"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
....
Salve galera mochileira, estou aqui mais uma vez pra compartilhar com vocês outra viagem minha, dessa vez o destino foi o México, a viagem foi entre 17/09/17 e 11/10/17. Por conta da minha vida corrida não tive tempo de fazer o relato antes, então conforme for escrevendo vou postando aqui.
Antes de começar o relato, eu vou colocar algumas informações básicas como hospedagens, alimentação, transporte e afins, assim quem tiver interessado apenas nisso não precisa depois perder tempo lendo todo o relato.
ROTEIRO
O roteiro final acabou sendo o seguinte:
São Paulo - Panamá / Panamá - Cidade do México
Cidade do México - 5 dias;
Oaxaca de Juarez: 2 dias;
San Cristobal de Las Casas: 3 dias;
Valladolid: 2 dias;
Tulum: 2 dias;
Playa del Carmem: 3 dias;
Cancún: 5 dias;
Cidade do México: 1 dia.
Cidade do México - Panamá / Panamá - São Paulo
PASSAGENS AÉREAS
As passagens aéreas, após muita pesquisa, comprei pela Copa Airlines (direto no site deles), tanto a ida quanto a volta tinha conexão no Panamá, saiu R$ 1440,00 parcelados em 5 vezes.
ALIMENTAÇÃO
Na Cidade do México comi muito na rua, a variedade de carrinhos e barraquinhas de tacos e outras coisas é enorme, e é bem barato, uma porção com 5 tacos variava entre 35 e 45 tacos, comer em restaurante também é de boa, procurem os que tem “comida rápida”, o preço médio é entre 50 e 65 pesos, dá pra comer bem.
Com relação à pimenta não precisem se preocupar, pois na maioria das vezes ela vem separada da comida pra você colocar, e quando vem junto eles avisam que “pica”, portanto quem não gosta pode ficar tranquilo. Claro que às vezes rola umas “pegadinhas”
, mas dá pra sobrevivier (se tiver dúvida, pergunte antes e cuidado com o “pica poco”, é tipo um russo falando que faz pouco frio na Rússia).
Existem muitas coisas gostosas pra se comer no México, aconselho experimentar tudo, vou colocar abaixo algumas informações de comidas que podem encontrar por lá, algumas provei outras não por esquecimento (tipo, depois vou provar isso, e acabava esquecendo).
Torta de pastor: ao contrário do que o nome sugere, é um sanduíche feito com uma carne que lembra o nosso churrasco grego, é bem gostoso e tem no país todo. (PROVEI)
Conchinita Pibil: é um prato feito com carne de porco encontrado no estado de Yucatán. (NÃO PROVEI)
Gorditas: é um tipo de salgado recheado com queijo ou carne, a massa dela é a mesma da tortilha. (NÃO PROVEI)
Mole: mole é um tipo de molho encontrado facilmente no México, existem vários tipos, o mais popular é o mole poblano, ele é feito com chocolate e pimenta, inclusive existe uma receita de frango, o chamado “pollo ao mole poblano”, por incrível que pareça é bem gostoso (e eu não curto essa paradas agridoces). Pra se ter uma ideia, a guacamole é um tipo de mole. (PROVEI)
Chamoy: é um tipo de molho ou condimento, sei lá, muito comum no México, se usa em doces, sucos, e até existe uma versão da famosa michelada feito com chamoy. Tem também um tipo de raspadinha chamada chamoyada, muito popular por lá. (PROVEI)
Esquites: é o milho cozido misturado com queijo, sal, pó de chile (pimenta) e suco de limão, é servido num copo. (NÃO PROVEI)
Elotes: é uma espiga de milho grelhada coberta com maionese ou manteiga, leva pimenta em pó e queijo em cima. (NÃO PROVEI)
Marquesita: não confundam com a Bruna (ba – dá- tum), é um doce que existe na região de Yucatán , é uma espécie de crepe enrolado em canudo com recheio, que você pode escolher, é muito bom, recomendo o de Nutella com queijo bola (um tipo de queijo comum por lá). (PROVEI)
Água: se você não curte água com gás (como eu), essa dica é importante, no México, quando for comprar água, olhe o rótulo e veja se é mineral ou purificada, a mineral é a com gás e a purificada é a normal. Por não saber, tive que beber 2l de água com gás.
Água de jamaica: água é normalmente como chamam os sucos por lá (tem também os licuados, mas não entendi bem a diferença, e só tomei as águas), e um dos mais populares é a água de jamaica, que nada mais é um tipo de hibisco encontrado facilmente no México, tem uma coloração roxa. Existem várias bebidas feitas com jamaica, desde sucos, vinhos e até refrigerante. (PROVEI, tanto as águas quanto o vinho de jamaica)
Refresco: é como chamam refrigerante no México, diferente dos outros países onde é gaseosa.
Horchata: é uma bebida feita com arroz e amêndoas, não é alcoólico. (NÃO PROVEI)
No México é muito comum uns mercadinhos que lembram muito as nossas lojas de conveniência de postos de gasolina e tem várias redes, as mais populares são a Oxxo (que existe também na Colômbia) e a Seven Eleven, dá pra comprar algumas coisas básicas, mas são bem mais caras que um mercado convencional, elas quebram apenas o galho quando não tiver mercado por perto. Sugiro o cachorro-quente do Oxxo, chamado Vikingo, rola uma promoção 3 vezes por semana (um dos dias é sábado) que são 2 por 30 pesos mais um refrigerante de 600 ml.
SEGURANÇA
Particularmente não tive problemas com segurança no México. Na Cidade do México, pelo menos na região central era uma média de uns 5 policiais por esquina, sem exagero (em algumas tinha menos e em outras mais), nas cidades do interior também caminhava de noite numa boa. Claro que furtos e roubos existem, basta tomar os mesmos cuidados que você tomaria se estivesse em uma grande metrópole aqui que nada acontecerá por lá.
TRANSPORTE
Na Cidade do México dá pra se deslocar de metrô, Metrobus, trem ligeiro, além de táxi e UBER. O metrô tem 9 linhas que ligam a vários pontos da cidade, o Metrobus é uma espécie de ônibus com corredor próprio e tem uma cara de metrô, pra quem já foi a Bogotá, na Colômbia, lembra muito o Transmilênio. UBER e táxi não cheguei a usar mas dizem funcionar bem e ser barato.
Nas cidades do interior não usei transporte público porque as cidades costumam ser pequenas e dá pra fazer tudo a pé, em Oaxaca usei micro-ônibus para ir até Monte Albán, em San Cristobal usei van para ir e voltar de San Juan Chamula e em Valladolid usei van e ônibus pra ir e voltar de Chichen Itzá.
Os deslocamentos entre cidades são feitos pela empresa ADO (lê-se “a-dê-ó”), que é a empresa que monopoliza o transporte no México, existem outras companhias como OCC, ADO Platinum, ADO Gl, AV, entre outras que pertencem a rede ADO. Todos que peguei, mesmo os mais baratos (sim, existe variedade de preços) eram confortáveis, alguns tem até carregador de celular. Recomendo baixar o aplicativo da empresa, inclusive se comprar antecipado (tanto pela Internet quanto pessoalmente no guichê), em alguns casos sai mais barato que comprar no dia. Eles cobram uma taxa de 9 pesos junto com a passagem.
Também existem transportes mais baratos, como vans (pelo menos no litoral tinha e eram mais baratos que os ADO's), mas não cheguei a testar nenhum.
HOSPEDAGEM
Eu fiquei nos seguintes hostels:
Cidade do México: México City Hostel, localizado próximo ao Zócalo (principal praça da cidade), bem no Centro Histórico, próximo da estação Zócalo do metrô. É um prédio onde os quartos ficam no 3º e 4º pisos, a cozinha e o refeitório no 2º piso e no térreo fica a recepção, onde vendem algumas bebidas como cerveja, água e refrigerante e também adaptadores de tomada. Tem café da manhã incluído, aliás, um dos melhores que tive, é bem sortido, tem suco, café, água quente e sachês de chá, iogurte, frutas cortadas (melancia e melão), cereal, e mais alguma comida feita no dia, tipo ovos mexidos, tacos no molho (é bem apimentado, pra quem não curte, fica a dica). A cozinha é grande, tem WI-Fi (nos quartos pega meio fraco) e tem lockers individuais nos quartos. Os banheiros são separados: os chuveiros ficam em um e os sanitários ficam em outro, e os masculinos ficam no 3º piso e os femininos no 4º.
Oaxaca: Iguana Hostel, fica bem no centro, é uma casa comum, meio velha por fora e não tem identificação, mas por dentro é bem legal, assim que passa a recepção tem um espaço bem grande com almofadas no chão, umas redes e mesinhas, a cozinha é bem grande e talvez uma das mais equipadas que já vi, os quartos são bem espaçosos e nas camas tem tomadas e uma luminaria individual em cada cama, o banheiro tem lugar dentro do box pra colocar roupa, toalha, itens de banho. Tem também uma churrasqueira e uma área que fica na parte de trás, subindo uma escadaria. Não possui café da manhã mas você usar a cozinha pra fazer o seu.
San Cristobal de las Casas: também fiquei no Iguana Hostel (é da mesma rede do de Oaxaca), são duas casas que ficam separadas por uma enorme praça, em uma ficam alguns quartos e a cozinha, que fica na parte de cima. Na outra casa fica a outra parte do hostel, onde tem mais quartos e um bar (que só funciona aos finais de semana), não sei se tem cozinha lá também. No café da manhã você ganha uma espécie de panqueca doce bem gostosa e dá pra usar a cozinha pra fazer algo. É bem localizado (até porque a cidade é pequena então tudo acaba sendo meio perto).
Valladolid: Tunich Naj Hostel, vi muita gente recomendando e resolvi apostar, é uma casa bem grande, o quarto coletivo fica ao lado da recepção, é bem grande, os banheiros ficam nos fundos (tem saída pelo quarto), a cozinha também é externa, fica bem localizado (mesmo caso de San Cristobal). No primeiro dia você ganha um café da manhã de cortesia. O dono e os funcionários são muito simpáticos.
Tulum: Nativus Hostel, é um grande casarão com uma cozinha não muito grande, uma enorme sala, os quartos ficam no andar de cima e tem ar condicionado. Tem um único banheiro interno e os outros ficam do lado de fora, próximos da piscina, tem café da manhã incluso, com pão de forma (tem uma torradeira se quiser usar), manteiga, geleía, cereal, café e água quante para fazer chá. O único problema é que se chover muito a rua enche (não chegou a alagar totalmente, mas na esquina tinha que desviar do pequeno lago que formou). Localização também é boa, próximo do terminal e de mercados.
Playa del Carmem: Enjoy Playa Hostel, fica há uma duas quadras da 5ª Avenida (a principal da cidade), é por andares: a recepção, a cozinha (que é bem apertada) e o bar ficam no térreo, os quartos e os banheiros no andar de cima e tem um terraço com refeitório e redes. O café da manhã é simples mas bom: café, chá, frutas, pão com manteiga ou geleía e cereal. O staff é ótimo e a localição boa, perto de tudo, inclusive se caminhar umas ruas pra trás tem um Wallmart gigantesco.
Cancún: Mermaid Hostel, fica no centro da cidade, tem um grande mercado próximo e andando um pouco tem um enorme Wallmart. Também não é muito longe da rodoviária, e andando duas quadras tem o ponto onde pega os ônibus que vão para a praia. O hostel tem uma enorme sala, a cozinha é razoável, no café da manhã eles disponibilizam os ingredientes para cada um fazer o seu (pão de forma, café solúvel, chá, leite, cereal manteiga, geléia, ovos, alguns temperos, tem chaleira, torradeira). Os quartos têm ar-condicionado e banheiro interno, tem uma área externa com redes.
No geral, não tenho nada a reclamar de nenhuma hospedagem do México, mas sempre pesquiso bastante e usei o Booking para fechar todas as reservas, além de pegar umas ofertas ainda tenho pontos que me dão mais vantagens em futuras reservas.
LEMBRANCINHAS
Melhor lugar pra comprar lembrancinhas é na Cidade do México, os preços são melhores, recomendo os mercados La Ciudadela e San Juan (San Juan tem dois, o normal e o de lembrancinhas, esse fica na Ayuntamiento, em frente a bodega La Europea). No restante do país também é possível encontrar bastante coisas, mas os preços em geral são mais altos (se pesquisar direito talvez até ache algo mais em conta).
Em relação a bebidas, se for comprar mezcal, compre em Oaxaca, é mais barato e tem mais variedades, recomendo também o vinho de jamaica em San Cristobal de Las Casas, muito bom e só vi por lá. Tequila é fácil comprar em qualquer lugar, mas recomendo olhar o Wallmart, o Soriana e a rede La Europea, há marcas boas com variedades de preços (às vezes uma marca é mais barato em um lugar e mais caro em outro). Segundo me recomendaram, as marcas consideradas boas são 1800, Corralejo, Dom Julio, Herradura, e lembrem-se de olhar o rótulo, tem que estar escrito 100% agave, e fujam das “triple destilación”. Pelo menos foram as dicas que me deram por lá.
Segue abaixo uma planilha que elaborei com custos e roteiros que fiz pro lá.
Continua...
Planilha México_2017.xls