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Travessias da Serra Negra e Rui Braga juntas


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Oi pessoal.

Abaixo segue o relato dessas 2 travessias.

 

Por muitos anos qualquer travessia no PNI era proibida; muita gente fazia, mas sempre na surdina.

Para muitos a Serra Negra era a única opção, já que não passava pelo interior do Parque Nacional e contornava ele pelo norte, mas em 2007 o PNI reabriu a Travessia Rui Braga que liga a parte alta à parte baixa e oficializou a Serra Negra, mas seguindo pelo trecho: Rebouças - Aiuruoca - Serra Negra - Mauá.

E com isso, reles mortais como nós pudemos realizar travessias com autorização do Parque e com isso no mês de Julho marquei com o Sandro (do Fórum Mochileiros) fazermos as 2 travessias juntas e com quase 1 mês de antecedência solicitei ao PNI a Autorização para fazer a Rui Braga.

Antes de chegar na Vila de Maromba, íamos subir a Pedra Selada.

 

Fotos da Pedra Selada:

 

Eu, a Márcia, a Sophia (nossa filha) e o Sandro seguiríamos de Sampa em direção à Visconde de Mauá e enquanto eu o Sandro iríamos sair de Maromba na caminhada em direção ao PNI pela travessia da Serra Negra e depois emendar com a Rui Braga, a Márcia e a Sophia iam ficar hospedadas em Maromba por 4 dias para depois nos pegar no final da travessia da Rui Braga, já na parte baixa do PNI.

Nosso plano era chegar no Domingo, 11 de Julho em Maromba a tempo de ainda assistir a final da Copa do Mundo, mas como o técnico Dunga não ajudou, assistir Espanha x Holanda não estava nos planos. A prioridade agora era subir a Pedra Selada só para dar uma aquecida nos músculos.

Por volta das 07:00 hrs saímos de Sampa e com algumas paradas pela estrada, chegamos em Visconde de Mauá pouco antes das 13:00 hrs e logo fomos procurar um lugar para comer.

 

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Saciados da fome, seguimos por uns 12 Km por uma estrada de terra, sentido leste em direção à base da Pedra Selada, margeando o Rio Preto e pouco depois das 14:00 hrs cruzamos o pequeno bairro de Campo Alegre e de lá já era possível avistar a Pedra Selada em todo o seu esplendor à frente.

 

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Chegamos pouco antes das 14h30min chegamos na bifurcação que leva à sede da Fazenda e aqui não tem como errar, pois existe até uma placa indicativa da Pedra Selada.

 

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Já na sede é cobrado uma taxa para se fazer a trilha e estacionar o carro.

 

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As 14h40min eu e o Sandro iniciamos a subida e por razões óbvias a Márcia e a Sophia ficaram na sede, já que o desnível é de mais de 700 metros e o total da trilha chega a uns 2,5 Km.

 

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Ao longo da subida a trilha segue um trecho de descampado para depois entrar na mata fechada e ao longo dela vamos encontrando algumas placas de cachoeiras e altitudes.

 

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Cruzamos com um riacho e passamos próximo dele várias vezes, sendo possível descansar em alguns bancos estrategicamente colocados em alguns mirantes.

 

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A trilha é bem demarcada e segue pelo lado direito da Pedra até atingir a crista e de lá o ataque até o topo por uma subida muito íngreme.

 

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Poucos metros antes do cume encontramos vestígios de acampamento na trilha, mas que não eram muito confortáveis e as 16:00 hrs alcançamos nosso objetivo.

 

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A altitude aqui é de 1755 metros e o visual é de 360º.

A Pedra tem mesmo o formato de uma sela de cavalo por isso o nome que recebe.

 

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Estávamos de um dos lados do cume e pudemos perceber que no outro lado o acesso ao topo só é feito com equipamento de escalada.

 

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Existe aqui um livro de assinaturas onde deixamos as nossas também e as 16h40min iniciamos a descida.

Ainda passamos por um abrigo semi-abandonado próximo da trilha, que vimos do topo.

 

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Ao chegarmos na sede ficamos um pouco mais de tempo, pois naquele momento estava acontecendo o jogo da final da Copa do Mundo e estava ainda em 0 x 0 e somente quando já estava escuro seguimos para a Pousada em Maromba.

 

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A estrada até lá é toda de terra e somente pequenos trechos são asfaltados, mas de péssima qualidade e depois de passarmos as Vilas de Visconde de Mauá e de Maringá chegamos na Praça da Igreja em Maromba por volta das 20:00 hrs.

Ficamos em pousadas diferentes, mas em frente à Igreja Matriz de Maromba e depois de deixar as coisas nas pousadas fomos procurar algum restaurante que ainda estivesse aberto naquele Domingo.

Pelo horário (por volta das 21:00 hrs) só fomos encontrar um restaurante funcionando próximo da Igreja e junto ao Rio Preto.

A comida era boa e farta, mas o rio, que passava nos fundos do restaurante, exalava um cheiro de esgoto que incomodava quando chegávamos perto.

Não era um Rio Tietê, mas parece que estão querendo chegar lá; uma pena.

Depois do jantar marcamos de se encontrar no dia seguinte por volta das 08h30min em frente à Praça para seguirmos em direção ao início da trilha.

 

 

Continua no 2º dia

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2º dia (12/7- Segunda-feira) – Início da Travessia da Serra Negra – De Maromba até a Cabana Cabeceiras do Aiuruoca

Fotos e alguns mapas:

 

 

A Segunda-feira, dia 12 de Julho amanheceu perfeita, com muito Sol e depois de um café da manhã bem reforçado a Márcia nos levou de carro até o início da trilha, pouco antes de chegar na Cachoeira do Escorrega.

 

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O lugar onde iniciamos a caminhada junto a uma bifurcação depois de alguns metros que se atravessa 2 pontes de madeira seguidas sobre o Rio Preto.

Seguindo em frente a estrada vai terminar próximo da Pousada Tiatiaim, mas a nossa direção é seguir na bifurcação da direita.

A altitude aqui é de pouco mais de 1300 metros e ainda tínhamos de chegar a uns 2100 metros.

Marcando com a Márcia de pegarmos a gente só daqui a 4 dias na parte baixa do PNI, nos despedimos e só torcíamos que não chovesse e não acontecesse nada de mal, pois sinal de celular é bem difícil de ter nessas 2 travessias que íamos fazer.

 

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As 09h25min iniciamos a caminhada, seguindo pela bifurcação por um pequeno trecho de estrada de terra e uns 50 metros antes do término dela, que vai dar em uma casa, saímos à esquerda até cruzar uma cerca de arame e dali para frente foi só seguir morro acima.

 

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A trilha é bem demarcada e com início bastante íngreme e atrás de nós já surgiam visuais do vale do Rio Preto com as vilas ao fundo e as 09h50min chegamos na primeira bica de água da trilha onde abastecemos e seguimos em frente.

 

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Por volta das 10:00 hrs alcançamos a crista que divide 2 vales: para esquerda é o Rio Preto que passa ao lado da Praça de Maromba e da direita é o vale do Rio Morro do Cavado, que segue paralelo ao Rio Preto.

 

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A altitude aqui está em aproximadamente 1500 metros e daqui para frente seguimos para esquerda até o topo da trilha (para direita, a trilha desce em direção a Cachoeira da Santa Clara)

Quando passei aqui em 2003 vindo do Parque do Itatiaia, as voçorocas na trilha já existiam e sempre foram enormes, mas as 11h30min encontrei uma novidade: uma placa indicando água a 140 metros da trilha, do lado direito, mas nem chegamos a conhecer, pois tínhamos água o suficiente da bica anterior.

 

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Fica aí a dica se quiser pegar água na subida. Aqui é o melhor local.

Conforme íamos subindo, de vez em quando apareciam alguns descampados no meio da subida, mas pelo menos o Sol tinha dado uma amenizada.

 

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Por volta das 12h15min pegamos um longo trecho plano na trilha onde era possível avistar a Serra do Papagaio com o pico bem ao norte.

 

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Terminando o trecho no plano, a trilha se divide em duas: uma que segue um pouco para esquerda subindo um pequeno morro e a outra que continua no plano, contornando o morro pela direita.

 

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A trilha da direita eu já conhecia, pois em 2003 eu tinha vindo por ela (essa é a que passa pelo Subidão da Misericórdia).

A trilha da esquerda segue descendo por um imenso vale com belo visual e termina junto ao Sítio do falecido Sr. Anísio.

 

Ficamos na dúvida sobre qual trilha seguir e resolvemos descer pela esquerda mesmo.

 

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Iniciamos por volta das 13:00 hrs em meio a arbustos e trechos de mata fechada.

 

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Passamos por uma pequena casa no meio da descida e uma pequena bica de água para terminar junto ao Sítio cerca de 1 hora depois.

Saímos em uma estrada de terra, passando ao lado da Pousada do Matão e quando chegamos na estrada principal depois de uns 5 minutos, viramos a esquerda em direção a casa do Sr. José Rangel (um dos filhos do falecido Sr. Anísio).

 

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Em 2003 tinha pernoitado em seu pequeno chalé com valor de $40,00/pessoa.

 

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Percebi que um deles está pintado e outro está sendo construindo ao lado. Logo que chegamos, ele já veio bater um papo com a gente e perguntou se não queríamos ficar no chalé, mas pelo horário (14h15min) vimos que era possível chegar na Cabana Cabeceiras do Aiuruoca e lá fomos nós.

 

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Aqui um aviso aos que forem continuar a trilha até a Cabana, pois existem 2 trilhas (uma que segue próximo ao Rio Aiuruoca, mas não muito demarcada e quase sempre no plano e uma outra que é bem mais longa e com subidas fortes).

 

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Por nossa distração nem percebemos que pegamos a trilha mais longa e só descobrimos quando chegamos na Cabana pouco antes das 17:00 hrs (talvez essa trilha nem exista mais).

 

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Lembro que em 2003 fiz esse trecho pela trilha mais curta em pouco menos de 1h30 min - o grande problema dela é que em razão do desuso, a trilha tá se fechando em alguns trechos.

 

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Quando chegamos na Cabana, o lugar estava vazio e fechado. Montamos nossas barracas bem ao lado do Abrigo (quem quiser ficar dentro do Abrigo, existe um telefone para reserva).

 

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Depois de uma explorada pelo entorno onde encontrei algumas caixas com abelhas para produção de mel e um banho tomado no rio de água gelada, fui fazer o jantar. Durante a noite choveu por umas 2 horas, o que até ajudou a dormir melhor e durante a madrugada dei uma olhada no termômetro que marcava por volta de 10ºC.

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Continua no 3º dia

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3º dia (13/07- Terça-feira) – Continuação da Serra Negra – Da Cabana até antiga Pousada do Alsene, passando pela Cachoeira do Aiuruoca

 

Naquela manhã de Terça-feira, dia 13 de Julho, acordei com o alarme do celular e depois de um breve café da manhã, tínhamos pela frente um trecho onde eu nunca caminhei.

Estávamos um pouco abaixo da altitude de 1800 metros e naquele dia tínhamos que chegar a pouco mais de 2400 metros, o que não era muita coisa.

Junto à Cabana existe a continuação da trilha, que são 2: uma que segue na direção da antiga Pousada Alsene, terminando próximo dela e outra que segue na direção das nascentes do Rio Aiuruoca, pela trilha oficial do PNI: a travessia Rebouças – Serra Negra – Mauá.

A que segue para o Alsene é só atravessar o Rio Aiuruoca onde existia uma ponte de madeira (é bem fácil identificar o lugar) e dali subida íngreme por antiga estrada. A outra trilha é só seguir na direção leste, passando pelas caixas onde ficam as abelhas até encontrá-la entrando na mata fechada, seguindo com o rio do lado direito.

Saímos da Cabana por volta das 09:00 hrs e a trilha é bem nítida, só o tempo é que não estava ajudando, pois de vez em quando caia uma garoa bem fina.

 

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Depois de uns 30 minutos cruzamos o Rio Aiuruoca para a margem direita e continuamos margeando ele até chegar em um enorme descampado, conhecido como Invernada, um pouco abaixo da altitude de 2000 metros (o lugar era ou ainda é usado para criação de animais, haja vista a quantidade de merda de cavalos e vacas que encontramos na trilha).

 

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O lugar é bem plano e com um abrigo perfeito para passar a noite e dali era possível avistar a Cachoeira do Mane Emídio, a leste bem ao fundo.

 

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A continuação da trilha é um pouco confusa, pois um pouco acima do abrigo parece que sai uma trilha, mas resolvemos seguir até o final do descampado, onde encontramos vestígios de trilha que vai subindo e contornando o morro da direita (é preciso tomar cuidado, pois os animais deixaram várias trilhas paralelas que podem confundir).

 

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Depois de pegar um pequeno trecho de mata fechada, as 10h20min emergimos em uma área de capim elefante e daqui era possível avistar o topo da Cachoeira do Mané Emídio.

Conforme íamos subindo, outras trilhas paralelas iam se juntando à principal até chegarmos a uma pequena crista que divide 2 vales. Aqui encontramos uma trilha bem demarcada que vem da direita e provavelmente é aquela que sai atrás do abrigo.

Com as 2 trilhas se encontrando e seguindo para esquerda, a caminhada ficou mais fácil, pois já apareciam algumas fitas presas nas árvores e pouco depois das 11:00 hrs saímos da mata fechada e emergimos novamente em área de capim elefante e arbustos.

 

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Agora é mais um trecho de subida até uma outra crista, mas sempre com o Rio Aiuruoca do lado esquerdo e daqui já era possível ver todo o percurso que já tínhamos feito atrás de nós.

 

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Mais alguns minutos por um trecho plano e chegamos na Cachoeira do Rio Aiuruoca pouco depois das 12:00 hrs.

 

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Estávamos bem de frente para o vale das nascentes do Aiuruoca e dos Ovos de Galinha e daqui sai uma trilha que atravessa o rio e segue em direção à Visconde de Mauá, passando pelo Rancho Caído.

 

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Os picos mais altos ao redor do vale estavam todos encobertos, mas o visual daquele lugar é de encher os olhos.

 

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Depois de um pequeno descanso seguimos pela trilha em direção ao Rebouças, mas não chegamos até lá.

 

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Depois de sair do vale das nascentes e a poucos minutos de chegar na base da Pedra do Altar, cruzamos com um grupo de 3 pessoas do RJ dizendo que tinham o intuito de fazer a limpeza da trilha que desce para Visconde de Mauá, passando pelo Rancho Caído.

 

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Eram por volta das 13:00 hrs e depois de lhes desejarmos sorte na empreitada, continuamos a caminhada e quando começamos a seguir para a esquerda na direção da Pedra do Altar, abandonamos a trilha principal e seguimos para direita, como se estivéssemos saindo dos limites do Parque. Eram 13h10min e daqui para frente não existia trilha demarcada e tínhamos que ir escalaminhando rochas e varando capim e arbustos para contornar o morro da esquerda.

Uma trilha semelhante eu tinha visto no site de um guia de montanha, chamado Tácio, então pensei porque não continuar por ela até o Alsene, evitando passar pelo Rebouças.

 

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A direção que seguíamos era sempre noroeste, como se estivéssemos saindo do PNI e até pegamos trechos com vestígios de trilha, mas parece que eram bem antigos, pois estavam se fechando.

 

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A navegação nesse caso era sempre no visual, consultando as cartas topográficas e algumas imagens do Google Earth que eu estava levando.

Depois de cruzar alguns riachos e caminhar por mais de 1 hora sem muitas subidas e descidas próximo da altitude de 2450 metros, seguimos para oeste e iniciamos a subida até a crista que divide o PNI do vale do Rio Aiuruoca.

 

Nesse trecho de subida encontramos uma trilha bem demarcada e as 14h40min chegamos no topo da crista.

Daqui era possível avistar do lado norte a Invernada e todo o vale do Rio Aiuruoca; ao sul um pequeno lago encravado no meio dos vales e a sudoeste o Morro da Massena, isso quando as nuvens permitiam vê-lo.

 

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No fundo do vale, junto ao lago encontramos um descampado muito grande, provavelmente de camping selvagem.

Parece que não éramos os únicos a caminhar por aqui.

Nossa direção agora era seguir entre o vale que divide os Morros da Massena do lado esquerdo e Morro da Massena Noroeste à direita.

 

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Em 1998 já tinha chegado ao topo do Massena Noroeste, então eu sabia que existia uma trilha que descia até o Alsene, nosso objetivo naquele dia.

 

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Nesse trecho a caminhada foi só no visual, sem vestígio de qualquer trilha (parece que ninguém tem chegado no topo do Massena Noroeste a muito tempo), mas sem maiores dificuldades, já que o capim e os arbustos não eram tão altos e só no trecho final tivemos alguns problemas para varar os arbustos e o capim.

 

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E pouco depois das 17:00 hrs chegamos no riacho que fica atrás do Alsene.

No dia que passamos aqui, apesar de estar lacrado pela Justiça, pudemos comprovar que existia um vigia cuidando das instalações da antiga Pousada (confirmado pelo pessoal do PNI), pois ouvimos um rádio ligado no interior da antiga pousada.

Naquela noite de Terça-feira choveu bastante e com fortes rajadas de vento.

A temperatura ambiente deve ter chegado próxima de zero, mas estávamos bem protegidos.

 

 

Continua no 4º dia

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4º dia (14/07- Quarta-feira) – Início da Travessia Rui Braga até o Abrigo Macieiras

 

Acordamos na manhã seguinte com tempo nublado, mas sem chuvas e agora tínhamos a Travessia Rui Braga pela frente. Até aquele tudo ocorreu como planejado.

Estávamos com a Autorização para a travessia da Rui Braga para fazê-la em 2 dias, pernoitando em algum dos Abrigos Massenas ou Macieiras, apesar de que a Rui Braga dá para ser feita em apenas 1 dia de caminhada.

Pegamos dias nublados, só chovendo durante a noite.

 

Fotos da Travessia Rui Braga

 

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A Quarta-feira, 14 de Julho amanheceu com tempo nublado, mas pelo menos sem chuvas e nesse dia iríamos fazer a Travessia Rui Braga em 2 dias, já que a Márcia estava nos aguardando no dia seguinte na parte baixa do PNI.

Na travessia da Serra Negra ficamos sem sinal de celular por 2 dias e só contávamos que na Rui Braga conseguíssemos para dar sinal de vida aos nossos familiares.

 

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Mochilas prontas, seguimos para a portaria do PNI (posto Marcão) e lá entregamos a Autorização da travessia e pagamos a taxa de $11,00.

O lugar estava deserto e parece que éramos os únicos a fazer alguma travessia no Parque.

 

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O funcionário só demorou um pouco para nos liberar porque na solicitação que eu enviei, não tinha colocado que iriamos pernoitar no Parque e depois de acionar o pessoal da Administração do PNI pelo rádio, recebemos a autorização para fazer a travessia.

Estávamos na altitude de pouco mais 2400 metros e nosso plano era caminhar até o Abrigo Macieiras, na altitude de 1850 metros.

O total da caminhada, se fossemos direto até o final da trilha, junto ao Piscinão de Maromba seria de uns 30 Km, mas era muito para apenas 1 dia (até dá para fazer, já que boa parte da trilha é sempre descendo, mas tem de entrar bem cedo no Parque).

 

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Mochilas nas costas de novo, saímos da Portaria as 09:50 hrs e seguimos em direção ao Rebouças pela estrada, onde chegamos as 10h20min e daqui só víamos uma neblina espessa sobre o Agulhas Negras.

 

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Passamos direto e continuando pela estrada que na verdade é a Rodovia BR 485 (coisas do Pres. Getúlio Vargas) que em alguns pontos ainda apresentam trechos de asfalto em bom estado de conservação, mas perde um pouco da magia, já que é uma aberração construir uma estrada em um lugar como esse.

 

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Tendo o Rio Campo Belo do lado esquerdo, logo passamos pela Cachoeira das Flores e as 10h50min chegamos ao final da estrada e na bifurcação para o Pico das Prateleiras.

 

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Aqui existe uma placa enorme da Travessia Rui Braga e daqui para frente a caminhada tem de ser feita pela trilha que apresenta inúmeras voçorocas e algumas até perigosas, por isso muita atenção nesse trecho.

 

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Seguindo pela trilha, vamos passando por algumas áreas de charco, mas em alguns pontos o pessoal colocou totens que sinalizam a evitar esses lugares.

 

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Por volta das 11h50min a trilha se abre para o enorme vale do Rio Campo Belo à esquerda e já é possível ver ao Sul uma construção, que são as antigas ruínas de um posto meteorológico.

 

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Por volta de 12h10min e logo que terminamos esse trecho de descida, chegamos em uma área de capim elefante.

Um pouco mais a frente uma bifurcação que pode confundir, já que as trilhas são bem demarcadas.

Dando uma olhada na antiga Revista do Beck percebo que a bifurcação da direita é na verdade a Trilha do Pinhal, que ele fez a muito tempo atrás e parece que está sendo usada, pois a trilha está bem visível.

A trilha que devemos seguir é a da esquerda, tendo como referencia as antigas ruínas que são vistas a cerca de 15 minutos no alto do morro (existem totens apontando a trilha correta – é só procurar no alto de algumas pedras).

 

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Chegamos às ruínas pouco antes das 12h30min, saindo à direita da trilha principal.

Aqui somente as paredes estão de pé e o telhado nem existe mais.

 

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Daqui é possível ter uma vista bem privilegiada da Serra das Prateleiras não muito longe daqui.

Pode se visualizar também uma parte do telhado do Abrigo Massenas, escondido por entre as árvores. Voltamos à caminhada e chegamos ao Abrigo depois de uns 7 minutos, antes cruzando um pequeno trecho de mata fechada.

 

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Água é possível encontrar na trilha principal uns 200 metros antes de chegar ao Abrigo, mas como a bica de água é em pequena quantidade, tome cuidado que pode estar seca em algumas épocas do ano.

 

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A altitude no abrigo é de 2200 metros e o lugar é enorme, mas apenas onde fica a lareira está parcialmente encoberto.

 

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Eu não recomendo bivacar aqui já que os ratinhos podem ser um visitante incômodo durante a noite e para piorar, o piso é de madeira e está um pouco apodrecido; eu montaria a barraca do lado de fora, na área coberta, junto à varanda.

 

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Chegamos aqui pouco antes das 13:00 hrs e na sala da lareira encontramos um pequeno armário com alguns alimentos (tinha até 2 cup nodles) e uma Bíblia Sagrada.

Deixamos nossas mochilas aqui e subimos até um mirante onde existem antigas ruínas de uma Torre de TV.

 

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O lugar possui uma laje de concreto, mas também não vale a pena acampar e aqui conseguimos falar no celular.

Daqui é possível visualizar boa parte do Vale do Paraíba e Serra Fina.

 

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Depois de descansar por alguns minutos e comer um lanche no Abrigo Massenas, saímos em direção ao Abrigo Macieiras as 14:00 hrs por uma trilha bem demarcada à leste.

 

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Uns 10 minutos de trilha e chegamos a um trecho bem extenso de brejo e aqui não tem jeito; vai ter de molhar as botas.

Existem algumas telhas do abrigo, mas não ajudam muito (eu cheguei a afundar os pés até as canelas, mas pelo menos saimos inteiros de lá).

 

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Passando essa área se tem a impressão que a trilha está voltando, mas é só por pouco tempo, já que logo ela bifurca para a direita e segue descendo na direção Sul com o enorme vale do lado esquerdo.

 

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O visual é de encher os olhos.

Passamos por algumas nascentes de água e as 15h45min chegamos no Abrigo Macieiras, do lado esquerdo.

 

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O lugar também está em ruínas, mas é coberto, porém o único lugar adequado para montar barraca é na sala.

 

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Bivacar aqui também é um problema porque os ratinhos são moradores permanentes do lugar e as paredes e o piso são de madeira o que facilita a circulação deles.

Como eu já tive problemas em acampar em lugares como esse, resolvo montar a barraca do lado de fora.

 

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Água pode ser encontrada atrás do Abrigo, seguindo por uma trilha de uns 50 metros, mas que pode estar seca se for época de estiagem, por isso traga água dos riachos que são cruzados na trilha.

Como já era nosso último dia, resolvi fazer toda a comida que eu tinha, até para não levar de volta (ainda deixei em um pequeno armário 2 miojos, que depois fiquei sabendo continuam até hoje lá).

Durante a noite choveu novamente, mas somente por algumas horas.

 

 

Continua no 5º dia

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5º dia (15/07 - Quinta-feira) – Do Abrigo Macieiras até o final da Travessia, junto ao Piscinão de Maromba.

 

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A Quinta-feira amanheceu com o Sol aparecendo atrás do Abrigo e por volta das 10:00 hrs saímos em direção ao final da trilha.

 

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Bem demarcada, ela segue descendo por vestígios de uma antiga estrada, que tá quase toda tomada pelo mato. Em alguns trechos surgem proteções de concreto ao longo da trilha e muito bambuzal.

 

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Sem problemas de navegação, boa parte da trilha segue com alguns zig zags e pouco depois das 12:00 hrs chegamos a um portão de metal, colocado no meio da trilha.

 

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Daqui para frente já é uma estrada de terra muito usada por veículos do PNI que leva até o final da trilha junto ao Piscinão de Maromba, onde chegamos as 12h20min.

 

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Aqui um vigia anotou nossos nomes para dar baixa da nossa travessia na Admn. O problema era contatar a Márcia, já que não tínhamos sinal de celular e por isso resolvemos conhecer o Piscinão e a Cachoeira Véu da Noiva.

 

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Pouco depois das 13:00 hrs iniciamos a descida, torcendo para que o carro com a Márcia passasse por nós, mas em vão e pouco depois do prédio da Administração do PNI resolvemos aguardar, mas como já eram pouco mais de 16:00 hrs, tentei novamente ligar para ela, mas só consegui receber uma mensagem SMS dizendo que estava no Piscinão de Maromba nos aguardando. Que p. desencontro.

 

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O que aconteceu foi de que ela levou a Sophia para almoçar em um restaurante de uma pousada próxima ao Piscinão e justo naquele momento estávamos descendo pela estrada e não vimos o carro dela estacionado na pousada e com isso só fui encontrá-la no Centro de Visitantes que não era muito longe de onde paramos.

Depois de colocar todas as mochilas no carro, seguimos pela Via Dutra para chegar em Sampa no meio da noite.

 

 

É isso aí.

 

Depois eu posto as dicas e algumas informações úteis.

 

 

Abcs

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Algumas dicas e informações atualizadas para quem pretende fazer essas 2 travessias ou qqer uma delas:

 

# Relatos do Sandro:

Serra Negra - clique aqui

Rui Braga - clique aqui

 

# Tracklog da Serra Negra: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=1128560

 

# Tempos de caminhada da Serra Negra

- Início da trilha em Maromba, junto as 2 pontes sobre Rio Preto até a Pousada do Sr. José Rangel (filho do Sr. Anísio): cerca de 4 horas.

- Chalé do Sr. José Rangel até Abrigo Cabana do Aiuruoca: quase 3 horas pela trilha mais longa.

- Abrigo Cabana até Nascentes do Aiuruoca: 3 horas.

- Nascentes do Rio Aiuruoca até a antiga Pousada Alsene: cerca de 5 horas

 

# O trecho da Serra da Pedra Selada que dá acesso a Visconde de Mauá está todo asfaltado e pelo que fiquei sabendo querem implantar um pedágio na estrada (espécie de taxa de conservação para quem quiser acessar a Vila de Visconde de Mauá).

 

# No acesso a Pedra Selada é cobrada uma taxa: $5,00 de estacionamento e $3,00/pessoa.

 

# No início de 2013 se iniciou a pavimentação da estrada que liga as Vilas de Visconde de Mauá até Maringá. Dali até Maromba só o tempo dirá se vão asfaltar também.

 

# Em Maromba é possível encontrar inúmeras pousadas e preços variados, assim como vários campings.

A Márcia ficou 4 dias na Pousada Águas Claras em suíte com lareira:

http://www.pousadaaguasclaras.com.br

 

# Fique pelo menos uns 2 dias em Maromba. Vale a pena conhecer a Cachoeira do Escorrega, o Poção de Maromba e outras cachoeiras próximas.

 

# Na Vila de Maromba são poucos os horários de ônibus que chegam ou saem da Praça Principal para Resende (Graal) e de lá para outras cidades:

Clique aqui

 

# No Rio Preto não é recomendável tomar banho a partir da Praça de Maromba, devido ao lançamento de esgoto. Do Poção de Maromba para cima a água já é de melhor qualidade.

 

# Na travessia da Serra Negra, saindo de Maromba é possível encontrar 2 pontos de água ao longo da subida.

 

# Ao chegar no Chalé do Sr. José Rangel (filho do Sr. Anísio), se quiser evitar a trilha mais longa, procure se informar por uma outra trilha mais curta que leva ao Abrigo Cabana Cabeceiras do Aiuruoca e quem estiver saindo da Cabana sentido Chalé, é só pegar a bifurcação da esquerda depois de uns 200 metros de trilha. Porém quem quiser seguir por ela, tem de ter faro de trilha.

 

# É possível ficar hospedado dentro do Abrigo Cabana Cabeceiras do Aiuruoca. Reservas: (24) 3387- 1433 (Marinalva).

Na parte de fora do Abrigo é possível o camping selvagem.

 

# Quem quiser ficar na Pousada-chalé do filho do Sr. Anísio (Sr. José Rangel), tente ligar nesses números para reserva: (35) 9965-6515 ou (35) 9915-2460 ou (35) 9149-7746.

 

# Sinal de celular (operadora Vivo) na Travessia da Serra Negra é muito difícil conseguir.

Dizem que é possível próximo ao antigo Alsene.

 

# Se quiser fazer qualquer travessia no interior do Parque Nacional é necessário solicitar a Autorização:

http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/reservas.html

 

# Logística é sempre um problema na Travessia da Serra Negra, tanto para iniciar em Maromba quanto no Alsene. Abaixo seguem alguns contatos de Itamonte que podem levar você até o Alsene ou resgatá-lo, dependendo em que sentido está fazendo a travessia:

- Taxista Marquinhos (35) 9113-1214

- Sr. Samuel (35) 9113-1700

- Zezinho (35) 9113-0745

- Carlinhos (35) 9109-1185

- Maú (35) 9216-4793

 

# Criei um tracklog da Travessia Rui Braga

http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=1128164

 

# Tempos de caminhada da Travessia Rui Braga

- Da portaria do PNI (Posto Marcão) até o Abrigo Massenas: 02h30min.

- Abrigo Massenas até Abrigo Macieiras: 01h40min.

- Abrigo Macieiras até o final da trilha, junto ao Piscinão de Maromba: 02h15min.

 

# Na Travessia Rui Braga só consegui sinal de celular no mirante das ruínas da Torre de TV, junto ao Abrigo Massenas.

 

# Desde o final da travessia Rui Braga, junto a Piscinão de Maromba até a Via Dutra são mais de 10 km.

 

# Na Rui Braga, junto aos Abrigos Massena e Macieiras é possível encontrar pontos de água próximos, mas que podem estar secos em época de estiagem. Tome muito cuidado com isso.

 

# Logística é sempre um problema nessa travessia, já que o acesso a parte alta do PNI somente com veiculo.

Abaixo seguem alguns contatos de Itamonte que podem levar você até o Alsene ou resgatá-lo, dependendo em que sentido está fazendo a travessia:

- Taxista Marquinhos (35) 9113-1214

- Sr. Samuel (35) 9113-1700

- Zezinho (35) 9113-0745

- Carlinhos (35) 9109-1185

- Maú (35) 9216-4793

 

# Para se fazer essa travessia é necessário solicitar autorização do PNI

http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/reservas.html

 

# Existe um ônibus circular que faz a linha PNI – Rodoviária de Itatiaia com poucos horários:

http://www.itatiaia.rj.gov.br/servico/226/informacoes-uteis

 

# Algumas informações sobre as travessias no PNI:

http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/guia-do-visitante.html

 

 

 

 

É isso aí pessoal.

 

 

Abcs

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  • 6 meses depois...
  • Membros

Salve Augusto!

Primeiro parabenizo pelos relatos, sempre interessantes e informativos.

Acompanhava o fórum esporadicamente, caçando informações, e agora q tenho planos concretos de um trip pra conhecer a Serra da Mantiqueira (particularmente essa região do PNI) me cadastrei e essa é minha primeira participação.

Sobre esse percurso descrito por você, acha viável (e seguro) ser encarado por quem não conhece nada da região nem tem muito experiência em trilhas? E sobre o nível de dificuldade, muito pesado?

Minha (pouca) experiência em trilhas limita-se a pequenos percursos no litoral norte de SP e sul do RJ.

Li tb seu relato sobre acampar no topo da Pedra do Baú e tb me interessei.

No momento estou atrás de informações pra planejar a viagem provavelmente pro feriado de Tiradentes.

Já agradeço!

Abço!

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Blz Massagua.

 

P/ vc que não tem experiência e conhece pouco da região, eu recomendaria a travessia da Serra Negra.

Nessa travessia é até capaz que vc encontre com algum morador indo ou vindo de Maromba.

E tente fazê-la no sentido PNI-Maromba.

Em 2003 fiz a travessia nesse sentido.

O relato é esse:

http://www.mochileiros.com/travessias-marins-itaguare-serra-fina-e-serra-negra-juntas-em-uma-so-caminhada-t1100.html

 

A Rui Braga é um pouco complicada, ainda mais p/ vc que não tem experiência.

Considero a Serra Negra e a Rui Braga travessias medianas, apesar de que a Serra Negra é caminho de vacas. E é muito usado por moradores da região.

Já na Rui Braga isso não acontece.

 

Sua pretensão é fazer essas 2 travessias também?

 

Qto a Pedra do Baú, é muito mais fácil, já que a trilha parece uma estrada e acampar no topo é maravilhoso.

 

 

Abcs

 

 

 

 

Salve Augusto!

Primeiro parabenizo pelos relatos, sempre interessantes e informativos.

Acompanhava o fórum esporadicamente, caçando informações, e agora q tenho planos concretos de um trip pra conhecer a Serra da Mantiqueira (particularmente essa região do PNI) me cadastrei e essa é minha primeira participação.

Sobre esse percurso descrito por você, acha viável (e seguro) ser encarado por quem não conhece nada da região nem tem muito experiência em trilhas? E sobre o nível de dificuldade, muito pesado?

Minha (pouca) experiência em trilhas limita-se a pequenos percursos no litoral norte de SP e sul do RJ.

Li tb seu relato sobre acampar no topo da Pedra do Baú e tb me interessei.

No momento estou atrás de informações pra planejar a viagem provavelmente pro feriado de Tiradentes.

Já agradeço!

Abço!

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Valeu, Augusto!

Não sei ainda se faço as duas travessias, na verdade minha intenção é conhecer o PNI e passar o feriado (tiradentes e páscoa) na região. Caso achemos viável podemos até fazer.

Sobre sua recomendação de fazer a travessia de Serra Negra no sentido PNI-Maromba, é por ser mais fácil?

Qto ao transporte pra essa região (ônibus) é tranquilo?

Mais uma vez, obrigado!

 

Danilo.

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  • Membros de Honra

A travessia da Serra Negra, que se inicia lá no Rebouças e termina perto da Cachoeira do Escorrega em Maromba é longa, mas não é dificil. A trilha é demarcada. O trecho final é quase uma estrada.

 

Vc só terá de fazer a reserva dessa trilha direto no PNI. Tem de ter a autorização.

E p/ vc é uma boa porque aí vc já conhece o Abrigo Rebouças e uma parte do PNI.

 

Qto ao transporte, é um problema.

Muita gente tenta carona lá na Garganta do Registro, mas não é fácil.

O ideal é vc pegar um táxi em Itamonte mesmo.

Fazer no sentido contrario (iniciando em Maromba e terminar dentro do PNI) é mais complicado ainda porque aí vai ter depender de carona p/ sair de lá. Acho arriscado.

 

 

Abcs

 

 

 

Valeu, Augusto!

Não sei ainda se faço as duas travessias, na verdade minha intenção é conhecer o PNI e passar o feriado (tiradentes e páscoa) na região. Caso achemos viável podemos até fazer.

Sobre sua recomendação de fazer a travessia de Serra Negra no sentido PNI-Maromba, é por ser mais fácil?

Qto ao transporte pra essa região (ônibus) é tranquilo?

Mais uma vez, obrigado!

 

Danilo.

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  • Silnei changed the title to Travessias da Serra Negra e Rui Braga juntas

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    • Por Marco_AV
      Fala pessoal! 
      Faz um tempo desde minha última postagem.. pandemia postergou várias viagens planejadas, mas aqui estamos para mais um relato! Apesar de já ter feito algumas trilhas e escaladas em algumas viagens, como por exemplo a Table Mountain na África do Sul e o Monte Etna na Itália, essa foi a primeira viagem que fiz especificamente para isso, portanto, merece um relato mais detalhado, principalmente para aqueles que, assim como eu, são aventureiros de primeira viagem. Sem mais delongas, vamos ao relato! 
      Bom, eu e mais um amigo, após descobrir sobre o Parque Nacional do Itatiaia (1° parque nacional do Brasil que abrange três estados do Brasil, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), ficamos ansiosos para fazer as trilhas do parque. Alguns pontos aqui.. Eu achei muito mal explicado as coisas no site do parque, tive que caçar diversas fontes de informações pra conseguir ir certinho. Pela lista de guias do site, fechamos com o guia Ian, da agência Bem da Terra, e acabamos acertando em cheio.. o guia era super gente boa e atencioso! Ficou R$ 450,00 para duas pessoas para irmos na segunda-feira ao Pico das Agulhas Negras. É necessário também ingresso para entrar no parque, que estava incluso nesse valor, e pedimos ao guia para comprar um dia a mais de visitação, o que nos poupou um tempo extra de ter que fazer isso na hora. Um casal de amigos meus foram ao parque recentemente e me recomendaram a Pousada Bululu, onde ficamos também. O dono, Bululu é um cara muito simpático e fez toda diferença durante nossa estadia.. a pousada fica à 20 minutos da entrada da estrada que vai pro parque e cerca de 5 minutos do centro da cidade. Pagamos R$ 260,00 a diária para duas pessoas com café da manhã incluso.. destaque para a pousada: 

      Vista da pousada acima.. passa um riozinho bem do lado. 
      Escolhemos o feriado de 7 de setembro, saímos no sábado, com retorno previsto para a terça-feira. Existem algumas maneiras de chegar no parque.. como saímos de Campinas, fomos pela Dom Pedro / Dutra.. escolha errada. Pegamos muito trânsito, mesmo saindo no sábado, levando em torno de 6 horas pra chegar em Itamonte (Aqui vale uma ressalva.. o parque é muito grande, então dependendo do atrativo que você quiser visitar, é recomendado ficar na cidade mais próxima e, no nosso caso, Itamonte era essa cidade.. que fica em Minas Gerais). Chegando na cidade, passamos no mercado para comprar comida para os dias do parque (coisas pra lanches, frutas, água, castanhas, etc.). 
      1° Dia - Prateleiras
      Bom, como tínhamos um dia longo pela frente na segunda-feira, queríamos conhecer o parque e fazer alguma trilha mais tranquila e menos cansativa no domingo. Saímos da pousada às 9 horas e fomos em direção ao parque.. após 20 minutos na estrada, a entrada do parque fica à 15 km em uma estrada muito (MUITO!) ruim.. leva em torno de 1 hora para percorrer esses 15km.. é triste de ver a situação precária da estrada, considerando que é uma BR. O desprezo é um espelho do que acontece em várias áreas do país.. mas, enfim. Chegamos na entrada do parque por volta das 11 horas (quase sempre pega-se fila pra entrar no parque, precisa preencher alguns termos, dizer qual atrativo você vai, etc.), estacionamos logo na entrada.. outro ponto a ressaltar aqui. O parque é muito grande.. da entrada do parque até o Abrigo Rebouças que é o mais próximo das trilhas dá em torno de 3km, ou seja, pra ir e voltar pra entrada são 6km que você terá a mais além do percurso da trilha, então, procure parar o mais próximo possível do começo da trilha que você for fazer. Acabamos optando pelo Pico das Prateleiras, onde à princípio iriamos até a base dela, pois até o cume precisaria de guia e seria mais exaustivo também. A ida até a base é bem tranquila.. leva em torno de 1 hora.. porém, chegando lá, quisermos ir um pouco mais, e desse pouco mais, acabamos indo até o cume 😬, pois nos enturmamos com um pessoal que estava com guia e acabamos indo junto.. Valeu todo o esforço que não tínhamos planejado (e que não foi pouco!). A vista de lá era surreal! 
       
      Ao longo da trilha.


      Há alguns trechos como esse, onde você tem que passar por dentro das rochas. 

      Vista do cume. Observação para a caixa metálica, onde contém um livro que as pessoas que sobem podem assinar, deixar alguma mensagem, etc.
      Na volta do cume, o pessoal ia fazer um rapel em um dos pontos e nos seguimos sem eles.. quando chegamos na base, a gente não conseguia encontrar o caminho de volta e aqui fica um adendo.. o Prateleiras é muito mais simples do que o Agulhas Negras, mas, sempre optem por um guia, ou alguém que já conheça o percurso para evitar se perderem igual aconteceu com a gente. Por sorte, tinham algumas pessoas lá que nos auxiliaram na volta.. Todo esse percurso, até o carro que estava quase na portaria 😪 levou em torno de 5/6 horas, mais 1h30 até a pousada, chegamos em torno das 18:30. Resumindo, tínhamos um longo dia pela frente na segunda e chutamos o balde no domingo, rs. Mas, valeu todo o esforço! E um check em um dos atrativos mais visitados no parque. Chegando na pousada, jantamos e logo fomos dormir.. tínhamos que estar na entrada do parque as 7 horas da manhã para encontrar o guia 😬.
      2° Dia - Pico das Agulhas Negras
      Acordamos as 04:30 da manhã para conseguir chegar ao parque as 7hrs. Ponto positivo para a pousada, que deixou preparado o café da manhã mesmo nesse horário. Como eles estão acostumados com o pessoal saindo cedo, bastou falar para o Bululu que ele já se dispôs a fazer essa gentileza pra gente. Bom, nos reunimos com o pessoal que ia junto com a gente para a trilha, e fomos em 11 pessoas (2 guias). Eu acho que foi mais gente do que deveria, para esse tipo de trilha, considerando que tem vários trechos com rapel, demora muito para todo mundo caminhar junto.. acredito que um grupo de 4 a 5 pessoas seja o ideal. Enfim, seguimos do Abrigo Rebouças em direção ao Pico das Agulhas Negras, sendo que o trajeto todo, subindo e descendo duraria em torno de 8/9 horas. Até a base do pico é bem tranquilo, caminhada sem muitos esforços.. à partir da base é que a coisa começa a complicar (bem mais do que o Prateleiras). A diferença entre as duas é que o Agulhas tem muitos mais trechos de pedra e o esforço com os joelhos e com os braços é muito maior..

      Primeiro trecho de rapel.

      Eu, Gui e Ian (nosso guia) no segundo trecho de rapel, à 10 minutos do cume.

      Vista do cume das Agulhas Negras (na verdade esse cume é o que chamam de cume "falso", pois existe um ao lado, que é preciso fazer 1 rapel de descida e mais um de subida, e é o verdadeiro cume, onde também fica localizado o livro para assinar. Obviamente que fomos, mas nem todos os guias levam até lá, e também nem todas as pessoas vão, pois é um pouco mais complicado e exige mais, psicologicamente e fisicamente).

      Foto do cume do Agulhas Negras, à 2791m de altitude 🤘
      Como tinham algumas pessoas lá, demorou mais do que o previsto para descermos, sendo que começamos o retorno em torno de 13:30hr, o sol estava estralando! No retorno, na parte do segundo rapel, há uma possibilidade de fazer o rapel por um outro trecho, com 18 metros de altura.. foi muito massa!

      Segundo trecho do rapel, no retorno.
      A volta exige bem mais do que a ida.. uma por já estar cansado, e outra pelas pedras, que te fazem usar muito os joelhos e os braços.. Após um dia muito limpo, com muito sol, chegamos de volta no abrigo rebouças por volta das 17:30hr, e o tempo lá muda demais.. as 18hrs já estava fazendo 7, 8° graus.. ou seja, é sempre bom levar uma blusa reforçada, além de que, no cume das montanhas venta demais, e eu sempre ficava tirando e colocando a blusa..

      Na ponte do abrigo, com o pico das Agulhas Negras ao fundo, iluminado pelo sol já se pondo.
      Não preciso dizer que nosso retorno foi muito cansativo.. acumulando os dois dias de trilha, estávamos exaustos, mas de mente aberta e havíamos superado nossos medos de altura, rs. No retorno a pousada, só nos restou tomar um belo banho quente, jantar e preparar para o retorno no dia seguinte. Optamos por voltar por Minas, a estrada é de maioria pista única, mas o caminho é bem bonito, então valeu a pena! Espero fazer outras trilhas em breve, me despertou um sentimento muito bom, de superação e aventura.. e, espero ter ajudado também os montanhistas de primeira viagem, assim como eu!
      Obrigado e até a próxima!

    • Por Renato37
      Trilhas realizadas entre dias 15 a 18/06/2016.
       
      O Album com todas as fotos estão em:
      https://photos.app.goo.gl/dDkuMxErCcBUaRAv9
       
      - Introdução -
       
      Esse é um relato de uma aventura decidida na doidisse de ultima hora, motivada pela paixão pela natureza e que inicialmente iria ser totalmente solo, mas que no final, o que começou sozinho, terminou em um trio. Eu fiz coisas lá que saiu totalmente fora do padrão de quem já conhece ou já fez as trilhas e travessias do parque.
       
      Fazia anos que tinha o desejo de fazer um circuitão solo meio que no modo "light and fast" ou pelo menos com um grupo bem reduzido no Parque nacional do Itatiaia, abraçando apenas os picos do entorno e parte das 2 travessias, acampando e deixando toda a tralha pesada no Abrigo Rebouças e assim, podendo andar mais leve que uma pluma o dia todo, apenas com agua e lanche.
       
      Tinha planejado para fazer em 3 dias, mas que acabou levando 4. O começo teve perrengues como uma noite quase toda sem dormir, depois bivacando em uma cidade fantasma em um frio de 05ºC típico de cidades do alto da mantiqueira e ainda indo fazer uma travessia logo de cara no dia seguinte.
       
      Já sabendo que logistica para o Parque Nacional do Itatiaia (PNI ou Parna Itatiaia) não combinam, fui com a cara e coragem para encarar uma pernada de 14 km desde a Garganta do Registro até a entrada da parte alta do parque. E no inicio dessa semana, veio a chance.
       
      Com a previsão do tempo 100% favorável, (céu limpo, sem chuva e totalmente ensolarado) não resisti, fiz um rápido planejamento da logística do transporte sem carro (só por ônibus) e saiu 2 opções:
       
      1) Pegar um ônibus até Resende/RJ no horário das 18:15, e de lá, outro para Caxambu/MG (que passa pela Garganta do Registro, onde fica o inicio da estrada de terra que leva até a portaria da parte alta do parque) e Itamonte, que sai as 23:00hs da rodoviária do Graal de Resende/RJ. Ele sobe a serra e estaria passando pela garganta por volta da meia noite e meia. Dali, desceria na garganta e seguiria a pé no meio da noite até a entrada da parte alta do parque.
       
      # Considerando que a Garganta do Registro já está à 1.669 metros de altitude, seria meio caminho andado, sem precisar de suporte de veículo algum, já que para apenas uma pessoa, contratar um transporte dependendo, sai mais caro do que a ponte áerea Rio -SP...isso é, até lembrar das opções para grupos pequenos ou apenas 1 ou 2 pessoas.
       
      Mas...o problema é que a entrada do parque está a 14km dali. Então, calculei o percurso de acordo com meu ritmo em até 4 horas em subida constante da altitude de 1.669 até os 2.450 metros, onde fica o posto Marcão, chegando por volta das 5 ou 6 da manhã. Chegando pela manhã, teria o dia todo para aproveitar + os outros 2 dias, totalizando 3 dias. O sacrificio seria a caminhada no frio proximo ou abaixo de zero e uma noite inteira sem dormir. Só daria para dormir no onibus e olha lá.
       
      2) A outra opção era pegar o 1º ônibus (que sai as 7h00 do Tietê) em direção a Itanhandu/MG, depois um circular local até Itamonte/MG. De lá, pegaria um taxi direto para a entrada da parte alta. Teria minha noite para dormir, mas teria que acordar cedo e perderia boa parte do dia só na viagem, pois seria 4 horas e meia até Itanhandu, 30 minutos até Itamonte e mais 40 até proximo da antiga Pousada Alsene, que fica proximo da entrada do parque.
       
      Não precisaria andar no meio da noite com lanterna debaixo de frio de 0ºC comum em altitudes elevadas. Caminhar no frio não seria problema para mim, já que estou indo preparado para temperaturas negativas. Então, pensando nos pós e contras de ambas as opções, acabei escolhendo a 1º opção.
       
      Escolha feita, lá estava eu, em uma bela tarde ensolarada da metropole paulistana, saltando do metrô na Estação Tietê as 17:30. Embarquei no ônibus das 18:15 em direção a Resende/RJ. A viagem foi tranquila e cheguei em Resende por volta das 22:25 e fui logo procurar o guichê da empresa de ônibus que vai para Caxambu, Viação Cidade do Aço.
       

      Na Rodoviaria de Resende - RJ
       
      Achado o guichê, não vi ninguém, mas logo apareceu um fiscal e ao perguntar pelo onibus das 23:00h, ele me disse que logo chega e eu já fui comprando a passagem.
      Ao perguntar sobre descer na Garganta do Registro, o fiscal me disse que por conta de queda de barreiras no trecho da Serra nas últimas chuvas, só veiculos de passeio estão podendo subir e descer. Todo veiculo pesado teria que subir por Cruzeiro, dando a volta pelo lado paulista.
       
      O problema é que essa rodovia não passa pela Garganta do Registro e consequentemente, no inicio da estrada de terra que sobe para o parque. E era o último do dia. E agora, José?
       
      Sem alternativa e o tempo passando, não me restou outra opção que pegar esse ônibus e descer em Itamonte/MG, onde decidiria o que fazer assim que chegasse lá.
      A viagem foi tranquila e cheguei em Itamonte por volta das 1:40 da manhã. E logo fui procurar um lugar para ficar, mas não encontrei nenhuma, pois a cidade tava deserta, sem uma alma-viva e com tudo fechado (parecia cidade fantasma).
       
      Quem acha que cidade fantasma (ou que só tem vida durante o dia) não existe, então...convido a conhecer Itamonte/MG entre 1:00 e 5:00h da manhã...
      Após bater perna por quase 1 hora na "cidade fantasma" sem sucesso, a temperatura diminuiu ainda mais e com o frio apertando, resolvo que o melhor é encontrar algum canto escondido para acampar ou então, bivacar em qualquer praça e esperar até o amanhecer...Tiro meu termômetro para fora e vejo marcando 08ºC.
       
      Encontro um descampado em um terreno abandonado, mas limpo e resolvo montar minha barraca. Porém, ao ver o horário (já tinha passado das 2:30 da manhã), vi que seria muito trabalho para apenas poucas horas. Então, tiro apenas o saco de dormir e o isolante termico, mas decido procurar outro canto melhor.
       
      Achado o local, me enfiei dentro do saco de dormir em um canto bem escondido da pequena cidade e como estava cansado, logo peguei no sono, mas quem disse que consegui dormir?
       
      1º dia - Travessia Couto X Prateleiras + Pedra da Maçã, Tartaruga e assentada.
       
      A Quarta-feira amanheceu com uma pequena nevoa e após tirar pequenos cochilos que serviu apenas para descansar o esqueleto, levanto com a movimentação dos primeiros trabalhadores indo para o trabalho por volta das 5:30hs. A pequena e bucólica cidade ganha vida novamente...
       
      A termômetro registra temperatura amena de 06ºC e resolvo guardar tudo na mochila. Aproveito para esperar uma padaria ali próxima abrir, afim de tomar um café reforçado e depois encontrar um ponto de taxi para me levar até a portaria da parte alta do parque.
       
      Após o café, saio atrás de um taxi. Não demorou muito e logo encontrei um carro de um taxista e pergunto qto ele cobra para me levar até a Garganta ou a portaria do parque. Para a primeira opção (e ter que subir os 14km a pé) ele cobrou R$ 35 e até a portaria R$ 50. Claro que nem pensei 2 vezes e escolhi a corrida fechada até a portaria, já que não podia perder mais tempo.
       
      Como bom mineiro que se prese, a prosa foi ótima e fiquei sabendo que na noite anterior, tinha dado uma geada moderada na cidade e a temperatura havia caido abaixo de zero. Inclusive esse eram os mesmos comentários do pessoal lá na Padaria. E agradeci por não ter chegado aqui ontem. Senão, o que fazer num frio abaixo de zero sem local para ficar? e ao relento? Melhor nem pensar nisso!
       
      O trecho da rodovia foi rápido e logo chegamos a Garganta do Registro com o dia ainda clareando e começamos a subir. 20 minutos de subida desde a rodovia, alcançamos os 2.000 metros de altitude e por isso a vegetação típica da mata atlantica foi dando lugar aos de campos de altitude, com os primeiros trechos de geada aparecendo.
       

      Pico da Pedra furada vista de um trecho da estrada, próximo do Alsene.
       
      As primeiras vistas foram aparecendo, as nuvens haviam ficado abaixo e o céu claro e os primeiros raios de sol já cobriam o topo dos picos, o que me deixou bastante radiante. Mais 10 minutos e chegamos na antiga pousada Alsene na altitude de 2.320 metros as 7:25 e a vegetação ali já era exclusivamente de campos de altitude.
       
      Nesse trecho já se tem várias vistas do entorno e é claro que foram palco para os primeiros clicks. A forte geada e as nuvens cobrindo o vale do paraíba lá embaixo são um capitulo a parte e impressionaram até o taxista que é morador da região.....
       

      Trilha coberta de gelo
       

      Enfim, estão fazendo algo....
       

      Trecho recem recapiado da estrada com concreto
       
      Devido as condições precárias do trecho final da estrada, desço pouco depois da Alsene e o restante do percurso tive que fazer a pé. A esperança está nas obras de recapiamento que vem sendo feitas em vários trechos da estradinha.
       

      No trecho final, uma bela vista
       

      Chegando ao Posto Marcão
       
      Fui subindo e cortando caminho por trilhas a esquerda afim de evitar as longas curvas da estradinha. Com isso, a caminhada foi bem mais rápida e pouco antes das 8:00hs, chego ao posto Marcão, entrada da parte alta do parque. Após o funcionário verificar a disponibilidade de vagas no abrigo e camping, preencho a papelada e após pagar as taxas devidas, logo sou liberado. Mas antes de começar a travessia, resolvo ir até o Camping Rebouças montar barraca e deixar toda a tralha pesada lá.
       

      Na estrada, seguindo em direção ao Abrigo Rebouças
       

      Gelo por toda parte, reflexo da mega onda de frio que atingiu SP e o Sul de MG na 1ºquinzena de Junho. Segundo os guardas, temperatura chegou a -08ºC essa madrugada e tinha até 2 carinhas que estavam acampados pedindo para mudar para o Abrigo.
       
      Durante o trajeto até a área de acampamento, um carro passa por mim e o motorista me oferece uma carona, que aceito na hora, claro. Afinal, a distancia entre o posto até o abrigo é de 3 km. E nessa carona que conheço o Marcos, uma figura. Ele tinha marcado com uns amigos de ir para lá, mas que deixaram ele na mão na última hora, então acabou decidindo por vir solo.
       

      Morro da antena
       

      Area de acampamento tão disputada durante os fins de semana, fica vazia e com muitas vagas sobrando durante a semana
       
      Após chegarmos no Abrigo Rebouças, me despeço do Marcos agradecendo pela carona, inclusive. Após montar a barraca e deixar toda a tralha pesada lá, retorno para a estradinha e volto para o Posto Marcão, onde inicia a trilha da travessia Couto X Prateleiras. E finalmente, após todo o perrengue da noite anterior, começo a pernada propriamente dito as 10:00hs em ponto.
       

      Trecho inicial segue pela estradinha que vai para o morro da antena
       

       
      O caminho começa por uma outra estradinha de terra secundária a direita da principal e que sobe em direção ao Morro da antena. Ela fica bem ao lado do posto Marcão e há uma placa indicativa, inclusive. Sigo por ela e após fazer uma curva a esquerda, passo por um ponto de água, que é uma pequena bica a esquerda.
       
      Sem saber se haveria mais pontos de água a frente, encho o cantil com 2 litros para a travessia toda, por precaução. Esse é o único ponto de água corrente e confiável da subida até o Couto. Portanto, pegue água aqui ou traga na mochila para esse primeiro trecho.
       

      Subindo....
       
      Mais alguns minutos de caminhada desde a bica, vejo uma trilha a direita que dá num belissimo mirante. Nesse mirante, se tem uma vista deslumbrante do vale lá embaixo, com as escarpas rochosas da Serra Fina bem imponente a frente, em destaque, o que já dá uma ideia da vista que terei lá no topo do Couto. Após alguns clicks, retorno para a estrada e continuo subindo.
       
      Mais alguns minutos de subida e 25 minutos desde o posto Marcão, passo por outra bifurcação, onde encontro uma placa indicando "Couto" a direita. Então, abandono a estrada principal em favor dessa picada a direita que vai no sentido desejado e que marca o inicio da trilha da travessia Couto X Prateleiras. A estrada em frente continua subindo até o morro da antena.
       

      Trecho inicial da travessia
       

      Morro da antena ficando para trás
       

      Primeiras vistas durante a subida
       
      A trilha é bem aberta e segue subindo suavelmente, contornando a crista a direita, dando pequenas voltas e logo chego a base de um enorme rochedo. As 10:35 começo a subir em direção a primeira de 2 grandes bases do Couto, onde vejo uma outra antena. A subida aperta um pouco e logo começa a aparecer os trechos delicados na crista, onde subo com relativa cautela.
       
      Mais 15 minutos e chego a um trecho onde vejo água escorrendo pela trilha, formando alguns pequenos poções, mas que pode estar seco em épocas de estiagem. Não é bom contar com essa água. Por isso, colete a quantidade de água que for precisar para as próximas 3 horas lá na bica, pois o próximo ponto de água só na metade da travessia.
       

      Trecho com um filete de água escorrendo na lateral da trilha
       

      A vista durante a subida
       

       
      Após passar por um curto trecho de escalaminhada básica, a subida dá uma tregua e chego a um trecho plano, em um extenso costão rochoso que é a base do Couto e que formou um belo mirante, oinde também há uma antena. A altitude aqui é de pouco mais de 2.500 metros e o visual aqui é de impressionar.
       
      Faço uma rápida parada para descanço e exploro um pouco o entorno. Nesse ponto, se avista o enorme rochedo que compõe o pico do Couto bem a frente. Apesar do sol, o frio não dá tregua e com isso, nem tiro a blusa o dia todo.
       

      Chegando a base do Couto
       

       

      Não faltou sinal de celular....
       

      Prateleiras ao fundo (foto com zoom)
       
      Após o descanço, retorno a pernada, agora para encarar um dos pontos mais tensos dessa travessia, que é a subida de ataque final ao cume do Couto. Olho para frente e vejo a trilha indo na direção de uma fina crista sobre um rochedo, que de longe parece ser tranquilo. Mas foi só começar a caminhar por ela para logo dar de cara com um trecho tenso, onde sou obrigado a pular de uma pedra a outra, com um enorme precípicio a direita.
       

      Visual fenomenal
       

      Couto logo a frente
       
      O ataque final ao cume se dá em uma subida pirambeira entre enormes rochedos, onde em um deles, tive até que subir de costas e com bastante cautela, afim de ganhar os patamares superiores com segurança. Mais 15 minutos de subida e após 1 hora e 40 minutos de caminhada desde o Posto Marcão, as 11:40 finalmente chego no cume do Pico do Couto, na cota dos 2.680 metros de altitude para um merecido descanso, é claro. Nem preciso dizer que a vista é de arrancar o fôlego de qualquer um. E mais clicks, é claro.
       

      Trecho tenso.
       

      Subida de ataque final ao cume vai por essa fina crista
       

      Mirante na base, durante a subida do trecho final ao cume
       

      O trecho das cristas a direita, por onde a trilha da travessia passa
       
      Do topo a leste, se avista todo o trecho da caminhada com o Prateleiras bem ao fundão. A Oeste, o morro da antena, as 2 estradas de terra que liga o posto marcão ao couto e abrigo Rebouças. A Norte, Pico do Papagaio,Pedra do Altar, Sino e mais a direita, Asa de Hermes e o imponente Pico das Agulhas negras, entre outros picos da parte alta do parque.
       

      Enfim, o cume
       

      Serra Fina ao fundo
       

      A Esquerda, Pedra do Altar. Mais para o centro, Sino e Asa de Hermes. E a direita, o Imponente Pico das Agulhas negras
       

      A estrada de terra que vem lá do Posto Marcão
       
      Ao Sul, a imensidão do vale do Paraíba, com a Serra da Bocaína bem ao fundão. É uma visão de arrepiar. Aproveito para fazer uma pausa mais longa para um lanche reforçado. Após forrar o estomago e molhar a goela, retomo a pernada, agora para a segunda parte da travessia, em direção ao Prateleiras.
       
      As 12:20, passo por uma placa indicando "Travessia somente com autorização" e inicio a descida, que segue por uma trilha totalmente calçada por enormes rochas que facilitam bastante a descida. A descida do topo segue bem ingreme ladeira abaixo, com alguns trechos de desescalaminhada, mas sem maiores dificuldades.
       

      Todo o trajeto que ainda iria percorrer até o Prateleiras
       

      Meio longinho ainda...
       
      15 minutos desde o topo do Couto, chego na base e a partir de agora, a caminhada passa a ser pelo alto das cristas. Prateleiras está visivel a maior parte do tempo a frente e parece estar estar perto, mas distante cerca de 1 a 2 horas de caminhada ainda. A esquerda visualizo o imponente Pico das Agulhas negras e a direita a imensidão do vale do Paraíba, com o Couto ficando cada vez mais para trás.
       

      Trecho de sobe morro/desce morro
       

      Caminhada pelo alto das cristas
       
      As 12:55, passo por 2 placas na sequencia indicando 2 trilhas a esquerda. A 1º placa indica um ponto de água, que é uma ótima opção para o caso de você chegar aqui sem água. Esse é o 2º e último ponto de água de toda a travessia. Portanto, se pretende continuar e estiver com pouca água, recarregue nesse ponto, pois não há nenhum outro ponto de água até o final.
       

      Na bifurcação, onde é possivel abortar a travessia e retornar...
       

      É só descer essa pequena pirambeira
       
      A 2º placa indica um atalho para o Abrigo Rebouças. Nesse ponto é possível abortar a travessia, para o caso de você ou alguém do seu grupo tiver algum problema durante a travessia. Seguindo em frente, continua a trilha da travessia por mais 1 hora e meia em direção ao Prateleiras e é para lá que eu sigo.
       
      Após a placa, a trilha inicia uma sequencia de sobe morro/desce morro em largos zig zags, afim de evitar grandes paredões ou precipicios. Começo a subir um pequeno morro e logo saio em um trecho de gramídeas, onde a caminhada passa a seguir no plano com trilha bem demarcada e sem maiores problemas de navegação.
       

      O traçado da trilha logo abaixo e bem ao fundo, o Pico do Couto, que vai ficando para trás
       
      As 13:10, chego a mais uma bifurcação com uma placa indicando "mirante" a esquerda. Curioso para saber onde iria dar, abandono temporariamente a trilha principal em favor da trilha a esquerda para ir conhecer o tal "mirante".
       

       
      Alguns minutos de caminhada e logo chego a um conjunto de 3 enormes rochedos que compõe o mirante. Sigo até a ponta de um deles e ao chegar, sou presenteado com uma bela vista do gigante rochoso do Pico das Agulhas negras bem imponente a minha frente, em um angulo diferenciado e único.
       
      Lá embaixo, visualizo a estradinha de terra que vem do Posto Marcão, passa pelo Abrigo Rebouças e dá acesso ao Pico das Prateleiras, Pedra da Tartaruga, Assentada e por fim, a Travessia Ruy Braga.
       
      Também visualizo parte do Abrigo Rebouças, a trilha que segue para o agulhas e sobe para o Altar. É uma visual bem bacana, pois te dá a sensação que vc se distanciou tanto tanto, mas ao mesmo tempo parece que nem saiu do lugar, pois o Abrigo Rebouças está "logo ali". Vale a pena parar ali para conhecer e curtir a vista do entorno.
       
      Volto para a trilha principal e pouco antes das 13:30, visualizo bem a frente, uma enorme gruta, com a trilha se enfiando dentro dela. Ao me aproximar, vejo uma placa com os dizeres: "Toca do Índio", o que de fato lembra uma toca mesmo.
       

      Chegando a Toca do Índio
       

      Trilha se enfia por baixo dela e sai do outro lado
       

       
      Passo por dentro dela e ao sair do outro lado, chego ao trecho final da travessia, com o Prateleiras bem a frente. Mais 10 minutos e chego ao pé de um morro, onde inicio a última descida em direção a base do prateleiras. Trilha segue descendo em largos zig zag para diminuir o desnível para quem sobe.
       

      Prateleiras logo a frente
       

      Descendo até a base
       
      A partir desse ponto o Prateleiras aparece com todo o seu explendor a tua frente, o que vale a pena uma parada para contempla-lo. Também já é possivel ver a discreta Pedra da Tartaruga logo abaixo, a esquerda.
       

      Pedra da Tartaruga visto do trecho de descida final da travessia
       
      Enfim, após quase 3 horas e meia de caminhada desde o Posto Marcão, chego a base do Prateleiras as 14:05. Final da travessia, mas não da caminhada. Como estava relativamente cedo para voltar ao Abrigo Rebouças, decido ir conhecer a Pedra da Tartaruga, Assentada e Maça.
       
      A bifurcação para as trilhas que leva a elas sai do trecho final da trilha do Prateleiras e não tem como errar, já que você passa obrigatoriamente por ela e ainda tem uma placa indicando. Do trecho final da trilha, na base do Prateleiras, desço por 5 minutos e chego na bifurcação. Entro na trilha a direita (esquerda para quem vem subindo para o Prateleiras) e sigo em direção a Pedra da Tartaruga e Maça. A trilha inicia uma curta descida e e logo chego a um trecho com um belo lago a frente.
       

      Na bifurcação
       
      O Trecho inicial da trilha apresenta pequenas bifurcações, mas a principal é bem demarcada, facil de identificar e é só seguir por ela. Água pode ser encontrada em um pequeno riachinho que desemboca no lago ou no próprio lago. Mais alguns minutos e chego ao lado da enorme Pedra da Tartaruga que realmente parece uma tartaruga. Ao lado dela, outra enorme pedra em formato de uma Maçã, que parece que foi colocada ali, bem ao lado.
       

      Pedra da Tartaruga logo a frente e Assentada no alto de um Pico mais ao fundo, a esquerda.
       

      Pedra da Tartaruga
       

      Pedra da Tartaruga a direita, Maça a esquerda
       

      Um belo lago e um ponto de água
       
      O Cansaço e a fome começam a dar os primeiros sinais, mas não estava afim de parar por enquanto. Então, tiro algumas fotos e sigo em direção ao último atrativo do dia: A Pedra Assentada, localizada no alto de um pico mais baixo que o Prateleiras. A partir desse trecho, estou sobre enormes costões rochosos e não há trilha, por isso a navegação passa a ser por totens.
       
      As 14:54, passo por um mirante com uma vista de um vale enorme lá embaixo, onde é possível visualizar as ruínas de um antigo posto meteorologico e o vale onde está o Abrigo Massenas, um visual em tanto.
       

      O Mirante
       
      Passo por um pequeno trecho de charco, onde encontro uma placa indicando o caminho para a pedra assentada e logo reencontro a trilha, que segue descendo em direção a base do Pico menor. Sigo descendo e logo chego a base do Pico, onde está a pedra assentada.
       

      Ao fundo, Pedra Assentada
       
      Olho para cima e vejo a trilha indo em direção a uma enorme subida pirambeira. Inicio a subida, mas logo resolvo abortar, pois já havia passado das 15:00hs e com a fome apertando e sem saber qto tempo ainda iria levar até lá, resolvo deixar para uma outra ocasião.
       
      As 15:20, inicio a caminhada de retorno ao Abrigo, mas não sem antes fazer uma pausa no mirante, para um lanche. Estomago forrado e fome saciada, retomo a caminhada e 20 minutos desde o mirante, estou passando pela bifurcação onde a trilha do Prateleiras encontra com a da Travessia Ruy Braga.
       

      Passando pela bifurcação onde termina/começa a Travessia Ruy Braga com a trilha que sobe até o Prateleiras
       
      Termino a descida e chego no tedioso trecho de estradinha de terra (que outrora fora a BR mais alta do país). A temperatura está diminuindo rapidamente e pouco antes das 16h30, chego ao Abrigo Rebouças para o merecido descanço desse primeiro dia do circuitão solo. Chego a área de acampamento e deixo as coisas, mas resolvo ficar um tempo do lado de fora, para curtir o belo final de tarde.
       

      Acampamento e Abrigo Rebouças visto do alto de um morro, no final da tarde
       
      Durante esse tempo que estava "a toa", conheci o Rodrigo, que havia chegado lá por volta do meio dia e também estava sozinho pelo mesmo motivo do Marco e eu. Conversamos por algum tempo, mas o frio intenso do final da tarde logo nos fez entrar nas barracas rapidão, deixando para continuar a conversa mais tarde.
       
      Depois das 17h30hs com os ultimos raios de sol no alto das montanhas, o termômetro já marcava 04ºC, o que me fez crer que a noite seria estupidamente gelada. Coloco as roupas mais pesadas e fico só relaxando dentro da barraca.
       
      Por volta das 19h30, saio da barraca para curtir as estrelas e preparar a janta. Vou para a area de refeitório e reencontro o Marco, que havia chegado de sua escalada na Asa de Hermes só de noite. O Rodrigo tb apareceu, a gente se juntou e fizemos nossa janta ao passo de muita conversa sobre os perrengues do dia, é claro.
       
      Após a janta e um tempo conversando, a temperatura cai ainda mais e fez que nossa tempo de permanencia no local fosse curto. Com isso, cada um se recolheu para seus devidos aposentos e uma sinfonia de roncos se fez presente pelo restante da noite no bucólico vale, a 2.350 metros de altitude.
       
      Continua no post abaixo....
    • Por casal100
      Esse relato é dividido em duas partes:
      A primeira foram mais de 900 kms (da página 1 até a 6), trechos de picos, travessias e alguns trechos no entorno de cidades;
      A segunda parte,  mais de 300kms, só teve uma travessia e muitos picos,  começa  na página n° 7.
       
      Vários amigos e familiares nos indagavam sobre nossas travessias, segundo eles, tudo era muito repetitivo(as fotos eram parecidas, repetimos várias vezes os mesmos caminhos, até pela falta de outros. Até tem, mas caminho particular, não faremos  mais). De certa forma eles têm razão, visto que a visão do picos e montanhas não tem comparação com fotos de estradas e, tem um detalhe mais importante: as principais atrações das cidades(tirando algumas) não estão dentro delas, mas nos arredores  (cachoeiras, picos, morros. ..). Nesses 2 meses,  caminhamos mais de 900 quilômetros é quase 10.000 kms de carro. Conhecemos pessoas maravilhosas por onde passamos, experimentamos emoções que nunca tivemos,  comidas deliciosas,  não tivemos nenhum problema mais sério, tudo muito tranquilo.
       
      O BRASIL É SIMPLESMENTE SENSACIONAL! 
      E mais bonito visto de cima. Diante disso e, até para comemorar meus 60 anos de vida (ingressei na melhor idade), neste verão resolvemos fazer algo um pouco diferente : fomos conhecer e rever alguns parques nacionais /estaduais /municipais e privados, subir alguns picos/montanhas  e alguns circuitos desses locais, região de cachoeiras,  e Brumadinho(Inhotim), poderíamos estar no dia do rompimento da barragem,  para nossa sorte desistimos em cima da hora.
      LOCAIS VISITADOS:
      Extrema - Mg (subida as base dos pico do lopo e do lobo)
      Munhoz - Mg(subida ao pico da antenas, caminhos)
      São Bento do Sapucaí - Sp(pedra do baú e roteiro)
      Marmelopolis -Mg(subida ao morro do careca, mirantes, pedra montada, roteiros e subida ao pico Marinzinho)
      Aiuruoca - Mg(subida ao pico do papagaio, matutu, cachoeiras)
      Visconde de Mauá-Rj - (subida a Pedra Selada)
      PN Ibitipoca - Mg (Janela do céu, pico, circuito das águas e grutas)
      São Tomé das Letras - Mg (cachoeiras e roteiros)
      Carrancas - Mg(cachoeiras e circuito serra de carrancas)
      Ouro Preto - Mg (centro histórico e subida ao pico do Itacolomi)
      Mariana-Mg: Bento Rodrigues, local destruído por outro rompimento de barragem da Vale.
      Serra do Cipó - Mg(todos circuitos dentro do parque e travessão)
      Conceição do Mato Dentro - Mg: cachoeira do Tabuleiro  (base e mirante)
      Lapinha da Serra - Mg(subida aos picos da Lapinha e Breu, cachoeira Bicame e Lajeado,  parte travessia Lapinha x Tabuleiro)
      Brumadinho - Mg(Inhotim)
      PN de Itatiaia - parte alta - Mg(base do pico das agulhas Negras e prateleiras, cachoeira Aiuruoca, circuito 5 lagos, subida ao pico do couto)
      Piquete - Sp(subida ao pico dos Marins)
      Infelizmente, por excesso de chuvas, não fizemos os picos do Itaguaré e da Mina( motivação da viagem). Entrou uma frente fria na semana que antecedeu o carnaval, tivemos que abortar por questão de segurança, pois não utilizamos guias e fazemos somente Bate/volta - fica para a próxima.
      As surpresas da viagem:
      Inhotim, Lapinha da Serra e Serra do Cipó. Pois não conhecia nenhuma delas.
      Algumas fotos
      Subida ao pico dos Marins - SP

      Pico do Itacolomi - Ouro Preto - Mg

      Cachoeira Bigame - Lapinha da Serra-Mg

      Subida para pico do Breu e Lapinha - Lapinha da Serra-Mg

      Vista desde o pico da Lapinha

      Cachoeira do espelho - travessão - Serra do Cipó -Mg

      A incrível JANELA DO CÉU 

      flora exuberante



      Cachoeira do Tabuleiro - Mg

      Pico da Bandeira - ES

      Pedra do Altar - Mg

    • Por Ronaldo Paixão
      Caminho da Fé – Pedra do Baú – Travessia da Serra Fina – Agulhas Negras e Prateleiras (PNI).
      Estou escrevendo este relato um ano depois que fiz esse passeio. Talvez eu esqueça alguma coisa.
      Eu estava precisando me desligar da vida que eu vinha levando. Estava precisando fazer o que eu mais gostava, caminhar bastante, travessias em trilhas, subir montanhas, me isolar do mundo “civilizado”.
      Tinha decidido que eu iria “largar tudo” e sair, sem saber até onde eu iria ou quando voltaria. Tinha uma grana guardada (cinco mil) e deveria ser suficiente para eu viver por pelo menos uns 3 meses.
      Falei com meu irmão que ele teria que se virar sozinho em nosso comércio. Falei com minha família que eu estava indo por não sei quanto tempo, mas que eu voltaria qualquer dia.
      Trabalhei até 31 de agosto, quase meia-noite. No dia 01 de setembro fui para um apartamento onde fiquei por 4 dias planejando lugares que queria conhecer, vendo preço de ônibus, tracklogs, etc. Na manhã de 4 de setembro parti para São Paulo e naquela noite para águas da Prata, onde minha jornada começaria.
      Como eu iria para vários lugares, diferentes um do outro, tive que levar muita coisa na mochila. Coisas que usaria em algum passeio, mas que seriam dispensáveis  em outro. Ainda assim tentei levar o mínimo possível.
      Ítens que levei:
      -    Mochila Osprey Kestrel 48 litros com Camel Back de 2 litros
      -    Dois cantis de 900 ml. Um com caneca de alumínio.
      -    Rede Amazon e tarp Amazon da Guepardo.
      -    Saco de dormir Deuter 0º
      -    4 camisas dry fit
      -    2 blusas finas de fleece.
      -    2 calças quechua de secagem rápida
      -    6 cuecas
      -    3 pares de meia
      -    1 boné
      -    1 touca
      -    1 par de luvas (daquelas de pedreiro)
      -    1 par de sandálias Quechua
      -    1 par de botas La Sportiva
      -    Kit Fogareiro + panela pequena
      -    2 isqueiros
      -    1 canivete
      -    1 colher plástica
      -    1 botija de gás Nautika pequena
      -    GPS
      -    Celular (para fotografias)
      -    Caderneta e caneta
      -    1 Anorak
      -    Corda e cordelete
      -    Bolsa de nylon (para transportar a mochila no ônibus)
       
      Caminho da Fé. Águas da Prata até Aparecida.
      Caminho da Fé – 1º dia. 30Km
      05-09-2018
      Águas da Prata (SP) até Andradas (MG).
      Início 05:15 horas e chegada 12:55 horas
      Almoço : Pavilhão hamburgueria
      Jantar: bolachas e sanduba no hotel.
      Pernoite: Palace Hotel.
      Seguindo o conselho de um cara que desceu comigo e iria fazer o caminho de bike eu iniciei cedo para evitar o sol. Só que por esse motivo fui sem comida. Só comi uns pedacinhos de rapadura que ele me deu e uma banana que ganhei de um ciclista.
      Pelo longo tempo inativo, eu senti um pouco o peso dos 17Kg que estava levando na mochila.
      Caminho da Fé – 2º dia. 36 Km
       06-09-2018.
      Andradas (MG) até Crisólia (MG).
      Partida às 08:00 horas e chegada às 17:40 horas.
      Almoço: salgadinho no Bar Constantino, comunidade da Barra.
      Jantar: miojo num banco ao lado da rede.
      Pernoite: rede 
      Subidas cavernosas. Serra dos Lima, Barra, Taguá e Crisólia. 
      Cheguei tarde, fui numa pousada carimbar a credencial e depois procurei duas árvores para esticar a rede, fazer o rango e dormir. Nesse dia não teve banho.
      Caminho da Fé – 3º dia. 38 Km
      07-09-2018
      Crisólia (MG) até Borda da Mata(MG). 
      Partida às 07:30 e chegada às 18:00 horas.
      Almoço: pastel no Bar do Maurão em Inconfidentes
      Jantar: x-salada em lanchonete perto do hotel.
      Pernoite: Hotel Virgínia.
      Feriado da Independência. Fui acordado às 6 da manhã com queima de fogos e hinos. Passagem por Ouro Fino e Inconfidentes. Desfile cívico em todas as cidades.
      No hotel em borda da mata conheci um casal de cicloturistas que estava com um carro de apoio. Consegui que levassem um pouco das minhas coisas até Estiva. Foram 6 Kg a menos para carregar.
       
      Caminho da Fé – 4º dia. 17,5 Km.
      08-09-2018.
      Borda da Mata(MG) até Tocos do Mogi (MG).
      Início às 08:00 horas e chegada às 12:40 horas.
      Almoço: um pouco de morangos colhidos no caminho.
      Jantar: Lanche na festa da padroeira.
      Pernoite: Pousada do Zé Dito. (muito boa e barata)
      Dia mais curto. A pousada ficava no calçadão principal, onde estava acontecendo a festa da padroeira. Estava difícil dormir. O jeito foi sair para a festa e tomar umas, apesar do frio que fazia de noite.
        
      Caminho da Fé – 5º dia. 21,5 Km
      09-09-2018
      Tocos do Mogi (MG) até Estiva (MG).
      Início às 09:00 horas e chegada às 14:20 horas.
      Almoço: moranguinhos (quase 1 Kg) e queijo fresco com caldo de cana.
      Jantar: Restaurante perto da pousada.
      Pernoite: Pousada Poka.
      Trecho muito bonito. Muitas plantações de morango. Muitos pássaros.
      Na pousada eu recuperei minhas coisas que haviam sido deixadas ali e já consegui ajeitar um novo transporte delas até Potim, já pertinho de Aparecida.
      Caminho da Fé – 6º dia. 20 Km
      10-09-2018
      Estiva (MG) até Consolação (MG).
      Partida às 07:30 e chegada às 12:45 horas.
      Almoço, jantar e pernoite: Pousada Casarão
      Destaques deste dia. Cervejinha gelada num bar onde um piá gordinho queria tirar uma selfie comigo. E também queria meu bastão de selfie de qualquer jeito.
      Também destaque para o canto da seriema, triste e ao mesmo tempo bonito, que se fez presente muitas vezes. Também tem a subida da serra do Caçador, cavernosa.
      Além disso, nesse trajeto é comum vermos carros de boi e também “canteiros”onde os agricultores esparramam o polvilho para secar.


      Caminho da Fé -  7ºdia. 22,5 Km
      11-09-2018.
      Consolação (MG) até Paraisópolis (MG).
      Início às 07:00 e chegada às 12:30 horas.
      Almoço: Restaurante Sabor de Minas. Muito bom e barato. Comi pra danar.
      Janta: coxinha na praça.
      Pernoite: Hotel Central
      Foi um dia especialmente marcado pela presença dos pássaros ao longo do caminho, canários, sabiás, pássaros pretos, coleirinhas, gralhas, joões-de-barro, tucanos, maritacas. E aves maiores, como gaviões, seriemas e garças brancas.
      Também vale destacar a grande quantidade de flores, principalmente nos portões das casas dos sítios.
      Caminho da Fé – 8º dia. 28,5 Km.
      12-09-2018
      Paraisópolis (MG) até A pousada da Dona Inês, que fica 4 Km depois do distrito de Luminosa, município de  Brazópolis.
      Início às 07:55 e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Salgadinho e coca numa mercearia em Brazópolis.
      Jantar e Pernoite: Pousada da Dona Inês.
      Foi o dia mais quente desde o início do caminho. Era meu aniversário de 52 anos e ficou marcado porque depois do jantar na Pousada, uma amiga de caminho, a Fabiana, puxou um parabéns a você, junto com as outras cerca de 20 pessoas que estavam ali. Fiquei bem emocionado.
       
      Caminho da Fé – 9º dia. 33 Km
      13-09-2018
      Pousada Dona Inês (Luminosa-MG) até Campos do Jordão (SP).
      Início às 05:45 e chegada às 18:45 horas.
      Almoço: Restaurante Araucária. Fica perto da placa que indica a entrada para a pousada da Dona Rose e da madeireira Marmelo. Comida muito boa.
      Jantar: Caldo de Mandioca com carne. NIX Caldos e lanches.
      Pernoite: Refúgio dos Peregrinos
      Na verdade, a quilometragem total desse dia foi de 51 Km porque no meio do caminho decidi que iria subir a Pedra do Baú. Isso me custou várias horas e me fez chegar em Campos do Jordão já de noite. Mas valeu muito a pena.
      O dia amanheceu lindo. Logo de cara a temida subida da Luminosa, mas que não é nada de tão difícil.
      Depois é asfalto até o fim do dia.
      A pousada Refúgio dos Peregrinos é bem diferente. Tem uma tabela de preços na parede. Você anota o que consumiu, faz as contas, paga e faz o troco. Tudo na base da confiança.

      Caminho da Fé - 10º dia. 52 Km
      14-09-2018
      Campos do Jordão(SP) até Pindamonhangaba(SP).
      Início às 06:00 horas e chegada às 17:45 horas.
      Almoço: Sanduíche em Piracuama.
      Jantar e pernoite: Pousada Chácara Dois Leões.
      Nesse dia todos os que estavam no refúgio dos peregrinos foram por Guaratinguetá, menos eu que fui por Pindamonhangaba. Descida pela linha do trem até próximo a Piracuama, com uma garoa fininha que de vez em quando virava um chuvisco.
      De tarde foi só asfalto e chuva. Cheguei na pousada já escurecendo. Foi o dia mais cansativo, pela quilometragem, pela chuva e principalmente pelo asfalto.

      Caminho da Fé - 11º dia. 24 Km.
      15-09-2018.
      Pindamonhangaba(SP) até Aparecida(SP).
      Início às 09:00 horas e chegada às 15:15 horas.
      Almoço: Pesqueiro Potim. Comida muito boa. Comi feito um louco. Aqui eu recuperei o restante de minhas coisas que tinham vindo no carro de apoio de amigos.
      Pernoite: Hotel em Aparecida.
      Esse era o último dia no caminho. Um misto de ansiedade por chegar e de nostalgia antecipada das experiências vividas e das paisagens do caminho.
      A chegada na basílica é emocionante, não importa em que você acredita, ou se acredita em algo.
      Fica a saudade dos lugares. Dos amigos. Dos passarinhos.


      Fiquei em Aparecida até segunda-feira, quando fui ao correio e despachei para casa algumas lembrancinhas que tinha comprado e coisas que tinha levado e que vi que não ia usar. A calça jeans e a camisa de passeio. Umas cordas. Um dos fleeces e a bolsa de transporte.
       
      A Vida e o Caminho da Fé.
      Durante esse derradeiro dia de caminhada me veio à mente uma analogia entre a vida e o  “caminho da fé”.
      O caminho da fé cada um começa de onde quiser, mas todos com o mesmo destino. No caminho o destino é a basílica de Aparecida, na vida a gente sabe o destino.
      No caminho as pessoas vão chegando, amizades vão sendo feitas. Uns mais lentos outros mais apressados. Uns madrugadores outros nem tanto. Uns alegres e comunicativos, outros mais quietos e introspectivos. Muitos de bike, passam pela gente voando, só dá tempo para um “bom dia”. Assim também é a vida e os amigos que vamos fazendo. Uns continuam por perto, outros se distanciam, mas continuam amigos
      No caminho não importa sua classe social, sua cor, opção sexual, grau de instrução ou idade. O destino é o mesmo para todos. Assim também é na vida.
      No caminho a jornada é longa, alguns dias são mais difíceis, parecendo que não vão terminar. Outros passam leves e agradáveis, a gente nem queria que terminassem. Igualzinho a nossa vida
      Temos que superar o cansaço, as bolhas, os pés inchados, joelhos e tornozelos doendo, a mochila pesada que nos deixa com os ombros marcados. Enfrentar as subidas, as descidas, os buracos, as pedras, a fome e a sede em alguns momentos.
      Por mais difíceis que sejam esses obstáculos, eles são superados. Ficam para trás. Igualzinho na vida.
      O caminho também nos oferece muitas coisas boas. Simples, mas inesquecíveis. Os pássaros cantando ao lado da estrada. A beleza e o perfume das flores. Os riachos que nos permitem um banho refrescante depois de uma subida cansativa. As conversas com os amigos. O pôr do sol por trás das montanhas. A janta e a cama quente que nos restabelecem para o dia seguinte. O nascer do sol de um novo dia, nos lembrando que sempre nos é dada uma nova chance de sermos felizes. Assim também acontece na nossa vida.
      Seja no caminho da fé, ou na vida, o destino a gente sabe qual é. O importante é deixar para trás o que para trás ficou. E aproveitar ao máximo a jornada.
       
      Pedra do Baú.
      Eu sempre gosto de planejar meus passeios, travessias. Mas sobre a Pedra do Baú eu não sabia nada. Só de ouvir falar, de ler alguma coisa de relance. Mesmo assim era uma coisa que eu tinha vontade de fazer algum dia, se desse certo.
      Era o dia 13-09-2018, meu nono dia no caminho da Fé. Era de manhã e eu caminhava pela rodovia, junto com um peregrino de nome Donizete, que eu conhecera na pousada da Dona Inez. Passamos por uma placa que indicava a entrada para o Parque Estadual da Pedra do Baú.
      Eu falei para ele: - Donizete, vai em frente que eu vou subir a Pedra do Baú.
      Ele disse: - Cara, isso vai demorar. Você só vai chegar em Campos do Jordão de noite. Isso se der tudo certo.
      Daí eu disse:- Tem que ser hoje. Não sei se vou ter outra chance. Quem sabe eu nunca mais passe por aqui.
      Me despedi dele e entrei na estradinha que levava ao parque. Escondi minha mochila e fui só de ataque, levando água, uma rapadura, uma paçoca, o GPS e o celular para tirar as fotografias.
      Depois de uns 4 Km cheguei onde começavam as trilhas e entrei na que indicava Pedra do Baú, face norte. Passei por uns caras que eram guias e estavam levando equipamentos de escalada. Depois de um tempo cheguei num local que tinha uma escada amarela grande, fixada na parede de pedra. Não pensei duas vezes. Subi aquela escada e depois continuei uma escalaminhada, com misto de escalada em alguns pontos, até que já estava bem alto e não tinha mais para onde subir. Estava pensando até em desistir e voltar embora, quando avistei uns caras no cume de um morro que eu julguei ser o Baú, mas acho que era o Bauzinho.

      Gritei para eles e eles responderam de volta. Perguntei como chegava na Pedra do Baú e eles me disseram para descer de novo e seguir mais em frente.
      Desci e estava chegando ao ponto em que tinha começado a subida quando vi eles vindo. Esperei por eles. Conversamos por um tempo e eles me deram as informações sobre como chegar até onde a subida começava realmente.
      Segui em frente pela trilha e pouco depois eu chegava na base da Pedra do Baú, onde um guia estava terminando os preparativos para iniciar a subida com um casal de clientes. Capacetes, corda, mosquetões, etc.
      Eu estava ali de bermuda, boné e botina.
      Eu vi aquela parede enorme e aquela sequência de grampos na pedra que eu não sabia onde terminaria. Pensei: - vou esperar ele começar a subida e assim pego uma carona. Se o negócio apertar eu peço arrego para ele.
      Foi quando ele virou pra mim e perguntou: - Vai subir?
      Falei que sim e ele disse:- Pode ir na frente então. A gente ainda vai demorar uns minutos.
      Eu pensei:- já era minha carona. 
      Era uma parede de pedra quase vertical e muito exposta, que devia ter mais de 300 metros de altura.
      O jeito foi encher o peito de ar, mirar para cima e começar a subida.
      Subi meio que com medo no começo, mas também com muita confiança Parei algumas vezes no meio para tirar fotos. Passei por mais dois guias com clientes antes de chegar ao cume. Um deles foi bem legal e me deu umas dicas sobre o percurso que faltava.
      Muitos trechos com vento forte e eu pensava: - se eu parar agora eu travo. E ia em frente. Os últimos grampos, quando se está chegando no cume são especialmente complicados, porque você tem que abandonar a “segurança” que os grampos te dão para poder chegar no cume.
      Mas depois de uns 20 minutos de subida, lá estava eu no cume da Pedra do Baú. 
      Foi um momento mágico. Bem mais do que eu esperava. O visual era incrível. Tirei foto de tudo que é jeito. Deitado sobre a beira do abismo, em pé, etc.

      Aqui vou abrir um parênteses. Apesar de estar no caminho da Fé, um caminho católico, onde se passa por muitas igrejas, as únicas vezes na vida que eu senti realmente uma presença muito forte, do que alguns podem chamar de Deus, foi quando estive no cume de alguma montanha ou embaixo de uma cachoeira. Nunca em uma igreja. Deixei de frequentá-las faz muito tempo. 
      Me lembro de ter me encontrado com “Deus”, no cume do Alcobaça (2013), em Petrópolis. Embaixo da cachoeira do Tabuleiro, literalmente, em 2013 (e agora em 2019 de novo). Nos Portais de Hércules, Travessia Petro-Tere, em 2014. No cume do Pico Paraná em 2015 (não encontrei quando retornei em 2017). Na base das Torres  e no Mirante Francês, no Parque Nacional Torres del Paine, em 2016. E agora, na Pedra do Baú.
      É uma sensação difícil de explicar. É como se você se sentisse realmente parte de um todo, de uma coisa muito maior. Se sentisse nada e tudo ao mesmo tempo. Uma paz muito grande torna conta da gente. E em todas essas vezes eu senti a presença do meu pai, já falecido.
      Restava agora a descida, que metia mais medo que a subida. Principalmente os primeiros grampos, onde tinha que se virar de costas para o abismo para alcançar os grampos. A
      Mesmo assim a  descida foi rápida e durou cerca de 15 minutos.
      Cheguei na base e peguei o caminho de volta pela trilha. Pouco tempo depois quase pisei em uma jararaca de cerca de um metro de comprimento. Ela estava junto a uma pedra onde eu iria colocar meu pé. Ela se mexeu e eu a vi. Consegui dar um pulinho e evitei pisar nela. Foi por muito pouco.
      Segui rápido pela trilha e tempo depois eu já estava de volta à rodovia, rumo a Campos do Jordão.
      A Pedra do Baú foi muito gratificante. Mais do que eu esperava. Mais do que eu merecia.
       
       
      Serra Fina.
      Fiquei em Aparecida até na segunda-feira, 17-09-2018 e daí fui para Passa Quatro (MG), onde cheguei já escuro na rodoviária local. Peguei um ônibus circular e fui para o hostel Serra Fina, do Felipe, onde fiquei até na sexta-feira quando comecei a travessia. Choveu na terça, quarta e quinta, mas na sexta a previsão era de tempo limpo que duraria tempo mais que suficiente para a travessia e por isso decidi esperar e aproveitar para descansar e ler. Mesmo assim fui até a toca do lobo, pra passear e conhecer o Ingazeiro gigante. Também fui conhecer o centro da cidade.
      A região estava em alvoroço. Dois rapazes cariocas estavam perdidos em algum ponto da travessia e vários bombeiros, guias e montanhistas estavam à procura deles. Por sorte conseguiram um ponto onde tinha sinal de celular e conseguiram passar a localização e foram resgatados. Se bem que já estavam próximos de uma propriedade rural.
      Passa Quatro é uma cidadezinha linda e é um lugar onde eu moraria tranquilamente.
      O Hostel Serra Fina também é muito bom e o Felipe é um cara nota dez. Eu me senti em casa.
      Todas as travessias que eu faço eu vou sozinho. Não que não goste de pessoas. É que eu gosto de ir no meu rítmo. Gosto de ficar sozinho. Andar sozinho. Pensar na vida, etc. A intenção era fazer essa travessia também de modo solitário.
      Mas na quinta-feira de noite chegou ao hostel uma gaúcha baixinha, menor que eu até, que iria começar a travessia na sexta também, então decidimos começar juntos. A mochila dela era enorme e certamente tinha coisa que não precisava.
       
      Começamos o primeiro dia da travessia, 21-09-2018, uma sexta-feira, mais tarde do que eu queria. Saímos da toca do lobo já era meio-dia.
      Logo no começo da travessia, primeira subida, eu percebi que ela iria me atrasar, mas já que estávamos juntos, seguiríamos juntos. Foi quando ele me disse:- Vai na frente, você anda mais rápido. Eu disse que não, mas ela insistiu. Disse que ficaria bem. Eu então dei um até logo e disse que a reencontraria no Capim Amarelo..A subida é intensa e o ganho de altitude é rápido.
      Talvez pelo “treino” feito no Caminho da Fé eu não senti muito e passei por mais gente no caminho. Primeiro por 3 mineiros (que depois se tornariam grandes amigos) e depois por outros dois caras que pareciam ser militares.
      Cheguei ao cume do Capim Amarelo eram 15:15 horas. Praticamente 3 horas só de subida. Montei minha “barraca”, que era na verdade a minha rede estendida sob a lona que tinha sido disposta como se fosse uma barraca canadense. Fiz um rango e fiquei apreciando a paisagem. Como sabia da falta de água eu decidi que não levaria comida que precisasse de água no preparo, então comi basicamente tapioca de queijo, ou de nutella, ou de salaminho, paçoca, geléia de Mocotó e castanhas, durante toda a travessia.
      Os mineiros chegaram um pouco mais tarde e armaram suas tendas. Os militares chegaram quando já estava começando a escurecer. Eles não traziam barracas, dormiram de bivaque.
      Quando já estava quase escuro chegou um grupo que iria passar direto pelo Capim Amarelo e acampar no Maracanã. Perguntei pela gauchinha e me disseram que ela tinha montado acampamento em algum local no meio do caminho. Depois disso fiquei sabendo que ela desistiu e retornou para Passa Quatro. E que depois reiniciou a travessia na segunda-feira, tendo que ser resgatada de helicóptero no cume dos 3 Estados. E que depois disso voltou mais uma vez, acompanhada de um escoteiro, só que mais uma vez desistiram, abortando a travessia na Pedra da Mina, via Paiolinho.
      Estávamos a 2490 m de altitude e o pôr do sol e a noite foram lindos e gelados. Meu termômetro marcou a mínima de 3,5ºC.

       
      O dia 22-09-2018 era o segundo dia da travessia. A intenção era dormir no cume da Pedra da Mina.
      Depois do café da manhã, junto com os mineiros, desarmei e guardei toda a tralha e deixei o Capim Amarelo para trás às 10:20 horas.
      Logo no começo encontrei uma garrafa de uísque que tinha sido esquecida pelos militares. Voltei até onde os mineiros estavam e depois de bebermos uns goles eu retornei para a trilha, levando a garrafa para devolvê-la assim que encontrasse os rapazes. Não demorou muito para encontrá-los porque eles tinham pegado uma trilha errada logo na saída do Capim Amarelo.
      Depois de muito sobe e desce, mata fechada, bambuzal, escalaminhada, trepa pedra, cheguei na cachoeira vermelha e no ponto de abastecimento de água. Estava cedo e daria para pernoitar no cume. Foi o que fiz e cheguei ao cume eram 16:40 horas.
      Chegando ao cume estendi a minha lona fazendo um teto que ligava uma parede de pedras empilhadas até o chão Estendi ali embaixo o isolante e joguei o saco de dormir por cima. Essa noite não teria o mosquiteiro. Deixei a rede guardada.
      Comi meu jantar, assinei o livro de cume e fui apreciar o fim da tarde, o pôr do sol e as estrelas aparecendo. A noite estava bem fria.
      Os 3 mineiros chegaram quando a noite já tinha caído. Ajudei eles a montarem as barracas e depois ficamos conversando até altas horas. Os militares chegaram ainda mais tarde e no dia seguinte abandonariam a travessia, descendo pelo Paioloinho.
      Essa noite teve como temperatura mínima 3,7º C, mas a sensação foi de que era uma noite muito mais fria que a anterior. Talvez pela exposição ao vento, o que não tinha acontecido pela proteção que o capim elefante fornecera na noite anterior.
      A noite foi linda, repleta de estrelas e prometia um amanhecer incrível, fato que aconteceu. O único porém foi a grande quantidade de pessoas que estavam na Mina, quase todos fazendo bate-volta, o que trouxe muito barulho até algumas horas da noite. Apesar disso dormi muito bem e acordei bem disposto. A água até aqui não tinha sido problema.

      O dia 23-09-2018 era o terceiro dia da travessia e amanheceu espetacular, apesar de muito frio. Acordei antes do sol nascer e escolhi um bom lugar para apreciar o espetáculo. Depois disso o café da manhã (sem café) e desmontar acampamento. A surpresa foi quando levantei o saco de dormir e vi que uma aranha bem grande tinha vindo se aquecer embaixo dele. Peguei a bichinha com cuidado e a levei para perto de uma moitinha de capim.
      A travessia começou mesmo já eram 10:50 horas da manhã e daí para frente decidi caminhar junto com os 3 mineiros, afinal a gente combinava bastante. E assim saímos nós 4 da Pedra da Mina, eu , o Vinícius (Vini), o Daniel (boy) e o Nelson (Bozó). E assim passamos pelo Vale do Ruah, onde abastecemos os cantis pela última vez, com água que deveria ser suficiente até as 16 horas do dia seguinte. Daí foi uma grande sequência de morros até chegarmos ao Pico dos Três Estados às 17:20 horas.
      Mais uma vez montei a lona no estilo canadense, dispus a rede com mosquiteiro dentro e esparramei minhas coisas. De noite nos reunimos junto ao triângulo de ferro que representa a divisa dos 3 estados para a janta.
      Os caras já tinham pouca água. Eu ainda tinha meus dois cantis cheios e mais um bom tanto no camelback. Dessa maneira cedi um cantil para que eles fizessem a janta e bebessem o que sobrasse. Essa noite foi a mais fria, com o termômetro marcando 2,7º C, mas o capim elefante nos protegeu bem dos ventos e deu para dormir muito bem.


      No dia seguinte pela manhã, o Bozó sugeriu que fizéssemos café. Lá se foram mais 500 ml de água. Mas foi muito bom aquele cafezinho e aquela vista que se tinha lá de cima. De lá dava para ver Prateleiras e Agulhas Negras, minha próxima empreitada.
      Era o dia 24-09-2018, nosso quarto e último dia de travessia.
      Deixamos o 3 Estados às 09:40 da manhã. 
      Esse foi um dia bem sofrido. Uma sequência de morros. Sobe e desce. Muitos trechos de mata, e bambuzal. Mas o principal obstáculo era a falta de água. Minha água era para dar tranquilamente, mas depois da janta, café e dividir com os amigos, eu tinha deixado o 3 Estados somente com a água que restava no camelback, que era pouco mais de meio litro.
      Fomos racionando, mas quando chegamos no Alto dos Ivos, todos bebemos o que nos restava de água. Foram mais 3 horas até encontrarmos água de novo.
      A falta de água aliada ao esforço físico fez com que o Vini começasse a passar mal. Mesmo assim tocamos em frente.Chegamos inclusive a beber água acumulada nas bromélias.
      Eu e o Bozó, que estávamos melhor, seguimos mais rápido enquanto Daniel ficou para trás acompanhando o Vini. Chegamos ao ponto de água e enchemos os cantis e o Bozó voltou correndo para encontrá-los e matar a sede dos amigos.
      Já eram 16:50 horas quando chegamos na rodovia BR-354, onde o resgate que eles tinham combinado estava esperando. A Patrícia, que era a dona da caminhonete de resgate me deu uma carona até Itamonte, onde seria meu pernoite. 
      Por coincidência, a Patrícia era o resgate dos rapazes que estavam perdidos quando cheguei em Passa Quatro. Como eles não chegaram no ponto de resgate no dia combinado, ela entrou em contato com os bombeiros e com a família dos rapazes.
      Era o fim da travessia. Uma das mais puxadas e mais bonitas que já fiz. Foi também a última vez que vi os amigos Daniel e Vinícius. O Bozó eu encontrei de novo em Belo Horizonte agora em maio de 2019.

      Foi uma travessia que exigiu muito, mas que ofereceu muito mais em troca. Alvoradas e crepúsculos inesquecíveis. Paisagens sem igual, amizade, companheirismo. E que deixou uma vontade enorme de retornar e fazê-la novamente.

       
      Parque Nacional de Itatiaia.
      Agulhas Negras e Prateleiras.
      Desde que eu estava no hostel em Passa Quatro, eu já estava procurando um guia para o Parque Nacional de Itatiaia. Sabia que se tudo desse certo eu terminaria a travessia na segunda-feira 24-09 e na terça-feira 25-09 queria ir para o PNI, para subir o Agulhas Negras e o Prateleiras. Durante os telefonemas para casa, eu vi que teria que voltar logo. Dessa maneira, eu teria que fazer os dois cumes no mesmo dia.
      Entrei em contato com vários guias, mas ninguém queria fazer os dois cumes em um único dia. Uns disseram que não dava. Outros disseram que não era permitido. Até que encontrei um cara. Tudo isso pela internet e pelo tal de whats app, que eu nunca tinha usado antes disso.
      Deixamos mais ou menos combinado. Ele me cobraria 300 reais pela guiada. Eu sabia que o PNI exigia equipamentos para a subida aos cumes. Eu não tinha esses equipamentos. Após o PNI eu teria que voltar para casa, minha jornada terminaria ali, portanto não precisaria mais ficar regulando a grana.
      Durante a travessia da Serra Fina a gente ficou sem contato.
      No final da travessia, o resgate dos mineiros me deu uma carona. Eu tinha planejado ficar no Hostel Picus, ou no Yellow House, mas ambos estavam fechados. Dessa forma fui com eles até Itamonte, onde me deixaram e seguiram rumo a Passa Quatro. Saí procurando hotel ou pousada e acabei ficando no Hotel Thomaz. O Hotel era bom e tinha um restaurante onde eu jantei. Só que fica bem na rodovia e eu peguei um quarto de frente para a rodovia e o barulho dos caminhões e carros freando durante toda a noite incomodou um pouco e prejudicou o sono.
      Na manhã do dia 25-09-2018, terça-feira, acordei bem cedo, tomei banho, preparei as coisas que levaria para o Parque, entrei em contato com o guia e desci para tomar o café da manhã no Hotel. Por volta das 7 horas o guia chegava de carro para me pegar e seguirmos para o parque. Durante o caminho fomos conversando e falei pra ele sobre a travessia e sobre o caminho da fé e pedra do Baú, que tinha feito recentemente. Ele também é guia na travessia da Serra Fina.
      Chegamos ao parque fizemos os procedimentos de entrada, onde um guarda-parque alertou que caso não começássemos a subida do Prateleiras até as 14 horas, não deveríamos continuar. Desse modo, às 08:45 da manhã iniciamos nossa caminhada rumo a base do Agulhas Negras. Ele apertou o passo, acho que querendo me testar. Eu fui acompanhando de boa. Paramos num riozinho para abastecer a água e fazer um lanchinho, já próximo da base.  A conversa ia progredindo e ele me falou que achava que eu era um cara que parecia estar preparado e que normalmente ele guiava por uma via conhecida como Via Normal ou Via Pontão, mas que se eu quisesse a gente poderia tentar uma via diferente, pra se divertir um pouco. Falei pra ele que ele é quem estava guiando e que por mim tudo bem. Dessa maneira subimos por uma via menos utilizada, que passa por dentro de uma espécie de chaminé que é conhecida como útero. Na verdade quando você emerge dessa “chaminé” é como se você estivesse nascendo. Não levamos capacete, nem cadeirinha, apenas uma corda e uma fita. Usamos a corda somente duas vezes, uma delas para rapelar e depois subir um lance de rocha que fica entre o falso cume e o cume verdadeiro onde fica o livro de cume. Atingimos o cume verdadeiro às 10:40 horas.


      Comemos, descansamos um pouco, apreciamos a paisagem, tiramos várias fotos e depois iniciamos a descida. Dessa vez por uma via diferente, a Via Bira.
      No início da descida um rapel de uns 40 metros por uma descida bem íngreme junto a uma fenda e uma parede. Bem legal. Foi uma descida bem bacana. Uma via bem mais interessante que a tradicional.
      Eram 12:40 quando chegamos de volta ao ponto onde tínhamos iniciado a caminhada. Fizemos um lanche rápido e às 13:00 horas partimos em direção ao Prateleiras. Desta vez sem mochila, sem corda, sem água. Só levamos uma fita de escalada, que foi usada uma única vez. Achei bem mais tenso que o Agulhas, apesar de mais rápido. Muita fenda, muito lance exposto, muito salto de uma pedra para outra com abismos logo embaixo.
      No ataque final, nos últimos 15 minutos, o cara me salvou por duas vezes. A primeira em um lance de escalada livre onde se tem que fazer uma força contrária. Como não tem "pega", a gente sobe com os pés numa face da fenda, empurrando a outra face para baixo. Complicado. Eu tava a abrindo o bico de cansaço aí ele me deu a mão e a puxada final. Depois disso, num paredão bem inclinado, tinha que começar a subir quase correndo agarrando na pedra para conseguir chegar ao fim. Faltando um meio metro para o fim dessa rampa minha bota começou a escorregar na pedra e eu fiquei sem força. Gritei ele e novamente me deu a mão ajudando a chegar. Muito tenso.
      Atingimos o cume às 13:50 e depois de alguns minutos começamos a descida. Paramos para comer uma bananinha e paçoca e descemos mais tranquilos. Às 14:58 estávamos de volta ao local onde tinha ficado o carro.
      Daí o cara olha pra mim e fala: - Agulhas e Prateleiras em 6 horas. Nada mal.
      E rachamos o bico de dar risada.

      Tinha acabado de subir dois cumes que sempre tinha sonhado. Agulhas Negras e Prateleiras. Os dois em cerca de 6 horas. Eu estava muito feliz. 
      O visual de cima dessas montanhas é incrível. Mas a experiência da subida é demais. A adrenalina a mil. Saber que um escorregão e já era. Isso não tem preço que pague.
      Acabei ficando amigo do guia e ele me deu uma carona para Itanhandu no dia seguinte, onde pegaria o ônibus de volta pra minha terra.
      Dormi mais uma noite no mesmo hotel, dessa vez num quarto de fundos e o sono foi muito melhor. Desci para comer um sanduíche de pernil numa lanchonete próxima e bebi uma coca-cola de 1 litro. Depois de todo aquele esforço eu merecia.
       

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      Na manhã da quarta-feira, 26-09, eu parti de volta para Maringá, com uma parada longa em São Paulo, de onde saí de noite e cheguei em casa na manhã de 27-09-2018.
      Decidi ir pra casa a pé. Pra caminhar um pouco. rsrsrs.
      Logo depois do almoço eu estava em casa e na manhã do dia seguinte tudo voltaria à mesma rotina de antes.
      Mas eu não era o mesmo cara que tinha saído 23 dias antes. 
      Eu tinha caminhado mais de 420 Km. Tinha estado em 3 dos dez pontos mais altos do país. Tinha visto o sol nascer e se por proporcionando espetáculos inesquecíveis. Tinha conhecido gente da melhor qualidade, o povo bom e humilde do interior de Minas Gerais.
      Dá para aguentar essa rotina por mais um tempo, numa boa.
       
    • Por Amanda Abreu
      Depois de conhecer as Prateleiras e também o pico das Agulhas Negras, meu próximo objetivo era o Morro do Couto. Assim como Agulhas Negras e Prateleiras, o Morro do Couto fica localizado no Parque Nacional do Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, sendo considerado o 8° ponto mais alto do Brasil com 2680 metros de altitude. 
      A travessia aconteceu no dia 11/03/18. A intenção era subir o Morro do Couto, seguir até Prateleiras, e depois retornar para a portaria passando pelo Abrigo Rebouças, totalizando um percurso de 12 km. [emoji33]
       

       
      O quase planejamento da aventura começou na semana que antecedeu o domingo do possível passeio. Eu e o meu namorado Rafael, conversamos sobre o período sem trilhas que estávamos passando, e surgiu a ideia de voltar ao PNI. Itatiaia é cidade próxima de onde moramos, então, colocaríamos gasolina no carro, chamaríamos os amigos, e partiu. O valor da entrada por pessoa é tranquila, apenas R$17,00. 
      O problema para ir começou quando nos dois dias que antecederam o dia 11, choveu bastante e a probabilidade de chuva para os próximos dias na região era muito grande. Procuramos em diversas fontes alguma forma de saber melhor qual a previsão mais aproximada para o PNI, mas todos diziam que a possibilidade de chuva era de 90% e em outros alertava até para tempestades. Ate que um site nos orientou melhor e conseguimos ver que iria chover nas cidades próximas a partir das 9:00 da manhã. Então, avisamos os amigos que sairíamos bem cedo e faríamos pelo menos parte do trajeto ate as 9:00. Mas, sábado a noite choveu, e choveu muito; quem estava interessado de ir, desinteressou. [emoji32] Mesmo morrendo de medo de ser uma furada, de sair pra estrada e acabar pegando chuva forte e melando todo passeio, decidimos ir. 
      Arrumamos as coisas e combinamos de sair ate umas 5:30. Era umas 6:00 e estávamos na estrada. O tempo ainda não dava sinais de que rumo tomaria, mas nossa esperança era de que ate uma 9hrs ficaria tudo bem. Em uma parte da Via Dutra, vi um tempo fechado que me preocupou, mas eu já sabia, por idas anteriores, que o clima pode ser totalmente diferente lá em cima. Quando começamos a avistar os picos imponentes do parque, percebemos que o dia estava lindo, sem nuvens e com um lindo sol.[emoji41]
      Estávamos na portaria do parque as 8:15. Para fazer essa travessia, o horário limite de acesso é ate as 10. A travessia pode ser feita sem guia, mas, se você não conhece nada de trilhas, e ainda não se sente a vontade de encarar uma trilha sem um acompanhamento, o melhor é ir com alguém experiente. Nós fizemos sem guia, mas antes, coletamos informações suficientes sobre o que viria pela frente. O acesso para a trilha do Couto é uma estrada a partir do estacionamento. Subida bem íngreme, mas, conforme andávamos dava pra ver quão bonito estava a paisagem.
      Fomos ate uma antena e pouco depois começamos nosso primeiro ponto com subida nas pedras. Durante a caminhada conversamos sobre aquela ser uma trilha boa para levar crianças de uns 10 anos. Já na subida de pedras, aumentamos a idade devido ao tipo de desafio.

       
      Chegamos ao topo do Couto.[emoji3] A paisagem estava incrível, o lugar dá uma visão muito ampla do parque e nos deu uma sensação de liberdade sem igual. Não ficamos muito, pois íamos para o segundo desafio: chegar ate Prateleiras. São mais 4,5km de trilha.

       
      Na saída encontramos um pai com seu filho, que nos fez relembrar da nossa conversa anterior. Tivemos que perguntar a idade do menino, e imagine nossa surpresa ao ver uma criança de nove anos chegando lá em cima, com um sorriso no rosto e super empolgado. 
      Tive duvidas se eu conseguiria concluir a caminhada. A partir do momento que começamos o trajeto ate prateleiras percebemos que aquela trilha seria um exercício de paciência, cooperação e humildade; digo que até de coragem. Nessa parte, os totens (pedrinhas empilhadas) encontrados no caminho foram de grande ajuda. Eles davam a dica de qual o próximo caminho a se seguir, porque em alguns momentos as trilhas sumiram e andamos mato afora, mantendo o foco no nosso objetivo. O terreno la é sem árvores e tem somente mato rasteiro, que devido a estação do ano estava um pouco maior em alguns pontos, e também havia água e barro (é, você vai sujar sua bota sim). Durante o trajeto você tem a opção de abortar a travessia utilizando a trilha sinalizada que leva até o abrigo. Fizemos pequenas pausas para comer, descansar e tirar alguma foto. A próxima foto é da vista do mirante que encontramos no caminho, fácil de identificar por causa de uma plaquinha.

      Em certo ponto mais na frente, passamos pela toca do índio; pedras enormes que formavam uma passagem. Vale lembrar que durante o percurso, a toca do índio foi o único local com sombra generosa. Durante todo percurso, as sombras são muito raras. Fora isso, tivemos sombra em algumas pedras que encontramos no caminho. É importante não esquecer o filtro solar, e se der, use até uma manga longa. Pegamos um dia bem quente, afinal, era verão e o tempo estava aberto. Não se esquecer de levar água e também lanchinhos rápidos.
      Prateleiras estava ficando cada vez mais perto. Estávamos chegando ao nosso objetivo, e insistir na travessia foi a melhor escolha que fizemos. A paisagem é gratificante e as histórias pra contar sempre serão muitas. [emoji6]

      Quando chegamos ate as Prateleiras, e dessa vez não fomos até a base, retornamos pela trilha até o abrigo. Passamos pela cachoeira das Flores que estava com um bom fluxo de água que a deixou ainda mais bonita. 

      Chegando ao abrigo, fizemos nossa pausa maior com direito a uma sopa. [emoji3] Bem antes das 17:00 retornamos pela estrada a caminho da portaria. Chegamos ao posto Marcão as 17:15. No caminho de retorno podíamos ver ao longe, parte do que foi nosso objetivo e analisar um pouco do que tínhamos andado.

      Quando vamos ao PNI, sempre retornamos para casa já com vontade de voltar. Depois da travessia, pensei sobre não ter tirado uma foto que pudesse registrar a visão que se tem da paisagem ao longo do caminho, se é que isso é possível. Uma visão ampla e incrível de pedras, trilhas, subidas e descidas que te faz sentir um máximo por estar explorando aquele lugar sem igual. [emoji23]
       
       
       
       
       
       
       
       
       

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