoviária e depois de quatro horas de atraso, pela madrugada, chegava o ônibus que me levaria para a capital do país.

 

“O Brasil estréia nova capital. Nasce Brasília, súbita, no centro de uma grande cruz traçada sobre o pó vermelho do deserto, distante do litoral; longe de tudo, lá no fim do mundo ou em seu principio. Foi construída num ritmo alucinante. Durante três anos este foi um formigueiro onde os operários e os técnicos trabalharam ombro a ombro noite e dia, dividindo a tarefa, o prato e o teto. Mas quando Brasília fica pronta, termina a fugaz ilusão de fraternidade. Fecham-se de repente as portas: a cidade não serve aos serventes. Brasília deixa de fora quem ergueu com suas mãos.” O Século do Vento, Eduardo Galeano

 

Brasília lugar tão presente em nossas vidas, mesmo que seja tão distante para a maioria de nós. Aqui é onde fica o controle do videogame e os falastrões engravatados jogam o jogo Brasil sem medo de morrer, afinal, conseguiram vidas infinitas. Nossa capital, tão mal freqüentada por figurões, consegue mostrar muita beleza e simpatia.

 

Victoria me aguardava em sua agradável casa. Entrei em contato pelo couchsurfing. Sempre atenciosa, deu todas as dicas para me locomover na confusa Brasília. Cheguei a sua casa e logo já me levou para um tour por toda cidade. Ela tentou me explicar às nomenclaturas utilizadas nos nomes das ruas e eu, como péssimo aluno, nada aprendi. Passamos por muitos lugares. Terminamos o dia a beira do lago Paranoá admirando o pôr do sol.

 

Informação 6.1: A parte inicial de Brasília projetada por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer chama-se plano piloto e tem o formato de um avião. Lógico que a cidade cresceu e não se limita mais ao avião, as cidades criadas em volta de Brasília (que pertencem ao Distrito Federal) se chamam cidades satélites.

 

Tikka.jpg.59e717f5840c52b03e16d6edd8279d2c.jpgInformação 6.2: É possível visitar o Congresso Nacional numa visita guiada a cada trinta minutos em horário comercial, de segunda a segunda. A visita da mais ênfase nas obras de arte que existem no Congresso no que na verdadeira importância do mesmo, mas vale a visita.

 

Informação 6.3: A cidade foi projetada para a utilização de carro. Então, para nós que utilizamos transportes públicos à vida é difícil. Existem algumas vans (creio que sejam clandestinas) que ajudam e muito.

 

Dica 6.1: A cidade é toda bonita, por ser pré-fabricada sua arquitetura se destaca, mas o que há de mais bonito na cidade é obra da natureza: O lago Paranoá.

 

Inspiração 6.1: Como diria a música do Natiruts: "Eu vou surfar no céu azul de nuvens doidas. Da capital do meu país". Aquele pedaço de céu é doido mesmo.[/i]

 

Dhal_Bhat_Sangbadanda.jpg.5b4af50139b596c6d557fb4f3dc005a5.jpg A Chapada dos Veadeiros fica no mesmo paralelo de Machu Picchu.[/size][/i]

 

De todos os mochileiros que estavam no ônibus todos ficariam em Alto Paraíso, com exceção de mim, Gita e Marie que seguiríamos para a vila de São Jorge. Conheci-as quando tentava negociar algum transporte para São Jorge e assim nos juntamos. Dois taxistas quase saíram no tapa para nos levar a São Jorge, bom pra nós que pagamos oito reais por cabeça. Chegando a São Jorge, Gita disse que tinha um hostel (Casa do Sucupira) para ficar, Marie e eu fomos com ela e assim nasceu a família da chapada.

 

Curiosidade 6.2: O trecho de pista que liga Alto Paraíso e a vila de São Jorge é o trecho rodoviário mais bonito que vi no Brasil.

 

Gita é uma inglesa de vinte e poucos anos, que teve sua educação toda em casa. Só quando foi fazer faculdade de fotografia que se iniciou num ambiente escolar. Ela é diferente de todos nós, ela consegue se surpreender com toda forma de vida, apesar dos anos a criança nela não se partiu, que inveja. Mochileira de primeira viagem e queria conhecer sozinha a América do Sul que tanto a encantava por histórias.

 

Marie é belga e é recém balzaquiana, agrônoma de profissão, mas forrozeira de coração. Ela tem a profissão mais incrível que já ouvi falar, trabalha com agronomia em regiões de conflito de guerra. Conhece o mundo inteiro e viveu anos na África, no Brasil já tinha estado antes. Ela estava de férias e seu tempo era limitado no país, queria conhecer a chapada e fazer infinitas aulas de forró, sua verdadeira paixão. A pessoa de sorriso mais fácil que já conheci.

 

Fomos para a casa do Sucupira e logo depois estávamos metidos numa trilha rumo ao rio da lua. Conhecemos uma tribo indígena no caminho e logo depois mergulhávamos, pela primeira vez, nas águas geladas da chapada. Nesse primeiro dia andamos demais e cada passo servia para nos aproximar mais.

 

“Acho que os dias na Chapada dos Veadeiros serão os melhores. Hoje enquanto recolhíamos frutas na aldeia, pelas nossas conversas acho que criamos uma grande empatia.” Notas de Diário

 

O segundo dia em São Jorge foi o dia de “todas as ajudas”. Decidimos que conheceríamos o Vale da Lua e a Raizama. Acordamos cedo e fomos para a trilha do Vale da Lua, como tinha chovido muito dias antes, chegamos num trecho intransponível, assim tivemos que voltar para a rodovia. Depois de duas caronas, enfim, chegávamos ao diferente Vale da Lua. O vale é propriedade privada, o valor de entrada é de vinte reais (como quase tudo na chapada). Aqui é lindo demais e não poderia ter outro nome que não fosse Vale da Lua. Não tem como ir para a chapada e não ir para o vale. Ficamos um bom tempo nadando e escalando o infinito de pedras até que o mundo caiu em forma de chuva, os poucos visitantes do dia foram se abrigar no mesmo lugar. Sai à procura de carona para voltar a São Jorge, antes conheci a Talita e o Reginaldo (casal de Sampa) e combinamos de no outro dia fazer as trilhas do parque da chapada juntos. A carona consegui com outro casal que também partia para São Jorge.

 

598d9e05a0b4c_cascatasdemanakuchi.JPG.6b69da777387a71f2c021b7702feb4cb.JPGFoto 6.8 - Entrada Raizama.jpg[/attachment]

 

598d9e0594c41_resultadoeleicoes.jpg.f57f66faf5e90aa14477a594ce69b121.jpghostel[/i] e combinamos de nos encontrar no outro dia em Alto Paraíso. Nesse dia meu único tênis (uma botina Caterpillar) não aguentou e se desfez. Passei a noite fazendo gambiarras para a botina agüentar até meu regresso a Brasília.

 

Informação 6.4: Não é necessário guia para entrada no parque que é gratuito. Apesar disso, existem guias que ficam no parque e cobram uma diária de cento e cinquenta reais por grupo. Em minha opinião não é necessário guias para o parque, todas as trilhas são bem sinalizadas.

 

598d9e058a53b_lavaanoite.jpg.4533eff3ae833e77004bf75d58828c63.jpg Numa época sem chuva é possível/tranqüilo chegar até a comunidade onde fica Santa Bárbara com um carro comum. Agora em época de chuva eu não aconselho.[/size][/i]

 

itinerario_trem.jpg.b0fb2972819bf56190f014d9fa7c0047.jpg O grupo no facebook "Conexão Chapada-BSB" é um grupo de carona entre a chapada e Brasília. Funciona muito bem.[/size][/i]

 

598dd7e9be63e_Foto6.23-Diadeirembora-AltoParaso.jpg.d9c433de76e7bb08ec0c7733ceb6d644.jpg

 

Agora é o retorno do anjo Vic. Mesmo hospedando uma australiana, quando expliquei a ela o ocorrido ela abriu os braços e não pensou duas vezes e nos ajudou. Que gratidão. Nunca terei palavras para agradecer a Vic por esse dia. Por fim, passamos uma ótima noite. Vic com seu violão e o vinho deram o ritmo da noite. No fim das contas, foi mais que bom a Gita ter perdido o voo. No outro dia cedo nos despedimos e fomos para um shopping, comprei um novo tênis, almoçamos e seguimos para o aeroporto. Despedir-me da Gita foi à tarefa mais difícil da viagem, já tinha me acostumado com sua presença, nos entendíamos sem precisar de palavras. Agora tomávamos direções opostas. Ela iria para o sul e eu para o norte. O último abraço foi dado e fui para a rodoviária.

 

Chapada dos Veadeiros é toda espiritual, não tem como negar que existe uma energia boa naquele lugar. Todos que a conhecem, nunca se esquecem. As pessoas que lá vivem fazem da chapada um lugar mais especial ainda. Existem infinitas cachoeiras e trilhas, você não conseguirá conhecer tudo, então fique tranqüilo. Conheça o que der, porque cada palmo da chapada vale muito à pena. Ali, passei os melhores dias dos meus seis meses de viagem e me despedir de todos foi muito difícil. A sintonia daqueles dias é o que procuro para o restante da minha vida. Se existe um lugar para conhecer antes de morrer, esse lugar é Chapada dos Veadeiros. Claro que isso é uma opinião minha, mas nunca disse que seria imparcial. Então, pegue a mochila e vá para Veadeiros.

 

“Tudo mudara subitamente - o tom, o clima moral; não sabias o que penar; a quem ouvir. Como se em toda a tua vida tivesses sido conduzido pela mão como uma criança pequena e de repente tivesses de ficar por tua própria conta, tinhas de aprender a andar sozinho. Não havia ninguém por perto, nem família nem pessoas cujo julgamento respeitasses. Em tal momento, sentias a necessidade de dedicar-te a algo absoluto - vida, verdade, beleza -, de ser regido por isso, em lugar das regras feitas pelos homens que tinham sido descartadas. Precisavas render-te a um tal objetivo último de modo mais pleno, mais sem reservas do que jamais fizeras nos velhos dias familiares e tranquilos, na velha vida que estava agora abolida e abandonada para sempre.” Doutor Jivago, Boris Pasternak

 

Cheguei à rodoviária, tinha ônibus direto para Cuiabá (meu próximo destino seria a Chapada dos Guimarães que é próximo a Cuiabá), mas quis passar antes em Rondonópolis, não sei por que, nunca tinha pesquisado a cidade. Achei curioso o nome e apenas fui.

598dd7e87754c_Foto6.1-Victoria.jpg.013fbcdb4c2ffa534a873bdb9e21fd19.jpg

598dd7e87d42a_Foto6.2-BrasiliavistapelatorredeTV.jpg.e8559caf3a2c22a06119dc23fa31ef1c.jpg

598dd7e882d26_Foto6.3-PonteJuscelinoKubitschek-Brasilia.jpg.b6ef5f0abe9ed184bca74750e778a19b.jpg

598dd7e8871e7_Foto6.4-FimdetardenolagoParano.jpg.95b3f3a0c6f0996b06aa1e847dff696a.jpg

598dd7e88b24d_Foto6.5-CongressoNacional-Brasilia.jpg.bf3cee08a7541b9daf2cacba876459e4.jpg

598dd7e88f510_Foto6.6-Caminhando-ViladeSoJorge.jpg.aca12cff6318a3fac31a9ccfa38d747d.jpg

598dd7e893964_Foto6.7-ValedaLua.jpg.901636c0730706e649e49a13748e165a.jpg

598dd7e897f6b_Foto6.8-EntradaRaizama.jpg.e241b10e3dbe912f5c7f5491e7670872.jpg

598dd7e89d5a8_Foto6.9-Raizama.jpg.98f5ee253e2d733039eda44b84f87b22.jpg

598dd7e8a2f7c_Foto6.10-Raizama.jpg.6f02fc31949417c0829daf63f7bef31f.jpg

598dd7e9831f4_Foto6.11-ParqueChapadadosVeadeiros.jpg.668b9c5a49b506928785e3f3e1e2cb09.jpg

598dd7e988e8c_Foto6.12-ParqueChapadadosVeadeiros.jpg.8c1b9e77db1430bfa04a976f375032a6.jpg

598dd7e98d8b7_Foto6.13-ParqueChapadadosVeadeiros.jpg.d2fe6e4f154a0d25e2886cbbe0a9a634.jpg

598dd7e991c6b_Foto6.14-ParqueChapadadosVeadeiros.jpg.7405e03abffaa95839ecf4e45cd2ed92.jpg

598dd7e99616a_Foto6.15-ParqueChapadadosVeadeiros.jpg.3800e818282c59c9d936d9ab1facfc17.jpg

598dd7e99a983_Foto6.16-AnjoseArcanjos.jpg.5cc6500b5722a5f1b79c2a786462e11b.jpg

598dd7e99f154_Foto6.17-AnjoseArcanjos.jpg.2b0467cbc6a61251faebb8e7664e09f5.jpg

598dd7e9a3bfa_Foto6.18-AnjoseArcanjos.jpg.d553ed391b9f4605b714c162afb40db0.jpg

598dd7e9a916f_Foto6.19-ReginaldoeTalitapelalentedeGita-AnjoseArcanjos.jpg.a4cc22e8828b0dd85a9e120767a2ff6b.jpg

598dd7e9aec45_Foto6.20-SantaBarbara-Cavalcante.jpg.0772d26dd81cee9191dba3823652f2b9.jpg

598dd7e9b3e72_Foto6.21-SantaBarbara-Cavalcante.jpg.4b675f56a562cb003ebac0dd1a625e60.jpg

598dd7e9b8f6b_Foto6.22-SantaBarbara-Cavalcante.jpg.2f6f949b0552035ef609b0cf04b2966b.jpg

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parte 7: Chapada dos Guimarães

 

Sempre para mim, ao se falar de Chapada, logo pensava na Chapada dos Guimarães, se existia uma chapada que sonhava em conhecer essa era a dos Guimarães.

 

Sai de Brasília com destino a Rondonópolis no Mato Grosso, viajei pela madrugada, nada de muito especial aconteceu no trajeto. O que me chamou a atenção na cidade de Rondonópolis foi que em alguns lugares na rodoviária e na cidade existem tradução para o esperanto. Achei interessante. Ninguém soube me explicar o porquê disso. Sempre achei que o esperanto era caviar, só ouvia dizer que existia.

 

Informação 7.1: Esperanto é uma língua criada para ser o idioma universal (pegando propriedades de todas as línguas para facilitar o aprendizado de todos) e claro, não vingou.

 

Depois de pegar outro ônibus segui para Cuiabá. No meio do caminho a policia invadiu o ônibus e foi direto em direção a um cara que estava sentado na minha frente. Devia ter uns oito policiais, todos apontaram suas metralhadoras em direção do rapaz que mais parecia um viajante normal. Revistaram a sua bolsa e acharam uns dez quilos de cocaína. Logo, levaram-no preso. Assim, todos e tudo no ônibus foram revistados. Não encontraram mais nada. Fiquei pensando muito depois disso. Se ele coloca um pouco de droga na minha mochila seria o fim da viagem. Como explicaria para policia que aquilo não era meu? Um fato curioso é o trajeto da apreensão, geralmente, a rota do tráfico é Cuiabá-Brasília, pelo simples fato de Cuiabá estar muito próximo com a divisa da Bolívia, o contrário é no mínimo esquisito. No resto da viagem o assunto no ônibus foi à má sorte do sujeito. Nunca tinha presenciado nada parecido e por alguns dias tive cuidado em excesso com minhas coisas. Isso até a memória começar deixar de lado essa história.

 

Cheguei a Cuiabá e logo parti para a cidade Chapada dos Guimarães (sim, esse é o nome da cidade). Chapada dos Guimarães fica distante 40km de Cuiabá, ao contrário de Cuiabá e apesar da proximidade, a cidade tem um clima muito agradável, isso pelo fato de estar mais de 600 metros acima de sua vizinha. A cidade é toda charmosa. No seu centro tem uma bela igreja e muita tranqüilidade. Nos primeiros dias fiquei na casa do gentil Gentil, tio da Tânia de Chapecó. Gentil e sua esposa são a gentileza (como seu nome já diz) em pessoas, ele era conhecedor de toda a Amazônia, seu trabalho com hidrelétricas lhe deu a oportunidade de conhecer e assim, tinha infinitas histórias que aproveitei para escutar atentamente. Afinal, iria depois seguir para a maior floresta do mundo. Além de poder conhecer um pouco mais da Tânia, através de histórias contadas pelos dois. Estava longe da Tânia, mas parecia que a presença dela estava ali. Depois de alguns belos dias na casa deles segui para um hostel no centro da cidade.

 

Curiosidade 7.1: Na cidade encontra-se a empresa Águas Lebrinha que extrai água da fonte bica das moças (muito boa por sinal), o legal é que é possível encher uma quantidade per capita de graça no lugar.

 

598d9e05a463e_saltokama.JPG.326b423efeaca2ea69413e96e90674d1.JPG O Pantanal é uma extensão territorial ou bioma dividido entre Brasil, Paraguai e Bolívia. No Paraguai e Bolívia a região é conhecida com Chaco ou Gran Chaco.

 

Curiosidade 7.2: Nos últimos anos ocorreram algumas mortes de pessoas tirando selfies/fotos no dedo de deus. O que fez a cidade não aconselhar mais a visita no local.[/size][/i]

 

598d9e0594c41_resultadoeleicoes.jpg.f57f66faf5e90aa14477a594ce69b121.jpg

 

“Ao ver o sorriso deles lá em cima. Tive a certeza que a divida pela carona estava paga. Muito feliz em levar um pouco de felicidade para eles. Realmente muito feliz.” Notas de Diário

 

A Chapada dos Guimarães se difere das outras chapadas brasileiras por ter paredões contínuos, infinitos no olhar. Lugar único. O mais interessante é observar a transição de vegetação, ponto de encontro do Cerrado, Pantanal e Amazônia. Aqui o turismo é mais familiar, não atrai tantos mochileiros como as chapadas dos Veadeiros e Diamantina, mas isso não impede do local ser encantador igualmente, mas claro, de uma forma diferente. Aqui se encontra o centro geodésico da América do Sul. De forma surrealistica é possível sentir toda a magia do nosso continente. Escutar os ecos de todos os nossos povos, como: da terra do fogo, incas, aimarás, guaranis, mapuches, cablocos, mestiços, homens da floresta e todos mais. Aqui já seria um lugar especial só pela localização geográfica, mas ai a natureza inventou a Chapada dos Guimarães, a cereja do bolo.

 

“Mais um sonho realizado. Chapada dos Guimarães e seus paredões, enfim, conheci-os. Muitas coisas boas acontecendo por esses dias. Não poderia imaginar tanta coisa boa em tão pouco tempo. Obrigado quem quer que seja o senhor do tempo. Jesus, Alá, Buda, Krishna, Jah, Oxum, Pachamama, pra quem seja, meu muito obrigado.” Notas de Diário

 

Voltei para Cuiabá numa manhã e tinha todo o dia para conhecer um pouco da cidade (o ônibus para Porto Velho sairia por volta das 10 horas da noite). Caminhei dois quarteirões e voltei para a rodoviária, foi a única vez que o sol me venceu na viagem. Nunca tinha provado um dia de sol tão quente, era impossível caminhar naquele dia, sentei e esperei. Agora é hora de estar de frente com a Amazônia. Depois de anos de espera, enfim, adentraria o maior dos meus sonhos. Enfim, era hora de buscá-lo, quem? Meu sonho.

 

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Mar sem fim, Amyr Klink

 

Agora estou dentro de um ônibus, o Natal está cada vez mais próximo. Atravesso a fronteira, estou em Rondônia. Ansioso para chegar a Porto Velho.

598dd7feb0bb4_Foto7.1-ChegandoaChapadadosGuimares.jpg.49e8f285a69e6dd5e3a278f4a701cc45.jpg

598dd7feb50e2_Foto7.2-Igrejanocentro-ChapadadosGuimares.jpg.ebe7b670033645a5cf5a4c8dd3f2e379.jpg

598dd7feb91c9_Foto7.3-Ets-ChapadadosGuimares.jpg.c81cfe63084d41e0ed874c6baf583772.jpg

598dd7febdbfc_Foto7.4-Trilhaprximaaentradadacidade-ChapadadosGuimares.jpg.1090ebdd2b919c9497c6a0973d700df8.jpg

598dd7fec3c71_Foto7.5-CentroGeodsicoAmricadoSul-ChapadadosGuimares.jpg.d35f262c3505ee542f1f4be935809f7c.jpg

598dd7fec95e6_Foto7.6-DedodeDeus-ChapadadosGuimares.jpg.9f8fb072973a13eb39b81c6007fc1ced.jpg

598dd7fecf24d_Foto7.7-ChapadadosGuimares.jpg.5017a66649b908e3cda3bc3ab6c0e439.jpg

598dd7fed455e_Foto7.8-CaronacomRobertoeWanderleia-ChapadadosGuimares.jpg.465d2f71c9da1400fd55d3ed250795f0.jpg

598dd7feda0d3_Foto7.9-CachoeiraVudeNoiva-ChapadadosGuimares.jpg.77fb678659852b163d3a2367aee4a2eb.jpg

598dd7fedf37b_Foto7.10-ParquedaChapadadosGuimares.jpg.0bec6fe986317983237a9b1d080f720e.jpg

598dd7fee394b_Foto7.11-CachoeiradosNamorados-ChapadadosGuimares.jpg.fa88c719ab54502909b703c0a766b725.jpg

598dd7fee7cf8_Foto7.12-Borboletas-ChapadadosGuimares.jpg.de950b976e47f139ba3535bd2347751b.jpg

598dd7feec495_Foto7.13-CachoeiraCachoeirinha-ChapadadosGuimares.jpg.1a85ede0bf833dfcbd55c229ff3578c5.jpg

598dd7fef04c0_Foto7.14-Iniciodatrilha-ChapadadosGuimares.jpg.541dc160353cb07bffdf586ea3031753.jpg

598dd7ff01470_Foto7.15-ParquedosDinossauros-ChapadadosGuimares.jpg.89da59839ae8cf66276e28d3f50ad4ad.jpg

598dd7ff06729_Foto7.16-ParquedosDinossauros-ChapadadosGuimares.jpg.55a09db43bf15fcc61a61dbee570feea.jpg

598dd7ff0bd0d_Foto7.17-Paredo-ChapadadosGuimares.jpg.618f80a722a35c059594899fc39df8ef.jpg

598dd7ff10eb6_Foto7.18-EueaChapadadosGuimares.jpg.ef21b5b7b8ea9ef1b213776239539e72.jpg

598dd7ff16049_Foto7.19-RobertoWanderleiaDiegoeaChapadadosGuimares.jpg.c60a1ab1664b32976c4fcbb2b4935501.jpg

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parte 8: Rondônia

 

Quando trabalhava em São Paulo, morei numa república e lá conheci o Pedro, rondoniense e aspirante a cineasta. Mesmo sem planejar essa viagem, sempre dizia a ele que um dia bateria em sua porta em Rondônia. Ele estranhava um paulista querer conhecer Rondônia e eu achava estranho ele se mudar do paraíso amazônico para morar no caos paulista, a selva de pedra. Mas ele tinha um bom motivo, o cinema.

 

O trajeto Cuiabá até Porto Velho foi o mais longo que fiz dentro de um ônibus nessa viagem. Foram quase trinta horas de belas paisagens. Passamos por dezenas de cidades, das que paramos Vilhena foi a que mais gostei, por seu clima agradável e muito verde ao redor. Lembro de ver uma casa suspensa, ela se erguia no meio da mata sobreposta em algo que me parecia um poste, fiquei perplexo. Pena não dar tempo de tirar foto. Dentro do ônibus, quase todo mundo virou amigo. Muitas pessoas que tentam a vida em outros estados ou regiões estavam voltando para passar o final de ano com a família. Muitos presentes de natal viajaram conosco. Eram tantas pessoas voltando para Porto Velho que só existiam passagens saindo de Cuiabá para depois de quatro dias da minha saída. O clima e as conversas eram em tom nostálgico. Muita ansiedade por parte de todos. Muitas histórias de saudades. O ônibus parou na rodoviária de Porto Velho. Creio que naquele momento o tempo parou. A distância e o tempo não importava mais. No meio de tantas pessoas se abraçando eu tentava pegar minha mochila. Depois de receber alguns abraços de despedidas eu caminhei a procura do Hugo.

 

“Quando abandonava a cidade ainda silenciosa, à luz da incipiente madrugada, caminhando devagar, com as pernas enrijecidas, avistou nas proximidades da última cabana um vulto que ali estava acocorado. Era Govinda. Ergueu-se e foi com Sidarta, o peregrino.

– Vieste mesmo – disse Sidarta, sorrindo.

– Vim – confirmou Govinda.” Sidarta, Hermann Hesse

 

Nesse dia o Pedro não estava na cidade. Estava terminando o intercâmbio nos Estados Unidos. Sobrou para seu irmão Hugo ir ao meu encontro na rodoviária. Hugo é um cara gente boa demais. Futuro médico e pai do Miguel. Ele desde o inicio me fez sentir em casa. Logo depois já fomos para um churrasco da família. Lá pude conhecer os pais do Pedro e do Hugo, a Zilma e o Renato. O interessante nesse dia foi conhecer o Cartaxo, dos melhores amigos deles, que estuda na USP São Carlos mesmo lugar em que fiz minha graduação. Foi bom conversar sobre a universidade e matar um pouco das saudades dos dias de estudante.

 

“Existem poucas coisas que me arrependo na vida, uma delas é ter deixado a ONG Napra. Com ela teria vindo antes conhecer as populações ribeirinhas do rio Madeira e de alguma forma iria aprender e ensinar. Depois de anos com isso na cabeça, por fim, pago essa divida que tinha comigo mesmo.” Notas de Diário

 

No outro dia, fomos buscar o Pedro no aeroporto. Mal conseguia vê-lo, estava no meio de tantas malas. Foi bom reencontrar o Pedrão. Nesse mesmo dia conheci o Bruno, outro cara bem gente boa. Ele sonha em fazer um mochilão pela América do Sul. Um dia depois fomos jogar bola. Foi muito legal, marcaram um jogo dos amigos do Pedro contra outro time. O Brunão assegurou nossa vitória agarrando tudo no gol. Já começava a me sentir em casa em Porto Velho.

 

itinerario_trem.jpg.b0fb2972819bf56190f014d9fa7c0047.jpg O açaí de Porto Velho é muito bom.

 

Culinária 8.2: O melhor suco de cupuaçu fica no bar flutuante no rio madeira.[/size][/i]

 

598d9e054e324_StaCruzeSucre027_edited.jpg.6de67840b85a8e4a127bf23f8ca8ec4c.jpg

 

Aqui tive uma vida bem familiar. Peguei emprestado a Zilma como mãe. Ela é advogada, psicóloga e principalmente batalhadora. Conhece muito sobre a vida. Tive muitas boas conversas com ela. Contava sobre a confusão que é a minha cabeça, minhas intenções sobre a viagem e sobre as banalidades da vida. Ela tinha bons conselhos e sempre me fazia pensar com seus questionamentos. Na verdade eu ainda penso sobre esses dias. Enfim, a Zilma é uma pessoa que todos deveriam conhecer. O Renato é médico e trabalhou bastante tempo com as populações ribeirinhas da Amazônia. Conhece muito de doenças tropicais e aproveitei para pegar o máximo de informação para minha proteção na floresta. Na maioria do tempo estava na companhia do Pedro e do Hugo. Tive o prazer de passar o Natal na companhia do Pedro, Hugo, Zilma e Renato e o restante de suas famílias. Foi muito bom.

 

Informação 8.1: A malária é transmitida pelo mosquito Anopheles. Os horários de maior risco são no amanhecer e ao entardecer. Então, se tiver pela Amazônia é bom ter uma atenção especial nesses dois períodos.

 

Fomos acampar em um dia de sol. A idéia era fazer algumas trilhas na floresta que margeia a cidade. Fomos eu, Pedro, Hugão, Bruno e o Cartaxo. Ao chegar arrumamos o acampamento e começamos preparar a comida do almoço. Depois dos afazeres saímos para caminhar no meio da mata. O Hugão conhece bem o lugar. Ele tinha dito que a trilha seria feita andando pelo rio. Achei que era brincadeira, ao menos torcia para ser. Começamos a trilha e logo ela era interrompida por um rio, que mais se parecia como o rio do filme da Anaconda. Eu era o último da fila. Chegando ao rio o Hugo não pestanejou e pulou e assim, foi um a um se jogando dentro d’água. Na minha vez, eu quis voltar, mas segui em frente. No inicio daquele rio acinzentado, imaginava um monte de coisas, mas logo a preocupação foi embora e comecei a curtir a trilha aquática que estávamos fazendo. Alternávamos trechos por terra e por água. Depois de um bom tempo de trilha o Cartaxo não se sentia muito confortável em caminhar pelo rio. Em comum acordo, decidimos voltar. Só que tínhamos que voltar por terra. Isso era um problema. O Hugo analisou o terreno e indicou uma direção e fomos. Com dois facões abríamos caminho pela mata que em momentos era bem fechada. Por mais que caminhávamos não havia sinal que estávamos na direção certa. Eu estava tranqüilo até que o Bruno erra uma facãozada e acerta sua canela. Nesse momento certo desespero bateu em todos. Sangrava demais. Depois do susto e com o sangue estancado voltamos a caminhar. Caminhamos um pouco mais e saímos da mata fechada, avistando uma pista no horizonte. Caminhamos por um longo tempo e voltamos para o acampamento. No resto do dia, nadamos e conversamos bastante. Foram boas as conversas e as risadas. Melhores foram às companhias. Prazer imenso de ter conhecido-os. Pedro, Hugo, Bruno e Cartaxo valeu demais. No outro dia partimos em direção a cidade.

 

IAQUE_CAPITULO56.zip

598dd80cc2f60_Foto8.6-Acampamento.jpg.4b1fe7e5b2217526cde118ad4978d41f.jpg

598dd80cc8b38_Foto8.7-Acampamento.jpg.0d7f0d0d2be58a73e25d823538fe76b2.jpg

598dd80cce4d2_Foto8.8-PedroeHugo.jpg.61a057600ead86628da55093f7446c61.jpg

598dd80cd393a_Foto8.9-Timereunido.JPG.00e19ac2bba2735fe7d4dbfdc656812d.JPG

598dd80cd80f9_Foto8.10-Trilha.JPG.cfadd45afa0f0f512d52dab2653c7da9.JPG

598dd80cdc36d_Foto8.11-Trilha.jpg.dea27adf36ea76a2afe5051cefde8ad7.jpg

598dd80ce02d5_Foto8.12-Trilha.jpg.5882395bc5fb6e85add9e585c423f574.jpg

598dd80ce403f_Foto8.13-Trilha.jpg.ce4310b630bf9087bce67bf11bfd8dbc.jpg

598dd80ce8523_Foto8.14-Trilha.jpg.722fb6415ad2888c698ebb4762d68d37.jpg

598dd80ced65f_Foto8.15-Trilha.jpg.0a58397f024dcc5ee7e905943c74d395.jpg

598dd80cf2497_Foto8.16-Trilha.jpg.860b5dffbbe5cd6025da9dbc13655357.jpg

598dd80dce6e6_Foto8.17-Trilha.JPG.2b70abb92cefd0f106074a43b3ef8548.JPG

598dd80dd34b4_Foto8.18-Trilha.jpg.277389a8960ca89e8c036af0d1b7b43e.jpg

598dd80dd72c9_Foto8.19-FogueiraAcampamento.JPG.243d0127b81fb2c3631aea3ab9edef9b.JPG

598dd80ddb21a_Foto8.20-FamiliaPereira_Watanabe-PortoVelho.jpg.6c707a9fa1f19e27cee72f83344d7da6.jpg

598dd80ddea40_Foto8.1-Futebol-PortoVelho.jpg.82a6014e59170007a7031d24c5781495.jpg

598dd80de2065_Foto8.2-Por-do-solrioMadeira-PortoVelho.jpg.ef69957eb32c622bad0c52fbffff3731.jpg

598dd80de64c4_Foto8.3-Por-do-solrioMadeira-PortoVelho.jpg.7a6803501f80d7b184576674875ae3e8.jpg

598dd80deb5d2_Foto8.4-Barflutuante-PortoVelho.jpg.ba761ebab315aa5565f813674c378921.jpg

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parte 9: Pelas terras de Chico Mendes, Acre

 

De Porto Velho segui para Rio Branco, enfim saberia se o Acre existe ou não. Neste dia o Pedro, Bruno e Daniel me acompanharam até a rodoviária. Antes tomamos o melhor açaí da viagem, até então. A estrada para Rio Branco é muito ruim (parte rondoniense) até chegar à divisa natural com o Acre, o rio Madeira. Depois de cruzar o rio na balsa, a viagem seguiu teoricamente tranquila, apesar de o ar condicionado estar congelante.

 

Informação 9.1: No norte do país tem-se o melhor serviço rodoviário, em minha opinião, do Brasil. Todo motorista explica o percurso, todas as cidades, todas as paradas, a importância do cinto de segurança e algumas companhias distribuem lanches durante a viagem.

 

Cheguei a Rio Branco na madrugada, depois de dormir algumas horas na rodoviária segui para Xapuri, terra do grande Chico Mendes. Seriam de cinco a seis horas de viagem num trecho que não chega a duzentos quilômetros.

 

"Peguei um ônibus "pinga-pinga" para Xapuri. Certo momento, contei cento e vinte pessoas dentro do ônibus que iria percorrer quase duzentos quilômetros. Crianças se aglomeravam nos vãos das poltronas. Idosos se amontoavam no corredor e parecia que todas as gestantes do Acre queriam ir para Xapuri neste dia. No inicio achei interessante não deixar ninguém para trás, mas logo essa idéia desapareceu, já tinha perdido a conta de pessoas no ônibus. Seriam quase cinco horas de viagem (com sorte), tempo demais para o caos instaurado dentro do ferro ambulante. O cobrador do ônibus era um tanto quanto curioso, parecia um ditador rodoviário e todos pareciam ter medo do sujeito. Ele sempre via mais espaço e não parava de deixar entrar pessoas. Pessoas entravam, nenhuma saía. A cada 500 metros o bus parava e encaixotava as pessoas, ninguém descia. Diante de sua poltrona confortável, único lugar cômodo do bus, pois até o motorista estava rodeado de pessoas, o cobrador indicava para mais pessoas entrarem. Até que um momento uma grávida indicava do lado de fora para entrar, neste momento, o cobrador teve que sair para pegar uma encomenda na porta de um sítio. Todos com cara de prazer indicaram, enquanto a mulher grávida subia os degraus, para se sentar na poltrona do cobrador. O cobrador de fora ainda tentou evitar, de nada adiantou, teve que subir junto com no mínimo duzentas pessoas de pé no ônibus. Não recuperou seu lugar, mas depois desse momento ele não deixou mais ninguém subir no ônibus." Notas de Diário

 

Depois de uma viagem em que ônibus parava a todo momento, finalmente, chegava a Xapuri. Meu destino exato seria o seringal Cachoeira, principal empate de Chico Mendes.

 

Para quem não conhece Chico Mendes, farei uma breve apresentação. Chico Mendes é um homem nascido no Acre, cria da floresta amazônica que teve a sorte de encontrar um refugiado da coluna Prestes e ter uma educação diferenciada por conta deste mesmo refugiado. Seringueiro desde sempre, viu na década de 70 com o apoio da ditadura militar, latifundiários vindos do sul, desmatar o nosso Acre (roubado/comprado da Bolívia) para a criação de gado. Apesar do êxodo da borracha no final do século dezenove e sua decadência no século posterior, o extrativismo ainda representava setenta por cento da economia do Acre, enquanto o latifúndio representava cinco por cento. O latifúndio começou a mudar a vida do homem da floresta, pois desmatando a floresta não tinha mais a seringa e a castanha, principais produtos do extrativismo local. Chico virou líder do movimento seringueiro e com sua metodologia de empates, baseado nas teorias de Gandhi, combateu o desmatamento de sua região. O empate era um boicote no desmatamento, junto com os seringueiros e suas famílias iam até a zona que seria devastada e ficavam ali parados na frente dos tratores, como barreiras humanas. Também saqueavam as motosserras. Chico chamou a atenção mundial e recebeu diversos prêmios pela luta pela Amazônia. Ele é considerado o primeiro militante ambiental em âmbito mundial. No Brasil, ao contrário, fez muitos inimigos por conta dos boicotes ao latifúndio e assim foi jurado de morte, mas antes de ser assassinado ele fez um dossiê (entregue nos quatros cantos do Brasil) de quem o mataria: latifundiários, políticos e empresários, mas de nada serviu, esses mesmos foram os responsáveis pela sua morte em 22 de dezembro de 1988. Apesar de ter criado uma metodologia de educação nos moldes de Paulo Freire e alfabetizar toda a comunidade, não surgiu outro Chico e o movimento com o tempo está sendo calado. No entanto, sua luta não foi em vão, conseguiu transformar muitas áreas que seriam devastadas em áreas de proteção. Para uma delas que eu seguia agora, Seringal Cachoeira.

 

Vídeo 9.1: Música em homenagem ao Chico Mendes da banda mexicana Maná.

 

 

"Canto do mundo esquecido, condenado a dias iguais. Onde vozes não são ouvidas e direitos são violados. Um dia, como outro qualquer, perdido no passado e remetido pelos sem vozes. Naquele dia em que a voz enterrada venceu o silêncio. O mundo se curvou ao ninguém, filho do nada. Seu grito sacudiu o planeta e uma bala foi disparada. O homem caiu e sua voz ecoa pela eternidade. Chico Mendes Vive!" Notas de Diário

 

O seringal fica uns 30 km da cidade. O caminho, por uma estrada de terra batida, parece não ter fim. Aqui a natureza é selvagem. A estrada corta a floresta e a comunidade do seringal mora em harmonia com a natureza. Pelo caminho é possível ver árvores gigantescas, algumas lagoas e muito verde. Cheguei ao seringal Cachoeira e logo conheci Nilson, o homem da floresta. Nilson é um senhor que viveu a vida toda em Xapuri, conhece a floresta com a palma da mão. A história passou por seus olhos e também participou dos empates. Dono de um coração enorme me acolheu junto a sua família como a um filho.

 

Curiosidade 9.1: Agora em casa, descobri que o Nilson é citado em dois livros sobre a vida de Chico Mendes, além de ter sido guia para a Globo, Discovery Channel, BBC, entre outros.

 

598d9e0594c41_resultadoeleicoes.jpg.f57f66faf5e90aa14477a594ce69b121.jpgFoto 9.6 - Seringal Cachoeira.jpg[/attachment]

 

598d9e0574720_Lacreparamochila.jpg.3a8a0cc1113851a7cc695bb820a6eac1.jpgAqui foi a região da Amazônia em que vi as maiores árvores.[/size][/i]

 

Nilson costuma dizer que ensinar sobre a importância da Amazônia era seu dever. Lembro de um fim de tarde, sentados no seu quintal floresta, ele me perguntou se eu já tinha visto um cateto. Cateto é um tipo de porco selvagem. Disse que não conhecia. Ele começou a gritar e fazer uns barulhos esquisitos. Depois de alguns minutos chegou um bando de catetos. Nilson disse que eram seus amigos. Eu acreditei. Os catetos são brigões entre eles. Depois da aparição e de algumas brigas eles logo correram para a proteção da floresta.

 

canastra.zip Um prato feito em Xapuri, custa por volta de dez reais. Geralmente, vem uma travessa de arroz que serviria facilmente umas cinco pessoas, um balde de feijão, uma travessa de salada e um peixe gigantesco, além de um litro de suco de cupuaçu.

 

Curiosidade 9.3: O nível educacional de Xapuri é alto, principalmente nos seringais, foi muitas pessoas que conheci com ensino superior, algumas com mais de uma graduação. Não que um diploma importa, mas são pessoas realmente articuladas.[/size][/i]

 

Bote.JPG.1b4c63cc8ce82addf01dde80496b3a06.JPG

 

Depois retornei para Porto Velho, pois pegaria o barco com destino para Manaus.

598dd831071f1_Foto9.1-SeringalCachoeira.jpg.73d06795c02962fa436c675ef5e18ee0.jpg

598dd8310c97f_Foto9.2-SeringalCachoeira.jpg.806dda86a99315396c7b6e031d04ded6.jpg

598dd83111f4a_Foto9.3-SeringalCachoeira.jpg.3261e1e5d5b6dd397f0c675a2e8f7cba.jpg

598dd83116639_Foto9.4-CasadoNilson-SeringalCachoeira.jpg.64923dc4b2464856bed6ce689c799958.jpg

598dd8311aabb_Foto9.5-CasadasogradoNilson.jpg.f507355409d097e249d0612858a69506.jpg

598dd83123163_Foto9.6-SeringalCachoeira.jpg.e307c18e707d930553873d20aad03e24.jpg

598dd831277ec_Foto9.7-SeringalCachoeira.jpg.97d4c4364aca70d3405b7bf8e4497440.jpg

598dd8312bb5f_Foto9.8-SeringalCachoeira.jpg.6d9297c4aa229835988cf7a87d91117b.jpg

598dd83209826_Foto9.9-SeringalCachoeira.jpg.d021c5b0093e6ed1fe8c8e9f5476f5da.jpg

598dd8320f44c_Foto9.10-Catetos.jpg.75df2db50f5175f35e8866ead9b36c2a.jpg

598dd83214e43_Foto9.11-CasadeChicoMendes.jpg.883cdc09dbda2cd1f5d7f11cbd34aaa6.jpg

598dd83219887_Foto9.12-RioAcre-Xapuri.jpg.0e0a782f359d8f63768f32d0cc91581e.jpg

598dd8321d801_Foto9.13-TumuloChicoMendes-Xapuri.jpg.ee53385968a8d0dadede4b735bf753f7.jpg

598dd832215e6_Foto9.14-RodoviariaXapuri.jpg.ace00f24f6c251e27a7ca701e8fa5896.jpg

598dd8322563a_Foto9.15-MercadoVelho-RioBranco.jpg.10a44878888c8a984a7f0b22e7a2c602.jpg

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parte 10: Viajando pelo rio Madeira

 

Nunca antes tinha passado mais que cinco horas em um barco. Agora ficaria cinco dias viajando pelo rio Madeira, saindo de Porto Velho com destino a Manaus. Iria passar meu ano novo navegando pelo Madeirão, me sentia um Amyr Klink.

 

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” Mar sem fim, Amyr Klink

 

Antes passei a manhã na casa do Pedro. Depois de muitos dias na companhia de sua família era hora de partir. Triste caminhar sozinho agora e deixar a família que mais foi minha família nessa viagem. Chegando ao barco, junto com o Pedrão e o Hugão, mal sabia armar a minha rede (presente da Zilma). Um cara da marinha mercante me ensinou a colocar a rede de uma forma segura. Ensinamento usado diversas vezes depois. Agora estava sentado na rede do barco e aguardava a autorização da marinha para o barco seguir viagem.

 

Informação 10.1: Paguei o preço de R$160 na passagem com alimentação inclusa. O valor da passagem é totalmente negociável. O preço inicial era de R$220, mas depois de conversar um pouco consegui baixar o preço. Conheci pessoas que pagaram na mesma viagem os R$220 iniciais e pessoas que pagaram R$150.

 

Informação 10.2: Diferente das viagens pelo rio Amazonas, nas viagens pelo rio Madeira a alimentação é inclusa na passagem.

 

Informação 10.3: Existem dois tipos de embarcações que fazem o trajeto. O modo mais rápido é o barco de passageiros que leva “apenas” três dias, no entanto, essa opção é abarrotada de pessoas, quase não há lugar para se colocar a rede. A outra opção é o barco cargueiro, que demora cinco dias, a diferença é que tem poucos passageiros, podendo caminhar pelo barco tranquilamente e tendo espaço de sobra para a rede. Eu acabei indo com o barco cargueiro, mas não sabia das opções, fiquei sabendo quando já estava viajando. As duas opções têm alimentação inclusa e o preço é o mesmo.

 

Informação 10.4: Lembrando que o sentido que fiz essa viagem, acompanha o sentido do rio. Assim a viagem é mais rápida. Caso faça o sentido contrário o tempo de viagem é dobrado.

 

Informação 10.5: O rio madeira é um dos vinte maiores rios do mundo. Tem mais de três mil quilômetros de extensão e é um dos principais afluentes do rio Amazonas.

 

S5030170.JPG.d78caa1cc59f8aefe7c41d9322139d7b.JPG Os portos são bons lugares para quem quiser economizar com estadia. Os barcos ficam atracados e geralmente é tranqüilo colocar a rede e passar a noite neles.[/size][/i]

 

598dd85deb10a_Foto10.17-Pauloeamelancia.jpg.5f8f8fc4cbc63bf3b457dc846703156e.jpg

 

No dia seguinte nos despedimos da família. Paulo e eu saímos do porto caminhando. Agora estávamos em terra firme e precisávamos arrumar algum lugar para ficar.

598dd85d9964d_Foto10.1-Chegandonobarco.jpg.8fa754431380f9f54a0c864bf3c7c94f.jpg

598dd85d9da8a_Foto10.2-Primeirosmomentos.jpg.dd098f675561870ef73aaec7857474f4.jpg

598dd85da20eb_Foto10.3-Piasebanheiros.jpg.88efdb62d5fe8e5843ad61c4a13f75d0.jpg

598dd85da6b76_Foto10.4-RioMadeira.jpg.c762f11eca15fd40d2d5a32977897068.jpg

598dd85dab67e_Foto10.5-Voadeiraparachegaraosvilarejos.jpg.29918c6ffead3a2186cf6e128614bcdc.jpg

598dd85db04a7_Foto10.6-RioMadeira.jpg.15abdbb48bf3581d5444102f9b2dba77.jpg

598dd85db64eb_Foto10.7-Osdias.jpg.2ee81b59e78783f6accb3ce940760661.jpg

598dd85dbc2ca_Foto10.8-ParteestreitadorioMadeira.jpg.8e3a7b411148f6203f220678d09b3c8c.jpg

598dd85dc2027_Foto10.9-OvelozdorioMadeira.jpg.b79c50eb41cd0cf5219f527e4f549b5c.jpg

598dd85dc7ec0_Foto10.10-Comunidaderibeirinha.jpg.f3a3061570b5635fe5363ce3ffba4053.jpg

598dd85dcdece_Foto10.11-Comunidaderibeirinha.jpg.f9d19f61a58efa9313f16beafeedb21f.jpg

598dd85dd2ec4_Foto10.12-Comunidaderibeirinha.jpg.f29b3fac1e210b3e3f33eb3e295c7b0e.jpg

598dd85dd7878_Foto10.13-BarcodepassageirosnorioMadeira.jpg.cef439809daba14d63cfa219659e642a.jpg

598dd85ddc512_Foto10.14-RioMadeira.jpg.610fece9308d0f0f4c026dc74eacb1bc.jpg

598dd85de108c_Foto10.15-RioMadeira.jpg.8aad5673d3f21a95fb120905f347f533.jpg

598dd85de5a24_Foto10.16-ChegandoemManaus.jpg.c8dcda52bd2999acf4d5453c1259c145.jpg

Editado por Visitante

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parte 11: de Manaus a Roraima

 

Nos primeiros passos em Manaus já começava a perceber algo que iria me incomodar na cidade. A cidade tem uma belíssima arquitetura da belle èpoque da borracha. Porém, a maioria da arquitetura desta época está tampada por prédios comerciais ou estão em desarmonia com a cidade que cresceu à volta.

 

"Perder tempo a explicar por que gosta seria pouco menos que inútil, há coisas na vida que se definem por si mesmas, um certo homem, uma certa mulher, uma certa palavra, um certo momento, bastaria que assim o tivéssemos enunciado para que toda a gente percebesse de que se tratava, mas outras coisas há, e que até poderão ser o mesmo homem e a mesma mulher, a mesma palavra e o mesmo momento, que, olhadas de um ângulo diferente, a uma luz diferente, passam a determinar dúvidas e perplexidades, sinais inquietos, uma insólita palpitação..." A caverna, José Saramago

 

Depois de caminhar por algumas horas, eu e o Paulo, paramos em um hostel próximo ao Teatro Amazonas. Deixamos nossas coisas. O Paulo seguiu para um sitio nos arredores da cidade. Ele tinha ouvido falar do dono do lugar (uma pessoa no barco havia indicado) e iria ver se era possível trocar hospedagem por trabalho. Nesse dia eu não perdi tempo e fui tentar conhecer um pouco da cidade.

 

Uma tática que eu tenho para me familiarizar com as grandes cidades de forma barata é andar de ônibus circular intensamente. Vou até um terminal de ônibus, entro em um ônibus e faço todo o trajeto dele até voltar no terminal. Geralmente, nesses terminais o transfer é gratuito. E assim, pego diversos ônibus e vou para diversas regiões, vendo a cidade pela janela do ônibus e assim me familiarizo com a cidade e fico mais seguro em caminhar. Isso tudo pelo preço de uma passagem apenas. Pode parecer programa de bobo, mas para um cara observador como eu, ajuda muito.

 

De noite já com a companhia do Paulo, compramos cervejas e ficamos bebendo na frente do Teatro Amazonas. O teatro, realmente, é muito bonito, mas estava com uns enfeites de Natal deixando o teatro menos bonito. Todo o entorno do teatro é chamativo, com uma bela praça, muitos restaurantes e bares fazem daquele pedaço de terra um lugar que aglomera os mais variados tipos de pessoas, ou seja, um bom lugar de se estar, principalmente pela noite.

 

Tikka.jpg.59e717f5840c52b03e16d6edd8279d2c.jpg As agências cobram em média R$150 por pessoa pelo passeio do encontro das águas (em um barco cheio). O jeito mais barato é pegar um ônibus até o Ceasa e lá negociar diretamente com o barqueiro. Se você for apenas visitar o encontro das águas, consegue-se um barco com até dez lugares por cinquenta reais (preço do barco).[/size][/i]

 

IAQUE_CAPITULO56.zip Roraima é o estado menos populoso do país. E grande parte do seu território é reserva indígena.

 

Informação 11.3: Existem apenas 15 cidades no estado de Roraima.[/size][/i]

 

IMG_20170806_135123126.thumb.jpg.3fd6adee03e168a086db7ea838c59550.jpg

 

Boa Vista é toda organizada, achei o clima agradável, apesar de quente. Venta bastante. O entorno da cidade é rico em igarapés e o centro é todo conservado e limpo. O melhor de tudo é o sensacional por do sol. Com certeza, Boa Vista é a capital mais charmosa dos estados do norte.

 

Informação 11.4: Estando em Boa Vista você estará no máximo duas horas (de carro) de dois países, Guiana e Venezuela.

 

Curiosidade 11.1: Ao contrário do que se pensa, a cidade de Oiapoque no Amapá não é a cidade mais ao norte do Brasil. Essa cidade se chama Uiramutã e fica no estado de Roraima.

 

Depois de dois bons dias em Boa Vista eu seguiria para a Venezuela. O trajeto Boa Vista-Pacaraima (cidade brasileira que faz divisa com a Venezuela) deve ser o único (no Brasil) que ir de táxi é o mesmo preço que ir de ônibus. Isso porque os taxistas abastecem os carros em Santa Elena do Uairen, na Venezuela, a preço de quarenta centavos o litro da gasolina.

 

Nathy me deixou no ponto de táxi. Foram poucos dias na companhia dela, mas foi outra despedida difícil, mas já estava ficando calejado com despedidas. Ficou um sentimento de um até breve, e certamente iria sentir muitas saudades.

 

Peguei o táxi e segui rumo a Pacaraima, o valor do táxi é de R$35. Dentro do táxi tinha um casal que viajaria para as islas Margaritas e outro casal que iria para Colômbia. Todo o trajeto é muito bonito, vai saindo o verde e entra uma paisagem de savana, afinal estávamos ficando cada vez mais próximo da Gran Sabana. O casal que seguiria para Colômbia ficou na cidade de Pacaraima, enquanto eu e outro casal fomos para a aduana venezuelana.

 

Curiosidade 11.2: No trajeto Boa Vista-Pacaraima tem um trecho (próximo de Pacaraima) que é descida e ao parar o carro, ao invés de o carro descer (que seria o natural) ele sobe. Estranho demais.

 

“O verde tão intenso agora dá lugar há um misto de savana e deserto. Tudo muda muito rápido.” Notas de Diário

 

Chegando na fila (imensa por sinal), conversando com os dois percebi que eles só estavam com a carteira de motorista. Como se sabe, a carteira de motorista não é aceita como um documento para transitar nos países da América do sul. Os documentos aceitos são o RG ou passaporte. Fiquei com dó deles, suas férias iriam por água abaixo, por uma pequena falta de informação. Na fila ficamos sabendo que na aduana venezuelana tudo se resolve por vinte e cinco reais e eles resolveram tentar. Eu fiquei meio cético deles conseguirem ingressar na Venezuela com as carteiras de motorista. Aguardei eles saírem do trailer (aduana) e no final cinquenta reais foi o valor pago de propina para eles conseguirem tirar o permiso e assim, estavam livres para seguir viagem.

 

Dica 11.1: Ao cruzar a fronteira Brasil-Venezuela por Pacaraima - Santa Elena do Uiaren, opte em utilizar o RG nos tramites. Com o RG somente é necessário dar entrada na aduana venezuelana. Com o passaporte é necessário dar saída na aduana brasileira para depois dar entrada na aduana venezuelana. Levando em conta que você pode ficar quase um dia em cada aduana, passar com o RG irá facilitar sua vida na ida e na volta (pois o processo é o mesmo).

 

Informação 11.5: A aduana venezuelana é um caos, lá se vende lugar na fila (umas tiazinhas) e geralmente isso gera brigas. Eu mesmo presenciei várias brigas e dependendo do humor do pessoal tendo brigas eles fecham a aduana no dia, complicando ainda mais a entrada.

 

Informação 11.6: Tudo é negociável na aduana venezuelana, presenciei vários trambiques. Eu realmente acho deplorável o suborno, mas estou aqui para dar informações.

 

Informação 11.7: Os táxis na Venezuela são realmente baratos, da aduana até Santa Elena do Uarien tem 10 km distância. Os taxistas venezuelanos cobram dois reais pelo trajeto.

 

Informação 11.8: Tem muitos taxistas na aduana que vendem viagens para todos os lugares, vá para Santa Elena primeiro, e de lá você vai conseguir melhores preços, além de ter a opção do ônibus.

 

Pegamos um táxi e seguimos juntos para Santa Elena de Uairen, na Venezuela.

598dd8c6b7f28_Foto11.1-TeatroAmazonas.jpg.7134f16fad14975384db7500b2ec4675.jpg

598dd8c6bfc2e_Foto11.2-TeatroAmazonas.jpg.e0a9e0ce38ce7d41b67e68a57096ed57.jpg

598dd8c6c49b5_Foto11.3-Manaus.jpg.ad5ea2f6e3504e51f92b8660e154da15.jpg

598dd8c6c8ad2_Foto11.4-NavegandoorioNegro.jpg.d0fe72ce8c62590ee489143759574fe2.jpg

598dd8c6cca7e_Foto11.5-PostodeGasolinanorioNegro.jpg.cbb8ca6321fad5ce441cf7c8ddebeee3.jpg

598dd8c6d0a28_Foto11.6-EncontrodosriosNegroeSolimes.jpg.3bd55c141785b6176dbacc16a605f0f9.jpg

598dd8c6d4a87_Foto11.7-Encontrodasguas.jpg.3a53d246629ad393582c2d61bbec18ec.jpg

598dd8c6d952d_Foto11.8-EuPauloeoencontrodasguas.jpg.2c327a9c0d9d6fd36064975c0ed2c88c.jpg

598dd8c6de85d_Foto11.9-Barcos.jpg.8e70caa40e9ea2c4a8c33d7a826a0a51.jpg

598dd8c6e3bbc_Foto11.10-ComunidadeRibeirinha.jpg.607fc2e59f243a6138ef142b01939885.jpg

598dd8c6e9005_Foto11.11-ComunidadeRibeirinha.jpg.f957536ce6261d1765a399fed0ca103c.jpg

598dd8c6ee589_Foto11.12-ComunidadeRibeirinha.jpg.106249501ae98804ad9685468a54d3bf.jpg

598dd8c6f37b5_Foto11.13-ComunidadeRibeirinha.jpg.7815d003297e975bce1db3c503e09517.jpg

598dd8c7037dd_Foto11.14-Igrejaabeirario.jpg.8429074756bc898be76ad93316fee2f8.jpg

598dd8c707d48_Foto11.15-Igarapnorionegro.jpg.8741187860c5ae67f9980bf487f390b3.jpg

598dd8c70c668_Foto11.16-Igarap-BoaVista.jpg.c5452bccb858468e3148e8035db19984.jpg

598dd8c710dff_Foto11.17-Camino-BoaVista.jpg.efc443903a37aecce0f49c7446eb1514.jpg

598dd8c71560e_Foto11.18-Prainha-BoaVista.JPG.ecf840d6b371d1b65d12be13e0710118.JPG

598dd8c71b5f2_Foto11.19-Prainha-BoaVista.jpg.adfe15c108c1d53c390b7260e44ecb61.jpg

598dd8c72141c_Foto11.20-Prainha-BoaVista.jpg.72eebc5217f7ac6ea714778680355afc.jpg

598dd8c7279d0_Foto11.21-Prainha-BoaVista.jpg.0a590e6f991b9d2db5be72f746d1801f.jpg

598dd8c72d568_Foto11.22-Por-do-solBoaVista.jpg.432254aa5e0eacd6626dbffdac30a9d0.jpg

598dd8c732be6_Foto11.23-EuNathyPatricioeorestodesol.jpg.3a9e0b9f07e1973f75b873467e38dd0d.jpg

Editado por Visitante

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
*LiCkA*    0

Caramba Diego!!!! Relato incrível!!!!

 

Parabéns.... Estou curiosa para continuar lendo! Riquíssimo....

 

Bjs.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
mcm    0

Diego,

Nem sei exatamente o que dizer... A ideia, a viagem, os lugares, a forma escrita, as memórias... tudo excelente.

De alguma forma me cativou bastante, é das melhores coisas que já li por aqui. Espalhei para os amigos.

Por favor, não pare de postar, siga até o fim! Parabéns mesmo!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Caramba Diego!!!! Relato incrível!!!!

 

Parabéns.... Estou curiosa para continuar lendo! Riquíssimo....

 

Bjs.

 

Valeu Licka! :D

 

Logo nesse relato nossas viagens se encontram. Um beijo na alma.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Diego,

Nem sei exatamente o que dizer... A ideia, a viagem, os lugares, a forma escrita, as memórias... tudo excelente.

De alguma forma me cativou bastante, é das melhores coisas que já li por aqui. Espalhei para os amigos.

Por favor, não pare de postar, siga até o fim! Parabéns mesmo!

 

Muito obrigado pelas palavras. Fico muito feliz de saber que você está lendo e gostando. Sobre a continuidade fica tranquila, não começaria se não fosse terminar.

 

@mcm muita paz pra ti!

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!

Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Entrar Agora




  • Perguntas e Respostas

    • Galera, estarei indo para Austrália, não decidi a data ainda, Pensando em ir em novembro, ou Março de 2018. Vou para estudar inglês ficar de 1 a 2 anos. Ainda não decidi a cidade, mas tenho amigos em Perth. Estou procurando companhia, fechei com a Australian Centre. 
    • E ai, Kevin! Eu estarei lá do dia 22 de dezembro ate o dia 10 de janeiro. Podemos trocar ideia sobre a trip
    • Olá Adimilson,    Fiz o trajeto Brasília -> Fortaleza no inicio de julho. Existem vários trechos em reforma, DF - BA, BA - PI, fora esses trechos de reformas que ficamos parados 15, 20 min. no geral as estradas estão boas, meu carro tem pneu perfil baixo e não tive problemas, com exceção do trecho entre Canindé(CE) -> Boa Viagem(CE)  esse está bem ruim, mas com atenção redobrada não terá problemas!!   Abraço.
    • Fala Diogo, beleza ? Apenas para dar uma opinião sobre seu planejamento. Referente a esta parte do seu planejamento :  CHIANG MAI (30.11: TEMPLO - WAT CHEDI LUANG e TEMPLO - WAT PHRA SINGH) - CHIANG MAI X CHIANG RAI de bus (30.11) - CHIANG RAI (01.12: Templo Branco) - CHIANG RAI (02.12: Golden triangle e CHIANG RAI X KRABI de avião) Você dedicou 1 dia inteiro para o Templo Branco e mais parte de outro dia para o Golden Triangle, correto ? Quando eu estava em Ching Mai, fechei um pacote por cerca de 150 reais ( Não lembro o valor exato ), que me buscava as 6 da manhã no hostel e me levava conhecer o Templo Branco, o Golden Tringle e a vila das "Long Neck", tudo em um dia só, e retornava para o hotel cerca de 9 da noite. É um dia bastante puxado mas vale muito a pena, e você consegue fazer todas as visitar em um dia só.  Um dia todo para o templo branco acho de certa forma desperdício sabe?  E recomendo fortemente todos os dias que "sobraram" você use eles nas Praias, se gosta de festa, agitação, Koh Phi Phi vai ser o lugar perfeito para isso.
    • Ok! Já taggei ele e será revisado e corrigido assim que subirmos a cópia na URL. 
×