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Serra da Mantiqueira à pé - 1.100 kms pela Rainha dos caminhos (Jan/Fev 2018)

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Fizemos a maioria dos caminhos que passam pela Serra da Mantiqueira(Estrada Real, Caminho da Fé, Crer....), alguns mais de 1 vez.
É quase unanimidade entre os caminhantes que, indiscutivelmente, a Serra da Mantiqueira têm as mais bonitas paisagens e, nós concordamos integralmente. São caminhos que proporcionam lindas fotos,  clima agradabilíssimo, povo acolhedor e simpático, ingredientes que definiram esse roteiro.
Foram quase 50 dias e mais de 1.100 quilômetros de muitas alegrias, felicidade e paz,  poucas tristezas e decepções.
Começamos e terminamos na MAGNÍFICA cidade de Campos do Jordão-SP, depois de rever vários lugares (passei alguns invernos nesta bela cidade, quando eu era "bacana"). A cidade se transformou,  criaram vários roteiros turísticos, belas e caras casas dos novos e velhos "bacanas", ótimos restaurantes, atrações mil,  pousadas e hotéis de todo tipo e preço, tem até o refúgio do peregrino, comércio bom, povo hospitaleiro, clima perfeito e, ainda por cima fomos no verão,  baixa temporada,  onde com facilidade encontramos boa hospedagem com preços menores que muitas hospedagem em cidades pequenas.

Outra coisa que pesou em escolher fazer essa travessia é que a região se assemelha muito com um projeto que temos em mente, que é a travessia entre Punta Arenas x Arica no Chile,  então serviu como treinamento.

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Chegando ao "início"  dia 02.01.2018 - Terça-feira 

Estávamos em dúvida por onde começar, tinha que ser próximo da cidade de São Paulo,  pensamos em Extrema-MG, Bragança Paulista(onde começa a Mantiqueira). Aí veio Campos do Jordão-SP,  temos boas recordações daquele lugar.
Pegamos a Dutra e pouco tempo depois chegamos a São José dos Campos-SP, como era feriado de 01 de Janeiro, quase tudo fechado,   arrumamos um hotel próximo à Dutra muito bom por $60 por pessoa com café da manhã. Meu tênis que levei para fazer essa caminhada soltou parte do solado, então tive que comprar outro. Acordamos cedo dia 02 de janeiro, tomamos café da manhã e aguardamos o shopping abrir.
Foi o grande ERRO da viagem: Sempre compro o mesmo modelo de Tênis e mesmo número,  experimentei o n° 39 ficou apertado,  pedi o n° 40 e calcei só o pé direito,  como ficou ok, comprei. Pqp, paguei um alto preço logo no primeiro dia de caminhada.

Chegando em Campos do Jordão-SP, lendo a relação das pousadas credenciadas pelo Caminho da fé, escolhemos a Pousada Primavera, vi que a avaliação dela no Booking era ALTA: 9. Como assim, pousada no centro da cidade(uns 200 metros do teleférico),  novíssima, super confortável, com tv de plasma, ar condicionado, ótimo café da manhã. COMO ASSIM, nunca tinha visto isso no Caminho da fé. Chegando lá expliquei ao proprietário SR TADEU,  que faríamos uns 1.000 kms na Mantiqueira e alguns trechos do Caminho da Fé, então o proprietário abriu uma exceção para nós e entramos como peregrinos. Aí surgiu outro problema: onde deixar o carro.
Perguntamos a ele se tinha algum estacionamento na cidade,  ele disse:  tem! mas é muito caro!
Outra surpresa: ele ofereceu para deixarmos o carro no estacionamento da pousada,  como estava em reforma,  disse que não,  pois prejudicaria a pousada dele, ele concordou.
Então, ele conseguiu um lugar para deixar o carro numa boa.
Começamos muito bem!
Ficamos dois dias em Campos do Jordão acertando os últimos detalhes. Como estávamos de carro, fizemos alguns passeios pela cidade.

Hospedagem: Pousada Primavera, fone: 012 3663-1023 e 99676-7435, atendimento nota 10,  camas excelentes(King), wifi, tv a cabo com alguns canais, frigobar, ar condicionado, cofre eletrônico, banheiro privado, muito limpo e confortável, varanda com lindas flores. Tem até elevador apesar que são só 2 andares. Preço: $130 casal com ótimo café da manhã. SUPER RECOMENDO!
Obs.:  confirmar valor para não peregrino.
O refúgio dos peregrinos estava cobrando $150 por casal em quarto e banheiro compartilhado.
Para quem vai fazer o caminho das Pedrinhas é a melhor opção,  visto que o ônibus para o Horto florestal tem ponto quase na porta da pousada. A distância entre a pousada e o horto é  mais ou menos 10 quilômetros.

Portal de Campos do Jordão, pena que esse carro atrapalhou a foto. 

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Linda Construção na montanha - caminho para pico itupeva 

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Onde o grande erro deu as caras.
Primeiro caminho: Caminho de Aparecida 

1° dia - 04.01.2018  -  Quinta-feira

Saída da portaria do horto florestal de Campos do Jordão e chegada a Wenceslau Braz Mg.
+-32 kms em aprox. 07:20hrs

Nossos pesos:

Eu: 69,50kgs(02.01.2018) e 66,40kgs(28.02.2018)
Ela: 64,50kgs(02.01.2018) e 62,30kgs(28.02.2018)

Acordamos cedo, tomamos excelente café da manhã,  gentilmente servido pela Pousada bem antes do horário.
Andamos uns 20 metros e aguardamos o ônibus($3,50 p pessoa), que passou pontualmente às 07:45hrs(o primeiro horário dele é 06 da manhã e depois de hora em hora, sempre 15 minutos antes da hora cheia), fomos até dentro do horto(abre às 09 horas, mas autorizaram nossa entrada às 07:15hrs).
A primeira parte é bem tranquila,  um bom trecho em reta e depois uma subida longa, sem atropelos chegamos a divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais em aprox. 03 horas, ali era o topo(1850  msnm).
Depois da divisa pegamos uma longa descida até o charco  (algumas casas mas, sem apoio, somente uma pousada), logo a seguir começa uma subida curta, após descida fortíssima até estrada asfaltada, viramos à esquerda  e  um quilômetro depois  chegamos a pousada Castelinho.
Tomamos um banho e já fomos ao restaurante almoçar($17 por pessoa ) excelente comida.
Obs.: A região de Wenceslau Braz é  servida somente pela operadora  Vivo. Neste trecho somente em algumas partes que pega celular.

Aqui o efeito do tênis novo deu os primeiros sinais  (bolha no dedinho do pé esquerdo), muita dor e descoforto. Parecia que meu pé esquerdo estava dentro duma lata de sardinha. 

Wenceslau Braz Mg: 1020 msnm
Pequena cidade, tem somente supermercado e mercearias /bares/padaria e uma lotérica, uma pousada.

Hospedagem: Pousada Castelinho,  035 99833-6220, perto da matriz,  beliches com colchões finos,  banheiro privado limpo,  ventilador, cozinha, preço  $45 por pessoa com café da manhã simples. RECOMENDO
Obs.: a refeição deve ser encomendada a Patrícia, dona da pousada, é servids num restaurante próximo.
 

Lindas hortensias no horto florestal de Campos do Jordão.  Início da travessia 

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Árvores com tronco vermelho,  raro.

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Divisa entre Minas Gerais e São Paulo 

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Charco, lindas casas coloridas 

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O sofrimento continua....

Outro caminho: Caminho de Frei Galvão 

2° dia - 05.01.2018  -  Sexta-feira

Saída de Wenceslau Braz e chegada em Delfim Moreira Mg
+- 20 kms em aprox. 04:30hrs
Acumulado: 52 kms

A Patrícia gentilmente serviu o café da manhã às 06 horas. Saímos rapidamente e pegamos rodovia asfaltada com chuva fraca e pouco movimento de veículos,  caminhamos morro acima  cerca de uns 16 kms em aprox. 03:10hrs  (topo com +-1400msnm), aqui tive que tirar o tênis do pé esquerdo e coloquei sandália Havaianas, pois a dor estava infernal. Caminhei alguns quilômetros desse jeito.
Viramos à esquerda numa estrada de terra aprox. 3kms, atravessamos outra estrada asfaltada e continuamos em outra estrada de terra, uns 2 kms chegamos no centro da cidade.

Delfim Moreira: 1210 msnm pequena cidade com boa estrutura, vários supermercados, lojas,  farmácias. Tem lotérica e agência do Banco Itau e caixa eletrônico do Bradesco. Algumas pousadas e um hostel.

Hospedagem: Hotel São João fone:  035 3624-1133          , próximo à matriz,  simples   muito limpo, camas boas, banheiro privado, wifi,  preço  $60 por pessoa com café da manhã.
Obs.: o hotel fornece refeição a $15 o prato feito e $20 comercial.

Rodovia asfaltada sem acostamento com muitas curvas e chovendo - atenção redobrada

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Erro fatal,  caminhando com sandália

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Resolvendo o problema radicalmente! 

3° dia - 06.01.2018  -  Sábado

Saída de Delfim Moreira e chegada a Marmelopolis Mg
+-20 kms em aprox. 04:15hrs
Acumulado: 72 kms

Essa noite deixei o tênis para amaciar, mas ficou do mesmo jeito. Então, neste dia caminhei 20 kms com sandálias nos dois pés.
O hotel só disponibiliza café da manhã a partir das 07 da manhã.
Saímos debaixo de uma chuva fina,  são 3 opções para chegar em Marmelopolis: estrada de terra do lado esquerdo da rodovia, na verdade é um atalho que começa depois de 10 kms da rodovia asfaltada ;  saindo de DM após igreja à direta começa estrada de terra que é mais longe;  como estava chovendo, decidimos ir pela rodovia asfaltada, com pouco movimento de veículos.
Para resumir: é basicamente 1 subida forte de 10 kms(topo 1670msnm) com muitas curvas e 10 kms de descida forte. Essa estrada não tem acostamento, trecho com linda vista das montanhas e dos vales.

MARMELOPOLIS: 1275 msnm, base para o pico do Marins, cidade pequena,  não vi banco,  tem lotérica, várias pousadas, comércio bom.

Hospedagem: Pousada das Flores fones: 035 99852-1406 e 011 99743-0029, centro, novo e limpo, camas boas, tv aberta, wifi, banheiro privado. Preço  $60 por pessoa com café da. RECOMENDO
Obs. : comemos um excelente Self-service à vontade por  $20 por pessoa, tinha PF a $18.


Chegando a Marmelopolis mg

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Solução radical 

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Rodovia asfaltada sem acostamento com muitas curvas. 

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Caminhando na chuva..

4° dia - 07.01.2018  -  Domingo

Saída de Marmelopolis e chegada a Virgínia Mg
+-23 Kms em aprox. 05:00hrs
Acumulado: 95 kms

Ficamos atentos a previsão do tempo, pois no dia anterior  teve alerta amarelo para região.
Acordamos 05 da manhã, o tempo estava firme,  tomamos o café da manhã rapidamente e saímos, depois de uns 10 minutos começou uma chuva fina que foi até o final.
Atravessamos toda a cidade, entramos numa estrada de terra com muito barro e com pouco movimento de veículos.
Esse trecho mescla subidas e descidas médias,  com lindo visual de montanha e dos vales, uma linda cachoeira na beira da estrada. No topo do trecho a altitude chega a +-1400  msnm.
Muitas plantações de pêssego, Ameixa, figo, marmelo, eucalipto, milho, criações de gado de leite.
Vimos uma caminhonete parada e um senhor agachado procurando algo, aproximamos e percebemos que estava com dificuldade em localizar a chave dela que caiu numa poça d'agua,  resolvemos auxiliá lo, depois de uns 20 minutos encontramos, para alívio geral.
Até agora o mais belo trecho.
Chegamos com tudo molhado, sorte que embalamos tudo dentro da mochila,  a capa não resolveu nada.
Já Almoçamos um Self-service próximo a praça matriz $13 por pessoa à vontade. Ótima comida.

VIRGÍNIA(960msnm): cidadezinha encravada no meio de montanhas, povo hospitaleiro e simples,  tem agência da Caixa Econômica Federal, não vi outros bancos ou caixa eletrônico.  Tem comércio pequeno,  na cidade tem 2 pousadas  (uma bem simples  ($30 por pessoa) e outra mais confortável  ($60 por pessoa) além da pousada 13 lagos, a uns 4 kms da cidade, sentido São Lourenço.

HOSPEDAGEM: Pousada Bela Vista, fones: 035 3373-1700 e  99865-7609, camas ótimas, tv aberta, wifi, banheiro privado. Limpo. Preço:  $60 por pessoa com café da manhã  (serve à partir das 08 da manhã,  mas pode preparar um pouco mais cedo). RECOMENDO

Lindo visual de montanha 

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Idem

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Muita neblins

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Entrocamento com muito barro

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Cachoeira 

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Revendo o caminho dos anjos..

5° dia - 08.01.2018 - Segunda-feira

Saída de Virgínia e chegada a Passa Quatro mg
+-27 kms em aprox. 05:40hrs
Acumulado: 122 kms

Novamente a previsão do tempo estava sinalizando chuva, embalamos tudo, colocamos capas nas mochilas. Gentilmente a pousada providenciou café da manhã na noite anterior (deixaram café pronto e frutas), saimos pouco depois das 06 horas.
Pegamos uns 2 kms de asfalto e viramos à direita entrando numa estrada de terra (só seguir as setas amarelas) até Passa Quatro.
Como choveu muito na madrugada o piso tinha muita lama e barro, para nossa sorte não choveu nada.
Esse trecho é muito bonito, grandes e lindos vales, visual de montanhas num verde exuberante.
Algumas retas no início, depois começa uma longa subida até o topo (+-1250msnm),  logo a seguir descida bem forte até uma grande fazenda criadora de gado leiteiro.
Começa novamente outra longa subida,  próximo de PQ inicia descida média até o centro da cidade.
Fomos até próximo da rodoviária comer no mesmo restaurante dos anos anteriores  (aquele da leitoa de leite), $35,90 o quilo ou $15 o PF.

PASSA QUATRO: 910 msnm, a maior cidade até agora,  algumas pousadas, hotéis e hostel.  Bancos e comércio estruturado.

Hospedagem: Hostel Harpia,  035 98894-0533 em frente a agência dos correios, estrutura bem antiga(casarão), cama velhas(beliches), cozinha, banheiro compartilhado. Preço: $65 por pessoa com café da manhã simples. 
 

Saindo de Virgínia 

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Verde exuberante 

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Montanhas 

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Subidas leves

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Chegando a Passa Quatro

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Chegando a terra do parmesão

6° dia - 09.01.2018 - Terça-feira

Saída de Passa Quatro e chegada a Itamonte Mg
+-22 kms em aprox. 05:00hrs
Acumulado: 144 kms

O pessoal do hostel deixou cafezinho pronto, comemos algumas frutas e saímos pouco depois das 06 da manhã.
Uma forte neblina encobria a cidade,  tempo bem agradável para caminhar.
Seguimos até trevo da cidade, atravessamos estrada asfaltada e entramos numa estrada de asfalto, que logo a seguir virou de Barro.
Chegamos num entrocamento e viramos à esquerda sentido Paolinho, estradinha com muito barro, pois choveu muito ontem à noite(foi complicado demais), subida longa e forte, chegamos no entrocamento e viramos novamente à esquerda. Aí complicou de vez, tivemos muita dificuldade devido a quantidade de barro, escorregava demais.
Depois foi muito tranquilo, somente algumas subidas e descidas médias. Esse foi o primeiro dia que pegamos sol no trecho. Trecho com muitas sombras, e um pequeno trecho ao lado do rio verde.

ITAMONTE: Cidade pequena, 933msnm, com comércio bom, muitos hotéis e pousadas, alguns bancos.

Hospedagem: Hotel Thomaz,  Fone: 035 3363-1717, na beira da rodovia, camas boas, tv aberta, ventilador, frigobar, wifi, limpo, preço: $60 por pessoa com café da manhã.  Embaixo do hotel tem restaurante: $17,40 Self-service à vontade.
 

Praça em Passa Quatro

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Tempo frio 

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Até parece um vulcão 

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Excelente visual de montanha 

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Uns 2 quilômetros de barro escorregadio numa descida ..

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Chegando perto do céu
Mais um caminho: caminho Cem

7° dia - 10.01.2018 - Quarta-feira

Saída de Itamonte e chegada a Pousada dos Lobos mg
+-32 kms em aprox. 07:50hrs
Acumulado: 176 kms

Acordamos às 04:30hrs, o hotel gentilmente preparou café da manhã para nós. A previsão do tempo informou que poderia chover na parte da tarde, para nossa sorte eles acertaram, pois caiu uns pingos de chuva quando já estávamos dentro da pousada.
Talvez esse foi o trecho de subida mais longa que já fizemos até hoje: uns 28 kms. Obs.: resolvemos ir pela rodovia asfaltada(tem outro caminho, como a chuva poderia cair, resolvemos ir pelo asfalto).
Saímos pouco depois das 05 da manhã, depois da cidade já pegamos trecho de subida com muitas curvas fechadas, estrada tem acostamento somente em poucos quilômetros, apesar dela ser bem estreita e com muito movimento de caminhões e veículos leves. No trecho até a garganta do registro tem alguns bairros, vi algumas pousadas. Lindíssimos mirantes de toda região,  vimos muitas cobras venenosas mortas na beira da estrada.
Depois de 04:45hrs de caminhada chegamos a divisa entre São Paulo e Minas Gerais,  tem restaurante e venda de doces e queijos em alguns quiosques, segundo uma placa estávamos a 1699 msnm.
Apesar do sol forte, não sofremos muito; pois a estrada tem muitas árvores altas na beira, o que formavam sombras em quase todo o percurso.
Paramos e compramos 05 doces e pegamos estrada que um dia deve ter sido asfaltada,  nas está totalmente destruída,  pegamos mais 8 kms de subida forte até o topo (cerca de 2170msnm no Brejo da Lapa) logo a seguir viramos à esquerda e pegamos 4kms de descida forte com muita pedra e buracos até a pousada dos lobos. Esse trecho pegamos sol forte, não tinha tantas árvores igual ao trecho anterior.

Hospedagem: Pousada dos lobos, fica a 1750msnm,  reservas: 035 3332-2779 e 99983-5277. Camas ótimas, tv aberta coletiva, banheiro compartilhado, limpo. Preço  $100 por pessoa com café da manhã e almoço ou jantar.
Obs.: o preço era $130 por pessoa,  mas a cozinheira não foi trabalhar neste dia,  e quem preparou uma comida simples para nós, foi a Solange, que mora na pousada com o marido e são os zeladores.
Obs.: neste trecho todas as pousadas cobram $130 por pessoas até as bem simples.
Esse trecho é lindo, um pouco distante da cidade,  mas $130 por pessoa num quarto onde tem somente uma cama e um beliche, acho muito caro.

 

Rodovia asfaltada sem acostamento 

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Chegada a divisa Minas Gerais x São Paulo 

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A maior altitude que pegamos nesta viagem

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Virada para a pousada, depois daqui pegamos descida forte e sol forte

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Muita mata

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Chegando a Pousada dos Lobos 

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Seguindo a rota dos tropeiros com muita chuva e perigos. .

Outro caminho: Rota do parmesão  (tropeiros mineiros que levam mercadorias para comercialização em Visconde de Maua-RJ)

8° dia  -  11.01.2018  -  Quinta-feira

Saída da Pousada dos Lobos e chegada a Maromba RJ
+-27 kms em aprox. 07:15hrs
Acumulado: 203 kms

Acordamos mais tarde, tomamos café da manhã e saímos um pouco antes das 08, nossa intenção era dormir na Pousada da Soninha, para no outro dia partir para Maromba.
Passamos no tropeiro Gezuel(tropeiro que encontramos a alguns anos atrás em Maromba) ele tem um restaurante e da pousada Tropeiro do parmesão(035 99173-1773) a uns 5 kms de onde saímos(cobra $130 por pessoa meia pensão), quarto simples.
Depois do Gezuel vira a direita no entrocamento. Segue descendo passa a primeira ponte e vire a esquerda. ..passa outra ponte de madeira e pega subida forte....sempre para cima.
Paramos numa casa para perguntar onde ficava a pousada da soninha,  era a casa do João, outro tropeiro que conhecemos a uns anos atrás  (ele lembrou de nós,  o Gezuel não), depois de uma boa prosa, ele nos ensinou o caminho dos tropeiros até Maromba,  então ali mesmo resolvemos ir direto para lá.
O CAMINHO:(depois da casa do João)
Quando chegar em 2 casas com curral de cavalo vira a esquerda e a esquerda novamente.
Continua subindo, vai ver a sua direita uma casa de madeira abandonada,  pouco acima chega numa casa do lado esquerdo  com hortensias na porta,. ..vira a direita. .vai ver placa caminho da maromba ...suba alguns metros e logo tem um colchete à direita, entre nele (tinha uma placa para maromba).. seguindo reto(tem outro colchete) chega no topo e encontra o caminho da direita.
Algum tempo depois atravessamos uma porteira, seguindo sempre na encosta da montanha com lindo visual de toda região  (a casa do sr João lá  embaixo)...chegamos noutro colchete, atravessamos viramos à esquerda. Sempre subindo.
Logo a frente vimos um colchete à esquerda do caminho  (o encontro daquele outro caminho )..
Continuamos subindo...um tempo depois entramos num descampado com lindo visual, inclusive da serra do papagaio, andamos um bom tempo.
Após algumas descidas com muitas pedras e outras com muito barro. Antes do Passa Um tem uma bica dagua(potável). Ali encontramos um solitário Francês que estava fazendo o caminho inverso do nosso (ele não tinha mapa, demos algumas dicas para ele).
Atravessamos o PASSA UM, começou a chover fraco, colocamos capas nas mochilas e logo começou a chover forte com alguns trovões. Foi complicado, pois o caminho ficou escorregadio e cheio de água.
Obs.: pela primeira vez deparei com uma Urutu cruzeiro, minha parceira passou a uns passos dela e, vi de longe ela fugindo da gente, muitoooo linda! Mas foi um sufoco (até agora não sei quem ficou mais assustado..nós ou ela!)
Apertamos o passo e descemos o mais rápido possível, apesar do barro.
Chegamos na casa branca, atravessamos as 2 pontes e logo chegamos à Maromba, todos molhados e sujos.

MAROMBA: Pequeno distrito, 1175msnm, tem 2 mercearias , muitas pousadas,  alguns restaurantes,  não vi caixa eletrônico.

Hospedagem: Pousada Águas Claras,  Fones: 024 3387-1241/ 3387-1365 e 99815-3339, quarto pequeno simples, um pouco antigo, cama boa, tv pequena antiga, frigobar, ventilador, wifi, banheiro privado.
Preço: $60 por pessoa com café da manhã. Obs.: pediram $75 por pessoa. Não negocie com a dona,  mas com os filhos dela.
Na rua atrás da igreja tem um restaurante da merendeira da escola,  que serve uma ótima comida.  Comercial com contra filé para duas pessoas sai a $45.


Estrada entre pousad dos lobos e bifurcação para rota do parmesão 

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Depois de duas casas chega nesta casa abandonada. Logo a frente vira à direita 

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Tivemos que pular essa porteira

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Subida fortíssima com lindo visual de montanha 

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Grandes valas 

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Descampado, à frente armando o maior toró

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Bica antes do Passa Um

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Lindo visual de montanha, ao fundo o pico do papagaio que passamos depois de alguns dias 

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Linda mata

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Muita neblina

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    • Por Augusto
      Oi pessoal.
       
      Este é um relato dessa caminhada saindo de Tambaú (SP) até a Basílica de Aparecida com algumas dicas, informações e depoimentos em vídeo que fui fazendo ao longo do percurso.
      Iniciei sozinho a caminhada no dia 27 de Maio e fui terminar no dia 10 de Junho. Passei no meio de plantações de café, cana de açúcar, trilhas na mata, trilhos de uma linha férrea e no asfalto.
      Atualmente o Caminho sai de 3 lugares diferentes e sempre estão acrescentando mais cidades. Seguindo sempre as setas amarelas, o Caminho passa por mais de 20 cidades e vilas. Até a cidade de Paraisópolis fui caminhando sozinho e a partir dali continuei a caminhada com a minha esposa Márcia. Ao longo do Caminho encontrei outros peregrinos, alguns de bike e outros caminhando.
       
       
      Tem um trecho de uma música do Gilberto Gil que diz: “Andá com fé eu vou que a fé não costuma faiá”. Acho que reflete bem sobre o que eu passei em toda essa caminhada, que me fez reunir forças para caminhar 429 Km.
      Os primeiros dias foram os mais difíceis (muitas dores musculares). Começou a melhorar lá pelo 4º dia, quando caminhei 50 Km em 15 horas direto.
      Na maioria dos trechos eu saia por volta das 08:00 hrs e chegava na outra cidade no final de tarde. Alguns trechos cheguei já escurecendo.
      Para quem usa GPS, no wikiloc eu plotei toda essa caminhada:
      http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=945495
       
      As fotos eu dividi em vários álbuns, sendo que para cada dia eu fiz um.
       
      No final de cada trecho eu também fazia uma filmagem em vídeo relatando sobre os problemas que passei, como foi o percurso e uma descrição de como é a pousada. O tempo médio de cada vídeo ficou entre 5 a 9 minutos.
      Aqui estão todos os vídeos:
      http://www.youtube.com/view_play_list?p=BEB6909BA9522A51
       
       
       
      Abaixo um pequeno resumo dessa caminhada
       
       
      1º dia: Tambaú/SP até Casa Branca/SP - 35 Km

      Trecho dos mais tranquilos, por ser plano e com poucas subidas e descidas. Ideal levar uns 2 litros de água (apesar de haver indicações e lugares onde pegar água pouco antes da divisa). Ao longo do trecho, o caminho passará por plantações de café, cana de açúcar, batata, feijão, laranjas e tangerinas.
      Ao passar pelo cemitério de Tambaú, logo à frente o Caminho sai da Rodovia à direita e segue por estradas de terra até chegar em Casa Branca.
      A divisa de municípios você chega depois de 11 Km, umas 3 horas depois. Cheguei em Casa Branca depois de pouco menos de 9 horas de caminhada.
      A Pousada na cidade fica em uma área da Igreja Nossa Senhora do Desterro e com café da manhã simples.
      Fornece jantar, mas é necessário reservar antecipadamente.
      Os quartos são coletivos e enormes (sem TV), mas um local bastante tranquilo.
       
      Fotos desse dia:
      Vídeo:

       
       
       
      2º dia: Casa Branca/SP até Vargem Grande do Sul/SP - 31 Km

      Trecho bem desgastante e cansativo, sempre com o Sol incidindo. Leve água da pousada ou compre em algum bar da cidade, pois ao longo do trecho eu não achei. Só nos Kms finais. Logo que estiver saindo da cidade e passar embaixo da Rodovia, fique atento que o Caminho pega uma bifurcação à direita e segue cruzando outras Rodovias até chegar no acostamento de uma delas e aí seguir por 6 Km até um desvio à esquerda (fique atento a isso) que agora segue por inúmeros sítios e fazendas. Com varias paradas para descanso fui chegar em Vargem Grande do Sul depois de 10 horas de caminhada. Existe somente um Hotel na cidade para receber os caminhantes: Príncipe Hotel que fornece café da manhã.
      Melhor lugar para jantar na cidade é no Varanda´s Restaurante (próximo da Igreja Matriz).
      Existe outra Pousada a cerca de 10 Km da cidade, que o Caminho passa ao lado: é a Pousada Da. Cidinha.
      Fotos desse dia:
      Vídeo

       
       
       
      3º dia: Vargem Grande do Sul/SP até São Roque da Fartura/SP - 27 Km

      Trecho inicialmente no plano com subidas leves e depois de passados uns 12 Km se iniciará a árdua e íngreme subida da Serra da Fartura (existe a Pousada da Da. Cidinha no início dessa subida). Já do outro lado da serra, o Caminho segue por um pequeno trecho de asfalto, de onde já se consegue ver São Roque da Fartura ao fundo e depois volta a subir a Serra da Fartura, como se fosse um desvio. É um trecho bem desgastante, pois é só subida (o visual lá da crista vale a pena). Levei 8 horas de Vargem Grande do Sul até São Roque da Fartura.
      A Pousada Cachoeira (que pertence Da. Cida) fica depois da Vila, cruzando a Rodovia e se localiza numa subida bem íngreme e oferece jantar. Se quiser fornece café da manhã também.
      Fotos desse dia:https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658134415908
      Vídeo

       
       
       
      4º dia: São Roque da Fartura/SP até Andradas/MG - 50 Km

      O trecho mais longo de todos - caminhei durante 15 horas direto até Andradas. Até o início da descida da serra em direção a Águas da Prata é quase todo no plano, passando por inúmeras nascentes e no meio de plantações de café. Saí de São Roque da Fartura pouco antes das 05:00 hrs e cheguei em Águas da Prata pouco depois das 09:00 hrs. Como encontrei a Pousada do Peregrino fechada, passei direto pela cidade. De Águas da Prata até Andradas o trecho segue por um imenso vale inicialmente no plano para depois só subida. Andradas se localiza em um grande vale entre 2 serras, por isso o trecho final é de descida íngreme e longa.
      Fiquei no Hotel Pastre, mas na cidade existe outro Hotel que é melhor: o Hotel Palace.
      Os dois fornecem café da manhã.
      Melhor lugar para comer é no Restaurante União.
      Fotos desse dia:
      Vídeo

       
       
       
      5º dia: Andradas/MG até Crisólia/MG - 36 Km

      Esse trecho é dividido em vários outros: de Andradas a Serra dos Limas e depois até Barra e depois até Crisólia.
      O trecho de Andradas até a Serra dos Lima lembra um pouco a subida da Serra da Fartura por ser muito íngreme.
      De Serra dos Lima até distrito da Barra é plano e depois descida íngreme até o fundo do vale. Já de Barra até Crisólia é uma subida íngreme muito forte, uma parte plana e pequenas descidas. Na parte final é um longo trecho plano que parece nunca terminar. Não se vê Crisólia do Caminho. Ela aparece de repente, escondida entre os morros. Saí de Andradas por volta das 07h30min, chegando na Barra pouco depois das 12:00 hrs e por volta das 18:00 hrs em Crisólia.
      Na Serra dos Lima, a cerca de 10 km de Andradas fica a Pousada da Da. Natalina.
      No distrito da Barra, a cerca de 20 km de Andradas se localiza a Pousada do Tio João.
      Em Crisólia fiquei na Pousada da Da. Adelaide e que fornecia café da manhã.
      Atualmente em Crisólia só funciona a Pousada do Peregrino, que pertence a Da. Maria.
      Melhor lugar para comer em Crisólia é no Bar da Zéti.
      Fotos desse dia:
      Vídeo

       
       
       
      6º dia: Crisólia/MG até Borda da Mata/MG - 38 Km

      Crisólia está próxima de Ouro Fino (7 Km). Esse trecho passa por dentro dessa cidade (passe no Supermercado Peg Pag e visite a Gruta de Nossa Sa. Aparecida) e depois chega a Inconfidentes (pare no Bar do Maurão – fica na entrada da cidade). Depois o Caminho segue por uns 2 Km pela Rodovia e logo sai para a esquerda, junto a um ponto de ônibus. Passa ao lado da Pousada Águas Livres e segue ora no plano, ora subidas leves. Nesse trecho, talvez você encontre o Seu Joaquim, ao lado da bica que ele fez (tem uma enorme placa em frente). O lugar é perfeito para descanso. O trecho final, de onde se enxerga a cidade de Borda da Mata é de descida e algumas partes planas, mas bem tranquilo. Saí de Crisólia as 07h30min e cheguei as 19:00 hrs em Borda da Mata.
      Se puder visite a Igreja Matriz de Borda da Mata, pois os vitrais internos são lindos.
      Fiquei no Hotel Village com café da manhã.
      Melhor lugar para comer em Borda da Mata: Restaurante San Diego onde também funciona um Hotel.
      Fotos desse dia:
      Vídeo
      http://www.youtube.com/watch?v=TyTeRQK1N5A
       
       
       
      7º dia: Borda da Mata/MG até Tocos do Mogi/MG - 16 Km

      Um dos trechos mais tranquilos dessa caminhada. Saí de Borda da Mata por volta das 10:00 hrs e cheguei em Tocos do Moji por volta das 15h30min.
      Alguns aclives e declives bem fáceis e muita plantação de morango ao longo do Caminho (isso se estiver na época).
      Não deixe de ir à Pastelaria Zé Bastião, que vende pastel de fubá. Pouco antes de chegar na cidade encontrei o Ronald (colega de uma lista de trekking da qual eu participo) e que me acompanhou até Estiva (de lá ele retornou para São Paulo).
      Fiquei na Pousada do Peregrino (Da. Terezinha) que não oferece café da manhã e nem refeição.
      Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656209632074
      Vídeo
      http://www.youtube.com/watch?v=zrHN79M3ntY
       
       
       
      8º dia: Tocos do Mogi/MG até Estiva/MG - 22 Km

      Li em alguns relatos de que esse trecho seria um dos mais difíceis, mas não chegou a ser. Depois de uma subida inicial, o Caminho passa pelo distrito de Fazenda Velha e depois uma longa descida e subida pelo Vale dos Teodoros. É um dos trechos mais bonitos de todo o Caminho. Muita plantação de morango também. Saí de Tocos do Moji as 08h30min e cheguei em Estiva pouco antes das 15:00 hrs.
      Fiquei na Pousada do Póka que se localiza sobre Padaria Santa Edwiges e ao lado da Igreja Matriz.
      Melhor lugar para comer: Nélios Restaurante
      Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656220156963
      Vídeo
      http://www.youtube.com/watch?v=9RLl3q9kO00
       
       
       
      9º dia: Estiva/MG até Consolação/MG - 20 Km

      Trecho também bem tranquilo. Saí de Estiva as 09:00 hrs e cheguei em Consolação por volta das 15h30min. Depois de cruzar a Rodovia Fernão Dias, o Caminho segue no plano a sua maior parte. Cerca de 2 horas depois da cidade se inicia uma longa subida da Serra do Caçador por quase 1 hora. Chegando ao topo o trecho é todo no plano com descidas até chegar em Consolação.
      Fiquei na Pousada da Da. Elza, que oferece jantar e café da manhã.
      A cidade é bem pequena e não oferece muita coisa.
      Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658131337630
      Vídeo
      http://www.youtube.com/watch?v=zPyrn6FpCcc
       
       
       
      10º dia: Consolação/MG até Paraisópolis/MG - 22 Km

      Trecho também bastante tranquilo. Saí as 08h30min de Consolação e cheguei em Paraisópolis as 15h30min. O inicio dele é com leves descidas e todo no plano com uma ou outra subida leve. A longa subida não tão íngreme já tá quase no final, depois que o Caminho segue por uma estrada secundária. Chegando no topo é só descida até Paraisópolis, onde já se avista a Pedra do Baú de ângulo bem diferente.
      Fiquei no Hotel Central que oferece café da manhã.
      Melhor lugar para comer: Restaurante Choupana (simples, mas de qualidade)
      Fotos desse dia:https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656209731114
      Vídeo
      http://www.youtube.com/watch?v=26TQDEioe6U
       
       
       
      11º dia: Paraisópolis/MG até Campista/MG - 41 Km

      Sem dúvida nenhuma um dos trechos mais difíceis de todos. Aqui eu já estava com a Márcia que se juntou a mim até a Basílica de Aparecida. Por não saber como era o trecho e não encontrar relatos de outros peregrinos, já que ele foi inserido em substituição ao trecho de São Bento do Sapucaí, Sapucaí Mirim e Santo Antônio do Pinhal, caminhamos cerca de 14 horas direto. Ao chegarmos ao Distrito de Luminosa, que fica em um imenso vale, imaginávamos que a subida da serra não fosse tão extensa. Foi um desnível de 1000 metros, tendo de subir um trecho muito íngreme e extremamente cansativo no final.
      Não recomendo fazer esse trecho se você não está preparado para uma longa subida.
      Já quem for fazer esse trecho, deverá estar passando por Luminosa no máximo até 12:00 hrs, para chegar no asfalto antes do anoitecer, senão terá problemas - sugiro ficar na Pousada N. Sra das Candeias (Da. Ditinha) que fica ao lado da Igreja de Luminosa ou na Pousada da Da. Inez, uns 4 Km depois de Luminosa, já na subida da serra. No final da subida da serra, o Caminho segue por um trecho de mata e sem qualquer vestígio de vida humana (só com lanterna para fazer esse trecho no escuro).
      A Pousada Barão Montês fica na Estrada do Campista (que liga Campos do Jordão à São Bento do Sapucaí) e tá no meio do nada.
      Por não saber onde ficava a Pousada, cometemos vários erros nesse trecho.
      Nem imaginávamos que a Pousada ficava longe de tudo. E para piorar nem avisamos ao proprietário da Pousada que íamos chegar durante a noite.
      Por isso avise com antecedência que você vai pernoitar na Pousada para ele preparar o jantar.
      Fornece café da manhã.
      Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658134904928
       
      Vídeo 1
      http://www.youtube.com/watch?v=lhWUQKTpd_8
       
      Vídeo 2
      http://www.youtube.com/watch?v=yjXA9ErDFWg
       
      Vídeo 3
      http://www.youtube.com/watch?v=OBkPI-AHOoM
       
       
       
      12º dia: Campista/MG até Campos do Jordão/SP - 21 Km

      Saímos de Campista as 09:00 hrs e chegamos em Campos do Jordão por volta das 15h30min. O trecho é tranquilo e segue descendo pelo asfalto durante uns 30 minutos e ao chegar na divisa São Bento do Sapucaí/Campos do Jordão, o Caminho segue por estradas de terra à direita, agora em aclive.
      Chegando na crista o visual compensa, mostrando alguns bairros de Campos do Jordão e passando próximo da Pedra do Baú, à direita. Existe um pequeno bar à esquerda, pouco depois de se avistar a Pedra do Baú. O ideal é parar aqui, pois ainda tem um longo trecho até a Pousada Refúgio do Peregrino, que oferece café da manhã.
      Campos do Jordão oferece inúmeras opções de alimentação, mas dependendo da época se tornam muito cara.
      Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658478799316
      Vídeo
      http://www.youtube.com/watch?v=gxLkCskaDCM
       
       
       
      13º dia: Campos do Jordão/SP até Pindamonhangaba/SP - 42 Km

      O trecho inicial ainda é pelo asfalto com algumas subidas e descidas, passando pelo ponto culminante ferroviário do país. O trecho mais chato é quando você caminha pela linha do trem (cuidado com o trenzinho, pois sempre tem algum descendo ou subindo). Chegando na Estação Eugênio Lefreve, em Santo Antônio do Pinhal, aqui é ponto final dos trenzinhos que saem de Campos do Jordão, por isso está sempre cheia - dizem que o bolinho de bacalhau do barzinho da estação é um dos melhores. No local tem um belo mirante de todo o vale e agora o Caminho sai da linha do trem e segue por uma trilha no meio da mata - tem a opção de continuar pela linha do trem, mas é bem mais cansativo. Terminando a descida chegamos no Bairro de Piracuama, onde existe uma estação de trem e 2 Pousadas, mas no dia nenhuma tinha vaga. Se quiser pernoitar por aqui em qualquer das pousadas é necessário reservar antecipadamente. Até o centro de Pindamonhangaba são uns 20 Km e lá existem mais 3 pousadas. Saímos de Campos do Jordão as 08h30min e chegamos no centro de Pindamonhangaba por volta das 20:00 hrs. Tivemos um pequeno problema nesse trecho. Veja no vídeo.
      Ficamos no Hotel Comendador, que oferece café da manhã.
      Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658134964888
      Vídeo
      http://www.youtube.com/watch?v=O_2Kc4BSmqc
       
       
       
      14º dia: Pindamonhangaba/SP até a Pousada Jovimar (Aparecida)/SP - 27 Km

      Saímos por volta das 08h30min e chegamos na Pousada Jovimar as 17:00 hrs.
      O percurso foi todo no asfalto, ao lado da Rodovia que segue para Aparecida. É bem entediante, monótono e barulhento e para piorar não existem trechos de sombra (foi Sol na cabeça o tempo todo). Como não pretendíamos chegar no final de tarde na Basílica ficamos em uma Pousada a 3 Km antes, de onde ainda não se consegue ver a Basílica. O legal é que durante todo percurso sempre vão passando bikers ou peregrinos de outras cidades e ao verem eu e a Márcia de mochilas passam incentivando.
      Fotos desse dia:https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658478853556
      Vídeo
      http://www.youtube.com/watch?v=6o8_9wGcKpw
       
       
       
      15º dia: Pousada Jovimar até Basílica - 3Km

      Saímos da Pousada pouco antes das 09:00 hrs, já que pretendíamos participar da Missa das 10:00 hrs. Assim que nos aproximávamos da Basílica, percebíamos que estaria lotada, haja vista o número impressionante de ônibus de turismo.
      Fomos subir as escadas da Basílica as 09h40min e depois da Missa fomos pegar nossa Mariana (certificado de quem conclui o Caminho da Fé) e no final da tarde voltamos para São Paulo.
       
      Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656220376453
      Vídeo
      http://www.youtube.com/watch?v=jZnqML264mg
       
       
      Por hora é isso.
       
       
       
      Abcs
    • Por casal100
      Quando estamos fazendo essas travessias, muitas gente pergunta se não temos medo. Claro que temos, são perigos reais: cobras venenosas, atropelamento, assaltos, hipotermia, insolação. .. mas a recompensa é muito grande, lindos visuais, ótimas comidas, ar puro, povo maravilhoso, e tudo mais. .
      Depois de fazer o caminho de Cora Coralina, resolvemos fazer outra parte da serra da Mantiqueira  (alguns mapas informam que a serra da Mantiqueira vai até a Divinolandia), então fizemos uma parte do Caminho da Fé que também passa por essa serra.
      Acordar bem cedo,  ouvir os pássaros,  respirar ar puro e, ainda, conseguir ver e registrar uma cena dessa,  não tem preço:

      Outra atração da serra da Mantiqueira é a pedra do Baú,  subida em grampos de aço,  forte subida até o topo. Recompensa: lindo visual 360° de toda região,  não tem preço que paga!

    • Por E.Samuel
      Olá Mochileiros, como vão? Espero que bem, aqui estou eu novamente escrevendo meu segundo relato do ano de 2018. Ano passado fizemos a travessia da Serra Fina em 17h, se quiserem ler o relato segue o link: 
      O propósito para esse ano seria fazê-la em 2 dias para podermos aproveitar mais a montanha e o companheirismo da turma. Como de costume, o Nandão plantou a ideia de fazer a travessia em 2 dias e nós aceitamos de cara. Nosso parceiro Breno deu ideia de fazermos a travessia ao contrário, pois assim passaríamos no Vale do Ruah à tarde e não de madrugada. Escolhemos uma data que fosse melhor para todos e reunimos a turma. 
      Aquele medo de fazer a Serra fina já não era tão grande como foi da primeira vez, o medo agora era de tentar terminá-la com o peso da mochila. 
      Como sabíamos da dificuldade da travessia, treinamos por vários meses e, depois de adiarmos o passeio por 2 vezes por conta do tempo, nos dias 18 e 19 deu tudo certo. Confesso que torci para chover novamente porque estava com muito medo de fazer a Serra fina, ainda mais no sentido inverso, mas como eu havia prometido aos meus amigos que eu iria, eu fui.
      Estávamos em 5 pessoas: Samuel (eu), Nandão, Breno, Zé Renato (Fotógrafo oficial) e Jonas (primeira vez na SF). Saímos da Cidade de Santa Rita do Sapucaí-MG às 23h com o nosso motorista oficial Edson, chegamos até a entrada do Sítio do Pierre às 2:20 da manhã, fizemos uma oração e partimos rumo ao nosso objetivo.
      Passamos pela trilha, chegamos no primeiro ponto de água e já atacamos o Alto dos Ivos. Chegamos lá por volta de 7h14min, onde esperamos nosso companheiro Jonas que demorou cerca de 1h para chegar. Enquanto isso, deu pra fazer um café para dar uma aquecida - o café saiu sem açúcar porque nosso companheiro Breno esqueceu de trazer...hehe, mas faz parte.


      Saindo do Alto dos Ivos fomos direto para o Pico dos Três Estados. Até antes de chegar nesse pico eu estava animado e pensei “Até que o meu treino fez efeito, estou me sentindo muito bem”. Doce ilusão, mal sabia que a subida dos 3 Estados era difícil e ao contrario mais difícil ainda. Subindo aquela montanha enorme pensei em abortar a travessia, mas segui firme até o pico. Zé Renato e Nandão como sempre subiram primeiro, esses dois sem sombra de dúvidas são de outro planeta. Quando eu e o Breno chegamos os dois já estavam dormindo e nós aproveitamos para também tirar um cochilo e esperar o Jonas (esse cochilo rendeu viu?!).
      Chegada nos 3 Estados 10h21

      Saindo dos 3 Estados, fomos para o Cupim do Boi. Lá tiramos algumas fotos, paramos para fazer um lanche e esperar o Jonas...rsrs. Nesse momento, nosso amigo Zé Renato deu a Ideia de criarmos uma #cadeojonas...hehe, e não é que pegou?!
      Logo depois disso, partimos para o Vale do Ruah.
      Chegada no Cupim do Boi 12h58.


      O caminho até o Vale do Ruah é relativamente mais tranquilo, a única coisa que enche o saco são os Capins Elefantes que seguram, dificultando a caminhada. Lá pegamos água, molhamos os pés e fomos atacar a Pedra da Mina.
      Chegada no Vale do Ruah 14h51


      A subida da Pedra da Mina é muito cansativa, quando eu a vi lá debaixo bateu um desanimo, é muito alta. Quem já fez a travessia ao contrário sabe do que eu estou falando, é uma subida que não tem fim. Eu várias vezes sentei e comentei com o Breno que queria chorar e abortar a travessia. Sentamos umas 3 vezes para descansar e toda vez que sentávamos cochilávamos por um tempo. Quanto mais a gente subia, mais cansado a gente ficava e nunca chegava, sinceramente, nesse momento eu queria ter um amigo rico, mais bem rico com um helicóptero pra eu poder ligar e ele vir me buscar..rsrs
      Depois de todo o sofrimento, chegamos no topo. Ufa! Pensei que não chegaríamos. Montamos nossa barraca, fizemos aquela feijoada ao som de Sorriso Maroto e Thiaguinho (créditos ao Nandão), comemos e fomos dormir. Dentro da barraca eu tive vontade de chorar, pensei que no outro dia não daria conta, mas dormimos. Na madrugada fez -4°C, nossa barraca congelou.
       

      gelo.MP4 No outro dia levantamos para ver o sol nascer - que espetáculo gente! Coisa linda demais. É um espetáculo da natureza ver o sol subir por cima do Agulhas Negras. Vejam as imagens:

      Depois do espetáculo, arrumamos as coisas, assinamos o livro e partimos com o objetivo de terminar a travessia. Nosso ânimo estava renovado e, apesar da noite mal dormida, estávamos todos bem, nesse momento esquecemos dos problemas do dia a dia e demos várias risadas pelo caminho. Isso me fez lembrar de uma frase que o grande Maximo Kausch (Gente de Montanha) disse na entrevista com o Danilo Gentili “Quando a gente está na cidade a gente segura uma máscara tentando ser outra pessoa e quando estamos na montanha, longe do conforto do dia a dia, você realmente vê quem é quem”. Eu particularmente gostei dessa frase e ela retrata muito bem os amigos que eu fiz na montanha, eles são demais.

      Descemos a Pedra da Mina e paramos no primeiro ponto para pegarmos água. O Sol estava bem quente e teve um parceiro nosso que queria ir de cueca, pois já não aguentava mais. Pedimos pelo amor de Deus para que ele não fizesse isso, por fim, todos reabastecidos, fomos rumo ao Camping Maracanã.
      Camping Maracanã às 09h44.
      Passamos rapidamente pelo Camping e paramos um pouco acima para comermos. tirar umas fotos e esperar o Jonas. #cadeojonas

      Descemos um pouco mais e logo depois avistamos o Pico do Capim Amarelo - o último pico dessa travessia. Que felicidade gente! Nem acreditava que não teríamos que subir outra montanha. Apertamos o passo, chegamos lá em cima às 12h43min e Zé Renato fez um time lapse animal lá de cima.

      time capim.mp4 A subida até o Capim Amarelo é pesada.

      subida capim.MP4


      Nesse momento ligamos para a pessoa que iria nos resgatar e a mesma disse que iria nos buscar às 17h30min da tarde, pois estava saindo para fazer outro resgate, detalhe que nós havíamos conversado com ela anteriormente e cantamos a pedra que chegaríamos na Toca do Lobo por volta de 15h30min – 16h. Nesse momento lembrei do Sr. Edinho (uma ótima pessoa que todos que fazem a travessia já devem ter ouvido falar dele) e na mesma hora ele disse que iria nos resgatar, isso foi um alívio.
      Esperamos o #cadeojonas chegar e descemos às 13h30min do Capim Amarelo, rumo à Toca do Lobo. Estávamos ansiosos para passar no Caminho dos Anjos, pois na primeira vez que fizemos a travessia, não deu para tirarmos fotos, pois estava de madrugada ainda. Chegamos lá e as fotos ficaram incríveis (Creditos José Renato).

       
      Gostaria aqui de fazer uma pausa no relato e falar de uma pessoa que realmente é nota 10: José Renato Ribeiro - ele é uma pessoa que não mede esforços para tirar uma fotografia. Além de ser um ótimo profissional e humilde, ele é feliz fazendo o que gosta. Carregando a mochila pesada, cheia de acessórios, ele é capaz de ir na frente da turma e parar em um certo lugar só pra tirar fotografias da galera e das belas paisagens. Sinto-me privilegiado de conhecer essa grande pessoa e ser seu amigo. Além disso, agradeço ao Nandão por ter nos apresentado a ele. Obrigado por tudo Zé.
      Os créditos pelas fotos desse relato é seu.

      Chegamos na Toca do Lobo às 16h, tiramos mais algumas fotos, tomamos um meio banho na cachoeira pra tirar o cheiro de urso e fomos ao encontro do Sr. Edinho.

      Considerações finais: a travessia da Serra Fina no sentido normal já é bruta, no sentido inverso ela fica mais bruta ainda. Pensei em desistir várias vezes, mas a vontade de terminar, o encorajamento dos amigos e o desejo de não desistir falaram mais alto e isso me fez criar forças para concluir essa travessia tão linda e ao mesmo tempo tão dificultosa.
      É difícil colocar em palavras o quão difícil é subir uma montanha. Às vezes as pessoas acham que estamos exagerando e que não é tão difícil assim, pra essas pessoas eu digo e sempre vou dizer: vá lá e veja como é.
      A briga com o psicológico é constante, mas com um jeitinho e incentivo de todos a gente chega lá, lembrando que quando eu digo “eu”, eu me refiro ao grupo todo.
      Gostaria de agradecer de coração aos que foram nessa mega aventura - Nandão, Breno, Zé Renato, Edson (nosso motorista oficial, que todo ano está com a gente e dessa vez não foi diferente), Jonas (mesmo sofrendo para andar e acompanhar a turma, concluiu a travessia e foi até o final #cadeojonas).
      Muito obrigado a todos, espero que ano que vem nós possamos fazer outras travessias. Apesar de difícil ela se tornou extremamente divertida por conta de vocês. Estava lendo um blog um tempo atrás e vi uma frase que não sei se é da blogueira, mas eu achei que essa frase faria todo o sentido para terminar esse relato, que ficará marcado nas nossas memórias por um bom tempo.
      “E então é o seguinte: Não desista. Não deixe que um sentimento de incapacidade cresça e tome conta de você. O melhor impulso para a falta de coragem é meter a cara e sair do lugar mesmo! Porque sempre há uma chance da gente tropeçar em algo maravilhoso. E é impossível tropeçar em algo enquanto estamos sempre sentados no mesmo lugar.”
      Até a próxima.
      1º dia: 18,2km
      Ganho de elevação: 1.972m
      Tempo: 14h21m
      2º dia: 11,6km
      Ganho de elevação: 531m
      Tempo: 8h 5m
      Elevação maxima: 2798m
      Dados do Strava.
    • Por TARLEY PERSAN
      Organizei essa travessia um mês antes de pegar a estrada definitiva que me conduzia para mais uma aventura. Como normalmente sou um viajante solitário, nada me prendia, como o tempo, clima, calendário em fim nada mesmo, só eu e minha mochila.Sabia que ia ser uma travessia árdua e cansativa, porem minha curiosidade pelo desconhecido foi maior que meu medo.
      Bem, minha longa caminhada começou em uma cidadezinha pitoresca e histórica chamada São José do Barreiro. Cheguei bem tarde, ás 8:00 da noite, pois fiquei esperando o ônibus em Guaratinguetá por longas horas na rodoviária.
      Chegando em São José do Barreiro, logo fui procurar uma pousada para descanar. Fiquei no da dona Maria, por um preço camarada, tomei um longo banho e sai para comer algo e explorar a cidade a noite. Somente três bares estavam abertos beirando a praça central e que também eram o ponto de encontro do pessoal. Percebi que todos se conheciam, e que eu era o forasteiro na cidade. Sentei, pedi uma cerveja e alguns petiscos para comer e lá fiquei por algumas horas observando aquelas pessoas e do que elas falavam. Paguei a conta e sai para andar um pouco pela cidade, lógico acompanhado sempre pela minha inseparável câmera. Passei pela praça, onde haviam várias pessoas por lá, algumas fantasiadas de festa junina e outras com roupas pesadas de inverno e eu de bermudão e camiseta perambulando pela praça. Eu acho que era o único turista daquele dia. Sobe ladeira e desce ladeira dei de cara com o histórico cemitério dos escravos em uma ruela sem saída. Dei uma volta ao redor do muro e  encontrei uma passagem perfeita para explorar aquele lugar ás 11:30 da noite. Pulei o muro e dei de cara com um túmulo meio aberto, onde quase caí dentro dele. Bem tirando o susto, adentrei no cemitério para fazer uma matéria. Com uma lanterna na mão e a câmera em outra comecei minha excursão por lá.  E um verdadeiro cenário de terror.Voltei para a pousada umas 2:00 h da manhã, sendo que pretendia sair bem cedo, mas só pretendia, pois acordei ás 10:00 h.Pulei da cama, reorganizei minha mochila e deixei a pousada ás pressas. Tomei um rápido café em um bar e parti para a empreitada. A minha intenção logo de início era subir a serra á pé, que até o parque são 27 km de subida, e muita subida.
      No começo é tudo flores, mas depois de duas horas em uma subida que não tem fim, seu corpo começa a reclamar e cada placa de quilometragem te avisa o quanto ainda tem que andar. A música fazia me esquecer um pouco do cansaço e a beleza da serra me extasiava de prazer e felicidade e uma paz que invade a alma. Em cada curva um cenário diferente. Já eram 4:00 h da tarde, precisava parar, escançar, na verdade repousar. Meu corpo já estava esgotado e no Km 6 estava louco procurando um lugar para montar acampamento, o que era difícil. Em uma região onde havia morro e algumas fazendas cercadas, eu tinha que procurar muito.Quando estava descendo a estrada, bem do alto, pude visualizar a região e encontrar um possível lugar para acampar, foi quando eu vi uma área plana em cima de um barranco. Mas ainda tinha que chegar lá e trinta minutos depois me deparei com esse barranco, que tinha uns dois metros de altura e ficava bem em uma curva. Soltei a mochila e circulei o barranco para encontrar alguma parte mais baixa. Nada feito, mas tinha uma árvore em cima e algumas raízes que me ajudaram a subir. Amarrei uma corda na mochila e lá de cima puxei, já quase sem forças. Quando eu olhei para esse plano, percebi que na verdade era um pasto, um imenso pasto. Não tinha gado, mas sua marca estava em quase todo lugar. Procurei um lugar mais limpo e realmente consegui montar a barraca e cair dentro, onde dormi até ás 10:00, com um frio de congelar e com uma chuva fina que não dava trégua. Fiz a minha janta e tomei um copo de vinho tinto e voltei a dormir até ás duas da manhã, quando um mugido alto veio me acordar. Eu pensei: isso são horas de vacas pastarem e eu lá bem no meio do quintal delas. Levantei, peguei minha lanterna e sai para fora da barraca para ver onde elas estavam. Nada vi, e o som abafado não parava nunca e nada de vacas, bois e nem bezerros.Entrei na barraca e consegui dormir. Ás 6:00 h levantei no meio da forte neblina e um frio cortante, comecei desmontar acampamento para prosseguir e quando estava tudo pronto dei uma última olhada no lugar e descobri de onde estava vindo aquele som de vacas.Em uma fazendinha bem distante onde eu estava, lá estavam elas, berrando feito doidas.Serra da Bocaina
      Quando cheguei no Km 7 encontrei minha companheira de trilha, parece que ela estava lá me esperando. Parei para descansar, abri um pacote de bolacha e ela acanhada me olhando devorar aqueles biscoitos. Ofereci alguns para ela, que não fez cerimônia alguma, até que finalmente terminamos aquele pacote, mas eu precisava prosseguir minha jornada. Peguei minha mochila e segui.Essa cadela me acompanhou até o Km 25
      Não estava nem na metade do caminho e já estava precisando descansar mais uma vez. Quando o trajeto é longo e em subida ingrime, sua velocidade é lenta, e com uma mochila pesada, se torna mais árduo e cansativo. Tive que fazer mais um pernoite na estrada. Desta vez peguei um terreno acidentado, mas era o que tinha e lá montei mais uma vez a barraca e dormi no Km 18. Ao amanhecer me senti mais disposto, eu já estava bem no alto da serra, mas tinha mais subida pela frente, até o Km 25, depois é suave até a entrada do parque.
      A subida continua, e a vontade de chegar lá, aumentava em cada passo. Cada quilômetro percorrido já era uma vitória, uma conquista. Mas o prazer de estar lá, lá em cima era imenso. Todo meu esforço foi compensado. Porque fazer o trajeto do modo mais fácil, alugar um carro e subir aquela imensa serra, deixando tudo passar pelo retrovisor ou apenas sentir o vento frio entrando pela janela, se pode sentir isso e muito mais subindo em companhia dela, da natureza. E assim fui eu caminhando no meio do nada, ou melhor de tudo, tudo que é belo e magnífico, que com certeza jamais esquecerei, e lógico, voltarei a passar pelo mesmo caminho, onde que do cansaço e exaustão extraiu minha perseverança e coragem de prosseguir o meu caminho no parque, que irei atravessar.    
       27 Km a menos. Agora eu prossigo o caminho do ouro até o final da trilha. Será o próximo relato de um caminhante solitário.  
       
       
       
       
    • Por maizanara
      Este post é um relato sobre o auge de nossa viagem pela Patagônia: o Parque Nacional Torres del Paine (TDP),  símbolo da beleza exuberante da Patagônia Chilena e o destino dos sonhos dos amantes da natureza de todo o mundo. Vamos contar como foram os 5 dias de trekking, o famoso Circuito W.
      Tem muitas outras informações no meu blog: www.calangosviajantes.com.br
      Veja as fotos desta aventura AQUI. Tem um post com os custos desta viagem AQUI e outro sobre como fazer as reservas AQUI.
      Acompanhe nossas aventuras no Facebook ou Instagram
        Relato do trekking realizado de 12 a 16 de Janeiro de 2017. Dia 1 - atento às regras
      Caminhamos desde o nosso hostel em Puerto Natales até a rodoviária. Compramos a passagem no próprio hostel. Existem várias empresas que fazem este percurso e não há diferença significativa no valor.
      A rodoviária fica lotada de trilheiros com suas mochilas enormes! Todos muito animados para a trilha de suas vidas. Durante o percurso até a entrada do parque é possível ver os guanacos pulando as cercas e a linda cadeia de montanhas ao fundo.
      Na Portería Laguna Amarga enfrentamos uma longa fila para preenchermos o termo de compromisso e pagarmos a taxa de entrada.
      É necessário assistir um pequeno vídeo com informações gerais e as regras do parque. Uma das mais importantes: não é permitido fazer fogo fora das áreas delimitadas(!!!). Entramos em outro ônibus (valor já incluso) que nos levou até a Portería Pudeto.
      Fomos os últimos a pegar o catamarã que cruzou o Lago Pehoe. A viagem não poderia iniciar de melhor maneira, à nossa direita, o imponente Los Cuernos! Compramos o bilhete do catamarã durante o trajeto.   Chegamos ao Refugio Paine Grande sem reservas e por sermos os últimos a chegar no camping, as meninas da recepção nos deixaram ficar. Muito obrigada, meninas! (AVISO: aconselho fortemente que você não faça isso!! Neste post falamos como fazer as reservas)
      Armamos a barraca, deixamos nossas mochilas e fomos apenas com a mochila de ataque até o mirante Grey. Muito cuidado com as comidas deixadas nas barracas, a raposa-colorada (Lycalopex culpaeus) adora lanchinhos fora de hora. Infelizmente, o que mais me impressionou neste percurso não foi a linda paisagem ao meu redor, mas o resultado do maior incêndio florestal do Chile em 2012: 18 000 hectares  queimados. Uma tristeza  ver as marcas desta grande tragédia e por isso repito: siga as regras do parque, não faça fogo nem use seu fogareiro fora das áreas destinadas. Precisamos cuidar e respeitar a natureza. Aquele lugar é espetacular e todos têm o direito de visitá-lo e apreciá-lo. Depois de quase 3 horas de caminhada e muito vento no caminho, chegamos aoMirador Grey. O tempo estava bem fechado. A geleira Grey se misturava com o céu e não dava para saber onde terminava a geleira e começava o céu. A geleira é um local impressionante! Dia 2 -  café com montanha
      Após uma noite de muito vento (dica: monte muito bem sua barraca!), tomamos café na cozinha do acampamento com uma vista incrível, arrumamos tudo e saímos.
      Logo no início da trilha, na Portería Lago Pehoe, o guarda-parque pediu para ver nossa reserva impressa do acampamentoItaliano, reservas confirmadas, pé na trilha! A cadeia de montanhas Los Cuernos estava bem escondida, mas conforme nos aproximávamos dela, mais ela aparecia, e uma caminhada de 2,5 horas, fizemos em incríveis 4,5 horas. Haja foto!
      A alegre chegada ao acampamento Italiano é anunciada pela ponte que temos que atravessar e deu um medinho! Como venta muito, ela parece bem instável. Fizemos o check-in no acampamento, conversamos com os guardas e fomos preparar nosso jantar.
      Decidimos não fazer nenhuma outra trilha neste dia pois a trilha para o Mirador Britanico fecha às 17h e a do Mirador Frances às 19h. E quando digo que a trilha fecha, ela fecha mesmo, pois um dos guardas percorre a trilha até o final para garantir que não há mais ninguém na trilha (todos os dias, imagina!).
      Dia 3 - doce ilusão
      O vento faz parte da Patagônia, aceite! Eu acordei assustada a noite, pois dormíamos debaixo da copa das árvores e o vento balançava seus galhos com força. E o medo daqueles galhos caírem sobre nós?
      Não, nenhum galho caiu, ufa! Deixamos nossos pertences no acampamento e seguimos em direção ao Mirador Britanico com nossas mochilas de ataque. Todo mundo larga suas mochilas no acampamento, isso é bem normal (também algo que tive que aceitar me acostumar). Quando chegamos ao Mirador Frances o tempo já estava muito fechado, andamos mais um pouco e decidimos voltar, afinal não conseguiríamos ver nada mesmo. Ficamos sentados um tempo esperando por uma avalanche no topo das montanhas, que também não aconteceu...
      Mesmo assim estávamos só felicidade, afinal estávamos a caminho do Refugio Los Cuernos, onde passaríamos a noite em uma linda cabana de madeira na beira do lago.   Sim, foi puro luxo! Não temos dinheiro para Não ligamos para luxo quando o assunto é hospedagem, mas há anos atrás vimos uma foto no Facebook de um casal em um ofurô com uma paisagem de tirar o fôlego ao fundo. Escrevemos para a pessoa que postou a tal foto perguntando onde era: Refugio Los Cuernos.
      Deste dia em diante, não tiramos mais aquela imagem da cabeça e estava decidido: iríamos naquele ofurô e ponto final. Não era nossa intenção ficar na cabana, mas no site estava bem claro: somente hóspedes das cabanas tinham acesso ao ofurô. Bem, com muita, mas muita dor, reservamos a tal cabana e sonhamos com este dia desde então. Parte deste valor eu havia ganho de presente de aniversário, muito obrigada Celzinha!
      Na trilha para o Refugio Los Cuernos, o sol finalmente resolveu aparecer de forma muito marcante, acentuando ainda mais a cor da lagoa. Para quem está fazendo o W invertido é descida na maior parte. Eu senti por quem estava subindo... Na minha opinião o trecho de trilha mais lindo! O vento intenso levantava a água da lagoa e até DOIS arcos-íris se formavam na nossa frente ao mesmo tempo, arrancando gargalhadas dos dois bobos incansáveis ao admirar tamanha beleza.
      Então, finalmente chegamos às cabanas e, ansiosos, vimos de longe o tal ofurô. Corremos para checar o tão sonhado ofurô de perto. Mas o que encontramos foi uma placa: MANUTENÇÃO!   Mas que #@$%&! Ficamos muito putos, bravos, arrasados tristes com a notícia, afinal estávamos esperando há anos por aquele dia, mas não tinha nada que pudéssemos fazer. A cabana era linda, tinha uma lareira, toalha limpinha, cama fofinha e chuveiro gostoso!
      Fomos conhecer o refúgio, admirar o Los Cuernos e conversar com nossos amigos e quando retornamos encontramos uma garrafa de vinho chileno e alguns docinhos. A princípio, tive a certeza que havia sido o Antonio quem preparou aquela linda surpresa (tipo cena de filme mesmo! Imaginem que romântico: uma cabana de madeira, um vinho, lareira e aquela vista incrível). Ele perdeu a chance de ganhar muitos pontos (e na sequência perder muitos mais, é claro) ao não confirmar que havia sido ele - não foi, acreditamos que foi a forma do refúgio se desculpar por destruir nossos sonhospelo inconveniente. Após muitas risadas e desapontamento (nunca vou esquecer da cara do Antonio não conseguindo confirmar que havia sido ele o autor da ideia romântica) aproveitamos o delicioso vinho. Dia 4 - meu querido saco de dormir
      A noite na cabana não foi tão tranquila quanto imaginávamos, o vento era tão forte que parecia que a cabana se desmontaria. Não sobrou dinheiro para queríamos comprar a pensão completa no refúgio, fizemos nossa comida na mesma cozinha reservada para o pessoal do camping.
      Seguimos rumo ao acampamento El Chileno. Neste dia enfrentamos as 4 estações do ano, inclusive chuva. Existe um cruzamento, e você pode optar por ir para o Hotel Las Torres ou um atalho para o acampamento - é claro que optamos pelo atalho!
      No caminho vimos os bombeiros resgatando alguém em uma maca, ficamos muito assustados (depois ouvimos boatos de que a menina havia torcido o tornozelo - o que a impossibilitou de terminar a trilha, por isso todo cuidado é pouco).
      Chegando no refúgio, fizemos o check-in e fomos procurar uma plataforma para colocar nossa barraca. Dica: chegue o mais cedo que puder e coloque sua barraca, as plataformas estão colocadas num barranco, e se estiver chovendo (como estava) o chão molhado quase te impedirá de chegar em sua barraca sem cair alguns tombos.
      O jantar no refúgio foi extremamente agradável, nada de macarrão com vina, ou salsinha como vocês dizem. Entrada, prato principal e sobremesa, tudo com raio gourmetizador ativado! Não havia opção de reservar o local de camping sem todas as refeições inclusas (sim, eles são bem espertinhos).
      Ficamos na área de convivência do refúgio até tarde conversando, quando nossa amiga Tânia chega desesperada dizendo que estava entrando água dentro da barraca dela. Conseguimos alguns sacos de lixo e o Antonio foi ajudar o Beto com o "pequeno" problema. Logo em seguida entra outro trilheiro com seu saco de dormir completamente encharcado, eu entrei em desespero! Já imaginei meu saco de dormir molhado, seria o fim (que exagerada!). Pedi ao Antonio que conferisse se nossa barraca estava molhada, e para minha alegria, tudo estava completamente seco. Dia 5 - sonho realizado
      Antonio nunca havia visto neve e sempre falou que se fosse para ver neve, que fosse na montanha. Estávamos tomando café no refúgio quando vejo um ser saindo correndo gritando "Está nevando, está nevando". Parecia uma criança vendo neve pela primeira vez - e na montanha, como ele havia sonhado!
      Eu não fiquei assim tão feliz, afinal isso significava que o tempo estaria fechado nas Torres - e como eu queria ver aquelas meninas!  Tomamos um café super reforçado (incluído em nosso pacote) e seguimos a trilha até às Torres. Ao contrário dos outros dias, neste caminhamos muito rápido e os joelhos reclamaram um tanto (DICA: se puderem fazer a trilha no seu tempo, sem correr, é melhor. Fizemos isso todos os outros dias e não sentimos dor alguma).
      A trilha é pesadinha, mas isso não impede que jovens, crianças e idosos a façam, cada um no seu ritmo, no seu tempo. Eu não sabia quem eu admirava mais, se as famílias com crianças ou o grupo dos mais experientes. Quando fomos chegando pertinho da lagoa o coração foi acelerando. O Antonio foi na frente e lá do alto chamou minha atenção ao gritar uma linda declaração <3.
      Quando finalmente meus olhos encontraram as meninas (as Torres) não pude me conter de emoção - me faltam adjetivos para descrever a beleza deste local. Encontramos nossos amigos Daniel, Daniela, Beto e Tânia lá no topo, foi uma delícia compartilhar aquele momento com nossos novos amigos.
      Mas foi o tempo de contemplarmos a paisagem, tirar algumas fotos (nossa e da Maiza, coitado do Antonio) que o tempo virou completamente. As nuvens encobriram o céu azul e as Torres, e a neve começou a cair - "não era neve que você queria Antonio?"
      Muita neve! O vale também ficou completamente encoberto. A emoção de completar o circuito W, nossa primeira travessia, foi indescritível. Sensação de superação e eterna gratidão.

      Veja as fotos desta aventura AQUI.
      Escrevi um post com os custos desta viagem AQUI.
      Bons ventos!
       
       


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