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Augusto

Travessias da Serra Negra e Rui Braga juntas

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Oi pessoal.

Abaixo segue o relato dessas 2 travessias.

 

Por muitos anos qualquer travessia no PNI era proibida; muita gente fazia, mas sempre na surdina.

Para muitos a Serra Negra era a única opção, já que não passava pelo interior do Parque Nacional e contornava ele pelo norte, mas em 2007 o PNI reabriu a Travessia Rui Braga que liga a parte alta à parte baixa e oficializou a Serra Negra, mas seguindo pelo trecho: Rebouças - Aiuruoca - Serra Negra - Mauá.

E com isso, reles mortais como nós pudemos realizar travessias com autorização do Parque e com isso no mês de Julho marquei com o Sandro (do Fórum Mochileiros) fazermos as 2 travessias juntas e com quase 1 mês de antecedência solicitei ao PNI a Autorização para fazer a Rui Braga.

Antes de chegar na Vila de Maromba, íamos subir a Pedra Selada.

 

Fotos da Pedra Selada:

 

Eu, a Márcia, a Sophia (nossa filha) e o Sandro seguiríamos de Sampa em direção à Visconde de Mauá e enquanto eu o Sandro iríamos sair de Maromba na caminhada em direção ao PNI pela travessia da Serra Negra e depois emendar com a Rui Braga, a Márcia e a Sophia iam ficar hospedadas em Maromba por 4 dias para depois nos pegar no final da travessia da Rui Braga, já na parte baixa do PNI.

Nosso plano era chegar no Domingo, 11 de Julho em Maromba a tempo de ainda assistir a final da Copa do Mundo, mas como o técnico Dunga não ajudou, assistir Espanha x Holanda não estava nos planos. A prioridade agora era subir a Pedra Selada só para dar uma aquecida nos músculos.

Por volta das 07:00 hrs saímos de Sampa e com algumas paradas pela estrada, chegamos em Visconde de Mauá pouco antes das 13:00 hrs e logo fomos procurar um lugar para comer.

 

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Saciados da fome, seguimos por uns 12 Km por uma estrada de terra, sentido leste em direção à base da Pedra Selada, margeando o Rio Preto e pouco depois das 14:00 hrs cruzamos o pequeno bairro de Campo Alegre e de lá já era possível avistar a Pedra Selada em todo o seu esplendor à frente.

 

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Chegamos pouco antes das 14h30min chegamos na bifurcação que leva à sede da Fazenda e aqui não tem como errar, pois existe até uma placa indicativa da Pedra Selada.

 

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Já na sede é cobrado uma taxa para se fazer a trilha e estacionar o carro.

 

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As 14h40min eu e o Sandro iniciamos a subida e por razões óbvias a Márcia e a Sophia ficaram na sede, já que o desnível é de mais de 700 metros e o total da trilha chega a uns 2,5 Km.

 

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Ao longo da subida a trilha segue um trecho de descampado para depois entrar na mata fechada e ao longo dela vamos encontrando algumas placas de cachoeiras e altitudes.

 

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Cruzamos com um riacho e passamos próximo dele várias vezes, sendo possível descansar em alguns bancos estrategicamente colocados em alguns mirantes.

 

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A trilha é bem demarcada e segue pelo lado direito da Pedra até atingir a crista e de lá o ataque até o topo por uma subida muito íngreme.

 

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Poucos metros antes do cume encontramos vestígios de acampamento na trilha, mas que não eram muito confortáveis e as 16:00 hrs alcançamos nosso objetivo.

 

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A altitude aqui é de 1755 metros e o visual é de 360º.

A Pedra tem mesmo o formato de uma sela de cavalo por isso o nome que recebe.

 

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Estávamos de um dos lados do cume e pudemos perceber que no outro lado o acesso ao topo só é feito com equipamento de escalada.

 

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Existe aqui um livro de assinaturas onde deixamos as nossas também e as 16h40min iniciamos a descida.

Ainda passamos por um abrigo semi-abandonado próximo da trilha, que vimos do topo.

 

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Ao chegarmos na sede ficamos um pouco mais de tempo, pois naquele momento estava acontecendo o jogo da final da Copa do Mundo e estava ainda em 0 x 0 e somente quando já estava escuro seguimos para a Pousada em Maromba.

 

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A estrada até lá é toda de terra e somente pequenos trechos são asfaltados, mas de péssima qualidade e depois de passarmos as Vilas de Visconde de Mauá e de Maringá chegamos na Praça da Igreja em Maromba por volta das 20:00 hrs.

Ficamos em pousadas diferentes, mas em frente à Igreja Matriz de Maromba e depois de deixar as coisas nas pousadas fomos procurar algum restaurante que ainda estivesse aberto naquele Domingo.

Pelo horário (por volta das 21:00 hrs) só fomos encontrar um restaurante funcionando próximo da Igreja e junto ao Rio Preto.

A comida era boa e farta, mas o rio, que passava nos fundos do restaurante, exalava um cheiro de esgoto que incomodava quando chegávamos perto.

Não era um Rio Tietê, mas parece que estão querendo chegar lá; uma pena.

Depois do jantar marcamos de se encontrar no dia seguinte por volta das 08h30min em frente à Praça para seguirmos em direção ao início da trilha.

 

 

Continua no 2º dia

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2º dia (12/7- Segunda-feira) – Início da Travessia da Serra Negra – De Maromba até a Cabana Cabeceiras do Aiuruoca

Fotos e alguns mapas:

 

 

A Segunda-feira, dia 12 de Julho amanheceu perfeita, com muito Sol e depois de um café da manhã bem reforçado a Márcia nos levou de carro até o início da trilha, pouco antes de chegar na Cachoeira do Escorrega.

 

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O lugar onde iniciamos a caminhada junto a uma bifurcação depois de alguns metros que se atravessa 2 pontes de madeira seguidas sobre o Rio Preto.

Seguindo em frente a estrada vai terminar próximo da Pousada Tiatiaim, mas a nossa direção é seguir na bifurcação da direita.

A altitude aqui é de pouco mais de 1300 metros e ainda tínhamos de chegar a uns 2100 metros.

Marcando com a Márcia de pegarmos a gente só daqui a 4 dias na parte baixa do PNI, nos despedimos e só torcíamos que não chovesse e não acontecesse nada de mal, pois sinal de celular é bem difícil de ter nessas 2 travessias que íamos fazer.

 

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As 09h25min iniciamos a caminhada, seguindo pela bifurcação por um pequeno trecho de estrada de terra e uns 50 metros antes do término dela, que vai dar em uma casa, saímos à esquerda até cruzar uma cerca de arame e dali para frente foi só seguir morro acima.

 

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A trilha é bem demarcada e com início bastante íngreme e atrás de nós já surgiam visuais do vale do Rio Preto com as vilas ao fundo e as 09h50min chegamos na primeira bica de água da trilha onde abastecemos e seguimos em frente.

 

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Por volta das 10:00 hrs alcançamos a crista que divide 2 vales: para esquerda é o Rio Preto que passa ao lado da Praça de Maromba e da direita é o vale do Rio Morro do Cavado, que segue paralelo ao Rio Preto.

 

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A altitude aqui está em aproximadamente 1500 metros e daqui para frente seguimos para esquerda até o topo da trilha (para direita, a trilha desce em direção a Cachoeira da Santa Clara)

Quando passei aqui em 2003 vindo do Parque do Itatiaia, as voçorocas na trilha já existiam e sempre foram enormes, mas as 11h30min encontrei uma novidade: uma placa indicando água a 140 metros da trilha, do lado direito, mas nem chegamos a conhecer, pois tínhamos água o suficiente da bica anterior.

 

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Fica aí a dica se quiser pegar água na subida. Aqui é o melhor local.

Conforme íamos subindo, de vez em quando apareciam alguns descampados no meio da subida, mas pelo menos o Sol tinha dado uma amenizada.

 

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Por volta das 12h15min pegamos um longo trecho plano na trilha onde era possível avistar a Serra do Papagaio com o pico bem ao norte.

 

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Terminando o trecho no plano, a trilha se divide em duas: uma que segue um pouco para esquerda subindo um pequeno morro e a outra que continua no plano, contornando o morro pela direita.

 

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A trilha da direita eu já conhecia, pois em 2003 eu tinha vindo por ela (essa é a que passa pelo Subidão da Misericórdia).

A trilha da esquerda segue descendo por um imenso vale com belo visual e termina junto ao Sítio do falecido Sr. Anísio.

 

Ficamos na dúvida sobre qual trilha seguir e resolvemos descer pela esquerda mesmo.

 

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Iniciamos por volta das 13:00 hrs em meio a arbustos e trechos de mata fechada.

 

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Passamos por uma pequena casa no meio da descida e uma pequena bica de água para terminar junto ao Sítio cerca de 1 hora depois.

Saímos em uma estrada de terra, passando ao lado da Pousada do Matão e quando chegamos na estrada principal depois de uns 5 minutos, viramos a esquerda em direção a casa do Sr. José Rangel (um dos filhos do falecido Sr. Anísio).

 

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Em 2003 tinha pernoitado em seu pequeno chalé com valor de $40,00/pessoa.

 

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Percebi que um deles está pintado e outro está sendo construindo ao lado. Logo que chegamos, ele já veio bater um papo com a gente e perguntou se não queríamos ficar no chalé, mas pelo horário (14h15min) vimos que era possível chegar na Cabana Cabeceiras do Aiuruoca e lá fomos nós.

 

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Aqui um aviso aos que forem continuar a trilha até a Cabana, pois existem 2 trilhas (uma que segue próximo ao Rio Aiuruoca, mas não muito demarcada e quase sempre no plano e uma outra que é bem mais longa e com subidas fortes).

 

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Por nossa distração nem percebemos que pegamos a trilha mais longa e só descobrimos quando chegamos na Cabana pouco antes das 17:00 hrs (talvez essa trilha nem exista mais).

 

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Lembro que em 2003 fiz esse trecho pela trilha mais curta em pouco menos de 1h30 min - o grande problema dela é que em razão do desuso, a trilha tá se fechando em alguns trechos.

 

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Quando chegamos na Cabana, o lugar estava vazio e fechado. Montamos nossas barracas bem ao lado do Abrigo (quem quiser ficar dentro do Abrigo, existe um telefone para reserva).

 

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Depois de uma explorada pelo entorno onde encontrei algumas caixas com abelhas para produção de mel e um banho tomado no rio de água gelada, fui fazer o jantar. Durante a noite choveu por umas 2 horas, o que até ajudou a dormir melhor e durante a madrugada dei uma olhada no termômetro que marcava por volta de 10ºC.

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Continua no 3º dia

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3º dia (13/07- Terça-feira) – Continuação da Serra Negra – Da Cabana até antiga Pousada do Alsene, passando pela Cachoeira do Aiuruoca

 

Naquela manhã de Terça-feira, dia 13 de Julho, acordei com o alarme do celular e depois de um breve café da manhã, tínhamos pela frente um trecho onde eu nunca caminhei.

Estávamos um pouco abaixo da altitude de 1800 metros e naquele dia tínhamos que chegar a pouco mais de 2400 metros, o que não era muita coisa.

Junto à Cabana existe a continuação da trilha, que são 2: uma que segue na direção da antiga Pousada Alsene, terminando próximo dela e outra que segue na direção das nascentes do Rio Aiuruoca, pela trilha oficial do PNI: a travessia Rebouças – Serra Negra – Mauá.

A que segue para o Alsene é só atravessar o Rio Aiuruoca onde existia uma ponte de madeira (é bem fácil identificar o lugar) e dali subida íngreme por antiga estrada. A outra trilha é só seguir na direção leste, passando pelas caixas onde ficam as abelhas até encontrá-la entrando na mata fechada, seguindo com o rio do lado direito.

Saímos da Cabana por volta das 09:00 hrs e a trilha é bem nítida, só o tempo é que não estava ajudando, pois de vez em quando caia uma garoa bem fina.

 

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Depois de uns 30 minutos cruzamos o Rio Aiuruoca para a margem direita e continuamos margeando ele até chegar em um enorme descampado, conhecido como Invernada, um pouco abaixo da altitude de 2000 metros (o lugar era ou ainda é usado para criação de animais, haja vista a quantidade de merda de cavalos e vacas que encontramos na trilha).

 

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O lugar é bem plano e com um abrigo perfeito para passar a noite e dali era possível avistar a Cachoeira do Mane Emídio, a leste bem ao fundo.

 

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A continuação da trilha é um pouco confusa, pois um pouco acima do abrigo parece que sai uma trilha, mas resolvemos seguir até o final do descampado, onde encontramos vestígios de trilha que vai subindo e contornando o morro da direita (é preciso tomar cuidado, pois os animais deixaram várias trilhas paralelas que podem confundir).

 

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Depois de pegar um pequeno trecho de mata fechada, as 10h20min emergimos em uma área de capim elefante e daqui era possível avistar o topo da Cachoeira do Mané Emídio.

Conforme íamos subindo, outras trilhas paralelas iam se juntando à principal até chegarmos a uma pequena crista que divide 2 vales. Aqui encontramos uma trilha bem demarcada que vem da direita e provavelmente é aquela que sai atrás do abrigo.

Com as 2 trilhas se encontrando e seguindo para esquerda, a caminhada ficou mais fácil, pois já apareciam algumas fitas presas nas árvores e pouco depois das 11:00 hrs saímos da mata fechada e emergimos novamente em área de capim elefante e arbustos.

 

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Agora é mais um trecho de subida até uma outra crista, mas sempre com o Rio Aiuruoca do lado esquerdo e daqui já era possível ver todo o percurso que já tínhamos feito atrás de nós.

 

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Mais alguns minutos por um trecho plano e chegamos na Cachoeira do Rio Aiuruoca pouco depois das 12:00 hrs.

 

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Estávamos bem de frente para o vale das nascentes do Aiuruoca e dos Ovos de Galinha e daqui sai uma trilha que atravessa o rio e segue em direção à Visconde de Mauá, passando pelo Rancho Caído.

 

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Os picos mais altos ao redor do vale estavam todos encobertos, mas o visual daquele lugar é de encher os olhos.

 

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Depois de um pequeno descanso seguimos pela trilha em direção ao Rebouças, mas não chegamos até lá.

 

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Depois de sair do vale das nascentes e a poucos minutos de chegar na base da Pedra do Altar, cruzamos com um grupo de 3 pessoas do RJ dizendo que tinham o intuito de fazer a limpeza da trilha que desce para Visconde de Mauá, passando pelo Rancho Caído.

 

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Eram por volta das 13:00 hrs e depois de lhes desejarmos sorte na empreitada, continuamos a caminhada e quando começamos a seguir para a esquerda na direção da Pedra do Altar, abandonamos a trilha principal e seguimos para direita, como se estivéssemos saindo dos limites do Parque. Eram 13h10min e daqui para frente não existia trilha demarcada e tínhamos que ir escalaminhando rochas e varando capim e arbustos para contornar o morro da esquerda.

Uma trilha semelhante eu tinha visto no site de um guia de montanha, chamado Tácio, então pensei porque não continuar por ela até o Alsene, evitando passar pelo Rebouças.

 

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A direção que seguíamos era sempre noroeste, como se estivéssemos saindo do PNI e até pegamos trechos com vestígios de trilha, mas parece que eram bem antigos, pois estavam se fechando.

 

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A navegação nesse caso era sempre no visual, consultando as cartas topográficas e algumas imagens do Google Earth que eu estava levando.

Depois de cruzar alguns riachos e caminhar por mais de 1 hora sem muitas subidas e descidas próximo da altitude de 2450 metros, seguimos para oeste e iniciamos a subida até a crista que divide o PNI do vale do Rio Aiuruoca.

 

Nesse trecho de subida encontramos uma trilha bem demarcada e as 14h40min chegamos no topo da crista.

Daqui era possível avistar do lado norte a Invernada e todo o vale do Rio Aiuruoca; ao sul um pequeno lago encravado no meio dos vales e a sudoeste o Morro da Massena, isso quando as nuvens permitiam vê-lo.

 

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No fundo do vale, junto ao lago encontramos um descampado muito grande, provavelmente de camping selvagem.

Parece que não éramos os únicos a caminhar por aqui.

Nossa direção agora era seguir entre o vale que divide os Morros da Massena do lado esquerdo e Morro da Massena Noroeste à direita.

 

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Em 1998 já tinha chegado ao topo do Massena Noroeste, então eu sabia que existia uma trilha que descia até o Alsene, nosso objetivo naquele dia.

 

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Nesse trecho a caminhada foi só no visual, sem vestígio de qualquer trilha (parece que ninguém tem chegado no topo do Massena Noroeste a muito tempo), mas sem maiores dificuldades, já que o capim e os arbustos não eram tão altos e só no trecho final tivemos alguns problemas para varar os arbustos e o capim.

 

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E pouco depois das 17:00 hrs chegamos no riacho que fica atrás do Alsene.

No dia que passamos aqui, apesar de estar lacrado pela Justiça, pudemos comprovar que existia um vigia cuidando das instalações da antiga Pousada (confirmado pelo pessoal do PNI), pois ouvimos um rádio ligado no interior da antiga pousada.

Naquela noite de Terça-feira choveu bastante e com fortes rajadas de vento.

A temperatura ambiente deve ter chegado próxima de zero, mas estávamos bem protegidos.

 

 

Continua no 4º dia

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4º dia (14/07- Quarta-feira) – Início da Travessia Rui Braga até o Abrigo Macieiras

 

Acordamos na manhã seguinte com tempo nublado, mas sem chuvas e agora tínhamos a Travessia Rui Braga pela frente. Até aquele tudo ocorreu como planejado.

Estávamos com a Autorização para a travessia da Rui Braga para fazê-la em 2 dias, pernoitando em algum dos Abrigos Massenas ou Macieiras, apesar de que a Rui Braga dá para ser feita em apenas 1 dia de caminhada.

Pegamos dias nublados, só chovendo durante a noite.

 

Fotos da Travessia Rui Braga

 

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A Quarta-feira, 14 de Julho amanheceu com tempo nublado, mas pelo menos sem chuvas e nesse dia iríamos fazer a Travessia Rui Braga em 2 dias, já que a Márcia estava nos aguardando no dia seguinte na parte baixa do PNI.

Na travessia da Serra Negra ficamos sem sinal de celular por 2 dias e só contávamos que na Rui Braga conseguíssemos para dar sinal de vida aos nossos familiares.

 

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Mochilas prontas, seguimos para a portaria do PNI (posto Marcão) e lá entregamos a Autorização da travessia e pagamos a taxa de $11,00.

O lugar estava deserto e parece que éramos os únicos a fazer alguma travessia no Parque.

 

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O funcionário só demorou um pouco para nos liberar porque na solicitação que eu enviei, não tinha colocado que iriamos pernoitar no Parque e depois de acionar o pessoal da Administração do PNI pelo rádio, recebemos a autorização para fazer a travessia.

Estávamos na altitude de pouco mais 2400 metros e nosso plano era caminhar até o Abrigo Macieiras, na altitude de 1850 metros.

O total da caminhada, se fossemos direto até o final da trilha, junto ao Piscinão de Maromba seria de uns 30 Km, mas era muito para apenas 1 dia (até dá para fazer, já que boa parte da trilha é sempre descendo, mas tem de entrar bem cedo no Parque).

 

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Mochilas nas costas de novo, saímos da Portaria as 09:50 hrs e seguimos em direção ao Rebouças pela estrada, onde chegamos as 10h20min e daqui só víamos uma neblina espessa sobre o Agulhas Negras.

 

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Passamos direto e continuando pela estrada que na verdade é a Rodovia BR 485 (coisas do Pres. Getúlio Vargas) que em alguns pontos ainda apresentam trechos de asfalto em bom estado de conservação, mas perde um pouco da magia, já que é uma aberração construir uma estrada em um lugar como esse.

 

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Tendo o Rio Campo Belo do lado esquerdo, logo passamos pela Cachoeira das Flores e as 10h50min chegamos ao final da estrada e na bifurcação para o Pico das Prateleiras.

 

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Aqui existe uma placa enorme da Travessia Rui Braga e daqui para frente a caminhada tem de ser feita pela trilha que apresenta inúmeras voçorocas e algumas até perigosas, por isso muita atenção nesse trecho.

 

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Seguindo pela trilha, vamos passando por algumas áreas de charco, mas em alguns pontos o pessoal colocou totens que sinalizam a evitar esses lugares.

 

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Por volta das 11h50min a trilha se abre para o enorme vale do Rio Campo Belo à esquerda e já é possível ver ao Sul uma construção, que são as antigas ruínas de um posto meteorológico.

 

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Por volta de 12h10min e logo que terminamos esse trecho de descida, chegamos em uma área de capim elefante.

Um pouco mais a frente uma bifurcação que pode confundir, já que as trilhas são bem demarcadas.

Dando uma olhada na antiga Revista do Beck percebo que a bifurcação da direita é na verdade a Trilha do Pinhal, que ele fez a muito tempo atrás e parece que está sendo usada, pois a trilha está bem visível.

A trilha que devemos seguir é a da esquerda, tendo como referencia as antigas ruínas que são vistas a cerca de 15 minutos no alto do morro (existem totens apontando a trilha correta – é só procurar no alto de algumas pedras).

 

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Chegamos às ruínas pouco antes das 12h30min, saindo à direita da trilha principal.

Aqui somente as paredes estão de pé e o telhado nem existe mais.

 

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Daqui é possível ter uma vista bem privilegiada da Serra das Prateleiras não muito longe daqui.

Pode se visualizar também uma parte do telhado do Abrigo Massenas, escondido por entre as árvores. Voltamos à caminhada e chegamos ao Abrigo depois de uns 7 minutos, antes cruzando um pequeno trecho de mata fechada.

 

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Água é possível encontrar na trilha principal uns 200 metros antes de chegar ao Abrigo, mas como a bica de água é em pequena quantidade, tome cuidado que pode estar seca em algumas épocas do ano.

 

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A altitude no abrigo é de 2200 metros e o lugar é enorme, mas apenas onde fica a lareira está parcialmente encoberto.

 

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Eu não recomendo bivacar aqui já que os ratinhos podem ser um visitante incômodo durante a noite e para piorar, o piso é de madeira e está um pouco apodrecido; eu montaria a barraca do lado de fora, na área coberta, junto à varanda.

 

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Chegamos aqui pouco antes das 13:00 hrs e na sala da lareira encontramos um pequeno armário com alguns alimentos (tinha até 2 cup nodles) e uma Bíblia Sagrada.

Deixamos nossas mochilas aqui e subimos até um mirante onde existem antigas ruínas de uma Torre de TV.

 

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O lugar possui uma laje de concreto, mas também não vale a pena acampar e aqui conseguimos falar no celular.

Daqui é possível visualizar boa parte do Vale do Paraíba e Serra Fina.

 

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Depois de descansar por alguns minutos e comer um lanche no Abrigo Massenas, saímos em direção ao Abrigo Macieiras as 14:00 hrs por uma trilha bem demarcada à leste.

 

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Uns 10 minutos de trilha e chegamos a um trecho bem extenso de brejo e aqui não tem jeito; vai ter de molhar as botas.

Existem algumas telhas do abrigo, mas não ajudam muito (eu cheguei a afundar os pés até as canelas, mas pelo menos saimos inteiros de lá).

 

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Passando essa área se tem a impressão que a trilha está voltando, mas é só por pouco tempo, já que logo ela bifurca para a direita e segue descendo na direção Sul com o enorme vale do lado esquerdo.

 

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O visual é de encher os olhos.

Passamos por algumas nascentes de água e as 15h45min chegamos no Abrigo Macieiras, do lado esquerdo.

 

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O lugar também está em ruínas, mas é coberto, porém o único lugar adequado para montar barraca é na sala.

 

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Bivacar aqui também é um problema porque os ratinhos são moradores permanentes do lugar e as paredes e o piso são de madeira o que facilita a circulação deles.

Como eu já tive problemas em acampar em lugares como esse, resolvo montar a barraca do lado de fora.

 

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Água pode ser encontrada atrás do Abrigo, seguindo por uma trilha de uns 50 metros, mas que pode estar seca se for época de estiagem, por isso traga água dos riachos que são cruzados na trilha.

Como já era nosso último dia, resolvi fazer toda a comida que eu tinha, até para não levar de volta (ainda deixei em um pequeno armário 2 miojos, que depois fiquei sabendo continuam até hoje lá).

Durante a noite choveu novamente, mas somente por algumas horas.

 

 

Continua no 5º dia

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5º dia (15/07 - Quinta-feira) – Do Abrigo Macieiras até o final da Travessia, junto ao Piscinão de Maromba.

 

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A Quinta-feira amanheceu com o Sol aparecendo atrás do Abrigo e por volta das 10:00 hrs saímos em direção ao final da trilha.

 

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Bem demarcada, ela segue descendo por vestígios de uma antiga estrada, que tá quase toda tomada pelo mato. Em alguns trechos surgem proteções de concreto ao longo da trilha e muito bambuzal.

 

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Sem problemas de navegação, boa parte da trilha segue com alguns zig zags e pouco depois das 12:00 hrs chegamos a um portão de metal, colocado no meio da trilha.

 

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Daqui para frente já é uma estrada de terra muito usada por veículos do PNI que leva até o final da trilha junto ao Piscinão de Maromba, onde chegamos as 12h20min.

 

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Aqui um vigia anotou nossos nomes para dar baixa da nossa travessia na Admn. O problema era contatar a Márcia, já que não tínhamos sinal de celular e por isso resolvemos conhecer o Piscinão e a Cachoeira Véu da Noiva.

 

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Pouco depois das 13:00 hrs iniciamos a descida, torcendo para que o carro com a Márcia passasse por nós, mas em vão e pouco depois do prédio da Administração do PNI resolvemos aguardar, mas como já eram pouco mais de 16:00 hrs, tentei novamente ligar para ela, mas só consegui receber uma mensagem SMS dizendo que estava no Piscinão de Maromba nos aguardando. Que p. desencontro.

 

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O que aconteceu foi de que ela levou a Sophia para almoçar em um restaurante de uma pousada próxima ao Piscinão e justo naquele momento estávamos descendo pela estrada e não vimos o carro dela estacionado na pousada e com isso só fui encontrá-la no Centro de Visitantes que não era muito longe de onde paramos.

Depois de colocar todas as mochilas no carro, seguimos pela Via Dutra para chegar em Sampa no meio da noite.

 

 

É isso aí.

 

Depois eu posto as dicas e algumas informações úteis.

 

 

Abcs

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Algumas dicas e informações atualizadas para quem pretende fazer essas 2 travessias ou qqer uma delas:

 

# Relatos do Sandro:

Serra Negra - clique aqui

Rui Braga - clique aqui

 

# Tracklog da Serra Negra: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=1128560

 

# Tempos de caminhada da Serra Negra

- Início da trilha em Maromba, junto as 2 pontes sobre Rio Preto até a Pousada do Sr. José Rangel (filho do Sr. Anísio): cerca de 4 horas.

- Chalé do Sr. José Rangel até Abrigo Cabana do Aiuruoca: quase 3 horas pela trilha mais longa.

- Abrigo Cabana até Nascentes do Aiuruoca: 3 horas.

- Nascentes do Rio Aiuruoca até a antiga Pousada Alsene: cerca de 5 horas

 

# O trecho da Serra da Pedra Selada que dá acesso a Visconde de Mauá está todo asfaltado e pelo que fiquei sabendo querem implantar um pedágio na estrada (espécie de taxa de conservação para quem quiser acessar a Vila de Visconde de Mauá).

 

# No acesso a Pedra Selada é cobrada uma taxa: $5,00 de estacionamento e $3,00/pessoa.

 

# No início de 2013 se iniciou a pavimentação da estrada que liga as Vilas de Visconde de Mauá até Maringá. Dali até Maromba só o tempo dirá se vão asfaltar também.

 

# Em Maromba é possível encontrar inúmeras pousadas e preços variados, assim como vários campings.

A Márcia ficou 4 dias na Pousada Águas Claras em suíte com lareira:

http://www.pousadaaguasclaras.com.br

 

# Fique pelo menos uns 2 dias em Maromba. Vale a pena conhecer a Cachoeira do Escorrega, o Poção de Maromba e outras cachoeiras próximas.

 

# Na Vila de Maromba são poucos os horários de ônibus que chegam ou saem da Praça Principal para Resende (Graal) e de lá para outras cidades:

Clique aqui

 

# No Rio Preto não é recomendável tomar banho a partir da Praça de Maromba, devido ao lançamento de esgoto. Do Poção de Maromba para cima a água já é de melhor qualidade.

 

# Na travessia da Serra Negra, saindo de Maromba é possível encontrar 2 pontos de água ao longo da subida.

 

# Ao chegar no Chalé do Sr. José Rangel (filho do Sr. Anísio), se quiser evitar a trilha mais longa, procure se informar por uma outra trilha mais curta que leva ao Abrigo Cabana Cabeceiras do Aiuruoca e quem estiver saindo da Cabana sentido Chalé, é só pegar a bifurcação da esquerda depois de uns 200 metros de trilha. Porém quem quiser seguir por ela, tem de ter faro de trilha.

 

# É possível ficar hospedado dentro do Abrigo Cabana Cabeceiras do Aiuruoca. Reservas: (24) 3387- 1433 (Marinalva).

Na parte de fora do Abrigo é possível o camping selvagem.

 

# Quem quiser ficar na Pousada-chalé do filho do Sr. Anísio (Sr. José Rangel), tente ligar nesses números para reserva: (35) 9965-6515 ou (35) 9915-2460 ou (35) 9149-7746.

 

# Sinal de celular (operadora Vivo) na Travessia da Serra Negra é muito difícil conseguir.

Dizem que é possível próximo ao antigo Alsene.

 

# Se quiser fazer qualquer travessia no interior do Parque Nacional é necessário solicitar a Autorização:

http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/reservas.html

 

# Logística é sempre um problema na Travessia da Serra Negra, tanto para iniciar em Maromba quanto no Alsene. Abaixo seguem alguns contatos de Itamonte que podem levar você até o Alsene ou resgatá-lo, dependendo em que sentido está fazendo a travessia:

- Taxista Marquinhos (35) 9113-1214

- Sr. Samuel (35) 9113-1700

- Zezinho (35) 9113-0745

- Carlinhos (35) 9109-1185

- Maú (35) 9216-4793

 

# Criei um tracklog da Travessia Rui Braga

http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=1128164

 

# Tempos de caminhada da Travessia Rui Braga

- Da portaria do PNI (Posto Marcão) até o Abrigo Massenas: 02h30min.

- Abrigo Massenas até Abrigo Macieiras: 01h40min.

- Abrigo Macieiras até o final da trilha, junto ao Piscinão de Maromba: 02h15min.

 

# Na Travessia Rui Braga só consegui sinal de celular no mirante das ruínas da Torre de TV, junto ao Abrigo Massenas.

 

# Desde o final da travessia Rui Braga, junto a Piscinão de Maromba até a Via Dutra são mais de 10 km.

 

# Na Rui Braga, junto aos Abrigos Massena e Macieiras é possível encontrar pontos de água próximos, mas que podem estar secos em época de estiagem. Tome muito cuidado com isso.

 

# Logística é sempre um problema nessa travessia, já que o acesso a parte alta do PNI somente com veiculo.

Abaixo seguem alguns contatos de Itamonte que podem levar você até o Alsene ou resgatá-lo, dependendo em que sentido está fazendo a travessia:

- Taxista Marquinhos (35) 9113-1214

- Sr. Samuel (35) 9113-1700

- Zezinho (35) 9113-0745

- Carlinhos (35) 9109-1185

- Maú (35) 9216-4793

 

# Para se fazer essa travessia é necessário solicitar autorização do PNI

http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/reservas.html

 

# Existe um ônibus circular que faz a linha PNI – Rodoviária de Itatiaia com poucos horários:

http://www.itatiaia.rj.gov.br/servico/226/informacoes-uteis

 

# Algumas informações sobre as travessias no PNI:

http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/guia-do-visitante.html

 

 

 

 

É isso aí pessoal.

 

 

Abcs

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Salve Augusto!

Primeiro parabenizo pelos relatos, sempre interessantes e informativos.

Acompanhava o fórum esporadicamente, caçando informações, e agora q tenho planos concretos de um trip pra conhecer a Serra da Mantiqueira (particularmente essa região do PNI) me cadastrei e essa é minha primeira participação.

Sobre esse percurso descrito por você, acha viável (e seguro) ser encarado por quem não conhece nada da região nem tem muito experiência em trilhas? E sobre o nível de dificuldade, muito pesado?

Minha (pouca) experiência em trilhas limita-se a pequenos percursos no litoral norte de SP e sul do RJ.

Li tb seu relato sobre acampar no topo da Pedra do Baú e tb me interessei.

No momento estou atrás de informações pra planejar a viagem provavelmente pro feriado de Tiradentes.

Já agradeço!

Abço!

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Blz Massagua.

 

P/ vc que não tem experiência e conhece pouco da região, eu recomendaria a travessia da Serra Negra.

Nessa travessia é até capaz que vc encontre com algum morador indo ou vindo de Maromba.

E tente fazê-la no sentido PNI-Maromba.

Em 2003 fiz a travessia nesse sentido.

O relato é esse:

http://www.mochileiros.com/travessias-marins-itaguare-serra-fina-e-serra-negra-juntas-em-uma-so-caminhada-t1100.html

 

A Rui Braga é um pouco complicada, ainda mais p/ vc que não tem experiência.

Considero a Serra Negra e a Rui Braga travessias medianas, apesar de que a Serra Negra é caminho de vacas. E é muito usado por moradores da região.

Já na Rui Braga isso não acontece.

 

Sua pretensão é fazer essas 2 travessias também?

 

Qto a Pedra do Baú, é muito mais fácil, já que a trilha parece uma estrada e acampar no topo é maravilhoso.

 

 

Abcs

 

 

 

 

Salve Augusto!

Primeiro parabenizo pelos relatos, sempre interessantes e informativos.

Acompanhava o fórum esporadicamente, caçando informações, e agora q tenho planos concretos de um trip pra conhecer a Serra da Mantiqueira (particularmente essa região do PNI) me cadastrei e essa é minha primeira participação.

Sobre esse percurso descrito por você, acha viável (e seguro) ser encarado por quem não conhece nada da região nem tem muito experiência em trilhas? E sobre o nível de dificuldade, muito pesado?

Minha (pouca) experiência em trilhas limita-se a pequenos percursos no litoral norte de SP e sul do RJ.

Li tb seu relato sobre acampar no topo da Pedra do Baú e tb me interessei.

No momento estou atrás de informações pra planejar a viagem provavelmente pro feriado de Tiradentes.

Já agradeço!

Abço!

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Valeu, Augusto!

Não sei ainda se faço as duas travessias, na verdade minha intenção é conhecer o PNI e passar o feriado (tiradentes e páscoa) na região. Caso achemos viável podemos até fazer.

Sobre sua recomendação de fazer a travessia de Serra Negra no sentido PNI-Maromba, é por ser mais fácil?

Qto ao transporte pra essa região (ônibus) é tranquilo?

Mais uma vez, obrigado!

 

Danilo.

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A travessia da Serra Negra, que se inicia lá no Rebouças e termina perto da Cachoeira do Escorrega em Maromba é longa, mas não é dificil. A trilha é demarcada. O trecho final é quase uma estrada.

 

Vc só terá de fazer a reserva dessa trilha direto no PNI. Tem de ter a autorização.

E p/ vc é uma boa porque aí vc já conhece o Abrigo Rebouças e uma parte do PNI.

 

Qto ao transporte, é um problema.

Muita gente tenta carona lá na Garganta do Registro, mas não é fácil.

O ideal é vc pegar um táxi em Itamonte mesmo.

Fazer no sentido contrario (iniciando em Maromba e terminar dentro do PNI) é mais complicado ainda porque aí vai ter depender de carona p/ sair de lá. Acho arriscado.

 

 

Abcs

 

 

 

Valeu, Augusto!

Não sei ainda se faço as duas travessias, na verdade minha intenção é conhecer o PNI e passar o feriado (tiradentes e páscoa) na região. Caso achemos viável podemos até fazer.

Sobre sua recomendação de fazer a travessia de Serra Negra no sentido PNI-Maromba, é por ser mais fácil?

Qto ao transporte pra essa região (ônibus) é tranquilo?

Mais uma vez, obrigado!

 

Danilo.

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    • Por casal100
      Esse relato é dividido em duas partes:
      A primeira foram mais de 900 kms (da página 1 até a 6), trechos de picos, travessias e alguns trechos no entorno de cidades;
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      O BRASIL É SIMPLESMENTE SENSACIONAL! 
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      Marmelopolis -Mg(subida ao morro do careca, mirantes, pedra montada, roteiros e subida ao pico Marinzinho)
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      Visconde de Mauá-Rj - (subida a Pedra Selada)
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      Carrancas - Mg(cachoeiras e circuito serra de carrancas)
      Ouro Preto - Mg (centro histórico e subida ao pico do Itacolomi)
      Mariana-Mg: Bento Rodrigues, local destruído por outro rompimento de barragem da Vale.
      Serra do Cipó - Mg(todos circuitos dentro do parque e travessão)
      Conceição do Mato Dentro - Mg: cachoeira do Tabuleiro  (base e mirante)
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      Infelizmente, por excesso de chuvas, não fizemos os picos do Itaguaré e da Mina( motivação da viagem). Entrou uma frente fria na semana que antecedeu o carnaval, tivemos que abortar por questão de segurança, pois não utilizamos guias e fazemos somente Bate/volta - fica para a próxima.
      As surpresas da viagem:
      Inhotim, Lapinha da Serra e Serra do Cipó. Pois não conhecia nenhuma delas.
      Algumas fotos
      Subida ao pico dos Marins - SP

      Pico do Itacolomi - Ouro Preto - Mg

      Cachoeira Bigame - Lapinha da Serra-Mg

      Subida para pico do Breu e Lapinha - Lapinha da Serra-Mg

      Vista desde o pico da Lapinha

      Cachoeira do espelho - travessão - Serra do Cipó -Mg

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      flora exuberante



      Cachoeira do Tabuleiro - Mg

      Pico da Bandeira - ES

      Pedra do Altar - Mg

    • Por Ronaldo Paixão
      Caminho da Fé – Pedra do Baú – Travessia da Serra Fina – Agulhas Negras e Prateleiras (PNI).
      Estou escrevendo este relato um ano depois que fiz esse passeio. Talvez eu esqueça alguma coisa.
      Eu estava precisando me desligar da vida que eu vinha levando. Estava precisando fazer o que eu mais gostava, caminhar bastante, travessias em trilhas, subir montanhas, me isolar do mundo “civilizado”.
      Tinha decidido que eu iria “largar tudo” e sair, sem saber até onde eu iria ou quando voltaria. Tinha uma grana guardada (cinco mil) e deveria ser suficiente para eu viver por pelo menos uns 3 meses.
      Falei com meu irmão que ele teria que se virar sozinho em nosso comércio. Falei com minha família que eu estava indo por não sei quanto tempo, mas que eu voltaria qualquer dia.
      Trabalhei até 31 de agosto, quase meia-noite. No dia 01 de setembro fui para um apartamento onde fiquei por 4 dias planejando lugares que queria conhecer, vendo preço de ônibus, tracklogs, etc. Na manhã de 4 de setembro parti para São Paulo e naquela noite para águas da Prata, onde minha jornada começaria.
      Como eu iria para vários lugares, diferentes um do outro, tive que levar muita coisa na mochila. Coisas que usaria em algum passeio, mas que seriam dispensáveis  em outro. Ainda assim tentei levar o mínimo possível.
      Ítens que levei:
      -    Mochila Osprey Kestrel 48 litros com Camel Back de 2 litros
      -    Dois cantis de 900 ml. Um com caneca de alumínio.
      -    Rede Amazon e tarp Amazon da Guepardo.
      -    Saco de dormir Deuter 0º
      -    4 camisas dry fit
      -    2 blusas finas de fleece.
      -    2 calças quechua de secagem rápida
      -    6 cuecas
      -    3 pares de meia
      -    1 boné
      -    1 touca
      -    1 par de luvas (daquelas de pedreiro)
      -    1 par de sandálias Quechua
      -    1 par de botas La Sportiva
      -    Kit Fogareiro + panela pequena
      -    2 isqueiros
      -    1 canivete
      -    1 colher plástica
      -    1 botija de gás Nautika pequena
      -    GPS
      -    Celular (para fotografias)
      -    Caderneta e caneta
      -    1 Anorak
      -    Corda e cordelete
      -    Bolsa de nylon (para transportar a mochila no ônibus)
       
      Caminho da Fé. Águas da Prata até Aparecida.
      Caminho da Fé – 1º dia. 30Km
      05-09-2018
      Águas da Prata (SP) até Andradas (MG).
      Início 05:15 horas e chegada 12:55 horas
      Almoço : Pavilhão hamburgueria
      Jantar: bolachas e sanduba no hotel.
      Pernoite: Palace Hotel.
      Seguindo o conselho de um cara que desceu comigo e iria fazer o caminho de bike eu iniciei cedo para evitar o sol. Só que por esse motivo fui sem comida. Só comi uns pedacinhos de rapadura que ele me deu e uma banana que ganhei de um ciclista.
      Pelo longo tempo inativo, eu senti um pouco o peso dos 17Kg que estava levando na mochila.
      Caminho da Fé – 2º dia. 36 Km
       06-09-2018.
      Andradas (MG) até Crisólia (MG).
      Partida às 08:00 horas e chegada às 17:40 horas.
      Almoço: salgadinho no Bar Constantino, comunidade da Barra.
      Jantar: miojo num banco ao lado da rede.
      Pernoite: rede 
      Subidas cavernosas. Serra dos Lima, Barra, Taguá e Crisólia. 
      Cheguei tarde, fui numa pousada carimbar a credencial e depois procurei duas árvores para esticar a rede, fazer o rango e dormir. Nesse dia não teve banho.
      Caminho da Fé – 3º dia. 38 Km
      07-09-2018
      Crisólia (MG) até Borda da Mata(MG). 
      Partida às 07:30 e chegada às 18:00 horas.
      Almoço: pastel no Bar do Maurão em Inconfidentes
      Jantar: x-salada em lanchonete perto do hotel.
      Pernoite: Hotel Virgínia.
      Feriado da Independência. Fui acordado às 6 da manhã com queima de fogos e hinos. Passagem por Ouro Fino e Inconfidentes. Desfile cívico em todas as cidades.
      No hotel em borda da mata conheci um casal de cicloturistas que estava com um carro de apoio. Consegui que levassem um pouco das minhas coisas até Estiva. Foram 6 Kg a menos para carregar.
       
      Caminho da Fé – 4º dia. 17,5 Km.
      08-09-2018.
      Borda da Mata(MG) até Tocos do Mogi (MG).
      Início às 08:00 horas e chegada às 12:40 horas.
      Almoço: um pouco de morangos colhidos no caminho.
      Jantar: Lanche na festa da padroeira.
      Pernoite: Pousada do Zé Dito. (muito boa e barata)
      Dia mais curto. A pousada ficava no calçadão principal, onde estava acontecendo a festa da padroeira. Estava difícil dormir. O jeito foi sair para a festa e tomar umas, apesar do frio que fazia de noite.
        
      Caminho da Fé – 5º dia. 21,5 Km
      09-09-2018
      Tocos do Mogi (MG) até Estiva (MG).
      Início às 09:00 horas e chegada às 14:20 horas.
      Almoço: moranguinhos (quase 1 Kg) e queijo fresco com caldo de cana.
      Jantar: Restaurante perto da pousada.
      Pernoite: Pousada Poka.
      Trecho muito bonito. Muitas plantações de morango. Muitos pássaros.
      Na pousada eu recuperei minhas coisas que haviam sido deixadas ali e já consegui ajeitar um novo transporte delas até Potim, já pertinho de Aparecida.
      Caminho da Fé – 6º dia. 20 Km
      10-09-2018
      Estiva (MG) até Consolação (MG).
      Partida às 07:30 e chegada às 12:45 horas.
      Almoço, jantar e pernoite: Pousada Casarão
      Destaques deste dia. Cervejinha gelada num bar onde um piá gordinho queria tirar uma selfie comigo. E também queria meu bastão de selfie de qualquer jeito.
      Também destaque para o canto da seriema, triste e ao mesmo tempo bonito, que se fez presente muitas vezes. Também tem a subida da serra do Caçador, cavernosa.
      Além disso, nesse trajeto é comum vermos carros de boi e também “canteiros”onde os agricultores esparramam o polvilho para secar.


      Caminho da Fé -  7ºdia. 22,5 Km
      11-09-2018.
      Consolação (MG) até Paraisópolis (MG).
      Início às 07:00 e chegada às 12:30 horas.
      Almoço: Restaurante Sabor de Minas. Muito bom e barato. Comi pra danar.
      Janta: coxinha na praça.
      Pernoite: Hotel Central
      Foi um dia especialmente marcado pela presença dos pássaros ao longo do caminho, canários, sabiás, pássaros pretos, coleirinhas, gralhas, joões-de-barro, tucanos, maritacas. E aves maiores, como gaviões, seriemas e garças brancas.
      Também vale destacar a grande quantidade de flores, principalmente nos portões das casas dos sítios.
      Caminho da Fé – 8º dia. 28,5 Km.
      12-09-2018
      Paraisópolis (MG) até A pousada da Dona Inês, que fica 4 Km depois do distrito de Luminosa, município de  Brazópolis.
      Início às 07:55 e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Salgadinho e coca numa mercearia em Brazópolis.
      Jantar e Pernoite: Pousada da Dona Inês.
      Foi o dia mais quente desde o início do caminho. Era meu aniversário de 52 anos e ficou marcado porque depois do jantar na Pousada, uma amiga de caminho, a Fabiana, puxou um parabéns a você, junto com as outras cerca de 20 pessoas que estavam ali. Fiquei bem emocionado.
       
      Caminho da Fé – 9º dia. 33 Km
      13-09-2018
      Pousada Dona Inês (Luminosa-MG) até Campos do Jordão (SP).
      Início às 05:45 e chegada às 18:45 horas.
      Almoço: Restaurante Araucária. Fica perto da placa que indica a entrada para a pousada da Dona Rose e da madeireira Marmelo. Comida muito boa.
      Jantar: Caldo de Mandioca com carne. NIX Caldos e lanches.
      Pernoite: Refúgio dos Peregrinos
      Na verdade, a quilometragem total desse dia foi de 51 Km porque no meio do caminho decidi que iria subir a Pedra do Baú. Isso me custou várias horas e me fez chegar em Campos do Jordão já de noite. Mas valeu muito a pena.
      O dia amanheceu lindo. Logo de cara a temida subida da Luminosa, mas que não é nada de tão difícil.
      Depois é asfalto até o fim do dia.
      A pousada Refúgio dos Peregrinos é bem diferente. Tem uma tabela de preços na parede. Você anota o que consumiu, faz as contas, paga e faz o troco. Tudo na base da confiança.

      Caminho da Fé - 10º dia. 52 Km
      14-09-2018
      Campos do Jordão(SP) até Pindamonhangaba(SP).
      Início às 06:00 horas e chegada às 17:45 horas.
      Almoço: Sanduíche em Piracuama.
      Jantar e pernoite: Pousada Chácara Dois Leões.
      Nesse dia todos os que estavam no refúgio dos peregrinos foram por Guaratinguetá, menos eu que fui por Pindamonhangaba. Descida pela linha do trem até próximo a Piracuama, com uma garoa fininha que de vez em quando virava um chuvisco.
      De tarde foi só asfalto e chuva. Cheguei na pousada já escurecendo. Foi o dia mais cansativo, pela quilometragem, pela chuva e principalmente pelo asfalto.

      Caminho da Fé - 11º dia. 24 Km.
      15-09-2018.
      Pindamonhangaba(SP) até Aparecida(SP).
      Início às 09:00 horas e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Pesqueiro Potim. Comida muito boa. Comi feito um louco. Aqui eu recuperei o restante de minhas coisas que tinham vindo no carro de apoio de amigos.
      Pernoite: Hotel em Aparecida.
      Esse era o último dia no caminho. Um misto de ansiedade por chegar e de nostalgia antecipada das experiências vividas e das paisagens do caminho.
      A chegada na basílica é emocionante, não importa em que você acredita, ou se acredita em algo.
      Fica a saudade dos lugares. Dos amigos. Dos passarinhos.


      Fiquei em Aparecida até segunda-feira, quando fui ao correio e despachei para casa algumas lembrancinhas que tinha comprado e coisas que tinha levado e que vi que não ia usar. A calça jeans e a camisa de passeio. Umas cordas. Um dos fleeces e a bolsa de transporte.
       
      A Vida e o Caminho da Fé.
      Durante esse derradeiro dia de caminhada me veio à mente uma analogia entre a vida e o  “caminho da fé”.
      O caminho da fé cada um começa de onde quiser, mas todos com o mesmo destino. No caminho o destino é a basílica de Aparecida, na vida a gente sabe o destino.
      No caminho as pessoas vão chegando, amizades vão sendo feitas. Uns mais lentos outros mais apressados. Uns madrugadores outros nem tanto. Uns alegres e comunicativos, outros mais quietos e introspectivos. Muitos de bike, passam pela gente voando, só dá tempo para um “bom dia”. Assim também é a vida e os amigos que vamos fazendo. Uns continuam por perto, outros se distanciam, mas continuam amigos
      No caminho não importa sua classe social, sua cor, opção sexual, grau de instrução ou idade. O destino é o mesmo para todos. Assim também é na vida.
      No caminho a jornada é longa, alguns dias são mais difíceis, parecendo que não vão terminar. Outros passam leves e agradáveis, a gente nem queria que terminassem. Igualzinho a nossa vida
      Temos que superar o cansaço, as bolhas, os pés inchados, joelhos e tornozelos doendo, a mochila pesada que nos deixa com os ombros marcados. Enfrentar as subidas, as descidas, os buracos, as pedras, a fome e a sede em alguns momentos.
      Por mais difíceis que sejam esses obstáculos, eles são superados. Ficam para trás. Igualzinho na vida.
      O caminho também nos oferece muitas coisas boas. Simples, mas inesquecíveis. Os pássaros cantando ao lado da estrada. A beleza e o perfume das flores. Os riachos que nos permitem um banho refrescante depois de uma subida cansativa. As conversas com os amigos. O pôr do sol por trás das montanhas. A janta e a cama quente que nos restabelecem para o dia seguinte. O nascer do sol de um novo dia, nos lembrando que sempre nos é dada uma nova chance de sermos felizes. Assim também acontece na nossa vida.
      Seja no caminho da fé, ou na vida, o destino a gente sabe qual é. O importante é deixar para trás o que para trás ficou. E aproveitar ao máximo a jornada.
       
      Pedra do Baú.
      Eu sempre gosto de planejar meus passeios, travessias. Mas sobre a Pedra do Baú eu não sabia nada. Só de ouvir falar, de ler alguma coisa de relance. Mesmo assim era uma coisa que eu tinha vontade de fazer algum dia, se desse certo.
      Era o dia 13-09-2018, meu nono dia no caminho da Fé. Era de manhã e eu caminhava pela rodovia, junto com um peregrino de nome Donizete, que eu conhecera na pousada da Dona Inez. Passamos por uma placa que indicava a entrada para o Parque Estadual da Pedra do Baú.
      Eu falei para ele: - Donizete, vai em frente que eu vou subir a Pedra do Baú.
      Ele disse: - Cara, isso vai demorar. Você só vai chegar em Campos do Jordão de noite. Isso se der tudo certo.
      Daí eu disse:- Tem que ser hoje. Não sei se vou ter outra chance. Quem sabe eu nunca mais passe por aqui.
      Me despedi dele e entrei na estradinha que levava ao parque. Escondi minha mochila e fui só de ataque, levando água, uma rapadura, uma paçoca, o GPS e o celular para tirar as fotografias.
      Depois de uns 4 Km cheguei onde começavam as trilhas e entrei na que indicava Pedra do Baú, face norte. Passei por uns caras que eram guias e estavam levando equipamentos de escalada. Depois de um tempo cheguei num local que tinha uma escada amarela grande, fixada na parede de pedra. Não pensei duas vezes. Subi aquela escada e depois continuei uma escalaminhada, com misto de escalada em alguns pontos, até que já estava bem alto e não tinha mais para onde subir. Estava pensando até em desistir e voltar embora, quando avistei uns caras no cume de um morro que eu julguei ser o Baú, mas acho que era o Bauzinho.

      Gritei para eles e eles responderam de volta. Perguntei como chegava na Pedra do Baú e eles me disseram para descer de novo e seguir mais em frente.
      Desci e estava chegando ao ponto em que tinha começado a subida quando vi eles vindo. Esperei por eles. Conversamos por um tempo e eles me deram as informações sobre como chegar até onde a subida começava realmente.
      Segui em frente pela trilha e pouco depois eu chegava na base da Pedra do Baú, onde um guia estava terminando os preparativos para iniciar a subida com um casal de clientes. Capacetes, corda, mosquetões, etc.
      Eu estava ali de bermuda, boné e botina.
      Eu vi aquela parede enorme e aquela sequência de grampos na pedra que eu não sabia onde terminaria. Pensei: - vou esperar ele começar a subida e assim pego uma carona. Se o negócio apertar eu peço arrego para ele.
      Foi quando ele virou pra mim e perguntou: - Vai subir?
      Falei que sim e ele disse:- Pode ir na frente então. A gente ainda vai demorar uns minutos.
      Eu pensei:- já era minha carona. 
      Era uma parede de pedra quase vertical e muito exposta, que devia ter mais de 300 metros de altura.
      O jeito foi encher o peito de ar, mirar para cima e começar a subida.
      Subi meio que com medo no começo, mas também com muita confiança Parei algumas vezes no meio para tirar fotos. Passei por mais dois guias com clientes antes de chegar ao cume. Um deles foi bem legal e me deu umas dicas sobre o percurso que faltava.
      Muitos trechos com vento forte e eu pensava: - se eu parar agora eu travo. E ia em frente. Os últimos grampos, quando se está chegando no cume são especialmente complicados, porque você tem que abandonar a “segurança” que os grampos te dão para poder chegar no cume.
      Mas depois de uns 20 minutos de subida, lá estava eu no cume da Pedra do Baú. 
      Foi um momento mágico. Bem mais do que eu esperava. O visual era incrível. Tirei foto de tudo que é jeito. Deitado sobre a beira do abismo, em pé, etc.

      Aqui vou abrir um parênteses. Apesar de estar no caminho da Fé, um caminho católico, onde se passa por muitas igrejas, as únicas vezes na vida que eu senti realmente uma presença muito forte, do que alguns podem chamar de Deus, foi quando estive no cume de alguma montanha ou embaixo de uma cachoeira. Nunca em uma igreja. Deixei de frequentá-las faz muito tempo. 
      Me lembro de ter me encontrado com “Deus”, no cume do Alcobaça (2013), em Petrópolis. Embaixo da cachoeira do Tabuleiro, literalmente, em 2013 (e agora em 2019 de novo). Nos Portais de Hércules, Travessia Petro-Tere, em 2014. No cume do Pico Paraná em 2015 (não encontrei quando retornei em 2017). Na base das Torres  e no Mirante Francês, no Parque Nacional Torres del Paine, em 2016. E agora, na Pedra do Baú.
      É uma sensação difícil de explicar. É como se você se sentisse realmente parte de um todo, de uma coisa muito maior. Se sentisse nada e tudo ao mesmo tempo. Uma paz muito grande torna conta da gente. E em todas essas vezes eu senti a presença do meu pai, já falecido.
      Restava agora a descida, que metia mais medo que a subida. Principalmente os primeiros grampos, onde tinha que se virar de costas para o abismo para alcançar os grampos. A
      Mesmo assim a  descida foi rápida e durou cerca de 15 minutos.
      Cheguei na base e peguei o caminho de volta pela trilha. Pouco tempo depois quase pisei em uma jararaca de cerca de um metro de comprimento. Ela estava junto a uma pedra onde eu iria colocar meu pé. Ela se mexeu e eu a vi. Consegui dar um pulinho e evitei pisar nela. Foi por muito pouco.
      Segui rápido pela trilha e tempo depois eu já estava de volta à rodovia, rumo a Campos do Jordão.
      A Pedra do Baú foi muito gratificante. Mais do que eu esperava. Mais do que eu merecia.
       
       
      Serra Fina.
      Fiquei em Aparecida até na segunda-feira, 17-09-2018 e daí fui para Passa Quatro (MG), onde cheguei já escuro na rodoviária local. Peguei um ônibus circular e fui para o hostel Serra Fina, do Felipe, onde fiquei até na sexta-feira quando comecei a travessia. Choveu na terça, quarta e quinta, mas na sexta a previsão era de tempo limpo que duraria tempo mais que suficiente para a travessia e por isso decidi esperar e aproveitar para descansar e ler. Mesmo assim fui até a toca do lobo, pra passear e conhecer o Ingazeiro gigante. Também fui conhecer o centro da cidade.
      A região estava em alvoroço. Dois rapazes cariocas estavam perdidos em algum ponto da travessia e vários bombeiros, guias e montanhistas estavam à procura deles. Por sorte conseguiram um ponto onde tinha sinal de celular e conseguiram passar a localização e foram resgatados. Se bem que já estavam próximos de uma propriedade rural.
      Passa Quatro é uma cidadezinha linda e é um lugar onde eu moraria tranquilamente.
      O Hostel Serra Fina também é muito bom e o Felipe é um cara nota dez. Eu me senti em casa.
      Todas as travessias que eu faço eu vou sozinho. Não que não goste de pessoas. É que eu gosto de ir no meu rítmo. Gosto de ficar sozinho. Andar sozinho. Pensar na vida, etc. A intenção era fazer essa travessia também de modo solitário.
      Mas na quinta-feira de noite chegou ao hostel uma gaúcha baixinha, menor que eu até, que iria começar a travessia na sexta também, então decidimos começar juntos. A mochila dela era enorme e certamente tinha coisa que não precisava.
       
      Começamos o primeiro dia da travessia, 21-09-2018, uma sexta-feira, mais tarde do que eu queria. Saímos da toca do lobo já era meio-dia.
      Logo no começo da travessia, primeira subida, eu percebi que ela iria me atrasar, mas já que estávamos juntos, seguiríamos juntos. Foi quando ele me disse:- Vai na frente, você anda mais rápido. Eu disse que não, mas ela insistiu. Disse que ficaria bem. Eu então dei um até logo e disse que a reencontraria no Capim Amarelo..A subida é intensa e o ganho de altitude é rápido.
      Talvez pelo “treino” feito no Caminho da Fé eu não senti muito e passei por mais gente no caminho. Primeiro por 3 mineiros (que depois se tornariam grandes amigos) e depois por outros dois caras que pareciam ser militares.
      Cheguei ao cume do Capim Amarelo eram 15:15 horas. Praticamente 3 horas só de subida. Montei minha “barraca”, que era na verdade a minha rede estendida sob a lona que tinha sido disposta como se fosse uma barraca canadense. Fiz um rango e fiquei apreciando a paisagem. Como sabia da falta de água eu decidi que não levaria comida que precisasse de água no preparo, então comi basicamente tapioca de queijo, ou de nutella, ou de salaminho, paçoca, geléia de Mocotó e castanhas, durante toda a travessia.
      Os mineiros chegaram um pouco mais tarde e armaram suas tendas. Os militares chegaram quando já estava começando a escurecer. Eles não traziam barracas, dormiram de bivaque.
      Quando já estava quase escuro chegou um grupo que iria passar direto pelo Capim Amarelo e acampar no Maracanã. Perguntei pela gauchinha e me disseram que ela tinha montado acampamento em algum local no meio do caminho. Depois disso fiquei sabendo que ela desistiu e retornou para Passa Quatro. E que depois reiniciou a travessia na segunda-feira, tendo que ser resgatada de helicóptero no cume dos 3 Estados. E que depois disso voltou mais uma vez, acompanhada de um escoteiro, só que mais uma vez desistiram, abortando a travessia na Pedra da Mina, via Paiolinho.
      Estávamos a 2490 m de altitude e o pôr do sol e a noite foram lindos e gelados. Meu termômetro marcou a mínima de 3,5ºC.

       
      O dia 22-09-2018 era o segundo dia da travessia. A intenção era dormir no cume da Pedra da Mina.
      Depois do café da manhã, junto com os mineiros, desarmei e guardei toda a tralha e deixei o Capim Amarelo para trás às 10:20 horas.
      Logo no começo encontrei uma garrafa de uísque que tinha sido esquecida pelos militares. Voltei até onde os mineiros estavam e depois de bebermos uns goles eu retornei para a trilha, levando a garrafa para devolvê-la assim que encontrasse os rapazes. Não demorou muito para encontrá-los porque eles tinham pegado uma trilha errada logo na saída do Capim Amarelo.
      Depois de muito sobe e desce, mata fechada, bambuzal, escalaminhada, trepa pedra, cheguei na cachoeira vermelha e no ponto de abastecimento de água. Estava cedo e daria para pernoitar no cume. Foi o que fiz e cheguei ao cume eram 16:40 horas.
      Chegando ao cume estendi a minha lona fazendo um teto que ligava uma parede de pedras empilhadas até o chão Estendi ali embaixo o isolante e joguei o saco de dormir por cima. Essa noite não teria o mosquiteiro. Deixei a rede guardada.
      Comi meu jantar, assinei o livro de cume e fui apreciar o fim da tarde, o pôr do sol e as estrelas aparecendo. A noite estava bem fria.
      Os 3 mineiros chegaram quando a noite já tinha caído. Ajudei eles a montarem as barracas e depois ficamos conversando até altas horas. Os militares chegaram ainda mais tarde e no dia seguinte abandonariam a travessia, descendo pelo Paioloinho.
      Essa noite teve como temperatura mínima 3,7º C, mas a sensação foi de que era uma noite muito mais fria que a anterior. Talvez pela exposição ao vento, o que não tinha acontecido pela proteção que o capim elefante fornecera na noite anterior.
      A noite foi linda, repleta de estrelas e prometia um amanhecer incrível, fato que aconteceu. O único porém foi a grande quantidade de pessoas que estavam na Mina, quase todos fazendo bate-volta, o que trouxe muito barulho até algumas horas da noite. Apesar disso dormi muito bem e acordei bem disposto. A água até aqui não tinha sido problema.

      O dia 23-09-2018 era o terceiro dia da travessia e amanheceu espetacular, apesar de muito frio. Acordei antes do sol nascer e escolhi um bom lugar para apreciar o espetáculo. Depois disso o café da manhã (sem café) e desmontar acampamento. A surpresa foi quando levantei o saco de dormir e vi que uma aranha bem grande tinha vindo se aquecer embaixo dele. Peguei a bichinha com cuidado e a levei para perto de uma moitinha de capim.
      A travessia começou mesmo já eram 10:50 horas da manhã e daí para frente decidi caminhar junto com os 3 mineiros, afinal a gente combinava bastante. E assim saímos nós 4 da Pedra da Mina, eu , o Vinícius (Vini), o Daniel (boy) e o Nelson (Bozó). E assim passamos pelo Vale do Ruah, onde abastecemos os cantis pela última vez, com água que deveria ser suficiente até as 16 horas do dia seguinte. Daí foi uma grande sequência de morros até chegarmos ao Pico dos Três Estados às 17:20 horas.
      Mais uma vez montei a lona no estilo canadense, dispus a rede com mosquiteiro dentro e esparramei minhas coisas. De noite nos reunimos junto ao triângulo de ferro que representa a divisa dos 3 estados para a janta.
      Os caras já tinham pouca água. Eu ainda tinha meus dois cantis cheios e mais um bom tanto no camelback. Dessa maneira cedi um cantil para que eles fizessem a janta e bebessem o que sobrasse. Essa noite foi a mais fria, com o termômetro marcando 2,7º C, mas o capim elefante nos protegeu bem dos ventos e deu para dormir muito bem.


      No dia seguinte pela manhã, o Bozó sugeriu que fizéssemos café. Lá se foram mais 500 ml de água. Mas foi muito bom aquele cafezinho e aquela vista que se tinha lá de cima. De lá dava para ver Prateleiras e Agulhas Negras, minha próxima empreitada.
      Era o dia 24-09-2018, nosso quarto e último dia de travessia.
      Deixamos o 3 Estados às 09:40 da manhã. 
      Esse foi um dia bem sofrido. Uma sequência de morros. Sobe e desce. Muitos trechos de mata, e bambuzal. Mas o principal obstáculo era a falta de água. Minha água era para dar tranquilamente, mas depois da janta, café e dividir com os amigos, eu tinha deixado o 3 Estados somente com a água que restava no camelback, que era pouco mais de meio litro.
      Fomos racionando, mas quando chegamos no Alto dos Ivos, todos bebemos o que nos restava de água. Foram mais 3 horas até encontrarmos água de novo.
      A falta de água aliada ao esforço físico fez com que o Vini começasse a passar mal. Mesmo assim tocamos em frente.Chegamos inclusive a beber água acumulada nas bromélias.
      Eu e o Bozó, que estávamos melhor, seguimos mais rápido enquanto Daniel ficou para trás acompanhando o Vini. Chegamos ao ponto de água e enchemos os cantis e o Bozó voltou correndo para encontrá-los e matar a sede dos amigos.
      Já eram 16:50 horas quando chegamos na rodovia BR-354, onde o resgate que eles tinham combinado estava esperando. A Patrícia, que era a dona da caminhonete de resgate me deu uma carona até Itamonte, onde seria meu pernoite. 
      Por coincidência, a Patrícia era o resgate dos rapazes que estavam perdidos quando cheguei em Passa Quatro. Como eles não chegaram no ponto de resgate no dia combinado, ela entrou em contato com os bombeiros e com a família dos rapazes.
      Era o fim da travessia. Uma das mais puxadas e mais bonitas que já fiz. Foi também a última vez que vi os amigos Daniel e Vinícius. O Bozó eu encontrei de novo em Belo Horizonte agora em maio de 2019.

      Foi uma travessia que exigiu muito, mas que ofereceu muito mais em troca. Alvoradas e crepúsculos inesquecíveis. Paisagens sem igual, amizade, companheirismo. E que deixou uma vontade enorme de retornar e fazê-la novamente.

       
      Parque Nacional de Itatiaia.
      Agulhas Negras e Prateleiras.
      Desde que eu estava no hostel em Passa Quatro, eu já estava procurando um guia para o Parque Nacional de Itatiaia. Sabia que se tudo desse certo eu terminaria a travessia na segunda-feira 24-09 e na terça-feira 25-09 queria ir para o PNI, para subir o Agulhas Negras e o Prateleiras. Durante os telefonemas para casa, eu vi que teria que voltar logo. Dessa maneira, eu teria que fazer os dois cumes no mesmo dia.
      Entrei em contato com vários guias, mas ninguém queria fazer os dois cumes em um único dia. Uns disseram que não dava. Outros disseram que não era permitido. Até que encontrei um cara. Tudo isso pela internet e pelo tal de whats app, que eu nunca tinha usado antes disso.
      Deixamos mais ou menos combinado. Ele me cobraria 300 reais pela guiada. Eu sabia que o PNI exigia equipamentos para a subida aos cumes. Eu não tinha esses equipamentos. Após o PNI eu teria que voltar para casa, minha jornada terminaria ali, portanto não precisaria mais ficar regulando a grana.
      Durante a travessia da Serra Fina a gente ficou sem contato.
      No final da travessia, o resgate dos mineiros me deu uma carona. Eu tinha planejado ficar no Hostel Picus, ou no Yellow House, mas ambos estavam fechados. Dessa forma fui com eles até Itamonte, onde me deixaram e seguiram rumo a Passa Quatro. Saí procurando hotel ou pousada e acabei ficando no Hotel Thomaz. O Hotel era bom e tinha um restaurante onde eu jantei. Só que fica bem na rodovia e eu peguei um quarto de frente para a rodovia e o barulho dos caminhões e carros freando durante toda a noite incomodou um pouco e prejudicou o sono.
      Na manhã do dia 25-09-2018, terça-feira, acordei bem cedo, tomei banho, preparei as coisas que levaria para o Parque, entrei em contato com o guia e desci para tomar o café da manhã no Hotel. Por volta das 7 horas o guia chegava de carro para me pegar e seguirmos para o parque. Durante o caminho fomos conversando e falei pra ele sobre a travessia e sobre o caminho da fé e pedra do Baú, que tinha feito recentemente. Ele também é guia na travessia da Serra Fina.
      Chegamos ao parque fizemos os procedimentos de entrada, onde um guarda-parque alertou que caso não começássemos a subida do Prateleiras até as 14 horas, não deveríamos continuar. Desse modo, às 08:45 da manhã iniciamos nossa caminhada rumo a base do Agulhas Negras. Ele apertou o passo, acho que querendo me testar. Eu fui acompanhando de boa. Paramos num riozinho para abastecer a água e fazer um lanchinho, já próximo da base.  A conversa ia progredindo e ele me falou que achava que eu era um cara que parecia estar preparado e que normalmente ele guiava por uma via conhecida como Via Normal ou Via Pontão, mas que se eu quisesse a gente poderia tentar uma via diferente, pra se divertir um pouco. Falei pra ele que ele é quem estava guiando e que por mim tudo bem. Dessa maneira subimos por uma via menos utilizada, que passa por dentro de uma espécie de chaminé que é conhecida como útero. Na verdade quando você emerge dessa “chaminé” é como se você estivesse nascendo. Não levamos capacete, nem cadeirinha, apenas uma corda e uma fita. Usamos a corda somente duas vezes, uma delas para rapelar e depois subir um lance de rocha que fica entre o falso cume e o cume verdadeiro onde fica o livro de cume. Atingimos o cume verdadeiro às 10:40 horas.


      Comemos, descansamos um pouco, apreciamos a paisagem, tiramos várias fotos e depois iniciamos a descida. Dessa vez por uma via diferente, a Via Bira.
      No início da descida um rapel de uns 40 metros por uma descida bem íngreme junto a uma fenda e uma parede. Bem legal. Foi uma descida bem bacana. Uma via bem mais interessante que a tradicional.
      Eram 12:40 quando chegamos de volta ao ponto onde tínhamos iniciado a caminhada. Fizemos um lanche rápido e às 13:00 horas partimos em direção ao Prateleiras. Desta vez sem mochila, sem corda, sem água. Só levamos uma fita de escalada, que foi usada uma única vez. Achei bem mais tenso que o Agulhas, apesar de mais rápido. Muita fenda, muito lance exposto, muito salto de uma pedra para outra com abismos logo embaixo.
      No ataque final, nos últimos 15 minutos, o cara me salvou por duas vezes. A primeira em um lance de escalada livre onde se tem que fazer uma força contrária. Como não tem "pega", a gente sobe com os pés numa face da fenda, empurrando a outra face para baixo. Complicado. Eu tava a abrindo o bico de cansaço aí ele me deu a mão e a puxada final. Depois disso, num paredão bem inclinado, tinha que começar a subir quase correndo agarrando na pedra para conseguir chegar ao fim. Faltando um meio metro para o fim dessa rampa minha bota começou a escorregar na pedra e eu fiquei sem força. Gritei ele e novamente me deu a mão ajudando a chegar. Muito tenso.
      Atingimos o cume às 13:50 e depois de alguns minutos começamos a descida. Paramos para comer uma bananinha e paçoca e descemos mais tranquilos. Às 14:58 estávamos de volta ao local onde tinha ficado o carro.
      Daí o cara olha pra mim e fala: - Agulhas e Prateleiras em 6 horas. Nada mal.
      E rachamos o bico de dar risada.

      Tinha acabado de subir dois cumes que sempre tinha sonhado. Agulhas Negras e Prateleiras. Os dois em cerca de 6 horas. Eu estava muito feliz. 
      O visual de cima dessas montanhas é incrível. Mas a experiência da subida é demais. A adrenalina a mil. Saber que um escorregão e já era. Isso não tem preço que pague.
      Acabei ficando amigo do guia e ele me deu uma carona para Itanhandu no dia seguinte, onde pegaria o ônibus de volta pra minha terra.
      Dormi mais uma noite no mesmo hotel, dessa vez num quarto de fundos e o sono foi muito melhor. Desci para comer um sanduíche de pernil numa lanchonete próxima e bebi uma coca-cola de 1 litro. Depois de todo aquele esforço eu merecia.
       

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      Na manhã da quarta-feira, 26-09, eu parti de volta para Maringá, com uma parada longa em São Paulo, de onde saí de noite e cheguei em casa na manhã de 27-09-2018.
      Decidi ir pra casa a pé. Pra caminhar um pouco. rsrsrs.
      Logo depois do almoço eu estava em casa e na manhã do dia seguinte tudo voltaria à mesma rotina de antes.
      Mas eu não era o mesmo cara que tinha saído 23 dias antes. 
      Eu tinha caminhado mais de 420 Km. Tinha estado em 3 dos dez pontos mais altos do país. Tinha visto o sol nascer e se por proporcionando espetáculos inesquecíveis. Tinha conhecido gente da melhor qualidade, o povo bom e humilde do interior de Minas Gerais.
      Dá para aguentar essa rotina por mais um tempo, numa boa.
       
    • Por Amanda Abreu
      Depois de conhecer as Prateleiras e também o pico das Agulhas Negras, meu próximo objetivo era o Morro do Couto. Assim como Agulhas Negras e Prateleiras, o Morro do Couto fica localizado no Parque Nacional do Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, sendo considerado o 8° ponto mais alto do Brasil com 2680 metros de altitude. 
      A travessia aconteceu no dia 11/03/18. A intenção era subir o Morro do Couto, seguir até Prateleiras, e depois retornar para a portaria passando pelo Abrigo Rebouças, totalizando um percurso de 12 km. 
       

       
      O quase planejamento da aventura começou na semana que antecedeu o domingo do possível passeio. Eu e o meu namorado Rafael, conversamos sobre o período sem trilhas que estávamos passando, e surgiu a ideia de voltar ao PNI. Itatiaia é cidade próxima de onde moramos, então, colocaríamos gasolina no carro, chamaríamos os amigos, e partiu. O valor da entrada por pessoa é tranquila, apenas R$17,00. 
      O problema para ir começou quando nos dois dias que antecederam o dia 11, choveu bastante e a probabilidade de chuva para os próximos dias na região era muito grande. Procuramos em diversas fontes alguma forma de saber melhor qual a previsão mais aproximada para o PNI, mas todos diziam que a possibilidade de chuva era de 90% e em outros alertava até para tempestades. Ate que um site nos orientou melhor e conseguimos ver que iria chover nas cidades próximas a partir das 9:00 da manhã. Então, avisamos os amigos que sairíamos bem cedo e faríamos pelo menos parte do trajeto ate as 9:00. Mas, sábado a noite choveu, e choveu muito; quem estava interessado de ir, desinteressou.  Mesmo morrendo de medo de ser uma furada, de sair pra estrada e acabar pegando chuva forte e melando todo passeio, decidimos ir. 
      Arrumamos as coisas e combinamos de sair ate umas 5:30. Era umas 6:00 e estávamos na estrada. O tempo ainda não dava sinais de que rumo tomaria, mas nossa esperança era de que ate uma 9hrs ficaria tudo bem. Em uma parte da Via Dutra, vi um tempo fechado que me preocupou, mas eu já sabia, por idas anteriores, que o clima pode ser totalmente diferente lá em cima. Quando começamos a avistar os picos imponentes do parque, percebemos que o dia estava lindo, sem nuvens e com um lindo sol.
      Estávamos na portaria do parque as 8:15. Para fazer essa travessia, o horário limite de acesso é ate as 10. A travessia pode ser feita sem guia, mas, se você não conhece nada de trilhas, e ainda não se sente a vontade de encarar uma trilha sem um acompanhamento, o melhor é ir com alguém experiente. Nós fizemos sem guia, mas antes, coletamos informações suficientes sobre o que viria pela frente. O acesso para a trilha do Couto é uma estrada a partir do estacionamento. Subida bem íngreme, mas, conforme andávamos dava pra ver quão bonito estava a paisagem.
      Fomos ate uma antena e pouco depois começamos nosso primeiro ponto com subida nas pedras. Durante a caminhada conversamos sobre aquela ser uma trilha boa para levar crianças de uns 10 anos. Já na subida de pedras, aumentamos a idade devido ao tipo de desafio.

       
      Chegamos ao topo do Couto. A paisagem estava incrível, o lugar dá uma visão muito ampla do parque e nos deu uma sensação de liberdade sem igual. Não ficamos muito, pois íamos para o segundo desafio: chegar ate Prateleiras. São mais 4,5km de trilha.

       
      Na saída encontramos um pai com seu filho, que nos fez relembrar da nossa conversa anterior. Tivemos que perguntar a idade do menino, e imagine nossa surpresa ao ver uma criança de nove anos chegando lá em cima, com um sorriso no rosto e super empolgado. 
      Tive duvidas se eu conseguiria concluir a caminhada. A partir do momento que começamos o trajeto ate prateleiras percebemos que aquela trilha seria um exercício de paciência, cooperação e humildade; digo que até de coragem. Nessa parte, os totens (pedrinhas empilhadas) encontrados no caminho foram de grande ajuda. Eles davam a dica de qual o próximo caminho a se seguir, porque em alguns momentos as trilhas sumiram e andamos mato afora, mantendo o foco no nosso objetivo. O terreno la é sem árvores e tem somente mato rasteiro, que devido a estação do ano estava um pouco maior em alguns pontos, e também havia água e barro (é, você vai sujar sua bota sim). Durante o trajeto você tem a opção de abortar a travessia utilizando a trilha sinalizada que leva até o abrigo. Fizemos pequenas pausas para comer, descansar e tirar alguma foto. A próxima foto é da vista do mirante que encontramos no caminho, fácil de identificar por causa de uma plaquinha.

      Em certo ponto mais na frente, passamos pela toca do índio; pedras enormes que formavam uma passagem. Vale lembrar que durante o percurso, a toca do índio foi o único local com sombra generosa. Durante todo percurso, as sombras são muito raras. Fora isso, tivemos sombra em algumas pedras que encontramos no caminho. É importante não esquecer o filtro solar, e se der, use até uma manga longa. Pegamos um dia bem quente, afinal, era verão e o tempo estava aberto. Não se esquecer de levar água e também lanchinhos rápidos.
      Prateleiras estava ficando cada vez mais perto. Estávamos chegando ao nosso objetivo, e insistir na travessia foi a melhor escolha que fizemos. A paisagem é gratificante e as histórias pra contar sempre serão muitas. 

      Quando chegamos ate as Prateleiras, e dessa vez não fomos até a base, retornamos pela trilha até o abrigo. Passamos pela cachoeira das Flores que estava com um bom fluxo de água que a deixou ainda mais bonita. 

      Chegando ao abrigo, fizemos nossa pausa maior com direito a uma sopa.  Bem antes das 17:00 retornamos pela estrada a caminho da portaria. Chegamos ao posto Marcão as 17:15. No caminho de retorno podíamos ver ao longe, parte do que foi nosso objetivo e analisar um pouco do que tínhamos andado.

      Quando vamos ao PNI, sempre retornamos para casa já com vontade de voltar. Depois da travessia, pensei sobre não ter tirado uma foto que pudesse registrar a visão que se tem da paisagem ao longo do caminho, se é que isso é possível. Uma visão ampla e incrível de pedras, trilhas, subidas e descidas que te faz sentir um máximo por estar explorando aquele lugar sem igual. 
       
       
       
       
       
       
       
       
       
    • Por Demetriusrj
      Fala Galera, iniciei este post, pois quero dividir com vocês minha ansiedade sobre a programação do final de semana.
       
      A parada é a seguinte:
       
      No dia 30 de junho eu e um grupo de amigos subiremos as PRATELEIRAS, desceremos e começaremos a caminha até o antigo abrigo Massenas. Acamparemos neste local e no dia 01 de julho continuaremos a nossa caminhada.
       
      Quando retornar posto fotos.
       
      Até lá.
    • Por drezz
      Na real esse é um relato pessoal e subjetivo que provavelmente não ajudará ninguém, só vou contar minha experiência pra não esquecer, rs.
       
       
      Decidi essa viagem de última hora pois percebi que algumas folgas no trabalho, feriado prolongado e final de semana davam uma boa combinação para uma viagem curta. Após pesquisar os lugares próximos de SP capital, encontrei o Parque Nacional do Itatiaia- RJ na divisa com o estado de São Paulo.
      Decidi ficar apenas na parte baixa do parque, devido à minha dificuldade de mobilidade (sem carro), além de que as cachoeiras estão localizadas ali.
      Saí de casa umas 4h30 do dia 18 de junho para pegar um ônibus no terminal Tietê às 6h. Esse ônibus me levaria até Arujá, uma cidade próxima e ao lado da Rodovia Dutra. O motorista me deixou num posto de gasolina, aproximadamente 7h30 da manhã, e então começou a aventura...
      Eu já havia feito uma plaquinha com o escrito “RJ” no dia anterior, falei com alguns caminhoneiros no posto de gasolina porém nenhum iria para o Rio de Janeiro, por conseguinte, decidi ficar na beira da estrada com a bendita plaquinha.
      Andei um pouco e acredito que tenha se passado uns 15 minutos até eu alcançar uma Kombi que estava parada no acostamento, com o pisca ligado.
      Perguntei pra onde estavam indo, e o motorista disse que iria para Taubaté realizar alguns serviços de montagens. Pedi carona e consegui, ufa... XX, super gente boa, gritava pra caramba (rs), contou da filha e da sua aventura de ter saído do nordeste pra vir pra SP sem conhecer ninguém, sem lenço e sem documento.
      Devo ter chegado em Taubaté umas 9h30, e fiquei num ponto bem x da estrada, meio afastado da cidade. Empunhei a plaquinha e me preparei pra esperar a carona. Passado uns 2 minutos, um caminhão parou mais a frente, no acostamento. Fui correndo para que ele não desistisse da carona e subi de uma forma bem desajeitada!
      O nome desse carona é Adriano, faz esse trajeto todos os dias e vive no Rio (quando possível). Conversamos bastante no caminho, até paramos pra tomar um café e o Adriano pagou um pão-de-queijo pra mim.

       
      Ele me deixou em Itatiaia, em frente a uma passarela, umas 11h30. Agradeci e passei meu número, caso rolasse mais alguma carona (ele disse que me levaria pra Brasília pro Encontro de culturas da Chapada).
      Cruzei a passarela e andei umas 5 quadras rumo ao parque, até que eu consegui mais uma carona, na rua principal mesmo... O senhor que me deu carona trabalhava num hotel do parque e, após eu pagar a taxa de ingresso do parque, ele me deixou na entrada do camping.
      No momento em que eu estava descendo do carro dele e pondo minha mochila nas costas, um outro carro parou ao meu lado e uma senhora se ofereceu pra me levar até o camping Aldeia dos Pássaros, lá embaixo.
      Nossa, que descida do caramba! Aliás, um detalhe: aquele parque e só subida (e descida)! Que exercício para as pernas!
      Enfim, conversei com essa senhora, Eliana, no pequeno trajeto e ela me disse que tem uma propriedade lá, ao lado do camping, e me convidou para tomar um chá e conhecer o filho dela, já que ele conhecia as trilhas por ali e poderia ir comigo.
      Fui para o camping Aldeia dos Pássaros, montei minha barraca e fiquei um pouco no riacho atrás do local, li um pouco do meu livro e entrei na água. Aproximadamente umas 13h eu decidi tentar conhecer alguma cachoeira e aproveitar que o dia estava lindo. Subi, subi, subi e subi mais um pouco (devo ter andando uns 5 km) até conseguir uma carona com um casal até o museu. Lá era bem próximo do lago Azul e eu passei um tempinho por ali...
      Eu soube que um ônibus desceria pelo parque às 17h, porém decidi voltar mais cedo porque o tempo ficou meio fechado. Eu levei uns 40 minutos descendo do museu até o camping, tranquilo. Tomei banho, tive problemas com lagartixas, cozinhei algo pra comer e começou a chover, umas 18h. Depois disso, fui dormir...
      No dia seguinte, acordei bem cedo e fui para as cachoeiras mais distantes (Maromba, véu da Noiva e Itaporani). Consegui duas caronas pra subir e, chegando lá fiz amizade com um guardaparques chamado Alex, que tirou várias fotos minhas nas cachus. A água estava geladíssima, mas eu entrei no Véu da Noiva e na Itaporani.
      Itaporani
       
      véu da noiva
       
      Na volta, consegui uma carona com um pessoal que estava no camping tb, então foi bem fácil. No momento em que eu saí desse carro, um rapaz veio falar comigo: era o filho da Eliana, a senhora que me deu carona no acampamento, que disse que iriam me ajudar e me convidou pra fazer uma trilha ali perto. Neste dia mesmo, passamos um tempo conversando nas pedras do riacho, eu , ele (Giovanni) e uma amiga dele, Marcela. Depois, nada mais aconteceu, fui dormir bem cedo.
      Terceiro dia, 20 de junho, acordei cedo, fui para as pedras e encontrei o Giovanni por ali logo cedo, que me convidou para tomar um chá na casa dele. Colhemos as ervas para o chá e entramos para conversar com a mãe dele. Eliana foi uma grande dançarina e conhece quase o mundo todo, até conversamos um pouco em francês. Foi incrível!
      O dia estava bem feio e chuvoso, então Eliana me convidou para conhecer Penedo, a cidade mais próxima dali. Passamos um dia bem agradável, almoçamos num restaurante barato por ali, comprei um licor de pimenta (delícia!) e voltamos para o parque ao anoitecer...
      No dia 21, eu fui acordada pelo Giovanni, que bateu na minha barraca me convidando para tomar café na casa dele. Fui, logo em seguida nos preparamos pra fazer uma trilha secreta beirando o riacho.
      Acho que andamos por aproximadamente 40 minutos, até que decidimos parar numa pedra pra comer umas frutas. Ficamos lá por uns 15 minutos, até que surgiu uma galeeera! Levei um susto no primeiro momento, mas depois descobri que eram estudantes de engenharia florestal e estavam fazendo umas coletas na região para uns projetos no parque. Eles sentaram com a gente e comeram algumas coisas antes de cruzarem o rio. Eles realmente eram muito legais e combinamos de nos encontrar à noite para beber o meu licor de pimenta.
      À noite, Giovanni e eu fomos ao alojamento desse pessoal e passamos um tempo bem agradável por ali. Eles me convidaram para participar da coleta do dia seguinte e eu decidi adiar a minha partida por mais um dia, para poder participar dessa expedição.
      No dia seguinte, foram me buscar na entrada do camping 7h30, fomos ao alojamento e terminamos de organizar tudo para a trilha. Esse foi um dia muito interessante pois eu aprendi muita coisa sobre as plantas e as técnicas usadas na floresta. A galera subia em árvores de 20 metros, usávamos perneiras, cruzamos o rio várias vezes, etc. Foi realmente incrível!

       
      Nos despedimos à noite, quando o motorista da UFRRJ foi busca-los no alojamento e eu fui para o camping. Nessa noite eu tive medo à noite, pois eu era a única pessoa no camping e consegui queimar uma lâmpada que apagou todas as outras. Ou seja: sozinha, no escuro, na floresta, com barulhos estranhos.
      No dia seguinte eu fui embora, peguei o ônibus das 7h45, que me deixou na mesma passarela pela qual eu cheguei. Atravessei a passarela e fui a um posto de gasolina do lado do pedágio. Um caminhão parou, perguntei para onde o motorista ia... Ele respondeu que estava indo para o Paraná e passaria por São Paulo. Pedi uma carona, consegui! Seu nome era Donizete, muito firmeza também, me deixou na marginal Tietê e até saiu da rota por um momento para me deixar em segurança na calçada.
       
       
       
      Enfim, como eu escrevi antes, esse foi mais um relato pessoal e subjetivo que provavelmente não ajudará ninguém. Talvez o único proveito que se tira disso é o de que é possível viajar de carona, e que provavelmente assim se conhecerá pessoas incríveis. Muito eu ouvi para não fazer essa viagem, por ser mulher e sozinha nas estradas e na floresta, por isso espero que esse relato incentive as mulheres a viajarem sim, a se libertarem.
      Quando você abre sua janela para o mundo, ele mostra quão lindo é e quanta coisa boa há. Gratidão!


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