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Depois da passagem por Capitólio (leia AQUI o relato), tínhamos em torno de 400 km ate Serra do Cipó, que levou praticamente 07 horas para serem percorridas por causa de obras na pista, o Parque Nacional Serra do Cipó é totalmente GRATUITO, ótima noticia para quem quer esta com o dinheiro curto, no parque você tem a possibilidade de realizar trekkings para cachoeiras e cânions, podendo fazer a pé, ou alugar uma bike na entrada do parque. 

O bom do lugar que ele é quase totalmente plano, não há subidas íngremes, facilitando a caminhada, foi nessa que eu consegui bater meu recorde em um dia e fazer 30 km, começando a andar as 10 horas da manhã e só indo terminar as 18 horas. Foi bem desgastante!

Infelizmente fiquei apenas 01 dia, mas deu para aproveitar o melhor do parque, espero que vocês gostem do relato.

 

 

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- Hospedagem

Na Serra do Cipó não tem muitas opções baratas para se hospedar, não tem como fugir muito do Camping Grande Pedreira, o valor esta 20 reais por cabeça e a área de camping é enorme, tem vestiários para banho, porém não tem cozinha, único fator negativo, e esta a menos de 05 km do centro da cidade, foi uma boa opção para quem ia passar 2 noites e 1 dia.

 

- Transporte

Infelizmente no Brasil o turismo não tem o investimento e a estrutura que merecem, geralmente se você não tiver um carro, você não conseguira chegar a lugar nenhum, só se estiver viajando de bike ou carona, pois se depender de transporte público dificilmente chegara nos lugares turísticos, ou então vai ter que depender de agências de viagem que vão cobrar o olho da cara. O que posso recomendar é ter um carro, ou alugar um, pegar o mapa da cidade com os pontos de seu interesse e dirigir ate ele.

 

 

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- Alimentação

Como passaríamos o dia todo fazendo trilha, nosso café da manhã e almoço foram lanches que preparamos, no centro da cidade tem vários mercados que da para comprar de tudo, a noite um lugar mais em conta é no Alcinos, lá tem prato que da para 2 pessoas por 20 reais, litrão de cerveja a 10 reais e tem wi-fi no local para quem precisar, vale a pena.

- Segurança

Serra do Cipó me pareceu ser super tranquila, com o jeito de cidade do interior, tranquilo e mais seguro, comparado com a minha cidade, logicamente, que nem preciso falar que é bem perigosa.

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- Passeios

 

Parque Nacional Serra do Cipó: O Parque é totalmente gratuito e na portaria eles fornecem um mapa simples e te ajudam com dicas para você aproveitar o melhor do parque, como tínhamos apenas um dia para aproveitar , acabamos resolvendo fazer o maior trekking do parque. Não se esqueça de levar água, comida e tudo o que for necessário.

 

Cânion das Bandeirinhas: São 12 km para ir e mais 12 km para voltar, o trekking é plano em 95% do trajeto e é necessário atravessar um rio a pé, a água chega ao máximo na cintura,  no meio dessa trilha tem uma entrada para a Cachoeira da Formiga, são 2,5km para ir e 2,5km para voltar, e vale muito a pena, mas se prepare se você for andando, serão quase 30 km de trekking, tudo bem que é plano, mas mesmo assim são 30 km hehehe, começamos a andar as 10h da manhã e só fomos terminar as 18 horas.

Existe a possibilidade de alugar uma bicicleta (50 reais) e fazer o trajeto todo assim, acaba sendo um pouco mais fácil do que andar, mas mesmo assim cansativo.

 

Então foi isso, ficamos apenas 2 noites e 1 dia em Serra do Cipó, e nesse dia fizemos esse trekking de quase 30 quilômetros , mas valeu muito a pena conhecer a melhor parte do Parque Nacional e tudo gratuito, a seguir era partir rumo a Conceição do Mato Dentro e Diamantina/MG. Fique esperto para acompanhar os próximos relatos. 

 

É isso ae galera...

 

Espero que tenham gostado do relato e...

 

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    • Por casal100
      Esse relato é dividido em duas partes:
      A primeira foram mais de 900 kms (da página 1 até a 6), trechos de picos, travessias e alguns trechos no entorno de cidades;
      A segunda parte,  mais de 300kms, só teve uma travessia e muitos picos,  começa  na página n° 7.
       
      Vários amigos e familiares nos indagavam sobre nossas travessias, segundo eles, tudo era muito repetitivo(as fotos eram parecidas, repetimos várias vezes os mesmos caminhos, até pela falta de outros. Até tem, mas caminho particular, não faremos  mais). De certa forma eles têm razão, visto que a visão do picos e montanhas não tem comparação com fotos de estradas e, tem um detalhe mais importante: as principais atrações das cidades(tirando algumas) não estão dentro delas, mas nos arredores  (cachoeiras, picos, morros. ..). Nesses 2 meses,  caminhamos mais de 900 quilômetros é quase 10.000 kms de carro. Conhecemos pessoas maravilhosas por onde passamos, experimentamos emoções que nunca tivemos,  comidas deliciosas,  não tivemos nenhum problema mais sério, tudo muito tranquilo.
       
      O BRASIL É SIMPLESMENTE SENSACIONAL! 
      E mais bonito visto de cima. Diante disso e, até para comemorar meus 60 anos de vida (ingressei na melhor idade), neste verão resolvemos fazer algo um pouco diferente : fomos conhecer e rever alguns parques nacionais /estaduais /municipais e privados, subir alguns picos/montanhas  e alguns circuitos desses locais, região de cachoeiras,  e Brumadinho(Inhotim), poderíamos estar no dia do rompimento da barragem,  para nossa sorte desistimos em cima da hora.
      LOCAIS VISITADOS:
      Extrema - Mg (subida as base dos pico do lopo e do lobo)
      Munhoz - Mg(subida ao pico da antenas, caminhos)
      São Bento do Sapucaí - Sp(pedra do baú e roteiro)
      Marmelopolis -Mg(subida ao morro do careca, mirantes, pedra montada, roteiros e subida ao pico Marinzinho)
      Aiuruoca - Mg(subida ao pico do papagaio, matutu, cachoeiras)
      Visconde de Mauá-Rj - (subida a Pedra Selada)
      PN Ibitipoca - Mg (Janela do céu, pico, circuito das águas e grutas)
      São Tomé das Letras - Mg (cachoeiras e roteiros)
      Carrancas - Mg(cachoeiras e circuito serra de carrancas)
      Ouro Preto - Mg (centro histórico e subida ao pico do Itacolomi)
      Mariana-Mg: Bento Rodrigues, local destruído por outro rompimento de barragem da Vale.
      Serra do Cipó - Mg(todos circuitos dentro do parque e travessão)
      Conceição do Mato Dentro - Mg: cachoeira do Tabuleiro  (base e mirante)
      Lapinha da Serra - Mg(subida aos picos da Lapinha e Breu, cachoeira Bicame e Lajeado,  parte travessia Lapinha x Tabuleiro)
      Brumadinho - Mg(Inhotim)
      PN de Itatiaia - parte alta - Mg(base do pico das agulhas Negras e prateleiras, cachoeira Aiuruoca, circuito 5 lagos, subida ao pico do couto)
      Piquete - Sp(subida ao pico dos Marins)
      Infelizmente, por excesso de chuvas, não fizemos os picos do Itaguaré e da Mina( motivação da viagem). Entrou uma frente fria na semana que antecedeu o carnaval, tivemos que abortar por questão de segurança, pois não utilizamos guias e fazemos somente Bate/volta - fica para a próxima.
      As surpresas da viagem:
      Inhotim, Lapinha da Serra e Serra do Cipó. Pois não conhecia nenhuma delas.
      Algumas fotos
      Subida ao pico dos Marins - SP

      Pico do Itacolomi - Ouro Preto - Mg

      Cachoeira Bigame - Lapinha da Serra-Mg

      Subida para pico do Breu e Lapinha - Lapinha da Serra-Mg

      Vista desde o pico da Lapinha

      Cachoeira do espelho - travessão - Serra do Cipó -Mg

      A incrível JANELA DO CÉU 

      flora exuberante



      Cachoeira do Tabuleiro - Mg

      Pico da Bandeira - ES

      Pedra do Altar - Mg

    • Por PedrãodoBrasil
      Travessia Alto Palácio x Serra dos Alves (3 Dias, 45 km)
       
      22 a 24 Fevereiro 2019
       
      ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA MORRO DA PEDREIRA
       
      PARQUE NACIONAL DA SERRA DO CIPÓ
       
      A travessia tem seu ponto de partida (ou de chegada, dependendo do sentido escolhido para caminhar) junto à Sede do Alto Palácio, no município de Morro do Pilar-Minas Gerais (Lat 19º15’34” S; Long 43º31’52” O).
       
      Integrantes
       
      *Pedrão do Brasil
       
      *Luciano
       
      *Mauro
       
      *Leila
       
      *Daniela
       
      *Dianna
       
      *Álisson
       
      *Vanessa
       
      *Talles
       
      *Fernando
       
      *Camila
       
      *Rafael
       
      *David
       
      *Ana
       
       
       
      Saída de Vitoria no dia 21 de Fevereiro de 2019. Chega em Belo Horizonte as 15:00 hs.
      Ida para o Lá em Casa Hostel no Bairro Santa Tereza.
       
       
      Dia 22 inicio da trip.
      1º dia
      Saímos de Belo Horizonte as 05:00  hs numa Van e chegamos em Alto Palácio as 08:00 hs. e fomos direto para o portal de Alto Palácio.
      Fizemos Chek-in e partimos para iniciar logo a trilha pois não sabíamos o que nos aguardava.
      Logo atingimos os campos de altitude da trilha.
      Logo atingimos umas Pedras onde tem umas Pinturas Rupestres
      Passamos na Cachoeira do Espelho, Travessão, e a partir dai uma subida tensa e frenética, logo a frente uma descida longa e atingimos a Casa de tábua, nosso primeiro Camping, que por sinal foi muito bom
      Inicio 08:30 hs
      Término 18:00 hs
      18 km.  
       
       
      Os Campos Rupestres
      Grande parte da trilha passa pelos campos rupestres, que são uma das fitofisionomias mais significativas do Parque, correspondendo a 84% do seu território (Mata Atlântica 8%; Cerrado 8%). Sua diversidade é conhecida em todo o mundo, com mais de 1500 espécies de plantas descritas. A necessidade de se assegurar tamanha riqueza foi um dos motivos que levaram à criação do Parque Nacional da Serra do Cipó. Além da riqueza da fauna e da flora existentes nos Campos Rupestres, as formações rochosas e seus arranjos na paisagem são um espetáculo à parte. As rochas, em grande parte formadas por uma matriz de Quartzito.
      O trecho entre os abrigos (cerca de 12 Km) é o de maior dificuldade do roteiro. Também é o trecho que passa pelas maiores altitudes de toda trilha, cerca de 1660 metros.
      Dia 23
       
      2º dia.
      Saída da Casa de tábua as 08:30 hs
      Percorremos uma subida interminável  e atingimos de novo os pampas das Minas Gerais, onde se tem uma visão do Infinito maravilhosa.
      Inicia-se uma descida a qual se atinge uma baixada exuberante.
      Cagada a Casa de Currais, local que mais parece um Resort em meio aos pampas e florestas no serrado da serra do cipó
       
       
      Inicio 08:30
      Termino as 16:00.
      13 km
       
       
       
       
      Dia 24
       
      3º dia
       
      Saída do Acampamento (Resort) Casa de Currais e encara-se uma subida boa e logo de novo atinge os pampas do serrado.
      Em seguida inicia se uma descida e logo se avista a Serra dos Alves
       
      Descendo mais ainda chega-se no mirante do Vale da Serra dos Alves.
      Logo se chega em meio a uma construção que foi abandonada após criação do Parque.
      Logos abaixo segue por uma Trilha a Direita e chega na Cachoeira da Luci, que por sinal é muito bonita.
      Nos banhamos e partimos para a Cachoeira dos Cristais, para mim a mais bonita de toda Trilha.
      Nos banhamos e partimos para a tão chegada ao Povoado da Serra dos Alves.
      A descida é bem Ingreme e logo abaixo da para se ver a Antiga Pousada da Luci.
       
      Continuamos descendo agora em uma estrada de terra batida até atingir o rio e Transpor a Ponte Móvel, onde algumas pessoas arregraram e forma por dentro do rio com medo. Kkkkk.
      Cânion Boca da Serra onde fica inserido as cachoeiras do final da trilha
      Inicio 09:00 hs
      Termino as 16:30 hs.
      14 km
       
       
      “As travessias são uma das mais claras vocações do Parque Nacional da Serra do Cipó, já praticadas muito antes da criação do Parque, sendo, na realidade, uma das práticas que levou à sua criação. “
      FAÇA A SUA RESERVA Procedimentos para solicitar a reserva e obter a autorização para a travessia IMPORTANTE: as vagas para a Travessia são limitadas a 30 pessoas por roteiro por dia. 1-Entre em contato com o Parque Parque Nacional da Serra do Cipó Rodovia MG 010, Km 97, Distrito da Serra do Cipó Santana do Riacho-Minas Gerais CEP 35847-000 [email protected]


























      20190224_140147.mp4
















      20190224_121626.mp4
    • Por Antonio Junior.o
      [align=center]O Canyon do Travessão.
       
      O canyon do Travessão está localizado no Parque Nacional da Serra do Cipó. Trata-se de uma enorme “fenda” que rasga a Serra do Espinhaço na direção leste-oeste. Na mediana do canyon existe uma porção mais alta, que é o divisor natural das bacias dos rios São Francisco e Doce. Como nesse ponto é possível atravessar o canyon na direção norte-sul, ficou conhecido como Travessão, explicando assim a origem do nome do canyon. O acesso ao Travessão é relativamente simples, através de uma trilha de cerca de 9km a partir do alto da serra. No entanto, cruzar toda a extensão do canyon é tarefa árdua e perigosa, como será relatado a seguir.
       

      Esboço grosseiro da travessia, (meramente ilustrativo)
       
      Iniciei a aventura a noite, as 20:15h peguei o ônibus na rodoviária de BH com destino a Serra do Cipó. Cheguei as 23h, as ruelas estavam desertas e não havia ninguém a quem eu pudesse pedir qualquer informação. Meio intuitivamente fui a procura da portaria do parque, era lua cheia e dava pra ver a silhueta do canyon ao longe, então segui pelas ruas indo na direção do canyon. Naquela região tem casas e pousadas com grandes quintais cheios de cachorros que não hesitam em latir, e foi em frente uma dessas casas que encontrei uma pequena placa indicando a portaria. Seguindo essa estrada, passei por um loteamento que não tinha nenhuma casa ou cachorro, como já era quase meia noite, acampei por ali mesmo.
       
      Dia 1: De Cardeal Mota até o Travessão.
       
      Como queria cruzar a portaria o mais cedo possível, levantei as 6:00h, arrumei tudo e segui para o parque, deixando para tomar café mais tarde. As 7h cruzei a portaria, e um pouco mais a frente, parei pra tomar café.
       

      Início da trilha, após a portaria do parque.
       
      Esse primeiro trecho é bem tranqüilo, a trilha é muito batida já que muitas pessoas passam por lá. A direita tem-se a cabeceira da serra das Bandeirinhas, e em seguida, a da Farofa. Pela trilha encontrei um besouro rinoceronte, que é famoso por ser considerado um dos animais mais fortes do mundo, podendo carregar até 850 vezes o seu peso.
       

      Besouro Rinoceronte.
       
      As 8:50h cheguei na cachoeira do Gavião, que é última queda do rio Congonhas. Seguindo adiante, a trilha fica mais fechada, passando por uma moita de samambaias e capim gordura. No caminho tem uma pequena cachoeirinha na lateral esquerda, onde saí da trilha alguns metros para bater algumas fotos. Ao fim da trilha, chega-se a bela cachoeira do Tombador, que possui dois excelentes poços. A esquerda da cachoeira é um paredão totalmente vertical, já a direita é mais inclinado, e é por aí que eu seguiria.
       

      Cachoeira do Gavião.
       

      Cachoerinha.
       

      Cachoeira do Tombador, "ponto final" da trilha.
       
      Atenção: a partir desse ponto o grau de dificuldade é altíssimo, e não é recomendado para iniciantes ou inexperientes em trilhas em mato fechado. Estou deixando explícito pois fui recomendado por alguém que tentou reproduzir uma travessia e se surpreendeu com a dificuldade.
       
      Após um lanche, dei início a etapa mais difícil do dia, que é totalmente sem trilhas, no mais puro vara-mato. Depois de escalaminhar o paredão, pode-se observar o canyon até a garganta do travessão. Entre pedras e arbustos segui pela lateral até chegar ao topo da cachoeira, de onde tem se a visão dos dois belos poções da Tombador.
       
      Agora era seguir alternando entre margem e pula-pedra. Eu estava usando uma bota com solado novo, e não estava familiarizado com “grip”. Na primeira pedra molhada que pisei já escorreguei, e enquanto a perna entrava rio a dentro, a canela foi com tudo numa quina de pedra. Doeu demais, vi até estrelas, e olha que eu pisei com cuidado, mas não esperava tão pouco atrito assim. Fiquei algum tempo sentado, esperando estabilizar a dor, depois segui em frente (ps: minha canela ficou mais de um mês dolorida, hahahaha). Depois do ocorrido fiquei esperto com a bota, que apesar de estar comportando bem em terreno seco, se mostrou nada confiável em pedra molhada.
       

      Destino.
       
      Ataque a cachoeira Fantasminha.
       
      Continuei subindo o rio até avistar a cachoeira Fantasminha. A princípio, minha intenção era atacar a apenas a Fantasma, mas resolvi ir a procura dessa também. Deixei a cargueira no leito do rio e adentrei a mata na margem do rio. Após atravessá-la, cheguei a um matagal da minha altura. Enquanto dobrava o mato no braço, pude ver uma cobra verde bem a minha frente, ela estava com a cabeça escondida entre algumas folhas e tinha cerca de 70 cm. Bati o pé no chão e ela imediatamente subiu na vegetação, ficando praticamente na minha altura, porém “apontada” para direção contrária de onde eu estava. Mexi mais um pouco, e então ela se virou e ficou me encarando, por ela estar um pouco longe, não consegui tirar uma boa foto. Como ela já tava de olho em mim, a deixei em paz e segui adiante.
       

      Cobra verde.
       
      Ao meio dia, cheguei na base da Fantasminha, e ao mesmo tempo em que apreciava a bela queda, também já procurava uma forma de subir para o “andar” de cima. Com uma certa dificuldade escalei a lateral, chegando então a cachoeira seguinte, chamada “Cachoeira de Deus”. Essas cachoeiras podem ser consideradas cachoeiras “selvagens”, já que não existem trilhas até elas e seu acesso é feito via vara-mato. Além disso, não vi rastros ou sinais de que alguém tenha as visitado recentemente.
       

      Cachoeira Fantasminha.
       

      Cachoeira "De Deus"
       

      Belo poço da cachoeira de Deus.
       
      Não fiquei muito tempo por lá, já que ainda tinha muita coisa pela frente. Voltei ao rio e segui subindo, até chegar a um descampado bem próximo à “garganta do travessão”. Novamente deixei a mochila à sombra e proferi um ataque a cachoeira Fantasma. Achei que seria fácil, e andaria a maior parte do tempo sobre vegetação rasteira, no entanto a vegetação era alta e fechada, o que me fez seguir lentamente e sem visibilidade. O tempo todo eu fiquei com a impressão que existia um caminho mais fácil, mas por estar imerso naquele mar verde, não tinha noção pra qual lado era melhor desviar. Nessa situação, o ideal era subir em algum lugar alto. As árvores somos nozes eram baixas e frágeis, apesar disso, juntei umas 3 e fui subindo. Enquanto eu subia, elas envergavam, mas ainda assim consegui ver que realmente não tinha nenhum caminho melhor, tava tudo igual e o jeito era seguir em frente dobrando o mato no braço.
       
      O tempo era limitado, já que eu ainda deveria voltar até a cargueira e continuar até o Travessão. Mas no ritmo que estava não conseguiria chegar a cachoeira e voltar a tempo. Não tinha levado água, e estava com muita sede, no meio daquele matagal comecei a ouvir o barulho de água, parecia pouco, mas já daria pra matar a sede. Continuei mais um pouco e logo encontrei uma vala profunda com um pequeno filete de água dentro. Descer dentro da vala foi complicado, já que suas laterais eram quase verticais e mediam cerca de dois metros. Após me abastecer com água fresca, segui o caminho de volta, chegando na mochila as 15:30h, que era o horário limite que havia estabelecido. Acredito que se não tivesse ido a Fantasminha, teria tempo suficiente para chegar até a Fantasma, mas ainda assim não achei que foi uma má troca, a Fantasma que me aguarde.
       
      De volta a margem do rio, fiz um lanche enquanto descansava e logo continuei adiante, pulando pedras. Tive que me deslocar com muito cuidado, pois tudo ali era úmido e cheio de lodo. Além disso, tinha o problema da bota, que estava escorregando demais. No caminho existem algumas pedras grandes, que exige algum esforço para vencê-las. Já bem adiante, o rio desaparece, sendo necessário se embrenhar pelo mato. Depois de algum tempo, chega-se ao Lago da Garganta, que fica onde os paredões se afunilam, deixando a passagem mais estreita. A partir desse ponto é uma questão de gosto, se você prefere um lugar mais plano e com muito mato, vá pela esquerda, se prefere um lugar mais pedregoso e íngreme, vá pela direita. Em ambos os casos, a caminhada fica mais difícil, embora eu tenha preferido ir pela direita.
       
      Cheguei ao Travessão as 17:15h, ainda era cedo e deu para montar acampamento tranquilamente. Posicionei a barraca o mais próximo possível do canyon, para que eu pudesse ter um belo visual. Depois desci até a cachoeira do Paiolinho, para pegar água e tomar banho em seu belo poço. Já a noite, fiz um miojo e adicionei sardinha ao molho vermelho e batata palha, além do tradicional suco em pó, logo em seguida fui dormir.
       
      Dia 2: Descendo rumo ao inexplorado.
       
      O dia seguinte amanheceu com algumas nuvens no canyon. Levantei por volta das 7:30h, tomei café e bati algumas fotos. Não sei o motivo, mas estava com muita preguiça e desânimo, por isso fui fazendo tudo lentamente. Por volta das 9h, finalmente terminei de arrumar a mochila.
       

      Travessão pela manhã.
       
      Comecei a andar em direção ao poço do Furô, no rio do Peixe. Minha intenção era descer seguindo seu curso, pra ver o que tinha de interessante por ali. Um dos grandes problemas dessa parte era a inclinação da descida, era muito íngreme e parecia um tobogã, o outro era a minha bota, que escorrega igual quiabo. Além disso, estava tão desanimado que pensei até em finalizar a travessia pelo caminho tradicional do Travessão. Mas eu me conheço e sabia que era só preguiça, bastava continuar que animaria novamente.
       

      A missão era chegar ao fim do canyon.
       
      Fui descendo por aqueles paredões cuidadosamente. Esse trecho foi perigoso, e escorregar significaria descer chiando lajeado a baixo. Não havia necessidade de passar por ali, fui por curiosidade, para explorar cada canto daquele rio. No caminho, passei no pequeno poço, com uma formação rochosa que lembrava um dente de serra, e após ele rio se encaixa numa fenda a esquerda, fazendo até uma pequena cachoeira inclinada. Um pouco mais a frente, o rio se encontra ao enorme paredão e desce até o colo do travessão. Mais uma vez, exige-se muito cuidado para descer, devido aos lajeados inclinados. Nessa parte, passa-se em um belo poço de águas calmas e pedras claras no fundo, o qual reflete a paisagem como um espelho.
       

      Poço dente de serra.
       

      "Cachoeira" inclinada.
       

      Cachoeira espelhada.
       
      Depois de descer no meio de um monte de pedras soltas e mato, cheguei na mata bem no fundo do canyon. Varei mato e segui descendo pelas pedras.
       
      Desse ponto não havia mais volta, agora era seguir a diante e torcer pra não chover. Acreditava que em no máximo dois dias eu chegaria até a outra ponta, e dessa forma, dormiria uma noite dentro do canyon, restava saber como, já que ali não tinha lugar nem pra pisar direito. Já estava super animado, e principalmente, determinado. Fui seguindo rio abaixo, do jeito que dava.
       
      As 12:30h cheguei ao Poço do Andorinhão, com a cachoeira homônima. O poço é enorme, mas diferentemente do que imaginava, não é tão profundo, já que está preenchido com muitas pedras. Continuando, tive que passar em vários trechos com água até cintura, alguns pontos o rio é fundo, e tive que varar mato nas margens. Em um dado ponto, o rio se estreitou, devido a uma pedra vertical a esquerda, e como era muito fundo, tive que passar agarrado em arbustos pela direita.
       

      Cachoeira do Andorinhão.
       
      Após esse trecho, os paredões das laterais foram diminuindo, e o horizonte se expandindo. O sol ainda reluzia, e enquanto caminha a todo vapor, me deparei com uma cobra, quase pisei nela. Ela estava sobre as pedras, se aquecendo ao sol. Mesmo eu bem próximo, ela não se intimidou, tirei algumas fotos e segui adiante.
       

       
      Na lateral direita, notei um pequeno afluente, ao explorar, encontrei uma modesta cachoeira com um pequeno poço. Sua queda formava um filete esbranquiçado, parecendo o rabo de um “Rabo de Prata” (uma ave de porte médio).
       

      Cachoeira Rabo de Prata.
       
      O salão das gêmeas.
       
      Alguns minutos a frente, uma fenda no paredão a direita me chamou a atenção, não era muito larga, mas saía um bom volume de água. Tentei entrar, mas era muito fundo e não dava pra ir andando. A curiosidade era grande, e eu tinha que saber o que havia no fim, então tirei a cargueira e as botas e segui nadando por entre as paredes estreitas e sinuosas. Por ser muito estreito, entrava pouca luz e era bem escuro, isso dava um certo “frio na barriga”, principalmente por estar nadando, sem ter como reagir. Mas isso era bobagem, afinal, o que poderia acontecer? Segui por uns 100m, e no fim tive uma grande surpresa, um grande salão com um belo poço, e duas cachoeiras lado a lado, pareciam gêmeas. Foi muito legal, como se tivesse encontrado um tesouro, fiquei realmente impressionado com o lugar. Voltei para buscar a câmera, então improvisei um saco de estanque com sacolas e coloquei debaixo do chapéu. Então fui lá uma vez mais, para tirar as fotos.
       

      "Corredor".
       

      Cachoeiras Gêmeas.
       
      Já passava das 17h, e já era hora de começar a procurar um local para acampar. Já tinha saído do canyon, ou seja, o que tinha planejado para dois dias, já tinha terminado em apenas um. Continuei um pouco mais, e então saí do rio pela esquerda, foi aí que encontrei uma trilha, até bem larga. Como cabia a barraca e era plano, montei acampamento ali mesmo. Aproveitei os últimos minutos de luz para dar uma nadada em um dos poções do rio, depois esquentei uma feijoada e comi com batata palha.
       
      Dia 3: Até Cabeça de Boi pelo emaranhado de bifurcações .
       
      Depois de uma noite tranqüila as margens do Rio do Peixe, e com a parte mais incerta da travessia completa, bastava apenas chegar a Cabeça de Boi. Tarefa aparentemente simples, no entanto, eu não tinha levado carta topográfica ou qualquer outro tipo de mapa, apenas a bússola. Era tudo que eu precisava para ter um pouco mais de emoção nesse dia.
       
      Após o tradicional café da manhã com sanduiches e café solúvel, desmontei a barraca e organizei tudo na mochila. Antes de seguir a diante, voltei um pouco pela trilha para ver onde dava, a trilha estava muito fechada e parece que faz muito tempo que ninguém passa por ali.
       
      Por volta das 9h dei inicio a pernada final. Em poucos minutos de caminhada já tive que cruzar o rio. Do outro lado encontrei uma bifurcação, uma trilha seguia direto, no plano, e a outra subia a serra. Era óbvio que deveria seguir reto, mas... e seu eu subisse, onde será que eu chegaria? Será que tinha algo de interessante por ali? Bem, tenho um problema sério com esse tipo de coisa, não consigo ver uma bifurcação sem me coçar de vontade de segui-la, e muitas vezes eu vou, pelo menos um pouco, pra tentar entender o destino da trilha.
       
      Como ainda era cedo, resolvi explorar a tal trilha. O início foi promissor, estava bem visível e fácil de seguir. Mas depois de algum tempo subindo, passei por uma pequena floresta de árvores retorcidas, onde a trilha se confundiu com o próprio solo. Fiz algumas investigações e a achei novamente, no entanto, logo à frente a trilha se reduziu a um rastro. Ainda segui até chegar a uma área mais plana, como se fosse um platô, onde desapareceu completamente. Deixei a mochila no chão e dei uma sondada ao redor, mas a trilha não estava tão obvia. Nesse ponto já deu para perceber que a trilha no máximo cruzaria a serra. Dei-me por satisfeito e desci de volta a trilha principal.
       

      Diversidade.
       
      Não andei muito tempo na trilha e já comecei a ouvir barulho de cachoeira. É claro que não ia ignorar o “chamado”, joguei a mochila na beira da trilha e me embrenhei no mato a procura da fonte sonora. Depois de um vara-mato com arranha-gato, ribanceira e uns formigueiros, cheguei a cachoeira. Tinha uma bela queda, mas fiquei encantado mesmo foi com o poço, com uma grande parte rasa com pedras claras que refletia a luz do sol e dava um efeito visual incrível.
       

      Cachoeira Encantada.
       
      Depois de aproveitar a cachoeira, voltei pelo mato até a trilha, peguei a mochila e segui adiante. Nó relógio, 11:20h, já havia gasto um bom tempo e tinha me deslocado pouco, não podia fica enrolando já que não conhecia o caminho e não possuía nenhum mapa para me orientar.
       
      Cruzei o rio do Peixe mais duas vezes, e na segunda, fiz uma parada para lanche. Nesse ponto existe um poção, e um dos mais belos visuais do Travessão. Esse é um fato interessante por se estar a leste do Travessão, mesmo de muito longe se pode vê-lo nitidamente entre os paredões do canyon.
       

      Travessão no centro.
       
      Ao fim do lanche, passei por um trecho de mata ciliar e cruzei o rio mais uma vez, chegando a uma pequena casa abandonada. A partir da casa, segui uma estradinha precária, que por sua vez deu em uma estrada mais batida, aparentemente a principal. Depois de uns 20mim nessa estrada, surgiu uma encruzilhada com um pequeno trevo, segui a direita pela estrada menos usada, que logo se bifurcou, surgindo uma estrada ainda mais abandonada, a qual tomei. Essa estradinha foi afunilando e acabou se tornando um trilha, finalizando num descampado.
       
      Passei direto pelo descampado, seguindo ao sul, cheguei mais uma vez ao rio, não vi sinal de trilha do outro lado, então voltei e tentei a leste, enquanto isso, uma manada de bois começou a me seguir, novamente cheguei no rio, já que ele fazia uma curva. A margem do outra lado era pedregosa, e se caso o caminho fosse por aí, só indo lá pra descobrir. Antes de atravessar o rio, queria ter certeza se não existia um caminho evidente, por isso, fui olhar a oeste também, os bois voltaram me seguindo. A oeste, encontrei uma trilha, entrei em um pequeno trecho de mata até chegar no rio (o rio é onipresente, tipo isso), do outro lado, algo que parecia muito uma trilha. Concluí que minhas chances eram maiores se atravesse nesse ponto.
       

      Sendo perseguido por fãs.
       
      Do outro lado, a trilha realmente continuava, bem fraca, mas logo cruzava outra, mais batida, segui essa mais batida a esquerda. De repente, comecei a descer e cheguei no... rio? Não, era um outro córrego (mas na hora eu assustei), atravessei o córrego e cheguei em um local com lenha empilhada, e algumas árvores cortadas. Segui a trilha que havia por ali, comecei a subir a serra numa direção duvidosa, e deixei a trilha na primeira bifurcação na direção que eu queria ir. Atravessei um córrego, que ficava numa piramba, e em seguida uma moita de samambaias, chegando num local “místico” que a trilha simplesmente desaparecia. Depois de perder 30mim vasculhando a área a procura da continuação da trilha, decidi voltar.
       
      Ao lado do córrego, na moita de samambaias, havia uma pequena picada descendo piramba abaixo. No fim da picada, cheguei à base de uma cachoeira, com duas quedas em série, e claro, existia uma trilha até a cachoeira. Tomando essa trilha, acabei em outra cachoeira, agora com duas quedas em paralelo. A trilha continuava, e por volta das 15h cheguei numa outra trilha, mais ampla e que subia a serra a sudeste, na direção que eu queria.
       

      Cachoeira em série.
       

      Cachoeira em paralelo.
       
      Finalmente o dia estava salvo, bastava seguir aquela trilha e estava tudo certo, só que não... Ao fim da subida, cheguei a um pequeno platô. A trilha sumiu completamente, pois o solo estava completamente recoberto por gramíneas vistosas. Segui em linha reta e achei uma trilha descendo o morro, que desapareceu 10m depois, %&@*%$!*! . Voltei ao platô e fui bordeando até encontrar a continuação da trilha.
       
      A partir desse ponto foi tranqüilo, desci a serra e cheguei no Lajeado por volta das 16:30h, exatamente onde eu planejei. Esse local é muito visitado por turistas, e havia dezenas de carros estacionados ao lado. Para chegar em cabeça de boi, bastava andar cerca de 6km por estrada de chão. Mas como já era final da tarde, esses carros estavam voltando para Cabeça de Boi, achei melhor pedir uma carona do que andar 6km de estrada comendo poeira.
       

      Atravessando o Lajeado.
       
      Em Cabeça de Boi, tomei a coca da vitória e fui até a saída da cidade tentar uma carona para Itambé do Mato dentro. O ônibus para BH saía de lá no dia seguinte, as 9h. Eram mais 10km de estrada, como já era tarde, comecei a seguir a pé mesmo. Depois de andar cerca de 50mim, consegui uma carona, chegando em Itambé as 19h.
       

      Cabeça de Boi e serra do Lobo ao fundo.[/align]
      Antonio Junior
    • Por marcosplf
      Relato publicado previamente no meu blog Mochila&Capacete
       
       
      Sou cristão, porém não tenho religião, acredito em uma filosofia própria de vida, na qual me baseio em dogmas de outras religiões. Não frequento igrejas, templos ou similares, porém tal qual Anatoli Boukreev, montanhista cazaque que desapareceu em 1997 no monte Annapurna, tenho como minha igreja as montanhas e natureza em geral. A célebre frase do montanhista, com a qual abro esse relato, expressa bem o que eu e meus amigos que me acompanharam nessa travessia sentimos.
       
      A travessia Lapinha x Tabuleiro é um clássico circuito de trekking, que durante 3 dias corta a Serra do Espinhaço em Minas Gerais, no trecho entre o distrito de Lapinha da Serra, pertencente a Santana do Riacho e o distrito de Tabuleiro, pertencente a Conceição do Mato Dentro.
      Planejava há muito tempo fazer essa travessia e agora, no feriado de 1 de maio de 2012, a travessia se concretizou.
      Sai de São Paulo no dia 27 de abril, acompanhado de meu primo que iria debutar no mundo das trilhas, chegamos no aeroporto de Confins – MG as 22h 30min e ali aguardamos o “resgate” da van com o pessoal de BH e do Rio de Janeiro que iria montar nossa comitiva em direção ao nosso “templo”.
       
      28.04.2012 – Dia 1 – Lapinha da Serra – Casa D. Ana Benta
       
      Chegamos no distrito de Lapinha da Serra por volta das 4 horas da manhã, tiramos algumas fotos e as 5h 45min começamos a trilha, que se inicia em uma estrada a esquerda da igreja do vilarejo em direção ao pico da Lapinha (1686m), após vinte minutos de caminhada sendo acompanhados pelo sol que timidamente acordava, somos brindados pela vista de uma bela cachoeira que corre pelo paredão de pedra, com água escura, conhecida por todos como “água de coca-cola”, após a cachoeira a trilha continua, sempre íngreme, em direção ao abrigo de montanha, que fica atrás do pico da Lapinha, já no abrigo paramos para repor nossas energias por alguns minutos e abastecer nosso reservatório de água.

      Logo após o abrigo a subida até o pico da Lapinha não se delonga por muito tempo, demandando um pouco de atenção por conta das inúmeras pedras, exigindo uns trechos de escalaminhada. Atingimos o cume por volta das 9 da manhã e ali ficamos um tempo apreciando a bela paisagem.

      Após descermos do pico da Lapinha, rumamos em direção ao pico do Breu, caminhando pela crista das montanhas por umas horas chegando a base do pico, onde descansamos e tirei um merecido cochilo, pois já estava acordado a mais de 24 horas, decidimos não subir até o cume e o circundamos em direção ao riacho e com o intuito de voltarmos a trilha principal que leva a casa da Dona Ana Benta, nosso primeiro ponto de acampamento.

      A descida do Breu foi muito tortuosa, com uma vegetação de touceiras, sem trilha nítida demarcada, o que dificultava o deslocamento e a navegação, pois nosso GPS não seguia por esse caminho, após muito custo chegamos ao riacho e, após atravessá-lo, seguimos pelo pasto até a trilha principal, e de lá até a casa da D. Ana Benta seria fácil, se o GPS não tivesse apontado a localização errada desse ponto (cuidado com alguns tracklogs na internet eles indicam o fim do primeiro dia em lugar errado), para seguir até a casa da dona Benta é fácil, basta seguir a estrada branca de pó de pedra até uma bifurcação, já em terra vermelha, e pegar o caminho da direita.
       
      Chegamos no nosso destino após 10 horas de caminhada e fomos muito bem recepcionado pela D. Ana Benta, que nos preparou um delicioso jantar no fogão a lenha, armamos nossas barracas, tomamos um banho quente e dormimos exaustos, esperando iniciar-se o próximo dia.
       
      29.04.2012 – Dia 2 – Casa D. Ana Benta – Casa Seu José – Tabuleiro por cima
       
      Levantamos junto com o sol e antes das 8 da manhã já estávamos andando novamente, a trilha até a Casa do Seu José, segundo ponto de acampamento, se inicia do alto da colina, em uma estrada a direita do curral que ali se encontra, a trilha é bem demarcada, contornando as montanhas com uma subida até que suave que leva em direção da porteira que adentra no parque.
       
      Após 4 horas chegamos a casa do Seu José e da Dona Maria (como alguns mapas intitulam o local). Seu José, no alto de seus 70 anos, é uma pessoa cativante, receptivo demais e que adora uma boa conversa, conversei por um bom tempo com ele no final desse dia, conhecê-lo é uma atração a mais da travessia, proporcionando um pouco de conforto e descontração aos caminhantes.
       
      Como chegamos cedo, por volta de meio-dia, à casa de Seu José, armamos acampamento e decidimos atacar a cachoeira do Tabuleiro por cima, que é a 3a mais alta do Brasil, com 273 metros de queda livre. O ataque até a cachoeira se dá por uma trilha a direita da casa de seu José, uma trilha longa, porém caminhando sem o peso das cargueiras levamos cerca de 3 horas até lá.

      O local é fantástico, o rio corre por entre cânions de pedra, com inúmeras quedas d’água e piscinões calmos, um bom aperitivo para a fantástica vista do dia seguinte.

      Voltamos ao acampamento antes do anoitecer e, após um banho quente, fomos agraciados com o delicioso jantar preparado no fogão a lenha pelo Seu Jose e D. Maria, regado a um boa cachacinha de alambique. Após o jantar, como já disse acima, passei um bom tempo conversando com nosso anfitrião, me dirigindo depois para área de acampamento onde meus amigos se reuniam ao redor da fogueira apreciando a “marvada” e contando muitos causos.
       
      30.04.2012 – Dia 3 –Casa Seu José – Cachoeira Tabuleiro
       
      No último dia da travessia tomamos um bom café na casa do Seu José e partimos morro abaixo em direção a imponente cachoeira, o sol estava forte e nos castigou nesse dia, este trecho da trilha é muito bonito, com vista para as imponentes formações geológicas da Serra do Espinhaço.

      Em pouco mais de três horas chegamos ao mirante e podemos ver a majestosa Cachoeira Tabuleiro, simplesmente uma paisagem indescritível.

      Caminhamos mais um pouco e chegamos até a sede do parque, onde deixamos nossas cargueiras e seguimos em direção à base da cachoeira, uma trilha cansativa, com um longa descida e seguindo pelo leito do rio, pulando diversas pedras até alcançarmos o “poção”, ver a cachoeira por baixo é impressionante, toda aquela imponência ao longo de uma queda de 273 metros diante de nossos olhos é surreal, são momentos como esse compensam todo o esforço e demonstram a existência de algo Maior.

      Após curtir um pouco o local tivemos que sair rápido de lá, pois os bombeiros estavam evacuando o local, pois havia risco de uma tromba d’água, subimos os 2 quilômetros de trilha até a sede do parque e ali aguardamos nosso resgate até BH.

      Posso descrever essa travessia como uma das melhores que fiz nos últimos tempos, um lugar com uma beleza impar, ideal para a prática do trekking, andamos em torno de 50 quilômetros em 3 dias, subindo montanhas, cruzando rios e nos banhando nas aguas de belas cachoeiras, uma travessia onde o contato com a natureza se dá por completo e, parafraseando Anatoli Boukreev, lugares como esses “são as catedrais onde eu pratico a minha religião”.

    • Por Renan Sartorelli
      Sempre que viajo posto histórias no Instagram, caso alguém queira acompanhar: rsartorelli
      Já tinha um tempo que queria conhecer a região, e finalmente arrumei tempo... Tinha conversado com amigos que já foram e fui bolando as ideias, de certeza a única era que eu queria ir na cachoeira do tabuleiro, terceira maior do Brasil, que é "perto".
      Terceira viagem sozinho, bolei minha mochila, saco de dormir, isolante, comida e tralhas e fui de ônibus, dia 25 segunda de natal, peguei um ônibus da viação Serro saindo de Belo Horizonte perto de 13h.
      Primeiro dia:
      O ônibus parou quase em frente ao camping umas 15:30h, e desceram duas meninas no mesmo ponto que iam ficar em uma pousada perto do meu camping, fomos conversando e animamos arrumar as coisas e procurar uma cachoeira mais tarde no dia. Cheguei no camping Grande Pedreira (20,00 reais/dia), só tinha um casal lá, solzão tenso, montei a barraca suando pra caramba, quando terminei dou de cara com o campista me oferecendo um latão de Brahma gelada e uma tábua com carne que ele tava fazendo churrasco, cara, que início, sentei com eles e trocamos ideia, eles são de Aiuruoca que foi minha primeira viagem, prosa bateu bastante, eles trabalham em uma oficina e resolveram pegar a moto e ir pra estrada... Encontrei as meninas na porta do camping, e fomos na cachoeira que fica quase em frente, Cachoeira Véu da Noiva, 11 reais pra ficar por uma hora e 30 reais pra passar o dia, complicado... Pagamos a hora e entramos 17h, cachoeira bonita mas com fácil acesso ela fica meio farofada, então achei mais ou menos... Saindo bateu um chuvão do nada por uns 20minutos, ja preocupei com a barraca. Chegando no camping o estrago foi pequeno, só o saco de dormiu molhou um pouco. Arrumei meu fogareiro fiz meu miojo e fui dormir.

      Segundo dia:
      Combinei com as meninas de ir ver o sol nascer na parte alta do véu da noiva, trilha dos escravos... Acordei 5 da manhã, tomei meu café e comecei a arrumar, só que o tempo não tava ajudando, então falei que não ia rolar... Acabei ficando deitado na rede e umas 6h o tempo melhorou, então fui sozinho fazer a trilha, bem tranquila e legalzinha. 
      Voltei umas 7:30, e iríamos pegar o ônibus 8:30 pra ir até o parque, na cachoeira da farofa. Paramos o mais perto na estrada, e fomos andando até a entrada, uns 2km. Chegamos na portaria 9:30, falaram que podia fazer a trilha de bike ou a cavalo, 40,00 reais pra alugar a bike, mas animamos ir a pé mesmo, Cachoeira da Farofa são 6km da entrada, e o Canyon das Bandeirinhas 11km, osso. Acho que éramos os únicos a pé. Foi tenso, tudo plano, mas mesmo assim bem cansativo, chegamos na farofa meio cansados já, cachoeira bonita demaaaaaaaais, fizemos uma horinha e saímos pro canyon, chegamos lá eram umas 3:30h, coincidência topamos com uns dinamarqueses que pegaram o mesmo busão nosso, trocamos ideia e eles seguiram rumo, de bike. Canyon bonito pra caramba, mas não chegamos até o final porque tinha que nadar e já estávamos cansados e pensando na volta... Chegamos mortos na portaria eram 18h, conseguimos uma carona com um cara do parque 19h. Esse rolê com certeza rola fazer de Bike, economiza muito tempo e aproveita bem mais.
      Conversamos e uma amiga das meninas chegaria no outro dia, e então elas animaram ir na cachoeira do tabuleiro comigo no próximo dia. Saindo 5:30h da manhã.

      Cachoeira da Farofa
      Canyon das Bandeirinhas
      Terceiro dia:
      Acordei 4:30h, tomei café arrumei e mandei mensagem... Nada delas... Deu 6h eu fui sozinho pra estrada pegar carona pra tentar chegar lá, meia hora de dedão consegui uma pra Conceição do mato dentro, cheguei umas 7:30h na rodoviária. Sabia que tinha ônibus pro distrito de Tabuleiro(onde fica o parque do Tabuleiro) as 15:00h, e demora por volta de 1:30h de viagem... O que nao daria certo pra mim porque ainda tinha que voltar pra Serra do cipó. Perguntei os taxistas e cobrariam 80,00 reais pela viagem, não rolava. Consegui um número de moto táxi, chorei o preço e ele fez por 40,00 reais até a entrada do parque, top demais. O cara foi falando e resmungando algo a viagem inteira e eu não ouvia nada, só sorria acenava e fala "é foda mesmo". Cheguei e tinha a trilha parte alta e baixa, que a moça disse que não rola fazer no mesmo dia. Parte baixa 2,5km, parte alta 6km. Objetivo era a parte baixa então fui, metade do caminho trilha e metade seguir o rio pelas pedras, pra mim é bom demais porque acho mais "divertido" andar nas pedras. Cheguei nela e já apaixonei de cara, uma baita cachoeira, 273m, terceira maior do Brasil, um piscinão com uma pedra no meio que da pra ficar de boa, e lugar pra ficar quase em baixo da queda, demais. Acho que nunca vou ver uma igual, a cachoeira fica num vale bonito demais, cercada de paredões, e como a água dispersa bastante na sua longa queda, quando bate um vento ela muda o curso e acaba "dançando" para os lados, parece mágico, as gotas de água começam a circular o vale, formando umas nuvens de água que as vezes dá até pra ver umas imagens... Cara, que cachoeira, me seguro pra não usar palavrões pra descrever com exatidão meu sentimento. Fiquei um bom tempo lá e já pensei em voltar porque ainda tinha que voltar pro meu camping e não tinha como voltar. Voltei e fiquei na entrada do parque, esperando alguém pra pedir carona. Primeiro rapaz que tava saindo, com a namorada, pedi carona e me ajudaram, me deixaram de novo na rodoviária de Conceição do Mato dentro, aí já estava quase em casa. Pedi carona por um tempo até o horário do ônibus mas não consegui, então peguei o ônibus de 16h. Cheguei no camping quase 18h, então foi um dia foda, curti bastante. Fiquei conversando com o Roberto, que toma conta do camping, me ofereceu cerveja e ficamos lá prozeando até mais tarde, e pedimos um lanche pra dar uma variada.

      Quarto dia:
      Último dia e tinha mais uma entrada do parque pra ir, acordei 6h, a distância total(ida e volta) do camping até a Cachoeira do Tombadouro(última cachoeira da trilha) eram 26km, metade fora do parque, então era bom ir preparado. Tomei café e saí 7h, fui andando e pedindo carona, bem cedo consegui uma que me cortou uns 3km, e daí fui andando até o parque, cheguei exatamente 8h, o primeiro a entrar no parque. E fui, primeira cachoeira bem bonita, Cachoeira das Andorinhas, grande parte andando nas pedras, duas quedas, dei uma nadada e fui pra próxima, cachoeira do gavião, bonita pra caramba, bem tranquila, que é possível escalar bastante até seu topo que encontra uma outra queda do outro lado, mas acabei fazendo só ate a metade, que minhas coisas tinham ficado tudo lá em baixo... Dei uma aproveitada e fui pra cachoeira do Tombador, cara essas trilhas são lindas, dão tudo uma visão do vale inteiro, você nem lembra que tá andando e nem das dores e bolhas no pé. Cheguei nela, absurda, muito massa, duas piscinas uma em cima da outra, duas quedas, fiquei lá por um bom tempo, todas eu sempre tava sozinho, mas nessa chegou um casal uma hora depois de mim, bom demais que me ajudou a tirar uma foto. Fiquei até 13h, que ainda tinha que desmontar minha barraca e ir embora. Muito mal pensado, trilha longa na volta e o sol TRINCANDO, foi sofrido mas foi, cheguei na entrada um pouco antes de 15:30h, consegui logo uma carona na saída e me deixaram no mesmo lugar do cara que me deixou na ida. Ainda longe do camping pedi carona por uns 20min e consegui. Achei que já tava perto do camping e pedi pra ele me deixar, que eu iria comer algo. Comi um PF 18 reais e um suco de incríveis 6 reais. Terminei e percebi que tava ainda um pouco longe, e tava muito cansado, então fui andando devagar e pedindo carona, consegui outra e me deixou na porta do meu camping.
      Cachoeira das Andorinhas
      Cachoeira do GaviãoCachoeira do TombadouroCachoeira do Tombadouro
      Tomei banho, arrumei as coisas, despedi dos amigos do camping e fui na estrada pra ir embora. O ônibus só passava as 19:25h, e ainda eram 18h, então pedi carona denovo... Deu meia hora e consegui uma, que iriam para venda nova mas podiam me deixar dentro de BH, bom demais! Parei perto da UFMG e peguei um busão para perto da rodoviária. Cheguei por volta de 20h, fui no guichê e unha ônibus as 20:15h pra Itaúna. Bom demaaaais fechando o rolê.
       
       
      Gastos:
      Ônibus ida: 33,00$
      Camping Grande pedreira: 20,00$ diária, total 60,00$
      Cachoeira véu da noiva: 11,00$/hora , 30,00$/dia
      Comida (4xCupNoodles, 2xBolacha, 4x pacotes barra de cereal, Pao de forma, leite em pó): ~~60,00$
      Entrada parque tabuleiro: 10,00$
      Ônibus porta do camping -> algum lugar mais pra frente na estrada: 3,00$
      MotoTaxi Conceição do Mato dentro -> Portaria tabuleiro: 40,00$
      Ônibus volta Conceição Mato dentro -> Serra do Cipó: 22,00$
      Lanche camping: 18,00$
      Almoço PF+Suco: 24,00$
      Ônibus UFMG -> Rodoviária: 4,05$
      Ônibus BH -> Itaúna: ~~ 25,00$
       
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